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Estudo de Caso – Atenção Básica ACADÊMICO: Gleida Vitória Gonçalves Maia Docente: Enfª Esp. Fernanda da Silva Magalhães INTRODUÇÃO O estudo de caso é importante para acompanhar detalhadamente a gestação, permitindo identificar alterações precoces, observar o crescimento fetal e a evolução materna, e orientar condutas clínicas seguras. O objetivo deste estudo é apresentar a avaliação obstétrica de uma gestante de 33 semanas, destacando a importância do acompanhamento contínuo para garantir o bem-estar da mãe e do bebê. Pré-Natal na Atenção Básica. Identificação: J.P.C. Idade: 29 anos. Sexo: Feminino. Data da consulta: 05/11/2025. Gestações: G2P1. Idade Gestacional: 33 semanas. Histórico de Saúde: Doenças pré-existentes: sem hipertensão, diabetes ou outras comorbidades conhecidas • Alergias: nenhuma relatada • Medicações em uso: ácido fólico e sulfato ferroso conforme pré-natal • Hábitos de vida: nega consumo de álcool e tabagismo. • Histórico obstétrico: G2P1, parto vaginal anterior sem intercorrências, sem abortos • Histórico familiar relevante: sem doenças hereditárias significativas • Imunizações: pré-natal atualizado, incluindo vacinas recomendadas para gestante . Avaliação de Enfermagem na Gestante: Sinais Vitais: PA (Pressão Arterial): 96 x 84 mmHg FC (Frequência Cardíaca): 76 bpm. FR (Frequência Respiratória): 16 irpm. Temp. (Temperatura): 36,5°C Antropometria: Peso:72,100kg Altura:1,53cm IMC:30,78 Movimentos Fetais e BCF: Presença de movimentos regulares. BCF: 160bpm, ritmo normal Crescimento Fetal: Altura Uterina: 32cm Circunferência Abdominal: 92cm Bem- estar Materno e Psicossocial: Estado geral preservado. Apoio familiar presente. Boa hidratação Exames complementares Laboratoriais: • Glicemia em jejum: 72 mg/dL (60–99 mg/dL) – normal. • Hemograma completo: Hemoglobina 11,7 g/dL (12,2–18,1), hematócrito 35,4% (35,5–53,7%), hemácias 4,02 milhões/mm³ (4,04–6,50) – anemia leve normocítica e normocrômica, comum na gestação. Leucócitos (5.900/mm³) e plaquetas (205.000/mm³) normais, sem sinais de infecção ou alterações de coagulação. • Função hepática: TGO 16,4 U/L e TGP 20,2 U/L (valores de referência 10–37 U/L) – normais. Tratamento da Anemia 1. Sulfato Ferroso Manter o tratamento prescrito. Tomar 1 vez ao dia, em jejum ou 1 hora antes das refeições. Evitar leite, café, chá preto e cálcio próximo à dose. 2. Orientação Alimentar Aumentar ingestão de alimentos ricos em ferro: Carnes vermelhas, fígado, frango, feijão, lentilha, espinafre, couve. A anemia na gestação é considerada um problema de saúde importante porque reduz a quantidade de oxigênio disponível para a mãe e para o bebê. Isso pode causar: • Parto prematuro • Baixo peso ao nascer • Atraso no crescimento do feto • Cansaço extremo e fraqueza materna • Risco de hemorragia no parto e necessidade de transfusão Quando tratada precocemente, esses riscos diminuem significativamente. Por isso, mesmo anemia leve deve ser acompanhada e tratada. • Urina (EAS): pH 6,5, densidade 1,015, cor e aspecto normais; piocitos 8–10/campo e flora bacteriana numerosa, sugerindo possível infecção urinária ou contaminação da amostra. Tratamento Realizado da Urina Medicamento: Cefalexina 500mg Posologia: 1 comprimido a cada 6 horas, durante 7 dias Cuidados e orientações: Manter higiene íntima adequada (frente para trás). • Não reter urina por muito tempo. • Ingerir líquidos adequadamente. Ultrassonografia obstétrica: Exame realizado com equipamento de alta resolução e transdutor convexo. Feto único em situação longitudinal, apresentação cefálica, dorso anterior. • Biometria: adequada para 14 semanas (DUM 13 semanas); TN 2,7 mm (normal até 2,5 mm) – marcador de aneuploidia alterado, recomendando acompanhamento especializado. • Cabeça e encéfalo: integridade estrutural preservada; ossos, cristalino e estruturas intracranianas em diferenciação normal. • Perfil facial, pescoço e coluna: sem alterações. • Coração: quatro câmaras normais, septos íntegros, batimentos 150 bpm. • Abdome e trato urinário: parede abdominal íntegra; estômago normo-distendido; rins e bexiga normais; cordão umbilical trivascular normal. • Membros: identificados e sem alterações; mãos fletidas. • Placenta: anterior, grau 0, espessura 2,3 cm; líquido amniótico dentro da normalidade (MBV 3,2 cm). • Doppler: artérias uterinas e ducto venoso sem alterações; sem sinais de pré-eclâmpsia. Conclusão dos Exames de USG Ultrassonografia evidencia desenvolvimento fetal adequado, com Transluscência Nucal(TN) discretamente aumentada, recomendando seguimento obstétrico especializado. Infecção Urinária na Gestação Também conhecida como infecção do trato urinário (ITU), a infecção urinária é uma doença desencadeada por micro-organismos, que invadem e multiplicam-se em partes do sistema urinário, como rins, ureteres, bexiga e uretra, sendo mais comuns na bexiga e uretra. Os sintomas normalmente incluem ardência e incontinência urinária. Fisiopatologia: A infecção urinária acontece quando bactérias entram no trato urinário, que normalmente não tem germes. A mais comum é a Escherichia coli, que vive no intestino. Ela possui fímbrias, pequenas estruturas que permitem que a bactéria se prenda às células da bexiga e da uretra. Isso dificulta que a urina elimine a bactéria, permitindo que ela se multiplique e cause a infecção. Mecanismos da Infecção 1.Ascensão bacteriana As bactérias entram pela uretra e chegam à bexiga, causando cistite, a forma mais comum de infecção urinária. Se não forem tratadas, podem subir pelos ureteres até os rins, provocando pielonefrite, que causa dor nas costas, febre e pode trazer complicações graves. 2. Multiplicação e colonização Depois de se prenderem às células da bexiga, as bactérias se multiplicam e formam colônias, tornando-se mais resistentes à urina. Isso aumenta o dano às células da bexiga e ajuda a infecção a persistir. 3. Resposta do corpo (inflamatória) O corpo reage ativando o sistema de defesa, enviando células de proteção, aumentando o fluxo sanguíneo e liberando substâncias inflamatórias. Essa reação provoca os sintomas típicos da ITU: ardor ao urinar (disúria), vontade frequente de urinar, dor na barriga e nas costas. Na Gestação • Durante a gravidez, o útero cresce e pressiona os ureteres e a bexiga, dificultando que a urina saia completamente. • A progesterona relaxa a musculatura do trato urinário, diminuindo o fluxo de urina. • Essas alterações tornam a gestante mais suscetível à infecção, que pode evoluir para pielonefrite e causar problemas para a mãe e o bebê, como parto prematuro ou baixo peso. 21 Tratamento Indicado Para a Gestante: A infecção urinária na gestante exige tratamento imediato para evitar complicações como pielonefrite e parto prematuro. Como a gravidez facilita a proliferação bacteriana, é essencial identificar e tratar precocemente para proteger a mãe e o bebê Medicamento: Cefalexina 500mg Posologia: 1 comprimido a cada 6 horas, durante 7 dias Cuidados e orientações: Manter higiene íntima adequada (frente para trás). • Não reter urina por muito tempo. • Ingerir líquidos adequadamente. Complicações na Gestação: A infecção urinária na gestação pode causar diversas complicações, sendo a mais grave a pielonefrite, que pode evoluir para sepse e necessidade de internação. Além disso, aumenta o risco de parto prematuro, ruptura prematura das membranas, baixo peso ao nascer e anemia materna. Por isso, a detecção precoce e o tratamento adequado são fundamentais para proteger a saúde da mãe e do bebê. Data provável de parto: 24/12/2025 (USG) / 31/12/2025 (DUM). Manobra de Leopold: 1ª Tempo – Fundo uterino: Palpação do fundo uterino identificou uma estrutura firme e arredondada, compatível com a cabeça fetal, indicando o polo superior do feto. 2ª Tempo – Lados do abdômen: Palpando ambos os lados, foi possível localizar uma superfície lisa, correspondendo às costas do feto, e protuberânciasirregulares, representando os membros. Isso permite determinar a posição fetal lateral esquerda. 3ª Tempo – Região inferior do útero: Avaliação da pelve mostrou que a cabeça ainda não estava totalmente engajada, sugerindo apresentação cefálica alta. 4ª Tempo – Avaliação da pelve lateral: A cabeça estava flexionada, porém ainda não completamente encaixada, confirmando a posição e flexão fetal. Conclusão da manobra de Leopold Fundo uterino com polo superior, feto a esquerda materna, posição cefálica, mantendo presença de escavas demonstrando polo inferior móvel. Questões Como prevenir a recorrência de infecção urinária durante a gestação? A prevenção da infecção urinária durante a gestação envolve hábitos simples que reduzem a proliferação bacteriana e protegem a saúde da mãe e do bebê. Beber bastante água ajuda a eliminar bactérias presentes na urina. Manter higiene adequada, limpando-se da frente para trás e evitando duchas vaginais, reduz o risco de contaminação. Urinar regularmente, especialmente após relações sexuais, evita o acúmulo de urina que favorece infecções. O uso de roupas íntimas de algodão e roupas confortáveis melhora a ventilação da região genital, prevenindo a multiplicação bacteriana. Além disso, uma alimentação equilibrada, rica em líquidos, frutas e fibras, contribui para a saúde do trato urinário. Por fim, o acompanhamento pré-natal regular, com exames como urinocultura, é fundamental para identificar e tratar precocemente quaisquer infecções. Como o sobrepeso pode impactar o risco de complicações maternas e fetais? O sobrepeso na gestação aumenta o risco de complicações maternas, como hipertensão gestacional, diabetes gestacional, infecções urinárias e dificuldade no parto. Para o feto, ele pode levar a macrossomia, prematuridade, baixo peso ao nascer e maior risco de obesidade e problemas metabólicos na infância. Além disso, o excesso de peso pode dificultar o tratamento de infecções e anemia, elevando o risco de parto prematuro e alterações no crescimento fetal. Diagnósticos NANDA-I (Diagnóstico) NIC (Intervenções de Enfermagem) NOC (Resultados Esperados) Nutrição desiquilibrada: obesidade relacionada ao excesso de peso pre- gestacional. Realizada orientações a gestante sobre a importância de adotar hábitos alimentares saudáveis, priorizando alimentos naturais como frutas, verduras e legumes. Gestante orientada quanto a atividade física segura durante o período gestacional sugerindo caminhadas leves e alongamentos. Ganho de peso adequado a idade gestacional adotando hábitos alimentares saudáveis e equilibrados, promovendo saúde materna e fetal. Conclusão do Estudo O estudo de caso evidencia a importância do pré-natal como um espaço de cuidado integral, que vai além da simples detecção de doenças. Por meio do acompanhamento regular, é possível identificar precocemente infecções urinárias, anemia e fatores de risco como o sobrepeso, oferecendo intervenções seguras e individualizadas. Esse cuidado contribui para a promoção da saúde materna e fetal, prevenindo complicações e fortalecendo o vínculo entre a gestante e a equipe de saúde, garantindo uma gestação mais segura e saudável. Referencias NANDA International. (2021). Diagnósticos de Enfermagem da NANDA: Definições e Classificação 2021-2023. Porto Alegre: Artmed Bulechek, G. M., Butcher, H. K., & Dochterman, J. M. (2018). Classificação de Intervenções de Enfermagem (NIC). Rio de Janeiro: Elsevier. Moorhead, S., Johnson, M., Maas, M. L., & Swanson, E. (2018). Classificação de Resultados de Enfermagem (NOC). Rio de Janeiro: Elsevier. SBN. Infecção urinária. Sociedade Brasileira de Nefrologia. Disponível em: . Acesso em: 01. NOV.2025. SOCIEDADE BRASILEIRA DE NEFROLOGIA. Infecção urinária. Disponível em: https://sbn.org.br/publico/doencas-comuns/infeccao-urinaria/. Acesso em: 01. NOV. 2025 GARCÍA‑GARCÍA, J. D. et al. Pathogenesis and Immunomodulation of Urinary Tract Infections Caused by Uropathogenic Escherichia coli. Microorganisms, v. 13, n. 4, 2025. DAMASCENO, Natalia Rincon Arruda; CIRIACO, Lorena de Sousa. Urinary Tract Infections During Pregnancy: Prevalence, Risks and Treatment. Global Journal of Medical Research, v. 24, E1, p. 11–20, 2024 image2.png image3.png image4.png image5.png image1.png