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Unidade 2 Livro Didático Digital Éderson da Cruz Metodologia do Ensino da Arte Diretor Executivo DAVID LIRA STEPHEN BARROS Gerente Editorial CRISTIANE SILVEIRA CESAR DE OLIVEIRA Projeto Gráfico TIAGO DA ROCHA Autor ÉDERSON DA CRUZ O AUTOR Éderson da Cruz Olá. Meu nome é Éderson da Cruz. Sou formado em Letras-Português (UNISINOS, 2010), Mestre e Doutor em Educação (UNISINOS, 2015; 2019), Especialista em Gestão Escolar – Orientação e Supervisão (Faculdade São Luís, 2017) e Pedagogo (UFRGS, 2020), com uma experiência técnico profissional nas áreas de Letras, Linguagens e Educação de mais de dez anos. Passei por instituições públicas (estaduais e municipais) e privadas, de Educação Infantil, Ensinos Fundamental e Médio, Ensino Técnico e Ensino Superior, no estado do Rio Grande do Sul, atuando como docente e também como supervisor escolar. Sou apaixonado pelo que faço e adoro transmitir minha experiência de vida àqueles que estão iniciando em suas profissões. Por isso, fui convidado pela Editora Telesapiens e integrar seu elenco de autores independentes. Estou muito feliz em poder ajudar você nesta fase de muito estudo e trabalho. Neste material, estudaremos os fundamentos do ensino da Arte. Você verá que a arte, além de uma forma de expressão, é um campo de saber muito rico e conectado com nossa realidade de diferentes formas, possibilitando o gosto estético e também o repensar e realidade e a forma como percebemos o mundo que nos cerca. Vamos nessa? Conte comigo para o que precisar. Bons estudos! ICONOGRÁFICOS Olá. Esses ícones irão aparecer em sua trilha de aprendizagem toda vez que: INTRODUÇÃO: para o início do desenvolvimento de uma nova compe- tência; DEFINIÇÃO: houver necessidade de se apresentar um novo conceito; NOTA: quando forem necessários obser- vações ou comple- mentações para o seu conhecimento; IMPORTANTE: as observações escritas tiveram que ser priorizadas para você; EXPLICANDO MELHOR: algo precisa ser melhor explicado ou detalhado; VOCÊ SABIA? curiosidades e indagações lúdicas sobre o tema em estudo, se forem necessárias; SAIBA MAIS: textos, referências bibliográficas e links para aprofundamen- to do seu conheci- mento; REFLITA: se houver a neces- sidade de chamar a atenção sobre algo a ser refletido ou dis- cutido sobre; ACESSE: se for preciso aces- sar um ou mais sites para fazer download, assistir vídeos, ler textos, ouvir podcast; RESUMINDO: quando for preciso se fazer um resumo acumulativo das últi- mas abordagens; ATIVIDADES: quando alguma atividade de au- toaprendizagem for aplicada; TESTANDO: quando o desen- volvimento de uma competência for concluído e questões forem explicadas; SUMÁRIO A arte e sua relação com as demais linguagens ........................... 12 Linguagens que se misturam ................................................................................................. 12 A proposição das linguagens ................................................................................................. 13 A rua como espaço de arte ..................................................................................................... 14 Panorama das 11 artes ................................................................................................................. 14 Música .................................................................................................................................. 15 Dança .................................................................................................................................... 15 Pintura................................................................................................................................... 16 Escultura ............................................................................................................................. 16 Teatro .................................................................................................................................... 17 Literatura ............................................................................................................................ 17 Cinema ................................................................................................................................. 18 Fotografia .......................................................................................................................... 19 História em quadrinhos ........................................................................................... 20 Jogos eletrônicos ........................................................................................................ 20 Arte digital ........................................................................................................................ 20 O ensino da arte na escola ......................................................................22 A escola é o espaço da arte! ..................................................................................................22 A evolução conceitual da disciplina ..................................................................................24 Alguns mitos pedagógicos sobre o ensino de Arte ..............................................25 Reprodução e releitura ............................................................................................25 Produção de trabalhos artísticos com material .....................................25 A arte estimula a criatividade ..............................................................................25 As grandes linguagens artísticas: dança, artes visuais, teatro e música ..................................................................................................................................25 Linha do tempo sobre o ensino da Arte nas escolas brasileiras ...........................................................................................................................26 Metodologias mais comuns no ensino da Arte.........................................................28 Metodologia tradicional ...........................................................................................28 Livre expressão ..............................................................................................................28 Metodologia sociointeracionista .......................................................................29 A relação da linguagem artística e a poesia ................................... 31 Intertextualidade e metalinguagem .................................................................................. 31 Poesia e poema ................................................................................................................................32 Língua e arte literária ....................................................................................................................32 Elementos da obra literária ...................................................................................34 Estilo ......................................................................................................................................35 Versificação.......................................................................................................................35 Ritmo .................................................................................................................................... 38 Simetria e assimetria ................................................................................................ 38 Encadeamento .............................................................................................................. 38 Rima ...................................................................................................................................... 39 Versos regulares ..........................................................................................................40 Versos brancos ............................................................................................................. 40 Versos livres .................................................................................................................... 40 Versos polimétricos ................................................................................................... 40 Estrofe.................................................................................................................................. 40 Noções teóricas da poesia e do teatro por meio do gênero lírico e dramático ....................................................................................................42 O gênero lírico ...................................................................................................................................43 O gênero dramático ..................................................................................................................... 48 9 LIVRO DIDÁTICO DIGITAL UNIDADE 02 Metodologia do Ensino da Arte 10 INTRODUÇÃO A arte está praticamente em todo lugar: nas paredes, nas construções, nos movimentos, na linguagem, no corpo humano... Mas o que será que diferencia a arte das demais atividades humana? De modo geral, arte é técnica. Porém, funções do dia a dia também exigem uma técnica. Também podemos dizer que arte é linguagem. Mas, por exemplo, uma notícia não é artística e também é linguagem. Podemos dizer que a arte também é aquilo que nos toca. Metodologia do Ensino da Arte 11 OBJETIVOS Olá. Seja muito bem-vindo à Unidade 2. Nosso propósito é auxiliar você no desenvolvimento das seguintes objetivos de aprendizagem até o término desta etapa de estudos: 1. Identificar a arte e sua relação com as demais linguagens; 2. Demonstrar o ensino da arte na escola; 3. Associar a linguagem artística e a poesia; 4. Explicar as noções teóricas da poesia e do teatro por meio do gênero lírico e dramático. Então? Preparado para uma viagem sem volta rumo ao conhecimento? Ao trabalho! Metodologia do Ensino da Arte 12 A arte e sua relação com as demais linguagens INTRODUÇÃO: Ao término deste capítulo você será capaz de entender que arte é um termo bastante polissêmico, por isso, relacionado a diferentes linguagens. Isso fará toda a diferença em sua atuação profissional, uma vez que a arte faz parte do dia a dia da escola. E então? Motivado para desenvolver esta competência? Então vamos lá. Avante! Figura 1 Fonte: Pixabay Linguagens que se misturam Podemos dizer que as linguagens artísticas surgem da necessidade humana de se comunicar e de agir no mundo, de estabelecer diversas maneiras de dialogar sobre tudo o que é percebido, vivido e sentido pelo homem. Linguagens que foram criadas por pessoas que precisavam Metodologia do Ensino da Arte 13 contar suas experiências, manifestar expressões, opiniões e poéticas. Os artistas criaram e continuam criando linguagens artísticas. Várias vezes, observamos pinturas e desenhos, lemos livros, escutamos músicas, assistimos a peças teatrais, a espetáculos de dança, a filmes de modo tão naturalizado que não nos damos conta do modo como essas linguagens foram construídas. Em cada tempo e lugar, as linguagens tiveram um modo e um propósito ao serem criadas, e também receberam algum tipo de valor ou grau de importância. Estudar e conhecer essas linguagens nos permite ampliar conhecimentos e desenvolver habilidades para que possamos ler e criar em arte. As linguagens podem se misturar ou não. Ao mesmo tempo, você pode ser surpreendido pelas linguagens artísticas ao perceber imagens, sons, luzes que iluminam uma cidade, ao se deparar com uma escadaria colorida, ou ao sentar-se em um banco de praça. A arte é um bem público! Na arte contemporânea, as linguagens visuais podem se reunir em obras que também utilizam a linguagem verbal. Isso ocorre porque a arte pode ser considerada como um elemento humano e ao mesmo tempo vivo, que recria a realidade inspirada nos anseios e sentimentos individuais dos seres humanos. A proposição das linguagens A linguagem artística, em geral, estabelece relações com quem a cria e também com quem a aprecia. O artista não é o único criador da obra, mas um coautor do processo de criação, dado por um projeto descrito pelo artista, mas para o qual é feito um convite ao público para que participe. São projetos que propõem percursos poéticos, convidando as pessoas a penetrarem na obra de arte, para além da apreciação como mero espectador, e, portanto, a participarem ativamente da criação. Pedir ao público que participe da obra tem sido uma prática bem presente na arte contemporânea. Isso ocorre não apenas nas artes visuais, mas também em outras linguagens. Metodologia do Ensino da Arte 14 Retirar a característica de passividade de quem assiste a uma encenação teatral, por exemplo, é primordial. A passividade não combina com a proposição de uma arte em movimento. A proposta da arte contemporânea é transformar, encontrar saídas para os problemas mostrados no teatro e na vida. Nada está dado como pronto e acabado, ao contrário: tudo está por se fazer. Convidando o público a participar das artes cênicas, e não somente ficar assistindo ao espetáculo de forma passiva, a linguagem teatral se torna disponível a todos, rompendo barreiras entre artista e plateia. Esse tipo de proposta teatral incentivou grupos de teatro contemporâneo a convidar o público para uma atitude ativa na experiência cênica. A rua como espaço de arte A arte pública pode estar por todos os lados, nas cidades ou em outros locais de visitação. São instalações, esculturas, intervenções urbanas, pinturas em fachadas de prédios e outras ocorrências intervenções urbanas, pinturas em fachadas de prédios e outras ocorrências também da linguagem das artes cênicas e audiovisuais, com projeções artísticas. O teatro popular de rua é um exemplo dessa arte que se realiza em espaço aberto, com uma plateia que muitos. Panorama das 11 artes A arte é uma forma de comunicação que acompanha a humanidade desde os primórdios. Já na época das cavernas, os seres humanos se comunicavam por meio dela, a chamada arte rupestre. Atualmente, estão denominados 11 tipos de arte: música, dança, pintura, escultura, teatro, literatura, cinema, fotografia, história em Metodologia do Ensino da Arte 15 quadrinhos (HQ), jogos eletrônicos e arte digital. A seguir, abordaremos brevemente cada uma delas. Música Esse tipo de arte pode despertar sentimentos variados, favorecendo o equilíbrio mental e o bem-estar. A música está presente em nosso dia a dia a partir do momento em que nascemos. Desde as canções de ninar que cantarolavam para nós, até os ritmos dançantes que ouvimos em uma festa, por exemplo. A linguagem musical é formada por diversos sons que se apresentam em espaços de tempo pré-determinados, formando assim - ritmo, harmonia e melodia. O ritmo é dado pela marcação de tempo entre um som e outro. A harmonia trata-se da combinação dos elementos musicais simultâneos. Já a melodia, se refere à sequência sonora que se apresenta na música, sendo percebida em nossa mente como uma unidade. É por isso que conseguimos assobiar uma canção, por exemplo, mesmo que não saibamos tocar um instrumento. Dança A dança é a arte do movimento corporal. Usa o corpo como instrumento, as pessoas podem exteriorizar seus sentimentos fazendo gestos cadenciados por um ritmo. É uma das formas mais antigas de manifestação artística, tendo origem ainda na pré-história. Muitas pessoas dançavam em rituais de Metodologia do Ensino da Arte 16 celebração, agradecimento, cerimônias fúnebres e para pedir proteção. Ou seja, a dança tinha um caráter sagrado. Frequentemente, esse tipo de arte vem acompanhado da música, sendo quase sempre inseparáveis, entretanto é possível também expressar-se nessalinguagem sem que haja som. É uma maneira muito saudável de expressão, pois além de favorecer a criatividade, também auxilia na vitalidade corporal e psicológica, trazendo inúmeros benefícios. Pintura A pintura é a técnica de depositar pigmentos coloridos - que podem ser pastosos, líquidos ou em pó - sobre uma superfície, gerando imagens figurativas ou abstratas. Essa é uma atividade que permite às pessoas se comunicar e demonstrar sentimentos por meio de formas, cores e texturas. A história da pintura remonta o período pré-histórico, quando os seres humanos usavam as cavernas como suporte para seus desenhos. Esse tipo de arte era feito com pigmentos extraídos de óxidos minerais, ossos carbonizados, vegetais, carvão, sangue e gorduras de animais. A pintura e uma manifestação artística que permite aos homens conhecer melhor o seu passado, costumes e crenças, pois pode revelar muito sobre a cultura de determinada época e lugar. Além disso, é considerada uma das formas de arte mais tradicionais e boa parte das grandes obras da humanidade são pinturas com tinta a óleo. Escultura A escultura pode ser compreendida como a arte de modelar ou desgastar matérias brutas (como a argila, mármore, madeira e pedra) Metodologia do Ensino da Arte 17 e convertê-las em objetos com significados, expressando ideias e sentimentos. Usando formas, espaços e volumes, o artista cria obras tridimensionais, ou seja, que têm altura, largura e profundidade. Assim como as outras formas de artes, a escultura também é muito antiga e começou a ser feita ainda nas sociedades primitivas. Teatro O teatro é uma linguagem artística em que as pessoas, no caso os atores e atrizes, representam uma história para um público. A manifestação teatral mais parecida com a que conhecemos hoje no Ocidente surgiu na Grécia Antiga, no século VI a.C. Naquela época, o teatro mesclava temas sagrados e profanos e era feito em homenagem ao deus Dionísio, considerado o deus do vinho, das festas e da fertilidade. Nessas encenações, não era permitida a participação de mulheres, sendo apenas homens a desempenhar os papéis. Os gêneros teatrais que haviam na Grécia Antiga eram somente a comédia e a tragédia. Atualmente, o teatro foi se transformando e avançou também por outros territórios. Existem muitas maneiras e estilos de se fazer teatro, entre eles: musical, ópera, fantoches, teatro de sombras, drama, comédia, teatro de rua, teatro de palco, entre outros. Literatura Na literatura, a escrita é a ferramenta utilizada para se expressar. Por isso, a literatura é a arte da palavra. Metodologia do Ensino da Arte 18 A invenção da escrita foi um dos acontecimentos mais importantes para a humanidade. Ela figurou um marco e delimita o fim da chamada “pré-história” e o início da “história”. Com o desenvolvimento da humanidade e sua evolução, ela passou a ser não só um meio de comunicação simples e direta, mas também uma ferramenta para transmissão de ideias, sentimentos, reflexões, pensamentos e para narrar histórias. O desenvolvimento da literatura aconteceu gradualmente e cada época e lugar possui características literárias distintas. Entretanto, podemos dizer que a literatura sempre representou uma importante fonte de conhecimento histórico acerca das sociedades. São muitas as maneiras de escrever e tipos de textos literários, por exemplo: prosa, ficção, romance, poesia e cordel. Cinema O cinema é uma forma de arte que surgiu após a invenção da fotografia, como desdobramento dela. Utilizando várias imagens - fotografias - que são projetadas muito rapidamente em uma tela, nosso olho enxerga essa sequência de fotos como um filme, ou seja, com movimento. Deste modo, é possível contar histórias, transmitindo assim sensações e aguçando sentimentos como alegria, medo, tristeza e amor. A origem dessa linguagem artística se deu no final do século XIX. Na época, muitas pessoas estavam buscando maneiras de criar algo semelhante ao cinema. Porém, foram os irmãos Auguste e Louis Lumière que fizeram a primeira projeção cinematográfica ao público, em 1895, na França. O filme exibido tinha 40 segundos de duração e intitulou-se “A chegada do trem à estação de La Ciotat” ou “A saída dos operários da fábrica”. O público ficou bastante surpreso e intrigado. Diz-se que algumas Metodologia do Ensino da Arte 19 pessoas inclusive correram assustadas para o fundo da sala de projeção, com medo da movimentação do trem. A partir de então, essa técnica foi bastante aprimorada e hoje podemos apreciar e nos divertir com filmes em 3D, que dão a ilusão de estarmos de fato dentro da história contada. Fotografia A fotografia é uma palavra de origem grega e significa escrever com a luz, sendo que foto quer dizer luz e grafia exprime a noção de escrita. É uma arte que se utiliza de máquinas para captar imagens por meio de reações obtidas através da iluminação. O ano de 1826 é considerado um marco na história da fotografia, quando o francês Joseph Niépce conseguiu fixar a primeira representação fotográfica em uma placa de estanho. Niépce posicionou seu invento – uma câmera escura – em frente a uma janela e deixou a luz solar entrar no interior da máquina por 8 horas. Isso resultou numa imagem um tanto quanto borrada do telhado da casa vizinha. A partir de então, a fotografia sofreu muitos avanços. Atualmente, com o progresso tecnológico e as redes sociais, essa linguagem vem ganhando cada vez mais espaço em nossas vidas e despertando o interesse das pessoas. No início de sua invenção, a fotografia não era considerada arte propriamente. Entretanto, com o passar do tempo foi possível compreender que essa linguagem também possui características e potencialidades criativas. Fotografar é como “recortar” o mundo, optar por exibir um ponto de vista, um determinado olhar. Contudo, também possibilita a criação de “novas realidades”, fazendo uso de cenários, figurinos e poses, explorando ao máximo toda a capacidade imaginativa do ser humano. Metodologia do Ensino da Arte 20 Toda a forma realizada por meio de computadores pode ser chamada de arte digital. História em quadrinhos A história em quadrinhos, ou simplesmente HQ, é uma sequência de desenhos feitos em quadros que juntos contam uma história. Normalmente, se utiliza de balões e textos escritos dentro deles a fim de contar o que as personagens estão conversando ou pensando. Essa maneira de narrar histórias surgiu entre 1894 e 1895. Seu inventor foi o americano Richard Outcault, que publicou em jornais o que foi considerada a primeira história em quadrinhos. Na atualidade, as HQs estão presentes em todo o mundo e representam um importante meio de comunicação de massa. Os suportes escolhidos pela maioria dos desenhistas de quadrinhos - também chamados cartunistas - são os livros, gibis ou tiras publicadas em jornais e revistas. Jogos eletrônicos Os jogos eletrônicos – os famosos games - são programas nos quais as pessoas interagem com objetos virtualmente, tendo que ultrapassar desafios, cumprindo metas e se divertindo. Foram apresentados ao público na década 1970, sendo fruto de experimentações de acadêmicos em torno de pesquisas na área da ciência da computação. Por conta da evolução tecnológica, os jogos eletrônicos estão sendo constantemente aprimorados, sendo uma das formas mais populares de diversão e entretenimento em todo o mundo. Arte digital Metodologia do Ensino da Arte 21 Trata-se de um tipo de arte que evoluiu junto com o desenvolvimento tecnológico. Ela teve seu crescimento na década de 1980 e foi impulsionada pela música do francês Pierre Henry, considerado o precursor da música eletrônica. Hoje em dia, essa forma de expressão - também conhecida como ciberarte - engloba muitas linguagens além da música, como o vídeo, fotografia, desenho, cinema e até mesmo a literatura. É uma arte relativamente novaque está se expandindo bastante. Os suportes escolhidos normalmente são as telas de computadores, smartphones, tablets, televisores, projeções e impressões gráficas. RESUMINDO: Neste capítulo, você aprendeu que: A arte é um conceito bastante polissêmico, histórico e vinculado às culturas e formas de ver o mundo. Está relacionada às formas como o homem percebe a realidade que o cerca; A arte está em todo lugar, podendo ser criada e reconhecida nas mais diversas situações. Ao mesmo tempo, na atualidade, a noção de arte passa pela busca por interação com o público; São 11 as formas de arte na atualidade, que se utilizam de diferentes recursos, matérias-primas e tecnologias. Metodologia do Ensino da Arte 22 O ensino da arte na escola INTRODUÇÃO: Ao término deste capítulo você será capaz de entender alguns pressupostos importantes para o ensino de arte na escola. Isso fará toda a diferença em sua atuação profissional, uma vez que a arte faz parte do dia a dia da escola. E então? Motivado para desenvolver esta competência? Então vamos lá. Avante! Figura 2 Fonte: Pixabay A escola é o espaço da arte! Por muito tempo, o ensino de Arte na escola se resumiu a tarefas pouco criativas e marcadamente repetitivas. Desvalorizadas na grade curricular, as aulas dificilmente tinham continuidade ao longo do ano letivo. Essas atividades iam desde trabalhos de ligar pontos até a cópia de formas geométricas. Dessa forma, a criança não era considerada uma Metodologia do Ensino da Arte 23 produtora de arte e, por isso, cabia ao professor dirigir seu trabalho e demonstrar o que deveria ser feito. Nos últimos vinte anos, essa situação vem mudando nas escolas brasileiras. Hoje, a tendência que guia a área é a chamada sociointeracionista, que apregoa a mistura e a pluralidade de produção, reflexão e apreciação de obras artísticas. Como defendem as próprias políticas norteadoras da educação, é papel da escola o ensino da produção histórica e social da arte e, ao mesmo tempo, a garantia ao aluno da liberdade de imaginar e edificar propostas artísticas pessoais ou grupais com base em intenções próprias. Infelizmente, no entanto, ainda há professores trabalhando na chamada metodologia tradicional, que supervaloriza os exercícios mecânicos e as cópias por acreditar que a repetição é capaz de garantir que os alunos “fixem modelos”. Sob essa perspectiva, o válido é o produto final (e ele é mais bem avaliado quanto mais próximo for do original). É por isso que, além de desenhos pré-preparados, tantas crianças tenham sido obrigadas ao longo dos tempos a apenas memorizar textos teatrais e partituras de música para se apresentar em datas comemorativas - sem falar no treino exaustivo e mecânico de habilidades manuais em atividades de tecelagem e bordado. Só nos anos 1960, com o surgimento do movimento da Escola Nova, ideias mais inovadoras começaram a influenciar as aulas de Arte. Na época, a proposta era romper totalmente com o jeito anterior de trabalhar. Segundo esse modelo, batizado de escola espontaneísta (ou livre expressão), os professores forneciam materiais, espaço e estrutura para as turmas criarem e não interferiam durante a produção dos estudantes. Tudo para permitir que a arte surgisse naturalmente nos estudantes, Metodologia do Ensino da Arte 24 de dentro para fora e sem orientações que pudessem atrapalhar esse processo. A evolução conceitual da disciplina Alguns anos depois do surgimento da Escola Nova, outras concepções foram sendo construídas, abrindo espaço para a consolidação da perspectiva sociointeracionista, a mais indicada pelos especialistas hoje por permitir que crianças e jovens não apenas conheçam as manifestações culturais da humanidade e da sociedade em que estão inseridas, mas também soltem a imaginação e desenvolvam a criatividade, utilizando todos os equipamentos e ferramentas à sua disposição. Nos anos 1990, duas importantes inovações contribuíram significativamente para direcionar o caminho para o modelo atual de ensino: na Espanha, Fernando Hernández defendeu o estudo da chamada cultura visual (muito além das artes visuais clássicas, era necessário, segundo ele, trabalhar com videoclipes, internet, histórias em quadrinhos, objetos populares e da cultura de massa, rótulos e outdoors nas salas de aula). No Brasil, Ana Mae Barbosa elaborou a metodologia da proposta triangular (inspirada em ideias norte-americanas e inglesas, recuperou conteúdos e objetivos que tinham sido abandonados pela escola espontaneísta). Ela defendia que o professor deveria usar o seguinte tripé em classe: o fazer artístico, a história da arte e a leitura de obras. Esse tripé original é considerado uma “matriz” dos eixos de aprendizagem que dominam o ensino atualmente: a produção, a apreciação artística e a reflexão. O “novo” tripé ajuda a desconstruir alguns dos mitos que rondam as salas de Arte nas escolas brasileiras, como a confusão entre a necessidade de ter muito material e estrutura para obter uma resposta “de qualidade” dos alunos. Na perspectiva sociointeracionista, o fazer artístico (produção) permite que o aluno exercite e explore diversas formas de expressão. A análise das produções (apreciação) é o caminho para estabelecer ligações Metodologia do Ensino da Arte 25 com o que já sabe e o pensar sobre a história daquele objeto de estudo (reflexão) é a forma de compreender os períodos e modelos produtivos. Alguns mitos pedagógicos sobre o ensino de Arte A seguir, apresentaremos alguns dos principais mitos que norteiam a prática pedagógica do ensino de Arte nas escolas. Reprodução e releitura Mostrar uma obra de arte, discutir suas características e pedir que cada aluno faça o mesmo desenho no caderno não é propor uma releitura. Isso é uma simples reprodução ou cópia de materiais. Na releitura, parte- se de uma obra para criar outro trabalho (ou seja, o estudante transforma e interpreta). Produção de trabalhos artísticos com material Qualidade não é quantidade. Um trabalho que garanta uma aprendizagem significativa para os alunos não depende de riqueza de material, mas de conteúdo, de estratégias, de metodologias e também de propostas que ofereçam oportunidades de participação. A arte estimula a criatividade A Arte ajuda a desenvolver a criatividade - e outras habilidades - se os conteúdos são aprendidos. Mas o mesmo ocorre quando, por exemplo, o aluno levanta uma hipótese na aula de Ciências ou pensa numa estratégia para um problema em Matemática. A criatividade ocorre independentemente de uma ou outra disciplina. As grandes linguagens artísticas: dança, artes visuais, teatro e música O ideal é que as aulas de Arte contemplem atividades de quatro linguagens: dança, artes visuais, teatro e música. As diferentes Metodologia do Ensino da Arte 26 manifestações culturais (das mais clássicas às mais vanguardistas) também merecem análise como resultado de um conjunto de valores e uma maneira de os seres humanos interagirem com o mundo em que vivem (ou viveram). Cotidianamente, a prática tem de combinar simultaneamente os três eixos citados anteriormente para que todos os estudantes avancem Mesmo que o trabalho dê ênfase mais para uma linguagem artística agora e mais para outra daqui a pouco, é necessário que fique claro que todos são interligados, fazem parte de um processo. Também é interessante variar as maneiras de estudar os conteúdos e programar as atividades ao longo do ano, pois, assim como na prática artística há um pensar fazendo e um fazer pensando, quando ensinamos, a ação também mobiliza para a reflexão e a reflexão transforma a ação. Linha do tempo sobre o ensino da Arte nas escolas brasileiras A seguir, apresentaremos brevemente um panorama histórico sobre o desenvolvimento do ensino de Arte no Brasil: • 1816: Durante o governo de dom João VI, chega ao Rio de Janeiro a Missão ArtísticaFrancesa e é criada a Academia Imperial de Belas Artes. Seguindo modelos europeus, é instalado oficialmente o ensino de Arte nas escolas. • 1900: Até o início do século 20, o ensino do desenho é visto como uma preparação para o trabalho em fábricas e serviços artesanais. São valorizados o traço, a repetição de modelos e o desenho geométrico. • 1922: Apesar da efervescência das manifestações da Semana de Arte Moderna, o ensino segue as tendências da escola tradicional, que defende a necessidade de copiar modelos para treinar habilidades manuais. • 1930: O compositor Heitor Villa-Lobos, no governo de Getúlio Vargas, institui o projeto de canto orfeônico nas escolas. São formados corais, Metodologia do Ensino da Arte 27 que se desenvolvem pela memorização de letras de músicas de caráter folclórico e cívico. • 1935: O escritor Mario de Andrade, então diretor do Departamento de Cultura do município de São Paulo, promove um concurso de desenho para crianças com tema livre. O ganhador recebe uma quantia em dinheiro. • 1948: É criada no Rio de Janeiro a primeira “Escolinha de Arte”, com a intenção de propor atividades para o aluno desenvolver a autoexpressão e a prática. Em 1971, chega a 32 o número de instituições particulares desse tipo no país. • 1960: As experimentações que marcam a sociedade, como o movimento da bossa nova, influenciam o ensino de Arte nas escolas de todo o país. É a época da tendência da livre expressão se expandir pelas redes de ensino. • 1971: Segundo a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), a Educação Artística (que inclui artes plásticas, educação musical e artes cênicas) passa a fazer parte do currículo escolar do Ensino Fundamental e Médio. • 1973: Criação dos primeiros cursos de licenciatura em Arte, com dois anos de duração e voltados à formação de professores capazes de lecionar música, teatro, artes visuais, desenho, dança e desenho geométrico. • 1989: Desde 1982 desenvolvendo pesquisas sobre três ideias (fazer, ler imagens e estudar a história da arte), Ana Mae Barbosa cria a proposta triangular, que inova ao colocar obras como referência para os alunos. • 1996: A Lei das Diretrizes e Bases da Educação Nacional passa a considerar a Arte como disciplina obrigatória da Educação Básica. Os Parâmetros Curriculares Nacionais definem que ela é composta de quatro linguagens: artes visuais, dança, música e teatro. Metodologia do Ensino da Arte 28 Metodologias mais comuns no ensino da Arte O ensino de Arte passou por muitas transformações ao longo da história. A seguir, apresentaremos algumas das principais metodologias de ensino de Arte. Metodologia tradicional Unânime na maneira de ensinar desde o fim do século XIX até a década de 1950. Ainda está presente em muitas escolas. • Foco: Aprendizado de técnicas e desenvolvimento de habilidades manuais, coordenação motora e precisão de movimentos para o preparo de um produto final. • Estratégia de ensino: Repetição de atividades, cópia de modelos e memorização. O professor adota a postura de transmissor do conhecimento. Ao aluno, basta absorver o que é ensinado sem espaço para a contestação. A turma era bem avaliada quando conseguia reproduzir com rigor as obras de artistas consagrados. • Livre expressão Nasceu por volta de 1960, por influência das ideias do movimento da Escola Nova. • Foco: O que importa não é o resultado, mas o processo e, principalmente, a experiência. Há a valorização do desenvolvimento criador e da iniciativa do aluno durante as atividades em classe. • Estratégia de ensino: Desenho livre e uso variado de materiais. Não há certo ou errado na maneira de fazer de cada estudante. Ao professor, não cabe corrigir ou orientar os trabalhos nem mesmo Metodologia do Ensino da Arte 29 utilizar outras produções artísticas para influenciar a turma. A ideia é que o estudante exponha suas inspirações internas. Metodologia sociointeracionista É a tendência mais atual para o ensino da disciplina. A ideia de considerar a relação da cultura com os conhecimentos do aluno e as produções artísticas surgiu na década de 1980. • Foco: Favorecer a formação do aluno por meio do ensino das quatro linguagens de Arte: dança, artes visuais, música e teatro. • Estratégia de ensino: A experiência do aluno e o saber trazido de fora da escola são considerados importantes e o professor deve fazer a intermediação entre eles. O ensino é baseado em três eixos interligados: produção (fazer e desenvolver um percurso de criação), apreciação (interpretar obras artísticas) e reflexão sobre a arte (contextualizar e pesquisar). Apesar dessa divisão, não deve haver uma ordem rígida ou uma priorização desses elementos ao longo do ano letivo. De modo geral, o ensino de Arte tem sido pensado como fundamental para contribuir ao desenvolvimento dos alunos, e por isso, vem sofrendo uma série de modificações e de reflexões, a fim de que se torne mais potente, no sentido de desenvolver a competência linguística dos estudantes. Da mesma forma, é necessário que se estimule a criação artística, o desenvolvimento da imaginação e da criatividade na escola, cujo espaço por ser “invadido” por obras de arte e intervenções artísticas das mais diversas. Metodologia do Ensino da Arte 30 RESUMINDO: Neste capítulo, você aprendeu que: • O ensino de Arte na escola foi pensado, no Brasil, desde o século XIX, e de lá para cá, vem passando por uma série de reformulações; Atualmente, a metodologia sociointeracionista, que compreende a arte como uma forma de expressão e de interação, e não apenas de reprodução de grandes obras, tem sigo a metodologia de ensino mais discutida no campo da Educação; A arte pode estar em todo lugar, mas nem tudo é arte; A escola é o lugar da arte; por isso, é importante que esse espaço de criação seja utilizado e valorizado. Metodologia do Ensino da Arte 31 A relação da linguagem artística e a poesia INTRODUÇÃO: Ao término deste capítulo você será capaz de entender como se organiza a linguagem poética, e sua importância para o ensino da Arte. Conhecer a natureza dos gêneros literários, e como eles constituem os gêneros textuais considerados como pertencentes à linguagem literária será fundamental para o exercício de sua profissão. E então? Motivado para desenvolver esta competência? Então vamos lá. Avante! Figura 3 Fonte: Pixabay Intertextualidade e metalinguagem Conforme já abordado nas outras unidades, a intertextualidade se manifesta pelo diálogo entre textos, intencional, que faz com que Metodologia do Ensino da Arte 32 um texto mais recente amplie ou “responda” a outro texto, ampliando, desconstruindo e pluralizando suas ideias. A metalinguagem se manifesta quando, por meio da linguagem, se procura descrever a própria linguagem. O texto literário apresenta essa característica quando procura conceituar determinados temas, ainda que de forma conotativa. Poesia e poema A poesia é um conjunto de características e técnicas de elaboração artística; o poema é uma das manifestações concretas da poesia. A noção de poesia está ligada ao grego poiésis, que era sinônimo de processo criativo, e depois, passou a nomear o processo criativo da poesia. Também, segundo Platão, poiésis designava os processos para se alcançar a imortalidade. Na atualidade, os significados de poiésis não se modificaram muito, haja vista que por meio da poesia, os homens se tornam imortais, uma vez que suas criações artísticas falam por eles. O poema é uma manifestação concreta da poesia, assim como a dança, a música, o cinema, a literatura, o romance, etc. Aquilo que atinge a perfeição artística possui poesia; o poema cuja perfeição ultrapassa os limites do cotidiano e do não-artístico é um poema (seja ele haicai, soneto, ode, balada etc.) carregado de poesia. Língua e arte literária A língua de um povo ditocivilizado é constituída por várias modalidades, que podem existir juntas, com suas peculiaridades sem, necessariamente, romperem com sua unidade linguística. A língua denominada geral é aquela oficializada por um país, vivificada pelo uso comum e aceita socialmente. Está acima das Metodologia do Ensino da Arte 33 regionalidades, sempre existentes. No contexto brasileiro, é a língua portuguesa, vista em seu conjunto. A língua geral tende a conviver com as tonalidades regionais, na fonética e no vocabulário, resultando dali os falares regionais, que atingem fortemente a expressão cultural e literária em algumas áreas geográficas do país. Quando essas características são muito acentuadas, temos o que se chama de dialeto. O linguajar regional, com seus modismos e peculiaridades, é comumente retratado por escritores regionalistas em suas obras literárias. A língua popular é a fala espontânea do dia a dia de um povo. Quase sempre, destoa da norma gramatical e é rica em plebeísmos (palavras vulgares e gírias). Nessa modalidade da língua está inserida a fala familiar ou coloquial, sem a preocupação com a correção gramatical, dependendo do nível de escolaridade de seus falantes. A língua culta é utilizada pelas pessoas instruídas das diferentes profissões e níveis sociais. É pautada pelos preceitos vigentes da gramática normativa e se caracteriza pelo cuidado com a forma e o léxico. Seu vocabulário é mais prestigiado, servindo de ferramenta para as ciências e para o ensino nas escolas. Em língua culta se elaboram as obras científicas, as obras didáticas, textos midiáticos, documentos oficiais, etc. A mais artificial dessas linguagens ocupa o âmbito artístico, sendo conhecida como linguagem literária. Uma língua pode ser tanto falada como escrita, conforme são utilizados os signos vocais e os sinais gráficos. A língua falada é viva e atual; a língua escrita é a representação ou a imagem da língua escrita. A fala é mais comunicativa e insinuante, pois as palavras pressupõem sonoridade e inflexões, ritmos e gesticulação, dentre outros fatores. A comunicação oral ou escrita acontece em diferentes níveis de expressão. Dependendo das circunstâncias do ato comunicativo, o indivíduo utiliza um tipo de linguagem adequado à situação. O grau de instrução do usuário de língua portuguesa, seu meio sociocultural, sua profissão, entre outros fatores, atua fortemente na variação do idioma. Metodologia do Ensino da Arte 34 Elementos da obra literária Podemos dividir os elementos fundamentais da obra literária em conteúdo e forma. • Conteúdo ou fundo: São ideias, conceitos, apelos, sentimentos e imagens imateriais que as palavras transmitem da mente do escritor para os leitores. • Forma: É a expressão linguística, a linguagem falada ou escrita, veículo de ideias e de sentimentos. • A forma como uma obra literária pode se apresentar se manifesta sob dois aspectos diferentes: a prosa e o verso. • Prosa é a linguagem objetiva, usual, direta, veículo comum de pensamento. Mesmo que seja vazada em prosa, uma obra literária pode estar quase que predominantemente permeada de pensamentos poéticos. • A poesia é a linguagem subjetiva, carregada de emoção e sentimento, com ritmo, melodia constante, beleza e tão indefinível quando o mundo interior do poeta, objetivando a um efeito estético. Distribuída em linhas descontínuas ou versos, que podem ser metrificados ou livres, a linguagem poética, sob o aspecto melódico ou mesmo auditivo, se caracteriza pelo ritmo bem mais acentuado do que na linguagem em prosa, e pela eventual utilização de rimas. Considera-se, também, que a obra literária é somente o escrito que se diferencia dos demais pela beleza da forma e pela excelência de conteúdo. Será tanto mais apreciada quanto maior seu poder de sugerir, de tocar nossa sensibilidade, de empolgar o nosso espírito. As obras Metodologia do Ensino da Arte 35 literárias de alcance universal têm, comumente, mais valor que as de caráter estritamente nacional ou regional. Estilo Denominamos por estilo a maneira como cada um exprime seus pensamentos, sentimentos e emoções por meio da linguagem. Cada escritor possui seu estilo próprio e pessoal, ou seja, sua expressão reveste uma forma característica, pela qual são manifestos seus impulsos emotivos, sua sensibilidade, a feição peculiar de seu espírito. Em outras palavras, o estilo é o espelho em que se reflete a alma do escritor, a tela em que é projetada a personalidade do artista. Além dessas características individuais que diferenciam os autores uns dos outros, o estilo mostra também os traços psicológicos e culturais da raça e as tendências dominantes das diversas escolas e correntes literárias que fizeram época através dos tempos. Por isso, dizemos que há um estilo clássico, um estilo barroco, um estilo romântico, etc. É pelo seu estilo primoroso e brilhante que os grandes artistas da palavra conseguem criar obras de grande beleza. No estilo cumpre diferenciar o aspecto material ou linguístico e o aspecto mental, psíquico, subjetivo, os traços que exprimem sua dimensão psicológica, suas tendências, seu modo de ver e de julgar a vida e o mundo em que vive. Da fusão de todos esses elementos, é que surge o estilo. Versificação A versificação é a técnica ou a arte de se fazer versos. Em linhas gerais, o verso é uma linha poética, com número determinado de sílabas e agradável movimento de ritmo. Metodologia do Ensino da Arte 36 a. Metro: Metro é a medida ou extensão da linha poética. Em língua portuguesa, os poetas têm utilizado doze tipos de versos, que vão de uma a doze sílabas, sendo raros os versos que ultrapassam esse número silábico. Conforme o número de sílabas, os versos são classificados da seguinte forma: Quadro 1: Classificação dos versos quanto ao número de sílabas Fonte: Elaborado pelo autor, a partir de Cegala (2005). As sílabas métricas, isto é, as sílabas dos versos coincidem com as sílabas gramaticais, porém sua contagem se faz auditivamente, e se subordina aos seguintes princípios: a. Sempre que duas ou mais vogais se encontram no fim de uma palavra e no começo de outra, e podem ser ditas numa só emissão de voz, unem-se numa mesma sílaba métrica. Metodologia do Ensino da Arte 37 1: A i 2: Da 3: de aus 4: te 5: ra e 6: no 7: bre a 8: que 9: che 10: ga - : mos b. Ditongos crescentes valem, quase sempre, uma única sílaba métrica. 1: O 2: pe 3: rá 4: rio 5: mo 6: des 7: to, a 8: be 9: lha 10: po - : br c. Não se conta(m) a(s) sílaba(s) que se segue(m) ao último acento tônico do verso. 1: Quan 2: do 3: no 4: poen 5: Te Metodologia do Ensino da Arte 38 6: sol 7: des 8: do 9: Bra as 10: clâ - mides Essa última regra só se atinge versos graves (que terminam por palavras paroxítonas) e esdrúxulos (que terminam por palavras proparoxítonas). Nos versos agudos (que terminam por palavras oxítonas) contam-se todas as sílabas. Ritmo O ritmo é o resultado a singular sucessão de sílabas átonas ou fracas e de sílabas tônicas ou fortes. É o elemento melódico do verso, tão importante à poesia como é para a música. Junto com a rima e as imagens poéticas, transmite a versos um misterioso poder de emoção e de encantamento. Os acentos tônicos ou as sílabas tônicas devem se repetir com intervalos semelhantes, de modo que o verso se torne melodioso. Não se distribuem as sílabas tônicas arbitrariamente, mas devem, segundo o tipo de verso, recair em determinadas sílabas. Simetria e assimetria Podemos definir a simetria como uma espécie de regularidade métrica e rítmica dos versos, enquanto a assimetria é caracterizada por maior liberdade em relação às regularidades dos versos. Encadeamento Quando a pausa final do verso não coincide com a pausa respiratória, ou quando o verso não finaliza juntamente com um segmento sintático, temosaquilo que chamamos de encadeamento ou transbordamento, Metodologia do Ensino da Arte 39 mais conhecido pela palavra francesa enjambement. Em geral, procura- se não realizar pausa no fim dos versos, porém, pode-se fazer uma breve pausa, mas conservando-se a voz suspensa. Rima A rima é considerada a identidade ou a semelhança de som do fim (ou do meio dos versos. Mesmo que seja um elemento secundário e até mesmo dispensável, a rima é aproveitada pelos poetas para comunicar aos versos maior harmonização. É um recurso musical que agrada aos ouvidos. Foneticamente, as rimas podem ser: • Perfeitas: sereno e moreno, nele e leve etc; • Imperfeitas: Deus e céus, estrela e vela etc; • Toantes: são rimas idênticas somente na vogal tônica, como casa e vale, lírio e livro etc. Segundo a posição do acento tônico das palavras, as rimas podem ser: • Agudas ou masculinas: feroz e atroz, amor e clamor etc; • Graves ou femininas: festa e manifesta, flores e cores etc; • Esdrúxulas: mágico e trágico, lírico e onírico etc. Conforme o valor, são as rimas classificadas em: • Pobres: são as rimas consideradas vulgares e as formadas com palavras de mesma morfologia, como coração e oração, amor e temor etc; • Ricas: rimas formadas com palavras de classes gramaticais diferentes, como prece e adormece, penas e apenas etc; • Raras: são as rimas que são obtidas com palavras de muito poucas rimas possíveis, como cisne e tisne, bosque e enrosque etc; Metodologia do Ensino da Arte 40 • Preciosas: são rimas artificiais, como vê-la e estrela, trantuilo e ouvilo etc. Versos regulares São os versos que obedecem às regras clássicas, que determinam a posição das sílabas acentuadas em cada tipo de verso. Suas rimas aparecem de modo regular, sendo marcadas pela semelhança fônica no final de cada verso. Versos brancos São versos que obedecem a certa métrica, porém, sem a presença de rimas. Versos livres Não obedecem a regras nem quanto ao metro, nem quanto à posição silábica. Também não apresentam regularidade de rimas. Versos polimétricos São versos que apresentam certa regularidade, mas tamanhos diferentes, com sílabas fortes localizadas em posições indicadas pelas métricas tradicionais. Estrofe A estrofe, também chamada de estância, é um grupo de versos de um poema Elas podem ser formadas por versos de medida igual ou diferentes. Conforme o número de versos, são denominadas das seguintes maneiras: Metodologia do Ensino da Arte 41 Quadro 2: Nomenclatura das estrofes Fonte: Elaborado pelo autor, a partir de Cegala (2005). Chamamos de estribilho ou de refrão o verso que costuma se repetir no final das estrofes de determinados poemas, como por exemplo, a balada. RESUMINDO: Neste capítulo, você aprendeu: A intertextualidade é um elemento que faz parte dos textos, uma vez que cada texto literário pode ampliar, tensionar, reformular conceitos de textos anteriores; A metalinguagem de um texto literário se manifesta quando, por meio da linguagem literária, se busca conceituar determinados elementos; O texto poético, em especial aquele pertencente ao gênero lírico, apresenta uma constituição bastante rica, marcada por ornamentos e por jogos de linguagem possíveis, a fim de atingir determinadas perfeições artísticas. Metodologia do Ensino da Arte 42 Noções teóricas da poesia e do teatro por meio do gênero lírico e dramático INTRODUÇÃO: Ao término deste capítulo você será capaz de compreender os elementos básicos que caracterizam e constituem os gêneros lírico e dramático. Como um estudante do curso de Pedagogia, é importante que você os conheça, para que sua análise e trabalho com obras de arte se torne mais abrangente, fundamentada e profissional. Conhecer a natureza da poesia e do teatro, e como eles constituem os gêneros textuais considerados como pertencentes à linguagem literária (e, consequentemente, artística) será fundamental para o exercício de sua profissão. E então? Motivado para desenvolver esta competência? Então vamos lá. Avante! Figura 4 Fonte: Pixabay Metodologia do Ensino da Arte 43 O gênero lírico Leia o poema a seguir, de autoria de Vinícius de Moraes: Um poema acentuadamente lírico Apavorado acordo, em treva. O luar É como o espectro do meu sonho em mim E sem destino, e louco, sou o mar Patético, sonâmbulo e sem fim. Desço da noite, envolto em sono; e os braços Como ímãs, atraio o firmamento Enquanto os bruxos, velhos e devassos Assoviam de mim na voz do vento. Sou o mar! Sou o mar! Meu corpo informe Sem dimensão e sem razão me leva Para o silêncio onde o Silêncio dorme Enorme. E como o mar dentro da treva Num constante arremesso largo e aflito Eu me despedaço em vão contra o infinito. (Disponível em: MORAES, Vinicius de. Poesia completa e prosa. Rio de Janeiro, Nova Aguilar, 1985, p. 1). Metodologia do Ensino da Arte 44 Visualmente, o poema de Vinícius de Moraes é um soneto, pois é formado por quatro estrofes, sendo que a primeira e a segunda possuem quatro versos cada; a terceira e a quarta estrofes possuem três versos cada. Há, também, o esquema de rimas externas, caracterizado por: A-B- A-B; C-D-C-D; E-F-E; F-G-G. NOTA: As rimas externas são aquelas que aparecem no final dos versos, sendo que cada sílaba tônica da última palavra é indicada por uma letra do alfabeto, e ao repetir-se o som, repete-se a letra indicativa. No caso do poema, as letras “A”, por exemplo, correspondem a “luar” e “o mar”; as letras “B”, correspondem a “em mim” e “sem fim”, e assim, sucessivamente. No soneto de Vinícius de Moraes, a um eu, uma voz que fala no poema. Essa voz apresenta angústia, solidão, e um traço importante: fusão entre o sujeito e o objeto, o que se percebe em versos como “[...] sou o mar”. Percebemos a presença do sujeito lírico não apenas pela utilização do pronome “eu”, ou pela flexão dos verbos na 1ª pessoa do singular, mas também pela forma como ele se projeta nos arranjos linguísticos durante todo o poema. Além disso, a emoção lírica no texto é percebida pela repetição constante da conjunção coordenativa aditiva e, o que impede uma conexão lógica. O esquema de rimas externas, abordado anteriormente, confere ao poema um tom de musicalidade, caracterizando o caráter emocional do texto. Entre o quinto e o sexto versos, temos uma quebra da linearidade frasal, com o trecho “[...] e os braços”, o que torna as ideias incompletas, caracterizando o que se chama de enjambement, caracterizando, também, uma mímesis de um estado afetivo. Além disso, há a presença de uma disposição anímica eliminando os distanciamentos Metodologia do Ensino da Arte 45 entre as coisas, por meio do estado afetivo, e os recursos sonoros criam uma unidade de significação difícil de ser alterada. Em poucas linhas fizemos a análise literária de um poema. Agora, passaremos a discutir alguns elementos fundamentais que constituem o gênero lírico. Antes de mais nada, um detalhe histórico: o gênero lírico surgiu na Grécia Antiga, como uma forma de manifestação em verso para expressar diferentes emoções da esfera humana. Seu nome está associado ao instrumento musical que acompanhava as declamações: a lira. Até boa parte da Idade Média, poesia e música não eram entendidos como elementos separados, sendo indissociável a utilização da melodia durante as declamações. Somente a partir do Renascimento Cultural, no período literário conhecido como Humanismo, começa a haver uma separação maior entre essas duas artes. Ao gênero lírico, em grande medida, pertencem os poemas nas suas mais variadas formas, o que não impede – obviamente – a pertença de outros gêneros textuais, desde que apresentem a predominância das marcas do gênero. Da mesma forma, como vimos no capítulo anterior, há uma diferença entre poesia e poema. A poesia é um conjunto de características e técnicas de elaboração artística; o poema é uma das manifestações concretasda poesia. Um dos primeiros elementos a se observar na análise do poema é sua estrutura visual (número de estrofes e de versos, disposição visual, etc.). Essa observação é importante para que se estabeleça relações de sentido entre o texto e sua forma visual. Essa análise é também conhecida como a análise do nível gráfico do poema, ou seja, da forma como ele está escrito. Nessa análise, também é importante observar o título, pois ele serve como uma espécie de slogan do poema, interferindo em sua significação. Tanto a disposição das palavras quanto os espaços em branco são importantes para essa análise. Após a “leitura visual” do poema, passamos para a análise do nível fônico do poema, observando os elementos de versificação, as Metodologia do Ensino da Arte 46 repetições, a acentuação, a entonação, etc. Podemos dividir essa análise nas seguintes verificações: a. Construção métrica: de que forma os versos estão constituídos? Há quantas sílabas ortográficas em cada verso? b. Acentuação: de que forma está disposta a organização das sílabas tônicas nos versos? Lembre-se que as sílabas tônicas conferem a musicalidade ao poema, e nem sempre essas sílabas estão de acordo com a linguagem denotativa. c. Figuras sonoras: de que modos estão organizadas as rimas do poema? Estão no final dos versos (externas) ou aparecem em seu interior (internas)? São feitas por meio de consoantes (aliteração) ou de vogais (assonância)? d. Enjambements: há “quebras” de sentido na linearidade do texto? Como elas interferem na compreensão geral do poema? Outro nível relevante a ser considerado no poema é o nível lexical. De que forma o sentido denotativo das palavras constitui sua literariedade? Há a presença de metaplasmos (desvios morfológicos), metataxes (desvios sintáticos) ou metassememas (desvios semânticos) da linguagem poética em relação ao sentido denotativo das palavras? De que forma ocorre a escolha lexical no texto? Se dá mais pela sonoridade ou pela construção semântica? No nível sintático, aprofunda-se a análise dos desvios sintáticos na construção do texto. No nível semântico, procura-se observar a estrutura de significação das palavras no texto, por meio das semelhanças e diferenças entre o sentido do texto e o sentido literal das palavras. Procura-se observar, Metodologia do Ensino da Arte 47 também, quais figuras de sentido estão sendo construídas ao longo do poema. Além dessas análises, há algumas formas fixas de poemas que merecem ser mencionadas: • Hino: Geralmente, trata-se de um poema para canto coral, carregado de valoração, caracterizado por sua ligação com a música; • Ode: A ode, assim como o hino, é um poema carregado de musicalidade, porém, interpretado apenas por um cantor, acompanhado de um instrumento musical. Apresenta tons mais graves em relação ao hino e aos demais poemas; • Elegia: Poema que se apresenta como um canto grave, com a finalidade de estimular a reflexão sobre os sentimentos mais profundos; • Canção: Poesia relacionada diretamente à música e ao canto. Seu sentido se completa com esses dois elementos; • Cantiga: Semelhante à canção, associa-se ao canto, à música e também à dança. Eram muito populares durante a Idade Média; • Soneto: poema composto por quatro estrofes, sendo a primeira e a segunda com quatro versos cada uma, e a terceira e a quarta estrofes com três versos cada uma, obedecendo a um padrão de rimas externas e encerrando com uma conclusão muitas vezes inesperada, denominada “chave de ouro”; • Balada: forma poética surgida durante a Idade Média, composta para ser musicada e cantada com acompanhamento coreográfico em festas culturais; • Haicai: poema de origem japonesa, com forma breve e sentenciosa, que busca correspondência entre o som e o sentido das palavras, por meio da construção de onomatopeias e paranomásias. Metodologia do Ensino da Arte 48 É importante ressaltar que além dessas, há outras formas poéticas, fixas (rondó, rondel, vilancete, redondilha, madrigal, epigrama, bucólica, caligrama, epístola, lira, oitava, panegírico, parábola, quadra, rapsódia, sátira, sextina, terceto etc.) e livres (sem rimas e sem métrica versal fixa) que podem ser aprendidas e exploradas. Aqui, apresentamos algumas das mais importantes. SAIBA MAIS: Para complementar seus estudos, sugerimos que você assista ao vídeo “Gênero Lírico – Brasil Escola”, disponível em: https://bit.ly/2HrJDvGAcesso em: 08 fev., 2020. O gênero dramático Observe o trecho a seguir: JOÃO GRILO – Padre João! Padre João! PADRE (aparecendo na igreja) – Que há? Que gritaria é essa? Fala afetadamente com aquela pronúncia e aquele estilo que Leon Bloy chamava “sacertotais”. CHICÓ – Mandaram avisar para o senhor não sair, porque vem uma pessoa aqui trazer um cachorro que está se ultimando para o senhor benzer. PADRE – Para eu benzer? CHICÓ – Sim. PADRE – Com desprezo – Um cachorro? CHICÓ – Sim. PADRE – Que maluquice! Que besteira! JOÃO GRILO – Cansei de dizer a ele que o senhor não benzia. Benze porque benze, vim com ele. Metodologia do Ensino da Arte 49 PADRE – Não benzo de jeito nenhum. CHICÓ – Mas padre, não vejo nada de mal em se benzer o bicho. JOÃO GRILO – No dia em que chegou o motor novo do Major Antônio Morais o senhor não benzeu? PADRE – Motor é diferente, é uma coisa que todo mundo benze. Cachorro é que eu nunca ouvi falar. CHICÓ – Eu acho cachorro uma coisa muito melhor do que motor. PADRE – É, mas quem vai ficar engraçado sou eu, benzendo o cachorro. Benzer motor é fácil, todo mundo faz isso, mas benzer cachorro? JOÃO GRILO – É, Chicó, o padre tem razão... Quem vai ficar engraçado é ele e uma coisa é benzer o motor do Major Antônio Morais e outra é benzer o cachorro do Major Antônio Morais. PADRE – Mão em concha no ouvido – Como? JOÃO GRILO – É. Eu não queria vir, com medo de que o senhor se zangasse, mas o Major é rico e poderoso e eu trabalho na mina dele. Com medo de perder meu emprego, fui forçado a obedecer, mas disse a Chicó: o padre vai se zangar. PADRE – desfazendo-se em sorrisos – Zangar nada, João! Quem é um ministro de Deus para ter direito de se zangar? Falei por falar, mas também vocês não tinham dito de quem era o cachorro. (SUASSUNA, Ariano. Auto da compadecida. 9 ed. Rio de Janeiro: Agir, 1972, p. 31-4. O trecho anteriormente apresentado, do Auto da compadecida, ilustra um texto do gênero dramático. Observa-se que o trecho se manifesta quase em sua totalidade por meio de diálogo, sem interferência direta de um narrador. Há, apenas, alguns comentários grifados, para darem uma ideia da entonação e da emoção transmitida no diálogo. Além Metodologia do Ensino da Arte 50 disso, o texto tem uma progressão de ações, e ficamos curiosos para saber o que acontecerá depois. Originalmente, a palavra “drama” vem do grego dráo e significa “fazer”, “ação”. E essa é uma das mais notáveis características do gênero dramático: o texto só se “completa” durante a encenação. Por causa dessa característica tão peculiar, alguns estudiosos chegam, inclusive, a defender o gênero dramático como uma arte separada da literatura. De modo geral, o teatro (ou o gênero dramático) envolve uma gama de elementos um pouco maior do que os gêneros narrativo e lírico, dentre os quais podemos citar: imagens visuais, sons, músicas, ritmos e arte pictórica, entre outros. O acerto da peça teatral está no equilíbrio entre o texto, a dramatização e os demais elementos que o constituem. No drama, reúnem-se a objetividade do gênero épico e a subjetividade do gênero lírico. A linguagem da peça teatral é peculiar em relação aos demais gêneros, sendo caracterizada por um conflito (choque entre os objetivos das personagens) que vai sendo desenvolvido por meio da linguagem dialógica. Ao mesmo tempo, o tempo do gênero dramático é o agora. A seguir, apresentaremos alguns elementos fundamentais paraa constituição do gênero dramático: • Texto: também chamado de script, o texto teatral é o elemento literário que constitui o drama. Trata-se de um conjunto de falas e de apontamentos os quais serão representadas pelos atores ao público. É formado pelas ações, pelos personagens, pelas indicações para o cenário e pelas reflexões das personagens. Semelhante ao gênero narrativo, o texto dramático apresenta os seguintes elementos: exposição da situação inicial, o conflito, o desenvolvimento, o clímax e o desenlace (esses elementos serão explicados mais detalhadamente no próximo capítulo); Metodologia do Ensino da Arte 51 • Personagens: os personagens são aqueles que, interpretados por atores, dão vida ao drama. São seres ficcionais, criados para exercerem determinadas funções dentro da peça; • Atores: os atores são os seres reais que, por meio do estudo dos roteiros e da interpretação, dão vida aos personagens; • Público: se há todo o investimento para que a peça seja encenada, essa encenação, por sua vez, é realizada para ser mostrada para, talvez, o elemento mais importante do teatro: o público, que é constituído por aqueles que assistem à peça. A relação palco-público é fundamental para o sucesso ou o fracasso do drama; • Cenografia: corresponde ao cenário e seu responsável (cenógrafo), que colaboram nos aspectos visuais da peça; • Sonoplastia: a sonoplastia e seu responsável (sonoplasta) estão ligados a todos os aspectos sonoros, musicais e as trilhas que constituem a peça; • Diretor: Se o dramaturgo é quem escreveu o texto teatral, o diretor é aquele que “escreve” o espetáculo. É ele que coordena todos os elementos que compõem a peça e também quem deve ter uma interpretação profunda do texto, para poder organizar a encenação do início ao fim. Além dos elementos que constituem o drama, temos as formas dramáticas, dentre as quais destacamos: • Tragédia: constitui uma imitação de ações consideradas de caráter elevado, extensa e com linguagem ornamentada, cujo conteúdo está ligado está ligado a deuses ou a situações da vida, que levam a consequências fatais; • Comédia: é uma peça teatral que se caracteriza pelo uso do humor nas artes cênicas, com o intuito de provocar o público a refletir sobre uma determinada situação cotidiana; Metodologia do Ensino da Arte 52 • Tragicomédia: trata-se de uma mescla de outros gêneros teatrais, tais como tragédia, comédia, farsa, melodrama, etc; • Farsa: peça teatral que mistura comédia, centrada em quadros da vida real, com o objetivo de despertar o ridículo, provocando o riso como forma de escape; • Auto: peça teatral de caráter religioso. Além dessas formas dramáticas, há outras, tais como ópera, mimo, momo, vaudeville e marionetes. Procuramos, aqui, destacar as mais relevantes. Para complementar seus estudos, sugerimos que você assista ao vídeo “Gênero Dramático – Brasil Escola”, disponível em: https://rb.gy/ gwp8pc Acesso em: 08 fev., 2020. Metodologia do Ensino da Arte 53 RESUMINDO: Neste capítulo, você viu que: O gênero lírico é caracterizado pela expressão dos sentimentos individuais, tendo como sua materialização mais comum o poema, em suas mais variadas formas. A poesia é um elemento que constitui e torna as obras artísticas, e o poema é uma forma de manifestação da poesia. Para análise do poema, há que se considerar seus aspectos visuais, seus aspectos linguísticos e seus aspectos semânticos. O gênero dramático é caracterizado pela ação. Ele só se completa por meio da atuação das personagens. Como texto literário, temos o script, que é a indicação dos diálogos e falas dos personagens, de observações acerca da entonação e do cenário, dentre outros. Caro estudante: Chegamos ao final desta unidade. É importante que você revise este material, tome nota de suas principais aprendizagens e principais dúvidas, Busque nas indicações de pesquisa leituras e vídeos que podem contribuir muito nessa etapa! Além disso, ao término desta unidade, você encontrará as principais referências bibliográficas utilizadas na elaboração dessa obra, que podem ser consultadas. Não desanime nas dificuldades de estudo, mas faça com que essas dificuldades de hoje venham ajudá-lo a se tornar um estudante e um profissional melhor amanhã! Metodologia do Ensino da Arte 54 REFERÊNCIAS AIDAR, Laura. Tipos de Arte. s/d. Disponível em: . Acesso em: 13 mar., 2020. ANJOS, Augusto dos. Versos Íntimos. In: MORICONI, Ítalo. (Org.). Os cem melhores poemas brasileiros do século. 1 ed. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001, p. 61. BEHR, Nicolas. In: Hollanda, Heloísa Buarque de; PEREIRA, Carlos Alberto Messeder. (Orgs). Poesia jovem anos 70. São Paulo, Abril Educação, 1982. FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. 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