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17A7 - PORTUGUES INSTR JURIDICO - On-line MÓDULO I – COMUNICAÇÃO JURÍDICA: conceitos básicos e tipos textuais. CONCEITO GERAL: 1 - Comunicação e Linguagem: A comunicação, palavra derivada do latim communicare tem como significado “tornar comum” ou a “ação de participar”. É a base da sociedade e o que nos permite tal configuração, tendo em vista que o homem, para agrupar-se em sociedade, compartilha, ou melhor dizer, insere informações como um bem comum no meio em que vive, o que permite a interação social. A linguagem, sendo uma ferramenta da comunicação, é o meio que possibilita ao homem expressar seus sentimentos, opiniões, trocar informações, transmitir conhecimento, descortinar o mundo. Temos como conceituação de linguagem, de acordo com Petri (2012) como “um sistema de sinais empregados pelo homem para exprimir e transmitir suas ideias e pensamentos”. A linguagem está em constante transformação, tendo em vista ser parte inerente à sociedade e, portanto, acompanha as mudanças sociais, seja ela nas linguagens formais, informais e até mesmo técnicas, tendo em vista as evoluções científicas e culturais. Fonte: Mike Keefe A comunicação, seja ela construída de forma verbal ou não verbal, é a materialidade de um discurso que se constrói por diferentes fontes, sob a influência de diferentes memórias, na elaboração de um discurso que, na verdade, é o efeito de sentidos que se instaura entre interlocutores. Tanto o locutor (aquele constrói a mensagem) como o interlocutor (aquele que recebe a mensagem), vão acionar os seus conhecimentos prévios para a realização de tal comunicação. Para isso, haverá a ativação de suas memórias, também chamadas de FORMAÇÕES IMAGINÁRIAS, podendo ser elas: A - MEMÓRIA COLETIVA: é a memória ancestral da humanidade. É o fenômeno existente em função da interação social. Significa que o conhecimento adquirido através dos tempos, seja de geração para geração, ou até mesmo aquela compartilhada em família, ou qualquer outro grupo social. Nela está registrado todo o passado da sociedade que acaba por constituir todos os homens. Essa memória não é disponível ao homem, ou seja, não lhe é dada a condição de saber de que modo as imagens se misturam e acabam por nortear seu dizer e seu gesto de interpretação. Temos como exemplo, aqueles que nasceram na década de 70 provavelmente tem na memória acontecimentos coletivos que remetem para Ddécadas posteriores, e que compõe a sua memória, como a implantação do plano cruzado (1986), a promulgação da Constituição Federal (1988) e a primeira eleição direta para Presidente (1989). No entanto, há que se considerar que a memória coletiva armazena muito mais que eventos previsíveis: ela se acumula de forma desorganizada e engloba eventos que ocorreram na história de toda humanidade. Daí a ser definida como memória ancestral da humanidade. B - MEMÓRIA DISCURSIVA: é a memória linguística que se acumula desde a concepção e que se alonga por toda vida da pessoa. Nela temos registros de falas, regras, aprendizado, narrativas que fazem e dão sentido ao que interpretamos. Mas todos os registros que se acumulam funcionam nos limites da nossa condição de produzir e interpretar o sentido. Temos como exemplo deste tipo de memória, as regras que aprendemos nas aulas de Português da escola, ou até mesmo a linguagem utilizada no ambiente de trabalho. Forma-se na vida intrauterina e nos acompanha ao longo de toda nossa vida. C - MEMÓRIA HISTÓRICA: é a memória dos fatos vividos, daqueles que nos chegam a partir de versões de diferentes narrativas, ou dos fatos que marcaram a história, que nos chegam pelos livros de História e pelas aulas que nos expõem aos fatos que ficam registrados e marcam um sitio de sentido, influenciando também a nossa condição de lidar com o sentido. Temos como exemplo a chegada de Cabral em 1500 no Brasil, em que aprendemos nas aulas de História, a queda do Império Romano, o assassinato de Júlio César no Senado de Roma. A memória histórica também tem início da vida intrauterina e reúne experiências, fatos de toda ordem que se acumular por toda a nossa vida. 2 – Diferentes formas de linguagem: Para que a comunicação seja eficiente, deve-se observar e aplicar, de forma correta, os diferentes tipos de linguagem, podendo ser: oral, escrito, formal, informal. A – Linguagem Oral e escrita: Temos como conceito de linguagem oral aquela que tem a transmissão oral dos conhecimentos armazenados na memória humana. Antes do surgimento da escrita, todos os conhecimentos eram transmitidos oralmente, sendo denominados povos Ágrafos, ou seja, aquele que não dominava a escrita. Importante ressaltar que para os póvos ágrafos já existiam regras sociais que estabeleciam a convivência entre os homens em pequenos grupos sociais. Já a linguagem escrita, sendo vista como uma grande evolução da humanidade, pode ser denominada como a utilização de sinais (símbolos) para exprimir as ideias humanas. A grafia é uma tecnologia de comunicação, historicamente criada e desenvolvida na sociedade humana, e basicamente consiste em registrar marcas em um suporte. Importante se faz observar as diferenças dessas duas formas de comunicação, que apesar de utilizarem o mesmo signo linguístico (código), apresentam-se com peculiaridades diversas: Fala Escrita 1. Contextualizada. 2. Não-planejada. 3. Redundante. 4. Fragmentada. 5. Incompleta. 6. Pouco elaborada. 7. Predominância de frases curtas, simples ou coordenadas. 8. Pouca densidade informacional. 9. Poucas nominalizações. 10. Menor densidade lexical. 1. Descontextualizada. 2. Planejada. 3. Condensada. 4. Não-fragmentada. 5. Completa. 6. Elaborada. 7. Predominância de frases complexas, com subordinação abundante. 8. Densidade informacional. 9. Abundância de nominalizações. 10. Maior densidade lexical. Fonte: Material EAD UNIP – disciplina Comunicação e Expressão. É possível observar no quadro acima, como exemplificação, quando realizamos uma comunicação oral, ainda que seja sabido seu roteiro, não é possível se repetir o mesmo discurso de forma planejada ( a não ser que seja “decorado”, o que não se torna interessante para técnicas do orador), como seria possível na forma escrita. Quando produzimos um texto escrito é possível um planejamento estratégico, utilizando elementos suficientes para uma introdução, um desenvolvimento e a conclusão das ideias. Ainda como um segundo exemplo, quando estamos produzindo a comunicação de forma oral, é possível a ocorrência de repetição de palavras, o que é possível evitar na forma escrita, já que podemos, por meio do planejamento, optar pela utilização de sinônimos e construção coesa e coerente das sentenças. Portanto, não é possível a utilização dos mesmos recursos textuais para as duas formas de linguagem. Para tanto, é possível ilustrar a importância da aplicação correta através do texto abaixo: “Pois é. U purtuguêis é muito fáciu di aprender, purqui é uma língua qui a genti iscrevi ixatamenti cumu si fala. Num é cumu inglêis qui dá até vontadi di ri quandu a genti discobri cumu é qui si iscrevi algumas palavras. Im portuguêis, é só prestátenção. U alemão pur exemplu. Qué coisa mais doida? Num bate nada cum nada. Até nu espanhol qui é parecidu, si iscrevi muito diferenti. Qui bom qui a minha lingua é u purtuguêis. Quem soubé falá, sabi iscrevê.” Jô Soares, revista veja, 28 de novembro de 1990 B – Linguagem formal (coloquial) e informal: A eficiência na comunicação produzida vai depender principalmente do uso adequado da linguagem formal e informal. Com a família e os amigos usamos uma linguagem mais descontraída, ou seja, uma linguagem informal. Com superiores hierárquicos usamos uma linguagem mais elaborada, ou seja, uma linguagem formal. Assim, podemos concluir que diferentes contextos sociais e comunicativos exigem diferentes linguagens. É essencial que o falante saiba ajustar o seu discurso aos diferentes contextos comunicativos, principalmente, para garantir uma adequação linguística em contextos profissionais e acadêmicos. Os níveis de linguagem formaldireito e de fato. de lege ferenda: Da lei a ser criada. V de jure constituendo. desiderandum: Que se deve desejar. Pl: desideranda. desideratum: O que se deseja. Pl: desiderata. de visu: De vista. Diz-se da pessoa que presenciou o fato. de visu et auditu: De vista e ouvido. Testemunha ao mesmo tempo ocular e auricular. do ut des: Dou para que tu dês. Norma de contrato oneroso bilateral. do ut facias: Dou para que faças. Norma admitida em contrato bilateral, em que uma das partes oferece dinheiro pela prestação de serviços da outra. dura lex sed lex: A lei é dura, mas é a lei. Apesar de exigir sacrifícios, a lei deve ser cumprida. erga omnes: Para com todos. Diz-se de ato, lei ou dispositivo que obriga a todos. error in objeto: Erro quanto ao objeto. V aberratio ictus. error in persona: Erro quanto à pessoa. et caetera: E outras coisas. Expressão que se coloca abreviadamente (etc.) no fim de uma enumeração que se poderia alongar. ex abrupto: De repente; inopinadamente. ex abundantia: Com abundância, em grande quantidade. ex adverso: Do lado contrário. Refere-se ao advogado da parte contrária. ex aequo: Segundo a equidade. ex auctoritate legis: Pela força da lei. ex auctoritate própria: Pela sua própria autoridade; sem delegação. ex causa: Pela causa. Diz-se das custas pagas pela parte que requer ou promove certo ato incontrovertível que somente a ela interessa ou aproveita. exceptio firmat regulam: A exceção confirma a regra. exceptis excipiendis: Exceto o que se deve excetuar. ex dono: Por doação. Expressão empregada em obras de coleção, que foram doadas por alguém. exequatur: Execute-se. Autorização dada por chefe de Estado para que um cônsul estrangeiro possa exercer suas funções no país. 2 Decisão de se cumprir no país uma sentença de justiça estrangeira. 3 Fórmula que autoriza a execução de sentença pronunciada por árbitros. ex expositis: Do que ficou exposto: Portanto, ex expositis, nada lhe resta. ex improviso: De improviso. ex informata conscientia: Sem ouvir o réu ou acusado ou o condenado. ex itinere: Do caminho. ex lege: Por força da lei: Foi nomeado ex lege. ex officio: Por obrigação, por dever do cargo. Dir Diz-se do ato realizado sem provocação das partes. ex professo: Do proferido. Como profundo conhecedor; magistralmente. ex proprio jure: Por direito próprio. extra petita: Além do pedido. Diz-se do julgamento proferido em desacordo com o pedido ou natureza da causa. ex tunc: Desde então. Com efeito retroativo. ex vi legis: Por força da lei. Em virtude da lei. ex voto: Por voto. Imagem, quadro ou outro objeto que se coloca nos altares, em agradecimento a Deus ou a um santo por uma graça conseguida. facio ut des: Faço para que dês. Norma de contrato bilateral. facio ut facias: Faço para que faças. Contrato em que o pagamento de um serviço é pago com a prestação de outro serviço. factum principis: Fato do príncipe. Dir Em direito trabalhista, cessação do trabalho por imposição da autoridade pública, sem culpa do empregador, ficando o governo responsável pela indenização devida ao empregado (CLT, art. 486). flagrante delicto: Ao consumar o delito. Diz-se do momento exato em que o indivíduo é surpreendido a perpetrar o ato criminoso, ou enquanto foge, após interrompê-lo ou consumá-lo, perseguido pelo clamor público. gratia argumentandi: Pelo prazer de argumentar. Emprega-se quando se quer usar um argumento do adversário considerado inconsistente. gravis testis: Testemunha grave. Testemunha digna; testemunha de peso. graviter facere: Agir com prudência, com moderação, com gravidade. habeas corpus: Que tenhas o corpo. Meio extraordinário de garantir e proteger com presteza todo aquele que sofre violência ou ameaça de constrangimento ilegal na sua liberdade de locomoção, por parte de qualquer autoridade legítima. hic et nunc: Aqui e agora. Imediatamente; neste instante. honoris causa: Por causa da honra. Título honorífico concedido a pessoas ilustres. improbus litigator: Litigante desonesto. O que entra em demanda sem direito, por ambição, malícia ou emulação. in absentia: Na ausência: Diz-se do julgamento a que o réu não está presente. in abstracto: Em abstrato. Sem fundamento; teoricamente. in actu: No ato. No momento de ação. in aeternum: Para sempre; eternamente. in albis: Em branco. Sem nenhuma providência. in ambíguo: Na dúvida. in continenti: Imediatamente. in dubio contra fiscum: Na dúvida, contra o fisco. in dubio libertas: Na dúvida, Iiberdade. Princípio de moral que autoriza a consciência duvidosa a agir livremente, quando na incapacidade de remover a dúvida. in dubio pro reo: Na dúvida, pelo réu. A incerteza sobre a prática de um delito ou sobre alguma circunstância relativa a ele deve favorecer o réu. in extenso: Na íntegra. in fine: No fim. Refere-se ao fim de um capítulo, parágrafo ou livro. in fraudem legis: Em fraude da lei. in integrum restituere: Restituir por inteiro. Devolver a coisa no seu estado primitivo. in limine litis: No limiar do processo. Logo no início do processo. in situ: No lugar. No lugar determinado. in solido: Em sólido; na massa. Dir Solidariamente. in terminis: No fim. Decisão final que encerra o processo. inter vivos: Entre os vivos. Diz-se da doação propriamente dita, com efeito atual, realizada de modo irrevogável, em vida do doador. in totum: No todo; na totalidade. intuitu personae: Em consideração à pessoa. ipsis litteris: Pelas mesmas letras; textualmente. ipsis verbis: Com as mesmas palavras, com as próprias palavras. ipso facto: Só pelo mesmo fato; por isso mesmo, consequentemente. ipso jure: Pelo próprio direito; de acordo com o direito. is pater est quem nuptiae demonstrant: É pai aquele que as núpcias indicam. Não se supõe a paternidade atribuída a outro, enquanto perdura o matrimônio. judex damnatur, ubi nocens absolvitur: O juiz é condenado quando o culpado é absolvido. jure et facto: De direito e de fato. juris et de jure: De direito e por direito. Estabelecido por lei e considerado por esta como verdade. juris tantum: De direito somente. O que resulta do próprio direito e somente a ele pertence. jus agendi: Direito de agir, de proceder em juízo. jus conditum: Direito constituído; que está em vigor. jus est ars boni et aequi: O direito e a arte do bem e do justo. jus et norma loquendi: A lei é a norma da linguagem. Horácio refere-se ao uso, que ele considera fator preponderante na formação da língua. jus gentium: Direito das Gentes. Direito aplicado aos estrangeiros, equivalente ao atual Direito Internacional. jus privatum: Direito privado; o direito civil. jus publicum: Direito público, isto é, das relações dos cidadãos com o Estado; direito político. jus sanguinis: Direito de sangue. Princípio que só reconhece como nacionais os filhos de pais nascidos no país. jus soli: Direito do solo. Princípio pelo qual a pessoa tem a cidadania no país onde nasceu. justae nuptiae: Justas núpcias. Expressão usada pelos romanos para designar o casamento legal. lato sensu: No sentido lato, geral. legem habemus: Temos lei. Expressão usada contra dissertações que ferem dispositivos legais. lex est quod notamos: O que escrevemos é lei; isto é, tem força de lei. manu militari: Pela mão militar. Diz-se da execução de ordem da autoridade, com o emprego da força armada. mens legis: O espírito da lei. meta optata: Fim colimado. O fim alcançado pelo agente do delito. modus faciendi: Modo de agir. modus vivendi: Modo de viver. Convênio provisório entre nações, feito quase sempre através de permuta de notas diplomáticas. mutatis mutandis: Mudando-se o que se deve mudar. Feitas algumas alterações. nomen juris: Denominação legal; o termo técnico do direito. non bis in idem: Não duas vezes pela mesma coisa. Axioma jurídico, em virtude do qual ninguém pode responder, pela segunda vez, sobre o mesmo fato já julgado, ou ser duplamente punido pelo mesmo delito. non dominus: Não dono. Diz-se daquele que não é proprietário da coisa de que se trata. non nova, sed nove: Não coisas novas, mas (tratadas) de (modo) novo. nulla poena sine lege: Nenhuma pena sem lei. Nãopode existir pena, sem a prévia cominação legal. onus probandi: Encargo de provar. Expressão que deixa ao acusador o trabalho de provar (a acusação). opus citatum: Obra citada. Geralmente empregada abreviadamente op. cit. e indica que oportunamente foi ou será citada a obra. patere quam ipse fecisti legem: Suporta a lei que tu próprio fizeste. Não podemos fugir das consequências de princípios estabelecidos por nós. Aplica-se aos legisladores e moralistas. per capita: Por cabeça; para cada um. Termo muito empregado nas estatísticas. primo occupanti: Ao primeiro ocupante. Princípio aceito em jurisprudência, segundo o qual, na falta de outra circunstância, o primeiro ocupante adquire o direito de propriedade. pro rata: Proporcionalmente. Recebendo cada um, ou pagando, a quota que lhe toca num rateio. pro re nata: Segundo as circunstâncias. quot capita, tot sensus: Quantas cabeças, tantas sentenças. rapere in jus: Conduzir a juízo. ratio juris: Razão do direito. Motivo que o hermeneuta encontra no direito vigente para justificar a interpretação ou solução que dá a uma regra jurídica ou a certo caso concreto. ratio legis: A razão da lei. Espírito que inspira a lei e deve ser objeto de investigação dos intérpretes e comentadores que procuram esclarecer o seu texto. ratio summa: Razão superior. Espírito de equidade que deve determinar a escolha da solução mais benigna, dentre as duas resultantes da interpretação estrita de determinada regra jurídica. ratione materiae: Em razão da matéria. Razão resultante da matéria. ratione officii: Em razão do ofício. res integra: A coisa inteira. res inter alios judicata aliis neque nocet neque prodest: A coisa julgada não pode aproveitar nem prejudicar senão às próprias partes. res judicata est quae finem controversiarum pronuntiatione judicis accipit: Coisa julgada é a que, pelo pronunciamento do juiz, põe fim às controvérsias. res judicata pro veritate habetur: A coisa julgada é tida por verdade. Axioma jurídico, segundo o qual aquilo que foi objeto de julgamento definitivo não pode ser novamente submetido a discussão. res non verba: Fatos e não palavras. Citada quando se pleiteia a ação imediata e não promessas. res nullius: Coisa de ninguém, isto é, que a ninguém pertence. salus populi suprema lex esto: A salvação do povo seja a suprema lei. Máxima do Direito Romano. sine die: Sem dia. Adiar sine die, isto é, sem data fixa. sine qua non: Sem a qual não. Diz da condição essencial à realização de um ato. sui juris: Do seu direito. Diz-se da pessoa livre, capaz de determinar-se sem depender de outrem. summum jus, summa injuria: Excesso de direito, excesso de injustiça. Axioma jurídico que nos adverte contra a aplicação muito rigorosa da lei, que pode dar margem a grandes injustiças. suo jure: Por seu direito; por direito próprio. testis unus, testis nullus: Testemunha única, testemunha nula. Aforismo antigo, recusado pelo Direito brasileiro, o qual admite, em determinadas circunstâncias, a validade do depoimento de uma só pessoa. ubi eadem ratio ibi eadem legis dispositivo: Onde existe a mesma razão, aí se aplica o mesmo dispositivo legal. ubicumque sit res, pro domino suo clamat: Onde quer que esteja a coisa clama pelo seu dono. Princípio jurídico que resume o direito de propriedade, também citado assim em moral: res clamat domino, a coisa clama por seu dono. ubi non est justitia, ibi non potest esse jus: Onde não existe justiça não pode haver direito. A justiça é que sustenta as diversas formas de direito. ubi societas, ibi jus: Onde (está) a sociedade aí (está) o direito. De modo geral, as causas correm no foro da comarca onde a sociedade foi estabelecida. ultra petita: Além do pedido. Diz-se da demanda julgada além do que pediu o autor. uti possidetis: Como possuís. 1 Fórmula diplomática que estabelece o direito de um país a um território, baseada na ocupação pacífica dele. 2 Princípio que faz prevalecer a melhor posse provada da coisa imóvel, no caso de confusão de limites com outra contígua. MÓDULO VIII – ABREVIATURAS E SIGLAS; Legislação acerca das abreviaturas; Principais abreviaturas utilizadas no discurso jurídico; Siglas mais utilizadas no texto jurídico. Módulo VIII - Abreviaturas e siglas; Legislação acerca das abreviaturas; Principais abreviaturas utilizadas no discurso jurídico; Siglas mais utilizadas no texto jurídico. Tem-se como conceito de abreviatura Cifras ou sinais que representam as palavras mais curtamente. Além de siglas que é letra iniciai de uma palavra ou grupo de letras iniciais de várias palavras utilizados como abreviatura em monumentos, medalhas, moedas e manuscritos antigos. Ainda, são letra inicial ou grupo de letras iniciais de um nome, utilizada(s) como monograma e a redução das letras ou das sílabas iniciais de uma denominação ou de um título, como em AACD (Associação de Assistência à Criança Deficiente), Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte), Cosipa (Companhia Siderúrgica Paulista). Quando pensamos em abreviaturas, devemos levar em conta que jamais podemos abreviar algum termo, a menos que estejamos abreviando um pronome de tratamento em um texto formal, como por exemplo, sem que antes tenhamos orientado o nosso interlocutor sobre o que se trata. Um ato sem orientação causa apagamentos e gera conflitos de compreensão aos nossos interlocutores, que pode comprometer a qualidade da interpretação e, consequentemente, a adesão às nossas propostas. Importante salientar que as siglas e abreviações são muito utilizadas na linguagem jurídica, que, para ilustrar, apresenta-se uma seleção das mais utilizadas, além de importantes regras de utilização: USO DAS SIGLAS: · Primeira regra: não usar “pontinhos” entre as letras: ONU, OAB, STF etc. (nunca O.N.U. – O.A.B. – S.T.F.). · Segunda regra: usar todas as letras maiúsculas só nas siglas que tenham até três letras: PT, OAB. STF. Com mais de três letras, só a inicial é maiúscula: Incra, Unesco, Fiesp, Sabesp, Ipesp. · Terceira regra: se as siglas formadas por mais de três letras não puderem ser pronunciadas como uma palavra, então devem ser grafadas em maiúsculas: INSS, DNER, CNBB, CPOR. · Quarta regra: Na primeira citação, convém explicar o que a sigla significa, colocando-a no fim do nome por extenso: O Conselho Monetário Nacional (CMN) – Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU). Também se costuma usar travessão em lugar dos parênteses: O Instituto de Previdência do Estado de São Paulo – IPESP. Nas citações seguintes, no mesmo texto, usa-se apenas a sigla. · Quinta regra: Nomes de partidos políticos, bancos e empresas muito conhecidas dispensam a explicação por extenso (referida na regra anterior): PMDB, PFL, Varig, Vasp, Bradesco, Banespa. · Sexta regra: Não invente siglas, use apenas as consagradas pelo uso. Jamais usar, em texto forense, aquela anotação cartorária de uso restrito e interno: LINS (“lugar incerto e não sabido”) e “invenções” semelhantes. · Sétima regra: Pode-se escrever CPC (Código de Processo Civil), CF (Constituição Federal), CC (Código Civil), CP (Código Penal), CPP (Código de Processo Penal) e siglas semelhantes, mas com certo cuidado (é mais elegante escrever por extenso). E nunca usar “pontinhos”, que sigla nenhuma deve contê-los – nem mesmo ME (microempresa). · Oitava regra: Pode-se usar o plural, com “s” minúsculo: ORTNs, OTNs, IPTUs, IPVAs; A A. – autor; AA. – autores a/a ou a. a. – ao ano ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas ABRAVE – Associação Brasileira de Distribuidores de Veículos Abrh – Associação Brasileira de Recursos Humanos abr. – abril ac. – acórdão ACC – Adiantamento de Contrato de Câmbio ADC – Ação Direta de Constitucionalidade ADCT – Ato das Disposições Constitucionais Transitórias ADIn – Ação Direta de Inconstitucionalidade ADVB – Associação dos Dirigentes de Vendas e Marketing do Brasil ag. – agravo agdo. – agravado AGERGS – Agência Reguladora dos Serviços Públicos Delegados AGF – Aquisição do Governo Federal (pl.: AGFs) agte. – agravante AI – Anistia Internacional AJURIS – Associação dos Juízes do Rio Grande do SulALALC – Associação Latino-Americana de Livre Comércio alv. – alvará a/m ou a. m. – ao mês AMB – Associação Médica Brasileira AMRIGS – Associação Médica do Rio Grande do Sul ANATEL – Agência Nacional de Telecomunicações ANDE – Associação Nacional de Educação ANDIB – Associação Nacional dos Bancos de Investimento e Desenvolvimento ANDIMA – Associação Nacional das Instituições do Mercado Aberto ANFAVEA – Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores ANJ – Associação Nacional de Jornais ap. – apud ap. – apelação ap. ou apart. – apartamento apdo. – apelado apte. – apelante A. R. – autor reconvindo ARI – Associação Riograndense de Imprensa art.; arts. – artigo; artigos Av. – Avenida (toponimicamente) B BACEN – Banco Central do Brasil BB – Banco do Brasil S/A b.el (bel.), bel.ª (bela.), b.éis (béis.) – bacharel, bacharela, bacharéis BID – Banco Interamericano de Desenvolvimento BIM – Boletim Informativo Mensal BIRD – Banco Internacional de Reconstrução e Desenvolvimento – Banco Mundial BIS – Banco para Compensações Internacionais BM & F – Bolsa de Mercadorias e Futuros BNDES – Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social BNH – Banco Nacional de Habitação BOVESPA – Índice da Bolsa de Valores de São Paulo BVES – Bolsa de Valores do Extremo Sul BVRJ – Bolsa de Valores do Rio de Janeiro C CACEX -– Carteira de Comércio Exterior do Banco do Brasil CADIN – Cadastro de Inadimplentes CAN – Correio Aéreo Nacional cap.; caps. – capítulo; capítulos CAPES – Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior CBA – Código Brasileiro de Aeronáutica CBL – Câmara Brasileira do Livro CC – Código Civil c/c ou c. c. – combinado com; com cópia; conta-corrente C. Com. – Código Comercial CDB – Certificado de Depósito Bancário (pl.: CDBs) CDC – Código de Defesa do Consumidor; Crédito Direto ao Consumidor CDDPH – Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana CDU – Classificação Decimal Universal CE – Constituição Estadual; Comunidade Européia CEASA – Centro Estadual de Abastecimento S/A CEBRAP – Centro Brasileiro de Análise e Planejamento CEF – Caixa Econômica Federal CERS/89 – Constituição do Estado do Rio Grande do Sul (1989) CETIP – Central de Liquidação e Custódia de Títulos Privados CETRAN – Conselho Estadual de Trânsito CF – Constituição Federal CF/88 – Constituição da República Federativa do Brasil (1988) cf. – confronte (com) CGC – Cadastro Geral de Contribuintes CGJ – Corregedoria-Geral da Justiça CGT – Central Geral dos Trabalhadores; Confederação Geral dos Trabalhadores CHC – Centro de Habilitação de Condutores c.ia ou cia. – companhia CIBRAZEM – Companhia Brasileira de Armazenamento CLA – Certificado de Licenciamento Anual CLT – Consolidação das Leis do Trabalho CMN – Conselho Monetário Nacional CNA – Confederação Nacional da Agricultura CNBB – Confederação Nacional dos Bispos do Brasil CNC – Confederação Nacional do Comércio CNDM – Conselho Nacional dos Direitos da Mulher CNEN – Comissão Nacional de Energia Nuclear CNH – Carteira Nacional de Habilitação CNI – Confederação Nacional da Indústria CNP – Conselho Nacional do Petróleo CNPq – Conselho Nacional de Pesquisa CNS – Conselho Nacional de Saúde CNT – Código Nacional de Trânsito (forma oficial) CNTI – Confederação Nacional dos Trabalhadores na Indústria COBAL – Companhia Brasileira de Alimentação COC – Centro de Observação Criminológica CODEFAT – Conselho Deliberativo do Fundo de Amparo ao Trabalhador COFECON – Conselho Federal de Economia COJE – Código de Organização Judiciária do Estado CONAMA – Conselho Nacional do Meio Ambiente CONCINE – Conselho Nacional de Cinema Conf. Comp. nº – Conflito de Competência nº CONFAZ - Conselho de Política Fazendária CONFEN – Conselho Federal de Entorpecentes CONIN – Conselho Nacional de Informática e Automação CONTAG – Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura CONTRAN – Conselho Nacional de Trânsito COPOM – Conselho de Política Monetária CP – Código Penal CPC – Código de Processo Civil CPI – Comissão Parlamentar de Inquérito CPMF – Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira CPP – Código de Processo Penal CPOR – Centro de Preparação de Oficiais da Reserva CREA – Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia CRLV – Certificado de Registro e Licenciamento de Veículos CRV – Certificado de Registro de Veículo CSM – Conselho Superior da Magistratura CTB – Código de Trânsito Brasileiro (forma variante) CTN – Código Tributário Nacional CTNBio - Comissão Técnica Nacional de Biossegurança CUB – Custo Unitário Básico (pl.: CUBs) CUT – Central Única dos Trabalhadores D DD. – Digníssimo(a) DAP – Departamento de Abastecimento e Preços DATAPREV – Empresa de Processamento de Dados da Previdência Social DECON – Departamento Estadual de Polícia do Consumidor DENATRAN – Departamento Nacional de Trânsito DENTEL – Departamento Nacional de Telecomunicações DEPEC – Departamento Econômico do Banco Central Des. – Desembargador (Desembargadores) Desa., Des.ª (Desas., Des.ªs) – Desembargadora (Desembargadoras) DIEESE – Departamento Intersindical de Estudos Socioeconômicos DL, Dec.-Lei – Decreto-Lei DMJ – Departamento Médico Judiciário DNA – ácido desoxirribonucleico DNER – Departamento Nacional de Estradas de Rodagem DNPDC – Departamento Nacional de Proteção e Defesa do Consumidor DNOS – Departamento Nacional de Obras de Saneamento DOC – Documento de Ordem de Crédito (pl.: DOCs) DOE – Diário Oficial do Estado DOPS – Departamento de Ordem Política e Social DOU – Diário Oficial da União DPVAT – Danos Pessoais Causados por Veículos Automotores em Vias Terrestres dr. (drs.) – doutor (doutores) dra., dr.ª (dras., drªs.) – doutora (doutoras) D. R. A. – distribuída, registrada e autuada E Egr. – Egrégio ECA – Estatudo da Criança e do Adolescente e. g. – exempli gratia (por exemplo) EGF – Empréstimo do Governo Federal (pl.: EGFs) Eletrobrás – Centrais Elétricas Brasileiras E/M ou E. M. – em mão(s) Emater – Empresa Brasileira de Extensão Rural (uma para cada Estado) Embraer – Empresa Brasileira de Aeronáutica Embrapa – Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária Embratel – Empresa Brasileira de Telecomunicações Embratur – Empresa Brasileira de Turismo EMFA – Estado-Maior das Forças Armadas EOAB – Estatuto da Ordem dos Advogados do Brasil E/T ou E. T. – em tempo et al. - et alii - e outros embdo. – embargado embte. – embargante execdo. – executado exeqte. – exeqüente Ex.mo (Exmo.) – Excelentíssimo exto. – excepto exte. – excipiente F FAMURS - Federação das Associações de Municípios do Rio Grande do Sul FAO – Food and Agricultural Organization (Organização da Alimentação e Agricultura) FARSUL – Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul FEARROZ – Federação das Cooperativas de Arroz FEBEM – Fundação Estadual do Bem-Estar do Menor FEBRABAN – Federação Brasileira das Associações de Bancos FECOTRIGO – Federação das Cooperativas de Trigo e Soja do Rio Grande do Sul FEEVALE - Federação dos Estabelecimentos de Ensino Superior em Novo Hamburgo FENABAN – Federação Nacional dos Bancos FEPAM – Fundação Estadual de Proteção Ambiental FETAG – Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul FGTS – Fundo de Garantia por Tempo de Serviço FGV – Fundação Getúlio Vargas FIERGS – Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul FINSOCIAL – Fundo de Investimento Social FIPEME – Financiamento para as Pequenas e Médias Empresas F. J. – Faça-se justiça. fl.; fls. – folha; folhas FMI – Fundo Monetário Internacional FUNABEM – Fundação Nacional do Bem-Estar do Menor FUNAI – Fundação Nacional do Índio FUNRURAL – Fundo de Assistência e Previdência do Trabalhador Rural GATT – General Agreement on Tariffs and Trade (Acordo Geral deTarifas e Comércio)GLP – Gás Liquefeito de Petróleo H h – hora(s) ha – hectare(s) HC – habeas corpus (hábeas, hábeas-córpus) HD – habeas data I IAA – Instituto do Açúcar e do Álcool IAB – Instituto dos Advogados Brasileiros IBAMA – Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis IBOPE – Instituto Brasileiro de Opinião Públicae Estatística IBV – Índice da Bolsa de Valores do Rio de Janeiro ICMS – Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços IES – Instituto de Ensino Superior (pl.: IESs) i. é – isto é i. e. – id est IGP-DI – Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna IGP-M – Índice Geral de Preços de Mercado Ilmo. ou Il.mo – Ilustríssimo (nunca Ilm.º) IML – Instituto Médico Legal INCRA – Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária INPC – Índice Nacional de Preços ao Consumidor INPI – Instituto Nacional de Propriedade Industrial INPM – Instituto Nacional de Pesos e Medidas IN-SAT – Instrução Normativa da Superintendência da Administração Tributária INSS – Instituto Nacional do Seguro Social invdo. – inventariado invte. – inventariante IOF – Imposto sobre Operações Financeiras IPC – Índice de Preços ao Consumidor IPCA – Índice de Preços ao Consumidor Acumulado IPI – Imposto sobre Produtos Industrializados IPM – Inquérito Policial-Militar ISO 9000 – International Organization for Standartization (Organização Internacional de Normalização: Série de Normas ISSO 9000) J A. – Junte-se em apenso. JARI – Junta Administrativa de Recursos de Infrações JTARS – Julgados do Tribunal de Alçada do Estado do Rio Grande do Sul K kg – quilograma(s) km – quilômetro(s) L LADV – Licença para Aprendizagem de Direção Veicular LBC – Letra do Banco Central (pl.: LBCs) LCP – Lei das Contravenções Penais LDA – Lei dos Direitos Autorais LEP – Lei de Execução Penal LICC – Lei de Introdução ao Código Civil LOM – Lei Orgânica do Município (seguido do nome do Município e sigla do Estado a que pertence. Ex.: LOM/PA/RS) LOMAN – Lei Orgânica da Magistratura Nacional Lt.da (Ltda.) – Limitada LTN – Letra do Tesouro Nacional (pl.: LTNs) M m - metro(s) MCE – Mercado Comum EuropeuM. D. – Mui(to) Digno(a) Mercosul – Mercado Comum do Cone Sul min – minuto(s) MM. – Meritíssimo(a) MP – Ministério Público; medida provisória MS – Mandado de Segurança MSC – Mandado de Segurança Coletivo Mercosul – Mercado Comum do Cone Sul N NASDAQ - (National Association of Securities Dealers Automated Quotation) - índice da bolsa de valores de empresas de alta tecnologia dos Estados Unidos nodo. – notificado note. – notificante nov. – novembro O OAB – Ordem dos Advogados do Brasil ob. – obra(s) obs. – observação, observações OEA – Organização dos Estados Americanos of. – ofício OMS – Organização Mundial da Saúde ONG – Organização Não-Governamental (pl.: ONGs) ONS – Operador Nacional do Sistema Elétrico ONU – Organização das Nações Unidas OPEP – Organização dos Países Exportadores de Petróleo OTAN – Organização do Tratado do Atlântico Norte op. cit. – opere citato (na obra citada); opus citatum (a obra citada) opte. – opoente P PAD - Processo Administrativo Disciplinar par. ou §, pars. ou §§ – parágrafo, parágrafos Pasep – Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público PF – Polícia Federal p. ex. – por exemplo p./pp. – página, páginas pg. – pago, pagou Ph. D. – Philosophiae Doctor PIB – Produto Interno Bruto PIS – Plano de Integração Social p. p. – por procuração; próximo passado pq. – porque Pq. – Parque (toponimicamente) PROCON – Programa Estadual de Defesa do Consumidor PROCONVE – Programa de Controle de Poluição do Ar por Veículos Automotores prof. (profs.) - professor (professores) prof.ª (prof.ªs), profa. (profas.) – professora (professoras) P. R. I. – Publique-se, registre-se, intime-se. P. R. e C. J. – Pede recebimento e cumprimento de justiça. P. R. e J. – Pede recebimento e justiça. proc. – processo; procuração P. S. – post scriptum Q ql. - quilate(s) R R - respeitável (sentença) R. –Rua (toponimicamente) R., RR. – réu, réus RDB – Recibo de Depósito Bancário (pl.: RDBs) RE – Recurso Extraordinário (STF) recdo. – recorrido recte. – recorrente reg. – regimento; regular rel. – relatório RENAVAM – Registro Nacional de Veículos Automotores reqdo. – requerido reqte. – requerente REsp – recurso especial (STJ) RIMA – Relatório de Impacto do Meio Ambiente RISTF – Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal RISTJ – Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça RJTJRGS – Revista de Jurisprudência do Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul RO – recurso ordinário RR – Recurso de Revista RSTJ – Revista do Superior Tribunal de Justiça RTCE – Revista do Tribunal de Contas do Estado do Rio Grande do Sul S S/A – sociedade anônima (ex.: Banco do Brasil S/A) SA – sociedade anônima (sigla da empresa mercantil; p. ex.: Lei das SAs) sal. min. ou SM – salário mínimo s – segundo(s) s. d. – sem data para textos acadêmicos para significar que o texto retomado não tem data definida. SEAP – Secretaria Especial de Abastecimento e Preços SEBRAE – Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas s./ss. – seguinte; seguintes SENAC – Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial SENAI – Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial SERASA – Centralizadora dos Serviços dos Bancos S/A (nova razão social de: Serviços de Assessoria S/A) SERPRO – Serviço Federal de Processamento de Dados SESC – Serviço Social do Comércio SESI – Serviço Social da Indústria SFH – Sistema Financeiro da Habitação SIJ – Serviço de Informações Judiciárias SIMPLES – Sistema Simplificado de Pagamento de Impostos s/m ou s. m. – sua mulher S. M. J. ou s. m. j. – salvo melhor juízo s. n. – sem nome SNDC – Sistema Nacional de Defesa do Consumidor SPC – Serviço de Proteção ao Crédito sr. (srs.); sr.ª (sr.ªs), sra. (sras.) – senhor (senhores); senhora (senhoras) sr.tª (sr.tªs), srta. (srtas.) – senhorita (senhoritas) STF – Supremo Tribunal Federal STJ – Superior Tribunal de Justiça STM – Superior Tribunal Militar SUSEP – Superintendência de Seguros Privados SUSEPE – Superintendência de Serviços Penitenciários T t – tonelada(s TARF – Tribunal Administrativo de Recursos Fiscais TARGS – Tribunal de Alçada do Rio Grande do Sul Taxa SELIC – Sistema Especial de Liquidação e de Custódia tb. – também TBF – Taxa Básica Financeira TCE – Tribunal de Contas do Estado TCU – Tribunal de Contas da União TDA – Título da Dívida Agrária (pl.: TDAs) TEC – Tarifa Externa Comum do Mercosul tel. – telefone test. – testemunha TFP – Sociedade Brasileira de Defesa da Tradição, Família e Propriedade TFR – Tribunal Federal de Recursos TJ – Tribunal de Justiça TJLP – Taxa de Juros de Longo Prazo TJRGS – Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul TR – Taxa de Referência TRD – Taxa de Referência Diária TRE – Tribunal Regional Eleitoral TRF – Tribunal Regional Federal (seguida da região, p. ex.: TRF-4ª) TRT – Tribunal Regional do Trabalho (seguida da região, p. ex.: TRT- 4ª) TSE – Tribunal Superior Eleitoral TST – Tribunal Superior do Trabalho U UDR - – União Democrática Ruralista UFIR – Unidade Fiscal de Referência (pl.: UFIRs) UFM – Unidade Financeira Municipal UGAPOCI – União Gaúcha de Policiais Civis UIF/RS – Unidade de Incentivo Fundopem/RS UNE – União Nacional dos Estudantes UNESCO – Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura UNICEF – Fundo das Nações Unidas para a Infância UPF – Unidade-Padrão Fiscal V v – volt v. – vide var. – variação v. g. – verbi gratia ven. ou v. – venerando (acórdão) V. Ema. Revma. – Vossa Eminência Reverendíssima (Cardeal) V. Exa. – Vossa Excelência (pl.: V. Exas.) V. Exa. Revma. – Vossa Excelência Reverendíssima (Arcebispo e Bispo) V. Maga. – Vossa Magnificência (Reitor de Universidade) vol., vols. – volume, volumes VRG – Valor Residual Garantido V. S. – Vossa Santidade (Papa) V. Sa. (V. Sas.), V. S.ª (V. S.ªs) – Vossa Senhoria (Vossas Senhorias) Z ZH – Zero Hora 2 image3.png image4.png image5.png image6.png image7.png image8.png image9.png image10.png image1.png image2.pnge informal são determinados pelos lugares de enunciação e pelo lugar social dos nossos interlocutores. Quando nos encontramos em um lugar de enunciação informal, não necessariamente podemos usar a linguagem informal com todas as pessoas. O lugar físico não supera a formalidade das relações de poder entre as pessoais. A Linguagem formal ou linguagem coloquial apresenta as seguintes características: Linguagem formal ou coloquial: A linguagem formal pode ser nomeada também de registro formal. É usada quando não há familiaridade entre os interlocutores da comunicação ou em situações que requerem uma maior seriedade. Características principais: Pronúncia clara e correta das palavras; Utilização de vocabulário rico e diversificado; Registro complexo e erudito; Orações mais encadeadas por subordinação; Ausência de neologismos, gírias, palavrões; Ausência de orações inacabadas. Exemplo: Prezado Sr. Gomes: O cliente do Estado de Mato Grosso encaminhou um pedido de forma escrita solicitando a compra de 400 peças. Requer, então, que o departamento financeiro e de distribuição providencie o material solicitado. Cordialmente, Nilson da Silva Departamento de Vendas Linguagem informal: A linguagem informal pode ser nomeada também de registro informal. É usada quando há familiaridade entre os interlocutores da comunicação ou em situações descontraídas. Características principais: Despreocupação relativa ao uso de normas gramaticais; Utilização de vocabulário simples, expressões populares e coloquialismos; Utilização de gírias, neologismos, onomatopeias, gestos; Uso de palavras abreviadas ou contraídas: cê, pra, tá dentre outros; Sujeita a variações regionais, culturais e sociais; Registro espontâneo e pouco prestigiado, por vezes incorreto e desleixado. Exemplo 1: O fax de Nirso O gerente de vendas recebeu o seguinte fax de um dos seus novos vendedores: "Seo Gomis, o criente de belzonte pidiu mais cuatrucenta pessa. Faz favor toma as providenssa. Abrasso, Nirso." Aproximadamente uma hora depois recebeu outro: "Seo Gomis, os relatorio di venda vai xega atrazado proque to fexando umas venda. Temo que manda treiz miu pessa. Amanha to xegando. Abrasso, Nirso." No dia seguinte: "Seo Gomis, num xeguei pucausa de que vendi maiz deis miu em Beraba. To indo pra Brazilha." No outro: "Seo Gomis, Brazilha fexo 20 miu. Vo pra Frolinoplis e de lá pra Sum Paulo no vinhão das cete hora." E assim foi o mês inteiro. O gerente, muito preocupado com a imagem da empresa, levou ao presidente as mensagens que recebeu do vendedor. O presidente, um homem muito preocupado com o desenvolvimento da empresa e com a cultura dos funcionários, escutou atentamente o gerente e disse: -- Deixa comigo que eu tomarei as providências necessárias. E tomou. Redigiu de próprio punho um aviso que afixou no mural da empresa, juntamente com os faxes do vendedor: "A parti de oje nois tudo vamo fazê feito o Nirso. Si preocupá menos em iscrevê serto mod a vendê maiz. Acinado, o Prizidenti". (Autor Desconhecido) Exemplo 2: Fonte: Folha de S. Paulo – 18 de janeiro de 2013 3 – Tipos Textuais: Para a composição da comunicação, o produtor da mensagem deverá observar o tipo textual que deverá ser utilizado, sendo eles: a narração, a descrição e a dissertação. A – Narração: O texto narrativo é caracterizado por narrar uma história, ou seja, contar uma história por meio de uma sequência de várias ações reais ou imaginárias. Essa sucessão de acontecimentos é contada por um narrador e está estruturada em introdução, desenvolvimento e conclusão. Ao longo dessa estrutura narrativa são apresentados os principais elementos da narração: espaço, tempo, personagem, enredo e narrador. Os principais elementos da narração são: · Espaço: o espaço se refere ao local onde se desenrola a ação. Pode ser físico (no colégio, no Brasil, na praça etc.), social (características do ambiente social) e psicológico (vivências, pensamento e sentimentos do sujeito etc.). · Tempo: o tempo se refere à duração da ação e ao desenrolar dos acontecimentos. O tempo cronológico indica a sucessão cronológica dos fatos, pelas horas, dias e até por anos. O tempo psicológico se refere às lembranças e vivências das personagens, sendo subjetivo e influenciado pelo estado de espírito das personagens em cada momento. · Personagens: são caracterizadas por intermédio de qualidades físicas e psicológicas, podendo essa caracterização ser feita de modo direto (explicitada pelo narrador ou por outras personagens, por meio de auto caracterização ou hetero-caracterização) ou de modo indireto (feita com base nas atitudes e comportamento das personagens). As personagens possuem diferentes importâncias na narração, havendo personagens principais e personagens secundárias. As personagens principais desempenham papéis essenciais no enredo, podendo ser protagonistas (que deseja, tenta, consegue) ou antagonistas (que dificulta, atrapalha, impede). As personagens secundárias desempenham papéis menores e podem ser coadjuvantes (ajudam as personagens principais em ações secundárias) ou figurantes (ajudam na caracterização de um espaço social). Podem ser dinâmicas, apresentando diferentes comportamentos ao longo da narração (personagem modelada ou redonda), bem como estáticas, não se modificando no decorrer da ação (personagem plana). Há ainda personagens que representam um grupo específico (personagem-tipo). · Enredo: também chamado de intriga, trama ou ação, o enredo é composto pelos acontecimentos que ocorrem num determinado tempo e espaço e são vivenciados pelas personagens. A ações seguem-se umas às outras por encadeamento, encaixe e alternância. Existem ações principais e ações secundárias, mediante a importância que apresentam na narração. Além disso, o enredo pode estar fechado, estando definido e conhecido o final da história, ou aberto, não havendo um final definitivo e conhecido para a narrativa. · Narrador: o narrador é o responsável pela narração, ou seja, é quem conta a história. Existem vários tipos de narrador: · Narrador onisciente e onipresente: conhece intimamente as personagens e a totalidade do enredo, de forma pormenorizada. Utiliza maioritariamente a narração na 3.ª pessoa, mas pode narrar na 1.ª pessoa, em discurso indireto livre, tendo sua voz confundida com a voz das personagens, tal é o seu conhecimento e intimidade com a narrativa. · Narrador personagem, participante ou presente: conta a história na 1.ª pessoa, do ponto de vista da personagem que é. Apenas conhece seus próprios pensamentos e as ações que se vão desenrolando, nas quais também participa. Tem conhecimentos limitados sobre as restantes personagens e sobre a totalidade do enredo. Este tipo de narração é mais subjetivo, transmitindo o ponto de vista e as emoções do narrador. · Narrador observador, não participante ou ausente: Limita-se a contar a história, sem se envolver nela. Embora tenha conhecimento das ações, não conhece o íntimo das personagens, mantendo uma narrativa imparcial e objetiva. Utiliza a narração na 3.ª pessoa. Exemplo de texto narrativo: “Talvez a nordestina já tivesse chegado à conclusão de que a vida incomoda bastante, alma que não cabe bem no corpo, mesmo alma rala como a sua. Imaginavazinha, toda supersticiosa, que se por acaso viesse alguma vez a sentir um gosto bem bom de viver – se desencantaria de súbito de princesa que era e se transformaria em bicho rasteiro. Porque, por pior que fosse sua situação, não queria ser privada de si, ela queria ser ela mesma. Achava que cairia em grave castigo e até risco de morrer se tivesse gosto. Então defendia-se da morte por intermédio de um viver de menos, gastando pouco de sua vida para esta não acabar. Essa economia lhe dava alguma segurança pois, quem cai, do chão não passa. Teria ela a sensação de que vivia para nada? Nem posso saber, mas acho que não. Só uma vez se fez uma trágica pergunta: Quem sou eu? Assustou-se tanto que parou completamente de pensar.” – A Hora da Estrela – Clarice Lispector. B – Descrição: Descrever é realizar o retrato verbalde pessoas, objetos, paisagens e até mesmo de sentimentos e das características pessoais das pessoas. É muito comum se deparar com a descrição em meio ao texto narrativo. Descrição objetiva: é a descrição exata daquilo que é. Não há interpretação diversa, como por exemplo, descrever que as cores das roupas de um personagem, ou as formas de um objeto. Descrição subjetiva: é a descrição daquilo que temos como percepção, ou seja, é uma descrição de cunho pessoal, na qual cada indivíduo terá uma percepção distinta, como por exemplo, descrevermos as qualidades de personalidade de uma pessoa. Exemplo de texto descritivo: “Ficara sentada à mesa a ler o Diário de Notícias, no seu roupão de manhã de fazenda preta, bordado a sutache, com largos botões de madrepérola; o cabelo louro um pouco desmanchado, com um tom seco do calor do travesseiro, enrolava-se, torcido no alto da cabeça pequenina, de perfil bonito; a sua pele tinha a brancura tenra e láctea das louras; com o cotovelo encostado à mesa acariciava a orelha, e, no movimento lento e suave dos seus dedos, dois anéis de rubis miudinhos davam cintilações escarlates.” (O Primo Basílio, Eça de Queiroz) C – Dissertação: O texto dissertativo-argumentativo tem como objetivo persuadir e convencer, ou seja, levar o leitor a concordar com a tese defendida. É expressa uma opinião crítica acerca de um assunto, sendo defendida uma tese sobre esse assunto através de uma argumentação clara e objetiva, fundamentada em fatos verídicos e dados concretos. Texto dissertativo expositivo: a apresentação de uma tese, conceitos, bases científicas, na qual o foco precípuo é a exposição de tais conceitos e não necessariamente o convencimento. Texto dissertativo argumentativo: a intenção do produtor da mensagem é persuadir o receptor da mensagem, utilizando técnicas de convencimentos. Exemplo de texto dissertativo: (...) Na atualidade, é grande o número de educadores, filólogos e linguistas de reconhecido saber que negam a relação entre o estudo intencional da gramática e a melhora do desempenho linguístico do usuário. Entre esses especialistas, deve-se mencionar o nome do Prof. Celso Pedro Luft com sua obra "Língua e liberdade: por uma nova concepção de língua materna e seu ensino" (L&PM, 1995). Com efeito, o velho pesquisar apaixonado pelos problemas da língua, teórico de espírito lúcido e de larga formação linguística, reúne numa mesma obra convincente fundamentação para seu combate veemente contra o ensino da gramática em sala de aula. Por oportuno, uma citação apenas: "Quem sabe, lendo este livro muitos professores talvez abandonem a superstição da teoria gramatical, desistindo de querer ensinar a língua por definições, classificações, análises inconsistentes e precárias hauridas em gramáticas. Já seria um grande benefício". Gilberto Scarton - (p. 99) 4 – Linguagem Jurídica – Introdução: Conforme já explanado anteriormente, a principal ferramenta do operador do Direito (em qualquer ramo e profissão legal) é a comunicação, com a aplicação de peculiaridades linguísticas. Importante ressaltar que todos os tipos textuais são utilizados na redação jurídica, como por exemplo temos a descrição dentro da narração quando é necessário detalhar ou descrever determinado indivíduo, ou até mesmo uma cena de crime. Temos ainda a narração, onde o operador do direito irá materializar em linguagem específica, os fatos que compõe determinada lide (conflito). E tem-se ainda como principal tipo textual utilizado, a dissertação – argumentação, já que o Direito diz respeito a ciência humana, onde a interpretação é sempre aplicada, além de que o Direito tem como função principal regulamentar as relações sociais e decidir determinada lide, portanto, ocorrerá através do operador do Direito o convencimento das razões apresentadas. Prezado aluno, nos próximos módulos serão explanadas as peculiaridades da linguagem jurídica e assim pr MÓDULO II - COMUNICAÇÃO JURÍDICA: elementos da comunicação e funções da Linguagem; 1 - Elementos da Comunicação: A palavra comunicação derivada do latim, que significa “partilhar, participar de algo, tornar comum”, sendo um elemento essencial da interação social humana. A comunicação está conexa com à linguagem e interação, representando a transmissão de mensagens entre um emissor e um receptor. De acordo com [1]DAMIÃO (2015) “estabelecido que o texto jurídico é uma forma de comunicação, nele ocorrem os elementos envolvidos no ato comunicatório; deve haver, então, um objeto de comunicação (mensagem) com um conteúdo (referente), transmitido ao receptor por um emissor, por meio de um canal, com seu próprio código”. É importante destacar que a comunicação só é possível quando existem dois ou mais sujeitos, não podendo ocorrer de forma unilateral, ou seja, sempre haverá o emissor e o receptor, além dos demais elementos para a composição desta comunicação. Para realizar a adequada comunicação, é essencial que todos os seus elementos funcionem adequadamente, pois caso contrário, ocorrerá o fenômeno denominado como “ruído”, sendo que este poderá “quebrar” o circuito comunicatório. Temos como exemplo, conforme cita DAMIÃO (2015): “Numa sessão do júri: se o juiz não conhecer o código do acusado e o intérprete estiver ausente, suspender-se-á a sessão, pois há ruído impedindo a comunicação. O mesmo ocorrerá se houver quebra de sigilo entre os jurados. Há interferência negativa no sistema de comunicação”. Fonte: https://www.portuguesdigital.com.br/as-funcoes-da-linguagem/ Os elementos que compõem a comunicação são: A) Emissor: podendo ser denominado como falante ou locutor, o emissor é aquele que transmite a mensagem para um ou mais receptores, como para uma pessoa, um grupo de indivíduos, dentre outros. B) Receptor: também chamado de interlocutor ou ouvinte, o receptor é quem recebe a mensagem emitida pelo emissor. C) Mensagem: É a informação transmitida. É o objeto utilizado na comunicação, de forma que representa o conteúdo, o conjunto de informações transmitidas pelo locutor. D) Código: representa o sistema de signos ou sinais que serão utilizados na mensagem. E) Canal de Comunicação: corresponde ao local (meio) onde a mensagem será transmitida, por exemplo, jornal, livro, revista, televisão, telefone, dentre outros. F) Contexto: Também chamado de referente, é a situação comunicativa em que estão inseridos o emissor e receptor. 2 – Funções da Linguagem: A linguagem apresenta peculiaridades e multiplicidades, tendo em vista a intenção do falante ao produzir tal comunicação. Ainda, dar ênfase à mensagem emitida. O produtor da mensagem poderá destacar determinado elemento da comunicação a depender do seu objetivo. Por ser múltipla e apresentar peculiaridades, divide-se em seis funções: Fonte: autor desconhecido. A) Função referencial ou denotativa: *Elemento da comunicação: referente. Essa função serve para informar, transmitir uma mensagem de forma objetiva, sem comentários ou avaliações. É utilizada normalmente na terceira pessoa do singular ou plural, e assim transmite impessoalidade exigida em determinados gêneros textuais. É classificada como denotativa, ou seja, não há diversidade de interpretações além da que está exposta. É possível a utilização desta função em textos jornalísticos, técnicos, científicos, dentre outros. Exemplo 1: “Uma tentativa de assalto a um ônibus intermunicipal terminou em tiroteio e na morte de um policial militar e de um suspeito no Jabaquara, bairro da zona sul da capital paulista, no meio da tarde desta quinta-feira, 19. Três homens armados iniciaram um arrastão no veículo, roubando pertences de todos os passageiros, quando se depararam com o agente de folga, à paisana, que reagiu. Outras cinco pessoas ficaram feridas, segundo informou a PM.” Fonte:https://sao-paulo.estadao.com.br/noticias/geral,suspeito-e-morto-em-tentativa-de-assalto-a-onibus-na-zona-sul,70002275814 – acesso em 15/04/2019. Exemplo 2: “(...) O ano de 2019 fechou com um aumento de 30% no número de queimadas registradas na Amazônia, em comparaçãoa 2018, segundo dados finais do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais). Foram registrados 89.178 focos no bioma, contra 68.345 no período anterior. Na década, 2019 foi o terceiro ano como maior número de focos de queimadas registrados, atrás de 2017 (107.439) e 2015 (106.438) (...)” Fonte:https://noticias.uol.com.br/meio-ambiente/ultimas-noticias/redacao/2020/01/08/amazonia-fecha-2019-com-89-mil-focos-de-queimadas-30-a-mais-que-2018.htm – acesso em 23/03/2020. B) Função emotiva: *Elemento da comunicação: emissor. Esta função tem como objetivo principal transmitir sentimentos, emoções de forma subjetiva, apresentando assim sua opinião, sua avaliação. É a realidade que o emissor transmite ao receptor, sob o seu pondo de vista, suas percepções. Também denominada como função expressiva, a função emotiva é construída na primeira pessoa e está voltada para o emissor, uma vez que possui um caráter pessoal. Tem como característica o uso de pontuação para enfatizar suas emoções (exclamação, reticencias, etc.). Podemos constatar o uso da função emotiva principalmente em poemas, diários e narrativas diversas. Exemplo 1: Exemplo 2: Você é assim Um sonho pra mim E quando eu não te vejo Eu penso em você Desde o amanhecer Até quando eu me deito Eu gosto de você E gosto de ficar com você Meu riso é tão feliz contigo O meu melhor amigo é o meu amor_ (Fonte: Tribalistas – 2012) C) Função poética: *Elemento da comunicação: mensagem A própria mensagem é o seu objeto. Tem como foco a estética do texto, a sua forma de construção. É utilizado métrica, rima, ritmo, sonoridade, dentre outros. Exemplo: O amor, quando se revela, Não se sabe revelar. Sabe bem olhar p'ra ela, Mas não lhe sabe falar. Quem quer dizer o que sente Não sabe o que há de dizer. Fala: parece que mente... Cala: parece esquecer... Fernando Pessoa D) Função apelativa ou conotativa: *Elemento da comunicação: receptor Tem como objetivo principal o convencimento do receptor. É caracterizada por forte persuasão. Se apresenta geralmente na segunda ou terceira pessoa e a utilização de verbos imperativos e o uso do vocativo. É utilizada principalmente em textos publicitários, políticos e religiosos. Exemplos 1: Não perca esta promoção! Somente hoje! Vote em mim! Não viva dos pecados! Exemplo 2: Exemplo 3: “Eia, senhores! Mocidade viril! Inteligência brasileira! Nobre nação explorada! Brasil de ontem e amanhã! Dai-nos o de hoje, que nos falta. Mãos à obra da reivindicação de nossa perdida autonomia; mãos à obra da nossa reconstituição interior; mãos à obra de reconciliarmos a vida nacional com as instituições nacionais; mãos à obra de substituir pela verdade o simulacro político da nossa existência entre as nações. Trabalhai por essa que há de ser a salvação nossa. Mas não buscando salvadores. Ainda vos poderei salvar a vós mesmos. Não são sonhos meus amigos: bem sinto eu, nas pulsações do sangue, essa ressurreição ansiada. Oxalá não se me fechem os olhos, antes de lhe ver os primeiros indícios no horizonte. Assim o queira Deus.” Fonte: Oração dos moços – Rui Barbosa. E) Função fática: *Elemento da comunicação: canal Tem como objetivo principal estabelecer uma interação com o emissor, um contato para verificar se a mensagem está sendo transmitida, para obter um retorno. Esse tipo de função é muito utilizado nos diálogos, por exemplo, nas expressões de cumprimento, saudações, discursos ao telefone, etc. Exemplo 1: Você me entende? Né? Exemplo 2: Exemplo 3: "Ele se aproximou e com a voz cantante de nordestino que a emocionou, perguntou-lhe: – E se me desculpe, senhorita, posso convidar a passear? – Sim, respondeu atabalhoadamente com a pressa antes que ele mudasse de ideia. – E, se me permite, qual é mesmo a sua graça? – Macabéa. – Maca — o quê? – Bea, foi ela obrigada a completar. – Me desculpe mas até parece doença, doença de pele". Fonte: Clarice Lispectos – A Hora da Estrela. F) Função metalinguística: *Elemento da comunicação: código É a relação da linguagem com ela mesma, onde o emissor explica um código utilizando o próprio código. É a comunicação falando da própria comunicação ou qualquer outra. Exemplo: Programas de humor, produções artísticas, etc. Exemplo 2: [1] Damião, Regina Toledo. Curso de Português Jurídico 1Regina Toledo Damião, Antonio Henriques. – 12°. ed. - São Paulo: Atlas, 2015. MÓDULO III - VOCABULÁRIO JURÍDICO: sentido das palavras na linguagem jurídica, seleção vocabular e vocabulário jurídico, palavras unívocas, equívocas e análogas; 1 – Linguagem Jurídica: A linguagem jurídica apresenta características específicas, sendo que se subdivide dentre os campos do Direito, como por exemplo, o nível de linguagem forense, assim como a legislativa e até mesmo uma linguagem doutrinária. De acordo com PETRI (2010): Dá-se também o nome de linguagem, no seio de uma língua, ao modo particular pelo qual ela é falada num grupo ou num setor de atividade, se pelo menos este modo apresenta propriedades linguísticas suficientes, para ser isolado como um falar particular”. Esta fala particular da linguagem jurídica diz respeito aquele conhecedor do mundo jurídico que ao leigo, ou seja, aquele que, independente do seu grau de instrução, não conseguirá compreender um texto jurídico de pronto, já que não é conhecedor das ciências jurídicas. Temos ainda que DAMIÃO (2015) esclarece: No Direito, é ainda mais importante o sentido das palavras porque qualquer sistema jurídico, para atingir plenamente seus fins, deve cuidar do valor nocional do vocabulário técnico e estabelecer relações semântico-sintáticas harmônicas e seguras na organização do pensamento. Para a construção da comunicação, é imprescindível a clareza e precisão das palavras. No direito, é de suma importância a observação do sentido correto das palavras técnicas para que se alcance plenamente os seus fins. Fonte: AMB - Associação dos Magistrados Brasileiros - Campanha pela Simplificação da Linguagem Jurídica. Podemos destacar três tipos de vocabulário jurídico: A) Unívocos: são vocabulários de composição técnica. As palavras que contém um único sentido, uma única interpretação. Conceito Lexical: Que tem um só significado; que só admite uma interpretação; inequívoco. Fonte: dicionário Michaelis Exemplos: · Furto: (art. 155 do código penal): subtrair, para si ou para outrem, coisa alheia móvel. · Roubo (art. 157 do código penal): subtrair coisa móvel alheia, para si ou para outrem, mediante grave ameaça ou violência a pessoa, ou depois de havê-la, por qualquer meio, reduzido à impossibilidade de resistência · Comodato: empréstimo gratuito de coisas não fungíveis (que não se gasta, que não se consome com o primeiro uso). · Homicídio (artigo 121 do código penal): matar alguém. · Usucapião: significa adquirir pelo uso e posse, uma propriedade tendo em vista um período que no Código Civil é determinado em quinze anos. Quando a posse recair em domicílio o direito é assegurado após dez anos de contínuo exercício. Finalmente, se o referido ocupante não possuir qualquer outro imóvel, o prazo estabelecido para o respectivo direito será de cinco anos. B) Equívocos: São palavras com vários significados, possuindo mais de um sentido de acordo com o contexto. Conceito Lexical: Que tem mais de um significado e dá lugar a várias interpretações; ambíguo. Fonte: dicionário Michaelis Exemplos: · Sequestro (art. 148 e 159 do código penal): “privar alguém de sua liberdade, mediante sequestro ou cárcere privado”. “Sequestrar pessoa com o fim de obter, para si ou para outrem, qualquer vantagem, como condição ou preço do resgate”. · Sequestro (art. 301 do código de processo civil): “A tutela de urgência de natureza cautelar pode ser efetivada mediante arresto, sequestro, arrolamento de bens, registro de protesto contra alienação de bem e qualquer outra medida idônea para asseguração do direito”. Pode se referir a um bem, quando o ato processual permite que se apreenda ou deposite um ou muitos bens, porque são objeto de litígio e, comoforma de garantir direitos, ficam sub judice (sob apreciação judicial). · Sequestro-relâmpago (art. 158, parágrafo 3°): é um termo impróprio e reflete a conduta do agente que através de grave ameaça, constrange a vítima a fim de que ela possa lhe entregar o cartão magnético e, diante de muita pressão criminosa, fornecer a senha correspondente a ele. C) Análogos: Não possuem a base ou origem de uma palavra. Os termos pertencem a uma mesma família de ideias e sinônimos, apesar de ter a sua etimologia distinta. Conceito Lexical: em que há ou que guarda analogia; comparável, semelhante, similar. Fonte: dicionário Michaelis Exemplos: · Resolução: rescisão (fim) de um contrato mediante acordo entre as partes ou ação de terceiros. · Rescisão: dissolução por lesão do contrato. · Resilição: dissolução por vontade dos contratantes Temos ainda, a partir de teorias aplicadas por PETRI (2010) os seguintes vocabulários jurídicos: [1](...) 1) Termos que possuem o mesmo significado na língua corrente e na linguagem jurídica, por exemplo: hipótese, estrutura, confiança, reunião, critério, argumento, etc.; 2) Termos de polissemia externa, isto é, termos que possuem um significado na língua corrente e outro significado na língua jurídica, por exemplo: sentença (na língua corrente significa uma frase, uma oração; já na linguagem jurídica, significa a decisão de um juiz singular ou monocrático), ação (na língua corrente significa qualquer ato praticado por alguém, na linguagem jurídica é a manifestação do direito subjetivo de agir, isto é, de solicitar a intervenção do Poder Judiciário na solução de um conflito, podendo, assim, ser sinônimo de processo, demanda); 3) Termos de polissemia interna, isto é, termos que possuem mais de um significado no universo da linguagem do direito, por exemplo: prescrição (pode significar na linguagem jurídica determinação, orientação – a lei prescreve em tais casos que se aplique o art. ...Pode também significar a perda de um direito pelo decurso do tempo – o direito de agir em tais casos, prescreve em dois anos. 4) Termos que só tem significado no âmbito do Direito. (...), como por exemplo usucapião, enfiteuse, anticrese, acórdão, etc. 5) Termos latinos de uso jurídico, por exemplo: caput, data vênia, ad judicia, etc. [1] PETRI, Maria José Constantino. Manual de linguagem jurídica. São Paulo: Saraiva, 2015., pg. 30 e 31 MÓDULO IV - VOCABULÁRIO JURÍDICO: as formas e referências de tratamento, o verbo jurídico, arcaísmos, neologismos, estrangeirismos e latinismos no discurso jurídico. 1 – As formas de tratamento: Os pronomes de tratamento, conforme explana MARTINO (2012) são formas respeitosas de se dirigir às autoridades, como por exemplo, Juízes, Presidentes, Sacerdotes, Reitores, dentre outros. Tem como características: · Segunda pessoa - para aquela que se dirige; · Concordância com a terceira pessoa – para aquele que se fala; · Uso de abreviações – V.Exas., V.S, etc Principais formas de tratamento: Fonte: https://www.aultimaarcadenoe.com.br/palavras-e-expressoes/ 2 - Verbo Jurídico: É através do verbo que se expressa as ações, externando estados ou qualidades, além de atributos às condutas. O Verbo, em seu significado etimológico, significa “classe de palavras que semanticamente denotam ação, processo ou estado e que, sintaticamente, funcionam como núcleo do predicado nas sentenças” – dicionário Michaelis. A regência verbal é fundamental porque dela depende o sentido do verbo e da interpretação destes depende o resultado que se deseja alcançar. Exemplos de verbos jurídicos: Verbo / definição: Exemplo de aplicação: Agravar: recorrer mediante agravo Embora tivesse agravado da sentença, não alcançou os resultados esperados. Adjudicar: dar posse, por decisão judicial, de coisa executada, antes da arrematação ou depois dela. O juiz adjudicou o direito de posse da propriedade. Aduzir: expor, alegar. É lamentável que a defesa não tenha aduzido provas irrefutáveis à sua tese. Ajuizar: levar a juízo, pôr em juízo, tornar objeto de processo ou demanda judicial. Epaminondas levou a juízo sua lide com o seu atual empregador. Alienar: tornar alheios determinados bens ou direitos, a título legítimo; transferir a outrem o domínio de; alhear. A revendedora alienou o carro enquanto o comprador não quitasse a dívida. O pai resolveu alienar seus bens aos filhos. Alvitrar: Julgar como árbitro; arbitrar. O juiz alvitrou o caso dos litigantes. Carecer: não possuir, não ter. A defesa carece de provas mais contundentes Delinquir: cometer delito. Ele delinquiu contra as leis. Deprecar: Enviar (um juiz a outro) o pedido de cumprimento de uma diligência judicial. O juiz da vara deprecou ao outro juiz logo após a audiência. Escoimar: Livrar ou perdoar de coima; absolver alguém de castigo, multa ou pena; descoimar. Ainda com um histórico de ações ilícitas, o juízo o escoimou. Homologar: aprovar, confirmar e tornar executável sentença judicial. O juiz homologou a sentença. Ilidir: rebater ou refutar provas e argumentos O promotor ilidiu a defesa brilhantemente. Purgar: pagamento da dívida antes da aplicação de uma pena, como encargos diversos. Antes de executar a dívida, o devedor purgou a mora. Querelar: Apresentar queixa em juízo: Querelou contra o rapaz que o agrediu. Achava que tinha razão e, reunindo testemunhas, resolveu querelar. Reincidir: tornar a incidir; fazer a mesma coisa novamente Epaminondas é reincidente no crime de roubo. Sancionar: Aceitar como bom ou admitir; aprovar, confirmar, ratificar O congresso sancionou o orçamento do próximo ano. Tutelar: que protege ou defende alguém; defensor, protetor. O menor será tutelado pelos seus avós. Viger: ter vigor; estar em vigor; ter eficácia ou validade. O contrato ratificado terá vigência por 2 anos. *Dicionário Michaelis. 3 – Vocabulário jurídico: arcaísmo, neologismo, estrangeirismo e latinismo: A) Arcaísmo: São as palavras e expressões que caíram em desuso. Em determinado tempo da história cumpriram suas funções, porém com a mutação da linguagem ao longo do tempo, caíram em desuso ou sofreram mutações. O arcaísmo poderá ser léxico, morfológico e sintático. · Algumas expressões e palavras arcaicas sobrevivem atualmente, porém com outro sentido: Exemplos: Tratante: Significado antigo: quem cuida, trata. Significado atual: malandro Saúde: Significado antigo: salvação Significado atual: bem-estar Parvo: Significado antigo: pequeno de estatura. Significado atual: pequeno de cabeça. · Outras expressões e palavras arcaicas permaneceram em uso, porém com a estrutura alterada: Exemplos: • Pune- impune • Solente – insolente • Mentado – comentado • Victo – invicto • Leixado – desleixado · Em outros casos, palavras ou expressões, apresentam caráter bastante conservador: Exemplos: • Lídimo: aquele que é legítimo. • Pertenças: benfeitorias. • Avença: acordo, ajuste. • Defeso: proibido • Teúda e manteúda: tida e mantida. Mulher que vive de modo marital com um homem, porém não é casada oficialmente. Aquela em que o companheiro sustenta, paga as despesas. B) Neologismo: Importante relembrar que a linguagem está em constante transformação. Este fenômeno de expressões e palavras novas denomina-se neologismo. É a criação de uma palavra ou expressão nova, ou na atribuição de um novo sentido a uma palavra já existente. · Neologismo semântico: quando uma palavra já existente ganha um novo significado. Exemplos: Formidável: já teve como significado algo terrível, e atualmente significa algo maravilhoso. · Insolente: já teve como significado algo fora do comum e atualmente significa aquele imprudente, inconveniente. · Neologismo lexical: quando é criada uma palavra nova, com um novo significado. Exemplos: deletar – apagar, eliminar. · Clicar: pressionar o botão do mouse. · Meme - é um termo grego que significa imitação. O termo é bastante conhecidoe utilizado no "mundo da internet", referindo-se ao fenômeno de "viralização" de uma informação, ou seja, qualquer vídeo, imagem, frase, ideia, música etc., que se espalhe entre vários usuários rapidamente, alcançando muita popularidade. · Neologismo sintático: ocorre quando realiza-se a combinação de elementos já existentes na língua como a derivação, composição e outros elementos. Exemplos: João Paulo II reinventa a Igreja papalizando com êxito. A operação-desmonte é uma invenção política mentirosa Epaminondas após derrotas judiciais resolveu dar a volta por cima. C) Estrangeirismo: É a utilização de palavras ou expressões de língua estrangeira. Exemplos: Outdoor, okay, brother, croissant, designer, jeans, link, cappuccino, yes, show, site, pizza, hot dog, reveillon, pink. Temos também palavras e expressões de língua estrangeira que, devido ao seu uso frequente, incorporaram ao nosso vocabulário de forma oficial, ou seja, foram dicionarizadas. Exemplos: Abajour, ateliê, bangalô, basquetebol, dentre outras. Na linguagem jurídica o estrangeirismo também é utilizado. Exemplos: Leasing, factoring. D) Latinismo: É a utilização de palavras ou expressões em latim na construção da comunicação. Na linguagem jurídica é bastante usual as palavras em latim, sendo de todas as áreas jurídicas: o Juiz, o Advogado, Delegado, Promotor, dentre outros. Os termos em latim mais usados na linguagem jurídica serão estudados em módulo específico tendo em vista a sua complexidade. EXERCICIOS 1 1 A respeito do texto descritivo assinale a alternativa correta: MÓDULO V - O PARÁGRAFO E A REDAÇÃO JURÍDICA: conceitos e qualidades. O PARÁGRAFO E A REDAÇÃO JURÍDICA: conceitos e qualidades: No discurso do gênero discursivo jurídico, a peça escrita é uma das ferramentas para a boa prática jurídica, pois dela e sobre ela se desencadearão importantes atos jurídicos. O operador do Direito deverá observar requisitos para que se realize uma comunicação eficiente, uma vez que, a comunicação é de suma importância para que o Direito atinja os seus fins.. Para tanto, explana-se neste capítulo características essenciais para a redação jurídica. 1 – Coerência e Coesão: Na construção de um texto, seja ele escrito ou oral, o sujeito enunciador se vale de mecanismos para garantir ao interlocutor a compreensão do que é enunciado. São esses mecanismos linguísticos que estabelecem a conectividade e permitem a retomada do que dito. São eles os referentes textuais e buscam garantir a coesão textual para que haja coerência, não só entre os elementos que compõem a oração, como também entre a sequência de orações dentro do texto. Essa coesão também pode muitas vezes se dar de modo implícito, baseado em conhecimentos anteriores que os participantes do processo têm sobre o tema. Por exemplo, o uso de uma determinada sigla, que, para o interlocutor a quem se dirige, deveria ser de conhecimento geral, evita que se lance mão de repetições inúteis. Numa linguagem figurada, a coesão é uma linha imaginária - composta de termos e expressões - que une os diversos elementos do texto e busca estabelecer relações de sentido entre eles. Dessa forma, com o emprego de diferentes procedimentos, sejam lexicais (repetição, substituição, associação), sejam gramaticais (emprego de pronomes, conjunções, numerais, elipses), constroem-se frases, orações, períodos, que irão apresentar o contexto – decorre daí a coerência textual. Um texto incoerente é o que carece de sentido ou o apresenta de forma contraditória. Muitas vezes, essa incoerência é resultado do mau uso de elementos de coesão textual. Na organização de períodos e de parágrafos, um erro no emprego dos mecanismos gramaticais e lexicais prejudica o entendimento do texto. Construído com os elementos corretos, confere-se a ele uma unidade formal. Nas palavras do mestre Evanildo Bechara (1), “o enunciado não se constrói com um amontoado de palavras e orações. Elas se organizam segundo princípios gerais de dependência e independência sintática e semântica, recobertos por unidades melódicas e rítmicas que sedimentam estes princípios”. Desta lição, extrai-se que não se deve escrever frases ou textos desconexos – é imprescindível que haja uma unidade, ou seja, que essas frases estejam coesas e coerentes formando o texto. A – Coesão: Entende-se como a ligação, relação, nexo entre os elementos que compõem a estrutura textual. Há diversas formas de se garantir a coesão entre os elementos de uma frase ou de um texto: 1. Substituição de palavras com o emprego de sinônimos, ou de palavras ou expressões do mesmo campo associativo. 2. Nominalização – emprego alternativo entre um verbo, o substantivo ou o adjetivo correspondente (desgastar / desgaste / desgastante). 3. Repetição na ligação semântica dos termos, empregada como recurso estilístico de intenção articulatória, e não uma redundância - resultado da pobreza de vocabulário. Por exemplo, “Grande no pensamento, grande na ação, grande na glória, grande no infortúnio, ele morreu desconhecido e só.” (Rocha Lima). 4. Uso de hipônimos – relação que se estabelece com base na maior especificidade do significado de um deles. Por exemplo, mesa (mais específico) e móvel (mais genérico). 5. Emprego de hiperônimos - relações de um termo de sentido mais amplo com outros de sentido mais específico. Por exemplo, felino está numa relação de hiperonímia com gato. 6. Substitutos universais, como os verbos vicários (ex.: Necessito viajar, porém só o farei no ano vindouro) A coesão apoiada na gramática dá-se no uso de conectivos, como certos pronomes, certos advérbios e expressões adverbiais, conjunções, elipses, entre outros. A elipse se justifica quando, ao remeter a um enunciado anterior, a palavra elidida é facilmente identificável. Ex.: O jovem recolheu-se cedo. Sabia que ia necessitar de todas as suas forças. (O termo o jovem deixa de ser repetido e, assim, estabelece a relação entre as duas orações.). 7. Dêiticos são elementos linguísticos que têm a propriedade de fazer referência ao contexto situacional ou ao próprio discurso. Exerce, por excelência, essa função de progressão textual, dada sua característica: são elementos que não significam, apenas indicam, remetem aos componentes da situação comunicativa. Já os componentes concentram em si a significação. Elisa Guimarães (2) nos ensina a esse respeito: “Os pronomes pessoais e as desinências verbais indicam os participantes do ato do discurso. Os pronomes demonstrativos, certas locuções prepositivas e adverbiais, bem como os advérbios de tempo, referenciam o momento da enunciação, podendo indicar simultaneidade, anterioridade ou posterioridade. Assim: este, agora, hoje, neste momento (presente); ultimamente, recentemente, ontem, há alguns dias, antes de (pretérito); de agora em diante, no próximo ano, depois de futuro”. Esse conceito será de grande valia quando tratarmos do uso dos pronomes demonstrativos. B – Coerência: Para ser coerente, o texto deve apresentar uma relação lógica e harmônica entre suas ideias, que devem ser ordenadas e interligadas de maneira clara, formando, assim, uma unidade na qual as partes tenham nexo. Não basta, portanto, que o texto tenha coesão, mas é preciso também que o raciocínio exposto não apresente lapsos, hiatos, deslocamentos abruptos das informações e excesso incoerente de ideias. A seguir, algumas regras para escrever de forma coerente: 1. Ordem cronológica: não se deve relatar antes o que ocorre depois, a não ser que se pretenda criar um clima de suspense ou tensão (mas nunca esquecendo que, no final, a tensão deve ser resolvida). 2. Ordem descritiva: isto é, seguir a ordem em que a cena, o objeto, o fato são observados - dos detalhes mais próximos para os mais distantes, ou vice-versa; de dentro para fora; da direita para a esquerda etc. 3. Nova informação: nova deve se ligar a outra, já enunciada: à medida que o texto avança, as novas ideias devem se relacionar às antigas, de maneira que todas permaneçam interligadas. 4. Evitar repetições: uma ideiajá enunciada pode ser repetida - e, em alguns casos, é imprescindível que isso ocorra -, mas desde que acrescentemos uma informação nova ao raciocínio, um novo elemento, capaz de aclarar ainda mais o assunto de que estamos tratando. Ou seja, devemos evitar redundâncias: à medida que escrevemos, o texto se amplia graças à agregação de novas ideias, e não porque insistimos no que já foi tratado ou usamos um excesso de palavras. 5. Não se contradizer: uma tese exposta e defendida no início não pode ser atacada no final do texto. Se o objetivo do autor é discutir sobre diferentes argumentações em torno de um mesmo tema, deve deixar claro quem defende qual ideia. Nesses casos, todo cuidado é pouco: a contradição não deve ser assumida pelo autor, mas, sim, surgir da diversidade de opiniões. 6. Não escamotear a realidade: um dado concreto, real, só pode ser contestado com base em investigações científicas. Um fato de conhecimento público pode ter novas versões, mas com base em depoimentos fidedignos. Encobrir a realidade com rodeios ou subterfúgios, apenas para dar maior veracidade a uma ideia, acaba sempre comprometendo a qualidade do texto - e, às vezes, abalando a reputação do autor. 7. Evitar generalizações: afirmar, de forma infundada ou não, que algo é verdadeiro em grande parte das situações, ou para a maioria das pessoas, demonstra falta de argumentos ou preconceito do autor. 2 - Parágrafo: Pode-se conceituar como pequena divisão de um texto escrito, assinalada graficamente por mudança de linha. Conforme Damião (2015) é a unidade de compreensão textual dotada de uma ideia central à qual se juntam ideias secundárias em torno de uma mensagem. Por meio do parágrafo é possível obtermos a unidade textual, tendo em vista que se tem, a partir do núcleo frasal, o desenvolvimento das ideias secundárias, formando assim o parágrafo. O parágrafo poderá ser apresentado em uma linha, como em uma lauda inteira, a depender do assunto tratado e a complexidade do tema. Deve-se observar que o texto não apresento prolixidade, já que não é uma qualidade do texto, já que o seu interlocutor poderá perder o interesse na comunicação produzida, além de maiores chances em apresentar ideias confusas, com falta de coesão e coerência. Na produção de um parágrafo de boa qualidade, o produtor da mensagem deverá observar uma estrutura determinada, além da aplicação de tipos textuais distintos, sendo a narração, a descrição e a dissertação. 3 - Redação: Tem-se como definição de redação como a arte de redigir. Através da elaboração dos parágrafos é possível de obter uma comunicação completa por intermédio da redação. A redação jurídica apresenta-se de forma geral em linguagem culta ou padrão. Não é possível redigir textos jurídicos com a utilização de termos informais, regionalismos ou até mesmo gírias. A redação jurídica deve observar três principais elementos para que atinja o seu fim e observe, além dos tradicionalismos que exige do operador do Direito, as regras processuais específicas para validar tais atos jurídicos perante as autoridades públicas por intermédio do Poder Judiciário, sendo elas: a organização das ideias, a forma e o conteúdo. O operador do Direito deverá apresentar, ou, em determinados casos, analisar e publicar uma solução, a partir dos fatos concretos que deu origem a lide, sendo que esses deverão apresentar-se em ordem suficiente para que sejas compreendidos, de modo que seja possível a aplicação da norma legal. Ainda, a legislação vigente, em sua grande maioria das peças processuais, apresentam regras de forma para que tal ato seja analisado e aplicada a resolução da lide, como, por exemplo, em uma petição inicial deverá o operador do Direito apresentar no texto o pedido e a causa de pedir, além de corretos endereçamentos e qualificação das partes. E tem-se por fim a exatidão do conteúdo e a aplicação de técnicas jurídicas específicas para que tal ato jurídico conquiste o resultado pretendido. Qualidades da Redação: A – Unidade: para a elaboração do parágrafo, é importante observar que seja exposto um único raciocínio que tenha as ideias de um núcleo ou tópico frasal. Com o objetivo de atingir um único fim. As ideias deverão apresentar-se entrelaçadas. Para isso, se faz necessário elaborar um tópico forte, pois, se a ideia central é fraca, obscura ou vaga, as ideias secundárias também serão. B – Coerência: consiste no encadeamento lógico das frases e orações a fim de gerar um tecido lógico das ideias compondo um todo coeso. A coerência está intimamente ligada à coesão. A falta desta influência na construção daquela. A palavra “coerência” (do latim “co-haerentia”, ligação, harmonia) indica a conexão ou nexo entre os fatos, ou as ideias; lógica. É necessário ter um discurso lógico, se possível calcado no modelo do silogismo, pelo qual, postas duas premissas, segue-se uma conclusão. O importante é não se contradizer: uma vez adotada uma tese, ou escolhido um ponto de vista, cumpre desenvolver o raciocínio pertinente até o fim, usando argumentos bem encadeados. C – Ênfase: É a utilização de estruturas gramaticais, sintáticas ou semânticas, com o objetivo de destacar certas palavras, expressões ou ideias em uma determinada frase, em um determinado texto. Fonte: ARRUDÃO, Bia. Juridiquês no banco dos réus. São Paulo: Segmento Ltda., 2008. Disponível em: Acesso em: 12 ago. 2008. [1]https://www.ifcursos.com.br/sistema/admin/arquivos/09-47-28-apostilaportuguesinstrumental.pdf MÓDULO VI - ESTRUTURA DO PARÁGRAFO: encadeamento dos parágrafos, elaboração do parágrafo - requisitos e qualidades, parágrafo descritivo, narrativo e dissertativo. Estrutura do parágrafo: encadeamento dos parágrafos, elaboração do parágrafo - requisitos e qualidades, parágrafo descritivo, narrativo e dissertativo. Para que o sujeito elabore um texto com elevada qualidade e atinja o fim pretendido dentro da comunicação jurídica, um texto bem elaborado não pode deixar de observar com muito cuidado a estrutura do parágrafo para que o emissor: 1 - Estrutura do parágrafo: A - tópico frasal: É a introdução do tema. Tem como função principal delimitar o tema e fixar os objetivos da redação. Pode ser: · Uma afirmação: Exemplo: A violência tem aumentado consideravelmente nas principais capitais brasileiras... · Uma negação: Exemplo: O inchaço populacional não contribui diretamente para o aumento da violência nas grandes cidades.... · Uma interrogação: Exemplo 1: Quais são os fatores que contribuem diretamente para o aumento da violência nas grandes cidades?... (pergunta direta) Exemplo 2: Muitos pesquisadores sociais querem saber quais são os principais fatores que contribuem diretamente com o aumento da violência nas grandes capitais... (pergunta indireta). B - Desenvolvimento: É a explanação da ideia principal, agregando ideias secundárias. No desenvolvimento ocorre a apresentação e a exploração dos diversos argumentos que suportam a tese. Podem ser apresentados por meio do reconhecimento das causas e consequências do problema, da identificação de seus aspectos positivos e negativos ou da contra-argumentação de uma tese. Pode haver um foco no argumento justificando a tese ou um foco na tese que ocorre por um determinado argumento. O que importa é que se utilize uma linguagem coerente, objetiva e precisa. A apresentação dos argumentos deve seguir uma sequência lógica. Pode haver um argumento principal e argumentos auxiliares ou vários argumentos fortes. O mais importante é que estes sejam objetivos e detalhados e que haja conexão entre eles. Os diversos argumentos deverão ser sustentados com exemplos e provas que os validem, tornando-os indiscutíveis, como: · fatos comprovados; · conhecimentos consensuais; · dados estatísticos; · pesquisas e estudos; · citações de autores renomados; · depoimentos de personalidades renomadas; · alusões históricas; · fatores sociais, culturais e econômicos. Estas estratégias argumentativas validam os argumentos, dotando-os de autoridade, consenso,lógica, competência e veridicidade. Assim, os leitores não só refletem sobre estes, como ficam obrigados a concordar com os argumentos, sem hipótese de os rebater. Além disso, diversos recursos de linguagem podem ser usados para captar a atenção do leitor e convencê-lo da correção da tese, como a utilização de uma linguagem formal, de perguntas retóricas, de repetições, de ironia, de exclamações, etc. C - Conclusão: Na conclusão, retoma-se a tese inicial, já defendida pelos diversos argumentos apresentados no desenvolvimento. Pode ocorrer a apresentação de soluções viáveis ou de propostas de intervenção. A conclusão aparece como um desfecho natural e inevitável visto o pensamento do leitor já ter sido direcionado para a mesma durante a apresentação dos argumentos. 2 - O encadeamento dos parágrafos: Para que o texto seja considerado uma unidade textual, o produtor do texto deverá apresentar a ordem natural, que por meio da apresentação de uma lógica temporal e da aplicação de coerência nas ideias, caminhe para a conclusão. Portanto, somente é possível que um texto seja considerado completo, quando este apresenta os elementos suficientes para ser considerado uma unidade textual, na qual haja começo, meio e fim, com as ideias entrelaçadas e condições suficientes para que apresente as ideias pretendidas. 3 - O parágrafo narrativo na redação jurídica: Nas redações jurídicas, a narração tem como função principal apresentar os fatos concretos para a aplicação das leis e assim dar fim a lide por meio da tutela estatal. Pode ser estruturado da seguinte forma: · Introdução: A introdução se refere à situação inicial da história. Também chamada de apresentação, é nesta parte da narração que são apresentados os principais elementos da narração: espaço, tempo, personagens, enredo e narrador. Ficamos sabendo quem, quando e onde. · Desenvolvimento: Durante o desenvolvimento do enredo, ocorrem conflitos, ou seja, acontecimentos que quebram o equilíbrio apresentado na introdução, modificando essa situação inicial. Ficamos sabendo o quê e como. No desenvolvimento ocorre também o momento mais tenso e emocionante da história - o clímax. · Conclusão: Também chamada de desfecho, desenlace ou epílogo, a conclusão é a parte da narração em que se resolvem os conflitos (positiva ou negativamente). Fica evidenciada a relação existente entre os diferentes acontecimentos, sendo apresentadas suas consequências. 4 - O parágrafo descritivo na redação jurídica: O texto descritivo, sempre presente nas redações jurídicos e que na grande maioria das vezes se apresenta introduzido na narração, tem como estrutura: · Introdução: Primeiramente é feita a identificação do ser ou objeto que será descrito, de modo a que o leitor foque sua atenção nesse ser ou objeto. · Desenvolvimento: Ocorre então a descrição do objeto ou do fato em foco, apresentando seus aspectos mais gerais e mais pormenorizados, havendo caracterizações mais objetivas e outras mais subjetivas. · Conclusão: A descrição está concluída quando a caracterização do objeto ou ser estiver terminada. Características do texto descritivo: O texto descritivo não se encontra limitado por noções temporais ou relações espaciais, visto descrever algo estático, sem ordem fixa para a realização da descrição. Há uma notória predominância de substantivos, adjetivos e locuções adjetivas, em detrimento de verbos, sendo maioritariamente necessária a utilização de verbos de estado, como ser, estar, parecer, permanecer, ficar, continuar, tornar-se, andar. O uso de uma linguagem clara e dinâmica, com vocabulário rico e variado, bem como o uso de enumerações e comparações, ou outras figuras de linguagem, servem para melhor apresentar o objeto ou ser em descrição, enriquecendo o texto e tornando-o mais interessante para o leitor. A descrição pode ser mais objetiva, focalizando aspectos físicos, ou mais subjetiva, focalizando aspectos emocionais e psicológicos. Nas melhores descrições, há um equilíbrio entre os dois tipos de descrição, sendo o objeto ou ser descrito apresentado nas suas diversas vertentes. Na descrição de pessoas, há a descrição de aspectos físicos, ou seja, aquilo que pode ser observado e a descrição de aspectos psicológicos e comportamentais, como o caráter, personalidade, humor, apreendidos pelo convívio com a pessoa e pela observação de suas atitudes. Na descrição de lugares ocorre tanto a descrição de aspectos físicos, como a descrição do ambiente social, econômico, político. Na descrição de objetos, embora predomine a descrição de aspectos físicos, pode ocorrer uma descrição sensorial, que estimule os sentidos do leitor. Tipos de descrição: Embora seja possível distinguir tipos de descrição, é essencial que os três tipos estejam presentes numa descrição, de forma a torná-la completa, rica e interessante: Descrição objetiva: · Descrição exata e precisa do objeto ou ser; · Maior aproximação possível da realidade; · Isenta de opiniões e duplos sentidos; · Descrição de aspectos físicos; · Utilização de uma linguagem clara, direta e realista; · Utilização de uma linguagem denotativa; · Descrição que torna o texto mais verídico. Descrição subjetiva: · Confere um cunho pessoal ao objeto ou ser descrito; · Transmissão de um estado de espírito e de sentimento; · Descrição de aspectos emocionais; · Utilização de uma linguagem simbólica e metafórica; · Utilização de uma linguagem conotativa; · Descrição que torna o texto mais interessante. · Descrição sensorial (provoca sensações no leitor, explorando diversos sentidos): · Sensações visuais: saia vermelha, mãos enormes, tecido florido, toalha redonda, etc. · Sensações auditivas: crianças barulhentas, casa silenciosa, ruído ensurdecedor, sibilante som das sílabas, etc. · Sensações gustativas: resposta amarga, bolo delicioso, prazer agridoce, mar salgado, etc. · Sensações olfativas: cheiro nauseabundo, aroma agradável, odor fétido e pestilento, roupa perfumada, etc. · Sensações táteis: chão duro e áspero, seda macia, pele fria, tecido rugoso, etc. 5 - O parágrafo dissertativo na redação jurídica: A dissertação na redação jurídica apresenta os argumentos que o operador de direito achar necessário para o convencimento daquele que está recebendo a mensagem. Neste tipo textual é possível a utilização de provas testemunhais, perícias e documentos diversos para comprovar sua tese. Pode-se apresentar com a seguinte estrutura: · Introdução: Na introdução ocorre a apresentação de um assunto e de uma tese que será defendida sobre esse assunto. Assim, após a identificação de um problema num determinado assunto, é apresentada a tese de forma clara e objetiva, sendo essencial que esta esteja bem definida e delimitada. A reflexão crítica sobre a tese e sua argumentação serão feitas no desenvolvimento do texto. · Desenvolvimento: No desenvolvimento ocorre a apresentação e a exploração dos diversos argumentos que suportam a tese. Podem ser apresentados através do reconhecimento das causas e consequências do problema, da identificação de seus aspectos positivos e negativos ou da contra-argumentação de uma tese contrária. Pode haver um foco no argumento justificando a tese ou um foco na tese que ocorre por um determinado argumento. O que importa é que se utilize uma linguagem coerente, objetiva e precisa. A apresentação dos argumentos deve seguir uma sequência lógica. Pode haver um argumento principal e argumentos auxiliares ou vários argumentos fortes. O mais importante é que estes sejam objetivos e detalhados e que haja conexão entre eles. Os diversos argumentos deverão ser sustentados com exemplos e provas que os validem, tornando-os indiscutíveis, como: · fatos comprovados; · conhecimentos consensuais; · dados estatísticos; · pesquisas e estudos; · citações de autores renomados; · depoimentos de personalidades renomadas; · alusões históricas; · fatores sociais, culturais e econômicos. · Conclusão: Na conclusão há a retoma e reafirmação da teseinicial, já defendida pelos diversos argumentos apresentados no desenvolvimento. Pode ocorrer a apresentação de soluções viáveis ou de propostas de intervenção. A conclusão aparece como um desfecho natural e inevitável visto o pensamento do leitor já ter sido direcionado para a mesma durante a apresentação dos argumentos. MÓDULO VII – TERMOS E LOCUÇÕES LATINAS: locuções latinas, brocardos jurídicos, expressões latinas mais usadas no discurso jurídico. Módulo VII - Termos e locuções latinas: locuções latinas, brocardos jurídicos, expressões latinas mais usadas no discurso jurídico. Tendo-se em vista a importância do latim na formação da Língua Portuguesa, bem como o uso de diversas expressões em latim utilizadas pelo Direito, fizemos uma relação com algumas das mais importantes e utilizadas expressões, visando auxiliar os estudiosos do Direito. aberratio delicti: Desvio do delito. Erro por parte do criminoso quanto à pessoa da vítima. aberratio ictus: Desvio do golpe. Dá-se quando o delinquente atinge, por imperícia, pessoa diversa da que visava. ab incunabulis: Desde o berço. Desde o princípio; desde a origem. ab initio: Desde o começo. ab intestato: Sem deixar testamento. Diz-se da sucessão sem testamento, ou dos herdeiros que dela se beneficiam. ab origine: Desde a origem; desde o princípio. ab ovo: Desde o ovo; desde o começo. abusus non tollit usum: O abuso não impede o uso. Princípio segundo o qual se pode usar de uma coisa boa em si, mesmo quando outros usam dela abusivamente. accipiens: O que recebe. Pessoa que recebe um pagamento; recebedor. ad argumentandum tantum: Concessão feita ao adversário, a fim de refutá-lo com mais segurança. ad cautelam: Por precaução. Diz-se do ato praticado a fim de prevenir algum inconveniente. ad corpus: Expressão usada para indicar a venda de imóvel sem a medida de sua área, por oposição à vendaad mensuram. ad diem: Até o dia. Prazo último para o cumprimento de uma obrigação. ad hoc: Para isso. Diz-se de pessoa ou coisa preparada para determinada missão ou circunstância. ad honores: Para as honras, como título de glória. Foi nomeado ad honores, isto é, para um cargo ou função meramente honorífico. ad judicem dicere: Falar ao juiz. ad judicia: Para os juízos. Diz-se do mandato judicial outorgado ao advogado pelo mandante. ad litem: Para o litígio. Relativo ao processo em causa. ad mensuram: Conforme a medida. Venda estipulada de acordo com o peso ou a medida. ad negotia: Para os negócios. Refere-se ao mandato outorgado para fins de negócio. ad nutum: Segundo a vontade de; ao arbítrio de: Diz-se do ato que pode ser revogado pela só vontade de uma das partes; refere-se também à demissibilidade do funcionário que ocupa cargo de confiança. ad quem: Para quem. Diz-se do juiz ou tribunal a que se recorre de sentença ou despacho de juiz inferior. ad referendum: Para ser referendado. Diz-se do ato que depende de aprovação ou ratificação da autoridade ou poder competente. Diz-se da negociação do agente diplomático, sujeita à aprovação de seu governo. ad retro: Para trás. Dir Diz-se do pacto em que o vendedor tem o direito de reaver a coisa vendida, mediante a restituição do preço e despesas acessórias, dentro de prazo determinado. ad valorem: Segundo o valor. Meio de defesa pelo qual o acusado alega e prova que, no momento do delito, se encontrava em lugar diverso daquele onde o fato delituoso se verificou. animus abandonandi: Intenção de abandonar. animus abutendi: Intenção de abusar. animus furandi: Intenção de furtar. animus laedendi: Intenção de prejudicar. animus necandi: Intenção de matar. a non domino: Por parte de quem não é dono. Diz-se da transferência de bens móveis ou imóveis, por quem não é seu legítimo dono. ante litem: Antes do litígio. Antes de proposta a ação ou como ato preparatório para ela. A partir do que vem depois. Sistema de argumentação que parte do efeito para a causa. Opõe-se à argumentação a priori. a priori: A partir do que vem anterior. Prova fundada unicamente na razão, sem fundamento na experiência. Opõe-se a a posteriori. apud: Junto a; em. Usada em bibliografia para indicação de fonte compulsada, na citação de citação. Indica que o primeiro autor citado, encontra-se na obra do último autor citado. Portanto, aquele que se vale do apud significa que não leu o texto do primeiro autor originalmente, mas na obra do último autor citado. apud acta: Nos autos; junto aos autos. a quo: Da parte de cá. Diz-se do juiz de um tribunal de cuja decisão se recorre: Juiz a quo (opõe-se, neste caso, a ad quem, juiz, ou tribunal, para o qual se recorre argumentum ad crumenam: Argumento da bolsa. Emprego do suborno, na falta de razões convincentes. argumentum baculinum: Argumento do porrete. Emprego da violência para a consecução de um objetivo. auctori incumbit onus probandi: Ao autor cabe o trabalho de provar. Quem acusa que prove. audiatur et altera pars: Que a outra parte seja também ouvida. Para haver imparcialidade e justiça no julgamento, deve-se ouvir a defesa depois da acusação. bis de eadem re non sit actio: Não haja dupla ação sobre a mesma coisa. V litispendência. bona fide: De boa-fé. capitis diminutio: Diminuição de capacidade. Empregada para designar a perda da autoridade. casus belli: Motivo de guerra. Incidente que pode levar duas ou mais nações a um conflito. causa debendi: Causa da dívida. Base de um compromisso ou obrigação. causa mortis: A causa da morte. Diz-se da causa determinante da morte de alguém. causa obligationis: Causa da obrigação. Fundamento jurídico de uma obrigação. causa petendi: A causa de pedir. Fato que serve para fundamentar uma ação. causa possessionis: Causa da posse. Fundamento jurídico da posse. causa traditionis: Causa da entrega. Razão da tradição das coisas entre os interessados causa turpis: Causa torpe. Causa obrigacional ilícita ou desonesta. citra petita: Aquém do pedido. Diz-se do julgamento incompleto, que não resolve todas as questões da lide. compurgatio: Instituição jurídica de defesa, observada em sociedades mais simples, em que o réu procura obter absolvição, arrolando certo número de testemunhas, que juram pela sua inocência. conditio juris: Condição de direito. Condição, circunstância ou formalidade indispensável para a validade de um ato jurídico. conditio sine qua non: Condição sem a qual não. Expressão empregada pelos teólogos para indicar circunstâncias absolutamente indispensáveis à validade ou à existência de um sacramento, p. ex., a vontade expressa dos noivos para a validade do matrimônio. conscientia fraudis: Consciência da fraude. conscientia sceleris: Consciência do crime. consensus omnium: Assentimento de todos; opinião generalizada. conventio est lex: Ajuste é lei, o que foi tratado deve ser cumprido: Cumprirei a cláusula, pois conventio est lex. corpus alienum: Coisa estranha que não é objeto da lide. corpus delicti: Corpo de delito. Objeto, instrumento ou sinal que prove a existência do delito. Ato judicial feito pelas autoridades a fim de provar a existência de um crime e descobrir os responsáveis por ele. corpus juris civilis: Corpo do Direito Civil organizado por ordem do imperador Justiniano. cui prodest?: A quem aproveita? Os criminalistas colocam entre os prováveis criminosos as pessoas a quem o delito podia beneficiar. dare nemo potest quod non habet, neque plus quam habet: Ninguém pode dar o que não possui, nem mais do que possui. data vênia: Dada a vênia. Expressão delicada e respeitosa com que se pede ao interlocutor permissão para discordar de seu ponto de vista. Usada em linguagem forense e em citações indiretas. de cujus: De quem. Refere-se à pessoa falecida, cuja sucessão se acha aberta. de facto: De fato. Diz-se das circunstâncias ou provas materiais que têm existência objetiva ou real. Opõe-se a de jure. de jure: De direito. Opõe-se a de facto. de jure constituendo: Do direito de constituir. Diz-se de matérias ou situações jurídicas não previstas nas leis, mas que poderão ou deverão, no futuro, tornar-se normas do direito objetivo. de jure et de facto: De