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MACROECONOMIA CAPÍTULO 3 - DE QUE FORMA A MACROECONOMIA É PERCEBIDA NO SEGMENTO FINANCEIRO? André AbdalaIntrodução Você sabia que acontecimentos na economia de um país podem influenciar a atividade econômica de outro país? E que não é somente acontecimento pelo lado real (produção, emprego) da economia que influenciam outras nações? Pelo lado financeiro também se influencia as demais economias nacionais. Até mesmo os fatos da conjuntura política em certo governo exercem peso nos acontecimentos em outras economias nacionais. Mas quais são os mecanismos que o governo tem para contrapor essas mudanças econômicas oriundas do cenário externo? Então, o governo conta com as políticas fiscal e monetária, pelas quais pode expandir os gastos públicos e/ou a oferta de moeda, ou mesmo, reduzir os tributos. Para isso, estudaremos como funciona o mercado monetário e sua relação com o mercado de bens e serviços. Ainda assim, para a melhor compreensão da influência estrangeira no mercado doméstico, estudaremos os fatores de economia aberta, exposta às vicissitudes internacionais, cujos efeitos advêm de muitos caminhos, como o aumento da taxa de juros, que atrai muitos capitais para o lado financeiro da economia (BLANCHARD, 2011). Por essa ótica de economia aberta, exposta aos acontecimentos do mundo, veremos como as nossas exportações e importações são afetadas, tanto pelas alterações no lado real, quanto no lado financeiro e, como isso, impacta na demanda agregada e, assim, no crescimento econômico. Vamos estudar esse conteúdo a partir de agora, acompanhe! 3.1 Mercado monetário As relações econômicas são moldadas pelo capital. Quer dizer, o capital molda as atividades na sociedade, seja na sua forma bruta, que é uma maquinaria, ou na sua forma mais líquida, que é a moeda. E sendo assim, os agentes econômicos demandam moeda para investir ou consumir. Entretanto, fluxo monetário não atua por si só. Ele sofre influência pela dinâmica no mercado de bens e serviços, assim como esse mercado é motivado pelo mercado monetário, tendo em vista que quando a taxa de juros sobe, as firmas tendem a investir menos, o que afeta o emprego e a renda. Note que a influência da taxa de juros sobre o produto foi vista quando estudamos a Curva IS. Haja vista variações indesejáveis em certas variáveis econômicas, os Bancos Centrais dispõem de alguns mecanismos para manipular o comportamento da taxa de juros e, por efeito, dos investimentos (BLANCHARD, 2011). 3.1.1 Demanda por moeda Os agentes econômicos demandam moeda devido a três funções essenciais: meio de troca, unidade de conta e reserva de valor (CARVALHO et al., 2000). Clique nos itens a seguir para saber mais sobre eles. Meio de troca A primeira função (meio de troca) evidencia que a moeda facilita as trocas entre os agentes, tendo em vista que a moeda é um mecanismo aceito institucionalmente, como mecanismo de transação econômica.Unidade de conta A segunda função (unidade de conta) refere-se a uma unidade de medida monetária, isto é, os contratos, salário, os preços dos produtos, etc. são medidos por uma unidade de conta, que é a moeda. E a terceira função (reserva de valor) é a capacidade de a moeda manter o valor ao longo do tempo, enquanto a manutenção de outro Reserva de valor ativo como uma máquina ou alguns quilos de feijão pode sofrer depreciação em seu valor. Note que é justamente esta a primeira função que a moeda perde em uma economia com hiperinflação (caso que aconteceu no Brasil quando da "década perdida"). E isso é facilitado porque a moeda possui algumas características econômicas necessárias, que são os custos de estocagem e de transação quase nulos. Ou seja, estocar milho para transacionar é bastante dispendioso, diferentemente de reter moeda.VOCÊ QUER LER? Depois de conhecer os aspectos de diferentes escolas, a partir de agora, toda a teoria macroeconômica toma como fundamento os aspectos da escola novo-keynesiana. Isso quer dizer que Modelo IS-LM está fundamentado nessa escola, que diferentemente da escola clássica, considera as falhas de mercado (GONTIJO, 2009). Disponível em:VOCÊ SABIA? Os agregados monetários são formas em que os agentes demandam moeda. Em ordem decrescente, quanto ao seu grau de liquidez, temos (BANCO CENTRAL DO BRASIL, 2013): M1 = papel-moeda em poder do público + depósito à vista M2 = M1 + depósito em poupança + títulos emitidos por instituições depositárias M3 = M2 + Quotas de fundos depositários + Operações Compromissadas registradas na Selic M4 = M3 + títulos federais. Essas funções permitem que os agentes demandem moeda pelos seguintes motivos expostos a seguir, de acordo com Keynes (2007). Clique para ver. Este motivo apresenta relação direta com o nível de renda e é realizado para a Transação necessidade diária de desembolsos. As pessoas demandam moeda não apenas para transacionarem, mas também Precaução mediante as incertezas futuras. Especulaç Este, por sua vez, dependerá das expectativas dos agentes em relação ao retorno ão futuro, dado pela taxa de juros e outros. Quanto maior a renda, mais os agentes demandam moeda, justamente, porque dispõem de mais unidades de salários, no caso dos trabalhadores, ou de maior nível de lucro, no caso dos empresários. 3.1.2 Determinação da taxa de juros de equilíbrio Uma vez visto o porquê os agentes demandam moeda, agora vamos compreender a relação entre a demanda por moeda e a taxa de juros para entender a Curva LM, a qual relaciona taxa de juros e renda, assim como a Curva IS. A diferença é que a Curva LM observa lado monetário/financeiro, enquanto a Curva IS trata do lado real da economia. Contudo, ambas as curvas se inter-relacionam (BLANCHARD, 2011). Ao elevar a renda, os agentes econômicos passam a demandar mais moeda. Quer dizer, quando a atividade econômica está dinâmica, permitindo condições para que as empresas contratem mais e ofereçam melhores salários, assim como tais empresas obtém melhores lucros e esperam um nível maior de renda, de forma aelevar os investimentos, a demanda por moeda se eleva para, justamente, satisfazer a demanda por investimentos e a demanda por consumo (BLANCHARD, 2011). Efeito semelhante acontece quando governo mira efeito multiplicador. MS MD MD M Figura 1 0 aumento na renda eleva a taxa de juros. Fonte: BLANCHARD, 2011, p. 61. Ao crescer a demanda por moeda (passar de MD para MD'), mantendo a oferta monetária (MS) em nível constante, a taxa de juros (i) sobe, de jeito a encontrar um novo ponto de equilíbrio (i') entre a nova demanda monetária (MD') e a oferta de moeda (MS). MS MS' MD M Figura 2 o aumento na oferta monetária reduz a taxa de juros. Fonte: BLANCHARD, 2011, p. 62. Por sua vez, ao manter a demanda por moeda em nível constante (MD), se o governo elevar a oferta monetária (a mesma aumentar de MS para MS'), a taxa de juros declina (passa de i para i'). Da mesma forma, se diminuir a oferta de moeda, a taxa de juros sobe (BLANCHARD, 2011; CARVALHO, 2000).Note que quando a taxa de juros se reduz, o mesmo acontece com os custos do crédito para os empréstimos e os financiamentos. Em resultado, a renda se eleva, haja vista de que as empresas investirão mais em novos projetos e em outros já existentes, além da maior tomada de empréstimos e financiamento para capital de giro, que é aquela necessidade de capital de curto prazo para atender pagamentos de fornecedores e outras necessidades mais urgentes. HS HD H Figura 3 A taxa de juros de equilíbrio está representada pela igualdade entre oferta monetária do BC e a demanda por moeda do BC. Fonte: BLANCHARD, 2011, p. 70. Logo, essa taxa de juros de equilíbrio, a qual representa uma condição de igualdade entre a demanda por moeda e a oferta de moeda, é determinada pelo Banco Central (BC) por meio, principalmente, das operações de mercado aberto ou, comumente chamadas de open market (BLANCHARD, 2011; CARVALHO, 2000). Clique na interação a seguir para saber mais. As operações open market são as compras de títulos públicos e/ou as vendas dos mesmos. Então, quando o Banco Central vende títulos públicos, reduz a oferta de moeda porque os agentes econômicos pagam, justamente, com moeda para obter tais títulos. Logo, a taxa de juros interbancária, que no Brasil é representada pela Taxa Selic (Sistema Especial de Liquidação e de Custódia), iguala a demanda por moeda interbancária (HD) e a oferta monetária interbancária (HS) (BLANCHARD, 2011; CARVALHO, 2000). Observe que H é soma do papel-moeda em poder do público mais as reservas bancárias ou reservas dos bancos comerciais. Então, H representa a base monetária. Em efeito, o termo interbancário está relacionado à demanda e oferta de moeda entre os bancos comerciais, a qual é regulada por uma taxa de juros interbancária. Portanto, quando o Banco Central vende ou compra títulos públicos, controla o nível de reservas bancárias (BLANCHARD, 2011; CARVALHO, 2000).Quando há reservas excessivas, os bancos comerciais emprestam entre si. Contudo, ante o intuito de regular a taxa de juros, Banco Central vende títulos públicos, de modo a reduzir essa oferta. Em modo contrário, quando há escassez de reservas, o Banco Central compra os títulos públicos, sob uma remuneração aos detentores de tais títulos (BLANCHARD, 2011; CARVALHO, 2000; VASCONCELLOS, 2002). Todavia, objetivo primaz do Banco Central, ao regular a taxa de juros, é controlar a inflação. (CARVALHO, 2000). Note que as operações de mercado aberto são um mecanismo de política monetária ou política do Banco Central para o controle da atividade econômica. Já vimos que ao elevar a taxa de juros, encarece a obtenção de crédito para realizar os investimentos. Isso reduz a demanda agregada. Assim, também, decrescer a taxa de juros eleva os investimentos e, com isso, a demanda agregada. Assista ao vídeo abaixo e aprenda mais sobre o tema. Além das operações de mercado aberto, há outros instrumentos de controle de oferta monetária do Banco Central, que são: emissões de papel-moeda ou monetária: são também chamadas de senhoriagem. A senhoriagem monetária refere-se à criação monetária, sendo que a moeda é uma receita do governo, utilizada para suprir aos gastos governamentais; reservas compulsórias: percentual que os bancos comerciais devem depositar no Banco Central; redesconto: por meio de uma taxa de redesconto, Banco Central realiza empréstimos aos bancos comerciais;regulamentação sobre o volume do crédito e a taxa de juros do crédito (VASCONCELLOS, 2002). VOCÊ CONHECE? Milton Friedman (1912-2006 ) é um dos maiores expoentes do pensamento econômico liberal contemporâneo. Em 1976 ganhou o Prêmio Nobel de Economia por suas pesquisas nos campos da análise do consumo, da história monetária e da teoria e demonstração da complexidade da política de estabilização (GLOBO, 2006). Disponível em: nobel-de-economia-fundador-da-escola-de-chicago-4548119 economia-fundador-da-escola-de-chicago-4548119)>. Agora que vimos 0 relacionamento entre a demanda por moeda/oferta monetária e a taxa de juros, além dos mecanismos de controle de oferta monetária, sendo que as operações de open market são os principais instrumentos do Banco Central, vamos aprender a relação entre o mercado de bens e serviços, que está representado pelo Modelo IS, e mercado monetário/financeiro, cuja representação é o Modelo LM (BLANCHARD, 2011). 3.2 Modelo IS-LM A expansão dos gastos públicos eleva a demanda agregada. Todavia, os fundamentos da economia clássica, demonstram que isso nem sempre acontece, pois, a expansão fiscal pode vir a reduzir os investimentos. Isso seria contraditório, em termos de crescimento econômico. Contudo, aumento dos gastos governamentais também eleva a demanda agregada. E esta quando elevada, afeta positivamente a taxa de juros. Quer dizer, a taxa de juros sobe quando se expande os gastos do governo, em especial, em situação de altos déficits públicos. Essa dinâmica entre gastos do governo e taxa de juros evidencia a relação entre os setores financeiro e real da economia, cujos aspectos são influenciados por cada decisão, independentemente se é lado real ou monetário (BLANCHARD, 2011).3.2.1 Produto de equilíbrio A Curva IS, a qual relaciona o produto/renda a determinado nível de taxa de juros, cuja relação apresenta um produto e uma taxa de juros de equilíbrio. VOCÊ CONHECE? economista Jeffrey D. Sachs tem um foco para o desenvolvimento sustentável, com base na redução da pobreza e de outras vulnerabilidades sociais que passam as economias subdesenvolvidas. Isso significa que Sachs traz uma discussão para além do crescimento econômico. Ou seja, toca no tema da distribuição de renda. Acompanhe sua carreira no portal: . Inclusive vimos que quando a renda aumenta a taxa de juros também é majorada. Logo, um aumento no investimento privado, nos gastos públicos e no consumo, que são fatores correspondentes à demanda agregada, elevará o produto de equilíbrio, assim, como a taxa de juros concernente a esse novo ponto em equilíbrio.i' IS' IS Y Y Figura 4 Nova posição do produto de equilíbrio representado pela Curva IS Fonte: DORNBUSCH; FISCHER, 1991, p. 133. Atente-se que se o governo, por exemplo, realizar uma expansão dos gastos públicos, o produto de equilíbrio irá modificar de Y para Y', assim como a taxa de juros, que alterará de i para i'. 3.2.2 Taxa de juros de equilíbrio Da mesma forma que a Curva IS representa uma relação entre renda e taxa juros, a Curva LM também apresenta essa associação, porém, sob um encadeamento de equilíbrio entre demanda por moeda e oferta monetária. Vimos que ao elevar a oferta monetária, a taxa de juros cai. Assim, se diminuir a oferta de moeda, a taxa de juros sobe. Por sua vez, ao elevar a renda, a demanda por moeda cresce e, da mesma forma, a taxa de juros, enquanto a queda na demanda por moeda declina a taxa de juros (BLANCHARD, 2011). LM LM Y Y Figura 5 Deslocamento da Curva LM sob uma expansão monetária. Fonte: DORNBUSCH; FISCHER, 1991, p. 150.A Curva LM se desloca sobre a Curva IS quando há uma expansão/contração monetária. Isso quer dizer que se o governo reduzir a oferta monetária, a taxa de juros aumenta (passará de i para i'), tendo a Curva LM se deslocando para cima e à esquerda (de LM para LM') sobre a Curva IS. Logo, é a moeda que desloca a Curva LM, conforme a figura 6. Observe que quanto mais inclinada (ou seja, quanto mais na vertical) for a Curva LM, igualmente, mais eficaz é a política monetária. Isto é, mais sensível é investimento à mudança na taxa de juros. LM LM IS Y' Y Figura 6 Curva IS-LM: deslocamento da Curva LM sob uma contração monetária. Fonte: DORNBUSCH; FISCHER, 1991, p. 161. Então, se a Curva LM for pouco inclinada (ou seja, tender a horizontal), quando o Banco Central abaixar ou elevar a taxa de juros, pouco modificará o investimento e, por efeito, a renda pouco variará. Outro fator que eleva a eficácia da política monetária é quando a demanda por moeda é pouco sensível à taxa de juros, isto é, à medida que a taxa de juros varia, a demanda por moeda não muito se modifica (CARVALHO et al., 2000; DORNBUSCH; FISHER, 1991). Já a eficácia da política fiscal é observada pela inclinação da Curva IS. Ou seja, quanto mais inclinada (mais na vertical) a Curva IS, menos sensível investimento à alteração da taxa de juros. Assim, também, o grau de propensão marginal a consumir é outro fator que afeta o nível de eficácia da política fiscal. Portanto, quanto mais alta a propensão marginal a consumir, mais eficaz é a política fiscal. Então, quanto mais vertical é a Curva IS, e mais horizontal é a Curva LM, maior é a eficácia da política fiscal. E no sentido inverso, quanto mais vertical é a Curva LM, e mais horizontal é a Curva IS, maior é a eficácia da política monetária. Observe que a variáveis econômicas que determinam a demanda agregada (consumo, gastos públicos e investimentos) deslocam a Curva IS sobre a Curva LM, conforme a figura 7, a seguir (CARVALHO et al., 2000; DORNBUSCH; FISHER, 1991; LOPES; VASCONCELLOS, 2011; VASCONCELLOS, 2002).LM IS' IS Figura 7 Curva IS-LM: deslocamento da Curva IS sob um aumento na demanda agregada. Fonte: DORNBUSCH; FISCHER, 1991, p. 155. Por outro lado, assim como já vimos nos fundamentos da escola clássica, quando o governo expande seus gastos (IS desloca-se para IS', conforme figura 8), torna a taxa de juros maior (i desloca-se para i'). E isso é um desestímulo aos investimentos, uma vez que o custo do crédito para os financiamentos e investimentos será maior. LM IS' IS Y Figura 8 0 efeito deslocamento: o deslocamento da Curva IS representa queda no nível de investimento devido ao aumento na taxa de juros. Fonte: DORNBUSCH E FISCHER, 1991, p. 178. Quer dizer, a política voltada ao multiplicador econômico pode sofrer um efeito contrário ao pretendido, de crescimento econômico, uma vez que o comportamento da taxa de juros poderá se elevar. Esse fenômeno é chamado de efeito deslocamento ou crowding out. Ou seja, um aumento nos gastos do governo, devido à política fiscal expansionista, não levará a nenhuma alteração no nível de renda/produto da economia. Apenasinduzirá uma elevação da taxa de juros, que, por sua vez, repercurtirá na queda dos investimentos privados na mesma magnitude do aumento dos gastos do governo. Por isso, modelo clássico considera a expansão fiscal totalmente ineficaz. Logo, os governos com altos volumes de dívida pública tendem a sofrer baixos níveis de investimentos (DORNBUSCH; FISHER, 1991). VOCÊ QUER LER? fenômeno armadilha de liquidez se configura numa situação em que a expansão monetária eleva a retenção de moeda, ao invés de estimular o crescimento econômico. Assim, aconteceu com a economia japonesa, em que a política fiscal se torna o meio mais eficaz de fomentar o crescimento econômico (FRAGA; STRACHMAN, 2013). Disponível em: . Efeito semelhante ao crowding out pode ocorrer quando o Banco Central expande a base monetária (papel- moeda em poder do público mais reservas bancárias) ou os meios de pagamento, chamado, também, de M1 (papel-moeda em poder do público mais depósitos à vista). Quer dizer, ao expandir a oferta monetária, tal como já vimos na Teoria Quantitativa da Moeda, estudada dentro dos fundamentos da escola clássica, os preços podem subir, exigindo a subida da taxa de juros pelo Banco Central para conter a alta dos preços (DORNBUSCH; FISHER, 1991). Entretanto, esse fenômeno você verá melhor como funciona ao longo do texto.CASO A partir dos efeitos da crise financeira do subprime (títulos financeiros de alto risco), em 2008, nos Estados Unidos, que atingiu o setor real e levou diversas empresas à falência, tanto no lado real, como no lado financeiro das economias nacionais, a exemplo do banco de investimento Lehman Brothers, muitos governos passaram a adotar o mecanismo de Quantitative Easing (QE), que é um afrouxamento da política monetária. uma forma de expansão monetária, em que os Bancos Centrais adquirem muitos títulos da dívida pública. Assim, procedeu a economia estadunidense, europeia e algumas outras. Ao longo dos efeitos da Crise do Subprime, no Brasil foi adotada a queda na taxa de juros (ou taxa Selic), cuja procedência parte das compras de títulos federais pelo Banco Central. E, inclusive, o governo brasileiro expandiu a oferta de crédito a grandes empresas, além da redução de tributos, a qual é uma forma de política fiscal expansionista (BOMFIM, 2015). Disponível em: para-sair-da-crise-esta-a-caminho-da-europa/ para-sair-da-crise-esta-a-caminho-da-europa/)>. Aprendemos que relacionamento entre os mercados de bens e serviços e mercado monetário é representado pelo modelo IS-LM. Agora iremos expandir essa compreensão ao introduzir o setor externo, posto que a taxa de câmbio, a taxa de juros estrangeira, o produto estrangeiro, o índice de preços externo, entre outros, exercem influência relevam na dinâmica das Curvas IS e LM (BLANCHARD, 2011). 3.3 Macroeconomia aberta Estudamos com frequência aspectos de uma economia fechada, como a própria teoria macroeconômica em sua forma mais simples, tal como o modelo IS-LM. No entanto, as Curvas IS e LM são influenciadas por acontecimentos no cenário internacional. Dessa maneira, o estudo de economia aberta para a compreensão das exportações, importações e outras variações na demanda agregada, torna-se essencial. Muitos governos disputam áreas comerciais para expandir as exportações, sabendo que isso trará maior crescimento econômico, mais opções de bens e serviços e novos empregos aos residentes de certo território nacional.Todavia, caso o governo expanda seus gastos, a renda aumentará. E isso dificultará os ganhos com o comércio internacional. Veremos como isso funciona! 3.3.1 Economia aberta e suas determinações Até agora vimos como funciona a macroeconomia em um ambiente fechado, ou seja, sem o setor externo. Logo, fatos econômicos nos demais países podem influir direta ou indiretamente a dinâmica do mercado interno. Em visto disso, iremos expandir a equação de demanda agregada com a inserção da variável econômica de exportação líquida ou saldo comercial (NX), que é a diferença entre que o país vende para exterior (exportação) e que é comprado do estrangeiro (importação). Logo, o saldo comercial é a exportação menos a importação (BLANCHARD, 2011). DA + + NX Observe que a equação de demanda agregada pouco altera, tendo apenas a inserção das exportações líquidas (NX). E note que foi deixado o consumo em função do produto (Y) e investimento em função da renda (Y) e da taxa de juros (i) para você lembrar que essas variáveis impactam no consumo e no investimento, sendo que a taxa de juros impacta negativamente, justamente por reduzir os investimentos (BLANCHARD, 2011; DORNBUSCH e FISHER, 1991). Quanto aos gastos do governo, é um gasto autônomo porque não depende da renda. Simplesmente, governo pode resolver expandir seus gastos arbitrariamente, independente da atividade econômica (DORNBUSCH e FISHER, 1991). Todavia, já veremos como os gastos públicos afetam a balança comercial, que é outro sinônimo para saldo comercial ou exportações líquidas. 3.3.2 Exportação e Importação Agora que aprendemos a equação de demanda agregada para uma economia aberta, vamos compreender o impacto das exportações e das importações individualmente no produto. Já sabemos que as exportações somam e as importações subtraem. Contudo, ainda não vimos como a dinâmica dessas variáveis de economia aberta afeta a economia doméstica. Clique na interação a seguir para começar o estudo deste tópico. Vamos começar aprendendo o que é a taxa nominal de câmbio ou, simplesmente, taxa de câmbio, como lemos nos jornais. A taxa de câmbio é o valor de uma moeda nacional em relação à moeda de outro país, que, geralmente, é usado uma moeda forte, como o Euro e o Dólar estadunidense, visto que são moedas altamente intercambiáveis no comércio internacional (BLANCHARD, 2011; DORNBUSCH e FISHER, 1991; LOPES; VASCONCELLOS, 2011). Entretanto, pode acontecer de o Brasil e a Argentina firmarem trocas entre si usando as suas respectivas moedas domésticas, ou seja, o exportador brasileiro recebe em Peso Argentino, enquanto exportador argentino recebe em Real (BLANCHARD, 2011; DORNBUSCH e FISHER, 1991; LOPES; VASCONCELLOS, 2011). Agora imagina um continente inteiro transacionando em uma única moeda, que não 0 dólar. Na União Europeia, exceto 0 Reino Unido, utiliza-se o Euro nas trocas internacionais.Assim é o mecanismo de taxa de câmbio, utilizado nas trocas entre economias nacionais. Se em uma economia nacional a moeda está mais valorizada que a moeda de outro país, dizemos que é preciso menos unidades monetárias para adquirir a moeda estrangeira, menos valorizada ou desvalorizada. Por exemplo, se hoje precisamos de 2 reais para adquirir 1 dólar e amanhã precisarmos de 3 reais, dizemos que a moeda brasileira se desvalorizou frente ao dólar ou que o câmbio subiu. E se precisarmos de 1,50 reais para comprar 1 dólar, neste caso, a moeda brasileira se valorizou ante o dólar. Atente-se que na desvalorização cambial a taxa sobe porque é preciso mais reais (R$) para adquirir um dólar (US$), considerando US$ R$ E na valorização cambial, a taxa cai, porque é preciso menos reais (R$) para adquirir um dólar (US$). A desvalorização (ou depreciação) na taxa de câmbio torna a exportação mais competitiva, porque o produto de quem vende no mercado externo fica mais barato, em comparação aos bens e serviços produzidos naquela economia estrangeira. Já quando há valorização (ou apreciação) cambial, produto importado fica mais barato perante a mercadoria produzida domesticamente (BLANCHARD, 2011; DORNBUSCH e FISHER, 1991; LOPES; VASCONCELLOS, 2011). Desse modo, vemos como a valorização ajuda a controlar a inflação, que é o aumento generalizado nos preços. Com a introdução de produtos importados mais baratos, os produtores nacionais são estimulados a não elevarem seus preços para se manterem competitivos no mercado diante dos produtos estrangeiros. Sobre esse efeito, veremos no próximo capítulo. Todavia, a valorização excessiva, caso a produção nacional não esteja bem desenvolvida tecnologicamente para obter ganhos de produtividade, os quais permitem redução de custos de produção, tende a prejudicar o desenvolvimento da indústria nacional. Porém, como a questão do impacto da valorização no desenvolvimento industrial não é o foco desta disciplina, não iremos nos ater nesse escopo. Mas, apenas, ao impacto da importação e exportação na demanda agregada.VOCÊ QUER LER? No artigo "Evolução da exportação e importação no Brasil", Coelho e Manolescu (2007) expõem alguns dados sobre a exportação e a importação no Brasil. Os autores focam na apresentação dos dados históricos o que, de certo modo, facilita a observação. Nem toda a exportação pressupõe pleno atendimento do mercado interno, mas, por hipótese, pode ser tratado que sim. Disponível em: O.pdf 0.pdf)>. No subtópico anterior havíamos visto que os gastos governamentais declinam o saldo comercial pelo crescimento das importações. Então, isso acontece porque a renda aumenta. Quando produto se eleva, o consumo e os investimentos também aumentarão. Logo, os consumidores passarão a consumir mais produtos fabricados internamente e, também, importados. Da mesma forma, as empresas irão adquirir mais máquinas e ferramentas e outras formas de tecnologias produzidas internamente e externamente. Em efeito, o crescimento na renda dos outros países ajuda a elevar as exportações. Por isso, a Organização Mundial do Comércio (OMC) defende a abertura comercial, a qual implica redução barreiras tarifárias (tributos para importados) e barreiras não tarifárias (medidas fitossanitárias, por exemplo) já que o crescimento do comércio internacional favorecerá as respectivas economias inseridas nesse comércio.VOCÊ SABIA? A Curva J representa uma defasagem temporal na taxa de câmbio. Quer dizer, como toda variável na economia, leva um tempo para que a alta na taxa de câmbio eleve as exportações. Isso quer dizer que, num primeiro momento, as despesas com importações sobrepõem até aumento na receita com exportados (BLANCHARD, 2011). Então, a expansão dos gastos públicos elevará a importação porque os agentes econômicos terão mais renda, na forma de salários e lucros, para demanda com consumo e investimentos do exterior. VOCÊ QUER VER? o filme Senhor das Armas (NICCOL, 2005), retrata o caso de um mercador de armas que trafica por diferentes continentes no mundo, sob a garantia do governo estadunidense. Apesar de ilegal, essa é uma forma da indústria armamentista exportar seus produtos e exercer a sua influência para vender cada vez mais. Vimos como funciona a economia com a inserção de algumas variáveis abertas. Mas, não vimos todas. Estudaremos, no próximo tópico, a taxa real de câmbio, que, diferentemente da taxa nominal, se considera o impacto dos índices de preços na variação da taxa real. Também, veremos a relação que as Curvas IS-LM têm na macroeconomia aberta.3.4 Modelo IS-LM-BP A partir de agora você vai conhecer como funciona a ligação dos mercados de bens e serviços (representado pela curva IS) e do mercado monetário/financeiro (representado pela curva LM) com setor externo da economia (representado, aqui, pela introdução da curva BP ao modelo IS/LM). Às vezes, quando a taxa de juros sobe, pode-se atrair capitais e favorecer as exportações, a despeito do impacto nos investimentos (BLANCHARD, 2011). Por isso, a compreensão do cenário externo permite uma visão global da macroeconomia, tendo em vista que nenhuma economia nacional está isolada do restante do mundo. Dessa forma, veremos o encadeamento entre a taxa de juros e a taxa de câmbio e a sua respectiva dinâmica nas decisões de exportação ou importação, cuja ligação é tratada por paridade-juros, haja vista de que nessa paridade, em uma situação de equilíbrio, a taxa de juros interna é igual à taxa de juros externa (BLANCHARD, 2011). 3.4.1 real de câmbio, fluxos internacionais, Paridade Juros e BP Vimos anteriormente que a desvalorização cambial favorece as exportações, enquanto a valorização no câmbio estimula os artigos importados. No entanto, esta análise está incompleta, porque há outro fator que corrobora muito para a questão da competitividade: o nível geral de preços. Vamos agora olhar o câmbio, não pela ótica nominal, mas pela ótica real, ou seja, a taxa real de câmbio. Clique na interação a seguir. Sendo assim, temos a condição Marshall-Lerner, em que a depreciação real eleva o superávit comercial. Logo, a apreciação real diminui as exportações líquidas (BLANCHARD, 2011). P Observe que a taxa real de câmbio (ε) é afetada positivamente pela taxa nominal de câmbio (P) multiplicada pelo nível geral de preços da economia estrangeira (P*). Já nível geral de preços da economia doméstica reduz a taxa real de câmbio, isto é, a valoriza. Isso significa que economias que sofrem do problema inflacionário, que é a alta persistente nos preços em geral, sofrem perda de competitividade em seus itens exportados. Além do canal do câmbio no mercado de bens e serviços, ainda não vimos como a Curva LM impacta na dinâmica de uma economia aberta. Neste quesito, a Condição da Paridade Juros apresenta uma relação negativa entre taxa de juros e a taxa de câmbio. 1+iNa paridade juros, a taxa nominal de câmbio (E) é valorizada, ou seja, é reduzida, quando a taxa interna de juros (i) for maior do que a taxa de juros estrangeira (i*) i > i*, porque os investidores tenderão a comprar mais títulos públicos domésticos, já que observarão melhores oportunidades de ganhos em rentabilidade. Desse modo, quando taxa interna de juros sobe (não esqueça que é a taxa básica de juros, aquela determinada pelo Banco Central, a Taxa Selic, no Brasil) mais capitais, ou seja, mais dólares, euros, etc. entram no mercado interno. E quanto mais moeda estrangeira, mais depreciada fica essa moeda em relação à moeda nacional, que fica mais apreciada (BLANCHARD, 2011). Da mesma maneira, quando a taxa estrangeira de juros (i*) sobe, os investidores irão querer investir mais nos títulos públicos estrangeiros, além de outras aplicações indexadas à taxa básica de juros, o que irá elevar a saída de capitais e a consequente desvalorização no câmbio (BLANCHARD, 2011). Igualmente, a taxa de câmbio esperada afeta seu valor presente porque a expectativa de alta na taxa significa que os investidores esperam saída de capitais, em favor de outra economia nacional. Por consequência, essa expectativa é antecipada no ato presente, como uma forma de se adiantar a um benefício ou mesmo de se precaver de uma perda (BLANCHARD, 2011). Observe o gráfico: Paridade juros E Figura 9 A Condição de Paridade Juros representa uma relação entre a taxa de juros e a taxa de câmbio. Fonte: BLANCHARD, 2011, p. 381. Logo, observe no gráfico da Condição de Paridade Juros a relação negativa entre taxa de juros e taxa de câmbio. Quando a primeira taxa sobe, a segunda tende a sofrer uma queda. Contudo, os investidores não observam apenas a variação na taxa de juros, mas a comparam com a de outra economia. Quer dizer que se taxa interna de juros estiver maior do que a estrangeira, os investidores preferirão os títulos da economia nacional, ao invés da estrangeira. Por efeito, os fluxos de capitais irão aumentar no mercado interno (BLANCHARD, 2011; DORNBUSCH e FISHER, 1991).Então, a conta capital, que capta esses fluxos internacionais no Balanço de Pagamentos (BP), aumentará. BP também contabiliza saldo comercial dentro de outro saldo, chamado de conta corrente ou transações correntes, as quais captam também a exportação e a importação de serviços, enquanto saldo comercial foca no volume de comércio de bens (BLANCHARD, 2011; DORNBUSCH e FISHER, 1991). 0 Modelo IS-LM-BP traz essa relação, de modo mais completo, em que 0 crescimento da demanda agregada, representado pela Curva IS, eleva a taxa de juros e, com isso, fluxo de capitais. E maior ingresso de capitais valoriza o câmbio e, em efeito, reduz a exportação líquida. Dinâmica semelhante ocorre quando há uma contração monetária, que eleva a taxa de juros, que, por fim, igualmente, diminui o saldo comercial (X - M). LM i=i* BP IS Y Figura 10 o Modelo IS-LM-BP relaciona as ações das políticas fiscal e monetária com o setor externo. Fonte: DORNBUSCH; FISCHER, 1991, p. 232. Uma relação de equilíbrio no Modelo IS-LM-BP é quando a taxa doméstica de juros se iguala à taxa estrangeira de juros (i i*), ou seja, quando se verifica a paridade de juros. Em vista disso, o modelo Mundell-Fleming toma essa condição de igualação de taxas de juros interna e estrangeira, só que tendo como alvo uma taxa de câmbio fixa, ou seja, que não flutua, conforme a dinâmica dos fluxos de capitais, que ocorrem pelos diversos fatores que já vimos, como a mudança na taxa básica de juros (BLANCHARD, 2011; DORNBUSCH e FISHER, 1991). Sendo assim, o modelo Mundell-Fleming representa a perfeita mobilidade de capital com câmbio fixo. A taxa de juros interna deve estar igual à taxa de juros externa, garantindo, portanto, a tal paridade dos juros. Se o Banco Central elevar a oferta monetária, a taxa de juros irá cair e a taxa de câmbio subirá. Para manter o câmbio fixo, o Banco Central deve estar disposto a vender (ou comprar, caso haja um movimento que decline a taxa de câmbio) moeda estrangeira para obter como pagamento a moeda nacional e assim voltar a base monetária (papel-moeda em poder do público mais reservas bancárias para nível anterior ao da oferta monetária) (BLANCHARD, 2011). Porém, para compreender melhor este assunto, é necessário conhecer os tipos de regimes cambiais existentes, o que será visto a seguir. 3.4.2 Regimes Cambiais Há dois regimes cambiais principais: 0 flutuante ou flexível e 0 fixo. 0 regime de câmbio flutuante permite que a livre circulação de capitais defina a taxa de câmbio, ou seja, 0 câmbio passa a ser uma taxa determinada pela dinâmica do mercado (BLANCHARD, 2011; MODENESI, 2005).Porém, 0 regime de câmbio flutuante tem a suas variantes, como a flutuação suja, que, implicitamente, 0 Banco Central monitora, de jeito que não deixe valorizar ou desvalorizar muito. Essa é uma prática bastante comum entre os Bancos Centrais (MODENESI, 2005). VOCÊ SABIA? Em um regime de câmbio fixo, as reservas internacionais (reservas de moedas estrangeiras) são variáveis endógenas e taxa nominal de câmbio é uma variável exógena. Já em um regime de câmbio flutuante, o câmbio é uma variável endógena, enquanto as reservas internacionais são variáveis exógenas (SILVA, 2014). Disponível em: No regime de câmbio fixo, o Banco Central mira, justamente, uma taxa fixa ou meta de câmbio. Isso não quer dizer que a taxa de câmbio fica inerte, mas que varia pouco. Entretanto, para isso dar certo, o Banco Central precisa dispor de um volume considerável de reservas internacionais para vender moeda estrangeira quando o câmbio sofra depreciação. Se a economia não dispor de um volume razoável de reservas de moeda estrangeira, pode ficar refém de uma fuga abrupta de capitais. E, qualquer dívida pública indexada à taxa de câmbio irá se elevar consideravelmente, já que com a desvalorização cambial, o governo, assim como as empresas endividadas com o financiamento externo, terá que dispor de muito mais recursos, em pouco tempo, para saldar as dívidas (MODENESI, 2005). E essa situação de falta de liquidez em moeda estrangeira tende a agravar a saída de capitais, os quais esperam uma depreciação cambial, tendo como rumo os títulos financeiros de outras economias nacionais, que venham a se mostrar mais seguros. Uma forma de aplicar regime de câmbio fixo com mais segurança é a dolarização, que é a substituição da moeda nacional pela estrangeira, de modo a tornar a moeda estrangeira como a única corrente, assim como o Equador fez no ano de 2000, como objetivo de combate à inflação (no próximo capítulo veremos essa relação entre câmbio e inflação). Contudo, a política monetária perde autonomia, pois Banco Central não imprime mais a sua moeda, 0 que também torna a economia nacional sujeita às vicissitudes do cenário internacional (GIUSTINA, 2015).VOCÊ QUER LER? Com intuito de conter a inflação, em 1991, governo argentino adota o Plano de Conversibilidade ou, também, currency board, que é a troca da moeda estrangeira pela moeda nacional. Porém, a economia argentina não suportou choques externos (do cenário internacional) e, por consequência, a situação se agravou (FERRARI; CUNHA, 2008). Disponível em: Outra forma de administrar o câmbio são as bandas cambiais, que diferentemente do câmbio flutuante sujo, o qual trabalha com uma banda implícita, a prática das bandas cambiais é mais visível, pois tem o teto máximo e mínimo de câmbio divulgado (MODENESI, 2005). VOCÊ SABIA? Tendo em vista que as reservas internacionais são variáveis endógenas e o câmbio exógeno no regime de câmbio fixo, a moeda e produto são as únicas variáveis endógenas. E no regime de câmbio flutuante, as variáveis endógenas são o produto ea taxa de juros, já que câmbio é endógeno e as reservas internacionais exógenas (BLANCHARD, 2011; SILVA, 2014).Você aprendeu como funciona a dinâmica das Curvas IS e LM em uma economia fechada e seu encadeamento, sob a inserção do setor externo, que condiciona variáveis, como a taxa de câmbio e a taxa externa de juros, além das diferentes formas de regimes cambiais, que se aplicam, de acordo com a ótica do governo de plantão. No Brasil, o câmbio flutuante já está institucionalizado. No próximo capítulo aprenderemos mais sobre aspectos que afetam a dinâmica macroeconômica, inclusive, diante dos aspectos de uma economia aberta, como o peso da taxa de câmbio e do risco-país (outra variável de economia aberta) na inflação. Síntese Chegamos ao final do capítulo. Aprofundamos nosso conhecimento sobre os estudos relacionados ao mercado de bens e serviços e mercado monetário/financeiro perante a compreensão de uma economia exposta ao cenário internacional. Neste capítulo, você teve a oportunidade de: compreender que aumento na renda eleva a demanda por moeda e correspondente crescimento na taxa de juros; compreender que os gastos públicos elevam a renda, mas também as importações; aprender a Condição de Paridade Juros, cuja relação entre taxa de câmbio e taxa de juros permite a compreensão do modelo IS-LM- BP; conhecer os efeitos da taxa real de câmbio, sabendo-se que não é somente volume de moeda estrangeira que determina câmbio, mas também índice de preços. Clique para baixar o conteúdo deste tema. PDF Bibliografia BANCO CENTRAL DO BRASIL. PEDD Padrão Especial de Disseminação de Dados Panorama das Sociedades de Depósitos. Portal Banco Central do Brasil, 03/01/2013. Disponível em: Acesso em: 4/2/2019. 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