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GESTÃO DE PRODUÇÕES E OPERAÇÕES PROF – MARNON ESTEVAM AULA 2 – PRODUÇÃO COMO PARTE ESTRATÉGICA INTRODUÇÃO Em um primeiro momento, o termo estratégia de produção pode nos transmitir uma ideia de contradição. Afinal, como podemos justificar que as entregas periódicas de bens, materiais, produtos e serviços, atividades que sempre estiveram associadas às operações de produção, possam ser classificadas como estratégicas? Entretanto, sob outro aspecto, a estratégia de operação e produção se relaciona ao padrão de decisões e ações estratégicas que definem o propósito, os objetivos e as atividades da operação e produção. Assim, fica evidente que a estratégia se opõe às atividades rotineiras periódicas. Porém, não podemos considerar que, por se chamar operações, deveremos sempre equipará-la a níveis operacionais. Assim, fica evidente que a estratégia se opõe às atividades rotineiras periódicas. Porém, não podemos considerar que, por se chamar operações, deveremos sempre equipará-la a níveis operacionais. TRÊS PILARES 1) Tornou-se mais estratégica e, em função de sua representatividade para o desempenho das organizações, permite que elas sejam competitivas e sustentáveis, desde que bem gerenciadas; 2) Ampliou seu escopo de atuação, antes classicamente fabril, considerando os serviços como parte relevante não somente para a empresa originalmente prestadora de serviço, como também para organizações manufatureiras que tiveram de se diversificar e até inovar por meio da prestação de serviço como forma de se diferenciar da concorrência; 3) De pouco tempo para cá, deixamos de nos preocupar com unidades operacionais individuais (fábricas e prestadoras de serviços), e nosso desafio passou a ser a gestão de redes de suprimentos (unidades operacionais interativas). Considerando esses pilares como desafios, fez-se necessária a reinvenção da área e, em certa medida, até um descolamento das tradicionais técnicas consagradas e inspiradas em Taylor e Ford, tão marcantes em grande parte do século XX. CONCEITO Preconizado pela eficácia e somado ao desafio de fornecer valor para as demais partes interessadas, incluindo a sociedade, o conceito de alcançar resultados pretendidos desafia a administração da produção e operações, além de fornecer um produto e um serviço de acordo com as especificações requeridas. É preciso uma abordagem reativa e operacional, que considere as interfaces com outras funções dentro da engrenagem de uma organização e as necessidades e expectativas das partes interessadas. Como já vimos, são imprescindíveis as interfaces da área de operações com outras áreas, como marketing, finanças, suprimentos, vendas e recursos humanos, e, também, com o ambiente no qual a organização está inserida. Além disso, é necessário entender de que forma a organização se relaciona com as partes interessadas, como, por exemplo, grupos de pressão ambientais, concorrentes, governo, clientes externos etc. Alinhar o desempenho da área de operações para que ela se mantenha adaptada às mudanças desses fatores ambientais internos e externos pode contribuir para encarar melhor os desafios futuros. ENTENDENDO A ESTRATÉGIA Até o final da década de 1960, a gestão da produção e operações era vista como algo em nível operacional, com uma abordagem reativa às solicitações diversas da organização. Entretanto, essa realidade mudou no período pós-guerra, e em decorrência da indústria oriental japonesa, com seus econômicos automóveis em resposta à crise do petróleo, visando reagir, posteriormente, às ocorrências e solicitações da organização. Manter a área de administração da produção e operações alinhada às alterações provocadas por externalidades ambientais é um dos principais desafios para o futuro. Pensar estrategicamente a função de operações com vistas a processos de longo prazo e mantendo os recursos disponíveis, como infraestrutura e ambiente para realização de processos. Além da criação de competências e conhecimento organizacional, contribui para manter a organização sustentável e competitiva. Nessa linha, podemos entender estratégia como algo bem mais abrangente e assertivo do que uma série de decisões desconexas. A assertividade da gestão de operações nessa tomada de decisões vem por meio do estabelecimento, da manutenção e da melhoria do padrão global de desempenho, visando aumentar sua eficácia operacional. Essa atuação, associada ao fornecimento de produtos e serviços adequados, atende às necessidades e expectativas de partes interessadas e fornecendo valor para a sociedade de forma continuada. Diferentemente da visão taylorista suportada pela administração científica, não se sustenta mais a tese de que existe e é definitiva uma melhor forma de se executar um trabalho. Há sempre que considerar a influência significativa das características do ambiente em que a organização está inserida. EXEMPLO Uma companhia aérea que, ao encomendar uma nova aeronave a um fabricante, definiu suas características. O equipamento, além de ser supersônico e ter a capacidade de transportar 600 passageiros por voo, deveria ter o menor custo operacional por milha/passageiro e pousar em uma pista de apenas 500m de extensão. Dentro de um mesmo projeto de engenharia, caso este seja avaliado de forma individualizada, por características intrínsecas de desempenho e especificações, compatibilizar um avião supersônico com todas essas especificidades, nos obriga a concluir que fazer escolhas estratégicas implica renúncias idênticas. Em outras palavras, renuncia-se ao desempenho superior em um aspecto para que este seja privilegiado em outro. É disso que tratam os trade-offs. EXERCÍCIOS 1) Existe certo consenso atual sobre a razão de as decisões tomadas como parte da estratégia de operações serem consideradas estratégicas. Assinale a alternativa que não explica por que uma decisão é estratégica. a) Porque tem efeito abrangente e significativo em outros aspectos do negócio, influenciando e limitando substancialmente as formas com que a operação será capaz de competir no futuro. b) Porque define proativamente e mantém a posição da organização adaptada em relação a seu ambiente. c) Porque trabalha a fim de mover a organização para mais próximo de suas metas de longo prazo. d) Porque existe uma melhor forma de se executar um trabalho, independente da influência das características do ambiente em que a organização está inserida. Resposta: d) 2) A administração estratégica é uma das áreas de estudos organizacionais que observa aspectos relativos à interação da organização com o ambiente (mercado). Um dos pilares dessa relação reside no setor de produção e operações das empresas, que é estudado pelos teóricos não somente por seu aspecto operacional, mas, principalmente, por seu papel estratégico. Assinale a alternativa que traduz o caráter estratégico da área de produção nas organizações. a) A gestão estratégica de operações consiste em criar um padrão de decisões coerentes com a gestão estratégica, priorizando a alocação de recursos escassos e levando em conta os elementos estratégicos, já que a eficiência operacional é condição suficiente para êxito estratégico. b) O bom desempenho operacional está relacionado ao posicionamento estratégico da empresa na decisão de investimentos, mutuamente excludentes, como, por exemplo, o tipo de produto que se pretende produzir. Esse mecanismo é conhecido como trade-off. c) As estratégias organizacionais devem estar alinhadas a sua estrutura. A independência entre essas dimensões da organização permite que a estratégia seja definida de forma isolada das condições estruturais. d) O bom desempenho operacional demandará que a empresa desenvolva eficiência em todos os critérios qualificadores, atingindo o maior número de carteira de clientes, de forma pulverizada, bem como aumentando sua capilaridadee diminuindo riscos. Esse mecanismo é conhecido como trade-off. Resposta: b)