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Intervenção ABA
para autismo 
e deficiência 
intelectual
Disciplina 2 − Módulo 1
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Sumário
Watson e o nascimento do Behaviorismo 4
Burrhus Frederic Skinner 12
Principais obras de Skinner 18
O Behaviorismo Radical 21
4
Watson e o nascimento do Behaviorismo
Watson e o nascimento 
do Behaviorismo
Lucelmo Lacerda
Na história da humanidade, na maior parte do tempo, as pessoas 
compreenderam a realidade como parte de um mundo muito maior, que 
compreendia uma dimensão não natural, sobrenatural, seja habitada pelos 
espíritos das coisas, que eram entendidas como animadas (o chamado 
animismo), seja como um campo em que divindades, seres maiores, mais 
poderosos e etéreos, reinavam sobre o mundo natural.
As divindades primeiras eram caprichosas, cheias de vontades, como Zeus, 
a principal divindade do panteão grego, conhecido por seu apreço por 
mulheres e por impor suas vontades, sob pena de severa vingança, que 
podia incluir relâmpagos e dilúvios. 
Posteriormente, surgiram e se expandiram as religiões monoteístas que 
se baseavam em uma divindade que se fundamentava na dualidade entre 
bem e mal, advinda do zoroastrismo e aprofundada no cristianismo, nas 
quais a divindade se confundia completamente com o bem, a bondade, 
enquanto seu oposto era a maldade. A inimizade com Deus não era 
mais simplesmente a não obediência a suas vontades, mas a adesão ao 
mal (muita atenção com o lado sombrio da força, padawans). As novas 
divindades aderiram ao referencial da ética, iniciando o processo que foi 
chamado de Desencantamento do Mundo.
Esse processo de eticização da religião foi lhe extraindo o caráter mágico 
de explicação dos fenômenos da realidade como meras repercussões das 
vontades caprichosas dos deuses, e tornou-se progressivamente mais difícil 
explicar uma praga como fruto da ira de Deus, uma boa colheita como o 
bom humor divino ou quaisquer destas variações nos campos físicos, 
criando o contexto em que surgiu e se desenvolveu o racionalismo.
A Ciência surge da tentativa de estabelecer um processo de produção de 
conhecimento capaz de prever os fenômenos, ou seja, compreender tão 
5
Watson e o nascimento do Behaviorismo
profundamente o mundo que, a partir de certas informações, seja possível 
antecipar o que ocorrerá em determinadas circunstâncias.
No século XIX, as pessoas passaram a encarar de maneira diferente a 
realidade. A herança do Renascimento e do Iluminismo culminou em uma 
busca por utilizar a razão como mecanismo para conhecer a realidade, para 
que fôssemos capazes de descrever as coisas do mundo real de tal modo 
que nos possibilitasse atuar sobre esse mundo de modo efetivo.
Embora não tenha havido qualquer revolta contra o pensamento religioso 
ou contra a religião organizada, explicar o mundo através da vontade 
divina tornou-se algo progressivamente menos aceitável, o que deu lugar 
à razão como base para a busca do conhecimento do mundo. O advento 
do racionalismo nos instigou a procurar formas cada vez mais efetivas de 
conhecer a realidade, culminando com o surgimento da Ciência. Tempos 
depois, com o advento da Física, e com a Química assimilando a herança da 
Alquimia, assim como a Astronomia absorveu a da Astrologia, esse processo 
mostrou-se – e ainda se mostra, infelizmente – muito mais complexo nos 
domínios que envolvem a compreensão dos seres humanos.
Foi nesse contexto, entre o final do século XIX e o início do século XX, que 
surgiram diversas propostas filosóficas, culminando no aparecimento do 
Behaviorismo, na década de 1910, sob a liderança de John B. Watson, nos 
Estados Unidos, em um dos principais centros de desenvolvimento científico 
do mundo.
A ciência é um conhecimento sobre a realidade que se baseia na 
racionalidade, mas como podemos definir quais são os melhores métodos 
de pesquisa? Qual é a natureza do conhecimento científico? Como devemos 
produzir ciência?
Todas essas questões são muito relevantes e podem parecer menores 
porque houve séculos de avanço que nos propiciaram um conhecimento 
científico que se traduziu e se traduz, cotidianamente, em tecnologia 
altamente eficaz, que afeta todas as pessoas e demonstra o poder deste 
conhecimento. Mas essa construção não foi simples: ela passou por 
diversos estágios importantíssimos e continua a passar todos os dias. 
O campo que investiga como reconhecemos algo como conhecimento 
científico – qual a sua natureza, se é verdadeiro, quase verdadeiro ou 
6
Watson e o nascimento do Behaviorismo
não verdadeiro, se representa ou constitui a realidade – é um ramo da 
Filosofia chamado Epistemologia. Esse campo forneceu o cenário crítico 
para o surgimento do Behaviorismo, em 1913, mas também se transformou 
profundamente desde então.
Watson, como todo grande pensador, foi um homem de seu tempo, uma 
pessoa que foi capaz de estudar o que havia de conhecimento até então 
e formular uma síntese, o Behaviorismo (que podemos chamar também de 
comportamentalismo).
As fontes que possuem maior influência no pensamento de Watson são:
1. O Objetivismo de Comte;
2. O Funcionalismo;
3. A Psicologia Animal.
A primeira grande proposta filosófica que nos interessa é o Positivismo 
(importante lembrar que a versão contemporânea do Behaviorismo, o 
radical, não parte dos mesmos pressupostos), elaborado por Auguste 
Comte, que defendeu o que chamou de Lei dos Três Estados. A ideia é 
que o conhecimento sobre as coisas seguia um processo em que elas 
eram explicadas, primeiramente, por meio da religião, encontrando causas 
sobrenaturais para o funcionamento do mundo. Depois, esse conhecimento 
caminhava para o estado metafísico, em que se supunha a existência de 
forças acima da natureza, não físicas. A terceira fase seria a científica, na 
qual o mundo seria tomado pelo que é, um fenômeno natural em todas as 
suas dimensões e aspectos.
O Positivismo entendia que esses três estados eram o processo natural 
pelo qual tudo passava, inclusive a Psicologia, que começara também com 
a compreensão das alterações entre as formas de ser como reflexos dos 
espíritos e forças sobrenaturais, passando pela metafísica e chegando, por 
fim, em algum tempo, a alguma visão científica sobre os seres humanos.
Para o Positivismo, a “natureza” que o cientista desejava conhecer era real, 
independentemente de nós a observarmos, a conhecermos ou não; ela 
existe e os cientistas nada mais fazem do que descrever esta realidade, 
que continha em si todo o seu conhecimento. Ou seja, o cientista era um 
7
Watson e o nascimento do Behaviorismo
agente descritivo, era alguém que registrava, em uma língua, os códigos da 
realidade. 
Ocorre que, nessa perspectiva, o grande desafio é conter as próprias 
opiniões e tendências; o cientista tinha a si mesmo como inimigo – o que 
ele precisava gravemente combater, lutar dia após dia, era contra qualquer 
perversão do conhecimento da realidade. O cientista deveria ser um 
observador completamente neutro.
A ideia de que a ciência pode ser um produto asséptico da relação entre 
o observador da realidade, que é o cientista, e seu objeto de estudo, 
a natureza, já foi completamente superada. Hoje é aceito, de modo 
consensual, que a ciência é um conhecimento formulado pelo cientista, 
e que não há nenhuma forma de se esquivar de sua própria cultura, sua 
própria língua, suas convicções. 
Embora o cientista possa e deva trabalhar para que seja mais objetivo 
e que o conhecimento que produz tenha mais capacidade de prever e 
controlar fenômenos, não há como separar o conhecimento científico de 
seus proponentes. Como diria Skinner, a ciência é o comportamento verbal 
do cientista e o comportamento verbalé controlado pelas variáveis do 
contexto, de modo que o conhecimento científico é igualmente produto das 
variáveis que constroem o cientista, tal como ele o é.
Dentro desta perspectiva positivista dominante no século XIX, é que nasce 
o Objetivismo psicológico, que propunha trazer uma perspectiva objetiva, 
neutra, também para o campo da Psicologia, que até então se dedicava a 
estudar a consciência como objeto de pesquisa, o que obviamente não é 
uma coisa objetiva, mensurável, tangível ou mesmo diretamente acessível. 
O método fundamental da Psicologia da época era o introspeccionismo, 
em que os indivíduos eram inquiridos sobre o que pensavam, sentiam 
e acreditavam e esses relatos eram tomados como um produto da 
observação dessa consciência pelo sujeito que relata. A forma de realizar 
a interpretação destes relatos também era assistemática e subjetiva, 
fazendo com que o discurso objetivista na Psicologia se opusesse 
gravemente à corrente dominante que se agarrava à introspecção ainda 
na virada de século.
8
Watson e o nascimento do Behaviorismo
Watson, por vezes, admitiu que era possível inquirir as pessoas de algumas 
formas específicas e sobre determinados temas, de modo que aquilo que 
elas dissessem pudesse ser tomado como um relato fiel do que ele pensava 
e/ou sentia, proposição pela qual foi atacado por parte de seus pares, 
acusado de banir o introspeccionismo por uma porta e admiti-la pela porta 
de trás. Noutras ocasiões, porém, refutou de modo incisivo o uso de relatos 
como fonte para o trabalho psicológico, evidenciando a mesma fluidez com 
que tratou a influência da genética no comportamento humano e outros 
temas. Essa postura revela uma característica importante de quem desbrava 
novos caminhos, como fez o Behaviorismo na Psicologia: a capacidade 
de demonstrar flexibilidade e de se transformar ao longo do percurso, à 
medida que novas evidências e perspectivas surgem.
No entanto, o Objetivismo psicológico não era a única corrente a influenciar 
o surgimento do Behaviorismo. Também cumpriram um papel especial neste 
processo o fortalecimento da Psicologia Animal e do Funcionalismo.
Desde que Charles Darwin propôs a Teoria da Evolução, o mundo tem 
estado em alvoroço diante de diversos aspectos dessa ideia. Talvez o mais 
perturbador tenha sido a noção de que os seres humanos não estão acima 
ou fora da natureza, mas fazem parte dela – resultado do mesmo processo 
de seleção das espécies que, a partir de estruturas incrivelmente simples, 
levou ao surgimento de toda a diversidade de formas vivas: a baleia, a 
aranha, o pinguim, a galinha, a barata e, claro, o próprio ser humano.
É claro que essa perspectiva provocou violenta reação daqueles que 
defendem o “caráter especial” dos seres humanos, feitos à imagem de Deus 
e portadores de aspectos essenciais não naturais, na verdade, para muito 
além da natureza. Assim, como não poderia deixar de ser, os defensores de 
Darwin e da Teoria da Evolução também foram às armas por suas posições 
e desencadearam um imenso programa de pesquisa para submeter a 
perspectiva darwinista (e seu oposto) a rigoroso escrutínio. Tarefa alcançada 
muitos anos depois e incorporada à noção de genética na esteira de Mandel 
e tantos outros que o sucederam.
Um dos eixos centrais para a demonstração empírica da teoria evolucionista 
de Darwin era o estudo da continuidade entre os diversos animais, contendo 
os seres humanos como parte. Provavelmente a mais especial característica 
dos seres humanos seria sua experiência enquanto ser, sua psicologia, 
9
Watson e o nascimento do Behaviorismo
sua “subjetividade”, de modo que isso os separava, supostamente, da 
natureza. Construir uma psicologia animal que demonstrasse uma espécie 
de continuidade entre os animais não humanos e os animais humanos era 
central dentro deste projeto cético, e assim se fortaleceu enormemente 
esse campo de pesquisa, no qual se inserem figuras como Thorndike e 
Pavlov, que tiveram decisiva influência sobre Skinner, Loeb e inclusive o 
próprio Watson, que se dedicou extensivamente à pesquisa com animais.
As pesquisas com animais se consolidaram e passaram desde a tradição do 
Behaviorismo de Watson para o Behaviorismo Radical, sendo um excelente 
recurso de produção de conhecimento com maior controle de variáveis, 
preocupações éticas menos centrais e uma simplicidade do comportamento 
que torna mais fácil as observações e a experimentação. As primeiras 
décadas do Behaviorismo Radical também foram dedicadas extensivamente 
à pesquisa com animais, retirando, no entanto, o caráter antropormofizante 
que a pesquisa científica possuía neste período anterior.
“Quais são os elementos de nossa Psiquê?” se perguntavam diversos 
sujeitos que estavam embrenhados no desafio da Psicologia humana. Essa 
foi, por exemplo, uma pergunta feita por Freud e pelos estruturalistas. 
Nem todos, entretanto, estavam realmente interessados nisso; havia quem 
acreditasse que sair em busca de que elementos constituem a psicologia 
humana era um enquadramento inadequado para o estudo da Psicologia, 
que não era a estrutura psíquica, psicológica, mental ou qualquer outro 
nome que se possa dar a estes elementos que interessava, mas o processo 
de existir no mundo. Essa forma de abordar o fenômeno psicológico 
constituiu o movimento chamado de Funcionalismo, que exerceu enorme 
influência sobre Watson e o Behaviorismo de modo geral.
O Funcionalismo se dedicava aos processos em que o indivíduo existia, 
se opondo ao estruturalismo, que buscava as estruturas psíquicas da 
Psicologia humana. Segundo Schultz & Schultz, William James, um dos 
mais importantes fundadores do Funcionalismo, “acreditava serem as 
experiências conscientes simplesmente experiências conscientes e não 
grupos de conjuntos de elementos” (Schultz & Schultz, 2009, p. 161). Angell, 
outro funcionalista importante e com forte influência na carreira acadêmica 
de Watson, inclusive considerado como Pseudobehaviorista, chegou a 
proclamar que a “consciência” seria excluída do vocabulário da Psicologia, 
10
Watson e o nascimento do Behaviorismo
em benefício da ação do fazer humano, do processo como objeto de estudo 
fundamental da Psicologia (Carrara, 2005, p. 60).
O Funcionalismo se concentrou, em princípio, na chamada Escola de 
Chicago, sob a liderança de dois intelectuais em especial. O primeiro deles 
foi John Dewey, de longa carreira e forte influência também na educação. O 
autor defendeu que a Psicologia deveria se dedicar à análise do indivíduo 
inteiro e como ele funcionava no ambiente, isto é, pensar o comportamento 
humano a partir do que ele significava para o organismo, de seu papel 
adaptativo para o sujeito. Ou seja, o Funcionalismo não se interessava pelo 
organismo em si, mas por seu funcionamento, pelo processo em que ele 
agia no ambiente.
A outra vaga desta história é de James Rowland Angell, nada mais nada 
menos que o orientador de John B. Watson. Com uma carreira brilhante, 
que incluiu a reitoria de Yale e a presidência da Associação Americana de 
Psicologia, Angell desenvolveu um trabalho, no campo do Funcionalismo, 
com enorme influência, que sintetizamos em 3 aspectos: 
a) Angell voltou-se formalmente contra o Estruturalismo de Titchener e 
acentuou a divisão entre eles; enquanto o Estruturalismo se dedicava ao 
conhecimento das estruturas mentais, o Funcionalismo se interessava 
pelos processos mentais, humanos, isto é, dedicava-se a conhecer 
o modus operandi do processo mental, o que se realiza e em que 
condições se realizam tais operações; 
b) O Funcionalismo era utilitarista, assim, a consciência era vista como 
executora de processos úteis ao organismo em diferentes contextos, 
e uma tarefa essencial era a descoberta dessas relações, a que servia 
cada processo; e 
c) O Funcionalismo é a psicologia das relações psicofísicas, que não 
admitia a distinção entre mente e corpo e os considerava pertencentes 
à mesma classe, abrangendo todas as funções nestas esferas. 
Dado todo essecontexto, emerge a figura de John Broadus Watson 
(1878-1958), um psicólogo nascido em Nova Iorque, formado e com 
primeira atuação na Universidade de Chicago, depois se mudando para 
a Universidade John Hopkins, onde construiu sua brilhante carreira 
11
Watson e o nascimento do Behaviorismo
acadêmica, encerrada prematuramente por um escândalo sexual que 
ocasionou sua demissão e rejeição em todo o campo acadêmico, o que o 
levou à atuação empresarial na área da publicidade e propaganda, onde 
teve enorme sucesso utilizando os princípios behavioristas.
Talvez possamos dizer que Watson não propôs, de fato, nada novo ou 
especial. Ele não foi um teórico revolucionário, mas sim um agente dos 
tempos, capaz de reconhecer, ordenar e lutar por uma nova lógica no 
campo da Psicologia, estabelecendo firmemente o cenário de uma 
Psicologia Behaviorista e detratando seus opositores com todo o vigor.
Em 1913, Watson publicou um artigo que ficou conhecido como o Manifesto 
Behaviorista, justamente por apresentar formalmente sua perspectiva e 
propor este caminho como uma estrada segura para a Psicologia moderna 
e científica que o autor defendia.
Apesar de o Objetivismo se afastar do Introspeccionismo, ele não propunha 
um caminho de pesquisa que pudesse oferecer à Psicologia outras bases 
de trabalho. Seria quase como a ideia de que a Psicologia seria uma ideia 
impossível, uma semente infértil para a produção científica, enquanto 
Watson propôs claramente que o objeto da pesquisa na Psicologia deveria 
ser modificado da consciência (ou mente) para o comportamento humano. 
É verdade que foi duramente criticado por não apresentar o mesmo objeto 
sob outro enquadramento: a noção de Comportamento, tal como ele a 
definiu, configurava um reducionismo diante da Psicologia vigente. Ainda 
assim, naquele momento, sua formulação direta e específica resolveu a 
principal contradição da corrente objetivista.
A Psicologia Animal ganhava espaço e proliferava à toda, mas suas 
descrições sempre inferiam uma espécie de mente ou de consciência 
menos evoluída para explicar os processos comportamentais que eram 
avaliados. Assim ocorria com todos os grandes nomes, como o próprio 
Pavlov e Thorndike. 
Assim, se um gato passava a se comportar de uma certa forma depois de 
um certo estímulo, interpretava-se que ele pensou algo, ou que sua “mente” 
ou “consciência” se modificou em certo sentido, sempre na procura de uma 
entidade superior da qual o comportamento fosse expressão, contradição 
12
Watson e o nascimento do Behaviorismo
que também foi resolvida por Watson ao estabelecer o comportamento em 
si como objeto de estudo.
Enquanto os funcionalistas encaravam a Psicologia como a ciência da vida 
mental, que estudava os processos em que os sujeitos agem como aquilo 
que se poderia chamar de consciência, incorriam no problema fundamental 
de dedicarem-se a um processo sem uma operacionalização clara de sua 
visão, de modo que Watson também encarou esta contradição ao retirar a 
mente do campo de estudo da Psicologia.
Era preciso, portanto, que essas ideias fossem reunidas e depuradas. Foi 
exatamente este o papel de Watson: aproveitar essas influências e formar 
um corpo capaz de propor a si mesmo como uma substituição da Psicologia 
vigente, que propusesse um modelo diferente de encarar os seres humanos.
Progressivamente, o Behaviorismo foi sendo transformado desde sua raiz, 
especialmente com a chegada de Skinner ao cenário, o mecanicismo deu 
lugar ao pragmatismo funcionalista de Ernst Mach, o dualismo deu lugar 
ao monismo, a limitação à relação entre estímulo-resposta deu lugar a um 
sistema complexo fundamentado em grande medida no Comportamento 
Operante, entre outras muitas modificações, que veremos nos tópicos 
seguintes.
Burrhus Frederic Skinner
Vamos falar brevemente deste importantíssimo intelectual chamado Skinner. 
Formado primeiramente em Letras, Skinner não estava satisfeito com sua 
área e se interessou pelo que estava ocorrendo na Psicologia, decidindo 
fazer um doutorado em Harvard, no Departamento de Psicologia. No 
entanto, nas voltas que o mundo dá, acabou vinculado à Psicologia, que 
emitiu seu título de Doutor, tendo realizado, no entanto, toda a sua pesquisa 
na Fisiologia, praticamente sem orientação.
Em sua tese de doutorado, Skinner fez uma apreciação do conceito de 
reflexo (ou comportamento respondente), já começando a ensaiar a noção 
de comportamento operante que desenvolveu posteriormente. Um amigo 
desse período, Fred Keller, ficou especialmente impressionado com Skinner 
13
Watson e o nascimento do Behaviorismo
e teria, posteriormente, papel decisivo na formação do campo da Análise do 
Comportamento no mundo.
Em princípio, Skinner trabalhou muito com animais, tendo influência de 
muitos pensadores como Thorndike, Mach e Watson, entre inúmeros outros, 
vindo a elaborar uma nova versão do Behaviorismo, ao qual se adicionou 
o adjetivo “Radical”, para sinalizar que neste novo comportamentalismo, a 
raiz de toda a compreensão humana poderia e deveria se dar pela análise 
de seu comportamento, não por uma simples questão metodológica, como 
propõe o Behaviorismo Metodológico, mas porque todo fazer humano é 
comportamento.
Skinner primeiramente enfrentou a questão do delineamento do campo 
do comportamento, estabelecendo uma distinção fundamental entre 
o comportamento respondente e um outro tipo de comportamento, o 
operante. Ele fez isso trabalhando de maneira intensa com animais, como 
ratos e pombos, elaborando a teoria comportamental a partir de seus 
princípios básicos.
Em 1938, Skinner publicou o livro O comportamento dos organismos, em 
que apresentou sua proposta como um sistema, que fez com que Keller 
reconhecesse que aquilo era algo a que realmente se poderia aderir e 
que ele poderia divulgar, como de fato o fez. Keller escreveu um influente 
livro de introdução à Psicologia, muito baseado em Skinner, levando essas 
ideias para os quatro cantos do mundo, inclusive para o Brasil, onde 
trabalhou na década de 1950, construindo uma base sólida de Analistas do 
Comportamento, como Carolina Bori, João Claudio Todorov, Maria Amélia 
Matos, Rodolpho Azzi, entre muitos outros.
O autor brasileiro Kester Carrara entende que o sistema skinneriano só 
foi realmente desenvolvido em 1945, com a publicação do trabalho The 
operational analysis of psychological terms1 (Carrara, 2005), mas o consenso 
é que a obra mais completa de Skinner sobre seu sistema foi publicada 
em 1953, chamada Ciência e Comportamento Humano, que ainda é 
utilizada em cursos de Psicologia como base para o ensino da Análise do 
Comportamento.
1 Análise operacional dos termos psicológicos (em tradução livre).
14
Watson e o nascimento do Behaviorismo
Quando a tarefa de construção de seu sistema estava mais avançada, 
sustentada em bases firmes e com sólidas demonstrações empíricas, 
Skinner quis mais e sua produção foi em busca do que há de mais 
elaborado, mais complexo, em termos de comportamento humano para 
demonstrar que o comportamento é, realmente, a raiz de tudo.
O primeiro livro desse tipo, publicado em 1957 e considerado ousado 
para sua época, foi Comportamento Verbal. Nele, Skinner argumentou 
que a comunicação humana segue as mesmas leis que regem outros 
comportamentos, classificando as diferentes formas verbais de acordo com 
os antecedentes presentes e com o tipo de reforçamento que as sustentava 
– elaboração que ficou conhecida como Operantes Verbais. Diferentemente 
de suas obras anteriores, contudo, esse livro não foi resultado direto 
de pesquisa empírica, mas uma derivação de estudos básicos e uma 
interpretação teórica rigorosa desses dados, aplicada a um contexto distinto 
daquele em que haviam sido originalmente obtidos. 
Nessa obra, o autor considerou como “comportamento verbal” todo 
fazer humano cujo reforçamento não era diretamente produzido pelo 
comportamento, mas sim por meio da mediação de outra pessoa, treinada 
pela comunidade verbal para essa mediação.O comportamento verbal, 
portanto, poderia ocorrer por fala, gestos, cartões e sinais, qualquer forma 
que, compreendida por uma outra pessoa treinada, faria com que ela 
mediasse o reforçamento. Assim, se um consumidor pede ao garçom uma 
cerveja, ele se comporta e o reforçamento, operado pela cerveja, é mediado 
por esse garçom. O consumidor pode ter dito “Chefe, vê uma cerveja pra 
mim, por favor?”, pode ter simplesmente feito um gesto apontando a garrafa 
vazia, pode ter tocado em um tablet com o cardápio, mas, de todas as 
formas, o reforçamento foi mediado por uma pessoa treinada para essa 
tarefa. Esses são todos exemplos de comportamento verbal.
O livro Comportamento Verbal foi duramente criticado dentro da 
comunidade de Analistas do Comportamento por não se basear em 
pesquisas experimentais específicas para aquelas afirmações, e recebeu 
uma pesada crítica externa, especialmente do linguista Noam Chomsky, 
advindo de outro campo de pesquisa, de natureza cognitivista, que teceu 
diversas críticas à perspectiva comportamental, sendo a maioria delas 
baseadas em equívocos sobre o tema, uma vez que ele não conhecia a 
15
Watson e o nascimento do Behaviorismo
Análise do Comportamento e sequer havia lido todo o livro que criticava. 
Ainda assim, por este conjunto de fatores, o livro de Skinner ficou 
“enterrado”, até que Murray Sidman resolveu, entre as décadas de 1970 
e 1980, o principal problema da perspectiva comportamental sobre o 
comportamento verbal, que era o surgimento de novos comportamentos não 
diretamente reforçados (isso veremos depois), e Jack Michael colocou o livro 
debaixo do braço e o adotou como aquilo que ele de fato era: um verdadeiro 
programa de pesquisa (ainda hoje incompleto). Surpreendentemente, a 
esmagadora maioria das afirmações feitas por Skinner naquela obra se 
demonstraram corretas por rigorosa experimentação posterior, inclusive 
com grande impacto sobre a área aplicada às intervenções com pessoas 
com desenvolvimento atípico.
Outra obra igualmente ousada foi Tecnologias do Ensino, na qual Skinner 
examinou os equívocos e as potencialidades educacionais a partir da 
ciência do comportamento, propondo um ensino baseado em novas e 
inovadoras premissas. Suas ideias serviram, de um lado, como fundamento 
para experiências pedagógicas marcantes — como a Escola da Ponte, 
em Portugal, e boa parte da instrução programada do ensino a distância 
contemporâneo — e, de outro, foram equivocadamente interpretadas como 
uma defesa da substituição dos professores por máquinas de aprender.
Essas máquinas eram dispositivos que apresentavam, mecanicamente, 
atividades para os estudantes, que respondiam de maneira correta ou 
errada. Caso acertassem de modo consistente, demonstrando que atingiam 
os critérios de aprendizagem, os estudantes passavam para o próximo 
tópico, assim como aqueles que não acertavam suficientemente ficavam no 
mesmo nível até aprenderem adequadamente, individualizando o processo 
de ensino e respeitando os ritmos individuais. No livro, Skinner acentua 
o papel do professor como alguém que apoia os estudantes de modo a 
explicar, resolver problemas, ajudar na escolha de certos percursos – uma 
tarefa muito superior à de selecionar atividades em sala de aula (o que era 
feito antes na programação das máquinas de aprender), mas o discurso 
apressado e corporativista também fez com que este livro ficasse por muito 
esquecido.
Na visão de Skinner, a escola deveria ser um lugar maravilhoso – o lugar 
de aprender deve ser bonito, agradável, cheiroso (olha que sacada!) para 
16
Watson e o nascimento do Behaviorismo
produzir um reforçamento poderoso para os vários comportamentos que a 
escola se propõe a produzir e, mais ainda, para o próprio comportamento 
de aprender, que possibilitaria aos indivíduos interagir com outros 
ambientes e ter autonomia para aprender muitas outras coisas não 
planejadas pela escola.
Em suas últimas obras, o autor ainda analisou temas sofisticados, como 
arte, poesia e as várias formas do amor, como se pode ler em Questões 
Recentes da Análise do Comportamento, demonstrando que a Análise do 
Comportamento é uma ferramenta versátil e complexa de descrição dos 
fenômenos humanos. 
Por outro lado, o autor também refletiu seriamente sobre a humanidade 
e nossas limitações e possibilidades. Em um livro chamado Walden II, 
Skinner pensou em uma sociedade perfeita, governada por um modelo a 
que chamou de “personocracia”, em que os conhecimentos derivados das 
ciências do comportamento seriam a base do governo. Esse livro é uma 
das grandes controvérsias em nosso campo de estudo: para alguns, a 
realidade imaginada por Skinner configura uma utopia; para outros, trata-
se de uma verdadeira distopia. Walden II inspirou diversas comunidades 
reais — a mais duradoura delas, ainda em atividade, é Los Horcones, onde 
decisões são tomadas a partir de experimentos científicos cujos resultados 
são publicados sem autoria individual, apenas sob o nome coletivo do 
grupo. Outras comunidades semelhantes fracassaram, e muitos consideram 
a proposta de Skinner ingênua, apontando que seu modelo poderia 
facilmente degenerar-se em um autoritarismo tecnocrático.
Outro livro mais filosófico é Beyond Freedom and Dignity, que em tradução 
literal significa “Para além da liberdade e da dignidade” e que sofreu (a 
palavra ideal é essa, que remete a sofrimento) a infeliz tradução de “O mito 
da liberdade e da dignidade”. Nele, o autor discorre longamente sobre o 
papel do ambiente em nosso comportamento, argumenta que a liberdade 
não é nunca absoluta, que somos governados por uma interação com o 
contexto em que vivemos. Assim, à medida que nossa realidade muda, 
também mudamos.
Por um lado, pode parecer uma acepção limitadora de homem, quando, na 
verdade, é precisamente o contrário. Skinner argumenta que se quisermos 
pessoas boas, adeptas da paz, que preservem o meio ambiente, etc., temos 
17
Watson e o nascimento do Behaviorismo
que arranjar nosso ambiente para produzir contingências que reforcem 
precisamente estes comportamentos e que impeçam o reforçamento 
dos comportamentos que lhes são opostos. Em outras palavras, Skinner 
assumiu que a responsabilidade por um mundo mais justo está em nossas 
mãos e que a Análise do Comportamento deveria se comprometer com 
esse objetivo ético.
Nessa obra, o autor examina a visão de senso comum sobre o tema, 
que busca explicar por que as pessoas se comportam de maneiras tão 
distintas – algumas alcançando sucesso, outras acumulando fracassos 
– atribuindo a elas características como perseverança, coragem, medo, 
fraqueza, determinação ou ousadia, entre muitas outras, que supostamente 
brotariam de suas mentes, vistas como inexplicavelmente diferentes. Parte 
da ciência endossa esse tipo de explicação, ao adotar constructos teóricos 
como a “mente”, mesmo sem existência física no mundo real, como recurso 
explicativo. No entanto, essa estratégia acaba aprisionando a Psicologia em 
um esquema circular de explicação, que não permite o avanço rumo ao 
verdadeiro propósito científico: a predição e o controle dos fenômenos.
Assim, se um estudante não realiza as atividades propostas na escola, 
pode-se atribuir isso a um suposto estado mental chamado “preguiça”. 
Mas, ao perguntar como se chegou a essa conclusão, a resposta seria 
algo como: “porque ele nunca faz a lição”. E, se questionarmos novamente 
por que nunca faz a lição, a réplica será: “ora, porque é preguiçoso”. 
Forma-se, assim, um círculo pseudoexplicativo que nada esclarece e, pior, 
impede a busca de intervenções que realmente promovam a mudança 
do comportamento e o avanço de uma ciência capaz de contribuir para o 
desenvolvimento da sociedade.
Skinner morreu em 18 de agosto de 1990, pouco depois de publicar sua 
última obra, sendo, portanto, um autor que acompanhou cerca de 60 anos 
desse campo de estudo como seu principal experimentador e formulador, 
desenvolvendo sempre obras revolucionárias e solidamente fundamentadas,sendo a construção teórica da contingência, base do comportamento 
operante, comparada, em termos de relevância, à formulação da Teoria da 
Evolução, à Genética e às Teorias da Relatividade e da Mecânica Quântica.
18
Watson e o nascimento do Behaviorismo
É claro que a Análise do Comportamento não é limitada a Skinner e, como 
qualquer ciência, o objetivo é que ele seja largamente superado. Mas o 
conhecimento deste autor ainda é fundamental para as bases desta ciência 
e para compreendermos os fenômenos comportamentais. Recentemente, a 
Teoria das Molduras Relacionais (RFT), apresentou-se como uma Teoria Pós-
Skinneriana, causando grande frisson dentro da comunidade de Analistas 
do Comportamento, acentuando a necessidade imperativa a qualquer 
ciência de esquivar-se de qualquer tipo de dogma e de “fidelidade” a 
qualquer autor – a única fidelidade que uma ciência pode ter é com as 
evidências disponíveis.
Principais obras de Skinner 
 • Skinner, B. F. The Concept of the Reflex in the Description of Behavior. 
Journal of General Psychology, 1931, 5, 427-457.
 • Skinner, B. F. On the Rate of Extinction of a Conditioned Reflex. Journal of 
General Psychology, 1933, 8, 114-129.
 • Skinner, B. F. A Discrimination Without Previous Conditioning. Proceedings 
of the National Academy of Science, 1934, 20, 532-536.
 • Skinner, B. F. The Generic Nature of the Concepts of Stimulus and 
Response. Journal of General Psychology, 1935, 12, 40-65.
 • Skinner, B. F. The Effect on the Amount of Conditioning of an Interval of 
Time Before Reinforcement. Journal of General Psychology, 1936, 14, 279-
295.
 • Skinner, B. F. The Behavior of Organisms: An Experimental Analysis. New 
York: Appleton-Century-Crofts, 1938.
 • Skinner, B. F. The Alliteration in Shakespeare Sonets. Psychological 
Record, 1939, 3, 186-192. 
 • Skinner, B. F. A Quantitative Estimate of Certain Types of Soundpatterning 
in Poetry. American Journal o f Psychology, 1941, 54, 64-79.
19
Watson e o nascimento do Behaviorismo
 • Skinner, B. F. The Operational Analysis of Psychological Terms. 
Psychological Review, 1945, 52, 270-277.
 • Skinner, B. F. Differential Reinforcement with Respect to Time. American 
Psychologist, 1946, 1, 274-275.
 • Skinner, B. F. “Superstition” in the Pigeon. Journal of Experimental 
Psychology, 1948(a), 38, 168-172.
 • Skinner, B. F. Walden Two. New York: MacMillan, 1948(b).
 • Skinner, B. F. Are Theories of Learning Necessary? The Psychological 
Review, 1950, 57(4), 193-216.
 • Skinner, B. F. Science and Human Behavior. New York: MacMillan, 1953.
 • Skinner, B. F. The Control of Human Behavior. Transactions of the New 
York Academy of Sciences, 1955, 17(7), 547-551.
 • Skinner, B. F. A Case History in Scientific Method. American Psychologist, 
1956, 11, 221-233.
 • Skinner, B. F. The Experimental Analysis of Behavior. American Scientist, 
1957(a), 45, 343-371.
 • Skinner, B. F. Verbal Behavior. New York: Appleton-Century-Crofts, 1957(b).
 • Skinner, B. F. Teaching Machines. Science, 1958, 128, 969-977.
 • Skinner, B. F. An Experimental Analysis of Certain Emotions. Journal of the 
Experimental Analysis of Behavior, 1959, 2, 264
 • Skinner, B. F. Teaching Machines. Scientific American, 1960(a), 205, 90-
103.
 • Skinner, B. F. Pigeons in a Pelican. American Psychologist, 1960 (b), 15, 
28-37.
 • Skinner, B. F. Cultural Evolution as Viewed by Psychologists. Daedalus, 
1961, 90, 573-586.
 • Skinner, B. F. Operant Behavior. American Psychologist, 1963, 18 (7), 503-
515.
20
Watson e o nascimento do Behaviorismo
 • Skinner, B. F. Behaviorism at Fifty. In T.W. Wann (ed.) Behaviorism and 
Phenomenology: Contrasting Bases for Modern Psychology. Chicago: The 
University of Chicago Press, 1964 (79-108).
 • Skinner, B. F. The Phylogeny and Ontogeny of Behavior. Science, 1966(a), 
153, 1205-1213.
 • Skinner, B. F. Contingencies of Reinforcement in the Design of a Culture. 
Behavioral Science, 1966(b), 11, 159-166.
 • Skinner, B. F. Visions of Utopia. The Listener, 1967(a), 77, 22-23.
 • Skinner, B. F. & Blanshard, B. The Problem of Consciousness – a Debate. 
Philosophy and Phenomenological Research: A Quarterly Journal, 1967(b), 
27(3), 317-337.
 • Skinner, B. F. The Technology of Teaching. New York: AppletonCentury-
Crofts, 1968.
 • Skinner, B. F. Contingencies of Reinforcement: A Theoretical Analysis. New 
York: Appleton-Century-Crofts, 1969.
 • Skinner, B. F. Creating the Creative Artist. In On The Future of Art. 
Solomon R. Guggenheim Museum: The Viking Press, Inc.1970.
 • Skinner, B. F. Humanistic Behaviorism. The Humanist, 1971(a), 31, 35.
 • Skinner, B. F. Beyond Freedom and Dignity. New York: Alfred A. Knopf, 
1971(b).
 • Skinner, B. F. Humanism and Behaviorism. The Humanist, 1972, 32, 18-20.
 • Skinner, B. F. About Behaviorism. New York: Alfred Knopf, 1974.
 • Skinner, B. F. Registro acumulativo. Barcelona: Fontanella, 1975 (orig. de 
1959).
 • Skinner, B. F. Particulars of my Life. New York: McGraw Hill, 1976.
 • Skinner, B. F. Why I am not a Cognitive Psychologist. Behaviorism, 1977(a), 
5, 1-10.
21
Watson e o nascimento do Behaviorismo
 • Skinner, B. F. Between Freedom and Despotism. Psychology Today, 
1977(b), 11(9), 80-91.
 • Skinner, B. F. Herrnstein and the Evolution of Behaviorism. American 
Psychologist, 1977(c), 32(12), 1006-1012.
 • Skinner, B. F. The Shaping of a Behaviorist: Part two of an Autobiography. 
New York: Alfred A. Knopf, 1979.
 • Skinner, B. F. Selection by Consequences. Science, 1981, 213, 501
 • Skinner, B. F. A Matter of Consequences. New York: Alfred Knopf, 1983.
 • Skinner, B. F. Canonical Papers. The Behavioral & Brain Sciences, 1984, 
7(4), 511-724.
 • Skinner, B. F. Toward the Cause of Peace: What can Psychology 
Contribute? Applied Social Psychology Annual, 1985(a), 6, 21-25.
 • Skinner, B. F. Cognitive Science and Behaviorism. British Journal of 
Psychology, 1985(b), 76, 291-301.
 • Skinner, B. F. Recent Issues in the Analysis of Behavior. New York: Merril 
Publishing Company, 1989(a).
 • Skinner, B. F. The Origins of Cognitive Thought. American Psychologist, 
1989(b), 44(1), 13-18.
 • Skinner, B. F. Can Psychology be a Science of Mind? American 
Psychologist, 1990, 45(11), 1206-1210.
 • Skinner, B. F. & Vaughan, M.E. Enjoy old age: A Program of Selfmonitoring. 
New York: Alfred A. Knopf, 1983.
O Behaviorismo Radical
A ciência da Análise do Comportamento é dividida em três faces. Uma delas 
é o Behaviorismo Radical, a filosofia que a fundamenta. A outra é a Análise 
Experimental do Comportamento, na qual se formulam os conhecimentos 
sobre os processos básicos do comportamento, e a terceira é a Análise do 
Comportamento Aplicada.
22
Watson e o nascimento do Behaviorismo
O Behaviorismo Radical é uma filosofia, mas por que uma ciência necessita 
de uma filosofia? Simples: todas as ciências se fundamentam em uma 
filosofia (embora nem sempre de maneira clara) porque a epistemologia, o 
modo de se produzir conhecimento, é um ramo da filosofia. 
O Behaviorismo Radical possui uma relação intrínseca com a Análise 
Experimental do Comportamento, sendo submetido à crítica e possível 
modificação à medida que temos novos conhecimentos sobre a realidade. 
Não se trata de uma filosofia estática, mas de uma base sobre a qual a 
Análise Experimental atua.
Como exemplo, temos alguns elementos fundamentais do Behaviorismo 
Radical. Ao observar cada um desses pontos com atenção, percebe-se o 
enorme impacto que exercem sobre a prática.
Todo fazer humano é comportamento. Não faz sentido afastar 
comportamentos que ocorrem dentro da pele, como pensar, amar, sentir 
dor, da esfera de atuação dessa ciência simplesmente porque não são 
observáveis diretamente. Esse é um problema metodológico resolvido 
com sofisticação metodológica à medida que esta ciência avança. Assim, 
tudo o que o homem morto não faz é comportamento, sendo mensurável, 
como o comportamento motor, e mesmo não sendo mensurável, como o 
pensamento.
Esse foi o grandediferencial do Behaviorismo Radical em relação às 
versões comportamentalistas que o precederam, pois eram versões 
reducionistas, por não olharem para aquilo que era absolutamente 
fundamental para a Psicologia e para o que a sociedade esperava dela. 
Um trecho do trabalho do Prof. Kester Carrara descreve bem o problema 
fundamental da perspectiva de Watson, que criou o espaço que acentua a 
importância da inovação proposta por Skinner:
Watson foi [. . .] acusado de ter removido a consciência como objeto central do estudo 
científico, sem colocar no mesmo lugar alguma forma de análise daquelas ações humanas 
não visíveis a olho nu, mas de cuja existência e relevância ninguém duvida (o pensamento, 
sentimentos e algumas emoções mais sutis, por exemplo). Watson não tinha uma resposta 
clara para estas questões, embora especulasse sobre elas. [. . .] (Carrara, 2005, p.42).
23
Watson e o nascimento do Behaviorismo
É verdade que há importantes dificuldades metodológicas no estudo 
do pensamento, porque ele não é visível e só há uma forma de acessá-
lo: por meio do relato da própria pessoa que pensa, que é a única capaz 
de observá-lo. No entanto, a pessoa que pensa pode fazer um relato 
completamente contrário ao seu pensamento – ela pode ter uma dificuldade 
em se auto-observar para relatar com fidedignidade o que ocorre, e ela 
pode, ainda, ser incapaz de comunicar-se, como é o caso de pessoas com o 
Transtorno do Espectro Autista que são não verbais. Nada disso, porém, faz 
o pensamento ser menos comportamento, afinal, a definição do que é ou 
não é comportamento não se baseia em critérios metodológicos e sim em 
critérios epistemológicos.
O Behaviorismo Radical rompeu com o Behaviorismo Metodológico 
justamente por esse motivo: o que as pessoas fazem só pode ser entendido 
como comportamento porque o ser humano é parte da natureza, na qual os 
eventos físicos se influenciam mutuamente e não surgem “do nada”. Assim, 
qualquer acontecimento ou mudança – dentro ou fora de um organismo, 
seja um movimento motor, um pensamento ou um sentimento – decorre 
das relações físicas estabelecidas entre variáveis. Em outras palavras, tudo 
isso só pode ser considerado comportamento, independentemente de ser 
observável diretamente ou não.
O ser humano é um todo único, uno, sendo assim, o Behaviorismo Radical 
é monista e não admite a separação entre corpo e mente ou alma e corpo 
(embora isso não vede em nenhum momento uma compreensão religiosa do 
Analista do Comportamento de que exista uma alma – desde que isso não 
se misture com sua avaliação científica). Isso significa que o ser humano é 
inteiramente um ser orgânico e físico – não existe nele uma substância de 
outra natureza, algo distinto a que se possa chamar “mente”, como se fosse 
diferente do corpo.
Descartes utilizou o sistema de irrigação do Palácio de Versalhes como 
modelo de compreensão dos seres humanos. Ele observou que todo o 
sistema era uma maquinaria engenhosa em que uma coisa movimentava 
a outra, que movimentava outra em uma relação mecânica complexa de 
causa e efeito. A partir disso, formulou-se a ideia de que os seres humanos 
seriam como uma maquinaria dotada de complexas relações mecânicas que 
mobilizam o corpo (base do mecanicismo), mas habitada por um espírito ou 
24
Watson e o nascimento do Behaviorismo
força vital responsável por determinar como essa máquina se comportaria. 
Dessa concepção surgiu a alegoria do “Fantasma na Máquina”, que marcou, 
e ainda marca, o senso comum e diversas correntes teóricas que tratam o 
comportamento humano como mera expressão física de algo distinto, de 
outra natureza, inefável: a chamada “mente humana”.
O pensamento (ou mente) não são, em nenhuma hipótese, causadores 
do comportamento. É o conjunto de relações complexas entre organismo 
e ambiente que determinam o comportamento, mas isso se dá por meio 
de um processo ao qual chamamos de “seleção pelas consequências”. 
Assim, um comportamento se torna mais provável à medida que suas 
consequências atendem às funções necessárias ao organismo, e menos 
provável quando não as satisfazem, seja em uma pessoa ou em qualquer 
outro organismo.
O papel do pensamento é um dos temas mais discutidos na interface 
entre a Análise do Comportamento e outros campos que estudam o 
comportamento humano. A experiência subjetiva nos leva a crer que 
nossos pensamentos governam nosso comportamento. No entanto, essa 
interpretação não é precisa e carece de evidências que a sustentem.
Por outro lado, para a Análise do Comportamento, o pensamento existe, 
é relevante, mas não é a CAUSA do comportamento. O pensamento é, 
em si, também um comportamento. Assim, não devemos encará-lo como 
uma coisa “o pensamento”, mas como um ato, uma ação: “o pensar”. Dessa 
forma, se pensar é um comportamento, ele pode ser descrito também como 
funcionando a partir das regras que regem o comportamento humano. 
No entanto, não é exatamente este ponto que pretendemos trabalhar 
neste texto e sim uma outra questão, de fundo. Quando entramos em uma 
lanchonete e pensamos “Humm, estou com fome, vou pedir uma coxinha” e 
então falamos “Boa tarde! Me vê uma coxinha, por favor!”, a pergunta é: foi 
o pensamento anterior que causou o comportamento de pedir a coxinha? A 
resposta é NÃO. 
Isso não quer dizer que o comportamento de pensar não existiu, mas 
que ele apenas descreve o organismo se comportando e optando por 
comprar ou não, mas o que faz com que o indivíduo se comporte são as 
relações de reforçamento, extinção e punição que estabelecemos em 
25
Watson e o nascimento do Behaviorismo
nossa vida. Assim, se comemos em uma lanchonete que tem uma péssima 
coxinha, esta consequência pode ser punitiva e, portanto, da próxima 
vez nosso pensamento pode ser descrito como “Humm, a coxinha daqui 
é ruim, não vou comer” e mais uma vez não é esse pensamento que 
causou o comportamento de não comer a coxinha, mas o pensamento 
foi um comportamento de auto-observação e descrição do organismo se 
comportando. 
Basta lembrarmos das tantas vezes em que agimos contra o nosso próprio 
pensamento para termos a certeza de que o pensamento não controla 
o comportamento. Ele é a nossa forma de sentir e descrever como nos 
comportamos e não a sua causa.
Quando uma pessoa com TEA severo se comporta de certa forma e há 
uma consequência reforçadora, ele tende a se comportar mais da mesma 
forma. Alguém poderia argumentar “Mesmo sem entender?”, sim, mesmo 
sem entender (por “entender” consideremos “ser capaz de descrever”) e o 
entendimento será ensinado aos poucos. Quando ensinamos, priorizamos o 
entendimento, queremos que a pessoa mude seu comportamento por meio 
de um discurso que fazemos, que objetiva mudar seu entendimento, e isso 
quase nunca é eficaz, porque essa atitude parte do pressuposto “mudo o 
pensamento dele, logo, o comportamento mudará” e como essa afirmativa 
está equivocada, ele não funciona. Nós mudamos o comportamento 
mudando o ambiente em que o sujeito está, portanto, mudam também 
as contingências, fazendo com que o ambiente não permita mais acesso 
a reforçadores que sejam produzidos por comportamentos indesejáveis e 
fazendo com que o ambiente libere reforçadores para comportamentos 
desejados. E quanto ao pensamento? Ele será mudado junto com os demais 
comportamentos. 
Por exemplo, quando Joãozinho faz uma birra para não tomar banho, 
sua mãe diz “Não quer tomar banho, não toma!”, e deixa que ele vá para 
o videogame. Mudar o ambiente pode ser, por exemplo, reter o controle 
do videogame até que Joãozinho tome seu banho. Se isso ocorrer 
consistentemente, você verá que após algum tempo, Joãozinho “se 
conscientizará” da importância do banho.
26
Watson e o nascimento do Behaviorismo
Quando um comportamento é fortemente reforçado em determinada 
circunstância, torna-se muito provável que seja emitido em situações 
semelhantes. Contudo, não é possível garantir sua ocorrência com 100% 
de certeza; o que se pode afirmar é que ele provavelmente ocorrerá.Em 
outras palavras, se a circunstância se repetir diversas vezes, na maioria 
delas o comportamento será emitido. A isso chamamos de “Determinismo 
Probabilístico”, a que, talvez, a Análise do Comportamento se filie. Digo 
“talvez” porque esta posição foi defendida por Skinner e tantos outros 
Analistas do Comportamento relevantes, mas vem sendo questionada 
recentemente por importantes teóricos.
Carolina Laurenti, em 2009, publicou sua tese doutoral Determinismo, 
Indeterminismo e Behaviorismo Radical, em que defendeu que a Análise 
do Comportamento é muito mais compatível com o indeterminismo do que 
com sua versão determinada. Isto é, o estudo exaustivo dos desfechos 
alcançados com as inúmeras manipulações de variáveis nos dá uma 
excelente segurança de que possamos predizer e controlar fenômenos, 
criando cenários em que atuamos efetivamente quase sempre. No entanto, 
também é verdade que é impossível asseverar que dada uma certa relação 
entre variáveis, SEMPRE se dará um certo desfecho, necessariamente 
aberto ao imponderável da realidade, sendo, portanto, indeterminista (a 
discussão é muito mais profunda do que este parágrafo, como você deve 
imaginar, então é recomendado que leia a tese).
O comportamento é sempre individual e a avaliação do comportamento, 
bem como a intervenção, deve considerar este critério de modo radical. 
Assim, sempre que se realiza uma intervenção de caráter analítico-
comportamental, a medida de avaliação nunca é outra pessoa e sim sempre 
o próprio sujeito, em sua linha de base, isto é, em sua avaliação antes da 
intervenção. A isso chamamos de delineamento de sujeito único (este é 
um dos motivos pelos quais uma intervenção baseada em ABA para uma 
criança nunca será igual a de outra, mesmo que ambas tenham autismo e 
que tenham o comportamento bem semelhante).
Existem 3 níveis de seleção do comportamento que são complementares 
e se integram de modo ímpar em cada ser humano existente, eles se 
entrelaçam de modo que a descrição de médias gerais do comportamento 
humano não oferece medidas de ninguém em particular, são conhecimentos 
27
Watson e o nascimento do Behaviorismo
que não descrevem o comportamento de nenhuma pessoa real, mas uma 
pessoa ideal, uma pessoa que não existe, e não é (ou não deveria ser) o 
caminho de uma ciência do comportamento.
O primeiro desses níveis é a Filogênese, a base orgânica sobre a qual se 
ergue tudo o que um organismo realiza no mundo. Nossa biologia também 
foi moldada pelas consequências – não ao longo da vida individual, mas da 
história de nossa espécie. Bilhões de anos atrás, o surgimento da vida deu 
origem a uma imensa variedade de formas estruturais e comportamentais, 
algumas adaptativas ao ambiente, outras não. Sobreviveram aquelas que 
favoreceram a adaptação, enquanto as demais foram eliminadas.
Imagine, em determinado momento da história de nossa espécie, ou de 
algum antepassado, a presença simultânea de indivíduos que respondiam 
à variação de luz dilatando a pupila no escuro e contraindo-a em ambientes 
claros, e outros que não apresentavam essa capacidade. Aqueles que 
conseguiam contrair e dilatar a pupila rapidamente podiam enfrentar 
predadores ou rivais da própria espécie e transitar do interior de uma 
caverna para a mata densa ou para o descampado ensolarado mantendo 
o mesmo nível de visão em poucos segundos. Já os que não possuíam 
essa adaptação tinham grandes dificuldades nessas transições, com 
alta probabilidade de serem mortos. Isso reduzia suas chances de deixar 
descendentes, fazendo com que a variação genética mais adaptativa se 
espalhasse até dominar a espécie.
É claro que este exemplo é um arremedo de um comportamento 
biologicamente instalado, um respondente, que provavelmente foi 
selecionado por meio de aproximações sucessivas no decorrer de milhares 
ou milhões de anos, em que competiam exemplares com maior dilatação 
e contração da pupila contra outros com menos dilatação e contração da 
pupila, favorecendo progressivamente aqueles com melhor habilidade, mas 
é bem ilustrativo de como as consequências de um certo comportamento 
determinado por uma variação genética o selecionaram na história da 
espécie, constituindo este nível filogenético.
É verdade, contudo, que o nível filogenético não se limita à história 
de seleção da espécie em geral. Cada indivíduo possui uma filogenia 
específica, diferente da de outras pessoas, o que pode torná-lo 
28
Watson e o nascimento do Behaviorismo
mais ou menos sensível aos estímulos do ambiente e, assim, alterar 
significativamente seu percurso comportamental, mesmo vivendo em um 
contexto muito semelhante ao de outros.
O segundo nível de seleção do comportamento é a história individual 
do sujeito, seu percurso desde a geração até a morte, em que certos 
comportamentos operam uma mudança no ambiente, que por sua vez 
também operam sobre o indivíduo uma mudança e tornam este organismo 
mais ou menos propenso a emitir este mesmo comportamento. Em 
minha história pessoal, agi no mundo e os comportamentos produziram 
modificações que constituíram uma vantagem para mim, enquanto 
organismo, dotado de uma certa sensibilidade específica ao ambiente. 
Desta forma, estes estímulos também me transformaram e eu me tornei 
alguém com mais probabilidade de repetir esses mesmos comportamentos 
caso o contexto em que foram emitidos se repita. É a essa relação que 
damos o nome de reforçamento.
Por outro lado, eu também fiz coisas no passado que modificaram o 
ambiente – não em um sentido vantajoso, mas desvantajoso para mim 
enquanto organismo. Essas consequências do ambiente também me 
modificaram no sentido de que me tornei alguém com menor probabilidade 
de fazer estas mesmas coisas, isto é, a relação estabelecida não foi 
de reforçamento, mas de punição (não se preocupe, isso será melhor 
trabalhado e explicado logo à frente).
Então, durante uma vida inteira, nós agimos no mundo e este mundo pune 
certas respostas que emitimos, fazendo com que nós não mais as emitamos 
ou as façamos com menor frequência. Mas ele também reforça certas 
respostas, que se tornam muito frequentes e passam a constituir o nosso 
repertório, isto é, o conjunto de comportamento que emitimos durante nosso 
dia a dia, em determinadas circunstâncias. Este nosso repertório é composto 
de comportamentos motores, de sentimentos e de pensamentos. Basta 
se auto-observar e comparar-se consigo mesmo quando era adolescente 
– não são somente as partes de nosso corpo que mudaram (mais moles, 
lamentavelmente): também mudaram nossos gostos, a maneira com que 
nos sentimos diante da vida, as paixões (lembra da primeira vez que teve o 
coração partido e achou que o mundo iria ruir? Que não passaria nunca?), 
nossos pensamentos, enfim, somos outras pessoas, porque sobre a nossa 
29
Watson e o nascimento do Behaviorismo
base filogenética houve, desde então, intensa relação entre ambiente e 
nosso fazer, moldando nosso repertório atual, ao que também podemos 
chamar de personalidade.
Nesta nossa história pessoal, uma bronca pode ser um baita punidor 
para um comportamento de qualquer um de nós, principalmente se for 
de alguém muito querido ou admirado, se for em um momento em que 
estejamos tristes, se usar palavras fortes e que se relacionam com algum 
evento que no passado nos trouxe sofrimento ou, a depender de outro 
percurso, pode ser, pasmem, um poderoso reforçador, caso seja dada em 
uma pessoa com forte privação de atenção social ou que não consiga 
discriminar o que a pessoa que está dando a bronca está pensando ou 
sentindo, como acontece muitas vezes com pessoas com o Transtorno do 
Espectro Autista com uma alteração importante na percepção social. 
Ou seja, um mesmo estímulo do ambiente não opera da mesma forma 
sobre diferentes pessoas porque cada pessoa possui uma base filogenética 
específica e à medida que se relaciona com o ambiente, passa a ter uma 
história ontogenética também particular, que altera também as próximas 
interações com o ambiente, tornando,portanto, o comportamento humano uma 
coisa altamente complexa e indeterminada, uma verdadeira bola de neve.
O terceiro nível de seleção do comportamento humano é a cultura. Todos 
nós nascemos em um determinado tempo na história e isso determina 
diferencialmente se nós vamos, por exemplo, caçar elefantes em grandes 
planícies, se vamos protegê-los para preservação da natureza, adorá-los 
como divindades ou simplesmente comercializá-los em feiras, e todos os 
pensamentos e sentimentos que acompanham estas ações descritas, ou 
seja, a cultura de um certo tempo, influenciam diretamente os limites e 
possibilidades de quem somos e tudo o que fazemos.
Contudo, mesmo que duas pessoas nasçam no mesmo período – digamos, 
por volta do ano 2000 –, é possível que pensem, sintam e ajam de formas 
radicalmente diferentes. Algumas podem defender a igualdade de gêneros, 
enquanto outras sustentam a primazia dos homens sobre as mulheres; há 
ainda aquelas que praticam ou apoiam atos abomináveis, como a mutilação 
genital feminina, em que lâminas enferrujadas produzem cortes profundos 
na vulva de meninas para impedir que sintam prazer – prática que ainda 
30
Watson e o nascimento do Behaviorismo
atinge milhares delas em todo o mundo. Isso ocorre porque a cultura varia 
entre diferentes regiões do planeta e afeta diretamente a definição de quem 
somos, mesmo sendo todos da mesma espécie.
Essas culturas sobreviveram porque foram adaptativas, isto é, elas criaram 
contingências, contextos de comportamento de seus membros que fizeram 
com que essas sociedades continuassem existindo e conseguissem manter-
se em pé mesmo com a eliminação progressiva da maior parte das culturas 
que já viveram neste nosso planeta. Estas culturas, no entanto, continuam 
fazendo isso, criando contextos de comportamento para que nós existamos, 
e continuam lutando por sua sobrevivência, seja modificando-se e se 
adaptando, seja sendo eliminadas e dando lugar a novas culturas.
A interação entre estes três níveis de seleção do comportamento produz 
exemplares altamente idiossincráticos que só podem ser bem estudados 
idiograficamente, isto é, perseguindo suas histórias individuais, observando 
e experimentando interações específicas com o ambiente e não 
nomoteticamente, isto é, pela extração de médias de populações, em que 
não se conhece a relação específica de organismo com o ambiente e seu 
desfecho sempre único.
O Behaviorismo Radical, esta filosofia que subsidia a Análise do 
Comportamento, adota alguns princípios científicos fundamentais que 
também merecem ser apresentados brevemente aqui neste contexto:
O Pragmatismo – Em grande parte da ciência prevalece a corrente 
chamada Realismo, que pressupõe a existência de uma realidade 
independente de nós. Como não podemos acessá-la tal como ela é em si 
mesma, recorremos aos sentidos para percebê-la e, para consolidar esse 
conhecimento, realizamos a aferição intersubjetiva do objeto. Em outras 
palavras, não basta que alguém veja ou sinta a realidade de determinada 
forma: é necessário que outros também a percebam do mesmo modo, para 
que possamos confirmar sua “existência real”.
Se a realidade só pode ser percebida pelos sentidos, como podemos 
afirmar, com certeza, que ela de fato existe? Essa é uma das principais 
premissas de uma outra corrente filosófica contemporânea, o Pós-
Modernismo, que coloca em xeque a existência da realidade e defende que 
ela é uma construção social da linguagem, que ordena nossa percepção.
31
Watson e o nascimento do Behaviorismo
Para os adeptos do Behaviorismo Radical, há uma outra corrente filosófica 
que melhor representa nossa visão de mundo, a pragmatista. Desse ponto 
de vista, não interessa se a realidade existe ou se ela não existe, se ela é 
uma construção externa ou não, só o que importa é que nós percebemos 
algo como realidade, intersubjetivamente, ou seja, eu vejo uma criança se 
comportando de maneira inadequada e outra pessoa também a vê, eu meço 
seu comportamento disruptivo (digamos que ele bata a cabeça na parede) 
e outra pessoa também mede o fenômeno de modo muito próximo a mim (o 
que é verificado por um índice de concordância entre observadores). Assim, 
não discutimos se a realidade “existe de verdade” ou não; permanecemos 
agnósticos quanto a isso e lidamos, pragmaticamente, apenas com aquilo a 
que temos acesso.
Ainda que percebamos o mundo de maneira semelhante, propomos 
intervenções nessa realidade percebida que efetivamente a transformam 
no sentido desejado e previsto. Essas transformações podem ser 
observadas e mensuradas tanto por mim quanto por outras pessoas, sem 
que haja necessidade de combinação prévia. Assim, podemos afirmar que 
a percepção de algo que se assemelha a uma realidade exterior mostra-se 
consistente entre diferentes observadores: quando olhamos para o mesmo 
lugar, percebemos as mesmas coisas, a mesma realidade.
Podemos também afirmar, a partir dessa relação, que essa realidade pode 
não existir, ela pode ser uma ilusão; talvez vivamos todos em uma espécie 
de Matrix. Ainda assim, as regras naturais que conseguimos identificar 
por meio de numerosos estudos experimentais nos fornecem segurança 
suficiente para desenvolver tecnologias cuja eficácia pode ser prevista. 
Assim, da mesma forma que os físicos conseguem estabelecer conexões 
entre processos físicos para enviar mensagens de um lado a outro do 
planeta, os Analistas do Comportamento podem elaborar intervenções 
capazes de eliminar comportamentos inadequados, como aqueles cuja 
função é chamar atenção, apenas para citar um exemplo.
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Watson e o nascimento do Behaviorismo
O Funcionalismo de Ernst Mach – A ciência possui quatro objetivos, 
que são: 
a) Descrever; 
b) Explicar; 
c) Predizer; e 
d) Controlar fenômenos. 
Explicarei preliminarmente três desses elementos, deixando de lado o 
segundo, para depois abordá-lo brevemente e esclarecer a influência 
central de Mach sobre Skinner, que permeou todo o Behaviorismo Radical.
A descrição dos fenômenos necessita da observação da realidade tal 
como ela é e da experimentação, sempre que possível, para que a relação 
específica de cada variável do ambiente em relação às demais variáveis seja 
mensurada adequadamente e possamos estabelecer como a natureza se 
comporta, dadas todas as circunstâncias em que a conhecemos. A predição 
da realidade é diretamente derivada da robustez de nossa descrição. 
Se nós descrevemos uma enorme quantidade de corpos celestes que fazem 
uma trajetória esperada, inúmeras vezes vista, e descrevemos tudo o que 
circunda um determinado corpo celeste, a existência ou não e o efeito ou 
não na trajetória de matéria escura, energia escura, atmosferas e outros 
corpos celestes próximos, então podemos dizer, com grande margem de 
segurança, que esse corpo fará um determinado roteiro. Ou seja, apesar 
de não terem habilidades de videntes e pouco conhecimento sobre leitura 
de mãos e de borra de café no fundo das canecas, os cientistas partem 
das descrições da realidade para fazer predições muito precisas sobre o 
futuro dos fenômenos que descreveram, tanto mais precisas quanto melhor 
descrita sua área de atuação, como a citada Física, a Química, entre outras.
Assim, se nós sabemos que em dada situação ou em certa interação entre 
variáveis, ocorrerá isto ou aquilo, e podemos predizer o que acontecerá em 
uma série de situações em que somos espectadores, como um magma que 
ameaça irromper em um vulcão, um furacão que varrerá a costa de um país 
ou uma espécie que será eliminada em alguns anos caso continuemos no 
mesmo ritmo de exploração, então também é possível que nós mesmos 
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Watson e o nascimento do Behaviorismo
arranjemos o ambiente de modo a dispor certas variáveis para produzir o 
desfecho que pretendemos.
Em um passado distante, as tecnologias eram produzidas pelo método da 
tentativa e erro ou por alguma intuição engenhosa de algumas pessoas, 
mas a maior parte da tecnologia contemporânea é fruto da ciência mais 
avançada, naqual nós descrevemos de maneira incrivelmente minuciosa 
a realidade e com isso somos capazes, por exemplo, de provocar 
fenômenos em partículas menores do que os átomos em computadores 
quânticos; conseguimos falar com uma pessoa vendo seu rosto do outro 
lado do mundo, simultaneamente, através dessa invenção fabulosa que 
é o celular; conseguimos organizar estímulos reforçadores para reforçar 
comportamentos socialmente relevantes e retê-los para que não reforcem 
comportamentos inadequados… enfim, conseguimos organizar parcelas 
do mundo para que essa organização/interação entre variáveis promova 
desfechos vantajosos para a humanidade. Esse é o controle da realidade a 
que a ciência se propõe.
O que nos interessa mais especialmente aqui, no entanto, é o segundo 
objetivo, a EXPLICAÇÃO – de que se trata explicar a realidade após 
descrevê-la? Imaginemos que nós tenhamos a relação entre duas coisas, 
um corpo celeste com uma massa substancial, como o sol, e um outro 
corpo celeste com uma massa menor, a curta distância, como um meteoro. 
Então, este pequeno corpo celeste será atraído pela força gravitacional do 
sol (uma maneira leiga de descrever a ação das ondas gravitacionais) e será 
tragado pela estrela maior deste sistema planetário.
Provavelmente será dito que a gravidade do sol CAUSOU a atração do 
pequenino corpo celeste, mas esta pergunta levará à necessidade de 
uma outra explicação, que é POR QUE uma coisa causou a outra, e talvez 
explicaremos que isto ocorre porque corpos com massa maior atraem 
corpos com massa menor, mas poderíamos perguntar mais uma vez POR 
QUE isso acontece e qualquer outra explicação poderia receber a mesma 
pergunta novamente até finalmente chegar a um “porque sim”, que, 
obviamente, todos os que acompanharam o Castelo Rá-Tim-Bum sabem que 
não é resposta.
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Watson e o nascimento do Behaviorismo
É por esse motivo que Mach entendeu que toda relação entre variáveis não 
pode ser apresentada como uma relação de causalidade em que A causa B, 
porque uma relação deste tipo pressupõe sempre que há uma outra explicação, 
necessariamente metafísica, para que o porquê seja adequadamente respondido. 
Assim, em sua perspectiva, depois adotada por Skinner e incorporada ao 
Behaviorismo Radical, a explicação da realidade que a ciência propõe realizar 
nada mais é do que uma sintetização da descrição em termos mais gerais, para 
melhor aplicação nos processos de predição e controle da realidade.
Portanto, sabemos que os seres humanos se comportam e, ao fazê-lo, 
modificam o ambiente, que por sua vez os modifica. Contudo, não podemos 
afirmar que a apresentação de um determinado estímulo cause o aumento da 
probabilidade de um comportamento (mesmo que seja um reforçador). O que 
podemos dizer é que, dadas certas relações entre uma resposta e um estímulo, 
esse comportamento tenderá a ocorrer mais vezes no futuro. Trata-se de uma 
relação funcional entre variáveis em interação, e não de uma relação causal 
direta entre eventos (sim, é complexo, mas vale ir assimilando a ideia).
Quando descrevemos essa relação entre variáveis, o behaviorista descreve 
o que ocorre, como o ambiente se modifica e afeta o organismo e como 
este organismo se comporta, como ele age no mundo, e faz a descrição 
de tudo isso, que se transforma, na pena do teórico, como Skinner e 
tantos outros, em processos gerais identificados como o Reforçamento e 
a Punição, a Operação Motivacional, a Lei da Igualação, a Extinção, entre 
tantos outros conceitos, que não servem para EXPLICAR nada a rigor, isto é, 
para dizer o porquê de certas coisas ocorrerem ou não ocorrerem, mas para 
descrever certas coisas que ocorrem, de modo que podemos identificar 
estes mesmos processos em outras circunstâncias.
Portanto, nessa explicação conceitual, é preciso que sejamos claros e 
diretos – uma descrição não pode acrescentar conjecturas a seu escopo, 
ela deve ser transparente tanto quanto possível, e a explicação deve 
refletir esse pé no chão, sem apelar a forças metafísicas ou constructos 
teóricos como a MENTE, dado o princípio da Parcimônia, que estabelece a 
necessidade, em ciência, de sempre se optar pelo caminho mais direto que 
dê conta da explicação dos fenômenos.
Referências bibliográficas
• CARRARA, Kester. Behaviorismo: crítica e metacrítica. São Paulo: Editora 
UNESP, 2005.
• CRUZ, Robson Nascimento. B. F. Skinner: uma biografia do cotidiano 
científico. Belo Horizonte: Artesã, 2019.
• LAURENTI, Carolina. Determinismo, Indeterminismo e Behaviorismo 
Radical. 2009. 430 f. Tese (Doutorado em Ciências Humanas) - Universidade 
Federal de São Carlos, São Carlos, 2009.
• RICHELLE, Marc. B. F. Skinner: uma perspectiva europeia. São Carlos: 
EDUFSCar, 2014.
• WEBER, Max. A Ética Protestante e o Espírito do Capitalismo. São Paulo: 
Companhia das Letras, 2004.
	Watson e o nascimento do Behaviorismo
	Burrhus Frederic Skinner
	Principais obras de Skinner: 
	O Behaviorismo Radical

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