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1 PRODUZIDO POR GÉSSICA DE SOUSA OLIVEIRA RESUMO DE DIREITO PENAL (PARTE GERAL) 2 PRODUZIDO POR GÉSSICA DE SOUSA OLIVEIRA DIREITO PENAL OBJETIVO É o conjunto de leis penais em vigor. DIREITO PENAL SUBJETIVO É o direito de punir (ius puniendi), exclusivamente, pertence ao Estado. DIREITO PENAL SUBSTANTIVO É o direito material, propriamente dito, é o Código Penal. DIREITO PENAL ADJETIVO É o direito formal, é o Direito Processual Penal. PRINCÍPIO DA LEGALIDADE ESTRITA OU RESERVA LEGAL – ART. 5º. XXXIX, CF/88 E ART. 1º, CP FUNÇÕES CONSTITUTIVAS FUNÇÕES DE GARTANTIA Princípio da legalidade: direcionado ao legislador ao cominar as penas; Princípio da legalidade direcionado ao aplicador do direito: quando o juiz veda que se aplique um regime de cumprimento de pena mais severo do que o previsto pelo legislador; Princípio da legalidade direcionado à Administração Penitenciária: os órgãos não podem executar pena diversa daquela prevista em lei e aplicada pelo juiz. Lex scripta: proíbe que se utilize dos costumes como fonte incriminadora do direito penal; Lex stricta: proibição do emprego de analogia in malan partem; Lex praevia: representa o princípio da anterioridade penal: veda a criminalização ex post facto; Lex certa: materializa a proibição de o legislador formular tipos penais genéricos, vazios, vagos (aspecto material do princípio da legalidade – princípio da taxatividade) PRINCÍPIO DA INTERVENÇÃO MÍNIMA FRAGMENTARIEDADE SUBSIDIARIEDADE Prevê que somente devem ser tutelados pelo direito penal os casos de relevante lesão ou perigo de lesão aos bens jurídicos fundamentais para a manutenção e o progresso do ser humano e da sociedade. Somente após se constatar que outros meios de solução social dos conflitos não são aptos a dirimi- los, é que serão utilizados modelos coercitivos de que dispõe o direito penal (funciona como um soldado de reserva). FRAGMENTARIEDADE ÀS AVESSAS Ocorre nas situações em que o direito penal perde o interesse em uma determinada conduta, inicialmente tida por criminosa, por entende-la desnecessária, com a evolução da sociedade e modificação de seus valores, ocorrendo a abolitio criminis. FUNCIONALISMO TELEOLÓGICO (CLAUS ROXIN) FUNCIONALISMO SISTÊMICO (GÜNTHER JAKOBS) Finalidade do Direito Penal: proteção de bens jurídicos indispensáveis. Não veio para trazer valores éticos, morais; Moderado: o direito penal tem limites impostos pelo próprio direito penal e demais ramos do direito; Dualista: convive em harmonia com os demais ramos do Direito. Reconhece o sistema jurídico em geral; De política criminal: aplica a lei de acordo com os anseios da sociedade. Se adapta à sociedade em que ele se insere; Finalidade do Direito Penal: é a proteção das normas penais, assegurar o império da norma. É punir. Aplicar a lei; A sociedade que deve se ajustar ao Direito Penal; Para ele, o Direito Penal é: Radical: só reconhece os limites impostos por ele mesmo; Monista: é um sistema próprio de regras e de valores que independe dos demais; Sistêmico: é autônomo (independe dos demais ramos), autorreferente (todas as referências e 3 PRODUZIDO POR GÉSSICA DE SOUSA OLIVEIRA Racional teleológico: movido pela razão e em busca de sua finalidade. conceitos que precisa buscar o próprio direito penal) e se autoproduz; Quem viola reiterada e deliberadamente a norma = não-cidadão / inimigo = não tem direitos. LEI PENAL EM BRANCO LEI PENAL EM BRANCO EM SENTIDO LATO/HOMOGÊNEA/IMPRÓPRIA O complemento tem a mesma natureza jurídica e deriva do mesmo órgão que elaborou a lei incriminadora, ou seja, é outra lei. EX.: Art. 169, § único, I, CP, complementado pelo art. 1.264 do CC. HOMOVITELINA HETEROVITELINA A lei incriminadora e o complemento estão no mesmo diploma legislativo. EX.: Art. 304, que se referem os Arts. 297 a 302. A lei incriminadora e o complemento estão em diplomas normativos diversos. EX.: Art. 236 é complementado pelo CC. LEI PENAL EM BRANCO EM SENTIDO ESTRITO/HETEROGÊNEA/FRAGMENTÁRIA/PRÓPRIA O complemento tem natureza jurídica diversa e emana de órgão distinto do que elaborou a norma incriminadora. EX.: Lei de Droga e portaria nº 344/98 LEI PENAL EM BRANCO INVERSA OU AO AVESSO O preceito primário é completo, mas o preceito secundário (pena) depende de complementação. O complemento, nesse caso, deve ser uma lei, tendo em vista o princípio da reserva legal. EX.: Genocídio LEI PENAL EM BRANCO DE FUNDO CONSTITUCIONAL O complemento do preceito primário é uma norma constitucional. EX.: crime de abandono intelectual (art. 246, CP), uma vez que a instrução primária está prevista no art. 208, I, CF/88. LEI PENAL EM BRANCO AO QUADRADO É norma cujo complemento também depende de complementação. EX.: Art. 38, Lei 9.605/98, o conceito de “floresta de preservação permanente” é dado pelo Código Florestal. ALTERAÇÃO DE COMPLEMENTO DE NORMA PENAL EM BRANCO, RETROAGE? Ato não visa proteger situação excepcional, ou seja, proferido em situações de normalidade – há a retroatividade da lei penal benéfica. Ato que visa proteger situação excepcional – não retroage. 4 PRODUZIDO POR GÉSSICA DE SOUSA OLIVEIRA EFICÁCIA DA LEI PENAL NO TEMPO TEORIA DA ATIVIDADE TEORIA DO RESULTADO (DO EVENTO) TEORIA DA UBIQUIDADE Considera-se praticado o crime no momento da conduta, da ação ou omissão. Considera-se praticado o crime no momento do resultado. Considera-se praticado o crime no momento da conduta ou do resultado. BIZU: LUTA Lugar do crime = Ubiquidade Tempo do crime = Atividade CUIDADO! O TERMO INCIAL DA PRESCRIÇÃO DA PRETENSÃO PUNITIVA – O CP ADOTA A TEORIA DO RESULTADO. EXTRATERRITORIALIDADE INCONDICIONADA (O AGENTE É PUNIDO SUGUNDO A LEI BRASILEIRA, AINDA QUE ABSOLVIDO OU CONDENADO NO ESTRANGEIRO – POSSIBILIDADE DE DUPLA CONDENAÇÃO PELO MESMO FATO) Contra a vida ou a liberdade do presidente da república (PRINCÍPIO DA DEFESA OU REAL) Contra o patrimônio ou a fé pública: Da União; Do DF; Dos Estados; Dos Territórios; Dos Municípios; Da Empresa Pública; Da Sociedade de Economia Mista; Da Autarquia; Da Fundação instituída pelo poder público (PRINCÍPIO DA DEFESA OU REAL) Contra a administração pública, por quem está a seu serviço (PRINCÍPIO DA DEFESA OU REAL) De genocídio, quando o agente for brasileiro ou domiciliado no brasil (PRINCÍPIO DA PERSONALIDADE OU NACIONALIDADE) CONDICIONADA Que, por tratado ou convenção, o brasil se obrigou a reprimir (PRINCÍPIO DA JUSTIÇA UNIVERSAL) Praticados por brasileiro (PRINCÍPIO DA NACIONALIDADE ATIVA) Praticados em aeronaves ou embarcações brasileiras, mercantes ou de propriedade privada, quando em território estrangeiro e aí não sejam julgados (PRINCÍPIO DA REPRESENTAÇÃO) REQUISITOS: Entrar o agente no território nacional; Ser o fato punível também no país em que foi praticado; Estar o crime incluído entre aqueles pelos quais a lei brasileira autoriza a extradição; Não ter sido o agente absolvido no estrangeiro ou não ter aí cumprido a pena; Não ter sido o agente perdoado no estrangeiro ou, por outro motivo, não estar extinta a punibilidade, segundo a lei mais favorável 5 PRODUZIDO POR GÉSSICA DE SOUSA OLIVEIRA HIPERCONDICIONADA (CRIME COMETIDO POR ESTRANGEIRO CONTRA BRASILEIRO FORA DO BRASIL) Entrar o agente no território nacional; Ser o fato punível também no país em que foi praticado; Estar o crime incluído entre aqueles pelos quais a lei brasileira autoriza a extradição; Não ter sido o agente absolvido no estrangeiro ou não ter aí cumprido a pena; Não ter sido o agente perdoado no estrangeiro ou, por outro motivo, não estar extinta a punibilidade, segundo a lei mais favorável REQUISITOS:a ideia, e sem contar a sua origem, consulta “C”, o qual o estimula a assim agir. “B” pratica o roubo. “A” e “C” são partícipes do crime, pois para ele concorreram. PARTICIPAÇÃO EM CADEIA OU PARTICIPAÇÃO DA PARTICIPAÇÃO Quando alguém induz ou instiga uma pessoa, para que esta posteriormente induza, instigue ou auxilie outro indivíduo a cometer um crime determinado. EX.: “A” induz “B” a instigar “C” a emprestar uma arma de fogo (auxiliar) a “D”, para que este mate “E”, devedor e desafeto de todos. “A”, “B” e “C” respondem pelo homicídio, na condição de partícipes, pois concorreram para o crime que teve “D” como seu autor. PARTICIPAÇÃO EM AÇÃO ALHEIA É o envolvimento em ação alheia, de terceira pessoa, com elemento subjetivo distinto, quando a lei cria para a situação dois crimes diferentes, mas ligados um ao outro. Aquele que colabora culposamente para a conduta alheia responde por delito culposo, enquanto ao autor, que age com consciência e vontade, deve ser imputado um crime doloso. São dois crimes autônomos, embora dependentes entre si. Não há concurso de pessoas, inexiste liame subjetivo. 32 PRODUZIDO POR GÉSSICA DE SOUSA OLIVEIRA Não admite participação culposa em crime doloso, nem participação dolosa em crime culposo. EX.: um funcionário público estadual, ao término de seu expediente, esqueça aberta a janela do seu gabinete. Aproveitando-se dessa facilidade, um particular que passava pela via pública ingressa na repartição pública e de lá subtrai um computador pertencente ao estado. O funcionário responde por peculato culposo, e o particular por furto. ERRO DE TIPO ERRO IGNORÂNCIA É a falsa percepção da realidade ou o falso conhecimento de determinado objeto. EX.: o sujeito erra ao confundir um cavalo com um jumento. É o completo desconhecimento da realidade ou de algum objeto. EX.: o sujeito, nascido em uma casa urbana e trancado no interior de um quarto até os 18 anos de idade, não tem a mínima ideia do que seja um cavalo. ERRO DE TIPO É a falsa percepção da realidade acerca dos elementos constitutivos do tipo legal. ESPÉCIES ESCUSÁVEL, INEVITÁVEL, INVENCÍVEL OU DESCULPÁVEL INESCUSÁVEL, EVITÁVEL, VENCÍVEL OU INDESCULPÁVEL Não deriva de culpa do agente, ou seja, mesmo que ele tivesse agido com a cautela e a prudência de um homem médio, ainda sim não poderia evitar a falsa percepção da realidade sobre os elementos constitutivos do tipo penal. EXCLUI O DOLO E A CULPA. EXCEÇÃO: Pode acontecer do erro de tipo ainda que escusável, não excluir a criminalidade do fato. EX.: quando o particular ofende um indivíduo desconhecendo a sua condição de funcionário público. Em face da ausência de dolo quanto a essa elementar, afasta-se o crime de desacato (art. 331), mas subsiste o de injúria (art. 140), pois a honra do particular também é tutelada pela lei penal. É o erro que provém da culpa do agente, é dizer, se ele empregasse a cautela e a prudência do homem médio poderia evita-lo, uma vez que seria capaz de compreender o caráter criminoso do fato. EXCLUI O DOLO, MAS NÃO A CULPA (CASO HAJA PREVISÃO DA MODALIDADE CULPOSA) ERRO DE TIPO CRIME PUTATIVO POR ERRO DE TIPO O indivíduo, desconhecendo um ou vários elementos constitutivos, não sabe que pratica um fato descrito em lei como infração penal, quando na verdade o faz. É o imaginário ou erroneamente suposto, que existe exclusivamente na mente do agente. Ele quer praticar um crime, mas, por erro, acaba por cometer um fato penalmente irrelevante. EX.: “A” deseja praticar o crime de tráfico de drogas, mas por desconhecimento comercializa talco. 33 PRODUZIDO POR GÉSSICA DE SOUSA OLIVEIRA DESCRIMINANTE PUTATIVA É a causa que exclui o crime, retirando o caráter ilícito do fato típico praticado por alguém. Provém de parecer, aparentar. É algo imaginário, erroneamente suposto. É tudo aquilo que parece, mas não é o que aparenta ser. DESCRIMINANTE PUTATIVA É causa de exclusão de ilicitude que não existe concretamente, mas apenas na mente do autor de um fato típico. ESPÉCIES ERRO RELATIVO AOS PRESSUPOSTOS DE FATO DE UMA CAUSA DE EXCLUSÃO DA ILICITUDE ERRO RELATIVO À EXISTÊNCIA DE UMA CAUSA DE EXCLUSÃO DA ILICITUDE ERRO RELATIVO AOS LIMITES DE UMA CAUSA DE EXCLUSÃO DA ILICITUDE É o caso daquele que, ao encontrar seu desafeto, e notando que tal pessoa coloca a mão no bolso, saca seu revólver e o mata. Descobre, depois, que a vítima fora acometida por cegueira, por ele desconhecida, e não poderia sequer ter visto o seu agressor. Ausente, portanto, um dos requisitos da legítima defesa, qual seja a “agressão injusta”. ERRO DE PROIBIÇÃO INDIRETO Imagine-se o sujeito que, depois de encontrar sua mulher como amante, em flagrante adultério, mata a ambos, por crer que assim possa agir acobertado pela legítima defesa da honra. Nessa situação, o agente errou quanto à existência desta descriminante, não acolhida pelo ordenamento jurídico em vigor. O exemplo do fazendeiro que reputa adequando matar todo e qualquer posseiro que invada a sua propriedade. Cuida-se da figura do excesso, pois a defesa da propriedade não permite esse tipo de reação desproporcional. ERRO DE PROIBIÇÃO INDIRETO ERRO DE PROIBIÇÃO INDIRETO ESCUSÁVEL, INEVITÁVEL, INVENCÍVEL OU DESCULPÁVEL INESCUSÁVEL, EVITÁVEL, VENCÍVEL OU INDESCULPÁVEL Subsiste o dolo e a culpa; Exclui-se a culpabilidade. Não se afasta a culpabilidade; Responde por crime doloso, diminuindo-se a pena de 1/6 a 1/3 (art. 21, caput, CP) RESUMO – DESCRIMINANTES PUTATIVAS DESCRIMINANTE PUTATIVA TEORIA LIMITADA DA CULPABILIDADE TEORIA EXTREMADA/ESTRITA DA CULPABILIDADE ERRO RELATIVO AOS PRESSUPOSTOS DE FATO DE UMA CAUSA DE EXCLUSÃO DA ILICITUDE ERRO DE TIPO PERMISSIVO ERRO DE PROIBIÇÃO INDIRETO (TEORIA UNITÁRIA DO ERRO) ERRO RELATIVO À EXISTÊNCIA DE UMA CAUSA DE EXCLUSÃO DA ILICITUDE ERRO DE PROIBIÇÃO INDIRETO ERRO DE PROIBIÇÃO INDIRETO ERRO RELATIVO AOS LIMITES DE UMA CAUSA DE EXCLUSÃO DA ILICITUDE ERRO DE PROIBIÇÃO INDIRETO ERRO DE PROIBIÇÃO INDIRETO ART. 20, § 2º, CP - ERRO DETERMINADO POR TERCEIRO Responde pelo crime o terceiro que determina o erro. 34 PRODUZIDO POR GÉSSICA DE SOUSA OLIVEIRA ERRO DE TIPO ACIDENTAL ERRO SOBRE A PESSOA OU ERROR IN PERSONA EX.: “A”, com a intenção de matar “B”, efetua disparos de arma de fogo contra “C”, irmão gêmeo de “B”, confundindo-o com aquele que efetivamente queria matar. OBS.: Considera-se as qualidades da vítima virtual, e não a vítima real – incide as agravantes. ERRO SOBRE O OBJETO Ex.: “A” acredita que subtrai um relógio Rolex, avaliado em R$ 30.000,00, quando realmente furta uma réplica de tal bem, a qual custa R$ 500,00. Pode ensejar a incidência do princípio da insignificância. ERRO SOBRE AS QUALIFICADORAS Ex.: O agente furta um carro depois de conseguir, por meio de fraude, a chave verdadeira do automóvel. Acredita praticar o crime de furto qualificado pelo emprego de chave falsa, quando na verdade não incide o tipo derivado por se tratar de chave verdadeira. Desaparece a qualificadora, por falta de dolo, mas se mantém intacto o tipo fundamental, ou seja, subsiste o crime efetivamente praticado, o qual deve ser imputado ao seu responsável. ERRO SOBRE O NEXO CAUSAL OU ABERRATIO CAUSAE Ex.: “A”, no alto de uma ponte, empurra “B” – que não sabia nadar – ao mar, para mata-lo afogado. A vítima falece, não por força da asfixia derivada do afogamento, e sim por traumatismo cranioencefálico, pois se chocou em uma pedra antes de ter contato com a água. Reponde por homicídio consumado. Quanto a qualificadora: 1º. C. Deve ser considerado o meio de execução que o agente desejava empregar para a consumação (asfixia). 2º. C. Deve levar em consideração o meio de execução que efetivamente provocou o resultado. ERRO SOBRE O NEXO CAUSAL (ABERRATIO CAUSAE) DOLO GERALOU POR ERRO SUCESSIVO Há um único ato. Ex.: “A”, no alto de uma ponte, empurra “B” – que não sabia nadar – ao mar, para mata-lo afogado. A vítima falece, não por força da asfixia derivada do afogamento, e sim por traumatismo cranioencefálico, pois se chocou em uma pedra antes de ter contato com a água. Nesse há dois atos. Ex.: “A” atira em “B”, que cai ao solo. Como ele acredita na morte da vítima, lança o corpo ao mar, para ocultar o cadáver, mas posteriormente se constata que a morte foi produzida pelo afogamento, e não pelo disparo de arma de fogo. ERRO NA EXECUÇÃO OU ABERRATIO ICTUS (ART. 73, CP) Ex.: “A” nota que “B”, seu inimigo, está parado em um ponto de ônibus. Saca sua arma, mira-o e efetua o disparo para mata-lo, mas por falha na pontaria acerta “C”, que também aguardava o coletivo, matando- a. O crime que queria praticar e o crime que praticou são idênticos, mas a pessoa morta é diversa da visada. OBS.: Leva em consideração as condições da vítima virtual, e não a real. ESPÉCIES DO ERRO NA EXECUÇÃO COM UNIDADE SIMPLES OU COM RESULTADO ÚNICO (ART. 73, 1ª PARTE) COM UNIDADE COMPLEXA OU COM RESULTADO DUPLO (ART. 73, in fine) 35 PRODUZIDO POR GÉSSICA DE SOUSA OLIVEIRA O agente atingi unicamente a pessoa diversa da desejada, no exemplo supra “C”. Responde por homicídio consumado. Leva em consideração a vítima virtual. O agente atinge a vítima visada “B”, dolosamente, e “C”, culposamente. Ex.: o projétil de arma de fogo que perfura o corpo de “B” e aloja-se no corpo de “C”. Aplica-se o concurso formal próprio ou perfeito (sistema da exasperação) – a pena do crime mais grave com a imposição da pena aumentada de 1/6 a 1/2. ART. 74, CP - RESULTADO DIVERSO DO PRETENDIDO (ABERRATIO DELICTI OU ABERRATIO CRIMINIS) CRIME x CRIME PESSOA x PESSOA O agente desejava cometer um crime, mas por erro na execução acaba por cometer crime diverso. O agente que atira uma pedra para quebrar uma vidraça (art. 163, CP – dano), mas, por erro na execução, atinge uma pessoa que passava pela rua, lesionando-a (art. 129, CP – Lesão corporal). COM UNIDADE SIMPLES OU COM RESULTADO ÚNICO (ART. 74, 1ª PARTE) COM UNIDADE COMPLEXA OU RESULTADO DUPLO (ART. 74, 2ª PARTE) O agente atinge somente o bem jurídico diverso do pretendido. Responde por crime culposo se previsto. O agente atinge o bem jurídico desejado e também fere a pessoa. Aplica-se o concurso formal próprio ou perfeito (sistema da exasperação) – a pena do crime mais grave com a imposição da pena aumentada de 1/6 a 1/2. ATENÇÃO: Se o resultado previsto como crime culposo for menos grave ou se o crime não admitir a modalidade culposa, deve-se desprezar a regra do art. 74, CP. Ex.: “A” efetua disparos de arma de fogo contra “B” para matá-lo, mas não o acerta e quebra uma vidraça, a sistemática do resultado diverso do pretendido implicaria a absorção da tentativa branca ou incruenta de homicídio pelo dano culposo. Não há dano culposo, então a conduta seria atípica. E ainda que o legislador tivesse incriminado o dano culposo, tal delito não seria capaz de absorver o homicídio tentado. Deve ser imputada ao agente a tentativa de homicídio. ERRO DE TIPO (ART. 20, CAPUT, CP) ERRO DE PROIBIÇÃO DIRETO (ART. 21, CP) O agente possui falsa percepção da realidade ou dos fatos. O agente sabe o que faz, mas acredita ser lícito o seu comportamento, enquanto, na verdade, é proibido. 36 PRODUZIDO POR GÉSSICA DE SOUSA OLIVEIRA Ex.: Alguém em uma reunião atrasado para outro compromisso, desatento, pega o celular de outra pessoa que era igual o seu e leva consigo. Em tese, subtraiu para si, coisa alheia móvel, mas tinha falsa percepção sobre o elemento “coisa alheia”, pois pensava que era sua. Ex.: Holandês que faz uso de maconha no Brasil e imagina ser permitido aqui, como lá é. Se o erro é inevitável – exclui o dolo e culpa – não há fato típico – exclui o crime. Se o erro é evitável – exclui o dolo e permite a punição por culpa quando previsto em lei. Se o erro é inevitável – exclui a potencial consciência da ilicitude – afasta a culpabilidade – exclui a pena. Se o erro é evitável – diminui a pena de 1/6 a 1/3 ART. 24, CP – ESTADO DE NECESSIDADE TEORIA UNITÁRIA TEORIA DIFERENCIADORA O estado de necessidade é causa de exclusão da ilicitude, desde que o bem jurídico sacrificado seja de igual valor ou de valor inferior ao bem jurídico preservado. Exige a razoabilidade na conduta do agente. Essa teoria admite somente o estado de necessidade justificante (Adotada pelo CP). Diferencia o estado de necessidade justificante (excludente de ilicitude) do estado de necessidade exculpante (excludente da culpabilidade). ESTADO DE NECESSIDADE JUSTIFICANTE ESTADO DE NECESSIDADE EXCULPANTE O bem sacrificado é de valor igual ou inferior ao preservado. Exclui a ilicitude. O bem sacrificado é de valor superior ao preservado. A ilicitude é mantida, mas, pode afastar a culpabilidade, em face da inexigibilidade de conduta diversa. REQUISITOS: SITUAÇÃO DE NECESSIDADE Perigo atual; Perigo não provocado voluntariamente pelo agente; Ameaça a direito próprio ou alheio; Ausência do dever legal de enfrentar o perigo FATO NECESSITADO Inevitabilidade do perigo por outro modo; Proporcionalidade ART. 24, § 2º. CAUSA DE DIMINUIÇÃO DE PENA Ocorre quando o agente, visando proteger bem jurídico próprio ou de terceiros, sacrifica outro bem jurídico de maior valor. Estado de necessidade exculpante. ESTADO DE NECESSIDADE QUANTO AO BEM SACRIFICADO: a) justificante: o bem sacrificado é de valor igual ou inferior ao bem preservado. b) exculpante: o bem sacrificado é de valor superior ao preservado. QUANTO À TITULARIDADE DO BEM JURÍDICO: a) próprio; ou b) terceiros QUANTO À ORIGEM DA SITUAÇÃO DE PERIGO: a) agressivo: é aquele em que o agente pratica o fato necessitado contra bem jurídico 37 PRODUZIDO POR GÉSSICA DE SOUSA OLIVEIRA pertencente a terceiro inocente, ou seja, pessoa que não provocou a situação de perigo. b) defensivo: é aquele em que o agente pratica o fato necessitado contra bem jurídico pertencente àquele que provocou o perigo. QUANTO AO ASPECTO SUBJETIVO DO AGENTE: a) real: a situação de perigo efetivamente existe (exclui a ilicitude). b) putativo: não existe a situação de necessidade (não exclui a ilicitude). ESTADO DE NECESSIDADE RECÍPROCO – É POSSÍVEL! ART. 25, CP. LEGÍTIMA DEFESA REQUISITOS: AGRESSÃO: injusta; atual ou iminente; contra direito próprio ou alheio REAÇÃO: emprego dos meios necessários; uso moderado de tais meios LEGÍTIMA DEFESA SUCESSIVA – É POSSÍVEL “A” profere palavras de baixo calão contra “B”, o qual, para calá-lo, defere-lhe um soco. Em seguida, com “A” já em sacrifício, “B” continua a agredi-lo fisicamente, autorizando o emprego de força física pelo primeiro para defender-se. É POSSÍVEL: Legítima defesa contra a multidão; Legítima defesa contra pessoa jurídica NÃO ADMITE: Legítima defesa presumida; Legítima defesa real recíproca; Legítima defesa real contra outra excludente real LEGÍTIMA DEFESA QUANTO À FORMA DE REAÇÃO: a) agressiva ou ativa: é aquela em que a reação contra a agressão injusta configura um fato previsto em lei como infração penal. b) Defensiva ou passiva: é a que limita-se a impedir os atos agressivos, sem praticar um fato típico. QUANTO À TITULARIDADE DO BEM JURÍDICO PROTEGIDO: a) própria; ou b) terceiros QUANTO AO ASPECTO SUBJETIVO DE QUEM DEFENDE: a) real: é a legítima defesa em que se encontram todos os requisitos previstos no art. 25, CP. b) putativa ou imaginária: é aquela em que o agente, por erro, acredita existir uma agressão injusta, atual ou iminente, a direito seu ou de outrem. EX.: “A” foi jurado de morte por “B”. em determinada noite, em uma rua escura, encontram- se. “B” coloca a mão no bolso, e“A”, acreditando que ele iria pegar uma arma, mata-o. Descobre-se, 38 PRODUZIDO POR GÉSSICA DE SOUSA OLIVEIRA posteriormente, que “B” tinha a intenção de oferecer-lhe um charuto para selar a paz. c) subjetiva ou excessiva: é aquela em que o agente, por erro de tipo escusável, excede os limites da legítima defesa (excesso acidental). CONSETIMENTO DO OFENDIDO Bem jurídico indisponível – NÃO; Bem jurídico disponível – SIM LEGÍTIMA DEFESA E ABERRATIO ICTUS “A” se defende de tiros de “B”, revidando disparos de arma de fogo em sua direção. Acerta, todavia, “C”, que nada tinha a ver com o incidente, matando- o. Incidirá mesmo matando “B” e “C”. É POSSÍVEL A EXISTÊNCIA SIMULTÂNEA DE LEGÍTIMA DEFESA E ESTADO DE NECESSIDADE “A” para defender-se de “B”, que injustamente desejava mata-lo, subtrai uma arma de fogo pertencente a “C” (estado de necessidade), utilizando-a para matar o seu agressor (legítima defesa). LEGÍTIMA DEFESA REAL CONTRA LEGÍTIMA DEFESA PUTATIVA “A” caminha em área perigosa. De repente, visualiza “B” colocando a mão no interior de sua blusa, e, acreditando que seria assaltado, “A” saca uma arma de fogo para matar “B”, quer iria apenas pegar um cigarro, “B” consegue se esquivar dos tiros, e, em seguida, mata “A” para se defender. É POSSÍVEL A LEGÍTIMA DEFESA PUTATIVA RECÍPROCA “A” e “B”, velhos desafetos, encontram-se em local ermo. Ambos colocam as mãos nos bolsos ao mesmo tempo, e, em razão disso, partem um para cima do outro, lutando até o momento em que desmaiam. Posteriormente, apura-se que “A” iria oferecer a “B” um cigarro, enquanto este, que havia perdido a fala em um acidente, entregaria àquele um pedido escrito de desculpas pelos desentendimentos pretéritos. LEGÍTIMA DEFESA REAL CONTRA LEGÍTIMA DEFESA SUBJETIVA/EXCESSIVA/EXCESSO ACIDENTAL É aquela em que o indivíduo, por erro escusável, ultrapassa os limites da legítima defesa. “A”, de porte físico avantajado, parte para cima de “B”, para agredi-lo. “B” consegue acertar um golpe violento, fazendo seu inimigo desistir da contenda. “B” não nota, todavia, que “A” já estava imóvel, e continua a ataca-lo, desnecessariamente, tornando a agressão injusta, e “A” poderá agir em legítima defesa real contra o excesso de “B”. LEGÍTIMA DEFESA REAL CONTRA LEGÍTIMA DEFESA CULPOSA “A”, sem adotar maior cautela, confunde “B” com uma pessoa que havia prometido mata-lo tão logo o encontrasse, e passa a efetuar disparos de arma de fogo para atingi-lo. “B” poderá agir em legítima defesa real. LEGÍTIMA DEFESA CONTRA CONDUTA AMPARADA POR CAUSA DE EXCLUSÃO DA CULPABILIDADE “A”, chega ao Brasil vindo de um país em que não há proteção sobre a propriedade de bens móveis. Não possui, pois, conhecimento acerca do caráter ilícito da conduta de furtar (erro de proibição). Em seguida, ele se dirige à residência de “B” para 39 PRODUZIDO POR GÉSSICA DE SOUSA OLIVEIRA subtrair diversos de seus pertences. Assim agindo, autoriza “B” a repelir a agressão injusta em legítima defesa do seu patrimônio. INFRAÇÃO BAGATELAR PRÓPRIA = PRINCÍPIO DA INSIGNIFICÂNCIA INFRAÇÃO BAGATELAR IMPRÓPRIA = PRINCÍPIO DA IRRELEVÂNCIA PENAL DO FATO A situação já nasce atípica. O fato é atípico por atipicidade material. A situação nasce penalmente relevante. O fato é típico do ponto de vista formal e material. Em virtude de circunstâncias envolvendo o fato e o seu autor, consta-se que a pena se tornou desnecessária. O agente não deveria nem mesmo ser processado já que o fato é atípico. O agente tem que ser processado (a ação penal deve ser iniciada) e somente após a análise das peculiaridades do caso concreto, o juiz poderia reconhecer a desnecessidade da pena. Natureza jurídica: causa supralegal de extinção de tipicidade material. Natureza jurídica: causa supralegal de extinção de punibilidade. Não tem previsão legal no direito brasileiro. Está previsto no ART. 59, CP, conforme a doutrina. REQUISÍTOS: Nenhuma periculosidade social; Mínima ofensividade da conduta; Inexpressividade de lesão ao bem jurídico; e Reduzido grau de reprovabilidade do comportamento RAÚL ZAFFARONI COCULPABILIDADE COCULPABILIDADE ÀS AVESSAS É corresponsabilidade do Estado no cometimento de determinados delitos, praticados por cidadãos que possuem menor âmbito de autodeterminação diante das circunstâncias do caso concreto, principalmente no que se refere a condições sociais e econômicas do agente, o que enseja menor reprovação social, segundo o princípio da coculpabilidade, o Estado-juiz haveria de considerar como atenuante as condições socioeconômicas do réu no momento da aplicação da pena. Defende a possibilidade de reprovação penal mais severa no tocante aos crimes praticados por pessoas dotadas de elevado poder econômico, e que abusam desta vantagem para a execução de delitos, em regra prevalecendo-se das facilidades proporcionadas pelo livre trânsito nos centros de controle político e econômico. CONCURSO DE CRIMES PREVISÃO LEGAL REQUISITOS SISTEMA ADOTADO CONCURSO MATERIAL ART. 69, CP pluralidade de condutas; pluralidade de crimes Cúmulo material CONCURSO FORMAL PRÓPRIO/PERFEITO ART. 70, CAPUT, CP unidade de conduta; pluralidade de crimes Exasperação aplica-se a mais grave das penas cabíveis; 40 PRODUZIDO POR GÉSSICA DE SOUSA OLIVEIRA se iguais, somente uma delas, aumentada de 1/6 até 1/2 CONCURSO FORMA IMPRÓPRIO/IMPERFEITO ART. 70, CAPUT, CP unidade de conduta; pluralidade de crimes; desígnios autônomos Cúmulo material CRIME CONTINUADO GENÉRICO ART. 71, CAPUT, CP pluralidade de condutas; pluralidade de crimes da mesma espécie; elo de continuidade Exasperação aplica-se a pena de um só dos crimes, se idênticas; ou a mais grave, se diversas, aumentada de 1/6 a 2/3 CRIME CONTINUADO ESPECÍFICO ART. 71, PAR. ÚNICO, CP pluralidade de condutas; pluralidade de crimes da mesma espécie; elo de continuidade; crimes dolosos; vítimas diferentes; violência ou grave ameaça Exasperação aumentar a pena de um só dos crimes, se idênticas; ou a mais grave, se diversas, aumentada de 1/6 até o 3x TEORIAS DO CRIME CONTINUADO TEORIA DA UNIDADE REAL Entende que todos os crimes parcelares praticados são, de fato, um só delito. TEORIA DA FICÇÃO JURÍDICA (ADOTA PELO CP) Serão considerados um só delito apenas para a fixação da pena, por questões de política criminal. TEORIA MISTA Todos os crimes formam um terceiro tipo de delito. CRIME CONTINUADO EXIGE UNIDADE DE DESÍGNIO? TEORIA OBJETIVA PURA O crime continuado não depende da unidade de desígnios. Devem ser observados apenas os requisitos objetivos do art. 71, caput, CP. TEORIA OBJETIVA- SUBJETIVA (MAJORITÁRIA) STF E STJ Embora não esteja expressamente previsto, o reconhecimento da continuidade delitiva depende da verificação de requisito subjetivo, qual seja: a unidade de desígnios (deve ser possível verificar no caso concreto uma ligação entre as condutas, que indique que o agente tinha, de fato, a intenção de cometer os delitos de forma subsequente). CONCURSO DE PESSOAS REQUISITOS pluralidade de agentes culpáveis; relevância causal das condutas para a produção do resultado; vínculo subjetivo entre os agentes (liame psicológico); unidade de infração penal; existência de fato punível 41 PRODUZIDO POR GÉSSICA DE SOUSA OLIVEIRA TEORIAS TEORIA MONISTA/IGUALITÁRIA/UNITÁRIA (ADOTADA NO CP DE FORMA MITIGADA) Todos os concorrentes praticam condutas concorrentes pra a realização de um fato único, e assim responderão pelo mesmo crime, ou seja, pelo mesmo fato criminoso. Assim, há apenas 1 crime para autores e partícipes. TEORIA DUALISTA Se configura um crime para os executores que praticam a conduta do núcleodo tipo (autores) e o outro para os que, sem realizarem o núcleo do tipo, concorrem para a sua realização (partícipe). TEORIA PLURALISTA/TEORIA DA CUMPLICIDADE DO CRIME DISTINTO Os agentes praticam condutas concorrendo para a realização de um fato, mas haverá um crime para cada agente. Ou seja, por essa teoria, haverá tantos crimes forem os concorrentes. EX.: 10 pessoas praticaram o crime de roubo, logo haverá 10 crimes autônomos de roubo. REGIME PENA FECHADO + 8 ANOS SEMIABERTO + 4 ANOS E NÃO EXCEDA A 8 ANOS (NÃO REINCIDENTE) ABERTO 1 - 4 ANOS (NÃO REINCIDENTE) SUSTITUIÇÃO DA PENA PRIVATIVA DE LIBERDADE (PPL) PELA RESTRITIVA DE DIREITOS (PRD) APLICADA PPL NÃO SUPERIOR A 4 ANOS Crime não for cometido com violência ou grave ameaça à pessoa; ou Crime culposo, qualquer que seja a pena aplicada; O réu não for reincidente em crime doloso; Quando os requisitos abaixo indicarem que essa substituição seja suficiente: A culpabilidade; Os antecedentes; A conduta social; Personalidade do condenado; Os motivos; As circunstâncias CONDENAÇÃO IGUAL OU INFERIOR A 1 ANO, A PPL PODE SER SUBSTITUÍDA POR: MULTA; OU PRD CONDENAÇÃO SUPERIOR A 1 ANO, A PPL PODE SER SUBSTITUÍDA POR: PRD E MULTA; OU 2 PRD’s 42 PRODUZIDO POR GÉSSICA DE SOUSA OLIVEIRA PRESTAÇÃO PECUNIÁRIA 1 a 360 salários mínimos PENA DE MULTA 10 a 360 dia-multa Dia-multa: Não pode ser inferior a 1/30 (um trigésimo) do maior salário mínimo mensal vigente ao tempo do fato; Nem superior a 5x esse salário Cálculo da ppl a executar será deduzido o tempo cumprido da prd, respeitando o saldo mínimo de 30 dias de detenção ou reclusão. Prestação de serviços à comunidade ou a entidade pública – condenaçõe superiores a 6 meses de PPL. Pena substituída for superior a 1 ano, é facultado ao condenado cumprir a pena substitutiva em menor tempo, nunca inferior a ½ (metade) da PPL fixada. PENAS RESTRITIVAS DE DIREITOS PENAS DE INTERDIÇÃO TEMPORÁRIA DE DIREITOS Prestação pecuniária (1 a 360 salários mínimos) Proibição do exercício de cargo, função ou atividade pública, bem como de mandato eletivo Perda de bens e valores Proibição do exercício de profissão, atividade ou ofício que dependam de habilitação especial, de licença ou autorização do poder público Prestação de serviço à comunidade ou a entidade pública Suspensão de autorização ou de habilitação para dirigir veículo Interdição temporária de direitos Proibição de frequentar determinados lugares Limitação de fim de semana (5 horas diárias) Proibição de inscrever-se em concurso, avaliação ou exame públicos PENA RESTRITIVA DE DIREITOS (PRD) Em substituição a PPL, fixada em quantidade inferior a 1 ano; ou Crimes culposos As penas PRD’s que terão a mesma duração da PPL substituída: Prestação de serviço à comunidade ou a entidade pública; Interdição temporária de direitos; Limitação de fim de semana OBS.: EXEÇÃO – Se a pena substituída for superior a 1 ano, é facultado ao condenado cumprir a pena substitutiva em menor tempo, nunca inferior à metade (½) da PPL. (art. 46, § 4º, CP). PENA DE MULTA O juiz pode aplicar a multa até o triplo, se entender que, em virtude da situação econômica do réu, é ineficaz, embora aplicada no máximo. A PPL aplicada não superior a 6 meses pode ser substituída pela de multa. 43 PRODUZIDO POR GÉSSICA DE SOUSA OLIVEIRA SUSPENSÃO CONDICIONAL DA PENA (SURSIS) PPL não superior a 2 anos; Pode ser suspensa por 2 a 4 anos; Condenado não reincidente em crime doloso; Não seja indicada ou cabível a substituição por PRD; SUSPENSÃO CONDICIONAL DA PENA (SURSIS ETÁRIO E HUMANITÁRIO): Condenado maior de 70 anos; ou Razões de saúde justifiquem a suspensão PPL não superior a 4 anos, pode ser suspensa por 4 a 6 anos REVOGAÇÃO OBRIGATÓRIA DO SURSIS, O BENEFICIÁRIO: REVOGAÇÃO FACULTATIVA DO SURSIS, O CONDENADO: É condenado, em sentença irrecorrível, por crime doloso Descumpre qualquer outra condição imposta Frustra, embora solvente, a execução de pena de multa ou não efetua, sem motivo justificado, a reparação do dano É irrecorrivelmente condenado, por crime culposo ou contravenção, a PPL ou PRD Descumpre a condição (no primeiro ano do prazo, deverá o condenado prestar serviço à comunidade ou subemeter-se à limitação de fim de semana LIVRAMENTO CONDICIONAL PPL = OU + DE 2 ANOS REQUISITOS Cumprida + de 1/3 da pena: Condenado não for reincidente em crime doloso; Tiver bons antecedentes Cumprida + da metade (½) da pena: Condenado for reincidente em doloso; COMPROVADO Bom comportamento durante a execução da pena; Não cometimento de falta grave nos últimos 12 meses; Bom desempenho no trabalho que lhe foi atribuído; e Aptidão para prover a própria subsistência mediante trabalho honesto; Tenha reparado o dano causado pela infração, salvo efetiva impossibilidade de fazê-lo. Cumpridos + de 2/3 da pena - condenação por crime – o apenado não pode ser reincidente específico em crimes dessa natureza: Hediondo; Tortura; Tráfico de drogas; Tráfico de pessoas; Terrorismo 44 PRODUZIDO POR GÉSSICA DE SOUSA OLIVEIRA REVOGAÇÃO OBRIGATÓRIA DO LIVRAMENTO CONDICIONAL: O LIBERADO FOR CONDENADO A PPL POR SENTENÇA IRRECORRÍVEL REVOGAÇÃO FACULTATIVA DO LIVRAMENTO CONDICIONAL: O LIBERADO Por crime cometido durante a vigência do benefício. Deixar de cumprir qualquer das obrigações constantes da sentença. Por crime anterior. For irrecorrivelmente condenado, por crime ou contravenção, a pena que não seja PPL. CONFISCO ALARGADO Condenação pena máxima superior a 6 anos de reclusão. Poderá ser decretada a perda, como produto ou proveito do crime, dos bens correspondentes à diferença entre o valor do patrimônio do condenado e aquele que seja compatível com o seu rendimento lícito. O condenado poderá demonstrar a inexistência da incompatibilidade ou a procedência lícita do patrimônio (inversão do ônus da prova). A perda prevista neste artigo deverá ser requerida expressamente pelo MP, por ocasião do oferecimento da denúncia, com indicação da diferença apurada. Na sentença condenatória, o juiz deve declarar o valor da diferença apurada a especificar os bens cuja perda for decretada. EFEITOS DA CONDENAÇÃO Perda do cargo, função pública ou mandato eletivo: Quando aplicada PPL por tempo = ou superior a 1 ano, nos crimes praticados com abuso de poder ou violação de dever para com a administração pública; Quando for aplicada PPL por tempo superior a 4 anos nos demais casos REABILITAÇÃO Decorridos 2 anos da extinção da pena PRAZO MÍNIMO DA INTERNAÇÃO OU TRATAMENTO AMBULATORIAL 1 a 3 anos PRESCRIÇÃO DA MULTA 2 anos quando for a única cominada ou aplicada ARREPENDIMENTO POSTERIOR IRRETRATABILIDADE DA REPRESENTAÇÃO ATÉ O RECEBIMENTO DA DENÚNCIA OU QUEIXA. DEPOIS DE OFERECIDA A DENÚNCIA. PRODUZIDO POR GÉSSICA DE SOUSA OLIVEIRA PENA PRAZO PRESCRICIONAL 20 ANOS + 12 ANOS 16 ANOS 8 – 12 ANOS 12 ANOS 4 – 8 ANOS 8 ANOS 2 – 4 ANOS 4 ANOS 1 – 2 ANOS 3 ANOS - 1 ANO CAUSAS IMPEDITIVAS DA PRESCRIÇÃO CAUSAS INTERRUPTIVAS DA PRESCRIÇÃO Enquanto não resolvida, em outro processo, questão de que dependa o reconhecimento da existência do crime Pelo recebimento da denúncia ou da queixa Enquanto o agente cumpre pena no exterior Pela pronúncia Na pendência de embargos de declaração ou de recursos aos tribunais superiores, quando inadmissíveis Pela decisão confirmatória da pronúncia Enquanto não cumprido ou não rescindido o ANPP Pela publicação da sentença ou acórdão condenatórios recorríveis Pelo início ou continuação do cumprimento da pena Pela reincidência CAUSAS DE DIMINUIÇÃO E AUMENTO DE PENA DA PARTE GERAL DO CÓDIGO PENAL CAUSAS DE DIMINUIÇÃODE PENA FRAÇÃO CAUSAS DE AUMENTO DE PENA FRAÇÃO Tentativa 1/3 – 2/3 Concurso de pessoas - Participação em crime menos grave na hipótese de ter sido previsível o resultado mais grave AUMENTO ATÉ A ½ (METADE) Arrependimento posterior 1/3 – 2/3 Prescrição da Pretensão Executória (PPE) - reincidente 1/3 Erro sobre a ilicitude do fato evitável 1/6 – 1/3 Concurso formal próprio 1/6 – 1/2 Estado de necessidade – embora seja razoável exigir-se o sacrifício do direito ameaçado 1/3 – 2/3 Crime continuado genérico 1/6 – 2/3 Semi-imputabilidade penal 1/3 – 2/3 Crime continuado específico ATÉ O TRIPLO Embriaguez proveniente de caso fortuito ou força maior não possuía, ao tempo da ação ou omissão, a plena capacidade de entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento 1/3 – 2/3 PRODUZIDO POR GÉSSICA DE SOUSA OLIVEIRA Concurso de pessoas - participação de menor importância 1/6 – 1/3 Redução dos prazos prescricionais: Menor de 21 anos – tempo do crime; Maior de 70 anos – data da sentença ½ (METADE) PROGRESSÃO DE REGIME – ART. 112 DA LEP (LEI Nº 7.210/84) REQUISITOS OBJETIVOS 16% Apenado primário; Crime tiver sido cometido sem violência à pessoa ou grave ameaça 20% Apenado reincidente; Em crime cometido sem violência à pessoa ou grave ameaça 25% Apenado primário; Crime tiver sido cometido com violência à pessoa ou grave ameaça 30% Apenado reincidente; Em crime cometido com violência à pessoa ou grave ameaça 40% Apenado primário; For condenado pela prática de crime hediondo ou equiparado 50% Se o apenado for: Condenado pela prática de crime hediondo ou equiparado, com resultado morte (se for primário), vedado o livramento condicional; Condenado por exercer o comando, individual ou coletivo, de organização criminosa estruturada para a prática de crime hediondo ou equiparado; ou Condenado pela prática do crime de constituição de milícia privada 60% Apenado reincidente; Na prática de crime hediondo ou equiparado 70% Apenado reincidente; Em crime hediondo ou equiparado com resultado morte, vedado do livramento condicional. REQUISITOS SUBJETIVOS O apenado só terá direito à progressão de regime se ostentar boa conduta carcerária, comprovada pelo diretor do estabelecimento, respeitadas as normas que vedam a progressão. PROGRESSÃO DE REGIME PARA MULHER GESTANTE OU QUE FOR MÃE OU RESPONSÁVEL POR CRIANÇA OU PESSOAS COM DEFICIÊNCIA REQUISITOS OBJETIVOS Não ter cometido crime com violência ou grave ameaça a pessoa; Não ter cometido o crime contra seu filho ou dependente; Ter cumprido ao menos 1/8 da pena no regime anterior; REQUISITOS SUBJETIVOS Se primária e ter bom comportamento carcerário, comprovado pelo diretor do estabelecimento; Não ter integrado organização criminosa Obs.: O cometimento de novo crime doloso ou falta grave, implicará a revogação do benefício. PRODUZIDO POR GÉSSICA DE SOUSA OLIVEIRA REGIME ABERTO Somente poderá ingressar no regime aberto o condenado que: Estiver trabalhando ou comprovar a possibilidade de fazê-lo imediatamente; Apresentar, pelos seus antecedentes ou pelo resultado dos exames a que foi submetido, fundados indícios de que irá ajustar-se, com autodisciplina e senso de responsabilidade, ao novo regime. Poderão ser dispensados do trabalho: Condenado maior de 70 anos; Condenado acometido de doença grave; Condenada com filho menor ou deficiente físico ou mental; Condenada gestante O juiz poderá estabelecer condições especiais para a concessão de regime aberto, sem prejuízo das seguintes condições gerais e obrigatórias: Permanecer no local que for designado, durante o repouso e os dias de folga; Sair para o trabalho e retornar, nos horários fixados; Não se ausentar da cidade onde reside, sem autorização judicial; Comparecer a juízo, para informar e justificar as suas atividades, quando for determinado. O condenado será transferido do regime aberto se: Praticar fato definido como crime doloso ou falta grave (deverá ser ouvido, previamente, o condenado); Sofrer condenação, por crime anterior, cuja penal somada ao restante da pena em execução, torne incabível o regime; Frustrar os fins da execução; Não pagar, podendo, a multa cumulativamente imposta. OUTROS ASSUNTOS IMPORTANTES! A decisão do juiz que determinar a progressão de regime será sempre motivada e precedida de manifestação do MP e do defensor, procedimento que também será adotado na concessão de livramento condicional, indulto e comutação de penas, respeitados os prazos previstos nas normas vigentes. Art. 33, § 4º, da lei nº 11.343/06 – tráfico privilegiado não é considerado hediondo ou equiparado. O cometimento de falta grave durante a execução da PPL interrompe o prazo para a obtenção da progressão no regime de cumprimento da pena, caso em que o reinício da contagem do requisito objetivo terá como base a pena remanescente. O bom comportamento é readquirido após 1 ano da ocorrência do ato, ou antes, após o cumprimento do requisito temporal exigível para a obtenção do direito. A execução da PPL ficará sujeita à forma regressiva, com a transferência para qualquer dos regimes mais rigorosos, quando o condenado: Praticar fato definido como crime doloso ou falta grave (deverá ser ouvido, previamente, o condenado); Sofrer condenação, por crime anterior, cuja penal somada ao restante da pena em execução, torne incabível o regime. PERMISSÃO DE SAÍDA SAÍDA TEMPORÁRIA Os condenados que cumprem pena em regime fechado ou semiaberto e os presos provisórios, poderão obter permissão para sair do estabelecimento, mediante escolta, quando ocorrer um dos seguintes fatos: Falecimento ou doença grave do cônjuge, companheira, ascendente ou irmão; Necessidade de tratamento médico Os condenados que cumpre pena em regime semiaberto poderão obter autorização para saída temporária do estabelecimento, sem vigilância direta, nos seguintes casos: Visita à família; Frequência a curso supletivo profissionalizante, bem como de instrução do 2º grau ou superior; PRODUZIDO POR GÉSSICA DE SOUSA OLIVEIRA A permissão de saída será concedida pelo diretor do estabelecimento onde se encontra o preso. A permanência do preso fora do estabelecimento terá duração necessária à finalidade da saída. Participação em atividades que concorram para o retorno ao convívio social A ausência de vigilância direta não impede a utilização de equipamento de monitoração eletrônica pelo condenado, quando assim determinar o juiz da execução. Não terá direito à saída temporária o condenado que cumpre pena por praticar crime hediondo com resultado morte. A autorização será concedida por ato motivado do juiz da execução, ouvidos o MP e a administração penitenciária, e dependerá da satisfação dos seguintes requisitos: Comportamento adequado; Cumprimento mínimo de 1/6 da pena – condenado primário; Cumprimento mínimo de 1/4 da pena – condenado reincidente; Compatibilidade do benefício com os objetivos da pena A autorização será concedida por prazo não superior a 7 dias, podendo ser renovada por mais 4 vezes durante o ano. Ao conceder a saída temporária, o juiz imporá ao beneficiário as seguintes condições, entre outras que entender compatíveis com as circunstâncias do caso e a situação pessoal do condenado: Fornecimento do endereço onde reside a família a ser visitada ou onde poderá se encontrado durante o gozo do benefício; Recolhimento à residência visitada, no período noturno; Proibição de frequentar bares, casas noturnas e estabelecimentos congêneres Quando se tratar de frequência a curso profissionalizante, de instrução de ensino médio ou superior, o tempo de saída será o necessário parao cumprimento das atividades discentes. Nos demais casos, as autorizações de saída somente poderão ser concedidas com prazo mínimo de 45 dias de intervalo entre uma e outra. O benefício será automaticamente revogado quando o condenado praticar: Fato definido como crime doloso; PRODUZIDO POR GÉSSICA DE SOUSA OLIVEIRA For punido por falta grave; Desatender as condições impostas na autorização; Revela baixo grau de aproveitamento do curso A recuperação do direito à saída temporária dependerá: Da absolvição no processo penal; Do cancelamento da punição disciplinar; ou Da demonstração do merecimento do condenado CLASSIFICAÇÃO DOUTRINÁRIA DOS CRIMES Crime material: é aquele que descreve o resultado naturalístico (modificação no mundo exterior) e exige a sua ocorrência para a sua consumação. Ex.: homicídio Crime formal ou de consumação antecipada: o resultado naturalístico é previsto, mas é dispensável, pois a consumação ocorre com a conduta. Ex.: ameaça e extorsão Crime de mera conduta: é aquele que apenas descreve a conduta delitiva, sem mencionar qualquer resultado naturalístico, que, obviamente, é dispensável. Ex.: porte ilegal de arma de fogo e violação de domicílio Crime comum: é aquele que pode ser praticado por qualquer pessoa, isto é, em que a lei não exige qualidade especial do sujeito ativo. Ex.: homicídio, furto, latrocínio, etc. Crime próprio: o tipo penal exige que o agente ostente certas qualidades ou características. Ex.: peculato e infanticídio PRISÃO DOMICILIAR CÓDIGO DE PROCESSO PENAL – ART. 318 I. MAIOR DE 80 ANOS; II. EXTREMAMENTE DEBILITADO POR MOTIVO DE DOENÇA GRAVE; III. IMPRESCINDÍVEL AOS CUIDADOS ESPECIAIS DE PESSOA MENOR DE 6 ANOS DE IDADE OU COM DEFICIÊNCIA; IV. GESTANTE; V. MULHER COM FILHO DE ATÉ 12 ANOS DE IDADE INCOMPLETOS; VI. HOMEM, CASO SEJA O ÚNICO RESPONSÁVEL PELOS CUIDADOS DO FILHO DE ATÉ 12 ANOS DE IDADE INCOMPLETOS. LEI DE EXECUÇÃO PENAL – ART. 117, LEI Nº 7.210/84 I. CONDENADO MAIOR DE 70 ANOS; II. CONDENADO ACOMETIDO DE DOENÇA GRAVE; III. CONDENADA COM FILHO MENOR OU DEFICIENTE FÍSICO OU MENTAL; IV. CONDENADA GESTANTE ART. 318-A, CPP – À MULHER GESTANTE OU QUE FOR MÃE OU RESPONSÁVEL POR CRIANÇAS OU PESSOAS COM DEFICIÊNCIA I. NÃO TENHA COMETIDO CRIME COM VIOLÊNCIA OU GRAVE AMAÇA A PESSOA; II. NÃO TENHA COMETIDO O CRIME CONTRA SEU FILHO OU DEPENDENTE. PRODUZIDO POR GÉSSICA DE SOUSA OLIVEIRA Crime de mão própria: é aquele que somente pode ser cometido por determinado agente designado no tipo penal. Ex.: falso testemunho ou falsa perícia (art. 342, CP) Crime doloso: sempre que o agente quiser o resultado (dolo direto) ou assumiu o risco de produzi-lo (dolo indireto ou eventual). Crime culposo: será o crime cujo o resultado não for querido ou aceito pelo agente, mas que, previsível, seja proveniente de inobservância dos deveres de cuidado (imprudência, negligência e imperícia). Crime preterdoloso: é o crime praticado com dolo em relação ao fato antecedente e culpa no que tange ao resultado agravante. Ex.: lesão corporal seguida de morte Crime instantâneo: é aquele que se consuma em momento determinado (consumação imediata) sem qualquer prolongação. Crime instantâneo de habitualidade preexistente: crime que se caracteriza pela consumação em momento determinado, mas que não só pode ser cometido em circunstâncias de habitualidade. Ex.: descaminho (art. 334, § 1º, III, CP) Crime permanente: é aquele em que a execução se protrai no tempo por determinação do sujeito ativo. Crime instantâneos de efeitos permanentes: a consumação também ocorre em momento determinado, mas os efeitos dela decorrentes são indeléveis (não se pode apagar ou eliminar). Ex.: homicídio consumado Crime consumado: é o crime que reúnam todos os seus requisitos de ordem legal. Crime tentado: crime que por circunstâncias alheias à vontade do agente, o resultado não ocorre. Crime de dano: quando há efetiva lesão ao bem jurídico penalmente tutelado Ex.: homicídio, furto e dano Crime de perigo abstrato: que dispensa a efetiva lesão, configura-se com a simples exposição do bem jurídico a perigo. Concreto: exige a efetiva comprovação de risco para o bem jurídico. Individual: a conduta do agente expõe a perigo uma só ou um número determinado de pessoas. ex.: perigo para vida ou a saúde de outrem (art. 132, CP) Comum: a conduta delituosa expõe a perigo número indeterminado de pessoas. ex.: explosão (art. 251, CP) Abstrato ou presumido ou simples desobediência: a própria lei presume perigosa a ação, dispensando- se a comprovação de que houve efetivo perigo ao bem jurídico tutelado. Crime simples: é o crime basilar, formado objetivamente por apenas um tipo penal e subjetivamente sem nenhuma circunstância que aumente ou diminua sua gravidade. Crime complexo: é o crime formado por meio da reunião entre dois ou mais tipos penais. Ex.: roubo (constrangimento ilegal + furto) Crime ultracomplexo: ocorre quando um crime complexo é acrescido de outro, este servindo como qualificadora ou majorante daquele. Ex.: roubo praticado com emprego de arma de fogo (art. 157 § 2º-A, I, CP) Crime qualificado: é o que deriva do tipo penal básico ou do complexo, com a mesma natureza, cuja reprimenda sofre um agravamento, em novos patamares mínimo e máximo, em virtude da mairo gravidade da conduta. Ex.: furto (art. 155, § 4º, I, CP) Crime privilegiado: é aquele em que a lei considera determinadas circunstâncias que diminuem a gravidade da ação e, consequentemente, a reprimenda imposta. Ex.: homicídio (art. 121, § 1º, CP) Crime plurissubjetivo: na hipótese em que o concurso de agentes seja imprescindível para a sua configuração (crime de concurso necessário). As condutas perpetradas podem ser: PRODUZIDO POR GÉSSICA DE SOUSA OLIVEIRA Paralelas: quando todos, pretendendo alcançar um fim único, auxiliam-se mutuamente na execução do tipo penal. ex.: associação criminosa (art. 288, CP) Divergentes: quando os agentes dirigem suas ações uns contra os ouros. ex.: rixa (art. 137, CP) Bilaterais: quando o tipo pressupõe a atuação de dois agentes cujas condutas são propensas a se encontrar, pois partem de pontos opostos. ex.: bigamia (art. 235, CP) Crime unissubsistente: é aquele em que não se admite o fracionamento da conduta, isto é, perfaz-se com apenas um ato. Ex.: crimes contra a honra cometidos verbalmente Obs.: não admite tentativa. Crime plurissubjetivo: a conduta é fracionada em diversos atos que, somados, provocam a consumação. Ex.: homicídio, roubo e estelionato Obs.: admite tentativa Crime de olvido: são crimes omissivos impróprios culposos. Crime comissivo: é a realização de uma conduta (ação) desvaliosa proibida pelo tipo penal incriminador. Crime omissivos: é a não realização (não fazer) de determinada conduta valiosa (comportamento ideal) a que o agente estava juridicamente obrigado e que lhe era possível concretizar. Viola um tipo mandamental. Podem ser: Próprio: decorre do próprio tipo penal. ex.: omissão de socorro (art. 135, CP) Impróprio ou comissivo por omissão: está descrito em norma geral. ex.: art. 13, § 2º, CP Crime de conduta mista: conduta comissiva, seguida de omissão. Ex.: apropriação de coisa achada (art. 169, parágrafo único, ii, cp) Crime habitual: é aquele que se configura mediante a reiteração de atos. Ex.: casa de prostituição (art. 229, CP) OBS₁.: não admite tentativa; e OBS₂.: as ações que o compõem, consideradas isoladamente não constituem crimes. Crime exaurido: é o que comtempla atos posteriores a consumação. Crime profissional: é aquele praticado por quem se utiliza da profissão que exerce para alcançar finalidade ilícita. Crime progressivo ou de passagem: é aquele em que, para alcançar seu intento, deve o agente obrigatoriamente violar norma de carátermenos grave. Ex.: lesão corporal até a morte Obs.: responde pela consumação Progressão criminosa: o dolo inicial é de praticar o crime menos grave, porém, no momento da prática, tramuta-se o para a prática do crime mais grave. Crime subsidiário: é aquele que somente se configura se a conduta do agente não constituir crime mais grave. Crime de ação única: o crime em que o tipo penal prevê apenas uma conduta nuclear possível. Ex.: furto (art. 155, CP) - subtrair Crime de ação múltipla ou de conteúdo variado: é aquele em que diversas são as condutas possíveis. Ex.: tráfico (art. 33, lei 11.343/06) Crime principal: é o crime que independe da existência de outro. Ex.: roubo (art. 157, CP) PRODUZIDO POR GÉSSICA DE SOUSA OLIVEIRA Crime acessório ou parasitário: é aquele que pressupõe a ocorrência de outro delito em momento anterior. Ex.: receptação (art. 180, CP) Crime a prazo: é aquele que exige do decurso de um prazo para que se configure. Ex.: apropriação de coisa achada (art. 169, parágrafo único, II, CP) Crime vago: é aquele em que o sujeito passivo é indeterminado, representado por uma coletividade. Crime falho ou tentativa perfeita ou acabada: ocorre quando o agente utilizou todos os meios possíveis à sua disposição, mas não conseguiu consumar o crime por circunstâncias alheias à sua vontade. Quase crime: trata-se de crime impossível e da participação impunível, situações em que, na realidade, crime não há. Crime putativo ou imaginário ou erroneamente suposto: é aquele existente apenas na intenção do agente, que acredita estar cometendo um crime enquanto pratica um indiferente penal. Pode ser: Por erro de tipo; Por erro de proibição; Por obra do agente provocador. Crime funcional: é o praticado por funcionário público. Próprio: se afastada a qualidade de funcionário público, o fato se torna atípico. Ex.: prevaricação Impróprio: a falta dessa qualidade poderá configurar outro delito. ex.: peculato furto Crime de circulação: é o praticado por meio de automóvel. Crime militar: crime praticado por militar. Próprio: definido penas no código pena militar. Ex.: deserção Impróprio: definido também no restante da legislação penal (furto) ou somente nela, legislação não militar (tortura). Crime de atentado: é aquele que a lei atribui punição idêntica tanto para a tentativa quanto para consumação. Ex.: evasão mediante violência contra a pessoa (art. 352, CP) Crime de opinião ou de palavra: é aquele praticado por meio de abuso da liberdade de expressão. Ex.: injúria, calúnia, difamação, apologia ao crime ou criminoso Crime de expressão: se caracteriza por ser cometido por meio de atividade do autor, que processa a informação que recebe e se expressa inveridicamente. Ex.: falso testemunho (art. 342, CP) Crime a distância ou de espaço máximo: o crime percorre territórios de dois estados soberanos (brasil e argentina). Ex.: JOSÉ escreve carta injuriosa em São Paulo e a remete a PEDRO, desafeto na argentina. Crime em trânsito: o crime percorre territórios de mais de dois países soberanos, sem, contudo, atingir bens jurídicos em um ou alguns desses países. Ex.: um objeto é furtado na argentina e, para ser receptado nos EUA, passa pelo Brasil. Crime plurilocal: o crime percorre dois ou mais territórios do mesmo país (comarcas de São Paulo, São Bernado do Campo e Guarulhos). Obs.: o CPP adotou em regra, a teoria do resultado, sendo competente a comarca onde se deu a consumação (art. 70, CPP). Crime mono-ofensivo: é o delito que atinge apenas um bem jurídico. Crime pluriofensivo: é aquele cuja constituição acarreta afronta a mais de um bem juridicamente tutelado. Crime de execução livre: é aquele que admite variadas formas para a prática da conduta típica. Ex.: homicídio PRODUZIDO POR GÉSSICA DE SOUSA OLIVEIRA Crime de execução vinculada: é restrito na forma sob a qual a conduta pode ser compreendida. Ex.: redução a condição análoga à de escravo (art. 149, CP) Crime gratuito: é aquele cometido sem motivo conhecido. Crime multitudinário: é o delito cometido por multidão no contexto de um tumulto. Crime independente: é o delito que não assume ligação com outras infrações penais. Crimes de conexão teleológica: é praticado para assegurar a execução de outro crime futuro. Crime de conexão consequencial: é praticado para assegurar a ocultação, a impunidade ou a vantagem de um crime. Crime de conexão ocasional: há somente uma proximidade física entre várias infrações penais, que não se relacionam entre si. Crime de tendência: determinadas ações podem ser consideradas criminosas ou lícitas a depender da intenção do agente ao praticá-las. Crime de tendência interna transcendente ou crime de intenção: o sujeito ativo quer um resultado dispensável para a consumação do delito. O tipo subjetivo é composto pelo dolo e por elemento subjetivo especial (finalidade transcendente). Ex.: extorsão mediante sequestro (art. 159, CP) Crime de resultado cortado: espécie de crime de intenção, o resultado (dispensável para a consumação), não depende do agente, não está na sua esfera de decisão. Ex.: extorsão mediante sequestro (art. 159, CP) Crime mutilado de dois atos ou delito atrofiado de dois atos: espécie de crime de intenção, o crime se verifica quando o resultado dispensável depende de novo comportamento do agente, está em sua esfera de decisão. Ex.: falsidade documental para cometer estelionato Crime consunto: é o crime absorvido. Princípio da consumação Crime consutivo: é o crime que absorve. Crime de fato permanente ou não transeunte: é o que deixa vestígios materiais, que devem ser constatados mediante perícia. Ex.: falsificação de documento Crime de fato transeunte: não permite constatação mediante análise de vestígios, pois não o exibe. Ex.: injúria cometida por meio de palavra. Crime condicionado: é aquele a que a lei impõe certas condições de procedibilidade para que a punição seja perseguida. Ex.: ameaça (art. 147, CP) Crime incondicionado: independente de circunstâncias externas como condição de procedibilidade. Ex.: homicídio (art. 121, CP) Crime de ímpeto: é aquele que resulta de uma reação emocional, sem premeditação. Ex.: homicídio (art. 121, § 1º, CP) Crime de acumulação: se baseia na soma de condutas que, isoladas, não teriam relevância, não é possível considerar insignificante determinada conduta pouco lesiva ao bem jurídico coletivo, sob pena de contrariar o próprio fundamento dessa espécie de delito. Crime de mera suspeita: o agente é punido porque o modo como atua faz com que se suspeite que possa vir a delinquir. Ex.: art. 25, da LCP OBS.: declarado inconstitucional pelo stf. Crime de ação violenta: é aquele cometido com o emprego de violência ou grave ameaça contra a pessoa. Ex.: roubo e estupro Crime de ação astuciosa: é o delito cometido por meio de fraude ou dissimulação. Ex.: estelionato (art. 171, CP) PRODUZIDO POR GÉSSICA DE SOUSA OLIVEIRA Crime obstáculo: é o delito que revela a tipificação de atos preparatórios, que normalmente, não são punidos. Ex.: associação criminosa (art. 288, CP) Crime de catálogo: é o crime passível de apuração por meio de interceptação telefônica, observados os requisitos de lei 9.269/96. Crime de impressão: é o delito que desperta na vítima determinado estado anímico. Poder ser: Crime de sentimento: recai nas faculdades emocionais. Ex.: injúria Crime de inteligência: recai nas faculdades cognitivas da vítima, enganando-a. Ex.: estelionato Crime de vontade: recai na autodeterminação. Ex.: constrangimento ilegal Crime parcelar: é o crime que integra uma cadeia de crimes cometidos em continuidade delitiva. Crime inominado: a conduta recai sobre bens jurídicos consagrados pelo direito, mas sem tipificação penal específica. Não admitido no sistema penal; Viola o princípio da reserva legal Crime de hermenêutica:é o delito que existe unicamente em virtude de interpretação do operador da lei, sem que haja indícios ou provas da ocorrência de um fato tipificado. Não admitido no sistema penal; Viola o princípio da presunção de inocência Crime remetido: é aquele que em sua definição típica se reporta a outro crime. Ex.: uso de documento falso (art. 304, CP) Crime anão ou lilipudiano: é o denominado às contravenções penais. Crime de rua ou colarinho azul: é o crime cometido normalmente por pessoas economicamente menos favorecidas. Crime cibernético: é aquele cometido por meio da rede mundial de computadores ou mesmo por meio de uma rede pública ou privada de computadores. Crime de greve: é o delito cometido durante a paralização dos empregados. Crime de lockout: é o delito cometido no decorrer da paralização do empregador. Crime político: é aquele que vulnera a segurança interna ou externa do estado. Ex.: crimes da lei 7.170/83 (segurança nacional) Crime de responsabilidade, será: Próprio: é uma infração penal comum cometida por determinados agentes, julgada pelo poder judiciário. Impróprio: revela uma infração político-administrativa, em que a apreciação e a punição política (impeachmente) são atribuídas ao poder legislativo. Crime de menor potencial ofensivo: é aquele com pena máxima não superior a 2 anos. Crime de médio potencial ofensivo: é aquele em que, apesar de a penal máxima suplantar 2 anos, a pena mínima é igual ou superior a 1 ano. Crime de maior potencial ofensivo: é aquele incompatível com medidas despenalizadoras (transação penal e suspensão condicional do processo). Crime hediondo: é o delito constante no rol do art. 1º da lei 8.072/90. Crime equiparado a hediondo: não está no rol do art. 1º da lei 8.072/90, mas a CF/88 traz o mesmo tratamento, são: Tráfico de drogas; Terrorismo; Tortura; PRODUZIDO POR GÉSSICA DE SOUSA OLIVEIRA Crime organizado: é o cometido por meio de organização criminosa. Ex.: art. 1º, § 1º, da lei 12.850/13 Crime natural: aqueles comportamentos que sempre foram, são e provavelmente serão, no futuro infrações penais, violando bens jurídicos indispensáveis à convivência harmônica em sociedade. Ex.: homicídio e estupro Crime de plástico: abrangem condutas que, no passado, configuravam um indiferente penal, porém, em razão do momento histórico e social, passa-se a sentir a necessidade de tipificação. Ex.: cibernéticos Crime federal: é o crime em que o julgamento é atribuído à justiça federal. Crime estadual: é o crime em que o julgamento é atribuído à justiça estadual (competência residual). Crime internacional. INFRAÇÕES PENAIS QUE NÃO ADMITE TENTATIVA: Crime culposo (regra); Crime preterdoloso; Crimes unissubsistentes; Crimes de mera conduta (regra) Crimes omissivos próprios; Crimes habituais; Crimes de atentado ou de empreendimento; Contravenções penais/crime anão/lilipudiano; Crimes condicionados ao resultado; Crimes obstáculos Não foi pedida ou foi negada a extradição; Houve requisição do ministro da justiça EMBARCAÇÕES E AERONAVES SERÁ APLICADA A LEI BRASILEIRA Públicas ou a serviço do governo estrangeiro Quer se encontre em território nacional ou estrangeiro. Mercantes ou particulares brasileiros Se estiverem em alto-mar ou no espaço aéreo correspondente. Estrangeiras Apenas quando privadas em território nacional. INTERPRETAÇÃO DE LEI PENAL QUANTO AO SUJEITO (ORIGEM): AUTÊNTICA OU LEGISLATIVA Dada pela própria lei, ou seja, realizada pelo legislador, que edita uma lei com a finalidade de explicar o significado de outra norma. Divide-se: 1) Contextual: quando a norma interpretativa é editada no momento da norma interpretada; 2) Posterior: quando é criada depois da norma interpretativa. DOUTRINÁRIA OU CIENTÍFICA Dada pelos estudiosos, doutrinadores do direito penal. Ex.: Exposição de motivos do CP JUDICIAL OU JURISPRUDENCIAL Realizada pelos magistrados na decisão das causas que lhes são submetidas ou fruto das decisões reiteradas dos tribunais, como regra não vinculantes. QUANTO AO MODO OU MEIOS E MÉTODOS: LITERAL OU GRAMATICAL Considera o sentido literal das palavras. TELEOLÓGICA Considera à vontade ou intenção objetivada na lei, sua finalidade, utilizando-se de vários elementos (art. 5º, LINDB). HISTÓRICA Busca a origem da lei, o fundamento de sua criação. SISTEMÁTICA Conjunto da legislação e dos princípios gerais do direito, sistema em que a norma está inserida como um todo. PROGRESSIVA A lei é interpretada de acordo com o progresso da ciência que está progredindo. QUANTO AO RESULTADO: DECLARATIVA A letra da lei corresponde aquilo que o legislador quis dizer. EXTENSIVA Amplia o alcance das palavras da lei para corresponder ao alcance ou vontade do texto. Corrige a lei tímida, visto que ela disse menos do que gostaria. RESTRITIVA Reduz o alcance das palavras da lei para corresponder ao alcance ou vontade do texto. A lei disse mais do que desejava. 6 PRODUZIDO POR GÉSSICA DE SOUSA OLIVEIRA PROGRESSICA/ADAPTATIVA/EVOLUTIVA Busca amoldar a lei à realidade atual, de acordo com os progressos da cultura, da sociedade, da tecnologia, das ciências, etc. INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA INTERPRETAÇÃO ANALÓGICA ANALOGIA É forma de interpretação. Existe norma pra o caso concreto. É forma de interpretação. Existe norma para o caso concreto. É forma de integração do direito. Não existe norma para o caso concreto. Amplia-se o alcance da palavra (não importa no surgimento de uma nova norma). Utilizam-se exemplos seguidos de uma forma genérica para alcançar outras hipóteses. Cria-se uma nova norma a partir de outra (analogia legis) ou do todo do ordenamento jurídico (analogia iuris). Prevalece ser possível sua aplicação no Direito Penal in bonam ou in malam partem. É possível sua aplicação no Direito Penal in bonam ou in malam partem. É possível sua aplicação no Direito Penal somente in bonam partem. EX.: A antiga expressão “arma” no crime de roubo majorado (art. 157, § 2º, I, CP) EX.: Homicídio mediante paga ou promessa de recompensa, ou por outro motivo torpe (art. 121, § 2º, I, III e IV, CP). EX.: Isenção de pena, prevista nos crimes contra o patrimônio, para cônjuge e, analogicamente, para o companheiro (art. 181, I, CP). CONFLITO APARENTE DE NORMAS REQUISITOS: Unidade de fato (fato único); Pluralidade de normas; Vigência simultânea de todas elas. PRINCÍPIOS ORIENTADORES SUBSIDIARIEDADE ESPECIALIDADE CONSUNÇÃO ALTERNATIVIDADE Só se aplica quando não houver subsunção do fato à norma mais grave, que é a norma principal, devendo então ser aplicada a norma subsidiária, que funciona como “soldado de reserva”. A lei especial derroga a lei geral. Verifica-se quando o crime previsto por uma norma (consumida) não passa de uma fase de realização do crime previsto em outra norma (consuntiva) ou é uma norma de transição para o último (crime progressivo). Própria: tem aplicação nos crimes plurinucleares, ou seja, crimes de ação múltipla ou conteúdo variado. Nesse caso, o crime permanece único, não desnatura a unidade do crime. O delito menos grave funcionará como crime de passagem ou tipo penal de passagem. É de utilização obrigatória e prevalece sobre os demais. A consunção pressupõe que esses crimes protejam o mesmo bem jurídico. Imprópria: quando duas ou mais normas penais disciplinam o mesmo fato. Aplica-se no plano concreto. Aplica-se no plano abstrato. Aplica-se no plano concreto. Aplica-se no plano concreto. 7 PRODUZIDO POR GÉSSICA DE SOUSA OLIVEIRA Pode ser: 1) Expressa; 2) Tácita HIPÓTESES: Crime progressivo Progressão criminosa Fato anterior impunível (ante factum impunível) Fato simultâneo impunível Fato posterior impunível (post factum impunível) HIPÓTESES DE INCIDÊNCIA DO PRINCÍPIO DA CONSUNÇÃO: O crime consumado (delito perfeito) absorve o crime tentado (delito imperfeito); O crime de dano absorve o crime de perigo; Legítima defesa e uso de arma de fogo. CRIME PROGRESSIVO PROGRESSÃO CRIMINOSA Quando o agente, para alcançar um resultado ou crime mais grave, precisa passar por um crime menos grave. Ex.: Para o cometer o homicídio, passa-se pela lesão corpora. Há alteração do dolo. O agente pretende incialmente produzir um resultado e, depois de alcança-lo opta por prosseguir na prática ilícita e reinicia outra conduta, produzindo um evento mais grave. Ex.: “A” queria dar um soco em “B”, lesão corporal, entretanto, quando “B” caiu no chão, “A” pega sua arma e dar um tiro em “B”, matando-o. TEORIAS DA CONDUTA TEORIA CAUSALISTA/MECANICISTA/NATURALISTA/CAUSAL (FRANZ VON LISZT, BELLING E RADBRUCH) Crime é fato típico, ilícito e culpável, e a conduta seria elemento do fato típico; Fato típico: conduta, resultado naturalístico, nexo causal e tipicidade. Conduta: movimento humano voluntário que produz alteração no mundo exterior (conduta sem finalidade); É considerado um modelo avalorado, só permite elementos objetivos e subjetivos, de modo que não permite elementos normativos (que exigem juízo de valor pelo intérprete); Teoria do tipo avalorado ou acromático: não há qualquer relação prévia entre o fato típico e antijuridicidade. Ou seja, a finalidade do tipo penal é apenas descrever uma conduta criminosa de forma mais objetiva possível, 8 PRODUZIDO POR GÉSSICA DE SOUSA OLIVEIRA ignorando outros elementos como a ilicitude e culpabilidade; Nesse sistema clássico o dolo é normativo (vontade + consciência + consciência atual da ilicitude). Não basta o agente querer ou aceitar o resultado / ele reclama o conhecimento que o comportamento é contrário ao direito; Culpabilidade: Teoria psicológica; A culpabilidade seria o vínculo psicológico entre o sujeito e o fato típico e ilícito, e era composto por: Imputabilidade (pressuposto da culpabilidade); Dolo normativo ou culpa (espécies da culpabilidade) TEORIA NEOKANTISTA/NEOCLÁSSICA – BASE CAUSALISTA (REINHART FRANK E EDMUND MEZGER) Fato típico: conduta, resultado naturalístico, nexo causal e tipicidade. Conduta: comportamento humano voluntário causador de modificação no mundo exterior; Dolo e culpa: permanecem na culpabilidade, mas deixam de ser espécies e se tornam elementos da culpabilidade; Dolo normativo: pois traz em seu interior a consciência atual/real da ilicitude; Teorias que reconhecem a relação entre o fato típico e a antijuridicidade: o principal ponto em comum dessas teorias é juntar o unir os substratos do fato típico e ilicitude em um único substrato: TEORIA DA RATIO ESSENDI: o fato típico é a razão de ser da ilicitude. Crime não é fato típico, ilícito e culpável. Ele adota um conceito bipartido (crime é um fato tipicamente ilícito e culpável). Ou seja, crimeé formado por fato típico e culpabilidade. TEORIA DOS ELEMENTOS NEGATIVOS DO TIPO: temos o tipo penal do injusto, em que o crime é composto pelo tipo total + culpabilidade. E esse tipo total é dotado de 2 faces (positiva e negativa): Face positiva: é chamada de tipicidade provisória (tipicidade); Face negativa: é a ausência dos elementos negativos do tipo (causas excludentes da ilicitude). A alteração se encontra na culpabilidade, que passa a contar com um terceiro elemento: a exigibilidade de conduta diversa; 9 PRODUZIDO POR GÉSSICA DE SOUSA OLIVEIRA Culpabilidade: Teoria psicológica-normativa (composta por 3 elementos): Imputabilidade; Dolo normativo ou culpa; Exigibilidade de conduta diversa A imputabilidade deixou de ser pressuposto da culpabilidade, dolo e culpa também deixaram de ser “espécies” e todos passarem a ser “elementos”. TEORIA FINALISTA – PREVALECE (HANS WETZEL – 1930) Conduta: comportamento humano voluntário, psiquicamente dirigido a um fim; Dolo e culpa: migram da culpabilidade para o fato típico (dentro do elemento “conduta”, ou seja, estruturalmente, não mudaram os elementos do fato típico); O dolo deixa de ser normativo e passa a ser natural: retirou-se de sua análise o elemento normativo (consciência atual da ilicitude), constituindo este um elemento similar autônomo da culpabilidade (potencial consciência da ilicitude); A potencial consciência da ilicitude não integra o dolo, mas sim a culpabilidade; Nesse modelo, temos a TEORIA DA RATIO COGNOSCENDI ou TEORIA DA INDICIARIEDADE para explicar a relação entre o fato típico e ilicitude; Fato típico: é a razão de conhecer/indício/presunção da ilicitude (na ratio essendi era razão de ser); Culpabilidade: Teoria normativa pura da culpabilidade. Agora não há mais elementos psicológicos na culpabilidade (dolo e culpa), mas apenas normativos. A culpabilidade passa a ser formada por: Imputabilidade; Potencial consciência da ilicitude; Exigibilidade de conduta diversa TEORIA FINALISTA DISSIDENTE É bipartite (fato típico e ilícito), em que a culpabilidade seria pressuposto de aplicação da pena. Logo, crime seria fato típico e ilícito, apenas. TEORIA SOCIAL DA AÇÃO É tripartite (fato típico, ilícito e culpável), estando a conduta no fato típico. A conduta seria comportamento humano voluntário dirigido a um fim socialmente relevante. Ou seja, essa teoria explicava a ação, não com base na finalidade e nem em relações de causa e efeito (explicações física-naturalística), mas com base na relevância social da conduta. 10 PRODUZIDO POR GÉSSICA DE SOUSA OLIVEIRA Crítica: não há definição clara do que seria “socialmente relevante”. TEORIA FUNCIONALISTA (FUNCIONALISMO TELEOLÓGICO) (CLAUS ROXIN) A conduta seria comportamento humano voluntário, orientada pelo princípio da intervenção mínima, causadora de relevante e intolerável lesão ou perigo de lesão ao bem jurídico tutelado. Adota-se a Teoria personalista da ação (base metodológica, influência do pensamento de Claus Roxin). Conceito pessoal da ação: ação é manifestação da personalidade do indivíduo. Abrange todo acontecimento atribuível ao centro de ação psíquico-espiritual do homem. Crítica: há uma generalização sobre o que efetivamente venha a ser manifestação da personalidade. FUNCIONALISMO SISTÊMICO OU RADICAL (GÜNTHER JAKOBS) É tripartite. A conduta seria comportamento humano voluntário causador de resultado evitável, violando o sistema, frustrando as expectativas normativas. Adota a Teoria da evitabilidade individual (base metodológica, influência do pensamento de Günther Jakobs). TEORIAS DA OMISSÃO NATURALÍSTICA A omissão é fenômeno causal, sendo verdadeira espécie de ação. Quem se omite, faz efetivamente alguma coisa, por produzir resultado no mundo dos fatos. NORMATIVA (ADOTADA NO CP) A omissão é determinada pela lei. Só seria relevante ao Direito Penal a omissão quando a lei impunha uma ação diante da inércia do agente. TEORIA DA ACTIO LIBERA IN CAUSA “QUANDO O INDIVÍDUO SE COLOCA DELIBERADAMENTE EM ESTADO DE INCONSCIÊNCIA” Teoria estudada na imputabilidade e na culpabilidade. A doutrina vem estendendo essa teoria para a conduta, a fim de verificar a relevância penal desta conduta. Isso porque, no momento que se pratica a conduta, o indivíduo não tem qualquer domínio do que está praticando, de modo que não poderia sequer ser considerada conduta. Mas aplicando essa teoria, transporta-se o momento de análise dessa conduta, não para o ato praticado, mas para o ato anterior, que foi o ato em que o indivíduo se colocou em estado de inconsciência, sempre dolosamente ou culposamente. Assim, pela aplicação da dessa teoria, se o indivíduo se colocou culposa ou dolosamente em estado de inconsciência, haveria sim a existência da conduta. TEORIAS DO NEXO CAUSAL OU RELAÇÃO DE CAUSALIDADE TEORIA DA EQUIVALÊNCIA DOS ANTECEDENTES OU CONDITIO SINE QUA NON (NEXO FÍSICO + EMENTOS SUBJETIVOS – ART. 13, CAPUT, CP) Causa é todo e qualquer acontecimento provocado pelo agente, sem o qual o resultado não teria ocorrido como e quando ocorreu; Método de eliminação hipotética 11 PRODUZIDO POR GÉSSICA DE SOUSA OLIVEIRA TEORIA DA CAUSALIDADE ADEQUADA (ART. 13, § 1º, CP) Causa é todo e qualquer comportamento humano adequado, idôneo, eficaz, capaz de produzir o resultado como ele ocorreu; Mais restrita que a primeira; Juízo de probabilidade ou estatístico – aquilo que normalmente acontece. IMPUTAÇÃO OBJETIVA (CLAUS ROXIN) NÃO TEM PREVISÃO LEGAL STJ – JÁ APLICOU (NEXO FÍSICO + NEXO NORMATIVO + E SÓ DEPOIS OS ELEMENTOS SUBJETIVOS) Adiciona ao nexo de causalidade a criação de um risco proibido ou o aumento de um já existente, a realização desse risco no resultado, exigindo que o resultado esteja em linha de desdobramento causal normal da conduta, ao que se dá o nome de nexo normativo; Só se aplica aos crimes materiais, pois precisa haver resultado; Lembrar que Jakobs aponta outros critérios. Imputação objetiva – do comportamento; A ideia central é de papéis sociais ou expectativas; Requisitos de exclusão da imputação: Risco permitido; Princípio da confiança; Proibição de regresso; Capacidade da vítima TEORIAS DO DOLO TEORIA DA VONTADE (TEORIA VOLITIVA) O fundamento central dessa teoria é a vontade, ou seja, há dolo quando há vontade consciente de produzir o resultado. Logo, pela teoria da vontade, dolo é a vontade consciente de querer praticar a infração penal, não basta só prever (ADOTADA PELO CP – NO DOLO DE 1º GRAU). TEORIA DA REPRESENTAÇÃO OU DA POSSIBILIDADE (TEORIA COGNITIVA OU INTELECTIVA) Haverá dolo quando o sujeito realizar sua ação ou omissão prevendo o resultado como certo ou provável (ainda que não o deseje – Von Liszt e Frank). Não faz distinção entre dolo eventual e culpa consciente. TEORIA DO ASSENTIMENTO/CONSENTIMENTO/APROVAÇÃO (TEORIA VOLITIVA) O agente, mesmo prevendo determinado resultado, decide prosseguir com a sua conduta, assumindo o risco de produzi-lo. Nesse caso, o indivíduo consente com a produção do resultado (ADOTADA PELO CP PARA O DOLO EVENTUAL). TEORIA DA PROBABILIDADE/CONGNIÇÃO (TEORIA COGNITIVA) Essa é uma das teorias que diferenciam “provável e possível”. Assim, para a caracterização do dolo o autor deve entender o fato como provável e não somente como possível. Se for pouco provável, haverá culpa consciente. Probabilidade – gera dolo eventual; Possibilidade – gera culpa consciente 12 PRODUZIDO POR GÉSSICA DE SOUSA OLIVEIRA TEORIA DA EVITABILIDADE (TEORIA COGNITIVA) Pressupõe a representação do resultado como possível, o que bastará para a caracterização do dolo eventual. Contudo, se o agente busca evitar o resultado através da ativação de contrafatores, agindo concretamente, existirá culpaconsciente. Culpa consciente – ativa contrafatores; Dolo eventual – não ativa contrafatores TEORIA DO RISCO (TEORIA COGNITIVA) A existência do dolo depende do conhecimento pelo agente do risco indevido (tipificado) na realização de um comportamento ilícito. TEORIA DO PERIGO A DESCOBERTO (TEORIA INTELECTIVA) Fundamenta-se apenas no tipo objetivo. Perigo a descoberto vem a ser a situação na qual a ocorrência do resultado lesivo subordina-se à sorte ou ao acaso. Caracterizado pela dependência de meros fatores de sorte-azar. Configura dolo eventual, ainda que o agente confie na ausência do resultado. EX.: roleta russa Perigo desprotegido – é o perigo gerado que depende de meros fatores de sorte ou azar: dolo eventual; Perigo protegido – é caracterizado pela evitação do possível resultado mediante o cuidado, atenção do autor, da vítima ou de terceiro: culpa consciente. TEORIA DA INDIFERENÇA/DO SENTIMENTO (TEORIA VOLITIVA) Estabelece a distinção entre dolo eventual e culpa consciente por meio do “alto grau de indiferença por parte do agente para com o bem jurídico ou sua lesão”. ESPÉCIES DE DOLO DOLO NATURAL OU ACROMÁTICO O elemento cognitivo do dolo não abrange o conhecimento da ilicitude. Não possui a consciência da ilicitude (modelo finalista). DOLO NORMATIVO Além dos elementos objetivos ou descritos, exige o conhecimento acerca do potencial conhecimento da ilicitude (modelo neoclássico). DOLO DIRETO / DETERMINADO / INTENCIONAL / IMEDIATO / INCONDICIONADO É aquele em que a vontade do agente é voltada a determinado resultado. Ele dirige sua conduta a uma finalidade precisa. DOLO INDIRETO / INDETERMINADO É aquele em que o agente não tem a vontade dirigida a um resultado determinado. Pode ser: DOLO ATERNATIVO DOLO EVENTUAL É o que se verifica quando o agente deseja, indistintamente, um ou outro resultado. O agente responderá pelo resultado mais grave, porque o código penal adota a teoria da vontade (art. 18, I). É a modalidade em que o agente não quer o resultado, por ele previsto, mas assume o risco de produzi-lo. Teoria do assentimento “assumiu o risco de produzi-lo” (art. 18, I, CP). 13 PRODUZIDO POR GÉSSICA DE SOUSA OLIVEIRA DOLO CUMULATIVO O agente pretende alcançar 2 ou + resultados típicos em sequência (progressão criminosa). DOLUS BONUS Diz respeito aos motivos do crime, que podem aumentar a pena, como no caso do motivo torpe, ou diminuí-la, tal como se dá no motivo de relevante valor social ou moral. DOLUS MALUS Diz respeito aos motivos do crime, que podem aumentar a pena, como no caso do motivo torpe, ou diminuí-la, tal como se dá no motivo de relevante valor social ou moral. DOLO DE PROPÓSITO / REFLETIDO Emana da reflexão do agente, ainda que pequena, acerca da prática da conduta criminosa. Verifica nos crimes premeditados. DOLO DE ÍMPETO / REPETINO É o que se caracteriza quando o autor pratica o crime motivado por paixão violenta ou excessiva perturbação de ânimo. Não há intervalo entre a cogitação do crime e a execução da conduta ilícita. Ocorre nos crimes passionais. DOLO GÉRICO Quando a vontade do agente se limitava à prática da conduta típica, sem nenhuma finalidade específica, tal como no crime de homicídio, em que é suficiente a intenção de matar alguém, pouco importando o motivo para a configuração da modalidade básica do crime. DOLO ESPECÍFICO Existia nos crimes em que a referida vontade era acrescida de uma finalidade especial. Com a teoria finalista a expressão dolo específico foi substituída por elemento subjetivo do tipo, ou, ainda, elemento subjetivo do injusto. DOLO PRESUMIDO / DOLO IN RE IPSA Espécie que dispensa comprovação no caso concreto. Não é admitida no direito penal moderno, que não aceita a responsabilidade penal objetiva. Nosso ordenamento jurídico vigora o princípio da responsabilidade subjetiva, como corolário do direito penal do fato, adequado ao plexo de garantias vigente no estado democrático de direito. DOLO DE DANO / LESÃO Quando o agente quer ou assume o risco de lesionar um bem jurídico penalmente tutelado. Ex.: art. 163 - dano DOLO DE PERIGO Quando o agente quer ou assume o risco de expor a perigo de lesão um bem jurídico penalmente tutelado. Ex.: art. 130 - perigo de contágio venéreo DOLO DE 1º GRAU Consiste na vontade do agente, direcionada a determinado resultado, efetivamente perseguido, englobando os meios necessários para tanto. DOLO DE 2º GRAU / CONSEQUÊNCIAS NECESSÁRIAS É a vontade do agente dirigida a determinado resultado, efetivamente desejado, em que a utilização dos meios para alcançá-la inclui, obrigatoriamente, efeitos colaterais de verificação praticamente certa. Ex.: “a” desejando matar “b”, instala uma bomba no avião em que “b” se encontra, sabendo que no avião tem mais pessoas, “a” acionada a bomba e explode o avião, então “a” responderá pela morte de “b”, bem como das demais pessoas. DOLO DE 3º GRAU/CONSEQUÊNICA DA CONSEQUÊNCIA O agente, objetivando matar seu inimigo político, coloca uma bomba no jatinho dele, sabendo que sua próxima viagem será com sua esposa, que está gravida. A mote do inimigo político seria o dolo de 1º grau. A da sua esposa, dolo de 2º grau. O aborto, dolo de 3º grau. É o erro no tocante ao meio de execução do crime, relativamente à forma pela qual se produz o resultado inicialmente desejado pelo agente. Logo, ocorre quando o agente, acreditando já ter alcançado o 14 PRODUZIDO POR GÉSSICA DE SOUSA OLIVEIRA DOLO GERAL POR ERRRO SUCESSIVO / DOLUS GENERALIS resultado almejado, pratica uma nova conduta com finalidade diversa, e ao final, se constata que foi esta última que produziu o que se buscava desde o início. O dolo é geral e envolve todo o desenrolar da ação típica, do início da execução até a consumação do delito. Ex.: “a” encontra seu desafeto “b” em uma ponte. Após conversa enganosa, oferece-lhe uma bebida misturada com veneno. “b”, inocente, ingere o líquido. Em seguida cai ao solo, e o autor acredita estar ele morto. Com o propósito de ocultar o cadáver, “a” coloca o corpo de “b” em um saco plástico e o lança ao mar. Dias depois, o cadáver é encontrado em uma praia, e, submetido a exame necroscópico, conclui- se ter a morte ocorrido por asfixia provocada por afogamento. Responde por homicídio consumado. Quanto a qualificadora: 1ª corrente: deve ser considerado o meio de execução que o agente desejava empregar para a consumação (veneno). 2ª corrente: deve ser considerado o meio que efetivamente levou à consumação do crime (asfixia). DOLO ANTECEDENTE / INICIAL / PREORDENADO É o existe desde do início da execução do crime. Guilherme de Souza Nucci: não concorda com essa espécie, pois o autor deve agir, sempre, com dolo atual, isto é, concomitante à conduta desenvolve-se a sua intenção de realização do tipo penal. DOLO ATUAL / CONCOMITANTE É aquele em que persiste a vontade do agente durante todo o desenvolvimento dos atos executórios. DOLO SUBSEQUENTE / SUCESSIVO É o que se verifica quando o agente, depois de iniciar uma ação com boa- fé, passa a agir de forma ilícita e, por corolário, pratica um crime, ou ainda quando conhece posteriormente a ilicitude de sua conduta, e, ciente disso, não procura evitar suas consequências. A diferença entre o dolo antecedente e subsequente é relevante para a distinção dos crimes de apropriação indébita (art. 168) e estelionato (art. 171). Apropriação indébita – o agente comporta-se como proprietário de uma coisa da qual tinha a posse ou detenção. Recebeu o bem licitamente, de boa-fé, mas posteriormente surge o dolo e ele não mais restitui a coisa, como se seu dono fosse. O dolo é subsequente. Ex.: “A” vai a uma locadora da qual é filiado, e pega emprestado um DVD, de forma correta. Após assistir ao filme, do qual gosta muito, e aproveitando-se que está se mudando de país,decide ficar com o bem para si, e não mais o devolve, dolosamente. Estelionato – o agente desde o início tem a intenção de obter ilicitamente para si o bem, utilizando-se de meio fraudulento para induzir a vítima a erro, alcançando vantagem pessoal em prejuízo alheio. Ex.: “B” vai à mesma locadora, da qual não é sócio. Apresenta documentos falsos e cria uma ficha para locação. Pega um DVD, leva-o embora e não mais retorna para devolvê-lo. DOLO ABANDONADO / TENTATIVA Se verifica na desistência voluntária e no arrependimento eficaz (art. 15) DOLO UNITÁRIO / GLOBAL Verifica-se no crime continuado ou continuidade delitiva, em que a realização dos crimes parcelares, integrantes da série continuada, deve ser fruto de um plano previamente elaborado pelo agente. 15 PRODUZIDO POR GÉSSICA DE SOUSA OLIVEIRA CRIME CULPOSO ELEMENTOS DO CRIME CULPOSO Conduta voluntária Violação do dever objetivo de cuidado Resultado naturalístico involuntário Nexo causal Tipicidade Previsibilidade objetiva Ausência de previsão MODALIDADES DE CULPA IMPRUDÊNCIA É a forma positiva da culpa (in agendo), consistente na atuação do agente sem observância das cautelas necessárias. É a ação intempestiva e irrefletida. Tem forma ativa. Desenvolve-se de modo paralelo à ação. NEGLIGÊNCIA É a inação, modalidade negativa da culpa (in omitendo), consiste na omissão em relação à conduta que se devia praticar. É omitir a ação cuidadosa que as circunstâncias exigem. Ocorre previamente ao início da conduta. IMPERÍCIA / CULPA PROFISSIONAL Sempre ocorre no âmbito de uma função na qual o agente, em que pese esteja autorizado a desempenhá-la, não possui conhecimentos práticos ou teóricos para fazê-la a contento. ESPÉCIES DE CULPA CULPA INCONSCIENTE / SEM PREVISÃO / EX IGNORANTIA É aquela em que o agente não prevê o resultado objetivamente previsível. CULPA CONSCIENTE / COM PREVISÃO / EX LASCIVIA É a que ocorre quando o agente, após prever o resultado objetivamente previsível, realiza a conduta acreditando sinceramente que ele não ocorrerá. Representa o estágio mais avançado da culpa, pois se aproxima do dolo eventual. Diferença: CULPA CONSCIENTE DOLO EVENTUAL O sujeito não quer o resultado, nem assume o risco de produzi-lo. Apesar de sabê-lo possível, acredita sinceramente ser capaz de evitá-lo, o que apenas não acontece por erro de cálculo ou por erro na execução. Ex.: O agente não somente prevê o resultado naturalístico, como também, apesar de tudo, o aceita como uma das alternativas possíveis. CULPA PRÓPRIA É a que se verifica quando o agente não quer o resultado nem assume o risco de produzi-lo. É, por assim dizer, a culpa propriamente dita. CULPA IMPRÓPRIA / POR EXTENSÃO / POR EQUIPARAÇÃO / POR ASSIMILAÇÃO É aquela em que o sujeito, após prever o resultado, e desejar sua produção, realiza a conduta por erro inescusável quanto à ilicitude do fato. O resultado vem, então, a ser concretizado. CULPA MEDIATA / INDIRETA Ex.: vítima que acabara de ser torturada no interior de um veículo, parado no acostamento de movimentada dia pública. Quando conseguiu fugir, ela buscou atravessar a pista, foi atropelada e morreu. O agente responde pelo crime de tortura e pelo resultado morte. CULPA PRESUMIDA / IN RE IPSA Inobservância de uma disposição regulamentar. Abolida do sistema penal brasileiro, por ser responsabilidade penal objetiva. GRAUS DE CULPA 16 PRODUZIDO POR GÉSSICA DE SOUSA OLIVEIRA GRAVE / LATA Ocorreria quando qualquer pessoa fosse capaz de prever o resultado. LEVE Estaria presente somente nos casos em que um homem de inteligência mediana pudesse antever o resultado. LEVÍSSIMA Seria aquela em que o resultado se afigurasse perceptível somente às pessoas excepcional cautela e inteligência, aproximando-se bastante do caso fortuito. O direito penal brasileiro refuta a divisão da culpa em graus, ou há culpa, e está configurada a responsabilidade do agente, ou não existe culpa, e o fato é penalmente irrelevante. EXCLUSÃO DA CULPA CASO FORTUITO (DERIVA DO HOMEM) E FORÇA MAIOR (DERIVA DA NATUREZA) ERRO PROFISSIONAL RISCO TOLERADO RISCO PRATICADO POR OUTREM PRINCÍPIO DA CONFIANÇA NO DIREITO PENAL BRASILEIRO NÃO ADMITE A COMPENSAÇÃO DE CULPAS. A CULPA EXCLUSIVA DA VÍTIMA EXCLUI A CULPA DO AGENTE. É POSSÍVEL A CONCORRÊNCIA DE CULPAS. ESPÉCIES DE CRIMES QUALIFICADOS PELO RESULTADO DOLO NO ANTECEDENTE E DOLO NO CONSEQUENTE Conduta dolosa e um resultado agravador também doloso. EX.: marido que espanca a mulher, provocando-a deformidade permanente. Há dolo no comportamento antecedente na produção do resultado agravador, pois o autor não quis apenas produzir a ofensa à integridade corporal da ofendida, mas obter o resultado deformidade permanente. DOLO NO ANTECEDENTE E CULPA NO CONSEQUENTE O agente pratica uma conduta culposamente e, além desse resultado culposo, acaba produzindo outros, também a título de culpa. EX.: crime de incêndio culposo qualificado pela morte. CULPA NO ANTECEDENTE E DOLO NO CONSEQUENTE O agente após produzir o resultado por imprudência, negligencia ou imperícia, realiza uma conduta dolosa agravadora. É o caso do motorista que, após atropelar um pedestre ferido, foge, omitindo lhe socorro (art. 303, Par. Único, CTB). CONDUTA DOLOSA E RESULTADO AGRAVADOR CULPOSO (CRIME PRETERDOLOSO OU PRETERINTENCIONAL) O agente quer praticar um crime, mas acaba excedendo-se e produzindo culposamente um resultado mais gravoso do que o desejado. É o caso da lesão corporal seguida de morte, na qual o agente quer ferir, mas acaba matando. TENTATIVA / CONATUS / CRIME IMPERFEITO / CRIME MANCO – REDUZ A PENA DE 1/3 A 2/3 ELEMENTOS QUE COMPÕE A ESTRUTURA DA TENTATIVA: Início da execução do crime Ausência de consumação por circunstâncias alheias à vontade do agente Dolo de consumação TEORIAS SOBRE A PUNIBILIDADE DA TENTATIVA SUJETIVA / VOLUNTARÍSTICA / MONISTA SINTOMÁTICA OBJETIVA / REALISTA / DUALISTA IMPRESSÃO OU OBJETIVO-SUBJETIVA 17 PRODUZIDO POR GÉSSICA DE SOUSA OLIVEIRA Ocupa-se exclusivamente da vontade criminosa, que pode se revelar tanto na fase dos atos preparatórios como também durante a execução. O sujeito é punido por sua intenção, pois o que importa é o desvalor da ação, sendo irrelevante o desvalor do resultado. Pode ser aceita excepcionalmente. Idealizada pela escola positiva: Ferri, Lombroso e Garofalo. Sustenta a punição em razão da periculosidade subjetiva, isto é, do perigo revelado pelo agente. Possibilita a punição de atos preparatórios, pois a mera manifestação de periculosidade já pode ser enquadrada como tentativa, em consonância com a finalidade preventiva da pena. A tentativa é punida em face do perigo proporcionado ao bem jurídico tutelado pela lei penal. Sopesam-se o desvalor da ação e o desvalor do resultado: a tentativa deve receber punição inferior à do crime consumado, pois o bem jurídico não foi atingido integralmente. Adotada pelo código penal (art. 14, parágrafo único). Representa um limite à teoria subjetiva, evitando o alcance desordenado dos atos preparatórios. A punibilidade da tentativa só é admissível quando a atuação da vontade ilícita do agente seja adequada para comover a confiança na vigência do ordenamento normativo e o sentimento de segurança jurídica dos que tenha conhecimento da conduta criminosa. CRIMES CONSUMADO E TENTADO QUE COMPORTAM IGUAL PUNIÇÃO Crimes de atentado Crimes de empreendimento Ex.: Art. 352 – evasão mediante violência contra a pessoa; Art. 309, lei nº 4.737/65 (código eleitoral) ESPÉCIES DE TENTATIVA TENTATIVA BRANCA / INCRUENTA TENTATIVA CRUENTA / VERMELHA TENTATIVA PERFEITA / ACABADA / CRIME FALHO TENTATIVA IMPERFEITA / INACABADA / TENTATIVA PROPRIAMENTE DITA O objeto material não é atingido pela conduta criminosa. EX.: “A” efetua disparo de armade fogo contra “B”, sem acertá-lo. O objeto material é alcançado pela atuação do agente. EX.: “A” com intenção de matar, atira em “B”, provocando-lhe ferimentos. Porém, a vítima é socorrida prontamente e sobrevive. O agente esgota todos os meios executórios que estavam à sua disposição, e mesmo assim não sobrevivem a consumação por circunstâncias alheias à sua vontade. Pode ser: Cruenta; e Incruenta EX.: “A” com intenção de matar, atira em “B”, provocando-lhe ferimentos. Porém, a vítima é socorrida prontamente e sobrevive. O agente inicia a execução sem, contudo, utilizar todos os meios que tinha ao seu alcance, e o crime não se consuma por circunstâncias alheias à sua vontade. EX.: “A”, com o propósito de matar “B”, sai à sua procura, portando um revólver municiado com 6 cartuchos intactos. Ao encontrá-lo, efetua 3 disparos, atingindo-o. Quando, contudo, iria efetuar outros disparos, é surpreendido pela PM e foge. A vítima é 18 PRODUZIDO POR GÉSSICA DE SOUSA OLIVEIRA socorrida pelos agentes públicos e sobrevive. NÃO CABE TENTATIVA CRIMES CULPOSOS; CRIMES PRETERDOLOSOS; CRIMES UNISSUBSISTENTES; CRIMES OMISSIVOS PRÓPRIOS OU PUROS; CRIMES DE PERIGO ABSTRATO; CONTRAVENÇÕES PENAIS; CRIMES CONDICIONADOS À PRODUÇÃO DE UM RESULTADO LEGALMENTE EXIGIDO; CRIMES SUBORDINADOS A CONDIÇÃO OBJETIVA DE PUNIBILIDADE; CRIMES DE ATENTADO OU DE EMPREENDIMENTO; CRIMES COM TIPO PENAL COMPOSTO DE CONDUTAS AMPLAMENTE ABRANGENTES; CRIMES HABITUAIS; CRIMES-OBSTÁCULO ART. 15, CP – TENTATIVA ABANDONADA OU QUALIFICADA (PONTE DE OURO) DESISTÊNCIA VOLUNTÁRIA ARREPENDIMENTO EFICAZ OU RESIPISCÊNCIA O agente inicia os atos executórios, mas por vontade própria, interrompe este processo, abandonando a prática dos demais atos necessários e que estavam à sua disposição para a consumação. Em regra, conduta negativa. É incabível nos crimes unissubsistentes, que são realizados por apenas 1 ato. Depois de já praticados todos os atos executórios suficientes à consumação do crime, o agente adota providências aptas a impedir a produção do resultado. Sendo assim, é cabível somente em crimes materiais. Em regra, conduta positiva. NATUREZA JURÍDICA Causa de exclusão da tipicidade. ELEMENTOS Início da execução; Não consumação; Interferência da vontade do próprio agente REQUISITOS Voluntariedade: vontade livre Eficácia: a conduta do agente deve ser eficaz para impedir a consumação CONSEQUÊNCIAS O agente não responde pela forma tentada do crime inicialmente desejado, mas apenas pelos atos já praticados. CONSIDERAÇÕES IMPORTANTES! Os motivos que levaram o agente a optar pela desistência voluntária o arrependimento eficaz são irrelevantes; Incompatíveis com os crimes culposos; Incompatíveis com crimes formais e mera conduta; Prevalece que a desistência voluntária o arrependimento eficaz comunicam-se ao partícipe. ART. 16. ARREPENDIMENTO POSTERIOR – REDUZ A PENA DE 1/3 A 2/3 (PONTE DE PRATA) NATUREZA JURÍDICA É causa pessoal e obrigatória de diminuição de pena. REQUISITOS Ausência de violência ou grave ameaça à pessoa; Reparação do dano ou restituição da coisa; Voluntariedade do agente; 19 PRODUZIDO POR GÉSSICA DE SOUSA OLIVEIRA Momento para a reparação do dano ou restituição da coisa REPARAÇÃO DO DANO OU RESTITUIÇÃO DA COISA Voluntária; Pessoal, salvo comprovada impossibilidade; Integral; Até o recebimento da denúncia CONSIDERAÇÕES IMPORTANTES! A reparação do dano ou restituição da coisa tem natureza objetiva, razão pela qual comunica-se aos demais coautores e partícipes do crime; A recusa do ofendido não impede a redução da pena; Em algumas situações, não se aplicará pelo fato de existir norma específica mais favorável para o caso de haver reparação do dano, como por exemplo, extinção da punibilidade (apropriação indébita, peculato culposo, crimes de menor potencial ofensivo, etc.); Cabe em violência culposa; Alcança qualquer crime que com ele seja compatível, e não apenas delitos contra o patrimônio, vez que o CP não limita a eles (doutrina majoritária); STJ – Nos crimes conta a fé pública, assim como nos demais crimes não patrimoniais em geral, são incompatíveis com o instituto do arrependimento posterior, dada a impossibilidade material de haver reparação do dano causado ou a restituição da coisa subtraída; NÃO CABE NO HOMICÍDIO CULPOSO NO TRÂNSITO (STJ). REGRAS ESPECIAIS: ART. 312, § 2º, CP – PECULATO CULPOSO Reparação do dano até a sentença irrecorrível – extinção da punibilidade; Reparação do dano após a sentença irrecorrível – redução de ½ da pena ART. 168-A, § 2º, CP – APROPRIAÇÃO INDÉBITA PREVIDENCIÁRIA É extinta a punibilidade se o agente, espontaneamente, declara, confessa e efetua o pagamento das contribuições antes do início da ação fiscal. ART. 171, § 2º, VI, CP – ESTELIONATO PELA EMISSÃO DE CHEQUES SEM FUNDOS SÚMULA 554 STF – O pagamento de cheque emitido sem provisão de fundos, após o recebimento da denúncia, não obsta o prosseguimento da ação penal. ART. 17, CP – CRIME IMPOSSÍVEL/TENTATIVA INIDÔNEA/TENTATIVA INADEQUADA/TENTATIVA IMPOSSÍVEL/QUASE-CRIME NATUREZA JURÍDICA Causa de exclusão da tipicidade ESPÉCIES Por ineficácia absoluta do meio de execução: o meio empregado ou o instrumento utilizado para a execução do crime jamais levarão a consumação, pois não possui potencialidade lesiva alguma. EX.: um palito de dente para matar um adulto é incapaz de produzir o resultado. Por impropriedade absoluta do objeto: a pessoa ou coisa sobre que recai a conduta é absolutamente inidônea para a produção de algum resultado lesivo, o objeto material do crime é absolutamente impróprio. EX.: matar um cadáver, uma não grávida tomando remédio para abortar. TEORIAS 20 PRODUZIDO POR GÉSSICA DE SOUSA OLIVEIRA SUBJETIVA O crime impossível deve receber a mesma punição que o crime consumado, pois o agente tem uma vontade ilícita e essa vontade deve ser punida. OBJETIVA Essa teoria leva em conta a potencialidade da conduta para ofender o bem jurídico. Quando a conduta não tem potencialidade, surge a chamada inidoneidade. A teoria objetiva se divide em duas: 1) TEORIA OBJETIVA PURA: havendo inidoneidade, não importa se absoluta ou relativa, será caso de crime impossível – não admite tentativa, pois sempre que o agente não conseguir consumar o crime será caso de crime impossível; 2) TEORIA OBJETIVA TEMPERADA OU INTERMEDIÁRIA: se a idoneidade for absoluta – crime impossível; se a inidoneidade for relativa – tentativa ADOTADA PELO CP. SINTOMÁTICA O crime impossível revela a periculosidade do agente, portanto, o agente deve suportar uma medida de segurança. ESPÉCIES DE CRIME PUTATIVO CRIME PUTATIVO POR ERRO DE TIPO O sujeito quer praticar um crime, mas, devido ao desconhecimento da situação de fato, comete um irrelevante penal. EX.: o agente atira em um cadáver, pensando estar vivo. CRIME PUTATIVO POR ERRO DE PROIBIÇÃO (DELITO DE ALUCINAÇÃO/CRIME DE LOUCURA) A equivocada crença do agente recai sobre a ilicitude do fato, pois supõe violar uma lei penal que não existe. EX.: “A”, cidadão comum, perde o controle de seu automóvel, vindo a se chocar com outro veículo automotor que estava estacionado em via pública. Foge em seguida, com receio de ser preso em flagrante pela prática de dano culposo, não tipificado como infração penal pela legislação comum. CRIME PUTATIVO POR OBRA DO AGENTE PROVOCADOR/CRIME DE ENSAIO/CRIME DE EXPERIÊNCIA/FLAGRANTE PROVOCADO Verifica-se quando alguém, insidiosamente, induz outra pessoa a cometer uma conduta criminosa, e, simultaneamente, adota medidas para impedir a consumação. A consumação deve ser absolutamente impossível, sob pena de configuração da tentativa. EX.: a patroa que, desconfiada de furtos supostamentepraticado por sua empregada doméstica, simula sua saída de casa e o esquecimento de cédulas de dinheiro sobre um móvel, atraindo a suspeita a subtraí-los. Ao mesmo tempo, instala uma câmera de filmagem no local e solicita a presença da PM para acompanharem a atuação da serviçal. Quando ela se apodera do 21 PRODUZIDO POR GÉSSICA DE SOUSA OLIVEIRA dinheiro e coloca em sua bolsa, os agentes públicos prontamente ingressam na residência efetuam a prisão em flagrante. DIFERENÇAS CRIME IMPOSSÍVEL CRIME PUTATIVO É a situação em que o autor, com a intenção de cometer o delito, não consegue fazê-lo por ter se utilizado de meio de execução absolutamente ineficaz (impotente para lesar o bem jurídico), ou então em decorrência de ter direcionado a sua conduta a objeto material absolutamente impróprio (inexistente antes do início da execução, ou, no caso concreto, inadequado à consumação). Portanto, o erro do agente recai sobre a idoneidade do meio ou do objeto material. É aquele em que o agente, embora acredite praticar um fato típico, realiza um indiferente penal, seja pelo fato de a conduta não encontrar previsão legal (crime putativo por erro de proibição), seja pela ausência de um ou mais elementos da figura típica (crime putativo por erro de tipo), ou, ainda, por ter sido induzido à prática do crime, ao mesmo tempo em que foram adotadas providências eficazes para impedir sua consumação (crime putativo por obra do agente provocador). CRIME IMPOSSÍVEL (CAUSA DE EXCLUSÃO DA TIPICIDADE) CRIME PUTATIVO POR ERRO DE TIPO (A TIPICIDADE SEQUER CHEGA A EXISTIR) O erro recai sobre a idoneidade do meio de execução ou do objeto material. O erro recai sobre os elementos constitutivos do crime. CRIME IMPOSSÍVEL (CAUSA DE EXCLUSÃO DA TIPICIDADE) CRIME PUTATIVO POR ERRO DE PROIBIÇÃO (A TIPICIDADE SEQUER CHEGA A EXISTIR) A conduta do agente se revestiria de tipicidade se não fosse a inidoneidade do meio de execução ou do objeto material. Não há tipicidade no fato que o agente quer cometer (pois supõe erroneamente a ilicitude da sua conduta). CRIME IMPOSSÍVEL (CAUSA DE EXCLUSÃO DA TIPICIDADE) CRIME PUTATIVO POR OBRA DO AGENTE PROVOCADOR (A TIPICIDADE SEQUER CHEGA A EXISTIR) O crime não se consuma em virtude da idoneidade do meio de execução ou do objeto material O crime não se consuma em virtude da inidoneidade do conjunto das circunstâncias preparadas pelo agente provocador CONCAUSAS CAUSAS ABSOLUTAMENTE INDEPENDENTES PREEXISTENTE OU ANTERIOR É aquela que existe anteriormente à prática da conduta. O resultado naturalístico teria ocorrido da mesma forma, mesmo sem o comportamento ilícito do agente. Ex.: “A” efetua disparos de arma de fogo contra “B”, atingindo-o em regiões vitais. O exame necroscópico, todavia, conclui ter sido a morte provocada pelo envenenamento anterior efetuado por “C”. CONCOMITANTE É a que incide simultaneamente à prática da conduta. Surge no mesmo instante em que o agente realiza seu comportamento criminoso. Ex.: “A” efetua disparos de arma de fogo contra “B” no momento em que o teto da casa deste último desaba sobre sua cabeça. SUPERVENIENTE É a que se concretiza posteriormente à conduta praticada pelo agente. Ex.: “A” subministra dose letal de veneno a “B”, mas, antes que se produzisse o efeito almejado, surge “C”, antigo desafeto de “B”, que nele 22 PRODUZIDO POR GÉSSICA DE SOUSA OLIVEIRA efetua inúmeros disparos de arma de fogo por todo o corpo, matando-a. Rompe o nexo causal em relação ao resultado. Devem ser imputados ao agente somente os atos praticados, e não o resultado naturalístico, em face de quebra da relação de causalidade. De fato, suprimindo mentalmente sua conduta, ainda assim o resultado teria ocorrido como ocorreu. Respeitando a teoria da equivalência dos antecedentes ou conditio sine qua non (art. 13, caput, in fine, cp). O AGENTE RESPONDE SOMENTE POR TENTATIVA DE HOMICÍDIO. CAUSAS SUPERVENIENTE RELATIVAMENTE INDEPENDENTES PREEXISTENTE OU ANTERIOR Existe previamente à prática da conduta do agente. Antes de seu agir ela já estava presente. Ex.: “A”, com ânimo homicida, efetua disparos de arma de fogo contra “B”, atingindo-a de raspão. Os ferimentos, contudo, são agravados pela diabete da vítima, que vem a falecer. CONCOMITANTE É a que ocorre simultaneamente à prática da conduta. Ex.: “A” aponta uma arma de fogo contra “B”, o qual, corre em direção a movimentada via pública. No momento em que é alvejado pelos disparos, é atropelado por um caminhão, morrendo. Em obediência à teoria da equivalência dos antecedentes ou conditio sine qua non (art. 13, caput, in fine, CP), o agente responde pelo resultado naturalístico. Suprimindo mentalmente a sua conduta, o resultado material, que seria a morte da vítima, não teria ocorrido quando e como ocorreu. O AGENTE RESPONDE POR HOMICÍDIO CONSUMADO. SUPERVENIENTE É a que se concretiza posteriormente à conduta praticada pelo agente. Divide-se: CAUSAS QUE POR SI SÓS NÃO PRODUZEM O RESULTADO CAUSAS QUE POR SI SÓS PRODUZEM O RESULTADO (ART. 13, § 1º, CP). O agente responde por homicídio consumado. Teoria da causalidade adequada Rompe o nexo causal em relação ao resultado. O agente responde pelos atos até então praticados. O agente responde por tentativa de homicídio. EX.: “A” com a intenção de matar, efetua disparos de arma de fogo contra “B”. Por má pontaria, atinge-o em uma das pernas, não oferecendo risco de vida. Contudo, EX₁.: pessoa atingida por disparos de arma de fogo que, internada em um hospital, falece não em razão dos ferimentos, e sim queimada por um 23 PRODUZIDO POR GÉSSICA DE SOUSA OLIVEIRA “B” é conduzido a um hospital e, por imperícia médica, vem a morrer. incêndio que destrói toda a área dos enfermos. EX₂.: ferido que morre durante o trajeto para o hospital, em face de acidente de tráfego que atinge a ambulância que o transportava. BIZU: O AGENTE RESPONDE POR HOMICÍDIO CONSUMADO – NÃO ROMPE O NEXO CAUSAL BIPE: Broncopneumonia; Infecção hospitalar; Parada cardiorrespiratória; Erro médico; Falta de atendimento médico (STJ) O AGENTE APENAS POR TENTATIVA – ROMPE O NEXO CAUSAL IDA: Incêndio; Desabamento; Acidente com a ambulância COAÇÃO IRRESISTÍVEL FÍSICA OU VIS ABSOLUTA MORAL OU VIS COMPULSIVA EXCLUI A CONDUTA, POIS NÃO HÁ VONTADE PERMANENTE INEXIGIBILIDADE DE CONDUTA DIVERSA (EXISTE VONTADE, PORÉM VICIADA) O FATO É ATÍPICO EXCLUI A CULPABILIDADE EXCLUSÃO DA CONDUTA CASO FORTUITO (AÇÃO HUMANA) E FORÇA MAIOR (NATUREZA); ATOS OU MOVIMENTOS REFLEXOS; COAÇÃO FÍSICA IRRESISTÍVEL (VIS ABSOLUTA); SONAMBULISMO; HIPNOSE; EMBRIAGUEZ LETÁRGICA RESULTADO JURÍDICO OU NORMATIVO NATURALÍSTICO OU MATERIAL É a lesão ou exposição a perigo de lesão do bem jurídico protegido pela lei penal. É, simplesmente, a violação da lei penal, mediante a agressão do valor ou interesse por ela tutelado. É a modificação do mundo exterior provocada pela conduta do agente. Todo crime tem resultado jurídico, embora não se possa apresentar igual afirmativa em relação ao resultado naturalístico. 24 PRODUZIDO POR GÉSSICA DE SOUSA OLIVEIRA HIPÓTESES DE DEVER DE AGIR (ART. 13, § 2º, CP) – TEORIA NORMATIVA: A OMISSÃO SOMENTE INTERESSA AO DIREITO PENAL QUANDO, DIANTE DA INÉRCIA DO AGENTE, O ORDENAMENTO JURÍDICO LHE IMPUNHA UM AÇÃO, UM FAZER (CRIMES OMISSIVOS IMPRÓPRIOS/ESPÚRIOS/COMISSIVOS POR OMISSÃO): a) Tenha por lei obrigação de cuidado, proteção e vigilância; b) De outra forma, assumiu a responsabilidade de impedir o resultado; c) Com seu comportamento anterior, criou o risco da ocorrência do resultado TIPICIDADE CONGLOBANTE – EUGENIO RAÚL ZAFFARONI Todo fato típico se reveste de antinormatividade, pois, muito embora o agente atue em consonância com o que está descritono tipo incriminador, na verdade contraria a norma, entendida como o conteúdo do tipo legal. O nome “conglobante” deriva da necessidade de que a conduta seja contrária ao ordenamento jurídico em geral, conglobado, e não apenas ao direito penal. Não basta a violação da lei penal. Exige-se a ofensa a todo o ordenamento jurídico. Em suma, para a aferição da tipicidade reclama-se a presença da antinormatividade. Assim, ou o fato praticado pelo agente, contrário à lei penal, desrespeita todo o ordenamento normativo, e há tipicidade, ou, ainda que em desconformidade com a lei penal, esteja em consonância com a ordem normativa, e ausente estará a tipicidade. Portanto, não basta a mera tipicidade legal, isto é, a contrariedade do fato à lei penal. É necessário mais. A conduta do agente, contrária à lei penal, deve violar todo o sistema normativo. Em suma, deve ser antinormativa. Logo, a tipicidade penal resulta da junção da tipicidade legal com a tipicidade conglobante: TIPICIDADE PENAL= TIPICIDADE LEGAL + TIPICIDADE CONGLOBANTE TIPICIDADE LEGAL TIPICIDADE CONGLOBANTE (TIPICIDADE MATERIAL + ANTINORMATIVIDADE) Adequação à fórmula legal do tipo, é a individualização que a lei faz da conduta, mediante o conjunto dos elementos objetivos e normativos de que se vale o tipo penal. É a comprovação de que a conduta legalmente típica está também proibida pela norma, o que se afere separando o alcance da norma proibitiva conglobada com as demais normas do sistema jurídico. CLASSIFICAÇÃO DOUTRINÁRIA DO TIPO LEGAL TIPO NORMAL É o que prevê apenas elementos de ordem objetiva. TIPO ANORMAL É o que prevê, além de elementos objetivos, também elementos subjetivos e/ou normativos, acarretando na tipicidade anormal. Para os adeptos do finalismo penal adota esse tipo. TIPO FUNDAMENTAL / BÁSICO É aquele que retrata a forma mais simples da conduta criminosa. É denominada crime simples. TIPO DERIVADO É aquele que se estrutura com base no tipo fundamental, a ele se somado circunstâncias que aumentam ou diminuem a pena. Dividem- se: Tipo qualificado / qualificadoras / causas de aumento da pena Privilegiados / exceptum / causas de diminuição de pena TIPO FECHADO / CERRADO É o que possui descrição minuciosa da conduta criminosa. Ex.: art. 155 - furto 25 PRODUZIDO POR GÉSSICA DE SOUSA OLIVEIRA TIPO ABERTO É o que não possui descrição minuciosa da conduta criminosa. Cabe ao poder judiciário, na análise do caso concreto, complementar a tipicidade mediante um juízo de valor. Ex.: art. 137 - rixa TIPO DE AUTOR Relaciona-se ao direito penal do autor. É aquele, felizmente cada vez mais extirpado do direito penal, em que não se pune uma conduta, e sim uma determinada pessoa em razão de suas condições pessoais. TIPO DE FATO É o que tem por objeto a incriminação de uma conduta criminosa. Representa infrações penais do ordenamento jurídico brasileiro em vigor. TIPO SIMPLES É o que abriga em seu interior um único núcleo. Define, assim, uma única conduta típica, caracterizando os crimes de ação única. Ex.: art. 157 – roubo (subtrair) TIPO MISTO É o que tem na sua descrição típica dois ou mais núcleos, representando os crimes de ação múltipla ou de conteúdo variado. Divide-se: Misto alternativo: a lei penal descreve duas ou mais condutas como hipóteses de realização de um mesmo crime, de maneira que a prática sucessiva dos diversos núcleos caracteriza um único delito. São crimes de ação múltipla, de condutas variáveis ou fungíveis. Ex.: art. 168, caput – receptação simples Misto cumulativo: a pratica de mais de uma conduta leva ao concurso material, respondendo o agente por todos os delitos praticados. Ex.: art. 244 – abandono material TIPO CONGRUENTE É aquele em que há perfeita coincidência entre a vontade do autor e o fato descrito na lei penal. O agente realiza aquilo que efetivamente desejava. É o que ocorre nos crimes dolosos consumados. TIPO INCONGRUENTE É aquele em que não há coincidência entre a vontade do autor e o fato descrito na lei penal, ou seja, a conduta do agente provoca algo diverso do que era por ele desejado, tal como se dá na tentativa, nos crimes culposos e nos crimes preterdolosos. TIPO COMPLEXO O tipo penal possui uma parte objetiva, consistente na descrição da conduta criminosa (exterior), e uma parte subjetiva, no psiquismo do agente (interior). TIPO PREVENTIVO É aquele de que se vale o legislador para antecipar a tutela do direito penal no tocante a determinados bens jurídicos, incriminando de forma autônoma atos que por si sós representariam a reparação de outros delitos. AUTORIA - TEORIAS TEORIA SUBJETIVA OU UNITÁRIA Não diferencia o autor do partícipe. Autor é aquele que de qualquer modo contribuir para a produção de um resultado penalmente relevante. 26 PRODUZIDO POR GÉSSICA DE SOUSA OLIVEIRA Seu fundamento repousa na teoria da equivalência dos antecedentes ou conditio sine qua non, pois qualquer colaboração para o resultado, independente do seu grau, a ele deu causa. Essa teoria foi adotada pelo código penal (1940), ainda existe resquício no art. 349, CP – prestar o criminoso, fora dos casos de coautoria ou de receptação, auxílio destinado a tornar seguro o proveito do crime. TEORIA EXTENSIVA Não diferencia autor do partícipe, mas admite causas de diminuição de pena para estabelecer diversos graus de autoria. Aparece a figura do cúmplice: autor que concorre de modo menos importante para o resultado. Fundamentada na teoria da equivalência dos antecedentes ou conditio sine qua non. TEORIA OBJETIVA OU DUALISTA Opera nítida distinção entre autor e partícipe. Adotado pela reforma do código penal (1984). Pode ser: TEORIA OBJETIVO- FORMAL/LÓGICO- FORMAL/RESTRITIVA TEORIA OBJETIVO-MATERIAL TEORIA DO DOMÍNIO DO FATO/OBJETIVO- INDIVIDUAL/OBJETIVO- SUBJETIVA AUTOR é quem realiza o núcleo (verbo) do tipo penal, ou seja, a conduta criminosa descrita pelo preceito primário da norma incriminadora. Partícipe é quem de qualquer modo concorre para o crime, sem praticar o núcleo do tipo. Crítica: deixa aberto o instituto da autoria mediata. TEORIA ADOTADA PELO CÓDIGO PENAL – ART. 29, CAPUT. FRANZ VON LISZT. Autor é quem presta a contribuição objetiva mais importante para a produção do resultado, e não necessariamente aquele que realiza no núcleo do tipo penal. Partícipe é quem concorre de forma menos relevante, ainda que mediante a realização do núcleo do tipo. REINHARTE FRANK. Criada por Hans Welzel (1939). Aperfeiçoada por Claus Roxin. Autor é quem possui controle sobre o domínio final do fato, domina finalisticamente o trâmite do crime e decide acerca da sua prática, suspensão, interrupção e condições. Logo, autor é aquele que tem a capacidade de fazer continuar e de impedir a conduta penalmente ilícita. Portanto, a teoria do domínio do fato amplia o conceito de autor, definindo-o como aquele que tem o controle final do fato, ainda que não realize o núcleo do tipo penal. Ocorre somente nos crimes dolosos. 27 PRODUZIDO POR GÉSSICA DE SOUSA OLIVEIRA Para Welzel a teoria funciona como pressuposto para determinação da autoria. Para Roxin utiliza como critério para delimitação do papel do sujeito na realização do delito, como autor ou partícipe. Podendo se manifestar em 3 formas diversas: Domínio da ação: quando o agente pratica, por conta própria, a conduta típica (autoria imediata); Domínio da vontade: em que terceira pessoa funciona como instrumento do crime (autoria mediata); Domínio funcional do fato: atinente à atuação coordenada e caracterizada pela divisão de tarefas, por pelo menos mais uma pessoa além daquele que detém o controle final do fato. Conceito de autor: Autor propriamente dito: é aquele que pratica o núcleo do tipo penal; Autor intelectual (mentor do crime): é aquele que planeja mentalmente a empreitadacriminosa. É autor, e não partícipe; Autor mediato: é aquele que se vale de um inculpável ou de pessoa que atua sem dolo ou culpa para cometer a conduta criminosa; Coautores: é aquele que age em colaboração recíproca e voluntária com o outro/outros para a realização da conduta principal; Autor que detém o controle final do fato: é a pessoa que tem poderes para controlar a prática do fato punível, 28 PRODUZIDO POR GÉSSICA DE SOUSA OLIVEIRA mesmo sem realizar o núcleo do tipo penal. Partícipe é quem de qualquer modo concorre para o crime, desde que não realize o núcleo do tipo penal nem possua o controle final do fato. ITER CRIMINIS: FASE INTERNA CONGITAÇÃO FASE EXTERNA PREPARAÇÃO EXECUÇÃO CONSUMAÇÃO EXAURIMENTO (NÃO INTEGRA) TEORIAS SOBRE A PUNIBILIDADE DA TENTATIVA TEORIA SUBJETIVA/VOLUNTARISTA /MONISTA TEORIA SINTOMÁTICA TEORIA OBJETIVA/REALÍSTICA/ DUALISTA TEORIA DA IMPRESSÃO/OBJE TIVO-SUBJETIVA O sujeito é punido por sua intenção, pois o que importa é o desvalor da ação, sendo irrelevante o desvalor do resultado, de modo que deveria suportar a mesma pena. Consequências de adotar a teoria subjetiva: É a punição da tentativa inidônea ou crime impossível; Equiparação do crime consumado ao crime tentado EXCEÇÃO A TEORIA OBJETIVA, RESQUÍCIO DESSA TEORIA (ART. 14, PAR. ÚNICO, 1ª PARTE). Sustenta a punição em razão da periculosidade, ou seja, do perigo revelado pelo agente. Para esta teoria, o Estado deveria aplicar uma medida de segurança. A tentativa é punida por causa do perigo proporcionado ao bem jurídico tutelado pela lei penal. Por isso, a pena da tentativa deve ser menor que a pena da consumação e proporcional ao risco de lesão causado. Analisa o que o agente efetivamente fez, com base na fase do iter criminis à qual ele chegou. TEORIA ADOTA PELO CP (ART. 14, 2ª PARTE) Admite a punição da tentativa quando a atuação da vontade ilícita do agente for adequada para comover a confiança na vigência do ordenamento e o sentimento de segurança jurídica dos que tenham conhecimento da conduta criminosa. Essa teoria seria mais restritiva que a subjetiva, por não aceitar tentativa no caso de absoluta inidoneidade (crime impossível). COAUTORIA SUCESSIVA É a espécie de coautoria que ocorre quando a conduta, iniciada em autoria única, se consuma com a colaboração de outra pessoa, com forças concentradas, mas em prévio e determinado ajuste. 29 PRODUZIDO POR GÉSSICA DE SOUSA OLIVEIRA AUTORIA MEDIATA Em que alguém, o “sujeito de trás”, se utiliza, para a execução da infração penal, de uma pessoa inculpável ou que atua sem dolo ou culpa. Ex.: “A” (autor mediato), desejando matar sua esposa, entrega uma arma de fogo municiada a “B”, criança (autor imediato) de pouca idade, dizendo- lhe que, se apertar o gatilho na cabeça da mulher, esta lhe dará balas. Não há concurso de pessoas, pois inexiste vínculo subjetivo. O autor imediato não é punido. Incompatível com os crimes culposos. Admite nos crimes próprios. Inadmite nos crimes de mão própria (exceção falso testemunho). Coautoria mediata: “A” e “B” pedem a “C”, inimputável, que mate “C”. Participação na autoria mediata: “a” induz “b”, ambos imputáveis, a pedir a “C”, menor de idade, a morte de “D”. Situações que ocorrem a autoria mediata: Inimputabilidade penal do executor por menoridade penal, embriaguez ou doença mental (art. 62, III, CP); Coação moral irresistível (art. 22, CP); Obediência hierárquica de ordem não manifestamente ilegal (art. 22, CP); Erro de tipo escusável, provocado por terceiro (art. 20, § 2º, CP); Erro de proibição escusável, provocado por terceiro (Art., 21, caput, CP) AUTORIA POR DETERMINAÇÃO Eugênio Raúl Zaffaroni. É o autor por determinação, o sujeito que determina outro ao fato, mas que conserva seu domínio, posto que se o perde, como no caso em que o determinado comete um delito, já não é autor, mas instigador. AUTORIA DE ESCRITÓRIO Eugênio Raúl Zaffaroni. É autor de escritório o agente que transmite a ordem a ser executada por outro autor direto, dotado de culpabilidade e passível de ser substituído a qualquer momento por outra pessoa, no âmbito de uma organização ilícita de poder. Teoria do domínio da organização – Claus Roxin – para solucionar as questões inerentes ao concurso de pessoas nas estruturas organizadas de poder, 30 PRODUZIDO POR GÉSSICA DE SOUSA OLIVEIRA compreendidas como aparatos à margem da legalidade. AUTORIA POR CONVICÇÃO Quando o agente tem conhecimento da norma penal, mas decide transgredi-la por questões de consciência política, religiosa, filosófica ou de qualquer outra natureza. AUTORIA COLATERAL / IMPRÓPRIA / PARELHA Quando duas ou mais pessoas intervêm na execução de um crime, buscando igual resultado, embora cada uma delas ignore a conduta alheia. EX.: “A”, portando um revólver, e “B”, uma espingarda, escondem-se atrás de árvores, um do lado direito e outro do lado esquerdo de uma mesma rua. Quando “C”, inimigo de ambos, por ali passa, ambos os agentes contra ele efetuam disparos de armas de fogo. “C” morre, revelando o exame necroscópico terem sido os ferimentos produzidos pelos disparos originários da arma de “A”. Não há concurso de pessoas, inexiste liame subjetivo entre “A” e “B”. Cada um dos agentes responde pelo crime a que deu causa. “A” – Responde por homicídio consumado “B” – Por tentativa de homicídio Se ficasse demonstrado que os tiros de “B” atingiram o corpo de “C” quando já estava morto. “A” – Responderia pelo homicídio “B” – Ficaria impune, por caracterizar crime impossível (impropriedade absoluta do objeto, art. 17, CP) AUTORIA INCERTA Quando mais de uma pessoa é indicada como autora do crime, mas não se apura com precisão qual foi a conduta que efetivamente produziu o resultado. Conhecem-se os possíveis autores, mas não se conclui, em juízo de certeza, qual comportamento deu causa ao resultado. Ex.: “A” e “B” com armas de fogo e munições idênticas escondam-se atrás de árvores para eliminar a vida de “C”. Quando esta passa pelo local, contra ele atiram, e “C” morre. O exame pericial aponta ferimentos produzidos por um único disparo de arma de fogo com causa mortis. Os demais tiros não atingiram a vítima, e o laudo não afirmar categoricamente quem foi o 31 PRODUZIDO POR GÉSSICA DE SOUSA OLIVEIRA autor do disparo fatal. Logo, como não se apurou quem produziu a morte, não se pode imputar o resultado naturalístico para “A” e “B”. Um deles matou, mas o outro não. E não há concurso de pessoas. “A” E “B” – RESPONDE POR TENTATIVA DE HOMICÍDIO AUTORIA DESCONHECIDA Quando ocorre um crime, mas não se sabe quem foi seu autor. Ex.: “A” foi vítima de furto, pois todos os bens de sua residência foram subtraídos enquanto viajava. Não há provas, todavia, do responsável pelo delito. ADMITE COAUTORIA EM CRIMES CULPOSOS. NÃO ADMITE PARTICIPAÇÃO EM CRIME CULPOSOS. PARTICIPAÇÃO - TEORIA ACESSORIEDADE MÍNIMA ACESSORIEDADE LIMITADA ACESSORIEDADE MÁXIMA OU EXTREMA HIPERACESSORIEDADE Para a punibilidade é suficiente que o autor tenha praticado um fato típico. Para a punibilidade é suficiente que tenha o autor praticado um fato típico e ilícito. Para a punibilidade é suficiente que o autor tenha praticado um fato típico, ilícito e culpável. Mais adotada pela doutrina. Para a punibilidade é suficiente que o autor tenha praticado um fato típico, ilícito, culpável e punível. PARTICIPAÇÃO SUCESSIVA Quando um mesmo sujeito é instigado, induzido ou auxiliado por duas ou mais pessoas, cada qual desconhecendo o comportamento alheio, para executar uma infração penal. Ex.: “A” sugere a “B” a prática de um roubo para quitar suas dívidas bancárias. Depois de refletir sobre