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BIOÉTICA aula 1 DRª ROBERTA CRISTINA BIOÉTICA Definição e Origem: Deriva de bios (vida/ pulsante, vivos enquanto corpos) e ethos (ética/conduta), focando nas condutas morais frente às ciências da vida. Surgiu com força após abusos na Segunda Guerra Mundial (1939 -1945), buscando colocar a vida acima do progresso científico. BIOÉTICA Definição e Origem: É o estudo transdisciplinar que une ciências biológicas, saúde e ética para analisar condutas humanas em pesquisas e tratamentos, garantindo a dignidade e direitos humanos. Um pouco de história: SEGUNDA GUERRA MUNDIAL (1939- 1945) ALEMANHA NAZISTA DE HITHLER HOLOCAUSTO (GENOCÍDIO) “HIGIENE RACIAL” LEIS DE NUREMBERG (1935): foram o marco legal da perseguição nazista, dividindo a sociedade e visando a "pureza" da raça ariana JUSTIFICATIVAS DE HITLER: - Apoio ao Esforço de Guerra (Militar) - Avanço da Ideologia Racial e Eugenia - Desenvolvimento Farmacêutico e de Doenças - "Cura" da Homossexualidade Leis de Nuremberg, 1935 Principais Pontos: Lei para a Proteção do Sangue e da Honra Alemã: Proibiu casamentos e relações sexuais entre judeus e alemães, além de proibir judeus de empregar mulheres alemãs com menos de 45 anos. Lei da Cidadania do Reich: Determinou que apenas pessoas de "sangue alemão" ou relacionado poderiam ser cidadãos. Judeus foram reclassificados como "sujeitos do Estado", perdendo direitos. Definição Racial: A legislação baseava-se em critérios de "sangue", não apenas na religião, afetando também convertidos ao cristianismo que tivessem ascendência judaica. Marginalização Profissional e Social: Ao longo dos anos seguintes, medidas suplementares baniram judeus de profissões, negócios e espaços públicos. COMO FORAM OS EXPERIMENTOS: Apoio ao Esforço de Guerra (Militar): Experimentos foram realizados para ajudar o exército alemão a lidar com ferimentos e condições de combate: Hipotermia (Dachau): Imergir prisioneiros em água gelada para medir quanto tempo um humano sobreviveria e testar métodos de reanimação, visando salvar pilotos da Luftwaffe abatidos no mar. Alta Altitude (Dachau): Uso de câmaras de descompressão para simular altitudes elevadas, testando a resistência dos pilotos sem oxigênio. Tratamento de Ferimentos: Ferir propositalmente prisioneiros e infectá-los com bactérias (como tétano ou gangrena) para testar novos medicamentos como sulfanilamida. Água do Mar: Testar a potabilidade da água do mar tratada para uso de marinheiros. COMO FORAM OS EXPERIMENTOS: Avanço da Ideologia Racial e Eugenia: Pesquisas destinadas a provar a superioridade ariana e a inferioridade de grupos como judeus, ciganos e eslavos: Esterilização em Massa (Auschwitz/Ravensbrück): Desenvolvimento de métodos rápidos e eficientes de esterilização forçada (raios-X, injeções de substâncias cáusticas) para esterilizar milhões de pessoas com o mínimo de tempo e esforço. Experimentos com Gêmeos (Josef Mengele): Mengele, em Auschwitz, realizou experimentos bizarros e cruéis em gêmeos (frequentemente crianças) para investigar a hereditariedade e tentar aumentar a taxa de natalidade ariana, incluindo tentativas de mudar a cor dos olhos ou costurar gêmeos para criar siameses artificiais. Antropologia e Anatomia: Coleta de esqueletos e órgãos de prisioneiros judeus para criar um "museu" da raça que os nazistas pretendiam extinguir COMO FORAM OS EXPERIMENTOS: Desenvolvimento Farmacêutico e de Doenças: Vacinas e Venenos: Testes de imunização contra doenças contagiosas como malária, tifo, tuberculose, febre amarela e hepatite infecciosa (Buchenwald, Natzweiler). Venenos: Testar o efeito de diferentes venenos na alimentação e em balas venenosas. "Cura" da Homossexualidade: Experimentos realizados em Buchenwald por Carl Værnet para tentar "curar" a homossexualidade masculina, incluindo a implantação de glândulas sexuais artificiais BIOÉTICA Definição e Origem: Surgiu a década de 1970, consolidada por Van Rensselaer Potter como uma “ponte” entre ciências biológicas e humanidades, visando garantir a sobrevivência humana e o respeito à vida. O campo evoluiu após atrocidades nazistas (código de Nuremberg, 1947) e escândalos de pesquisas, buscando limitar abusos técnicos e médicos. Marcos principais da história da bioética 1927 – origem do termo: o pastor alemão Fritz Jahr utiliza o termo bio-ethik pela primeira vez, propondo obrigações éticas com todos os seres vivos. 1947 – código de Nuremberg: após os crimes nazistas, este documento estabeleceu normas fundamentas para a pesquisas com seres humanos, focando no consentimento voluntário Marcos principais da história da bioética 1970/1971 – Consolidação de Potter: o oncologista americano Van Renssealaer Potter introduz o conceito moderno de bioética em “bioethics, the Science of survival” (Bioética, a ciência da sobrevivência) ,preocupado com o desenvolvimento científico e o futuro do planeta. 1978 – Relatório Belmont: define princípios (respeito as pessoas, beneficência, justiça) para pesquisas com humanos, influenciado por escândalos como o estudo de Tuskegee Marcos principais da história da bioética 1979 – Princípios de Beauchamp e Childress: obras fundamentas que formalizaram os quatro princípios da bioética (principialismo) Década 1990 – Sociedade Brasileira de Bioética 2005 – Declaração Universal sobre Bioética e Direitos Humanos (UNESCO): Consolida os princípios bioéticos no plano internacional Fritz Jahr (1895–1953) Pastor e educador protestante alemão, foi o criador do termo e conceito "Bioética" em 1927. Ele propôs o "Imperativo Bioético", estendendo a ética kantiana a todas as formas de vida (humanos, animais e plantas), baseando-se no respeito e compaixão pela biosfera, antecipando debates ecológicos É uma abordagem focada em uma "bioética integrativa" e respeitosa com a vida, continua a ser relevante e amplamente estudada nos debates contemporâneos sobre a responsabilidade humana com a biosfera Principais Aspectos da Bioética de Fritz Jahr: Origem: O termo apareceu pela primeira vez no artigo de 1927, "Bio-Ethik: Eine Umschau über die ethischen Beziehungen des Menschen zu Tier und Pflanze" (Bioética: Uma revisão das relações éticas dos humanos com os animais e plantas), publicado na revista Kosmos. Imperativo Bioético: Jahr defendeu que os seres humanos devem tratar todas as formas de vida (não apenas humanas) com respeito e compaixão. Conceito Holístico: Diferente da visão mais centrada no ser humano de Potter na década de 1970, a bioética de Jahr abrange uma visão mais ampla, incluindo a proteção ambiental e dos animais. Reconhecimento: Embora esquecido por um tempo, a obra de Jahr foi redescoberta em 1997, reconhecendo-o como o verdadeiro pioneiro da disciplina, com influências da filosofia, teologia e da cultura germânica. Código de Nuremberg - 1947 É um conjunto de dez princípios éticos para pesquisa envolvendo seres humanos, elaborado em 19 de agosto de 1947. Ele surgiu como consequência do "Julgamento dos Médicos“; um dos Processos de Nuremberg pós-Segunda Guerra Mundial. É considerado o documento fundador da bioética moderna e o primeiro código internacional a estabelecer limites éticos na experimentação humana. Importância Histórica: Marco Ético: Estabeleceu o consentimento informado como a base da pesquisa ética. Resposta às Atrocidades: Foi a resposta direta do tribunal aos crimes contra a humanidade cometidos pelos médicos nazistas. Influência: Serviu de base para documentos posteriores Os 10 princípios do Código de Nuremberg - 1947 Consentimento Voluntário é Essencial: O participante deve ter capacidade legal para consentir, ser livre de coerção, fraude ou força, e ter conhecimento suficiente da pesquisa. Resultados Frutíferos: O experimento deve visar resultados positivos para a sociedade que não podem ser obtidos por outros métodos. Base Científica: Deve ser baseadoem experimentação animal prévia e conhecimento da história natural da doença. Evitar Sofrimento Desnecessário: Devem ser evitados danos físicos e mentais desnecessários. 16 Os 10 princípios do Código de Nuremberg - 1947 Risco Limitado: Experimentos não devem ser realizados se houver razões para acreditar que a morte ou invalidez permanente ocorrerão. Grau de Risco vs. Benefício: O grau de risco nunca deve exceder a importância humanitária do problema a ser resolvido. Proteção contra Danos: Cuidados especiais devem ser tomados para proteger o participante, mesmo contra danos remotos. Pessoas Qualificadas: A pesquisa deve ser conduzida apenas por cientistas cientificamente qualificados. 17 Os 10 princípios do Código de Nuremberg - 1947 Liberdade de Retirada: O participante tem a liberdade de interromper sua participação a qualquer momento. Dever de Interromper: O pesquisador deve estar preparado para suspender o experimento em qualquer estágio se houver razões para acreditar que a continuação causará dano ou morte. 18 van Potter (1911 – 2001) Amplamente reconhecido por popularizar o termo Bioética na década de 1970. Sua visão ia muito além da ética médica tradicional, propondo uma "ciência da sobrevivência" que unisse o conhecimento biológico aos valores humanos. Os 4 Grandes Bioproblemas que a bioética deveria enfrentar para evitar o colapso da civilização: Crescimento demográfico (superpovoamento). Degradação ambiental (poluição e destruição de ecossistemas). Alimentação (segurança alimentar e fome). Saúde (incluindo dilemas médicos e preventivos) 19 “bioethics, the Science of survival” - Potter (Bioética, a Ciência da Sobrevivência) É o conceito que define a bioética como uma ponte entre as ciências biológicas e as humanidades (valores éticos). Seu objetivo é garantir a sobrevivência humana e do ecossistema, unindo conhecimento técnico com sabedoria. É um campo interdisciplinar que combina ciência, valores e responsabilidade para garantir que a humanidade sobreviva às suas próprias intervenções tecnológicas. 20 “bioethics, the Science of survival - potter (Bioética, a Ciência da Sobrevivência) Origem: Proposta pelo bioquímico Van Potter para superar a lacuna entre o avanço tecnológico (ciência "dura") e a ética (humanidades), visando um futuro sustentável. O que significa "Ciência da Sobrevivência": Não se limita apenas à ética médica, mas busca criar uma "nova ética" que integre biologia, medicina, filosofia e ecologia para preservar a vida no planeta. A "Ponte": Potter propôs usar a biologia para fornecer fatos e as humanidades/filosofia para fornecer valores, guiando a ação humana contra o mau uso do conhecimento. Foco na Sobrevivência: A bioética, nessa perspectiva, é necessária para lidar com problemas biológicos e de saúde, assegurando a qualidade de vida e a sustentabilidade, com humildade perante a natureza 21 van Potter (1911 – 2001) Evolução para a Bioética Global: Mais tarde, em 1988, Potter expandiu seu conceito para a Bioética Global. Ele temia que a bioética estivesse se tornando restrita apenas a questões clínicas e hospitalares, perdendo seu caráter ecológico e planetário. Sua proposta final era uma ética que considerasse não apenas o indivíduo, mas o equilíbrio de todo o ecossistema global. 22 Relatório Belmont Criado em resposta a escândalos como o estudo Tuskegee, o documento visa proteger os participantes e orientar os Comitês de Ética. Possue 3 princípios base para a ética em pesquisa envolvendo seres humanos em todo o mundo, influenciando diretamente as regulamentações em muitos países, incluindo o Brasil, ate os dias atuais. 23 Um pouco mais de história – Tuskegee (alabama) ESTUDO DA SIFÍLIS NÃO TRATADA EM HOMENS NEGROS (1932-1972) OBJETIVO: OBSERVAR PROGRESSO NATURAL DA DOENÇA PÚBLICO ALVO: HOMENS NEGROS POBRES 600 HOMENS: 399 COM SIFÍLIS 201 GRUPO DE CONTROLE ENGANO: “TRATAMENTO DE SANGUE RUIM” 1940: DESCOBERTA DA PENICILINA INCENTIVO: ALIMENTAÇÃO TRANSPORTE PARA” TRATAMENTO” SEGURO FUNERÁRIO IMPACTO ÉTICO: DEZENAS DE MORTES TRANSMIÇÃO PARA 40 MULHERES NASCIMENTO DE 26 CRIANÇAS COM SIFÍLIS CONGENITA 24 Relatório Belmont - princípios fundamentais Respeito pelas Pessoas (Autonomia): Indivíduos como Agentes Autônomos: As pessoas devem ser tratadas com autonomia, permitindo que decidam por si mesmas. Proteção: Pessoas com autonomia reduzida (crianças, prisioneiros, doentes mentais) exigem proteção especial. Consentimento Livre e Esclarecido: Aplicação prática que garante que os participantes tenham informações, compreensão e voluntariedade. 25 Relatório Belmont - princípios fundamentais Beneficência (Bem-estar): Não Maleficência: O princípio de "não causar dano" a outrem Maximizar Benefícios/Minimizar Riscos: Obriga os pesquisadores a equilibrar os riscos com os benefícios potenciais, assegurando o bem-estar dos sujeitos. Justiça (Equidade): Distribuição Justa: Determina que os riscos e os benefícios da pesquisa sejam distribuídos equitativamente, evitando a exploração de grupos vulneráveis. Seleção de Participantes: Aplicação prática na seleção justa e imparcial dos participantes da pesquisa 26 EQUIDADE TRATAR PESSOAS DE FORMA JUSTA PARTICULARIDADES NECESSIDADES DESAFIOS ESPECIFICOS RECURSOS PERSONALIZADOS BUSCA O EQUILÍBRIO AO AJUSTAR DESEQUILÍBRIOS IGUALDADE O MESMO PARA TODOS Princípios de Beauchamp e childress Os quatro princípios de Beauchamp e Childress, formulados em 1979 na obra Princípios de Ética Biomédica, formam a base do principialismo na bioética. Eles guiam decisões éticas em saúde e pesquisa, analisando o respeito às escolhas do paciente com o dever de fazer o bem, evitar danos e distribuir recursos de forma justa. 28 PRINCÍPIOS DA BIOÉTICA Aborda dilemas morais (aborto, eutanásia, manipulação genética) e protege a vida, buscando conciliar o avanço científico com valores morais, utilizando quatro princípios fundamentais: autonomia, beneficência, não maleficência justiça. Princípios de Beauchamp e childress Esses princípios não são hierárquicos e podem entrar em conflito. Nesses casos, utiliza-se a ponderação (avaliação de qual princípio pesa mais no contexto) e a especificação (reduzir a abstração do princípio para regras aplicáveis a um caso concreto) 30 Principais Diferenças (Potter x Beauchamp e Childress) Característica Potter (Bioética Global) Beauchamp e Childress (Principialismo) Abordagem Ampla, holística, ecológica Teoria aplicada, principialista Foco Sobrevivência da humanidade/Terra Resolução de dilemas clínicos/pesquisa Objetivo "Ponte" entre ciência e humanidades Diretrizes para conduta médica Escopo Global, ambiental, social Médico-biológico, individualizado Contexto Crise ambiental e tecnológica Escândalos em pesquisas (Tuskegee) Resumo Define o que é bioética (sabedoria de sobrevivência) Definem como praticá-la em um ambiente clínico imediato 31 Observações finais (Potter x Beauchamp e Childress) Críticas e Complementaridade Crítica a B&C: O principialismo foi criticado por ser muito individualista (ênfase excessiva na autonomia), anglo-saxônico e por não dar respostas claras quando os princípios entram em conflito. O "Vazio" de Potter: A visão original de Potter foi, por um tempo, ofuscada pela abordagem prática de Beauchamp e Childress, que recebeu mais financiamento e poder político nos EUA, focando no ambiente hospitalar. Intervenção/Resgate: No Brasil, autores como Volnei Garrafa propuseram a Bioética de Intervenção como uma forma de "superar" a limitação do principialismo, trazendo de volta a visão social e global de Potter para periferias, focando na proteção dos vulneráveis 32 Sociedade brasileira de bioética É uma entidade científica, sem fins lucrativos e multidisciplinar, fundadaem 18 de fevereiro de 1995. Principal objetivo é promover o progresso e a difusão da Bioética no Brasil, reunindo profissionais de áreas como medicina, direito, filosofia e biologia. Foi idealizada pelo Prof. Dr. William Saad Hossne, considerado o "pai da bioética" no Brasil e seu primeiro presidente. 33 Sociedade brasileira de bioética Atua no estímulo à produção cultural e acadêmica, assessoria em projetos da área e defesa dos direitos humanos em pesquisas científicas. Organiza o Congresso Brasileiro de Bioética e mantém regionais em diversos estados para descentralizar o debate sobre temas como ética médica, finitude da vida e novas tecnologias. Baseia suas discussões nos pilares da autonomia, beneficência, não-maleficência e justiça. 34 Declaração Universal sobre Bioética e Direitos Humanos da UNESCO (2005) É um marco internacional que estabeleceu princípios éticos vinculados aos direitos humanos para guiar pesquisas, medicina e tecnologias, focando na dignidade humana, vulnerabilidade, justiça social e proteção do meio ambiente, adotada por 191 países. Adotada por unanimidade em 19 de outubro de 2005, a declaração ampliou a bioética para além da biomedicina, focando em questões sociais. É um instrumento normativo que orienta estados, instituições e indivíduos, com forte ênfase na proteção dos mais vulneráveis e na justiça social. 35 Declaração Universal sobre Bioética e Direitos Humanos da UNESCO (2005) Princípios Fundamentais: Dignidade humana e Direitos Humanos: Respeito absoluto à pessoa. Benefício e Dano: Maximizar benefícios e minimizar danos. Autonomia e Responsabilidade Individual: Respeito à capacidade de decisão. Consentimento: Informado e livre. Vulnerabilidade: Proteção de indivíduos e grupos vulneráveis. Privacidade e Confidencialidade: Proteção de dados. 36 Declaração Universal sobre Bioética e Direitos Humanos da UNESCO (2005) Princípios Fundamentais: Igualdade, Justiça e Equidade: Tratar de forma justa. Diversidade Cultural e Pluralismo: Respeito às diferenças. Solidariedade e Cooperação: Fomento à ajuda mútua. Responsabilidade Social e Saúde: Foco no acesso à saúde e qualidade de vida. Compartilhamento de Benefícios: Partilha dos avanços científicos. Proteção das Gerações Futuras e do Meio Ambiente: Sustentabilidade 37 BIOÉTICA aula 2 DRª ROBERTA CRISTINA PRINCÍPIOS DA BIOÉTICA Equidade: principio de tratar as pessoas de forma justa 39 PRINCÍPIOS DA BIOÉTICA Fornecem um marco ético para orientar decisões médicas, pesquisas e dilemas relacionados à vida e saúde. Visam equilibrar o respeito à vontade do paciente com a promoção do bem e a distribuição justa de recursos. Equidade: principio de tratar as pessoas de forma justa 40 PRINCÍPIOS DA BIOÉTICA autonomia Respeito à capacidade de escolha e autodeterminação do paciente. Respeito pela Autonomia: Reconhecer o direito do paciente de tomar suas próprias decisões sobre cuidados médicos, baseado na capacidade de autodeterminação. Equidade: principio de tratar as pessoas de forma justa 41 PRINCÍPIOS DA BIOÉTICA autonomia Reconhece a capacidade e o direito do paciente de tomar decisões sobre sua própria vida, corpo e tratamentos, baseando-se em informações adequadas, sem coerção. Rompe com o paternalismo médico, garantindo que o paciente consinta ou recuse procedimentos. Equidade: principio de tratar as pessoas de forma justa 42 PRINCÍPIOS DA BIOÉTICA beneficiência Ação de fazer o bem e buscar o máximo benefício. A obrigação moral de agir no melhor interesse do paciente, promovendo seu bem-estar. Equidade: principio de tratar as pessoas de forma justa 43 PRINCÍPIOS DA BIOÉTICA beneficiência Estabelece a obrigação de agir no melhor interesse do paciente, maximizando os benefícios e minimizando os riscos ou danos. Envolve promover o bem-estar e saúde. Equidade: principio de tratar as pessoas de forma justa 44 PRINCÍPIOS DA BIOÉTICA não maleficiência Obrigação de não causar danos ou riscos ao paciente O princípio de "primeiro, não causar dano" (primum non nocere), evitando causar prejuízo intencional. Proibindo ações que deliberadamente causem prejuízo ao paciente, seja intencional ou por negligência Equidade: principio de tratar as pessoas de forma justa 45 PRINCÍPIOS DA BIOÉTICA justiça Equidade na distribuição de benefícios e riscos A distribuição justa, equitativa (justa, imparcial e reta) e apropriada de riscos e benefícios na assistência à saúde Distribuição justa, imparcial e apropriada de recursos, tratamentos e cuidados na sociedade, garantindo que necessidades iguais sejam tratadas de forma igual Equidade: principio de tratar as pessoas de forma justa 46 PRINCÍPIOS DA BIOÉTICA Esses princípios não possuem hierarquia estrita e podem entrar em conflito, exigindo ponderação caso a caso. Exemplo, em situações de urgência, a beneficência pode sobrepor-se à autonomia, ou, em casos terminais, a não maleficência prevalecer sobre a beneficência. Equidade: principio de tratar as pessoas de forma justa 47 moral É o conjunto de normas, princípios e costumes que orientam o comportamento humano em sociedade, definindo o que é considerado certo ou errado, bom ou mau, útil ou inútil de acordo com valores culturais de um grupo. Diferente da ética (que é teórica), a moral é prática, moldada historicamente e passada entre gerações para garantir a boa convivência social. moral Vem do latim morales, que significa "costumes". É subjetiva, cultural, temporal (muda com o tempo) e muitas vezes internalizada pelo indivíduo. Regula a conduta individual e coletiva, estabelece limites (tabus) e promove a convivência. Exemplos: Respeitar os mais velhos, não roubar, ser honesto, regras de vestimenta. Ética x moral Ética x moral ÉTICA VEM DO GREGO “ETHOS” SIGNIFICA MODO DE SER CIÊNCIA SOBRE O COMPORTAMENTO MORAL NÃO FORMULA JUÍZO VALORATIVO E SIM, EXPLICA AS RAZÕES DA EXISTÊNCIA DE DETERMINADA REALIDADE E PROPORCIONA A REFLEXÃO DELA É UNIVERSAL TEORIA (CIÊNCIA) ETERNA Analisa a fundamentação dos valores morais. MORAL LATIM “MOS” OU “MORES” SIGNIFICA COSTUME CONJUNTO DE NORMAS, ACEITAS LIVRE E CONSCIENTEMENTE, QUE REGULAM O COMPORTAMENTO INDIVIDUAL DOS HOMENS FORMULA JUIZO VALORATIVO (valores) É CULTURAL PRÁTICA TEMPORÁRIO Conjunto de valores aplicados na vida cotidiana O QUE A BIOÉTICA ESTUDA? Os conflitos morais e dilemas éticos gerados pelo avanço das ciências biológicas, da medicina e da tecnologia, buscando proteger a dignidade humana e o meio ambiente. Ela analisa questões complexas: A bioética é interdisciplinar, envolvendo filosofia, direito, medicina e biologia para fundamentar normas que regem a conduta humana perante a vida O QUE A BIOÉTICA ESTUDA? Principais temas abordados: Início e fim da vida Manipulação e genética Práticas médicas e pesquisa Meio ambiente e saúde pública Início e fim da vida Aborto, Reprodução assistida, Fertilização in vitro, Eutanásia, distanásia e ortotanásia. Manipulação e genética Clonagem, Engenharia genética, Uso de células-tronco Testes genéticos. Práticas médicas e pesquisa Pesquisas com seres humanos e animais, Confidencialidade, Consentimento informado Transplante/comércio de órgãos. Meio ambiente e saúde pública Responsabilidade com o meio ambiente, Equidade no acesso a tratamentos Justiça nas políticas de saúde. Discussões éticas Eutanásia, distanásia e ortotanásia BOA MORTE X CRIME AUTONOMIA E DIGNIDADE X ÉTICA MÉDICA E RELIGIÃO EUTANASIA: ACÃO DIRETA PARA MATAR ORTOTANÁSIA: MORTE NATURAL POR SUSPENSÃO DE TRATAMENTO INÚTIL (ÉTICO/ACEITO) DISTANÁSIA: PROLONGAMENTO ARTIFICIAL SOFRIDO (ANTIÉTICO) ABORTO AUTONOMIA DA MULHER X DIREITO DO FETO INÍCIO DA VIDA SITUAÇÃO LEGAL BRASIL: CRIME RISCO A VIDA DA MÃE ESTUPRO ANENCEFALIA FETAL DILEMA MORAL É uma situação complexa onde um indivíduo deve escolher entre duas ou mais alternativas, mas todas parecem incorretas ou insatisfatórias, gerando um conflito ético. Independentementeda escolha, consequências negativas ou dilemas de consciência são inevitáveis, desafiando os princípios de certo e errado. DILEMA MORAL Principais Características de um Dilema Moral: Escolhas imperfeitas: Nenhuma alternativa oferece uma solução totalmente ética ou satisfatória. Conflito de deveres: A pessoa é obrigada a agir (A ou B), mas realizar uma impede a outra. Consequências indesejadas: O resultado final quase sempre gera um "fracasso moral", onde algo errado é feito, não importa a opção escolhida DILEMA MORAL Exemplos Clássicos: Dilema do Trem (Trolley Problem): Desviar um trem para matar uma pessoa e salvar cinco, ou não intervir e deixar cinco morrerem. O Dilema do Cirurgião: Sacrificar um paciente saudável para salvar cinco pacientes com órgãos compatíveis. Mentir para um amigo: Mentir é sempre imoral (Kant) ou justificável para evitar um mal maior? DILEMA MORAL DILEMA MORAL DILEMA MORAL Puxar a alavanca (Utilitarismo): Salva cinco pessoas, mas você causa ativamente a morte de uma. É a escolha feita pela maioria, focando no maior bem para o maior número. Não fazer nada (Deontologia): Evita a sua interferência direta, mas resulta na morte de cinco pessoas. É visto como não ser responsável moralmente pela morte direta. DILEMA MORAL FILOSOFIA: UTILITARISMO (JEREMY BENTHAM E JOHN STURT MILL) DEONTOLOGIA: DEVER E REGRAS MORAIS ABSOLUTA. ESCOLHA X OMISSÃO. (EMMANUEL KANT) MATAR DIREITO SEU ERRADO NÃO COMETE CRIME DILEMA MORAL Dilemas morais desafiam a ideia de que existem regras morais absolutas que funcionam em qualquer situação, demonstrando a complexidade do julgamento humano image1.jpeg image2.png image3.png image4.jpeg image5.jpeg image6.jpeg image7.jpeg