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Psicologia Sócio-Histórica
Professor: Gabriel Weiss Roma
fevereiro de 2026
Tema: 
Materialismo histórico-dialético: pressupostos materialistas e metodologia 
(Unidade I)
Fundamentos epistemológicos da 
psicologia histórico-cultural
● Guinada para direita (Am.Latina & mundo)
● Marx: um “homem de seu tempo”, mas contribuições ainda 
relevantes. 
● Lev S. Vigotski (1896-1934), Alexei N. Leontiev (1903-1979) e 
Alexander R. Lúria (1902-1977) → contribuições epistemológicas a 
PSH (base marxista). 
PSH: concepção de ser humano e a 
epistemologia
● Ser humano como um ser social, sujeito histórico e produto do 
contexto social do qual participa ativamente.
● Produto da história E produtor DE história. 
● “as circunstâncias fazem os homens assim como os homens fazem 
as circunstâncias...”. (MARX; ENGELS, 1989:56 apud ZANELLA, 
2020:21).
● Relações mediadas pela linguagem: ideia do Giro Linguístico.
● Lev Semionovitch Vygotski: Explicação dada por Marx foi o 
pressuposto da psicologia dele.
PSH: concepção de ser humano e a 
epistemologia - II
● Então...o ser humano é: um ser histórico, constituído a partir das 
relações estabelecidas com o outro via mediação cultural.
● “há uma conexão materialista dos homens entre si, condicionada 
pelas necessidades e pelo modo de produção, conexão esta que é 
tão antiga quanto os próprios homens - e que toma, 
incessantemente, novas formas e apresenta, portanto, uma ‘história’, 
sem que exista qualquer absurdo político ou religioso que também 
mantenha os homens unidos” (MARX; ENGELS, sd apud ZANELLA, 
2020:22). 
● Materialismo histórico: mundo concreto e complexo que antecede 
à existência do ser humano. Esse mundo é a condição para as ações 
que o transformam assim como os próprios agentes desas ações.
PSH: concepção de ser humano e a 
epistemologia - III
● “Seres humanos e inumanos se transformem sob o efeito das 
condições espaço-temporais em que se situam e das ações 
recíprocas. Seres humanos se destacam, nesse processo, pela 
intencionalidade de suas ações e a possibilidade de planejá-las, 
prever seus efeitos e modificá-las." (ZANELLA, 2020:22)
Podemos tirar duas coisas disso…
1) O ser humano é 
o único ser vivo 
que tem desejos 
culturais, etc…
2) Sobre a transformação 
de agentes humanos e 
inumanos, a teoria 
ator-rede de Bruno 
Latour (construtivismo)
Síntese…
(ZANELLA, 2020:23)
Em Vygotski
● Desenvolvimento humano para o psicólogo: constituído por um 
processo unitário que compreende tanto a dimensão orgânica 
quanto a histórica.
Logo... 
na abordagem histórico-cultural não há possibilidade de falar em 
desenvolvimento sem pensar simultaneamente em: processos de 
aprendizagem, movimento de apropriação e produção de 
cultura.
Pensando em Marx e Engels
O ser humano como sujeito histórico:
- O primeiro ato histórico do ser humano foi 
a produção dos meios necessários à 
satisfação de suas necessidades básicas.
- Sobrevivência não é apenas adaptação → 
é produção ativa das condições de 
existência
Produção de necessidades:
- Ao produzir meios de vida,
 o ser humano produz também 
novas necessidades.
- Isso revela a dimensão ativa da 
concepção marxista: o ser 
humano não apenas reage ao 
mundo. Ele transforma o mundo e 
a si mesmo.
Ideias e condições materiais
- O ser humano é produtor de ideias e representações.
MAS…
essas ideias não surgem no vazio:
- Elas estão conectadas:
● às condições materiais de existência
● ao desenvolvimento das forças produtivas
● aos tempos e espaços históricos
“Os homens são os produtores de suas representações, de suas ideias, etc., mas os 
homens reais e ativos, tal como se acham condicionados por um determinado 
desenvolvimento de suas forças produtivas...”
E a consciência…
- A consciência não é ponto de partida. Ela emerge da atividade material.
Implicação para a Psicologia
- Se a consciência nasce da atividade material, então:
● O psiquismo é histórico
● A subjetividade é produzida
● Ideias não são entidades autônomas
Bases para a 
PSH
“ao desenvolverem sua produção material e seu intercâmbio material, transformam também, com essa 
realidade, seu pensar e os produtos de seu pensar. Não é a consciência que determina a vida, mas a 
vida que determina a consciência”.
Divisão do Trabalho
● Fator fundamental de constitutiva de novas formas de organização social
- aumento da população → aumento das necessidades e aumento da 
produtividade
DIVISÃO DO TRABALHO
Método em Marx: Pensando a partir da 
epistemologia
● Questão do método é basal em todas as ciências, mas quanto mais a 
natureza filosófica, maior o problema. 
● Positivismo: Questão que atravessa o Marxismo e as ciências 
humanas (busca pelo status de “ciência de verdade”.
● “Nem Marx nem eu afirmamos, uma vez sequer, algo mais que isto. 
Se alguém o modifica, afirmando que o fato econômico é o único 
fato determinante, converte aquela tese numa frase vazia, abstrata e 
absurda” → Simplificação das ideias de Marx e Engels. 
Vamos entender brevemente o 
POSITIVISMO
Auguste Comte (1798-1857)
- método das ciências naturais empíricas 
- conhecimento genuíno é feito a partir da derivação pela 
razão e pela lógica a partir da experiência sensorial.
- conhecimento científico é o único verdadeiro (empirismo).
- Profundos impactos no Brasil e no mundo: a chamada 
“Geração de 1870” aqui. Na França bases para a III 
República Francesa (1870 até 1940).
- Impactos nas ciências humanas (psicologia experimental e 
psicometria são exemplos desse movimento).
COMO pesquisar utilizando Marx?
O que Marx entende por teoria?
● Teoria não é descrição empírica!
Para Marx, teoria não é:
● Examinar formas já dadas de um objeto
● Descrevê-lo detalhadamente
● Construir modelos explicativos baseados em 
hipóteses
● Estabelecer relações simples de causa e efeito
Isso caracteriza a tradição empirista/positivista.
Crítica ao positivismo
Então o que é teoria em Marx??
● Teoria é:
- A apreensão das determinações essenciais do real.
- Não se limita à aparência.
- Busca a estrutura que produz o fenômeno.
.
● Implicação metodológica
Logo teorizar não é:
- Descrever
- Opinar
- Construir consensos
→ É reconstruir, no pensamento,
 o movimento real do objeto ←
“teoria é uma modalidade peculiar de conhecimento”
Marx e as teorizações: o objetos e métodos 
de pesquisa
● Netto (1996:8) diz: “(...) é movimento real do objeto transposto para 
o cérebro do pesquisador – é o real reproduzido e interpretado no 
plano ideal (do pensamento).” 
● Objeto: independe da consciência do pesquisador. 
● o objeto é real (materialismo)
● Técnicas: Análise documental; observação; recolher dados; 
quantificação….
Materialismo histórico e métodos.
● Busca apreender a estrutura e a processualidade contraditória, 
conexoes ou mediações e a particularidade do objeto de pesquisa os 
quais não são dados imediatamente ao pesquisador. 
● Método de pesquisa vs método de exposição
Investigações em PSH
● Necessidade de compreender e de explicar os objetos e fenômenos 
investigados como são verdadeiramente na prática.
● dimensão epistemológica e à dimensão ontológica (ciência do ser, aquilo que 
torna possível as múltiplas existências).
O conhecimento não é imediato
No materialismo histórico-dialético:
- O real não se reduz ao que é imediatamente dado.
- O pensamento não pode ficar no nível da evidência.
Investigações em PSH: Aparência e 
Essência
A aparência não se confunde com a essência.
Se aparência = essência, a ciência seria desnecessária.
O papel da investigação é ultrapassar o nível fenomênico.
Investigações em PSH: Implicações
Investigar subjetividade não é:
● Descrever comportamentos
● Registrar falas isoladas
● Psicologizar o social
É reconstruir: → As determinações históricas e materiais
 que produzem formas de consciência.
Investigações em PSH: o papel da 
abstração
O papel da abstração no método marxiano
- A abstração é um recurso decisivo do pensamento.
Ela permite alcançar:- As determinações mais simples do objeto.
Essas determinações não são superficiais —
 são altamente complexas e estruturantes.
Investigações em PSH: O caminho do 
conhecimento científico em Marx
Para Marx, o verdadeiro caminho é: A ascensão do abstrato ao concreto.
● O que significa ascender do abstrato ao concreto?
- Captar o conjunto de nexos e relações que constituem 
a totalidade do fenômeno.
- Não é somar partes. É compreender as mediações 
que as articulam.
Unidade mínima de análise
● Identificar determinações simples como unidades mínimas de análise e 
apreender suas relações dinâmicas.
● Movimento constante: Do todo às partes e das partes ao todo.
Método lógico-histórico
A investigação exige duas dimensões: 
1) Análise lógico-sincrônica → Estrutura geral do fenômeno 
2) Análise histórico-diacrônica → Gênese e desenvolvimento do fenômeno
Implicações para a Psicologia Sócio-Histórica
Investigar o psiquismo exige:
● Identificar determinações essenciais
● Captar mediações
● Compreender estrutura e processo
● Articular universal, particular e singular
Subjetividade é síntese histórica de múltiplas determinações.
Pesquisas empíricas e conceituais no 
método materialista histórico-dialético
Objetivo central:
- Analisar a correlação entre:
● Estrutura teórico-metodológica da pesquisa
● Fundamentos do método materialista histórico-dialético
Foco: problema, justificativa, hipótese e procedimentos.
1ª Correlação: O problema de pesquisa
Problema científico ≠ pergunta qualquer.
Não nasce da curiosidade imediata.
Surge do confronto entre:
● Conhecimento já produzido
● Necessidades históricas concretas
É expressão teórica de demandas da prática social.
Problema científico: fundamento social
O problema:
● Não é interesse pessoal
● Não é vontade individual
Ele é:
Produto da realidade já teorizada
 e das contradições ainda não explicadas.
2ª Correlação: Justificativa da pesquisa
Três possibilidades: investigar algo ainda não estudado; desenvolver conhecimento que 
ainda é insuficiente; superar um conhecimento inadequado. 
Exigência ao pesquisador: Para formular problema e justificativa é 
necessário domínio teórico e, ainda, sem instrumentos conceituas não há 
atitude critica. 
Hipótese: não é suposição arbitrária. 
- Expressa conhecimento já acumulado e as tendências de 
desenvolvimento do objeto. 
- Formular hipóteses: Conhecimento da estrutura atual do objeto; 
compreensão de sua gênese; entendimento de seu desenvolvimento 
histórico
Métodos vs Procedimentos
Método:
● Lógica de apreensão do real
● Dimensão ontológica e 
epistemológica
● Forma de desnudar o 
movimento do objeto
Procedimentos:
● Técnicas
● Instrumentos
● Estratégias operacionais
VS
Sujeito e objeto na pesquisa:
O pesquisador é ativo. 
Ele opera com abstrações de alto nível. Sem pensamento teórico, instrumentos são inúteis.
No Materialismo então…
Os pesquisadores devem ser capazes de: 
● Operar com pensamento teórico-abstrato
● Compreender estrutura e processo
● Superar aparência e alcançar essência
● Articular singular, particular e universal
Estrutura da Pesquisa no Método Materialista 
Histórico-Dialético e suas implicações para a 
Psicologia Sócio-Histórica
 Ponto de partida: a realidade concreta
● A prática histórico-social é o fundamento.
● A aparência fenomênica é o início — não o fim.
● O problema emerge das contradições do real.
- Na Psicologia Sócio-Histórica:
 O psiquismo é investigado como produção histórica, não como dado natural.
Estrutura da Pesquisa no Método Materialista 
Histórico-Dialético e suas implicações para a 
Psicologia Sócio-Histórica - II
 Formulação do problema
Problema científico → Confronto entre:
● Conhecimento acumulado
● Necessidades sociais concretas
- Na Psicologia Sócio-Histórica:
 Os problemas não são individualizantes.
 São formulados a partir das determinações sociais do fenômeno psicológico.
Estrutura da Pesquisa no Método Materialista 
Histórico-Dialético e suas implicações para a 
Psicologia Sócio-Histórica - III
 Hipótese:
Expressa: Tendências do desenvolvimento do objeto e o movimento lógico-histórico.
Na Psicologia Sócio-Histórica:
- Hipóteses articulam estrutura social, atividade, consciência e subjetividade.
Estrutura da Pesquisa no Método Materialista 
Histórico-Dialético e suas implicações para a 
Psicologia Sócio-Histórica - IV
Método ≠ técnica.
Método = Lógica de apreensão das determinações essenciais.
● Busca a essência
● Reconstrói o movimento do objeto
● Opera pela ascensão do abstrato ao concreto
- Na Psicologia Sócio-Histórica:
- Investigar subjetividade é reconstruir suas mediações históricas.
Estrutura da Pesquisa no Método Materialista 
Histórico-Dialético e suas implicações para a 
Psicologia Sócio-Histórica - V
Procedimentos
São meios operacionais: 
- Entrevistas 
- Análise de discurso 
- Dados quantitativos 
- Pesquisa bibliográfica 
PORÉM → São subordinados ao método
- Na Psicologia Sócio-Histórica:
- Instrumentos só têm sentido quando orientados pela lógica dialética.
Estrutura da Pesquisa no Método Materialista 
Histórico-Dialético e suas implicações para a 
Psicologia Sócio-Histórica - VI
Centralidade das categorias
Pesquisas devem mobilizar:
- Contradição
- Totalidade
- Historicidade
- Mediação 
- Na Psicologia Sócio-Histórica:
- A consciência é síntese de múltiplas determinações sociais.
Estrutura da Pesquisa no Método Materialista 
Histórico-Dialético e suas implicações para a 
Psicologia Sócio-Histórica - VII
O pesquisador é ativo:
Opera com abstrações de alto nível.
MAS, TODAVIA, ENTRETANTO… É o objeto que determina o caminho investigativo.
- Na Psicologia Sócio-Histórica:
- O fenômeno psicológico não é moldado pela vontade do pesquisador → suas determinações 
são imanentes à realidade social.
Estrutura da Pesquisa no Método Materialista 
Histórico-Dialético e suas implicações para a 
Psicologia Sócio-Histórica - VIII
● Produzir conhecimento como: Síntese de múltiplas 
determinações
Busca explicar o fenômeno em sua: 
- Estrutura
- Dinâmica
- Gênese
- Desenvolvimento
- Na Psicologia 
Sócio-Histórica:
Compreender a 
constituição histórica 
da subjetividade para 
intervir criticamente 
na realidade.
Referências bibliográficas
FRIGOTTO, Gaudêncio. Método materialista histórico como instrumento de análise da realidade. In: TULESKI, 
Silvana Calvo; FRANCO, Adriana de Fátima; CALVE, Tiago Morales (org.). Materialismo histórico-dialético e 
psicologia histórico-cultural: expressões da luta de classes no interior do capitalismo. Paranavaí: Edufatecie, 
2020. p. 15-35.
MARTINS, Lígia Márcia; LAVOURA, Tiago Nicola. Materialismo histórico-dialético: contributos para a 
investigação em educação. Educação em Revista, Belo Horizonte, v. 34, n. 71, p. 223-239, set./out. 2018.
NETTO, José Paulo. O método em Marx: notas introdutórias. Serviço Social & Sociedade, São Paulo, n. 50, p. 
23-39, 1996.
ZANELLA, Andrea Vieira. Fundamentos epistemológicos da psicologia histórico-cultural: dialogando com "A 
ideologia alemã". In: ZANELLA, Andrea Vieira; MAHEIRIE, Kátia; KLIPPEL, Gabriela Dutra; RODRIGUES, Andréia 
Cristiane (org.). Psicologia histórico-cultural em foco: aproximações a alguns de seus fundamentos e 
conceitos. Florianópolis: Edições do Bosque, 2020. p. 19-27.
Referências caso queiram saber mais sobre 
positivismo e ciência
DANTES, Maria Amélia. Os positivistas brasileiros e as ciências no final do século XIX. In: 
HAMBURGER, Amélia Império et al. (org.). A ciência nas relações Brasil-França (1850-1950). São 
Paulo: EDUSP, 1996. p. 49-64.
FERREIRA, Luiz Otávio. O ethos positivista e a institucionalização da ciência no Brasil no
início do século XX. Fênix – Revista de História e Estudos Culturais, Uberlândia, v. 4, n.3,
p. 1-10, jul./ago./set. 2007.
BOSI, Alfredo. O positivismo no Brasil: uma ideologia de longa duração. Do positivismo à 
desconstrução: idéias francesas na América. São Paulo: EDUSP, 2004.

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