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PARTO EMERGENCIAL Unidade didática 20 e 21 OBJETIVOS Ao final da aula, os participantes serão capazes de: 1. identificar as fases do trabalho de parto; 2. realizar a assistência ao parto normal em período expulsivo; 3. descrever os primeiros cuidados dados ao recém nascido. Anatomia da mulher grávida Anatomia da mulher grávida Feto: Ser que está se desenvolvendo e crescendo dentro do útero. Até a 8ª semana de gestação, o bebê é chamado de embrião e após esse período passa chamar-se feto. Anatomia da mulher grávida Útero: Órgão muscular dentro do qual se desenvolve o feto. O útero contrai-se durante o trabalho de parto, empurrando o feto para o canal de parto. Anatomia da mulher grávida Colo uterino: Extremidade inferior do útero que se dilata permitindo que o feto entre na vagina. Também chamado de cérvix. Anatomia da mulher grávida Anatomia da mulher grávida Saco ou bolsa amniótica: Estrutura tipo bolsa que se forma no interior do útero, é constituído por uma membrana cheia de líquido que envolve e protege o feto. Líquido amniótico: Líquido presente dentro do saco amniótico, sua função é manter a temperatura do feto e protegê-lo de impactos. Durante o parto concorre para formar a bolsa das águas e lubrificar o canal do parto após a ruptura das membranas Anatomia da mulher grávida Placenta: Órgão especial (feto-materno), formado durante a gravidez, constituído por tecidos maternos e fetais, possui função protetora (como barreira para microorganismos e substâncias tóxicas) e nutridora realizando as trocas nutricionais e gasosas entre o feto e a mãe. Cordão Umbilical: estrutura constituída por vasos sanguíneos (2 artérias e 1 veia), e coberto por uma camada gelatinosa, que tem função protetora do cordão, através da qual o feto se une à placenta, seu comprimento é em média de 55cm. Fases do Trabalho de parto Primeira Fase (Primeiro Período) Inicia com as contrações ritmadas e termina com a dilatação completa do colo do útero (vontade espontânea de fazer força). Fases do Trabalho de parto Segunda Fase (Segundo período) Inicia-se com a dilatação completa do colo do útero (momento em que o feto está no canal de parto), juntamente com a vontade espontânea de empurrar (fazer força - puxo espontâneo), até o completo nascimento do feto. Em primeira gestação, este período pode ter duração de duas a três horas. Em mulheres com partos anteriores, de uma a duas horas. Fases do Trabalho de parto Terceira Fase (Terceiro Período) Inicia-se após a expulsão do feto e finaliza com a completa expulsão da placenta (dequitação biológica). A dequitação tem duração média de 30 minutos, podendo levar até 1 hora. Fases do Trabalho de parto Quarta fase (Quarto período) Inicia-se após a expulsão da placenta e termina após 1 hora de sua saída. Esse período é o mais crítico em relação a hemorragia pós parto. É o período em que a puérpera deve ser avaliada atentamente a cada 15 minutos: Avaliar sangramento, FC, PA, FR, SatO2 e temperatura. Entrevista Qual o seu nome e idade? Qual a idade gestacional? Você realizou exame pré-natal? Qual o nome do seu médico? O que o médico diz, ele espera parto normal ou há alguma complicação prevista? Existe algum problema de saúde prévio e gestacional? É o primeiro filho? * Como está a movimentação fetal? A que horas iniciaram as contrações? Já houve a ruptura da bolsa? Houve perda vaginal (líquidos ou sangramento)? Qual horário de rompimento, quantidade de líquido, a cor do líquido? Sente pressão na pelve, vontade de evacuar ou sente o bebê saindo pela vagina? Qual a frequência das contrações e duração? Entrevista O socorrista deve avaliar as contrações analisando o tempo de duração e o tempo entre uma contração e outra (quando mais curto o intervalo, mais próximo do parto); Finalmente, o socorrista deverá pedir a mãe para realizar uma avaliação visual . Deve realizar a procura dos seguintes sinais: abaulamento perineal (apagamento dos grandes lábios, espaço entre vagina e ânus abaulado), protrusão de anus, presença de fezes, presença de partes fetais, presença de líquidos ou sangue. Se as contrações ficam mais intensas e duradouras (próximas de 1 minuto de duração em um intervalo de 1 a 3 minutos), o parto é iminente e o socorrista deverá preparar a parturiente e o ambiente para a realização do parto emergencial. Se após a entrevista, o socorrista considerar que o parto não é iminente, deverá proceder o translado da parturiente para o hospital. Condutas do socorrista para apoio ao parto emergencial ● Assegure a privacidade da parturiente, escolha um local apropriado; ● Explique à mãe o que fará e como irá fazê-lo. Procure tranquilizá-la; ● Posicione a parturiente para o parto emergencial, sugira que a mulher encontre a posição que a deixe mais confortável, desde que o socorrista consiga visualizar o nascimento do bebê. ● Prepare o kit obstétrico e seu EPI (luvas estéreis, óculos, máscara e avental), mantenha todo material necessário à mão; Deixe a disposição lençóis, toalhas e cobertores limpos e secos; ● Sinta as contrações colocando a palma da mão sobre o abdômen da paciente, acima do umbigo; ● Tente visualizar a parte superior da cabeça do bebê (coroamento); ● Apoie a cabeça do bebê, colocando a mão logo abaixo da mesma com os dedos bem separados. Apenas sustente o segmento cefálico, ajudando com a outra mão, não tente puxá-lo; Condutas do socorrista para apoio ao parto emergencial ● Geralmente a cabeça do bebê apresenta-se com a face voltada para baixo e logo gira para a direita ou à esquerda. Aguarde o nascimento do bebê amparando-o.Coloque o bebê sobre o abdome da mãe imediatamente após o nascimento. ● Aqueça o bebê, dando ênfase ao pólo cefálico. Após, cubra mãe e bebê com panos limpos,até que o bebê consiga manter uma temperatura corporal de 36,5 a 37,5ºC (avaliar temperatura do bebê pelas costas ou tórax, caso não tenha termômetro); ● O clampeamento do cordão deve ser realizado somente após todos os cuidados com mãe e bebê e após este parar de pulsar (não deve ser uma urgência da equipe). Tratamento pré hospitalar do recém-nascido ● Limpe as vias aéreas usando gaze estéril; ● Avalie a respiração do bebê (ver, ouvir e sentir – observar a presença de careta, tosse, espirro e/ou movimentos respiratórios); ● Estimule a respiração, se necessário, massageando com movimentos circulares a região das costas e/ou a planta dos pés; ● Aqueça o bebê recém-nascido envolvendo-o em manta própria ou um campo estéril, mantendo-o pele a pele com a mãe (o corpo da mãe é a melhor fonte de calor para o recém-nascido); Tratamento pré hospitalar do recém-nascido ● Clampear o cordão umbilical, utilizando-se do clamp que se encontra no kit de parto. ● ● Aguarde o término do pulsar do cordão umbilical antes de clampeá-lo. O primeiro clamp deve estar há aproximadamente 25 cm (a medida de uma palma da mão aberta) a partir do abdômen do bebê. O segundo, cerca de 5 cm (4 dedos) do primeiro, e em direção ao bebê; Se não estiver com o kit, não clampeie! Tratamento pré hospitalar do recém-nascido ● Seccione o cordão umbilical com o bisturi ou tesoura do kit obstétrico. Este corte deve ser realizado entre as duas amarras. Nunca solte o clamp ou desate o cordão após tê-lo cortado. Se houver sangramento, coloque outro clamp junto ao anterior. ● Anote o nome da mãe, o sexo do bebê, a data, a hora e o lugar do nascimento e fixe essas informações em local visível. Tratamento pré hospitalar da mãe ● Inclui os cuidados com a expulsão da placenta (dequitação biológica), controle do sangramento vaginal e fazer a mãe se sentir o mais confortável possível. ● A dequitação tem duração média de 30 minutos, podendo levar até 1 hora. ● Guarde-a em um saco plástico apropriado para posterior avaliação pelos médicos juntamente com o clamp. O cordão desce progressiva e espontaneamente, portanto não tracioneo cordão. ● O volume de sangramento esperado em um parto normal é de 500 ml, volumes maiores que esse devem ser considerados como hemorragia. Complicações no parto emergencial - Apresentação das nádegas Esta apresentação fetal acontece quando as nádegas ou os pés do bebê são os primeiros a se apresentarem. Para que o bebê, que está nesta posição, nasça com mais facilidade coloque a parturiente em posição de quatro apoios, lembre-se nunca puxar ou empurrar o feto, deixe-o nascer sozinho, evite encostar no seu corpo enquanto ele realiza as rotações para o nascimento. No entanto, se o feto tiver dificuldade de desprender a cabeça mesmo com a parturiente em quatro apoios, será necessário que o socorrista intervenha, pois com a saída do tronco do feto, este terá naturalmente estímulo respiratório. Não tente puxar o bebê. Prolapso de cordão umbilical É quando, durante o trabalho de parto, após a ruptura das membranas amnióticas o cordão umbilical sai do útero antes do feto. Identifica-se visualizando o cordão umbilical para fora da vagina ou a mulher refere algo pulsante em sua vagina. Não empurrar o cordão para dentro; Não colocar a mão dentro da vagina; Hemorragia excessiva Se durante o período gestacional, a parturiente começar a ter um sangramento excessivo pela vagina, é muito provável que terá um aborto (até a 24ª semana de gestação). Porém, se a hemorragia ocorrer durante o trabalho de parto, ou na etapa final da gravidez, provavelmente pode estar ocorrendo um problema relacionado à placenta. ● Posicionar a parturiente em decúbito lateral esquerdo; ● Colocar absorvente higiênico sobre a abertura da vagina (trocar quando necessário); ● Guardar e conduzir ao hospital todos os materiais ensanguentados, bem como, todo e qualquer material expulso; Circular de cordão umbilical Quando da apresentação cefálica, o cordão umbilical poderá estar envolvendo o pescoço do feto. O cordão enrolado no pescoço é uma situação comum e que, de maneira geral, não causa dano ao recém-nascido. Apresentação de membros - Emergência hipertensiva Situação em que se apresenta pelo canal vaginal apenas um membro superior ou membro inferior. ● Retirar a parturiente da posição ginecológica e colocá-la em decúbito lateral esquerdo. Emergência hipertensiva Quando a pressão arterial da gestante ou puérpera se apresenta elevada, junto com sinais como: tontura, pressão na cabeça, edema, escotomas luminosos, visão turva ou nublada pode levar a pré-eclâmpsia e eclâmpsia. ● Todas as parturientes ou grávidas que apresentarem quadro de hipertensão deverão ser encaminhadas pelos socorristas para avaliação médica imediata! Aborto e Nascimento de bebê morto Aborto Abortamento é a interrupção da gravidez até a 20º ou 22º semana e com produto da concepção pesando menos que 500g. Aborto é o produto da concepção eliminado no abortamento (Ministério da Saúde, 2011). ● Prevenir estado de choque da parturiente; Nascimento de bebê morto Existem casos em que o bebê nasce morto ou morre logo ao nascer. Outras situações possíveis Parto múltiplo Depois que o primeiro bebê nasce, começam novamente as contrações e não é a dequitação biológica. Recomenda-se clampear o cordão umbilical do primeiro bebê antes do nascimento da segunda criança. Se a gestação gemelar for conhecida, observar se após o nascimento do primeiro bebê a parturiente apresenta sinais de parto iminente, se não apresentar esses sinais, conduzi-la, juntamente com o primeiro gemelar, para maternidade. Parto prematuro Os bebês que nascem antes da 37ª semana de gestação ou do 9º mês são considerados prematuros. Também são considerados prematuros, aqueles com menos de 2,5 Kg. O principal cuidado é mantê-los aquecidos e favorecer ventilação (abertura de via aérea e oxigênio suplementar se necessário). Distócia de ombro É o impacto do ombro do bebê na sínfise púbica materna. Caracteriza-se por um atraso da saída dos ombros após o desprendimento da cabeça (maior que 1 min), observar sinal da tartaruga (cabeça do bebê sai e retorna quando a parturiente faz força). Após a identificação – 7 min para o nascimento do bebê. OBJETIVOS Ao final da aula, os participantes serão capazes de: 1. Demonstrar em um manequim feminino, o atendimento pré hospitalar da mãe e do bebê, antes, durante e após o parto emergencial; 2. Descrever 3 complicações típicas durante um parto e o tratamento pré-hospitalar de cada uma delas; 3. Descrever o processo de atendimento de um parto com prolapso de cordão e com apresentação de nádegas. Dúvidas??