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UNIVERSIDADE FEDERAL RURAL DO RIO DE JANEIRO 
INSTITUTO MULTIDISCIPLINAR - DEPARTAMENTO DE LETRAS 
LÍNGUA PORTUGUESA PADRÃO 
Professora: Katia Emmerick 
 
TIPOS DE GRAMÁTICA 
 
Falar sobre os “tipos de gramática”, para muitos, pode soar um tanto quanto estranho, haja vista que 
a ideia que se tem desse assunto se demarca por “aquele bom e velho” livro que se prima por ditar 
as ordens do certo e errado. No entanto, enquanto assíduos usuários da língua que somos, temos de 
nos conscientizar de que a língua, concebida como um organismo vivo, torna-se cada vez mais 
passível de mudanças, transformações ao longo do tempo, mesmo porque vivemos numa era 
totalmente norteada pelo dinamismo que nutre as relações sociais de uma forma geral. 
Nesse ínterim (levando em consideração até mesmo o modo de utilizarmos o idioma), constatamos 
que tais transformações acabam permeando em meio à nossa vivência e a linguagem não fica aquém 
dos fatos ocorridos. Assim, mediante a tal pressuposto, cabe lembrar e, sobretudo ressaltar com 
tamanha veemência, que falar e escrever bem, tendo em vista o padrão formal da linguagem, sempre 
se fez e sempre continuará se fazendo presente em se tratando das situações formais de 
interlocução, por isso estamos submetidos a um sistema tido como convencional, comum a todos os 
usuários. 
In: https://www.preparaenem.com/portugues/tipos-gramatica.htm 
 
A gramática é um sistema complexo e passível de diversas concepções. Por isso, ela é dividida em 
tipos distintos: gramática normativa, descritiva, histórica e comparativa. 
Afinal, o que é Gramática? 
A Gramática tem como principal função regular a linguagem e estabelecer padrões de escrita e fala 
para os falantes de uma língua. Graças à Gramática, a língua pode ser analisada e preservada, 
apresentando unidades e estruturas que permitem o bom uso da língua portuguesa. 
Uma boa Gramática deve ser capaz de extrapolar a visão reducionista que faz da língua um 
amontoado de regras prescritas pelos estudiosos do sistema linguístico, devendo ser capaz não 
apenas de prescrever o idioma, mas também de descrevê-lo, preservá-lo e, sobretudo, ter utilidade 
para os falantes. A Gramática apresenta as regras, mas quem movimenta e faz da língua um sistema 
vivo e mutável somos nós, agentes da comunicação. 
Por ser um sistema complexo e passível de diversas concepções, a Gramática apresenta abordagens 
diversas, sendo dividida, então, em tipos distintos: 
 • Gramática Normativa: Bastante utilizada em sala de aula e para diversos fins didáticos, a 
Gramática Normativa busca a padronização da língua, indicando através de suas regras 
como devemos falar e escrever corretamente. Aqui a abordagem privilegia a prescrição de 
regras que devem ser seguidas, desconsiderando os fatores sociais, culturais e históricos 
aos quais estão sujeitos os falantes da língua. 
 
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• Gramática Descritiva: A Gramática Descritiva analisa um conjunto de regras que são 
seguidas, considerando as variações linguísticas da língua ao investigar seus fatos, 
extrapolando os conceitos que definem o que é certo e errado em nosso sistema linguístico. 
• Gramática Histórica: Investiga a origem e a evolução de uma língua, representando os 
estudos diacrônicos. 
• Gramática Comparativa: Estabelece comparação da língua com outras línguas de uma 
mesma família. No caso de nossa língua portuguesa, as análises comparativas são feitas 
com as línguas românicas. 
A língua é um organismo vivo e, por esse motivo, é natural que exista um distanciamento entre o 
que é prescrito pelas normas e o que é efetivamente utilizado por seus falantes. Entretanto, não 
devemos desconsiderar a importância das regras que preservam este que é nosso maior patrimônio 
cultural: nossa língua portuguesa. Façamos então um bom proveito da Gramática! 
As gramáticas podem prescrever, descrever ou analisar as evoluções históricas do idioma. 
In: https://www.portugues.com.br/gramatica 
 
Acepções de gramática e implicações no ensino (POSSENTI, Sírio. Por que (não) 
ensinar gramática na escola. São Paulo: Mercado de Letras, 2001, p. 63-83). 
 
Gramática como “conjunto de regras”: 
1. Conjunto de regras que devem ser seguidas (gramática normativa); 
2. Conjunto de regras que são seguidas (gramática descritiva); 
3. Conjunto de regras que o falante domina (gramática internalizada). 
 
1. Gramática Normativa (definição mais conhecida pelos professores) 
 
Conjunto de regras que devem ser seguidas. É em geral a definição que se adota nas 
gramáticas pedagógicas e nos livros didáticos. Esses compêndios se destinam a fazer com 
que seus leitores aprendam a “falar e escrever corretamente”. Apresentam um conjunto 
de regras, que, se dominadas, produzem como efeito o emprego da variedade padrão 
(escrita e/ou falada). Nessa perspectiva, dizer que alguém “sabe gramática significa dizer 
que esse alguém conhece essas normas e as domina tanto nocionalmente quanto 
operacionalmente” (FRANCHI, 1991). 
 
Características: 
- variedade da língua descrita: padrão (culta); 
- tudo o que foge ao padrão é “errado” e o que atende a ele é “certo”; 
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- descreve os fatos linguísticos com base no uso consagrado pelos bons escritores; 
- concebe a gramática como algo definitivo e absoluto; 
- principais argumentos para fundamentar e exercer o seu papel prescritivo: de natureza 
estética, elitista, comunicacional, política, histórica; 
- são considerados erros enunciados do tipo: “eu vi ele sábado”; “os menino já chegou”; 
“me empresta seu lápis”; “nois trabaia na pexaria”. 
 
2. Gramática Descritiva 
 
Conjunto de regras que são seguidas. O objetivo dessa gramática é descrever e/ou 
explicar as línguas tais como são faladas. Nesse tipo e trabalho, a preocupação central é 
tornar conhecidas, de forma explícita, as regras de fato utilizadas pelos falantes. 
Há diferenças e semelhanças entre as gramáticas normativas e descritivas. A 
distinção se processa em decorrência do fato de que as línguas mudam e as gramáticas 
normativas continuam propondo regras que os falantes seguem raramente, ou não 
seguem mais: uso do pronome vós; do mais que perfeito; dos futuros sintéticos; do 
infinitivo verbal com “r”, do pronome reto ele (e flexões) como complemento verbal 
direto; etc. 
 A semelhança se dá porque as gramáticas normativas distribuem as palavras em 
classes diferentes, quando distinguem partes da oração, ou quando segmentam as 
palavras em radical, vogal temática e desinência; nesse caso, as gramáticas normativas 
são descritivas, por isso elas se confundem. Mas, frequentemente, as passagens 
descritivas das gramáticas normativas referem-se às formas “corretas” de uso da língua. 
Por outro lado, a característica fundamental de uma gramática descritiva é não ter 
nenhuma pretensão prescritiva. Esses estudos sobre a língua em uso são importantes 
para o trabalho do professor de língua materna que pretende desenvolver a competência 
comunicativa de seu aluno ou descrever como é e como funciona a língua que ele utiliza 
ou levá-lo a observar esses mecanismos. 
 Usos que são considerados errados para a gramática normativa não o são para a 
descritiva, porque atendem às regras de funcionamento da língua em uma das suas 
variedades. Quanto mais variedades forem descritas, melhor será a gramática. Nessa 
perspectiva, saber gramática significa ser capaz de distinguir, nas expressões linguísticas, 
as categorias, as funções e as relações que entram em sua construção, descrevendo a 
sua estrutura interna e avaliando a sua gramaticalidade. 
 Comumente, as gramáticas descritivas recebem nomes referentes às correntes 
linguísticas segundo as quais foram construídas: estrutural, gerativa-transformacional., 
funcional etc. 
 
Características: 
- variedade da língua descrita: qualquer uma; 
- tudo o que atende às regras e funcionamento da língua(forma – função – 
significado) de acordo com determinada variedade é considerado gramatical; - 
representantes dessa concepção: teorias estruturalistas que privilegiam a descrição 
da língua oral, teoria gerativo-transformacional (que trabalha com enunciados 
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ideais, visando estabelecer um modelo geral, baseado em princípios universais, do 
qual derivam as gramáticas de cada língua particular) e as teorias variacionistas (que 
defendem que a variação e a mudança linguísticas são influenciadas por aspectos 
tanto sistêmicos, internos à própria língua, quanto externos, devido a pressões 
sociais). 
- são considerados fatos constantes o uso do “te” para se referir a “você”; uso de “a 
gente” tanto na posição de sujeito: “A gente foi à festa”, quanto na posição de 
complemento: “Ela viu a gente”. Tais usos são vistos como problemas para a 
gramática normativa. 
 
3. Gramática Internalizada 
 
Conjunto de regras que o falante domina. Refere-se a hipóteses sobre os 
conhecimentos que habilitam o falante a identificar frases como pertencentes a sua 
língua materna, a produzir e a interpretar sequências sonoras com determinadas 
características (e todo falante possui um conjunto de regras gramaticais – não regras 
normativas, mas as que ele usa natural e sistematicamente, adquiridas na comunidade 
linguística em que viveu). Pode-se dizer que esse conhecimento tácito é 
fundamentalmente de dois tipos: lexical e sintático-semântico. O conhecimento lexical 
pode ser entendido como a capacidade de empregar palavras adequadas aos objetos, 
aos processos, às ações. O conhecimento sintático-semântico está relacionado com a 
distribuição das palavras no enunciado e o efeito que tal distribuição tem para o sentido 
daquilo que é dito. Em suma, trata-se do saber linguístico que o falante de uma língua 
desenvolve dentro de certos limites impostos pela sua própria dotação genética, em 
condições apropriadas de natureza social. Em outras palavras, o falante nativo domina 
as regras de uma variedade (a falada em seu meio). 
Nessa perspectiva, saber gramática não depende de escolarização, ou de quaisquer 
processos de aprendizado sistemático, mas de ativação e de amadurecimento 
progressivo dentro da própria atividade linguística, de hipóteses sobre o que seja 
linguagem, de seus princípios e regras. Certamente, conhecer uma língua não é conhecer 
um inventário de frases feitas, mas conhecer um conjunto de regras que é acionado 
conforme as necessidades em uma interação comunicativa. 
 
Características: 
- variedade da língua descrita: todas; 
- não há erro linguístico, mas inadequação de variedade linguística utilizada em um 
determinado evento comunicativo; 
- constitui não só a competência gramatical do usuário, mas também sua 
competência textual e discursiva e, portanto, o desenvolvimento da gramática 
internalizada de nossos alunos possibilita a tão almejada competência comunicativa; 
- uma expressão linguística é agramatical quando não faz parte da gramática 
internalizada de nenhum falante. “Ocorre a agramaticalidade quando não são 
respeitadas características essenciais que possibilitam a comunicação, por exemplo, 
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não obediência de ordem obrigatória entre os elementos ou omissão de elementos 
indispensáveis”. 
 
 
A gramática internalizada ou implícita é o conjunto de regras que cada pessoa domina e que permite 
que ela se comunique e também compreenda os outros. Digamos que ela é um mix mental das 
gramáticas normativa e descritiva em diferentes níveis para cada indivíduo. 
 
Essa gramática internalizada é formada ao longo da vida, de acordo com o repertório linguístico que 
a pessoa vai tecendo. Isso inclui a convivência familiar e social, as oportunidades de ensino formal 
que essa pessoa teve, todos os tipos de entretenimento que ela já consumiu, os livros que já leu, o 
campo semântico da profissão na qual atua, a região geográfica onde morou, a idade cognitiva… 
Enfim, são fatores infinitos! E essa gramática internalizada está sempre em construção enquanto a 
pessoa viver. 
 
In: https://www.zup.com.br/blog/ux-writing-gramatica-descritiva-normativa-internalizada 
 
• De acordo com as concepções de gramática arroladas acima, reflita sobre as seguintes 
construções: 
 
a. Eu vamos ao cinema / A gente vamo(s) ao cinema / A gente vai ao cinema / (Nós) 
vamos ao cinema. 
b. Aqueles livros / Aqueles livro / Aquelas livros. 
c. Esse trabalho é para mim fazer? / Não é fácil para mim aceitar os novos tempos / Ele 
trouxe o livro para mim. 
d. Todos, embora gritando, conseguiram expor o que pensavam. 
e. Ah! Se a vida fosse sempre assim. 
f. Eu, infelizmente, não acredito em você / Pedro estudou, infelizmente não passou. 
g. Agora sou eu quem vai falar/ “João prefere cerveja. Agora Pedro gosta mesmo é de 
uma boa cachaça”. 
h. O diretor recebeu os alunos preocupado / Os alunos foram recebidos pelo diretor 
preocupado. 
i. Ela se formará daqui a dois meses / Depois da cozinha fica a área de serviço e depois, 
o quarto de empregada. 
j. Ele me levou até a porta / A aula foi até às dez / Até ela sabia do que aconteceu. 
k. Visitei a escola onde estudei / Onde você colocou o livro? / No concurso, fui avaliada 
por uma banca onde havia quatro doutores e um mestre. / Naquele ano onde estudei 
muito. 
l. Ele ficava verde de raiva com as respostas / Estamos roxos de fome. 
m. Eu tenho muito respeito pelo prof. João. / O João, ele é um professor que eu tenho 
muito respeito. / O João que eu tenho ele respeito é muito um professor. 
n. A maioria das pessoas não obedece às leis de trânsito / As leis de trânsito não são 
obedecidas pela maioria das pessoas. 
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o. O filho é amado pelo pai / O filho é preocupado pelo pai. 
p. Já deixei ele na escola. / Beija eu, beija eu, beija eu... / Deixa a vida me levar, vida leva 
eu... / Passei a noite procurando tu, procurando tu... 
q. No mundo, meu amor, só existe eu e você. 
r. Tim Maia canta "...Pensei até em me mudar, lugar qualquer que não exista o 
pensamento em você ...", mas Marisa Monte, "...Pensei até em me mudar, lugar 
qualquer em que não exista o pensamento em você ..." 
s. Reformam-se móveis / Reforma-se móveis.

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