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Psicopatologia: Adultez e Velhice

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b) ( ) Lev Vygotsky
c) ( ) Anna Freud.
d) ( ) Sigmund Freud.
2 O estudioso Erik Erikson, psicanalista, acadêmico de Anna Freud, em sua teoria 
do desenvolvimento psicossocial abordou fases do ciclo da vida. Ficou bastante 
conhecido por discutir formação de identidade na adolescência, mas também 
reconhecido por estudar adultos e idosos. Com isso, a respeito da perspectiva desse 
autor sobre o desenvolvimento humano, analise as afirmativas a seguir:
I- O estudioso Erikson em sua teoria do desenvolvimento psicossocial abordou oito 
fases/períodos.
II- As fases chamadas de zona de desenvolvimento proximal e fase da meia-idade, 
correspondem a faixa etária dos 21 aos 40 anos, e a segunda dos 40 anos até, 
aproximadamente, 60 anos.
III- As fases chamadas maioridade jovem e maturidade são correspondente a fase adulta.
Assinale a alternativa CORRETA:
a) ( ) As afirmativas I e II estão corretas.
b) ( ) Somente a afirmativa II está correta.
c) ( ) As afirmativas I e III estão corretas.
d) ( ) As afirmativas I, II e III estão corretas.
3 A depressão é uma patologia que vem sendo destaque na população adulta, atingindo 
milhões de pessoas, não apenas no Brasil, mas em diferentes países do mundo. Assim, 
a Psicologia tem estudos na área não apenas com pessoas que são diagnosticadas 
com depressão, mas com familiares de pessoas depressivas. A respeito da depressão 
em pacientes adultos, classifique V para as sentenças verdadeiras e F para as falsas:
AUTOATIVIDADE
33
( ) A depressão pode ter múltiplas queixas físicas sem nenhuma causa aparente.
( ) No tratamento de depressão a família e amigos não podem apresentar grandes 
contribuições.
( ) A depressão pode se apresentar de modo leve, moderado e grave. No modo grave 
é possível o uso de medicamentos.
Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA:
a) ( ) V – F – V.
b) ( ) V – V – V.
c) ( ) F – F – F.
d) ( ) F – F – V.
4 Ansiedade e transtorno de ansiedade é uma patologia bastante conhecida 
e investigada pela área da saúde, não apenas a psicologia e a medicina são 
interessadas por essa patologia, mas outras áreas da saúde, como a fisioterapia, 
educação física, nutrição, pois é uma patologia que impacta várias esferas da vida. 
Disserte sobre os sintomas de ansiedade apresentados pelos indivíduos adultos com 
o diagnóstico de ansiedade. Posteriormente cite os três tipos de tratamento para 
adultos diagnosticados com ansiedade.
5 Muitas vezes as pessoas em situações do cotidiano mencionam “estou estressado”, 
mas não sabem se de fato estão com o que cientificamente se chama de estresse, 
por isso, toda patologia deve ser investigada e diagnosticada, a começar pelos relatos 
do paciente, pela queixa inicial. Disserte o que você compreende por estresse, e cite 
os sintomas (físicos e psicológicos/emocionais) de estresse que um indivíduo adulto 
pode apresentar.
34
35
TÓPICO 3 - 
PSICOPATOLOGIA: VELHICE
1 INTRODUÇÃO
Para entender psicopatologia e os diferentes transtornos psicológicos, faz-
se necessário compreender as fases do desenvolvimento humano, como você está 
verificando nesse material. Com isso, até aqui, você compreendeu no a respeito da 
psicopatologia, bem como a relação dela com o desenvolvimento humano.
Você também avançou em seus conhecimentos a respeito da psicopatologia, 
porém conheceu a respeito do teórico Erik Erikson, e a perspectiva dele a respeito do 
desenvolvimento humano, principalmente em relação à fase adulta, e por fim conheceu 
a respeito de ansiedade, depressão e estresse, aprendendo definição, sintomas e 
tratamentos dessas psicopatologias, uma vez que essas psicopatologias são comuns 
no público adulto.
Portanto, nesse momento, neste tópico, você conhecerá mais a respeito da ve-
lhice, entendendo os aspectos do desenvolvimento humano nessa fase da vida, bem 
como reconhecendo os aspectos saudáveis da velhice, e reconhecendo as psicopa-
tologias que podem aparecer nesse momento do desenvolvimento, como a demência.
UNIDADE 1
2 O DESENVOLVIMENTO HUMANO NA VELHICE 
E AS PATOLOGIAS 
No Brasil, há 20 anos, quando se falava em “idoso”, “velho”, “velhice” logo se 
pensava em uma pessoa dos cabelos brancos, com a pele marcada de expressões, 
aposentada e sem um trabalho contínuo e efetivo. 
Porém, quando se fala nos tempos atuais muito dessa imagem já mudou, como 
demonstra a Figura 17, pois a velhice não é apenas uma fase em que os indivíduos estão 
aposentados e com todos os sonhos realizadas, pois os idosos estão ativos, possuem 
amigos, praticam esportes etc.
36
FIGURA 17 – VELHICE EM TEMPOS ATUAIS
FONTE: . Acesso em: 25 mar. 2022.
Isto vai de encontro ao que menciona Schneider e Irigaray (2008, p. 586): “[...] 
as associações negativas relacionadas à velhice atravessaram os séculos e, ainda hoje, 
mesmo com tantos recursos para prevenir doenças e retardá-la, é temida por muitas 
pessoas e vista como uma etapa detestável”.
Dessa maneira, faz-se necessário compreender a velhice pelo olhar da teoria 
do desenvolvimento, também é importante reconhecer o que é previsto ocorrer nessa 
fase, porque ela não é simplesmente a última fase do desenvolvimento, uma vez 
que muitas mudanças estão ocorrendo nesse período, assim como em outras fases, 
mudanças psicológicas, físicas e sociais estão ocorrendo, e que impactam diretamente 
no indivíduo, e que podem explicar determinadas psicopatologias, que podem surgir 
nessa fase.
A velhice é uma fase que os indivíduos continuam ativos, muitos 
trabalhando, praticando esportes, mas com uma maior maturidade.
NOTA
Portanto, para entender velhice se utilizará da teoria do desenvolvimento de 
Erik Erikson, posteriormente aqui se abordará a respeito da velhice saudável, para então 
entender a respeito da patologia em idosos.
37
2.1 DESENVOLVIMENTO HUMANO NA VELHICE
Você verificou no Tópico 2, que o estudioso Erikson em sua teoria do 
desenvolvimento psicossocial abordou oito fases/períodos para compreender o 
ciclo de vida, assim correspondente a fase adulta e velhice, o teórico mencionou: 
maioridade jovem – dos 21 aos 40 anos, aproximadamente, meia-idade – 40 anos até, 
aproximadamente, 60 anos, maturidade – após 60 anos. Assim, vamos compreender 
aqui a respeito da fase maturidade.
Erik Erikson, nomeia a maturidade como a fase 8 da sua teoria a respeito do 
ciclo da vida, que corresponde a faixa etária após os 60 anos de idade, assim essa seria 
uma idade da reforma segundo o teórico, pois ela apresenta o conflito entre integridade 
versus desesperança (ERIKSON, 1998). Na Figura 18, a representação de uma pessoa 
com mais de 60 anos de idade.
FIGURA 18 – FASE DA VELHICE
FONTE: . Acesso em: 25 mar. 2022.
A respeito da integridade, Erikson (1998) menciona que só é possível os 
indivíduos alcançarem a medida que eles de fato cuidaram das pessoas e de seus 
projetos ao longo da vida, superando e adaptando-se às crises e às vitórias que essas 
criações abarcavam, desse modo alcançando um estado de plenitude, de estar inteiro 
na situação, sendo isso está integridade. Assim, 
[…] é a aceitação de seu ciclo vital único e das pessoas que se 
tornaram significativas e indispensáveis a sua vida, não permitindo, 
por isso, substituição. Significa, assim, um novo e diferente amor 
pelos pais, liberto do desejo de que eles poderiam ter sido diferentes, 
e uma aceitação do fato de que cada um é responsável pela sua 
própria vida (ERIKSON,1998, p. 139-140).
Todavia, outros autores também abordam a respeito dessa fase, bem como 
abordam conceitos e termos dessa fase da vida, como termo idosos jovens e idosos 
velhos. Contudo, Picirilli (2018) aborda que a diferenciação de termos e conceitos tem 
38
sua importância, mas é importante ressaltar que as experiências contam mais do que 
as divisões etárias e estão relacionadas à subjetividade e ao contexto sociocultural, que 
isto precisa ser compreendido nessa fase.
Velho dignifica antigo, ultrapassado, avançado. Entretanto, Torreset al. (2015 
apud PICIRILLI, 2018, n.p.) mencionam que “[...] velhice e envelhecimento são dois 
conceitos diferentes. Enquanto o primeiro faz referência à etapa da vida, o segundo se 
relaciona ao processo, o movimento dinâmico que compõe essa etapa”. Nesse sentido, 
o processo de envelhecimento apenas pode ser compreendido a medida que diferentes 
aspectos são levados em consideração, como, cronológico, biológico, social, psicológico.
Dessa maneira, “[...] essa interação institui-se de acordo com as condições da 
cultura na qual o indivíduo está inserido. Condições históricas, políticas, econômicas, 
geográficas e culturais produzem diferentes representações sociais da velhice e do 
idoso [...]”. (SCHNEIDER; IRIGARAY, 2008, p. 585). Isto porque, existe uma relação da 
compreensão, definição e até mesmo do imaginário coletivo da velhice presente em 
uma sociedade, que é até enraizado, e as atitudes frente às pessoas que estão de fato 
no processo de envelhecimento.
Por essa complexidade e interação entre as condições, Schneider e Irigaray 
(2004) explicam a respeito da idade dividindo o conceito em quatro tipos, para 
compreender a velhice, sendo:
1. idade cronológica (são os anos de vivência de uma pessoa, ou seja, o quanto que a 
aquela pessoa viveu desde quando ela nasceu);
2. idade biológica (definida pelas mudanças do corpo e do psicológico que ocorrem ao 
longo da vida);
3. idade social (composta por hábitos e características esperadas socialmente por 
uma idade, assim está atrelado aos papéis sociais que todo indivíduo ocupa);
4. idade psicológica (pode ser utilizada em dois sentidos, à capacidade psicológica 
esperada para idade cronológica, como, percepção, memória, aprendizagem, e o 
outro se refere a subjetiva de idade, sendo como o indivíduo se avalia em relação às 
outras pessoas com idades igual ou próxima a pessoa).
Com isso, “[...] a pessoa mais velha, na maioria das vezes, é definida como idosa 
quando chega aos 60 anos, independentemente de seu estado biológico, psicológico 
e social” (SCHNEIDER; IRIGARAY, 2008, p. 586). Ainda, a variabilidade de cada pessoa, 
como a genética e a ambiental, acaba impedindo o estabelecimento de parâmetros, 
então somente do tempo, na idade cronológica, como medida, e a idade em si, também 
acaba não determinando o envelhecimento, e não sendo uma referência para a avaliação 
(SCHNEIDER; IRIGARAY, 2008).
39
Em relação aos países, em especial o Brasil, este não é mais um país de 
jovens, mas um país que está envelhecendo, então é preciso que a sociedade reveja a 
compreensão a respeito de velhice e processo de envelhecimento, ainda é necessário 
compreender os aspectos saudáveis da velhice e que fazem parte dessa fase da vida, 
para assim mudar a visão sobre envelhecimento e seus estereótipos.
“As experiências e os saberes acumulados ao longo da vida seriam vistos 
como ganhos que podem ser otimizados e utilizados em prol do próprio indivíduo e da 
sociedade. Dentro desta perspectiva, a velhice passaria a ser considerada uma fase boa 
da vida, não rotulada apenas pelas perdas [...]” (SCHNEIDER; IRIGARAY, 2008, p. 593), 
mas também reconhecida pelos ganhos, transformações e potencialidades.
A velhice é uma fase da vida que não vem apenas com perdas, mas com 
muita sabedoria e conhecimento.
DICAS
2.1.1 Envelhecimento saudável
A respeito do envelhecimento, este é um processo contínuo, pois durante todo 
o desenvolvimento humano, os indivíduos vão amadurecendo, assim, durante o final da 
idade adulta, as funções corporais vão declinando, porém gradualmente.
Dessa maneira, após os 60 anos de idade, ocorrem mudanças no corpo, que 
são esperadas, por exemplo, o cristalino dos olhos, o qual acaba engrossando e endu-
recendo, e com isso a funcionalidade de aproximação dos objetos acaba sendo afetada, 
gerando fragilidade em atividades do cotidiano, por exemplo: ler, escrever, dirigir. Este é 
um distúrbio chamado presbiopia, e ocorre na maioria das pessoas que vão avançando 
sua idade, e faz parte do envelhecimento considerado normal e esperado.
Outro aspecto comum nos idosos, é que eles são mais propensos a perderem 
os dentes, porém esse e outras situações podem ser evitadas ou já possuem melhores 
recursos nos tempos atuais. Assim, no aspecto perda dos dentes, é possível consultar 
um dentista regularmente, bem como ter cuidados em casa, como escovar os dentes 
com frequência, usar fio dental para os dentes após refeições etc.
40
Quanto aos órgãos do sentido, como, visão, audição, paladar, olfato, sofrem al-
terações, porque ocorrem alterações no paladar, então os sabores considerados azedos 
e amargos são os mais afetados e sendo maior presenciados no paladar, além da dimi-
nuição do olfato; diminuição da audição, mas, nesse último podendo utilizar do recurso 
do uso de aparelho auditivo, que contribui para uma melhor escuta (CARDOSO, 2009).
Em relação à pele, ela fica com a textura mais frágil, isto porque há uma 
diminuição da produção de colágeno no organismo, que tem a funcionalidade de tornar 
a pele menos elástica, e ainda há a diminuição da água, que torna a pele mais ressecada, 
sendo mais fácil o surgimento de hematomas (CARDOSO, 2009). 
Na Figura 19, a figura demonstra a diferença da pele de uma pessoa mais velha, 
assim sendo perceptível as marcas de expressão, rugas, devido à falta de elasticidade, 
menor produção de colágeno etc.
FIGURA 19 – MUDANÇAS FÍSICAS
FONTE: . Acesso em: 25 mar. 2022.
As alterações no envelhecimento não afetam os idosos apenas das maneiras 
mencionadas, mas os sistemas do corpo também sofrem alterações, como: sistema 
imunológico, cardiovascular, respiratório, digestório, urinário, nervoso, musoesquelético 
(CARDOSO, 2009).
Assim, até aqui você teve um panorama, das mudanças físicas que vão 
ocorrendo no desenvolvimento durante a velhice, consideradas esperadas, saudáveis, 
porém também ocorrem mudanças mentais. Entretanto, com o avanço da idade, pode 
ocorrer um declínio leve na função mental, como um esquecimento, e é considerado 
esperado e dentro do envelhecimento normal (TISSER; COIMBRA, 2019).
41
Ao contrário, no entanto, do que ocorre na chamada demência, na qual o 
esquecimento e a perda de memória é muito mais do que os exemplos aqui mencionados 
(TISSER; COIMBRA, 2019), e você compreenderá mais adiante nesse material. Destaca-
se aqui que, o envelhecimento saudável se refere à postergação ou à redução dos 
efeitos indesejáveis do envelhecimento. 
No envelhecimento saudável a saúde física e a saúde mental estarão preservados 
e corresponderão dentro do esperado para aquele faixa-etária e ciclo da vida. 
FIGURA 20 – PRÁTICA DE EXERCÍCIO NA VELHICE
FONTE: . Acesso em: 25 mar. 2022.
O desenvolvimento de alguns hábitos saudáveis são: seguir uma dieta (sau-
dável), exercitar-se regularmente (como na Figura 20), manter-se mentalmente ativo, 
assim o quanto antes o indivíduo desenvolve esses hábitos, melhor para a sua saúde 
– estes são os aspectos que estamos vendo no Brasil, com uma população na velhice 
que está aumentando cada vez mais. Portanto, a seguir entenda melhor a respeito das 
patologias da velhice.
Esquecimento e falta de descrição dos detalhes de uma situação é 
esperado que ocorra nessa fase, porém, se houver agravamento nos 
comportamentos relacionados ao uso da memória, é preciso ficar atento.
NOTA
42
3 PSICOPATOLOGIAS DA VELHICE
Na velhice, como discutido anteriormente, ocorre uma série de mudanças físicas, 
mas também podem ocorrer mudanças mentais, que são esperadas. Entretanto, existem 
também aquelas mudanças que não fazem parte da fase da vida, sendo assim, são 
comportamentos considerados patológicos. Portanto, podem aparecer psicopatologias 
na velhice – e uma delas é a chamada demência, que você compreenderá mais a seguir.
3.1 DEMÊNCIA 
A demência pode ser definida como síndrome caracterizada por “[…] declínio 
de memória associado a déficit de pelo menos uma outra função cognitiva (linguagem,gnosias, praxias ou funções executivas) com intensidade suficiente para interferir no 
desempenho social ou profissional do indivíduo” (CAPONI, 2014, p. 10).
O tipo mais comum e temido de demência no idoso é a doença de Alzheimer, 
que muitas vezes é confundida com os sinais comuns do processo de envelhecimento. 
Contudo, existem também as demências vasculares, que estão relacionadas a uma 
doença vascular encefálica, que lesiona o cérebro devido ao bloqueio das passagens 
sanguíneas. As mais conhecidas são o derrame cerebral e o infarto.
• Assim, as demências vasculares podem ser de três tipos:
• demência vascular de início agudo (evolui mais rapidamente que as demais e é 
causada por acidentes vasculares cerebrais, como: a embolia, a hemorragia ou a 
trombose);
• demência vascular subcortial (é contextualizada com episódios de hipertensão 
arterial e causa focos de isquemia profunda nos hemisférios cerebrais); 
• demência por infartos múltiplos (é gradual e seguida de diversos episódios de 
isquemia, que acumulam infartos no parênquima cerebral).
Conforme Caramelli e Barbosa (2002, p. 8): “O diagnóstico de demência exige, 
portanto, a ocorrência de comprometimento da memória, embora essa função possa 
estar relativamente preservada nas fases iniciais de algumas formas de demência, 
como a DFT”. Com isso, a avaliação cognitiva pode ser realizada com testes de rastreio, 
como um pequeno exame do estado mental, e posteriormente ser complementada por 
testes que avaliam diferentes componentes do funcionamento cognitivo.
Para avaliação, podem ser utilizados testes breves, de fácil e rápida aplicação 
pelo clínico, como os de memória, como por exemplo, com a evocação tardia de listas de 
palavras ou de figuras, ou ainda com a avaliação da fluência verbal, como o com o uso 
de número de animais em um minuto, e com o recurso do desenho do relógio.
43
PREVALÊNCIA DE ANSIEDADE E FATORES ASSOCIADOS EM ADULTOS
Camilla Oleiro da Costa
Jerônimo Costa Branco
Igor Soares Vieira
Luciano Dias de Mattos Souza
Ricardo Azevedo da Silva
RESUMO 
Objetivo: Identificar a prevalência de transtornos de ansiedade em uma amostra 
de base populacional e fatores associados. Métodos: Estudo transversal de base 
populacional realizado com indivíduos entre 18 e 35 anos. As variáveis sociodemográficas, 
índice de massa corporal, presença de doença crônica, abuso de álcool e tabagismo 
foram analisadas. Os transtornos de ansiedade foram verificados pela Mini Internacional 
Neuropsychiatric Interview 5.0. Foi utilizado o teste Qui-quadrado, considerando o 
intervalo de confiança de 95%. Resultados: A amostra foi constituída por 1.953 pessoas. 
A prevalência de transtornos de ansiedade foi de 27,4%. Agorafobia (17,9%) e transtorno 
de ansiedade generalizada (14,3%) foram os quadros mais prevalentes. Mulheres 
apresentaram maior prevalência de ansiedade, com 32,5%, quando comparadas aos 
homens (21,3%) (pvariáveis: sexo, idade, cor da pele, avaliação econômica, trabalho e 
situação conjugal. A avaliação econômica dos participantes foi realizada pelo Critério do 
IEN (Índice Econômico Nacional). A avaliação se baseia no acúmulo de bens materiais 
e na escolaridade do chefe da família. Esse critério gera uma variável contínua, que foi 
apresentada por tercis. O uso de tabaco foi questionado por meio da pergunta: “Você 
faz uso de cigarro?”. O abuso do álcool foi avaliado por meio do Cut down, Annoyed, 
Guilty, Eye-opener (CAGE) (sensibilidade ≥ 0,88, especificidade ≥ 0,81). Esse instrumento 
contém quatro questões, e a resposta afirmativa em duas ou mais é um indicativo 
de diagnóstico de abuso de álcool. Já o uso de tabaco foi mensurado pela seguinte 
pergunta: “Você fez uso de pelo menos um cigarro/dia na última semana?”.
Para determinar o índice de massa corporal (IMC), a altura foi mensurada com 
uma fita métrica e o peso com balança de bioimpedância Tanita® BC-554. O IMC 
foi dividido em três grupos (peso normal, sobrepeso e obeso), em uma classificação 
baseada nas Diretrizes Brasileiras de Obesidade. Como peso normal, foi considerado o 
IMC entre 18,5 e 24,9, sobrepeso entre 25 e 29,9 e obeso a partir de 30.
O transtorno de ansiedade foi investigado por meio da entrevista clínica 
estruturada Mini International Neuropsychiatric Interview 5.0 (MINI). Esse instrumento 
é amplamente utilizado na prática clínica e de pesquisa, e os entrevistadores foram 
previamente treinados por psicólogos responsáveis pelo estudo. Os índices de 
confiabilidade do MINI são satisfatórios quando comparados a vários critérios de 
referência (DSM-IV e Classificação Internacional de Doenças – CID-10), em diferentes 
contextos (unidades psiquiátricas e centros de atenção primária). Ainda de acordo com 
essa autora, o MINI mostrou qualidades psicométricas similares às de outras entrevistas 
diagnósticas padronizadas mais complexas, permitindo uma redução de 50% ou mais 
no tempo da avaliação.
46
Para esse estudo, foi considerada para o transtorno de ansiedade atual a pre-
sença de alguns dos quadros avaliados pela MINI, seja agorafobia atual (sensibilidade ≥ 
0,59, especificidade ≥ 0,95), transtorno de pânico atual (sensibilidade ≥ 0,67, especifici-
dade ≥ 0,97), TOC (sensibilidade ≥ 0,62, especificidade ≥ 0,98), fobia social (sensibilidade 
≥ 0,72, especificidade ≥ 0,88), TEPT (sensibilidade ≥ 0,85, especificidade ≥ 0,96) e an-
siedade generalizada (sensibilidade ≥ 0,67, especificidade ≥ 0,92), e também avaliamos 
esses quadros de forma individual.
Para o tratamento estatístico, foi utilizado o programa Statistical Package for 
the Social Science (SPSS), versão 21.0, no qual se procedeu à análise inicial com o 
objetivo de obter frequência dos transtornos mentais avaliados, além de caracterizar 
a amostra do estudo. O teste Qui-quadrado foi utilizado para as análises de inferência, 
visando descrever a associação entre os transtornos analisados com as variáveis 
sociodemográficas IMC, doenças crônicas, abuso de álcool e tabaco. Foram consideradas 
associações estatisticamente significativas quando p . Acesso em: 7 jan. 2022. 
48
RESUMO DO TÓPICO 3
 Neste tópico, você adquiriu certos aprendizados, como:
• Erik Erikson nomeia a maturidade como a fase 8 da sua teoria a respeito do ciclo da 
vida, que corresponde a faixa etária após os 60 anos de idade.
• A velhice muitas vezes é associada aos aspectos negativos, mesmo com tantos 
recursos para prevenir doenças e retardá-la.
• A velhice e o envelhecimento são dois conceitos compreendidos de maneira diferente 
pela maioria dos autores da literatura científica.
• Existe uma diferente importante dos termos: Idade cronológica; Idade biológica; 
Idade social; Idade psicológica;
• As alterações no envelhecimento não afetam os idosos apenas das maneiras 
mencionadas, mas os sistemas do corpo também sofrem alterações, como: 
sistema imunológico, cardiovascular, respiratório, digestório, urinário, nervoso, 
musoesquelético A mudanças físicas que vão ocorrendo no desenvolvimento 
durante a velhice, consideradas esperadas, saudáveis, porém também ocorrem 
mudanças mentais.
• O avanço da idade pode proporcionar um declínio leve na função mental, e é 
considerado esperado e dentro do envelhecimento normal.
• No envelhecimento saudável a saúde física e a saúde mental estarão preservados e 
corresponderão dentro do esperado para aquele faixa-etária e ciclo da vida.
• A demência pode ser definida como síndrome caracterizada por declínio de memória 
associado a déficit de pelo menos uma outra função cognitiva (linguagem, gnosias, 
praxias ou funções executivas) com intensidade suficiente para interferir no 
desempenho social ou profissional do indivíduo.
49
RESUMO DO TÓPICO 3
1 O estudioso e pesquisador Erik Erikson, que nasceu em 1902, Frankfurt (na Alemanha), 
morreu em 1994 (em Harwich), foi um psicanalista, colega de estudos da filha de 
Sigmund Freud, que construiu a teoria do desenvolvimento psicossocial e abordou 
fases do ciclo da vida, citando 8 fases do desenvolvimento. A respeito da velhice, 
conforme o nome mencionado por ele, assinale a alternativa CORRETA:
a) ( ) Idade melhor.b) ( ) Terceira idade.
c) ( ) Melhor idade.
d) ( ) Maturidade.
2 A velhice é muitas vezes reconhecida pelos seus aspectos negativos, como a perda 
de colágeno na pele, perda de dentes, a perda da acuidade visual, perda de memória 
em alguns momentos, entre outras mudanças físicas ou psicológicas, mas nem todas 
deveriam ser vistas como fragilidades, mas como parte do processo de estar em vida, 
vivenciando as mudanças da vida. A respeito da velhice, analise as afirmativas a seguir:
I- O estudioso Erikson em sua teoria do desenvolvimento psicossocial abordou a 
velhice como fase da maturidade.
II- Para compreender as psicopatologias da velhice, faz-se necessário compreender as 
mudanças físicas e psíquicas da velhice.
III- Os sistemas respiratórios e cardíacos são os únicos sistemas que não modificam na 
velhice, permanecendo como na fase da vida adulta.
Assinale a alternativa CORRETA:
a) ( ) As afirmativas I e II estão corretas.
b) ( ) Somente a afirmativa II está correta.
c) ( ) As afirmativas I e III estão corretas.
d) ( ) As afirmativas I, II e III estão corretas.
3 A demência pode ser entendida como o declínio ou perda de memória associado 
ao déficit de pelo menos uma outra função cognitiva, como linguagem, percepção, 
atenção, que acabam interferindo na vida do indivíduo, como, trabalho, família, entre 
outras esferas da vida. A respeito da demência, classifique V para as sentenças 
verdadeiras e F para as falsas:
AUTOATIVIDADE
50
( ) A demência é uma psicopatologia que todos os indivíduos apresentam à medida 
que chegam na fase da velhice.
( ) A demência corresponde apenas em esquecimentos, como onde o indivíduo 
guardou determinado objeto.
( ) Para a avaliação da demência, não se faz necessário avaliação neuropsicológica, 
com uso de testes.
Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA:
a) ( ) V – F – V.
b) ( ) V – V – V.
c) ( ) F – F – F.
d) ( ) F – F – V.
4 Erik Erikson desenvolveu a teoria do desenvolvimento, e ficou muito conhecido por 
seus inúmeros livros, como, “O Ciclo da Vida Completo”, “Identidade, Juventude 
e Crise”, “Infância e Sociedade”, entre outros que investigou o ser humano na so-
ciedade. Assim, disserte sobre como você entende a perspectiva de Erik Erikson a 
respeito da velhice.
5 Os estudiosos Schneider e Irigaray (2008) explicam que “a relação entre os aspectos 
cronológicos, biológicos, psicológicos e culturais é fundamental na categorização de 
um indivíduo como velho ou não” (p.586). Porém, existe uma discussão na literatura 
científica sobre a divisão de quatro idades a serem consideradas na velhice. Disserte 
cada uma delas.
REFERÊNCIAS
51
REFERÊNCIAS
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53
TRANSTORNOS 
PSICOPATOLÓGICOS
UNIDADE 2 — 
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
PLANO DE ESTUDOS
A partir do estudo desta unidade, você deverá ser capaz de:
• conhecer os transtornos psicopatológicos na vida adulta e velhice;
• demonstrar conhecimento aprofundado dos transtornos psicopatológicos da vida 
adulta e da velhice;
• conhecer o manual CID-11 (definição, organização e principalmente a estrutura das 
psicopatologias da vida adulta e velhice);
• conhecer o manual DSM-V (definição, organização e principalmente a estrutura das 
psicopatologias da vida adulta e velhice);
• diferenciar os manuais CID-11 e DSM-V;
• descrever, com rigor conceptual e terminológico, sinais e sintomas psicopatológicos 
nos adultos e idosos com perturbação mental;
• compreender o manuseio com destreza dos principais sistemas de classificação e 
diagnóstico das perturbações mentais;
• compreender as especificidades clínicas dos problemas psicológicos na idade 
avançada à luz dos seus fatores de influência, e numa perspectiva de análise global 
da pessoa com perturbação mental.
Esta unidade está dividida em quatro tópicos. No decorrer dela, você encontrará 
autoatividades com o objetivo de reforçar o conteúdo apresentado.
TÓPICO 1 – TRANSTORNOSPSICOPATOLÓGICOS: CID 11 E DSM-V
TÓPICO 2 – ALZHEIMER
TÓPICO 3 – PARKINSON
TÓPICO 4 – OUTROS TRANSTORNOS PSICOPATOLÓGICOS DA VIDA ADULTA E VELHICE
Preparado para ampliar seus conhecimentos? Respire e vamos em frente! Procure 
um ambiente que facilite a concentração, assim absorverá melhor as informações.
CHAMADA
54
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UNIDADE 2!
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55
TÓPICO 1 — 
TRANSTORNOS PSICOPATOLÓGICOS: CID 
11 E DSM-V
UNIDADE 2
1 INTRODUÇÃO
Quando se trata de psicopatologia muitas são as vertentes teóricas que 
buscam compreender o desenvolvimento das patologias dos indivíduos. Por isso, 
Dalgalarrondo (2018) expõe que enquanto área do conhecimento, a psicopatologia, 
possui uma série de variedade teórica, e que isto é uma das principais características 
positivas da área, porém este também é um aspecto alvo de críticas. 
Nesse sentido, este material adotou a perspectiva da psicopatologia 
desenvolvimental, para compreender o desenvolvimento da psicopatologia em adultos 
e idosos. Diante disso, torna-se relevante destacar a importância da diversidade de 
perspectivas teóricas na psicopatologia, pois segundo Dalgalarrondo (2018, s.p.) “[...] 
não se avança em psicopatologia negando e anulando diferenças conceituais e teóricas; 
evolui-se, sim, pelo esforço de esclarecimento e aprofundamento de tais diferenças, em 
discussão aberta, desmistificante e honesta”. 
Entretanto, devido à complexidade do desenvolvimento do indivíduo, ou seja, as 
suas diferentes esferas de desenvolvimento (social, biológica, física, psicológica etc.), 
e de como ocorre o desenvolvimento das psicopatologias nesse cenário, importante 
compreender que ter o conhecimento da perspectiva teórica a respeito da psicopatologia 
não é o suficiente para diagnosticar um indivíduo. Perspectiva teórica de psicopatologia 
é diferente de diagnóstico. Nesse contexto da psicopatologia, o diagnóstico é uma 
ferramenta importante (DALGALARRONDO, 2018).
Para a realização do diagnóstico de uma psicopatologia, o psicólogo precisa 
adotar uma perspectiva teórica a respeito da psicopatologia, compreender princípios 
básicos dos comportamentos patológicos, bem como conhecer e dominar os critérios 
de normalidade e anormalidade. No entanto, também agregado a esse conhecimento, 
é importante conhecer as ferramentas e técnicas para diagnóstico, como entrevistas 
(estruturada, semiestruturada, não estruturada), observação e aplicação de instrumentos 
psicológicos. 
56
Na Figura 1, por exemplo, verifica-se uma consulta entre psicólogo e paciente, 
em que está ocorrendo uma entrevista semiestruturada, na qual as perguntas são pré-
elaboradas pelo profissional, podendo, no momento da entrevista, outras perguntas 
serem acrescentadas ao roteiro, que tem por objetivo levantar informações iniciais do 
paciente para conhecimento de queixa inicial, sintomas, características, ainda, uma 
entrevista inicial pode se perguntas a respeito de categorias como: queixa inicial, 
explicação sobre o papel do psicólogo, estrutura familiar, membros familiares, rotina 
pessoal, rotina de trabalho, saúde física, saúde mental, entre outras categorias que o 
profissional pode elaborar perguntas.
FIGURA 1 – PSICOPATOLOGIA E DIAGNÓSTICO
FONTE: . Acesso em: 28 mar. 2022.
Além das técnicas e ferramentas, o profissional pode utilizar dos manuais de 
classificação das patologias, como: CID 11 (Classificação Internacional das Doenças) 
e DSM-V (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais). Com relação às 
chamadas classificações, segundo Galvão e Ricarte (2021, p. 105):
[...] elas costumam reunir percepções da realidade, seus fenômenos 
e objetos em grupos organizados sistematicamente a fim de facilitar 
tanto a compreensão desta mesma realidade como para facilitar 
trocas de conhecimentos e comunicações de forma mais rápida e 
padronizada.
Isto é entre os profissionais. No entanto, também contribui para o diagnóstico 
e compreensão da psicopatologia do paciente. Na Figura 2, há a representação de 
diferentes profissionais que atuam de maneira multiprofissional e, assim, precisam se 
comunicar para atenderem, da melhor forma, ao paciente. Desse modo, os manuais 
contribuem muito para essa comunicação entre os profissionais.
57
FIGURA 2 – COMUNICAÇÃO ENTRE PROFISSIONAIS DA SAÚDE
FONTE: . Acesso em: 28 mar. 2022.
Portanto, na Unidade 2, Tópico 1, você apreenderá a respeito do Manual 
Diagnóstico Estatístico de Transtornos Mentais (5ª edição) (DSM-V) e sobre a 
Classificação Internacional de Doenças (11ª edição) (CID 11), bem como a respeito das 
principais diferenças desses manuais.
Após o estudo do Tópico 1, da Unidade 2, sobre os manuais de 
classificação das patologias, é importante que você, acadêmico, busque 
na biblioteca virtual do seu curso manusear pelo menos um dos manuais 
aqui mencionados, porque na prática profissional, por diversas vezes, 
você poderá consultar, assim como é importante para esta disciplina você 
ter o conhecimento prático dos manuais. Assim, busque, manuseie, entre 
em contato prático com os manuais!
DICA
2 CID 11: COMPREENDENDO O MANUAL E AS 
PSICOPATOLOGIAS DA VIDA ADULTA E VELHICE
No Brasil, muitas vezes ouve-se falar entre os profissionais da saúde a respeito do 
“CID” de um determinado paciente, e isto refere-se ao manual Classificação Internacional 
de Doenças, que contribui muito para a comunicação entre os profissionais da saúde 
de diferentes áreas, mas o manual não é apenas para facilitar a comunicação, porque 
tem muitas funções e objetivos. A Organização Mundial da Saúde (OMS) construiu a CID, 
com os seguintes objetivos: 
58
[...] identificar populações de risco/vulneráveis; auxiliar na 
monitorização de epidemias/ameaças à saúde pública/carga de 
doença; definir as obrigações dos membros da OMS de prestar 
cuidados de saúde gratuitos ou subsidiados para suas populações 
(DIEHL; VIEIRA, MARI, 2014, p. 23).
Além disso, todavia, existem objetivos relacionados, como o de a facilitar os 
serviços de saúde; buscar realizar pesquisas para tratamentos eficazes; realizar e 
embasar orientações relacionadas aos cuidados de saúde com padrões. Assim, a CID 
é utilizada no mundo inteiro, para monitorar a incidência e prevalência de doenças e 
condições de saúde, por isso é um instrumento padrão de diagnósticos, gerenciamento 
de saúde e para situações clínicas (DIEHL; VIEIRA, MARI, 2014).
A CID, por se tratar de um manual utilizado mundialmente, passa por revisões de 
maneira periódica. Segundo Galvão e Ricarte (2021, p. 105), “[...] desde seus primórdios, 
a Classificação Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde (CID) 
foi revisada e publicada com alguma periodicidade para refletir os avanços da saúde, 
da ciência e da sociedade”. Assim, conforme mudanças ocorrem socialmente, com 
os indivíduos e com a ciência, a classificação também se modifica para atender às 
mudanças e às necessidade, por mais desafiador que seja esse cenário.
A complementar, Galvão e Ricarte (2021, p. 105) relatam que: “[...] pode-se afirmar 
que a Classificação Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde (CID) 
foi revisada e publicada com alguma periodicidade para refletir os avanços da saúde, da 
ciência e da sociedade”. 
Para que essas revisões ocorram de maneira periódica – e que atenda uma 
necessidade mundial – há princípios que devem ser seguidos; por isso, o material é 
considerado multidisciplinar, porque envolve as diferentes partes interessadas, não 
apenas diversos profissionais da saúde, mas também os usuários. Além disso, é um 
material global e considerado multilíngue (GALVÃO; RICARTE, 2021, LAURENTI, 1991). 
Com isso, atualmente, a Classificação Internacional das Doenças está na 11ª 
edição, chamada entre os profissionais de maneira abreviada, CID-11, assim Galvão e 
Ricarte (2021, p. 24) apontam que:
[...] a CID-11 surge com o objetivo de se adequar à era digital, à 
sociedade da informação e do conhecimento,trazendo diferentes 
modificações e adaptações, adicionando necessidades clínicas e 
migrando de uma estrutura estatística para uma classificação clínica 
para uso estatístico.
Vale destacar que a 11ª edição da CID, chamada CID-11, entrou em vigor nos 
países que são membros da Organização Mundial da Saúde a partir de janeiro de 2022. 
Assim, a CID é utilizada por profissionais da saúde, pesquisadores, profissionais que 
gerenciam contextos de saúde (hospitais e clínicas públicos e privados), trabalhadores 
59
da área de tecnologia da informação de contextos de saúde, analistas, formuladores de 
políticas, seguradoras de saúde, organizações de pacientes, empresas e instituições 
públicas e privadas.
A CID é organizada e tem uma estrutura, na qual as doenças recebem um código 
alfanumérico, ou seja, com uma letra e número, representando uma condição, sintoma, 
sinal, e até mesmo um diagnóstico (GALVÃO; RICARTE, 2021). 
Nesse sentido, pode-se dizer que a CID é um manual, que tem a finalidade de 
nortear os profissionais da saúde. Por isso, ela é considerada com ferramenta que tem 
caráter classificatório, além disso é organizada e estruturada em classes e subclasses 
de doenças, conforme condições relacionadas à saúde, bem como as causas externas 
de doença ou morte (GALVÃO; RICARTE, 2021; OMS, 1994).
Dessa forma, as doenças são apresentadas da seguinte forma: doenças 
infecciosas e parasitárias; neoplasias; doenças do sangue; doenças endócrinas, 
nutricionais e metabólicas; doenças do sistema circulatório; transtornos mentais e 
comportamentais; doenças do sistema nervoso; doenças dos olhos; doenças do ouvido; 
doenças do sistema respiratório (GALVÃO; RICARTE, 2021).
Continuando a apresentação, doenças do sistema digestivo; doenças da pele 
e tecido subcutâneo; doenças do sistema musculoesquelético e tecido conjuntivo; do-
enças do aparelho geniturinário; lesões, envenenamento e certas outras consequên-
cias de causas externas; gravidez, parto e puerpério; condições originadas no período 
perinatal; malformações congênitas, deformações e anormalidades cromossômicas; 
sintomas, sinais e achados clínicos e laboratoriais anormais; causas externas de mor-
bidade e mortalidade; fatores que influenciam o estado de saúde e o contato com os 
serviços de saúde etc. (GALVÃO; RICARTE, 2021). 
Entende-se que a CID tem por objetivo permitir o registro, a análise, a 
interpretação e a comparação sistemática de dados de mortalidade e morbidade 
coletados em diferentes países ou áreas e em momentos diferentes (DIEHL; VIEIRA, 
MARI, 2014; GALVÃO; RICARTE, 2021; OMS, 1994).
Diante do exposto, a CID é um material de extrema importância para o psicólogo, 
e pode contribuir como uma das ferramentas a serem utilizadas no momento de 
diagnóstico. No entanto, a aplicação da classificação precisa ser adequada, consciente 
e consistentes, e jamais solitária e mecânica. Galvão e Ricarte (2021, p. 24) realizam um 
alerta importante a respeito da consulta da CID: “[...] muitos aplicativos disponíveis na 
Internet trazem apenas o código com respectivo termo da CID, porém não contemplam 
as notas explicativas tão necessárias para que o usuário da CID faça um uso adequado 
de seu conteúdo”. Logo, essa é uma importante ferramenta, mas para ser usada 
em conjunto com as informações do paciente, coletadas com o uso de técnicas e 
ferramentas apropriadas e fidedignas. 
60
O artigo científico chamado “Classificação internacional de doenças e 
problemas relacionados à saúde (CID-11)” descreve a CID 11, que chegou 
no Brasil em janeiro de 2022. Assim, o artigo aborda as novidades dessa 
estrutura e comparação com a CID 10, ainda vigente no país, sendo um 
artigo científico de publicação e conteúdo recente, interessante e gratuito.
DICA
3 DSM-V: COMPREENDENDO O MANUAL E AS 
PSICOPATOLOGIAS DA VIDA ADULTA E VELHICE
O DSM, chamado originalmente de Diagnostic and Statistical Manual of Mental 
Disorders, foi traduzido para a língua portuguesa como Manual Diagnóstico e Estatístico 
de Transtornos Mentais. Ele é conhecido com um compêndio ou manual psicopatológico, 
que sempre foi organizado, revisado e editado pela APA – American Psychiatric 
Association. Para conhecimento, essa é uma importante associação americana, com 
profissionais e estudantes de psicologia. Segundo Ribeiro et al. (2020), a primeira edição 
do DSM foi publicada em 1952, nessa primeira versão, o manual era composto por 106 
categorias de transtornos psicológicos ou, como mais usado na época, 106 categorias 
de doenças mentais. 
Nessa versão, a visão e compreensão das psicopatologias era psicossocial, 
na qual o uso dos termos “mecanismos de defesa”, “neurose” e “conflito neurótico” 
apareciam e davam evidência no manual, demonstrando a perspectiva psicanalítica dos 
fenômenos psicopatológicos, que na época estava bastante em evidência na prática 
profissional dos psicólogos, até porque não se tinha uma diversidade de abordagens 
psicológicas que explicassem os fenômenos psicológicos dos indivíduos. 
Na Figura 3, pode-se verificar o processo histórico do manual DSM, uma vez 
que a cada edição as categorias foram sendo ajustadas, e o manual atendendo às 
necessidades dos profissionais e sofrendo mudanças, conforme as mudanças sociais.
FIGURA 3 – HISTÓRIA DO DSM
FONTE: A autora
https://asklepionrevista.info/asklepion/article/view/7
https://asklepionrevista.info/asklepion/article/view/7
61
Conforme pode-se verificar na Figura 3, a 1ª edição surgiu em 1952, com 106 
categorias de patologias. Na 2ª edição, em 1968, ocorreu um aumento das categorias, 
existindo naquele momento uma revisão que o manual passou a apresentar 182 
categorias, já na 3ª edição, em 1980, teve-se um grande aumento das categorias 
existindo 265. Em 1987, a 3ª edição sofreu uma revisão de atualizações e contou com 
292 categorias, já em 1994, não teve tantas mudanças, passando para 297 categorias. 
A última, 13ª edição, foi em 2013, sendo assim, a história demonstra que, com o tempo, 
fez-se necessário uma revisão e atualização das patologias e de suas classificações.
Portanto, o DSM está em sua quinta edição, conforme Caponi (2014, p. 75) “[...] 
no dia 18 de maio de 2013, foi editada a última versão revisada do Manual de Diagnóstico 
e Estatística de Transtornos Mentais (Diagnostic and Statistical Manual of Mental 
Disorders), conhecida como DSM-V”. Conforme First (2014), o manual está organizado 
em três capítulos, sendo o primeiro capítulo nomeado como “Diagnóstico Diferencial 
Passo a Passo”, que explora as questões do diagnóstico diferencial que devem ser 
consideradas para todo paciente em avaliação, então é possível verificar seis passos para 
a realização do diagnóstico, contribuindo para essa atividade do profissional, elaboração 
do diagnóstico; o segundo capítulo, chamado “Diagnóstico Diferencial por Meio de 
Algoritmos”, apresenta informações para melhorar a maneira do profissional formular o 
diagnóstico diferencial; e o terceiro capítulo, chamado “Diagnóstico Diferencial por Meio 
de Tabelas” contém tabelas com informações que podem contribuir com o diagnóstico. 
A respeito das informações do DSM e das classificações, o autor aborda que:
[...] os clínicos devem sempre resistir à tentação de aplicar os critérios 
do DSM-5 ou os algoritmos de decisão e as tabelas de diagnóstico 
diferencial deste manual de forma mecânica, ou como se utilizassem 
um livro de receitas. As abordagens delineadas aqui são sugeridas 
para aprimorar, e não substituir, o papel central do julgamento clínico 
e a sabedoria da experiência acumulada (FIRST, 2014, p. 8).
4 DIFERENCIAÇÃO DOS MANUAIS: REFLEXÃO
Até o presente momento, você acadêmico estudou a Classificação Internacional 
das Doenças (CID-11) e o Manual Diagnóstico e Estatístico dos Transtornos Mentais 
(DSM-V), porém dentro desse conhecimento que você está construindo, importante 
compreender as diferenças entre os manuais de classificação das doenças, para que em 
uma necessidade da prática profissional, você saiba o manualque consultará e utilizará 
na determinada demanda. Para reconhecer as diferenças entre os manuais, segue uma 
lista das diferenças, para a reflexão.
• A “CID” refere-se à Classificação Internacional de Doenças construída pela Organização 
Mundial da Saúde (OMS), que tem um impacto mundial, já o “DSM”, traduzido para a 
língua portuguesa como Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais foi 
elaborado pela American Psychiatric Association, que é um órgão americano com 
62
profissionais especialista da área da saúde mental, reconhecido em todo mundo, ou 
seja, órgãos de extrema relevância, mas com diferentes propostas.
• A respeito das versões que estão sendo utilizadas no Brasil, do DSM-5, é a 5ª edição, 
publicada em 2013, e da CID-11 é a 11ª edição, publicada em 2022 no país.
• O Manual Diagnóstico e Estatístico dos Transtornos Mentais (DSM-V) tem uma 
proposta de uso clínico, e deixa claro em sua descrição, porém a Classificação 
Internacional das Doenças (CID-11) tem um caráter também de formação.
• O DSM-5 é um dos manuais e sistemas de classificação dos distúrbios e distúrbios 
psíquicos mais conhecidos e relevantes, a CID-10 e CID-11 é outro manual que faz parte 
dos grandes manuais e sistemas de classificação que existem, porém não analisa 
somente transtornos mentais, mas um conjunto de todas as doenças, distúrbios e 
alterações existentes. Assim, neste manual, os transtornos mentais ocupam apenas 
um capítulo, sendo o chamado capítulo F.
• O DSM é manual de referência quando se trata de transtornos mentais, já o CID é 
um manual da Classificação Internacional de Doenças, então inclui não apenas as 
alterações psicológicas, mas o conjunto de distúrbios e doenças médicas, para além 
das psicológicas, que podem aparecer num indivíduo.
• No manual todo do DSM-5 será encontrado problemas e transtornos mentais, 
enquanto que na CID-10 e CID-11 serão encontrados em apenas um dos capítulos 
ou seções.
• O DSM-5 é um sistema de classificação conhecido e bastante utilizado nos Estados 
Unidos. Ele também é referência para a maioria de profissionais da área de psiquiatria 
e psicologia da Europa, ainda é conhecido e utilizado em outras partes do mundo, 
porém a CID é reconhecida no mundo todo, por tratar de um manual desenvolvido 
pela organização mundial da saúde, e ser referência para todos os profissionais da 
saúde, de diferentes áreas do conhecimento.
• Quanto ao conteúdo, e em especial a classificação dos diferentes transtornos 
mentais, a CID-10 possuí um total de 10 seções diferenciadas no capítulo dedicado 
aos transtornos psicológicos, já no DSM encontra-se um total de 21 grandes 
categorias de diagnóstico, devido a essa diferença de estrutura alguns transtornos 
psicológicos aparecem iguais dos dois manuais, e tem transtornos que aparecem 
com classificações diferentes, bem como outros não aparecem.
O CID e DSM são manuais importantes para profissionais da saúde, o 
CID-10 ainda está em vigência no Brasil e é utilizado pelo Sistema Único 
de Saúde.
DICA
63
RESUMO DO TÓPICO 1
 Neste tópico, você adquiriu certos aprendizados, como:
• Na área da psicopatologia muitas são as vertentes teóricas que buscam compreender 
o desenvolvimento das patologias dos indivíduos. Isto deve-se à complexidade do 
desenvolvimento do indivíduo, ou seja, as suas diferentes esferas de desenvolvimento 
(social, biológica, física, psicológica etc.).
• Perspectiva teórica de psicopatologia é diferente de diagnóstico.
• Para a realização do diagnóstico de uma psicopatologia, o psicólogo precisa adotar 
uma perspectiva teórica a respeito da psicopatologia, compreender princípios básicos 
dos comportamentos patológicos, bem como conhecer e dominar os critérios de 
normalidade e anormalidade.
• É importante conhecer as ferramentas e técnicas para realizar diagnóstico, como 
entrevistas (estruturada, semiestruturada, não estruturada), observação, aplicação 
de instrumentos psicológicos e conhecer manuais de classificação.
• O Manual Diagnóstico Estatístico de Transtornos Mentais 5ª edição (DSM-V) e 
Classificação Internacional de Doenças 11ª edição (CID 11) são manuais relevantes 
para o futuro psicólogo.
• A “CID” refere-se à Classificação Internacional de Doenças construída pela 
Organização Mundial da Saúde (OMS).
• Os objetivos da CID são: identificar populações de risco/vulneráveis; auxiliar na 
monitorização de epidemias/ameaças à saúde pública/carga de doença; definir as 
obrigações dos membros da OMS de prestar cuidados de saúde gratuitos ou subsi-
diados para suas populações, facilitar o acesso a serviços de saúde adequados etc.
• O DSM, chamado originalmente de Diagnostic and Statistical Manual of Mental 
Disorders, foi traduzido para a língua portuguesa como Manual Diagnóstico e 
Estatístico de Transtornos Mentais.
• O DSM foi construído pela American Psychiatric Association. 
64
1 Compreender a queixa e os sintomas apresentados por um paciente não é uma 
tarefa fácil, pois requer uma investigação dos comportamentos apresentados e das 
falas verbalizadas, isto se o profissional estiver diante de pacientes jovens, adultos e 
idosos. Sendo assim, assinale a alternativa CORRETA: 
a) ( ) O diagnóstico envolve o uso de apenas manuais de classificação de doenças.
b) ( ) O diagnóstico envolve o uso de diferentes técnicas, ferramentas e o uso de 
manuais de classificação de doenças. 
c) ( ) O diagnóstico envolve o uso de apenas instrumentos psicológicos.
d) ( ) O diagnóstico envolve o uso de apenas instrumentos psicológicos e manuais de 
classificação de doenças.
2 A respeito das psicopatologias, os manuais de classificação de doenças podem 
contribuir como uma ferramenta de consulta para profissionais da saúde, mas não 
podem ser considerados como o único material a ser utilizado para diagnosticar um 
paciente. Assim, analise as afirmativas a seguir:
I- DSM-V significa Manual Diagnóstico Estatístico de Transtornos Mentais 5ª edição.
II- CID-11 remete-se a Classificação Internacional de Doenças em 11 grandes categorias.
III- O DSM-V sempre foi elaborado e revisado pela Organização Mundial da Saúde.
Assinale a alternativa CORRETA:
a) ( ) As afirmativas I e II estão corretas.
b) ( ) Somente a afirmativa II está correta.
c) ( ) As afirmativas I e III estão corretas.
d) ( ) Somente a afirmativa I está correta.
3 Os manuais de classificação das doenças podem contribuir com a comunicação 
entre profissionais da saúde, por isso o conhecimento a respeito dos manuais, bem 
como compreender as categorias e a forma de manusear são importantes no dia a 
dia dos profissionais da saúde. De acordo com essa afirmação, classifique V para as 
sentenças verdadeiras e F para as falsas:
( ) A “CID” refere-se à Classificação Internacional de Doenças, construída pela 
Organização Mundial da Saúde (OMS).
( ) Os objetivos da CID são identificar populações de risco, além de auxiliar na 
verificação e controle de situações de pandemias, bem como facilitar o acesso à 
população a serviços de saúde de qualidade.
AUTOATIVIDADE
65
( ) O DSM originalmente chamado de Diagnostic and Statistical Manual of Mental 
Disorders foi construído pela American Psychiatric Association e pela Organização 
Mundial da Saúde (OMS).
Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA:
a) ( ) V – F – F.
b) ( ) V – F – V.
c) ( ) V – V – F.
d) ( ) F – F – V.
4 A conhecida “CID” é um manual nomeado como Classificação Internacional de 
Doenças, que foi construída pela Organização Mundial da Saúde (OMS); e, desde a 
sua primeira versão, sempre teve objetivos que atingissem os mais diversos países do 
mundo, além de sempre construir estratégias que buscasse coletar informações dos 
diversos países, mesmo com os desafios de realização. Diante disso, disserte sobre 
quais os objetivos da CID.
5 O Manual Diagnóstico Estatístico de Transtornos Mentais 5ª edição (DSM-V) e 
Classificação Internacional de Doenças 11ª edição (CID 11) são manuais relevantes, 
porém são muito diferentes,desde a construção, bem como os órgãos responsáveis 
pela construção, revisão e divulgação dos materiais. Disserte sobre, pelo menos três 
diferenças desses manuais.
66
67
ALZHEIMER
1 INTRODUÇÃO
Acadêmico, no Tópico 1, você pôde conhecer o manual CID-11 (definição, estru-
tura e organização) e o manual DSM-V (definição, estrutura e organização). Além disso, 
você também pôde reconhecer e refletir a respeito das diferenças entre os manuais, en-
tão, nesse momento, no Tópico 2, você estudará a respeito da psicopatologia Alzheimer. 
O Alzheimer é um transtorno psicológico neurocognitivo complexo que pode 
surgir em adultos e idosos. Assim, você aprenderá a descrever, com rigor conceptual e 
terminológico, sinais, sintomas e características dessa patologia, além de conhecer a 
respeito da avaliação e tratamento desse transtorno.
Portanto, este tópico se inicia com a compreensão do Alzheimer, de modo a 
descrever sua definição e causa e, posteriormente, estudará os sintomas e características, 
seguido da avaliação e tratamento.
UNIDADE 2 TÓPICO 2 - 
2 ALZHEIMER: COMPREENDENDO A PATOLOGIA, 
DEFINIÇÃO E CAUSAS
Você já compreendeu a respeito da psicopatologia, de modo a primeiramente 
compreender o desenvolvimento humano, em especial o ciclo vida no período da vida 
adulta e velhice. Assim, estudou os conceitos mais básicos e fundamentais a respeito 
da psicopatologia; e, por fim, apreendeu a relação do desenvolvimento humano com 
psicopatologia, em especial vida adulta e velhice. Assim, foi abordado que, nas últimas 
décadas, ocorreu o aumento da longevidade, porém a longevidade não está relacio-
nada apenas com a qualidade de vida dos indivíduos e com o envelhecimento natural 
e saudável. 
Nesse cenário de maior qualidade de vida na velhice, há uma maior complexidade 
para médicos, neuropsicólogos e psicólogos compreenderem déficits cognitivos e as 
psicopatologias que surgem com a vida adulta e com o processo de envelhecimento. 
Por isso, é difícil entender as dificuldades consideradas dentro do esperado do processo 
de envelhecimento, com isso, é importante um diagnóstico diferencial, entre uma 
alteração cognitiva que é saudável e dentro do esperado, com aquela alteração que 
pode sinalizar um comportamento patológico, e um possível sinal de desenvolvimento 
de uma psicopatologia.
68
Portanto, a Unidade 2 iniciou o Tópico 1 com o estudo dos manuais de classifi-
cação, entendendo a respeito do CID-11, DSM-V, a organização das doenças quanto aos 
seus sintomas e características, e no Tópico 2, você acadêmico conhecerá a respeito da 
Doença de Alzheimer.
2.1 DEFININDO E COMPREENDENDO A DOENÇA DE 
ALZHEIMER
Conforme Smith (1999) destaca, a Doença de Alzheimer, que para essa utiliza 
da sigla DA, foi estudada e caracterizada pelo Neuropatologista, alemão, chamado Alois 
Alzheimer, em 1907. Segundo Abraz (c2019) Alois Alzheimer estudou e publicou o caso 
de uma de suas pacientes chamada Auguste Deter, a qual era uma mulher saudável, 
com seus 51 anos, que desenvolveu um quadro patológico que perdia de maneira 
progressiva a memória.
Alois Alzheimer ao estudar a paciente notou que ela apresentava comporta-
mentos de desorientação, além de distúrbio de linguagem, com dificuldades tanto para 
compreender quanto para se expressar, e que acabou tornando-se incapaz de cuidar de 
si, então Alois, após o falecimento de Auguste, aos 55 anos, ele examinou o cérebro de 
sua paciente e descreveu as alterações que hoje são conhecidas como as característi-
cas da Doença de Alzheimer (ABRAZ, c2019).
Smith (1999, p. 3) apresenta que a Doença de Alzheimer pode ser compreendida 
como “[...] uma afecção neurodegenerativa progressiva e irreversível de aparecimento 
insidioso, que acarreta perda da memória e diversos distúrbios cognitivos”. Você 
verifica, na Figura 4, a representação de um idoso com a Doença de Alzheimer que se 
caracteriza por uma doença que gera a perda da memória, levando o comportamento 
de esquecimento.
FIGURA 4 – DOENÇA DE ALZHEIMER
FONTE: . Acesso em: 28 mar. 2022.
69
Abraz (c2019) relata que a Doença de Alzheimer é uma enfermidade que não tem 
cura, porém há tratamento; e recomenda-se que seja tratada, visto que com o tempo 
ela vai se agravando, e a maioria das vítimas são pessoas idosas. Segundo Avila e Miotto 
(2003) à medida que um indivíduo envelhece, ocorre o processo de envelhecimento, no 
qual algumas alterações vão ocorrer, isto em diferentes áreas do corpo, físico e mental. 
Sendo assim, tanto na cognição quanto no comportamento, porém essas alterações 
sofrem uma ordem temporal, sendo primeiramente alterações em atividades viso-
espaciais, posteriormente, viso-construtivas, do que em atividades verbais. 
Assim, os indivíduos acima de 65 anos costumam se queixar de dificuldades 
com a memória e outras habilidades cognitivas, isto quando lembram e se comparam 
com o desempenho em anos anteriores. Entretanto, quando se trata de Doença de 
Alzheimer ou outras demências que afetam a cognição, assim o comprometimento, 
dependendo do grau, pode gerar a perda da autonomia, e qualidade de vida do indivíduo 
(AVILA; MIOTTO, 2003).
Conforme Dalgalarrondo (2018, s.p.) a Doença de Alzheimer “[...] é uma condi-
ção de início insidioso e evolução lenta, gradual e constantemente progressiva, sem 
platôs prolongados”. Com isso, essa é uma doença do processo neurodegenerativo 
que se manifesta por perdas cognitivas, principalmente em relação à memória epi-
sódica e da aprendizagem, mas essas acabam sendo prejudicadas nas fases inter-
mediárias da doença, assim afetando a linguagem, a capacidade visuoconstrutiva e 
perceptomotora, bem como as funções executivas, então assim afetam as atividades 
realizadas no cotidiano.
Segundo Zhao e Tang (2002) a doença de Alzheimer é a patologia neurodege-
nerativa mais frequente associada à idade, sendo que as suas manifestações cognitivas 
e neuropsiquiátricas resultam em uma deficiência que acaba sendo progressiva e que 
gera em falta de autonomia, e até em incapacidade de realizar atividades, quando a 
patologia está avançada.
Abraz (c2019) complementa relatando que essa doença se apresenta como 
uma demência, caracterizando pela perda das funções cognitiva, ou seja, memória, 
orientação, atenção e linguagem, isto devido à morte de células cerebrais. No entanto, 
quando diagnosticada no início, é possível retardar o seu avanço e ter mais controle 
sobre os sintomas; e, por meio disso, garantir uma melhora da qualidade de vida ao 
indivíduo diagnosticado e a sua família.
Quanto à incidência Harman (1996 apud SMITH, 1999, p. 3) destaca que a “[...] 
DA de acometimento tardio, de incidência, ao redor de 60 anos de idade, ocorre de 
forma esporádica, enquanto a DA de acometimento precoce, de incidência ao redor 
de 40 anos, mostra recorrência familiar”. Diante do exposto, e, assim, a compreensão 
da definição e incidência do Alzheimer, a seguir compreenda a respeito das caudas do 
Alzheimer.
70
2.2 CAUSAS DA DOENÇA DE ALZHEIMER
A Doença de Alzheimer sempre foi tema de interesse de pesquisas de várias 
áreas do conhecimento, não apenas da medicina, mas também da psicologia, biologia, 
genética, entre outras, assim a causa da Doença de Alzheimer sempre foi um dos 
temas mais estudados. Em estudos genéticos, Almeida (1997) destacou que a Doença 
de Alzheimer como uma doença de herança autossômica dominante, sendo assim, 
genética, mas a maioria dos casos parece ser esporádica ou multifatorial, ainda relatou 
que alguns genes já foram mapeados e relacionados à doença de Alzheimer, como 
aqueles localizados nos cromossomos 1, 14, 19 e 21.
FIGURA 5 – DOENÇA DE ALZHEIMER E A GENÉTICA
FONTE: . Acesso em: 28 mar. 2022.
Já Abraz (c2019, s.p.) aponta que ao observar o cérebro pode-se verificar 
alterações, como se fossem lesões, e que as principais alterações:
[...] são as placas senis decorrentes do depósito de proteína beta-
amiloide, anormalmente produzida, e os emaranhados neurofibrilares,frutos da hiperfosforilação da proteína tau. Outra alteração observada 
é a redução do número das células nervosas (neurônios) e das 
ligações entre elas (sinapses), com redução progressiva do volume 
cerebral.
Os autores explicam que, as alterações cerebrais já estão no indivíduo antes 
mesmos dos sintomas e características aparecem no comportamento. Assim, as perdas 
de neurônios não ocorrem de maneira constante e homogênea, mas as mais prejudicadas 
são as células nervosas, responsáveis por planejamento e execução. Portanto, pode-
se dizer que a Doença de Alzheimer tem relação com doenças genéticas, e que com 
pesquisas já foram verificados cromossomos relacionados com a doença, também já foi 
investigado a mudança da estrutura cerebral com o avanço da Doença de Alzheimer, e 
um exemplo disso é a Figura 6.
71
FIGURA 6 – DIFERENÇA CEREBRAL NA DOENÇA DE ALZHEIMER
FONTE: A autora
Conforme a Figura 6, os principais sinais da doença de Alzheimer é a ocorrência 
da diminuição da quantidade de neurônios e das sinapses, causando atrofia e progressiva 
redução do volume do cérebro, isto ocorre devido a perda de neurônios, sendo que as 
áreas mais atingidas são aquelas relacionadas a memória e as funções de planejamento 
e de realização de mais funções complexas.
A leitura do artigo científico “Biologia Molecular da Doença de Alzheimer: 
uma Luz no Fim do Túnel?” é agradável, pois traz explicações genéticas 
de maneira clara e com o uso de gráficos apresentando informações de 
extrema relevância.
DICA
2.3 EVOLUÇÃO DO ALZHEIMER
Na Doença de Alzheimer conforme vão se passando os anos, os sintomas no 
paciente vão se agravando, e é por isso que a DA é caracterizada pelo agravamento 
progressivo dos sintomas. Entretanto, a progressão não é algo regular, e não ocorre 
de maneira igual a todo indivíduo que é diagnosticado com DA, muitos pacientes 
podem apresentar períodos de maior estabilidade, ainda, se for um indivíduo que realiza 
tratamento, os sintomas podem se apresentar de maneira diferente (ABRAZ, c2019).
https://www.scielo.br/j/ramb/a/cbPZ85WL6bxQyRg9RpyvFmC/?format=pdf&lang=pt
https://www.scielo.br/j/ramb/a/cbPZ85WL6bxQyRg9RpyvFmC/?format=pdf&lang=pt
72
Ainda, existe várias maneiras da DA ser classificada, na CID-10 ela está na 
classificação F00 — F09, que aborda os transtornos mentais orgânicos, incluindo 
sintomáticos, então são organizados em: F00 Demência na doença de Alzheimer, 
F00.0 Demência na doença de Alzheimer de início precoce, F00.1 Demência na doença 
de Alzheimer de início tardio, F00.2 Demência na doença de Alzheimer, tipo misto ou 
atípica, e F00.9 Demência na doença de Alzheimer, não especificada (OMS, 1994).
Assim, a respeito da evolução dos sintomas da Doença de Alzheimer pode ser 
dividida em três fases: leve, moderada e grave. Na fase leve os sintomas apresentados 
estão mais relacionados as atividades do cotiado e que podem ser confundidos como 
sintomas do processo de envelhecimento, já na fase moderada a perda de memória 
está mais presente das atividades e outros prejuízos da cognição podem ser vistos nos 
comportamentos, e a fase grave apresenta característica de perda da autonomia. A 
seguir, você encontra características das fases, baseado no texto de Abraz (c2019).
Fase leve:
• alterações como perda de memória recente, sendo verificada na dificuldade para 
encontrar palavras;
• desorientação em relação ao tempo e espaço, como demonstrado na Figura 7;
• dificuldade para tomar decisões;
• perda de tomar iniciativa;
• baixa motivação, e diminuição do interesse por atividades;
• sinais de depressão;
• agressividade.
FIGURA 7 – FASE LEVE – INICIAL
FONTE: . Acesso em: 28 mar. 2022.
Fase moderada:
73
• são comuns dificuldades mais evidentes com atividades do dia a dia, com prejuízo de 
memória, com esquecimento de fatos mais importantes;
• esquecimento dos nomes de pessoas próximas;
• incapacidade de viver sozinho;
• incapacidade de cozinhar e de cuidar da casa, de fazer compras;
• dependência importante de outras pessoas para atividades diárias, como demonstra 
a Figura 8;
• necessidade de ajuda com a higiene pessoal e autocuidados;
• maior dificuldade para falar e se expressar com clareza;
• alterações de comportamento (agressividade, irritabilidade, inquietação);
• ideias sem sentido (desconfiança, ciúmes);
• alucinações (ver pessoas, ouvir vozes de pessoas que não estão presentes).
FIGURA 8 – AUXÍLIO PARA AS ATIVIDADES DIÁRIAS
FONTE: . Acesso em: 28 mar. 2022.
Fase grave:
• prejuízo gravíssimo da memória, com incapacidade de registro de dados;
• muita dificuldade na recuperação de informações antigas como reconhecimento de 
parentes, amigos, locais conhecidos;
• dificuldade para alimentar-se associada a prejuízos na deglutição;
• dificuldade de entender o que se passa a sua volta, dificuldade de orientar-se dentro 
de casa;
• pode haver incontinência urinária e fecal;
• pode ocorrer intensificação de comportamento inadequado;
• há tendência de prejuízo motor, que interfere na capacidade de locomoção, sendo 
necessário auxílio para caminhar.
74
FIGURA 9 – AUXÍLIO PARA SE ALIMENTAR
FONTE: . Acesso em: 28 mar. 2022.
Portanto, a evolução que ocorre no Alzheimer acontece por meio de fases, nas 
quais os pacientes possuem sintomas e comportamentos que vão se agravando com o 
passar do tempo, porém embora existam as fases leve, moderada e grave, não significa 
que isso ocorre de maneira fixa em todos os pacientes com esse diagnóstico, pois vai 
depender da individualidade de cada paciente, bem como do momento do diagnóstico, 
história de vida e da rede de apoio (familiares e amigos) do paciente.
Para compreender as fases do Alzheimer fica a indicação do filme 
chamado “Meu pai”, que trata da história de um homem no processo de 
envelhecimento, mas que apresenta características de Alzheimer, que vai 
com o tempo se agravando. O filme foi ganhador no Oscar 2021, e conta 
com o ator Anthony Hopkins para interpretação do personagem principal.
INTERESSANTE
3 ALZHEIMER: CARACTERÍSTICAS E SINTOMAS
A respeito dos sintomas e das características da Doença de Alzheimer (DA), 
segundo Dalgalarrondo (2018) no início dos chamados quadros clínicos de DA os 
indivíduos apresentam uma fala com característica de dificuldade em encontrar a “a 
palavra certa”, sendo a sensação de buscar e não conseguir encontrar a palavras que 
deseja expressar verbalmente. 
75
A característica apresentada por Dalgalarrondo (2018) é fase inicial, na qual 
é demarcada a dificuldade da fluência verbal; e, assim, das capacidades linguísticas, 
então pode-se apresentar falha nas habilidades verbais, apresentando repetição de 
palavras, dificuldade na articulação das palavras. Ainda, vale destacar que nessa fase 
inicial, o indivíduo pode apresentar termos inespecíficos, ou seja, termos vagos para os 
locais, pessoas e objetos, por exemplo, verbalizar “o homem”, “a mulher”, “o menino”, “o 
hospital”, “aquela casa”, assim pode tentar se lembrar e apontar.
A complementar Dalgalarrondo (2018), Abraz (c2019) apresenta alguns 
comportamentos que podem ocorrer na fase ou estágio inicial, como: ter problemas com 
a fala; ter perda de memória; ficar perdido em relação ao tempo, como dia da semana, 
ou até mesmo hora do dia; ficar perdido em locais que já são familiares, como casa, 
rua, bairro; ficar sem atividade e sem motivação para realizar atividades; apresentar 
mudanças de humor e com isso apresentar momentos de depressão ou ansiedade, 
e até mesmo agir com agressividade em situações que sente raiva ou irritação (por 
exemplo em momento que se sente perdido).
A respeito dos sintomas intermediários da doença, os indivíduos apresentam 
comportamentos como: ficar desorientado; ter dificuldade de cozinhar e limpar a casa; 
ter dificuldade de praticar a própria higiene pessoal; ter uma maior dependência de 
familiares e pessoas próximas; realizar perguntas repetidas; ter uma fala repetitiva com 
histórias2.1 TEORIAS DO DESENVOLVIMENTO E ERIK HOMBURGER ERIKSON  .......................20
2.1.1 Desenvolvimento humano: vida adulta e psicopatologias ............................. 22
3 PSICOPATOLOGIAS DA VIDA ADULTA ..............................................................24
3.1 ANSIEDADE ......................................................................................................................... 25
3.2 DEPRESSÃO ........................................................................................................................27
3.3 ESTRESSE ........................................................................................................................... 29
RESUMO DO TÓPICO 2 .......................................................................................... 31
AUTOATIVIDADE ...................................................................................................32
TÓPICO 3 - PSICOPATOLOGIA: VELHICE ............................................................35
1 INTRODUÇÃO ......................................................................................................35
2 O DESENVOLVIMENTO HUMANO NA VELHICE E AS PATOLOGIAS .................35
2.1 DESENVOLVIMENTO HUMANO NA VELHICE ............................................................... 37
2.1.1 Envelhecimento saudável ....................................................................................... 39
3 PSICOPATOLOGIAS DA VELHICE ......................................................................42
3.1 DEMÊNCIA .......................................................................................................................... 42
LEITURA COMPLEMENTAR ..................................................................................43
RESUMO DO TÓPICO 3 ......................................................................................... 48
AUTOATIVIDADE ...................................................................................................49
REFERÊNCIAS ....................................................................................................... 51
UNIDADE 2 — TRANSTORNOS PSICOPATOLÓGICOS ..........................................53
TÓPICO 1 — TRANSTORNOS PSICOPATOLÓGICOS: CID 11 E DSM-V .................55
1 INTRODUÇÃO ......................................................................................................55
2 CID 11: COMPREENDENDO O MANUAL E AS PSICOPATOLOGIAS
DA VIDA ADULTA E VELHICE ................................................................................ 57
3 DSM-V: COMPREENDENDO O MANUAL E AS PSICOPATOLOGIAS
DA VIDA ADULTA E VELHICE ................................................................................60
4 DIFERENCIAÇÃO DOS MANUAIS: REFLEXÃO .................................................. 61
RESUMO DO TÓPICO 1 ..........................................................................................63
AUTOATIVIDADE ...................................................................................................64
TÓPICO 2 - ALZHEIMER ........................................................................................ 67
1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................... 67
2 ALZHEIMER: COMPREENDENDO A PATOLOGIA, DEFINIÇÃO E CAUSAS ........... 67
2.1 DEFININDO E COMPREENDENDO A DOENÇA DE ALZHEIMER ...............................68
2.2 CAUSAS DA DOENÇA DE ALZHEIMER ......................................................................... 70
2.3 EVOLUÇÃO DO ALZHEIMER............................................................................................. 71
3 ALZHEIMER: CARACTERÍSTICAS E SINTOMAS ............................................... 74
4 ALZHEIMER: AVALIAÇÃO E TRATAMENTO ....................................................... 76
4.1 AVALIAÇÃO DO ALZHEIMER .............................................................................................76
4.2 TRATAMENTO DA DOENÇA DE ALZHEIMER ................................................................77
RESUMO DO TÓPICO 2 .......................................................................................... 79
AUTOATIVIDADE ...................................................................................................80
TÓPICO 3 - PARKINSON ........................................................................................83
1 INTRODUÇÃO ......................................................................................................83
2 PARKINSON: COMPREENDENDO A PATOLOGIA, DEFINIÇÃO E CAUSAS .......... 84
2.1 DEFININDO E COMPREENDENDO A DOENÇA DE PARKINSON ..............................84
2.2 DOENÇA DE PARKINSON: CAUSAS E EVOLUÇÃO .....................................................86
3 PARKINSON: CARACTERÍSTICAS E SINTOMAS ...............................................87
4 PARKINSON: AVALIAÇÃO E TRATAMENTO ......................................................89
RESUMO DO TÓPICO 3 ..........................................................................................92
AUTOATIVIDADE ...................................................................................................93
TÓPICO 4 - OUTROS TRANSTORNOS PSICOPATOLÓGICOS 
DA VIDA ADULTA E VELHICE ................................................................................95
1 INTRODUÇÃO ......................................................................................................95
2 DEPRESSÃO NA VIDA ADULTA E VELHICE .................................................................. 95
2.1 DEPRESSÃO: TRATAMENTO ............................................................................................98
3 ALTERAÇÕES PSICOLÓGICAS NA VIDA ADULTA E VELHICE .........................99
LEITURA COMPLEMENTAR ................................................................................ 101
RESUMO DO TÓPICO 4 ........................................................................................106
AUTOATIVIDADE ................................................................................................. 107
REFERÊNCIAS .....................................................................................................109
UNIDADE 3 — ACOMPANHAMENTO TERAPÊUTICO: AVALIAÇÃO,
ANAMNESE, ENTREVISTA CLÍNICA, MODELOS DE INTERVENÇÃO
E TÉCNICAS DE TRATAMENTO ........................................................................... 113
TÓPICO 1 — AVALIAÇÃO PSICOLÓGICA E INTERVENÇÃO .................................115
1 INTRODUÇÃO .....................................................................................................115
2 AVALIAÇÃO PSICOLÓGICA E O DIAGNÓSTICO ...............................................115
3 AVALIAÇÃO PSICOLÓGICA PARA USO EM ADULTOS E IDOSOS .................. 118
3.1 A ESPECIFICIDADE DO TRABALHO DE AVALIAÇÃO PSICOLÓGICA
 COM ADULTOS E IDOSOS ............................................................................................... 120
4 ÉTICA EM AVALIAÇÃO PSICOLÓGICA ............................................................ 121
5 INTERVENÇÃO PSICOLÓGICA COM ADULTOS E IDOSOS ............................. 122
5.1 O PROCESSO DE INTERVENÇÃO PSICOLÓGICA COM ADULTOS E IDOSOS ..........123
RESUMO DO TÓPICO 1 ........................................................................................ 125
AUTOATIVIDADE ................................................................................................. 126
TÓPICO 2 - AVALIAÇÃO PSICOLÓGICA: INSTRUMENTOS E TÉCNICAS .......... 129
1 INTRODUÇÃO .................................................................................................... 129
2 OBSERVAÇÃO, ANAMNESE E ENTREVISTAS COM ADULTOS E IDOSOS .......... 129
3 INSTRUMENTOS PSICOLÓGICOS E AVALIAÇÃO PSICOSSOCIAL
PARA ADULTOS E IDOSOS ..................................................................................133
3.1 AVALIAÇÃO PSICOSSOCIAL ..........................................................................................e situações; ficar perdido em locais familiares, como a própria casa; apresentar 
alucinações (ABRAZ, c2019; DALGALARRONDO, 2018).
A respeito dos sintomas avançados da doença, este está relacionado a uma 
maior dependência e uma maior inatividade do indivíduo, isto porque há um maior 
comprometimento da memória, levanto a comportamentos como: ter dificuldades para 
se alimentar; ter dificuldade para reconhecer as pessoas, mesmo que próximas, como 
familiares e cuidadores; ter dificuldade para compreender o que é dito e orientado; 
ter dificuldade para realizar pequenos trajetos sozinho, mesmo que em locais muito 
familiares; ter dificuldade para se locomover e realizar determinados movimentos; 
realizar continência urinária; realizar atividades básicas e diárias (ABRAZ, c2019; 
DALGALARRONDO, 2018).
Para compreender os sintomas e características da Doença de 
Alzheimer, indicamos o filme “Longe Dela”, que trata de uma 
personagem com diagnóstico de Alzheimer. Por meio de filmes como 
esse é possível vivenciar situações reais da doença; e, assim, observar 
os sintomas e características, que auxiliam no momento de relacionar 
teoria e prática.
DICA
76
4 ALZHEIMER: AVALIAÇÃO E TRATAMENTO
Na Doença de Alzheimer, como visto até aqui, o paciente apresentará uma série 
de sintomas e comportamentos que até ocorrer o diagnóstico precisam ser investigados. 
Na área da saúde, a forma de investigação de sintomas e comportamentos é por meio da 
avaliação. Na avaliação do Alzheimer muitos são os profissionais que podem contribuir, 
mas o médico é essencial para o diagnóstico.
Após a avaliação iniciará o tratamento, que pode ser realizado de maneira mul-
tiprofissional, ou seja, por meio de diferentes profissionais da saúde, como médicos, psi-
cológico, fisioterapeuta, acompanhante terapêutico, fonoaudiólogo. Portanto, a seguir, 
você acadêmico compreenderá mais a respeito de avaliação e tratamento do Alzheimer.
4.1 AVALIAÇÃO DO ALZHEIMER
Na Doença de Alzheimer (DA) é comum que as características e sintomas da 
doença sejam confundidas com o processo de envelhecimento normal e esperado, por 
isso a necessidade de uma investigação dos sintomas, características, comportamentos 
que vão sendo percebidos pelas pessoas próximas; e, com isso, a investigação é 
realizada por meio de uma avaliação, e consequentemente essa avaliação contribuirá 
para o diagnóstico.
O diagnóstico da Doença de Alzheimer é de caráter clínico, então normalmente 
é uma avaliação realizada por um médico, por meio de exames, e do levantamento da 
história do paciente. O médico pode realizar exames de sangue, exames de imagens (por 
exemplo: tomografia, ressonância magnética do crânio), e este são com o objetivo de 
poder excluir a possibilidade de outras doenças, como contribuição de um diagnóstico 
diferencial (ABRAZ, c2019).
Nesse conjunto de exames para o diagnóstico, a avaliação psicológica, em 
especial, das funções cognitivas é de extrema importância. A avaliação psicológica ou 
neuropsicológica envolve o uso de instrumentos psicológicos, observação, entrevista. 
Assim, com o levantamento de dados por meio de técnicas e ferramentas é possível 
associar os resultados à história de vida do paciente, então é possível identificar 
fortalezas, fragilidades, intensidade das perdas em relação a função inicial, e assim 
levantar hipóteses sobre a doença (ABRAZ, c2019).
Na avaliação psicológica, o psicólogo pode realizar a avaliação das funções cog-
nitivas de idosos com o uso de instrumentos psicológicos (testes, escalas, inventários), 
assim como com o levantamento da história de vida, observação, entrevista com pa-
ciente, entrevista com membro familiar, assim o psicólogo pode ser um profissional que 
pode contribuir e trabalhar em parceria com médico, para o levantamento das informa-
ções para o diagnóstico.
77
Dessa maneira, a investigação avaliativa não contribuirá apenas para o profis-
sional obter um diagnóstico clínico, mas também para identificar e mapear fortalezas e 
fragilidades, e com esses dados também possível compreender habilidades e capacida-
des que estão ou não preservadas, e com isso conseguir realizar um plano de interven-
ção, ou seja, dados que podem contribuir para o início do tratamento (ABRAZ, c2019).
A Doença de Alzheimer é uma doença que não tem cura, porém tem 
tratamentos eficazes, os quais podem contribuir com a qualidade de vida 
do paciente após diagnosticado.
ATENÇÃO
4.2 TRATAMENTO DA DOENÇA DE ALZHEIMER
A Doença de Alzheimer tem tratamento, mas infelizmente não tem cura. Nesse 
sentido, com os avanços da medicina, muitas foram as descobertas e possibilidades para 
o tratamento, de modo que os pacientes possam ter uma melhor qualidade de vida com 
a descoberta dessa doença. Ainda vale destacar aqui, que não apenas a medicina fez e 
continua fazendo contribuições aos pacientes com a DA e seus familiares, mas outras 
áreas do conhecimento. Diante disso, os tratamentos existentes buscam aliviar os sin-
tomas apresentados pelos pacientes, também permitem que os pacientes tenham uma 
progressão da doença mais lenta, e ainda, permitem que os tornem autônomos por mais 
tempo e assim consigam realizar as atividades diárias por mais tempo (ABRAZ, c2019).
Os tratamentos existentes e indicados para a DA podem ser divididos em dois 
grandes grupos, sendo: tratamentos farmacológicos e tratamentos não farmacológicos 
(ABRAZ, c2019). Os tratamentos farmacológicos são indicados, porque entende-se que 
parte dos sintomas ocorrem devido alterações em uma substância que está presente no 
cérebro chamada de acetilcolina, pois já se identificou que pacientes com DA essa subs-
tância é menor, do que em pessoas sem a DA, então uma possibilidade é que o paciente 
utilize de medicações que possam controlar ainda mais a diminuição da acetilcolina.
As medicações que agem no controle e inibição da acetilcolina, e que estão 
aprovadas para uso no Brasil, são: a rivastigmina, a donepezila e a galantamina, assim 
essas contribuem para casos de demências leve e moderada. Contudo, a medicações 
tem suas vantagens e desvantagens, sendo vantagem a melhora e a estabilização, e 
desvantagem é que a medicação não impede a evolução da doença. Em relação aos 
tratamentos não farmacológicos são indicados, pois são aqueles que visam estimular 
a cognição, mas também aspectos relacionados a esfera social e física, que tem por 
objetivo beneficiar a manutenção das capacidades e habilidades (ABRAZ, c2019).
78
O treinamento das funções cognitivas como atenção, memória, linguagem, 
orientação e a utilização de estratégias compensatórias são benéficas e contribuem 
para a qualidade de vida dos pacientes. Assim as intervenções relacionadas com os 
tratamentos não farmacológicos são: estimulação cognitiva; estimulação social; 
estimulação física.
A estimulação cognitiva é considerada atividades ou programas de intervenção 
que tem por objetivo potencializar as habilidades cognitivas por meio da estimulação 
das funções cognitivas (funções psicológicas), como: o uso de pensamento, raciocínio 
lógico, atenção, memória, linguagem e planejamento. O objetivo estimular para minimizar 
as dificuldades a partir de estratégias compensatórias. As atividades podem ser grupais 
ou individuais. 
Para as atividades são utilizadas técnicas que promovem associação de 
ideias, exigem raciocínio e atenção, visam planejamento em etapas e antecipação 
de resultados, proporcionam treino das funções motoras, controle comportamental. 
Assim, essas atividades podem ser praticadas por meio de “[...] jogos, desafios mentais, 
treinos específicos, construções, reflexões, resgate de histórias e uso de materiais 
que compensem dificuldades específicas (por exemplo, calendário para problemas de 
orientação temporal)” (ABRAZ, c2019, s.p.).
Já em relação à Estimulação social são iniciativas que visam o contato social 
dos pacientes estimulando as habilidades de comunicação, convivência e afeto, 
promovendo integração e evitando a apatia e a inatividade diantede dificuldades. E, por 
fim, a estimulação física busca a prática de atividade física com o objetivo de melhorar 
a coordenação motora, força muscular, equilíbrio e flexibilidade, que assim podem os 
pacientes alcançar uma maior independência e retardar o declínio nas atividades do 
cotidiano (ABRAZ, c2019).
Portanto, para uma melhora da qualidade de vida dos pacientes e de seus 
familiares, recomenda-se que, para um tratamento eficaz, é necessário a combinação 
das intervenções do tratamento não farmacológico, bem como da combinação do 
tratamento farmacológico e não farmacológico, isto a partir de uma investigação da 
necessidade de cada paciente, por meio de uma avaliação e diagnóstico.
Para aprofundar o conhecimento a respeito do Alzheimer, a sugestão 
que fazemos para leitura é o artigo científico nomeado como “Critérios 
para o Diagnóstico de Doença de Alzheimer”, que discute a patologia 
relacionada as classificações do DSM-V, assim aborda dois dos 
assuntos tratados nesse material didático.
DICA
file:///C:/Users/08256293900/Desktop/Livros%20em%20Andamento/Psicopatologia%20Adultez%20e%20Velhice/Links/demneuropsy.com.br/imagebank/pdf/v5s1a02.pdf
file:///C:/Users/08256293900/Desktop/Livros%20em%20Andamento/Psicopatologia%20Adultez%20e%20Velhice/Links/demneuropsy.com.br/imagebank/pdf/v5s1a02.pdf
79
RESUMO DO TÓPICO 2
 Neste tópico, você adquiriu certos aprendizados, como:
• A Doença de Alzheimer foi descoberta por Alois Alzheimer.
• A Doença de Alzheimer é compreendida como uma degeneração que ocorre nos 
neurônicos, e que vai se tornando progressiva, ao mesmo tempo que também se torna 
irreversível. Com isso, o indivíduo apresenta a perda da memória e tem prejuízos em 
outras funções cognitivas, como concentração, atenção, e isto vai sendo verificados 
nos comportamentos diários.
• O paciente com a Doença de Alzheimer apresenta alterações cerebrais, como placas, 
sendo essas originadas de uma proteína chamada beta-amiloide. Também é visto nos 
pacientes redução dos neurônios e sinapses, gerando redução do volume cerebral. A 
DA também é considerada uma doença genética.
• A Doença de Alzheimer pode apresentar em três fases: leve, moderada e grave.
• Alterações na fala, dificuldade para encontrar palavras, desorientação em relação ao 
tempo e espaço, dificuldade nas atividades diárias são alguns dos comportamentos 
das pessoas diagnosticas com DA.
• O acompanhante terapêutico e outros profissionais da saúde podem atuar com a DA, 
contribuindo com trabalhos relacionados aos cuidados, à estimulação à memória e 
outros. 
80
1 Existe uma doença que acomete idosos, que está relacionada com a degeneração 
de neurônicos e que se torna progressiva, ao mesmo tempo que também se 
torna irreversível, e que o indivíduo que apresenta a perda da memória também 
tem prejuízos em outras funções cognitivas. Quanto à doença descrita, assinale a 
alternativa CORRETA:
a) ( ) Parkinson. 
b) ( ) Doença de Alzheimer.
c) ( ) Memória recente. 
d) ( ) Derrame cerebral.
2 Muitas áreas do conhecimento se interessam por estudos relativos à mente e à 
cognição, por isso muito foi descoberto a respeito das funções cognitivas, e com isso 
muitas doenças estão relacionadas ao comprometimento das funções cognitivas, 
como: memória, atenção, concentração etc. Com base na psicopatologia Doença de 
Alzheimer, analise as afirmativas a seguir:
I- O paciente diagnosticado com Doença de Alzheimer tem uma perda de neurônios, 
que pode ser progressiva, porém há mediações que podem bloquear essa perda. 
II- Os tratamentos farmacológicos não são existentes para a Doença de Alzheimer.
III- Para eficácia do tratamento da Doença de Alzheimer são recomendados os 
tratamentos farmacológicos e não farmacológicos.
 
Assinale a alternativa CORRETA:
a) ( ) As afirmativas I e II estão corretas.
b) ( ) Somente a afirmativa II está correta.
c) ( ) As afirmativas I e III estão corretas.
d) ( ) Somente a afirmativa III está correta.
3 A Doença de Alzheimer foi descoberta por Alois Alzheimer, que estudou e publicou 
o caso de uma de suas pacientes, Auguste Deter, a qual era saudável, e com seus 
51 anos desenvolveu um quadro patológico que perdia de maneira progressiva a 
memória, também apresentava comportamentos desorientativos. De acordo com 
seu aprendizado sobre a Doença de Alzheimer, classifique V para as sentenças 
verdadeiras e F para as falsas:
AUTOATIVIDADE
81
( ) A Doença de Alzheimer pode ser apresentada em três fases, sendo: leve, moderada 
e grave.
( ) O paciente com Doença de Alzheimer pode apresentar na fase inicial o esquecimento 
de palavras, como se as palavras não encontrassem uma forma de ser verbalizada.
( ) A Doença de Alzheimer tem cura a medida que o paciente iniciar um tratamento 
farmacológico.
( ) A Doença de Alzheimer não tem cura, e possui apenas tratamento não farmacológico.
Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA:
a) ( ) V – F – F – F.
b) ( ) V – F – V – V.
c) ( ) V – V – F – F.
d) ( ) F – F – V – V.
4 A Doença de Alzheimer é compreendida como uma degeneração que ocorre nos 
neurônicos, e que vai se tornando progressiva, e ao mesmo tempo irreversível, com 
isso o indivíduo apresenta a perda da memória, e tem prejuízos em outras funções 
cognitivas, como concentração e atenção, além de isto acabar sendo verificado nos 
comportamentos diários. Disserte a respeito das causas do desenvolvimento da 
Doença de Alzheimer.
5 O paciente com Doença de Alzheimer pode receber intervenção de diferentes 
profissionais, como médicos e psicólogos, com o objetivo de investigar as funções 
cognitivas de idosos, e intervir por meio de programas de estimulação a memória e 
outras funções cognitivas. Dessa forma, profissionais da saúde precisam reconhecer 
os sintomas DA nas diferentes fases, então descreva sintomas das fases leve, 
moderada e grave.
82
83
TÓPICO 3 - 
PARKINSON
1 INTRODUÇÃO
Acadêmico, no Tópico 1, você conheceu o manual CID-11 (definição, estrutura e 
organização) e o manual DSM-V (definição, estrutura e organização). Também refletimos 
a respeito das diferenças entre os manuais. No Tópico 2, você estudou a Doença de 
Alzheimer, e pôde compreender suas causas, sintomas, características e fases, bem 
como entender as formas de avaliação, tratamento e o papel do psicólogo nesse cenário. 
Nesse sentido, no Tópico 3 você conhecerá outra psicopatologia, o Parkinson, 
de modo a descrever sua definição e causas, sintomas, características, bem como 
avaliação e tratamento. O Parkinson é uma patologia que já foi bastante discutida na 
sociedade, uma vez que já foi tema de reportagens televisivas em jornais e programas 
de fácil acesso do público brasileiro. No entanto, para acompanhantes terapêuticos e 
outros profissionais da saúde, faz-se necessário compreender o Parkinson com a visão 
da ciência. Assim, a primeira questão para refletir é: será que muitos brasileiros são 
diagnosticados com Parkinson?
Segundo Hospital Albert Einstein, que tem interesse na temática, “[…] no Brasil 
existem poucos números sobre a doença de Parkinson e esta não é uma doença 
de notificação compulsória. Números não oficiais apontam para pelo menos 250 mil 
portadores” (PARKINSON, [c2022]). Assim, esse dado indica que muitas pessoas 
carregam a patologia, o que justifica a necessidade de acompanhantes terapêuticos, 
bem como profissionais da saúde obterem conhecimento a respeito.
UNIDADE 2
Para aprofundar seus conhecimentos sobre a doença de Parkinson 
no Brasil, indicamos a leitura de um artigo científico chamado “Doença 
de Parkinson: Revisão de Literatura”, que apresenta um levantamento 
bibliográfico com os estudos brasileiros, o que possibilita ao leitor 
compreender, ao longo dos anos, o que vem sendo realizado no país.
DICA
https://brazilianjournals.com/index.php/BRJD/article/view/29678/23399
https://brazilianjournals.com/index.php/BRJD/article/view/29678/23399
84
2 PARKINSON: COMPREENDENDO A PATOLOGIA, 
DEFINIÇÃO E CAUSAS
A Doença de Parkinsoné uma doença que pode aparecer durante o desen-
volvimento humano, mais precisamente, os primeiros sintomas aparecem no final da 
vida adulta ou no início na velhice, então a Doença de Parkinson, assim como a Doença 
de Alzheimer precisa ser bastante compreendida pelos profissionais da saúde, uma 
vez que o diagnóstico também é clínico e requer cuidados. O diagnóstico requer uma 
investigação da história de vida do paciente, compreensão das características e dos 
comportamentos apresentados nos últimos meses, pois estes também podem contri-
buir para o entendimento do profissional a respeito do paciente.
Para a coleta de informações, não apenas o paciente pode ser escutado e fonte 
desses dados, como também um membro familiar bastante próximo, que pode relatar 
comportamentos observados, assim esses e outros recursos, quando agrupados, podem 
contribuir com a coleta de informação sobre o paciente, e assim, de fato contribuir com 
o diagnóstico, e por meio desse dar andamento ao tratamento do paciente. A seguir, 
você, acadêmico, compreenderá a respeito da definição da Doença de Parkinson.
2.1 DEFININDO E COMPREENDENDO A DOENÇA DE 
PARKINSON 
A respeito da vida adulta e velhice, em quase todo mundo cresce a população 
com idade igual ou superior aos 60 anos de idade, assim segundo Silva e Carvalho (2019, 
p. 331): 
[...] o envelhecimento populacional mundial vem acontecendo de 
forma acelerada e um dos grandes desafios deste século é a criação 
de estratégias para manter a qualidade de vida e para qualificar o 
cuidado da população idosa, que apresenta uma elevada prevalência 
de doenças crônicas degenerativas e incapacitantes.
E, conforme Fernandes e Andrade Filho (2018), citados por Vicentini, Machado 
e Marques (2021), de acordo com a Organização Mundial da Saúde, 1% do grupo de 
pessoas que estão com idade superior a 65 anos de idade serão afetados pela Doença 
de Parkinson (DP). A DP é uma doença neurodegenerativa bastante comum, sendo a 
segunda que mais afeta as pessoas, após a Doença de Alzheimer (DA). O Parkinson 
foi abordado e usado pela primeira vez em 1817, por um médico, cirurgião e inglês, 
chamado James Parkinson. Ele e o neurologista Jean-Martin Charcot trabalhavam na 
época com pacientes que tinham as características da doença que hoje reconhecemos 
como Parkison, então após James Parkinson descrever as características e sintomas 
observados nos pacientes, Jean-Martin Charcot chamou a doença descrita pelo colega 
de “Mal” de Parkinson.
85
A doença “Mal” de Parkinson ficou bastante popular e sempre foi reconhecida 
pelos profissionais e pessoas da sociedade. Dessa maneira, porém, devido ao estigma 
social que esse termo gerava, bem como o preconceito, tanto os médicos como as 
pessoas na sociedade, foram deixando de usar, e passando a usar a nomeação Doença 
de Parkinson (DP). Assim, a DP é caracterizada pelas alterações das funções motoras 
e não motoras, atingindo mais homens do que mulheres, e normalmente os sintomas 
iniciais começam por volta dos 45 anos, mas estarão mais evidentes por volta dos 60 a 
65 anos de idade (WHO, 2020). 
Na Figura 10, pode-se verificar uma situação bastante clássica do início dos 
sintomas da DP, que é o tremor das mãos, que acaba interferindo nas atividades do 
cotidiano, como se alimentar, escrever, segurar algum objeto. 
FIGURA 10 – DOENÇA DE PARKINSON
FONTE: . Acesso em: 28 mar. 2022.
Muitas vezes os idosos que apresentam tremores nas mãos acabam não 
verbalizando no início para os membros familiares, assim articulando saídas para 
executar a ação necessária, como se alimentar segurando a mão que apresenta tremor. 
Assim, os sintomas apenas são descobertos quando estão mais evoluídos. Portanto, a 
DP é uma doença neurodegenerativa, que vai afetar principalmente as funções motoras, 
desde a coordenação fina (movimentos de pinça), como movimentos locomotores, 
assim, portanto, é importante compreender as causas e a evolução dessa doença. A 
seguir, você poderá estudar esses aspectos.
A Doença de Parkinson é bastante confundida com a Doença de Alzheimer, 
embora sejam doenças neurodegenerativas, são bastante diferentes em 
relação às causas, sintomas e comprometimentos.
ATENÇÃO
86
2.2 DOENÇA DE PARKINSON: CAUSAS E EVOLUÇÃO
No processo de envelhecimento, que é esperado e natural que ocorra, todos 
os indivíduos saudáveis, como na Figura 11, vão apresentar morte das células nervosas, 
responsáveis por produzir dopamina. No entanto, algumas pesquisas já verificaram que 
há pessoas que perdem essas células num ritmo muito acelerado, assim as explicações 
para isto seria que mais de um fator desencadeia essa situação.
FIGURA 11 – PROCESSO DE ENVELHECIMENTO SAUDÁVEL
FONTE: . Acesso em: 28 mar. 2022.
Nessa perspectiva, a Doença de Parkinson (DP) já foi bastante pesquisada 
e continua sendo interesse dos pesquisadores nacionais e internacionais, e até o 
momento as causas do DP podem ser agrupadas em dois fatores, sendo: genéticos e 
ambientais (VICENTINI, MACHADO, MARQUES, 2021; RIEDER et al., 2018). 
As causas genéticas estão relacionadas ao que os estudiosos nomeiam como 
mutação genética, que ocorre no DNA do indivíduo e levam ao desenvolvimento 
da doença. Esta mutação não seria algo tão comum, mas quando ocorre em uma 
determinada família, muitos membros podem ser afetados, uma vez que a alteração 
genética está no DNA.
Por sua vez, as causas ambientais estão relacionadas ao contato do indivíduo 
com algum ambiente ou substância encontrada em um determinado ambiente, que 
provocou impacto na morte e assim perda dos neurônios responsáveis pela produção 
de dopamina. Exemplos: químicas tóxicas, metais pesados (chumbo, arsênio, alumínio, 
titânio etc.), pesticidas, entre outros. O chumbo, um metal pesado, bastante versátil, 
porém considerado tóxico, pode ser bioacumulativo, e comprometer a saúde do ser 
humano, sendo uma das substâncias relacionadas à diminuição de dopaminas em 
casos de DP.
87
Com relação à evolução, normalmente ela tem um início unilateral, então os 
sintomas vão afetar primeiramente um dos lados do corpo e tendem a evoluir. Nesse 
sentido, com a evolução, os sintomas acabam comprometendo o outro lado do paciente 
e a região axial, assim acaba gerando prejuízos ao equilíbrio, a postura e a marcha 
(locomoção). Quando afeta o acometimento axial, o paciente passa a apresentar 
sintomas de comprometimento da voz, fala e deglutição, porém esses sintomas 
considerados axiais ocorrem de maneira mais tardia.
Com relação ao progresso da doença, o ritmo será variável, sendo de indivíduo 
para indivíduo, podendo alguns viver com bem com pouca limitação e dificuldade, 
mesmo depois de 20 anos do início da doença, e outros vivendo com uma maior 
limitação com bem menos tempo do diagnóstico e descoberta da doença. A DP não 
costuma apresentar sintomas cognitivos nas fases iniciais, mas nas fases intermediárias 
e avançada pode apresentar sintomas relacionados à cognição (memória, atenção, 
percepção, linguagem etc.), a alterações do sono, à depressão e a distúrbios do sistema 
nervoso autônomo (RIEDER et al., 2018).
3 PARKINSON: CARACTERÍSTICAS E SINTOMAS
A DP, que é um distúrbio neurológico progressivo, que resulta na perda de 
neurônios e de células que estão localizadas na região do cérebro conhecida como 
substância negra, nessa localidade há a produção de dopamina, sendo essa substância 
relacionada com as funções que controlam o movimento do corpo. Na Figura 12 há 
a representação da área do cérebro afetada, normalmente a área frontal, responsável 
pelos movimentos, movimentos voluntários do corpo, linguagem, gerenciamento das 
habilidades cognitivas, com isso essa área é reconhecida por controlar o comportamento 
e emoções. Com isso, ao ter problemas nessa região pode afetar os movimentos 
corporais, a capacidade de se expressar, mudanças de comportamento.
FIGURA 12 – CÉREBRO AFETADO NA ÁREA DO MOVIMENTO
FONTE: .Acesso em: 28 mar. 2022.
88
Segundo Martins (2008), a DP apresenta sintomas e características que são 
básicas e consideradas de investigação clínica. Assim, Silva e Carvalho (2019) e Rieder 
et al. (2018) apresentam que os principais sintomas da Doença de Parkinson são: 
tremor em repouso, rigidez, déficits no equilíbrio e na marcha, bradicinesia e redução na 
amplitude dos movimentos. 
A complementar, Beitz (2014) destaca que os sintomas poderiam ser 
compreendidos como uma integração de quatro componentes principais, como: sintomas 
motores; alterações cognitivas; alterações comportamentais e neuropsiquiátricas; e 
os sintomas relacionados às disfunções no sistema nervoso autônomo. Na Figura 13, 
verifica-se um dos principais sintomas iniciais da DP, os tremores nas mãos.
FIGURA 13 – SINTOMA DE TREMORES NAS MÃOS
FONTE: . Acesso em: 28 mar. 2022.
Diante do exposto, os principais sintomas da Doença de Parkinson, são:
• tremor, que afeta geralmente as mãos, podendo também se apresentar tremores nas 
pernas e no queixo, isto quando a pessoa está em repouso, aumentando quando o 
indivíduo passar por situações estressantes;
• lentidão dos movimentos;
• rigidez muscular  e a bradicinesia, que é a lentidão dos movimentos, devido à 
dificuldade em realizá-los;
• desequilíbrio, gerado a chamada instabilidade postural;
• alteração na fala;
• alteração na escrita, devido as dificuldades nos movimentos de coordenação fina, por 
conta dos tremores;
• perda de movimentos como piscar e/ou expressões faciais.
Portanto, em relação aos sintomas, quando existir um tremor, bastante 
característico, ou seja, a presença de tremor de repouso, importante ficar atento em 
outros relatos do paciente. Entretanto, importante ressaltar que, além dos sintomas 
físicos, os pacientes podem apresentar alterações emocionais e cognitivas que são 
frequentemente encontradas com a progressão da doença.
89
Para compreender os sintomas e as características da Doença de 
Parkinson é interesse assistir e analisar o filme “Never Steady, Never Still” 
traduzido para o português como “Nunca firme, nunca quieto”, que trata 
da história de uma mãe que luta para ter o controle de sua vida, mesmo 
estando em um estágio avançado da doença de Parkinson.
DICA
4 PARKINSON: AVALIAÇÃO E TRATAMENTO
O diagnóstico do DP é de caráter clínico, assim não há um exame ou teste 
específico para diagnóstico, então a investigação deve ser por meio dos sintomas e 
sinais clínicos descritos, em conjunto com a evolução do caso, levantamento do 
histórico da vida do paciente, coleta de informações por meio de entrevistas com 
paciente e membros da família (com autorização do paciente), observação do paciente. 
Para compreender todas as informações levantadas, o profissional pode discutir o caso 
com outros profissionais da saúde, bem como utilizar os manuais de classificação de 
doenças como auxílio do estudo do paciente. Na Figura 14, você pode verificar uma 
equipe multiprofissional, pois no caso da DP é uma doença que precisa de cuidados de 
diferentes profissionais da saúde, principalmente no momento do tratamento. 
FIGURA 14 – DIFERENTES PROFISSIONAIS DA SAÚDE
FONTE: . Acesso em: 28 mar. 2022.
Em relação ao profissional mais habilitado para tal diagnóstico é o médico 
neurologista, porém psicólogos podem contribuir com avaliação psicológica e estudo 
da história de vida do paciente, assim outros profissionais podem contribuir com 
investigação de sintomas e no tratamento. Os exames, como tomografia cerebral, 
ressonância magnética podem ser úteis e servem apenas para avaliação de outros 
diagnósticos, assim contribuem com os diagnósticos diferenciais. Vale aqui destacar 
que, o exame de tomografia computadorizada por emissão de fóton-único tem o objetivo 
de quantificar a dopamina cerebral (SPECT-Scan), e o resultado pode ser bastante útil 
para o diagnóstico, uma vez que essa substância está bastante relacionada com a 
doença (DALGALARRONDO, 2018).
90
Quanto ao tratamento, para a DP existem vários tratamentos eficazes, porém 
não existe a cura. Os tratamentos normalmente são para diminuir a presença dos sinais 
e sintomas, de modo que retarda o progresso da doença, e assim também pode melhorar 
a qualidade de vida dos pacientes, para que esses possam exercer suas atividades do 
cotidiano. De tal modo, os tratamentos estão divididos em três grandes grupos, que 
são: tratamento farmacológico, tratamento por meio de cirurgia e tratamento não 
farmacológico (RIEDER et al., 2018; ORTIZ, 2010).
Com relação aos tratamentos farmacológicos, a medicação Levodopa ou 
L-Dopa  é um medicamento bastante utilizado e eficaz, pois ele ameniza os sinto-
mas da doença. O efeito dessa medicação é que ela se transforma em dopamina no 
cérebro, e dessa maneira ela acaba suprindo, mesmo que de maneira parcial, a falta 
do neurotransmissor e das suas funcionalidades. Porém, as pesquisas revelam que 
quanto mais os pacientes usam, mais reações podem ser apresentadas, gerando rea-
ções diversas, como movimentos involuntários e anormais (DALGALARRONDO, 2018; 
ORTIZ, 2010).
A respeito das cirurgias, essas também podem ser uma forma de tratamento 
para alguns casos de DP. As cirurgias normalmente são realizadas quando há lesões 
no núcleo pálido interno (Palidotomia) ou do tálamo ventro-lateral (Talamotomia). 
Estes locais são responsáveis por provocar mecanismo da rigidez e tremor. A cirurgia 
normalmente é indicada para os pacientes que tem mais a presença desses sintomas, 
e a indicação é realizada pelo médico (DALGALARRONDO, 2018).
E, por fim, os tratamentos não farmacológicos são aqueles que podem ser 
realizados com psicólogo, fisioterapia, fonoaudiólogo, terapeuta ocupacional, educador 
físico, entre outros. Assim, o psicólogo pode oferecer o suporte psicológico, em 
atendimentos individual, ou em grupo, para pessoas que compartilham da mesma 
situação, já o fisioterapeuta pode trabalhar a reeducação e a manutenção da educação 
física, pode ainda, como demonstra na Figura 15 trabalhar com os movimentos, 
flexibilidade articular, rigidez (ORTIZ, 2010).
FIGURA 15 – FISIOTERAPEUTA E O DP
FONTE: . Acesso em: 28 mar. 2022.
91
O terapeuta ocupacional “[...] é o profissional que melhor poderá orientar 
o paciente com o objetivo de facilitar as atividades da vida diária, bem como indicar 
condutas que propiciem independência para a higiene pessoal e sua reinserção em sua 
atividade profissional” (DALGALARRONDO, 2018, s.p.). Esse trabalho pode ser visto na 
Figura 16, e ainda, a o fonoaudiólogo pode trabalhar com a reabilitação da comunicação, 
ou até mesmo das palavras, isto em terapia voltada a estimular à fala e à voz, para que o 
paciente consiga ter uma fala compreensível (DALGALARRONDO, 2018).
FIGURA 16 – TERAPEUTA OCUPACIONAL E A DP
FONTE: . Acesso em: 28 mar. 2022.
Portanto, um tratamento de maneira global inclui medicamentos, fisioterapia, 
fonoaudiologia, suporte psicológico, suporte nutricional, atividade física entre outros 
que visem melhorar a qualidade de vida do paciente, reduzindo o prejuízo funcional 
devido à doença, para que o paciente possa ter uma maior autonomia e uma qualidade 
de vida que se estenda por muitos anos (ORTIZ, 2010).
92
RESUMO DO TÓPICO 3
 Neste tópico, você adquiriu certos aprendizados, como:
• O envelhecimento populacional mundial vem aumentando e um dos grandes desafios 
é manter a qualidade de vida, porém há uma elevada prevalência de doenças crônicas 
degenerativas e incapacitantes como DP.
• A DP é uma doença neurodegenerativa bastante comum, sendo a segunda que mais 
afeta as pessoas, após a Doença de Alzheimer.
• A DP é caracterizada pelas alterações das funções motoras e não motoras.
• Os principais sintomas da Doença de Parkinson são: tremor em repouso, rigidez, déficits 
no equilíbrio e na marcha, bradicinesia e redução na amplitude dos movimentos.
• Não existe cura para a DP, mas existe tratamento.• Ela deve ser tratada combatendo os sintomas, e retardando o seu progresso.
• Os tratamentos para DP são Levodopa ou L-Dopa, cirurgias, estimulação profunda 
do cérebro (marcapasso cerebral), fisioterapia, terapia ocupacional e fonoaudiologia. 
93
RESUMO DO TÓPICO 3
1 A Doença de Parkinson é uma doença degenerativa, que ficou muito conhecida 
pelas pessoas por “Mal” de Parkinson, mas devido ao nome estigmatizar as pessoas 
e tratar com preconceito, com o tempo os médicos foram deixando de utilizar essa 
nomenclatura. A respeito dos sintomas, assinale a alternativa CORRETA:
a) ( ) Lentidão dos movimentos, rigidez muscular e a bradicinesia.
b) ( ) Lentidão dos movimentos, tremor e desequilíbrio mental.
c) ( ) Lentidão dos movimentos, desequilíbrio psicológico e perda de memória.
d) ( ) Desequilíbrio psicológico, perda de memória, tremor e rigidez.
2 Os pacientes diagnosticados com Doença de Parkinson podem apresentar diferentes 
sintomas e sinais na vida cotidiana, porém o mais conhecido são os tremores, pois 
é um sintoma clássico da doença. A respeito dos sintomas, analise as afirmativas a 
seguir:
I- Apresenta perda de memória, podendo não lembrar de pessoas próximas.
II- Pode apresentar alteração na fala, e não ser compreendido no momento da 
comunicação.
III- Apresenta desequilíbrio postural, devido à alteração na coordenação.
Assinale a alternativa CORRETA:
a) ( ) As afirmativas I e II estão corretas.
b) ( ) Somente a afirmativa II está correta.
c) ( ) As afirmativas II e III estão corretas.
d) ( ) Somente a afirmativa III está correta.
3 A Doença de Parkinson é difícil de ser diagnosticada, pois não há exames específicos 
para diagnosticar, uma vez que o diagnóstico é clínico, assim necessita de uma 
investigação, e há estratégias que podem contribuir com o médico, para que depois 
possa iniciar o tratamento. Leia e classifique V para as sentenças verdadeiras e F para 
as falsas:
( ) Há tratamento e cura para a Doença de Parkinson.
( ) Há medicamentos que podem contribuir para a Doença de Parkinson.
( ) Tratamentos com medicamentos, cirurgias, fisioterapia são recomendadas para a 
Doença de Parkinson.
Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA:
AUTOATIVIDADE
94
a) ( ) V – F – F.
b) ( ) F – V – V.
c) ( ) F – V – F.
d) ( ) F – F – V.
4 A população mundial de pessoas idosos vem aumentando, e os cuidados com o 
corpo e mente também possuem aumento, em relação às décadas passadas. No 
entanto, os estudiosos vêm observando que a prevalência de doenças crônicas vem 
ocorrendo, e a Doença de Parkinson é uma delas. Disserte a respeito de como ocorre 
essa doença, e cite os principais sintomas.
5 Os principais sintomas da Doença de Parkinson são tremor em repouso, rigidez, déficits 
no equilíbrio e na marcha, bradicinesia e redução na amplitude dos movimentos, com 
isso os tratamentos visam minimizar os sintomas e retardar a evolução dos sintomas. 
Diante disso, disserte sobre tratamento de Doença de Parkinson. 
95
TÓPICO 4 - 
OUTROS TRANSTORNOS PSICOPATOLÓGICOS
DA VIDA ADULTA E VELHICE
1 INTRODUÇÃO
Acadêmico, no início desta Unidade, apresentamos o manual CID-11 (definição, 
estrutura e organização) e o manual DSM-V (definição, estrutura e organização). No 
Tópico 2, abordamos a Doença de Alzheimer, enquanto no Tópico 3 estudamos sobre a 
Doença de Parkinson. Adiante, no Tópico 4, você aprenderá um pouco mais sobre outras 
psicopatologias da vida adulta e velhice. 
Na sociedade atual, as mudanças surgem com grande frequência, sendo que, 
nos últimos anos, com a pandemia, muitas mudanças ganharam forma no modo como 
nos relacionamos, o que impactou a saúde mental das pessoas. É comum, em conversas 
do cotidiano, escutarmos que alguém adoeceu psicologicamente, assim como também 
é comum ouvirmos ou conhecermos alguém diagnosticado com depressão.
A depressão pode ser considerada um transtorno psicológico, caracterizado 
por uma tristeza persistente que impede o indivíduo de realizar suas atividades do 
cotidiano. Entretanto, mais do que entender a definição, um acompanhante terapêutico 
precisa compreender os períodos da vida com maior incidência de aparecimento da 
depressão, bem como os comportamentos relacionados a ela. Portanto, a seguir, você 
compreenderá como a depressão pode surgir na vida adulta e velhice, além de entender 
as possíveis causas e os sintomas apresentados.
UNIDADE 2
2 DEPRESSÃO NA VIDA ADULTA E VELHICE
O crescente envelhecimento da população é algo que vem ocorrendo no mundo 
todo, principalmente nos países mais desenvolvidos. Portanto, “[...] o envelhecimento 
humano é um processo biológico natural, e não patológico caracterizado por uma 
série de alterações morfofisiológicas, bioquímicas e psicológicas que acontecem no 
organismo ao longo da vida” (ARGIMON, 2006, p. 243). 
Nesse sentido, Argimon (2006, p. 243) explica que “[...] o envelhecimento 
populacional se deve ao avanço da promoção de saúde nas últimas décadas, na qual 
se obtiveram o controle das doenças infectocontagiosas e a diminuição da taxa de 
mortalidade infantil e da taxa de natalidade”.
96
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) destaca que, em 2012 a 
população com 60 anos de idade ou mais era de 25,4 milhões, em 2017 cresceu para 
30,2 milhões, assim em cinco anos teve um aumento de 18% desse grupo etário, que 
tem se tornado cada vez mais representativo no Brasil (PARADELLA, 2018). Assim, 
até 2030 é previsto que ocorra uma mudança bastante considerável no aumento da 
população idoso no Brasil, e assim os brasileiros com 60 anos ou mais irão ultrapassar 
o número de crianças de 0 a 14 anos de idades, porém, com esse avanço, será maior o 
número de indivíduos com depressão. 
Argimon (2006) coloca que, uma vez a população idosa aumentando faz-se 
necessário os profissionais da saúde compreenderem as necessidades dessa faixa 
etária. Assim, o mesmo autor destaca que, em relação à: 
[...] área cognitiva, o declínio cognitivo ocorre como um aspecto 
normal do envelhecimento. A natureza exata destas mudanças, no 
entanto, não é uma certeza, e problemas relacionados à linha que 
separa este declínio de possibilidades de uma possível demência são 
muito tênues, principalmente por não haver ainda uma referência 
consistente frente à demanda nesta faixa etária. (ARGIMON, 2006, 
p. 243).
Em especial, a depressão é um transtorno psicológico, caracterizado por uma 
tristeza persistente, que impede que o indivíduo realize as suas atividades do cotidiano, 
desde a mais elaborada como trabalhar, até mesmo, pode gerar falta de vontade e 
desânimo para atividades menos complexas, como tomar banho, se trocar, se alimentar, 
interagir com as pessoas (PARADELLA, 2018; NÓBREGA et al., 2015). Da mesma forma, 
Stella et al. (2002, p. 92) apontam que a depressão consiste em ser uma “[...] enfermidade 
mental frequente no idoso, associada a elevado grau de sofrimento psíquico”. 
A complementar, a DSM-V (2013) relata que a depressão pode ser compreendida 
como um transtorno de humor, ou seja, o humor oscila de moderado a profundo, 
podendo ser de curta ou longa duração, então o indivíduo apresentado humor alterado, 
perdendo interesse e prazer na vida, reduzindo a energia.
Com relação à classificação da patologia no manual, a Classificação Internacional 
das Doenças – CID 10, a depressão está organizada na categoria F, especificamente 
na F32, sendo: F32 Episódio depressivo, organizada F32.0 Episódio depressivo leve, 
.00 Sem sintomas somáticos, .01 Com sintomas somáticos, F32.1 Episódio depressivo 
moderado, .10 Sem sintomas somáticos, .11 Com sintomas somáticos, F32.2 Episódio 
depressivo grave sem sintomas psicóticos, F32.3 Episódio depressivo grave com 
sintomas psicóticos, F32.8 Outros episódios depressivos, F32.9 Episódio depressivo, 
não especificado.
Segundo Paradella (2018), os sintomas clássicos da depressão estão relacionados 
há três grandes aspectos, sendo: afeto, cognição e somáticos. O primeiro, afeto, está 
relacionadoaos sintomas e comportamentos correspondente a choro, tristeza, apatia. 
97
O segundo, cognição, está relacionada a comportamentos voltados para desesperança, 
culpa, e até mesmo sentimento de inutilidade, ideias de morte. O terceiro, somáticos, 
está relacionada a falta de energia, dores, sono e diminuição da libido. 
Pearson e Brown (2000) destacam que em pacientes idosos, a depressão 
costuma ser acompanhada por queixas somáticas, hipocondria, baixa autoestima, 
sentimentos de inutilidade, humor disfórico, tendência autodepreciativa, alteração do 
sono e do apetite, ideação paranoide e pensamento recorrente de suicídio. Todavia, 
quando esses sintomas são observados no processo de envelhecimento, isto pode 
dificultar o entendimento, uma vez que no envelhecimento ocorrem alterações como 
as descritas na depressão, como alteração da cognição, em especial, memória, 
concentração, atenção (PARADELLA, 2018; MARTINS, 2008).
Para compreender os sintomas de depressão no paciente idoso e diferenciar 
de sintomas e comportamentos que podem aparecer no processo de envelhecimento 
existe como realizar o diagnóstico clínico, baseado em anamnese e entrevistas, para 
investigar história de vida, rotina, sintomas, episódios depressivos anteriores, uso de 
medicamentos, situações e vivência de luto. Segundo Martins (2008) ao se abordar 
sobre depressão no idoso, torna-se relevante um diagnóstico diferencial, devido aos 
sintomas e comportamentos apresentados na depressão que também são de outras 
patologias. Dessa maneira, Stella et al. (2002, p. 92) apontam que:
[...] as causas de depressão no idoso configuram-se dentro de um 
conjunto amplo de componentes onde atuam fatores genéticos, 
eventos vitais, como luto e abandono, e doenças incapacitantes, entre 
outros. Cabe ressaltar que a depressão no idoso frequentemente 
surge em um contexto de perda da qualidade de vida associada ao 
isolamento social e ao surgimento de doenças clínicas graves.
A complementar, conforme Paradella (2018), existem alguns fatores que são 
considerados de risco para depressão, como idade avançada, doenças crônicas, 
ansiedade, falta de vínculos, convivência em grupos sociais, falta de suporte social, 
viuvez, falta de atividade social. Assim, Martins (2008, p. 119) relata que “[...] é nas idades 
avançadas que ela atinge os mais elevados índices de morbilidade e mortalidade, na 
medida em que assume formas incaracterísticas, muitas vezes difíceis de diagnosticar 
e, consequentemente, de tratar”. 
A depressão é uma condição clínica, profissionais da saúde que trabalham com 
idosos devem sempre ficar atentos aos comportamentos apresentados, pois muitos 
fazem parte do processo de envelhecimento, mas também podem ser indicativos de 
depressão, por isso é importante sempre avaliar, bem como é importante a atenção dos 
membros familiares ou de pessoas próximas aos idosos.
98
Na velhice é necessário estar atento às mudanças de comportamento, 
pois muitos dos comportamentos do processo de envelhecimento 
acabam se confundindo com os sintomas de depressão.
IMPORTANTE
2.1 DEPRESSÃO: TRATAMENTO
O tratamento da depressão no idoso tem o objetivo de minimizar o sofrimento 
psíquico, diminuir qualquer o risco grave para o paciente, com por exemplo: suicídio, 
como também melhorar o estado de saúde geral do paciente, e assim a sua qualidade 
de vida (STELLA et al., 2002). O tratamento da depressão pode ser considerado um 
desafio que envolve intervenção especializada. As estratégias de tratamento, envolvem 
psicoterapia e intervenção psicofarmacológica (STELLA et al., 2002; PARADELLA, 2018).
A intervenção psicoterapêutica, com o profissional psicólogo, pode auxiliar a 
identificar os fatores que desencadearam o processo depressivo, assim sendo, informa-
ções para a orientação dos familiares, dos cuidadores e do próprio paciente. Também 
podem ser informações para outros profissionais da saúde, como fisioterapeuta, educa-
dor físico, terapeuta ocupacional, acompanhante terapêutico, médicos etc. As Ativida-
des do tipo terapia ocupacional, como a participação do idoso em atividades artísticas 
também têm seu papel no tratamento do idoso deprimido (STELLA et al., 2002).
O tratamento psicofarmacológico da depressão está relacionado ao uso de 
fármacos que possam contribuir com o tratamento, sempre prescrito por um médico. 
Os farmacológicos para depressão são diversos, então para receitar ao paciente idoso 
o médico depende de uma série de informações, e vai depender muito do perfil de 
tolerabilidade do paciente (STELLA et al., 2002).
Assim, os farmacológicos para depressão são chamados de inibidores seletivos 
da recaptação de serotonina, que constituem em citalopram e sertralina. Com isso, esta 
categoria, existe o paroxetina e fluoxetina, bastante utilizados com idosos (STELLA et 
al., 2002). Ainda a respeito dos tratamentos, Lima et al. (2019, p. 5) aborda que:
[...] a atividade física é um importante aliado no tratamento dos 
sintomas depressivos, pois diminui o estresse e o risco de ansiedade, 
assim como é um relevante fator de melhora na qualidade de vida, 
porque além de retardar sintomas depressivos, diminui o risco 
cardiovascular que acomete essa faixa etária, proporcionando um 
bem-estar físico e mental.
99
Também é importante relatar que a família é essencial no tratamento da 
depressão de idosos, pois a família pode acompanhar o tratamento, fornecer suporte as 
necessidades físicas e emocionais do idoso. Os profissionais podem realizar orientações 
a familiares dos idosos depressivos, de modo a informar a respeito da doença, sintomas, 
tratamentos, bem como assessorar e orientar frente ao tratamento.
Diante do exposto, pode-se compreender que a respeito do tratamento da 
depressão pode ser utilizado psicoterapia, fármacos, atividade física, suporte e trabalho 
desenvolvido junto a família, assim esses tratamentos podem ser combinados de acordo 
com a necessidade de cada paciente, ou seja, de acordo com os sintomas apresentados, 
bem como história de vida.
3 ALTERAÇÕES PSICOLÓGICAS NA VIDA ADULTA E 
VELHICE 
Na Unidade 1, você, acadêmico, verificou algumas mudanças do corpo (físico 
e mental) que ocorre durante o desenvolvimento humano. Em especial, pode verificar 
a teoria de Erik Erikson a respeito das fases do desenvolvimento, assim pode ver de 
maneira detalhada as nomenclaturas e ocorrências de cada fase, compreendendo mais 
os aspectos psicológicos e sociais que ocorrem frente as mudanças do processo de 
envelhecimento.
A respeito das mudanças físicas e psicológicas da fase adulta e velhice, elas 
iniciam por volta dos 40 anos de idade e vão até o final da vida. Sobre as mudanças 
físicas, elas podem ser observáveis e não observáveis, como: acuidade visual, tônus do 
musculo, coloração capilar, volume dos pelos, elasticidade da pele, entre tantas outras. 
Todas essas mudanças podem variar de indivíduo para indivíduo em termos de momento 
que vai ocorrer, e da qualidade de vida do indivíduo (que pode postergar o surgimento, 
exemplo, um indivíduo que sempre praticou esporte, pode apresentar um maior tônus 
muscular na velhice, do que aquele que nunca se exercitou), mas sempre há a presença 
dessas mudanças físicas, uma vez que isto faz parte do envelhecer.
Com relação às mudanças psicológicas, elas podem estar relacionadas desde 
as mudanças das funções cognitivas, como a memória, a atenção, a percepção, até 
aquelas associadas aos grupos sociais e de convivência, papéis sociais, ambiente 
familiar e de trabalho. Entretanto, na Unidade 2, você acadêmico pode verificar o 
quanto todas essas mudanças do processo de envelhecimento podem ser fatores que 
desencadeiam psicopatologia, ou que, associadas a outros fatores (história de vida, 
genética, biológico) podem desenvolver psicopatologias. Envelhecer não é adoecer. Os 
sintomas de patologias geram sofrimento psíquico no indivíduo.
100
Diante disso, faz-se necessário que os profissionais da saúde exerçam sus 
atividades com idosos compreendam as psicopatologias,principalmente aquelas que 
mais afetam os idosos, como a Doença de Alzheimer, Doença de Parkinson, Depressão, 
mas também importante compreender as patologias físicas que mais acarretam idosos 
e podem aparecer como comorbidades em idosos, como hipertensão arterial, diabetes 
tipo 2, colesterol, osteoporose etc.
Para trabalhar com idosos, independente da especialidade dentro da 
área da saúde é necessário compreender as mudanças dessa fase do 
desenvolvimento, conhecer a história de vida do paciente, bem como 
ter conhecimento das pessoas que convive com ele, e dos tipos de 
relações e interações sociais do idoso, pois tudo pode contribuir para 
o acompanhamento.
DICA
101
RESILIÊNCIA FAMILIAR DIANTE DO DIAGNÓSTICO DA DOENÇA DE PARKINSON 
NA VELHICE
Larissa Jorge Ferreira de Faria
Priscilla Melo Ribeiro Lima 
Nara Liana Pereira-Silva
Resumo: este artigo disserta sobre o processo de resiliência familiar diante do 
diagnóstico de doença de Parkinson (DP) na velhice. Tem como objetivo estudar 
o processo de envelhecimento com a presença de DP; analisar os conceitos de 
autonomia e resiliência; e discutir as mudanças na dinâmica familiar e a importância 
da resiliência diante da DP. Os referenciais teóricos utilizados foram o sistêmico e 
conceitos desenvolvidos pela Psicologia do Lifespan. O idoso, quando diagnosticado 
com DP, afora enfrentar as mudanças decorrentes da velhice, necessita lidar com as 
incapacidades decorrentes da doença. Ademais, sua família necessita de readaptação 
e reajustamento na organização das tarefas e cuidados diários, assim como no tocante 
aos papéis familiares. Ressaltamos também os conceitos de autonomia e dependência 
propostos por Margret Baltes. Partindo da definição de resiliência familiar de Walsh, 
discorremos sobre as estratégias de enfrentamento do idoso e seu sistema familiar. Foi 
possível refletir acerca do sofrimento do idoso com DP, os recursos dos quais ele e sua 
família lançam mão para enfrentar a doença e sua repercussão na dinâmica familiar. 
Refletimos, também, o papel da Psicologia nesse processo, notando que é um campo 
ainda pouco explorado. 
Palavras-chave: Velhice. Doença de Parkinson. Dinâmica familiar. Resiliência.
O aumento da expectativa de vida da população mundial, e especificamente 
brasileira, tem trazido novas demandas tanto para a implementação de políticas públicas 
voltadas para a população idosa quanto para os profissionais de saúde e da Psicologia. 
Veras e Oliveira (2018, p. 1930) destacam alguns desafios para a Saúde Pública que, a 
nosso ver, também são desafios para a Psicologia. Podemos destacar o questionamento 
sobre como “manter a independência e a vida ativa com o envelhecimento”, haja vista 
o envelhecimento corporal e a gradativa perda da autonomia; encontrar formas de 
“fortalecer políticas de prevenção e promoção da saúde, especialmente aquelas voltadas 
para os idosos”; e construir caminhos para “manter e/ou melhorar a qualidade de vida 
com o envelhecimento”.
LEITURA
COMPLEMENTAR
102
Com a etapa da velhice cada vez mais extensa, as doenças crônicas têm se 
tornado cada vez mais frequentes. Dentre elas, as que são próprias do processo de 
envelhecimento cerebral, como Mal de Alzheimer e Doença de Parkinson (DP), colocam o 
sistema familiar do idoso diante de um diagnóstico que traz consigo temores, mudanças 
e um prognóstico angustiante. No presente artigo, articularemos as mudanças próprias 
do envelhecimento com os desafios impostos pela DP. 
Em meio ao diagnóstico e à evolução da DP, tanto o idoso enfermo quanto sua 
família passam por várias crises e necessitam encontrar estratégias de enfrentamento – 
tanto para as perdas próprias do processo de envelhecimento quanto para a doença. Ao 
enfrentar tantas perdas, faz-se necessário uma mudança na dinâmica e nas crenças da 
família, assim como na vida e no papel desempenhado por cada um de seus membros 
a fim de dar melhor respaldo ao sistema, ao idoso com DP, e lidarem com o evento 
estressor de forma resiliente, fortalecendo o sistema familiar. O idoso com DP, por sua 
vez, é desafiado a lidar com a perda gradativa de sua independência em função da 
doença, além de enfrentar os conflitos característicos da velhice.
Para melhor compreender esse processo, este artigo objetiva estudar o 
processo de envelhecimento e a fase da velhice com a presença de DP. Para tanto, 
analisamos os conceitos de autonomia e resiliência que nos forneceram o embasamento 
para compreender as perdas que o sistema familiar enfrenta. Após a análise desses 
conceitos, discutimos as mudanças na dinâmica familiar e a importância da resiliência 
diante da DP. 
Mudanças do processo de envelhecimento
A palavra “velho” traz consigo diversos estereótipos e associações, principalmente 
por estar associada à ideia de morte. Em nossa sociedade contemporânea, a juventude é 
um ideal cultural que acaba por trazer para a velhice4 uma conotação negativa. Há uma 
renegação da velhice, influenciada pelo fato de o corpo velho, com as marcas dos anos, 
ser o oposto do corpo padrão jovem idealizado no mercado de consumo e no modelo 
social atual. Esse discurso hegemônico de valorização do jovem e belo constrói e leva 
a uma associação do corpo envelhecido e do idoso a representações de decrepitude e 
morte (LIMA; LIMA; COROA, 2016).
O envelhecimento é um processo inevitável e inseparável da vida, no qual 
estão implicadas mudanças biológicas, físicas e psicológicas. Messy (1999), psiquiatra 
e psicanalista francês pioneiro do estudo da psicanálise da velhice e das demências, 
ressalta as diferenças entre a velhice e o processo de envelhecimento. Messy afirma 
que o envelhecimento, como processo, é o “tempo da idade que avança” (p. 23). Velhice, 
no entanto, remete a uma fase específica da vida, a qual não se sabe precisar quando 
se inicia, variando de indivíduo para indivíduo. Ela surge por ocasião de uma ruptura 
brutal de equilíbrio entre as perdas e as aquisições da pessoa, tanto biológicas quanto 
sociais e cognitivas (BALTES; BALTES, 1990; MESSY, 1999). A entrada na velhice está, 
103
também, ligada à percepção do próprio corpo, uma vez que o corpo reflete tanto 
a forma como o indivíduo se vê como a maneira que ele se apresenta ao mundo. 
A imagem corporal compõe a identidade do sujeito e sofre modificações em todas 
as fases da vida (LIMA; VIANA, 2015). Todavia, é na velhice que sua mudança é 
vivenciada como mais angustiante, seja por aproximar o sujeito da morte, seja por 
ser socialmente desvalorizada e evitada. Conforme Debert (2012), houve, ao longo da 
história do mundo ocidental, uma mudança na percepção do desenvolvimento e do 
envelhecimento durante a vida. A idade torna-se cada vez mais irrelevante para os 
ritos de passagem de cada etapa, como casamento, maternidade/paternidade. Com 
isso, o mercado de consumo tem como núcleo o enaltecimento da juventude. Instala-
se a possibilidade para o sujeito ser um “jovem jovem”, como também ser um “velho 
jovem”. Nesse imaginário social, o processo de envelhecimento e a própria fase da 
velhice são percebidos como algo negativo, caracterizados apenas pelos desgastes, 
limitações, perdas físicas e de papéis sociais. Uma das perdas mais significantes é a 
do trabalho, ligada ao papel social do indivíduo.
[...] Segundo Goldfarb (2006), a aposentadoria representa a saída do mundo do 
trabalho e a marginalização do sujeito. Em um mundo que valoriza o trabalho e o que 
se faz na vida, uma pessoa fora do mercado de trabalho e da cadeia de produção pode 
ser vista como sem utilidade pelo mero fato de não produzir mais. O indivíduo perde, 
assim, o papel social que costumava exercer, a partir do qual construiu uma identidade, 
além de perder seu status e uma rede social existente (LIMA; VIANA, 2015). É notória a 
dificuldade para investir em novos papéis sociais e manter o engajamento social nessa 
etapa do desenvolvimento, como observaram Pinto e Neri (2017) e Veiga, Ferreira e 
Cordeiro (2016). 
Velhice, perdas e dependência 
Navelhice, o indivíduo enfrenta diversas perdas, além da saída do trabalho, que 
desencadeiam a perda de um papel social delimitado, como a do papel e status de chefe 
da família, de pessoas próximas e da vitalidade de seu próprio corpo. Concomitantemente, 
segundo Cunha (2013), o processo de envelhecimento tem uma base celular e uma 
base ambiental. Essas bases dizem respeito aos genes envolvidos em processos de 
reparação, manutenção e reaproveitamento de componentes celulares, e também aos 
fatores ambientais mais influentes, como a dieta e a atividade física. Apesar de ainda 
não se conhecer os detalhes e minúcias do processo biológico de envelhecimento, 
sabe-se que há um retardamento e comprometimento de diversos sistemas fisiológicos 
e cognitivos, em especial do sistema nervoso, que gera uma paulatina dependência 
conforme o processo de envelhecimento avança. Pensando a dependência, Torres, Sé 
e Queroz (2006) distinguem três tipos que vão, aos poucos, se instalando na velhice: a 
cognitiva, a física, e a comportamental.
104
A dependência cognitiva relaciona-se à perda de autonomia, ou seja, quando 
o idoso necessita de alguém para ajudá-lo a compreender o mundo ao seu redor. A 
dependência física apresenta-se quando há incapacidade de realização de atividades 
de vida diárias (AVDs) sem ajuda, como arrumar a casa, fazer compras, preparar 
refeições, entre outros. Já a dependência comportamental relaciona-se ao desamparo 
aprendido, no qual o idoso tem baixa responsividade acreditando não ser apto para 
realizar determinada tarefa.
Ainda sobre a dependência, Baltes (1996), em estudo acerca das várias expressões 
da dependência na velhice, afirma que ela: a) é multifacetada, podendo ser estrutural, 
emocional, cognitiva, real ou pseudodependência; b) é multifuncional devido ao fato de 
ela ser necessária em alguns momentos, como nos primeiros anos de vida, quando dá 
respaldo à construção de um alto nível de saúde mais à frente no desenvolvimento; c) 
está presente em todos os estágios da vida, podendo representar a transição entre as 
fases do desenvolvimento ou estar associada ao contexto socioambiental do indivíduo 
(dependência aprendida). Esse último caso se assemelha à terceira dependência tratada 
por Torres, Sé e Queroz (2006). Tendo em vista essas características, percebe-se que a 
dependência do idoso pode aumentar quando há a presença de uma doença crônica e 
alterar a dinâmica de toda a família.
Cabe salientar que a dependência pode existir concomitantemente à 
presença de autonomia. Enquanto o binômio dependência/independência está 
ligado à capacidade do sujeito em desempenhar suas tarefas diárias, a autonomia é 
compreendida como a liberdade e capacidade para agir e tomar decisões cotidianas no 
tocante à própria vida (BALTES, 1996; FERREIRA et al., 2012). Baltes (1996) afirma que 
autonomia é um fator importante na velhice, dando ao idoso o poder de escolher as 
estratégias de enfrentamento que melhor lhe for conveniente. Portanto, dependência 
não interfere no juízo de valor ou na capacidade de tomar decisões, logo não significa 
perda de autonomia. Além disso, é importante que se leve em consideração os diversos 
tipos de dependência, desde a oriunda de deficiência sensorial, de doença física, até a 
decorrente de alguma doença crônica (BALTES, 1996).
Outra perda destacada na velhice diz respeito ao corpo. A representação mental 
do corpo altera ao longo da vida, porém, com o envelhecimento, o indivíduo despede-se 
do corpo jovem e ágil. Ele percebe que seu corpo caminha cada vez mais para longe do 
modelo ideal de corpo da sociedade. Segundo Lima (2013), a percepção das mudanças 
corporais acarreta a perda dos processos de identificação. “O corpo conhecido, com o 
qual o sujeito adulto conviveu desde a adolescência transforma-se em um outro corpo, 
diferente, mas estranhamente familiar” (Lima, 2013, p. 143). Há uma discrepância entre a 
imagem do corpo refletida no espelho e a percebida internamente. Desse modo, inicia-
se o processo de desidealização da autoimagem internalizada. Lima e Viana (2015) e 
Novo (2003) ressaltam a importância de uma construção de novos ideais e valores 
durante a transição para a velhice. Para Wolf (1997, citado por Novo, 2003), a crise 
de desidealização vem logo após a desilusão no contexto das relações interpessoais 
105
significativas. No envelhecimento, essa desilusão pode ser representada pela perda do 
vigor físico e também pela morte de coetâneos. Retomando a discrepância presente 
no idoso, o indivíduo velho tem a tarefa de lidar com perdas progressivas da função 
mental e física, e submetê-las a um processo de elaboração interna que pode abalar 
sua autoestima e seu sentimento de competência pessoal [...].
Somado a todas essas perdas e necessidade de elaboração interna, o idoso e 
sua família enfrentam, muitas vezes, o estabelecimento de uma doença crônica. [...]
A família na etapa tardia e a Doença de Parkinson
A entrada do sujeito na velhice acarreta, além do envelhecimento corporal 
e da saída do mercado de trabalho, mudanças sociais significativas na dinâmica e 
organização familiar. Com a saída definitiva dos filhos de casa, ocorre um esvaziamento 
do lugar de chefe da família – tanto para o homem como para a mulher, afirmam 
McGoldrick e Shibusawa (2016) e Walsh (1995). Essa etapa do ciclo de vida familiar 
é denominada de estágio TARDIO (CARTER; MCGOLDRICK, 1995; MCGOLDRICK; 
SHIBUSAWA, 2016). As relações familiares, então, se transformam. O “ninho vazio” e 
o consequente arrefecimento na intensidade das relações com os filhos acarretam a 
necessidade de elaboração de uma nova forma de se perceber nesse contexto. Deixar 
de ser o foco central da dinâmica familiar e ceder esse lugar aos filhos nem sempre 
é fácil. Walsh (2016) ressalta que o surgimento de doenças incapacitantes e doenças 
crônicas, somada à consequente perda da independência e à mudança nas relações 
com os filhos – que passam a ser os cuidadores e detentores de poder de decisão –, 
impõe um sofrimento significativo aos membros familiares. Ser cuidado e depender dos 
filhos após ter sustentado o papel e lugar de cuidador e provedor é, quase sempre, fonte 
de sofrimento. [...]
FONTE: . Acesso em: 30 jan. 2022.
106
RESUMO DO TÓPICO 4
 Neste tópico, você adquiriu certos aprendizados, como:
• A depressão é um transtorno psicológico que causa tristeza persistente e impede a 
realização das tarefas diárias.
• Dependendo da intensidade dos sintomas a depressão pode ser dividida em leve, 
moderada ou grave.
• Pode surgir em qualquer idade, desde crianças até adultos e idosos.
• A depressão pode se apresentar de maneira leve, moderada ou grave. 
• A depressão tem o tratamento, e nesse pode incluir psicoterapia, medicamentos, 
entre outros cuidados.
• O indivíduo com depressão pode receber tratamento de diferentes profissionais da 
saúde.
107
RESUMO DO TÓPICO 4
1 Qual patologia é caracterizada por uma tristeza persistente, que impede que o 
indivíduo realize as suas atividades do cotidiano, apresentando mudanças de humor, 
e mudanças de comportamento?
a) ( ) Depressão
b) ( ) Doença de Parkinson
c) ( ) Alzheimer
d) ( ) Transtorno de humor
2 Os pacientes diagnosticados com depressão podem apresentar diferentes sintomas 
e sinais na vida cotidiana, porém o mais conhecido é a tristeza profunda e/ou 
persistente, pois é um sintoma considerado clássico no diagnóstico da doença. A 
respeito dos sintomas, analise as afirmativas a seguir:
I- Apresenta perda de memória, podendo não lembrar de pessoas próximas.
II- Pode apresentar alteração no humor.
III- Apresenta desinteresse nas atividades que antes era prazerosa.
Assinale a alternativa CORRETA:
a) ( ) As afirmativas I e II estão corretas.
b) ( ) Somente a afirmativa II está correta.
c) ( ) As afirmativas II e III estão corretas.
d) ( ) Somente a afirmativa III está correta.
3 A depressão que é caracterizadaprincipalmente pela tristeza persistente, é uma 
doença difícil de ser diagnosticada em idosos, pois muitos dos comportamentos do 
processo de envelhecimento são características do quadro de depressão. Com base 
nisso, classifique V para as sentenças verdadeiras e F para as falsas:
( ) Há tratamento e cura para a depressão.
( ) Há medicamentos que podem contribuir para a depressão.
( ) Tratamentos com medicamentos e cirurgias para depressão.
Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA:
a) ( ) V – F – F.
b) ( ) F – V – V.
c) ( ) F – V – F.
d) ( ) F – F – V.
AUTOATIVIDADE
108
4 A população mundial de pessoas idosos vem aumentando, e os cuidados com o 
corpo e mente também vem aumentando, porém muito se observa de diagnóstico 
de depressão em idosos. Há décadas não se estudava a população idosa em relação 
a construtos tão importante como depressão. Disserte a respeito de depressão em 
idosos, e cite os principais riscos.
5 A depressão já foi bastante investigada, assim atualmente sabe a respeito dos 
sintomas, avaliação e os tratamentos para essa patologia. Assim, entende-se que, 
os sintomas de depressão podem ser agrupados em três grandes aspectos, sendo: 
afetivo, cognitivo e somáticos. Diante disso, disserte sobre tratamento de Doença de 
Parkinson. 
109
REFERÊNCIAS
ALMEIDA, O. P. Biologia molecular da doença de Alzheimer: uma luz no fim do túnel? 
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112
113
ACOMPANHAMENTO 
TERAPÊUTICO: AVALIAÇÃO, 
ANAMNESE, ENTREVISTA 
CLÍNICA, MODELOS DE 
INTERVENÇÃO E TÉCNICAS
DE TRATAMENTO
UNIDADE 3 — 
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
PLANO DE ESTUDOS
A partir do estudo desta unidade, você deverá ser capaz de:
• compreender outros transtornos psicopatológicos da vida adulta e velhice;
• compreender a perda da memória no final da vida adulta e na velhice, bem como os 
possíveis transtornos de memória;
• compreender a depressão, e como ela pode ocorrer na vida adulta e na velhice;
• demonstrar competências de avaliação clínica e diagnóstica;
• saber utilizar instrumentos de avaliação diagnóstica e na intervenção, recuperação e 
reabilitação dos utentes e famílias;
• entender a implementação modelos de intervenção e técnicas de tratamento 
aplicados aos problemas de saúde mental;
• perceber as especificidades de cada área técnica de intervenção, ao serviço de um 
modelo integrado de atuação em saúde mental;
• integrar o papel da dinâmica familiar (doente/família) no contexto terapêutico.
Esta unidade está dividida em três tópicos. No decorrer dela, você encontrará 
autoatividades com o objetivo de reforçar o conteúdo apresentado.
TÓPICO 1 – AVALIAÇÃO PSICOLÓGICA E INTERVENÇÃO
TÓPICO 2 – AVALIAÇÃO PSICOLÓGICA: INSTRUMENTOS E TÉCNICAS 
TÓPICO 3 – AVALIAÇÃO PSICOLÓGICA E A NECESSIDADE DE OUTROS TIPOS DE AVALIAÇÃO
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UNIDADE 3!
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TÓPICO 1 — 
AVALIAÇÃO PSICOLÓGICA E INTERVENÇÃO
UNIDADE 3
1 INTRODUÇÃO
A Avaliação Psicológica é uma metodologia de avaliação do psicólogo. Ela faz 
uso de um conjunto de ferramentas testadas previamente que possibilitam ao psicólogo 
realizar a caracterização de diferentes elementos do indivíduo por meio da observação 
de seu comportamento em ocasiões padronizadas e pré-definidas. 
Assim brevemente definido, é perceptível a importância de seuuso na prática 
profissional de um psicólogo e pode servir de auxílio e instrumentalização no fazer 
do acompanhante terapêutico. Desta forma, acadêmico, no Tópico 1, abordaremos 
a conceitualização da avaliação psicológica, a importância dela para a realização do 
diagnóstico, o uso específico desta ferramenta para o público adulto e idoso, a ética que 
a conduz e os seus modos de intervenção.
2 AVALIAÇÃO PSICOLÓGICA E O DIAGNÓSTICO 
A Avaliação Psicológica corresponde a uma forma de acessar e compreender 
fenômenos e eventos psicológicos através de mecanismos de diagnóstico e prognós-
tico e, em paralelo, aos mecanismos de verificação para produzir as circunstâncias 
necessárias de avaliação ou delimitação dos fenômenos e eventos psicológicos co-
nhecidos (ALCHIERI; BANDEIRA, 2002).
A Avaliação Psicológica é compreendida como o procedimento técnico-científico 
de aquisição de dados, investigação e análise de informações referentes aos processos 
psicológicos, que advém do efeito da relação do sujeito com a sociedade, empregando, 
para isso, procedimentos psicológicos – métodos, técnicas e instrumentos (CFP, 2003).
É possível afirmar também que a Avaliação Psicológica dispõe de uma dinâmica 
de funcionamento ajustável e não padronizado, que se propõe a amarrar uma conclusão 
sobre o motivo pelo qual a avaliação psicológica foi requerida por meio de coleta, 
avaliação e análise de dados condizentes com aquilo que se quer avaliar (URBINA, 2007).
A Avaliação Psicológica já se constitui em uma prática tão entranhada à prática 
da Psicóloga que é, algumas vezes, é tomada como uma atividade simples de ser 
trabalhada, portanto, pode ser manuseada por qualquer um. No entanto, solidificar um 
conhecimento sobre essa ferramenta, que é de aplicação restrita do psicólogo, não é 
tão elementar assim e muito menos de conhecimento subentendido de todos aqueles 
que irão manusear a avaliação psicológica de alguma maneira. 
116
A Avaliação Psicológica é considerada, por especialistas que operam, 
estudam e investigam essa ferramenta, como a base da atividade do 
profissional de psicologia, posto que a criação de práticas de intervenção 
em psicologia seja em qualquer área desse saber e funciona como 
norte para a prática daqueles que trabalham em saúde, pois passa pelo 
domínio dos fenômenos e eventos psicológicos relativos àquele objeto 
que se pretende trabalhar (seja o funcionamento do comportamento 
em psicoterapia ou o funcionamento dos mecanismos inconscientes 
do sujeito). 
IMPORTANTE
Desta maneira, a Avaliação Psicológica pode ser postulada como a natureza 
da prática da Psicóloga. Entretanto, essa compreensão, em muitos momentos, não é 
aquela que norteia o trabalho de muitos profissionais da categoria, posto que estes 
ainda atrelam a prática da Avaliação Psicológica ao emprego singular dos testes 
psicológicos. Uma perspectiva ainda reducionista da utilização da Avaliação Psicológica 
como ferramenta. 
De acordo com Cunha (2000), as origens da Avaliação Psicológica, que 
atualmente corresponde a uma das possíveis atividades exercidas pelos psicólogos, 
remontam de um período que foi definido como a instauração da utilização de testes 
psicológicos. Tendo em vista esta confluência histórica, assim, explica-se a perspectiva 
que se formulou do psicólogo, como um profissional que utiliza testes, visto que 
especificamente testólogo é o que ele era, na primeira metade do século XX. 
No entanto, essa perspectiva não pode mais ser considerada, principalmente 
entre os profissionais da psicologia, que em sua formação aprendem e têm acesso 
a avaliação psicológica de maneira mais aprofundada. Assim, em sua graduação 
psicólogos aprendem a relevância desta ferramenta e conseguem desmistificar algumas 
perspectivas que foram construídas ao longo do tempo (CUNHA, 2000).
Ainda falando da importância da avaliação psicológica, ao longo de sua 
constituição histórica foi possível perceber o quanto essa ferramenta foi crucial para 
a inclusão da psicologia e do psicólogo em diferentes cenários de atuação. Tendo essa 
perspectiva em conta, tem-se a dimensão da importância de estar constantemente 
aprimorando essa ferramenta, para que ela possa assegurar a qualidade do seu trabalho 
e prestação de serviços à população, bem como dá destaque ao aspecto científico que 
está posto no seu fazer, que leva em consideração as suas dimensões éticas e técnicas 
(CUNHA, 2000). 
117
A credibilidade da apuração e conclusões em um processo de avaliação está 
atrelado à necessidade de embasamento teórico/técnico qualificado, que dê suporte as 
análises de acordo com a hipótese do determinismo psíquico do avaliado. A bagagem 
prática do psicólogo, a aposta de que as informações analisadas serem advindas da 
qualificação técnica deste profissional que é capaz de aglutinar a sua análise clínica do 
evento psíquico ao dado fornecido, são requisitos básicos para assegurar a credibilidade 
das conclusões que serão investigadas a partir da consistência teórica do profissional 
(CUNHA, 2000). 
Embora exista a crença na facilidade de como um fenômeno psicológico ou uma 
estrutura de funcionamento do sujeito apareça para um psicólogo, a dinâmica não é 
bem assim. De acordo com Lins e Borsa (2017), os eventos psíquicos não se constituem 
como uma realidade intuída, ou seja, que se oferece instantaneamente à percepção, 
mas sim como realidade instruída, isto é, vem vinculada a partir de um protótipo que, 
como uma “rede”, é empregada pelo profissional sobre os eventos (circunstâncias onde 
acontecem os fenômenos), de modo a ter a capacidade de propor alguma coerência, ou 
promessa de sentido sobre a realidade psicológica humana.
Existem três propósitos essenciais para avaliação psicológica: diagnóstico, 
avaliação de tratamento e meio de comunicação (STENZEL et al., 2012). Com a finalidade 
de diagnóstico, esta avaliação possibilita esclarecer dinâmicas e funcionamento mentais 
que se exprimem em comportamentos e ações que, a maior parte das vezes, a pessoa 
não tem alcance conscientemente, não sendo capaz, assim, de expressar. 
Com o objetivo de avaliação de tratamento, as respostas padronizadas viabilizam 
que se saiba o básico acerca da evolução no tratamento, bem como o progresso da 
doença. Como instrumento de comunicação, diz respeito tanto ao paciente, que, em 
alguns momentos, não está apto a expressar suas dores e sofrimento; quanto à equipe 
multidisciplinar, pois facilita a coleta dos dados pelos instrumentos utilizados, somados 
ao conhecimento da história de vida pregressa e atual do sujeito. 
Sendo assim, quais são os atributos primordiais a serem levados em considera-
ção em uma Avaliação Psicológica? 
QUADRO 1 – O QUE É A AVALIAÇÃO DIAGNÓSTICA
FONTE: Adaptado de CFP (2005)
118
Testes psicológicos e avaliações psicológicas não são a mesma coisa. Os 
testes fazem parte do processo de avaliação psicológica. Avaliar vai muito 
além de aplicar testes. Avaliar é um procedimento dinâmico.
ATENÇÃO
Para o cumprimento de uma boa avaliação psicológica é preciso seguir algumas 
etapas, tais como: 
• distinguir o propósito da avaliação da forma mais precisa e objetiva possível;
• escolher os instrumentos a serem utilizadas de modo condizente ao que o caso 
demanda; 
• empregar de modo atencioso os instrumentos escolhidos; 
• realizar a correção dos instrumentos de modo atencioso; 
• realizar com atenção a interpretação das respostas; 
• estudar atenciosamente os dados coletados; 
• compor o relatório verbal ou escrito do resultado da avaliação. 
3 AVALIAÇÃO PSICOLÓGICA PARA USO EM ADULTOS E 
IDOSOS 
A Avaliação Psicológica vem se constituindo, ao longo dos anos, como uma 
prática importante para a elaboração diagnóstica, mas ainda é bastante complexa. A 
avaliação não se compõe somente de aplicação de testes psicológicos ou entrevista, 
mas exige a compreensão das técnicas, as dinâmicas relacionais, éticas, legais, 
profissionais e sociais envolvidas neste trabalho. 
Quando se entende que é importante levar134
4 O PAPEL DA FAMÍLIA NO DIAGNÓSTICO E INTERVENÇÃO
COM ADULTOS E IDOSOS ................................................................................... 135
4.1 INSTRUMENTOS PSICOLÓGICOS E A DINÂMICA FAMILIAR .................................. 135
RESUMO DO TÓPICO 2 ........................................................................................138
AUTOATIVIDADE ................................................................................................. 139
TÓPICO 3 - AVALIAÇÃO PSICOLÓGICA E A NECESSIDADE
DE OUTROS TIPOS DE AVALIAÇÃO .................................................................... 141
1 INTRODUÇÃO .................................................................................................... 141
2 TRABALHO EM EQUIPE MULTIPROFISSIONAL .............................................. 141
3 AVALIAÇÃO NEUROLÓGICA E AVALIAÇÃO PSIQUIÁTRICA ..........................143
4 ÉTICA DO PSICÓLOGO E O TRABALHO EM EQUIPE
MULTIPROFISSIONAL ........................................................................................146
4.1 A ESPECIFICIDADE DO TRABALHO DO ACOMPANHANTE TERAPÊUTICO ........... 146
LEITURA COMPLEMENTAR ................................................................................148
RESUMO DO TÓPICO 3 .........................................................................................151
AUTOATIVIDADE ................................................................................................. 152
REFERÊNCIAS .....................................................................................................154
1
UNIDADE 1 - 
COMPREENDENDO 
PSICOPATOLOGIAS E 
O DESENVOLVIMENTO 
HUMANO
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
PLANO DE ESTUDOS
A partir do estudo desta unidade, você deverá ser capaz de:
• compreender o desenvolvimento humano, especialmente o ciclo vida no período da 
vida adulta e velhice;
• compreender conceitos mais básicos e fundamentais de psicopatologia;
• compreender a relação do desenvolvimento humano com psicopatologia, em 
especial vida adulta e velhice;
• demonstrar os transtornos psicopatológicos dos dois períodos da vida já 
mencionados.
Esta unidade está dividida em três tópicos. No decorrer dela, você encontrará 
autoatividades com o objetivo de reforçar o conteúdo apresentado.
TÓPICO 1 – PSICOPATOLOGIA
TÓPICO 2 – PSICOPATOLOGIA: VIDA ADULTA
TÓPICO 3 – PSICOPATOLOGIA: VELHICE
Preparado para ampliar seus conhecimentos? Respire e vamos em frente! Procure 
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3
PSICOPATOLOGIA
1 INTRODUÇÃO
Quando um acadêmico de Psicologia inicia o curso, deseja entender como ocor-
rem as “doenças e transtornos mentais”, cientificamente chamados de psicopatologias. 
Mas, para executar uma boa prática profissional, não basta o futuro psicólogo reconhe-
cer cada psicopatologia e seus sintomas, é necessário compreender a relação dela com 
o desenvolvimento humano. Muitas são as diferenças entre os indivíduos, homens e 
mulheres na fase adulta e velhice, não apenas físicas, mas psíquicas. 
O ser humano tem a sua complexidade, pois os aspectos cognitivos, 
físicos e sociais estão relacionados. Então, é necessário entender a respeito dos 
comportamentos humanos e suas capacidades (motora, cognitiva, emocional e social) 
e, consequentemente, compreender como poderá se desenvolver nesse cenário uma 
psicopatologia. –
TÓPICO 1 - UNIDADE 1
FIGURA 1 – DESENVOLVIMENTO HUMANO
FONTE: . Acesso em: 25 mar. 2022.
Vale destacar que não importa o contexto em que o psicólogo exercerá sua 
profissão. Seja no contexto educacional, clínico (representado na Figura 2), hospitalar, 
organizacional, entre outros, o profissional sempre exercerá ações e intervenções 
diretamente com pessoas. 
4
FIGURA 2 – PSICOLOGIA CLÍNICA
FONTE: . Acesso em: 25 mar. 2022.
Neste material, você, acadêmico, compreenderá as psicopatologias relacionadas 
à vida adulta e à velhice, iniciando as análises pelo desenvolvimento humano. 
Você estudará o desenvolvimento humano neste tópico e compreenderá 
melhor a relação deste com as psicopatologias, principalmente focando na 
vida adulta e velhice.
ESTUDOS FUTUROS
2 COMPREENDENDO PSICOPATOLOGIA 
Antes de iniciarmos a discussão e reflexão a respeito de Psicopatologia e 
Patologia faz-se aqui uma advertência: para estudantes de Psicologia, é comum durante 
o estudo da psicopatologia e/ou patologias verem em si mesmas os sintomas ou sinais 
de transtornos mentais (ATKINSON et al., 2007). 
Isto ocorre, pois, a maioria das pessoas, em algum momento, já apresentou 
algum sintoma ou sinal de alguma psicopatologia, no entanto, isso não é um motivo 
de preocupação ou alerta. Contudo, se você acadêmico apresentar algum sintoma que 
persiste por um grande período, busque alguém que você possa conversar a respeito, 
como por exemplo um profissional de sua Faculdade ou do serviço escola de psicologia 
que possa contribuir com você (ATKINSON et al., 2007). Portanto, a seguir, você 
compreenderá a respeito da anormalidade e normalidade, de modo a entender aspectos 
que contribuem para a avaliação do que pode ser classificado como patológico.
5
2.1 PSICOPATOLOGIA: NORMALIDADE X ANORMALIDADE
A psicopatologia, na essência da palavra, segundo Ceccarelli (2005, p. 471, 
grifos nossos):
[...] é composta de três palavras gregas: ‘psychê’, que produziu ‘psique’, 
‘psiquismo’, ‘psíquico’, ‘alma’; ‘pathos’, que resultou em ‘paixão’, 
‘excesso’, ‘passagem’, ‘passividade’, ‘sofrimento’, ‘assujeitamento’, 
‘patológico’ e ‘logos’, que resultou em ‘lógica’, ‘discurso’, ‘narrativa’, 
‘conhecimento’.
[...] [Assim,] psicopatologia seria, então, um discurso, um saber, 
(logos) sobre a paixão, (pathos) da mente, da alma (psique). Ou 
seja, um discurso representativo a respeito do pathos psíquico; um 
discurso sobre o sofrimento psíquico; sobre o padecer psíquico.
Ainda conforme Ceccarelli (2005, p. 471, grifos nossos):
[...] a psychê é alada; mas a direção que ela toma lhe é dada pelo 
pathos, pelas paixões. Médico é aquele – diz Platão no Banquete 
– que está sempre atento ao pathos, às paixões, pois as doenças 
apresentam-se como um excesso de paixões. Como tal, cuida de 
Eros doente. Doente pelo excesso (pelo excesso pulsional).
Mas, para compreender para além do significado e sentido, o primeiro aspecto 
a ser pensado muitas vezes está relacionado com uma pergunta central nessa 
discussão e reflexão a respeito das psicopatologias, sendo: “o que é um comportamento 
patológico?” Esta é uma pergunta feita por muitos estudantes de Psicologia, muito 
discutida por profissionais já formados e que, muitas vezes, precisam discutir os casos 
de seus pacientes. Vale aqui compreender o que é “anormal” e “normal”, e existe uma 
explicação para isso?
Nesse sentido, “anormal” significa “fora da norma”, e muitas características 
relacionadas ao ser humano abrangem uma faixa de valores quando medidas em 
um grupo da população ou população inteira, por exemplo: altura, peso, inteligência 
(ATKINSON et al., 2007).
Dessa mesma maneira, existe uma definição de anormalidade, sendo assim 
baseado numa frequência estatística, então o comportamento “anormal” é aquele que 
estatisticamente se desvia da norma. Mas, se for verificado e avaliado aquilo que sai da 
norma, nem sempre representa uma anormalidade, por exemplo: ao avaliar uma pessoa 
que é feliz, e ela for muito feliz, isto também será um indicativo de fora da norma, sendo 
assim anormalidade, mas não quer dizer uma patologia (ATKINSON et al., 2007).
Assim, este é um exemplo do quanto é necessário ficar atento com aquilo que 
aparentemente é fora da norma estatisticamente, e compreender outros componentes 
e características que podem ajudar a compreender a respeito da anormalidade e 
normalidade. Para essa discussão e reflexão, vale mencionar aqui outros aspectos, 
como: desvios das normastodos esses aspectos em 
consideração, tem-se a consciência da atenção e cuidado que se precisa no momento da 
avaliação, visto que é condição necessária o respeito à vida daquele sujeito que procura 
o profissional para realizar uma avaliação psicológica que pode mudar o direcionamento 
de sua vida, posto que pode produzir ao final um resultado ou diagnóstico clínico. 
Avaliar não pode ser superficial, nem veloz e nem banal. Por esta razão, relativo 
ao aspecto técnico, é preciso que se tenha um conhecimento aprofundado das técnicas 
que serão utilizadas, bem como capacidade crítica para questionar os instrumentos que 
usa (sejam eles testem psicológicos, dinâmicas, entrevista entre outros). É primordial 
que o profissional domine a junção das informações coletadas, que realize análises 
atenciosas destas informações, formule hipóteses a partir deles, posto que estas 
dimensões são integrantes de toda avaliação psicológica. 
119
Desta forma, é interessante, para fazer um bom trabalho de avaliação, que 
o psicólogo possa complementar a sua graduação com cursos de atualização e 
experimentação específica da avaliação psicológica. 
Além de considerar o domínio da técnica é fundamental entender o aspecto 
relacional, pois este traz elementos cruciais sobre os mecanismos transferenciais e 
contra-transferenciais que sempre aparecerão em uma situação de avaliação, ou seja, 
sobre a relação do psicólogo com a pessoa que está sendo avaliada. Sem um enten-
dimento prévio neste quesito, o profissional pode não captar manipulações notórias, 
formas de sedução como amabilidade e resistências por parte do avaliado. O aprimora-
mento da percepção seja sobre si mesmo ou do avaliado requer uma prática contínua 
de autopercepção e autocrítica que, em diferentes momentos, pode ser auxiliado por 
um procedimento de encaminhamento para a psicoterapia por parte do profissional.
O atendimento na Avaliação Psicológica se constitui, essencialmente, em 
uma relação humana em que o profissional, ao dispor de seu arsenal teórico, seus 
sentimentos, suas observações, percepções, perspectivas e análises não pode se furtar 
de um certo distanciamento com relação à pessoa avaliada. 
O requisito do distanciamento possibilita a manifestação do saber de um e o 
saber do outro, entendendo em paralelo que existe o limite de um e o limite de outro. 
Sendo assim, é possível apostar que os fatores que circundam a questão relacional na 
avaliação psicológica podem ser entendidos como tendo um efeito terapêutico, visto 
que este efeito ocorre justamente da possibilidade de criação de um vínculo sólido entre 
psicólogo e o sujeito avaliado. 
Desse modo, é fundamental ressaltar o emprego da imparcialidade, do 
distanciamento e do não julgamento moral. Essa posição diante do outro que se está 
atendendo se constitui como um exercício diário, que não é simples, ao passo que é 
crucial para a estruturação do processo da avaliação psicológica. 
Outro aspecto a ser considerado é a ética que necessita sempre guiar qualquer 
prática. Faz parte do trabalho do profissional de saúde (seja ele qual for) o respeito ao 
outro, ao seu sofrimento, a aposta de produzir a menor falha possível com a nossa 
intervenção e bancar os resultados das avaliações, ainda que elas desagradem terceiros 
(pais, chefes e outros). 
Deste modo, a avaliação psicológica nunca pode ser corriqueira, nunca é neutra 
com relação aos efeitos que as práticas irresponsáveis podem acarretar ao avaliado e 
para a imagem da classe dos psicólogos. Seja trabalhando em uma instituição ou de 
modo privado, o profissional precisa agir com cuidado ao aplicar e corrigir testes e a 
forma de transmitir seus resultados. 
120
3.1 A ESPECIFICIDADE DO TRABALHO DE AVALIAÇÃO 
PSICOLÓGICA COM ADULTOS E IDOSOS
Quando tratamos da Avaliação Psicológica pensando no público adulto e idoso 
precisamos estabelecer uma configuração cuidadosa e pensar em uma organização 
adequada ao objetivo/ pedido. O adulto apenas passará pela avaliação após as 
explicações necessárias das etapas e os objetivos que compõem a avaliação psicológica 
e a partir do entendimento advir o seu consentimento e cooperação com a realização.
O procedimento da Avaliação Psicológica é composto por um quantitativo de 
atendimentos mutável, mas delimitado a um número que varia de seis a oito, em grande 
parte dos casos, nas quais é efetuada a entrevista clínica e são empregados testes e pro-
vas psicológicas, com o propósito final de compor um relatório de avaliação psicológica.
As Avaliações Psicológicas podem ser destinadas para os seguintes objetivos: 
• avaliação das funções e características cognitivas;
• avaliação da personalidade e do funcionamento psicológico; 
• avaliação diagnóstica (transtorno de ansiedade, transtorno depressivo ou outra);
• avaliação de competências de atenção e mnésicas;
• perícias de personalidade em contexto médico legal.
Fases do Processo de Avaliação Psicológica:
• entrevista clínica (uma a duas sessões): é composto de uma conversa para coleta 
de dados sobre o objetivo/pedido da avaliação psicológica, as informações signifi-
cativas da história de vida para o procedimento de avaliação (vida amorosa, familiar, 
profissional etc.) e conhecimento do histórico psicológico e médico se for importante;
• escolha e aplicação de instrumentos (três a quatro sessões): por meio da 
entrevista clínica será possível selecionar os instrumentos a serem aplicados;
• análise e interpretação dos resultados: é o momento em que o psicólogo avalia 
os resultados oferecidos pelas diferentes formas de coletas de dados (entrevista, 
somado a dinâmica e aos testes psicológicos, por exemplo) e constrói as conclusões 
compondo o relatório de avaliação psicológica. Esta etapa não necessita da presença 
física do adulto, e tem a duração mínima de duas semanas;
• entrega do relatório (uma sessão): existe uma sessão que o psicólogo deve 
destinar para a entrega e devolutiva do relatório, esclarecendo as resoluções da 
avaliação psicológica e tirando as dúvidas que emergem. O propósito do relatório de 
avaliação psicológica é transmitir de modo claro, coerente e sistêmica, atendendo 
objetivamente ao que ele foi demandando, não pesando na linguagem técnica, 
diminuindo a probabilidade de compreensões errôneas. 
121
4 ÉTICA EM AVALIAÇÃO PSICOLÓGICA
Quando falamos sobre a ética na Avaliação Psicológica é crucial que antes 
possamos entender o que de fato significa o conceito de ética. Toda civilização necessita 
de normas de convivência humana. Por exemplo, é sabido que precisamos nos vestir 
para sair de casa, que matar viola as regras, que não devemos jogar lixo nas ruas etc. 
Estes exemplos configuram aquilo que chamamos de moral, isto é, uma reunião de 
normas que direcionam o comportamento dos homens na sociedade. Cada civilização 
cria os seus princípios morais de acordo com a sua configuração e elementos históricos.
Quando tratamos da ética, estamos tratando da ciência que estimula o 
pensamento crítico acerca dessas regras morais, os quais estão remetidos aos ideais da 
ação humana. Desse modo, torna-se mais simples compreender o que se estabelece 
como ética profissional: são preceitos e normas morais na prática de determinada 
profissão. A ética profissional nos coloca diante de uma perspectiva crítica, sólida e 
coesa sobre os valores que guiam a nossa prática.
O Código de Ética Profissional do Psicólogo nos traz uma noção de homem 
e de sociedade, direcionando uma determinada compreensão das relações entre os 
indivíduos. Estabelecem princípios e normas que precisam levar em consideração os 
modos de vida e seus direitos fundamentais. 
Os dois documentos mais relevantes que corporificam os princípios da Ética 
Profissional do Psicólogo e instrumentalizam a prática deste profissional são o Código 
de Ética e o Guia de Princípios Éticos da APA (American Psycological Association), de 
1953. O presente Código de Ética Profissional do Psicólogo – o terceiro do campo PSI –, 
passou a vigorar no dia27 de agosto de 2005, depois da publicação da Resolução nº 10 
de 2005. Seu objetivo principal é salvaguardar um modelo de conduta que consolide o 
reconhecimento social dos psicólogos, consonantes com os indispensáveis princípios 
da sociedade e para a prática desempenhada do profissional. Colocar o Código de 
Ética Profissional em constante avaliação crítica corresponde a estar em par com as 
transformações que ocorrem em nossa sociedade (CFP, 2005).
O Código de Ética é uma ferramenta de produção de pensamento que levanta 
também a necessidade do debate acerca dos limites e pontos de encontros relacionados 
aos direitos individuais e coletivos (da sociedade, categoria, usuários e clientes), 
abarcando a multiplicidade da profissão. Direciona, desta forma, para as atribuições e 
obrigações do profissional para a sociedade, delimitando diretrizes para a sua formação, 
bem como de instrumentalizar as possíveis falhas que o profissional possa incorrer 
(HUTZ, 2015). 
As principais diretrizes da prática profissional situados no Código de Ética são: 
122
• respeito, liberdade, dignidade, igualdade e integridade;
• estimular o acesso à saúde e à qualidade de vida;
• responsabilidade social;
• atualização profissional continuada;
• promover a circulação do conhecimento científico;
• postura autorreflexiva e crítica.
Dialogando com as mais básicas diretrizes do Código de Ética Profissional do 
Psicólogo organizado pelo Conselho Federal de Psicologia, a APA estipulou seis normas 
cruciais para a formação e prática do psicólogo. Em primeiro lugar, a importância da 
qualificação técnica, que significa sustentar um bom nível de rigor em seus trabalhos, 
entendendo os seus limites e somente acolhendo demanda para os quais está apto. 
Para tanto, este profissional precisa constantemente se atualizar acerca dos novos 
conhecimentos prevalentes em seu campo de atuação (HUTZ, 2015). 
É importante que o profissional seja correto, justo e atencioso em sua práxis, 
posto que as suas intervenções possuem efeitos na vida das pessoas. Atenção, 
principalmente, para não projetar suas expectativas e ideais em seus clientes/pacientes 
(HUTZ, 2015). 
O compromisso com a ciência e atuação profissional direciona o profissional 
a ser pautado pela sua abordagem (mas não ser irredutível a ela) e a ajudar outros 
colegas, profissionais de outras áreas e instituições a trilhar um posicionamento ético no 
local em que trabalha. Nesta direção, o profissional também precisa conferir ao cliente/
paciente o direito ao sigilo sobre aquilo que é trazido como questão dentro do espaço 
de atendimento (HUTZ, 2015). 
Para além, é preciso compreender que as pessoas têm autonomia sobre suas 
ações; elemento importante para considerar em suas intervenções. Outra questão 
trazida, mas não menos importante é a responsabilidade social do trabalho, ou seja, 
a promoção da democratização do conhecimento científico para a comunidade a qual 
está inserido e de uma forma mais ampla. O profissional de saúde precisa também ter o 
compromisso na elaboração de leis e políticas que autonomizem a sociedade sem que 
incorram em vantagens profissionais e na compreensão de que os sujeitos têm direitos. 
5 INTERVENÇÃO PSICOLÓGICA COM ADULTOS E IDOSOS 
O movimento de compreender a pessoa que busca a avaliação psicológica 
se faz presente como objetivo em todo o seu percurso. De acordo com Trinca (2003), 
é preciso fazer uso de diferentes instrumentos que viabilizem a passagem de um 
desconhecimento do avaliado para um conhecimento daquilo que ele traz como 
demanda. Este é percurso que efetua aquele que se pauta pelo pensamento científico, 
o profissional de psicologia poder acessar seus processos mentais (cognitivos) – sentir, 
123
observar, perceber, formular hipóteses, correlacionar e, desse modo, compreender o 
fenômeno psicológico e, deste modo, fazer uso da Avaliação Psicológica como um pilar 
importante para a intervenção posterior. 
Para se aprofundar mais nas possibilidades, manejos e discussão ética 
da Avaliação Psicológica, o Conselho Regional de Psicologia de Curitiba 
fez uma coletânea importante de artigos que tratam das especificidades 
e pesquisas da avaliação psicológica em “Avaliação Psicológica: 
Dimensões, Campos de Atuação e Pesquisa”. Acesse o documento em: 
https://bit.ly/3vcmi6g.
DICA
A Avaliação Psicológica, ao longo das diferentes pesquisas realizadas no de-
correr da história, foi tomando uma multiplicidade de arranjos, tendo como objetivo 
sempre a investigação dos fenômenos psicológicos. Assim, podemos dizer que faz 
parte das pesquisas em Avaliação Psicológica pensar a especificidade do público ava-
liado (seja ele infantil, adolescente, adulto ou idoso). 
5.1 O PROCESSO DE INTERVENÇÃO PSICOLÓGICA COM 
ADULTOS E IDOSOS
A vida adulta é tracejada por questões específicas. Existem as demandas 
familiares, profissionais, sexuais, físicas e sociais que circulam entre as preocupações 
deste público. Logo, a partir dessas exigências é comum perceber os casos de estresse, 
depressão, ansiedade e outros sintomas patológicos nesse momento da vida. 
Levando em consideração as características sociais, biológicas e psicológicas 
do sujeito avaliado, o profissional pode realizar uma hipótese diagnóstica a partir 
dos seus instrumentos de trabalho utilizados na avaliação psicológica (testes, 
entrevista, dinâmicas) e, dependendo do resultado, encaminhar para um tratamento 
psicoterapêutico, psiquiátrico, neurológico ou acompanhamento terapêutico. Assim, 
podemos afirmar que uma avaliação psicológica não deixa de ser uma intervenção, 
posto que ela parte de um processo de desconhecimento para obtenção de informações 
sobre si (TISSER; COIMBRA, 2019). 
Os pedidos para avaliação por adultos compreendem as mais diversas demandas 
possíveis, seja para processo seletivo de emprego, seja para conquistar a carteira 
nacional de habilitação, obtenção de porte de arma, perícia judicial, psicodiagnóstico, 
entre outros. É dever, assim, do psicólogo ter em vista a especificidade do trabalho 
de avaliação requerido, as singularidades do público atendido, as questões sociais e 
ambientais para escolher a melhor intervenção a ser realizada (TISSER; COIMBRA, 2019). 
124
Com relação ao público idoso, as maiores requisições de intervenção são na 
direção da avaliação das dificuldades cognitivas, em particular, prejuízos na atenção/
concentração, memória, lentificação no processamento das informações, questões 
emocionais relacionadas ao envelhecimento, perdas, ansiedade e depressão. A avaliação 
destes tópicos geralmente pode ser feita em complementaridade com os familiares 
(entrevistas), observação clínica do idoso e aplicação de testes psicológicos (TISSER; 
COIMBRA, 2019). 
125
RESUMO DO TÓPICO 1
 Neste tópico, você adquiriu certos aprendizados, como:
• Precisamos, inicialmente, conceitualizar a Avaliação Psicológica e entender as razões 
pelas quais ela se constitui em uma importante ferramenta de avaliação diagnóstica, 
assim, podemos ter acesso aos requisitos básicos para o cumprimento de uma boa 
avaliação psicológica.
• Importa considerar a especificidade do trabalho de Avaliação Psicológica com Adultos 
e Idosos, seus objetivos, as fases e os instrumentos possíveis a serem utilizados no 
processo.
• É muito importante pensar a ética profissional na execução da avaliação psicológica, 
posto que a ética profissional nos coloca diante de uma perspectiva crítica, sólida e 
coesa sobre os valores que guiam uma prática profissional em saúde.
• Os instrumentos de avaliação disponíveis e os requisitos devem ser observados no 
momento da avaliação no processo de intervenção psicológica com adultos e idosos.
126
1 A Avaliação Psicológica é uma das ferramentas importantes de trabalho do psicólogo. 
Este instrumento de trabalho por vezes está envolto por algumas discordâncias 
dentro do campo PSI: seus críticos acreditam que ela pode se tornar excessivamente 
patologizante, quando foca no enquadramento de uma determinadaconcepção do 
que seria normal. Sobre a avaliação psicológica, assinale a alternativa CORRETA:
a) ( ) A Avaliação Psicológica é uma metodologia técnico-científica de obtenção de 
dados, pesquisa e análise de informações referentes aos processos psicológicos 
da relação homem-sociedade. 
b) ( ) A avaliação psicológica baseada exclusivamente em testes psicológicos 
corresponde a um conhecimento legítimo, estabelecendo um critério de 
progresso do saber validado cientificamente.
c) ( ) A avaliação Psicológica está instrumentalizada e tem como foco principal a 
realização de psicodiagnósticos que viabilizem a escolha do melhor tratamento 
a ser efetuado com o avaliado. 
d) ( ) A Avaliação Psicológica é norteada pelo Guia de Princípios Éticos da APA 
(American Psycological Association) e se destina tão somente a avaliação de 
competências humanas e seus processos. 
2 A prática do psicólogo deve estar sempre permeada e ter como objetivo geral a 
emancipação humana, conferindo a pessoa que o procura respeito a sua dignidade, 
integridade e liberdade. Para tanto, esse profissional deve trabalhar a partir de alguns 
norteadores. Sobre a dimensão ética no trabalho de avaliação psicológica, analise as 
afirmativas a seguir:
I- O psicólogo, ao trabalhar com a avaliação diagnóstica, precisa se pautar no Código 
de Ética Profissional, pois este traz os princípios e normas da profissão e leva em 
consideração os modos de vida e seus direitos fundamentais.
II- Um dos objetivos do Código de ética é estimular o pensamento crítico de cada 
psicólogo sobre sua prática, de forma que este profissional possa se responsabilizar 
por suas decisões e resultados de sua ação. 
III- Para aplicar a avaliação psicológica nos sujeitos, não precisa ter tanta familiaridade 
com os instrumentos utilizados na avaliação, basta que o profissional de psicologia 
tenha realizado a graduação em psicologia. 
Assinale a alternativa CORRETA:
a) ( ) As afirmativas I e III estão corretas.
b) ( ) Somente a afirmativa II está correta.
c) ( ) As afirmativas I e II estão corretas.
d) ( ) Somente a afirmativa III está correta.
AUTOATIVIDADE
127
3 Ao utilizar o recurso da Avaliação Psicológica com o público adulto e idoso, o 
psicólogo necessita traçar um caminho cuidadoso, pensar nos procedimentos que 
irá realizar para obtenção do resultado, mas antes precisa não só explicar todos os 
passos e objetivos para o analisado, como também obter seu consentimento. Sobre a 
especificidade do trabalho de avaliação psicológica com adultos e idosos, classifique 
V para as sentenças verdadeiras e F para as falsas:
(   ) As Avaliações Psicológicas com idosos e adultos podem ser destinadas para um 
vasto campo de objetivos, alguns deles: avaliação das funções e características 
cognitivas, avaliação da personalidade e do funcionamento psicológico.  
(   ) As etapas do processo de avaliação psicológica com adultos e idosos são compostas 
de entrevista clínica, aplicação de testes psicológicos, elaboração de relatório final 
e devolutiva ao avaliado. 
(   ) O procedimento da Avaliação Psicológica com adultos e idosos é composto 
essencialmente por 8 encontros em que serão aplicados os testes psicológicos e a 
devolutiva destes testes.
Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA:
a) ( ) V - F - V.
b) ( ) V - F - F.
c) ( ) V - V - F.
d) ( ) F - V - V.
4 Para que possamos entender o funcionamento de um processo de intervenção 
psicológica para adultos e idosos, precisamos ter em mente qual é a importância e a 
função de cada instrumento que compõe a Avaliação Psicológica. Disserte sobre o 
objetivo dos testes psicológicos em uma intervenção psicológica. 
5 Dentro do processo de avaliação psicológica a utilização da entrevista como uma 
das alternativas para a coleta de dados importantes do avaliado se torna um acesso 
diferenciado à realidade do sujeito. Disserte sobre o objetivo da entrevista psicológica 
dentro do processo de avaliação psicológica. 
128
129
AVALIAÇÃO PSICOLÓGICA: INSTRUMENTOS
E TÉCNICAS
1 INTRODUÇÃO
Quando falamos em Avaliação Psicológica, é comum que algumas pessoas 
identifiquem esse processo a unicamente aplicação dos testes psicológicos. No en-
tanto, a avaliação psicológica é composta por alguns outros instrumentos e técnicas, 
além de ter as suas especificidades com relação ao público a ser avaliado (criança, 
adolescente, adultos).
Neste tópico, iremos aproximá-lo um pouco mais dos instrumentos e técnicas 
que fazem parte do procedimento de Avaliação Psicológica e que ajudam a construir um 
bom resultado sobre a demanda do avaliado, além de tocarmos no ponto da avaliação 
psicossocial de adultos e idosos e a responsabilidade da participação da família na 
construção desse processo que visa a qualidade de vida e bem-estar do avaliado.
UNIDADE 3 TÓPICO 2 - 
2 OBSERVAÇÃO, ANAMNESE E ENTREVISTAS COM 
ADULTOS E IDOSOS
Quando pensamos no processo de avaliação psicológica devemos afirmar 
antes que os mais importantes instrumentos de Avaliação Psicológica são compostos 
de: anamnese, entrevistas, observação, testes psicológicos, dinâmicas de grupo, 
observação lúdica, testes situacionais e outras. Essas técnicas (em conjunto, mas 
podendo descartar algum instrumento de acordo com a especificidade do caso) 
cooperam para o entendimento do atendido pela Avaliação Psicológica.
Essas ferramentas se mostram cruciais para o objetivo de conhecimento do 
outro, lembrando que a Avaliação Psicológica exige a estruturação anterior necessária 
ao início do procedimento, a efetivação atenciosa do que foi estruturado, a junção do 
material coletado e a análise desses dados recolhidos por meio das diferentes técnicas. 
Através dessa junção dos dados recolhidos é que se viabiliza a redação e consequente 
devolutiva dos resultados da avaliação (ALCHIERI; BANDEIRA, 2002).
Um dos instrumentos importantes dentro da Avaliação Psicológica é a 
anamnese. A anamnese diz respeito à necessidade de uma reconstrução sistêmica da 
vida do cliente, ou seja, coletar os dados da história pessoal, a fim de entender como o 
cliente fala sobre si e em casos de psicodiagnóstico localizar o ponto em que a queixa 
130
atual do avaliado se encontra. Por exemplo, se o cliente se queixa de episódios de 
ansiedade é importante que o profissional estabeleça um marco referencial em que a 
queixa atual se enquadra e ganha significação. 
Outro instrumento importante para a Avaliação Psicológica são os testes 
psicológicos. De acordo com Alchieri e Banderia (2002), os testes psicológicos 
correspondem a ferramentas objetivas e padronizadas de pesquisa do comportamento, 
que revelam a estruturação normal dos comportamentos requeridos na efetuação de 
testes ou se seus distúrbios levam a questões patológicas. Desta forma, o teste oferece 
a oportunidade de perceber o comportamento de modo padronizado e avaliar se estes 
comportamentos correspondem às condutas esperadas de acordo com a população 
investigada na aprovação do teste psicológico. O objetivo do teste se destina, assim, a 
estabelecer as singularidades entre sujeitos ou entre as respostas do mesmo sujeito em 
diferentes situações. 
O teste psicológico é um dos instrumentos para se atingir um 
dado sobre o sujeito. Estes estão sujeitos, algumas vezes, a serem 
mal utilizados, ação que restringe ou retira a sua possibilidade 
de ser útil para a avaliação. A responsabilidade última pelo uso e 
interpretação apropriados dos testes é do psicólogo.
IMPORTANTE
A seleção dos instrumentos para avaliação psicológica deve levar em 
consideração o que se quer avaliar previamente. Por exemplo, um adulto que busca 
a avaliação psicológica segundo uma queixa de desatenção e problemas com a 
memória. O profissional irá estruturar toda a sua avaliação (entrevistas, aplicação de 
testes, dinâmicas etc.) pensando a partir das hipóteses formuladas sobre a demanda: 
se existe uma questão neurológica que compromete a atenção do avaliado ou se algum 
problema emocional podeestar afetando essa desatenção. Para tanto, é preciso que 
o profissional conheça todos os instrumentos disponíveis. Lembrando que não há 
ferramentas melhores ou piores (posto que todas elas passam por validação científica), 
mas as que são mais adequadas para determinado caso.
Alchieri e Bandeira (2002) destacam elementos a serem considerados na 
escolha dos testes mais apropriados para as situações: 
• que aspectos ou particularidades se quer avaliar: personalidade, atenção, 
inteligência etc.;
• quais as técnicas acessíveis e validadas: técnicas que estão na lista do CFP como 
aprovadas; 
131
• idade, escolaridade, nível socioeconômico etc. do avaliado: perfil do sujeito a ser 
analisado; 
• conhecimento da ferramenta: ter habilidade prévia dos instrumentos antes de ser 
aplicado; 
• qualidade da ferramenta: credibilidade do instrumento a partir da validação do CFP;
• materiais originais: uso dos testes psicológicos da editora e nunca fotocópias. 
Assim, antes da aplicação dos testes é preciso levar em consideração a 
escolaridade, a faixa etária e ter a percepção de que alguns testes irão demandar mais 
preparo do profissional do que outros. 
Todos os testes psicológicos precisam passar pelo crivo do SATEPSI. 
O SATEPSI é o sistema de avaliação de testes psicológicos elaborado 
pelo Conselho Federal de Psicologia (CFP) para trazer dados 
informativos a respeito dos testes psicológicos à comunidade e às/os 
psicólogas/os. No site do SATEPSI são disponibilizados, em duas abas, 
os testes psicológicos e instrumentos. Neste site é possível encontrar 
as avaliações científicas realizadas com os testes, os caracterizando se 
são favoráveis ou desfavoráveis para a utilização do teste na avaliação 
psicológica, assim como a informação de instrumentos privativos e não 
privativos do psicólogo.
NOTA
Outro elemento importante que deve entrar na aplicação da avaliação é a 
observação. A melhoria desta técnica vai sendo aprimorada de acordo com a prática e 
os estudos a qual o profissional se dedica ao longo de seu percurso. A observação se 
torna crucial na medida em que ela oferece mais clareza e exatidão nos dados reunidos. 
Observar corresponde a fazer com que um determinado comportamento do sujeito seja 
mensurável e auxilia na construção de hipóteses sobre o caso avaliado.
No caso específico de avaliação realizada com o público adulto e idoso será 
preciso que a observação se firme primeiramente no exame do estado mental, que 
corresponde a obter dados sobre:
• atenção: habilidade de concentração do psiquismo diante de um estímulo oferecido; 
• senso percepção: habilidade de captar um estímulo e torná-lo uma imagem;
• consciência: estado de percepção psíquica; 
• orientação: habilidade de orientar-se em relação a si mesmo e ao meio externo;
• memória: habilidade de reter, preservar, lembrar e identificar um estímulo;
132
• pensamento: habilidade de criar, conectar e refletir ideias. Diz da capacidade de 
formular conceitos, relacioná-los em avaliações e fabricar racionalizações de forma 
a criar soluções; 
• linguagem: grupo de sinais estabelecidos usados para se expressar; 
• afetividade: habilidade de ter sentimentos e emoções; 
• conduta: tendência psicomotora da atividade psíquica. 
• aparência geral: higiene, zelos corporais e adequação das roupas (ex: se veste 
roupa de frio no calor etc.);
• aspecto físico e de saúde: comportamento e noção de morbidade; 
• área sensorial e motora: visão, audição, movimento corporal.
Outro elemento da avaliação é a entrevista psicológica. A Entrevista nesse 
processo corresponde a uma interlocução com direcionamento e com o objetivo 
estabelecido de avaliação. Sua finalidade é abastecer o profissional de elementos 
técnicos sobre o comportamento do avaliado, trazendo novas informações para além 
das já recolhidas pelas outras ferramentas usadas no processo. 
A entrevista é empregada em diversos contextos e para diferentes 
objetivos, não é ferramenta exclusiva da psicologia. No entanto, 
inserido em um processo de Avaliação Psicológica, essa técnica precisa, 
também, estar vinculada a finalidade dessa avaliação, permitindo uma 
compreensão mais ampla sobre a história de vida do indivíduo e da 
relação com o ambiente externo que o circunda.
IMPORTANTE
Existem diversos tipos de entrevista e o profissional que está aplicando 
precisa escolher qual tipo de entrevista que ele irá utilizar, levando em consideração 
as informações que necessita obter do avaliado. Há na catalogação de protocolos 
de entrevistas especificidades técnicas de entrevistas para cada faixa etária de 
desenvolvimento e ambiente a serem avaliados. 
De modo geral, procura-se pesquisar nas entrevistas circunscritas ao processo 
de Avaliação Psicológica os seguintes requisitos: situação familiar, social, pessoal, 
condição de saúde física, autopercepção, autocrítica e projeções de futuro. A dinâmica 
de relação entre o entrevistado e o entrevistador é ativa, demandando da técnica e 
da prática do profissional que avalia para organizar as informações colhidas. Algumas 
entrevistas com objetivo diagnóstico demandam um amplo conhecimento e precisam 
ser aplicadas somente por pessoas efetivamente preparadas.
133
De modo mais específico, Alchieri e Bandeira (2002) apostam na necessidade 
de o profissional coletar nas entrevistas:
• dados de identificação;
• dados socioculturais; 
• história familiar; 
• história escolar;
• história e dados profissionais; 
• história e indicadores de saúde/doença; 
• aspectos da conduta social; 
• visão e valores associados a temática investigada; 
• características pessoais;
• projeções de futuro. 
Em paralelo às informações objetivas (acima citadas) a serem mapeadas, é 
importante também que o profissional se atente para a questão da comunicação, ou 
seja, ir além do que o avaliado diz, observar a comunicação não verbal. Como exemplo, 
como o avaliado se organiza espacialmente, sua localização no tempo, os gestos, a 
entonação, o modo de olhar.
3 INSTRUMENTOS PSICOLÓGICOS E AVALIAÇÃO 
PSICOSSOCIAL PARA ADULTOS E IDOSOS
As competências cognitivas na idade adulta se constituem de maneira bem 
diferente da infância. As funções cognitivas, tais como a inteligência, memória, atenção, 
linguagem e motricidade vão se estabelecendo de modo mais consistente na fase adul-
ta quando o modelo de comparação é a infância (etapa de grandes transformações ma-
turacionais). Elementos que podem ser comprometidos a partir da chegada da velhice. 
Deste modo, para pensarmos nos instrumentos de avaliação psicológica para 
adultos e idosos, é preciso entender que as mudanças cognitivas tanto na etapa 
adulta quanto na velhice precisam ser contextualizadas tanto no que tange ao aspecto 
histórico clínico desenvolvimental quanto aos aspectos ambientais nos quais o sujeito 
está inserido. 
Os elementos a serem analisados em uma avaliação psicológica em adultos 
seriam: o funcionamento da pessoa no mundo, nível de escolarização, situação 
socioeconômica e cultural, acontecimentos de sua vida. Por exemplo, um adulto 
cujo nível de escolaridade seja nível fundamental incompleto, o profissional precisará 
adaptar a sua forma de comunicar, além de trazer testagens e escalas avaliativas as 
quais o avaliado possa acompanhar. Ou se o avaliado perdeu uma pessoa no dia anterior 
à avaliação e o quanto isso pode comprometer a sua atenção. 
134
A avaliação das funções cognitivas pode ser efetuada a partir da utilização de 
testes, técnicas, entrevistas e observações clínicas. Esses auxiliam na localização das 
competências cognitivas individuais, identificar se existe algum prejuízo ou transtorno 
em algum funcionamento cognitivo. Os déficits em adultos e idosos podem estar contidos 
na parte de recepção de informações, na memória, capacidade de aprendizagem, 
pensamento e nas funções executivas. 
Outros quesitos também são comumente avaliados neste público, como 
avaliação da motivação, do funcionamento emocional e da personalidade. Para avaliação 
destes aspectos,os instrumentos utilizados vão depender muito da caracterização do 
caso e os objetivos da avaliação, levando em conta a entrevista prévia com o avaliado. 
É importante ressaltar que nenhum instrumento detém a competência 
de fincar um diagnóstico. Estes instrumentos apenas contribuem com o 
trabalho do profissional na realização de hipóteses diagnósticas.
ATENÇÃO
Existem também as demandas por avaliação psicodiagnóstica a partir de 
sintomas psicopatológicos trazidos pelo sujeito. Para tanto, existem as entrevistas 
estruturadas, a aplicação de testes psicológicos para analisar a severidade dos sintomas, 
riscos de suicídio, sintomas ansiogênicos, nível de estresse, nível de impulsividade entre 
outros (DALGALARRONDO, 2019). 
3.1 AVALIAÇÃO PSICOSSOCIAL
Na Avaliação Psicossocial, colocam-se em relevo os fatores clínicos, sociais 
e laborais que estruturam o perfil do sujeito avaliado. O propósito desta avaliação é 
mapear as consequências que o ambiente externo e a história de vida podem exercer 
na demanda de avaliação do indivíduo, seja ela com objetivo de obter a carteira nacional 
de habilitação, avaliação diagnóstica, entre outras (LINS; BORSA, 2017). 
Ao pesquisar as verdadeiras condições psicológicas do sujeito, o indivíduo 
avaliado tem maiores possibilidades de se conhecer e entender sobre si. O profissional 
que trabalha com a avaliação psicossocial pode realizá-la no território da educação, 
saúde, trabalho, segurança, justiça, comunidades e comunicação com o propósito de 
propiciar em sua prática, o compromisso com a dignidade e integridade do ser humano. 
135
Colabora para a promoção do conhecimento por meio da observação, descrição e 
análise dos processos de desenvolvimento, inteligência, aprendizagem, personalidade 
e outros componentes do comportamento humano. 
O profissional também abarca em sua avaliação a contribuição de aspectos 
hereditários, ambientais e psicossociais sobre os indivíduos na sua atividade intrapsíquica 
e nas suas dinâmicas sociais, para guiar-lhe na efetivação do psicodiagnóstico e 
acompanhamento terapêutico, estimula os cuidados em saúde mental na precaução e na 
intervenção psicoterapêutica dos transtornos psíquicos, auxiliando no desenvolvimento 
psicossocial (LINS; BORSA, 2017).
Na prática da avaliação psicossocial, o profissional também estrutura e emprega 
técnicas de exame psicológico, fazendo uso de seu saber e práticas metodológicas 
profissionais próprias, para a compreensão das circunstâncias do desenvolvimento da 
personalidade, das dinâmicas e interações intrapsíquicos e das relações interpessoais, 
realizando o atendimento ou encaminhando para atendimento adequado, de acordo 
com a demanda.
4 O PAPEL DA FAMÍLIA NO DIAGNÓSTICO E INTERVENÇÃO 
COM ADULTOS E IDOSOS 
A avaliação das dinâmicas familiares tem se constituído objeto de investigação 
de diferentes pesquisadores que se destinam a encontrar os aspectos que estariam 
vinculados à origem e aos fatores que estariam relacionados ao surgimento e ao 
aumento dos transtornos mentais em adultos e idosos (LINS; BORSA, 2017). 
Diferentes estudiosos encontram um ponto em comum sobre a percepção 
de que as dinâmicas familiares são transformadas quando um componente da família 
demonstra algum problema de saúde, por exemplo, alcoolismo, depressão, transtornos 
ansiosos, entre outros (LINS; BORSA, 2017). Assim, a inserção da família na avaliação e 
no tratamento de pacientes com transtornos psiquiátricos também contribuem para a 
recuperação do paciente e das relações familiares.
4.1 INSTRUMENTOS PSICOLÓGICOS E A DINÂMICA FAMILIAR 
Cada vez mais, profissionais de saúde têm buscado aprimorar suas técnicas 
relacionadas à detecção de transtornos e de tratamento e entendido a importância do 
atendimento das famílias para a melhoria do quadro de um paciente. Uma das ações 
dos profissionais que trabalham diretamente nesse campo é efetuar um diagnóstico 
mais consistente para estruturar, concretizar e analisar os dados para compreender 
qual a melhor maneira de organizar uma intervenção familiar. 
136
Lembrando que, em alguns casos, a família deve participar tanto da 
avaliação psicológica, trazendo elementos que sejam importantes para 
a configuração diagnóstica e do momento da intervenção propriamente 
dita (seja o encaminhamento para tratamento psiquiátrico, psicológico 
ou para o começo de um tratamento com o psicólogo que realizou a 
avaliação).
ATENÇÃO
Hoje em dia, o profissional de saúde pode fazer uso de diferentes modalidades 
de instrumentos para a estruturação da avaliação familiar: escalas de autorrelato da 
dinâmica e relação familiar realizados pelos seus componentes, inventários, entrevistas, 
métodos observacionais e avaliações clínicas. No entanto, se o propósito é analisar 
a interação familiar, Primi, Muniz e Nunes (2009) aconselham que alguns critérios 
sejam utilizados no intuito de garantir uma solidez sobre o conhecimento gerado 
sobre determinado dado do paciente, ou seja, que o psicólogo possa colher dados de 
relação entre duas pessoas (marido-esposa) ou relação entre três pessoas (marido-
esposa-filhos). Compreensões sobre a interação familiar provenientes de dois ou mais 
componentes da família podem sinalizar que estes integrantes da família estão dividindo 
o mesmo olhar sobre determinadas interações. 
Ainda assim, existem algumas problemáticas que atrapalham o prosseguimento 
da avaliação do sistema familiar, tais como: a presença de diferentes percepções 
(funcionamento familiar, dinâmica familiar, satisfação familiar, prática e estilos parentais, 
suporte familiar) a ausência de clareza acerca de ter um modo consistente de avaliar 
e a imprecisão sobre o que deve ser avaliado e a falta de concordância sobre o que 
seria exatamente o significado de relações familiares disfuncionais e saudáveis. Desta 
forma, as maiores imprecisões dos profissionais de saúde são relativas ao que precisa 
ser avaliado e o modo de avaliar.
De acordo com Primi, Muniz e Nunes (2009), as construções teóricas sobre a 
dinâmica familiar e conjugal estipulam quatro aspectos que necessitam ser avaliados: 
composição familiar – definição da organização da família e dos membros –; processo 
familiar – compreende a análise de comportamentos e interações que definem as 
relações familiares, tais como conflito, diferenças, comunicação, resolução de conflitos –; 
aspectos afetivos – emoções e exteriorização afetiva entre os membros – e organização 
familiar – diz respeito a funções e regras que são desempenhadas no interior da família, 
somando a questões como limites e hierarquia. Ainda em suas investigações, Primi, 
Muniz e Nunes (2009) lançaram bases para o pensamento acerca de alguns aspectos e 
processos que são bastante relevantes para serem avaliados: comunicação, emoções, 
funções, problema conjugal e parental, resolução de conflitos, vínculos, exteriorização 
de afeto, intimidade, estresse, diferenças e autonomia.
137
Sendo assim, na avaliação da dinâmica familiar, o uso dos instrumentos técnicos 
das entrevistas estruturadas com a família são interessantes para avaliar regras, valores, 
hierarquias, conflitos, o papel que aquele paciente exerce dentro da família, além da 
estruturação de um projeto terapêutico que contribua para a melhora do paciente. 
É necessário, também, desenvolver uma caracterização coesa do aspecto que será 
avaliado, posto que não se tem uma padronização de regras que circunscrevem a 
pesquisa com famílias (PRIMI; MUNIZ; NUNES, 2009).
138
RESUMO DO TÓPICO 2
 Neste tópico, você adquiriu certos aprendizados, como:
• Os instrumentos e técnicas que fazem parte do procedimento de Avaliação 
Psicológica (que são as anamneses, entrevistas, observação, testes psicológicos 
entre outros) são as ferramentas que ajudam a construir um bom resultado sobre a 
demanda do avaliado.
• A anamnese em uma Avaliação Psicológica diz respeito à necessidade de uma 
reconstrução sistêmica da vida do cliente, ou seja, coletar os dados da história 
pessoal, a fimde entender como o cliente fala sobre si e em casos de psicodiagnóstico 
localizar o ponto em que a queixa atual do avaliado se encontra.
• A observação se torna crucial para a Avaliação Psicológica na medida em que ela 
oferece mais clareza e exatidão nos dados reunidos. Observar corresponde a fazer 
com que um determinado comportamento do sujeito seja mensurável e auxilia na 
construção de hipóteses sobre o caso avaliado.
• A entrevista nesse processo corresponde a uma interlocução com direcionamento e 
com o objetivo estabelecido de avaliação. Sua finalidade é abastecer o profissional de 
elementos técnicos sobre o comportamento do avaliado.
• A inserção da família na avaliação e no tratamento de pacientes com transtornos 
psiquiátricos também contribuem para a recuperação do paciente e das relações 
familiares.
139
RESUMO DO TÓPICO 2
1 A avaliação Psicológica é um dos modos que o psicólogo tem a sua disposição para 
atuar e conduzir sua prática. A Avaliação Psicológica se sustenta a partir de requisitos 
científicos que compõem o entendimento de um fenômeno em que a realidade é 
compreendida a partir do uso de conceitos, noções e de teorias científicas. Sobre os 
instrumentos que compõem a Avaliação Psicológica, assinale a alternativa CORRETA:
a) ( ) A avaliação psicológica se caracteriza como tal por utilizar como instrumento de 
seu trabalho os testes psicológicos.
b) ( ) A avaliação psicológica se caracteriza por utilizar como instrumentos as técnicas 
de escalas sequenciadas e inventários.
c) ( ) A avaliação psicológica é composta pelos instrumentos de anamnese, 
entrevistas, observação, testes psicológicos, dinâmicas de grupo, observação 
lúdica, testes situacionais. 
d) ( ) A avaliação psicológica é composta pelos instrumentos das entrevistas 
semiestruturadas e estruturadas combinada à aplicação dos testes psicológicos. 
2 A Avaliação Psicológica pode ser definida como a coleta e a junção de informações 
relativos aos aspectos psicológicos do avaliado com o propósito de efetuar uma 
estimativa psicológica. Para concretizar essa estimativa psicológica é preciso fazer 
uso de instrumentos e técnicas. Sobre os instrumentos utilizados na Avaliação 
Psicológica, analise as afirmativas a seguir:
I- A anamnese é um tipo de entrevista, mas é mais relacionada a coleta de dados da 
história pessoal do avaliado. 
II- O teste psicológico pode ser utilizado por profissional de qualquer área que assuma 
a avaliação psicossocial.
III- A observação corresponde a um tipo de instrumento que compõe a avaliação 
psicológica. Ela auxilia na construção de hipóteses sobre o caso avaliado. 
Assinale a alternativa CORRETA:
a) ( ) As afirmativas I e II estão corretas.
b) ( ) Somente a afirmativa II está correta.
c) ( ) As afirmativas I e III estão corretas.
d) ( ) Somente a afirmativa III está correta.
AUTOATIVIDADE
140
3 O desenvolvimento humano não se circunscreve somente por uma fase específica 
que é a infância e a adolescência. Para o adulto também é requerido que alcance 
marcos do desenvolvimento vinculados ao progresso dos anos nas esferas sexual, 
familiar, social, física, e de trabalho. Acerca das características avaliadas e dos 
instrumentos utilizados na avaliação psicológica do público adulto e idoso, classifique 
V para as sentenças verdadeiras e F para as falsas:
(   ) É importante levar em conta que a utilização de diferentes instrumentos na 
Avaliação Psicológica faz o psicólogo chegar em uma conclusão decisiva acerca 
do diagnóstico do sujeito avaliado. 
(   ) Em uma Avalição Psicológica de adultos e idosos, diferentemente da realizada com 
crianças e adolescentes, o nível de escolaridade do sujeito avaliado não apresenta 
grande influência na execução dos testes. 
(   ) Os instrumentos de avaliação psicológica para adultos e idosos levam em conta 
que as mudanças cognitivas precisam ser contextualizadas ao aspecto histórico 
clínico desenvolvimental e ao seu ambiente.
Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA:
a) ( ) V - F - F.
b) ( ) V - F - V.
c) ( ) F - V - F.
d) ( ) F - F - V.
4 A Avaliação Psicológica do adulto exige a constituição de uma estratégia cuidadosa e 
o escolha de uma abordagem adequada ao propósito e a demanda. O adulto apenas 
realizará os testes, caso consinta e contribua ativamente tanto na informação 
precisa dos dados quanto na feitura dos testes e inventários. Por parte do psicólogo, 
este deverá informar ao avaliado acerca do funcionamento e das finalidades de 
cada instrumento utilizado. Disserte acerca das etapas do processo de Avaliação 
Psicológica do adulto e do idoso.
5 A pesquisa sobre o funcionamento familiar tem sido alvo de interesse de estudo de 
diferentes abordagens e pesquisadores da psicologia. Estes buscam tentar entender 
se na família podemos conceber a origem e a intensificação dos transtornos mentais 
em adultos e idosos. Disserte sobre os instrumentos e técnicas utilizados pelo 
psicólogo na avaliação familiar. 
141
TÓPICO 3 - 
AVALIAÇÃO PSICOLÓGICA E A NECESSIDADE 
DE OUTROS TIPOS DE AVALIAÇÃO
1 INTRODUÇÃO
A avaliação psicológica pode ser trabalhada em muitos contextos, em contexto 
privativo, hospitalar, dentre outros. Além disso, em alguns casos é demandado que 
existam análises complementares de outras áreas do conhecimento. Sendo assim, em 
ambos os casos, esse é o momento em se é exigido dos profissionais de saúde um 
trabalho em equipe multiprofissional. 
Desta forma, no Tópico 3 abordaremos as especificidades do trabalho do 
acompanhante terapêutico em equipe multiprofissional, o trabalho realizado da 
avaliação neurológica e psiquiátrica na colaboração na realização diagnóstica e a ética 
do psicólogo em um trabalho em equipe multiprofissional.
UNIDADE 3
2 TRABALHO EM EQUIPE MULTIPROFISSIONAL 
A Avaliação Psicológica pode ser requisitada por inúmeros profissionais do 
campo da saúde, estando atrelada a demanda da complexidade do caso. Uma das 
especificidades deste trabalho é a solicitação de interconsulta. Essa nomenclatura diz 
respeito à atividade de um profissional da saúde mental que, a partir da entrevista com 
o paciente, pode recomendar um tratamento para os casos que estão submetidos a 
cuidados de outros especialistas (BOTEGA, 2006). 
Através do seu acompanhamento, o acompanhante terapêutico pode 
oferecer elementos para a elaboração diagnóstica do paciente, ajudar na 
direção do tratamento de transtornos psicológicos, neuropsicológicos, 
psicossociais e interpessoais, além de oferecer orientações para os 
pacientes e seus familiares.
IMPORTANTE
O acompanhamento terapêutico é uma modalidade de trabalho clínica surgida 
dos movimentos político-ideológicos da Antipsiquiatria, sendo que o movimento 
institucionalista, em especial a Psicoterapia Institucional, de Félix Guattari, contribuiu 
de forma contundente, a qual ocorreu nos idos da década de 1950, na Europa e nos 
Estados Unidos (SILVA, 2004). 
142
O trabalho do acompanhante terapêutico não somente ultrapassa a terapia de 
consultório, mas, também, coloca-se à disposição de intervir no ambiente do indivíduo, 
ou seja, atuar dentro e fora da instituição, encorajando o paciente a se deslocar física e 
psicologicamente.
A prática institucional acaba por homogeneizar as características, histórias 
e singularidades dos pacientes que lá estão. Os usuários se tornam "abrigados" e 
"protegidos", em muitos momentos até de suas próprias histórias. São produzidos 
subjetivamente como "incapazes", "deficientes", "loucos" ou "com problemas", fixados 
e aglutinados no cotidiano da instituição, que vai formando seus comportamentos e 
uniformizando suas experiências.
A vida da pessoa em internação acaba sendo constituída pela falta de vínculos 
afetivos, pela insuficiência de objetos particulares e pela falta de rituais de passagem 
(comemoração de aniversários, festas etc., por exemplo). Logo, o atendimento interno 
é caracterizado pela disciplina rígida, que se dirige a aquietar e disciplinar o corpo;pelo 
castigo físico exagerado e arbitrário; pela humilhação; e pela insistência em se constituir 
um “bom assistido” e, dessa forma, tornar-se dependente e infantilizado (ALTOÉ, 1993).
Desse modo, o acompanhamento terapêutico pode ser identificado como uma 
modalidade clínica, que se beneficia do espaço público da cultura como território para 
o ato terapêutico. O trabalhador de saúde que se vale da metodologia de atuação do 
acompanhamento terapêutico, na prática, propõe-se a circular com o usuário pelo tecido 
social, produzindo a emergência de um encontro com a cidade onde o indivíduo habita.
Frente a isso, o acompanhante terapêutico se tornou uma figura aliada no 
processo de desenvolvimento e manutenção de relações sociais e na atuação constante 
da qualidade de vida do sujeito que é portador de algum problema de saúde, o qual 
inviabiliza ou inviabilizou a continuidade de seus laços de trabalho, estudo, familiares e 
do cuidado consigo mesmo. 
Para saber mais sobre as possibilidades de trabalho do acompanhante 
terapêutico, o Conselho Federal de Psicologia elaborou um livro que traz 
diferentes pesquisas sobre a prática do acompanhamento terapêutico 
como estratégia de cuidado em saúde mental. Acesse o documento 
na íntegra em: https://site.cfp.org.br/artigo-da-psicologia-ciencia-e-
profissao-aborda-acompanhamento-terapeutico/.
DICA
https://site.cfp.org.br/artigo-da-psicologia-ciencia-e-profissao-aborda-acompanhamento-terapeutico/
https://site.cfp.org.br/artigo-da-psicologia-ciencia-e-profissao-aborda-acompanhamento-terapeutico/
143
O papel do acompanhante terapêutico, em uma equipe multiprofissional, 
constitui-se pelo ato de apresentar o "dentro" para o "fora" e o "fora" para o "dentro", 
ou seja, trabalhar na intercessão entre o paciente e a instituição e, mais do que isso, 
diminuir a distância entre eles. Nesse sentido, o papel desse profissional, ao acompanhar 
o sujeito em suas atividades cotidianas, contribui para o acompanhamento mais detido 
da evolução do quadro do paciente, resgatando a sua singularidade (sua história de 
vida, suas vontades, seus gostos e seus desejos), tanto na interface com instituição 
quanto na interface com a cidade.
3 AVALIAÇÃO NEUROLÓGICA E AVALIAÇÃO 
PSIQUIÁTRICA 
A neuropsicologia é um campo que faz interlocução da Psicologia com a neu-
rologia e que tem por objetivo investigar as relações entre o sistema nervoso central, 
as funções cognitivas e o comportamento humano. O neuropsicólogo é um profissional 
habilitado que pode fazer uso de diversos instrumentos padronizados, métodos e téc-
nicas para pesquisar tanto a dinâmica normal, como prováveis variações e distúrbios do 
sistema nervoso. 
Este profissional tem a sua atividade orientada geralmente para o campo da 
pesquisa e da atuação clínica com direcionamento para a investigação e tratamento. 
Nessa direção, sua prática pode auxiliar em diferentes faixas etárias e para populações 
clínicas diversas. Por esse alcance, se coloca cada vez mais em destaque, contribuindo 
para o conhecimento de outros campos de saber no interior do campo da saúde. 
Ao focar sua área de pesquisa na dinâmica intelectual, cognitiva e 
emocional dos sujeitos, a neuropsicologia pode instrumentalizar 
diversos profissionais, entre eles psicólogos, médicos (neurologistas, 
neuropediatras, geriatras, psiquiatras), fonoaudiólogos, terapeutas 
ocupacionais, psicopedagogos, entre outros, propiciando um tratamento 
mais eficaz. Pela profundidade e diferentes atravessamentos que 
compõem a Neuropsicologia não se encontram métodos exatamente 
padronizados que sejam capazes de ser empregues a todos os sujeitos, 
principalmente pela multiplicidade de quadros clínicos que podem ser 
destinados ao neuropsicólogo (MADER-JOAQUIM, 2010).
ATENÇÃO
144
A avaliação neuropsicológica de cada sujeito é um procedimento investigativo 
particularizado, que parte primeiro pela elaboração de hipóteses depois da aplicação da 
anamnese, considerando as demandas individuais de cada sujeito e as peculiaridades do 
caso. Desta etapa parte-se para a identificação de quais instrumentos e técnicas podem 
ser usados, fato que em alguns casos, exige muita atenção e preparo do profissional. 
O diagnóstico em neuropsicologia é pesquisado através de algumas técnicas, 
tais como: a entrevista, a observação, a utilização de instrumentos psicológicos formais 
e informais, de instrumentos neuropsicológicos, questionários, e escalas, entre outros. 
De acordo com Mader-Joaquim (2010), a avaliação neuropsicológica se define pelo 
modo de pesquisar a respeito das funções cognitivas e o comportamento. Diz respeito 
à aplicação de técnicas de entrevista, exames quantitativos e qualitativos das funções 
que estruturam a cognição. Existem procedimentos tidos como mais tradicionais e 
outros ainda em elaboração (MADER-JOAQUIM, 2010). 
A seleção dos instrumentos demanda muito estudo, compreensão e compro-
misso por parte do neuropsicólogo, não somente na aplicação dos testes psicológicos e 
neuropsicológicos, mas sobre a observação dos quadros clínicos pesquisador, para que 
seja possível constituir um planejamento e escolha bem estruturados dos procedimen-
tos condizentes a cada caso (MADER-JOAQUIM, 2010). 
Desta forma, alguns indicativos podem sinalizar a importância de efetuar a 
avaliação neuropsicológica. 
• perda de memória;
• déficit das funções executivas como planejamento e organização;
• dificuldade para se concentrar;
• déficit de atenção;
• déficit de raciocínio;
• dificuldades de aprendizagem;
• dificuldade com resolução de problemas;
• déficit das habilidades perceptivas e motora.
A avaliação neuropsicológica também é bastante importante para confecção do 
diagnóstico diferencial de doenças ou distúrbios que apontam para alterações tanto de 
origem neurológica quanto psicológica. 
• transtorno de déficit de atenção;
• hiperatividade;
• dislexia;
• atraso no desenvolvimento cognitivo;
• distúrbios mentais;
• demências;
145
• doença de Alzheimer;
• doença de Parkinson;
• traumatismo craniano;
• acidente vascular cerebral (AVC);
• epilepsia;
• depressão.
Quando tratamos da consulta de avaliação psiquiátrica, falamos de uma 
avaliação particular restrita ao médico psiquiatra. Ela tem o seu começo a partir do 
processo de configuração diagnóstica e montagem de um planejamento terapêutico 
próprio a cada paciente. Para isto, é preciso considerar os aspectos sobre o histórico 
clínico e mental do sujeito, sendo possível requisitar exames físico ou neurológico. A 
avaliação psiquiátrica se constitui como importante ferramenta para definir a situação 
psicológica do paciente, isto é, a condição que o paciente apresenta em entender a 
realidade ao seu redor.
As finalidades as quais são destinadas uma avaliação psiquiátrica em geral são:
• identificar a existência ou não de um transtorno mental ou outra circunstância que 
demande a prudência maior de um psiquiatra;
• agrupamento de informações razoáveis que permitam realizar um diagnóstico 
diferencial e uma elaboração clínica integral; 
• elaborar, em parceria com o paciente, uma estratégia de tratamento inicial que 
permita uma maior aceitação, sempre com o foco em perceber se serão necessárias 
quaisquer intervenções mais emergenciais para assegurar a segurança do paciente 
e de terceiros – ou, na revisão de um caso em tratamento há longo tempo, estudar 
novamente se aquela estratégia de tratamento está condizente com a nova situação 
do sujeito avaliado; 
• mapear quesitos mais abrangentes (p. ex., risco de suicídio com ideação suicida) que 
necessitam ser levados em conta na permanência do tratamento (BOTEGA, 2006). 
No primeiro momento, na avaliação psiquiátrica, é aplicada uma entrevista 
para informar-se sobre o paciente, a identificação do paciente (nome, idade, origem, 
ocupação, situação conjugal, religião), autoriza-se que o avaliado faça o seu relato 
ou diga sobre a queixa principal, ou seja, a razão pela qual buscou ajuda psiquiátrica. 
Assim, a entrevista segue na coleta dahistória da doença atual, identificando o começo 
dos sintomas, de que modo aparece, frequência e os possíveis usos de medicamentos 
ou internações anteriores. Nesta etapa é importante mapear os históricos de doença na 
família, histórico da infância e adolescência, trajetória ocupacional e conjugal, modos de 
como se dão seus relacionamentos interpessoais e peculiaridades de sua personalidade 
(BOTEGA, 2006). 
146
Os históricos pessoais clínicos (doenças pré-existentes, traumatismos, cirur-
gias), bem como os hábitos (principalmente uso de drogas), precisam ser questionados 
com intuito de pesquisar as interrelações existentes entre o aparecimento dos sintomas 
e determinados comportamentos. Para o final é questionado acerca da história familiar, 
com o foco no histórico de doenças psiquiátricas e dependência de drogas entre os 
membros da família (BOTEGA, 2006). 
Caso o psiquiatra considere importante, pode ser requisitada uma entrevista 
com outras pessoas vinculadas ao paciente, tais como familiares, profissionais de 
saúde, assistentes sociais, entre outros. Quando se trata de exames físicos, a entrevista 
também é feita para entender se existem doenças fisiológicas (BOTEGA, 2006). 
A definição do melhor tratamento depende da anuência do paciente. O trata-
mento psiquiátrico pode e, em muitos casos, precisa ser acompanhado de sessões 
psicoterapêuticas, uso de medicação e acompanhamento terapêutico; em alguns ca-
sos, porém, o tratamento pode ser compulsório, em que o caso do paciente demanda 
internação, aqueles casos que se identificam doenças mentais graves que acarretam 
riscos à própria vida ou a de terceiros. 
4 ÉTICA DO PSICÓLOGO E O TRABALHO EM EQUIPE 
MULTIPROFISSIONAL 
A incorporação tanto do psicólogo quanto do acompanhante terapêutico, em 
trabalhos com equipe multiprofissional, tem crescido bastante nos últimos tempos, seja 
em instituições públicas, privadas ou no entendimento das instituições que entendem 
que precisam trabalhar em interface com outras áreas do conhecimento. Assim, a esses 
profissionais da saúde é demandado que atue de modo integrado a outros profissionais de 
outros campos de saber, como médicos, enfermeiros, assistentes sociais, pedagogos etc.
Diante desse quadro, o Conselho Federal de Psicologia tem pensado junto à 
categoria acerca das formulações éticas e demandas requisitadas pelo trabalho em 
equipe multiprofissional para que se criem diretrizes que respeitem a integridade 
e dignidade do ser humano, além da constituição de uma relação de respeito com a 
prática profissional de seus pares. 
4.1 A ESPECIFICIDADE DO TRABALHO DO 
ACOMPANHANTE TERAPÊUTICO
O entendimento sobre o trabalho do acompanhante terapêutico se situa em 
diferentes concepções nas pesquisas da saúde mental e psicologia clínica. A partir 
da análise do comportamento, o acompanhante é entendido, em alguns momentos, 
como o profissional que opera no ambiente em que os aspectos que influenciam os 
147
comportamentos a serem modificados atuam; mas, em outros momentos, como aquele 
que coopera com a atuação de um psicólogo, de um psiquiatra ou de uma equipe 
multidisciplinar (METZGER, 2021). 
Sendo assim, o acompanhante terapêutico pode atuar:
• quando a prática do profissional está atrelada rigorosamente ao contexto do ambiente 
natural do paciente (em casa, no trabalho, na escola etc.);
• constituir parte integrante de um esquema clínico atrelado ao consultório, como na 
coleta de dados por meio de observação direta para serem utilizados como material 
na terapia em consultório;
• como uma ampliação da intervenção.
 
As possibilidades de atuação do acompanhante terapêutico, embora sua prática 
tenha começado com pacientes psiquiátricos (comumente com diagnósticos relativos 
à esquizofrenia), o tratamento de diferentes demandas e outros diagnósticos pode se 
favorecer a intervenção. 
Em queixas vinculadas à ansiedade, como fobia social ou específica, o acom-
panhante terapêutico tem a possibilidade de atuar, por exemplo, como mecanismo de 
cuidado para o paciente lidar com situações ansiogênicas, realizar treinamento de ha-
bilidades sociais ou, então, auxiliar se constituindo como um modelo comportamental.
Já em situações de dependência química, por exemplo, o acompanhante 
terapêutico pode atuar como um moderador na efetivação e supervisão da abstinência. 
Ele pode trabalhar na identificação de elementos que propiciam e estimulam as 
situações de uso da droga, bem como ajudar o dependente químico a evitá-la nas 
situações em que isso é possível. Por sua vez, nas situações em que o paciente não 
pode evitar a exposição, deve-se ajudá-lo, por meio de estratégias comportamentais, 
a não condicionar o estímulo às situações ao uso posterior da droga, extinguindo a 
vinculação que estimula o risco de recaída.
Outros exemplos de atividades do acompanhante terapêutico são o de 
colaboradores do recomeço das programações da rotina do paciente e de atividades 
de retomada de pacientes que interromperam ou diminuíram a regularidade depois de 
adquiriram algum tipo de doença mais incapacitante, além da introdução de medidas 
para atenuação de comportamentos mapeados como problemáticas em casos de 
transtornos psicológicos, neurológicos e neuroreabilitação em casos de demência, 
Parkinson ou Alzheimer. 
148
INSTRUMENTOS DE AVALIAÇÃO PSICOLÓGICA EM IDOSOS
Inês Faria de Sousa Gonçalves 
Na presente tese iremos centrar-nos na última fase do nosso ciclo de vida, no 
âmbito da Avaliação Psicológica de adultos e, fundamentalmente, da população idosa. 
Assim, daremos destaque ao fenómeno do envelhecimento e aos diversos 
domínios da avaliação do estado mental, apresentando e descrevendo alguns dos 
diferentes instrumentos de avaliação psicológica, específicos para este nível etário. 
O envelhecimento da população mundial, nos países desenvolvidos, é um 
fenómeno recente e universal que deriva de múltiplos fatores. Neste grupo social 
assiste-se a um aumento da prevalência de doenças crónicas, pelo que é presente 
uma avaliação geriátrica eficaz, apostando-se em diagnósticos precoces e completos, a 
custos razoáveis (REICHENHEIM, 2005). 
Nos dicionários o termo velho é definido como pessoa com muita idade. Não 
obstante, o envelhecimento é apresentado de forma vaga, visto ser um fenômeno 
fisiológico, psicológico e social complexo, que implica mudanças. Este fenómeno, 
universal, gradual, irreversível e peculiar gera mudanças no envelhecimento normal e/
ou patológico (demência) (LIMA, 2010). 
A forma como são encarados os idosos varia consoante a época e a cultura. 
Na época da Grécia clássica, que privilegiava a beleza, força e juventude, os idosos 
eram menosprezados, contrariamente ao que acontecia na época helenística. No 
Japão, influenciados pelo taoísmo, eram valorizados tal como nas culturas tribais, 
sendo enaltecidas algumas características, como a sabedoria e a maturidade. No 
entanto, na nossa sociedade, a velhice, impregnada por crenças e estereótipos sobre o 
envelhecimento (ageisn), é associada à perda, por exemplo, de poder, com a chegada da 
reforma, à perda de papéis identitários e perda de capacidades (LIMA, 2010). 
Até aos anos setenta, os autores defendiam que, na vida adulta, o declínio é 
inevitável. No entanto, autores como Levinson e Baltes advogam que o envelhecimento é 
acompanhado de perdas, mas também de ganhos, tais como a maturidade e a sabedoria 
(LIMA, 2010). O ser humano é uma multiplicidade interdinâmica multifatorial, como bem 
queria Morin e, nesse sentido, ao estudarmos o psíquico, direta ou mais indiretamente, 
avaliamos também as outras componentes do ser humano (MORIN, 1983).
LEITURA
COMPLEMENTAR
149
Se é verdade que a saúde mental de uma pessoa é determinante para que ela 
saiba viver com a idade que têm, reconhecer as suas possibilidades e incapacidades 
e não ficar molestado com elas, recusando-se a viver num contínuo mecanismo de 
defesa com recurso à regressão, vivendo de memórias em que era o herói que agora 
já não podeser, não é menos verdade que essa saúde psicológica é influenciada por 
outras vertentes da dinâmica do ser humano. 
É fato que o ser humano é biológico (nasce, cresce, reproduz-se e morre), 
fisiológico (apresenta uma estrutura anatómica singular), psicológico (aquele que 
neste trabalho mais nos interessa, pois a mente sã é mais que meio caminho para 
a sanidade de todas as outras variáveis), sociológico, (vivemos em interação com 
os outros semelhantes), ecológico (pois habita num ecossistema), econômico (no 
sentido de um ser que precisa de trabalhar para ter posses que lhe permitam uma vida 
condigna), religioso (com a sua necessidade de uma transcendência que complete as 
suas incompetências), enfim, é um ser que permanecerá sempre ignoto no seu âmago.
Isto não impede, antes estimula, o seu estudo enquanto objeto de uma ciência 
como a Psicologia. 
O conceito de gerontologia – gerongerontos – que significa estudo do ancião, 
surgiu em 1903, por Elie Metchinkoff. Esta ciência multidisciplinar aborda e "analisa os 
fenômenos caracterizadores do envelhecimento em todos os seus aspectos biológicos, 
psicológicos e sociais" (MARTINS, 2013, p. 59). 
O médico Ignatz Leo Nascher, em 1914, descreveu o envelhecimento como um 
processo de degeneração celular no qual existe um declínio interno e físico (MARTINS, 
2013). Existem mitos e estereótipos, derivados das generalizações excessivas, 
simplistas e erróneas, relacionados com os idosos que se prendem com a senilidade, 
conservadorismo, incapacidade de mudar, improdutividade, inatividade, doença, 
pobreza, marginalização, entre outros (MARTINS, 2013). 
Na verdade, para além das dificuldades/incapacidades causadas pelo envelhe-
cimento emerge, nesta faixa etária, um outro grave problema social: a discriminação. O 
processo de envelhecimento inicia-se cedo, no final da segunda década de vida, antes 
de qualquer sinal externo. E é por volta dos quarenta anos que se começam a notar as 
primeiras alterações estruturais e funcionais, que se prolongam até ao fim da vida.
Este processo resulta de fatores internos, como o património genético, e de fa-
tores externos como o estilo de vida, a educação e o ambiente (LIMA, 2010). "O envelhe-
cimento diz respeito a um processo que ocorre ao longo de toda a nossa vida, desde a 
conceção até à morte, enquanto a velhice é uma fase da vida, a última" (LIMA, 2010, p. 15). 
150
É comum associar-se o processo de envelhecimento ao declínio da memória. 
Estudos revelam que se, com o avançar da idade, se registam grandes diferenças ao 
nível da memória de trabalho e da memória episódica, por sua vez, em relação à memória 
procedimental e semântica são poucos os seus efeitos (LIMA, 2010). 
Schroots e Birren (1980) fazem a distinção entre o envelhecimento biológico 
e o psicológico. O primeiro refere-se a uma crescente vulnerabilidade, que aumenta 
a probabilidade de morte – senescência. O segundo depende da autorregulação da 
pessoa, e das mudanças nas funções psicológicas, designadamente na memória e na 
tomada de decisão (LIMA, 2010). 
O processo de envelhecimento desencadeia mutações orgânicas, físicas, 
psicológicas, sociais, comportamentais e funcionais, nas quais a interação dos fatores 
genéticos e ambientais desempenha um papel determinante (COSTA; MONEGO, 2003). 
A avaliação psicológica consiste no recurso a técnicas e testes que avaliam e 
descrevem o funcionamento psíquico de uma pessoa, num dado momento, podendo 
predizer o seu comportamento. 
É através da avaliação psicológica que estudamos e avaliamos várias dimen-
sões da mente humana, designadamente: a personalidade, as competências cognitivas 
(atenção, percepção, memória, processamento simultâneo e sequencializado, simboli-
zação, compreensão, inferência, planificação e produção de estratégias, conceitualiza-
ção, resolução de problemas, expressão de informação etc.). 
A avaliação geriátrica estruturada realiza-se através da observação direta 
(testes de desempenho) e questionários. Assim, a avaliação funcional das pessoas com 
mais de 65 anos centra-se nas seguintes dimensões: física, psicológica (cognição e 
humor) e social. 
FONTE: . Acesso em: 21 mar. 2022. 
151
RESUMO DO TÓPICO 3
 Neste tópico, você adquiriu certos aprendizados, como:
• A avaliação psicológica pode ser trabalhada em muitos contextos, em contexto 
hospitalar, prisional entre outros. Além disso, em alguns casos é demandado de 
que existam análises complementares de outras áreas do conhecimento. Esse é o 
momento em que se exige o trabalho em uma equipe multiprofissional.
• Através da sua avaliação, ao psicólogo é possibilitado contribuir para o diagnóstico 
do paciente, intervir na direção do tratamento de transtornos psicológicos, 
neuropsicológicos, psicossociais e interpessoais, além de oferecer diretrizes e 
orientações psicológicas para os pacientes e seus familiares.
• A avaliação neuropsicológica de cada sujeito é um procedimento investigativo 
particularizado, que parte primeiro pela elaboração de hipóteses depois da 
aplicação da anamnese, considerando as demandas individuais de cada sujeito e as 
peculiaridades do caso. Depois identifica-se quais instrumentos e técnicas podem 
ser usados, fato que em alguns casos, exige muita atenção e preparo do profissional.
• O dever ético do psicólogo que compõe uma equipe multiprofissional é realizar apenas 
atividades que sejam fundamentadas nos conhecimentos técnicos legitimados 
e embasados na ciência psicológica, na ética e na legislação profissional. Logo, 
estes psicólogos precisam ser cuidadosos ao serem requisitados a ajudarem outros 
profissionais, levando sempre em consideração que não devem incumbir-se de 
práticas que sejam próprias de outra profissão. 
152
1 A avaliação psicológica pode ser aplicada em diferentes situações. Algumas destas, 
por exemplo, podem ter seu emprego em instituições. O contexto de uma instituição 
demanda por um trabalho de uma equipe multiprofissional na leitura de um mesmo 
caso. Sobre o trabalho de avaliação psicológica em equipe multiprofissional, assinale 
a alternativa CORRETA:
a) ( ) Dentro de uma equipe multiprofissional, a avaliação Psicológica pode ser 
requisitada por inúmeros profissionais do campo da saúde, dependente da 
complexidade do caso.
b) ( ) Dentro de uma equipe multiprofissional, a avaliação psicológica pode ser realiza-
da por qualquer profissional do campo da saúde, independente da complexidade 
do caso.
c) ( ) Dentro de contextos multidisciplinares é importante que o profissional de 
psicologia desenvolva um método de escolha de instrumentos psicológicos de 
difícil acesso para os demais psicólogos.
d) ( ) Dentro de contextos multidisciplinares é importante que o profissional de 
psicologia se exima da elaboração diagnóstica de um caso, deixando para o 
médico essa tarefa. 
2 A avaliação neuropsicológica faz a junção das ciências da neurologia e da psicologia 
para avaliar um sujeito. Nessa direção, o exame o objetivo está em pesquisar 
como o modo de operar do cérebro interfere nas funções cognitivas, emocionais e 
comportamentais. Sobre a avaliação neuropsicológica, analise as afirmativas a seguir:
I- A avaliação neuropsicológica de cada indivíduo é um processo investigativo singular, 
que parte primeiro para a elaboração de hipóteses depois da aplicação dos testes 
psicológicos e depois a anamnese.
II- O diagnóstico em neuropsicologia é pesquisado através de algumas técnicas, tais 
como a entrevista, a observação, a utilização de instrumentos psicológicos formais e 
informais, de instrumentos neuropsicológicos, questionários, e escalas, entre outros.
III- A avaliação neuropsicológica se caracteriza pelo modo de pesquisar a respeito das 
funções cognitivas e o comportamento e deve ser realizado pelo médico psiquiatra. 
Assinale a alternativa CORRETA:
a) ( ) As afirmativas I e II estão corretas.
b) ( ) Somente a afirmativa II está correta.
c) ( ) As afirmativas I e III estão corretas.
d) ( ) Somentea afirmativa III está correta.
AUTOATIVIDADE
153
3 A avaliação psiquiátrica se define como instrumento importante para identificar 
a situação psicológica do paciente, isto é, se o paciente possui a noção e sabe se 
situar na realidade em que habita. Sobre a avaliação psiquiátrica, classifique V para 
as sentenças verdadeiras e F para as falsas:
(   ) Quando tratamos da consulta de avaliação psiquiátrica, falamos de uma avaliação 
particular restrita ao psicólogo.
(   ) No primeiro momento, na avaliação psiquiátrica, é aplicada uma entrevista para 
informar-se sobre o paciente e pode ser necessário uma entrevista com outras 
pessoas vinculadas ao paciente.
(   ) A avaliação psiquiátrica corresponde a especificamente pesquisar tanto a dinâmica 
normal, como prováveis variações e distúrbios do sistema nervoso. 
Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA:
a) ( ) V - F - F.
b) ( ) V - F - V.
c) ( ) F - V - F.
d) ( ) F - F - V.
4 Prestar serviços psicológicos de qualidade, em circunstâncias de trabalho decentes 
e adequadas ao que a demanda solicita, sendo balizado por valores, saberes e 
metodologias reconhecidamente sustentados na ciência psicológica operando em 
uma equipe multiprofissional, não é tarefa fácil. Neste contexto, disserte sobre o 
trabalho do psicólogo em avaliação psicológica em equipe multiprofissional. 
5 A Avaliação Psicológica de pacientes em serviços de saúde coloca em evidência 
a importância do emprego de diferentes tomadas de medidas, planejamento, 
reconhecimento das particularidades da história e das queixas indivíduo, do seu 
ambiente e da vinculação do paciente com o seu entorno. Para tanto, é preciso que 
o psicólogo se guie por dimensões éticas. Disserte sobre a ética do psicólogo em 
equipe multiprofissional.
154
REFERÊNCIAS
ALCHIERI, J. C.; BANDEIRA, D. R. Ensino da Avaliação Psicológica no Brasil. In: PRIMI, 
R. Temas em Avaliação Psicológica. Campinas: Impressão Digital do Brasil, 2002, p. 
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de Janeiro: Editora Universitária Santa Úrsula, 1993.
BOTEGA, nº J. Prática psiquiátrica no hospital geral: interconsulta e emergência. 
Porto Alegre: Artmed, 2006.
CFP (CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA). Resolução CFP nº 007, de 14 de junho 
de 2003. Institui o Manual de Elaboração de Documentos Escritos produzidos pelo 
psicólogo, decorrentes de avaliação psicológica e revoga a Resolução CFP 17/2002. 
Brasília: Conselho Federal de Psicologia, 2003. Disponível em: https://site.cfp.org.br/
wp-content/uploads/2003/06/resolucao2003_7.pdf. Acesso em: 21 mar. 2022.
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Psicólogo. Brasília: Conselho Federal de Psicologia, 2005. Disponível em: https://site.
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21 mar. 2022.
CFP (CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA). Resolução CFP nº 10, de 21 de julho de 
2005. Aprova o Código de Ética Profissional do Psicólogo. Brasília: Conselho Federal de 
Psicologia, 2005. Disponível em: https://site.cfp.org.br/wp-content/uploads/2005/07/
resolucao2005_10.pdf. Acesso em: 21 mar. 2022.
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regulamentação da profissão. Brasília: Conselho Federal de Psicologia, 2010.
CFP (CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA). Acompanhamento terapêutico como 
estratégia de cuidado. Brasília, fev. 2018. Disponível em: https://site.cfp.org.br/artigo-
da-psicologia-ciencia-e-profissao-aborda-acompanhamento-terapeutico/. Acesso 
em: 28 mar. 2022.
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TRENTINI, C. M. Psicometria. Porto Alegre: Artmed, 2015.
155
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Porto Alegre: Artmed, 2010, p.46-57.
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Aller, 2021.
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São Paulo: Casa do Psicólogo, 2009.
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A. et al. Acompanhamento terapêutico na rede pública. Porto Alegre: Editora da 
UFRGS, 2004.
STENZEL, G.; PARANHOS, M. E.; FERREIRA, V. R. T. A Psicologia no cenário hospitalar: 
encontros possíveis. Porto Alegre: EDIPUC, 2012.
TISSER, L.; COIMBRA, N. Psicopatologia do adulto e do envelhecimento: 
atualização e prática clínica. Novo Hamburgo: Synopsis, 2019.
TRINCA, W. Diagnóstico Psicológico: a prática Clínica. São Paulo: EPU, 2003.
URBINA, S. Fundamentos da testagem psicológica. Porto Alegre: Artmed, 2007.sociais, inadaptação de comportamento e sofrimento 
pessoal (ATKINSON et al., 2007).
6
A respeito do primeiro, toda sociedade possui padrões ou normas aceitáveis 
de comportamentos, assim aquele que se desviam do esperado, dentro das normas é 
considerado patológico, e então “anormal”. Porém, nesse aspecto, também entram os 
aspectos culturais e estilo de vida, pois o que pode ser aceitável em uma sociedade, 
pode não ser aceitável em outra sociedade (ATKINSON et al., 2007).
Para a compreensão desse aspecto, segue o exemplo, em uma cultura o 
falecimento de uma pessoa pode ser motivo de festa, com a utilização de comes e 
bebes durante o velar do corpo do falecido, mas em outra cultura isso pode ser um 
desrespeito, uma que em outra cultura o falecimento seja realizado apena com o velar 
do corpo, silêncio e resguardo das atividades e festa (ATKINSON et al., 2007).
Em relação à inadaptação de comportamento, muitos estudiosos explicam 
que, mais importante do que classificar uma patologia, é compreender como o 
comportamento afeta o bem-estar do indivíduo ou do grupo social que ele convive 
(ATKINSON et al., 2007).
Com isso, o critério para ser patológico é a inadaptação, ou seja, quando o 
comportamento tem efeitos sobre o indivíduo ou sobre o grupo social, mas nenhum 
acaba se adaptando, mas há um risco se for seguido apenas essa classificação 
(ATKINSON et al., 2007). Por exemplo: um adolescente que é agressivo, bate à porta do 
seu quarto e não consegue se expressar, tal comportamento pode não fazer bem a ele 
e a sua família, porém esse é um comportamento que é comum em adolescente, e que 
muitas vezes está relacionado a formação de identidade, construção da sua própria 
opinião e argumentação frente a regras de convivência, sendo assim, a anormalidade 
não pode ser baseada apenas nesse critério.
O terceiro e último aspecto mencionado é o sofrimento pessoal, que considera 
a patologia como sentimentos subjetivos de angústia do indivíduo em vez de ser 
comportamento, porém a maioria das pessoas que são diagnosticados com alguma 
patologia relatam estar angustiados (ATKINSON et al., 2007).
Portanto, os critérios aqui mencionados, frequência estatística, desvio social, 
comportamento de inadaptação, sofrimento pessoal, não definem (de maneira isolada) 
ou descrevem o comportamento anormal. No entanto, a anormalidade pode ser 
compreendida por meio da combinação desses quatro critérios. Assim, esses critérios 
devem ser considerados para avaliação de um comportamento, e durante o diagnóstico 
de uma psicopatologia, pois, frente a tantas pessoas, como demonstrado na Figura 3, 
não é possível identificar com facilidade aquela que tem ou não uma psicopatologia, 
assim é preciso utilizar diferentes recursos.
7
FIGURA 3 – “NORMAL” OU “PATOLÓGICO”?
FONTE: . Acesso em: 25 mar. 2022.
Até aqui foi discutido sobre anormalidade, mas também é preciso entender 
e estudar a respeito da normalidade. A normalidade está relacionada com bem-estar 
emocional, e existem características que estão relacionadas, como: preocupação 
adequada da realidade; capacidade de exercer controle voluntário sobre o 
comportamento; autoestima e aceitação; capacidade de formar relacionamentos 
afetivos; e produtividade (ATKINSON et al., 2007).
Mas, o indivíduo apresentar essas cinco características não significa apresentar 
normalidade e nenhuma psicopatologia. Por isso existem instrumentos psicológicos 
e técnicas psicológicas que o profissional pode utilizar em conjunto com algumas 
características para avaliar e diagnosticar psicopatologias (ATKINSON et al., 2007).
3 COMPREENDENDO A RELAÇÃO DE PSICOPATOLOGIA 
COM DESENVOLVIMENTO HUMANO
Na ciência Psicologia, a maioria dos autores e estudiosos da área de 
desenvolvimento compreendem que o ciclo da vida inicia na infância, percorre pela 
adolescência, perpassando pela juventude, vida adulta até chegar a velhice. Porém, 
também é importante mencionar que dentre esses períodos, há a concepção do bebê e 
o período da gestação, pois esses são períodos do desenvolvimento, pois ele não ocorre 
apenas após o nascimento do bebê, ou seja, o desenvolvimento humano ocorre desde 
o momento da concepção do indivíduo.
8
FIGURA 4 – GESTAÇÃO E O DESENVOLVIMENTO HUMANO
FONTE: . Acesso em: 25 mar. 2022.
Na Figura 4, pode-se verificar uma gestante, e isto demonstra o primeiro período 
do desenvolvimento humano, no qual ocorre a formação física, cognitiva e neurológica 
do indivíduo. Com isso, o ciclo da vida é composto por períodos, ou, como para alguns 
autores, fases da vida, que correspondem a uma faixa etária de idade e determinados 
comportamentos. 
FIGURA 5 – CICLO DA VIDA
FONTE: . Acesso em: 25 mar. 2022.
9
Dessa maneira, conforme a Figura 5, durante o ciclo da vida, muitas são as 
mudanças que vão ocorrendo com o ser humano, como por exemplo: mudanças na fala 
(tom da voz, palavras formadas, frases formadas, construção de argumentação etc.), 
correr, equilibrar, altura e estatura, peso, formato do corpo. Mas, também ocorrem as 
mudanças no desenvolvimento cognitivo, como por exemplo: inteligência, pensamento, 
aprendizagem, percepção, atenção, motivação, entre outros aspectos que estão 
relacionados à cognição, que vão se modificando ao longo do desenvolvimento.
Nesse sentido, as vivências e os comportamentos estão relacionados com as 
capacidades e habilidades dos indivíduos, como: físico, motor, sensorial, emocional, 
psicológico, social, que vão sendo alcançadas e aprimoradas ao longo da vida, nos 
diferentes períodos do ciclo da vida, na individualidade ou em grupo, com ou sem o 
auxílio de outros indivíduos, que podem estar no trabalho, da família, da escola (BEE; 
BOYD, 2009; TISSER; COIMBRA, 2019).
Dessa maneira, Jean Piaget, Henri Wallon, Lev Vygotsky, que são autores 
clássicos do desenvolvimento humano, buscam compreender os comportamentos 
esperados em cada período do ciclo da vida, sendo que desses autores alguns se 
interessam por todos os períodos e alguns tem um maior interesse na infância. 
FIGURA 6 – INFÂNCIA
FONTE: . Acesso em: 25 mar. 2022.
Conforme representado na Figura 6, para o Psicólogo, na prática profissional, 
no atendimento de crianças ou adultos, independente do contexto profissional (clínica, 
organizacional, educacional, hospitalar etc.) é essencial que o profissional possa 
entender o desenvolvimento humano.
10
O profissional precisa entender os comportamentos, as capacidades e as 
habilidades relacionadas a cada um dos períodos da vida, porque os comportamentos 
que são considerados frágeis no olhar do profissional para o paciente, podem dizer muito 
a respeito do que o paciente esteja vivenciando, pois muitas vezes o comportamento 
sinaliza um sintoma ou característica de uma determinada psicopatologia.
Para compreender o desenvolvimento adulto e da velhice é necessário 
entender as etapas anteriores a esse desenvolvimento, como o 
desenvolvimento da infância, adolescência e juventude, pois o avanço das 
habilidades e capacidades estão relacionados entre as fases da vida e que 
podem estar relacionadas a psicopatologia.
IMPORTANTE
Portanto, para compreender psicopatologia, primeiramente é preciso entender 
de desenvolvimento humano, então a seguir você compreenderá a respeito do 
desenvolvimento humano.
3.1 DESENVOLVIMENTO HUMANO: DA INFÂNCIA À VELHICE
O ciclo da vida inicia na concepção do bebê, na qual é formado o feto e ele vai se 
desenvolvendo, passando o primeiro período de desenvolvimento durante a gestão da 
mãe, acompanhado pelo olhar do médico, durante os exames de pré-natal, sendo esse 
indicado pelos profissionais da saúde.
Posteriormente ao nascimento, o desenvolvimento continua, com o crescimento 
da criança, também conhecido como desenvolvimento infantil, percorre de zero a dez 
anos de idade, pois nessa década as crianças adquirem e/ou aprimoram determinados 
comportamentos, capacidades, habilidades queestão associados ao campo motor, 
cognitivo, emocional e social (BEE; BOYD, 2009).
11
FIGURA 7 – DESENVOLVIMENTO INFANTIL
FONTE: . Acesso em: 25 mar. 2022.
Na Figura 7, verifica-se as mudanças do desenvolvimento físico na infância, 
segundo Bee e Boyd (2009) o desenvolvimento pode ser dividido em três grandes faixas 
etárias, sendo: primeira infância, segunda infância, período de latência e período de 
puberdade.
A primeira infância está relacionada a faixa etária do nascimento até os primei-
ros cinco anos de idade. Como demonstra a Figura 8, na primeira infância é o período 
que a criança precisa dos cuidados dos pais.
FIGURA 8 – PRIMEIRA INFÂNCIA
FONTE: . Acesso em: 25 mar. 2022.
Nesse período, a criança está se relacionando com o mundo externo, construindo 
seus primeiros vínculos e laços afetivos, isto com os pais, irmãos, e as pessoas mais 
próximos, como os membros familiares (tios, tias, avôs, avós). A criança vai desenvolver 
as habilidades básicas, como: andar, falar e expressar seus sentimentos, como alegria, 
tristeza, desconforto, demonstrar afeto e carinho etc. (BEE; BOYD, 2009).
12
Posteriormente, ocorre a segunda infância, conhecido como um período de 
latência, na qual está a faixa etária após aos seis anos de idade até aproximadamente dez 
anos de idade, e que estão os momentos de conflito entre a criança e os responsáveis, 
e aqui não seria apenas a criança e os pais, mas a criança e um professor por exemplo 
(BEE; BOYD, 2009).
Após a segunda infância, ocorre o chamado período de puberdade, que 
corresponde dos onze anos aos doze anos de idade, na qual a criança terá um maior 
desenvolvimento dos hormônios e do seu corpo, aproximando assim do período da 
adolescência (iniciando essa dos 12/13 anos de idade), preparando para um corpo 
adulto, com isso a adolescência inicia-se aos 12 anos de idade (as vezes um pouco mais 
tarde nos meninos) e percorre até aos 18 anos de idade. 
FIGURA 9 – ADOLESCÊNCIA
FONTE: . Acesso em: 25 mar. 2022.
Nesse período, como pode ser observado na Figura 9, ocorre um amadurecimento 
do corpo físico e socioemocional, e é por isso, que na adolescência é possível verificar no 
indivíduo as suas próprias opiniões, julgamentos, escolhas, também é um momento de 
construção da identidade (BEE; BOYD, 2009). Consequentemente inicia-se a juventude, 
dos 18 até 25 anos de idade), na qual se estuda, inicia a vida no trabalho, busca-se por 
uma profissão.
Após a juventude, inicia-se a vida adulta. Segundo Oliveira (2004), existem 
poucos materiais teóricos sistematizados para entender os aspectos da vida adulta, 
diferente do que existe a respeito do desenvolvimento infantil. Assim:
[...] a psicologia não tem sido capaz de formular, de modo satisfatório, 
uma psicologia do adulto. Na verdade, as teorias psicológicas 
são menos articuladas e complexas quanto mais avançamos no 
processo de desenvolvimento da pessoa: sabemos muito sobre 
bebês, bastante sobre crianças, menos sobre jovens e quase nada 
sobre adultos (OLIVEIRA, 2004, p. 217).
13
Na vida adulta, como demonstrado na Figura 10, os indivíduos estão com o 
corpo físico mais desenvolvido, compreende-se mais a respeito do si, do que em outras 
fases da vida, existe uma autonomia e maturidade frente aos aspectos de trabalho e 
educacional, porém a vida adulta é uma fase que comporta diferente faixas etárias.
FIGURA 10 – VIDA ADULTA
FONTE: . Acesso em: 25 mar. 2022.
Assim, um dos estudiosos a compreender a fase adulta foi o pesquisador Erik 
Erikson (1998), que organizou o desenvolvimento humano em 8 estágios, esse período 
da vida adulta foi organizado por Erikson em três tempos (fases) distintos, sendo: 
• maioridade jovem – 21 a 40 anos; 
• meia idade – 40 anos até, aproximadamente, 60 anos
• maturidade – após 60 anos, que corresponderia ao período do envelhecimento.
Para compreender a psicopatologia no adulto, faz-se necessário 
entender o desenvolvimento adulto, pois o avanço das habilidades 
e capacidades estão relacionados durante toda a vida, inclusive 
nessa fase.
IMPORTANTE
14
Diante do exposto, você acadêmico compreenderá a seguir de maneira 
aprofundada a respeito da vida adulta.
3.1.1 Relacionando desenvolvimento humano e a 
psicopatologia
Segundo Sroufe (1997) os pesquisadores e estudiosos do desenvolvimento 
humano e psicopatologias possuem diferente maneiras de compreender essa relação 
e como ocorrem as patologias, assim na área da psicopatologia desenvolvimental 
relacionam que os transtornos mentais possuem seus desfechos à medida que ocorre 
o processo de desenvolvimento.
Ainda, Sroufe (1997) relata que os transtornos psicológicos tem a sua origem 
a partir das relações interpessoais e dimensionais, que são complexas, assim muitas 
são as características dos indivíduos que estão nas relações, como: fatores biológicos, 
fatores genéticos e fatores psicológicos, e por sua vez, também se convergem com as 
características ambientais (cuidado parental, relacionamentos interpessoais, exposição 
a eventos estressantes) e também com fatores sociais, como por exemplo: rede de 
apoio social, nível socioeconômico etc.
Nessa perspectiva, a psicopatologia desenvolvimental compreende ocorre o 
desenvolvimento do ser humano, e no processo de desenvolver pode ocorrer transtornos 
mentais que estejam relacionados às mudanças que os indivíduos têm que alcançar em 
cada etapa, ou seja, a experiência de cada fase faz com que o indivíduo evolua para 
outra fase, mas nesse avanço podem ocorrer fragilidades que desencadeie patologias. 
Assim, pode-se dizer que quando ocorre uma fragilidade, demora no avanço, ou até 
mesmo uma descontinuação, geram comportamentos que precisam ser verificados 
(POLANCZYK, 2009).
Segundo Polanczyk (2009), há aspectos devem ser sempre verificados quando 
trata da perspectiva da psicopatologia desenvolvimental, como a adaptabilidade ao 
meio ambiente, pois é inato que todo indivíduo busque se adaptar ao contexto que está 
inserido, então conforme a idade e a fase do desenvolvimento, ocorrerá a adaptação 
por meio de comportamentos do indivíduo, por isso importante buscar interpretar 
comportamento versus meio ambiente, para assim entender a adaptabilidade do sujeito.
Para Polanczyk (2009, p. 11), “[...] cabe a cada investigador avaliar criticamente 
a utilização desse modelo conceitual. A psicopatologia desenvolvimental refuta a 
ideia de que fatores de risco atuam de forma isolada e não se satisfaz apenas com 
a identificação de associações ou correlações”. Portanto, para compreender uma 
psicopatologia, também é preciso compreender o desenvolvimento humano, como 
visto aqui na perspectiva psicopatologia desenvolvimental o indivíduo é um ser que 
passa por um processo de desenvolvimento contínuo, e nesse processo podem ocorrer 
situações e vivências que devem ser verificadas e avaliadas, pois podem contribuir para 
o desenvolvimento de psicopatologias. 
15
Mas ainda, como visto nesse tópico, para um determinado comportamento 
ser compreendido como patológico, muitos aspectos relacionados a normalidade e 
anormalidade precisam ser avaliados e interpretados. 
FIGURA 11 – PSICOPATOLOGIA E O DESENVOLVIMENTO
FONTE: . Acesso em: 25 mar. 2022.
Além disso, como demonstrado na Figura 11, sempre existirá a presença 
de sintomas, características etc., portanto, o Psicólogo é um profissional que possui 
instrumentos psicológicos, técnicas e ferramentas que podem auxiliar no diagnóstico 
de psicopatologias.
A perspectiva psicopatologia desenvolvimental busca compreender e 
defender que há continuidade no processo de desenvolvimento e os 
transtornos mentais.
IMPORTANTE
16
Neste tópico, você adquiriu certos aprendizados, como:
RESUMO DO TÓPICO 1
• Os critérios relacionados à anormalidade são: frequência estatística, desvio social, 
comportamento de inadaptação e sofrimento pessoal.• A normalidade está relacionada com bem-estar emocional e com as características: 
preocupação adequada da realidade, capacidade de exercer controle voluntário sobre 
o comportamento, autoestima e aceitação, capacidade de formar relacionamentos 
afetivos e produtividade.
• A discussão de comportamento normal e anormal em psicopatologia é complexa, 
pois requer cuidados e precisa ser avaliada e interpretada.
• O pesquisador Erik Erikson, em seus estudos do desenvolvimento humano, 
determinou fases, como: maioridade jovem, meia idade e maturidade.
• Para compreender desenvolvimento humano e psicopatologia, existe uma perspec-
tiva nomeada como psicopatologia desenvolvimental.
17
1 A psicopatologia, mais do que o estudo dos transtornos mentais, busca estudar 
o discurso sobre o sofrimento psíquico, para, então, conhecer os sintomas 
e características das patologias. É por meio das descrições dos sintomas e 
características que o psicólogo pode realizar avaliação. A respeito da psicopatologia, 
quanto aos aspectos da anormalidade, assinale a alternativa CORRETA:
a) ( ) Desvio social e comportamento de inadaptação.
b) ( ) Produtividade e comportamento de adaptação.
c) ( ) Produtividade e desvio social.
d) ( ) Rendimento e comportamento de inadaptação.
2 A psicopatologia buscar definir e classificar os transtornos mentais, por meio dos 
comportamentos patológicos, descrevendo bem os sintomas apresentados em cada 
patologia, sendo esse conhecimento de extrema relevância para o início do tratamento 
de um paciente, principalmente na Psicologia Clínica. A respeito da psicopatologia, 
quanto aos aspectos da normalidade, analise as afirmativas a seguir:
I- A normalidade está relacionada com bem-estar emocional.
II- A preocupação adequada em relação à realidade está relacionada a normalidade do 
indivíduo.
III- A capacidade de formar relacionamentos afetivos e a produtividade de um indivíduo 
no seu dia a dia são indicativos de bem-estar emocional e anormalidade.
Assinale a alternativa CORRETA:
a) ( ) As afirmativas I e II estão corretas.
b) ( ) Somente a afirmativa II está correta.
c) ( ) As afirmativas I e III estão corretas.
d) ( ) As afirmativas I, II e III estão corretas.
3 O desenvolvimento humano na psicologia é mencionado como a compreensão do 
ciclo vital do ser humano. Assim, a Psicologia do Desenvolvimento estuda as diferentes 
fases da vida do indivíduo, da infância à velhice, e tais conhecimentos são utilizados 
em contextos da prática profissional do psicólogo. A respeito do desenvolvimento 
humano, classifique V para as sentenças verdadeiras e F para as falsas:
( ) O desenvolvimento humano é reconhecido por apresentar diferentes fases, como 
a infância, a adolescência, a vida adulta e a velhice.
( ) O desenvolvimento infantil deve ser estudo a partir do nascimento.
( ) O desenvolvimento humano está relacionado a compreender os comportamentos, 
vivências e as capacidades motora, cognitiva, emocional e social.
AUTOATIVIDADE
18
Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA:
a) ( ) V – F – F.
b) ( ) V – F – V.
c) ( ) F – V – F.
d) ( ) F – F – V.
4 Erik Erikson, psicanalista, conhecido por ser um dos estudiosos e precursor de Anna 
Freud, estudou não apenas a psicanálise, mas o desenvolvimento humano, e após 
isso desenvolveu uma série de obras que contribuíram para a Psicologia enquanto 
ciência e profissão. Disserte sobre quais as nomenclaturas que utilizou para explicar 
a respeito de vida adulta e velhice.
5 A Psicologia é uma ciência que apresenta sempre muitas visões a respeito de um 
único assunto, assim possibilita a discussão e reflexão de um único tema, sob várias 
perspectivas. Com a psicopatologia não é diferente, porém existe uma perspectiva da 
psicopatologia que considera o desenvolvimento humano. Disserte sobre a perspectiva 
psicopatologia desenvolvimental.
19
PSICOPATOLOGIA: VIDA ADULTA
1 INTRODUÇÃO
Como já abordado no Tópico 1, existe uma complexidade para diagnosticar e 
definir um comportamento como patológico, isto porque muitos são os critérios que 
devem ser investigados na busca da compreensão entre um comportamento normal e 
anormal, e ainda, para além dos critérios está a relação do comportamento apresentado 
com o processo de desenvolvimento daquele indivíduo.
A psicopatologia desenvolvimental também convida a entender a importância 
da faixa etária, fase do desenvolvimento, e os acontecimentos de determinada fase, para 
que em conjunto com uma investigação por meio de técnicas da psicologia, instrumentos 
psicológicos, manuais, o psicólogo possa então diagnosticar uma psicopatologia. Ainda, 
vale ressaltar que, em alguns casos esse trabalho não é apenas do psicólogo, mas um 
trabalho em conjunto com outros profissionais.
Dessa maneira, no Tópico 2, você acadêmico avançará seus conhecimentos a 
respeito da psicopatologia, pois estudará a respeito do teórico Erik Erikson, e a pers-
pectiva dele a respeito do desenvolvimento humano, principalmente em relação à fase 
adulta e velhice.
Ainda neste tópico, você conhecerá como ocorre a psicopatologia em adultos e 
os aspectos que devem ser levados em consideração e, por fim, entenderá a respeito de 
transtorno de ansiedade, depressão e estresse.
UNIDADE 1 TÓPICO 2 - 
2 O DESENVOLVIMENTO HUMANO NA VIDA ADULTA 
E AS PATOLOGIAS 
Quando verificamos diversas pessoas, homens e mulheres, como na Figura 
13, podemos pensar que a maioria dos indivíduos estudam ou já estudaram, assim 
avançando seus conhecimentos básicos ou específicos, voltados para uma profissão ou 
não. Também podemos pensar que alguns podem ser casados, com suas famílias, ou 
que alguns namoram, mas não são casados, que alguns são solteiros, mas podem ter 
filhos, ou seja, vivências de uma vida adulta.
Dessa maneira, nesse relato, aborda-se a respeito de características que fazem 
parte da vida adulta, que atualmente na literatura científica há uma discussão e reflexão 
de quando iniciaria em termos de idade, essa fase no ciclo vital, devido às mudanças da 
sociedade contemporânea.
20
FIGURA 12 – PESSOAS E A VIDA ADULTA
FONTE: . Acesso em: 25 mar. 2022.
Para o presente estudo, utilizou-se da teoria do desenvolvimento de Erik Erikson, 
que é clássica, e muito consolidada dentro da ciência Psicologia. Posteriormente, você 
compreenderá a psicopatologia no adulto.
2.1 TEORIAS DO DESENVOLVIMENTO E ERIK 
HOMBURGER ERIKSON 
Erik Homburger Erikson, nasceu em 1902, Frankfurt – Alemanha, morreu em 
1994, Harwich. Segundo Picirilli (2018), reconhecido teórico iniciou sua trajetória 
acadêmica como estudante de artes plásticas na Europa, mas após conhecer Anna 
Freud, filha de Sigmund Freud, ele passou a estudar a psicanálise em Viena a convite, e 
depois se aprofundou em outros temas e conhecimentos da psicologia. 
Sob orientação de Anna, submeteu-se à psicanálise e tornou-se, ele próprio, 
psicanalista, assim início da carreira, o interesse de Erikson esteve voltado para o trata-
mento de crianças e as suas concepções de desenvolvimento e de identidade influen-
ciaram as pesquisas posteriores, nomeadamente a respeito da adolescência, assim foi 
Erikson que abordou pela primeira vez o termo "crise da adolescência" e assim a estudou.
FIGURA 13 – TRATAMENTO INFANTIL
FONTE: . Acesso em: 25 mar. 2022.
21
Conforme Picirilli (2018), em 1927, Anna Freud iniciou uma escola a respeito 
da psicanálise, na qual realizada orientações, bem como trabalhava com crianças 
e com tema da infância, então Erikson também envolvido com o ensino infantil, 
passou a reconhecer a importância das brincadeiras na compreensão do ego e de seu 
desenvolvimento.
O estudioso Erikson é reconhecido por ser um psicanalista responsável pelo de-
senvolvimento da Teoria do Desenvolvimento Psicossocial na Psicologia, pois estudou 
o ciclo da vida e construí as fases do desenvolvimento para explicar o desenvolvimento 
humano. 
Tornou-se um dos teóricosde grande relevância da Psicologia do desenvolvi-
mento, pois apresentou grande contribuições, dentre as teorias do desenvolvimento 
humano, assim como Jean Piaget, Lev Vygotsky e Henry Wallon, porém a contribuição 
marcante de Erikson é em estudar a vida adulta e a velhice, embora tenha estudado 
outras fases do ciclo da vida e ter feitos contribuições a elas.
Dessa maneira, Erikson construiu sua teoria do desenvolvimento na perspecti-
va psicanalista, porém, além disso, ele se interessou em estudar o desenvolvimento e 
a vida de tribos indígenas norte-americanas, então estes e outros estudos que Erikson 
realizou, acabaram fazendo parte do processo que envolve a construção da identida-
de, que mais tarde veio a chamar formação de identidade, muito discutido na fase da 
adolescência (PICIRILLI, 2018).
Assim, todos os estudos de Erikson contribuem para sua teoria, e para com-
preender o desenvolvimento humano, bem como a vida adulta e a velhice. Compreen-
deremos, a seguir, o desenvolvimento segundo Erikson, aprofundando na vida adulta.
Para um futuro psicólogo, importante compreender a teoria de Erik 
Erikson a respeito da vida adulta, pois esse é um dos autores que mais 
abordam essa fase da vida, e nos contextos profissionais do psicólogo 
muitas vezes terá esse público (adulto) para ser atendido.
NOTA
https://pt.wikipedia.org/wiki/Psicanalista
https://pt.wikipedia.org/wiki/Teoria_do_Desenvolvimento_Psicosocial
https://pt.wikipedia.org/wiki/Psicologia
https://pt.wikipedia.org/wiki/Psicologia_do_desenvolvimento
https://pt.wikipedia.org/wiki/Psicologia_do_desenvolvimento
22
2.1.1 Desenvolvimento humano: vida adulta e 
psicopatologias
O estudioso Erik Erikson em sua teoria do desenvolvimento psicossocial 
abordou oito fases do desenvolvimento humano. As fases mencionadas pelo autor, 
são: sensorial (do nascimento até por volta de 18 meses), muscular (dos 18 meses 
aos 3 anos, aproximadamente), motor (dos 3 aos 5 anos), latência (dos 5 aos 13 anos), 
moratória psicossocial (dos 13 aos 21 anos), maioridade jovem (dos 21 aos 40 anos, 
aproximadamente), meia-idade (40 anos até, aproximadamente, 60 anos), maturidade 
(após 60 anos). 
Dessa maneira, como nesse tópico o estudo é a respeito da vida adulta, faz-
se aqui o foco na compreensão de Erikson nessa fase. Portanto, a fase 6, chamada 
de maioridade jovem, corresponde dos 21 anos aos 40 anos, aproximadamente. Nesse 
período, a crise do adulto jovem se configura entre a intimidade e solidariedade versus 
isolamento. 
Para Erikson (1998), o indivíduo anseia e dispõe-se a fundir a sua identidade com 
a de outros, estando preparado para a intimidade, com isso o sujeito tem a capacidade 
de confiar e ser fiel, mesmo que isso implique em deixar suas próprias vontades, se 
esforçar pelo outro. 
Ao contrário, seria o chamado o reverso da intimidade, muito parecido com 
o comportamento de isolamento, a tendência a distanciar-se, podendo até mesmo a 
destruir as forças e pessoas que sente como ameaças para si e que possam invadir as 
relações. O isolamento também pode estar relacionado com o sentimento de não se 
sentir reconhecido (ERIKSON, 1998).
Conforme destaca Boyd e Bee (2009), essa é uma fase marcada por estabelecer 
relacionamentos íntimos, incluindo a vivência de casar e construir seu próprio grupo 
familiar, ou seja, no início da idade adulta, o desenvolvimento bem-sucedido requer a 
capacidade de renunciar suficientemente à identidade independente para comprometer-
se em uma relação verdadeiramente íntima. 
Posteriormente, na fase 7, nomeada como meia-idade, também corresponde 
a idade adulto, dos 40 anos até, aproximadamente, 60 anos. Nesse período, a crise 
psicossocial destacada pelo autor está relacionada em “generatividade”, produtividade 
versus estagnação, imersão em si (ERIKSON, 1998).
23
FIGURA 14 – MEIA-IDADE
FONTE: . Acesso em: 25 mar. 2022.
Na Figura 14, a representação de mulheres na faixa etária que o autor chamou 
de meia-idade. Para Boyd e Bee (2009), nessa fase instala-se a necessidade de 
desenvolvimento de criatividade, por meio da relação e criação dos filhos, bem como no 
contexto de trabalho e na relação com os outros grupos sociais, não apenas trabalho e 
família, mas em outros locais de convívio desse indivíduo com a sociedade. Este é um 
momento, fase, em que o indivíduo busca imprimir sua marca no mundo.
Desse modo, na perspectiva psicopatologia desenvolvimental, a psicopatologia 
do adulto está relacionada a problemas ou transtornos psicológicos que na maioria das 
vezes foram desenvolvidos em outros momentos da vida, ou seja, alguma fragilidade 
ocorreu no processo do desenvolvimento, porém diversas são as razões para que isso 
possa ocorrer.
Segundo Mello et al. (2009), a psicopatologia no adulto faz-se necessário a 
investigação e o conhecimento do histórico infantil. Associada ao desenvolvimento 
de uma psicopatologia é alguns tipos de vivência que possam deixar possíveis marcas 
na história de vida, como: doença física, doença psíquica, internamento hospitalar, 
sintomas graves de diferentes doenças que levam a quadros psicológicos. Podendo 
esses ser na própria história de vida do indivíduo adulto (com a psicopatologia), ou 
até mesmo que tenha ocorrido na sua infância, mas com algum membro familiar ou 
relevante, que tenham impactado a sua própria história, por exemplo: a internação de 
um pai, a doença de uma mãe etc.
Nesse sentido, Gonçalves e Heldt (2009) relatam que, ao avaliar sintomas, carac-
terísticas e até mesmo traços de psicopatologia no adulto, é importante compreender o 
histórico da infância. Por exemplo: a ansiedade é uma das mais observadas na infância, 
e que pode agrava com o avanço da idade, tornando-se patológica na vida adulta. 
24
Gonçalves e Heldt (2009) apresentam que no caso da ansiedade, para mini-
mizar riscos psicopatológicos na vida adulta, bem como a presença de sintomas ou 
desconfortos que possam agravar para um quadro clínico é relevante que os problemas 
associados à perturbação de ansiedade, na infância, sejam alvo de avaliação e interven-
ção nessa mesma fase de desenvolvimento (infância ou quando ela aparecer) ou o mais 
cedo possível, com o fim de evitar consequências à vida adulta. Este aspecto de cuidado 
e intervenção deve ocorrer com qualquer sintoma psicopatológico.
Assim, existem ainda problemas psicológicos e/ psiquiátricos originados na fase 
da infância, que se associam também à questão dos maus tratos e/ou negligência e que 
se traduzem em transtornos da personalidade no adulto, e outras psicopatologias, como: 
dependência de álcool, transtorno ou perturbação alimentar, ansiedade, estresse etc.
Nesse sentido, Mello et al. (2009) relatam que, no processo do desenvolvimento, 
de uma infância até à evolução de uma psicopatologia  na vida adulta, diferentes 
situações podem ocorrer e que podem contribuir com o desenvolvimento de uma 
psicopatologia, por isso os motivos podem ser aspectos iniciados no nascimento, no 
ambiente em que o indivíduo cresceu e se desenvolveu (família, escola) e no ambiente 
onde se insere no momento (trabalho, família, espaço educacional etc.). 
No entanto, nem sempre que tenha ocorrido histórico de  maus tratos ou 
negligência, significa que existem casos de psicopatologia  ligados a problemas de 
saúde físicos que condicionaram a saúde mental do indivíduo, por isso a necessidade 
de investigação, avaliação, e se necessário, intervenção psicológica, ou ainda, também 
psiquiátrica.
Para compreender a psicopatologia apresentada na vida adulta, 
faz-se necessário entender a história de vida no indivíduo e o 
processo de desenvolvimento até aquela determinada faixa-etária. 
Ainda, é importante compreender a relação da especificidade 
daquele momento do desenvolvimento com os sintomas e queixas 
apresentadas pelo paciente.
DICA
3 PSICOPATOLOGIAS DA VIDA ADULTA
A respeito da vida adulta e psicopatologias, muitas são as psicopatologias que 
podem ser apresentadas por um indivíduo na vida adulta.Segundo Oreskovic (2016), 
mais de 450 milhões de pessoas sofrem com algum transtorno de saúde mental. Nesse 
momento será abordado a respeito da ansiedade e depressão.
25
A presença de sintomas relacionados a ansiedade no indivíduo adulto é comum, 
bem como a presença de sintomas da ansiedade foram desenvolvidas ao longo da 
infância, mas que não foram avaliadas ou que não teve a intervenção necessária, isto é 
mencionado por Gonçalves e Heldt (2009), os quais destacam que a psicopatologia do 
adulto tem sempre, ou quase sempre, a presença de sintomas de ansiedade, iniciada na 
infância, que não foi devidamente, alvo de intervenção profissional, no momento da sua 
origem. A complementar:
 
[...] os transtornos de ansiedade na infância são preditores e podem 
atuar como fatores de risco para psicopatologias na vida adulta. 
Mesmo considerando que os locais de origem dos estudos foram 
em países diferentes, isto é, com diferentes culturas e hábitos, os 
resultados encontrados foram semelhantes (GONÇALVES; HELDT, 
2009, p. 537).
Manfro et al. (2002) destacam que, na maioria dos casos, além dos sintomas 
de ansiedade, é comum que, problemas menos bem resolvidos na infância, estendam 
para desenvolver, e assim a longo prazo, os sintomas ou características vão para a vida 
adulta, e grande parte estão relacionados à depressão na vida adulta.
Portanto, como visto nesse tópico, é comum os autores relatarem que a maioria 
das psicopatologias da vida adulta está associada a um padrão de comorbidades 
desenvolvidas ainda na fase da infância do ciclo vital (MANFRO et al., 2002). A seguir, 
você entenderá a respeito de ansiedade e depressão.
3.1 ANSIEDADE
A ansiedade está muito relacionada a preocupação, porém na vida adulta é 
comum e até esperado que se tenha preocupação com algumas situações e vivências, 
como por exemplo, preocupação em realizar todas as funções do trabalho, preocupação 
que os filhos tenham saúde, porém a ansiedade quanto a psicopatologia é muito mais 
do que uma preocupação do cotidiano. 
Costa et al. (2019, p. 93) apontam que “[...] os transtornos de ansiedade geral-
mente prejudicam a vida diária dos indivíduos, pois muitos deixam de realizar atividades 
rotineiras por medo das crises ou sintomas”. Segundo Baxter, Scott e Whiteford (2013), 
por meio de uma revisão da literatura com 87 estudos, foi verificado que, em 44 países, 
a prevalência atual dos transtornos de ansiedade é cerca de 7,3% (4,8%-10,9%).
Dessa maneira, os transtornos de ansiedade são patologias relacionadas ao 
funcionamento do corpo em virtude das experiências da vida, assim um indivíduo 
pode-se sentir ansioso a maior parte do tempo sem nenhuma razão aparente, ou, ainda, 
pode-se ter ansiedade, de modo que a pessoa se sentirá sem autonomia sobre seus 
comportamentos, impedida de realizar suas atividades, ou uma atividade em especial, 
dependendo da situação.
https://knoow.net/ciencsociaishuman/psicologia/ansiedade/
https://knoow.net/ciencsociaishuman/psicologia/infancia/
26
Com isso, a sensação de ansiedade pode ser tão desconfortável que, para evitá-
la, as pessoas deixam de fazer atividades/ações do cotidiano, como por exemplo: usar o 
elevador, realizar uma leitura em silêncio, ter atenção em uma orientação, isto por causa 
do desconforto que sentem com a situação, ou uma agitação frente a preocupação 
e medo que levam a não ter atenção, concentração e/ou uso da percepção, tudo 
dependerá do caso e situação.
Os transtornos da ansiedade têm sintomas muito mais intensos do que aquela 
ansiedade normal do dia a dia. Eles aparecem como: preocupações, tensões ou medos 
exagerados (a pessoa não consegue relaxar); sensação contínua de que um desastre ou 
algo muito ruim vai acontecer; preocupações exageradas com saúde, dinheiro, família 
ou trabalho; medo extremo de algum objeto ou situação em particular; medo exagerado 
de ser humilhado publicamente; falta de controle sobre os pensamentos, imagens ou 
atitudes que se repetem independentemente da vontade; pavor depois de uma situação 
muito difícil. 
FIGURA 15 – ANSIEDADE
FONTE: . Acesso em: 25 mar. 2022.
Na Figura 15, a representação do sintoma “preocupações”, do indivíduo voltar 
seus pensamentos para suas preocupações. Por isso, Costa et al. (2019) relatam que os 
transtornos de ansiedade diferem entre si nos objetos ou situações, porém sempre estão 
relacionados a situações que induzem o medo, ansiedade ou comportamento de esquiva.
Costa et al. (2019), ao realizar pesquisa de ansiedade, detectaram que os dados 
demonstram que os transtornos de ansiedade são muito frequentes em adultos, sendo 
mais prevalentes entre as mulheres do que em homens, e os transtornos ansiosos, 
estão associados principalmente as condições socioeconômicas e substâncias lícitas.
Em relação ao tratamento da ansiedade, pode-se dizer que, existem três 
tipos de tratamento para os transtornos de ansiedade, sendo: tratamento com o uso 
de medicamentos, tratamento com psicoterapia, e o tratamento com o combinado de 
medicamentos e psicoterapias.
27
O tratamento com o uso de medicamentos, sempre com acompanhamento e 
receita médica, normalmente envolvendo médicos psiquiatras, ou médicos especialistas 
que tenham compreendido a situação, vivência e sintomas do paciente relacionados a 
ansiedade; os atendimentos psicológicos.
A respeito dos atendimentos psicológicos, sendo a chamada psicoterapia, 
corresponde ao diálogo com o profissional psicólogo, que utilizará de uma abordagem 
psicológica para compreender o paciente, bem como os sintomas apresentados e assim 
realizar o diagnóstico, ansiedade, bem como fará a intervenção, de modo a utilizar de 
técnicas e ferramentas.
Por fim, o tratamento da combinação, sendo o uso de medicamento e os 
atendimentos psicológicos, na qual o paciente realiza a psicoterapia, mas também 
utiliza de medicações, porém nesse caso, envolve mais de um profissional trabalhando 
o paciente, médico e psicólogo, uma vez que o psicólogo não receita medicação, assim 
é preciso que ocorra diálogo entre os profissionais da saúde, para que discutam o caso, 
de modo a acompanhar o paciente, buscando uma saúde integrada (física e psíquica), 
pois cada profissional atuará dentre as suas especialidades.
Atualmente existem instrumentos psicológicos, como testes e escalas 
psicológicos que podem auxiliar o psicólogo na investigação e 
diagnóstico do transtorno de ansiedade.
GIO
3.2 DEPRESSÃO
A “[…] depressão é um transtorno multifatorial, de alta prevalência, considerada 
um problema de saúde pública mundial. Diversas são as variáveis implicadas no 
desenvolvimento e manutenção deste transtorno, como as psicológicas, sociais e 
biológicas” (BARROSO; BAPTISTA; ZANON, 2018, p. 26).
A complementar, segundo a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS, 
[2021?]), a depressão é um transtorno mental comum, e estima-se que 300 milhões de 
pessoas são afetadas por essa condição, sendo mais mulheres que sofrem de depressão 
do que os homens. A depressão é caracterizada por sintomas, como a tristeza, e a perda 
de interesse ou prazer em situações da rotina, como nas situações vivenciadas em 
família e no trabalho. O indivíduo pode apresentar um sentimento de culpa ou baixa 
28
autoestima, e diante desse cenário, ocorre sono e apetite alterados. Alguns indivíduos 
apresentam um cansaço sem explicação, e alteração de algumas funções, como, falha 
na memória, alteração na atenção e concentração.
Segundo Thorsen et al. (2013 apud BARROSO; BAPTISTA; ZANON, 2018, p. 26): 
“A depressão maior se caracteriza por humor rebaixado persistente e perda de interesse 
em atividades prazerosas, gerando grande prejuízo funcional e social, anos de vida 
perdidos ou vividos com incapacidade, além de agravar os sintomas de outras doenças”. 
A depressão é uma patologia com causas multifatoriais, que incluem aspectos de 
personalidade, sociais e de relacionamentos interpessoais, não podendo ser atribuída 
a uma causa única.
Na Figura 16, há a representaçãoda depressão, na qual muitas vezes o indivíduo 
fica triste, deitado, isolado, porém estas características embora bastante comum, nem 
sempre ocorre em todas os indivíduos da mesma maneira, e existe diferentes graus de 
depressão (leve, moderado, grave).
FIGURA 16 – DEPRESSÃO
FONTE: . Acesso em: 25 mar. 2022.
Dessa maneira, indivíduos com depressão podem ter várias e diferentes queixas 
físicas sem nenhuma causa aparente. Ainda, a depressão pode ser apresentada com 
longa duração ou até mesmo algo mais breve, mas sempre acaba gerando prejuízos 
em relação à execução de atividades rotineiras, do trabalho ou da escola. Importante 
mencionar que em estado mais grave, a depressão pode levar ao suicídio.
Existem também tratamentos eficazes em relação à depressão. A depressão em 
seu estado leve e moderado pode ser tratada com terapias que utilizam o diálogo, como 
o atendimento com psicólogo, podendo esse ser de diferentes abordagens psicológicos 
e utilizar de diferentes tipos de técnicas para intervenção com o paciente.
29
Segundo a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS, [2021?], n.p.):
[...] existem programas de prevenção que têm demonstrado a 
redução da depressão, tanto em crianças (por exemplo: proteção e 
apoio psicológico após abuso físico e sexual) quanto em adultos (por 
exemplo: assistência psicossocial após desastres e conflitos). 
Ainda, há casos que pode ser utilizado de medicação, como os antidepressivos, 
sendo esses um amaneira eficaz de tratamento para a depressão de moderada a grave, 
mas não é a melhor maneira de tratamento para casos de depressão leve em adultos.
O trabalho de psicólogos com médicos psiquiatras pode contribuir com 
pacientes diagnosticados com depressão, no tratamento combinado com 
psicoterapias (atendimentos psicológicos) e medicações específicas para 
os sintomas de depressão.
NOTA
O tratamento da depressão inicia com um diagnóstico multidisciplinar, com 
psicólogos e médicos para a realização da avaliação. O psicólogo pode na avaliação utilizar 
de entrevista semiestruturada, anamnese, e instrumentos psicológicos. Posteriormente, 
o psicólogo pode realizar atendimentos psicológicos, como psicoterapia, aplicando de 
diferentes técnicas, conforme a abordagem psicológica a ser utilizada pelo profissional.
3.3 ESTRESSE
A sociedade atual vivencia uma série de mudanças que impacta no cotidiano 
dos indivíduos, e para conviver e enfrentar as mudanças e os seus impactos, os 
indivíduos vivem o tempo todo se adaptando com as situações, pessoas, tecnologia, 
entre outros aspectos. Por isso, é preciso que os indivíduos se movimentem o tempo 
todo, com energia física e psíquica para se adaptar (SILVA; CARMO; OLIVEIRA, 2018).
“Nesse sentido, pode ocorrer que a velocidade das transformações seja 
diferente da velocidade da capacidade de adaptação do indivíduo, levando a ocorrer 
uma incoerência, e acabe resultando num desequilíbrio, e surgindo assim as situações 
de estresse [...]”. (SILVA; CARMO; OLIVEIRA, 2018, n.p.). A palavra stress tem origem no 
latim, e tem como significado “fadiga”, “cansaço”, alguma coisa “apertada” ou “penosa”.
30
Seguindo esse ponto de vista, o estresse nada mais é que uma 
reação que o organismo realiza para adaptar a um evento ou uma 
situação que é desconfortável e/ou inesperada, por isso é uma 
reação que exige muito do organismo, e isto ocorrerá por meio de 
componentes físicos, psicológicos, emocionais e fisiológicos” (SILVA; 
CARMO; OLIVEIRA, 2018, n.p.). 
Para compreender o estresse, existem teorias que buscam explicar a origem 
dos seus sintomas e das suas características. Segundo Lipp e Malagriss (2001), a teoria 
de Hans Selye propõe que o estresse resulta em três relevantes alterações do organis-
mo, e essas alterações primeiramente foram descobertas e verificadas no organismo de 
ratos para depois serem compreendidas no homem, com as adaptações necessárias, e 
assim o modelo ficou conhecido como modelo trifásico do estresse.
O modelo trifásico do estresse recebe esse nome por identificar que o or-
ganismo passaria por três fases no processo do estresse, sendo pelas fases: alerta, 
resistência e exaustão. A fase de alerta inicia quando o indivíduo se depara com uma 
situação que gera o estresse, ou seja, uma situação que o organismo precisa se adap-
tar, podendo ocorrer uma “fuga” ou “luta” diante a situação (LIPP; MALAGRISS, 2001).
A fase de resistência, o que gera o estresse pode ser de longa duração ou de 
grande intensidade, e com isso o organismo buscará o equilíbrio interno, reestabelecendo-
se de uma forma reparadora. O organismo utilizará das reservas de energia adaptativa, 
contudo, se essa energia for suficiente, o indivíduo sai do processo de estresse, mas 
se o esforço de adaptação exigir mais que a reserva, o organismo enfraquecerá e se 
tornará vulnerável às doenças. E por fim, na fase de exaustão, se o indivíduo não tiver 
resistência suficiente para lidar com as causas que estão ocasionando o estresse, 
ou ainda, se ocorrerem outras situações estressantes concomitantes, ocorrerá uma 
evolução do processo de estresse (LIPP; MALAGRISS, 2001).
Entretanto, após muitas pesquisas e investigações, a Psicóloga, Profa. Dra. 
Marilda Lipp identificou que existe uma fase chamada de fase de quase-exaustão, a 
qual fica entre a fase de resistência e a fase de exaustão, e com isso a pesquisadora 
nomeou propôs o modelo quadrifásico, expandindo aquele modelo inicial de Hans Selye 
(LIPP; MALAGRISS, 2001). 
Dessa maneira, entende-se que, em situações estressantes, em cada fase 
que o indivíduo vivencia, podem ocorrer respostas fisiológicas, físicas, psicológicas e 
emocionais, podendo o indivíduo apresentar respostas de comportamentos, como: 
depressão, desanimo, apatia, hipersensibilidade emotiva, raiva, ira, ansiedade, e ainda, 
podem desencadear surtos psicóticos e crises neuróticas em indivíduos que tenham 
predisposição (SILVA; CARMO; OLIVEIRA, 2018).
Segundo Lipp e Malagriss (2001), o estresse é uma das causas mais comuns de 
doenças relacionadas ao trabalho, apresentando impactos à saúde mental e física do 
trabalhador, porém cada indivíduo tem formas diferentes de reagir ao enfrentamento do 
estresse e as consequências que vem dele.
31
RESUMO DO TÓPICO 2
 Neste tópico, você adquiriu certos aprendizados, como:
• Erik Homburger Erikson é reconhecido por ser um psicanalista  responsável pelo 
desenvolvimento da Teoria do Desenvolvimento Psicossocial.
• As psicopatologias da vida adulta podem ter origem da fase da infância, segundo 
a perspectiva da psicopatologia desenvolvimental. Por isso existe uma grande 
importância de avaliação, diagnóstico, bem como intervenção das psicopatologias.
• Os transtornos de ansiedade diferem entre si nos objetos ou situações, porém sempre 
estão relacionados a situações que induzem o medo, ansiedade ou comportamento 
de esquiva.
• A depressão é caracterizada por tristeza, bem como perda de interesse ou prazer. 
Ainda existe também o sentimento de culpa ou baixa autoestima, que pode apresentar 
sono e apetite alterados. Alguns indivíduos sentem cansaço e falta de concentração.
• O estresse é uma reação que o organismo realiza para adaptar a um evento ou uma 
situação que é desconfortável e/ou inesperada, por isso é uma reação que exige 
muito do organismo, e isto ocorrerá por meio de componentes físicos, psicológicos, 
emocionais e fisiológicos.
• A ansiedade, depressão e estresse que se apresentam de maneira leve, moderada e 
grave possuem tratamento.
https://pt.wikipedia.org/wiki/Psicanalista
https://pt.wikipedia.org/wiki/Teoria_do_Desenvolvimento_Psicosocial
32
1 A respeito do desenvolvimento humano, um grande estudioso, por meio de sua 
teoria nomeada como teoria do desenvolvimento psicossocial, abordou as fases 
maioridade jovem – dos 21 aos 40 anos, aproximadamente, meia-idade – 40 anos 
até, aproximadamente, 60 anos, maturidade – após 60 anos. Sobre o autor dessa 
teoria, assinale a alternativa CORRETA:
a) ( ) Erik Erikson.a afirmativa III está correta.
AUTOATIVIDADE
153
3 A avaliação psiquiátrica se define como instrumento importante para identificar 
a situação psicológica do paciente, isto é, se o paciente possui a noção e sabe se 
situar na realidade em que habita. Sobre a avaliação psiquiátrica, classifique V para 
as sentenças verdadeiras e F para as falsas:
(   ) Quando tratamos da consulta de avaliação psiquiátrica, falamos de uma avaliação 
particular restrita ao psicólogo.
(   ) No primeiro momento, na avaliação psiquiátrica, é aplicada uma entrevista para 
informar-se sobre o paciente e pode ser necessário uma entrevista com outras 
pessoas vinculadas ao paciente.
(   ) A avaliação psiquiátrica corresponde a especificamente pesquisar tanto a dinâmica 
normal, como prováveis variações e distúrbios do sistema nervoso. 
Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA:
a) ( ) V - F - F.
b) ( ) V - F - V.
c) ( ) F - V - F.
d) ( ) F - F - V.
4 Prestar serviços psicológicos de qualidade, em circunstâncias de trabalho decentes 
e adequadas ao que a demanda solicita, sendo balizado por valores, saberes e 
metodologias reconhecidamente sustentados na ciência psicológica operando em 
uma equipe multiprofissional, não é tarefa fácil. Neste contexto, disserte sobre o 
trabalho do psicólogo em avaliação psicológica em equipe multiprofissional. 
5 A Avaliação Psicológica de pacientes em serviços de saúde coloca em evidência 
a importância do emprego de diferentes tomadas de medidas, planejamento, 
reconhecimento das particularidades da história e das queixas indivíduo, do seu 
ambiente e da vinculação do paciente com o seu entorno. Para tanto, é preciso que 
o psicólogo se guie por dimensões éticas. Disserte sobre a ética do psicólogo em 
equipe multiprofissional.
154
REFERÊNCIAS
ALCHIERI, J. C.; BANDEIRA, D. R. Ensino da Avaliação Psicológica no Brasil. In: PRIMI, 
R. Temas em Avaliação Psicológica. Campinas: Impressão Digital do Brasil, 2002, p. 
35-39.
ALTOÉ, S. Menores em tempo de maioridade: do internato-prisão à vida social. Rio 
de Janeiro: Editora Universitária Santa Úrsula, 1993.
BOTEGA, nº J. Prática psiquiátrica no hospital geral: interconsulta e emergência. 
Porto Alegre: Artmed, 2006.
CFP (CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA). Resolução CFP nº 007, de 14 de junho 
de 2003. Institui o Manual de Elaboração de Documentos Escritos produzidos pelo 
psicólogo, decorrentes de avaliação psicológica e revoga a Resolução CFP 17/2002. 
Brasília: Conselho Federal de Psicologia, 2003. Disponível em: https://site.cfp.org.br/
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