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Este fichamento sintetiza as ideias centrais da obra "O Modelo Estrutural de Governança 
Pública", de Luiz Carlos Bresser-Pereira, utilizando a versão datada de 18 de março de 
2007, conforme as fontes disponibilizadas. 
Referência Bibliográfica 
 BRESSER-PEREIRA, Luiz Carlos. O modelo estrutural de governança pública. 
Versão de 18 de março de 2007 
 
Ideias Principais e Estrutura do Texto 
1. O Estado como Motor do Desenvolvimento (Págs. 1-3) 
Capacidade Estatal: Para que os estados-nação cresçam, é essencial possuir uma 
organização estatal capaz e eficiente, que assegure o Estado de direito e sirva como 
instrumento de estratégia nacional.1-2 
 Instituições e Crescimento: O desenvolvimento econômico depende de um Estado 
capaz de criar condições institucionais para a acumulação de capital.3 
 Definição do Modelo: O modelo é gerencial por aumentar a autonomia e 
responsabilidade dos gestores, e estrutural por alterar a organização do Estado através 
de agências e terceirização de serviços.4 
2. Neutralidade e Contexto Histórico (Págs. 2-5) Neutralidade Ideológica: A 
reforma da gestão pública é considerada um instrumento neutro, podendo ser 
adotada tanto por coalizões de centro-esquerda quanto de centro-direita. 7 
Evolução Administrativa: A reforma gerencial é a segunda grande mudança do 
Estado moderno, sucedendo a reforma burocrática do século XIX e buscando 
maior flexibilidade para o Estado Social do pós-guerra.10 
O Aspecto Organizacional: Tipos de Propriedade (Págs. 7-8) O autor propõe 
quatro formas de propriedade coexistentes na sociedade moderna: 14 
Estatal: Sujeita ao direito público, com servidores estatutários. 15 
Pública Não Estatal: Organizações sem fins lucrativos voltadas ao interesse 
público (como as Organizações Sociais). 15-16 
Corporativa: Defesa de interesses de grupos (sindicatos, associações). 16 
Privada: Voltada ao lucro e ao mercado.17 
3. Divisão de Atividades e Setores do Estado (Págs. 8-12) 
 Núcleo Estratégico: Local de formulação de políticas e uso do poder estatal por 
políticos e servidores de alto escalão. 18-19 
Agências Executivas e Reguladoras: Implementam políticas que exigem o poder do 
Estado com autonomia administrativa. 20-21 
Serviços Sociais e Científicos: Atividades não exclusivas do Estado (saúde, educação, 
pesquisa) que devem ser prestadas por organizações públicas não estatais (terceirização) 
22 
Lógica da Terceirização: O Estado financia e controla, mas a execução é delegada para 
garantir eficiência e flexibilidade.22,23-24 
4. Aspecto Gerencial e Nova Responsabilização (Accountability) (Págs. 13-15) 
Descentralização: Separa a formulação de políticas (centralizada) da execução 
(descentralizada). 25,26 
Mecanismos de Controle: Substitui ou complementa a auditoria burocrática por: 
Administração por resultados/objetivos.27,28 
 Competição administrada visando à excelência. 
Responsabilidade social (controle social pela sociedade civil). 27,29 
Governança: Diferencia-se de "governo" por envolver a participação de 
múltiplos atores sociais e internacionais no processo decisório.25,30 
5. Autonomia, Democracia e Burocracia (Págs. 16-17) 
Pressuposto Democrático: O alto grau de autonomia dos gestores só é aceitável 
em democracias, onde o controle é exercido a posteriori pela transparência e 
mídia. 31,32 
Crítica à Public Choice: O autor contesta a ideia de que servidores buscam 
apenas interesses privados, defendendo a existência de um "ethos" republicano 
em servidores de alto nível.33 
6. Aplicação em Países em Desenvolvimento (Págs. 20-22) 
Rejeição da Regra Sequencial: Bresser-Pereira argumenta que países em 
desenvolvimento não precisam terminar a reforma burocrática para iniciar a 
gerencial; ambas podem coexistir. 37 
Propriedade da Reforma (Ownership): Instituições não devem ser meramente 
"exportadas" por agências internacionais, mas sim "importadas" e adaptadas às 
realidades locais. 40 
Capacidade e Legitimidade: A reforma aumenta a capacidade do Estado de 
garantir direitos sociais de forma eficiente, legitimando o gasto público e o 
crescimento econômico.43 
Fichamento: O Modelo Estrutural de Governança Pública 
Título: O Modelo Estrutural de Governança Pública . 
 Autor: Luiz Carlos Bresser-Pereira . 
Ano: 2007 (Versão de 18 de março de 2007) . 
Instituição: O texto faz referência ao trabalho desenvolvido no Ministério da 
Administração Federal e da Reforma do Estado (MARE) e ao Plano Diretor da Reforma 
do Aparelho do Estado de 1995 . 
 Objeto: A reforma da gestão pública (reforma gerencial), especificamente o "modelo 
estrutural de governança pública" concebido no Brasil na década de 1990 . 
 Objetivo: Apresentar o modelo estrutural de governança, argumentar que ele é um 
instrumento neutro (aplicável por governos de diferentes ideologias) e defender que 
países em desenvolvimento podem implementá-lo simultaneamente à reforma 
burocrática, rejeitando a "regra sequencial" . 
 
“Contexto teórico” 
O texto se insere no debate sobre a Nova Gestão Pública (ou reforma gerencial), surgida 
como resposta à necessidade de maior flexibilidade do Estado Social após a II Guerra 
Mundial . O autor utiliza conceitos da teoria política e ciência política para fundamentar 
a gestão pública, diferenciando-a da administração de empresas privadas . Ele dialoga 
com a burocracia weberiana, reconhecendo seu valor histórico, mas apontando sua rigidez 
perante as demandas contemporâneas . 
 Contexto de produção 
 O texto reflete a experiência brasileira de reforma administrativa iniciada em 1995, 
inspirada pelo modelo britânico, no contexto de uma administração social-democrata que 
buscava aumentar a capacidade do Estado . 
 Interlocutores (com quem o autor dialoga) 
Teoria da Escolha Pública (Public Choice): 
 O autor contesta a visão de que servidores buscam apenas interesses privados, 
defendendo a existência de um ethos republicano . 
Organismos Internacionais (Banco Mundial): 
Dialoga criticamente sobre a "exportação" de modelos e a exigência de uma sequência 
rígida de reformas (primeiro burocrática, depois gerencial) . 
 Acadêmicos de centro-esquerda: 
Que veem a reforma gerencial como intrinsecamente neoliberal . 
Max Weber: 
Sobre o modelo de burocracia profissional e o monopólio do poder legítimo . 
Ranson e Stewart: Referenciando a "gestão para a esfera pública" . 
 
Desenvolvimento: Principais argumentos 
 O Estado como Instrumento: Nas democracias modernas, o Estado é o principal 
instrumento de ação coletiva para alcançar objetivos como bem-estar e justiça . 
 Quatro Tipos de Propriedade: O modelo distingue as propriedades em: estatal 
(estatutários), pública não estatal (sem fins lucrativos/interesse público), corporativa 
(defesa de grupos) e privada (lucro) . 
 Divisão Estrutural: O Estado deve ser dividido em: 
 Núcleo Estratégico: 
 Formulação de políticas (políticos e alta burocracia) . 
Agências Executivas e Reguladoras: 
Implementação de atividades exclusivas com autonomia. 
 Serviços Sociais e Científicos: Atividades não exclusivas que devem ser terceirizadas 
para o setor público não estatal (Organizações Sociais), visando maior eficiência. 
Desenvolvimento: Continuação 
Novas Formas de Responsabilização (Accountability): A reforma substitui controles 
rígidos por: 
(1) administração por resultados, 
(2) competição administrada e 
(3) responsabilidade social (controle pela sociedade civil) . 
 Autonomia e Democracia: O alto grau de autonomia dos gestores exige uma estrutura 
democrática, onde o controle é feito a posteriori através da transparência e da mídia . 
Neutralidade Distributiva: O modelo pode ser usado tanto para expandir o Estado Social 
quanto para fins conservadores, dependendo da coalizão política no poder . 
 
Conclusões 
Rejeição da Regra Sequencial: Países em desenvolvimento não precisam esperar o fim da 
reforma burocrática parainiciar a gerencial; ambas podem e devem coexistir para 
fortalecer o Estado . 
Importação vs. Exportação: O sucesso institucional depende da "propriedade" 
(ownership) da reforma pelos atores locais, adaptando os modelos às realidades do país, 
em vez de apenas copiar modelos estrangeiros . 
 Fortalecimento do Estado: A reforma gerencial não visa diminuir o Estado, mas torná-lo 
mais capaz, eficiente e legítimo perante a sociedade .