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Unidade 2
Livro Didático 
Digital
Éderson da Cruz
Metodologia do 
Ensino da Arte
Diretor Executivo 
DAVID LIRA STEPHEN BARROS
Gerente Editorial 
CRISTIANE SILVEIRA CESAR DE OLIVEIRA
Projeto Gráfico 
TIAGO DA ROCHA
Autor 
ÉDERSON DA CRUZ
O AUTOR
Éderson da Cruz
Olá. Meu nome é Éderson da Cruz. Sou formado em Letras-Português 
(UNISINOS, 2010), Mestre e Doutor em Educação (UNISINOS, 2015; 2019), 
Especialista em Gestão Escolar – Orientação e Supervisão (Faculdade 
São Luís, 2017) e Pedagogo (UFRGS, 2020), com uma experiência técnico 
profissional nas áreas de Letras, Linguagens e Educação de mais de dez 
anos. Passei por instituições públicas (estaduais e municipais) e privadas, 
de Educação Infantil, Ensinos Fundamental e Médio, Ensino Técnico e 
Ensino Superior, no estado do Rio Grande do Sul, atuando como docente e 
também como supervisor escolar. Sou apaixonado pelo que faço e adoro 
transmitir minha experiência de vida àqueles que estão iniciando em suas 
profissões. Por isso, fui convidado pela Editora Telesapiens e integrar seu 
elenco de autores independentes. Estou muito feliz em poder ajudar você 
nesta fase de muito estudo e trabalho. Neste material, estudaremos os 
fundamentos do ensino da Arte. Você verá que a arte, além de uma forma 
de expressão, é um campo de saber muito rico e conectado com nossa 
realidade de diferentes formas, possibilitando o gosto estético e também 
o repensar e realidade e a forma como percebemos o mundo que nos 
cerca. Vamos nessa? Conte comigo para o que precisar. Bons estudos!
ICONOGRÁFICOS
Olá. Esses ícones irão aparecer em sua trilha de aprendizagem toda vez 
que:
INTRODUÇÃO:
para o início do 
desenvolvimento de 
uma nova compe-
tência;
DEFINIÇÃO:
houver necessidade 
de se apresentar um 
novo conceito;
NOTA:
quando forem 
necessários obser-
vações ou comple-
mentações para o 
seu conhecimento;
IMPORTANTE:
as observações 
escritas tiveram que 
ser priorizadas para 
você;
EXPLICANDO 
MELHOR: 
algo precisa ser 
melhor explicado ou 
detalhado;
VOCÊ SABIA?
curiosidades e 
indagações lúdicas 
sobre o tema em 
estudo, se forem 
necessárias;
SAIBA MAIS: 
textos, referências 
bibliográficas e links 
para aprofundamen-
to do seu conheci-
mento;
REFLITA:
se houver a neces-
sidade de chamar a 
atenção sobre algo 
a ser refletido ou dis-
cutido sobre;
ACESSE: 
se for preciso aces-
sar um ou mais sites 
para fazer download, 
assistir vídeos, ler 
textos, ouvir podcast;
RESUMINDO:
quando for preciso 
se fazer um resumo 
acumulativo das últi-
mas abordagens;
ATIVIDADES: 
quando alguma 
atividade de au-
toaprendizagem for 
aplicada;
TESTANDO:
quando o desen-
volvimento de uma 
competência for 
concluído e questões 
forem explicadas;
SUMÁRIO
A arte e sua relação com as demais linguagens ........................... 12
Linguagens que se misturam ................................................................................................. 12
A proposição das linguagens ................................................................................................. 13
A rua como espaço de arte ..................................................................................................... 14
Panorama das 11 artes ................................................................................................................. 14
Música .................................................................................................................................. 15
Dança .................................................................................................................................... 15
Pintura................................................................................................................................... 16
Escultura ............................................................................................................................. 16
Teatro .................................................................................................................................... 17
Literatura ............................................................................................................................ 17
Cinema ................................................................................................................................. 18
Fotografia .......................................................................................................................... 19
História em quadrinhos ........................................................................................... 20
Jogos eletrônicos ........................................................................................................ 20
Arte digital ........................................................................................................................ 20
O ensino da arte na escola ......................................................................22
A escola é o espaço da arte! ..................................................................................................22
A evolução conceitual da disciplina ..................................................................................24
Alguns mitos pedagógicos sobre o ensino de Arte ..............................................25
Reprodução e releitura ............................................................................................25
Produção de trabalhos artísticos com material .....................................25
A arte estimula a criatividade ..............................................................................25
As grandes linguagens artísticas: dança, artes visuais, teatro e 
música ..................................................................................................................................25
Linha do tempo sobre o ensino da Arte nas escolas 
brasileiras ...........................................................................................................................26
Metodologias mais comuns no ensino da Arte.........................................................28
Metodologia tradicional ...........................................................................................28
Livre expressão ..............................................................................................................28
Metodologia sociointeracionista .......................................................................29
A relação da linguagem artística e a poesia ................................... 31
Intertextualidade e metalinguagem .................................................................................. 31
Poesia e poema ................................................................................................................................32
Língua e arte literária ....................................................................................................................32
Elementos da obra literária ...................................................................................34
Estilo ......................................................................................................................................35
Versificação.......................................................................................................................35
Ritmo .................................................................................................................................... 38
Simetria e assimetria ................................................................................................ 38
Encadeamento .............................................................................................................. 38
Rima ...................................................................................................................................... 39
Versos regulares ..........................................................................................................40
Versos brancos ............................................................................................................. 40
Versos livres .................................................................................................................... 40
Versos polimétricos ................................................................................................... 40
Estrofe.................................................................................................................................. 40
Noções teóricas da poesia e do teatro por meio do gênero lírico 
e dramático ....................................................................................................42
O gênero lírico ...................................................................................................................................43
O gênero dramático ..................................................................................................................... 48
9
LIVRO DIDÁTICO DIGITAL
UNIDADE
02
Metodologia do Ensino da Arte
10
INTRODUÇÃO
A arte está praticamente em todo lugar: nas paredes, nas 
construções, nos movimentos, na linguagem, no corpo humano... Mas o 
que será que diferencia a arte das demais atividades humana? De modo 
geral, arte é técnica. Porém, funções do dia a dia também exigem uma 
técnica. Também podemos dizer que arte é linguagem. Mas, por exemplo, 
uma notícia não é artística e também é linguagem. Podemos dizer que a 
arte também é aquilo que nos toca. 
Metodologia do Ensino da Arte
11
OBJETIVOS
Olá. Seja muito bem-vindo à Unidade 2. Nosso propósito é auxiliar 
você no desenvolvimento das seguintes objetivos de aprendizagem até o 
término desta etapa de estudos:
1. Identificar a arte e sua relação com as demais linguagens;
2. Demonstrar o ensino da arte na escola;
3. Associar a linguagem artística e a poesia;
4. Explicar as noções teóricas da poesia e do teatro por meio do 
gênero lírico e dramático.
Então? Preparado para uma viagem sem volta rumo ao conhecimento? 
Ao trabalho! 
Metodologia do Ensino da Arte
12
A arte e sua relação com as demais 
linguagens
INTRODUÇÃO:
Ao término deste capítulo você será capaz de entender que 
arte é um termo bastante polissêmico, por isso, relacionado 
a diferentes linguagens. Isso fará toda a diferença em sua 
atuação profissional, uma vez que a arte faz parte do dia 
a dia da escola. E então? Motivado para desenvolver esta 
competência? Então vamos lá. Avante!
Figura 1
Fonte: Pixabay
Linguagens que se misturam
Podemos dizer que as linguagens artísticas surgem da necessidade 
humana de se comunicar e de agir no mundo, de estabelecer diversas 
maneiras de dialogar sobre tudo o que é percebido, vivido e sentido pelo 
homem. Linguagens que foram criadas por pessoas que precisavam 
Metodologia do Ensino da Arte
13
contar suas experiências, manifestar expressões, opiniões e poéticas. Os 
artistas criaram e continuam criando linguagens artísticas.
Várias vezes, observamos pinturas e desenhos, lemos livros, 
escutamos músicas, assistimos a peças teatrais, a espetáculos de dança, 
a filmes de modo tão naturalizado que não nos damos conta do modo 
como essas linguagens foram construídas. Em cada tempo e lugar, as 
linguagens tiveram um modo e um propósito ao serem criadas, e também 
receberam algum tipo de valor ou grau de importância. Estudar e conhecer 
essas linguagens nos permite ampliar conhecimentos e desenvolver 
habilidades para que possamos ler e criar em arte. 
As linguagens podem se misturar ou não. Ao mesmo tempo, você 
pode ser surpreendido pelas linguagens artísticas ao perceber imagens, 
sons, luzes que iluminam uma cidade, ao se deparar com uma escadaria 
colorida, ou ao sentar-se em um banco de praça. A arte é um bem público!
Na arte contemporânea, as linguagens visuais podem se reunir 
em obras que também utilizam a linguagem verbal. Isso ocorre porque 
a arte pode ser considerada como um elemento humano e ao mesmo 
tempo vivo, que recria a realidade inspirada nos anseios e sentimentos 
individuais dos seres humanos.
A proposição das linguagens
A linguagem artística, em geral, estabelece relações com quem 
a cria e também com quem a aprecia. O artista não é o único criador 
da obra, mas um coautor do processo de criação, dado por um projeto 
descrito pelo artista, mas para o qual é feito um convite ao público para 
que participe. São projetos que propõem percursos poéticos, convidando 
as pessoas a penetrarem na obra de arte, para além da apreciação como 
mero espectador, e, portanto, a participarem ativamente da criação.
Pedir ao público que participe da obra tem sido uma prática bem 
presente na arte contemporânea. Isso ocorre não apenas nas artes visuais, 
mas também em outras linguagens.
Metodologia do Ensino da Arte
14
Retirar a característica de passividade de quem assiste a uma 
encenação teatral, por exemplo, é primordial. A passividade não 
combina com a proposição de uma arte em movimento. A proposta da 
arte contemporânea é transformar, encontrar saídas para os problemas 
mostrados no teatro e na vida. Nada está dado como pronto e acabado, 
ao contrário: tudo está por se fazer. Convidando o público a participar 
das artes cênicas, e não somente ficar assistindo ao espetáculo de forma 
passiva, a linguagem teatral se torna disponível a todos, rompendo 
barreiras entre artista e plateia. Esse tipo de proposta teatral incentivou 
grupos de teatro contemporâneo a convidar o público para uma atitude 
ativa na experiência cênica. 
A rua como espaço de arte
A arte pública pode estar por todos os lados, nas cidades ou em outros 
locais de visitação. São instalações, esculturas, intervenções urbanas, 
pinturas em fachadas de prédios e outras ocorrências intervenções 
urbanas, pinturas em fachadas de prédios e outras ocorrências também 
da linguagem das artes cênicas e audiovisuais, com projeções artísticas.
O teatro popular de rua é um exemplo dessa arte que se realiza em 
espaço aberto, com uma plateia que muitos.
Panorama das 11 artes
A arte é uma forma de comunicação que acompanha a humanidade 
desde os primórdios. Já na época das cavernas, os seres humanos se 
comunicavam por meio dela, a chamada arte rupestre.
Atualmente, estão denominados 11 tipos de arte: música, dança, 
pintura, escultura, teatro, literatura, cinema, fotografia, história em 
Metodologia do Ensino da Arte
15
quadrinhos (HQ), jogos eletrônicos e arte digital. A seguir, abordaremos 
brevemente cada uma delas.
Música
Esse tipo de arte pode despertar sentimentos variados, favorecendo 
o equilíbrio mental e o bem-estar.
A música está presente em nosso dia a dia a partir do momento em 
que nascemos. Desde as canções de ninar que cantarolavam para nós, 
até os ritmos dançantes que ouvimos em uma festa, por exemplo.
A linguagem musical é formada por diversos sons que se 
apresentam em espaços de tempo pré-determinados, formando assim - 
ritmo, harmonia e melodia.
O ritmo é dado pela marcação de tempo entre um som e outro. A 
harmonia trata-se da combinação dos elementos musicais simultâneos.
Já a melodia, se refere à sequência sonora que se apresenta na 
música, sendo percebida em nossa mente como uma unidade. É por isso 
que conseguimos assobiar uma canção, por exemplo, mesmo que não 
saibamos tocar um instrumento.
Dança
A dança é a arte do movimento corporal. Usa o corpo como 
instrumento, as pessoas podem exteriorizar seus sentimentos fazendo 
gestos cadenciados por um ritmo.
É uma das formas mais antigas de manifestação artística, tendo 
origem ainda na pré-história. Muitas pessoas dançavam em rituais de 
Metodologia do Ensino da Arte
16
celebração, agradecimento, cerimônias fúnebres e para pedir proteção. 
Ou seja, a dança tinha um caráter sagrado.
Frequentemente, esse tipo de arte vem acompanhado da música, 
sendo quase sempre inseparáveis, entretanto é possível também 
expressar-se nessalinguagem sem que haja som.
É uma maneira muito saudável de expressão, pois além de favorecer 
a criatividade, também auxilia na vitalidade corporal e psicológica, 
trazendo inúmeros benefícios.
Pintura
A pintura é a técnica de depositar pigmentos coloridos - que podem 
ser pastosos, líquidos ou em pó - sobre uma superfície, gerando imagens 
figurativas ou abstratas.
Essa é uma atividade que permite às pessoas se comunicar e 
demonstrar sentimentos por meio de formas, cores e texturas.
A história da pintura remonta o período pré-histórico, quando os 
seres humanos usavam as cavernas como suporte para seus desenhos. 
Esse tipo de arte era feito com pigmentos extraídos de óxidos minerais, 
ossos carbonizados, vegetais, carvão, sangue e gorduras de animais.
A pintura e uma manifestação artística que permite aos homens 
conhecer melhor o seu passado, costumes e crenças, pois pode revelar 
muito sobre a cultura de determinada época e lugar.
Além disso, é considerada uma das formas de arte mais tradicionais 
e boa parte das grandes obras da humanidade são pinturas com tinta a 
óleo.
Escultura
A escultura pode ser compreendida como a arte de modelar ou 
desgastar matérias brutas (como a argila, mármore, madeira e pedra) 
Metodologia do Ensino da Arte
17
e convertê-las em objetos com significados, expressando ideias e 
sentimentos.
Usando formas, espaços e volumes, o artista cria obras 
tridimensionais, ou seja, que têm altura, largura e profundidade.
Assim como as outras formas de artes, a escultura também é muito 
antiga e começou a ser feita ainda nas sociedades primitivas.
Teatro
O teatro é uma linguagem artística em que as pessoas, no caso os 
atores e atrizes, representam uma história para um público.
A manifestação teatral mais parecida com a que conhecemos hoje 
no Ocidente surgiu na Grécia Antiga, no século VI a.C.
Naquela época, o teatro mesclava temas sagrados e profanos 
e era feito em homenagem ao deus Dionísio, considerado o deus do 
vinho, das festas e da fertilidade. Nessas encenações, não era permitida 
a participação de mulheres, sendo apenas homens a desempenhar os 
papéis.
Os gêneros teatrais que haviam na Grécia Antiga eram somente a 
comédia e a tragédia. Atualmente, o teatro foi se transformando e avançou 
também por outros territórios.
Existem muitas maneiras e estilos de se fazer teatro, entre eles: 
musical, ópera, fantoches, teatro de sombras, drama, comédia, teatro de 
rua, teatro de palco, entre outros.
Literatura
Na literatura, a escrita é a ferramenta utilizada para se expressar. Por 
isso, a literatura é a arte da palavra.
Metodologia do Ensino da Arte
18
A invenção da escrita foi um dos acontecimentos mais importantes 
para a humanidade. Ela figurou um marco e delimita o fim da chamada 
“pré-história” e o início da “história”.
Com o desenvolvimento da humanidade e sua evolução, ela passou 
a ser não só um meio de comunicação simples e direta, mas também 
uma ferramenta para transmissão de ideias, sentimentos, reflexões, 
pensamentos e para narrar histórias.
O desenvolvimento da literatura aconteceu gradualmente e 
cada época e lugar possui características literárias distintas. Entretanto, 
podemos dizer que a literatura sempre representou uma importante fonte 
de conhecimento histórico acerca das sociedades.
São muitas as maneiras de escrever e tipos de textos literários, por 
exemplo: prosa, ficção, romance, poesia e cordel.
Cinema
O cinema é uma forma de arte que surgiu após a invenção da 
fotografia, como desdobramento dela. Utilizando várias imagens - 
fotografias - que são projetadas muito rapidamente em uma tela, nosso 
olho enxerga essa sequência de fotos como um filme, ou seja, com 
movimento.
Deste modo, é possível contar histórias, transmitindo assim 
sensações e aguçando sentimentos como alegria, medo, tristeza e amor.
A origem dessa linguagem artística se deu no final do século XIX. 
Na época, muitas pessoas estavam buscando maneiras de criar algo 
semelhante ao cinema.
Porém, foram os irmãos Auguste e Louis Lumière que fizeram a 
primeira projeção cinematográfica ao público, em 1895, na França.
O filme exibido tinha 40 segundos de duração e intitulou-se “A 
chegada do trem à estação de La Ciotat” ou “A saída dos operários da 
fábrica”. O público ficou bastante surpreso e intrigado. Diz-se que algumas 
Metodologia do Ensino da Arte
19
pessoas inclusive correram assustadas para o fundo da sala de projeção, 
com medo da movimentação do trem.
A partir de então, essa técnica foi bastante aprimorada e hoje 
podemos apreciar e nos divertir com filmes em 3D, que dão a ilusão de 
estarmos de fato dentro da história contada.
Fotografia 
A fotografia é uma palavra de origem grega e significa escrever com 
a luz, sendo que foto quer dizer luz e grafia exprime a noção de escrita. 
É uma arte que se utiliza de máquinas para captar imagens por meio de 
reações obtidas através da iluminação.
O ano de 1826 é considerado um marco na história da fotografia, 
quando o francês Joseph Niépce conseguiu fixar a primeira representação 
fotográfica em uma placa de estanho. Niépce posicionou seu invento – 
uma câmera escura – em frente a uma janela e deixou a luz solar entrar 
no interior da máquina por 8 horas. Isso resultou numa imagem um tanto 
quanto borrada do telhado da casa vizinha.
A partir de então, a fotografia sofreu muitos avanços. Atualmente, 
com o progresso tecnológico e as redes sociais, essa linguagem vem 
ganhando cada vez mais espaço em nossas vidas e despertando o 
interesse das pessoas.
No início de sua invenção, a fotografia não era considerada arte 
propriamente. Entretanto, com o passar do tempo foi possível compreender 
que essa linguagem também possui características e potencialidades 
criativas.
Fotografar é como “recortar” o mundo, optar por exibir um ponto de 
vista, um determinado olhar. Contudo, também possibilita a criação de 
“novas realidades”, fazendo uso de cenários, figurinos e poses, explorando 
ao máximo toda a capacidade imaginativa do ser humano.
Metodologia do Ensino da Arte
20
Toda a forma realizada por meio de computadores pode ser 
chamada de arte digital.
História em quadrinhos
A história em quadrinhos, ou simplesmente HQ, é uma sequência 
de desenhos feitos em quadros que juntos contam uma história. 
Normalmente, se utiliza de balões e textos escritos dentro deles a fim de 
contar o que as personagens estão conversando ou pensando.
Essa maneira de narrar histórias surgiu entre 1894 e 1895. Seu 
inventor foi o americano Richard Outcault, que publicou em jornais o que 
foi considerada a primeira história em quadrinhos.
Na atualidade, as HQs estão presentes em todo o mundo e 
representam um importante meio de comunicação de massa.
Os suportes escolhidos pela maioria dos desenhistas de quadrinhos 
- também chamados cartunistas - são os livros, gibis ou tiras publicadas 
em jornais e revistas.
Jogos eletrônicos
Os jogos eletrônicos – os famosos games - são programas nos quais 
as pessoas interagem com objetos virtualmente, tendo que ultrapassar 
desafios, cumprindo metas e se divertindo.
Foram apresentados ao público na década 1970, sendo fruto de 
experimentações de acadêmicos em torno de pesquisas na área da 
ciência da computação.
Por conta da evolução tecnológica, os jogos eletrônicos estão sendo 
constantemente aprimorados, sendo uma das formas mais populares de 
diversão e entretenimento em todo o mundo.
Arte digital
Metodologia do Ensino da Arte
21
Trata-se de um tipo de arte que evoluiu junto com o desenvolvimento 
tecnológico. Ela teve seu crescimento na década de 1980 e foi impulsionada 
pela música do francês Pierre Henry, considerado o precursor da música 
eletrônica.
Hoje em dia, essa forma de expressão - também conhecida como 
ciberarte - engloba muitas linguagens além da música, como o vídeo, 
fotografia, desenho, cinema e até mesmo a literatura.
É uma arte relativamente novaque está se expandindo bastante. 
Os suportes escolhidos normalmente são as telas de computadores, 
smartphones, tablets, televisores, projeções e impressões gráficas.
RESUMINDO:
Neste capítulo, você aprendeu que:
A arte é um conceito bastante polissêmico, histórico e 
vinculado às culturas e formas de ver o mundo. Está 
relacionada às formas como o homem percebe a realidade 
que o cerca;
A arte está em todo lugar, podendo ser criada e reconhecida 
nas mais diversas situações. Ao mesmo tempo, na atualidade, 
a noção de arte passa pela busca por interação com o público;
São 11 as formas de arte na atualidade, que se utilizam de 
diferentes recursos, matérias-primas e tecnologias.
Metodologia do Ensino da Arte
22
O ensino da arte na escola
INTRODUÇÃO:
Ao término deste capítulo você será capaz de entender 
alguns pressupostos importantes para o ensino de arte na 
escola. Isso fará toda a diferença em sua atuação profissional, 
uma vez que a arte faz parte do dia a dia da escola. E então? 
Motivado para desenvolver esta competência? Então vamos 
lá. Avante!
Figura 2
Fonte: Pixabay
A escola é o espaço da arte!
Por muito tempo, o ensino de Arte na escola se resumiu a tarefas 
pouco criativas e marcadamente repetitivas. Desvalorizadas na grade 
curricular, as aulas dificilmente tinham continuidade ao longo do ano 
letivo. Essas atividades iam desde trabalhos de ligar pontos até a cópia 
de formas geométricas. Dessa forma, a criança não era considerada uma 
Metodologia do Ensino da Arte
23
produtora de arte e, por isso, cabia ao professor dirigir seu trabalho e 
demonstrar o que deveria ser feito.
Nos últimos vinte anos, essa situação vem mudando nas 
escolas brasileiras. Hoje, a tendência que guia a área é a chamada 
sociointeracionista, que apregoa a mistura e a pluralidade de produção, 
reflexão e apreciação de obras artísticas. Como defendem as próprias 
políticas norteadoras da educação, é papel da escola o ensino da 
produção histórica e social da arte e, ao mesmo tempo, a garantia ao 
aluno da liberdade de imaginar e edificar propostas artísticas pessoais ou 
grupais com base em intenções próprias.
Infelizmente, no entanto, ainda há professores trabalhando na 
chamada metodologia tradicional, que supervaloriza os exercícios 
mecânicos e as cópias por acreditar que a repetição é capaz de garantir 
que os alunos “fixem modelos”. 
Sob essa perspectiva, o válido é o produto final (e ele é mais bem 
avaliado quanto mais próximo for do original). É por isso que, além de 
desenhos pré-preparados, tantas crianças tenham sido obrigadas ao 
longo dos tempos a apenas memorizar textos teatrais e partituras de 
música para se apresentar em datas comemorativas - sem falar no 
treino exaustivo e mecânico de habilidades manuais em atividades de 
tecelagem e bordado.
Só nos anos 1960, com o surgimento do movimento da Escola 
Nova, ideias mais inovadoras começaram a influenciar as aulas de Arte. Na 
época, a proposta era romper totalmente com o jeito anterior de trabalhar. 
Segundo esse modelo, batizado de escola espontaneísta (ou livre 
expressão), os professores forneciam materiais, espaço e estrutura para 
as turmas criarem e não interferiam durante a produção dos estudantes. 
Tudo para permitir que a arte surgisse naturalmente nos estudantes, 
Metodologia do Ensino da Arte
24
de dentro para fora e sem orientações que pudessem atrapalhar esse 
processo. 
A evolução conceitual da disciplina
Alguns anos depois do surgimento da Escola Nova, outras 
concepções foram sendo construídas, abrindo espaço para a consolidação 
da perspectiva sociointeracionista, a mais indicada pelos especialistas hoje 
por permitir que crianças e jovens não apenas conheçam as manifestações 
culturais da humanidade e da sociedade em que estão inseridas, mas 
também soltem a imaginação e desenvolvam a criatividade, utilizando 
todos os equipamentos e ferramentas à sua disposição.
Nos anos 1990, duas importantes inovações contribuíram 
significativamente para direcionar o caminho para o modelo atual de 
ensino: na Espanha, Fernando Hernández defendeu o estudo da chamada 
cultura visual (muito além das artes visuais clássicas, era necessário, 
segundo ele, trabalhar com videoclipes, internet, histórias em quadrinhos, 
objetos populares e da cultura de massa, rótulos e outdoors nas salas de 
aula).
No Brasil, Ana Mae Barbosa elaborou a metodologia da proposta 
triangular (inspirada em ideias norte-americanas e inglesas, recuperou 
conteúdos e objetivos que tinham sido abandonados pela escola 
espontaneísta). Ela defendia que o professor deveria usar o seguinte tripé 
em classe: o fazer artístico, a história da arte e a leitura de obras.
Esse tripé original é considerado uma “matriz” dos eixos de 
aprendizagem que dominam o ensino atualmente: a produção, a 
apreciação artística e a reflexão. O “novo” tripé ajuda a desconstruir alguns 
dos mitos que rondam as salas de Arte nas escolas brasileiras, como a 
confusão entre a necessidade de ter muito material e estrutura para obter 
uma resposta “de qualidade” dos alunos.
Na perspectiva sociointeracionista, o fazer artístico (produção) 
permite que o aluno exercite e explore diversas formas de expressão. A 
análise das produções (apreciação) é o caminho para estabelecer ligações 
Metodologia do Ensino da Arte
25
com o que já sabe e o pensar sobre a história daquele objeto de estudo 
(reflexão) é a forma de compreender os períodos e modelos produtivos.
Alguns mitos pedagógicos sobre o ensino 
de Arte
A seguir, apresentaremos alguns dos principais mitos que norteiam 
a prática pedagógica do ensino de Arte nas escolas.
Reprodução e releitura
Mostrar uma obra de arte, discutir suas características e pedir que 
cada aluno faça o mesmo desenho no caderno não é propor uma releitura. 
Isso é uma simples reprodução ou cópia de materiais. Na releitura, parte-
se de uma obra para criar outro trabalho (ou seja, o estudante transforma 
e interpreta).
Produção de trabalhos artísticos com material
Qualidade não é quantidade. Um trabalho que garanta uma 
aprendizagem significativa para os alunos não depende de riqueza de 
material, mas de conteúdo, de estratégias, de metodologias e também 
de propostas que ofereçam oportunidades de participação.
A arte estimula a criatividade
A Arte ajuda a desenvolver a criatividade - e outras habilidades 
- se os conteúdos são aprendidos. Mas o mesmo ocorre quando, por 
exemplo, o aluno levanta uma hipótese na aula de Ciências ou pensa 
numa estratégia para um problema em Matemática. A criatividade ocorre 
independentemente de uma ou outra disciplina.
As grandes linguagens artísticas: dança, artes 
visuais, teatro e música
O ideal é que as aulas de Arte contemplem atividades de 
quatro linguagens: dança, artes visuais, teatro e música. As diferentes 
Metodologia do Ensino da Arte
26
manifestações culturais (das mais clássicas às mais vanguardistas) 
também merecem análise como resultado de um conjunto de valores 
e uma maneira de os seres humanos interagirem com o mundo em 
que vivem (ou viveram). Cotidianamente, a prática tem de combinar 
simultaneamente os três eixos citados anteriormente para que todos os 
estudantes avancem 
Mesmo que o trabalho dê ênfase mais para uma linguagem 
artística agora e mais para outra daqui a pouco, é necessário que fique 
claro que todos são interligados, fazem parte de um processo. Também é 
interessante variar as maneiras de estudar os conteúdos e programar as 
atividades ao longo do ano, pois, assim como na prática artística há um 
pensar fazendo e um fazer pensando, quando ensinamos, a ação também 
mobiliza para a reflexão e a reflexão transforma a ação. 
Linha do tempo sobre o ensino da Arte nas escolas 
brasileiras
A seguir, apresentaremos brevemente um panorama histórico sobre 
o desenvolvimento do ensino de Arte no Brasil:
 • 1816: Durante o governo de dom João VI, chega ao Rio de Janeiro 
a Missão ArtísticaFrancesa e é criada a Academia Imperial de Belas 
Artes. Seguindo modelos europeus, é instalado oficialmente o ensino 
de Arte nas escolas.
 • 1900: Até o início do século 20, o ensino do desenho é visto como 
uma preparação para o trabalho em fábricas e serviços artesanais. São 
valorizados o traço, a repetição de modelos e o desenho geométrico.
 • 1922: Apesar da efervescência das manifestações da Semana de Arte 
Moderna, o ensino segue as tendências da escola tradicional, que 
defende a necessidade de copiar modelos para treinar habilidades 
manuais.
 • 1930: O compositor Heitor Villa-Lobos, no governo de Getúlio Vargas, 
institui o projeto de canto orfeônico nas escolas. São formados corais, 
Metodologia do Ensino da Arte
27
que se desenvolvem pela memorização de letras de músicas de 
caráter folclórico e cívico.
 • 1935: O escritor Mario de Andrade, então diretor do Departamento 
de Cultura do município de São Paulo, promove um concurso de 
desenho para crianças com tema livre. O ganhador recebe uma 
quantia em dinheiro.
 • 1948: É criada no Rio de Janeiro a primeira “Escolinha de Arte”, 
com a intenção de propor atividades para o aluno desenvolver 
a autoexpressão e a prática. Em 1971, chega a 32 o número de 
instituições particulares desse tipo no país.
 • 1960: As experimentações que marcam a sociedade, como o 
movimento da bossa nova, influenciam o ensino de Arte nas escolas 
de todo o país. É a época da tendência da livre expressão se expandir 
pelas redes de ensino.
 • 1971: Segundo a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional 
(LDB), a Educação Artística (que inclui artes plásticas, educação 
musical e artes cênicas) passa a fazer parte do currículo escolar do 
Ensino Fundamental e Médio.
 • 1973: Criação dos primeiros cursos de licenciatura em Arte, com 
dois anos de duração e voltados à formação de professores capazes 
de lecionar música, teatro, artes visuais, desenho, dança e desenho 
geométrico.
 • 1989: Desde 1982 desenvolvendo pesquisas sobre três ideias (fazer, 
ler imagens e estudar a história da arte), Ana Mae Barbosa cria a 
proposta triangular, que inova ao colocar obras como referência para 
os alunos.
 • 1996: A Lei das Diretrizes e Bases da Educação Nacional passa a 
considerar a Arte como disciplina obrigatória da Educação Básica. Os 
Parâmetros Curriculares Nacionais definem que ela é composta de 
quatro linguagens: artes visuais, dança, música e teatro.
Metodologia do Ensino da Arte
28
Metodologias mais comuns no ensino da 
Arte
O ensino de Arte passou por muitas transformações ao longo da 
história. A seguir, apresentaremos algumas das principais metodologias 
de ensino de Arte. 
Metodologia tradicional
Unânime na maneira de ensinar desde o fim do século XIX até a 
década de 1950. Ainda está presente em muitas escolas.
 • Foco: Aprendizado de técnicas e desenvolvimento de habilidades 
manuais, coordenação motora e precisão de movimentos para o 
preparo de um produto final.
 • Estratégia de ensino: Repetição de atividades, cópia de modelos 
e memorização. O professor adota a postura de transmissor do 
conhecimento. Ao aluno, basta absorver o que é ensinado sem espaço 
para a contestação. A turma era bem avaliada quando conseguia 
reproduzir com rigor as obras de artistas consagrados.
 •
Livre expressão
Nasceu por volta de 1960, por influência das ideias do movimento 
da Escola Nova.
 • Foco: O que importa não é o resultado, mas o processo e, 
principalmente, a experiência. Há a valorização do desenvolvimento 
criador e da iniciativa do aluno durante as atividades em classe.
 • Estratégia de ensino: Desenho livre e uso variado de materiais. 
Não há certo ou errado na maneira de fazer de cada estudante. Ao 
professor, não cabe corrigir ou orientar os trabalhos nem mesmo 
Metodologia do Ensino da Arte
29
utilizar outras produções artísticas para influenciar a turma. A ideia é 
que o estudante exponha suas inspirações internas.
Metodologia sociointeracionista
É a tendência mais atual para o ensino da disciplina. A ideia de 
considerar a relação da cultura com os conhecimentos do aluno e as 
produções artísticas surgiu na década de 1980.
 • Foco: Favorecer a formação do aluno por meio do ensino das quatro 
linguagens de Arte: dança, artes visuais, música e teatro.
 • Estratégia de ensino: A experiência do aluno e o saber trazido de 
fora da escola são considerados importantes e o professor deve 
fazer a intermediação entre eles. O ensino é baseado em três eixos 
interligados: produção (fazer e desenvolver um percurso de criação), 
apreciação (interpretar obras artísticas) e reflexão sobre a arte 
(contextualizar e pesquisar). Apesar dessa divisão, não deve haver 
uma ordem rígida ou uma priorização desses elementos ao longo do 
ano letivo. 
De modo geral, o ensino de Arte tem sido pensado como 
fundamental para contribuir ao desenvolvimento dos alunos, e por isso, 
vem sofrendo uma série de modificações e de reflexões, a fim de que se 
torne mais potente, no sentido de desenvolver a competência linguística 
dos estudantes. Da mesma forma, é necessário que se estimule a criação 
artística, o desenvolvimento da imaginação e da criatividade na escola, 
cujo espaço por ser “invadido” por obras de arte e intervenções artísticas 
das mais diversas.
Metodologia do Ensino da Arte
30
RESUMINDO:
Neste capítulo, você aprendeu que:
 • O ensino de Arte na escola foi pensado, no Brasil, 
desde o século XIX, e de lá para cá, vem passando por 
uma série de reformulações;
Atualmente, a metodologia sociointeracionista, que 
compreende a arte como uma forma de expressão e de 
interação, e não apenas de reprodução de grandes obras, 
tem sigo a metodologia de ensino mais discutida no campo 
da Educação;
A arte pode estar em todo lugar, mas nem tudo é arte;
A escola é o lugar da arte; por isso, é importante que esse 
espaço de criação seja utilizado e valorizado. 
Metodologia do Ensino da Arte
31
A relação da linguagem artística e a 
poesia
INTRODUÇÃO:
Ao término deste capítulo você será capaz de entender como 
se organiza a linguagem poética, e sua importância para o 
ensino da Arte. Conhecer a natureza dos gêneros literários, 
e como eles constituem os gêneros textuais considerados 
como pertencentes à linguagem literária será fundamental 
para o exercício de sua profissão. E então? Motivado para 
desenvolver esta competência? Então vamos lá. Avante!
Figura 3
Fonte: Pixabay
Intertextualidade e metalinguagem
Conforme já abordado nas outras unidades, a intertextualidade 
se manifesta pelo diálogo entre textos, intencional, que faz com que 
Metodologia do Ensino da Arte
32
um texto mais recente amplie ou “responda” a outro texto, ampliando, 
desconstruindo e pluralizando suas ideias. 
A metalinguagem se manifesta quando, por meio da linguagem, se 
procura descrever a própria linguagem. O texto literário apresenta essa 
característica quando procura conceituar determinados temas, ainda que 
de forma conotativa.
Poesia e poema
A poesia é um conjunto de características e técnicas de elaboração 
artística; o poema é uma das manifestações concretas da poesia. A noção 
de poesia está ligada ao grego poiésis, que era sinônimo de processo 
criativo, e depois, passou a nomear o processo criativo da poesia. Também, 
segundo Platão, poiésis designava os processos para se alcançar a 
imortalidade.
Na atualidade, os significados de poiésis não se modificaram muito, 
haja vista que por meio da poesia, os homens se tornam imortais, uma vez 
que suas criações artísticas falam por eles.
O poema é uma manifestação concreta da poesia, assim como a 
dança, a música, o cinema, a literatura, o romance, etc. Aquilo que atinge 
a perfeição artística possui poesia; o poema cuja perfeição ultrapassa os 
limites do cotidiano e do não-artístico é um poema (seja ele haicai, soneto, 
ode, balada etc.) carregado de poesia.
Língua e arte literária
A língua de um povo ditocivilizado é constituída por várias 
modalidades, que podem existir juntas, com suas peculiaridades sem, 
necessariamente, romperem com sua unidade linguística. 
A língua denominada geral é aquela oficializada por um país, 
vivificada pelo uso comum e aceita socialmente. Está acima das 
Metodologia do Ensino da Arte
33
regionalidades, sempre existentes. No contexto brasileiro, é a língua 
portuguesa, vista em seu conjunto.
A língua geral tende a conviver com as tonalidades regionais, na 
fonética e no vocabulário, resultando dali os falares regionais, que atingem 
fortemente a expressão cultural e literária em algumas áreas geográficas 
do país. Quando essas características são muito acentuadas, temos o que 
se chama de dialeto. 
O linguajar regional, com seus modismos e peculiaridades, é 
comumente retratado por escritores regionalistas em suas obras literárias.
A língua popular é a fala espontânea do dia a dia de um povo. Quase 
sempre, destoa da norma gramatical e é rica em plebeísmos (palavras 
vulgares e gírias). Nessa modalidade da língua está inserida a fala familiar 
ou coloquial, sem a preocupação com a correção gramatical, dependendo 
do nível de escolaridade de seus falantes.
A língua culta é utilizada pelas pessoas instruídas das diferentes 
profissões e níveis sociais. É pautada pelos preceitos vigentes da 
gramática normativa e se caracteriza pelo cuidado com a forma e o 
léxico. Seu vocabulário é mais prestigiado, servindo de ferramenta para 
as ciências e para o ensino nas escolas. Em língua culta se elaboram 
as obras científicas, as obras didáticas, textos midiáticos, documentos 
oficiais, etc. A mais artificial dessas linguagens ocupa o âmbito artístico, 
sendo conhecida como linguagem literária.
Uma língua pode ser tanto falada como escrita, conforme são 
utilizados os signos vocais e os sinais gráficos. A língua falada é viva e 
atual; a língua escrita é a representação ou a imagem da língua escrita. 
A fala é mais comunicativa e insinuante, pois as palavras pressupõem 
sonoridade e inflexões, ritmos e gesticulação, dentre outros fatores.
A comunicação oral ou escrita acontece em diferentes níveis 
de expressão. Dependendo das circunstâncias do ato comunicativo, o 
indivíduo utiliza um tipo de linguagem adequado à situação. 
O grau de instrução do usuário de língua portuguesa, seu meio 
sociocultural, sua profissão, entre outros fatores, atua fortemente na 
variação do idioma.
Metodologia do Ensino da Arte
34
Elementos da obra literária
Podemos dividir os elementos fundamentais da obra literária em 
conteúdo e forma.
 • Conteúdo ou fundo: São ideias, conceitos, apelos, sentimentos e 
imagens imateriais que as palavras transmitem da mente do escritor 
para os leitores.
 • Forma: É a expressão linguística, a linguagem falada ou escrita, 
veículo de ideias e de sentimentos.
 • A forma como uma obra literária pode se apresentar se manifesta sob 
dois aspectos diferentes: a prosa e o verso.
 • Prosa é a linguagem objetiva, usual, direta, veículo comum 
de pensamento. Mesmo que seja vazada em prosa, uma obra 
literária pode estar quase que predominantemente permeada de 
pensamentos poéticos.
 • A poesia é a linguagem subjetiva, carregada de emoção e sentimento, 
com ritmo, melodia constante, beleza e tão indefinível quando o 
mundo interior do poeta, objetivando a um efeito estético.
Distribuída em linhas descontínuas ou versos, que podem ser 
metrificados ou livres, a linguagem poética, sob o aspecto melódico ou 
mesmo auditivo, se caracteriza pelo ritmo bem mais acentuado do que na 
linguagem em prosa, e pela eventual utilização de rimas. 
Considera-se, também, que a obra literária é somente o escrito 
que se diferencia dos demais pela beleza da forma e pela excelência de 
conteúdo. Será tanto mais apreciada quanto maior seu poder de sugerir, 
de tocar nossa sensibilidade, de empolgar o nosso espírito. As obras 
Metodologia do Ensino da Arte
35
literárias de alcance universal têm, comumente, mais valor que as de 
caráter estritamente nacional ou regional.
Estilo
Denominamos por estilo a maneira como cada um exprime seus 
pensamentos, sentimentos e emoções por meio da linguagem. 
Cada escritor possui seu estilo próprio e pessoal, ou seja, sua 
expressão reveste uma forma característica, pela qual são manifestos seus 
impulsos emotivos, sua sensibilidade, a feição peculiar de seu espírito. Em 
outras palavras, o estilo é o espelho em que se reflete a alma do escritor, 
a tela em que é projetada a personalidade do artista.
Além dessas características individuais que diferenciam os autores 
uns dos outros, o estilo mostra também os traços psicológicos e culturais 
da raça e as tendências dominantes das diversas escolas e correntes 
literárias que fizeram época através dos tempos. Por isso, dizemos que há 
um estilo clássico, um estilo barroco, um estilo romântico, etc.
É pelo seu estilo primoroso e brilhante que os grandes artistas da 
palavra conseguem criar obras de grande beleza.
No estilo cumpre diferenciar o aspecto material ou linguístico 
e o aspecto mental, psíquico, subjetivo, os traços que exprimem sua 
dimensão psicológica, suas tendências, seu modo de ver e de julgar a 
vida e o mundo em que vive. Da fusão de todos esses elementos, é que 
surge o estilo.
 
Versificação
A versificação é a técnica ou a arte de se fazer versos. Em linhas 
gerais, o verso é uma linha poética, com número determinado de sílabas 
e agradável movimento de ritmo. 
Metodologia do Ensino da Arte
36
a. Metro: Metro é a medida ou extensão da linha poética. Em 
língua portuguesa, os poetas têm utilizado doze tipos de 
versos, que vão de uma a doze sílabas, sendo raros os versos 
que ultrapassam esse número silábico. Conforme o número 
de sílabas, os versos são classificados da seguinte forma:
Quadro 1: Classificação dos versos quanto ao número de sílabas
Fonte: Elaborado pelo autor, a partir de Cegala (2005).
As sílabas métricas, isto é, as sílabas dos versos coincidem com 
as sílabas gramaticais, porém sua contagem se faz auditivamente, e se 
subordina aos seguintes princípios:
a. Sempre que duas ou mais vogais se encontram no fim de 
uma palavra e no começo de outra, e podem ser ditas numa 
só emissão de voz, unem-se numa mesma sílaba métrica. 
Metodologia do Ensino da Arte
37
1: A i
2: Da
3: de aus
4: te
5: ra e
6: no
7: bre a
8: que
9: che
10: ga
- : mos
b. Ditongos crescentes valem, quase sempre, uma única sílaba métrica.
1: O
2: pe
3: rá
4: rio
5: mo 
6: des
7: to, a
8: be
9: lha
10: po
- : br
c. Não se conta(m) a(s) sílaba(s) que se 
segue(m) ao último acento tônico do verso.
1: Quan
2: do
3: no
4: poen
5: Te
Metodologia do Ensino da Arte
38
6: sol
7: des
8: do
9: Bra as
10: clâ
- mides
Essa última regra só se atinge versos graves (que terminam 
por palavras paroxítonas) e esdrúxulos (que terminam por palavras 
proparoxítonas). Nos versos agudos (que terminam por palavras oxítonas) 
contam-se todas as sílabas.
Ritmo
O ritmo é o resultado a singular sucessão de sílabas átonas ou 
fracas e de sílabas tônicas ou fortes. É o elemento melódico do verso, 
tão importante à poesia como é para a música. Junto com a rima e as 
imagens poéticas, transmite a versos um misterioso poder de emoção e 
de encantamento. 
Os acentos tônicos ou as sílabas tônicas devem se repetir com 
intervalos semelhantes, de modo que o verso se torne melodioso. Não se 
distribuem as sílabas tônicas arbitrariamente, mas devem, segundo o tipo 
de verso, recair em determinadas sílabas.
Simetria e assimetria
Podemos definir a simetria como uma espécie de regularidade 
métrica e rítmica dos versos, enquanto a assimetria é caracterizada por 
maior liberdade em relação às regularidades dos versos.
Encadeamento
Quando a pausa final do verso não coincide com a pausa respiratória, 
ou quando o verso não finaliza juntamente com um segmento sintático, 
temosaquilo que chamamos de encadeamento ou transbordamento, 
Metodologia do Ensino da Arte
39
mais conhecido pela palavra francesa enjambement. Em geral, procura-
se não realizar pausa no fim dos versos, porém, pode-se fazer uma breve 
pausa, mas conservando-se a voz suspensa. 
Rima
A rima é considerada a identidade ou a semelhança de som do fim 
(ou do meio dos versos. Mesmo que seja um elemento secundário e até 
mesmo dispensável, a rima é aproveitada pelos poetas para comunicar 
aos versos maior harmonização. É um recurso musical que agrada aos 
ouvidos. Foneticamente, as rimas podem ser:
 • Perfeitas: sereno e moreno, nele e leve etc;
 • Imperfeitas: Deus e céus, estrela e vela etc;
 • Toantes: são rimas idênticas somente na vogal tônica, como casa e 
vale, lírio e livro etc.
Segundo a posição do acento tônico das palavras, as rimas podem 
ser:
 • Agudas ou masculinas: feroz e atroz, amor e clamor etc;
 • Graves ou femininas: festa e manifesta, flores e cores etc;
 • Esdrúxulas: mágico e trágico, lírico e onírico etc.
Conforme o valor, são as rimas classificadas em:
 • Pobres: são as rimas consideradas vulgares e as formadas com 
palavras de mesma morfologia, como coração e oração, amor e 
temor etc;
 • Ricas: rimas formadas com palavras de classes gramaticais diferentes, 
como prece e adormece, penas e apenas etc;
 • Raras: são as rimas que são obtidas com palavras de muito poucas 
rimas possíveis, como cisne e tisne, bosque e enrosque etc;
Metodologia do Ensino da Arte
40
 • Preciosas: são rimas artificiais, como vê-la e estrela, trantuilo e ouvilo 
etc.
Versos regulares
São os versos que obedecem às regras clássicas, que determinam 
a posição das sílabas acentuadas em cada tipo de verso. Suas rimas 
aparecem de modo regular, sendo marcadas pela semelhança fônica no 
final de cada verso.
Versos brancos
São versos que obedecem a certa métrica, porém, sem a presença 
de rimas. 
Versos livres
Não obedecem a regras nem quanto ao metro, nem quanto à 
posição silábica. Também não apresentam regularidade de rimas.
Versos polimétricos
São versos que apresentam certa regularidade, mas tamanhos 
diferentes, com sílabas fortes localizadas em posições indicadas pelas 
métricas tradicionais. 
Estrofe
A estrofe, também chamada de estância, é um grupo de versos 
de um poema Elas podem ser formadas por versos de medida igual ou 
diferentes. Conforme o número de versos, são denominadas das seguintes 
maneiras:
Metodologia do Ensino da Arte
41
Quadro 2: Nomenclatura das estrofes
Fonte: Elaborado pelo autor, a partir de Cegala (2005).
Chamamos de estribilho ou de refrão o verso que costuma se 
repetir no final das estrofes de determinados poemas, como por exemplo, 
a balada.
RESUMINDO:
Neste capítulo, você aprendeu:
A intertextualidade é um elemento que faz parte dos textos, 
uma vez que cada texto literário pode ampliar, tensionar, 
reformular conceitos de textos anteriores;
A metalinguagem de um texto literário se manifesta quando, 
por meio da linguagem literária, se busca conceituar 
determinados elementos;
O texto poético, em especial aquele pertencente ao gênero 
lírico, apresenta uma constituição bastante rica, marcada por 
ornamentos e por jogos de linguagem possíveis, a fim de 
atingir determinadas perfeições artísticas.
Metodologia do Ensino da Arte
42
Noções teóricas da poesia e do teatro por 
meio do gênero lírico e dramático
INTRODUÇÃO:
 Ao término deste capítulo você será capaz de compreender 
os elementos básicos que caracterizam e constituem os 
gêneros lírico e dramático. Como um estudante do curso de 
Pedagogia, é importante que você os conheça, para que sua 
análise e trabalho com obras de arte se torne mais abrangente, 
fundamentada e profissional. Conhecer a natureza da poesia 
e do teatro, e como eles constituem os gêneros textuais 
considerados como pertencentes à linguagem literária 
(e, consequentemente, artística) será fundamental para o 
exercício de sua profissão. E então? Motivado para desenvolver 
esta competência? Então vamos lá. Avante!
Figura 4
Fonte: Pixabay
Metodologia do Ensino da Arte
43
O gênero lírico
Leia o poema a seguir, de autoria de Vinícius de Moraes:
Um poema acentuadamente lírico
Apavorado acordo, em treva. O luar
É como o espectro do meu sonho em mim
E sem destino, e louco, sou o mar
Patético, sonâmbulo e sem fim.
Desço da noite, envolto em sono; e os braços
Como ímãs, atraio o firmamento
Enquanto os bruxos, velhos e devassos
Assoviam de mim na voz do vento.
Sou o mar! Sou o mar! Meu corpo informe
Sem dimensão e sem razão me leva
Para o silêncio onde o Silêncio dorme
Enorme. E como o mar dentro da treva
Num constante arremesso largo e aflito
Eu me despedaço em vão contra o infinito.
(Disponível em: MORAES, Vinicius de. Poesia completa e prosa. Rio de Janeiro, Nova Aguilar, 
1985, p. 1).
Metodologia do Ensino da Arte
44
Visualmente, o poema de Vinícius de Moraes é um soneto, pois é 
formado por quatro estrofes, sendo que a primeira e a segunda possuem 
quatro versos cada; a terceira e a quarta estrofes possuem três versos 
cada. Há, também, o esquema de rimas externas, caracterizado por: A-B-
A-B; C-D-C-D; E-F-E; F-G-G.
NOTA:
As rimas externas são aquelas que aparecem no final dos 
versos, sendo que cada sílaba tônica da última palavra 
é indicada por uma letra do alfabeto, e ao repetir-se o 
som, repete-se a letra indicativa. No caso do poema, as 
letras “A”, por exemplo, correspondem a “luar” e “o mar”; as 
letras “B”, correspondem a “em mim” e “sem fim”, e assim, 
sucessivamente.
No soneto de Vinícius de Moraes, a um eu, uma voz que fala no 
poema. Essa voz apresenta angústia, solidão, e um traço importante: fusão 
entre o sujeito e o objeto, o que se percebe em versos como “[...] sou o 
mar”. Percebemos a presença do sujeito lírico não apenas pela utilização 
do pronome “eu”, ou pela flexão dos verbos na 1ª pessoa do singular, 
mas também pela forma como ele se projeta nos arranjos linguísticos 
durante todo o poema. Além disso, a emoção lírica no texto é percebida 
pela repetição constante da conjunção coordenativa aditiva e, o que 
impede uma conexão lógica. O esquema de rimas externas, abordado 
anteriormente, confere ao poema um tom de musicalidade, caracterizando 
o caráter emocional do texto. Entre o quinto e o sexto versos, temos uma 
quebra da linearidade frasal, com o trecho “[...] e os braços”, o que torna 
as ideias incompletas, caracterizando o que se chama de enjambement, 
caracterizando, também, uma mímesis de um estado afetivo. Além disso, 
há a presença de uma disposição anímica eliminando os distanciamentos 
Metodologia do Ensino da Arte
45
entre as coisas, por meio do estado afetivo, e os recursos sonoros criam 
uma unidade de significação difícil de ser alterada.
Em poucas linhas fizemos a análise literária de um poema. Agora, 
passaremos a discutir alguns elementos fundamentais que constituem o 
gênero lírico. Antes de mais nada, um detalhe histórico: o gênero lírico 
surgiu na Grécia Antiga, como uma forma de manifestação em verso 
para expressar diferentes emoções da esfera humana. Seu nome está 
associado ao instrumento musical que acompanhava as declamações: a 
lira. Até boa parte da Idade Média, poesia e música não eram entendidos 
como elementos separados, sendo indissociável a utilização da melodia 
durante as declamações. Somente a partir do Renascimento Cultural, 
no período literário conhecido como Humanismo, começa a haver uma 
separação maior entre essas duas artes.
Ao gênero lírico, em grande medida, pertencem os poemas nas 
suas mais variadas formas, o que não impede – obviamente – a pertença 
de outros gêneros textuais, desde que apresentem a predominância das 
marcas do gênero. Da mesma forma, como vimos no capítulo anterior, 
há uma diferença entre poesia e poema. A poesia é um conjunto de 
características e técnicas de elaboração artística; o poema é uma das 
manifestações concretasda poesia.
Um dos primeiros elementos a se observar na análise do poema é 
sua estrutura visual (número de estrofes e de versos, disposição visual, 
etc.). Essa observação é importante para que se estabeleça relações de 
sentido entre o texto e sua forma visual. Essa análise é também conhecida 
como a análise do nível gráfico do poema, ou seja, da forma como ele 
está escrito. Nessa análise, também é importante observar o título, pois 
ele serve como uma espécie de slogan do poema, interferindo em sua 
significação. Tanto a disposição das palavras quanto os espaços em 
branco são importantes para essa análise.
Após a “leitura visual” do poema, passamos para a análise do 
nível fônico do poema, observando os elementos de versificação, as 
Metodologia do Ensino da Arte
46
repetições, a acentuação, a entonação, etc. Podemos dividir essa análise 
nas seguintes verificações: 
a. Construção métrica: de que forma os versos estão 
constituídos? Há quantas sílabas ortográficas em cada verso?
b. Acentuação: de que forma está disposta a organização 
das sílabas tônicas nos versos? Lembre-se que as sílabas 
tônicas conferem a musicalidade ao poema, e nem sempre 
essas sílabas estão de acordo com a linguagem denotativa.
c. Figuras sonoras: de que modos estão organizadas as rimas do poema? 
Estão no final dos versos (externas) ou aparecem em seu interior (internas)? 
São feitas por meio de consoantes (aliteração) ou de vogais (assonância)? 
d. Enjambements: há “quebras” de sentido na linearidade do 
texto? Como elas interferem na compreensão geral do poema?
Outro nível relevante a ser considerado no poema é o nível 
lexical. De que forma o sentido denotativo das palavras constitui sua 
literariedade? Há a presença de metaplasmos (desvios morfológicos), 
metataxes (desvios sintáticos) ou metassememas (desvios semânticos) 
da linguagem poética em relação ao sentido denotativo das palavras? De 
que forma ocorre a escolha lexical no texto? Se dá mais pela sonoridade 
ou pela construção semântica? 
No nível sintático, aprofunda-se a análise dos desvios sintáticos na 
construção do texto.
No nível semântico, procura-se observar a estrutura de significação 
das palavras no texto, por meio das semelhanças e diferenças entre o 
sentido do texto e o sentido literal das palavras. Procura-se observar, 
Metodologia do Ensino da Arte
47
também, quais figuras de sentido estão sendo construídas ao longo do 
poema. 
Além dessas análises, há algumas formas fixas de poemas que 
merecem ser mencionadas:
 • Hino: Geralmente, trata-se de um poema para canto coral, carregado 
de valoração, caracterizado por sua ligação com a música;
 • Ode: A ode, assim como o hino, é um poema carregado de musicalidade, 
porém, interpretado apenas por um cantor, acompanhado de um 
instrumento musical. Apresenta tons mais graves em relação ao hino 
e aos demais poemas;
 • Elegia: Poema que se apresenta como um canto grave, com a finalidade 
de estimular a reflexão sobre os sentimentos mais profundos;
 • Canção: Poesia relacionada diretamente à música e ao canto. Seu 
sentido se completa com esses dois elementos;
 • Cantiga: Semelhante à canção, associa-se ao canto, à música e 
também à dança. Eram muito populares durante a Idade Média;
 • Soneto: poema composto por quatro estrofes, sendo a primeira e a 
segunda com quatro versos cada uma, e a terceira e a quarta estrofes 
com três versos cada uma, obedecendo a um padrão de rimas 
externas e encerrando com uma conclusão muitas vezes inesperada, 
denominada “chave de ouro”;
 • Balada: forma poética surgida durante a Idade Média, composta para 
ser musicada e cantada com acompanhamento coreográfico em 
festas culturais;
 • Haicai: poema de origem japonesa, com forma breve e sentenciosa, 
que busca correspondência entre o som e o sentido das palavras, por 
meio da construção de onomatopeias e paranomásias. 
Metodologia do Ensino da Arte
48
É importante ressaltar que além dessas, há outras formas poéticas, 
fixas (rondó, rondel, vilancete, redondilha, madrigal, epigrama, bucólica, 
caligrama, epístola, lira, oitava, panegírico, parábola, quadra, rapsódia, 
sátira, sextina, terceto etc.) e livres (sem rimas e sem métrica versal fixa) 
que podem ser aprendidas e exploradas. Aqui, apresentamos algumas 
das mais importantes. 
SAIBA MAIS:
Para complementar seus estudos, sugerimos que você 
assista ao vídeo “Gênero Lírico – Brasil Escola”, disponível em: 
https://bit.ly/2HrJDvGAcesso em: 08 fev., 2020. 
O gênero dramático
Observe o trecho a seguir:
JOÃO GRILO – Padre João! Padre João!
PADRE (aparecendo na igreja) – Que há? Que gritaria é essa?
Fala afetadamente com aquela pronúncia e aquele estilo que Leon 
Bloy chamava “sacertotais”.
CHICÓ – Mandaram avisar para o senhor não sair, porque vem uma 
pessoa aqui trazer um cachorro que está se ultimando para o senhor 
benzer.
PADRE – Para eu benzer?
CHICÓ – Sim.
PADRE – Com desprezo – Um cachorro?
CHICÓ – Sim.
PADRE – Que maluquice! Que besteira!
JOÃO GRILO – Cansei de dizer a ele que o senhor não benzia. Benze 
porque benze, vim com ele.
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PADRE – Não benzo de jeito nenhum.
CHICÓ – Mas padre, não vejo nada de mal em se benzer o bicho.
JOÃO GRILO – No dia em que chegou o motor novo do Major 
Antônio Morais o senhor não benzeu?
PADRE – Motor é diferente, é uma coisa que todo mundo benze. 
Cachorro é que eu nunca ouvi falar.
CHICÓ – Eu acho cachorro uma coisa muito melhor do que motor.
PADRE – É, mas quem vai ficar engraçado sou eu, benzendo o 
cachorro. Benzer motor é fácil, todo mundo faz isso, mas benzer cachorro?
JOÃO GRILO – É, Chicó, o padre tem razão... Quem vai ficar 
engraçado é ele e uma coisa é benzer o motor do Major Antônio Morais e 
outra é benzer o cachorro do Major Antônio Morais.
PADRE – Mão em concha no ouvido – Como?
JOÃO GRILO – É. Eu não queria vir, com medo de que o senhor se 
zangasse, mas o Major é rico e poderoso e eu trabalho na mina dele. Com 
medo de perder meu emprego, fui forçado a obedecer, mas disse a Chicó: 
o padre vai se zangar.
PADRE – desfazendo-se em sorrisos – Zangar nada, João! Quem é 
um ministro de Deus para ter direito de se zangar? Falei por falar, mas 
também vocês não tinham dito de quem era o cachorro.
(SUASSUNA, Ariano. Auto da compadecida. 9 ed. Rio de Janeiro: Agir, 1972, p. 31-4.
O trecho anteriormente apresentado, do Auto da compadecida, 
ilustra um texto do gênero dramático. Observa-se que o trecho se 
manifesta quase em sua totalidade por meio de diálogo, sem interferência 
direta de um narrador. Há, apenas, alguns comentários grifados, para 
darem uma ideia da entonação e da emoção transmitida no diálogo. Além 
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disso, o texto tem uma progressão de ações, e ficamos curiosos para 
saber o que acontecerá depois. 
Originalmente, a palavra “drama” vem do grego dráo e significa 
“fazer”, “ação”. E essa é uma das mais notáveis características do gênero 
dramático: o texto só se “completa” durante a encenação. Por causa 
dessa característica tão peculiar, alguns estudiosos chegam, inclusive, a 
defender o gênero dramático como uma arte separada da literatura.
De modo geral, o teatro (ou o gênero dramático) envolve uma gama 
de elementos um pouco maior do que os gêneros narrativo e lírico, dentre 
os quais podemos citar: imagens visuais, sons, músicas, ritmos e arte 
pictórica, entre outros. O acerto da peça teatral está no equilíbrio entre o 
texto, a dramatização e os demais elementos que o constituem.
No drama, reúnem-se a objetividade do gênero épico e a 
subjetividade do gênero lírico. A linguagem da peça teatral é peculiar em 
relação aos demais gêneros, sendo caracterizada por um conflito (choque 
entre os objetivos das personagens) que vai sendo desenvolvido por meio 
da linguagem dialógica. Ao mesmo tempo, o tempo do gênero dramático 
é o agora. A seguir, apresentaremos alguns elementos fundamentais paraa constituição do gênero dramático:
 • Texto: também chamado de script, o texto teatral é o elemento 
literário que constitui o drama. Trata-se de um conjunto de falas e de 
apontamentos os quais serão representadas pelos atores ao público. 
É formado pelas ações, pelos personagens, pelas indicações para o 
cenário e pelas reflexões das personagens. Semelhante ao gênero 
narrativo, o texto dramático apresenta os seguintes elementos: 
exposição da situação inicial, o conflito, o desenvolvimento, o clímax e 
o desenlace (esses elementos serão explicados mais detalhadamente 
no próximo capítulo);
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 • Personagens: os personagens são aqueles que, interpretados por 
atores, dão vida ao drama. São seres ficcionais, criados para exercerem 
determinadas funções dentro da peça;
 • Atores: os atores são os seres reais que, por meio do estudo dos 
roteiros e da interpretação, dão vida aos personagens;
 • Público: se há todo o investimento para que a peça seja encenada, 
essa encenação, por sua vez, é realizada para ser mostrada para, 
talvez, o elemento mais importante do teatro: o público, que é 
constituído por aqueles que assistem à peça. A relação palco-público 
é fundamental para o sucesso ou o fracasso do drama;
 • Cenografia: corresponde ao cenário e seu responsável (cenógrafo), 
que colaboram nos aspectos visuais da peça;
 • Sonoplastia: a sonoplastia e seu responsável (sonoplasta) estão 
ligados a todos os aspectos sonoros, musicais e as trilhas que 
constituem a peça;
 • Diretor: Se o dramaturgo é quem escreveu o texto teatral, o diretor 
é aquele que “escreve” o espetáculo. É ele que coordena todos os 
elementos que compõem a peça e também quem deve ter uma 
interpretação profunda do texto, para poder organizar a encenação 
do início ao fim. 
Além dos elementos que constituem o drama, temos as formas 
dramáticas, dentre as quais destacamos:
 • Tragédia: constitui uma imitação de ações consideradas de caráter 
elevado, extensa e com linguagem ornamentada, cujo conteúdo 
está ligado está ligado a deuses ou a situações da vida, que levam a 
consequências fatais;
 • Comédia: é uma peça teatral que se caracteriza pelo uso do humor 
nas artes cênicas, com o intuito de provocar o público a refletir sobre 
uma determinada situação cotidiana;
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 • Tragicomédia: trata-se de uma mescla de outros gêneros teatrais, tais 
como tragédia, comédia, farsa, melodrama, etc;
 • Farsa: peça teatral que mistura comédia, centrada em quadros da vida 
real, com o objetivo de despertar o ridículo, provocando o riso como 
forma de escape;
 • Auto: peça teatral de caráter religioso.
Além dessas formas dramáticas, há outras, tais como ópera, mimo, 
momo, vaudeville e marionetes. Procuramos, aqui, destacar as mais 
relevantes.
Para complementar seus estudos, sugerimos que você assista ao 
vídeo “Gênero Dramático – Brasil Escola”, disponível em: https://rb.gy/
gwp8pc Acesso em: 08 fev., 2020.
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RESUMINDO:
Neste capítulo, você viu que:
O gênero lírico é caracterizado pela expressão dos 
sentimentos individuais, tendo como sua materialização mais 
comum o poema, em suas mais variadas formas. A poesia 
é um elemento que constitui e torna as obras artísticas, e o 
poema é uma forma de manifestação da poesia. Para análise 
do poema, há que se considerar seus aspectos visuais, seus 
aspectos linguísticos e seus aspectos semânticos.
O gênero dramático é caracterizado pela ação. Ele só se 
completa por meio da atuação das personagens. Como texto 
literário, temos o script, que é a indicação dos diálogos e falas 
dos personagens, de observações acerca da entonação e do 
cenário, dentre outros.
Caro estudante: 
Chegamos ao final desta unidade. É importante que você revise 
este material, tome nota de suas principais aprendizagens 
e principais dúvidas, Busque nas indicações de pesquisa 
leituras e vídeos que podem contribuir muito nessa etapa!
Além disso, ao término desta unidade, você encontrará as 
principais referências bibliográficas utilizadas na elaboração 
dessa obra, que podem ser consultadas. Não desanime nas 
dificuldades de estudo, mas faça com que essas dificuldades 
de hoje venham ajudá-lo a se tornar um estudante e um 
profissional melhor amanhã!
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REFERÊNCIAS
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Alberto Messeder. (Orgs). Poesia jovem anos 70. São Paulo, Abril Educação, 
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da língua portuguesa. 7 ed. Curitiba: Editora Positivo, 2008. 
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