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LEI N. 11340/06 - MARIA DA
PENHA
VÍTIMA SÓ PODE SER MULHER �CIS ou TRANS�
O sujeito passivo (vítima) não pode ser do sexo masculino.
STJ. 5ª Turma. RHC 51481/SC, Rel. Min. Jorge Mussi, julgado em 21/10/2014.
AUTOR pode ser HOMEM ou MULHER.
SÚMULA 542 �STJ�
"A ação penal relativa ao crime de lesão corporal resultante de violência
doméstica contra a mulher, é pública incondicionada."PORTANTO, NÃO É
NECESSÁRIO O CONSENTIMENTO DA VÍTIMA.
A reconciliação entre a vítima e o agressor, no âmbito da violência doméstica e
familiar contra a mulher, não é fundamento suficiente para afastar a
necessidade de fixação do valor mínimo para reparação dos danos causados
pela infração penal. STJ. 6ª Turma. REsp 1.819.504�MS, Rel. Min. Laurita Vaz,
julgado em 10/09/2019 �Info 657�.
Art. 41. Aos crimes praticados com violência doméstica e familiar contra a
mulher, independentemente da pena prevista, não se aplica a Lei nº 9.099,
de 26 de setembro de 19
→ Não se aplicam os institutos despenalizadores.
Súmula 536, STJ� A suspensão condicional do processo e a transação
penal não se aplicam na hipótese de delitos sujeitos ao rito da Lei Maria da
Penha.
→ Suspensão Condicional da PENA pode ser aplicado.
Súmula 588, STJ: A prática de crime ou contravenção penal contra a
mulher com violência ou grave ameaça no ambiente doméstico impossibilita a
substituição da pena privativa de liberdade por restritiva de direitos.
Entretanto será possível aplicar-lhe a suspensão condicional da pena por 2 a
4 anos, desde que preenchidos os requisitos previstos no artigo 77 do Código
Penal.
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Súmula 600, STJ� Para a configuração da violência doméstica e familiar
prevista no art. 5º da Lei 11.340/2006 �Lei Maria da Penha) não se exige a
coabitação entre autor e vítima.
FORMAS DE VIOLÊNCIA
Art. 5º Para os efeitos desta Lei, configura violência doméstica e familiar contra
a mulher qualquer AÇÃO OU OMISSÃO baseada no gênero que lhe cause
morte, lesão, sofrimento físico, sexual ou psicológico e dano moral ou
patrimonial:
Art. 7º São formas de violência doméstica e familiar contra a mulher, entre
outras:
I - a violência FÍSICA, entendida como qualquer conduta que ofenda sua
integridade ou saúde corporal;
II - a violência PSICOLÓGICA, entendida como qualquer conduta que lhe
cause dano emocional e diminuição da autoestima ou que lhe prejudique e
perturbe o pleno desenvolvimento ou que vise degradar ou controlar suas
ações, comportamentos, crenças e decisões, mediante ameaça,
constrangimento, humilhação, manipulação, isolamento, vigilância constante,
perseguição contumaz, insulto, chantagem, violação de sua intimidade,
ridicularização, exploração e limitação do direito de ir e vir ou qualquer outro
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meio que lhe cause prejuízo à saúde psicológica e àautodeterminação;
�Redação dada pela Lei nº 13.772, de 2018�
III - a violência SEXUAL, entendida como qualquer conduta que a constranja a
presenciar, a manter ou a participar de relação sexual não desejada, mediante
intimidação, ameaça, coação ou uso da força; que a induza a comercializar ou
a utilizar, de qualquer modo, a sua sexualidade, que a impeça de usar qualquer
método contraceptivo ou que a force ao matrimônio, à gravidez, ao aborto ou à
prostituição, mediante coação, chantagem, suborno ou manipulação; ou que
limite ou anule o exercício de seus direitos sexuais e reprodutivos;
IV - a violência PATRIMONIAL, entendida como qualquer conduta que
configure retenção, subtração, destruição parcial ou total de seus objetos,
instrumentos de trabalho, documentos pessoais, bens, valores e direitos ou
recursos econômicos, incluindo os destinados a satisfazer suas necessidades;
V - a violência MORAL, entendida como qualquer conduta que configure
calúnia, difamação ou injúria.
"[...] A divulgação na internet, para conhecidos e desconhecidos, de imagens
de ex-namorada nua, após o término do relacionamento, caracteriza a
chamada pornografia de vingança ("revenge porn") e consubstancia
violência moral contra a mulher no âmbito de relação íntima de afeto, a qual
foi prevista pelo legislador nacional no artigo 5.º, III, c/c artigo 7.º, V, da Lei
11.340/2006 ("Lei Maria da Penha"), ensejando a reparação por dano moral
in re ipsa." �TJ�DF, 20110710146265 � Segredo de Justiça 0014321�
67.2011.8.07.0007, Rel. Angelo Passareli, 5ª Turma Cível, j. 13�09�2017, DJe 27�
09�2017�.
INDEPENDE DE COABITAÇÃO
→ a Lei Maria da Penha dispõe configurar violência doméstica e familiar contra
a mulher a agressão proveniente de relação íntima de afeto, na qual o agressor
conviva ou tenha convivido com a ofendida, INDEPENDENTEMENTE de
coabitação
Lei Maria da Penha
Art. 5º Para os efeitos desta Lei, configura violência doméstica e familiar contra
a mulher qualquer ação ou omissão baseada no gênero que lhe cause morte,
lesão, sofrimento físico, sexual ou psicológico e dano moral ou patrimonial:
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I - no âmbito da unidade doméstica, compreendida como o espaço de convívio
permanente de pessoas, com ou sem vínculo familiar, inclusive as
esporadicamente agregadas;
II - no âmbito da família, compreendida como a comunidade formada por
indivíduos que são ou se consideram aparentados, unidos por laços naturais,
por afinidade ou por vontade expressa;
III - em qualquer relação íntima de afeto, na qual o agressor conviva ou tenha
convivido com a ofendida, INDEPENDENTEMENTE de coabitação.
Parágrafo único. As relações pessoais enunciadas neste artigo independem de
orientação sexual.
ARTICULAÇÃO…
ASSISTÊNCIA À MULHER EM SITUAÇÃO DE VIOLÊNCIA
Art. 9º A assistência à mulher em situação de violência doméstica e familiar
será prestada de forma articulada e conforme os princípios e as diretrizes
previstos na Lei Orgânica da Assistência Social, no Sistema Único de Saúde, no
Sistema Único de Segurança Pública, entre outras normas e políticas públicas
de proteção, e emergencialmente quando for o caso.
§ 1º. O juiz determinará, por prazo certo, a inclusão da mulher em situação de
violência doméstica e familiar no cadastro de programas assistenciais do
governo federal, estadual e municipal.
§ 2º O juiz assegurará à mulher em situação de violência doméstica e
familiar, para preservar sua integridade física e psicológica:
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I - acesso prioritário à remoção quando servidora pública, integrante da
administração direta ou indireta;
II. manutenção do vínculo trabalhista, quando necessário o afastamento do
local de trabalho, por até 6 meses.
→ ATENÇÃO!!!
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💡 1� Compete ao juízo estadual, no exercício da jurisdição criminal,
especialmente aquele responsável pela aplicação da Lei nº
11.340/2006 �Lei Maria da Penha), fixar a medida protetiva prevista
no art. 9º, § 2º, II, da referida lei, inclusive quanto à requisição de
pagamento de prestação pecuniária em favor da vítima afastada do
local de trabalho, ainda que o cumprimento material da decisão
fique sob o encargo do INSS e do empregador;
2� Nos termos do que dispõe o art. 109, I, da Constituição Federal,
compete à Justiça Federal processar e julgar as ações regressivas
que, com fundamento no art. 120, II, da Lei nº 8.213/1991, deverão
ser ajuizadas pela Autarquia Previdenciária Federal contra os
responsáveis nos casos de violência doméstica e familiar contra a
mulher;
3� A expressão constante da Lei (‘vínculo trabalhistaʼ) deve
abranger a proteção da mulher visando à manutenção de sua fonte
de renda, qualquer que seja ela, da qual tenha que se afastar em
face da violência sofrida, conforme apreciação do Poder Judiciário.
A prestação pecuniária decorrente da efetivação da medida
protetiva prevista no art. 9º, § 2º, II, da Lei nº 11.340/2006 possui
natureza previdenciária ou assistencial, conforme o vínculo jurídico
da mulher com a seguridade social:
(i) previdenciária, quando a mulher for segurada do Regime Geral de
PrevidênciaSocial, como empregada, contribuinte individual,
facultativa ou segurada especial, hipótese em que a remuneração
dos primeiros 15 dias será de responsabilidade do empregador
(quando houver), e o período subsequente será custeado pelo
INSS, independentemente de cumprimento de período de carência.
No caso de inexistência de relação de emprego de segurada do
Regime Geral de Previdência Social, o benefício será arcado
integralmente pelo INSS;
(ii) assistencial, quando a mulher não for segurada da previdência
social, hipótese em que a prestação assume natureza de benefício
eventual decorrente de vulnerabilidade temporária, cabendo ao
Estado, na forma da Lei nº 8.742/1993 �LOAS�, prover a assistência
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financeira necessária. Nesse caso, o juízo competente deverá
atestar que a mulher destinatária da medida de afastamento do
local de trabalho não possuirá, em razão de sua implementação,
quaisquer meios de prover a própria manutenção. STF. Plenário. RE
1.520.468/PR, Rel. Min. Flávio Dino, julgado em 15/12/2025
�Repercussão Geral – Tema 1.370� �Info 1203�
o juízo estadual não está concedendo benefício previdenciário propriamente
dito, mas sim fazendo cumprir a norma protetiva da Lei Maria da Penha.
A determinação dirigida ao INSS é uma consequência operacional da medida
protetiva, e não uma ação previdenciária autônoma, POR ISSO, é competente o
JUIZ ESTADUAL.
Em palavras mais simples: o juiz criminal que aplica a Lei Maria da Penha não
está invadindo a competência da Justiça Federal.
Art. 120. A Previdência Social ajuizará ação regressiva contra os
responsáveis nos casos de:
(...)II - violência doméstica e familiar contra a mulher, nos termos da Lei nº
11.340, de 7 de agosto de 2006.
Essa ação regressiva será ajuizada pela autarquia federal �INSS�, na condição
de autora, contra o agressor, o que atrai a competência da Justiça Federal, nos
termos do art. 109, I, da CF/88.
Desse modo, percebe-se o sistema em duas etapas:
primeiro, o juiz estadual determina a proteção imediata da mulher e o INSS
custeia o afastamento;
depois, a Previdência Social �INSS) cobra do agressor, na Justiça Federal, o
valor que desembolsou.
AFASTAMENTO IMEDIATO DO AGRESSOR DO DOMICÍLIO POR
AUTORIDADE POLICIAL OU POLICIAL:
Art. 12�C. Verificada a existência de risco atual ou iminente à vida ou à
integridade física ou psicológica da mulher em situação de violência doméstica
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e familiar, ou de seus dependentes, o agressor será imediatamente afastado
do lar, domicílio ou local de convivência com a ofendida:
I - pela autoridade judicial;
II - pelo delegado de polícia, quando o Município não for sede de comarca; ou
III - pelo policial, quando o Município não for sede de comarca e não houver
delegado disponível no momento da denúncia.
§ 1º Nas hipóteses dos incisos II e III do caput deste artigo, o juiz será
comunicado no prazo máximo de 24 (vinte e quatro) horas e decidirá, em
igual prazo, sobre a manutenção ou a revogação da medida aplicada,
devendo dar ciência ao Ministério Público concomitantemente.
RENÚNCIA DA VÍTIMA DE VIOLÊNCIA DOMÉSTICA
Art. 16. Nas ações penais públicas CONDICIONADAS À REPRESENTAÇÃO da
ofendida de que trata esta Lei, SÓ SERÁ ADMITIDA A RENÚNCIA à
representação perante o juiz, em AUDIÊNCIA ESPECIALMENTE DESIGNADA
COM TAL FINALIDADE, ANTES DO RECEBIMENTO DA DENÚNCIA e OUVIDO O
MINISTÉRIO PÚBLICO
CPP: retratação até o OFERECIMENTO da denúncia.
Maria da Penha: renúncia até o RECEBIMENTO da denúncia (e só em audiência
especial + oitiva do MP�
TIPOS DE VIOLÊNCIA�
Física: integridade ou saúde corporal.
Psicológica: dano emocional/diminuição da auto estima.
Sexual: Relação sexual não desejada/ impedir método contraceptivo/ forçar
matrimônio, gravidez, aborto, prostituição/ livre exercício direitos sexuais e
reprodutivos.
Patrimonial: destruição parcial ou total de objetos/ instrumentos de trabalho/
documentos pessoais/ bens/ valores.
Moral: calúnia/ difamação/ injúria.
CRIME DE DESCUMPRIMENTO DE MEDIDA PROTETIVA DE
URGÊNCIA
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Art. 24�A. Descumprir decisão judicial que defere medidas protetivas de
urgência previstas nesta Lei:
Pena – reclusão, de 2 (dois) a 5 (cinco) anos, e multa.
§ 1º A configuração do crime independe da competência civil ou criminal do
juiz que deferiu as medidas.
§ 2º Na hipótese de prisão em flagrante, apenas a autoridade judicial poderá
conceder fiança
§ 3º O disposto neste artigo não exclui a aplicação de outras sanções cabíveis.
💡 O consentimento da vítima não afasta a tipicidade do crime de
descumprimento de medida protetiva (art. 24�A da Lei Maria da
Penha) se o agente gera intimidação na vítima e, assim, consegue
esse consentimento:
Em regra, o STJ entende que o consentimento da vítima afasta a
tipicidade do crime do art. 24�A da Lei nº 11.340/2006. No entanto,
para que isso ocorra, a autorização da vítima deve ser livre e
espontânea. No caso concreto, o STJ entendeu que Regina não o
convidou e que seu consentimento estava viciado pelo medo e pela
intimidação sofridos, o que tornava inválida sua autorização.
STJ. 5ª Turma. AgRg no HC 860.073�SC, Rel. Min. Ribeiro Dantas,
julgado em 13/11/2024 �Info 24 � Edição Extraordinária).
JURISPRUDÊNCIAS
A palavra da vítima, corroborada por outras provas, tem especial relevância em
crimes de violência doméstica, e o dano moral é presumido nesses casos.
STJ. Corte Especial. APn 1.079�DF, Rel. Min. Antonio Carlos Ferreira, julgado
em 15/10/2025 �Info 870�.
Medidas protetivas de urgência devem ser mantidas por prazo indeterminado
até que cesse a situação de risco, não cabendo à vítima provar novos fatos de
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violência para sua continuidade
1. As medidas protetivas de urgência têm natureza jurídica de tutela inibitória e
sua vigência não se subordina à existência de boletim de ocorrência, inquérito
policial, processo cível ou criminal.
2. A duração das medidas protetivas vincula-se à persistência da situação de
risco à mulher, devendo ser fixadas por prazo indeterminado.
3. A manutenção das medidas protetivas não depende da demonstração de
novos fatos de violência, mas sim da persistência da situação de risco
inicialmente configurada.
STJ. 6ª Turma. REsp 2.199.138�MG, Rel. Min. Sebastião Reis Júnior, julgado
em 13/8/2025 �Info 860�.
A assistência jurídica qualificada da Lei Maria da Penha é obrigatória em todas
as fases processuais, inclusive no Tribunal do Júri, podendo a Defensoria
Pública atuar em polos opostos com defensores distintos
STJ. 5ª Turma. REsp 2.211.682�RJ, Rel. Min. Joel Ilan Paciornik, julgado em
17/6/2025 �Info 855�.
A vítima de violência doméstica possui legitimidade para recorrer de decisão
que indefere ou revoga medidas protetivas de urgência solicitadas
STJ. 5ª Turma. REsp 2.204.582�GO, Rel. Min. Ribeiro Dantas, julgado em
13/5/2025 �Info 856�.
Crimes de violação de domicílio e lesão corporal em contexto de violência
doméstica devem ser tratados como autônomos, sem aplicação do princípio da
consunção
Isso vale especialmente nos casos de violência doméstica e familiar baseada
em gênero (misógina), onde estão presentes valores jurídicos diferentes.
STJ. 6ª Turma. AgRg no AREsp 2.711.392�SC, Rel. Min. Otávio de Almeida
Toledo �Desembargador convocado do TJSP�, julgado em 12/3/2025 �Info
846�.
A norma protetiva da Lei Maria da Penha deve ser aplicada também para os
casais homoafetivos do sexo masculino e para as mulheres travestis ou
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transexuais nas relações intrafamiliares
Embora a Lei Maria da Penha tenha sido editada para proteger a mulher contra
a violência doméstica, é possível sua aplicação a casais homoafetivos do sexo
masculino, desde que estejam presentes fatores contextuais que insiram a
vítima em posição de subalternidade na relação.
STF. Plenário. MI 7.452/DF, Rel. Min. Alexandre de Moraes, julgado em
24/02/2025 �Info 1167�.A idade da vítima é irrelevante para afastar a competência da vara
especializada em violência doméstica e familiar contra a mulher e as normas
protetivas da Lei Maria da Penha
1. A condição de gênero feminino é suficiente para atrair a aplicabilidade da Lei
Maria da Penha em casos de violência doméstica e familiar, prevalecendo
sobre a questão etária.
2. A Lei Maria da Penha prevalece quando suas disposições conflitarem com as
de estatutos específicos, como o da Criança e do Adolescente.
STJ. 3ª Seção. REsp 2.015.598�PA, Rel. Min. Ribeiro Dantas, julgado em
6/2/2025 �Recurso Repetitivo - Tema 1186� �Info 840�.
O fato de não haver relação duradoura de afeto não afasta a incidência do
sistema protetivo da Lei Maria da Penha
STJ. 6ª Turma. AgRg no REsp 2.093.541�PR, Rel. Min. Antonio Saldanha
Palheiro, julgado em 12/8/2024 �Info 824�.
O fato de ameaças serem proferidas em um contexto de cólera ou ira entre o
autor e a vítima não afasta a tipicidade do delito
STJ. Corte Especial.APn 943�DF, Rel. Min.Antonio Carlos Ferreira, julgado em
10/6/2024 �Info 21 � Edição Extraordinária).
É desnecessária, portanto, a demonstração específica da subjugação feminina
para que seja aplicado o sistema protetivo da Lei Maria da Penha, pois a
organização social brasileira ainda é fundada em um sistema hierárquico de
poder baseado no gênero, situação que o referido diploma legal busca coibir.
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STJ. 5ª Turma. AgRg no REsp 2.080.317�GO, Rel. Min. Joel Ilan Paciornik,
julgado em 4/3/2024 �Info 803�.
O crime praticado contra a mulher no âmbito doméstico e familiar resulta em
dano moral in re ipsa, ou seja, independe de instrução probatória específica
para a sua apuração, uma vez que a simples comprovação da prática da
conduta delitiva é suficiente para demonstrá-lo, ainda que minimamente.
Vale ressaltar, contudo, que a fixação da reparação civil mínima na sentença
penal condenatória (art. 387, IV, do CPP) pressupõe a participação do réu, sob
pena de violação aos postulados do contraditório e da ampla defesa.
STF. 2ª Turma. ARE 1369282 AgR/SE, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, julgado
em 19/09/2023 �Info 1109�.
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