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ESTADOS DE CONSCIÊNCIA Prof. Ms. Tereza Manpetit
ESTADOS DO CÉREBRO E A CONSCIÊNCIA
Para a maioria dos psicólogos atuais, consciência é nossa percepção de nós
mesmos e do ambiente à nossa volta. É ela que nos permite reunir informações de
variadas fontes, ao refletirmos sobre o passado e planejarmos o futuro; também
mantém nossa atenção concentrada quando aprendemos um conceito ou
comportamento complexo.
O tempo todo, transitamos entre vários estados de consciência, incluindo a
consciência normal da vigília e vários estados alterados
DUPLO PROCESSAMENTO
Muitas descobertas da neurociência
cognitiva apontam para regiões do
cérebro específicas, que se tornam ativas
com determinadas experiências
conscientes
Para muitos de nós, são as evidências
crescentes de que temos, por assim dizer,
duas mentes, cada qual sustentada por
seu próprio equipamento neuronal.
EXEMPLO DUPLO PROCESSAMENTO
Se você dirige, considere como você passa para a faixa da direita. Os motoristas
sabem disso inconscientemente, mas não são capazes de explicar com exatidão
(Eagleman, 2011).
A maioria diz que gira o volante para a direita, e depois o endireita – o que, na
verdade, os jogaria para fora da estrada.
Na realidade, um motorista experiente, depois de se deslocar para a direita, gira o
volante em igual medida à esquerda, e só depois o recoloca no centro.
Moral da história: O cérebro humano é um dispositivo que converte conhecimento
consciente em conhecimento inconsciente.
DUPLO PROCESSAMENTO
Uma das maiores ideias da neurociência cognitiva recente é a de que grande parte
do trabalho do nosso cérebro ocorre nos bastidores, fora do nosso campo de visão.
A percepção, a memória, o pensamento, a linguagem e as atitudes operam, todos, em
dois níveis – uma “via principal” consciente, deliberada, e outra “subterrânea”,
inconsciente, automática.
A principal é reflexiva; a subterrânea é intuitiva (Evans & Stanovich, 2013;
Kahneman, 2011). Os pesquisadores, hoje, dão a isso o nome de duplo
processamento. Sabemos mais do que imaginamos saber.
ESTADOS DO CÉREBRO E A CONSCIÊNCIA
Eis outra descoberta estranha (e provocativa): Experimentos mostram que,
quando você move o punho conforme sua vontade, a decisão de movê-lo é
experimentada de forma consciente cerca de 0,2 segundo antes do movimento
real (Libet, 1985, 2004).
Até aí, nenhuma surpresa. Suas ondas cerebrais, porém, dão um salto cerca de
0,35 segundo antes da percepção consciente da decisão!
A conclusão assombrosa é a seguinte: A consciência às vezes chega quando a
decisão já está tomada.
ATENÇÃO SELETIVA
Como a atenção seletiva direciona nossas percepções?
O processamento paralelo inconsciente é mais rápido que o
processamento consciente sequencial, mas ambos são imprescindíveis
Processamento paralelo → permite à mente administrar atividades
rotineiras
Processamento serial → é melhor para solucionar novos problemas,
que requerem atenção focada
TESTE
Se você for destro, desenhe um círculo perfeito com o pé direito
em sentido anti-horário, escrevendo o número 3 repetidas vezes
com a mão direita – ao mesmo tempo.
Ou tente algo igualmente difícil: Dê três batidas ritmadas com a
mão esquerda, enquanto dá quatro batidas com a direita
ATENÇÃO SELETIVA
Por meio da atenção seletiva, nossa consciência focaliza, como um feixe de
luz, apenas um aspecto muito limitado de tudo aquilo que vivenciamos.
Estima-se que nossos cinco sentidos assimilem 11 milhões de bits de
informação por segundo, dos quais só processamos conscientemente cerca de
40 (Wilson, 2002). Ainda assim, a via inconsciente da mente, de maneira
intuitiva, faz vasto uso dos outros 10.999.960 bits.
Um exemplo de atenção seletiva é o efeito coquetel
DESATENÇÃO SELETIVA
No nível da percepção consciente,
somos “cegos” a tudo, exceto um
minúsculo fragmento da gama de
estímulos visuais.
A cegueira por desatenção é um
efeito colateral daquilo em que somos
realmente bons: concentrar a atenção
apenas em partes do ambiente
circundante.
DESATENÇÃO SELETIVA
A atenção é incrivelmente seletiva. Sua mente consciente só está em um lugar de
cada vez.
Também pode ocorrer a surdez para mudança. Em um experimento, 40 % das
pessoas concentradas em repetir uma lista de palavras que uma pessoa falava
deixaram de perceber que esta foi substituída (Vitevitch, 2003).
Certos estímulos, no entanto, são tão poderosos, tão marcantemente distintos, que
experimentamos o chamado pop-out (“o que se destaca”).
Não escolhemos atentar para esses estímulos; eles atraem nossos olhos e exigem
nossa atenção. Do mesmo modo, quando a entrevistadora, ao telefone, era trocada
por um colega homem, praticamente todos os entrevistados notaram.
RITMO CIRCADIANO
O corpo se mantém mais ou menos sincronizado com o ciclo de 24 horas do dia e da
noite por meio de um relógio biológico chamado ritmo circadiano (do latim circa,
“cerca de”, e diem, “dia”)
A temperatura corporal aumenta à medida que a manhã se aproxima, atinge o pico
durante o dia, cai um pouco momentaneamente no início da tarde (quando muitos
dormem a sesta) e começa a cair de novo ao entardecer. O pensamento fica mais
afiado, e a memória, mais precisa quando estamos no pico diário da atividade
circadiana.
Se virarmos a noite trabalhando ou cumprindo um plantão noturno, vamos nos sentir
mais exaustos no meio da noite, mas talvez ganhemos um novo gás quando chegar
nosso horário normal de acordar.
QUAIS AS FUNÇÕES DO SONO?
Nossos padrões de sono variam de pessoa para pessoa. Mas por que temos essa
necessidade de dormir?
Os psicólogos acreditam que o sono pode existir por cinco razões:
1) O sono protege
2) O sono ajuda nossa recuperação
3) O sono ajuda a restaurar e reconstruir lembranças desvanecidas das experiências
do dia
4) O sono alimenta o pensamento criativo
5) O sono favorece o crescimento
SONO
Uma noite inteira de sono regular também pode “melhorar radicalmente sua
habilidade atlética”, relatam James Maas e Rebecca Robbins (2010).
Atletas descansados apresentam tempos de reação menores, mais energia e mais
resistência, e equipes que incorporam oito a dez horas de sono diário à rotina de
treinos apresentam melhor desempenho.
SONO
Quando nosso corpo anseia por sono mas não consegue dormir, começamos a
sentir um extremo mal-estar. Se tentarmos permanecer acordados,
inevitavelmente seremos derrotados. Na batalha do cansaço, o sono sempre
vence.
O sono ocupa cerca de um terço de nossas vidas – por volta de 25 anos, em
média. Se puderem dormir livremente, os adultos, em sua maioria, dormirão
pelo menos nove horas por noite (Coren, 1996).
Com essa quantidade de sono, acordamos renovados, mantemos um humor
melhor, apresentamos mais eficiência em termos de desempenho e mais
precisão no trabalho.
EFEITOS DA PRIVAÇÃO DE SONO
A privação de sono também prevê depressão. 
Pesquisadores que estudaram 15,5 mil adolescentes de 12 a 18 anos constataram
que aqueles que dormiam cinco horas ou menos por noite apresentavam risco de
depressão 71 % maior do que os que dormiam oito horas ou mais (Gangwisch et al.,
2010).
“A privação de sono tem consequências – dificuldade nos estudos, diminuição da
produtividade, tendência a cometer erros, irritabilidade, fadiga”, adverte Dement
(1999, p. 231).
Um grande débito de sono “faz você ficar estúpido” e também pode fazer você
engordar
PRIVAÇÃO DE SONO E GANHO DE PESO
A privação de sono:
•aumenta a quantidade do hormônio grelina, que estimula a fome, e diminui a
quantidade de sua parceira, a leptina, que suprime a fome (Shilsky et al., 2012).
•diminui a taxa metabólica, uma medida do uso de energia (Buxton et al., 2012).
•aumenta também o cortisol, o hormônio do estresse, que estimula o corpo a fabricar
gordura.
•aumenta as respostas do sistema límbico à mera visão de comida, e reduz a
inibição cortical (Benedict et al., 2012; Greer et al., 2013; St-Onge et al., 2012).
EFEITOS DA PRIVAÇÃO DE SONO
A privação de sono também afeta nossa saúde física. Quando uma infecção
se instala, em geraldormimos mais, ativando nosso sistema imunológico. A
privação de sono pode suprimir as células de defesa que combatem as
infecções virais e o câncer
A privação de sono retarda as reações e aumenta o número de erros em
tarefas que exigem atenção visual, como aquelas envolvidas na revista de
bagagem em aeroportos, cirurgias e leitura de raios X (Caldwell, 2012; Lim &
Dinges, 2010). Respostas mais lentas também podem ser desastrosas para
motoristas, pilotos e operadores de equipamentos.
PRINCIPAIS DISTÚRBIOS DO SONO
Um em cada dez adultos e um em cada quatro adultos de idade avançada
reclamam de insônia – problemas persistentes para adormecer ou continuar
dormindo (Irwin et al., 2006).
O resultado é cansaço e um maior risco de depressão (Baglioni et al., 2011).
Os paliativos mais comuns para a insônia verdadeira – comprimidos para
dormir e álcool – podem agravar o problema, reduzindo o sono REM e
deixando a pessoa letárgica no dia seguinte.
Esses métodos também podem resultar em tolerância – estado em que são
necessárias doses crescentes para se obter efeito.
DISTÚRBIOS DO SONO
Narcolepsia (de narco, “torpor”, e lepsia, “crise”) → tem ataques súbitos de uma
sonolência avassaladora, geralmente de menos de cinco minutos.
Em casos graves, a pessoa pode mergulhar direto em um breve período de sono
REM, com a perda de tensão muscular que o acompanha.
Quem sofre de narcolepsia – 1 em cada 2 mil pessoas, estima o Centro de
Narcolepsia da Stanford University (2002) – deve, portanto, viver com uma dose
extra de cautela.
Como um fator de risco no trânsito, “o sono só perde para o álcool”, diz a
Associação Americana de Distúrbios do Sono, e aqueles que sofrem de narcolepsia
estão especialmente em risco (Aldrich, 1989).
DISTÚRBIOS DO SONO
Embora 1 em cada 20 de nós sofra de apneia do sono, ela era desconhecida antes
das modernas pesquisas sobre o sono.
Apneia significa “sem respiração”, e quem sofre desse mal para intermitentemente
de respirar durante o sono.
Após cerca de um minuto sem ar, a baixa oxigenação do sangue deixa a pessoa
agitada e ela desperta o suficiente para aspirar ar por alguns segundos, em um
processo que se repete centenas de vezes a cada noite, privando-a do sono de
ondas lentas.
Quem sofre de apneia não recorda esses episódios na manhã seguinte. Assim,
apesar de se sentir fatigada e deprimida – e de ouvir companheiros ou
companheiras queixar-se de seu “ronco” alto –, a maioria das pessoas não tem
consciência do problema (Peppard et al., 2006).
DISTÚRBIOS DO SONO
Ao contrário da apneia do sono, os terrores noturnos atingem sobretudo as
crianças, que podem se sentar ou caminhar, falar de forma incoerente, ter a
frequência respiratória e a frequência cardíaca dobradas e aparentar pavor
(Hartmann, 1981).
Raras vezes elas despertam completamente durante um episódio e recordam
pouca coisa, ou nada, na manhã seguinte – no máximo, uma imagem fugaz e
assustadora.
Terrores noturnos não são pesadelos (que, como outros sonhos, costumam
acontecer durante o sono REM, de madrugada); em geral ocorrem nas
primeiras horas do estágio NREM-3.
SONHOS
Sequência de imagens, emoções e
pensamentos que atravessam a mente
de uma pessoa adormecida.
Sonhos são notáveis por suas imagens
alucinatórias, descontinuidades e
incongruências e pela aceitação
delirante do conteúdo pelo sonhador
e suas posteriores dificuldades de
lembrá-lo.
DROGAS E CONSCIÊNCIA
O uso de drogas também pode causar uma alteração na consciência
TOLERÂNCIA E ADICÇÃO
A maioria de nós consegue fazer um uso moderado de certas substâncias
legais sem que isso arruíne nossas vidas. Entretanto, algumas pessoas
desenvolvem um transtorno por uso de substância, com grande prejuízo para
si mesmas.
Essas substâncias são as drogas psicoativas, substâncias químicas que alteram
a percepção e o comportamento.
O efeito geral de uma droga depende não só de seus efeitos biológicos, mas
também das expectativas do usuário, que variam conforme os contextos
sociais e culturais (Ward, 1994).
TOLERÂNCIA E ADICÇÃO
Quando o Uso de Uma Substância se Caracteriza como um Transtorno? 
Segundo a American Psychiatric Association, o diagnóstico de transtorno por
uso de substância pode ser feito quando esse uso se mantém a despeito de
prejuízos significativos que causa à pessoa.
As mudanças cerebrais resultantes podem persistir depois que o uso da
substância é abandonado (provocando, assim, fortes anseios quando a pessoa
é exposta a gente e situações que despertem lembranças do uso da droga).
A gravidade do transtorno por uso de substância varia de leve (dois a três
dos indicadores abaixo), passando por moderado (quatro a cinco deles), até
grave (seis ou mais). (Fonte: American Psychiatric Association, 2013.)
TIPOS DE DROGAS PSICOATIVAS
As três principais categorias de
drogas psicoativas são as
depressoras, estimulantes e
alucinógenas. Todas elas atuam nas
sinapses cerebrais, estimulando,
inibindo ou simulando a atividade dos
mensageiros químicos do próprio
cérebro, os neurotransmissores.
DEPRESSORES
Depressores são drogas como o álcool, os barbitúricos (tranquilizantes) e os opioides,
que acalmam a atividade neuronal e desaceleram as funções corporais.
Álcool:
Desaceleração do processamento neuronal
Interrupção da memória
Redução da autoconsciência e do autocontrole
Efeitos da expectativa: Quando a pessoa acredita que o álcool afeta o
comportamento social de certas maneiras e acredita que bebeu álcool, ela agirá de
acordo (Moss & Albery, 2009)
DEPRESSORES
Como o álcool, as drogas barbitúricas, ou
tranquilizantes, deprimem a atividade do
sistema nervoso. Barbitúricos, como
Nembutal, Secobarbital e Amobarbital,
são às vezes prescritos para induzir o
sono e reduzir a ansiedade. Em doses
maiores, podem levar ao prejuízo da
memória e do julgamento, e até à morte.
Se combinadas com o álcool – como às
vezes acontece quando se toma um
remédio para dormir após uma noite de
bebedeira – o efeito depressivo total
sobre as funções corporais pode ser letal.
DEPRESSORES
Os opioides – o ópio e seus derivados – também deprimem o funcionamento
neuronal.
Ao usar opioides, entre os quais se inclui a heroína, as pupilas contraem-se, a
respiração torna-se mais lenta e a letargia se instaura à medida que um
prazer regozijante substitui a dor e a ansiedade.
Por esse prazer de curto prazo, o usuário pode pagar um preço a longo
prazo: um desejo corrosivo de mais uma dose, uma necessidade de
quantidades progressivamente maiores (à medida que vai desenvolvendo
tolerância) e o extremo desconforto da abstinência.
DEPRESSORES
Quando inundado repetidas vezes com um opioide artificial, o cérebro acaba
parando de produzir os seus próprios, que são as endorfinas.
Se o opioide artificial é então abandonado, o cérebro fica em falta do nível
normal desses neurotransmissores analgésicos.
Aqueles que não conseguem ou optam por não tolerar esse estado podem
pagar um preço definitivo – a morte por overdose (superdosagem).
Os opioides compreendem os narcóticos, como a codeína e a morfina (e a
sintética metadona, um substituto da heroína), que os médicos podem
prescrever para alívio da dor e que também podem levar à adição.
ESTIMULANTES
Os estimulantes excitam a atividade neuronal e estimulam as funções corporais. As
pupilas se dilatam, frequências cardíaca e respiratória se elevam, o nível de açúcar
no sangue aumenta (levando à diminuição do apetite). Ocorre também um aumento
da energia e da autoconfiança.
Os estimulantes incluem a cafeína, a nicotina, as anfetaminas, a cocaína, a
metanfetamina (“speed”) e o ecstasy.
Infelizmente, os estimulantes podem causar adição. Se sua dose usual for cortada,
você pode cair em um estado de fadiga, dores de cabeça, irritabilidade e
depressão (Silverman et al., 1992).
ALUCINÓGENAS
Os alucinógenos distorcem as percepções e evocam imagens sensoriais na ausência
de estímulos sensoriais (essa é a razão pela qual essas drogas são também
chamadas psicodélicas, que significa “manifestação mental”).Algumas, como o LSD e
a MDMA (ecstasy), são sintéticas. Outras, incluindo a levemente alucinógena
maconha, são substâncias naturais.
Essas sensações são incrivelmente similares às das experiências de quase morte, um
estado alterado de consciência descrito por cerca de 10 % a 15 % dos pacientes
que foram ressuscitados após uma parada cardíaca (Agrillo, 2011; Greyson, 2010;
Parnia et al., 2013). Muitos relatam ter tido visões de túneis, luzes brilhantes ou seres
de luz, repetição de memórias antigas e sensações extracorpóreas (Siegel, 1980).
REFERÊNCIAS
Myers, David, G. e C. Nathan Dewall. Psicologia, 11ª edição. Disponível em: Minha
Biblioteca, Grupo GEN, 2017. - Cap. 3 - A consciência e a mente de duas vias - (p.
76 - 111)

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