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Unidade 2
Aspectos Estéticos 
e de Representação 
da Linguagem
Daniela Cunha Blanco
Estética e História 
da Arte
Diretor Executivo 
DAVID LIRA STEPHEN BARROS
Gerente Editorial 
CRISTIANE SILVEIRA CESAR DE OLIVEIRA
Projeto Gráfico 
TIAGO DA ROCHA
Autora
DANIELA CUNHA BLANCO
A AUTORA
Daniela Cunha Blanco
Olá. Meu nome é Daniela Cunha Blanco. Sou formada em Filosofia 
e em Design. Possuo experiência em pesquisa na área de Estética e 
Filosofia da Arte, com Mestrado em Filosofia pela Universidade de São 
Paulo. Tenho experiência com a publicação de artigos sobre as relações 
entre arte e política, assim como com apresentação de trabalhos em 
congressos da área. Sou apaixonada pelo que faço e adoro transmitir 
minha experiência de vida àqueles que estão iniciando em suas profissões. 
Por isso fui convidada pela Editora Telesapiens a integrar seu elenco de 
autores independentes. Estou muito feliz em poder ajudar você nesta fase 
de muito estudo e trabalho. Conte comigo!
ICONOGRÁFICOS
Olá. Esses ícones irão aparecer em sua trilha de aprendizagem toda vez 
que:
INTRODUÇÃO:
para o início do 
desenvolvimento de 
uma nova compe-
tência;
DEFINIÇÃO:
houver necessidade 
de se apresentar um 
novo conceito;
NOTA:
quando forem 
necessários obser-
vações ou comple-
mentações para o 
seu conhecimento;
IMPORTANTE:
as observações 
escritas tiveram que 
ser priorizadas para 
você;
EXPLICANDO 
MELHOR: 
algo precisa ser 
melhor explicado ou 
detalhado;
VOCÊ SABIA?
curiosidades e 
indagações lúdicas 
sobre o tema em 
estudo, se forem 
necessárias;
SAIBA MAIS: 
textos, referências 
bibliográficas e links 
para aprofundamen-
to do seu conheci-
mento;
REFLITA:
se houver a neces-
sidade de chamar a 
atenção sobre algo 
a ser refletido ou dis-
cutido sobre;
ACESSE: 
se for preciso aces-
sar um ou mais sites 
para fazer download, 
assistir vídeos, ler 
textos, ouvir podcast;
RESUMINDO:
quando for preciso 
se fazer um resumo 
acumulativo das últi-
mas abordagens;
ATIVIDADES: 
quando alguma 
atividade de au-
toaprendizagem for 
aplicada;
TESTANDO:
quando o desen-
volvimento de uma 
competência for 
concluído e questões 
forem explicadas;
SUMÁRIO
Conhecer os fundamentos da estética .............................................. 10
O princípio das teorias da arte: Platão ............................................................................. 13
A teoria da mímesis: Aristóteles............................................................................................ 16
Conhecer o nascimento da estética e da autonomia da arte ..22
Baumgarten e a estética ............................................................................................................22
Conhecer o juízo estético em Kant ......................................................29
O belo ......................................................................................................................................................34
O sublime ..............................................................................................................................................35
Conhecer a estética na era da indústria cultural ..........................39
Benjamin e a reprodutibilidade técnica ..........................................................................42
Adorno e a indústria cultural ...................................................................................................44
Estética e História da Arte 7
ASPECTOS ESTÉTICOS E DE REPRESENTAÇÃO DA LINGUAGEM
UNIDADE
02
Estética e História da Arte8
INTRODUÇÃO
Nessa unidade entraremos em contato com as discussões da 
Estética, fazendo um panorama desde seu surgimento até os dias atuais. 
Assim como a arte muda ao longo do tempo, o pensamento estético, que 
se dedica à pensá-la, também se transforma. Afinal, quando refletimos 
sobre a arte, temos sempre em mente uma série de interesses que dizem 
respeito aos dias atuais, aos modos de vida vigentes hoje em nossa 
sociedade. Veremos como a estética se debruça sobre o pensamento 
da arte tentando responder àquilo que se considera importante em cada 
contexto histórico, político e social. E, ainda, como a estética se interessa 
em pensar as diversas categorias ligadas à arte, como: a beleza, o sublime, 
a forma artística, o conteúdo temático da arte, e, ainda, a política. Afinal, 
trata-se de pensar se a arte influi em nossos modos de vida.
Estética e História da Arte 9
OBJETIVOS
Olá. Seja muito bem-vindo à Unidade 2 – Aspectos estéticos 
e de representação da linguagem. Nosso objetivo é auxiliar você no 
desenvolvimento das seguintes competências profissionais até o término 
desta etapa de estudos:
1. Conhecer os fundamentos das teorias da arte;
2. Conhecer o nascimento da estética e da autonomia da arte;
3. Conhecer o belo e o sublime em Kant;
4. Conhecer a estética na era indústria cultural.
Então? Preparado para uma viagem sem volta rumo ao conhecimento? 
Ao trabalho!
Estética e História da Arte10
Conhecer os fundamentos da estética
Você já ouviu falar da estética antes? O que é, afinal, a estética? 
Uma das primeiras lembranças que deve vir à sua mente é a de que ela 
deve estar de algum modo ligada à ideia de beleza. E isso não está de 
todo errado. Pois a estética se preocupa com a categoria do belo. Mas 
não se trata aqui de pensar o sentido que a beleza tem hoje para nós, 
envolvendo todas as técnicas de embelezamento procuradas pelas 
pessoas nos salões de beleza e nos tratamentos estéticos. A beleza com 
a qual a estética está preocupada é de outra ordem. Ela diz respeito 
ao modo como contemplamos a beleza da natureza, a beleza de uma 
obra de arte ou mesmo a beleza do corpo humano, em suas proporções 
perfeitas. 
Mas não é só da beleza que a estética trata. Afinal, não é somente 
beleza que a arte e a natureza nos apresentam. Muitas vezes, quando 
contemplamos um objeto artístico ou um evento natural, sentimos medo, 
horror e muitos outros sentimentos de arrebatamento. 
Figura 1: “Judith e Holofernes” de Caravaggio, 1599
 
Fonte: ©Commons
Estética e História da Arte 11
Vejamos, por exemplo, o quadro do pintor barroco italiano 
Caravaggio, no qual vemos Holofernes ser assassinado por Judith, 
mostrando o sangue que esguicha de seu pescoço, assim como a 
expressão de horror e medo de Holofernes.
A estética pensa também a categoria de “sublime” para tentar 
compreender esses outros sentimentos que nos causam horror e 
arrebatamento ao mesmo tempo. 
DEFINIÇÃO:
De um modo geral, podemos dizer, então que a estética 
é a disciplina que se desenvolve em torno das questões 
suscitada pela arte. Seu enfoque é compreender os 
modos como a arte se desenvolve enquanto um modo 
de pensamento e enquanto um modo do fazer humano. 
Todas as dimensões emocionais, sensíveis, racionais e 
corpóreas estão implicadas na criação artística. E a estética 
se empenha em pensar as dimensões humanas da arte.
A filósofa Anne Cauquelin (2005) aponta que o termo “estética” pode 
ser aplicado tanto como substantivo quanto como adjetivo. E explica as 
diferenças dessas aplicações:
“Empregado como adjetivo, por exemplo, ‘estética’ qualifica 
comportamentos que parecem ter alguma coisa em comum 
com os atributos conferidos à atividade artística: a harmonia, a 
gratuidade, o prazer, o desprendimento: uma atitude, um gesto 
estéticos podem ser considerados obra de arte” (CAUQUELIN, 
2005, p. 13).
Por outro lado, continua a autora:
O substantivo ‘estética’, entretanto, remete a um corpus teórico 
constituído de textos que definem o domínio específico da 
arte, propõem análises, avaliam obras. No conjunto, a estética 
pode ser considerada uma disciplina ou matéria de estudos” 
(CAUQUELIN, 2005, p. 13).
Estética e História da Arte12
De certo modo, podemos pensar, então, que quando qualificamos 
algo como sendo “estético”, inserimos esse objeto no interior de um campo 
teórico que pensa a arte. Isso torna o campoda arte em algo maleável, 
cambiável e frágil, sempre a se renovar. Mas a própria história da arte já 
nos mostra isso, com todas as transformações da produção artística ao 
longo do tempo.
Figura 2: “Fonte” de Marcel Duchamp, 1917
Fonte: @Commons
EXPLICANDO MELHOR:
A estética é o campo teórico que pensa essas 
transformações artísticas. Mas ela não está interessada 
em pensar essas mudanças e categorizá-las ao longo do 
tempo, como o faz a história da arte. O interesse da estética 
é outro. Enquanto a história da arte olha para um campo já 
dado, para eventos históricos e os categoriza segundo a 
passagem do tempo e, à expressão de certas tendências, a 
estética constrói e intervém no campo da arte. Ela modela 
e até mesmo transforma o campo da arte. Os princípios da 
arte, as regras de seu fazer e de seu apreciar, os modos de 
visibilidade da arte, são produção do pensamento estético.
Estética e História da Arte 13
É claro que a estética também é afetada pela arte. Afinal, não se 
trata de uma via de mão única. Mas de forma geral, podemos afirmar que 
a estética é esse corpus teórico que modela o campo da arte. E assim 
como a arte muda em cada contexto, o pensamento que se debruça 
sobre ela, também se transforma. 
Podemos afirmar que a estética como a conhecemos hoje, como 
pensamento da arte em sua autonomia, só surgiu no século XVIII, com 
o filósofo alemão Alexander Baumgarten. Mas antes disso, desde a 
Grécia Antiga, sempre houveram discussões sobre a arte e o belo. De 
modo geral, podemos afirmar que esse pensamento anterior pode ser 
compreendido com um conjunto de “teorias da arte”. Apesar de serem 
anteriores ao surgimento da estética, há uma importância em estudá-los 
para que compreendamos as enormes transformações sofridas no campo 
da arte e de seu pensamento com o surgimento da estética. Veremos, 
assim, as principais teorias desenvolvidas ao longo do tempo, desde a 
Grécia Antiga até os dias atuais.
O princípio das teorias da arte: Platão
A estética, assim como as teorias da arte que a precederam, não 
surge como um campo separado de todos os outros, mas, sim, no interior 
de outra disciplina mais ampla: a Filosofia, que foi fundada na Grécia 
Antiga, por filósofos como Platão, Sócrates e Aristóteles, dentre outros.
VOCÊ SABIA?
Platão, Sócrates e Aristóteles viveram em Atenas, na Grécia 
Antiga, entre os séculos V e IV a.C. O mais velho deles, 
Sócrates, recitava seu pensamento caminhando pela cidade 
e conversando com as pessoas. Não deixou nenhum texto 
escrito e tudo que conhecemos dele hoje e que lemos como 
sendo sua obra, foi escrito por seu discípulo, Platão. Assim, 
não sabemos ao certo o quanto dessas obras legadas a nós 
possuem do mestre e quanto possuem do discípulo que 
reproduzia em textos os diálogos que tinha com o mestre. Já 
Platão deixou uma obra escrita de sua própria autoria. Assim 
como Aristóteles, que foi aluno de Platão. Os três filósofos 
mais famosos da Grécia Antiga marcam a relação entre três 
gerações de mestres e aprendizes.
Estética e História da Arte14
Para Platão, porém, não se tratava de pensar uma teoria da arte 
como um campo separado aos quais os filósofos deveriam se dedicar. 
Suas citações à arte aparecem apenas como breves relatos no interior de 
seu pensamento mais amplo sobre as formas de viver em comunidade. 
Em seu livro “A República”, o autor pensa como organizar a vida comunitária 
sem que o destino de todos fique entregue aos interesses individuais. A 
palavra de ordem que direciona sua reflexão é a justiça. Como viver de 
modo mais justo? O que é a justiça? São algumas das perguntas colocadas 
pelo filósofo em seu livro.
Figura 3: Mosaico “A Academia de Platão” em Pompéia, do século I
Fonte: @Commons
No interior de sua preocupação com a justiça Platão cita a arte com 
o intuito de pensar qual seria a mais propícia à educar os cidadãos de 
Atenas de maneira mais justa. Qual das artes, dentre a música, o teatro 
e a poesia, expressariam um maior sentido de justiça? A justiça, para 
Estética e História da Arte 15
Platão, está diretamente ligada a maior capacidade de alcançar e acessar 
a verdade, protegendo-se das ilusões.
NOTA:
Platão nos fornece, no livro VII de “A República”, uma 
alegoria de nossas capacidades de conhecimento da 
verdade. Estamos, diz o autor, presos em uma caverna, 
cuja abertura se encontra em nossas costas. A luz que entra 
pela abertura reflete sombras daquilo que acontece lá em 
cima, fora da caverna, na parede à nossa frente dentro 
da caverna. Sem podermos ver os objetos e pessoas que 
geram essas sombras que nos chegam aqui embaixo, 
somos incapazes de perceber que as sombras são apenas 
um reflexo da realidade, que são apenas ilusão. Mas um 
de nós que estamos na caverna, liberta-se dos grilhões e 
sai para o mundo, onde vê a luz, as cores, sente o calor, vê 
vida. Quando retorna para a caverna e relata aos outros o 
que viu, estes não acreditam em suas palavras e tentam 
matá-lo. Preferem, assim, ficar com suas ilusões e fantasias.
Essa é a dimensão de verdade para Platão e é a partir dela que ele 
irá pensar e julgar a utilidade ou não das diferentes artes para a criação de 
uma comunidade mais justa. Para Platão, os poetas nada mais fazem que 
imitações. Eles imitam os tipos sociais. E como imitam todo tipo de pessoas 
e contam todo tipo de histórias, há que se pensar qual a função dessas 
histórias e personagens no interior da comunidade. Serão eles exemplos 
de bons homens? De homens justos? Ainda, de homens conhecedores da 
verdade? Ou serão apenas homens iludidos pelas sombras da caverna?
Como não se pode controlar àqueles a quem os poetas resolvem 
imitar em suas histórias, os poetas devem ser expulsos da cidade. Essa é 
a decisão a que chega Platão. Afinal, só servem à República aqueles que 
conhecem a verdade e, a poesia só pode ser útil, nesse sentido, se imitar 
a vida desses homens sem ilusão.
Para Platão a arte tem um papel muito específico dentro da 
comunidade. Ela deve servir como um exemplo moral que terá um 
Estética e História da Arte16
caráter educativo para a população. Se podemos extrair dessas pequenas 
citações à arte algumas teorias dela, podemos afirmar que para Platão 
a arte não existe por si só, não existe como instância separada do restante 
da vida na sociedade. Ela é julgada, não por princípios ou regras próprias a 
seu campo, mas sim, no interior de um interesse maior, o da comunidade 
e da justiça. A arte, assim, para Platão, deve representar os valores que se 
considera como sendo verdadeiros para a sociedade. 
REFLITA:
Hoje em dia a arte já não á mais pensada assim. Ela existe 
como um campo separado. Está exposta nos museus 
para que possamos simplesmente passar algum tempo 
contemplando-a e com ela tendo alguma experiência 
sensível. E isso ampliou bastante o campo das artes e de 
nossa experiência sensível. Mas algo acontece de maneira 
diversa em casos como alguns eventos recentes nos quais 
algumas exposições artísticas que tiveram lugar no Brasil 
foram censuradas. Os argumentos utilizados pela censura 
foram bastante próximos desses definidos por Platão há 
mais de 2.400 anos atrás. Os valores morais das obras 
expostas foram questionados como não sendo o melhor 
para nossa sociedade. Mas quem define quais são os 
melhores valores para nossas vidas? O que você pensa 
sobre isso?
A teoria da mímesis: Aristóteles
Aristóteles, como dissemos, foi discípulo de Platão. Mas seu 
pensamento foi muito além na criação de uma teoria da arte. O autor 
chegou a dedicar um livro inteiro para a discussão da arte, chamado de 
“Poética”. Lá, o autor dedica-se a pensar a poesia e a delimitar aquilo se 
compreende por esse nome.
O autor discorre sobre os diversos tipos de escrita que se manifestam 
em sua época. Assim, há a epopeia, que é um poema trágico. Mas há 
também a arte da música, na qual se toca a flauta, a cítara e os cantos que 
as acompanham. Ela é aí considerada, pois as letras compostaspara as 
Estética e História da Arte 17
canções não deixam de ser também poesia. Há ainda, diz Aristóteles, uma 
diversidade de exercícios da escrita que não possuem nome: farsas em 
prosas, os diálogos e a própria poesia que se chama de épica ou elegíaca, 
apenas segundo uma regra métrica.
Mas, de todas essas formas da escrita, Aristóteles destaca duas: a 
comédia e a tragédia. As quais irá analisar segundo suas formas diversas 
de fazer imitações. Pois, para o autor, a arte também faz imitações.
“Tragédia e comédia; esta procura imitar os homens inferiores 
ao que realmente são, e aquela, superiores” (ARISTÓTELES, 
2004, p. 39).
Aristóteles afirma que ambas as formas da poesia, tanto a tragédia 
quanto a comédia, podem ser consideradas como dramas, pois, apesar 
de suas diferenças, elas imitam pessoas em ação. Os dramas nada mais 
são do que imitações de homens em ação. E o desenrolar da história é o 
encadeamento das ações dos personagens.
Mas, para o autor, a mais nobre das artes imitativas é a tragédia, pois 
ela é a representação de ações elevadas e de homens superiores.
“Como a tragédia é a imitação de uma ação, realizada pela 
ação dos personagens, os quais se diferenciam pelo caráter 
[...], segue-se que são duas as causas naturais das ações: 
ideias e caráter. E dessas ações se origina a boa ou má fortuna 
das pessoas” (ARISTÓTELES, 2005, p. 43).
Se para Platão, a arte imitava os tipos sociais, para Aristóteles trata-
se de imitar as ações dos homens. É claro que as ações devem estar 
de acordo com o caráter de cada personagem, expressando, assim, 
um tipo social. Mas o enfoque está no encadeamento das ações. Pois o 
interesse de Aristóteles é pensar uma teoria da arte ou da poesia e não 
simplesmente como a arte opera no interior da República. Por isso, há a 
necessidade de pensar o modo como se constrói uma história, partindo 
de certos tipos sociais, para encadear uma série de ações que mostrarão 
uma moral da história.
Estética e História da Arte18
EXPLICANDO MELHOR:
Aristóteles está interessado em pensar um conjunto de 
regras para a apreciação da arte da poesia, especificamente 
da tragédia. Para isso é preciso definir o que é uma tragédia, 
como ela é feita, a partir de que princípios, sobre o que trata 
e assim em diante. Em suma, é preciso pensar os modos da 
escrita, os objetos ou conteúdos de que trata e os meios que 
usa para chegar a seus resultados. Para representar a vida 
das pessoas simples, é preciso a forma da comédia, assim 
como para contar sobre a vida das pessoas importantes, é 
preciso outra forma, superior.
Há, em Aristóteles, a ideia de que cada elemento no interior da 
poesia deve dialogar diretamente com todos os outros. Há uma ideia de 
totalidade da obra. Assim, o caráter do personagem deve ser o próprio 
motivo da reviravolta da história. Suas ações devem exprimir suas ideias e 
seu caráter. E tudo isso deve ser pensado de acordo com o tipo de história 
e com o tipo de escrita: comédia ou tragédia.
O autor fala, ainda, sobre como tudo na história deve ser necessário 
e verossímil.
DEFINIÇÃO:
Verossímil é aquilo que parece verdadeiro. É o que nos 
parece possível ou provável de acontecer. É algo que 
dizemos ser plausível, ou seja, digno de se acreditar como 
sendo real.
A exigência da verossimilhança para a poesia mostra como o autor 
não concebe nenhum tipo de desvio ou de acontecimento inesperado. 
Isso não significa dizer que as histórias que tem em mente não possuem 
reviravoltas. Ele até diz que ela é necessária para uma boa história. Mas 
a virada de jogo deve obedecer às regras internas de coerência entre o 
personagem, seu caráter, o tipo de história e os meios de contá-la.
Estética e História da Arte 19
RESUMINDO:
Aristóteles, assim, define e prescreve um conjunto de 
regras para a arte, que devem direcionar tanto o fazer 
artístico quanto a apreciação dela. E, apesar de dar mais 
atenção à arte do que Platão havia dado em sua República, 
Aristóteles continua por definir as regras da arte a partir de 
algo externo a ela: a moral e a divisão social dos indivíduos. 
Afinal, não se pode fazer comédia das almas superiores, e 
tampouco fazer tragédia com a vida dos pobres. Tudo se 
passa como se, para Aristóteles, a divisão social devesse 
estar expressa na arte, não permitindo nenhum desvio nas 
representações dos tipos sociais.
REFLITA:
Você já pensou como a arte pode influenciar em nossos 
modos de vida? Como ela pode diminuir a desigualdade 
social ao fazer com que as pessoas tenham acesso a 
experiências que geralmente são destinadas às classes 
mais ricas da sociedade? Através da arte podemos viver 
coisas que, talvez, não nos sejam acessíveis na vida real. 
E isso faz com que a arte mova de lugar cada tipo social, 
tornando-a política. Mas, quando Aristóteles aponta que 
só se pode falar dos pobres fazendo comédia, ele não 
estaria de certa forma dizendo que os pobres só podem 
se identificar com a piada? Que as classes mais pobres 
não seriam dignas de uma visibilidade mais digna? É claro 
que há mais de dois mil anos atrás, Aristóteles não poderia 
ter tido tais preocupações. Mas, hoje, ao estudarmos sua 
teoria da arte, podemos trazer essas questões para nossa 
atualidade e refletir criticamente sobre o que ela apresenta 
para nossa realidade. O que você pensa sobre isso?
Estética e História da Arte20
VOCÊ SABIA?
Você já ouviu falar do livro “A Ilíada”, de Homero, ou já ouviu 
falar de Tróia? Ou, você já assistiu o filme sobre o cavalo de 
Tróia? Caso não tenha ouvido falar, lido ou assistido, que tal 
conhecer um pouco mais sobre essas obras? 
Pois bem, a história de Tróia é contada pela primeira vez no livro 
“A Ilíada”, escrito por volta do século VIII a.C. Apesar de ser tão antiga, a 
história parece ainda dialogar com nosso tempo? Por isso tantos filmes 
são dedicados a contar sua história. Para Aristóteles, Homero, o autor de 
“A Ilíada”, era um dos melhores poetas de seu tempo. 
Figura 4: “Aquiles fere Heitor” de Peter Paul Rubens, 1635. (retrato de cena da “Ilíada” de 
Homero)
Fonte: @Commons
Estética e História da Arte 21
A teoria da arte de Aristóteles influenciou todo o pensamento da 
arte que veio depois, fundamentando as discussões criadas ao longo de 
toda a Idade Média e, ainda, o começo da Idade Moderna. Nesse período 
longo, praticamente toda a discussão em torno da arte pode ser pensada 
como teorias preocupadas em criar regras para o fazer artístico e para a 
apreciação da arte. É claro que essas teorias foram ampliadas por cada 
autor que se dedicou a ela e, foi sofrendo modificações. Mas o modo de 
pensar a arte em sua dependência, ora em relação à moral, ora em relação 
à religião, ora em relação à política, prevaleceu por todo esse período. 
Até meados do século XVIII, a arte permaneceu sendo pensada como 
estando em função de algo externa a ela própria. Mas, veremos como isso 
irá mudar, operando uma verdadeira revolução no modo de pensar a arte.
Estética e História da Arte22
Conhecer o nascimento da estética e da 
autonomia da arte
Como você já aprendeu no capítulo 1, até meados do século XVIII, 
o que existia, de fato, não podia ser considerado uma estética, mas sim 
um conjunto de teorias da arte interessadas, em geral, em criar regras e 
prescrições para o fazer artístico e para a apreciação da arte. Mas isso tudo 
muda com o nascimento da Estética como disciplina. E isso aconteceu 
com o livro chamado “Estética: a lógica da arte e do poema”, escrito pelo 
filósofo alemão Alexandre Gotlieb Baumgarten. Vamos estudá-lo para 
compreender como nasce a estética e as implicações disso para a arte?
Baumgarten e a estética
Figura 5:Primeira capa do livro de Baumgarten, quando de sua publicação em 1750
Fonte: @Commons
Em 1750, Baumgarten publica seu livro “Estética” e, sem saber, 
muda toda a concepção da arte e do pensamento da arte daí em diante.
Estética e História da Arte 23
DEFINIÇÃO:
O termo como aparece na figuracapa, “Aeshetica”, tem 
como origem a palavra do grego antigo, “aisthesis”, que 
significa percepção, sensibilidade, sensação. A palavra 
em grego designava todo o campo perceptivo, incluindo 
nossas sensações e sensibilidade.
Quando Baumgarten nomeou assim seu livro tinha, provavelmente, 
o intuito de trazer à tona esse significado grego. Afinal, o livro faz parte 
de um projeto maior de pensamento do autor que intuia pensar o modo 
como nos relacionamos com o mundo e o conhecemos. Respondendo 
à uma filosofia racionalista que o precedeu, principalmente na figura de 
Réne Descartes, Baumgartem afirmava que o conhecimento se dava, não 
apenas pela razão, mas também pela sensibilidade.
Baumgarten construiu uma teoria na qual o modo como nosso 
corpo habita o mundo e se relaciona com os objetos ao redor tem uma 
parte importante no processo de conhecimento.
Figura 6: Criança em atividades artísticas
Fonte: ©Freepik
Estética e História da Arte24
VOCÊ SABIA?
Pode parecer comum hoje para nós que o conhecimento 
se dê também por aquilo que sentimos. Até mesmo na 
escola aprendemos, desde cedo, que as atividades físicas 
e artísticas, que se utilizam do corpo e das sensações, 
fazem parte de nosso aprendizado. Mas isso nem sempre 
foi assim. O filósofo que marcou o racionalismo e o 
pensamento no Ocidente por muito tempo e que, ainda 
hoje, determina certo modo de pensar das ciências, foi 
Réne Descartes. Esse filósofo criou um pensamento no 
qual o único conhecimento confiável das coisas do mundo 
só podia se dar por meio da razão, da construção de um 
percurso argumentativo e questionador do mundo. Para 
Descartes, aquilo que nos chegava pelas sensações 
corpóreas devia ser colocado à prova pela razão, pois as 
sensações podiam nos enganar e criar ilusões. Por exemplo, 
quando sonhamos, sentimos cada coisa como se fosse real 
e acreditamos nelas. Mas, quando despertos, pensamos 
sobre aquilo e concluímos que foi apenas um sonho e que 
os sonhos são diferentes da realidade.
Figura 6: Retrato de Réne Descartes
Fonte: @Commons
Estética e História da Arte 25
Baumgarten refuta o pensamento de Descartes e mostra como o 
conhecimento também se dá pela sensibilidade. E é no interior dessa 
teoria do conhecimento que ele cria sua estética, com o intuito de pensar 
o modo com que percebemos o mundo e como podemos pensar uma 
série de conceitos e categorias para compreender essa relação do 
sensível com o conhecimento.
Baumgarten apresenta um modo de pensamento da arte que não 
tem nada a ver com as teorias da arte que o precederam. O autor não 
pretende criar ou pensar nenhuma regra para a apreciação da arte ou para 
o fazer artístico. Mas, sim, pensar que estético pode ser um qualificativo 
do pensamento. Ou seja, que pode haver um pensamento que tem como 
característica e qualidade ser estético. Mas o que significa dizer que um 
pensamento tem a qualidade de ser estético?
EXPLICANDO MELHOR:
Vamos começar por pensar que esse é um tipo de 
pensamento que se volta para o campo das artes e que as 
afirma como coisas do pensamento. Se nas teorias da arte 
que estudamos era o objeto artístico que tinha qualidades 
estéticas a serem analisadas, o que Baumgartem coloca 
em jogo agora é a ideia de que não são os objetos que são 
ou não estéticos, mas nosso pensamento. Ele afirma, assim, 
que não há mais uma separação entre arte e pensamento, 
como se àquela restasse apenas seguir as regras 
prescritivas das teorias da arte. A arte, agora, pensa por si 
só. Não precisamos dar a ela um sentido por meio de regras 
externas. A arte passa a significar por si só. E o pensamento 
que se volta para ela para pensar suas implicações é que 
é estético.
“A Estética (como teoria das artes liberais, como gnoseologia 
inferior, como arte de pensar de modo belo, como arte do 
análogo da razão) é a ciência do conhecimento sensitivo” 
(BAUMGARTEN, 1993, p. 95, §1).
Estética e História da Arte26
Mas, se Baumgarten está interessado em pensar o conhecimento, 
qual a necessidade de se pensar isso a partir da arte? É que, para o autor, 
a arte e o pensamento tem algo em comum: a busca pela perfeição e 
pela beleza. Assim, se nos voltamos para o pensamento da arte, podemos 
daí retirar consequências para nossas formas de pensamento e para o 
conhecimento do mundo.
Mas essa arte para a qual nos voltamos em busca de conhecimento 
não é mais pensada em uma relação de dependência com a moral, a 
religião ou a política. Ela é agora autônoma. A arte, ao se fazer, pensa 
por si só. Ela dá significado ao mundo. Ela não precisa que uma moral 
externa lhe determine como deve ser ou fazer. Não precisa mais de um 
conjunto de regras que lhe diga qual o melhor jeito de dizer ou mostra 
um determinado tema ou assunto. O modo como a arte pensa, agora, diz 
respeito a ela mesma, às suas próprias formas e reflexões.
RESUMINDO:
A arte nos leva a conhecer melhor o mundo, pois em sua 
autonomia de pensamento, ela abre novas perspectivas de 
conhecimento do mundo. Perspectivas que a razão sozinha 
não é capaz de conhecer.
IMPORTANTE:
A enorme importância do pensamento de Baumgarten para 
a arte e para o pensamento da arte é que essa é a primeira 
vez que are é pensada em sua autonomia. É a primeira vez 
que a arte é pensada por si só e não em relação a uma série 
de regras morais, políticas ou religiosas. Alguns dizem que 
o nascimento da estética como disciplina, ao autonomizar 
a arte, teria operado uma revolução sensível que teria 
alterado toda a produção artística desde então assim como 
nosso modo de nos relacionarmos com ela.
Estética e História da Arte 27
REFLITA:
A partir daquilo que estudamos na unidade I, sobre a História 
da arte, você concorda que as influências da autonomia da 
arte foram muito grandes na produção artística? Quando 
você compara o retrato do Papa Inocêncio X, feito por 
Velázques, em 1650, com outro feito por Bacon, em 1953, 
quais diferenças você vê? O tema retratado é o mesmo. 
Ambos mostram a figura do Papa Inocêncio X sentado em 
uma cadeira exuberante. Mas na imagem de Bacon não 
haveria uma maior liberdade da pintura? Ao não precisar 
se preocupar nem com o realismo, nem com os preceitos 
morais da religião, a figura de Bacon não estaria mais 
preocupada com as próprias questões da arte e do modo 
de representar ou expressar uma ideia e um sentimento? O 
que você pensa sobre isso?
Figura 6: “Retrato do Papa Inocêncio X” de Diego Velázquez, 1650
Fonte: @Commons
Estética e História da Arte28
Figura 7: “Estudo do Retrato do Papa Inocêncio X segundo Velázquez”, de Francis Bacon, 1953
Fonte: ©Domínio Público
Estética e História da Arte 29
Conhecer o juízo estético em Kant
Em 1790, o filósofo alemão Immanueal Kant, publica o livro “Crítica 
da faculdade do juízo”. O livro estava inserido dentro de um projeto maior 
do autor, de criar todo um novo sistema filosófico de pensamento. Antes 
de voltar-se para as questões estéticas, com a crítica do juízo, o autor 
havia publicado a “Crítica da razão pura” e a “Crítica da razão prática”. A 
primeira dedicada a pensar as bases do pensamento, refundando do zero 
todo o pensamento filosófico vigente até então.
NOTA:
A crítica de Kant estava inserida no contexto do debate 
que se desenvolvia na filosofia de então, entre os ditos 
empiristas e os racionalistas. Estes, adeptos do filósofo René 
Descarter, sobre o qual falamos anteriormente, acreditavam 
que todo conhecimento vinha do uso exclusivo da razão. 
Apenas questionando nosso próprio modo de pensar e 
especialmente, duvidando de nossas percepções que 
vem pelo sentido, é que seríamos capazes de conhecer o 
mundo. Para os empiristas, por sua vez, que desenvolveram 
um ou sistema de pensamento depois de Descartes, só 
conhecíamos o mundo a partir de nossos sentidos. O ser 
humano, assim, nascia como uma tábula rasa na qual a 
experiência sensível na relação com as coisas do mundo ia 
desenhando os conhecimentos adquiridos.
Estética e Históriada Arte30
Figura 8: Retrato de Kant
Fonte: @Commons
VOCÊ SABIA?
Um dos filósofos empiristas, chamado David Hume, afirmava 
que nosso conhecimento só se dava pela experiência 
daquilo que víamos. Assim, dizia ele, só sabíamos que 
o sol nasceria todos os dias. Pois, a cada manhã, víamos 
esse fenômeno acontecer. Mas não havia nada em nossa 
razão ou nem nosso conhecimento que poderia nos dar a 
certeza de que, um dia, o sol não deixaria de nascer. É claro 
que nessa época não se sabia sobre o funcionamento do 
cosmos, ao qual hoje temos acesso pela observação dos 
telescópios de alta tecnologia. Mas você pode imaginar o 
impacto de tal filosofia para aquela época? Um sistema de 
pensamento que coloca em suspensão todas as certezas 
que temos da vida, afirmando que elas são ilusões. Afinal, 
para Hume, era só o costume de ver o sol nascer todos os 
dias que nos fazia crer na certeza de que nasceria de novo.
Estética e História da Arte 31
Figura 9: Retrato de David Hume
Fonte: @ Commons
Kant se inseriu nesse debate com o intuito de solucionar o conflito 
que até então parecia insolucionável entre empiristas e racionalistas. 
De maneira próxima àquilo que Baumgarten fez, Kant afirma que o 
conhecimento do mundo se dá tanto pela razão quanto pelos sentidos.
A partir dessa ideia o autor cria todo um sistema de pensamento 
no qual busca a universalidade do pensamento. Ou seja, ou autor estava 
interessado não simplesmente em conhecer as coisas do mundo, mas 
principalmente em criar um sistema que pensasse as formas do próprio 
Estética e História da Arte32
pensamento de tal modo que pudesse ter certeza de que aquilo que 
conhecia era verdadeiro. Isso implicava que, dado um determinado 
problema, por exemplo uma conta matemática, todo indivíduo que se 
propusesse a solucioná-lo deveria chegar ao mesmo resultado. Isso 
mostraria a certeza e a universalidade do pensamento. 
REFLITA:
Há muitos problemas e questões na vida que são 
mais complexos e menos exatos do que um problema 
matemático, certo? Há questões para as quais não existem 
apenas uma única resposta correta, ou apenas uma 
interpretação possível. Kant tinha que pensar, assim, um 
sistema de pensamento no qual poderíamos estar certo 
de conhecer a verdade e a universalidade do pensamento, 
mesmo que houvesse divergências de interpretações. 
Você consegue imaginar o trabalho que foi chegar a esse 
sistema final?
Mas o modo pelo qual Kant chegou a esse sistema não nos interessa 
aqui diretamente. Estamos, antes, interessados em como o autor se volta 
para o pensamento estético tentando inseri-lo nesse projeto mais amplo. E é 
no livro “Crítica da faculdade do juízo” que ele fará esse desvio para a estética.
O juízo ao qual se refere Kant nessa obra é o juízo de gosto. Afinal, 
para o autor, é disso que se trata quando estamos diante de obra de arte 
e sentimos isso ou aquilo outro e, em seguida, emitimos um juízo do tipo: 
“gosto” ou “não gosto”. Dizemos: “isso me agrada” ou “isso me incomoda”, 
“sinto algum prazer com isso” ou “sinto algo desagradável”. Enfim, 
diante de uma arte, emitimos um juízo de gosto. E como ele parece, a 
princípio, bastante subjetivo e individual, Kant se preocupou em pensar a 
possibilidade da universalidade do juízo de gosto. 
Estética e História da Arte 33
EXPLICANDO MELHOR:
Ou seja, seria possível pensar que quando duas pessoas, 
diante de uma mesma pintura, emitem dois juízos de 
gosto completamente opostos, ainda haveria aí alguma 
certeza ou conhecimento universal determinando tais 
juízos? Ou será, ao contrário, que com o gosto estaríamos 
completamente soltos no mundo, sem nenhuma certeza 
ou pilar no qual segurar-se? Essas eram as questões às 
quais Kant se dedicou a pensar no livro no qual pensou as 
questões estéticas..
RESUMINDO:
Vemos como Kant dá continuidade ao projeto iniciado 
por Baumgarten. Pois nele também se tratava de 
pensar a estética como esse campo da percepção e da 
experiência sensível e de como conhecemos o mundo a 
partir da sensibilidade e da arte. Em Kant, assim como em 
Baumgarten, o estatuto da arte é autônomo. Ela nos fornece 
a abertura de novas perspectivas de conhecimento do 
mundo porque é pensada por si mesma e não em relação 
a um conjunto de regras prescritivas que lhe são externas.
Kant analisa, assim, duas categorias principais que compreende 
como sendo os sentimentos causados pelo contato com a arte: o belo e 
o sublime.
Estética e História da Arte34
O belo
Figura 10: “Vênus” de Michelangelo, 1483
Fonte: @Commons
O autor começa a discussão a partir do pensamento do belo e se 
empenha por pensar aquilo que a beleza da arte ou da natureza nos causa 
como sentimento. Ele divide, assim, três tipos de sentimentos parecidos, 
mas que pretende afirmar como diferentes. Trata-se do agradável, do belo 
e do bom. Kant afirma que sentimos um prazer, ou complacência, com 
essas três experiências. Mas o bom e o agradável são duas sensações 
bastante influenciadas por nossa razão. Afinal, quando julgamos algo 
bom, estamos analisando e racionalizando sobre o que é a bondade. Do 
mesmo modo, quando achamos algo agradável, estamos interessados 
demais no objeto agradável para conseguir dele fazer um julgamento 
totalmente livre em relação à razão. E é isso que está em jogo para Kant: 
o juízo de gosto, ou o juízo estético, deve ser livre.
“Pode-se dizer que, entre todos estes modos de complacência, 
única e exclusivamente o do gosto pelo belo é uma 
complacência desinteressada e livre; pois nenhum interesse, 
quer o dos sentidos, quer o da razão, arranca aplauso” (KANT, 
2012, p. 46)
Estética e História da Arte 35
DEFINIÇÃO:
O juízo estético ou de gosto, para Kant, deve ser livre 
e desinteressado. Isso quer dizer que a sensação ou 
sentimento devem estar em sua completa autonomia 
em relação a qualquer interesse. Há uma diferença, por 
exemplo, de quando sentimos prazer com um prato de 
comida à nossa frente, pois, por estarmos com fome e, 
portanto, diretamente interessados em matar nossa fome, 
não conseguimos fazer um julgamento livre do prazer que 
a comida nos causa. Esse tipo de prazer ou complacência 
é, pois, interessado, não estando em sua liberdade.
É a partir dessa ideia que Kant concebe o conceito de “livre jogo 
das faculdades”. Trata-se de entender que, dentre as faculdades que 
possuímos, a do entendimento e a da imaginação, deve haver um livre 
jogo no qual nem uma nem outra se sobressaia ou domine a outra.
A universalidade buscada por Kant nesse pensamento fica garantida 
pela ideia de que toda representação que nos aparece está conforme às 
regras e fins últimos da natureza. Sendo assim, tudo aquilo que, em um 
jogo livre das faculdades, sentimos ou ajuizamos sobre um determinado 
objeto, está também em conformidade a essas leis.. Mesmo que meu 
juízo seja diverso do seu.
O sublime
Mas há, ainda, a outra categoria à qual Kant se debruça para pensar 
o juízo estético: O sublime.
“O belo da natureza concerne à forma do objeto, que consiste na 
limitação; o sublime, contrariamente, pode também ser encontrado em 
um objeto sem forma, na medida em que seja representada ou que o 
objeto enseje representar nele uma ilimitação. [...] Enquanto o belo 
comporta diretamente um sentimento de promoção da vida, e por 
isso é vinculável a atrativos e a uma faculdade de imaginação lúdica, o 
sentimento do sublime é um prazer que surge só indiretamente, ou seja, 
ele é produzido pelo sentimento de uma momentânea inibição das forças 
Estética e História da Arte36
vitais e pela efusão imediatamente consecutiva e tanto mais forte das 
mesmas” (KANT, 2012, p. 89).
Kant afirma que o belo é aquilo que vemos da forma de uma obra 
de arte ou mesmo de uma forma na natureza. Assim, sentimos o belo 
nas cores de uma pintura, no traçado sinuoso de um corpo retratado ou, 
ainda, nas formas das pétalas de uma flor. O sentimento do belo está 
como que contido dentro desses limites do que vemos e sentimos.Já o 
sublime é como uma espécie de arrebatamento. É quando vemos algo 
que, por uma fração de segundos, nos faz perder o ar. Se o belo nos causa 
uma alegria contida, limitada, mas imediata, o sublime, em um primeiro 
momento, nos assusta, retira nossa energia como se estivéssemos em 
uma situação limite. Mas, quando passado o susto, nos relembramos da 
experiência, nossa vitalidade retorna ainda mais forte do que antes. Nos 
sentimos extasiados.
Figura 10: “Caminhante sobre o mar de névoa” de Caspar Friedrich, 1817
 
Fonte: @Commons
Estética e História da Arte 37
SAIBA MAIS:
Ao longo do século XIX, na Inglaterra, diversos artistas 
se dedicaram ao tema do sublime em suas pinturas. 
Retratando cenas da natureza, artistas como Turner e 
Friedrich tentavam captar esse sentimento do sublime que 
algumas cenas lhes proporcionavam. O mar agitado, em 
sua beleza e violência, era um tema bastante comum entre 
esses artistas. Os quadros passam a impressão de uma 
captura da imagem feita no exato segundo no qual somos 
arrebatados e ficamos sem ar diante da ferocidade e beleza 
da cena.
Figura 11: “Naufrágio em cargueiro” de William Turner, 1810
Fonte: @Commons
Para Kant, o sublime é aquilo que é absolutamente grande, aquilo 
que ultrapassa os limites de nossa experiência e que não tem comparação 
com nada mais. Mas o sublime, diz o autor, não é a natureza ou o objeto 
que me causa tal sensação. O sublime é a minha própria disposição para 
sentir e viver tais experiências. Ele mostra, assim, que existe algo em mim 
que é maior do que toda medida dos sentidos que acredito conhecer. E 
Estética e História da Arte38
é claro que isso coloca um problema para a busca pela universalidade 
do conhecimento que Kant procura, mas ao qual o autor responde da 
seguinte maneira:
“A qualidade do sentimento sublime consiste em que ela é, 
relativamente à faculdade de ajuizamento estética, um sentimento 
de desprazer em um objeto, contudo representado ao mesmo 
tempo como conforme a fins; o que é possível pelo fato de que a 
incapacidade própria descobre a consciência de uma faculdade 
ilimitada do mesmo sujeito, e que o ânimo só pode ajuizar 
esteticamente a última através da primeira” (KANT, 2012, p. 107).
Kant justifica a universalidade do juízo de gosto, diante do ilimitado, 
pelo farto de que, ao sermos colocados diante de tal experiência, passamos 
a conhecer uma faculdade ilimitada que desconhecíamos. E mesmo que 
não a compreendamos completamente, o fato de conseguirmos avaliar 
essa faculdade a partir de nossa própria limitação.
Trata-se de um assunto um tanto quanto complicado e aprofundado 
das discussões filosóficos. Mas o que nos interessa aqui perceber é como 
autor concebe um sistema de pensamento no qual o campo da estética 
é sistematizado de tal forma que é considerado como uma das formas de 
conhecermos o mundo.
REFLITA:
Qual o impacto de um pensamento que cria um sistema 
que prova que podemos conhecer o mundo por meio da 
arte e das experiências sensíveis que temos com o mundo? 
Você acredita que o mundo seria muito diferente hoje 
sem a influência desses filósofos que trouxeram a arte e o 
sensível para dentro do campo do conhecimento? Será que, 
na escola, você seria influenciado a conhecer a arte e até 
mesmo a fazer arte? Ou diriam a você que o único modo de 
conhecer o mundo é por meio da ciência e da matemática? 
Não é interessante que esses filósofos tenham alterado toda 
a concepção de aprendizado e conhecimento que temos 
hoje? Isso não significa dizer que eles negaram a ciência e a 
matemática. Ao contrário, utilizaram-se de suas metodologias 
para o pensamento filosófico. Mas eles incluíram, no rol dos 
campos de conhecimento, a arte e a estética.
Estética e História da Arte 39
Conhecer a estética na era da indústria 
cultural
Você deve lembrar-se do que estudamos na Unidade I sobre as 
relações entre técnica e arte. Lá, discutimos como o desenvolvimento 
técnico influencia a produção artística fazendo até com que novas 
linguagens artísticas surjam, como foi o caso da fotografia e o cinema. 
Retomaremos aqui algumas dessas ideias para pensar como essas 
transformações da arte, especialmente após a revolução industrial, 
impactaram o pensamento estético. Afinal, a estética sempre lida com 
o pensamento da arte a partir das questões e problemas que o tempo 
presente coloca para a filosofia. Assim, passa a fazer sentido, a partir do 
surgimento da fotografia, discutir como a entrada dessa técnica no campo 
da arte altera os valores que até então conhecíamos.
Esse capítulo se dedicará a estudar dois filósofos que 
discutiram incessantemente as relações entre a arte e a técnica na 
contemporaneidade: Walter Benjamin e Theodor Adorno. Ambos fizeram 
parte da chamada Escola de Frankfurt.
NOTA:
A Escola de Frankfurt foi uma vertente da teoria social e 
da filosofia que surgiu em 1924, em torno de uma série de 
teóricos de influência marxista. Com mais de duas gerações 
se sucedendo nessa vertente de pensamento e, apesar das 
diferenças de pensamentos de seus membros, em comum 
entre seus autores estava a crítica feita ao sistema capitalista, 
assim como ao socialismo soviético. Para esses autores, a 
maior preocupação do pensamento crítico deveria ser o 
pensamento das condições de possibilidades da realaram 
, em algum momento, para o pensamento da arte e da 
cultura. Mase voltaram, er Marcuse, Jembros, em comum 
entre seus autoresização de transformações sociais. Alguns 
de seus principais membros foram: Mar Horkheimer, Walter 
Benjamin, Herbter Marcuse, Jürgen Habermas e Theodor 
Adorno, dentre outros. Todos esses autores se voltaram, em 
algum momento, para o pensamento da arte e da cultura, 
com o intuito de fazer uma crítica social a partir do papel da 
cultura e da arte na sociedade e na política.
Estética e História da Arte40
A importante diferença introduzida no pensamento da arte por 
esses autores foi a afirmação de uma dimensão política da arte que até 
então só aparecia como camada secundária das discussões anteriores. 
Tanto Adorno, quanto Benjamin compreendiam que a arte tinha um papel 
de extrema importância no jogo ideológico da política, influenciando as 
pessoas a pensarem de uma determinada forma ou de outra.
DEFINIÇÃO:
Ideologia, em seu sentido comum, é compreendida como 
o conjunto de pensamentos que forma a visão de mundo 
de um determinado indivíduo, influenciando seu modo 
de agir politicamente na sociedade. Desse ponto de vista, 
todo indivíduo possui sua própria ideologia, seu conjunto 
de ideias que norteiam suas ações e posicionamentos 
políticos. Mas, para os filósofos franfurtianos, havia ainda, 
outro sentido negativo da ideologia. Usando o termo sob 
um viés crítico, eles compreendiam a ideologia como 
um instrumento de dominação dos grupos de pessoas 
em sociedade. Essa dominação era exercida por meio do 
convencimento das pessoas de que certas ideias seriam 
mais interessantes do que outras. Para esses filósofos, 
os processos de dominação ideológicos alienavam as 
pessoas, no sentido de que as afastava de seus próprios 
processos de decisão e de pensamento crítico. Ao invés 
de pensar por si próprios, os indivíduos sob dominação 
ideológica já aceitariam como certo um conjunto de ideias 
que determinariam suas ações, sem questionar se alguma 
dessas ideias não estaria errada.
Estética e História da Arte 41
Figura 11: Imagem de uma pessoa passando na frente de diversas TVs.
Fonte: http://www.bastidoresdatv.com.br
Tanto Benjamin quanto Adorno começaram a pensar as 
transformações nos modos de percepção que a arte da fotografia e 
do cinema teriam operado nas sociedades. Será que a imagem em 
movimento teria nos deixado mais preguiçosos ao pensamento crítico? 
Será, ainda, que o fato da tecnologia permitir reproduzir a realidade de 
maneira cada vez mais ilusória, não nos transformou em pessoas mais 
facilmente enganadas pelas ilusões ideológicas da imagem?
EXPLICANDO MELHOR:
Quando pensamos nas diferençasentre a pintura e a 
fotografia, por exemplo, podemos perceber que em uma 
pintura, por mais realista que ela seja, se chegarmos perto 
do quadro e o observarmos com atenção, perceberemos 
que há ali traços e pinceladas marcadas na tela, camadas 
de tinta que se sobrepõem para criar o efeito ilusório da 
pintura. Desse modo, a pintura deixa claro tratar-se de 
apenas uma reprodução, de uma representação. Já a 
fotografia, mesmo que a olhemos de perto e em detalhes, 
não deixa ver os traços de sua feitura, não nos revela que 
é um artefato humano. A confusão entre a realidade e a 
representação da fotografia, assim, é maior.
http://www.bastidoresdatv.com.br
Estética e História da Arte42
Benjamin e a reprodutibilidade técnica
Benjamin explica, em seu livro “A obra de arte na era de sua 
reprodutibilidade técnica”, como no teatro o espectador percebe que se 
trata de uma encenação. Pois há a separação entre a plateia e o palco. 
Vemos as cortinas que se abrem e fecham ao início e fim do espetáculo. 
Podemos ver as entradas e saídas de cena dos atores, etc. Já no cinema, 
o uso da máquina, apesar de sua artificialidade, teria dado aos filmes 
uma maior sensação de ilusão. Pois a imagem que chega ao espectador 
não mostra o trabalho da máquina, não nos permite ver os bastidores da 
feitura do filme.
“No teatro, a localização do palco nos faz reconhecer o 
caráter ilusionista da encenação. Essa localização não existe 
no cinema. Sua natureza ilusionista é de segunda ordem 
e está no resultado da montagem. No estúdio de cinema, 
a máquina penetrou tão profundamente na realidade que 
o aspecto aparentemente puro desta última, sem o corpo 
estranho da máquina, resulta de um processo especial, ou 
seja, a filmagem por meio de uma máquina fotográfica própria 
e a montagem com outras tomadas do mesmo tipo. Aqui, a 
realidade aparentemente despojada de máquinas é a mais 
artificial das realidades” (BENJAMIN, 2012, p. 24)
Mas Benjamin não vê com olhos negativos o surgimento do cinema. 
Ao contrário, ele o afirma como a primeira arte verdadeiramente coletiva. 
Pois, ele afirma que mesmo a criação dos museus e galerias, que tentaram 
fazer com que mais pessoas tivessem acesso à pintura, não constituiu um 
mudança nesse sentido. A pintura, para Benjamin, possui um caráter de 
contemplação que é individual e isso é imutável. Mas com o crescimento 
das populações urbanas e da classe proletária, era preciso que se criasse 
uma arte verdadeiramente coletiva. E foi isso que o cinema fez.
Estética e História da Arte 43
Figura 12: Cinema cheio de pessoas
Fonte: ©Freepik
 Benjamin aponta como esse novo modo de recepção e apreciação 
da arte transformou os modos de percepção dos indivíduos em sociedade. 
E mudou, principalmente, a relação das massas com a arte. Para o autor, 
os indivíduos se tornam mais críticos exatamente por sua reação à obra de 
arte ser coletiva. Se alguns filósofos criticavam o cinema por acreditar as 
pessoas só conseguem ter um olhar crítico perante a arte quando estão 
em quietude e recolhimento, Benjamin afirma exatamente o oposto: a 
obra de arte, quando causa diversão nas pessoas, mergulha e penetra 
no interior delas. O autor defende, assim, contrariando outros pensadores 
críticos ao cinema, que a distração é um meio eficaz de recepção da arte, 
afinal nós nos habituamos a fazer distraídos diversas coisas ao mesmo 
tempo. E isso não significa de maneira alguma que não aprendemos nada 
enquanto o fazemos. O mesmo ocorreria, segundo o autor, com o cinema.
Estética e História da Arte44
RESUMINDO:
Para além de concordarmos ou não com o autor, a grande 
mudança introduzida por seu pensamento para o campo 
estético foi a conexão entre as mudanças na percepção e a 
teoria da arte. A partir das mudanças técnicas sofridas pela 
arte, o autor analisou como a percepção foi afetada por isso 
e, como consequência, também a arte.
Adorno e a indústria cultural
Em seu livro “A indústria cultural”, Adorno mostra como sua visão 
das transformações sofridas pela arte com a introdução da técnica em 
seus meios de produção não foi tão positiva quanto a de Benjamin. Para 
Adorno, o entrelaçamento entre arte e técnica teria dado ensejo ao que 
denominou de “indústria cultural”.
DEFINIÇÃO:
A indústria cultural, em Adorno, apresenta a ideia de que, 
com a introdução dos meios técnicos de produção no fazer 
artístico a arte teria perdido seu caráter de contestação 
às formas de vida vigentes. A arte, antes, se diferenciava 
por sua autonomia, por ser pensada enquanto campo 
separado dos outros da vida. Assim, a lógica que dominava 
a produção mercadológica de produtos para o comércio 
nada tinha a ver com as obras de arte, produzidas no 
interior de outra lógica, diversa. E por essa diferenciação 
e separação é que a arte era capaz de resistir à lógica da 
dominação e ao poder ideológico do mercado capital. Mas 
com o embaralhamento entre esses dois campos, a arte 
teria passado a ser apenas mais nicho de mercado. Incapaz 
de se diferenciar da ideologia do mercado. Esse nicho teria 
sido chamado por Adorno de “indústria cultural”.
Estética e História da Arte 45
Figura 13: “Latas de sopa Campbell” de Andy Warhol
Fonte: https://www.culturagenial.com/obras-andy-warhol/ 
Esse processo de indiferenciação entre arte e mercado teria 
tornado, segundo Adorno, tudo equivalente. Todos aqueles processos de 
apreciação e crítica que autores como Kant teriam apontado há alguns 
séculos atrás, teriam, agora, se tornado inúteis. Pois os produtos da 
indústria cultural já chegariam prontos aos indivíduos, que deixaram de 
ser apreciadores para serem consumidores de arte. A indústria, agora, é 
quem faz todo o processo de pensar, classificar e categorizar os produtos 
da arte que chegam até nós. Nos tornamos, assim, menos críticos, mais 
alienados e dominados pela ideologia do sistema capitalista.
https://www.culturagenial.com/obras-andy-warhol/
Estética e História da Arte46
EXPLICANDO MELHOR:
O que Adorno quer dizer com isso é que quando nos 
sentimos livres por irmos ao cinema, como se estivéssemos 
escolhendo o que fazer de nosso tempo livre, na verdade 
estaríamos sendo enganados pelo sistema capitalista que 
gerencia nosso tempo sem que o percebamos. Aquilo que 
parece uma opção pessoal é, na verdade, uma escolha 
direcionada pela ideologia que foi introjetada em nosso 
pensamento pelos produtos da indústria cultural. Assim, 
o fato de que o cinema seja um meio de expressão que 
não nos deixa ver seu modo de produção faz com que nos 
tornemos indivíduos incapazes de realizar a crítica daquilo 
que vemos. cada vez mais alienados, pensamos escolher 
o cinema, quando na verdade, só nos resta isso à escolher.
Mas, o problema, para Adorno, não está no cinema em si. Não está 
na linguagem artística, mas sim no modo como essa indústria funciona, 
interessada apenas em vender. Se estudamos lá atrás como a arte se 
autonomiza, em determinado momento, deixando de servir ao poder do 
Estado, da religião ou da moral, o que Adorno aponta é que na indústria 
cultural a arte teria perdido sua autonomia para começar a servir ao poder 
do capital, ao poder das grandes empresas envolvidas na produção 
cinematográfica. E essas empresas, muitas vezes, estariam ainda ligadas 
à governos interessados também em manipular a população. Como 
empresas interessada apenas no valor de venda de suas obras, é claro 
que aquilo que pauta as criações artísticas é qualquer coisa que dê mais 
dinheiro em um determinado momento. Daí a ideia de que tudo se torna 
equivalente. Afinal, tudo aquilo que pode ser comprado e vendido passa a 
ter um mesmo valor, o valor de mercadoria.
Estética e História da Arte 47
RESUMINDO:
Se para Benjamin o caráter de diversão coletiva do cinema 
era exatamente aquilo que a tornava política, para Adorno, 
a diversão nada mais é do que o apagamento do caráter 
crítico da arte e de seu público. Vemos, assim, como dois 
autores de geraçõesbastante próximas e fazendo, ainda, 
parte de uma mesma escola, tiveram opiniões tão diversas 
sobre um mesmo assunto. Mas o pressuposto do qual 
partem, um para criticar, o outro para elogiar, é o mesmo: 
tanto Adorno quanto Benjamin partem da ideia de que a 
introdução da técnica na arte alterou não apenas seus 
modos de produção, mas, principalmente, os modos de 
percepção dos indivíduos.
REFLITA:
Benjamin escreveu a maior parte de seu trabalho entre os 
anos 1920 e 1940 e Adorno entre 1940 e 1960. Isso já faz, no 
mínimo, 60 anos. De lá até aqui houve uma série de outras 
mudanças no desenvolvimento técnico e tecnológico e 
estes, como sempre, transformaram a arte. Vemos, por 
exemplo, o surgimento da chamada videoarte, a introdução 
dos games no mundo da arte, o surgimento dos e-books, 
os celulares com localização em tempo real, a criação das 
redes sociais como o Facebook e o Instagram, o surgimento 
do YouTube e das redes de streaming como a Netflix e uma 
infinidade de outras coisas. Muitas dessas novas técnicas 
foram introduzidas no mundo da arte. Como você essas 
mudanças? Você acha que as coisas ficaram ainda mais 
diferentes em relação aos diagnósticos feitos por Adorno 
e Benjamin? Você vê essas mudanças como positivas 
ou negativas? Por um lado nos tornamos mais críticos, 
manifestando nossas ideias e pensamentos pela internet. 
Mas, por outro, vimos se espalhar ações nada interessantes 
como as criações e distribuições das chamadas fakenews. 
O que você pensa sobre isso?
Estética e História da Arte48
REFERÊNCIAS
ADORNO, T. W. Indústria cultural e sociedade. Trad. Julia Elisabeth Levy. 
São Paulo: Paz e Terra, 2002.
ARISTÓTELES. Poética. São Paulo: Editora Nova Cultural, 2004.
BAUMGARTEN, A. G. Estética: a lógica da arte e do poema. Trad. Miriam 
Sutter Medeiros. Petrópolis: Vozes, 1993.
BENJAMIN, A. A obra de arte na era de sua reprodutibilidade técnica. 
In: Benjamin e a obra de arte. Trad. Marijane Lisboa, Rio de Janeiro: 
Contraponto, 2012.
CAUQUELIN, A. Teorias da arte. Trad. Rejane Janowitzer. São Paulo: 
Martins, 2005.
KANT, I. Crítica da faculdade do juízo. Trad. Valério Rohden e António 
Marques. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2012.
PLATÃO. A república de platão. Trad. J. Guinsburg. São Paulo: Perspectiva, 
2010. 
Estética e História da Arte
Daniela Cunha Blanco
	Conhecer os fundamentos da estética
	O princípio das teorias da arte: Platão
	A teoria da mímesis: Aristóteles
	Conhecer o nascimento da estética e da autonomia da arte
	Baumgarten e a estética
	Conhecer o juízo estético em Kant
	O belo
	O sublime
	Conhecer a estética na era da indústria cultural
	Benjamin e a reprodutibilidade técnica
	Adorno e a indústria cultural

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