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Indaial – 2021
Educação E 
Prof. Carlos Odilon da Costa
2a Edição
SociEdadE,
cultura
Elaboração:
Prof. Carlos Odilon da Costa
Copyright © UNIASSELVI 2021
 Revisão, Diagramação e Produção: 
Equipe Desenvolvimento de Conteúdos EdTech 
Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI
Ficha catalográfica elaborada pela equipe Conteúdos EdTech UNIASSELVI
Impresso por:
C837s
Costa, Carlos Odilon da
Sociedade, educação e cultura. / Carlos Odilon da Costa – 
Indaial: UNIASSELVI, 2021.
228 p.; il.
ISBN 978-65-5663-682-5
ISBN Digital 978-65-5663-683-2
1. Sociologia. 2. Antropologia - Brasil. II. Centro Universitário 
Leonardo da Vinci.
CDD 370
Olá, acadêmico! Seja bem-vindo ao livro de Sociedade, Educação e Cultura. Nele, 
você percorrerá um caminho de conhecimentos ligados à Sociologia, à Antropologia e 
relacionados ao mundo da Educação.
Os novos temas e conceitos presentes na Sociedade dita pós-moderna e 
globalizada fazem parte do currículo das universidades e também das escolas de 
educação básica. O motivo é simples: é importante a compreensão crítica e mais ampla 
de mundo por parte dos profissionais e futuros profissionais da educação.
O mundo atual está cada vez mais complexo e multifacetado. Somente com 
olhares aprofundados das origens e desenvolvimento de alguns conceitos e temas é 
que o sujeito profissional se tornará um ser autônomo e cidadão consciente de seu 
papel na história humana.
Para que esse aprendizado ocorra, na Unidade 1 estudaremos sobre a Sociologia, 
Autores e Conceitos, tendo como objetivo proporcionar a compreensão da origem 
histórica e da constituição do conhecimento na sociologia.
Na Unidade 2 abordaremos os assuntos envolvendo Cultura e Educação para 
compreender como se configuraram os principais conceitos dos processos culturais e 
ambientais em sociedade.
Na Unidade 3 focaremos Educação, Cultura e Sociedade em Sala de Aula, 
analisando as relações culturais e de consumo existentes em sociedade a partir das 
salas de aula.
Bons estudos!
Professor Carlos Odilon da Costa
APRESENTAÇÃO
Olá, acadêmico! Para melhorar a qualidade dos materiais ofertados a você – e 
dinamizar, ainda mais, os seus estudos –, nós disponibilizamos uma diversidade de QR Codes 
completamente gratuitos e que nunca expiram. O QR Code é um código que permite que você 
acesse um conteúdo interativo relacionado ao tema que você está estudando. Para utilizar 
essa ferramenta, acesse as lojas de aplicativos e baixe um leitor de QR Code. Depois, é só 
aproveitar essa facilidade para aprimorar os seus estudos.
GIO
QR CODE
Olá, eu sou a Gio!
No livro didático, você encontrará blocos com informações 
adicionais – muitas vezes essenciais para o seu entendimento 
acadêmico como um todo. Eu ajudarei você a entender 
melhor o que são essas informações adicionais e por que você 
poderá se beneficiar ao fazer a leitura dessas informações 
durante o estudo do livro. Ela trará informações adicionais 
e outras fontes de conhecimento que complementam o 
assunto estudado em questão.
Na Educação a Distância, o livro impresso, entregue a todos 
os acadêmicos desde 2005, é o material-base da disciplina. 
A partir de 2021, além de nossos livros estarem com um 
novo visual – com um formato mais prático, que cabe na 
bolsa e facilita a leitura –, prepare-se para uma jornada 
também digital, em que você pode acompanhar os recursos 
adicionais disponibilizados através dos QR Codes ao longo 
deste livro. O conteúdo continua na íntegra, mas a estrutura 
interna foi aperfeiçoada com uma nova diagramação no 
texto, aproveitando ao máximo o espaço da página – o que 
também contribui para diminuir a extração de árvores para 
produção de folhas de papel, por exemplo.
Preocupados com o impacto de ações sobre o meio ambiente, 
apresentamos também este livro no formato digital. Portanto, 
acadêmico, agora você tem a possibilidade de estudar com 
versatilidade nas telas do celular, tablet ou computador.
Preparamos também um novo layout. Diante disso, você 
verá frequentemente o novo visual adquirido. Todos esses 
ajustes foram pensados a partir de relatos que recebemos 
nas pesquisas institucionais sobre os materiais impressos, 
para que você, nossa maior prioridade, possa continuar os 
seus estudos com um material atualizado e de qualidade.
ENADE
LEMBRETE
Olá, acadêmico! Iniciamos agora mais uma 
disciplina e com ela um novo conhecimento. 
Com o objetivo de enriquecer seu conheci-
mento, construímos, além do livro que está em 
suas mãos, uma rica trilha de aprendizagem, 
por meio dela você terá contato com o vídeo 
da disciplina, o objeto de aprendizagem, materiais complementa-
res, entre outros, todos pensados e construídos na intenção de 
auxiliar seu crescimento.
Acesse o QR Code, que levará ao AVA, e veja as novidades que 
preparamos para seu estudo.
Conte conosco, estaremos juntos nesta caminhada!
Acadêmico, você sabe o que é o ENADE? O Enade é um 
dos meios avaliativos dos cursos superiores no sistema federal de 
educação superior. Todos os estudantes estão habilitados a participar 
do ENADE (ingressantes e concluintes das áreas e cursos a serem 
avaliados). Diante disso, preparamos um conteúdo simples e objetivo 
para complementar a sua compreensão acerca do ENADE. Confira, 
acessando o QR Code a seguir. Boa leitura!
SUMÁRIO
UNIDADE 1 - SOCIOLOGIA, AUTORES E CONCEITOS ........................................................... 1
TÓPICO 1 - ORIGEM DA SOCIOLOGIA ....................................................................................3
1 INTRODUÇÃO .......................................................................................................................3
2 IDADE MÉDIA E SOCIEDADE ..............................................................................................3
3 RENASCIMENTO E SOCIEDADE .........................................................................................8
4 AUGUST COMTE E SAINT SIMON ......................................................................................11
RESUMO DO TÓPICO 1 ......................................................................................................... 16
AUTOATIVIDADE ..................................................................................................................18
TÓPICO 2 - AUTORES CLÁSSICOS DA SOCIOLOGIA E A RELAÇÃO COM A EDUCAÇÃO ...... 21
1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................................... 21
2 SOCIOLOGIA, MODERNIDADE E CIÊNCIA ........................................................................ 21
3 ÉMILE DURKHEIM, MAX WEBER E A EDUCAÇÃO ............................................................27
4 KARL MARX E A EDUCAÇÃO............................................................................................ 36
RESUMO DO TÓPICO 2 ........................................................................................................ 46
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................. 48
TÓPICO 3 - AUTORES CONTEMPORÂNEOS DA 
SOCIOLOGIA E A RELAÇÃO COM A EDUCAÇÃO ................................................................. 51
1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................................... 51
2 SOCIOLOGIA E PÓS-MODERNIDADE ............................................................................... 51
3 PIERRE BOURDIEU, MICHEL FOUCAULT E A EDUCAÇÃO.............................................. 65
4 ZYGMUNT BAUMAN, VIRTUALIDADE E A EDUCAÇÃO ....................................................73
LEITURA COMPLEMENTAR .................................................................................................78
RESUMO DO TÓPICO 3 .........................................................................................................81
AUTOATIVIDADE .................................................................................................................constituem	os	objetos	da	Sociologia.	Três	são	as	características	
que	Durkheim	distingue	nos	fatos	sociais”.
FIGURA 12 – GENERALIDADE, EXTERIORIDADE E COERCITIVIDADE
FONTE: . Acesso em: 20 mar. 2020.
29
Os	fatos	sociais	são	apresentados	por	Durkheim	como	maneiras	coletivas	de	
pensar,	de	sentir	e	de	agir	que	estão	presentes	na	realidade	das	sociedades,	estando	
diretamente	vinculados	aos	aspectos	morais	que	regem	a	vida	das	pessoas	e	as	relações	
que	estabelecem	entre	si.	Valores,	costumes,	hábitos,	regras,	leis,	normas	e	estruturas	
sociais	são	alguns	dos	componentes	que	dão	forma	aos	fatos	sociais	e,	sobretudo,	a	
sua	capacidade	de	influenciar	o	comportamento	dos	seres	humanos	a	partir	de	fatores	
externos	aos	próprios	indivíduos.
QUADRO 10 – GENERALIDADE
A generalidade
Em	primeiro	 lugar,	 a generalidade  corresponde	 à	 capacidade	 dos	
fatos	sociais	exercerem	o	seu	poder	de	influência	sobre	a	totalidade	ou	
sobre a maioria dos membros de uma sociedade ou grupo social. Nesse 
sentido,	a	necessidade	de	obediência	às	determinações	não	recai	apenas	
sobre	alguns	indivíduos,	mas	sobre	todos	aqueles	reconhecidos	como	
membros	do	corpo	social	ao	qual	são	destinadas	tais	obrigações.
A	exterioridade
Em	segundo	lugar,	a exterioridade compreende	e	delimita	a	existência	
dos fatos sociais independentemente das vontades pessoais. Portanto, são 
elementos	cuja	propriedade	é	exterior	às	consciências	individuais,	sendo,	
portanto,	imutáveis	em	curto	prazo	e	aplicáveis	coletivamente	às	pessoas.
A coercitividade
Por	fim,	a coercitividade representa	a	condição	de coerção social, em 
que	os	indivíduos	se	tornam	suscetíveis	diante	dos	fatos	sociais,	o	que	
não	permite	que	suas	estruturas	sejam	alteradas	sem	grande	capacidade	
de resistência. Desse modo, ocorre a imposição de comportamentos 
sob	a	condição	de	que,	se	necessário,	para	a	manutenção	da	ordem	e	
dos aspectos morais vigentes, as pessoas sejam reprimidas e sofram 
sanções	em	casos	de	condutas	consideradas	como	inadequadas.	No	
entanto,	é	 importante	destacar	que	nem	toda	coerção	social	exclui	a	
personalidade	 individual,	 tornando-a	um	 instrumento	que	 impele	 a	
alienação de algumas das vontades individuais, porém não de todas – 
visto	que	o	seu	objetivo	maior	é	a	preservação	da	ordem	social.
FONTE: Adaptado de . Acesso em: 10 abr. 2021.
Além	do	Fato	Social,	quais	as	outras	contribuições	deixadas	por	Durkheim	para	a	
Sociologia?	Foram	diversas	contribuições.		no	quadro	a	seguir	apresentaremos	algumas:
QUADRO 11 – CONCEITOS
Instituição social e Anomia
A	 instituição	social	 é	um	mecanismo	de	organização	da	sociedade,	é	o	conjunto	de	 regras	
e	 procedimentos	 padronizados	 socialmente,	 reconhecidos,	 aceitos	 e	 sancionados	 pela	
sociedade,	 cuja	 importância	 estratégica	 é	 manter	 a	 organização	 do	 grupo	 e	 satisfazer	 as	
necessidades	dos	indivíduos	que	dele	participam.
As	instituições	são,	portanto,	conservadoras	por	essência,	quer	seja	família,	escola,	governo,	
religião,	polícia	ou	qualquer	outra.	Elas	agem	contra	as	mudanças,	pela	manutenção	da	ordem
vigente.	Durkheim	registra,	em	sua	obra,	o	quanto	acredita	que	essas	instituições	são	valorosas	
e	 parte	 em	 sua	defesa,	 o	 que	 o	 deixou	 com	certa	 reputação	de	 conservador,	 que	durante	
muitos anos causou antipatia a sua obra.
30
No	 entanto,	 Durkheim	 não	 pode	 ser	 meramente	 tachado	 de	 conservador.	 Sua	 defesa	 das	
instituições	 se	 baseia	 num	 ponto	 fundamental,	 o	 ser	 humano	 necessita	 se	 sentir	 seguro,	
protegido e respaldado. Uma sociedade sem regras claras ("em estado de anomia"), sem valores 
e	sem	limites	leva	o	ser	humano	ao	desespero.	Preocupado	com	esse	desespero,	Durkheim	se	
dedicou	ao	estudo	da	criminalidade,	do	suicídio	e	da	religião.
Uma	 rápida	 observação	 do	 contexto	 histórico	 do	 século	 XIX	 nos	 permite	 perceber	 que	 as	
instituições	 sociais	 se	 encontravam	 enfraquecidas,	 havia	 muito	 questionamento,	 valores	
tradicionais	 eram	 rompidos	 e	 novos	 surgiam,	 muita	 gente	 vivia	 em	 condições	 miseráveis,	
desempregados,	doentes	e	marginalizados.
Ora, numa sociedade integrada, essa gente não podia ser ignorada, de uma forma ou de outra, 
toda	a	sociedade	estava	ou	 iria	 sofrer	as	consequências.	Aos	problemas	que	ele	observou,	
considerou	como	patologia	social,	e	chamou	aquela	sociedade	doente	de	"Anomana".	A	anomia	
era	a	grande	inimiga	da	sociedade,	algo	que	devia	ser	vencido,	e	a	sociologia	era	o	meio	para	
isso. O papel do sociólogo seria, portanto, estudar, entender e ajudar a sociedade.
Em	seus	estudos,	Durkheim	concluiu	que	os	fatos	sociais	atingem	toda	a	sociedade,	o	que	só	
é	possível	se	admitirmos	que	a	sociedade	seja	um	todo	integrado.	Se	tudo	na	sociedade	está	
interligado,	qualquer	alteração	afeta	o	geral,	o	que	quer	dizer	que,	se	algo	não	vai	bem	em	
algum	setor	da	sociedade,	toda	ela	sentirá	o	efeito.	Partindo	desse	raciocínio,	desenvolve	dois	
dos seus principais conceitos: Instituição social e Anomia.
Solidariedade Social
A	solidariedade,	 segundo	Durkheim	 ,	 é	oriunda	de	dois	 tipos	de	consciência:	 a	consciência	
coletiva	 (ou	 comum)	 e	 consciência	 individual.	 Cada	 indivíduo	 possui	 uma	 consciência	
individual	que	sofre	 influência	da	consciência	coletiva,	que	nada	mais	é	que	a	combinação	
das consciências individuais de todos os homens ao mesmo tempo. A consciência coletiva 
seria	responsável	pela	formação	de	nossos	valores	morais,	e	exerce	uma	pressão	externa	aos	
indivíduos	no	momento	de	suas	escolhas.	A	soma	da	consciência	individual	com	a	consciência	
coletiva forma o ser social.
Dentro	da	perspectiva	sociológica	durkheimniana,	a	existência	de	uma	sociedade	só	é	possível	
a	partir	de	um	determinado	grau	de	consenso	entre	seus	membros	constituintes:	os	indivíduos.	
Esse	consenso	se	assenta,	basicamente,	no	processo	de	adequação	da	consciência	individual	
à consciência coletiva. Dependendo do grau de consenso, temos dois tipos de solidariedade.
Solidariedade mecânica
A	 sociedade	 em	 sua	 fase	 primitiva	 se	 organizava	 socialmente	 a	 partir	 das	 semelhanças	
psíquicas	e	 sociais	entre	os	membros	 individuais.	Nessas	sociedades,	os	 indivíduos	que	as	
integravam	compartilhavam	dos	mesmos	valores	sociais,	tanto	no	que	se	refere	às	crenças	
religiosas como com relação aos interesses materiais necessários à subsistência do grupo, 
essa	correspondência	de	valores	é	que	assegurava	a	coesão	social.
Solidariedade orgânica
Já	nas	sociedades	ditas	"modernas"	ou	"complexas"	do	ponto	de	vista	da	maior	diferenciação	
individual	e	social,	existe	a	solidariedade	orgânica.
Nesse	 modelo,	 cada	 indivíduo	 tem	 uma	 função	 e	 depende	 dos	 outros	 para	 sobreviver.	 A	
Solidariedade	Orgânica	é	fruto	das	diferenças	sociais,	já	que	são	essas	diferenças	que	unem	
os	indivíduos	pela	necessidade	de	troca	de	serviços	e	pela	sua	interdependência.
O	indivíduo	é	socializado	porque,	embora	tenha	sua	individualidade,	depende	dos	demais	e,	por	
isso, se sente parte de um todo. 
FONTE: Adaptado de . Acesso em: 20 mar. 2021.
Durkheim	 é	 considerado	 o	 criador	 da	 Sociologia	 da	 Educação.	 Para	 ele,	 a	
principal	função	do	professor	é	formar	cidadãos	capazes	de	contribuir	para	a	harmonia	
social.	Qual	seria	a	grande	função	da	Educação	segundo	Durkheim?
31
QUADRO 12 – CONTRIBUIÇÕES
Durkheim	não	desenvolveu	métodos	pedagógicos,	mas	suas	ideias	ajudaram	a	compreender	
o	 significado	 social	 do	 trabalho	 do	 professor,	 tirando	 a	 educação	 escolar	 da	 perspectiva	
individualista,	 sempre	 limitada	 pelo	 psicologismo	 idealista.	 Segundo	 Durkheim,	 o	 papel	 da	
ação	 educativa	 é	 formar	 um	cidadão	que	 tomará	 parte	 do	 espaço	público,	 não	 somente	 o	
desenvolvimento individual do aluno. Portanto, "a educação tem por objetivo suscitar e 
desenvolver	na	criança	estados	físicos	e	morais	que	são	requeridos	pela	sociedade	política	no	
seu	conjunto".	Tais	exigências,	com	forte	influênciano	processo	de	ensino,	estão	relacionadas	
à	religião,	às	normas	e	sanções,	à	ação	política,	ao	grau	de	desenvolvimento	das	ciências	e	até	
mesmo	ao	estado	de	progresso	da	indústria	local.
Se	a	educação	for	desligada	das	causas	históricas,	ela	se	tornará	apenas	exercício	da	vontade	
e	do	desenvolvimento	individual,	o	que,	para	ele,	era	incompreensível:	"Como	é	que	o	indivíduo	
pode	pretender	reconstruir,	por	meio	do	único	esforço	da	sua	reflexão	privada,	o	que	não	é	obra	
do	pensamento	individual?".	Ele	mesmo	respondeu:	"O	indivíduo	só	poderá	agir	na	medida	em	
que	aprender	a	conhecer	o	contexto	em	que	está	inserido,	a	saber	quais	são	suas	origens	e	as	
condições	de	que	depende.	E	não	poderá	sabê-lo	sem	ir	à	escola,	começando	por	observar	a	
matéria	bruta	que	está	lá	representada".	Por	tudo	isso,	Durkheim	é	também	considerado	um	
dos	mentores	dos	ideais	republicanos	de	uma	educação	pública,	monopolizada	pelo	Estado,	e	
laica,	liberta	da	influência	do	clero	romano.
FONTE: Adaptado de . Acesso em: 20 mar. 2021.
Para pensar:
Durkheim dizia que a criança, ao nascer, trazia consigo só a sua 
natureza de indivíduo. "A sociedade encontra-se, a cada nova geração, 
na presença de uma tábua rasa sobre a qual é necessário construir 
novamente", escreveu. Os professores, como parte responsável pelo 
desenvolvimento dos indivíduos, têm um papel determinante e 
delicado. Devem transmitir os conhecimentos adquiridos, com 
cuidado para não tirar a autonomia de pensamento dos jovens. 
A proposta de Durkheim levará o aluno a avançar sozinho? Esse 
modelo de formação externa contrária à independência nos 
estudos? Ou será uma condição para que a educação cumpra 
seu papel social e político?
FONTE: . Acesso em: 20 mar. 2021
NOTA
32
Outro	grande	Sociólogo	desse	período	é	Max	Weber.	A	partir	de	agora	vamos	
apresentar a vida, obras e seus conceitos:
FIGURA 13 – MAXIMILIAN KARL EMIL WEBER 
FONTE: . Acesso em 
20 mar. 2021.
Foi	na	cidade	de	Erfurt	que	nasceu	Max	Weber,	em	uma	família	de	burgueses	
liberais.	Desenvolveu	estudos	de	direito,	filosofia,	história	e	sociologia,	constantemente	
interrompidos	por	uma	doença	que	o	acompanhava	por	toda	a	vida.	Iniciou	a	carreira	
de	 professor	 em	 Berlim	 e	 em	 1895	 foi	 catedrático	 em	 Heidelberg.	 Manteve	 contato	
permanente com intelectuais de sua época, como Simmel, Sombart, Tönnies e 
Georg	 Lukács.	 Na	 política,	 defendeu	 ardorosamente	 seus	 pontos	 de	 vista	 liberais	 e	
parlamentarista	 e	 participou	 da	 comissão	 redatora	 da	 Constituição	 da	 República	 de	
Weimar.	Sua	maior	contribuição	nas	pesquisas	e	estudos	sociológicos	foi	na	Sociologia	
da	 Religião,	 estabelecendo	 relações	 da	 formação	 política	 e	 crenças	 religiosas.	 Suas	
principais obras foram: Artigos reunidos da Sociologia da Religião; Artigos reunidos da 
Teoria	da	Ciência;	Economia	e	Sociedade	(obra	póstuma);	Ética	Protestante	e	Espírito	do	
Capitalismo.	Morreu	em	Monique	(COSTA,	1987).
Max	 Weber	 formulou	 com	 precisão	 o	 conceito	 de	 ação	 social,	 que	 para	 ele	
baseia-se	no	processo	comunicativo	entre	sujeitos,	tomando	como	ponto	de	partida	o	
sentido dado pelo autor de uma ação e seu objetivo.
33
QUADRO 14 – TEORIA DA AÇÃO SOCIAL
A	teoria	 sociológica	da	ação	social	 foi	 amplamente	trabalhada	pelo	teórico	Max	Weber,	que	
acreditava	que	a	principal	função	da	Sociologia	era	compreender	os	diversos	aspectos	da	ação	
social.	A	ação	social	é	entendida	por	Weber	como	qualquer	ação	realizada	por	um	sujeito	em	
um	meio	social	que,	no	entanto,	possua	um	sentido	determinado	por	seu	autor.	O	contínuo	
processo de comunicação está intimamente ligado ao conceito de ação social. A manifestação 
do	 sujeito	 que	 deseja	 uma	 resposta	 é	manifestada	 em	 função	 dessa	 resposta.	 Em	 outras	
palavras,	uma	ação	social	constitui-se	como	ação	a	partir	da	intenção	de	seu	autor	quanto	à	
resposta	que	deseja	de	seu	interlocutor.
A	 partir	 desse	 entendimento,	 Weber	 justifica	 que	 a	 função	 dos	 esforços	 sociológicos	 é	
justamente	 tentar	 compreender	 os	 sentidos	 dados	 às	 ações	 humanas	 em	 suas	 relações	
sociais.	As	relações	humanas	e,	por	sua	vez,	as	ações	que	estão	inseridas	no	contexto	dessas	
relações,	 possuem	 sentido	 atribuído	 a	 elas	 por	 seus	 autores.	 Para	 que	 se	 compreenda	 o	
processo	de	comunicação	e	de	 interação	social,	é	necessário,	então,	que	se	compreenda	
o	sentido	da	ação,	bem	como,	ainda	mais	 importante,	desvende-se	o	objetivo	do	autor	da	
ação	em	seu	esforço	comunicativo.	Peguemos,	por	exemplo,	a	ação	social	de	um	abraço,	
que	pode	carregar	uma	 infinidade	de	 sentidos.	O	autor	da	ação,	 ao	 realizá-la,	 deseja	que	
seu	 interlocutor	apreenda	o	sentido	que	desejou	 implantar	em	seu	ato,	e	não	apenas	que	
entenda o sentido genérico do ato de abraçar.
FONTE: Adaptado de . 
Acesso em: 29 jul. 2021.
FIGURA 14 – CARACTERIZAÇÃO DA AÇÃO SOCIAL
FONTE: . Acesso em: 20 mar. 2021.
34
Max	Weber	escreveu	sobre	os	tipos	de	dominação.	O	autor	citou	que	podemos	
legitimar três tipos:
QUADRO 15 – TIPOS DE DOMINAÇÃO LEGÍTIMA
Dominação	Legal:	onde	qualquer	direito	pode	ser	criado	e	modificado	através	de	um	estatuto	
sancionado	 corretamente,	 tendo	 a	 “burocracia”	 como	 o	 tipo	 mais	 puro	 desta	 dominação.	
Os	 princípios	 fundamentais	 da	 burocracia,	 segundo	 o	 autor,	 são	 a	 Hierarquia	 Funcional,	 a	
Administração	 baseada	 em	 Documentos,	 a	 Demanda	 pela	 Aprendizagem	 Profissional,	 as	
Atribuições	 são	 oficializadas	 e	 há	 uma	 Exigência	 de	 todo	 o	 Rendimento	 do	 Profissional.	 A	
obediência	se	presta	não	à	pessoa,	em	virtude	de	direito	próprio,	mas	à	regra,	que	se	conhece	
competente	para	designar	a	quem	e	em	que	extensão	se	há	de	obedecer.	Weber	classifica	este	
tipo	de	dominação	como	sendo	estável,	uma	vez	que	é	baseada	em	normas	que,	como	foi	dito	
anteriormente,	são	criadas	e	modificadas	através	de	um	estatuto	sancionado	corretamente.	
Ou seja, o poder de autoridade é legalmente assegurado.
Dominação	Tradicional:	onde	a	autoridade	é,	pura	e	simplesmente,	suportada	pela	existência	
de	 uma	fidelidade	 tradicional.	 O	 governante	 é	 o	 patriarca	 ou	 senhor,	 os	 dominados	 são	 os	
súditos	 e	 o	 funcionário	 é	 o	 servidor.	O	patriarcalismo	é	 o	 tipo	mais	 puro	desta	dominação.	
Presta-se	obediência	à	pessoa	por	respeito,	em	virtude	da	tradição	de	uma	dignidade	pessoal	
que	se	julga	sagrada.	Todo	o	comando	se	prende	intrinsecamente	a	normas	tradicionais	(não	
legais),	como	um	tipo	de	“lei	moral”.	A	criação	de	um	novo	direito	é,	em	princípio,	impossível,	
em	virtude	das	normas	oriundas	da	tradição.	Também	é	classificado	por	Weber	como	sendo	
uma	dominação	estável,	devido	à	 solidez	e	estabilidade	do	meio	social,	 que	se	acha	sob	a	
dependência direta e imediata do aprofundamento da tradição na consciência coletiva.
Dominação Carismática: onde a autoridade é suportada graças a uma devoção afetiva por 
parte	 dos	 dominados.	 Ela	 assenta	 sobre	 as	 “crenças”	 transmitidas	 por	 profetas,	 sobre	 o	
“reconhecimento”	que	pessoalmente	alcançam	os	heróis	e	os	demagogos,	durante	as	guerras	
e	 revoluções,	 nas	 ruas	 e	 nas	 tribunas,	 convertendo	 a	 fé	 e	 o	 reconhecimento	 em	 deveres	
invioláveis	que	lhes	são	devidos	pelos	governados.	A	obediência	a	uma	pessoa	se	dá	devido	as	
suas	qualidades	pessoais.	Não	apresenta	nenhum	procedimento	ordenado	para	a	nomeação	e	
substituição.	Não	há	carreiras	e	não	é	requerida	formação	profissional	por	parte	do	“portador”	
do	carisma	e	de	seus	ajudantes.	Weber	coloca	que	a	forma	mais	pura	de	dominação	carismática	
é	o	caráter	autoritário	e	imperativo.	Contudo,	Weber	classifica	a	Dominação	Carismática	como	
sendo	instável,	pois	nada	há	queassegure	a	perpetuidade	da	devoção	afetiva	ao	dominador,	
por parte dos dominados.
FONTE: Adaptado de Weber (1982)
Segundo	o	professor	e	pesquisador	Sell	 (2002),	podemos	apresentar	os	tipos	
ideais	de	educação	de	Max	Weber	da	seguinte	forma:
•	 Educação	carismática:	conforme	explica	Weber,	“isto	significa	que	eles	[os	educadores]	
simplesmente desejavam despertar e testar uma capacidade considerada como 
um	dom	de	graça	exclusivamente	pessoal,	pois	não	se	pode	ensinar	nem	preparar	
um	carisma”	(WEBER,	1982,	p.	482).	Entre	os	exemplos	citados	por	Weber	estão	os	
mágicos (ou feiticeiros) e os heróis guerreiros,
35
•	 Educação	 especializada:	 de	 acordo	 com	 a	 explicação	 de	 Weber,	 trata-se	 das	
“tentativas	especializadas	de	treinar	o	aluno	para	finalidades	úteis	à	administração	–	
na	organização	das	autoridades	públicas,	escritórios,	oficinas,	laboratórios	industriais,	
exércitos	 disciplinados”	 (WEBER,	 1982,	 p.	 482).	 Weber	 esclarece	 ainda	 que	 esse	
treinamento	pode	ser	realizado	com	qualquer	pessoa.
•	 Educação	humanística:	retomando	os	termos	weberianos	temos,	que	“a	pedagogia	
do	cultivo	finalmente	procura	educar	um	tipo	de	homem,	cuja	natureza	depende	do	
ideal	de	cultura	da	respectiva	camada	decisiva.	Isso	significa	educar	um	homem	para	
certo	comportamento	interior	e	exterior”	(WEBER,	1982,	p.	483).	Entre	os	exemplos	
citados	pelo	autor	está	a	camada	dos	guerreiros	no	Japão,	no	qual	“a	educação	visará	
a	fazer	do	aluno	um	cavalheiro	e	um	cortesão	estilizado,	que	despreza	os	homens	
que	usam	a	pena,	tal	como	os	samurais	japoneses	os	desprezaram”	(WEBER,	1982,	
p.	 483).	 Depois	 dessas	 definições	 conceituais,	 Weber	 se	 dirige	 para	 a	 realidade,	
perguntando-se	pelo	caráter	da	educação	chinesa:	“o	importante,	no	caso,	é	definir	a	
posição	da	educação	chinesa	em	termos	dessas	formas”	(WEBER,	1982,	p.	482).
O	professor	e	pesquisador	Sell	(2002)	prossegue	sua	explanação,	afirmando	que	
Weber	também	faz	várias	referências	à	educação	ocidental,	mostrando	suas	diferenças	
para	 com	 a	 educação	 chinesa.	 Pretendemos	 interpretar	 esses	 fragmentos	 à	 luz	 da	
teoria	weberiana	da	racionalização.	Falando	da	educação	moderna,	Weber	toma	como	
exemplo	o	caso	da	Alemanha,	e	constata	o	conflito	entre	uma	concepção	humanista	de	
educação uma concepção técnica de educação:
Na	Alemanha,	essa	educação	[trata-se	da	educação	humanista]	foi,	até	
recentemente	e	de	forma	quase	exclusiva,	uma	condição	preliminar	
para	a	carreira	oficial	que	leva	a	posições	de	comando	na	administração	
civil e militar. Ao mesmo tempo, essa educação humanista marcou 
os	alunos	que	se	preparavam	para	tais	carreiras,	como	pertencendo	
socialmente	 ao	 estamento	 culto,	 porém,	 trata-se	 de	 uma	 diferença	
muito importante entre a China e o Ocidente o treinamento racional 
e	 especializado	 foi	 acrescentado	 a	 essa	 qualificação	 educacional	
honorífica,	que	substituiu	em	parte	(SELL,	2002,	p.	483).
Portanto,	todas	as	vezes	em	que	discorre	sobre	a	educação	ocidental,	Weber	
insiste	 nas	 características	 racionais	 desta	 última.	 Em	 suma,	 o	 processo	 histórico	
de	 desenvolvimento	 da	 educação	 no	 Ocidente	 também	 é	 o	 desenraizamento	 e	 o	
multiculturalismo	 pensado	 por	Weber	 em	 termos	 de	 um	 processo	 de	 racionalização.	
Além	disso,	a	vitória	da	educação	técnica	sobre	a	educação	humanística	na	Alemanha	
também demonstra como a força avassaladora do processo de desencantamento e 
“secularização	do	mundo”	atinge	todas	as	esferas	da	vida	social,	inclusive	a	educação.
As	grandes	contribuições	de	Weber	para	a	Sociologia	da	Educação:	de	forma	
simples,	a	educação	consiste	na	maneira	de	preparar	os	homens	para	o	exercício	das	
funções	 estabelecidas	 pela	 racionalização	da	vida.	A	 educação	 sistemática	 constitui	
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uma	 série	 de	 conteúdos	 que	 servem	 para	 treinar	 os	 indivíduos	 para	 operar	 nessas	
novas	funções	racionais,	ou	seja,	a	administração	burocrática	do	Estado	Moderno.	Isso	
está	diretamente	ligado	ao	mundo	Ocidental,	onde	a	complexificação	da	sociedade	e	o	
capitalismo	geraram	uma	racionalização	da	vida	social	e	a	educação,	portanto,	voltou-
se	para	a	formação	de	indivíduos	aptos	para	as	funções	racionais	estabelecidas.
A	concepção	de	educação	para	Weber,	nas	palavras	da	professora	e	pesquisadora	
Trevisan	(2009,	p.	35),	é	de	que,
a	educação	humanística	e	intelectualizante	deram	espaço	à	‘confecção’	
de	profissionais	capacitados	para	este	mundo	racional:	diferentemente	
das	 ideias	 de	 Durkheim,	 para	 quem	 a	 educação	 é	 um	 processo	 de	
preparação	do	sujeito	para	constituir	sua	parte	no	todo	orgânico	da	
sociedade para a harmonia do organismo social. De modo diferente 
também	da	teoria	de	Marx	segundo	a	qual	a	educação	aparece	como	
forma	 de	 emancipação	 do	 sujeito	 alienado	 pelo	 capitalismo.	Weber	
concebe	 a	 educação	 como	 uma	 forma	 de	 ampliar	 a	 estratificação	
social,	de	obter	dinheiro	e	poder,	de	competição	entre	os	indivíduos,	
como	uma	ação	racional,	o	que	chama	de	desencantamento.
Sobre	a	racionalidade	e	a	finalidade	da	Educação,	Weber	descreve	que,
conforme	seu	método	analítico	da	racionalidade,	há	três	tipos	(tipos	
ideais)	de	finalidade	para	a	educação:	despertar	o	carisma,	preparar	
o aluno para uma conduta de vida e transmitir conhecimento 
especializado.	Vamos	dar	maior	importância	aqui	ao	terceiro	caso,	ao	
que	Weber	chamou	de	pedagogia	do	treinamento.	Nessa	perspectiva,	
devido	à	crescente	racionalização	da	vida	social	e	a	burocratização	do	
aparato	estatal,	a	educação	tem	paulatinamente	deixado	de	preparar	o	
indivíduo	de	uma	forma	mais	humanística	em	favor	de	uma	preparação	
mais	 especializada.	 Desse	 modo,	 Weber	 expressa	 seu	 pessimismo	
quanto	ao	rumo	da	educação	como	um	mecanismo	de	obtenção	de	
poder,	dinheiro,	de	ascensão	social	e	status	(TREVISAN,	2009,	p.	35).
Podemos	 observar	 que	 Weber	 via	 a	 educação	 como	 parte	 do	 processo	
capitalista,	 da	 racionalização	 da	 vida,	 ou	 seja,	 o	 fim	 da	 possibilidade	 de	 formação	
emancipatória	e	humanística	do	ser	humano	e	o	início	de	um	processo	de	educação	
para o trabalho e o dinheiro. 
4 KARL MARX E A EDUCAÇÃO
Weber	não	chegou	a	presenciar	a	vitória	de	nenhuma	revolução	comunista,	mas	
sua	crítica	ferrenha	ao	capitalismo	trouxe	para	muitos	rebeldes	uma	certeza:	a	mudança	
era	inevitável.	Estamos	falando	de	Karl	Marx.
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FIGURA 16 – KARL HEINRICH MARX 
FONTE: . Acesso em: 20 mar. 2021.
Nasceu	 na	 cidade	 de	 Treves,	 na	 Alemanha.	 Em	 1836	 matriculou-se	 na	
Universidade	de	Berlim	 e	 doutorou-se	 em	 filosofia	 em	 Iena.	 Foi	 redator	 de	 uma	
gazeta	liberal	em	Colônia.	Mudou-se	em	1842	para	Paris,	onde	conheceu	Friedrich	
Engels,	seu	companheiro	de	ideias	e	publicações	por	toda	a	vida.	Expulso	da	França	
em	1845,	foi	para	Bruxelas	participar	da	recém-fundada	Liga	dos	Comunistas.	Em	
1848	escreveu	com	Engels	o	Manifesto	do	Partido	Comunista,	obra	fundadora	do	
marxismo	 enquanto	movimento	 político	 e	 social	 a	 favor	 do	 proletariado.	 Com	 o	
malogro	das	 revoluções	 sociais	 de	 1848,	Marx	mudou-se	para	 Londres,	 onde	 se	
dedicou	a	um	grande	estudo	da	economia	e	da	política.	Marx	foi	um	dos	fundadores	
da Associação Internacional dos Operários, ou Primeira Internacional. Morreu 
em	1883,	após	 intensa	vida	política	e	 intelectual.	Suas	principais	obras	foram:	A	
Ideologia	Alemã,	Miséria	da	Filosofia,	Para	a	crítica	da	economia	política,	A	Luta	de	
Classes	em	França,	O	Capital	(COSTA,	1987).
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A palavra  proletariado  deriva de proletário, que  tem origem no 
latim advindo do antigo Império Romano. Os proletários eram os 
homens sem posses, que tinham seus filhos (sua prole, daí a origem 
da palavra proletário) como única coisa a oferecer ao Império para que 
servissem no exército imperial.
No século XIX, o  termo foi ressignificado. O filósofo e sociólogo 
alemão Karl Marx utilizou o termo proletariado tal como entendemos 
hoje: o  trabalhador assalariado, pobre, que tende a permanecer 
nessa condição por causado pouco que recebe.
FONTE: . 
Acesso em: 22 mar. 2021.
O materialismo dialético é a concepção filosófica do Partido marxista-
leninista. Chama-se materialismo dialético porque o seu modo de 
abordar os fenômenos da natureza, seu método de estudar esses 
fenômenos e de concebê-los é dialético, e sua interpretação dos 
fenômenos da natureza, seu modo de focalizá-los e sua teoria, 
é materialista.
O materialismo histórico é a aplicação dos princípios do 
materialismo dialético ao estudo da vida social, aos fenômenos da 
vida da sociedade, ao estudo desta e de sua história.
FONTE: . Acesso em: 12 maio 2021.
NOTA
NOTA
Caro acadêmico, é o momento de estudarmos algumas ideias, conceitos 
e	 pensamentos	 de	 Karl	 Marx.	 Alguns	 conceitos	 são	 básicos,	 tais	 como:	 forças	 de	
produção,	 relações	 de	 produção,	 ideologia,	 infraestrutura,	 superestrutura,	 classes	
sociais,	mercadoria,	alienação,	mais-valia,	fetichismo	da	mercadoria,	força	de	trabalho,	
valor de troca e valor de uso.
A	 perspectiva	 de	 Karl	Marx	 era	 uma	 perspectiva	 de	Materialismo	Histórico	 e	
Dialético, ou seja, de interpretar os acontecimentos históricos como fatores econômicos 
sociais.	O	Materialismo	Histórico	é	a	parte	real	da	vida,	coisas	que	os	seres	humanos	
precisam para sobreviver, bem como capital, trabalho etc., ou seja, a base econômica 
é	o	seu	fundamento	e	a	produção	e	reprodução	da	sociedade	capitalista	só	se	realiza	
porque	capitalistas	e	trabalhadores	entram	em	uma	relação	de	dominação	e	exploração.
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Em	seus	estudos,	Marx	relacionou	os	conceitos	de	Homem,	de	Trabalho	e	de	
História, o Homem como ser de necessidades, satisfação das necessidades e de produção 
de	bens	materiais.	O	Homem,	aqui,	é entendido	nas	suas	relações	sociais	(forma	como	
se	comportam,	agem	e	pensam),	que	são	determinadas	pela	forma	de	produção	da	vida	
material.	Produção	Material,	aqui,	se	entende	a	partir	de	como	os	indivíduos	trabalham	
e	 produzem	os	meios	 necessários	 para	 a	 sustentação	 das	 sociedades.	O	Trabalho	 é	
entendido	como	ação	humana	de	transformação	da	natureza.	A	história	humana	é	a	
história	das	relações	dos	homens	com	a	natureza	e	dos	homens	entre	si.
Para	Marx,	a	história	das	sociedades	que	estão	baseadas	na	apropriação	
privada	 dos	 meios	 de	 produção	 confunde-se	 com	 a	 história	 das	
lutas de classes. O pensador procura evidenciar os antagonismos de 
interesses	presentes	em	uma	sociedade	de	classes.	O	conflito	é	algo	
inerente	a	essa	sociedade,	já	que	a	relação	entre	classes	está	baseada	
na	exploração	e	na	desigualdade	social.	Apesar	das	relações	de	classe	
não se limitarem somente à polaridade entre detentores dos meios de 
produção	e	assalariados,	já	que	existem	outras	relações	como	a	classe	
média,	por	exemplo,	esta	relação	conflituosa	é	que	acaba	por	permear	
toda	a	vida	social.	Marx	distingue	dois	tipos	de	classes:	classe	em	si	e	
classe	para	si.	A	primeira	seria	constituída	de	grupos	de	pessoas	que	
compartilham	de	uma	mesma	situação,	a	segunda	seriam	grupos	que	
passam	 organizar	 politicamente	 para	 defenderem	 conscientemente	
seus	 interesses,	 formando	 uma	 identidade	 de	 classe.	As	 condições	
econômicas	 transformam	 primeiro	 a	 massa	 da	 população	 do	 país	
em trabalhadores. A dominação do capital criou para esta massa 
uma situação comum, interesses comuns. Assim, pois, esta massa já 
é uma classe com respeito ao capital, mas ainda não é uma classe 
para si. Na luta, esta massa se une, se constitui como classe para si. 
Marx	também	acredita	que	por	meio	da	luta	de	classes	é	que	ocorrem	
as	transformações	na	sociedade.	A	 luta	de	classes	seria	o	motor	da	
história	e	a	classe	explorada	o	agente	de	mudança.	A	luta	de	classes	
irá	 conduzir	 à	 ditadura	do	proletariado,	 sendo	esta	 a	 transição	para	
a abolição de todas as classes e para uma sociedade sem classes 
(BASSI,	2018,	s.	p.).
QUADRO 15 – MAIS-VALIA
No sistema capitalista, o trabalhador vende sua força de trabalho como uma mercadoria. 
Contudo,	esta	tem	características	distintas	das	outras	mercadorias.	O	trabalhador	oferece	sua	
força	de	trabalho	e	o	empregador	paga	com	o	salário.	Estabelece-se	uma	ideia	de	igualdade,	
segundo	a	qual	os	homens	são	iguais	diante	da	lei,	do	Estado,	do	mercado	etc.,	e	se	veem	
dessa forma.
Contudo,	o	valor	de	sua	força	de	trabalho	durante	o	tempo	que	está	produzindo	é	maior	do	que	
seu	salário.	Esse	trabalho	excedente	é	o	valor	não	pago	e	que	integra	o	capital,	transformando-
se	na	riqueza	dos	dominantes.
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Esse	trabalho	excedente	é	o	que	Marx	denomina	de	mais-valia,	 que	se	 traduz	no	grau	de	
exploração	da	força	de	trabalho	pelo	capital.	O	que	 impede	o	trabalhador	de	perceber	que	
existe	um	excedente	de	seu	trabalho	que	não	é	pago	é	sua	situação	de	alienação.
FONTE: Adaptado de . Acesso em: 29 jul. 2021.
QUADRO 16 – MERCADORIA
A	mercadoria	surge	como	o	ponto	a	priori	de	Marx,	como	o	pilar	fundamental	desse	sistema	
que	tem	como	característica	fundamental	a	aquisição	de	mercadorias	em	prol	da	satisfação	de	
necessidades pessoais, sejam elas provindas do estômago (necessidade) ou da mente (desejo), 
conferindo-lhe	assim	um	caráter	universal,	comum	a	todos.	Marx	apresenta-nos	o	conceito	
de	mercadoria	como	sendo	algo	com	duplo	caráter,	que	em	essência	define-se	como	Valor	
de	Uso	(substância	de	valor)	e	Valor	de	Troca	(grandeza	de	valor).	As	mercadorias	aparecem	
no	 mercado	 de	 infinitas	 formas,	 são	 produzidas	 de	 infinitas	 maneiras	 e	 atendem	 as	 mais	
diversas	necessidades.	A	diversidade	de	mercadorias	é	tão	grande	que	é	impossível	mensurá-
las	em	sua	totalidade.	Tal	diversidade	é	superada	por	Marx	por	meio	de	uma	abstração,	pela	
redução	de	toda	a	diversidade	de	mercadorias	existentes	para	apenas	um	fator:	a	utilidade.	
Uma	mercadoria,	para	ser	considerada	como	tal,	precisa	antes	de	tudo	ser	útil	para	alguém,	
possuir	seu	Valor	de	Uso,	independente	de	qual	seja	essa	utilidade.	No	entanto,	não	é	possível	
mensurar	quantitativamente	a	utilidade	de	algo,	sendo	ela	intrínseca	e	subjetiva.	É	preciso	algo	
que	torne	as	mercadorias	comensuráveis	entre	si,	que	possibilite	a	efetivação	da	troca	nos	
processos	mercantis,	que	demonstre	sua	objetividade.	Para	Marx,	a	quantidade	de	trabalho	
humano	médio	despendido	na	produção	de	uma	mercadoria,	 abstraído	e	 incorporado	nela,	
é	que	define	seu	caráter	quantitativo,	sua	substância	de	valor,	seu	Valor	de	Troca.	O	Valor	de	
Uso é efetivado apenas durante o consumo e serve como base de sustentação para o Valor de 
Troca	que	se	realiza.
FONTE: Adaptado de . Acesso em: 29 jul. 2021.
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QUADRO 17 – ALIENAÇÃO, FEITICHISMO
A	partir	do	conceito	de	alienação,	Karl	Marx	propôs	a	tese	de	que	o	homem,	no	contexto	do	
Capitalismo, se	aliena	com	relação	ao	fruto	de	seu	trabalho	e	a	sua	própria	essência	e	espécie.	
Marx	desenvolveu	o	conceito de	“alienação”	em	sua	obra	“Manuscritos	Econômico-filosóficos”	
ou	“Manuscritos de	Paris”	(1844),	obra	que,	embora	escrita	ainda	em	sua	“juventude”,	só	veio	
a ser	conhecida	por	um	público	maior	em	1932.	Nas	palavras	de	Sell	(2013,	p.	48), para	Marx,	
a	 alienação	 significa	 que  a	 “exteriorização	 e	 objetivação	 dos	 bens	 sociais	 que	 resultam	do	
processo	de trabalho	tornaram-se	autônomos	e	independentes	do	homem,	apresentando-se	
como realidades	‘estranhas’	e	opostas	a	ele,	como	um	ser	alheio	que	o	domina”.
Fetichismo da Mercadoria
O	sistema	capitalista	sustenta-se	graças	ao	desenvolvimento	tecnológico	que	traz	novos	e	
modernos elementos e aumento da produtividade. Esse aumento na produtividade se dá devido 
ao	que	Marx	chamou	de	divisão	do	trabalho	social,	em	que	cada	qual	 realiza	sua	atividade	
individual	abstrata,	sua	“especialidade”,	sem	relação	com	o	produto	final.	Esse	sistema	atende	
aos interesses particulares dos grupos dominantes e muito eventualmente o trabalhador. As 
decisões	 a	 respeito	 do	 trabalho	 do	 proletáriosão	 tomadas	 pelo	 empregador.	 O	 trabalhador	
acaba	por	perder	o	prazer	por	seu	ofício,	como	se	fosse	um	apêndice	da	máquina,	e	que	pode	
ser	facilmente	substituído	por	outro	trabalhador	que	negocie	melhor	preço	por	sua	força	de	
trabalho. O trabalhador está alienado do produto do seu trabalho. Por uma ironia histórica, as 
imagens	que	mais	são	utilizadas	para	mostrar	os	trabalhadores	alienados	são	do	filme	Tempos	
Modernos, de Charles Chaplin.
O clássico do cinema mudo mostra o Homem como se fosse uma peça da grande engrenagem 
industrial,	um	apêndice	da	máquina.	Dentro	dos	escritos	contemporâneos	que	interpretam	
as	teorias	de	Marx,	o	uso	das	imagens	do	filme	de	Chaplin	é	feito	para	ilustrar	que	o	produto	
do trabalhador parece ter surgido independente de seu produtor, como uma espécie de 
feitiço.	As	mercadorias	no	sistema	capitalista	ocultam	as	relações	sociais	de	exploração	do	
trabalho.	O	fetichismo	da	mercadoria	é	essa	espécie	de	obscurecimento	das	percepções,	
como	se	a	exploração	do	trabalho	não	ocorresse	e	as	relações	sociais	existissem	sob	a	forma	
de objetos, mercadorias.
FONTE: Adaptado de . Acesso em: 29 jul. 2021.
42
QUADRO 18 – IDEOLOGIA
O	 conceito	 de	 ideologia	 aparece	 em	 Marx	 como	 equivalente	 de	 ilusão,	 falsa	 consciência,	
concepção	 idealista	 na	 qual	 a	 realidade	 é	 invertida	 e	 as	 ideias	 aparecem	 como	motor	 da	
vida real. Para Marx, os ideólogos promoviam uma  subversão entre a realidade e o 
pensamento,	submetendo	aquela	a	este,	isto	é,	invertendo	a	relação,	de	modo	que	os	fatos	
se	adequassem	às	ideias,	e	não	as	ideias	aos	fatos.	A	Ideologia	crítica	concebida	por	Karl	Marx,	
em	contraposição	aos	ideólogos	alemães,	era	uma designação	negativa	do	termo,	atribuindo	
ao	termo	uma dissociação	proposital	entre	a	realidade	e	as	ideias,	promovida	por	uma	classe	
burguesa como forma de obnubilar a apreensão da realidade pelos trabalhadores com o intuito 
de	explorá-los.	De	acordo	com	Marx,	as	 ideologias surgem por meio de relações sociais, 
econômicas e políticas,	em	contextos	de	ideias	conflitantes,	de	contradições	e	contrastes	
sociais manifestos em desigualdade de recursos, de direitos, de acesso a bens e serviços.
Portanto,	as	ideologias	podem	ter	por finalidade naturalizar conflitos para que eles sejam 
considerados aceitáveis,	na	tentativa	de	normalizar,	justificar,	amenizar	e	mesmo	ocultar	as	
tensões	sociais.	Assim,	elas	contribuem	para	a manutenção e reprodução de determinado 
arranjo social,	possibilitando	que	aqueles	que,	de	alguma	forma,	são	prejudicados	e	poderiam	
insurgir-se	contra	ele,	enxerguem-no	como	bom	ou	como	impossível	de	ser	modificado.	Marx	
aponta a ideologia como uma falsa consciência da realidade. Para ele, ela é um instrumento 
de ocultamento da realidade  utilizado	 pela	 classe	 dirigente	 para	 sobrepor-se	 às	 demais	
classes	com	a	aquiescência	delas.	O monopólio da produção intelectual e cultural pela 
classe dominante permitiu	que	ela	manipulasse,	a	seu	favor,	a	valoração	dos	fatos	de	maneira	
sistemática.	Assim,	as	suas	ideias	prevaleceram	e	foram	interiorizadas	pelos	demais,	ainda	que	
para	eles	colocá-las	em	prática	não	representasse	os	mesmos	benefícios.	Em	síntese,	para	
Marx,	a	 ideologia	é	a	percepção	da	 realidade	com	base	em	uma	perspectiva	sobre	ela	que	
vem	da	classe	que	tem	o	monopólio	dos	meios	de	produção	material	e	intelectual.	A	ideologia	
restringe	a	compreensão	da	realidade	a	uma	única	visão	dos	fatos,	ou	seja,	toma	um recorte 
da realidade  como	 se	 fosse	 a	 sua	 totalidade.	 Como	 parte	 desse mecanismo da classe 
burguesa de alienar os trabalhadores quanto	à	sua	própria	realidade,	Marx	identifica	um	
processo	que	ele	conceitua	como	fetichismo,	isto	é,	a	dissociação	entre	a	mercadoria	e	a	forma	
como	ela	foi	produzida.	
FONTE: Adaptado de . Acesso em: 29 jul. 2021.
Para saber mais!
O pensamento de Marx iniciou-se como uma crítica aos pensamentos de Hegel. Segundo 
Marx, os movimentos dialéticos da sociedade se desenvolvem como um resultado 
das condições materiais da vida dos homens, ou seja, não são as ideias que formam a 
sociedade, mas as condições materiais dos homens é que produzem as suas ideias e o 
seu modo de agir na sociedade. Não é a religião que cria o homem, mas o homem que 
cria a religião, não é a constituição que desenvolve um povo, mas um povo que desenvolve 
uma constituição. Não é a consciência que determina a vida, mas a vida que determina a 
consciência. A raiz do homem é o próprio homem em sua condição material, e não em sua 
condição ideal. A liberdade desse homem não passa pela filosofia, pela teologia ou pela 
autoconsciência, mas pela sua condição histórica e material. Dessa forma Marx acredita 
unir a teoria à prática. E a libertação do homem começa pela libertação da sua exploração, 
e libertá-lo de ser explorado passa pelo fim do capital, pois o capital é a propriedade privada 
dos produtos do trabalho de outros homens. A propriedade privada não existiu sempre, e 
nem sempre existirá, sendo uma criação humana e como tal também pode ser modificada 
ou destruída. O capital é o trabalho expropriado dos trabalhadores, o trabalho alienado 
dos trabalhadores, surgindo da exploração dos trabalhadores e tornando-se estranho a 
NOTA
43
esses mesmos trabalhadores, pois não lhes pertence mais. Quanto 
mais o trabalhador é explorado, mais o capital não é reconhecido 
por ele, da mesma forma que quanto mais o homem põe em Deus, 
menos conserva de si e para si. O trabalho é vida de trabalhador que 
se torna objeto, objeto que não lhe pertence, que lhe é alheio, que lhe 
é alienado. O trabalhador, com seu trabalho, cria objetos que não lhe 
pertencem mais, assim como a vida, em forma de trabalho colocada 
nesses objetos, também não lhe pertence mais. A vida do trabalhador 
torna-se estranha a esse mesmo trabalhador, isso é alienação.
FONTE: . Acesso em: 20 mar. 2021.
Como	Marx	se	manifestava	com	relação	à	Educação?	
 
Nas	Instruções	aos	Delegados	do	Conselho	Central	Provisório	da	AIT,	de	1868,	
Marx	assim	se	manifesta:	
Afirmamos	 que	 a	 sociedade	 não	 pode	 permitir	 que	 pais	 e	 patrões	
empreguem,	no	 trabalho,	 crianças	 e	 adolescentes,	 a	menos	que	 se	
combine esse trabalho produtivo com a educação. Por educação 
entendemos três coisas: 1) Educação intelectual. 2) Educação corporal, 
tal	como	a	que	se	consegue	com	os	exercícios	de	ginásticas	militares.	
3)	Educação	tecnológica,	que	recolhe	os	princípios	gerais	e	de	caráter	
científico	de	todo	o	processo	de	produção	e,	ao	mesmo	tempo,	inicia	
as crianças e os adolescentes no manejo de ferramentas elementares 
dos	diversos	ramos	industriais	(MARX;	ENGELS,	2006,	p.	68).	
Nas	palavras	de	Marx,	a	educação	relaciona-se	com	o	trabalho.
Para	Marx,	 a	 educação	deve	estar	 integrada	 ao	 trabalho	produtivo	
desde	 a	 infância.	 Isso	 não	 deve	 ser	 entendido	 como	 apologia	 à	
exploração	do	trabalho	 infantil.	 É	que	para	esse	filósofo,	 o	homem	
constrói	 sua	 humanidade	 em	 sua	 práxis	 no	 mundo,	 por	 meio	 do	
trabalho.	Ao	transformar	o	mundo,	também	se	transforma.	Pode-se	
dizer	que	o	trabalho	é	a	categoria	 fundante	da	humanização,	para	
Marx,	e	também	um	“princípio	educativo”	(LOMBARDI,	2008).	Nessa	
perspectiva, a educação associada ao trabalho produtivo, tem a função 
de reintegrar o trabalho intelectual ao trabalho manual (concepção e 
execução),	separados	pela	divisão	social	do	trabalho	nas	sociedades	
capitalistas.	A	intenção	é	que	o	trabalhador	tenha	uma	compreensão	
integral do processo produtivo e não esteja alienado do mesmo. 
Isso também pode ser visto como uma possibilidade de superar a 
ruptura	 entre	 a	 ciência	 e	 o	 trabalho,	 típica	 da	 produção	 industrial.	
Lombardi	 (2008,	p.	 11)	destaca	que	a	teoria	marxista	entende	que:	
“com o trabalho produtivo, a educação deveria possibilitar o acesso 
aos	conhecimentos	historicamente	produzidos	pela	humanidade,em	
seus	aspectos	filosófico,	científico,	literário,	intelectual,	moral,	físico,	
industrial	e	cívico”	(SAUL,	2014,	p.	30)
Qual	a	grande	contribuição	da	Educação	na	visão	de	Marx	para	o	ser	humano?
44
No	bojo	da	filosofia	proposta	por	Marx,	a	educação	está	associada	ao	conceito	
de omnilateralidade e deve contribuir para o desenvolvimento integral do ser humano, 
no sentido de promover o acesso à produção de cultura e a construção de saberes. 
Sobre	a	referida	concepção,	Manacorda	(1991,	p.	81)	esclarece	que:
 
A omnilateralidade é, portanto, a chegada histórica do homem a uma 
totalidade de capacidades produtivas e, ao mesmo tempo, a uma 
totalidade	de	capacidades	de	consumo	e	prazeres,	em	que	se	deve	
considerar,	 sobretudo,	 o	 gozo	 daqueles	 bens	 espirituais	 [inclusa	 a	
educação],	além	dos	materiais,	e	dos	quais	o	trabalhador	tem	estado	
excluído	em	consequência	da	divisão	do	trabalho.	
É	importante	salientar	que,	para	Marx,	a	educação	politécnica	caminha	lado	a	
lado com a concepção de omnilateralidade. É o próprio desenvolvimento do capitalismo 
(e	suas	contradições)	que	cria	bases	para	a	sua	implementação.	Em	consonância	desse	
entendimento,	Lombardi	(2008,	p.	14)	aponta	que:
 
Os fundamentos dessa educação omnilateral e politécnica eram 
decorrência	da	própria	transformação	da	indústria,	que	constantemente	
revoluciona as bases técnicas da produção, e com ela, a divisão do 
trabalho. Articulando o desenvolvimento das forças produtivas com a 
implementação	de	transformações	nas	bases	técnicas	de	produção,	
cujas	dimensões	promovem	transformações	na	divisão	do	trabalho,	é	
que	Marx	vislumbrou	uma	educação	mais	ampla,	integral	e	flexível.	
Em	contraposição	à	visão	 capitalista,	 o	marxismo	entende	que	a	 associação	
do trabalho à educação politécnica não tem como objetivo principal o aumento da 
produtividade	e	do	 lucro,	mas	está	 relacionada	à	questão	do	desenvolvimento	pleno	
das	capacidades	humanas,	ou	seja,	à	construção	do	homem	omnilateral	(SAUL,	2014).
Para saber mais!
Qual a diferença entre socialismo e comunismo?
Há várias correntes da teoria marxista. Em uma delas, o socialismo é a etapa de transição 
inevitável entre o sistema capitalista e o comunista. Este último seria organizado sem 
divisão de classes sociais e suprimiria até a existência do próprio Estado. Essa 
sociedade utópica nunca se concretizou, mas países e partidos adotaram as ideias 
socialistas. Karl Marx (1818-1883) defendia que os trabalhadores se unissem em 
uma revolução para acabar com o poder da burguesia e a propriedade privada 
dos meios de produção. O objetivo era instalar um sistema político voltado aos 
interesses dos trabalhadores (ou proletários, termo do Manifesto do Partido 
Comunista, de 1848), em que o dinheiro não fosse o foco. No socialismo, o 
governo controla a produção e a distribuição dos bens.
FONTE: . Acesso em: 21 mar. 2021.
DICA
45
A alienação de que fala Marx é consequência do afastamento entre os 
interesses do trabalhador e aquilo que ele produz. De modo mais 
amplo, trata-se também do abismo entre o que se aprende apenas 
para cumprir uma função no sistema de produção e uma formação 
que realmente ajude o ser humano a exercer suas potencialidades. 
Você já pensou se a educação, como é praticada a seu redor, 
procura dar condições ao aluno para que se desenvolva por inteiro 
ou se responde apenas a objetivos limitados pelas circunstâncias?
FONTE: . Acesso em: 23 mar. 2021.
INTERESSANTE
46
RESUMO DO TÓPICO 2
Neste tópico, você aprendeu:
•	 A	 sociedade	 moderna	 se	 caracterizou	 por	 símbolos,	 valores,	 representações	 e	
instituições	marcadas	por	determinadas	formas	de	saber	e	de	poder,	ocupantes	de	
uma posição hegemônica. 
•	 A	 Idade	 Moderna	 pode	 ser	 entendida	 pelas	 grandes	 transformações	 ocorridas	
no	 território	 europeu	 no	 período.	 Foi	 durante	 a	 Idade	 Moderna	 que	 os	 europeus	
realizaram	as	Grandes	Navegações	e	a	Expansão	Marítima,	criando	as	condições	para	
a	dominação	de	continentes	inteiros,	como	a	África	e	a	recém-conhecida	América.	
•	 Outros	 fatores	 influenciaram	 a	 vida	 moderna	 (Capitalismo	 mercantilista,	 Grandes	
Navegações,	 Renascimento,	 Iluminismo,	 Reforma	 Luterana).	 De	 uma	 vida	
essencialmente	no	campo,	a	Europa	passa	a	viver	nas	cidades,	que	nascem	com	o	
capitalismo mercantilista e mais tarde com o capitalismo industrial.
•	 Sobre	 a	 produção	 do	 conhecimento,	 a	 Idade	 Moderna	 é	 um	 período	 de	 grandes	
transformações.	 Essas	 transformações	 e	 o	 desenvolvimento	 da	 ciência	 moderna	
levaram	o	ser	humano	a	questionar	os	critérios	e	os	métodos	usados	para	aquisição	
do conhecimento verdadeiro da realidade. 
•	 No	início	da	Idade	Moderna,	a	Europa	ainda	tinha	como	base	religiosa	a	Igreja	Católica	
Apostólica Romana. Esta liderança foi abalada, com um Movimento liderado por um 
Monge	Agostiniano,	Martinho	Lutero,	que	criticou	as	 indulgências	e	certas	normas	
católicas, provocando o Movimento de Reforma Luterana ou Protestante.
• No aspecto cultural da Idade Moderna podemos destacar o Antropocentrismo e o 
Renascimento. 
•	 Durkheim	 nasceu	 em	 Épinal,	 na	Alsácia.	 Descendente	 de	 uma	 família	 de	 rabinos,	
iniciou	 seus	 estudos	 filosóficos	 na	 Escola	 Normal	 Superior	 de	 Paris,	 indo	 depois	
para	Alemanha.	Lecionou	Sociologia	em	Bordéus,	primeira	cátedra	dessa	ciência	na	
França.	Transferiu-se	em	1902	para	a	Sorbonne,	para	onde	levou	inúmeros	cientistas,	
entre	eles	seu	sobrinho	Marcel	Mauss,	reunindo-se	em	um	grupo	que	ficou	conhecido	
como escola sociológica francesa. Morreu em Paris.
•	 Foi	 na	 cidade	 de	 Erfurt	 que	 nasceu	Max	Weber,	 em	 uma	 família	 de	 burgueses	
liberais.	Desenvolveu	estudos	de	direito,	filosofia,	história	e	sociologia.	 Iniciou	a	
carreira	de	professor	em	Berlim	e,	em	1895,	foi	catedrático	em	Heidelberg.	Manteve	
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RESUMO DO TÓPICO 2 contato permanente com intelectuais de sua época, como Simmel, Sombart, 
Tönnies	 e	 Georg	 Lukács.	 Na	 política,	 defendeu	 ardorosamente	 seus	 pontos	 de	
vista liberais e parlamentarista e participou da comissão redatora da Constituição 
da	República	de	Weimar.	
• A dominação é sempre resultado de uma relação social de poder desigual, onde se 
percebe	 claramente	 a	 existência	 de	 um	 lado	 que	 comanda	 (domina)	 e	 outro	 que	
obedece.	 Podemos	 assemelhar,	 assim,	 a	 dominação	 a	 qualquer	 situação	 em	 que	
indivíduos	são	subordinados	ao	poder	de	outros.	No	entanto,	a	dominação	se	difere	
das	 relações	 de	 poder	 em	 geral	 por	 apresentar	 uma	 tendência	 a	 se	 estabilizar,	 a	
procurar	manter-se	sem	provocar	confrontos.
•	 Marx	 nasceu	 na	 cidade	 de	 Treves,	 na	 Alemanha.	 Em	 1836	 matriculou-se	 na	
Universidade	 de	 Berlim	 e	 doutorou-se	 em	 filosofia	 em	 Iena.	 Foi	 redator	 de	 uma	
gazeta	 liberal	em	Colônia.	Mudou-se	em	1842	para	Paris,	onde	conheceu	Friedrich	
Engels,	seu	companheiro	de	ideias	e	publicações	por	toda	a	vida.	Expulso	da	França	
em	1845,	foi	para	Bruxelas	participar	da	 recém-fundada	Liga	dos	Comunistas.	Em	
1848	escreveu	com	Engels	 o	Manifesto	do	Partido	Comunista,	 obra	 fundadora	do	
marxismo	enquanto	movimento	político	e	social	a	favor	do	proletariado.	
•	 A	perspectiva	de	Karl	Marx	era	uma	perspectiva	de	Materialismo	Histórico	e	Dialético,	
ou seja, interpreta os acontecimentos históricos como fatores econômicos sociais. O 
Materialismo	Histórico	é	a	parte	real	da	vida,	coisas	que	os	seres	humanos	precisam	
para sobreviver, bem como capital, trabalho etc., ou seja, a base econômica é o seu 
fundamento	e	a	produção	e	reprodução	da	sociedade	capitalista	só	se	realiza	porque	
capitalistas	e	trabalhadores	entram	em	uma	relação	de	dominação	e	exploração.
48
AUTOATIVIDADE
1 Foi uma das formas encontradas pelos historiadores para se dividir a história da 
humanidade.	 Seu	 recorte	 temporal	 inicia-se	 com	 a	 queda	 do	 Império	 Bizantino	 e	
a	tomada	da	cidade	de	Constantinopla	pelo	Império	Turco-Otomano,	em	1453.	Seurecorte	final	está	delimitado	com	a	Revolução	Francesa,	em	1789.	Esse	período	ficou	
conhecido como?
a) ( ) Idade Média.
b)	(			)	Idade	Contemporânea.
c) ( ) Idade Antiga.
d) ( ) Idade Moderna.
2	 Os	fatos	sociais	são	apresentados	por	Durkheim	como	maneiras	coletivas	de	pensar,	
de	 sentir	 e	 de	 agir	 que	 estão	 presentes	 na	 realidade	 das	 sociedades,	 estando	
diretamente	vinculados	 aos	 aspectos	morais	 que	 regem	 a	vida	 das	 pessoas	 e	 as	
relações	 que	 estas	 estabelecem	 entre	 si.	 Valores,	 costumes,	 hábitos,	 regras,	 leis,	
normas	e	estruturas	sociais	são	alguns	dos	componentes	que	dão	forma	aos	fatos	
sociais	e,	 sobretudo,	a	 sua	capacidade	de	 influenciar	o	comportamento	dos	seres	
humanos	a	partir	de	fatores	externos	aos	próprios	indivíduos.	Sobre	os	Fatos	Sociais,	
analise as sentenças a seguir:
I-	 Em	 primeiro	 lugar,	 a  generalidade  corresponde	 à	 capacidade	 dos	 fatos	 sociais	
exercerem	 o	 seu	 poder	 de	 influência	 sobre	 a	 totalidade	 ou	 sobre	 a	 maioria	 dos	
membros de uma sociedade ou grupo social.
II-	 Em	segundo	 lugar,	 a  exterioridade  compreende	e	 delimita	 a	 existência	 dos	 fatos	
sociais independentemente das vontades pessoais.
III-	Por	fim,	a coercitividade representa	a	condição	de coerção	social a	qual	os	indivíduos	
se	tornam	suscetíveis	diante	dos	fatos	sociais,	o	que	permite	com	que	suas	estruturas	
sejam alteradas sem grande capacidade de resistência.
Assinale a alternativa CORRETA:
a) ( ) Somente a alternativa I está correta.
b) ( ) Somente a alternativa III está correta.
c) ( ) Todas as alternativas estão corretas.
d) ( ) Somente as alternativas I e II estão corretas.
49
3	 Nasceu	na	cidade	de	Treves,	na	Alemanha.	Em	1836	matriculou-se	na	Universidade	
de	 Berlim	 e	 doutorou-se	 em	 filosofia	 em	 Iena.	 Foi	 redator	 de	 uma	 gazeta	 liberal	
em	 Colônia.	 Mudou-se	 em	 1842	 para	 Paris,	 onde	 conheceu	 Friedrich	 Engels,	 seu	
companheiro	de	ideias	e	publicações	por	toda	a	vida.	Expulso	da	França	em	1845	foi	
para	Bruxelas	participar	da	recém-fundada	Liga	dos	Comunistas.	Em	1848	escreveu	
com	 Engels	 o	 Manifesto	 do	 Partido	 Comunista,	 obra	 fundadora	 do	 marxismo,	
enquanto	movimento	político	e	 social	 a	 favor	do	proletariado.	Com	o	malogro	das	
revoluções	 sociais	de	 1848,	Marx	mudou-se	para	Londres,	 onde	 se	dedicou	a	um	
grande	estudo	da	economia	e	da	política.	Marx	foi	um	dos	fundadores	da	Associação	
Internacional dos Operários, ou Primeira Internacional. Morreu em 1883, após intensa 
vida	política	e	intelectual.	Suas	principais	obras	foram:	A	Ideologia	Alemã,	Miséria	da	
Filosofia,	Para	a	crítica	da	economia	política,	A	Luta	de	Classes	em	França	e	O	Capital.	
Sobre	o	conceito	de	alienação	em	Marx,	assinale	a	alternativa	CORRETA:
a)	(			)	 A	partir	do	conceito	de alienação	Karl	Marx	propôs	a	tese	de	que	o	homem,	no	
contexto	do	Capitalismo, se	aliena	com	relação	ao	fruto	de	seu	trabalho	e	a	sua	
própria essência e espécie.
b)	(			)	 O	sistema	capitalista	sustenta-se	graças	ao	desenvolvimento	tecnológico	que	
traz	novos	e	modernos	elementos	e	aumento	da	religiosidade.
c)	(			)	 O	 conceito	 de	 alienação	 aparece	 em	 Marx	 como	 equivalente	 de	 ilusão,	 falsa	
consciência,	 concepção	 idealista	 na	 qual	 a	 realidade	 é	 invertida	 e	 as	 ideias	
aparecem como motor da vida real.
d)	(			)	 Numa	de	suas	frases	mais	famosas,	escrita	em	1845,	o	pensador	alemão	Karl	Marx	
dizia	que,	até	então,	os	filósofos	haviam	alienado	o	mundo	de	várias	maneiras.	
"Cabe	agora	transformá-lo",	concluía.
4	 A	obra	 "Escola	de	Atenas”	é	um	afresco	elaborado	pelo	artista	 renascentista	Rafael	
Sanzio,	entre	os	anos	de	1506	e	1510;	e	se	encontra	disponível	ao	acesso	e	à	visitação	
no	Palácio	Apostólico	do	Vaticano,	em	Roma.	Trata-se	de	uma	alegoria	que	mostra	um	
grupo	de	filósofos	e	pensadores	de	várias	épocas	históricas,	que	rodeiam	Aristóteles	
e	 Platão,	 ilustrando	 a	 retomada	 e	 continuidade	 histórica	 do	 pensamento	 filosófico	
clássico.	A	obra	também	é	identificada	como	uma	síntese	do	pensamento	renascentista,	
que	 rompe	drasticamente	 com	as	 ideologias	que	predominaram	ao	 longo	da	 Idade	
Média,	destacando	o	Renascimento	comercial,	urbano,	artístico,	bem	como	as	grandes	
navegações	e	a	reforma	religiosa.	A	partir	do	contexto	do	Renascimento,	disserte	sobre	
os	aspectos	que	prevaleceram	nas	mentalidades	renascentistas.
5	 Karl	Marx,	Max	Weber	e	Émile	Durkheim	são	considerados	e	identificados	como	‘sociólogos	
clássicos’	e	seus	pressupostos	teóricos	e	metodológicos	são	revisitados	por	estudiosos	e	
pesquisadores	até	os	dias	atuais.	Estes	sociólogos	viveram	e	assistiram	ao	fortalecimento	
dos ideais Iluministas, da Revolução Francesa, do positivismo, do capitalismo e da 
sociedade	moderna	industrial.	Foi	neste	momento	que	a	Sociologia	e	os	Estudos	Sociais	
se	consolidaram	como	conhecimento	científico.	Diante	disto,	disserte	sobre	o	contexto	
econômico	e	as	problemáticas	sociais	a	partir	de	Marx	e	Weber.
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51
TÓPICO 3 - 
AUTORES CONTEMPORÂNEOS 
DA SOCIOLOGIA E A RELAÇÃO 
COM A EDUCAÇÃO
1 INTRODUÇÃO
Neste	 tópico	 estudaremos	 a	 questão	 da	 pós-modernidade	 em	 comparação	
com	 o	 espírito	 da	 modernidade,	 principais	 características,	 autores	 e	 movimentos	
dentro	 dessas	 duas	 concepções	 de	 sociedade.	 Para	 alguns	 autores,	 a	 Revolução	
Francesa	 no	 campo	 político	 e	 dos	 direitos,	 aliada	 à	 Revolução	 Industrial	 no	 fator	
econômico,	 foram	 os	 dois	 grandes	 acontecimentos	 que	 direcionaram	 a	 vida	 das	
pessoas	na	Idade	Contemporânea	e	deram	os	fundamentos	para	aquilo	que	podemos	
denominar	do	espírito	moderno.	O pós-modernismo	ou	a pós-modernidade	pode	ser	
percebido	 a	partir	 das mudanças  sociais,	 culturais,	 artísticas,	filosóficas,	 científicas	 e	
estéticas	que	surgiram	após	a	segunda	guerra.	Essas	mudanças	foram	responsáveis	
por	 marcantes  transformações  nas	 relações	 travadas	 entre	 as	 crescentes	 práticas	
capitalistas,	a arte e	a cultura.
Em	 seguida,	 abordaremos	 dois	 grandes	 autores	 contemporâneos:	 Pierre	
Bourdieu	 e	 Michel	 Foucault.	 Bourdieu	 foi	 um	 dos	 maiores	 pensadores	 das	 ciências	
humanas do século XX. Filósofo por formação desenvolveu importantes trabalhos de 
etnologia,	 no	 campo	 da  antropologia,	 e	 conceitos	 de	 profunda	 relevância	 no	 campo	
da	sociologia,	como habitus, campo e capital social. Já Foucault	foi	um	intelectual	que	
exerceu	uma	ação	 e	 influência	 consideráveis	 em	vários	 ramos	do	 saber:	 na	filosofia,	
na	psiquiatria,	na	psicologia,	na	história,	na	sociologia,	na	antropologia,	nas	artes	e	na	
política e a relação deles com a educação.
Por	 último,	 apresentaremos	 Zygmunt	 Bauman,	 um	 sociólogo,	 pensador,	
professor	e	escritor	polonês,	uma	das	vozes	mais	críticas	da	sociedade	contemporânea.	
Criou	a	expressão	“Modernidade	Líquida”	para	classificar	a	fluidez	do	mundo	onde	os	
indivíduos	não	possuem	mais	padrão	de	referência	e	como	ele	apresenta	a	educação	
nesses	tempos	ditos	pós-modernos.
2 SOCIOLOGIA E PÓS-MODERNIDADE
No período Contemporâneo, até próximo ao início do século XXI, a 
Sociedade	apresentava	as	seguintes	principais	características:
 
UNIDADE 1
52
• Relação principal:	no	início	do	século	XX,	Governo	e	o	cidadão	e	após	a	segunda	
guerra mundial, o Empresário e o consumidor. 
• Divisão social: ampliou a divisão de classes sociais. 
• Economia ou modo de produzir as coisas:	após	o	capitalismo	industrial,	no	início	
do século XX, fortaleceu o Socialismo e após a segunda guerra mundial, o Capitalismo 
Financeiro e depois o Informacional. 
• Leis e os códigos de conduta social:	 do	direito	do	Homem,	ampliou-se	para	os	
Direitos Sociais, Étnicos, Ambientais, Culturais, Gênero, entre outros.
• Visão de mundo, religião, educação, conhecimento, meio ambiente e cultura: 
educação vista como direito humano. Após a segunda guerra mundial, a preocupação 
com	uma	agenda	ambiental	preservacionista.	Crescimento	do	Ateísmo	e	diversidade	
religiosa.	A	cultura	do	consumir	e	materialidade.Predomínio	do	Neoliberalismo.
O	 período	 conhecido	 como	 Idade	 Contemporânea	 inicia	 por	 volta	 de	 1789,	
com	um	dos	acontecimentos	políticos	que	muito	influenciou	a	vida	em	sociedade,	no	
primeiro	momento	no	contexto	europeu	e,	com	o	passar	do	tempo,	no	contexto	global.	
Esse acontecimento somado aos seguintes: Revolução Industrial, Capitalismo Industrial, 
Financeiro, Informacional, Revolução Russa, duas grandes guerras mundiais, crise de 
1929,	Movimentos	de	contestações	sociais,	entre	outros,	caracterizaram	a	vida	humana	
sobretudo	em	uma	forma	dinâmica	e	de	extremos.
Em	 1789	 inicia-se	 a	 Revolução	 Francesa,	 movimento	 que	 buscava	 o	 fim	 da	
organização	política,	social	e	econômica	vigente	na	época	(a	Monarquia),	que	oferecia	
privilégios	 a	 pequenas	 parcelas	 da	 população	 e	 concedia	 poucos	 direitos  ao	 povo.	
Algumas	 causas	 foram	 vitais	 para	 que	 o	 acontecimento	 prosperasse,	 tais	 como:	
absolutismo	de	Luís	XVI;	dívidas	da	corte;	dívida	externa;	Tratado	de	Éden-Reynevall;	
exploração	do	campesinato;	Guerra	dos	Sete	Anos	(1757-63);	Independência	dos	EUA	
(1776-1781);	e	a	grande	fome	(1787-1789).
Para	alguns	autores,	a	Revolução	Francesa	no	campo	político	e	dos	direitos,	aliada	
à Revolução Industrial no campo econômico, foram os dois grandes acontecimentos 
que	direcionaram	a	vida	das	pessoas	na	Idade	Contemporânea	e	deram	os	fundamentos	
para	aquilo	que	podemos	denominar	de	espírito	moderno.
53
FIGURA 17 – REVOLUÇÃO FRANCESA
FONTE: . Acesso em: 12 jan. 2021.
Podemos	afirmar	que	a	Revolução	Francesa	é	o	acontecimento	que	 inaugura	
a	 Idade	Contemporânea	e	 institui	novas	perspectivas	políticas	que	até	hoje	exercem	
efeitos no mundo ocidental
A	Declaração	de	Direitos	do	Homem	e	do	Cidadão,	sem	dúvida,	foi	o	documento	
mais	importante,	que	promovia	e	influenciava	outros	documentos	sobre	o	pensar	o	ser	
humano	acima	do	poder	particular	em	qualquer	esfera	e	sobre	a	perspectiva	que	se	iniciou	
a	Revolução	Francesa,	que	desejava	dar	todo	o	poder	ao	povo,	um	ideal	a	ser	conquistado	
por	todas	as	nações,	por	todos	os	povos.	A	própria	reflexão	em	torno	da	liberdade	em	seu	
sentido	pleno	viria	influenciar	povos,	nações	e	gerações.	Nesse	sentido,	a	visão	de	mundo	
e	a	forma	de	vida	no	planeta	seriam	influenciadas	após	esse	acontecimento.	
Outro acontecimento importante ocorrido já no século XX é a Revolução Russa 
em	 1917.	 A	 construção	 do	 Estado	 soviético	 pelos	 membros	 do	 partido	 bolchevique	
resultou	 em	 uma	 mudança	 das	 formas	 de	 desenvolvimento	 econômico,	 político,	
religioso	e	cultural.	Esse	processo	de	transformação	social	na	Rússia	posteriormente	
seria espalhado pelo resto do mundo.
A	Rússia	no	século	XIX	tinha	sua	economia	baseada	na	agricultura	(sistema	feudal	
Russo).	Os	senhores	feudais	Russos	não	admitiam	a	modernização	produtiva	e	econômica.	
Por	se	tratar	de	um	Império,	o	país,	em	sua	totalidade,	estava	submetido	às	decisões	do	
Czar	(Imperador),	que	tinha	a	mentalidade	absolutista	e	governava	as	alianças	com	foco	
em	lucros	e	interesses	pessoais.	Os	senhores	feudais	eram	fiéis	aos	interesses	do	Czar.
54
CZAR
czar
[tzar]
sm
Título que se dava ao imperador da Rússia, antes da Revolução 
de 1917. 
Informações complementares:
 var. tzar.
Informações complementares: 
fem.: czarina.
Etimologia: russo car, via fr.
FONTE: . Acesso em: 3 ago. 2021.
Igreja Católica Apostólica Ortodoxa. 
Significado de Ortodoxo.
A palavra ortodoxo vem do grego, da junção de  “orthos”  que 
significa “reto” e “doxa” que significa “fé”. Por isso, o cristianismo 
ortodoxo acredita que eles sejam os únicos depositários da 
verdadeira fé.
A Igreja Católica Apostólica Ortodoxa foi fruto de um desmembra-
mento da Igreja Católica Apostólica Romana surgida após o Cisma do 
Oriente em 1054. Ocidente e Oriente disputavam questões teológicas 
como a supremacia do Bispo de Roma sobre o clero, a questão da 
veneração de imagens e a procedência do Espirito Santo. Sem che-
garem a um acordo, o Papa Leão IX (1002-1054) e o Patriarca Miguel 
I Cerulario (1000-1059) se excomungaram mutuamente. A partir de 
então, o cristianismo passa a se constituir em dois grandes grupos: 
a Igreja Católica Apostólica Romana, com sede em Roma e a Igreja 
Ortodoxa, com sede em Constantinopla (atual Istambul).
 
FONTE: . Acesso em: 3 ago. 2021.
NOTA
NOTA
Como esse cenário começou a mudar? 
Próximo	 ao	 século	 XIX,	 a	 Rússia	 entrou	 em	Guerra	 contra	 Inglaterra,	 França	
e	 Turquia.	 Por	 se	 encontrarem	 em	 um	 nível	 atrasado	 de	 industrialização,	 acabaram	
perdendo	e	forçando	o	czar	Alexandre	II	a	tomar	uma	série	de	providências.	Com	isso,	a	
servidão	foi	abolida,	as	terras	foram	vendidas	aos	camponeses	e	novas	áreas	agrícolas	
foram ocupadas. De acordo com Morais (2019), essas medidas levaram a um crescimento 
55
importante	da	Rússia,	que	passou	a	se	tornar	um	dos	principais	países	exportadores	
de	grãos.	O	Império	precisou,	finalmente, investir	no	processo	de	industrialização.	Isso	
levou	à	criação	de	várias	fábricas	estrangeiras	na	Rússia,	resultando	nas	maiores	taxas	
de	crescimento	entre	os	países	europeus	nas	últimas	duas	décadas	do	século	XIX.	Em	
1904,	 a	Rússia	 entrou	novamente	 em	uma	guerra,	 dessa	vez	 contra	 o Japão.	Como	
todo	conflito,	resultou	em	graves	consequências	para	o	povo	russo,	desorganizando	a	
economia	e	refletindo	negativamente	na	vida	dos	camponeses	e	operários.	A	derrota	
para	os	japoneses	também	fez	com	que	os	ânimos	se	acirrassem,	elevando	ainda	mais	
a	insatisfação	contra	o	Czar.
QUADRO 19 – COMO FOI INSTALADA A REVOLUÇÃO RUSSA
Em	 uma	 manifestação	 popular	 por	 melhores	 condições	 de	 vida	 e	 pela	 instalação	 de	 um	
parlamento,	o	czar	respondeu	com	um	massacre,	matando	várias	pessoas	em	um	conflito	que	é	
considerado	o marco inicial da Revolução Russa.	Como	não	poderia	deixar	de	ser,	o	resultado	
foi	uma	insatisfação	ainda	maior	da	população.	Apesar	disso,	o	imperador	fez	algumas	concessões	
a	fim	de	se	evitarem	novos	conflitos,	como	a	criação	do parlamento de Duma. Entre os anos de 
1907	e	1914,	a Rússia encontrou	um	ambiente	relativamente	ameno,	com	a	volta	do	crescimento	
econômico e a distribuição de terras aos camponeses. Contudo , ao longo do tempo, a oposição 
começou	a	ganhar	bastante	força,	principalmente	com	o lado socialista baseado nas ideias 
de Karl Marx.	Nesse	sentido,	a	ideia	era	que	os	problemas	somente	acabariam	com	a	abolição	
do capitalismo e	a	consequente	implantação	do comunismo.	Divididos	em	dois	grupos	distintos,	
os comunistas tinham ideias mais radicais (bolcheviques,	 liderados	por Lenin)	e	moderadas	
(mencheviques).	Com	o	estouro	da Primeira	Guerra	Mundial,	em	1914,	várias	consequências	
recaíram	sobre	a	Rússia,	como	a	desorganização	econômica,	a	fome	e	a	pobreza,	os	protestos	
contra	o	império	e,	finalmente,	a renúncia por parte do czar,	em	1917.	A	queda	do	imperador	
fez	com	que	um	cenário	de	disputa	surgisse,	de	modo	que	o governo provisório, ocupado 
pela burguesia,	adotasse	algumas	medidas	que	iam	desde	a anistia para	presos	políticos	até	a	
redução	da	jornada	de	trabalho	para	oito	horas.	Apesar	disso, os camponeses, que queriam 
terras, e os operários, que buscavam melhores salários, continuavam insatisfeitos. Em 
um	contexto	de	grande	disputa	política,	os bolcheviques passaram	a	ocupar	o	cargo	de	porta-
voz	da	oposição.	Esse	cenário	também	favoreceu	o	surgimento	dos sovietes,	grupos	políticos	
que	nasceram	no	meio	das	camadas	populares.	Dessa	forma,	era	possível	encontrar	sovietes	
oriundos de grupos de camponeses, operários e até mesmo soldados. Em um crescente cenário 
de insatisfação popular,	que	se	acumulava	desde	o	período	imperial	até	as	decisões	burguesas	
tomadas	pelo	governo	provisório,	os	grupos	sovietes	e	bolcheviques	eram	vistos	como	a	solução.	
Assim,	apoiado	por	essas	camadas	da	população	e,	em	conjunto	com	uma	milícia	popular, Lênin 
conquista a capital, forçando a renúncia do poder provisório e assumindoo governo em 
1917.	Agora	no	poder,	Lênin	busca	a	realização	e	a implantação de uma sociedade igualitária 
e libertária. Dessa forma, várias medidas foram tomadas, como:
• desapropriação das terras de	burgueses	e	da	Igreja;
• distribuição dessas	terras	aos	camponeses;
• estatização dos	meios	de	produção	(fábricas,	lojas,	bancos	etc.).
FONTE: Adaptado de . Acesso em: 29 jul. 2021.
 A	Revolução	Russa	é	um	dos	Movimentos	Políticos,	Econômicos	e	Sociais	mais	
importantes	do	Século	XX.	Suas	 repercussões	se	desenvolveram	em	diversas	partes	
do	mundo	até	os	dias	atuais,	influenciando	governos,	partidos,	movimentos	sociais	e	a	
própria	forma	de	se	fazer	política	e	economia.
56
A	 Idade	 Contemporânea	 viveu	 também	 duas	 grandes	 Guerras	 Mundiais.	
A Primeira	Guerra	Mundial,	que	durou	de	1914	a	1918,	foi	considerada	por	muitos	de	seus	
contemporâneos	como	a	mais	terrível	das	guerras.	Por	este	motivo,	tornou-se	conhecida	
durante	muito	tempo	como	“A	Grande	Guerra”.	E	a Segunda	Guerra	Mundial foi	o	maior	
conflito	da	humanidade,	acontecendo	de	1939	a	1945,	em	diferentes	locais	da	Oceania,	
Ásia,	África	e	Europa.	Esse	conflito	foi	travado	entre	os Aliados (Reino	Unido,	França,	EUA,	
URSS	etc.)	e o	Eixo (Itália,	Alemanha,	Japão	etc.)	e	teve	como	consequências	a	morte	
de,	aproximadamente,	60	milhões	de	pessoas	e	uma	destruição	material	significativa.
Na	década	de	1960	aconteceram	diversos	Movimentos	em	termos	Mundiais	que	
buscavam a formas de vida mais simples ou até mesmo mais ecológicas. Movimentos 
de	reivindicações	foram	realizados	em	diversas	partes	do	mundo.		Movimento	Feminista,	
Movimento Negro, Movimento de	liberação gay	(marco	do	Movimento	LGBTTTS:	Lésbicas,	
Gays,	Bissexuais,	Travestis,	Transexuais	e	Transgêneros),	Movimento	Ecológico/ambiental,	
entre	outros.	Neste	momento,	vamos	destacar	o	Movimento	Hippie	e	o	Maio	de	1968.
Uma	ideia	que	foi	ganhando	espaço	de	debate	em	termos	mundiais	foi	a	preservação	
ambiental.	O	Movimento	Ambiental	ou	ecológico,	a	partir	da	sensibilização	da	sociedade	em	
razão	do	uso	irracional	dos	recursos	naturais	e	dos	impactos	ambientais	gerados	pela	ação	
humana,	passou	a	destacar	o	conceito	de	crescimento	sustentável,	que	se	colocou	como	uma	
alternativa	que promove	a	 interdependência	entre	economia,	meio	ambiente	e	sociedade.	
Confira	no	quadro	a	seguir	a	origem	desse	movimento	e	o	seu	conceito.
QUADRO 20 – MOVIMENTO AMBIENTAL
A	WWF	(O	Fundo	para	a	Vida	Selvagem),	a	primeira	ONG	ambiental	de	espectro	verdadeiramente	
ambiental,	 foi	 criada	 em	 1961.	 O	 assunto	 ganhou	 corpo	 com	 a	 publicação	 de	 Silent Spring 
(Primavera	Silenciosa),	o	famoso	livro	de	Rachel	Carlson,	que	chamou	atenção	para	a	degradação	
ambiental.	Já	nos	anos	1970,	Leis	e	D’Amato	afirmam	que	o	ambientalismo	não	governamental	
se	institucionaliza	nas	sociedades	americana	e	europeia.	A	década	de	1970	foi	marcada	pelas	
críticas	contundentes	contra	a	industrialização,	feitas	pelo	movimento	ambiental,	que	começou	
a	 se	consolidar.	 É	 justamente	nesta	época	que	a	questão	ganhou	 relevância	e	passou	a	 ser	
pautada	pelos	órgãos	nacionais	e	internacionais.	Em	1971,	o	1º	relatório	do	Clube	de	Roma	alertou	
para os limites do planeta e vinculou o crescimento da população ao uso abundante de recursos 
naturais, em um debate malthusiano. A primeira Conferência Internacional para debater o Meio 
Ambiente	Humano	foi	realizada	no	ano	seguinte,	em	Estocolmo,	e	buscava	soluções	técnicas	
para os problemas ambientais. Na mesma década, foi fundada no Canadá a maior e ainda mais 
conhecida	 organização	 não	 governamental	 ambientalista	 –	 o	 Greenpeace,	 caracterizado	 por	
suas	ações	estratégicas	e	amplos	protestos	para	mobilizar	a	opinião	pública.	A	ONG	expandiu-
se	 oficialmente	 em	 39	 países.	 Aqui	 no	 Brasil,	 um	 pouco	 mais	 tarde,	 em	 1986,	 foi	 formada	
uma	das	organizações	ambientais	mais	representativas,	a	SOS	Mata	Atlântica,	que	tem	como	
principal	objetivo	preservar	as	áreas	remanescentes	da	Mata	Atlântica	e	valorizar	a	identidade	
física	 e	 cultural	 da	 região.	 Atualmente,	 segundo	 o	 CNEA	 (Cadastro	 Nacional	 de	 Entidades	
Ambientalistas),	registro	vinculado	ao	Ministério	do	Meio	Ambiente,	o	Brasil	conta	com	463	ONGs	
de	cunho	ambientalista.	 Isso	sem	contar	organizações	não	 legalmente	estabelecidas	ou	que	
por	eventuais	razões,	não	constam	no	cadastro	oficial.	Em	sua	fase	fundacional,	os	movimentos	
ambientais se restringiram a combater a poluição e a apoiar a preservação de recursos naturais, 
sem	aliar	a	temática	social,	mas	a	década	de	1980	revelou	outros	desafios,	como	a	superação	da	
pobreza,	a	participação	e	o	controle	social	do	desenvolvimento.	Em	1987,	foi	criada	a	Comissão	
de	Brundtland	 (presidida	pela	primeira-ministra	da	Noruega,	Gro	Harlem	Brundtland)	e	 surge	
a	 expressão	 desenvolvimento	 sustentável,	 como	 o	 desenvolvimento	 que	 corresponde	 às	
necessidades	presentes,	sem	comprometer	o	desenvolvimento	das	futuras	gerações.	
FONTE: Adaptado de . Acesso em: 29 jul. 2021.
57
Para a vida em sociedade, o conceito de desenvolvimento sustentável remete, 
dessa	maneira,	 à	 importância	 de	 três	 princípios	 para	 a	 sua	 efetivação:	 os	 princípios	
econômicos,	 ambientais	 e	 sociais.	 Essas	 ações	 remetem	 ainda	 ao	 conceito	 de	
sustentabilidade,	que	está	ligada	à	promoção	de	ações	que	oferecem	sustentação	para	
o crescimento econômico, a preservação ambiental e a redução da desigualdade social.
Dois	acontecimentos,	o	Movimento	Hippie	e	Maio	de	1968,	mudaram	a	forma	
de	ser	e	existir	da	humanidade.	Após	as	duas	grandes	guerras,	a	população	muda	sua	
forma de vida.
QUADRO 21 – MOVIMENTO HIPPIE
Na	década	de	1960,	o movimento hippie apareceu	disposto	a	oferecer	uma	visão	de	mundo	
inovadora	e	distante	dos	vigentes	ditames	da sociedade capitalista. Na maioria jovens, os 
hippies	abandonavam	suas	famílias	e	o	conforto	de	seu	 lar	para	se	entregarem	a	uma	vida	
regada	por	sons,	drogas	alucinógenas	e	a	busca	por	outros	padrões	de	comportamento.	Ao	
longo	do	tempo,	ficariam	conhecidos	como a geração da “paz e amor”.
Ao	 longo	 da	 década	 de	 1960,	 junto	 do movimento negro, os integrantes dessa geração 
discutiram	questões	políticas	de	grande	relevância	e	se	organizaram	para	levar	a	público	uma	
opinião	sobre	diversos	acontecimentos	contemporâneos.
Conseguindo	mobilizar	uma	enorme	quantidade	de	pessoas,	os	hippies	lutaram	pela ampliação 
dos direitos civis  e	 o  fim das guerras  que	 aconteciam	 naquele	 momento.	 Em	 várias	
situações,	a	influência	das	autoridades	sob	os	meios	de	comunicação	acobertava	a	discussão	
que	se	desenvolvia,	para	assim	reforçar	os	comportamentos	marginais	dos	hippies.	Não	raro,	
a	força	policial	era	acionada	para	que	esses	“desordeiros”	fossem	retirados	do	espaço	público.
Entre	 os	 grandes	 confrontos	 do	movimento	 hippie,	 podemos	 destacar	 a	 mobilização	 feita	
na Convenção Nacional Democrata,	ocorrida	entre	os	dias	26	e	29	de	agosto	de	1968,	na	
cidade	de Chicago.	Sob	a	liderança	de Abbie Hoffman e Jerry Rubin, a chamada “Festa da 
Vida”	contou	com	vários	episódios	em	que	o	cenário	político	norte-americano	era	criticado.	
Entre	tantas	outras	ações	de	deboche,	os	hippies	lançaram	um	porco	(chamado	de	“Pigasus”)	
como candidato a presidente dos EUA.
FONTE: . 
Acesso em: 29 jul. 2021.
 Com	o	desenvolvimento	do	movimento	hippie	mundo	afora,	o	Brasil	rapidamente	
teve contato com os ideais de contracultura e de rebeldia. Houve adesão dos estudantes 
e artistas buscaram o rock’n roll	como	referência,	utilizaram	roupas	coloridas	e	tentavam	
romper com o comportamento social e cultural dominantes. Vivendo durante a Ditadura 
Militar, os	jovens	do	Brasil	também	tinham os	objetivos	de	igualdade	de	direitos,	liberdade	
de	 comportamento,	 fim	 do	 machismo	 e	 das	 arbitrariedades	 dos	 governos	 militares.	
Muitos	artistas	e	estudantes	foram	perseguidos,	presos	e	até	mortospor divulgarem	
ideais	que	eram	considerados	rebeldes.	
Vamos	retratar	agora	o	mês	de	maio	de	1968,	sua	origem	e	consequências	para	
a vida humana.
58
QUADRO 22 – MAIO DE 1968
Maio de 1968 ficou	marcado	na	história	mundial	como	o	mês	em	que	estudantes	demonstraram	
sua	 intenção	de	transformar	o	mundo.	 Influenciados	por	 ideais	anarquistas	e	marxistas,	os	
estudantes franceses iniciaram protestos contra o sistema educacional francês e contra a 
sociedade capitalista da França. Contando com o apoio dos trabalhadores, esses jovens 
pararam	a	França	e	marcaram	gerações	de	pessoas.	Os	protestos	contra	a	Guerra	do	Vietnã;	o	
debate	por	transformações	significativas	no	combate	ao	racismo;	a Tchecoslováquia era	agitada	
por	um	reformismo	que	procurava	democratizar	o	socialismo	no	país;	na	Alemanha,	protestos	
estudantis	aconteciam	em	Berlim;	e	aqui	no	Brasil,	 lutava-se	contra	a	ditadura.	Embora	as	
mobilizações	 estudantis	 tivessem	 sido	 influenciadas	 por	 acontecimentos	 globais,	 havia	
também	problemas	relacionados	à	própria	sociedade	francesa	que	serviram	de	catalisadores.	
Entre os fatores estavam a insatisfação pelo desemprego e com o sistema educacional francês, 
além do descontentamento com o governo de De Gaulle, em geral.
O	protesto	dos	estudantes	em	Nanterre	foi	encerrado	após	a	chegada	da	polícia,	convocada	
pela própria administração da cidade. Novos protestos seguiram acontecendo nos meses de 
março	e	abril,	e	a	ação	policial	era	baseada	na	truculência,	o	que	indignava	os	estudantes.	Os	
protestos, no entanto, continuaram.
Em	dois	de	maio,	a	administração	da	universidade	em	Nanterre	decidiu	autorizar	o	fechamento	
do	campus	e	ameaçou	expulsar	os	estudantes	que	participavam	dos	protestos.	No	dia	seguinte,	
três de maio, os estudantes de Nanterre começaram a contar com o apoio dos estudantes 
do campus	da	Universidade	de	Sorbonne,	em	Paris.	Nesse	dia,	os	confrontos	entre	policiais	e	
estudantes	foram	violentos.	A polícia	incendiava	carros para	incriminá-los	e	usava	da	violência	
para	dispersá-los,	e	os	estudantes	respondiam	construindo barricadas para	impedir	o	avanço	
policial	e	lançando	paralelepípedos	nas	forças	de	polícia.	Novas	pautas	foram	adicionadas	às	
reivindicações	estudantis,	como	o	fim	da	separação	de	gêneros	nos	alojamentos.	A	força	do	
movimento	foi	crescendo,	pois	a	violência	policial	fez	com	que	ele	passasse	a	contar	com	o	
apoio de outras classes, principalmente a dos trabalhadores.
Os	sindicatos	decidiram	convocar greve geral na	França.	Estima-se	que,	nesse	mês	de	maio,	
cerca	de  10	milhões	de	 trabalhadores estiveram	em	greve	no	 território	 francês.	 Em	muitos	
lugares, eles ocuparam as fábricas e assumiram o controle da produção. A adesão dos 
trabalhadores aos protestos estudantis forçou o governo do presidente De Gaulle a negociar. 
Governo,	 representantes	 dos	 sindicatos	 e	 empresários	 sentaram-se	 à	 mesa	 para	 debater	
condições	para	que	os	trabalhadores	voltassem	ao	trabalho.	As	negociações	estenderam-se	
por	 todo	 o	mês	 de	maio,	 e,	 ao	final,	 chegou-se	 aos Acordos  de Grenelle.	 Os	 trabalhadores	
ganharam	uma	série	de	benefícios,	como	aumentos	salariais	e	redução	na	jornada	de	trabalho,	
e	os	sindicatos	ganharam	maior	liberdade	para	organizar-se.	Parte	dos	trabalhadores	decidiu	
retomar	 os	 trabalhos,	mas	 outra	 parte	 considerou	 que	 as	 concessões	 realizadas	 não	 eram	
suficientes.	Charles	De	Gaulle	decidiu	usar	a	violência	policial	contra	os	trabalhadores.
Enquanto	o	governo	negociava	com	os	trabalhadores,	os	estudantes	seguiam	firmes	na	sua	
mobilização.	Dezenas	 de	 barricadas	 foram	construídas	 nas	 ruas	 de	Paris,	 e	 os	 estudantes,	
além	dos	protestos,	engajaram-se	em	produzir cartazes que	manifestavam	suas	intenções	e	
insatisfações.	Mensagens	contra	o	capitalismo	e	contra	o	governo	De	Gaulle	eram	comuns.	Uma	
das	expressões	mais	populares	desse	período	foi	“é proibido proibir”,	uma	mensagem	clara	
contra	os	padrões	da	sociedade	francesa,	enxergados	pelos	estudantes	como	conservadores.
O	 ímpeto	 dos	 protestos	 seguiu-se	 durante	 o	mês	 de	maio,	mas perderam força no final 
dele.	A	decisão	de	parte	dos	trabalhadores	de	retornarem	ao	trabalho	também	enfraqueceu	
a	mobilização.	A	repressão	de	De	Gaulle	e	uma	reação	conservadora	de	parte	da	sociedade	
francesa	também	foram	fatores	que	desarticularam	os	estudantes.
FONTE: Adaptado de . Acesso em: 11 ago. 2021.
59
Em	certo	sentido,	Maio	de	1968	tornou-se	um	símbolo	da	mobilização	estudantil	e	
influenciou	gerações	no	mundo,	mas,	no	final,	não	foi	a	revolução	que	muitos	enxergavam,	
principalmente	porque	não	houve	apoio	político	consistente	para	as	causas	estudantis.
Vamos	retornar	a	outro	acontecimento	que	marcou	o	Espírito	Moderno	no	Mundo	
e	 influenciou	a	vida	na	 Idade	Contemporânea.	A Revolução	 industrial  foi	um	conjunto	de	
mudanças	que	aconteceram	na	Europa	nos	séculos	XVIII	e	XIX.	A	principal	particularidade	
dessa revolução foi a substituição do trabalho artesanal pelo assalariado e com o uso das 
máquinas.	A	principal	característica	da	Revolução	 Industrial	foi	a	criação	do sistema	fabril	
mecanizado,	isto	é,	as	fábricas	passaram	da	simples	produção	manufaturada	para	a	complexa	
substituição	do	trabalho	manual	por	máquinas.	Essa	substituição	implicou	na	aceleração	da	
produção	de	mercadorias,	que	passaram	a	ser	produzidas	em	larga	escala.	Essa	produção	em	
larga	escala,	por	sua	vez,	exigiu	uma	demanda	cada	vez	mais	alta	por	matéria-prima,	mão	de	
obra	especializada	para	as	fábricas	e	mercado	consumidor.	Tal	exigência	implicou,	por	sua	vez,	
também na aceleração dos meios de transporte de pessoas e mercadorias. Era necessário o 
encurtamento	do	tempo	que	se	percorria	de	uma	região	à	outra	para	escoar	os	produtos.
FIGURA 18 – REVOLUÇÃO INDUSTRIAL
FONTE: . Acesso em: 20 mar. 2021.
Confira	no	Quadro	a	seguir	algumas	das	consequências	da	Revolução	Industrial:
QUADRO 23 – CONSEQUÊNCIAS
O desenvolvimento tecnológico acelera-
do,	 que	 caracterizou	uma	 sucessão	de	 eta-
pas evolutivas, como a Segunda Revolução 
Industrial (desenvolvida no século XIX, seu 
principal aspecto foi a criação dos motores de 
combustão	 interna	 movidos	 a	 combustíveis	
derivados do petróleo) e a Terceira Revolução 
Industrial (desenvolvida no século XX e ainda 
em	 expansão,	 seu	 aspecto	 principal	 são	 os	
ramos da microeletrônica, engenharia gené-
tica, nanotecnologia, entre outros).
A formação da sociedade de massas 
constituiu	 também	 uma	 das	 consequências	
da	Revolução	Industrial,	haja	vista	que	o	cres-
cimento	 das	 cidades	 e	 a	 grande	 quantida-
de	de	trabalhadores	 (que	formaram	a	classe	
operária)	que	passaram	a	habitar	os	centros	
urbanos geraram as massas, isto é, o grande 
fluxo	de	pessoas	em	uma	só	região.
FONTE: Adaptado de . Acesso em: 21 jan. 2021
60
Na	 segunda	metade	 do	 século	 XIX,	 o	 capitalismo  proporcionou	 a	 integração	
econômica	 mundial,	 favorecendo	 assim,	 principalmente,	 as	 nações	 que	 haviam	
começado	 seu	 processo	 de	 industrialização.	 Essas	 mesmas	 nações	 expandiram	
significativamente	seu	território	em	direção	a	outros	continentes,	sobretudo	o	Asiático,	
o	Africano	e	a	Oceania.	A	Idade	contemporânea	conheceu	três	etapas	do	Capitalismo,	
conforme	exposto	a	seguir:
QUADRO 24 – CAPITALISMO INDUSTRIAL
Segunda fase do sistema capitalista: Capitalismo Industrial (Século XVIII – XIX)
A	 passagem	 do	 capitalismo	 comercial	 para	 o capitalismo industrial  se	 deu	 em	meio	 às	
revoluções tecnológicas e	políticas.	A Revolução Industrial se	inicia	na	Inglaterra,	em	1760,	e	
tem	como	seu	marco	principal	a	introdução	da	máquina	a	vapor	na	produção,	o	que	deu	início	
à transição de uma produção manufatureira para uma produção industrial.
A	 produção	 industrial	 tornava-se	 necessária,	 pois	 com	 o  crescimento demográfico  e	
expansão	das	cidades	era	necessário	que	os	produtos	fossem	criados	e	distribuídos	com	mais	
eficiência	e	escala.
As83
REFERÊNCIAS ..................................................................................................................... 85
UNIDADE 2 — CULTURA E EDUCAÇÃO ............................................................................... 89
TÓPICO 1 — CONCEITO DE CULTURA .................................................................................. 91
1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................................... 91
2 ORIGEM DO CONCEITO DE CULTURA .............................................................................. 91
2.1 EDWARD BURNETT TYLOR (LONDRES 2 DE OUTUBRO DE 1832 – 
WELLINGTON 2 DE JANEIRO DE 1917) ................................................................................................92
2.2 FRANZ URI BOAS (MINDEN, 9 DE JULHO DE 1858 — 
NOVA IORQUE, 21 DE DEZEMBRO DE 1942) ........................................................................................95
2.3 ALFRED LOUIS KROEBER (HOBOKEN, 11 DE JUNHO DE 1876 - 
PARIS, 5 DE OUTUBRO DE 1960) ...........................................................................................................96
3 CULTURA E IDENTIDADE ................................................................................................108
4 EXEMPLOS DE IDENTIDADE CULTURAL .......................................................................109
5 CULTURA E DESCONSTRUÇÃO .......................................................................................111
RESUMO DO TÓPICO 1 ....................................................................................................... 113
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................ 115
TÓPICO 2 - DIVERSIDADE CULTURAL ...............................................................................117
1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................................117
2 INCLUSÃO E CULTURA ....................................................................................................117
3 GÊNERO E CULTURA ....................................................................................................... 119
4 CULTURA E A TEORIA DECOLONIAL ..............................................................................123
RESUMO DO TÓPICO 2 .......................................................................................................126
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................ 127
TÓPICO 3 - CULTURA E MEIO AMBIENTE .........................................................................129
1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................................129
2 CULTURA E SUSTENTABILIDADE ..................................................................................129
3 CULTURA E DIÁLOGO DOS SABERES ............................................................................133
4 CULTURAS E O BEM VIVER .............................................................................................135
LEITURA COMPLEMENTAR ............................................................................................... 141
RESUMO DO TÓPICO 3 ...................................................................................................... 144
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................146
REFERÊNCIAS ....................................................................................................................149
UNIDADE 3 — EDUCAÇÃO, CULTURA E SOCIEDADE EM SALA DE AULA ........................155
TÓPICO 1 — INTERCULTURALIDADE EM SALA DE AULA ................................................. 157
1 INTRODUÇÃO ................................................................................................................... 157
2 MULTICULTURALIDADE ................................................................................................. 157
3 INTERCULTURALIDADE .................................................................................................162
4 PRÁTICAS INTERCULTURAIS EM SALA DE AULA .........................................................165
RESUMO DO TÓPICO 1 .......................................................................................................169
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................170
TÓPICO 2 - SALA DE AULA NO SÉCULO XXI ..................................................................... 173
1 INTRODUÇÃO ................................................................................................................... 173
2 SOCIEDADE DE CONSUMO E SALAS DE AULA .............................................................. 173
3 SOCIEDADE ALTERNATIVAS E SALAS DE AULA ........................................................... 176
4 SALAS DE AULAS CONECTADAS ...................................................................................180
RESUMO DO TÓPICO 2 .......................................................................................................184
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................185
TÓPICO 3 - BNCC: CIÊNCIAS HUMANAS E SOCIAIS ........................................................187
1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................................187
2 ESTRUTURA DA BNCC ....................................................................................................187
3 BNCC E A EDUCAÇÃO BÁSICA ....................................................................................... 191
4 BNCC: HUMANIDADE E SOCIEDADE ............................................................................ 200
4.1 COMPETÊNCIAS ESPECÍFICAS DE CIÊNCIAS HUMANAS 
E SOCIAIS APLICADAS AO ENSINO MÉDIO .......................................................................................207
LEITURA COMPLEMENTAR .............................................................................................. 209
RESUMO DO TÓPICO 8 .......................................................................................................213
AUTOATIVIDADE ................................................................................................................215
REFERÊNCIAS .................................................................................................................... 217
1
UNIDADE 1 - 
SOCIOLOGIA, AUTORES 
E CONCEITOS
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
PLANO DE ESTUDOS
A partir do estudo desta unidade, você deverá ser capaz de:
• desenvolver a capacidade de análise acerca dos fenômenos sociais e educacionais;
• analisar aspectos do campo educacional a partir de uma perspectiva sociológica moderna;
•	 identificar	as	principais	características	sociológicas	nos	autores	pós-modernos	e	na	
sociologia da virtualidade;
• compreender a origem histórica e constituição do conhecimento sociológico.
A cada tópico desta unidade você encontrará autoatividades com o objetivo de 
reforçar o conteúdo apresentado.
TÓPICO 1 – ORIGEM DA SOCIOLOGIA
TÓPICO 2 – AUTORES CLÁSSICOS DA SOCIOLOGIA E A RELAÇÃO COM A EDUCAÇÃO
TÓPICO 3 – AUTORES CONTEMPORÂNEOS DA SOCIOLOGIA E A RELAÇÃO COM A EDUCAÇÃO
Preparado para ampliar seus conhecimentos? Respire e vamos em frente! Procure 
um ambiente que facilite a concentração, assim absorverá melhor as informações.
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A TRILHA DA 
UNIDADE 1!
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3
ORIGEM DA SOCIOLOGIA
TÓPICO 1 - UNIDADE 1
1 INTRODUÇÃO
A origem da Sociologia está vinculada à história do mundo europeu. Pensadores 
e	obras	do	continente	europeu	iniciaram	orevoluções	também	tiveram	um	caráter	político.	Em	1789,	inicia-se	a Revolução Francesa, 
movimento	que	buscava	o	fim	da	organização	política,	social	e	econômica	vigente	na	época;	
que	oferecia	privilégios	a	pequenas	parcelas	da	população	e	concedia	poucos direitos ao	povo.
Nessa	 fase	 do	 capitalismo,	 o	 poder	 passou	 para	 as	 mãos	 da	 burguesia,	 que	 começou	 a	
crescer	 com	 a	 intensificação	 do	 comércio.	 A	 economia	 durante	 o	 período	 do	 capitalismo	
industrial	 estava	 baseada	 no  liberalismo  econômico.  Essa	 corrente	 de	 pensamento	 –	 cujo	
principal	pensador	foi Adam Smith – defendia o Estado mínimo e	a	não	intervenção	estatal	
na economia.	Segundo	seus	defensores,	a	lei	de	oferta	e	procura	e	a	competição	do	mercado,	
garantiriam melhores resultados para a sociedade como um todo.
O modo de produção vigente nos séculos de capitalismo industrial permitiram o aumento da 
produtividade, a diminuição dos valores das mercadorias e a acumulação de capital; por outro 
lado,	esses	avanços	só	foram	possíveis	a	partir	de	condições	precárias	de	trabalho,	jornadas	de	
trabalho	muito	altas,	diminuição	dos salários e	aumento	do desemprego.
FONTE: Adaptado de . Acesso em: 29 jul. 2021.
QUADRO 25 – CAPITALISMO FINANCEIRO
Terceira fase do sistema capitalista: Capitalismo Financeiro (Século XX)
O	capitalismo	financeiro	se	 inicia	no	século	XX,	depois	do	final	da Segunda	Guerra	Mundial.	
Essa	nova	fase	tem	seu	início	quando	bancos	e	empresas	se	unem	para	obter	maiores	lucros.	É	
nesse	momento	que	surgem	as empresas multinacionais e transnacionais, e se fortalecem 
as práticas monopolistas.	Esse	modelo,	vigente	até	hoje,	é	baseado	nas	leis	das	instituições	
financeiras	e	dos	grandes	grupos	empresariais	presentes	no	mundo	todo.
É	 um	 período	 caracterizado	 por	 elevada	 concorrência	 internacional,	 monopólio	 comercial,	
evolução	tecnológica, globalização e	elevadas	taxas	de	urbanização.	É	chamado	de	capitalismo	
financeiro,	pois	as	grandes	empresas	passaram	a	vender	parcelas	de	seu	capital	na	bolsa	de	
valores,	e	a	partir	de	então,	passou-se	a	produzir	riqueza	por	especulação.	Nesse	momento,	a	
acumulação	do	capital	chegou	a	níveis	nunca	vistos	antes.
Em	decorrência	das	políticas	liberais,	em	1929,	o	sistema	capitalista	vive	uma	das	piores crises	econô-
micas da	história.	Por	conta	de	uma	produção	em	excesso	nos	Estados	Unidos	e	da	redução	da	de-
manda	por	produtos	desse	país,	as	empresas	perderam	valor	e	houve	a quebra da bolsa de valores. 
Para	salvar	o	mercado,	o Estado teve	que	intervir	na	economia	e	a	partir	de	então	se	adotou	
o	sistema	econômico	Keynesiano,	que	defendia	a	 intervenção	do	Estado	na	economia	para	
evitar crises e garantir o consumo e o emprego. Esse sistema é também chamado de Welfare 
State,	ou Estado	de	bem-estar	social.
61
A	 partir	 dos	 anos	 1980,	 o  keynesianismo  perde	 forças	 e	 a	 ideia	 de	 Estado	 mínimo	 e	
pouca participação estatal na economia retorna. Assim como os liberais, os defensores 
do neoliberalismo	defendem	que	as	próprias	regras	do	mercado	vão	garantir	o	crescimento	
econômico e o desenvolvimento social.
O	neoliberalismo	foi	implantado	no	Brasil	e	em	diversos	países	da	América	Latina,	seguindo	as	
proposições	do	que	se	estabeleceu	no Consenso de Washington –	uma	proposta	neoliberal	
para	o	desenvolvimento	dos	países	da	região.
Guerra Fria e a vitória do sistema capitalista
Apesar de ser adotada em grande parte do mundo hoje, a hegemonia do sistema capitalista 
esteve	 em	 disputa	 durante	 décadas	 após	 a  Segunda	 Guerra	 Mundial.	 O	 outro	 sistema	
econômico	era	o comunismo,	que	defendia	o	fim	da	propriedade	privada	em	prol	da	construção	
de	uma	sociedade	mais justa e	igualitária.
Ao	 longo	 do	 conflito,  Estados Unidos  –	 defensor	 do	 capitalismo	 –	 e União Soviética  –	
defensora do comunismo – disputavam a hegemonia mundial e buscavam o apoio de outros 
países	para	fortalecer	seu	posicionamento	ideológico.
Foi	chamada Guerra	Fria,	pois	não	houve	embate	militar	direto	entre	esses	dois	países,	era	um	
conflito	ideológico	sustentado	por	uma	guerra	armamentista.	Ambos	os	países	foram	investindo	
em	materiais	e	tecnologias	bélicas	e	o	equilíbrio	entre	essas	forças	foi	o	que	impediu	que	ataques	
entre eles de fato acontecessem.
Com	o	final	da	Guerra	Fria	e	a vitória do capitalismo como sistema hegemônico, grande parte 
dos	países	que	estavam	do	lado	da	União	Soviética	começaram	a	implementar	o	capitalismo.
FONTE: Adaptado de . Acesso em: 29 jul. 2021.
FIGURA 20 – CAPITALISMO FINANCEIRO
FONTE: . Acesso em: 21 fev. 2021.
62
QUADRO 26 – CAPITALISMO INFORMACIONAL
Para alguns estudiosos da economia, o Capitalismo Informacional não é uma nova fase do 
capitalismo,	mas	um	novo	momento	da	fase	do	capitalismo	financeiro.	O	conceito	de	capitalismo	
informacional	foi	discutido	pela	primeira	vez	por Manuel Castells, em seu livro Sociedade em 
rede,	publicado	em	1996	e	está	relacionado	à revolução tecnológica dos	últimos	tempos.
O	capitalismo	informacional	é	caracterizado	pela globalização e	pelos	avanços	nas	tecnologias	
de	 informação,	 na	 aceleração	 e	 crescimento	 dos	 fluxos	 de	 informações,	 pessoas,	 capitais	
e	 mercadorias.	 Segundo	 esse	 autor,	 essas	 transformações	 tecnológicas	 mudam	 nossas	
práticas culturais e	sociais	e	constroem	uma	nova	estrutura	social.
FONTE: Adaptado de . Acesso em: 29 jul. 2021.
Entende-se	 por	 moderno	 o	 período	 histórico	 que	 começou	 no	 Iluminismo	
e	 se	 desenvolveu	 até	 a	 metade	 do	 século	 XX,	 aproximadamente.	 A	 modernidade	 é	
caracterizada	 pela	 crença	 na	 ciência,	 além	 da	 razão	 e	 do	 progresso	 como	 guias	 da	
humanidade.	 Esses	 princípios	 deixaram	 de	 ser	 referências	 intelectuais,	 sociais	 e	
artísticas,	a	partir	do	momento	que	a	realidade	mostrou	um	resultado	decepcionante:	
os valores da modernidade. O ideal da modernidade havia fracassado e assim se inicia 
uma	nova	era:	a	pós-modernidade
A	modernidade	construiu-se	em	meio	aos	conflitos	ideológicos	da	razão	objetiva	
instrumental,	 utilizada	como	ferramenta	de	abordagem	de	questões	do	pensamento	
humano e de sua realidade. Assim, o pensamento tradicional, ligado ao pensamento 
teológico	e	 religioso,	foi	progressivamente	abandonado. Max	Weber  referiu-se	a	esse	
fenômeno como o processo de “desencantamento do mundo”,	no	qual	o	sujeito	moderno	
passou	a	despir-se	de	costumes	e	crenças	baseados	em	tradições	aprendidas	que	se	
apoiavam	nos	pilares	fixos	das	religiões.	Explicações	e	questionamentos	baseados	na	
utilização	 da	 razão	 instrumental	 quebraram	 noções	 preconcebidas	 e	 ancoradas	 no	
núcleo	religioso.	Todavia,	foi	apenas	nos	séculos	XIX	e	XX	que	esse	fenômeno	tomou	as	
dimensões	que	vemos	hoje.	A	era	moderna,	diante	dos	conflitos	cada	vez	mais	globais,	
foi	marcada	pela	segregação	de	classes,	indivíduos	e,	principalmente,	de	nações.	
Como	se	desenvolveu	o	espírito	moderno?
QUADRO 27 – ESPÍRITO MODERNO
A modernidade está, portanto, associada, nos séculos XVII e XVIII, a uma visão eufórica 
do	 progresso,	 considerando-a	 como	 a	 inauguração	 de	 uma	 época	 de	 desenvolvimento	
técnico ilimitado. Os instrumentos são ainda considerados como aperfeiçoamentos da 
percepção	do	mundo	e	os	utensílios	destinam-se	a	ajudar	o	gesto	humano,	na	modelagem	
dos objetos naturais.
No	entanto,	à	medida	que	foi	integrando	conhecimentos	científicos	mais	elaborados,	a	técnica	
foi	adquirindo	cada	vez	maior	autonomia	com	relação	à	percepção	e	aos	gestos	humanos.	É	
esse	processo	que	conduzirá	ao	maquinismo	industrial,	a	partir	da	segunda	metade	do	século	
XIX,	e	ao	aparecimento	de	uma	relação	cada	vez	mais	problemática	e	conflitual	com	a	técnica.
63
Desde	o	fim	da	Segunda	Guerra	Mundial,	o	domínio	da	técnica	adquiriu	uma	autonomia	até	
agora	 inimaginável,	ao	converter-se	em	sistema,	acarretando	consequênciaspara	a	própria	
experiência	do	mundo	que	ainda	estamos	longe	de poder avaliar	com	rigor.	Em	todo	o	caso,	
essas	transformações	estão	associadas	ao	atual	processo	de	globalização,	não	só	no	domínio	
económico,	 mas	 sobretudo	 nos	 domínios	 político,	 ético	 e	 estético,	 anunciando-se,	 desse	
modo, novas oportunidades, mas também novos riscos.
O	ideal	revolucionário	é	outra	das	características	constantes	da	modernidade.	Em	contraste	
com	 os	 valores	 de	 estabilidade	 que	 caracterizam	 a	 experiência	 tradicional,	 a	modernidade	
promove valores de ruptura e de mudança constante.
A	experiência	moderna	está	também	associada	à	emergência	do	sujeito,	no	sentido	ambivalente	
desse	termo,	entendido,	por	um	lado,	como instância soberana,	de	autonomia	e	emancipação	
e, por outro lado, como processo de sujeição ao imperativo do novo e da mudança. Dessa 
duplicidade, retira o sujeito moderno uma consciência dilacerada ou clivada.
A	modernidade	promove	a	procura	de	princípios	explicativos	racionais	para	os	fenômenos	
da	natureza	e	da	cultura	e	de	normas	racionalmente	fundadas	para	a	política,	para	a	ética	e	
para a estética.
A	nossa	época	caracteriza-se	pela	consciência	aguda	do	esgotamento	dos	projetos,	romântico	
e	futurista,	da	modernidade	e	pela	consequente	indiferença	perante	os	valores	e	as	normas	que	
os movimentos de vanguarda procuraram instaurar, ao longo do seu processo de implantação. 
Essa consciência da crise da modernidade pode ser entendida como o retorno do recalcado: 
através	 das	 atuais	 manifestações	 da	 pós-modernidade	 vislumbram-se	 as	 próprias	 formas	
tradicionais	que	retornam,	por	vezes,	de	maneira	nostálgica.
FONTE: Adaptado de . Acesso em: 29 jul. 2021.
No início do Século XXI, a sociedade começa a apresentar as seguintes 
características.	 Relação principal: blocos	 econômicos	 e	 atores	 políticos,	 ONGs,	
virtualidade? A divisão social: classes sociais concretas e classes sociais virtuais? 
Economia ou modo de produzir as coisas: Capitalismo Virtual, Socialismo Virtual? 
As leis e os códigos de condutas sociais: ênfase	nas	condições	humanas	voltadas	
para o mundo virtual? A visão de mundo, religião, educação, conhecimento, meio 
ambiente e cultura: virtualidade	e	desconstruções,	fragmentações?
Você	deve	se	perguntar	sobre	as	interrogações	nesse	último	período	apresentado,	
não	é	mesmo?	Veja,	ainda	não	passamos	esse	período,	estamos	vivendo	e	fazendo	ou	
criando	a	história,	somos	protagonistas	neste	enredo.	Como	serão	as	características	deste	
período?	Somente	o	futuro	dirá	ao	certo.	De	nossa	parte,	podemos	refletir	e	pesquisar.
O pós-modernismo	ou	a pós-modernidade	pode	ser	percebido	a	partir	das mudan-
ças sociais,	culturais,	artísticas,	filosóficas,	científicas	e	estéticas	que	surgiram	após	a	segunda	
guerra.	 	Essas	mudanças	foram	responsáveis	por	marcantes transformações nas	relações	
travadas	entre	as	crescentes	práticas	capitalistas,	a arte e	a cultura.	Por	conta	das	trans-
formações	 ligadas	à	cultura	e	as	relações	capitalistas,	o	movimento	pós-modernista	pode	
também	ser	chamado	de pós-industrial ou	de movimento	financeiro,	pois	é	a	partir	do	fim	
da	Segunda	Guerra	Mundial	que	as inovações	tecnológicas,	os investimentos	financeiros e	
a indústria	de	massa desenvolveram-se	e	marcaram	intensas	e	profundas transformações	
na	sociedade	e	na	maneira	pela	qual	os	indivíduos	passaram	a	relacionar-se	com	o	consumo.	
64
No contexto pós-Segunda Guerra e diante de tantas informações, ligadas ou não a 
esse acontecimento, algumas características permitem identificar o pós-modernismo. 
Dentre elas, merecem destaque:
• Ausência de regras e valores muito rígidos.
• Individualismo.
• Pluralidade e diversidade.
• Combinações de tendências, gostos e estilos.
• Produção em série de cultura voltada para o consumo rápido.
• Liberdade de expressão e pensamento.
• Mistura entre realidade e imaginação - hiper-realismo.
• Disponibilização de grande quantidade de informações.
• Incertezas e vazios existenciais.
FONTE: . Acesso em: 29 jul. 2021.
Vários autores dividem a pós-modernidade em dois principais 
períodos. A primeira fase teria começado com o fim da Segunda 
Guerra Mundial e se desenvolvido até o declínio da União 
Soviética (fim da Guerra Fria). Já a segunda e derradeira 
etapa teve início no fim da década de 1980, com a 
quebra da bipolaridade vivida no mundo durante a 
Guerra Fria e o avanço das novas tecnologias.
Primeira etapa da Pós-Modernidade
De modo geral, a pós-modernidade representa a "quebra" 
com antigos modelos de pensamento linear defendidos na era 
moderna pelos iluministas. Eles eram baseados na defesa da razão 
e ciência como parte de um plano em prol do desenvolvimento 
da humanidade. No entanto, com os horrores presenciados na 
Segunda Guerra Mundial, começou a crescer um forte sentimento 
de insatisfação e decepção na sociedade, visto que todo o 
"plano" moldado com base nos ideais iluministas havia falhado.
Segunda etapa da Pós-Modernidade: consolidação
Muitos estudiosos consideram o fim da década de 1980 como 
a  consolidação definitiva da Pós-Modernidade  como uma 
estrutura social, política e econômica no mundo. Com o fim da 
bipolaridade imposta pela Guerra Fria, o mundo passou a viver sob 
uma Nova Ordem, baseada na ideia de pluralidade e globalização 
entre quase todas as nações. Os avanços tecnológicos e nos 
meios de comunicação, o boom da internet e o monopólio do 
sistema capitalista são algumas das características que ajudaram 
a consolidar os princípios que definem a sociedade pós-moderna.
FONTE: . Acesso em: 29 jul. 2021.
NOTA
NOTA
Quais	seriam	as	principais	características	da	pós-modernidade?
65
3 PIERRE BOURDIEU, MICHEL FOUCAULT E A EDUCAÇÃO
Pierre	 Bourdieu	 foi	 um	 dos	 maiores	 pensadores	 das	 ciências	 humanas	 do	
século XX. Filósofo por formação desenvolveu importantes trabalhos de etnologia, no 
campo	da antropologia,	e	conceitos	de	profunda	 relevância	no	campo	da	sociologia,	
como habitus,	campo	e	capital	social. Sua	obra	é	extensa	e	abrangente,	com	contribuição	
para	diversas	áreas	do	conhecimento,	especialmente	na	educação	e cultura.
FIGURA 24 – PIERRE BOURDIEU
FONTE: . Acesso em: 20 mar. 2021.
Pierre	Félix	Bourdieu	nasceu	em	Denguin,	França,	no	dia	 1	de	agosto	de	 1930.	
Iniciou	 seus	 estudos	 básicos	 em	 sua	 cidade	 natal.	 Mudou-se	 para	 Paris,	 ingressou	
na	Faculdade	de	Letras,	 onde	cursou	Filosofia,	 obtendo	a	graduação	em	 1954.	Prestou	
serviço	militar	na	Argélia	(então	colônia	francesa).	Entre	os	anos	de	1958	e	1960,	assumiu	
a	função	de	professor	assistente	na	Faculdade	de	Argel.	De	volta	à	França,	Pierre	Bourdieu	
foi	nomeado	assistente	do	filósofo	e	sociólogo	Raymond	Aron,	na	Faculdade	de	Letras	de	
Paris.	Filiou-se	ao	Centro	Europeu	de	Sociologia,	tornando-se	secretário-geral	em	1962.	
Durante	as	décadas	de	60	e	70,	Bourdieu	se	dedicou	às	pesquisas	como	etnólogo	que	
revolucionaram	a	Sociologia.	Dessas	investigações	sobre	a	vida	cultural,	sobre	as	práticas	
de	 lazer	e	de	consumo	dos	povos	europeus,	principalmente	dos	franceses,	 resultou	na	
publicação	de	“Anatomia	do	Gosto”	(1976),	e	sua	obra	prima	“A	Distinção	–	Crítica	Social	
do	 Julgamento”	 (1979).	 Em	 suas	 obras,	 Bourdieu	 tenta	 explicar	 a	 diversidade	 do	 gosto	
entre os segmentos sociais, analisando a variedade das práticas culturais entre os grupos. 
Afirmava	que	o	gosto	cultural	e	os	estilos	de	vida	da	burguesia,	das	camadas	médias	e	da	
classe operária, estavam profundamente marcados pela trajetória social vivida por cada 
um	deles.	A	repercussão	de	suas	reflexões	o	levou	a	lecionar	em	importantes	universidades	
do	mundo	a	Universidade	de	Harvard	e	de	Chicago	e	o	Instituto	Max	Planck	de	Berlim.	Em	
1981,	Bourdieu	assumiu	a	cadeira	de	Sociologia	no	Collège	de	France,	onde	em	sua	aula	
inaugural	destacou-se	por	propor	uma	crítica	sobre	a	formação	do	sociólogo,	propondo	o	
que	ficou	identificadocomo	“Sociologia	da	Sociologia”.	Pierre	Bourdieu	foi	considerado	um	
dos	mais	importantes	intelectuais	de	sua	época.	Tornou-se	referência	na	Antropologia	e	na	
Sociologia,	publicando	trabalhos	sobre	educação,	cultura,	literatura,	arte,	mídia,	linguística,	
comunicação	 e	 política.	 Com	 sua	 vasta	 produção	 intelectual,	 recebeu	 o	 título	 “Doutor	
66
Honoris	Causa”	da	Universidade	Livre	de	Berlim	(1989),	da	Universidade	Johann	Wolfgang-
Goethe	de	Frankfurt	(1996)	e	da	Universidade	de	Atenas	(1996).	Pierre	Bourdieu	faleceu	em	
Paris,	França,	no	dia	23	de	janeiro	de	2002	(FRAZÃO,	2002,	s.	p.)
FONTE: FRAZÃO, D. Pierre Bourdieu. 2002. Disponível em: https://bit.ly/3dNGN4c. Acesso em: 23 
mar. 2021.
FIGURA 25 – CONCEITOS E TEMAS DE PIERRE BOURDIEU
FONTE: . Acesso em: 23 mar. 2021.
Crítico	 dos	 mecanismos	 de	 reprodução	 das	 desigualdades	 sociais,	 Pierre	
Bourdieu	destaca	em	sua	obra	os	condicionamentos	materiais	e	simbólicos	que	agem	
sobre	 nós	 (sociedade	 e	 indivíduos)	 numa	 complexa	 relação	 de	 interdependência,	 ou	
seja,	a	posição	social	ou	o	poder	que	detemos	na	sociedade	não	dependem	apenas	do	
67
volume	de	dinheiro	que	acumulamos	ou	de	uma	situação	de	prestígio	que	desfrutamos	
por	possuirmos	escolaridade	ou	qualquer	outra	particularidade	de	destaque,	mas	está	
na	 articulação	 de	 sentidos	 que	 esses	 aspectos	 podem	 assumir	 em	 cada	 momento	
histórico.		A	estrutura	social	é	apresentada	por	Bourdieu	como	um	sistema	hierarquizado	
de	 poder	 e	 privilégio,	 determinado	 tanto	 pelas	 relações	 materiais	 e/ou	 econômicas	
(salário,	 renda)	como	pelas	 relações	simbólicas	 (status)	e/ou	culturais	 (escolarização)	
entre	os	indivíduos.	Alguns	conceitos	e	aspectos	da	teoria	de	Bourdieu.
QUADRO 26 – CAPITAL, CAMPO
O	“capital”,	junto	com	o	“campo”	e	o	“habitus”,	são	três	conceitos	que	se	conectam.	O	capital	
diz	 respeito	 aos	 recursos	que	um	 indivíduo	possui	 que	 lhe	 fornece	vantagens	 e	 privilégios	
em	relação	àqueles	que	não	os	tem,	ou	seja,	o	capital	são	as	“armas”	herdadas	ou	adquiridas	
por alguém. Esses capitais podem ser econômicos, culturais ou sociais. O capital econômico 
pode	ser	considerado	o	mais	óbvio:	é	a	quantidade	de	recursos	financeiros	que	uma	pessoa	
dispõe	na	forma	de	propriedades,	dinheiro	e	bens	materiais.	Esse	é	o	fator	que	é	considerado	
geralmente	para	explicar	as	desigualdades	sociais.	Entretanto,	Bourdieu	descobre,	ao	analisar	
a	escola,	outro	tipo	de	capital:	o	cultural,	que	diz	respeito	a	recursos	adquiridos	na	instituição	
escolar	como	linguagem	erudita,	domínio	da	oratória,	livros,	diplomas	e	notas	altas	em	provas,	
por	 exemplo.	Além	disso,	 existe	 o	 capital	 social	 que	é	 a	 rede	de	 relacionamentos	 sociais	 e	
contatos	que	uma	pessoa	possui	que	lhe	confere	vantagem	sobre	os	demais.
Campo
O	conceito	de	campo	está	intimamente	ligado	ao	de	capital	porque	é	no	campo	que	ocorrem	
as	disputas	de	poder	e	posição	na	realidade	social.	De	fato,	o	campo	é	definido	como	uma	rede	
ou	uma	configuração	de	 relações	sociais	que	são	organizadas	em	posições	de	dominância	
diferentes.	Qualquer	espaço	social	em	que	há	uma	correlação	de	forças	desiguais	em	termos	
de capital – econômico, cultural ou social – entre diferentes pessoas pode ser considerado 
um	 campo.	 Bourdieu	 descobre,	 por	 exemplo,	 que	 a	 área	 da	 literatura	 é	 um	 campo,	 assim	
como	a	política,	a	ciência,	ou	a	escola.	Além	disso,	todo	campo	possui	suas	próprias	regras.	A	
forma	como	aprendemos	como	o	campo	em	que	estamos	inseridos	funciona	é	abarcada	pelo	
conceito de habitus.
FONTE: Adaptado de . Acesso em: 29 jul. 2021.
QUADRO 27 – HABITUS, PRODUÇÃO DO GOSTO E VIOLÊNCIA SIMBÓLICA
O conceito de habitus advém da ideia de hábito mental, ou seja, a forma como as pessoas 
aprendem	e	reproduzem	aquilo	que	aprenderam	durante	o	seu	crescimento	dentro	de	uma	
sociedade,	passando	a	assumir	os	pensamentos	de	sua	época.	Trata-se	de	uma	aprendizagem	
de	 como	perceber	 o	mundo	 e	 atuar	 nele.	 O	 habitus	 é	 a	 experiência	 social	 incorporada	 em	
nossas	mentes.	Os	habitus	são	sempre	construídos	em	um	indivíduo	dentro	de	um	campo,	
detendo alguns capitais. Cada pessoa ocupa uma posição diferente no campo e herda ou 
adquire	 determinados	 capitais	 ao	 longo	 da	vida,	 o	 que	 a	 torna	 única.	Ao	mesmo	 tempo,	 o	
campo	 já	existe	antes	de	qualquer	 indivíduo	nascer:	ele	determina	algumas	condições	que	
são	compartilhadas	por	todas	as	pessoas	no	mesmo	campo.	Assim,	com	o	habitus,	Bourdieu	
mostra	como	as	pessoas	são	construídas	e	ao	mesmo	tempo	constroem	o	campo	social	no	
seu	dia	a	dia,	em	uma	verdadeira	interdependência	com	a	estrutura	social.	É	por	isso	que	ele	
usa	o	termo	“agente”	para	se	referir	a	todos	nós,	 indivíduos	ou	pessoas	que,	de	fato,	atuam	
cotidianamente na sociedade.
68
Produção do gosto
Já	houve	muita	discussão	na	filosofia	sobre	qual	a	verdadeira	definição	do	belo	ou	do	sentido	
do	 bom	 ou	 mau	 gosto.	 Bourdieu	 demonstra	 que,	 na	 verdade,	 os	 gostos	 são	 construídos	
socialmente	 como	 uma	 forma	 de	 fazer	 vínculos	 sociais,	 a	 depender	 do	 campo	 social	 em	
que	o	agente	está	 inserido.	Depois	de	uma	pesquisa	que	compreendeu	1.217	entrevistas	na	
França,	Bourdieu	demonstra	como	os	gostos	servem	para	realizar	um	julgamento	social	dos	
indivíduos.	Gostar	e	consumir	arte,	cinema,	músicas	eruditas	revela	o	capital	cultural	de	um	
agente,	e	funciona	muitas	vezes	como	uma	forma	de	se	distinguir	daqueles	que	não	possuem	
os	mesmos	gostos	“refinados”.
Violência simbólica
O	conceito	de	violência	simbólica	visa	apresentar	de	que	maneira	a	autoridade	e	o	poder	de	
agentes	ou	instituições	são	naturalizadas,	ou	seja,	consideradas	“normais”	em	uma	sociedade.	
Exemplos	de	violência	simbólica	na	escola	incluem:	conteúdos,	disciplinas,	provas,	trabalhos	e	
correções	gramaticais.	Isso	porque	os	critérios	de	avaliação	escolar	estão	pautados	nos	capitais	
econômicos e culturais das classes dominantes, e não a dos pobres. Assim, o sucesso na 
escola	muitas	vezes	acaba	sendo	condicionado	pela	origem	e	o	desenvolvimento	econômico,	
cultural	e	social	dos	estudantes.	Os	próprios	alunos	em	desvantagem,	por	sua	vez,	acabam	
aderindo e aceitando os critérios desse campo na escola. 
FONTE: Adaptado de . Acesso em: 29 jul. 2021.
Referente	aos	processos	educacionais,	é	possível	notar	que	a	educação	é	parte	
de	um	dos	 temas	centrais	na	obra	de	Bourdieu.	Ele	 foi	 responsável	 por	demonstrar	 a	
violência	simbólica	existente	nas	escolas	e	alertar	as	pessoas	sobre	o	otimismo	no	sistema	
educacional.	Bourdieu	apresentou	as	dificuldades	das	classes	mais	pobres	com	relação	
ao acesso e à permanência na escola, bem como as diferenças de desempenho de alunos 
por	sexo,	origem,	local	de	moradia	e	classe.	Com	sua	teoria,	Bourdieu	pretende	mostrar	
não	só	a	escola,	mas	como	outras	instituições	dominantes	funcionam,	e	fazer	um	esforço	
para	pensar	outros	modos	de	organização	que	estimulem	a	crítica	e	a	produção	de	novas	
ideias. Embora a maioria dos grandes pensadores da educação tenha desenvolvido suas 
teorias	com	base	numa	visão	crítica	da	escola,	somente	na	segunda	metade	do	século	XX	
surgiram	questionamentos	bem	fundamentados	sobre	a	neutralidade	da	instituição.	Até	
ali a instrução era vista como um meio de elevação cultural mais ou menos à parte das 
tensões	sociais.	O	francês	Pierre	Bourdieu	empreendeu	uma	investigação	sociológica	do	
conhecimento	que	detectou	um	jogo	de	dominação	e	reprodução	de	valores.
  Para	 Bourdieu,	 o	 sistema	 de	 ensino	 perpetua	 a	 desigualdade	 social.	 Setton	
(2010)	comenta	que,	agindo	dessa	forma,	o	sistema	escolar	limitaria	o	acesso	e	o	pleno	
aproveitamento	 dos	 indivíduos	 pertencentes	 às	 famílias	 menos	 escolarizadas,	 pois	
cobraria	deles	os	que	eles	não	têm,	ou	seja,	um	conhecimento	cultural	anterior,	aquele	
necessário	para	se	realizar	a	contento	o	processo	de	transmissão	de	uma	cultura	culta.	
Essa	cobrança	escolar	foi	denominada	por	ele	como	umaviolência	simbólica, pois	imporia	
o	reconhecimento	e	a	legitimidade	de	uma	única	forma	de	cultura,	desconsiderando	e	
inferiorizando	a	cultura	dos	segmentos	populares.	Assim,	convertendo	as	desigualdades	
sociais,	ou	seja,	as	diferenças	de	aprendizado	anterior,	em	desigualdades	de	acesso	à	
69
cultura	culta,	o	sistema	de	ensino	tende	a	perpetuar	a	estrutura	da	distribuição	do capital	
cultural,	contribuindo	para	reproduzir	e	legitimar	as	diferenças	de	gosto	entre	os	grupos	
sociais.	Posto	isso,	as	disposições	exigidas	pela	escola,	por	exemplo,	as	sensibilidades	
pelas	letras	ou	pela	estética	visual	ou	musical,	enfim,	uma	estética	artística,	privilégio	
de	alguns	poucos,	tendem	a	intensificar	as	vantagens	daqueles	mais	bem	aquinhoados,	
material e culturalmente.
Quais	foram	as	grandes	influências	deixadas	por	Bourdieu	para	a	educação?
Suas	 pesquisas	 exerceram	 forte	 influência	 nos	 ambientes	
pedagógicos	nas	décadas	de	1970	e	1980.	"Desde	então,	as	teorias	
de	reprodução	foram	criticadas	por	exagerar	a	visão	pessimista	sobre	
a	 escola",	 diz	 Cláudio	Martins	 Nogueira,	 professor	 da	 Universidade	
Federal	de	Minas	Gerais.	"Vários	autores	passaram	a	mostrar	que	nem	
sempre	as	desigualdades	sociais	se	reproduzem	completamente	na	
sala	de	aula".	Na	essência,	contudo,	as	conclusões	de	Bourdieu	não	
foram	contestadas.	 	Na	mesma	época	em	que	as	 restrições	a	 sua	
obra	 acadêmica	 se	 tornaram	mais	 frequentes,	 a	 figura	 pública	 do	
sociólogo	ganhou	notoriedade	pelas	críticas	à	mídia,	aos	governos	
de	esquerda	da	Europa	e	à	globalização.	Ele	costuma	ser	incluído	na	
tradição	francesa	do	intelectual	público	e	combativo,	a	exemplo	do	
escritor	Émile	Zola	(1840-1902)	e	do	filósofo	Jean	Paul	Sartre	(1905-
1980) (FERRARI, 2009a, s. p.).
Referente ao conceito de Capital Cultural e Educação, o autor relacionou esses 
dois elementos da seguinte forma:
Outro	conceito	utilizado	por	Bourdieu	é	o	de	campo,	para	designar	
nichos	 da	 atividade	 humana	 nos	 quais	 se	 desenrolam	 lutas	 pela	
detenção	 do	 poder	 simbólico,	 que	 produz	 e	 confirma	 significados.	
Esses	 conflitos	 consagram	 valores	 que	 se	 tornam	 aceitáveis	 pelo	
senso	 comum.	 No	 campo	 da	 arte,	 a	 luta	 simbólica	 decide	 o	 que	
é erudito ou popular, de bom ou de mau gosto. Dos elementos 
vitoriosos,	formam-se	o	habitus	e	o	código	de	aceitação	social. Os	
indivíduos,	por	sua	vez,	se	posicionam	nos	campos	de	acordo	com	
o	 capital	 acumulado	 -	 que	 pode	 ser	 social,	 cultural,	 econômico	 e	
simbólico.	 O	 capital	 social,	 por	 exemplo,	 corresponde	 à	 rede	 de	
relações	 interpessoais	 que	 cada	 um	 constrói,	 com	 os	 benefícios	
ou	malefícios	 que	 ela	 pode	 gerar	 na	 competição	 entre	 os	 grupos	
humanos. Já na educação se acumula, sobretudo, capital cultural, na 
forma de conhecimentos apreendidos, livros, diplomas etc.Com os 
instrumentos	teóricos	que	criou,	Bourdieu	afastou	de	suas	análises	a	
ênfase	central	nos	fatores	econômicos,	que	caracteriza	o	marxismo,	
e	 introduziu,	para	se	 referir	ao	controle	de	um	estrato	social	 sobre	
outro, o conceito de violência simbólica, legitimadora da dominação 
e	posta	 em	prática	por	meio	de	 estilos	de	vida.	 Isso	 explicaria	 por	
que	é	tão	difícil	alterar	certos	padrões	sociais:	o	poder	exercido	em	
campos	como	a	linguagem	é	mais	eficiente	e	sutil	do	que	o	uso	da	
força	 propriamente	 dita.	 Para	 Bourdieu,	 a	 escola	 é	 um	 espaço	 de	
reprodução de estruturas sociais e de transferência de capitais de 
uma	geração	para	outra.	É	nela	que	o	legado	econômico	da	família	
transforma-se	em	capital	cultural.	E	ele,	segundo	o	sociólogo,	está	
diretamente relacionado ao desempenho dos alunos na sala de 
aula.	Eles	tendem	a	ser	 julgados	pela	quantidade	e	pela	qualidade	
70
do	conhecimento	que	já	trazem	de	casa,	além	de	várias	"heranças",	
como	 a	 postura	 corporal	 e	 a	 habilidade	 de	 falar	 em	 público.	 Os	
próprios estudantes mais pobres acabam encarando a trajetória 
dos	bem-sucedidos	como	resultante	de	um	esforço	recompensado	
(FERRARI, 2009a, s. p.). 
Michel	 Foucault	 foi	 um	 intelectual	 que	 exerceu	 uma	 ação	 e	 influência	
consideráveis	em	vários	 ramos	do	saber:	na	filosofia,	na	psiquiatria,	na	psicologia,	na	
história,	 na	 sociologia,	 na	 antropologia,	 nas	 artes	 e	 na	 política.	 Teve	 uma	 trajetória	
acadêmica	brilhante	e	uma	atuação	militante	política	expressiva.	Foi	uma	das	cabeças	
mais	lúcidas	que	nosso	século	passado	produziu.
O sociólogo francês detectou mecanismos de conservação e reprodução 
em todas as áreas da atividade humana, entre elas, o sistema educacional. 
Em síntese, para Bourdieu o sistema escolar, em vez de oferecer acesso 
democrático de uma competência cultural específica para todos, tende a 
reforçar as distinções de capital cultural de seu público (SETTON, 2010).
Frequentemente fazemos, sem perceber, julgamentos severos com base 
em motivos nada consistentes ou, pior, preconceituosos. Na escola, é 
comum alunos serem discriminados por causa de sua aparência e seus 
hábitos. Você já observou como muitas vezes isso é uma manifestação 
de sentimentos de superioridade de alguns grupos sociais em relação a 
outros? (FERRARI, 2009).
DICA
NOTA
FIGURA 26 – MICHEL FOUCAULT
FONTE: . Acesso em: 19 mar. 2021.
71
Frazão	(2019,	s.	p.)	disserta	sobre	o	caminho	da	vida	e	obra	de	Foucault:
Michel	 Foucault	 nasceu	 em	 Poitiers,	 França.	 Estudou	 no	 Lycée	
Henri IV e em seguida na École Normale Supérieure, em Paris, onde 
desenvolveu	um	interesse	pela	filosofia.	Foi	aluno	da	Sorbonne,	onde	
se	formou	em	filosofia	e	psicologia.	Em	1954	publicou	“Doença	Mental	
e	Psicologia”.	Após	vários	anos	como	diplomata	cultural	no	exterior,	ele	
retornou	à	França,	e	a	partir	de	1960,	passou	a	lecionar	na	Universidade	
de	Clemont-Ferrand.	Em	1961,	publicou	sua	grande	obra:	“História	da	
Loucura	 na	 Era	Clássica”.	 Em	 1966,	 após	 deixar	 Clemont,	 Foucault	
lecionou	na	Universidade	de	Tunis,	permanecendo	até	1968,	quando	
retornou	à	França	e	passou	a	chefiar	o	departamento	de	filosofia	da	
nova	universidade	experimental	de	Paris.	Em	1970,	Foucault	passou	a	
lecionar	História	do	Pensamento	no	Colégio	de	França.	Tornou-se	um	
ativista de vários grupos envolvidos em campanhas contra o racismo, 
contra os abusos dos direitos humanos e em campanhas pela 
reforma	penal.	Michel	Foucault	veio	cinco	vezes	ao	Brasil,	a	primeira	
foi	em	1965.	No	final	dos	anos	70,	foi	descoberto	pela	universidade	de	
Berkeley,	na	Califórnia,	onde	foi	bem	acolhido,	e	realizou	palestras.
Confira	o	que	abordam	as	Teorias	de	Foucault:
As teorias de Foucault abordam principalmente a relação entre o 
poder e o conhecimento, e como elas são usadas com o objetivo 
de	 controle	 social	 através	 das	 instituições.	 Embora	 citado	 como	
estruturalista	 e	 pós-modernista,	 Foucault	 rejeitou	 esse	 rótulo,	
preferindo	apresentar	seu	pensamento	como	uma	história	crítica	da	
modernidade.	Suas	teorias	influenciaram	acadêmicos,	que	trabalham	
em	estudos	de	sociologia,	teoria	literária,	teoria	crítica,	comunicação,	
e	também	alguns	grupos	ativistas	(FRAZÃO,	2019,	s.	p.).
FIGURA 27 – CONCEITOS E TEMAS DE MICHEL FOUCAULT
FONTE: . Acesso em: 29 jul. 2021.
72
É comum a educação ser encarada como um valor único, invariável e 
redentor. No entanto, Foucault a via enredada em seu contexto cultural. 
Por isso, o ensino que em uma época é considerado a salvação do 
ser humano, em outra pode ser visto como nocivo. Você já pensou 
nas implicações políticas e sociais da educação atual, com base em 
sua experiência? Se sim, você leva em conta as conclusões ao planejar o 
trabalho em sala de aula? (FERRARI, 2009b)
A educação não foi o foco principal do pensador francês; nos momentos em 
que	 esteve	 nas	 escolas	 foi	 para	 analisar	 as	 atividades	 dos	 estudantes.	 O	 elemento	
fundamental	 para	 a	 Pedagogia	 é	 o	 sujeito,	 aí	 que	 se	 possibilita	 a	 articulação	 entre	
Foucault	 e	 a	 Educação.	 É	 nesse	 aspecto	 do	 sujeitoque	 o	 autor	 apresenta	 uma	
perspectiva para a educação escolar, pois a partir dessa análise do pensamento de 
Foucault se pode aproveitar os pontos do seu pensamento pedagógico. Por meio de 
uma	análise	histórica	inovadora,	o	filósofo	francês	viu	na	educação	moderna	atitudes	de	
vigilância	e	adestramento	do	corpo	e	da	mente.
A seguir, abordaremos a visão do autor referente à escola e à educação de 
forma geral:
Para	Foucault,	a	escola	é	uma	das	instituições	de	sequestro,	como	
o	hospital,	o	quartel	e	a	prisão.	“São	aquelas	instituições	que	retiram	
compulsoriamente	 os	 indivíduos	do	 espaço	 familiar	 ou	 social	mais	
amplo	e	os	 internam,	durante	um	período	 longo,	para	moldar	suas	
condutas,	 disciplinar	 seus	 comportamentos,	 formatar	 aquilo	 que	
pensam	 etc.",	 diz	 Alfredo	 Veiga-Neto.	 Com	 o	 advento	 da	 Idade	
Moderna,	 tais	 instituições	deixam	de	ser	 lugares	de	suplício,	 como	
castigos corporais, para se tornarem locais de criação de "corpos 
dóceis".	A	docilização	do	corpo	tem	uma	vantagem	social	e	política	
sobre	 o	 suplício,	 porque	 este	 enfraquece	 ou	 destrói	 os	 recursos	
vitais.	 Já	 a	 docilização	 torna	 os	 corpos	 produtivos.	 A	 invenção-
síntese	desse	processo,	segundo	Foucault,	é	o	panóptico,	idealizado	
pelo	filósofo	inglês	Jeremy	Bentham	(1748-1832):	uma	construção	de	
vários	compartimentos	em	forma	circular,	com	uma	torre	de	vigilância	
no	 centro.	 Embora	 não	 tenha	 sido	 concretizado	 imediatamente,	
o	 panóptico	 inspirou	 o	 projeto	 arquitetônico	 de	 inúmeras	 prisões,	
fábricas, asilos e escolas. Uma das muitas "vantagens" apresentadas 
pelo	aparelho	para	o	funcionamento	da	disciplina	é	que	as	pessoas	
distribuídas	no	círculo	não	têm	como	ver	 se	há	alguém	ou	não	na	
torre.	Por	isso,	internalizam	a	disciplina.	Ampliada	a	situação	para	o	
âmbito	social,	a	disciplina	se	exerce	por	meio	de	 redes	 invisíveis	e	
acaba ganhando aparência de naturalidade (FERRARI, 2009b, s. p.).
NOTA
73
4 ZYGMUNT BAUMAN, VIRTUALIDADE E A EDUCAÇÃO
A	tecnologia	é	um	dos	temas	mais	estudados	no	mundo	contemporâneo.	Em	
todas	as	áreas	do	conhecimento	e	das	artes	ela	se	faz	presente,	não	só	como	tema	de	
debate,	mas	transformando	a	ação	humana	e	os	objetos	produzidos.	Dentre	as	diversas	
áreas,	destacam-se	a	nanotecnologia,	a	robótica,	a	informática	e	a	biotecnologia.	Se	no	
passado	a	distinção	entre	natureza	e	máquina	era	natural,	hoje	essas	diferenças	tendem	
a	ganhar	contornos	bem	mais	 imprecisos.	 Ideias	que	figuravam	na	 literatura	ficcional	
passaram	a	integrar	o	cotidiano	das	civilizações.	Seriam	as	promessas	de	um	mundo	
novo	que	fazem	os	seres	humanos	buscar	novas	formas	de	tecnologias	e	Ciência.
Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs) podem ser definidas 
como o conjunto total de tecnologias que permitem a produção, o acesso 
e a propagação de informações, assim como tecnologias que permitem 
a comunicação entre pessoas. Com a evolução tecnológica, surgiram 
novas tecnologias, que se propagaram pelo mundo como formas de 
difusão de conhecimento e facilitaram a comunicação entre as pessoas, 
independentemente de distâncias geográficas (RODRIGUES, 2016).
DICA
O	que	estamos	assistindo	é	que	um	novo	mundo,	uma	nova	sociedade,	em	termos	
de	relacionar-se	e	viver,	está	sendo	gestada	e	você,	acadêmico,	está	convidado	a	vivê-la	e	
compreendê-la.	Nesta	sociedade,	multifacetada,	líquida,	virtual	e	de	consumo,	um	nome	
da	Sociologia	que	a	analisou	de	forma	competente	foi	o	Polonês	Zygmunt	Bauman
FIGURA 28 – ZYGMUNT BAUMAN
FONTE: . Acesso em: 22 mar. 2021.
74
Quem	foi	Bauman?	Qual	sua	formação?	O	que	ele	pesquisou?
Zygmunt	Bauman	foi	um	sociólogo,	pensador,	professor	e	escritor	polonês,	
uma	 das	vozes	mais	 críticas	 da	 sociedade	 contemporânea.	 Criou	 a	 expressão	
“Modernidade	Líquida”	para	classificar	a	fluidez	do	mundo	onde	os	indivíduos	não	
possuem	mais	padrão	de	 referência.	Nasceu	em	Poznan,	Polônia,	no	dia	19	de	
novembro	de	1925.	Filho	de	judeus,	em	1939,	junto	com	sua	família	escapou	da	
invasão	das	tropas	nazistas	na	Polônia	e	se	refugiou	na	União	Soviética.	Alistou-
se	no	exército	polonês	no	front	soviético.	Em	1940	ingressou	no	Partido	Operário	
Unificado,	 o	 partido	 comunista	 da	 Polônia.	 Em	 1945	 entrou	 para	 o	 Serviço	 de	
Inteligência	Militar,	onde	permaneceu	durante	três	anos.	Com	o	fim	da	Segunda	
Guerra	Mundial,	Zygmunt	voltou	para	Varsóvia.	Conciliou	sua	carreira	militar	com	
os	 estudos	 universitários	 e	 com	 a	 militância	 no	 Partido	 Comunista.	 Estudou	
Sociologia	na	Academia	de	Política	e	Ciências	Sociais	de	Varsóvia.	Casou-se	com	
Janina	Bauman,	uma	judia	de	família	próspera	que	sobreviveu	aos	horrores	da	
invasão	nazista.	Zygmunt	viveu	com	Janina	(também	escritora)	até	sua	morte,	
em	2009.	Bauman	ingressou	no	mestrado	na	Universidade	de	Varsóvia.	Em	1950,	
deixou	o	Partido	Operário.	Em	1953	foi	expulso	do	Exército	da	Polônia.	Em	1954	
concluiu	o	mestrado	e	tornou-se	professor	assistente	de	Sociologia	na	mesma	
Universidade.	 Durante	muitos	 anos	 se	manteve	 próximo	 à	 ortodoxia	marxista,	
mas	 depois	 passou	 a	 fazer	 severas	 críticas	 ao	 governo	 comunista	 da	Polônia,	
sofrendo	 perseguições	 durante	 15	 anos.	 Em	 março	 de	 1968,	 uma	 série	 de	
protestos	de	professores,	estudantes	e	artistas	que	lutavam	contra	a	censura	do	
regime,	culminou	com	o	expurgo	antissemita	que	obrigou	muitos	poloneses	de	
origem	judia	a	deixarem	o	país.	Brauman	e	sua	mulher	foram	expulsos	da	Polônia.	
Exilado	em	Israel,	 lecionou	na	Universidade	de	Tel-aviv.	Em	1971,	foi	convidado	
para lecionar Sociologia na Universidade de Leeds, Inglaterra, onde também 
dirigiu o departamento de sociologia da Universidade até sua aposentadoria, em 
1990.	Durante	mais	de	meio	século,	Zygmunt	Bauman	foi	um	dos	mais	influentes	
observadores	da	realidade	social	e	política.	É	descrito	como	um	pessimista,	que	
entra	 no	 coro	 dos	 que	 criticam	a	 pós-modernidade,	 em	busca	 das	 causas	 do	
processo social perverso, no mundo das ideias do pensamento anticapitalista 
(FRAZÃO,	2021,	s.	p.).
FONTE: . Acesso em 20 mar. 2021.
75
FIGURA 29 – CONCEITOS E TEMAS DE ZYGMUNT BAUMAN
FONTE: . Acesso em: 20 mar. 2021.
A	Pós-Modernidade	pode	ser	definida,	dentre	outras	formas,	como	um	período	
histórico	que	expressa,	através	da	cultura	da	globalização	e	da	sua	ideologia	neoliberal,	
uma	 estrutura	 econômica	 global	 que	 mascara	 as	 relações	 de	 desigualdade	 entre	
os	povos	das	grandes	potências	 econômicas	e	dos	países	periféricos.	A	 sociedade	
humana	passa	a	caminhar	por	um	período	de	intensas	transformações	e	inovações,	
não	 somente	 no	 âmbito	 das	 tecnologias,	 mas	 também,	 morais,	 socioculturais	 e	
econômicas,	cujos	efeitos	e	reflexos	abalaram	os	tradicionais	modelos	de	convivência	
até	então	conhecidos.	Tais	transformações	têm	alterado	as	formas	de	 interação	do	
Ser Humano com os seus semelhantes, com o meio ambiente, com todos os aspectos 
essenciais	à	vida,	induzindo-nos	a	uma	existência	temporária,	imediatista,	mas	sem	
grandes	perspectivas	para	o	futuro.	Bauman	se	debruçou	sobre	esses	fenômenos	e,	
de	certa	forma,	contribuiu	para	se	pensar	a	educação	nesses	tempos	pós-modernos	
e	 desafios	 a	 enfrentar.	 Caro	 acadêmico,	 acompanhe	 uma	 entrevista	 concedida	
por	 Bauman.	 Nessa	 entrevista,	 ele	 reflete	 sobre	 o	 aprendizado	 e	 os	 desacertos	 da	
sociedade com relação ao ensino.
76
Qual	 a	 diferença	 entre	 educar	 na	 era	 pré-moderna	 e	 na	modernidade	
líquida	dos	dias	atuais?
— Muita coisa se transformou no trabalho dos professores. Como o 
educador	 E.	 O.	 Wilson	 observou,	 “estamos	 nos	 afogando	 em	 informação	 e,	
ao	 mesmo	 tempo,	 famintos	 por	 sabedoria”.	 A	 cada	 dia,	 o	 volume	 de	 novas	
informações	 excede	 milhões	 de	 vezes	 a	 capacidade	 do	 cérebro	 humano	 de	
retê-las.	A	mudança	 da	 sociedade	moderna	 de	 sólida	 para	 um	estágio	 líquido	
coincide,	segundo	a	terminologia	de	Byung-Chul	Han	(teóricosul-coreano), com 
a	passagem	da	“sociedade	da	disciplina”	para	a	“sociedade	de	desempenho”.	Esta	
última	é,	principalmente,	a	sociedade	de	desempenho	individual	e	da	“cultura	de	
afundar	ou	nadar	sozinho”.	Mesmo	indivíduos	emancipados	descobrem	que	eles	
mesmos	não	estão	à	altura	das	exigências	da	vida	individualizada.
Então,	é	preciso	mudar	esse	pensamento	individualizado?
— Nosso	sistema	educacional	é	um	poderoso	mecanismo	de,	cada	vez	
mais,	 reproduzir	 os	 privilégios	 entre	 gerações.	 Nos	 Estados	 Unidos,	 74%	 dos	
estudantes	que	frequentam	as	universidades	mais	competitivas	vêm	das	famílias	
mais	 ricas,	e	3%,	das	mais	pobres.	Além	disso,	muitas	escolas	e	universidades	
induzem	 à	 fácil	 ideologia	 de	 que	 empregos	 bem	 remunerados	 são	 os	 únicos	
objetivos	da	universidade.	Esses	são	apenas	uns	dos	desafios,	erros	e	negligências	
da	educação	contemporânea.	
E como será no futuro?
— Uma	 coisa	 certa	 é	 que,	 num	 cenário	 líquido,	 rápido	 e	 de	mudanças	
imprevisíveis,	 a	 educação	 deve	 ser	 pensada	 durante	 a	 vida	 inteira.	 O	 resto	 vai	
depender	 de	 nossas	 escolhas	 dentro	 do	 que	 é	 possível	 para	 essa	 obrigação.	
Enfatizamos	que	esse	“nós”	que	faz	as	escolhas	não	é	 limitado	aos	profissionais	
de	 educação.	 Para	 citar	 Will	 Stanton  (professor australiano),	 que	 nos	 mantém	
alerta	de	que	há	muitos	que	pretendem	ensinar	nossos	filhos	apenas	a	obedecer:	
“Devemos	aceitar	autoridade	como	verdade	em	vez	da	verdade	como	autoridade”.	
Ele	ainda	diz:	“O	que	é	a	mídia mainstream se	não	outra	plataforma	de	‘educação’	
defendendo a autoridade como verdade? Nós sentamos em frente ao noticiário 
noturno	 e	 escutamos	 âncoras	 e	 repórteres	 nos	 dizendo	 o	 que	 pensar,	 a	 quem	
apontar	nossos	dedos,	porque	nosso	país	precisa	 ir	 para	a	guerra	e	 com	o	que	
a	gente	deve	se	horrorizar”.	Considere	ainda	o	tremendo	impacto	da	indústria	da	
publicidade	em	nós	mesmos	ou	no	que	as	crianças	aprendem	ou	no	que	elas	foram	
levadas	a	esquecer.	Por	exemplo,	crianças	não	nascem	inseguras.	A	publicidade	é	
que	as	deixa	apavoradas	com	o	que	as	outras	pessoas	pensam	delas.
O sucesso mundial das redes sociais é um produto da modernidade 
líquida	ou	aspecto	transformador	dela?
77
— As	duas	coisas.	Nós	estamos	seduzidos	pelos	recursos	das	mídias	digitais	
por	causa	do	nosso	medo	de	sermos	abandonados,	mas	uma	vez	imerso	na	rede	de	
relações	on-line,	que	tem	uma	falsa	ideia	de	ser	facilmente	manuseada,	nós	perdemos	
ou	não	adquirimos	habilidades	sociais	que	poderiam	(e	deveriam)	nos	ajudar	a	extirpar	
as	 causas	 dos	 medos	 que	 vêm	 do	 mundo	 off-line.	 Assim,	 as	 redes	 sociais	 são,	
simultaneamente,	produto	da	modernidade	líquida	e	a	sua	válvula	de	escape.
O	 senhor	 afirma	 que	 o	 fato	 de	 a	 educação	 superior	 não	 garantir	mais	
ascensão	social	é	um	problema	para	a	educação	tal	qual	conhecemos.	Qual	a	
solução para esse problema?
— Ascensão social é uma sinfonia, não um canto gregoriano monofônico. 
A	educação	superior	é	apenas	um	dos	muitos	sons	que	se	fundem	na	melodia,	
e	 um	 dos	muito	 poucos	 instrumentos	 que	 contribuem	 para	 sua	 evolução.	 Nós	
configuramos	o	problema	e	torcemos	por	soluções,	como	o	ensino	superior,	porque	
alguns	desses	“nós”	que	se	preocupam,	pensam	e	escrevem	sobre	o	problema	têm	
ensino	superior	e	passaram	anos	sendo	ensinadas	que	vivemos	em	uma	“sociedade	
do	conhecimento”	que	continua	sendo	transformada	pelo	tipo	de	conhecimento	
definido,	armazenado	e	distribuído	por	universidades.	Isso	não	é	necessariamente	
correto	 —	 pelo	 menos	 até	 quando	 isso	 permanecer	 sem	 ressalvas.	 O	 que	 nós	
percebemos como ascensão social é um rio cuja trajetória resulta de vários 
afluentes.	Mais	e	mais	pessoas	por	trás	das	mudanças	sociais	que	chamamos	de	
“ascensão”	desistiram	da	universidade	ou	nunca	entraram	nela.
 
FONTE: Adaptado de . Acesso em: 29 jul. 2021.
O	autor	acrescenta	que	nesse	cenário	de	ignorância	que	a	sociedade	globalizada	
está	vivendo,	é	fácil	sentir-se	perdido	e	sem	esperança,	e	é	ainda	mais	fácil	sentir-se	
perdido	e	privado	de	esperança	quando	não	se	tem	capacidade	de	compreender	aquilo	
que	acontece.	Quem	não	tem	uma	visão	mais	acabada	do	presente	não	poderia	sonhar	
em	controlar	o	futuro.	A	ignorância	leva	à	paralisia	da	vontade.	Quem	não	sabe	o	que	
guarda no depósito, não tem como calcular os riscos. Para a autoridade, intolerante com 
relação	às	proibições	impostas	pelos	detentores	do	poder	através	de	uma	democracia	
"elástica	e	flutuante",	essa	impotência,	induzida	pela	ignorância	do	eleitorado,	bem	como	
a	desconfiança	geral	na	eficácia	do	dissenso	e	a	oposição	ao	envolvimento	político,	são	
fontes	necessárias	e	bem-vindas	de	capital	político:	a	dominação	através	da	ignorância	
e	da	incerteza	deliberadamente	cultivadas	é	mais	aceitável	e	menos	cansativa	do	que	o	
princípio	baseado	na	discussão	atenta	dos	acontecimentos	e	no	esforço	demorado	de	
estabelecer	a	verdade	dos	fatos	e	os	modos	menos	arriscados	de	proceder.	A	ignorância	
política	entrançada	com	a	inatividade	fica	ao	alcance	da	mão	cada	vez	que	é	sufocada	a	
voz	da	democracia	ou	as	suas	mãos	ficam	atadas.	É	preciso	uma	educação	permanente	
para dar a nós mesmos a possibilidade de escolher, mas temos ainda mais necessidade 
de	salvar	as	condições	que	tornam	as	escolhas	possíveis	e	ao	nosso	alcance.
78
A EDUCAÇÃO NA SOCIEDADE LÍQUIDO-MODERNA: REFLEXÕES SOBRE OS 
ESCRITOS DE ZYGMUNT BAUMAN
Daniel	Bardini	Dürks
Sidinei Pithan Da Silva
Na	leitura	de	Bauman	(1999),	inicialmente	o	projeto	social	da	modernidade	tinha	
como objetivo principal a instauração da ordem. Neste momento, a administração, 
planejamento	e	controle	social	ficavam	a	cargo,	essencialmente,	das	políticas	com	“P”	
maiúsculo	do	Estado-Nação.	As	grandes	estruturas	solidificadas	no	 imaginário	social	
agiam	diretamente	sobre	os	indivíduos,	influenciando	para	a	manutenção	do	status	quo	
instituído	pelos	 legisladores.	Para	o	autor,	 a	 fase	sólida	da	modernidade	 influenciava	
e	 administrava	 as	 formas	 de	 ser	 dos	 indivíduos,	 em	 grande	 parte	 gerenciadas	 pelo	
poder	 do	 Estado-Nação.	 Neste	 momento,	 o	 poder	 era	 enraizado	 no	 espaço-tempo	
determinando	e	interpelando	os	indivíduos,	ainda	que	por	vezes	através	da	coerção,	ao	
engajamento social. 
Conforme	Bauman	 (2009),	 o	 trabalho	 era	 um	dos	 conceitos	 chave	 para	 a	
constituição	 identitária	 dos	 indivíduos.	 Na	 sociedade	 sólido-moderna,	 com	 base	
no arranjo social de uma sociedade engajada para a produção de bens e serviços, 
a	 característica	 predominante	 no	 tipo	 de	 representações	 e	 disposições	 sociais	
dos	 indivíduos	 era	 pela	 “ética	 do	 trabalho”	 (BAUMAN,	 2000).	 Dessa	 forma,	 a	
procrastinação	dos	prazeres	individuais	era	fundamental	para	se	pensar	num	projeto	
de	vida	vinculada	ao	enraizamento	a	um	determinado	tipo	de	trabalho	e	arquitetura	
social	(BAUMAN,	2001).	
Contudo,	 em	 decorrência	 das	 reformulações	 políticas	 e	 econômicas	
impulsionadas	pelo	advento	da	globalização,	ou	mais	especificamente	pelo	avanço	e	
aceitação	 do	 modelo	 neoliberal,	 profundas	 transformações	 sociais	 são	 instauradas.	
As	 estruturas	 ou	 instituições	 responsáveis	 pela	 normatividade	 social	 nas	 diferentes	
instâncias	da	vida	 (trabalho,	cultura,	educação	etc.)	se	 liquefazem	e,	ao	contrário	da	
modernidade	 sólida	 em	 que	 eram	 remodeladas	 com	 uma	 forma	 ainda	 mais	 sólida,	
se	mantém	 líquidas	 e	 cambiantes	 à	mercê	da	 responsabilidade	 e	 da	 ação	 individual	
(BAUMAN,	2001).	Essa	remodelação	política,	cultural	e	econômica	da	arquitetura	social	
implica	 no	 deslocamento	 dos	 papéis-sociais	 contemporâneos	 da	 “ética	 do	 trabalho”	
para	a	“estética	do	consumo”	(BAUMAN,	2000).	
LEITURA
COMPLEMENTAR
79
Segundo	Bauman	(2008a),	passamos	de	uma	sociedade	sólido-moderna,	que	
poderia	 ser	 denominada	 de	 “sociedade	 de	 produtores”,	 para	 uma	 sociedade	 líquido-
moderna,	 compreendida	 como	 uma	 “sociedade	 de	 consumidores”.	 É	 importante	
salientarque	o	 termo	 “consumo”	 assume	uma	perspectiva	mais	 ampla	 que	 a	 esfera	
natural/biológica	 do	 indivíduo.	 Na	 reflexão	 de	 Bauman	 (2008a,	 p.	 41),	 o	 consumo	
assume	uma	conceituação	referente	à	esfera	macrossocial,	tornando-se	“[...]	um	tipo	
de arranjo social resultante da reciclagem de vontades, desejos e anseios humanos 
rotineiros,	permanentes	e,	por	assim	dizer,	‘neutros	quanto	ao	regime’,	transformando-
os	na	principal	força	propulsora	e	operativa	da	sociedade”.
 
O	tipo	de	arranjo	 social	 da	 sociedade	 líquido-moderna	 impele	aos	 indivíduos	
a	 necessidade	 permanente	 de	 se	 ressignificar	 em	 um	 ambiente	 extremamente	
cambiante	e	volátil.	Ao	contrário	da	“sociedade	de	produtores”	sólido-moderna,	em	que	
características	como	a	acumulação,	o	engajamento	social	e	o	adiamento	dos	prazeres	
predominavam	no	tecido	do	imaginário	social,	a	“sociedade	de	consumidores”	líquido-
moderna	incita	ao	permanente	descarte,	privatização,	individualismo	e	a	busca	do	prazer	
instantâneo	e	episódico.	Conforme	Bauman	(2001;	2002),	a	política	que	antes	poderia	
ser	considerada	 “global”	ou	com	 “P”	maiúsculo,	mas	que,	de	certa	forma,	apagava	o	
indivíduo,	 agora	 é	 considerada	 com	 “p”	minúsculo	 e	 ocupa-se	majoritariamente	 das	
políticas	da	vida,	o	que	coloca	todas	as	responsabilidades	às	custas	do	mérito	individual	
(se você falhou, foi por culpa sua).
Estas	 transformações	 da	 sociedade	 líquido-moderna	 são	 elementares	 no	
entendimento	de	Bauman	sobre	a	educação,	como	em	suas	palavras:	 “[...]	 a	vida	de	
consumo	é	uma	vida	de	aprendizado	rápido...	e	imediato	esquecimento”	(BAUMAN,	2011,	
p.	151).	O	tipo	de	arranjo	social	consumista,	acelerado,	cambiante	e	emoldurado	para	a	
expansão	do	progresso	econômico	da	sociedade	líquido-moderna	difere	profundamente	
do	arranjo	 social	de	ordenamento	e	acumulação	da	sociedade	sólido-moderna.	Para	
Bauman	 (2008b;	 2011;	 2013a),	 a	 ideia	 de	 educação	 planejada	 e	 arquitetada	 para	 o	
arranjo	social	de	ordenação	da	modernidade	sólida	era	equivalente	a	 ideia	da	paideia	
grega.	Ou	 seja,	 apesar	 das	 crises	que	emergiam	nos	diferentes	 tempos	históricos,	 a	
educação	tinha	como	objetivo	principal	a	promessa	da	“educação	para	toda	a	vida”	e	
comprometia-se	para	propiciar	esse	acúmulo	de	conhecimentos	e	o	comprometimento	
com a cidadania.
Contudo,	para	Bauman	 (2008a;	2008b;	2010;	2011;	 2013b),	 a	 educação	–	no	
sentido	amplo	do	termo,	ou	seja,	 institucionalizada	e	não-institucionaliza	–	enfrenta,	
diante	das	metamorfoses	sociais	da	modernidade	líquida,	um	desafio	diferente	das	crises	
anteriores.	 O	 arranjo	 social	 líquido-moderno	 consumista	 e	 individualista,	 não	 possui	
mais	a	intenção	de	valorizar	características	intrínsecas	à	ideia	de	educação	para	“toda	a	
vida”.	A	memória,	o	estudo	aprofundado	de	um	tema,	a	densidade	e	fundamentação	de	
um	conceito,	a	descoberta	gradual	de	conhecimentos	(do	simples	para	o	complexo)	não	
fazem	mais	sentido	para	os	indivíduos	culturalmente	inseridos	nesta	liquidez.
80
A	(des)ordem	cultural	e	política	 líquido-moderna	se	ancora	na	perspectiva	da	
oferta	massiva	de	informações.	Nesse	momento,	a	ambivalência	com	o	desenvolvimento	
tecnológico	e	a	preocupação	com	o	novo	tipo	de	 indivíduo	moldado	na	esfera	deste	
arranjo	social,	são	alvos	das	reflexões	de	Bauman.	Por	conseguinte,	Bauman	(2008b,	p.	
163)	entende	que:
[...]	 o	 avassalador	 sentimento	 de	 crise	 sentido	 de	 igual	 forma	 pelos	
filósofos,	 teórico	 e	 educadores,	 essa	 versão	 corrente	 do	 sentimento	
de	“viver	nas	encruzilhadas”,	a	busca	febril	por	uma	nova	autodefinição	
e, idealmente, também uma nova identidade, tem pouco a ver com as 
faltas,	os	erros	e	a	negligência	dos	pedagogos	profissionais,	tampouco	
com os fracassos da teoria educacional. Estão relacionados com a 
dissolução universal das identidades, com a desregulamentação e a 
privatização	dos	processos	de	formação	de	identidade,	com	a	dispersão	
das	autoridades,	a	polifonia	das	mensagens	de	valor	e	a	subsequente	
fragmentação	da	vida	que	caracteriza	o	mundo	em	que	vivemos.
É	possível	interpretar	na	leitura	do	autor	que	a	questão	educacional	é	essencial	
para a continuidade de uma sociedade democrática. No entanto, o tom pessimista de 
sua	reflexão	sobre	a	modernidade	em	sua	fase	líquida	perpassa	pelo	sentimento	de	uma	
sociedade	que,	parafraseando	Castoriadis	“[...]	deixou	de	se	questionar”	(BAUMAN,	2001,	
p. 30). O envolvimento com a educação de uma maneira geral, isto é, a preocupação 
com	o	espaço	da	esfera	pública,	do	encontro	com	os	Outros,	vem	se	tornando	vazio,	o	
que	permite	que	oligarquias	financeiras	e	empresariais	ocupem	este	espaço.	Citando	
Castoriadis	(1999,	p.	82),	“O	capitalismo	parece	ter	enfim	conseguido	fabricar	o	tipo	de	
indivíduo	que	 lhe	 ‘corresponde’:	 perpetuamente	distraído,	 zapeando	de	uma	 ‘fruição’	
para	a	outra,	sem	memória	e	sem	projeto,	pronto	a	responder	a	todas	as	solicitações	de	
uma	máquina	econômica”.
De	 certa	 forma,	 este	 é	 um	 dos	 grandes	 desafios	 educacionais	 que	 Bauman	
diagnostica	na	sociedade	líquido-moderna.	Os	indivíduos	não	possuem	mais	“um	projeto	
de	vida”,	permanecem	a	procura	de	momentos	de	felicidade	cada	vez	mais	episódicos	
e	ambivalentes.	Nesse	cenário,	em	que	o	espaço	público	está	cada	vez	mais	esvaziado,	
privatizado	 e	 acelerado,	 é	 que	Bauman	 compreende	 a	 necessidade	 da	 educação	 se	
ressignificar	e	permanecer	crítica,	desafiando	os	educadores	a	se	tornarem	intérpretes	
para	as	gerações	que	estão	e	serão	inseridas	em	um	mundo	não	mais	ordenado	(sólido)	
mas	ambivalente	e	incerto	(líquido).
FONTE: Adaptado de . Acesso em: 20 mar. 2021.
81
RESUMO DO TÓPICO 3
Neste tópico, você aprendeu:
•	 O	 período	 conhecido	 como	 Idade	 Contemporânea	 inicia	 por	 volta	 de	 1789,	 com	
um	 dos	 acontecimentos	 políticos	 que	muito	 influenciou	 a	 vida	 em	 sociedade,	 no	
primeiro	momento	no	contexto	europeu	e	com	o	passar	do	tempo	no	contexto	global.	
Esse acontecimento, somado aos seguintes: Revolução Industrial, Capitalismo 
Industrial, Financeiro, Informacional, duas grandes guerras mundiais, Movimentos 
de	contestações	sociais,	entre	outros,	caracterizaram	a	vida	humana,	sobretudo,	em	
uma	forma	dinâmica	e	de	extremos.
•	 Para	alguns	autores,	a	Revolução	Francesa	no	campo	político	e	dos	direitos,	aliado	à	
Revolução	Industrial	no	fator	econômico,	foram	os	dois	grandes	acontecimentos	que	
direcionaram	a	vida	das	pessoas	na	Idade	Contemporânea	e	deram	os	fundamentos	
para	aquilo	que	podemos	denominar	do	espírito	moderno.
•	 A	Declaração	de	Direitos	do	Homem	e	do	Cidadão,	sem	dúvida,	foi	o	documento	mais	
importante,	que	promovia	e	 influenciava	outros	documentos	sobre	o	pensar	o	ser	
humano	acima	do	poder	particular	em	qualquer	esfera	e	sobre	a	perspectiva	que	se	
iniciou	a	Revolução	Francesa,	que	desejava	dar	todo	o	poder	ao	povo,	um	ideal	a	ser	
conquistado	por	todas	as	nações,	por	todos	os	povos.
•	 Na	 década	 de	 1960	 aconteceram	 diversos	 Movimentos	 em	 termos	 Mundiais	 que	
buscavam a formas de vida mais simples ou até mesmo mais ecológicas. Movimentos 
de	 reivindicações	 foram	 realizados	 em	 diversas	 partes	 do	 mundo.	 	 Movimento	
Feminista,	 Movimento	 Negro,  Movimento  de	 liberação  gay  (marco	 do	 Movimento	
LGBTTTS:	 Lésbicas,	 Gays,	 Bissexuais,	 Travestis,	 Transexuais	 e	 Transgêneros),	
Movimento Ecológico/ambiental, entre outros. 
•	 O	capitalismo	financeiro	se	 inicia	no	século	XX,	depois	do	final	da Segunda Guerra 
Mundial.	Essa	nova	fase	tem	seu	 início	quando	bancos	e	empresas	se	unem	para	
obter	maiores	lucros.	É	nesse	momento	que	surgem	as empresas multinacionais e 
transnacionais,	e	se	fortalecem	as práticas monopolistas. Esse modelo, vigente 
até	 hoje,	 é	 baseado	 nas	 leis	 das	 instituições	 financeiras	 e	 dos	 grandes	 grupos	
empresariais presentes no mundo todo.
•	 O	capitalismo	informacional	é	caracterizado	pela globalização e	pelos	avanços	nas	
tecnologias	de	informação,	na	aceleração	e	crescimento	dos	fluxosde	informações,	
pessoas,	 capitais	 e	 mercadorias.	 Segundo	 esse	 autor,	 essas	 transformações	
tecnológicas	 mudam	 nossas	 práticas  culturais  e	 sociais	 e	 constroem	 uma	 nova	
estrutura social.
82
•	 O  pós-modernismo	 ou	 a  pós-modernidade,	 pode	 ser	 percebido	 a	 partir	
das  mudanças  sociais,	 culturais,	 artísticas,	 filosóficas,	 científicas	 e	 estéticas	
que	 surgiram	 após	 a	 segunda	 guerra.	 Essas	 mudanças	 foram	 responsáveis	 por	
marcantes  transformações  nas	 relações	 travadas	 entre	 as	 crescentes	 práticas	
capitalistas,	a arte e	a cultura.	
•	 Pierre	 Bourdieu	 foi	 um	 dos	maiores	 pensadores	 das	 ciências	 humanas	 do	 século	
XX. Filósofo por formação desenvolveu importantes trabalhos de etnologia, no 
campo	da antropologia,	e	conceitos	de	profunda	relevância	no	campo	da	sociologia,	
como  habitus,	 campo	 e	 capital	 social.  Sua	 obra	 é	 extensa	 e	 abrangente,	 com	
contribuição para diversas áreas do conhecimento, especialmente na educação 
e cultura.
•	 Michel	 Foucault	 foi	 um	 intelectual	 que	 exerceu	 ação	 e	 influência	 consideráveis	
em	vários	ramos	do	saber:	na	filosofia,	na	psiquiatria,	na	psicologia,	na	história,	na	
sociologia,	na	antropologia,	nas	artes	e	na	política.	Teve	uma	trajetória	acadêmica	
brilhante	 e	 uma	 atuação	militante	 política	 expressiva.	 Foi	 uma	 das	 cabeças	mais	
lúcidas	que	nosso	século	passado	produziu.
•	 Zygmunt	Bauman	foi	um	sociólogo,	pensador,	professor	e	escritor	polonês,	uma	das	
vozes	mais	críticas	da	sociedade	contemporânea.	Criou	a	expressão	“Modernidade	
Líquida”	para	classificar	a	fluidez	do	mundo	onde	os	 indivíduos	não	possuem	mais	
padrão de referência. 
83
1	 A	Idade	Contemporânea	viveu	também	duas	grandes	Guerras	Mundiais.	A	Primeira	
Guerra	 Mundial,	 que	 durou	 de	 1914	 a	 1918,	 foi	 considerada	 por	 muitos	 de	 seus	
contemporâneos	 como	 a	 mais	 terrível	 das	 guerras.	 Por	 esse	 motivo,	 tornou-se	
conhecida	durante	muito	tempo	como	“A	Grande	Guerra”.	A	Segunda	Guerra	Mundial	
foi	 o	 maior	 conflito	 da	 humanidade,	 acontecendo	 de	 1939	 a	 1945	 em	 diferentes	
locais	 da	 Oceania,	 Ásia,	 África	 e	 Europa.	 Esse	 conflito	 foi	 travado	 entre	 Aliados	
(Reino	Unido,	França,	EUA,	URSS	etc.)	 e	Eixo	 (Itália,	Alemanha,	Japão	etc.)	 e	 teve	
como	consequências	a	morte	de,	aproximadamente,	60	milhões	de	pessoas	e	uma	
destruição	 material	 significativa.	 Referente	 à	 Idade	 Contemporânea,	 assinale	 a	
alternativa CORRETA:
a)	(			)	 Na	década	de	1960	aconteceram	diversos	Movimentos	em	termos	Mundiais	que	
buscavam a formas de vida mais simples ou até mesmo mais ecológicas.
b)	(			)	 Uma	 ideia	 que	 foi	 ganhando	 espaço	 e	 debate	 em	 termos	 mundiais	 foi	 a	
preservação ambiental. O Movimento Ambiental ou ecológico,
c)	(			)	 Maio	de	1968 ficou	marcado	na	história	mundial	como	o	mês	em	que	estudantes	
demonstraram	sua	 intenção	de	transformar	o	mundo.	 Influenciados	por	 ideais	
anarquistas	e	marxistas,	os	estudantes	franceses	 iniciaram	protestos	contra	o	
sistema educacional francês e contra a sociedade religiosa da França.
d)	(			)	 Na	década	de	1960,	o movimento	hippie apareceu	disposto	a	oferecer	uma	visão	
de	mundo	inovadora	e	distante	dos	vigentes	ditames	da sociedade	capitalista.	
Na	maioria	jovens,	os	hippies	abandonavam	suas	famílias	e	o	conforto	de	seu	lar	
para se entregarem a uma vida regada por sons, drogas alucinógenas e a busca 
por	outros	padrões	de	comportamento.
2	 Pierre	Bourdieu	foi	um	dos	maiores	pensadores	das	ciências	humanas	do	século	XX.	
Filósofo por formação desenvolveu importantes trabalhos de etnologia, no campo 
da	antropologia,	e	conceitos	de	profunda	relevância	no	campo	da	sociologia,	como	
habitus,	campo	e	capital	social.	Sua	obra	é	extensa	e	abrangente,	com	contribuição	
para diversas áreas do conhecimento, especialmente na educação e cultura. Sobre 
Bourdieu,	analise	as	sentenças	a	seguir:
I-	 Em	suas	obras,	Bourdieu	tenta	explicar	a	diversidade	do	gosto	entre	os	seguimentos	
sociais, analisando a variedade das práticas culturais entre os grupos.
II-	 Pierre	Bourdieu	foi	considerado	um	dos	mais	importantes	intelectuais	de	sua	época.	
Tornou-se	referência	na	Antropologia	e	na	Sociologia,	publicando	trabalhos	sobre	
educação,	cultura,	literatura,	arte,	mídia,	linguística,	comunicação	e	política.
III-	Crítico	dos	mecanismos	de	reprodução	das	desigualdades	sociais,	Pierre	Bourdieu	
destaca	em	sua	obra	os	condicionamentos	materiais	e	simbólicos	que	agem	sobre	
nós	(sociedade	e	indivíduos)	numa	complexa	relação	de	interdependência.
AUTOATIVIDADE
84
Assinale a alternativa CORRETA:
a) ( ) Somente a sentença I está correta.
b) ( ) As sentenças I, II e III estão corretas.
c) ( ) Somente a sentença II está correta.
d) ( ) Somente a sentença III está correta.
3	 Zygmunt	Bauman	foi	um	sociólogo,	pensador,	professor	e	escritor	polonês,	uma	das	
vozes	mais	críticas	da	sociedade	contemporânea.	Criou	a	expressão	“Modernidade	
Líquida”	para	classificar	a	fluidez	do	mundo	onde	os	 indivíduos	não	possuem	mais	
padrão	de	referência.	Sobre	o	conceito	de	modernidade	líquida,	assinale	a	alternativa	
CORRETA:
a)	(			)	 Zygmunt	criou	o	termo	“modernidade	líquida”	título	de	um	livro	seu	publicado	em	
1960	para	descrever	as	transformações	do	mundo	contemporâneo,	no	qual	nada	
é sólido: tudo se dilui no ar.
b)	(			)	 Zygmunt	criou	o	termo	“modernidade	líquida”,		título	de	um	livro	seu	publicado	
em	2000,	para	descrever	as	transformações	do	mundo	contemporâneo,	no	qual	
nada é sólido: tudo se dilui no ar.
c)	(			)	 A	Modernidade	pode	ser	definida	dentre	outras	formas,	como	um	período	histórico	
que	expressa,	através	da	cultura	da	globalização	e	da	sua	ideologia	neoliberal,	
uma	estrutura	econômica	global	que	mascara	as	relações	de	desigualdade	entre	
os	povos	das	grandes	potências	econômicas	e	dos	países	periféricos.
d)	(			)	 Uma	coisa	certa	é	que,	num	cenário	líquido,	rápido	e	de	mudanças	imprevisíveis,	
a educação deve ser pensada de forma imediata.
4	 Zygmunt	Bauman	e	Pierre	Bourdieu	são	considerados	dois	grandes	sociólogos	da	
época	contemporânea.	Em	seus	estudos,	defenderam	diversos	conceitos	e	dentre	
eles	podem	ser	relacionados:	tempos	líquidos,	mal-estar	na	pós-modernidade;	poder	
e violência simbólica, habitus e campus. Com estes conceitos, buscavam melhor 
definir	e	explicar	os	fenômenos	e	fatos	sociais	que	observavam.	Diante	disto,	disserte	
sobre	o	 contexto	 e	 os	problemas	 sociais	 aos	quais	Bauman	e	Bourdieu	 remetiam	
suas	análises,	conceitos	e	reflexões.
5	 O	contexto	escolar	da	sociedade	contemporânea	vivencia	situações-problema.	Isto	
exige	 uma	 compreensão	 da	 totalidade	 do	 ambiente	 escolar:	 as	 relações	 dentro	 e	
fora	da	sala	de	aula,	a	comunidade,	a	história	dos	 indivíduos,	entre	outros	fatores.	
Esta	 realidade	 exige	 dos	 profissionais	 da	 educação	 uma	 aproximação	 entre	 os	
conhecimentos da sociologia e da educação. Nesse sentido, disserte sobre as 
afinidades	entre	a	sociologia	e	a	educação	e	as	contribuições	que	a	sociologia	pode	
trazer	à	educação.
85
REFERÊNCIAS
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Janeiro:	Guanabara,	1982.	p.	482-490.
89
CULTURA E EDUCAÇÃO
UNIDADE 2 — 
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
PLANO DE ESTUDOS
A partir do estudo desta unidade, você deverá ser capaz de:
•	 compreender	como	se	configuraram	os	principais	conceitos	dos	processos	culturais	
e	ambientais	em	sociedade;
•	 identificar	os	principais	conceitos	de	cultura	presentes	na	sociedade;
•	 interpretar	as	relações	inclusivas	encontradas	em	sociedade;
•	 analisar	as	ações	antrópicas	e	seus	resultados	para	o	meio	ambiente	e	a	relação	com	
os	processos	educacionais	tradicionais.
A cada tópico desta unidade você encontrará autoatividades com o objetivo de 
reforçar o conteúdo apresentado.
TÓPICO 1 – CONCEITO DE CULTURA
TÓPICO 2 – DIVERSIDADE CULTURAL
TÓPICO 3 – CULTURA E MEIO AMBIENTE
Preparado para ampliar seus conhecimentos? Respire e vamos em frente! Procure 
um ambiente que facilite a concentração, assim absorverá melhor as informações.
CHAMADA
90
CONFIRA 
A TRILHA DA 
UNIDADE 2!
Acesse o 
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91
TÓPICO 1 — 
CONCEITO DE CULTURA
UNIDADE 2
1 INTRODUÇÃO
Neste	tópico,	vamos	estudar	três	blocos	de	conteúdo.	No	primeiro	entraremos	
no	 conceito	 de	 cultura	 e	 sua	 origem.	 Principais	 autores	 e	 obras,	 conceitos	 usados	
na	 pesquisa	 e	 entendimento	 do	 assunto	 abordado.	 De	 forma	 simples,	 a	 Cultura	
adquire	 diversos	 significados:	 grande	 conhecimento	 de	 determinado	 assunto,	 arte,	
ciência, "fulano	de	tal	tem	cultura".	No	entanto,	aos	olhos	da	Antropologia	e	da	Sociologia,	
Cultura	é	tudo	aquilo	que	resulta	da	criação	humana.	
No	segundo,	veremos	a	relação	de	cultura	e	produção	de	identidade	humana	e	
como	a	identidade	humana	é	construída	nos	processos	culturais	e	sociais	existentes.	
Em	certo	sentido,	a identidade cultural é	um conjunto	híbrido	e	maleável	(depende	do	
momento	e	das	peculiaridades	culturais de	uma	determinada	sociedade)	de	elementos	
que	formam	a	cultura	 identitária de	um	povo,	é	a	forma	de	 reconhecer-se	enquanto	
agrupamento	cultural	que	se	distingue	dos	outros.	
Por	 fim,	 abordaremos	 os	 processos	 de	 desconstrução	 da	 cultura	 moderna.	
Você	vai	compreender	a	importância	da	desconstrução	de	certas	visões	culturais	para	
o	avanço	das	sociedades	democráticas.	Desconstrução	é	um	esforço	de	superação	dos	
estereótipos	e	preconceitos	que	carregamos	dentro	de	nós.	É	quebrar	o	conjunto	de	
barreiras	morais	e	culturais	que	nos	impede	de	aceitar	o	diferente.
2 ORIGEM DO CONCEITO DE CULTURA
Como	 ser	 histórico,	 o	 ser	 humano	 é	 um	 ser	 cultural,	 compreendendo	 e	
transformando	 a	 natureza	 ele	 a	 humaniza;	 reconhecendo	 o	 outro,	 ele	 se	 humaniza.	
Assim	 cria	 um	 mundo	 propriamente	 humano	 que	 é	 o	 mundo	 da	 cultura,	 o	 mundo	
histórico.	Assim,	a	própria	consciência	humana,	produto	do	trabalho	humano,	é	também	
construída	na	história,	ser	consciente	o	ser	humano	surge	em	um	mundo	de	cultura.
Dentro	 das	 chamadas	 Ciências	 Sociais	 (Sociologia,	 Antropologia	 e	 Ciência	
Política),	a	Ciência	que	estuda	e	pesquisa	a	Cultura	Humana	de	forma	mais	direta	é	a	
Antropologia,	principalmente	por	meio	de	um	dos	seus	ramos:	a	Antropologia	Cultural.	
Outras	Ciências	também	contribuem	com	a	questão	cultural,	por	exemploa	Sociologia	
com	enfoque	sobre	a	Cultura.
92
Cultura,	de	certa	forma,	são	ideias,	artefatos,	costumes,	leis,	crenças	morais	
e	 conhecimento	 adquirido	 a	 partir	 do	 convívio	 social	 etc.	 A	 palavra  cultura  tem	
origem	no	latim,	é	um	verbo	e	significa	ato	de	plantar	e	cultivar	plantas	ou	realizar	
atividades	agrícolas.	
Qual	a	origem	do	conceito	de	cultura	com	enfoque	moderno?
No	final	do	século	XVIII	e	no	princípio	do	seguinte,	o	termo	germânico	
Kultur	era	utilizado	para	simbolizar	todos	os	aspectos	espirituais	de	
uma	comunidade,	enquanto	a	palavra	francesa	Civilization	 referia-
se	 principalmente	 às	 realizações	materiais	 de	 um	povo.	Ambos	 os	
termos	foram	sintetizados	por	Edward	Tylor	(1832-1917)	no	vocábulo	
inglês	Culture,	que	"tomado	em	seu	amplo	sentido	etnográfico	é	este	
todo	complexo	que	inclui	conhecimentos,	crenças,	arte,	moral,	 leis,	
costumes	ou	qualquer	outra	capacidade	ou	hábitos	adquiridos	pelo	
homem	como	membro	de	uma	sociedade".	Com	essa	definição,	Tylor	
abrangia	 em	uma	 só	palavra	 todas	 as	 possibilidades	de	 realização	
humana,	 além	 de	 marcar	 fortemente	 o	 caráter	 de	 aprendizado	
da	 cultura	 em	oposição	 à	 ideia	 de	 aquisição	 inata,	 transmitida	por	
mecanismos	biológicos	(LARAIA,	2001,	p.	25).
2.1 EDWARD BURNETT TYLOR (LONDRES 2 DE OUTUBRO DE 
1832 – WELLINGTON 2 DE JANEIRO DE 1917) 
Foi	um	antropólogo	britânico, irmão	do	geólogo	Alfred	Tylor.	Edward	Tylor	filia-
se	à	escola	antropológica	do	evolucionismo	social.	Considerado	o	pai	do	conceito	
moderno	de	cultura, Tylor	vê,	porém,	a	cultura	humana	como	única,	pois	defende	
que	os	diferentes	povos	sofreriam	convergência	de	suas	práticas	culturais	ao	longo	
de	seu	desenvolvimento,	ideia	que	não	é	consenso	hoje	em	dia.	Sua	principal	obra	
é Primitive Culture (1871).
Antropologia é o estudo do homem como ser biológico, social e cultural. Sendo 
cada uma destas dimensões por si só muito ampla, o conhecimento antropológico 
geralmente é organizado em áreas que indicam uma escolha prévia de certos 
aspectos a serem privilegiados como a “Antropologia Física ou Biológica” (aspectos 
genéticos e biológicos do homem), “Antropologia Social” (organização 
social e política, parentesco, instituições sociais), “Antropologia Cultural” 
(sistemas simbólicos, religião, comportamento) e “Arqueologia” (condições 
de existência dos grupos humanos desaparecidos). Além disso podemos 
utilizar termos como Antropologia, Etnologia e Etnografia para distinguir 
diferentes níveis de análise ou tradições acadêmicas.
FONTE: . Acesso em: 9 set. 2021.
NOTA
93
FIGURA 1 – EDWARD BURNETT TYLOR 
FONTE: . Acesso em: 20 abr. 2021.
Portanto,	acadêmico,	o	conceito	de	Cultura,	pelo	menos	como	utilizado	atualmente,	
foi	definido	pela	primeira	vez	por	Tylor,	como	sugere	Laraia	(2001,	p.	30):
A	primeira	definição	de	cultura	que	foi	formulada	do	ponto	de	vista	
antropológico,	 como	 vimos,	 pertence	 a	 Edward	 Tylor,	 no	 primeiro	
parágrafo	 de	 seu	 livro	 Primitive	 Culture	 (1871).	 Tylor	 procurou,	
além	disto,	 demonstrar	que	cultura	pode	 ser	 objeto	de	um	estudo	
sistemático,	 pois	 trata-se	 de	 um	 fenômeno	 natural	 que	 possui	
causas	e	regularidades,	permitindo	um	estudo	objetivo	e	uma	análise	
capazes	 ele	 proporcionar	 a	 formulação	 de	 leis	 sobre	 o	 processo	
cultural	e	a	evolução.
Como	Tylor	apresentava	a	cultura	e	sua	diversidade	em	suas	pesquisas?
Mais	 do	 que	 preocupado	 com	 a	 diversidade	 cultural,	 Tylor	 a	 seu	
modo	 preocupa-se	 com	 a	 igualdade	 existente	 na	 humanidade.	 A	
diversidade	é	explicada	por	ele	como	o	resultado	da	desigualdade	de	
estágios	existentes	no	processo	de	evolução.	Assim,	uma	das	tarefas	
da	antropologia	seria	a	de	"estabelecer,	grosso	modo,	uma	escala	de	
civilização",	 simplesmente	 colocando	 as	 nações	 europeias	 em	 um	
dos	extremos	da	série	e	em	outro	as	tribos	selvagens,	dispondo	o	
resto	da	humanidade	entre	dois	limites	(LARAIA,	2001,	p.	31).
Percebam	 que	 Tylor	 pensava	 as	 instituições	 humanas	 tão	 distintamente	
estratificadas.	 Elas	 se	 sucedem	 em	 séries	 substancialmente	 homogêneas	 por	
todo	 o	 planeta,	 independentemente	 de	 raça	 e	 linguagem,	 diferenças	 essas	 que	
são	 comparativamente	 superficiais,	 mas	 moduladas	 por	 uma	 natureza	 humana	
semelhante,	 atuando	 através	 das	 condições	 sucessivamente	 mutáveis	 da	 vida	
selvagem,	bárbara	e	civilizada.
94
Qual	a	relação	do	pensamento	de	Tylor	com	a	Teoria	de	Darwin?
Para	entender	Tylor,	 é	necessário	 compreender	 a	 época	em	que	
viveu	e	consequentemente	o	seu	background	intelectual.	O	seu	livro	
foi	produzido	nos	anos	em	que	a	Europa	sofria	o	impacto	da	Origem	
das	espécies,	de	Charles	Darwin,	e	que	a	nascente	antropologia	foi	
dominada	pela	estreita	perspectiva	do	evolucionismo	unilinear.	A	
década	de	60	do	século	XIX	foi	rica	em	trabalhos	desta	orientação.	
Uma	 série	 de	 estudiosos	 tentou	 analisar,	 sob	 esse	 prisma,	 o	
desenvolvimento	 das	 instituições	 sociais,	 buscando	 no	 passado	
as	 explicações	 para	 os	 procedimentos	 sociais	 da	 atualidade	
(LARAIA,	2001,	p.31)
O	pensamento	de	Tylor	mostra	que	a	cultura	desenvolve-se	de	maneira	uniforme,	
e	se	espera	que	cada	sociedade	tenha	percorrido	as	etapas	que	já	tinham	sido	percorridas	
pelas	 sociedades	 mais	 avançadas".	 Dessa	 maneira	 era	 fácil	 estabelecer	 uma	 escala	
evolutiva	que	não	deixava	de	ser	um	processo	discriminatório,	através	do	qual	as	diferentes	
sociedades	humanas	eram	classificadas	hierarquicamente,	com	nítida	vantagem	para	as	
culturas	europeias.	Etnocentrismo	e	Ciência,	marchavam	então	de	mãos	dadas.
Charles Robert Darwin ( Shrewsbury, 12 de fevereiro de 1809 – Downe, 19 de abril de 1882) foi 
um naturalista, geólogo e biólogo britânico, célebre por seus avanços sobre evolução nas ciências 
biológicas.  Juntamente com  Alfred Wallace, Darwin estabeleceu a ideia que todos os seres vivos 
descendem de um  ancestral em comum, argumento agora amplamente aceito e considerado um 
conceito fundamental no meio científico, e propôs a teoria de que os ramos evolutivos são resultados 
de seleção natural e sexual, onde a luta pela sobrevivência resulta em consequências similares às 
da seleção artificial.
NOTA
FONTE: . Acesso em: 23 mar. 2021.
95
2.2 FRANZ URI BOAS (MINDEN, 9 DE JULHO DE 1858 — NOVA 
IORQUE, 21 DE DEZEMBRO DE 1942)
	Foi	um antropólogo teuto-americano, um	dos	pioneiros	da antropologia moderna	
que	tem	sido	chamado	de	Pai	da	Antropologia	Americana.
ETNOCENTRISMO 
• Etnocentrismo é um conceito antropológico, segundo o qual a visão ou 
avaliação que um indivíduo ou grupo de pessoas faz de um grupo social 
diferente do seu é apenas baseada nos valores, referências e padrões 
adotados pelo grupo social ao qual o próprio indivíduo ou grupo fazem 
parte. • Essa avaliação é, por definição, preconceituosa, feita a partir 
de um ponto de vista específico. Basicamente, encontramos em tal 
posicionamento um grupo étnico considerar-se como superior a outro. 
Do ponto de vista intelectual, etnocentrismo é a dificuldade de pensar a 
diferença, de ver o mundo com os olhos dos outros.
FONTE: Adaptado de . Acesso em: 23 mar. 2021.
NOTA
FIGURA 2 – FRANZ URI BOAS
FONTE: . Acesso em: 23 mar. 2021.
Qual	foi	a	principal	reação	à	corrente	evolucionista	da	Antropologia?
A	 principal	 reação	 ao	 evolucionismo,	 então	 denominado	 método	
comparativo,	 inicia-se	 com	Franz	Boas	 inicialmente	 um	estudante	
de	 física	 e	 geografia	 em	 Heidelberg	 e	 Bonn.	 Uma	 expedição	
geográfica	 a	 Baffin	 Land	 (1883-1884),	 que	 o	 colocou	 em	 contato	
com	 os	 esquimós,	 mudou	 o	 curso	 de	 sua	 vida,	 transformando-o	
em	antropólogo.	Tal	fato	provocou,	também,	a	sua	mudança	para	os	
Estados	Unidos,	 onde	 foi	 responsável	 pela	 formação	 de	 toda	 uma	
96
geração	de	antropólogos.	Aposentou-se,	em	1936,	pela	Universidade	
de	Columbia,	da	cadeiradebate	e	a	reflexão	em	torno	do	que	seria	o	
conhecimento sociológico transformado em Ciência.
Para melhor compreender esse debate sobre a origem e desenvolvimento 
da	sociologia	no	solo	europeu,	é	importante	entender	como	era	a	Europa	do	início	do	
processo de constituição da Sociologia. Na história da sociedade humana europeia, 
esse	período	de	constituição	da	Sociologia	tem	suas	bases	no	fim	da	Idade	Média.
Por	 isso,	 vamos	 entrar	 em	 nossos	 estudos	 no	 período	 conhecido	 como	 Idade	
Medieval.	 Veremos	 as	 principais	 características,	 como	 era	 organizada	 a	 Sociedade,	 o	
principal	conhecimento	produzido	na	época	e	sua	relação	com	o	movimento	daqueles	que	
defendiam	o	conhecimento	sociológico	ou	aqueles	fatos,	acontecimentos	e	conhecimentos.
2 IDADE MÉDIA E SOCIEDADE
A	 Idade	Média,	 para	 a	maioria	 dos	 pesquisadores,	 foi	 um	 período	 conhecido	
como	a	Idade	das	Trevas,	ou	seja,	a	Idade	sem	Luz,	sem	criatividade	humana.	A	maior	
parte	 da	 história	 desse	 período	 teve	 como	 fonte	 de	 compreensão,	 de	 interpretação	
da	vida	e	de	tudo	que	se	relacionava	com	a	sociedade	o	conhecimento	religioso	ou	o	
conhecimento teológico.
Quase tudo girava em torno das coisas de Deus ou do próprio Deus pregado 
e comunicado pela Igreja da época (Igreja Católica Apostólica Romana). Esse cenário 
começou a mudar por volta do ano 1.000, com o surgimento das primeiras Universidades, 
com	o	fim	da	Idade	Média	e	com	o	espírito	renascentista,	que	povoou	a	Europa.
Observando	a	configuração	da	Sociedade	através	do	tempo	histórico,	podemos	
perceber	que,	no	período medieval,	a	Sociedade	apresentava	algumas	características	
que	identificamos	como	principais:
Relação principal: do Senhor Feudal e o Servo da terra. O Servo trabalhava nas 
terras do Senhor Feudal. Era considerado um produto da terra, se a terra fosse vendida, o 
Servo	ficava	nas	terras	como	um	produto	a	ser	adquirido	pelo	comprador.	A divisão social 
era	 hierárquica,	 dividida	 basicamente	 em  quatro	 estamentos ou	 estados:	 Rei,	 Nobreza,	
Clero	 e	 Servos,	 sendo	 que	 os	 dois	 primeiros	 possuíam	privilégios	 em	 relação	 ao	 último	
grupo subordinado. Economia ou modo de produzir as coisas: a produção basicamente 
4
girava	em	torno	das	grandes	extensões	de	terras,	os	Feudos.	Esse	sistema	ficou	conhecido	
como Feudalismo. As leis e os códigos de condutas sociais eram elaborados a partir das 
Tradições	da	Nobreza	e	da	interpretação	Bíblica.	A visão de mundo, religião, educação, 
conhecimento, meio ambiente e cultura: Nessa época, predominava o conhecimento 
Teológico, marcado pela supremacia da Igreja Católica Apostólica Romana (Igreja e Fiéis). A 
cultura	era	elaborada	a	partir	do	Teocentrismo.	A	natureza	era	obra	de	Deus	e	era	perfeita.	
A	vida	na	sociedade	medieval	se	caracterizava	por	um	forte	apelo	às	questões	
religiosas	e	 rurais	no	 sentido	de	que	o	modo	de	produção	vigente,	 conhecido	como	
Feudalismo,	foi	o	mais	usado	em	toda	a	história	desse	período,	de	grandes	extensões	
de	terras	do	Senhor	Feudal,	em	que	trabalha	o	servo,	para	fugir	da	miséria	e	buscar	seu	
espaço	no	céu.	Arte,	Educação,	Política,	Religião,	Leis,	Cultura,	entre	outros	setores	da	
sociedade da época, eram fundamentadas no conhecimento religioso ou teológico. O 
teocentrismo era a medida de todas as coisas.
Teocentrismo é uma doutrina que toma Deus como elemento central.
NOTA
Viver na sociedade medieval era viver dentro dos limites da Igreja Católica Apostólica 
Romana.	Diretrizes,	princípios,	normas	estabelecidas	na	vida	social	tinham	como	parâmetro	
a	 interpretação	da	Bíblia	por	parte	dos	membros	da	 Igreja.	O	destino	da	vida	humana	era	
imposto	pela	 interpretação	do	clero,	ou	seja,	o	conhecimento	produzido	para	 interpretar	e	
compreender a vida humana em todos os sentidos passava pelo crivo do conhecimento 
religioso	amparado	nas	leituras	bíblicas	das	autoridades	religiosas	da	época.
FIGURA 1 – SOCIEDADE MEDIEVAL
FONTE: . Acesso em: 8 jan. 2021.
5
Entraremos	agora	em	algumas	características	importantes	para	a	compreensão	
da	configuração	e	condição	da	vida	na	sociedade	medieval.		De	acordo	com	Schipansk	e	
Pontarolo (2009), o tempo na Idade Média e a relação com elementos religiosos e sociais 
se apresentava da seguinte forma:
QUADRO 1 – TEMPO E RELAÇÕES ESTABELECIDAS
Tempo e 
relações 
estabelecidas
Características
Viver seu tempo
Para nós pode parece estranha a forma como os homens e mulheres 
medievais viam e viviam o seu tempo, pois estamos habituados a uma rotina 
frenética,	sempre	correndo	contra	o	tempo,	preocupados	com	o	próximo	
compromisso.	A	forma	como	os	 indivíduos	entenderam	e	viveram	o	seu	
tempo	é	muito	importante	para	que	possamos	compreender	sua	sociedade.
Multiplicidade 
de tempo
No	período	medieval	vemos	uma	força	grandiosa	da	Igreja	sobre	muitos	aspectos	
da	sociedade	e,	de	fato,	o	cristianismo	influenciou	profundamente	a	relação	das	
pessoas	com	o	tempo.	Além	disso,	nesse	período	havia	uma	multiplicidade	de	
tempos: o tempo natural e rural; o tempo senhorial; o tempo religioso.
O tempo natural 
e rural
Estamos	 falando	 de	 uma	 época	 em	que	 a	 agricultura	 era	 a	 principal	
atividade	econômica	e,	portanto,	uma	época	em	que	a	terra	e	o	seu	uso	
eram	fundamentais	para	a	sobrevivência.	A	natureza	imperava	na	medição	
e	contagem	do	tempo	rural.	Existia	o	tempo	das	chuvas	e	o	das	secas;	o	
do dia e o da noite; o do plantio e o da colheita; o do inverno e do verão. 
É	o	tempo	dos	dualismos	tão	enfocados	durante	o	período	medieval:	 luz	
e escuridão, calor e frio, ócio e trabalho, vida e morte. Esse tipo de tempo 
é	cíclico,	 lento	e	 longo,	e	os	camponeses	estavam	habituados	a	esperar,	
pacientes,	 pela	mudança	–	 se	é	que	ela	 ocorreria.	 Esse	cenário	 é	uma	
representação	imagética	do	tempo	cíclico:	um	fato	precede	o	outro,	mas	
voltará	a	acontecer	–	como	as	estações	do	ano.	
O tempo 
senhorial
O	tempo	senhorial	é,	antes	de	tudo,	militar,	isso	porque	tem	como	pontos	
culminantes	no	ano	os	períodos	dos	combates,	das	reuniões	da	cavalaria	
e dos adoubements.
O tempo 
religioso
Os mosteiros levaram para além de suas muralhas o seu ritmo de vida. As 
atividades	diárias	eram	ritmadas	pelo	badalo	dos	sinos	e	pelo	eco	das	orações	
vindas	dos	interiores	dos	mosteiros.	A	importância	dos	sinos	na	Idade	Média	era	
muito	grande,	pois	cada	som	emitido	significava	um	acontecimento	diferente.	
Adubamento
Cerimônia	de	 iniciação	dos	 jovens	para	a	cavalaria,	 na	qual	 acontecia	a	
benção cristã do novo cavaleiro. 
O bater dos 
sinos
Certamente,	marcava	os	principais	eventos	da	vida	urbana,	quer	chamando	
os	fiéis	para	a	celebração	dos	ofícios	divinos,	quer	anunciando	as	festas;	ora	
avisando	o	início	e	o	fim	do	trabalho,	ora	lembrando	triste	acontecimento	ou,	
ainda, alertando as pessoas para uma ameaça iminente. Toda a população 
sabia	o	significado	dos	diversos	toques,	que,	apesar	de	serem	incessantes,	
não	perdiam	o	seu	efeito	no	espírito	dos	ouvintes.	
Liturgia
O ano também era marcado pela liturgia e pelas datas festivas relacionadas 
à vida de Cristo, como o Natal, a Páscoa, a Ascensão e o Pentecostes. Aos 
poucos foram se inserindo festas em honra à Virgem Maria e aos demais 
santos. Esses festejos normalmente marcavam acontecimentos importantes 
para	questões	econômicas,	como,	por	exemplo,	o	pagamento	de	tributos	
aos senhores ou a festa da colheita. 
6
Clero
O	clero	era,	também,	o	responsável	pela	medição	do	tempo	útil	e	também	
pelo	 tempo	destinado	ao	descanso	no	Domingo,	pela	 liturgia	cristã	que	
definia	quais	eram	os	dias	santos	e	de	festa,	bem	como	os	dias	de	trabalho	
e	os	de	jejum.		O	tempo	da	Igreja	era	dominante	no	medievo,	mas	pede	que	
tomemos	cuidado	ao	fazer	essa	afirmação,	pois	mesmo	que	a	 ideologia	
cristã	tivesse	total	domínio	sobre	a	população,	a	maioria	dos	camponeses	
não	sabia	e	nem	se	importava	que	dia	fosse	(com	exceção	dos	domingos	e	
dias	de	festas),	e	é	bem	provável	que	não	soubessem	nem	mesmo	qual	era	
sua própria idade e o dia do seu aniversário.que	hoje	tem	o	seu	nome.	A	sua	crítica	ao	
evolucionismo	 está,	 principalmente,	 contida	 em	 seu	 artigo	 "The	
Limitation	 of	 the	 Comparative	 Method	 of	 Anthropology",	 no	 qual	
atribuiu	a	antropologia	a	execução	de	duas	tarefas:	A)	a	reconstrução	
da	história	de	povos	ou	regiões	particulares;	B)	a	comparação	da	vida	
social	de	diferentes	povos,	cujo	desenvolvimento	segue	as	mesmas	
leis	(LARAIA,	2001,	p.32)
Franz	Boas	em	seus	escritos	também	insistiu	na	necessidade	de	ser	comprovada,	
antes	de	tudo,	a	possibilidade	de	os	dados	serem	comparados.	
Propôs	em	lugar	do	método	comparativo	puro	e	simples,	a	comparação	
dos	resultados	obtidos	através	dos	estudos	históricos	das	culturas	
simples	e	da	compreensão	dos	efeitos	das	condições	psicológicas	
e	 dos	 meios	 ambientes.	 São	 as	 investigações	 históricas,	 reafirma	
Boas,	o	que	convém	para	descobrir	a	origem	deste	ou	daquele	traço	
cultural	e	para	interpretar	a	maneira	pela	qual	toma	lugar	num	dado	
conjunto	 sociocultural.	 Em	 outras	 palavras,	 Boas	 desenvolveu	 o	
particularismo	histórico	 (ou	a	chamada	Escola	Cultural	Americana),	
segundo	a	qual	cada	cultura	segue	os	seus	próprios	caminhos	em	
função	dos	diferentes	eventos	históricos	que	enfrentou.	A	partir	daí	a	
explicação	evolucionista	da	cultura	só	tem	sentido	quando	ocorre	em	
termos	de	uma	abordagem	multilinear	(LARAIA,	2001,	p.	33).
Outro	grande	pesquisador	que	em	sua	obra	caracterizou-se	pela	profundidade	
teórica	e	amplitude	dos	temas	tratados,	que	abrangiam	desde	os	sistemas	classificatórios	
de	parentesco,	categorias	linguísticas,	estilos	de	arte,	mudança	cultural,	linguagem	por	
sinais,	contos	épicos	e	até	mesmo a	moda	feminina.	Teve	enorme	influência	sobre	os	
investigadores	do	seu	tempo	e	deixou	alguns	ensaios	de	grande	importância,	estamos	
falando	de	Alfred	Kroeber.
2.3 ALFRED LOUIS KROEBER (HOBOKEN, 11 DE JUNHO DE 
1876 - PARIS, 5 DE OUTUBRO DE 1960)
Foi	um	antropólogo	estadunidense.	Após	formar-se	em	inglês	pela	Universidade	
de	Columbia,	em	1897,	estudou	antropologia	com	Franz	Boas e	em 1901 apresentou	tese	
sobre	o	simbolismo	decorativo	dos Arahapo,	tribo	indígena	de Montana.	No	mesmo	ano	
fundou	o	Departamento	de	Antropologia	da Universidade	da	Califórnia,	em	Berkeley,	ao	
qual	ficou	ligado	até	aposentar-se,	em 1946.	Foi	depois	professor	visitante	em	diversas	
Universidades	norte-americanas	(Chicago,	Columbia,	Harvard	e	Yale).
97
FIGURA 3 – ALFRED LOUIS KROEBER
FONTE: . Acesso em: 23 mar. 2021.
Portanto,	Kroeber	tinha	um	campo	de	pesquisa	amplo,	incluindo	desde	os	índios	
da	 Califórnia,	 até	 estudos	 sobre	 índios	 das	 planícies	 e	 do	 povo	 primitivo	 zuñi.	 Seus	
interesses	e	competência	eram	mais	abrangentes	que	os	de	qualquer	outro	antropólogo	
norte-americano	de	sua	época.
Alfred	 Kroeber	 (1876-1960),	 antropólogo	 americano,	 em	 seu	 artigo	
"O	 superorgânico"	 mostrou	 como	 a	 cultura	 atua	 sobre	 o	 homem,	
ao	mesmo	tempo	em	que	se	preocupou	com	a	discussão	de	uma	
série	de	pontos	controvertidos,	pois	suas	explicações	contrariam	o	
conjunto	de	crenças	populares.	Iniciou,	como	o	título	de	seu	trabalho	
indica,	com	a	demonstração	de	que	graças	à	cultura	a	humanidade	
distanciou-se	do	mundo	animal.	Mais	do	que	isto,	o	homem	passou	a	
ser	considerado	um	ser	que	está	acima	de	suas	limitações	orgânicas	
(LARAIA,	2001,	p.	33).
Para	Kroeber,	o	ser	humano	pode	ser	considerado	o	resultado	do	meio	cultural?	
Laraia	(2001,	p.	33)	afirma	que	sim.
O	 homem	 é	 o	 resultado	 do	 meio	 cultural	 em	 que	 foi	 socializado.	
Ele	é	um	herdeiro	de	um	longo	processo	acumulativo,	que	reflete	o	
conhecimento	e	a	experiência	adquiridas	pelas	numerosas	gerações	
que	 o	 antecederam.	 A	 manipulação	 adequada	 e	 criativa	 desse	
patrimônio	cultural	permite	as	inovações	e	as	invenções.	Essas	não	
são,	pois,	o	produto	da	ação	isolada	de	um	gênio,	mas	o	resultado	do	
esforço	de	toda	uma	comunidade.
Kroeber	(apud	Laraia,	2001,	p.	34)	contribuiu	para	a	ampliação	do	conceito	de	
Cultura	e	pode	ser	relacionada	nos	seguintes	pontos:
98
QUADRO 1 – CONCEITO DE CULTURA
A	cultura,	mais	do	que	a	herança	genética,	determina	o	comportamento	do	homem	e	justifica	
as	suas	realizações.
O	homem	age	de	acordo	com	os	seus	padrões	culturais.	Os	seus	instintos	foram	parcialmente	
anulados	pelo	longo	processo	evolutivo	pelo	qual	passou.
A	cultura	é	o	meio	de	adaptação	aos	diferentes	ambientes	ecológicos.	Em	vez	de	modificar	para	
isso	o	seu	aparato	biológico,	o	homem	modifica	o	seu	equipamento	superorgânico.
Em	decorrência	da	afirmação	anterior,	o	homem	foi	capaz	de	romper	as	barreiras	das	diferenças	
ambientais	e	transformar	toda	a	terra	em	seu	hábitat.
Adquirindo	cultura,	o	homem	passou	a	depender	muito	mais	do	aprendizado	do	que	a	agir	
através	de	atitudes	geneticamente	determinadas.
Como	 já	 era	 do	 conhecimento	 da	humanidade,	 desde	 o	 Iluminismo,	 é	 esse	 processo	 de	
aprendizagem	 (socialização	ou	endoculturação,	não	 importa	o	 termo)	que	determina	o	 seu	
comportamento	e	a	sua	capacidade	artística	ou	profissional.
A	cultura	é	um	processo	acumulativo,	resultante	de	toda	a	experiência	histórica	das	gerações	
anteriores.	Esse	processo	limita	ou	estimula	a	ação	criativa	do	indivíduo.
Os	 gênios	 são	 indivíduos	 altamente	 inteligentes	 que	 têm	 a	 oportunidade	 de	 utilizar	 o	
conhecimento	existente	ao	seu	dispor,	construído	pelos	participantes	vivos	e	mortos	de	seu	
sistema	cultural,	e	criar	um	novo	objeto	ou	uma	nova	técnica.	Nessa	classificação	podem	ser	
incluídos	os	indivíduos	que	fizeram	as	primeiras	invenções,	tais	como	o	primeiro	homem	que	
produziu	o	fogo	através	do	atrito	da	madeira	seca;	ou	o	primeiro	homem	que	fabricou	a	primeira	
máquina	capaz	de	ampliar	a	força	muscular,	o	arco	e	a	flecha	etc.	São	eles	gênios	da	mesma	
grandeza	de	Santos	Dumont	e	Einstein.	Sem	as	suas	primeiras	invenções	ou	descobertas,	hoje	
consideradas	modestas,	não	teriam	ocorrido	as	demais.	E	pior	do	que	isso,	talvez	nem	mesmo	
a	espécie	humana	teria	chegado	ao	que	é	hoje.
FONTE: Kroeber (apud Laraia, 2001, p. 34)
Como	é	realizada	a	atuação	da	Cultura	e	de	que	forma	a	Cultura	molda	a	vida	
das	pessoas?	Laraia	(2001)	destaca	as	seguintes	características	e	elementos:
O superorgânico é outro modo de descrever e compreender a cultura ou o sistema 
sociocultural. Se começarmos com o inorgânico, é o universo físico, todos os átomos dos 
elementos sem vida. Podemos chamar isso o mais baixo nível de complexidade. 
O segundo nível de complexidade é composto das coisas vivas. A cultura e 
a sociedade compõem o terceiro nível. Os seres humanos são animais, e, 
dessa forma, são sistemas orgânicos. Eles desenvolveram comunicações 
entre eles próprios a um nível complexo, muito mais sofisticado do 
que outros animais. Essa complexidade associa os humanos em 
comunidades e sociedades. Essas associações são simbólicas, não 
genéticas como nos sistemas biológicos. O nível socioeconômico, 
cultura ou sociedade, é desse modo transportado por humanos e 
transcende os humanos. Uma cultura tem uma "vida própria" que é 
simbólica em vez de genética. É, desse modo, uma coisa "viva". Opera a 
um nível mais elevado de complexidade que o orgânico. É superorgânico 
(BARTLE, 2012).
NOTA
99
QUADRO 2 – CARACTERÍSTICAS
1-	A	Cultura	Condiciona	a	Visão	de	Mundo	do	Homem
Ruth	Benedict	escreveu	em	seu	livro	o	crisântemo	e	a	espada	que	a	cultura	é	como	uma	lente	
através	da	qual	o	homem	vê	o	mundo.	Homens	de	culturas	diferentes	usam	lentes	diversas	
e,	portanto,	 têm	visões	desencontradas	das	coisas.	A	nossa	herança	cultural,	desenvolvida	
através	 de	 inúmeras	 gerações,	 sempre	 nos	 condicionou	 a	 reagir	 depreciativamente	 com	
relação	 ao	 comportamento	 daqueles	 que	 agem	 fora	 dos	 padrões	 aceitos	 pela	 maioria	 da	
comunidade.	O	modo	de	ver	o	mundo,	as	apreciações	de	ordem	moral	e	valorativa,	os	diferentes	
comportamentos	sociais	e	mesmo	as	posturas	corporais	são	assim	produtos	de	uma	herança	
cultural,	ou	seja,	o	resultado	da	operação	de	uma	determinada	cultura.Podemos	entender	o	
fato	de	que	indivíduos	de	culturas	diferentes	podem	ser	facilmente	identificados	por	uma	série	
de	características,	tais	como	o	modo	de	agir,	vestir,	caminhar,	comer,	mencionar	a	evidência	
das	diferenças	linguísticas,	o	fato	de	mais	imediata	observação	empírica.
O	 fato	 de	 que	 o	 homem	 vê	 o	 mundo	 através	 de	 sua	 cultura	 tem	 como	 consequência	
a	propensão	em	considerar	o	 seu	modo	de	vida	como	o	mais	 correto	e	o	mais	natural.	Tal	
tendência,	denominada	etnocentrismo,	é	responsável	em	seus	casos	extremos	pela	ocorrência	
de	numerosos	conflitos	sociais	(LARAIA,	2001,	p	69-77).
2-	A	Cultura	interfere	no	plano	biológico
A	reação	oposta	ao	etnocentrismo,	é	a	apatia.	Em	 lugar	da	superestima	dos	valores	de	sua	
própria	sociedade,	numa	dada	situação	de	crise	os	membros	de	uma	cultura	abandonam	a	
crença	nesses	valores	e,	consequentemente,	perdem	a	motivação	que	os	mantém	unidos	e	
vivos.	Diversos	exemplos	dramáticos	desse	tipo	de	comportamento	anômico	são	encontrados	
em	nossa	própria	história	(LARAIA,	2001,	p.	77-82).
3-	Os	indivíduos	participam	diferentemente	de	sua	cultura
A	participação	do	 indivíduo	em	sua	cultura	é	sempre	 limitada;	nenhuma	pessoa	é	capaz	de	
participar	de	todos	os	elementos	de	sua	cultura.	Esse	fato	é	tão	verdadeiro	nas	sociedades	
complexas	com	um	alto	grau	de	especialização,	quanto	nas	simples,	onde	a	especialização	
refere-se	a	penas	às	determinadas	pelas	diferenças	de	sexo	e	de	idade.
Qualquer	que	seja	a	sociedade,	não	existe	a	possibilidade	de	um	indivíduo	dominar	todos	os	
aspectos	de	sua	cultura.	Isto	porque,	nenhum	sistema	de	socialização	é	idealmente	perfeito,	
em	nenhuma	sociedade	são	todos	os	 indivíduos	 igualmente	bem	socializados,	e	ninguém	é	
perfeitamente	socializado.	Um	indivíduo	não	pode	ser	igualmente	familiarizado	com	todos	os	
aspectos	de	sua	sociedade;	pelo	contrário,	ele	pode	permanecer	completamente	ignorante	a	
respeito	de	alguns	aspectos.	O	importante,	porém,	é	que	deve	existir	um	mínimo	de	participação	
do	indivíduo	na	pauta	de	conhecimento	da	cultura	a	fim	de	permitir	a	sua	articulação	com	os	
demais	membros	da	sociedade.	Todos	necessitam	saber	como	agir	em	determinadas	situações	
e,	também,	como	prever	o	comportamento	dos	outros	(LARAIA,	2001,	p.	82).
4-	A	Cultura	tem	uma	lógica	própria
Todo	sistema	cultural	tem	a	sua	própria	lógica	e	não	passa	de	um	ato	primário	de	etnocentrismo	
tentar	transferir	a	lógica	de	um	sistema	para	outro.	Infelizmente,	a	tendência	mais	comum	é	de	
considerar	lógico	apenas	o	próprio	sistema	e	atribuir	aos	de	mais	um	alto	grau	de	irracionalismo.	
A	 coerência	 de	 um	 hábito	 cultural	 somente	 pode	 ser	 analisada	 a	 partir	 do	 sistema	 a	 que	
pertence.
Todas	as	sociedades	humanas	dispõem	de	um	sistema	de	classificação	para	o	mundo	natural	
parece	não	haver	mais	dúvida,	mas	é	importante	reafirmar	que	esses	sistemas	divergem	entre	
si	porque	a	natureza	não	tem	meios	de	determinar	ao	homem	um	só	tipo	taxionômico.
Finalmente,	entender	a	lógica	de	um	sistema	cultural	depende	da	compreensão	das	categorias	
constituídas	 pelo	 mesmo.	 Como	 categorias	 entendemos,	 como	 Marcel	 Mauss,	 "esses	
princípios	de	juízos	e	raciocínios	...	constantemente	presentes	na	linguagem,	sem	que	estejam	
necessariamente	explícitas,	elas	existem	ordinariamente,	sobretudo	sob	a	forma	de	hábitos	
diretrizes	da	consciência,	elas	próprias	inconscientes”	(LARAIA,	2001,	p.	90-98).
100
5-	A	Cultura	é	Dinâmica
Podemos	 agora	 afirmar	 que	 existem	 dois	 tipos	 de	 mudança	 cultural:	 uma	 que	 é	 interna,	
resultante	 da	 dinâmica	 do	 próprio	 sistema	 cultural,	 e	 uma	 segunda	 que	 é	 o	 resultado	 do	
contato	de	um	sistema	cultural	com	um	outro.	No	primeiro	caso,	a	mudança	pode	ser	lenta.	O	
segundo	caso	pode	ser	mais	rápido	e	brusco.
Cada	sistema	cultural	está	sempre	em	mudança.	Entender	essa	dinâmica	é	importante	para	
atenuar	o	choque	entre	as	gerações	e	evitar	comportamentos	preconceituosos.	Da	mesma	
forma	que	é	fundamental	para	a	humanidade	a	compreensão	das	diferenças	entre	povos	de	
culturas	diferentes,	é	necessário	saber	entender	as	diferenças	que	ocorrem	dentro	do	mesmo	
sistema.	Esse	é	o	único	procedimento	que	prepara	o	homem	para	enfrentar	serenamente	este	
constante	e	admirável	mundo	novo	por	vir	(LARAIA,	2001,	p.	98-105).
FONTE: Adaptado de Laraia (2001, p. 98-105)
Quais	principais	autores,	obras,	características	e	pensamentos	que	permearam	a	
produção	do	conceito	e	temas	relacionados	à	cultura?	Barraqui	(2018)	sugere	o	seguinte:
O Universo da Cultura
A) O CONCEITO DE CULTURA:
I. Alfred Kroeber (1876-1960):
Cultura	 como	 mecanismo	 adaptativo,	 acumulativo,	 transmissivo	 de	 geração	 em	
geração,	ao	longo	da	história.
II. Bronislaw Malinowski (1884-1942):
 Cultura	como	significados	e	valores.
Só	é	possível	compreender	a	cultura	quando	se	é	integrante	dela.
Propõe	que	o	pesquisador	se	insira	dentro	da	cultura.
III. Roberto DaMatta (1936-):
Noção	prescritiva	de	cultura:	cultura	como	uma	espécie	de	receituário,	um	código	
uma	espécie	de	mapa	que,	ao	ser	seguido,	nos	torna	humanos.
IV. Ruth Benedict (1887-1984):
Noção	descritiva:	cultura	é	o	que	nos	descreve	como	humanos.	Não	é	possível	falar	
em	humanidade	sem	cultura.
101
FONTE: Adaptado de Barraqui (2018)
B) A CULTURA DA ANTIGUIDADE À MODERNIDADE:
 I. Grécia e Roma:
 	 	
Cultura	como	um	sistema	de	valores	universais.
“Bárbaro”	–	conceito	utilizado	pelos	gregos	e	romanos	para	quaisquer	povos	que	não	
fossem	originários	de	sua	cultura.
Visão	etnocêntrica.
 II. Iluminismo:
•	 Cultura	 assume	 um	 caráter	 hierarquizante	 (como	 se	 houvesse	 uma	 cultura	
superior	a	outra).
•	 Relacionada	ao	conhecimento	científico,	à	evolução	e	ao	progresso.
•	 Cultura	se	refere	ao	cultivo	do	espírito	humano	ao	adquirir	educação	e	instrução	
com	pressuposto	na	razão.
•	 Estado	de	cultura	se	opõe	ao	estado	de	natureza.
•	 “Visão	universalista”	 –	 todas	 as	 culturas	 se	 desenvolvem	da	mesma	 forma	em	
direção	a	um	mesmo	objetivo:	a	civilização.
102
•	 Hierarquiza:	 concebe	o	modelo	de	 sociedade	europeia	do	 século	XVIII	 (urbana,	
industrializada,	republicana	e	democrática)	como	superior.
•	 Cultura	como	civilizadora.
FONTE: Adaptado de Barraqui (2018)
III.	Civilização	e	cultura
A	noção	de	civilização	está	atrelada	ao	progresso.
Kultur  –	 Para	 os	 alemães	 é	 aquilo	 que	 os	 indivíduos	 têm	 de	 mais	 autêntico	
(hábitos,	costumes,	habilidades,	tradições).	Aspectos	únicos	e	particulares	de	uma	
comunidade.
Civilization –	Para	os	franceses	é	um	padrão	universal	de	comportamento	ligado	a	
identidade	cultural.
Culture  –	 para	 Edward	 Tylor	 (1832-1917),	 antropólogo	 inglês,	 é	 toda	 a	 gama	 de	
conhecimentos,	crenças,	produções	artísticas,	leis,	moral,	ou	seja,	todos	os	aspectos	
simbólicos	que	envolve	a	vida	em	sociedade.
C) O CARÁTER SIMBÓLICO DA CULTURA
•	 O	ser	humana	se	caracteriza	pela	capacidade	de	abstração	e	simbolização.
•	 Comportamento	 humano	 se	 baseia	 em	 símbolos	 (escrita,	 gestos,	 placas	 de	
trânsito,	ritos,	valores).
103
•	 Cultura	é	a	produção,	reprodução	e	manutenção	de	símbolos	ao	longo	da	história.
D) EVOLUCIONISMO CULTURAL
I. Definição:
•	 Conjunto	de	teorias	antropológicas,	inspiradas	na	Teoria	Evolucionista	de	Charles	
Darwin.
•	 Sociedade	funcionaria	como	um	organismo	vivo	(visão	organicista).
•	 Uso	de	leis	naturais	e	conceitos	das	ciências	naturais	para	explicar	a	sociedade.
II. Autor e obra:
Edward	Tyler	-	Primitive	Culture	(1871)
Cultura	como	um	fenômeno	natural.
 
Os	grupos	humanos	se	diferenciam	apenas	pelo	grau	de	civilização	(assim	quando	
comparada	a	civilização	europeias,	as	demais	civilizações	sempre	eram	atrasadas	/	
servil	de	base	para	a	“missão	civilizadora”	do	imperialismo	do	séc.	XIX	e	XX).
Uso	do	método	comparativo	linear	(como	se	todas	as	civilizações	caminhassem	em	
uma	mesma	linha	evolutiva.
E)	 DIFUSIONISMO CULTURAL
I. Conceito:
Corrente	de	pensamento	que	defende	que	a	cultura	é	fruto	de	“irradiação”	por	meio	
do	contato	 (comércio,	guerras)	entreos	povos	o	que	 leva	a	 imitação,	 reprodução,	
reelaboração	(sincretismo).
F)	 ANTROPOLOGIA ESTRUTURALISTA
I. Conceito:
Defende	a	existência	de	uma	estrutura	simbólica,	linguística,	e	mítica	comuns	a	toda	
a	humanidade.
II. Autor e obra:
Claude	Lévi-Strauss	(1908-2009)	–	“Antropologia	Estrutural”	(1967).
104
Defendia	a	existência	de	estruturas	mentais	universais.
Ex.	 “Tabu	do	 incesto”:	 todas	as	culturas	apresentam	algum	tipo	de	condenação	a	
prática	do	incesto	(esse	elemento	em	comum	expressa	uma	estrutura	mental).
Todas	as	culturas	operam	em	estruturas	binárias	(masculino	x	feminino,	céu	x	inferno,	
morte	x	vida,	frio	x	quente,	belo	x	feio).
G) O CULTURALISMO
I. Conceito:
Teoria	que	defende	que	cada	cultura	segue	seu	próprio	processo	evolutivo.
Questionou	 as	 bases	 do	 evolucionismo	 cultural	 e	 significou	 uma	 crítica	 ao	
etnocentrismo,	ao	racismo	e	as	formas	de	dominação	cultural.
II. Autor:
Franz	Boas	(1859-1942).
Cada	 cultura	 passa	 pelo	 seu	 processo	 evolutivo	 que	 está	 intimamente	 ligada	 às	
condições	geográficas,	climáticas,	psicológicas	e	históricas.
Cada	cultura	deve	ser	compreendida	dentro	de	sua	história	particular.
H) CULTURA TRADICIONAL, CULTURA ERUDITA E CULTURA DE MASSAS
I. Cultura Tradicional
 	 	
Também	chamada	de	cultura	popular	é	aquela	produzida	e	reproduzida	pela	camada	
dominada.
 	 	
Encontra-se	no	folclore,	nas	crenças,	tradições,	habilidades	e	costumes,	bem	como	
valores	morais	e	na	linguagem.
II. Cultura Erudita
 
É	aquela	produzida	pela	camada	dominante	da	sociedade.
Caracterizada	pela	erudição,	 letramento,	fundamentada	na	ciência	e	racionalidade	
aos	moldes	do	pensamento	iluminista.
105
III. Cultura de Massas
 
Absorvida	por	maior	parte	dos	indivíduos	de	uma	sociedade.
 
Fator	mercadológico,	seguindo	a	lógica	do	capitalismo	de	mercado	e	do	consumismo.
I) CAPITAL CULTURAL E CAPITAL SIMBÓLICO
I. Conceito:
Elementos	 da	 cultura	 sendo	 utilizados	 como	 instrumentos	 de	 poder	 econômico,	
social	e	político.
 
Ex.:	Quanto	mais	cultura	eu	acumulo,	mais	culto	sou.	Quanto	mais	diplomas	acúmulo,	
maior	meu	status.
J) ANTROPOLOGIA E CULTURA NO BRASIL
I. Contexto Histórico:
•	 Décadas	de	1930	e	1940.
•	 Expedições	do	Marechal	Cândido	Rondon.
•	 Governo	Vargas	–	pretensão	de	unificar	o	território	sob	o	prisma	de	uma	única	
cultura	nacional	brasileira	(índio	como	atrasado	que	precisava	ser	civilizado).
•	 Influência	 do	 culturalismo	 de	 Franz	 Boas	 e	 do	 estruturalismo	 de	 Claude	 Lévi-
Strauss.
II. Principais autores e obras:
1) Luís Câmara Cascudo (1898-1986) – “Dicionário do Folclore Brasileiro” (1952)
Se	esforçou	para	registrar	as	práticas	culturais,	comidas	típicas,	o	folclore,	os	mitos	
e	lendas	regionais	brasileiras.
2) Eduardo Viveiros de Castro (1951-) – “A inconstância da alma selvagem”
 
Estudo	detalhado	das	manifestações	culturais	dos	indígenas	atuais.
3) Gilberto Velho (1945-2012) – “"A Utopia Urbana: um estudo de antropologia 
social" (1973)
 	 	
Estudou	a	complexa	relação	entre	o	indivíduo,	sociedade	e	modo	de	vida	urbano.
106
Analisou	fenômenos	como	violência	nos	grandes	centros	urbanos,	práticas	culturais	
dos	grupos	juvenis,	o	individualismo,	o	consumismo	e	as	relações	familiares.
4) Luis Eduardo Soares (1954-) – “Elite da Tropa” (2006)
 	 	
Interpretou	a	relação	entre	a	violência,	a	criminalidade,	a	mídia	e	o	Estado.
Nos	 mostra	 como	 que	 o	 próprio	 poder	 político	 corrompido	 produz	 e	 sustenta	 a	
criminalidade.
Nos	 mostra	 como	 que	 a	 mídia	 ajuda	 a	 propagar	 a	 violência	 por	 intermédio	 do	
sensacionalismo.
5) Roberto DaMatta (1936-) – “Carnavais, malandros e heróis (1979)
Estudou	o	carnaval	e	seus	significados,	a	figura	do	malandro,	o	jeitinho	brasileiro	e	a	
prática	do	“você	sabe	com	quem	está	falando?”
K) INTÉRPRETES DO BRASIL
I. Principais autores e obras:
1) Gilberto Freyre (1900-1987) – “Casa grande e Senzala” (1932)
 
Estudou	a	formação	histórica	e	social	do	Brasil	desde	o	período	colonial.
 
Sociedade	brasileira	resultado	da	mestiçagem.
2) Sergio Buarque de Holanda (1902-1982) – “Raízes do Brasil” (1936)
Conceito	 do	 “homem	cordial”,	 como	 característica	marcante	 da	 alma	 brasileira.	 O	
homem	que	valoriza	mais	a	emoção	do	que	a	razão.	Tese	de	que	o	brasileiro	seria	
mais	“cordial”,	mais	afável,	amigável,	submetido	a	paixões;	tende	a	valorizar	mais	as	
relações	familiares	e	afetivas;	mais	festivo	e	hospitaleiro;	daria	mais	importância	ao	
domínio	privado	do	que	o	público.
No	país	da	malandragem,	o	jeitinho	brasileiro	teria	como	tragédia	maior	a	corrupção.
3) Darcy Ribeiro (1922-1997) – “O povo brasileiro” (1997)
 	 	
Estudou	a	formação	da	sociedade	brasileira	a	partir	das	três	matrizes:	nativo	(índio),	
negro	(africano)	e	o	branco	(europeu).
107
Demonstra	como	esse	caldeirão	cultural	foi	marcado	tanto	por	relações	amistosas	
quanto	por	conflitos,	violência	e	relação	de	dominação.
OBS.: Ambos	os	autores	são	duramente	criticados	pelas	explicações	reducionistas	
e	generalizantes.
L)	 PATRIMÔNIO CULTURAL MATERIAL E IMATERIAL
O Patrimônio Cultural  pode	ser	definido	como	um	bem	 (ou	bens)	de	nature-
za	material	e	 imaterial	considerado	 importante	para	a	 identidade	da	sociedade	
brasileira.	 Segundo	Artigo	 216	 da	 Constituição	 Federal,	 configuram	 patrimônio	
"as	formas	de	expressão;	os	modos	de	criar;	as	criações	científicas,	artísticas	e	
tecnológicas;	as	obras,	objetos,	documentos,	edificações	e	demais	espaços	des-
tinados	às	manifestações	artístico-culturais;	além	de	conjuntos	urbanos	e	sítios	
de	valor	histórico,	paisagístico,	artístico,	arqueológico,	paleontológico,	ecológico	
e	científico".	O	patrimônio	cultural	pode	ser	material	ou	imaterial.
I. PATRIMÔNIO CULTURAL MATERIAL
É	formado	por	um	conjunto	de	bens	culturais	classificados	segundo	sua	natureza:	
arqueológico,	paisagístico	e	etnográfico;	histórico;	belas	artes;	e	das	artes	aplicadas.	
Eles	 estão	 divididos	 em	 bens	 imóveis	 –	 núcleos	 urbanos,	 sítios	 arqueológicos	 e	
paisagísticos	 e	 bens	 individuais	 –	 e	 móveis	 –	 coleções	 arqueológicas,	 acervos	
museológicos,	documentais,	bibliográficos,	arquivísticos,	videográficos,	fotográficos	
e	cinematográficos.
II.	PATRIMÔNIO	CULTURAL	IMATERIAL
Estão	relacionados	aos	saberes,	às	habilidades,	às	crenças,	às	práticas,	ao	
modo	de	ser	das	pessoas.
Ex.:	Festa	do	Círio	de	Nossa	Senhora	de	Nazaré,	a	Feira	de	Caruaru,	o	Frevo,	
a	capoeira,	o	modo	artesanal	de	fazer	Queijo	de	Minas	e	as	matrizes	do	Samba	no	
Rio	de	Janeiro.
FONTE: Adaptada de . 
Acesso em:1 set. 2021.
A	cultura	traz	para	a	sociedade	conhecimento	e	riqueza	sem	igual.	O	acesso	ao	
lazer,	conhecimento,	prazer,	e	diversos	bens	que	para	as	pessoas	tem	grande	relevância.	
Quando	bem	trabalhada	pode	se	tornar	algo	que	faça	parte	da	vida	e	do	cotidiano	do	
todo.	Tornando	rotineiro	o	acesso	a	novas	tradições	e	ideologias.	Nosso	próximo	assunto	
abordará	a	relação	cultura	e	identidade.
108
3 CULTURA E IDENTIDADE
Em	 certo	 sentido,	 a  identidade  cultural  é	 um  conjunto	 híbrido	 e	 maleável	
(depende	do	momento	e	das	peculiaridades	culturais de	uma	determinada	sociedade.) 
de	elementos	que	formam	a	cultura	identitária de	um	povo.	É	a	forma	de	reconhecer-se	
enquanto	agrupamento	cultural	que	se	distingue	dos	outros.
Um	 dos	 grandes	 desafios	 para	 se	 manter	 a	 Identidade	 Cultural	 dos	 grupos	
sociais.	 Atualmente,	 é	 a  globalização,	 que	 determina	 padrões	 culturais	 baseados	
principalmente	na	cultura	estadunidense,	que	tem	se	tornado	hegemônica	no	mundo.
O	que	é	a	 Identidade	Cultural?	O	professor	e	pesquisador	Porfirio	 (2020,	s.p.)	
responde:
A	 palavra	 identidade	 está	 associada,	 historicamente,	 ao	 que	 algo	
é.	Na Filosofia,	 a	essência	é	a	definição	do	que	algo	é,	ou	seja,	 a	
identidade	é	a	definição	da	essência.	A	identidade	cultural	não	está	
distante	da	definição	de	identidade,	pois	ela	é	a identificação	essencial	
da cultura de	um	povo.	O	que	umpovo	produz	linguística, religiosa,	
artística,	científica	e	moralmente	compõe	o	seu	conjunto	de	produção	
cultural.	 Esse	 conjunto	 tende	 a	 seguir	 certos	 padrões	 dentro	 de	
sociedades,	 o	 que	 cria	 um	 aspecto	 identitário	 para	 as	 culturas	 de	
determinadas	sociedades.
A	 identidade	 cultural	 é,	 justamente,	 esse	 padrão	 que	 identifica	
uma	produção	cultural	a	certo	grupo	social.	Por	exemplo,	podemos	
associar	 certos  tipos	 de	 roupas  e	 um  ritmo	 musical  específico	 à	
cultura hip hop, que	surgiu	nos	centros	urbanos	a	partir	da	década	
de	 1980.	 Também	 identificamos	 algumas  pinturas	 corporais  como	
dos	 índios	 habitantes	 das  aldeias indígenas brasileiras,	 assim	
como	e	identificamos	as	flautas	feitas	de	bambu	tocadas	em	certos	
ritmos	 com	os	 nativos	 do	 território	 boliviano.	A	 identidade	 cultural	
funciona,	 portanto,	 criando	 laços	 que	 ligam	 certos	 elementos	 a	
povos	específicos.
Qual	a	importância	da	preservação	da	identidade	cultural	no	século	XXI?	
A IMPORTÂNCIA DA IDENTIDADE CULTURAL NO SÉCULO XXI
FONTE: Adaptado de Porfirio (2020)
109
4 EXEMPLOS DE IDENTIDADE CULTURAL
É	difícil	delinear	exemplos	claros	de	 identidade	cultural,	visto	que	a	cultura	é	
um	termo	muito	amplo	e	maleável.	No	entanto,	alguns	aspectos	culturais	podem	ser	
separados	e	postos	como	exemplos	de	elementos	identitários	de	determinadas	culturas.	
Listamos	a	seguir,	com	base	em	Porfirio	(2020),	alguns	exemplos	de	identidade	cultural	
que	são	associados	a	algumas	culturas:	
A	preservação	da	identidade	cultural	é	necessária	em	meio	à	homogeneidade	cultural	
do	mundo	globalizado.
O	 século	 XXI	 vivencia	 o  ápice da globalização.	 O	 fenômeno	 da	 globalização	
começou	com	força	na	década	de	1960,	período	da Guerra Fria  (quando	Estados	
Unidos	e	União	Soviética	disputavam	a	hegemonia	do	poder	político	no	mundo).	Com	
o	fim	da União Soviética,	no	final	da	década	de	1980,	o capitalismo estadunidense	
passou	a	dominar	as	relações	comerciais	e	políticas.
Com	isso,	houve	uma invasão da cultura norte-americana em	países	da	América	do	Sul,	
países	africanos	e	países	orientais.	Essa	invasão	da	cultura	norte-americana	como	modo	
cultural	hegemônico	ocasionou	uma	mudança	de	perspectiva,	que	colocou	o	hábito	cultural	
imposto	no	lugar	do	hábito	cultural	tradicional.
Podemos	perceber,	por	exemplo,	que	o	gosto	musical	dos	brasileiros	mudou	ao	longo	
dos	tempos.	Se	até	a	década	de	1960	os	brasileiros	consumiam	mais	uma	música	
brasileira	de	origem	regional,	a	partir	dessa	década,	passou-se	a	ouvir	mais	músicas	
estrangeiras.	 Com	 o	 fenômeno	 da	 importação	 de	 filmes	 e	 programas	 televisivos	
dos	 Estados	 Unidos	 e,	 a	 partir	 dos	 anos	 2000,	 com	 o	 advento	 da	 popularização	
da	 internet,	a	música	consumida	pela	população	brasileira	sofreu	uma  influência 
norte-americana muito maior.
FONTE: Adaptada de . Acesso em: 31 ago. 2021.
• Religiosidade: as	diversas	religiões	são	elementos	identitários	de	certos	grupos	
culturais.	 Cristãos	 (católicos,	 protestantes	 ou	 espíritas),	 judeus,	 muçulmanos,	
candomblecistas,	budistas,	hinduístas,	ou	qualquer	outra	denominação	religiosa,	
compreendem	grupos	identitários	que	se	relacionam	a	determinadas	culturas.
• Artes plásticas: os	artefatos	produzidos	por	artistas	plásticos	e	artesãos	também	
são	fortes	elementos	de	identidade	cultural	de	um	povo.	Os	adereços	corporais,	a	
pintura	e	a	escultura	podem	representar	de	maneira	efetiva	uma	cultura.
• Música:  é	 um	 elemento	 de	 identidade	 cultural	muito	 eficaz.	 De	 acordo	 com	o	
ritmo	ou	com	os	instrumentos	utilizados,	é	possível	estabelecer	de	onde	a	música	
110
Em	síntese,	o	conceito	de	 identidade	cultural	se	 relaciona	com	à	construção	
identitária	 de	 cada	 indivíduo	 em	 seu	 contexto	 cultural.	 A	 identidade	 cultural	 está	
relacionada	com	a	forma	como	vemos	o	mundo	exterior	e	como	nos	posicionamos	em	
relação	a	ele.	Esse	processo	é	contínuo	e	dialético,	o	que	significa	que	a	identidade	de	
um	sujeito	está	sempre	sujeita	a	mudanças.
se	originou,	havendo	uma	noção	de	 identidade	cultural	 implícita	nessa	relação.	
A	música	sertaneja	composta	por	viola	caipira,	por	exemplo,	remete	ao	sertão	do	
Brasil,	enquanto	os	ritmos	rápidos	com	tambores	e	chocalhos	remetem	aos	ritmos	
africanos	ou	de	origem	africana.
• Culinária: forte	elemento	de	identidade	cultural.	É	comum	associarmos	as	massas	
à	culinária	italiana,	o	bacalhau	à	culinária	portuguesa,	o	sushi	à	culinária	japonesa,	
a	paella	à	culinária	espanhola,	a	feijoada	à	culinária	brasileira	e	a	cerveja	à	culinária	
alemã.	Os	hábitos	culinários	dizem	muito	a	respeito	da	cultura	em	questão.
FONTE: Adaptada de . 
Acesso em: 31 ago. 2021.
Identidade Nacional
A identidade nacional, é uma condição social, cultural e espacial. Trata-se de características 
que têm uma relação com um entorno político uma vez que, em geral, as nações estão 
associadas a um Estado (ainda que não seja sempre assim). O conceito de identidade 
nacional só começou a ganhar força no século XIX, quando surgiu a noção de nação.
 
Identidade Étnica
• Etnia = Processo de identificação de um grupo sociocultural 
• Resultado de fatores historicamente construídos: ancestralidade, organização social, 
língua e religião; 
• IMPERIALISMOS – opressão, exclusão, exploração, aculturação!
Identidade Cultural
A identidade cultural se constrói de forma múltipla e dinâmica. 
A identidade cultural é um conjunto vivo de relações sociais 
e patrimônios simbólicos historicamente compartilhados que 
estabelece a comunhão de determinados valores entre os membros 
de uma sociedade. Sendo um conceito de trânsito intenso e tamanha 
complexidade, podemos compreender a constituição de uma 
identidade em manifestações que podem envolver um amplo número 
de situações que vão desde a fala até a participação em certos eventos.
NOTA
111
5 CULTURA E DESCONSTRUÇÃO
Historicamente,	 os	 processos	 de	 colonização	 ocidentais	 etnocêntricos,	
apoiados	 por	 ideologias	 dominantes	 e	 de	 extermínio	 étnico,	 constituíram	 abismos	
profundos	a	partir	de	visões	de	mundo	daqueles	que	dominavam	sobre	aqueles	que	
eram	dominados.	Dessa	forma,	a	diversidade	cultural	era	negada	e	silenciada	por	meio	
das	formas	mais	variadas	e	cruéis	de	poder	e	da	produção	do	conhecimento,	alicerçadas	
num	racionalismo	positivista,	discriminatório	e	segregador.	A	diferença	era	vista	como	
atraso	e	deveria	ser	aniquilada	ou	domesticada.
Nas	últimas	décadas,	com	os	processos	democráticos	em	desenvolvimento	em	
vários	contextos	sociais,	a	diversidade	cultural	vem	tomando	visibilidade	no	cotidiano	
das	lutas	sociais	e	pelos	direitos	humanos.	Todavia,	os	conflitos	e	tensões	continuam	e	
sinalizam	que	ainda	estamos	longe	de	uma	utopia	de	igualdade	e	de	reconhecimento	
desse	 pluralismo	 sociocultural	 que	 colore	 a	 vida,	 tanto	 nas	 instituições	 como	 nas	
políticas	públicas	e	na	produção	do	conhecimento.	Assim,	a	diversidade	não	pode	ser	
negada	ou	silenciada	como	outrora	foi	e	era	percebida	como	obstáculo	ou	resistência	
ao	projeto	de	hegemonia	tanto	econômico	como	ideológico.	
Dessa	forma,	em	nossa	contemporaneidade,	as	lutas	dos	grupos	sociais	minoritários	
formam	 redes	 de	 apoio	 e	 de	 sustentabilidade	 das	 formas	 mais	 variadas	 e	 clamam	
posicionamentos	políticos	 e	 identitários.	O	 reconhecimento	dessa	diversidade	cultural	 e	
social,	a	partir	das	agendas	que	os	movimentos	sociais	perfilam,	são	complexos	e	híbridos.	
Justiça	social	e	 igualdade	de	direitos	ainda	são	temas	em	diversos	contextos	políticos	e	
acadêmicos	que	assolam	movimentos	e	grupos	minoritários	no	capitalismo	neoliberal.	A	
multiplicidade	de	manifestações	culturais	e	saberes	populares	ou	indígenas	com	a	infinidade	
de	grupos	minoritários	sejam	eles	étnicos,	sexuais	ou	de	gênero,	ainda	formam	um	conjunto	
de	lutas	e	manifestações	pela	garantia	de	seus	direitos	civis	e	culturais.	
Um	conceito	se	torna	presente	nestes	temposatuais:	Desconstrução.	Segundo	
Guidolin	e	Michelman	(2017,	s.p.),	trata-se	de:	
Conceito	 apropriado	 da	 filosofia,	 que	 reverbera	 não	 apenas	 nos	
ambientes	universitários,	mas	também	nas	periferias	e	nas	escolas.	
Desconstrução	 é	 um	 esforço	 de	 superação	 dos	 estereótipos	 e	
preconceitos	que	carregamos	dentro	de	nós.	É	quebrar	o	conjunto	
de	barreiras	morais	e	culturais	que	nos	impede	de	aceitar	o	diferente,	
oprimindo	o	outro	e	 criando	um	ambiente	de	hostilidade	que	gera	
violência	velada	ou	explícita.	Machismo,	homofobia,	racismo	e	outras	
formas	de	preconceito	são	desconstruídos	em	um	processo	contínuo	
que	 evolui	 e	 não	 necessariamente	 se	 completa.	 Dessa	 forma,	 a	
desconstrução	 tem	 um	 potencial	 transformador	 e	 pode	 abrir	 um	
mundo	diferente	conforme	essa	nova	geração	aceita	esse	desafio.	
Contudo,	 não	 podemos	 subestimar	 que	 novas	 formas	 de	 dominação	 e	 de	
violência	 preconizadas	 pela	 cultura	 globalizante	 e	 hegemônica	 por	 meio	 das	 mais	
refinadas	 e	 abrangentes	 promessas	 do	 individualismo	 narcisista	 contra	 as	 minorias	
112
sociais	e	culturais	ainda	presentes	na	atual	sociedade	humana.	Essa	configuração	de	
manifestações	e	lutas	constitui	o	hibridismo	social	que	faz	parte	de	nossa	sociedade	
contemporânea,	 que	 nos	 obriga	 a	 revisar	 e	 reconsidera	 novas	 políticas	 sociais	 de	
legitimidade	desse	pluralismo	em	curso	e	de	movimentos	de	desconstrução	cultural	
de	processos	que	envolvem	a	superação	estereótipos	e	preconceitos,	do	racismo,	do	
machismo,	da	homofobia,	entre	outros,	e,	sem	sombra	de	dúvida,	nos	aponta	para	a	
necessidade	da	produção	de	um	conhecimento	 interdisciplinar	que	possa	nos	ajudar	
para	compreender	e	desejar	a	possível	liberdade	humana.
113
RESUMO DO TÓPICO 1
Neste tópico, você aprendeu:
•	 Como	ser	histórico,	o	ser	humano	é	um	ser	cultural,	compreendendo	e	transformando	
a	natureza	ele	a	humaniza;	reconhecendo	o	outro,	ele	se	humaniza.	Assim	cria	um	
mundo	propriamente	humano	que	é	o	mundo	da	cultura,	o	mundo	histórico.	
•	 Ruth	Benedict	escreveu	em	seu	livro	O	crisântemo	e	a	espada	que	a	cultura	é	como	
uma	lente	através	da	qual	o	homem	vê	o	mundo.	Homens	de	culturas	diferentes	usam	
lentes	diversas	e,	portanto,	têm	visões	desencontradas	das	coisas.	A	nossa	herança	
cultural,	 desenvolvida	 através	 de	 inúmeras	 gerações,	 sempre	 nos	 condicionou	 a	
reagir	depreciativamente	em	relação	ao	comportamento	daqueles	que	agem	fora	dos	
padrões	aceitos	pela	maioria	da	comunidade.	
•	 Em	certo	sentido,	a identidade cultural é	um conjunto	híbrido	e	maleável	(depende	
do	 momento	 e	 das	 peculiaridades	 culturais  de	 uma	 determinada	 sociedade.)	 de	
elementos	que	formam	a	cultura	identitária de	um	povo,	é	a	forma	de	reconhecer-se	
enquanto	agrupamento	cultural	que	se	distingue	dos	outros.	
•	 O	conceito	de	identidade	cultural	se	relaciona	com	à	construção	identitária	de	cada	
indivíduo	 em	 seu	 contexto	 cultural.	 A	 identidade	 cultural	 está	 relacionada	 com	 a	
forma	como	vemos	o	mundo	exterior	e	como	nos	posicionamos	em	relação	a	ele.	
Esse	processo	é	contínuo	e	dialético,	o	que	significa	que	a	identidade	de	um	sujeito	
está	sempre	sujeita	a	mudanças.
•	 Historicamente	 os	 processos	 de	 colonização	 ocidentais	 etnocêntricas	 apoiados	
por	ideologias	dominantes	e	de	extermínio	étnico,	constituíram	abismos	profundos	
a	 partir	 de	 visões	 de	 mundo	 daqueles	 que	 dominavam	 sobre	 aqueles	 que	 eram	
dominados.	Dessa	forma,	a	diversidade	cultural	era	negada	e	silenciada	por	meio	das	
formas	mais	variadas	e	cruéis	de	poder	e	da	produção	do	conhecimento,	alicerçadas	
num	 racionalismo	 positivista,	 discriminatório	 e	 segregador.	 A	 diferença	 era	 vista	
como	atraso	e	deveria	ser	aniquilada	ou	domesticada.
•	 Nas	últimas	décadas,	com	os	processos	democráticos	em	desenvolvimento	em	vários	
contextos	sociais,	a	diversidade	cultural	vem	tomando	visibilidade	no	cotidiano	das	
lutas	sociais	e	pelos	direitos	humanos.	Todavia,	os	conflitos	e	tensões	continuam	e	
sinalizam	que	ainda	estamos	longe	de	uma	utopia	de	igualdade	e	de	reconhecimento	
desse	 pluralismo	 sociocultural	 que	 colore	 a	vida,	 tanto	 nas	 instituições	 como	nas	
políticas	públicas	e	na	produção	do	conhecimento.	Assim,	a	diversidade	não	pode	ser	
negada	ou	silenciada	como	outrora	foi.	Onde	ela	era	percebida	como	obstáculo	ou	
resistência	ao	projeto	de	hegemonia	tanto	econômico	como	ideológico.	
114
•	 Desconstrução	 é	 um	 esforço	 de	 superação	 dos	 estereótipos	 e	 preconceitos	 que	
carregamos	 dentro	 de	 nós.	 É	 quebrar	 o	 conjunto	 de	 barreiras	 morais	 e	 culturais	
que	nos	 impede	de	aceitar	o	diferente,	oprimindo	o	outro	e	criando	um	ambiente	
de	hostilidade	que	gera	violência	velada	ou	explícita.	Machismo,	homofobia,	racismo	
e	outras	formas	de	preconceito	são	desconstruídos	em	um	processo	contínuo	que	
evolui	e	não	necessariamente	se	completa.	Dessa	forma,	a	desconstrução	tem	um	
potencial	 transformador	 e	 pode	 abrir	 um	 mundo	 diferente	 conforme	 essa	 nova	
geração	aceita	esse	desafio	(GUIDOLIN;	MICHELMAN,	2017).
115
AUTOATIVIDADE
1	 O	 fato	 de	 que	 o	 ser	 humano	 vê	 o	 mundo	 através	 de	 sua	 cultura	 tem	 como	
consequência	a	propensão	em	considerar	o	seu	modo	de	vida	como	o	mais	correto	e	
o	mais	natural.	Tal	tendência	é	denominada	etnocentrismo.	Sobre	o	Etnocentrismo,	
assinale	a	alternativa	CORRETA:
a)	(			)	 Etnocentrismo	 é	 responsável	 em	 seus	 casos	 extremos	 pela	 ocorrência	 de	
numerosos	conflitos	sociais.
b)	(			)	 O	Etnocentrismo,	de	fato,	é	somente	um	fenômeno	local.	
c)	(			)	 O	Etnocentrismo	tem	lugar	quando	duas	ou	mais	culturas	entram	em	interação	
de	uma	forma	horizontal	e	sinérgica.
d)	(			)	 As	relações	entre	diferentes	culturas	são	fundamentadas	no	Etnocentrismo,	a	
qual	 compreende	vários	 processos	 de	 interação	 que	 contribuem	para	 que	 as	
pessoas	 envolvidas	 cultivem	 ligações	 com	 base	 em	 princípios	 como	 respeito	
mútuo	e	justo	julgamento.
2	 Em	certo	sentido,	a identidade cultural é	um conjunto	híbrido	e	maleável	(depende	
do	 momento	 e	 das	 peculiaridades	 culturais  de	 uma	 determinada	 sociedade)	 de	
elementos	 que	 formam	 a	 cultura	 identitária  de	 um	 povo.	 É,	 portanto,	 a	 forma	 de	
reconhecer-se	 enquanto	 agrupamento	 cultural	 que	 se	 distingue	 dos	 outros.	 De	
acordo	com	o	estudado	sobre	Identidade	Cultural,	analise	as	afirmativas	a	seguir:
I-	 A	identidade	cultural	é,	justamente,	esse	padrão	que	identifica	uma	produção	cultural	
a	certo	grupo	social.
II-	 Um	exemplo	de	identidade	cultural	seria	a	Religiosidade.
III-	A	identidade	cultural	está	relacionada	com	a	forma	como	vemos	o	mundo	exterior	e	
como	nos	posicionamos	com	relação	a	ele.
Assinale	a	alternativa	CORRETA:
a)	 (			)	Somente	a	afirmativa	I	está	correta
b)	(			)	As	afirmativas	I,	II	e	III	estão	corretas.
c)	 (			)	Somente	a	afirmativa	II	está	correta.
d)	(			)	Somente	a	afirmativa	III	está	correta.
3	 Historicamente,	os	processos	de	colonização	ocidentais	etnocêntricas	apoiados	por	
ideologias	dominantes	e	de	extermínio	étnico	constituíram	abismos	profundos	a	partir	
de	visões	de	mundo	daqueles	que	dominavam	sobre	aqueles	que	eram	dominados.	
Dessa	 forma,	 a	 diversidade	 cultural	 era	 negada	 e	 silenciada	 por	meio	 das	 formas	
mais	variadas	e	cruéis	de	poder	e	da	produção	do	conhecimento,	alicerçadas	num	
racionalismo	positivista,	 discriminatório	 e	 segregador.	Nesse	 sentido,	 é	necessário	
116
desconstruir	 certas	 visões	 de	mundo	 que	 oprimem	 e	marginalizam	 determinadas	
culturas	 ou	 formas	 de	 vida.	 Referente	 às	 temáticas	 cultura	 e	 desconstrução,	
classifique	V	para	as	sentenças	verdadeiras	e	F	para	as	falsas:
(			)	 Desconstrução	é	um	esforço	de	superação	dos	estereótipos	e	preconceitos	que	
carregamos	dentro	de	nós.	É	quebrar	o	conjunto	de	barreiras	morais	e	culturais	que	
nos	 impede	de	aceitar	o	diferente,	oprimindo	o	outro	e	criando	um	ambiente	de	
hostilidade	que	gera	violência	velada	ou	explícita.
(			)	 Machismo,	homofobia,racismo	e	outras	formas	de	preconceito	são	desconstruídos	
em	um	processo	contínuo	que	evolui	e	não	necessariamente	se	completa.	Dessa	
forma,	a	desconstrução	tem	um	potencial	transformador	e	pode	abrir	um	mundo	
diferente	conforme	essa	nova	geração	aceita	esse	desafio.
(			)	 Os	processos	de	desconstrução	 são	novas	 formas	de	dominação	e	de	violência	
preconizadas	pela	cultura	globalizante	e	hegemônica	por	meio	das	mais	refinadas	
e	abrangentes	promessas	do	individualismo	narcisista	contra	as	minorias	sociais	e	
culturais	ainda	presentes	na	atual	sociedade	humana.
Assinale	a	alternativa	que	apresenta	a	sequência	CORRETA:
a)	 (			)	V	–	V	–	F.
b)	(			)	V	–	V	–	V.
c)	 (			)	F	–	F	–	F.
d)	(			)	F	–	F	–	V.
4	 Nos	estudos	de	Sociedade,	Educação	e	Cultura,	podemos	compreender	que	o	Brasil	
é	formado	por	uma	sociedade	plural.	Neste	sentido,	é	possível	afirmar	que	existem	
"vários	brasis”,	apontando	a	ampla	miscigenação	 racial,	a	diversidade	cultural	e	as	
peculiaridades	regionais.	Diante	disso,	disserte	sobre	os	desafios	que	estas	diferenças	
indicam	aos	espaços	educacionais.
5	 As	discussões	em	torno	do	conceito	e	tema	"cultura"	e	as	manifestações/expressões	
culturais	têm	sido	variadas.	Muitas	delas	englobam	aspectos	econômicos,	políticos,	
intelectuais	 e	 sociais	 da	 produção	 cultural.	 Contudo,	 as	 relações	 e	 as	 diferenças	
culturais	 entre	 diferentes	 grupos	 e	 povos	 têm	 se	 evidenciado	 nitidamente	 de	
forma	 excludente.	 Diante	 deste	 cenário,	 disserte	 sobre	 as	 contribuições	 que	 a	
interculturalidade	pode	fornecer	à	nossa	época.
117
DIVERSIDADE CULTURAL
1 INTRODUÇÃO 
Neste	 tópico,	 vamos	 estudar	 três	 assuntos.	 Em	 Inclusão	 e	 Cultura,	 você	
perceberá	que	a	cultura	da	inclusão	é	possível	em	uma	sociedade	aberta	ao	diálogo.	Para	
dialogar,	é	necessário	que	possamos	compreender	a	visão	de	mundo	do	outro.	A inclusão	
cultural define	que	qualquer	pessoa	seja	incluída	em	diferentes	espaços,	independente	
da	sua	cultura.	Como	a	inclusão	social abrange	essa	definição	para	diversos	aspectos,	
como	etnia,	cultura,	gênero,	classe	social	e	muitas	outras	características,	podemos	dizer	
que	a	inclusão	cultural	está	dentro	desse	contexto.
Na	questão	de	Gênero	e	Cultura,	falaremos	sobre	o	respeito	e	acolhimento	do	
outro	em	sua	singularidade	e	que	também	é	um	processo	cultural.	A	identidade	de	gênero	
é	a	forma	pela	qual	eu	expresso	o	gênero	com	o	qual	uma	pessoa	se	identifica,	que	pode	
ou	não	concordar	com	o	gênero	que	lhe	foi	atribuído	quando	de	seu	nascimento
Em	Cultura	 e	 a	Teoria	Decolonial,	você	vai	 compreender	 as	novas	 formas	de	
construção	de	conhecimento	alternativo,	criadas	contra	as	sociedades	colonizadas	pelo	
conhecimento	eurocêntrico.	A	Teoria	Decolonial	surgiu	a	partir	das	lutas	históricas	dos	
povos	indígenas	e	afrodescendentes	que	foram	colonizados	e	não	se	viam	representados	
na	História	e	na	Ciência	produzidas	na	Europa	como	um	modelo	universal.
2 INCLUSÃO E CULTURA
A	exclusão	cultural	de	um	determinado	grupo	de	pessoas	ocorre	quando	não	há	
igualdade	na	conquista	por	oportunidades,	quando	não	há	igualdade	na	representação	
dentre	os	espaços	públicos	ou	quando	os	direitos	desses	grupos	são	blindados.	Quando	
nos	reportamos	à	identidade	e	inclusão,	não	podemos	deixar	de	referir	a	importância	da	
noção	de	cultura	e	da	sua	estreita	relação	com	o	pertencimento,	os	enraizamentos	e	as	
afetividades	ao	território	e	ao	local	habitado.	Portanto,	integração	social	cultural	também	
se	alcança	por	iniciativas	em	prol	da	realização	de	atividades	valorizadas	pelas	próprias	
pessoas	enquanto	atores	participantes	numa	comunidade.	Assim,	a	cultura	pode	ser	
entendida	como	um	instrumento	ao	serviço	do	alcance	de	graus	de	desenvolvimento,	
mas	também,	como	um	fim	desejável,	dando	sentido	à	própria	existência	humana.
UNIDADE 2 TÓPICO 2 - 
118
FIGURA 4 – INCLUSÃO CULTURAL
FONTE: . Acesso em: 24 abr. 2021.
A	 sociedade	 é	 herdeira	 de	 um	 conjunto	 de	 recursos	 culturais	 de	 natureza	
material	 e	 imaterial,	 que	 fazem	 parte	 da	 chamada	 memória	 coletiva.	 Assim,	 esses	
recursos	culturais	prefiguram	sentimentos	de	identidade	e	de	pertença	comunitária	e,	
por	sua	vez,	o	respeito	e	acolhimento	(inclusão)	dessas	diversas	formas	de	ver	e	viver	o	
mundo	se	traduz	em	riqueza	humana.
A inclusão cultural define	que	qualquer	pessoa	seja	incluída	em	diferentes	espaços,	
independentemente	da	sua	cultura.	Como	a	inclusão	social abrange	essa	definição	
para	diversos	aspectos,	como	etnia,	cultura,	gênero,	classe	social	e	muitas	outras	
características,	podemos	dizer	que	a	inclusão	cultural	está	dentro	desse	contexto.	
Todo	 conjunto	 de	 ações	 que	 tem	 como	 objetivo	 proporcionar	 a	 participação	
igualitária	de	toda	a	população	na	sociedade	é	visto	como	uma	prática	de	inclusão	
social.	Logo,	quando	essas	ações	visam	garantir	que	todas	as	culturas	tenham	seu	
espaço	 igual	na	sociedade,	a	denominação	é	 inclusão	cultural.	A	 inclusão	cultural	
e	social	é	importante	em	uma	sociedade,	pois	é	ela	que	garante	que	todos	tenham	
os	mesmos	direitos	e	oportunidades	em	diferentes	áreas	da	vida	como	educação,	
finanças,	saúde,	lazer,	entre	outras.
FONTE: Adaptado de . Acesso em: 23 mar. 2021.
A	cultura	de	um	povo	é	formada	por	vários	elementos,	como	crenças,	 ideias,	
mitos,	valores,	danças,	festas	populares,	alimentação,	modo	de	se	vestir,	entre	outros	
fatores.	É	uma	característica	muito	 importante	de	uma	comunidade,	pois	a	cultura	é	
transmitida	de	geração	em	geração	e	demonstra	aspectos	locais	de	uma	população.	É	
necessário	promover	por	atitudes	e	pensamentos,	o	sentimento	de	valorização	cultural,	
além	do	reconhecimento	e	respeito	das	diferentes	culturas,	mostrando	que	não	existe	
uma	melhor	ou	mais	desenvolvida	que	a	outra.
O	respeito	à	diversidade cultural é	a	condição	essencial	para	que	possamos	construir	
a	 nossa	 própria	 história	 pessoal,	 conferindo	 significados	 a	 todos	 os	 acontecimentos.	
119
Os	 aspectos	 positivos	 da	 diversidade	 cultural	 doam	 novas	 aprendizagens,	 abertura	
mental	e	tolerância,	 levando-nos	à	descoberta	de	valores	que	deixarão todos	mais	ricos	
intelectualmente.	A	coexistência	das	diversidades	culturais	é	um	fator	de	progresso,	sempre.
Portanto,	a	cultura	de	inclusão	é	um	conjunto	de	valores	e	atitudes	acerca	de	
como	as	pessoas	devem	ser	acolhidas	e	tratadas	na	sociedade;	esses	valores	e	atitudes	
devem	ser	compartilhados	e	vivenciados	por	todos.	Quando	se	fala	de	 instalação	de	
uma	cultura,	fica	evidente,	de	imediato,	que	não	se	está	discorrendo	sobre	um	processo	
que	acontece	da	noite	para	o	dia.	Ao	contrário,	culturas	envolvem	padrões	atitudinais	
e	comportamentais	extremamente	complexos,	cuja	modificação	é	lenta	e	gradual	em	
qualquer	indivíduo	e,	muito	mais	ainda,	quando	se	pensa	ao	nível	coletivo.
3 GÊNERO E CULTURA
O	termo	gênero	tem	sido	usado	para	teorizar	a	questão	da	diferença	sexual,	
desde	a	década	de	1970.	Um	conceito	complexo,	que	abrange	a	ideia	de	que	as	distinções	
baseadas	 no	 sexo	 são	 fundamentalmente	 sociais,	 afastando-se,	 assim,	 a	 noção	 de	
naturalização.	Além	disso,	explicita	a	assimetria	nas	relações	entre	homens	e	mulheres,	
marcadas	pela	hierarquização	e	por	dimensões	de	poder.	Você	provavelmente	já	ouviu	
falar	em gênero,	pois	muito	tem	se	falado	sobre	identidade	de	gênero,	igualdade	
de	 gênero,	 ideologia	 de	 gênero,	 entre	 outros	 temas	 relacionados	 ao	 termo.	 No	
entanto,	 afinal,	 qual	 o	 significado	 desse	 conceito?	 Acompanhe	 as	 explicações	
das	autoras	Medeiros	e	Moraes	(2015):
Para	 começar,	 vejamos	 o	 conceito	 de	 gênero.	Aqui	 utilizamos	 como	 referência	 o	
artigo	escrito	por Maria	Eunice	Figueiredo	Guedes,	“Gênero,	o	que	é	isso?”,	de	1995.	
Nesse	artigo,	ela	traz	diversas	citações	do	conceito	de	gênero.	Destacamos	quatro	
delas	a	seguir:
“qualquer agrupamento de indivíduos, objetos, ideias, que tenham caracteres 
comuns”. – Dicionário	Aurélio,	1986.
“uma categoria social impostasobre um corpo sexuado”.  – Gates,	 citada	 por	
Scott,	1995.
“gênero é um elemento constitutivo das relações sociais baseado nas diferenças 
percebidas entre os sexos… o gênero é uma forma primária de dar significado às 
relações de poder.” –	Scott,	1995.
“uma forma de entender, visualizar e referir-se à organização social da relação entre 
os sexos.” – Guedes,	1995.
Muitas	vezes	o	termo	gênero	é	erroneamente	utilizado	em	referência	ao	sexo	biológico.	Por	
isso,	é	importante	enfatizar	que	o	gênero	diz	respeito	aos	aspectos	sociais	atribuídos	ao	sexo,	
ou	seja, gênero	está	vinculado	a	construções	sociais,	não	a	características	naturais.
120
O	gênero,	portanto,	se	refere	a	tudo	aquilo	que	foi	definido	ao	longo	tempo	e	que a	
nossa	 sociedade	 entende	 como	o	papel,	 função	 ou	 comportamento	 esperado	de	
alguém	com	base	em	seu	sexo	biológico.
FONTE: Adaptado de . Acesso em: 31 ago. 2021.
Medeiros	e	Moraes	(2015)	também	identificam	dois	termos	importantes	para	a	
compreensão	do	conceito	de	Gênero:	Sexo	e	sexualidade.
É	 bastante	 comum	 observar	 confusão	 com	 relação	 a	 esses	 termos.	 Muitas	
vezes	eles	são	utilizados	como	sinônimo,	de	maneira	equivocada.
Para	 esclarecer	 discussões	 como	 o	 debate	 sobre  igualdade	 de	 gênero,	 por	
exemplo,	é	fundamental	compreender	a	distinção	entre	esses	conceitos.
Sexo
O	sexo	diz	respeito	às	características	biológicas	que	diferenciam	homens	e	mulheres.	
O	sexo	é	usualmente	determinado	pelas	genitálias.
Gênero
Novamente,	o	gênero	é	a	construção	social	atribuída	ao	sexo.
Vejamos	um	exemplo	que	nos	permita	entender	melhor	essa	distinção:
Muitas	vezes	escutamos	frases	como	“cuidar	da	casa	é	coisa	de	mulher”.	O	que	está	
por	trás	de	frases	desse	tipo	é	justamente	a	questão	de	gênero:	se	o	que	caracteriza	
“ser	mulher”	são	simplesmente	características	biológicas	e	anatômicas,	não	haveria	
razão	 para	 alguém	 atribuir	 uma	 atividade	 especificamente	 às	 mulheres.	 Afinal,	
qual	genitália	uma	pessoa	tem	não	faria	diferença	na	hora	de	 limpar	a	casa.	 Isso	
demonstra	que	há	algum	sentido	a	mais	atribuído	a	“ser	mulher”,	algo	que	vá	além	do	
sexo	biológico.	Esse	“algo	além”	é,	justamente,	o gênero.
Sexualidade
A	sexualidade	diz	 respeito	à	orientação	sexual	de	uma	pessoa,	ou	seja,	por	quais	
gêneros	essa	pessoa	sente	atração	sexual	ou	romântica.
Algumas	das	categorias	atribuídas	à	sexualidade	são:	heterossexualidade	 (pessoa	
que	sente	atração	por	pessoa	do	gênero	oposto);	homossexualidade	 (pessoa	que	
sente	 atração	 por	 pessoa	 do	 mesmo	 gênero);	 bissexualidade	 (pessoa	 que	 sente	
atração	por	pessoas	dos	dois	gêneros).
FONTE: Adaptado de . Acesso em: 31 ago. 2021.
Por	muito	tempo	as	pessoas	usaram	a	sigla "GLS" para	designar	e	generalizar	
pessoas	Gays,	Lésbicas	e	"Simpatizantes",	no	entanto,	essa	é	uma	sigla	excludente,	limita	
muito	um	grupo	de	pessoas	e	gêneros	e	isso	não	condiz	mais	com	a	realidade	no	século	XXI.  
Aqui	temos	mais	informações	para	não	deixar	dúvidas.
121
LGBTQIA+ é	a	sigla	para	Lésbicas,	Gays,	Bissexuais,	transexuais,	Queer,	intersexo,	
Assexuais	e	mais(+),	onde	o	(+)	busca	incluir	outras	variações	de	gênero,	tais	como:	
Pan,	poli,	não-binarie,	omni	e	demi.	Antes	de	entender	o	significado	de	cada	uma	das	
letras	da	sigla,	precisamos	entender	o	que	é	identidade	de	gênero, pois	ela	é	o	motivo	
para	haver	todas	essas	letras.
FONTE: Adaptado de . 
Acesso em: 30 ago. 2021.
O	que	é	Identidade	de	gênero?
Identidade	de	gênero é a percepção que um indivíduo tem de si como sendo do 
gênero masculino, feminino ou da combinação dos dois,	o	que	independe	do	
sexo	biológico. É	uma	convicção	íntima	da	pessoa	se	perceber	homem,	mulher	ou	
nenhum	dos	dois	e	pode	não	estar	visível	para	as	demais	pessoas.
FONTE: Adaptado de . 
Acesso em: 30 ago. 2021.
Tipos	de	Identidade	de	Gênero:
Transgênero: trata-se	do	indivíduo	que	identifica	como	sendo	do	gênero	oposto	ao	
seu	gênero	de	nascença.	Por	exemplo:	uma	pessoa	com	características	masculinas,	
segundo	seu	sexo	biológico,	mas	que	se	percebe	como	do	gênero	feminino;	ou	o	
indivíduo	com	sexo	biológico	feminino,	mas	que	se	percebe	homem.	A	transgeneridade	
não	é	um	distúrbio	mental	e	qualquer	insinuação	de	patologia	representa	a	violação	
dos	direitos	humanos	previstos	pela	OMS	–	Organização	Mundial	da	Saúde.
Cisgênero: trata-se	do	indivíduo	que	se	identifica	com	seu	gênero	de	nascença,	Por	
exemplo:	um	indivíduo	que	tem	que	o	gênero	de	nascença	definido	como	masculino	
e	que	tem	a	percepção	de	si	como	homem,	assim	definido	como	homem	cisgênero. 
Não-Binário:  também	reconhecido	como	terceiro	gênero,	o	 indivíduo	não-binário	
caracteriza-se	pela	mistura	entre	os	gêneros	feminino	e	masculino	ou	pela	completa	
indiferença	 entre	 ambos.	 O	 indivíduo	 não-binário	 transcende	 rótulos	 sociais	
atribuídos	a	gêneros	e	por	isso	é	conhecido	como	o	terceiro	gênero.
FONTE: Adaptado de . Acesso em: 23 abr. 2021.
122
O	que	é	Orientação	Sexual	e	Sexo	Biológico?
Orientação é o termo que relaciona as diferentes formas de atração, seja ela 
afetiva ou sexual.	Esse	conceito	substitui	a	antiga	ideia	de	"opção	sexual",	já	que	
não	se	pode	escolher	a	sexualidade,	ou	seja,	a	sexualidade	é	desenvolvida	ao	longo	
da	vida	de	acordo	com	a	percepção	que	o	indivíduo	tem	de	si	e	como	ele	se	sente	
atraído	por	outros	indivíduos. 
• Heterossexual ou heteroafetivo: sente	atração	sexual ou	afetiva	pelo	gênero	
oposto	ao	seu,	exemplo:	um	homem	que	sente	atração	por	mulheres;
• Homossexual ou homoafetivo: sente	atração	sexual ou	afetiva por	indivíduos	
do	mesmo	gênero.	Nessa	denominação	se	enquadram	gays	(homens	que	sentem	
atração	por	outros	homens)	e	lésbicas	(mulheres	que	sentem	atração	por	outras	
mulheres);
• Bissexual ou biafetivo: assim	é	 quando	o	 indivíduo	 sente	 atração	 sexual  ou	
afetiva por	ambos	os	gêneros,	masculino	e	feminino.
Sexo Biológico: são	 as	 características	 físicas	 originadas	 pela	 combinação	 de	
cromossomos.	Está	basicamente	relacionada	com	a	existência	dos	órgãos	genitais	
(pênis,	vagina,	ambos	ou	nenhum	deles)	e	com	o	conceito	de	macho	(homem),	fêmea	
(Mulher)	e	intersexo.
123
Em	síntese,	identidade	de	gênero	diz	respeito	ao	gênero	com	o	qual	uma	pessoa	
se	 identifica.	 É	 independente	 do	 sexo	 (ou	 seja,	 das	 características	 biológicas),	 está	
relacionada	à	identificação	de	uma	pessoa	com	o	gênero	masculino	ou	feminino.	Algumas	
pessoas	se	identificam	com	um	gênero	diferente	do	que	é	imposto	a	elas	em	função	de	
seu	sexo	biológico.	Essa	identificação	é	o	que	se	chama	de	identidade	de	gênero.
4 CULTURA E A TEORIA DECOLONIAL
A	Teoria	Decolonial	 abrange	diversas	 formas	 de	 crítica	 teórica,	 articuladas	 por	
várias	 camadas	 de	 pensamentos,	 que	 tem	como	principal	 intuito	 libertar	 o	 campo	do	
conhecimento,	 e	 recentemente	vem	ganhando	maior	 destaque	no	 ideário	da	América	
Latina.	No	meio	acadêmico,	ele	se	manifesta	pela	análise	da	distinção	de	classes,	dos	
estudos	 étnicos,	 estudos	 de	 gênero	 e	 estudos	 regionais.	 Ela	 surgiu	 a	 partir	 das	 lutas	
históricas	dos	povos	indígenas	e	afrodescendentes	que	foram	colonizados	e	não	se	viam	
representados	na	História	e	na	Ciência	produzidas	na	Europa	como	um	modelo	universal.	
Dessa	forma,	um	grupo	de	intelectuais	militantes	latino-americanos	sentiu	a	necessidade	
identitária	 de	 se	 contraporem	 epistemologicamente	 à	 hegemonia	 eurocêntrica	 do	
conhecimento,	defendendo	o	protagonismo	de	outros	modos	de	saber,	de	ser	e	do	poder.	
Críticos	da	história	única,	esses	pensadores	elaboraram,	a	partir	de	meados	da	década	
passada,	um	conjunto	de	categorias	que	constituem	o	Pensamento	Decolonial.
FIGURA 5 – COLONIALISMO E COLONIALIDADE
FONTE: O autor.
Quijano	 (2010)	 define	 colonialidade	 como	 umdos	 elementos	 constitutivos	
e	 específicos	 do	 padrão	 mundial	 capitalista.	 “Sustenta-se	 na	 imposição	 de	 uma	
classificação	 racial/étnica	 da	 população	 do	 mundo	 como	 pedra	 angular	 do	 referido	
124
padrão	 de	 poder	 e	 opera	 em	 casa	 um	 dos	 panos,	 meios	 e	 dimensões,	 materiais	 e	
subjetivos,	da	existência	social	quotidiana	e	a	escala	societal”	(QUIJANO,	2010,	p.	84).	A	
colonialidade	se	reproduz	em	uma	tripla	dimensão:	a	do	poder,	do	saber	e	do	ser.	
FIGURA 6 – COLONIALIDADE DO PODER
FONTE: O autor.
A colonialidade do poder é um conceito desenvolvido originalmente 
por Aníbal Quijano, em 1989, e amplamente utilizado pelo grupo. 
Ele exprime uma constatação simples, isto é, de que as relações de 
colonialidade nas esferas econômica e política não findaram com a 
destruição do colonialismo.
 
FONTE: Adaptado de . Acesso em: 23 mar. 2021.
A colonialidade do ser (gênero e sexualidade) pode ser definida 
como uma realidade do mundo moderno colonial, que faz com 
que se inferiorizem pessoas, logo, uma forma de se destituir a 
existência humana. 
A Colonialidade do saber: a teoria de Quijano sobre 
a colonialidade propõe uma concepção da diferenciação colonial e 
epistêmica, onde a  colonialidade  se transfere do âmbito do poder 
para o campo do saber, construindo a colonialidade do saber que 
age de forma a manter a hegemonia eurocêntrica como perspectiva 
superior do conhecimento.
FONTE: Adaptado de . Acesso em: 23 mar. 2021.
NOTA
NOTA
125
As	profundas	marcas	produzidas	pela	experiência	colonial	na	realidade	cultural	
e	territorial	dos	povos	africanos,	asiáticos	e	americanos	operam	como	matriz	ideológica	
de	 processos	 compreendidos	 mediante	 os	 designados	 estudos	 subalternos,	 cuja	
perspectiva	de	reflexão	da	colonialidade	do	poder,	do	ser,	do	saber	perpassa	certamente	
os	elementos	mais	sutilmente	imbricados	na	cosmovisão	dos	povos	colonizados.	
Tornou-se	 imprescindível,	 consequentemente,	 repensar	 a	 situação	 colonial	
mediante	 as	 construções	 epistemológicas	 produzidas	 a	 partir	 do	 processo	 de	
independência.	Todavia,	não	se	trata	somente	de	 repensar	a	situação	colonial	em	si.	
Antes,	trata-se	fundamentalmente	de	se	repensar	as	bases	epistemológicas	do	próprio	
pensamento	pós-colonial,	constituído	sobre	os	alicerces	da	identificação	das	assimetrias	
existentes	nas	relações	coloniais,	cujos	antagonismos	possibilitam	a	reflexão	referente	
à	suposta	hegemonia	bélica,	epistemológica,	cultural	e	social	euro	centrada.	
Como	 narrativa	 hegemônica	 da	 modernidade,	 a	 Europa	 ocupa	 espaço	
privilegiado	de	poder	que	favorece	a	sobreposição	de	sua	cultura	em	detrimento	das	
demais	referências	de	vida.	Todavia,	o	pensamento	decolonial	não	trata	simplesmente	
de	retirar	o	verniz	 imposto	pela	situação	colonial,	tampouco	se	refere	à	emancipação	
simplesmente	 em	 termos	 políticos	 e	 econômicos.	 Trata-se,	 dentre	 todas	 essas	
possibilidades,	especialmente,	de	retomar	a	cultura	autóctone	dentro	da	sua	legitimidade	
e	autenticidade	epistêmica,	posto	que	apenas	retirar	o	verniz	imposto	pelo	colonizador	
resultaria	 em	sociedades	vazias,	 e	não	um	 retorno	às	epistemologias	originárias	dos	
povos	 subalternos.	 Um	 simples	 desnudamento	 da	 cultura	 euro	 centrada	 poderia	
inclusive	legitimar	o	epistemicídio	promovido	pelo	processo	colonial.	
126
RESUMO DO TÓPICO 2
Neste tópico, você aprendeu:
•	 A inclusão	cultural define	que	qualquer	pessoa	seja	incluída	em	diferentes	espaços,	
independente	da	sua	cultura.	Como	a	 inclusão	social abrange	essa	definição	para	
diversos	 aspectos,	 como	 etnia,	 cultura,	 gênero,	 classe	 social	 e	 muitas	 outras	
características,	podemos	dizer	que	a	 inclusão	cultural	está	dentro	desse	contexto.	
Todo	conjunto	de	ações	que	tem	como	objetivo	proporcionar	a	participação	igualitária	
de	toda	a	população	na	sociedade	é	visto	como	uma	prática	de	inclusão	social.	Logo,	
quando	essas	ações	visam	garantir	que	todas	as	culturas	tenham	seu	espaço	igual	
na	sociedade,	a	denominação	é	inclusão	cultural.
•	 A	cultura	de	inclusão	é	um	conjunto	de	valores	e	atitudes	acerca	de	como	as	pessoas	
devem	ser	acolhidas	e	tratadas	na	sociedade;	valores	e	atitudes	estes,	que	devem	
ser	compartilhados	e	vivenciados	por	todos.	Quando	se	fala	de	 instalação	de	uma	
cultura,	fica	evidente,	de	imediato,	que	não	se	está	discorrendo	sobre	um	processo	
que	acontece	da	noite	para	o	dia.	Ao	contrário,	culturas	envolvem	padrões	atitudinais	
e	comportamentais	extremamente	complexos,	cuja	modificação	é	lenta	e	gradual	em	
qualquer	indivíduo	e,	muito	mais	ainda,	quando	se	pensa	ao	nível	coletivo.
•	 O	termo	gênero	tem	sido	usado	para	teorizar	a	questão	da	diferença	sexual,	desde	
a	década	de	1970.	Um	conceito	complexo,	que	abrange	a	ideia	de	que	as	distinções	
baseadas	no	sexo	são	fundamentalmente	sociais,	afastando-se,	assim,	a	noção	de	
naturalização.	Além	disso,	explicita	a	assimetria	nas	relações	entre	homens	e	mulheres,	
marcadas	 pela	 hierarquização	 e	 por	 dimensões	 de	 poder.	 Você	 provavelmente	 já	
ouviu	falar	em gênero,	muito	tem	se	falado	sobre	identidade	de	gênero,	igualdade	de	
gênero,	ideologia	de	gênero,	entre	outros	temas	relacionados	ao	termo.
•	 Identidade	 de	 gênero  é	 a	 percepção	 que	 um	 indivíduo	 tem	de	 si	 como	 sendo	 do	
gênero	masculino,	feminino	ou	da	combinação	dos	dois,	o	que	independe	do	sexo	
biológico. É	uma	convicção	íntima	da	pessoa	se	perceber	homem,	mulher	ou	nenhum	
dos	dois	e	pode	não	estar	visível	para	as	demais	pessoas.
•	 A	 Teoria	 Decolonial	 abrange	 diversas	 formas	 de	 crítica	 teórica,	 articuladas	 por	
várias	camadas	de	pensamentos,	que	tem	como	principal	intuito	libertar	o	campo	
do	 conhecimento,	 e	 recentemente	vem	ganhando	maior	 destaque	no	 ideário	 da	
América	Latina.	No	meio	acadêmico,	ele	se	manifesta	pela	análise	da	distinção	de	
classes,	 dos	 estudos	étnicos,	 estudos	de	gênero	 e	 estudos	 regionais.	 Ela	 surgiu	
a	 partir	 das	 lutas	 históricas	 dos	 povos	 indígenas	 e	 afrodescendentes	 que	 foram	
colonizados	e	não	se	viam	representados	na	História	e	na	Ciência	produzidas	na	
Europa	como	um	modelo	universal.
127
AUTOATIVIDADE
1	 A	 exclusão	 cultural	 de	 um	 determinado	 grupo	 de	 pessoas	 ocorre	 quando	 não	 há	
igualdade	na	conquista	por	oportunidades,	quando	não	há	igualdade	na	representação	
dentre	 os	 espaços	 públicos	 ou	 quando	 os	 direitos	 desses	 grupos	 são	 blindados.	
Referente	à	Inclusão	cultural,	assinale	a	alternativa	CORRETA:
a)	(			)	 A  inclusão	 cultural  define	 que	 qualquer	 pessoa	 seja	 incluída	 em	 diferentes	
espaços,	independente	da	sua	cultura.
b)	(			)	 Os	 aspectos	 positivos	 da	 diversidade	 cultural	 doam	 novas	 aprendizagens,	
abertura	mental	e	intolerância.
c)	(			)	 A	cultura	de	 inclusão	é	um	conjunto	de	valores	e	atitudes	acerca	de	como	as	
pessoas	devem	ser	acolhidas	e	tratadas	na	sociedade;	valores	e	atitudes	estes,	
que	devem	ser	compartilhados	e	vivenciados	pelas	crianças.	
d)	(			)	 O	 respeito	 a	 diversidade  cultural	 é	 a	 condição	 essencial	 para	 que	 possamos	
construir	a	nossa	própria	história	financeira.
2	 O	termo	gênero	tem	sido	usado	para	teorizar	a	questão	da	diferença	sexual,	desde	
a	década	de	1970.	Um	conceito	complexo,	que	abrange	a	ideia	de	que	as	distinções	
baseadas	no	sexo	são	fundamentalmente	sociais,	afastando-se,	assim,	a	noção	de	
naturalização.	A	respeito	da	temática	de	gênero,	analise	as	afirmativas	a	seguir:
I-	 Muitas	 vezes	 o	 termo	 gênero	 é	 erroneamente	 utilizado	 em	 referência	 ao	
sexo	 biológico.	 Por	 isso,	 é	 importante	 enfatizar	 que	 o	 gênero	 diz	 respeito	
aos	 aspectos	 sociais	 atribuídos	 ao	 sexo,	 ou	 seja,  gênero	 está	 vinculado	 a	
construções	sociais,	não	a	características	naturais.
II-	 Binário: Também	reconhecido	como	terceiro	gênero.
III-	Transgênero:	Trata-se	do	indivíduo	que	se	identifica	com	seu	gênero	de	nascença.
Assinale	a	alternativa	CORRETA:
a)	 (			)	Somente	a	afirmativa	II	estácorreta.
b)	(			)	As	afirmativas	II	e	III	estão	corretas.
c)	 (			)	As	afirmativas	I	e	II	estão	corretas.
c)	 (			)	Somente	a	afirmativa	I	está	correta.
3	 É	um	conceito	desenvolvido	originalmente	por	Aníbal	Quijano,	em	1989,	que	exprime	
uma	constatação	simples,	 isto	é,	de	que	as	 relações	de	colonialidade	nas	esferas	
econômica	e	política	não	findaram	com	a	destruição	do	colonialismo. Sobre	o	exposto,	
assinale	a	alternativa	CORRETA:
128
a)	 (			)	Colonialidade	do	poder.
b)	(			)	Colonialidade	do	fazer.
c)	 (			)	Colonialidade	do	ser.
d)	(			)	Colonialidade	do	saber.
4	 A	diversidade	na	 sociedade,	 seja	 de	 raças,	 de	 línguas	ou	de	níveis	 sociais,	 é	 algo	
histórico	no	país.	Ela	tem	suas	raízes,	como	já	estudado,	no	processo	colonizatório,	à	
medida	que	se	tomaram	as	terras	pertencentes	aos	nativos	aqui	existentes,	antes	da	
chegada	dos	portugueses.	Não	diferentemente,	houve	o	processo	de	escravização	
do	 negro.	 Assim	 sendo,	 houve	 o	 assujeitamento	 de	 duas	 etnias:	 a	 indígena	 e	 a	
africana.	Nesse	sentido,	além	da	questão	étnica,	na	sociedade,	muitos	outros	fatores	
concorrem	para	a	formação	da	diversidade:	a	questão	religiosa,	a	orientação	sexual	
etc.,	 o	 que	 faz	 com	 que	 a	 sociedade	 seja	 plural,	 diversa.	 Por	 isso,	 fala-se	 que	 a	
diversidade	é	algo	salutar,	importante.	Explique	a	importância	da	diversidade.
5	 Para	 a	 superação	 das	 diferenças,	 o	 essencial	 é	 não	 somente	 o	 reconhecimento	
da	 diferença.	 Importante	 também	 é	 o	 questionamento	 dos	 valores	 humanos	 que	
podem	excluir	o	ser	humano,	o	diferente.	Portanto,	não	basta	somente	tolerar,	mas	
compreender	como	a	diferença	está	 instalada	no	seio	da	 sociedade	e,	 ao	mesmo	
tempo,	 ver	 e	 compreender	 as	 relações	 de	 poder,	 para,	 assim,	 respeitar	 e	 admirar	
a	 diferença.	 Explique	 como	 poderia	 ser	 trabalhado	 o	 conceito	 de	 diversidade	 no	
ambiente	escolar,	a	fim	de	promover	a	integração	entre	os	diferentes.
129
TÓPICO 3 - 
CULTURA E MEIO AMBIENTE
1 INTRODUÇÃO 
Neste	 tópico	 vamos	 estudar	 três	 assuntos.	 Em	 Cultura	 e	 Sustentabilidade,	
vamos	 refletir	 sobre	um	mundo	onde	o	 consumismo	se	 faz	presente	é	necessário	 o	
estudo	de	formas	de	preservação	e	sustentação	do	meio	ambiente	de	qualidade,	o	termo	
sustentabilidade	é	apresentado	como	um	processo	cultural	historicamente	construído.	A	
noção	de	sustentabilidade	surgiu	baseada	no	entendimento	de	que	os recursos	naturais	
são	 finitos.	 Portanto,	 a	 preocupação	 ambiental	 passa	 pelas	 questões	 econômicas,	
biológicas,	 culturais,	 entre	 outros	 setores	 e	 áreas	 do	 conhecimento	 humano	 e	 da	
sociedade.	A	sustentabilidade	é	uma	preocupação	amparada	em	eventos	marcantes	e	
de	consequências	trágicas	para	a	humanidade	e	a	natureza.
Na	abordagem	da	Cultura	e	Diálogo	dos	Saberes,	veremos	que	não	há	saber	mais	
ou	saber	menos	diria	Paulo	Freire	em	seus	escritos,	há	saberes	diferentes,	somente	com	
o	diálogo	entre	os	conhecimentos,	principalmente	o	prático	e	com	o	científico	teremos	
um	mundo	mais	 justo	 e	 igualitário.	Paulo	Freire,	 nosso	grande	educador,	 foi	 um	dos	
precursores	em	problematizar	a	temática	Diálogo	dos	saberes,	em	sua	obra	Extensão	
ou	Comunicação,	em	1977,	no	sentido	de	orientar	a	relação	entre	o	técnico	e	o	agricultor,	
onde	todos	os	sujeitos	são	educandos	e	educadores.
Por	último,	em	Culturas	e	o	Bem	Viver,	destacaremos	que	os	povos	indígenas	
da	América	Latina	e	Caribe,	possuem	uma	palavra	que	representa	uma	visão	de	mundo	
mais	 fraternos	 e	 igualitária,	 o	 bem	viver.	 No	 contexto	 latino-americano,	 nas	 últimas	
décadas	 do	 Século	 XX,	 um	 importante	 debate	 referente	 à	 vida	 plena	 para	 todos	 se	
tornou	presente:	a	utopia	indígena	do	Bem	Viver,	Sumak	Kawsay,	em	sua	expressão	em	
quíchua,	a	mais	conhecida	no	Continente.	Não	se	trata	de	um	tema	realmente	novo,	
mas	sim	de	uma	riqueza	de	sabedoria	que	só	nos	últimos	anos	os	povos	indígenas	estão	
trazendo	à	luz	e	oferecendo-a	ao	mundo	como	sua	contribuição	à	aventura	humana.
2 CULTURA E SUSTENTABILIDADE
Sustentabilidade	 é	 um	 conceito	 relacionado	 à  conservação.	 No	 aspecto	
ambiental,	que	com	frequência	o	termo	é	empregado,	a	sustentabilidade	diz	respeito,	
então,	a	um	planeta	sadio,	no	qual	as	pessoas	possam	encontrar	as	condições	necessárias	
para	a	sua	sobrevivência,	de	geração	em	geração.	Como	surgiu	esse	termo?	A	noção	
de	 sustentabilidade	 surgiu	 baseada	 no	 entendimento	 de	 que	 os  recursos	 naturais	
são	 finitos.	 Portanto,	 a	 preocupação	 ambiental	 passa	 pelas	 questões	 econômicas,	
UNIDADE 2
130
biológicas,	 culturais,	 entre	 outros	 setores	 e	 áreas	 do	 conhecimento	 humano	 e	 da	
sociedade.	A	sustentabilidade	é	uma	preocupação	amparada	em	eventos	marcantes	e	
de	consequências	trágicas	para	a	humanidade	e	a	natureza.
O	que	é	Sustentabilidade?
Sustentabilidade  refere-se	 ao	 princípio	 da	 busca	 pelo	 equilíbrio	 entre	 a	
disponibilidade	dos	recursos	naturais	e	a	exploração	deles	por	parte	da	sociedade,	ou	
seja,	visa	a equilibrar a preservação do meio ambiente e o que ele pode oferecer 
em consonância com a qualidade de vida da população. O	termo	sustentabilidade	
surge	 da	 necessidade	 de	 discussão	 a	 respeito	 da	 forma	 como	 a	 sociedade	 vem	
explorando	e	usando	os	 recursos	naturais,	 pensando	em	alternativas	de	preservá-
lo	 evitando,	 assim,	 que	 esses	 recursos	 se	 esgotem	 na	 natureza.	 A	 definição	 de	
sustentabilidade	está	atrelada	ao	conceito	de	desenvolvimento	sustentável.
FONTE: Adaptado de . Acesso em: 12 jan. 2021.
 FIGURA 7 – DIMENSÕES SUSTENTABILIDADE
FONTE: . 
Acesso em: 23 fev. 2021.
O	conceito	de	sustentabilidade	é	apresentado	a	partir	de	cinco	perspectivas,	
cinco	 dimensões	 primordiais,	 sendo	 elas:	 sustentabilidade	 social;	 sustentabilidade	
econômica;	 sustentabilidade	 ecológica;	 sustentabilidade	 espacial	 (ou	 geográfica);	
sustentabilidade	cultural.
131
QUADRO 3 – CINCO DIMENSÕES PRIMORDIAIS
	A	sustentabilidade	social	é	a	adoção	de	um	crescimento	estável,	distribuindo	melhor,	
as	riquezas,	com	menos	desigualdades.	Ela	visa	diminuir	as	diferenças	sociais.
	A	 sustentabilidade	 econômica,	 “tornada	 possível	 graças	 ao	 fluxo	 constante	
de	 inversões	públicas	e	privadas,	 além	da	alocação	e	do	manejo	eficientes	dos	
recursos	naturais”.
	As	bases	da	sustentabilidade	ecológica	estão	na	utilização	massificada	do	potencial	
de	recursos	nos	diferentes	ecossistemas,	produzindo	o	mínimo	de	deterioração.	
Prevê	ainda	a	diminuição	do	uso	de	combustíveis	fósseis	e	a	redução	do	volume	
de	substâncias	poluentes.
	Quanto	 à	 sustentabilidade	 geográfica,	 podemos	 dizer	 que	 a	 ocupação	 espacial	
desequilibrada	 causa	 problemas.	 Exemplo	 disso	 é	 a	 população	 dos	 grandes	
centros	(leia-se	cidades,	principalmente	metrópoles)	continua	a	crescer,	junto	com	
o	percentual	de	população	residente	nas	áreas	urbanas,	bem	como	a	diminuição	
demográfica	 das	 áreas	 rurais.	 Resulta	 disso	 a	 destruição	 de	 ecossistemas	
encontrados	nas	cidades	devido	à	utilização	de	áreas	não	ideais	para	moradia.	Visa	
o	equilíbrio	nos	usos	espaciais,	bem	como	a	proteção	de	áreas	que	não	deveriam	
ser	utilizadas	(pela	população	que	está	à	margem	da	sociedade),	promovendo	a	
melhoria	na	qualidade	de	vida	da	população.
	Já	a	sustentabilidade	cultural	se	configura	como	a	mais	complexa	no	sentido	de	sua	
concretização.	Intenta	dar	soluções	locais,	adaptadas	a	cada	cultura	e	ecossistema.
Uma	nova	consciência	dos	 limites	ecossistêmicos	e	de	sua	fragilidade,	em	face	
destas			dimensões	do	desenvolvimento	sustentável,	pode	ajudar	a	nortear	as	ações	
locais	futuras,	tendo	em	vista	as	mudanças	globais	de	que	tanto	necessitamos	
para	viver	melhor,	no	sentido	mais	amplo	que	este	“viver	melhor”	pode	vir	a	ter.	A	
responsabilidade	é	de	todos	e	de	cada	um.	À	coletividade,	dá-se	o	papel	de	defesa	
e	proteção	domeio	ambiente.
FONTE: Adaptado de . 
Acesso em: 23 fev. 2021
Um	termo	bastante	usado	atualmente	nas	questões	ecológicas	e	sustentáveis	
é	o	de	Desenvolvimento	Sustentável.
O	que	é	desenvolvimento	sustentável?
Desenvolvimento	 sustentável	 refere-se	 ao	 desenvolvimento	 socioeconômico,	
político	 e	 cultural	 atrelado	 à	 preservação	 do	 meio	 ambiente.	 Sendo	 assim,	 as	
práticas	 capitalistas	 associadas	 ao	 consumo	 devem	 estar	 em	 equilíbrio	 com	 a	
sustentabilidade,	visando	aos	avanços	no	campo	social	e	econômico	sem	prejudicar	
a	natureza.	É	a	garantia	do	suprimento	das	necessidades	da	geração	futura	por	meio	
da	conservação	dos	recursos	naturais.
 
132
Esse	 termo	 surgiu	no	 relatório	desenvolvido	pela	Comissão	Mundial	 sobre	o	Meio	
Ambiente	e	o	Desenvolvimento	apresentado	em	1987,	conhecido	como	Relatório	de	
Brundtland	ou	Nosso	Futuro	Comum.	O	relatório	traz	a	definição	de	desenvolvimento	
sustentável	como:
“O	desenvolvimento	que	satisfaz	as	necessidades	presentes,	sem	comprometer	a	
capacidade	das	gerações	futuras	de	suprir	suas	próprias	necessidades.”
FONTE: Adaptado de . Acesso em: 12 jan. 2021.
A	 partir	 de	 diferentes	momentos	 em	 que	 a	 sociedade	 humana,	 promoveu	 a	
destruição	da	Natureza,	da	indiferença	do	ser	humano	com	seu	semelhante,	tornou-se	
necessário	 convergir	 esforços	 globais	 para	mitigar	 essas	 profundas	 desigualdades	 e	
atitudes	predatórias	que	condenam	os	seres	e	os	ambientes	para	a	acelerada	destruição	
de	todas	as	vidas.	Desde	a	Conferência	de	Estocolmo	de	1972,	os	debates	têm	insistido	
em	como	viabilizar	a	Sustentabilidade	na	vida	das	pessoas	e	como	se	torna	um	objetivo	
comum	para	a	melhoria	da	vida,	da	dignidade,	das	relações	que	ocorrem	entre	humano	
e	não	humanos.	Segundo	Aquino	e	Garcia	(2017,	p.3),	
Essa	 lógica	 predatória	 de	 humanos	 e	 não	 humanos	 chega	 ao	 seu	
ponto	 de	 saturação.	 As	 pessoas	 precisam	 se	 tornar	 responsáveis	
pelas	 suas	 escolhas:	 a	 Sustentabilidade	 é	 a	 alternativa	 eleita	 para	
uma	vida	digna	e	na	qual	demanda	compreensão	sobre	sua	 lógica	
inclusiva	ou	essa	promessa	gera	apenas	uma	imagem	cujo	conteúdo	
se	decidiu	não	cumprir	porque	não	se	pode	entender,	nem	respeitar	e	
sequer	reconhecer	os	desafios	do	século	XXI	para	além	das	relações	
humanas.	Por	esse	motivo,	a	Sustentabilidade,	não	obstante	todos	
os	 seus	 obstáculos,	 é	 a	matriz	 de	 transformação	 do	 atual	 cenário	
mundial	 que	 se	 manifesta	 pelas	 diferentes	 experiências,	 inclusive	
cognitivas,	 e	modifica	 a	 racionalidade	humana	para	 se	 criar	 novos	
projetos	de	utopias	mais	leves,	dinâmicas,	inclusivas.	
Em	tempos	atuais,	quais	ênfases	conceituais	e	práticas	de	Sustentabilidade	em	
defesa	da	vida	em	suas	várias	dimensões	será	necessário	promover?	Referente	a	esse	
olhar	sobre	a	Sustentabilidade,	Pavan	e	Castillo	(2013,	p.	12)	citam	que:
Nos	 dias	 atuais,	 a	 sustentabilidade	 concentra-se	 como	 o	 assunto	
mais	 elucidado	 entre	 as	 mais	 diversas	 áreas	 e	 nos	 mais	 variados	
gêneros,	 lugares	e	 formas	de	pensar	acerca	da	 real	 contemplação	
do	que	vem	a	ser	esse	fenômeno.	Mudanças	deverão	ocorrer	para	
que	 haja	 uma	 maior	 garantia	 de	 vida	 terrena.	 Em	 seus	 estudos,	
anuncia	 que	 “dos	 lares	 mais	 modestos,	 e	 passando	 pelos	 mais	
diferentes	 ambientes	 sociais	 e	 de	 trabalho,	 e	 pelos	 gabinetes	
onde	 se	 tomam	 decisões	 acerca	 do	 destino	 das	 famílias	 e	 das	
cidades,	 até	 as	 complexas	 decisões	 concernentes	 ao	 destino	 da	
‘casa	comum,’”	a	sustentabilidade	está	presente.	Está	na	esfera	da	
preocupação	com	a	crise	ambiental	o	cerne	essencial	do	fenômeno	
da	sustentabilidade.	Como	será	possível	o	contínuo	desenvolvimento	
133
sem	que	haja	a	direta	agressão	ao	meio	ambiente?	Como	se	tornar	
uma	 sociedade	 sustentável?	 As	 novas	 tecnologias,	 avultando	 as	
áreas	comerciais,	as	atitudes	agressivas	no	comércio	internacional,	a	
crise	financeira,	o	avanço	do	efeito	estufa	e	do	aquecimento	global,	
a	 crescente	 perda	 da	 biodiversidade,	 a	 degradação	 dos	 recursos	
indispensáveis	para	a	sobrevivência	humana,	o	exagero	no	consumo	
e	na	produção.	Tudo	 isso	são	fatos,	são	realidades	que,	para	haver	
condições	existenciais	de	vida	humana,	é	 indispensável	que	haja	a	
mudança	de	estilo	de	civilização.	Deve-se	dar	ênfase	à	preocupação	
no	sistema	desenvolvimentista	social,	econômico	e	ambiental,	pois,	
em	 cada	 ato	 humano	 há,	 direta	 ou	 indiretamente,	 uma	 agressão	
ao	meio	ambiente.	Assim,	buscar-se-á	um	estudo	quanto	ao	tema	
da	 sustentabilidade,	 como	um	 fenômeno	que	 tem	por	 finalidade	 a	
reorganização	das	atitudes	humanas,	uma	nova	forma	de	pensar	e	
agir	diante	do	colapso	ambiental.	Esse	é	um	meio	ou	“o”	meio	pelo	
qual	os	seres	humanos	têm	a	fórmula	de	vida	terrena.	Mas,	diante	
de	 seus	 atos,	 em	 comparação	 a	 uma	 empresa,	 estar-se-ia	 em	
plena	falência,	pois	que	dilapida	seu	capital,	o	qual,	em	se	tratando	
de	meio	ambiente,	são	os	recursos	naturais.	E	o	faz	como	se	esses	
fossem	eternos,	ilimitados,	infindáveis,	o	que	não	é	verdade,	já	que	os	
recursos	naturais	são	meios	limitados,	finitos.
Portanto,	 o	 ser	 humano	 tem	 o	 direito	 a	 um	meio	 ambiente	 ecologicamente	
equilibrado,	 sadio.	O	sujeito	em	pleno	desenvolvimento	tende	a	preocupar-se	com	o	
meio	que	lhe	garante	sua	subsistência,	ser	sustentável	é	essencial	para	a	preservação	
do	 meio	 ambiente.	 Com	 ações	 sustentáveis	 os	 recursos	 naturais	 não	 se	 esgotam,	
podendo	ser	utilizados	por	gerações	futuras.	Por	isso,	quando	você	faz	a	sua	parte,	deixa	
de	prejudicar	o	meio	ambiente.	Por	outro	lado,	para	as	empresas,	ao	mesmo	tempo	que	
elas	contribuem	na	preservação	ambiental,	elas	adquirem	vantagens	econômicas,	em	
taxas	e	impostos	e	passam	a	serem	vistas	como	empresas	responsáveis.	O	Século	XXI	
convoca	os	sujeitos	a	serem	sustentáveis.
3 CULTURA E DIÁLOGO DOS SABERES
O	conhecimento	é	o	conjunto	de	informações	que	o	indivíduo	adquire	por	meio	
da	sua	experiência,	aprendizagem,	crenças,	valores	e	 insights	sobre	algo	no	decorrer	
da	 sua	 trajetória.	 A	 pessoa	 que	 detêm	 o	 conhecimento	 é	 capaz	 de	 saber	 alguma	
informação	ou	instrução	e	a	mesma	pode	mudar	comportamentos	e	auxiliar	na tomada	
de	decisões.	O	conhecimento	é	capaz	de	transformar	vidas	e,	se	utilizado	devidamente,	
contribui	significativamente	para	a	construção	de	um	mundo	melhor.	Trata-se	de	um	
processamento	complexo	e	subjetivo	da	 informação	absorvida	por	um	 indivíduo.	É	a	
interação	com	processos	mentais	 lógicos	e	não	lógicos,	com	experiências	anteriores,	
compromissos	e	vários	outros	elementos	que	fazem	parte	da	mente	de	uma	pessoa.
	Embora	o	conhecimento	sempre	tenha	sido	necessário	para	elaborar	os	produtos,	
sua	importância	aumentou	vertiginosamente	com	o	desenvolvimento	da	ciência	e	da	
tecnologia,	particularmente	nas	últimas	décadas	do	século	XX.	É	 fundamental	 saber	
como	 utilizar	 os	 conhecimentos	 e	 saberes	 existentes.	 O	 conhecimento	 tradicional	
134
diz	 respeito	 às	 informações	 acumuladas	 ao	 longo	 do	 tempo	 por	 uma	 determinada	
comunidade	 com	 relação	 as	 suas	 práticas,	 seus	 valores,	 sua	 cultura,	 enfim,	 suas	
vivências	e	experiências.	Tais	conhecimentos	não	são	permanentes	nem	inabaláveis,	
pois	são	gerados,	modificados	e	reformulados	pela	comunidade.	Diegues	et al.	(2000,	
p.	30)	definem	o	conhecimento	tradicional	“como	o	conjunto	de	saberes	e	saber-fazer	a	
respeito	do	mundo	natural,	sobrenatural,	transmitido	oralmente	de	geração	em	geração”.	
Dickmann	e	Dickmann	(2008,	p.	70)	afirmam	que	“o	saber	popular	é	entendido	como	
aquele	adquirido	nas	lutas,	que	não	está	escrito	nos	livros,	aquele	que	é	fruto	das	várias	
experiências	vividas	e	convividas	em	tempos	e	espaços	diversos	na	história	do	povo”.
Alguns	 autores	 citam	 que	 existem	 tipos	 de	 conhecimentos,	 por	 exemplo:	
Filosófico,	 Senso	 Comum,	 Religiosos,	 Científico,Criação do 
mundo
Segundo a narrativa da Igreja sobre a criação do mundo e do homem, eles 
foram criados em seis dias e o Criador descansou no sétimo, contemplando 
a sua obra. O domingo representava esse dia, e por isso devia ser reservado 
às	orações	e	ao	descanso.	
Horas canônicas
Horas	canônicas:	São	as	várias	partes	do	Ofício	divino,	 escalonadas	ao	
longo	do	dia:	Laudes,	como	oração	da	manhã;	horas	menores	(Tércia,	Sexta	
e	Nona,	das	quais	se	pode	optar	por	uma	única,	hora	 intermédia,	a	mais	
adequada	à	hora	do	dia);	Vésperas,	ao	anoitecer	(considerada	hora	principal,	
juntamente	com	Laudes);	Completas,	ao	deitar;	e	Ofício	de	Leitura,	com	
o valor de tempo de oração meditativa durante a noite, embora podendo 
celebrar-se	a	qualquer	hora.	
FONTE: Schipansk e Pontarolo (2009, p. 30-31)
A	relação	das	pessoas	com	o	tempo	na	 Idade	Média	explica	muito	sobre	seu	
modo de vida. No entanto, vamos destacar outro aspecto fundamental dessa época: o 
espaço,	os	locais	de	reuniões,	de	trabalho,	de	estudos.	Segundo	Schipansk	e	Pontarolo	
(2009),	assim	se	apresentava	a	relação	espaço	e	ser	humano	no	período	medieval:
 QUADRO 2 – ESPAÇO E RELAÇÕES
Espaços e 
relações
Configurações
Fixação	ao	solo
A	primeira	condição	para	o	funcionamento	do	sistema	feudal	era	a	fixação	
dos	homens	ao	solo.	Ora,	a	ligação	dessas	pessoas	com	a	terra	é	indiscutível,	
pois	a	base	da	sobrevivência	era	a	agricultura.	Além	do	mais,	é	a	organização	
espacial	em	feudos	que	estabelece	o	lugar	de	cada	um:	vassalo	e	suserano,	
servo ou senhor.
Paróquias
A	divisão	espacial	em	paróquias	mostra	que	a	Igreja	teve	importância	ímpar	
também	nesse	aspecto,	a	criação	do	quadro	paroquial.		A	paróquia	reunia	os	
grupos,	formando	aldeias	ao	redor	da	igreja	(que	era	um	edifício	sacralizado)	e	
do	cemitério.	O	lugar	central	e	para	onde	convergiam	as	atenções	e	os	olhares	
era	o	altar	–	lugar	onde	a	Igreja	confirmava	sua	unidade	através	da	eucaristia.	
Essa	distribuição	populacional	ao	 redor	dos	edifícios	sagrados	origina	um	
espaço	“heterogêneo	e	hierarquizado,	polarizado	pelos	santos	e	suas	relíquias”.
Vínculo	a	terra
No	entanto,	não	podemos	confundir	vínculo	à	terra	com	imobilidade,	pois,	
ao	contrário	do	que	se	acredita,	nem	todos	os	homens	e	mulheres	da	Idade	
Média passavam a vida inteira no lugar onde nasceram, muitos deles viviam 
em constante movimentação e peregrinação. Aparece como um elemento 
fundamental	 do	 encelulamento,	 que	 contribui	 para	 a	 estabilidade	 das	
populações	rurais	e,	então,	para	a	solidez	do	laço	entre	os	homens	e	o	seu	
lugar, indispensável ao funcionamento da dominação feudal.
7
Movimentação
A	movimentação	se	dava	pelo	fato	de	que,	nesse	tempo,	as	propriedades	
podiam	ser	provisórias.	Os	indivíduos	estavam	inseridos	em	uma	hierarquia	
que	determinava	sua	posição	social:	o	senhor	tinha	todo	o	direito	de	retomar	
do	servo	ou	do	vassalo	a	extensão	territorial	a	ele	concedida,	desde	que	o	
transferisse para outra da mesma proporção. Entretanto, esse novo local 
poderia estar situado bem longe do local de origem. Já a peregrinação estava 
associada	às	experiências	de	exterioridade	e	poderia	funcionar	como	um	
meio	de	reforçar	o	vínculo	com	o	lugar	de	origem.	
Religiosidade
O	espírito	religioso	que	imperava	nessa	época	empurrava	as	pessoas	para	
a	estrada.	A	busca	pelos	lugares	santos	e	pelas	relíquias	sagradas	movia	
boa	parte	da	população	medieval.	A	travessia	era,	na	maioria	das	vezes,	
cercada	de	dificuldades:	os	caminhos	longos	e	tortuosos,	o	frio	e	a	fome,	o	
medo	da	noite	e	da	floresta,	os	ladrões	e	o	mau	estado	das	estradas	e	dos	
caminhos percorridos. 
Peregrinação
A peregrinação, portanto, não visava a satisfação do desejo pessoal 
de	conhecer	novos	 lugares,	 nem	mesmo	era	uma	atividade	de	 lazer.	A	
peregrinação era praticada como uma penitência, como uma provação. 
Era	uma	das	formas	de	purgar	pecados	graves,	de	se	sacrificar	pelo	perdão	
divino.	Essas	mobilidades	e	deslocamentos	deixavam	cada	vez	mais	clara	
para	os	indivíduos	a	importância	dos	seus	lugares	e	isso	reafirmava	neles	o	
laço	imaginário	que	os	prendia	ao	seu	espaço.	
FONTE: Schipansk e Pontarolo (2009, p. 32)
O feudalismo predominou na Idade Média. Sendo assim, a agricultura era a base 
econômica dos povos europeus ocidentais. Como se observa, em geral, a Idade Média foi 
sumariamente	caracterizada	por	um	sistema	político,	 econômico	e	 social	 denominado	
feudalismo.	Queiroz	e	Junior	(2015,	p.	34),	caracterizam	o	Feudalismo	da	seguinte	maneira:
O	feudo	era	tido	como	um	“modo	de	posse	de	bens	reais”	e	 ‘feudal’	
relacionava-se	não	apenas	ao	feudo	propriamente,	mas	também	aos	
encargos decorrentes deste tipo de posse. Posteriormente, durante 
a	 monarquia	 absolutista,	 a	 expressão	 que	 denominava	 o	 aspecto	
jurídico,	 passa	 a	 incorporar	 um	conteúdo	político.	 Com	 isso,	 passa-
se	 a	 enfatizar	 como	 principais	 características	 do	 âmbito	 feudal	 os	
vários aspectos relativos à fragmentação da soberania. Mais tarde, a 
partir	dos	estudos	e	conceitos	desenvolvidos	por	Karl	Marx	e	Friedrich	
Engels,	entre	1845	e	1846,	o	período	medieval	passa	a	ser	visto	pelos	
historiadores	 marxistas	 como	 um	 modo	 de	 produção,	 o	 chamado	
“modo	 de	 produção	 feudal”.	 Esse	 modo	 de	 perceber	 o	 feudalismo	
como	 fenômeno	 histórico	 implicava	 num	 entendimento	 em	 que	 a	
expressão	 “feudal”	 incorporasse	 também	 um	 conteúdo	 econômico,	
referindo-se	não	apenas	à	organização	política	e	às	relações	pessoais	
estabelecidas entre os homens pertencentes às classes dominantes, 
mas também à própria maneira como estes sujeitavam uma população 
mais	 ampla	 para	 a	 organização	 de	 uma	 produção	 agrícola	 da	 qual	
todos	dependiam	para	a	sua	subsistência.	Assim,	as	relações	verticais	
entre	senhores	e	servos	e	todo	um	complexo	sistema	de	trabalho	e	
propriedade	passavam	a	figurar	o	“modo	de	produção	Feudal”.
 
Portanto,	 o	 Feudalismo	 incluía	 tanto	 um	 sistema	 senhorial	 de	 exploração	
econômica-social,	como	o	conjunto	de	mecanismos	feudo-vassálicos,	por	onde	se	
organizava	a	hierarquia.	
8
3 RENASCIMENTO E SOCIEDADE
Entre	o	final	da	 Idade	Média	e	 início	da	 Idade	Moderna,	o	conhecimento	dito	
científico	começa	a	colocar	em	questão	muitos	conhecimentos	da	época	e	o	próprio	
entendimento	 do	 mundo	 pelo	 conhecimento	 religioso/teológico.	 Por	 exemplo,	
lembremos	 a	 descoberta	 de	 que	 a	Terra	 não	 era	 o	 centro	 do	Universo.	A	Revolução	
Francesa,	 por	 exemplo,	 foi	 inspirada	 nas	 ideias	 iluministas	 e	 representa	 o	 principal	
marco desse movimento intelectual (Renascentista).
Iluminismo:	 Contrário	 à	 visão	 teocêntrica	 que	 dominava	 a	 Europa.	 Essa	
forma	de	pensamento	tinha	o	propósito	de	iluminar	as	trevas	em	que	se	encontrava	a	
sociedade.	De	acordo	com	Mello	e	Donato	(2011,	p.	252),	
 O pensamento iluminista tem como fundamentos a crença no poder 
da	razão	humana	de	compreender	nossa	verdadeira	natureza	e	de	
ser	 consciente	 de	 nossas	 circunstâncias.	 O	 homem,	 então,	 creia	
ser o detentor de seu próprio destino, formulando o racionalismo 
e	 contrariando	 as	 imposições	 de	 caráter	 religioso,	 sua	 “razão”	
divina	de	existir,	e	os	privilégios	dados	à	nobreza	e	ao	clero	–	ainda	
predominantes à época (séculos XVII e XVIII).
O iluminismo foi um movimento filosófico e intelectual que aconteceu entre os 
séculos XVII e XVIII na Europa, em especial, na França. Os pensadores iluministas 
defendiam as liberdades individuais e o uso da razão para validar o conhecimento.
Também chamado de  “Século das Luzes”, o movimento iluminista 
representa a ruptura do saber eclesiástico, isto é, do domínio que 
a Igreja Católica exercia sobre o conhecimento. E dá lugar ao saber 
científico, que é adquirido por meio da racionalidade.
O iluminismo é um movimento da Idade Moderna que rompeu com 
o teocentrismo – doutrina que coloca Deus no centro de tudo – e 
passou a ver o indivíduo como o centro do conhecimento.
FONTE: .Artístico,	 Popular,	 entre	 outros.	 No	
caso	 específico	 de	 certas	 pesquisas	 acadêmicas	 pesquisa	 investigasse	 também	 o	
conhecimento	 dito	 popular	 (tradições	 ancestrais	 e	 do	 povo	 em	 geral),	 que	 de	 certa	
forma	 se	 relaciona	 com	 o	 conhecimento	 científico.	 Nas	 palavras	 de	 Costa	 (2002),	 o	
conhecimento	popular	é	a	expressão	máxima	de	determinados	povos,	onde	se	localiza	
o	 sagrado,	 o	 pertencimento	 à	 solidariedade.	 Para	 o	 autor,	 além	 de	 ser	 transmitido	
milenarmente	 em	 certas	 ocasiões,	 serve	 para	 auxiliar	 o	 povo	 excluído,	 oprimido,	
marginalizado,	 nos	 casos	 de	 saúde,	 educação,	 relacionamentos.	 Uma	 vertente	 não	
eurocêntrica	e	sim	do	local,	da	comunidade.	
Paulo	 Freire,	 grande	 educador,	 foi	 um	 dos	 precursores	 em	 problematizar	 a	
temática	Diálogo	 dos	 saberes,	 em	 sua	 obra	 Extensão	 ou	Comunicação,	 em	 1977,	 no	
sentido	de	orientar	a	relação	entre	o	técnico	e	o	agricultor,	onde	todos	os	sujeitos	são	
educandos	e	educadores.	Numa	relação	de	ensino-aprendizagem,	Diálogo	de	saberes	
é	a	confluência,	ou	o	encontro	do	conhecimento	científico,	sistematizado,	comprovado,	
aprendido	 na	 escola	 com	 o	 conhecimento	 ou	 saber	 popular	 adquirido	 por	 meio	 da	
experiência	 de	 vida	 do	 agricultor	 nas	 diversas	 dimensões,	 que	 expressa	 o	 que	 faz	
sentido	para	ele,	sua	visão	de	mundo,	sua	identidade	de	agricultor.	
O	 importante	no	âmbito	cultural	e	das	 relações	existente	em	sociedade	é	de	
que	o	diálogo	pressupõe	troca,	uma	 relação	de	 sujeitos	 iguais,	 ambos	educadores	e	
educandos,	ou	seja,	numa	relação	horizontal	em	que	nenhum	é	melhor	ou	mais	que	
o	 outro,	 e	 ambos	 são	 possuidores	 de	 conhecimentos,	 cientificamente	 ou	 apenas	
socialmente	construído.	O	diálogo entre	o	conhecimento	científico	e	o	conhecimento	
popular	 é	 central	 para	 o	 entendimento	 da	 Popularização	 da	 Ciência.	 É	 importante	
que	os	pesquisadores	deem	retorno	do	que	tem	feito	para	a	sociedade,	mas	também	
é	necessário	ouvir,	para	entender	o	que	as	pessoas	desejam	e	precisam,	bem	como	
descobrir	realidades	e	conhecimentos	distintos	dos	ensinados	nas	universidades.
Esse	diálogo	tem	como	pressuposto	o	reconhecimento	e	o	respeito	à	cultura,	
aos	valores	étnicos,	a	história	dos	sujeitos,	na	medida	em	que	se	procura	conhecer	a	
realidade	do	sujeito	ou	da	comunidade	com	a	qual	vai	trabalhar,	que	vai	pesquisar.	É	
nessa	realidade	ou	nesse	contexto	sócio-histórico,	sob	o	olhar	atento	do	pesquisador,	
135
que	se	pode	 ler	valores	culturais,	o	modo	de	ser	e	de	se	ver,	de	viver	e	de	trabalhar,	
de	significar	seus	projetos	de	vida.	No	Diálogo	de	saberes	está	implícita	a	construção	
conjunta	 do	 conhecimento	 ou	 a	 produção	 coletiva	 de	 conhecimentos,	 sem	 haver	
imposição	 de	 receitas,	 técnicas	 ou	 soluções	 prontas,	 sem	 “invasão	 cultural”.	 É	 uma	
prática	 que	 envolve	 a	 participação	 direta	 do	 sujeito	 ou	 da	 comunidade,	 na	 ação	
(execução),	 gestão;	 monitoramento	 e	 avaliação.	 É	 permitir	 que	 o	 sujeito	 assuma	 o	
protagonismo	de	seu	processo	histórico,	tendo	um	papel	ativo	na	transformação	de	sua	
realidade,	buscando	atuar	e	se	corresponsabilizar	pelo	seu	desenvolvimento,	de	modo	
cada	vez	mais	autônomo.	
Por	outro	lado,	o	pesquisador	não	pode	se	omitir	na	sua	relação	com	os	sujeitos.	
Não	 pode	 omitir	 o	 que	 sabe,	 esconder	 o	 que	 sabe,	 esconder	 o	 que	 aprendeu	 nos	
domínios	do	conhecimento	técnico-científico,	esconder	seus	valores,	suas	crenças,	sua	
visão,	pois	o	verdadeiro	aprendizado	só	se	constrói	na	"síntese	cultural"	de	sujeitos.	O	
conceito	de	ser	humano	aqui	inerente	é	um	ser	ativo,	criativo,	que	transforma	o	meio	
produzindo	 cultura;	 um	 ser	 capaz	 de	 criar	 as	 suas	 próprias	 condições	 de	 existência	
atuando	sobre	a	natureza,	transformando-a	e	transformando-se	a	si	próprio.	O	princípio	
não	é	apenas	ideológico,	mas	também	adotado	na	prática	da	pesquisa,	conduzida	em	
todos	os	 territórios	 com	a	contribuição	de	um	pesquisador	profissional	 e	de	 sujeitos	
envolvidos	com	suas	práticas.	Um	saber	tecido	a	muitas	mãos,	com	contribuições	das	
universidades,	e	dos	sujeitos	beneficiários,	observando	que	o	seu	conhecimento	sobre	
a	realidade	local	e	o	saber	tradicional	devem	estar	obrigatoriamente	contemplados	para	
uma	efetiva	política	pública.	
Percebe-se	 que	 os	 grupos	 sociais	 tradicionais	 têm	 seu	 dinamismo	 e	 tempos	
próprios.	Cabe	à	comunidade	acadêmica	aceitar	a	legitimidade	dos	saberes	desses	grupos	
e	trabalhar	com	as	possibilidades	que	a	aceitação,	seguida	da	dialogicidade,	pode	propiciar.	
Observação,	 oralidade,	 experiência	 íntima	e	mítica	 com	o	 espaço	vivido	 e	 relações	de	
trabalho	são	materializadas	em	círculos	familiares	e	de	amizade.	A	capacidade	de	aprender	
com	a	própria	vivência	advêm	de	nossas	experiências	do	e	no	espaço.	A	observação	não	é	
um	simples	ato	de	ver,	restrito	a	um	único	órgão	sensorial.	Na	proposta	de	diálogo	entre	os	
saberes	deve-se	pensar	numa	epistemologia	que	trate	a	contextualização	e	a	concepção	
sistêmica	da	vida	como	princípios	filosóficos	essenciais.
4 CULTURAS E O BEM VIVER
O	que	é	uma	vida	boa?	Como	se	deve	viver?	O	que	significa	viver	bem?	Essas	
perguntas	podem	ser	interpretadas	de	diferentes	maneiras.	Poderíamos	responder	que	
para	 se	viver	 bem,	 deveríamos	 ter	 uma	vida	moral	 impecável.	 Outros	 desejariam	 ter	
uma	vida	prazerosa	ou	ter	boa	saúde.	Acrescentariam	o	conforto	à	prosperidade	ou	até	
mesmo	muitos	amigos.
136
No	contexto	latino-americano,	nas	últimas	décadas	do	Século	XX,	um	importante	
debate	referente	à	vida	plena	para	todos	se	tornou	presente:	a	utopia	indígena	do	Bem	
Viver,	Sumak	Kawsay	em	sua	expressão	em	quechua,	a	mais	conhecida	no	Continente.	
Não	se	trata	de	um	tema	realmente	novo,	mas	sim	de	uma	riqueza	de	sabedoria	que	só	
nos	últimos	anos	os	povos	 indígenas	estão	trazendo	à	 luz	e	oferecendo-a	ao	mundo	
como	sua	contribuição	à	aventura	humana.	Sobre	o	exposto,	Osório	(2015,	p.	8)	afirma:
A	noção	de	Bem	Viver	tem	como	procedência	o	sumak	kawsay,	um	
modo	de	vida	de	populações	indígenas	latino-americanas.	Bem	Viver	
provém	 da	 tradução	 para	 o	 castelhano	 (buen	 vivir)	 da	 expressão	
kichwa	sumak	kawsay	e	da	expressão	aymara	suma	qamaña.	Sumak,	
que	em	kichwa,	significa	plenitude,	e	kawsay,	viver.	Kichwa	designa	um	
povo,	uma	nacionalidade	e	um	idioma	falado	por	cerca	de	14	milhões	
de	pessoas	distribuídas	entre	as	 regiões	andinas	e	amazônicas	de	
Peru,	Bolívia,	Equador,	Chile,	Colômbia	e	Argentina.	Foi	a	língua	oficial	
do	Império	Inca.	Nesse	idioma,	“suma	significa	plenitude,	excelência,	
bem,	e	qamaña,	viver,	estar	sendo.	Aymara	é	também	a	designação	
de	um	povo	estabelecido	no	Peru,	Bolívia,	Argentina	e	Chile”.
O Sumak Kawsay, da tradução literal, seria a vida em plenitude, excelência, 
o melhor, o belo. Mas já interpretada em termos políticos, é a própria vida, 
uma mistura de tarefas e vontade política que significam mudanças para 
que as pessoas não percam o pão do dia e que não haja desigualdades 
sociais entre homens e mulheres. O Sumak Kawsay é o sonho não só 
dos índios, mas também de todos os humanos. Quando falamos sobre o 
Sumak Kawsay, não se trata de voltar ao passado, porque não podemos 
dizer que isso foi perfeito, mas nós tivemos e vivemos o Sumak Kawsay 
(CHANCOSO, 2014).
NOTA
O	Bem	Viver	deve	combinar	com	um	Bem	Conviver:	não	vivemos	bem	se	não	
convivemos	bem,	entendendo	isso	efetivamente	em	um	sentido	integral:	convivência	
entre	 os	 humanos,	 convivência	 com	 as	 demais	 espécies	 para	 evitar	 o	 especismo,	 e	
convivência	com	toda	a	natureza	em	harmonia	integral.	Bem	viver	que	não	é	a	boa-vida	
não	solidária,	nem	o	viver	melhor	na	acumulação	ou	progresso	 indefinido	a	qualquer	
custo.	 Bem	Viver	 que	 pode	 levar,	 em	boa	 parte,	 ao	 decrescimento,	 à	vida	 natural,	 à	
sobriedade	para	que	todos	possam	também	viver	bem.
Os	movimentos	indígenas	emergem	com	muita	força	em	vários	países	latino-
americanos,	como	sujeitos	e	não	mais	como	objetos	da	política.	Sãoatores	fundamentais	
em	processos	de	democratização	no	Equador	e	na	Bolívia,	em	particular.	Não	só	sujeitos,	
mas	também	portadores	de	alternativas	de	sua	própria	forma	de	ver	o	mundo,	pois	os	
Povos	indígenas	são	povos	com	larga	memória	e	que	podem	enfrentar	momentos	de	
muita	crise.	São	povos	que	oferecem	opções	diferentes	de	vida.	De	acordo	com	Acosta	
(2016,	p.	10):
137
Há	 nessa	 sobrevivência	 centenária	 não	 somente	 um	 mecanismo	
de	defesa,	mas	sabedorias	sofisticadas	e	alternativas	para	as	crises	
ecológicas,	 sociais	 e	 políticas	 que	 atingem	 todo	 o	 mundo.	 Muitas	
práxis	libertadoras	e	igualitárias	de	povos	originários,	marginalizados	
e	periféricos	da	América	Latina	e	de	territórios	emergentes	compõem	
a	essência	da	filosofia	do	Bem	Viver.	“A	vida	de	um	ser	humano	em	
harmonia	consigo	mesmo,	com	o	outro	e	com	a	natureza.
Em	certo	sentido,	o	Bem	Viver	seria	uma	cosmovisão	igualitária	da	Sociedade	
em	que	a	convivência	é	a	referência	maior.	Suess	(2010,	p.	1)	explica:
O	paradigma	Sumak	Kawsay	é	de	origem	quéchua	e	significa	Bem	
Viver.	Não	é	fácil	expressar,	com	palavras,	uma	noção	tão	ampla	e	
complexa	 como	 o	 Bem	 Viver,	 que	 abrange	 muitas	 dimensões	 e	
significados.	 Pode-se	 dizer	 que	 ele	 expressa,	 ao	 mesmo	 tempo,	
memória	e	horizonte	–	por	um	lado,	memória	pré-colonial	e	tradicional	
do	 mundo	 andino	 –	 e,	 por	 outro	 lado,	 protesto	 e	 luta	 contra	 os	
excessos	do	capitalismo	agroindustrial	globalizado.Os	povos	quéchua	
compreendem	seu	passado	como	um	mundo	imerso	no	Bem	Viver,	
que,	hoje,	seria	a	convivência	harmoniosa	entre	cosmo,	natureza	e	
humanidade.	Saídas	políticas	assumidas	no	presente	sustentam-se,	
muitas	vezes,	na	memória	de	um	tempo	bom,	perdido	e	idealizado,	
ao	mesmo	tempo	mítico	e	histórico.	Esse	tempo	passado	pode	ser	e	
é,	muitas	vezes,	o	motor	para	transformações	da	realidade	presente.
Podemos	destacar	que	o	Bem	Viver	é	uma	Filosofia	de	Vida.	Nas	palavras	da	
pesquisadora	Bonim	(2015,	p.	1),
Trata-se	 de	 uma	 filosofia,	 com	 reflexos	 muito	 concretos,	 que	
sustenta	e	dá	sentido	às	diferentes	formas	de	organização	social	de	
centenas	de	povos	e	culturas	da	América	Latina.	Sob	os	princípios	da	
reciprocidade	entre	as	pessoas,	da	amizade	fraterna,	da	convivência	
com	outros	seres	da	natureza	e	do	profundo	respeito	pela	terra,	os	
povos	indígenas	têm	construído	experiências	realmente	sustentáveis	
que	podem	orientar	nossas	escolhas	futuras	e	assegurar	a	existência	
humana.	Esses	povos	têm	nos	ensinado	que	para	construir	o	Bem	
Viver	as	pessoas	devem	pensá-lo	para	todos.	Isso	significa	dizer	que	é	
preciso	combater	as	injustiças,	os	privilégios	e	todos	os	mecanismos	
que	geram	a	desigualdade.	Assim,	a	“causa”	indígena	se	vincula	com	
a	 “causa”	 dos	 pobres	 e	 marginalizados	 e,	 desse	 modo,	 não	 deve	
ser	pensada	como	uma	questão	à	parte,	desvinculada	dos	grandes	
desafios	do	mundo	contemporâneo.
Quais	os	ensinamentos	deixados	pela	perspectiva	do	Bem	Viver	para	a	Humanidade?
Um	 dos	 grandes	 ensinamentos	 que	 os	 povos	 indígenas	 têm	 nos	
transmitido,	 desde	 tempos	 imemoriais,	 é	 o	 de	 saber	 conviver	
com	 a	 Mãe	 Terra,	 dedicando-lhe	 respeito,	 amor	 e	 profundo	 zelo.	
Na	 visão	 desses	 povos,	 a	 terra	 é	 mais	 do	 que	 simplesmente	 o	
lugar	 onde	 se	vive.	 Ela	 é	 sagrada,	 é	 capaz	de	 fazer	 germinar	 e	 de	
acolher	plantas,	animais	e	uma	 infinidade	de	seres	vivos,	além	dos	
humanos,	compondo	assim	ambientes	onde	a	vida	frutifica	em	todo	
o	 seu	esplendor.	Assim	 sendo,	 a	 terra	 está	na	base	do	Bem	Viver.	
No	entanto,	nem	todas	as	comunidades	indígenas	brasileiras	podem	
138
usufruir	do	direito	de	viver	em	seus	territórios	tradicionais,	ou	seja,	
estão	sem	possibilidade	de	vivenciar	a	condição	primordial	do	Bem	
Viver.	O	conceito	de	Bem	Viver	está	na	contramão	de	um	modelo	de	
desenvolvimento	que	considera	a	terra	e	a	natureza	apenas	como	
insumos	para	a	produção	de	mercadorias	de	rápido	consumo	e,	mais	
rápido	ainda,	descarte.	É	para	sustentar	o	modelo	capitalista	que	os	
governos	priorizam	os	mega	 investimentos,	 as	grandes	barragens,	
a	 exploração	mineral,	 as	monoculturas	 que	 degradam	 o	 ambiente	
e	 envenenam	 a	 terra,	 as	 águas	 e	 todos	 os	 seres	 vivos.	 O	modelo	
capitalista	 promove	 a	 concentração	 de	 bens	 e	 riquezas	 nas	mãos	
de	poucos	privilegiados	que	priorizam	as	regras	da	competitividade,	
da	 lucratividade	e	do	 ideal	 individualista	de	“se	dar	bem	na	vida”.	A	
falta	de	respeito	com	o	diferente	e	com	todos	aqueles	que	possuem	
maneiras	distintas	de	viver	e	pensar	é	característica	das	elites,	das	
quais	a	brasileira	se	destaca	por	ser	acentuadamente	conservadora	
(BONIM,	2015,	p.1).
Como	um	Projeto	de	Vida,	o	Bem	Viver	tem	alguns	ensinamentos	importantes	
para	o	futuro	da	humanidade.	Em	escala	micro	ou	em	uma	escala	macro,	quais	seriam	
essas	práticas	e	ensinamentos	que	devemos	ter	para	alcançar	a	Vida	Plena?
Para	 alcançarmos	 uma	 vida	 digna	 para	 todos	 é	 preciso	 diminuir	
o	 consumo,	 sobretudo	 do	 que	 é	 excessivo	 e	 supérfluo,	 e	 também	
reduzir	 as	 desigualdades	 sociais.	 Vale	 ressaltar	 que	 o	 propósito	
individualista	 de	 “se	 dar	 bem	 na	 vida”	 é	 um	 dos	 princípios	 desse	
modelo	que	promove	a	injustiça,	a	violência,	a	insegurança	e	a	morte	
de	seres	humanos,	condenados	a	viver	em	“cinturões	de	miséria”	nas	
grandes	cidades,	ou	em	condições	de	trabalho	desumanas	nas	áreas	
rurais.	Além	disso,	o	consumo	desenfreado	promove	a	devastação	
de	florestas	e	da	biodiversidade	e	coloca	em	perigo	a	vida	de	todos	
os	 seres,	 não	 apenas	 do	 homem.	 O	 Bem	Viver,	 experienciado	 por	
centenas	de	comunidades	e	povos	indígenas	na	América	Latina,	pode	
nos	inspirar	a	repensar	valores	e	práticas	da	cultura	contemporânea.	
O	Bem	Viver	das	culturas	indígenas	pode	ser	reinterpretado	para	se	
tornar	 um	 projeto	 de	vida	 concreto,	 capaz	 de	 revolucionar	 nossas	
maneiras	 de	 pensar,	 nossas	 formas	 de	 interagir	 com	a	 natureza	 e	
nossas	relações	humanas	(BONIM,	2015,	p.	1).
A	 importância	 da	 Cosmovisão	 ou	 Paradigma	 do	Bem	Viver	 está	 na	 realização	
imediata	 na	 retomada	 de	 um	 horizonte	 de	 um	 futuro	 com	 justiça	 e	 igualdade.	A	 luta	
indígena	pelo	Bem	Viver	 faz	parte	de	uma	ampla	aliança	pela	preservação	da	vida	no	
planeta	Terra.	 Para	 pensar	 em	Bem	Viver	 é	 necessário	 beber	 da	 fonte	 ancestral,	mas	
isso	não	significa	fazer	uma	leitura	utópica	do	passado,	e	sim	pensá-lo	como	tempo	que	
respalda	a	contínua	produção	do	presente	e	do	futuro.	As	próprias	culturas	indígenas	são	
o	melhor	exemplo	de	que	outro	mundo	é	possível	porque	conseguem	ainda	no	início	deste	
século	XXI,	marcado	pela	desigualdade	e	uniformização	das	mercadorias,	do	consumo	e	
dos	desejos,	construir	sociedades	igualitárias,	sem	marginalização	e	sem	exclusão. 
139
Com	base	nos	povos	indígenas,	o	conceito	de	"Bem	Viver"	se	apresenta	como	
algo	que	convida	a	voltar	a	sonhar,	mas	de	olhos	abertos,	a	pensar	possibilidades	de	
novos	mundos,	mas	sempre	com	pé	no	chão,	entendendo	os	reais	problemas	e	em	qual	
ponto	de	partida	nos	encontramos.	Somos	seres	em	comunidade,	temos	que	entender	
que	somos	parte	da	Natureza.
Significado de Paradigma 
Paradigma é um termo com origem no grego "paradeigma" que 
significa modelo, padrão. No sentido lato corresponde a algo que vai 
servir de modelo ou exemplo a ser seguido em determinada situação. 
O paradigma é um princípio, teoria ou conhecimento. Uma referência 
inicial que servirá de modelo a ser seguido (mudança).
FONTE: . Acesso em: 23 mar. 2021.
NOTA
PRINCÍPIOS DO BEM VIVER
•	 A	 aceitação	 de	 estados	 plurinacionais,	 ou	 seja,	 reconhecer	 que	 dentro	 do	 seu	
território	existem	diferentes	identidades	nacionais	e	que	devem	ser	respeitadas	
por	igual,	além	de	efetivamente	participativas.	E	Com	essa	visão	plurinacionalista,	
será	 possível	 construir	 novas	 histórias,	 realidades,	 uma	 nova	 democracia,	
respeitando	os	povos	originários,	a	diversidade	e,	principalmente,	a	Natureza.
•Com	 uma	 visão	 mais	 colaborativa,	 o	 “Bem	 Viver”	 pede	 um	 novo	 modelo	 de	
economia,	 mais	 pautada	 na	 solidariedade,	 responsabilidade,	 integralidade	
e	 reciprocidade,	 algo	 diferente	 do	 que	 se	 vê	 ou	 viu,	 do	 que	 conhecemos	 do	
capitalismo	e	do	socialismo.	
•	 Mudanças	nos	moldes	de	produção	e	consumo,	buscando	sempre	uma	qualidade	
de	vida	universal,	e	não	no	acúmulo	de	capital.	
•	 Novas	 formas	 de	 produção,	 principalmente	 de	 alimentos,	 sendo	mais	 locais	 –	
iniciativa	zero	quilômetro	–	que	fortaleçam	a	soberania.
•	 Participação	plena	na	política,	gerando	contrapoderes	influentes.
•	 Fomentar	 a	 economia	 interna	 e	 externa	 ao	mesmo	 tempo,	 de	 forma	 a	 serem	
complementares	e	não	competitivas.
•	 As	necessidades	humanas	são	o	motor	do	processo	e	não	as	metas.
•	 Repensar	as	organizações	políticas	tradicionais	e	os	partidos,	sendo	a	construção	
do	“Bem	Viver”	algo	autodependente	e	participativo.
•	 O	lema	é	crescer	menos,	mas	com	qualidade.
140
•	 Redução	do	tempo	de	trabalho	e	distribuição	do	emprego,	sendo	o	trabalho	direito	
e	dever	da	sociedade	que	busca	o	“Bem	Viver”.
•	 Subtração	do	olhar	objetificado	dos	seres	humanos,	passando	de	ameaça	para	
promessa.	
•	 Combate	à	excessiva	concentração	de	riqueza,	levando	a	uma	convivência	sem	
miséria,	discriminação	e	com	o	mínimo	de	coisas	necessárias.
•	 Possibilidade	 igualitária	 de	 escolhas	 para	 as	 pessoas,	mesmo	 que	 com	meios	
diferentes.	
FONTE: ACOSTA, A. O Bem Viver: uma oportunidade para imaginar outros mundos. São Paulo: Editora 
Autonomia Literária, 2016, p.
141
O BEM VIVER E A RADICALIDADE DE SONHAR OUTROS MUNDOS
Juliana	Gonçalves
O	 conhecimento	 que	 emerge	 de	 memórias	 antigas.	 Aprendizados	 fincados	
em	práticas	comunitárias.	 “Bem	Viver”	é	um	nome	novo	usado	para	conceitualizar	a	
cosmovisão	de	comunidades	tradicionais	que	se	organizavam	a	partir	do	coletivo.	É	um	
modo	de	vida	que	abarca	a	relação	entre	as	pessoas,	a	natureza	e	o	modelo	econômico	
em	sociedades	que	não	tinham	no	capitalismo	o	modo	possível	de	se	organizar.	Enquanto	
conceito,	nasce	em	berço	andino,	mas	há	correspondências	do	Bem	Viver	em	muitas	
comunidades	tradicionais	e	seus	modos	de	organização	antes	da	colonização	sofrida	na	
América	Latina	e	no	continente	africano.	Bem	Viver	é sumak kawsay em	quéchua	–	idioma	
falado	por	muitos	grupos	indígenas	da	América	do	Sul	–,	é Suma Qamaña em	aymara	
–	língua	de	povo	tradicional	do	mesmo	nome	existente	na	Colômbia,	Equador,	Bolívia,	
entre	outros	países.	É	também	o teko porã,	guarani	ou	ainda	o nhanderekó,	do	guarani	
mbya.	Boaventura	de	Sousa	Santos	(2010),	professor	e	sociólogo	português,	destaca	
que	mesmo	sendo	um	conceito	nativo,	o	Bem	Viver	não	é	entendido	pelas	organizações	
indígenas	como	uma	propriedade	exclusiva	dos	indígenas,	mas	entendem	como	uma	
contribuição	dos	povos	indígenas	para	todo	conjunto	das	etnias	presentes	na	América	
Latina.	Alberto	Acosta,	um	dos	teóricos	do	conceito	e	autor	de	 “O	Bem	Viver	–	Uma	
oportunidade	para	 imaginar	outros	mundos”,	afirma	também	que	há	correspondência	
do	conceito	no	continente	africano,	como	na	filosofia	do ubuntu da	África	do	Sul.	Acosta	
aponta	que	“não	são	ideias	que	foram	construídas	na	academia,	nas	universidades	ou	
partidos	políticos,	 são	 ideias	e	valores,	 experiências	e	muitas	práticas	existentes	em	
muitas	comunidades”.
Para	 povos	 que	 viveram	 o	 massacre	 físico	 e	 epistêmico	 da	 colonização	 e	
escravidão,	o	Bem	Viver	é	uma	inspiração	que	nos	permite	sonhar	outros	mundos.	O	
combate	ao	capitalismo	ganha	destaque	dentro	da	teoria	do	Bem	Viver,	como	coloca	a	
socióloga	feminista	colombiana	Magdalena	León	(2012),	pois	“marca	uma	ruptura	com	
a	centralidade	do	indivíduo,	a	superioridade	do	humano	e	com	as	noções	de	progresso,	
desenvolvimento	 e	 bem-estar	 em	 chave	 capitalista”.	 Dessa	 maneira,	 o	 Bem	 Viver	
propõe	também	abandonar	a	busca	pelo	“desenvolvimento”,	porque	considera	que	esse	
conceito	vem	carregado	de	violência	e	opressão	em	todas	as	esferas.	O	capitalismo	exige	
relações	 calcadas	 nas	 desigualdades	 para	 se	 desenvolver.	 Essas	 desigualdades	 são	
construídas	a	partir	da	hierarquização	dos	corpos	proposta	pelas	ideias	colonizadoras	e	
escravocratas,	que	carregam	consigo	a	perda	da	humanidade	dos	povos	colonizados.	
Sendo	 assim,	 a	 construção	 de	 um	 novo	marco	 civilizatório	 passa,	 necessariamente,	
LEITURA
COMPLEMENTAR
142
pela	criação	de	outro	modelo	econômico.	No	entanto,	não	faltam	críticas	que	apontem	
que	esses	governos	usam	o	Bem	Viver	muito	mais	como	um	slogan	do	que	pelo	seu	
conteúdo	revolucionário.
A	feminista	boliviana	e	socióloga,	Silvia	Rivera	Cusicanqui	acusa	os	governos	
de	Evo	Morales	(Bolívia)	e	Rafael	Correa	(Equador),	de	se	valerem	do	termo	sem	uma	
implementação	de	fato.	Falar	do	Bem	Viver	sem	romper	a	lógica	desenvolvimentista	fez	
com	que,	segundo	ela,	ambos	os	presidentes	apliquem	a	fórmula	extrativista	colonial	
que	 expulsa	 comunidades	 de	 seus	 territórios,	 destroem	 florestas	 para	 a	 exploração	
de	petróleo	e	construção	de	rodovias,	entre	outras	violências	em	nome	do	progresso.	
Além	de	ser	debatido	nesses	dois	países,	lugares	como	Espanha,	Alemanha	e	Brasil	vem	
angariando	 seguidores	do	 conceito.	No	Brasil,	 desde	 a	 grande	Marcha	das	Mulheres	
Negras	que	ocorreu	em	2015,	por	intermédio	de	uma	lutadora	do	Pará,	Nilma	Bentes,	as	
mulheres	negras	constroem	o	conceito	do	Bem	Viver	como	elemento	que	se	contrapõe	
ao	modelo	capitalista	neoliberal.	Na	Carta	das	Mulheres	Negras	de	2015,	documento	
divulgado	pela	organização	da	Marcha	dias	antes	das	mulheres	tomarem	às	 ruas	de	
Brasília	em	18	de	novembro,	traz	a	reivindicação	da	teoria	do	Bem	Viver	alinhada	com	o	
que	é	destacado	pelos	autores	citados	anteriormente.
“A	sabedoria	milenar	que	herdamos	de	nossas	ancestrais	se	traduz	na	concepção	
do	Bem	Viver,	que	funda	e	constitui	as	novas	concepções	de	gestão	do	coletivo	e	do	
individual;	da	natureza,	política	e	da	cultura,	que	estabelecem	sentido	e	valor	à	nossa	
existência,	 calcados	 na	 utópica	 de	 viver	 e	 construir	 o	 mundo	 de	 todas(os)	 e	 para	
todas(os).	Na	condição	de	protagonistas	oferecemos	ao	Estado	e	a	Sociedade	brasileiros	
nossas	experiências	como	forma	de	construirmos	coletivamente	uma	outra	dinâmica	
de	vida	e	ação	política,	que	só	é	possível	por	meio	da	superação	do	racismo,	do	sexismo	
e	de	todas	as	formas	de	discriminação,	responsáveis	pela	negação	da	humanidade	de	
mulheres	e	homens	negros”.	O	documento	aponta	para	a	mudança	estrutural	proposta	
pela	teoria	do	Bem	Viver	já	que,	como	apresenta	a	intelectual	feminista	Bell	Hooks	(2013),	
uma	sociedade	balizada	pela	ideologia	da	“supremacia	branca,	imperialista,	capitalista	e	
patriarcal”	nunca	pode	ser	justa.	Sendo	assim,	as	sociedades	eurocêntricas,	alicerçadas	
nas	ideais	de	branquitude,	têm	como	base	do	seu	desenvolvimento	a	concentração	de	
poder,	o	acúmulo	de	riqueza,	a	exploração	como	sustento	da	sociedade,	o	domínio	de	
outros	povos	e	o	massacre	epistêmico	de	tudo	que	não	é	branco.	Elementos	que	vão	na	
contramão	do	Bem	Viver.
Vale	 lembrar	 que	 como	 um	 dos	 pontos	 em	 comum,	 a	 experiência	 indígena	
na	 América	 Latina	 e	 a	 de	 negros	 e	 negras	 carregam	 profundas	 cicatrizes	 advindas	
do	 colonialismo	 europeu.	 Segundo	 a	 intelectual	 feminista	 Lélia	 Gonzáles	 (1988),	 o	
colonialismo	 europeu	 se	 valeu	 do	 racismo	 científico	 para	 estruturar	 um	 modelo	 de	
superioridade	branco	europeu.	Esse	modelo	estrutural	foi	 internalizado	pelas	culturas	
exploradas.	 Essas	 experiências	 em	 comum	 foram	 ressignificadas	 por	 Gonzáles	 por	
meio	da	categoria	“amerifricanidade”,	a	combinação	em	território	latino-americano	das	
diferentes	 identidades	 indígenas,	africanas	que	modificam	a	cultura	hegemônica	por	
143
meio	de	suas	vivências	em	comum.	Os	valores	civilizatórios	africanos	e	indígenas	contidos	
no	conceito	de	Bem	Viver	estão	na	contramão	de	um	modelo	de	desenvolvimento	que	
considera	a	terra	e	a	natureza	apenas	comoinsumos	para	a	produção	de	mercadorias	
de	rápido	consumo	e,	mais	 rápido	ainda,	descarte.	O	Bem	Viver	assim	como	ressalta	
as	cosmovisões	africanas	e	indígenas,	não	entende	que	enquanto	humanos	estamos	
apartados	 da	 natureza,	 pelo	 contrário,	 somos	 parte	 dela.	 Ao	 permitir	 sonhar	 outros	
mundos,	o	Bem	Viver	dá	base	para	uma	prática	política	que	visa	a	desconstrução	das	
opressões	estruturais	a	partir	do	rompimento	de	práticas	colonizadoras.
Desse	modo,	o	termo	nada	tem	a	ver	com	o	“viver	bem”,	ou	o	“viver	melhor”	
que	trazem	em	si	o	consumismo,	o	acúmulo	de	riqueza	ou	acesso	às	abundâncias	que	
o	dinheiro	pode	comprar	com	base	em	relações	exploratórias.	Pelo	contrário,	não	há	
Bem	Viver	na	opressão.	O	conceito	surge	com	a	missão	de	descolonizar	a	democracia	
a	partir	do	rompimento	de	práticas	colonizadoras	que	são	alicerces	do	capitalismo.	O	
Bem	Viver	nos	lembra	que	mudar	esse	sistema	econômico	e	político	não	é	utopia,	mas	
sim	uma	necessidade.
FONTE: Adaptado de . Acesso em: 30 ago. 2021.
144
RESUMO DO TÓPICO 3
Neste tópico, você aprendeu:
•	 Sustentabilidade	é	um	conceito	relacionado	à conservação.	No	aspecto	ambiental,	
que	com	frequência	o	termo	é	empregado,	a	sustentabilidade	diz	respeito,	então,	a	
um	planeta	sadio,	no	qual	as	pessoas	possam	encontrar	as	condições	necessárias	
para	a	sua	sobrevivência,	de	geração	em	geração.	O	conceito	de	sustentabilidade	é	
apresentado	a	partir	de	cinco	perspectivas,	cinco	dimensões	primordiais,	sendo	elas:	
sustentabilidade	 social;	 sustentabilidade	 econômica;	 sustentabilidade	 ecológica;	
sustentabilidade	espacial	(ou	geográfica);	sustentabilidade	cultural.
•	 Desenvolvimento	 sustentável	 refere-se	 ao	 desenvolvimento	 socioeconômico,	
político	e	cultural	atrelado	à	preservação	do	meio	ambiente.	Sendo	assim,	as	práticas	
capitalistas	associadas	ao	consumo	devem	estar	em	equilíbrio	com	a	sustentabilidade,	
visando	aos	avanços	no	campo	social	e	econômico	sem	prejudicar	a	natureza.	É	a	
garantia	do	suprimento	das	necessidades	da	geração	futura	por	meio	da	conservação	
dos	recursos	naturais.
•	 Paulo	 Freire,	 nosso	 grande	 educador,	 foi	 um	 dos	 precursores	 em	 problematizar	 a	
temática	Diálogo	dos	sabres,	em	sua	obra	Extensão	ou	Comunicação,	em	1977,	no	
sentido	de	orientar	a	relação	entre	o	técnico	e	o	agricultor,	onde	todos	os	sujeitos	
são	educandos	e	 educadores.	Numa	 relação	de	ensino-aprendizagem,	Diálogo	de	
saberes	é	a	confluência,	ou	o	encontro	do	conhecimento	científico,	sistematizado,	
comprovado,	aprendido	na	escola	com	o	conhecimento	ou	saber	popular	adquirido	
por	meio	da	experiência	de	vida	do	agricultor	nas	diversas	dimensões,	que	expressa	
o	que	faz	sentido	para	ele,	sua	visão	de	mundo,	sua	identidade	de	agricultor.
•	 A	noção	de	Bem	Viver	tem	como	procedência	o	sumak	kawsay,	um	modo	de	vida	
de	populações	 indígenas	 latino-americanas.	Bem	Viver	provém	da	tradução	para	
o	 castelhano	 (buen	 vivir)	 da	 expressão	 kichwa	 sumak	 kawsay	 e	 da	 expressão	
aymara	suma	qamaña.	Sumak,	que	em	kichwa,	significa	plenitude,	e	kawsay,	viver.	
Kichwa	designa	um	povo,	uma	nacionalidade	e	um	idioma	falado	por	cerca	de	14	
milhões	de	pessoas	distribuídas	entre	as	 regiões	andinas	e	amazônicas	de	Peru,	
Bolívia,	Equador,	Chile,	Colômbia	e	Argentina.	Foi	a	 língua	oficial	do	 Império	 Inca.	
Neste	 idioma,	 “suma	 significa	 plenitude,	 excelência,	 bem,	 e	 qamaña,	viver,	 estar	
sendo.	Aymara	é	também	a	designação	de	um	povo	estabelecido	no	Peru,	Bolívia,	
Argentina	e	Chile”	(OSÓRIO,	2015:	p.	8).
•	 A	importância	Da	Cosmovisão	ou	Paradigma	do	Bem	Viver	está	na	realização	imediata	
na	retomada	de	um	horizonte	de	um	futuro	com	justiça	e	igualdade.	A	luta	indígena	
pelo	Bem	Viver	faz	parte	de	uma	ampla	aliança	pela	preservação	da	vida	no	planeta	
145
Terra.	Para	pensar	em	Bem	Viver	 é	necessário	beber	da	 fonte	ancestral,	mas	 isso	
não	significa	fazer	uma	leitura	utópica	do	passado,	e	sim	pensá-lo	como	tempo	que	
respalda	a	contínua	produção	do	presente	e	do	futuro.	As	próprias	culturas	indígenas	
são	o	melhor	exemplo	de	que	outro	mundo	é	possível	porque	conseguem	ainda	no	
início	deste	século	XXI,	marcado	pela	desigualdade	e	uniformização	das	mercadorias,	
do	consumo	e	dos	desejos,	construir	sociedades	igualitárias,	sem	marginalização	e	
sem	exclusão. 
146
AUTOATIVIDADE
1	 O	termo	sustentabilidade	surge	da	necessidade	de	discussão	a	 respeito	da	forma	
como	 a	 sociedade	 vem	 explorando	 e	 usando	 os	 recursos	 naturais,	 pensando	 em	
alternativas	 de	 preservá-lo	 evitando,	 assim,	 que	 esses	 recursos	 se	 esgotem	 na	
natureza.	A	definição	de	sustentabilidade	está	atrelada	ao	conceito	de	desenvolvimento	
sustentável.	Sobre	a	dimensão	social,	assinale	a	alternativa	CORRETA:
a)	(			)	 É	 a	 adoção	de	 um	crescimento	 estável,	 distribuindo	melhor	 as	 riquezas,	 com	
menos	desigualdades.
b)	(			)	 Tornada	 possível	 graças	 ao	fluxo	 constante	 de	 inversões	 públicas	 e	 privadas,	
além	da	alocação	e	do	manejo	eficientes	dos	recursos	naturais
c)	(			)	 Prevê	ainda	a	diminuição	do	uso	de	combustíveis	fósseis	e	a	redução	do	volume	
de	substâncias	poluentes.
d)	(			)	 Se	configura	como	a	mais	complexa	no	sentido	de	sua	concretização.	Intenta	dar	
soluções	locais,	adaptadas	a	cada	cultura	e	ecossistema.
2	 Paulo	Freire,	grande	educador,	foi	um	dos	precursores	em	problematizar	a	temática	
Diálogo	dos	saberes,	em	sua	obra	Extensão	ou	Comunicação,	em	1977,	no	sentido	de	
orientar	a	relação	entre	o	técnico	e	o	agricultor,	onde	todos	os	sujeitos	são	educandos	
e	 educadores.	 Numa	 relação	 de	 ensino-aprendizagem,	 Diálogo	 de	 saberes	 é	 a	
confluência,	ou	o	encontro	do	conhecimento	científico,	sistematizado,	comprovado,	
aprendido	na	escola	com	o	conhecimento	ou	saber	popular	adquirido	por	meio	da	
experiência	de	vida	do	agricultor	nas	diversas	dimensões,	que	expressa	o	que	faz	
sentido	para	ele,	sua	visão	de	mundo,	sua	identidade	de	agricultor.	Sobre	o	exposto,	
analise	as	afirmativas	a	seguir:
I-	 No	Diálogo	de	saberes	está	implícita	a	construção	conjunta	do	conhecimento	ou	a	
produção	coletiva	de	conhecimentos,	sem	haver	imposição	de	receitas,	técnicas	ou	
soluções	prontas,	sem	“invasão	cultural”.
II-	 O	importante	no	âmbito	cultural	e	das	relações	existentes	em	sociedade	é	de	que	
o	 diálogo	 pressupõe	 troca,	 uma	 relação	 de	 sujeitos	 iguais,	 ambos	 educadores	 e	
educandos,	ou	seja,	numa	relação	horizontal	em	que	nenhum	é	melhor	ou	mais	que	
o	 outro,	 e	 ambos	 são	 possuidores	 de	 conhecimentos,	 cientificamente	 ou	 apenas	
socialmente	construído.
III-	Na	proposta	de	diálogo	entre	os	saberes	deve-se	pensar	numa	epistemologia	que	trate	
a	contextualização	e	a	concepção	religiosa	da	vida	como	princípios	filosóficos	naturais.
Assinale	a	alternativa	CORRETA:
147
a)	 (			)	As	afirmativas	I	e	II	estão	corretas.
b)	(			)	As	afirmativas	I	e	III	estão	corretas.
c)	 (			)	Somente	a	afirmativa	III	está	correta.
d)	(			)	Somente	a	afirmativa	II	está	correta.
3	 Eles	emergem	com	muita	força	em	vários	países	 latino-americanos,	como	sujeitos	
e	 não	mais	 como	 objetos	 da	 política.	 São	 atores	 fundamentais	 em	 processos	 de	
democratização	no	Equador	e	na	Bolívia,	em	particular.	Não	só	sujeitos,	mas	também	
portadores	de	alternativas	de	sua	própria	forma	de	ver	o	mundo.	Sobre	o	exposto,	
assinale	a	alternativa	CORRETA:
a)	 (			)	Europeus.
b)	(			)	Trabalhadores.
c)	 (			)	Povos	marginalizados.
d)	(			)	Movimentos	Indígenas.
4	 As	 diferentes	 culturas	 trazem	 variações	 nas	 características	 e	 na	 formação	 de	
identidades	sociais.	Essas	diferentes	 identidades	se	expressam	num	coletivo.	 Isso	
porque	as	pessoas	convivem	em	ambientes	diferentes	e	acabam	desempenhando	
diversificados	 papéis,	 formando	 um	 complexo	 de	 características.	 Descreva	 como	
pode	ser	reconhecida	essa	identidade	social,	exemplificando.	
5	 Quando	se	deseja	estabelecer	um	conceito	de	diversidade	cultural	e	desigualdade	
social,percebe-se	 que	 há	 diferenças	 não	 só	 no	 significado	 da	 palavra,	 mas	 na	
constituição	 do	 próprio	 conceito.	 Diversidade	 possui	 significado	 diferente	 de	
desigualdade.	No	entanto,	apesar	da	diferença,	há	uma	 relação	entre	elas,	que	se	
estabelece	a	partir	da	forma	em	que	se	constituiu	a	diversidade	num	determinado	
país	ou	região.	Isto	posto,	disserte	sobre	o	processo	e	as	contribuições	da	diversidade	
étnico-cultural	brasileira.
148
149
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Disponível	em:	https://novaescola.org.br/conteudo/456/criador-sociologia-
educacao#.	Acesso	em:	20	mar.	2021.
SCHIPANSKI,	C.	E.;	PANTAROLO,	L.	P.	História medieval:	releitura	de	uma	época.	
Guarapuava:	Ed.	da	Unicentro,	2009.	80	p.	
SELL,	C.	E.	Max	Weber	e	a	sociologia	da	educação.	Contrapontos,	Itajaí,	ano	2,	n.	5,	p.	
237-250,	maio/ago.	2002.
SELL, C.	E.	Sociologia clássica:	Marx,	Durkheim	e	Weber.	Petrópolis,	RJ: Editora	
Vozes,	2013.
SETTON,	M.	da	G.	Uma	introdução	a	Pierre	Bourdieu.	Cult,	São	Paulo,	ed.	128,	2010.	
Disponível	em:	https://revistacult.uol.com.br/home/uma-introducao-a-pierre-
bourdieu/.	Acesso	em:	20	mar.	2021.
SUESS,	P. Elementos para a busca do Bem Viver (Sumak Kawsay) para todos 
e sempre.	2010.	Disponível	em:	https://cimi.org.br/2010/12/elementos-para-
a-busca-do-bem-viver-sumak-kawsay-para-todos-e-sempre/#:~:text=O%20
%E2%80%9Csumak%20kawsay%E2%80%9D%20prop%C3%B5e%20a,parte%20
inerente%20ao%20ser%20social.&text=O%20ser%20individualizado%20da%20
modernidade,e%20viver%20com%20sua%20alteridade.	Acesso	em:	20	mar.	2020.
154
TREVISAN,	T.	V.	Sociologia da educação.	Santa	Maria:	Editora	UFSM,	2009.
WEBER,	M.	Os	letrados	chineses.	In:	WEBER,	M.	Ensaios de sociologia geral.	5.	ed.	
Rio	de	Janeiro:	Guanabara,	1982.	p.	482-490.
155
EDUCAÇÃO, CULTURA 
E SOCIEDADE EM 
SALA DE AULA
UNIDADE 3 — 
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
PLANO DE ESTUDOS
A partir do estudo desta unidade, você deverá ser capaz de:
• analisar as relações culturais e de consumo existentes em sociedade a partir das 
salas de aula;
•	 refletir	sobre	as	práticas	interculturais	em	sociedade	e	nas	salas	de	aula;
•	 promover	o	debate	e	a	inclusão	de	gênero	em	sala	de	aula	com	o	suporte	das	teorias	
decoloniais;
•	 compreender	a	estrutura	e	aplicabilidade	da	BNCC	em	sala	de	aula.
A cada tópico desta unidade você encontrará autoatividades com o objetivo de 
reforçar o conteúdo apresentado.
TÓPICO	1	–	INTERCULTURALIDADE	EM	SALA	DE	AULA
TÓPICO	2	–	SALA	DE	AULA	NO	SÉCULO	XXI
TÓPICO	3	–	BNCC:	CIÊNCIAS	HUMANAS	E	SOCIAIS
Preparado para ampliar seus conhecimentos? Respire e vamos em frente! Procure 
um ambiente que facilite a concentração, assim absorverá melhor as informações.
CHAMADA
156
CONFIRA 
A TRILHA DA 
UNIDADE 3!
Acesse o 
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157
TÓPICO 1 — 
INTERCULTURALIDADE EM SALA DE AULA
UNIDADE 3
1 INTRODUÇÃO
Neste	tópico	estudaremos	a	multiculturalidade.	O	multiculturalismo	pode	ocorrer	
em	 escala	 nacional	 ou	 nas	 comunidades	 de	 uma	nação.  Pode	 ocorrer	 naturalmente	
por	meio	da	imigração	ou	artificialmente	quando	jurisdições	de	diferentes	culturas	são	
combinadas	por	meio	de	decreto	legislativo.
Também	 abordaremos	 a	 interculturalidade.	 A	 Interculturalidade	 é	 um	 termo	
usado	 para	 indicar	 um	 conjunto	 de	 propostas	 de	 convivência	 democrática	 entre	
diferentes	culturas,	buscando	a	integração	entre	elas	sem	anular	sua	diversidade
Por	fim,	veremos	acerca	das	práticas	interculturais	em	sala	de	aula,	que	englobam	
relações	étnico-raciais,	questões	de	gênero	e	sexualidade,	pluralismo	religioso,	relações	
geracionais,	 culturas	 infantis	 e	 juvenis,	 povos	 tradicionais	 e	 educação	 diferenciada,	
entre	outros.
2 MULTICULTURALIDADE
A	 natureza	 humana	 resulta	 do	 aprendizado	 cultural	 e	 por	 conseguinte	 é	 a	
responsável	pela	diversidade	humana,	nascemos	seres	biológicos	e	o	que	nos	 torna	
humanos	é	 a	 cultura.	Os	processos	culturais	 abrangem	as	práticas	humanas	e	 suas	
manifestações,	como	os	conhecimentos,	as	crenças,	os	valores,	os	costumes,	as	artes,	
a	tecnologia,	que	podem	ser	analisadas	como	representações	simbólicas.
Multiculturalidade: em que há, em simultâneo, várias culturas num 
mesmo território, país etc.; multicultural.
FONTE: . Acesso em: 22 
maio 2021.
NOTA
A	noção	de	processo	é	o	 resultado	do	fato	de	a	cultura	ser	dinâmica	e	de	
estar	 relacionada	 às	 transformações	 sócio-históricas	 em	 que	 interagem	 relações	
de	causa	e	de	consequência.	Sendo	assim,	o	que	confere	unidade	ao	ser	humano	
“(...)	é	a	sua	aptidão	à	variação	cultural,	ou	seja,	aquilo	que	os	seres	humanos	têm	
158
em	comum	é	 a	 sua	 capacidade	para	 se	 diferenciar	 uns	 dos	 outros,	 para	 elaborar	
costumes,	 línguas,	 modos	 de	 conhecimento,	 instituições,	 jogos	 profundamente	
diversos”	(LAPLANTINE,	1994,	p.	22).	
Desse	modo,	cada	sociedade,	cada	cultura	tem	sua	dinâmica	própria,	construída	
historicamente	 dentro	 do	 seu	 contexto	 específico	 e	 único.	 Esse	 processo	 resulta	 na	
diversidade	 cultural	 existente,	 ou	 seja,	 sociedades	 multiculturais,	 que	 no	 contexto	 da	
globalização,	que	permitiu	a	aproximação	das	pessoas	por	meio	do	desenvolvimento	das	
tecnologias,	 que	 abreviaram	 distâncias.	 Novas	 e	 complexas	 redes	 foram	 criadas,	 todas	
interdependentes,	com	uma	economia	multinacional	e	que	não	se	limitava	mais	às	barreiras	
das	 tradicionais	 fronteiras.	 	 Nesse	 cenário,  a	 cultura	 passou	 a	 sofrer	 vários	 processos	
diferentes	de	produção	e	consumo, passando	desde	a	homogeneização	 fundamentada	
na	 cultura	 hegemônica	 estadunidense,	 até	 mesmo	 a	 um	 reforço	 das	 culturas	 locais,	
tradicionais.	Tudo	isso	acabou	gerando	um	universo	de	grande	variedade	cultural.
O multiculturalismo é a inter-relação de várias culturas em um mesmo ambiente. 
É um fenômeno social que pode ser relacionado com a globalização e 
as sociedades pós-modernas. Alguns países apresentam uma maior 
multiculturalidade. Muito devido aos diferentes grupos de imigrantes 
recebidos, mas também por observar outros fatores de integração e o 
desenvolvimento de novas culturas a partir do choque cultural.
 
FONTE: . Acesso em: 8 set. 2021.
NOTA
É	 necessário,	 então,	 conhecermos	 o	 multiculturalismo	 no	 contexto	 da	
globalização,	que	resultou	em	novas	e	complexas	redes	criadas,	todas	interdependentes,	
com	uma	economia	multinacional	e	que	não	se	limitava	mais	às	barreiras	das	tradicionais	
fronteiras.	Nesse	cenário	de	globalização, a	cultura	passou	a	sofrer	vários	processos	
diferentes	de	produção	e	consumo, passando	desde	a	homogeneização	fundamentada	
na	cultura	hegemônica	estadunidense,	 até	mesmo	a	um	 reforço	das	culturas	 locais,	
tradicionais.	Tudo	isso	gerou	uma	grande	variedade	cultural.	Portanto,	vamos	conhecer	
melhor	o	multiculturalismo,	suas	características	e	seus	desafios.
O que é o multiculturalismo?
Em	linhas	gerais,	o	multiculturalismo	se	relaciona,	tanto	do	ponto	de	vista	
acadêmico	 quanto	 das	 políticas	 institucionais,com	 as  questões	 levantadas	 pelo	
surgimento	das	sociedades	multiculturais. Essas	nada	mais	são	do	que sociedades	
que	abrigam,	em	um	mesmo	local,	povos	de	origens	culturais	diferentes.	Vale	dizer	
que	a	aceitação	entre	esses	diversos	grupos pode	variar	desde	a	tolerância	até	o	
159
Para saber mais sobre o Multiculturalismo, sugiro a leitura do seguinte livro:
MCLAREN, Peter. Multiculturalismo Crítico. São Paulo: Cortez, 1997.
DICA
conflito	 aberto,  passando	 até	mesmo	 por	 rejeição.	Tudo	vai	 depender	 de	 como	 a	
cultura	dominante	se	impõe	entre	as	demais,	além	das	políticas	públicas	definidas	
pelo	Estado	e	até	mesmo	a	formação	histórica	daquele	território.
O	fato	é	que a	convivência	entre	culturas	não	é	algo	recente, mas	se	intensificou	
bastante	nas	últimas	décadas,	devido	a	muitas	mudanças	ocorridas	no	mundo	atual.	
A	principal	delas	é	o	fenômeno	da	globalização.	Por	um	lado, esse	ideário	propagou	
uma	 forma	 única	 de	 ver	 o	mundo,  em	 que	 prevalece	 o  Capitalismo  neoliberal,	 a	
democracia	 liberal	 e	 todos	 os	 seus	 valores	 decorrentes,	 incluindo	 uma	 cultura	
massificada	 e	 um	modo	 de	 vida	 ocidentalizado	 e	 “americanizado”,	 que	 passou	 a	
atingir	todos	os	cantos	do	planeta.
Por	 outro	 lado,  várias	 culturas	 tradicionais	 se	 fortaleceram	 na	 luta	 para	
evitar	justamente	essa	homogeneização	cultural advinda	do	Ocidente.	Isto	é,	apesar	
dessa	 massificação	 cultural,	 muitas	 comunidades	 locais	 conseguem	 desenvolver	
sua	própria	cultura,	até	mesmo	se	apropriando	de	pedaços	da	cultura	hegemônica,	
produzindo	algo	novo	e	original.	O	rap	e	o	funk	brasileiros	são	alguns	exemplos	disso.
FONTE: . Acesso em: 22 abr. 2021.
Quais	as	principais	características	do	multiculturalismo?
•	 A	capacidade	de	assimilar	algo	de	qualquer	cultura	e	criar	novas	expressões	culturais,	
respeitando	os	princípios	e	valores	fundantes	das	culturas	em	contato.
•	 É	um	fenômeno	social	que	não	discrimina,	pois	evita	o	desconhecimento	e	preconceito	
referente	às	culturas	e	faz	o	caminho	inverso	o	da	integração	cultural.
•	 Entende-se	 que	 o	 multiculturalismo	 é	 altamente	 nivelado,	 pois	 deixa	 de	 lado	 as	
representações	discriminatórias	que	são	geralmente	provocadas	por	medo	ou	por	
desconhecimento	do	outro.	Ao	mesmo	tempo,	o	multiculturalismo	admite	a	existência	
de	todas	as	culturas	e	não	renega	nenhuma,	pois	nesse	aspecto	todas	elas	podem	
contribuir	da	mesma	maneira	na geração	de	uma	nova	expressão	cultural.
•	 Muitos	 consideram	 o	 multiculturalismo	 uma  espécie	 de	 antídoto	 em	 relação	 ao	
eurocentrismo	e	ao	imperialismo	cultural	estadunidense.
160
Quais	os	desafios	para	o	Multiculturalismo?
Posturas diante da diversidade cultural
NOTA
FONTE: . Acesso em: 20 abr. 2021.
DESAFIOS MULTICULTURAIS
Apesar	de	ter	aumentado	a	sua	importância	neste	novo	século,	o	multiculturalismo	
ainda	tem	alguns	desafios	pela	 frente.	Em	primeiro	 lugar,	 é	preciso	 superar	 as	críticas	
recebidas	do	ponto	de	vista	teórico.	Uma	das	principais	críticas	é	a	ideia	de	que	para	que	
esse	conceito	possa	prosperar	é	necessário	que	as identidades culturais devam deixar 
de existir isoladamente. O	problema	é	que	isso	pode	levar	muitas	culturas	históricas	a	
perderem	sua	essência,	tirando	sua	originalidade	e	podendo	causar	justamente	o	que	o	
multiculturalismo	tenta	combater:	a	homogeneização	das	culturas.	
Outra	crítica	que	alguns	destacam	é	que	esse	fenômeno não prevê uma 
integração de fato das culturas, mas o domínio de algumas em relação a 
outras. Há	desafios	também	no	campo	prático.	Embora	muitos	países	democráticos	
tenham	buscado	aceitar	e	 incorporar	culturas	distintas	em	seus	territórios,	outros	
negam	direitos	sociais	e	perseguem	as	minorias	culturais.	Em	alguns	casos,	ainda	
que	exista	uma	política	pública	favorável	a	esse	processo,	o	que	ocorre	no	dia	a	dia	é	
a perseguição feita por indivíduos comuns, organizados	ou	não,	inflamados	por	
um	nacionalismo	doente	que	rejeita	o	outro.
FONTE: Adaptada de . Acesso em: 22 abr. 2021.
ETNOCENTRISMO RELATIVISMO
Visão centrada ou egocêntrica de 
uma cultura em relação às outras; 
avalia as outras culturas a partir de 
si própria, dos seus valores e pa-
drões de comportamento.
Aceita e respeita a diversidade 
cultural; cada cultura só pode ser 
avaliada a partir de dentro, isto é, 
dos seus valores, ideias e padrões 
de comportamento.
Promove a assimilação Promove a separação
As culturas dominantes tendem a 
impor os seus valores e modelos 
de comportamento às culturas 
minoritárias.
Possíveis consequências:
Racismo, xenofobia, patriotismo 
ou nacionalismo exagerados.
Há diferentes culturas que se tole-
ram, mas que vivem de costas vol-
tadas, sem contacto entre si, e que 
tendem a separar-se ou a isolar-se.
Possíveis consequências: 
Podem ocorrer fenómenos de 
segregação os guetos são um 
exemplo.
161
Caro	acadêmico,	em	sociologia,	de	forma	ampla,	o	multiculturalismo	descreve	
a	maneira	como	uma	dada	sociedade	 lida	com	a	diversidade	cultural	e	com	base	na	
suposição	subjacente	de	que	membros	de	culturas	frequentemente	muito	diferentes	
podem	coexistir	pacificamente,	o	multiculturalismo	expressa	a	visão	de	que	a	sociedade	
é	enriquecida	preservando,	respeitando	e	até	encorajando	a	diversidade	cultural.
 
Na	 área	 da	 sociologia	 e	 filosofia	 política,	 o	 multiculturalismo	 se	 refere	 às	
maneiras	pelas	quais	as	sociedades	optam	por	formular	e	implementar	políticas	oficiais	
que	 tratem	 do	 tratamento	 equitativo	 de	 diferentes	 culturas.	 Na	 implementação	 das	
políticas	públicas,	tendo	como	referencial	o	conceito	de	multiculturalismo,	quais	seriam	
as	principais	vantagens	para	a	vida	em	sociedade?
•	 O	multiculturalismo	é	a	forma	como	uma	sociedade	lida	com	a	diversidade	cultural,	
tanto	em	nível	nacional	como	comunitário. 
•	 Sociologicamente,	 o	multiculturalismo	pressupõe	 que	 a	 sociedade	 como	um	 todo	
se	 beneficia	 do	 aumento	 da	 diversidade	 por	meio	 da	 coexistência	 harmoniosa	 de	
diferentes	culturas.
O	multiculturalismo	pode	ocorrer	em	escala	nacional	ou	nas	comunidades	de	
uma	nação. Pode	ocorrer	naturalmente	por	meio	da	imigração	ou	artificialmente	quando	
jurisdições	de	diferentes	culturas	são	combinadas	por	meio	de	decreto	legislativo.	Os	
defensores	 do	multiculturalismo	 acreditam	que	 as	 pessoas	 devem	 reter	 pelo	menos	
algumas	características	de	suas	culturas	tradicionais. Por	sua	vez,	os	oponentes	dizem	
que	o	multiculturalismo	ameaça	a	ordem	social	ao	diminuir	a	identidade	e	a	influência	
da	cultura	predominante. 
Se	 tratando	 da	 diversidade	 existente	 nos	 processos	 sociais	 de	 relações	 e	
integração,	quais	seriam	as	principais	características	de	uma	sociedade	multicultural?
SOCIEDADES MULTICULTURAIS
Sociedades	multiculturais	são	caracterizadas	por	pessoas	de	diferentes	raças,	
etnias	 e	nacionalidades	vivendo	 juntas	na	mesma	comunidade.  Em	comunidades	
multiculturais,	 as	 pessoas	 mantêm,	 transmitem,	 celebram	 e	 compartilham	 seus	
modos	de	vida,	línguas,	arte,	tradições	e	comportamentos	culturais	únicos.
As	características	do	multiculturalismo	geralmente	se	espalham	nas	escolas	
públicas	da	comunidade,	onde	os	currículos	são	elaborados	para	apresentar	aos	
jovens	as	qualidades	e	benefícios	da	diversidade	cultural. Embora	às	vezes	criticado	
como	uma	forma	de	“correção	política”,	os	sistemas	educacionais	em	sociedades	
multiculturais	enfatizam	as	histórias	e	tradições	das	minorias	nas	salas	de	aula	e	
nos	livros	didáticos. 
162
Longe	de	ser	um	fenômeno	exclusivamente	norte	americano,	exemplos	de	
multiculturalismo	são	encontrados	em	todo	o	mundo. 
FONTE: Adaptada de . Acesso em: 22 abr. 2021.
Em	síntese	o	multiculturalismo	é	um	fenômeno	extremamente	típico	de	final	do	
século	XX	e	início	do	século	XXI.	Isso	tem	a	ver	com	um	processo	de	maiores	alcances	
conhecido	como	globalização	e	que	se	caracteriza	principalmentepelo	estabelecimento	
de	laços	entre	todas	as	regiões	do	mundo	de	maneira	inevitável	e	indiscutível.	A	diversidade	
ocorre	quando	pessoas	de	diferentes	raças,	nacionalidades,	religiões,	etnias	e	filosofias	
se	 reúnem	para	formar	uma	comunidade. Uma	sociedade	verdadeiramente	diversa	é	
aquela	que	reconhece	e	valoriza	as	diferenças	culturais	de	seu	povo.	Os	defensores	da	
diversidade	cultural	argumentam	que	ela	torna	a	humanidade	mais	forte	e	pode,	de	fato,	
ser	vital	para	sua	sobrevivência	a	longo	prazo. 	Ao	reconhecer	e	aprender	sobre	esses	
vários	grupos,	as	comunidades	constroem	confiança,	respeito	e	compreensão	em	todas	
as	culturas.	Comunidades	e	organizações	em	todos	os	ambientes	se	beneficiam	das	
diferentes	origens,	habilidades,	experiências	e	novas	formas	de	pensar	que	vêm	com	a	
diversidade	cultural.
3 INTERCULTURALIDADE
A	 interculturalidade	 enfoca	 a	 necessidade	do	 diálogo,	 da	vontade	de	 inter-
relação	 e	 não	 de	 dominação.	 Um	 diálogo	 cujas	 regras,	 não	 podem	 ser	 firmadas	
unilateralmente	 e	 nem	 a	 priori,	 mas	 que	 devem	 ser	 estabelecidas	 no	 decorrer	 do	
mesmo	e	com	a	confiança	mútua. Portanto,	a	compreensão	é	um	elemento	central	
na	 construção	 de	 relações	 interculturais.	 Uma	 comunicação	 só	 se	 torna	 eficaz	
quando	se	chega	a	um	grau	de	compreensão	aceitável	para	os	interlocutores,	isto	é,	a	
interculturalidade	só	ocorre	quando	um	grupo	começa	a	entender	e	assumir	o	sentido	
que	as	coisas	e	objetos	têm	para	os	outros.
FIGURA 1 – A DIFERENÇA NOS ENRIQUECE E O RESPEITO NOS UNE
FONTE: . Acesso em: 22 abr. 2021.
163
A	 interculturalidade	 tem	 lugar	 quando	 duas	 ou	 mais	 culturas	 entram	 em	
interação	de	uma	forma	horizontal	e	sinérgica.	Para	tal,	nenhum	dos	grupos	se	deve	
encontrar	 acima	 de	 qualquer	 outro	 que	 seja,	 favorecendo,	 assim,	 a	 integração	 e	 a	
convivência	das	pessoas.	Esses	tipos	de	relações	interculturais	implicam	em	ter	respeito	
pela	diversidade;	embora,	por	razões	óbvias,	o	aparecimento	de	conflitos	seja	inevitável	
e	imprevisível,	podem	ser	  resolvidos	através	do	respeito,	do	diálogo.
FIGURA 2 – O VERDADEIRO DIÁLOGO
FONTE: . Acesso em: 19 mar. 2021.
A	Interculturalidade	é	um	termo	usado,	nas	palavras	do	professor	e	pesquisador	
Fleuri	(2018),	para	indicar	um	conjunto	de	propostas	de	convivência	democrática	entre	
diferentes	culturas,	buscando	a	 integração	entre	elas	sem	anular	sua	diversidade,	ao	
contrário,	fomentando	o	potencial	criativo	e	vital	resultante	das	relações	entre	diferentes	
agentes	e	seus	respectivos	contextos.	O	termo	tem	origem	e	vem	sendo	utilizado	com	
frequência	 nas	 teorias	 e	 ações	 pedagógicas,	 mas	 saiu	 do	 contexto	 educacional	 e	
ganhou	maior	amplitude	passando	a	referir-se	também	às	práticas	culturais	e	políticas	
públicas.	Esse	termo	diferencia-se	de	outro	bastante	usado	no	estudo	da	diversidade	
cultural	 que	 é	 o	 da	multiculturalidade	 que	 indica	 apenas	 a	 coexistência	 de	 diversos	
grupos	culturais	na	mesma	sociedade	sem	apontar	para	uma	política	de	convivência.
O	termo	 interculturalidade,	segundo	Fleuri	 (2018),	pode	ser	usado	como	uma	
forma	de	indicar	como	a	cultura	flui	e	como	ela	faz	para	se	fundir	com	outras	culturas.	
Pode	ser	visto	também,	como	algo	que	está	em	constante	mobilidade	para	alterar	o	
meio	no	qual	se	vive,	seja	pela	fusão,	adição	de	novos	elementos	ou	mesmo	subtração	
deles.	Sobretudo,	a	interculturalidade	é	vista	como	um	meio	de	experimentar	a	cultura	
de	outro	indivíduo	e	ter	interesse	em	conhecer	mais	sobre	ela	e	sobre	a	pessoa	também,	
preza	 por	 valores	 como	 respeito,	 cidadania,	 igualdade,	 tolerância,	 democracia	 na	
educação,	e	direitos	humanos.
Nos	escritos	do	teólogo,	filósofo	e	antropólogo	Albó	(2005),	 interculturalidade	
pode	ser	definida	como	qualquer	relação	entre	pessoas	ou	grupos	sociais	de	diversas	
164
culturas.	A	interculturalidade,	segundo	ele,	pode	ser	negativa	quando	a	relação	acaba	
destruindo	 ou	 reduzindo	 o	 que	 é	 culturalmente	 distinto	 (etnicídio	 cultural)	 ou	 até	
mesmo	 quando	 há	 simplesmente	 a	 assimilação	 da	 cultura	 dominante	 pela	 cultura	
dominada	ou	positiva	quando	resulta	na	aceitação	do	que	é	culturalmente	distinto	e	
na	troca	de	conhecimentos,	com	enriquecimento	mútuo.	A	simples	tolerância	do	que	
é	culturalmente	diferente,	sem	um	verdadeiro	intercâmbio	enriquecedor,	não	chega	a	
ser	uma	interculturalidade	positiva.	As	relações	de	alteridade	são	positivas	quando	os	
dois	 polos	 –	 o	 da	 própria	 identidade	 e	 o	 outro	 –	 se	 fortalecem,	 se	 enriquecem	e	 se	
transformam	mutuamente,	sem,	no	entanto,	deixar	de	ser	o	que	são.
Naturalmente,	alerta	Albó	(2005),	para	que	esses	mecanismos	funcionem	em	
ambos	 os	 sentidos,	 com	 alguma	 forma	 de	mútua	 reciprocidade,	 as	 relações	 devem	
estar	baseadas	numa	certa	simetria,	conseguida,	quase	sempre,	por	meio	de	 longos,	
pacientes	 e,	 às	 vezes,	 dolorosos	 processos	 desenvolvidos	 nos	 planos	 interpessoal,	
grupal	e	estrutural.	 	Apesar	de	a	raiz	fundamental	da	 interculturalidade	positiva	estar	
nas	relações	interpessoais	entre	indivíduos	isoladamente	ou	em	grupo,	não	é	possível	
trabalhar	 apenas	 nesse	 nível.	 É	 preciso	 transformar	 as	 instituições	 e	 estruturas	 que	
constituem	o	corpo	social	sistema	educativo,	meios	de	comunicação,	sistema	judiciário,	
polícia,	igrejas,	entre	outros,	mas	principalmente	o	sistema	econômico	para	que	reflitam	
e	 facilitem	 as	 relações	 positivas	 entre	 os	 diversos	 grupos	 de	 pessoas.	 Estabelecer	
relações	interculturais	positivas,	é	muito	mais	fácil	quando	há	culturas	distintas,	mas	de	
igual	posição	e	prestígio	social.	Ele	lamenta,	no	entanto,	que	as	relações	interculturais	
assimétricas	sejam	muito	mais	comuns	no	mundo	cada	vez	mais	globalizado	e	injusto.	
Portanto,	a	interculturalidade	enfoca	a	necessidade	do	diálogo,	da	vontade	de	
inter-relação	e	não	de	dominação.	Um	diálogo	cujas	 regras,	não	podem	ser	firmadas	
unilateralmente	e	nem	a	priori,	mas	que	devem	ser	estabelecidas	no	decorrer	do	mesmo	
e	com	a	confiança	mútua. Portanto,	a	compreensão	é	um	elemento	central	na	construção	
de	 relações	 interculturais.	 Uma	 comunicação	 só	 se	 torna	 eficaz	 quando	 se	 chega	 a	
um	grau	de	compreensão	aceitável	para	os	 interlocutores,	 isto	é,	a	 interculturalidade	
só	ocorre	quando	um	grupo	começa	a	entender	e	assumir	o	sentido	que	as	coisas	e	
objetos	têm	para	os	outros.	
Para	tanto,	na	sociedade	atual	global	é	necessário	promover	valores,	atitudes	e	
comportamentos	que	fomentem	o	diálogo,	a	não-violência,	a	tolerância	e	a	reaproximação	
de	culturas.	A	Interculturalidade	pode	contribuir	para	que	um	pluralismo	cultural	assente	
em	trocas	culturais	e	contatos	entre	indivíduos	e	grupos	de	diferentes	raízes	culturais.	
O	diálogo	entre	culturas	é,	portanto,	um	fator	essencial	para	a	construção	de	uma	
cultura	de	paz.	Simultaneamente,	tem	um	papel	muito	importante	na	coesão	social,	já	
que	as	sociedades	são	cada	vez	mais	heterogêneas	e	possuem	elementos	de	diferentes	
origens	culturais.	Esse	fenômeno	faz	das	sociedades	um	organismo	extremamente	rico	
e	em	constante	mudança.	Para	além	disso,	a	Interculturalidade	contribui	ainda	para	a	
riqueza	das	produções	culturais	e	artísticas,	já	que	favorece	sincretismos	e	o	surgimento	
de	diferentes	leituras	e	interpretações	de	um	único	bem	cultural.
165
4 PRÁTICAS INTERCULTURAIS EM SALA DE AULA
A	proposta	de	estudo	neste	bloco	de	conteúdos	sobre	Práticas	 Interculturais	
em	sala	de	aula	é	a	partir	de	uma	visão	mais	ampla	do	conceito	sociológico	de	Educação	
e	de	Sala	de	Aula.	Já	estudamos	que	os	processos	culturais	existentes	na	sociedade	
humana	passam	pelas	 trocas	de	 relações	entre	grupos	e	 sujeitos	mediatizados	pelo	
mundo	e	o	mecanismo	que	promove	cultura	e	a	humanização	é	a	Educação.	
	Nosso	direcionamento,	portanto,	é	perceber	e	compreender	o	termo	sala	de	
aula	nos	próximos	assuntos	estudados	como	um	espaço	vivido	e	de	trabalho	humano.	
Ensinare	aprender	em	locais	que	são	estabelecidas	as	relações	de	integração	e	troca	
culturais.	Apresentaremos	dois	locais/espaços	de	ensinar	e	aprender	as	práticas	culturais	
em	sociedade.	As	salas	de	aula	serão,	Educação	 (Escola/Universidade),	 Intercâmbios	
(Empresas/Pesquisa/Estudos).
Relações	étnico-raciais,	questões	de	gênero	e	sexualidade,	pluralismo	religioso,	
relações	 geracionais,	 culturas	 infantis	 e	 juvenis,	 povos	 tradicionais	 e	 educação	
diferenciada,	entre	outros,	são	temas	fortemente	presentes	na	sociedade	na	atualidade.	
Tais	assuntos	provocam	debates,	controvérsias	e	reações	de	intolerância	e	discriminação,	
assim	como	suscitam	diversas	iniciativas	orientadas	a	trabalhá-las	numa	perspectiva	
direcionada	à	afirmação	democrática,	ao	respeito	à	diferença	e	à	construção	de	uma	
sociedade	em	que	todos	e	todas	possam	ser	plenamente	cidadãos	e	cidadãs.
  
A	 complexidade	 das	 relações	 sociais	 e	 a	 diversidade	 cultural	 atualmente	
requerem	 novas	 formas	 de	 se	 elaborar	 o	 conhecimento	 e	 a	 pesquisa	 no	 âmbito	 da	
Educação.	A	constante	relação	entre	os	fenômenos	culturais	e	as	grandes	mudanças	e	
avanços	ocorridos	nas	ciências,	atuaram	e	atuam	como	processos	de	desestabilização	
e	fragmentação	dos	códigos	culturais,	ou	seja,	as	distâncias	e	barreiras	entre	os	sujeitos,	
as	culturas	e	suas	formas	de	manifestação	estão	cada	vez	mais	estreitas	e	articulando-
se	 por	 completo,	 tornando	 o	 mundo	 cada	 vez	 mais	 interconectado	 em	 suas	 novas	
combinações	espaço-tempo.
Reinaldo Fleuri destaca a necessidade de que a interculturalidade esteja 
baseada numa política da diferença e não apenas da diversidade. As políticas 
de diversidade pressupõem que você possa categorizar os diferentes públicos 
socioculturais a partir de alguns padrões mais ou menos gerais. Categorizamos 
diferentes grupos étnicos por suas características genéricas e 
enquadramos os indivíduos nessas categorias. Já as políticas da diferença 
consideram que as diferenças se constituem na interação viva entre as 
próprias pessoas, os próprios grupos e que, nesse jogo de forças, cada um 
vai se constituindo, se posicionando, propondo contrapontos, interagindo 
com todos. Vão se configurando processos de identificação e, portanto, de 
diferenciação (FLEURI, 2018).
NOTA
166
É	 percebido	 que	 a	 escola	 e	 a	 Universidade,	 através	 de	 seus	 docentes,	 têm	
ignorado	 conhecimentos	 e	 experiências	 dos	 grupos	 cujos	 padrões	 culturais	 não	
correspondem	 aos	 impostos	 pela	 cultura	 ocidental	 hegemônica,	 pois	 a	 instituição	
educacional	parece	ter	dificuldade	em	reconhecer	que	grande	parte	da	população	não	
se	enquadra	nos	parâmetros	determinados	por	uma	concepção	universalista	de	cultura.	
Por	tudo,	não	é	 raro	observarmos	que	os	estudantes	apresentem	resistência	
com	relação	à	escola	ou	a	universidade,	porque,	muitas	vezes,	seus	valores	e	saberes	
não	são	aceitos	e	nem	valorizados	dentro	desse	contexto.
Por	sua	vez,	na	sociedade	existe	uma	crescente	sensibilidade	para	a	temática	
das	diferenças	culturais	que	se	manifesta	em	diversos	âmbitos	sociais.	No	entanto,	no	
que	se	refere	à	educação	escolar,	é	possível	detectar	uma	sensação	de	impotência,	de	
não	sabermos	lidar	positivamente	com	essas	questões.	Para	avançar	na	incorporação	
da	perspectiva	intercultural	no	cotidiano	escolar	e	acadêmico,	é	importante	que	ela	seja	
introduzida	nos	processos	de	formação	continuada	realizados	coletivamente	na	própria	
escola	e	universidade.
Entendendo	que	todas	as	culturas	têm	valor	e	podem	contribuir	para	enriquecer	
o	 processo	 de	 construção	 do	 conhecimento,	 acredita-se	 que	 a	 Educação	 deveria	
assumir	uma	perspectiva	intercultural,	pois	ela	apresenta-se	como	uma	possibilidade	
de	se	compreender	a	complexidade	das	interações	humanas,	criando	condições	para	
que	haja	crescimento	de	todos	os	sujeitos	e	grupos	aos	quais	pertencem,	promovendo	
mudanças	profundas	na	educação.	
Podemos	afirmar	então,	que	a	 incorporação	de	uma	perspectiva	 intercultural,	
"não	pode	ser	reduzida	a	algumas	situações	e/ou	atividades	realizadas	em	momentos	
específicos	 ou	 por	 determinadas	 áreas	 curriculares,	 nem	 focalizar	 sua	 atenção	 a	
determinados	grupos	sociais"	(CANDAU,	2000,	p.	51).
A	partir	dessa	perspectiva	a	concepção	de	Educação	é	ampliada,	passando	a	
ser	entendida,	como	salienta	Fleuri	(2003,	p.	20):
Como	 um	 processo	 construído	 pela	 relação	 tensa	 e	 intensa	 entre	
diferentes	 sujeitos,	 criando	 contextos	 interativos	 que,	 justamente,	
por	 se	 conectar	 dinamicamente	 com	 os	 diferentes	 contextos	
“O diálogo é o encontro entre os homens, mediatizados pelo mundo, 
para designá-lo. Se ao dizer suas palavras, ao chamar ao mundo, os 
homens o transformam, o diálogo impõe-se como o caminho pelo qual 
os homens encontram seu significado enquanto homens; o diálogo é, 
pois, uma necessidade existencial” (FREIRE, 1987, p. 42).
DICA
167
culturais	 em	 relação	aos	quais	os	diferentes	 sujeitos	desenvolvem	
suas	 respectivas	 identidades,	 se	 torna	 um	 ambiente	 criativo	 e	
propriamente	formativo.
Uma	das	condições	fundamentais	para	práticas	educativas	 interculturais	é	a	
necessidade	de	uma	reestruturação	cultural	das	formas	de	agir,	sentir	e	pensar	o	mundo,	
e,	portanto,	a	Educação.	Essa	estruturação,	de	nada	servirá	se	não	 implementarmos	
mudanças	 em	 aspectos	 culturais	 enraizados	 em	 nossas	 escolas	 e	 universidades,	
que	 pelas	 transformações	 constantes	 na	 sociedade,	 acabam	não	 satisfazendo	mais	
as	necessidades	dos	sujeitos.	 Candau	(1998)	defende	uma	proposta	de	formação	de	
professores	fundamentada	na	perspectiva	intercultural,	acreditando	que	somente	com	
uma	formação	voltada	para	a	diversidade	cultural	os	professores	podem	colaborar	para	
desestabilizar	o	papel	homogeneizador	da	cultura	escolar.
A	formação	de	professores	precisa	ser	considerada	como	um	espaço	importante	
para	começar	as	mudanças,	acreditarmos	na	necessidade	de	se	investir	na	formação	
inicial	 e,	 principalmente	 continuada,	 para	 os	 professores	 em	 serviço,	 com	propostas	
que	 venham	 sensibilizar	 os	 	 educadores	 para	 a	 diversidade	 cultural,	 o	 que	 pode	
significativamente	contribuir	para	os	sujeitos	saírem	da	menoridade	e	construírem-se	
como	sujeitos	críticos,	criativos	e	autônomos,	buscando	o	esclarecimento	das	questões	
que	permeiam	o	mundo.
Outra	 necessidade	 para	 a	 promoção	 de	 diálogo	 e	 implementação	 de	 uma	
visão	intercultural	em	diversos	espaços	e	locais	é	o	intercambio.	Fazer	um	intercâmbio	
e	 vivenciar	 experiências	 culturas	 diferentes	 é,	 hoje,	 um	 dos	 sonhos	 da	maioria	 dos	
estudantes	ou	futuros	profissionais.	O	intercâmbio	pode	ser	uma	abertura	de	horizontes,	
uma	ponte	para	fazer	novas	amizades,	conhecer	novas	culturas,	estilos	de	vidas,	rever	
valores,	aprender	sobre	respeito	mútuo	entre	as	diferentes	nações	do	mundo.
Estudar	 no	 exterior	 é,	 de	 fato,	 uma	 experiência	 internacional	 maravilhosa,	
mas	ela	é	automaticamente	 intercultural?	Apesar	de	serem	usadas	como	sinônimo	
e	 estejam	 interligadas,	 as	 duas	 são	 coisas	 diferentes.	 Aliás,	 você	 sabe	 o	 que	 isso	
significa?	 Uma	 experiência	 intercultural	 requer	 preparo	 e,	 quando	 bem-sucedida,	
traz	enormes	benefícios	à	sua	vida.	O	que	é	e	quais	são	os	benefícios	da	experiência	
(intercâmbio)	intercultural?
A	psicóloga	Góes	(2020)	alerta	que,	a	experiência	internacional	e	intercultural,	embo-
ra	estejam	relacionadas,	não	são	sinônimos.	Nem	toda	experiência	internacional	(de	contato	
com	um	outro	país,	uma	outra	cultura)	é,	necessariamente,	uma	experiência	intercultural.
 A	experiência	intercultural	vai	além	do	simples	contato	com	outra	cultura	e	envolve,	
entre	outros	fatores,	curiosidade,	troca,	interesse	genuíno	pelo	outro,	reconhecimento	
das	diferenças,	respeito	e	aprendizado. Assim,	uma	experiência	 intercultural	se	torna	
mais	enriquecedora,	reconhecendo	outros	valores,	comportamentos	e	visões	de	mundo	
que	possam	ser	diferentes, além	de		ter	um	grande	potencial	para	auxiliarna	aquisição	
168
e	desenvolvimento	de	diversas	habilidades	e	capacidades	em	todas	as	faixas	etárias. O	
estudante	pode	fazer	isso	de	diversas	formas.	Dentre	elas,	Góes	(2020)	destaca:
QUADRO 1 – EXPERIÊNCIA INTERCULTURAL
1.  Estudar o idioma do país que pretende viajar:	não	é	preciso,	necessariamente	ter	um	
nível	de	idioma	fluente,	mas	sabemos	que	a	habilidade	de	se	expressar	no	idioma	local	está	
diretamente	ligada	a	adaptação	(pois	impacta	nos	relacionamentos	sociais,	na	vida	escolar	
e	na	rotina	do	estudante).
2. Exercitar a curiosidade:	pesquisar	e	conhecer	mais	sobre	o	país	que	pretende	estudar:	
sua	história,	costumes,	cultura,	enfim,	ter	informações	e	conhecimento	sobre	o	destino	vai	
auxiliar	no	processo	de	adaptação	no	futuro.
3. Além	de	conhecer	mais	sobre	o	outro	(a	cultura	e	o	país),	é	fundamental conhecer	mais	sobre	
si.	Exercitar	o	autoconhecimento	é	compreender	quais	são	as	suas	forças	e	qualidades,	ter	
a	clareza	dos	seus	objetivos	em	estudar	fora,	compreender	como	se	lida	com	mudanças,	
com	o	imprevisto	entre	outros	elementos.	Desbravar	o	mundo	interno	certamente	auxiliará	
o	estudante	a	desbravar	o	mundo	lá	fora.
4. Treinamento Intercultural:	essa	é	uma	excelente	ferramenta	para	auxiliar	no	processo	de	
preparação	para	uma	experiência	no	exterior.	Compreender	e	desenvolver	ferramentas	para	
lidar	com	a	adaptação,	o	stress	cultural,	as	diferenças	culturais,	os	sentimentos	envolvidos	
contribuem	para	que	o	jovem	embarque	mais	confiante,	seguro	e	preparado	e	assim	esteja	
mais	capacitado	para	lidar	com	os	desafios	e	usufruir	melhor	a	experiência	intercultural.
FONTE: . Acesso em: 9 set. 2021.
Uma	 experiência	 intercultural	 é	 um	 convite	 para	 se	 adquirir	 e	 desenvolver	
habilidades	que	serão	úteis	durante	a	vivência	no	exterior,	e	certamente	fundamentais	
para	a	vida.	É	uma	convocação	para	se	lidar	com	diferenças	assim	como	no	intercâmbio	
diariamente.	Conversar	com	pessoas	com	posicionamentos	diferentes,	exercitar	a	empatia	
com	um	vizinho	e	até	mesmo	trabalhar	(presencialmente	ou	virtualmente)	com	pessoas	
de	diversos	 lugares	do	mundo	e,	portanto,	com	valores	e	comportamentos	diferentes.	
Assim,	a	experiência	pessoal	certamente	ajudará	e	desenvolverá	diariamente	a	continuar	
exercitando	essas	habilidades	para	construir	relacionamentos	mais	saudáveis	e	positivos. 
A ideia de  expansão internacional  é sempre muito interessante, pois significa novas 
oportunidades de atuação, novos ganhos e um crescimento da importância do seu 
negócio em escala global. O problema é que essa guinada também envolve 
riscos, e é preciso estar preparado para encará-los. Uma forma de minimizá-
los é investindo na experiência intercultural dos colaboradores. A experiência 
intercultural nada mais é do que permitir que o colaborador passe algum 
tempo em outra empresa que se localiza na região para a qual se quer 
expandir. Com essa espécie de imersão, será possível construir uma 
análise mais acertada do cenário que se vai encontrar. É preciso então: 
entender a cultura de outros países e sua legislação; adquirir experiência 
antes de expandir; identificar na experiência intercultural vantagens e 
desvantagens da expansão.
FONTE: . Acesso em: 14 maio 2021.
DICA
169
RESUMO DO TÓPICO 1
Neste tópico, você aprendeu:
•	 Os	processos	culturais	abrangem	as	práticas	humanas	e	suas	manifestações,	como	
os	conhecimentos,	as	crenças,	os	valores,	os	costumes,	as	artes,	a	tecnologia,	que	
podem	 ser	 analisadas	 como	 representações	 simbólicas.	A	 noção	 de	 processo	 é	 o	
resultado	do	fato	de	a	cultura	ser	dinâmica	e	de	estar	relacionada	às	transformações	
sócio-históricas	em	que	interagem	relações	de	causa	e	de	consequência.
•	 Em	linhas	gerais,	o	multiculturalismo	se	relaciona,	tanto	do	ponto	de	vista	acadêmico	
quanto	das	políticas	institucionais,	com	as questões	levantadas	pelo	surgimento	das	
sociedades	multiculturais. Essas	nada	mais	são	do	que sociedades	que	abrigam,	em	
um	mesmo	local,	povos	de	origens	culturais	diferentes.	
•	 O	multiculturalismo	 é	 um	 fenômeno	 extremamente	 típico	 de	 final	 do	 século	 XX	 e	
início	do	século	XXI.	Isso	tem	a	ver	com	um	processo	de	maiores	alcances	conhecido	
como	 globalização	 e	 que	 se	 caracteriza	 principalmente	 pelo	 estabelecimento	 de	
laços	entre	todas	as	regiões	do	mundo	de	maneira	inevitável	e	indiscutível.
•	 A	interculturalidade	enfoca	a	necessidade	do	diálogo,	da	vontade	de	inter-relação	e	
não	de	dominação.	Um	diálogo	cujas	regras,	não	podem	ser	firmadas	unilateralmente	
e	nem	a	priori,	mas	que	devem	ser	estabelecidas	no	decorrer	desse	diálogo	e	com	a	
confiança	mútua.
•	 Interculturalidade	pode	ser	definida	como	qualquer	relação	entre	pessoas	ou	grupos	
sociais	 de	 diversas	 culturas.	 A	 interculturalidade,	 segundo	 Albó	 (2005),	 pode	 ser	
negativa	 quando	 a	 relação	 acaba	 destruindo	 ou	 reduzindo	 o	 que	 é	 culturalmente	
distinto	ou	até	mesmo	quando	há	simplesmente	a	assimilação	da	cultura	dominante	
pela	cultura	dominada	ou	positiva	quando	resulta	na	aceitação	do	que	é	culturalmente	
distinto	e	na	troca	de	conhecimentos,	com	enriquecimento	mútuo.
•	 A	complexidade	das	relações	sociais	e	a	diversidade	cultural	atualmente	requerem	
novas	formas	de	se	elaborar	o	conhecimento	e	a	pesquisa.	A	constante	relação	entre	
os	fenômenos	culturais	e	as	grandes	mudanças	e	avanços	ocorridos	nas	ciências,	
atuaram	e	atuam	como	processos	de	desestabilização	e	fragmentação	dos	códigos	
culturais,	ou	seja,	as	distâncias	e	barreiras	entre	os	sujeitos,	as	culturas	e	suas	formas	
de	 manifestação	 estão	 cada	 vez	 mais	 estreitas	 e	 articulando-se	 por	 completo,	
tornando	 o	 mundo	 cada	 vez	 mais	 interconectado	 em	 suas	 novas	 combinações	
espaço-tempo.
170
AUTOATIVIDADE
1	 O	 debate	 em	 torno	 da	 diversidade	 cultural	 tornou-se	 importante	 para	 orientar	 a	
construção	de	políticas	públicas,	principalmente	nas	áreas	da	cultura,	do	emprego	
e	da	educação,	devido	à	garantia	das	condições	materiais	básicas	para	todos.	No	
âmbito	das	discussões	sociológicas,	tornou-se	mais	intensa	sob	quais	conceitos?
a)	 (			)	Multiculturalidade.
b)	(			)		Plurianual.
c)	 (			)		Transcendência.
d)	(			)	Nenhuma	opção	apresentada.
2	 As	 sociedades	 de	 forma	 geral	 são	 formadas	 não	 só	 por	 diferentes	 etnias,	 como	
por	imigrantes	de	diferentes	países.	Além	disso,	as	migrações	colocam	em	contato	
grupos	diferenciados.	A	convivência	entre	grupos	diferenciados	nos	planos	social	e	
cultural	muitas	vezes	é	marcada	pelo	preconceito	e	pela	discriminação.	Com	relação	
aos	processos	interculturais,	analise	as	afirmativas	a	seguir:
I-	 É	 necessário	 compreender	 que	 atitudes	 com	 relação	 à	 diversidade	 etnocultural,	
normas	e	valores,	comportam	uma	dimensão	social	e	uma	dimensão	religiosa	que	
refletem	 os	 princípios	 assumidos	 pessoalmente	 por	 cada	 um	 a	 partir	 dos	 vários	
sistemas	normativos	que	circulam	na	questão	da	fé.
II-	 O	grande	desafio	da	sociedade	humana	é	investir	na	superação	da	discriminação	e	
dar	a	conhecer	a	riqueza	representada	pela	diversidade	etnocultural	que	compõe	o	
patrimônio	sociocultural,	valorizando	a	trajetória	particular	dos	grupos	que	compõem	
as	diversas	sociedades.
III-	Para	 viver	 democraticamente	 em	 uma	 sociedade	 plural	 é	 preciso	 respeitar	 os	
diferentes	grupos	e	culturas	que	a	constituem.
Assinale	a	alternativa	CORRETA:
a)	 (			)	Somente	a	afirmativa	I	está	correta.
b)	(			)	Somente	a	afirmativa	II	está	correta.
c)	 (			)	As	afirmativas	II	e	III	estão	corretas.
d)	(			)	As	afirmativas	I,	II	e	III	estão	corretas.
3	 As	práticas	interculturais,	no	contexto	das	lutas	sociais	contra	os	processos	crescentes	
de	exclusão	social	inerentes	à	globalização	econômica,	propõem	o	desenvolvimento	
de	 estratégias	 que	 promovam	 a	 construção	 de	 identidades	 particulares	 e	 o	
reconhecimento	das	diferenças,	ao	mesmo	tempo	em	que	sustentem	a	inter-relação	
crítica	e	solidária	entre	diferentes	grupos.	Referente	às	práticas	interculturais,Acesso em: 29 jul. 2021.
NOTA
O  Racionalismo  é	 uma	 corrente	 filosófica	 que	 atribui	 particular	 confiança	
à razão humana,	ao	passo	que	acredita	que	é	dela	que	se	obtém	os	conhecimentos.	
Somente	o	pensamento	por	meio	da	razão	é	capaz	de	atingir	a verdade.
Entende-se	 por	 Racionalismo,	 do	 ponto	 de	 vista	 da	 Teoria	 do	
Conhecimento	o	saber	que	se	funda	na	 razão.	Todo	conhecimento	
deriva	 de	 princípios	 (a	 priori),	 ou	 o	 conhecimento	 que	 independe	
da	 experiência	 sensível.	 O	 conhecimento	 adquirido	 somente	 pelos	
sentidos fornece, tão somente, uma ideia confusa e provisória 
da	 verdade.	 A	 filosofia	 do	 Racionalismo	 data	 do	 século	 XVII	 O	
9
Racionalismo,	enquanto	Teoria	do	Conhecimento	pela	razão	opõe-se	
ao	misticismo,	 aos	 dogmas	 religiosos,	 às	 superstições.	A	 teoria	 do	
Racionalismo tem sido denunciada como sinônimo de irreligião. Ou 
seja,	o	conhecimento	que	não	aceita	a	Intuição,	os	valores	humanos	
ligados	 aos	 sentimentos.	 O	 Racionalismo	 expandiu-se,	 abrindo	
novos	horizontes	do	conhecimento.	Ainda	no	século	XVII,	conquistou	
espaços	na	política	e	nas	artes	(CRUZ;	SILVA,	2011	p.	6421).
O	 racionalismo	 descreve	 que	 há	 um	 tipo	 de	 conhecimento	 que	 surge	
diretamente	da	razão.	É	baseado	nos	princípios	da	busca	da	certeza	e	da	demonstração,	
fundamentados	 por	 um	 conhecimento	 que	 é	 elaborado	 somente	 pela	 razão.	 O	
racionalismo	 considera	 que	 o	 ser	 humano	 tem	 ideias	 inatas,	 ou	 seja,	 que	 não	 são	
derivadas	da	experiência,	mas	se	encontram	no	ser	humano	desde	seu	nascimento	e	
desconfia	das	percepções	sensoriais.
O	 Renascimento	 cultural	 foi	 um	 movimento	 artístico,	 cultural	 e	 científico,	
ocorrido	nos	séculos	XIV,	XV	e	XVI,	marcando	o	início	da	Idade	Moderna.	Foi	marcado	
pela	crítica	à	cultura	religiosa	medieval,	baseada	na	“fé	cega”,	quase	que	a	rejeição	da	
ideologia da Igreja Católica Romana, apesar dos temas religiosos presentes em algumas 
de	suas	manifestações	artísticas.	
O	 movimento	 difundiu-se	 primeiramente	 na	 Península	 Itálica,	 devido	 à	
enriquecida	 burguesia	 da	 região	 que	 se	 beneficiou	 com	 o	 comércio	 mediterrânico	
ocidente-oriente	na	 Itália,	mais	precisamente	em	cidades	 ligadas	ao	comércio,	como	
Veneza,	 Pisa,	 Gênova	 e	 Florença.	 Tais	 cidades	 receberam	 uma	 forte	 influência	 dos	
sábios	 bizantinos.	 Além	 disso,	 após	 a	 Queda	 de	 Constantinopla,	 muitos	 pensadores	
do	antigo	Império	Bizantino	fugiram	para	a	Itália,	auxiliando	na	difusão	dos	saberes	da	
cultura	greco-romana	clássica.	Além	dessa	influência,	havia	os	árabes	que	mantinham	
contatos comerciais com os italianos.
FIGURA 2 – O AFRESCO ESCOLA DE ATENAS
FONTE: . Acesso em: 13 jan. 2021.
10
O	afresco Escola de Atenas,	do	pintor	renascentista	Rafael,	mostra	os	filósofos	
Platão e Aristóteles (ao centro), além de outros estudiosos da Antiguidade. No 
Renascimento, o pensamento da Antiguidade clássica foi retomado como base para 
desenvolver novas ideias.
Características do Renascimento
a-	Individualismo:	valorização	da	capacidade	do	ser	humano	em	fazer	escolhas	
livremente,	valendo-se	de	suas	próprias	forças
b-	Racionalismo:	ênfase	na	razão	como	principal	instrumento	para	compreender	
o	Universo,	a	natureza	e	até	mesmo	Deus.
c-	Humanismo	 e	 Antropocentrismo:	 perspectiva	 de	 que	 o	 homem	 deveria	 ser	
o	 centro	 das	 indagações	 dos	 pensadores	 em	 detrimento	 do	 teocentrismo	
medieval,	centrado	na	natureza	de	Deus.	No	entanto,	o	fato	de	os	humanistas	
serem	 antropocêntricos	 não	 quer	 dizer	 que	 fossem	 ateus.	 Ao	 contrário,	
eles eram profundamente cristãos. Sem se afastarem da religião cristã, os 
humanistas	fizeram	da	capacidade	de	conhecer	as	coisas	através	do	uso	da	
razão	uma	das	qualidades	mais	elevadas	do	homem.	A	fim	de	poder	empregar	
e	 desenvolver	 a	 inteligência	 humana	 eles	 defenderam	 o	 livre	 exame	 dos	
textos	sagrados,	inclusive	da	Bíblia.	Foi	essa	imensa	confiança	nas	qualidades	
humanas	que	caracterizou	o	humanismo.
d-	Hedonismo:	 busca	 do	 prazer	 individual.	 Naturalismo:	 preocupações	 com	 a	
natureza,	 dentro	de	uma	perspectiva	metafísica	 sobre	 as	 coisas	e	 sobre	 as	
capacidades	da	razão	em	moldar	a	realidade	natural.
e-	Neoplatonismo:	ideia	de	que	o	homem	deveria	se	elevar	até	Deus.	Influência	
da	cultura	Greco-Romana:	o	movimento	se	inspirou	na	cultura	da	antiguidade	
clássica,	adaptando-a	de	acordo	com	os	interesses	da	burguesia	europeia	da	
Idade Moderna.
f-	Mecenato:	A	Itália	foi	durante	muito	tempo	apenas	uma	expressão	geográfica	
e	não	um	país.	Desde	a	 Idade	Média	ela	era	composta	de	uma	multidão	de	
cidades-estados	 independentes	 e	 assim	 continuou	 até	 sua	 unificação	 no	
século	 XIX.	 Na	 época	 do	 Renascimento,	 algumas	 cidades-estados,	 como	
Florença,	Milão	e	Veneza,	destacavam-se	não	só	pela	 riqueza,	mas	também	
pela	 proteção	 que	 dispensavam	 aos	 artistas	 e	 intelectuais.	 Os	 governantes	
dessas	cidades	representavam	certas	famílias,	como	a	Sforza,	de	Milão,	e	os	
Medici,	de	Florença,	notabilizando-se	como	mecenas,	isto	é,	como	protetores	
e	financiadores	de	sábios	e	artistas.
FONTE: Adaptado de SEVCENKO, N. O renascimento. 4. ed. Campinas: Editora da Universidade Es-
tadual de Campinas, 1986.
11
4 AUGUST COMTE E SAINT SIMON
O	 Iluminismo	 floresceu	 na	 França,	 na	 Inglaterra,	 na	 Alemanha	 e	 nos	 Países	
Baixos.	A	 Filosofia	 Social	 Iluminista	 desdobrou-se	 em	 duas	 correntes:	 de	 um	 lado,	 os	
Reformadores	Sociais	Moderados	que	buscavam	um	ajuste	na	sociedade	aos	interesses	
da	burguesia;	de	outro,	os	Radicais,	que	pareciam	intuir	vagamente	os	interesses	de	um	
futuro	proletariado.	Os	Moderados	deram	origem	ao	que	mais	tarde	ficou	conhecido	como	
o pensamento liberal conservador e positivista, e os Radicais deram origem aos Socialistas.
A primeira corrente do pensamento sociológico propriamente dito foi o 
Positivismo,	primeira	teoria	a	organizar	alguns	princípios	a	 respeito	do	ser	humano	e	
da	 sociedade	de	 forma	cientifica.	Seu	primeiro	 representante	 foi	 o	pensador	 francês	
Auguste	Comte,	influenciado	por	Saint	Simon.
FIGURA 4 – CLAUDE HENRI DE ROUVROY, CONDE DE SAINT-SIMON
FONTE: . Acesso em: 19 mar. 2021.
Saint	Simon	foi	o	autor	de	muitas	ideias	atribuídas	ao	seu	secretário	particular	
August	 Comte.	 Seu	 pensamento	 ficou	 entre	 uma	 bifurcação	 ideológica:	 parte	 foi	
aproveitada pelos conservadores e parte pelos socialistas. Foi o precursor do positivismo 
e,	em	alguns	aspectos,	das	ideias	de	Karl	Marx,	o	mais	importante	teórico	do	socialismo.
Quais	 eram	 os	 principais	 pensamentos,	 ideias	 e	 princípios	 defendidos	 por	 Saint	
Simon?	Vejamos	a	seguir.	Sobre	o	Desenvolvimento	da	Humanidade,	Bins	(1990,	p.	14)	afirma:
A humanidade progride por etapas. Na primeira a teológica, o mundo fora 
interpretado	em	termos	religiosos.	Na	segunda	a	metafisica,	por	meio	da	
filosofia	e	por	fim,	a	positiva	ou	científica.	O	progresso	para	ele	não	se	
reduziria	somente	ao	mundo	das	ideias,	pois	seria	também	material.	
Você	pode	notar	acadêmico,	que	ele	 influenciou	muito	August	Comte	nessas	
ideias	de	que	a	humanidade	progrediu	por	etapas.	Ao	que	parece,	ele	olha	a	humanidade	
em	seus	tempos	históricos:	no	início,	a	sociedade	teria	sido	influenciada	pela	magia	e	
12
rituais	sagrados;	depois,	viria	a	instituição	da	religião	(idade	média);		a	crítica	humana	
à	 influência	religiosa	no	mundo	(antropocentrismo	e	racionalismo),	fase	ou	etapa	dos	
intelectuais,	pensadores	e	filósofos;	e,	por	último,	a	busca	pelo	conhecimento	científico.	
Olhando para educação e os conhecimentos criados e incorporados no dia 
a	 dia	 das	 escolas	 e	 universidades	 da	 época,	 seriam	 as	 seguintes	 possíveis	 etapas:	
conhecimento	 religioso,	 conhecimento	 filosófico	 e	 sociológico	 (com	 o	 suporte	 da	
geografia	e	história	entre	outros	conhecimentos)	e,	por	fim,	o	conhecimento	científico.
 
Simon	vivenciou	 a	 revolução	 Francesa,	 que	 interpretouassinale	
a	alternativa	CORRETA:
171
a)	(			)	 Uma	prática		intercultural	encara	a	diversidade	dos	alunos	como	um	problema	e,	
perante	ela,	recorre	a	práticas	que	permitem	a	cada	um	deles	conhecer	melhor	
a	 si	 e	 aos	outros.	Para	 isso,	 transporta	para	 a	 escola	os	 saberes	do	cotidiano	
e	as	especificidades	dos	diversos	grupos	e	trabalha-os	de	forma	esporádica	e	
fragmentada,	mas	contextualizados	e	vivenciados	por	processos	interagidos.
b)	(			)	 A	prática	intercultural	bem	conduzida		permite	reconhecer	a	identidade	ao	outro	
e,	sobretudo,		conhecer	o	outro	na	sua	diferença	e	complexidade.
c)	(			)	 A	prática		intercultural	é	um	princípio	subjacente	a	toda	a	atividade	religiosa,	e	
não	um	novo	dogma
d)	(			)	 Práticas	interculturais	pressupõem	uma	ação	individual	que	não	se	esgota	nos	
conteúdos	 e	 nas	matérias	 selecionados	 para	 o	 ensino	 e	 a	 aprendizagem.	Ao	
contrário,	atravessam	todos	os	aspectos	da	organização	e	gestão	pessoal.
4	 Não	há	unanimidade	quanto	à	Pós-modernidade.	Além	disso,	a	Pós-modernidade	é	
o	nome	designado	para	as	mudanças	que	aconteceram	por	volta	dos	anos	1950	em	
diante,	em	diversos	campos,	entre	eles:	as	ciências,	as	artes,	avanços	tecnológicos	
(computação,	ciências	cognitivas	etc.).	Da	mesma	forma,	a	Pós-modernidade	tomou	
corpo	por	volta	dos	anos	1960	na	arte	pop	e	nos	anos	1970	quando	chega	à	filosofia.	
Disserte	sobre	as	visões	de	intelectuais	a	respeito	da	Pós-modernidade
5	 Não	se	pode	negar	que	vivemos	em	um	contexto	e	em	um	período	de	constantes	
mudanças	e	transformações.	Estas	mudanças	abalam	os	mais	diversos	âmbitos	da	
sociedade.	Neste	contexto,	o	mercado	de	trabalho	não	passa	 imune.	É	 recorrente	
encontrar	 afirmações	 de	 que	 a	 educação/formação/qualificação	 é	 imprescindível	
para	que	os	 indivíduos	sejam	e	se	mantenham	 inseridos	no	mercado	do	trabalho.	
Disserte	sobre	as	relações	existente	entre	educação	e	trabalho.
172
173
SALA DE AULA NO SÉCULO XXI
1 INTRODUÇÃO
Neste	 tópico	 estudaremos	 sobre	 a	 Sociedade	 de	 Consumo	 e	 salas	 de	 aula.	 A	
sociedade	de	consumo	é	um	conceito	que	define	um	modelo	de	reprodução	social	baseado	
no	consumismo.	A	ideia	de	sociedade	de	consumo	é	empregada	para	designar	uma	sociedade	
cujas	relações	de	consumo	ocupam	uma	posição	estratégica	na	organização	social.
Também	 veremos	 acerca	 das	 Sociedades	 Alternativas	 e	 salas	 de	 aula.	 Uma	
Sociedade	Alternativa	é	aquela	que	se	diferencia	do	modelo	de	Sociedade	de	Exclusão,	
que	afasta	e	priva	determinados	indivíduos	ou	de	grupos	sociais	e	étnicos	em	diversos	
âmbitos	da	estrutura	da	sociedade.
Outro	ponto	que	será	abordado	neste	tópico	são	as	Salas	de	aulas	conectadas.	
A	 humanidade	 vive	 uma	 transformação	 das	 interações	 sociais	 onde	 passam	 a	 não	
mais	 relacionar-se	 com	outros	 indivíduos,	mas	 sim	a	 conectar-se	 e	 desconectar-se.	
Esse	novo	paradigma	tecnológico,	é	definido	por	novos	agrupamentos	humanos	que	
reorganizam	seus	significados,	integrando	o	mundo	em	grandes	redes	local-global.	Esse	
novo	sistema	de	novas	tecnologias	apresenta	cada	vez	mais	elementos	universalizantes	
como	 linguagem,	 sons,	 imagens,	 cultura,	 política,	 economia,	 identidade	 etc.	 Esses	
produtos	culturais,	estão	“moldando	a	vida	e,	ao	mesmo	tempo,	sendo	moldados	por	ela.
2 SOCIEDADE DE CONSUMO E SALAS DE AULA
Sociedade	 de	 consumo  é	 um	 termo	 bastante	 utilizado	 para	 representar	 os	
avanços	de	produção	do	sistema	capitalista,	que	se	intensificaram	ao	longo	do	século	
XX	notadamente	nos	Estados	Unidos	 e	 que,	 posteriormente,	 espalharam-se	 e	 ainda	
vem	se	espalhando	pelo	mundo.
UNIDADE 3 TÓPICO 2 - 
Significado de Sociedade de consumo:
Designa o tipo de sociedade que se encontra em uma etapa avançada de 
desenvolvimento industrial, em que a oferta de bens e serviços quase sempre 
excede a procura, e em que os padrões de consumo são massificados, 
produzindo um tipo de cultura e comportamento característicos.
FONTE: . Acesso em: 8 set. 2021.
NOTA
174
O	desenvolvimento	econômico	e	social	é	pautado	pelo	aumento	do	consumo,	
que	 resulta	 em	 lucro	 ao	 comércio	 e	 às	 grandes	 empresas,	 gerando	mais	 empregos,	
aumentando	a	renda,	o	que	acarreta	ainda	mais	consumo.	Uma	ruptura	nesse	modelo	
representaria	uma	crise,	pois	a	renda	diminuiria,	o	desemprego	elevar-se-ia	e	o	acesso	a	
elementos	básicos	seria	mais	dificultado.	Uma	das	grandes	críticas	ao	sistema	capitalista	
é	a	emergência	desse	modelo.	
Qual	seria	essa	crítica?
	As	críticas	sobre	a	sociedade	de	consumo	direcionam-se	não	apenas	pela	
perspectiva	 econômica,	 mas	 também	 pelo	 viés	 ambiental.	 Afinal,	 um	 dos	 efeitos	
do	consumismo	é	a	ampliação	da	exploração	dos	recursos	naturais	para	a	geração	
de	matérias-primas	voltadas	à	fabricação	de	mais	e	mais	mercadorias.	Estimativas	
apontam	que	seriam	necessários	quatro	planetas	e	meio	para	garantir	os	recursos	
naturais	para	a	humanidade	caso	todos	os	países	mantivessem	o	nível	de	consumo	
dos	 EUA.	 Com	 isso,	 há	 a	 devastação	 das	 florestas	 e	 o	 esgotamento	 até	 mesmo	
dos	recursos	renováveis,	tais	como	a	água	própria	para	o	consumo,	as	florestas	e	o	
solo.	Além	disso,	os	recursos	não	renováveis	vão	contando	os	dias	para	a	escassez	
completa,	tais	como	as	reservas	de	petróleo	e	de	diversos	minérios	utilizados	para	a	
fabricação	dos	mais	diferentes	produtos	utilizados	pela	sociedade.
FONTE: . Acesso 
em: 13 maio 2021.
FIGURA 3 – MUDANÇAS DE HÁBITOS
FONTE: . Acesso em: 23 maio 2021.
Existe	uma	grande	crítica	 referente	à	produção	de	mercadorias	 rapidamente	
descartadas.	Confira	no	trecho	a	seguir.
175
Um	dos	aspectos	mais	criticados	no	que	se	refere	à	sociedade	de	consumo	é	
a obsolescência programada ou	obsolescência	planejada,	que	consiste	na	produção	de	
mercadorias	previamente	elaboradas	para	serem	rapidamente	descartadas,	fazendo	com	
que	o	consumidor	compre	um	novo	produto	em	breve.	Assim,	aumenta-se	o	consumo,	
mas	também	aumenta	a	demanda	por	recursos	naturais	e	maximiza	a	produção	de	lixo,	
elevando	ainda	mais	a	problemática	ambiental	decorrente	desse	processo.	
Com	 isso,	 além	 da	 adoção	 de	 políticas	 sociais	 de	 controle	 ao	 consumismo	
exagerado,	 é	 preciso	 encontrar	 meios	 econômicos	 alternativos	 ao	 desenvolvimento	
pautado	no	consumo.	Não	obstante,	faz-se	necessária	também	a	promoção	de	políticas	
de	reciclagem,	além	da	reutilização	ou	reaproveitamento	dos	produtos	não	mais	utilizados,	
contendo,	assim,	a	geração	de	lixo	e	a	demanda	desenfreada	por	matérias-primas.
FONTE: . Acesso 
em: 13 maio 2021.
Para	Bauman	(2008),	a	sociedade	de	consumo	representa	o	tipo	de	sociedade	
que	 promove,	 encoraja	 ou	 reforça	 a	 escolha	 de	 um	 estilo	 de	 vida	 e	 uma	 estratégia	
existencial	consumistas,	e	rejeita	todas	as	opções	culturais	alternativas.	Ele	fala	ainda	
que	na	sociedade	de	consumidores,	ninguém	pode	se	tornar	sujeito	sem	primeiro	virar	
mercadoria,	ou	seja,	para	que	uma	pessoa	possa	consumir	nos	moldes	da	sociedade	de	
consumo,	ela	precisa	vender	sua	própria	força	de	trabalho.	Assim,	ela	é	também	uma	
mercadoria	no	sistema	da	sociedade	de	consumo.
Em	 síntese,	 a	 sociedade	 de	 consumo	 é	 um	 conceito	 que	 define	 um	modelo	
de	 reprodução	 social	 baseado	 no	 consumismo.	A	 ideia	 de	 sociedade	 de	 consumo	 é	
empregada	 para	 designar	 uma	 sociedade	 cujas	 relações	 de	 consumo	 ocupam	 uma	
posição	 estratégica	 na	 organização	 social.	 Ela	 é	 uma	 sociedade	 onde	 são	 criados	
inúmeros	bens	de	consumo	para	comercialização	e	onde	o	marketing	tem	um	papel	
fundamental	 na	 construção	 dos	 desejos	 de	 consumo	 da	 população,	 sobretudo	 pela	
propaganda.	 Na	 sociedade	 de	 consumo,	 o	 consumo	 é	 intensificado	 pela	 criação	 de	
necessidades	de	consumo.	Todas	as	pessoas	se	tornam	consumidores	em	potencial	e	
muitas	compras	são	realizadascomo	 luta	
de	 classes:	 os	 industriais,	 os	 que	 produzem,	 contra	 a	 aristocracia	
parasitária.	Não	percebeu,	porém,	que	esta	categoria	era	composta	
por duas classes, a dos burgueses e a dos trabalhadores. Após 
a	 revolução,	 concluiu	 que	 se	 os	 industriais	 haviam	 teoricamente	
vencido,	 quem	 de	 fato	 tinha	 liderado	 o	 processo	 e	 continuava	
a	 manter	 o	 poder	 eram	 os	 metafísicos,	 os	 advogados	 e	 outras	
categorias	bastardas	(BINS,1990,	p.	14).
	É	o	primeiro	teórico	que	esboça	a	 ideia	da	 luta	de	classes,	muito	embora	
esse	conceito	seja	divergente	daquele	apresentado	por	Marx.	De	acordo	com	Bins	
(1990,	p.	15),	“imaginava	que	para	o	futuro,	as	sociedades	tornar-se-iam	orgânicas,	
com	suas	partes	perfeitamente	 integradas	e	 sem	conflitos,	 comandadas	por	uma	
elite	técnica-científica”.
Influenciou	muitos	 pensadores	 com	 esse	 princípio	 de	 sociedades	 orgânicas,	
sobretudo  	 Herbert	 Spencer,	 e	 a	 sociologia	 evolucionista,	 que	 permite	 conceber	
o sistema social composto	por	elementos interdependentes constituindo	uma	unidade	
própria,	à	semelhança	dos organismos biológicos.	Spencer	buscou	no	evolucionismo	
os mecanismos e objetivos da sociedade, e defendeu o ensino da ciência para formar 
adultos competitivos. A concepção organicista, em oposição à perspectiva historicista, 
influenciou	Durkheim	e	a	corrente	funcionalista.
 
Por	último,	a	maior	das	contribuições.	Segundo	Bins	(1990,	p.	15),	Simon	“propôs	
a	criação	de	uma	ciência	especializada,	no	estudo	da	conduta	humana,	a	física	social,	
depois	rebatizada	por	Comte	de	sociologia”.
Crítico	 ferrenho	 da	 aristocracia	 e	 do	 clero,	 Saint-Simon	 distingue	 nas	
transformações	sociais	de	 sua	época	os	prenúncios	de	uma	nova	era	na	história	da	
humanidade. Ele foi, ao mesmo tempo, o referencial ideológico dos socialistas, dos 
positivistas	 e	 dos	 anarquistas.	 Suas	 ideias	 para	 a	 Educação	 são	 notadas	 nessas	
três	vertentes,	 nas	 concepções	 teóricas	 e	 práticas	 da	 educação	usada	por	 parte	 de	
professores e sistemas de ensino. Seu maior objetivo era a criação de uma sociedade 
ideal, mais justa e igualitária. Para alguns pensadores de Saint Simon, esse era o grande 
objetivo do Socialismo Utópico criado por ele. Outro grande pensador e fundador da 
Sociologia foi August Comte.
13
FIGURA 5 – ISIDORE AUGUSTE MARIE FRANÇOIS XAVIER COMTE
FONTE: . Acesso em: 18 mar. 2021.
Comte	nasceu	em	Montpellier,	França,	em	uma	família	católica	e	monarquista.	
Viveu	a	 infância	na	França	napoleônica.	 Estudou	no	 colégio	de	 sua	 cidade	e	depois	
em	Paris,	na	escola	Politécnica.	Tornou-se	discípulo	de	Saint	Simon,	de	quem	sofreu	
enorme	 influência.	 Devotou	 seus	 estudos	 à	 filosofia	 positivista,	 considerada	 por	 ele	
como	uma	religião	da	qual	era	o	pregador.	Segundo	sua	filosofia	política,	existiam	na	
história	três	estados:	um	teológico;	outro	metafísico	e,	finalmente,	o	positivo.	Esse	último	
representava o coroamento do progresso da humanidade. Sobre as ciências, distinguia 
as	 abstratas	 das	 concretas,	 sendo	 que	 a	 ciência	mais	 complexa	 e	 profunda	 seria	 a	
Sociologia,	ciência	que	batizou	na	sua	obra	Curso	de	Filosofia	Positiva,	em	seis	volumes,	
publicada	entre	1830	e	1842.	Além	dessa,	publicou	Discurso	sobre	o	espírito	positivo,	
Discurso	 sobre	 o	 conjunto	 do	 positivismo,	 Sistema	de	 política	 positivista,	 Catecismo	
positivista	e	a	Síntese	subjetiva.	Morreu	em	Paris	(COSTA,	1987).
O	positivismo	foi	uma	corrente	teórica	criada	por	Auguste	Comte	que	influenciou	
a	política	praticada	nos	primeiros	anos	do	período	republicano	no	Brasil.
QUADRO 3 – CORRENTE POSITIVISTA
O pos i t iv ismo fo i uma cor rente teór ica c r iada pe lo f i lósofo 
francês Auguste Comte  (1798-1857)	 que	 defendia	 que	 a	 regra	 para	
o progresso social seria	a disciplina e	a ordem, o	que	influenciou	a	teoria	
moral	utilitarista	de John Stuart Mill  (1806-1873).	Stuart	Mill	 reformulou	o	
primeiro utilitarismo  fundado	por	seu	professor,	o	filósofo	e	 jurista	Jerehmy	
Bentham.	No Brasil, o	positivismo	político	de	Comte,	renovado	pela	carga	moral	
utilitarista,	influenciou	a	política	praticada	nos	primeiros	anos	da	Primeira	República	
(1889-1930),	devido	às	referências	positivistas	trazidas	pelos militares e	pelo	
primeiro presidente, o marechal Manuel Deodoro da Fonseca.
FONTE: Adaptado de . Acesso em: 29 jul. 2021.
14
Quais	as	principais	características	do	positivismo?	Confira:
QUADRO 4 – PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS POSITIVISMO
• Doutrina filosófica:  como	 uma	 continuidade	 do  Iluminismo, a inspiração 
política	e	científica	do	positivismo	estava	nos	ideais	iluministas.	As	aspirações	
dos	primeiros	filósofos	iluministas	de	alcançar	um	estágio	de	desenvolvimento	
moral da sociedade foram mantidas. No entanto, um novo modo de agir era 
necessário	 para	 garantir	 a	 ordem	 social,	 desestabilizada	 após	 a Revolução 
Francesa.
• Doutrina  sociológica:  visando	 garantir	 a	 ordem	 social,	 o	 positivismo	
atua	como	uma	doutrina	que,	partindo	dos	estudos	sociológicos,	serve	
de base para o comportamento social e moral das pessoas. A Lei dos Três 
Estados estaria no topo dessa cadeia de desenvolvimento da sociedade.
• Doutrina política: a	disciplina,	o	rigor	e	a	ordem	social	eram	requisitos	
políticos	para	a	garantia	do	avanço	social	na	ótica	positivista.
• Desenvolvimento das ciências e das técnicas: o progresso social estaria 
intimamente	 ligado	ao	progresso	 intelectual,	científico	e	tecnológico.	A	 ideia	
de	uma	escola	laica,	universal	e	gratuita,	que	já	havia	ganhado	certo	espaço	
durante o Iluminismo, passou a ser defendida com mais força pelos intelectuais 
positivistas.
• Religião  positiva:  Comte	 entendia	 que	 a	 humanidade	 precisava	 de	
relações	 de	 devoção.	 A	 devoção	 –	 antes	 baseada	 na	 fé	 em	 Deus	 ou	
nos	deuses	–	no	positivismo,	dá	 lugar	para	a	fé	na	ciência	como	única	
depositária	 de	 confiança	 da	 humanidade,	 surgindo	 o	 cientificismo,	
caracterizado	pela	aposta	incondicional	nas	ciências	como	fonte	total	do	
conhecimento verdadeiro.
FONTE: Adaptado de . Acesso em: 12 mar. 2021.
FIGURA 6 – COMTE E O POSITIVISMO
FONTE: . Acesso em: 12 mar. 2021.
15
O método geral do positivismo de Auguste Comte consiste na observação 
dos fenômenos, opondo-se ao  racionalismo e ao idealismo, por meio da 
promoção do primado da experiência sensível, única capaz de produzir 
a partir dos dados concretos (positivos) a verdadeira ciência (na 
concepção positivista), sem qualquer atributo teológico ou metafísico, 
subordinando a imaginação à observação, tomando como base 
apenas o mundo físico ou material. O positivismo nega à ciência 
qualquer possibilidade de investigar a causa dos fenômenos 
naturais e sociais, considerando este tipo de pesquisa inútil e 
inacessível, voltando-se para a descoberta e o estudo das leis 
(relações constantes entre os fenômenos observáveis).
FONTE: Adaptado de . Acesso em: 20 jan. 2021.
NOTA
16
Neste tópico, você aprendeu:
• A origem da Sociologia está vinculada à história do mundo europeu. Pensadores e 
obras	do	continente	europeu	iniciaram	o	debate	e	a	reflexão	em	torno	do	que	seria	o	
conhecimento sociológico transformado em Ciência. 
• A Idade Média teve como fonte de compreensão, de interpretação da vida e tudo 
que	se	relacionava	com	a	sociedade,	o	conhecimento	religioso	ou	o	conhecimento	
teológico.
•	 A	 vida	 na	 sociedade	 medieval	 se	 caracterizava	 por	 um	 forte	 apelo	 às	 questões	
religiosas	e	rurais	no	sentido	de	que	o	modo	de	produção	vigente	conhecido	como	
Feudalismo	 foi	 o	 mais	 usado	 em	 toda	 a	 história	 desse	 período,	 onde	 grandes	
extensões	de	terras	do	Senhor	Feudal	eram	usadas	pelos	servos	para	fugir	da	miséria	
e buscar seu espaço no céu.
•	 O	 pensamento	 iluminista	 tem	 como	 fundamentos	 a	 crença	 no	 poder	 da	 razão	
humana	de	compreender	nossa	verdadeira	naturezae	de	ser	consciente	de	nossas	
circunstâncias.	O	homem,	então,	cria	ser	o	detentor	de	seu	próprio	destino,	formulando	
o	racionalismo	e	contrariando	as	imposições	de	caráter	religioso,	sua	“razão”	divina	
de	existir,	e	os	privilégios	dados	à	nobreza	e	ao	clero,	ainda	predominantes	à	época	
(séculos XVII e XVIII).
•	 O	Renascimento	cultural	 foi	 um	movimento	artístico,	 cultural	 e	 científico,	 ocorrido	
nos	séculos	XIV,	XV	e	XVI,	início	da	Idade	Moderna.	Foi	marcado	pela	crítica	à	cultura	
religiosa	medieval,	baseada	na	“fé	cega”,	quase	que	a	rejeição	da	ideologia	da	Igreja	
Católica Romana, apesar dos temas religiosos presentes em algumas de suas 
manifestações	artísticas.
 
•	 Saint	Simon	foi	o	autor	de	muitas	ideias	atribuídas	ao	seu	secretário	particular	August	
Comte.	Seu	pensamento	ficou	entre	uma	bifurcação	ideológica:	parte	foi	aproveitada	
pelos conservadores e parte pelos socialistas. Foi o precursor do positivismo e, em 
alguns	aspectos,	das	ideias	de	Karl	Marx,	o	mais	importante	teórico	do	socialismo.	
•	 Comte	nasceu	em	Montpellier,	França,	em	uma	família	católica	e	monarquista.	Viveu	
a	 infância	na	França	napoleônica.	Estudou	no	colégio	de	sua	cidade	e	depois	em	
Paris,	 na	 escola	 Politécnica.	Tornou-se	 discípulo	 de	 Saint	 Simon,	 de	 quem	 sofreu	
enorme	influência.	Devotou	seus	estudos	a	filosofia	positivista,	considerada	por	ele	
como	uma	religião	da	qual	era	o	pregador.	
RESUMO DO TÓPICO 1
17
•	 O	positivismo	foi	uma	corrente	teórica	criada	pelo	filósofo	francês Auguste Comte (1798-
1857),	que	defendia	que	a	regra	para	o progresso social seria	a disciplina e	a ordem, o	
que	 influenciou	 a	 teoria	 moral	 utilitarista	 de  John  Stuart  Mill  (1806-1873).	 Stuart	
Mill	reformulou	o	primeiro utilitarismo fundado	por	seu	professor,	o	filósofo	e	jurista	
Jerehmy	Bentham.	No Brasil, o	positivismo	político	de	Comte,	renovado	pela	carga	
moral	 utilitarista,	 influenciou	 a	 política	 praticada	 nos	 primeiros	 anos	 da	 Primeira	
República	 (1889-1930),	devido	às	 referências	positivistas	trazidas	pelos militares e	
pelo primeiro presidente, o marechal Manuel Deodoro da Fonseca.
18
AUTOATIVIDADE
1	 A	Idade	Média,	para	a	maioria	dos	pesquisadores,	foi	um	período	conhecido	Idade	das	
Trevas,	ou	seja,	a	 Idade	sem	Luz,	sem	criatividade	humana.	A	maior	parte	da	história	
desse	período	teve	como	fonte	de	compreensão,	de	interpretação	da	vida	e	tudo	que	se	
relacionava com a sociedade, o conhecimento religioso ou o conhecimento teológico. 
Referente	ao	modo	de	produzir	as	coisas	na	Idade	Média,	assinale	a	alternativa	CORRETA:
a)	 (			)	 A	produção	basicamente	girava	em	torno	das	grandes	extensões	de	terras,	os																										
chamados	Feudos,	e	tal	sistema	ficou	conhecido	como	Feudalismo.		
b)	(			)	 A	produção	basicamente	girava	em	torno	das		pequenas	extensões	de	terras,	os	
Feudos.	Esse	sistema	ficou	conhecido	como	Feudalismo.
c)	 (			)	 A	produção	basicamente	girava	em	torno	das		grandes	extensões	de	terras,	os	
Feudos.	Esse	sistema	ficou	conhecido	como	Mercantilista.
d)	(			)	 A	produção	basicamente	girava	em	torno	das		grandes	extensões	de	terras,	os	
Burgos.	Esse	sistema	ficou	conhecido	como	Feudalismo.
2	 Entre	o	final	da	Idade	Média	e	início	da	Idade	Moderna,	o	conhecimento	dito	científico	
começa	 a	 colocar	 em	 questão	muitos	 conhecimentos	 da	 época,	 além	 do	 próprio	
entendimento	do	mundo	pelo	conhecimento	religioso/teológico.	Exemplo	disso	foi	
a descoberta de que	a	Terra	não	era	o	centro	do	Universo.	A	Revolução	Francesa	
foi inspirada nas ideias iluministas e representa o principal marco desse movimento 
intelectual. Sobre o Iluminismo, analise as	afirmativas	a	seguir:
I-	 Iluminismo:	contrário	à	visão	teocêntrica	que	dominava	a	Europa.
II-	 O	pensamento	iluminista	tem	como	fundamentos	a	crença	no	poder	da	razão	humana	de	
compreender	nossa	verdadeira	natureza	e	de	ser	consciente	de	nossas	circunstâncias.
III-	O	Iluminismo	foi	um	movimento	artístico,	cultural	e	científico,	ocorrido	nos	séculos	
XIV, XV e XVI.
Assinale a alternativa CORRETA:
a)	 (			)	Somente	as	afirmativas	I	e	II	estão	corretas.
b)	(			)	Somente	as	afirmativas	II	e	III	estão	corretas.
c)	 (			)	Somente	as	afirmativas	I	e	III	estão	corretas.
d)	(			)	Somente	a	afirmativa	III	está	correta.
3 A primeira corrente do pensamento sociológico, propriamente dita, foi o Positivismo, 
primeira	teoria	a	organizar	alguns	princípios	a	respeito	do	ser	humano	e	da	Sociedade.	
Seu	primeiro	representante	foi	o	pensador	francês	Auguste	Comte,	influenciado	por	
Saint Simon. Sobre August Comte, assinale a alternativa CORRETA:
19
a)	 (			)	 Segundo	 a	 filosofia	 política	 de	 Comte,	 existiam	 na	 história	 três	 estados:	 um	
teológico;	outro	metafísico	e,	finalmente,	o	positivo.
b)	 (			)	 O	positivismo	foi	uma	corrente	teórica	criada	por	Auguste	Comte	que	influenciou	
a	política	praticada	nos	primeiros	anos	do	período	republicano	no	Brasil.
c)	 (			)	 Na	visão	utópica	de	Comte,	nessa	sociedade	transformada	imperavam	as	noções	
de mérito e de cooperação.
d)	 (			)	 Comte	entendia	que	a	humanidade	precisava	de	relações	de	devoção.	A	devoção,	
antes baseada na fé em Deus ou nos deuses, no positivismo, dá lugar para a fé na 
ciência	como	única	depositária	de	confiança	da	humanidade,	surgindo	o	cientificismo.
4	 Ao	 longo	 da	 Idade	 Média,	 prevaleceu	 a	 concepção	 teocêntrica	 de	 mundo	 e	
sociedade.	A	partir	do	Renascimento	e	do	início	da	Idade	Moderna,	esta	concepção	
foi	gradualmente	sendo	substituída	pelo	antropocentrismo,	provocando	mudanças	
e	 transformações	 profundas	 na	maneira	 de	 entender	 o	 homem,	 a	 religiosidade,	 a	
sociedade	e	a	natureza.	Diante	disto,	descreva	duas	mudanças	apresentadas	pela	
concepção	de	mundo	no	contexto	do	Renascimento	e	da	Idade	Moderna.
5	 Auguste	 Comte	 desenvolveu,	 no	 campo	 teórico,	 os	 preceitos	 do	 Positivismo,	 que	
influenciaram	tanto	a	compreensão	da	sociedade	quanto	da	educação	ao	longo	da	
história.	Um	dos	lemas	desse	pressuposto	epistemológico	é	“Ordem	e	Progresso”,	o	
qual	também	consta	estampado	na	bandeira	nacional,	símbolo	de	nosso	país.	Com	
base	no	exposto,	disserte	sobre	o	positivismo	e	sua	relação	com	a	sociedade.
20
21
AUTORES CLÁSSICOS DA SOCIOLOGIA E A 
RELAÇÃO COM A EDUCAÇÃO
1 INTRODUÇÃO
Sociologia,	modernidade	 e	Ciência:	 esse	Tópico	 servirá	 para	 situar	 a	 reflexão	
trazida	neste	livro	de	estudos	sobre	origem	e	o	desenvolvimento	da	sociologia,	ou	seja,	
apresentar	o	mundo	europeu	no	início	da	modernidade	e	sua	relação	com	os	estudos	
da	 sociologia	 da	 época.	A	 sociedade	moderna	 se	 caracterizou	por	 símbolos,	valores,	
representações	e	instituições	marcadas	por	determinadas	formas	de	saber	e	de	poder,	
ocupantes	de	uma	posição	hegemônica.	O	exercício	dessa	hegemonia	dependeu,	em	
grande	medida,	desde	as	conquistas	dos	grandes	impérios	sobre	povos	colonizados	até	
os modelos mais avançados de dominação, de estratégias próprias de apropriação do 
espaço, origem e fundação de um território.
Apresentaremos	 sobre	 Émile	 Durkheim,	 que	 nasceu	 em	 Épinal,	 na	 Alsácia,	
descendente	de	uma	 família	 de	 rabinos,	 e	 iniciou	 seus	 estudos	filosóficos	na	Escola	
Normal	Superior	de	Paris,	indo	depois	para	a	Alemanha.	Lecionou	Sociologia	em	Bordéus,	
primeira	cátedra	dessa	ciência	na	França.	Max	Weber	nasceu	na	cidade	de	Erfurt,	em	
uma	família	de	burgueses	 liberais.	Desenvolveu	estudos	de	direito,	filosofia,	história	e	
sociologia,	 constantemente	 interrompidos	 por	 uma	 doença	 que	 o	 acompanhava	 por	
toda	a	vida.	 Iniciou	a	 carreira	de	professor	 em	Berlim	e,	 em	 1895	 foi	 catedrático	em	
Heidelberg. Manteve contato permanente com intelectuais de sua época. No decorrer do 
Tópico	2	vamos	estudar	os	principais	conceitos	e	características	da	proposta	sociológica	
desses autores e a relação com a educação.
Por	 último,	 apresentaremos	 Karl	 Marx,	 que	 nasceu	 na	 cidade	 de	 Treves,	 na	
Alemanha.	 Em	 1836	 matriculou-se	 na	 Universidade	 de	 Berlim	 e	 doutorou-se	 em	
filosofiana	Universidade	de	Jena.		Foi	redator	de	uma	gazeta	liberal	em	Colônia.	Mudou-
se	em	1842	para	Paris,	onde	conheceu	Friedrich	Engels,	seu	companheiro	de	ideias	e	
publicações	por	toda	a	vida.
 
2 SOCIOLOGIA, MODERNIDADE E CIÊNCIA
Os	Estados	Nacionais	foram	constituídos	a	partir	do	ideal	de	nação	em	termos	
de uma identidade compartilhada e de território, concebido como a base homogênea 
para o desenvolvimento dessa identidade. 
UNIDADE 1 TÓPICO 2 - 
22
A	vida	humana	se	constitui	dentro	desse	período	por	meio	de	grandes	avanços	
e	 desenvolvimentos	 em	 diversas	 áreas,	 como	 a	 Política,	 a	 Economia,	 a	 Cultura	 e	 a	
Ciência.	Angústias,	certezas,	esperanças,	medos	e	mistérios	cercaram	o	nascimento	e	
desenvolvimento	desse	período	na	história	humana.	O	ser	humano	do	período	moderno	
compreendeu	que	para	viver	e	ser,	nessa	época,	precisaria	de	muitos	conhecimentos	
para	ter	um	mínimo	de	visão	sobre	a	compreensão	de	habitar	esse	planeta	e	se	aculturar	
nas	novas	formas	de	convívio	e	de	vida.
No	período	conhecido	como	Idade moderna,	as	principais	características	da	
sociedade eram:
Relação principal: no	início	do	período	o	Rei	e	o	Súdito	simbolizavam	a	maior	
relação	existente	na	sociedade	da	época.	No	final	do	período,	o	Governo	e	o	trabalho	
aparecem	como	a	relação	que	predominou.		A divisão social: início	das	classes	sociais	
descritas	 por	 Marx	 e	 outros	 pensadores	 que	 estudavam	 a	 sociedade.	 Economia 
ou modo de produzir as coisas: surgimento	 das	 primeiras	 fábricas	 e	 oficinas.	 O	
capitalismo	era	mercantilista	na	época	das	grandes	navegações,	e	no	 início	da	 idade	
contemporânea	o	capitalismo	industrial	veio	assim	se	caracterizando,	com	a	revolução	
industrial. As leis e os códigos de condutas sociais: com	o	início	das	estruturações	
e	 configurações	dos	Estados-nações	 e,	 sobretudo,	 na	 Idade	Contemporânea,	 com	a	
Revolução	Francesa,	a	questão	do	direito	se	tornou	presente	em	muitos	países.	Surge	
a discussão sobre os Direitos Universais do Homem. A visão de mundo, religião, 
educação, conhecimento, meio ambiente e cultura: a visão de mundo passa pelo 
parâmetro	do	Antropocentrismo.	A	Igreja	Protestante	nasce	com	Lutero.	Contrarreforma	
Católica	 com	 os	 Jesuítas.	 A	 natureza	 é	 vista	 como	 algo	 a	 ser	 explorado	 para	 a	
produção	de	artefatos	culturais.	Nesse	período,	vigorava	a	ideia	de	que	a	natureza	era	
fonte	 inesgotável	 de	 riquezas.	Nascimento	 das	 primeiras	Universidades	Modernas,	 o	
conhecimento	 é	 ampliado	 em	 diversas	 disciplinas	 ou	 áreas,	 sobretudo	 aquelas	 que	
podem	auxiliar	o	ser	humano	na	compreensão	do	mundo,	da	sociedade	que	está	sendo	
gestada.	Fortalecimento	do	liberalismo	e	início	dos	ideais	comunistas/socialistas.
FIGURA 8 – A CONQUISTA DE CONSTANTINOPLA PELOS OTOMANOS, EM 1453
FONTE: . Acesso em: 13 mar. 2021.
23
Você	pode	se	perguntar:	o	que	foi	a	Idade	Moderna?
QUADRO 5 – IDADE MODERNA
Idade O que foi?
Idade Moderna 
Foi uma das formas encontradas pelos historiadores para se dividir a 
história	da	humanidade.	Seu	recorte	temporal	inicia-se	com	a	queda	
do	Império	Bizantino	e	a	tomada	da	cidade	de	Constantinopla	pelo	
Império	Turco-Otomano,	em	1453.	Seu	recorte	final	está	delimitado	
com	a	Revolução	Francesa,	em	1789.	Essa	divisão	é	pautada	na	
perspectiva	histórica	europeia,	já	que	os	marcos	divisórios	referem-
se indireta ou diretamente a fatos importantes para os europeus. A 
tomada	de	Constantinopla	pelos	turcos	pôs	fim	ao	Império	Bizantino	
herdeiro direto do Império Romano da Antiguidade e surgido onde 
hoje	é	a	Itália	–	e	representou	o	fim	de	uma	longa	era.	A	concepção	
de	uma	 Idade	Moderna	era	também	uma	 ruptura	com	o	que	foi	
considerado como uma Idade Média da História. Média, nesse sentido, 
era	o	período	entre	a	Antiguidade	e	a	Idade	Moderna.	A	própria	divisão	
histórica como conhecemos (Idades Antiga, Medieval, Moderna e 
Contemporânea)	surge	nesse	momento	da	História	europeia.
FONTE: Adaptado de . Acesso em: 29 jul. 2021.
Em	 síntese,	 como	 podemos	 compreender	 a	 Idade	 Moderna	 no	 âmbito	 de	
sociedade e vida?
QUADRO 6 – COMO A IDADE MODERNA PODE SER ENTENDIDA 
Idade Síntese
Idade Moderna
Pode	ser	entendida	pelas	grandes	transformações	ocorridas	no	
território	europeu	no	período.	Foi	durante	a	Idade	Moderna	que	os	
europeus	realizaram	as	Grandes	Navegações	e	a	Expansão	Marítima,	
criando	as	condições	para	a	dominação	de	continentes	 inteiros,	
como	a	África	e	a	 recém-conhecida	América.	O	domínio	dessas	
regiões	resultou	na	conquista	de	inúmeras	riquezas	por	parte	das	
classes	dominantes	europeias,	criando	as	bases	para	que	pudessem	
expandir,	posteriormente,	sua	forma	de	organização	social	para	o	
restante do mundo.
FONTE: Adaptado de . Acesso em: 29 jul. 2021.
Esses	e	outros	fatores	influenciaram	a	vida	moderna	(Capitalismo	mercantilista,	
Grandes	 Navegações,	 Renascimento,	 Iluminismo,	 Reforma	 Luterana,	 Contrarreforma	
Católica). De uma vida essencialmente no campo, a Europa passa a viver nas cidades 
que	nascem	com	o	capitalismo	mercantilista	e	mais	tarde	com	o	capitalismo	industrial.	
Também	 é	 possível	 destacar	 algumas	 características	 da	 Idade	Moderna	 que	
ainda condicionam a vida em Sociedade:
24
A Separação Tempo e Espaço:	O	ritmo	das	mudanças,	que	na	modernidade	se	
dá	de	maneira	muito	mais	acelerada	do	que	acontecia	nas	sociedades	pré-modernas.	
As	mudanças	ocorridas	nas	sociedades	pré-modernas	aconteciam	em	uma	localidade	
e	ficavam	ali	restritas,	sem	influenciar	outros	centros	ou	localidades.	Isso	não	ocorreu	
na	modernidade,	em	que	diferentes	áreas	do	planeta	foram	postas	em	interconexão.	
O papel dos agentes e instituições:	 tais	como	a	família	e	a	 Igreja,	se	modificaram	
em	termos	econômicos	e	culturais,	bem	como	o	surgimento	dos	Estados	Nações	em	
oposição às cidades ou reinos. Desenvolvimento das cidades: o desenvolvimento 
de	 uma	 sociedade	 majoritariamente	 urbana,	 que	 acarretou	 profundas	 e	 diversas	
modificações	na	maneira	de	ser	e	estar	no	mundo.	O centro condutor da vida: com a 
modernidade,	há	uma	mudança	significativa	de	mentalidade.	O	ser	humano	começa	a	
valorizar	com	mais	ênfase	as	suas	capacidades	racionais	(ampliação	do	conhecimento,	
maior	uso	do	conhecimento	científico,	não	somente	do	conhecimento	religioso).	
Todas	 essas	 transformações,	 conhecimentos	 e	 invenções	 mudaram	 por	
completo	a	vida	das	pessoas	que	viviam	na	Europa,	no	início	e	durante	a	Idade	Moderna.	
Novos	conhecimentos	foram	produzidos	para	se	compreender	e	viver	em	sociedade,	
as Universidades começaram a ter um importante papel para essa compreensão, bem 
como a educação começa a ser vista como direito e essencial à vida humana. Sobre o 
modo	de	produzir	as	coisas	e	de	transformar	a	natureza	em	bens	culturais	ou	objetos	de	
uso,	podemos	citar	que	nesse	período	o	desenvolvimento	do	mercantilismo	possibilitou	
a ruptura da economia feudal. O mercantilismo antecedeu o desenvolvimento da 
indústria	 e	 trouxe	 novas	 necessidades	 com	 o	 surgimento	 da	 burguesia,	 diferentes	
dos	 interesses	 da	 nobreza.	 Posteriormente,	 o	 mercantilismo	 será	 substituído	 pelo	
capitalismo industrial.
O	que	foi	o	Capitalismo	Mercantilista	ou	Comercial?
QUADRO 7 – PRIMEIRA FASE DO SISTEMA CAPITALISTA: CAPITALISMO COMERCIAL (MERCANTILISTA) – 
SÉCULO XV – XVIII
A	fase	do	capitalismo	comercial	é	também	chamada	de pré-capitalista. Naquele	
momento ainda	não	havia	industrialização e	o	sistema	estava	baseado	em	trocas	comerciais.	
O	modelo	econômico	adotado	nesse	período	foi	o mercantilismo,	que	tinha	como	principais	
características:
• o controle estatal da economia – o Rei controlava o mercado; 
• o protecionismo – proteção do mercado interno; 
• o	metalismo	–	acúmulo	de	metais	preciosos; 
• e	a	balança	comercial	favorável	–	mais exportação	do	que	importação.
A	crença	naquele	momento	era	de	que a	riqueza	disponível	no	mundo	não	poderia	ser	
aumentada,	apenas	redistribuída.	Assim,	os	países	buscavama	acumulação	de	riquezas	por	
meio	da	proteção	da	economia	local	e	acúmulo	de	metais	decorrente	das	trocas	comerciais	
que	realizavam	com	outros	países.	Foi	nesse	período	que	nações	europeias	exploraram	os	
recursos	de	suas	colônias,	como	aconteceu	aqui	nas	Américas.
FONTE: Adaptado de . Acesso em: 13 jan. 2021.
25
No	início	da	Idade	Moderna,	a	Europa	ainda	tinha	como	base	religiosa	a	Igreja	
Católica Apostólica Romana. Essa liderança foi abalada, com um Movimento liderado por 
um	Monge	Agostiniano,	Martinho	Lutero,	que	criticou	as	indulgências	e	certas	normas	
católicas, provocando o Movimento de Reforma Luterana ou Protestante.
A monetização é uma ação humana e significa o aproveitamento de algo 
como fonte de lucro. O termo é derivado do verbo monetizar, que designa 
o ato de transformar algo em dinheiro. Basicamente, qualquer coisa 
(objeto, informação, título, dívida etc.) pode ser usada para monetização. 
Na atualidade até mesmo as relações entre pessoas.
FONTE: Adaptado de . Acesso em: 30 jul. 2021.
NOTA
FIGURA 9 – 95 TESES, MARTINHO LUTERO
FONTE: . Acesso em: 12 jan. 2021.
QUADRO 8 – REFORMA PROTESTANTE
Reforma Protestante foi um movimento reformista cristão do século XVI liderado por Martinho 
Lutero,	simbolizado	pela	publicação	de	suas	95	Teses	em	31	de	outubro	de	1517	na	porta	da	Igreja	
do	Castelo	de	Wittenberg.	Tendo	por	ponto	de	partida	as	críticas	às	vendas	de	indulgências,	
o	movimento	de	Lutero	tornou-se	conhecido	como	um	protesto	contra	os	abusos	do	clero,	
evoluindo para uma proposta de reforma no catolicismo romano a partir da mudança em diversos 
pontos	da	doutrina	da	 Igreja	Católica	Romana,	com	base	no	que	Lutero	entendia	como	um	
retorno	às	escrituras	sagradas.	Os	princípios	fundamentais	extraídos	da	Reforma	Protestante	
são conhecidos como os Cinco Solas.
FONTE: Adaptado de . Acesso em: 29 jul. 2021.
26
A	construção	teológica	iniciada	por	Martinho	Lutero	deu	origem	a	um	princípio	
conhecido	como Cinco Solas:
• Sola fide (somente	a	fé).
• Sola scriptura (somente	a	Escritura).
• Solus Christus (somente	Cristo).
• Sola gratia (somente	a	graça).
• Soli Deo gloria (glória	somente	a	Deus).
QUADRO 9 – CAUSAS DA REFORMA PROTESTANTE
A	Reforma	Protestante	 teve	 causas	 relacionadas	 a	 aspectos políticos, econômi-
cos  e  teológicos e	 resultou	 da	 corrupção	 existente	 na	 Igreja	 Católica.	 Além	 disso,	 resul-
tado	de	 interesses	políticos	oriundos	de	nobres	que	viram	na	reforma	uma	possibilidade	de	
romper	o	vínculo	de	autoridade	com	o	papa.	Por	fim,	 foi	 imposta	a	questão	dos	 interesses	
econômicos,	uma	vez	que	a	Igreja	estipulava	a	cobrança	de	impostos	de	todos	os seus	fiéis. 
No aspecto teológico, o ponto imediato a ser destacado é a insatisfação de 
Martinho	Lutero	com	as	práticas	da	 Igreja	Católica.	A	 Igreja	de	Roma	era,	 naquele	período,	
a	maior	autoridade	da	Europa	Ocidental	e	detinha	um	imenso	poder,	uma	vez	que	era	dona	
de	 terras	 e	 riquezas	 gigantescas.	 Além	 disso,	 a	 autoridade	 do	 papa	 impunha-se	 além	 do	
campo	religioso,	alcançando	o	campo	secular	(político).	Os	reis	da	Europa	tinham	seu	poder	
sustentado	pela	autoridade	da	Igreja,	uma	vez	que	era	praticamente	impossível	manter-se	no	
comando	sem	a	aprovação	do	papa.	Sendo	assim,	a	Igreja	Católica	possuía	o	monopólio	da	vida	
política	e	religiosa	europeia.	Centrado	no	aspecto	teológico,	muitos	começaram	a	questionar	
as	 posições	 da	 Igreja.	 Antes	mesmo	 de	 Lutero,	 já	 haviam	 existido	 na	 Europa	movimentos	
religiosos	e	figuras	do	clero	católico	que	questionavam	determinados	princípios	do	catolicismo.	
Em	longo	prazo,	pode-se	ressaltar,	por	exemplo,	os valdenses,	que	surgiram	na	França	no	final	
do	século	XII.	Em	um	período	imediato,	isto	é,	poucos	anos	antes	do	início	da	reforma,	existiram	
os	pré-reformadores	na	Europa,	que	teceram	críticas	à	 Igreja	de	Roma.	Dois	nomes	que	se	
destacaram	nesse	contexto	foram John Wycliffe e Jan Hus.	O	primeiro	criticava	o	acúmulo	
de	poder	político	e	os	desvios	da	Igreja	dos	verdadeiros	ensinamentos	de	Jesus.	O	segundo	
tecia	críticas	parecidas	contra	o	enriquecimento	da	Igreja	e	a	venda	de	indulgências.
Com	relação	às questões políticas,	existia	uma	série	de	reis,	nobres	e	autoridades	
em	geral	que	estavam	interessados	em	romper	o	poder	secular	com	o	religioso.	Isso	significa	
que	muitos	viam	o	rompimento	como	uma	forma	de	consolidar	ou	de	assegurar	mais	poder	
sem	a	necessidade	de	ter	que	se	sujeitar	a	outra	autoridade	–	no	caso,	o	papa.
Nas questões econômicas, há	de	se	destacar	que	na	região	norte	da	Europa	havia	
uma	insatisfação	muito	grande	com	a	quantidade	de	impostos	que	deveriam	ser	repassados	
para	 a	 Igreja.	Tal	 questão	 intensificava-se	 em	um	 contexto	 em	que	 as	 penínsulas	 Itálica	 e	
Ibérica	estavam	em	franco	desenvolvimento	e	enriquecimento,	enquanto	regiões	como	a	que	
corresponde	à	atual	Alemanha	eram	pobres	e	enfrentavam	dificuldades	econômicas.
FONTE: Adaptado de . 
Acesso em: 29 jul. 2021.
Martinho	Lutero	foi	o	fundador	do protestantismo, vertente do cristianismo 
que	rompeu	com	a	Igreja	Católica.	
27
No aspecto cultural da Idade Moderna, podemos destacar o Antropocentrismo 
e	 o	 Renascimento.	 Contrário	 ao	Teocentrismo,	 o Antropocentrismo  é um conceito 
filosofia	que	ressalta	a	importância	do	ser	humano	como	um	ser	dotado	de	inteligência	
e,	portanto,	livre	para	realizar	suas	ações	no	mundo.	A	palavra	vem	do	grego,	significa	o	
ser	humano	no	centro,	ou	seja,	todos	os	parâmetros	para	se	viver	em	sociedade	passam	
pelo	ser	humano.	A	Política,	a	Economia,	a	Religião	e	a	Arte	terão	como	centro	o	Ser	
Humano.	Se	na	Idade	Média	a	Cultura	era	permeada	de	anjos,	igrejas,	devoções,	santos,	
das	coisas	de	Deus,	 agora,	na	 Idade	Moderna,	 tudo	aquilo	que	a	 representa	ou	está	
relacionado	com	a	condição	humana	e	o	próprio	ser	humano	passar	ser	um	parâmetro	
norteador	na	produção	cultural	(peças	teatrais,	música,	pinturas).
Monalisa	é	um	exemplo	desse	período.	Ela	é	retratada	sozinha,	no	centro.	Centro	
e	Individualização,	duas	características	do	Antropocentrismo.	
Importante	sublinhar	que	durante	a	Idade	Moderna	o	homem	passa	a	
dar	maior	importância	a	si	mesmo,	valorizando	sua	condição	humana	
e	sua	capacidade	de	intervenção	na	natureza.	A	visão	teocêntrica	é	
sobreposta pela visão antropocêntrica da realidade. Essa perspectiva 
de	mudança	é	inter-relacionada	com	dois	novos	valores	da	sociedade	
moderna,	o	individualismo	–	valorização	do	indivíduo,	e	o	racionalismo	
–	valorização	da	razão	(RUSSELL,	2004,	p.	67).
FIGURA 10 – MONALISA
FONTE: . Acesso em: 12 jan. 2021.
3 ÉMILE DURKHEIM, MAX WEBER E A EDUCAÇÃO
Embora	Comte	seja	considerado	o	Pai	da	Sociologia,	entre	outras	coisas,	por	tê-la	
assim	batizado,	Durkheim	é	apontado	como	um	dos	seus	primeiros	grandes	teóricos.	Junta-
mente	com	seus	colaboradores,	esforçou-se	por	emancipar	a	Sociologia	da	Filosofia	Social.
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FIGURA 11 – DAVID ÉMILE DURKHEIM
FONTE: . Acesso em: 20 mar. 2021.
Durkheim	nasceu	em	Épinal,	na	Alsácia.	Descendente	de	uma	família	de	rabinos	
iniciou	seus	estudos	filosóficos	na	Escola	Normal	Superior	de	Paris,	 indo	depois	para	
Alemanha.	Lecionou	Sociologia	em	Bordéus,	primeira	cátedra	dessa	ciência	na	França.	
Transferiu-se	 em	 1902	 para	 a	 Sorbonne,	 para	 onde	 levou	 inúmeros	 cientistas,	 entre	
eles	seu	sobrinho	Marcel	Mauss,	reunindo-se	em	um	grupo	que	ficou	conhecido	como	
escola	sociológica	francesa.	Morreu	em	Paris	(COSTA,	1987).
Em	livros	e	cursos,	sua	preocupação	foi	definir	com	precisão	o	objeto,	o	método	
e	as	aplicações	da	nova	Ciência.	De	acordo	com	Costa	(1987,	p.	51),	“Durkheim	formulou	
com	clareza	os	tipos	de	acontecimentos	sobre	os	quais	o	sociólogo	deveria	se	debruçar:	
os	fatos	sociais.	Estes

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