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PROCESSO CIVIL II
· CONTESTAÇÃO
A contestação é a principal peça de resposta do réu em que se concentram todos os elementos de resistência à pretensão inicial e praticamente todos os incidentes que a parte poderia se valer no curso do processo, como a impugnação ao valor da causa e a impugnação a gratuidade da justiça. É a peça processual que veicula a impugnação ao mérito. A par da relação jurídica de direito material que ensejou a instauração do processo, a citação acarreta a formação de outra relação jurídica que veicula autor, réu e juiz. A contestação, em regra, não tem o condão de ampliar o objeto litigioso do processo, mas apenas opor resistência à pretensão do autor (salvo quando se traz novos elementos autorizados por lei, como, por exemplo, a cobrança em dobro de dívida já paga ou por meio de reconvenção).
A atual sistemática do CPC estabelece que o prazo da contestação (art. 335), será de 15 dias, contado:
I – da audiência de conciliação ou da última sessão de conciliação, quando qualquer parte não comparecer ou, comparecendo, não houver autocomposição; [No silêncio da lei sobre o exato dia em que começaria a fluir o prazo (se o próprio dia da audiência ou o dia seguinte, como estabelece a regra geral de contagem de prazo), o Enunciado n. 122 da II Jornada de Direito Processual Civil (CJF) estabelece que “o prazo de contestação é contado a partir do primeiro dia útil seguinte à realização da audiência de conciliação ou mediação, ou da última sessão de conciliação ou mediação, na hipótese de incidência do art. 335, inc. I, do CPC”.]
II – do protocolo do pedido de cancelamento da audiência de conciliação apresentado pelo réu, quando ocorrer a hipótese do art. 334, § 4o, inciso I;
III – prevista no art. 231, de acordo com o modo como foi feita a citação, nos demais casos.
Princípios da contestação:
· Princípio da Eventualidade (ou Concentração da Defesa): 
Determina que o réu deve alegar toda a matéria de defesa possível, tanto de fato quanto de direito, na contestação, sob pena de preclusão. O objetivo é otimizar o processo concentrando as defesas em uma única oportunidade.
 
· Princípio do Ônus da Impugnação Específica: 
Este princípio exige que o réu impugne pontualmente os fatos e fundamentos alegados pelo autor na petição inicial. Se o réu não refutar especificamente um fato, este será presumido como verdadeiro,. 
EFEITOS DA CONTESTAÇÃO
O oferecimento da contestação produz diversos efeitos no campo do direito processual:
i) a impossibilidade de se aditar a defesa ou apresentar novos fatos posteriormente por razão da preclusão consumativa, salvo nos casos indicados no art. 342 do CPC. A preclusão estende-se também à apresentação de reconvenção e alegação de incompetência/suspeição. Entretanto a parte poderá aditar sua contestação se demonstrar a justa causa de sua impossibilidade (art. 223, CPC);
ii) a presunção de veracidade dos fatos que não impugnados especificamente com exclusão das situações enumeradas no art. 345 e com as ressalvas do art. 341, parágrafo único, ambos do CPC (não incidência do ônus da impugnação específica ao defensor público, ao curador especial e ao advogado dativo).
É importante frisar que a conduta do réu tem importante influência nas providências preliminares que o juiz irá tomar (conforme o art. 347, CPC). A depender do conteúdo da contestação, poderá ser aberto prazo para réplica (arts. 350 e 351, CPC); nos casos de não haver contestação (ou de não se cumprir o ônus da impugnação específica) o magistrado verificará a produção ou não dos efeitos materiais da revelia, e, em caso de desnecessidade de prova, poderá o juiz julgar antecipadamente o mérito (arts. 355 e 356, CPC).
ESTRUTURA LÓGICA DA CONTESTAÇÃO
1. Identificação do Juízo e das Partes: 
Nomear o juiz ou tribunal, as partes (autor e réu) e o número do processo, como se fosse uma peça de comunicação judicial. 
2. Breve Síntese: 
Escrever um resumo sobre o objetivo da contestação e os principais argumentos que serão expostos. 
3. Preliminares: 
Apresentar as defesas processuais, que são questões que não são relacionadas ao mérito da causa. Exemplos incluem:
. Incompetência do Juízo: O processo não deveria estar tramitando naquele tribunal. 
. Litispendência ou Coisa Julgada: A mesma causa já está sendo julgada ou foi decidida. 
. Inépcia da Petição Inicial: A petição inicial não atende aos requisitos legais. 
. Ilegitimidade de Parte: A parte processual não tem relação com a causa. 
4. Defesa de Mérito:
. Impugnação Específica: Refutar cada argumento e alegação feita pelo autor na petição inicial. 
. Versão dos Fatos: Apresentar a versão dos fatos do réu, de forma clara, detalhada e coerente. 
. Fundamentos Jurídicos: Apresentar as razões legais pelas quais o pedido do autor deve ser julgado improcedente. 
5. Pedidos: 
No final da contestação, o réu deve apresentar o que deseja do juiz, como a improcedência do pedido do autor ou a formulação de um pedido contra o autor na forma de reconvenção. 
6. Provas: 
Indicar as provas que se pretende produzir para comprovar as alegações da defesa, como documentos e testemunhas. 
ALEGAÇÃO DE INCOMPETÊNCIA
A competência é o instituto que organiza os órgãos do Poder Judiciário quanto às suas funções, podendo ser absoluta ou relativa. A alegação de incompetência relativa tem por objetivo corrigir a comarca escolhida pelo autor para propor a demanda e só pode ser suscitada pelas partes, não sendo conhecida de ofício pelo juiz, já que se baseia exclusivamente no interesse das partes e na ausência de prejuízo. Quando não é apresentada, a competência do juízo se prorroga, tornando-se absoluta. 
A incompetência absoluta, por sua vez, está vinculada ao interesse público, pois sua violação pode prejudicar a estrutura do Judiciário, como no caso de um juiz criminal que julgue causa de família. Hoje, a alegação de incompetência relativa é feita como preliminar na contestação, indicando-se o foro competente, podendo o juiz acolher ou indicar outro juízo. O autor se manifesta sobre a preliminar em réplica, geralmente no prazo de quinze dias. Nos casos de protocolo integrado, a contestação pode ser apresentada no foro do réu e será remetida ao juízo da causa, facilitando a comunicação processual e evitando deslocamento físico, aplicando-se apenas à incompetência relativa. A alegação de incompetência suspende a realização da audiência de conciliação se já designada; entretanto, se feita em preliminar de contestação após a audiência, a suspensão não ocorre. Para evitar deslocamentos, o réu pode apresentar a contestação antes da audiência ou simplesmente peticionar alegando a incompetência, garantindo eficácia aos dispositivos legais aplicáveis.
ALEGAÇÃO DE ILEGITIMIDADE (ALTERAÇÃO TARDIA DO RÉU)
A alteração tardia do réu, no contexto da alegação de ilegitimidade passiva, ocorre quando o réu, na contestação, alega não ser a pessoa correta para figurar no processo. Se o juiz aceitar essa alegação, ele deve intimar o autor a substituir ou incluir o verdadeiro responsável no polo passivo da demanda, sob pena de ele próprio arcar com os custos processuais. A consequência direta é a exclusão do réu ilegítimo do processo, mas o autor tem a oportunidade de corrigir o polo passivo e prosseguir com a ação. 
· RECONVENÇÃO
A reconvenção é uma ação ajuizada pelo réu dentro do mesmo processo em que foi demandado, com a finalidade de apresentar um pedido próprio contra o autor original, desde que haja conexão com a ação principal ou com os fundamentos da defesa. Nesse ato, o réu assume a posição de autor (reconvinte) e o autor original torna-se réu (reconvindo), operando-se uma inversão de papéis no processo. A reconvenção é uma forma de resposta do réu que amplia a discussão e otimiza o processo, tramitando juntamente com a demanda principal. 
REQUISITOS DA RECONVENÇÃO
Os requisitos para que se possa reconvir ou, melhor, as suas condições específicas de admissibilidade, decorrem de diretrizes criadas pelo sistema para que duas demandaspossam conviver dentro do mesmo processo. São requisitos gerais àqueles indispensáveis a todo o processo, como os pressupostos processuais e as condições da ação.
São requisitos especiais: a legitimidade, a compatibilidade de procedimento, a compatibilidade de competência e a conexidade.
· Conexão: 
O pedido reconvencional deve ter uma relação de conexão com a ação principal ou com os argumentos da defesa apresentados pelo réu. 
· Competência do Juízo: 
O juiz que está julgando a causa principal também deve ser competente para processar e julgar a reconvenção. 
· Compatibilidade de Procedimento: 
O rito processual da reconvenção deve ser compatível com o da ação principal. 
· Legitimidade: 
O réu (que se torna reconvinte) precisa ter legitimidade para propor a ação, ou seja, ele deve ser a parte legítima para apresentar a demanda contra o autor da ação original. 
PROCEDIMENTO
i) A reconvenção será apresentada dentro da própria contestação. Se no procedimento comum, no prazo de quinze dias.
ii) Recebida a reconvenção, será o autor-reconvindo intimado na pessoa do seu advogado para apresentar defesa no prazo de quinze dias. Se houver ampliação subjetiva passiva ou ativa, os terceiros serão citados para integrar a lide no seu respectivo polo.
iii) 
iii) Nada impede que a parte possa reconvir sem contestar (art. 343, § 6o, CPC). Essa regra decorre do princípio dispositivo. Contestar não é um dever, mas sim um ônus. E essa aparente contumácia por parte do réu pode até não gerar revelia. E isso porque o réu opôs resistência ao seu modo, de forma ativa, e essa pretensão pode elidir, de alguma forma, o direito do autor, não se aplicando os efeitos do art. 344 do CPC. Portanto, as matérias veiculadas na reconvenção que se contrapõem àquelas deduzidas na petição inicial passam a se tornar questões controvertidas. É importante que a análise do conjunto probatório e argumentativo da reconvenção permita neutralizar a pretensão do autor reconvindo. Caso contrário, operar-se-ão os efeitos materiais da revelia.
iv) 
iv) Conquanto a reconvenção e a demanda originária devam ser julgadas numa mesma sentença sob pena de nulidade (RT 504/180), desafiando o recurso de apelação para a parte que sucumbiu, os §§ 2o e 3o do art. 343 deixam clara a autonomia que gozam as duas demandas dentro do processo.
A resolução prematura de uma das demandas, seja a reconvenção ou a ação originária, não extingue a outra. Por exemplo, se a reconvenção for extinta por falta de algum requisito de admissibilidade ou por desistência, a causa originária continua vigente. Essa regra se aplica igualmente quando a causa originária é resolvida antes da reconvenção. Nesses casos, a decisão tem natureza de interlocutória, cabendo agravo de instrumento nos termos do art. 354, parágrafo único, do CPC. Se a reconvenção for julgada prematuramente com análise do mérito, também caberá agravo de instrumento, mas fundamentado no art. 1.015, II, do CPC.
v) O texto consolidado retirou a positivação que constava no projeto da Câmara (art. 343, § 7o), regra que permitia expressamente (o que era apenas objeto de doutrina e de jurisprudência) a possibilidade de reconvenção de reconvenção (reconventio reconventionis). Contudo, a falta de previsão não pode impedir a sua aplicação. Para tanto, é necessário o preenchimento de alguns requisitos:
vi) 
a) que se trate de matéria conexa à reconvenção;
b) que esta matéria não tenha sido deduzida na petição inicial;
c) que seja formulada no prazo de quinze dias.
Exemplo: João ajuíza ação de cobrança em face de José. José se defende e alega compensação com outra dívida existente entre eles. Nesta oportunidade apresenta reconvenção cobrando a diferença de valores que alega ter direito a receber. Ao ser citado para os termos da reconvenção, João não só apresenta defesa, como também reconvém alegando que este contrato (suscitado pelo réu como suscetível de compensação) é nulo e pleiteia as perdas e danos.
· “EXCEÇÕES RITUAIS” (IMPEDIMENTO E SUSPEIÇÃO)
As exceções rituais de impedimento e suspeição são ferramentas processuais usadas por uma parte do processo para questionar a imparcialidade do juiz ou outro magistrado, alegando que há uma circunstância objetiva (impedimento) ou subjetiva (suspeição) que afeta a sua capacidade de julgar o caso de forma isenta.
· Impedimento: 
Ocorre quando a lei estabelece uma situação objetiva (tem certeza) que, de forma automática, presume a parcialidade do magistrado, tornando-o incapaz de atuar no processo. As causas são taxativas e previstas em lei.
· Suspeição: 
Configura-se quando há uma situação subjetiva (gera duvida), como um vínculo de amizade ou inimizade, um interesse pessoal no resultado do processo, ou uma relação de emprego, que pode gerar uma aparência de parcialidade.
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