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Legislação Trabalhista e Previdenciária Seguridade Social Introdução A lição introduz o estudo da Seguridade Social, destacando sua importância como um dos ramos essenciais do Direito. O texto enfatiza seu papel fundamental na proteção dos trabalhadores, fortalecendo sua posição social e permitindo a defesa coletiva de seus interesses. Também propõe a compreensão dos conceitos básicos da seguridade social e sua aplicação prática em diferentes contextos da vida dos trabalhadores. Seguridade Social A Evolução da Seguridade Social no Brasil O surgimento do direito à proteção social do ser humano pelo Estado está intimamente ligado ao desenvolvimento de sua estrutura e às discussões históricas sobre quais deveriam ser as funções estatais. O autor Fernando Mendes aborda de maneira perspicaz a questão da proteção social da seguinte forma: “Quando nasce um ser humano, a segurança social logo vem compensar os encargos adicionais dos progenitores. Liberta pai e mãe da vida profissional para prestarem os primeiros cuidados ao recém-nascido, subsidiando-lhes licenças de maternidade e paternidade. Segue apoiando as famílias no esforço educativo posto em cada filho. Ajuda os adultos a enfrentar consequências da doença e do desemprego, fazendo as vezes do rendimento perdido, contribuindo para pagar cuidados de saúde ou subsidiando acções de valorização profissional. Na aposentação por velhice ou na invalidez, substitui-se definitivamente aos rendimentos do trabalho. E, na morte, sobrevive-nos, para apoiar os que ainda estejam a nosso cargo. É importante salientar que nem sempre houve uma preocupação com a proteção social pelo estado. Nos primórdios da sociedade até meados do século XIX, a proteção social era ofertada ao desabastado pela própria família, sem qualquer auxílio do Estado. Também podemos citar a assistência voluntária como outro tipo de mecanismo protetivo, quando pessoas estranhas ao núcleo familiar auxiliam os necessitados. Ressalta-se que apesar de antigas, as proteções da família e da assistência voluntária estão presentes até os dias de hoje. Naquela época, existia um trabalho retribuído por remuneração salarial, mas sem qualquer regulamentação, o trabalhador era submetido a condições análogas a de um escravo, sem qualquer proteção ao indivíduo, ou qualquer relação de empregado x empregador, fazendo surgir assim as greves e grandes revoltas, onde começou a se falar da proteção social pelo estado, em um processo lento de reconhecimento. Ressalta-se que apenas no final do século XIX (entre 1880 e 1900), é que os governos de várias partes do mundo começaram a elaborar normas visando proteger os trabalhadores. No entanto, essa proteção social estatal se deu, a princípio, de forma tímida, não alcançando toda a classe de trabalhadores. A evolução da proteção social foi impulsionada, entre outros fatores pela Revolução Industrial iniciada no Século XVIII na Inglaterra, sendo expandida para o resto do mundo no século seguinte. Ou seja, podemos afirmar que a evolução do liberalismo para o “Welfare State” (Estado do Bem-Estar Social) iniciou-se nas primeiras décadas do século XX e foi evoluindo ao longo do tempo. A Previdência Social percorreu um longo caminho até que fosse considerada como um direito fundamental, surgindo da necessidade do indivíduo diante dos variados riscos da longa jornada da vida, como doença, envelhecimento dentre outros. A norma de direito previdenciário é muito recente, ou seja, do século passado. Mesmo sendo uma norma tão “recente”, ela teve grandes marcos evolutivos como o crescimento das proteções sociais diante de uma sociedade fragilizada. Saiba mais – http://cienciaecultura.bvs.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0009-67252015000100017 Conceito da Seguridade Social A Seguridade Social é um tema bastante abordado na Constituição Federal de 1988, ocupando um capítulo próprio (Capítulo II do Título VIII – Da Ordem Social). A Seguridade Social é um conjunto de políticas públicas criadas para garantir a proteção social aos cidadãos, visando promover a equidade e a justiça social. Ela é composta por três pilares principais: saúde, previdência social e assistência social, que é estabelecido no art.194 da CF, conforme segue: Art. 194. A Seguridade Social compreende um conjunto integrado de ações de iniciativa dos Poderes Públicos e da sociedade, destinadas a assegurar os direitos relativos à saúde, à previdência e à assistência social. Dessa forma, ao se analisar o conceito previsto no art. 194 da CF/88, percebe-se o sentido de solidariedade. Quando a CF/88 determina a necessidade de um conjunto integrado de ações, ou seja, ações de iniciativa dos Poderes Públicos e toda a sociedade, é pelo fato de que não é exclusividade do Poder Público prestar ações na área de saúde, assistência social e previdência social. Para que nós venhamos a atingir um fim comum em relação aos citados ramos, é necessária uma ação conjunta. Volta-se, portanto, ao objetivo do estado do bem-estar social, cujo sentido é de cooperação, ou seja, ideia de solidariedade Podemos afirmar, assim, que a Seguridade Social é a categoria principal, da qual fazem parte a Saúde, a Assistência Social e a Previdência Social, como subcategorias, sendo exercida pelo Poder Público e pela Sociedade O objetivo da seguridade social é assegurar o acesso aos direitos sociais básicos, como a saúde, aposentadoria, pensões, benefícios para pessoas com deficiência, seguro-desemprego, entre outros. Além disso, ela busca reduzir as desigualdades sociais e econômicas, promovendo a inclusão social e o bem-estar da população. Sendo estruturada em um Sistema Nacional, o qual é constituído por conselhos setoriais compostos por representantes da União, dos estados, do Distrito Federal, dos municípios e da sociedade civil, e é financiada por meio de contribuições sociais dos empregados, empregadores e do governo, além de outras fontes de receita. Da Organização Da Seguridade Social A Seguridade Social, conforme definido pela atual ordem jurídica, abrange um conjunto coordenado de iniciativas dos poderes públicos e da sociedade nas esferas da saúde, previdência e assistência social, como estipulado no Capítulo II do Título VIII no seu art.194 da Constituição Federal. A responsabilidade pela organização é exclusiva do Poder Público, e suas iniciativas se desdobram em uma sociedade de maneira integrada. A Seguridade Social não está associada a ações isoladas e independentes nos setores de saúde, previdência e assistência social; ao contrário, suas diferentes esferas devem operar de forma coordenada e integrada, mesmo mantendo autonomia e características específicas. a). Saúde O direito à saúde é assegurado a todos e constitui uma obrigação do Estado, que deve garantir políticas sociais e econômicas voltadas para a redução de riscos de doenças e outros agravos, proporcionando um acesso universal e equitativo a ações e serviços destinados à promoção, proteção e recuperação da saúde, conforme estipulado pelo artigo 196 da Constituição Federal. A saúde pública não demanda contribuição prévia; seus benefícios são estendidos a toda a população, independentemente do cumprimento de obrigações prévias. b) Assistência social A assistência social representa uma política social destinada a atender às necessidades básicas relacionadas à família, maternidade, infância, adolescência, velhice e pessoas com deficiência. Essa assistência é fornecida pelo Estado independentemente da contribuição à Seguridade Social, contanto que haja comprovação da efetiva necessidade econômica e social, conforme estabelecido pela lei. O Estado, ao oferecer assistência social, visa proporcionar condições mínimas de sobrevivência aos incapazes. Assim como na área da saúde, a assistência social não exige contribuições de seus beneficiários, sendo suas prestações devidas a todos que se encontram em situação de indigência. Conforme estipulado pela Constituição Federal, a assistência social será fornecida a quem dela necessitar, sem anecessidade de filiação ao regime geral de previdência social. Qualquer pessoa em situação de necessidade é amparada por ela, desde que cumpra os requisitos legais. c) Previdência Social A Previdência Social, caracterizada por seu caráter contributivo, tem a responsabilidade de atender aqueles que estão inscritos, oferecendo uma variedade de benefícios que não se limitam apenas à aposentadoria. Seu propósito vai além, buscando proporcionar meios essenciais de subsistência ao segurado e à sua família diante de contingências previstas em lei. Da estrutura da Seguridade Social Essa Seguridade Social é estruturada em um Sistema Nacional, o qual é constituído por conselhos setoriais compostos por representantes da União, dos Estados, do Distrito Federal, dos Municípios e da sociedade civil. A organização da Seguridade Social é de competência exclusiva do Poder Público, e suas ações formam uma sociedade integrada. A Seguridade Social não se limita a ações separadas e isoladas nas áreas de saúde, previdência e assistência social. Pelo contrário, suas diversas áreas devem atuar de forma coordenada e integrada, embora mantenham autonomia e características distintas. A estrutura da Seguridade Social, conforme estipulada na Lei n. 8.212/91, é abordada pelos doutrinadores Castro e Lazzari (2017) da seguinte maneira: Dentro da estrutura do Poder Executivo, os Ministérios da área social são os responsáveis pelo cumprimento das atribuições que competem à União em matéria de Seguridade Social. Há os Conselhos setoriais – de Previdência (CNPS), da Saúde (CNS) e da Assistência Social (CNAS), que atendem ao objetivo da gestão quadripartite da Seguridade Social. Na estrutura do Ministério do Trabalho e Previdência Social, vinculados a este, ainda há o INSS, como autarquia federal, a Superintendência Nacional de Previdência Complementar (Previc), autarquia de natureza especial, e a Dataprev, como empresa pública, responsável pela gestão dos bancos de dados informatizados, e junto ao Ministério da Saúde, a Central de Medicamentos (Ceme). 1. Sistema Nacional da Seguridade Social Embora não exista uma disciplina específica para o que a legislação denomina de Sistema Nacional de Seguridade Social (conforme disposto na Lei n. 8.212/1991, art. 5º), é evidente que há uma estrutura administrativa encarregada de implementar políticas no âmbito da segurança social. No âmbito do Poder Executivo, os Ministérios da área social assumem a responsabilidade de cumprir as atribuições atribuídas à União no contexto da Seguridade Social. Além disso, existem os Conselhos setoriais – o Conselho Nacional de Previdência (CNP), o Conselho Nacional de Saúde (CNS) e o Conselho Nacional de Assistência Social (CNAS) – que desempenham um papel crucial na gestão colaborativa da Seguridade Social. 2. Instituto Nacional do Segurado Social – INSS O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), uma autarquia federal com sede e jurisdição no Distrito Federal, foi estabelecido com base na Lei n. 8.029/1990, com as alterações introduzidas pela Lei n. 11.457/2007. Sua missão primordial é facilitar o reconhecimento de direitos relativos ao recebimento de benefícios administrados pela Previdência Social, com o intuito de garantir eficiência, comodidade aos seus beneficiários e aprimoramento do controle social. Suas responsabilidades incluem a operacionalização, conforme estabelecido no artigo 2º do Anexo I do Decreto n. 10.995/2022: I – o reconhecimento do direito, a manutenção e o pagamento de benefícios e os serviços previdenciários do Regime Geral de Previdência Social – RGPS; II – o reconhecimento do direito, a manutenção e o pagamento de benefícios assistenciais previstos na legislação; e III – o reconhecimento do direito e a manutenção das aposentadorias e das pensões do regime próprio de previdência social da União, no âmbito das autarquias e das fundações públicas, nos termos do disposto no Decreto nº 10.620, de 5 de fevereiro de 2021. O INSS, uma autarquia que atualmente está sob a vinculação do Ministério do Trabalho e Previdência, tem sua organização estruturada de acordo com o Decreto n. 10.995/2022 da seguinte maneira: I – órgãos de assistência direta e imediata ao Presidente do INSS: a) Gabinete; b) Assessoria de Comunicação Social; e c) Diretoria de Governança, Planejamento e Inovação; II – órgãos seccionais: a) Diretoria de Gestão de Pessoas; b) Diretoria de Orçamento, Finanças e Logística; c) Diretoria de Tecnologia da Informação; d) Procuradoria Federal Especializada; e) Auditoria-Geral; e f) Corregedoria-Geral; III – órgão específico singular: Diretoria de Benefícios e Relacionamento com o Cidadão; e IV – unidades descentralizadas: a) Superintendências Regionais; b) Gerências-Executivas; c) Agências da Previdência Social; d) Procuradorias Regionais; e) Procuradorias Seccionais; f) Auditorias Regionais; e g) Corregedorias Regionais. 3. Gestão Descentralizada A gestão da Seguridade Social é baseada em órgãos colegiados, como mandado pelo artigo 194, parágrafo único, inciso VII, da Constituição Federal. Isso significa que a administração é democrática (participa quem tem interesse), descentralizada (pessoas de vários setores diferentes podem participar), mediante gestão quadripartite, ou seja, é obrigatória a participação de quatro classes, sendo, trabalhadores, empregadores, aposentados e o governo participa nas instâncias gestoras da Seguridade Social, que são: Conselho Nacional da Previdência Social (CNPS) e Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS). As Leis n. 8.212/1991 e n. 8.213/1991 estabeleceram os Conselhos de Seguridade Social e Previdência Social. Esses conselhos são grupos de pessoas que tomam decisões em conjunto e incluem representantes da União, Estados, Distrito Federal, Municípios e da sociedade civil. No entanto, parte dessa estrutura foi extinta pela Medida Provisória n. 1.799-5, de 13/05/1999, e suas reedições (atualmente, a Medida Provisória n. 2.216-37, de 31/08/2001). Isso inclui a extinção do Conselho Nacional de Seguridade Social e dos Conselhos Estaduais, Distrital e Municipais de Previdência Social. Essa medida provisória continua em vigor até que o Congresso Nacional delibere sobre o assunto, conforme estabelecido na Emenda Constitucional n. 32, de 2001. Dos Regimes de Previdência Social O regime previdenciário abrange um conjunto de normas que têm como finalidade regular a relação jurídica previdenciária, ou seja, ele se dedica a estabelecer diretrizes para as interações entre os indivíduos e a sociedade como um todo, especialmente aqueles que mantêm vínculos por meio de relações de trabalho ou categorias profissionais específicas. A Constituição Federal estabelece um sistema previdenciário que compreende dois regimes distintos: o regime público e o regime privado. Os regimes públicos incluem o Regime Geral de Previdência Social (RGPS), o Regime Previdenciário Servidores Públicos Civis e o Regime Previdenciário Próprio das Forças Armadas. estes regimes previdenciários, a filiação é obrigatória, ou seja, os indivíduos são automaticamente incluídos, independentemente de sua vontade, conforme disposto no art. 201 da CF. Enquanto o RGPS é único para todo o Brasil, os Regimes Próprios da Previdência Social (RPPS) poderão ser criados em cada ente federativo, aplicando-se apenas aos servidores públicos ocupantes de cargos efetivos das respectivas unidades federativas, incluídas suas autarquias e fundações. Por outro lado, o regime privado é representado pela previdência complementar, conforme estipulado no artigo 202 da Constituição Federal. Neste caso, a adesão é facultativa, sendo necessário um ato expresso de vontade por parte da pessoa interessada. Regime Geral de Previdência Social (RGPS) O Regime Geral de Previdência Social (RGPS) é responsável pela cobertura da grande maioria dos trabalhadores brasileiros. Toda pessoa física que exerça atividade remunerada será obrigatoriamente filiada a este regime previdenciário, exceto se tal atividade gerar filiaçãoobrigatória a Regime Próprio de Previdência Social (RPPS). O Estatuto dos Benefícios da Previdência Social, representado pela Lei n. 8.213/1990, no seu artigo 11, estabelece que os segurados compreendem pessoas físicas e se dividem em duas categorias: segurados obrigatórios e segurados facultativos. 1. Segurados obrigatórios O RGPS, de caráter obrigatório, engloba todos os trabalhadores da iniciativa privada, abrangendo aqueles que possuem relações de emprego reguladas pela Consolidação das Leis do Trabalho, sejam eles empregados urbanos, empregados domésticos, autônomos ou rurais. O artigo 9º do Decreto n. 3.048/99 define o conceito de segurado como sendo a pessoa física que desempenha atividade remunerada, tanto de natureza urbana quanto rural, de forma contínua ou ocasional, com ou sem vínculo de emprego. Além disso, inclui aqueles que são determinados como segurados pela lei, desde que sejam consideradas as exceções estabelecidas na legislação, ou que tenham exercido alguma das atividades mencionadas no período imediatamente anterior ao chamado “período de graça.” Os segurados do RGPS têm direito aos benefícios pecuniários estabelecidos para sua categoria, tais como aposentadorias, pensões, auxílios, salário-família e salário-maternidade, além dos serviços oferecidos pela Previdência Social, como reabilitação profissional e assistência social. Para ser considerado segurado do RGPS, é essencial preencher alguns requisitos básicos. Primeiramente, é necessário ser uma pessoa física, conforme estabelecido no artigo 12 da Lei n. 8.212/91, uma vez que a qualidade de segurado pessoa jurídica não é reconhecida. Além disso, é imprescindível que o indivíduo exerça uma atividade laborativa, de natureza remunerada e lícita, já que a legislação não ampara atividades com propósitos ilícitos. Os segurados obrigatórios podem estar envolvidos em, pelo menos, uma atividade remunerada, seja por meio de emprego formal, seja em áreas urbanas, domésticas ou rurais, independentemente do regime jurídico que rege sua atividade. Exemplo prático: suponha uma pessoa que, embora não receba uma remuneração fixa, está engajada em atividades laborais como freelancer. Mesmo sem um rendimento mensal garantido, essa pessoa se enquadra como segurada obrigatória do Regime Geral de Previdência Social (RGPS) devido ao exercício regular de trabalho, conforme estabelecido pela legislação. No Regime Geral de Previdência Social (RGPS), existem cinco categorias de segurados obrigatórios, que são as seguintes: 2. Segurados facultativo O segurado facultativo, por sua vez, é aquele que se associa de forma voluntária à Previdência Social, sem estar envolvido em atividades remuneradas, contribuindo para financiar os benefícios previdenciários, mesmo que não tenha obrigação de pertencer ao Regime Geral de Previdência Social (RGPS) ou a outro regime previdenciário específico. O ingresso no sistema de proteção previdenciária, no caso do segurado facultativo, é uma escolha pessoal que ocorre mediante inscrição. Esta opção está disponível a partir dos 16 anos, desde que o indivíduo não esteja exercendo uma atividade remunerada que o qualificaria como segurado obrigatório no RGPS ou em outro Regime Próprio de Previdência Social. O segurado facultativo pode determinar seu salário de contribuição, desde que esse valor esteja compreendido entre o mínimo e o máximo estabelecido pelo INSS. É importante notar que o salário de contribuição não é o valor efetivamente pago ao INSS. Para calcular o valor da contribuição, é aplicada uma alíquota que varia entre 20%, 11% ou 5%, dependendo do caso. Manutenção e Perda da Qualidade de Segurado No que tange a esse tema, a Lei n. 8.213/1991, estabelece de forma inequívoca que a qualidade de segurado se mantém inalterada, independentemente de contribuições. Isso significa que não há um prazo determinado, e quem está recebendo benefícios, com a exceção do auxílio-acidente, não perde o status de segurado, independentemente de estar ativo ou não em suas contribuições para a Previdência Social. Essa norma visa proteger aqueles que enfrentam momentos difíceis em suas vidas, como por exemplo, alguém que sofreu um acidente e está recebendo o auxílio-doença. O art. 15, prevê duas situações em que a condição de segurado permanece válida: por até 12 meses após o término do benefício por incapacidade ou após a interrupção das contribuições, o segurado que deixa de exercer uma atividade remunerada sob a cobertura da Previdência Social ou se encontra suspenso ou licenciado sem remuneração. 1. Até o período de 12 meses após o término de um benefício por incapacidade. Por exemplo, considere o caso de João, que sofre um acidente e passa a receber o auxílio-doença por um período específico. Após algum tempo, ele se recupera e o benefício de incapacidade (auxílio-doença) é encerrado. Nesse cenário, até 12 meses após o término desse benefício, independentemente de contribuições, João continuará sendo considerado segurado perante a Previdência Social. 2. Até um período de 12 meses após a interrupção das contribuições à Previdência Social, o segurado que não estiver mais envolvido em atividades remuneradas ou estiver suspenso/licenciado sem remuneração mantém a sua qualidade de segurado. Por exemplo, considere o caso de uma engenheira que trabalhou por mais de um ano em uma construtora e foi posteriormente demitida. Nesse cenário, a engenheira permanecerá como segurada do INSS por um período de 12 meses, mesmo sem efetuar contribuições durante esse intervalo. ATENÇÃO O prazo inicial de até 12 meses pode ser estendido para até 24 meses, desde que o segurado já tenha realizado mais de 120 contribuições mensais à Previdência Social, sem qualquer interrupção que resulte na perda da qualidade de segurado. No caso de indivíduos que tenham efetuado 121 ou mais contribuições para a Previdência Social, eles poderão manter sua condição de segurados por até 24 meses, independentemente de fazer novas contribuições. Essa regra ampliou o período de proteção para trabalhadores que contribuíram para a Previdência Social por mais de 10 anos. O que exatamente é o período de graça? O período de graça pode ser definido como sendo aquele tempo em que, mesmo não havendo contribuição, o segurado mantém essa qualidade. Ou seja, durante o período de graça, o segurado conserva todos os seus direitos perante a Previdência Social. Os períodos de carência de 12 ou 24 meses, mencionados anteriormente, podem ser estendidos por um adicional de 12 meses para segurados que tenham perdido involuntariamente seus empregos, desde que essa situação seja comprovada junto ao Ministério do Trabalho e Previdência (MTP). No entanto, há uma discrepância notável entre o que a lei estabelece e o entendimento jurisprudencial, como ilustrado abaixo. De acordo com o artigo 15, parágrafo 2º, da Lei n. 8.213/1991, o acréscimo de 12 meses para segurados desempregados é condicional à comprovação dessa situação por meio do registro junto ao órgão competente do Ministério do Trabalho e Previdência. Por outro lado, a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e da Turma Nacional de Uniformização dos Juizados Especiais Federais (TNUJEF) difere substancialmente da disposição legal, como indicado na Súmula TNUJEF n. 27/2005: “a falta de registro em órgão do Ministério do Trabalho (MT) não impede a comprovação do desemprego por outros meios aceitos em Direito.” Essas considerações sobre o dispositivo se aplicam tanto aos trabalhadores do setor privado quanto aos servidores que se desligam de seus respectivos Regimes Próprios de Previdência Social (RPPS). Período de Graça O instituto da manutenção da qualidade de segurado se refere ao período em que uma pessoa permanece vinculado ao Regime Geral de Previdência Social (RGPS), seja por continuar contribuindo ou por estar dentro do que é conhecido como “período de graça.” Durante o período de graça, o segurado e seus dependentes continuam protegidos pela Previdência Social, mesmo que não estejam realizandoatividades que os qualifiquem como segurados obrigatórios ou efetuando contribuições mensais como segurados facultativos. Isso representa uma exceção em relação ao sistema previdenciário do RGPS, que é predominantemente baseado em contribuições (conforme estabelecido no artigo 201 da Constituição). A qualidade de segurado é mantida sem a necessidade de efetuar contribuições, preservando todos os direitos perante a Previdência Social, conforme os prazos estabelecidos no artigo 15 da Lei n. 8.213/1991, conforme sua redação atual. I – sem limite de prazo, quem está em gozo de benefício, exceto do auxílio-acidente; II – até 12 (doze) meses após a cessação das contribuições, o segurado que deixar de exercer atividade remunerada abrangida pela Previdência Social ou estiver suspenso ou licenciado sem remuneração; III – até 12 (doze) meses após cessar a segregação, o segurado acometido de doença de segregação compulsória; IV – até 12 (doze) meses após o livramento, o segurado retido ou recluso; V – até 3 (três) meses após o licenciamento, o segurado incorporado às Forças Armadas para prestar serviço militar; VI – até 6 (seis) meses após a cessação das contribuições, o segurado facultativo. § 1º O prazo do inciso II será prorrogado para até 24 (vinte e quatro) meses se o segurado já tiver pago mais de 120 (cento e vinte) contribuições mensais sem interrupção que acarrete a perda da qualidade de segurado. § 2º Os prazos do inciso II ou do § 1º serão acrescidos de 12 (doze) meses para o segurado desempregado, desde que comprovada essa situação pelo registro no órgão próprio do Ministério do Trabalho e da Previdência Social. § 3º Durante os prazos deste artigo, o segurado conserva todos os seus direitos perante a Previdência Social. § 4º A perda da qualidade de segurado ocorrerá no dia seguinte ao do término do prazo fixado no Plano de Custeio da Seguridade Social para recolhimento da contribuição referente ao mês imediatamente posterior ao do final dos prazos fixados neste artigo e seus parágrafos. Perda da qualidade de segurado A perda da qualidade de segurado ocorre no dia seguinte ao vencimento da contribuição individual, conforme estipulado pelo artigo 14 da Lei n. 3048/99. Isso resulta no término do período de graça. No entanto, é importante ressaltar que essa perda não será considerada durante a análise para a concessão de aposentadoria por tempo de contribuição, aposentadoria especial e aposentadoria por idade. Para a obtenção dos mencionados benefícios, é necessário que o segurado cumpra o requisito do número mínimo de contribuições mensais, que neste caso corresponde a pelo menos 180 contribuições, para atender à carência exigida. Caso o segurado já tenha satisfeito todos os critérios necessários para se aposentar em uma das três categorias de aposentadoria mencionadas anteriormente, a perda da qualidade de segurado não irá obstaculizar a concessão da aposentadoria. Cabe destacar dois parágrafos de grande relevância no artigo 180 do Decreto n. 3.048/1999: § 1º A perda da qualidade de segurado não prejudica o direito à aposentadoria para cuja concessão tenham sido preenchidos todos os requisitos, segundo a legislação em vigor à época em que estes requisitos foram atendidos. § 2º Não será concedida pensão por morte aos dependentes do segurado que falecer após a perda desta qualidade, nos termos dos arts. 13 a 15, salvo se preenchidos os requisitos para obtenção de aposentadoria na forma do parágrafo anterior, observado o disposto no art. 105. (Grifos nossos.) A explicação é simples: durante o período de graça, o segurado não está fazendo contribuições. No entanto, se o segurado tem sua atividade laborativa assegurada ao final desse período, como no caso de um segurado empregado que retorna ao trabalho após receber auxílio-doença, a contribuição é presumida assim que ele retoma suas funções (conforme previsto no artigo 33, § 5º, da Lei n. 8.212/1991). Nessas circunstâncias, não se fala em perda da qualidade de segurado. A situação que gera mais dificuldade de compreensão diz respeito ao segurado desempregado. Se, após o término do período de graça, o segurado não consegue encontrar outro emprego, ele deve se filiar como segurado facultativo para manter seu status de segurado. Nesse caso, o prazo para efetuar o pagamento da contribuição como segurado facultativo é até o dia 15 do mês subsequente ao da competência. Por exemplo, se o período de graça expirar em abril, a primeira contribuição como segurado facultativo deve ser referente ao mês de maio e ser paga até o dia 15 de junho. Se a pessoa não fizer o pagamento até essa data, perderá sua qualidade de segurado. É importante destacar que se o segurado, durante o período de graça, voltar a exercer uma atividade que o qualifique como segurado obrigatório, mesmo que por um mês ou menos, haverá um período contributivo durante o tempo em que ele estiver empregado. Nesse caso, a contagem do período de graça será interrompida e reiniciará se o segurado voltar a ficar desempregado. A mesma lógica se aplica quando um segurado (seja ele obrigatório ou facultativo) em período de graça faz apenas uma contribuição como segurado facultativo. A contagem do período de graça começará novamente a partir do mês seguinte à última contribuição feita. Benefícios Benefícios por Incapacidade Os benefícios por incapacidade constituem a maioria das solicitações ao INSS e estão sujeitos à sua jurisdição. Antes da Emenda Constitucional n. 103/2019, o inciso I do artigo 201 garantia a cobertura de eventos relacionados a doenças e invalidez, com a Lei n. 8.213/1991 regulamentando a concessão de auxílio-doença, aposentadoria por invalidez e auxílio-acidente. Com a EC n. 103/2019, o artigo 201, I, da Constituição Federal passou a estabelecer a “cobertura dos eventos de incapacidade temporária ou permanente para o trabalho e idade avançada”. Dessa alteração de redação, observamos que, anteriormente, a cobertura abrangia eventos de doença e invalidez, enquanto agora se refere à incapacidade temporária ou permanente para o trabalho. Auxílio por Incapacidade Temporária (antigo auxílio-doença) O auxílio por incapacidade temporária, conhecido como auxílio-doença antes da EC n. 103/2019, é um benefício concedido a segurados que estão temporariamente impedidos de trabalhar devido a doença, acidente ou prescrição médica. Isso se aplica a situações que vão além do período de responsabilidade do empregador, conforme estabelecido por lei, e em outros casos, a partir do início da incapacidade temporária. As diretrizes gerais para o auxílio por incapacidade temporária são definidas nos artigos 59 a 63 da Lei n. 8.213/1991 e nos artigos 71 a 80 do Decreto n. 3.048/1999, com alterações introduzidas pelo Decreto n. 10.410/2020. De acordo com o Manual de Perícias Médicas do INSS (2018), a incapacidade laborativa refere-se à impossibilidade de desempenhar as funções específicas de uma atividade, função ou ocupação geralmente realizada pelo segurado, devido a alterações morfopsicofisiológicas causadas por doença ou acidente. No entanto, existem circunstâncias que resultam em afastamento do trabalho sem um diagnóstico de doença. Um exemplo disso é a determinação de afastamento para gestantes durante surtos de gripe, como o H1N1 em 2009, e mais recentemente, as medidas de isolamento e quarentena decorrentes da pandemia da Covid-19. O auxílio por incapacidade temporária devido a acidentes, conhecido como espécie B91, era anteriormente concedido apenas a segurados empregados (urbanos e rurais), trabalhadores avulsos e segurados especiais, com base no artigo 19 da LBPS e na interpretação predominante até então. No entanto, a LC n. 150/2015, em vigor desde 1° de junho de 2015, estendeu diversos direitos sociais aos empregados domésticos, incluindo proteção contra acidentes de trabalho. Portanto, os empregados domésticos passaram a ter direito a benefícios por incapacidade não apenas na modalidade comum ou previdenciária, mas também na modalidade acidentária, pelo menosa partir da vigência da Lei Complementar, senão a partir da Emenda Constitucional n. 72/2013, devido à natureza de Direito Fundamental, o que implica sua autoaplicabilidade. Pensão por Morte A pensão por morte é um benefício destinado aos dependentes do segurado, seja ele homem ou mulher, que venha a falecer, esteja aposentado ou não, de acordo com o que está expressamente previsto no artigo 201, V, da Constituição Federal. Esse benefício é uma forma de pagamento continuado e serve como substituição da remuneração do segurado falecido. É importante notar que a pensão por morte pode ter duas origens diferentes: comum ou acidentária. Quando o falecimento ocorre devido a um acidente de trabalho ou uma doença ocupacional, a pensão por morte é classificada como acidentária. Por outro lado, se o óbito ocorre por outras causas, é considerada de origem comum. Essa diferenciação é crucial para determinar a jurisdição responsável pela concessão e revisão do benefício (Justiça Federal ou Justiça Estadual), bem como para determinar os possíveis desdobramentos legais, como a indenização a ser solicitada dos responsáveis pelo acidente de trabalho (competência da Justiça do Trabalho). A partir da EC n. 103/2019, se o segurado falecido não estiver aposentado, a causa do óbito passa a impactar o cálculo do valor da pensão mensal. Se o falecimento for decorrente de um acidente de trabalho, doença profissional ou doença do trabalho, a base da aposentadoria usada para o cálculo será equivalente a 100% do salário de benefício. É importante ressaltar que a pensão por morte é devida ao conjunto dos dependentes do segurado que falecer, independentemente de estar aposentado ou não. Em situações em que existem múltiplos pensionistas, a pensão será dividida igualmente entre todos. A parte daquele cujo direito à pensão cessar será revertida em favor dos demais. No caso de óbito por outras causas, a base da aposentadoria usada terá um coeficiente de 60% do salário de benefício, com acréscimo de dois pontos percentuais para cada ano de contribuição que exceda 20 anos no caso dos homens e 15 anos no caso das mulheres. É relevante destacar que a pensão é devida tanto em casos de morte real quanto presumida. Portanto, não se aplicam regras de transição no que diz respeito à pensão por morte, com a regra que deve ser aplicada sendo a vigente na data do óbito do segurado, seguindo o princípio tempus regit actum. Nesse contexto, a Súmula n. 340 do STJ esclarece: “A lei aplicável à concessão de pensão previdenciária por morte é aquela vigente na data do óbito do segurado”. SAIBA MAIS As diretrizes gerais sobre a pensão por morte estão estabelecidas nos artigos 23 e 24 da EC n. 103/2019, e, quando não há conflitos com esses dispositivos, nos artigos 74 a 79 da Lei n. 8.213/1991, com as modificações introduzidas pelas Leis n. 13.135, n. 13.146 e n. 13.183/2015, pela Lei n. 13.846/2019 e, ainda, pelos artigos 105 a 115 do Decreto n. 3.048/1999, com as alterações decorrentes do Decreto n. 10.410/2020. A Previdência Social tem como objetivo cobrir o risco social da subsistência dos dependentes do segurado do RGPS, conforme definido no artigo 16 da Lei de Benefícios. Portanto, os critérios para a concessão do benefício são os seguintes: 1. O falecido deve ter a qualidade de segurado. 2. Deve ter ocorrido a morte, seja de forma real ou presumida. 3. Deve haver dependentes que podem solicitar o benefício junto ao INSS. 4. Para óbitos ocorridos a partir de 18 de junho de 2015, o cônjuge, companheiro ou companheira deve comprovar que a morte ocorreu após 18 contribuições mensais e pelo menos dois anos após o início do casamento ou união estável. Caso não haja comprovação, a pensão tem duração de quatro meses, a menos que o óbito do segurado seja resultado de um acidente ou doença profissional ou do trabalho, ou se o cônjuge ou companheiro for portador de invalidez ou deficiência. Auxílio – Reclusão O auxílio-reclusão é um benefício previdenciário que visa amparar os dependentes dos segurados do sistema de seguridade social em situação de prisão. Esse benefício está previsto no inciso IV do artigo 201 da Constituição Federal de 1988 e tem como objetivo fornecer subsistência aos familiares do segurado detido ou recluso em regime fechado. De acordo com a Constituição, o auxílio-reclusão é limitado aos dependentes dos segurados com baixa renda. Esse critério foi mantido pela Emenda Constitucional n. 103/2019, que também estabeleceu um limite de renda de um salário mínimo para a concessão do benefício. Além disso, o critério de baixa renda foi definido pela EC n. 103/2019. Uma mudança importante na interpretação do benefício ocorreu no Supremo Tribunal Federal (STF), que estabeleceu que a renda do segurado recluso é o parâmetro para a concessão do auxílio-reclusão, não a dos dependentes. Até a MP nº 871/2019, convertida na Lei n. 13.846/2019, se o segurado estivesse desempregado no mês da reclusão, a remuneração utilizada para cálculo era a do último salário de contribuição. No entanto, essa interpretação foi revista pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ). O benefício era concedido apenas em casos de prisão em regime fechado ou semiaberto. Prisões em regime aberto não geravam direito ao auxílio-reclusão. Além disso, o benefício também era concedido a dependentes de segurados maiores de 16 anos e menores de 18 anos que estivessem internados em estabelecimentos educacionais. Os dependentes deveriam comprovar a permanência do segurado na condição de detento ou recluso trimestralmente, e o benefício era automaticamente convertido em pensão por morte em caso de óbito do segurado detido ou recluso. Após as alterações feitas pela Lei n. 13.846/2019, o benefício passou a ter novas regras, como a necessidade de carência de 24 meses, a comprovação do recolhimento do segurado à prisão em regime fechado, e a impossibilidade de receber remuneração da empresa ou estar em gozo de outros benefícios previdenciários. Auxílio – Reclusão O valor do auxílio-reclusão foi limitado a um salário mínimo, independentemente da categoria do segurado, e o pagamento é rateado entre os dependentes. As cotas do rateio não são reversíveis aos demais dependentes. No caso de dependentes inválidos ou com deficiência intelectual, mental ou grave, o valor do benefício é de 100% do salário mínimo. Causas de suspensão ou extinção do auxílio-reclusão incluem a progressão do regime de cumprimento de pena, a soltura ou livramento condicional do segurado, a fuga do recluso, o início de aposentadoria do segurado, o óbito do segurado ou do beneficiário, entre outras situações. Essas mudanças visam aprimorar o auxílio-reclusão, mas também geraram discussões e questionamentos quanto à adequação das novas regras e à proteção social dos dependentes dos segurados reclusos. Salário Maternidade O salário-maternidade é um benefício previdenciário regulado pelo art. 7º da CF e a Lei n. 8.213/91 e a Lei n. 11.770/2008 para os casos de licenças para o regime próprio. O salário-maternidade é o benefício previdenciário fornecido pelo INSS, que compreende a remuneração concedida à segurada gestante durante o período de seu afastamento, conforme estipulado por lei e mediante comprovação médica, que será concedido com base nas seguintes circunstâncias: Auxílio – Reclusão a) Parto: o salário-maternidade é um benefício devido à segurada da previdência social, sendo concedido por 120 (cento e vinte) dias. Normalmente, ele começa a ser pago 28 (vinte e oito) dias antes da data prevista para o parto e termina 91 (noventa e um) dias após o parto. No entanto, em situações imprevisíveis, como um parto antecipado ou natimorto, o benefício pode iniciar no intervalo de 28 dias antes da data prevista para o parto até o próprio dia do parto, e os 120 dias de salário-maternidade são contados a partir desse momento. A partir da 23ª semana de gestação, mesmo em caso de natimorto, ele será considerado como um parto válido, conferindo à segurada o direito aos 120 dias de salário-maternidade.Em circunstâncias excepcionais, os períodos de repouso antes e depois do parto podem ser estendidos por mais 2 (duas) semanas, desde que haja um atestado médico específico submetido à avaliação médico-pericial. Independentemente de o parto ocorrer de forma antecipada ou no tempo previsto, a segurada tem direito aos 120 (cento e vinte) dias de salário-maternidade, conforme previsto na legislação. b) Aborto não criminoso: em caso de aborto não criminoso, desde que comprovado por meio de atestado médico, a segurada terá direito a receber o salário-maternidade correspondente a 2 (duas semanas). No entanto, se o aborto for classificado como um crime, a segurada não terá direito ao salário-maternidade. 1. Considera-se aborto não criminoso aquele ocorrido nas seguintes circunstâncias: 2. Aborto involuntário; 3. Quando não há outro meio de salvar a vida da gestante; 4. Quando a gravidez resulta de estupro; e 5. Interrupção de gravidez de feto que apresenta anencefalia (conforme decisão do STF). 6. Nesses casos, a segurada terá direito ao benefício do salário-maternidade por um período de duas semanas. 7. Parte superior do formulário Adoção e guarda judicial para fins de adoção Ao segurado ou segurada da Previdência Social que adotar ou obtiver guarda judicial para fins de adoção de uma criança de até 12 anos de idade, será concedido o salário-maternidade pelo período de 120 (cento e vinte) dias. Para fins de determinação da idade da criança, considera-se o que estabelece o Estatuto da Criança e do Adolescente: · Criança: pessoa com idade até 12 anos de idade incompletos. · Adolescente: pessoa com idade entre 12 anos e 18 anos de idade. Portanto, o direito ao salário-maternidade será concedido ao segurado ou segurada que adotar ou obtiver guarda judicial para fins de adoção de uma criança com até 11 anos de idade completos (ou 12 anos de idade incompletos). Se a pessoa adotada tiver 12 anos completos ou mais, não terá direito ao benefício de salário-maternidade. São beneficiários do salário-maternidade todas as seguradas do RGPS ( apenas do sexto feminino). No caso de adoção ou guarda judicial para fins de adoção de criança, são beneficiários do salário-maternidade todos os segurados e seguradas do RGPS (do sexo masculino ou feminino). Saiba como solicitar clique aqui: https://www.gov.br/inss/pt-br/direitos-e-deveres/salario-maternidade/salario-maternidade-para-segurada-o-especial Prorrogação do salário-maternidade A Lei n. 11.770, de 9 de setembro de 2008, aumentou o período da licença-maternidade de 120 para 180 dias. Para oferecer esse benefício, a empresa precisa aderir voluntariamente a um programa e, em troca, recebe incentivos fiscais. A empregada pode decidir se deseja ou não estender a licença. A mãe deve solicitar a ampliação até o final do primeiro mês após o parto. Os dois meses adicionais serão concedidos imediatamente após os 120 dias iniciais. Para os beneficiários em período de graça, a prorrogação se aplica apenas ao repouso após o término do benefício (art. 358, § 2º, da IN INSS/PRES n. 128/2022). A prorrogação também será assegurada, na mesma proporção, para a empregada que adotar ou obtiver guarda judicial para fins de adoção de criança. Contudo, a extensão é devida somente às seguradas cujos empregadores aderirem ao Programa Empresa Cidadã. Durante a prorrogação da licença-maternidade, a empregada recebe a remuneração integral, nos mesmos termos do salário-maternidade pago pelo Regime Geral de Previdência Social (RGPS). Nesse período, a empregada não pode exercer atividade remunerada, e a criança deve permanecer sob seus cuidados. O descumprimento dessa regra resulta na perda do direito à prorrogação. A prorrogação pode ser compartilhada entre a mãe e o pai, desde que ambos sejam empregados de uma pessoa jurídica participante do Programa e que a decisão seja tomada em conjunto, conforme estabelecido em regulamento. Nesse caso, a prorrogação pode ser usufruída pelo empregado da pessoa jurídica que aderiu ao Programa somente após o término da licença-maternidade, mediante solicitação com 30 dias de antecedência (§§ 3º e 4º do art. 1º da Lei n. 11.770/2008, incluídos pela Lei n. 14.457/2022). A empresa participante do Programa Empresa Cidadã tem a autorização para substituir o período de prorrogação da licença-maternidade pela redução de jornada de trabalho em 50% por 120 dias (art. 1º-A da Lei n. 11.770/2008, incluído pela Lei n. 14.457/2022). Os requisitos para efetuar essa substituição são: I – o pagamento integral do salário à empregada ou ao empregado pelo período de 120 dias; e II – a existência de um acordo individual firmado entre o empregador e a empregada ou o empregado interessados em adotar essa medida. A pessoa jurídica que aderir ao Programa e seja tributada com base no lucro real tem a possibilidade de deduzir do imposto devido, em cada período de apuração, o montante total da remuneração integral paga nos 60 dias de prorrogação da licença-maternidade. No entanto, essa dedução está vedada como despesa operacional. Parte superior do formulário Parte superior do formulário Salário-família O salário-família será devido mensalmente aos segurados empregados, incluindo os domésticos, e aos trabalhadores avulsos, desde que tenham salário de contribuição igual ou inferior a R$ 1.655,98 (mil seiscentos e cinquenta e cinco reais e noventa e oito centavos). O valor será calculado com base no número de filhos ou equiparados, seguindo as regras estabelecidas na legislação previdenciária, da seguinte maneira: a) Para empregados e empregados domésticos, o pagamento é feito pela empresa e pelo empregador doméstico, respectivamente, mensalmente, juntamente com o salário, realizando-se a compensação durante o recolhimento das contribuições devidas. b) Para trabalhadores avulsos, o pagamento é efetuado pelo Sindicato ou Órgão Gestor de Mão de Obra, por meio de convênio. Se o salário do empregado não for pago mensalmente, o salário-família deve ser pago junto com o último pagamento do mês. c) Empregados, empregadas domésticas e trabalhadores avulsos aposentados por invalidez ou recebendo auxílio-doença recebem o salário-família pelo INSS, juntamente com o benefício. d) Trabalhadores rurais aposentados por idade, com 60 anos (homens) ou 55 anos (mulheres), recebem o salário-família pelo INSS, junto com a aposentadoria. e) Outros empregados e trabalhadores avulsos aposentados aos 65 anos (homens) ou 60 anos (mulheres) recebem o salário-família pelo INSS, junto com a aposentadoria. O salário-família é devido a empregados, empregados domésticos e trabalhadores avulsos, independentemente de estarem trabalhando ou aposentados. O trabalhador avulso recebe o valor integral da cota, independentemente dos dias trabalhados no mês. Quando pai e mãe são segurados empregados, domésticos ou trabalhadores avulsos, ambos têm direito ao salário-família, e o benefício é pago pela empresa, que deduz os valores do recolhimento das contribuições patronais. Os segurados domésticos tiveram direito ao salário-família a partir da EC nº 72/2013, que foi regulamentada pela LC n. 150 em 2015. A partir de janeiro de 2022, o valor da cota do salário-família por filho é de R$ 56,47, e o pagamento é condicionado à apresentação de atestado de vacinação (até 6 anos de idade) e de comprovação de frequência escolar (a partir dos 7 anos). A empresa deve conservar documentos comprobatórios por 10 anos para fins de fiscalização. O salário-família é devido ao filho menor de 14 anos ou a filho inválido de qualquer idade, sendo a invalidez verificada por exame médico-pericial. O pagamento do salário-família varia, sendo integral pela empresa no mês do afastamento do trabalho e pelo INSS no mês da cessação do benefício. Em casos de divórcio, separação ou abandono, o pagamento é direcionado a quem sustenta o menor, conforme decisão judicial. O direito ao benefício cessa automaticamente em casos de morte, aniversário de 14 anos (exceto para inválidos), recuperação da capacidade do inválidoou desemprego do segurado. O segurado deve assinar o Termo de Responsabilidade, comprometendo-se a comunicar qualquer situação que resulte na perda do direito ao benefício. O não cumprimento pode acarretar sanções penais e trabalhistas. A falta de comunicação da cessação do benefício ou fraude para obtê-lo permite descontos das cotas indevidamente recebidas. Os valores a serem restituídos sofrerão correção monetária e devem ser pagos pelo empregado. As cotas do salário-família não são incorporadas ao salário ou benefício do segurado, e o recebimento mensal do benefício deve ser quitado e confirmado pelo empregado. Aposentadoria: Tipos e Regras. Aposentadoria Os benefícios abrangidos pelo Regime Geral de Previdência Social (RGPS) possuem características distintas e regras específicas de concessão, tornando essencial uma análise minuciosa. A aposentadoria se destaca como a prestação primordial fornecida pela Previdência Social, sendo complementada pela pensão por morte. Este benefício se destina a todos os indivíduos, constituindo-se como parte integrante da seguridade social, e não se limita apenas à previdência social. Além disso, o modelo predominante de aposentadoria está estreitamente associado ao conceito de seguro social, onde o benefício é concedido com base nas contribuições realizadas. Aposentadoria por Incapacidade Permanente A Emenda Constitucional 103/19 introduziu a alteração na denominação do benefício de aposentadoria por invalidez para aposentadoria por incapacidade permanente. No entanto, a Lei n. 8.213/91 ainda utiliza a antiga designação, ou seja, aposentadoria por invalidez. É importante ressaltar que, apesar dessa diferença de terminologia, ambos os termos se referem ao mesmo benefício. A aposentadoria por incapacidade permanente é concedida ao segurado que, após cumprir a carência exigida, é considerado permanentemente incapaz e não passível de reabilitação para a realização de atividades que garantam sua subsistência. Este benefício será pago continuamente enquanto o segurado permanecer nessa condição. A concessão da aposentadoria por incapacidade permanente depende da verificação da condição de incapacidade, a qual é realizada por meio de um exame médico-pericial conduzido pela Perícia Médica Federal. O segurado tem o direito de ser acompanhado por um médico de sua confiança durante esse processo, por sua conta. É importante observar que a concessão da aposentadoria por incapacidade permanente, mesmo quando precedida por um período de auxílio por incapacidade temporária, requer o afastamento do segurado de todas as suas atividades habituais. Esse benefício destina-se a garantir o sustento daqueles que estão enfrentando uma condição de incapacidade permanente e que não podem mais exercer suas atividades de trabalho. Beneficiário A aposentadoria por incapacidade permanente é um direito de todos os segurados do RGPS. O valor da aposentadoria por incapacidade permanente de um segurado que necessitar da assistência permanente de outra pessoa será acrescido em 25% (vinte e cinco por cento) e estará sujeito às seguintes regras: ATENÇÃO · Esse acréscimo será pago mesmo se o valor da aposentadoria ultrapassar o limite máximo estabelecido por lei. · Será recalculado sempre que o benefício original for reajustado. · O acréscimo cessará com o falecimento do aposentado e não será incorporado ao valor da pensão. Além disso, um segurado aposentado por incapacidade permanente pode ser convocado a qualquer momento para avaliar as condições que levaram ao seu afastamento ou à aposentadoria, seja ela concedida por decisão judicial ou administrativa. O segurado também é obrigado, sob pena de suspensão do pagamento do benefício, a se submeter a exames médico-periciais realizados pela Perícia Médica Federal, bem como a participar de processos de reabilitação profissional conduzidos pelo INSS. O tratamento, com exceção de cirurgia e transfusão de sangue, é fornecido gratuitamente. Um aposentado por incapacidade permanente que não tenha retornado à atividade estará isento do exame médico-pericial nas seguintes situações: ATENÇÃO · Após completar 55 anos de idade e quando tiverem se passado 15 anos a partir da data da concessão da aposentadoria por incapacidade permanente ou do auxílio por incapacidade temporária que a precedeu. · Após completar 60 anos de idade. No entanto, essa isenção não se aplica em casos em que o exame tem as seguintes finalidades: · Avaliar a necessidade de assistência permanente de outra pessoa para a concessão do acréscimo de 25% no valor do benefício. · Verificar a recuperação da capacidade de trabalho, mediante solicitação do aposentado que se considere apto. · Fornecer subsídios às autoridades judiciárias para a concessão de curatela. Mesmo quando as condições para a isenção do exame médico-pericial são atendidas, um aposentado por incapacidade permanente pode ser submetido a ele quando for necessário para investigar casos de fraude. É importante observar que segurados com síndrome da imunodeficiência adquirida (AIDS) estão dispensados da avaliação médico-pericial, exceto quando necessário para apurar casos de fraude ou em outras situações nas quais a isenção do exame seja suspensa, como já mencionado. A Perícia Médica Federal pode acessar os prontuários médicos registrados no Sistema Único de Saúde (SUS) do segurado, desde que haja consentimento prévio e sigilo sobre os dados seja mantido. O atendimento domiciliar e hospitalar é garantido pela Perícia Médica Federal e pelo serviço social aos segurados com dificuldades de locomoção, quando o deslocamento representa ônus desproporcional e inadequado devido a limitações funcionais e condições de acessibilidade. Aposentadoria Programada Antes da Reforma da Previdência ocorrida em 2019, os segurados do Regime Geral de Previdência Social tinham a opção de se aposentar por idade ou por tempo de contribuição. No entanto, após a reforma, em princípio, não existe mais a possibilidade de aposentadoria nem por idade nem por tempo de contribuição. Esses dois benefícios não estão mais disponíveis, exceto em situações de direito adquirido, regras de transição, aposentadoria do trabalhador rural e aposentadoria da pessoa com deficiência (que serão discutidos nos próximos tópicos). A partir da reforma, para se aposentar, o segurado geralmente deve atender aos requisitos de idade e tempo de contribuição simultaneamente. Para aqueles que se filiaram ao RGPS após 13/11/19, data em que a Emenda Constitucional 103/19 entrou em vigor, a aposentadoria programada será devida após cumprir a carência exigida por lei, desde que o segurado cumpra os seguintes requisitos em conjunto: Auxílio – Reclusão Parte superior do formulário Parte superior do formulário Vamos dar uma olhada no que está previsto no artigo 201, parágrafo 7º, item II da Constituição Federal de 1988: art. 201 […] § 7º É assegurada aposentadoria no regime geral de previdência social, nos termos da lei, obedecidas as seguintes condições: I – 65 (sessenta e cinco) anos de idade, se homem, e 62 (sessenta e dois) anos de idade, se mulher, observado tempo mínimo de contribuição; (grifos nossos) Dê uma olhada no artigo 51 do Decreto 3.048/99, que é o Regulamento da Previdência Social: Art. 51. A aposentadoria programada, uma vez cumprido o período de carência exigido, será devida ao segurado que cumprir, cumulativamente, os seguintes requisitos: (Redação dada pelo Decreto nº 10.410, de 2020). I – sessenta e dois anos de idade, se mulher, e sessenta e cinco anos de idade, se homem; e (Incluído pelo Decreto nº 10.410, de 2020) II – quinze anos de tempo de contribuição, se mulher, e vinte anos de tempo de contribuição, se homem. Essas normas se aplicam a indivíduos que se associarem ao RGPS após a implementação da EC 103/19 Importante notar que, no cálculo do tempo de contribuição mencionado anteriormente, não é permitida a inclusão de tempo fictício. Tempo de contribuição fictício se refere a períodos que eram considerados como tempo de serviço,público ou privado, de acordo com leis anteriores, e eram contabilizados para a concessão de aposentadoria, desde que o servidor ou segurado cumprisse, ao mesmo tempo, duas condições: 1. a prestação de serviço; 2. a correspondente contribuição social Além disso, se os segurados contribuintes individuais e facultativos tiverem contribuído de acordo com o Plano Simplificado de Inclusão Previdenciária, que possui alíquotas e bases de cálculo reduzidas, esse período será considerado como tempo de contribuição, desde que eles completem a contribuição mensal pagando a diferença entre o percentual pago e 20% do valor correspondente ao limite mínimo mensal do salário de contribuição vigente na competência que está sendo complementada, acrescido de juros moratórios. Também é importante destacar que a aposentadoria pode ser solicitada compulsoriamente pela empresa, desde que o segurado tenha cumprido o tempo de contribuição mínimo, ao atingir 70 anos de idade no caso dos homens, ou 65 anos no caso das mulheres, conforme estabelecido no artigo 51 da Lei n. 8.213/91. Nesse cenário, a aposentadoria é obrigatória para o segurado, independentemente de sua vontade, e ele tem direito à indenização prevista na legislação trabalhista. Aposentadoria Por Idade Trabalhador Rural A aposentadoria por idade do trabalhador rural é devida aos segurados listados abaixo, uma vez que cumpram o período de carência requerido, que é de 180 contribuições. Ela se torna disponível quando as mulheres atingem a idade de 55 anos e os homens completam 60 anos. segurado empregado rural; •contribuinte individua que prestam serviços de natureza rural, em caráter eventual, a uma ou mais empresas, sem relação de emprego; trabalhador avulso rural; • segurado especial (pequeno produtor rural e pescador artesanal); e • segurado garimpeiro que trabalhe, comprovadamente, em regime de economia familiar Vejamos o texto constitucional: art. 201 […] § 7º É assegurada aposentadoria no regime geral de previdência social, nos termos da lei, obedecidas as seguintes condições: (…) II – 60 (sessenta) anos de idade, se homem, e 55 (cinquenta e cinco) anos de idade, se mulher, para os trabalhadores rurais e para os que exerçam suas atividades em regime de economia familiar, nestes incluídos o produtor rural, o garimpeiro e o pescador artesanal. (grifos nossos) Vejamos agora o texto do Decreto n. 3.048/99 (Regulamento da Previdência Social): Art. 56. A aposentadoria por idade do trabalhador rural, uma vez cumprido o período de carência exigido, será devida aos segurados a que se referem a alínea “a” do inciso I, a alínea “j” do inciso V e os incisos VI e VII do caput do art. 9º e aos segurados garimpeiros que trabalhem, comprovadamente, em regime de economia familiar, conforme definido no § 5º do art. 9º, quando completarem cinquenta e cinco anos de idade, se mulher, e sessenta anos de idade, se homem. Os segurados especiais não precisam apresentar comprovação de pagamento da contribuição previdenciária para serem elegíveis para o benefício. No entanto, é necessário demonstrar o efetivo exercício da atividade rural por um período igual à carência do benefício. Aposentadoria Programada Professor Para os professores que comprovarem exclusivamente o tempo de efetivo exercício na função de magistério na educação infantil, ensino fundamental e ensino médio, e atenderem ao período de carência exigido, há uma redução de 5 anos na idade mínima para a aposentadoria programada. Portanto, eles devem cumprir, de forma cumulativa, os seguintes requisitos: · Ter 57 anos de idade, no caso das mulheres, ou 60 anos de idade, no caso dos homens. · Ter 25 anos de contribuição, independentemente do gênero, em efetivo exercício na função de magistério na educação infantil, ensino fundamental e ensino médio. · 180 meses. EXEMPLO Mariana tem 35 anos de idade e trabalhou como enfermeira por 10 anos, mas em dezembro de 2020, ela conseguiu um emprego como professora de biologia no ensino médio de uma escola particular. Se ela continuar exercendo a atividade de magistério, Mariana conseguirá se aposentar pelo RGPS ao completar 60 anos de idade e 25 anos de professor. No entanto, se Mariana desistir de ser professora e voltar a trabalhar como enfermeira, sem cumprir os 25 anos na atividade de magistério, ela estará sujeita às regras gerais de aposentadoria. Nesse caso, ela poderá se aposentar aos 65 anos de idade, desde que tenha pelo menos 15 anos de contribuição. A exigência de 15 anos, e não 20 anos, de contribuição se aplica a ela porque ingressou no RGPS antes da EC 103/19. O Supremo Tribunal Federal (STF) já estabeleceu que as atividades de direção de unidade escolar, coordenação e assessoramento pedagógico também são consideradas funções de magistério, e os professores que atuam na educação básica (educação infantil, ensino fundamental e ensino médio) têm direito a uma redução de cinco anos na idade mínima para a aposentadoria. O STF também decidiu que, para efeitos de aposentadoria, não é possível converter o tempo de magistério em tempo de exercício comum. Isso significa que, se um professor não tiver tempo exclusivo de magistério que permita a aposentadoria com a redução de cinco anos, os anos de contribuição na condição de professor serão contados sem nenhum acréscimo. Aposentadoria da Pessoa com Deficiência O § 1º do artigo 201 da Constituição Federal de 1988 proíbe a adoção de requisitos ou critérios diferenciados para a concessão de benefícios, com exceção daquilo que seja especificamente previsto em uma lei complementar. Essa previsão pode abranger idades e tempos de contribuição distintos da regra geral, mas somente em benefício dos segurados. I – com deficiência, previamente submetidos a avaliação biopsicossocial realizada por equipe multiprofissional e interdisciplinar; II – cujas atividades sejam exercidas com efetiva exposição a agentes químicos, físicos e biológicos prejudiciais à saúde, ou associação desses agentes, vedada a caracterização por categoria profissional ou ocupação. No que diz respeito aos segurados que desempenham atividades expostos a agentes químicos, físicos e biológicos prejudiciais à saúde, é importante destacar que a categorização com base na profissão ou ocupação não é permitida. Isso não era expressamente proibido antes da Emenda Constitucional (EC) 103/19, mas agora essa proibição está consagrada na Constituição. Portanto, não é possível estabelecer requisitos diferenciados para uma profissão específica, como médicos, por exemplo, e aplicá-los a todos os profissionais dessa categoria. Em vez disso, é necessário avaliar individualmente os agentes nocivos aos quais cada profissional está exposto. Os agentes nocivos podem ser: químicos (ex.: hidrocarbonetos, reagentes, gases tóxicos); físicos (ex.: altas temperaturas, ruídos, postura inadequada); ou biológicos (ex.: microrganismos, coronavírus). Aposentadoria por Idade da Pessoa com Deficiência Está garantida a concessão de aposentadoria por idade para o segurado com deficiência, com as seguintes idades mínimas: – aos 60 (sessenta) anos de idade, se homem, independentemente do grau de deficiência e – aos 55 (cinquenta e cinco) anos de idade, se mulher, independentemente do grau de deficiência. Além das idades mencionadas anteriormente, o segurado com deficiência deve ter no mínimo 15 anos de tempo de contribuição, cumpridos na condição de pessoa com deficiência, independentemente do grau de deficiência Aposentadoria por Tempo de Contribuição da Pessoa com Deficiência Para que se reconheça o direito à aposentadoria por idade ou tempo de contribuição sob essas circunstâncias, é considerada pessoa com deficiência aquela que apresenta impedimentos de longo prazo de natureza física, mental, intelectual ou sensorial. Esses impedimentos, quando combinados com diversas barreiras, podem dificultar sua plena e efetiva participação na sociedade em igualdade com as demais pessoas. A aposentadoria por tempo de contribuição do segurado com deficiência, desde quecumprida a carência, é concedida aos segurados empregados, empregados domésticos, trabalhadores avulsos, contribuintes individuais e facultativos, desde que atendam aos seguintes requisitos: I – aos 25 anos de tempo de contribuição na condição de pessoa com deficiência, se homem, e 20 anos, se mulher, no caso de segurado com deficiência grave; II – aos 29 anos de tempo de contribuição na condição de pessoa com deficiência, se homem, e 24 anos, se mulher, no caso de segurado com deficiência moderada; III – aos 33 anos de tempo de contribuição na condição de pessoa com deficiência, se homem, e 28 anos, se mulher, no caso de segurado com deficiência leve. A concessão da aposentadoria por tempo de contribuição ou por idade ao segurado que tenha seu grau de deficiência classificado como leve, moderado ou grave, conforme avaliação médica e funcional realizada por peritos do INSS, está condicionada à comprovação de sua condição como pessoa com deficiência na data do requerimento do benefício ou na data em que os requisitos para a aposentadoria são cumpridos. A critério do INSS, o segurado com deficiência deve se submeter, a qualquer momento, a uma avaliação biopsicossocial conduzida por uma equipe multiprofissional e interdisciplinar. Aposentadoria Especial A aposentadoria especial é concedida ao segurado empregado, trabalhador avulso e contribuinte individual (este último apenas quando cooperado filiado a cooperativa de trabalho ou de produção). Para ter direito a esse benefício, é necessário cumprir a carência e atender à idade mínima exigida, que varia de quinze, vinte ou vinte e cinco anos, dependendo das condições especiais em que as atividades foram realizadas, com exposição efetiva a agentes prejudiciais. A concessão da aposentadoria especial dependerá da comprovação, durante o período mínimo de quinze, vinte ou vinte e cinco anos, conforme o caso: Tempo de trabalho em condições especiais que atenda aos seguintes requisitos: -Trabalho permanente, -Trabalho não ocasional, -Trabalho não intermitente. Exposição do segurado aos seguintes agentes nocivos prejudiciais à saúde: (listagem de agentes nocivos): – agentes químicos, – agentes físicos, – agentes biológicos ou a associação desses agentes. São considerados beneficiários da aposentadoria especial: segurado empregado; trabalhador avulso; e contribuinte individual, exclusivamente quando cooperado filiado a cooperativa de trabalho ou cooperativa de produção. Quer saber mais sobre agentes nocivos? – Clique aqui https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/D3048anexoii-iii-iv.htm Conclusão Neste tópico, adquirimos um amplo entendimento sobre a seguridade social e a sua organização. Exploramos o seu conceito e os regimes previdenciários, examinamos a manutenção e perda da qualidade de segurado, e compreendemos os diversos benefícios previdenciários, como salários família, pensão por morte, auxílio doença, salário maternidade, auxilio reclusão. Por fim, aprofundamos nosso conhecimento nos tipos de aposentadorias, compreendendo as regras associadas. Com essa abrangente exploração, agora temos um sólido conhecimento sobre a seguridade social preparando-nos para uma compreensão mais profunda das dinâmicas do mundo previdenciário. Referências BRASIL. [Constituição (1988)] Constituição da República Federativa do Brasil, de 05 de outubro de 1988. Brasília, DF: Presidência da República, [2021]. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm LEITE, Carlos Henrique Bezerra. Curso de direito processual do trabalho. 19. ed. São Paulo: Saraiva Educação, 2021. GOES, Hugo. Manual de direito previdenciário. Rio de Janeiro: Forense; São Paulo: Método, 2020. ALVES, Hélio Gustavo. Guia prático dos benefícios previdenciários: de acordo com a reforma previdenciária EC 103/2019. 2. ed. Rio de Janeiro: Forense, 2020. Ciênciacultura. 2015. Disponível Da caridade ao welfare state: um breve ensaio sobre os aspectos históricos dos sistemas de proteção social ocidentais em: . BRASIL. Lei nº 10.410, de 30 de junho de 2020.Disponível em https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2020/decreto/d10410.htm BRASIL. Decreto nº do Decreto 3.048/99, de 06 de maio de 1999. Disponível em https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/d3048.htm BRASIL. Decreto nº do Decreto8.213 de 24 julho de 1991, disponível em https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8213cons.htm. BRASIL. Decreto nº do Decreto8.212 de 24 julho de 1991, disponível emhttps://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8212cons.htm. BRASIL. Decreto nº do Decreto10.995 de 14 de março de 2022, disponível em https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2022/decreto/d10995.htm. YouTube. (2023). Nome do Canal.Rede TV Goiás. 2min04. Disponível em: . image5.png image6.png image7.png image1.png image2.png image3.png image4.png