Logo Passei Direto
Buscar

Atuação do Enfermeiro em Múltiplas Vítimas

Ferramentas de estudo

Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Prévia do material em texto

0 
 
 
UNIVERSIDADE FEEVALE 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
JOSÉ ADIR DA SILVEIRA CORTES 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
ATUAÇÃO DO ENFERMEIRO EM SITUAÇÕES DE MÚLTIPLAS VÍTIMAS NO 
PRÉ-HOSPITALAR 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Novo Hamburgo 
2017 
1 
 
 
JOSÉ ADIR DA SILVEIRA CORTES 
 
 
 
 
 
 
ATUAÇÃO DO ENFERMEIRO EM SITUAÇÕES DE MÚLTIPLAS VÍTIMAS NO 
PRÉ-HOSPITALAR 
 
 
 
 
 
 
Trabalho de Conclusão de Curso 
apresentado como requisito parcial à 
obtenção do grau de Bacharel em 
Enfermagem pela Universidade Feevale 
 
 
 
 
 
 
Orientador: Prof. Me. Adilson Adair Boes 
 
 
 
 
 
 
Novo Hamburgo 
2017 
2 
 
 
 
JOSÉ ADIR DA SILVEIRA CORTES 
 
Trabalho de Conclusão do Curso de Enfermagem com título Atuação do 
Enfermeiro em Situações de Múltiplas Vítimas no Pré-Hospitalar, submetido ao 
corpo docente da Universidade Feevale, como requisito necessário para obtenção 
do Grau de Bacharel em Enfermagem. 
 
Aprovado por: 
 
 
 
____________________________________ 
Prof. Me. Adilson Adair Boes 
 
 
 
____________________________________ 
Prof. Me. André Luís Machado Bueno 
 
 
 
____________________________________ 
 Prof. Me. Michele Antunes 
 
 
 
 
 
 
 
 
Novo Hamburgo, 01 de julho de 2017. 
 
3 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
DEDICATÓRIA 
Dedico esta obra a todos aqueles que de 
alguma forma contribuíram para a 
construção deste trabalho. Os amigos, 
colegas de profissão e professores foram 
fundamentais nessa etapa do processo de 
formação acadêmica. Porém, minha 
completa gratidão vai para minha família, 
em especial minha esposa Daiane e os 
filhos Rafael e Santiago, os quais foram 
os mais privados da minha companhia e 
da minha atenção, e mesmo assim 
permaneceram fortes e solícitos ao meu 
lado. A todos, dedico esta obra simples 
aos olhos do conhecimento, mas 
gigantesca e com um valor imenso para 
mim. 
4 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
AGRADECIMENTOS 
É inevitável a sensação de gratidão que 
nos toma frente a um trabalho como este 
ao final da graduação. A gratidão, 
inicialmente a Deus, por permitir essa 
caminhada. Depois, a todos os que 
colaboraram de alguma forma dedicando 
seu conhecimento, seu tempo e até 
mesmo sua paciência para comigo e para 
com os meus objetivos. Não vou citar os 
nomes, pois os que estiveram ao meu 
lado foram muitos e todos sabem que 
foram fundamentais nesse processo de 
alguma forma. A todos o meu muito 
obrigado e minha eterna gratidão. 
5 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
“ Nós nos transformamos naquilo que 
praticamos com frequência. 
 A perfeição, portanto, não é um ato 
isolado. É um hábito. ” 
(Aristóteles) 
 
6 
 
 
RESUMO 
 
Acidentes com múltiplas vítimas são situações complexas e exigem muito 
conhecimento das equipes de saúde, em especial do enfermeiro. São eventos onde 
as estruturas de assistência são colocadas a prova por conta do número de 
pessoas. O risco para morbimortalidade é elevado, principalmente quando o socorro 
pode ser prejudicado por falta de habilidade. Este estudo teve como objetivo geral 
identificar a atuação do enfermeiro em atendimento de múltiplas vítimas no pré-
hospitalar. Trata-se de uma pesquisa de caráter quantitativo, descritivo e 
exploratório. Incluímos no estudo, enfermeiros que atuam no SAMU da Região 
Metropolitana de Porto Alegre – RS). A amostra é composta por 26 profissionais. Os 
dados foram coletados através de um instrumento de pesquisa composto por 30 
questões e disponibilizado aos participantes através de formulário eletrônico do 
Google Forms. O estudo respeitou a regulação de ética em pesquisa prevista na 
resolução 466/2012 do Conselho Nacional de Saúde. A idade média dos 
participantes foi de 38,15 ± 7,04 anos, sendo (53,8%) do sexo feminino. Possuem 
9,63 ± 6,69 anos de formação e 7,93 ± 5,32 anos de atuação no APH. Dos 
entrevistados, 84,6% confirmaram não ter desenvolvido conhecimentos suficientes 
para IMV durante sua formação. Porém 80,8% buscou conhecimento em cursos no 
último ano. Ainda, 50% dos entrevistados apontaram não ter encontrado de forma 
clara as responsabilidades do enfermeiro nesses eventos. Questionados sobre 
competências legais, assistenciais e gerenciais do enfermeiro, 42,3% mencionou 
não conhecer todas as atribuições relacionadas aos IMV e 46,2% mencionou 
conhecer parcialmente estas atribuições. Dentre os entrevistados, 23,1% 
participaram de simulação no último ano, apontando como maiores dificuldades o 
baixo desempenho das equipes (19,2%) e a falta de comunicação (11,5%). Todos os 
participantes (100%) consideram ter competência multidisciplinar nos IMV e 
acreditam ter como atribuições, as assistenciais, gerenciais ou ambas 
concomitantemente. A maioria (92,2%) vivenciou situações reais de Múltiplas 
Vítimas. Destes, 46,2% o fizeram entre duas a cinco vezes, 42,3% o fizeram mais de 
cinco vezes e 11,5% só haviam atendido a uma situação real. Nas situações reais, o 
número de vítimas não passava de dez pessoas segundo 29,2%. Outros 20,8% 
mencionaram ocorrências com mais de 20 pessoas. Mais da metade (57,7%) 
7 
 
 
desconhece a existência de planos de contingência e 84% aponta a inexistência de 
Postos Médicos Avançados (PMA) onde atuou. Em relação às maiores dificuldades, 
80,8% mencionou a falta de capacitação como o fator que mais atrapalhou, a falta 
de plano de contingência (76,9%), curiosos no local e a comunicação com os 
hospitais (42,3%). Diante da falta de um sistema de triagem, 76% dos indivíduos 
tiveram problemas relacionados. Identificamos uma carência na formação 
acadêmica e conflito nas compreensões dos enfermeiros que atuam nestes 
incidentes sobre suas competências. Conclui-se que são necessárias adaptações na 
formação acadêmica a fim de melhorar o conhecimento sobre esses eventos, assim 
como ampliar as capacitações para todos os envolvidos. E com isso, consolidar o 
enfermeiro como referência em todas as etapas do atendimento. Possibilidade essa, 
por conta do tipo de formação que recebe e o nível de competência gerencial que o 
cargo lhe atribui. 
 
Palavras chave: Enfermeiro. Desastres. Catástrofe. Vítimas em Massa. 
 
8 
 
 
ABSTRACT 
 
Accidents with multiple victims are complex situations and require a lot of knowledge 
from health units, especially nurses. They are events where are the assistance 
structures are put in test because of the number of people. The risk for morbidity and 
mortality is high, especially when relief can be hampered by lack of skill. This study 
aimed to identify a nurse's role in the care of multiple pre-hospital victims. It is a 
quantitative, descriptive and exploratory research. We included in the study, SAMU 
nurses from the Metropolitan Region of Porto Alegre - RS, who participate through an 
Informed Consent Form (ICF) and a sample of 26 professionals. The data were 
collected through the research instrument composed of 30 questions and documents 
made available through the Google electronic forms. The study respected the 
regulation of ethics in research provided for in resolution 466/2012 of the National 
Health Council. The average age of the participants was 38.15 ± 7.04 years, being 
(53.8%) female. They have 9.63 ± 6.69 years of training and 7.93 ± 5.32 years of 
acting in PHC. Of those interviewed, 84.6% confirmed that they didn’t develop 
sufficient knowledge for IMV during their graduate. But 80.8% sought knowledge in 
courses in the last year. Still, 50% of the interviewees pointed out that they didn’t 
clearly identify the responsibilities of the nurse at these events. Questioned about the 
legal, nursing and managerial competencies of nurses, 42.3% are not known as 
attributions related to IMV, and 46.2% mentioned knowing partially these attributions. 
Among the interviewees, 23.1% participatedpadrão. 
Demais resultados expressos através de análises de frequência. 
Identificou-se pouca diferenciação a respeito do sexo dos indivíduos da 
amostra. A maioria dos entrevistados é do sexo feminino (53,8%). Segundo Vargas 
(2006) em estudo com enfermeiros em início de carreira que atuam em Atendimento 
Pré-Hospitalar (APH), constatou-se que 84,0% dos profissionais são do sexo 
feminino. Houve uma variação na faixa etária na amostra. Pelos dados do referido 
estudo as idades estavam entre 25 e 35 anos. Acredita-se que por conta da origem 
do estudo que tratava da formação do enfermeiro em início de carreira. Destaca-se 
então o gênero feminino predominante na atuação na enfermagem. 
Os dados obtidos em nossa pesquisa assemelham-se com os estudos de 
Vargas (2006). A idade média dos participantes de nossa pesquisa foi de 38,1 ± 7,05 
anos. A maioria possui idade entre 36 a 45 anos (50%) e entre 25 e 35 anos (26%) 
dos indivíduos pesquisados. Isso prova a existência de profissionais jovens em início 
de formação e profissionais com mais idade e mais experiência trabalhando no APH. 
Acredita-se que o número total de enfermeiros trabalhando no SAMU desta 
região varia entre 40 e 50 indivíduos. Na amostra, os pesquisados possuem em 
média 9,63 ± 6,69 anos de formação profissional e 7,93 ± 5,32 anos de atuação no 
SAMU. Os dados indicam que os enfermeiros da amostra ingressaram no serviço 
pré-hospitalar logo nos primeiros anos após a graduação. 
Os profissionais alvo da pesquisa atuam na Região Metropolitana de Porto 
Alegre – RS nas cidades de Alvorada, Canoas, Gravataí, Novo Hamburgo, São 
Leopoldo, Sapucaia do Sul e Taquara. Os enfermeiros do SAMU de Canoas foram 
os que responderam em maior número (22,6%), seguidos por São Leopoldo 
43 
 
 
(19,0%), Sapucaia do Sul (19,0%), Taquara (15,2%). Já os enfermeiros das cidades 
de Novo Hamburgo e Alvorada mantiveram a mesma colocação (7,6%) seguidos por 
Gravataí (3,8%). 
Quando questionados sobre o período de tempo trabalhado por semana, 
53,8% informou desenvolver uma carga horária laboral de 36 a 45 horas semanais. 
A pesquisa mostrou também que 11,5% dos enfermeiros trabalha em mais de uma 
base. 
Gentil, Ramos e Whitaker (2008), em estudo com 101 enfermeiros que atuam 
nas Unidades de Suporte Avançado (USA) no serviço público de Atendimento Pré-
Hospitalar da cidade de São Paulo, indicam que 76,0% desses profissionais eram do 
sexo feminino. A idade dos entrevistados variava de 40 a 44 anos, totalizando 37,5% 
dos enfermeiros com essa faixa etária. Também foi constatado que a maioria, cerca 
de 54,5%, possuía de um a cinco anos de atuação no serviço. E que destes, 61,1% 
trabalha em mais de um emprego. 
Os resultados acerca da formação acadêmica relacionada aos Incidentes com 
Múltiplas Vítimas (IMV), o desenvolvimento de conhecimento e a participação em 
simulados e congressos estão apresentados na tabela 02. 
Tabela 2 - Percepção dos enfermeiros de Unidade de Suporte Avançado do SAMU da Região 
Metropolitana de Porto Alegre sobre a sua formação relacionado ao IMV 
(continua) 
Variáveis N:26 
Desenvolvimento de conhecimento suficiente sobre IMV durante a 
formação acadêmica para eventos reais. 
Sim 
Não 
Parcialmente 
 
 
0 (0%) 
22 (84,6%) 
4 (15,4%) 
Durante os estudos pessoais encontrou na literatura as 
responsabilidades do enfermeiro nos IMV’s. 
Sim 
Não 
Parcialmente 
 
 
1 (3,8%) 
13 (50%) 
12 (46,2%) 
Se literatura pode ser mais específica sobre as responsabilidades do 
enfermeiro nestes eventos. 
Sim 
Não 
 
25 (96,2%) 
1 (3,8%) 
44 
 
 
 
(continuação) 
Variáveis N:26 
Se acredita conhecer todos os aspectos (legais, assistenciais e 
gerenciais) envolvidos em IMV de competência do enfermeiro. 
Sim 
Não 
Parcialmente 
 
 
3 (11,5%) 
11 (42,3%) 
12 (46,2%) 
Durante a sua formação acadêmica, sua instituição de ensino 
trabalhou o IMV em alguma disciplina ou realizou algum tipo de 
simulado como componente curricular. 
Sim 
Não 
 
 
 
5 (19,2%) 
21 (80,8%) 
Participou de curso, congresso ou palestra sobre este tipo de evento 
no último ano. 
Sim 
Não 
 
 
21 (80,8%) 
5 (19,2%) 
Se realizou alguma simulação sobre múltiplas vítimas na sua 
instituição no último ano. 
Sim 
Não 
Realizei com investimento financeiro particular 
 
 
6 (23,1%) 
18 (69,2%) 
2 (7,7%) 
Quais as dificuldades que enfrentou nos simulados que participou? 
Múltipla escolha. (*) (**) 
Despreparo dos instrutores. 
Simulados superficiais e fora da realidade. 
Falta de comunicação entre as forças. 
Baixo desempenho das equipes. 
Problemas no destino dos pacientes. 
Falta de organização. 
Ausência de outras forças responsáveis. 
Falha de comando. 
Problemas com material e equipamentos. 
Trânsito. 
O número de vítimas. 
Dificuldade em definir prioridades. 
Falta de EPI. 
 
 
2 (7,6%) 
2 (7,6%) 
3 (11,5%) 
5 (19,2%) 
1 (3,8%) 
2 (7,6%) 
2 (7,6%) 
1 (3,8%) 
1 (3,8%) 
1 (3,8%) 
1 (3,8%) 
1 (3,8%) 
1 (3,8%) 
45 
 
 
 (conclusão) 
Variáveis N:26 
Problemas com a população. 1 (3,8%) 
Não participou ou não respondeu 11 (42,3%) 
Fonte: Próprio autor (2017) 
(a) Resultados expressos através de média ± desvio padrão 
Demais resultados expressos através de análises de frequência 
Dos indivíduos, 84,6% confirmaram não ter desenvolvido conhecimentos 
suficientes para atuar em situações de IMV durante sua formação acadêmica. 
Outros 15,4% consideram ter desenvolvido conhecimento parcial para estes 
eventos. Um dado que chamou a atenção durante a obtenção dos resultados, 
quando questionamos sobre o conhecimento adquirido durante a formação 
acadêmica, se esse conhecimento era suficiente para a atuação em eventos com 
múltiplas vítimas, nenhum (0%) dos indivíduos da amostra confirmou ter 
desenvolvido essa habilidade. 
Do total, 80,8% não trabalhou estes eventos em qualquer disciplina ou 
realizou qualquer tipo de simulado como componente curricular durante sua 
graduação. Evidenciando que o conteúdo envolvendo o assunto não é uma pratica 
curricular nas instituições de ensino superior. Porém 80,8% buscou conhecimento 
sobre o tema em cursos, congressos no último ano. A partir destes dados estima-se 
que os enfermeiros pesquisados reconhecem a falta deste tema em sua formação e 
exatamente a mesma quantidade buscou o conhecimento por conta própria na 
intenção de conhecer este tipo de evento. 
Os dados desta pesquisa convergem com um estudo japonês, que menciona 
cerca de 80,0% dos enfermeiros, que foram voluntários em atendimentos com 
múltiplas vítimas naquele país, não tinham experiência anterior com esse tipo de 
evento. Em recomendação às nações feita pela OMS, não importando o quão 
frequente eram os eventos, os trabalhadores da saúde deveriam ser treinados e 
capacitados para atuar em situações com múltiplas vítimas (LOKE; FUNG, 2014). 
De acordo com Nocera e Garner (1999) além dos conhecimentos adquiridos 
ao longo da formação acadêmica e da experiência profissional, ainda há 
necessidade do conhecimento da legislação vigente que ampara os serviços de 
enfermagem, entre estas, a Lei do Exercício Profissional de Enfermagem nº 
46 
 
 
7498/86, vincula o enfermeiro diretamente ao atendimento dos pacientes críticos e a 
execução das atividades de maior complexidade técnica e que exijam conhecimento 
de base científica e capacidade de tomar decisões. Mesmo como sugestão do autor, 
essa lei não trata diretamente e de forma clara o que compete ao enfermeiro nestes 
eventos. 
A respeito da literatura sobre o assunto, 50% dos indivíduos mencionou não 
ter encontrado de forma clara as responsabilidades do cargo de enfermeiro nesse 
tipo de evento. E outros 46,2% encontraram informações que elencam as 
responsabilidades deste profissional de forma parcial ou incompleta. Além disso, 
96,2% acredita que a literatura a respeito dos IMV’s poderia ser mais específica 
sobre quais as obrigações do enfermeiro.No mesmo caminho que se deu a construção do referencial teórico, a falta ou 
incompletude de literaturas a sobre o assunto foi manifestada pelos pesquisados. 
Isso corrobora para a impressão de necessidade de construções literárias mais 
específicas a respeito destes eventos. Aumentando assim os subsídios para que os 
profissionais possam realizar um trabalho mais técnico e especializado. 
Foi percebida uma grande dificuldade em localizar nas fontes conteúdos 
bibliográficos que fizessem referência à atuação do enfermeiro de pré-hospitalar em 
atendimento de múltiplas vítimas. A maioria das publicações encontram-se em bases 
internacionais e citam geralmente os “Serviços Médicos de Emergência” (SME), sem 
mencionar a atuação do enfermeiro diretamente nestes eventos. Um exemplo disso 
são as publicações do NAEMT (2011). Os textos referem-se ao “socorrista” sem 
definir exatamente qual a sua competência técnica ou graduação acadêmica. 
Nenhuma das fontes consultadas contemplou todos os aspectos de 
responsabilidade do enfermeiro tanto como coordenador legal da enfermagem, na 
assistência às vítimas, na educação ou na interação com outras entidades 
envolvidas em situações de desastres ou catástrofes em um só documento. Poucos 
autores mencionaram o enfermeiro e as suas competências nas fases que compõe 
estes eventos em funções específicas como coordenadores de postos avançados de 
atendimento ou membro das equipes de suporte avançado responsável pelo 
atendimento e transportes de pacientes. 
Mello et al. (2013) consideram em seus estudos a grande diversidade de 
temas, problemas, tipos de abordagem e responsabilidades que tem sido 
47 
 
 
relacionado com a enfermagem ao longo do tempo. Citam como áreas de 
competência direta do enfermeiro o atendimento às vítimas, a educação continuada 
e o gerenciamento de desastres. Cada um dos temas relacionados traz uma grande 
quantidade de conteúdo para ser abordado. 
Quando questionados sobre competências legais, assistenciais e gerenciais 
do enfermeiro, 42,3% mencionou não conhecer todas as atribuições do enfermeiro 
relacionadas aos IMV’s e 46,2% mencionou conhecer parcialmente estas 
atribuições. A Portaria 2048 de 05 de novembro de 2002, que rege o serviço de 
atendimento pré-hospitalar, normatiza e descreve as funções de cada profissional 
dentro do atendimento e da mesma forma confere ao enfermeiro suas atribuições, 
porém não traz explicitamente descrito quais as atribuições dos enfermeiros em 
cada uma das fases dos eventos com Múltiplas Vítimas (BRASIL, 2002). 
Existe uma subjetividade na interpretação sobre as funções do enfermeiro no 
atendimento a desastres, incidentes com múltiplas vítimas e catástrofes. Algumas 
literaturas que dedicam capítulos inteiros ao assunto não citam as atribuições 
educacionais, operacionais e gerenciais no seu conteúdo. E aqueles que citam essa 
participação o fazem de maneira ínfima. Visto a complexidade destes eventos é 
inaceitável que estas orientações não façam parte da formação deste profissional, 
tão importante no cuidado com a saúde das vítimas. 
A Lei do Exercício Profissional de Enfermagem nº 7498/86, traz prerrogativas 
que estabelecem como atividade privativa do enfermeiro a assistência direta ao 
paciente crítico, a execução de atividades de maior complexidade técnica e que 
exijam conhecimento de base científica e capacidade de tomar decisão imediata. 
Considera-se de extrema importância o conhecimento de tais prerrogativas por parte 
do enfermeiro, considerando a complexidade dos IMV (COFEM, 2014). 
Ao serem questionados a respeito da participação em congressos ou 
palestras sobre este tipo de evento no último ano, 80,8% confirmou ter realizado 
alguma destas atividades. Este dado se aproxima daquilo que prevê a literatura. O 
NAEMT (2011) menciona uma nova forma de abordar os desastres, baseada em 
novas compreensões sobre as características destes eventos e na resposta 
especializada necessária está se tornando cada vez mais aceita mundialmente. 
Acredita-se ser extremamente necessário que os profissionais incorporem à sua 
formação os conhecimentos, dada a complexidade dos desastres atuais. 
48 
 
 
Questionados se haviam realizado algum tipo de simulação com Múltiplas 
Vítimas no último ano em sua instituição, somente 23,1% deles participaram 
efetivamente e 69,2% não haviam realizado nenhum exercício. Os outros 7,7% o 
fizeram com investimento particular em busca do conhecimento sobre o assunto. 
Evidenciando o baixo número deste tipo de treinamento nas instituições públicas de 
assistência à saúde, comprovando que há uma necessidade latente de capacitação 
a respeito dos IMV. 
Nessa pesquisa também buscou-se entender quais as maiores dificuldades 
que os enfermeiros enfrentaram nos simulados que realizaram. Porém, 42,3% não 
respondeu a esta pergunta. Daqueles que responderam, 19,2% mencionou o baixo 
desempenho das equipes como o maior problema. A falta de comunicação 
adequada atingiu 11,5% na opinião dos pesquisados. Os demais problemas citados 
foram o despreparo dos instrutores, simulados superficiais e fora da realidade, falta 
de organização e ausência de outras forças responsáveis por estes eventos, com 
7,6% cada, segundo dados obtidos em questão de múltipla escolha. 
Conforme Leiva et al. (2014) a simulação tem capacidade de aproximar o 
aluno mais perto possível da realidade, possibilitando conhecer as reais dificuldades 
diante de IMV. Com isso o profissional tem chance de desenvolver sua habilidade e 
conhecer com antecedência as técnicas e as necessidades envolvidas neste tipo de 
evento, trazendo assim benefícios adicionais, como o fortalecimento operacional, 
mais segurança na tomada de decisões e a criação de uma nova cultura para a 
solução destes incidentes. 
A pesquisa também buscou investigar a respeito das responsabilidades legais 
e competências operacionais, em relação aos atendimentos e as demais equipes de 
enfermagem. Os dados obtidos sobre estes temas foram organizados e comparados 
na tabela 03. 
Tabela 3 - Entendimento dos enfermeiros de Unidade de Suporte Avançado do SAMU da 
Região metropolitana de Porto Alegre a respeito das responsabilidades e competências frente 
aos IMV 
continua) 
Variáveis N:26 
Se considera que o enfermeiro é um profissional de 
competência multidisciplinar determinante nos IMVs. 
Sim 
 
 
 
26 (100%) 
49 
 
 
(conclusão) 
Variáveis N:26 
 
Não 
Parcialmente 
 0 (0%) 
0 (0%) 
Se como enfermeiro você se considera responsável pelo treinamento 
das equipes de enfermagem. 
Sim 
Não 
 
24 (92,3%) 
2 (7,7%) 
 
Referente a maior atribuição do enfermeiro no contexto de múltiplas 
vítimas. 
Assistencial 
Gerencial 
Ambas 
 
0 (0%) 
0 (0%) 
26 (100%) 
Atribuição e responsabilidade de desenvolver treinamento e a 
integração entre as equipes que atuarão em caso de IMV. (*) 
Coordenador da base 
Médico Regulador 
Bombeiros e Defesa Civil 
Qualquer um com iniciativa 
Gestores Públicos 
Enfermeiro 
Outros 
 
7 (28%) 
0 (0%) 
1 (4%) 
8 (32%) 
5 (20%) 
3 (12%) 
1 (4%) 
Fonte: Próprio autor (2017) 
(*). Nem todos os pesquisados responderam esta pergunta. 
(a) Resultados expressos através de média ± desvio padrão 
Demais resultados expressos através de análises de frequência 
Dos enfermeiros da amostra que responderam a pesquisa, 100% 
consideraram que sua função tem competência multidisciplinar determinante nos 
IMV. Porém, quando questionados se consideravam o enfermeiro responsável pelo 
treinamento das equipes de enfermagem para eventos de múltiplas vítimas, 92,3% 
se considerou responsável.Outros 7,7% não atribuíam ao enfermeiro a 
responsabilidade de educar as equipes de enfermagem para estes incidentes. Já 
quando questionados a quem servia essa responsabilidade, 32% atribuiu essa 
função a qualquer um que tenha iniciativa. Outros 28% relacionaram como 
competência do coordenador da base. Os gestores públicos foram citados por 20% 
50 
 
 
dos entrevistados como responsáveis por desenvolver a atividade de capacitação e 
somente 12% reconheceu o enfermeiro como referência nesse assunto. 
Quando questionados sobre as atribuições do enfermeiro nestes casos, se 
eles acreditavam ser basicamente assistenciais, gerenciais ou ambas 
concomitantemente, todos da amostra responderam que ambas as opções eram de 
atribuição deste profissional. 
Mostrando assim um conflito de entendimento a respeito das capacitações. 
Mesmo se reconhecendo como gestor de saúde junto às equipes, parte desses não 
se reconhece como responsável pela capacitação dos mesmos. O resultado conflita 
diretamente com a opinião de Mello et al. (2013), que cita o enfermeiro como 
indispensável nas áreas de educação e gerenciamento das situações de múltiplas 
vítimas. Para tal, é necessário desenvolver conhecimentos, habilidades e atitudes 
com o propósito de garantir o atendimento qualificado e prioritário. Acima disto é 
necessário que os próprios enfermeiros reconheçam estas responsabilidades como 
sendo de sua competência. 
Desde a Guerra da Criméia em 1854, a enfermagem está ligada ao 
tratamento e na cura dos feridos a partir da influência de Florence Nightingale. As 
ações pioneiras na enfermagem foram ampliadas e aperfeiçoadas tanto no 
atendimento, estabilização, transporte, intervenção cirúrgica e reabilitação. Com isso 
foi consolidada as responsabilidades da enfermagem e do enfermeiro diante das 
vítimas de trauma (ADIB; PERFEITO, 2012). 
Outra posição que sustenta essa afirmação é de que, inserido neste contexto 
de Múltiplas Vítimas está o enfermeiro, profissional da área da saúde que precisa ter 
experiência teórica e prática no momento de socorrer e transportar um ferido. O 
enfermeiro faz parte das equipes de suporte avançado ao lado do médico, o qual 
tem condições e prerrogativas para manobras mais invasivas e complexas, podendo 
assim diminuir os riscos de morbimortalidade dos pacientes críticos (RODRIGUES et 
al., 2013). 
A própria Portaria 2048 GM de 05 de novembro de 2002, do Ministério da 
Saúde, também reconhece ao enfermeiro do serviço pré-hospitalar móvel pré-
requisitos como experiência profissional voltada ao atendimento de urgências e 
emergências, iniciativa, capacidade de trabalhar em equipe, disponibilidade para a 
capacitação, bem como para a re-certificação periódica, participar nos programas de 
51 
 
 
treinamento e aprimoramento de pessoal, particularmente nos programas de 
educação continuada, fazer controle de qualidade do serviço nos aspectos inerentes 
à sua profissão; subsidiar os responsáveis pelo desenvolvimento de recursos 
humanos para as necessidades de educação continuada da equipe (BRASIL, 2002). 
Outra consideração sobre as competências educacionais consta na decisão 
nº 099/2005 do Conselho Regional de Enfermagem do Rio Grande do Sul (COREN-
RS) que põe o enfermeiro como responsável no processo de educação continuada 
dos profissionais de saúde, inclusive na avaliação de desempenho. Dessa forma 
entende-se que o treinamento e capacitação dos envolvidos precisa passar pelo 
crivo técnico do enfermeiro (COREN-RS, 2014). 
Os resultados obtidos na pesquisa, daqueles que não se reconhecem como 
referência para capacitações, também destoam de Sousa, Callil e Paranhos (2009), 
que menciona que as equipes de saúde devem estar preparadas para responder a 
um evento com muitas vítimas em todas as frentes possíveis. Esta resposta deve ser 
dada em todos os níveis do incidente. Fica evidente que a participação do 
enfermeiro neste tipo de equipe é fundamental desde a preparação até a atuação 
passando por todas as etapas do evento. 
Na tabela 04 estão apresentados os dados referentes a questões 
relacionadas a experiência prática dos enfermeiros de Unidade de Suporte 
Avançado (USA), constando questões a respeito do número de vezes que 
atenderam a estas ocorrências, número de vítimas nos eventos, sistemas de 
triagem, conhecimento dos de planos de contingência e emergência, postos de 
comando e as dificuldades enfrentadas. 
Tabela 4 - Experiência prática e atuação dos enfermeiros de Unidade de Suporte Avançado do 
SAMU da Região Metropolitana de Porto Alegre 
(continua) 
Variáveis N:26 
Como enfermeiro você já atendeu a situações reais envolvendo 
múltiplas vítimas. 
Sim 
Não 
 
25 (92,2%) 
1 (3,8%) 
 
 
52 
 
 
(continuação) 
Variáveis N:26 
Número de vezes que atendeu incidentes com múltiplas vítimas 
durante atuação no APH. 
Uma vez 
De duas a cinco vezes 
Mais de cinco vezes 
 
3 (11,5%) 
12 (46,2%) 
11 (42,3%) 
Número máximo de pessoas que precisaram de socorro. (*) 
Até cinco 
De cinco a dez 
De dez a vinte 
Mais de vinte 
 
6 (25%) 
7 (29,2%) 
6 (25%) 
5 (20,8%) 
 
Se durante os atendimentos que prestou socorro, a triagem e o 
atendimento às vítimas seguiam de acordo com a literatura. 
Sim 
Não 
Parcialmente 
 
6 (23,1%) 
7 (26,9%) 
13 (50%) 
Questionados se durante os atendimentos que prestou socorro 
como enfermeiro quais os fatores que estavam em desacordo com o 
que sabe sobre o assunto. (*) (**) 
Falta de preparo da equipe 
População atrapalhou o atendimento 
Falta de material 
Segurança na cena 
Falta de plano de emergência 
Desconhecimento médico 
Ausência de posto de comando 
Dificuldade na triagem 
Problemas com outras instituições 
Comunicação inadequada. 
Não sabe ou não respondeu. 
 
 
6 (23%) 
0 (0%) 
8 (30,7%) 
3 (11,5%) 
3 (11,5%) 
4 (15,3%) 
6 (23%) 
9 (34,6%) 
5 (19,3%) 
1 (3,8%) 
6 (23%) 
Existe plano de contingência/emergência ou de auxílio mútuo em 
caso de IMV. 
Sim 
Não 
Fase de estruturação 
Desconheço 
 
2 (7,7%) 
5 (19,2%) 
4 (15,4%) 
15 (57,7%) 
 
53 
 
 
 
(conclusão) 
Variáveis N:26 
Nos IMV existiam postos de comando e de atendimento médico 
estabelecidos. (*) 
Sim 
Não 
Parcialmente 
 
2 (8%) 
21 (84%) 
2 (8%) 
Quais as maiores dificuldades que enfrentou para entregar um 
paciente em um hospital que recebia as vítimas do incidente com 
múltiplas vítimas? (*) (**) 
Despreparo da equipe que recebe o paciente. 
Estrutura precária na instituição que recebe o paciente 
Falta de maca 
Falta de pessoal (médicos, enfermeiros e técnicos) 
Superlotação na instituição de destino 
Comunicação da instituição de destino sobre o incidente 
Não respondeu 
 
 
9 (34,6%) 
7 (26,9%) 
3 (11,5%) 
5 (19,2%) 
6 (23,0%) 
3 (11,5%) 
7 (26,9%) 
Maiores dificuldades encontradas no atendimento aos IMV. (**) 
Falta de capacitação das equipes 
Falta de material médico 
Falta de plano de contingência 
Dificuldade na relação interpessoal 
Comunicação com outras equipes 
Quantidade de pacientes 
Curiosos 
Comunicação com regulação e hospitais 
Outras 
 
21 (80,8%) 
5 (19,2%) 
20 (76,9%) 
10 (38,5%) 
9(34,6%) 
5 (19,2%) 
11 (42,3%) 
11 (42,3%) 
1 (3,8%) 
Enfrentou dificuldade com a quantidade de suprimentos e/ou 
materiais durante o IMV. (*) (**) 
Sim 
Não 
Parcialmente 
 
7 (28%) 
10 (40%) 
11 (32%) 
Fonte: Próprio autor (2017) 
 (*). Nem todos os pesquisados responderam esta pergunta. 
(**) Questão de múltipla escolha. 
(a) Resultados expressos através demédia ± desvio padrão 
Demais resultados expressos através de análises de frequência 
54 
 
 
Dos indivíduos que responderam à pesquisa, 92,2% vivenciou situações reais 
envolvendo Múltiplas Vítimas. Destes, cerca de 46,2% o fizeram entre duas a cinco 
vezes, 42,3% o fizeram mais de cinco vezes e 11,5% só haviam atendido a uma 
situação real. De acordo com os dados obtidos, nas situações reais atendidas, o 
número de vítimas não passava de dez pessoas segundo 29,2% dos entrevistados. 
Outros 20,8% mencionaram ocorrências com mais de 20 pessoas. Estes dados 
reforçam a necessidade de capacitação pela enfermagem. Apesar destes eventos 
serem mais raros, quando ocorrem exigem conhecimento e habilidade das equipes 
em um alto nível. 
De acordo com Oliveira et al. (2007), geralmente o número elevado de vítimas 
em um IMV coloca o conhecimento das equipes médicas e de busca e salvamento 
em cheque. Pois cobra a necessidade de experiência e de conhecimento específico 
no domínio dessas situações. Estar preparado para um evento dessa natureza é 
diferente de responder ao evento em si. Implica em reconhecer os recursos 
imediatos disponíveis, as necessidades de ajuda externa e a capacidade de acionar 
o plano de ação, se este existir na região correspondente ao evento. 
O mesmo autor cita a necessidade do conhecimento dos “3 T’s” – Triagem, 
Tratamento e Transporte - que estão diretamente ligados às competências do 
enfermeiro em cada uma dessas etapas. Consideramos que o reconhecimento 
destas por parte desse profissional é determinante para o sucesso da operação de 
socorro. 
Questionados sobre a existência de planos de contingência/emergência nas 
cidades onde atuam, 57,7% respondeu desconhecer a existência do plano. Quando 
perguntado sobre os Postos Médicos Avançados (PMA) no local dos incidentes, 
84,0% mencionou não existir nos locais que prestou atendimento. 
Observa-se que 50% dos enfermeiros mencionaram que os atendimentos 
seguiam somente em parte aquilo que sugerem os textos sobre o assunto. Outros 
26,9% relataram que os atendimentos não se adequavam ao que sugerem as 
literaturas. Entendemos assim que a grande maioria dos incidentes foi atendido de 
forma inadequada ou ineficaz no ponto de vista organizacional. Isso demonstra que 
estes eventos vêm sendo atendidos sem padrão e aleatoriamente. Implicando 
diretamente na qualidade do atendimento prestado pelas equipes às vítimas. 
55 
 
 
Essa forma aleatória implica no déficit de qualidade de toda operação. Uma 
vez entendido que o princípio de ouro dentro destes eventos é considerar o melhor 
recurso para a maior quantidade de pessoas. A inadequação das ações na realidade 
em relação ao que sugere a literatura gera conflito e certamente os maiores 
prejudicados serão aqueles que precisam do recurso no mesmo nível que suas 
necessidades. 
Leiva et al. (2014), dimensionam as situações de múltiplas vítimas em todo o 
espectro e elenca as muitas necessidades na solução de problemas e no tratamento 
dos feridos. Em sua obra, citam a criação de centros de comando, postos de 
comando avançado, comitês gestores, força tarefa, planos de emergência e 
contingência entre outros. Com isso entende que o enfermeiro tem responsabilidade 
direta na tomada de decisões, inclusive sobre interação com outras equipes não 
oriundas da saúde. Na pesquisa apuramos que os enfermeiros da amostra, em sua 
maioria, não vivenciaram a existência destes sistemas. Acreditamos que isso 
interfira diretamente na qualidade da assistência prestada pelas equipes de 
enfermagem. 
Evidencia-se que enfermeiro é corresponsável pela elaboração, treinamento 
de equipes e colocação destes sistemas na prática. A exemplo disso, durante as 
simulações de eventos com muitas vítimas na cidade de São Paulo foi percebido a 
existência de sistemas de comando e o excelente desempenho dos enfermeiros 
como coordenadores dos postos médicos avançados amarelos e verdes. Este 
resultado foi atribuído à formação do enfermeiro tanto na área administrativa como 
na assistencial de enfermagem (SOUSA; CALLIL; PARANHOS, 2009). 
O NAEMT (2011) prioriza o melhor atendimento para o maior número de 
vítimas como conceito básico nos Incidentes com Múltiplas Vítimas. Essa afirmação 
contextualiza com a importância dos postos avançados e de comando para 
organizar esses eventos. E com isso acreditamos que o enfermeiro é peça chave na 
criação destes sistemas. 
Quando questionados sobre quais os fatores que estavam em desacordo com 
o material estudado, 34,6% mencionou a dificuldade na triagem das vítimas como 
fator conflitante em maior grau. A disposição de material foi mencionada por 30,7% 
dos entrevistados. A ausência de postos de comando e o despreparo das equipes 
56 
 
 
empataram em terceiro lugar segundo 23,0% dos enfermeiros da amostra. Já 19,3% 
tiveram problemas na relação com outras instituições. 
Quando perguntado a respeito das maiores dificuldades que haviam 
encontrado no Incidentes com Múltiplas Vítimas, 80,8% mencionou a falta de 
capacitação das equipes como o fator que mais atrapalhou na resolução das 
situações. A falta de plano de contingência foi mencionada por 76,9% dos 
enfermeiros como o segundo fator que mais atrapalhou. Em terceiro lugar 
empataram os curiosos no local e a comunicação ineficaz com os hospitais. Ambas 
foram mencionadas por 42,3% em questão de múltipla escolha. A dificuldade na 
relação interpessoal seguia as anteriores como uma das maiores dificuldades na 
opinião de 38,5% dos entrevistados. 
Uma impressão inicial subjetiva sugere erroneamente que o maior problema é 
a falta de material para todas as pessoas. Mas a pesquisa apurou que 40,0% dos 
pesquisados não teve problema com a quantidade do material de socorro. Da 
amostra, 28,0% respondeu que a quantidade de material prejudicou o atendimento e 
32,0% teve problemas parcialmente. Assim interpretamos que a ineficiência dos 
sistemas de triagem, falta de postos de comando ou postos médicos avançados e a 
falta de treinamento podem estar diretamente relacionadas ao uso incorreto e 
inadequado de material, interferindo na dispensação adequada para os pacientes e 
interferindo na quantidade total disponível. Isso evidencia a importância da 
organização nestes eventos e a importância da triagem. Também evidencia a 
importância da atuação do enfermeiro como gestor destes sistemas, uma vez que a 
literatura sugere este profissional como responsável pelos pacientes críticos que 
possam surgir a partir da triagem. 
Foi verificado, segundo dados obtidos na pesquisa, que o despreparo para 
estes eventos se estende aos hospitais. Os profissionais da amostra responderam, 
em questão de múltipla escolha, quais eram as maiores dificuldades ao entregar o 
paciente no local de destino. Cerca de 34,6% mencionaram o despreparo das 
equipes nos prontos socorros, 26,9% citaram a estrutura precária dos nosocômios e 
19,2% citaram a falta efetivo de profissionais como maiores problemas. A falta de 
maca e a comunicação com a instituição ficaram em 11,5% na opinião dos 
enfermeiros. 
57 
 
 
Segundo Bezerra, Silva e Ramos (2012), os profissionais que atuam nas 
emergências dos hospitais também sofrem a interferência de alguns fatores que 
alteram naturalmente o nível de qualidade no atendimento em seu setor. O déficit de 
pessoal e a sobrecarga de atividades são fatores negativos, responsáveis inclusive 
por sofrimento psíquico estresse ocupacional. Os profissionais são impulsionados a 
acumular funções, improvisar seu trabalho e exercê-lo de forma incompleta e em 
ritmo acelerado. Estes, geralmente, sofrem de desmotivação por sobrecarga de 
trabalho e por não conseguir cumprir todas as tarefas. Ainda nesta direção, o cenário 
de urgência e emergência exige dos profissionais de enfermagem o 
desenvolvimento de atividades que demandam esforço físico, e que somado à 
precariedade de profissionais leva à quedada qualidade da assistência prestada. 
Essa evidência negativa é ampliada e exacerbada nos eventos com múltiplas vítimas 
onde o cenário neste setor se torna caótico e ainda mais complicado. 
Foram abordados assuntos pertinentes aos sistemas de triagem de vítimas e 
a vivência dos enfermeiros. Temas como a dificuldade em lidar com esta técnica, 
equipamentos e tecnologia específica, método START e as dificuldades nos 
transportes das vítimas são abordadas na tabela 05. 
Tabela 5 - Experiência prática dos enfermeiros de Unidade de Suporte Avançado do SAMU da 
Região metropolitana de Porto Alegre com os sistemas de triagem de pacientes em IMV 
(continua) 
Variável N:26 
Dificuldade de atender as vítimas em situações reais por falta ou 
ineficiência de um sistema de triagem. (*) 
Sim 
Não 
Parcialmente 
 
11 (44%) 
6 (24%) 
8 (32%) 
Existência de equipamentos ou tecnologia específica para IMV 
fornecidos pela instituição. 
Sim 
Não 
Parcialmente 
 
4 (15,4%) 
10 (38,5%) 
12 (46,2%) 
 
 
 
 
58 
 
 
(continuação) 
Variável N:26 
Resultado do bom gerenciamento nas cenas de IMV. (**) 
Melhor transporte das vítimas 
Experiência para quem atende 
Solução mais rápida para esses casos 
Testa a eficácia do plano de ações 
Outras 
 
3 (11,5%) 
1 (3,8%) 
19 (73,1%) 
3 (11,5%) 
0 (0%) 
Sobre a importância do método START. (**) 
Nenhuma 
Não considera eficaz 
Muita importância 
Nunca usei mas considero importante 
Outras opções 
 
1 (3,8%) 
0 (0%) 
17 (65,4%) 
8 (30,8%) 
0 (0%) 
Nas situações reais encontrou pacientes identificados com cartões 
de triagem tipo METTAG. 
Sim 
Não 
 
0 (0%) 
26 (100%) 
Existência de cartões de triagem tipo METTAG no local de trabalho. 
Sim 
Não 
 
2 (7,7%) 
24 (92,3%) 
 
Quais as dificuldades que enfrentou no transporte dos pacientes até 
o local definitivo para o tratamento dos feridos em incidentes com 
muitas vítimas? (*) (**) 
- Falta de equipamento. 
- Demora na regulação médica. 
- Retrabalho ao redistribuir pacientes de local com menos recursos para 
locais com mais recursos. 
- Despreparo de equipes de apoio. 
- Falta de equipes. 
- Falta de um hospital de trauma. 
- Falta de comunicação entre o APH e o Hospital. 
- Segurança na cena. 
- Trânsito e vias. 
- Quantidade de vítimas numa mesma ambulância. 
- Número de vítimas para serem transportadas. 
- Instabilidades dos pacientes e preparo inadequado dos mesmos para 
transporte. 
 
 
1 (3,8%) 
1 (3,8%) 
1 (3,8%) 
 
1 (3,8%) 
2 (7,6%) 
2 (7,6%) 
2 (7,6%) 
1 (3,8%) 
3 (11,5%) 
2 (7,6%) 
0 (0%) 
1 (3,8%) 
59 
 
 
(conclusão) 
Variável N:26 
- Falta de ambulâncias. 
- Tempo resposta. 
- Problemas no APH fixo. 
- Não respondeu. 
1 (3,8%) 
5 (19,2%) 
4 (15,3%) 
7 (26,9%) 
Fonte: Próprio autor (2017) 
 (*). Nem todos os pesquisados responderam esta pergunta. 
(**) Questão de múltipla escolha. 
(a) Resultados expressos através de média ± desvio padrão 
Demais resultados expressos através de análises de frequência 
Na triagem, 65,4% consideram o método START muito importante frente aos 
30,8% que o consideram importante mesmo sem nunca ter feito uso deste sistema 
na prática. Dos participantes que responderam se haviam encontrado cartões tipo 
METTAG nos pacientes em situações reais, 100% deles informou não ter 
encontrado este sistema em funcionamento. Um participante não respondeu a esta 
questão. Os que consideraram sem nenhuma importância somaram 3,8% do total. 
Conclui-se que mesmo sendo sabida a importância do sistema de triagem com 
cartões não é usado na prática pelos profissionais. Porém, é um dos conteúdos 
tratado nos cursos de APH quando se trata do tema múltiplas vítimas. 
Nocera e Garner (1999) relatam que desde a Segunda Guerra Mundial o fator 
que mais interfere na redução dos índices de morbimortalidade em feridos em 
situações de múltiplas vítimas é a adequada triagem e posterior tratamento dos 
feridos. E estes devem ser simples, objetivos, padronizados e rápidos. 
Ao questionarmos a respeito das dificuldades encontradas diante da falta ou 
ineficiência de um sistema de triagem, 44,0% dos indivíduos da amostra respondeu 
ter percebido esses fatores como sendo a maior complicação nos atendimentos. 
Outros 32,0% mencionaram que esses fatores interferiram parcialmente e somente 
24% não relacionou nem um tipo de dificuldade por falta ou ineficiência nas triagens. 
Porém se somados os que encontraram dificuldade com aqueles que tiveram 
parcialmente alguma alteração podemos contabilizar que 76,0% dos indivíduos 
tiveram algum tipo de problema relacionado a triagem. Isso evidencia que a triagem 
adequada é determinante para o atendimento em eventos com muitas vítimas. 
60 
 
 
Esse entendimento a respeito da triagem fica mais claro na opinião dos 
enfermeiros da amostra quando questionamos sobre o que consideravam como o 
melhor resultado diante de um bom gerenciamento da cena. Destes, 73,1% citou 
que o melhor gerenciamento da cena propicia uma solução mais rápidas para todos 
os casos. Seguidos do melhor transporte para as vítimas e a possibilidade de testar 
os planos de ação, com 11,5% cada opção de múltipla escolha. Somente 3,8% 
acredita que o bom gerenciamento gera experiência para quem atende. 
Ao comparar os dados ao que diz a literatura, acreditamos de fato que a 
triagem tem papel fundamental nos eventos com muitas vítimas. O conceito de 
triagem implica em um conjunto de procedimentos simples. É uma técnica rápida e 
repetitiva aplicada a cada um dos pacientes que for atendido gerando uma 
orientação sobre a gravidade das suas lesões. A aplicação da triagem pode ser feita 
de acordo com cada situação, mas sempre parte do princípio de identificar as lesões 
com risco de morte, quais as manobras básicas a serem feitas antes da evacuação e 
define as prioridades no transporte (LEIVA et al., 2014). 
A classificação dos feridos tem uma importância relevante para o sucesso da 
operação de atendimento. Definitivamente o enfermeiro tem um papel fundamental 
na triagem dos pacientes, sozinho ou acompanhado do médico ou de outro 
profissional bem treinado. Para realizar uma triagem adequada é necessário que 
esta seja feita por um profissional capacitado para identificar os riscos iminentes à 
vida (NAEMT, 2011). 
Os que responderam receber material específico de forma parcial somou 
46,2% e os que afirmaram não receber nenhum tipo de material chegou a 38,5%. 
Somente 15,4% relataram possuir equipamentos específicos para esses casos. 
Quando questionados sobre a existência de cartão tipo METTAG em seu local de 
trabalho, 92,3% revelaram não possuir esse material de triagem. Esse dado conflita 
com aqueles que mencionaram possuir material específico. 
A classificação dos feridos é feita pelo grau de comprometimento à vida. Os 
feridos passam por um sistema de triagem e são submetidos a classificação por 
cores. Uma vez identificado o grau de comprometimento, esta vítima recebe um 
cartão com seus dados, sua classificação e posteriormente é encaminhado para o 
local de atendimento de acordo com a sua classificação (Oliveira et al. (2007). Dessa 
forma consideramos imprescindível que um sistema simples de triagem faça parte 
61 
 
 
das técnicas aplicadas em eventos com muitas vítimas. E mais imprescindível é a 
figura dos enfermeiros como peça fundamental no gerenciamento desse sistema. 
Outras questões também interferem no atendimento ao IMV, sendo uma delas 
sobre o processo de avaliação e a decisão de qual o destino dos doentes quando 
estes estiverem prontos para o transporte. Eventos recentes, como o da Boate Kiss, 
demonstraram que as vítimas com lesões sem risco de vida frequentemente saem 
do local do desastre usando quaisquer meios disponíveis de transporte e vão por 
conta própria para o hospital mais próximo. Estes números podem chegar de 70% a 
80% dos envolvidos no evento inicial chegando ao hospital sem teremsidos 
avaliados. Diversas falhas foram identificadas após estudos sobre IMV na resposta 
médica a esses incidentes (NAEMT, 2011). 
Buscamos identificar as maiores dificuldades que os enfermeiros da amostra 
enfrentaram no transporte das vítimas até o local definitivo para tratamento. Porém, 
alguns dos entrevistados (26,9%) não respondeu a esta pergunta. Outros 19,2% 
mencionou o tempo resposta como maior problema no transporte. Outros 15,3% 
citou problemas no APH – Fixo e somente 11,5% relacionou problemas no 
transporte às vias de circulação e ao transito. Com isso apuramos que o transporte 
das vítimas é o fator que menos tem atrapalhado no atendimento aos pacientes. 
Durante o transporte das vítimas os enfermeiros têm papel fundamental no 
sucesso da operação tanto na organização quanto no efetivo transporte. O translado 
dos feridos tem relevância dentro do atendimento às vítimas. Conceitua-se que o 
transporte seja feito de forma organizada e que os feridos sigam para os hospitais de 
destino previamente estabelecidos (OLIVEIRA; PARLIN; TEXEIRA JR, 2007). 
Leiva et al. (2014) entendem que o transporte dos pacientes deve ser feito 
somente após a estabilização e o destino determinado para este doente precisa ter 
capacidade de atender e dar continuidade do tratamento pré-hospitalar. Também 
considera que a transferência ao profissional que receberá este doente deva ocorrer 
de forma verbal e escrita e sistematizada. Outro critério é o de pronta reativação do 
recurso ficando disponível para novos atendimentos. Comparado ao que diz o autor 
e a legislação, creditamos ao enfermeiro a responsabilidade legal pelos pacientes 
críticos, pela continuidade do tratamento, por registros escritos e a sistematização do 
cuidado. Estes conceitos corroboram para evidenciar a necessidade deste 
62 
 
 
profissional ao centro dos eventos com múltiplas vítimas como grande articulador 
dos sistemas e das equipes de saúde. 
Além dos problemas identificados no transporte das vítimas, o APH traz 
algumas dificuldades naturais do serviço. Mendes, Ferreira e Martino (2011) citam o 
stress encontrado nos profissionais da área. Identificaram maior incidência de stress 
entre nos atuam em emergência e atendimento pré-hospitalar. Apontaram como 
fatores estressantes a violência a que o profissional pode estar exposto, além das 
características inerentes do trabalho, como lidar com a dor, o sofrimento e a morte. 
Aqueles que atuam neste serviço enfrentam inúmeras dificuldades, como a grande 
exposição aos riscos ocupacionais durante o atendimento às vítimas e a escassez 
de literatura que possa servir de embasamento para a resolutividade de tais 
deficiências. As equipes de enfermagem sofrem uma influência negativa intrínseca 
da função. Uma forma de melhorar essa condição é a continua capacitação e 
acompanhamento destes profissionais. Para isso, o enfermeiro novamente volta a 
frente das questões gestoras e de educação como peça fundamental no processo 
de evolução e melhora da qualidade do atendimento. 
 
 
 
63 
 
 
5 CONCLUSÕES 
 
Os Incidentes com Múltiplas Vítimas definitivamente geram um nível de 
exigência extremamente alto para os profissionais que atuam nestes eventos. Além 
do número de vítimas, exigem conhecimento técnico, capacidade de logística, 
tomada de decisões rápidas, capacidade física e mental entre muitas outras. 
Quando ocorrem, geralmente, não são precedidas de sinais claros que permitam 
uma preparação adequada das equipes. Isso põe a prova a capacidade dos 
serviços, tanto de pré-hospitalar como do hospitalar. Os IMV, por suas 
características, cobram uma atuação em rede entre diversas instituições. 
Já o profissional enfermeiro, pela sua graduação e pela legislação, é colocado 
a frente destes casos nos âmbitos gerenciais e assistenciais. É responsável pela 
categoria da enfermagem que, sabidamente, são os que atuam em maior número 
em situações como estas. Tem responsabilidade técnica e educacional e pode 
elevar estas competências a outros profissionais que também são convocados a 
atuar em incidentes com muitas vítimas, gerando assim um entendimento uniforme 
sobre o conceito adequado para essas situações. 
Com esta pesquisa, evidenciou-se que o entendimento sobre a atuação do 
enfermeiro ainda é incompleto. Como os eventos com múltiplas vítimas ocorrem com 
menor incidência, e quando ocorrem são complexos, os enfermeiros enfrentam 
dificuldade em definir exatamente quais as frentes de sua responsabilidade, tanto 
assistências como gerenciais. Os profissionais manifestam diferentes compreensões 
a respeito dos conteúdos teóricos e legais. 
A dificuldade em estabelecer uma compreensão adequada parte tanto da 
formação acadêmica como da literatura incompleta. Ao lidar com esta realidade, 
tanto na estruturação dos serviços como no atendimento real às vítimas, o 
profissional enfermeiro, na tentativa de colocar em prática o que sabe, aumenta o 
risco de ações iatrogênicas. 
É latente a urgência da inclusão deste tema na formação acadêmica dos 
enfermeiros. Mesmo não atuando diretamente na frente de resposta aos IMV, o 
enfermeiro é componente intrínseco dos serviços públicos de saúde, seja em 
ambulância, hospitais, UPA e postos de saúde. Inevitavelmente, as vítimas de um 
64 
 
 
incidente de grandes proporções, mais cedo ou mais tarde, vão chegar as mãos 
destas profissionais, seja para tratamento ou recuperação. 
É latente também a necessidade do desenvolvimento de literatura específica 
voltada para a atuação do enfermeiro a fim de diminuir o baixo desempenho da 
enfermagem nestas situações. A produção de material literário direcionado para este 
profissional cria subsídio também para a construção de uma nova visão dos 
simulados. Essa ferramenta dimensiona de maneira prática todos os fatores que 
precisam ser acertados para se chegar mais próximo do princípio primordial destes 
eventos, o de prestar o melhor socorro ao maior número de vítimas. 
Identificou-se que é de extrema importância que os enfermeiros e as equipes 
de Atendimento Pré-Hospitalar desenvolvam suas habilidades de realizar 
corretamente os sistemas de triagem de pacientes. O que existe hoje é uma simples 
conveniência sobre o uso dos métodos. Mas na prática pouco se aplica e isso 
interfere no resultado final. A criação de rotinas ou protocolos voltados para a 
realidade de cada cidade é uma das formas sugeridas para a solução parcial dos 
problemas nos sistemas de triagem e tratamento adequado dos pacientes. 
Como limitações do estudo, foram identificadas dificuldades significativas na 
produção desta pesquisa. A baixa adesão dos profissionais interferiu no resultado 
final, pois diminuiu a amostra em relação ao tamanho da população de enfermeiros 
atuantes no APH da região em estudo. Também, a literatura a respeito do assunto é 
escassa pois existem poucas produções textuais que evidenciam o papel do 
enfermeiro nestes eventos. 
Definitivamente o enfermeiro exerce um papel fundamental no 
desenvolvimento de ações preparatórias e operacionais em um mesmo nível. 
Principalmente, este papel precisa ser reconhecido pelo próprio enfermeiro em 
resposta aos incidentes. Isso amplia a qualidade da educação, preparação, 
assistência e tratamento. Dessa forma vemos o enfermeiro como o grande 
articulador na construção do conhecimento e peça fundamental no cuidado aos 
pacientes. 
Conclui-se que a atuação do enfermeiro em situação de múltiplas vítimas 
ainda é pequena e distorcida em relação quanto a importância e amplicidade que 
pode atingir. A enfermagem fica carente de informação e de conhecimento em 
comparação ao que poderia alcançar através da figura do enfermeiro como 
65 
 
 
educador, pois o papel deste profissional é determinante em todas as etapas destes 
eventos desde a mitigação, triagem, tratamento e transporte. 
Acredita-se que este estudo tem capacidade para aumentar o conhecimentoacadêmico sobre o assunto. Também tem potencial para servir de material de 
consulta para novos estudos, além de incentivar o desenvolvimento de uma nova 
cultura de comportamento sobre os incidentes envolvendo grande número de 
vítimas. A atuação do enfermeiro em situações de múltiplas vítimas proporciona uma 
melhor e maior qualificação dos cuidados com a vida dos pacientes e amplia as 
capacidades de gerenciamento deste tipo de incidente. 
 
 
 
 
66 
 
 
REFERÊNCIAS 
 
ADIB, S. de C. V.; PERFEITO, J. A. J. Guia de Trauma. São Paulo: Manole, 2012. 
ÁLVAREZ-FERNÁNDEZ, J. A.; ALARCÓN-ORTS, A.; JUAN-PALMER, A. Asistencia 
sanitaria inicial en catástrofes. Medicina Clínica, [s.l.], v. 127, n. 1, p.13-16, jun. 
2006. 
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. ABNT. NBR 6023: dispõe 
da informação e documentação: Referências: Elaboração. Rio de Janeiro, 2002. 
______. NBR 14724: dispõe da informação e documentação- Trabalhos Acadêmicos 
– Apresentação. Rio de Janeiro, 2011. 
BEZERRA, F. N.; SILVA, T. M. DA.; RAMOS, V. P. Estresse ocupacional dos 
enfermeiros de urgência e emergência: Revisão Integrativa da Literatura, Acta Paul 
Enferm. [S.l.], v. 25, n. esp. 2, p. 151-156, 2012. 
BRASIL. Ministério da Saúde. Portaria nº 2048, de 5 de novembro de 2002. 
Sistemas Estaduais de Urgência e Emergência. Diário Oficial [da] República 
Federativa do Brasil, Poder Executivo, Brasília, DF, 12 nov. 2002. Seção 1, p. 32-
54. Disponível em: 
. 
Acesso em: 05 out. 2016. 
______. Ministério da Saúde. Política nacional de atenção às urgências. Brasília: 
Ministério da Saúde, 2003. 
______. Ministério da Integração Nacional. Secretaria Nacional de Defesa Civil. 
Manual de Medicina de Desastres. 3 ed. Brasília: Ministério da Integração 
Nacional, 2007. 1 v. 
______. Ministério da Saúde. Portaria Nº 1.600, de 07 de julho de 2011. Reformula 
a Política Nacional de Atenção às Urgências e institui a Rede de Atenção às 
Urgências no SUS. Diário Oficial [da] República Federativa do Brasil, Poder 
Executivo, Brasília, DF, 8 jul. 2011, Seção 1, p. 70-72. Disponível em: 
. 
Acesso em: 20 set. 2016. 
______Força Nacional do SUS. 2015. Disponível em: 
Acesso em: 20 set. 2016. 
CAMPOS, A. L. de. Atendimento de emergência realizado por profissionais de 
enfermagem, médicos, bombeiros e demais profissionais treinados a vítimas de 
acidentes e catástrofes. Revista de Medicina e Saúde, Brasília, v. 4, n. 1, p. 84-96, 
2015. 
CANETTI, M. D. et al. Manual básico de socorro de emergência para técnicos de 
emergência médicas e socorristas. 2. ed. São Paulo: Atheneu, 2007. 
67 
 
 
COLÉGIO AMERICANO DE CIRURGIÕES (CAC). Comitê de Trauma. Suporte 
avançado de vida no trauma para médicos: ATLS. 8. ed. Chicago: American 
College of Surgeons, 2008. 
CONSELHO REGIONAL DE ENFERMAGEM DO RIO GRANDE DO SUL (COREN-
RS). Legislação e código de ética: Autarquia Federal - Lei nº 5.905, de 12 de julho 
de 1973. Diário Oficial [da] República Federativa do Brasil, Poder Executivo, 
Brasília, DF, 13 jul. 1973. 2014. 
DAMASCENO, M. C. de T.; AWADA, S. B.; SARAIVA, H. M. Pronto Socorro: 
Medicina de Emergência. 3. ed. São Paulo: Manole, 2013. 
ENFERMEIROS EM URGÊNCIA E EMERGÊNCIA. Métodos de triagem de vítimas 
em catástrofes: uma reflexão para a enfermagem. 2011. Disponível em: 
. Acesso em: 27 out. 2016. 
FREIRE, E. Trauma: a doença dos séculos. São Paulo: Atheneu, 2001. 
GENTIL, R. C.; RAMOS, L. H.; WHITAKER, I. Y. La capacitación de enfermeros para 
la atención pre-hospitalaria. Revista Latino-Americana de Enfermagem, Ribeirão 
Preto, v. 16, n. 2, mar./abr. 2008. Disponível em:. Acesso em: Acesso em: 26 out. 2016. 
GOLDIM, J. R. Manual de Iniciação à Pesquisa em Saúde. 2. ed. Porto Alegre: 
Dacasa, 2000. 
LEIVA, C. A. et al. Atendimento de saúde a múltiplas vítimas em catástrofes. 2. 
ed. Curitiba: Samu Internacional, 2014. 
LOKE, A. Y.; FUNG, O. W. M. Competências dos enfermeiros em enfermagem 
em desastres: Implicações para o currículo e desenvolvimento em saúde pública. 
2014. 
MARIN, S. M. Competências do enfermeiro no atendimento hospitalar em 
situações de desastres. 2013. 82 f. Dissertação (Mestrado em enfermagem) – 
Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, RS, 2013. 
MELLO, C. M. de et al. A enfermagem em atendimento em desastres e em eventos 
com múltiplas vítimas. Vitalle, Rio Grande, v. 25, n. 1, p. 37-44, 2013. 
MENDES, S. S.; FERREIRA, L. R. C.; MARTINO, M. M. F. DE M. Identificação dos 
níveis de stress em equipe de atendimento pré-hospitalar móvel. Estud. psicol., 
Campinas, v. 28, n. 2, apr./jun. 2011. 
MORTON, P. G.; FONTAINE, D. K. Cuidados críticos de enfermagem: uma 
abordagem holística. 9. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2011. 
NATIONAL ASSOCIATION OF EMERGENCY MEDICAL TECHNICIANS (NAEMT). 
PHTLS: Atendimento pré-hospitalar ao traumatizado. 7. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 
2011. 
68 
 
 
NATIONAL ASSOCIATION OF EMERGENCY MEDICAL TECHNICIANS (NAEMT). 
PHTLS: Atendimento pré-hospitalar ao traumatizado. 8. Ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 
2016. 
NOCERA, A.; GARNER, A. An Australian mass casualty incident triage system for 
the future based upon triage mistakes of the past: The Homebush Triage Standard. 
Aust N Z J Surg, [S.l.], v. 69, n. 8, p. 603-608, 1999. 
OLIVEIRA, B. F. M.; PARLIN, M. K F.; TEIXEIRA JR, E. V. Trauma: Atendimento 
pré-hospitalar. 2. ed. São Paulo: Atheneu, 2007. 
PRODANOV, C. C.; FREITAS, E. C. de. Metodologia do trabalho científico: 
métodos e técnicas da pesquisa e do trabalho acadêmico. 2. ed. Novo Hamburgo, 
RS: Feevale, 2013. Disponível em: . Acesso em: 05 set. 
2016. 
RASSLAN, C. Z.; WAKSMAN, R. D.; FARAH, O. G. D. Medicina de Urgência. São 
Paulo: Manole, 2016. 
RODRIGUES, A. R. A. et al. A importância do transporte pré-hospitalar à vítima de 
trauma e o papel do enfermeiro emergêncista. Revista Eletrônica de Enfermagem 
do Centro de Estudos de Enfermagem e Nutrição, [S.l.], v. 4, n. 4, p. 1-15, 
ago./dez. 2013. 
SÃO PAULO (Estado). Secretaria de Estado da Saúde. Governo do Estado de São 
Paulo. Desastres e Incidentes com Múltiplas Vítimas: Plano de Atendimento - 
Preparação Hospitalar. São Paulo: Secretaria de Saúde, 2012. 
SHIMIZU, H. E.; FRAGELLI, T. B. O. Competências Profissionais Essenciais para o 
Trabalho no Núcleo de Apoio à Saúde da Família. Rev. bras. educ. méd, [S.l.], v. 
40, n.2, p.216-225, abr.-jun. 2016. 
SOUSA, R. M. C.; CALLIL, A. M.; PARANHOS, W. I. Atuação no Trauma: uma 
abordagem para a enfermagem. São Paulo: Atheneu, 2009. 
VARGAS, D. Atendimento Pré-Hospitalar: a Formação Específica do Enfermeiro na 
Área e as Dificuldades Encontradas no Inicio da Carreira. Rev Paul Enf. [S.l.], v. 25, 
n. 1, p. 38-43, 2006. 
WHITAKER, I. Y.; GATTO, M. A. F. Pronto Socorro: Atenção hospitalar às 
emergências. São Paulo: Manole, 2015. 
 
 
 
 
69 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
APÊNDICES 
 
 
 
 
 
 
70 
 
 
APÊNDICE A – TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO 
 
Você está sendo convidado a participar do TCC de graduação intitulado: 
ATUAÇÃO DO ENFERMEIRO EM SITUAÇÕES DE MÚLTIPLAS VÍTIMAS. O 
trabalho será realizado pelo acadêmico JOSÉ ADIR DA SILVEIRA CORTES do 
curso de ENFERMAGEM da UNIVERSIDADE FEEVALE, orientado pelo 
pesquisador responsável, professor ADILSON ADAIR BOES. Os objetivos deste 
estudo são identificar a atuação do enfermeiro em situações de atendimento de 
múltiplas vítimas, caracterizar o perfil dos profissionais que atuam no atendimento 
pré-hospitalar, verificar a frequência que atendemsituações com múltiplas vítimas e 
identificar quais as dificuldades que o enfermeiro enfrenta em situações de 
atendimento de múltiplas vítimas. 
Sua participação nesta pesquisa será voluntária e consistirá em responder ao 
instrumento de pesquisa eletrônico disponibilizado a seguir se estiveres de acordo. 
Este é composto por 30 questões. Esta pesquisa não gera valores ou impõe gastos 
aos participantes. Os riscos e/ou desconfortos relacionados a sua participação são 
possíveis descontentamentos ou constrangimentos com o conteúdo das perguntas. 
Caso ocorra algum dos riscos e/ou desconfortos, para minimizá-los o participante 
pode desistir da pesquisa a qualquer momento por livre iniciativa, salientando que o 
pesquisador estará disponível para possíveis esclarecimentos acerca dos objetivos 
e/ou questões do estudo. 
O pesquisador ADILSON ADAIR BOES, responsável por esta pesquisa e a 
UNIVERSIDADE FEEVALE envolvidos nas diferentes fases da pesquisa 
proporcionarão assistência imediata e integral aos participantes da pesquisa no que 
se refere às possíveis complicações e danos decorrentes. Os participantes da 
pesquisa que vierem a sofrer qualquer tipo de dano resultante de sua participação 
na pesquisa, previsto ou não neste documento, têm direito à indenização, por parte 
do pesquisador, do patrocinador e das instituições envolvidas nas diferentes fases 
da pesquisa. 
A sua participação nesta pesquisa estará contribuindo para ampliar o 
conhecimento acadêmico sobre o assunto. Todos os resultados estarão disponíveis, 
após a conclusão, para as instituições participantes possibilitando assim seu uso 
como fonte para novas pesquisas. 
 
71 
 
 
Garantimos o sigilo de seus dados de identificação primando pela privacidade 
e por seu anonimato. Manteremos em arquivo, sob nossa guarda, por 5 anos, todos 
os dados e documentos da pesquisa. Após transcorrido esse período, os mesmos 
serão destruídos. Os dados obtidos a partir desta pesquisa não serão usados para 
outros fins além dos previstos neste documento. 
Você tem a liberdade de optar pela participação na pesquisa e retirar o 
consentimento a qualquer momento, sem a necessidade de comunicar-se com os 
pesquisadores. 
Este Termo de Consentimento Livre e Esclarecido será validado 
eletronicamente após aceitar os termos deste. Abaixo, você tem acesso ao telefone 
e endereço eletrônico institucional do pesquisador responsável, podendo esclarecer 
suas dúvidas sobre o projeto a qualquer momento no decorrer da pesquisa. 
 
Nome do pesquisador responsável: ADILSON ADAIR BOES 
Telefone institucional do pesquisador responsável: (51) 3586-8800 
E-mail institucional do pesquisador responsável: aab@feevale.br 
 
Local e data: ______________________, _____ de ___________20_____. 
 
TELEFONE: (51) 3586-8800 
Ramal 9000 
E-mail: cep@feevale.br 
mailto:cep@feevale.br
72 
 
 
APÊNDICE B – INSTRUMENTO DE PESQUISA 
 
ATUAÇÃO DO ENFERMEIRO EM SITUAÇÕES DE MÚLTIPLAS VÍTIMAS NO 
PRÉ-HOSPITALAR 
 
NOME: _____________________________________________________________ 
IDADE: _____________________________________________________________ 
SEXO: _____________________________________________________________ 
TEMPO DE FORMAÇÃO COMO ENFERMEIRO: ___________________________ 
CIDADE DA BASE: ___________________________________________________ 
TEMPO DE ATUAÇÃO NO APH: ________________________________________ 
CARGA HORÁRIA SEMANAL NO SERVIÇO: ______________________________ 
 
1. Durante a sua formação acadêmica, você considera que desenvolveu 
conhecimento suficiente para lidar com eventos de múltiplas vítimas na sua 
profissão? 
( ) Sim 
( ) Não 
( ) Parcialmente 
 
2. Durante seus estudos pessoais, encontrou na literatura todas as 
responsabilidades do enfermeiro em situações de múltiplas vítimas? 
( ) Sim 
( ) Não 
( ) Parcialmente 
 
3. Considera que a literatura poderia ser mais específica e ampla sobre as 
responsabilidades do enfermeiro? 
( ) Sim 
( ) Não 
 
73 
 
 
4. Você acredita conhecer todos os aspectos (legais, assistenciais e 
gerenciais) envolvidos no atendimento de múltiplas vítimas de competência do 
enfermeiro? 
( ) Sim 
( ) Não 
( ) Parcialmente 
 
5. Durante a sua formação acadêmica, sua instituição de ensino trabalhou o 
atendimento a múltiplas vítimas em alguma disciplina ou realizou algum tipo 
de simulado como componente curricular? 
( ) Sim 
( ) Não 
 
6. Participou de curso, congresso ou palestra sobre este tipo de evento no 
último ano? 
( ) Sim 
( ) Não 
 
7. Considera que o enfermeiro é um profissional de competência 
multidisciplinar determinante no atendimento a incidentes com múltiplas 
vítimas? 
( ) Sim 
( ) Não 
( ) Parcialmente 
 
8. Como enfermeiro você se considera responsável pelo treinamento das 
equipes de enfermagem? 
( ) Sim 
( ) Não 
 
74 
 
 
9. Como enfermeiro você já atendeu a situações reais envolvendo múltiplas 
vítimas? 
( ) Sim 
( ) Não 
 
10. Quantas vezes já atendeu incidentes com múltiplas vítimas durante sua 
atuação no APH? 
( ) Uma vez. 
( ) De duas a cinco vezes. 
( ) Mais de cinco vezes. 
 
11. Nos incidentes com múltiplas vítimas que prestou socorro, qual era o 
número máximo de pessoas que precisaram de socorro? 
( ) Até cinco 
( ) De cinco a dez 
( ) De dez a 20 
( ) Mais de 20 
 
12. Durante os atendimentos que prestou socorro como enfermeiro pode 
constatar que a triagem e o atendimento às vítimas seguiam de acordo com a 
literatura sobre o assunto? 
( ) Sim 
( ) Não 
( ) Parcialmente 
 
13. Durante os atendimentos que prestou socorro como enfermeiro quais os 
fatores que estavam em desacordo com o que sabe sobre o assunto? 
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________ 
 
75 
 
 
14. Na sua cidade ou região de atuação existe plano de 
contingência/emergência ou de auxílio mútuo em caso de desastre ou 
incidentes com múltiplas vítimas do seu conhecimento? 
( ) Sim 
( ) Não 
( ) Em fase de estruturação. 
 
15. Nas situações reais que participou como enfermeiro existiam postos de 
comando e de atendimento médico (lona verde, amarela e vermelha) 
estabelecidos? 
( ) Sim 
( ) Não 
 
16. Qual a importância que você dá para o método START? 
( ) Nenhuma, pois nunca vi ninguém colocar em prática. 
( ) Mesmo tendo feito uso do método não considero ele eficaz. 
( ) Muita, pois acredito que o método é capaz de organizar o atendimento. 
( ) Considero importante mesmo sem ter feito uso do método. Gostaria de 
desenvolver mais habilidades referentes a ele. 
 
17. Nas situações reais que participou, ao chegar no local encontrou pacientes 
identificados com cartões de triagem tipo METTAG? 
( ) Sim 
( ) Não 
 
18. Existe cartões de triagem tipo METTAG à disposição no seu local de 
trabalho? 
( ) Sim 
( ) Não 
 
76 
 
 
19. Você acredita que teve dificuldade de atender as vítimas em situações 
reais por falta ou ineficiência de um sistema de triagem? 
( ) Sim 
( ) Não 
( ) Parcialmente 
 
20. Quais as maiores dificuldades que o enfermeiro encontra no atendimento 
aos incidentes com múltiplas vítimas? (Questão de múltipla escolha) 
( ) Falta de capacitação/treinamento das equipes. 
( ) Falta de material médico (macas, talas, colares...). 
( ) Falta plano de contingência/emergência. 
( ) Dificuldade na relação interpessoal com membros de outras corporações. 
( ) Comunicação/relação com as equipes não oriundas da área da saúde. 
( ) A quantidade de pacientes graves na cena. 
( ) A quantidades de curiosos na cena. 
( ) Comunicação entre equipes de saúde, inclusive com centralde regulação e 
hospitais. 
 
21. Sua instituição de trabalho fornece equipamentos ou tecnologia específica 
para atendimento destas situações? 
( ) Sim 
( ) Não 
( ) Parcialmente 
 
22. Enfrentou dificuldades com quantidade de suprimentos e/ou materiais 
durante o atendimento? 
( ) Sim 
( ) Não 
( ) Parcialmente 
 
77 
 
 
23. No que resulta o bom gerenciamento de cena em casos de múltiplas 
vítimas? 
( ) O melhor transporte das vítimas. 
( ) Gera experiência para quem atende a esses casos. 
( ) A solução mais rápida dos casos mais graves. 
( ) Testa a eficácia do plano de emergência. 
( ) Todas as anteriores. 
 
24. Na sua opinião, qual a maior atribuição do enfermeiro no contexto de 
múltiplas vítimas? 
( ) Assistencial, cuidando dos feridos mais graves. 
( ) Gerencial, garantindo a logística e o rápido atendimento aos feridos mais graves. 
( ) As duas, pois são capacidades que o enfermeiro precisa dominar e aplicá-las de 
acordo com a necessidade. 
 
25. Quais as dificuldades que enfrentou no transporte dos pacientes até o local 
definitivo para o tratamento dos feridos em incidentes com muitas vítimas? 
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________ 
 
26. Quais as maiores dificuldades que enfrentou para entregar um paciente em 
um hospital que recebia as vítimas do incidente com múltiplas vítimas? 
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________ 
 
78 
 
 
27. Realizou alguma simulação sobre múltiplas vítimas na sua instituição no 
último ano? 
( ) Sim 
( ) Não 
( ) Realizei em outra instituição com investimento particular; 
 
28. A quem você, como enfermeiro, atribui a responsabilidade de desenvolver 
treinamento e a integração entre as equipes (Bombeiros, Defesa Civil, 
Voluntários, SAMU, ...) que atuarão em caso de múltiplas vítimas? (Múltipla 
escolha) 
( ) Coordenador da base 
( ) Médico Regulador 
( ) Bombeiros e Defesa Civil 
( ) Qualquer profissional que tenha a iniciativa 
( ) Gestores do públicos 
( ) Enfermeiro 
 
29. Quais as dificuldades que enfrentou nos simulados que participou? 
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________ 
 
30. Com que frequência você considera ideal que as simulações ocorram para 
melhor desenvolver o conhecimento sobre incidentes com múltiplas vítimas? 
( ) Seis meses 
( ) Um ano 
( ) Dois anos 
( ) Cinco anos 
( ) Não há necessidade de repetir simuladoin simulation in the last year, indicating 
that the team had bigger difficulties the low performance (19.2%) and a lack of 
communication (11.5%). All participants (100%) consider having multidisciplinary 
competence in IMV and believe that they have attributions, such as care, 
management or both concurrently. The majority (92.2%) experienced real situations 
of Multiple Victims. Of these, 46.2% did it five times, 42.3% instead of five times and 
11.5% had only attended to a real situation. In the real situations, the number of 
victims don’t was ten people according to 29.2%. Another 20.8% mentioned 
occurrences with more than 20 people. More than half (57.7%) are unaware of the 
existence of contingency plans and 84% point to the lack of Advanced Medical 
Facilities (AMF) where they worked. Regarding the greatest difficulties, 80.8% 
mentioned the lack of training as the most disturbing factor, a lack of contingency 
9 
 
 
plan (76.9%), curious locals and a communication with hospitals (42.3%), . Faced 
with the lack of a screening system, 76% of individuals related problems. We 
identified a lack in academic training and conflict in the understandings of nurses who 
act on these incidents about their competencies. It is concluded that adaptations are 
needed in the academic formation in order to improve the knowledge about these 
events, as well as to expand as capacities for all involved. And with that, to 
consolidate the nurse as a reference in all stages of care. Possibility this, due to the 
type of training and reception of level competence that the position attributes it. 
 
Keywords: Nurse. Disasters. Catastrophe. Mass Victims. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
10 
 
 
LISTA DE FIGURAS 
 
Figura 1 - Método rápido de classificação de catástrofes (S.T.A.R.T.) ..................... 27 
Figura 2 - Cartão METTAG....................................................................................... 28 
 
 
 
11 
 
 
LISTA DE TABELAS 
 
Tabela 1 - Perfil dos profissionais graduados em enfermagem atuantes no SAMU da 
região metropolitana de Porto Alegre/RS .................................................................. 41 
Tabela 2 - Percepção dos enfermeiros de Unidade de Suporte Avançado do SAMU 
da Região Metropolitana de Porto Alegre sobre a sua formação relacionado ao IMV
 .................................................................................................................................. 43 
Tabela 3 - Entendimento dos enfermeiros de Unidade de Suporte Avançado do 
SAMU da Região metropolitana de Porto Alegre a respeito das responsabilidades e 
competências frente aos IMV .................................................................................... 48 
Tabela 4 - Experiência prática e atuação dos enfermeiros de Unidade de Suporte 
Avançado do SAMU da Região Metropolitana de Porto Alegre ................................ 51 
Tabela 5 - Experiência prática dos enfermeiros de Unidade de Suporte Avançado do 
SAMU da Região metropolitana de Porto Alegre com os sistemas de triagem de 
pacientes em IMV ...................................................................................................... 57 
 
12 
 
 
LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS 
 
AMV - Acidentes com Múltiplas Vítimas 
ANTT - Agência Nacional de Transportes terrestres 
APH - Atendimento Pré-Hospitalar 
CAC - Colégio Americano de Cirurgiões 
CEP - Comitê de Ética e Pesquisa 
CNS - Conselho Nacional de Saúde 
COFEN - Conselho Federal de Enfermagem 
COREN - Conselho Regional de Enfermagem 
CRAMP - Circulação Respiração Mobilidade e Palavras 
DC - Defesa Civil 
DVM - Desastre com Vítimas em Massa 
EUA - Estados Unidos da América 
IMV - Incidentes com Múltiplas Vítimas 
IP - Instrumento de Pesquisa 
NAEMT - National Association of Emergency Medical Technicians 
OMS - Organização Mundial de Saúde 
PHTLS - Pre Hospital Trauma Life Support 
RS - Rio Grande do Sul 
RT - Responsável Técnico 
RUE - Rede de Atenção as Urgências e Emergências 
SALT - Sorting Assessing Life-saving and Treatment 
SAMU - Serviço de Atendimento Móvel de Urgência 
SME - Serviço Médico de Emergência 
SPSS - Statical Package for Social Sciences 
START - Simples Triagem e Rápido Tratamento 
SUS - Sistema Único de Saúde 
TCLE - Termo de Consentimento Livre e Esclarecido 
UC - Urgência Coletiva 
UFRGS - Universidade Federal do Rio Grande do Sul 
USA - Unidade de Suporte Avançado 
USB - Unidade de Suporte Básico 
13 
 
 
SUMÁRIO 
 
1 INTRODUÇÃO .................................................................................................... 14 
2 REVISÃO DE LITERATURA .............................................................................. 17 
2.1 ATENDIMENTO PRÉ-HOPITALAR ............................................................ 17 
2.2 TRAUMA .................................................................................................... 20 
2.3 CATÁSTROFES, DESASTRES E ACIDENTES COM MÚLTIPLAS 
VÍTIMAS .............................................................................................................. 22 
2.4 TRIAGEM DOS FERIDOS.......................................................................... 26 
2.5 TRANSPORTE DOS FERIDOS ................................................................. 29 
2.6 ASPECTOS EMOCIONAIS RELACIONADOS AO ATENDIMENTO DE 
MÚLTIPLAS VÍTIMAS ......................................................................................... 30 
2.7 SIMULAÇÕES DE ACIDENTES COM MÚLTIPLAS VÍTIMAS ................... 31 
2.8 INSERÇÃO DO ENFERMEIRO NO ATENDIMENTO DE MÚLTIPLAS 
VÍTIMAS .............................................................................................................. 32 
3 MÉTODO ............................................................................................................ 36 
3.1 DELINEAMENTO DO ESTUDO ................................................................. 36 
3.2 POPULAÇÃO E AMOSTRA ....................................................................... 37 
3.3 CRITÉRIOS DE INCLUSÃO ....................................................................... 37 
3.4 CRITÉRIOS DE EXCLUSÃO ...................................................................... 38 
3.5 ASPECTOS ÉTICOS .................................................................................. 38 
3.6 COLETA DE DADOS ................................................................................. 39 
3.7 ANALISE DOS DADOS .............................................................................. 39 
4 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS DADOS ................................................... 41 
5 CONCLUSÕES ................................................................................................. 633 
REFERÊNCIAS ....................................................................................................... 666 
APÊNDICES ........................................................................................................... 699 
APÊNDICE A – TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO ........... 70 
APÊNDICE B – INSTRUMENTO DE PESQUISA ................................................... 722 
 
14 
 
 
1 INTRODUÇÃO 
 
O trauma (Causas Externas) é responsável por 1,2 milhões de mortes em 
cerca de 50 milhões de acidentes de transito pelo mundo. É também a maior causa 
de morte em pessoas com idade inferior a 45 anos. Na década de 80 chegou a ser a 
segunda causa de morte no Brasil. Segundo dados do Ministério da Saúde em 2010, 
as causas externas foram responsáveis por 143.256 óbitos correspondente a 12% 
das mortes no país a mais que no ano 2000 que somaram 118.397 falecimentos 
(BRASIL, 2016). 
De acordo com o NAEMT (2011), conceitualmente as Causas Externas 
subclassificam-se pelo grau de intenção. Recebem o nome de Trauma Intencional as 
situações relacionadas com a violência interpessoal ouauto direcionada e Trauma 
Não Intencional aqueles chamados de “acidentes”. É reconhecido como doença por 
possuir um hospedeiro (homem), um agente causador (objeto) e um ambiente 
apropriado para que a interação entre eles ocorra. 
Segundo dados do Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde 
do Brasil (DATASUS), as causas externas – traumas ocorridos por violência ou em 
acidentes de trânsito provocaram 156,942 vítimas fatais no ano de 2014. Porém não 
existem estatísticas que revelem números exatos sobre os Incidentes com Múltiplas 
Vítimas (IMV) no Brasil, mas de fato, estes incidentes implicam diretamente em 
consequências significativas para o Sistema Único de Saúde (SUS) (BRASIL, 2016). 
O problema torna-se maior e mais complexo quando os traumas acometem 
um grande número de vítimas de uma só vez. São os eventos onde o número de 
vítimas sobrepõe-se aos recursos disponíveis para o atendimento sendo 
denominados assim como catástrofe ou desastre (CAMPOS, 2015). 
Incêndios, acidentes com produtos tóxicos, manifestações, eventos em 
massa, ataques terroristas, explosões, ameaças de bomba, bioterrorismo e 
terremotos são situações onde existe a chance de grandes números de vítimas pela 
possibilidade de um número maior de pessoas no local do incidente. E é 
reponsabilidade das equipes de socorro prestar atendimento em situações onde 
ocorra o agravo da saúde e risco de morbimortalidades (LEIVA et al., 2014). 
Com a nomenclatura de Incidentes com Múltiplas Vítimas (IMV), essas 
situações exigem resposta coordenada que tem como objetivo reduzir os índices de 
15 
 
 
morbimortalidade causados por estes eventos. Assim, acredita-se ser extremamente 
necessário que os profissionais incorporem à sua formação os conhecimentos sobre 
os IMV’s dada a complexidade dos desastres atuais. A correta compreensão do ciclo 
do desastre permitirá ao socorrista avaliar sua atuação pessoal e de sua equipe afim 
de adequar suas ações ao momento do incidente e aperfeiçoar as ações posteriores 
possibilitando maior eficiência e eficácia no processo de resposta. Outro princípio 
bastante difundido na resposta a um desastre é o de fazer o melhor ao maior 
número de doentes com os recursos disponíveis (NAEMT, 2011). 
Existe uma subjetividade na interpretação sobre as funções do enfermeiro no 
atendimento a desastres, incidentes com múltiplas vítimas e catástrofes. Algumas 
literaturas que dedicam capítulos inteiros ao assunto não citam todas as atribuições 
gerenciais, educacionais e operacionais no seu conteúdo. E aqueles que citam essa 
participação o fazem de maneira ínfima ou quase imperceptível. Visto a 
complexidade destes eventos é inaceitável que estas orientações não façam parte 
da formação deste profissional, tão importante no cuidado com a saúde das vítimas. 
A maior motivação para o desenvolvimento deste estudo partiu do episódio da 
Boate Kiss na cidade de Santa Maria – Rio Grande do Sul – no dia 27 de janeiro 
2013, um incêndio durante a madrugada em que ocorria uma festa provocou a morte 
de 242 pessoas e gerou 680 feridos. Foram mobilizadas equipes de atendimento 
pré-hospitalar, bombeiros, polícia e exército. O transporte das vítimas para centros 
de saúde na capital gaúcha e outros hospitais da região levou dias para ser 
concluído. No mesmo ano em que ingressava na graduação em enfermagem, a 
partir deste episódio, percebi a necessidade de compreender melhor quais eram as 
responsabilidades do enfermeiro dentro deste contexto. 
Considerando a importância dos fatores envolvendo o atendimento de 
múltiplas vítimas e os aspectos que exigem do enfermeiro uma postura frente aos 
eventos, justifica-se a execução deste projeto de pesquisa, tornando possível 
identificar os problemas e as dificuldades que este profissional enfrenta no 
cumprimento prático das suas atribuições e no atendimento aos pacientes. 
Atualmente os desastres apresentam um alto grau de complexidade, 
especialmente os que envolvem terrorismo e armas de destruição em massa 
(químicas, biológicas ou nucleares) resultando em ambientes em condições 
extremamente precários e com limitação de recursos. Como resultado destas 
16 
 
 
limitações ocorre o aumento do risco de morbimortalidade para os doentes que 
necessitam de atendimento imediato. Assim, cabe ao socorrista reconhecer que os 
recursos devem ser aplicados para aqueles pacientes que mais necessitam e que 
possuam critérios bem específicos e que tenham chances de sobrevida após o 
incidente (NAEMT, 2011). 
Geralmente o número elevado de vítimas em um IMV coloca o conhecimento 
das equipes médicas e de busca e salvamento em cheque. Pois cobra a 
necessidade de experiência e de conhecimento específico no domínio dessas 
situações. Estar preparado para um evento dessa natureza é diferente de responder 
ao evento em si. Implica em reconhecer os recursos imediatos disponíveis, as 
necessidades de ajuda externa e a capacidade de acionar o plano de ação, se este 
existir na região correspondente ao evento (OLIVEIRA; PARLIN; TEXEIRA JR, 
2007). 
Considerando a importância do enfermeiro no gerenciamento na assistência 
de enfermagem, também na prestação de cuidados avançados e aqui destacando o 
atendimento a múltiplas vítimas, este estudo teve como objetivo geral identificar a 
atuação do enfermeiro em situações de atendimento de múltiplas vítimas no 
atendimento pré-hospitalar. E como objetivos específicos caracterizar o perfil dos 
profissionais que atuam no atendimento pré-hospitalar, verificar a frequência que 
atendem situações com múltiplas vítimas, além de identificar quais as dificuldades 
que o enfermeiro enfrenta em situações de atendimento de múltiplas vítimas. 
17 
 
 
2 REVISÃO DE LITERATURA 
 
O referencial teórico apresenta as informações pertinentes a esta pesquisa 
como conceitos, termos técnicos e interpretações de diferentes obras literárias. Esta 
etapa do projeto é fundamental para a melhor compreensão sobre o assunto. 
 
2.1 ATENDIMENTO PRÉ-HOPITALAR 
 
O APH móvel é descrito como um atendimento pelo qual se procura chegar 
precocemente à vítima, após ocorrência de agravo à saúde de natureza traumática, 
clínica ou psiquiátrica que possa levar à morte, devendo ser prestado atendimento e 
transporte adequados agregados ao Sistema Único de Saúde. O Serviço de 
atendimento pré-hospitalar móvel deve ser entendido como uma atribuição da área 
da saúde, sendo vinculado a uma Central de Regulação, com equipe e frota de 
veículos compatíveis com as necessidades de saúde da população de um município 
ou uma região (BRASIL, 2002). 
O atendimento pré-hospitalar teve seu início no Período Antigo e evoluiu ao 
longo do tempo. Foi no fim do século XVIII que o Barão de Dominick Jean Larrey – 
cirurgião e chefe militar de Napoleão – reconheceu a necessidade de atendimento 
pré-hospitalar para os feridos de batalha e criou as “ambulâncias voadoras”, que 
eram carroças construídas especialmente para atender os feridos. Conhecido como 
o “Pai dos SME da era moderna”, Larrey deixou um legado contemporâneo para os 
serviços de atendimento pré-hospitalar, entre eles o treinamento adequado para as 
equipes, controle de hemorragia, transporte para o hospital mais próximo e o 
atendimento durante o transporte (NAEMT, 2011). 
Ao longo do tempo muitos Serviços Médicos de Emergência (SME) foram 
criados com o propósito de prestar atendimento às vítimas e transportá-las para o 
hospital. Geralmente estes serviços trabalhavam com a premissa de que o melhor 
atendimento era sempre o mais rápido e dessa forma não diferenciavam vítimas de 
trauma daqueles pacientes com doenças cardíacas, acarretando em complicações 
para o tratamento. Na história dos serviços de atendimento pré-hospitalar, um 
capítulo foi o mais importante, na década de 80 nos Estados Unidos da América, 
onde se percebeu a necessidade de cuidados específicos com a saúde dos 
18 
 
 
pacientesdesde o local até a porta do hospital. Era necessário que estes pacientes 
recebessem esses cuidados antes mesmo de serem retirados do local. Com isso 
surgiu o curso PHTLS (Prehospital Trauma Life Support) que tinha a missão de 
treinar socorristas para atuar e identificar estas situações especiais. Inicialmente 
foram treinadas as equipes de Corpo de Bombeiro locais e posteriormente esses 
treinamentos foram ganhando o mundo na intenção de difundir uma cultura de 
cuidado específico à saúde dos pacientes vítima de trauma em um sistema de rede 
organizada (NAEMT, 2011). 
Existem vários modelos de atendimento pré-hospitalar. No modelo americano 
existem os paramédicos que se formam a partir de um curso com duração de até 24 
meses além das 300 horas práticas em ambulância. Podem realizar intubação oro-
traqueal, desfibrilação e aplicar medicação conforme os protocolos pré-estabelecidos 
pelo coordenador médico do serviço sem ter a supervisão direta de um médico 
presente na unidade de atendimento móvel. O modelo alemão se assemelha com o 
modelo brasileiro. Pois neste sistema trabalham na mesma unidade o médico, 
enfermeiro ou técnico de enfermagem além do condutor (DAMASCENO; AWADA, 
2013). 
O tempo entre a ocorrência do trauma e a chegada na equipe ao local pode 
variar muito. Em centros urbanos pode levar em média 08 minutos até a chegada da 
equipe, 10 minutos na cena e mais 08 minutos em transporte até o hospital mais 
próximo. Porém este tempo pode variar de acordo com a distância do local do 
incidente. O início do atendimento pode variar também pelo tempo que as equipes 
de busca e salvamento levam para acessar o paciente nos escombros e o transporte 
depende das condições de estabilização do paciente (ADIB; PERFEITO, 2012). 
Outra premissa que norteia os socorristas durante o atendimento pré-
hospitalar é a segurança da cena. Os riscos vão desde degraus, entulho, pedras 
soltas, gases tóxicos em um incêndio, chance de novos desmoronamentos, o 
trânsito no local de um acidente até o risco biológico. Todos estes fatores são de 
responsabilidade das equipes de atendimento entre eles a enfermagem (ADIB; 
PERFEITO, 2012). 
A organização dos serviços de saúde brasileiros parte da lei Nº 8.080, de 19 
de setembro de 1990. A Lei do SUS (Sistema Único de Saúde), como ficou 
conhecida, garante que a assistência à saúde é um direito de os cidadãos e um 
19 
 
 
dever do estado. Garantindo a universalidade, equidade e integralidade na 
prestação do serviço de assistência à saúde da população (BRASIL, 2016). 
A Portaria 2048 institui o componente pré-hospitalar móvel por meio da 
implantação de Serviços de Atendimento Móvel de Urgência - SAMU-192, suas 
Centrais de Regulação (Central SAMU-192) e seus Núcleos de Educação em 
Urgência. A Central de Regulação é responsável pelo recebimento de chamados via 
192. Registra os chamados e os classifica por gravidade e em seguida faz o 
despacho destes para as unidades de atendimento. Também institui o 
funcionamento e formatação das unidades de suporte básico (condutor e técnico de 
enfermagem), unidades de suporte avançado (condutor, enfermeiro e médico), 
motolâncias (técnico de enfermagem) e transporte aéreo (piloto, copiloto, médico e 
enfermeiro) (BRASIL, 2003). 
A Portaria 2048/GM, de 05 de novembro de 2002, classifica o Atendimento 
Pré-Hospitalar Fixo pela assistência prestada. Num primeiro nível de atenção aos 
pacientes portadores de quadros agudos, de natureza clínica, traumática ou ainda 
psiquiátrica, que possa levar a sofrimento, sequelas ou mesmo à morte, provendo 
um atendimento adequado. E define o Atendimento Pré-Hospitalar Móvel como 
aquele que procura chegar precocemente à vítima através das unidades móveis, 
após ter ocorrido um agravo à sua saúde (de natureza clínica, cirúrgica, traumática, 
inclusive as psiquiátricas), que possa levar a sofrimento, gerar sequelas ou mesmo à 
morte, sendo necessário prestar-lhe atendimento e/ou transporte adequado a um 
serviço de saúde e integrado ao Sistema Único de Saúde (BRASIL, 2002). 
A Política Nacional de Atenção às Urgências 1863/GM, de 29 de setembro de 
2003, estabeleceu critérios para a formulação das ações preventivas de combate ao 
trauma e violência no trânsito, para estruturação dos serviços médicos de 
emergência e das unidades básicas de atendimento assim como saúde da família. 
Tal política considera a Portaria 2048 de 05 de novembro de 2002, que organiza 
toda a rede pré-hospitalar desde a regulação médica, organiza os quadros 
funcionais, os tipos de ambulância e as atribuições dos componentes das equipes 
(BRASIL, 2003). 
Outra providência da Política Nacional de Atenção às Urgências é a criação 
das RUE’s (Rede de Atenção a Urgência e Emergência) segundo a Portaria Nº 
1.600, de 07 de julho de 2011. As redes organizam a porta de entrada do Sistema 
20 
 
 
Único de Saúde (SUS) a partir de medidas que visam educar, conscientizar, 
classificar, diagnosticar, dar tratamento, reabilitar e proporcionar cuidados paliativos 
para a população acometida em situações de urgência e emergência, tanto clínica 
como traumática. O sistema de rede inclui a atenção básica, pré-hospitalar fixo, pré-
hospitalar móvel e hospitais (BRASIL, 2011). 
 
2.2 TRAUMA 
 
A abordagem adequada ao traumatizado deve ser iniciada no mesmo local do 
trauma. Respeitando o principal objetivo de encaminhar adequadamente o paciente 
certo para o hospital certo. Para o sucesso da operação de atendimento é 
necessária uma comunicação efetiva entre a equipe de pré-hospitalar e a instituição 
de saúde que irá receber os doentes (RASSLAN; WAKSMAN; FARAH, 2016). 
De acordo com o Colégio Americano de Cirurgiões (CAC) (2008) “Trauma é 
uma doença. Possui hospedeiro (o doente) e um vetor de transmissão (ex.: carros, 
armas) ”. Sendo responsável por 14 mil mortes diárias no mundo, está entre as 05 
(cinco) principais causas de morte tanto nos países desenvolvidos como nos países 
subdesenvolvidos. Nos EUA o trauma é a terceira causa de mortes depois de 
doenças cardiovasculares e neoplasias e mata a cada 10 (dez) anos, mais pessoas 
que todos os conflitos militares da história americana juntos. Também mata mais 
crianças e jovens adultos que todas as doenças combinadas, cerca de 32 mil em 
2006. Dessa forma o trauma é percebido como um problema de saúde mundial 
acarretando em 60 milhões de feridos por ano (NAEMT, 2011). 
Na década de 70, estudos identificaram que existem três principais fatores 
favoráveis para o acontecimento das lesões decorrentes de um trauma. O primeiro 
deles refere-se a pessoa/vítima que sofre o trauma, o segundo refere-se ao 
mecanismo responsável pela lesão (veículo, arma, artefato), e em terceiro o meio 
ambiente propício para que o trauma ocorra. A classificação destes fatores ficou 
conhecida com a matriz de Haddon. Identificou-se também que estes eventos 
acontecem em três momentos. O momento que antecede o trauma, o momento que 
acontece o trauma e o terceiro que sucede o trauma. Com estas características as 
ações de prevenção podem ser desenvolvidas a fim de evitar lesões e mortes (CAC, 
2008). 
21 
 
 
Também segundo o Colégio Americano de Cirurgiões (CAC) (2008) 
historicamente os doentes de trauma não recebiam tratamento distinto para suas 
lesões. Costumava-se tratar o paciente somente após o diagnóstico médico da 
mesma forma como se tratava a Diabete Mellitus ou outras doenças agudas. Então 
desenvolveu-se conceitos referentes ao atendimento ao traumatizado onde, 
primeiramente tratava-se a maior ameaça à vida, a falta de diagnóstico não impedia 
o tratamento e uma história clínica não apurada não interferia no tratamento. Assim, 
através da cronologia das morbidades, foi desenvolvido o método mnemônico “A, B, 
C, D e E” onde os problemas são tratados em uma sequência. Esta sequência está 
representada na seguinte forma: 
A. Via aérea e controle de coluna cervical;B. Ventilação; 
C. Circulação, parar a hemorragia; 
D. Disfunção neurológica; 
E. Exposição do paciente e controle de ambiente (temperatura); 
A avaliação inicial é a pedra fundamental para o melhor tratamento do doente. 
Pensando assim, estabeleceram-se padrões para a avaliação do trauma. 
Primeiramente deve ocorrer a avaliação da cena – dimensionamento da cena, em 
seguida o exame primário do paciente – o mnemônico A, B, C, D e E, 
posterirormente deve ocorrer o exame secundário – anamnese e exame físico 
cefalo-podálico e por fim o monitoramento e reavaliação – avaliação continuada 
(NAEMT, 2011). 
Seguindo o princípio da avaliação inicial a Escala de Coma Glasgow pode 
completar a avaliação no nível de consciência dos pacientes. A escala é um método 
rápido e simples para avaliar a resposta neurológica. O rebaixamento do escore na 
avaliação pode representar comprometimento do nível de oxigenação cerebral em 
decorrência do trauma. A escala avalia a melhor resposta ocular, verbal e motora. 
Dando assim um parâmetro para o tratamento dos pacientes (RASSLAN; 
WAKSMAN; FARAH, 2016). 
Outro aspecto relacionado ao conceito do trauma é a distribuição trimodal das 
mortes. Esta distribuição, descrita em 1982, menciona que as mortes decorrentes 
dos traumas ocorrem em três momentos denominados “picos”. No primeiro pico as 
mortes ocorrem imediatamente após o trauma. São lesões graves, apneia, lesões 
22 
 
 
cerebrais, de medula espinhal ou por laceração de grandes vasos. No segundo pico 
as mortes ocorrem em alguns minutos ou até horas após o trauma. São mortes 
decorrentes de complicações de hematoma subdural e epidural, hemato-
pneumotorax, ruptura de baço, lacerações graves, lesões traumáticas múltiplas e 
perdas sanguíneas graves. E o terceiro pico corresponde às mortes que ocorrem 
semanas depois por sepse ou falência de órgãos. Esta fase tem ligação com o 
tratamento recebido pelo doente nas fases anteriores. Assim existe uma relação 
direta sobre a qualidade e a eficiência do primeiro atendimento prestado à vítima de 
trauma que vai interferir na sobrevida destas (CAC, 2008). 
 
2.3 CATÁSTROFES, DESASTRES E ACIDENTES COM MÚLTIPLAS VÍTIMAS 
 
No Brasil, este assunto recebeu mais atenção e passou a ser estudado com 
mais seriedade após alguns incidentes como o incêndio do Edifício Andraus (1972), 
do Edifício Joelma (1974), a explosão de um Shopping Center (1996), na queda de 
uma aeronave (1996), e do desabamento do telhado de uma igreja na cidade de 
Osasco (1998). Posterior a estes eventos, uma análise crítica sobre a qualidade da 
assistência prestada apontou a necessidade organizar um sistema de atendimento 
em massa (SOUSA; CALLIL; PARANHOS, 2009). 
Acidentes de trânsito causam danos e lesões em um número pequeno de 
pessoas, geralmente uma ou duas. Mas o aumento da população, da evolução 
industrial, dos meios de transporte carregando cada vez mais passageiros, do 
aumento do número de produtos tóxicos em circulação e de outros fatores que 
recebem influência ambiental e humana, faz com que os riscos de acidentes 
envolvendo um grande número de pessoas seja cada vez mais frequente (FREIRE, 
2001). 
A Agencia Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), através da Resolução 
nº 420/2004 relaciona a existência de 3.500 produtos perigosos em circulação 
constante nas estradas brasileiras. São produtos capazes de emitir gases tóxicos, 
causar queimaduras, provocar contaminação do solo e lençóis freáticos causando 
danos para a população. Considerando esta quantidade de produtos perigosos em 
circulação os serviços de saúde devem atentar para acidentes com múltiplas vítimas 
que envolvam veículos de transporte de carga tipo caminhões e trens. Por lei estes 
23 
 
 
veículos são obrigados a transmportar junto ao produto uma espécie de rótulo com a 
descrição, o potencial lesivo e as medidas de socorro além de placas indicativas do 
produto junto a carga (DAMASCENO; AWADA, 2013). 
Segundo Oliveira, Parlin e Texeira Jr. (2007), estar preparado para atender 
um evento com um número elevado de vítimas é diferente de responder a tal evento. 
Estar preparado significa em possuir antecipadamente um plano de ação, um plano 
de contingência, treinamento das equipes – desde equipes do atendimento pré-
hospitalar, bombeiros, guardas municipais, hospitais, polícias, etc. – que quando 
acionados consigam prestar um socorro coordenado e organizado. Responder ao 
evento significa simplesmente deslocar para o local do incidente os recursos 
necessários para o atendimento. 
Morton e Fontaine (2011, p. 102) “salientam a importância da avaliação global 
das situações de desastre, no que se refere a segurança do profissional, da equipe e 
das vítimas em qualquer situação de resgate. “ 
Para os eventos envolvendo um grande número de vítimas existem conceitos 
quanto ao tipo de recurso disponível. De acordo com Oliveira, Parlin e Texeira Jr. 
(2007) os acontecimentos súbitos com resultados calamitosos e trágicos recebem o 
nome de Catástrofes e estes, segundo a Organização Mundial de Saúde, precisam 
de ajuda externa – recurso proveniente de outra região diferente daquela onde 
ocorreu o evento - para o atendimento. São situações onde ocorre um desequilíbrio 
entre o número de feridos e o recurso disponível para prestar atendimento com 
qualidade básica ou mínima. 
Já os desastres são eventos que geram um número de vítimas maior do que 
o sistema de emergência local tem capacidade de atender em um primeiro momento 
por conta dos recursos humanos e de equipamentos serem insuficiente. 
Necessitando também de ajuda externa. Se existirem recursos suficientes em 
comparação com o número de vítimas, este evento passa a ser chamado de 
Acidente com múltiplas vítimas (CANETTI et al., 2007). 
Acidentes com Múltiplas Vítimas (AMV) são eventos onde ocorre um 
desequilíbrio entre as necessidades e os recursos disponíveis, porém o sistema de 
emergência local tem condições de prestar atendimento adequado desde que este 
seja coordenado e organizado, não necessitando de ajuda externa de outras forças 
de socorro. Outra definição parte do número de vítimas. Considera-se que um 
24 
 
 
número maior que 05 (cinco) vítimas envolvidas o evento passa a ser um chamado 
de AMV, porém há necessidade de adequar esta realidade para cada município a 
fim de incentivar uma mudança de comportamento em relação aos recursos e aos 
eventos em si (OLIVEIRA; PARLIN; TEXEIRA JR, 2007). 
Ainda é possível classificar os incidentes como Desastre com Vítimas em 
Massa (DVM). Essa classificação se dá pelo gigantesco volume de vítimas em um 
incidente. Envolve manobras de evacuação do bairro ou até mesmo da cidade e as 
vítimas precisam ser redirecionadas para locais bem mais distantes por conta do 
colapso estrutural dos serviços. Implica em uma mudança completa de paradigma 
onde busca-se o melhor para a maioria ao invés do melhor para a vítima 
(DAMASCENO; AWADA, 2013). 
Quanto à sua tipologia, desastres podem ainda ser classificados com eventos 
naturais, os causados pelo homem ou mistos. Os naturais compreendem os casos 
relacionados a fenômenos ou desequilíbrios da natureza. Existem ainda aqueles 
provocados pelo homem ou chamados de antropogênicos quando provocados pelas 
ações e/ou omissões humanas, enquanto desencadeadoras de desequilíbrios 
ambientais, de desajustes econômicos, sociais e políticos e da redução dos padrões 
da segurança coletiva. Já os desastres mistos são aqueles em que a ação humana 
pode intensificar, agravar, modificar ou complicar os fenômenos naturais. Também 
quando desastres naturais contribuem para o agravamento de situações ambientais, 
inicialmente deterioradas pelo homem. Há uma tendência moderna para considerar 
a maioria dos desastres como mistos considerando a abrangência dos fatores 
envolvidos (BRASIL, 2007). 
Catástrofes, desastres, incidentes ou acidentes com múltiplas vítimas(IMV ou 
AMV) são consideradas na literatura brasileira como eventos que necessitam de 
atendimento médico de emergência. Outra definição é da escola americana que 
utiliza o termo “disaster”. Já na francesa utilizam o termo catástrofes para definir os 
mesmos eventos com presença de número elevado de doentes. Também se pode 
encontrar na literatura brasileira o termo Urgência Coletiva (UC), embora os termos 
anteriores sejam os mais utilizados (CANETTI et al., 2007). 
Os eventos de múltiplas vítimas em geral seguem um formato que permite 
que as equipes de saúde se preparem para cada momento do incidente. São pontos 
específicos que destacam os momentos que antecedem, o evento em si e o pós 
25 
 
 
evento. A primeira fase chamada quiescência corresponde ao tempo entre um 
evento e outro. Permite que as esquipes usem as experiências anteriores para 
adaptar as ações para o próximo evento. A segunda fase chamada de pródomo é a 
previsão concreta da iminência do evento. A terceira fase é a de impacto, o 
momento ápice do evento onde pouco pode ser feito. A quarta fase, chamada de 
resposta ou socorro, é o ponto onde iniciam-se os resgates de feridos. E a quinta 
fase corresponde de reconstrução ou recuperação (CAC, 2008). 
Autores como Freire (2001) e Canetti et al. (2007) convergem sobre a atuação 
dos profissionais de socorro tanto na resposta como na preparação para um 
atendimento com um número grande de vítimas. Ambos conceituam a necessidade 
de postos de comando formados por membros das instituições envolvidas no 
atendimento como médicos, bombeiros, policiamento e agentes de defesa civil entre 
outros. Também coincidem nos critérios de classificação da cena em zona quente – 
área do evento, zona intermediária – com menor fator de risco para novos traumas e 
zona fria – onde deve ser instalado o posto de comando e área de estacionamento 
de ambulâncias. 
Freire (2001) cita ainda a criação de um posto médico avançado para prestar 
atendimento às vítimas no local do incidente. Este posto deve ser de fácil acesso 
para as vítimas e com ligação para as vias próximas que permitam acesso aos 
hospitais da região, além de dispor de meios de comunicação e ligação com um 
sistema de suprimento de material. Define também que este deva ser montado em 
local seguro, preferencialmente na zona fria do incidente. 
O Plano de Atendimento a Desastres e Incidentes com Múltiplas Vítimas do 
estado de São Paulo (2012) cita ainda a classificação dos desastres por grau. Estes 
graus são definidos pela delimitação do local por área, pela necessidade de posto 
médico avançado, pelo tempo de resposta das ambulâncias, por comprometimento 
do serviço de atendimento de saúde e em caso de catástrofes maiores como 
terremotos avalia também o comprometimento das estruturas de serviço. São assim 
classificados: Desastre nível I: pequena intensidade ou acidente; Desastre nível II: 
média intensidade; Desastre Nível III: grande intensidade e Desastre nível IV: muito 
grande intensidade. 
 
 
26 
 
 
2.4 TRIAGEM DOS FERIDOS 
 
Nocera e Garner (1999) relata que desde a Segunda Guerra Mundial o fator 
que mais interfere na redução dos índices de morbimortalidade em feridos em 
situações de múltiplas vítimas é a adequada triagem e posterior tratamento dos 
feridos. E estes devem ser simples, objetivos, padronizados e rápidos. 
O conceito de triagem implica em um conjunto de procedimentos simples. É 
uma técnica rápida e repetitiva aplicada a cada um dos pacientes que for atendido 
gerando uma orientação sobre a gravidade das suas lesões. A aplicação da triagem 
pode ser feita de acordo com cada situação, mas sempre parte do princípio de 
identificar as lesões com risco de morte, quais as manobras básicas a serem feitas 
antes da evacuação e define as prioridades no transporte. O mesmo autor também 
considera a utilização do “Método Rápido de Classificação de Catástrofes” onde as 
prioridades são determinadas a partir da deambulação, respiração, circulação, pulso 
e consciência (LEIVA et al., 2014). 
A classificação dos feridos tem uma importância relevante para o sucesso da 
operação de atendimento. Para realizar uma triagem adequada é necessário que 
esta seja feita por um profissional capacitado para identificar os riscos iminentes à 
vida. Um dos métodos mais difundidos entre as equipes dos SME's é o método 
START (Simple Triage and rapid tratment – simples triagem e rápido tratamento) 
(figura 01). Este sistema avalia a condição respiratória, reperfusão capilar e o nível 
de consciência do paciente e classifica a prioridade por cores (preto, vermelho, 
amarelo e verde). Na zona fria, onde são montados os postos de comando e posto 
de atendimento. No posto avançado de atendimento são distribuídas lonas nas 
cores correspondentes ao sistema de triagem (NAEMT, 2011). 
27 
 
 
Figura 1 - Método rápido de classificação de catástrofes (S.T.A.R.T.) 
 
 
Fonte: Enfermeiros em Urgência e Emergência (2011) 
Na 8ª edição do PHTLS (NAEMT, 2016 p. 133) o fluxograma do método 
S.T.A.R.T modificou o padrão de triagem. Sugere como 1º passo a atenção às 
ventilações (normal entre 10 e 30), no 2º passo a atenção está na circulação – pulso 
(ausente, fraco, irregular ou forte) e o 3º passo a atenção vai para o estado mental 
(responde ou não responde comandos). Porém na mesma edição, na página 
anterior, sugere-se o uso do mneumônico “30 – 2 – can do”. Ou seja, 30 de 
Frequência respiratória, 2 segundos de enchimento capilar e “can do” para “pode 
fazer”. 
A classificação dos feridos é feita pelo grau de comprometimento à vida. Os 
feridos passam por um sistema de triagem e são submetidos a classificação por 
cores. Vermelho para os pacientes graves – que necessitam de atendimento antes 
de serem transportados para o hospital, Amarelos – não apresentam risco de vida 
imediato, Verde – vítimas que não necessitam de tratamento imediato e possuem 
lesões leves sem risco à vida e Preto – para as vítimas em óbito ou com lesões 
incompatíveis com a vida. Uma vez identificado o grau de comprometimento esta 
vítima recebe um cartão, tipo METTAG (figura 02), com seus dados e sua 
28 
 
 
classificação e posteriormente é encaminhado para o local de atendimento de 
acordo com a sua classificação (OLIVEIRA; PARLIN; TEXEIRA JR, 2007). 
Figura 2 - Cartão METTAG 
 
Fonte: Álvarez-Fernández, Alarcón-Orts e Juan-Palmer (2006) 
Outro sistema que foi criado para padronizar os métodos de triagem é 
chamado de SALT (Sorting, Assessing, Life-saving and Treatment) correspondente à 
movimentação, intervenção capaz de salvar a vida e transporte. Neste método é 
solicitado ao doente que se movimente e ande ou acene. Aqueles que não 
conseguirem se movimentar são avaliados pelo risco de morte que suas lesões 
apresentam e o status respiratório. Diante do comprometimento respiratório o 
paciente passa a ter prioridade no atendimento. Se estas lesões são tratáveis, o 
paciente tiver um padrão respiratório adequado e existir recurso para a continuidade 
do tratamento este paciente passa a aguardar o momento de ser transportado para 
um hospital (NAEMT, 2011). 
Entre os métodos de triagem ainda se aplica o CRAMP (Circulação, 
Respiração, Mobilidade e Palavras) o qual pontua os níveis de resposta dos cinco 
itens em normal (dois pontos), anormal (um ponto) e grave (zero pontos). Como este 
29 
 
 
método possui parâmetros muito específicos é sugerido que seja utilizado por 
médicos ou profissionais de saúde bem treinados (CAMPOS, 2015). 
Segundo Sousa, Callil e Paranhos (2009), em simulações onde o método 
CRAMP foi utilizado foi percebida uma maior dificuldade de interpretação por parte 
dos profissionais por conta do seu sistema paramétrico de avaliação. Acarretando 
em maior tempo nas avaliações retardando o atendimento às vítimas. Dessa forma, 
o método START é o que mais se adequa às necessidades da triagem de múltiplas 
vítimas.2.5 TRANSPORTE DOS FERIDOS 
 
O transporte dos feridos também tem relevância dentro do atendimento às 
vítimas. Conceitua-se que o transporte seja feito de forma organizada e que os 
feridos sigam para os hospitais de destino previamente estabelecidos. As 
ambulâncias devem ficar estacionadas próximas da zona fria e ter rotas diferentes 
para chegada e saída a fim de evitar os congestionamentos e o atraso no transporte 
(OLIVEIRA; PARLIN; TEXEIRA JR, 2007). 
Damasceno e Awada (2013) sugere que os pacientes mais graves, aqueles 
que tem risco iminente de morte, sejam preferencialmente transportados por 
Unidades de Suporte Avançado (USA). Isto pela possibilidade de receberem 
tratamento mais adequado para o grau de suas lesões. Porém, diante do elevado 
número de feridos este recurso pode se tornar limitado. Considera assim a 
possibilidade de uso de outros tipos de ambulância para suprir a demanda de 
feridos. 
Freire (2001) prevê o uso de ônibus e vans como alternativa para o transporte 
de feridos leves até o local de tratamento definitivo. Prevê também a criação de uma 
área delimitada no mínimo 100 metros do local do incidente, segundo regras da 
aviação aero médica, para a evacuação dos pacientes graves com o uso de 
helicópteros. 
Leiva et al. (2014) considera que há uma distorção na utilização de 
helicópteros para atendimento de múltiplas vítimas. Menciona que as aeronaves de 
asa rotativa podem facilitar e agilizar o acesso das equipes ao local do incidente 
como servir para o transporte de material e estruturas temporárias, ampliando assim 
30 
 
 
seu uso e facilitando a logística de atendimento. Dessa forma não ficariam restritas 
ao transporte de pacientes. 
Outra questão importante envolve os pacientes que conseguem andar e que 
acabam saindo do local do incidente por conta própria. Cerca de 70% a 80% dos 
pacientes procuram o hospital mais próximo para receber tratamento, sem terem 
sido transportados por ambulância dos serviços de saúde, e com isso o tumulto se 
transfere do local do incidente para a porta do hospital. Diante desta situação os 
profissionais precisam considerar a possibilidade de remover os pacientes graves da 
cena para hospitais mais distantes. Embora sendo um trajeto mais longo, existe a 
garantia de um atendimento com maior qualidade priorizado pela gravidade das 
lesões (NAEMT, 2011). 
Também segundo o NAEMT (2011) os próprios socorristas tendem a 
superlotar os hospitais mais próximos do evento com vítimas na ansiedade de 
liberarem-se destes e disponibilizar a ambulância para retornar ao local do incidente 
e transportar novos pacientes. Este comportamento gera um impacto negativo no 
sistema de atendimento hospitalar por conta da saturação. Nas cidades com poucos 
hospitais é inevitável que esta saturação ocorra. 
Leiva et al. (2014) entende que o transporte dos pacientes deve ser feito 
somente após a estabilização e o destino determinado para este doente precisa ter 
capacidade de atender e dar continuidade do tratamento pré-hospitalar. Também 
considera que a transferência ao profissional que receberá este doente deva ocorrer 
de forma verbal e escrita e sistematizada. Outro critério é o de pronta reativação do 
recurso ficando disponível para novos atendimentos. 
 
2.6 ASPECTOS EMOCIONAIS RELACIONADOS AO ATENDIMENTO DE 
MÚLTIPLAS VÍTIMAS 
 
A resposta adequada para um evento de múltiplas vítimas implica em uma 
série de recursos diferentes para suprir necessidades diferentes. Além do Corpo de 
Bombeiro, serviço de saúde, Defesa Civil (DC), companhia de energia elétrica, 
policias militares e civis, é necessária a presença de equipes multiprofissionais como 
psicólogos, conselheiros tutelares e gestores municipais (SOUSA; CALLIL; 
PARANHOS, 2009). 
31 
 
 
O atendimento aos incidentes envolvendo grandes números de vítimas 
incluem outros fatores que interferem na resposta ao evento. Freire (2001) cita ainda 
os aspectos psicológicos das vítimas que apresentam ansiedade e agitação em 
decorrência do enfrentamento da situação, o envolvimento emocional dos 
socorristas que por vivenciarem cenas com circunstâncias perturbadoras, tais como 
crianças mortas, são tomados de ansiedade e também os aspectos médicos – legais 
– jurídicos que correspondem ao manejo e condutas adequadas frente aos 
cadáveres encontrados, seus pertences e sua dignidade que deve ser preservada. 
As respostas psicológicas por que passam pacientes e socorristas podem 
variar muito. Vão desde sinais fisiológicos como náuseas e tremores, passam 
por sinais emocionais como ansiedade e irritabilidade, também por sinais cognitivos 
e comportamentais como perda de memória, choro e insônia. Isso não significa que 
todos os envolvidos apresentaram transtornos mentais, mas sim que de alguma 
forma serão afetados emocionalmente (NAEMT, 2011). 
 
2.7 SIMULAÇÕES DE ACIDENTES COM MÚLTIPLAS VÍTIMAS 
 
Conforme Leiva et al. (2014) a simulação tem capacidade de aproximar o 
aluno mais perto possível da realidade, possibilitando conhecer as reais dificuldades 
diante de Incidentes com Múltiplas Vítimas. Com isso o aluno / profissional tem 
chance de desenvolver sua habilidade e conhecer com antecedência as técnicas e 
as necessidades envolvidas neste tipo de evento trazendo assim benefícios 
adicionais como o fortalecimento operacional, mais segurança na tomada de 
decisões e a criação de uma nova cultura para a solução destes incidentes. 
As simulações criam oportunidade para treinamento que agrega outras 
equipes de vários contextos. Estes exercícios permitem estabelecer uma linha de 
comunicação entre os órgãos multidisciplinares. Propiciam também a chance testar 
a estrutura de socorro como, resistência física das equipes, vias de acesso, vias de 
evacuação, meios de transporte, logística de materiais entre outros (NAEMT, 2011). 
Outra oportunidade que os simulados possibilitam é a chance de testar as 
estruturas de serviço em reposta aos eventos com muitas vítimas. Entre estas 
estruturas estão os centros de comando, posto médico avançado e de retaguarda, 
32 
 
 
estruturas de suprimento e transporte. Evitando assim algum prejuízo real ao 
atendimento em situações verdadeiras (SOUSA; CALLIL; PARANHOS, 2009). 
 
2.8 INSERÇÃO DO ENFERMEIRO NO ATENDIMENTO DE MÚLTIPLAS VÍTIMAS 
 
Fica evidente que a enfermagem em geral está presente nos serviços de 
saúde, tratando-se de uma categoria de profissionais indispensáveis ao atendimento 
de feridos. Indispensável também nas áreas de educação e gerenciamento das 
situações de múltiplas vítimas. Para tal, é necessário desenvolver conhecimentos, 
habilidades e atitudes com o propósito de garantir o atendimento qualificado e 
prioritário. Acima disto é necessário que os próprios enfermeiros reconheçam estas 
responsabilidades como sendo de sua competência (MELLO et al., 2013) 
Inserido neste contexto de múltiplas vítimas está o enfermeiro, profissional da 
área da saúde que precisa ter experiência teórica e prática no momento de socorrer 
e transportar um ferido. O enfermeiro faz parte das equipes de suporte avançado ao 
lado do médico, o qual tem condições e prerrogativas para manobras mais invasivas 
e complexas, podendo assim diminuir os riscos de morbimortalidade dos pacientes 
críticos (RODRIGUES et al., 2013). 
Sousa, Callil e Paranhos (2009) mencionam que as equipes de saúde devem 
estar preparadas para responder a um evento com muitas vítimas em todas as 
frentes possíveis. Esta resposta deve ser dada em todos os níveis do incidente, 
inclusive na área vermelha do evento. Para atendimentos neste local, ele sugere 
uma equipe médica especializada em ambientes colapsados. Assim fica evidente 
que a participação do enfermeiro neste tipo de equipe é fundamental. 
É responsabilidade das equipes de saúde especialmente da enfermagem o 
cuidado com os riscos biológicos. O risco é exacerbado em situações de emergência 
e emambientes colapsados. Por conta disso é fundamental o treinamento e a 
capacitação dos profissionais para diminuir os riscos ocupacionais durante o 
atendimento às múltiplas vítimas (WHITAKER; GATTO, 2015) 
Leiva et al. (2014) consegue dimensionar as situações de múltiplas vítimas 
em todo o espectro e elenca as muitas necessidades na solução de problemas e no 
tratamento dos feridos. Em sua obra, cita a criação de centros de comando, postos 
de comando avançado, comitês gestores, força tarefa, planos de emergência e 
33 
 
 
contingência entre outros. Com isso entende-se que o enfermeiro tem 
responsabilidade direta na tomada de decisões. 
Marin (2013), em sua dissertação de mestrado pela Universidade Federal do 
Rio Grande do Sul (UFRGS), elencou 17 responsabilidades atribuídas ao enfermeiro 
atuante no serviço de saúde intra – hospitalar em resposta a desastres. Considerou 
os momentos pré - evento e o evento propriamente dito. Dividiu ainda essas ações 
em gerenciamento, educacional, assistência à saúde e comunicação. Assim como 
outros autores, colocou o enfermeiro à frente do sistema organizacional das 
instituições para a melhor resposta aos desastres. 
Mello et al. (2013) menciona que o desenvolvimento das competências 
gerencias por parte do enfermeiro é uma ferramenta poderosa para transforma a 
prática dos cuidados em múltiplas vítimas. Tal preparo é determinante no decorrer 
do atendimento uma vez que estes conceitos geralmente não fazem parte do seu 
cotidiano de trabalho. 
Durante as simulações de eventos com muitas vítimas na cidade de São 
Paulo foi percebido o excelente desempenho dos enfermeiros como coordenadores 
dos postos médicos avançados amarelos e verdes. Este resultado foi atribuído à 
formação do enfermeiro tanto na área administrativa como na assistencial de 
enfermagem (SOUSA; CALLIL; PARANHOS, 2009). 
A Portaria 2048 GM de 05 de novembro de 2002, do Ministério da Saúde 
condiciona o perfil do enfermeiro do serviço pré-hospitalar móvel e exige os 
seguintes requisitos: disposição pessoal para a atividade; equilíbrio emocional e 
autocontrole; capacidade física e mental para a atividade; disposição para cumprir 
ações orientadas; experiência profissional prévia em serviço de saúde voltado ao 
atendimento de urgências e emergências; iniciativa e facilidade de comunicação; 
condicionamento físico para trabalhar em unidades móveis; capacidade de trabalhar 
em equipe; disponibilidade para a capacitação, bem como para a re-certificação 
periódica (BRASIL, 2002). 
A mesma portaria confere ao enfermeiro as seguinte competências e 
atribuições: supervisionar e avaliar as ações de enfermagem da equipe no 
Atendimento Pré-Hospitalar Móvel; executar prescrições médicas por telemedicina; 
prestar cuidados de enfermagem de maior complexidade técnica a pacientes graves 
e com risco de vida, que exijam conhecimentos científicos adequados e capacidade 
34 
 
 
de tomar decisões imediatas; participar nos programas de treinamento e 
aprimoramento de pessoal de saúde em urgências, particularmente nos programas 
de educação continuada; fazer controle de qualidade do serviço nos aspectos 
inerentes à sua profissão; subsidiar os responsáveis pelo desenvolvimento de 
recursos humanos para as necessidades de educação continuada da equipe; 
obedecer a Lei do Exercício Profissional e o Código de Ética de Enfermagem; 
conhecer equipamentos e realizar manobras de extração manual de vítimas 
(BRASIL, 2002). 
De acordo com Nocera e Garner (1999) além dos conhecimentos adquiridos 
ao longo da formação acadêmica e da experiência profissional, ainda há 
necessidade do conhecimento da legislação vigente que ampara os serviços de 
enfermagem, entre estas leis, a do Exercício Profissional de Enfermagem nº 7498/86 
vincula o enfermeiro diretamente ao atendimento dos pacientes críticos e a 
execução das atividades de maior complexidade técnica e que exijam conhecimento 
de base científica e capacidade de tomar decisões. 
É importante destacar que a Resolução 311/2007 do Código de Ética de 
Enfermagem do Conselho Federal de Enfermagem (COREN-RS, 2014), traz no seu 
conteúdo vários artigos que norteiam as ações e comportamentos da enfermagem 
tanto no intra-hospitalar como no pré-hospitalar. Aqui alguns dos artigos que fazem 
relação: 
 Artigo 05: Exercer a profissão com justiça, compromisso, equidade, 
resolutividade, dignidade, competência, responsabilidade, honestidade e 
lealdade (COREN-RS, 2014, p. 32). 
 Artigo 06: Fundamentar suas relações no direito, na prudência, no respeito, 
na solidariedade e na diversidade de opinião e posição ideológica (COREN-
RS, 2014, p. 32). 
 Artigo 12: Assegura à pessoa, família e coletividade assistência de 
enfermagem livre de danos decorrentes de imperícia, negligência e 
imprudência (COREN-RS, 2014, p. 33). 
 Artigo 19: Respeitar o pudor, a privacidade e a intimidade do ser humano, em 
todo o seu ciclo vital, inclusive nas situações de morte e pós morte (COREN-
RS, 2014, p. 34). 
35 
 
 
 Artigo 44: Recorrer ao Conselho Regional de Enfermagem, quando impedido 
de cumprir o presente código, a legislação do Exercício da Profissional e as 
Resoluções e Decisões emanadas peso sistema COREN/COFEN (COREN-
RS, 2014, p. 36). 
Outra consideração sobre as competências educacionais consta decisão nº 
099/2005 do Conselho Regional de Enfermagem do Rio Grande do Sul (COREN-
RS) que põe o enfermeiro como responsável no processo de educação continuada 
dos profissionais de saúde, inclusive na avaliação de desempenho. Dessa forma 
entende-se que o treinamento e capacitação dos envolvidos precisa passar pelo 
crivo técnico do enfermeiro (COREN-RS, 2014). 
 
 
36 
 
 
3 MÉTODO 
 
A seguir, será apresentado o método científico utilizado para a elaboração 
desta pesquisa bem como a população amostral, além da forma como foram 
coletados os dados, evidenciando os critérios de inclusão e exclusão. Também estão 
descritos os aspectos éticos e a análise das informações. 
 
3.1 DELINEAMENTO DO ESTUDO 
 
A investigação científica depende de um conjunto de procedimentos 
intelectuais e técnicos para que seus objetivos sejam atingidos (PRODANOV, 
FREITAS, 2013). O trabalho proposto adotou a seguinte abordagem: uma pesquisa 
quantitativa, descritiva e exploratória. 
De maneira geral esta pesquisa respeita o critério quantitativo, que acordo 
com Prodanov e Freitas (2013) é quando as informações podem ser quantificadas e 
transformadas em números. Fazendo o uso de recursos técnicos de estatística 
(percentagem, média, moda, mediana, desvio padrão, coeficiente de relação, etc.) 
permitindo descrever a complexidade de um problema e relacionar as variáveis para 
garantir a precisão dos resultados. 
Também respeita o critério descritivo onde os fatos são observados, 
registrados, analisados, classificados e interpretados, sem interferência do 
pesquisador. Com isso os dados são coletados por meio de questionários e da 
observação sistemática e posteriormente os fenômenos são estudados sem ser 
manipulados. Uma característica é o emprego de questionário e da observação 
sistemática dos dados (GOLDIN, 2000). 
Esta pesquisa também possui caráter exploratório – visando proporcionar 
maior familiaridade com os problemas. De acordo com o que Goldin (2000) define, 
tem como finalidade proporcionar maiores informações sobre o assunto estudado a 
fim de facilitar a delimitação do tema do trabalho, permitindo definir os objetivos. 
 
 
 
 
37 
 
 
3.2 POPULAÇÃO E AMOSTRA 
 
Geralmente as pesquisas sociais abrangem um universo de elementos tão 
grande que se torna impossível considerá-lo em sua totalidade. No entanto nas 
pesquisas, é muito frequente trabalhar com uma amostra, ou seja, com uma 
pequena parte dos elementos que compõem o universo (PRODANOV, FREITAS, 
2013). 
Segundo dados da Secretaria Estadual da Saúde do Estado do Rio Grande 
do Sul,o serviço dispõe de 161 bases operacionais, cada uma com um enfermeiro 
como responsável técnico (RT), 187 Unidades de Suporte Básico (USB) e 34 
Unidades de Suporte Avançado (USA). Dispõe ainda de 5 enfermeiros no serviço 
aero médico. Algumas bases possuem mais de uma USA, como Porto Alegre (03), 
Canoas (02) e Santa Maria (02). Estima-se que a população total chegue a 350 
enfermeiros atuando no serviço. 
A população do presente estudo caracterizou-se pelos enfermeiros que atuam 
no SAMU da Região Metropolitana de Porto Alegre – RS que aceitaram participar da 
pesquisa. Esta região é composta por 09 bases das cidades de Novo Hamburgo, 
São Leopoldo, Sapucaia do Sul, Canoas, Gravataí, Montenegro, Taquara, Alvorada 
e Guaíba. A amostra se deu por conveniência, composta por 26 enfermeiros que 
atuam na assistência e que aceitaram participar da pesquisa conforme critérios de 
inclusão. 
 
3.3 CRITÉRIOS DE INCLUSÃO 
 
Foram incluídos nesta pesquisa todos os enfermeiros, maiores de 18 anos, de 
ambos os gêneros, que atuam no Serviço de Atendimento Móvel de Urgência 
(SAMU) dos municípios em estudo, que compõe o quadro de serviço de umas das 
bases com Unidade de Suporte Avançado (USA) da região metropolitana. 
 
 
 
 
 
38 
 
 
3.4 CRITÉRIOS DE EXCLUSÃO 
 
Foram excluídos os enfermeiros das bases do SAMU das cidades de 
Montenegro e Guaíba, totalizando 12 profissionais, em respeito a opção manifestada 
de não participar da pesquisa. 
 
3.5 ASPECTOS ÉTICOS 
 
A presente pesquisa considera toda regulação de ética em pesquisa, prevista 
na resolução 466/2012 do Conselho Nacional de Saúde (CNS). Para isso, a 
resolução engloba referenciais de bioética, como autonomia, beneficência e a não 
maleficência, justiça, equidade, entre outros. Respeitando os direitos e deveres dos 
indivíduos que compõem a pesquisa (BRASIL, 2016). 
O projeto foi submetido à avaliação da Banca Examinadora de professores do 
curso de Enfermagem da Universidade Feevale. O pesquisador convidou através de 
e-mail os enfermeiros a participar da pesquisa, cujos objetivos foram demonstrados 
no corpo do mesmo. Ao aceitar participar do estudo, os enfermeiros concordaram 
com o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) no instrumento 
eletrônico (APÊNDICE A) para autorizar sua participação. 
Após aceitarem e marcar a opção “aceito” no TCLE, foi aplicado aos 
participantes o instrumento de pesquisa (APÊNDICE B) elaborado pelo aluno 
pesquisador contendo questionamentos sobre o tema. 
A pesquisa em algum momento pôde causar descontentamento ou 
constrangimento ao pesquisado. Portanto será mantido em sigilo a identificação dos 
participantes, não acarretando nenhuma vantagem e garantindo a opção de 
desistência quando manifestado, a qualquer momento da pesquisa. A pesquisa 
prevê como benefício a ampliação do conhecimento acadêmico. 
Todos os documentos gerados serão arquivados por um prazo de cinco anos 
e após incinerados. Os dados adquiridos serão exclusivamente para o presente 
estudo, na qual ao final da pesquisa será fornecida uma cópia para a biblioteca da 
Universidade para futuras pesquisas e para as Instituições coparticipantes. 
 
 
39 
 
 
3.6 COLETA DE DADOS 
 
A coleta de dados ocorreu após a aprovação da banca examinadora. Em 
seguida foi feito contato com os coordenadores ou Responsáveis Técnicos (RT) das 
bases explicando os objetivos desta pesquisa e solicitando a colaboração dos 
mesmos. Através do consentimento destes, foi realizado contato com os enfermeiros 
de cada base e solicitado endereço eletrônico (email) para envio do material da 
pesquisa. 
O instrumento de pesquisa é composto por 30 questões e foi disponibilizado 
aos participantes através do Google Forms. Através de contato via e-mail os 
enfermeiros foram convidados pelo pesquisador para participação e foi enviado o 
link para acesso. Foram expostos os objetivos desta e solicitada a sua autorização 
para a aplicação do instrumento por meio do Termo de Consentimento Livre e 
Esclarecido (TCLE). Após terem concordado com o conteúdo do termo os 
enfermeiros tiveram acesso ao Instrumento de Pesquisa (IP) online. Esta 
metodologia para coleta de dados já foi utilizada por outros autores (SHIMIZU; 
FRAGELLI, 2016). Entende-se que responder ao questionário online agiliza o 
processo e não interfere no andamento do trabalho dos mesmos por permitir que 
este seja feito a qualquer momento inclusive fora do horário de trabalho. 
O pesquisador permaneceu à disposição para esclarecer eventuais dúvidas. 
O instrumento foi aplicado aos participantes nos meses de março e abril de 2017. Os 
dados obtidos com o preenchimento do instrumento da pesquisa foram tabulados 
em uma planilha do Microsoft Excel, compondo um banco de dados. 
 
3.7 ANALISE DOS DADOS 
 
Uma vez aplicada o instrumento, e na posse de todos os termos de 
consentimentos, as informações passaram a compor o banco de dados eletrônico 
com auxílio do programa Microsoft Excel e estes, posteriormente, foram submetidos 
a análise estatística no programa Statistical Package for Social Sciences (SPSS) for 
Windows versão 17.0. Essa fase da pesquisa previa a interpretação e a análise dos 
dados tabulados, os quais foram organizados na etapa anterior. A variabilidade das 
informações obtidas no estudo foi descrita na forma de proporções e tabelas de 
40 
 
 
frequência, enquanto que as variáveis continuas tiveram a apresentação em média e 
desvio padrão. 
A análise contempla os objetivos da pesquisa para comparar e confrontar 
dados e provas com o objetivo de confirmar ou rejeitar ou os pressupostos da 
pesquisa. A análise e a interpretação desenvolvem-se a partir das evidências 
observadas, de acordo com a metodologia, com relações feitas através do 
referencial teórico e complementadas com o posicionamento do pesquisador 
(PRODANOV, FREITAS, 2013). 
41 
 
 
4 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS DADOS 
 
Participaram da pesquisa 26 enfermeiros que atuam em Unidades de Suporte 
Avançado (USA) do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU), de sete 
cidades da Região Metropolitana de Porto Alegre – RS. Com objetivo de identificar o 
perfil dos profissionais que atuam no Atendimento Pré-Hospitalar (APH), sua 
avaliação sobre a formação acadêmica para os eventos com múltiplas vítimas, o 
reconhecimento das responsabilidades nestas situações, experiência prática, a 
vivência com os sistemas de triagem de vítimas, transporte e com os simulados. Os 
resultados obtidos foram distribuídos em tabelas referentes a cada assunto e 
comparados ao que se sabe da literatura sobre o assunto. 
Os dados referentes ao perfil dos profissionais entrevistados que atuam no 
serviço estão apresentados na tabela 01 a seguir. 
Tabela 1 - Perfil dos profissionais graduados em enfermagem atuantes no SAMU da 
região metropolitana de Porto Alegre/RS 
(continua) 
Variáveis N:26 
Sexo 
Masculino 
Feminino 
 
12 (46,2%) 
14 (53,8%) 
Idade (a) 38,1 ± 7,05 
Tempo de Atuação no APH (a) 7,93 ± 5,32 
Tempo de Formação (a) 9,63 ± 6,69 
Cidade onde atua (*) 
Canoas 
São Leopoldo 
Taquara 
Sapucaia do Sul 
Novo Hamburgo 
Alvorada 
Gravataí 
 
6 (22,6%) 
5 (19%) 
5 (19%) 
4 (15,2%) 
2 (7,6%) 
2 (7,6%) 
1 (3,8%) 
42 
 
 
(conclusão) 
Variáveis N:26 
Carga Horária 
De 24 a 35 horas semanais 
De 36 a 45 horas semanais 
De 46 a 55 horas semanais 
Acima de 56 horas semanais (**) 
 
8 (30,7%) 
14 (53,8%) 
1 (3,8%) 
3 (11,5%) 
Fonte: Próprio autor (2017) 
(*). Nem todos os pesquisados responderam esta pergunta. 
(**) Indivíduos que trabalham em mais de uma base. 
(a) Resultados expressos através de média ± desvio

Mais conteúdos dessa disciplina