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Herança 
multifatorial Sara Vasconcelos 
• Herança monogênica (mendeliana): 
+ Definição:
—> Causada por mutações em um único gene.
A transmissão segue os padrões mendelianos clássicos:
—> Dominante
—> Recessiva
—> Ligada ao X
+ Características:
—> Herança clara e previsível dentro da família.
—> Pode afetar a função de uma única proteína ou enzima.
—> Penetrância e expressividade variáveis.
+ exemplos clínicos: 
• herança poligênica ou multifatorial: 
+ Definição:
—> Envolve a ação combinada de múltiplos genes (sem padrão mendeliano fixo).
—> Muitas vezes associada a fatores ambientais (dieta, estilo de vida, etc.).
+ Características:
—> Herança complexa e difícil de prever com precisão.
—> Os genes envolvidos contribuem pequenas parcelas de risco individual.
—> Não existe um gene “causador”, mas sim fatores de predisposição.
+ exemplos clínicos: 
• Risco de recorrência: 
—> O risco de recorrência é a probabilidade de que uma condição genética reapareça em outros membros da 
mesma família (em especial filhos ou irmãos), após um caso já ter ocorrido.
• fatores que influenciam risco de recorrência: 
—> Número de casos na família: quanto mais afetados, maior o risco.
—> Parentesco: o risco é maior entre parentes de 1º grau.
—> Gravidade da condição: formas mais graves tendem a ter maior componente genético.
—> Sexo do afetado: em algumas doenças ligadas ao X, pode influenciar.
—> Idade de início: doenças com início precoce geralmente têm mais influência genética. 
• exemplos clínicos: 
Exemplo 1 – Herança Autossômica Recessiva: Fibrose Cística
—> Situação: Um casal saudável tem um filho com fibrose cística (doença genética recessiva).
—> Genótipo provável dos pais: Ambos são portadores (heterozigotos).
+ Risco de recorrência:
—> 25% de chance de outro filho afetado.
—> 50% de chance de filho portador.
—> 25% de chance de filho saudável não portador.
Exemplo 2 – Herança Autossômica Dominante: Doença de Huntington
—> Situação: Um pai com Doença de Huntington (dominante) tem filhos com uma mulher não afetada.
—> Genótipo do pai: Heterozigoto (Hh).
+ Risco de recorrência:
—> 50% de chance de cada filho herdar o gene alterado e desenvolver a doença.
Exemplo 3 – Herança Multifatorial: Fissura Labiopalatina
—> Situação: Um casal tem um filho com fissura labiopalatina, uma condição multifatorial.
—> Fatores: Combinação de predisposição genética e ambiente.
+ Risco de recorrência:
—> Baixo (~3–5%) se apenas um filho afetado.
—> Maior (~10% ou mais) se há dois ou mais filhos afetados, ou histórico familiar.
Também aumenta se o caso for mais grave ou ocorrer em parente de 1º grau.
• Doenças de herança multifatorial em crianças: 
1. Fissura labiopalatina: 
—> Causa: Predisposição genética + fatores como tabagismo materno, uso de álcool ou medicamentos na 
gestação, carência de ácido fólico.
—> Características: Abertura no lábio superior e/ou céu da boca.
—> Tratamento: Cirurgias corretivas, fonoaudiologia, acompanhamento odontológico.
2. Asma infantil: 
—> Causa: Genes relacionados à inflamação + exposição a alérgenos, infecções virais precoces, poluição.
—> Características: Tosse, falta de ar, chiado no peito, crises recorrentes.
—> Tratamento: Controle ambiental, broncodilatadores, corticoides inalatórios.
3. Obesidade infantil: 
—> Causa: Polimorfismos genéticos (ex: genes relacionados ao apetite e metabolismo) + dieta rica em calorias, 
sedentarismo.
—> Características: Aumento de gordura corporal, risco de hipertensão e diabetes.
—> Tratamento: Reeducação alimentar, atividade física, acompanhamento multidisciplinar.
4. Transtorno do espectro autista (TEA): 
—> Causa: Múltiplos genes + fatores como idade avançada dos pais, infecções gestacionais, exposição a drogas.
—> Características: Déficits de comunicação e interação social, comportamentos repetitivos.
—> Tratamento: Terapias comportamentais, fonoaudiologia, psicopedagogia.
5. Cardiopatias congênitas comuns (ex: comunicação interventricular): 
—> Causa: Interação entre genes do desenvolvimento cardíaco + fatores ambientais (ex: diabetes materno, 
infecções virais como rubéola).
—> Características: Sopros cardíacos, cansaço ao mamar, cianose.
—> Tratamento: Pode incluir cirurgia e acompanhamento cardiológico.
6. Diabetes tipo 1 (em parte multifatorial): 
—> Causa: Suscetibilidade genética (ex: HLA) + gatilhos ambientais como infecções virais precoces.
—> Características: Poliúria, polidipsia, emagrecimento, cetoacidose.
—> Tratamento: Insulinoterapia, controle glicêmico, educação alimentar.
7. Displasia do desenvolvimento do quadril (DDQ): 
—> Causas: Posição intrauterina (ex: apresentação pélvica), Oligoidrâmnio (baixo líquido amniótico), 
Enfaixamento inadequado das pernas após o nascimento (posição estendida e juntas).
—> características: Assimetria de pregas na coxa. E Limitação da abdução do quadril. Presente desde o 
nascimento ou desenvolve-se nos primeiros meses. Pode afetar um ou ambos os quadris (mais comum à 
esquerda).Mais comum em meninas e em primogênitos.
—-> genéticos: História familiar de displasia ou luxação do quadril.
• Doenças de herança multifatorial na vida adulta: 
1. Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS): 
—> Fatores genéticos: Polimorfismos em genes que regulam o sistema cardiovascular (ex: renina-angiotensina).
—> Fatores ambientais: Dieta rica em sal, obesidade, estresse, sedentarismo.
—> Consequências: AVC, infarto, insuficiência renal.
2. Diabetes Mellitus Tipo 2: 
—> Fatores genéticos: Vários genes que influenciam a secreção e a ação da insulina.
—> Fatores ambientais: Obesidade, dieta hipercalórica, sedentarismo.
—> Consequências: Retinopatia, nefropatia, neuropatia, doença cardiovascular.
3. Doença Arterial Coronariana (DAC): 
—> Fatores genéticos: Genes que afetam colesterol, inflamação, coagulação.
—> Fatores ambientais: Tabagismo, dieta rica em gordura, hipertensão, diabetes.
—> Consequências: Infarto do miocárdio, angina, morte súbita.
4. Câncer de Mama, Cólon e Próstata (formas esporádicas): 
—> Fatores genéticos: Polimorfismos em genes que regulam o ciclo celular e reparo do DNA.
—> Fatores ambientais: Dieta, álcool, sedentarismo, idade, exposições tóxicas.
—> Obs: Diferente das síndromes monogênicas (ex: BRCA1/2).
5. Osteoartrite (Artrose): 
—> Fatores genéticos: Genes relacionados à cartilagem, colágeno e inflamação.
—> Fatores ambientais: Envelhecimento, sobrepeso, trauma articular repetitivo.
—> Consequências: Dor articular crônica, limitação funcional.
6. Transtornos Mentais:
+ Esquizofrenia: 
—> Fatores genéticos: Vários genes do desenvolvimento cerebral e dopamina.
—> Fatores ambientais: Complicações no parto, estresse precoce, uso de drogas.
+ Transtorno Bipolar / Depressão Maior: 
—> Fatores genéticos: Herança familiar significativa.
—> Fatores ambientais: Estresse, trauma, isolamento social.
7. Doença de Alzheimer (forma esporádica tardia): 
—> Fatores genéticos: ApoE4 (polimorfismo associado ao risco).
—> Fatores ambientais: Idade avançada, baixa escolaridade, doenças cardiovasculares.
—> Consequências: Demência progressiva, perda funcional.
8. Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC)
Fatores genéticos: Polimorfismos em genes antioxidantes e de resposta inflamatória.
Fatores ambientais: Tabagismo (principal fator), exposição ocupacional a poluentes.
Consequências: Tosse crônica, dispneia, limitação respiratória.
9. Osteoporose
Fatores genéticos: Genes que regulam a densidade óssea.
Fatores ambientais: Baixa ingestão de cálcio e vitamina D, sedentarismo, tabagismo.
Consequências: Fraturas por fragilidade, especialmente em idosos.
• Questões: 
1. A herança multifatorial difere da herança mendeliana clássica principalmente porque:
a) Os alelos envolvidos seguem o princípio da dominância completa.
b) Cada característica é determinada por um único gene.
c) Fatores ambientais não influenciam o fenótipo.
d) Múltiplos genes e o ambiente contribuem para o fenótipo.2. Qual das seguintes características humanas é um exemplo clássico de herança multifatorial?
a) Hemofilia
b) Cor dos olhos
c) Anemia falciforme
d) Doença de Tay-Sachs
3. A curva de distribuição de um traço multifatorial em uma população geralmente assume a forma de:
a) Assimétrica negativa
b) J-curva
c) Distribuição normal (curva de Gauss)
d) Curva exponencial
4. Em herança multifatorial, o termo “limiar” refere-se:
a) Ao número mínimo de genes envolvidos
b) À idade de início do fenótipo
c) Ao ponto em que a predisposição genética resulta na manifestação do traço
d) À contribuição exclusiva do ambiente
5. A concordância de um traço multifatorial entre gêmeos monozigóticos é geralmente:
a) 0%
b) 100%
c) Inferior à dos gêmeos dizigóticos
d) Maior do que entre gêmeos dizigóticos, mas inferior a 100%
6. Um traço multifatorial com alta herdabilidade indica:
a) Forte influência ambiental
b) Influência genética insignificante
c) Forte influência genética
d) Herança mendeliana simples
7. A cleft lip/palato (fenda labial/palatina) é considerada um exemplo de:
a) Traço monogênico autossômico
b) Anomalia exclusivamente ambiental
c) Doença infecciosa neonatal
d) Traço multifatorial com limiar de manifestação
8. A herdabilidade estimada em estudos com gêmeos é baseada em:
a) Taxa de mutação dos genes envolvidos
b) Diferenças genotípicas entre irmãos não aparentados 
c) Comparação da concordância entre gêmeos monozigóticos e dizigóticos
d) Sequenciamento genético direto dos pares
9. Uma limitação dos estudos de herança multifatorial é:
a) Não permitem inferência estatística
b) Não incluem fatores ambientais 
c) A dificuldade em isolar a contribuição genética exata de cada gene envolvido
d) Só podem ser aplicados a doenças raras
• respostas: 
1. D
2. B
3. C
4. C
5. D
6. C
7. D
8. C
9. C

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