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UNIDADE ENSINO A DISTÂNCIA DISCIPLINA: 04 PSICOMOTRICIDADE PSICOMOTRICIDADE E OS DISTÚRBIOS PSICOMOTORES E DA APRENDIZAGEM MA. CAROLINE POTTKER SUMÁRIO DA UNIDADE INTRODUÇÃO 59 1. DISTÚRBIOS PSICOMOTORES E DA APRENDIZAGEM: TDAH 60 2. A PSICOMOTRICIDADE COMO INSTRUMENTO PEDAGÓGICO PARA A SÍNDROME DE DOWN 62 3. PSICOMOTRICIDADE DO IDOSO 68 3.1 GERONTOPSICOMOTRICIDADE 70 WWW.UNINGA.BR 58ENSINO A DISTÂNCIA INTRODUÇÃO Nesta Unidade intitulada de Psicomotricidade e os distúrbios psicomotores e da aprendizagem procuramos abordar inicialmente um dos distúrbios psicomotores chamado Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade, na tentativa de compreender a relação deste transtorno com a psicomotricidade. Na sequência, tratamos sobre como a psicomotricidade pode ser um instrumento pedagógico para a Síndrome de Down, expondo que quando uma criança apresenta dificuldade de aprendizagem, o problema pode estar no nível das bases de desenvolvimento psicomotor. Destacando que a criança com síndrome de Down possui dificuldade de aprendizagem. E por fim, dissertamos sobre as alterações psicomotoras durante a velhice, para na sequência introduzir o conceito de psicomotricidade especificando para abranger a área da PSICOMOTRICIDADE I UNIDADE 4 uningá Universitário WWW.UNINGA.BR 59ENSINO A DISTÂNCIA 1. DISTÚRBIOS PSICOMOTORES E DA APRENDIZAGEM: TDAH Transtorno de Déficit de Atenção (TDAH) é uma dificuldade em controlar emoções, em dirigir a atividade psíquica para um determinado fim, o agir impulsivo, as alterações do sono, a agitação constante, o comportamento agressivo e a baixa tolerância à frustração (THOMPSON, 2002). Além disso, a criança também apresenta dificuldades nas relações sociais e acadêmicas. Tem a atividade motora excessiva, falta de atenção e performance escolar deficitária. Ainda os problemas afetivo-emocionais que surgem pela inadequação do comportamento, fracasso e escolar, são alterações que levam a criança a desenvolver uma percepção de rejeição e abandono, alterando seu sentimento de autoestima. A criança com TDAH tem dificuldades na dinâmica familiar. Os pais sentem culpa, raiva, constrangimento, e podem provocar os filhos e deixá-los desafiantes, agressivos e antissociais, ou ainda adotarem uma postura superprotetora. Pais precisam compreender que esse comportamento do filho não é voluntário. Por isso, é importante instaurarem algumas regras de convivência. Para Thompson (2002), o aspecto afetivo tem profunda influência sobre o desenvolvimento intelectual. Os aspectos Psicomotores que se destacam na criança com TDAH são: distúrbios de tonicidade; distúrbios de representação do corpo, distúrbios espaço-temporais e distúrbios práxicos (THOMPSON, 2002). SAIBA MAIS Saiba mais sobre intervenção psicomotora com crianças com TDAH. Disponível PSICOMOTRICIDADE UNIDADE 4 em: Criança com TDAH tem uma sensação de desconforto permanente, um estado de colapso adaptativo, com reverberações físicas e psicológicas. Essa instabilidade pode ser um sintoma de ansiedade, protesto, fuga. E para se proteger da angústia, agita-se e desdobra-se em uma atividade frenética. A criança tenta preencher os vazios, a depressão e foge de todo contato prolongado. Ela não consegue monitorar e modelar sua expressão afetiva. Os estímulos que afetam nossos sentidos automaticamente afetam nosso estado muscular (músculo X sensoriais). tecido muscular em repouso possui uma certa tonicidade, está sempre pronto para o trabalho. Há pessoas nas quais certas regiões musculares encontram-se em contração permanente. Esse espasmo muscular pode ser um equivalente de: ansiedade, excitação, agressão reprimida. Tônus muscular é o estado de tensão elástica (contração ligeira) que apresenta o músculo em repouso, e que lhe permite iniciar a contração rapidamente após o impulso dos centros nervosos. Em um estado de relaxamento completo (sem tônus), o músculo levaria mais tempo a iniciar a contração. uningá Universitário WWW.UNINGA.BR 60ENSINO A DISTÂNCIA A tonicidade interfere na capacidade atentiva. Assim, quando as funções cognitivas complexas são perturbadas, o indivíduo apresenta menos atividades exploratórias e mais atividade motora não orientada, produzindo uma dificuldade de aprendizagem de habilidades, e sentimentos de impotência. Representação do corpo: ela é construída a partir da intervenção de uma outra pessoa significativa para o indivíduo. A chamada consciência de si mesmo é o conjunto de retroações (voltar à condição) oriundas das interações indivíduo-mundo. A consciência que a criança tem do seu corpo é o resultado de suas experiências. Por meio das experiências de prazer e dor, êxito e fracasso, incorporando aos valores sociais que o meio dá ao corpo, a criança desenvolve o conceito de imagem corporal, investido de significações, de sentimentos e valores muito diferentes. Na construção da representação do corpo, os pais são figuras cruciais, visto que nem sempre este filho corresponde ao desejo idealizado por eles. Qual será a representação do corpo da criança com TDAH? A representação é marcada pelo déficit no conhecimento do seu corpo, pela falta de coesão, pela possibilidade da realização do ato e do seu projeto motor, pelo sentimento de abandono e rejeição. Os outros não o aceitam, nem ele mesmo se aceita, o corpo é exemplo vivo disso. o padrão das tensões musculares afeta seus movimentos, sua postura e o impedem o fluxo normal da energia do corpo. A criança com TDAH. frustrada por não estabelecer relações com os outros e consigo mesma, torna-se insegura e frágil por causa de sua história pessoal. que fazer para que esse corpo seja novamente notado, reconhecido e reinterpretado é função do psicomotricista. Toda informação relacionada com o espaço tem de ser interpretada por meio do corpo, dos dados sensoriais, visuais e cinestésicos. São essas percepções sensoriais que nos indicam qual a quantidade de movimento necessário para explorar esse espaço. espaço é o primeiro lugar ocupado pelo corpo e no qual se desenvolve os movimentos do corpo. A maior dificuldade da criança TDAH é de se engajar ativamente na comunicação PSICOMOTRICIDADE UNIDADE 4 com a realidade do mundo, presentes, com ações ajustadas e organizadas. controle do corpo ocorre como controle do espaço-tempo. Assim, a criança age atrapalhadamente, com ações desordenadas. A função práxica tem a ver com a capacidade de programar o movimento como objetivo final. Envolve um plano, que é a função psicológica, e uma execução que é uma função motora. A criança dispráxica encontra dificuldade em fazer uso de seus recursos de expressão. A criança TDAH apresenta dificuldades em seu esquema corporal e imagem corporal, ela não consegue conectar a sua localização do corpo no ambiente, com a extensão e direção do movimento, mesmo que a propriocepção esteja normal (THOMPSON, 2002). Sua motricidade global é pouco ágil; seus impulsos são fortes, os movimentos são duros, tensos, com transições abruptas. Parte dessas crianças apresenta sincinesias (mov. Inv.), dificuldade na dissociação dos movimentos, o que perturba suas realizações. Tarefas de movimento que requerem precisão, estabilidade direcional e equilíbrio se veem perturbadas por emoções como excitação. uningá Universitário WWW.UNINGA.BR 61ENSINO A DISTÂNCIA 2. A PSICOMOTRICIDADE COMO INSTRUMENTO PEDAGÓGICO PARA A SÍNDROME DE DOWN processo de desenvolvimento humano está ligado ao corpo em movimento e a mente. movimento é a parte mais ampla e significativa do comportamento humano, é comandado através de três fatores básicos: os músculos, a emoção e os nervos, que formam um sistema de sinalizações que permite atuar de forma coordenada e sincronizada (COTRIM; RAMOS, 2019). A mente transmite sinais aos músculos através de mecanismos cerebrais, que ordenam para o controle da contínua atividade de movimento e específica finalidade da capacidade de equilíbrio e segurança as posições estáticas, que constituem as estruturas psicomotoras da unidade básica do movimento. Aos poucos, esse corpo em movimento forma um organismo bem estruturado, expressando desejo, prazer, emoções e, posteriormente, a linguagem. Esse processo segundo Cotrim e Ramos (2019) reproduz situações reais de vivência dos elementos psicomotores que se transformam em significado da representação corporal, isto é, quando inexiste deficiências orgânicas que podem condicionar ou dificultar esse processo. Dessa forma, o organismo constitui a infraestrutura neurofisiológica de todas as coordenações do desenvolvimento psicomotor e cognitivo do indivíduo. Nesse sentido, a linguagem humana é também manifestada pelas expressões corporais, onde a participação do corpo no processo de aprendizagem se dá pela função das relações e correlações entre a ação e a sua representação como destaca Alves (2007, p. 127): "A Estrutura da Educação Psicomotora é a base fundamental para o processo intelectivo e de aprendizagem da criança". Assim, quando uma criança apresenta dificuldade de aprendizagem, o problema pode estar no nível das bases de desenvolvimento psicomotor. Nesse contexto, a criança com síndrome PSICOMOTRICIDADE I UNIDADE 4 de Down possui dificuldade de aprendizagem, que na grande maioria dos casos são generalizadas e afetam as capacidades da área de linguagem, autonomia, motricidade e integração social, as quais podem manifestar-se em grau leve, moderado ou grave. Diante dessa dificuldade de aprendizagem, verifica-se a importância da necessidade de potencializar de fato seu desenvolvimento cognitivo e motor, respeitando suas limitações e explorando suas habilidades no âmbito escolar (COTRIM; RAMOS, 2019). Sendo assim, o atendimento precoce de estimulação é essencial para ser utilizado com todas as crianças, e, principalmente, com maior intensidade nos casos de síndrome de Down, por apresentarem déficit na aprendizagem em função da conduta cognitiva que se processa de forma mais lenta, em relação à memória de curto e longo prazo, falta de atenção e iniciativa, processamento da informação, correlação e análise, dificuldade de memorização e outros aspectos inerentes à síndrome que conspiram contra o favorável desenvolvimento cognitivo da criança Down, conforme Horstmeier (apud PUESCHEL, 2005, p. 240) explica: Maior frequência de perda auditiva; problemas com os movimentos motores de língua e boca, com o controle do uso da cavidade nasal e com o controle da respiração; problemas com o encadeamento de sons e palavras; menores expectativas de comunicação, devido ao fato de que sua aparência física é muitas vezes associada à deficiência mental. uningá Universitário WWW.UNINGA.BR 62ENSINO A DISTÂNCIA Entretanto, não se pode desanimar diante desse quadro, é necessária à intervenção precoce tanto dos pais, quanto dos professores e psicomotricista dando enfoque abrangente nas relações de afinidade compartilhada de afeto, alegria e divertimento, criando condições para a criança desenvolver capacidades básicas de potencial motor e cognitivo sobre uma base de experiências, atividades e conceitos do seu mundo ao redor (COTRIM; RAMOS, 2019). A educação psicomotora nas escolas visa desenvolver frente à aprendizagem, práticas de caráter preventivo e educativo que garante o desenvolvimento integral da criança nas várias etapas de crescimento, e assim, segundo Alves (2007, p. 133), "Ajuda a criança a adquirir o estágio de perfeição motora até o final da infância (07 a 11 anos), nos seus aspectos neurológicos de maturação, nos plano rítmico e espacial, no plano da palavra e no plano corporal" e, com isso, a criança descobre o mundo e se autodescobre. Esse processo da aquisição de aprendizagem na criança com síndrome de Down depende muito da escola e dos profissionais que se propõem a motivar a criança com atos de ensino diferenciado, buscando utilizar desafios com estratégias e treinamentos adequados às condições de cada criança Down (COTRIM; RAMOS, 2019). Assim, segundo os mesmos autores é conveniente que a escola realize adaptações curriculares, estruturação do ambiente físico e professores especializados, que possam favorecer uma aprendizagem significativa de integração com a Psicomotricidade. Desse modo, Cotrim e Ramos, (2019) salientam que descortinar a motricidade no processo de aprendizagem possibilita evidenciar as mudanças qualitativas do desenvolvimento global da criança Down, o que em termos gerais percebe-se um alto rendimento quanto à questão de formação de base da estrutura do esquema corporal no campo psíquico e do domínio, da instabilidade e do equilíbrio motor, sob a intervenção educacional em todos os parâmetros do desenvolvimento: inteligência, comunicação, afetividade e sociabilidade, o que constitui a evolução das capacidades psico educacionais. A criança com síndrome de Down deve ser estimulada desde o nascimento, como todas as outras crianças, para desenvolver o interesse e habilidades necessárias de aquisição e evolução das funções cognitivas e motoras. desenvolvimento psicomotor está relacionado à motricidade que se realiza através da evolução de influências ambientais e, especialmente relacionais (COTRIM; PSICOMOTRICIDADE UNIDADE 4 RAMOS, 2019). Essas funções são responsáveis pela ação corporal que se manifesta pelo ato de impulsionar, mover e pôr em movimento o corpo nas diversas atividades de estimulação de acordo com os estágios de desenvolvimento ou dificuldade motora da criança, bem como, o conhecimento da essência etimológica da palavra motricidade e psicomotor, e os seus conceitos que encontra-se implícito na visão de Gomes (apud OLIVEIRA, 2005, p.131). Sendo assim, o desenvolvimento psicomotor ocorre na criança a partir das manifestações do meio que o cerca, sob forma de estímulos, quebrando o equilíbrio da organização das condições anátomo fisiológica e provocando a reação reflexa. reflexo constitui-se em uma modalidade assimiladora quando se põe em funcionamento e se caracteriza pelas conquistas da organização da estrutura motora, tônus de fundo, propriocepção e desaparecimento das reações primárias. Dessa forma, o desenvolvimento motor está ligado aos aspectos funcionais e relacionais dentro de um potencial ativo existente em cada ser humano. Esse potencial se manifesta à medida que vai ampliando suas percepções e controle de seu corpo, através das interiorizações de sensações e possibilidades da ação. Nesse sentido, a Psicomotricidade atua no desenvolvimento motor humano sobre o esquema corporal, possibilitando a formação e estruturação da representação global, científica e diferenciada de cada pessoa em relação ao seu corpo, dividindo-se em três etapas: corpo vivido; corpo percebido ou descoberto; corpo representado. uningá Universitário WWW.UNINGA.BR 63ENSINO A DISTÂNCIA Nessas etapas, aparece a noção da imagem corporal, que se refere aos sentimentos do indivíduo em relação à estrutura de seu corpo, como a bilateralidade, lateralidade, dinâmica e equilíbrio corporal (COTRIM; RAMOS, 2019). A coordenação geral e facial constitui o desenvolvimento de todas as capacidades perceptivas, sendo essencial para a evolução das potencialidades da criança na aprendizagem cognitiva, psicomotora e afetiva. REFLITA Reflita sobre esquema corporal de pessoas com Síndrome de Down e desen- volvimento da dança. Disponível em: Acessado em 04 de novembro de 2017. Assim, a coordenação geral é a tomada de consciência do corpo para a execução e o controle de movimentos a serem corretamente coordenados e estruturados com plena dissociação de movimentos, quer seja simultâneo, simétrico ou de coordenação assimétrica, o que implica certo grau de maturação neuromotora, considerando a evolução fisiológica de cada indivíduo, que segundo Alves (2007, p. 57), "A coordenação geral necessita de uma perfeita harmonia de jogos musculares em repouso e em movimento". Essa harmonia de jogos musculares refere-se à coordenação estática e coordenação dinâmica do controle e domínio de seu próprio corpo, como assim explica Alves (2007, p. 57): Coordenação estática, quando se realiza em repouso. É dada pelo equilíbrio entre a ação dos grupos musculares antagonistas, estabelece-se em função do tônus e permite a conservação voluntária das atitudes. Coordenação dinâmica, quando a coordenação se realiza em movimento, põe em ação simultâneos grupos musculares diferentes, tendo em vista a execução de movimentos voluntários mais ou menos complexos. PSICOMOTRICIDADE UNIDADE 4 Para tanto, essa realização se estabelece numa relação entre uma imagem (Gnosia) e um conjunto de deslocamentos segmentares que se juntam para um determinado fim, ou seja, uma relação entre um plano de ação e a respectiva concretização (praxia) (COTRIM; RAMOS, 2019). Portanto, é necessário oferecer o máximo de experiência de movimentos coordenados à criança, Cotrim e Ramos, (2019) consideram os tipos de coordenação motora: coordenação motora-fina diz respeito à habilidade e destreza manual da capacidade de controlar os pequenos músculos para exercícios refinados e constitui um aspecto particular da coordenação global; coordenação motora-ampla é existente entre os grandes grupamentos musculares; coordenação visomotora é a habilidade de coordenar a visão com movimentos do corpo; coordenação audiomotora é a capacidade de transformar em movimentos um comando sensibilizado pelo aparelho auditivo; coordenação facial é o modo de comunicação interpessoal mais importante, pois é o começo da expressão de estados abstratos e aparece nos primeiros momentos de vida humana, sendo considerada uma comunicação de movimentos primários pré-linguística. Ainda, no aspecto do desenvolvimento motor ligado ao esquema corporal, o equilíbrio é indispensável para que possa acontecer a coordenação entre os movimentos dos vários segmentos corporais, entre si e no todo, o que constitui a base de sustentação imprescindível para sua manutenção. Conforme Alves (2007, p. 60) afirma: Assim, não pode haver movimento sem atitude, também não pode haver coordenação de movimento sem um bom equilíbrio, permitindo o ajustamento do homem ao meio. É um dos sentidos mais nobres do corpo humano. uningá Centre Universitário WWW.UNINGA.BR 64ENSINO A DISTÂNCIA Outro aspecto essencial ao esquema corporal é a lateralidade, que na visão de Fonseca (2004, p. 172) é definida como: "a capacidade de integração sensório-motora dos dois lados do corpo, transformando-se numa espécie de radar endopsíquico de relação e de orientação com e no mundo Em termos de motricidade, retrata uma competência operacional, que preside a todas as formas de orientação do indivíduo, compreendendo uma conscientização integrada da experiência sensorial e motora, bem como, um mecanismo de orientação intracorporal (proprioceptiva) e extra corporal (exteroceptiva) (COTRIM; RAMOS, 2019). Assim, a lateralidade constitui a base da estrutura espacial da relação com os objetos localizados no espaço, da posição relativa que ocupa o corpo, enfim, das múltiplas relações integradas da tonicidade, da equilibração, da lateralização, e da noção do corpo, o que confirma o princípio da hierarquização dos sistemas funcionais e da sua organização vertical que resume na concepção de Kephart (apud FONSECA, 2004, p. 204): A criança localiza-se a si própria antes de se localizar no espaço ou de localizar objetos no espaço. Localiza os objetos em relação a si própria e, posteriormente, localiza cada objeto sem precisar referi-los corporalmente. Dá- se, consequentemente, uma projeção da lateralização e da noção de corpo no espaço, isto é, a lateralidade desenvolvida no interior do organismo projeta-se no exterior e transforma-se em direcionamento. Também o desenvolvimento da estrutura temporal é importante, porque não se pode separar o tempo do espaço, no qual garante as experiências de localização dos acontecimentos passados e uma capacidade de projetar-se para o futuro, fazendo planos e decidindo sobre sua vida, obedecendo a certo ritmo e dentro de um determinado tempo, conforme Alves (2007, p. 74) explica: "a estruturação temporal insere o homem no tempo, onde ele nasce, cresce e morre, e sua atividade é uma sequência de mudanças condicionadas pelas atividades Essas atividades são experiências vivenciadas ritmicamente, que envolvem a conscientização da igualdade dos intervalos de tempo. Um ritmo constante -cadência é uma PSICOMOTRICIDADE UNIDADE 4 série de intervalos de tempos iguais, fenômeno que traduz muitos ritmos biológicos no indivíduo do tipo: circulação, respiração, flexibilidade de movimentos, relaxamento e outros ritmos físicos. Assim, considera-se a unidade de extensão da dimensão temporal o ritmo, que na visão de Alves (2007, p. 76): considerado um dos conceitos mais importantes da orientação temporal. Ele não envolve apenas noções de tempo, mas está ligado ao espaço também". Toda criança tem um ritmo natural, espontâneo. As manifestações do bebê são ritmadas. Tem hora de repouso e horas de impulsos e se manifesta através delas. Nessa perspectiva, a Psicomotricidade como terapia de reeducação irá contribuir de maneira significativa para o desenvolvimento do potencial da criança com síndrome de Down, porque proporcionará experiências de movimentos que requerem uma estimulação mais intensa e ampla, devido a apresentarem um atraso no desenvolvimento da maturação e habilidades de motricidade fina e grossa por causa das consequências da própria síndrome. Diante dessas consequências, a Psicomotricidade tem função de estimular precocemente o desenvolvimento da motricidade fina e grossa, de modo expressivo para a formação e estruturação do esquema corporal de acordo com a faixa etária de desenvolvimento da criança com síndrome de Down. Essa estimulação deve acontecer com favorecimento de várias atividades de relaxamento e condicionamentos físicos necessários, para uma melhor aquisição e evolução das funções cognitivas e motoras (COTRIM; RAMOS, 2019). uningá Universitário WWW.UNINGA.BR 65ENSINO A DISTÂNCIA Assim, as crianças com síndrome de Down na fase infantil, têm dificuldades no controle da cabeça, erguer o corpo, virar de barriga para baixo, levantar da posição deitada para a posição sentada, arrastar e engatinhar, ajoelhar e ficar ajoelhado, ficar de pé sozinho, a marcha, correr, subir, pular e saltar etc. Com isso, torna-se necessário um atendimento com base na Psicomotricidade para que essas crianças possam atingir todo seu potencial de autonomia, integração social, linguagem, capacidade motora e intelectual. processo de articulação entre Psicomotricidade e aprendizagem está relacionado à estimulação dos movimentos e a exploração do corpo que ampliam as condições da organização estrutural dos elementos psicomotores essenciais ao desenvolvimento corporal e cognitivo da criança (COTRIM; RAMOS, 2019). Assim, as atividades que estão envolvidas nessas práticas dizem respeito à coordenação motora global, incluindo todas as funções psicomotoras, que devem ser desenvolvidas na fase sensorial (zero a 02 anos) e pré-operatório (02 a 07 anos), portanto, na educação infantil. Como a criança com síndrome de Down apresenta uma hipotonia generalizada e os reflexos fracos, ou seja, uma tonicidade ou tensão menor do que o normal, o que causa uma diminuição do equilíbrio, postura e coordenação, é necessário trabalhar as funções psicomotoras com atendimento que requer manejos diferenciados em relação ao controle da cabeça; erguer o corpo; virar de barriga para baixo; sentar; trocar a posição deitada para a posição sentada; arrastar e engatinhar; ajoelhar e ficar ajoelhado; ficar de pé; aprender a marcha; correr; subir; pular e saltar (COTRIM; RAMOS, 2019). A partir dessas situações de dificuldades no desenvolvimento psicomotor, enquanto diagnóstico identificado pelos profissionais busca-se na Psicomotricidade a visão de Almeida (2007), que destaca atividades tanto para a fase sensorial, quanto para pré-operatório que auxiliam no desenvolvimento da coordenação motora global, que devem ser trabalhadas como apoios especiais de forma parceira com profissionais, principalmente na direção dos docentes. A finalidade da psicomotricidade relacional é de ser um meio lúdico-educativo para a criança expressar-se por intermédio do jogo e do exercício. Deve permitir às crianças a exploração corporal diversa do espaço, dos objetos e materiais, facilitar a comunicação das crianças por PSICOMOTRICIDADE UNIDADE 4 intermédio da expressividade motriz, potenciar as atividades grupais, também favorecer a liberação das emoções e conflitos por intermédio do vivenciamento simbólico (COTRIM; RAMOS, 2019). Ressalta-se que a psicomotricidade, relacionada com o lúdico é um fator muito importante no desenvolvimento da criança portadora de síndrome de down, trazendo de volta o sentido pedagógico das sessões de psicomotricidade, ou seja, do ato pedagógico que está inserido na prática com as crianças (COTRIM; RAMOS, 2019). Nesse sentido, a prática não se dá apenas por observação e análises de comportamentos, mas fundamentalmente por intermédio das intervenções e interações dos professores com as crianças. Com a finalidade de refletir o comportamento lúdico das crianças portadoras da síndrome de Down, passamos a classificá-lo em três categorias que são: a) na relação com os objetos; b) em participações na companhia dos colegas e/ou professores; c) as experiências criadoras (momentos em que a criança é iniciada ou toma iniciativa); Exercitar a curiosidade é provocar a iniciativa e a vontade de aprender, é despertar para novas experiências. Apresentamos algumas atividades psicomotoras desenvolvidas com uma criança portadora de síndrome de down inserida com as demais crianças: uningá Universitário WWW.UNINGA.BR 66ENSINO A DISTÂNCIA JOGO DE CIRCUITO jogo de circuito é iniciado no colchão onde as crianças têm que dar uma cambalhota, em seguida, passar pelos pinos contornando-os em "S" e finalizando jogando a bola no cesto. Este jogo estimula e desenvolve a praxia, a lateralidade, a noção espacial, a percepção visual, o equilíbrio e a coordenação motora global. Figura 1- jogo de circuito. Fonte: PefJogos. (2019). JOGO DAS CORES No jogo das cores a criança deve separar individualmente o monta-monta por cores, em cada canto da quadra estava posicionado pinos de boliche de cores diferentes e no centro da quadra o monte de monta monta, ao som do apito, a criança corre ao centro, pega um monta monta de determinada cor, leva no seu respectivo lugar, volta ao centro, pega outro de uma cor PSICOMOTRICIDADE I UNIDADE 4 diferente do primeiro, leva a seu lugar e assim sucessivamente até completar as quatro cores. Este jogo estimula e desenvolve a praxia global, coordenação motora global, a noção espacial e temporal, a lateralidade, a percepção visual e o raciocínio lógico. Figura 2 Jogo das Cores. Fonte: UNIFAI (2019). uningá Universitário WWW.UNINGA.BR 67ENSINO A DISTANCIA JOGO DAS CORES 2 No jogo das cores 2, o diferencial é que ao invés de ser individual, este é em equipe. Cada equipe representa uma cor e elas têm que recolher apenas a sua cor e levar ao seu respectivo lugar. Neste segundo método, o objetivo é voltado ao relacionamento interpessoal, as crianças se relacionam entre si e juntas têm que respeitar o espaço umas das outras. RELAXAMENTO Na atividade de relaxamento, coloca-se um fundo musical, a criança faz uma pintura livre com tinta guache utilizando o pincel, a professora propõe que cada criança desenhe o que está sentindo ou pensando naquele momento. Esta atividade estimula e desenvolve a praxia fina, a coordenação motora fina, a concentração, a percepção visual e auditiva e o raciocínio lógico. Figura 3 Relaxamento. Fonte: UNIFAI (2019). PSICOMOTRICIDADE I UNIDADE 4 SIGA o MESTRE Na brincadeira siga o mestre, a criança deve seguir as ordens do mestre, neste momento da brincadeira o mestre ordena que todos os segam sobre a linha amarela. Esta atividade estimula e desenvolve a coordenação motora, a noção espacial e o equilíbrio. MASSINHA A criança brincando de massinha. Nessa atividade, a professora propõe que as crianças façam de massinha uma letra do alfabeto. O manuseio da massinha estimula e desenvolve a coordenação motora fina, o raciocínio lógico, a percepção visual e desperta a criatividade. 3. PSICOMOTRICIDADE DO IDOSO A psicomotricidade é a área científica que tem como objeto de estudo a relação das funções psíquicas com a motricidade (FONSECA, 2001). Encara o ser humano de uma forma holística, considerando que a todo o momento existe uma interação constante das capacidades motoras, mentais e emocionais, manifestada pelo corpo (FONSECA, 2005). uningá Centre Universitário WWW.UNINGA.BR 68ENSINO A DISTÂNCIA Como prática e forma de intervenção utiliza a mediatização corporal e expressiva (FONSECA, 2004) de modo a desenvolver as capacidades motoras, cognitivas, afetivas e sociais. desenvolvimento da relação entre as funções psíquicas e corporais tem como o intuito desenvolver a capacidade de adaptação do indivíduo (MARTINS, 2001) compensando formas de expressão inadequadas e inadaptadas que normalmente se encontram ligadas a problemas de desenvolvimento ou maturação psicomotora, comportamento, aprendizagem ou psicoafetivos (MARTINS, 2001). A fim de tentar perceber a relação psiquismo motricidade serão, antes de mais, esclarecidos os conceitos, psiquismo e motricidade. psiquismo é algo imaterial (não tem forma, peso e medida) e engloba um conjunto de fenômenos referentes ao funcionamento da atividade mental (sensações, percepções, emoções, afetos etc.) (FONSECA, 2004). A motricidade refere- se ao conjunto de expressões corporais que são suportadas pelas funções tônicas, posturais e práxicas (FONSECA, 2005). A interação psiquismo/ motricidade existe e tem a sua origem no sistema nervoso central (SNC). Este, constituído pelo encéfalo e espinal medula é o responsável pelo controlo de todo o corpo, pelo funcionamento da atividade mental, bem como pela execução e coordenação dos movimentos (TEIXEIRA, 2006). A atividade psíquica e a atividade motora interatuam diretamente influenciando-se mutuamente, em uma relação de interdependência (FONSECA, 2005). A mente cria uma sensação-impressão-pensamento que é processada ao nível do SNC resultando num movimento corporal (FONSECA, 2005). A motricidade é um meio de expressão do psiquismo (FONSECA, 2005; FONSECA, 2004). Por sua vez, esse movimento fornece informação sensorial ao cérebro criando sensações, ou seja, o conhecimento e a percepção do movimento ocorrem através da mente. sistema nervoso central não é imutável encontrando-se em constante mudança. Também derivado do processo de envelhecimento a estrutura e funcionamento do sistema nervoso sofrem alterações (CARDOSO et al., 2007). declínio estrutural é caracterizado por uma diminuição do volume da substância cinzenta e substância branca no córtex e alteração dos PSICOMOTRICIDADE UNIDADE 4 níveis de espessura cortical etc. (CARDOSO et al., 2007). As alterações funcionais acarretam défices a nível mental e motor (SEIDLER et al., 2010;) nomeadamente em termos de controle sensório motor, memória, equilíbrio e habilidades motoras (marcha, controle motor fino e lentidão de movimentos) (SEIDLER et al., 2010) provocando assim uma diminuição do desempenho funcional/independência (SEIDLER et al., 2010) e autonomia. Apesar das alterações estruturais e funcionais do sistema nervoso central e dos défices que daí advêm alguns autores defendem que é possível reverter essa situação, defendendo a existência de plasticidade cerebral ou neuroplasticidade. A neuroplasticidade refere-se à capacidade de adaptação do sistema nervoso a novas situações (intrínsecas e extrínsecas) reorganizando algumas das suas propriedades estruturais, funcionais (CRAMER et al., 2011) em resposta a alterações do ambiente. processo de neuroplasticidade é resultado de interações sistemáticas entre as estruturas cerebrais e os estímulos ambientais (sensoriais e atividade motora), ocorrendo de forma sistemática e não fruto do acaso. É uma característica própria do sistema nervoso (TEIXEIRA, 2006). uningá Centre Universitário WWW.UNINGA.BR 69ENSINO A DISTÂNCIA INDICAÇÃO DE VÍDEO Indicação de Vídeo sobre neuroplasticidade cerebral do idoso: Disponível em: Acesso em: 18 nov. 2017. A capacidade de neuroplasticidade está presente durante toda a vida, assumindo funções extremamente importantes no funcionamento normal e patológico do indivíduo, incluindo da população idosa (CRAMER et al., 2011). No entanto, apesar de presente toda a vida, esta capacidade é influenciada por alguns fatores, nomeadamente faixa etária e nível de desenvolvimento do sistema nervoso (quanto mais avançada a idade menor a capacidade e a velocidade neuroplástica). De acordo com o exposto, com foco na população idosa e considerando as alterações verificadas ao nível do sistema nervoso nesta população, estudos e investigações recentes tentam demonstrar como essas mudanças podem ser atenuadas, nomeadamente através da prática de atividade física e de exercício mental. conceito de atividade física refere-se a qualquer movimento corporal produzido pelos músculos esqueléticos que requer gasto de energia. A sua prática encontra-se associada a inúmeros benefícios físicos e mentais. Alguns estudos têm descrito que a sua prática promove e tem um efeito facilitador da neuroplasticidade. Para Vance, et al., (2012), também o treino cognitivo é promotor da neuroplasticidade. Alguns estudos defendem que a combinação de atividade física com exercício cognitivo pode gerar mudanças benéficas sinérgicas superiores do que qualquer um deles individualmente. Tendo em conta o conceito de atividade física sugere-se que a prática psicomotora, apesar das suas particularidades e especificidades, tem na sua origem o movimento corporal / a atividade física, e como tal, sua prática pode proporcionar a quem dela usufruiu, benefícios de diversa índole tanto a nível do corpo como da mente. PSICOMOTRICIDADE UNIDADE 4 3.1 Gerontopsicomotricidade A intervenção psicomotora em contexto geriátrico ou Gerontopsicomotricidade, é uma técnica de intervenção não farmacológica, que visa promover a manutenção funcional dos fatores psicomotores, bem como capacitar o indivíduo com estratégias e ferramentas que lhe permitam adaptar-se às mudanças corporais e psicossociais impostas pelo envelhecimento (MORAIS, 2007). Inserido nos paradigmas mais atuais, e no âmbito da funcionalidade e adaptação à vida diária, a intervenção psicomotora pode atuar como um apoio, a uma diversidade de populações e necessidades, entre as quais a população idosa, para a estimulação das habilidades motoras, assumindo-se como uma mais-valia na potencialização da participação ativa dos idosos na comunidade onde se inserem (MORAIS, 2007). A Psicomotricidade, enquanto prática terapêutica e de reeducação psicomotora constitui a chamada Intervenção Psicomotora, com um conhecimento assente numa base transdisciplinar que visa compreender o "triunfo adaptativo do corpo e do cérebro da espécie humana" (FONSECA, 2005, s/p.), incidindo sobre a organização psicomotora e sobre as condutas cognitivas e afetivo-sociais, aspetos essenciais para adquirir a independência funcional pessoal (MARTINS, 2001). uningá Universitário WWW.UNINGA.BR 70ENSINO A DISTÂNCIA A intervenção psicomotora foca-se na globalidade do indivíduo, tendo em conta a permanente interação entre a motricidade, o psiquismo e as emoções, bem como a constante interação com o meio em que se insere, a fim compreender o que é expressado corporalmente (MARTINS, 2001). Enquanto na terapia de mediação corporal, o corpo está no centro de toda a prática psicomotora, envolvendo entre outras, atividades de expressão corporal, relaxação, exploração do contato, entre outras. Figura 4 Atividades psicomotoras com idoso. Fonte: Santana Residência Sênior (2017). De acordo com Martins (2001), a prática psicomotora permite melhorar o potencial adaptativo, ao reforçar a ligação entre "o corpo e a atividade mental" e deve desenvolver-se em função das características do sujeito, podendo assumir um caráter mais relacional ou mais instrumental. Para Fonseca (2001), a intervenção psicomotora não pretende realçar o rendimento motor, a sua eficácia ou destreza, mas pretende transformar o corpo como um instrumento que age sobre o mundo e que se relaciona com os outros (componente intra e interpessoal). Quando a relação entre o psiquismo, o afetivo, a cognição e o neuromotor não se encontra PSICOMOTRICIDADE UNIDADE 4 harmonizada podem surgir problemas psicomotores, que frequentemente se traduzem num desequilíbrio entre a função tónica e a função motora (BOSCAINI, 2004). Tal como referido anteriormente, Fonseca (2004) sugere que a intervenção psicomotora, além da estimulação e manutenção dos fatores psicomotores, procura a adaptação individual às mudanças corporais e psicossociais implicadas pelo processo de envelhecimento. Esses problemas psicomotores podem ter na sua origem fatores genéticos, neurobiológicos e psicossociais e, frequentemente, comprometem os mecanismos de adaptação do indivíduo. A intervenção psicomotora tem uma atuação fundamental a este nível, permitindo a recuperação do equilíbrio entre a função tónica e a função motora e assim reconstruindo a base para o desenvolvimento de competências (BOSCAINI, 2004). corpo e o movimento são os principais instrumentos da prática psicomotora, que ao decorrer num ambiente lúdico e de relação permitirá ao indivíduo alcançar a regulação tónico- emocional e recuperar o prazer sensório-motor, de forma a harmonizar e aperfeiçoar a sua capacidade de interação com o mundo (MARTINS, 2001). Probst et al. (2010) distinguem dois tipos de intervenção psicomotora, que devem ser escolhidos em função do sujeito: uma intervenção mais centrada na ação e uma intervenção centrada na experiência. A intervenção centrada na ação foca o desenvolvimento de competências intelectuais e físicas, atuando mais especificamente sobre as praxias fina e global, a coordenação óculo-manual, o equilíbrio, a atenção, a percepção, a tonicidade e ainda sobre as competências sociais, de interação com os outros e com o meio em que se insere (PROBST et al., 2010). uningá Universitário WWW.UNINGA.BR 71ENSINO A DISTÂNCIA desenvolvimento psicomotor obedece a estruturação de três condutas a saber CONDUTAS MOTORAS DE BASE: Equilíbrio Coordenação dinâmica geral Respiração consciente Coordenação motora fina CONDUTAS NEURO-MOTORAS: Esquema corporal Controle psicomotor Lateralidade CONDUTAS Orientação corporal Orientação espacial Orientação temporal Figura 5 Desenvolvimento psicomotor. Fonte: Slideplayer (2019). Boscaini (2004) destaca a importância da ação como função de "representação teatral" que permite ao indivíduo demarcar a sua existência perante os outros, e que ao mesmo tempo é fundamental para a construção e desenvolvimento da sua identidade e imagem corporal. Por outro lado, na intervenção focada na experiência, o sujeito participa num conjunto de situações (controladas) que despertam (ou não, em alguns casos) diferentes estados emocionais e pensamentos negativos. sujeito é então confrontado com os seus comportamentos e conduzido no sentido de se aperceber da possibilidade de respostas/soluções alternativas, esperando-se PSICOMOTRICIDADE UNIDADE 4 aumentar assim a sua resiliência (PROBST et al., 2010). Atuando ao nível da expressão de sentimentos, moldando a capacidade de relação pelo gesto e pelo movimento, a intervenção psicomotora pode melhorar a auto representação do sujeito que age e comunica. Em suma, a intervenção psicomotora pode atuar em vários domínios da corporalidade, nomeadamente na função tónico-emocional, na estruturação do pensamento, na organização da motricidade funcional, comunicativa e relacional, na regulação do comportamento, na integração das sensações e percepções e na afirmação de uma identidade psicomotora que traduza a personalidade do indivíduo (MARTINS, 2001). De acordo com Boscaini (2004), a globalidade psicomotora do Homem é construída pela interação de quatro dimensões (sustentadas pelas funções tônica e motora), a motricidade, a cognição, a linguagem e a relação tônico-emocional, cuja expressão se traduz em fenômenos observáveis e mensuráveis, conhecidos por indicadores psicomotores. Fonseca (2007), partindo do estudo das unidades funcionais propostas por Luria, nomeia sete fatores psicomotores fundamentais, a partir dos quais estabelece uma base para a avaliação psicomotora: Tonicidade, Equilibração, Lateralização, Noção do Corpo, Estruturação Espácio- Temporal, Praxia Global e Praxia Fina. Fonseca também desenvolveu uma bateria psicomotora para avaliar os aspectos descritos na figura abaixo. A avaliação é um processo consciente de recolha de informação, com vista a uma tomada de decisão mais adequada, para a resolução de um determinado problema, contextualizando-se a especificidade individual no envolvimento onde se insere. uningá Centre Universitário WWW.UNINGA.BR 72ENSINO A DISTÂNCIA A avaliação psicomotora é essencial não só para se conceber um plano de intervenção eficaz (definindo objetivos terapêuticos adequados) como para se poder avaliar os resultados de sua aplicação, sendo a observação o principal método de avaliação na intervenção psicomotora. Uma avaliação psicomotora não deve analisar o corpo apenas no que diz respeito às competências funcionais, mas também em termos de competência psíquica e relacional, não esquecendo que este corpo se desenvolve em um determinado meio onde age e é agido (BOSCAINI, 2004). Pitteri (2004) defende que não é possível fazer intervenção psicomotora sem fazer avaliação, alertando que ao intervir sem avaliar, o psicomotricista estaria a impor ao sujeito um modelo de intervenção além de poder não estar adequado às suas características específicas, pode ainda acarretar riscos para a integridade do sujeito. Acrescenta ainda que a avaliação se rege por duas normas fundamentais: uma observação do sujeito na sua globalidade (funcionalidade e relação) e uma observação do sujeito no momento de vida em que se encontra, considerando a interação com o meio em que se insere (PITTERI, 2004). Esquematizando, é possível agrupar os objetivos da avaliação psicomotora em 3 dimensões (PITTERI, 2004): Relativamente ao sujeito visa: avaliar as competências psicomotoras (tonicidade, praxias fina e global, equilibração, esquema corporal e lateralidade, estruturação espaciotemporal, regulação emocional, atenção e memória) do ponto de vista da funcionalidade, nomeadamente as características neuromotoras, sensório-motoras, psicoafetivas, a representação corporal e organização no espaço e no tempo e ainda a sua expressão nos comportamentos e atitudes, tendo sempre em conta que o indivíduo é um corpo, que tem emoções e está em permanente relação; Relativamente a Intervenção Psicomotora permite: a elaboração de um diagnóstico psicomotor, a tomada de decisão consciente para elaboração de um plano de intervenção e a avaliação dos resultados do programa em diferentes momentos; e PSICOMOTRICIDADE I UNIDADE 4 Relativamente a intervenção psicomotora, enquanto metodologia de intervenção, possibilita: a comunicação com outros profissionais e a comparação e avaliação das práticas. Por fim, é importante referir que a avaliação psicomotora, não se deve limitar a medir as dificuldades do idoso, mas também possibilitar a expressão das suas capacidades e potencialidades. Por fim, é importante referir que a avaliação psicomotora, não se deve limitar a medir as dificuldades do idoso, mas também possibilitar a expressão das suas capacidades e potencialidades. uningá Universitário WWW.UNINGA.BR 73ENSINO A DISTÂNCIA REFERÊNCIAS AGUIAR. E. R. Ramain-Thiers. 2011. Disponível em: . Acesso em: 12 fev. 2019. ALMEIDA, G. P. de. Teoria e prática em jogos, atividades lúdicas, expressão corporal e brincadeiras infantis. 3. ed. Rio de Janeiro: Wak, 2007. ALVES, F. Psicomotricidade: corpo, ação e emoção. Rio de Janeiro: Wak, 2007. ASHER, C. Postural Variations in Childhood. Butter Worths: London, 1975. BALBÉ, G. P.; DIAS, R. G.; SOUZA, L. S. Educação Física e suas contribuições para o desenvolvimento motor na educação infantil. 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