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Sedimentoscopia Urinária Prof. Wêndeo Costa wendeo.costa@ufpe.br Centro Universitário Mauricio de Nassau Graduação em Farmácia Disciplina: Uroanálises O Que é Sedimentoscopia Urinária Definição Análise microscópica detalhada do sedimento urinário após centrifugação da amostra Objetivo Principal Identificar elementos celulares e acelulares que indicam condições patológicas Integração Clínica Componente essencial do exame de urina tipo I (EAS), complementando análises físicas e químicas Objetivos da Sedimentoscopia 01 Identificação de Elementos Reconhecer e quantificar elementos celulares e acelulares presentes no sedimento urinário, estabelecendo padrões normais e patológicos 02 Auxílio Diagnóstico Fornecer dados cruciais para o diagnóstico de doenças do trato urinário e condições sistêmicas que se manifestam através da urina 03 Monitoramento Clínico Acompanhar a evolução de patologias e avaliar a eficácia de tratamentos através de análises sequenciais Protocolo de Coleta da Amostra Recomendações Essenciais • Primeira micção matinal para maior concentração de elementos • Técnica do jato médio para reduzir contaminação • Utilização obrigatória de recipiente estéril • Procedimento de coleta asséptica rigorosa Cuidados Especiais É fundamental evitar contaminação por secreções vaginais, cutâneas ou outras fontes externas que possam comprometer a análise microscópica e levar a interpretações errôneas dos resultados. Técnica de Processamento Padronizada Homogeneização Misturar suavemente a amostra para distribuir uniformemente os elementos em suspensão Centrifugação 10 mL de urina a 1.500–2.000 rpm durante 5 minutos para concentrar o sedimento Preparação Final Descartar sobrenadante, manter 0,5 mL, ressuspender e preparar lâmina microscópica Técnicas Microscópicas Disponíveis 1 Microscopia de Luz Comum Método básico e amplamente utilizado para identificação de elementos celulares e acelulares no sedimento urinário. Oferece boa resolução para a maioria dos componentes. 2 Contraste de Fase Técnica avançada que melhora significativamente a visualização de estruturas delicadas e translúcidas, facilitando a identificação de elementos de difícil observação. 3 Microscopia de Polarização Especialmente útil para análise de cristais urinários e lipídios, permitindo diferenciação precisa através das propriedades ópticas específicas destes elementos. Hemácias no Sedimento Urinário Valores Normais Presença de até 2 hemácias por campo microscópico é considerada dentro da normalidade e não indica patologia Hemácias Disformes Indicam origem glomerular, sugerindo glomerulonefrite ou outras doenças que afetam os glomérulos renais Hemácias Íntegras Sugerem sangramento nas vias urinárias baixas, comumente associado à litíase renal ou infecções do trato urinário Morfologia das Hemácias e Significado Clínico Hemácias Disformes Apresentam formato irregular, com perda da forma bicôncava característica. Esta deformação ocorre durante a passagem através dos glomérulos comprometidos, sendo um marcador específico de doença glomerular. Sua identificação é crucial para diferenciar hematúria glomerular de não-glomerular, orientando o diagnóstico diferencial. Hemácias Íntegras Mantêm sua morfologia normal, indicando que o sangramento ocorreu em locais onde não há pressão glomerular. Comum em cistites, uretrites, litíase e tumores do trato urinário baixo. Leucócitos no Sedimento Urinário 5/campo Limite Normal Valores de referência para leucócitos em sedimento urinário normal A presença aumentada de leucócitos (leucocitúria) é um dos achados mais significativos na sedimentoscopia, indicando processo inflamatório ou infeccioso no trato urinário. Tipos de Leucócitos e Interpretação Neutrófilos Predominantes Indicam infecção bacteriana ativa do trato urinário. São as células de defesa de primeira linha contra invasões bacterianas, sendo encontradas em cistites, pielonefrites e uretrites bacterianas. Linfócitos Aumentados Podem sugerir rejeição em casos de transplante renal ou processos inflamatórios crônicos. Sua identificação requer análise cuidadosa e correlação com dados clínicos do paciente. Células Epiteliais Pavimentosas Características São as células epiteliais mais comumente encontradas no sedimento urinário normal. Originam-se da descamação natural da uretra distal e podem provir de contaminação vaginal em mulheres. Geralmente não possuem valor patológico significativo, sendo consideradas achado normal quando presentes em pequenas quantidades. Células Epiteliais de Transição Originárias do epitélio que reveste a pelve renal, ureteres e bexiga, estas células assumem especial importância quando encontradas em quantidade aumentada. Processos Inflamatórios Aumento pode indicar cistite, pielonefrite ou outras condições inflamatórias do trato urinário Processos Neoplásicos Presença elevada pode sugerir tumores uroteliais, requerendo investigação adicional Células Epiteliais Tubulares Renais Representam o achado mais significativo entre as células epiteliais. Sua presença indica lesão direta dos túbulos renais e pode ser observada em diversas condições patológicas graves. • Necrose tubular aguda • Intoxicação por medicamentos ou substâncias nefrotóxicas • Isquemia renal • Rejeição aguda em transplante renal Cilindros Urinários: Formação e Composição Os cilindros urinários são estruturas proteicas formadas principalmente pela proteína de Tamm- Horsfall, secretada pelas células dos túbulos distais e ductos coletores renais. Sua formação ocorre quando há concentração adequada de proteínas e condições físico- químicas apropriadas nos túbulos renais, moldando-se ao formato cilíndrico dos néfrons. •Aspecto: Transparentes, homogêneos, de difícil visualização ao microscópio. •Origem: Apenas proteína de Tamm-Horsfall. •Significado Diagnóstico: • Podem aparecer em indivíduos saudáveis, especialmente após exercício físico, febre, desidratação ou estresse. • Associados também a proteinúria discreta em condições iniciais de doença renal. •Importância: Nem sempre indicam patologia; muitas vezes são considerados achados fisiológicos. Cilindros Hialinos •Aspecto: Textura granulosa devido à degeneração de células ou proteínas aprisionadas. •Origem: Degradação de cilindros celulares ou acúmulo proteico. •Significado Diagnóstico: • Indicativos de lesão tubular renal. • Associados a glomerulonefrite, pielonefrite e insuficiência renal crônica. • Também podem aparecer após exercício intenso. •Importância: Quanto mais abundantes, maior a gravidade da lesão renal. Cilindros Granulosos •Aspecto: Cilindros contendo hemácias intactas. •Origem: Hemorragia no glomérulo ou túbulos. •Significado Diagnóstico: • Principal marcador de glomerulonefrite aguda. • Observados também em vasculites, lúpus eritematoso sistêmico e crises hipertensivas renais. •Importância: Sempre patológicos → indicam sangramento de origem renal. Cilindros Hemáticos •Aspecto: Cilindros com leucócitos aprisionados. •Origem: Processo inflamatório ou infeccioso no rim. •Significado Diagnóstico: • Pielonefrite aguda. • Nefrite intersticial (alérgica, medicamentosa ou infecciosa). •Importância: Diferenciam infecção/ inflamação renal de infecção urinária baixa (cistite), que não forma cilindros. Cilindros Leucocitários •Aspecto: Contêm células epiteliais tubulares descamadas. •Origem: Necrose ou descamação do epitélio tubular renal. •Significado Diagnóstico: • Necrose tubular aguda (isquêmica ou tóxica). • Intoxicações por fármacos ou metais pesados. • Rejeição de transplante renal. •Importância: Indicam lesão tubular significativa. Cilindros Epiteliais •Aspecto: Amorfos, refringentes, bordas bem definidas, aspecto de cera. •Origem: Estase tubular prolongada com degeneração proteica. •Significado Diagnóstico: • Insuficiência renal crônica avançada. • Estágios finais de glomerulonefriteou nefropatia hipertensiva. •Importância: Marcadores de doença renal crônica grave. Cilindros Céreo (Waxy) •Aspecto: Contêm gotículas lipídicas ou corpos oval-gordurosos com birrefringência em microscopia de luz polarizada. •Origem: Presença de lipídios no filtrado glomerular. •Significado Diagnóstico: • Síndrome nefrótica (associados a proteinúria maciça). •Importância: Altamente sugestivos de disfunção glomerular com perda de proteínas e lipídios. Cilindros Gordurosos Cristais de bilirrubina 22 • Descrição: Os cristais de bilirrubina aparecem como agulhas agregadas ou granulares, exibidos na cor amarela característica da bilirrubina ou castanho avermelhado. • . • Patologias: Os cristais de bilirrubina estão presentes nas doenças hepáticas que formam muita quantidade de bilirrubina na urina. Nos transtornos que produzem dado tubular renal, como hepatite viral, esses cristais podem ser agregados à matriz dos cilindros. • . Cristais de cistina 23 • Descrição: Os cristais de cistina são refringentes, incolores, hexagonais, com bordas iguais ou desiguais. Podem ser exibidos isoladamente, sobrepostos ou em agrupamentos. Geralmente apresentam aspecto em camadas ou laminado. • Patologias: Os cristais de cistina são encontrados na urina de pessoas que herdam um distúrbio metabólico que impede a reabsorção de cistina pelos túbulos renais (cistinúria). Além disso, as pessoas que possuem cistinúria possuem tendência a formar cálculos renais, principalmente em idade precoce. • . Cristais de tirosina 24 • Descrição: Os cristais de tirosina são observados como finas agulhas refringentes, delgadas, que se organizam em agrupamentos ou feixes. Frequentemente os agrupamentos são vistos na coloração negra, principalmente no centro, todavia podem exibir coloração amarela quando há presença de bilirrubina. • Geralmente são observados em conjunto com cristais de leucina, em amostras com resultado positivo em testes químicos para a bilirrubina. • Patologia: Os cristais de tirosina estão presentes em disfunção hepática grave e são encontrados também em doenças hereditárias do metabolismo de aminoácidos, principalmente a tirosinemia. Cristais de ácido hipúrico 25 • Descrição: Os cristais de ácido hipúrico aparecem como placas ou prismas alongados, incolores ou castanhos- amarelados. Eles podem ser exibidos tão finos que se assemelham a agulhas e comumente agrupam-se. Estes cristais são mais solúveis em água e éter do que os cristais de ácido úrico. • Patologias: Os cristais de ácido hipúrico praticamente não tem relevância clínica e são raramente encontrados na urina • . Cristais de Ácido Úrico 26 • Descrição: Podem aparecer como prismas finos, losangos, bastonetes, “rosetas” ou formas irregulares, geralmente amarelados a castanhos. Mais comuns em urina ácida (pH23: Cristais de cistina Slide 24: Cristais de tirosina Slide 25: Cristais de ácido hipúrico Slide 26: Cristais de Ácido Úrico Slide 27: Cristais de Oxalato de Cálcio Slide 28: Cristais de urato amorfo Slide 29: Cristais de urato de sódio Slide 30: Cristais de carbonato de cálcio Slide 31: Cristais de fosfato amorfo Slide 32: Cristais de fostato triplo Slide 33 Slide 34 Slide 35 Slide 36 Slide 37 Slide 38 Slide 39