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Prof. Adjuto de Eudes Fabri
Dificuldades e Transtornos
de Aprendizagem
Aula 1
Diferentes concepções
de aprendizagem 
O pensamento grego embasa a construção 
dos conceitos que envolvem a aprendizagem. 
Destaca-se a influência platônica e a 
influência aristotélica, bem como seus 
impactos nos processos psicológicos e
nas ações pedagógicas
Platão (2001) retrata sua teoria da 
reminiscência no diálogo entre Sócrates e 
Mênon, em que a questão chave envolvia
se a virtude poderia ou não ser ensinada. 
Platão expressa nas palavras de Sócrates
que nada pode ser aprendido e que todo o 
conhecimento provém de nossa alma
Aristóteles (1996) – embora tenha sido aluno 
da escola de Platão, inverte a concepção 
platônica/socrática. Por exemplo, em relação 
à virtude, Aristóteles considerava que ela era 
uma prática, um hábito, fruto de um processo 
de ensino. Aristóteles (1996, p. 33) também 
associava a aprendizagem ao processo de 
imitação, argumentando que “Imitar é 
natural ao homem desde a infância”
August Comte (1983) foi expoente do 
movimento positivista, cuja doutrina filosófica 
considera que o conhecimento científico deve ser 
pautado pela observação dos fatos que regem 
todo e qualquer fenômeno. A comprovação
é o meio para a aprendizagem e depende da 
experiência, do rigor metodológico embasado
na repetição e padronização durante uma 
investigação científica
1.1 Positivismo
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Karl Heinrich Marx influenciou o movimento 
filosófico denominado materialismo
histórico-dialético ou – como é mais conhecido
– Marxismo. Esta concepção filosófica realça o 
caráter concreto da consciência como elemento 
para o entendimento do indivíduo e da 
sociedade, conforme expõem Marx e Engels 
(1965) em “A Ideologia Alemã": “A vida não
é determinada pela consciência, mas esta pela 
vida” (Marx e Engels (1965, p. 25-26) 
1.2 Marxismo
A Fenomenologia se constitui a partir das 
elaborações de Edmund Husserl, que entende 
o fenômeno como tudo aquilo que aparece à 
consciência do ser humano e aponta para 
uma realidade. O fenômeno é, então, uma 
aparência da realidade, na consciência, no 
sentido de algo que não dá a realidade, mas 
oculta-a, encobre-a
1.3 Fenomenologia
Psicologia comportamental
A proposta da Psicologia Behaviorista 
(Comportamental) de Burrhus
Frederic Skinner visa a melhor 
adaptação possível do indivíduo
ao sistema educativo tal como
se coloca tradicionalmente
Pretende um sujeito mais apto a lidar com 
os controles sociais e capaz de exercer o 
"contra-controle", tal fato só será possível 
à medida que for possibilitado ao sujeito 
um amplo repertório de comportamentos 
verbais (os conhecimentos, dentro desta 
abordagem) e o domínio de técnicas 
socialmente utilizadas
O condicionamento respondente está 
relacionado aos reflexos, tendo por base
os experimentos de Ivan Petrovich Pavlov 
realizados com cachorros, em estudos
sobre a salivação. São condicionamentos
nos quais o sujeito não tem ação ativa,
são involuntários (eliciados)
2.1 Condicionamento respondente
e condicionamento operante
3
O condicionamento operante está 
relacionado às ações do sujeito sobre o 
meio, ou seja, ele busca compreender uma 
determinada atividade ou conhecimento e 
isso possibilita a aprendizagem de novos 
comportamentos de modo voluntário
2.1 Condicionamento respondente
e condicionamento operante
O reforço, seja ele positivo ou negativo,
tem como finalidade fortalecer um ou mais 
comportamentos
O reforço positivo acrescenta um estímulo
extra e recompensador que implique em
ganhos desejáveis por parte dos sujeitos
O reforço negativo gera um estímulo aversivo, 
pois retira um ganho que o sujeito já possuía 
2.2 Reforço positivo e reforço negativo
A modelagem é um processo de 
aprendizagem que ocorre gradativamente
por aproximações sucessivas em busca de 
uma resposta consistente para um problema.
Ela pode ocorrer ao acaso. Contudo, se a 
modelagem for elaborada por meio de um 
processo de aprendizado regular e planejado, 
haverá ganhos consistentes para o aprendiz
2.3 Modelagem
Psicologia da forma/figura
A palavra gestalt tem origem germânica e pode 
ser traduzida como forma ou figura, tendo como 
ênfase a compreensão de fenômenos subjetivos 
e sociais a partir de sensações e percepções
do indivíduo. Esses parâmetros constituíram
os princípios que envolvem a Psicologia da 
Gestalt, desenvolvida por Wolfgang Köhler,
Max Wertheimer e Kurt Koffka
Psicologia da Gestalt considera que o 
conhecimento é anterior à experiência e se 
embasa na organização de estruturas cognitivas, 
que já estão previamente formadas no sujeito
O tema central da Psicologia da Gestalt é a 
percepção, que considera a disposição de 
diferentes fenômenos para a organização 
perceptiva do indivíduo, que irá agir 
cognitivamente sobre elementos unitários 
para compor a totalidade
A percepção do todo não é um processo de 
simples junção das partes que o compõem 
um elemento ou fenômeno
3.1 Percepção
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A palavra insight refere a um modo imediato de 
compreensão de um determinado fenômeno em 
sua totalidade
Assim, a Psicologia da Gestalt destaca que o 
insight envolve uma sensação que permite uma 
solução para um problema vivido pelo indivíduo, 
sendo caracterizado inicialmente por hipóteses 
sem consistência, que ao agregarem diversas 
informações podem chegar a uma percepção
e a uma conclusão adequada
3.2 Insight
Psicologia cognitiva
O cognitivismo tem por base, especialmente, 
os conceitos da Epistemologia Genética de 
Jean Piaget e seu construtivismo
A opção investigativa de Piaget (1995) não 
se foca nas condições externas que envolvem 
a produção e a elaboração do conhecimento, 
ele defende que é a atividade da criança que 
produz o conhecimento e essa atividade não 
decorre das pressões do mundo externo
Jean Piaget (1896-1980) foi biólogo, filósofo, 
epistemólogo, psicólogo e pesquisador
Desenvolveu pesquisas relacionadas
ao desenvolvimento da criança e do 
adolescente, com a finalidade de explicar 
como os conhecimentos são construídos e 
como a pessoa pensa os problemas de seu 
cotidiano 
4.1 Jean Piaget
Piaget (1999) desenvolveu sua teoria do 
desenvolvimento, considerando o processo 
biológico e maturacional que a criança vem
a ter ao longo de sua vida. Ele considerou 
aspectos que envolvem a ação da criança no 
mundo e seu grau de interação com os objetos
À medida que a maturidade cognitiva
avança na criança, maior é sua ação
em busca de descobertas 
4.2 Teoria do desenvolvimento
O estágio sensório-motor ocorre de 0 a 2 
anos e é dominado pelos reflexos
A maturidade cognitiva avança e propicia à 
criança o domínio sensorial e perceptivo de 
sua realidade, fazendo com que sua 
motricidade também ganhe em qualidade. 
Para Piaget (2011), a inteligência surge 
antes da linguagem e se caracteriza como 
inteligência prática
4.2.1 Estágio sensório-motor
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Este estágio vai dos 2 aos 6-7 anos,
sendo caracterizado pelo surgimento
da inteligência representativa
Piaget (1999) considera que esse 
processo envolve o pensamento 
egocêntrico, em que a criança se volta 
para si e ignora situações a sua volta
4.2.2 Estágio pré-operatório
As operações concretas ocorrem dos 6-7 aos 
11-12 anos, tendo como ênfase a solução 
lógica dos problemas com base na lógica
A criança se liberta do comportamento 
egocêntrico fazendo uso de conceitos
de reversibilidade, o que lhe possibilita 
elaborar novas ações e ampliar o seu 
processo intelectual
4.2.3 Estágio operatório-concreto
Este estágio vai dos 11-12 anos e segue ao 
longo da vida. Tem como característica 
principal o domínio das representações 
lógicas e do raciocínio hipotético-dedutivo
O jovem passa a operar de modo reflexivo 
com o uso de hipóteses, construindo assim 
um processo mental de representação sobre 
representações, o que destaca a capacidade 
de operar sem o objeto físico concreto
4.2.4 Estágio operatório-formal
Psicologia histórico-cultural
e psicogênese
Nas teorias psicossociais, dois psicólogos
se destacam: Lev Semionovich Vigotski
(1896-1934)e Henry Wallon (1879-1962). 
Ambos procuram entender o 
desenvolvimento humano a partir da 
aprendizagem e das experiências culturais
Para eles, as experiências sociais propiciam
o amadurecimento do indivíduo e destacam 
que a qualidade do estímulo propicia um 
melhor desenvolvimento, seja ele motor, 
cognitivo, emocional ou social
Lev Semionovich Vigotski (1896-1934) estudou 
os processos psicológicos superiores, destacando 
as relações de ensino-aprendizagem mediados 
por uma pessoa que domina um determinado 
conhecimento e propicia ao aprendiz o domínio 
desde conteúdo
A Psicologia de Vigotski é conhecida como 
Psicologia Histórico-Cultural (ou Psicologia 
Sócio-Histórica) e valoriza a construção da 
consciência com base realidade social e cultural
5.1 Lev Semionovitch Vigotski
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A crise pós-natal vai de 0 a 1 ano e envolve o 
domínio de funções básicas para a sobrevivência 
e também o início de ações motoras limitadas
A criança vai se adaptando ao ambiente social
e cultural, construindo nas interações sua 
identidade. Ela é passiva nos primeiros meses, 
embora observa-se o mundo ativamente e 
procura estabelecer vínculos cooperativos
com seus cuidadores
5.1.1 Crise pós-natal
A crise de um ano vai de 1 a 3 anos
Domínio do andar: conquistas como
sentar, engatinhar, apoiar e andar
Domínio da linguagem:
balbucio, uso de palavras incompletas e 
interesses em relações com os adultos
Domínio da vontade: compreensão de
como as pessoas e comportamentos de 
protestos quando não é compreendida
5.1.2 Crise de um ano
Crise dos três anos (3 a 7 anos) - a criança 
apresenta comportamentos, como: 
negativismo - oposição em relação
aos pedidos dos adultos; teimosia -
exigências para que seja atendida;
rebeldia – protesto às regras; e 
insubordinação - busca por independência
5.1.3 Crise dos três anos e
crise dos sete anos
Crise dos sete anos (7 a 13 anos) - há a 
perda da espontaneidade, com presença de 
melhor nível de consciência, com processos 
intelectuais constituídos por significados e 
análises do contexto social e cultural
5.1.3 Crise dos três anos e
crise dos sete anos
Henry Paul Hyacinthe Wallon (1879-1962) se 
formou em Medicina e trabalhou no campo 
das deficiências neurológicas e distúrbios de 
comportamento, desenvolvendo interesse 
pela busca de qualidade de vida dos 
indivíduos, o que o aproximou de modo 
intenso da Psicologia
5.2 Henri Wallon
Impulsivo-emocional (0 a 1 ano) - com 
predomínio da emoção e do movimento.
A criança apresenta impulsividade motora, 
reações fisiológicas (gritos, espasmos e 
contrações) e reage em reciprocidade ao seu 
contexto social, com sorriso voluntário e 
exploração do corpo
5.2.1 Estágio impulsivo-emocional e 
estágio sensório motor e projetivo
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Estágio motor e projetivo (1 a 3 anos) - a 
criança apresenta um comportamento de 
curiosidade e exploração, melhorando suas 
habilidades e organizando movimentos de 
agarrar, manipular e arremessar
5.2.1 Estágio impulsivo-emocional e 
estágio sensório motor e projetivo
O estágio do personalismo (3 a 6 anos) –
nele ocorre a formação do caráter, as 
relações afetivas, a autoconsciência
e a crise de oposição. Este processo 
impulsiona comportamentos de 
independência e ações de confronto,
que geram na criança a necessidade
de responsabilizar-se pelo que faz
Estágio do personalismo 
Pensamento categorial (6 e 11 anos) - nele 
predomina a racionalidade, autonomia e a 
autodisciplina mental. A criança diferencia o 
que é seu do que é dos outros e apresenta 
qualidade nos processos mnemônicos, o 
contribui para o bom desempenho acadêmico
5.2.3 Estágio do pensamento categorial e 
estágio da puberdade e adolescência
O estágio da puberdade e adolescência
(11 anos em diante) - com presença de
crises relacionadas à puberdade e 
questionamentos sobre seu futuro,
além do processo de tomada de consciência 
5.2.3 Estágio do pensamento categorial e 
estágio da puberdade e adolescência

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