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DANÇA CONTEMPORÂNEA Sumário DANÇA CONTEMPORÂNEA .......................................................................... 2 Introdução ........................................................................................................ 2 História da Dança Contemporânea .............................................................. 2 Características da dança contemporânea .................................................... 5 Dança é a expressão ....................................................................................... 6 A dança como fator na construção do conhecimento .................................... 10 O aluno e a dança contemporânea ................................................................ 13 Pressupostos teóricos sobre corporeidade e movimento ........................... 20 Considerações finais ..................................................................................... 21 Referências ................................................................................................... 22 DANÇA CONTEMPORÂNEA Introdução História da Dança Contemporânea Dança contemporânea é um tipo de dança que não se limita a um conjunto de técnicas específicas, abrangendo assim uma variedade de gêneros, ritmos, formas e performances. Por esta razão, é considerada uma dança abstrata e em constante transformação. Esta modalidade de dança se desenvolveu em meados do século XX (1950 / 1960), tornando-se popular na década de 1980. A sua crescente popularidade se justifica, em parte, pelo fato deste gênero de dança não se prender aos padrões estéticos clássicos. A dança contemporânea se caracteriza por propor intensas inovações e experimentações coreográficas, que muitas vezes misturam ritmos como o ballet, o jazz e o hip hop. Como dito, não existem técnicas pré-definidas, sendo o processo criativo do conceito ou ideia a ser transmitida pela coreografia o ponto central da dança contemporânea. A sua não limitação possibilita ao bailarino autonomia para construir suas próprias coreografias a partir de métodos como a improvisação, o contato com o chão ou com outro personagem cênico e a utilização de figurinos interativos, por exemplo. A criação dentro da dança contemporânea é um processo que alia os métodos da composição coreográfica. Desde situações rotineiras até temas polêmicos podem servir de base para a concepção do conceito de uma coreografia. Ela também traz à tona a inserção de outros elementos artísticos para a dança, como o vídeo, a fotografia, as artes visuais, e a cultura digital como um todo. Esses aspectos permitem uma transformação de movimentos reais em virtuais e vice-versa, modificando a percepção do que se entende como movimento. Outra parte importante para o processo criativo na dança contemporânea é o corpo humano. Sua fisiologia e anatomia ganham uma importância para a coreografia, pois possibilita que o bailarino tenha uma melhor conscientização dos seus movimentos. A dança contemporânea surgiu na década de 1950, como uma forma de protesto ou rompimento com a cultura clássica, traz como proposições técnicas e estéticas um diálogo com várias práticas corporais e linguagens artísticas híbridas, potencializando a improvisação criativa Dança contemporânea é um gênero de dança teatral que se desenvolveu em meados do século XX e, desde então, tornou-se um dos gêneros mais conhecidos, especialmente no mundo ocidental. Alguns teóricos remetem a origem da dança contemporânea aos experimentos dos artistas pós-modernos do movimento Judson Dance Theater, iniciado na década de 1960, nos Estados Unidos. Entretanto, valores éticos e estéticos da dança contemporânea são encontrados desde o início do século XX, no pensamento de primeiros precursores da dança moderna como Isadora Duncan é Ruth Saint Denis. Em termos técnicos, a dança contemporânea tende a combinar diversas qualidades de movimento, uma vez que não se prende a estéticas pré-estabelecidas. Cada projeto coreográfico compreende um projeto técnico, elaborado durante o processo de composição. Maria José Fazenda, no prefácio do livro Poética da Dança Contemporânea, diz que: “Quanto à obra coreográfica contemporânea, ela apresenta formas e conteúdos diferentes e formatos diversificados – na dimensão, no número de intérpretes, nos lugares de apresentação – e, nela, o movimento do corpo estabelece múltiplas relações com os elementos plásticos (objetos, cenários) e sonoros e com as imagens virtuais”. A dança contemporânea não se define em técnicas ou movimentos específicos, pois o intérprete/bailarino ganha autonomia para construir suas próprias partituras coreográficas a partir de métodos e procedimentos de pesquisa como: improvisação, contato-improvisação, método Laban, técnica de release, Body Mind Centery (BMC), Alvin Nikolai. Esses métodos trazem instrumentos para que o intérprete crie suas composições a partir de temas relacionados a questões políticas, sociais, culturais, autobiográficas, comportamentais e cotidianas, como também a fisiologia e a anatomia do corpo. Aliado a isso, viu-se a necessidade da pesquisa teórica para complementação da prática. Depois de um período de intensas inovações e experimentações, que muitas vezes beiravam a total desconstrução da arte, finalmente – na década de 1980 – a dança contemporânea começou a se definir, desenvolvendo uma linguagem própria, embora algumas vezes faça referência ao ballet, ao jazz e ao hip hop. A dança popular surgida por volta de 1870 reconhecida como a primeira grande contribuição das camadas populares do Rio de Janeiro à música do Brasil, que misturou elementos de lundu, polca e habanera e influenciou outros gêneros populares brasileiros identificada em alguns lugares como tango brasileiro denomina- se maxixe. “Tratam‐se de danças naturais que preservam determinados costumes de um povo. Elas resguardam uma evolução natural e espontânea do conjunto de atividades diárias, o desenvolvimento de experiências dos povos perpetuadas de geração a geração. Possuem aspectos diversos e estabelecem as diferenças e variações musicais de região para região. ” No Renascimento (séculos XV e XVI), a dança começou a ter um sentido social, isto é, passou a ser dançada pela nobreza em grandes espetáculos teatrais e em festas apenas como entretenimento e recreação. Na Idade Média, as danças foram fortemente incentivadas pela igreja por causa do seu visível conteúdo pagão, demasiadamente ligado às velhas religiões. Características da dança contemporânea Como visto, a dança contemporânea rompeu com padrões ao fugir da "formatação" tradicional dos gêneros clássicos. Desta forma, consolidou-se como uma manifestação artística única e revolucionária. As suas principais características são: ➢ Não existem técnicas predefinidas; ➢ Não existem limitações de movimentos, vestuário ou músicas; ➢ Valorização da constante experimentação e inovação; ➢ Importância da transmissão do conceito, ideia e sentimento que a coreografia propõe; ➢ Valorização da criação coreográfica individual; ➢ Valorização das improvisações; ➢ Mistura de outros elementos artísticos à dança (vídeo, fotografia, artes visuais e digitais, etc). Dança é a expressão A dança é a expressão representativa de diversos aspectos da vida do homem e de sua própria história construída através das linguagens sociais; desta forma, sentimentos, afetividade, emoções e relações com o outro foram sendo estabelecidos nas esferas da religiosidade, hábitos, saúde, trabalho, guerra e dos próprios costumes. Neste sentido, deve-se entender que a dança como arte não é uma transposição da vida, senão sua representação estilizada e simbólica. Mas, como arte, deve encontrar os seus fundamentosna própria vida, concretizando-se numa expressão dela e não numa produção acrobática. (COLETIVO DE AUTORES, 2012, p.81). Ao ensinar dança é importante considerar que seu aspecto expressivo se confronta, necessariamente, com a formalidade técnica para a sua execução; tal especificidade pode provocar a perda do principal viés expressivo da dança. Encontrar um movimento para a dança, expressar esta forma de atuação deve ser um processo natural de construção da própria condição corporal do indivíduo com o tema. Coreografar na dança deve ser um processo técnico, porém, com possibilidades de utilização de movimentos naturais e que representem, de forma artística e autônoma, movimentos relacionados a algum contexto. Esta transposição de contextos vivenciados nas experiências cotidianas pode na dança, e principalmente ao que se remete à dança contemporânea, ser um processo de comunicação saudável e elucidar aquilo que mais preocupa a sociedade e os indivíduos que a compõe. Deste modo, devemos proporcionar aos alunos um momento para a apropriação de conhecimentos, no qual ele possa usufruir, conhecer e socializar através do eixo dança, que é um dos objetivos da proposta curricular para a Arte, a oportunidade de se expressar e refletir sobre situações-conflito, gerando novos conhecimentos por meio das linguagens corporais dentro da estética e da plástica proporcionada em cada movimento. No contexto escolar a disciplina de Arte deve garantir ao aluno não só o direito de acesso ao conteúdo dança mais que ele compreenda o que é a dança a partir da criação, em específico neste trabalho à dança contemporânea passa a ser um ponto chave de todo este aprendizado. No ensino deste conteúdo o docente deve proporcionar um espaço de reflexão sobre os dilemas enfrentados em seu cotidiano e transpondo as informações levantadas pelos alunos em conhecimento corporal segundo os pressupostos da dança contemporânea é uma atitude saudável nas construções de coreografias subsidiadas pela experiência de vida dos alunos. A comunicação e a socialização passam a se fundir na formação de um novo conhecimento. Disponibilizar um espaço nas aulas para o exercício do diálogo e reformulação de ideias a partir do eixo dança se faz necessário nas aulas de Arte para que o todo da disciplina seja contemplado em seu processo educacional. Segundo Strazzacappa (2011, p.5), “a dança é a arte do espetáculo vivo”. Para se apreciar a dança é necessária uma familiarização com o universo da dança, com seus símbolos, seus códigos implícitos em cada linha de dança e, para isso acontecer, por sua vez, torna-se basilar que haja certa frequência de contato que trará aos indivíduos a aproximação com suas linguagens específicas e expressivas de movimento. Partindo-se do princípio de que há movimento em todo lugar, pois o movimento é à base de toda e qualquer ação humana e ciente de que a matéria-prima da dança é o próprio movimento, pode-se afirmar que todos os indivíduos são capazes de compreender a dança, pois realizar leituras de movimentos faz parte do seu dia-a-dia. Seguindo este pressuposto do movimento – segundo o qual todos realizam leituras cotidianas do movimento – é que pretendemos desmistificar o universo da dança e aproximá-la do aluno para que ele possa, por sua vez, aprender a olhar a dança, apreender seus códigos e poder dialogar com ela, transpondo todos os seus conflitos e angústias. Encontra-se aqui um grande desafio que é aproximar o aluno com o universo da dança e proporcionar a ele a oportunidade de comunicar-se através dela. A dança, e em particular a dança contemporânea, pode e deve fazer este elo, proporcionando ao alunado a capacidade de intervir em seus problemas e transformá-los em informação e comunicação. O aluno necessita de espaços para ser ouvido, para que suas vivências sejam compartilhadas e transformadas. Por que não aproximar o aluno à dança, com o intuito de orientá-lo a comunicar-se com seu corpo? Transfigura-se aí uma busca que vai além das palavras, e que deságua em interações que poderão ser mais compreendidas com o movimento e a emoção trabalhada na dança. Proporcionar na escola, principalmente nas aulas de Arte, este encontro do aluno com a dança será uma forma de aproximar vivências e práticas sociais ao movimento. A escola, enquanto uma instituição inserida em um dado contexto social nunca esteve tão intimamente ligada aos problemas sociais. Sendo um segmento social sistematizado, com um papel bem definido de transmitir, construir e reconstruir novos conhecimentos, a escola está absorvendo a cada dia os problemas oriundos da sociedade moderna, sem perspectiva de retornar apenas à sua função básica, que é o ensinar. A escola busca em suas práticas pedagógicas e administrativas realimentar- se a cada momento, conduzindo professores e alunos a travarem discussões e discussões sobre diversos temas que estão influenciando a educação e que não podem ser mais negados. Esta é uma prática que faz parte do próprio fazer educativo da escola. É o que afirma GADOTTI (1998, p. 34-35): Certamente, o ato educativo é um ato político, é um ato social e, portanto, ligado à atividade social e econômica, ao ato produtivo [...] o encontro que caracteriza o ato educativo guarda algo original que não pode ser destruído nem reduzido pela ideologia. A ideologia não consegue dominar inteiramente o ato educativo [...]. Diante do exposto, não podemos deixar de registrar em nossa ação pedagógica, principalmente em nossos planejamentos venham a contribuir com o desenvolvimento acadêmico e também social dos nossos alunos. Trabalhar com suas angústias, seus problemas e desafios, passa muitas vezes a denotar referências importantes para o trabalho do professor. Passamos a desenvolver, em nossas aulas, planejamentos que abordem assuntos de convívio dos alunos como uma forma de amenizar, conscientizar e conduzir orientações aos alunos de forma a auxiliá-los em suas decisões e enfrentamento dos problemas. ➢ Não é necessário que você saiba dançar ou realizar movimentos da Dança Contemporânea. Uma sondagem prévia junto aos alunos certamente lhe permitirá identificar aqueles que possuem uma experiência ou facilidade para criar movimentos de dança. Solicite a estes alunos que o auxiliem nas aulas. O contato destes alunos com os demais produzirá bons frutos nas aulas. Motive-os e os movimentos naturais para a dança fruirão naturalmente. A dança como fator na construção do conhecimento A dança é uma forma de linguagem corporal. Para esta linguagem ficar clara, dependerá de como o corpo é capaz de articulá-la. Ao tratar o termo corpo, estamos falando de uma unidade, do cognitivo e motor solidários e não em uma visão dualista. Para que o corpo seja capaz de se articular na dança, é necessário o movimento, a produção da expressão através do movimento. Dança é basicamente movimento, expressão e gestos que a constituem. Algo mais existe nesse tipo de atividade que lhe imprime características definitórias de sua essência. Mesmo o homem primitivo devia ter consciência de que seus movimentos e gestos só obteriam um efeito mágico ou encantatório quando executados dentro de certas regras e medidas, não necessariamente regulares ou aparentes, mas que os tornavam um conjunto homogêneo e fluente no tempo. Quando tinham, enfim, sua duração no tempo dividida em determinados intervalos, isto é, dentro de um ritmo, fator indispensável para que essa atividade configurasse como dança. (MENDES, 1987, p.5). Deste modo, podemos afirmar que a dança se constitui de movimentos que determinam a sua essência, a sua razão de existir. Ela exercita o pensamento sinestésico, isto é, a comunicação da ação corporal, exprimindo tanto o sentir e o pensar através do movimento corporal e trabalha com os códigos desta linguagem. Também elabora movimentosexpressivos e naturais como o salto, o giro, o correr e até mesmo o andar, porém utilizando planos para estes movimentos como o plano alto, médio e baixo. O ritmo então se torna presente na curva, na estética, no balanço, com o corpo respondendo às diversas pulsações rítmicas. O ritmo dita de certa forma, a intensidade expressa no movimento, indo da tensão ao relaxamento, do leve ao pesado, ao forte, ao fraco. Ele está consciente na dança através dos padrões rítmicos de movimento como algo significativo, marcado de variadas maneiras, ao som ou não. Ritmo e dança, pois, parecem unidos. Mas não inseparavelmente, pelo menos quanto ao ritmo entendido como ordenação e configuração do tempo, pois a dança pura, expressão despojada do movimento, pode ser marcada apenas pelo ritmo interno do dançarino, assim diferenciando-se dos movimentos comuns. (MENDES, 1987, p.6). Entretanto, a predominância do ritmo exterior marcado por uma música, também pode marcar o ritmo interior do dançarino. Segundo Wedgewood (1929 apud MENDES, 1987, p.6) a predominância talvez decorra da ideia da indissolúvel união entre o ritmo e a dança, esteticamente aceita por muitos e também defendida pelos que consideram como um elemento de organização social dos povos primitivos, responsável pela sociabilização dos homens, uma expressão da cultura humana, enfim, “um fenômeno rítmico de algumas ou todas as partes do corpo para expressar emoções ou ideias, segundo um esquema individual ou coletivo”. ➢ Deixe organizada uma seleção de músicas variadas, com estilos diversificados, para que você possa utilizá-las em suas aulas. Coloque em sua lista, músicas clássicas eruditas, MPB, músicas folclóricas, para que durante as atividades, os componentes do grupo possam experimentar movimentos de expressão corporal em diferentes estilos de música. Assim a aula ficará mais agradável e os alunos terão contato com múltiplos estilos musicais, ampliando simultaneamente o gosto pela dança e pela música. A ideia do ritmo como parte integrante da dança recai sobre o sentido da dança como elemento de organização e de trabalho, desde os povos primitivos. Além da fala, o homem também se expressa por uma linguagem corporal através do movimento rítmico, cadenciado, traduzindo emoções, ideias, sentimentos. A dança é considerada a mais antiga das artes criadas pelo homem. E o homem dançou mesmo antes de falar, sendo a primeira forma de manifestação social que sempre serviu para ajudá-lo a tornar-se membro de uma sociedade. A dança exprime a alma do povo, as características de sua formação étnica, seus hábitos, as tradições de seus costumes, um ritmo próprio expresso no compasso de suas músicas. Portanto, “ela tem mudado assim como a cultura humana, pois é criada por indivíduos que pertencem a meios particulares. Isto é o que distingue um tipo de dança de outras, quer em um período, ou através da história”. (BREGOLATO, 1994, p. 58). Deste modo, não é possível negar a importância da dança frente a sua história na sociedade. ➢ Alguns laboratórios sugerem determinados materiais para a sua aplicação. Porém estes materiais podem ser substituídos. Você pode substituir e/ou até utilizar pedaços de tecidos, folhas de jornal, elásticos, corda, plásticos coloridos. Estes materiais também podem fazer parte das aulas sem modificar o objetivo proposto e possibilitar ao aluno que movimentos diversificados sejam executados de forma mais harmônica. Dentro do contexto educacional, a dança se apresenta nas disciplinas de Arte e nas atividades rítmicas e expressivas da Educação Física. Diferente do seu contexto em Arte, que provoca a dança como atividade e linguagem artística, como forma de expressão e como conceito e linguagem estética, na Educação Física seu propósito passa a ser diferente, pois ela vem atrelada à cultura corporal do movimento. A cultura corporal vem garantir o acesso ao conhecimento e à reflexão crítica das inúmeras manifestações ou práticas corporais historicamente produzidas pela humanidade. (PARANÁ, 2008). Nesta perspectiva, a cultura corporal procura relacionar todo o conhecimento produzido pela humanidade, aproximando as práticas corporais aos conjuntos históricos, políticos, econômicos e sociais. Aqui está a origem do termo cultura corporal. Segundo as Diretrizes Curriculares da Arte para o Ensino da Educação Física, (2008, p.51): A gênese da cultura corporal, referida acima, está relacionada à vida em sociedade, desenvolvendo-se, inicialmente, nas relações Homem-Natureza e Homem-Homem, isto é, pelas relações para a produção de bens e pelas relações de troca. Para garantir sua sobrevivência, reprodução e povoamento do Planeta, a humanidade necessitou conhecer a natureza, conquistas espaços, ocupando-os e explorando-os em sua diversidade de fauna, flora e relevo. Nas relações com a natureza e com o grupo social de pertencimento, por meio do trabalho, os seres humanos desenvolveram habilidades, aptidões físicas e estratégias de organização, fundamentais para superar obstáculos e garantir a sobrevivência. Inicialmente, correr, saltar, rastejar, erguer e carregar peso eram habilidades essenciais para abater uma caça e transportá-la para “casa”, escapar de uma perseguição, alcançar lugares onde frutos fossem abundantes. Outras manifestações corporais e culturais se concretizavam em celebrações dos frutos do trabalho. As danças comemorativas das colheitas, danças de guerra, danças religiosas, dentre outras, são exemplos disso. Deste modo, os conteúdos a serem ensinados, inter-relacionados à cultura corporal, são amplos. Faz-se necessário integrar e interligar as práticas corporais de forma reflexiva e contextualizada. Isto é possível através dos elementos articuladores propostos pelas Diretrizes Curriculares da Educação Básica – Educação Física e Arte (PARANÁ, 2008, p.53): Cultura Corporal e Corpo, Cultura Corporal e Ludicidade, Cultura Corporal e Saúde, Cultura Corporal e Mundo do Trabalho; Cultura Corporal e Desportivização; Cultura Corporal – Técnica e Tática; Cultura Corporal e Lazer; Cultura Corporal e Diversidade e Cultura Corporal e Mídia. A função dos elementos articuladores é a de aumentar a compreensão das práticas corporais, apontando possibilidades de intervenção pedagógica, transitando então com os Conteúdos Estruturantes Esportes, Jogos e Brincadeiras, Ginástica, Lutas e a Dança, este último objeto de estudo deste projeto. Desta forma, o processo ensino/aprendizagem abrangerá pontos qualitativos no desenvolvimento da disciplina e fomentará ao aluno, um conhecimento mais amplo e qualitativo para a sua formação. O aluno e a dança contemporânea Proporcionar ao aluno a vivência teórica e prática da dança contemporânea é aproximá-lo das próprias transformações pelas quais a sociedade passou e que de certo modo influenciaram a caminhada da dança contemporânea. Em diferentes momentos históricos, a dança adquiriu novas formas de organização e construíram diferentes modos de se expressar frente ao mundo. Colocar o aluno neste contexto histórico cria uma ponte entre passado e presente e possibilita que o mesmo compreenda as mudanças que ele vivencia enquanto cidadão atuante de uma sociedade viva em transformação. É um movimento cíclico de fatos históricos influenciando outros fatos e de certa forma, possibilitando a mudança de pensamento frente a estes acontecimentos. E de certo modo foi o que aconteceu com a dança contemporânea. O aluno deve perceber que a dança sofreu modificações, transformando ritmos, expressões, formas de se apresentar e as suas próprias concepções de movimento. Mudanças que não surgiram de um dia para o outro. Historicamente, a dança contemporânea veio contrapor o que era dito de correto na dança clássica, rompendo padrões estéticos. É um período marcado pelo pós-modernoe que vem pontuar a dança contemporânea e seu contexto. Sua terminologia, no início, veio carregada de dificuldades em relação a sua própria definição e compreensão. Souza (2013, p.2) afirma que: O cenário atual das discussões acerca do que seja dança contemporânea e o próprio movimento pós-moderno nas artes é terreno fértil para se pensar novas possiblidades de construção tanto teórica quanto artística, pois se referem ao período em que sociedade se encontra. A cada nova discussão que surge, diferentes questionamentos e caminhos para se pensar esses temas se fazem necessários, para que se consiga ao menos definir quais são as suas características ao invés de tentar uma definição fechada e estática de um fenômeno que se propõe a ser um processo dinâmico e que está em constante transformação. Este processo dinâmico de transformação e que está em constante modificação possibilita pensar em um movimento contemporâneo na dança e como ele é identificado e compreendido, principalmente pelos alunos nas aulas de Educação Física. Souza (2013, p.5) também nos faz perceber que: Inicialmente a dança contemporânea surgiu em um período de revolução e ressignificação das formas de se conceber a dança na sociedade. Entender que os fatos históricos não sugerem evoluções ou involuções é primordial para se admitir os pressupostos de um movimento contemporâneo na dança, já que o mesmo está em constante transformação. Podemos verificar que a dança contemporânea buscou contrapor formas de organização e expressão das estéticas de dança. Sua relação com o novo abre mão do sentimento, da narração, da estrutura linear e de outras características da dança clássica e moderna. Nesta dinâmica de autoconhecimento, a dança contemporânea busca uma nova forma de se pensar e conceber dança. A relação com o fragmentado, a troca do palco para outros ambientes para apresentação, o improviso e a experimentação de criar passam a surgir como elementos que compunham o contemporâneo. Aqui encontramos uma relação saudável de aproximar o aluno com este estilo de dança. Esta forma de se apresentar ao mundo pelo seu novo contexto faz a dança contemporânea proporcionar a quem a pratica, a possiblidade de demonstrar novos comportamentos e de eclodir sentimentos que a sociedade reprime e rejeita. ➢ Em alguns laboratórios você pode levar imagens através de recortes de revistas e jornais, de bailarinos de dança contemporânea e de outras danças para que eles observem, imitem gestos e criem novas perspectivas de movimento. Selecione também imagens de animais em movimentos e posições variadas. Desta forma os alunos poderão imitar gestos de animais que podem ir do sutil ao mais intenso, trabalhando variadas formas de intensidade, força e imposição de ritmos para movimentos variados. Segundo Vitória (2010, p.47), o corpo é: O suporte da dança, antes disso, suporte da cultura. É biológico, psicológico, mas é social também. É, poderíamos dizer mídia – meio de comunicação – da dança, da cultura, da arte e de muitas outras coisas mais. Tal corpo-mídia é extensão, um prolongamento da dança pensada. Entendido como um meio de comunicação, um espetáculo de dança ou representação cênica deixa transparecer, através dos movimentos realizados com técnica, representações sociais. Reúne, portanto, pensamento e uma ou várias técnicas para transformá-lo em movimento coreografado. Outra questão importante a se considerar é que o bailarino de dança contemporânea não precisa ter o corpo padronizado da dança clássica. O corpo longilíneo e alongado é abandonado e abre espaço na dança contemporânea para um corpo diferente dos padrões. O “corpo utópico” do dançarino é capaz de realizar saltos, piruetas, quedas e suspensões que os corpos não treinados são incapazes de realizar; ou pode, mesmo dominando a técnica, construir movimentos comuns, levar para o destaque do dominado uma seleção de gestos e movimentos cotidianos. Essa possiblidade – característica da arte contemporânea – leva ao questionamento sobre o que é dança e o que constitui “simples movimento”. Também leva a pensar e a entender a dança tanto como criação de um artista coreógrafo com toda sua subjetividade quanto como tradutora de imaginários coletivos (VITÓRIA, 2010, p.47). Desta forma, elaborar um movimento neste estilo de dança possibilitará que todos participem da construção coreográfica como um todo, principalmente na modalidade de dança contemporânea, pois o que interessa em sua essência é o movimento a ser produzido. Um movimento carregado de corporalidade e que vem de encontro aos conteúdos que a Arte aborda e que se tornam essenciais para se compreender todos os outros conteúdos estruturantes da disciplina, incluindo a cultura corporal. Segundo Snizek (2007, apud SOUZA 2013, p.7), o trabalho com a dança contemporânea vem elaborar pressupostos quando diz que: A dança contemporânea se caracteriza por produzir uma “corporalidade” única, metafórica, e que pressupõe um isolamento em unidades menores de percepção os elementos do gesto e do corpo. A autora ainda ressalta que a pesquisa, observação, inquirição, reflexão experimentação e expressão passam da categoria de recursos para se produzir dança, para a categoria de objetivos da dança, ou seja, a Dança Contemporânea está intimamente ligada à transitoriedade e multiplicidade de propostas que surgem a partir de processos cada vez mais complexos para se pensar e produzir dança. Destarte, a dança contemporânea passa a ser vista como uma dança composta de elementos híbridos quando busca diferentes movimentos e elementos para sua composição. Ela encontra uma diversidade artística tão imensa que pode transpor a imaginação até mesmo de quem está no centro do processo de criação de uma proposta contemporânea de dança, mesmo sendo um bailarino informal. Esta relação entre aluno e bailarino informal pode ser um ponto positivo a ser trabalhado, visto que o aluno poderá, através da linguagem corporal, elaborar novas formas de se movimentar e este movimento estará vinculado à dança contemporânea e a possibilidade de fruir novas técnicas, estilos, movimentações e criações, permitindo que o próprio aluno internalize cada sensação e movimento do seu corpo. É esta relação entre conflito, corpo e movimento e das próprias poéticas da dança que nos fez aproximar este conteúdo aos alunos nas aulas de Educação Física. Com isso, levamos o aluno a refletir sobre seu corpo usado enquanto forma de pensamento, admitindo a estética da liberdade, do sentir inúmeras formas de se expressar, pensar e produzir dança e também conhecimento. Os elementos do movimento utilizados na dança quanto ao equilíbrio, espaço e tempo, deslocamentos em solo e aéreos, pontos de apoio, serão elementos a serem estudados como apoio ao movimento que o aluno criará. Quando a exatidão encontra sua materialidade no corpo da dança, espaço e tempo tornam-se apenas interfaces de um pensamento e que podem ser transformados em realidade. Um gesto mínimo, exato, bem trabalhado rompe limites de seu contexto para transformar em matéria-prima de movimento. Um detalhe de movimento passa a não ser mais um detalhe, mais uma composição coreográfica rica de elementos. Proporcionar este acesso ao aluno do conteúdo dança, ainda é um desafio a ser cumprido, porém, como conteúdo estruturante, a dança deve ser aplicada de forma a possibilitar discussões e debates que venham enriquecer professor e aluno nas questões relacionadas a este conhecimento. A dança possui um vasto campo de estudo e constitui-se historicamente, sendo legitimada nas relações sociais. Segundo as Diretrizes Curriculares da Educação Básica – Educação Física, (2008), a educação e o conteúdo dança abrem estas possibilidades de relações. A dança é a manifestação da cultura corporal responsável por tratar o corpo esuas experiências artísticas, estéticas, sensuais, criativas e técnicas que se concretizam em diferentes práticas, como nas danças típicas, danças folclóricas, danças de rua, danças clássicas, entre outras. (PARANÁ, 2008, p.70). Sob esse enfoque, há de se levar o aluno a adquirir uma consciência crítica e reflexiva sobre seus significados, proporcionando nas aulas de Artes um espaço para a criação de representações simbólicas, e não deixando de citar a dança contemporânea como produtora de múltiplos significados. Deste modo, ao introduzir o ensino da dança contemporânea, há que se considerar que o seu aspecto expressivo se confronta com a formalidade da aplicação de suas técnicas para execução, o que pode vir a diminuir o aspecto verdadeiramente expressivo. Para que isso não aconteça, faz-se necessário dialogar com os temas variados e apontar possibilidades aos alunos de desenvolverem estes temas em conjunto com as técnicas apropriadas. Devemos entender que a dança, como arte, não é uma transposição da vida, apenas uma representação estilizada e simbólica. Devemos também levar o aluno a perceber e ler as soluções expressivas encontradas pelo grupo para comunicar pelo movimento a sua ideia de sentimento e/ou pensamento. ➢ Se todos os laboratórios forem bem trabalhados e o resultado de cada for positivo, os alunos poderão colocar em prática todas as vivências e acima de tudo, colocar suas angústias e realidades vividas socialmente à mostra através da comunicação que a dança contemporânea possibilita. É o momento de estimulá-los a se comunicarem através de seus corpos e manterem esse diálogo com a sociedade de forma íntegra e relevante, sendo capaz de abrir os olhos de toda a sociedade na busca de mudanças significativas e sociais. Na dança são determinantes as possibilidades expressivas de cada aluno, o que exige habilidades corporais que, necessariamente, se obtêm com o treinamento. Em certo sentido, esse é o aspecto mais complexo do ensino da dança na escola: a decisão de ensinar gestos e movimentos técnicos, prejudicando a expressão espontânea, ou de imprimir no aluno um determinado pensamento/sentido/intuitivo da dança para favorecer o surgimento da expressa espontânea, abandonando a formação técnica necessária à expressão certa (COLETIVO DE AUTORES, 2012, p.81). Diante do exposto, observa-se que o desenvolvimento da técnica formal deve acontecer juntamente com o pensamento abstrato, pois este permite a compreensão clara do significado da dança e do que ela vem requerer como expressão nela contida. Não podemos esquecer que técnicas como o ritmo, o espaço e possibilidades de deslocamento, a energia empregada, não podem se desvincular das motivações psicológicas, ideológicas, sociais dos alunos, e principalmente da simbologia que se produz, da utilização que se faz das suas possibilidades corporais, ricas de vitalidade, dada a natureza da sua forma de comunicação não racional e da consciência que tem dos outros a quem comunica. Pressupostos teóricos sobre corporeidade e movimento ➢ Há duas espécies de equilíbrio corporal: o puramente mecânico, de um sistema físico; e um outro que o movimento e a consciência introduzem no corpo. ➢ O equilíbrio consciente é aquele que é trabalhado a partir do ponto de equilíbrio, que permite deslizar o corpo no espaço, em posições variadas, com o esforço de vencer um peso que embaraça os movimentos. ➢ Os impulsos internos a partir dos quais se origina o movimento são denominados como esforço. ➢ O corpo humano é um fenômeno organizado que possui sentimentos, emoção e uma grande sensibilidade que pode informar a respeito de uma linguagem própria. Considerações finais Como já mencionamos anteriormente, não havia a pretensão de se criar um conceito em relação à Dança Contemporânea a partir deste estudo, mas sim de evidenciar como sujeitos que estão diretamente ligados ao processo artístico, mesmo que em formação, percebem e enxergam como características e aspectos que podem dar indicação do que seja um movimento contemporâneo de dança. Verificamos que os aspectos ligados às múltiplas possibilidades de criação, improvisação, pesquisa de movimento, rompimento de padrões e estéticas, diversidade de pensamentos e compreensão crítica em relação ao mundo são características citadas pelos sujeitos pesquisados. Identificamos que os aspectos citados pelos sujeitos que participaram deste estudo são evidenciados nas falas de vários autores que tratam do tema. Não foram encontrados grandes conflitos em relação a como os indivíduos percebem a Dança Contemporânea, pois as respostas dos entrevistados em geral se completavam, sendo que às vezes se referiam aos mesmos pressupostos, porém com palavras e frases diferentes. Percebemos que se faz necessário que os estudos científicos em relação à Dança Contemporânea sejam ampliados, para que possamos cada vez mais perceber o quanto esse tema é terreno fértil para gerar discussões e questionamentos acerca da diversidade de pensamentos em relação a esta manifestação artística que vem se transformando e resignificando seus aspectos ao longo dos tempos. Referências BREGOLATO, Roseli Aparecida. Textos de educação física para sala de aula. Cascavel: Assoeste, 1994. COLETIVO DE AUTORES. Metodologia do Ensino de Educação Física. 1º reimpr. da 2º ed. São Paulo: Cortez, 2012. (Magistério 2º grau. Série Formação do Professor). GADOTTI, Moacir. Educação e Poder – Introdução à Pedagogia do Conflito. São Paulo: Cortez, 1998. MARQUES, Isabel Aparecida. Dançando na escola. São Paulo: Cortez, 2005. MARTINS, Mirian Celeste; PICOSQUE, Gisa; GERRRA, Maria Terezinha Telles. Didática do Ensino de Arte – A língua do mundo. São Paulo: FTD, 1998. MENDES, Mirian Garcia. A Dança. São Paulo: Editora Ática, 1997. PARANÁ. Diretrizes Curriculares da Educação Básica: Educação Física. Curitiba: Jam 3 Comunicação, 2008. SOUZA, Paulo Henrique Alves de. Dança contemporânea: percepção, contradição e aproximação. Pensar a prática. Goiânia, v. 16, n. 4, p. 1014-1030, 2013. Disponível em: http://revistas.ufg.br/index.php/fef/article/view/20245/15681. Acesso em: 23 jul 2020. STRAZZACAPPA, Márcia. Dança: um outro aspecto da/na formação dos indivíduos. A dimensão na formação e atuação docente. UNICAMP. Disponível em: http://30reuniao.anped.org.br/sessoes_especiais/sessaoespecialmarciastrazzacapp a -int.pdf. Acesso em: 23 jul 2020. VITÓRIA, Ana. Um traçado preciso de dança. Rio de Janeiro: 7 letras, 2010.