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Orientações PARA OS ALUNOS: 
- O material a seguir são simplesmente apontamentos. 
- Não pode ser colocado ou publicado na internet. 
- Se colocar na net o aluno se responsabiliza pelo tal ato. 
- NÃO DISPENSA A LEITIRA DO LIVRO: MARILENA CHAUÍ, O CONVITE À FILOSOFIA. 
 
Prof. Dr. Pe. Nilson de Paula Resende – Fone: 99148-2584 
 
1ª apostila 
 
Filosofia geral 
 
O que é Filosofia?1 
Toda disciplina se define, geralmente, através de seu objeto de estudo. Isto é, a partir daquilo que 
está ao centro de seu discurso de interesse. Ou daquilo que pretende conhecer. 
Por exemplo, a FÍSICA quer descobrir os princípios da natureza. 
A QUÍMICA quer saber quais são os segredos da constituição da matéria. 
 
Por outro lado, não é tão fácil explicar qual é o objeto de estudo da FILOSOFIA. 
Talvez a etimologia (a raiz do significado) da palavra possa nos ajudar. O termo “filosofia” 
aparece na Grécia há mais ou menos 2.500 anos. Ele se compõe, na realidade, de duas palavras: 
Filia = amor e Sofia = sabedoria. 
Filosofia seria, portanto, o “amor à sabedoria”. 
 
No entanto, a definição ainda não está completa. Resta-nos saber o que é SABEDORIA. 
E, sendo um pouco mais curioso, podemos nos perguntar, ainda, que tipo de “amor” é esse. 
Sábio é, certamente, uma pessoa que inspira respeito por aquilo que sabe. 
Que tipo de saber deveria inspirar respeito? 
Se tivéssemos que escolher o mais apreciado de todos ... 
 
Escolheríamos o saber que todos os humanos reconhecessem como o mais útil. 
Nossa tradição filosófica considerou, então, há 2.500 anos, que o saber supremo seria aquele que 
nos ajudasse a encontrar FELICIDADE. A propósito, o que é a felicidade? 
Não há uma resposta única para essa pergunta. 
Percebe-se o quanto temos dificuldade em formular corretamente nossas questões! 
 
Assim, para admitir nossa ignorância, pensar com rigor e formular as perguntas adequadas só 
nos falta um pouco de DISCIPLINA. Alguém poderá nos dizer que, mesmo assim, as nossas 
respostas às várias questões da vida não passam de meras opiniões pessoais. 
Não são de caráter científico! 
Teremos de recordar a essa pessoa que houve um tempo em que não existia: 
 De um lado a FILOSOFIA, 
 De outro a CIÊNCIA. 
 
Acontece que tanto a ciência como a filosofia têm sua origem nessa vontade de descobrir a 
VERDADE deste mundo. 
Por que conhecer uma planta seria mais rigoroso que descobrir o que é a felicidade? 
Será por que num caso se pode estudar no laboratório e no outro caso não? 
Essa é uma diferença insuficiente para distinguir a ambição da ciência e da filosofia. 
Não podemos nos esquecer que ambas nascem de um mesmo impulso: 
O “amor à sabedoria”. 
Estimulado pela profunda convicção de que a busca da verdade contribui para a procura da 
felicidade. 
Deve-se admitir, contudo, que a filosofia e a ciência acabaram seguindo caminhos diferentes. 
 
 1 CHAUI Marilena, Convite à filosofia, Ed. Ática, São Paulo, 200212, 9-12. 
2 
 
 
 
A ciência desenvolveu linguagem e métodos próprios que hoje em dia demonstram sua eficácia 
em muitos campos distintos. Ela apóia-se, na maioria dos casos, em modernos e potentes 
laboratórios com consideráveis equipes de pesquisadores. 
Ao contrário, a FILOSOFIA continua sendo um esforço fundamentalmente solitário que se 
desenvolve longe de qualquer laboratório. 
 
A Filosofia tem como objetivo a verdade, pretende examinar todos os aspectos possíveis de 
nossas vidas humanas. Para tanto, ela se serve da força da reflexão e da riqueza da linguagem, 
que pode dizer muito mais do que acreditamos. 
O filósofo faz de sua vida e daquela dos outros a sua fonte de informações. 
Ele pretende entender o mistério que se esconde em todos os nossos atos, inclusive os mais 
rotineiros. 
 
O filósofo não se sente a serviço de nenhuma ciência, uma vez que se atreve até a questionar a 
origem e a validade de qualquer disciplina científica. 
Como criança, o filósofo repete incansavelmente a mesma pergunta: por quê? 
O esforço filosófico consiste em obrigar a linguagem a elaborar respostas que nos ajudarão a 
entender nosso mundo e que trarão sempre novas perguntas. 
Pois o ser humano não pode evitar querer saber! 
 
Portanto, uma das primeiras respostas à pergunta: “O que é Filosofia?” 
Poderia ser: “a decisão de não aceitar como 
 Naturais, 
 óbvias e 
 evidentes 
 as coisas, as idéias, os fatos, as situações, os valores, os comportamentos de nossa 
existência cotidiana”. 
 
A atitude filosófica não permite que se aceite tudo isso antes de havê-los investigado e 
compreendido. Vamos dar um exemplo para deixar nossa exposição mais clara. Imaginemos 
alguém que tomasse a decisão de não aceitar as opiniões estabelecidas e começasse a fazer 
perguntas que os outros julgam estranhas e inesperadas. 
Em vez de: . “Que horas são?” ou, . “Que dia é hoje?”, 
perguntasse: “O que é o tempo?”. 
 
Em vez de dizer: . “Está sonhando?” ou, . “Ficou maluca”, 
quisesse saber: “O que é o sonho, a loucura, a razão?”. 
 
Suponhamos que essa pessoa fosse substituindo suas afirmações por perguntas e em vez de 
dizer: . “Onde há fumaça, há fogo”, 
Perguntasse: . “O que é a causa?” . “O que é efeito?” 
 
Em vez de afirmar: “Essa casa é mais bonita do que a outra”, 
Perguntasse. “O que é ‘mais’?” . “O que é ‘menos’?” 
 
Em vez de gritar: “Mentiroso?”, 
questionasse: . “O que é a verdade?”, “O que é o falso?”, “O que é o erro?”, .“O que é a 
mentira?” 
 
Se, em vez de falar na subjetividade dos namorados, perguntasse: 
“O que é o amor?”, “O que são os sentimentos?” 
3 
 
 
 
Alguém que tomasse essa decisão estaria tomando distância da vida cotidiana e de si mesmo. 
Teria passado a indagar o que são as crenças e os sentimentos que alimentam, silenciosamente, a 
nossa existência. 
 
A atitude filosófica pode ser: negativa: “um dizer não ao senso comum, aos pré-conceitos, aos 
pré-juízos, aos fatos e às idéias da experiência cotidiana, ao que 'todo mundo diz e pensa', ao 
estabelecido e a positiva, isto é, uma interrogação sobre o que são as coisas, as idéias, os fatos, as 
situações, os comportamentos, os valores, nós mesmos. É também uma interrogação sobre o 
porquê disso tudo e de nós, e uma interrogação sobre como tudo isso é assim e não de outra 
maneira. O que é? Por que é? Como é? Essas são as indagações fundamentais da atitude 
filosófica. 
A face negativa e a face positiva da atitude filosófica constituem o que chamamos de atitude 
crítica e pensamento crítico” (CHAUI,12). 
Ao tomar essa distância, numa atitude critica, estaria interrogando a si mesmo, desejando 
conhecer: 
 por que cremos, > no que cremos, > por que sentimos, > o que sentimos e 
 o que são nossas crenças e nossos sentimentos. 
Essa pessoa estaria começando a cumprir o que dizia o oráculo de Delfos: 
“Conheça-te a ti mesmo” 
 
Havia na Grécia antiga, na cidade de Delfos, um santuário dedicado ao deus Apolo. Ele era 
venerado como deus da razão, do conhecimento e da luz. Patrono da sabedoria. Sobre o portal 
de entrada desse templo estava escrita a grande mensagem desse deus aos homens: 
“Conheça-te a ti mesmo”. 
 
Conta a tradição, que um ateniense de nome Sócrates, famoso por ser homem de ciência e 
sabedoria, dirigiu-se para Delfos. Lá chegando, foi consultar o oráculo do santuário de Apolo, pois 
queria saber se poderia ser chamada de sábio. A mulher que o atendeu perguntou-lhe: “O que você 
sabe?” Ele respondeu-lhe: “Só sei que nada sei”. Ao que o oráculo disse: “Sócrates é o mais sábio 
de todos os homens, pois é o único que sabe que não sabe”. 
Sócrates é o patrono da Filosofia. 
 
Xxxxxxxxxxxxxxxxxx 
Leitura: “O objetivo da filosofia é a verdade! Ao buscar a verdade (...) o filósofo fica atento ao 
próprio conceito do que entende por verdade. A verdade que a filosofia procura há de ser 
abrangente. No mundo a verdade está em conflito perpétuo. A filosofia leva esse conflito ao 
extremo, porém o despe de violência!!! A filosofia questiona e explica nossa existência baseada na 
vivência e nos anseios do ser humano. Filosofara) Fé e razão são irreconciliáveis: a fé é superior à razão (diziam eles: “Creio porque 
absurdo”). 
b) Fé e razão são conciliáveis: porém subordinavam a razão à fé (diziam eles: “Creio para 
compreender”). 
c) Fé e razão são irreconciliáveis, mas possuem seu campo próprio de conhecimento: por 
isso não devem se misturar. A razão se refere a tudo o que concerne à vida temporal dos homens 
no mundo; a fé, a tudo o que se refere à salvação da alma e à vida eterna futura. 
 
2. FILOSOFIA MEDIEVAL (do séc. VIII ao séc. XIV). 
 
Abrange pensadores europeus, árabes e judeus. 
A partir do séc. XII, por ter sido ensinada nas escolas, a Filosofia medieval também passa a ser 
conhecida com o nome de escolástica. Ela teve como influências principais: Platão e Aristóteles. 
Embora o Platão conhecido pelos medievais fosse o neoplatônico, isto é, interpretado pelo 
filósofo Plotino, do séc. VI d.C. 
E o Aristóteles fosse aquele conservado e traduzido pelos árabes, particularmente Avicena e 
Averróis. 
A Filosofia medieval conservou e discutiu os mesmos problemas que a patrística. 
No entanto, acabou por acrescentar outros temas, particularmente um, conhecido com o nome de 
Problema dos Universais. 
Esse período sofreu, também, uma grande influência das idéias de Santo Agostinho. 
Durante esse período surge propriamente a Filosofia cristã, que é, na verdade, a teologia. 
Um de seus temas mais constantes são as provas da existência de Deus e da imortalidade da 
alma. 
Isto é, demonstrações racionais da existência do infinito criador e do espírito humano imortal. 
25 
 
 
Outra característica da escolástica foi o método por ela inventado para expor as idéias filosóficas, 
conhecido como disputa. 
Apresentava-se uma tese e esta devia ser ou refutada ou defendida com argumentos tirados da 
Bíblia, de Aristóteles, de Platão ou de outros Padres da Igreja. 
Assim, uma idéia era considerada uma tese verdadeira ou falsa dependendo da força e da 
qualidade dos argumentos encontrados nos vários autores. 
Por causa desse método (teses, refutações/defesas, respostas, conclusões baseadas em escritos de 
outros autores. costuma-se dizer que, na Idade Média, o pensamento estava subordinado ao 
princípio da autoridade. 
Uma idéia é considerada verdadeira se for baseada nos argumentos de uma autoridade 
reconhecida (Bíblia, Platão, Aristóteles, um papa, um santo). 
Os pensadores medievais mais importantes foram: 
 Do lado ocidental: Abelardo, Duns Scoto, Escoto Erígena, Santo Anselmo, Santo Tomás 
de Aquino, Santo Alberto Magno, Guilherme de Ockham, Roger Bacon, São Boaventura, 
 Do lado árabe temos os seguintes filósofos: Avicena, Averrois, Alfarabi e Algazáli. 
 Do lado judaico: Maimônides, Nahmanides, Yeudah ben Levi. 
 
3. FILOSOFIA DA RENASCENÇA (do séc. XIV ao séc. XVI): 
Nesse período ocorre uma redescoberta das obras de Platão, desconhecidas na Idade Média e de 
novas obras de Aristóteles. Essas obras passam a ser lidas em grego e recebem novas traduções 
mais acuradas e fiéis. A época também se dedica à recuperação das obras dos grandes autores e 
artistas gregos e romanos e à imitação deles. 
Há três grandes linhas de pensamento que predominam na Renascença: 
a) A natureza e o homem: 
A natureza era concebida como um grande ser vivo, dotada de uma alma universal (a Alma do 
mundo. e feita de laços secretos entre todas as coisas, unidas por simpatia e desunidas por 
antipatia. 
O homem era concebido como parte da natureza e como um microcosmo no macrocosmo. Isto é, 
um pequeno mundo que espelha e reproduz a estrutura e a vida do grande mundo, ou o Universo. 
Por isso pode agir sobre o mundo por meio de conhecimentos e práticas que operam com as 
ligações secretas entre as coisas. Ou seja, por meio da magia natural, da alquimia e da astrologia. 
b) Vida política: 
Inspirados pelos pensadores florentinos, que valorizavam a vida ativa na política e defendiam a 
liberdade das cidades italianas contra o Império Romano-Germânico. 
Recuperam a idéia de república, tal como aparecia nas obras de autores antigos romanos (Cícero, 
Tito Lívio e Tácito). É proposto o renascimento da república livre, anterior ao surgimento do 
império eclesiástico. 
c) O ser humano: 
Propunha o ideal do homem como artífice de seu próprio destino, tanto por meio dos 
conhecimentos (astrologia, magia, alquimia), como por meio da política (o ideal republicano), 
das técnicas (medicina, arquitetura, engenharia, navegação) e das artes (pintura, escultura, poesia, 
etc.). 
Assim, essas três grandes linhas de pensamento explicam por que se costuma falar no humanismo 
como traço predominante da Renascença. 
O ser humano é valorizado, colocado no centro do Universo. 
Ele é defendido em sua liberdade e em seu poder criador e transformador. 
A dinâmica cultural, intelectual e política desse período levou a críticas profundas à Igreja 
Romana, culminando na Reforma Protestante, baseada na idéia de liberdade de crença e de 
pensamento. 
A Igreja Romana respondeu à Reforma com a Contra-Reforma no Concílio de Trento (1545-
1563). 
26 
 
 
Os nomes mais importantes desse período são: Dante Alighieri, Marcílio Ficino, Giordano 
Bruno, Campannella, Maquiavel, Montaigne, Erasmo de Roterdã, Tomás Morus, Jean Bodin, 
Kepler e Nicolau de Cusa. 
 
4. FILOSOFIA MODERNA (do século XVII a meados do século XVIII.. 
 
Esse período é conhecido como o grande racionalismo clássico. Nasce procurando vencer um 
ambiente de pessimismo teórico. 
Esse pessimismo é o ceticismo, ou seja, a atitude filosófica que duvida da capacidade da razão 
humana para conhecer a realidade exterior e o homem. 
Vários fatores contribuíram para criar esse ambiente de ceticismo: 
 Conflitos de religião: lutas entre católicos e protestantes; 
 Descobertas marítimas: outros povos, bem diferentes dos europeus, são encontrados; 
 Disputas filosóficas e teológicas: cria um ambiente de dúvida sobre a capacidade humana 
de conhecer a verdade. 
Para vencer o ceticismo e restaurar o ideal filosófico da possibilidade do conhecimento racional 
verdadeiro e universal, a Filosofia moderna propõe três mudanças teóricas principais: 
1ª. Surgimento do sujeito do conhecimento: 
ao invés de começar se perguntando sobre a natureza, Deus e outras coisas, a Filosofia se dedica a 
indagar a respeito da capacidade da razão humana para conhecer e demonstrar a verdade dos 
conhecimentos. 
A Filosofia começa a perguntar-se pelo sujeito que conhece. 
A fim de verificar se ele é capaz do conhecimento verdadeiro. 
É a consciência reflexa que o sujeito do conhecimento possui de si mesmo que importa. 
Principais Períodos da Filosofia 
Para vencer o ceticismo, a Filosofia precisa responder à pergunta: 
 Como o intelecto pode conhecer o que é diferente dele? 
 Como o espírito pode conhecer a matéria? 
 Como o sujeito espiritual pode conhecer os objetos corporais, o seu próprio corpo e os 
demais corpos da natureza? 
2ª. O objeto do conhecimento: 
para os filósofos modernos, as coisas exteriores (a natureza, as instituições sociais e políticas) são 
conhecidas quando o sujeito do conhecimento as representa intelectualmente. Ou seja, quando o 
sujeito consegue representar aquilo que conhecesse por meio de um conceito ou por uma ideia 
clara e distinta, demonstrável e necessária, formulada pelo intelecto. 
Para esses filósofos, a realidade era intrinsecamente racional e pode ser captada e representada 
pelas ideias e conceitos. 
3ª. A natureza é um sistema ordenado de causas e efeitos necessários: cuja estrutura profunda 
e invisível é a matemática. 
O “livro do mundo”, diz Galileu, está escrito em caracteres matemáticos e para lê-lo é preciso 
conhecer matemática. 
A realidade é racional porque é um sistema ordenado de causalidades físico-matemáticas 
perfeitas e plenamente conhecíveis pela razão humana. 
Todas as coisas e todos os fatos da realidade são percebidos pelo conhecimento que se tem das 
relações necessárias de causa e efeito que os produzem, os conservam ou os destroem. 
Uma vez quea realidade pode ser representada pelos conceitos formulados pelo sujeito do 
conhecimento, este também pode intervir na realidade e alterá-la. 
Nascem, desse modo, a ideia de experimentação científica. Nascem, assim, os laboratórios. 
Outra ideia que surge é aquela do ideal tecnológico, ou seja, a expectativa de que o homem 
poderá dominar tecnicamente a natureza e a sociedade graças à invenção de máquinas. 
Existe também, nesse período, a convicção de que a razão humana é capaz de conhecer: 
 a origem, 
27 
 
 
 as causas e 
 os efeitos 
das paixões e das emoções e, através da vontade orientada pela razão, é capaz de governá-las e 
dominá-las, de sorte que a vida ética pode ser plenamente racional. 
Essa mesma convicção orienta o racionalismo político, isto é, a ideia de que a razão é capaz de 
definir para cada sociedade qual o melhor regime político e como mantê-lo racionalmente. 
Estes são os principais pensadores desse período: Francis Bacon, René Descartes, Galileu 
Galilei, Blaise Pascal, Thomas Hobbes, Baruch Spinoza, Leibniz, Malembranche, Berkeley, Isaac 
Newton, Gassendi. 
 
. Filosofia da Ilustração ou Iluminismo (meados do séc. XVIII – início do séc. XIX): 
Esse período também crê nos poderes da razão, chamada de AS LUZES. Por isso o nome 
iluminismo. 
 
O iluminismo afirma que: 
1) Pela razão, o homem pode conquistar a liberdade e a felicidade social e política. A 
Filosofia da Ilustração foi decisiva para as ideias da Revolução Francesa de 1789. 
2) A razão é capaz de aperfeiçoamento e progresso. O homem é um ser perfectível. A 
perfeição consiste em libertar-se dos preconceitos religiosos, sociais e morais. 
3) O aperfeiçoamento da razão se realiza pelo progresso das civilizações, que vão das mais 
atrasadas (“primitivas” ou “selvagens”) às mais adiantadas e perfeitas (as da Europa ocidental). 
4) Natureza e civilização têm diferença. Natureza é o reino das relações necessárias de 
causa e efeito ou das leis naturais universais e imutáveis. A natureza é o reino da necessidade 
(das coisas e acontecimentos que não podem ser diferentes do que são). Civilização é o reino da 
liberdade e da finalidade proposta pela vontade livre dos próprios homens. A civilização é o reino 
da liberdade (a vontade humana pode escolher entre alternativas contrárias possíveis). 
 
Nesse período há grande interesse por: 
a) Ciências que se relacionam com a ideia de transformação progressiva, como é o caso da 
biologia. 
b) Artes, na medida em que elas são as expressões por excelência do grau de progresso de 
uma civilização. 
c) Bases econômicas da vida social e política. 
 
Surge uma reflexão sobre a origem e a forma das riquezas das nações. 
Disso surgem duas correntes de pensamento: 
 Fisiocrata: a agricultura é a fonte principal das riquezas; 
 Mercantilista: o comércio é a fonte principal da riqueza das nações. 
 
Os principais pensadores do período foram: David HUME (1711-1776), VOLTAIRE (1694-
1778), Jean Le Rond D’ALEMBERT (1717-1783), Denis DIDEROT (1713-1784), Jean-
Jacques ROUSSEAU (1712-1778), Immanuel KANT (1724-1804), Johann Gottlieb FICHTE 
(1762-1814) e Friedrich Wilhelm Joseph von SCHELLING (1775-1854). 
 
5. FILOSOFIA CONTEMPORÂNEA 
 
Abrange o pensamento filosófico que vai de meados do séc. XIX e chega aos nossos dias. 
Esse período, por ser o mais próximo de nós, parece ser o mais complexo e o difícil de definir. 
 
Seguiremos a proposta de Marilena Chauí, que faz uma contraposição entre as principais ideias 
do séc. XIX e aquelas do séc. XX. Vejamos no quadro comparativo abaixo: 
 
28 
 
 
 
 
 
 
 
 
TEMA FILOSOFIA DO SÉCULO 
XIX 
FILOSOFIA DO SÉCULO XX 
História e 
Progresso 
Descoberta da história ou 
historicidade do ser humano, da 
sociedade, das ciências e das 
artes. 
A história é a realidade (Hegel). 
Tudo é essencialmente 
histórico. 
Ideia de progresso: os seres 
humanos, as sociedades, as 
ciências, as artes e técnicas 
melhoram com o passar do 
tempo, acumulam 
conhecimento e práticas. De 
modo que o presente é melhor 
que o passado, e o futuro será 
melhor comparado ao presente. 
A história é descontínua e não progressiva. 
Cada sociedade tem sua história própria. 
A ideia de “progresso” passou a ser criticada 
porque serve como desculpa para legitimar. 
Colonialismos e imperialismos. 
Em cada época histórica e para cada 
sociedade, os conhecimentos e as práticas 
possuem sentido e valor próprios. Tal 
sentido e tal valor desaparecem numa época 
seguinte. 
 
Ciências e 
Técnicas 
Confiança plena e total no saber 
científico e na tecnologia para 
dominar e controlar a natureza, 
a sociedade e os indivíduos. 
A sociologia seria capaz de nos 
oferecer um saber seguro e 
definitivo sobre o 
funcionamento das sociedades. 
O homem é capaz de organizar 
racionalmente o social evitando 
revoluções, revoltas e 
desigualdades. 
A psicologia ensinaria 
definitivamente como funciona 
a mente humana. 
 
Desconfiança do otimismo científico-
tecnológico em virtude de: duas guerras 
mundiais, o bombardeio de Hiroshima e 
Nagasaki, os campos de concentração 
nazistas e estanilistas (sistema político e 
econômico socialista implementado na 
União Soviética por Josef Stalin), as guerras 
da Coréia, do Vietnã, do Oriente Médio, do 
Afeganistão, as ditaduras sangrentas na 
América Latina. 
Ciências e técnicas incorporadas a grandes 
complexos industriais e militares. Eles 
financiam as pesquisas científicas e definem 
o que deve ser pesquisado e como serão 
utilizados os resultados. 
A chamada “Escola de Frankfurt”, na 
Alemanha, elaborou uma concepção 
conhecida como Teoria Crítica, na qual 
distingue duas formas da razão: a razão 
instrumental e a razão crítica. 
A razão instrumental é a razão técnico-
científica, que não constitui um meio de 
liberação dos seres humanos, mas um meio 
de intimidação, medo, terror e desespero. 
A razão crítica, ao contrário, é aquela que 
analisa a interpreta os limites e os perigos do 
pensamento instrumental e afirma que as 
mudanças sociais, políticas e culturais só se 
29 
 
 
realizarão se tiverem como finalidade a 
emancipação do gênero humano e não as 
ideias de controle e domínio técnico-
científico e sobre a natureza, a sociedade e a 
cultura. 
Ideais Político-
revolucionários 
A Filosofia apostou nos ideais 
políticos revolucionários do 
anarquismo, socialismo, 
comunismo. 
Eles criariam, graças à ação 
política consciente dos 
explorados e oprimidos, uma 
sociedade nova, justa e feliz. 
 
A Filosofia irá desconfiar, também, do 
otimismo revolucionário e das utopias. 
Indaga se os oprimidos seriam capazes de 
criar e manter uma sociedade nova, justa e 
feliz. 
Isso foi motivado devido o surgimento das 
sociedades totalitárias: fascismo, nazismo, 
stalinismo e maoísmo. 
Será que o ser humano é capaz de derrubar 
as burocracias, esse imenso poder oculto? 
A Cultura A Filosofia descobre a cultura 
como o modo próprio e 
específico da existência dos 
seres humanos. 
Os animais são seres naturais; 
os humanos, seres culturais. A 
cultura é o exercício da 
liberdade. 
Haveria uma única grande 
cultura em progresso, da qual as 
diferenças culturais seriam fases 
ou etapas. 
Romantismo: culturas 
particulares, nacionais. O mais 
importante é o passado, o 
folclore de um povo, não o 
futuro. 
Não há cultura, mas culturas diferentes. As 
diferenças culturais não se devem à nação, 
pois a ideia de nação é uma criação cultural e 
não a causa das diferenças culturais. 
Cada cultura inventa seu modo de relacionar-
se com o tempo, de criar sua linguagem, de 
elaborar seus mitos e crenças, de organizar o 
trabalho e as relações sociais, de criar obras 
de pensamento e de arte. O presente está 
voltado para o futuro. 
 
 
 
O Fim da 
Filosofia 
O otimismo científico e técnico 
levou a Filosofia a supor que, 
no futuro, só haveria ciências, e 
que todos os conhecimentos e 
todas as explicações seriam 
dados por elas. 
Assim sendo, a própria 
Filosofia poderia desaparecer, 
não tendo motivo paracontinuar existindo. 
A Filosofia passou a mostrar que as ciências 
não possuem princípios totalmente certos, 
seguros e rigorosos para as investigações, os 
resultados podem ser duvidosos e precários. 
Os princípios, métodos, conceitos e 
resultados de uma ciência podem estar 
totalmente equivocados ou desprovidos de 
fundamento. A Filosofia voltou a afirmar o 
seu papel de compreensão e interpretação 
crítica das ciências. 
A maioridade 
da razão 
O otimismo filosófico levava a 
Filosofia a afirmar que, enfim, 
os seres humanos haviam 
suplantado a superstição, as 
explicações mágicas e fanáticas 
da realidade e alcançado a 
maioridade racional. 
Acreditava, também, que a 
razão se desenvolvia 
plenamente para que o 
No entanto, Karl Marx, no final do séc. XIX, 
e Sigmund Freud, no início do séc. XX, 
puseram em questão esse otimismo 
racionalista. 
Marx voltou-se para a economia e a política. 
Freud para as perturbações e os sofrimentos 
psíquicos. 
Marx descobriu que temos a ilusão de 
estarmos pensando com nossa própria cabeça 
e agindo por nossa própria vontade de 
30 
 
 
conhecimento completo da 
realidade e das ações humanas 
fosse alcançado. 
maneira racional e livre, porque 
desconhecemos as condições econômicas e 
sociais nas quais a classe social que domina 
a sociedade exerce seu poder sobre a mente 
de todos. Fazendo com que suas ideias 
pareçam ser verdades universais, válidas 
para todos os membros da sociedade e para 
todas as classes sociais. Esse poder invisível 
que nos força a pensar como pensamos e agir 
como agimos foi chamado por ele de 
ideologia. 
Freud, por sua vez, mostrou que os seres 
humanos têm a ilusão de que tudo quanto 
pensam, fazem, sentem e desejam, tudo 
quanto dizem ou calam estaria sob o pleno 
controle de nossa consciência porque 
desconhecemos a existência de uma força 
invisível, de um poder – que é psíquico e 
social – que atua sobre nossa consciência 
sem que ela o saiba. 
A esse poder que domina e controla invisível 
e profundamente nossa vida consciente ele 
deu o nome de inconsciente. 
Diante disso tudo, a Filosofia se viu forçada 
a reabrir a discussão sobre o que é e o que 
pode a razão. 
Sobre o que é e o que pode a consciência 
reflexiva ou o sujeito do conhecimento, 
sobre o que são e o que podem as 
aparências e as ilusões. 
A Filosofia teve, também, que reabrir as 
discussões éticas e morais: 
 O homem é, realmente, livre ou é 
inteiramente condicionado pela sua situação 
psíquica e histórica? 
 Se for inteiramente condicionado, 
então a história e a cultura são causalidades 
necessárias como a natureza? Ou seria mais 
correto indagar: 
 Como os seres humanos conquistam 
a liberdade em meio a todos os 
condicionamentos psíquicos, históricos, 
econômicos, culturais em que vivem? 
Infinito e 
Finito 
Prosseguiu uma tradição 
filosófica dos gregos e que foi 
muito alimentada pelo 
pensamento cristão: 
- a ideia de infinito, isto é, 
- a natureza eterna (dos gregos), 
- o Deus eterno dos cristãos, 
- o desenvolvimento pleno e 
total da História ou do tempo 
Neste século a Filosofia tendeu a dar maior 
importância ao FINITO. 
Isto é: 
- ao que surge e desaparece, 
- ao que tem fronteiras e limites. 
O existencialismo, corrente filosófica entre 
os anos 1930 e 1950, define o humano como 
um “ser para a morte”. Ser temporal e que 
tem um fim. 
31 
 
 
como totalização de todos os 
seus momentos ou suas etapas 
(Hegel). 
Prevalecia, portanto, a ideia de 
TODO ou de TOTALIDADE, 
da qual os humanos fazem parte 
e participam. 
 
Para aceitar e enfrentar essa finitude, o 
homem poderia dedicar-se a ARTE e/ou a 
ação político-revolucionária. 
Outra corrente filosófica que vai nessa linha 
é a Filosofia da Diferença. 
Ela se interessa mais pela singularidade e 
particularidade do que pelas semelhanças. 
Como o caso da cultura. Interessando-se pela 
diversidade, pluralidade e singularidade das 
diferentes culturas, em lugar de voltar-se à 
ideia de uma cultura universal. 
Ao invés de buscar uma espécie de ciência 
universal, que conteria dentro de si todas as 
ciências particulares, interessou-se pela 
multiplicidade e pela diferença entre as 
ciências, pelos limites de cada uma delas e 
sobretudo pelos impasses e problemas 
insolúveis. 
 
 
7. A FILOSOFIA EM NOSSOS DIAS. 
 
Desde meados dos anos 1980, surge a ideia de que a modernidade terminou e que se iniciou a pós-
modernidade. 
Diz-se que a modernidade corresponde à época da sociedade industrial, enquanto que a pós-
modernidade corresponde à sociedade pós-industrial. 
 
A modernidade era o conjunto de ideias e valores que haviam conduzido a Filosofia e as ciências 
desde o final do séc. XVIII até os anos 1980. 
 
Podemos resumi a modernidade nos seguintes aspectos: 
 
1º. Campo do conhecimento. 
Suas características eram: 
 Racionalismo: confiança no poder da razão para distinguir entre aparência e realidade e 
para conhecer e transformar a realidade. 
 Distinção entre interior e exterior ou sujeito e objeto: confiança em critérios que 
permitiam distinguir claramente entre o sujeito ou a consciência (o interior. e o objeto ou as coisas 
(exterior., de modo a assegurar a subjetividade como fundamento necessário do conhecimento ou 
como condição necessária da objetividade como forma de conhecimento verdadeiro. 
 Afirmação da capacidade da razão humana para conhecer a essência ou a estrutura 
interna de todos os seres. 
 
2º. Campo da prática. 
 Afirmação da diferença que rege a ordem natural ou as leis da natureza e a ordem 
humana da cultura (ética, política, artes), que é fruto da própria ação do ser humano. Ela pode 
mudar tal ordem sempre que desejar. 
 Os seres humanos são indivíduos e agentes livres porque são seres racionais dotados de 
vontade, capazes de controlar e moderar suas paixões e seus desejos. 
 Distinção entre o público e o privado: a esfera pública ou política (campo das instituições 
sociais e de poder) e a esfera privada da moral individual (a ética) e a economia de mercado 
(propriedade privada dos meios de produção). 
32 
 
 
 Reafirmação dos ideais da Revolução Francesa – igualdade, liberdade e fraternidade –, 
reconhecimento de uma esfera de direitos civis, o campo da cidadania. Esse reconhecimento dos 
direitos sociais deu origem aos movimentos de luta contra o racismo, a favor do feminismo e da 
liberação sexual. 
 Afirmação de um sentido progressivo da história ou de ideais revolucionários de 
emancipação do gênero humano. Lutas sociais e políticas contra a opressão e exploração 
econômica, social, política e cultural. 
O pensamento pós-moderno critica as ideias modernas e as recusa: 
 
 São infundadas e ilusórias as pretensões da razão no conhecimento e na prática. Um 
disfarce para o exercício da dominação sobre os seres humanos. 
 O conhecimento se define por critérios de utilidade e eficácia. 
 Considera infundada a distinção entre sujeito e objeto, pois tanto as filosofias como as 
ciências são construções subjetivas de seus objetos, os quais só existem como resultado das 
operações teóricas e técnicas. 
 O conhecimento não visa a uma realidade existente em si mesma e sim à invenção ou 
construção de objetos teóricos e técnicos. 
 A pós-modernidade não admite a distinção entre ordem natural e necessária e ordem 
histórica ou cultural instituída pelos homens: ambas são invenções ou instituições humanas, 
contingentes, passageiras. 
 Não admite a definição do ser humano como animal racional dotado de vontade livre, mas 
o concebe como um ser passional, desejante, que age movido por impulsos. Ao mesmo tempo, o 
ser humano institui uma ordem social que reprime seus desejos e paixões. 
 A ética não se define pela ação racional voluntária livre, mas se define pela busca da 
satisfação dos desejos, satisfação que define a felicidade e esta se realiza na esfera da intimidade 
individual. 
 Desconfia da política: a democracia gera a apatia crescente dos cidadãos; o socialismo e o 
comunismo desembocamem regimes e sociedades totalitárias. Por isso desconfia da distinção 
entre o público e o privado e dá importância à esfera da intimidade individual. 
 Dá importância à ideia de diferença. 
 Em lugar de encarar a sociedade como uma estrutura que opera pela divisão social das 
classes, 
 concebe o social como uma teia fragmentada de grupos que se diferenciam por etnia, 
gênero, religião, costumes, comportamento e gostos. 
 
“Filosofar é deixar o pensamento humano perceber, pela reflexão e crítica, a ação de Deus no 
mundo, na história e na humanidade” (Prof. Nilson). 
 
Muito Obrigado!!!é nada mais que discutir os porquês e linhas que a 
vida segue e tentar chegar a uma melhor resposta para os fenômenos, acontecimentos e 
comportamento das pessoas. (....) A Filosofia é dinâmica, pois dinâmico é o ser humano, em 
conseqüência, as sociedades que dele derivam, perpetuando-se e modificando-se conforme as 
necessidades que se lhes apresentem. O objetivo da filosofia é o de suscitar perguntas, levantar o 
porquê das coisas, instigando a respostas diversas, por este motivo, enriquecedoras e atuais. 
Respostas iguais destituiriam a filosofia de seu próprio cerne. O ser humano se enriquece quando 
em contato com as diferenças de outro ser humano, em que os pensamentos se interagem, 
amoldando-se. As diferenças são o que igualam o ser, levando-o à busca do conhecimento, e, na 
medida em que é alcançado, o desenvolvimento se favorece”2. 
2ª Apostila 
Filosofia geral 
 
 
2 http://pt.shvoong.com/humanities/philosophy/1770943-objetivo-da-filosofia/ (visitado 01/02/2011) 
4 
 
 
1) Para que a Filosofia? Afinal, Filosofia pra quê?3 
É uma pergunta interessante! 
Não vemos nem ouvimos ninguém perguntar, por exemplo: 
 “Para que matemática ou física?” 
 “Para que geografia ou geologia?” 
 “Para que história ou sociologia?” 
Mas todo mundo acha muito natural perguntar:“Para que Filosofia?” 
Em geral, essa pergunta costuma receber uma resposta irônica: 
“A Filosofia é uma ciência com a qual e sem a qual o mundo permanece tal e qual”. 
Ou seja, a Filosofia não serve para nada. 
Por isso, costuma-se chamar de “filósofo” alguém sempre distraído, com a cabeça no mundo da 
lua pensando e dizendo coisas que ninguém entende e que são perfeitamente inúteis. 
Essa pergunta, em nossa cultura, tem a sua razão de ser. 
Em nossa sociedade hoje, costumamos considerar que alguma coisa só tem o direito de existir se 
tiver alguma finalidade prática, muito visível e de utilidade imediata. 
Assim sendo, quando se pergunta: “Para quê?”, o que se quer saber é: “Qual a utilidade?”. 
 
Eis por que ninguém pergunta “Para que as ciências?”, pois todo mundo imagina ver a utilidade 
das ciências nos produtos da técnica. 
Isto é, na aplicação dos conhecimentos científicos para criar instrumentos de uso: 
 Cronômetro 
 Microscópio, 
 Telescópio até a 
 Luz elétrica. 
 
As pessoas, no entanto, não percebem que as ciências pretendem ser conhecimentos verdadeiros. 
Obtidos graças a procedimentos rigorosos de pensamento; 
Pretendem agir sobre a realidade, por meio de instrumentos e objetos técnicos; 
Pretendem fazer progressos nos conhecimentos, corrigindo-os e aumentando-os. 
 
Portanto, todas essas pretensões das ciências pressupõem que elas admitem a existência da 
verdade, bem como, a necessidade de procedimentos corretos para bem usar o pensamento. 
E, sobretudo, as ciências confiam na racionalidade dos conhecimentos, isto é, que são válidos não 
só porque explicam os fatos, mas também porque podem ser corrigidos e aperfeiçoados. 
 
Verdade, 
Pensamento racional, 
Procedimentos especiais para conhecer fatos, aplicação prática de conhecimentos teóricos, 
correção e acúmulo de saberes: esses objetivos e propósitos das ciências não são científicos, 
são filosóficos e dependem de questões filosóficas. 
Os cientistas partem delas como questões já respondidas, mas é a Filosofia quem as formula e 
busca respostas para elas. 
Assim, o trabalho das ciências pressupõe, como condição, o trabalho da Filosofia, mesmo que o 
cientista não seja filósofo. 
Como apenas os cientistas e filósofos sabem disso, a maioria das pessoas, do senso comum, 
continua afirmando que a Filosofia não serve para nada. 
 
 
 
2) Atitude Filosófica: indagar 
 
3CHAUI Marilena, Convite à filosofia, Ed. Ática, São Paulo, 200212,12-18. 
5 
 
 
A atitude filosófica possui algumas características que são as mesmas, independentemente do 
conteúdo investigado. 
Essas características são: 
 Perguntar O QUE É: seja a coisa, a ideia, a valor, um comportamento. Ou seja, a 
Filosofia pergunta qual é a realidade e qual é a significação de algo, não importa o quê; 
 
 Perguntar COMO, a coisa, a ideia, o valor, o comportamento, É. Ou seja, a Filosofia 
indaga como é a estrutura ou o sistema de relações que constitui a realidade de uma coisa, uma 
idéia ou um valor; 
 
 Perguntar POR QUE É: uma coisa, uma idéia, um valor, um comportamento.Ou seja, por 
que algo existe, qual é a origem ou causa de uma coisa, de uma idéia, de um valor, de um 
comportamento. 
 
A atitude filosófica começa dirigindo essas indagações ao mundo que nos rodeia e às relações 
que mantemos com ele. 
Como decorrência dessas questões, o filósofo prossegue indagando sobre a sua própria vontade de 
conhecer. 
Em outras palavras, a Filosofia compreende que precisa conhecer a nossa capacidade de 
conhecer, que precisa pensar sobre nossa capacidade de pensar. 
Por isso, pouco a pouco, as perguntas da Filosofia se dirigem ao próprio pensamento: 
 O que é pensar? 
 Como é pensar? 
 Por que há o pensar? 
 
A Filosofia torna-se, então, o pensamento interrogando-se a si mesmo. 
Ela é uma volta que o pensamento realiza sobre si mesmo. 
Portanto, a Filosofia se realiza como reflexão ou, recordando o oráculo de Delfos, na antiga 
Grécia: “Conheça-te a ti mesmo”. 
 
3) A Filosofia ocupa-se com: 
 Os princípios, 
 As causas e condições do conhecimento que pretenda ser racional e verdadeiro, 
- Bem como, com: 
 A origem, 
 A forma e 
 O conteúdo dos valores éticos, políticos, religiosos, artísticos e culturais. 
 
- A Filosofia ocupa-se, ainda, com: 
 A compreensão das causas e 
 Das formas da ilusão e do preconceito no plano individual e coletivo. 
- E, ainda, com: 
 Os princípios, 
 As causas e 
 Condições das transformações históricas dos conceitos, das idéias, dos valores e das 
práticas humanas. 
 
 
4) A atividade filosófica é: 
 Uma ANÁLISE das condições e princípios do saber e da ação, isto é, dos conhecimentos, 
da ciência, da religião, da arte, da moral, da política e da história. 
6 
 
 
 Uma REFLEXÃO (= volta do pensamento sobre si mesmo) para conhecer-se como 
capacidade para o conhecimento, a linguagem, o sentimento e a ação. Também, a reflexão 
filosófica se volta para as relações que mantemos com a realidade circundante. 
 
A reflexão filosófica organiza-se em torno de três grandes conjuntos de perguntas 
ou questões: Por que? O que? Para que? 
1. Por que é quais os motivos, as razões e as causas para pensarmos o que pensamos, 
dizermos o que dizemos, fazermos o que fazemos? 
2. O que queremos pensar e qual é o conteúdo ou o sentido do que pensamos, dizemos ou 
fazemos? 
3. Para que é qual é a intenção ou a finalidade do que pensamos, dizemos e fazemos? 
 
Assim, essas três questões podem ser resumidas em: O que é pensar, falar e agir? 
 
 Uma CRÍTICA, ou seja, avaliação racional para discernir entre a verdade e a ilusão, a 
liberdade e a servidão, investigando as causas e condições das ilusões e dos preconceitos 
individuais e coletivos, das ilusões e dos enganos das teorias e práticas científicas, políticas e 
artísticas. A Filosofia faz a crítica, também, da presença e difusão de formas de irracionalidade 
contrárias ao exercício do pensamento, da linguagem e da liberdade. 
 
5) Definição de Filosofia: 
- A Filosofia não é CIÊNCIA: 
É uma reflexão sobre os fundamentos da ciência. 
- A Filosofia não é RELIGIÃO: 
É uma reflexão sobre os fundamentos da religião, isto é, sobre as causas, origens e formas das 
crenças religiosas. 
- A Filosofia não é ARTE: 
É uma reflexão sobre os fundamentos da arte, isto é, sobre os conteúdos, as formas, as 
significações das obras de arte e do trabalho artístico. 
- A Filosofia não é SOCIOLOGIA nem PSICOLOGIA: 
Mas a interpretação e avaliação crítica dos conceitos e métodos da sociologia e da psicologia. 
- A Filosofia não é POLÍTICA: 
Mas interpretação, compreensão e reflexão sobre a origem, a natureza e as formas do poder e suas 
mudanças. 
- A Filosofia não é HISTÓRIA: 
Mas reflexão sobre o sentido dosacontecimentos enquanto inseridos no tempo e compreensão do 
que seja o próprio tempo. 
 
Na definição de Filosofia considera-se: 
- Visão de mundo; 
- sabedoria de vida; 
- esforço racional para conhecer o Universo como uma totalidade ordenada e dotada de sentido; 
- fundamentação teórica e crítica dos conhecimentos e das práticas. 
Assim, Filosofia é um pensamento sistemático: 
Significa que a Filosofia trabalha com enunciados precisos e rigorosos, busca encadeamentos 
lógicos entre os enunciados, opera com conceitos ou idéias obtidos por procedimentos de 
demonstração e prova, exige a fundamentação racional do que é enunciado e pensado. Somente 
assim a reflexão filosófica pode fazer com que nossa experiência cotidiana, nossas crenças e 
opiniões alcancem uma visão crítica de si mesmas. Não se trata de dizer “eu acho que”, mas de 
poder afirmar “eu penso que”. 
O conhecimento filosófico é um trabalho intelectual. É sistemático porque não se contenta em 
obter respostas para as questões colocadas, mas exige que as próprias questões sejam válidas e, em 
7 
 
 
segundo lugar, que as respostas sejam verdadeiras, estejam relacionadas entre si, esclareçam umas 
às outras, formem conjuntos coerentes de idéias e significações, sejam provadas e demonstradas 
racionalmente. 
 
Eis algumas definições de Filosofia: 
 
PLATÃO (nascimento: Atenas, 428/427 a.C. - morte: Atenas, 348/347 a.C.) definia a Filosofia 
como “um saber verdadeiro que deve ser usado em benefício dos seres humanos para que vivam 
numa sociedade justa e feliz”. 
 
RENÉ DESCARTES (nascimento: La Hayeen Touraine, 31 de março de 1596 - morte: 
Estocolmo, 11 de fevereiro de 1650) dizia que a Filosofia: “é o estudo da sabedoria, do 
conhecimento perfeito de todas as coisas que os humanos podem alcançar para o uso da vida, a 
conservação da saúde, e a invenção das técnicas e das artes com as quais ficam menos submetidos 
às forças naturais, às intempéries e aos cataclismos”. 
 
IMMANUEL KANT O filósofo alemão (nascimento: Königsberg, 22 de abril de 1724 - morte: 
Königsberg, 12 de fevereiro de 1804) considerou que as indagações fundamentais da Filosofia 
são: 
 O que podemos saber? 
o É a pergunta sobre o conhecimento, sobre os fundamentos do pensamento em geral e do 
pensamento científico. 
 O que podemos fazer? 
o É a pergunta sobre a ação e a expressão humana, sobre os fundamentos da ética, da 
política, das artes, das técnicas e da história. 
 O que podemos esperar? 
o É a pergunta sobre a esperança de outra vida após a morte, isto é, sobre os fundamentos da 
religião. 
 
Karl Heinrich MARX (nascimento: Tréveris, 5 de maio de 1818 - morte: Londres, 14 de março 
de 1883) declarou que: a Filosofia havia passado muito tempo apenas contemplando o mundo e 
que se tratava, agora, de conhecê-lo para transformá-lo, transformação que traria justiça, 
abundância e felicidade para todos. 
Concluindo... 
Qual seria, então, a utilidade da Filosofia? 
 Se abandonar a ingenuidade e os preconceitos do senso comum for útil; 
 Se não se deixar guiar pela submissão às idéias dominantes e aos poderes estabelecidos for 
útil; 
 Se buscar compreender a significação do mundo, da cultura, da história for útil; 
 Se dar a cada um de nós e à nossa sociedade os meios para serem conscientes de si e de 
suas ações numa prática que deseja a liberdade e a felicidade para todos for útil, 
 Então podemos dizer que a Filosofia é o mais útil de todos os saberes de que os seres 
humanos são capazes!!! 
 
Epicuro de Samos: (Grécia, século IV a.C.). Afirma que a: FILOSOFIA 
“Não devemos fingir fazer filosofia, e sim realmente fazê-la; pois precisamos não da aparência de 
saúde, mas de saúde verdadeira. ” 
 
3° Apostila 
Filosofar... “TODO HOMEM, POR NATUREZA, DESEJA SABER” - Aristóteles 
 
8 
 
 
4ªapostila 
 
Origens e Nascimento da Filosofia 
1) Origem da Filosofia 
A filosofia indica a disposição interior de quem estima o saber, ou o estado de espírito da pessoa 
que deseja o conhecimento, o procura e o respeita. 
A invenção da palavra “filosofia” atribui-se ao filósofo PITÁGORAS DE SAMOS (séc. V a.C. 
Ele teria afirmado que a sabedoria plena e completa pertence aos deuses, mas que os homens 
podem desejá-la ou amá-la, tornando-se filósofos. 
Dizia Pitágoras que três tipos de pessoas compareciam aos jogos Olímpicos, a festa pública mais 
importante da Grécia: 
a. Para comerciar durante os jogos, ali estando apenas para satisfazer a sua própria cobiça, sem 
interessar-se peço torneio; 
b. Para competir e brilhar, isto é, os atletas e artistas; 
c. Para assistir e avaliar o desempenho dos atletas e julgar o valor dos que ali se apresentavam. 
Esse terceiro tipo de pessoa, dizia Pitágoras, é como o filósofo. 
Com isso, Pitágoras queria dizer que o filósofo não é movido por interesses comerciais ou 
financeiros. 
Também não é movido pelo desejo de competir, pois não faz de suas ideias uma maneira de 
vencer os seus competidores. 
É movido pelo desejo de observar, contemplar, julgar e avaliar as coisas, as ações, as pessoas, os 
acontecimentos, a vida; em resumo, é movido pelo desejo de saber. 
A verdade não pertence a ninguém (para ser comercializada. nem é um prêmio conquistado por 
competição. 
A verdade está diante de nós como algo a ser procurado. 
Ela é encontrada por aqueles que a desejarem, que tiverem olhos para vê-la e coragem para 
buscá-la. 
A Filosofia surgiu quando alguns gregos, admirados e espantados com a realidade, insatisfeitos 
com as explicações que a tradição lhes dera, começaram a fazer perguntas. 
A Filosofia surgiu quando alguns pensadores gregos se deram conta de que a verdade do mundo 
e dos humanos não era algo secreto e misterioso, que precisasse ser revelado por divindades e 
alguns escolhidos, mas que, ao contrário, podia ser conhecida por todos através do raciocínio, 
presente em todos os seres humanos. 
Os gregos entenderam, também, que a linguagem respeita as exigências do pensamento e que, por 
esse mesmo motivo, os conhecimentos verdadeiros podem ser transmitidos e ensinados a todos. 
A Filosofia é uma instituição cultural tipicamente grega que, por razões históricas e políticas, 
veio a tornar-se, no correr dos séculos, o modo de pensar e de se exprimir predominante da 
chamada cultura europeia ocidental. 
Por ser um fato grego, a Filosofia possui certas características completamente diferentes das 
demais culturas. 
As principais linhas que definem a atividade filosófica na época de seu nascimento São: 
1. Tendência à racionalidade: os gregos foram os primeiros a definirem o ser humano como 
animal racional. Eles consideraram que o PENSAMENTO e a LINGUAGEM definem a razão. 
9 
 
 
Mesmo que a razão humana não possa conhecer tudo, tudo o que pode conhecer ela conhece plena 
e verdadeiramente. 
2. Recusa de explicações preestabelecidas: os gregos passaram a exigir que para cada fato fosse 
encontrada uma explicação racional e que para cada problema ou dificuldade fosse investigadas e 
encontradas as soluções próprias. 
3. Tendência à argumentação e ao debate: a fim de oferecer respostas conclusivas para 
questões, dificuldades e problemas de maneira que nenhuma solução seja aceita se não houver 
sido demonstrada. 
4. Capacidade de generalização: mostrar que uma explicação tem validade para muitas coisas 
diferentes ou para muitos fatos diversos. Essa capacidade racional é a síntese. Essa palavra 
significa “reunião ou fusão de várias coisas numa união íntima para formar um todo”. 
5. Capacidade de diferenciação: de mostrar que fatos ou coisas que aparecem como iguais ou 
semelhantes são, na verdade, diferentes quando examinados pela razão. Essa capacidade é a 
análise. Palavra que significa “ação de desligar e separar resolução de um todo em suas partes”. 
As primeiras perguntas colocadas pelos primeiros filósofos foram mais ou menos assim: 
 Por que os seres nascem e morrem? 
 Por que os semelhantes dão origem aos semelhantes, de uma árvore nasce uma árvore, de 
umcão nasce outro cão? 
 Por que os diferentes também parecem fazer surgir os diferentes: o dia parece fazer nascer 
a noite, o inverno parece fazer surgir a primavera...? 
 Por que tudo muda? A criança se torna adulta, amadurece, envelhece e desaparece. 
 Por que a doença invade os corpos, rouba-lhes a cor, a força? 
 Por que as coisas se tornam opostas ao que eram? O dia, que começa frio e gelado, pouco a 
pouco, se torna quente e cheio de calor. 
 Por que nada permanece idêntico a si mesmo? De onde vem os seres? Para onde vão? Por 
que se diferenciam? 
 Mas, também, por que tudo parece repetir-se? Depois do dia, a noite; depois da noite, o 
dia. 
A religião, as tradições e os mitos explicavam todas essas coisas. 
Porém, suas explicações já não satisfaziam aos que interrogavam sobre as CAUSAS: 
 da mudança, 
 da permanência, 
 da repetição, 
 da desaparição, 
 e do ressurgimento de todos os seres. 
 
2. Tudo começou na Grécia 
Os primeiros registros de pensamento propriamente filosófico, de 585 a.C., ligam-se a Tales. 
Ele viveu na colônia grega de Mileto, na costa da Ásia Menor. 
O que caracteriza a ele e os pensadores milesianos que o seguiram é o empenho em usar a razão 
em busca de explicações naturalistas para fenômenos observáveis. 
Um tema central em suas especulações era a substância de que o Universo é feito. 
10 
 
 
Embora eles discordassem sobre qual é essa substância, a convicção básica de que tudo deve ter 
sido feito de apenas um tipo de matéria perdurou na FÍSICA contemporânea. 
Portanto, a Filosofia começou interrogando-se sobre o universo, o cosmos. Daí o nome de 
cosmologia, ou seja, a preocupação com a ordem e a organização do mundo. 
Assim sendo, a Filosofia nasce como conhecimento racional da ordem do mundo ou da 
natureza. 
O espírito filosófico de Tales de Mileto logo se espalhou pelo mundo grego. 
No sul da Itália, Parmênides e Zenão afirmaram que nada pode ser criado ou destruído. 
Tudo o que existe é uma realidade indiferenciada e imutável, e o que parece multiplicidade e 
mudança aos nossos sentidos é, portanto, uma ilusão. 
Segundo fontes antigas, Pitágoras (cerca de 570-495 a.C.) foi aconselhado por Tales a visitar o 
Egito para aprender matemática. 
Tendo, posteriormente, fundado sua influente escola em Crotona, no sul da Itália. 
A importância dos pitagóricos reside em sua convicção de que os números são a chave para 
compreender a natureza da realidade. 
O enorme impacto que essa idéia teve no desenvolvimento da ciência é inegável. 
Leucipo pode ter sido o primeiro “atomista”, já no séc. V a.C., com sua tese de que o Universo 
compõe-se de um número infinito de mínimas e indestrutíveis partículas de matéria que, 
através de combinações e movimentos, produzem todos os fenômenos. 
Elaborado por Demócrito e mais tarde por Epicuro, o atomismo foi esquecido na Idade Média, e 
ressuscitado na Era Moderna. 
Depois do atomismo, a Filosofia grega voltou-se para a análise da natureza do ser humano e da 
ética. 
Veremos melhor esse período mais adiante. 
Além da questão da origem da Filosofia, que se deu na Grécia, resta-nos esclarecer a seguinte 
questão: a Filosofia nasceu realizando uma transformação gradual nos MITOS GREGOS ou 
nasceu por uma ruptura radical com eles? 
Antes de mais nada, seria interessante entendermos o que é um MITO. 
Um mito é uma narrativa sobre a origem de alguma coisa. 
Por exemplo: dos astros, da Terra, dos homens, das plantas, dos animais, do fogo, da água, dos 
ventos, do bem e do mal, da morte, das raças, das guerras, do poder, etc. 
A palavra mito vem do grego, mythos, e deriva de dois verbos: 
 do verbo mytheyo que significa contar, narrar, falar alguma coisa para outros e 
 do verbo mytheo, conversar, contar, nomear, designar. 
Para os gregos, mito é um discurso pronunciado ou proferido para ouvintes que recebem a 
narrativa como verdadeira porque confiam naquele que narra; é uma narrativa feita em público, 
baseada, portanto, na autoridade e confiabilidade da pessoa do narrador. 
Quem narra o mito? O poeta-rapsodo. 
Quem é ele? Por que tem autoridade? 
Acredita-se que o poeta seja um escolhido dos deuses, que lhe mostram os acontecimentos 
passados e permitem que ele veja a origem de todos os seres e de todas as coisas para que possa 
transmiti-la aos ouvintes. 
11 
 
 
Sua palavra – o mito – é sagrada porque vem de uma revelação divina. 
O mito é, pois, incontestável e inquestionável. 
 
Como o mito narra a origem do mundo e de tudo o que nele existe? De três maneiras principais: 
1. Encontrando o Pai e a mãe das coisas e dos seres. Tudo o que existe decorre de relações 
sexuais entre forças divinas pessoais. Essas relações geram os demais deuses: 
 Os titãs = seres semi-humanos e semidivinos, 
 Os heróis = filhos de um deus com uma humana ou de uma deusa com um humano, 
 Os humanos, 
 Os metais, 
 As plantas, 
 Os animais, 
 As qualidades (como o quente e frio, o seco e úmido, o claro e escuro, o bem e mal, o 
justo e injusto, o belo e feio, o certo e errado, etc... 
 A narração da origem é, assim, uma genealogia, isto é, uma narrativa da geração dos seres. 
2. Encontrando uma rivalidade ou uma aliança entre os deuses que fazem surgir alguma 
coisa no mundo. Nesse caso, o mito narra uma guerra entre as forças divinas, ou uma aliança 
entre elas para provocar alguma coisa no mundo dos homens. 
3. Encontrando as recompensas ou castigos que os deuses dão a quem lhes desobedece ou 
quem lhes obedece. 
Vemos, portanto, que o mito narra a origem das coisas por meio de lutas, alianças e relações 
sexuais entre forças sobrenaturais que governam o mundo e o destino dos homens. 
Visto que os mitos sobre a origem do mundo são genealogias, diz-se que são cosmogonias e 
teogonias. 
A palavra gonia se origina do grego, do verbo gennao (gerar, fazer nascer e crescer) e do 
substantivo genos (nascimento, gênese, descendência, gênero). 
Assim sendo, a cosmogonia é a narrativa sobre o nascimento e a organização do mundo a partir de 
forças geradoras divinas. 
Teogonia é, portanto, a narrativa da origem dos próprios deuses a partir de seus pais e 
antepassados. 
A Filosofia não é uma cosmogonia nem uma teogonia, mas sim uma cosmologia. Isto é, uma 
explicação racional sobre a origem do mundo e sobre as causas das transformações e repetições 
das coisas. 
Quais são as diferenças entre Filosofia e mito? 
A Filosofia, percebendo as contradições e limitações dos mitos, foi reformulando e 
racionalizando as narrativas míticas, transformando-as numa outra coisa, numa explicação 
inteiramente nova e diferente. 
Há uma outra informação importante sobre a qual devemos conversar: 
O que tornou possível o surgimento da Filosofia na Grécia no final do século VII e início do 
século VI a.C.? Quais as condições econômicas, sociais, políticas e históricas que permitiram o 
surgimento da Filosofia? 
1. As viagens marítimas: permitiram aos gregos descobrir que os locais que os mitos diziam 
habitados por deuses, titãs e heróis eram, na verdade, habitados por outros seres humanos. Os 
mares não eram habitados por monstros e seres fabulosos. As viagens produziram o 
12 
 
 
desencantamento ou a desmitificação do mundo. O que passou a exigir uma explicação diferente 
daquela dada pelos mitos. 
2. Invenção do calendário: que é uma forma de calcular o tempo segundo as estações do 
ano, as horas do dia, os fatos importantes que se repetem, revelando uma capacidade de 
abstração nova ou uma percepção do tempo como algo natural e não como uma força divina 
incompreensível. 
3. Invenção da moeda: o que permitiu uma nova forma de troca baseada em algo abstrato, 
uma troca feita pelo cálculo do valor semelhante das coisas diferentes, revelando, portanto, uma 
nova capacidade de abstração e generalização. 
4. Surgimento da vida urbana: com predomínio do comércio e do artesanato, 
desenvolvendo as técnicas de fabricação e de troca, e diminuindo o prestígio das famíliasda 
aristocracia proprietária de terras, por quem e para quem os mitos foram criados. O surgimento de 
uma nova classe de comerciantes ricos fez com que ela procurasse o prestígio pelo patrocínio e 
estímulo às artes, às técnicas e aos conhecimentos. 
5. A invenção da escrita alfabética: que revela o crescimento da capacidade de abstração e 
de generalização, uma vez que a escrita alfabética ou fonética supõe que não se represente uma 
imagem da coisa que está sendo dita, e sim se ofereça um sinal ou signo abstrato dela (palavra). A 
palavra designa uma coisa e exprime uma idéia. Nas outras escritas há a tendência a sacralizar os 
sinais ou os signos, ou a lhes dar um caráter mágico. A escrita alfabética é leiga, racional e usada 
por todos. 
6. Invenção da Política: que introduz três aspectos novos e decisivos para o nascimento da 
Filosofia: 
a. A lei como expressão da vontade de uma coletividade: que decide por si mesma o que é 
melhor para si e como ela definirá suas relações internas. O aspecto legislado e regulado da cidade 
- pólis - servirá de modelo para a Filosofia propor o aspecto legislado, regulado e ordenado do 
mundo como um mundo racional. 
b. O surgimento de um espaço político, que faz aparecer um novo tipo de palavra ou 
discurso: diferente daquele que era proferido pelo mito. Agora surge a palavra como direito de 
cada cidadão de emitir em público sua opinião, discuti-la com os outros, persuadi-los a tomar uma 
decisão proposta por ele. Surge o discurso político como palavra humana compartilhada. Ao 
valorizar o pensamento, a discussão, a persuasão e a decisão racional, a política valorizou o 
pensamento racional e criou condições para que surgisse o discurso filosófico. 
C. A política estimula um pensamento e um discurso que não procuram ser formulados por 
seitas secretas dos iniciados em mistérios sagrados, mas que procuram, ao contrário, ser públicos e 
ensinados, discutidos. A ideia de um pensamento que todos possam entender e discutir, que 
todos podem comunicar e transmitir, é fundamental para a Filosofia. 
Períodos da Filosofia Grega 
 
1. Introdução 
A filosofia terá, no decorrer dos séculos, um conjunto de preocupações, indagações e interesses 
que lhe vieram de seu nascimento na Grécia. 
Antes de estudarmos os grandes temas com os quais a Filosofia se ocupou, examinemos 
brevemente os CONTEÚDOS que a Filosofia possuía na Grécia. 
Eis os períodos principais da Filosofia grega. 
 
2. A História Grega 
A história da Grécia costuma ser dividida pelos historiadores em quatro grandes períodos ou 
épocas. 
13 
 
 
1. Grécia homérica: corresponde aos 400 anos narrados pelo poeta Homero em seus dois 
grandes poemas, Ilíada e Odisséia. 
2. Grécia arcaica ou dos Sete Sábios: período compreendido pelos séculos VII ao V a.C., 
quando os gregos criam cidades como Atenas, Esparta, Tebas, Megara, Samos, etc., nas quais 
predomina a economia urbana, baseada no artesanato e no comércio. 
3. Grécia clássica: séculos V e IV a.C. até o início do séc. III a.C., quando a democracia se 
desenvolve, a vida intelectual e artística entra no apogeu e Atenas domina a Grécia com seu 
império comercial e militar, o qual será perdido na Guerra do Peloponeso. Essa guerra se deu 
entre Atenas e Esparta, envolvendo todas as cidades gregas. Terminou com o enfraquecimento 
de todas elas. 
4. Época helenística: a partir de meados do século III a.C., quando a Grécia passa para o 
poderio do império de Alexandre da Macedônia e, depois, para as mãos do Império Romano, 
encerrando, assim, a história de sua existência independente. 
 
Os períodos da Filosofia não correspondem exatamente a essas quatro épocas. 
A Filosofia não existia no tempo da Grécia Homérica e só aparece em meados da Grécia 
Arcaica (séc. VII a.C.). 
Entretanto, o apogeu da Filosofia acontece durante o apogeu da cultura e da sociedade gregas, 
portanto, durante a Grécia clássica. 
 
3. Filosofia Grega - Períodos 
Os quatro grandes períodos da Filosofia grega, nos quais seu conteúdo muda e ela se enriquece, 
são: 
Período pré-socrático ou cosmológico, Período socrático ou antropológico, Período Sistemático e 
Período Helenístico. 
 
1. Período pré-socrático ou cosmológico: 
 
do final do século VII ao final do século V a.C., quando a Filosofia se ocupa fundamentalmente 
com a origem do mundo e as causas das transformações da natureza. 
É chamado de período pré-socrático numa referência a Sócrates (470-399 a.C.), filósofo 
ateniense, apresentado como o “pai” da Filosofia. 
Essa filosofia pré-socrática se desenvolve em cidades da Jônia (Ásia Menor): Mileto, Éfeso, 
Samos, Clazômena; em cidades da Magna Grécia (sul da Itália e Sicília): Crotona,Tarento, Eléia 
e escola da Pluralidade: Agrigento, e Abdera, na Trácia. 
 
Os principais filósofos pré-socráticos foram: 
 Escola Jônica: Tales de Mileto, Anaxímenes de Mileto, Anaximandro de Mileto e 
Heráclito de Éfeso; 
 Escola Itálica: Pitágoras de Samos, Filolau de Crotona e Árquitas de Tarento; 
 Escola Eleata: Parmênides de Eleia e Zenão de Eleia. 
 Escola da Pluralidade: Empédocles de Agrigento, Anaxágoras de Clazômena, Leucipo de 
Abdera e Demócrito de Abdera. 
 
Principais características da cosmologia: 
a. É uma explicação racional e sistemática sobre a origem, ordem e transformação da 
natureza, da qual os seres humanos fazem parte. De modo que, ao explicar a natureza, a Filosofia 
também explica a origem e as mudanças dos homens. 
b. Busca o princípio natural, eterno, imperecível e imortal, gerador de todos os seres. A 
cosmologia não admite a criação do mundo a partir do nada, mas afirma a geração de todas as 
coisas por um princípio natural de onde tudo vem e para onde tudo retorna. “Nada vem do nada e 
nada volta ao nada”. 
14 
 
 
- A esse princípio primordial da Natureza dão o nome de physis - palavra que vem de um verbo e 
significa “fazer surgir, fazer brotar, fazer nascer, etc.”. 
- A physis não pode ser conhecida pela percepção sensorial, mas apenas pelo pensamento. 
- Physisé aquilo que o pensamento descobre quando indaga qual é a CAUSA da existência e 
transformação de todos os seres percebidos pelos nossos sentidos. 
- A physis (o elemento primordial eterno. é a natureza tomada em sua totalidade, isto é, a natureza 
entendida como princípio e causa primordial da existência e das transformações das coisas 
naturais. “A physisé a Natureza eterna e em perene transformação”. 
c. Afirma que, embora a physis seja imperecível, ela dá origem a todos os seres infinitamente 
variados e diferentes do mundo. 
- Esses seres, ao contrário do princípio que os gerou, são perecíveis ou mortais. 
- A physis é imortal e as coisas físicas são mortais. 
d. Afirma que, embora a physis seja imutável, os seres físicos ou naturais gerados por ela, além de 
serem mortais, são mutáveis ou seres em contínua transformação. 
- Mudam de qualidade. Por exemplo: o branco amarelece, o negro acinzenta e embranquece, o 
novo envelhece, o quente esfria, o frio esquenta, o dia se torna noite, a primavera cede lugar ao 
verão, que cede lugar ao outono, que cede lugar ao inverno e assim por diante, o doente se cura, a 
criança cresce, etc. 
- Os seres mudam, também, de quantidade. Exemplo: o pequeno cresce e fica grande, um rio 
aumenta de volume na cheia e diminui na seca, o longe fica perto se eu for até ele, ou se as coisas 
distantes chegarem até mim, etc. 
- Portanto, o mundo está numa mudança contínua, sem por isso perder sua forma, sua ordem e 
sua estabilidade. 
A essas mudanças, se diz em grego kínesis, palavra que significa “movimento”. 
Por movimento, os gregos não entendem, apenas a mudança de lugar ou a locomoção, mas toda e 
qualquer alteração ou mudança qualitativa e/ou quantitativa de um ser, bem como seu 
nascimento e seu perecimento. 
O movimento das coisas e do mundo chama-se devir e o devir segue leis rigorosas que o 
pensamento conhece. 
Essas leis são as que mostram que toda mudança é a passagem de um estado ao seu contrário: 
 Dia para noite, 
 Claro paraescuro, 
 quente para frio, 
 Pequeno para grande, 
 Bom para mau, 
 Cheio para vazio, 
 Vivo para morto, etc. 
 E também no sentido inverso. 
Devir é a passagem continua de uma coisa ao seu estado contrario e essa passagem não é caótica. 
Mas obedece a leis determinadas pela physis ou pelo princípio fundamental do mundo. 
Os filósofos pré-socráticos, no entanto, não tinham uma concordância no momento de determinar 
o que era a physis. 
Cada filósofo encontrou motivos para determinar qual era esse princípio eterno e imutável que 
está na origem da natureza e de suas transformações. 
Foi assim que: 
 Tales de Mileto dizia que a physis era a água ou o úmido; 
 Anaximandro de Mileto considerava que era o ilimitado, sem qualidades definidas; 
 Anaxímenes de Mileto que era o ar ou o frio; 
 Pitágoras de Samos julgava que era o número. Entendido como estrutura e relação 
proporcional entre os elementos que compõem as coisas; 
 Heráclito de Éfeso afirmou que era o fogo; 
 Empédocles de Agrigento que eram as quatro raízes (úmido, seco, quente e frio.; 
15 
 
 
 Anaxágoras de Clazômena, que eram sementes que continham os elementos de todas 
as coisas; 
 Leucipo e Demócrito de Abdera disseram que a physis era os átomos. 
 
O realmente fascinante desse momento da cultura grega é que, pela primeira vez, alguns homens 
cultos não se limitam a repetir o que diz a tradição, mas formulam explicações novas que outros 
vão criticar ao propor outras interpretações. 
Ele representa a origem do espírito crítico do ser humano! 
Para pensar e refletir... 
“Nada é permanente, exceto a mudança.” 
“Se não sabe escutar não sabe falar.” 
“Dura é a luta contra o desejo, que compra o que quer à custa da alma.” Heráclito. 
 
2. Período socrático ou antropológico: 
 
Do final do século V e todo o século IV a.C., quando a Filosofia investiga as questões humanas: a 
ética, a política, as técnicas. 
Em grego, ântropos quer dizer “homem”, por isso o período recebeu o nome de antropológico. 
É a Filosofia buscando compreender qual é o lugar do homem no mundo. 
Esse período na Grécia é o de maior florescimento da democracia. 
 
Duas das características da democracia grega tiveram grande influência no desenvolvimento da 
Filosofia: 
a) Igualdade de todos os homens adultos perante as leis e o direito de todos de participar 
diretamente do governo da cidade, da pólis. 
b) Democracia direta e não por eleição de representantes. O que garantia a todos a 
participação no governo.Aqueles que participavam tinham o direito de exprimir, discutir e 
defender em público suas opiniões sobre as decisões que a cidade deveria tomar. Surgia, assim, a 
figura política do cidadão. 
 
Porém, nem tudo era perfeito na democracia grega! 
Não eram considerados cidadãos, aqueles que os gregos chamavam de “dependentes”: 
 Mulheres, 
 Escravos, 
 Crianças, 
 Idosos. 
E, também, estavam excluídos os estrangeiros. 
 
Para conseguir que a sua opinião fosse aceita nas assembleias, o cidadão precisava saber falar e ser 
capaz de persuadir os demais. 
Com isso, uma mudança profunda ocorreu na educação grega. 
Agora, o que importa não é formar o jovem para ser um guerreiro belo e bom, como na Grécia 
dominada pela aristocracia rural, mas formar o bom cidadão. 
Para dar aos jovens essa educação, surgiram, na Grécia, os sofistas, que são os primeiros filósofos 
do período socrático. 
Os sofistas mais importantes foram: Protágoras de Abdera, Górgias de Leontini e Isócrates de 
Atenas. 
Eles criticaram, duramente, os filósofos cosmológicos, afirmando que essa filosofia não tinha 
utilidade para a pólis. 
Apresentavam-se como mestres de oratória ou de retórica. 
Afirmavam ser possível ensinar aos jovens tal arte para que fossem bons cidadãos. 
A oratória/retórica é a arte da persuasão. 
16 
 
 
Os sofistas ensinavam técnicas de persuasão aos jovens, que aprendiam a defender a posição ou 
opinião “A” e aquelas que lhe fossem contrárias. 
O objetivo era que, numa assembleia, soubessem ter fortes argumentos a favor ou contra uma 
opinião e ganhassem a discussão. 
 
O filósofo SÓCRATES rebelou-se contra os sofistas. 
Ele dizia que os sofistas não eram filósofos, pois não tinham amor pela sabedoria nem respeito 
pela verdade. 
Uma vez que, defendiam qualquer ideia, se isso fosse vantajoso. 
Sócrates dizia que os sofistas corrompiam o espírito dos jovens, pois faziam o erro e a mentira 
valer tanto quanto a verdade. 
O que propunha, então, Sócrates? 
Propunha que, antes de querer conhecer a natureza e desejar persuadir os outros, cada um deveria, 
primeiro e antes de tudo, conhecer-se a si mesmo. 
Sócrates fez do autoconhecimento, ou seja, do conhecimento que pessoa humana tem de si 
mesma, a condição de todos os demais tipos de conhecimento. 
Ele costumava andar pelas ruas, praças, assembleias e mercados indagando a cada um: 
 “Você sabe o que é isso que você está dizendo?” 
 “Você sabe o que é isso em que você acredita?” 
 “Você acha que está conhecendo realmente aquilo em que acredita, aquilo em que está 
pensando, aquilo que está dizendo?” 
 “Você diz”, falava Sócrates, “que a coragem é importante, mas o que é a coragem?” 
 “Você acredita que a justiça é importante, mas o que é a justiça?” 
Sócrates fazia perguntas sobre as ideias, sobre os valores nos quais os gregos acreditavam e que 
julgavam conhecer. 
Seus interlocutores ficavam embaraçados, irritados, curiosos, pois, quando tentavam responder ao 
célebre “o que é?”, descobriam, surpresos, que não sabiam responder e que nunca tinham 
pensado em suas crenças, seus valores e suas ideias. 
O pior é que as pessoas esperavam que Sócrates respondesse por elas ou para elas, que soubesse as 
respostas às perguntas, como os sofistas pareciam saber. 
No entanto, Sócrates dizia: 
“Eu também não sei, por isso estou perguntando”. 
A consciência da própria ignorância é o começo da Filosofia. 
 
O que, no fundo, procurava saber Sócrates? 
Procurava a definição daquilo que uma coisa, uma ideia, um valor é verdadeiramente. 
Aquilo que uma coisa, uma ideia, um valor é em si mesmo chama-se essência. 
A essência não é dada pelos nossos sentidos e sim pelo trabalho do pensamento. 
Procurar pela essência é buscar o que o pensamento conhece da realidade e verdade de uma coisa, 
de uma ideia, de um valor. 
Isso que o pensamento conhece da essência chama-se conceito. 
Sócrates, portanto, estava em busca do conceito, e não da mera opinião que temos de nós 
mesmos, das coisas, das ideias e dos valores. 
Qual é a diferença entre opinião e conceito? 
 A opinião varia de pessoa pra a pessoa, de lugar pra lugar, de época pra época. É instável, 
mutável, depende de cada um, de seus gostos e preferências. 
 O conceito, ao contrário, é uma verdade intemporal, universal e necessária que o 
pensamento descobre. Mostrando que é a essência universal, intemporal e necessária de alguma 
coisa. 
Por isso, Sócrates não perguntava se tal ou qual coisa era bela, pois nossa opinião sobre ela pode 
variar. 
Ele preferia indagar-se sobre: 
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 “O que é a beleza?” 
 “Qual é a essência ou o conceito do belo, do justo, do amor, da amizade?” 
 Ele perguntava: “Que razões rigorosas você possui para dizer o que diz e pensar o que 
pensa?” 
 “Qual é o fundamento racional daquilo que você fala e pensa?” 
 
Ao fazer suas perguntas e suscitar dúvidas, Sócrates fazia os atenienses pensarem não só sobre si 
mesmos, mas também sobre a pólis. 
Aquilo que parecia evidente acabava sendo percebido como incerto e duvidoso. 
Aqueles que detêm o poder na sociedade têm medo do pensamento! 
Pois, o poder é mais forte se ninguém pensar! Se todo mundo aceitar as coisas como elas são, ou 
melhor, como nos dizem e nos fazem acreditar que elas são. 
Para os poderosos de Atenas, Sócrates tornara-se um perigo, pois fazia a juventude pensar. 
Por isso, eles o acusaram de desrespeitar os deuses, corromper os jovens e violar as leis. 
Levado perante a assembleia, Sócrates não se defendeu e foi condenado a tomar um veneno– a 
cicuta – e obrigado a suicidar-se. 
Sócrates não se defendeu porque, dizia ele, “se eu me defender, estarei aceitando as acusações, e 
eu não as aceito. Se eu me defender, o que os juízes vão exigir de mim? Que eu pare de filosofar. 
Mas eu prefiro a morte a ter de renunciar à Filosofia?” 
 
Sócrates nunca escreveu. 
O que sabemos de seu pensamento encontra-se nas obras de seus vários discípulos, e Platão foi o 
mais importante deles. 
Podemos apresentar como características gerais do período socrático: 
 A Filosofia se volta para as questões humanas no plano da ação, dos comportamentos, 
das ideias, das crenças, dos valores e, portanto, se preocupa com as questões morais e políticas. 
 O ponto de partida da filosofia é a confiança no pensamento ou no homem como ser 
racional, capaz de conhecer-se a si mesmo e, portanto, capaz de reflexão. 
 A preocupação se volta para estabelecer procedimentos que nos garantam que 
encontremos a verdade, isto é, o pensamento deve oferecer a si mesmo caminhos próprios, 
critérios próprios e meios próprios para saber o que é verdadeiro e como alcançá-lo em tudo o que 
investigamos. 
 A Filosofia está voltada para a definição das virtudes morais do indivíduo e das virtudes 
políticas do cidadão. Ela visa as ideias e práticas que norteiam os comportamentos dos seres 
humanos tanto como indivíduos quanto como cidadãos. 
 É feita, pela primeira vez, uma separação radical entre, de um lado, a opinião e as imagens 
das coisas, trazidas pelos nossos órgãos dos sentidos, nossos hábitos, pelas tradições, pelos 
interesses, e, de outro, os conceitos ou as ideias. As ideias se referem à essência invisível e 
verdadeira das coisas e só podem ser alcançadas pelo pensamento puro, que afasta o sensorial e as 
opiniões. 
 A reflexão e o trabalho do pensamento são tomados como uma purificação intelectual 
que permite ao espírito humano conhecer a verdade invisível imutável, universal e necessária. 
 A opinião, as percepções e imagens sensoriais são consideradas falsas, mentirosas, 
mutáveis, inconsistentes, devendo ser abandonadas para que o pensamento siga seu caminho 
próprio no conhecimento verdadeiro. 
 
A diferença entre os sofistas, de um lado, e Sócrates e Platão, de outro, é dada pelo fato de que os 
sofistas aceitam a validade das opiniões e daquilo que percebemos através de nossos sentidos e 
trabalham com isso para produzir argumentos de persuasão, enquanto Sócrates e Platão 
consideram as opiniões e as percepções sensoriais, ou imagens das coisas, como fonte de erro, 
mentira e falsidade, formas imperfeitas do conhecimento que nunca alcançam a verdade plena da 
realidade. 
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Basta recordar do famoso “Mito da Caverna” concebido por Platão... 
 
Para pensar e refletir... 
“Para conseguir a amizade de uma pessoa digna é preciso desenvolvermos em nós mesmos as 
qualidades que naquela admiramos”. Sócrates 
 
3) Período Sistemático: 
 
Do final do século IV ao final do século III a.C., quando a Filosofia busca reunir e sistematizar 
tudo quanto foi pensado pela cosmologia e pelas investigações sobre a ação humana na ética, na 
política e nas técnicas. 
A Filosofia se interessa em mostrar que tudo pode ser objeto do conhecimento filosófico, desde 
que as leis do pensamento e de suas demonstrações estejam firmemente estabelecidas para 
oferecer os critérios da verdade e da ciência. 
Nesse período desenvolvem-se a teoria do conhecimento, a psicologia e a lógica. 
Além disso, os filósofos procuram encontrar o fundamento último de todas as coisas, ou da 
realidade inteira, e essa investigação, séculos mais tarde, é designada com o nome de metafísica. 
 
Este período tem como principal nome o filósofo ARISTÓTELES de Estagira, discípulo de 
Platão. 
Aristóteles apresenta, nesse período, uma verdadeira enciclopédia de todo o saber que foi 
produzido e acumulado pelos gregos em todos os ramos do pensamento e da prática, considerando 
essa totalidade de saberes como sendo a Filosofia. 
A Filosofia é uma forma de conhecer todas as coisas, possuindo procedimentos diferentes para 
cada campo de coisas que se conhece. 
Ela também estabelece uma diferença entre esses conhecimentos, distribuindo-os numa escala 
que vai dos mais simples e inferiores aos mais complexos e superiores. 
Cada saber, no campo que lhe é próprio, possui seu objeto específico, procedimentos específicos 
para sua aquisição e exposição, formas próprias de demonstração e prova. 
Cada campo do conhecimento é uma ciência. 
Ciência (grego = epistéme). 
Todo conhecimento, segundo Aristóteles, antes de constituir seu objeto e campo próprios de 
conhecimento, deve conhecer os princípios e as leis gerais que governam o pensamento, 
independentemente do conteúdo que possa vir a ser pensado. 
O estudo dos princípios e das formas do pensamento, sem preocupação com seu conteúdo, foi 
denominado por Aristóteles de analítica. 
Mas, desde a Idade Média, passou a chamar-se lógica. 
Aristóteles foi o criador da lógica como instrumento do conhecimento em qualquer campo do 
saber. 
 
Aristóteles distingue e classifica todos os saberes científicos (cuja totalidade é a Filosofia. 
O critério por ele utilizado é a distinção entre ação e contemplação. 
Isto diferencia as ciências conforme seus objetos e finalidades. 
Sejam atividades produtivas, éticas e políticas, sejam puramente intelectuais, interessadas 
exclusivamente no conhecimento e sem preocupação com qualquer prática. 
Para Aristóteles, como para todo grego da época clássica, a política é superior à ética, pois a 
verdadeira liberdade, sem a qual não pode haver vida virtuosa ou ética, só é conseguida na pólis. 
Por isso, a finalidade da política é a vida justa, a vida boa e bela, a vida livre, da qual depende a 
atividade ética ou moral dos indivíduos. 
 
A Filosofia, para Aristóteles, encontra seu ponto mais alto na metafísica e na teologia, de onde 
derivam todos os outros conhecimentos. 
19 
 
 
O vocábulo “metafísica”, em grego, é formado por meta (= o que vem depois, o que está além) 
Deu-se esse nome aos livros de Aristóteles que vinham depois da física e que tratavam da 
realidade para além dela. 
A Teologia é uma palavra formada por dois vocábulos: théo que significa “Deus” e logia que quer 
dizer “estudo”, “discurso sobre”. 
A partir da classificação aristotélica, definiu-se, no correr dos séculos, o grande campo da 
investigação filosófica. 
Campo que somente seria desfeito no séc. XIX de nossa era, quando as ciências particulares 
foram se separando do tronco geral da Filosofia. 
 
Podemos, então, dizer que os campos de investigação da Filosofia são três: 
1. Ontologia: palavra grega formada por on (= ser) e taonta (= as coisas). É o conhecimento 
do SER, isto é, da realidade fundamental e primordial de todas as coisas ou da essência de toda 
realidade. A Filosofia Primeira e a Teologia constituíam a ontologia. 
2. O do conhecimento das ações humanas ou dos valores e das finalidades da ação 
humana: das ações que têm em si mesmas sua finalidade (a ética e a política), ou a vida moral 
(valores morais) e a vida política (valores políticos); e das ações que têm sua finalidade num 
produto ou numa obra: as técnicas, e as artes e seus valores (utilidade, beleza, etc.) 
3. O do conhecimento da capacidade humana de conhecer, isto é, o conhecimento do 
próprio pensamento em exercício. Nesse campo estão: a lógica, que oferece as leis gerais do 
pensamento; a teoria do conhecimento que oferece os procedimentos pelos quais conhecemos; as 
ciências propriamente ditas; e o conhecimento do conhecimento científico, isto é, a teoria das 
ciências ou epistemologia, que estuda e avalia os procedimentos empregados pelas diferentes 
ciências para definir e conhecer seus objetos. 
Uma das maiores contribuições de Aristóteles foi, justamente, ter auxiliado na precisão dos 
termos que costumamos empregar quando expressamos nossos pensamentos. 
Ele não tolerava os truques dos sofistas. 
Considerava-os meros jogos de palavras. 
Como os sofistasjogavam com as palavras? 
Para dar um exemplo, eu poderia dizer: “Sua mãe tem 50 anos. A mulher que deu você à luz tinha 
somente 25 anos. Logo, ela não poderia ser sua mãe, mas sim alguma outra mulher”. 
Para desmascarar esse tipo de pensamento falso, Aristóteles dividiu em CATEGORIAS os 
diferentes tipos de coisas que podemos dizer sobre algo. 
Uma categoria refere-se ao que uma coisa é. 
Outra categoria refere-se à idade ou tempo de existência de uma coisa. 
Aristóteles diria que o raciocínio sobre sua mãe confunde essas categorias. 
Dizer O QUE (ou, neste caso, QUEM) sua mãe é difere de dizer quantos anos ela tem. 
Cada enunciado emprega o conceito de ser de forma diferente. 
 
Aristóteles dividiu tudo em dez categorias. 
Como duas delas só têm sentido em grego antigo, eis uma lista das oito restantes: 
 Substância: em que consiste uma coisa? 
 Qualidade: quais são suas características? 
 Quantidade: quantas existem ou qual o seu tamanho? 
 Relação: como se relaciona com outras coisas? 
 Lugar: onde está? 
 Tempo: quando ocorre ou qual a sua idade? 
 Ação: o que está fazendo? 
 Recepção: o que está sendo feito com ela? 
 As categorias de Aristóteles foram populares nas escolas durante séculos. 
Mas a maioria dos filósofos atuais entende que esse tipo de lógica formal não nos revela muito 
sobre as coisas. 
20 
 
 
Ela se baseia mais em como a língua funciona do que em como a realidade de fato é. 
Por exemplo, como saber a diferença entre a categoria substância e a categoria qualidade? 
Pensando bem, os objetos são classificados na categoria substância devido às qualidades que 
possuem. 
A abordagem lógica da realidade praticada por Aristóteles assemelha-se à de Platão. 
Tanto Platão como Aristóteles trabalham com ideias sobre a realidade que, estritamente falando, 
ainda não estão lá. 
Aristóteles, no entanto, não se baseou em coisas tão invisíveis e ideais, como Platão. 
Em alguns aspectos, seu pensamento assemelha-se ao de um cientista moderno. 
Ele realizou estudos cuidadosos dos seres vivos, coletando espécimes e observando sua natureza. 
A esse respeito, ele ocupa um meio-termo filosófico entre o idealismo platônico e o que 
denominamos ciência moderna. 
 
Para pensar e refletir... 
 
“Felicidade é ter algo o que fazer, algo que amar, e algo que esperar”. 
“A grandeza não consiste em receber honras, mas em merecê-las”. 
“Só pode ser feliz um Estado edificado sobre a honestidade” - Aristóteles 
 
 
4) Período Helenístico: 
 
A pólis grega desapareceu como centro político, deixando de ser a referência principal dos 
filósofos 
A Grécia encontra-se sob o domínio do Império Romano. Os filósofos dizem, a partir de agora, 
que o mundo é sua cidade e que são cidadãos do mundo. A palavra “mundo” em grego é kósmos, 
por isso, esse período é chamado de cosmopolita. 
Essa época da Filosofia é constituída por grandes sistemas ou doutrinas. 
Isto é, explicações que buscam entender a realidade como um todo articulado e entrelaçado 
formado pelas: 
 coisas da natureza, 
 os seres humanos, 
 pelas relações entre elas (coisas da natureza) e eles (seres humanos) e 
 de todos com a divindade (pensada como Providência divina que instaura e conserva a 
ordem universal) 
Predominam preocupações com a física, a ética e a teologia. Nessa época, os filósofos não podem 
mais ocupar-se diretamente da política. 
A amplidão do Império Romano, a presença crescente de religiões orientais no Império, 
Os contatos comerciais e culturais entre Ocidente e Oriente fizeram aumentar os contatos dos 
filósofos helenistas com a sabedoria oriental. 
Podemos falar de uma orientalização da filosofia. Sobretudo, com a aparição de aspectos místicos 
e religiosos no pensamento e na ação. 
Datam desse período quatro grandes sistemas cuja influência será sentida pelo pensamento 
cristão, que começa a formar-se nessa época: 
 estoicismo, 
 epicurismo, 
 ceticismo, 
 neoplatonismo. 
 
a) Estoicismo: 
O fundador foi Zenão de Eleia (334-262 a.C.), a quem Cleanto sucedeu como chefe da escola 
(331-232 a.C.) 
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Mas o terceiro chefe, Crispo (c. 280-c. 206 a.C.), foi seu maior expoente e o seu escritor mais 
fecundo. 
Nenhuma obra escrita por algum estóico antigo sobreviveu intacta, exceto o breve “Hino a 
Júpiter” de Cleanto. 
O estoicismo floresceu na Grécia, mas foi levado a Roma no ano 155 a.C. por Diógenes de 
Babilônia. 
Ali seus continuadores foram Marco Aurélio, Sêneca, Epíteto e Lucano. 
Afirma que todo o universo é corpóreo e governado por um Logos divino (noção que os estóicos 
tomam de Heráclito e desenvolvem) A alma está identificada com este princípio divino, como 
parte de um todo ao qual pertence. 
O nome “estoicismo” vem da palavra grega “stoá” que significa pórtico. De fato, a primeira 
escola surgiu junto ao pórtico pintado por Polinhoto, em Atenas. Daí o nome “escola do pórtico”, 
que lhe foi atribuído em seus inícios. 
Os testemunhos sobre o estoicismo são indiretos, uma vez que não temos textos da época. 
Muitos desses testemunhos indiretos são hostis ao estoicismo. 
Este logos (ou razão universal) ordena todas as coisas: tudo surge a partir dele e de acordo com 
ele, graças a ele o mundo é um kosmos (termo que em grego significa "harmonia"). 
O estoicismo propõe viver de acordo com a lei racional da natureza e aconselha a indiferença 
(apathea) em relação a tudo que é externo ao ser. 
O homem sábio obedece à lei natural reconhecendo-se como uma peça na grande ordem e 
propósito do universo, devendo assim manter a serenidade perante as tragédias e coisas boas. 
A partir disso surgem duas conseqüências éticas: deve-se «viver conforme a natureza»: sendo a 
natureza essencialmente o logos, essa máxima é prescrição para se viver de acordo com a razão. 
Sendo a razão aquilo por meio do que o homem se torna livre e feliz, o homem sábio não apreende 
o seu verdadeiro bem nos objetos externos, mas bem usando estes objetos através de uma 
sabedoria pela qual não se deixa escravizar pelas paixões e pelas coisas externas. 
 
b) Epicurismo: 
É o sistema filosófico ensinado por Epicuro de Samos, filósofo ateniense do século IV a.C., e 
seguido depois por outros filósofos, chamados epicuristas. 
Epicuro propunha uma vida de contínuo prazer como chave para a felicidade, esse era o objetivo 
de seus ensinamentos morais. 
Para Epicuro, a presença do prazer era sinônimo de ausência de dor, ou de qualquer tipo de 
aflição: a fome, a abstenção sexual, o aborrecimento, etc. 
A finalidade da filosofia de Epicuro não era teórica, mas sim bastante prática. Buscava sobretudo 
encontrar o sossego necessário para uma vida feliz e aprazível, na qual os temores perante o 
destino, os deuses ou a morte estavam definitivamente eliminados. 
Para isso fundamentava-se em uma teoria do conhecimento empirista, em uma física atomista e 
em uma ética hedonista. 
No antigo mundo da zona Mediterrânea, a filosofia epicurista conquistou grande número de 
seguidores. Foi uma escola de pensamento muito proeminente por um período de sete séculos 
depois da morte do fundador. 
Posteriormente, quase relegou-se ao esquecimento devido ao início da Idade Média, período em 
que se perderam a maioria dos escritos do fundador. 
O homem devia rechaçar o ensinamento dos medos e superstições. 
Não havia motivo para temer os deuses porque estes, se existem, não podem relacionar-se com nós 
nem para nos ajudar nem para nos castigar. Portanto, nem o temor aos deuses nem a oração ou 
veneração possui utilidade prática. 
Tão pouco, se deve temer a morte, porque sendo nada, não pode ser algo para nós: enquanto 
vivemos não está presente e quando está presente nós já não estamos. 
A dor e o mal se evitam facilmente porque nenhum tipo de tormento dura demasiadamente, e 
quanto mais intenso é, menos dura. 
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c) Ceticismo: 
O ceticismo (derivado do verbo grego σκέπτομαι, transl. sképtomai, "olhar à distância", 
"examinar", "observar") é a doutrina que afirma que não se pode obter nenhuma certeza a respeito 
da verdade,o que implica numa condição intelectual de dúvida permanente e na 
admissão da incapacidade de compreensão de fenômenos metafísicos, religiosos ou mesmo da 
realidade. 
O Ceticismo filosófico originou-se a partir da filosofia grega. 
 
Uma de suas primeiras propostas foi feita por Pirro de Eleia (360-275 a.C.), que viajou até a 
Índia numa das campanhas de Alexandre, o Grande, para aprofundar seus estudos, e propôs a 
adoção do ceticismo "prático". 
Subseqüentemente, na "Nova Academia", Arcesilau (315-241 a.C.. e Carnéades (213-129 a.C.) 
desenvolveram mais perspectivas teóricas, que refutavam concepções absolutas de verdade e 
mentira. 
Carneades criticou as visões dos dogmatistas, especialmente os defensores do estoicismo, 
alegando que a certeza absoluta do conhecimento é impossível. 
Sexto Empírico (200 d.C.), a maior autoridade do ceticismo grego, desenvolveu ainda mais a 
corrente, incorporando aspectos do empirismo em sua base para afirmar o conhecimento. 
Ou seja,o ceticismo filosófico é procurar saber, não se contentando com a ignorância fornecida 
atualmente pelos meios públicos, por meio da dúvida. 
Opõem-se ao dogmatismo, em que é possível conhecer a verdade. 
 
d) Neoplatonismo: 
Foi uma corrente de pensamento iniciada no século III d.C. que se baseava nos ensinamentos de 
Platão e dos platônicos, mas interpretando-os de formas bastante diversificadas. 
Apesar de muitos neoplatônicos não admitirem, o neoplatonismo era muito diferente da doutrina 
platônica. 
O prefixo neo, inclusive, só foi adicionado pelos estudiosos modernos para distinguir entre os 
dois, mas na época eles se autodenominavam platônicos. 
O neoplatonismo começou com o filósofo Plotino, apesar de ele afirmar que recebeu os 
ensinamentos de Amônio Sacas, um estivador iletrado em Alexandria. 
Os escritos de Plotino foram reunidos pelo pupilo Porfírio nas Seis Enéadas. 
O neoplatonismo é uma forma de monismo idealista. Plotino ensinou a existência de um Uno 
indescritível do qual emanou uma sequência de seres menores. Os filósofos do neoplatonismo 
tardio, especialmente Jâmblico, adicionaram centenas de deuses e seres intermediários como 
emanações entre o Uno e a humanidade. 
Mas o sistema de Plotino era muito mais simples em comparação. 
Os neoplatônicos não acreditavam no mal e negavam que este pudesse ter uma real existência no 
mundo. 
Isto era mais uma visão otimista do que dizer que tudo era, em última instância, bom. Era dizer 
apenas que algumas coisas eram menos perfeitas que outras. 
O que outros chamavam de mal, os neoplatônicos chamavam de imperfeição, de "ausência de 
bem". 
Neoplatônicos acreditavam que a perfeição humana e a felicidade poderiam ser obtidas neste 
mundo e que alguém não precisaria esperar uma pós-vida (como na doutrina cristã). 
Perfeição e felicidade (uma só e mesma coisa) poderiam ser adquiridas pela devoção à 
contemplação filosófica. 
O neoplatonismo foi frequentemente usado como um fundamento filosófico do paganismo 
clássico, e como um meio de defender o paganismo do cristianismo. 
Mas muitos cristãos também foram influenciados pelo neoplatonismo. 
Em versões cristãs do neoplatonismo, o Uno é identificado como Deus. 
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O mais importante destes foi Pseudo-Dionísio, o Areopagita, cuja obra foi muito influente na 
Idade Média. 
Agostinho de Hipona (ou como é mais conhecido, por Santo Agostinho) se converteu ao 
Cristianismo por influência de Plotino, levando muitos estudiosos a rotular Agostinho como um 
franco neoplatonista. Contudo, eles notam que a subordinação da filosofia de Agostinho às 
Escrituras (Bíblia) leva-a diferir da filosofia não-cristã. 
Alguns estudiosos mostraram que o neoplatonismo também foi influenciado pela teologia cristã, 
notavelmente pelos sistemas de crenças do Gnosticismo. 
Tem por origem etimológica o termo grego gnosis, que significa "conhecimento". Mas não um 
conhecimento racional, científico, filosófico, teórico e empírico (a "episteme" dos gregos), mas de 
caráter intuitivo e transcendental; Sabedoria. 
É usada para designar um conhecimento profundo e superior do mundo e do homem, que dá 
sentido à vida humana, que a torna plena de significado porque permite o encontro do homem com 
sua essência eterna, centelha divina, maravilhosa e crística, pela via do coração. 
É uma realidade vivente sempre ativa, que apenas é compreendida quando experimentada e 
vivenciada. 
Assim sendo jamais pode ser assimilada de forma abstrata, intelectual e discursiva. 
O Gnosticismo usa de explicações metafísicas e mitológicas para falar da criação do universo e 
dos planos espirituais, mas nunca deixa de relacionar esse mundo externo e mitológico a processos 
internos que ocorrem no homem. 
Num texto hermético lemos que a gnosis da Mente é a "visão das coisas divinas". 
 
5° Apostila 
 
Principais Períodos da Filosofia 
 
Após a FILOSOFIA ANTIGA (séculos VI a.C. ao VI d. C.), formada pelos quatro grandes 
períodos da Filosofia greco-romana, indo dos pré-socráticos aos grandes sistemas do período 
helenístico, temos ainda os seguintes períodos da Filosofia mundial: 
 
1. FILOSOFIA PATRÍSTICA (do séc. I ao séc. VII d.C.): 
 
Inicia-se com as Epístolas de São Paulo e o Evangelho de João e termina no séc. VIII, quando teve 
início a Filosofia Medieval. 
O nome “patrística” vem do costume de chamar os primeiros dirigentes e pensadores 
espirituais do cristianismo de “Padres da Igreja”. Esses Padres da Igreja, precedidos por São 
Paulo e São João, se esforçaram para conciliar a nova religião, o cristianismo, com o 
pensamento filosófico dos gregos e romanos. Pois, somente com tal conciliação seria possível 
convencer os pagãos (= não cristãos) da nova verdade e convertê-los a ela. 
A Filosofia Patrística liga-se, portanto, à tarefa religiosa da evangelização e à defesa da religião 
cristã contra os ataques teóricos e morais que recebia dos antigos. 
Divide-se em patrística grega – ligada à Igreja de Bizâncio e patrística latina – ligada à Igreja de 
Roma. 
Os nomes mais importantes desse período foram: 
 Justino (de Nablus – 100 a 165 d.C.); 
 Tertuliano (Cartago – 155 a 222 d.C.); 
 Atenágoras (de Atenas – fins do século II d.C.); 
 Orígenes (de Alexandria, Egito – 185 a 253 d.C.); 
 Clemente (de Roma, foi Papa de 88 a 97 d.C.); 
 Eusébio (de Cesareia – 265 a 339 d.C.); 
 Santo Ambrósio (Milão, Itália - 340 a 397 d.C.); 
 São Gregório de Nazianzo (Capadócia, Ásia Menor – 329/330 a 390 d.C.); 
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 São João Crisóstomo (de Antioquia, na Síria, atual Antakya, no sul da Turquia – 349 a 
407 d.C.); 
 Isidoro (de Sevilha, Espanha – 560 a 636 d.C.); 
 Santo Agostinho (Tagaste, atual Argélia, em 354 – morreu em Hipona, onde foi bispo, em 
430 d.C.); 
 Beda (o Venerável – Inglaterra, 672 a 735 d.C.); 
 Boécio (Roma, cerca de 475 a 480 – morre em Pavia, em 524 d.C.). 
 
A patrística introduziu idéias desconhecidas para os filósofos greco-romanos: 
 a idéia de criação do mundo a partir do nada, 
 de pecado original do homem, 
 de Deus como trindade una, 
 de encarnação e morte de Deus, 
 de juízo final ou de fim dos tempos, 
 Ressurreição dos mortos, etc. 
A questão da existência do mal no mundo: precisou explicar como o mal pode existir no mundo, 
já que tudo foi criado por Deus, que é pura perfeição e bondade. Para isso, introduziu a idéia de 
“homem interior” (Santo Agostinho e Boécio), isto é, a consciência moral e o livre-arbítrio da 
vontade, pelo qual o homem, por ser dotado de liberdade para escolher entre o bem e o mal, é o 
responsável pela existência do mal no mundo. 
Surge nessa época uma distinção, desconhecida pelos antigos, entre: 
 Verdades reveladas ou da fé (sobrenaturais, provenientes de Deus por meio da Bíblia ou 
dos Santos – por isso, irrefutáveis, inquestionáveis, dogmas. e 
 Verdades da razão ou humanas (naturais). 
Desse modo, o grande tema de toda a Filosofia Patrística é o da possibilidade ou 
impossibilidade de conciliar razão e fé. 
A esse respeito, havia três posições principais:

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