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MECANISMOS PSICOLÓGICOS 
 
A dor crônica é descrita pelos pacientes como uma sensação que invade e influencia na sua 
capacidade física, emocional e qualidade de vida. Por isso, ela deve ser estudada sob o 
enfoque de um distúrbio psicológico também Muitos pacientes referem que os primeiros 
sintomas da síndrome surgiram após um período de estresse crônico ou pós traumatismos. 
Outros relatam piora dos sintomas após estresses físicos e emocionais de curta duração. 
 
• Hipervigilância desencadeada por evento traumático 
 
A hipervigilância seria o estado de medo constante e aumento de atenção a todo estímulo 
externo que pode potencialmente provocar algum tipo de dor nos pacientes com FM. Essa 
situação poderia explicar o surgimento de distúrbios psicológicos como a ansiedade nesses 
indivíduos De certa forma, ela atrapalha porque inibe ou reduz as tentativas de adaptação para 
aprender a conviver melhor com a dor, agravando a incapacidade funcional e a dor. 
 
• Distúrbios motivo-afetivos 
 
A FM se associa com frequência a distúrbios como depressão, anorexia e ansiedade 
justamente pela vivência da dor crônica, que induz nos pacientes uma sensação de desamparo 
e desânimo psicológico. A depressão fortalece os comportamentos pessimistas que influenciam 
na percepção da dor, capacidade física e emocional do paciente. Por isso, é comprovado que 
pacientes depressivos apresentam uma redução no limiar da dor. Justamente por isso que 
antidepressivos podem ser usados no tratamento da FM, tanto pelo ponto de vista clínico 
(recaptação de serotonina e noradrenalina) quanto psicológico (porque o paciente não 
consegue se adaptar à dor e ao estresse). Além da depressão e ansiedade, a fibromialgia se 
associa com frequência a distúrbios de função neurológica e somática como a síndrome do 
intestino irritável. 
 
• Anormalidades cognitivas 
 
A literatura já demonstrou que pacientes com FM apresentam diminuição da concentração e 
perda da memória. Essas anormalidades podem resultar dos problemas com o sono, da 
interferência da dor nos processos do pensamento, da ação de medicamentos, das 
anormalidades da função neuroendócrina e do efeito perturbador da dor crônica, da fadiga 
mental e dos estresses psicológicos. 
 
É importante ressaltar que as vias serotoninérgicas ascendentes, coincidentemente as de 
níveis reduzidos em pacientes com FM, projetam-se para as áreas da rafe e daí para o tálamo 
e para o hipocampo - áreas importantes para o armazenamento das memórias operacionais e 
de longo prazo. 
 
 
 
Hipervigilância desencadeada por um evento traumático 
A hipervigilância pode ser a consequência da exposição a um trauma físico ou psicológico, ao 
estresse urbano ou aos conflitos de guerra. Em geral, o estresse expõe os cidadãos ao medo 
de uma situação de perigo potencial e os predispõem a um estado de hipervigilância que 
amplifica a percepção dos estímulos. Esta situação de medo persistente poderia também 
explicar o desenvolvimento de distúrbios psicológicos, como a ansiedade. Além disso, as 
exposições a eventos traumáticos ao longo da vida poderiam representar um fator de risco às 
dores crônicas e este, por sua vez, aumentaria a vulnerabilidade pessoal. Nos pacientes com 
FM, a hipervigilância caracteriza-se por um aumento da atenção a todo estímulo externo que 
poderia potencialmente provocar algum tipo de dor. Esta atenção exagerada nas sensações 
corporais, com foco na dor, ou mesmo, no medo de ter dor, poderia ser a causa do relato de 
dor intensa e constante nessa população. Além disso, a hipervigilância poderia inibir ou reduzir 
as tentativas de adaptação para aprender a conviver melhor com a dor. Mesmo se a FM parece 
estar associada a um estado de hipervigilância, os eventos que desencadeiam os sintomas são 
dificilmente identificados. Ao contrário da síndrome de estresse pós-traumático, no caso da FM 
a natureza do trauma inicial é menos precisa que aquela relatada pelo estresse pós-trauinático. 
Além disso, a FM nem sempre é desencadeada por um evento, alguns pacientes apresentam 
FM idiopática, sem causa, de início insidioso.

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