Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Prévia do material em texto

Líquido Cefalorraquidiano (LCR)
O líquido cefalorraquidiano (LCR) é um fluido transparente e estéril que envolve o
encéfalo e a medula espinhal, protegendo essas estruturas contra impactos e
mantendo o equilíbrio químico necessário para o funcionamento do sistema nervoso
central.
Ele também é conhecido como líquor e circula dentro dos ventrículos cerebrais, do
canal medular e do espaço subaracnóideo.
Produção do LCR
O LCR é produzido pelos plexos coroides, que são redes de vasos capilares
localizados dentro dos ventrículos cerebrais.
As imagens do slide mostram:
• Plexo coroide do ventrículo lateral
• Plexo coroide do terceiro ventrículo
• Plexo coroide do quarto ventrículo
 Função: os plexos filtram o plasma sanguíneo, formando o LCR.
 A produção é contínua, e o corpo mantém uma renovação constante para eliminar
substâncias tóxicas.
Composição do LCR
O LCR é composto principalmente por:
• Água (99%)
• Pequenas quantidades de proteínas
• Glicose
• Eletrólitos (Na⁺, K⁺, Cl⁻)
• Células (pouquíssimos leucócitos em condições normais)
Ele é diferente do plasma, pois contémmenos proteínas emenos células— o que
ajuda a manter o ambiente do sistema nervoso mais estável.
Aspecto normal e anormal
Aspecto normal:
→ Límpido e incolor, semelhante à água.
Aspecto alterado:
• Hemorrágico: presença de sangue— indica sangramento intracraniano.
• Xantocrômico: coloração amarelada causada pela bilirrubina, produto da
degradação dos glóbulos vermelhos.
o Em recém-nascidos, o líquor pode ser naturalmente xantocrômico
devido ao aumento de ferro e proteínas.
o Após uma hemorragia, o líquor pode permanecer xantocrômico por até 6
semanas.
Sintomatologia das infecções do LCR (Meningites)
Meningite bacteriana
Causada principalmente por:
• Neisseria meningitidis (meningococo): diplococos Gram-negativos.
• Streptococcus pneumoniae (pneumococo):mesmo agente da pneumonia.
Sintomas principais:
• Febre alta
• Cefaleia (dor de cabeça intensa)
• Náuseas e vômitos
• Fotofobia (sensibilidade à luz)
• Rigidez na nuca
• Letargia e confusão mental
• Casos graves: falência demúltiplos órgãos, choque e coagulação intravascular
disseminada (CID)
 Diagnóstico: análise clínica + cultura do LCR.
 Tratamento: penicilina ou cefalosporinas de 3ª geração.
 Evolução rápida: pode levar ao óbito em 24 a 48 horas se não tratada.
Meningite fúngica
• Rara, geralmente em imunossuprimidos (como pacientes com HIV).
• Agentes: Cryptococcus neoformans, Candida sp., entre outros.
• Aspecto do LCR:
o Aumento de leucócitos
o Predomínio de linfócitos
o Proteínas elevadas (0,5 – 2,0 g/L)
Meningite tuberculosa
• Complicação grave da tuberculose, mais comum em crianças.
• Pode causarmorte ou sequelas neurológicas.
• LCR: aumento de leucócitos (linfócitos e monócitos) e proteínas.
Meningite parasitária
• Extremamente rara; acomete imunodeprimidos.
• Pode ser causada por Angiostrongylus cantonensis ou Naegleria fowleri.
Complicações dameningite bacteriana aguda
1. Coágulos sanguíneos (trombose): podem causar AVC.
2. Edema cerebral: inflamação leva ao inchaço emicro-hemorragias.
3. Aumento da pressão intracraniana: deslocamento do cérebro.
4. Hidrocefalia: o bloqueio do fluxo do LCR provoca acúmulo de líquido nos
ventrículos.
5. Inflamação dos nervos cranianos: pode causar surdez, visão dupla e paralisia
facial.
6. Empiema subdural: acúmulo de pus entre as meninges.
7. Choque séptico e CID: infecção generalizada e falência múltipla de órgãos—
risco demorte.
Prevenção
As principais formas de prevenir a meningite bacteriana são as vacinas disponíveis no
SUS:
 Vacina Protege contra Observação
Meningocócica C Neisseria meningitidis (sorogrupo C)
Aplicada na
infância
Meningocócica
ACWY
Sorogrupos A, C, W e Y
Reforço em
adolescentes
Pneumocócica
10-valente
Streptococcus pneumoniae
Previne meningite e
pneumonia
Pentavalente
Haemophilus influenzae tipo B, difteria,
tétano, coqueluche, hepatite B
Faz parte do
calendário infantil
Líquidos Cavitários
Os líquidos cavitários, também chamados de líquidos biológicos, são aqueles
encontrados dentro de cavidades corporais que normalmente possuem uma
pequena quantidade de fluido para lubrificação e proteção dos órgãos.
Esses líquidos são essenciais para reduzir o atrito entre as membranas durante o
movimento dos órgãos (como a expansão pulmonar e o movimento intestinal).
 Principais características:
• Cada líquido é específico para a cavidade que ocupa.
• Podem ser analisados quanto aos aspectos físicos, químicos e celulares
(microscópicos).
• Servem para diagnosticar processos inflamatórios, hemorrágicos e malignos
(ex: câncer, infecções, traumas).
Tipos de líquidos cavitários / biológicos
1. Fluídos serosos
São os líquidos situados entre as membranas serosas.
Atuam como lubrificantes, permitindo omovimento suave entre órgãos e tecidos.
Os principais são:
• Líquido pleural → presente entre as pleuras (revestem os pulmões).
• Líquido peritoneal → presente na cavidade abdominal (envolve estômago,
fígado, intestinos, etc.).
 Líquido Pleural
 Definição:
O derrame pleural é o acúmulo anormal de líquido no espaço existente entre a
pleura visceral (que recobre o pulmão) e a pleura parietal (que recobre a parede
torácica).
Tipos de derrames:
Tipo Característica Causa principal
Transudativo
Líquido claro, pobre em
proteínas
Alterações na pressão (ex:
insuficiência cardíaca, cirrose)
Exsudativo
Rico em proteínas e
células inflamatórias
Infecções ou inflamações
Quiloso
(quilotórax)
Branco e leitoso, rico em
triglicerídeos
Lesão traumática ou câncer
Quiliforme Contém colesterol e restos
celulares
Lise (destruição) de hemácias e
neutrófilos
Hemotórax Líquido com sangue Ruptura de vasos por trauma
Empiema
Líquido purulento (pus) Infecção bacteriana
Iatrogênico
Causado por
procedimentos médicos Ex: perfuração por sonda ou cateter
Sem causa
aparente
Idiopático Quando não se identifica a origem
Sintomas:
• Pode ser assintomático em casos leves.
• Quando grave, há falta de ar, dor no peito e tosse.
• O diagnóstico é feito por exame físico e radiografia de tórax.
 Exame de coleta:
• Toracocentese: procedimento no qual uma agulha é inserida entre as costelas
para retirar o líquido pleural e analisá-lo em laboratório.
Atelectasia
A atelectasia é o colapso total ou parcial do pulmão (ou de parte dele), causado pelo
esvaziamento dos alvéolos pulmonares— pequenas estruturas onde ocorre a troca
gasosa.
 Sintomas:
• Dificuldade para respirar
• Respiração rápida e superficial
• Tosse persistente
• Dor constante no peito
 Causas:
• Acúmulo de secreções nas vias respiratórias
• Obstrução por corpo estranho
• Traumatismo torácico
• Pneumonia
• Presença de líquido no pulmão (ex: derrame pleural)
• Tumor pulmonar
 Diagnóstico:
• Raio X de tórax
• Tomografia
• Oximetria (mede o oxigênio no sangue)
• Broncoscopia (visualiza as vias respiratórias)
 Tratamento:
• Técnicas respiratórias: tossir, respirar fundo ou receber leves percussões
torácicas (fisioterapia respiratória).
• Casos graves: pode ser necessária cirurgia para remover secreções ou tratar o
tumor.
Líquido Peritoneal
O líquido peritoneal fica dentro da cavidade abdominal, entre as membranas que
revestem os órgãos digestivos (peritônio visceral e parietal).
 Funções:
• Lubrificar e permitir o movimento dos órgãos internos (intestinos, estômago,
fígado, etc.).
• Evitar atrito e aderências.
Quando há acúmulo anormal:
Esse acúmulo é chamado de ascite, e geralmente está relacionado a:
• Cirrose hepática
• Insuficiência cardíaca
• Infecções (peritonite)
• Câncer abdominal
 Exame de coleta:
• Paracentese: procedimento para coletar o líquido peritoneal com uma agulha
fina, usada tanto para diagnóstico quanto para alívio de sintomas (ex: em
pacientes com ascite intensa).
Cavidade
Nome do
líquido
Exame de
coleta
Principais causas de
alteração
Pleural (pulmões)
Líquido
pleural Toracocentese
Infecção, trauma,
insuficiência cardíaca
Peritoneal(abdome)
Líquido
peritoneal Paracentese Cirrose, câncer, infecção
Pericárdica
(coração)
Líquido
pericárdico
Pericardiocent
ese
Infecções, insuficiência
renal, trauma

Mais conteúdos dessa disciplina