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Teoria das Relações 
Internacionais 
 
REALISMO 
 
É a segunda grade corrente teórica que 
critica, questiona e busca superar as 
premissas do liberalismo. Na obra "20 
Anos de Crise", Carr destaca que a análise 
nas relações internacionais deve focar no 
poder. Assim, o realismo se concentra no 
estudo do poder, enfatizando as 
capacidades, estruturas e atores que 
refletem essa dinâmica, em vez de se 
preocupar com soluções ou instituições. 
 
5 PRINCIPAIS PILARES DO REALISMO 
 
1. ATOR: ESTADO 
É o único ator que importa dentro das 
relações internacionais. É pensado como 
um ator unitário (cada Estado 
corresponde a uma unidade dentro do 
sistema). 
 
2. ORDEM: ANARQUIA 
A anarquia é o elemento ordenador do 
sistema, que pode ser traduzida como a 
ausência de uma autoridade 
supranacional central. É fator 
determinante da ordem. 
 
3. OBJETIVO: SOBREVIVÊNCIA 
Dentro da anarquia o principal objetivo é 
sobreviver, justamente devido a falta de 
um ator supranacional que garanta o que 
o Estado de Locke vai garantir (como o 
direito a vida, a propriedade, liberdade..). 
 
4. MEIO: PODER 
Em um sistema anárquico, isso não 
significa que não haja ordem. Na verdade, 
existe uma ordem, mas ela não se baseia 
no Estado de direito, como os liberais 
defendem. Em vez disso, essa ordem é 
fundamentada no poder, nas 
capacidades e nos instrumentos de poder 
disponíveis. 
 
5. LÓGICA: AUTOAJUDA 
É uma dinâmica de autoajuda, ou seja: 
“não depender de ninguém” e caso seja 
necessário depender de algum ator 
externo, que seja o mínimo necessário 
(Diferente da dinâmica de cooperação 
defendida pelos liberais). 
 
EXPOENTES CLÁSSICOS 
 
© TUCÍDIDES 
Análise pragmática da guerra, evitando 
tomar partido e buscando entender os 
conflitos a partir da dinâmica do poder. 
Um dos conceitos centrais em sua obra é 
o dilema de segurança. À medida que 
um Estado aumenta seu arsenal, ele gera 
desconfiança e medo nos outros Estados, 
levando-os a também se armarem. Isso 
resulta em uma corrida armamentista. 
 
Ele argumenta que a ordem nas relações 
internacionais não é sustentada por 
tratados de paz ou ideais, mas sim pelo 
equilíbrio de poder. Esse equilíbrio é o que 
realmente proporciona estabilidade e 
segurança entre os Estados. 
 
© MAQUIAVEL 
Maquiavel, em "O Príncipe", enfatiza a 
centralidade do Estado e a importância 
da centralização do poder, seja em uma 
monarquia ou república. Ele defende que 
o Estado deve ter um exército próprio, 
evitando a dependência de mercenários, 
e que a busca pelo poder deve dominar 
todas as áreas da política. Além disso, ele 
argumenta que o príncipe deve ser 
amado e temido, mas, se necessário, é 
melhor ser temido. 
 
© HOBBES 
Formula o conceito de "estado de 
natureza", onde a natureza humana é 
vista como egoísta, com cada indivíduo 
priorizando seus próprios interesses. Esse 
egoísmo torna a cooperação entre as 
pessoas frágil, resultando em um estado 
de luta de todos contra todos pelos 
recursos disponíveis. Para superar essa 
condição caótica, Hobbes propõe a 
criação de um Estado, um "Leviatã", que 
representa o poder coletivo da 
humanidade. Esse Estado tem a função 
de legislar, regulamentar e garantir as 
liberdades dos indivíduos. Assim, a 
natureza humana egoísta, sem a 
presença de um Estado, levaria à 
autodestruição na busca por recursos. 
Além disso, o Estado também busca sua 
própria sobrevivência. 
 
REALISTAS CLÁSSICOS 
 
© CARR: 
Responsável pelo 1º debate, 
introduzindo uma abordagem realista 
que enfatiza a importância de focar 
nas causas da guerra e nas relações 
de poder entre os atores, em vez de se 
concentrar apenas em soluções para 
a paz. Ele argumenta que o sistema 
internacional deve ser analisado em 
termos de poder, especialmente à luz 
da ascensão da Alemanha nazista. 
Para Carr, o foco deve estar nas 
dinâmicas de poder, não na 
cooperação ou na paz. 
 
© MORGENTHAU 
É aquele que vai estabelecer as primeiras 
leis gerais do realismo, do qual ele 
destaca: a centralidade do Estado, os 
interesses medidos em termos de poder, 
a ideia do Estado unitário e a paz e a 
estabilidade virão do equilíbrio de poder. 
 
© HENZ 
Reforça a ideia de que o poder é um 
instrumento essencial não apenas para 
a sobrevivência, mas também para a 
busca de supremacia. Ele argumenta 
que não é suficiente apenas sobreviver; 
os Estados devem almejar a 
superioridade sobre os outros. Assim, a 
lógica de Henz é que os Estados buscam 
constantemente a supremacia em 
relação aos demais, pois, segundo ele, 
"somente os mais fortes sobrevivem". 
 
BEHAVIORISTAS 
 
Waltz com seus níveis de analise e Singer 
com o projeto COW (estudos a partir de 
dados estatísticos). 
 
REALISMO ESTRUTURAL 
 
Surge na década de 1970, é associado a 
Kenneth Waltz, considerado o pai dessa 
abordagem, que se opõe ao realismo 
clássico e ao liberalismo. Enquanto os 
realistas e liberais clássicos focam nos 
agentes e na racionalidade dos atores 
para explicar o comportamento nas 
relações internacionais, Waltz inverte essa 
lógica, priorizando a estrutura do 
sistema como o principal fator que 
influencia as interações entre os 
Estados. 
 
Para Waltz, a estrutura é imutável e 
caracterizada pela anarquia, que 
determina como os Estados agem. Dentro 
de um Estado, onde há controle (o 
"Leviatã"), a dinâmica é diferente. No 
entanto, nas relações internacionais, a 
anarquia leva os Estados a maximizar 
seu poder para garantir sobrevivência e 
segurança. Essa abordagem é também 
chamada de realismo defensivo, pois 
busca meios e mecanismos de poder 
para assegurar a segurança. A ordem no 
sistema internacional é vista como 
resultado de um equilíbrio de poder, 
reafirmando o Estado como o ator 
central. 
 
TEORIA DA ESTABILIDADE HEMÔNICA 
(TEH) 
 
A teoria hegemônica, proposta por 
Charles Kindleberger durante o período 
entre guerras, defende que a ordem 
política e econômica global depende de 
um ator hegemônico. Kindleberger 
argumenta que a estabilidade em um 
sistema anárquico não é assegurada 
por instituições ou normas jurídicas, mas 
pela presença de uma potência 
hegemônica que exerce liderança e 
influência, essencial para regular as 
interações entre os Estados e manter a 
ordem. 
 
REALISMO OFENSIVO 
 
John Mearsheimer apresenta uma visão 
contrastante ao realismo defensivo de 
Waltz, defendendo que "a melhor defesa 
é o ataque". Para Mearsheimer, os 
Estados devem maximizar seu poder não 
apenas para garantir a sobrevivência, 
mas também para assegurar a 
supremacia sobre os outros. Seu 
realismo ofensivo enfatiza a acumulação 
de poder como uma estratégia para 
impedir que outros Estados se tornem 
mais fortes. 
 
Mearsheimer argumenta que a 
supremacia não pode ser global, pois 
nenhuma potência consegue dominar o 
mundo inteiro. Em vez disso, ele acredita 
que é possível manter uma supremacia 
regional, minando as tentativas de outros 
Estados de alcançar o mesmo status. Por 
exemplo, os EUA exercem influência no 
Ocidente, mas enfrentam desafios no 
Oriente, onde tentam conter o 
crescimento de potências como China e 
Rússia. Assim, Mearsheimer vê as 
relações internacionais como um jogo 
de soma zero, onde o ganho de um 
Estado resulta na perda de outro. 
 
MARXISMO 
 
O marxismo analisa a realidade por meio 
de processos históricos, enfatizando a 
interação dialética entre a capacidade 
material dos atores. O materialismo 
histórico dialético, desenvolvido por Marx, 
considera não apenas as ideias, mas 
principalmente a materialidade dos 
processos históricos. Marx argumenta que 
o capitalismo, embora traga 
modernidade e avanços tecnológicos, 
também gera contradições, como 
exploração, miséria da classe 
trabalhadora e alienação. 
 
Para Marx, as relações internacionais e a 
sociedade não devem ser vistas como 
uma luta entre Estados, mas como uma 
luta de classes, onde a história da 
humanidade é marcada pela exploração 
de uma classe sobre outra. Ele se 
distancia dos realistas e liberais ao 
priorizar a política e a economia,focando nas condições materiais e 
modos de produção. 
 
O Estado, segundo Marx, não é central 
como para os realistas; ele é um 
instrumento da classe capitalista, 
servindo para garantir a acumulação de 
capital. A alienação dos trabalhadores 
impede sua revolta, e Marx defende a 
necessidade de uma solidariedade 
internacional da classe trabalhadora, 
uma vez que o capital já é globalizado. 
 
Marx acredita que o capitalismo só será 
superado por uma revolução do 
proletariado. Essa revolução não pode 
ser padronizada, pois cada país possui 
suas singularidades e condições 
materiais que influenciam o processo 
histórico. 
 
IMPERIALISMO 
 
O imperialismo, conforme desenvolvido 
por Lenin, é visto como o último estágio 
do capitalismo, emergindo no final do 
século 19. Lenin caracteriza esse estágio 
pela ascensão do capital monopolista, 
que resulta da fusão entre o capital 
industrial e o capital financeiro. Ele 
argumenta que existe uma luta de 
classes tanto interna quanto 
internacional: dentro de cada Estado, há 
um conflito entre capitalistas e 
trabalhadores, enquanto nas relações 
internacionais se observa uma clara luta 
entre países opressores e oprimidos. 
 
Lenin destaca que, mesmo em países 
opressores, a luta de classes persiste, e 
esse processo gera uma dependência 
econômica nas periferias, onde países se 
tornam dependentes dos centros do 
capitalismo, como os países europeus e 
os EUA. Para Lenin, a superação do 
imperialismo requer uma solidariedade 
revolucionária internacional 
antiimperialista, promovendo uma luta 
conjunta contra o sistema opressor. 
 
TEORIA MARXISTA DA DEPENDÊNCIA 
 
Desenvolvida por autores como Marini, 
Bambina e Dos Santos, explora como o 
imperialismo se manifesta por meio da 
dependência nos países periféricos. Esses 
estudiosos argumentam que o 
subdesenvolvimento não é um estágio 
transitório do capitalismo, mas sim um 
produto intrínseco do próprio 
desenvolvimento capitalista dos países 
centrais. 
 
Eles afirmam que o subdesenvolvimento 
e o desenvolvimento dos países centrais 
são interdependentes; os países centrais 
prosperaram à custa da exploração dos 
periféricos. Assim, a dependência é uma 
expressão do imperialismo, não um mero 
estágio de subdesenvolvimento. A 
condição de subdesenvolvimento não 
resulta da falta de adoção de 
estratégias de desenvolvimento, mas da 
exploração sistemática. 
 
Dentro das economias dependentes, 
observa-se a presença de uma classe 
dominante que, embora minoritária, 
está subordinada aos grandes blocos de 
capital internacionais. Essas elites latino-
americanas promovem a 
superexploração. Portanto, a superação 
da dependência não deve seguir o 
modelo de desenvolvimento capitalista, 
mas sim buscar um desenvolvimento 
autônomo, nacionalista e 
antiimperialista, que inclua uma 
revolução estrutural para romper com a 
dependência, especialmente em termos 
tecnológicos e financeiros. 
 
SISTEMA MUNDO 
 
Immanuel Wallerstein, ao desenvolver 
sua teoria do sistema-mundo, utiliza 
elementos do marxismo para estruturar 
um sistema econômico e político 
integrado, cujo principal objetivo é a 
acumulação de capital. Ele analisa a 
dinâmica histórica desse sistema, 
destacando a interação entre diferentes 
potências e enfatizando os fatores 
econômicos, especialmente capital e 
trabalho. Wallerstein classifica os países 
em três categorias: centro, semiperiferia 
e periferia. 
 
Centro: São as grandes economias 
capitalistas que produzem bens 
sofisticados, como software, foguetes e 
carros elétricos. Esses países são 
altamente desenvolvidos, detentores de 
capital e tecnologia, e têm uma 
produção que é mais intensiva em 
capital do que em trabalho. 
 
Periferia: São países mais pobres, que 
dependem de capital externo e utilizam 
mão de obra desqualificada e barata. 
Seus processos produtivos são intensivos 
em trabalho e geralmente se 
concentram na produção de bens 
primários e commodities, como muitos 
países africanos e latino-americanos. 
Semiperiferia: Inclui países com 
industrialização dependente, que 
possuem alguma capacidade industrial, 
mas que dependem de capital e 
tecnologia do centro. A semiperiferia 
atua como um amortecedor entre os 
choques do centro e da periferia. 
 
Wallerstein argumenta que a mobilidade 
dentro desse sistema é baixa, e que para 
um país mudar de categoria, é 
necessária uma revolução estrutural na 
economia.

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