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0 UNIVERSIDADE FEEVALE JOSÉ ADIR DA SILVEIRA CORTES ATUAÇÃO DO ENFERMEIRO EM SITUAÇÕES DE MÚLTIPLAS VÍTIMAS NO PRÉ-HOSPITALAR Novo Hamburgo 2017 1 JOSÉ ADIR DA SILVEIRA CORTES ATUAÇÃO DO ENFERMEIRO EM SITUAÇÕES DE MÚLTIPLAS VÍTIMAS NO PRÉ-HOSPITALAR Trabalho de Conclusão de Curso apresentado como requisito parcial à obtenção do grau de Bacharel em Enfermagem pela Universidade Feevale Orientador: Prof. Me. Adilson Adair Boes Novo Hamburgo 2017 2 JOSÉ ADIR DA SILVEIRA CORTES Trabalho de Conclusão do Curso de Enfermagem com título Atuação do Enfermeiro em Situações de Múltiplas Vítimas no Pré-Hospitalar, submetido ao corpo docente da Universidade Feevale, como requisito necessário para obtenção do Grau de Bacharel em Enfermagem. Aprovado por: ____________________________________ Prof. Me. Adilson Adair Boes ____________________________________ Prof. Me. André Luís Machado Bueno ____________________________________ Prof. Me. Michele Antunes Novo Hamburgo, 01 de julho de 2017. 3 DEDICATÓRIA Dedico esta obra a todos aqueles que de alguma forma contribuíram para a construção deste trabalho. Os amigos, colegas de profissão e professores foram fundamentais nessa etapa do processo de formação acadêmica. Porém, minha completa gratidão vai para minha família, em especial minha esposa Daiane e os filhos Rafael e Santiago, os quais foram os mais privados da minha companhia e da minha atenção, e mesmo assim permaneceram fortes e solícitos ao meu lado. A todos, dedico esta obra simples aos olhos do conhecimento, mas gigantesca e com um valor imenso para mim. 4 AGRADECIMENTOS É inevitável a sensação de gratidão que nos toma frente a um trabalho como este ao final da graduação. A gratidão, inicialmente a Deus, por permitir essa caminhada. Depois, a todos os que colaboraram de alguma forma dedicando seu conhecimento, seu tempo e até mesmo sua paciência para comigo e para com os meus objetivos. Não vou citar os nomes, pois os que estiveram ao meu lado foram muitos e todos sabem que foram fundamentais nesse processo de alguma forma. A todos o meu muito obrigado e minha eterna gratidão. 5 “ Nós nos transformamos naquilo que praticamos com frequência. A perfeição, portanto, não é um ato isolado. É um hábito. ” (Aristóteles) 6 RESUMO Acidentes com múltiplas vítimas são situações complexas e exigem muito conhecimento das equipes de saúde, em especial do enfermeiro. São eventos onde as estruturas de assistência são colocadas a prova por conta do número de pessoas. O risco para morbimortalidade é elevado, principalmente quando o socorro pode ser prejudicado por falta de habilidade. Este estudo teve como objetivo geral identificar a atuação do enfermeiro em atendimento de múltiplas vítimas no pré- hospitalar. Trata-se de uma pesquisa de caráter quantitativo, descritivo e exploratório. Incluímos no estudo, enfermeiros que atuam no SAMU da Região Metropolitana de Porto Alegre – RS). A amostra é composta por 26 profissionais. Os dados foram coletados através de um instrumento de pesquisa composto por 30 questões e disponibilizado aos participantes através de formulário eletrônico do Google Forms. O estudo respeitou a regulação de ética em pesquisa prevista na resolução 466/2012 do Conselho Nacional de Saúde. A idade média dos participantes foi de 38,15 ± 7,04 anos, sendo (53,8%) do sexo feminino. Possuem 9,63 ± 6,69 anos de formação e 7,93 ± 5,32 anos de atuação no APH. Dos entrevistados, 84,6% confirmaram não ter desenvolvido conhecimentos suficientes para IMV durante sua formação. Porém 80,8% buscou conhecimento em cursos no último ano. Ainda, 50% dos entrevistados apontaram não ter encontrado de forma clara as responsabilidades do enfermeiro nesses eventos. Questionados sobre competências legais, assistenciais e gerenciais do enfermeiro, 42,3% mencionou não conhecer todas as atribuições relacionadas aos IMV e 46,2% mencionou conhecer parcialmente estas atribuições. Dentre os entrevistados, 23,1% participaram de simulação no último ano, apontando como maiores dificuldades o baixo desempenho das equipes (19,2%) e a falta de comunicação (11,5%). Todos os participantes (100%) consideram ter competência multidisciplinar nos IMV e acreditam ter como atribuições, as assistenciais, gerenciais ou ambas concomitantemente. A maioria (92,2%) vivenciou situações reais de Múltiplas Vítimas. Destes, 46,2% o fizeram entre duas a cinco vezes, 42,3% o fizeram mais de cinco vezes e 11,5% só haviam atendido a uma situação real. Nas situações reais, o número de vítimas não passava de dez pessoas segundo 29,2%. Outros 20,8% mencionaram ocorrências com mais de 20 pessoas. Mais da metade (57,7%) 7 desconhece a existência de planos de contingência e 84% aponta a inexistência de Postos Médicos Avançados (PMA) onde atuou. Em relação às maiores dificuldades, 80,8% mencionou a falta de capacitação como o fator que mais atrapalhou, a falta de plano de contingência (76,9%), curiosos no local e a comunicação com os hospitais (42,3%). Diante da falta de um sistema de triagem, 76% dos indivíduos tiveram problemas relacionados. Identificamos uma carência na formação acadêmica e conflito nas compreensões dos enfermeiros que atuam nestes incidentes sobre suas competências. Conclui-se que são necessárias adaptações na formação acadêmica a fim de melhorar o conhecimento sobre esses eventos, assim como ampliar as capacitações para todos os envolvidos. E com isso, consolidar o enfermeiro como referência em todas as etapas do atendimento. Possibilidade essa, por conta do tipo de formação que recebe e o nível de competência gerencial que o cargo lhe atribui. Palavras chave: Enfermeiro. Desastres. Catástrofe. Vítimas em Massa. 8 ABSTRACT Accidents with multiple victims are complex situations and require a lot of knowledge from health units, especially nurses. They are events where are the assistance structures are put in test because of the number of people. The risk for morbidity and mortality is high, especially when relief can be hampered by lack of skill. This study aimed to identify a nurse's role in the care of multiple pre-hospital victims. It is a quantitative, descriptive and exploratory research. We included in the study, SAMU nurses from the Metropolitan Region of Porto Alegre - RS, who participate through an Informed Consent Form (ICF) and a sample of 26 professionals. The data were collected through the research instrument composed of 30 questions and documents made available through the Google electronic forms. The study respected the regulation of ethics in research provided for in resolution 466/2012 of the National Health Council. The average age of the participants was 38.15 ± 7.04 years, being (53.8%) female. They have 9.63 ± 6.69 years of training and 7.93 ± 5.32 years of acting in PHC. Of those interviewed, 84.6% confirmed that they didn’t develop sufficient knowledge for IMV during their graduate. But 80.8% sought knowledge in courses in the last year. Still, 50% of the interviewees pointed out that they didn’t clearly identify the responsibilities of the nurse at these events. Questioned about the legal, nursing and managerial competencies of nurses, 42.3% are not known as attributions related to IMV, and 46.2% mentioned knowing partially these attributions. Among the interviewees, 23.1% participatedpadrão. Demais resultados expressos através de análises de frequência. Identificou-se pouca diferenciação a respeito do sexo dos indivíduos da amostra. A maioria dos entrevistados é do sexo feminino (53,8%). Segundo Vargas (2006) em estudo com enfermeiros em início de carreira que atuam em Atendimento Pré-Hospitalar (APH), constatou-se que 84,0% dos profissionais são do sexo feminino. Houve uma variação na faixa etária na amostra. Pelos dados do referido estudo as idades estavam entre 25 e 35 anos. Acredita-se que por conta da origem do estudo que tratava da formação do enfermeiro em início de carreira. Destaca-se então o gênero feminino predominante na atuação na enfermagem. Os dados obtidos em nossa pesquisa assemelham-se com os estudos de Vargas (2006). A idade média dos participantes de nossa pesquisa foi de 38,1 ± 7,05 anos. A maioria possui idade entre 36 a 45 anos (50%) e entre 25 e 35 anos (26%) dos indivíduos pesquisados. Isso prova a existência de profissionais jovens em início de formação e profissionais com mais idade e mais experiência trabalhando no APH. Acredita-se que o número total de enfermeiros trabalhando no SAMU desta região varia entre 40 e 50 indivíduos. Na amostra, os pesquisados possuem em média 9,63 ± 6,69 anos de formação profissional e 7,93 ± 5,32 anos de atuação no SAMU. Os dados indicam que os enfermeiros da amostra ingressaram no serviço pré-hospitalar logo nos primeiros anos após a graduação. Os profissionais alvo da pesquisa atuam na Região Metropolitana de Porto Alegre – RS nas cidades de Alvorada, Canoas, Gravataí, Novo Hamburgo, São Leopoldo, Sapucaia do Sul e Taquara. Os enfermeiros do SAMU de Canoas foram os que responderam em maior número (22,6%), seguidos por São Leopoldo 43 (19,0%), Sapucaia do Sul (19,0%), Taquara (15,2%). Já os enfermeiros das cidades de Novo Hamburgo e Alvorada mantiveram a mesma colocação (7,6%) seguidos por Gravataí (3,8%). Quando questionados sobre o período de tempo trabalhado por semana, 53,8% informou desenvolver uma carga horária laboral de 36 a 45 horas semanais. A pesquisa mostrou também que 11,5% dos enfermeiros trabalha em mais de uma base. Gentil, Ramos e Whitaker (2008), em estudo com 101 enfermeiros que atuam nas Unidades de Suporte Avançado (USA) no serviço público de Atendimento Pré- Hospitalar da cidade de São Paulo, indicam que 76,0% desses profissionais eram do sexo feminino. A idade dos entrevistados variava de 40 a 44 anos, totalizando 37,5% dos enfermeiros com essa faixa etária. Também foi constatado que a maioria, cerca de 54,5%, possuía de um a cinco anos de atuação no serviço. E que destes, 61,1% trabalha em mais de um emprego. Os resultados acerca da formação acadêmica relacionada aos Incidentes com Múltiplas Vítimas (IMV), o desenvolvimento de conhecimento e a participação em simulados e congressos estão apresentados na tabela 02. Tabela 2 - Percepção dos enfermeiros de Unidade de Suporte Avançado do SAMU da Região Metropolitana de Porto Alegre sobre a sua formação relacionado ao IMV (continua) Variáveis N:26 Desenvolvimento de conhecimento suficiente sobre IMV durante a formação acadêmica para eventos reais. Sim Não Parcialmente 0 (0%) 22 (84,6%) 4 (15,4%) Durante os estudos pessoais encontrou na literatura as responsabilidades do enfermeiro nos IMV’s. Sim Não Parcialmente 1 (3,8%) 13 (50%) 12 (46,2%) Se literatura pode ser mais específica sobre as responsabilidades do enfermeiro nestes eventos. Sim Não 25 (96,2%) 1 (3,8%) 44 (continuação) Variáveis N:26 Se acredita conhecer todos os aspectos (legais, assistenciais e gerenciais) envolvidos em IMV de competência do enfermeiro. Sim Não Parcialmente 3 (11,5%) 11 (42,3%) 12 (46,2%) Durante a sua formação acadêmica, sua instituição de ensino trabalhou o IMV em alguma disciplina ou realizou algum tipo de simulado como componente curricular. Sim Não 5 (19,2%) 21 (80,8%) Participou de curso, congresso ou palestra sobre este tipo de evento no último ano. Sim Não 21 (80,8%) 5 (19,2%) Se realizou alguma simulação sobre múltiplas vítimas na sua instituição no último ano. Sim Não Realizei com investimento financeiro particular 6 (23,1%) 18 (69,2%) 2 (7,7%) Quais as dificuldades que enfrentou nos simulados que participou? Múltipla escolha. (*) (**) Despreparo dos instrutores. Simulados superficiais e fora da realidade. Falta de comunicação entre as forças. Baixo desempenho das equipes. Problemas no destino dos pacientes. Falta de organização. Ausência de outras forças responsáveis. Falha de comando. Problemas com material e equipamentos. Trânsito. O número de vítimas. Dificuldade em definir prioridades. Falta de EPI. 2 (7,6%) 2 (7,6%) 3 (11,5%) 5 (19,2%) 1 (3,8%) 2 (7,6%) 2 (7,6%) 1 (3,8%) 1 (3,8%) 1 (3,8%) 1 (3,8%) 1 (3,8%) 1 (3,8%) 45 (conclusão) Variáveis N:26 Problemas com a população. 1 (3,8%) Não participou ou não respondeu 11 (42,3%) Fonte: Próprio autor (2017) (a) Resultados expressos através de média ± desvio padrão Demais resultados expressos através de análises de frequência Dos indivíduos, 84,6% confirmaram não ter desenvolvido conhecimentos suficientes para atuar em situações de IMV durante sua formação acadêmica. Outros 15,4% consideram ter desenvolvido conhecimento parcial para estes eventos. Um dado que chamou a atenção durante a obtenção dos resultados, quando questionamos sobre o conhecimento adquirido durante a formação acadêmica, se esse conhecimento era suficiente para a atuação em eventos com múltiplas vítimas, nenhum (0%) dos indivíduos da amostra confirmou ter desenvolvido essa habilidade. Do total, 80,8% não trabalhou estes eventos em qualquer disciplina ou realizou qualquer tipo de simulado como componente curricular durante sua graduação. Evidenciando que o conteúdo envolvendo o assunto não é uma pratica curricular nas instituições de ensino superior. Porém 80,8% buscou conhecimento sobre o tema em cursos, congressos no último ano. A partir destes dados estima-se que os enfermeiros pesquisados reconhecem a falta deste tema em sua formação e exatamente a mesma quantidade buscou o conhecimento por conta própria na intenção de conhecer este tipo de evento. Os dados desta pesquisa convergem com um estudo japonês, que menciona cerca de 80,0% dos enfermeiros, que foram voluntários em atendimentos com múltiplas vítimas naquele país, não tinham experiência anterior com esse tipo de evento. Em recomendação às nações feita pela OMS, não importando o quão frequente eram os eventos, os trabalhadores da saúde deveriam ser treinados e capacitados para atuar em situações com múltiplas vítimas (LOKE; FUNG, 2014). De acordo com Nocera e Garner (1999) além dos conhecimentos adquiridos ao longo da formação acadêmica e da experiência profissional, ainda há necessidade do conhecimento da legislação vigente que ampara os serviços de enfermagem, entre estas, a Lei do Exercício Profissional de Enfermagem nº 46 7498/86, vincula o enfermeiro diretamente ao atendimento dos pacientes críticos e a execução das atividades de maior complexidade técnica e que exijam conhecimento de base científica e capacidade de tomar decisões. Mesmo como sugestão do autor, essa lei não trata diretamente e de forma clara o que compete ao enfermeiro nestes eventos. A respeito da literatura sobre o assunto, 50% dos indivíduos mencionou não ter encontrado de forma clara as responsabilidades do cargo de enfermeiro nesse tipo de evento. E outros 46,2% encontraram informações que elencam as responsabilidades deste profissional de forma parcial ou incompleta. Além disso, 96,2% acredita que a literatura a respeito dos IMV’s poderia ser mais específica sobre quais as obrigações do enfermeiro.No mesmo caminho que se deu a construção do referencial teórico, a falta ou incompletude de literaturas a sobre o assunto foi manifestada pelos pesquisados. Isso corrobora para a impressão de necessidade de construções literárias mais específicas a respeito destes eventos. Aumentando assim os subsídios para que os profissionais possam realizar um trabalho mais técnico e especializado. Foi percebida uma grande dificuldade em localizar nas fontes conteúdos bibliográficos que fizessem referência à atuação do enfermeiro de pré-hospitalar em atendimento de múltiplas vítimas. A maioria das publicações encontram-se em bases internacionais e citam geralmente os “Serviços Médicos de Emergência” (SME), sem mencionar a atuação do enfermeiro diretamente nestes eventos. Um exemplo disso são as publicações do NAEMT (2011). Os textos referem-se ao “socorrista” sem definir exatamente qual a sua competência técnica ou graduação acadêmica. Nenhuma das fontes consultadas contemplou todos os aspectos de responsabilidade do enfermeiro tanto como coordenador legal da enfermagem, na assistência às vítimas, na educação ou na interação com outras entidades envolvidas em situações de desastres ou catástrofes em um só documento. Poucos autores mencionaram o enfermeiro e as suas competências nas fases que compõe estes eventos em funções específicas como coordenadores de postos avançados de atendimento ou membro das equipes de suporte avançado responsável pelo atendimento e transportes de pacientes. Mello et al. (2013) consideram em seus estudos a grande diversidade de temas, problemas, tipos de abordagem e responsabilidades que tem sido 47 relacionado com a enfermagem ao longo do tempo. Citam como áreas de competência direta do enfermeiro o atendimento às vítimas, a educação continuada e o gerenciamento de desastres. Cada um dos temas relacionados traz uma grande quantidade de conteúdo para ser abordado. Quando questionados sobre competências legais, assistenciais e gerenciais do enfermeiro, 42,3% mencionou não conhecer todas as atribuições do enfermeiro relacionadas aos IMV’s e 46,2% mencionou conhecer parcialmente estas atribuições. A Portaria 2048 de 05 de novembro de 2002, que rege o serviço de atendimento pré-hospitalar, normatiza e descreve as funções de cada profissional dentro do atendimento e da mesma forma confere ao enfermeiro suas atribuições, porém não traz explicitamente descrito quais as atribuições dos enfermeiros em cada uma das fases dos eventos com Múltiplas Vítimas (BRASIL, 2002). Existe uma subjetividade na interpretação sobre as funções do enfermeiro no atendimento a desastres, incidentes com múltiplas vítimas e catástrofes. Algumas literaturas que dedicam capítulos inteiros ao assunto não citam as atribuições educacionais, operacionais e gerenciais no seu conteúdo. E aqueles que citam essa participação o fazem de maneira ínfima. Visto a complexidade destes eventos é inaceitável que estas orientações não façam parte da formação deste profissional, tão importante no cuidado com a saúde das vítimas. A Lei do Exercício Profissional de Enfermagem nº 7498/86, traz prerrogativas que estabelecem como atividade privativa do enfermeiro a assistência direta ao paciente crítico, a execução de atividades de maior complexidade técnica e que exijam conhecimento de base científica e capacidade de tomar decisão imediata. Considera-se de extrema importância o conhecimento de tais prerrogativas por parte do enfermeiro, considerando a complexidade dos IMV (COFEM, 2014). Ao serem questionados a respeito da participação em congressos ou palestras sobre este tipo de evento no último ano, 80,8% confirmou ter realizado alguma destas atividades. Este dado se aproxima daquilo que prevê a literatura. O NAEMT (2011) menciona uma nova forma de abordar os desastres, baseada em novas compreensões sobre as características destes eventos e na resposta especializada necessária está se tornando cada vez mais aceita mundialmente. Acredita-se ser extremamente necessário que os profissionais incorporem à sua formação os conhecimentos, dada a complexidade dos desastres atuais. 48 Questionados se haviam realizado algum tipo de simulação com Múltiplas Vítimas no último ano em sua instituição, somente 23,1% deles participaram efetivamente e 69,2% não haviam realizado nenhum exercício. Os outros 7,7% o fizeram com investimento particular em busca do conhecimento sobre o assunto. Evidenciando o baixo número deste tipo de treinamento nas instituições públicas de assistência à saúde, comprovando que há uma necessidade latente de capacitação a respeito dos IMV. Nessa pesquisa também buscou-se entender quais as maiores dificuldades que os enfermeiros enfrentaram nos simulados que realizaram. Porém, 42,3% não respondeu a esta pergunta. Daqueles que responderam, 19,2% mencionou o baixo desempenho das equipes como o maior problema. A falta de comunicação adequada atingiu 11,5% na opinião dos pesquisados. Os demais problemas citados foram o despreparo dos instrutores, simulados superficiais e fora da realidade, falta de organização e ausência de outras forças responsáveis por estes eventos, com 7,6% cada, segundo dados obtidos em questão de múltipla escolha. Conforme Leiva et al. (2014) a simulação tem capacidade de aproximar o aluno mais perto possível da realidade, possibilitando conhecer as reais dificuldades diante de IMV. Com isso o profissional tem chance de desenvolver sua habilidade e conhecer com antecedência as técnicas e as necessidades envolvidas neste tipo de evento, trazendo assim benefícios adicionais, como o fortalecimento operacional, mais segurança na tomada de decisões e a criação de uma nova cultura para a solução destes incidentes. A pesquisa também buscou investigar a respeito das responsabilidades legais e competências operacionais, em relação aos atendimentos e as demais equipes de enfermagem. Os dados obtidos sobre estes temas foram organizados e comparados na tabela 03. Tabela 3 - Entendimento dos enfermeiros de Unidade de Suporte Avançado do SAMU da Região metropolitana de Porto Alegre a respeito das responsabilidades e competências frente aos IMV continua) Variáveis N:26 Se considera que o enfermeiro é um profissional de competência multidisciplinar determinante nos IMVs. Sim 26 (100%) 49 (conclusão) Variáveis N:26 Não Parcialmente 0 (0%) 0 (0%) Se como enfermeiro você se considera responsável pelo treinamento das equipes de enfermagem. Sim Não 24 (92,3%) 2 (7,7%) Referente a maior atribuição do enfermeiro no contexto de múltiplas vítimas. Assistencial Gerencial Ambas 0 (0%) 0 (0%) 26 (100%) Atribuição e responsabilidade de desenvolver treinamento e a integração entre as equipes que atuarão em caso de IMV. (*) Coordenador da base Médico Regulador Bombeiros e Defesa Civil Qualquer um com iniciativa Gestores Públicos Enfermeiro Outros 7 (28%) 0 (0%) 1 (4%) 8 (32%) 5 (20%) 3 (12%) 1 (4%) Fonte: Próprio autor (2017) (*). Nem todos os pesquisados responderam esta pergunta. (a) Resultados expressos através de média ± desvio padrão Demais resultados expressos através de análises de frequência Dos enfermeiros da amostra que responderam a pesquisa, 100% consideraram que sua função tem competência multidisciplinar determinante nos IMV. Porém, quando questionados se consideravam o enfermeiro responsável pelo treinamento das equipes de enfermagem para eventos de múltiplas vítimas, 92,3% se considerou responsável.Outros 7,7% não atribuíam ao enfermeiro a responsabilidade de educar as equipes de enfermagem para estes incidentes. Já quando questionados a quem servia essa responsabilidade, 32% atribuiu essa função a qualquer um que tenha iniciativa. Outros 28% relacionaram como competência do coordenador da base. Os gestores públicos foram citados por 20% 50 dos entrevistados como responsáveis por desenvolver a atividade de capacitação e somente 12% reconheceu o enfermeiro como referência nesse assunto. Quando questionados sobre as atribuições do enfermeiro nestes casos, se eles acreditavam ser basicamente assistenciais, gerenciais ou ambas concomitantemente, todos da amostra responderam que ambas as opções eram de atribuição deste profissional. Mostrando assim um conflito de entendimento a respeito das capacitações. Mesmo se reconhecendo como gestor de saúde junto às equipes, parte desses não se reconhece como responsável pela capacitação dos mesmos. O resultado conflita diretamente com a opinião de Mello et al. (2013), que cita o enfermeiro como indispensável nas áreas de educação e gerenciamento das situações de múltiplas vítimas. Para tal, é necessário desenvolver conhecimentos, habilidades e atitudes com o propósito de garantir o atendimento qualificado e prioritário. Acima disto é necessário que os próprios enfermeiros reconheçam estas responsabilidades como sendo de sua competência. Desde a Guerra da Criméia em 1854, a enfermagem está ligada ao tratamento e na cura dos feridos a partir da influência de Florence Nightingale. As ações pioneiras na enfermagem foram ampliadas e aperfeiçoadas tanto no atendimento, estabilização, transporte, intervenção cirúrgica e reabilitação. Com isso foi consolidada as responsabilidades da enfermagem e do enfermeiro diante das vítimas de trauma (ADIB; PERFEITO, 2012). Outra posição que sustenta essa afirmação é de que, inserido neste contexto de Múltiplas Vítimas está o enfermeiro, profissional da área da saúde que precisa ter experiência teórica e prática no momento de socorrer e transportar um ferido. O enfermeiro faz parte das equipes de suporte avançado ao lado do médico, o qual tem condições e prerrogativas para manobras mais invasivas e complexas, podendo assim diminuir os riscos de morbimortalidade dos pacientes críticos (RODRIGUES et al., 2013). A própria Portaria 2048 GM de 05 de novembro de 2002, do Ministério da Saúde, também reconhece ao enfermeiro do serviço pré-hospitalar móvel pré- requisitos como experiência profissional voltada ao atendimento de urgências e emergências, iniciativa, capacidade de trabalhar em equipe, disponibilidade para a capacitação, bem como para a re-certificação periódica, participar nos programas de 51 treinamento e aprimoramento de pessoal, particularmente nos programas de educação continuada, fazer controle de qualidade do serviço nos aspectos inerentes à sua profissão; subsidiar os responsáveis pelo desenvolvimento de recursos humanos para as necessidades de educação continuada da equipe (BRASIL, 2002). Outra consideração sobre as competências educacionais consta na decisão nº 099/2005 do Conselho Regional de Enfermagem do Rio Grande do Sul (COREN- RS) que põe o enfermeiro como responsável no processo de educação continuada dos profissionais de saúde, inclusive na avaliação de desempenho. Dessa forma entende-se que o treinamento e capacitação dos envolvidos precisa passar pelo crivo técnico do enfermeiro (COREN-RS, 2014). Os resultados obtidos na pesquisa, daqueles que não se reconhecem como referência para capacitações, também destoam de Sousa, Callil e Paranhos (2009), que menciona que as equipes de saúde devem estar preparadas para responder a um evento com muitas vítimas em todas as frentes possíveis. Esta resposta deve ser dada em todos os níveis do incidente. Fica evidente que a participação do enfermeiro neste tipo de equipe é fundamental desde a preparação até a atuação passando por todas as etapas do evento. Na tabela 04 estão apresentados os dados referentes a questões relacionadas a experiência prática dos enfermeiros de Unidade de Suporte Avançado (USA), constando questões a respeito do número de vezes que atenderam a estas ocorrências, número de vítimas nos eventos, sistemas de triagem, conhecimento dos de planos de contingência e emergência, postos de comando e as dificuldades enfrentadas. Tabela 4 - Experiência prática e atuação dos enfermeiros de Unidade de Suporte Avançado do SAMU da Região Metropolitana de Porto Alegre (continua) Variáveis N:26 Como enfermeiro você já atendeu a situações reais envolvendo múltiplas vítimas. Sim Não 25 (92,2%) 1 (3,8%) 52 (continuação) Variáveis N:26 Número de vezes que atendeu incidentes com múltiplas vítimas durante atuação no APH. Uma vez De duas a cinco vezes Mais de cinco vezes 3 (11,5%) 12 (46,2%) 11 (42,3%) Número máximo de pessoas que precisaram de socorro. (*) Até cinco De cinco a dez De dez a vinte Mais de vinte 6 (25%) 7 (29,2%) 6 (25%) 5 (20,8%) Se durante os atendimentos que prestou socorro, a triagem e o atendimento às vítimas seguiam de acordo com a literatura. Sim Não Parcialmente 6 (23,1%) 7 (26,9%) 13 (50%) Questionados se durante os atendimentos que prestou socorro como enfermeiro quais os fatores que estavam em desacordo com o que sabe sobre o assunto. (*) (**) Falta de preparo da equipe População atrapalhou o atendimento Falta de material Segurança na cena Falta de plano de emergência Desconhecimento médico Ausência de posto de comando Dificuldade na triagem Problemas com outras instituições Comunicação inadequada. Não sabe ou não respondeu. 6 (23%) 0 (0%) 8 (30,7%) 3 (11,5%) 3 (11,5%) 4 (15,3%) 6 (23%) 9 (34,6%) 5 (19,3%) 1 (3,8%) 6 (23%) Existe plano de contingência/emergência ou de auxílio mútuo em caso de IMV. Sim Não Fase de estruturação Desconheço 2 (7,7%) 5 (19,2%) 4 (15,4%) 15 (57,7%) 53 (conclusão) Variáveis N:26 Nos IMV existiam postos de comando e de atendimento médico estabelecidos. (*) Sim Não Parcialmente 2 (8%) 21 (84%) 2 (8%) Quais as maiores dificuldades que enfrentou para entregar um paciente em um hospital que recebia as vítimas do incidente com múltiplas vítimas? (*) (**) Despreparo da equipe que recebe o paciente. Estrutura precária na instituição que recebe o paciente Falta de maca Falta de pessoal (médicos, enfermeiros e técnicos) Superlotação na instituição de destino Comunicação da instituição de destino sobre o incidente Não respondeu 9 (34,6%) 7 (26,9%) 3 (11,5%) 5 (19,2%) 6 (23,0%) 3 (11,5%) 7 (26,9%) Maiores dificuldades encontradas no atendimento aos IMV. (**) Falta de capacitação das equipes Falta de material médico Falta de plano de contingência Dificuldade na relação interpessoal Comunicação com outras equipes Quantidade de pacientes Curiosos Comunicação com regulação e hospitais Outras 21 (80,8%) 5 (19,2%) 20 (76,9%) 10 (38,5%) 9(34,6%) 5 (19,2%) 11 (42,3%) 11 (42,3%) 1 (3,8%) Enfrentou dificuldade com a quantidade de suprimentos e/ou materiais durante o IMV. (*) (**) Sim Não Parcialmente 7 (28%) 10 (40%) 11 (32%) Fonte: Próprio autor (2017) (*). Nem todos os pesquisados responderam esta pergunta. (**) Questão de múltipla escolha. (a) Resultados expressos através demédia ± desvio padrão Demais resultados expressos através de análises de frequência 54 Dos indivíduos que responderam à pesquisa, 92,2% vivenciou situações reais envolvendo Múltiplas Vítimas. Destes, cerca de 46,2% o fizeram entre duas a cinco vezes, 42,3% o fizeram mais de cinco vezes e 11,5% só haviam atendido a uma situação real. De acordo com os dados obtidos, nas situações reais atendidas, o número de vítimas não passava de dez pessoas segundo 29,2% dos entrevistados. Outros 20,8% mencionaram ocorrências com mais de 20 pessoas. Estes dados reforçam a necessidade de capacitação pela enfermagem. Apesar destes eventos serem mais raros, quando ocorrem exigem conhecimento e habilidade das equipes em um alto nível. De acordo com Oliveira et al. (2007), geralmente o número elevado de vítimas em um IMV coloca o conhecimento das equipes médicas e de busca e salvamento em cheque. Pois cobra a necessidade de experiência e de conhecimento específico no domínio dessas situações. Estar preparado para um evento dessa natureza é diferente de responder ao evento em si. Implica em reconhecer os recursos imediatos disponíveis, as necessidades de ajuda externa e a capacidade de acionar o plano de ação, se este existir na região correspondente ao evento. O mesmo autor cita a necessidade do conhecimento dos “3 T’s” – Triagem, Tratamento e Transporte - que estão diretamente ligados às competências do enfermeiro em cada uma dessas etapas. Consideramos que o reconhecimento destas por parte desse profissional é determinante para o sucesso da operação de socorro. Questionados sobre a existência de planos de contingência/emergência nas cidades onde atuam, 57,7% respondeu desconhecer a existência do plano. Quando perguntado sobre os Postos Médicos Avançados (PMA) no local dos incidentes, 84,0% mencionou não existir nos locais que prestou atendimento. Observa-se que 50% dos enfermeiros mencionaram que os atendimentos seguiam somente em parte aquilo que sugerem os textos sobre o assunto. Outros 26,9% relataram que os atendimentos não se adequavam ao que sugerem as literaturas. Entendemos assim que a grande maioria dos incidentes foi atendido de forma inadequada ou ineficaz no ponto de vista organizacional. Isso demonstra que estes eventos vêm sendo atendidos sem padrão e aleatoriamente. Implicando diretamente na qualidade do atendimento prestado pelas equipes às vítimas. 55 Essa forma aleatória implica no déficit de qualidade de toda operação. Uma vez entendido que o princípio de ouro dentro destes eventos é considerar o melhor recurso para a maior quantidade de pessoas. A inadequação das ações na realidade em relação ao que sugere a literatura gera conflito e certamente os maiores prejudicados serão aqueles que precisam do recurso no mesmo nível que suas necessidades. Leiva et al. (2014), dimensionam as situações de múltiplas vítimas em todo o espectro e elenca as muitas necessidades na solução de problemas e no tratamento dos feridos. Em sua obra, citam a criação de centros de comando, postos de comando avançado, comitês gestores, força tarefa, planos de emergência e contingência entre outros. Com isso entende que o enfermeiro tem responsabilidade direta na tomada de decisões, inclusive sobre interação com outras equipes não oriundas da saúde. Na pesquisa apuramos que os enfermeiros da amostra, em sua maioria, não vivenciaram a existência destes sistemas. Acreditamos que isso interfira diretamente na qualidade da assistência prestada pelas equipes de enfermagem. Evidencia-se que enfermeiro é corresponsável pela elaboração, treinamento de equipes e colocação destes sistemas na prática. A exemplo disso, durante as simulações de eventos com muitas vítimas na cidade de São Paulo foi percebido a existência de sistemas de comando e o excelente desempenho dos enfermeiros como coordenadores dos postos médicos avançados amarelos e verdes. Este resultado foi atribuído à formação do enfermeiro tanto na área administrativa como na assistencial de enfermagem (SOUSA; CALLIL; PARANHOS, 2009). O NAEMT (2011) prioriza o melhor atendimento para o maior número de vítimas como conceito básico nos Incidentes com Múltiplas Vítimas. Essa afirmação contextualiza com a importância dos postos avançados e de comando para organizar esses eventos. E com isso acreditamos que o enfermeiro é peça chave na criação destes sistemas. Quando questionados sobre quais os fatores que estavam em desacordo com o material estudado, 34,6% mencionou a dificuldade na triagem das vítimas como fator conflitante em maior grau. A disposição de material foi mencionada por 30,7% dos entrevistados. A ausência de postos de comando e o despreparo das equipes 56 empataram em terceiro lugar segundo 23,0% dos enfermeiros da amostra. Já 19,3% tiveram problemas na relação com outras instituições. Quando perguntado a respeito das maiores dificuldades que haviam encontrado no Incidentes com Múltiplas Vítimas, 80,8% mencionou a falta de capacitação das equipes como o fator que mais atrapalhou na resolução das situações. A falta de plano de contingência foi mencionada por 76,9% dos enfermeiros como o segundo fator que mais atrapalhou. Em terceiro lugar empataram os curiosos no local e a comunicação ineficaz com os hospitais. Ambas foram mencionadas por 42,3% em questão de múltipla escolha. A dificuldade na relação interpessoal seguia as anteriores como uma das maiores dificuldades na opinião de 38,5% dos entrevistados. Uma impressão inicial subjetiva sugere erroneamente que o maior problema é a falta de material para todas as pessoas. Mas a pesquisa apurou que 40,0% dos pesquisados não teve problema com a quantidade do material de socorro. Da amostra, 28,0% respondeu que a quantidade de material prejudicou o atendimento e 32,0% teve problemas parcialmente. Assim interpretamos que a ineficiência dos sistemas de triagem, falta de postos de comando ou postos médicos avançados e a falta de treinamento podem estar diretamente relacionadas ao uso incorreto e inadequado de material, interferindo na dispensação adequada para os pacientes e interferindo na quantidade total disponível. Isso evidencia a importância da organização nestes eventos e a importância da triagem. Também evidencia a importância da atuação do enfermeiro como gestor destes sistemas, uma vez que a literatura sugere este profissional como responsável pelos pacientes críticos que possam surgir a partir da triagem. Foi verificado, segundo dados obtidos na pesquisa, que o despreparo para estes eventos se estende aos hospitais. Os profissionais da amostra responderam, em questão de múltipla escolha, quais eram as maiores dificuldades ao entregar o paciente no local de destino. Cerca de 34,6% mencionaram o despreparo das equipes nos prontos socorros, 26,9% citaram a estrutura precária dos nosocômios e 19,2% citaram a falta efetivo de profissionais como maiores problemas. A falta de maca e a comunicação com a instituição ficaram em 11,5% na opinião dos enfermeiros. 57 Segundo Bezerra, Silva e Ramos (2012), os profissionais que atuam nas emergências dos hospitais também sofrem a interferência de alguns fatores que alteram naturalmente o nível de qualidade no atendimento em seu setor. O déficit de pessoal e a sobrecarga de atividades são fatores negativos, responsáveis inclusive por sofrimento psíquico estresse ocupacional. Os profissionais são impulsionados a acumular funções, improvisar seu trabalho e exercê-lo de forma incompleta e em ritmo acelerado. Estes, geralmente, sofrem de desmotivação por sobrecarga de trabalho e por não conseguir cumprir todas as tarefas. Ainda nesta direção, o cenário de urgência e emergência exige dos profissionais de enfermagem o desenvolvimento de atividades que demandam esforço físico, e que somado à precariedade de profissionais leva à quedada qualidade da assistência prestada. Essa evidência negativa é ampliada e exacerbada nos eventos com múltiplas vítimas onde o cenário neste setor se torna caótico e ainda mais complicado. Foram abordados assuntos pertinentes aos sistemas de triagem de vítimas e a vivência dos enfermeiros. Temas como a dificuldade em lidar com esta técnica, equipamentos e tecnologia específica, método START e as dificuldades nos transportes das vítimas são abordadas na tabela 05. Tabela 5 - Experiência prática dos enfermeiros de Unidade de Suporte Avançado do SAMU da Região metropolitana de Porto Alegre com os sistemas de triagem de pacientes em IMV (continua) Variável N:26 Dificuldade de atender as vítimas em situações reais por falta ou ineficiência de um sistema de triagem. (*) Sim Não Parcialmente 11 (44%) 6 (24%) 8 (32%) Existência de equipamentos ou tecnologia específica para IMV fornecidos pela instituição. Sim Não Parcialmente 4 (15,4%) 10 (38,5%) 12 (46,2%) 58 (continuação) Variável N:26 Resultado do bom gerenciamento nas cenas de IMV. (**) Melhor transporte das vítimas Experiência para quem atende Solução mais rápida para esses casos Testa a eficácia do plano de ações Outras 3 (11,5%) 1 (3,8%) 19 (73,1%) 3 (11,5%) 0 (0%) Sobre a importância do método START. (**) Nenhuma Não considera eficaz Muita importância Nunca usei mas considero importante Outras opções 1 (3,8%) 0 (0%) 17 (65,4%) 8 (30,8%) 0 (0%) Nas situações reais encontrou pacientes identificados com cartões de triagem tipo METTAG. Sim Não 0 (0%) 26 (100%) Existência de cartões de triagem tipo METTAG no local de trabalho. Sim Não 2 (7,7%) 24 (92,3%) Quais as dificuldades que enfrentou no transporte dos pacientes até o local definitivo para o tratamento dos feridos em incidentes com muitas vítimas? (*) (**) - Falta de equipamento. - Demora na regulação médica. - Retrabalho ao redistribuir pacientes de local com menos recursos para locais com mais recursos. - Despreparo de equipes de apoio. - Falta de equipes. - Falta de um hospital de trauma. - Falta de comunicação entre o APH e o Hospital. - Segurança na cena. - Trânsito e vias. - Quantidade de vítimas numa mesma ambulância. - Número de vítimas para serem transportadas. - Instabilidades dos pacientes e preparo inadequado dos mesmos para transporte. 1 (3,8%) 1 (3,8%) 1 (3,8%) 1 (3,8%) 2 (7,6%) 2 (7,6%) 2 (7,6%) 1 (3,8%) 3 (11,5%) 2 (7,6%) 0 (0%) 1 (3,8%) 59 (conclusão) Variável N:26 - Falta de ambulâncias. - Tempo resposta. - Problemas no APH fixo. - Não respondeu. 1 (3,8%) 5 (19,2%) 4 (15,3%) 7 (26,9%) Fonte: Próprio autor (2017) (*). Nem todos os pesquisados responderam esta pergunta. (**) Questão de múltipla escolha. (a) Resultados expressos através de média ± desvio padrão Demais resultados expressos através de análises de frequência Na triagem, 65,4% consideram o método START muito importante frente aos 30,8% que o consideram importante mesmo sem nunca ter feito uso deste sistema na prática. Dos participantes que responderam se haviam encontrado cartões tipo METTAG nos pacientes em situações reais, 100% deles informou não ter encontrado este sistema em funcionamento. Um participante não respondeu a esta questão. Os que consideraram sem nenhuma importância somaram 3,8% do total. Conclui-se que mesmo sendo sabida a importância do sistema de triagem com cartões não é usado na prática pelos profissionais. Porém, é um dos conteúdos tratado nos cursos de APH quando se trata do tema múltiplas vítimas. Nocera e Garner (1999) relatam que desde a Segunda Guerra Mundial o fator que mais interfere na redução dos índices de morbimortalidade em feridos em situações de múltiplas vítimas é a adequada triagem e posterior tratamento dos feridos. E estes devem ser simples, objetivos, padronizados e rápidos. Ao questionarmos a respeito das dificuldades encontradas diante da falta ou ineficiência de um sistema de triagem, 44,0% dos indivíduos da amostra respondeu ter percebido esses fatores como sendo a maior complicação nos atendimentos. Outros 32,0% mencionaram que esses fatores interferiram parcialmente e somente 24% não relacionou nem um tipo de dificuldade por falta ou ineficiência nas triagens. Porém se somados os que encontraram dificuldade com aqueles que tiveram parcialmente alguma alteração podemos contabilizar que 76,0% dos indivíduos tiveram algum tipo de problema relacionado a triagem. Isso evidencia que a triagem adequada é determinante para o atendimento em eventos com muitas vítimas. 60 Esse entendimento a respeito da triagem fica mais claro na opinião dos enfermeiros da amostra quando questionamos sobre o que consideravam como o melhor resultado diante de um bom gerenciamento da cena. Destes, 73,1% citou que o melhor gerenciamento da cena propicia uma solução mais rápidas para todos os casos. Seguidos do melhor transporte para as vítimas e a possibilidade de testar os planos de ação, com 11,5% cada opção de múltipla escolha. Somente 3,8% acredita que o bom gerenciamento gera experiência para quem atende. Ao comparar os dados ao que diz a literatura, acreditamos de fato que a triagem tem papel fundamental nos eventos com muitas vítimas. O conceito de triagem implica em um conjunto de procedimentos simples. É uma técnica rápida e repetitiva aplicada a cada um dos pacientes que for atendido gerando uma orientação sobre a gravidade das suas lesões. A aplicação da triagem pode ser feita de acordo com cada situação, mas sempre parte do princípio de identificar as lesões com risco de morte, quais as manobras básicas a serem feitas antes da evacuação e define as prioridades no transporte (LEIVA et al., 2014). A classificação dos feridos tem uma importância relevante para o sucesso da operação de atendimento. Definitivamente o enfermeiro tem um papel fundamental na triagem dos pacientes, sozinho ou acompanhado do médico ou de outro profissional bem treinado. Para realizar uma triagem adequada é necessário que esta seja feita por um profissional capacitado para identificar os riscos iminentes à vida (NAEMT, 2011). Os que responderam receber material específico de forma parcial somou 46,2% e os que afirmaram não receber nenhum tipo de material chegou a 38,5%. Somente 15,4% relataram possuir equipamentos específicos para esses casos. Quando questionados sobre a existência de cartão tipo METTAG em seu local de trabalho, 92,3% revelaram não possuir esse material de triagem. Esse dado conflita com aqueles que mencionaram possuir material específico. A classificação dos feridos é feita pelo grau de comprometimento à vida. Os feridos passam por um sistema de triagem e são submetidos a classificação por cores. Uma vez identificado o grau de comprometimento, esta vítima recebe um cartão com seus dados, sua classificação e posteriormente é encaminhado para o local de atendimento de acordo com a sua classificação (Oliveira et al. (2007). Dessa forma consideramos imprescindível que um sistema simples de triagem faça parte 61 das técnicas aplicadas em eventos com muitas vítimas. E mais imprescindível é a figura dos enfermeiros como peça fundamental no gerenciamento desse sistema. Outras questões também interferem no atendimento ao IMV, sendo uma delas sobre o processo de avaliação e a decisão de qual o destino dos doentes quando estes estiverem prontos para o transporte. Eventos recentes, como o da Boate Kiss, demonstraram que as vítimas com lesões sem risco de vida frequentemente saem do local do desastre usando quaisquer meios disponíveis de transporte e vão por conta própria para o hospital mais próximo. Estes números podem chegar de 70% a 80% dos envolvidos no evento inicial chegando ao hospital sem teremsidos avaliados. Diversas falhas foram identificadas após estudos sobre IMV na resposta médica a esses incidentes (NAEMT, 2011). Buscamos identificar as maiores dificuldades que os enfermeiros da amostra enfrentaram no transporte das vítimas até o local definitivo para tratamento. Porém, alguns dos entrevistados (26,9%) não respondeu a esta pergunta. Outros 19,2% mencionou o tempo resposta como maior problema no transporte. Outros 15,3% citou problemas no APH – Fixo e somente 11,5% relacionou problemas no transporte às vias de circulação e ao transito. Com isso apuramos que o transporte das vítimas é o fator que menos tem atrapalhado no atendimento aos pacientes. Durante o transporte das vítimas os enfermeiros têm papel fundamental no sucesso da operação tanto na organização quanto no efetivo transporte. O translado dos feridos tem relevância dentro do atendimento às vítimas. Conceitua-se que o transporte seja feito de forma organizada e que os feridos sigam para os hospitais de destino previamente estabelecidos (OLIVEIRA; PARLIN; TEXEIRA JR, 2007). Leiva et al. (2014) entendem que o transporte dos pacientes deve ser feito somente após a estabilização e o destino determinado para este doente precisa ter capacidade de atender e dar continuidade do tratamento pré-hospitalar. Também considera que a transferência ao profissional que receberá este doente deva ocorrer de forma verbal e escrita e sistematizada. Outro critério é o de pronta reativação do recurso ficando disponível para novos atendimentos. Comparado ao que diz o autor e a legislação, creditamos ao enfermeiro a responsabilidade legal pelos pacientes críticos, pela continuidade do tratamento, por registros escritos e a sistematização do cuidado. Estes conceitos corroboram para evidenciar a necessidade deste 62 profissional ao centro dos eventos com múltiplas vítimas como grande articulador dos sistemas e das equipes de saúde. Além dos problemas identificados no transporte das vítimas, o APH traz algumas dificuldades naturais do serviço. Mendes, Ferreira e Martino (2011) citam o stress encontrado nos profissionais da área. Identificaram maior incidência de stress entre nos atuam em emergência e atendimento pré-hospitalar. Apontaram como fatores estressantes a violência a que o profissional pode estar exposto, além das características inerentes do trabalho, como lidar com a dor, o sofrimento e a morte. Aqueles que atuam neste serviço enfrentam inúmeras dificuldades, como a grande exposição aos riscos ocupacionais durante o atendimento às vítimas e a escassez de literatura que possa servir de embasamento para a resolutividade de tais deficiências. As equipes de enfermagem sofrem uma influência negativa intrínseca da função. Uma forma de melhorar essa condição é a continua capacitação e acompanhamento destes profissionais. Para isso, o enfermeiro novamente volta a frente das questões gestoras e de educação como peça fundamental no processo de evolução e melhora da qualidade do atendimento. 63 5 CONCLUSÕES Os Incidentes com Múltiplas Vítimas definitivamente geram um nível de exigência extremamente alto para os profissionais que atuam nestes eventos. Além do número de vítimas, exigem conhecimento técnico, capacidade de logística, tomada de decisões rápidas, capacidade física e mental entre muitas outras. Quando ocorrem, geralmente, não são precedidas de sinais claros que permitam uma preparação adequada das equipes. Isso põe a prova a capacidade dos serviços, tanto de pré-hospitalar como do hospitalar. Os IMV, por suas características, cobram uma atuação em rede entre diversas instituições. Já o profissional enfermeiro, pela sua graduação e pela legislação, é colocado a frente destes casos nos âmbitos gerenciais e assistenciais. É responsável pela categoria da enfermagem que, sabidamente, são os que atuam em maior número em situações como estas. Tem responsabilidade técnica e educacional e pode elevar estas competências a outros profissionais que também são convocados a atuar em incidentes com muitas vítimas, gerando assim um entendimento uniforme sobre o conceito adequado para essas situações. Com esta pesquisa, evidenciou-se que o entendimento sobre a atuação do enfermeiro ainda é incompleto. Como os eventos com múltiplas vítimas ocorrem com menor incidência, e quando ocorrem são complexos, os enfermeiros enfrentam dificuldade em definir exatamente quais as frentes de sua responsabilidade, tanto assistências como gerenciais. Os profissionais manifestam diferentes compreensões a respeito dos conteúdos teóricos e legais. A dificuldade em estabelecer uma compreensão adequada parte tanto da formação acadêmica como da literatura incompleta. Ao lidar com esta realidade, tanto na estruturação dos serviços como no atendimento real às vítimas, o profissional enfermeiro, na tentativa de colocar em prática o que sabe, aumenta o risco de ações iatrogênicas. É latente a urgência da inclusão deste tema na formação acadêmica dos enfermeiros. Mesmo não atuando diretamente na frente de resposta aos IMV, o enfermeiro é componente intrínseco dos serviços públicos de saúde, seja em ambulância, hospitais, UPA e postos de saúde. Inevitavelmente, as vítimas de um 64 incidente de grandes proporções, mais cedo ou mais tarde, vão chegar as mãos destas profissionais, seja para tratamento ou recuperação. É latente também a necessidade do desenvolvimento de literatura específica voltada para a atuação do enfermeiro a fim de diminuir o baixo desempenho da enfermagem nestas situações. A produção de material literário direcionado para este profissional cria subsídio também para a construção de uma nova visão dos simulados. Essa ferramenta dimensiona de maneira prática todos os fatores que precisam ser acertados para se chegar mais próximo do princípio primordial destes eventos, o de prestar o melhor socorro ao maior número de vítimas. Identificou-se que é de extrema importância que os enfermeiros e as equipes de Atendimento Pré-Hospitalar desenvolvam suas habilidades de realizar corretamente os sistemas de triagem de pacientes. O que existe hoje é uma simples conveniência sobre o uso dos métodos. Mas na prática pouco se aplica e isso interfere no resultado final. A criação de rotinas ou protocolos voltados para a realidade de cada cidade é uma das formas sugeridas para a solução parcial dos problemas nos sistemas de triagem e tratamento adequado dos pacientes. Como limitações do estudo, foram identificadas dificuldades significativas na produção desta pesquisa. A baixa adesão dos profissionais interferiu no resultado final, pois diminuiu a amostra em relação ao tamanho da população de enfermeiros atuantes no APH da região em estudo. Também, a literatura a respeito do assunto é escassa pois existem poucas produções textuais que evidenciam o papel do enfermeiro nestes eventos. Definitivamente o enfermeiro exerce um papel fundamental no desenvolvimento de ações preparatórias e operacionais em um mesmo nível. Principalmente, este papel precisa ser reconhecido pelo próprio enfermeiro em resposta aos incidentes. Isso amplia a qualidade da educação, preparação, assistência e tratamento. Dessa forma vemos o enfermeiro como o grande articulador na construção do conhecimento e peça fundamental no cuidado aos pacientes. Conclui-se que a atuação do enfermeiro em situação de múltiplas vítimas ainda é pequena e distorcida em relação quanto a importância e amplicidade que pode atingir. A enfermagem fica carente de informação e de conhecimento em comparação ao que poderia alcançar através da figura do enfermeiro como 65 educador, pois o papel deste profissional é determinante em todas as etapas destes eventos desde a mitigação, triagem, tratamento e transporte. Acredita-se que este estudo tem capacidade para aumentar o conhecimentoacadêmico sobre o assunto. Também tem potencial para servir de material de consulta para novos estudos, além de incentivar o desenvolvimento de uma nova cultura de comportamento sobre os incidentes envolvendo grande número de vítimas. A atuação do enfermeiro em situações de múltiplas vítimas proporciona uma melhor e maior qualificação dos cuidados com a vida dos pacientes e amplia as capacidades de gerenciamento deste tipo de incidente. 66 REFERÊNCIAS ADIB, S. de C. V.; PERFEITO, J. A. J. Guia de Trauma. São Paulo: Manole, 2012. ÁLVAREZ-FERNÁNDEZ, J. A.; ALARCÓN-ORTS, A.; JUAN-PALMER, A. Asistencia sanitaria inicial en catástrofes. Medicina Clínica, [s.l.], v. 127, n. 1, p.13-16, jun. 2006. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. ABNT. NBR 6023: dispõe da informação e documentação: Referências: Elaboração. Rio de Janeiro, 2002. ______. NBR 14724: dispõe da informação e documentação- Trabalhos Acadêmicos – Apresentação. Rio de Janeiro, 2011. BEZERRA, F. N.; SILVA, T. M. DA.; RAMOS, V. P. Estresse ocupacional dos enfermeiros de urgência e emergência: Revisão Integrativa da Literatura, Acta Paul Enferm. [S.l.], v. 25, n. esp. 2, p. 151-156, 2012. BRASIL. Ministério da Saúde. 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O trabalho será realizado pelo acadêmico JOSÉ ADIR DA SILVEIRA CORTES do curso de ENFERMAGEM da UNIVERSIDADE FEEVALE, orientado pelo pesquisador responsável, professor ADILSON ADAIR BOES. Os objetivos deste estudo são identificar a atuação do enfermeiro em situações de atendimento de múltiplas vítimas, caracterizar o perfil dos profissionais que atuam no atendimento pré-hospitalar, verificar a frequência que atendemsituações com múltiplas vítimas e identificar quais as dificuldades que o enfermeiro enfrenta em situações de atendimento de múltiplas vítimas. Sua participação nesta pesquisa será voluntária e consistirá em responder ao instrumento de pesquisa eletrônico disponibilizado a seguir se estiveres de acordo. Este é composto por 30 questões. Esta pesquisa não gera valores ou impõe gastos aos participantes. Os riscos e/ou desconfortos relacionados a sua participação são possíveis descontentamentos ou constrangimentos com o conteúdo das perguntas. Caso ocorra algum dos riscos e/ou desconfortos, para minimizá-los o participante pode desistir da pesquisa a qualquer momento por livre iniciativa, salientando que o pesquisador estará disponível para possíveis esclarecimentos acerca dos objetivos e/ou questões do estudo. O pesquisador ADILSON ADAIR BOES, responsável por esta pesquisa e a UNIVERSIDADE FEEVALE envolvidos nas diferentes fases da pesquisa proporcionarão assistência imediata e integral aos participantes da pesquisa no que se refere às possíveis complicações e danos decorrentes. Os participantes da pesquisa que vierem a sofrer qualquer tipo de dano resultante de sua participação na pesquisa, previsto ou não neste documento, têm direito à indenização, por parte do pesquisador, do patrocinador e das instituições envolvidas nas diferentes fases da pesquisa. A sua participação nesta pesquisa estará contribuindo para ampliar o conhecimento acadêmico sobre o assunto. Todos os resultados estarão disponíveis, após a conclusão, para as instituições participantes possibilitando assim seu uso como fonte para novas pesquisas. 71 Garantimos o sigilo de seus dados de identificação primando pela privacidade e por seu anonimato. Manteremos em arquivo, sob nossa guarda, por 5 anos, todos os dados e documentos da pesquisa. Após transcorrido esse período, os mesmos serão destruídos. Os dados obtidos a partir desta pesquisa não serão usados para outros fins além dos previstos neste documento. Você tem a liberdade de optar pela participação na pesquisa e retirar o consentimento a qualquer momento, sem a necessidade de comunicar-se com os pesquisadores. Este Termo de Consentimento Livre e Esclarecido será validado eletronicamente após aceitar os termos deste. Abaixo, você tem acesso ao telefone e endereço eletrônico institucional do pesquisador responsável, podendo esclarecer suas dúvidas sobre o projeto a qualquer momento no decorrer da pesquisa. Nome do pesquisador responsável: ADILSON ADAIR BOES Telefone institucional do pesquisador responsável: (51) 3586-8800 E-mail institucional do pesquisador responsável: aab@feevale.br Local e data: ______________________, _____ de ___________20_____. TELEFONE: (51) 3586-8800 Ramal 9000 E-mail: cep@feevale.br mailto:cep@feevale.br 72 APÊNDICE B – INSTRUMENTO DE PESQUISA ATUAÇÃO DO ENFERMEIRO EM SITUAÇÕES DE MÚLTIPLAS VÍTIMAS NO PRÉ-HOSPITALAR NOME: _____________________________________________________________ IDADE: _____________________________________________________________ SEXO: _____________________________________________________________ TEMPO DE FORMAÇÃO COMO ENFERMEIRO: ___________________________ CIDADE DA BASE: ___________________________________________________ TEMPO DE ATUAÇÃO NO APH: ________________________________________ CARGA HORÁRIA SEMANAL NO SERVIÇO: ______________________________ 1. Durante a sua formação acadêmica, você considera que desenvolveu conhecimento suficiente para lidar com eventos de múltiplas vítimas na sua profissão? ( ) Sim ( ) Não ( ) Parcialmente 2. Durante seus estudos pessoais, encontrou na literatura todas as responsabilidades do enfermeiro em situações de múltiplas vítimas? ( ) Sim ( ) Não ( ) Parcialmente 3. Considera que a literatura poderia ser mais específica e ampla sobre as responsabilidades do enfermeiro? ( ) Sim ( ) Não 73 4. Você acredita conhecer todos os aspectos (legais, assistenciais e gerenciais) envolvidos no atendimento de múltiplas vítimas de competência do enfermeiro? ( ) Sim ( ) Não ( ) Parcialmente 5. Durante a sua formação acadêmica, sua instituição de ensino trabalhou o atendimento a múltiplas vítimas em alguma disciplina ou realizou algum tipo de simulado como componente curricular? ( ) Sim ( ) Não 6. Participou de curso, congresso ou palestra sobre este tipo de evento no último ano? ( ) Sim ( ) Não 7. Considera que o enfermeiro é um profissional de competência multidisciplinar determinante no atendimento a incidentes com múltiplas vítimas? ( ) Sim ( ) Não ( ) Parcialmente 8. Como enfermeiro você se considera responsável pelo treinamento das equipes de enfermagem? ( ) Sim ( ) Não 74 9. Como enfermeiro você já atendeu a situações reais envolvendo múltiplas vítimas? ( ) Sim ( ) Não 10. Quantas vezes já atendeu incidentes com múltiplas vítimas durante sua atuação no APH? ( ) Uma vez. ( ) De duas a cinco vezes. ( ) Mais de cinco vezes. 11. Nos incidentes com múltiplas vítimas que prestou socorro, qual era o número máximo de pessoas que precisaram de socorro? ( ) Até cinco ( ) De cinco a dez ( ) De dez a 20 ( ) Mais de 20 12. Durante os atendimentos que prestou socorro como enfermeiro pode constatar que a triagem e o atendimento às vítimas seguiam de acordo com a literatura sobre o assunto? ( ) Sim ( ) Não ( ) Parcialmente 13. Durante os atendimentos que prestou socorro como enfermeiro quais os fatores que estavam em desacordo com o que sabe sobre o assunto? ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ 75 14. Na sua cidade ou região de atuação existe plano de contingência/emergência ou de auxílio mútuo em caso de desastre ou incidentes com múltiplas vítimas do seu conhecimento? ( ) Sim ( ) Não ( ) Em fase de estruturação. 15. Nas situações reais que participou como enfermeiro existiam postos de comando e de atendimento médico (lona verde, amarela e vermelha) estabelecidos? ( ) Sim ( ) Não 16. Qual a importância que você dá para o método START? ( ) Nenhuma, pois nunca vi ninguém colocar em prática. ( ) Mesmo tendo feito uso do método não considero ele eficaz. ( ) Muita, pois acredito que o método é capaz de organizar o atendimento. ( ) Considero importante mesmo sem ter feito uso do método. Gostaria de desenvolver mais habilidades referentes a ele. 17. Nas situações reais que participou, ao chegar no local encontrou pacientes identificados com cartões de triagem tipo METTAG? ( ) Sim ( ) Não 18. Existe cartões de triagem tipo METTAG à disposição no seu local de trabalho? ( ) Sim ( ) Não 76 19. Você acredita que teve dificuldade de atender as vítimas em situações reais por falta ou ineficiência de um sistema de triagem? ( ) Sim ( ) Não ( ) Parcialmente 20. Quais as maiores dificuldades que o enfermeiro encontra no atendimento aos incidentes com múltiplas vítimas? (Questão de múltipla escolha) ( ) Falta de capacitação/treinamento das equipes. ( ) Falta de material médico (macas, talas, colares...). ( ) Falta plano de contingência/emergência. ( ) Dificuldade na relação interpessoal com membros de outras corporações. ( ) Comunicação/relação com as equipes não oriundas da área da saúde. ( ) A quantidade de pacientes graves na cena. ( ) A quantidades de curiosos na cena. ( ) Comunicação entre equipes de saúde, inclusive com centralde regulação e hospitais. 21. Sua instituição de trabalho fornece equipamentos ou tecnologia específica para atendimento destas situações? ( ) Sim ( ) Não ( ) Parcialmente 22. Enfrentou dificuldades com quantidade de suprimentos e/ou materiais durante o atendimento? ( ) Sim ( ) Não ( ) Parcialmente 77 23. No que resulta o bom gerenciamento de cena em casos de múltiplas vítimas? ( ) O melhor transporte das vítimas. ( ) Gera experiência para quem atende a esses casos. ( ) A solução mais rápida dos casos mais graves. ( ) Testa a eficácia do plano de emergência. ( ) Todas as anteriores. 24. Na sua opinião, qual a maior atribuição do enfermeiro no contexto de múltiplas vítimas? ( ) Assistencial, cuidando dos feridos mais graves. ( ) Gerencial, garantindo a logística e o rápido atendimento aos feridos mais graves. ( ) As duas, pois são capacidades que o enfermeiro precisa dominar e aplicá-las de acordo com a necessidade. 25. Quais as dificuldades que enfrentou no transporte dos pacientes até o local definitivo para o tratamento dos feridos em incidentes com muitas vítimas? ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ 26. Quais as maiores dificuldades que enfrentou para entregar um paciente em um hospital que recebia as vítimas do incidente com múltiplas vítimas? ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ 78 27. Realizou alguma simulação sobre múltiplas vítimas na sua instituição no último ano? ( ) Sim ( ) Não ( ) Realizei em outra instituição com investimento particular; 28. A quem você, como enfermeiro, atribui a responsabilidade de desenvolver treinamento e a integração entre as equipes (Bombeiros, Defesa Civil, Voluntários, SAMU, ...) que atuarão em caso de múltiplas vítimas? (Múltipla escolha) ( ) Coordenador da base ( ) Médico Regulador ( ) Bombeiros e Defesa Civil ( ) Qualquer profissional que tenha a iniciativa ( ) Gestores do públicos ( ) Enfermeiro 29. Quais as dificuldades que enfrentou nos simulados que participou? ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ ___________________________________________________________________ 30. Com que frequência você considera ideal que as simulações ocorram para melhor desenvolver o conhecimento sobre incidentes com múltiplas vítimas? ( ) Seis meses ( ) Um ano ( ) Dois anos ( ) Cinco anos ( ) Não há necessidade de repetir simuladoin simulation in the last year, indicating that the team had bigger difficulties the low performance (19.2%) and a lack of communication (11.5%). All participants (100%) consider having multidisciplinary competence in IMV and believe that they have attributions, such as care, management or both concurrently. The majority (92.2%) experienced real situations of Multiple Victims. Of these, 46.2% did it five times, 42.3% instead of five times and 11.5% had only attended to a real situation. In the real situations, the number of victims don’t was ten people according to 29.2%. Another 20.8% mentioned occurrences with more than 20 people. More than half (57.7%) are unaware of the existence of contingency plans and 84% point to the lack of Advanced Medical Facilities (AMF) where they worked. Regarding the greatest difficulties, 80.8% mentioned the lack of training as the most disturbing factor, a lack of contingency 9 plan (76.9%), curious locals and a communication with hospitals (42.3%), . Faced with the lack of a screening system, 76% of individuals related problems. We identified a lack in academic training and conflict in the understandings of nurses who act on these incidents about their competencies. It is concluded that adaptations are needed in the academic formation in order to improve the knowledge about these events, as well as to expand as capacities for all involved. And with that, to consolidate the nurse as a reference in all stages of care. Possibility this, due to the type of training and reception of level competence that the position attributes it. Keywords: Nurse. Disasters. Catastrophe. Mass Victims. 10 LISTA DE FIGURAS Figura 1 - Método rápido de classificação de catástrofes (S.T.A.R.T.) ..................... 27 Figura 2 - Cartão METTAG....................................................................................... 28 11 LISTA DE TABELAS Tabela 1 - Perfil dos profissionais graduados em enfermagem atuantes no SAMU da região metropolitana de Porto Alegre/RS .................................................................. 41 Tabela 2 - Percepção dos enfermeiros de Unidade de Suporte Avançado do SAMU da Região Metropolitana de Porto Alegre sobre a sua formação relacionado ao IMV .................................................................................................................................. 43 Tabela 3 - Entendimento dos enfermeiros de Unidade de Suporte Avançado do SAMU da Região metropolitana de Porto Alegre a respeito das responsabilidades e competências frente aos IMV .................................................................................... 48 Tabela 4 - Experiência prática e atuação dos enfermeiros de Unidade de Suporte Avançado do SAMU da Região Metropolitana de Porto Alegre ................................ 51 Tabela 5 - Experiência prática dos enfermeiros de Unidade de Suporte Avançado do SAMU da Região metropolitana de Porto Alegre com os sistemas de triagem de pacientes em IMV ...................................................................................................... 57 12 LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS AMV - Acidentes com Múltiplas Vítimas ANTT - Agência Nacional de Transportes terrestres APH - Atendimento Pré-Hospitalar CAC - Colégio Americano de Cirurgiões CEP - Comitê de Ética e Pesquisa CNS - Conselho Nacional de Saúde COFEN - Conselho Federal de Enfermagem COREN - Conselho Regional de Enfermagem CRAMP - Circulação Respiração Mobilidade e Palavras DC - Defesa Civil DVM - Desastre com Vítimas em Massa EUA - Estados Unidos da América IMV - Incidentes com Múltiplas Vítimas IP - Instrumento de Pesquisa NAEMT - National Association of Emergency Medical Technicians OMS - Organização Mundial de Saúde PHTLS - Pre Hospital Trauma Life Support RS - Rio Grande do Sul RT - Responsável Técnico RUE - Rede de Atenção as Urgências e Emergências SALT - Sorting Assessing Life-saving and Treatment SAMU - Serviço de Atendimento Móvel de Urgência SME - Serviço Médico de Emergência SPSS - Statical Package for Social Sciences START - Simples Triagem e Rápido Tratamento SUS - Sistema Único de Saúde TCLE - Termo de Consentimento Livre e Esclarecido UC - Urgência Coletiva UFRGS - Universidade Federal do Rio Grande do Sul USA - Unidade de Suporte Avançado USB - Unidade de Suporte Básico 13 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO .................................................................................................... 14 2 REVISÃO DE LITERATURA .............................................................................. 17 2.1 ATENDIMENTO PRÉ-HOPITALAR ............................................................ 17 2.2 TRAUMA .................................................................................................... 20 2.3 CATÁSTROFES, DESASTRES E ACIDENTES COM MÚLTIPLAS VÍTIMAS .............................................................................................................. 22 2.4 TRIAGEM DOS FERIDOS.......................................................................... 26 2.5 TRANSPORTE DOS FERIDOS ................................................................. 29 2.6 ASPECTOS EMOCIONAIS RELACIONADOS AO ATENDIMENTO DE MÚLTIPLAS VÍTIMAS ......................................................................................... 30 2.7 SIMULAÇÕES DE ACIDENTES COM MÚLTIPLAS VÍTIMAS ................... 31 2.8 INSERÇÃO DO ENFERMEIRO NO ATENDIMENTO DE MÚLTIPLAS VÍTIMAS .............................................................................................................. 32 3 MÉTODO ............................................................................................................ 36 3.1 DELINEAMENTO DO ESTUDO ................................................................. 36 3.2 POPULAÇÃO E AMOSTRA ....................................................................... 37 3.3 CRITÉRIOS DE INCLUSÃO ....................................................................... 37 3.4 CRITÉRIOS DE EXCLUSÃO ...................................................................... 38 3.5 ASPECTOS ÉTICOS .................................................................................. 38 3.6 COLETA DE DADOS ................................................................................. 39 3.7 ANALISE DOS DADOS .............................................................................. 39 4 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS DADOS ................................................... 41 5 CONCLUSÕES ................................................................................................. 633 REFERÊNCIAS ....................................................................................................... 666 APÊNDICES ........................................................................................................... 699 APÊNDICE A – TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO ........... 70 APÊNDICE B – INSTRUMENTO DE PESQUISA ................................................... 722 14 1 INTRODUÇÃO O trauma (Causas Externas) é responsável por 1,2 milhões de mortes em cerca de 50 milhões de acidentes de transito pelo mundo. É também a maior causa de morte em pessoas com idade inferior a 45 anos. Na década de 80 chegou a ser a segunda causa de morte no Brasil. Segundo dados do Ministério da Saúde em 2010, as causas externas foram responsáveis por 143.256 óbitos correspondente a 12% das mortes no país a mais que no ano 2000 que somaram 118.397 falecimentos (BRASIL, 2016). De acordo com o NAEMT (2011), conceitualmente as Causas Externas subclassificam-se pelo grau de intenção. Recebem o nome de Trauma Intencional as situações relacionadas com a violência interpessoal ouauto direcionada e Trauma Não Intencional aqueles chamados de “acidentes”. É reconhecido como doença por possuir um hospedeiro (homem), um agente causador (objeto) e um ambiente apropriado para que a interação entre eles ocorra. Segundo dados do Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde do Brasil (DATASUS), as causas externas – traumas ocorridos por violência ou em acidentes de trânsito provocaram 156,942 vítimas fatais no ano de 2014. Porém não existem estatísticas que revelem números exatos sobre os Incidentes com Múltiplas Vítimas (IMV) no Brasil, mas de fato, estes incidentes implicam diretamente em consequências significativas para o Sistema Único de Saúde (SUS) (BRASIL, 2016). O problema torna-se maior e mais complexo quando os traumas acometem um grande número de vítimas de uma só vez. São os eventos onde o número de vítimas sobrepõe-se aos recursos disponíveis para o atendimento sendo denominados assim como catástrofe ou desastre (CAMPOS, 2015). Incêndios, acidentes com produtos tóxicos, manifestações, eventos em massa, ataques terroristas, explosões, ameaças de bomba, bioterrorismo e terremotos são situações onde existe a chance de grandes números de vítimas pela possibilidade de um número maior de pessoas no local do incidente. E é reponsabilidade das equipes de socorro prestar atendimento em situações onde ocorra o agravo da saúde e risco de morbimortalidades (LEIVA et al., 2014). Com a nomenclatura de Incidentes com Múltiplas Vítimas (IMV), essas situações exigem resposta coordenada que tem como objetivo reduzir os índices de 15 morbimortalidade causados por estes eventos. Assim, acredita-se ser extremamente necessário que os profissionais incorporem à sua formação os conhecimentos sobre os IMV’s dada a complexidade dos desastres atuais. A correta compreensão do ciclo do desastre permitirá ao socorrista avaliar sua atuação pessoal e de sua equipe afim de adequar suas ações ao momento do incidente e aperfeiçoar as ações posteriores possibilitando maior eficiência e eficácia no processo de resposta. Outro princípio bastante difundido na resposta a um desastre é o de fazer o melhor ao maior número de doentes com os recursos disponíveis (NAEMT, 2011). Existe uma subjetividade na interpretação sobre as funções do enfermeiro no atendimento a desastres, incidentes com múltiplas vítimas e catástrofes. Algumas literaturas que dedicam capítulos inteiros ao assunto não citam todas as atribuições gerenciais, educacionais e operacionais no seu conteúdo. E aqueles que citam essa participação o fazem de maneira ínfima ou quase imperceptível. Visto a complexidade destes eventos é inaceitável que estas orientações não façam parte da formação deste profissional, tão importante no cuidado com a saúde das vítimas. A maior motivação para o desenvolvimento deste estudo partiu do episódio da Boate Kiss na cidade de Santa Maria – Rio Grande do Sul – no dia 27 de janeiro 2013, um incêndio durante a madrugada em que ocorria uma festa provocou a morte de 242 pessoas e gerou 680 feridos. Foram mobilizadas equipes de atendimento pré-hospitalar, bombeiros, polícia e exército. O transporte das vítimas para centros de saúde na capital gaúcha e outros hospitais da região levou dias para ser concluído. No mesmo ano em que ingressava na graduação em enfermagem, a partir deste episódio, percebi a necessidade de compreender melhor quais eram as responsabilidades do enfermeiro dentro deste contexto. Considerando a importância dos fatores envolvendo o atendimento de múltiplas vítimas e os aspectos que exigem do enfermeiro uma postura frente aos eventos, justifica-se a execução deste projeto de pesquisa, tornando possível identificar os problemas e as dificuldades que este profissional enfrenta no cumprimento prático das suas atribuições e no atendimento aos pacientes. Atualmente os desastres apresentam um alto grau de complexidade, especialmente os que envolvem terrorismo e armas de destruição em massa (químicas, biológicas ou nucleares) resultando em ambientes em condições extremamente precários e com limitação de recursos. Como resultado destas 16 limitações ocorre o aumento do risco de morbimortalidade para os doentes que necessitam de atendimento imediato. Assim, cabe ao socorrista reconhecer que os recursos devem ser aplicados para aqueles pacientes que mais necessitam e que possuam critérios bem específicos e que tenham chances de sobrevida após o incidente (NAEMT, 2011). Geralmente o número elevado de vítimas em um IMV coloca o conhecimento das equipes médicas e de busca e salvamento em cheque. Pois cobra a necessidade de experiência e de conhecimento específico no domínio dessas situações. Estar preparado para um evento dessa natureza é diferente de responder ao evento em si. Implica em reconhecer os recursos imediatos disponíveis, as necessidades de ajuda externa e a capacidade de acionar o plano de ação, se este existir na região correspondente ao evento (OLIVEIRA; PARLIN; TEXEIRA JR, 2007). Considerando a importância do enfermeiro no gerenciamento na assistência de enfermagem, também na prestação de cuidados avançados e aqui destacando o atendimento a múltiplas vítimas, este estudo teve como objetivo geral identificar a atuação do enfermeiro em situações de atendimento de múltiplas vítimas no atendimento pré-hospitalar. E como objetivos específicos caracterizar o perfil dos profissionais que atuam no atendimento pré-hospitalar, verificar a frequência que atendem situações com múltiplas vítimas, além de identificar quais as dificuldades que o enfermeiro enfrenta em situações de atendimento de múltiplas vítimas. 17 2 REVISÃO DE LITERATURA O referencial teórico apresenta as informações pertinentes a esta pesquisa como conceitos, termos técnicos e interpretações de diferentes obras literárias. Esta etapa do projeto é fundamental para a melhor compreensão sobre o assunto. 2.1 ATENDIMENTO PRÉ-HOPITALAR O APH móvel é descrito como um atendimento pelo qual se procura chegar precocemente à vítima, após ocorrência de agravo à saúde de natureza traumática, clínica ou psiquiátrica que possa levar à morte, devendo ser prestado atendimento e transporte adequados agregados ao Sistema Único de Saúde. O Serviço de atendimento pré-hospitalar móvel deve ser entendido como uma atribuição da área da saúde, sendo vinculado a uma Central de Regulação, com equipe e frota de veículos compatíveis com as necessidades de saúde da população de um município ou uma região (BRASIL, 2002). O atendimento pré-hospitalar teve seu início no Período Antigo e evoluiu ao longo do tempo. Foi no fim do século XVIII que o Barão de Dominick Jean Larrey – cirurgião e chefe militar de Napoleão – reconheceu a necessidade de atendimento pré-hospitalar para os feridos de batalha e criou as “ambulâncias voadoras”, que eram carroças construídas especialmente para atender os feridos. Conhecido como o “Pai dos SME da era moderna”, Larrey deixou um legado contemporâneo para os serviços de atendimento pré-hospitalar, entre eles o treinamento adequado para as equipes, controle de hemorragia, transporte para o hospital mais próximo e o atendimento durante o transporte (NAEMT, 2011). Ao longo do tempo muitos Serviços Médicos de Emergência (SME) foram criados com o propósito de prestar atendimento às vítimas e transportá-las para o hospital. Geralmente estes serviços trabalhavam com a premissa de que o melhor atendimento era sempre o mais rápido e dessa forma não diferenciavam vítimas de trauma daqueles pacientes com doenças cardíacas, acarretando em complicações para o tratamento. Na história dos serviços de atendimento pré-hospitalar, um capítulo foi o mais importante, na década de 80 nos Estados Unidos da América, onde se percebeu a necessidade de cuidados específicos com a saúde dos 18 pacientesdesde o local até a porta do hospital. Era necessário que estes pacientes recebessem esses cuidados antes mesmo de serem retirados do local. Com isso surgiu o curso PHTLS (Prehospital Trauma Life Support) que tinha a missão de treinar socorristas para atuar e identificar estas situações especiais. Inicialmente foram treinadas as equipes de Corpo de Bombeiro locais e posteriormente esses treinamentos foram ganhando o mundo na intenção de difundir uma cultura de cuidado específico à saúde dos pacientes vítima de trauma em um sistema de rede organizada (NAEMT, 2011). Existem vários modelos de atendimento pré-hospitalar. No modelo americano existem os paramédicos que se formam a partir de um curso com duração de até 24 meses além das 300 horas práticas em ambulância. Podem realizar intubação oro- traqueal, desfibrilação e aplicar medicação conforme os protocolos pré-estabelecidos pelo coordenador médico do serviço sem ter a supervisão direta de um médico presente na unidade de atendimento móvel. O modelo alemão se assemelha com o modelo brasileiro. Pois neste sistema trabalham na mesma unidade o médico, enfermeiro ou técnico de enfermagem além do condutor (DAMASCENO; AWADA, 2013). O tempo entre a ocorrência do trauma e a chegada na equipe ao local pode variar muito. Em centros urbanos pode levar em média 08 minutos até a chegada da equipe, 10 minutos na cena e mais 08 minutos em transporte até o hospital mais próximo. Porém este tempo pode variar de acordo com a distância do local do incidente. O início do atendimento pode variar também pelo tempo que as equipes de busca e salvamento levam para acessar o paciente nos escombros e o transporte depende das condições de estabilização do paciente (ADIB; PERFEITO, 2012). Outra premissa que norteia os socorristas durante o atendimento pré- hospitalar é a segurança da cena. Os riscos vão desde degraus, entulho, pedras soltas, gases tóxicos em um incêndio, chance de novos desmoronamentos, o trânsito no local de um acidente até o risco biológico. Todos estes fatores são de responsabilidade das equipes de atendimento entre eles a enfermagem (ADIB; PERFEITO, 2012). A organização dos serviços de saúde brasileiros parte da lei Nº 8.080, de 19 de setembro de 1990. A Lei do SUS (Sistema Único de Saúde), como ficou conhecida, garante que a assistência à saúde é um direito de os cidadãos e um 19 dever do estado. Garantindo a universalidade, equidade e integralidade na prestação do serviço de assistência à saúde da população (BRASIL, 2016). A Portaria 2048 institui o componente pré-hospitalar móvel por meio da implantação de Serviços de Atendimento Móvel de Urgência - SAMU-192, suas Centrais de Regulação (Central SAMU-192) e seus Núcleos de Educação em Urgência. A Central de Regulação é responsável pelo recebimento de chamados via 192. Registra os chamados e os classifica por gravidade e em seguida faz o despacho destes para as unidades de atendimento. Também institui o funcionamento e formatação das unidades de suporte básico (condutor e técnico de enfermagem), unidades de suporte avançado (condutor, enfermeiro e médico), motolâncias (técnico de enfermagem) e transporte aéreo (piloto, copiloto, médico e enfermeiro) (BRASIL, 2003). A Portaria 2048/GM, de 05 de novembro de 2002, classifica o Atendimento Pré-Hospitalar Fixo pela assistência prestada. Num primeiro nível de atenção aos pacientes portadores de quadros agudos, de natureza clínica, traumática ou ainda psiquiátrica, que possa levar a sofrimento, sequelas ou mesmo à morte, provendo um atendimento adequado. E define o Atendimento Pré-Hospitalar Móvel como aquele que procura chegar precocemente à vítima através das unidades móveis, após ter ocorrido um agravo à sua saúde (de natureza clínica, cirúrgica, traumática, inclusive as psiquiátricas), que possa levar a sofrimento, gerar sequelas ou mesmo à morte, sendo necessário prestar-lhe atendimento e/ou transporte adequado a um serviço de saúde e integrado ao Sistema Único de Saúde (BRASIL, 2002). A Política Nacional de Atenção às Urgências 1863/GM, de 29 de setembro de 2003, estabeleceu critérios para a formulação das ações preventivas de combate ao trauma e violência no trânsito, para estruturação dos serviços médicos de emergência e das unidades básicas de atendimento assim como saúde da família. Tal política considera a Portaria 2048 de 05 de novembro de 2002, que organiza toda a rede pré-hospitalar desde a regulação médica, organiza os quadros funcionais, os tipos de ambulância e as atribuições dos componentes das equipes (BRASIL, 2003). Outra providência da Política Nacional de Atenção às Urgências é a criação das RUE’s (Rede de Atenção a Urgência e Emergência) segundo a Portaria Nº 1.600, de 07 de julho de 2011. As redes organizam a porta de entrada do Sistema 20 Único de Saúde (SUS) a partir de medidas que visam educar, conscientizar, classificar, diagnosticar, dar tratamento, reabilitar e proporcionar cuidados paliativos para a população acometida em situações de urgência e emergência, tanto clínica como traumática. O sistema de rede inclui a atenção básica, pré-hospitalar fixo, pré- hospitalar móvel e hospitais (BRASIL, 2011). 2.2 TRAUMA A abordagem adequada ao traumatizado deve ser iniciada no mesmo local do trauma. Respeitando o principal objetivo de encaminhar adequadamente o paciente certo para o hospital certo. Para o sucesso da operação de atendimento é necessária uma comunicação efetiva entre a equipe de pré-hospitalar e a instituição de saúde que irá receber os doentes (RASSLAN; WAKSMAN; FARAH, 2016). De acordo com o Colégio Americano de Cirurgiões (CAC) (2008) “Trauma é uma doença. Possui hospedeiro (o doente) e um vetor de transmissão (ex.: carros, armas) ”. Sendo responsável por 14 mil mortes diárias no mundo, está entre as 05 (cinco) principais causas de morte tanto nos países desenvolvidos como nos países subdesenvolvidos. Nos EUA o trauma é a terceira causa de mortes depois de doenças cardiovasculares e neoplasias e mata a cada 10 (dez) anos, mais pessoas que todos os conflitos militares da história americana juntos. Também mata mais crianças e jovens adultos que todas as doenças combinadas, cerca de 32 mil em 2006. Dessa forma o trauma é percebido como um problema de saúde mundial acarretando em 60 milhões de feridos por ano (NAEMT, 2011). Na década de 70, estudos identificaram que existem três principais fatores favoráveis para o acontecimento das lesões decorrentes de um trauma. O primeiro deles refere-se a pessoa/vítima que sofre o trauma, o segundo refere-se ao mecanismo responsável pela lesão (veículo, arma, artefato), e em terceiro o meio ambiente propício para que o trauma ocorra. A classificação destes fatores ficou conhecida com a matriz de Haddon. Identificou-se também que estes eventos acontecem em três momentos. O momento que antecede o trauma, o momento que acontece o trauma e o terceiro que sucede o trauma. Com estas características as ações de prevenção podem ser desenvolvidas a fim de evitar lesões e mortes (CAC, 2008). 21 Também segundo o Colégio Americano de Cirurgiões (CAC) (2008) historicamente os doentes de trauma não recebiam tratamento distinto para suas lesões. Costumava-se tratar o paciente somente após o diagnóstico médico da mesma forma como se tratava a Diabete Mellitus ou outras doenças agudas. Então desenvolveu-se conceitos referentes ao atendimento ao traumatizado onde, primeiramente tratava-se a maior ameaça à vida, a falta de diagnóstico não impedia o tratamento e uma história clínica não apurada não interferia no tratamento. Assim, através da cronologia das morbidades, foi desenvolvido o método mnemônico “A, B, C, D e E” onde os problemas são tratados em uma sequência. Esta sequência está representada na seguinte forma: A. Via aérea e controle de coluna cervical;B. Ventilação; C. Circulação, parar a hemorragia; D. Disfunção neurológica; E. Exposição do paciente e controle de ambiente (temperatura); A avaliação inicial é a pedra fundamental para o melhor tratamento do doente. Pensando assim, estabeleceram-se padrões para a avaliação do trauma. Primeiramente deve ocorrer a avaliação da cena – dimensionamento da cena, em seguida o exame primário do paciente – o mnemônico A, B, C, D e E, posterirormente deve ocorrer o exame secundário – anamnese e exame físico cefalo-podálico e por fim o monitoramento e reavaliação – avaliação continuada (NAEMT, 2011). Seguindo o princípio da avaliação inicial a Escala de Coma Glasgow pode completar a avaliação no nível de consciência dos pacientes. A escala é um método rápido e simples para avaliar a resposta neurológica. O rebaixamento do escore na avaliação pode representar comprometimento do nível de oxigenação cerebral em decorrência do trauma. A escala avalia a melhor resposta ocular, verbal e motora. Dando assim um parâmetro para o tratamento dos pacientes (RASSLAN; WAKSMAN; FARAH, 2016). Outro aspecto relacionado ao conceito do trauma é a distribuição trimodal das mortes. Esta distribuição, descrita em 1982, menciona que as mortes decorrentes dos traumas ocorrem em três momentos denominados “picos”. No primeiro pico as mortes ocorrem imediatamente após o trauma. São lesões graves, apneia, lesões 22 cerebrais, de medula espinhal ou por laceração de grandes vasos. No segundo pico as mortes ocorrem em alguns minutos ou até horas após o trauma. São mortes decorrentes de complicações de hematoma subdural e epidural, hemato- pneumotorax, ruptura de baço, lacerações graves, lesões traumáticas múltiplas e perdas sanguíneas graves. E o terceiro pico corresponde às mortes que ocorrem semanas depois por sepse ou falência de órgãos. Esta fase tem ligação com o tratamento recebido pelo doente nas fases anteriores. Assim existe uma relação direta sobre a qualidade e a eficiência do primeiro atendimento prestado à vítima de trauma que vai interferir na sobrevida destas (CAC, 2008). 2.3 CATÁSTROFES, DESASTRES E ACIDENTES COM MÚLTIPLAS VÍTIMAS No Brasil, este assunto recebeu mais atenção e passou a ser estudado com mais seriedade após alguns incidentes como o incêndio do Edifício Andraus (1972), do Edifício Joelma (1974), a explosão de um Shopping Center (1996), na queda de uma aeronave (1996), e do desabamento do telhado de uma igreja na cidade de Osasco (1998). Posterior a estes eventos, uma análise crítica sobre a qualidade da assistência prestada apontou a necessidade organizar um sistema de atendimento em massa (SOUSA; CALLIL; PARANHOS, 2009). Acidentes de trânsito causam danos e lesões em um número pequeno de pessoas, geralmente uma ou duas. Mas o aumento da população, da evolução industrial, dos meios de transporte carregando cada vez mais passageiros, do aumento do número de produtos tóxicos em circulação e de outros fatores que recebem influência ambiental e humana, faz com que os riscos de acidentes envolvendo um grande número de pessoas seja cada vez mais frequente (FREIRE, 2001). A Agencia Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), através da Resolução nº 420/2004 relaciona a existência de 3.500 produtos perigosos em circulação constante nas estradas brasileiras. São produtos capazes de emitir gases tóxicos, causar queimaduras, provocar contaminação do solo e lençóis freáticos causando danos para a população. Considerando esta quantidade de produtos perigosos em circulação os serviços de saúde devem atentar para acidentes com múltiplas vítimas que envolvam veículos de transporte de carga tipo caminhões e trens. Por lei estes 23 veículos são obrigados a transmportar junto ao produto uma espécie de rótulo com a descrição, o potencial lesivo e as medidas de socorro além de placas indicativas do produto junto a carga (DAMASCENO; AWADA, 2013). Segundo Oliveira, Parlin e Texeira Jr. (2007), estar preparado para atender um evento com um número elevado de vítimas é diferente de responder a tal evento. Estar preparado significa em possuir antecipadamente um plano de ação, um plano de contingência, treinamento das equipes – desde equipes do atendimento pré- hospitalar, bombeiros, guardas municipais, hospitais, polícias, etc. – que quando acionados consigam prestar um socorro coordenado e organizado. Responder ao evento significa simplesmente deslocar para o local do incidente os recursos necessários para o atendimento. Morton e Fontaine (2011, p. 102) “salientam a importância da avaliação global das situações de desastre, no que se refere a segurança do profissional, da equipe e das vítimas em qualquer situação de resgate. “ Para os eventos envolvendo um grande número de vítimas existem conceitos quanto ao tipo de recurso disponível. De acordo com Oliveira, Parlin e Texeira Jr. (2007) os acontecimentos súbitos com resultados calamitosos e trágicos recebem o nome de Catástrofes e estes, segundo a Organização Mundial de Saúde, precisam de ajuda externa – recurso proveniente de outra região diferente daquela onde ocorreu o evento - para o atendimento. São situações onde ocorre um desequilíbrio entre o número de feridos e o recurso disponível para prestar atendimento com qualidade básica ou mínima. Já os desastres são eventos que geram um número de vítimas maior do que o sistema de emergência local tem capacidade de atender em um primeiro momento por conta dos recursos humanos e de equipamentos serem insuficiente. Necessitando também de ajuda externa. Se existirem recursos suficientes em comparação com o número de vítimas, este evento passa a ser chamado de Acidente com múltiplas vítimas (CANETTI et al., 2007). Acidentes com Múltiplas Vítimas (AMV) são eventos onde ocorre um desequilíbrio entre as necessidades e os recursos disponíveis, porém o sistema de emergência local tem condições de prestar atendimento adequado desde que este seja coordenado e organizado, não necessitando de ajuda externa de outras forças de socorro. Outra definição parte do número de vítimas. Considera-se que um 24 número maior que 05 (cinco) vítimas envolvidas o evento passa a ser um chamado de AMV, porém há necessidade de adequar esta realidade para cada município a fim de incentivar uma mudança de comportamento em relação aos recursos e aos eventos em si (OLIVEIRA; PARLIN; TEXEIRA JR, 2007). Ainda é possível classificar os incidentes como Desastre com Vítimas em Massa (DVM). Essa classificação se dá pelo gigantesco volume de vítimas em um incidente. Envolve manobras de evacuação do bairro ou até mesmo da cidade e as vítimas precisam ser redirecionadas para locais bem mais distantes por conta do colapso estrutural dos serviços. Implica em uma mudança completa de paradigma onde busca-se o melhor para a maioria ao invés do melhor para a vítima (DAMASCENO; AWADA, 2013). Quanto à sua tipologia, desastres podem ainda ser classificados com eventos naturais, os causados pelo homem ou mistos. Os naturais compreendem os casos relacionados a fenômenos ou desequilíbrios da natureza. Existem ainda aqueles provocados pelo homem ou chamados de antropogênicos quando provocados pelas ações e/ou omissões humanas, enquanto desencadeadoras de desequilíbrios ambientais, de desajustes econômicos, sociais e políticos e da redução dos padrões da segurança coletiva. Já os desastres mistos são aqueles em que a ação humana pode intensificar, agravar, modificar ou complicar os fenômenos naturais. Também quando desastres naturais contribuem para o agravamento de situações ambientais, inicialmente deterioradas pelo homem. Há uma tendência moderna para considerar a maioria dos desastres como mistos considerando a abrangência dos fatores envolvidos (BRASIL, 2007). Catástrofes, desastres, incidentes ou acidentes com múltiplas vítimas(IMV ou AMV) são consideradas na literatura brasileira como eventos que necessitam de atendimento médico de emergência. Outra definição é da escola americana que utiliza o termo “disaster”. Já na francesa utilizam o termo catástrofes para definir os mesmos eventos com presença de número elevado de doentes. Também se pode encontrar na literatura brasileira o termo Urgência Coletiva (UC), embora os termos anteriores sejam os mais utilizados (CANETTI et al., 2007). Os eventos de múltiplas vítimas em geral seguem um formato que permite que as equipes de saúde se preparem para cada momento do incidente. São pontos específicos que destacam os momentos que antecedem, o evento em si e o pós 25 evento. A primeira fase chamada quiescência corresponde ao tempo entre um evento e outro. Permite que as esquipes usem as experiências anteriores para adaptar as ações para o próximo evento. A segunda fase chamada de pródomo é a previsão concreta da iminência do evento. A terceira fase é a de impacto, o momento ápice do evento onde pouco pode ser feito. A quarta fase, chamada de resposta ou socorro, é o ponto onde iniciam-se os resgates de feridos. E a quinta fase corresponde de reconstrução ou recuperação (CAC, 2008). Autores como Freire (2001) e Canetti et al. (2007) convergem sobre a atuação dos profissionais de socorro tanto na resposta como na preparação para um atendimento com um número grande de vítimas. Ambos conceituam a necessidade de postos de comando formados por membros das instituições envolvidas no atendimento como médicos, bombeiros, policiamento e agentes de defesa civil entre outros. Também coincidem nos critérios de classificação da cena em zona quente – área do evento, zona intermediária – com menor fator de risco para novos traumas e zona fria – onde deve ser instalado o posto de comando e área de estacionamento de ambulâncias. Freire (2001) cita ainda a criação de um posto médico avançado para prestar atendimento às vítimas no local do incidente. Este posto deve ser de fácil acesso para as vítimas e com ligação para as vias próximas que permitam acesso aos hospitais da região, além de dispor de meios de comunicação e ligação com um sistema de suprimento de material. Define também que este deva ser montado em local seguro, preferencialmente na zona fria do incidente. O Plano de Atendimento a Desastres e Incidentes com Múltiplas Vítimas do estado de São Paulo (2012) cita ainda a classificação dos desastres por grau. Estes graus são definidos pela delimitação do local por área, pela necessidade de posto médico avançado, pelo tempo de resposta das ambulâncias, por comprometimento do serviço de atendimento de saúde e em caso de catástrofes maiores como terremotos avalia também o comprometimento das estruturas de serviço. São assim classificados: Desastre nível I: pequena intensidade ou acidente; Desastre nível II: média intensidade; Desastre Nível III: grande intensidade e Desastre nível IV: muito grande intensidade. 26 2.4 TRIAGEM DOS FERIDOS Nocera e Garner (1999) relata que desde a Segunda Guerra Mundial o fator que mais interfere na redução dos índices de morbimortalidade em feridos em situações de múltiplas vítimas é a adequada triagem e posterior tratamento dos feridos. E estes devem ser simples, objetivos, padronizados e rápidos. O conceito de triagem implica em um conjunto de procedimentos simples. É uma técnica rápida e repetitiva aplicada a cada um dos pacientes que for atendido gerando uma orientação sobre a gravidade das suas lesões. A aplicação da triagem pode ser feita de acordo com cada situação, mas sempre parte do princípio de identificar as lesões com risco de morte, quais as manobras básicas a serem feitas antes da evacuação e define as prioridades no transporte. O mesmo autor também considera a utilização do “Método Rápido de Classificação de Catástrofes” onde as prioridades são determinadas a partir da deambulação, respiração, circulação, pulso e consciência (LEIVA et al., 2014). A classificação dos feridos tem uma importância relevante para o sucesso da operação de atendimento. Para realizar uma triagem adequada é necessário que esta seja feita por um profissional capacitado para identificar os riscos iminentes à vida. Um dos métodos mais difundidos entre as equipes dos SME's é o método START (Simple Triage and rapid tratment – simples triagem e rápido tratamento) (figura 01). Este sistema avalia a condição respiratória, reperfusão capilar e o nível de consciência do paciente e classifica a prioridade por cores (preto, vermelho, amarelo e verde). Na zona fria, onde são montados os postos de comando e posto de atendimento. No posto avançado de atendimento são distribuídas lonas nas cores correspondentes ao sistema de triagem (NAEMT, 2011). 27 Figura 1 - Método rápido de classificação de catástrofes (S.T.A.R.T.) Fonte: Enfermeiros em Urgência e Emergência (2011) Na 8ª edição do PHTLS (NAEMT, 2016 p. 133) o fluxograma do método S.T.A.R.T modificou o padrão de triagem. Sugere como 1º passo a atenção às ventilações (normal entre 10 e 30), no 2º passo a atenção está na circulação – pulso (ausente, fraco, irregular ou forte) e o 3º passo a atenção vai para o estado mental (responde ou não responde comandos). Porém na mesma edição, na página anterior, sugere-se o uso do mneumônico “30 – 2 – can do”. Ou seja, 30 de Frequência respiratória, 2 segundos de enchimento capilar e “can do” para “pode fazer”. A classificação dos feridos é feita pelo grau de comprometimento à vida. Os feridos passam por um sistema de triagem e são submetidos a classificação por cores. Vermelho para os pacientes graves – que necessitam de atendimento antes de serem transportados para o hospital, Amarelos – não apresentam risco de vida imediato, Verde – vítimas que não necessitam de tratamento imediato e possuem lesões leves sem risco à vida e Preto – para as vítimas em óbito ou com lesões incompatíveis com a vida. Uma vez identificado o grau de comprometimento esta vítima recebe um cartão, tipo METTAG (figura 02), com seus dados e sua 28 classificação e posteriormente é encaminhado para o local de atendimento de acordo com a sua classificação (OLIVEIRA; PARLIN; TEXEIRA JR, 2007). Figura 2 - Cartão METTAG Fonte: Álvarez-Fernández, Alarcón-Orts e Juan-Palmer (2006) Outro sistema que foi criado para padronizar os métodos de triagem é chamado de SALT (Sorting, Assessing, Life-saving and Treatment) correspondente à movimentação, intervenção capaz de salvar a vida e transporte. Neste método é solicitado ao doente que se movimente e ande ou acene. Aqueles que não conseguirem se movimentar são avaliados pelo risco de morte que suas lesões apresentam e o status respiratório. Diante do comprometimento respiratório o paciente passa a ter prioridade no atendimento. Se estas lesões são tratáveis, o paciente tiver um padrão respiratório adequado e existir recurso para a continuidade do tratamento este paciente passa a aguardar o momento de ser transportado para um hospital (NAEMT, 2011). Entre os métodos de triagem ainda se aplica o CRAMP (Circulação, Respiração, Mobilidade e Palavras) o qual pontua os níveis de resposta dos cinco itens em normal (dois pontos), anormal (um ponto) e grave (zero pontos). Como este 29 método possui parâmetros muito específicos é sugerido que seja utilizado por médicos ou profissionais de saúde bem treinados (CAMPOS, 2015). Segundo Sousa, Callil e Paranhos (2009), em simulações onde o método CRAMP foi utilizado foi percebida uma maior dificuldade de interpretação por parte dos profissionais por conta do seu sistema paramétrico de avaliação. Acarretando em maior tempo nas avaliações retardando o atendimento às vítimas. Dessa forma, o método START é o que mais se adequa às necessidades da triagem de múltiplas vítimas.2.5 TRANSPORTE DOS FERIDOS O transporte dos feridos também tem relevância dentro do atendimento às vítimas. Conceitua-se que o transporte seja feito de forma organizada e que os feridos sigam para os hospitais de destino previamente estabelecidos. As ambulâncias devem ficar estacionadas próximas da zona fria e ter rotas diferentes para chegada e saída a fim de evitar os congestionamentos e o atraso no transporte (OLIVEIRA; PARLIN; TEXEIRA JR, 2007). Damasceno e Awada (2013) sugere que os pacientes mais graves, aqueles que tem risco iminente de morte, sejam preferencialmente transportados por Unidades de Suporte Avançado (USA). Isto pela possibilidade de receberem tratamento mais adequado para o grau de suas lesões. Porém, diante do elevado número de feridos este recurso pode se tornar limitado. Considera assim a possibilidade de uso de outros tipos de ambulância para suprir a demanda de feridos. Freire (2001) prevê o uso de ônibus e vans como alternativa para o transporte de feridos leves até o local de tratamento definitivo. Prevê também a criação de uma área delimitada no mínimo 100 metros do local do incidente, segundo regras da aviação aero médica, para a evacuação dos pacientes graves com o uso de helicópteros. Leiva et al. (2014) considera que há uma distorção na utilização de helicópteros para atendimento de múltiplas vítimas. Menciona que as aeronaves de asa rotativa podem facilitar e agilizar o acesso das equipes ao local do incidente como servir para o transporte de material e estruturas temporárias, ampliando assim 30 seu uso e facilitando a logística de atendimento. Dessa forma não ficariam restritas ao transporte de pacientes. Outra questão importante envolve os pacientes que conseguem andar e que acabam saindo do local do incidente por conta própria. Cerca de 70% a 80% dos pacientes procuram o hospital mais próximo para receber tratamento, sem terem sido transportados por ambulância dos serviços de saúde, e com isso o tumulto se transfere do local do incidente para a porta do hospital. Diante desta situação os profissionais precisam considerar a possibilidade de remover os pacientes graves da cena para hospitais mais distantes. Embora sendo um trajeto mais longo, existe a garantia de um atendimento com maior qualidade priorizado pela gravidade das lesões (NAEMT, 2011). Também segundo o NAEMT (2011) os próprios socorristas tendem a superlotar os hospitais mais próximos do evento com vítimas na ansiedade de liberarem-se destes e disponibilizar a ambulância para retornar ao local do incidente e transportar novos pacientes. Este comportamento gera um impacto negativo no sistema de atendimento hospitalar por conta da saturação. Nas cidades com poucos hospitais é inevitável que esta saturação ocorra. Leiva et al. (2014) entende que o transporte dos pacientes deve ser feito somente após a estabilização e o destino determinado para este doente precisa ter capacidade de atender e dar continuidade do tratamento pré-hospitalar. Também considera que a transferência ao profissional que receberá este doente deva ocorrer de forma verbal e escrita e sistematizada. Outro critério é o de pronta reativação do recurso ficando disponível para novos atendimentos. 2.6 ASPECTOS EMOCIONAIS RELACIONADOS AO ATENDIMENTO DE MÚLTIPLAS VÍTIMAS A resposta adequada para um evento de múltiplas vítimas implica em uma série de recursos diferentes para suprir necessidades diferentes. Além do Corpo de Bombeiro, serviço de saúde, Defesa Civil (DC), companhia de energia elétrica, policias militares e civis, é necessária a presença de equipes multiprofissionais como psicólogos, conselheiros tutelares e gestores municipais (SOUSA; CALLIL; PARANHOS, 2009). 31 O atendimento aos incidentes envolvendo grandes números de vítimas incluem outros fatores que interferem na resposta ao evento. Freire (2001) cita ainda os aspectos psicológicos das vítimas que apresentam ansiedade e agitação em decorrência do enfrentamento da situação, o envolvimento emocional dos socorristas que por vivenciarem cenas com circunstâncias perturbadoras, tais como crianças mortas, são tomados de ansiedade e também os aspectos médicos – legais – jurídicos que correspondem ao manejo e condutas adequadas frente aos cadáveres encontrados, seus pertences e sua dignidade que deve ser preservada. As respostas psicológicas por que passam pacientes e socorristas podem variar muito. Vão desde sinais fisiológicos como náuseas e tremores, passam por sinais emocionais como ansiedade e irritabilidade, também por sinais cognitivos e comportamentais como perda de memória, choro e insônia. Isso não significa que todos os envolvidos apresentaram transtornos mentais, mas sim que de alguma forma serão afetados emocionalmente (NAEMT, 2011). 2.7 SIMULAÇÕES DE ACIDENTES COM MÚLTIPLAS VÍTIMAS Conforme Leiva et al. (2014) a simulação tem capacidade de aproximar o aluno mais perto possível da realidade, possibilitando conhecer as reais dificuldades diante de Incidentes com Múltiplas Vítimas. Com isso o aluno / profissional tem chance de desenvolver sua habilidade e conhecer com antecedência as técnicas e as necessidades envolvidas neste tipo de evento trazendo assim benefícios adicionais como o fortalecimento operacional, mais segurança na tomada de decisões e a criação de uma nova cultura para a solução destes incidentes. As simulações criam oportunidade para treinamento que agrega outras equipes de vários contextos. Estes exercícios permitem estabelecer uma linha de comunicação entre os órgãos multidisciplinares. Propiciam também a chance testar a estrutura de socorro como, resistência física das equipes, vias de acesso, vias de evacuação, meios de transporte, logística de materiais entre outros (NAEMT, 2011). Outra oportunidade que os simulados possibilitam é a chance de testar as estruturas de serviço em reposta aos eventos com muitas vítimas. Entre estas estruturas estão os centros de comando, posto médico avançado e de retaguarda, 32 estruturas de suprimento e transporte. Evitando assim algum prejuízo real ao atendimento em situações verdadeiras (SOUSA; CALLIL; PARANHOS, 2009). 2.8 INSERÇÃO DO ENFERMEIRO NO ATENDIMENTO DE MÚLTIPLAS VÍTIMAS Fica evidente que a enfermagem em geral está presente nos serviços de saúde, tratando-se de uma categoria de profissionais indispensáveis ao atendimento de feridos. Indispensável também nas áreas de educação e gerenciamento das situações de múltiplas vítimas. Para tal, é necessário desenvolver conhecimentos, habilidades e atitudes com o propósito de garantir o atendimento qualificado e prioritário. Acima disto é necessário que os próprios enfermeiros reconheçam estas responsabilidades como sendo de sua competência (MELLO et al., 2013) Inserido neste contexto de múltiplas vítimas está o enfermeiro, profissional da área da saúde que precisa ter experiência teórica e prática no momento de socorrer e transportar um ferido. O enfermeiro faz parte das equipes de suporte avançado ao lado do médico, o qual tem condições e prerrogativas para manobras mais invasivas e complexas, podendo assim diminuir os riscos de morbimortalidade dos pacientes críticos (RODRIGUES et al., 2013). Sousa, Callil e Paranhos (2009) mencionam que as equipes de saúde devem estar preparadas para responder a um evento com muitas vítimas em todas as frentes possíveis. Esta resposta deve ser dada em todos os níveis do incidente, inclusive na área vermelha do evento. Para atendimentos neste local, ele sugere uma equipe médica especializada em ambientes colapsados. Assim fica evidente que a participação do enfermeiro neste tipo de equipe é fundamental. É responsabilidade das equipes de saúde especialmente da enfermagem o cuidado com os riscos biológicos. O risco é exacerbado em situações de emergência e emambientes colapsados. Por conta disso é fundamental o treinamento e a capacitação dos profissionais para diminuir os riscos ocupacionais durante o atendimento às múltiplas vítimas (WHITAKER; GATTO, 2015) Leiva et al. (2014) consegue dimensionar as situações de múltiplas vítimas em todo o espectro e elenca as muitas necessidades na solução de problemas e no tratamento dos feridos. Em sua obra, cita a criação de centros de comando, postos de comando avançado, comitês gestores, força tarefa, planos de emergência e 33 contingência entre outros. Com isso entende-se que o enfermeiro tem responsabilidade direta na tomada de decisões. Marin (2013), em sua dissertação de mestrado pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), elencou 17 responsabilidades atribuídas ao enfermeiro atuante no serviço de saúde intra – hospitalar em resposta a desastres. Considerou os momentos pré - evento e o evento propriamente dito. Dividiu ainda essas ações em gerenciamento, educacional, assistência à saúde e comunicação. Assim como outros autores, colocou o enfermeiro à frente do sistema organizacional das instituições para a melhor resposta aos desastres. Mello et al. (2013) menciona que o desenvolvimento das competências gerencias por parte do enfermeiro é uma ferramenta poderosa para transforma a prática dos cuidados em múltiplas vítimas. Tal preparo é determinante no decorrer do atendimento uma vez que estes conceitos geralmente não fazem parte do seu cotidiano de trabalho. Durante as simulações de eventos com muitas vítimas na cidade de São Paulo foi percebido o excelente desempenho dos enfermeiros como coordenadores dos postos médicos avançados amarelos e verdes. Este resultado foi atribuído à formação do enfermeiro tanto na área administrativa como na assistencial de enfermagem (SOUSA; CALLIL; PARANHOS, 2009). A Portaria 2048 GM de 05 de novembro de 2002, do Ministério da Saúde condiciona o perfil do enfermeiro do serviço pré-hospitalar móvel e exige os seguintes requisitos: disposição pessoal para a atividade; equilíbrio emocional e autocontrole; capacidade física e mental para a atividade; disposição para cumprir ações orientadas; experiência profissional prévia em serviço de saúde voltado ao atendimento de urgências e emergências; iniciativa e facilidade de comunicação; condicionamento físico para trabalhar em unidades móveis; capacidade de trabalhar em equipe; disponibilidade para a capacitação, bem como para a re-certificação periódica (BRASIL, 2002). A mesma portaria confere ao enfermeiro as seguinte competências e atribuições: supervisionar e avaliar as ações de enfermagem da equipe no Atendimento Pré-Hospitalar Móvel; executar prescrições médicas por telemedicina; prestar cuidados de enfermagem de maior complexidade técnica a pacientes graves e com risco de vida, que exijam conhecimentos científicos adequados e capacidade 34 de tomar decisões imediatas; participar nos programas de treinamento e aprimoramento de pessoal de saúde em urgências, particularmente nos programas de educação continuada; fazer controle de qualidade do serviço nos aspectos inerentes à sua profissão; subsidiar os responsáveis pelo desenvolvimento de recursos humanos para as necessidades de educação continuada da equipe; obedecer a Lei do Exercício Profissional e o Código de Ética de Enfermagem; conhecer equipamentos e realizar manobras de extração manual de vítimas (BRASIL, 2002). De acordo com Nocera e Garner (1999) além dos conhecimentos adquiridos ao longo da formação acadêmica e da experiência profissional, ainda há necessidade do conhecimento da legislação vigente que ampara os serviços de enfermagem, entre estas leis, a do Exercício Profissional de Enfermagem nº 7498/86 vincula o enfermeiro diretamente ao atendimento dos pacientes críticos e a execução das atividades de maior complexidade técnica e que exijam conhecimento de base científica e capacidade de tomar decisões. É importante destacar que a Resolução 311/2007 do Código de Ética de Enfermagem do Conselho Federal de Enfermagem (COREN-RS, 2014), traz no seu conteúdo vários artigos que norteiam as ações e comportamentos da enfermagem tanto no intra-hospitalar como no pré-hospitalar. Aqui alguns dos artigos que fazem relação: Artigo 05: Exercer a profissão com justiça, compromisso, equidade, resolutividade, dignidade, competência, responsabilidade, honestidade e lealdade (COREN-RS, 2014, p. 32). Artigo 06: Fundamentar suas relações no direito, na prudência, no respeito, na solidariedade e na diversidade de opinião e posição ideológica (COREN- RS, 2014, p. 32). Artigo 12: Assegura à pessoa, família e coletividade assistência de enfermagem livre de danos decorrentes de imperícia, negligência e imprudência (COREN-RS, 2014, p. 33). Artigo 19: Respeitar o pudor, a privacidade e a intimidade do ser humano, em todo o seu ciclo vital, inclusive nas situações de morte e pós morte (COREN- RS, 2014, p. 34). 35 Artigo 44: Recorrer ao Conselho Regional de Enfermagem, quando impedido de cumprir o presente código, a legislação do Exercício da Profissional e as Resoluções e Decisões emanadas peso sistema COREN/COFEN (COREN- RS, 2014, p. 36). Outra consideração sobre as competências educacionais consta decisão nº 099/2005 do Conselho Regional de Enfermagem do Rio Grande do Sul (COREN- RS) que põe o enfermeiro como responsável no processo de educação continuada dos profissionais de saúde, inclusive na avaliação de desempenho. Dessa forma entende-se que o treinamento e capacitação dos envolvidos precisa passar pelo crivo técnico do enfermeiro (COREN-RS, 2014). 36 3 MÉTODO A seguir, será apresentado o método científico utilizado para a elaboração desta pesquisa bem como a população amostral, além da forma como foram coletados os dados, evidenciando os critérios de inclusão e exclusão. Também estão descritos os aspectos éticos e a análise das informações. 3.1 DELINEAMENTO DO ESTUDO A investigação científica depende de um conjunto de procedimentos intelectuais e técnicos para que seus objetivos sejam atingidos (PRODANOV, FREITAS, 2013). O trabalho proposto adotou a seguinte abordagem: uma pesquisa quantitativa, descritiva e exploratória. De maneira geral esta pesquisa respeita o critério quantitativo, que acordo com Prodanov e Freitas (2013) é quando as informações podem ser quantificadas e transformadas em números. Fazendo o uso de recursos técnicos de estatística (percentagem, média, moda, mediana, desvio padrão, coeficiente de relação, etc.) permitindo descrever a complexidade de um problema e relacionar as variáveis para garantir a precisão dos resultados. Também respeita o critério descritivo onde os fatos são observados, registrados, analisados, classificados e interpretados, sem interferência do pesquisador. Com isso os dados são coletados por meio de questionários e da observação sistemática e posteriormente os fenômenos são estudados sem ser manipulados. Uma característica é o emprego de questionário e da observação sistemática dos dados (GOLDIN, 2000). Esta pesquisa também possui caráter exploratório – visando proporcionar maior familiaridade com os problemas. De acordo com o que Goldin (2000) define, tem como finalidade proporcionar maiores informações sobre o assunto estudado a fim de facilitar a delimitação do tema do trabalho, permitindo definir os objetivos. 37 3.2 POPULAÇÃO E AMOSTRA Geralmente as pesquisas sociais abrangem um universo de elementos tão grande que se torna impossível considerá-lo em sua totalidade. No entanto nas pesquisas, é muito frequente trabalhar com uma amostra, ou seja, com uma pequena parte dos elementos que compõem o universo (PRODANOV, FREITAS, 2013). Segundo dados da Secretaria Estadual da Saúde do Estado do Rio Grande do Sul,o serviço dispõe de 161 bases operacionais, cada uma com um enfermeiro como responsável técnico (RT), 187 Unidades de Suporte Básico (USB) e 34 Unidades de Suporte Avançado (USA). Dispõe ainda de 5 enfermeiros no serviço aero médico. Algumas bases possuem mais de uma USA, como Porto Alegre (03), Canoas (02) e Santa Maria (02). Estima-se que a população total chegue a 350 enfermeiros atuando no serviço. A população do presente estudo caracterizou-se pelos enfermeiros que atuam no SAMU da Região Metropolitana de Porto Alegre – RS que aceitaram participar da pesquisa. Esta região é composta por 09 bases das cidades de Novo Hamburgo, São Leopoldo, Sapucaia do Sul, Canoas, Gravataí, Montenegro, Taquara, Alvorada e Guaíba. A amostra se deu por conveniência, composta por 26 enfermeiros que atuam na assistência e que aceitaram participar da pesquisa conforme critérios de inclusão. 3.3 CRITÉRIOS DE INCLUSÃO Foram incluídos nesta pesquisa todos os enfermeiros, maiores de 18 anos, de ambos os gêneros, que atuam no Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) dos municípios em estudo, que compõe o quadro de serviço de umas das bases com Unidade de Suporte Avançado (USA) da região metropolitana. 38 3.4 CRITÉRIOS DE EXCLUSÃO Foram excluídos os enfermeiros das bases do SAMU das cidades de Montenegro e Guaíba, totalizando 12 profissionais, em respeito a opção manifestada de não participar da pesquisa. 3.5 ASPECTOS ÉTICOS A presente pesquisa considera toda regulação de ética em pesquisa, prevista na resolução 466/2012 do Conselho Nacional de Saúde (CNS). Para isso, a resolução engloba referenciais de bioética, como autonomia, beneficência e a não maleficência, justiça, equidade, entre outros. Respeitando os direitos e deveres dos indivíduos que compõem a pesquisa (BRASIL, 2016). O projeto foi submetido à avaliação da Banca Examinadora de professores do curso de Enfermagem da Universidade Feevale. O pesquisador convidou através de e-mail os enfermeiros a participar da pesquisa, cujos objetivos foram demonstrados no corpo do mesmo. Ao aceitar participar do estudo, os enfermeiros concordaram com o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) no instrumento eletrônico (APÊNDICE A) para autorizar sua participação. Após aceitarem e marcar a opção “aceito” no TCLE, foi aplicado aos participantes o instrumento de pesquisa (APÊNDICE B) elaborado pelo aluno pesquisador contendo questionamentos sobre o tema. A pesquisa em algum momento pôde causar descontentamento ou constrangimento ao pesquisado. Portanto será mantido em sigilo a identificação dos participantes, não acarretando nenhuma vantagem e garantindo a opção de desistência quando manifestado, a qualquer momento da pesquisa. A pesquisa prevê como benefício a ampliação do conhecimento acadêmico. Todos os documentos gerados serão arquivados por um prazo de cinco anos e após incinerados. Os dados adquiridos serão exclusivamente para o presente estudo, na qual ao final da pesquisa será fornecida uma cópia para a biblioteca da Universidade para futuras pesquisas e para as Instituições coparticipantes. 39 3.6 COLETA DE DADOS A coleta de dados ocorreu após a aprovação da banca examinadora. Em seguida foi feito contato com os coordenadores ou Responsáveis Técnicos (RT) das bases explicando os objetivos desta pesquisa e solicitando a colaboração dos mesmos. Através do consentimento destes, foi realizado contato com os enfermeiros de cada base e solicitado endereço eletrônico (email) para envio do material da pesquisa. O instrumento de pesquisa é composto por 30 questões e foi disponibilizado aos participantes através do Google Forms. Através de contato via e-mail os enfermeiros foram convidados pelo pesquisador para participação e foi enviado o link para acesso. Foram expostos os objetivos desta e solicitada a sua autorização para a aplicação do instrumento por meio do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE). Após terem concordado com o conteúdo do termo os enfermeiros tiveram acesso ao Instrumento de Pesquisa (IP) online. Esta metodologia para coleta de dados já foi utilizada por outros autores (SHIMIZU; FRAGELLI, 2016). Entende-se que responder ao questionário online agiliza o processo e não interfere no andamento do trabalho dos mesmos por permitir que este seja feito a qualquer momento inclusive fora do horário de trabalho. O pesquisador permaneceu à disposição para esclarecer eventuais dúvidas. O instrumento foi aplicado aos participantes nos meses de março e abril de 2017. Os dados obtidos com o preenchimento do instrumento da pesquisa foram tabulados em uma planilha do Microsoft Excel, compondo um banco de dados. 3.7 ANALISE DOS DADOS Uma vez aplicada o instrumento, e na posse de todos os termos de consentimentos, as informações passaram a compor o banco de dados eletrônico com auxílio do programa Microsoft Excel e estes, posteriormente, foram submetidos a análise estatística no programa Statistical Package for Social Sciences (SPSS) for Windows versão 17.0. Essa fase da pesquisa previa a interpretação e a análise dos dados tabulados, os quais foram organizados na etapa anterior. A variabilidade das informações obtidas no estudo foi descrita na forma de proporções e tabelas de 40 frequência, enquanto que as variáveis continuas tiveram a apresentação em média e desvio padrão. A análise contempla os objetivos da pesquisa para comparar e confrontar dados e provas com o objetivo de confirmar ou rejeitar ou os pressupostos da pesquisa. A análise e a interpretação desenvolvem-se a partir das evidências observadas, de acordo com a metodologia, com relações feitas através do referencial teórico e complementadas com o posicionamento do pesquisador (PRODANOV, FREITAS, 2013). 41 4 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS DADOS Participaram da pesquisa 26 enfermeiros que atuam em Unidades de Suporte Avançado (USA) do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU), de sete cidades da Região Metropolitana de Porto Alegre – RS. Com objetivo de identificar o perfil dos profissionais que atuam no Atendimento Pré-Hospitalar (APH), sua avaliação sobre a formação acadêmica para os eventos com múltiplas vítimas, o reconhecimento das responsabilidades nestas situações, experiência prática, a vivência com os sistemas de triagem de vítimas, transporte e com os simulados. Os resultados obtidos foram distribuídos em tabelas referentes a cada assunto e comparados ao que se sabe da literatura sobre o assunto. Os dados referentes ao perfil dos profissionais entrevistados que atuam no serviço estão apresentados na tabela 01 a seguir. Tabela 1 - Perfil dos profissionais graduados em enfermagem atuantes no SAMU da região metropolitana de Porto Alegre/RS (continua) Variáveis N:26 Sexo Masculino Feminino 12 (46,2%) 14 (53,8%) Idade (a) 38,1 ± 7,05 Tempo de Atuação no APH (a) 7,93 ± 5,32 Tempo de Formação (a) 9,63 ± 6,69 Cidade onde atua (*) Canoas São Leopoldo Taquara Sapucaia do Sul Novo Hamburgo Alvorada Gravataí 6 (22,6%) 5 (19%) 5 (19%) 4 (15,2%) 2 (7,6%) 2 (7,6%) 1 (3,8%) 42 (conclusão) Variáveis N:26 Carga Horária De 24 a 35 horas semanais De 36 a 45 horas semanais De 46 a 55 horas semanais Acima de 56 horas semanais (**) 8 (30,7%) 14 (53,8%) 1 (3,8%) 3 (11,5%) Fonte: Próprio autor (2017) (*). Nem todos os pesquisados responderam esta pergunta. (**) Indivíduos que trabalham em mais de uma base. (a) Resultados expressos através de média ± desvio