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GESTÃO DE PRODUÇÕES E OPERAÇÕES PROF – MARNON ESTEVAM AULA 3 – SISTEMAS DE PRODUÇÃO CONCEITO E FUNÇÕES BÁSICAS Toda organização pressupõe uma função de operações, mesmo que não seja reconhecida como tal, pois esta gera “pacote de valor”, que inclui composto de produtos e serviços para seus clientes, sejam eles internos (da própria empresa), sejam eles externos. A gestão de operações ocupa-se do gerenciamento estratégico dos recursos escassos (humanos, tecnológicos, informacionais e outros), de sua interação e dos processos que produzem e entregam bens e serviços, visando atender a necessidades e/ou desejos de qualidade, tempo e custo de seus clientes. Isso significa que essa área de conhecimento vem se desenvolvendo desde então, construindo um processo evolutivo que aponta para o que entendemos hoje como gestão de operações. Por isso, é possível retomar alguns pontos principais nesse percurso histórico. EVOLUÇÃO DA GESTÃO DA PRODUÇÃO 1. A chamada Revolução Industrial impulsionou uma série de transformações tecnológicas e, mais especificamente, o desenvolvimento industrial norte-americano ao longo do século XIX. Esse progresso criou um padrão em termos de gestão industrial de produtos tecnológicos de base complexa, permitindo que sua indústria automobilística se consolidasse. A invenção da máquina a vapor por James Watt, engenheiro escocês, cuja perfeição foi a chave para o desenvolvimento da Revolução Industrial. Sua primeira e mais importante invenção foi um modelo de condensador separado do cilindro, que permitiu obter maior aproveitamento do vapor e, assim, aumentar o desempenho econômico da máquina. Essa melhora foi um fator determinante para o avanço da revolução. 2. Esses contextos são relevantes, pois o conceito da gestão de operações se solidificou por meio de segmentos fundamentais, como a produção de aço e, posteriormente, a produção automotiva, capitaneadas respectivamente por: • Frederick Taylor • Henry Ford 3. Taylor desenvolveu esse modelo de administração, também conhecido como taylorismo, a partir da constatação de que a organização dos trabalhadores de forma sistemática, a ênfase nas tarefas e a especialização do trabalho garantiriam aumento da eficiência no nível operacional. 4. Prosseguindo com os princípios criados por Taylor, como o de racionalização da produção, Ford desenvolveu o termo fordismo, em 1914, para nomear os sistemas de produção em massa (linhas de produção) e gestão, que vieram a revolucionar a indústria automobilística. Com o objetivo de produção e consumo em massa, muitos países aderiram a esse método produtivo industrial, que foi extremamente importante para a consolidação da supremacia dos EUA no século XX. Ao longo dos séculos XIX e XX, a gestão da produção evoluiu e se modificou muito. Após seu início predominantemente industrial e mediante todas as alterações dos negócios ao longo do tempo, passou a ter de incorporar, também, a gestão de operações para o terceiro setor da economia. SISTEMAS FLEXÍVEIS DE MANUFATURA Um sistema flexível de manufatura (flexible manufacturing system – FMS) é um sistema de manufatura focado na flexibilidade para reagir a mudanças esperadas ou inesperadas no processo de fabricação. Precisamos compreender que a flexibilidade na manufatura é a capacidade de manter ou aumentar fatias de mercado decorrentes de: Rapidez na entrega: muitas vezes, isso significa alterar as programações de produção para responder a um pedido urgente de um cliente. Entregas em pequenos lotes: cada vez mais as empresas, incluindo clientes, desejam reduzir os seus estoques, querendo receber, diariamente ou semanalmente, a quantidade de produtos para atender a sua demanda nesse período. Capacidade de reação a picos de demanda em curto espaço de tempo. Desenvolvimento rápido de novos produtos, visto que o ciclo de vida destes diminui consideravelmente a cada dia. Esta flexibilidade é, geralmente, enquadrada em duas categorias nos FMSs: Flexibilidade de Máquina e Flexibilidade de Roteiro. Pode-se definir os sistemas de manufatura flexíveis como métodos de produção altamente automatizados, capacitados a produzir grande variedade de peças e produtos diferentes, usando o mesmo equipamento e sistema de controle. A produção flexível substituiu o modelo Ford de produção, pois este não atendia aos requisitos das perspectivas industriais modernas. Nesse sistema, as inovações tecnológicas são de fundamental importância para o surgimento de um novo modelo de produção, denominado indústria de ponta, agora vinculado à tecnologia e ao trabalho altamente qualificado. PRODUÇÃO ENXUTA Após a Segunda Guerra Mundial, o Japão precisava se reerguer. A guerra causou grandes perdas, os materiais e recursos eram escassos e os japoneses precisavam encontrar uma forma de competir com a Ford, que tinha desenvolvido e implementado um sistema de produção em massa de baixo custo. Mediante essa necessidade, nasceu o Lean Manufacturing, também conhecido como sistema Toyota de Produção. Essa metodologia visava entregar ao cliente exatamente o que ele desejava, no momento em que desejava (just-in-time) e com a melhor qualidade possível. Mas como isso é possível? Por meio de uma produção baseada em simplicidade, baixo custo, qualidade perfeita, envolvimento total dos funcionários e, principalmente, redução total às perdas e desperdícios. Portanto, o termo “produção enxuta” refere-se a um sistema de produção sem desperdícios. Porém, como isso é impossível em uma empresa, ela é vista como um tipo focado em ter o mínimo de desperdício possível, entregando ao cliente o que ele deseja, na hora em que deseja, e feito da maneira certa na primeira vez. Mas, o que são desperdícios e quais são os de uma empresa? Desperdício é tudo aquilo que consome recursos, mas não agrega valor ao cliente. Afinal, nós, clientes, não ficamos felizes em pagar por qualquer ação feita para a fabricação e entrega do produto que não agregue valor ao mesmo (só custos). OS 7 DESPERDÍCIOS NA PRODUÇÃO ENXUTA 1) Defeitos: São decorrentes de falhas no processo e/ou na operação do processo de matérias-primas. Quando ocorre, há duas opções para o produto: refugo ou retrabalho, sendo que ambos geram custos e não agregam valor aos clientes. 2) Produção em excesso ou superprodução: Corresponde à produção além do necessário, o que leva a utilizar mão de obra, matérias-primas e energia. 3) Estoques: Estoques excessivos de produtos finais, matérias-primas ou insumos geram altos custos financeiros e demandam espaço físico adicional e despesas de armazenamento, além de acarretarem custos de armazenamento desnecessários. 4) Espera: As esperas aumentam o lead time de produção e entrega, sendo, geralmente, causadas por filas nos centros de trabalho, máquinas paradas, pausas para limpeza ou falta de mão de obra, quebrando o fluxo do processo. 5) Transporte: Corresponde à movimentação de materiais de um local para outro, não adicionando valor algum para o produto. 6) Movimentação: Correspondem aos deslocamentos e movimentos do homem no local de trabalho. 7) Processos desnecessários ou inadequados: Ocorrem quando, para produzir algo, executam-se atividades desnecessárias (caso fossem eliminadas, não fariam a menor falta). Por exemplo: pessoas conferindo produtos que já o foram conferidos ou utilização de recursos para a produção que não os previstos (de maior produtividade), ocasionando períodos mais extensos de processamento e, consequentemente, maiores custos. EXERCÍCIOS 1) Um sistema de manufatura focado na flexibilidade para reagir a mudanças esperadas ou inesperadas no processo de fabricação é conhecido como: a) CAD/CAM; b) FMS; c) CIM; d) ERP. Resposta: b)