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 Educação 
à Distância 
Ebook 
Autor: Equipe Multidisciplinar 
História da Filosofia 
 
Apresentação da Disciplina 
 
Caros alunos do curso de Teologia, nesta disciplina, será explorado a evolução do 
pensamento filosófico ao longo dos séculos, com ênfase em sua relação com a história da 
Igreja e a teologia. 
Inicialmente será tratado sobre a História da Igreja Primitiva, período marcado 
pela expansão do cristianismo e pelo desenvolvimento das primeiras comunidades 
cristãs. Em seguida, adentraremos na Tradição Filosófica Ocidental, analisando os 
principais autores e obras que influenciaram o pensamento cristão, desde a Antiguidade 
até a Idade Média. 
Ao longo do curso, será estudado a divisão das Escolas Filosóficas, compreendendo 
as diferenças entre as correntes de pensamento que surgiram ao longo da história. 
Também será abordado o processo de Estatização da Igreja, que teve um impacto 
significativo na relação entre a filosofia e a teologia. 
Durante a Filosofia Medieval, será aprofundado no Pensamento Cristão, 
analisando como os filósofos e teólogos da época buscaram conciliar a fé com a razão. 
Além disso, será estudado as contribuições de grandes pensadores, como Santo Agostinho 
e São Tomás de Aquino, que deixaram um legado duradouro para a teologia. 
Avançando para o período da Reforma Protestante, será examinado como esse 
movimento influenciou a filosofia e a teologia, trazendo novas perspectivas e 
questionamentos para o pensamento cristão. 
 
 
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Na segunda parte da disciplina, na História da Filosofia Pós-Moderna e 
Contemporânea, será estudado o Pós-Modernismo Filosófico, analisando as principais 
características e ideias que marcam esse período. Discutindo o Pensamento Pós-Moderno 
e suas implicações para a compreensão do ser humano e da sociedade. 
O conceito do Homem Pós-Moderno, refletindo sobre os desafios e as 
oportunidades que essa nova visão de mundo apresenta para a teologia e a filosofia. Por 
fim, será explorado a relação entre Religião e Ética no contexto pós-moderno, buscando 
compreender como essas duas áreas se relacionam e se influenciam mutuamente. 
Ao longo da disciplina, será utilizado uma abordagem multidisciplinar, 
combinando análises filosóficas, teológicas e históricas. Objetivando proporcionar uma 
compreensão abrangente da evolução do pensamento filosófico e sua relação com a 
história da Igreja e a teologia. 
 
1. Objetivo Geral 
 
Proporcionar aos alunos uma compreensão abrangente da evolução do 
pensamento filosófico ao longo da história, analisando as principais correntes, autores e 
obras, bem como sua relação com a história da Igreja e a teologia. 
 
2. Objetivo Específicos 
 
a) Examinar a tradição filosófica ocidental, desde seus primórdios na Grécia 
Antiga até a era contemporânea, identificando os principais filósofos, suas 
contribuições e o contexto histórico em que estavam inseridos. 
b) Analisar o desenvolvimento da filosofia cristã, explorando como pensadores 
como Santo Agostinho e São Tomás de Aquino buscaram conciliar a fé com a 
razão, e discutir o impacto da Reforma Protestante na filosofia e teologia. 
c) Investigar as características e implicações do pensamento pós-moderno para a 
compreensão do ser humano e da sociedade, refletindo sobre os desafios e 
oportunidades que essa nova visão de mundo apresenta para a filosofia, a 
teologia e a ética. 
 
 
 
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3. A problematização do conteúdo 
 
Neste primeiro momento, estudaremos a filosofia baseada no pensamento dos 
filósofos ocidentais. Esses filósofos formularam seus pensamentos cerca de sete séculos 
antes da era cristã. Muitos dos seus pensamentos se perderam no decorrer da história 
humana. A filosofia nasceu em cidades periféricas como Mileto, Samos, Eléia, Éfeso, dentre 
outros, de onde virão os primeiros filósofos. 
O surgimento da filosofia dar-se-á no instante em que o homem começa a refletir 
sobre o funcionamento da vida e do universo. Historicamente, os pensadores refletiram 
sobre diversos assuntos, buscando explicações racionais. De que forma podemos 
estimular o pensamento científico por meio da filosofia? E ainda, diferenciar as correntes 
filosóficas construídas ao longo da história? 
 
 
Divisão do Conteúdo 
 
O conteúdo a seguir está dividido em três unidades, cada unidade dividida em três 
subunidades. Na unidade um será abordado a História da Igreja Primitiva, na tradição 
filosófica ocidental, principais autores e obras e a divisão das escolas filosóficas. Na 
unidade dois, o tema proposto estará associado a Estatização da Igreja, abordando a 
filosofia medieval, pensamento cristão e a reforma protestante. E por fim, na unidade três 
será tratado sobre História da Filosofia: Pós-Modernismo e Contemporânea, o pós-
modernismo filosófico, o pensamento pós-moderno e o homem pós-moderno, religião e 
ética. 
 
 
 
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Unidade 1 – História da Igreja Primitiva 
 
Subunidade 1.1 – Tradição Filosófica Ocidental 
 
Não encontramos registros históricos completos sobre a origem da tradição 
filosófica ocidental, os pensamentos destes filósofos foram formulados cerca de sete 
séculos antes da era cristã e muitos deles eram líderes religiosos. A filosofia nasceu longe 
dos grandes centros urbanos, como Atenas e Esparta. Ela nasce em cidades periféricas 
como Mileto, Samos, Eléia, Éfeso, etc., de onde virão os primeiros filósofos. 
Existem definições diferentes para ciência e conhecimento científico, segundo 
diversos autores, que iniciaram a tarefa de refletir sobre o assunto. Algumas definições 
são semelhantes, outras divergentes. Entretanto, a maioria deles concorda que "ao se falar 
em conhecimento científico, o primeiro passo consiste em diferenciá-lo de outros tipos de 
conhecimento existentes" (Lakatos e Marconi, 1986, p. 17). 
A ciência compreendida como forma de conhecimento, num sentido mais 
específico, surge no contexto histórico no século XVI, fundamentada filosoficamente pelo 
Iluminismo e originada com o Renascimento. "O discurso científico tem a intenção 
confessada de produzir conhecimento, numa busca sem fim da verdade" (Alves, 1987, p. 
170). 
Para equilibrar esse conhecimento de forma mais adequada, buscando ao máximo 
ser fiel à realidade, a ciência procura duas dinâmicas do conhecimento, a constante 
renovação e a consolidação dos conhecimentos já construídos. 
 
O Valor Da Filosofia 
 
De uma forma primária, podemos dizer que a filosofia é um exercício intelectual 
que ajuda a abrir a mente, já alguns estudiosos queixam-se de que ela não leva a lugar 
algum. Para o cristão, possivelmente o valor da filosofia, pode estar relacionado à forma 
de como o estudo da mesma pode contribuir com a perspectiva do cristianismo. 
A fé cristã não é uma forma religiosa do platonismo, aristotelismo, idealismo, 
existencialismo, ou qualquer outro “ismo” que seja. E por esse motivo, não deve ser 
defendida nem atacada como tal, sua validade depende da validade da fé cristã, da 
 
 
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revelação bíblica e tudo quanto acarreta (BROWN,2003). Propriamente com está questão 
que se ocupa a filosofia da religião, dando a essa matéria à devida importância. 
 
Subunidade 1.2 - Principais Autores e Obras 
 
 
 
 
 
 
 
O primeiro dos três grandes filósofos gregos foi Sócrates, os quais estabeleceram 
as bases do pensamento ocidental (os outros dois foram Platão e Aristóteles). De acordo 
com o romano Cícero, “fez com que a filosofia descesse dos céus para a terra”. Em outras 
palavras, ele conduziu a transição do pensamento dos antigos cosmologistas gregos, que 
viviam refletindo sobre a origem do universo, para preocupações maiores com a ética e a 
existência humana, adotando o famoso lema: “Conhece-te a ti mesmo”. 
O problema é que esses dois autores eram cerca de 40 anos mais novos que 
Sócrates e só testemunharam a última década da vida do filósofo. “A atividade dele 
consistiapoder. Rio de Janeiro: Graal, 
1979. 
 
https://super.abril.com.br/mundo-estranho/os-10-filosofos-mais-importantes-da-historia/
https://super.abril.com.br/mundo-estranho/os-10-filosofos-mais-importantes-da-historia/
 
 
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GRIPPA, Adolpho (Org.) As ideias filosóficas no Brasil século XX. São Paulo: Convívio, 
1998. 
 
HABERMAS, Jürgen. Discurso Filosófico da Modernidade. Lisboa: Dom Quixote, 1990. 
 
HARVEY, David. Condição pós-moderna. São Paulo: Edições Loyola, 1992. 
 
IANNI, O. Enigmas do pensamento latino-americano. São Paulo: IEA/USP, 2002. 
 
JAIME, Jorge. História Filosófica no Brasil. 2 ed. Petrópolis: Vozes, 2001, vol. 1 e 2. 
 
JAKOBSKINO, Mário. A América Latina, Histórias de dominação e libertação. Campinas: 
Papirus, 1995. 
 
LAKATOS, E.M. e Marconi, M. (1986). Metodologia científica. São Paulo: Atlas. 
 
LIPOVETSKY, Gilles. A era do vazio. Ensaios sobre o individualismo contemporâneo. 
Barueri: Manole, 2005 
 
LYOTARD, Jean-François. O Pós-Moderno. Rio de Janeiro: José Olympio, 1998. 
 
CHAUÍ, M.. Introdução à história da filosofia: as escolas helenísticas, vol. II. São Paulo: 
Companhia das Letras, 2010, p. 156. 
 
MACHADO, G.P. A Filosofia no Brasil. São Paulo: Cortez e Morais, 1996. 
 
MARDONES, José Maria. Neoliberalismo y religión. Pamplona, Espanha: Verbo 
 
MELLO, L.I. História Moderna e Contemporânea. São Paulo: Schipione, 1998. 
 
MÍGUEZ, Néstor O. Os mercados em perspectiva bíblica. Cristianismo, consumismo e 
mercado. Revista Concilium. Revista Internacional de Teologia. Número 357. 2014/4. 
 
MORA, José Ferrater.( 1984) Dicionário de Filosofia. 5 ed. Madrid: Alianza editorial. 4 vol. 
 
PAIM, Antônio. O estudo do pensamento filosófico brasileiro. São Paulo: Convívio, 1999. 
 
REALE, Giovanni; ANTISERI, Dario. História da Filosofia: Antiguidade e Idade Média. São 
Paulo: Paulus, 1990. 
 
ROJAS, Enrique. El hombre light: uma vida sin valores. Madrid: Temas de Hoy, 1996. 
 
SANTOS, Bento Silva. História da Filosofia Medieval. Vitória: Universidade Federal do 
Espírito Santo, Secretaria de Ensino à Distância, 2015. 230 p.:il; 24cm 
 
SANTOS, Jair Ferreira dos. O que é pós-moderno. São Paulo: Editora Brasiliense, 2006. 
 
TEIXEIRA, Francisco J.S. Pensando com Marx: uma leitura crítica comentada de O Capital. 
São Paulo: Ensaio, 1995. 
 
 
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TOBIAS, José. A História das ideias no Brasil. São Paulo: EPU, 1997. 
 
ZEA, Leopoldo. Discurso desde a marginalização e a Barbarie. Garamond, 2002.em debater temas de filosofia, principalmente noções e conceitos morais.” Teve 
grande influência na teologia cristã e na filosofia ocidental. Para ele, o homem vivia preso 
num mundo de sombras, sem conseguir ver a realidade. Foi o primeiro filósofo a produzir 
uma obra substancial que sobreviveu ao tempo. A Academia fundada por ele – e 
considerada a primeira instituição de ensino superior do Ocidente – sobreviveu por mais 
de 800 anos. 
 
 
 
 
 
 
Sócrates 
 
Origem: Atenas, Grécia 
Vida: 470 - 347 A.C 
 
 
 
Aristóteles 
 
Origem: Estagira, Grécia 
Vida: 384 - 322 A.C 
Principal Obra: Ética a Nicômaco 
 
 
 
 
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Considerado por muitos o fundador da ética, Aristóteles defendeu que os sentidos 
devem ser o ponto de partida da filosofia. A busca pelo conhecimento, segundo ele, é mais 
eficaz quando recorremos à observação e podemos fazer experimentações. Ele criou uma 
escola (o Liceu) e influenciou com suas ideias vários campos do saber (física, política, 
meteorologia, lógica, etc.). No fim da vida, acusado de ser ateu, fugiu de Atenas para não 
ter o mesmo destino de Sócrates (469-399 a.C.), obrigado a matar-se tomando veneno. 
 
 
 
 
 
Figura central dos primeiros anos do cristianismo, o teólogo Santo Agostinho 
refletiu sobre a liberdade humana, o tempo e a eternidade. Ele defendia os conceitos de 
“predestinação” (a vida de todos seria previamente traçada por Deus) e de “graça divina” 
(a salvação não dependeria dos próprios humanos, mas da intervenção de Deus). 
 
 
 
Considerado o maior teólogo da Igreja Católica, foi profundamente influenciado 
por Aristóteles, que, ironicamente, fora acusado de ateísmo. Em sua obra, investiga uma 
série de questões que não se limitam ao período medieval, época em que viveu. Ele refletiu 
 
 
Tomás de Aquino 
 
Origem: Roccasecca, Itália 
Vida: 1225-1274 
Principal Obra: Suma Teológica 
 
 
 
Santo Agostinho 
 
Origem: Tagaste, Argélia 
Vida: 354-430 
Principais Obras: As Confissões e a Cidade de Deus 
 
 
 
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sobre ética e metafísica e contribuiu para dar novo significado às noções de causa e ser, 
sobretudo para justificar como a realidade é constituída. 
 
 
 
 
 
 
Autor da máxima “Penso, logo existo”, defendia que o melhor caminho para 
adquirir conhecimento era o raciocínio matemático. Segundo ele, a fim de descobrir algo 
“firme e constante nas ciências”, era necessário estabelecer princípios sobre os quais não 
houvesse dúvidas. Por isso, o filósofo precisava, antes de tudo, ser um cético. Matemático 
brilhante, é considerado o fundador da filosofia moderna. 
 
 
 
 
 
 
 
 
Crítico mordaz da ideia da existência de Deus, Nietzsche era um niilista – pessoa 
que, em princípio, não vê sentido na existência humana. Ele criou o termo “super-homem” 
para designar um homem superior, que seja capaz de transformar os valores 
estabelecidos e elevar a humanidade. Foi muito combatido no seu tempo, mas acabou 
inspirando diversos movimentos, entre eles o existencialismo, de Jean-Paul Sartre. 
 
 
René Descartes 
 
Origem: La Haye (Hoje Descartes), França 
 Vida: 1596 - 1650 
Principal Obra: Discurso do Método 
 
 
 
Friedrich Nietzsche 
 
Origem: Röcken, Alemanha 
Vida: 1844-1900 
Principal Obra: Assim Falou Zaratustra 
 
 
 
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Teorizava sobre questões epistemológicas – aquelas que tratam da natureza do 
conhecimento. Toda hipótese que não pudesse ser comprovada, segundo ele, seria 
inválida. Cético, não acreditava em milagres e dizia ser impossível provar a existência de 
Deus. Foi um dos maiores expoentes do Iluminismo, movimento surgido na Europa no fim 
do século XVIII que defendia a razão como alicerce da sociedade. 
 
 
 
Interessado desde cedo em matemática e lógica, centrou seus estudos na função 
da linguagem. Para ele, os problemas filosóficos eram fruto de confusões nos modos de se 
comunicar. “Os limites da minha linguagem significam os limites do mundo”, escreveu. 
Para compreender o mundo, portanto, há de se analisar a linguagem, disse. 
 
 
David Hume 
 
Origem: Edimburgo, Escócia 
Vida: 1711-1776 
Principal Obra: Investigação sobre os Princípios da Moral 
 
 
 
Ludwig Wittgenstein 
 
Origem: Viena, Áustria 
Vida: 1889-1951 
Principais Obras: Investigações Filosóficas e Tratado Lógico-
Filosófico 
 
 
 
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Um dos expoentes do idealismo alemão estabeleceu um sistema que resultou em 
outro significado para as noções de liberdade e história. Utilizou o método dialético 
(focado na contraposição de ideias) para explicar aquilo que constitui o mundo real. 
Influenciou outro filósofo alemão, Karl Marx (1818-1883), criador do materialismo 
histórico. 
 
 
 
 
 
 
Um dos mais influentes filósofos europeus desde os gregos antigos, Kant 
notabilizou-se por investigar as condições de possibilidade do conhecimento e por 
analisar o modo como podemos agir tendo em vista um princípio universal que não cause 
danos para as outras pessoas. Sua filosofia passou a ser denominada como “filosofia 
crítica”, pois se preocupou em examinar os limites do homem. 
 
 
Georg Hegel 
 
Origem: Sttutgart, Alemanha 
Vida: 1770-1831 
Principal Obra: A Fenomenologia do Espírito 
 
 
 
Immanuel Kant 
 
Origem: Königsberg, Prússia (hoje Kaliningrado , Rússia) 
Vida: 1724-1804 
Principal Obra: Crítica da Razão Pura 
 
 
 
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Subunidade 1.3 - Divisão das Escolas Filosóficas 
 
As escolas filosóficas são divididas por períodos: período pré-socrático – sofistas 
(racionalismo grego); Período clássico – Sócrates, Platão e Aristóteles; Período Pós-
Socrático e Período helenístico – doutrinas mais importantes (estoicismo e epicurismo). 
 
Contexto Histórico 
 
A filosofia antiga surge com a substituição do saber mítico ao da razão e isso 
ocorreu com o surgimento da polis-grega (cidade-estado). Com essa nova organização 
social e política pelo qual a Grécia passava foi fundamental para dar lugar a racionalidade 
humana e com isso, as reflexões dos filósofos. Mais tarde, as discussões que ocorriam em 
praça pública juntamente com o poder da palavra e da razão (logos) levaram a criação 
da democracia. 
A Filosofia Antiga corresponde ao período do surgimento da filosofia grega no 
século VII a.C. O termo filosofia é de origem grega e significa “amor ao saber”, ou seja, a 
busca pela sabedoria. 
De tal modo, no momento de sua origem os filósofos possuíam esse dom de 
interpretação, uma vez que eles acreditavam conseguir transmitir a mensagem dos 
deuses. Por esse motivo, no início, a filosofia estava intimamente relacionada com a 
religião: mitos, crenças, etc. Assim, o pensamento mítico foi dando lugar ao pensamento 
racional, ou ainda, do mito ao logos. 
 
Era Pré-Socrática (Antiga) 
 
Demorou quase cem anos para a filosofia chegar à capital Atenas, onde viveu 
Sócrates, uma espécie de Jesus Cristo da filosofia. 
Motivo: assim como o calendário está dividido em antes e depois do surgimento do 
messias cristão, a filosofia também tem duas eras: pré e pós-Sócrates. Na era pré-
socrática, a principal preocupação era saber do que era feito o mundo e o ser 
humano. A pergunta “de que são feitas as coisas? ” pode soar ingênua e até infantil. 
https://www.todamateria.com.br/polis-grega/
https://www.todamateria.com.br/democracia/
 
 
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Mas o filósofo Timothy Williamson, de Oxford, considera uma das melhores perguntas já 
proferidas — uma questão que nos conduziu a boa parte da ciência moderna. 
Pela primeira vez na história, os pensadores colocaram o raciocínio na frente da 
mitologia. Eles não engoliram a ideia de que o mundo surgirá do nada. “Nada vem do nada 
e nada volta ao nada” era uma premissa básica para os pré-socráticos, o que significava 
dizer que o mundo é uma eterna reciclagem, tudo se transforma sem jamais desaparecer. 
 A natureza está em constante transformação, mas isso não quer dizer que ela é 
caótica. Asmudanças seguem uma lógica determinada pela physis. Mas afinal o que 
era a physis? Cada pensador achava que era uma coisa. Tales afirmava que o princípio 
era a água ou o úmido. Anaximandro, o infinito. Anaxímenes, o ar. Pode parecer 
simplório, mas era a primeira vez que se buscava uma resposta racional para a origem do 
mundo. 
 
Período Clássico 
 
Os séculos V e IV a.C. na Grécia Antiga foram de grande desenvolvimento cultural 
e científico. O esplendor de cidades como Atenas, e seu sistema político democrático, 
proporcionou o terreno propício para o desenvolvimento do pensamento. É a época dos 
sofistas e do grande pensador Sócrates. 
 
Período Pós-Socrático (Helenística) 
 
Esta época vai do final do período clássico (320 a.C.) até o começo da Era Cristã, 
dentro de um contexto histórico que representa o final da hegemonia política e militar da 
Grécia. Para melhor compreender as abordagens da filosofia helenística e a postura dos 
pensadores da época, é importante contextualizar e compreender também alguns dos 
principais fatos históricos que acompanharam esta fase da Filosofia. O “helenismo” pode 
ser definido como o período que se estende desde a morte de Alexandre, O Grande, até o 
momento em que a península grega foi anexada por Roma. 
Os pensadores do período helenístico preocuparam-se especialmente com a 
condução da vida humana e com a busca pela tranquilidade espiritual (chamada 
de ataraxia), que, como consequência, proporcionaria a felicidade. As principais escolas 
filosóficas do período são quatro: Epicurismo, Estoicismo, Ceticismo e Cinismo. Porém, 
 
 
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além destas, há outras de bastante relevância, a qual são o Neoplatonismo, 
o Neopitagorismo e o Peripatetismo. Abaixo, breves e introdutórias explicações sobre as 
quatro escolas de maior destaque 
 
Epicurismo 
 
O principal expoente desta escola filosófica foi Epicuro de Samos. Para o filósofo, a 
busca pelos prazeres moderados é a chave para a paz de espírito (ataraxia). Aquele que é 
sábio, portanto, deve evitar certos tipos de prazeres que lhe podem ser prejudiciais, e deve 
buscar os prazeres corretos para encontrar a felicidade. Epicuro fundou uma escola que 
se tornou conhecida como “Jardim”, e nesse local reuniam-se amigos e seguidores. 
 
Resumo da trajetória de Epicuro: 
 
 
 
 
 
 
 
Estoicismo 
 
Esta escola foi fundada por Zenão de Cício. Resumidamente, pode-se dizer que os 
estoicos acreditavam que há um ordenamento cósmico que rege a existência, e que o 
homem virtuoso deve aceitar viver de acordo com esse fato. A estrutura do pensamento 
estoicista fundamenta-se sobre a lógica, a física e a ética. O Estoicismo possui três fases: 
 
 
 341 a.C: Nascimento (Samos) 
 311 a.C: Estuda em Mitilene 
 307 a.C: Mudou-se para Atenas 
 306 a.C: Fundou uma escola em Atenas, conhecida como “Jardim” 
 270 a.C: Morte 
 
 
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Existe a necessidade de explicar que sistematicamente a ética estoica é anunciada 
conforme a física, que segundo Chauí (2010): 
“Toda ação ética é orientada por um fim único (télos), em vista do qual todo 
o resto é meio ou fim parcial. O fim último é a felicidade (eudaimonía) 
daquele que vive bem porque realiza plenamente sua natureza. Os estóicos 
consideravam que a virtude basta para a felicidade, da qual ela é a causa, 
mas não é ela o télos ou o sumo bem, que é viver em conformidade 
(homología) com a natureza, isto é, consigo mesmo e com o mundo. A 
infelicidade, portanto, é o desacordo ou o conflito consigo mesmo e com a 
natureza”. 
 
Ceticismo (pirronismo), de Pirro de Élida (365-275 a.C.) - segundo suas teorias, 
nenhum conhecimento é seguro, tudo é incerto. O pirronismo defendia que se deve 
contentar com as aparências das coisas, desfrutar o imediato captado pelos sentidos e 
viver feliz e em paz, em vez de se lançar à busca de uma verdade plena, pois seria 
impossível ao homem saber se as coisas são efetivamente como aparecem. Assim, o 
pirronismo é considerado uma forma de ceticismo, que professa a impossibilidade do 
conhecimento, da obtenção da verdade absoluta. 
Cinismo - o termo cinismo vem do grego kynos, que significa "cão", e designa a 
corrente dos filósofos que se propuseram a viver como os cães da cidade, sem qualquer 
propriedade ou conforto. Levavam ao extremo a filosofia de Sócrates, segundo a qual o 
homem deve procurar conhecer a si e desprezar todos os bens materiais. Por isso 
Diógenes, o pensador mais destacado dessa escola, é conhecido como o “Sócrates 
demente”, ou o “Sócrates louco”, pois questionava os valores e as tradições sociais e 
procurava viver estritamente conforme os princípios que considerava moralmente 
 
 Estoicismo Antigo (300-129ª.C): Zenão de Cítio, Cleanto, Crísipo. 
 Estoicismo Médio (129-50ª.C): Panaécio, Possidônio 
 Estoicismo Romano (30-180 d.C): Sêneca, Epicteto, Marco Aurélio. 
 
 
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corretos. Sãos inúmeras as histórias e acontecimentos na vida desse filósofo que o 
tornaram uma figura instigante da história da filosofia. 
O Neoplatonismo foi uma corrente de pensamento iniciada no século III que se 
baseava nos ensinamentos de Platão e dos platônicos, mas interpretando-os de formas 
bastante diversificadas. Apesar de muitos neoplatônicos não o admitirem, 
o neoplatonismo era muito diferente da doutrina platônica. O prefixo neo, inclusive, só foi 
adicionado pelos estudiosos modernos para distinguir entre os dois, mas na época eles se 
autodenominavam platônicos. 
Começou com o filósofo Plotino, apesar de ele afirmar que recebeu seus 
ensinamentos de Amônio Sacas, um estivador iletrado em Alexandria. Os escritos de 
Plotino foram reunidos pelo seu pupilo Porfírio nas Seis Enéadas. 
Neoplatonismo é uma forma de monismo idealista. Plotino ensinou a existência de 
um Uno indescritível do qual emanou como uma sequência de seres menores. Os filósofos 
do neoplatonismo tardio, especialmente Jâmblico, adicionaram centenas de deuses e 
seres intermediários como emanações entre o Uno e a humanidade. Mas o sistema de 
Plotino era muito mais simples em comparação. 
Os neoplatônicos não acreditavam no mal e negavam que este pudesse ter uma real 
existência no mundo. Isto era mais uma visão otimista do que dizer que tudo era, em 
última instância, bom. Era dizer apenas que algumas coisas eram menos perfeitas que 
outras. 
O que outros chamavam de mal, os neoplatônicos chamavam de imperfeição, de 
"ausência de bem". Neoplatônicos acreditavam que a perfeição humana e a felicidade 
poderiam ser obtidas neste mundo e que alguém não precisaria esperar uma pós-vida 
(como na doutrina cristã). Perfeição e felicidade (uma só e mesma coisa) poderiam ser 
adquiridas pela devoção à contemplação filosófica. 
O neoplatonismo foi frequentemente usado como um fundamento filosófico do 
paganismo clássico, e como um meio de defender o paganismo do cristianismo. Mas 
muitos cristãos também foram influenciados pelo neoplatonismo. E 
Em versões cristãs do neoplatonismo, o Uno é identificado como Deus. O mais 
importante destes foi Pseudo-Dionísio, o Areopagita, cuja obra foi muito influente na 
idade média. 
Alguns estudiosos mostraram que o neoplatonismo também foi influenciado pela 
teologia cristã, notavelmente pelos sistemas de crenças do gnosticismo. 
 
 
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Entre os neoplatônicos posteriores estão incluídos Porfírio, Proclo, Jâmblico e 
Hipátia de Alexandria. Agostinho de Hipona foi neoplatônico antes de sua conversão ao 
cristianismo e algumas de suas obras mais otimistas foram escritas durante este período. 
 
Agostinho de Hipona (Vida e Obra) 
 
Aurélio Agostinho nasceu em Tagasta (hoje Suk Ahras), na Argélia. Estudou 
retórica em Cartago e seguiu várias linhas filosóficas, como o maniqueísmo, corrente 
baseada no conflito entre o bem e o mal, e o ceticismo. Sob a influência do bispo de Milão, 
Santo Ambrósio, converteu-se ao cristianismo e foi batizado em 387. Foi nomeado bispo 
deHippo (atual Annaba), na Argélia, onde morreu aos 75 anos. É considerado o maior 
teólogo do cristianismo e o maior filósofo desde Aristóteles. Agostinho realizou a primeira 
grande sistematização do pensamento cristão, incorporando as ideias de Platão ao 
cristianismo. Seu sofisticado pensamento serviu como base para toda a teologia cristã 
ocidental. Seguia a corrente filosófica patrística e sua frase-síntese era: “É preciso 
compreender para crer, e crer para compreender”. 
 
Unidade 2 – A Estatização da Igreja 
 
Subunidade 2.1 - Filosofia Medieval 
 
A filosofia medieval foi desenvolvida na Europa durante o período da Idade Média 
(séculos V-XV). Assim, muitos filósofos que se desenvolveram nessa época eram membros 
da igreja. Nesse momento, os grandes pontos de reflexão para os filósofos estavam 
associados com a figura divina, ou seja, a existência de Deus, a fé e a razão, a imortalidade 
da alma humana, a salvação, o pecado, a encarnação, a liberdade, dentre outros. A filosofia 
medieval tentou conciliar a religião com a filosofia, ou seja, a consciência cristã com a 
razão filosófica e científica. Sendo assim, as reflexões desenvolvidas no medievo, ainda 
que pudessem contemplar os estudos científicos, não podiam de modo algum se 
contrapor à verdade divina e às ideias. 
 
 
 16 
 
A Filosofia tem uma coroa de três cabeças: a Ética, a Lógica e a Física (segundo 
Platão, as três partes do ensino da Filosofia). Em suas mãos, um imenso rolo de papel, no 
qual se lê: “Toda sabedoria vem de Deus; somente os sábios podem fazer o que desejam”, 
sinal da preponderância da Filosofia, ainda que a serviço da Teologia (Santos, 1964). 
Sócrates e Platão estão a seus pés, porque eram considerados os filósofos 
precursores do pensamento cristão, embora pagãos. Eram “os sábios do mundo” e “os 
professores do povo”, e tinham como tarefa a exploração da natureza profunda de todas 
as coisas. 
Ainda segundo Santos (1964), O círculo interior da Rainha Filosofia e de seus 
discípulos Sócrates e Platão é envolto por outro círculo, maior, onde estão as disciplinas 
necessárias para o estudo da Filosofia. São as Sete Artes Liberais: a primeira parte, 
introdutória, chamada de Trivium, por conter Gramática, Dialética e a Retórica. Na ordem: 
aprender a escrever e a ler corretamente, a argumentar e a fazer isso com beleza. 
 
Períodos e Principais Filósofos 
 
Uma vez que a Idade Média foi um longo período da história, a Filosofia Medieval 
esteve dividida em quatro fases, no entanto, a filosofia patrística e escolástica (os dois 
últimos períodos) foram os mais importantes da filosofia medieval. 
Os principais filósofos da Idade Média 
 
 
 
 17 
 
 
 
 
Filosofias dos Padres Apostólicos 
 
Nos séculos I e II, a filosofia desenvolvida esteve relacionada com o início do 
Cristianismo e, portanto, os filósofos desse período estavam preocupados em disseminar 
os ensinamentos de Jesus Cristo. Recebe esse nome uma vez que esse cristianismo 
primitivo esteve baseado nos escritos de diversos apóstolos. O maior representante desse 
período foi Paulo de Tarso, ou Apóstolo Paulo, que escreveu muitas epístolas registradas 
no Novo Testamento. 
 
Filosofias dos Padres Apologistas 
 
Nos séculos III e IV a filosofia medieval passa para uma nova fase relacionada com 
a apologia (defesa e elogio) que os filósofos buscavam na religião cristã. De tal modo, eles 
rechaçavam a filosofia greco-romana por alegarem que os temas pagãos não estavam de 
acordo com os ideais do Cristianismo. Nesse período destacam-se os apologistas cristãos: 
Justino Mártir, Orígenes de Alexandria e Tertuliano. 
 
 
 
 18 
 
Filosofia Patrística 
 
A filosofia patrística foi desenvolvida a partir do século IV e permaneceu até o 
século VIII. Recebe esse nome porque os textos desenvolvidos no período foram escritos 
por padres da Igreja. Muitos consideram uma fase inicial de desenvolvimento da filosofia 
medieval que esteve baseada na filosofia grega e tinha o intuito de expandir ainda mais o 
Cristianismo pela Europa. Por isso, a maioria dos filósofos eram teólogos e o tema 
principal era a relação da razão e da fé. Sem dúvida, o filósofo mais destacado do período 
foi Santo Agostinho de Hipona. 
 
Filosofia Escolástica 
 
Baseada na filosofia de Aristóteles e Platão, a Escolástica foi um movimento 
filosófico medieval que desenvolveu durante os séculos IX e XVI. Ela surge com o intuito 
de refletir sobre a existência da alma humana e da existência de Deus. A Escolástica 
permaneceu até a época do Renascimento, quando começa a Idade Moderna. Nesse 
período, o filósofo mais importante foi São Tomás de Aquino. 
 
Os Cristãos e seus adversários: pagãos e gnósticos 
 
Nos seus três primeiros séculos, os cristãos tiveram que enfrentar, além das 
heresias, dois tipos de adversários: os pagãos e os gnósticos. Além dos judeus, os pagãos 
lançavam acusações contra os cristãos. Estes eram tidos como ateus porque não 
cultuavam os deuses do Império nem reconheciam César como deus; eram escarnecidos 
por adorarem uma cabeça de asno (os pagãos apresentavam o Crucificado com cabeça de 
asno, visto que a Cruz era, para eles, loucura); dizia-se que comiam crianças (pois 
recebiam sacramentalmente o Corpo e o Sangue do Senhor Jesus) e que em suas 
assembleias apagavam as luzes para realizar uniões incestuosas após o banquete. 
 As calamidades (enchentes, incêndios, epidemias…) eram atribuídas à impiedade 
dos cristãos. Os intelectuais pagãos menosprezavam os cristãos porque não 
compartilhavam das expressões mitológicas da cultura; muitas vezes na própria casa de 
família abstinham-se das celebrações domésticas (aniversários, casamentos…), pois estas 
 
 
 19 
 
estavam impregnadas de espírito religioso politeísta (havia os dimanes, deuses da 
família). 
Na maioria, os cristãos se recrutavam nas camadas mais humildes da população; 
por isso eram tidos como ingênuos, vítimas de um ou mais exploradores da sua 
simplicidade. Os preconceitos que assim corriam de boca em boca, levavam a crer que os 
cristãos constituíam um perigo para o Império Romano. 
De resto, as acusações levantadas contra eles tinham, às vezes, fundamento nas 
crenças ou nas práticas de grupos dissidentes do Cristianismo (montanismo, correntes 
gnósticas…); os pagãos não distinguiam entre a chamada “Grande Igreja” e os 
conventículos que professavam apenas parte da mensagem cristã. 
A gnose é uma corrente sincretista que funde entre si elementos das religiões 
orientais, da mística grega e da revelação judeu-cristã. Tentou envolver o Cristianismo no 
processo de fusão, pondo em xeque a pureza da mensagem evangélica nos séculos II/III. 
Os gnósticos atraiam os homens prometendo-lhes um conhecimento superior ao 
da simples fé cristã, reservado aos iniciados. Esse conhecimento (gnosis) forneceria a 
solução cabal dos problemas fundamentais da filosofia (origem do mal, gênese do mundo, 
redenção e felicidade definitiva do homem). 
Os gnósticos eram dualistas, isto é, admitiam um princípio bom, que seria a 
Divindade (simbolizada pela Luz) e, em oposição, a matéria (simbolizada pelas trevas), 
má por si mesma. O homem seria um elemento divino que, em consequência de um 
acontecimento trágico, terá sido condenado a se revestir de matéria (corpo) e viver na 
terra. O Criador do mundo material seria um ser inferior, que era identificado com o Deus 
justiceiro do Antigo Testamento. 
 
Subunidade 2.2 - Pensamento Cristão 
 
O pensamento ou filosofia cristã é todo aquele que se distingue do helênico – grego 
– e dos chineses, hindus, entre outros, graças à orientação da “verdade revelada” por Jesus 
Cristo. Essas ideias foram iniciadas pelos seguidores de Cristo no século II e vêm se 
seguindo até os dias atuais. Apesar de não se contrapor aos dogmas, a filosofia cristã parte 
de evidências racionais para alcançar explicações plausíveis sobre Deus e o mundo. Pode-se dizer que a fé é, para os filósofos cristãos, um apoio para que a realidade seja melhor 
compreendida, evitando erros ou desvios. 
 
 
 20 
 
Com intuito de unir a ciência e a fé, a filosofia cristã se desenvolveu a partir das 
explicações racionais naturais, mas com auxílio da revelação cristã. Isso porque 
pensadores acreditavam haver uma relação harmônica entre a ciência e a fé, mas outros 
ainda afirmavam ter contradição. 
 A discussão era, então, iniciada no campo da filosofia. O principal objetivo, 
portanto, é tentar harmonizar, ou elucidar, a fé por meio da razão. Mas essa relação 
sempre foi bastante conflituosa no decorrer dos anos, mesmo dentro do grupo desses 
filósofos. 
 
Filosofia Moderna 
 
Desenvolvida na chamada Era Moderna, entre o século XV (englobando os 
períodos finais da Renascença) e o século XIX. Tendo em vista o surgimento de novas 
ciências na época, a filosofia moderna tem como característica marcante o retorno da 
epistemologia (ramo filosófico que estuda a relação entre o ser humano e o 
conhecimento) como um dos aspectos centrais do período. 
A filosofia moderna, assim como outras fases da filosofia, pode ser dividida em 
escolas de pensamento que organizam as diferentes correntes filosóficas da época. As 
principais escolas da filosofia moderna são: racionalismo, empirismo, filosofia política, 
idealismo, existencialismo e pragmatismo. 
A Idade Moderna traz a proposta de uma nova ordem e visão de mundo, rejeitando 
a autoridade imposta pelos costumes e pela hierarquia da nobreza e Igreja, em favor da 
recuperação do que há de virtuoso, intuitivo e espontâneo na natureza humana. Surge um 
novo estilo com nova temática. Valoriza-se o corpo humano, artes, pensamento, política, 
ciência. É o momento de novos pensadores e artistas, tais como Leonardo da Vinci, 
William Shakespeare, Rafael, Maquiavel, Michelangelo e Montaigne. (Aranha, 2003). 
 Em meio às condições históricas, surge uma nova maneira de pensar e ver o 
mundo, resultado das transformações históricas que ocorreram na Europa. Entre os 
fatores históricos, pode-se destacar: 
 
 
 
 
 21 
 
Racionalismo 
 
Os racionalistas acreditavam que o conhecimento humano não depende de 
experiências para ser formado, uma vez que existem ideias que ultrapassam as 
informações absorvidas com as vivências. Assim, o racionalismo aborda os efeitos da 
intuição e da dedução na formação do conhecimento humano, classificando-as como 
conhecimentos a priori. 
Além disso, o racionalismo abrange o chamado Inatismo, teoria filosófica que 
defende que a mente não nasce como uma “página em branco”, e sim com ideias inatas 
que nos influenciam durante a vida. Filósofos racionalistas modernos: René Descartes, 
Baruch Spinoza e Immanuel Kant. 
 
Empirismo 
 
Os empiristas defendiam que o conhecimento só é criado, exclusivamente, a partir 
das experiências sensoriais. Por esse motivo, o empirismo é conhecido como a “filosofia 
da ciência”, pois prioriza o valor das evidências e exige a aplicação do método científico, 
ou seja, que todas as hipóteses e teorias sejam testadas e observadas antes de serem 
consideradas conhecimento. Filósofos empiristas modernos: John Locke, George 
Berkeley, David Hume e Francis Bacon. 
 
Filosofia Política 
 
A filosofia política moderna analisa tópicos relacionados à liberdade, justiça, 
direitos e leis. Dentro desses temas, os filósofos políticos estudam a razão de ser e a 
legitimidade dos governos, quais direitos e garantias devem ser protegidos, além de 
avaliar quais deveres os cidadãos possuem em relação ao Estado. Filósofos políticos 
modernos: Thomas Hobbes, John Locke, Montesquieu, Jean-Jacques Rousseau, Voltaire e 
Karl Marx. 
 
 
 
 22 
 
Idealismo 
 
O idealismo é a escola filosófica que entende que a realidade como a conhecemos 
é fruto da mente humana. Em termos epistemológicos, o idealismo defende que é 
impossível conhecer qualquer coisa que esteja além das capacidades da mente, e por isso 
a percepção da realidade sempre será limitada. Filósofos idealistas modernos: Arthur 
Schopenhauer, Hegel e Immanuel Kant. 
 
Existencialismo 
 
O existencialismo é a vertente que adota o indivíduo como ponto de partida para 
todas as reflexões filosóficas. Assim, os existencialistas nunca deixam de considerar os 
sentimentos e as experiências humanas para tentar explicar a realidade. Filósofos 
existencialistas modernos: Soren Kierkegaard, Jean-Paul Sartre, Simone de Beauvoir, 
Friedrich Nietzsche e Martin Heidegger. 
 
Pragmatismo 
 
O pragmatismo é o estudo responsável por relacionar teoria com prática. Os 
filósofos pragmáticos acreditam que diversos métodos e conceitos da ciência moderna 
devem ser utilizados na filosofia para otimizar a utilização do conhecimento. Filósofos 
pragmáticos modernos: William James, Richard Rorty e Charles Sanders Peirce. 
 
 
 
 23 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Subunidade 2.3 - A Reforma Protestante 
 
Martin Lutero contestou a autoridade da Igreja marcada pela corrupção e passou 
a valorizar a consciência individual de buscar a própria fé, sem ser pela imposição das 
verdades dogmáticas. Rompe com a Igreja Católica e funda a Igreja protestante. Essa nova 
igreja propõe e representa, assim, a defesa da liberdade individual e da consciência em 
lugar da certeza, valorizando a ideia de que o indivíduo é capaz de encontrar sua própria 
verdade religiosa. 
 
A Revolução Científica 
 
Outro fator essencial desse processo de transformação é a revolução científica que 
significou o ponto de partida para a ciência nos moldes que conhecemos hoje. A ciência 
moderna surge quando se torna mais importante observar e experimentar, ao contrário 
da visão antiga que partia de princípios estabelecidos e dogmáticos. (ARANHA, 2003). 
Nicolau Copérnico no século XVI vai defender matematicamente que a Terra gira em 
torno do Sol, rompendo com o sistema geocêntrico de Ptolomeu (séc.II) e inspirado em 
Aristóteles. É um processo de transição e não uma ruptura radical. Ao longo desse 
 
 
 24 
 
processo surgem Galileu e Isaac Newton, entre outros, que vão transformar a visão 
científica do século XVII seguinte. (Aranha, 2003). 
Aranha (2003) diz que, no século XVII, a Filosofia e a Ciência se separaram. Galileu, 
usando um telescópio, demonstra o modelo desenvolvido por Copérnico. Vai ser 
interpelado pela Igreja. Entre os principais pensadores daquele momento, destacam-se: 
Copérnico, um sacerdote polonês, propôs a teoria heliocêntrica que atingia a 
concepção medieval cristã de que o homem é ser supremo da criação divina e que por isso 
a terra é o centro do universo. 
Giordano Bruno leva adiante a ideia de Copérnico e desenvolve a concepção de 
universo infinito. É condenado e morre queimado vivo na fogueira. 
Galileu Galilei contribuiu com descobertas científicas, como o aperfeiçoamento do 
telescópio, e com uma nova postura metodológica de investigação científica: observação, 
experimentação, uso da linguagem matemática. Por condenar os dogmas tradicionais da 
Igreja, também foi condenado pela Inquisição, mas optou por viver e seguiu fazendo suas 
pesquisas clandestinamente. 
 
A Produção do Conhecimento 
 
A Idade Moderna é um período marcado por grandes transformações. Estas 
transformações e o desenvolvimento da ciência moderna levaram o homem a questionar 
os critérios e os métodos usados para aquisição do conhecimento verdadeiro da realidade. 
Como podemos conhecer? Quais os fundamentos do conhecimento? O que é conhecer? 
Essas questões são essenciais para a ciência, a ética e a epistemologia. (Aranha, 2003). 
A Filosofia Moderna vai enfrentar o prestígio que o pensamento de Aristóteles tinha 
e a supremacia da doutrina da Igreja, na Idade Média, e inaugurou um modo novo de 
conceber e compreender o conhecimento. O século XVII viu nascer o método experimental 
e a possibilidade de explicação mecânicae matemática do Universo, que deu origem à 
ciência moderna. (Aranha, 2003). A Filosofia Moderna foi o período em que mais se 
confiou nos poderes da razão para conhecer e conquistar a realidade e o homem – por 
isso foi chamado de Grande Racionalismo Clássico. 
 
 
 
 25 
 
Unidade 3 – História da Filosofia: Pós-Modernismo e 
Contemporânea 
 
Subunidade 3.1 - Pós-Modernismo Filosófico 
 
Esse período da história da filosofia possui características que reúnem a 
pluralidade de estilos, ausência de valores e o individualismo típico do século XX. Inicia-
se logo depois do modernismo, mais ou menos na metade do século XX, para ser mais 
preciso, com o fim da Segunda Guerra Mundial (1939-1945) e que se consolidou após a 
queda do muro de Berlim (1989). 
Tem sua origem marcada pela evolução da tecnologia, advento da era digital e a 
globalização, tendência essa que se estende até os dias atuais, na literatura, arquitetura, 
cinema entre outros. Enquanto o modernismo estava associado ao consumo, a pós-
modernidade está relacionada com a comunicação. Pós-modernismo é o nome dado às 
mudanças ocorridas nas ciências, nas artes, nas sociedades desde 1950. Entretanto, existe 
o medo da mudança, o medo do novo e a perda do conservadorismo. 
Nasce com várias mudanças na arquitetura e principalmente na computação, entra 
na filosofia nos anos 70 como crítica da cultura ocidental, ou seja, são mudanças gerais 
desde as artes até na tecnologia, espalhando-se por todos os lados e meios, não sabendo 
se era uma forma de decadência ou um renascimento cultural. 
O pós-modernismo invadiu o cotidiano com a tecnologia e os eletrônicos em massa, 
saturando informações, diversões e serviços, causando um “boom” pós-moderno e 
programando cada vez mais o dia-a-dia dos indivíduos. Na economia, sua importância foi 
“mostrar” aos indivíduos a capacidade de consumo, ao adotarem estilos de vida e de 
filosofias de consumo, usando bens e serviços e se entregando ao presente e ao prazer. 
Esther Díaz, autora de Posmodernidad, afirma em seu livro que a pós-modernidade 
veio para desconstruir os conceitos e ideias propagadas pela era moderna, rompendo de 
maneira drástica com o passado, implantando, por meio de uma mudança ideológica, uma 
nova cosmovisão do mundo e da sociedade. Diz a autora: “A pós-modernidade é tensional. 
A realidade pós-moderna, em seu processo de mudança, assume a existência de conflitos 
que não se resolvem ” (Diaz, 2005). 
 
 
 26 
 
Os fundamentos da educação passam por uma desconstrução – esta é a palavra de 
ordem da pós-modernidade. A busca constante por um desenvolvimento voltado com 
grande ênfase à construção de uma sociedade de consumo, materializada, hedonizada e 
muito mais preocupada com o ter do que com o ser, alteram os rumos, os objetivos, os 
ideais que antes permeavam o sistema educacional. Os currículos disciplinares passam 
por significativas mudanças, uma vez que, agora, são pensados como instrumento do 
sistema que “coisifica” tudo, inclusive o próprio homem. 
Ainda, segundo Colom: “A educação do futuro terá que modificar seus conteúdos, 
seus aportes curriculares, já que como vimos, ao se transformar as condições do saber se 
transforma o próprio saber. Em consequência disto, a transmissão dos conteúdos 
educativos terá como base o ensino e aprendizagem de linguagens que alimentam as 
novas tecnologias da informação ” (Colom, 1997). 
No Brasil o modernismo tem como marco simbólico a Semana de Arte Moderna, 
realizada na cidade de São Paulo desde 1922. Foi um movimento de grande importância 
para a literatura no país e é considerado um divisor de águas na história da cultura 
brasileira. Segundo o professor Alfredo Bosi “a semana foi, ao mesmo tempo, o ponto de 
encontro das várias tendências modernas que desde a I Guerra se vinham firmando em 
São Paulo e no Rio de Janeiro, e a plataforma que permitiu a consolidação de grupos, a 
publicação de livros, revistas e manifestos, numa palavra, o seu desdobra-se em viva 
realidade cultural. ” 
 
Principais Características Do Pós-Modernismo 
 
 
 
 27 
 
 
 
Narcisismo 
 
A preocupação central com o Eu alcança um nível mais elevado quando se desdobra 
em narcisismo. O termo remete ao mito de Narciso, jovem belo e arrogante, que se 
apaixona por sua imagem refletida nas águas. Impossibilitado de viver essa paixão, ele 
jamais deixa a beira da água, para não afastar-se do seu amor – ele mesmo, e acaba por 
definhar na espera de um amor-próprio extremo. 
Na sociologia, a expressão é empregada para designar a preocupação extrema 
consigo e com o seu corpo, em atitude de certo desprezo com o outro e egoísmo, no pouco 
interesse pelo passado e pelo futuro, no foco no presente. 
O narcisismo é o marco de um individualismo que passa a ser total nos tempos 
hipermodernos: em uma realidade que vive a superação dos grandes sistemas de 
organização, a concentração no Eu ganho atenção e argumentos legítimos. 
Os relacionamentos são diretamente afetados. Na obsessão por si, trabalha-se para 
libertar o Eu da necessidade do outro, em um desejo de autonomia, para renunciar o amor, 
em uma tentativa de amar-se o suficiente para não ser dependente de mais ninguém. 
 
 Individualismo e subjetividade 
 Hedonismo, consumismo e narcisismo 
 Comunicação e indústria cultural 
 Imprecisão e espontaneidade 
 Liberdade artística e formal 
 Arte destituída de hierarquizações 
 Ausência de valores 
 Niilismo artístico 
 Polifonia e intertextualidade 
 Multiplicidade de estilos 
 Combinação de tendências 
 Arte eclética e híbrida 
 Hiper-realismo 
 Aproximação com a cultura popular 
 
 
 28 
 
 
Hedonismo e Consumismo 
 
O foco no indivíduo e nas preocupações pessoais da era hipermoderna também 
amplia-se em hedonismo, “que se define pelo desejo de sentir ‘mais’, de planar, de vibrar 
ao vivo, de ter sensações imediatas, de ser colocado em movimento integral numa espécie 
de viagem sensorial e pulsante” 
 Quando cada um passa a ser o centro de sua vida, a exploração nas sensações de 
prazer, sentidas no corpo e na mente, tornam-se prioridades. A consciência interna 
celebrada na atualidade e o conhecimento cada vez maior do mundo psíquico 
transportam as possibilidades de viver de emoções para dentro de si, em um território 
dominado pelo ego. 
Para seres voltados para si, os desdobramentos reais das suas experiências são 
pouco interessantes. Instala-se uma busca por encontrar o prazer que foi idealizado para 
cada momento e, desta maneira, “o indivíduo tem de substituir os estímulos verdadeiros 
pelos ilusórios e, por meio da criação e manipulação de ilusões e, consequentemente, pela 
dimensão emotiva da consciência -, construir seu próprio ambiente aprazível”. É essa 
disposição fantasiosa, distante da realidade, que Campbell aponta como explicação para 
o consumismo. O indivíduo projeta em objetos as suas fantasias de prazer, satisfação e 
alegria, em uma distorção do que é efetivamente vivenciado. 
O foco é o valor experiencial da aquisição dos produtos, vivenciado internamente, 
nas ilusões criadas pelo hedonista. É assim que, através do prazer que pode ser projetado 
nas aquisições, as compras prestam serviços para essas pessoas à procura de novas 
sensações. 
Na ilusão de satisfação projetada nos objetos de consumo, encontra-se a chave para 
compreender os comportamentos de desejo de compra sempre renovados. A “esteira 
hedonista” do consumo, entretanto, tem um limite na entrega dos prazeres. Já que a 
realização de um dos desejos de satisfação teve uma duração tão curta, a tendência é que 
as próximas buscas sejam permeadas por pinceladas crescentes de tédio e decepção. 
O consumismo apresenta-se, então, como o caminho mais curto para saciar essa 
fome de satisfação, para exercitar a preocupação consigo mesmo e com seus sonhos. Esses 
valores pautam o pensamento da atualidade e podem ser identificados paraalém do 
consumismo clássico. O trio individualismo, hedonismo e narcisismo expande as suas 
 
 
 29 
 
influências para as práticas evangélicas, que são claras a busca de prazer próprio na 
teologia da prosperidade, a sedução dos serviços e produtos gospel. Essa lógica “reduz o 
Evangelho a um produto de mercado”, intencionalmente ou não. 
 
Individualismo e “vontade de poder” (Nietzsche) 
 
Friedrich Nietzsche era formado em filologia clássica e não em filosofia. Tornou-se 
filósofo, segundo ele mesmo diz, devido à leitura de Schopenhauer. Concorda com a visão 
de mundo deste filósofo em três questões essenciais: a) a inexistência de Deus; b) a 
inexistência de alma; c) a falta de sentido da vida, que se constitui de sofrimento e luta 
impelida por uma força irracional, que podemos chamar de vontade. 
No entanto, ao contrário de Schopenhauer, Nietzsche não vê a realidade repartida 
em duas, o fenômeno e a coisa em si. Considera que este mundo é a única parte da 
realidade e que não devemos rejeitá-lo ou nos afastarmos dele, mas viver nele com 
plenitude. 
Nietzsche começa a resolver o problema fazendo um ataque à moral e aos valores 
existentes na sociedade que lhe é contemporânea. Segundo o filósofo, esses valores 
derivam de civilizações já inexistentes, como a grega e a judaica, de religiões em que 
muitos, senão a maioria, já não têm fé. 
A civilização, de acordo com Nietzsche, foi criada pelos fortes, pelos inteligentes, 
pelos homens competentes, os líderes que se destacaram da massa. 
Propagando uma moral que protegia os fracos dos fortes, os mansos dos ousados, 
que valorizava a justiça em vez da força, eles inverteram os processos pelos quais o 
homem se elevou acima dos animais e exaltaram como virtudes características típicas de 
escravos: abnegação, auto-sacrifício, colocar a vida a serviço dos outros. 
 
Subunidade 3.2 - Pensamento Pós-Moderno 
 
O pós-modernismo se preocupava muito com o presente, onde muitas vezes 
ocorreram problemas devido à forte influência exercida sobre a grande massa, o 
indivíduo era praticamente obrigado a consumir, impulsionado pelo domínio da sedução 
que isso envolvia. Os valores eram muitos, as variedades eram diversas, para todos os 
gostos e vontades, e a ideia do pós-modernismo era realmente criar um mundo sem 
 
 
 30 
 
limites, e voltado para o prazer do consumo. Por isso, é difícil definir porque defini-lo 
violaria a premissa pós-moderna de que não há termos, limites ou verdades absolutas. 
Podemos destacar como as principais características dessa fase da humanidade as 
seguintes: descaso social em relação à religião, política e a ciência. Deixando de ter as 
ideias tradicionais como referências válidas, importando-se agora com o que é imediato, 
com o aqui e agora, somente com o presente. 
 
Michel Foucault 
 
Filósofo francês, nascido em 15 de outubro de 1926, falecendo em Paris, 25 de junho 
de 1984. Foi um filósofo, historiador das ideias, teórico social, filólogo, crítico literário e 
professor da cátedra História dos Sistemas do Pensamento, no célebre Collège de France, 
de 1970 até 1984. Michel Foucault é conhecido por suas teorias acerca da relação entre 
poder e conhecimento, e como estes são usados para o controle social através das 
instituições. 
Iniciou seu trabalho com uma aproximação do movimento teórico 
em antropologia social conhecido como estruturalismo, do qual veio a se distanciar mais 
tarde, que lhe rendeu o desenvolvimento de uma técnica historiográfica própria, a qual 
chamou "arqueologia". 
Foucault procurou colocar sua posição filosófica em prática, tornando-se membro 
ativo de diversos grupos envolvendo campanhas anti-racismo, anti-abusos de direitos 
humanos e lutas por reformas do sistema penal. Entre seus trabalhos mais relevante 
estão A Arqueologia do Conhecimento, Vigiar e Punir, e História da Sexualidade, nos quais 
desenvolveu seus métodos arqueológicos e genealógicos de leitura histórica, através dos 
quais enfatizava o papel do poder na evolução do discurso em sociedade. 
Posteriormente, Foucault defendeu que o seu trabalho tratava de caracterizar os 
diferentes modos pelos quais a sociedade expressa o uso do poder para objetificar os 
sujeitos. Diferindo de interpretações gerais que entendiam seu trabalho como uma 
tentativa de analisar o poder como um fenômeno. O ponto que subjaz todo o trabalho de 
Foucault é a relação entre poder e conhecimento. 
O autor procurava entender como o conhecimento é usado para controlar e definir 
o poder. Esta pesquisa tomou três formas específicas: 
https://www.infoescola.com/ciencias/antropologia/
https://www.infoescola.com/sociologia/estruturalismo/
 
 
 31 
 
1. A autoridade científica que classifica e ordena o conhecimento acerca das 
populações humanas. 
2. A categorização dos sujeitos humanos em padrões normativos, identificando 
elementos como problemas mentais, características físicas e doenças. 
3. Uma tentativa de compreender como o impulso de padronizar a identidade sexual 
acaba por ser uma espécie de treinamento de rotinas e práticas que levam a 
reprodução dos padrões estabelecidos na sociedade da qual o sujeito faz parte. 
 A conexão entre estes três itens está na afirmação de que, aquilo que a autoridade 
afirma ser conhecimento científico seria, na verdade, uma forma de controle social. 
Foucault defende que não há conhecimento científico genuíno e que, por exemplo, a 
loucura seria meramente uma classificação para marginalizar sujeitos indesejados pelo 
padrão da sociedade. 
 
Wittgenstein 
 
Ludwig Joseph Johann Wittgenstein foi um filósofo austríaco, naturalizado 
britânico, que contribuiu com colocações inovadoras para a filosofia moderna, nos 
campos da lógica, da filosofia, da linguagem e da mente. 
Nasceu em Viena, na Áustria, no dia 26 de abril de 1889. Filho de rica família, em 
1906, ingressou na Techinsche Hochschule de Berlim. Em 1908 entrou na Universidade 
de Manchester, com o objetivo de estudar engenharia aeronáutica. 
Logo desistiu, e por influência de Gottlob Frege, matemático e filósofo alemão e um 
dos criadores da lógica moderna, inscreve-se no curso do filósofo britânico, Bertrand 
Russell, no Trinity College, em Cambridge. Em 1913 muda-se para a Noruega onde se 
dedica ao estudo de lógica. 
A filosofia de Wittgenstein foi dividida em dois períodos: o primeiro, denominado 
Wittgenstein I, é o período anterior a 1929, que corresponde ao “Tratado Lógico-
Filosófico”, e a enorme influência que exerceu sobre o Círculo de Viena. 
O segundo, denominado Wittgenstein II, é o período posterior a 1930 e 
correspondente às “Investigações Filosóficas”, que exerceram grande influência sobre a 
filosofia analítica em geral, e sobre as escolas de Cambridge e de Oxford. Foi um dos 
principais autores da virada linguística na filosofia do século XX, falecendo em Cambridge, 
Inglaterra, no dia 29 de abril de 1951. 
 
 
 32 
 
 
Filosofia Contemporânea 
 
Existe uma ciência de reflexão teórica muito importante como a filosofia, esta que 
é profundamente vocacional, mas que atualmente não é vista com bons olhos, apesar de 
que para a história é considerada a Sabedoria Primeira. A história desta ciência conta com 
nomes ilustres como Platão, Epicuro, Santo Agostinho, Descartes, Kant, Heidegger, entre 
outros. 
Aliás, o fascinante da filosofia é conhecer diferentes escolas filosóficas através de 
autores que possuem pensamentos que em muitos casos são totalmente opostos. Um dos 
períodos históricos mais apaixonantes é a história da filosofia contemporânea. Trata-se 
da filosofia enquadrada na Era Contemporânea. 
Em relação ao tempo, a filosofia contemporânea está integrada aos séculos XIX, XX 
e XXI. Ela marca um ponto de inflexão a respeito da filosofia moderna marcada por 
pensadores ilustres como Descartes e Hume. Após um período de crise surge a crença de 
que a capacidade da razão é limitada e renasce novamentea confiança na capacidade 
analítica da razão. 
Principais correntes filosóficas da filosofia contemporânea: 
 
 
 
 Cientificismo 
 Existencialismo 
 Fenomenologia 
 Idealismo 
 Liberdade 
 Marxismo 
 Materialismo dialético 
 Niilismo 
 Positivismo 
 Pragmatismo 
 Racionalismo 
 Sistema Hegeliano 
 Subjetividade 
 Utilitarismo 
 
 
 33 
 
Os Grandes Pensadores 
 
Existiu uma certa delimitação por parte da maioria dos autores sobre o início do 
período contemporâneo na Revolução Francesa, no final do século XVIII. A segunda 
metade do século XVIII nos trouxe uma série de acontecimentos e novidades, um conjunto 
de mudanças que mudaram o modo de vida e de pensar na Europa e consecutivamente no 
mundo todo. 
Hegel (1770-1831) é um dos filósofos que tem origem nas ideias do Romantismo 
alemão. Nele podemos encontrar o princípio do materialismo moderno, que depois irá 
tomar caminhos e direções diversas em Comte e Marx, dentre vários outros. 
Augusto Comte (1789–1857) criou o método positivista, que consiste na pura 
observação dos fenômenos através da experiência sensível, pois ele se opunha ao 
racionalismo e ao idealismo. Comte pregava que a observação sensorial era a única capaz 
de produzir a verdadeira ciência, que seria baseada em elementos positivos (reais). 
Karl Marx (1818 – 1883) a partir se sua célebre frase: "Os filósofos apenas 
interpretaram o mundo de várias maneiras, enquanto que o objetivo é mudá-lo". Ele atuou 
como economista, filósofo, sociólogo, teórico político e até como jornalista. Foi um 
revolucionário, seja por seu pensamento ou pela praticidade de suas ideias. 
Marx aplicou sua interpretação histórica e economicista (materialista) sobre o 
conceito hegeliano de “dialética”. Marx reescreveu a história da humanidade, percebendo 
em cada uma de suas etapas a existência de certo modo de produção no qual havia uma 
contradição de classes, uma luta de classes, o explorador contra o explorado. Era o 
“Materialismo Histórico”. 
Charles Darwin (1809 – 1882), ao lado de Marx e Freud, constitui-se um dos mais 
importantes filósofos do período contemporâneo, responsável por alicerçar a visão 
materialista no âmbito da vida natural, da biologia. Ele foi um naturalista, nascido na 
Inglaterra e que alcançou fama ao expor para a comunidade científica sua teoria a respeito 
evolução das espécies e propor uma explicação de como ela se daria: por meio da seleção 
natural e sexual. 
Sigmund Freud (1856 – 1939) foi um médico neurologista nascido na Áustria. As 
grandes constatações realizadas por Freud, iniciaram-se em seus estudos por meio da 
utilização da hipnose, em pacientes com “histeria”. Quando percebeu melhoras ocorridas 
nos pacientes, passou a elaborar a hipótese de que a causa da doença era psicológica, não 
 
 
 34 
 
orgânica. Esta teoria deu aporte ao seu conceito de “inconsciente”, que provavelmente 
possa ser sua maior contribuição ao pensamento contemporâneo. Ele deu ao 
“inconsciente” uma aparência de algo científico, ao propõem que a mente é dividida em 
camadas, dominada em certa medida por vontades primitivas (instintos) que estão 
escondidas por detrás da consciência e que se manifestam nos lapsos e nos sonhos. 
Friedrich Nietzsche (1844 – 1900) é um filósofo alemão que passou sua vida 
beirando entre a lucidez e a loucura, morrendo, porém, na loucura. Quando jovem estudou 
filosofia e teologia. Suas obras demonstram um radical ápice das ideias materialistas na 
Alemanha do final do século XIX. 
Santos (2006) estabelece um quadro de diferenças entre o modernismo e o pós-
modernismo que, muito embora sejam mais perceptíveis nas artes plásticas, segundo o 
autor, podem servir de guia para uma identificação mais precisa. 
 
 
 
Filosofia Latino-Americana e Brasileira 
 
A filosofia latino-americana, mesmo sendo jovem, já se constitui em uma grande 
história e, com contribuição filosófica autêntica e original para o pensamento filosófico 
mundial. Nas palavras de Ianni (2002), “nesse vasto e problemático laboratório 
sociocultural e político-econômico que tem sido e continua a ser a América Latina, 
germinam-se situações e condições, impasses e frustrações, realidades e ilusões, com os 
quais floresce as ciências sociais e as artes, fertilizando inclusive inquietações filosóficas”. 
 
 
 35 
 
Segundo Ferrater Mora (1984) quando se coloca um adjetivo geográfico, nacional 
ou plurinacional depois de “filosofia” pode significar duas coisas. Uma é que se trata da 
filosofia produzida em tal âmbito geográfico, em tal nação ou grupo de nações. Outra é 
que, além de ser produzida em um âmbito geográfico, em uma nação ou grupo de nações, 
a filosofia de que se fala tem certas características que a distingue da produzida em outros 
lugares ou por outras comunidades. 
Para Bondy (1968), uma comunidade desintegrada, subdesenvolvida e dependente 
expressa, pois, uma filosofia sem originalidade e autenticidade. Tal constatação do autor 
leva à conclusão de que o problema da filosofia hispano-americana não é um problema da 
filosofia como tal, mas da comunidade latino-americana. A alienação decorrente da 
condição histórica de dominação gera um pensamento igualmente alienado, imperfeito e 
que não corresponde à realidade. 
Por outro lado, Zea (2002) afirma que há uma tradição de pensamento 
autenticamente latino-americano e, nesse sentido, a melhor maneira de filosofar, na 
América Latina, é refletir a fundo sobre nossa peculiar maneira de ser e suas 
circunstâncias concretas. 
Para tanto, o caminho mais promissor é o da indagação recuperadora de nossa 
história e, de modo especial, da história das ideias de nossa América. 
Filosofar na América Latina é refletir sobre nosso ser e nossa realidade, não apenas 
pelo mero refletir, mas para mudar, a filosofia, portanto, deve colaborar no processo de 
superação do subdesenvolvimento e dependência. A medida de sua autenticidade será a 
que, por sua reflexão crítica, contribua para tornar claro e transformar a circunstância na 
qual brota (ZEA, 1969). 
 
Pensamento Teológico 
 
A teologia é explicada na própria origem da palavra, Theos significa “Deus” e logos 
significa “estudo”, ou seja, estudo de Deus. A teologia pode ser considerada como a ciência 
da religião, todo raciocínio sobre Deus pode ser constituído como uma forma de teologia. 
Mas esse pensamento teológico vem sendo modificado no decorrer da história, 
passando por várias etapas até chegar à Teologia Contemporânea. 
Para termos um melhor entendimento da Teologia Contemporânea é preciso 
conhecer as principais correntes teológicas. Correntes essas, que citamos a seguir: 
 
 
 36 
 
 
 
 
A Teologia Contemporânea é considerada a teologia do século XX, tendo início em 
1919, pelo pastor Karl Barth. O século XX foi marcado pela pluralidade de teologias e de 
reflexões sobre o homem, o mundo e sobre Deus. 
Com a Reforma Religiosa e suas propostas inovadoras, não querendo estabelecer 
novas doutrinas, mas analisando o sentido da bíblia, a fé e a prática da igreja. Discutindo 
assuntos importantes como a salvação e o papel da igreja, mas o que era uma discussão 
para causar renovação causou, na verdade, uma variedade de posturas em relação a vários 
pontos doutrinários. 
A Teologia Contemporânea teve sua origem na teologia Especulativa, e vem tomado 
várias direções, principalmente após a Reforma Protestante, recebendo várias 
designações diferentes, como: teologia modernista, teologia da esperança, teologia do 
cristianismo sem religião, etc. O mais importante a se entender sobre a Teologia 
Contemporânea é que esse novo conjunto de pressupostos religiosos modificou o 
pensamento do homem moderno. 
 
Subunidade 3.3 - O Homem Pós-Moderno, Religião e Ética 
 
Em seu livro El hombre light, Enrique Rojas (1996) faz uma descrição muito 
realista do homem atual e que assume contornos muito negativos. Segundo ele, os 
produtos“light” deram origem ao homem “light” e à vida “light”, caracterizada pelo fato 
de que tudo está sem calorias, sem gosto ou interesse. A essência das coisas não importa, 
 
 
Teologia Bíblica: Conhecer Deus através de reflexão sobre os temas 
apresentado no Antigo e Novo testamento, porque a Palavras de Deus é infalível; 
 
Teologia Católica: Estuda a moral, o dogma, a bíblia e recebe fortes influências 
patrísticas; 
 
Teologia Protestante: Reinterpreta as escrituras, tendo seu principal tema na 
unicidade de Cristo e das Escrituras; 
 Teologia Natural: Busca conhecer Deus na razão humana; 
 
Teologia Especulativa: Conhecer Deus através do conhecimento filosófico do 
homem. 
 
 
 37 
 
só é quente o superficial, e a vida pode ser comparada a um coquetel, onde tudo pode ser 
experimentado, mas tudo está desvalorizado. 
Centrado em aproveitar bem o momento e consumir, em se interessar por tudo e, ao 
mesmo tempo, por não se comprometer com nada, o homem light ajeita tudo. Para ele, 
tudo é transitório, passageiro e assim até a democracia e a vida conjugal se tornam lights. 
O lema é não exigir muito e alcançar uma tolerância absoluta. Não existem desafios, nem 
metas heróicas e grandes ideais, nem um esforço ou luta contra si próprio. 
O homem moderno, conforme descreve Rojas, é sumamente vulnerável. Embora seja 
atraente, dinâmico e divertido, é um ser vazio, sem ideias, evasivo e contraditório. Rebela-
se contra todos os estilos de vida reinantes. Sempre bem-informado, mas com escassa 
formação, perde-se no folclórico e, diante de tantas notícias, cria uma espécie de 
mecanismo de defesa, ficando insensível. É pragmático e se interessa por vários assuntos 
ao mesmo tempo. Tem uma curiosidade insaciável, porém mal dirigida e que não o leva a 
lugar nenhum. Conhece muito bem sua área de atuação, mas não consegue fazer síntese. 
O homem moderno, conforme Rojas, não é feliz. Ele tem uma certa dose de bem-
estar, tem prazeres, mas vive esvaziado da autêntica alegria. A forma suprema de prazer 
é a sexual, o orgasmo. Busca o imediato, a satisfação rápida e sem problemas, que a longo 
prazo só acumula fracassos. Guy Debord chega a afirmar que “estamos diante da 
sociedade do espetáculo” (Debord, 1997). 
Ainda segundo Lipovetsky, o “self-interest” é a única lei assumida e o dever passou a 
ser escrito em letras minúsculas. O “é necessário” cedeu seu passo à felicidade, ao estímulo 
dos sentidos e o proibido somente vale quando está no corpo da lei escrita. Ao mesmo 
tempo, ele chama a atenção: não nos enganemos: os gritos pelo retorno da ética não 
passam de um grito, mas não significam uma renúncia a si próprio ou o desejo de 
obrigações em favor dos outros. 
Esta é a sociedade do “pós-dever”, na qual os direitos subjetivos dominam os 
mandamentos imperativos. Ele afirma: “Queremos o respeito da ética, sem mutilação de 
nós mesmos e sem obrigações difíceis: o espírito da responsabilidade, não o dever 
incondicional. Por trás das liturgias do dever demiúrgico, chegamos ao minimalismo 
ético”. 
Esse desajuste ético e consequente reajuste dos valores é necessário e é 
consequência da nova antropologia. Os velhos mitos e tabus não têm mais efeito sobre a 
nova mentalidade. São histórias de crianças assustadas em noites de tempestade! O 
 
 
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protagonismo humano tende a estabelecer um novo ordenamento moral. Observe-se, no 
entanto, que também o inverso pode se fazer sentir, especialmente naquelas culturas e 
setores nos quais a nova mentalidade não encontra aceitação: trata-se da tendência a um 
fechamento completo e aberta oposição aos novos valores, chegando, às vezes, a um 
retorno aos velhos e tradicionais estilos de vida. 
A moral cristã, a partir da sua compreensão e valores, estabelece alguns desajustes 
neste esquema moral do homem moderno: 
a) moral sem pecado: o generalizar-se do estilo de vida que despreza o sentido da 
culpa e do pecado; 
b) moral de situação: a implantação do relativismo que estabelece as 
circunstâncias, a subjetividade e a privatização como caminho de realização moral; 
c) moral neutra: total dissociação entre religião e ética que esvazia tanto a moral 
quanto a própria fé; 
d) moral pragmática e utilitarista: estabelecimento de valores somente a partir de 
uma necessidade prática e em vista da própria utilidade; 
e) moral hedonista: a tendência a identificar o valor ético a partir do prazer e 
satisfação que produz. 
O homem moderno não serve a Deus, mas se faz servir dele. Culto e Igreja, na 
medida do necessário e “quando sobra um tempinho”, afinal, tudo o que é demais, faz mal. 
A fidelidade a uma única Igreja e a uma única visão de Deus são prejudiciais, pois, segundo 
o homem moderno, há outras facetas e aspectos que devem ser privilegiados e que uma 
única religião não completa. 
Assim, da missa de domingo se passa para o centro espírita de terça-feira, para a 
leitura e meditação da palavra de Deus no culto evangélico de quarta à noite, para a 
terreiro de umbanda de sexta-feira e para a fazenda budista de sábado. O resultado disto 
é o que se vê: ofertas religiosas as mais variadas possíveis. Igrejas, academias, farmácias 
e motéis é o que mais se vê nas ruas. 
São as instituições que mais proliferam e, no fundo, cada uma responde na medida 
exata ao que o homem moderno busca. O comércio religioso, em muitos casos, assume as 
mesmas características de qualquer oferta de produto, em nada diferente da venda de 
celulares, eletrodomésticos, carros, programas eróticos, etc. São ofertas religiosas em 
anúncios de jornais, rádios, outdoors, panfletos em esquinas movimentadas, liquidação 
de bênçãos e oração de cura pela metade do preço. O missionário que faz milagres, o 
 
 
 39 
 
“professor” que lê o futuro, a “irmã” que dá conselhos, o padre que faz show missa, o 
mestre que faz curso de meditação. 
Em tudo aparece a fuga do vazio, do anonimato e da vida sem sentido. O importante 
não é o que se crê e nem a medida desta crença, mas como forma de identificação com 
alguns outros e de autonomia, como demonstração da autonomia pessoal que se 
demonstra até mesmo na capacidade de comandar o próprio Deus. 
 
 
 
 40 
 
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Leopoldo: EdUnisinos, 1999. 
 
FOUCAULT, M. "Soberania e disciplina". In: Microfísica do

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