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Bases Biológicas do Comportamento PROF. DRA. ANA PAULA SCARAMAL RICIETTO Recordando!! VAMOS RETOMAR O QUE ESTUDAMOS NA AULA ANTERIOR? 2 3Ácidos nucleicos Fonte: SNUSTAD, D. P. Fundamentos de genética. 7. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2020. 4 Dúvidas? Contextualizando 5 Fonte: DE ROBERTIS,E. M. F. Biologia celular e molecular. 16. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2017. Estrutura e função gênica A DESCOBERTA DO DNA 6 7O material genético tem várias características importantes 1. O material genético tem obrigatoriamente informações complexas. • Em primeiro lugar, o material genético tem de ser capaz de armazenar muita informação – instruções para os traços e as funções de um organismo. 2. O material genético precisa se replicar de forma confiável. • Uma segunda característica necessária é a capacidade de o material genético ser copiado com exatidão. Cada organismo começa como uma única célula. Para produzir um organismo multicelular complexo como você, essa única célula precisa sofrer bilhões de divisões celulares. Em cada divisão celular, as instruções genéticas têm de ser transmitidas para as células descendentes com grande precisão. Quando os organismos se reproduzem e transferem os genes para seus descendentes, as instruções da codificação têm de ser copiadas com fidelidade. Fonte: PIERCE, B. A. Genética: um enfoque conceitual. 5. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2017. 8O material genético tem várias características importantes 3. O material genético obrigatoriamente codifica o fenótipo. • O material genético (o genótipo) precisa ter a capacidade de ser expresso – para codificar os traços (o fenótipo). O produto de um gene é uma proteína ou uma molécula de RNA, então é crucial que exista um mecanismo para que as instruções genéticas no DNA sejam copiadas em RNAs e proteínas. 4. O material genético precisa ter a capacidade de variar. • As informações genéticas têm de ser capazes de variar, porque diferentes espécies e até membros de uma espécie têm uma composição genética diferente. Fonte: PIERCE, B. A. Genética: um enfoque conceitual. 5. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2017. 9Evolução da estrutura do DNA Fonte: PIERCE, B. A. Genética: um enfoque conceitual. 5. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2017. 10Estrutura do DNA Fonte: SNUSTAD, D. P. Fundamentos de genética. 7. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2020. 1.Análise química: Quando analisaram a composição do DNA de muitos organismos diferentes, Erwin Chargaff e colaboradores constataram que a concentração de timina era sempre igual à de adenina e que a concentração de citosina era sempre igual à de guanina. 2.Estudos de difração por raios X: Watson e Crick usaram dados de difração de raios X sobre a estrutura do DNA apresentados por Maurice Wilkins, Rosalind Franklin e seus colaboradores. Esses dados indicaram que o DNA era uma estrutura bifilamentar, altamente organizada, com subestruturas repetidas a intervalos de 0,34 nanômetro (1 nm = 10–9 m) ao longo do eixo da molécula. SABENDO QUE AS CÉLULAS HUMANAS TÊM MAIS DE 6 BILHÕES DE PARES DE BASES DE DNA, QUE MEDIRIAM MAIS DE 2 METROS, ESTICADOS DE UMA PONTA A OUTRA, QUAL SOLUÇÃO FOI ENCONTRADA PARA QUE AS MOLÉCULAS DE DNA SE AJUSTEM EM ESPAÇOS PEQUENOS TÃO PEQUENOS? 11 Vamos participar! 12 A estrutura do DNA pode ser considerada em três níveis hierárquicos a estrutura primária do DNA é sua cadeia de nucleotídeos; a estrutura secundária é a hélice de fita dobrada; a estrutura terciária refere-se à dobra de ordem superior que possibilita que o DNA seja acondicionado no espaço restrito de uma célula. 13O genoma haploide humano consiste em 23 cromossomos que, em conjunto, têm cerca de 3,2 bilhões de pares de base de DNA e 20.500 genes. Fonte: SNUSTAD, D. P. Fundamentos de genética. 7. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2020. 14 Para refletir: Suponha que uma sonda automática, não tripulada, é enviada para o espaço profundo para pesquisa de vida extraterrestre. Após vagar por muitos anos-luz nos locais mais distantes do universo, essa sonda chega a um planeta distante e detecta vida. A composição química da vida nesse planeta é completamente diferente da composição da vida na Terra, e seu material genético não é composto por ácidos nucleicos. Que predições você pode tirar sobre as propriedades químicas do material genético desse planeta? Embora a composição química do material genético no planeta possa ser diferente do material do DNA, é mais provável que ele tenha propriedades semelhantes às do DNA. Como discutido no bloco, o material genético deve ter informação complexa, replicar fidedignamente, codificar o fenótipo e ter a capacidade de variar. Mesmo se o material no planeta não for DNA, ele deve satisfazer estes critérios. Além disso, o material genético deve ser estável. Fonte: PIERCE, B. A. Genética: um enfoque conceitual. 5. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2017. 15 Dúvidas? Estrutura e função gênica TRANSCRIÇÃO 16 17Dogma central da Biologia Molecular Fonte: ALBERTS, B. Biologia molecular da célula. 6. ed. Porto Alegre: Artmed, 2017. Francis H. Crick 18Descoberta do mRNA Em 1970, Oscar Miller Jr., Barbara Hamkalo e Charles Thomas usaram microscopia eletrônica para examinar o material celular e demonstrar que o RNA é transcrito a partir de um molde de DNA. Eles viram estruturas semelhantes à árvore de Natal dentro da célula: finas fibras centrais (o tronco da árvore) às quais estavam presos fios (os ramos) com grânulos. A adição da desoxirribonuclease (uma enzima que degrada o DNA) fez com que as fibras centrais desaparecessem, indicando que os “troncos da árvore” eram moléculas de DNA. A ribonuclease (uma enzima que degrada RNA) removeu os fios granulosos, indicando que os ramos eram RNA. Sua conclusão foi que cada “árvore de Natal” representava um gene sendo submetido à transcrição. Fonte: PIERCE, B. A. Genética: um enfoque conceitual. 5. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2017. 19Tipos de RNA Fonte: ALBERTS, B. Biologia molecular da célula. 6. ed. Porto Alegre: Artmed, 2017. 20RNA polimerases Fonte: ALBERTS, B. Biologia molecular da célula. 6. ed. Porto Alegre: Artmed, 2017; SNUSTAD, D. P. Fundamentos de genética. 7. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2020. 21Transcrição Fonte: PIERCE, B. A. Genética: um enfoque conceitual. 5. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2017. 22Transcrição em eucariotos Fonte: SNUSTAD, D. P. Fundamentos de genética. 7. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2020. 23Etapas da transcrição Fonte: SNUSTAD, D. P. Fundamentos de genética. 7. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2020. 24 Para refletir: A maioria dos genes eucarióticos contém íntrons não codificadores que separam as sequências codificadoras ou éxons desses genes. Em que estágio da expressão desses genes interrompidos são removidas as sequências de íntrons não codificadores? 25 Dúvidas? Estrutura e função gênica INTERVALO 26 Estrutura e função gênica O CÓDIGO GENÉTICO 27 QUANDO VOCÊ ESCUTA FALAR EM CÓDIGO GENÉTICO O QUE VOCÊ PENSA? 28 Vamos participar! 29Código genético O código genético é um código sem sobreposição em que cada aminoácido mais a iniciação e o término do polipeptídeo são especificados por códons de RNA constituídos de três nucleotídeos. Fonte: Wikimedia Commons / Mouagip. Disponível em https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Aminoacids_table.svg#/media/File:Aminoacids_table.svg. Acesso em fev. 2021. https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Aminoacids_table.svg#/media/File:Aminoacids_table.svg 30 Propriedades do código genético 1.O código genético é constituído de trinucleotídeos. Três nucleotídeos no mRNA especificam um aminoácido no produto polipeptídico; portanto, cada códon contém três nucleotídeos. 2.O código genético não tem sobreposições. Cada nucleotídeo no mRNA pertence a apenas um códon, exceto em casos raros de sobreposição de genes nos quais uma sequêncianucleotídica é lida em duas matrizes de leitura diferentes. 3.O código genético não tem vírgulas. Não há vírgulas nem outro tipo de pontuação nas regiões codificadoras das moléculas de mRNA. Durante a tradução, a leitura dos códons é consecutiva. 4.O código genético é degenerado. Todos os aminoácidos, exceto dois, são especificados por mais de um códon. Fonte: SNUSTAD, D. P. Fundamentos de genética. 7. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2020. 31 Propriedades do código genético 5.O código genético é ordenado. Vários códons para um determinado aminoácido e códons para aminoácidos com propriedades químicas similares são muito semelhantes, geralmente diferindo em apenas um nucleotídeo. 6.O código genético contém códons de iniciação e de término. Códons específicos são usados para iniciar e finalizar as cadeias polipeptídicas. Esses códons de iniciação e de término são as únicas formas de pontuação do código. 7.O código genético é quase universal. Com poucas exceções, os códons têm o mesmo significado em todos os organismos vivos, desde os vírus até os seres humanos. Fonte: SNUSTAD, D. P. Fundamentos de genética. 7. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2020. 32 4.O código genético é degenerado. Um aminoácido é codificado por três nucleotídeos consecutivos no mRNA, e cada nucleotídeo pode ter uma das quatro bases possíveis (A, G, C e U) em cada posição de nucleotídeo, resultando em 43 = 64 possíveis códons. Três desses códons são códons de parada, especificando o término da tradução. Assim, 61 códons, chamados códons com sentido ou senso, codificam os aminoácidos. Como existem 61 códons senso e apenas 20 diferentes aminoácidos comumente encontrados nas proteínas, o código tem mais informação que o necessário para especificar os aminoácidos, e por isso dizemos que é um código genético degenerado. Esta expressão não significa que o código genético está corrompido; degenerado é um termo que Francis Crick pegou emprestado da física quântica, que descreve múltiplos estados físicos com significado equivalente. A degeneração do código genético significa que os aminoácidos podem ser especificados por mais de um códon. Fonte: PIERCE, B. A. Genética: um enfoque conceitual. 5. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2017. https://jigsaw.minhabiblioteca.com.br/books/9788527729338/epub/OEBPS/Text/chapter15.html#glo9 https://jigsaw.minhabiblioteca.com.br/books/9788527729338/epub/OEBPS/Text/chapter15.html#glo4 33Código genético Fonte: SNUSTAD, D. P. Fundamentos de genética. 7. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2020. 34Quadro de leitura Início Início Início 35 Para refletir: Se há apenas 20 tipos de aminoácidos e todas as proteínas são formadas por uma sequência de aminoácidos, como existem tantas proteínas diferentes? Cada proteína é constituída por um número diferente de aminoácidos que se combinam em diferentes sequências para originar cada uma das proteínas. 36 Dúvidas? Estrutura e função gênica TRADUÇÃO 37 38Compreensão da tradução Fonte: MENCK, C. F. M. Genética molecular básica : dos genes aos genomas. 1. ed. - Rio de Janeiro : Guanabara Koogan, 2017. 1955 – Francis Crick • propôs que, antes da incorporação dos aminoácidos em polipeptídeos, os aminoácidos precisam associar-se a uma molécula adaptadora especial. Essa molécula adaptadora deveria possibilitar a interação entre essas duas moléculas quimicamente incompatíveis. Dessa maneira, Crick imaginou que muito provavelmente esse adaptador seria uma espécie de RNA. 1957 – Hoagland & Zamecnik • demonstraram que, antes de sua incorporação às proteínas, os aminoácidos se ligam a uma classe de moléculas de RNA, no início chamada de RNA “solúvel”. Eles também identificaram as enzimas aminoacil-tRNA sintetases, que eram responsáveis por ligar um aminoácido específico a um RNA “solúvel” e transportá-lo para o ribossomo para a síntese proteica. Esse RNA “solúvel”, assim denominado por ser uma molécula de baixo peso molecular e solúvel, foi posteriormente renomeado de RNA transportador (tRNA ou RNA de transferência). 1961 – Nirenberg, Khorana & Holley • determinaram que a síntese de aminoácidos era determinada a partir de uma trinca de bases do mRNA. 39RNA transportador Fonte: MENCK, C. F. M. Genética molecular básica : dos genes aos genomas. 1. ed. - Rio de Janeiro : Guanabara Koogan, 2017. 40Ribossomo Fonte: SNUSTAD, D. P. Fundamentos de genética. 7. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2020; Wikimedia Commons / LadyofHats - Nossedotti. Disponível em https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Ribosome_mRNA_translation_pt.svg#/media/Ficheiro:Ribosome_mRNA_translation_pt.svg/. Acesso em fev. 2021. https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Ribosome_mRNA_translation_pt.svg#/media/Ficheiro:Ribosome_mRNA_translation_pt.svg/ 41Tradução: iniciação Fonte: PIERCE, B. A. Genética: um enfoque conceitual. 5. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2017. 42Tradução: alongamento Fonte: PIERCE, B. A. Genética: um enfoque conceitual. 5. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2017. 43Tradução: alongamento Fonte: PIERCE, B. A. Genética: um enfoque conceitual. 5. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2017. 44Tradução: terminação Fonte: PIERCE, B. A. Genética: um enfoque conceitual. 5. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2017. 45Tradução: terminação Fonte: PIERCE, B. A. Genética: um enfoque conceitual. 5. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2017. 46Tradução: terminação Fonte: PIERCE, B. A. Genética: um enfoque conceitual. 5. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2017. 47Proteínas Fonte: SNUSTAD, D. P. Fundamentos de genética. 7. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2020. 48 Situação Problema Um casal de judeus procura um serviço de consultoria genética, pois dois de seus quatro filhos apresentam doença de Tay-Sachs. O casal está preocupado com a possibilidade de os outros dois filhos, caçulas, saudáveis até o momento, virem a apresentar a doença. Os dois filhos afetados nasceram aparentemente normais, mas por volta dos três anos começaram a apresentar paralisia e a perder progressivamente a visão. O casal teve outra criança que morreu aos cinco anos com a doença. Eles buscam saber a causa dessa doença em suas crianças e se os dois caçulas apresentam chances de desenvolver a doença. O que você lhes diria? 49 Situação Problema A doença de Tay-Sachs é um distúrbio metabólico muito presente em judeus. É consequência da alteração de quatro bases nitrogenadas no gene recessivo, localizado no cromossomo 15, responsável pela produção de uma enzima lisossômica que atua na quebra de determinado lipídeo. A alteração faz que surja um códon de parada (stop códon) precocemente no processo de tradução, o que acaba por produzir uma enzima não funcional ou, até mesmo, inexistente. A falta dessa enzima ocasiona o rápido acúmulo desse lipídio nos neurônios, levando à neurodegeneração progressiva. O fato de o casal já ter perdido uma criança com a doença e ter outras duas afetadas por ela indica que ambos são portadores do gene recessivo e, por este motivo, todos os seus filhos apresentam chances de desenvolver a doença. 50 Dúvidas? Estrutura e função gênica RECAPITULANDO 51