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ERGONOMIA E CONFORTO AMBIENTAL Fernando Pinheiro Weber Comportamento e conforto Objetivos de aprendizagem Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Identificar os fatores ergonômicos, psicológicos, socioculturais, am- bientais e físicos relacionados ao conforto. Descrever as exigências do conforto ambiental e os efeitos do des- conforto sobre o comportamento humano. Resolver problemas de engenharia com base no conceito de conforto ambiental. Introdução Em todos os setores de trabalho, observamos uma busca incessante pela melhoria na linha de produção, cujo objetivo é o aprimoramento dos processos envolvidos na fabricação do produto. Para atingirmos a performance desejada, devemos estudar todos os aspectos relacionados à produção, como o ambiente de trabalho e os fatores ergonômicos envolvidos, ambos de grande importância para o sistema produtivo. Neste capítulo, estudaremos quais são os fatores ergonômicos, psi- cológicos, socioculturais, ambientais e físicos relacionados ao conforto, e verificaremos as influências e exigências do organismo humano para a manutenção do ritmo de trabalho. Por fim, aplicaremos alguns desses conceitos na resolução de problemas de engenharia recorrentes na prá- tica profissional, com destaque para a relevância do conforto ambiental na rotina dos trabalhadores. Fatores relacionados ao conforto O objetivo fundamental da ergonomia é tornar o ambiente de trabalho mais seguro, confortável e efi ciente. A consequência dessa combinação de fatores é o aumento da produtividade na linha de produção, o que muitas vezes signifi ca prestar atenção aos detalhes. C08_Ergonomia_e_Conforto_Ambiental.indd 1 13/08/2018 17:13:54 Para um ambiente produtivo, além dos fatores ergonômicos, relacionam-se também fatores psicológicos, socioculturais, ambientais e físicos. Portanto, um bom ambiente produtivo depende de aspectos do ambiente (espaço físico) e das características humanas de quem executa as tarefas, de maneira que a combinação vantajosa desses elementos é uma tarefa a ser constantemente desenvolvida e monitorada pelas empresas. Os fatores ergonômicos propriamente ditos muitas vezes encontram-se nas situações comuns do ambiente de trabalho, o que pode ocasionar a falsa impressão de normalidade quando, na verdade, eles apresentam riscos. Nesse sentido, a repetitividade excessiva das tarefas, por exemplo, pode provocar fadiga e desgaste. Fisicamente, pode motivar o surgimento de lesões, como tendinite e lombalgia. A postura inadequada dos colaboradores é outro pro- blema comum nos locais de trabalho e origina lesões. Logo, a combinação entre a repetitividade de uma tarefa e a postura inadequada é ainda mais prejudicial para o trabalhador, pois associa duas variáveis negativas, responsáveis por problema físicos, na mesma atividade. Quando prazos e metas muito difíceis de serem atingidos são estabelecidos, o ritmo de trabalho se torna ainda mais intenso que o normal. Frequentemente, essa situação pode ser bastante desgastante no que concerne a aspectos físicos e psicológicos, afetando inclusive o sistema imunológico, que fica vulnerável a vírus e bactérias, motivo pelo qual adoecemos. Além disso, o ritmo acelerado de trabalho pode causar depressão, hipertensão arterial, doenças cardiovasculares e uma série de outras complicações que variam de acordo com cada pessoa. Outro ponto importante a considerarmos é a possibilidade de retrabalho nas mais diversas atividades, principalmente quando os prazos são muito apertados, de forma que o indivíduo repete a ação por não ter alcançado os resultados esperados na primeira vez. Além do ritmo, as jornadas prolongadas de trabalho também apresentam efeitos colaterais. Jornadas de 10 a 12 horas diárias representam um risco ergonômico, pois, além de provocarem estresse e fadiga, em casos mais extre- mos também são responsáveis por provocar a síndrome de burnout, também conhecida como síndrome do esgotamento profissional, o que obviamente compromete a produtividade. Afinal, até mesmo as máquinas têm um limite de produção; não seria diferente com os seres humanos. Atividades monótonas tendem a gerar distúrbios psicológicos, como ansiedade e depressão. Em geral, esse tipo de atividade desmotiva o funcio- nário, que pode estar fisicamente presente na empresa, mas com preocupações subjetivas que impedem que ele se concentre e despenda a atenção necessária Comportamento e conforto2 C08_Ergonomia_e_Conforto_Ambiental.indd 2 13/08/2018 17:13:54 à execução das suas tarefas. Assim, ocorre a diminuição da sua produtividade e da qualidade dos seus serviços. Os turnos de trabalho e hábitos alimentares são fatores associados à cultura da empresa ou da região em que se situa. No Ocidente, é recorrente a divisão da semana de trabalho em cinco dias, cada um com 8 horas de trabalho, e a fixação de dois dias reservados ao descanso. Porém, várias pro- fissões devem ter a sua carga horária reduzida devido ao desgaste excessivo próprio da atividade, assim como outros podem ter uma duração um pouco maior justamente por não exigirem tanto dos seus executores. No que tange à alimentação, a pausa para o almoço passou de 2,5 horas para um intervalo de 1 hora na maioria dos lugares. Isso porque uma alimentação mais leve ao meio-dia possibilita maior rendimento no trabalho, já que assim alguns problemas digestivos são facilmente evitados. Existe uma demanda das empresas pelo trabalho em turnos, visto que muitas vezes elas operam 24 horas por dia, isto é, três turnos de 8 horas ou quatro turnos de 6 horas. Contudo, dessa lógica decorre o problema de que o traba- lhador noturno realiza as atividades trabalhistas durante a fase trofotrópica do organismo humano, que é a fase de recuperação e reposição de energia, sempre à noite. Outro aspecto problemático do trabalho noturno é o isolamento social e o distanciamento da vida familiar tradicional, uma vez que a maioria das integrantes executa as suas ações ao longo do dia e reúne-se à noite em família. O desafio ergonômico proposto nesse caso consiste em estabelecer uma forma de trabalho na qual os impactos sofridos pelo trabalhador possam ser atenuados (KROEMER; GRANDJEAN, 2007). Além dos fatores já mencionados, para um bom ambiente de trabalho, as condições ambientais, como ruído, iluminação, temperatura e clima, devem ser levadas em consideração. Assim, a iluminação deve ser projetada de acordo com o ambiente e a necessidade da tarefa. O ruído, por sua vez, pode ser entendido como qualquer som indesejado e os seus níveis variam de acordo com cada local de trabalho. Embora escritórios emitam menos ruídos do que indústrias, os limites de aceitação são muito menores. Para verificar se um ruído é aceitável ou não, é necessário confrontarmos o seu nível de ocorrência no ambiente com o limite aceitável para aquele lugar. A temperatura é outro elemento muito importante nos ambientes de trabalho. Os seres humanos trocam calor com o ambiente pela condução, convecção, evaporação e radiação. Entretanto, o trabalhador costuma notar a variação de temperatura no seu ambiente de trabalho apenas quando ela é desconfortável, sendo que um local com uma temperatura desagradável gera efeitos fisiológicos. Nesse sentido, o superaquecimento gera cansaço e 3Comportamento e conforto C08_Ergonomia_e_Conforto_Ambiental.indd 3 13/08/2018 17:13:55 sonolência, ao passo que um ambiente frio proporciona superatividade, redu- zindo o estado de alerta e a concentração, especialmente no que diz respeito a atividades mentais. Exigências do conforto ambiental e efeitos do desconforto A fadiga pode ser defi nida como uma perda de efi ciência e desinteresse na execução da atividade, embora essa defi nição não seja única. Além disso, podemos classifi car esse agravo em fadiga muscular, relacionada a dores mus- culares, e fadiga geral, manifestada como uma sensação difusa acompanhada por sentimentos dedesinteresse. Como efeito, a fadiga muscular provoca a diminuição da altura máxima de levantamento de carga, pois a contração do músculo e o seu relaxamento ocorrem de forma mais lenta. Consequentemente, o intervalo entre o estímulo e o início da contração torna-se maior. Nesse processo, ocorrem duas perdas: a da força e a da velocidade do movimento. Correlacionados às perdas estão os problemas de coordenação motora e aumento de erros na execução da tarefa. Na Figura 1 a seguir, podemos visualizar a diferença de estímulos muscu- lares presentes na relação da contração em função do tempo. Figura 1. Diferença de estímulo muscular após estresse com base na relação da contração em função do tempo. Curva I: músculo descansado; curva II: músculo após estresse mo- derado; curva III: músculo após estresse intenso; curva IV: músculo após estresse violento. Fonte: Kroemer e Grandjean (2007). Comportamento e conforto4 C08_Ergonomia_e_Conforto_Ambiental.indd 4 13/08/2018 17:13:55 A fadiga geral está associada a uma sensação generalizada de cansaço e bloqueio produtivo. As atividades são prejudicadas até a paralisação total, quando o cansaço é extremo, ao que sucede a ausência de motivação tanto para o trabalho físico quanto para o mental. Essa situação ocorre quando, frente ao cansaço, não há a possibilidade de descanso, o que pode inclusive ser doloroso para o trabalhador. Afinal, o cansaço é um mecanismo de proteção que desencoraja a sobrecarga e estimula um intervalo para a o restabelecimento do organismo. Introduzido por Selye, em 1930 (apud KROEMER; GRANDJEAN, 2007), o termo estresse pode ser definido como a reação do organismo a uma situação ameaçadora ou depressiva. É uma reação do corpo humano que resulta da ativação de uma cadeia de mecanismos neuroendócrinos cujos efeitos são, na maioria dos casos, distúrbios gastrointestinais, que podem ocasionar úlceras gástrica ou duodenal. A medição do estresse não é fácil, pois se trata de um estado psicológico individual que depende da maneira como a pessoa se situa e se adapta ao ambiente. Portanto, não existe uma medida fisiológica direta do estresse, de modo que são necessários dados subjetivos para analisá-lo. Ele pode decorrer de um descompasso entre as demandas impostas pelo trabalho e a capacidade de realizá-lo, por exemplo. Todavia, em algumas hipóteses certo grau de estresse pode aumentar a motivação do funcionário e, assim, melhorar a sua capacidade de atingir determinadas demandas. Portanto, a dosagem adequada da carga de trabalho é fundamental para que tenhamos um ambiente produtivo, pois a subutilização das capacidades humanas gera tédio e monotonia. De acordo com Kroemer e Grandjean (2007), monotonia é a falta de estímulos e o tédio é a reação das pessoas que se encontram nessa condição. O tédio geralmente é originado pelos seguintes fatores: trabalho repetitivo e prolongado, que não exige muito em termos cog- nitivos, mas também não permite que o trabalhador pense em outros assuntos; trabalho de supervisão prolongado e monótono, exigindo vigilância contínua. A Figura 2 evidencia a diferença entre tarefas mentais estimulantes e tarefas repetitivas. 5Comportamento e conforto C08_Ergonomia_e_Conforto_Ambiental.indd 5 13/08/2018 17:13:55 Figura 2. Valores médios de frequência de fusão de pulsos de luz dos olhos com base na frequência em função do tempo. Fonte: Kroemer e Grandjean (2007). Notemos que em nenhum dos dois fatores existem elementos que exigem qualquer tipo de ação do operador. Nas indústrias, ciclos muito pequenos de operações com poucas oportunidades de movimento corporal são favoráveis ao tédio, assim como ambientes de trabalho à meia luz, com temperaturas elevadas ou isolados, sem contato com colegas de trabalho. O trabalho noturno prolongado é propício ao tédio, pois isola a pessoa do convívio social e priva o seu contato com colegas de trabalho. Em síntese, a possibilidade de tédio é maior nos seguintes casos: pessoas que se encontram em estado de fadiga; trabalhadores não adaptados ao trabalho noturno; pessoas com baixa motivação e pouco interesse; pessoas com alto nível de educação, conhecimento e habilidade; pessoas ativas que buscam uma atividade desafiadora. Comportamento e conforto6 C08_Ergonomia_e_Conforto_Ambiental.indd 6 13/08/2018 17:13:55 Por outro lado, há características atenuantes e resistentes ao tédio: pessoas descansadas e alertas; pessoas em fase de aprendizado (estágio, nova função no trabalho, etc.); pessoas satisfeitas com o seu emprego. A insatisfação em relação ao trabalho é uma equação muitas vezes de difícil dedução e solução por estar ligada a diversos fatores, como fadiga, estresse, tédio, cansaço, entre outros. Como já comentamos, o índice de motivação no trabalho relaciona-se ao tédio e, consequentemente, à fadiga. Assim, quanto maior é a satisfação com o trabalho, mais eficiente é o processo produtivo. Linhas de produção repetitivas e motorizadas raramente são vistas com interesse pelos colaboradores, uma vez que são mais atrativas as que per- mitem a montagem livre, concedendo certa liberdade para o funcionário, conforme indicaram os estudos de Wyatt e Marriot (1956, apud KROEMER; GRANDJEAN, 2007). Outro fator a ser considerado na análise da motivação é a jornada de trabalho, posto que o objetivo da empresa deve produzir com qualidade e não manter os funcionários no trabalho pelo máximo de tempo possível. Frequentemente, diminuir a jornada de trabalho pode aumentar a produção. Da mesma forma, aumentar a jornada pode ocasionar o resultado inverso, de modo que a qualidade da produção decai. A curva ótima da jornada de trabalho foi proposta por Lehman (1962, apud KROEMER; GRANDJEAN, 2007) e está expressa na Figura 3. Fundamentados por essas curvas, podemos concluir facilmente que aumentar a jornada de trabalho não acarreta um aumento proporcional da produção, sobretudo no que se refere a trabalhos físicos de intensidade média ou pesada. Em algumas situações, após 10 horas de trabalho, a queda na produtividade é total devido à redução do ritmo de trabalho ocasionado pela fadiga. Portanto, horas extras e o consequente aumento na jornada de trabalho geram resultados decepcionantes em grande parte das vezes, pois a maioria dos trabalhadores tende a manter um resultado diário. Assim, à medida que a jornada de trabalho se estende, ocorre um ajuste no ritmo de trabalho para compensar. É evidente que a velocidade do ritmo de trabalho pode aumentar com a adoção de incentivos financeiros. Porém, ainda que essa prática se torne um hábito, ela não é eficaz a longo prazo, o que exige medidas mais adequadas em conformidade com as limitações dos funcionários. 7Comportamento e conforto C08_Ergonomia_e_Conforto_Ambiental.indd 7 13/08/2018 17:13:55 Figura 3. Relação entre horas trabalhadas e produtividade. Curva A: trabalho leve; curva B: trabalho moderado; curva C: trabalho manual pesado. Fonte: Kroemer e Grandjean (2007). A semana organizada em cinco dias de trabalho e dois para descanso combina bem com a jornada diária de 40 horas de atividade. A redução da semana de seis para cinco dias reduz o número de faltas, além de proporcionar mais oportunidades de descanso e relaxamento, que também estimulam o convívio social. Ademais, há a possibilidade de estabelecer uma semana de quatro dias, estendendo a jornada diária de trabalho. A experiência foi favorável em alguns locais nos Estados Unidos, na Alemanha e na França, embora especialistas e médicos considerem essa extensão do trabalho diário negativa para a saúde geral da população. Na Europa, podemos verificar uma experiência de tra- balho com semanas de três dias e carga horária de 30 horas (KROHEMER; GRADJEAN, 2007). No contexto da preocupação com o tempo da jornada de trabalho, devemos refletir acerca das pausas: qual é a sua relação com o descanso e a produ- tividade? É consenso entre os autores queas pausas para descanso tendem a aumentar a produção, pois previnem a fadiga e estimulam o relaxamento. Contudo, no caso dos trabalhos em turnos ou noturnos, a situação é um pouco diferente, pois o organismo humano é naturalmente voltado para a performance durante o dia. Por isso, o trabalhador noturno não exerce a sua atividade na fase de performance, mas no ciclo de descanso, o que pode ser entendido como um problema fisiológico e psicológico (IIDA, 1990). Comportamento e conforto8 C08_Ergonomia_e_Conforto_Ambiental.indd 8 13/08/2018 17:13:55 O papel da ergonomia nessa situação é planejar a atividade para que ela gere o menor problema possível à saúde e ao convívio social do indivíduo. Além da tendência natural a uma produtividade menor, o trabalho noturno aumenta a frequência de acidentes e a disposição para doenças ocupacionais. A resposta a esses problemas é a perturbação causado pela mudança do trabalho diurno para o noturno, gerando um conflito no organismo do trabalhador em função da desarmonia dos ciclos internos ambientais claro-escuro e dos ciclos de con- tatos sociais que estão relacionados a saúde física. Por exemplo, o isolamento social pode provocar tédio e depressão (KROHEMER; GRADJEAN, 2007). Tanto no trabalho diurno quanto no noturno, a iluminação de ser ade- quada ao ambiente para que tenhamos o conforto visual necessários. Assim, é necessário o equilíbrio na distribuição da luminosidade, de forma que os ofuscamentos sejam eliminados. Os níveis de iluminação aumentaram signi- ficativamente ao longo do tempo, fato que não deve ser confundido com uma teoria simplista do tipo “quanto mais luz, melhor”. Em pesquisa realizada em 1971, Nemecek e Grandjean (1971) apontaram que mais de 1.000 lux de potência luminosa aumentam os riscos de reflexos, fortes sombras e contrastes excessivos. Quando ocorre de forma direta (luz diretamente nos olhos do trabalhador) ou indireta (reflexo de espelho, lumi- nária de trabalho refletida na tela do computador, etc.), o ofuscamento torna o trabalho visual praticamente impossível. Logo, ambos os tipos de ofuscamento devem ser evitados por meio de medidas ergonômicas. O ruído nos ambientes altera o estado de alerta e perturba aspectos gerais, uma vez que dificuldade a comunicação entre os trabalhadores. Com relação ao desempenho, o barulho interfere nas atividades mentais complexas e nas tarefas físicas de precisão, além de tornarem o aprendizado mais difícil. Quando o ruído perturba o sono, ele irrita o sistema nervoso central e pode causar fadiga crônica. Mais um fator importante na variação da produtividade é a condição cli- mática no local de trabalho. O nível de conforto não está ligado apenas à temperatura do ambiente, mas também à temperatura das superfícies do entorno, bem como à umidade, ao movimento e à qualidade do ar. Dessa forma, estabelecer uma zona de conforto térmico é essencial, pois o superaquecimento gera cansaço, sonolência, redução de desempenho físico e aumento de erros. Ademais, o corpo reduz a troca de calor quando realiza menos atividades, o que é um mecanismo de defesa do nosso organismo. Assim, o superesfriamento reduz a atenção e o alerta, sobretudo nas atividades que exigem precisão. 9Comportamento e conforto C08_Ergonomia_e_Conforto_Ambiental.indd 9 13/08/2018 17:13:55 Conforme discutirmos até este momento dos nossos estudos, os fatores ergonômicos, psicológicos, socioculturais, ambientais e físicos não atuam de forma isolada. Um exemplo disso é a fadiga, que pode ser resultado de uma demanda excessiva de trabalho, da execução de atividades no turno noturno ou da temperatura do ambiente. Para a máxima produção, todos os fatores devem ser considerados, de forma que o pensamento da tarefa seja global, dadas todas as variáveis. Resolução de problemas com base no conforto ambiental Como estudamos anteriormente, o conforto térmico está relacionado à tem- peratura, umidade, qualidade e movimento do ar. A temperatura de zona de conforto é a entre 20°C e 23°C. Contudo, qual é a relação entre a temperatura e a umidade do ar? Na prática, a umidade relativa do ar não varia muito, situando-se na faixa entre 30% a 70%, de forma que pouco influencia a variação da temperatura. To- davia, é importante ressaltarmos a influência da umidade do ar na zona de desconforto. O limite para a sensação de abafamento impõe a umidade do ar em 80% e a temperatura de 18°C ou a umidade de 60% e a temperatura de 24°C. Outra observação relevante é que, quando a umidade relativa do ar encontra-se abaixo de 30%, o ar torna-se muito seco, o que provoca o aumento da incidência de doenças respiratórias e irritações crônicas das passagens de ar nasal e brônquica. A iluminação enquanto fator prático é muito relevante. A Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) editou uma norma, a NBR ISO/CIE 8995-1:2013 (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2013), intitulada “Iluminação de ambientes de trabalho”, que especifica os requisitos relativos à iluminação nos locais internos de trabalho. Como no Brasil as normas dispõem de força legislativa, o projetista deve obrigatoriamente atender os requisitos mínimos estabelecidos. Porém, somente essa ação não basta, pois também é preciso escolher o tipo adequado de iluminação, uma vez que evitar o ofuscamento em uma sala de escritórios é uma das tarefas ergonômicas mais importantes. A capacidade de visão piora quando a fonte de ofuscamento se aproxima do eixo óptico, conforme podemos verificar na Figura 4. Comportamento e conforto10 C08_Ergonomia_e_Conforto_Ambiental.indd 10 13/08/2018 17:13:55 Figura 4. Efeito do ofuscamento na capacidade de visão. Fonte: Kroemer e Grandjean (2007). 11Comportamento e conforto C08_Ergonomia_e_Conforto_Ambiental.indd 11 13/08/2018 17:13:56 ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. Iluminação de ambientes de traba- lho. Rio de Janeiro, 2013. Disponível em: . Acesso em: 25 jul. 2018. IIDA, I. Ergonomia: projeto e produção. São Paulo: Blucher, 1990. KROEMER, K. H. E.; GRANDJEAN, E. Manual de ergonomia: adaptando o trabalho ao homem, 5. ed. Porto Alegre: Bookman, 2007. NEMECEK, J.; GRANDJEAN, E. Grossraumbüro in arbeitsphysiologischer Sicht. Industrielle Organisation, v. 40, p. 233-234, 1971. Leitura recomendada BEECORP. Principais riscos ergonômicos encontrados nas empresas. BeeCorp, 11 mai. 2017. Disponível em: . Acesso em: 25 jul. 2018. Comportamento e conforto12 C08_Ergonomia_e_Conforto_Ambiental.indd 12 13/08/2018 17:13:56