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UNIVERSIDADE METODISTA DE SÃO PAULO CURSO DE PEDAGOGIA DÉBORA DIAS REIS MAEMILY CANELA DOS SANTOS RAQUEL SILVA DE SOUZA A MEDICALIZAÇÃO DA EDUCAÇÃO NAS SÉRIES INICIAIS SÃO BERNARDO DO CAMPO 2022 DÉBORA DIAS REIS MAEMILY CANELA DOS SANTOS RAQUEL SILVA DE SOUZA A MEDICALIZAÇÃO DA EDUCAÇÃO NAS SÉRIES INICIAIS Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à Diretoria de Graduação da Universidade Metodista de São Paulo como exigência parcial para obtenção de Licenciatura em Pedagogia. Área de concentração: Educação. Orientação: Prof (a). Dr (a). Cristina Miyuki Hashizume. SÃO BERNARDO DO CAMPO 2022 Este trabalho é dedicado aos nossos familiares e professores que nos apoiaram durante todo o curso, sem eles não estaríamos aqui. AGRADECIMENTOS À Profa. Dra Cristina Miyuki Hashizume, por nos auxiliar nesta trajetória, guiando nossos passos de forma excepcional, contribuindo para o nosso desenvolvimento. Aos professores do curso de Pedagogia, que contribuíram para a nossa formação, por todo conhecimento compartilhado e todo saber dividido. (…) ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua produção ou sua construção. (Freire) RESUMO A educação e o aprendizado são constituídos por múltiplos fatores, diferentes maneiras de compreensão e diferentes pontos de vista. E isso é possível pois não depende de seres padronizados e sim de seres humanos, distintos e complexos, diferenciados em cada vivência. Por isso, é comum que as informações sejam diferentes umas das outras, assim como a construção do aprendizado, e é nesse contexto que surge a medicalização. Com o objetivo de diminuir percursos e facilitar o aprendizado, a medicalização tem sido inserida precocemente nos contextos escolares, para padronizar e inserir os alunos no sistema pedagógico. Com o objetivo de compreender a medicalização nas séries iniciais realizamos pesquisas bibliográficas que nos permitiram constatar uma medicalização precoce de crianças da educação infantil. Palavras-chave: Medicalização. Processos de aprendizagem. Séries iniciais. ABSTRACT Education and learning are made up of multiple factors, different ways of understanding, and different points of view. And this is possible because it does not depend on standardized beings, but on distinct and complex human beings, differentiated in each experience. Therefore, it is common for information to be different from each other, as well as the construction of learning, and it is in this context that medicalization arises. With the goal of shortening pathways and facilitating learning, medicalization has been inserted early on into school contexts, to standardize and insert students into the pedagogical system. In order to understand medicalization in the early grades, we carried out bibliographic research that allowed us to verify an early medicalization of children in early childhood education. Keywords: Medicalization. Learning processes. Initial series. SUMÁRIO INTRODUÇÃO 08 1 MEDICALIZAÇÃO 11 1.1 Medicalização da vida 14 2 MEDICALIZAÇÃO NAS SÉRIES INICIAIS 18 3 CONSIDERAÇÕES FINAIS 26 4 REFERÊNCIAS 29 8 INTRODUÇÃO A medicalização é um processo que vem tomando espaço em todos os âmbitos, seja no contexto social ou educacional, o avanço da ciência e da medicina contribuíram para isso, entretanto existem alguns aspectos que necessitam de atenção. Esse avanço facilitou diversos processos, trazendo agilidade e facilidade na descoberta de muitas informações, porém isso pode se tornar um problema se estiver relacionado à saúde de seres humanos. Ainda mais se estiver em um contexto educacional, visando minimizar dificuldades e processos de aprendizagem. A facilidade e agilidade com que se obtém diagnósticos tem feito com que a crescente utilização de medicamentos aumente também entre as crianças, fato este que nos intriga e nos traz questionamentos se essa prática está acontecendo de forma precoce. Esse trabalho de caráter qualitativo, tem o objetivo de adquirir um conhecimento prévio do tema e suas reais necessidades, apresentando informações sobre a prática da medicalização no contexto da educação, em específico das séries iniciais. Sabemos que a educação e a aprendizagem estão presentes em tudo que nos cerca, seja nos fatos cotidianos do dia a dia, seja na escola. Por isso, é importante que a criança esteja inserida em uma rede de ensino para que possa desenvolver suas habilidades acadêmicas e sociais. Algumas crianças possuem ritmos diferentes das outras, e as causas podem ser diversas, e por esse motivo muitas têm recebido diagnósticos que os sugerem a medicalização com o objetivo de reintegrar suas funções psíquicas para que o aprendizado aconteça de maneira padronizada, semelhante aos demais. Por isso, têm aumentado o número de casos de crianças medicalizadas, “portanto, a atual maneira de medicar as crianças e jovens já vem sendo considerado como um problema de saúde pública, restringindo os direitos humanos desses alunos “(…) (Cardoso e Hashizume p. 64) e “Em vez de revolucionar o ensino e sua estrutura, o Ocidente prefere, pelo contrário, remediar os efeitos das 9 anomalias geradas por um ensino inadequado à nossa época. Remediar os efeitos significa, neste caso, encarregar a medicina de responder onde o ensino fracassou. (Mannoni, 1988, p. 62). A partir do que foi apresentado sobre a medicalização da educação e nas séries iniciais surgem outras dúvidas: Como a medicalização dos problemas de aprendizagem se manifesta nas escolas e especificamente nas séries iniciais? Observamos como esse processo tem acontecido no contexto social e escolar, como os profissionais da área da educação estão relacionados, e quais práticas devem ser tomadas diante desse acontecimento. Trazendo dados e citações de autores da área da educação com o objetivo específico de explicitar o processo da medicalização e a estigmatização do aluno nas séries iniciais, refletindo sobre a mediação do professor nesse contexto. Para os fundamentos sobre o processo de medicalização utilizaremos Bauman (2001) para falar sobre modernidade líquida e as relações sociais e Hashizume e Brazier (2019) para discorrer sobre a inclusão nos séculos passados. No subcapítulo medicalização da vida, Lima, Pinto e Cossetin (2019) discorrem sobre a medicação de transtornos psicológicos, Colombani e Martins (2017) sobre a indústria farmacêutica. Com relação à medicalização das séries iniciais utilizamos Franco, Mendonça e Tuleski (2020) para falar sobre desenvolvimento infantil, Santos (2019) sobre as marcas produzidas no sujeito e o ato de estigmatizar, Guarido (2010) problematiza a medicação de crianças, Foucault (2012) fala sobre o biopoder, Vygotsky fala sobre a teoria sociointeracionista e entre outros. 10 CAPÍTULO 1Não se trata obviamente de criticar a medicação de doenças, nem de negar as bases biológicas do comportamento humano. O que se defende é uma firme contraposição em relação às tentativas de se transformar problemas de viver em sintomas de doenças ou de se explicar a subjetividade humana pela via estreita dos aspectos orgânicos. (Meira, 2012) 11 1- MEDICALIZAÇÃO Ao falar sobre medicalização é preciso entender no que consiste o tema, qual seu significado, suas características, seus objetivos e entender que a medicalização está além da ação de ingerir medicamentos, ela pode ter causas diferenciadas. Ao buscar o significado da palavra medicalização no dicionário obtemos o seguinte sign ificado: “ato ou efeito de tratar um problema social ou cultural, de dimensão coletiva, como sendo um problema de foro psiquiátrico, de dimensão individual, generalizando o uso de medicamentos” (Meu dicionário.org), a partir disto é possível entender o conceito do ato de medicalizar. Entretanto para compreender como ocorre o processo de medicalização é preciso entender os caminhos percorridos até que essa prática fosse instaurada em nossa sociedade, para isso precisamos voltar a alguns anos atrás e retomar temas como a inclusão, que está inteiramente ligada ao processo de medicalização. No século XVIII, as pessoas consideradas “anormais” sofriam práticas segregacionistas e de extermínio. Da Idade Média em diante, esses reconhecidos “anormais” ganharam direito à vida, graças ao reconhecimento da igreja que elas por si só são criaturas de Deus, sendo que ora os anormais estavam possuídos por demônios ora eram castigados pelo divino. (HASHIZUME; BRAZIER, 2019, p. 133). Segundo Hashizume e Brazier (2019), pessoas que possuíam divergências em suas ações ou em seus corpos eram excluídas da sociedade e até mortas, porém com a expansão do Cristianismo e o reconhecimento da igreja, essas pessoas ganharam o direito à vida, através da misericórdia de Deus. Após esse período, pessoas com necessidades especiais passaram por um processo de segregação, onde eram separados da sociedade em locais destinados a tratá-las. Contudo, isso não fez com que essas pessoas tivessem direitos, estas permaneceram as sombras da sociedade, continuaram invisíveis. Essas pessoas eram vistas como anormais, loucas e indisciplinadas, a sociedade acreditava que era necessário realizar um processo de “cura” para que aquelas pessoas pudessem ser disciplinadas e em seguida voltarem a vida em sociedade. Com a propagação do Cristianismo, a igreja passou a condenar as práticas violentas a que eram submetidas as pessoas em situação de inclusão. Então, iniciou- 12 se um processo de recuperação para aqueles que possuíam anormalidades, através de regras e normas a serem respeitadas. Naquela época a Igreja detinha o poder e era usada como mecanismo de censura em diversas áreas, assim como nas instituições escolares. Neste contexto, temos a escola como um importante mecanismo de obediência, que colocava sua ideologia à frente e fazia com que aqueles que estavam ali a obedecessem. Dessa forma vemos que a escola não foi um lugar de inclusão, mas sim de exclusão. Percebemos que, no século XVIII essas pessoas sofriam uma exclusão, mas no século XX e no século XXI iniciou-se um processo de inclusão e reeducação, onde acreditava-se que o indivíduo deveria aprender a conviver com a sociedade, entendia- se que sua maneira de ver o mundo e reagir a ele não era correto. Em 1974 durante a ditadura militar quando a política passou a ser aberta e iniciaram-se buscas de melhores condições de vida, após passar por momentos difíceis onde a saúde da população estava debilitada e busca por melhores condições de vida, é nessa perspectiva que surgem diversos movimentos sociais. Pode se dizer que por conta desses movimentos muitos direitos sociais foram incluídos na Constituição cidadã de 1988. Após a Reforma Psiquiátrica brasileira, há 15 anos, foram feitas mudanças nos atendimentos psicológicos que tinham como objetivo tornar os seres humanos livres. Juntamente a essas mudanças, em meados dos anos 2000, a medicina e a tecnologia se desenvolveram e inovaram suas formas de diagnosticar pacientes, isso possibilitou novos diagnósticos realizados por máquinas e aparelhos capazes de mapear as funções cerebrais. Como consequência desses novos diagnósticos temos a medicalização, que se torna necessária para todos que possuem características que permitam diagnóstico. E o próximo passo após o diagnóstico é a implementação de medicamentos para amenizar os sintomas que fazem parte de seu diagnóstico. A Neurociência, busca explicar através da ciência e de pesquisas, as atitudes daqueles que de alguma forma são diferentes do esperado, porém ao realizarem as pesquisas não é levado em consideração o sujeito social, suas vivências, aprendizados etc., e isso faz com que sejam excluídas diversas informações importantes sobre aquele indivíduo. 13 O ato de medicalizar se torna um costume/tendência social, e o ser humano passa a reprimir seus sentimentos, antes aceitos pela sociedade, passando a amenizá-los através de medicamentos. O uso desses medicamentos se tornou algo político, não visando o bem-estar do ser humano, mas sim alvo de interesses. Tornando as pessoas obedientes, com comportamentos padronizados, ordenados, perdendo sua criticidade tornando-se seres “acríticos”. Portanto, percebemos como a sociedade está a todo tempo tomando o controle de nossas vidas e dos nossos corpos, incitando em nós a necessidade de estarmos alinhados com aquilo que é considerado correto e bom. Ao se tornar um ser humano padrão, as pessoas têm perdido suas características próprias, que fazem com que elas se diferenciam umas das outras, tornando as relações pessoais cada vez menos sólidas, Bauman (2001), falou sobre isso quando adotou o termo modernidade líquida, onde as relações sociais eram vistas como vazias e sem profundidade. Bauman (2001) aderiu esse termo e podemos relacioná-lo ao período da Revolução Industrial, onde capitalismo e o consumo tomaram o espaço das relações entre as pessoas, fazendo com que o consumo estivesse acima de tudo, deixando de lado a essência dos seres humanos. Atualmente, percebemos a ocorrência desse fenômeno, o ser humano tornou- se um ser fragmentado, que é avaliado por diferentes perspectivas, e isso acontece por conta dos imediatismos do nosso século, a tendência de se viver rapidamente, sem ter tempo de sentir e perceber as coisas ao redor. Bauman (2001, p. 56) “o desejo atrelado à urgência do imediatismo ameaçam o puro e genuíno valor dado ao pensamento e todos os processos relacionados ao mesmo e, através de uma forma de comunicação cuja linguagem é simplificada e a apreensão é rápida”, questões importantes são deixadas de lado, causando um impacto negativo ainda maior no ser humano. A sociedade atual e o contexto em que estamos inseridos não nos permite sentir e vivenciar nossas dores e medos, muito pelo contrário, eles requerem de nós uma recuperação cada vez mais rápida e eficaz. 14 1.1. MEDICALIZAÇÃO DA VIDA Nesse contexto em que o ser humano deve se reintegrar ao funcionamento sistêmico de forma rápida, surgem os psicofármacos, que dão resultados efetivos, porém ainda há muita dúvida sobre as consequências de seu uso em crianças mais novas, por estarem em desenvolvimento. Como confirma Lima, Pinto e Cossetin (2019, p. 4), "no tratamento de alguns transtornos psicológicos servirão apenas para alívio momentâneo, assim que a medicação for suspensa, o sofrimento volta a acometer o sujeito”. O gráfico abaixo nos mostra o quanto tem crescido o uso de medicamentos no Brasil, nesse caso o uso de metilfenidato, mais conhecido como Ritalina. Medicamento recomendado para tratamento de Transtorno do Déficit de Atenção eHiperatividade (TDAH), ou seja, para pessoas que possuem dificuldade em se concentrar, seja em coisas do dia a dia ou em atividades escolares. (CONGRESSO NACIONAL, 2013). Atitudes diferentes, pensamentos diferentes, a falta de atenção, ritmos de aprendizado diferenciados se tornaram índices de transtornos psicológicos, ou seja, qualquer pensamento ou forma diferente dos padrões é considerado um novo tipo de transtorno. 15 (…) é de interesse do fabricante que a categoria da doença seja alargada, por este motivo a indústria farmacológica investe tanto em pesquisas e divulgações do medicamento, com a f inalidade de que a substância química lançada possa abranger o máximo de sintomas. (COLOMBANI; MARTINS, 2017). Nessa linha de pensamento, os medicamentos são vistos como ‘poções mágicas’ que são capazes de colocar aquele indivíduo no ‘’eixo’’. Isso evidencia que há um grande equívoco em nossa maneira de pensar, visto que cada ser possui uma maneira diferenciada de ver o mundo e reagir a ele, e isto não deveria ser indicador de transtornos. Cada vez que alguém é incapaz de seguir a disciplina (escolar, militar, familiar, social), a função psi intervém e, com isso, a psicologia como discurso e prática terapêutica permite a continuidade dos dispositivos disciplinares e psiquiátricos em tempos de farmacologização (…) (GALINDO; LEMOS; RODRIGUES, 2014, p.6). A sociedade nos faz crer que através da medicalização as pessoas terão um alívio em seus problemas e promovendo uma corrida a essa prática e deixando o cuidado com a saúde em segundo plano. Os médicos são vistos como uma porta de entrada para o mundo dos medicamentos, em que o indivíduo utiliza a consulta não para cuidar de sua saúde, mas para ter um receituário com indicação de medicamentos para amenizar seus problemas, porém sem o objetivo de tratá-los em sua raiz. Juntamente com esse fenômeno, há uma tendência à farmacologização, as empresas farmacêuticas buscam o lucro não visando o tratamento efetivo dos transtornos e sim a venda. Tornando-se assim alvos políticos. Médicos e psiquiatras formulam diagnósticos baseados em características típicas de um paciente com necessidades especiais, fornecendo rótulos aos pacientes que possuem características semelhantes aos que possuem necessidades biológicas. Essa atitude faz com que os diagnósticos se tornem cada vez mais banalizados, já que qualquer característica semelhante à de pessoas com necessidades especiais cria nomenclaturas patológicas para aqueles que não se ajustam aos padrões. Ao fechar um diagnóstico o caminho, para medicalização se torna mais fácil, dando ao paciente uma forma mais rápida de obter medicamentos. Os indivíduos temem tanto o descontrole, a instabilidade, a indisciplina, que recorrem a diferentes 16 formas de manter seus corpos e mentes alinhadas com os conceitos e padrões da sociedade. “O medo de viver sem ordem e a psicologia como dispositivo de normalização sustentam um mercado e uma economia política da segurança (...).” (GALINDO; LEMOS; RODRIGUES, 2014, p.13). Dessa forma, a indústria da beleza e estética avança com cada vez mais formas de fazer com que o indivíduo se molde aos padrões. Padronizando os sentimentos, as ações e reações do ser humano a indústria da beleza juntamente ao capitalismo deixa evidente a todo tempo que nós precisamos estar de acordo com os padrões, para sermos aceitos pela sociedade. 17 CAPÍTULO 2 (...) ao transformar questões sociais em questões médicas, perde-se a dimensão da ação e o foco passa ser o problema e o organismo vivo que o habita, procurando no substrato biológico explicações para as manifestações individuais. (COLOMBANI; MARTINS, 2017) 18 2 MEDICALIZAÇÃO NAS SÉRIES INICIAIS Essa pesquisa de cunho bibliográfico foi realizada com o objetivo de compreender as práticas da medicalização na área da educação, com ênfase nas séries iniciais. Para isso, utilizamos artigos e pesquisas acadêmicas de autores que estudam sobre o tema, selecionando pesquisas documentadas e referenciadas para que pudéssemos analisar os dados e discorrer sobre. Com isso, fomos capazes de confirmar hipóteses que surgiram no início do projeto. A medicalização da vida tem chegado de forma avassaladora no ambiente escolar, em uma perspectiva onde as dificuldades de aprendizagem são confundidas com transtornos de aprendizagem, os alunos têm pagado caro por isso. Por vezes no processo de aprendizagem de crianças nas séries iniciais ambos podem ser confundidos. Isso acontece porque a criança das séries iniciais está no começo do seu processo de aprendizagem e por esse motivo pode encontrar dificuldades no percurso. (...) o início de aquisição das habilidades culturais complexas, como a escrita e o cálculo, exige da criança uma reorganização de seu comportamento e de suas funções psíquicas em um patamar superior, e requer do professor a instrumentalização necessária para atender às dif iculdades inerentes ao desenvolvimento infantil. (FRANCO; MENDONÇA; TULESKI; 2020, p . 8) A migração da Educação Infantil para o Ensino Fundamental I pode causar dificuldades por parte das crianças, por possuírem matérias e atividades diferentes a serem desenvolvidas. Portanto, é no contexto das séries iniciais que as crianças encontram mais desafios. Entretanto, cabe aos docentes diferenciarem ambos, a dificuldade de aprendizagem pode estar relacionada a diferentes fatores, como: contexto social, ambiente familiar ou cultural, já o transtorno de aprendizagem está relacionado às capacidades biológicas do indivíduo. Cada uma dessas categorias produz marcas no sujeito, muitas vezes irreversíveis, mediadas por elementos internalizados pelo sujeito de forma decisiva. Sua constituição se dá desde a relação com o outro, da sua entrad a no mundo simbólico, em meio ao que experiências afetivas são vivenciadas e passam a condicionar a saúde mental do sujeito. (LIMA; PINTO; COSSETIN, 2019, p.5) 19 Os dados abaixo nos mostram a quantidade do medicamento metilfenidato utilizado de 2008 a 2012, o que chama nossa atenção é o fato da demanda da utilização do medicamento aumentar nos meses de aula, e como a utilização do medicamento diminui nos meses em que os alunos estão de férias. Esses dados reforçam a ideia de que a utilização de medicamentos tem aumentado por conta da dificuldade de aprendizagem dos alunos, que faz com que este seja encaminhado para psicólogos e psiquiatras que encontram em sua dificuldade de aprendizagem características fragmentadas que lhes dão acesso à medicalização. Tais medicamentos atuam diretamente no sistema nervoso central, fazendo com que as ações daquele aluno sejam moldadas pelos psicofármacos, neutralizando toda sua individualidade. Brasil (2018, p.3) fala sobre isso: “os limites naturais do humano parecem subordinados aos psicofármacos e funções psíquicas parecem ser modeladas pela medicação conforme o desejo e necessidade do sujeito”, ou seja, o aluno medicado terá suas ações guiadas pela medicação ingerida. Além disso, “como a medicação costuma ser retirada em torno dos 18 anos, esses jovens podem ser tornar adictos à cocaína na vida adulta, como modo de substituir a droga legal que tomaram por anos” (COLLARES; MOYSÉS, 2013, p.16.), ou seja, essa afirmação nos permite dizer que a utilização de medicamentos pode influenciar inclusive na vida adulta dessas crianças. Hashizume (2019) diz que a medicalização fere os direitos humanos, porque compromete a segurança pessoal e o pleno desenvolvimento do ser humano, seja cognitivo, físico ou fisiológico. Se pensarmos por esse ponto de vista entenderemos que,uma vez medicado, esse aluno estará contido dentro de suas habilidades, desenvolvendo-se de forma minimizada, que se comparada a totalidade de seu potencial. A tabela abaixo foi resultado de uma pesquisa de campo realizada em uma escola, e ela registra a quantidade de crianças que fazem uso de medicamentos 20 controlados nas séries iniciais. Ao analisarmos esta tabela notamos o aumento de casos de crianças medicadas durante o período do Infantil 5, crianças de 4 a 5 anos, até o primeiro ano, que comporta crianças de 6 a 7 anos. O aumento evidencia o fato de que nas séries iniciais período de muitas mudanças, seja para criança ou no ambiente escolar, problemas que esta criança pode estar vivenciando dentro da sala de aula e pode estar relacionado a mudança de mentalidade, onde a medicalização dos problemas de aprendizagem são banalizados. A utilização de medicamentos na educação infantil sinaliza também uma busca pela “prevenção” aos problemas de aprendizagem futuros, que possam vir a se manifestar, ou seja, a medicalização ocorre com a finalidade de solucionar problemas que ainda nem existem. Quantidade de crianças por série que usam medicamento (FRANCO; MENDONÇA; TULESKI, 2020) Séries correspondentes às idades das crianças que usam medicamentos (FRANCO; MENDONÇA; TULESKI, 2020) 21 Nesse contexto, o professor possui papel fundamental, pois a partir de sua avaliação ele poderá nortear o aluno e investigar juntamente a equipe pedagógica, se este é um caso de dificuldade de aprendizagem ou um transtorno. Esta prática deve estar permeada de pesquisa e adaptação, para que não se criem conclusões e sim hipóteses, que permitam uma reformulação e mudança de prática. A indústria farmacêutica se utiliza de uma sequela histórica que constitui as dif iculdades escolares como doença e não respeita a subjetividade humana, buscando a padronização e o alinhamento homogêneo das diversas formas de ser e viver, o que é impossível quando falamos de seres humanos. (COLOMBANI; MARTINS, 2017, p.9). Além disso, o uso de medicamentos de forma indevida pode trazer sérios riscos à saúde, mesmo tendo o objetivo contrário, os medicamentos ainda são nocivos à saúde trazendo sequelas ainda desconhecidas pelos médicos. Os dados deste gráfico mostram os casos registrados de intoxicação humana por agentes tóxicos, dentre eles temos diversos agentes, porém o que mais chama atenção são os medicamentos como o primeiro a causar intoxicação humana, antes até de produtos químicos industriais. Isso nos mostra como os medicamentos podem prejudicar a vida dos seres humanos. 22 Nos dados temos as idades e a quantidade de pessoas que foram intoxicadas por medicamentos e percebemos que, a maior quantidade acontece com as crianças menores, de 01 ano até 04, e isso nos chama atenção pois é o momento em que as crianças começam seu processo de aprendizagem. Guarido (2010) problematiza o fato de que as crianças estão sendo medicadas, sem nenhum tipo de análise e sem levar em consideração sua realidade, sua vida escolar, vivências diárias, criando um diagnóstico sem base, levando em consideração apenas alguns minutos em um consultório. Tal fato nos mostra a necessidade de controle dos corpos, mesmo que de forma não intencional, presente em nossa sociedade, com o objetivo de controlar vidas, movimento designado por Foucault (2012), a partir do século XVII, de biopoder. Tais prof issionais - supostos saberes – credibilizam cientif icamente as queixas escolares dos professores transformando-as em diagnóstico, mesmo que no conteúdo desses relatórios contenham somente causas imediatas, superf iciais, individualizadas e concretas, explicando superf icialmente o motivo pelo qual o problema surgiu. O relatório se torna então um instrumento de avaliação, a queixa escolar passa a ser materializada e muitas vezes carrega um teor de sentença, o que contribui para um ambiente escolar hostilizador que depõe contra o aluno, que o estigmatiza e o rotula (…) (COLOMBANI; MARTINS, 2017, p.14). Todo ser humano é composto por diferentes características, segundo Lima, Pinto e Cossetin (2019, p 2), “cada sujeito é constituído por um conjunto de dimensões em articulação, que vai do biológico, fisiológico, ao cultural, social, afetivo, psíquico”; por isso todas elas devem ser consideradas. Na área da saúde isso também acontece, para Lima, Pinto e Cossetin, (2019, p.4) “dentro da percepção biomédica, o sistema opera em uma perspectiva que mantém a doença como elemento central, baseando-se em um entendimento puramente orgânico”, ou seja, o foco está apenas na doença, ela é vista como o centro do diagnóstico. Podendo ocasionar um diagnóstico incorreto ou inconclusivo. Lima, Pinto e Cossetin ((2019, p.4) confirma esse fato, “sendo assim, essa forma de operar, elimina as dimensões mentais e psíquicas também constitutivas da estruturação humana”, eliminando as dimensões mentais e psíquicas teremos um ser humano fragmentado, fato que influenciará no fechamento de um diagnóstico. A teoria sociointeracionista de Vygotsky nos permite dizer que a aprendizagem acontece à medida que a criança adquire novos saberes, novas formas de pensar, de 23 agir e reagir aos estímulos. Entretanto, o ritmo de aprendizagem é diferente entre as pessoas, algumas possuem um ritmo e outras possuem outro. Cada criança constrói sua aprendizagem de forma individual e única, não podendo compará-las umas com as outras, pois cada uma possui uma personalidade, uma forma de pensar, então não seria possível compará-las, já que elas são diferentes. Os docentes como parte fundamental do processo de aprendizagem dos alunos têm o dever de adaptar suas práticas pedagógicas a fim de incluir todos os alunos, levando em consideração suas pluralidades e individualidade. (...) a aprendizagem passa a ser um fenômeno perspectival, ou seja, é passível de uma abordagem por diversas lentes, pois envolve um estado de peculiaridade do ser humano, de acordo com a cultura, a sociedade e, conseqüentemente, com as situações de aprendizagem vivenciadas por cada indivíduo no decorrer de sua história de vida. (NISTA-PICCOLO; DA SILVA, 2010, p.194) Porém, por vezes percebe-se um imediatismo nas práticas pedagógicas, que buscam de forma rápida diminuírem o percurso do processo de aprendizagem a fim de garantir um tempo maior para a descoberta de novos conhecimentos, e até mesmo para finalizar os conhecimentos necessários. As escolas possuem cronogramas com datas muito próximas umas das outras e devido a grande demanda da sala de aula, a rotina e possíveis imprevistos que possam ocorrer durante o caminho, os docentes podem requerer dos discentes um aprendizado rápido. Inicia-se um processo de cobrança por resultados imediatos, e os alunos no meio deste processo tendem a não compreender os conhecimentos por completo, gerando futuras dificuldades que refletirão em seu desempenho acadêmico. Esse fato traz diversos problemas para o aluno, visto que quando este não corresponde às exigências feitas, ele tende a passar pelo processo de busca pela solução de sua dificuldade que consequentemente o levará à medicalização, na busca por sua melhora imediata. Lima, Pinto e Cossetin (2019) dizem que “ante a demanda de sujeitos em situação de dificuldade de aprendizagem, de hiperatividade, de tristeza, de vazio existencial, a ideia predominante tem sido a de resolver o mal-estar pela receita de medicamentos” p.4. 24 Um dos problemas recorrentes da medicalização é a cobrança de resultados imediatos e a padronização ou a normalização dos corpos, geradores de diagnósticos. E o resultado desses diagnósticos muitas vezes constrói rótulos, que atribuem às crianças característicasque elas tendem a levar pelo resto da vida. Tais rótulos são utilizados na formulação de diagnósticos, e o problema deles é que eles limitam a criança, fazendo com que eles se vejam somente sob aquela ótica. Os rótulos podem ser considerados estigmas, assunto abordado em 1988, “o estigma como uma ação, o tachar a criança como uma ferida exposta que a acompanhará e, (…) poderá gerar um ciclo seguido de: estigma - baixa autoestima - dificuldades de aprendizagem e, finalmente, um fracasso social.” (SANTOS, 2019, p.9). O ato de estigmatizar na área da educação, faz com que alunos carreguem a culpa pela sua defasagem de aprendizagem, dando a eles traumas que se perpetuam durante sua vida. No que diz respeito aos docentes, estes passam a colocar o fardo prioritariamente nos alunos, culpando-os pelo ritmo com que aprendem, pela falta de aprendizagem e até mesmo pela incompreensão de determinados assuntos. A escola é, culturalmente, o local onde crianças deveriam, supostamente, serem formadas para a vida em sociedade. Com base nessa visão, atender as expectativas da sociedade que idealiza um único modo de ser humano e visualiza apenas seu desempenho ignorando sua singularidade, leva crianças e adultos ao f racasso escolar. (SANTOS, 2019, p. 14) O aluno com dificuldade de aprendizagem, na maioria das vezes é estigmatizado pelas suas características, fazendo com que sua personalidade e suas habilidades sejam descartadas, colocando como referência de si seu diagnóstico. Dessa forma, seu aprendizado fica prejudicado, pois são criados métodos que enquadrem a dificuldade, e não o aluno, não levando em consideração seus conhecimentos e saberes. 25 CONSIDERAÇÕES FINAIS A saúde é um estado de completo bem-estar físico, mental e social interligados, e não consiste apenas na ausência de doença ou de enfermidade. (Borges, L, 2017) 26 3 CONSIDERAÇÕES FINAIS Existe uma grande necessidade de maiores debates na área da educação sobre alunos com problemas de aprendizagem, sendo necessário um olhar integral sobre a criança, considerando sua totalidade e integralidade, como sujeito, para que não ocorra uma rotulação inapropriada. A escola e o corpo docente possuem papel fundamental no processo da medicalização, pois através deles o aluno poderá ter sua medicalização precoce interrompida, pois a medicalização nas séries iniciais, em sua maioria, se dá pela “prevenção” de um problema no por vir, o que banaliza a medicalização infantil. O encaminhamento do aluno aos serviços de saúde, podem ser feitos pela escola, porém não deve ser delegado exclusivamente a eles, isentando a escola de quaisquer responsabilidades para conduzir esse aluno com dificuldades de aprendizagem, pois é dever da escola zelar pelo bem-estar físico e mental da criança. A inclusão por si só não é capaz de minimizar ou resolver a questão dos transtornos de aprendizagem, pois é necessária uma mudança nas práticas pedagógicas, para que de fato ocorra uma transformação significativa para aqueles que possuem dificuldades ou transtornos de aprendizado. Nos casos de transtorno de aprendizado é necessário que se tenha um acompanhamento do aluno, não só na área biológica, mas também social, familiar e o contexto econômico. Para que esse acompanhamento tenha êxito se faz necessário visualizar o aluno como um todo, e não de forma fragmentada. Para que a medicação ocorra da melhor forma possível é necessário que se fale mais sobre esse assunto, de modo que, entenda-se que os psicofármacos podem sim contribuir para o tratamento de questões patológicas, porém se utilizado de maneira incorreta ou equivocada pode ser prejudicial e ineficaz. O aluno das séries iniciais que possui problemas de aprendizagem passa por uma estigmatização por conta de suas capacidades biológicas ou intelectuais, e isso faz com que ele esteja limitado, e essa limitação influenciará em seu desenvolvimento pedagógico. Portanto, cabe aos profissionais da área da educação refletir sobre suas práticas para que o processo de estigmatização não aconteça, e buscar incluir e adequar suas práticas aos alunos que possuem dificuldade de aprendizagem. Este estudo buscou evidenciar que é necessário divulgação social a respeito do tema, e o aprofundamento de pesquisas a respeito da medicalização, pois é algo 27 de interesse público, por tratar-se de saúde e educação. Por esse motivo, docentes e pais devem se incluir nas pesquisas para ter um conhecimento maior sobre o tema e garantir que o direito à educação, garantido aos alunos, seja realizado com qualidade. 28 REFERÊNCIAS 29 REFERÊNCIAS BAUMAN, Zygmunt. Modernidade líquida. Editora Schwarcz-Companhia das Letras, 2001. Brasil.Fiocruz. Casos Registrados de Intoxicação Humana por Agente Tóxico e Circunstância. Sistema Nacional de Informações Tóxico-Farmacológicas (SINITOX). 2016. Rio de Janeiro: Fundação Oswaldo Cruz. Fiocruz. 2016. Disponível em: https://sinitox.icict.fiocruz.br/dados-de-agentes-toxicos. BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos.Departamento de Assistência Farmacêutica e Insumos Estratégicos. Uso de Medicamentos e Medicalização da Vida: recomendações e estratégias. Brasília: Ministério da Saúde, 2018. BORGES, L. Saúde é um estado de completo bem-estar físico, mental e social. Rio de Janeiro: Autosustentável, 2017. COLOMBANI, Fabiola; MARTINS, Raul Aragão. O movimento higienista como política pública: aspectos históricos e atuais da medicalização escolar no Brasil. Revista on line de Política e Gestão Educacional, p. 278-295, 2017. 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