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FORMAÇÃO CIDADÃ 
CONTEMPORÂNEA 
AULA 2 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Prof. Mauro Seigi Hashimoto 
 
 
 
 
 
 
2 
CONVERSA INICIAL 
Nesta etapa, iniciaremos uma série de temas importantes. A formação 
cidadã abrange temas fundamentais que vão além disciplinas específicas, 
visando proporcionar uma compreensão mais ampla e integrada do 
conhecimento. Os temas de ética, democracia, cidadania, estado, sociedade e 
trabalho são pilares essenciais para a formação geral dos estudantes, refletindo 
não apenas conteúdos, mas valores e perspectivas importantes para a atuação 
cidadã e profissional. 
Então, confira o material, acesse as videoaulas e não deixe de 
acompanhar as indicações para aprofundar o seu conhecimento. 
CONTEXTUALIZANDO 
A ética permeia todas as esferas da vida e do conhecimento. No contexto 
acadêmico, ela envolve a conduta responsável na pesquisa, no 
compartilhamento do conhecimento e na interação entre os membros da 
comunidade educacional. Além disso, a ética é fundamental para orientar 
escolhas e ações tanto no âmbito profissional quanto na participação ativa na 
sociedade. 
A compreensão da democracia e da cidadania é crucial para a formação 
geral dos estudantes. Estudar a estrutura democrática de um Estado, seus 
princípios e práticas permite aos estudantes desenvolverem uma visão crítica 
sobre os sistemas políticos. A cidadania, por sua vez, está intrinsecamente 
ligada à participação ativa na sociedade, promovendo o entendimento dos 
direitos e deveres dos cidadãos. 
O estudo do Estado e sua relação com a sociedade é essencial para 
entender como as instituições públicas impactam a vida dos cidadãos. Analisar 
a estrutura do Estado, suas funções e a interação com diferentes segmentos da 
sociedade proporciona uma visão abrangente do papel do poder público na 
promoção do bem-estar social e na garantia de direitos. 
O tema do trabalho transcende a esfera econômica, sendo essencial para 
a compreensão das relações laborais, da divisão do trabalho e do impacto do 
trabalho na construção da identidade e da sociedade. Uma abordagem integrada 
sobre o trabalho permite aos estudantes relacionar questões econômicas, 
sociais e éticas no contexto profissional e pessoal. 
 
 
3 
Ao integrar esses temas na formação geral, os estudantes são 
capacitados a enxergar as interconexões entre ética, democracia, cidadania, 
Estado, sociedade e trabalho. Essa abordagem promove uma visão abrangente 
do conhecimento, preparando os futuros profissionais para enfrentar desafios 
complexos com uma compreensão mais global e reflexiva, contribuindo para 
uma atuação cidadã consciente e ética em suas respectivas áreas de atuação. 
TEMA 1 – ÉTICA 
Quando falamos de ética, automaticamente também falamos de moral, e 
muitas pessoas confundem seus significados. Por isso neste tópico vamos 
entender o que é Ética e Moral, entender seus conceitos e como influencia nosso 
comportamento e nossas decisões. 
E você sabe qual é a diferença entre Ética e Moral? 
A Ética é uma área da Filosofia que estuda os fundamentos da moral, ou 
seja, das normas, valores e virtudes que orientam o comportamento humano. É 
por meio da ética que refletimos e compreendemos o que é moralmente certo ou 
errado, justo ou injusto, bom ou mau, e como devemos agir diante dessas 
questões. 
É pela Ética que refletimos e começamos a indagar sobre o significado, a 
origem e o valor dos costumes e comportamentos humanos. Seu propósito é 
refletir sobre os fundamentos morais, buscando compreender as características 
pessoais que moldam as virtudes e os vícios que cada indivíduo pode manifestar. 
Essa compreensão abrange tanto o senso moral quanto a consciência moral de 
cada pessoa. 
O senso moral é a forma como os indivíduos avaliam as ações e 
comportamentos das outras pessoas. É pelo senso moral que distinguimos o que 
é certo do que é errado. O senso moral não é inato, ou seja, não nascemos com 
ele, que é adquirido e é desenvolvido ao longo da vida por meio da educação, 
do convívio social e do aprendizado dos valores e normas da sociedade. Já a 
consciência moral é a capacidade que as pessoas têm de reconhecer e refletir 
sobre a conduta de suas ações. É pela consciência moral que avaliamos nossas 
ações de acordo com nossos valores e princípios individuais. A consciência 
moral é influenciada pelo senso moral, e por fatores como a cultura, a educação 
e experiência pessoal. 
 
 
4 
Segundo a filósofa Marilena Chaui (2005), o senso moral e a consciência 
moral estão relacionados a valores fundamentais, tais como justiça, honestidade, 
espírito de sacrifício, integridade e generosidade. Além disso, estão associados 
aos sentimentos que esses valores provocam, como admiração, vergonha, 
culpa, remorso, contentamento, cólera, amor, dúvida e medo. Então as decisões 
e ações que tomamos e que têm repercussões para nós e para os outros estão 
intrinsecamente ligadas a esses valores e sentimentos. 
Agora que temos essas informações, podemos entender que a Ética 
busca compreender tanto o senso moral quanto a consciência moral das 
pessoas. Além disso, a Ética nos leva a questionar e refletir sobre os valores e 
princípios morais que direcionam nossas ações. Por meio dessa reflexão, 
conseguimos discernir sobre o que é certo ou errado, aprofundando nossa 
compreensão do que é moralmente correto, e buscar aprimorar nosso caráter 
visando à realização de uma vida pautada pela ética. 
A Moral, por sua vez, diz respeito ao conjunto de normas, valores e 
princípios que orientam o comportamento humano dentro de uma sociedade, 
cultura ou grupo específico. Ela engloba os costumes, crenças e tradições que 
direcionam as ações e interações dos indivíduos em um determinado tempo e 
contexto. A Moral está ligada às regras e à conduta das pessoas que sejam 
consideradas adequadas ou desejáveis em uma sociedade, podendo ser 
expressa por meio das tradições culturais, normas sociais, leis e religiões 
(Cotrim, 2006, p. 243). 
Você sabia que a Moral pode variar de uma cultura para outra? 
Cada povo ou sociedade pode ter sua própria cultura, com regras e 
tradições próprias. Além disso, a moral de uma sociedade pode mudar com o 
passar do tempo. A Moral também pode ser influenciada por diversos fatores, 
como a religião, a tradição, a história e as condições sociais. Ademais, as normas 
morais são transmitidas de geração em geração, desempenhando um papel 
fundamental na formação das atitudes e comportamentos dos indivíduos dentro 
de uma sociedade. 
Diferente da moral, a Ética possui um caráter universal, e é por meio dela 
que iremos refletir sobre os princípios e fundamentos da moralidade humana, 
independente da cultura ou sociedade. Seu foco está nas questões que 
envolvem o que é considerado certo ou errado, bom ou mau, justo ou injusto, 
buscando compreender as bases dessas normas e valores. 
 
 
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1.1 Teorias éticas 
A Ética como disciplina da Filosofia procura analisar e questionar as 
diversas concepções morais presentes na sociedade, examinando os sistemas 
morais construídos ao longo do tempo pelos seres humanos. Ela busca 
compreender as razões por trás das normas e leis que governam o 
comportamento humano, explicando os pressupostos filosóficos e concepções 
sobre a natureza humana e a existência que sustentam esses sistemas morais 
(Cotrim, 2006, p. 243). 
É importante você saber que a ética possui diversas teorias propostas por 
diferentes filósofos desde a antiguidade. Iremos abordar três dessas teorias: a 
ética das virtudes (Aristóteles); a ética do dever (Kant); e o utilitarismo (Bentham 
e Mill), que são essenciais para o seu estudo nesta temática. 
1. Ética das Virtudes é uma teoria ética que diz que a moralidade de uma 
ação é determinada pela virtude e pelo caráter do indivíduo. Essa teoria ética foi 
desenvolvida pelo filósofo Aristóteles, que acreditava que o fim último do homemé a felicidade, que é alcançada por meio das virtudes, as quais são hábitos que 
nos permitem agir de forma correta e virtuosa. 
Aristóteles acreditava que a felicidade é alcançada por meio da vida 
virtuosa. Uma pessoa virtuosa é aquela que é capaz de agir de forma correta e 
justa e que vive de acordo com sua natureza humana. 
A Ética das virtudes concentra-se no desenvolvimento do caráter moral e 
na busca pela excelência pessoal. Ao invés de priorizar a análise de ações 
individuais, a ética das virtudes valoriza a formação de hábitos e disposições 
virtuosas. Aristóteles também enfatizou a importância das virtudes éticas 
(coragem, temperança e justiça) e das virtudes intelectuais (sabedoria, ciência, 
compreensão, prudência, arte e coragem intelectual). 
2. Ética do Dever é uma teoria ética que diz que a moralidade de uma 
ação é determinada por seu dever, ou seja, por sua conformidade com um 
princípio moral universal. 
Essa teoria foi desenvolvida pelo filósofo Immanuel Kant, que acreditava 
que a moralidade é fundamentada na razão prática, que é a capacidade humana 
de agir com base em princípios universais e racionais. A razão prática nos 
permite distinguir entre o certo e o errado, o bom e o mau. Ela nos diz que 
 
 
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devemos agir de acordo com princípios que possam ser universalizados, ou seja, 
que possam ser aplicados a todos os seres humanos, sem exceção. 
Kant também acreditava que a moralidade é fundamentada no respeito 
pelo imperativo categórico, que é um princípio moral que diz que devemos agir 
de acordo com princípios que podemos querer que se tornem leis universais. 
Além disso, Kant acreditava que as pessoas devem ser tratadas como fins em si 
mesmas, não apenas como meios para alcançar nossos objetivos. Isso significa 
que devemos respeitar a dignidade de todos os seres humanos, 
independentemente de suas diferenças. 
3. Utilitarismo é uma teoria ética que diz que a moralidade de uma ação 
é determinada pelas suas consequências. Para o utilitarismo uma ação é 
moralmente correta se ela produzir o maior bem-estar para o maior número de 
pessoas. Os principais filósofos ligados a essa corrente são: Jeremy Bentham 
considerado o fundador do utilitarismo clássico, ele argumentava que a 
moralidade deve ser avaliada pelo princípio da utilidade, buscando o maior 
prazer e a menor dor para o maior número de pessoas possível. John Stuart Mill, 
discípulo de Bentham, trouxe uma nova concepção ao diferenciar prazeres 
superiores e inferiores. Ele argumentou que ações éticas são aquelas que 
contribuem para a felicidade geral e para o desenvolvimento humano em sua 
totalidade. 
Com todas essas informações, podemos compreender que a Ética 
envolve a reflexão crítica sobre temas complexos, como a moralidade, o livre-
arbítrio, a natureza do bem e do mal, as bases da justiça, da igualdade etc. Além 
disso, a Ética fornece condições teóricas para a compreensão dos valores éticos 
e de analisar para encontrar soluções para os diversos dilemas enfrentados 
pelos indivíduos e pela sociedade. 
TEMA 2 – DEMOCRACIA 
Ao longo da trajetória da humanidade, diversas formas de legitimar o 
poder foram adotadas. Por exemplo, nas monarquias hereditárias, o poder é 
transmitido de uma geração para outra. Na teocracia, a legitimidade provém da 
vontade divina. Nos governos aristocráticos, apenas os privilegiados 
desempenham funções de poder e de acordo com a natureza da aristocracia, 
aqueles que exercem o poder, podem ser os mais ricos, os mais fortes ou os 
nobres. 
 
 
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Você sabia que na Democracia, o poder legítimo emana do povo? 
Sim, é verdade! Na Democracia, a legitimidade do poder emana da 
vontade do povo. A discussão sobre a legitimidade do poder é fundamental, pois 
o dever de obedecer será apenas ao poder legítimo, pois na Democracia a 
obediência é voluntária e livre. Em casos contrários, surge na sociedade o direito 
de se opor e resistir. 
Etimologicamente, a palavra Democracia tem origem em dois termos 
gregos, demos (povo) e kratia (governo, poder), tendo como significados: “Forma 
de governo em que a soberania é exercida pelo povo” e “Sistema de governo em 
que cada cidadão tem sua participação” (Dicionário Michaelis, 2023). 
Os atenienses foram os pioneiros na concepção de uma democracia ideal, 
na qual os cidadãos tinham a capacidade de influenciar as decisões da polis 
(cidade-estado grega). Essa tradição democrática também estabeleceu três 
direitos fundamentais que caracterizavam o cidadão: a igualdade, a liberdade e 
a participação no poder. 
A igualdade implica que todos os cidadãos possuem os mesmos direitos 
perante a lei e os costumes, e que todos os indivíduos devem ser tratados 
igualmente perante a lei. Aristóteles defendia que a justiça tinha como objetivo 
igualar os desiguais. Marx afirmava que a verdadeira igualdade só se 
concretizaria quando não houvesse mais escravos, servos ou trabalhadores 
explorados. Com essas afirmações podemos perceber que simplesmente 
declarar o direito à igualdade não cria a igualdade em si, porém abre caminho 
para a possibilidade de sua construção. 
A liberdade significa que todo cidadão tem o direito de expressar 
publicamente suas opiniões e interesses. A Revolução Inglesa de 1644 e a 
Revolução Francesa de 1789 foram essenciais para o entendimento e a luta pela 
liberdade, e os conceitos de liberdade de pensamento, expressão e 
independência ampliaram ainda mais o próprio conceito de liberdade. Já pelos 
movimentos socialistas, a luta pelo direito de liberdade se estendeu, trazendo a 
perspectiva de combater todas as formas de tirania, censura e tortura. 
A participação no poder refere-se ao direito de todos os cidadãos 
contribuírem nas discussões e deliberações públicas da sociedade, 
principalmente por meio do voto. Esse direito abrange toda a coletividade, com 
a ação coletiva, em que todos os cidadãos têm a capacidade de opinar e decidir, 
 
 
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tornando as decisões coletivas em relação aos interesses e direitos da 
sociedade. 
2.1 Tipos de democracia 
É importante saber que existem diferentes tipos de Democracia, entre as 
quais se destacam: a Democracia Direta, a Democracia Indireta e a Democracia 
Semidireta. 
A Democracia Direta é aquela em que a participação não ocorre por meio 
de representantes, mas sim com a presença direta de todos os cidadãos. Este 
modelo foi experimentado em Atenas, na Grécia Antiga, onde os cidadãos se 
reuniam na Ágora, uma praça, para tomar decisões políticas. Nesse contexto, 
todos os cidadãos desfrutavam do direito de expressar-se (isegoria) e de serem 
governados pelas mesmas leis (isonomia). No entanto, à medida que as 
sociedades cresceram numericamente, a complexidade organizacional tornou a 
Democracia Direta impraticável. 
A Democracia Indireta, envolve o exercício indireto do poder, ou seja, é 
representativa. Devido à impossibilidade da participação pessoal e direta de 
todos os cidadãos em uma sociedade, o poder político é exercido por meio de 
representantes escolhidos pelos cidadãos. Na democracia moderna, a 
participação tornou-se indireta, sendo realizada por meio da seleção de 
representantes que se reúnem em instituições como o Parlamento, a Câmara, o 
Congresso, a Assembleia ou as Cortes. O jurista José Afonso da Silva (2022) 
aborda essa temática, destacando que a democracia representativa implica um 
conjunto de instituições que regulam a participação popular no processo político, 
formando os direitos políticos que caracterizam a cidadania, como eleições, 
sistema eleitoral e partidos políticos. 
A Democracia Semidireta, também conhecida como Democracia 
Participativa, possui as características da Democracia direta e da indireta. 
Nesse modelo, o poder político pertence aos cidadãos e é exercido por seus 
representantes, assemelhando-se à Democracia Representativa. 
Então, a Democracia Semidireta é definida pela presença ativa e diretados cidadãos nas decisões fundamentais do Estado, utilizando instrumentos 
legalmente reconhecidos por cada sistema jurídico. Segundo Bobbio (2004), a 
Democracia Semidireta estabelece um equilíbrio entre a representação política 
 
 
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e a soberania popular direta, tornando-se, assim, um sistema potencialmente 
mais bem-sucedido do que as formas puramente direta ou indireta. 
No Brasil, foi adotado a Democracia Semidireta na Constituição Federal 
de 1988. Com isso adotou-se o termo Democracia Participativa, sendo definida 
no parágrafo único do artigo 1º da Constituição Federal de 1988. 
Com isso, é direito do cidadão poder participar diretamente no exercício 
do poder, sem a necessidade de representação, podendo aprovar ou rejeitar 
uma norma ou política pública. 
2.2 Formas de participação popular 
Os meios pelos quais os cidadãos podem se envolver diretamente nas 
decisões do Estado brasileiro estão no art. 14 da Constituição de 1988. Com 
isso, em situações específicas, a população exerce diretamente o poder, 
semelhante à Democracia Direta, por meio do plebiscito, referendo ou iniciativa 
popular. 
Basicamente, o plebiscito e o referendo são consultas públicas feita aos 
cidadãos, para decisões sobre matérias de alta relevância e com natureza 
constitucional, legislativa ou administrativa. 
No Brasil o primeiro plebiscito ocorreu em 1963, convocando os cidadãos 
a se pronunciarem sobre o sistema de governo, optando entre presidencialismo 
e parlamentarismo. Outro plebiscito ocorreu em 1993, no qual os cidadãos foram 
às urnas para decidir tanto a forma de governo (república ou monarquia) quanto 
o sistema de governo (presidencialismo ou parlamentarismo). No plebiscito de 
1993, a maioria dos cidadãos optou por manter a república e o sistema 
presidencialista. 
Em 2005, no Brasil, ocorreu um referendo no qual os cidadãos foram 
consultados sobre a decisão de manter ou rejeitar a proibição da comercialização 
de armas de fogo em todo o território nacional. Com os resultados desse 
referendo, o comércio de armas de fogo e munição permaneceu permitido no 
Brasil. 
A Iniciativa Popular de Lei refere-se à capacidade dos próprios cidadãos 
de iniciar o processo legislativo com o objetivo de criar uma lei. Em outras 
palavras, um grupo de cidadãos pode apresentar um projeto de lei ou uma 
sugestão de reforma constitucional, sendo necessário um número específico de 
assinaturas para viabilizar essa iniciativa. Um exemplo de Iniciativa Popular foi a 
 
 
10 
que originou a Lei da Ficha Limpa (Lei Complementar n. 135/2010). Essa lei 
estabelece a inelegibilidade por oito anos de um candidato que tenha seu 
mandato cassado, renuncie para evitar a cassação ou seja condenado por 
decisão de um órgão colegiado, mesmo que ainda haja a possibilidade de 
recursos. 
Com isso, vimos a importância da Democracia Participativa. Quando os 
cidadãos participam diretamente das decisões, eles têm a oportunidade de 
expressar suas opiniões e interesses, o que ajuda a garantir que as políticas 
públicas sejam mais adequadas às necessidades da população. Além disso, a 
Democracia Participativa ajuda a fortalecer a cidadania e a participação política, 
pois quando os cidadãos têm a oportunidade de participar das decisões 
governamentais, eles se sentem mais envolvidos na vida política e desenvolvem 
um maior senso de responsabilidade. 
TEMA 3 – CIDADANIA 
A Cidadania está relacionada aos direitos do cidadão, ou seja, é a 
condição de pertencer a uma nação, o que implica em ter direitos e deveres e 
poder participar ativamente da vida e do governo da sua nação. 
No mundo moderno, a cidadania é um direito de todos os seres humanos, 
independentemente de sua origem, raça, religião ou gênero. A cidadania é um 
dos pilares das democracias modernas, pois garante que todos os cidadãos 
tenham voz nas decisões que afetam suas vidas. 
No âmbito dos direitos, a cidadania confere uma gama de direitos 
fundamentais, como o direito à vida, à liberdade, à igualdade perante a lei, à 
propriedade, à expressão e à participação política. Esses direitos não apenas 
delineiam a base de uma sociedade justa, mas também estabelecem o terreno 
para a autonomia e a dignidade dos cidadãos. 
Os direitos e deveres da cidadania podem ser divididos em três 
categorias: 
1. Direitos civis: são os direitos que protegem a liberdade individual, como 
o direito à vida, à liberdade, à igualdade, à propriedade e à expressão; 
2. Direitos políticos: são os direitos que permitem aos cidadãos participar 
da vida política, como o direito ao voto, ao direito de associação e ao 
direito de reunião; 
 
 
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3. Direitos sociais: são os direitos que garantem a igualdade de 
oportunidades e o bem-estar social, como o direito à educação, à saúde, 
ao trabalho e à moradia. 
A Cidadania possui um conceito dinâmico que se adapta às mudanças 
sociais e políticas. Nos últimos anos, tem crescido a preocupação com a 
cidadania de forma global, devido à ideia de que todos os seres humanos, 
independentemente de sua nacionalidade, têm direitos e deveres comuns. 
Saiba que Cidadania é um conceito importante para o desenvolvimento 
de sociedades justas e inclusivas. Quando os cidadãos são conscientes de seus 
direitos e deveres, eles podem participar de forma mais ativa da vida política e 
social, o que contribui para o fortalecimento da democracia e da justiça social. 
Contudo, apesar de ser um direito fundamental, a cidadania ainda é um 
desafio para muitos países do mundo. Veja alguns exemplos: 
• A desigualdade social: a desigualdade social pode impedir que alguns 
grupos sociais tenham acesso aos direitos e deveres da cidadania; 
• A corrupção: a corrupção pode impedir que o governo represente os 
interesses de todos os cidadãos; 
• O autoritarismo: o autoritarismo pode restringir os direitos e deveres da 
cidadania. 
3.1 Como exercer a cidadania 
Para enfrentar os diversos desafios, como podemos exercer a cidadania? 
Primeiro, você deve saber que o exercício da cidadania vai além do 
cumprimento de obrigações legais. Isso implica, por exemplo, participar 
ativamente na sociedade, exercendo seus direitos e deveres como cidadãos. 
Estar inserido na vida política e social, para defender seus interesses e contribuir 
com o desenvolvimento da sociedade. Veja como podemos exercer nossa 
cidadania: 
• Votar nas eleições: o voto é um dos direitos políticos mais importantes, 
pois permite aos cidadãos escolher seus representantes; 
• Participar de movimentos sociais: os movimentos sociais são uma forma 
de expressar as demandas da sociedade civil; 
• Atuar como voluntários: o voluntariado é uma forma de contribuir para a 
comunidade; 
 
 
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• Informar-se sobre os temas políticos e sociais: a informação é 
fundamental para a participação cidadã; 
• Expressar suas opiniões: os cidadãos têm o direito de expressar suas 
opiniões sobre os temas que lhes interessam. 
A cidadania também abrange o conceito de cidadania global, 
reconhecendo que, em um mundo globalizado e cada vez mais interconectado, 
as responsabilidades e preocupações ultrapassam as fronteiras nacionais. Isso 
envolve a conscientização e a participação em questões que transcendem os 
limites de uma única nação, como direitos humanos, sustentabilidade ambiental 
e justiça social. 
A educação cívica é uma peça-chave no exercício pleno da cidadania. A 
compreensão dos processos políticos, dos direitos e deveres, e a consciência 
das questões sociais são componentes essenciais para a formação de cidadãos 
informados e capacitados a tomar decisões conscientes. 
A cidadania é um pilar fundamental para a construção e manutenção de 
sociedades democráticas e justas. Ela não apenas confere direitos e impõe 
deveres, mas também demanda uma participação ativa e contínua na vida 
política, social e cultural para a construção de um mundo mais equitativo e 
compassivo. 
Por isso queo exercício da cidadania representa a manifestação prática 
dos direitos e deveres inerentes à condição de membro pleno de uma 
comunidade, seja ela local, nacional ou global. Esse engajamento vai muito além 
do simples cumprimento de obrigações legais, abrangendo uma participação 
ativa e consciente na construção de uma sociedade justa e equitativa. 
Parte fundamental desse exercício está na participação política. Os 
cidadãos ativos não apenas têm o direito, mas também a responsabilidade de 
votar em eleições, contribuindo para a escolha de representantes e para a 
direção política de sua nação. Além disso, envolve-se em debates políticos, 
expressa opiniões e toma posição sobre questões que afetam o interesse 
público. 
O engajamento cívico é outra dimensão crucial do exercício da cidadania. 
Isso se manifesta por meio do voluntariado em organizações comunitárias, da 
participação em eventos locais e do esforço para melhorar a qualidade de vida 
na comunidade. Essa participação ativa não se limita apenas à esfera política, 
 
 
13 
mas estende-se a ações concretas que impactam positivamente o cotidiano das 
pessoas. 
Além disso, o exercício da cidadania requer uma consciência social. Os 
cidadãos ativos estão cientes das questões que afetam sua sociedade, como 
desigualdade, discriminação, educação, saúde e meio ambiente. Essa 
compreensão profunda é essencial para a promoção de mudanças positivas e 
para a construção de uma sociedade mais justa. 
TEMA 4 – ESTADO 
Você sabia que o Brasil é um Estado Democrático de Direito? 
Isso significa que vivemos em uma democracia na qual as leis e os 
princípios do direito orientam as normas que devemos seguir. Para avançar os 
nossos estudos sobre esse assunto, vamos entender o que é Estado, para 
compreender melhor a estrutura do Estado Brasileiro. 
Dentro da organização de um Estado, elementos fundamentais incluem a 
estrutura política. Aqui, entram em cena os conceitos de Estado e Governo, que 
são, na verdade, distintos. Muitas pessoas confundem os significados destes 
termos, por isso vamos esclarecer o que significa cada um deles. 
O Estado é uma sociedade politicamente organizada. Sua constituição 
envolve três elementos fundamentais para sua formação: o povo, o território e a 
soberania. 
• Povo: refere-se ao conjunto de indivíduos que compõem uma sociedade, 
contribuindo para a formação do Estado; 
• Território: corresponde ao espaço físico e geográfico, abrangendo solo, 
subsolo, mar e espaço aéreo, sobre o qual o Estado exerce sua soberania 
sobre pessoas e propriedades; 
• Soberania: representa a supremacia do Estado, abrangendo a ordem 
política interna e a independência na esfera da política externa. 
4.1 Formas de Estado 
Você sabe quais são as formas de Estado? 
As formas de Estado, na verdade é a maneira como a entidade estatal irá 
exercer o poder, podendo ser centralizado ou descentralizado. Nesse contexto, 
destacam-se o Estado Unitário e o Estado Federado. 
 
 
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O Estado Unitário caracteriza-se pela concentração do poder do Estado 
em um único centro, com competências administrativas, políticas e legislativas. 
A maioria dos países no mundo adota a forma de Estado Unitário, motivada por 
razões históricas ou pela ausência de demandas territoriais que justificassem a 
separação de poderes em suas divisões internas. Exemplos de Estados 
Unitários incluem o Reino Unido, França, Espanha, Itália, Portugal, Uruguai, 
Chile, Paraguai, China e Japão. 
O Estado Federado caracteriza-se pela divisão do poder político entre 
diversas entidades governamentais. A capacidade administrativa, política e 
legislativa é atribuída, pela Constituição, a entidades regionais que gozam de 
autonomia própria. Essa autonomia é originada e protegida pela Constituição, 
impedindo a retirada de competências pelo poder central. 
Ao falar de Estado Federado, também temos que esclarecer o que é 
Federação. 
A Federação é uma forma específica de Estado Federado, resultado da 
união de regiões autônomas, como estados federados, estados membros ou 
estados. É importante notar que, na Federação, não há possibilidade de 
secessão; ou seja, a união dos estados é indissolúvel, previsto na Constituição. 
São exemplos de Federação: o Brasil, os Estados Unidos (EUA), o México, a 
Argentina, entre outros. 
Figura 1 – O Brasil é uma Federação, os estados membros possuem auto-
organização e sua união é indissolúvel 
 
Crédito: Tereza Ferreira/Shutterstock. 
 
 
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4.2 Formas de Governo 
Agora que vimos que é Estado, vamos entender sobre a organização 
política de um Estado, ou sejam as formas de governo. Na atualidade temos 
duas formas de governo predominantes: a monarquia e a república. 
Na Monarquia, o poder é hereditário, sendo transmitido de uma geração 
para outra. Essa forma de governo é marcada pela vitaliciedade e 
irresponsabilidade do Chefe de Estado. 
Irresponsabilidade? O que isso significa? Isso quer dizer que o Rei ou 
Rainha não são responsabilizados por suas ações políticas. Além disso, o 
monarca exerce o poder de forma natural, sem representar diretamente a 
vontade do povo. 
Atualmente, ainda existem monarquias em vigor no mundo, países como 
Reino Unido, Espanha, Dinamarca, Suécia, Bélgica, Japão, entre outros, ainda 
adotam a monarquia com sucessão hereditária, associada a um sistema de 
governo parlamentarista. 
Na República, o poder é exercido pelo povo, que elege seus 
representantes por meio de um sistema de votação. Uma característica que 
difere a República da Monarquia é a temporariedade dos membros dos poderes 
Legislativo e Executivo, incluindo o governante em exercício, é a alternância de 
poder. Além disso, destaca-se a responsabilidade atribuída as pessoas que 
ocupam os cargos públicos. 
4.3 Sistemas de Governo 
Na República, podem ser adotados diferentes sistemas de governo, o 
Parlamentarismo ou o Presidencialismo. O sistema de governo refere-se à 
maneira como as funções dos poderes Executivo e Legislativo interagem. 
No sistema Parlamentarista, o papel de Chefe de Estado é 
desempenhado pelo Presidente ou pelo Monarca, enquanto o Chefe de Governo 
é exercido pelo Primeiro-Ministro, que atua como chefe de gabinete. Na prática, 
é o primeiro-ministro quem efetivamente governa o país. O Parlamentarismo 
caracteriza-se por uma interdependência entre os Poderes Executivo e 
Legislativo, com parte das atividades do Executivo sendo transferida para o 
Legislativo. 
 
 
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No sistema Presidencialista, o Presidente detém as funções de Chefe de 
Estado e Chefe de Governo. Sua eleição ocorre por meio de votação popular, 
podendo ser direta ou indireta. O mandato presidencial tem uma duração fixa, e 
o Presidente não pode ser removido do cargo por motivos exclusivamente 
políticos. Uma característica importante do Presidencialismo é a completa 
separação de poderes, onde as esferas do Executivo, Legislativo e Judiciário 
são distintas, e nenhum poder pode exercer domínio sobre o outro. 
Figura 2 – O Brasil possui o Presidencialismo como Sistema de Governo, com 
separação dos três poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário) 
 
Crédito: Erich Sacco/Shutterstock. 
Agora temos uma compreensão mais clara da organização de um Estado, 
lembrando que o Brasil é um Estado Democrático de Direito. Vivemos em uma 
democracia na qual o Estado Brasileiro adota a forma de uma Federação, sendo 
uma República como forma de governo, e o Presidencialismo como sistema de 
governo. 
TEMA 5 – SOCIEDADE E TRABALHO 
A relação entre trabalho e sociedade é intrínseca, constituindo uma 
complexa rede de interações que moldam as dinâmicas sociais e econômicas. 
 
 
17 
O trabalho não é apenas uma atividade econômica; é um elemento central na 
organização social, influenciando a estrutura hierárquica, as relações 
interpessoais e a identidade dos indivíduos. 
O trabalho faz parte da vida dos indivíduos e o tipo de trabalhoque uma 
pessoa realiza muitas vezes está intrinsicamente ligado à sua identidade e 
autoestima. O trabalho pode ser uma fonte de satisfação pessoal e realização, 
contribuindo para a construção da identidade ocupacional e para o status social 
de um indivíduo dentro da sociedade. 
Você deve saber que o trabalho é a principal fonte de produção e geração 
de riqueza. A dinâmica da oferta e demanda de mão de obra, a divisão do 
trabalho e a especialização são fatores determinantes para o funcionamento 
eficiente de uma sociedade. A forma como o trabalho é organizado influencia 
diretamente a estrutura social, definindo hierarquias, relações laborais e acesso 
a recursos. 
As civilizações se desenvolveram através do trabalho chegando nas 
estruturas que conhecemos hoje. Desde que o ser humano começou a trabalhar, 
ele sempre esteve exposto a riscos e acidentes no trabalho. Lembre-se de que 
no início das civilizações o tipo de trabalho mais comum sempre foi o braçal e 
exposto a intempéries climáticas, como os trabalhos na agricultura, nas 
construções, e outros trabalhos de subsistência. 
Na sociedade global, tivemos uma verdadeira revolução no mundo do 
trabalho, devido à Revolução Industrial (século XVIII) e à consolidação do 
capitalismo. Segundo Calvo (2020), “nesse período histórico, ocorreu uma 
verdadeira revolução na sociedade europeia. O modo de produção feudal 
(artesanato e manufatura) foi substituído pelo modo de produção capitalista”. 
Com a criação das máquinas, a produção em massa foi inserida na 
realidade do trabalhador. E as fábricas têxteis foram as pioneiras nesse período. 
Com a nova realidade de produção em larga escala, os donos das fábricas (os 
chamados patrões) exploravam o máximo a capacidade produtiva do 
trabalhador. 
Vamos refletir um pouco! Imagine como deveria ser o ambiente de 
trabalho desses operários no final do século XVIII: não era fácil. Os trabalhadores 
tinham que trabalhar horas por dia, quase sem descanso. As jornadas de 
trabalho eram longas que variavam entre 15 e 18 horas por dia. E para piorar a 
situação do trabalhador, sabemos que as condições de trabalho nas fábricas 
 
 
18 
eram péssimas. Eles ficavam expostos ao frio e ao calor excessivo, havia 
excesso de ruído, a maioria dos ambientes eram insalubres. Os salários eram 
baixos e quase não dava para sustentar suas famílias. Também ocorriam muitos 
acidentes nos locais de trabalho, mas não havia muita preocupação em relação 
a isso (Azevedo; Seriacopi, 2016, p. 139). 
Figura 3 – Trabalhadoras em uma fábrica no final do século XIX 
 
Crédito: Everett Collection/Shutterstock. 
5.1 Direitos dos trabalhadores 
Até então, o direito dos trabalhadores era quase inexistente. Somente no 
século XIX é que a mentalidade em relação à segurança e à proteção do 
trabalhador começou a mudar. Os primeiros países que criaram leis para 
proteger os trabalhadores foram a Inglaterra, Alemanha e Estados Unidos. 
No Brasil, os trabalhadores passavam pelos mesmos problemas. 
Surgindo os primeiros movimentos de classe e associações de trabalhadores (os 
atuais sindicatos), e foi com os sindicatos que se iniciaram os movimentos dos 
trabalhadores. Os principais movimentos que reivindicaram melhores condições 
 
 
19 
de trabalho no Brasil foram as dos imigrantes com greves e revoltas. Com esses 
problemas trabalhistas no Brasil, como na Europa a mentalidade sobre a 
proteção dos trabalhadores tinha mudado. 
No início dos anos 1900, eram poucas as leis que protegiam o trabalhador, 
com isso a saúde do trabalhador era negligenciada. Nesse período as revoltas, 
greves e mobilizações sindicais eram expressivas, impulsionada principalmente 
pelos imigrantes italianos, que em sua maioria trabalhavam como operários nas 
fábricas brasileiras. 
A partir de 1930, Getúlio Vargas inicia uma nova política trabalhista no 
Brasil. Com a Constituição de 1934, o Brasil passou a ter o direito do trabalhador 
prevista na Constituição. Até então todas essas leis trabalhistas estavam 
esparsas, ou seja, “separadas”. 
Em 1943, no Governo de Getúlio Vargas iniciou-se no Brasil uma nova 
visão relacionada ao trabalho, com a Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT), 
reunindo em um único documento as leis esparsas sobre direito do trabalho e 
saúde e segurança do trabalho. 
Em 1988, é promulgada no Brasil a nova Constituição Federal da 
República, e no art. 7º estão previstos os direitos dos trabalhadores urbanos e 
rurais. Com esse direito constitucional, somado a CLT, temos no Brasil um 
mínimo de proteção ao trabalhador. 
Além das leis, à medida que a sociedade evolui, a natureza do trabalho 
também se transforma. Com avanços tecnológicos e mudanças nas estruturas 
econômicas, novas formas de trabalho surgem, enquanto outras desaparecem. 
O entendimento profundo dessa interconexão é vital para lidar com desafios 
contemporâneos, promover equidade e construir sociedades mais justas e 
inclusivas, onde o trabalho não apenas sustenta a economia, mas também 
enriquece a experiência humana. 
5.2 Precarização do trabalho 
Entretanto, esse relacionamento nem sempre se traduz em condições de 
trabalho ideais. A precarização do trabalho emerge como um desafio significativo 
na contemporaneidade, impactando a qualidade de vida dos trabalhadores e a 
coesão social. A precarização pode manifestar-se de várias formas, incluindo a 
falta de estabilidade no emprego, salários inadequados, jornadas extenuantes, 
ausência de benefícios e condições laborais insalubres. 
 
 
20 
A precarização muitas vezes está ligada a fatores estruturais, como 
desigualdades econômicas, globalização e mudanças nas tecnologias de 
produção. Enquanto a busca por eficiência econômica e competitividade pode 
impulsionar a precarização, seus efeitos reverberam na sociedade, gerando 
disparidades significativas no acesso a oportunidades e recursos. 
A instabilidade no mercado de trabalho não apenas compromete o bem-
estar individual dos trabalhadores, mas também contribui para a fragmentação 
social. A insegurança laboral pode minar a coesão comunitária, gerando tensões 
e desconfiança entre os membros da sociedade. Além disso, a precarização 
pode criar barreiras ao acesso a direitos básicos, como saúde e educação, 
perpetuando ciclos de desigualdade. 
A busca por soluções para a precarização do trabalho envolve uma 
análise abrangente das estruturas econômicas, políticas e sociais. Políticas que 
promovam a proteção social, a negociação coletiva e a equidade salarial são 
essenciais para mitigar os impactos negativos da precarização. Além disso, 
abordar questões estruturais, como a distribuição desigual de recursos, é 
fundamental para promover um ambiente de trabalho mais justo e sustentável, 
contribuindo para uma sociedade mais juta, equitativa e coesa. 
TROCANDO IDEIAS 
Diante do cenário atual, os jovens enfrentam novos desafios, 
especialmente com a inserção no mercado de trabalho. A Era Digital provocou 
grandes transformações, com isso a ética está em alta na discussão dos 
impactos da tecnologia no mercado de trabalho. Discuta quais as implicações 
éticas que o uso da Inteligência Artificial pode ter no mercado de trabalho. 
Saiba mais 
Para aprofundar mais no assunto, veja a notícia “O jovem, a ética e o 
mercado de trabalho” acessando o link a seguir: 
VISMONA, E. O jovem, a ética e o mercado de trabalho. Exame, 20 abr. 
2022. Disponível em: . Acesso em: 22 jan. 2024. 
 
 
21 
NA PRÁTICA 
Agora, vamos resolver uma questão do Enade 2022 que na Formação 
Geral, abordou o tema da Democracia: 
TEXTO 1 
A democracia representativa exige, para o seu funcionamento, um conjunto de 
características, as quais podem ser compreendidas como instituições. São elas: 
Funcionários eleitos; Eleições livres, justas e frequentes; Sufrágio inclusivo; Direito de 
concorrer a cargoseletivos; Liberdade de expressão; Fontes de informação 
diversificadas; Autonomia para as associações. Entre as categorias mencionadas, 
destacam-se duas como pilares do regime democrático. 
Liberdade de expressão: os cidadãos têm o direito de se expressar, sem o perigo de 
punições severas, quanto aos assuntos políticos de uma forma geral, o que inclui a 
liberdade de criticar os funcionários do governo, o governo em si, o regime, a ordem 
socioeconômica e a ideologia dominante. 
Fontes de informação diversificadas: os cidadãos têm o direito de buscar fontes de 
informação, alternativas, diversificadas e independentes. Ademais, a existência de 
fontes de informação alternativa deve ser protegida por lei 
DAHL, R. A. Sobre a democracia, EDU: UnB, 2001 (adaptado) 
TEXTO 2 
Embora os regimes políticos possam ser derrubados e as ideologias criticadas e 
destituídas de sua legitimidade, por trás de um regime e de sua ideologia há sempre um 
modo de pensar e de sentir, uma série de hábitos culturais, uma nebulosa de instintos 
obscuros e de pulsões insondáveis. 
ECO, U. O Fascismo Eterno. In: Cinco Escritos Morais. Editora Record: Rio de Janeiro, 2002 (adaptado). 
 
TEXTO 3 
A figura a seguir exemplifica algumas condutas que, segundo Umberto Eco, podem 
ser consideradas contraditórias aos princípios democráticos. 
 
Disponível em: https://www.facebook.com/EditoraRecord/photos. Acesso em: 18 ago. 2022 (adaptado). 
 
Com base na concepção de regimes políticos, abordada pelos autores, avalie as 
afirmações a seguir. 
I. A democracia é o sistema que se propõe a assegurar aos seus cidadãos 
uma liberdade pessoal mais ampla do que outros modelos. 
II. A liberdade de expressão no sistema democrático garante que a 
manifestação de um agente político e de um cidadão possuam 
repercussões equivalentes. 
III. As fake news são manifestações relacionadas à categoria de fontes de 
http://www.facebook.com/EditoraRecord/photos
http://www.facebook.com/EditoraRecord/photos
 
 
22 
informação diversificadas e podem ser utilizadas como estratégia para 
fragilizar o sistema democrático de governo. 
IV. O direito à liberdade de expressão permite a emissão de opinião crítica e 
discursos contrários à democracia e aos direitos humanos. 
 
É correto apenas o que se afirma em 
 
A) I e II 
B) I e III 
C) II e IV 
D) I, III e IV 
E) II, III e IV 
 
 
Comentários: 
I. afirmativa verdadeira, pois de fato a democracia é um sistema que garante mais liberdade que 
os outros modelos existentes. 
II. afirmativa falsa, pois os agentes políticos têm uma série de vantagens que lhes permitem 
exercer sua liberdade de expressão de forma mais eficaz do que os cidadãos comuns. Isso 
significa que suas manifestações têm mais chances de serem ouvidas e de influenciar as 
decisões políticas. 
III. afirmativa verdadeira, pois as fake news são notícias falsas, e se usadas como estratégia, 
podem fragilizar o sistema democrático. 
IV. afirmativa falsa, pois o direito à liberdade não pode sobrepor e ir contra aos ideais da 
democracia e aos direitos humanos. 
FINALIZANDO 
Nesta etapa, compreendemos a abrangência da ética em todas as esferas 
da vida e do conhecimento, destacando sua importância no contexto acadêmico 
para orientar condutas responsáveis na pesquisa, no compartilhamento do 
conhecimento e na interação entre membros da comunidade educacional. Além 
disso, reconhecemos a relevância da compreensão da democracia e da 
cidadania para a formação geral dos estudantes, permitindo uma visão crítica 
sobre os sistemas políticos e promovendo a participação ativa na sociedade. O 
estudo do Estado e sua relação com a sociedade foi destacado como essencial 
para compreender o impacto das instituições públicas na vida dos cidadãos. O 
tema do trabalho foi abordado, sendo importante para entender relações de 
trabalho e seu impacto na construção da identidade e da sociedade. Isso os 
prepara para enfrentar desafios complexos com uma atuação cidadã consciente 
e ética em suas futuras áreas de atuação. 
 
 
23 
REFERÊNCIAS 
AZEVEDO, G.; SERIACOPI, R. História: passado e presente. São Paulo: Ática, 
2016. 
BOBBIO, N. A era dos direitos. Rio de Janeiro: Elsevier, 2004. 
BRASIL. Constituição da Repú8lbica Federativa de 1988. Diário Oficial da 
União, Poder Legislativo, Brasília, DF, 5 out. 1988. 
CALVO. A. Manual de direito do trabalho. São Paulo: Saraiva Educação, 2020. 
CHAUI, M. Convite à filosofia. 13. ed. São Paulo: Ática, 2005. 
COTRIM, G. Fundamentos da filosofia. São Paulo: Saraiva, 2006. 
DICIONÁRIO MICHAELIS. São Paulo: Melhoramentos Ltda, 2023. 
JAPIASSÚ, H; MARCONDES, D. Dicionário Básico de Filosofia. 5. ed. Rio de 
Janeiro: Zahar, 2011. 
SILVA, J. A. Curso de Direito Constitucional Positivo. 44. ed. São Paulo: 
JusPODIVM coedição Malheiros, 2022.

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