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sistemas silviculturais
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Biologia Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e MucuriUniversidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri

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## Resumo do Plano de Maneio Comunitário dos Recursos Florestais da Comunidade de NdombeO **Plano de Maneio Comunitário dos Recursos Florestais da comunidade de Ndombe** é um documento técnico elaborado no âmbito do Programa Conjunto das Agências das Nações Unidas para Valorização Ambiental e Adaptação às Mudanças Climáticas no Distrito de Chicualacuala, província de Gaza, Moçambique. Liderado pela FAO, o plano visa garantir o uso sustentável dos recursos florestais da região, incluindo madeira, estacas, lenha, carvão, além de produtos alimentares vegetais e animais. O processo de elaboração do plano foi participativo, envolvendo a comunidade local em diversas etapas, desde o inventário florestal até a definição do sistema de manejo e regulamentos de uso da floresta.### Contexto e MetodologiaO plano é resultado de um trabalho técnico e social realizado entre maio de 2009 e março de 2010, que incluiu estudos socioeconômicos, delimitação das áreas comunitárias, inventário dos recursos florestais, análise do rendimento dos fornos de carvão e estudo de mercado dos produtos florestais. A participação ativa da comunidade foi fundamental, especialmente no inventário florestal, onde 20 membros locais foram treinados para aplicar e replicar a metodologia simplificada de inventário, promovendo o conhecimento e apropriação do manejo florestal sustentável. Além disso, foram realizadas várias atividades participativas para discutir e elaborar conjuntamente o sistema de manejo, regulamento de uso e organização comunitária.### Âmbito Geográfico e BiofísicoA área de manejo está localizada na margem esquerda do rio Limpopo, próxima à confluência com o rio Muenedzi, a cerca de 30 km do posto administrativo de Mapai, no distrito de Chicualacuala. A delimitação da área comunitária de Ndombe é provisória, com fronteiras definidas em relação às comunidades vizinhas de Madulo, Chicualacuala Rio, Chissapa e Mapai Estação, baseadas em pontos georreferenciados e características naturais como rios e estradas. O território apresenta três zonas topográficas principais: a planície do vale do rio Limpopo, o planalto Mananga e a zona das encostas entre eles. O clima é caracterizado como savana seca, com precipitação média anual em torno de 400 mm, concentrada no verão, e alta variabilidade que influencia diretamente a sustentabilidade dos recursos florestais e as estratégias produtivas locais.Os solos predominantes são arenosos, derivados de depósitos quaternários e terciários, com variações locais em fertilidade e capacidade de retenção de água. A hidrologia é marcada por uma rede de drenagem ampla e imperfeita, com lagoas e áreas sazonalmente inundáveis. A vegetação é composta principalmente por três tipos de florestas dominadas por espécies indicadoras: florestas de Cimbire (Androstachys jonhsonii), Mopane (Colophospermum mopane) e Chacate Preto (Guibourtia conjugata), além de florestas ribeirinhas mistas associadas aos cursos d’água.### Aspectos Técnicos e Legais do Manejo FlorestalHistoricamente, a exploração florestal na região foi intensa durante o período colonial e nos primeiros anos pós-guerra, especialmente para madeira serrada de espécies valiosas como Chanfuta (Afzelia quanzensis), que hoje está praticamente dizimada. Atualmente, a exploração comercial ainda ocorre, principalmente para produção de carvão a partir do Mopane, mas as espécies de maior valor madeireiro estão escassas, tornando inviável um manejo sustentável baseado nelas.O manejo florestal racional e sustentável, conforme definido pela legislação moçambicana e por conceitos internacionais, busca equilibrar os benefícios econômicos, sociais e ambientais, garantindo a continuidade da produção, rentabilidade, respeito à lei, acesso a mercados de alto valor e conservação da floresta. O sistema de manejo recomendado para florestas tropicais secas, como as de Ndombe, é o policíclico com cortes seletivos, que permite a coexistência de árvores de diferentes idades e mantém a estrutura e microclima da floresta, evitando degradação e promovendo regeneração contínua.A silvicultura, parte essencial do manejo, envolve intervenções para melhorar a qualidade do povoamento, eliminando árvores de baixa qualidade e protegendo a regeneração, especialmente contra incêndios. Técnicas como desbaste seletivo, enriquecimento com espécies comerciais e anelamento de árvores são recomendadas para favorecer o crescimento e a sustentabilidade do sistema florestal.Legalmente, o manejo comunitário está integrado na legislação nacional, incluindo a Lei de Terra (1997), Lei do Meio Ambiente (1997) e Lei de Florestas e Fauna Bravia (1999). O plano reconhece a necessidade de adaptar alguns parâmetros legais, como os diâmetros mínimos de corte, para as condições ecológicas específicas da região, onde muitas espécies atingem maturidade com diâmetros menores que os estabelecidos pela lei. Essa adaptação é crucial para permitir o uso sustentável de espécies como Chacate Preto, Mopane e Cimbire, que, de outra forma, ficariam sem aproveitamento formal, incentivando a exploração informal e desordenada.### Organização Comunitária e ImplementaçãoO plano enfatiza a gestão comunitária do manejo florestal, com a participação ativa da população local na fiscalização, uso e conservação dos recursos. Prevê-se a criação de regulamentos de uso da floresta, zoneamento das áreas de manejo e definição do corte anual admissível para diferentes tipos de produção, como carvão e madeira serrada. A implementação será acompanhada por monitoria contínua e planejamento operacional de curto prazo, garantindo a adaptação e correção das práticas conforme necessário.### ConclusãoO Plano de Maneio Comunitário dos Recursos Florestais de Ndombe representa um esforço integrado e participativo para garantir a sustentabilidade dos recursos florestais em uma região ecologicamente sensível e socialmente dependente da floresta. Ao combinar conhecimento técnico, legislação adaptada e envolvimento comunitário, o plano busca promover o uso racional dos recursos, a conservação ambiental e o desenvolvimento socioeconômico local, enfrentando desafios como a escassez de espécies valiosas, condições climáticas adversas e pressões econômicas.---## Destaques- O plano foi elaborado com ampla participação comunitária, incluindo treinamento e execução de inventário florestal participativo.- A área de manejo está localizada no distrito de Chicualacuala, com delimitações provisórias baseadas em pontos georreferenciados e características naturais.- O manejo florestal sustentável proposto utiliza o sistema policíclico com cortes seletivos, preservando a estrutura e regeneração contínua da floresta.- A legislação nacional é integrada ao plano, mas com adaptações propostas para diâmetros mínimos de corte, considerando as condições ecológicas locais.- O plano prevê organização comunitária para gestão, fiscalização e uso racional dos recursos, com monitoria e planejamento operacional para garantir a sustentabilidade.

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