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FORMAÇÃO CIDADÃ CONTEMPORÂNEA AULA 2 Prof. Mauro Seigi Hashimoto 2 CONVERSA INICIAL Nesta etapa, iniciaremos uma série de temas importantes. A formação cidadã abrange temas fundamentais que vão além disciplinas específicas, visando proporcionar uma compreensão mais ampla e integrada do conhecimento. Os temas de ética, democracia, cidadania, estado, sociedade e trabalho são pilares essenciais para a formação geral dos estudantes, refletindo não apenas conteúdos, mas valores e perspectivas importantes para a atuação cidadã e profissional. Então, confira o material, acesse as videoaulas e não deixe de acompanhar as indicações para aprofundar o seu conhecimento. CONTEXTUALIZANDO A ética permeia todas as esferas da vida e do conhecimento. No contexto acadêmico, ela envolve a conduta responsável na pesquisa, no compartilhamento do conhecimento e na interação entre os membros da comunidade educacional. Além disso, a ética é fundamental para orientar escolhas e ações tanto no âmbito profissional quanto na participação ativa na sociedade. A compreensão da democracia e da cidadania é crucial para a formação geral dos estudantes. Estudar a estrutura democrática de um Estado, seus princípios e práticas permite aos estudantes desenvolverem uma visão crítica sobre os sistemas políticos. A cidadania, por sua vez, está intrinsecamente ligada à participação ativa na sociedade, promovendo o entendimento dos direitos e deveres dos cidadãos. O estudo do Estado e sua relação com a sociedade é essencial para entender como as instituições públicas impactam a vida dos cidadãos. Analisar a estrutura do Estado, suas funções e a interação com diferentes segmentos da sociedade proporciona uma visão abrangente do papel do poder público na promoção do bem-estar social e na garantia de direitos. O tema do trabalho transcende a esfera econômica, sendo essencial para a compreensão das relações laborais, da divisão do trabalho e do impacto do trabalho na construção da identidade e da sociedade. Uma abordagem integrada sobre o trabalho permite aos estudantes relacionar questões econômicas, sociais e éticas no contexto profissional e pessoal. 3 Ao integrar esses temas na formação geral, os estudantes são capacitados a enxergar as interconexões entre ética, democracia, cidadania, Estado, sociedade e trabalho. Essa abordagem promove uma visão abrangente do conhecimento, preparando os futuros profissionais para enfrentar desafios complexos com uma compreensão mais global e reflexiva, contribuindo para uma atuação cidadã consciente e ética em suas respectivas áreas de atuação. TEMA 1 – ÉTICA Quando falamos de ética, automaticamente também falamos de moral, e muitas pessoas confundem seus significados. Por isso neste tópico vamos entender o que é Ética e Moral, entender seus conceitos e como influencia nosso comportamento e nossas decisões. E você sabe qual é a diferença entre Ética e Moral? A Ética é uma área da Filosofia que estuda os fundamentos da moral, ou seja, das normas, valores e virtudes que orientam o comportamento humano. É por meio da ética que refletimos e compreendemos o que é moralmente certo ou errado, justo ou injusto, bom ou mau, e como devemos agir diante dessas questões. É pela Ética que refletimos e começamos a indagar sobre o significado, a origem e o valor dos costumes e comportamentos humanos. Seu propósito é refletir sobre os fundamentos morais, buscando compreender as características pessoais que moldam as virtudes e os vícios que cada indivíduo pode manifestar. Essa compreensão abrange tanto o senso moral quanto a consciência moral de cada pessoa. O senso moral é a forma como os indivíduos avaliam as ações e comportamentos das outras pessoas. É pelo senso moral que distinguimos o que é certo do que é errado. O senso moral não é inato, ou seja, não nascemos com ele, que é adquirido e é desenvolvido ao longo da vida por meio da educação, do convívio social e do aprendizado dos valores e normas da sociedade. Já a consciência moral é a capacidade que as pessoas têm de reconhecer e refletir sobre a conduta de suas ações. É pela consciência moral que avaliamos nossas ações de acordo com nossos valores e princípios individuais. A consciência moral é influenciada pelo senso moral, e por fatores como a cultura, a educação e experiência pessoal. 4 Segundo a filósofa Marilena Chaui (2005), o senso moral e a consciência moral estão relacionados a valores fundamentais, tais como justiça, honestidade, espírito de sacrifício, integridade e generosidade. Além disso, estão associados aos sentimentos que esses valores provocam, como admiração, vergonha, culpa, remorso, contentamento, cólera, amor, dúvida e medo. Então as decisões e ações que tomamos e que têm repercussões para nós e para os outros estão intrinsecamente ligadas a esses valores e sentimentos. Agora que temos essas informações, podemos entender que a Ética busca compreender tanto o senso moral quanto a consciência moral das pessoas. Além disso, a Ética nos leva a questionar e refletir sobre os valores e princípios morais que direcionam nossas ações. Por meio dessa reflexão, conseguimos discernir sobre o que é certo ou errado, aprofundando nossa compreensão do que é moralmente correto, e buscar aprimorar nosso caráter visando à realização de uma vida pautada pela ética. A Moral, por sua vez, diz respeito ao conjunto de normas, valores e princípios que orientam o comportamento humano dentro de uma sociedade, cultura ou grupo específico. Ela engloba os costumes, crenças e tradições que direcionam as ações e interações dos indivíduos em um determinado tempo e contexto. A Moral está ligada às regras e à conduta das pessoas que sejam consideradas adequadas ou desejáveis em uma sociedade, podendo ser expressa por meio das tradições culturais, normas sociais, leis e religiões (Cotrim, 2006, p. 243). Você sabia que a Moral pode variar de uma cultura para outra? Cada povo ou sociedade pode ter sua própria cultura, com regras e tradições próprias. Além disso, a moral de uma sociedade pode mudar com o passar do tempo. A Moral também pode ser influenciada por diversos fatores, como a religião, a tradição, a história e as condições sociais. Ademais, as normas morais são transmitidas de geração em geração, desempenhando um papel fundamental na formação das atitudes e comportamentos dos indivíduos dentro de uma sociedade. Diferente da moral, a Ética possui um caráter universal, e é por meio dela que iremos refletir sobre os princípios e fundamentos da moralidade humana, independente da cultura ou sociedade. Seu foco está nas questões que envolvem o que é considerado certo ou errado, bom ou mau, justo ou injusto, buscando compreender as bases dessas normas e valores. 5 1.1 Teorias éticas A Ética como disciplina da Filosofia procura analisar e questionar as diversas concepções morais presentes na sociedade, examinando os sistemas morais construídos ao longo do tempo pelos seres humanos. Ela busca compreender as razões por trás das normas e leis que governam o comportamento humano, explicando os pressupostos filosóficos e concepções sobre a natureza humana e a existência que sustentam esses sistemas morais (Cotrim, 2006, p. 243). É importante você saber que a ética possui diversas teorias propostas por diferentes filósofos desde a antiguidade. Iremos abordar três dessas teorias: a ética das virtudes (Aristóteles); a ética do dever (Kant); e o utilitarismo (Bentham e Mill), que são essenciais para o seu estudo nesta temática. 1. Ética das Virtudes é uma teoria ética que diz que a moralidade de uma ação é determinada pela virtude e pelo caráter do indivíduo. Essa teoria ética foi desenvolvida pelo filósofo Aristóteles, que acreditava que o fim último do homemé a felicidade, que é alcançada por meio das virtudes, as quais são hábitos que nos permitem agir de forma correta e virtuosa. Aristóteles acreditava que a felicidade é alcançada por meio da vida virtuosa. Uma pessoa virtuosa é aquela que é capaz de agir de forma correta e justa e que vive de acordo com sua natureza humana. A Ética das virtudes concentra-se no desenvolvimento do caráter moral e na busca pela excelência pessoal. Ao invés de priorizar a análise de ações individuais, a ética das virtudes valoriza a formação de hábitos e disposições virtuosas. Aristóteles também enfatizou a importância das virtudes éticas (coragem, temperança e justiça) e das virtudes intelectuais (sabedoria, ciência, compreensão, prudência, arte e coragem intelectual). 2. Ética do Dever é uma teoria ética que diz que a moralidade de uma ação é determinada por seu dever, ou seja, por sua conformidade com um princípio moral universal. Essa teoria foi desenvolvida pelo filósofo Immanuel Kant, que acreditava que a moralidade é fundamentada na razão prática, que é a capacidade humana de agir com base em princípios universais e racionais. A razão prática nos permite distinguir entre o certo e o errado, o bom e o mau. Ela nos diz que 6 devemos agir de acordo com princípios que possam ser universalizados, ou seja, que possam ser aplicados a todos os seres humanos, sem exceção. Kant também acreditava que a moralidade é fundamentada no respeito pelo imperativo categórico, que é um princípio moral que diz que devemos agir de acordo com princípios que podemos querer que se tornem leis universais. Além disso, Kant acreditava que as pessoas devem ser tratadas como fins em si mesmas, não apenas como meios para alcançar nossos objetivos. Isso significa que devemos respeitar a dignidade de todos os seres humanos, independentemente de suas diferenças. 3. Utilitarismo é uma teoria ética que diz que a moralidade de uma ação é determinada pelas suas consequências. Para o utilitarismo uma ação é moralmente correta se ela produzir o maior bem-estar para o maior número de pessoas. Os principais filósofos ligados a essa corrente são: Jeremy Bentham considerado o fundador do utilitarismo clássico, ele argumentava que a moralidade deve ser avaliada pelo princípio da utilidade, buscando o maior prazer e a menor dor para o maior número de pessoas possível. John Stuart Mill, discípulo de Bentham, trouxe uma nova concepção ao diferenciar prazeres superiores e inferiores. Ele argumentou que ações éticas são aquelas que contribuem para a felicidade geral e para o desenvolvimento humano em sua totalidade. Com todas essas informações, podemos compreender que a Ética envolve a reflexão crítica sobre temas complexos, como a moralidade, o livre- arbítrio, a natureza do bem e do mal, as bases da justiça, da igualdade etc. Além disso, a Ética fornece condições teóricas para a compreensão dos valores éticos e de analisar para encontrar soluções para os diversos dilemas enfrentados pelos indivíduos e pela sociedade. TEMA 2 – DEMOCRACIA Ao longo da trajetória da humanidade, diversas formas de legitimar o poder foram adotadas. Por exemplo, nas monarquias hereditárias, o poder é transmitido de uma geração para outra. Na teocracia, a legitimidade provém da vontade divina. Nos governos aristocráticos, apenas os privilegiados desempenham funções de poder e de acordo com a natureza da aristocracia, aqueles que exercem o poder, podem ser os mais ricos, os mais fortes ou os nobres. 7 Você sabia que na Democracia, o poder legítimo emana do povo? Sim, é verdade! Na Democracia, a legitimidade do poder emana da vontade do povo. A discussão sobre a legitimidade do poder é fundamental, pois o dever de obedecer será apenas ao poder legítimo, pois na Democracia a obediência é voluntária e livre. Em casos contrários, surge na sociedade o direito de se opor e resistir. Etimologicamente, a palavra Democracia tem origem em dois termos gregos, demos (povo) e kratia (governo, poder), tendo como significados: “Forma de governo em que a soberania é exercida pelo povo” e “Sistema de governo em que cada cidadão tem sua participação” (Dicionário Michaelis, 2023). Os atenienses foram os pioneiros na concepção de uma democracia ideal, na qual os cidadãos tinham a capacidade de influenciar as decisões da polis (cidade-estado grega). Essa tradição democrática também estabeleceu três direitos fundamentais que caracterizavam o cidadão: a igualdade, a liberdade e a participação no poder. A igualdade implica que todos os cidadãos possuem os mesmos direitos perante a lei e os costumes, e que todos os indivíduos devem ser tratados igualmente perante a lei. Aristóteles defendia que a justiça tinha como objetivo igualar os desiguais. Marx afirmava que a verdadeira igualdade só se concretizaria quando não houvesse mais escravos, servos ou trabalhadores explorados. Com essas afirmações podemos perceber que simplesmente declarar o direito à igualdade não cria a igualdade em si, porém abre caminho para a possibilidade de sua construção. A liberdade significa que todo cidadão tem o direito de expressar publicamente suas opiniões e interesses. A Revolução Inglesa de 1644 e a Revolução Francesa de 1789 foram essenciais para o entendimento e a luta pela liberdade, e os conceitos de liberdade de pensamento, expressão e independência ampliaram ainda mais o próprio conceito de liberdade. Já pelos movimentos socialistas, a luta pelo direito de liberdade se estendeu, trazendo a perspectiva de combater todas as formas de tirania, censura e tortura. A participação no poder refere-se ao direito de todos os cidadãos contribuírem nas discussões e deliberações públicas da sociedade, principalmente por meio do voto. Esse direito abrange toda a coletividade, com a ação coletiva, em que todos os cidadãos têm a capacidade de opinar e decidir, 8 tornando as decisões coletivas em relação aos interesses e direitos da sociedade. 2.1 Tipos de democracia É importante saber que existem diferentes tipos de Democracia, entre as quais se destacam: a Democracia Direta, a Democracia Indireta e a Democracia Semidireta. A Democracia Direta é aquela em que a participação não ocorre por meio de representantes, mas sim com a presença direta de todos os cidadãos. Este modelo foi experimentado em Atenas, na Grécia Antiga, onde os cidadãos se reuniam na Ágora, uma praça, para tomar decisões políticas. Nesse contexto, todos os cidadãos desfrutavam do direito de expressar-se (isegoria) e de serem governados pelas mesmas leis (isonomia). No entanto, à medida que as sociedades cresceram numericamente, a complexidade organizacional tornou a Democracia Direta impraticável. A Democracia Indireta, envolve o exercício indireto do poder, ou seja, é representativa. Devido à impossibilidade da participação pessoal e direta de todos os cidadãos em uma sociedade, o poder político é exercido por meio de representantes escolhidos pelos cidadãos. Na democracia moderna, a participação tornou-se indireta, sendo realizada por meio da seleção de representantes que se reúnem em instituições como o Parlamento, a Câmara, o Congresso, a Assembleia ou as Cortes. O jurista José Afonso da Silva (2022) aborda essa temática, destacando que a democracia representativa implica um conjunto de instituições que regulam a participação popular no processo político, formando os direitos políticos que caracterizam a cidadania, como eleições, sistema eleitoral e partidos políticos. A Democracia Semidireta, também conhecida como Democracia Participativa, possui as características da Democracia direta e da indireta. Nesse modelo, o poder político pertence aos cidadãos e é exercido por seus representantes, assemelhando-se à Democracia Representativa. Então, a Democracia Semidireta é definida pela presença ativa e diretados cidadãos nas decisões fundamentais do Estado, utilizando instrumentos legalmente reconhecidos por cada sistema jurídico. Segundo Bobbio (2004), a Democracia Semidireta estabelece um equilíbrio entre a representação política 9 e a soberania popular direta, tornando-se, assim, um sistema potencialmente mais bem-sucedido do que as formas puramente direta ou indireta. No Brasil, foi adotado a Democracia Semidireta na Constituição Federal de 1988. Com isso adotou-se o termo Democracia Participativa, sendo definida no parágrafo único do artigo 1º da Constituição Federal de 1988. Com isso, é direito do cidadão poder participar diretamente no exercício do poder, sem a necessidade de representação, podendo aprovar ou rejeitar uma norma ou política pública. 2.2 Formas de participação popular Os meios pelos quais os cidadãos podem se envolver diretamente nas decisões do Estado brasileiro estão no art. 14 da Constituição de 1988. Com isso, em situações específicas, a população exerce diretamente o poder, semelhante à Democracia Direta, por meio do plebiscito, referendo ou iniciativa popular. Basicamente, o plebiscito e o referendo são consultas públicas feita aos cidadãos, para decisões sobre matérias de alta relevância e com natureza constitucional, legislativa ou administrativa. No Brasil o primeiro plebiscito ocorreu em 1963, convocando os cidadãos a se pronunciarem sobre o sistema de governo, optando entre presidencialismo e parlamentarismo. Outro plebiscito ocorreu em 1993, no qual os cidadãos foram às urnas para decidir tanto a forma de governo (república ou monarquia) quanto o sistema de governo (presidencialismo ou parlamentarismo). No plebiscito de 1993, a maioria dos cidadãos optou por manter a república e o sistema presidencialista. Em 2005, no Brasil, ocorreu um referendo no qual os cidadãos foram consultados sobre a decisão de manter ou rejeitar a proibição da comercialização de armas de fogo em todo o território nacional. Com os resultados desse referendo, o comércio de armas de fogo e munição permaneceu permitido no Brasil. A Iniciativa Popular de Lei refere-se à capacidade dos próprios cidadãos de iniciar o processo legislativo com o objetivo de criar uma lei. Em outras palavras, um grupo de cidadãos pode apresentar um projeto de lei ou uma sugestão de reforma constitucional, sendo necessário um número específico de assinaturas para viabilizar essa iniciativa. Um exemplo de Iniciativa Popular foi a 10 que originou a Lei da Ficha Limpa (Lei Complementar n. 135/2010). Essa lei estabelece a inelegibilidade por oito anos de um candidato que tenha seu mandato cassado, renuncie para evitar a cassação ou seja condenado por decisão de um órgão colegiado, mesmo que ainda haja a possibilidade de recursos. Com isso, vimos a importância da Democracia Participativa. Quando os cidadãos participam diretamente das decisões, eles têm a oportunidade de expressar suas opiniões e interesses, o que ajuda a garantir que as políticas públicas sejam mais adequadas às necessidades da população. Além disso, a Democracia Participativa ajuda a fortalecer a cidadania e a participação política, pois quando os cidadãos têm a oportunidade de participar das decisões governamentais, eles se sentem mais envolvidos na vida política e desenvolvem um maior senso de responsabilidade. TEMA 3 – CIDADANIA A Cidadania está relacionada aos direitos do cidadão, ou seja, é a condição de pertencer a uma nação, o que implica em ter direitos e deveres e poder participar ativamente da vida e do governo da sua nação. No mundo moderno, a cidadania é um direito de todos os seres humanos, independentemente de sua origem, raça, religião ou gênero. A cidadania é um dos pilares das democracias modernas, pois garante que todos os cidadãos tenham voz nas decisões que afetam suas vidas. No âmbito dos direitos, a cidadania confere uma gama de direitos fundamentais, como o direito à vida, à liberdade, à igualdade perante a lei, à propriedade, à expressão e à participação política. Esses direitos não apenas delineiam a base de uma sociedade justa, mas também estabelecem o terreno para a autonomia e a dignidade dos cidadãos. Os direitos e deveres da cidadania podem ser divididos em três categorias: 1. Direitos civis: são os direitos que protegem a liberdade individual, como o direito à vida, à liberdade, à igualdade, à propriedade e à expressão; 2. Direitos políticos: são os direitos que permitem aos cidadãos participar da vida política, como o direito ao voto, ao direito de associação e ao direito de reunião; 11 3. Direitos sociais: são os direitos que garantem a igualdade de oportunidades e o bem-estar social, como o direito à educação, à saúde, ao trabalho e à moradia. A Cidadania possui um conceito dinâmico que se adapta às mudanças sociais e políticas. Nos últimos anos, tem crescido a preocupação com a cidadania de forma global, devido à ideia de que todos os seres humanos, independentemente de sua nacionalidade, têm direitos e deveres comuns. Saiba que Cidadania é um conceito importante para o desenvolvimento de sociedades justas e inclusivas. Quando os cidadãos são conscientes de seus direitos e deveres, eles podem participar de forma mais ativa da vida política e social, o que contribui para o fortalecimento da democracia e da justiça social. Contudo, apesar de ser um direito fundamental, a cidadania ainda é um desafio para muitos países do mundo. Veja alguns exemplos: • A desigualdade social: a desigualdade social pode impedir que alguns grupos sociais tenham acesso aos direitos e deveres da cidadania; • A corrupção: a corrupção pode impedir que o governo represente os interesses de todos os cidadãos; • O autoritarismo: o autoritarismo pode restringir os direitos e deveres da cidadania. 3.1 Como exercer a cidadania Para enfrentar os diversos desafios, como podemos exercer a cidadania? Primeiro, você deve saber que o exercício da cidadania vai além do cumprimento de obrigações legais. Isso implica, por exemplo, participar ativamente na sociedade, exercendo seus direitos e deveres como cidadãos. Estar inserido na vida política e social, para defender seus interesses e contribuir com o desenvolvimento da sociedade. Veja como podemos exercer nossa cidadania: • Votar nas eleições: o voto é um dos direitos políticos mais importantes, pois permite aos cidadãos escolher seus representantes; • Participar de movimentos sociais: os movimentos sociais são uma forma de expressar as demandas da sociedade civil; • Atuar como voluntários: o voluntariado é uma forma de contribuir para a comunidade; 12 • Informar-se sobre os temas políticos e sociais: a informação é fundamental para a participação cidadã; • Expressar suas opiniões: os cidadãos têm o direito de expressar suas opiniões sobre os temas que lhes interessam. A cidadania também abrange o conceito de cidadania global, reconhecendo que, em um mundo globalizado e cada vez mais interconectado, as responsabilidades e preocupações ultrapassam as fronteiras nacionais. Isso envolve a conscientização e a participação em questões que transcendem os limites de uma única nação, como direitos humanos, sustentabilidade ambiental e justiça social. A educação cívica é uma peça-chave no exercício pleno da cidadania. A compreensão dos processos políticos, dos direitos e deveres, e a consciência das questões sociais são componentes essenciais para a formação de cidadãos informados e capacitados a tomar decisões conscientes. A cidadania é um pilar fundamental para a construção e manutenção de sociedades democráticas e justas. Ela não apenas confere direitos e impõe deveres, mas também demanda uma participação ativa e contínua na vida política, social e cultural para a construção de um mundo mais equitativo e compassivo. Por isso queo exercício da cidadania representa a manifestação prática dos direitos e deveres inerentes à condição de membro pleno de uma comunidade, seja ela local, nacional ou global. Esse engajamento vai muito além do simples cumprimento de obrigações legais, abrangendo uma participação ativa e consciente na construção de uma sociedade justa e equitativa. Parte fundamental desse exercício está na participação política. Os cidadãos ativos não apenas têm o direito, mas também a responsabilidade de votar em eleições, contribuindo para a escolha de representantes e para a direção política de sua nação. Além disso, envolve-se em debates políticos, expressa opiniões e toma posição sobre questões que afetam o interesse público. O engajamento cívico é outra dimensão crucial do exercício da cidadania. Isso se manifesta por meio do voluntariado em organizações comunitárias, da participação em eventos locais e do esforço para melhorar a qualidade de vida na comunidade. Essa participação ativa não se limita apenas à esfera política, 13 mas estende-se a ações concretas que impactam positivamente o cotidiano das pessoas. Além disso, o exercício da cidadania requer uma consciência social. Os cidadãos ativos estão cientes das questões que afetam sua sociedade, como desigualdade, discriminação, educação, saúde e meio ambiente. Essa compreensão profunda é essencial para a promoção de mudanças positivas e para a construção de uma sociedade mais justa. TEMA 4 – ESTADO Você sabia que o Brasil é um Estado Democrático de Direito? Isso significa que vivemos em uma democracia na qual as leis e os princípios do direito orientam as normas que devemos seguir. Para avançar os nossos estudos sobre esse assunto, vamos entender o que é Estado, para compreender melhor a estrutura do Estado Brasileiro. Dentro da organização de um Estado, elementos fundamentais incluem a estrutura política. Aqui, entram em cena os conceitos de Estado e Governo, que são, na verdade, distintos. Muitas pessoas confundem os significados destes termos, por isso vamos esclarecer o que significa cada um deles. O Estado é uma sociedade politicamente organizada. Sua constituição envolve três elementos fundamentais para sua formação: o povo, o território e a soberania. • Povo: refere-se ao conjunto de indivíduos que compõem uma sociedade, contribuindo para a formação do Estado; • Território: corresponde ao espaço físico e geográfico, abrangendo solo, subsolo, mar e espaço aéreo, sobre o qual o Estado exerce sua soberania sobre pessoas e propriedades; • Soberania: representa a supremacia do Estado, abrangendo a ordem política interna e a independência na esfera da política externa. 4.1 Formas de Estado Você sabe quais são as formas de Estado? As formas de Estado, na verdade é a maneira como a entidade estatal irá exercer o poder, podendo ser centralizado ou descentralizado. Nesse contexto, destacam-se o Estado Unitário e o Estado Federado. 14 O Estado Unitário caracteriza-se pela concentração do poder do Estado em um único centro, com competências administrativas, políticas e legislativas. A maioria dos países no mundo adota a forma de Estado Unitário, motivada por razões históricas ou pela ausência de demandas territoriais que justificassem a separação de poderes em suas divisões internas. Exemplos de Estados Unitários incluem o Reino Unido, França, Espanha, Itália, Portugal, Uruguai, Chile, Paraguai, China e Japão. O Estado Federado caracteriza-se pela divisão do poder político entre diversas entidades governamentais. A capacidade administrativa, política e legislativa é atribuída, pela Constituição, a entidades regionais que gozam de autonomia própria. Essa autonomia é originada e protegida pela Constituição, impedindo a retirada de competências pelo poder central. Ao falar de Estado Federado, também temos que esclarecer o que é Federação. A Federação é uma forma específica de Estado Federado, resultado da união de regiões autônomas, como estados federados, estados membros ou estados. É importante notar que, na Federação, não há possibilidade de secessão; ou seja, a união dos estados é indissolúvel, previsto na Constituição. São exemplos de Federação: o Brasil, os Estados Unidos (EUA), o México, a Argentina, entre outros. Figura 1 – O Brasil é uma Federação, os estados membros possuem auto- organização e sua união é indissolúvel Crédito: Tereza Ferreira/Shutterstock. 15 4.2 Formas de Governo Agora que vimos que é Estado, vamos entender sobre a organização política de um Estado, ou sejam as formas de governo. Na atualidade temos duas formas de governo predominantes: a monarquia e a república. Na Monarquia, o poder é hereditário, sendo transmitido de uma geração para outra. Essa forma de governo é marcada pela vitaliciedade e irresponsabilidade do Chefe de Estado. Irresponsabilidade? O que isso significa? Isso quer dizer que o Rei ou Rainha não são responsabilizados por suas ações políticas. Além disso, o monarca exerce o poder de forma natural, sem representar diretamente a vontade do povo. Atualmente, ainda existem monarquias em vigor no mundo, países como Reino Unido, Espanha, Dinamarca, Suécia, Bélgica, Japão, entre outros, ainda adotam a monarquia com sucessão hereditária, associada a um sistema de governo parlamentarista. Na República, o poder é exercido pelo povo, que elege seus representantes por meio de um sistema de votação. Uma característica que difere a República da Monarquia é a temporariedade dos membros dos poderes Legislativo e Executivo, incluindo o governante em exercício, é a alternância de poder. Além disso, destaca-se a responsabilidade atribuída as pessoas que ocupam os cargos públicos. 4.3 Sistemas de Governo Na República, podem ser adotados diferentes sistemas de governo, o Parlamentarismo ou o Presidencialismo. O sistema de governo refere-se à maneira como as funções dos poderes Executivo e Legislativo interagem. No sistema Parlamentarista, o papel de Chefe de Estado é desempenhado pelo Presidente ou pelo Monarca, enquanto o Chefe de Governo é exercido pelo Primeiro-Ministro, que atua como chefe de gabinete. Na prática, é o primeiro-ministro quem efetivamente governa o país. O Parlamentarismo caracteriza-se por uma interdependência entre os Poderes Executivo e Legislativo, com parte das atividades do Executivo sendo transferida para o Legislativo. 16 No sistema Presidencialista, o Presidente detém as funções de Chefe de Estado e Chefe de Governo. Sua eleição ocorre por meio de votação popular, podendo ser direta ou indireta. O mandato presidencial tem uma duração fixa, e o Presidente não pode ser removido do cargo por motivos exclusivamente políticos. Uma característica importante do Presidencialismo é a completa separação de poderes, onde as esferas do Executivo, Legislativo e Judiciário são distintas, e nenhum poder pode exercer domínio sobre o outro. Figura 2 – O Brasil possui o Presidencialismo como Sistema de Governo, com separação dos três poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário) Crédito: Erich Sacco/Shutterstock. Agora temos uma compreensão mais clara da organização de um Estado, lembrando que o Brasil é um Estado Democrático de Direito. Vivemos em uma democracia na qual o Estado Brasileiro adota a forma de uma Federação, sendo uma República como forma de governo, e o Presidencialismo como sistema de governo. TEMA 5 – SOCIEDADE E TRABALHO A relação entre trabalho e sociedade é intrínseca, constituindo uma complexa rede de interações que moldam as dinâmicas sociais e econômicas. 17 O trabalho não é apenas uma atividade econômica; é um elemento central na organização social, influenciando a estrutura hierárquica, as relações interpessoais e a identidade dos indivíduos. O trabalho faz parte da vida dos indivíduos e o tipo de trabalhoque uma pessoa realiza muitas vezes está intrinsicamente ligado à sua identidade e autoestima. O trabalho pode ser uma fonte de satisfação pessoal e realização, contribuindo para a construção da identidade ocupacional e para o status social de um indivíduo dentro da sociedade. Você deve saber que o trabalho é a principal fonte de produção e geração de riqueza. A dinâmica da oferta e demanda de mão de obra, a divisão do trabalho e a especialização são fatores determinantes para o funcionamento eficiente de uma sociedade. A forma como o trabalho é organizado influencia diretamente a estrutura social, definindo hierarquias, relações laborais e acesso a recursos. As civilizações se desenvolveram através do trabalho chegando nas estruturas que conhecemos hoje. Desde que o ser humano começou a trabalhar, ele sempre esteve exposto a riscos e acidentes no trabalho. Lembre-se de que no início das civilizações o tipo de trabalho mais comum sempre foi o braçal e exposto a intempéries climáticas, como os trabalhos na agricultura, nas construções, e outros trabalhos de subsistência. Na sociedade global, tivemos uma verdadeira revolução no mundo do trabalho, devido à Revolução Industrial (século XVIII) e à consolidação do capitalismo. Segundo Calvo (2020), “nesse período histórico, ocorreu uma verdadeira revolução na sociedade europeia. O modo de produção feudal (artesanato e manufatura) foi substituído pelo modo de produção capitalista”. Com a criação das máquinas, a produção em massa foi inserida na realidade do trabalhador. E as fábricas têxteis foram as pioneiras nesse período. Com a nova realidade de produção em larga escala, os donos das fábricas (os chamados patrões) exploravam o máximo a capacidade produtiva do trabalhador. Vamos refletir um pouco! Imagine como deveria ser o ambiente de trabalho desses operários no final do século XVIII: não era fácil. Os trabalhadores tinham que trabalhar horas por dia, quase sem descanso. As jornadas de trabalho eram longas que variavam entre 15 e 18 horas por dia. E para piorar a situação do trabalhador, sabemos que as condições de trabalho nas fábricas 18 eram péssimas. Eles ficavam expostos ao frio e ao calor excessivo, havia excesso de ruído, a maioria dos ambientes eram insalubres. Os salários eram baixos e quase não dava para sustentar suas famílias. Também ocorriam muitos acidentes nos locais de trabalho, mas não havia muita preocupação em relação a isso (Azevedo; Seriacopi, 2016, p. 139). Figura 3 – Trabalhadoras em uma fábrica no final do século XIX Crédito: Everett Collection/Shutterstock. 5.1 Direitos dos trabalhadores Até então, o direito dos trabalhadores era quase inexistente. Somente no século XIX é que a mentalidade em relação à segurança e à proteção do trabalhador começou a mudar. Os primeiros países que criaram leis para proteger os trabalhadores foram a Inglaterra, Alemanha e Estados Unidos. No Brasil, os trabalhadores passavam pelos mesmos problemas. Surgindo os primeiros movimentos de classe e associações de trabalhadores (os atuais sindicatos), e foi com os sindicatos que se iniciaram os movimentos dos trabalhadores. Os principais movimentos que reivindicaram melhores condições 19 de trabalho no Brasil foram as dos imigrantes com greves e revoltas. Com esses problemas trabalhistas no Brasil, como na Europa a mentalidade sobre a proteção dos trabalhadores tinha mudado. No início dos anos 1900, eram poucas as leis que protegiam o trabalhador, com isso a saúde do trabalhador era negligenciada. Nesse período as revoltas, greves e mobilizações sindicais eram expressivas, impulsionada principalmente pelos imigrantes italianos, que em sua maioria trabalhavam como operários nas fábricas brasileiras. A partir de 1930, Getúlio Vargas inicia uma nova política trabalhista no Brasil. Com a Constituição de 1934, o Brasil passou a ter o direito do trabalhador prevista na Constituição. Até então todas essas leis trabalhistas estavam esparsas, ou seja, “separadas”. Em 1943, no Governo de Getúlio Vargas iniciou-se no Brasil uma nova visão relacionada ao trabalho, com a Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT), reunindo em um único documento as leis esparsas sobre direito do trabalho e saúde e segurança do trabalho. Em 1988, é promulgada no Brasil a nova Constituição Federal da República, e no art. 7º estão previstos os direitos dos trabalhadores urbanos e rurais. Com esse direito constitucional, somado a CLT, temos no Brasil um mínimo de proteção ao trabalhador. Além das leis, à medida que a sociedade evolui, a natureza do trabalho também se transforma. Com avanços tecnológicos e mudanças nas estruturas econômicas, novas formas de trabalho surgem, enquanto outras desaparecem. O entendimento profundo dessa interconexão é vital para lidar com desafios contemporâneos, promover equidade e construir sociedades mais justas e inclusivas, onde o trabalho não apenas sustenta a economia, mas também enriquece a experiência humana. 5.2 Precarização do trabalho Entretanto, esse relacionamento nem sempre se traduz em condições de trabalho ideais. A precarização do trabalho emerge como um desafio significativo na contemporaneidade, impactando a qualidade de vida dos trabalhadores e a coesão social. A precarização pode manifestar-se de várias formas, incluindo a falta de estabilidade no emprego, salários inadequados, jornadas extenuantes, ausência de benefícios e condições laborais insalubres. 20 A precarização muitas vezes está ligada a fatores estruturais, como desigualdades econômicas, globalização e mudanças nas tecnologias de produção. Enquanto a busca por eficiência econômica e competitividade pode impulsionar a precarização, seus efeitos reverberam na sociedade, gerando disparidades significativas no acesso a oportunidades e recursos. A instabilidade no mercado de trabalho não apenas compromete o bem- estar individual dos trabalhadores, mas também contribui para a fragmentação social. A insegurança laboral pode minar a coesão comunitária, gerando tensões e desconfiança entre os membros da sociedade. Além disso, a precarização pode criar barreiras ao acesso a direitos básicos, como saúde e educação, perpetuando ciclos de desigualdade. A busca por soluções para a precarização do trabalho envolve uma análise abrangente das estruturas econômicas, políticas e sociais. Políticas que promovam a proteção social, a negociação coletiva e a equidade salarial são essenciais para mitigar os impactos negativos da precarização. Além disso, abordar questões estruturais, como a distribuição desigual de recursos, é fundamental para promover um ambiente de trabalho mais justo e sustentável, contribuindo para uma sociedade mais juta, equitativa e coesa. TROCANDO IDEIAS Diante do cenário atual, os jovens enfrentam novos desafios, especialmente com a inserção no mercado de trabalho. A Era Digital provocou grandes transformações, com isso a ética está em alta na discussão dos impactos da tecnologia no mercado de trabalho. Discuta quais as implicações éticas que o uso da Inteligência Artificial pode ter no mercado de trabalho. Saiba mais Para aprofundar mais no assunto, veja a notícia “O jovem, a ética e o mercado de trabalho” acessando o link a seguir: VISMONA, E. O jovem, a ética e o mercado de trabalho. Exame, 20 abr. 2022. Disponível em: . Acesso em: 22 jan. 2024. 21 NA PRÁTICA Agora, vamos resolver uma questão do Enade 2022 que na Formação Geral, abordou o tema da Democracia: TEXTO 1 A democracia representativa exige, para o seu funcionamento, um conjunto de características, as quais podem ser compreendidas como instituições. São elas: Funcionários eleitos; Eleições livres, justas e frequentes; Sufrágio inclusivo; Direito de concorrer a cargoseletivos; Liberdade de expressão; Fontes de informação diversificadas; Autonomia para as associações. Entre as categorias mencionadas, destacam-se duas como pilares do regime democrático. Liberdade de expressão: os cidadãos têm o direito de se expressar, sem o perigo de punições severas, quanto aos assuntos políticos de uma forma geral, o que inclui a liberdade de criticar os funcionários do governo, o governo em si, o regime, a ordem socioeconômica e a ideologia dominante. Fontes de informação diversificadas: os cidadãos têm o direito de buscar fontes de informação, alternativas, diversificadas e independentes. Ademais, a existência de fontes de informação alternativa deve ser protegida por lei DAHL, R. A. Sobre a democracia, EDU: UnB, 2001 (adaptado) TEXTO 2 Embora os regimes políticos possam ser derrubados e as ideologias criticadas e destituídas de sua legitimidade, por trás de um regime e de sua ideologia há sempre um modo de pensar e de sentir, uma série de hábitos culturais, uma nebulosa de instintos obscuros e de pulsões insondáveis. ECO, U. O Fascismo Eterno. In: Cinco Escritos Morais. Editora Record: Rio de Janeiro, 2002 (adaptado). TEXTO 3 A figura a seguir exemplifica algumas condutas que, segundo Umberto Eco, podem ser consideradas contraditórias aos princípios democráticos. Disponível em: https://www.facebook.com/EditoraRecord/photos. Acesso em: 18 ago. 2022 (adaptado). Com base na concepção de regimes políticos, abordada pelos autores, avalie as afirmações a seguir. I. A democracia é o sistema que se propõe a assegurar aos seus cidadãos uma liberdade pessoal mais ampla do que outros modelos. II. A liberdade de expressão no sistema democrático garante que a manifestação de um agente político e de um cidadão possuam repercussões equivalentes. III. As fake news são manifestações relacionadas à categoria de fontes de http://www.facebook.com/EditoraRecord/photos http://www.facebook.com/EditoraRecord/photos 22 informação diversificadas e podem ser utilizadas como estratégia para fragilizar o sistema democrático de governo. IV. O direito à liberdade de expressão permite a emissão de opinião crítica e discursos contrários à democracia e aos direitos humanos. É correto apenas o que se afirma em A) I e II B) I e III C) II e IV D) I, III e IV E) II, III e IV Comentários: I. afirmativa verdadeira, pois de fato a democracia é um sistema que garante mais liberdade que os outros modelos existentes. II. afirmativa falsa, pois os agentes políticos têm uma série de vantagens que lhes permitem exercer sua liberdade de expressão de forma mais eficaz do que os cidadãos comuns. Isso significa que suas manifestações têm mais chances de serem ouvidas e de influenciar as decisões políticas. III. afirmativa verdadeira, pois as fake news são notícias falsas, e se usadas como estratégia, podem fragilizar o sistema democrático. IV. afirmativa falsa, pois o direito à liberdade não pode sobrepor e ir contra aos ideais da democracia e aos direitos humanos. FINALIZANDO Nesta etapa, compreendemos a abrangência da ética em todas as esferas da vida e do conhecimento, destacando sua importância no contexto acadêmico para orientar condutas responsáveis na pesquisa, no compartilhamento do conhecimento e na interação entre membros da comunidade educacional. Além disso, reconhecemos a relevância da compreensão da democracia e da cidadania para a formação geral dos estudantes, permitindo uma visão crítica sobre os sistemas políticos e promovendo a participação ativa na sociedade. O estudo do Estado e sua relação com a sociedade foi destacado como essencial para compreender o impacto das instituições públicas na vida dos cidadãos. O tema do trabalho foi abordado, sendo importante para entender relações de trabalho e seu impacto na construção da identidade e da sociedade. Isso os prepara para enfrentar desafios complexos com uma atuação cidadã consciente e ética em suas futuras áreas de atuação. 23 REFERÊNCIAS AZEVEDO, G.; SERIACOPI, R. História: passado e presente. São Paulo: Ática, 2016. BOBBIO, N. A era dos direitos. Rio de Janeiro: Elsevier, 2004. BRASIL. Constituição da Repú8lbica Federativa de 1988. Diário Oficial da União, Poder Legislativo, Brasília, DF, 5 out. 1988. CALVO. A. Manual de direito do trabalho. São Paulo: Saraiva Educação, 2020. CHAUI, M. Convite à filosofia. 13. ed. São Paulo: Ática, 2005. COTRIM, G. Fundamentos da filosofia. São Paulo: Saraiva, 2006. DICIONÁRIO MICHAELIS. São Paulo: Melhoramentos Ltda, 2023. JAPIASSÚ, H; MARCONDES, D. Dicionário Básico de Filosofia. 5. ed. Rio de Janeiro: Zahar, 2011. SILVA, J. A. Curso de Direito Constitucional Positivo. 44. ed. São Paulo: JusPODIVM coedição Malheiros, 2022.