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Aula 1 – Introdução à 
Contabilidade Nacional
Profa. Aline Souza Magalhães
Slides baseados na apresentação de Fernando Perobelli (UFJF)
Objetivo do curso
• Este curso tem como objetivo apresentar aos alunos
alguns conceitos básicos referentes à mensuração da
atividade econômica e social
 Ênfase menos contábil
• Questões referentes às características próprias do
caso brasileiro também serão abordadas durante o
curso, com o intuito de situar o uso da Contabilidade
Social no meio em que vivemos
Programa do curso
1. Agregados macroeconômicos e identidades 
contábeis
- Conceitos de produto, renda, despesa, consumo 
intermediário, valor bruto da produção e valor agregado
- Coeficiente de Gini e Índice de Desenvolvimento Humano
- Conceitos de poupança e investimento
- Conceitos gerais de finanças públicas (tributos, 
subsídios, transferências governamentais, déficit público)
Programa do curso
2. Contabilidade a preços constantes
- O deflacionamento
- Deflator implícito do produto
- Principais índices de preços calculados no Brasil 
Programa do curso
3. A contabilidade do balanço de pagamentos
- Definições, convenções e problemas de mensuração
- A estrutura do balanço de pagamentos
- A conta corrente e os agregados nacionais
Programa do curso
4. Análise Insumo-Produto
- A matriz de insumo-produto
- O modelo aberto de Leontief
- Aplicações da matriz inversa de Leontief
Bibliografia utilizada no curso
(i) Básica
FEIJÓ, Carmen Aparecida et al. Contabilidade social: o novo 
sistema de contas nacionais do Brasil. 3ª edição. Rio de Janeiro: 
Campus, 2007.
(ii) Complementar
PAULANI, Leda Maria e BRAGA, Márcio Bobik. A nova 
contabilidade social: Uma introdução à macroeconomia. 3ª edição. 
São Paulo: Saraiva, 2007.
LOPES, Luiz Martins, VASCONCELOS, Marco Antônio Sandoval 
(orgs.). Manual de Macroeconomia: nível básico e nível 
intermediário. 2ª edição. São Paulo: Atlas, 2000.
SIMONSEN, Mário Henrique, CYSNE, Rubens Penha. 
Macroeconomia. 2ª edição. São Paulo: Atlas, 1995.
Outras referências serão sugeridas ao longo do curso
Introdução
“Vivemos numa sociedade de quantidades, de 
números... Quanto mede, quando pesa, quanto 
custa e quanto vale são perguntas importantes”. 
“Para muitas perguntas não existe resposta única. 
Mas muitas das decisões e argumentos são 
pesados e avaliados pela força dos números”.
Introdução
 Contabilidade social
 “Técnica que se propõe a apresentar, sob 
forma quantitativa, um quadro do 
conjunto das transações econômicas de 
uma nação” (OCDE)
Introdução
 Desde o fim da 2a Guerra Mundial, a ONU coordena um esforço mundial 
para estabelecer um padrão sistemático para coleta e difusão de dados 
acerca do funcionamento das economias
◦ 1. Inspirados nos trabalhos de Kuznets (NBER), Richard Stone e James 
Meade e J. M. Keynes, a ONU publicou em 1952 o United Nations System 
of National Accounts and Supporting Tables (SCN-52)
◦ 2. Em 1968, atualizaram a metodologia com a publicação do A System of
National Accounts (SNA-68)
◦ 3. Em 1993, uma nova versão foi publicada (System of National Accounts, 
SNA-93), sendo a atual referência para o cômputo das contas nacionais
Introdução
 Contabilidade Social no Brasil
◦ Entre 1947 e 1986, a Fundação Getúlio Vargas foi 
a responsável pela construção e divulgação das 
Contas Nacionais no Brasil
◦ A partir de 1987, esta atribuição foi assumida 
pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística 
(IBGE)
Introdução
 Contas nacionais
◦ Principal fonte de estatísticas econômicas
◦ Congrega instrumentos de mensuração capazes de 
aferir o movimento da economia de um país num 
determinado período de tempo
◦ Quanto se produziu, quanto se consumiu, quanto se 
investiu, quanto se vendeu para o exterior, quanto se 
comprou do exterior.
Introdução
 A contabilidade nacional deve ser entendida 
como um sistema contábil que permite a 
quantificação da atividade econômica em um 
determinado período em seus múltiplos 
aspectos.
◦ Retrato(s) da economia
 Sistema de Contas Nacionais (SCN)
◦ Objetivo: a partir de um marco estrutural teórico, 
apresentar recomendações de como obter os dados 
para quantificar esse marco
Introdução
 PIB (Produto Interno Bruto) 
◦ Estatística mais importante derivada do Sistema de 
Contas Nacionais
◦ Mede o total da produção líquida de bens e serviços 
de uma economia em um período de tempo.
 Explicar evolução do PIB: tarefa para a teoria 
macroeconômica
 Através da construção de modelos teóricos, analisa e 
interpreta o comportamento das variáveis relevantes 
para o entendimento dos movimentos do PIB.
Introdução
 Grandes temas macroeconômicos:
◦ Crescimento econômico de longo prazo
◦ Flutuações de curto prazo
◦ Qual a melhor métrica disponível? (Indicador 
de base móvel ou base fixa) 
 Exemplo: PIB brasileiro, 1948-2008 
Indicadores da Evolução do Produto Interno Bruto do Brasil –
1948-2008
0
10
20
30
40
50
60
70
80
90
100
110
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200
210
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19
99
20
00
20
01
20
02
20
03
20
04
20
05
20
06
20
07
20
08
Indicador de base móvel - base ano anterior = 100 Indicador de base fixa - 1980 = 100
Fonte: IBGE/SCN
Taxa anual de crescimento média = 5,14% a.a
Decréscimo da produção
Desempenho da economia ao longo do tempo...
Introdução
 Indicador de base fixa: tendência de evolução da 
economia ao longo do tempo, ou seja, a trajetória de 
crescimento econômico;
◦ exibe uma clara trajetória de crescimento da 
economia brasileira ao longo das últimas décadas.
 Indicador de base móvel: evolução ano a ano.
◦ crescimento não é linear, ou seja, apresenta fases em 
que o ritmo de expansão é muito rápido, como nos 
anos 1970, e fase onde é mais lento, ou ainda quando 
ocorreu um decréscimo da produção, como em 1980 
e 1990.
Introdução
 Outras possibilidades analíticas:
◦ Desempenho da economia ao longo do 
tempo
 Curto prazo versus Longo prazo
◦ Comparações internacionais
 Trajetórias distintas: por quê?
◦ Aspectos estruturais
 Elementos relevantes e sua dinâmica
PIB - variação real anual (% a.a.) – 1990 T2-2009 T1
Fonte: Economist Intelligence Unit
Comparações internacionais...
-10.0
-8.0
-6.0
-4.0
-2.0
0.0
2.0
4.0
6.0
8.0
10.0
Japão EUA
Participação Percentual dos Agregados Macroeconômicos no 
PIB Brasileiro (%) – 1970-2008
Aspectos estruturais...
0.0
10.0
20.0
30.0
40.0
50.0
60.0
70.0
80.0
90.0
Consumo final Exportações Importações FBCF
Fonte: IBGE/SCN
Introdução
 Por uma questão prática, a contabilidade nacional considera 
apenas transações monetárias que decorrem do processo de 
produção
 Limitação conceitual
◦ Outros aspectos da atividade econômica não são 
contabilizados (e.g. poluição, congestionamento)
◦ Externalidades
 Impacto sobre o bem-estar da população (custos e 
benefícios não são contabilizados)
Introdução
 Escopo analítico limitado
◦ Natureza de sistemas contábeis
 Base para modelos formais
◦ Relações de causa e efeito entre variáveis econômicas
◦ Papel da teoria econômica!
◦ Lembrem-se do Tostão: temos que aprender bem os 
fundamentos!
Introdução
Modelo econômico
“Construção teórica que 
descreve, através de 
equações, relações entre 
duas ou mais variáveis. 
Estas relações, quando 
testadas empiricamente, 
geram um resultado que 
estima o valor de uma ou 
mais variáveis, ou simula 
efeitos de mudanças nas 
variáveis de resultados.” (p. 
3)
C = a + bY
Modelo contábil
“Trabalha com identidades 
que representam 
matematicamente a 
igualdade de duas ou mais 
variáveis, que são iguais pordefinição, sem estabelecer 
relações de causalidade” (p. 
3)
Y = C + I + G + X - M
Fluxo Circular da Renda
 Representação esquemática dos fluxos 
econômicos
 Relações de trocas entre setores institucionais 
de uma economia
 Definição dos mercados relevantes
 Transações econômicas são efetuadas em 
moeda
 Fluxos reais (quantidades) e fluxos monetários 
(valores)
Fluxo Circular da Renda: Fluxo de produção gera fluxo de renda!
Empresas Famílias
Mercado de bens 
e serviços
Mercado de 
trabalho
Bens e serviços
vendidos
Bens e serviços
comprados
Trabalho
Fatores de 
produção
Fluxos monetários
Fluxos reais
Salários, alugueis e lucro Remuneração do fator trabalho 
(Renda)
Receitas de vendas de bens e serviços Gastos com compras de bens e serviços
Setores 
institucionais 
da economia
Fluxo Circular da Renda
 Dois setores institucionais na economia: 
- o setor famílias – que consome bens e 
serviços e oferta mão-de-obra e;
- o setor empresas – que produz todos os 
bens e serviços da economia e emprega toda 
a mão-de-obra no processo de produção.
 Permite examinar as relações de troca entre 
os dois setores que se originam do processo 
de produção
Fluxo Circular da Renda
 Identificamos dois fluxos no diagrama: 
- um fluxo real (parte interna do 
diagrama) e;
- um fluxo monetário (parte externa 
do diagrama).
Fluxo Circular da Renda
 Bens e serviços são de natureza heterogênea, 
medidos em unidades distintas, que não permitem 
agregação.
 Os bens adquirem valor econômico relativo 
somente após serem comercializados no mercado a 
um determinado preço.
 É o conjunto de preços na economia que permite 
que se agreguem bens e serviços medidos em 
unidades físicas diferentes
Fluxo Circular da Renda
iii PQVP 
 Valor de um bem ou serviço
VP = valor de produção; Q = quantidade; P = preço
 Ex post, o total de produto e de renda medidos em 
moeda em um determinado período se equivalem 
(propriedade contábil)
 
n
i
ii
n
i
itotal PQVPVP
Fluxo Circular da Renda
 Aumento da complexidade
 Fatores de produção
◦ Trabalho, capital, terra, ...
 Setores institucionais da economia
◦ Famílias, empresas, governo, resto do mundo, ...
 Setores produtivos, produtos, acumulação
 Exemplo: empresas também investem recursos em 
ampliação da capacidade (além de produzir bens finais)
Fluxo Circular da Renda Ampliado
Empresas Famílias
Mercado de bens 
e serviços
Mercado de 
trabalho
Fluxos monetários
Fluxos reais
Bens e serviços
vendidos
Bens e serviços
comprados
TrabalhoTrabalho
Salários Remuneração do fator trabalho 
(Renda) 
Receitas de vendas de bens e serviços Gastos com compras de bens e serviços
Mercado de 
fundos de capital
Mercado de bens 
de investimento
M
áq
u
in
as
 e
 e
q
u
ip
am
en
to
s
R
ec
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s/
d
es
p
es
as
 
Demanda de 
recursos
Oferta de 
recursos
Fluxo Circular da Renda
Famílias – consomem e poupam, ou seja, não consomem 
toda a sua renda
 Empresas – distinção entre bens finais e produção de bens 
de investimento (de capital). 
 Produto total do setor empresas é dividido em bens de 
consumo e produção de bens de capital, que são consumidos 
pelas empresas.
Introdução de dois novos mercados: 
Fluxo Circular da Renda
Mercado financeiro – onde famílias recorrem para investir 
recursos não consumidos e as empresas para demandar 
recursos financeiros.
 Empresas recorrem ao mercado financeiro (para produzir, 
ampliar seu potencial de produção, etc) e pagam juros.
 Mercado financeiro provê crédito aplicando recursos 
captados das famílias, remunerando-os.
 Mercado de bens de investimento: empresas demandam 
bens de capital.
Fluxo Circular da Renda
Pergunta-se: 
Como as empresas obtêm recursos para adquirir os 
bens de investimento que são produzidos e manter o 
nível de produto da economia a certo nível? 
Fluxo Circular da Renda
Possível explicação: 
-Famílias não gastam toda a sua renda e poupam, 
disponibilizando recursos em instituições financeiras, como 
bancos que, de acordo com suas expectativas, os emprestam 
ao setor empresas.
 Empresas visando maiores lucros futuros  planejam 
produzir e ampliar seus negócios, tomando empréstimos e 
assumindo encargos financeiros que devem ser cobertos pelas 
receitas futuras de vendas.
Fluxo Circular da Renda
 O fluxo circular da renda ampliado para uma economia fechada e sem 
governo explica seguintes relações contábeis:
 O fluxo de produção gera renda na forma de remuneração aos 
fatores de produção – trabalho e capital;
A renda gera demanda pelo produto e é composta pelas demandas de 
bens e serviços de consumo das famílias, e bens e serviços de 
investimento;
A renda gerada no processo de produção é alocada em consumo e a 
parcela não consumida é disponibilizada no mercado de fundos de capital 
como recurso para financiar as empresas. 
A renda não consumida corresponde a poupança, que medida ex post
é igual ao investimento ex post.
Outros exemplos...
Richard Cantillon, 1680?-1734
“Cantillon was the first to make 
this circular flow concrete and 
explicit, to give us a bird’s-eye 
view of economic life. In other 
words, he was the first to draw a 
tableau économique.”
Schumpeter, History of Economic 
Analysis (1954), twelfth printing, 
(Oxford University Press, 1981), 
p. 222
Figure 1 – Cantillon’s system
(http://cepa.newschool.edu/)
Fluxo e Estoque
 Distinção fundamental em 
economia!
 Ativos físicos e ativos 
financeiros
 Fluxo de novos 
investimentos (1)
◦ Compra de bens de 
investimento (fluxo) aumenta o 
estoque de capital (2)
 Depreciação pelo uso ao 
longo do tempo (3)
tttt DIKKK  1
Estoque de capital
(2)
Fluxo de investimento
(1)
Depreciação
(3)
Fluxo e Estoque
 Variáveis de estoque: medidas numa determinada data e 
são alteradas, quando comparadas com o volume de 
estoque de uma data anterior, por movimentos de 
variáveis de fluxo ao longo de um período.
◦ estoque de capital
◦ patrimônio de uma empresa
◦ estoque de dívida
◦ estoque de riqueza
 Como estão seus ativos financeiros?
1995 Great Hanshin-Awaji Earthquake in Kobe, 
Japan
Crescimento de 5,7% 
do PIB no ano do 
terremoto! (???)
Fonte: Nagamatsu, S. (2007). Economic Problems During 
Recovery from the 1995 Great Hanshin-Awaji 
Earthquake. Journal of Disaster Research, Vol. 2, No. 5
Componentes do Sistema de 
Contabilidade Nacional
 Matriz de insumo-produto articulada com o SCN
 Mais um Prêmio Nobel: Wassily Leontief (1973)
 A matriz de insumo-produto também permite 
calcular uma medida do produto agregado da 
economia.
 Leontief descreve as funções técnicas de produção, 
expressas por equações lineares, onde se relaciona 
o volume de produção com o consumo de insumos, 
dada a demanda final.
Componentes do Sistema de 
Contabilidade Nacional
 Matriz de insumo-produto, por detalhar as relações 
de troca entre os setores produtivos dentro da 
economia, é um instrumento analítico que 
complementa e enriquece o SCN
 Em termos de um sistema contábil integrado, deve 
produzir os mesmos resultados macroeconômicos
do modelo de contabilidade nacional de inspiração 
keynesiana, 
 SCN permite a integração do corpo central das 
contas nacionais com as informações para a 
construção da matriz de insumo-produto e outras 
informações macroeconômicas
Componentes do Sistema de 
Contabilidade Nacional
 Em resumo, o SCN desempenha três funções principais:
◦ Coordena a produção de estatísticas econômicas
◦ Oferece precisão e confiabilidade aos indicadores 
chave de desempenho da economia
◦ Ajuda a entender as relações entre os setores da 
economia, o que é fundamental para o entendimento 
sobre seu funcionamento
Componentes do Sistema de 
Contabilidade Nacional
 As divulgações do SCN produzido pelo IBGE incluem
◦ Contas Econômicas Integradas (CEI): contas detalhadas 
(produção, consumo e acumulação) por setor institucional, 
incluindo empresas financeiras,empresas não-financeiras, 
administração pública e famílias.
◦ Tabelas de Recursos e Usos (TRU): fornecem estimativas da 
oferta e demanda de bens e serviços desagregadas por 
produtos.
◦ Tabelas Sinóticas: reúnem as principais grandezas calculadas no 
Sistema de Contas Nacionais
◦ Contas Trimestrais
◦ Contas Regionais
◦ PIB Municipal
Bibliografia
 Feijó, C. e Ramos, R. L. O. (Org.) (2008). 
Contabilidade Social: A Nova 
Referência das Contas Nacionais do 
Brasil. Rio de Janeiro: Campus. 3ª. Edição, 
cap. 1.

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