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b) ( ) Lev Vygotsky c) ( ) Anna Freud. d) ( ) Sigmund Freud. 2 O estudioso Erik Erikson, psicanalista, acadêmico de Anna Freud, em sua teoria do desenvolvimento psicossocial abordou fases do ciclo da vida. Ficou bastante conhecido por discutir formação de identidade na adolescência, mas também reconhecido por estudar adultos e idosos. Com isso, a respeito da perspectiva desse autor sobre o desenvolvimento humano, analise as afirmativas a seguir: I- O estudioso Erikson em sua teoria do desenvolvimento psicossocial abordou oito fases/períodos. II- As fases chamadas de zona de desenvolvimento proximal e fase da meia-idade, correspondem a faixa etária dos 21 aos 40 anos, e a segunda dos 40 anos até, aproximadamente, 60 anos. III- As fases chamadas maioridade jovem e maturidade são correspondente a fase adulta. Assinale a alternativa CORRETA: a) ( ) As afirmativas I e II estão corretas. b) ( ) Somente a afirmativa II está correta. c) ( ) As afirmativas I e III estão corretas. d) ( ) As afirmativas I, II e III estão corretas. 3 A depressão é uma patologia que vem sendo destaque na população adulta, atingindo milhões de pessoas, não apenas no Brasil, mas em diferentes países do mundo. Assim, a Psicologia tem estudos na área não apenas com pessoas que são diagnosticadas com depressão, mas com familiares de pessoas depressivas. A respeito da depressão em pacientes adultos, classifique V para as sentenças verdadeiras e F para as falsas: AUTOATIVIDADE 33 ( ) A depressão pode ter múltiplas queixas físicas sem nenhuma causa aparente. ( ) No tratamento de depressão a família e amigos não podem apresentar grandes contribuições. ( ) A depressão pode se apresentar de modo leve, moderado e grave. No modo grave é possível o uso de medicamentos. Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA: a) ( ) V – F – V. b) ( ) V – V – V. c) ( ) F – F – F. d) ( ) F – F – V. 4 Ansiedade e transtorno de ansiedade é uma patologia bastante conhecida e investigada pela área da saúde, não apenas a psicologia e a medicina são interessadas por essa patologia, mas outras áreas da saúde, como a fisioterapia, educação física, nutrição, pois é uma patologia que impacta várias esferas da vida. Disserte sobre os sintomas de ansiedade apresentados pelos indivíduos adultos com o diagnóstico de ansiedade. Posteriormente cite os três tipos de tratamento para adultos diagnosticados com ansiedade. 5 Muitas vezes as pessoas em situações do cotidiano mencionam “estou estressado”, mas não sabem se de fato estão com o que cientificamente se chama de estresse, por isso, toda patologia deve ser investigada e diagnosticada, a começar pelos relatos do paciente, pela queixa inicial. Disserte o que você compreende por estresse, e cite os sintomas (físicos e psicológicos/emocionais) de estresse que um indivíduo adulto pode apresentar. 34 35 TÓPICO 3 - PSICOPATOLOGIA: VELHICE 1 INTRODUÇÃO Para entender psicopatologia e os diferentes transtornos psicológicos, faz- se necessário compreender as fases do desenvolvimento humano, como você está verificando nesse material. Com isso, até aqui, você compreendeu no a respeito da psicopatologia, bem como a relação dela com o desenvolvimento humano. Você também avançou em seus conhecimentos a respeito da psicopatologia, porém conheceu a respeito do teórico Erik Erikson, e a perspectiva dele a respeito do desenvolvimento humano, principalmente em relação à fase adulta, e por fim conheceu a respeito de ansiedade, depressão e estresse, aprendendo definição, sintomas e tratamentos dessas psicopatologias, uma vez que essas psicopatologias são comuns no público adulto. Portanto, nesse momento, neste tópico, você conhecerá mais a respeito da ve- lhice, entendendo os aspectos do desenvolvimento humano nessa fase da vida, bem como reconhecendo os aspectos saudáveis da velhice, e reconhecendo as psicopa- tologias que podem aparecer nesse momento do desenvolvimento, como a demência. UNIDADE 1 2 O DESENVOLVIMENTO HUMANO NA VELHICE E AS PATOLOGIAS No Brasil, há 20 anos, quando se falava em “idoso”, “velho”, “velhice” logo se pensava em uma pessoa dos cabelos brancos, com a pele marcada de expressões, aposentada e sem um trabalho contínuo e efetivo. Porém, quando se fala nos tempos atuais muito dessa imagem já mudou, como demonstra a Figura 17, pois a velhice não é apenas uma fase em que os indivíduos estão aposentados e com todos os sonhos realizadas, pois os idosos estão ativos, possuem amigos, praticam esportes etc. 36 FIGURA 17 – VELHICE EM TEMPOS ATUAIS FONTE: . Acesso em: 25 mar. 2022. Isto vai de encontro ao que menciona Schneider e Irigaray (2008, p. 586): “[...] as associações negativas relacionadas à velhice atravessaram os séculos e, ainda hoje, mesmo com tantos recursos para prevenir doenças e retardá-la, é temida por muitas pessoas e vista como uma etapa detestável”. Dessa maneira, faz-se necessário compreender a velhice pelo olhar da teoria do desenvolvimento, também é importante reconhecer o que é previsto ocorrer nessa fase, porque ela não é simplesmente a última fase do desenvolvimento, uma vez que muitas mudanças estão ocorrendo nesse período, assim como em outras fases, mudanças psicológicas, físicas e sociais estão ocorrendo, e que impactam diretamente no indivíduo, e que podem explicar determinadas psicopatologias, que podem surgir nessa fase. A velhice é uma fase que os indivíduos continuam ativos, muitos trabalhando, praticando esportes, mas com uma maior maturidade. NOTA Portanto, para entender velhice se utilizará da teoria do desenvolvimento de Erik Erikson, posteriormente aqui se abordará a respeito da velhice saudável, para então entender a respeito da patologia em idosos. 37 2.1 DESENVOLVIMENTO HUMANO NA VELHICE Você verificou no Tópico 2, que o estudioso Erikson em sua teoria do desenvolvimento psicossocial abordou oito fases/períodos para compreender o ciclo de vida, assim correspondente a fase adulta e velhice, o teórico mencionou: maioridade jovem – dos 21 aos 40 anos, aproximadamente, meia-idade – 40 anos até, aproximadamente, 60 anos, maturidade – após 60 anos. Assim, vamos compreender aqui a respeito da fase maturidade. Erik Erikson, nomeia a maturidade como a fase 8 da sua teoria a respeito do ciclo da vida, que corresponde a faixa etária após os 60 anos de idade, assim essa seria uma idade da reforma segundo o teórico, pois ela apresenta o conflito entre integridade versus desesperança (ERIKSON, 1998). Na Figura 18, a representação de uma pessoa com mais de 60 anos de idade. FIGURA 18 – FASE DA VELHICE FONTE: . Acesso em: 25 mar. 2022. A respeito da integridade, Erikson (1998) menciona que só é possível os indivíduos alcançarem a medida que eles de fato cuidaram das pessoas e de seus projetos ao longo da vida, superando e adaptando-se às crises e às vitórias que essas criações abarcavam, desse modo alcançando um estado de plenitude, de estar inteiro na situação, sendo isso está integridade. Assim, […] é a aceitação de seu ciclo vital único e das pessoas que se tornaram significativas e indispensáveis a sua vida, não permitindo, por isso, substituição. Significa, assim, um novo e diferente amor pelos pais, liberto do desejo de que eles poderiam ter sido diferentes, e uma aceitação do fato de que cada um é responsável pela sua própria vida (ERIKSON,1998, p. 139-140). Todavia, outros autores também abordam a respeito dessa fase, bem como abordam conceitos e termos dessa fase da vida, como termo idosos jovens e idosos velhos. Contudo, Picirilli (2018) aborda que a diferenciação de termos e conceitos tem 38 sua importância, mas é importante ressaltar que as experiências contam mais do que as divisões etárias e estão relacionadas à subjetividade e ao contexto sociocultural, que isto precisa ser compreendido nessa fase. Velho dignifica antigo, ultrapassado, avançado. Entretanto, Torreset al. (2015 apud PICIRILLI, 2018, n.p.) mencionam que “[...] velhice e envelhecimento são dois conceitos diferentes. Enquanto o primeiro faz referência à etapa da vida, o segundo se relaciona ao processo, o movimento dinâmico que compõe essa etapa”. Nesse sentido, o processo de envelhecimento apenas pode ser compreendido a medida que diferentes aspectos são levados em consideração, como, cronológico, biológico, social, psicológico. Dessa maneira, “[...] essa interação institui-se de acordo com as condições da cultura na qual o indivíduo está inserido. Condições históricas, políticas, econômicas, geográficas e culturais produzem diferentes representações sociais da velhice e do idoso [...]”. (SCHNEIDER; IRIGARAY, 2008, p. 585). Isto porque, existe uma relação da compreensão, definição e até mesmo do imaginário coletivo da velhice presente em uma sociedade, que é até enraizado, e as atitudes frente às pessoas que estão de fato no processo de envelhecimento. Por essa complexidade e interação entre as condições, Schneider e Irigaray (2004) explicam a respeito da idade dividindo o conceito em quatro tipos, para compreender a velhice, sendo: 1. idade cronológica (são os anos de vivência de uma pessoa, ou seja, o quanto que a aquela pessoa viveu desde quando ela nasceu); 2. idade biológica (definida pelas mudanças do corpo e do psicológico que ocorrem ao longo da vida); 3. idade social (composta por hábitos e características esperadas socialmente por uma idade, assim está atrelado aos papéis sociais que todo indivíduo ocupa); 4. idade psicológica (pode ser utilizada em dois sentidos, à capacidade psicológica esperada para idade cronológica, como, percepção, memória, aprendizagem, e o outro se refere a subjetiva de idade, sendo como o indivíduo se avalia em relação às outras pessoas com idades igual ou próxima a pessoa). Com isso, “[...] a pessoa mais velha, na maioria das vezes, é definida como idosa quando chega aos 60 anos, independentemente de seu estado biológico, psicológico e social” (SCHNEIDER; IRIGARAY, 2008, p. 586). Ainda, a variabilidade de cada pessoa, como a genética e a ambiental, acaba impedindo o estabelecimento de parâmetros, então somente do tempo, na idade cronológica, como medida, e a idade em si, também acaba não determinando o envelhecimento, e não sendo uma referência para a avaliação (SCHNEIDER; IRIGARAY, 2008). 39 Em relação aos países, em especial o Brasil, este não é mais um país de jovens, mas um país que está envelhecendo, então é preciso que a sociedade reveja a compreensão a respeito de velhice e processo de envelhecimento, ainda é necessário compreender os aspectos saudáveis da velhice e que fazem parte dessa fase da vida, para assim mudar a visão sobre envelhecimento e seus estereótipos. “As experiências e os saberes acumulados ao longo da vida seriam vistos como ganhos que podem ser otimizados e utilizados em prol do próprio indivíduo e da sociedade. Dentro desta perspectiva, a velhice passaria a ser considerada uma fase boa da vida, não rotulada apenas pelas perdas [...]” (SCHNEIDER; IRIGARAY, 2008, p. 593), mas também reconhecida pelos ganhos, transformações e potencialidades. A velhice é uma fase da vida que não vem apenas com perdas, mas com muita sabedoria e conhecimento. DICAS 2.1.1 Envelhecimento saudável A respeito do envelhecimento, este é um processo contínuo, pois durante todo o desenvolvimento humano, os indivíduos vão amadurecendo, assim, durante o final da idade adulta, as funções corporais vão declinando, porém gradualmente. Dessa maneira, após os 60 anos de idade, ocorrem mudanças no corpo, que são esperadas, por exemplo, o cristalino dos olhos, o qual acaba engrossando e endu- recendo, e com isso a funcionalidade de aproximação dos objetos acaba sendo afetada, gerando fragilidade em atividades do cotidiano, por exemplo: ler, escrever, dirigir. Este é um distúrbio chamado presbiopia, e ocorre na maioria das pessoas que vão avançando sua idade, e faz parte do envelhecimento considerado normal e esperado. Outro aspecto comum nos idosos, é que eles são mais propensos a perderem os dentes, porém esse e outras situações podem ser evitadas ou já possuem melhores recursos nos tempos atuais. Assim, no aspecto perda dos dentes, é possível consultar um dentista regularmente, bem como ter cuidados em casa, como escovar os dentes com frequência, usar fio dental para os dentes após refeições etc. 40 Quanto aos órgãos do sentido, como, visão, audição, paladar, olfato, sofrem al- terações, porque ocorrem alterações no paladar, então os sabores considerados azedos e amargos são os mais afetados e sendo maior presenciados no paladar, além da dimi- nuição do olfato; diminuição da audição, mas, nesse último podendo utilizar do recurso do uso de aparelho auditivo, que contribui para uma melhor escuta (CARDOSO, 2009). Em relação à pele, ela fica com a textura mais frágil, isto porque há uma diminuição da produção de colágeno no organismo, que tem a funcionalidade de tornar a pele menos elástica, e ainda há a diminuição da água, que torna a pele mais ressecada, sendo mais fácil o surgimento de hematomas (CARDOSO, 2009). Na Figura 19, a figura demonstra a diferença da pele de uma pessoa mais velha, assim sendo perceptível as marcas de expressão, rugas, devido à falta de elasticidade, menor produção de colágeno etc. FIGURA 19 – MUDANÇAS FÍSICAS FONTE: . Acesso em: 25 mar. 2022. As alterações no envelhecimento não afetam os idosos apenas das maneiras mencionadas, mas os sistemas do corpo também sofrem alterações, como: sistema imunológico, cardiovascular, respiratório, digestório, urinário, nervoso, musoesquelético (CARDOSO, 2009). Assim, até aqui você teve um panorama, das mudanças físicas que vão ocorrendo no desenvolvimento durante a velhice, consideradas esperadas, saudáveis, porém também ocorrem mudanças mentais. Entretanto, com o avanço da idade, pode ocorrer um declínio leve na função mental, como um esquecimento, e é considerado esperado e dentro do envelhecimento normal (TISSER; COIMBRA, 2019). 41 Ao contrário, no entanto, do que ocorre na chamada demência, na qual o esquecimento e a perda de memória é muito mais do que os exemplos aqui mencionados (TISSER; COIMBRA, 2019), e você compreenderá mais adiante nesse material. Destaca- se aqui que, o envelhecimento saudável se refere à postergação ou à redução dos efeitos indesejáveis do envelhecimento. No envelhecimento saudável a saúde física e a saúde mental estarão preservados e corresponderão dentro do esperado para aquele faixa-etária e ciclo da vida. FIGURA 20 – PRÁTICA DE EXERCÍCIO NA VELHICE FONTE: . Acesso em: 25 mar. 2022. O desenvolvimento de alguns hábitos saudáveis são: seguir uma dieta (sau- dável), exercitar-se regularmente (como na Figura 20), manter-se mentalmente ativo, assim o quanto antes o indivíduo desenvolve esses hábitos, melhor para a sua saúde – estes são os aspectos que estamos vendo no Brasil, com uma população na velhice que está aumentando cada vez mais. Portanto, a seguir entenda melhor a respeito das patologias da velhice. Esquecimento e falta de descrição dos detalhes de uma situação é esperado que ocorra nessa fase, porém, se houver agravamento nos comportamentos relacionados ao uso da memória, é preciso ficar atento. NOTA 42 3 PSICOPATOLOGIAS DA VELHICE Na velhice, como discutido anteriormente, ocorre uma série de mudanças físicas, mas também podem ocorrer mudanças mentais, que são esperadas. Entretanto, existem também aquelas mudanças que não fazem parte da fase da vida, sendo assim, são comportamentos considerados patológicos. Portanto, podem aparecer psicopatologias na velhice – e uma delas é a chamada demência, que você compreenderá mais a seguir. 3.1 DEMÊNCIA A demência pode ser definida como síndrome caracterizada por “[…] declínio de memória associado a déficit de pelo menos uma outra função cognitiva (linguagem,gnosias, praxias ou funções executivas) com intensidade suficiente para interferir no desempenho social ou profissional do indivíduo” (CAPONI, 2014, p. 10). O tipo mais comum e temido de demência no idoso é a doença de Alzheimer, que muitas vezes é confundida com os sinais comuns do processo de envelhecimento. Contudo, existem também as demências vasculares, que estão relacionadas a uma doença vascular encefálica, que lesiona o cérebro devido ao bloqueio das passagens sanguíneas. As mais conhecidas são o derrame cerebral e o infarto. • Assim, as demências vasculares podem ser de três tipos: • demência vascular de início agudo (evolui mais rapidamente que as demais e é causada por acidentes vasculares cerebrais, como: a embolia, a hemorragia ou a trombose); • demência vascular subcortial (é contextualizada com episódios de hipertensão arterial e causa focos de isquemia profunda nos hemisférios cerebrais); • demência por infartos múltiplos (é gradual e seguida de diversos episódios de isquemia, que acumulam infartos no parênquima cerebral). Conforme Caramelli e Barbosa (2002, p. 8): “O diagnóstico de demência exige, portanto, a ocorrência de comprometimento da memória, embora essa função possa estar relativamente preservada nas fases iniciais de algumas formas de demência, como a DFT”. Com isso, a avaliação cognitiva pode ser realizada com testes de rastreio, como um pequeno exame do estado mental, e posteriormente ser complementada por testes que avaliam diferentes componentes do funcionamento cognitivo. Para avaliação, podem ser utilizados testes breves, de fácil e rápida aplicação pelo clínico, como os de memória, como por exemplo, com a evocação tardia de listas de palavras ou de figuras, ou ainda com a avaliação da fluência verbal, como o com o uso de número de animais em um minuto, e com o recurso do desenho do relógio. 43 PREVALÊNCIA DE ANSIEDADE E FATORES ASSOCIADOS EM ADULTOS Camilla Oleiro da Costa Jerônimo Costa Branco Igor Soares Vieira Luciano Dias de Mattos Souza Ricardo Azevedo da Silva RESUMO Objetivo: Identificar a prevalência de transtornos de ansiedade em uma amostra de base populacional e fatores associados. Métodos: Estudo transversal de base populacional realizado com indivíduos entre 18 e 35 anos. As variáveis sociodemográficas, índice de massa corporal, presença de doença crônica, abuso de álcool e tabagismo foram analisadas. Os transtornos de ansiedade foram verificados pela Mini Internacional Neuropsychiatric Interview 5.0. Foi utilizado o teste Qui-quadrado, considerando o intervalo de confiança de 95%. Resultados: A amostra foi constituída por 1.953 pessoas. A prevalência de transtornos de ansiedade foi de 27,4%. Agorafobia (17,9%) e transtorno de ansiedade generalizada (14,3%) foram os quadros mais prevalentes. Mulheres apresentaram maior prevalência de ansiedade, com 32,5%, quando comparadas aos homens (21,3%) (pvariáveis: sexo, idade, cor da pele, avaliação econômica, trabalho e situação conjugal. A avaliação econômica dos participantes foi realizada pelo Critério do IEN (Índice Econômico Nacional). A avaliação se baseia no acúmulo de bens materiais e na escolaridade do chefe da família. Esse critério gera uma variável contínua, que foi apresentada por tercis. O uso de tabaco foi questionado por meio da pergunta: “Você faz uso de cigarro?”. O abuso do álcool foi avaliado por meio do Cut down, Annoyed, Guilty, Eye-opener (CAGE) (sensibilidade ≥ 0,88, especificidade ≥ 0,81). Esse instrumento contém quatro questões, e a resposta afirmativa em duas ou mais é um indicativo de diagnóstico de abuso de álcool. Já o uso de tabaco foi mensurado pela seguinte pergunta: “Você fez uso de pelo menos um cigarro/dia na última semana?”. Para determinar o índice de massa corporal (IMC), a altura foi mensurada com uma fita métrica e o peso com balança de bioimpedância Tanita® BC-554. O IMC foi dividido em três grupos (peso normal, sobrepeso e obeso), em uma classificação baseada nas Diretrizes Brasileiras de Obesidade. Como peso normal, foi considerado o IMC entre 18,5 e 24,9, sobrepeso entre 25 e 29,9 e obeso a partir de 30. O transtorno de ansiedade foi investigado por meio da entrevista clínica estruturada Mini International Neuropsychiatric Interview 5.0 (MINI). Esse instrumento é amplamente utilizado na prática clínica e de pesquisa, e os entrevistadores foram previamente treinados por psicólogos responsáveis pelo estudo. Os índices de confiabilidade do MINI são satisfatórios quando comparados a vários critérios de referência (DSM-IV e Classificação Internacional de Doenças – CID-10), em diferentes contextos (unidades psiquiátricas e centros de atenção primária). Ainda de acordo com essa autora, o MINI mostrou qualidades psicométricas similares às de outras entrevistas diagnósticas padronizadas mais complexas, permitindo uma redução de 50% ou mais no tempo da avaliação. 46 Para esse estudo, foi considerada para o transtorno de ansiedade atual a pre- sença de alguns dos quadros avaliados pela MINI, seja agorafobia atual (sensibilidade ≥ 0,59, especificidade ≥ 0,95), transtorno de pânico atual (sensibilidade ≥ 0,67, especifici- dade ≥ 0,97), TOC (sensibilidade ≥ 0,62, especificidade ≥ 0,98), fobia social (sensibilidade ≥ 0,72, especificidade ≥ 0,88), TEPT (sensibilidade ≥ 0,85, especificidade ≥ 0,96) e an- siedade generalizada (sensibilidade ≥ 0,67, especificidade ≥ 0,92), e também avaliamos esses quadros de forma individual. Para o tratamento estatístico, foi utilizado o programa Statistical Package for the Social Science (SPSS), versão 21.0, no qual se procedeu à análise inicial com o objetivo de obter frequência dos transtornos mentais avaliados, além de caracterizar a amostra do estudo. O teste Qui-quadrado foi utilizado para as análises de inferência, visando descrever a associação entre os transtornos analisados com as variáveis sociodemográficas IMC, doenças crônicas, abuso de álcool e tabaco. Foram consideradas associações estatisticamente significativas quando p . Acesso em: 7 jan. 2022. 48 RESUMO DO TÓPICO 3 Neste tópico, você adquiriu certos aprendizados, como: • Erik Erikson nomeia a maturidade como a fase 8 da sua teoria a respeito do ciclo da vida, que corresponde a faixa etária após os 60 anos de idade. • A velhice muitas vezes é associada aos aspectos negativos, mesmo com tantos recursos para prevenir doenças e retardá-la. • A velhice e o envelhecimento são dois conceitos compreendidos de maneira diferente pela maioria dos autores da literatura científica. • Existe uma diferente importante dos termos: Idade cronológica; Idade biológica; Idade social; Idade psicológica; • As alterações no envelhecimento não afetam os idosos apenas das maneiras mencionadas, mas os sistemas do corpo também sofrem alterações, como: sistema imunológico, cardiovascular, respiratório, digestório, urinário, nervoso, musoesquelético A mudanças físicas que vão ocorrendo no desenvolvimento durante a velhice, consideradas esperadas, saudáveis, porém também ocorrem mudanças mentais. • O avanço da idade pode proporcionar um declínio leve na função mental, e é considerado esperado e dentro do envelhecimento normal. • No envelhecimento saudável a saúde física e a saúde mental estarão preservados e corresponderão dentro do esperado para aquele faixa-etária e ciclo da vida. • A demência pode ser definida como síndrome caracterizada por declínio de memória associado a déficit de pelo menos uma outra função cognitiva (linguagem, gnosias, praxias ou funções executivas) com intensidade suficiente para interferir no desempenho social ou profissional do indivíduo. 49 RESUMO DO TÓPICO 3 1 O estudioso e pesquisador Erik Erikson, que nasceu em 1902, Frankfurt (na Alemanha), morreu em 1994 (em Harwich), foi um psicanalista, colega de estudos da filha de Sigmund Freud, que construiu a teoria do desenvolvimento psicossocial e abordou fases do ciclo da vida, citando 8 fases do desenvolvimento. A respeito da velhice, conforme o nome mencionado por ele, assinale a alternativa CORRETA: a) ( ) Idade melhor.b) ( ) Terceira idade. c) ( ) Melhor idade. d) ( ) Maturidade. 2 A velhice é muitas vezes reconhecida pelos seus aspectos negativos, como a perda de colágeno na pele, perda de dentes, a perda da acuidade visual, perda de memória em alguns momentos, entre outras mudanças físicas ou psicológicas, mas nem todas deveriam ser vistas como fragilidades, mas como parte do processo de estar em vida, vivenciando as mudanças da vida. A respeito da velhice, analise as afirmativas a seguir: I- O estudioso Erikson em sua teoria do desenvolvimento psicossocial abordou a velhice como fase da maturidade. II- Para compreender as psicopatologias da velhice, faz-se necessário compreender as mudanças físicas e psíquicas da velhice. III- Os sistemas respiratórios e cardíacos são os únicos sistemas que não modificam na velhice, permanecendo como na fase da vida adulta. Assinale a alternativa CORRETA: a) ( ) As afirmativas I e II estão corretas. b) ( ) Somente a afirmativa II está correta. c) ( ) As afirmativas I e III estão corretas. d) ( ) As afirmativas I, II e III estão corretas. 3 A demência pode ser entendida como o declínio ou perda de memória associado ao déficit de pelo menos uma outra função cognitiva, como linguagem, percepção, atenção, que acabam interferindo na vida do indivíduo, como, trabalho, família, entre outras esferas da vida. A respeito da demência, classifique V para as sentenças verdadeiras e F para as falsas: AUTOATIVIDADE 50 ( ) A demência é uma psicopatologia que todos os indivíduos apresentam à medida que chegam na fase da velhice. ( ) A demência corresponde apenas em esquecimentos, como onde o indivíduo guardou determinado objeto. ( ) Para a avaliação da demência, não se faz necessário avaliação neuropsicológica, com uso de testes. Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA: a) ( ) V – F – V. b) ( ) V – V – V. c) ( ) F – F – F. d) ( ) F – F – V. 4 Erik Erikson desenvolveu a teoria do desenvolvimento, e ficou muito conhecido por seus inúmeros livros, como, “O Ciclo da Vida Completo”, “Identidade, Juventude e Crise”, “Infância e Sociedade”, entre outros que investigou o ser humano na so- ciedade. Assim, disserte sobre como você entende a perspectiva de Erik Erikson a respeito da velhice. 5 Os estudiosos Schneider e Irigaray (2008) explicam que “a relação entre os aspectos cronológicos, biológicos, psicológicos e culturais é fundamental na categorização de um indivíduo como velho ou não” (p.586). Porém, existe uma discussão na literatura científica sobre a divisão de quatro idades a serem consideradas na velhice. Disserte cada uma delas. REFERÊNCIAS 51 REFERÊNCIAS ATKINSON, R. L. et al. Introdução à Psicologia de Hilgard. 13. ed. Porto Alegre: Artes Médicas, 2007. BARROSO, S. M.; BAPTISTA, M. 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Novo Hamburgo: Synopsis, 2019. 53 TRANSTORNOS PSICOPATOLÓGICOS UNIDADE 2 — OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM PLANO DE ESTUDOS A partir do estudo desta unidade, você deverá ser capaz de: • conhecer os transtornos psicopatológicos na vida adulta e velhice; • demonstrar conhecimento aprofundado dos transtornos psicopatológicos da vida adulta e da velhice; • conhecer o manual CID-11 (definição, organização e principalmente a estrutura das psicopatologias da vida adulta e velhice); • conhecer o manual DSM-V (definição, organização e principalmente a estrutura das psicopatologias da vida adulta e velhice); • diferenciar os manuais CID-11 e DSM-V; • descrever, com rigor conceptual e terminológico, sinais e sintomas psicopatológicos nos adultos e idosos com perturbação mental; • compreender o manuseio com destreza dos principais sistemas de classificação e diagnóstico das perturbações mentais; • compreender as especificidades clínicas dos problemas psicológicos na idade avançada à luz dos seus fatores de influência, e numa perspectiva de análise global da pessoa com perturbação mental. Esta unidade está dividida em quatro tópicos. No decorrer dela, você encontrará autoatividades com o objetivo de reforçar o conteúdo apresentado. TÓPICO 1 – TRANSTORNOSPSICOPATOLÓGICOS: CID 11 E DSM-V TÓPICO 2 – ALZHEIMER TÓPICO 3 – PARKINSON TÓPICO 4 – OUTROS TRANSTORNOS PSICOPATOLÓGICOS DA VIDA ADULTA E VELHICE Preparado para ampliar seus conhecimentos? Respire e vamos em frente! Procure um ambiente que facilite a concentração, assim absorverá melhor as informações. CHAMADA 54 CONFIRA A TRILHA DA UNIDADE 2! Acesse o QR Code abaixo: 55 TÓPICO 1 — TRANSTORNOS PSICOPATOLÓGICOS: CID 11 E DSM-V UNIDADE 2 1 INTRODUÇÃO Quando se trata de psicopatologia muitas são as vertentes teóricas que buscam compreender o desenvolvimento das patologias dos indivíduos. Por isso, Dalgalarrondo (2018) expõe que enquanto área do conhecimento, a psicopatologia, possui uma série de variedade teórica, e que isto é uma das principais características positivas da área, porém este também é um aspecto alvo de críticas. Nesse sentido, este material adotou a perspectiva da psicopatologia desenvolvimental, para compreender o desenvolvimento da psicopatologia em adultos e idosos. Diante disso, torna-se relevante destacar a importância da diversidade de perspectivas teóricas na psicopatologia, pois segundo Dalgalarrondo (2018, s.p.) “[...] não se avança em psicopatologia negando e anulando diferenças conceituais e teóricas; evolui-se, sim, pelo esforço de esclarecimento e aprofundamento de tais diferenças, em discussão aberta, desmistificante e honesta”. Entretanto, devido à complexidade do desenvolvimento do indivíduo, ou seja, as suas diferentes esferas de desenvolvimento (social, biológica, física, psicológica etc.), e de como ocorre o desenvolvimento das psicopatologias nesse cenário, importante compreender que ter o conhecimento da perspectiva teórica a respeito da psicopatologia não é o suficiente para diagnosticar um indivíduo. Perspectiva teórica de psicopatologia é diferente de diagnóstico. Nesse contexto da psicopatologia, o diagnóstico é uma ferramenta importante (DALGALARRONDO, 2018). Para a realização do diagnóstico de uma psicopatologia, o psicólogo precisa adotar uma perspectiva teórica a respeito da psicopatologia, compreender princípios básicos dos comportamentos patológicos, bem como conhecer e dominar os critérios de normalidade e anormalidade. No entanto, também agregado a esse conhecimento, é importante conhecer as ferramentas e técnicas para diagnóstico, como entrevistas (estruturada, semiestruturada, não estruturada), observação e aplicação de instrumentos psicológicos. 56 Na Figura 1, por exemplo, verifica-se uma consulta entre psicólogo e paciente, em que está ocorrendo uma entrevista semiestruturada, na qual as perguntas são pré- elaboradas pelo profissional, podendo, no momento da entrevista, outras perguntas serem acrescentadas ao roteiro, que tem por objetivo levantar informações iniciais do paciente para conhecimento de queixa inicial, sintomas, características, ainda, uma entrevista inicial pode se perguntas a respeito de categorias como: queixa inicial, explicação sobre o papel do psicólogo, estrutura familiar, membros familiares, rotina pessoal, rotina de trabalho, saúde física, saúde mental, entre outras categorias que o profissional pode elaborar perguntas. FIGURA 1 – PSICOPATOLOGIA E DIAGNÓSTICO FONTE: . Acesso em: 28 mar. 2022. Além das técnicas e ferramentas, o profissional pode utilizar dos manuais de classificação das patologias, como: CID 11 (Classificação Internacional das Doenças) e DSM-V (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais). Com relação às chamadas classificações, segundo Galvão e Ricarte (2021, p. 105): [...] elas costumam reunir percepções da realidade, seus fenômenos e objetos em grupos organizados sistematicamente a fim de facilitar tanto a compreensão desta mesma realidade como para facilitar trocas de conhecimentos e comunicações de forma mais rápida e padronizada. Isto é entre os profissionais. No entanto, também contribui para o diagnóstico e compreensão da psicopatologia do paciente. Na Figura 2, há a representação de diferentes profissionais que atuam de maneira multiprofissional e, assim, precisam se comunicar para atenderem, da melhor forma, ao paciente. Desse modo, os manuais contribuem muito para essa comunicação entre os profissionais. 57 FIGURA 2 – COMUNICAÇÃO ENTRE PROFISSIONAIS DA SAÚDE FONTE: . Acesso em: 28 mar. 2022. Portanto, na Unidade 2, Tópico 1, você apreenderá a respeito do Manual Diagnóstico Estatístico de Transtornos Mentais (5ª edição) (DSM-V) e sobre a Classificação Internacional de Doenças (11ª edição) (CID 11), bem como a respeito das principais diferenças desses manuais. Após o estudo do Tópico 1, da Unidade 2, sobre os manuais de classificação das patologias, é importante que você, acadêmico, busque na biblioteca virtual do seu curso manusear pelo menos um dos manuais aqui mencionados, porque na prática profissional, por diversas vezes, você poderá consultar, assim como é importante para esta disciplina você ter o conhecimento prático dos manuais. Assim, busque, manuseie, entre em contato prático com os manuais! DICA 2 CID 11: COMPREENDENDO O MANUAL E AS PSICOPATOLOGIAS DA VIDA ADULTA E VELHICE No Brasil, muitas vezes ouve-se falar entre os profissionais da saúde a respeito do “CID” de um determinado paciente, e isto refere-se ao manual Classificação Internacional de Doenças, que contribui muito para a comunicação entre os profissionais da saúde de diferentes áreas, mas o manual não é apenas para facilitar a comunicação, porque tem muitas funções e objetivos. A Organização Mundial da Saúde (OMS) construiu a CID, com os seguintes objetivos: 58 [...] identificar populações de risco/vulneráveis; auxiliar na monitorização de epidemias/ameaças à saúde pública/carga de doença; definir as obrigações dos membros da OMS de prestar cuidados de saúde gratuitos ou subsidiados para suas populações (DIEHL; VIEIRA, MARI, 2014, p. 23). Além disso, todavia, existem objetivos relacionados, como o de a facilitar os serviços de saúde; buscar realizar pesquisas para tratamentos eficazes; realizar e embasar orientações relacionadas aos cuidados de saúde com padrões. Assim, a CID é utilizada no mundo inteiro, para monitorar a incidência e prevalência de doenças e condições de saúde, por isso é um instrumento padrão de diagnósticos, gerenciamento de saúde e para situações clínicas (DIEHL; VIEIRA, MARI, 2014). A CID, por se tratar de um manual utilizado mundialmente, passa por revisões de maneira periódica. Segundo Galvão e Ricarte (2021, p. 105), “[...] desde seus primórdios, a Classificação Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde (CID) foi revisada e publicada com alguma periodicidade para refletir os avanços da saúde, da ciência e da sociedade”. Assim, conforme mudanças ocorrem socialmente, com os indivíduos e com a ciência, a classificação também se modifica para atender às mudanças e às necessidade, por mais desafiador que seja esse cenário. A complementar, Galvão e Ricarte (2021, p. 105) relatam que: “[...] pode-se afirmar que a Classificação Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde (CID) foi revisada e publicada com alguma periodicidade para refletir os avanços da saúde, da ciência e da sociedade”. Para que essas revisões ocorram de maneira periódica – e que atenda uma necessidade mundial – há princípios que devem ser seguidos; por isso, o material é considerado multidisciplinar, porque envolve as diferentes partes interessadas, não apenas diversos profissionais da saúde, mas também os usuários. Além disso, é um material global e considerado multilíngue (GALVÃO; RICARTE, 2021, LAURENTI, 1991). Com isso, atualmente, a Classificação Internacional das Doenças está na 11ª edição, chamada entre os profissionais de maneira abreviada, CID-11, assim Galvão e Ricarte (2021, p. 24) apontam que: [...] a CID-11 surge com o objetivo de se adequar à era digital, à sociedade da informação e do conhecimento,trazendo diferentes modificações e adaptações, adicionando necessidades clínicas e migrando de uma estrutura estatística para uma classificação clínica para uso estatístico. Vale destacar que a 11ª edição da CID, chamada CID-11, entrou em vigor nos países que são membros da Organização Mundial da Saúde a partir de janeiro de 2022. Assim, a CID é utilizada por profissionais da saúde, pesquisadores, profissionais que gerenciam contextos de saúde (hospitais e clínicas públicos e privados), trabalhadores 59 da área de tecnologia da informação de contextos de saúde, analistas, formuladores de políticas, seguradoras de saúde, organizações de pacientes, empresas e instituições públicas e privadas. A CID é organizada e tem uma estrutura, na qual as doenças recebem um código alfanumérico, ou seja, com uma letra e número, representando uma condição, sintoma, sinal, e até mesmo um diagnóstico (GALVÃO; RICARTE, 2021). Nesse sentido, pode-se dizer que a CID é um manual, que tem a finalidade de nortear os profissionais da saúde. Por isso, ela é considerada com ferramenta que tem caráter classificatório, além disso é organizada e estruturada em classes e subclasses de doenças, conforme condições relacionadas à saúde, bem como as causas externas de doença ou morte (GALVÃO; RICARTE, 2021; OMS, 1994). Dessa forma, as doenças são apresentadas da seguinte forma: doenças infecciosas e parasitárias; neoplasias; doenças do sangue; doenças endócrinas, nutricionais e metabólicas; doenças do sistema circulatório; transtornos mentais e comportamentais; doenças do sistema nervoso; doenças dos olhos; doenças do ouvido; doenças do sistema respiratório (GALVÃO; RICARTE, 2021). Continuando a apresentação, doenças do sistema digestivo; doenças da pele e tecido subcutâneo; doenças do sistema musculoesquelético e tecido conjuntivo; do- enças do aparelho geniturinário; lesões, envenenamento e certas outras consequên- cias de causas externas; gravidez, parto e puerpério; condições originadas no período perinatal; malformações congênitas, deformações e anormalidades cromossômicas; sintomas, sinais e achados clínicos e laboratoriais anormais; causas externas de mor- bidade e mortalidade; fatores que influenciam o estado de saúde e o contato com os serviços de saúde etc. (GALVÃO; RICARTE, 2021). Entende-se que a CID tem por objetivo permitir o registro, a análise, a interpretação e a comparação sistemática de dados de mortalidade e morbidade coletados em diferentes países ou áreas e em momentos diferentes (DIEHL; VIEIRA, MARI, 2014; GALVÃO; RICARTE, 2021; OMS, 1994). Diante do exposto, a CID é um material de extrema importância para o psicólogo, e pode contribuir como uma das ferramentas a serem utilizadas no momento de diagnóstico. No entanto, a aplicação da classificação precisa ser adequada, consciente e consistentes, e jamais solitária e mecânica. Galvão e Ricarte (2021, p. 24) realizam um alerta importante a respeito da consulta da CID: “[...] muitos aplicativos disponíveis na Internet trazem apenas o código com respectivo termo da CID, porém não contemplam as notas explicativas tão necessárias para que o usuário da CID faça um uso adequado de seu conteúdo”. Logo, essa é uma importante ferramenta, mas para ser usada em conjunto com as informações do paciente, coletadas com o uso de técnicas e ferramentas apropriadas e fidedignas. 60 O artigo científico chamado “Classificação internacional de doenças e problemas relacionados à saúde (CID-11)” descreve a CID 11, que chegou no Brasil em janeiro de 2022. Assim, o artigo aborda as novidades dessa estrutura e comparação com a CID 10, ainda vigente no país, sendo um artigo científico de publicação e conteúdo recente, interessante e gratuito. DICA 3 DSM-V: COMPREENDENDO O MANUAL E AS PSICOPATOLOGIAS DA VIDA ADULTA E VELHICE O DSM, chamado originalmente de Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders, foi traduzido para a língua portuguesa como Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais. Ele é conhecido com um compêndio ou manual psicopatológico, que sempre foi organizado, revisado e editado pela APA – American Psychiatric Association. Para conhecimento, essa é uma importante associação americana, com profissionais e estudantes de psicologia. Segundo Ribeiro et al. (2020), a primeira edição do DSM foi publicada em 1952, nessa primeira versão, o manual era composto por 106 categorias de transtornos psicológicos ou, como mais usado na época, 106 categorias de doenças mentais. Nessa versão, a visão e compreensão das psicopatologias era psicossocial, na qual o uso dos termos “mecanismos de defesa”, “neurose” e “conflito neurótico” apareciam e davam evidência no manual, demonstrando a perspectiva psicanalítica dos fenômenos psicopatológicos, que na época estava bastante em evidência na prática profissional dos psicólogos, até porque não se tinha uma diversidade de abordagens psicológicas que explicassem os fenômenos psicológicos dos indivíduos. Na Figura 3, pode-se verificar o processo histórico do manual DSM, uma vez que a cada edição as categorias foram sendo ajustadas, e o manual atendendo às necessidades dos profissionais e sofrendo mudanças, conforme as mudanças sociais. FIGURA 3 – HISTÓRIA DO DSM FONTE: A autora https://asklepionrevista.info/asklepion/article/view/7 https://asklepionrevista.info/asklepion/article/view/7 61 Conforme pode-se verificar na Figura 3, a 1ª edição surgiu em 1952, com 106 categorias de patologias. Na 2ª edição, em 1968, ocorreu um aumento das categorias, existindo naquele momento uma revisão que o manual passou a apresentar 182 categorias, já na 3ª edição, em 1980, teve-se um grande aumento das categorias existindo 265. Em 1987, a 3ª edição sofreu uma revisão de atualizações e contou com 292 categorias, já em 1994, não teve tantas mudanças, passando para 297 categorias. A última, 13ª edição, foi em 2013, sendo assim, a história demonstra que, com o tempo, fez-se necessário uma revisão e atualização das patologias e de suas classificações. Portanto, o DSM está em sua quinta edição, conforme Caponi (2014, p. 75) “[...] no dia 18 de maio de 2013, foi editada a última versão revisada do Manual de Diagnóstico e Estatística de Transtornos Mentais (Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders), conhecida como DSM-V”. Conforme First (2014), o manual está organizado em três capítulos, sendo o primeiro capítulo nomeado como “Diagnóstico Diferencial Passo a Passo”, que explora as questões do diagnóstico diferencial que devem ser consideradas para todo paciente em avaliação, então é possível verificar seis passos para a realização do diagnóstico, contribuindo para essa atividade do profissional, elaboração do diagnóstico; o segundo capítulo, chamado “Diagnóstico Diferencial por Meio de Algoritmos”, apresenta informações para melhorar a maneira do profissional formular o diagnóstico diferencial; e o terceiro capítulo, chamado “Diagnóstico Diferencial por Meio de Tabelas” contém tabelas com informações que podem contribuir com o diagnóstico. A respeito das informações do DSM e das classificações, o autor aborda que: [...] os clínicos devem sempre resistir à tentação de aplicar os critérios do DSM-5 ou os algoritmos de decisão e as tabelas de diagnóstico diferencial deste manual de forma mecânica, ou como se utilizassem um livro de receitas. As abordagens delineadas aqui são sugeridas para aprimorar, e não substituir, o papel central do julgamento clínico e a sabedoria da experiência acumulada (FIRST, 2014, p. 8). 4 DIFERENCIAÇÃO DOS MANUAIS: REFLEXÃO Até o presente momento, você acadêmico estudou a Classificação Internacional das Doenças (CID-11) e o Manual Diagnóstico e Estatístico dos Transtornos Mentais (DSM-V), porém dentro desse conhecimento que você está construindo, importante compreender as diferenças entre os manuais de classificação das doenças, para que em uma necessidade da prática profissional, você saiba o manualque consultará e utilizará na determinada demanda. Para reconhecer as diferenças entre os manuais, segue uma lista das diferenças, para a reflexão. • A “CID” refere-se à Classificação Internacional de Doenças construída pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que tem um impacto mundial, já o “DSM”, traduzido para a língua portuguesa como Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais foi elaborado pela American Psychiatric Association, que é um órgão americano com 62 profissionais especialista da área da saúde mental, reconhecido em todo mundo, ou seja, órgãos de extrema relevância, mas com diferentes propostas. • A respeito das versões que estão sendo utilizadas no Brasil, do DSM-5, é a 5ª edição, publicada em 2013, e da CID-11 é a 11ª edição, publicada em 2022 no país. • O Manual Diagnóstico e Estatístico dos Transtornos Mentais (DSM-V) tem uma proposta de uso clínico, e deixa claro em sua descrição, porém a Classificação Internacional das Doenças (CID-11) tem um caráter também de formação. • O DSM-5 é um dos manuais e sistemas de classificação dos distúrbios e distúrbios psíquicos mais conhecidos e relevantes, a CID-10 e CID-11 é outro manual que faz parte dos grandes manuais e sistemas de classificação que existem, porém não analisa somente transtornos mentais, mas um conjunto de todas as doenças, distúrbios e alterações existentes. Assim, neste manual, os transtornos mentais ocupam apenas um capítulo, sendo o chamado capítulo F. • O DSM é manual de referência quando se trata de transtornos mentais, já o CID é um manual da Classificação Internacional de Doenças, então inclui não apenas as alterações psicológicas, mas o conjunto de distúrbios e doenças médicas, para além das psicológicas, que podem aparecer num indivíduo. • No manual todo do DSM-5 será encontrado problemas e transtornos mentais, enquanto que na CID-10 e CID-11 serão encontrados em apenas um dos capítulos ou seções. • O DSM-5 é um sistema de classificação conhecido e bastante utilizado nos Estados Unidos. Ele também é referência para a maioria de profissionais da área de psiquiatria e psicologia da Europa, ainda é conhecido e utilizado em outras partes do mundo, porém a CID é reconhecida no mundo todo, por tratar de um manual desenvolvido pela organização mundial da saúde, e ser referência para todos os profissionais da saúde, de diferentes áreas do conhecimento. • Quanto ao conteúdo, e em especial a classificação dos diferentes transtornos mentais, a CID-10 possuí um total de 10 seções diferenciadas no capítulo dedicado aos transtornos psicológicos, já no DSM encontra-se um total de 21 grandes categorias de diagnóstico, devido a essa diferença de estrutura alguns transtornos psicológicos aparecem iguais dos dois manuais, e tem transtornos que aparecem com classificações diferentes, bem como outros não aparecem. O CID e DSM são manuais importantes para profissionais da saúde, o CID-10 ainda está em vigência no Brasil e é utilizado pelo Sistema Único de Saúde. DICA 63 RESUMO DO TÓPICO 1 Neste tópico, você adquiriu certos aprendizados, como: • Na área da psicopatologia muitas são as vertentes teóricas que buscam compreender o desenvolvimento das patologias dos indivíduos. Isto deve-se à complexidade do desenvolvimento do indivíduo, ou seja, as suas diferentes esferas de desenvolvimento (social, biológica, física, psicológica etc.). • Perspectiva teórica de psicopatologia é diferente de diagnóstico. • Para a realização do diagnóstico de uma psicopatologia, o psicólogo precisa adotar uma perspectiva teórica a respeito da psicopatologia, compreender princípios básicos dos comportamentos patológicos, bem como conhecer e dominar os critérios de normalidade e anormalidade. • É importante conhecer as ferramentas e técnicas para realizar diagnóstico, como entrevistas (estruturada, semiestruturada, não estruturada), observação, aplicação de instrumentos psicológicos e conhecer manuais de classificação. • O Manual Diagnóstico Estatístico de Transtornos Mentais 5ª edição (DSM-V) e Classificação Internacional de Doenças 11ª edição (CID 11) são manuais relevantes para o futuro psicólogo. • A “CID” refere-se à Classificação Internacional de Doenças construída pela Organização Mundial da Saúde (OMS). • Os objetivos da CID são: identificar populações de risco/vulneráveis; auxiliar na monitorização de epidemias/ameaças à saúde pública/carga de doença; definir as obrigações dos membros da OMS de prestar cuidados de saúde gratuitos ou subsi- diados para suas populações, facilitar o acesso a serviços de saúde adequados etc. • O DSM, chamado originalmente de Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders, foi traduzido para a língua portuguesa como Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais. • O DSM foi construído pela American Psychiatric Association. 64 1 Compreender a queixa e os sintomas apresentados por um paciente não é uma tarefa fácil, pois requer uma investigação dos comportamentos apresentados e das falas verbalizadas, isto se o profissional estiver diante de pacientes jovens, adultos e idosos. Sendo assim, assinale a alternativa CORRETA: a) ( ) O diagnóstico envolve o uso de apenas manuais de classificação de doenças. b) ( ) O diagnóstico envolve o uso de diferentes técnicas, ferramentas e o uso de manuais de classificação de doenças. c) ( ) O diagnóstico envolve o uso de apenas instrumentos psicológicos. d) ( ) O diagnóstico envolve o uso de apenas instrumentos psicológicos e manuais de classificação de doenças. 2 A respeito das psicopatologias, os manuais de classificação de doenças podem contribuir como uma ferramenta de consulta para profissionais da saúde, mas não podem ser considerados como o único material a ser utilizado para diagnosticar um paciente. Assim, analise as afirmativas a seguir: I- DSM-V significa Manual Diagnóstico Estatístico de Transtornos Mentais 5ª edição. II- CID-11 remete-se a Classificação Internacional de Doenças em 11 grandes categorias. III- O DSM-V sempre foi elaborado e revisado pela Organização Mundial da Saúde. Assinale a alternativa CORRETA: a) ( ) As afirmativas I e II estão corretas. b) ( ) Somente a afirmativa II está correta. c) ( ) As afirmativas I e III estão corretas. d) ( ) Somente a afirmativa I está correta. 3 Os manuais de classificação das doenças podem contribuir com a comunicação entre profissionais da saúde, por isso o conhecimento a respeito dos manuais, bem como compreender as categorias e a forma de manusear são importantes no dia a dia dos profissionais da saúde. De acordo com essa afirmação, classifique V para as sentenças verdadeiras e F para as falsas: ( ) A “CID” refere-se à Classificação Internacional de Doenças, construída pela Organização Mundial da Saúde (OMS). ( ) Os objetivos da CID são identificar populações de risco, além de auxiliar na verificação e controle de situações de pandemias, bem como facilitar o acesso à população a serviços de saúde de qualidade. AUTOATIVIDADE 65 ( ) O DSM originalmente chamado de Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders foi construído pela American Psychiatric Association e pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA: a) ( ) V – F – F. b) ( ) V – F – V. c) ( ) V – V – F. d) ( ) F – F – V. 4 A conhecida “CID” é um manual nomeado como Classificação Internacional de Doenças, que foi construída pela Organização Mundial da Saúde (OMS); e, desde a sua primeira versão, sempre teve objetivos que atingissem os mais diversos países do mundo, além de sempre construir estratégias que buscasse coletar informações dos diversos países, mesmo com os desafios de realização. Diante disso, disserte sobre quais os objetivos da CID. 5 O Manual Diagnóstico Estatístico de Transtornos Mentais 5ª edição (DSM-V) e Classificação Internacional de Doenças 11ª edição (CID 11) são manuais relevantes, porém são muito diferentes,desde a construção, bem como os órgãos responsáveis pela construção, revisão e divulgação dos materiais. Disserte sobre, pelo menos três diferenças desses manuais. 66 67 ALZHEIMER 1 INTRODUÇÃO Acadêmico, no Tópico 1, você pôde conhecer o manual CID-11 (definição, estru- tura e organização) e o manual DSM-V (definição, estrutura e organização). Além disso, você também pôde reconhecer e refletir a respeito das diferenças entre os manuais, en- tão, nesse momento, no Tópico 2, você estudará a respeito da psicopatologia Alzheimer. O Alzheimer é um transtorno psicológico neurocognitivo complexo que pode surgir em adultos e idosos. Assim, você aprenderá a descrever, com rigor conceptual e terminológico, sinais, sintomas e características dessa patologia, além de conhecer a respeito da avaliação e tratamento desse transtorno. Portanto, este tópico se inicia com a compreensão do Alzheimer, de modo a descrever sua definição e causa e, posteriormente, estudará os sintomas e características, seguido da avaliação e tratamento. UNIDADE 2 TÓPICO 2 - 2 ALZHEIMER: COMPREENDENDO A PATOLOGIA, DEFINIÇÃO E CAUSAS Você já compreendeu a respeito da psicopatologia, de modo a primeiramente compreender o desenvolvimento humano, em especial o ciclo vida no período da vida adulta e velhice. Assim, estudou os conceitos mais básicos e fundamentais a respeito da psicopatologia; e, por fim, apreendeu a relação do desenvolvimento humano com psicopatologia, em especial vida adulta e velhice. Assim, foi abordado que, nas últimas décadas, ocorreu o aumento da longevidade, porém a longevidade não está relacio- nada apenas com a qualidade de vida dos indivíduos e com o envelhecimento natural e saudável. Nesse cenário de maior qualidade de vida na velhice, há uma maior complexidade para médicos, neuropsicólogos e psicólogos compreenderem déficits cognitivos e as psicopatologias que surgem com a vida adulta e com o processo de envelhecimento. Por isso, é difícil entender as dificuldades consideradas dentro do esperado do processo de envelhecimento, com isso, é importante um diagnóstico diferencial, entre uma alteração cognitiva que é saudável e dentro do esperado, com aquela alteração que pode sinalizar um comportamento patológico, e um possível sinal de desenvolvimento de uma psicopatologia. 68 Portanto, a Unidade 2 iniciou o Tópico 1 com o estudo dos manuais de classifi- cação, entendendo a respeito do CID-11, DSM-V, a organização das doenças quanto aos seus sintomas e características, e no Tópico 2, você acadêmico conhecerá a respeito da Doença de Alzheimer. 2.1 DEFININDO E COMPREENDENDO A DOENÇA DE ALZHEIMER Conforme Smith (1999) destaca, a Doença de Alzheimer, que para essa utiliza da sigla DA, foi estudada e caracterizada pelo Neuropatologista, alemão, chamado Alois Alzheimer, em 1907. Segundo Abraz (c2019) Alois Alzheimer estudou e publicou o caso de uma de suas pacientes chamada Auguste Deter, a qual era uma mulher saudável, com seus 51 anos, que desenvolveu um quadro patológico que perdia de maneira progressiva a memória. Alois Alzheimer ao estudar a paciente notou que ela apresentava comporta- mentos de desorientação, além de distúrbio de linguagem, com dificuldades tanto para compreender quanto para se expressar, e que acabou tornando-se incapaz de cuidar de si, então Alois, após o falecimento de Auguste, aos 55 anos, ele examinou o cérebro de sua paciente e descreveu as alterações que hoje são conhecidas como as característi- cas da Doença de Alzheimer (ABRAZ, c2019). Smith (1999, p. 3) apresenta que a Doença de Alzheimer pode ser compreendida como “[...] uma afecção neurodegenerativa progressiva e irreversível de aparecimento insidioso, que acarreta perda da memória e diversos distúrbios cognitivos”. Você verifica, na Figura 4, a representação de um idoso com a Doença de Alzheimer que se caracteriza por uma doença que gera a perda da memória, levando o comportamento de esquecimento. FIGURA 4 – DOENÇA DE ALZHEIMER FONTE: . Acesso em: 28 mar. 2022. 69 Abraz (c2019) relata que a Doença de Alzheimer é uma enfermidade que não tem cura, porém há tratamento; e recomenda-se que seja tratada, visto que com o tempo ela vai se agravando, e a maioria das vítimas são pessoas idosas. Segundo Avila e Miotto (2003) à medida que um indivíduo envelhece, ocorre o processo de envelhecimento, no qual algumas alterações vão ocorrer, isto em diferentes áreas do corpo, físico e mental. Sendo assim, tanto na cognição quanto no comportamento, porém essas alterações sofrem uma ordem temporal, sendo primeiramente alterações em atividades viso- espaciais, posteriormente, viso-construtivas, do que em atividades verbais. Assim, os indivíduos acima de 65 anos costumam se queixar de dificuldades com a memória e outras habilidades cognitivas, isto quando lembram e se comparam com o desempenho em anos anteriores. Entretanto, quando se trata de Doença de Alzheimer ou outras demências que afetam a cognição, assim o comprometimento, dependendo do grau, pode gerar a perda da autonomia, e qualidade de vida do indivíduo (AVILA; MIOTTO, 2003). Conforme Dalgalarrondo (2018, s.p.) a Doença de Alzheimer “[...] é uma condi- ção de início insidioso e evolução lenta, gradual e constantemente progressiva, sem platôs prolongados”. Com isso, essa é uma doença do processo neurodegenerativo que se manifesta por perdas cognitivas, principalmente em relação à memória epi- sódica e da aprendizagem, mas essas acabam sendo prejudicadas nas fases inter- mediárias da doença, assim afetando a linguagem, a capacidade visuoconstrutiva e perceptomotora, bem como as funções executivas, então assim afetam as atividades realizadas no cotidiano. Segundo Zhao e Tang (2002) a doença de Alzheimer é a patologia neurodege- nerativa mais frequente associada à idade, sendo que as suas manifestações cognitivas e neuropsiquiátricas resultam em uma deficiência que acaba sendo progressiva e que gera em falta de autonomia, e até em incapacidade de realizar atividades, quando a patologia está avançada. Abraz (c2019) complementa relatando que essa doença se apresenta como uma demência, caracterizando pela perda das funções cognitiva, ou seja, memória, orientação, atenção e linguagem, isto devido à morte de células cerebrais. No entanto, quando diagnosticada no início, é possível retardar o seu avanço e ter mais controle sobre os sintomas; e, por meio disso, garantir uma melhora da qualidade de vida ao indivíduo diagnosticado e a sua família. Quanto à incidência Harman (1996 apud SMITH, 1999, p. 3) destaca que a “[...] DA de acometimento tardio, de incidência, ao redor de 60 anos de idade, ocorre de forma esporádica, enquanto a DA de acometimento precoce, de incidência ao redor de 40 anos, mostra recorrência familiar”. Diante do exposto, e, assim, a compreensão da definição e incidência do Alzheimer, a seguir compreenda a respeito das caudas do Alzheimer. 70 2.2 CAUSAS DA DOENÇA DE ALZHEIMER A Doença de Alzheimer sempre foi tema de interesse de pesquisas de várias áreas do conhecimento, não apenas da medicina, mas também da psicologia, biologia, genética, entre outras, assim a causa da Doença de Alzheimer sempre foi um dos temas mais estudados. Em estudos genéticos, Almeida (1997) destacou que a Doença de Alzheimer como uma doença de herança autossômica dominante, sendo assim, genética, mas a maioria dos casos parece ser esporádica ou multifatorial, ainda relatou que alguns genes já foram mapeados e relacionados à doença de Alzheimer, como aqueles localizados nos cromossomos 1, 14, 19 e 21. FIGURA 5 – DOENÇA DE ALZHEIMER E A GENÉTICA FONTE: . Acesso em: 28 mar. 2022. Já Abraz (c2019, s.p.) aponta que ao observar o cérebro pode-se verificar alterações, como se fossem lesões, e que as principais alterações: [...] são as placas senis decorrentes do depósito de proteína beta- amiloide, anormalmente produzida, e os emaranhados neurofibrilares,frutos da hiperfosforilação da proteína tau. Outra alteração observada é a redução do número das células nervosas (neurônios) e das ligações entre elas (sinapses), com redução progressiva do volume cerebral. Os autores explicam que, as alterações cerebrais já estão no indivíduo antes mesmos dos sintomas e características aparecem no comportamento. Assim, as perdas de neurônios não ocorrem de maneira constante e homogênea, mas as mais prejudicadas são as células nervosas, responsáveis por planejamento e execução. Portanto, pode- se dizer que a Doença de Alzheimer tem relação com doenças genéticas, e que com pesquisas já foram verificados cromossomos relacionados com a doença, também já foi investigado a mudança da estrutura cerebral com o avanço da Doença de Alzheimer, e um exemplo disso é a Figura 6. 71 FIGURA 6 – DIFERENÇA CEREBRAL NA DOENÇA DE ALZHEIMER FONTE: A autora Conforme a Figura 6, os principais sinais da doença de Alzheimer é a ocorrência da diminuição da quantidade de neurônios e das sinapses, causando atrofia e progressiva redução do volume do cérebro, isto ocorre devido a perda de neurônios, sendo que as áreas mais atingidas são aquelas relacionadas a memória e as funções de planejamento e de realização de mais funções complexas. A leitura do artigo científico “Biologia Molecular da Doença de Alzheimer: uma Luz no Fim do Túnel?” é agradável, pois traz explicações genéticas de maneira clara e com o uso de gráficos apresentando informações de extrema relevância. DICA 2.3 EVOLUÇÃO DO ALZHEIMER Na Doença de Alzheimer conforme vão se passando os anos, os sintomas no paciente vão se agravando, e é por isso que a DA é caracterizada pelo agravamento progressivo dos sintomas. Entretanto, a progressão não é algo regular, e não ocorre de maneira igual a todo indivíduo que é diagnosticado com DA, muitos pacientes podem apresentar períodos de maior estabilidade, ainda, se for um indivíduo que realiza tratamento, os sintomas podem se apresentar de maneira diferente (ABRAZ, c2019). https://www.scielo.br/j/ramb/a/cbPZ85WL6bxQyRg9RpyvFmC/?format=pdf&lang=pt https://www.scielo.br/j/ramb/a/cbPZ85WL6bxQyRg9RpyvFmC/?format=pdf&lang=pt 72 Ainda, existe várias maneiras da DA ser classificada, na CID-10 ela está na classificação F00 — F09, que aborda os transtornos mentais orgânicos, incluindo sintomáticos, então são organizados em: F00 Demência na doença de Alzheimer, F00.0 Demência na doença de Alzheimer de início precoce, F00.1 Demência na doença de Alzheimer de início tardio, F00.2 Demência na doença de Alzheimer, tipo misto ou atípica, e F00.9 Demência na doença de Alzheimer, não especificada (OMS, 1994). Assim, a respeito da evolução dos sintomas da Doença de Alzheimer pode ser dividida em três fases: leve, moderada e grave. Na fase leve os sintomas apresentados estão mais relacionados as atividades do cotiado e que podem ser confundidos como sintomas do processo de envelhecimento, já na fase moderada a perda de memória está mais presente das atividades e outros prejuízos da cognição podem ser vistos nos comportamentos, e a fase grave apresenta característica de perda da autonomia. A seguir, você encontra características das fases, baseado no texto de Abraz (c2019). Fase leve: • alterações como perda de memória recente, sendo verificada na dificuldade para encontrar palavras; • desorientação em relação ao tempo e espaço, como demonstrado na Figura 7; • dificuldade para tomar decisões; • perda de tomar iniciativa; • baixa motivação, e diminuição do interesse por atividades; • sinais de depressão; • agressividade. FIGURA 7 – FASE LEVE – INICIAL FONTE: . Acesso em: 28 mar. 2022. Fase moderada: 73 • são comuns dificuldades mais evidentes com atividades do dia a dia, com prejuízo de memória, com esquecimento de fatos mais importantes; • esquecimento dos nomes de pessoas próximas; • incapacidade de viver sozinho; • incapacidade de cozinhar e de cuidar da casa, de fazer compras; • dependência importante de outras pessoas para atividades diárias, como demonstra a Figura 8; • necessidade de ajuda com a higiene pessoal e autocuidados; • maior dificuldade para falar e se expressar com clareza; • alterações de comportamento (agressividade, irritabilidade, inquietação); • ideias sem sentido (desconfiança, ciúmes); • alucinações (ver pessoas, ouvir vozes de pessoas que não estão presentes). FIGURA 8 – AUXÍLIO PARA AS ATIVIDADES DIÁRIAS FONTE: . Acesso em: 28 mar. 2022. Fase grave: • prejuízo gravíssimo da memória, com incapacidade de registro de dados; • muita dificuldade na recuperação de informações antigas como reconhecimento de parentes, amigos, locais conhecidos; • dificuldade para alimentar-se associada a prejuízos na deglutição; • dificuldade de entender o que se passa a sua volta, dificuldade de orientar-se dentro de casa; • pode haver incontinência urinária e fecal; • pode ocorrer intensificação de comportamento inadequado; • há tendência de prejuízo motor, que interfere na capacidade de locomoção, sendo necessário auxílio para caminhar. 74 FIGURA 9 – AUXÍLIO PARA SE ALIMENTAR FONTE: . Acesso em: 28 mar. 2022. Portanto, a evolução que ocorre no Alzheimer acontece por meio de fases, nas quais os pacientes possuem sintomas e comportamentos que vão se agravando com o passar do tempo, porém embora existam as fases leve, moderada e grave, não significa que isso ocorre de maneira fixa em todos os pacientes com esse diagnóstico, pois vai depender da individualidade de cada paciente, bem como do momento do diagnóstico, história de vida e da rede de apoio (familiares e amigos) do paciente. Para compreender as fases do Alzheimer fica a indicação do filme chamado “Meu pai”, que trata da história de um homem no processo de envelhecimento, mas que apresenta características de Alzheimer, que vai com o tempo se agravando. O filme foi ganhador no Oscar 2021, e conta com o ator Anthony Hopkins para interpretação do personagem principal. INTERESSANTE 3 ALZHEIMER: CARACTERÍSTICAS E SINTOMAS A respeito dos sintomas e das características da Doença de Alzheimer (DA), segundo Dalgalarrondo (2018) no início dos chamados quadros clínicos de DA os indivíduos apresentam uma fala com característica de dificuldade em encontrar a “a palavra certa”, sendo a sensação de buscar e não conseguir encontrar a palavras que deseja expressar verbalmente. 75 A característica apresentada por Dalgalarrondo (2018) é fase inicial, na qual é demarcada a dificuldade da fluência verbal; e, assim, das capacidades linguísticas, então pode-se apresentar falha nas habilidades verbais, apresentando repetição de palavras, dificuldade na articulação das palavras. Ainda, vale destacar que nessa fase inicial, o indivíduo pode apresentar termos inespecíficos, ou seja, termos vagos para os locais, pessoas e objetos, por exemplo, verbalizar “o homem”, “a mulher”, “o menino”, “o hospital”, “aquela casa”, assim pode tentar se lembrar e apontar. A complementar Dalgalarrondo (2018), Abraz (c2019) apresenta alguns comportamentos que podem ocorrer na fase ou estágio inicial, como: ter problemas com a fala; ter perda de memória; ficar perdido em relação ao tempo, como dia da semana, ou até mesmo hora do dia; ficar perdido em locais que já são familiares, como casa, rua, bairro; ficar sem atividade e sem motivação para realizar atividades; apresentar mudanças de humor e com isso apresentar momentos de depressão ou ansiedade, e até mesmo agir com agressividade em situações que sente raiva ou irritação (por exemplo em momento que se sente perdido). A respeito dos sintomas intermediários da doença, os indivíduos apresentam comportamentos como: ficar desorientado; ter dificuldade de cozinhar e limpar a casa; ter dificuldade de praticar a própria higiene pessoal; ter uma maior dependência de familiares e pessoas próximas; realizar perguntas repetidas; ter uma fala repetitiva com histórias2.1 TEORIAS DO DESENVOLVIMENTO E ERIK HOMBURGER ERIKSON .......................20 2.1.1 Desenvolvimento humano: vida adulta e psicopatologias ............................. 22 3 PSICOPATOLOGIAS DA VIDA ADULTA ..............................................................24 3.1 ANSIEDADE ......................................................................................................................... 25 3.2 DEPRESSÃO ........................................................................................................................27 3.3 ESTRESSE ........................................................................................................................... 29 RESUMO DO TÓPICO 2 .......................................................................................... 31 AUTOATIVIDADE ...................................................................................................32 TÓPICO 3 - PSICOPATOLOGIA: VELHICE ............................................................35 1 INTRODUÇÃO ......................................................................................................35 2 O DESENVOLVIMENTO HUMANO NA VELHICE E AS PATOLOGIAS .................35 2.1 DESENVOLVIMENTO HUMANO NA VELHICE ............................................................... 37 2.1.1 Envelhecimento saudável ....................................................................................... 39 3 PSICOPATOLOGIAS DA VELHICE ......................................................................42 3.1 DEMÊNCIA .......................................................................................................................... 42 LEITURA COMPLEMENTAR ..................................................................................43 RESUMO DO TÓPICO 3 ......................................................................................... 48 AUTOATIVIDADE ...................................................................................................49 REFERÊNCIAS ....................................................................................................... 51 UNIDADE 2 — TRANSTORNOS PSICOPATOLÓGICOS ..........................................53 TÓPICO 1 — TRANSTORNOS PSICOPATOLÓGICOS: CID 11 E DSM-V .................55 1 INTRODUÇÃO ......................................................................................................55 2 CID 11: COMPREENDENDO O MANUAL E AS PSICOPATOLOGIAS DA VIDA ADULTA E VELHICE ................................................................................ 57 3 DSM-V: COMPREENDENDO O MANUAL E AS PSICOPATOLOGIAS DA VIDA ADULTA E VELHICE ................................................................................60 4 DIFERENCIAÇÃO DOS MANUAIS: REFLEXÃO .................................................. 61 RESUMO DO TÓPICO 1 ..........................................................................................63 AUTOATIVIDADE ...................................................................................................64 TÓPICO 2 - ALZHEIMER ........................................................................................ 67 1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................... 67 2 ALZHEIMER: COMPREENDENDO A PATOLOGIA, DEFINIÇÃO E CAUSAS ........... 67 2.1 DEFININDO E COMPREENDENDO A DOENÇA DE ALZHEIMER ...............................68 2.2 CAUSAS DA DOENÇA DE ALZHEIMER ......................................................................... 70 2.3 EVOLUÇÃO DO ALZHEIMER............................................................................................. 71 3 ALZHEIMER: CARACTERÍSTICAS E SINTOMAS ............................................... 74 4 ALZHEIMER: AVALIAÇÃO E TRATAMENTO ....................................................... 76 4.1 AVALIAÇÃO DO ALZHEIMER .............................................................................................76 4.2 TRATAMENTO DA DOENÇA DE ALZHEIMER ................................................................77 RESUMO DO TÓPICO 2 .......................................................................................... 79 AUTOATIVIDADE ...................................................................................................80 TÓPICO 3 - PARKINSON ........................................................................................83 1 INTRODUÇÃO ......................................................................................................83 2 PARKINSON: COMPREENDENDO A PATOLOGIA, DEFINIÇÃO E CAUSAS .......... 84 2.1 DEFININDO E COMPREENDENDO A DOENÇA DE PARKINSON ..............................84 2.2 DOENÇA DE PARKINSON: CAUSAS E EVOLUÇÃO .....................................................86 3 PARKINSON: CARACTERÍSTICAS E SINTOMAS ...............................................87 4 PARKINSON: AVALIAÇÃO E TRATAMENTO ......................................................89 RESUMO DO TÓPICO 3 ..........................................................................................92 AUTOATIVIDADE ...................................................................................................93 TÓPICO 4 - OUTROS TRANSTORNOS PSICOPATOLÓGICOS DA VIDA ADULTA E VELHICE ................................................................................95 1 INTRODUÇÃO ......................................................................................................95 2 DEPRESSÃO NA VIDA ADULTA E VELHICE .................................................................. 95 2.1 DEPRESSÃO: TRATAMENTO ............................................................................................98 3 ALTERAÇÕES PSICOLÓGICAS NA VIDA ADULTA E VELHICE .........................99 LEITURA COMPLEMENTAR ................................................................................ 101 RESUMO DO TÓPICO 4 ........................................................................................106 AUTOATIVIDADE ................................................................................................. 107 REFERÊNCIAS .....................................................................................................109 UNIDADE 3 — ACOMPANHAMENTO TERAPÊUTICO: AVALIAÇÃO, ANAMNESE, ENTREVISTA CLÍNICA, MODELOS DE INTERVENÇÃO E TÉCNICAS DE TRATAMENTO ........................................................................... 113 TÓPICO 1 — AVALIAÇÃO PSICOLÓGICA E INTERVENÇÃO .................................115 1 INTRODUÇÃO .....................................................................................................115 2 AVALIAÇÃO PSICOLÓGICA E O DIAGNÓSTICO ...............................................115 3 AVALIAÇÃO PSICOLÓGICA PARA USO EM ADULTOS E IDOSOS .................. 118 3.1 A ESPECIFICIDADE DO TRABALHO DE AVALIAÇÃO PSICOLÓGICA COM ADULTOS E IDOSOS ............................................................................................... 120 4 ÉTICA EM AVALIAÇÃO PSICOLÓGICA ............................................................ 121 5 INTERVENÇÃO PSICOLÓGICA COM ADULTOS E IDOSOS ............................. 122 5.1 O PROCESSO DE INTERVENÇÃO PSICOLÓGICA COM ADULTOS E IDOSOS ..........123 RESUMO DO TÓPICO 1 ........................................................................................ 125 AUTOATIVIDADE ................................................................................................. 126 TÓPICO 2 - AVALIAÇÃO PSICOLÓGICA: INSTRUMENTOS E TÉCNICAS .......... 129 1 INTRODUÇÃO .................................................................................................... 129 2 OBSERVAÇÃO, ANAMNESE E ENTREVISTAS COM ADULTOS E IDOSOS .......... 129 3 INSTRUMENTOS PSICOLÓGICOS E AVALIAÇÃO PSICOSSOCIAL PARA ADULTOS E IDOSOS ..................................................................................133 3.1 AVALIAÇÃO PSICOSSOCIAL ..........................................................................................e situações; ficar perdido em locais familiares, como a própria casa; apresentar alucinações (ABRAZ, c2019; DALGALARRONDO, 2018). A respeito dos sintomas avançados da doença, este está relacionado a uma maior dependência e uma maior inatividade do indivíduo, isto porque há um maior comprometimento da memória, levanto a comportamentos como: ter dificuldades para se alimentar; ter dificuldade para reconhecer as pessoas, mesmo que próximas, como familiares e cuidadores; ter dificuldade para compreender o que é dito e orientado; ter dificuldade para realizar pequenos trajetos sozinho, mesmo que em locais muito familiares; ter dificuldade para se locomover e realizar determinados movimentos; realizar continência urinária; realizar atividades básicas e diárias (ABRAZ, c2019; DALGALARRONDO, 2018). Para compreender os sintomas e características da Doença de Alzheimer, indicamos o filme “Longe Dela”, que trata de uma personagem com diagnóstico de Alzheimer. Por meio de filmes como esse é possível vivenciar situações reais da doença; e, assim, observar os sintomas e características, que auxiliam no momento de relacionar teoria e prática. DICA 76 4 ALZHEIMER: AVALIAÇÃO E TRATAMENTO Na Doença de Alzheimer, como visto até aqui, o paciente apresentará uma série de sintomas e comportamentos que até ocorrer o diagnóstico precisam ser investigados. Na área da saúde, a forma de investigação de sintomas e comportamentos é por meio da avaliação. Na avaliação do Alzheimer muitos são os profissionais que podem contribuir, mas o médico é essencial para o diagnóstico. Após a avaliação iniciará o tratamento, que pode ser realizado de maneira mul- tiprofissional, ou seja, por meio de diferentes profissionais da saúde, como médicos, psi- cológico, fisioterapeuta, acompanhante terapêutico, fonoaudiólogo. Portanto, a seguir, você acadêmico compreenderá mais a respeito de avaliação e tratamento do Alzheimer. 4.1 AVALIAÇÃO DO ALZHEIMER Na Doença de Alzheimer (DA) é comum que as características e sintomas da doença sejam confundidas com o processo de envelhecimento normal e esperado, por isso a necessidade de uma investigação dos sintomas, características, comportamentos que vão sendo percebidos pelas pessoas próximas; e, com isso, a investigação é realizada por meio de uma avaliação, e consequentemente essa avaliação contribuirá para o diagnóstico. O diagnóstico da Doença de Alzheimer é de caráter clínico, então normalmente é uma avaliação realizada por um médico, por meio de exames, e do levantamento da história do paciente. O médico pode realizar exames de sangue, exames de imagens (por exemplo: tomografia, ressonância magnética do crânio), e este são com o objetivo de poder excluir a possibilidade de outras doenças, como contribuição de um diagnóstico diferencial (ABRAZ, c2019). Nesse conjunto de exames para o diagnóstico, a avaliação psicológica, em especial, das funções cognitivas é de extrema importância. A avaliação psicológica ou neuropsicológica envolve o uso de instrumentos psicológicos, observação, entrevista. Assim, com o levantamento de dados por meio de técnicas e ferramentas é possível associar os resultados à história de vida do paciente, então é possível identificar fortalezas, fragilidades, intensidade das perdas em relação a função inicial, e assim levantar hipóteses sobre a doença (ABRAZ, c2019). Na avaliação psicológica, o psicólogo pode realizar a avaliação das funções cog- nitivas de idosos com o uso de instrumentos psicológicos (testes, escalas, inventários), assim como com o levantamento da história de vida, observação, entrevista com pa- ciente, entrevista com membro familiar, assim o psicólogo pode ser um profissional que pode contribuir e trabalhar em parceria com médico, para o levantamento das informa- ções para o diagnóstico. 77 Dessa maneira, a investigação avaliativa não contribuirá apenas para o profis- sional obter um diagnóstico clínico, mas também para identificar e mapear fortalezas e fragilidades, e com esses dados também possível compreender habilidades e capacida- des que estão ou não preservadas, e com isso conseguir realizar um plano de interven- ção, ou seja, dados que podem contribuir para o início do tratamento (ABRAZ, c2019). A Doença de Alzheimer é uma doença que não tem cura, porém tem tratamentos eficazes, os quais podem contribuir com a qualidade de vida do paciente após diagnosticado. ATENÇÃO 4.2 TRATAMENTO DA DOENÇA DE ALZHEIMER A Doença de Alzheimer tem tratamento, mas infelizmente não tem cura. Nesse sentido, com os avanços da medicina, muitas foram as descobertas e possibilidades para o tratamento, de modo que os pacientes possam ter uma melhor qualidade de vida com a descoberta dessa doença. Ainda vale destacar aqui, que não apenas a medicina fez e continua fazendo contribuições aos pacientes com a DA e seus familiares, mas outras áreas do conhecimento. Diante disso, os tratamentos existentes buscam aliviar os sin- tomas apresentados pelos pacientes, também permitem que os pacientes tenham uma progressão da doença mais lenta, e ainda, permitem que os tornem autônomos por mais tempo e assim consigam realizar as atividades diárias por mais tempo (ABRAZ, c2019). Os tratamentos existentes e indicados para a DA podem ser divididos em dois grandes grupos, sendo: tratamentos farmacológicos e tratamentos não farmacológicos (ABRAZ, c2019). Os tratamentos farmacológicos são indicados, porque entende-se que parte dos sintomas ocorrem devido alterações em uma substância que está presente no cérebro chamada de acetilcolina, pois já se identificou que pacientes com DA essa subs- tância é menor, do que em pessoas sem a DA, então uma possibilidade é que o paciente utilize de medicações que possam controlar ainda mais a diminuição da acetilcolina. As medicações que agem no controle e inibição da acetilcolina, e que estão aprovadas para uso no Brasil, são: a rivastigmina, a donepezila e a galantamina, assim essas contribuem para casos de demências leve e moderada. Contudo, a medicações tem suas vantagens e desvantagens, sendo vantagem a melhora e a estabilização, e desvantagem é que a medicação não impede a evolução da doença. Em relação aos tratamentos não farmacológicos são indicados, pois são aqueles que visam estimular a cognição, mas também aspectos relacionados a esfera social e física, que tem por objetivo beneficiar a manutenção das capacidades e habilidades (ABRAZ, c2019). 78 O treinamento das funções cognitivas como atenção, memória, linguagem, orientação e a utilização de estratégias compensatórias são benéficas e contribuem para a qualidade de vida dos pacientes. Assim as intervenções relacionadas com os tratamentos não farmacológicos são: estimulação cognitiva; estimulação social; estimulação física. A estimulação cognitiva é considerada atividades ou programas de intervenção que tem por objetivo potencializar as habilidades cognitivas por meio da estimulação das funções cognitivas (funções psicológicas), como: o uso de pensamento, raciocínio lógico, atenção, memória, linguagem e planejamento. O objetivo estimular para minimizar as dificuldades a partir de estratégias compensatórias. As atividades podem ser grupais ou individuais. Para as atividades são utilizadas técnicas que promovem associação de ideias, exigem raciocínio e atenção, visam planejamento em etapas e antecipação de resultados, proporcionam treino das funções motoras, controle comportamental. Assim, essas atividades podem ser praticadas por meio de “[...] jogos, desafios mentais, treinos específicos, construções, reflexões, resgate de histórias e uso de materiais que compensem dificuldades específicas (por exemplo, calendário para problemas de orientação temporal)” (ABRAZ, c2019, s.p.). Já em relação à Estimulação social são iniciativas que visam o contato social dos pacientes estimulando as habilidades de comunicação, convivência e afeto, promovendo integração e evitando a apatia e a inatividade diantede dificuldades. E, por fim, a estimulação física busca a prática de atividade física com o objetivo de melhorar a coordenação motora, força muscular, equilíbrio e flexibilidade, que assim podem os pacientes alcançar uma maior independência e retardar o declínio nas atividades do cotidiano (ABRAZ, c2019). Portanto, para uma melhora da qualidade de vida dos pacientes e de seus familiares, recomenda-se que, para um tratamento eficaz, é necessário a combinação das intervenções do tratamento não farmacológico, bem como da combinação do tratamento farmacológico e não farmacológico, isto a partir de uma investigação da necessidade de cada paciente, por meio de uma avaliação e diagnóstico. Para aprofundar o conhecimento a respeito do Alzheimer, a sugestão que fazemos para leitura é o artigo científico nomeado como “Critérios para o Diagnóstico de Doença de Alzheimer”, que discute a patologia relacionada as classificações do DSM-V, assim aborda dois dos assuntos tratados nesse material didático. DICA file:///C:/Users/08256293900/Desktop/Livros%20em%20Andamento/Psicopatologia%20Adultez%20e%20Velhice/Links/demneuropsy.com.br/imagebank/pdf/v5s1a02.pdf file:///C:/Users/08256293900/Desktop/Livros%20em%20Andamento/Psicopatologia%20Adultez%20e%20Velhice/Links/demneuropsy.com.br/imagebank/pdf/v5s1a02.pdf 79 RESUMO DO TÓPICO 2 Neste tópico, você adquiriu certos aprendizados, como: • A Doença de Alzheimer foi descoberta por Alois Alzheimer. • A Doença de Alzheimer é compreendida como uma degeneração que ocorre nos neurônicos, e que vai se tornando progressiva, ao mesmo tempo que também se torna irreversível. Com isso, o indivíduo apresenta a perda da memória e tem prejuízos em outras funções cognitivas, como concentração, atenção, e isto vai sendo verificados nos comportamentos diários. • O paciente com a Doença de Alzheimer apresenta alterações cerebrais, como placas, sendo essas originadas de uma proteína chamada beta-amiloide. Também é visto nos pacientes redução dos neurônios e sinapses, gerando redução do volume cerebral. A DA também é considerada uma doença genética. • A Doença de Alzheimer pode apresentar em três fases: leve, moderada e grave. • Alterações na fala, dificuldade para encontrar palavras, desorientação em relação ao tempo e espaço, dificuldade nas atividades diárias são alguns dos comportamentos das pessoas diagnosticas com DA. • O acompanhante terapêutico e outros profissionais da saúde podem atuar com a DA, contribuindo com trabalhos relacionados aos cuidados, à estimulação à memória e outros. 80 1 Existe uma doença que acomete idosos, que está relacionada com a degeneração de neurônicos e que se torna progressiva, ao mesmo tempo que também se torna irreversível, e que o indivíduo que apresenta a perda da memória também tem prejuízos em outras funções cognitivas. Quanto à doença descrita, assinale a alternativa CORRETA: a) ( ) Parkinson. b) ( ) Doença de Alzheimer. c) ( ) Memória recente. d) ( ) Derrame cerebral. 2 Muitas áreas do conhecimento se interessam por estudos relativos à mente e à cognição, por isso muito foi descoberto a respeito das funções cognitivas, e com isso muitas doenças estão relacionadas ao comprometimento das funções cognitivas, como: memória, atenção, concentração etc. Com base na psicopatologia Doença de Alzheimer, analise as afirmativas a seguir: I- O paciente diagnosticado com Doença de Alzheimer tem uma perda de neurônios, que pode ser progressiva, porém há mediações que podem bloquear essa perda. II- Os tratamentos farmacológicos não são existentes para a Doença de Alzheimer. III- Para eficácia do tratamento da Doença de Alzheimer são recomendados os tratamentos farmacológicos e não farmacológicos. Assinale a alternativa CORRETA: a) ( ) As afirmativas I e II estão corretas. b) ( ) Somente a afirmativa II está correta. c) ( ) As afirmativas I e III estão corretas. d) ( ) Somente a afirmativa III está correta. 3 A Doença de Alzheimer foi descoberta por Alois Alzheimer, que estudou e publicou o caso de uma de suas pacientes, Auguste Deter, a qual era saudável, e com seus 51 anos desenvolveu um quadro patológico que perdia de maneira progressiva a memória, também apresentava comportamentos desorientativos. De acordo com seu aprendizado sobre a Doença de Alzheimer, classifique V para as sentenças verdadeiras e F para as falsas: AUTOATIVIDADE 81 ( ) A Doença de Alzheimer pode ser apresentada em três fases, sendo: leve, moderada e grave. ( ) O paciente com Doença de Alzheimer pode apresentar na fase inicial o esquecimento de palavras, como se as palavras não encontrassem uma forma de ser verbalizada. ( ) A Doença de Alzheimer tem cura a medida que o paciente iniciar um tratamento farmacológico. ( ) A Doença de Alzheimer não tem cura, e possui apenas tratamento não farmacológico. Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA: a) ( ) V – F – F – F. b) ( ) V – F – V – V. c) ( ) V – V – F – F. d) ( ) F – F – V – V. 4 A Doença de Alzheimer é compreendida como uma degeneração que ocorre nos neurônicos, e que vai se tornando progressiva, e ao mesmo tempo irreversível, com isso o indivíduo apresenta a perda da memória, e tem prejuízos em outras funções cognitivas, como concentração e atenção, além de isto acabar sendo verificado nos comportamentos diários. Disserte a respeito das causas do desenvolvimento da Doença de Alzheimer. 5 O paciente com Doença de Alzheimer pode receber intervenção de diferentes profissionais, como médicos e psicólogos, com o objetivo de investigar as funções cognitivas de idosos, e intervir por meio de programas de estimulação a memória e outras funções cognitivas. Dessa forma, profissionais da saúde precisam reconhecer os sintomas DA nas diferentes fases, então descreva sintomas das fases leve, moderada e grave. 82 83 TÓPICO 3 - PARKINSON 1 INTRODUÇÃO Acadêmico, no Tópico 1, você conheceu o manual CID-11 (definição, estrutura e organização) e o manual DSM-V (definição, estrutura e organização). Também refletimos a respeito das diferenças entre os manuais. No Tópico 2, você estudou a Doença de Alzheimer, e pôde compreender suas causas, sintomas, características e fases, bem como entender as formas de avaliação, tratamento e o papel do psicólogo nesse cenário. Nesse sentido, no Tópico 3 você conhecerá outra psicopatologia, o Parkinson, de modo a descrever sua definição e causas, sintomas, características, bem como avaliação e tratamento. O Parkinson é uma patologia que já foi bastante discutida na sociedade, uma vez que já foi tema de reportagens televisivas em jornais e programas de fácil acesso do público brasileiro. No entanto, para acompanhantes terapêuticos e outros profissionais da saúde, faz-se necessário compreender o Parkinson com a visão da ciência. Assim, a primeira questão para refletir é: será que muitos brasileiros são diagnosticados com Parkinson? Segundo Hospital Albert Einstein, que tem interesse na temática, “[…] no Brasil existem poucos números sobre a doença de Parkinson e esta não é uma doença de notificação compulsória. Números não oficiais apontam para pelo menos 250 mil portadores” (PARKINSON, [c2022]). Assim, esse dado indica que muitas pessoas carregam a patologia, o que justifica a necessidade de acompanhantes terapêuticos, bem como profissionais da saúde obterem conhecimento a respeito. UNIDADE 2 Para aprofundar seus conhecimentos sobre a doença de Parkinson no Brasil, indicamos a leitura de um artigo científico chamado “Doença de Parkinson: Revisão de Literatura”, que apresenta um levantamento bibliográfico com os estudos brasileiros, o que possibilita ao leitor compreender, ao longo dos anos, o que vem sendo realizado no país. DICA https://brazilianjournals.com/index.php/BRJD/article/view/29678/23399 https://brazilianjournals.com/index.php/BRJD/article/view/29678/23399 84 2 PARKINSON: COMPREENDENDO A PATOLOGIA, DEFINIÇÃO E CAUSAS A Doença de Parkinsoné uma doença que pode aparecer durante o desen- volvimento humano, mais precisamente, os primeiros sintomas aparecem no final da vida adulta ou no início na velhice, então a Doença de Parkinson, assim como a Doença de Alzheimer precisa ser bastante compreendida pelos profissionais da saúde, uma vez que o diagnóstico também é clínico e requer cuidados. O diagnóstico requer uma investigação da história de vida do paciente, compreensão das características e dos comportamentos apresentados nos últimos meses, pois estes também podem contri- buir para o entendimento do profissional a respeito do paciente. Para a coleta de informações, não apenas o paciente pode ser escutado e fonte desses dados, como também um membro familiar bastante próximo, que pode relatar comportamentos observados, assim esses e outros recursos, quando agrupados, podem contribuir com a coleta de informação sobre o paciente, e assim, de fato contribuir com o diagnóstico, e por meio desse dar andamento ao tratamento do paciente. A seguir, você, acadêmico, compreenderá a respeito da definição da Doença de Parkinson. 2.1 DEFININDO E COMPREENDENDO A DOENÇA DE PARKINSON A respeito da vida adulta e velhice, em quase todo mundo cresce a população com idade igual ou superior aos 60 anos de idade, assim segundo Silva e Carvalho (2019, p. 331): [...] o envelhecimento populacional mundial vem acontecendo de forma acelerada e um dos grandes desafios deste século é a criação de estratégias para manter a qualidade de vida e para qualificar o cuidado da população idosa, que apresenta uma elevada prevalência de doenças crônicas degenerativas e incapacitantes. E, conforme Fernandes e Andrade Filho (2018), citados por Vicentini, Machado e Marques (2021), de acordo com a Organização Mundial da Saúde, 1% do grupo de pessoas que estão com idade superior a 65 anos de idade serão afetados pela Doença de Parkinson (DP). A DP é uma doença neurodegenerativa bastante comum, sendo a segunda que mais afeta as pessoas, após a Doença de Alzheimer (DA). O Parkinson foi abordado e usado pela primeira vez em 1817, por um médico, cirurgião e inglês, chamado James Parkinson. Ele e o neurologista Jean-Martin Charcot trabalhavam na época com pacientes que tinham as características da doença que hoje reconhecemos como Parkison, então após James Parkinson descrever as características e sintomas observados nos pacientes, Jean-Martin Charcot chamou a doença descrita pelo colega de “Mal” de Parkinson. 85 A doença “Mal” de Parkinson ficou bastante popular e sempre foi reconhecida pelos profissionais e pessoas da sociedade. Dessa maneira, porém, devido ao estigma social que esse termo gerava, bem como o preconceito, tanto os médicos como as pessoas na sociedade, foram deixando de usar, e passando a usar a nomeação Doença de Parkinson (DP). Assim, a DP é caracterizada pelas alterações das funções motoras e não motoras, atingindo mais homens do que mulheres, e normalmente os sintomas iniciais começam por volta dos 45 anos, mas estarão mais evidentes por volta dos 60 a 65 anos de idade (WHO, 2020). Na Figura 10, pode-se verificar uma situação bastante clássica do início dos sintomas da DP, que é o tremor das mãos, que acaba interferindo nas atividades do cotidiano, como se alimentar, escrever, segurar algum objeto. FIGURA 10 – DOENÇA DE PARKINSON FONTE: . Acesso em: 28 mar. 2022. Muitas vezes os idosos que apresentam tremores nas mãos acabam não verbalizando no início para os membros familiares, assim articulando saídas para executar a ação necessária, como se alimentar segurando a mão que apresenta tremor. Assim, os sintomas apenas são descobertos quando estão mais evoluídos. Portanto, a DP é uma doença neurodegenerativa, que vai afetar principalmente as funções motoras, desde a coordenação fina (movimentos de pinça), como movimentos locomotores, assim, portanto, é importante compreender as causas e a evolução dessa doença. A seguir, você poderá estudar esses aspectos. A Doença de Parkinson é bastante confundida com a Doença de Alzheimer, embora sejam doenças neurodegenerativas, são bastante diferentes em relação às causas, sintomas e comprometimentos. ATENÇÃO 86 2.2 DOENÇA DE PARKINSON: CAUSAS E EVOLUÇÃO No processo de envelhecimento, que é esperado e natural que ocorra, todos os indivíduos saudáveis, como na Figura 11, vão apresentar morte das células nervosas, responsáveis por produzir dopamina. No entanto, algumas pesquisas já verificaram que há pessoas que perdem essas células num ritmo muito acelerado, assim as explicações para isto seria que mais de um fator desencadeia essa situação. FIGURA 11 – PROCESSO DE ENVELHECIMENTO SAUDÁVEL FONTE: . Acesso em: 28 mar. 2022. Nessa perspectiva, a Doença de Parkinson (DP) já foi bastante pesquisada e continua sendo interesse dos pesquisadores nacionais e internacionais, e até o momento as causas do DP podem ser agrupadas em dois fatores, sendo: genéticos e ambientais (VICENTINI, MACHADO, MARQUES, 2021; RIEDER et al., 2018). As causas genéticas estão relacionadas ao que os estudiosos nomeiam como mutação genética, que ocorre no DNA do indivíduo e levam ao desenvolvimento da doença. Esta mutação não seria algo tão comum, mas quando ocorre em uma determinada família, muitos membros podem ser afetados, uma vez que a alteração genética está no DNA. Por sua vez, as causas ambientais estão relacionadas ao contato do indivíduo com algum ambiente ou substância encontrada em um determinado ambiente, que provocou impacto na morte e assim perda dos neurônios responsáveis pela produção de dopamina. Exemplos: químicas tóxicas, metais pesados (chumbo, arsênio, alumínio, titânio etc.), pesticidas, entre outros. O chumbo, um metal pesado, bastante versátil, porém considerado tóxico, pode ser bioacumulativo, e comprometer a saúde do ser humano, sendo uma das substâncias relacionadas à diminuição de dopaminas em casos de DP. 87 Com relação à evolução, normalmente ela tem um início unilateral, então os sintomas vão afetar primeiramente um dos lados do corpo e tendem a evoluir. Nesse sentido, com a evolução, os sintomas acabam comprometendo o outro lado do paciente e a região axial, assim acaba gerando prejuízos ao equilíbrio, a postura e a marcha (locomoção). Quando afeta o acometimento axial, o paciente passa a apresentar sintomas de comprometimento da voz, fala e deglutição, porém esses sintomas considerados axiais ocorrem de maneira mais tardia. Com relação ao progresso da doença, o ritmo será variável, sendo de indivíduo para indivíduo, podendo alguns viver com bem com pouca limitação e dificuldade, mesmo depois de 20 anos do início da doença, e outros vivendo com uma maior limitação com bem menos tempo do diagnóstico e descoberta da doença. A DP não costuma apresentar sintomas cognitivos nas fases iniciais, mas nas fases intermediárias e avançada pode apresentar sintomas relacionados à cognição (memória, atenção, percepção, linguagem etc.), a alterações do sono, à depressão e a distúrbios do sistema nervoso autônomo (RIEDER et al., 2018). 3 PARKINSON: CARACTERÍSTICAS E SINTOMAS A DP, que é um distúrbio neurológico progressivo, que resulta na perda de neurônios e de células que estão localizadas na região do cérebro conhecida como substância negra, nessa localidade há a produção de dopamina, sendo essa substância relacionada com as funções que controlam o movimento do corpo. Na Figura 12 há a representação da área do cérebro afetada, normalmente a área frontal, responsável pelos movimentos, movimentos voluntários do corpo, linguagem, gerenciamento das habilidades cognitivas, com isso essa área é reconhecida por controlar o comportamento e emoções. Com isso, ao ter problemas nessa região pode afetar os movimentos corporais, a capacidade de se expressar, mudanças de comportamento. FIGURA 12 – CÉREBRO AFETADO NA ÁREA DO MOVIMENTO FONTE: .Acesso em: 28 mar. 2022. 88 Segundo Martins (2008), a DP apresenta sintomas e características que são básicas e consideradas de investigação clínica. Assim, Silva e Carvalho (2019) e Rieder et al. (2018) apresentam que os principais sintomas da Doença de Parkinson são: tremor em repouso, rigidez, déficits no equilíbrio e na marcha, bradicinesia e redução na amplitude dos movimentos. A complementar, Beitz (2014) destaca que os sintomas poderiam ser compreendidos como uma integração de quatro componentes principais, como: sintomas motores; alterações cognitivas; alterações comportamentais e neuropsiquiátricas; e os sintomas relacionados às disfunções no sistema nervoso autônomo. Na Figura 13, verifica-se um dos principais sintomas iniciais da DP, os tremores nas mãos. FIGURA 13 – SINTOMA DE TREMORES NAS MÃOS FONTE: . Acesso em: 28 mar. 2022. Diante do exposto, os principais sintomas da Doença de Parkinson, são: • tremor, que afeta geralmente as mãos, podendo também se apresentar tremores nas pernas e no queixo, isto quando a pessoa está em repouso, aumentando quando o indivíduo passar por situações estressantes; • lentidão dos movimentos; • rigidez muscular e a bradicinesia, que é a lentidão dos movimentos, devido à dificuldade em realizá-los; • desequilíbrio, gerado a chamada instabilidade postural; • alteração na fala; • alteração na escrita, devido as dificuldades nos movimentos de coordenação fina, por conta dos tremores; • perda de movimentos como piscar e/ou expressões faciais. Portanto, em relação aos sintomas, quando existir um tremor, bastante característico, ou seja, a presença de tremor de repouso, importante ficar atento em outros relatos do paciente. Entretanto, importante ressaltar que, além dos sintomas físicos, os pacientes podem apresentar alterações emocionais e cognitivas que são frequentemente encontradas com a progressão da doença. 89 Para compreender os sintomas e as características da Doença de Parkinson é interesse assistir e analisar o filme “Never Steady, Never Still” traduzido para o português como “Nunca firme, nunca quieto”, que trata da história de uma mãe que luta para ter o controle de sua vida, mesmo estando em um estágio avançado da doença de Parkinson. DICA 4 PARKINSON: AVALIAÇÃO E TRATAMENTO O diagnóstico do DP é de caráter clínico, assim não há um exame ou teste específico para diagnóstico, então a investigação deve ser por meio dos sintomas e sinais clínicos descritos, em conjunto com a evolução do caso, levantamento do histórico da vida do paciente, coleta de informações por meio de entrevistas com paciente e membros da família (com autorização do paciente), observação do paciente. Para compreender todas as informações levantadas, o profissional pode discutir o caso com outros profissionais da saúde, bem como utilizar os manuais de classificação de doenças como auxílio do estudo do paciente. Na Figura 14, você pode verificar uma equipe multiprofissional, pois no caso da DP é uma doença que precisa de cuidados de diferentes profissionais da saúde, principalmente no momento do tratamento. FIGURA 14 – DIFERENTES PROFISSIONAIS DA SAÚDE FONTE: . Acesso em: 28 mar. 2022. Em relação ao profissional mais habilitado para tal diagnóstico é o médico neurologista, porém psicólogos podem contribuir com avaliação psicológica e estudo da história de vida do paciente, assim outros profissionais podem contribuir com investigação de sintomas e no tratamento. Os exames, como tomografia cerebral, ressonância magnética podem ser úteis e servem apenas para avaliação de outros diagnósticos, assim contribuem com os diagnósticos diferenciais. Vale aqui destacar que, o exame de tomografia computadorizada por emissão de fóton-único tem o objetivo de quantificar a dopamina cerebral (SPECT-Scan), e o resultado pode ser bastante útil para o diagnóstico, uma vez que essa substância está bastante relacionada com a doença (DALGALARRONDO, 2018). 90 Quanto ao tratamento, para a DP existem vários tratamentos eficazes, porém não existe a cura. Os tratamentos normalmente são para diminuir a presença dos sinais e sintomas, de modo que retarda o progresso da doença, e assim também pode melhorar a qualidade de vida dos pacientes, para que esses possam exercer suas atividades do cotidiano. De tal modo, os tratamentos estão divididos em três grandes grupos, que são: tratamento farmacológico, tratamento por meio de cirurgia e tratamento não farmacológico (RIEDER et al., 2018; ORTIZ, 2010). Com relação aos tratamentos farmacológicos, a medicação Levodopa ou L-Dopa é um medicamento bastante utilizado e eficaz, pois ele ameniza os sinto- mas da doença. O efeito dessa medicação é que ela se transforma em dopamina no cérebro, e dessa maneira ela acaba suprindo, mesmo que de maneira parcial, a falta do neurotransmissor e das suas funcionalidades. Porém, as pesquisas revelam que quanto mais os pacientes usam, mais reações podem ser apresentadas, gerando rea- ções diversas, como movimentos involuntários e anormais (DALGALARRONDO, 2018; ORTIZ, 2010). A respeito das cirurgias, essas também podem ser uma forma de tratamento para alguns casos de DP. As cirurgias normalmente são realizadas quando há lesões no núcleo pálido interno (Palidotomia) ou do tálamo ventro-lateral (Talamotomia). Estes locais são responsáveis por provocar mecanismo da rigidez e tremor. A cirurgia normalmente é indicada para os pacientes que tem mais a presença desses sintomas, e a indicação é realizada pelo médico (DALGALARRONDO, 2018). E, por fim, os tratamentos não farmacológicos são aqueles que podem ser realizados com psicólogo, fisioterapia, fonoaudiólogo, terapeuta ocupacional, educador físico, entre outros. Assim, o psicólogo pode oferecer o suporte psicológico, em atendimentos individual, ou em grupo, para pessoas que compartilham da mesma situação, já o fisioterapeuta pode trabalhar a reeducação e a manutenção da educação física, pode ainda, como demonstra na Figura 15 trabalhar com os movimentos, flexibilidade articular, rigidez (ORTIZ, 2010). FIGURA 15 – FISIOTERAPEUTA E O DP FONTE: . Acesso em: 28 mar. 2022. 91 O terapeuta ocupacional “[...] é o profissional que melhor poderá orientar o paciente com o objetivo de facilitar as atividades da vida diária, bem como indicar condutas que propiciem independência para a higiene pessoal e sua reinserção em sua atividade profissional” (DALGALARRONDO, 2018, s.p.). Esse trabalho pode ser visto na Figura 16, e ainda, a o fonoaudiólogo pode trabalhar com a reabilitação da comunicação, ou até mesmo das palavras, isto em terapia voltada a estimular à fala e à voz, para que o paciente consiga ter uma fala compreensível (DALGALARRONDO, 2018). FIGURA 16 – TERAPEUTA OCUPACIONAL E A DP FONTE: . Acesso em: 28 mar. 2022. Portanto, um tratamento de maneira global inclui medicamentos, fisioterapia, fonoaudiologia, suporte psicológico, suporte nutricional, atividade física entre outros que visem melhorar a qualidade de vida do paciente, reduzindo o prejuízo funcional devido à doença, para que o paciente possa ter uma maior autonomia e uma qualidade de vida que se estenda por muitos anos (ORTIZ, 2010). 92 RESUMO DO TÓPICO 3 Neste tópico, você adquiriu certos aprendizados, como: • O envelhecimento populacional mundial vem aumentando e um dos grandes desafios é manter a qualidade de vida, porém há uma elevada prevalência de doenças crônicas degenerativas e incapacitantes como DP. • A DP é uma doença neurodegenerativa bastante comum, sendo a segunda que mais afeta as pessoas, após a Doença de Alzheimer. • A DP é caracterizada pelas alterações das funções motoras e não motoras. • Os principais sintomas da Doença de Parkinson são: tremor em repouso, rigidez, déficits no equilíbrio e na marcha, bradicinesia e redução na amplitude dos movimentos. • Não existe cura para a DP, mas existe tratamento.• Ela deve ser tratada combatendo os sintomas, e retardando o seu progresso. • Os tratamentos para DP são Levodopa ou L-Dopa, cirurgias, estimulação profunda do cérebro (marcapasso cerebral), fisioterapia, terapia ocupacional e fonoaudiologia. 93 RESUMO DO TÓPICO 3 1 A Doença de Parkinson é uma doença degenerativa, que ficou muito conhecida pelas pessoas por “Mal” de Parkinson, mas devido ao nome estigmatizar as pessoas e tratar com preconceito, com o tempo os médicos foram deixando de utilizar essa nomenclatura. A respeito dos sintomas, assinale a alternativa CORRETA: a) ( ) Lentidão dos movimentos, rigidez muscular e a bradicinesia. b) ( ) Lentidão dos movimentos, tremor e desequilíbrio mental. c) ( ) Lentidão dos movimentos, desequilíbrio psicológico e perda de memória. d) ( ) Desequilíbrio psicológico, perda de memória, tremor e rigidez. 2 Os pacientes diagnosticados com Doença de Parkinson podem apresentar diferentes sintomas e sinais na vida cotidiana, porém o mais conhecido são os tremores, pois é um sintoma clássico da doença. A respeito dos sintomas, analise as afirmativas a seguir: I- Apresenta perda de memória, podendo não lembrar de pessoas próximas. II- Pode apresentar alteração na fala, e não ser compreendido no momento da comunicação. III- Apresenta desequilíbrio postural, devido à alteração na coordenação. Assinale a alternativa CORRETA: a) ( ) As afirmativas I e II estão corretas. b) ( ) Somente a afirmativa II está correta. c) ( ) As afirmativas II e III estão corretas. d) ( ) Somente a afirmativa III está correta. 3 A Doença de Parkinson é difícil de ser diagnosticada, pois não há exames específicos para diagnosticar, uma vez que o diagnóstico é clínico, assim necessita de uma investigação, e há estratégias que podem contribuir com o médico, para que depois possa iniciar o tratamento. Leia e classifique V para as sentenças verdadeiras e F para as falsas: ( ) Há tratamento e cura para a Doença de Parkinson. ( ) Há medicamentos que podem contribuir para a Doença de Parkinson. ( ) Tratamentos com medicamentos, cirurgias, fisioterapia são recomendadas para a Doença de Parkinson. Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA: AUTOATIVIDADE 94 a) ( ) V – F – F. b) ( ) F – V – V. c) ( ) F – V – F. d) ( ) F – F – V. 4 A população mundial de pessoas idosos vem aumentando, e os cuidados com o corpo e mente também possuem aumento, em relação às décadas passadas. No entanto, os estudiosos vêm observando que a prevalência de doenças crônicas vem ocorrendo, e a Doença de Parkinson é uma delas. Disserte a respeito de como ocorre essa doença, e cite os principais sintomas. 5 Os principais sintomas da Doença de Parkinson são tremor em repouso, rigidez, déficits no equilíbrio e na marcha, bradicinesia e redução na amplitude dos movimentos, com isso os tratamentos visam minimizar os sintomas e retardar a evolução dos sintomas. Diante disso, disserte sobre tratamento de Doença de Parkinson. 95 TÓPICO 4 - OUTROS TRANSTORNOS PSICOPATOLÓGICOS DA VIDA ADULTA E VELHICE 1 INTRODUÇÃO Acadêmico, no início desta Unidade, apresentamos o manual CID-11 (definição, estrutura e organização) e o manual DSM-V (definição, estrutura e organização). No Tópico 2, abordamos a Doença de Alzheimer, enquanto no Tópico 3 estudamos sobre a Doença de Parkinson. Adiante, no Tópico 4, você aprenderá um pouco mais sobre outras psicopatologias da vida adulta e velhice. Na sociedade atual, as mudanças surgem com grande frequência, sendo que, nos últimos anos, com a pandemia, muitas mudanças ganharam forma no modo como nos relacionamos, o que impactou a saúde mental das pessoas. É comum, em conversas do cotidiano, escutarmos que alguém adoeceu psicologicamente, assim como também é comum ouvirmos ou conhecermos alguém diagnosticado com depressão. A depressão pode ser considerada um transtorno psicológico, caracterizado por uma tristeza persistente que impede o indivíduo de realizar suas atividades do cotidiano. Entretanto, mais do que entender a definição, um acompanhante terapêutico precisa compreender os períodos da vida com maior incidência de aparecimento da depressão, bem como os comportamentos relacionados a ela. Portanto, a seguir, você compreenderá como a depressão pode surgir na vida adulta e velhice, além de entender as possíveis causas e os sintomas apresentados. UNIDADE 2 2 DEPRESSÃO NA VIDA ADULTA E VELHICE O crescente envelhecimento da população é algo que vem ocorrendo no mundo todo, principalmente nos países mais desenvolvidos. Portanto, “[...] o envelhecimento humano é um processo biológico natural, e não patológico caracterizado por uma série de alterações morfofisiológicas, bioquímicas e psicológicas que acontecem no organismo ao longo da vida” (ARGIMON, 2006, p. 243). Nesse sentido, Argimon (2006, p. 243) explica que “[...] o envelhecimento populacional se deve ao avanço da promoção de saúde nas últimas décadas, na qual se obtiveram o controle das doenças infectocontagiosas e a diminuição da taxa de mortalidade infantil e da taxa de natalidade”. 96 O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) destaca que, em 2012 a população com 60 anos de idade ou mais era de 25,4 milhões, em 2017 cresceu para 30,2 milhões, assim em cinco anos teve um aumento de 18% desse grupo etário, que tem se tornado cada vez mais representativo no Brasil (PARADELLA, 2018). Assim, até 2030 é previsto que ocorra uma mudança bastante considerável no aumento da população idoso no Brasil, e assim os brasileiros com 60 anos ou mais irão ultrapassar o número de crianças de 0 a 14 anos de idades, porém, com esse avanço, será maior o número de indivíduos com depressão. Argimon (2006) coloca que, uma vez a população idosa aumentando faz-se necessário os profissionais da saúde compreenderem as necessidades dessa faixa etária. Assim, o mesmo autor destaca que, em relação à: [...] área cognitiva, o declínio cognitivo ocorre como um aspecto normal do envelhecimento. A natureza exata destas mudanças, no entanto, não é uma certeza, e problemas relacionados à linha que separa este declínio de possibilidades de uma possível demência são muito tênues, principalmente por não haver ainda uma referência consistente frente à demanda nesta faixa etária. (ARGIMON, 2006, p. 243). Em especial, a depressão é um transtorno psicológico, caracterizado por uma tristeza persistente, que impede que o indivíduo realize as suas atividades do cotidiano, desde a mais elaborada como trabalhar, até mesmo, pode gerar falta de vontade e desânimo para atividades menos complexas, como tomar banho, se trocar, se alimentar, interagir com as pessoas (PARADELLA, 2018; NÓBREGA et al., 2015). Da mesma forma, Stella et al. (2002, p. 92) apontam que a depressão consiste em ser uma “[...] enfermidade mental frequente no idoso, associada a elevado grau de sofrimento psíquico”. A complementar, a DSM-V (2013) relata que a depressão pode ser compreendida como um transtorno de humor, ou seja, o humor oscila de moderado a profundo, podendo ser de curta ou longa duração, então o indivíduo apresentado humor alterado, perdendo interesse e prazer na vida, reduzindo a energia. Com relação à classificação da patologia no manual, a Classificação Internacional das Doenças – CID 10, a depressão está organizada na categoria F, especificamente na F32, sendo: F32 Episódio depressivo, organizada F32.0 Episódio depressivo leve, .00 Sem sintomas somáticos, .01 Com sintomas somáticos, F32.1 Episódio depressivo moderado, .10 Sem sintomas somáticos, .11 Com sintomas somáticos, F32.2 Episódio depressivo grave sem sintomas psicóticos, F32.3 Episódio depressivo grave com sintomas psicóticos, F32.8 Outros episódios depressivos, F32.9 Episódio depressivo, não especificado. Segundo Paradella (2018), os sintomas clássicos da depressão estão relacionados há três grandes aspectos, sendo: afeto, cognição e somáticos. O primeiro, afeto, está relacionadoaos sintomas e comportamentos correspondente a choro, tristeza, apatia. 97 O segundo, cognição, está relacionada a comportamentos voltados para desesperança, culpa, e até mesmo sentimento de inutilidade, ideias de morte. O terceiro, somáticos, está relacionada a falta de energia, dores, sono e diminuição da libido. Pearson e Brown (2000) destacam que em pacientes idosos, a depressão costuma ser acompanhada por queixas somáticas, hipocondria, baixa autoestima, sentimentos de inutilidade, humor disfórico, tendência autodepreciativa, alteração do sono e do apetite, ideação paranoide e pensamento recorrente de suicídio. Todavia, quando esses sintomas são observados no processo de envelhecimento, isto pode dificultar o entendimento, uma vez que no envelhecimento ocorrem alterações como as descritas na depressão, como alteração da cognição, em especial, memória, concentração, atenção (PARADELLA, 2018; MARTINS, 2008). Para compreender os sintomas de depressão no paciente idoso e diferenciar de sintomas e comportamentos que podem aparecer no processo de envelhecimento existe como realizar o diagnóstico clínico, baseado em anamnese e entrevistas, para investigar história de vida, rotina, sintomas, episódios depressivos anteriores, uso de medicamentos, situações e vivência de luto. Segundo Martins (2008) ao se abordar sobre depressão no idoso, torna-se relevante um diagnóstico diferencial, devido aos sintomas e comportamentos apresentados na depressão que também são de outras patologias. Dessa maneira, Stella et al. (2002, p. 92) apontam que: [...] as causas de depressão no idoso configuram-se dentro de um conjunto amplo de componentes onde atuam fatores genéticos, eventos vitais, como luto e abandono, e doenças incapacitantes, entre outros. Cabe ressaltar que a depressão no idoso frequentemente surge em um contexto de perda da qualidade de vida associada ao isolamento social e ao surgimento de doenças clínicas graves. A complementar, conforme Paradella (2018), existem alguns fatores que são considerados de risco para depressão, como idade avançada, doenças crônicas, ansiedade, falta de vínculos, convivência em grupos sociais, falta de suporte social, viuvez, falta de atividade social. Assim, Martins (2008, p. 119) relata que “[...] é nas idades avançadas que ela atinge os mais elevados índices de morbilidade e mortalidade, na medida em que assume formas incaracterísticas, muitas vezes difíceis de diagnosticar e, consequentemente, de tratar”. A depressão é uma condição clínica, profissionais da saúde que trabalham com idosos devem sempre ficar atentos aos comportamentos apresentados, pois muitos fazem parte do processo de envelhecimento, mas também podem ser indicativos de depressão, por isso é importante sempre avaliar, bem como é importante a atenção dos membros familiares ou de pessoas próximas aos idosos. 98 Na velhice é necessário estar atento às mudanças de comportamento, pois muitos dos comportamentos do processo de envelhecimento acabam se confundindo com os sintomas de depressão. IMPORTANTE 2.1 DEPRESSÃO: TRATAMENTO O tratamento da depressão no idoso tem o objetivo de minimizar o sofrimento psíquico, diminuir qualquer o risco grave para o paciente, com por exemplo: suicídio, como também melhorar o estado de saúde geral do paciente, e assim a sua qualidade de vida (STELLA et al., 2002). O tratamento da depressão pode ser considerado um desafio que envolve intervenção especializada. As estratégias de tratamento, envolvem psicoterapia e intervenção psicofarmacológica (STELLA et al., 2002; PARADELLA, 2018). A intervenção psicoterapêutica, com o profissional psicólogo, pode auxiliar a identificar os fatores que desencadearam o processo depressivo, assim sendo, informa- ções para a orientação dos familiares, dos cuidadores e do próprio paciente. Também podem ser informações para outros profissionais da saúde, como fisioterapeuta, educa- dor físico, terapeuta ocupacional, acompanhante terapêutico, médicos etc. As Ativida- des do tipo terapia ocupacional, como a participação do idoso em atividades artísticas também têm seu papel no tratamento do idoso deprimido (STELLA et al., 2002). O tratamento psicofarmacológico da depressão está relacionado ao uso de fármacos que possam contribuir com o tratamento, sempre prescrito por um médico. Os farmacológicos para depressão são diversos, então para receitar ao paciente idoso o médico depende de uma série de informações, e vai depender muito do perfil de tolerabilidade do paciente (STELLA et al., 2002). Assim, os farmacológicos para depressão são chamados de inibidores seletivos da recaptação de serotonina, que constituem em citalopram e sertralina. Com isso, esta categoria, existe o paroxetina e fluoxetina, bastante utilizados com idosos (STELLA et al., 2002). Ainda a respeito dos tratamentos, Lima et al. (2019, p. 5) aborda que: [...] a atividade física é um importante aliado no tratamento dos sintomas depressivos, pois diminui o estresse e o risco de ansiedade, assim como é um relevante fator de melhora na qualidade de vida, porque além de retardar sintomas depressivos, diminui o risco cardiovascular que acomete essa faixa etária, proporcionando um bem-estar físico e mental. 99 Também é importante relatar que a família é essencial no tratamento da depressão de idosos, pois a família pode acompanhar o tratamento, fornecer suporte as necessidades físicas e emocionais do idoso. Os profissionais podem realizar orientações a familiares dos idosos depressivos, de modo a informar a respeito da doença, sintomas, tratamentos, bem como assessorar e orientar frente ao tratamento. Diante do exposto, pode-se compreender que a respeito do tratamento da depressão pode ser utilizado psicoterapia, fármacos, atividade física, suporte e trabalho desenvolvido junto a família, assim esses tratamentos podem ser combinados de acordo com a necessidade de cada paciente, ou seja, de acordo com os sintomas apresentados, bem como história de vida. 3 ALTERAÇÕES PSICOLÓGICAS NA VIDA ADULTA E VELHICE Na Unidade 1, você, acadêmico, verificou algumas mudanças do corpo (físico e mental) que ocorre durante o desenvolvimento humano. Em especial, pode verificar a teoria de Erik Erikson a respeito das fases do desenvolvimento, assim pode ver de maneira detalhada as nomenclaturas e ocorrências de cada fase, compreendendo mais os aspectos psicológicos e sociais que ocorrem frente as mudanças do processo de envelhecimento. A respeito das mudanças físicas e psicológicas da fase adulta e velhice, elas iniciam por volta dos 40 anos de idade e vão até o final da vida. Sobre as mudanças físicas, elas podem ser observáveis e não observáveis, como: acuidade visual, tônus do musculo, coloração capilar, volume dos pelos, elasticidade da pele, entre tantas outras. Todas essas mudanças podem variar de indivíduo para indivíduo em termos de momento que vai ocorrer, e da qualidade de vida do indivíduo (que pode postergar o surgimento, exemplo, um indivíduo que sempre praticou esporte, pode apresentar um maior tônus muscular na velhice, do que aquele que nunca se exercitou), mas sempre há a presença dessas mudanças físicas, uma vez que isto faz parte do envelhecer. Com relação às mudanças psicológicas, elas podem estar relacionadas desde as mudanças das funções cognitivas, como a memória, a atenção, a percepção, até aquelas associadas aos grupos sociais e de convivência, papéis sociais, ambiente familiar e de trabalho. Entretanto, na Unidade 2, você acadêmico pode verificar o quanto todas essas mudanças do processo de envelhecimento podem ser fatores que desencadeiam psicopatologia, ou que, associadas a outros fatores (história de vida, genética, biológico) podem desenvolver psicopatologias. Envelhecer não é adoecer. Os sintomas de patologias geram sofrimento psíquico no indivíduo. 100 Diante disso, faz-se necessário que os profissionais da saúde exerçam sus atividades com idosos compreendam as psicopatologias,principalmente aquelas que mais afetam os idosos, como a Doença de Alzheimer, Doença de Parkinson, Depressão, mas também importante compreender as patologias físicas que mais acarretam idosos e podem aparecer como comorbidades em idosos, como hipertensão arterial, diabetes tipo 2, colesterol, osteoporose etc. Para trabalhar com idosos, independente da especialidade dentro da área da saúde é necessário compreender as mudanças dessa fase do desenvolvimento, conhecer a história de vida do paciente, bem como ter conhecimento das pessoas que convive com ele, e dos tipos de relações e interações sociais do idoso, pois tudo pode contribuir para o acompanhamento. DICA 101 RESILIÊNCIA FAMILIAR DIANTE DO DIAGNÓSTICO DA DOENÇA DE PARKINSON NA VELHICE Larissa Jorge Ferreira de Faria Priscilla Melo Ribeiro Lima Nara Liana Pereira-Silva Resumo: este artigo disserta sobre o processo de resiliência familiar diante do diagnóstico de doença de Parkinson (DP) na velhice. Tem como objetivo estudar o processo de envelhecimento com a presença de DP; analisar os conceitos de autonomia e resiliência; e discutir as mudanças na dinâmica familiar e a importância da resiliência diante da DP. Os referenciais teóricos utilizados foram o sistêmico e conceitos desenvolvidos pela Psicologia do Lifespan. O idoso, quando diagnosticado com DP, afora enfrentar as mudanças decorrentes da velhice, necessita lidar com as incapacidades decorrentes da doença. Ademais, sua família necessita de readaptação e reajustamento na organização das tarefas e cuidados diários, assim como no tocante aos papéis familiares. Ressaltamos também os conceitos de autonomia e dependência propostos por Margret Baltes. Partindo da definição de resiliência familiar de Walsh, discorremos sobre as estratégias de enfrentamento do idoso e seu sistema familiar. Foi possível refletir acerca do sofrimento do idoso com DP, os recursos dos quais ele e sua família lançam mão para enfrentar a doença e sua repercussão na dinâmica familiar. Refletimos, também, o papel da Psicologia nesse processo, notando que é um campo ainda pouco explorado. Palavras-chave: Velhice. Doença de Parkinson. Dinâmica familiar. Resiliência. O aumento da expectativa de vida da população mundial, e especificamente brasileira, tem trazido novas demandas tanto para a implementação de políticas públicas voltadas para a população idosa quanto para os profissionais de saúde e da Psicologia. Veras e Oliveira (2018, p. 1930) destacam alguns desafios para a Saúde Pública que, a nosso ver, também são desafios para a Psicologia. Podemos destacar o questionamento sobre como “manter a independência e a vida ativa com o envelhecimento”, haja vista o envelhecimento corporal e a gradativa perda da autonomia; encontrar formas de “fortalecer políticas de prevenção e promoção da saúde, especialmente aquelas voltadas para os idosos”; e construir caminhos para “manter e/ou melhorar a qualidade de vida com o envelhecimento”. LEITURA COMPLEMENTAR 102 Com a etapa da velhice cada vez mais extensa, as doenças crônicas têm se tornado cada vez mais frequentes. Dentre elas, as que são próprias do processo de envelhecimento cerebral, como Mal de Alzheimer e Doença de Parkinson (DP), colocam o sistema familiar do idoso diante de um diagnóstico que traz consigo temores, mudanças e um prognóstico angustiante. No presente artigo, articularemos as mudanças próprias do envelhecimento com os desafios impostos pela DP. Em meio ao diagnóstico e à evolução da DP, tanto o idoso enfermo quanto sua família passam por várias crises e necessitam encontrar estratégias de enfrentamento – tanto para as perdas próprias do processo de envelhecimento quanto para a doença. Ao enfrentar tantas perdas, faz-se necessário uma mudança na dinâmica e nas crenças da família, assim como na vida e no papel desempenhado por cada um de seus membros a fim de dar melhor respaldo ao sistema, ao idoso com DP, e lidarem com o evento estressor de forma resiliente, fortalecendo o sistema familiar. O idoso com DP, por sua vez, é desafiado a lidar com a perda gradativa de sua independência em função da doença, além de enfrentar os conflitos característicos da velhice. Para melhor compreender esse processo, este artigo objetiva estudar o processo de envelhecimento e a fase da velhice com a presença de DP. Para tanto, analisamos os conceitos de autonomia e resiliência que nos forneceram o embasamento para compreender as perdas que o sistema familiar enfrenta. Após a análise desses conceitos, discutimos as mudanças na dinâmica familiar e a importância da resiliência diante da DP. Mudanças do processo de envelhecimento A palavra “velho” traz consigo diversos estereótipos e associações, principalmente por estar associada à ideia de morte. Em nossa sociedade contemporânea, a juventude é um ideal cultural que acaba por trazer para a velhice4 uma conotação negativa. Há uma renegação da velhice, influenciada pelo fato de o corpo velho, com as marcas dos anos, ser o oposto do corpo padrão jovem idealizado no mercado de consumo e no modelo social atual. Esse discurso hegemônico de valorização do jovem e belo constrói e leva a uma associação do corpo envelhecido e do idoso a representações de decrepitude e morte (LIMA; LIMA; COROA, 2016). O envelhecimento é um processo inevitável e inseparável da vida, no qual estão implicadas mudanças biológicas, físicas e psicológicas. Messy (1999), psiquiatra e psicanalista francês pioneiro do estudo da psicanálise da velhice e das demências, ressalta as diferenças entre a velhice e o processo de envelhecimento. Messy afirma que o envelhecimento, como processo, é o “tempo da idade que avança” (p. 23). Velhice, no entanto, remete a uma fase específica da vida, a qual não se sabe precisar quando se inicia, variando de indivíduo para indivíduo. Ela surge por ocasião de uma ruptura brutal de equilíbrio entre as perdas e as aquisições da pessoa, tanto biológicas quanto sociais e cognitivas (BALTES; BALTES, 1990; MESSY, 1999). A entrada na velhice está, 103 também, ligada à percepção do próprio corpo, uma vez que o corpo reflete tanto a forma como o indivíduo se vê como a maneira que ele se apresenta ao mundo. A imagem corporal compõe a identidade do sujeito e sofre modificações em todas as fases da vida (LIMA; VIANA, 2015). Todavia, é na velhice que sua mudança é vivenciada como mais angustiante, seja por aproximar o sujeito da morte, seja por ser socialmente desvalorizada e evitada. Conforme Debert (2012), houve, ao longo da história do mundo ocidental, uma mudança na percepção do desenvolvimento e do envelhecimento durante a vida. A idade torna-se cada vez mais irrelevante para os ritos de passagem de cada etapa, como casamento, maternidade/paternidade. Com isso, o mercado de consumo tem como núcleo o enaltecimento da juventude. Instala- se a possibilidade para o sujeito ser um “jovem jovem”, como também ser um “velho jovem”. Nesse imaginário social, o processo de envelhecimento e a própria fase da velhice são percebidos como algo negativo, caracterizados apenas pelos desgastes, limitações, perdas físicas e de papéis sociais. Uma das perdas mais significantes é a do trabalho, ligada ao papel social do indivíduo. [...] Segundo Goldfarb (2006), a aposentadoria representa a saída do mundo do trabalho e a marginalização do sujeito. Em um mundo que valoriza o trabalho e o que se faz na vida, uma pessoa fora do mercado de trabalho e da cadeia de produção pode ser vista como sem utilidade pelo mero fato de não produzir mais. O indivíduo perde, assim, o papel social que costumava exercer, a partir do qual construiu uma identidade, além de perder seu status e uma rede social existente (LIMA; VIANA, 2015). É notória a dificuldade para investir em novos papéis sociais e manter o engajamento social nessa etapa do desenvolvimento, como observaram Pinto e Neri (2017) e Veiga, Ferreira e Cordeiro (2016). Velhice, perdas e dependência Navelhice, o indivíduo enfrenta diversas perdas, além da saída do trabalho, que desencadeiam a perda de um papel social delimitado, como a do papel e status de chefe da família, de pessoas próximas e da vitalidade de seu próprio corpo. Concomitantemente, segundo Cunha (2013), o processo de envelhecimento tem uma base celular e uma base ambiental. Essas bases dizem respeito aos genes envolvidos em processos de reparação, manutenção e reaproveitamento de componentes celulares, e também aos fatores ambientais mais influentes, como a dieta e a atividade física. Apesar de ainda não se conhecer os detalhes e minúcias do processo biológico de envelhecimento, sabe-se que há um retardamento e comprometimento de diversos sistemas fisiológicos e cognitivos, em especial do sistema nervoso, que gera uma paulatina dependência conforme o processo de envelhecimento avança. Pensando a dependência, Torres, Sé e Queroz (2006) distinguem três tipos que vão, aos poucos, se instalando na velhice: a cognitiva, a física, e a comportamental. 104 A dependência cognitiva relaciona-se à perda de autonomia, ou seja, quando o idoso necessita de alguém para ajudá-lo a compreender o mundo ao seu redor. A dependência física apresenta-se quando há incapacidade de realização de atividades de vida diárias (AVDs) sem ajuda, como arrumar a casa, fazer compras, preparar refeições, entre outros. Já a dependência comportamental relaciona-se ao desamparo aprendido, no qual o idoso tem baixa responsividade acreditando não ser apto para realizar determinada tarefa. Ainda sobre a dependência, Baltes (1996), em estudo acerca das várias expressões da dependência na velhice, afirma que ela: a) é multifacetada, podendo ser estrutural, emocional, cognitiva, real ou pseudodependência; b) é multifuncional devido ao fato de ela ser necessária em alguns momentos, como nos primeiros anos de vida, quando dá respaldo à construção de um alto nível de saúde mais à frente no desenvolvimento; c) está presente em todos os estágios da vida, podendo representar a transição entre as fases do desenvolvimento ou estar associada ao contexto socioambiental do indivíduo (dependência aprendida). Esse último caso se assemelha à terceira dependência tratada por Torres, Sé e Queroz (2006). Tendo em vista essas características, percebe-se que a dependência do idoso pode aumentar quando há a presença de uma doença crônica e alterar a dinâmica de toda a família. Cabe salientar que a dependência pode existir concomitantemente à presença de autonomia. Enquanto o binômio dependência/independência está ligado à capacidade do sujeito em desempenhar suas tarefas diárias, a autonomia é compreendida como a liberdade e capacidade para agir e tomar decisões cotidianas no tocante à própria vida (BALTES, 1996; FERREIRA et al., 2012). Baltes (1996) afirma que autonomia é um fator importante na velhice, dando ao idoso o poder de escolher as estratégias de enfrentamento que melhor lhe for conveniente. Portanto, dependência não interfere no juízo de valor ou na capacidade de tomar decisões, logo não significa perda de autonomia. Além disso, é importante que se leve em consideração os diversos tipos de dependência, desde a oriunda de deficiência sensorial, de doença física, até a decorrente de alguma doença crônica (BALTES, 1996). Outra perda destacada na velhice diz respeito ao corpo. A representação mental do corpo altera ao longo da vida, porém, com o envelhecimento, o indivíduo despede-se do corpo jovem e ágil. Ele percebe que seu corpo caminha cada vez mais para longe do modelo ideal de corpo da sociedade. Segundo Lima (2013), a percepção das mudanças corporais acarreta a perda dos processos de identificação. “O corpo conhecido, com o qual o sujeito adulto conviveu desde a adolescência transforma-se em um outro corpo, diferente, mas estranhamente familiar” (Lima, 2013, p. 143). Há uma discrepância entre a imagem do corpo refletida no espelho e a percebida internamente. Desse modo, inicia- se o processo de desidealização da autoimagem internalizada. Lima e Viana (2015) e Novo (2003) ressaltam a importância de uma construção de novos ideais e valores durante a transição para a velhice. Para Wolf (1997, citado por Novo, 2003), a crise de desidealização vem logo após a desilusão no contexto das relações interpessoais 105 significativas. No envelhecimento, essa desilusão pode ser representada pela perda do vigor físico e também pela morte de coetâneos. Retomando a discrepância presente no idoso, o indivíduo velho tem a tarefa de lidar com perdas progressivas da função mental e física, e submetê-las a um processo de elaboração interna que pode abalar sua autoestima e seu sentimento de competência pessoal [...]. Somado a todas essas perdas e necessidade de elaboração interna, o idoso e sua família enfrentam, muitas vezes, o estabelecimento de uma doença crônica. [...] A família na etapa tardia e a Doença de Parkinson A entrada do sujeito na velhice acarreta, além do envelhecimento corporal e da saída do mercado de trabalho, mudanças sociais significativas na dinâmica e organização familiar. Com a saída definitiva dos filhos de casa, ocorre um esvaziamento do lugar de chefe da família – tanto para o homem como para a mulher, afirmam McGoldrick e Shibusawa (2016) e Walsh (1995). Essa etapa do ciclo de vida familiar é denominada de estágio TARDIO (CARTER; MCGOLDRICK, 1995; MCGOLDRICK; SHIBUSAWA, 2016). As relações familiares, então, se transformam. O “ninho vazio” e o consequente arrefecimento na intensidade das relações com os filhos acarretam a necessidade de elaboração de uma nova forma de se perceber nesse contexto. Deixar de ser o foco central da dinâmica familiar e ceder esse lugar aos filhos nem sempre é fácil. Walsh (2016) ressalta que o surgimento de doenças incapacitantes e doenças crônicas, somada à consequente perda da independência e à mudança nas relações com os filhos – que passam a ser os cuidadores e detentores de poder de decisão –, impõe um sofrimento significativo aos membros familiares. Ser cuidado e depender dos filhos após ter sustentado o papel e lugar de cuidador e provedor é, quase sempre, fonte de sofrimento. [...] FONTE: . Acesso em: 30 jan. 2022. 106 RESUMO DO TÓPICO 4 Neste tópico, você adquiriu certos aprendizados, como: • A depressão é um transtorno psicológico que causa tristeza persistente e impede a realização das tarefas diárias. • Dependendo da intensidade dos sintomas a depressão pode ser dividida em leve, moderada ou grave. • Pode surgir em qualquer idade, desde crianças até adultos e idosos. • A depressão pode se apresentar de maneira leve, moderada ou grave. • A depressão tem o tratamento, e nesse pode incluir psicoterapia, medicamentos, entre outros cuidados. • O indivíduo com depressão pode receber tratamento de diferentes profissionais da saúde. 107 RESUMO DO TÓPICO 4 1 Qual patologia é caracterizada por uma tristeza persistente, que impede que o indivíduo realize as suas atividades do cotidiano, apresentando mudanças de humor, e mudanças de comportamento? a) ( ) Depressão b) ( ) Doença de Parkinson c) ( ) Alzheimer d) ( ) Transtorno de humor 2 Os pacientes diagnosticados com depressão podem apresentar diferentes sintomas e sinais na vida cotidiana, porém o mais conhecido é a tristeza profunda e/ou persistente, pois é um sintoma considerado clássico no diagnóstico da doença. A respeito dos sintomas, analise as afirmativas a seguir: I- Apresenta perda de memória, podendo não lembrar de pessoas próximas. II- Pode apresentar alteração no humor. III- Apresenta desinteresse nas atividades que antes era prazerosa. Assinale a alternativa CORRETA: a) ( ) As afirmativas I e II estão corretas. b) ( ) Somente a afirmativa II está correta. c) ( ) As afirmativas II e III estão corretas. d) ( ) Somente a afirmativa III está correta. 3 A depressão que é caracterizadaprincipalmente pela tristeza persistente, é uma doença difícil de ser diagnosticada em idosos, pois muitos dos comportamentos do processo de envelhecimento são características do quadro de depressão. Com base nisso, classifique V para as sentenças verdadeiras e F para as falsas: ( ) Há tratamento e cura para a depressão. ( ) Há medicamentos que podem contribuir para a depressão. ( ) Tratamentos com medicamentos e cirurgias para depressão. Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA: a) ( ) V – F – F. b) ( ) F – V – V. c) ( ) F – V – F. d) ( ) F – F – V. AUTOATIVIDADE 108 4 A população mundial de pessoas idosos vem aumentando, e os cuidados com o corpo e mente também vem aumentando, porém muito se observa de diagnóstico de depressão em idosos. Há décadas não se estudava a população idosa em relação a construtos tão importante como depressão. Disserte a respeito de depressão em idosos, e cite os principais riscos. 5 A depressão já foi bastante investigada, assim atualmente sabe a respeito dos sintomas, avaliação e os tratamentos para essa patologia. Assim, entende-se que, os sintomas de depressão podem ser agrupados em três grandes aspectos, sendo: afetivo, cognitivo e somáticos. Diante disso, disserte sobre tratamento de Doença de Parkinson. 109 REFERÊNCIAS ALMEIDA, O. P. Biologia molecular da doença de Alzheimer: uma luz no fim do túnel? 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Esta unidade está dividida em três tópicos. No decorrer dela, você encontrará autoatividades com o objetivo de reforçar o conteúdo apresentado. TÓPICO 1 – AVALIAÇÃO PSICOLÓGICA E INTERVENÇÃO TÓPICO 2 – AVALIAÇÃO PSICOLÓGICA: INSTRUMENTOS E TÉCNICAS TÓPICO 3 – AVALIAÇÃO PSICOLÓGICA E A NECESSIDADE DE OUTROS TIPOS DE AVALIAÇÃO Preparado para ampliar seus conhecimentos? Respire e vamos em frente! Procure um ambiente que facilite a concentração, assim absorverá melhor as informações. CHAMADA 114 CONFIRA A TRILHA DA UNIDADE 3! Acesse o QR Code abaixo: 115 TÓPICO 1 — AVALIAÇÃO PSICOLÓGICA E INTERVENÇÃO UNIDADE 3 1 INTRODUÇÃO A Avaliação Psicológica é uma metodologia de avaliação do psicólogo. Ela faz uso de um conjunto de ferramentas testadas previamente que possibilitam ao psicólogo realizar a caracterização de diferentes elementos do indivíduo por meio da observação de seu comportamento em ocasiões padronizadas e pré-definidas. Assim brevemente definido, é perceptível a importância de seuuso na prática profissional de um psicólogo e pode servir de auxílio e instrumentalização no fazer do acompanhante terapêutico. Desta forma, acadêmico, no Tópico 1, abordaremos a conceitualização da avaliação psicológica, a importância dela para a realização do diagnóstico, o uso específico desta ferramenta para o público adulto e idoso, a ética que a conduz e os seus modos de intervenção. 2 AVALIAÇÃO PSICOLÓGICA E O DIAGNÓSTICO A Avaliação Psicológica corresponde a uma forma de acessar e compreender fenômenos e eventos psicológicos através de mecanismos de diagnóstico e prognós- tico e, em paralelo, aos mecanismos de verificação para produzir as circunstâncias necessárias de avaliação ou delimitação dos fenômenos e eventos psicológicos co- nhecidos (ALCHIERI; BANDEIRA, 2002). A Avaliação Psicológica é compreendida como o procedimento técnico-científico de aquisição de dados, investigação e análise de informações referentes aos processos psicológicos, que advém do efeito da relação do sujeito com a sociedade, empregando, para isso, procedimentos psicológicos – métodos, técnicas e instrumentos (CFP, 2003). É possível afirmar também que a Avaliação Psicológica dispõe de uma dinâmica de funcionamento ajustável e não padronizado, que se propõe a amarrar uma conclusão sobre o motivo pelo qual a avaliação psicológica foi requerida por meio de coleta, avaliação e análise de dados condizentes com aquilo que se quer avaliar (URBINA, 2007). A Avaliação Psicológica já se constitui em uma prática tão entranhada à prática da Psicóloga que é, algumas vezes, é tomada como uma atividade simples de ser trabalhada, portanto, pode ser manuseada por qualquer um. No entanto, solidificar um conhecimento sobre essa ferramenta, que é de aplicação restrita do psicólogo, não é tão elementar assim e muito menos de conhecimento subentendido de todos aqueles que irão manusear a avaliação psicológica de alguma maneira. 116 A Avaliação Psicológica é considerada, por especialistas que operam, estudam e investigam essa ferramenta, como a base da atividade do profissional de psicologia, posto que a criação de práticas de intervenção em psicologia seja em qualquer área desse saber e funciona como norte para a prática daqueles que trabalham em saúde, pois passa pelo domínio dos fenômenos e eventos psicológicos relativos àquele objeto que se pretende trabalhar (seja o funcionamento do comportamento em psicoterapia ou o funcionamento dos mecanismos inconscientes do sujeito). IMPORTANTE Desta maneira, a Avaliação Psicológica pode ser postulada como a natureza da prática da Psicóloga. Entretanto, essa compreensão, em muitos momentos, não é aquela que norteia o trabalho de muitos profissionais da categoria, posto que estes ainda atrelam a prática da Avaliação Psicológica ao emprego singular dos testes psicológicos. Uma perspectiva ainda reducionista da utilização da Avaliação Psicológica como ferramenta. De acordo com Cunha (2000), as origens da Avaliação Psicológica, que atualmente corresponde a uma das possíveis atividades exercidas pelos psicólogos, remontam de um período que foi definido como a instauração da utilização de testes psicológicos. Tendo em vista esta confluência histórica, assim, explica-se a perspectiva que se formulou do psicólogo, como um profissional que utiliza testes, visto que especificamente testólogo é o que ele era, na primeira metade do século XX. No entanto, essa perspectiva não pode mais ser considerada, principalmente entre os profissionais da psicologia, que em sua formação aprendem e têm acesso a avaliação psicológica de maneira mais aprofundada. Assim, em sua graduação psicólogos aprendem a relevância desta ferramenta e conseguem desmistificar algumas perspectivas que foram construídas ao longo do tempo (CUNHA, 2000). Ainda falando da importância da avaliação psicológica, ao longo de sua constituição histórica foi possível perceber o quanto essa ferramenta foi crucial para a inclusão da psicologia e do psicólogo em diferentes cenários de atuação. Tendo essa perspectiva em conta, tem-se a dimensão da importância de estar constantemente aprimorando essa ferramenta, para que ela possa assegurar a qualidade do seu trabalho e prestação de serviços à população, bem como dá destaque ao aspecto científico que está posto no seu fazer, que leva em consideração as suas dimensões éticas e técnicas (CUNHA, 2000). 117 A credibilidade da apuração e conclusões em um processo de avaliação está atrelado à necessidade de embasamento teórico/técnico qualificado, que dê suporte as análises de acordo com a hipótese do determinismo psíquico do avaliado. A bagagem prática do psicólogo, a aposta de que as informações analisadas serem advindas da qualificação técnica deste profissional que é capaz de aglutinar a sua análise clínica do evento psíquico ao dado fornecido, são requisitos básicos para assegurar a credibilidade das conclusões que serão investigadas a partir da consistência teórica do profissional (CUNHA, 2000). Embora exista a crença na facilidade de como um fenômeno psicológico ou uma estrutura de funcionamento do sujeito apareça para um psicólogo, a dinâmica não é bem assim. De acordo com Lins e Borsa (2017), os eventos psíquicos não se constituem como uma realidade intuída, ou seja, que se oferece instantaneamente à percepção, mas sim como realidade instruída, isto é, vem vinculada a partir de um protótipo que, como uma “rede”, é empregada pelo profissional sobre os eventos (circunstâncias onde acontecem os fenômenos), de modo a ter a capacidade de propor alguma coerência, ou promessa de sentido sobre a realidade psicológica humana. Existem três propósitos essenciais para avaliação psicológica: diagnóstico, avaliação de tratamento e meio de comunicação (STENZEL et al., 2012). Com a finalidade de diagnóstico, esta avaliação possibilita esclarecer dinâmicas e funcionamento mentais que se exprimem em comportamentos e ações que, a maior parte das vezes, a pessoa não tem alcance conscientemente, não sendo capaz, assim, de expressar. Com o objetivo de avaliação de tratamento, as respostas padronizadas viabilizam que se saiba o básico acerca da evolução no tratamento, bem como o progresso da doença. Como instrumento de comunicação, diz respeito tanto ao paciente, que, em alguns momentos, não está apto a expressar suas dores e sofrimento; quanto à equipe multidisciplinar, pois facilita a coleta dos dados pelos instrumentos utilizados, somados ao conhecimento da história de vida pregressa e atual do sujeito. Sendo assim, quais são os atributos primordiais a serem levados em considera- ção em uma Avaliação Psicológica? QUADRO 1 – O QUE É A AVALIAÇÃO DIAGNÓSTICA FONTE: Adaptado de CFP (2005) 118 Testes psicológicos e avaliações psicológicas não são a mesma coisa. Os testes fazem parte do processo de avaliação psicológica. Avaliar vai muito além de aplicar testes. Avaliar é um procedimento dinâmico. ATENÇÃO Para o cumprimento de uma boa avaliação psicológica é preciso seguir algumas etapas, tais como: • distinguir o propósito da avaliação da forma mais precisa e objetiva possível; • escolher os instrumentos a serem utilizadas de modo condizente ao que o caso demanda; • empregar de modo atencioso os instrumentos escolhidos; • realizar a correção dos instrumentos de modo atencioso; • realizar com atenção a interpretação das respostas; • estudar atenciosamente os dados coletados; • compor o relatório verbal ou escrito do resultado da avaliação. 3 AVALIAÇÃO PSICOLÓGICA PARA USO EM ADULTOS E IDOSOS A Avaliação Psicológica vem se constituindo, ao longo dos anos, como uma prática importante para a elaboração diagnóstica, mas ainda é bastante complexa. A avaliação não se compõe somente de aplicação de testes psicológicos ou entrevista, mas exige a compreensão das técnicas, as dinâmicas relacionais, éticas, legais, profissionais e sociais envolvidas neste trabalho. Quando se entende que é importante levar134 4 O PAPEL DA FAMÍLIA NO DIAGNÓSTICO E INTERVENÇÃO COM ADULTOS E IDOSOS ................................................................................... 135 4.1 INSTRUMENTOS PSICOLÓGICOS E A DINÂMICA FAMILIAR .................................. 135 RESUMO DO TÓPICO 2 ........................................................................................138 AUTOATIVIDADE ................................................................................................. 139 TÓPICO 3 - AVALIAÇÃO PSICOLÓGICA E A NECESSIDADE DE OUTROS TIPOS DE AVALIAÇÃO .................................................................... 141 1 INTRODUÇÃO .................................................................................................... 141 2 TRABALHO EM EQUIPE MULTIPROFISSIONAL .............................................. 141 3 AVALIAÇÃO NEUROLÓGICA E AVALIAÇÃO PSIQUIÁTRICA ..........................143 4 ÉTICA DO PSICÓLOGO E O TRABALHO EM EQUIPE MULTIPROFISSIONAL ........................................................................................146 4.1 A ESPECIFICIDADE DO TRABALHO DO ACOMPANHANTE TERAPÊUTICO ........... 146 LEITURA COMPLEMENTAR ................................................................................148 RESUMO DO TÓPICO 3 .........................................................................................151 AUTOATIVIDADE ................................................................................................. 152 REFERÊNCIAS .....................................................................................................154 1 UNIDADE 1 - COMPREENDENDO PSICOPATOLOGIAS E O DESENVOLVIMENTO HUMANO OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM PLANO DE ESTUDOS A partir do estudo desta unidade, você deverá ser capaz de: • compreender o desenvolvimento humano, especialmente o ciclo vida no período da vida adulta e velhice; • compreender conceitos mais básicos e fundamentais de psicopatologia; • compreender a relação do desenvolvimento humano com psicopatologia, em especial vida adulta e velhice; • demonstrar os transtornos psicopatológicos dos dois períodos da vida já mencionados. Esta unidade está dividida em três tópicos. No decorrer dela, você encontrará autoatividades com o objetivo de reforçar o conteúdo apresentado. TÓPICO 1 – PSICOPATOLOGIA TÓPICO 2 – PSICOPATOLOGIA: VIDA ADULTA TÓPICO 3 – PSICOPATOLOGIA: VELHICE Preparado para ampliar seus conhecimentos? Respire e vamos em frente! Procure um ambiente que facilite a concentração, assim absorverá melhor as informações. CHAMADA 2 CONFIRA A TRILHA DA UNIDADE 1! Acesse o QR Code abaixo: 3 PSICOPATOLOGIA 1 INTRODUÇÃO Quando um acadêmico de Psicologia inicia o curso, deseja entender como ocor- rem as “doenças e transtornos mentais”, cientificamente chamados de psicopatologias. Mas, para executar uma boa prática profissional, não basta o futuro psicólogo reconhe- cer cada psicopatologia e seus sintomas, é necessário compreender a relação dela com o desenvolvimento humano. Muitas são as diferenças entre os indivíduos, homens e mulheres na fase adulta e velhice, não apenas físicas, mas psíquicas. O ser humano tem a sua complexidade, pois os aspectos cognitivos, físicos e sociais estão relacionados. Então, é necessário entender a respeito dos comportamentos humanos e suas capacidades (motora, cognitiva, emocional e social) e, consequentemente, compreender como poderá se desenvolver nesse cenário uma psicopatologia. – TÓPICO 1 - UNIDADE 1 FIGURA 1 – DESENVOLVIMENTO HUMANO FONTE: . Acesso em: 25 mar. 2022. Vale destacar que não importa o contexto em que o psicólogo exercerá sua profissão. Seja no contexto educacional, clínico (representado na Figura 2), hospitalar, organizacional, entre outros, o profissional sempre exercerá ações e intervenções diretamente com pessoas. 4 FIGURA 2 – PSICOLOGIA CLÍNICA FONTE: . Acesso em: 25 mar. 2022. Neste material, você, acadêmico, compreenderá as psicopatologias relacionadas à vida adulta e à velhice, iniciando as análises pelo desenvolvimento humano. Você estudará o desenvolvimento humano neste tópico e compreenderá melhor a relação deste com as psicopatologias, principalmente focando na vida adulta e velhice. ESTUDOS FUTUROS 2 COMPREENDENDO PSICOPATOLOGIA Antes de iniciarmos a discussão e reflexão a respeito de Psicopatologia e Patologia faz-se aqui uma advertência: para estudantes de Psicologia, é comum durante o estudo da psicopatologia e/ou patologias verem em si mesmas os sintomas ou sinais de transtornos mentais (ATKINSON et al., 2007). Isto ocorre, pois, a maioria das pessoas, em algum momento, já apresentou algum sintoma ou sinal de alguma psicopatologia, no entanto, isso não é um motivo de preocupação ou alerta. Contudo, se você acadêmico apresentar algum sintoma que persiste por um grande período, busque alguém que você possa conversar a respeito, como por exemplo um profissional de sua Faculdade ou do serviço escola de psicologia que possa contribuir com você (ATKINSON et al., 2007). Portanto, a seguir, você compreenderá a respeito da anormalidade e normalidade, de modo a entender aspectos que contribuem para a avaliação do que pode ser classificado como patológico. 5 2.1 PSICOPATOLOGIA: NORMALIDADE X ANORMALIDADE A psicopatologia, na essência da palavra, segundo Ceccarelli (2005, p. 471, grifos nossos): [...] é composta de três palavras gregas: ‘psychê’, que produziu ‘psique’, ‘psiquismo’, ‘psíquico’, ‘alma’; ‘pathos’, que resultou em ‘paixão’, ‘excesso’, ‘passagem’, ‘passividade’, ‘sofrimento’, ‘assujeitamento’, ‘patológico’ e ‘logos’, que resultou em ‘lógica’, ‘discurso’, ‘narrativa’, ‘conhecimento’. [...] [Assim,] psicopatologia seria, então, um discurso, um saber, (logos) sobre a paixão, (pathos) da mente, da alma (psique). Ou seja, um discurso representativo a respeito do pathos psíquico; um discurso sobre o sofrimento psíquico; sobre o padecer psíquico. Ainda conforme Ceccarelli (2005, p. 471, grifos nossos): [...] a psychê é alada; mas a direção que ela toma lhe é dada pelo pathos, pelas paixões. Médico é aquele – diz Platão no Banquete – que está sempre atento ao pathos, às paixões, pois as doenças apresentam-se como um excesso de paixões. Como tal, cuida de Eros doente. Doente pelo excesso (pelo excesso pulsional). Mas, para compreender para além do significado e sentido, o primeiro aspecto a ser pensado muitas vezes está relacionado com uma pergunta central nessa discussão e reflexão a respeito das psicopatologias, sendo: “o que é um comportamento patológico?” Esta é uma pergunta feita por muitos estudantes de Psicologia, muito discutida por profissionais já formados e que, muitas vezes, precisam discutir os casos de seus pacientes. Vale aqui compreender o que é “anormal” e “normal”, e existe uma explicação para isso? Nesse sentido, “anormal” significa “fora da norma”, e muitas características relacionadas ao ser humano abrangem uma faixa de valores quando medidas em um grupo da população ou população inteira, por exemplo: altura, peso, inteligência (ATKINSON et al., 2007). Dessa mesma maneira, existe uma definição de anormalidade, sendo assim baseado numa frequência estatística, então o comportamento “anormal” é aquele que estatisticamente se desvia da norma. Mas, se for verificado e avaliado aquilo que sai da norma, nem sempre representa uma anormalidade, por exemplo: ao avaliar uma pessoa que é feliz, e ela for muito feliz, isto também será um indicativo de fora da norma, sendo assim anormalidade, mas não quer dizer uma patologia (ATKINSON et al., 2007). Assim, este é um exemplo do quanto é necessário ficar atento com aquilo que aparentemente é fora da norma estatisticamente, e compreender outros componentes e características que podem ajudar a compreender a respeito da anormalidade e normalidade. Para essa discussão e reflexão, vale mencionar aqui outros aspectos, como: desvios das normastodos esses aspectos em consideração, tem-se a consciência da atenção e cuidado que se precisa no momento da avaliação, visto que é condição necessária o respeito à vida daquele sujeito que procura o profissional para realizar uma avaliação psicológica que pode mudar o direcionamento de sua vida, posto que pode produzir ao final um resultado ou diagnóstico clínico. Avaliar não pode ser superficial, nem veloz e nem banal. Por esta razão, relativo ao aspecto técnico, é preciso que se tenha um conhecimento aprofundado das técnicas que serão utilizadas, bem como capacidade crítica para questionar os instrumentos que usa (sejam eles testem psicológicos, dinâmicas, entrevista entre outros). É primordial que o profissional domine a junção das informações coletadas, que realize análises atenciosas destas informações, formule hipóteses a partir deles, posto que estas dimensões são integrantes de toda avaliação psicológica. 119 Desta forma, é interessante, para fazer um bom trabalho de avaliação, que o psicólogo possa complementar a sua graduação com cursos de atualização e experimentação específica da avaliação psicológica. Além de considerar o domínio da técnica é fundamental entender o aspecto relacional, pois este traz elementos cruciais sobre os mecanismos transferenciais e contra-transferenciais que sempre aparecerão em uma situação de avaliação, ou seja, sobre a relação do psicólogo com a pessoa que está sendo avaliada. Sem um enten- dimento prévio neste quesito, o profissional pode não captar manipulações notórias, formas de sedução como amabilidade e resistências por parte do avaliado. O aprimora- mento da percepção seja sobre si mesmo ou do avaliado requer uma prática contínua de autopercepção e autocrítica que, em diferentes momentos, pode ser auxiliado por um procedimento de encaminhamento para a psicoterapia por parte do profissional. O atendimento na Avaliação Psicológica se constitui, essencialmente, em uma relação humana em que o profissional, ao dispor de seu arsenal teórico, seus sentimentos, suas observações, percepções, perspectivas e análises não pode se furtar de um certo distanciamento com relação à pessoa avaliada. O requisito do distanciamento possibilita a manifestação do saber de um e o saber do outro, entendendo em paralelo que existe o limite de um e o limite de outro. Sendo assim, é possível apostar que os fatores que circundam a questão relacional na avaliação psicológica podem ser entendidos como tendo um efeito terapêutico, visto que este efeito ocorre justamente da possibilidade de criação de um vínculo sólido entre psicólogo e o sujeito avaliado. Desse modo, é fundamental ressaltar o emprego da imparcialidade, do distanciamento e do não julgamento moral. Essa posição diante do outro que se está atendendo se constitui como um exercício diário, que não é simples, ao passo que é crucial para a estruturação do processo da avaliação psicológica. Outro aspecto a ser considerado é a ética que necessita sempre guiar qualquer prática. Faz parte do trabalho do profissional de saúde (seja ele qual for) o respeito ao outro, ao seu sofrimento, a aposta de produzir a menor falha possível com a nossa intervenção e bancar os resultados das avaliações, ainda que elas desagradem terceiros (pais, chefes e outros). Deste modo, a avaliação psicológica nunca pode ser corriqueira, nunca é neutra com relação aos efeitos que as práticas irresponsáveis podem acarretar ao avaliado e para a imagem da classe dos psicólogos. Seja trabalhando em uma instituição ou de modo privado, o profissional precisa agir com cuidado ao aplicar e corrigir testes e a forma de transmitir seus resultados. 120 3.1 A ESPECIFICIDADE DO TRABALHO DE AVALIAÇÃO PSICOLÓGICA COM ADULTOS E IDOSOS Quando tratamos da Avaliação Psicológica pensando no público adulto e idoso precisamos estabelecer uma configuração cuidadosa e pensar em uma organização adequada ao objetivo/ pedido. O adulto apenas passará pela avaliação após as explicações necessárias das etapas e os objetivos que compõem a avaliação psicológica e a partir do entendimento advir o seu consentimento e cooperação com a realização. O procedimento da Avaliação Psicológica é composto por um quantitativo de atendimentos mutável, mas delimitado a um número que varia de seis a oito, em grande parte dos casos, nas quais é efetuada a entrevista clínica e são empregados testes e pro- vas psicológicas, com o propósito final de compor um relatório de avaliação psicológica. As Avaliações Psicológicas podem ser destinadas para os seguintes objetivos: • avaliação das funções e características cognitivas; • avaliação da personalidade e do funcionamento psicológico; • avaliação diagnóstica (transtorno de ansiedade, transtorno depressivo ou outra); • avaliação de competências de atenção e mnésicas; • perícias de personalidade em contexto médico legal. Fases do Processo de Avaliação Psicológica: • entrevista clínica (uma a duas sessões): é composto de uma conversa para coleta de dados sobre o objetivo/pedido da avaliação psicológica, as informações signifi- cativas da história de vida para o procedimento de avaliação (vida amorosa, familiar, profissional etc.) e conhecimento do histórico psicológico e médico se for importante; • escolha e aplicação de instrumentos (três a quatro sessões): por meio da entrevista clínica será possível selecionar os instrumentos a serem aplicados; • análise e interpretação dos resultados: é o momento em que o psicólogo avalia os resultados oferecidos pelas diferentes formas de coletas de dados (entrevista, somado a dinâmica e aos testes psicológicos, por exemplo) e constrói as conclusões compondo o relatório de avaliação psicológica. Esta etapa não necessita da presença física do adulto, e tem a duração mínima de duas semanas; • entrega do relatório (uma sessão): existe uma sessão que o psicólogo deve destinar para a entrega e devolutiva do relatório, esclarecendo as resoluções da avaliação psicológica e tirando as dúvidas que emergem. O propósito do relatório de avaliação psicológica é transmitir de modo claro, coerente e sistêmica, atendendo objetivamente ao que ele foi demandando, não pesando na linguagem técnica, diminuindo a probabilidade de compreensões errôneas. 121 4 ÉTICA EM AVALIAÇÃO PSICOLÓGICA Quando falamos sobre a ética na Avaliação Psicológica é crucial que antes possamos entender o que de fato significa o conceito de ética. Toda civilização necessita de normas de convivência humana. Por exemplo, é sabido que precisamos nos vestir para sair de casa, que matar viola as regras, que não devemos jogar lixo nas ruas etc. Estes exemplos configuram aquilo que chamamos de moral, isto é, uma reunião de normas que direcionam o comportamento dos homens na sociedade. Cada civilização cria os seus princípios morais de acordo com a sua configuração e elementos históricos. Quando tratamos da ética, estamos tratando da ciência que estimula o pensamento crítico acerca dessas regras morais, os quais estão remetidos aos ideais da ação humana. Desse modo, torna-se mais simples compreender o que se estabelece como ética profissional: são preceitos e normas morais na prática de determinada profissão. A ética profissional nos coloca diante de uma perspectiva crítica, sólida e coesa sobre os valores que guiam a nossa prática. O Código de Ética Profissional do Psicólogo nos traz uma noção de homem e de sociedade, direcionando uma determinada compreensão das relações entre os indivíduos. Estabelecem princípios e normas que precisam levar em consideração os modos de vida e seus direitos fundamentais. Os dois documentos mais relevantes que corporificam os princípios da Ética Profissional do Psicólogo e instrumentalizam a prática deste profissional são o Código de Ética e o Guia de Princípios Éticos da APA (American Psycological Association), de 1953. O presente Código de Ética Profissional do Psicólogo – o terceiro do campo PSI –, passou a vigorar no dia27 de agosto de 2005, depois da publicação da Resolução nº 10 de 2005. Seu objetivo principal é salvaguardar um modelo de conduta que consolide o reconhecimento social dos psicólogos, consonantes com os indispensáveis princípios da sociedade e para a prática desempenhada do profissional. Colocar o Código de Ética Profissional em constante avaliação crítica corresponde a estar em par com as transformações que ocorrem em nossa sociedade (CFP, 2005). O Código de Ética é uma ferramenta de produção de pensamento que levanta também a necessidade do debate acerca dos limites e pontos de encontros relacionados aos direitos individuais e coletivos (da sociedade, categoria, usuários e clientes), abarcando a multiplicidade da profissão. Direciona, desta forma, para as atribuições e obrigações do profissional para a sociedade, delimitando diretrizes para a sua formação, bem como de instrumentalizar as possíveis falhas que o profissional possa incorrer (HUTZ, 2015). As principais diretrizes da prática profissional situados no Código de Ética são: 122 • respeito, liberdade, dignidade, igualdade e integridade; • estimular o acesso à saúde e à qualidade de vida; • responsabilidade social; • atualização profissional continuada; • promover a circulação do conhecimento científico; • postura autorreflexiva e crítica. Dialogando com as mais básicas diretrizes do Código de Ética Profissional do Psicólogo organizado pelo Conselho Federal de Psicologia, a APA estipulou seis normas cruciais para a formação e prática do psicólogo. Em primeiro lugar, a importância da qualificação técnica, que significa sustentar um bom nível de rigor em seus trabalhos, entendendo os seus limites e somente acolhendo demanda para os quais está apto. Para tanto, este profissional precisa constantemente se atualizar acerca dos novos conhecimentos prevalentes em seu campo de atuação (HUTZ, 2015). É importante que o profissional seja correto, justo e atencioso em sua práxis, posto que as suas intervenções possuem efeitos na vida das pessoas. Atenção, principalmente, para não projetar suas expectativas e ideais em seus clientes/pacientes (HUTZ, 2015). O compromisso com a ciência e atuação profissional direciona o profissional a ser pautado pela sua abordagem (mas não ser irredutível a ela) e a ajudar outros colegas, profissionais de outras áreas e instituições a trilhar um posicionamento ético no local em que trabalha. Nesta direção, o profissional também precisa conferir ao cliente/ paciente o direito ao sigilo sobre aquilo que é trazido como questão dentro do espaço de atendimento (HUTZ, 2015). Para além, é preciso compreender que as pessoas têm autonomia sobre suas ações; elemento importante para considerar em suas intervenções. Outra questão trazida, mas não menos importante é a responsabilidade social do trabalho, ou seja, a promoção da democratização do conhecimento científico para a comunidade a qual está inserido e de uma forma mais ampla. O profissional de saúde precisa também ter o compromisso na elaboração de leis e políticas que autonomizem a sociedade sem que incorram em vantagens profissionais e na compreensão de que os sujeitos têm direitos. 5 INTERVENÇÃO PSICOLÓGICA COM ADULTOS E IDOSOS O movimento de compreender a pessoa que busca a avaliação psicológica se faz presente como objetivo em todo o seu percurso. De acordo com Trinca (2003), é preciso fazer uso de diferentes instrumentos que viabilizem a passagem de um desconhecimento do avaliado para um conhecimento daquilo que ele traz como demanda. Este é percurso que efetua aquele que se pauta pelo pensamento científico, o profissional de psicologia poder acessar seus processos mentais (cognitivos) – sentir, 123 observar, perceber, formular hipóteses, correlacionar e, desse modo, compreender o fenômeno psicológico e, deste modo, fazer uso da Avaliação Psicológica como um pilar importante para a intervenção posterior. Para se aprofundar mais nas possibilidades, manejos e discussão ética da Avaliação Psicológica, o Conselho Regional de Psicologia de Curitiba fez uma coletânea importante de artigos que tratam das especificidades e pesquisas da avaliação psicológica em “Avaliação Psicológica: Dimensões, Campos de Atuação e Pesquisa”. Acesse o documento em: https://bit.ly/3vcmi6g. DICA A Avaliação Psicológica, ao longo das diferentes pesquisas realizadas no de- correr da história, foi tomando uma multiplicidade de arranjos, tendo como objetivo sempre a investigação dos fenômenos psicológicos. Assim, podemos dizer que faz parte das pesquisas em Avaliação Psicológica pensar a especificidade do público ava- liado (seja ele infantil, adolescente, adulto ou idoso). 5.1 O PROCESSO DE INTERVENÇÃO PSICOLÓGICA COM ADULTOS E IDOSOS A vida adulta é tracejada por questões específicas. Existem as demandas familiares, profissionais, sexuais, físicas e sociais que circulam entre as preocupações deste público. Logo, a partir dessas exigências é comum perceber os casos de estresse, depressão, ansiedade e outros sintomas patológicos nesse momento da vida. Levando em consideração as características sociais, biológicas e psicológicas do sujeito avaliado, o profissional pode realizar uma hipótese diagnóstica a partir dos seus instrumentos de trabalho utilizados na avaliação psicológica (testes, entrevista, dinâmicas) e, dependendo do resultado, encaminhar para um tratamento psicoterapêutico, psiquiátrico, neurológico ou acompanhamento terapêutico. Assim, podemos afirmar que uma avaliação psicológica não deixa de ser uma intervenção, posto que ela parte de um processo de desconhecimento para obtenção de informações sobre si (TISSER; COIMBRA, 2019). Os pedidos para avaliação por adultos compreendem as mais diversas demandas possíveis, seja para processo seletivo de emprego, seja para conquistar a carteira nacional de habilitação, obtenção de porte de arma, perícia judicial, psicodiagnóstico, entre outros. É dever, assim, do psicólogo ter em vista a especificidade do trabalho de avaliação requerido, as singularidades do público atendido, as questões sociais e ambientais para escolher a melhor intervenção a ser realizada (TISSER; COIMBRA, 2019). 124 Com relação ao público idoso, as maiores requisições de intervenção são na direção da avaliação das dificuldades cognitivas, em particular, prejuízos na atenção/ concentração, memória, lentificação no processamento das informações, questões emocionais relacionadas ao envelhecimento, perdas, ansiedade e depressão. A avaliação destes tópicos geralmente pode ser feita em complementaridade com os familiares (entrevistas), observação clínica do idoso e aplicação de testes psicológicos (TISSER; COIMBRA, 2019). 125 RESUMO DO TÓPICO 1 Neste tópico, você adquiriu certos aprendizados, como: • Precisamos, inicialmente, conceitualizar a Avaliação Psicológica e entender as razões pelas quais ela se constitui em uma importante ferramenta de avaliação diagnóstica, assim, podemos ter acesso aos requisitos básicos para o cumprimento de uma boa avaliação psicológica. • Importa considerar a especificidade do trabalho de Avaliação Psicológica com Adultos e Idosos, seus objetivos, as fases e os instrumentos possíveis a serem utilizados no processo. • É muito importante pensar a ética profissional na execução da avaliação psicológica, posto que a ética profissional nos coloca diante de uma perspectiva crítica, sólida e coesa sobre os valores que guiam uma prática profissional em saúde. • Os instrumentos de avaliação disponíveis e os requisitos devem ser observados no momento da avaliação no processo de intervenção psicológica com adultos e idosos. 126 1 A Avaliação Psicológica é uma das ferramentas importantes de trabalho do psicólogo. Este instrumento de trabalho por vezes está envolto por algumas discordâncias dentro do campo PSI: seus críticos acreditam que ela pode se tornar excessivamente patologizante, quando foca no enquadramento de uma determinadaconcepção do que seria normal. Sobre a avaliação psicológica, assinale a alternativa CORRETA: a) ( ) A Avaliação Psicológica é uma metodologia técnico-científica de obtenção de dados, pesquisa e análise de informações referentes aos processos psicológicos da relação homem-sociedade. b) ( ) A avaliação psicológica baseada exclusivamente em testes psicológicos corresponde a um conhecimento legítimo, estabelecendo um critério de progresso do saber validado cientificamente. c) ( ) A avaliação Psicológica está instrumentalizada e tem como foco principal a realização de psicodiagnósticos que viabilizem a escolha do melhor tratamento a ser efetuado com o avaliado. d) ( ) A Avaliação Psicológica é norteada pelo Guia de Princípios Éticos da APA (American Psycological Association) e se destina tão somente a avaliação de competências humanas e seus processos. 2 A prática do psicólogo deve estar sempre permeada e ter como objetivo geral a emancipação humana, conferindo a pessoa que o procura respeito a sua dignidade, integridade e liberdade. Para tanto, esse profissional deve trabalhar a partir de alguns norteadores. Sobre a dimensão ética no trabalho de avaliação psicológica, analise as afirmativas a seguir: I- O psicólogo, ao trabalhar com a avaliação diagnóstica, precisa se pautar no Código de Ética Profissional, pois este traz os princípios e normas da profissão e leva em consideração os modos de vida e seus direitos fundamentais. II- Um dos objetivos do Código de ética é estimular o pensamento crítico de cada psicólogo sobre sua prática, de forma que este profissional possa se responsabilizar por suas decisões e resultados de sua ação. III- Para aplicar a avaliação psicológica nos sujeitos, não precisa ter tanta familiaridade com os instrumentos utilizados na avaliação, basta que o profissional de psicologia tenha realizado a graduação em psicologia. Assinale a alternativa CORRETA: a) ( ) As afirmativas I e III estão corretas. b) ( ) Somente a afirmativa II está correta. c) ( ) As afirmativas I e II estão corretas. d) ( ) Somente a afirmativa III está correta. AUTOATIVIDADE 127 3 Ao utilizar o recurso da Avaliação Psicológica com o público adulto e idoso, o psicólogo necessita traçar um caminho cuidadoso, pensar nos procedimentos que irá realizar para obtenção do resultado, mas antes precisa não só explicar todos os passos e objetivos para o analisado, como também obter seu consentimento. Sobre a especificidade do trabalho de avaliação psicológica com adultos e idosos, classifique V para as sentenças verdadeiras e F para as falsas: ( ) As Avaliações Psicológicas com idosos e adultos podem ser destinadas para um vasto campo de objetivos, alguns deles: avaliação das funções e características cognitivas, avaliação da personalidade e do funcionamento psicológico. ( ) As etapas do processo de avaliação psicológica com adultos e idosos são compostas de entrevista clínica, aplicação de testes psicológicos, elaboração de relatório final e devolutiva ao avaliado. ( ) O procedimento da Avaliação Psicológica com adultos e idosos é composto essencialmente por 8 encontros em que serão aplicados os testes psicológicos e a devolutiva destes testes. Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA: a) ( ) V - F - V. b) ( ) V - F - F. c) ( ) V - V - F. d) ( ) F - V - V. 4 Para que possamos entender o funcionamento de um processo de intervenção psicológica para adultos e idosos, precisamos ter em mente qual é a importância e a função de cada instrumento que compõe a Avaliação Psicológica. Disserte sobre o objetivo dos testes psicológicos em uma intervenção psicológica. 5 Dentro do processo de avaliação psicológica a utilização da entrevista como uma das alternativas para a coleta de dados importantes do avaliado se torna um acesso diferenciado à realidade do sujeito. Disserte sobre o objetivo da entrevista psicológica dentro do processo de avaliação psicológica. 128 129 AVALIAÇÃO PSICOLÓGICA: INSTRUMENTOS E TÉCNICAS 1 INTRODUÇÃO Quando falamos em Avaliação Psicológica, é comum que algumas pessoas identifiquem esse processo a unicamente aplicação dos testes psicológicos. No en- tanto, a avaliação psicológica é composta por alguns outros instrumentos e técnicas, além de ter as suas especificidades com relação ao público a ser avaliado (criança, adolescente, adultos). Neste tópico, iremos aproximá-lo um pouco mais dos instrumentos e técnicas que fazem parte do procedimento de Avaliação Psicológica e que ajudam a construir um bom resultado sobre a demanda do avaliado, além de tocarmos no ponto da avaliação psicossocial de adultos e idosos e a responsabilidade da participação da família na construção desse processo que visa a qualidade de vida e bem-estar do avaliado. UNIDADE 3 TÓPICO 2 - 2 OBSERVAÇÃO, ANAMNESE E ENTREVISTAS COM ADULTOS E IDOSOS Quando pensamos no processo de avaliação psicológica devemos afirmar antes que os mais importantes instrumentos de Avaliação Psicológica são compostos de: anamnese, entrevistas, observação, testes psicológicos, dinâmicas de grupo, observação lúdica, testes situacionais e outras. Essas técnicas (em conjunto, mas podendo descartar algum instrumento de acordo com a especificidade do caso) cooperam para o entendimento do atendido pela Avaliação Psicológica. Essas ferramentas se mostram cruciais para o objetivo de conhecimento do outro, lembrando que a Avaliação Psicológica exige a estruturação anterior necessária ao início do procedimento, a efetivação atenciosa do que foi estruturado, a junção do material coletado e a análise desses dados recolhidos por meio das diferentes técnicas. Através dessa junção dos dados recolhidos é que se viabiliza a redação e consequente devolutiva dos resultados da avaliação (ALCHIERI; BANDEIRA, 2002). Um dos instrumentos importantes dentro da Avaliação Psicológica é a anamnese. A anamnese diz respeito à necessidade de uma reconstrução sistêmica da vida do cliente, ou seja, coletar os dados da história pessoal, a fim de entender como o cliente fala sobre si e em casos de psicodiagnóstico localizar o ponto em que a queixa 130 atual do avaliado se encontra. Por exemplo, se o cliente se queixa de episódios de ansiedade é importante que o profissional estabeleça um marco referencial em que a queixa atual se enquadra e ganha significação. Outro instrumento importante para a Avaliação Psicológica são os testes psicológicos. De acordo com Alchieri e Banderia (2002), os testes psicológicos correspondem a ferramentas objetivas e padronizadas de pesquisa do comportamento, que revelam a estruturação normal dos comportamentos requeridos na efetuação de testes ou se seus distúrbios levam a questões patológicas. Desta forma, o teste oferece a oportunidade de perceber o comportamento de modo padronizado e avaliar se estes comportamentos correspondem às condutas esperadas de acordo com a população investigada na aprovação do teste psicológico. O objetivo do teste se destina, assim, a estabelecer as singularidades entre sujeitos ou entre as respostas do mesmo sujeito em diferentes situações. O teste psicológico é um dos instrumentos para se atingir um dado sobre o sujeito. Estes estão sujeitos, algumas vezes, a serem mal utilizados, ação que restringe ou retira a sua possibilidade de ser útil para a avaliação. A responsabilidade última pelo uso e interpretação apropriados dos testes é do psicólogo. IMPORTANTE A seleção dos instrumentos para avaliação psicológica deve levar em consideração o que se quer avaliar previamente. Por exemplo, um adulto que busca a avaliação psicológica segundo uma queixa de desatenção e problemas com a memória. O profissional irá estruturar toda a sua avaliação (entrevistas, aplicação de testes, dinâmicas etc.) pensando a partir das hipóteses formuladas sobre a demanda: se existe uma questão neurológica que compromete a atenção do avaliado ou se algum problema emocional podeestar afetando essa desatenção. Para tanto, é preciso que o profissional conheça todos os instrumentos disponíveis. Lembrando que não há ferramentas melhores ou piores (posto que todas elas passam por validação científica), mas as que são mais adequadas para determinado caso. Alchieri e Bandeira (2002) destacam elementos a serem considerados na escolha dos testes mais apropriados para as situações: • que aspectos ou particularidades se quer avaliar: personalidade, atenção, inteligência etc.; • quais as técnicas acessíveis e validadas: técnicas que estão na lista do CFP como aprovadas; 131 • idade, escolaridade, nível socioeconômico etc. do avaliado: perfil do sujeito a ser analisado; • conhecimento da ferramenta: ter habilidade prévia dos instrumentos antes de ser aplicado; • qualidade da ferramenta: credibilidade do instrumento a partir da validação do CFP; • materiais originais: uso dos testes psicológicos da editora e nunca fotocópias. Assim, antes da aplicação dos testes é preciso levar em consideração a escolaridade, a faixa etária e ter a percepção de que alguns testes irão demandar mais preparo do profissional do que outros. Todos os testes psicológicos precisam passar pelo crivo do SATEPSI. O SATEPSI é o sistema de avaliação de testes psicológicos elaborado pelo Conselho Federal de Psicologia (CFP) para trazer dados informativos a respeito dos testes psicológicos à comunidade e às/os psicólogas/os. No site do SATEPSI são disponibilizados, em duas abas, os testes psicológicos e instrumentos. Neste site é possível encontrar as avaliações científicas realizadas com os testes, os caracterizando se são favoráveis ou desfavoráveis para a utilização do teste na avaliação psicológica, assim como a informação de instrumentos privativos e não privativos do psicólogo. NOTA Outro elemento importante que deve entrar na aplicação da avaliação é a observação. A melhoria desta técnica vai sendo aprimorada de acordo com a prática e os estudos a qual o profissional se dedica ao longo de seu percurso. A observação se torna crucial na medida em que ela oferece mais clareza e exatidão nos dados reunidos. Observar corresponde a fazer com que um determinado comportamento do sujeito seja mensurável e auxilia na construção de hipóteses sobre o caso avaliado. No caso específico de avaliação realizada com o público adulto e idoso será preciso que a observação se firme primeiramente no exame do estado mental, que corresponde a obter dados sobre: • atenção: habilidade de concentração do psiquismo diante de um estímulo oferecido; • senso percepção: habilidade de captar um estímulo e torná-lo uma imagem; • consciência: estado de percepção psíquica; • orientação: habilidade de orientar-se em relação a si mesmo e ao meio externo; • memória: habilidade de reter, preservar, lembrar e identificar um estímulo; 132 • pensamento: habilidade de criar, conectar e refletir ideias. Diz da capacidade de formular conceitos, relacioná-los em avaliações e fabricar racionalizações de forma a criar soluções; • linguagem: grupo de sinais estabelecidos usados para se expressar; • afetividade: habilidade de ter sentimentos e emoções; • conduta: tendência psicomotora da atividade psíquica. • aparência geral: higiene, zelos corporais e adequação das roupas (ex: se veste roupa de frio no calor etc.); • aspecto físico e de saúde: comportamento e noção de morbidade; • área sensorial e motora: visão, audição, movimento corporal. Outro elemento da avaliação é a entrevista psicológica. A Entrevista nesse processo corresponde a uma interlocução com direcionamento e com o objetivo estabelecido de avaliação. Sua finalidade é abastecer o profissional de elementos técnicos sobre o comportamento do avaliado, trazendo novas informações para além das já recolhidas pelas outras ferramentas usadas no processo. A entrevista é empregada em diversos contextos e para diferentes objetivos, não é ferramenta exclusiva da psicologia. No entanto, inserido em um processo de Avaliação Psicológica, essa técnica precisa, também, estar vinculada a finalidade dessa avaliação, permitindo uma compreensão mais ampla sobre a história de vida do indivíduo e da relação com o ambiente externo que o circunda. IMPORTANTE Existem diversos tipos de entrevista e o profissional que está aplicando precisa escolher qual tipo de entrevista que ele irá utilizar, levando em consideração as informações que necessita obter do avaliado. Há na catalogação de protocolos de entrevistas especificidades técnicas de entrevistas para cada faixa etária de desenvolvimento e ambiente a serem avaliados. De modo geral, procura-se pesquisar nas entrevistas circunscritas ao processo de Avaliação Psicológica os seguintes requisitos: situação familiar, social, pessoal, condição de saúde física, autopercepção, autocrítica e projeções de futuro. A dinâmica de relação entre o entrevistado e o entrevistador é ativa, demandando da técnica e da prática do profissional que avalia para organizar as informações colhidas. Algumas entrevistas com objetivo diagnóstico demandam um amplo conhecimento e precisam ser aplicadas somente por pessoas efetivamente preparadas. 133 De modo mais específico, Alchieri e Bandeira (2002) apostam na necessidade de o profissional coletar nas entrevistas: • dados de identificação; • dados socioculturais; • história familiar; • história escolar; • história e dados profissionais; • história e indicadores de saúde/doença; • aspectos da conduta social; • visão e valores associados a temática investigada; • características pessoais; • projeções de futuro. Em paralelo às informações objetivas (acima citadas) a serem mapeadas, é importante também que o profissional se atente para a questão da comunicação, ou seja, ir além do que o avaliado diz, observar a comunicação não verbal. Como exemplo, como o avaliado se organiza espacialmente, sua localização no tempo, os gestos, a entonação, o modo de olhar. 3 INSTRUMENTOS PSICOLÓGICOS E AVALIAÇÃO PSICOSSOCIAL PARA ADULTOS E IDOSOS As competências cognitivas na idade adulta se constituem de maneira bem diferente da infância. As funções cognitivas, tais como a inteligência, memória, atenção, linguagem e motricidade vão se estabelecendo de modo mais consistente na fase adul- ta quando o modelo de comparação é a infância (etapa de grandes transformações ma- turacionais). Elementos que podem ser comprometidos a partir da chegada da velhice. Deste modo, para pensarmos nos instrumentos de avaliação psicológica para adultos e idosos, é preciso entender que as mudanças cognitivas tanto na etapa adulta quanto na velhice precisam ser contextualizadas tanto no que tange ao aspecto histórico clínico desenvolvimental quanto aos aspectos ambientais nos quais o sujeito está inserido. Os elementos a serem analisados em uma avaliação psicológica em adultos seriam: o funcionamento da pessoa no mundo, nível de escolarização, situação socioeconômica e cultural, acontecimentos de sua vida. Por exemplo, um adulto cujo nível de escolaridade seja nível fundamental incompleto, o profissional precisará adaptar a sua forma de comunicar, além de trazer testagens e escalas avaliativas as quais o avaliado possa acompanhar. Ou se o avaliado perdeu uma pessoa no dia anterior à avaliação e o quanto isso pode comprometer a sua atenção. 134 A avaliação das funções cognitivas pode ser efetuada a partir da utilização de testes, técnicas, entrevistas e observações clínicas. Esses auxiliam na localização das competências cognitivas individuais, identificar se existe algum prejuízo ou transtorno em algum funcionamento cognitivo. Os déficits em adultos e idosos podem estar contidos na parte de recepção de informações, na memória, capacidade de aprendizagem, pensamento e nas funções executivas. Outros quesitos também são comumente avaliados neste público, como avaliação da motivação, do funcionamento emocional e da personalidade. Para avaliação destes aspectos,os instrumentos utilizados vão depender muito da caracterização do caso e os objetivos da avaliação, levando em conta a entrevista prévia com o avaliado. É importante ressaltar que nenhum instrumento detém a competência de fincar um diagnóstico. Estes instrumentos apenas contribuem com o trabalho do profissional na realização de hipóteses diagnósticas. ATENÇÃO Existem também as demandas por avaliação psicodiagnóstica a partir de sintomas psicopatológicos trazidos pelo sujeito. Para tanto, existem as entrevistas estruturadas, a aplicação de testes psicológicos para analisar a severidade dos sintomas, riscos de suicídio, sintomas ansiogênicos, nível de estresse, nível de impulsividade entre outros (DALGALARRONDO, 2019). 3.1 AVALIAÇÃO PSICOSSOCIAL Na Avaliação Psicossocial, colocam-se em relevo os fatores clínicos, sociais e laborais que estruturam o perfil do sujeito avaliado. O propósito desta avaliação é mapear as consequências que o ambiente externo e a história de vida podem exercer na demanda de avaliação do indivíduo, seja ela com objetivo de obter a carteira nacional de habilitação, avaliação diagnóstica, entre outras (LINS; BORSA, 2017). Ao pesquisar as verdadeiras condições psicológicas do sujeito, o indivíduo avaliado tem maiores possibilidades de se conhecer e entender sobre si. O profissional que trabalha com a avaliação psicossocial pode realizá-la no território da educação, saúde, trabalho, segurança, justiça, comunidades e comunicação com o propósito de propiciar em sua prática, o compromisso com a dignidade e integridade do ser humano. 135 Colabora para a promoção do conhecimento por meio da observação, descrição e análise dos processos de desenvolvimento, inteligência, aprendizagem, personalidade e outros componentes do comportamento humano. O profissional também abarca em sua avaliação a contribuição de aspectos hereditários, ambientais e psicossociais sobre os indivíduos na sua atividade intrapsíquica e nas suas dinâmicas sociais, para guiar-lhe na efetivação do psicodiagnóstico e acompanhamento terapêutico, estimula os cuidados em saúde mental na precaução e na intervenção psicoterapêutica dos transtornos psíquicos, auxiliando no desenvolvimento psicossocial (LINS; BORSA, 2017). Na prática da avaliação psicossocial, o profissional também estrutura e emprega técnicas de exame psicológico, fazendo uso de seu saber e práticas metodológicas profissionais próprias, para a compreensão das circunstâncias do desenvolvimento da personalidade, das dinâmicas e interações intrapsíquicos e das relações interpessoais, realizando o atendimento ou encaminhando para atendimento adequado, de acordo com a demanda. 4 O PAPEL DA FAMÍLIA NO DIAGNÓSTICO E INTERVENÇÃO COM ADULTOS E IDOSOS A avaliação das dinâmicas familiares tem se constituído objeto de investigação de diferentes pesquisadores que se destinam a encontrar os aspectos que estariam vinculados à origem e aos fatores que estariam relacionados ao surgimento e ao aumento dos transtornos mentais em adultos e idosos (LINS; BORSA, 2017). Diferentes estudiosos encontram um ponto em comum sobre a percepção de que as dinâmicas familiares são transformadas quando um componente da família demonstra algum problema de saúde, por exemplo, alcoolismo, depressão, transtornos ansiosos, entre outros (LINS; BORSA, 2017). Assim, a inserção da família na avaliação e no tratamento de pacientes com transtornos psiquiátricos também contribuem para a recuperação do paciente e das relações familiares. 4.1 INSTRUMENTOS PSICOLÓGICOS E A DINÂMICA FAMILIAR Cada vez mais, profissionais de saúde têm buscado aprimorar suas técnicas relacionadas à detecção de transtornos e de tratamento e entendido a importância do atendimento das famílias para a melhoria do quadro de um paciente. Uma das ações dos profissionais que trabalham diretamente nesse campo é efetuar um diagnóstico mais consistente para estruturar, concretizar e analisar os dados para compreender qual a melhor maneira de organizar uma intervenção familiar. 136 Lembrando que, em alguns casos, a família deve participar tanto da avaliação psicológica, trazendo elementos que sejam importantes para a configuração diagnóstica e do momento da intervenção propriamente dita (seja o encaminhamento para tratamento psiquiátrico, psicológico ou para o começo de um tratamento com o psicólogo que realizou a avaliação). ATENÇÃO Hoje em dia, o profissional de saúde pode fazer uso de diferentes modalidades de instrumentos para a estruturação da avaliação familiar: escalas de autorrelato da dinâmica e relação familiar realizados pelos seus componentes, inventários, entrevistas, métodos observacionais e avaliações clínicas. No entanto, se o propósito é analisar a interação familiar, Primi, Muniz e Nunes (2009) aconselham que alguns critérios sejam utilizados no intuito de garantir uma solidez sobre o conhecimento gerado sobre determinado dado do paciente, ou seja, que o psicólogo possa colher dados de relação entre duas pessoas (marido-esposa) ou relação entre três pessoas (marido- esposa-filhos). Compreensões sobre a interação familiar provenientes de dois ou mais componentes da família podem sinalizar que estes integrantes da família estão dividindo o mesmo olhar sobre determinadas interações. Ainda assim, existem algumas problemáticas que atrapalham o prosseguimento da avaliação do sistema familiar, tais como: a presença de diferentes percepções (funcionamento familiar, dinâmica familiar, satisfação familiar, prática e estilos parentais, suporte familiar) a ausência de clareza acerca de ter um modo consistente de avaliar e a imprecisão sobre o que deve ser avaliado e a falta de concordância sobre o que seria exatamente o significado de relações familiares disfuncionais e saudáveis. Desta forma, as maiores imprecisões dos profissionais de saúde são relativas ao que precisa ser avaliado e o modo de avaliar. De acordo com Primi, Muniz e Nunes (2009), as construções teóricas sobre a dinâmica familiar e conjugal estipulam quatro aspectos que necessitam ser avaliados: composição familiar – definição da organização da família e dos membros –; processo familiar – compreende a análise de comportamentos e interações que definem as relações familiares, tais como conflito, diferenças, comunicação, resolução de conflitos –; aspectos afetivos – emoções e exteriorização afetiva entre os membros – e organização familiar – diz respeito a funções e regras que são desempenhadas no interior da família, somando a questões como limites e hierarquia. Ainda em suas investigações, Primi, Muniz e Nunes (2009) lançaram bases para o pensamento acerca de alguns aspectos e processos que são bastante relevantes para serem avaliados: comunicação, emoções, funções, problema conjugal e parental, resolução de conflitos, vínculos, exteriorização de afeto, intimidade, estresse, diferenças e autonomia. 137 Sendo assim, na avaliação da dinâmica familiar, o uso dos instrumentos técnicos das entrevistas estruturadas com a família são interessantes para avaliar regras, valores, hierarquias, conflitos, o papel que aquele paciente exerce dentro da família, além da estruturação de um projeto terapêutico que contribua para a melhora do paciente. É necessário, também, desenvolver uma caracterização coesa do aspecto que será avaliado, posto que não se tem uma padronização de regras que circunscrevem a pesquisa com famílias (PRIMI; MUNIZ; NUNES, 2009). 138 RESUMO DO TÓPICO 2 Neste tópico, você adquiriu certos aprendizados, como: • Os instrumentos e técnicas que fazem parte do procedimento de Avaliação Psicológica (que são as anamneses, entrevistas, observação, testes psicológicos entre outros) são as ferramentas que ajudam a construir um bom resultado sobre a demanda do avaliado. • A anamnese em uma Avaliação Psicológica diz respeito à necessidade de uma reconstrução sistêmica da vida do cliente, ou seja, coletar os dados da história pessoal, a fimde entender como o cliente fala sobre si e em casos de psicodiagnóstico localizar o ponto em que a queixa atual do avaliado se encontra. • A observação se torna crucial para a Avaliação Psicológica na medida em que ela oferece mais clareza e exatidão nos dados reunidos. Observar corresponde a fazer com que um determinado comportamento do sujeito seja mensurável e auxilia na construção de hipóteses sobre o caso avaliado. • A entrevista nesse processo corresponde a uma interlocução com direcionamento e com o objetivo estabelecido de avaliação. Sua finalidade é abastecer o profissional de elementos técnicos sobre o comportamento do avaliado. • A inserção da família na avaliação e no tratamento de pacientes com transtornos psiquiátricos também contribuem para a recuperação do paciente e das relações familiares. 139 RESUMO DO TÓPICO 2 1 A avaliação Psicológica é um dos modos que o psicólogo tem a sua disposição para atuar e conduzir sua prática. A Avaliação Psicológica se sustenta a partir de requisitos científicos que compõem o entendimento de um fenômeno em que a realidade é compreendida a partir do uso de conceitos, noções e de teorias científicas. Sobre os instrumentos que compõem a Avaliação Psicológica, assinale a alternativa CORRETA: a) ( ) A avaliação psicológica se caracteriza como tal por utilizar como instrumento de seu trabalho os testes psicológicos. b) ( ) A avaliação psicológica se caracteriza por utilizar como instrumentos as técnicas de escalas sequenciadas e inventários. c) ( ) A avaliação psicológica é composta pelos instrumentos de anamnese, entrevistas, observação, testes psicológicos, dinâmicas de grupo, observação lúdica, testes situacionais. d) ( ) A avaliação psicológica é composta pelos instrumentos das entrevistas semiestruturadas e estruturadas combinada à aplicação dos testes psicológicos. 2 A Avaliação Psicológica pode ser definida como a coleta e a junção de informações relativos aos aspectos psicológicos do avaliado com o propósito de efetuar uma estimativa psicológica. Para concretizar essa estimativa psicológica é preciso fazer uso de instrumentos e técnicas. Sobre os instrumentos utilizados na Avaliação Psicológica, analise as afirmativas a seguir: I- A anamnese é um tipo de entrevista, mas é mais relacionada a coleta de dados da história pessoal do avaliado. II- O teste psicológico pode ser utilizado por profissional de qualquer área que assuma a avaliação psicossocial. III- A observação corresponde a um tipo de instrumento que compõe a avaliação psicológica. Ela auxilia na construção de hipóteses sobre o caso avaliado. Assinale a alternativa CORRETA: a) ( ) As afirmativas I e II estão corretas. b) ( ) Somente a afirmativa II está correta. c) ( ) As afirmativas I e III estão corretas. d) ( ) Somente a afirmativa III está correta. AUTOATIVIDADE 140 3 O desenvolvimento humano não se circunscreve somente por uma fase específica que é a infância e a adolescência. Para o adulto também é requerido que alcance marcos do desenvolvimento vinculados ao progresso dos anos nas esferas sexual, familiar, social, física, e de trabalho. Acerca das características avaliadas e dos instrumentos utilizados na avaliação psicológica do público adulto e idoso, classifique V para as sentenças verdadeiras e F para as falsas: ( ) É importante levar em conta que a utilização de diferentes instrumentos na Avaliação Psicológica faz o psicólogo chegar em uma conclusão decisiva acerca do diagnóstico do sujeito avaliado. ( ) Em uma Avalição Psicológica de adultos e idosos, diferentemente da realizada com crianças e adolescentes, o nível de escolaridade do sujeito avaliado não apresenta grande influência na execução dos testes. ( ) Os instrumentos de avaliação psicológica para adultos e idosos levam em conta que as mudanças cognitivas precisam ser contextualizadas ao aspecto histórico clínico desenvolvimental e ao seu ambiente. Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA: a) ( ) V - F - F. b) ( ) V - F - V. c) ( ) F - V - F. d) ( ) F - F - V. 4 A Avaliação Psicológica do adulto exige a constituição de uma estratégia cuidadosa e o escolha de uma abordagem adequada ao propósito e a demanda. O adulto apenas realizará os testes, caso consinta e contribua ativamente tanto na informação precisa dos dados quanto na feitura dos testes e inventários. Por parte do psicólogo, este deverá informar ao avaliado acerca do funcionamento e das finalidades de cada instrumento utilizado. Disserte acerca das etapas do processo de Avaliação Psicológica do adulto e do idoso. 5 A pesquisa sobre o funcionamento familiar tem sido alvo de interesse de estudo de diferentes abordagens e pesquisadores da psicologia. Estes buscam tentar entender se na família podemos conceber a origem e a intensificação dos transtornos mentais em adultos e idosos. Disserte sobre os instrumentos e técnicas utilizados pelo psicólogo na avaliação familiar. 141 TÓPICO 3 - AVALIAÇÃO PSICOLÓGICA E A NECESSIDADE DE OUTROS TIPOS DE AVALIAÇÃO 1 INTRODUÇÃO A avaliação psicológica pode ser trabalhada em muitos contextos, em contexto privativo, hospitalar, dentre outros. Além disso, em alguns casos é demandado que existam análises complementares de outras áreas do conhecimento. Sendo assim, em ambos os casos, esse é o momento em se é exigido dos profissionais de saúde um trabalho em equipe multiprofissional. Desta forma, no Tópico 3 abordaremos as especificidades do trabalho do acompanhante terapêutico em equipe multiprofissional, o trabalho realizado da avaliação neurológica e psiquiátrica na colaboração na realização diagnóstica e a ética do psicólogo em um trabalho em equipe multiprofissional. UNIDADE 3 2 TRABALHO EM EQUIPE MULTIPROFISSIONAL A Avaliação Psicológica pode ser requisitada por inúmeros profissionais do campo da saúde, estando atrelada a demanda da complexidade do caso. Uma das especificidades deste trabalho é a solicitação de interconsulta. Essa nomenclatura diz respeito à atividade de um profissional da saúde mental que, a partir da entrevista com o paciente, pode recomendar um tratamento para os casos que estão submetidos a cuidados de outros especialistas (BOTEGA, 2006). Através do seu acompanhamento, o acompanhante terapêutico pode oferecer elementos para a elaboração diagnóstica do paciente, ajudar na direção do tratamento de transtornos psicológicos, neuropsicológicos, psicossociais e interpessoais, além de oferecer orientações para os pacientes e seus familiares. IMPORTANTE O acompanhamento terapêutico é uma modalidade de trabalho clínica surgida dos movimentos político-ideológicos da Antipsiquiatria, sendo que o movimento institucionalista, em especial a Psicoterapia Institucional, de Félix Guattari, contribuiu de forma contundente, a qual ocorreu nos idos da década de 1950, na Europa e nos Estados Unidos (SILVA, 2004). 142 O trabalho do acompanhante terapêutico não somente ultrapassa a terapia de consultório, mas, também, coloca-se à disposição de intervir no ambiente do indivíduo, ou seja, atuar dentro e fora da instituição, encorajando o paciente a se deslocar física e psicologicamente. A prática institucional acaba por homogeneizar as características, histórias e singularidades dos pacientes que lá estão. Os usuários se tornam "abrigados" e "protegidos", em muitos momentos até de suas próprias histórias. São produzidos subjetivamente como "incapazes", "deficientes", "loucos" ou "com problemas", fixados e aglutinados no cotidiano da instituição, que vai formando seus comportamentos e uniformizando suas experiências. A vida da pessoa em internação acaba sendo constituída pela falta de vínculos afetivos, pela insuficiência de objetos particulares e pela falta de rituais de passagem (comemoração de aniversários, festas etc., por exemplo). Logo, o atendimento interno é caracterizado pela disciplina rígida, que se dirige a aquietar e disciplinar o corpo;pelo castigo físico exagerado e arbitrário; pela humilhação; e pela insistência em se constituir um “bom assistido” e, dessa forma, tornar-se dependente e infantilizado (ALTOÉ, 1993). Desse modo, o acompanhamento terapêutico pode ser identificado como uma modalidade clínica, que se beneficia do espaço público da cultura como território para o ato terapêutico. O trabalhador de saúde que se vale da metodologia de atuação do acompanhamento terapêutico, na prática, propõe-se a circular com o usuário pelo tecido social, produzindo a emergência de um encontro com a cidade onde o indivíduo habita. Frente a isso, o acompanhante terapêutico se tornou uma figura aliada no processo de desenvolvimento e manutenção de relações sociais e na atuação constante da qualidade de vida do sujeito que é portador de algum problema de saúde, o qual inviabiliza ou inviabilizou a continuidade de seus laços de trabalho, estudo, familiares e do cuidado consigo mesmo. Para saber mais sobre as possibilidades de trabalho do acompanhante terapêutico, o Conselho Federal de Psicologia elaborou um livro que traz diferentes pesquisas sobre a prática do acompanhamento terapêutico como estratégia de cuidado em saúde mental. Acesse o documento na íntegra em: https://site.cfp.org.br/artigo-da-psicologia-ciencia-e- profissao-aborda-acompanhamento-terapeutico/. DICA https://site.cfp.org.br/artigo-da-psicologia-ciencia-e-profissao-aborda-acompanhamento-terapeutico/ https://site.cfp.org.br/artigo-da-psicologia-ciencia-e-profissao-aborda-acompanhamento-terapeutico/ 143 O papel do acompanhante terapêutico, em uma equipe multiprofissional, constitui-se pelo ato de apresentar o "dentro" para o "fora" e o "fora" para o "dentro", ou seja, trabalhar na intercessão entre o paciente e a instituição e, mais do que isso, diminuir a distância entre eles. Nesse sentido, o papel desse profissional, ao acompanhar o sujeito em suas atividades cotidianas, contribui para o acompanhamento mais detido da evolução do quadro do paciente, resgatando a sua singularidade (sua história de vida, suas vontades, seus gostos e seus desejos), tanto na interface com instituição quanto na interface com a cidade. 3 AVALIAÇÃO NEUROLÓGICA E AVALIAÇÃO PSIQUIÁTRICA A neuropsicologia é um campo que faz interlocução da Psicologia com a neu- rologia e que tem por objetivo investigar as relações entre o sistema nervoso central, as funções cognitivas e o comportamento humano. O neuropsicólogo é um profissional habilitado que pode fazer uso de diversos instrumentos padronizados, métodos e téc- nicas para pesquisar tanto a dinâmica normal, como prováveis variações e distúrbios do sistema nervoso. Este profissional tem a sua atividade orientada geralmente para o campo da pesquisa e da atuação clínica com direcionamento para a investigação e tratamento. Nessa direção, sua prática pode auxiliar em diferentes faixas etárias e para populações clínicas diversas. Por esse alcance, se coloca cada vez mais em destaque, contribuindo para o conhecimento de outros campos de saber no interior do campo da saúde. Ao focar sua área de pesquisa na dinâmica intelectual, cognitiva e emocional dos sujeitos, a neuropsicologia pode instrumentalizar diversos profissionais, entre eles psicólogos, médicos (neurologistas, neuropediatras, geriatras, psiquiatras), fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais, psicopedagogos, entre outros, propiciando um tratamento mais eficaz. Pela profundidade e diferentes atravessamentos que compõem a Neuropsicologia não se encontram métodos exatamente padronizados que sejam capazes de ser empregues a todos os sujeitos, principalmente pela multiplicidade de quadros clínicos que podem ser destinados ao neuropsicólogo (MADER-JOAQUIM, 2010). ATENÇÃO 144 A avaliação neuropsicológica de cada sujeito é um procedimento investigativo particularizado, que parte primeiro pela elaboração de hipóteses depois da aplicação da anamnese, considerando as demandas individuais de cada sujeito e as peculiaridades do caso. Desta etapa parte-se para a identificação de quais instrumentos e técnicas podem ser usados, fato que em alguns casos, exige muita atenção e preparo do profissional. O diagnóstico em neuropsicologia é pesquisado através de algumas técnicas, tais como: a entrevista, a observação, a utilização de instrumentos psicológicos formais e informais, de instrumentos neuropsicológicos, questionários, e escalas, entre outros. De acordo com Mader-Joaquim (2010), a avaliação neuropsicológica se define pelo modo de pesquisar a respeito das funções cognitivas e o comportamento. Diz respeito à aplicação de técnicas de entrevista, exames quantitativos e qualitativos das funções que estruturam a cognição. Existem procedimentos tidos como mais tradicionais e outros ainda em elaboração (MADER-JOAQUIM, 2010). A seleção dos instrumentos demanda muito estudo, compreensão e compro- misso por parte do neuropsicólogo, não somente na aplicação dos testes psicológicos e neuropsicológicos, mas sobre a observação dos quadros clínicos pesquisador, para que seja possível constituir um planejamento e escolha bem estruturados dos procedimen- tos condizentes a cada caso (MADER-JOAQUIM, 2010). Desta forma, alguns indicativos podem sinalizar a importância de efetuar a avaliação neuropsicológica. • perda de memória; • déficit das funções executivas como planejamento e organização; • dificuldade para se concentrar; • déficit de atenção; • déficit de raciocínio; • dificuldades de aprendizagem; • dificuldade com resolução de problemas; • déficit das habilidades perceptivas e motora. A avaliação neuropsicológica também é bastante importante para confecção do diagnóstico diferencial de doenças ou distúrbios que apontam para alterações tanto de origem neurológica quanto psicológica. • transtorno de déficit de atenção; • hiperatividade; • dislexia; • atraso no desenvolvimento cognitivo; • distúrbios mentais; • demências; 145 • doença de Alzheimer; • doença de Parkinson; • traumatismo craniano; • acidente vascular cerebral (AVC); • epilepsia; • depressão. Quando tratamos da consulta de avaliação psiquiátrica, falamos de uma avaliação particular restrita ao médico psiquiatra. Ela tem o seu começo a partir do processo de configuração diagnóstica e montagem de um planejamento terapêutico próprio a cada paciente. Para isto, é preciso considerar os aspectos sobre o histórico clínico e mental do sujeito, sendo possível requisitar exames físico ou neurológico. A avaliação psiquiátrica se constitui como importante ferramenta para definir a situação psicológica do paciente, isto é, a condição que o paciente apresenta em entender a realidade ao seu redor. As finalidades as quais são destinadas uma avaliação psiquiátrica em geral são: • identificar a existência ou não de um transtorno mental ou outra circunstância que demande a prudência maior de um psiquiatra; • agrupamento de informações razoáveis que permitam realizar um diagnóstico diferencial e uma elaboração clínica integral; • elaborar, em parceria com o paciente, uma estratégia de tratamento inicial que permita uma maior aceitação, sempre com o foco em perceber se serão necessárias quaisquer intervenções mais emergenciais para assegurar a segurança do paciente e de terceiros – ou, na revisão de um caso em tratamento há longo tempo, estudar novamente se aquela estratégia de tratamento está condizente com a nova situação do sujeito avaliado; • mapear quesitos mais abrangentes (p. ex., risco de suicídio com ideação suicida) que necessitam ser levados em conta na permanência do tratamento (BOTEGA, 2006). No primeiro momento, na avaliação psiquiátrica, é aplicada uma entrevista para informar-se sobre o paciente, a identificação do paciente (nome, idade, origem, ocupação, situação conjugal, religião), autoriza-se que o avaliado faça o seu relato ou diga sobre a queixa principal, ou seja, a razão pela qual buscou ajuda psiquiátrica. Assim, a entrevista segue na coleta dahistória da doença atual, identificando o começo dos sintomas, de que modo aparece, frequência e os possíveis usos de medicamentos ou internações anteriores. Nesta etapa é importante mapear os históricos de doença na família, histórico da infância e adolescência, trajetória ocupacional e conjugal, modos de como se dão seus relacionamentos interpessoais e peculiaridades de sua personalidade (BOTEGA, 2006). 146 Os históricos pessoais clínicos (doenças pré-existentes, traumatismos, cirur- gias), bem como os hábitos (principalmente uso de drogas), precisam ser questionados com intuito de pesquisar as interrelações existentes entre o aparecimento dos sintomas e determinados comportamentos. Para o final é questionado acerca da história familiar, com o foco no histórico de doenças psiquiátricas e dependência de drogas entre os membros da família (BOTEGA, 2006). Caso o psiquiatra considere importante, pode ser requisitada uma entrevista com outras pessoas vinculadas ao paciente, tais como familiares, profissionais de saúde, assistentes sociais, entre outros. Quando se trata de exames físicos, a entrevista também é feita para entender se existem doenças fisiológicas (BOTEGA, 2006). A definição do melhor tratamento depende da anuência do paciente. O trata- mento psiquiátrico pode e, em muitos casos, precisa ser acompanhado de sessões psicoterapêuticas, uso de medicação e acompanhamento terapêutico; em alguns ca- sos, porém, o tratamento pode ser compulsório, em que o caso do paciente demanda internação, aqueles casos que se identificam doenças mentais graves que acarretam riscos à própria vida ou a de terceiros. 4 ÉTICA DO PSICÓLOGO E O TRABALHO EM EQUIPE MULTIPROFISSIONAL A incorporação tanto do psicólogo quanto do acompanhante terapêutico, em trabalhos com equipe multiprofissional, tem crescido bastante nos últimos tempos, seja em instituições públicas, privadas ou no entendimento das instituições que entendem que precisam trabalhar em interface com outras áreas do conhecimento. Assim, a esses profissionais da saúde é demandado que atue de modo integrado a outros profissionais de outros campos de saber, como médicos, enfermeiros, assistentes sociais, pedagogos etc. Diante desse quadro, o Conselho Federal de Psicologia tem pensado junto à categoria acerca das formulações éticas e demandas requisitadas pelo trabalho em equipe multiprofissional para que se criem diretrizes que respeitem a integridade e dignidade do ser humano, além da constituição de uma relação de respeito com a prática profissional de seus pares. 4.1 A ESPECIFICIDADE DO TRABALHO DO ACOMPANHANTE TERAPÊUTICO O entendimento sobre o trabalho do acompanhante terapêutico se situa em diferentes concepções nas pesquisas da saúde mental e psicologia clínica. A partir da análise do comportamento, o acompanhante é entendido, em alguns momentos, como o profissional que opera no ambiente em que os aspectos que influenciam os 147 comportamentos a serem modificados atuam; mas, em outros momentos, como aquele que coopera com a atuação de um psicólogo, de um psiquiatra ou de uma equipe multidisciplinar (METZGER, 2021). Sendo assim, o acompanhante terapêutico pode atuar: • quando a prática do profissional está atrelada rigorosamente ao contexto do ambiente natural do paciente (em casa, no trabalho, na escola etc.); • constituir parte integrante de um esquema clínico atrelado ao consultório, como na coleta de dados por meio de observação direta para serem utilizados como material na terapia em consultório; • como uma ampliação da intervenção. As possibilidades de atuação do acompanhante terapêutico, embora sua prática tenha começado com pacientes psiquiátricos (comumente com diagnósticos relativos à esquizofrenia), o tratamento de diferentes demandas e outros diagnósticos pode se favorecer a intervenção. Em queixas vinculadas à ansiedade, como fobia social ou específica, o acom- panhante terapêutico tem a possibilidade de atuar, por exemplo, como mecanismo de cuidado para o paciente lidar com situações ansiogênicas, realizar treinamento de ha- bilidades sociais ou, então, auxiliar se constituindo como um modelo comportamental. Já em situações de dependência química, por exemplo, o acompanhante terapêutico pode atuar como um moderador na efetivação e supervisão da abstinência. Ele pode trabalhar na identificação de elementos que propiciam e estimulam as situações de uso da droga, bem como ajudar o dependente químico a evitá-la nas situações em que isso é possível. Por sua vez, nas situações em que o paciente não pode evitar a exposição, deve-se ajudá-lo, por meio de estratégias comportamentais, a não condicionar o estímulo às situações ao uso posterior da droga, extinguindo a vinculação que estimula o risco de recaída. Outros exemplos de atividades do acompanhante terapêutico são o de colaboradores do recomeço das programações da rotina do paciente e de atividades de retomada de pacientes que interromperam ou diminuíram a regularidade depois de adquiriram algum tipo de doença mais incapacitante, além da introdução de medidas para atenuação de comportamentos mapeados como problemáticas em casos de transtornos psicológicos, neurológicos e neuroreabilitação em casos de demência, Parkinson ou Alzheimer. 148 INSTRUMENTOS DE AVALIAÇÃO PSICOLÓGICA EM IDOSOS Inês Faria de Sousa Gonçalves Na presente tese iremos centrar-nos na última fase do nosso ciclo de vida, no âmbito da Avaliação Psicológica de adultos e, fundamentalmente, da população idosa. Assim, daremos destaque ao fenómeno do envelhecimento e aos diversos domínios da avaliação do estado mental, apresentando e descrevendo alguns dos diferentes instrumentos de avaliação psicológica, específicos para este nível etário. O envelhecimento da população mundial, nos países desenvolvidos, é um fenómeno recente e universal que deriva de múltiplos fatores. Neste grupo social assiste-se a um aumento da prevalência de doenças crónicas, pelo que é presente uma avaliação geriátrica eficaz, apostando-se em diagnósticos precoces e completos, a custos razoáveis (REICHENHEIM, 2005). Nos dicionários o termo velho é definido como pessoa com muita idade. Não obstante, o envelhecimento é apresentado de forma vaga, visto ser um fenômeno fisiológico, psicológico e social complexo, que implica mudanças. Este fenómeno, universal, gradual, irreversível e peculiar gera mudanças no envelhecimento normal e/ ou patológico (demência) (LIMA, 2010). A forma como são encarados os idosos varia consoante a época e a cultura. Na época da Grécia clássica, que privilegiava a beleza, força e juventude, os idosos eram menosprezados, contrariamente ao que acontecia na época helenística. No Japão, influenciados pelo taoísmo, eram valorizados tal como nas culturas tribais, sendo enaltecidas algumas características, como a sabedoria e a maturidade. No entanto, na nossa sociedade, a velhice, impregnada por crenças e estereótipos sobre o envelhecimento (ageisn), é associada à perda, por exemplo, de poder, com a chegada da reforma, à perda de papéis identitários e perda de capacidades (LIMA, 2010). Até aos anos setenta, os autores defendiam que, na vida adulta, o declínio é inevitável. No entanto, autores como Levinson e Baltes advogam que o envelhecimento é acompanhado de perdas, mas também de ganhos, tais como a maturidade e a sabedoria (LIMA, 2010). O ser humano é uma multiplicidade interdinâmica multifatorial, como bem queria Morin e, nesse sentido, ao estudarmos o psíquico, direta ou mais indiretamente, avaliamos também as outras componentes do ser humano (MORIN, 1983). LEITURA COMPLEMENTAR 149 Se é verdade que a saúde mental de uma pessoa é determinante para que ela saiba viver com a idade que têm, reconhecer as suas possibilidades e incapacidades e não ficar molestado com elas, recusando-se a viver num contínuo mecanismo de defesa com recurso à regressão, vivendo de memórias em que era o herói que agora já não podeser, não é menos verdade que essa saúde psicológica é influenciada por outras vertentes da dinâmica do ser humano. É fato que o ser humano é biológico (nasce, cresce, reproduz-se e morre), fisiológico (apresenta uma estrutura anatómica singular), psicológico (aquele que neste trabalho mais nos interessa, pois a mente sã é mais que meio caminho para a sanidade de todas as outras variáveis), sociológico, (vivemos em interação com os outros semelhantes), ecológico (pois habita num ecossistema), econômico (no sentido de um ser que precisa de trabalhar para ter posses que lhe permitam uma vida condigna), religioso (com a sua necessidade de uma transcendência que complete as suas incompetências), enfim, é um ser que permanecerá sempre ignoto no seu âmago. Isto não impede, antes estimula, o seu estudo enquanto objeto de uma ciência como a Psicologia. O conceito de gerontologia – gerongerontos – que significa estudo do ancião, surgiu em 1903, por Elie Metchinkoff. Esta ciência multidisciplinar aborda e "analisa os fenômenos caracterizadores do envelhecimento em todos os seus aspectos biológicos, psicológicos e sociais" (MARTINS, 2013, p. 59). O médico Ignatz Leo Nascher, em 1914, descreveu o envelhecimento como um processo de degeneração celular no qual existe um declínio interno e físico (MARTINS, 2013). Existem mitos e estereótipos, derivados das generalizações excessivas, simplistas e erróneas, relacionados com os idosos que se prendem com a senilidade, conservadorismo, incapacidade de mudar, improdutividade, inatividade, doença, pobreza, marginalização, entre outros (MARTINS, 2013). Na verdade, para além das dificuldades/incapacidades causadas pelo envelhe- cimento emerge, nesta faixa etária, um outro grave problema social: a discriminação. O processo de envelhecimento inicia-se cedo, no final da segunda década de vida, antes de qualquer sinal externo. E é por volta dos quarenta anos que se começam a notar as primeiras alterações estruturais e funcionais, que se prolongam até ao fim da vida. Este processo resulta de fatores internos, como o património genético, e de fa- tores externos como o estilo de vida, a educação e o ambiente (LIMA, 2010). "O envelhe- cimento diz respeito a um processo que ocorre ao longo de toda a nossa vida, desde a conceção até à morte, enquanto a velhice é uma fase da vida, a última" (LIMA, 2010, p. 15). 150 É comum associar-se o processo de envelhecimento ao declínio da memória. Estudos revelam que se, com o avançar da idade, se registam grandes diferenças ao nível da memória de trabalho e da memória episódica, por sua vez, em relação à memória procedimental e semântica são poucos os seus efeitos (LIMA, 2010). Schroots e Birren (1980) fazem a distinção entre o envelhecimento biológico e o psicológico. O primeiro refere-se a uma crescente vulnerabilidade, que aumenta a probabilidade de morte – senescência. O segundo depende da autorregulação da pessoa, e das mudanças nas funções psicológicas, designadamente na memória e na tomada de decisão (LIMA, 2010). O processo de envelhecimento desencadeia mutações orgânicas, físicas, psicológicas, sociais, comportamentais e funcionais, nas quais a interação dos fatores genéticos e ambientais desempenha um papel determinante (COSTA; MONEGO, 2003). A avaliação psicológica consiste no recurso a técnicas e testes que avaliam e descrevem o funcionamento psíquico de uma pessoa, num dado momento, podendo predizer o seu comportamento. É através da avaliação psicológica que estudamos e avaliamos várias dimen- sões da mente humana, designadamente: a personalidade, as competências cognitivas (atenção, percepção, memória, processamento simultâneo e sequencializado, simboli- zação, compreensão, inferência, planificação e produção de estratégias, conceitualiza- ção, resolução de problemas, expressão de informação etc.). A avaliação geriátrica estruturada realiza-se através da observação direta (testes de desempenho) e questionários. Assim, a avaliação funcional das pessoas com mais de 65 anos centra-se nas seguintes dimensões: física, psicológica (cognição e humor) e social. FONTE: . Acesso em: 21 mar. 2022. 151 RESUMO DO TÓPICO 3 Neste tópico, você adquiriu certos aprendizados, como: • A avaliação psicológica pode ser trabalhada em muitos contextos, em contexto hospitalar, prisional entre outros. Além disso, em alguns casos é demandado de que existam análises complementares de outras áreas do conhecimento. Esse é o momento em que se exige o trabalho em uma equipe multiprofissional. • Através da sua avaliação, ao psicólogo é possibilitado contribuir para o diagnóstico do paciente, intervir na direção do tratamento de transtornos psicológicos, neuropsicológicos, psicossociais e interpessoais, além de oferecer diretrizes e orientações psicológicas para os pacientes e seus familiares. • A avaliação neuropsicológica de cada sujeito é um procedimento investigativo particularizado, que parte primeiro pela elaboração de hipóteses depois da aplicação da anamnese, considerando as demandas individuais de cada sujeito e as peculiaridades do caso. Depois identifica-se quais instrumentos e técnicas podem ser usados, fato que em alguns casos, exige muita atenção e preparo do profissional. • O dever ético do psicólogo que compõe uma equipe multiprofissional é realizar apenas atividades que sejam fundamentadas nos conhecimentos técnicos legitimados e embasados na ciência psicológica, na ética e na legislação profissional. Logo, estes psicólogos precisam ser cuidadosos ao serem requisitados a ajudarem outros profissionais, levando sempre em consideração que não devem incumbir-se de práticas que sejam próprias de outra profissão. 152 1 A avaliação psicológica pode ser aplicada em diferentes situações. Algumas destas, por exemplo, podem ter seu emprego em instituições. O contexto de uma instituição demanda por um trabalho de uma equipe multiprofissional na leitura de um mesmo caso. Sobre o trabalho de avaliação psicológica em equipe multiprofissional, assinale a alternativa CORRETA: a) ( ) Dentro de uma equipe multiprofissional, a avaliação Psicológica pode ser requisitada por inúmeros profissionais do campo da saúde, dependente da complexidade do caso. b) ( ) Dentro de uma equipe multiprofissional, a avaliação psicológica pode ser realiza- da por qualquer profissional do campo da saúde, independente da complexidade do caso. c) ( ) Dentro de contextos multidisciplinares é importante que o profissional de psicologia desenvolva um método de escolha de instrumentos psicológicos de difícil acesso para os demais psicólogos. d) ( ) Dentro de contextos multidisciplinares é importante que o profissional de psicologia se exima da elaboração diagnóstica de um caso, deixando para o médico essa tarefa. 2 A avaliação neuropsicológica faz a junção das ciências da neurologia e da psicologia para avaliar um sujeito. Nessa direção, o exame o objetivo está em pesquisar como o modo de operar do cérebro interfere nas funções cognitivas, emocionais e comportamentais. Sobre a avaliação neuropsicológica, analise as afirmativas a seguir: I- A avaliação neuropsicológica de cada indivíduo é um processo investigativo singular, que parte primeiro para a elaboração de hipóteses depois da aplicação dos testes psicológicos e depois a anamnese. II- O diagnóstico em neuropsicologia é pesquisado através de algumas técnicas, tais como a entrevista, a observação, a utilização de instrumentos psicológicos formais e informais, de instrumentos neuropsicológicos, questionários, e escalas, entre outros. III- A avaliação neuropsicológica se caracteriza pelo modo de pesquisar a respeito das funções cognitivas e o comportamento e deve ser realizado pelo médico psiquiatra. Assinale a alternativa CORRETA: a) ( ) As afirmativas I e II estão corretas. b) ( ) Somente a afirmativa II está correta. c) ( ) As afirmativas I e III estão corretas. d) ( ) Somentea afirmativa III está correta. AUTOATIVIDADE 153 3 A avaliação psiquiátrica se define como instrumento importante para identificar a situação psicológica do paciente, isto é, se o paciente possui a noção e sabe se situar na realidade em que habita. Sobre a avaliação psiquiátrica, classifique V para as sentenças verdadeiras e F para as falsas: ( ) Quando tratamos da consulta de avaliação psiquiátrica, falamos de uma avaliação particular restrita ao psicólogo. ( ) No primeiro momento, na avaliação psiquiátrica, é aplicada uma entrevista para informar-se sobre o paciente e pode ser necessário uma entrevista com outras pessoas vinculadas ao paciente. ( ) A avaliação psiquiátrica corresponde a especificamente pesquisar tanto a dinâmica normal, como prováveis variações e distúrbios do sistema nervoso. Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA: a) ( ) V - F - F. b) ( ) V - F - V. c) ( ) F - V - F. d) ( ) F - F - V. 4 Prestar serviços psicológicos de qualidade, em circunstâncias de trabalho decentes e adequadas ao que a demanda solicita, sendo balizado por valores, saberes e metodologias reconhecidamente sustentados na ciência psicológica operando em uma equipe multiprofissional, não é tarefa fácil. Neste contexto, disserte sobre o trabalho do psicólogo em avaliação psicológica em equipe multiprofissional. 5 A Avaliação Psicológica de pacientes em serviços de saúde coloca em evidência a importância do emprego de diferentes tomadas de medidas, planejamento, reconhecimento das particularidades da história e das queixas indivíduo, do seu ambiente e da vinculação do paciente com o seu entorno. Para tanto, é preciso que o psicólogo se guie por dimensões éticas. Disserte sobre a ética do psicólogo em equipe multiprofissional. 154 REFERÊNCIAS ALCHIERI, J. C.; BANDEIRA, D. R. Ensino da Avaliação Psicológica no Brasil. In: PRIMI, R. Temas em Avaliação Psicológica. Campinas: Impressão Digital do Brasil, 2002, p. 35-39. ALTOÉ, S. Menores em tempo de maioridade: do internato-prisão à vida social. Rio de Janeiro: Editora Universitária Santa Úrsula, 1993. BOTEGA, nº J. Prática psiquiátrica no hospital geral: interconsulta e emergência. Porto Alegre: Artmed, 2006. CFP (CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA). Resolução CFP nº 007, de 14 de junho de 2003. Institui o Manual de Elaboração de Documentos Escritos produzidos pelo psicólogo, decorrentes de avaliação psicológica e revoga a Resolução CFP 17/2002. Brasília: Conselho Federal de Psicologia, 2003. Disponível em: https://site.cfp.org.br/ wp-content/uploads/2003/06/resolucao2003_7.pdf. Acesso em: 21 mar. 2022. CFP (CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA). Código de Ética Profissional do Psicólogo. Brasília: Conselho Federal de Psicologia, 2005. Disponível em: https://site. cfp.org.br/wp-content/uploads/2012/07/codigo-de-etica-psicologia.pdf. Acesso em: 21 mar. 2022. CFP (CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA). Resolução CFP nº 10, de 21 de julho de 2005. Aprova o Código de Ética Profissional do Psicólogo. Brasília: Conselho Federal de Psicologia, 2005. Disponível em: https://site.cfp.org.br/wp-content/uploads/2005/07/ resolucao2005_10.pdf. Acesso em: 21 mar. 2022. CFP (CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA). Avaliação Psicológica: diretrizes na regulamentação da profissão. Brasília: Conselho Federal de Psicologia, 2010. CFP (CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA). Acompanhamento terapêutico como estratégia de cuidado. Brasília, fev. 2018. Disponível em: https://site.cfp.org.br/artigo- da-psicologia-ciencia-e-profissao-aborda-acompanhamento-terapeutico/. Acesso em: 28 mar. 2022. CUNHA, J. A. Psicodiagnóstico. 5. ed. Porto Alegre: Artes Médicas, 2000. DALGALARRONDO, P. Psicopatologia e semiologia dos transtornos mentais. Porto Alegre: Artmed, 2019. HUTZ, C. S. Questões éticas na avaliação psicológica. In: HUTZ, C. S.; BANDEIRA, D. R.; TRENTINI, C. M. Psicometria. Porto Alegre: Artmed, 2015. 155 REFERÊNCIAS LINS, M. R. C.; BORSA, J. C. Avaliação psicológica: aspectos teóricos e práticos. Petrópolis: Vozes, 2017. MADER-JOAQUIM, M. J. O neuropsicólogo e seu paciente: introdução aos princípios da avaliação neuropsicológica. In: MALLOY-DINIZ, L. F. et al. Avaliação Neuropsicológica. Porto Alegre: Artmed, 2010, p.46-57. METZGER, C. Clínica do acompanhamento terapêutico e psicanálise. São Paulo: Aller, 2021. PRIMI, R.; MUNIZ, M.; NUNES, C. H. S. S. Definições contemporâneas de validade de testes psicológicos. In: HUTZ, C. S. Avanços e polêmicas em avaliação psicológica. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2009. SILVA, M. Acompanhamento terapêutico: do um ao outro, do porto ao mar. In: PALOMBINI, A. et al. Acompanhamento terapêutico na rede pública. Porto Alegre: Editora da UFRGS, 2004. STENZEL, G.; PARANHOS, M. E.; FERREIRA, V. R. T. A Psicologia no cenário hospitalar: encontros possíveis. Porto Alegre: EDIPUC, 2012. TISSER, L.; COIMBRA, N. Psicopatologia do adulto e do envelhecimento: atualização e prática clínica. Novo Hamburgo: Synopsis, 2019. TRINCA, W. Diagnóstico Psicológico: a prática Clínica. São Paulo: EPU, 2003. URBINA, S. Fundamentos da testagem psicológica. Porto Alegre: Artmed, 2007.sociais, inadaptação de comportamento e sofrimento pessoal (ATKINSON et al., 2007). 6 A respeito do primeiro, toda sociedade possui padrões ou normas aceitáveis de comportamentos, assim aquele que se desviam do esperado, dentro das normas é considerado patológico, e então “anormal”. Porém, nesse aspecto, também entram os aspectos culturais e estilo de vida, pois o que pode ser aceitável em uma sociedade, pode não ser aceitável em outra sociedade (ATKINSON et al., 2007). Para a compreensão desse aspecto, segue o exemplo, em uma cultura o falecimento de uma pessoa pode ser motivo de festa, com a utilização de comes e bebes durante o velar do corpo do falecido, mas em outra cultura isso pode ser um desrespeito, uma que em outra cultura o falecimento seja realizado apena com o velar do corpo, silêncio e resguardo das atividades e festa (ATKINSON et al., 2007). Em relação à inadaptação de comportamento, muitos estudiosos explicam que, mais importante do que classificar uma patologia, é compreender como o comportamento afeta o bem-estar do indivíduo ou do grupo social que ele convive (ATKINSON et al., 2007). Com isso, o critério para ser patológico é a inadaptação, ou seja, quando o comportamento tem efeitos sobre o indivíduo ou sobre o grupo social, mas nenhum acaba se adaptando, mas há um risco se for seguido apenas essa classificação (ATKINSON et al., 2007). Por exemplo: um adolescente que é agressivo, bate à porta do seu quarto e não consegue se expressar, tal comportamento pode não fazer bem a ele e a sua família, porém esse é um comportamento que é comum em adolescente, e que muitas vezes está relacionado a formação de identidade, construção da sua própria opinião e argumentação frente a regras de convivência, sendo assim, a anormalidade não pode ser baseada apenas nesse critério. O terceiro e último aspecto mencionado é o sofrimento pessoal, que considera a patologia como sentimentos subjetivos de angústia do indivíduo em vez de ser comportamento, porém a maioria das pessoas que são diagnosticados com alguma patologia relatam estar angustiados (ATKINSON et al., 2007). Portanto, os critérios aqui mencionados, frequência estatística, desvio social, comportamento de inadaptação, sofrimento pessoal, não definem (de maneira isolada) ou descrevem o comportamento anormal. No entanto, a anormalidade pode ser compreendida por meio da combinação desses quatro critérios. Assim, esses critérios devem ser considerados para avaliação de um comportamento, e durante o diagnóstico de uma psicopatologia, pois, frente a tantas pessoas, como demonstrado na Figura 3, não é possível identificar com facilidade aquela que tem ou não uma psicopatologia, assim é preciso utilizar diferentes recursos. 7 FIGURA 3 – “NORMAL” OU “PATOLÓGICO”? FONTE: . Acesso em: 25 mar. 2022. Até aqui foi discutido sobre anormalidade, mas também é preciso entender e estudar a respeito da normalidade. A normalidade está relacionada com bem-estar emocional, e existem características que estão relacionadas, como: preocupação adequada da realidade; capacidade de exercer controle voluntário sobre o comportamento; autoestima e aceitação; capacidade de formar relacionamentos afetivos; e produtividade (ATKINSON et al., 2007). Mas, o indivíduo apresentar essas cinco características não significa apresentar normalidade e nenhuma psicopatologia. Por isso existem instrumentos psicológicos e técnicas psicológicas que o profissional pode utilizar em conjunto com algumas características para avaliar e diagnosticar psicopatologias (ATKINSON et al., 2007). 3 COMPREENDENDO A RELAÇÃO DE PSICOPATOLOGIA COM DESENVOLVIMENTO HUMANO Na ciência Psicologia, a maioria dos autores e estudiosos da área de desenvolvimento compreendem que o ciclo da vida inicia na infância, percorre pela adolescência, perpassando pela juventude, vida adulta até chegar a velhice. Porém, também é importante mencionar que dentre esses períodos, há a concepção do bebê e o período da gestação, pois esses são períodos do desenvolvimento, pois ele não ocorre apenas após o nascimento do bebê, ou seja, o desenvolvimento humano ocorre desde o momento da concepção do indivíduo. 8 FIGURA 4 – GESTAÇÃO E O DESENVOLVIMENTO HUMANO FONTE: . Acesso em: 25 mar. 2022. Na Figura 4, pode-se verificar uma gestante, e isto demonstra o primeiro período do desenvolvimento humano, no qual ocorre a formação física, cognitiva e neurológica do indivíduo. Com isso, o ciclo da vida é composto por períodos, ou, como para alguns autores, fases da vida, que correspondem a uma faixa etária de idade e determinados comportamentos. FIGURA 5 – CICLO DA VIDA FONTE: . Acesso em: 25 mar. 2022. 9 Dessa maneira, conforme a Figura 5, durante o ciclo da vida, muitas são as mudanças que vão ocorrendo com o ser humano, como por exemplo: mudanças na fala (tom da voz, palavras formadas, frases formadas, construção de argumentação etc.), correr, equilibrar, altura e estatura, peso, formato do corpo. Mas, também ocorrem as mudanças no desenvolvimento cognitivo, como por exemplo: inteligência, pensamento, aprendizagem, percepção, atenção, motivação, entre outros aspectos que estão relacionados à cognição, que vão se modificando ao longo do desenvolvimento. Nesse sentido, as vivências e os comportamentos estão relacionados com as capacidades e habilidades dos indivíduos, como: físico, motor, sensorial, emocional, psicológico, social, que vão sendo alcançadas e aprimoradas ao longo da vida, nos diferentes períodos do ciclo da vida, na individualidade ou em grupo, com ou sem o auxílio de outros indivíduos, que podem estar no trabalho, da família, da escola (BEE; BOYD, 2009; TISSER; COIMBRA, 2019). Dessa maneira, Jean Piaget, Henri Wallon, Lev Vygotsky, que são autores clássicos do desenvolvimento humano, buscam compreender os comportamentos esperados em cada período do ciclo da vida, sendo que desses autores alguns se interessam por todos os períodos e alguns tem um maior interesse na infância. FIGURA 6 – INFÂNCIA FONTE: . Acesso em: 25 mar. 2022. Conforme representado na Figura 6, para o Psicólogo, na prática profissional, no atendimento de crianças ou adultos, independente do contexto profissional (clínica, organizacional, educacional, hospitalar etc.) é essencial que o profissional possa entender o desenvolvimento humano. 10 O profissional precisa entender os comportamentos, as capacidades e as habilidades relacionadas a cada um dos períodos da vida, porque os comportamentos que são considerados frágeis no olhar do profissional para o paciente, podem dizer muito a respeito do que o paciente esteja vivenciando, pois muitas vezes o comportamento sinaliza um sintoma ou característica de uma determinada psicopatologia. Para compreender o desenvolvimento adulto e da velhice é necessário entender as etapas anteriores a esse desenvolvimento, como o desenvolvimento da infância, adolescência e juventude, pois o avanço das habilidades e capacidades estão relacionados entre as fases da vida e que podem estar relacionadas a psicopatologia. IMPORTANTE Portanto, para compreender psicopatologia, primeiramente é preciso entender de desenvolvimento humano, então a seguir você compreenderá a respeito do desenvolvimento humano. 3.1 DESENVOLVIMENTO HUMANO: DA INFÂNCIA À VELHICE O ciclo da vida inicia na concepção do bebê, na qual é formado o feto e ele vai se desenvolvendo, passando o primeiro período de desenvolvimento durante a gestão da mãe, acompanhado pelo olhar do médico, durante os exames de pré-natal, sendo esse indicado pelos profissionais da saúde. Posteriormente ao nascimento, o desenvolvimento continua, com o crescimento da criança, também conhecido como desenvolvimento infantil, percorre de zero a dez anos de idade, pois nessa década as crianças adquirem e/ou aprimoram determinados comportamentos, capacidades, habilidades queestão associados ao campo motor, cognitivo, emocional e social (BEE; BOYD, 2009). 11 FIGURA 7 – DESENVOLVIMENTO INFANTIL FONTE: . Acesso em: 25 mar. 2022. Na Figura 7, verifica-se as mudanças do desenvolvimento físico na infância, segundo Bee e Boyd (2009) o desenvolvimento pode ser dividido em três grandes faixas etárias, sendo: primeira infância, segunda infância, período de latência e período de puberdade. A primeira infância está relacionada a faixa etária do nascimento até os primei- ros cinco anos de idade. Como demonstra a Figura 8, na primeira infância é o período que a criança precisa dos cuidados dos pais. FIGURA 8 – PRIMEIRA INFÂNCIA FONTE: . Acesso em: 25 mar. 2022. Nesse período, a criança está se relacionando com o mundo externo, construindo seus primeiros vínculos e laços afetivos, isto com os pais, irmãos, e as pessoas mais próximos, como os membros familiares (tios, tias, avôs, avós). A criança vai desenvolver as habilidades básicas, como: andar, falar e expressar seus sentimentos, como alegria, tristeza, desconforto, demonstrar afeto e carinho etc. (BEE; BOYD, 2009). 12 Posteriormente, ocorre a segunda infância, conhecido como um período de latência, na qual está a faixa etária após aos seis anos de idade até aproximadamente dez anos de idade, e que estão os momentos de conflito entre a criança e os responsáveis, e aqui não seria apenas a criança e os pais, mas a criança e um professor por exemplo (BEE; BOYD, 2009). Após a segunda infância, ocorre o chamado período de puberdade, que corresponde dos onze anos aos doze anos de idade, na qual a criança terá um maior desenvolvimento dos hormônios e do seu corpo, aproximando assim do período da adolescência (iniciando essa dos 12/13 anos de idade), preparando para um corpo adulto, com isso a adolescência inicia-se aos 12 anos de idade (as vezes um pouco mais tarde nos meninos) e percorre até aos 18 anos de idade. FIGURA 9 – ADOLESCÊNCIA FONTE: . Acesso em: 25 mar. 2022. Nesse período, como pode ser observado na Figura 9, ocorre um amadurecimento do corpo físico e socioemocional, e é por isso, que na adolescência é possível verificar no indivíduo as suas próprias opiniões, julgamentos, escolhas, também é um momento de construção da identidade (BEE; BOYD, 2009). Consequentemente inicia-se a juventude, dos 18 até 25 anos de idade), na qual se estuda, inicia a vida no trabalho, busca-se por uma profissão. Após a juventude, inicia-se a vida adulta. Segundo Oliveira (2004), existem poucos materiais teóricos sistematizados para entender os aspectos da vida adulta, diferente do que existe a respeito do desenvolvimento infantil. Assim: [...] a psicologia não tem sido capaz de formular, de modo satisfatório, uma psicologia do adulto. Na verdade, as teorias psicológicas são menos articuladas e complexas quanto mais avançamos no processo de desenvolvimento da pessoa: sabemos muito sobre bebês, bastante sobre crianças, menos sobre jovens e quase nada sobre adultos (OLIVEIRA, 2004, p. 217). 13 Na vida adulta, como demonstrado na Figura 10, os indivíduos estão com o corpo físico mais desenvolvido, compreende-se mais a respeito do si, do que em outras fases da vida, existe uma autonomia e maturidade frente aos aspectos de trabalho e educacional, porém a vida adulta é uma fase que comporta diferente faixas etárias. FIGURA 10 – VIDA ADULTA FONTE: . Acesso em: 25 mar. 2022. Assim, um dos estudiosos a compreender a fase adulta foi o pesquisador Erik Erikson (1998), que organizou o desenvolvimento humano em 8 estágios, esse período da vida adulta foi organizado por Erikson em três tempos (fases) distintos, sendo: • maioridade jovem – 21 a 40 anos; • meia idade – 40 anos até, aproximadamente, 60 anos • maturidade – após 60 anos, que corresponderia ao período do envelhecimento. Para compreender a psicopatologia no adulto, faz-se necessário entender o desenvolvimento adulto, pois o avanço das habilidades e capacidades estão relacionados durante toda a vida, inclusive nessa fase. IMPORTANTE 14 Diante do exposto, você acadêmico compreenderá a seguir de maneira aprofundada a respeito da vida adulta. 3.1.1 Relacionando desenvolvimento humano e a psicopatologia Segundo Sroufe (1997) os pesquisadores e estudiosos do desenvolvimento humano e psicopatologias possuem diferente maneiras de compreender essa relação e como ocorrem as patologias, assim na área da psicopatologia desenvolvimental relacionam que os transtornos mentais possuem seus desfechos à medida que ocorre o processo de desenvolvimento. Ainda, Sroufe (1997) relata que os transtornos psicológicos tem a sua origem a partir das relações interpessoais e dimensionais, que são complexas, assim muitas são as características dos indivíduos que estão nas relações, como: fatores biológicos, fatores genéticos e fatores psicológicos, e por sua vez, também se convergem com as características ambientais (cuidado parental, relacionamentos interpessoais, exposição a eventos estressantes) e também com fatores sociais, como por exemplo: rede de apoio social, nível socioeconômico etc. Nessa perspectiva, a psicopatologia desenvolvimental compreende ocorre o desenvolvimento do ser humano, e no processo de desenvolver pode ocorrer transtornos mentais que estejam relacionados às mudanças que os indivíduos têm que alcançar em cada etapa, ou seja, a experiência de cada fase faz com que o indivíduo evolua para outra fase, mas nesse avanço podem ocorrer fragilidades que desencadeie patologias. Assim, pode-se dizer que quando ocorre uma fragilidade, demora no avanço, ou até mesmo uma descontinuação, geram comportamentos que precisam ser verificados (POLANCZYK, 2009). Segundo Polanczyk (2009), há aspectos devem ser sempre verificados quando trata da perspectiva da psicopatologia desenvolvimental, como a adaptabilidade ao meio ambiente, pois é inato que todo indivíduo busque se adaptar ao contexto que está inserido, então conforme a idade e a fase do desenvolvimento, ocorrerá a adaptação por meio de comportamentos do indivíduo, por isso importante buscar interpretar comportamento versus meio ambiente, para assim entender a adaptabilidade do sujeito. Para Polanczyk (2009, p. 11), “[...] cabe a cada investigador avaliar criticamente a utilização desse modelo conceitual. A psicopatologia desenvolvimental refuta a ideia de que fatores de risco atuam de forma isolada e não se satisfaz apenas com a identificação de associações ou correlações”. Portanto, para compreender uma psicopatologia, também é preciso compreender o desenvolvimento humano, como visto aqui na perspectiva psicopatologia desenvolvimental o indivíduo é um ser que passa por um processo de desenvolvimento contínuo, e nesse processo podem ocorrer situações e vivências que devem ser verificadas e avaliadas, pois podem contribuir para o desenvolvimento de psicopatologias. 15 Mas ainda, como visto nesse tópico, para um determinado comportamento ser compreendido como patológico, muitos aspectos relacionados a normalidade e anormalidade precisam ser avaliados e interpretados. FIGURA 11 – PSICOPATOLOGIA E O DESENVOLVIMENTO FONTE: . Acesso em: 25 mar. 2022. Além disso, como demonstrado na Figura 11, sempre existirá a presença de sintomas, características etc., portanto, o Psicólogo é um profissional que possui instrumentos psicológicos, técnicas e ferramentas que podem auxiliar no diagnóstico de psicopatologias. A perspectiva psicopatologia desenvolvimental busca compreender e defender que há continuidade no processo de desenvolvimento e os transtornos mentais. IMPORTANTE 16 Neste tópico, você adquiriu certos aprendizados, como: RESUMO DO TÓPICO 1 • Os critérios relacionados à anormalidade são: frequência estatística, desvio social, comportamento de inadaptação e sofrimento pessoal.• A normalidade está relacionada com bem-estar emocional e com as características: preocupação adequada da realidade, capacidade de exercer controle voluntário sobre o comportamento, autoestima e aceitação, capacidade de formar relacionamentos afetivos e produtividade. • A discussão de comportamento normal e anormal em psicopatologia é complexa, pois requer cuidados e precisa ser avaliada e interpretada. • O pesquisador Erik Erikson, em seus estudos do desenvolvimento humano, determinou fases, como: maioridade jovem, meia idade e maturidade. • Para compreender desenvolvimento humano e psicopatologia, existe uma perspec- tiva nomeada como psicopatologia desenvolvimental. 17 1 A psicopatologia, mais do que o estudo dos transtornos mentais, busca estudar o discurso sobre o sofrimento psíquico, para, então, conhecer os sintomas e características das patologias. É por meio das descrições dos sintomas e características que o psicólogo pode realizar avaliação. A respeito da psicopatologia, quanto aos aspectos da anormalidade, assinale a alternativa CORRETA: a) ( ) Desvio social e comportamento de inadaptação. b) ( ) Produtividade e comportamento de adaptação. c) ( ) Produtividade e desvio social. d) ( ) Rendimento e comportamento de inadaptação. 2 A psicopatologia buscar definir e classificar os transtornos mentais, por meio dos comportamentos patológicos, descrevendo bem os sintomas apresentados em cada patologia, sendo esse conhecimento de extrema relevância para o início do tratamento de um paciente, principalmente na Psicologia Clínica. A respeito da psicopatologia, quanto aos aspectos da normalidade, analise as afirmativas a seguir: I- A normalidade está relacionada com bem-estar emocional. II- A preocupação adequada em relação à realidade está relacionada a normalidade do indivíduo. III- A capacidade de formar relacionamentos afetivos e a produtividade de um indivíduo no seu dia a dia são indicativos de bem-estar emocional e anormalidade. Assinale a alternativa CORRETA: a) ( ) As afirmativas I e II estão corretas. b) ( ) Somente a afirmativa II está correta. c) ( ) As afirmativas I e III estão corretas. d) ( ) As afirmativas I, II e III estão corretas. 3 O desenvolvimento humano na psicologia é mencionado como a compreensão do ciclo vital do ser humano. Assim, a Psicologia do Desenvolvimento estuda as diferentes fases da vida do indivíduo, da infância à velhice, e tais conhecimentos são utilizados em contextos da prática profissional do psicólogo. A respeito do desenvolvimento humano, classifique V para as sentenças verdadeiras e F para as falsas: ( ) O desenvolvimento humano é reconhecido por apresentar diferentes fases, como a infância, a adolescência, a vida adulta e a velhice. ( ) O desenvolvimento infantil deve ser estudo a partir do nascimento. ( ) O desenvolvimento humano está relacionado a compreender os comportamentos, vivências e as capacidades motora, cognitiva, emocional e social. AUTOATIVIDADE 18 Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA: a) ( ) V – F – F. b) ( ) V – F – V. c) ( ) F – V – F. d) ( ) F – F – V. 4 Erik Erikson, psicanalista, conhecido por ser um dos estudiosos e precursor de Anna Freud, estudou não apenas a psicanálise, mas o desenvolvimento humano, e após isso desenvolveu uma série de obras que contribuíram para a Psicologia enquanto ciência e profissão. Disserte sobre quais as nomenclaturas que utilizou para explicar a respeito de vida adulta e velhice. 5 A Psicologia é uma ciência que apresenta sempre muitas visões a respeito de um único assunto, assim possibilita a discussão e reflexão de um único tema, sob várias perspectivas. Com a psicopatologia não é diferente, porém existe uma perspectiva da psicopatologia que considera o desenvolvimento humano. Disserte sobre a perspectiva psicopatologia desenvolvimental. 19 PSICOPATOLOGIA: VIDA ADULTA 1 INTRODUÇÃO Como já abordado no Tópico 1, existe uma complexidade para diagnosticar e definir um comportamento como patológico, isto porque muitos são os critérios que devem ser investigados na busca da compreensão entre um comportamento normal e anormal, e ainda, para além dos critérios está a relação do comportamento apresentado com o processo de desenvolvimento daquele indivíduo. A psicopatologia desenvolvimental também convida a entender a importância da faixa etária, fase do desenvolvimento, e os acontecimentos de determinada fase, para que em conjunto com uma investigação por meio de técnicas da psicologia, instrumentos psicológicos, manuais, o psicólogo possa então diagnosticar uma psicopatologia. Ainda, vale ressaltar que, em alguns casos esse trabalho não é apenas do psicólogo, mas um trabalho em conjunto com outros profissionais. Dessa maneira, no Tópico 2, você acadêmico avançará seus conhecimentos a respeito da psicopatologia, pois estudará a respeito do teórico Erik Erikson, e a pers- pectiva dele a respeito do desenvolvimento humano, principalmente em relação à fase adulta e velhice. Ainda neste tópico, você conhecerá como ocorre a psicopatologia em adultos e os aspectos que devem ser levados em consideração e, por fim, entenderá a respeito de transtorno de ansiedade, depressão e estresse. UNIDADE 1 TÓPICO 2 - 2 O DESENVOLVIMENTO HUMANO NA VIDA ADULTA E AS PATOLOGIAS Quando verificamos diversas pessoas, homens e mulheres, como na Figura 13, podemos pensar que a maioria dos indivíduos estudam ou já estudaram, assim avançando seus conhecimentos básicos ou específicos, voltados para uma profissão ou não. Também podemos pensar que alguns podem ser casados, com suas famílias, ou que alguns namoram, mas não são casados, que alguns são solteiros, mas podem ter filhos, ou seja, vivências de uma vida adulta. Dessa maneira, nesse relato, aborda-se a respeito de características que fazem parte da vida adulta, que atualmente na literatura científica há uma discussão e reflexão de quando iniciaria em termos de idade, essa fase no ciclo vital, devido às mudanças da sociedade contemporânea. 20 FIGURA 12 – PESSOAS E A VIDA ADULTA FONTE: . Acesso em: 25 mar. 2022. Para o presente estudo, utilizou-se da teoria do desenvolvimento de Erik Erikson, que é clássica, e muito consolidada dentro da ciência Psicologia. Posteriormente, você compreenderá a psicopatologia no adulto. 2.1 TEORIAS DO DESENVOLVIMENTO E ERIK HOMBURGER ERIKSON Erik Homburger Erikson, nasceu em 1902, Frankfurt – Alemanha, morreu em 1994, Harwich. Segundo Picirilli (2018), reconhecido teórico iniciou sua trajetória acadêmica como estudante de artes plásticas na Europa, mas após conhecer Anna Freud, filha de Sigmund Freud, ele passou a estudar a psicanálise em Viena a convite, e depois se aprofundou em outros temas e conhecimentos da psicologia. Sob orientação de Anna, submeteu-se à psicanálise e tornou-se, ele próprio, psicanalista, assim início da carreira, o interesse de Erikson esteve voltado para o trata- mento de crianças e as suas concepções de desenvolvimento e de identidade influen- ciaram as pesquisas posteriores, nomeadamente a respeito da adolescência, assim foi Erikson que abordou pela primeira vez o termo "crise da adolescência" e assim a estudou. FIGURA 13 – TRATAMENTO INFANTIL FONTE: . Acesso em: 25 mar. 2022. 21 Conforme Picirilli (2018), em 1927, Anna Freud iniciou uma escola a respeito da psicanálise, na qual realizada orientações, bem como trabalhava com crianças e com tema da infância, então Erikson também envolvido com o ensino infantil, passou a reconhecer a importância das brincadeiras na compreensão do ego e de seu desenvolvimento. O estudioso Erikson é reconhecido por ser um psicanalista responsável pelo de- senvolvimento da Teoria do Desenvolvimento Psicossocial na Psicologia, pois estudou o ciclo da vida e construí as fases do desenvolvimento para explicar o desenvolvimento humano. Tornou-se um dos teóricosde grande relevância da Psicologia do desenvolvi- mento, pois apresentou grande contribuições, dentre as teorias do desenvolvimento humano, assim como Jean Piaget, Lev Vygotsky e Henry Wallon, porém a contribuição marcante de Erikson é em estudar a vida adulta e a velhice, embora tenha estudado outras fases do ciclo da vida e ter feitos contribuições a elas. Dessa maneira, Erikson construiu sua teoria do desenvolvimento na perspecti- va psicanalista, porém, além disso, ele se interessou em estudar o desenvolvimento e a vida de tribos indígenas norte-americanas, então estes e outros estudos que Erikson realizou, acabaram fazendo parte do processo que envolve a construção da identida- de, que mais tarde veio a chamar formação de identidade, muito discutido na fase da adolescência (PICIRILLI, 2018). Assim, todos os estudos de Erikson contribuem para sua teoria, e para com- preender o desenvolvimento humano, bem como a vida adulta e a velhice. Compreen- deremos, a seguir, o desenvolvimento segundo Erikson, aprofundando na vida adulta. Para um futuro psicólogo, importante compreender a teoria de Erik Erikson a respeito da vida adulta, pois esse é um dos autores que mais abordam essa fase da vida, e nos contextos profissionais do psicólogo muitas vezes terá esse público (adulto) para ser atendido. NOTA https://pt.wikipedia.org/wiki/Psicanalista https://pt.wikipedia.org/wiki/Teoria_do_Desenvolvimento_Psicosocial https://pt.wikipedia.org/wiki/Psicologia https://pt.wikipedia.org/wiki/Psicologia_do_desenvolvimento https://pt.wikipedia.org/wiki/Psicologia_do_desenvolvimento 22 2.1.1 Desenvolvimento humano: vida adulta e psicopatologias O estudioso Erik Erikson em sua teoria do desenvolvimento psicossocial abordou oito fases do desenvolvimento humano. As fases mencionadas pelo autor, são: sensorial (do nascimento até por volta de 18 meses), muscular (dos 18 meses aos 3 anos, aproximadamente), motor (dos 3 aos 5 anos), latência (dos 5 aos 13 anos), moratória psicossocial (dos 13 aos 21 anos), maioridade jovem (dos 21 aos 40 anos, aproximadamente), meia-idade (40 anos até, aproximadamente, 60 anos), maturidade (após 60 anos). Dessa maneira, como nesse tópico o estudo é a respeito da vida adulta, faz- se aqui o foco na compreensão de Erikson nessa fase. Portanto, a fase 6, chamada de maioridade jovem, corresponde dos 21 anos aos 40 anos, aproximadamente. Nesse período, a crise do adulto jovem se configura entre a intimidade e solidariedade versus isolamento. Para Erikson (1998), o indivíduo anseia e dispõe-se a fundir a sua identidade com a de outros, estando preparado para a intimidade, com isso o sujeito tem a capacidade de confiar e ser fiel, mesmo que isso implique em deixar suas próprias vontades, se esforçar pelo outro. Ao contrário, seria o chamado o reverso da intimidade, muito parecido com o comportamento de isolamento, a tendência a distanciar-se, podendo até mesmo a destruir as forças e pessoas que sente como ameaças para si e que possam invadir as relações. O isolamento também pode estar relacionado com o sentimento de não se sentir reconhecido (ERIKSON, 1998). Conforme destaca Boyd e Bee (2009), essa é uma fase marcada por estabelecer relacionamentos íntimos, incluindo a vivência de casar e construir seu próprio grupo familiar, ou seja, no início da idade adulta, o desenvolvimento bem-sucedido requer a capacidade de renunciar suficientemente à identidade independente para comprometer- se em uma relação verdadeiramente íntima. Posteriormente, na fase 7, nomeada como meia-idade, também corresponde a idade adulto, dos 40 anos até, aproximadamente, 60 anos. Nesse período, a crise psicossocial destacada pelo autor está relacionada em “generatividade”, produtividade versus estagnação, imersão em si (ERIKSON, 1998). 23 FIGURA 14 – MEIA-IDADE FONTE: . Acesso em: 25 mar. 2022. Na Figura 14, a representação de mulheres na faixa etária que o autor chamou de meia-idade. Para Boyd e Bee (2009), nessa fase instala-se a necessidade de desenvolvimento de criatividade, por meio da relação e criação dos filhos, bem como no contexto de trabalho e na relação com os outros grupos sociais, não apenas trabalho e família, mas em outros locais de convívio desse indivíduo com a sociedade. Este é um momento, fase, em que o indivíduo busca imprimir sua marca no mundo. Desse modo, na perspectiva psicopatologia desenvolvimental, a psicopatologia do adulto está relacionada a problemas ou transtornos psicológicos que na maioria das vezes foram desenvolvidos em outros momentos da vida, ou seja, alguma fragilidade ocorreu no processo do desenvolvimento, porém diversas são as razões para que isso possa ocorrer. Segundo Mello et al. (2009), a psicopatologia no adulto faz-se necessário a investigação e o conhecimento do histórico infantil. Associada ao desenvolvimento de uma psicopatologia é alguns tipos de vivência que possam deixar possíveis marcas na história de vida, como: doença física, doença psíquica, internamento hospitalar, sintomas graves de diferentes doenças que levam a quadros psicológicos. Podendo esses ser na própria história de vida do indivíduo adulto (com a psicopatologia), ou até mesmo que tenha ocorrido na sua infância, mas com algum membro familiar ou relevante, que tenham impactado a sua própria história, por exemplo: a internação de um pai, a doença de uma mãe etc. Nesse sentido, Gonçalves e Heldt (2009) relatam que, ao avaliar sintomas, carac- terísticas e até mesmo traços de psicopatologia no adulto, é importante compreender o histórico da infância. Por exemplo: a ansiedade é uma das mais observadas na infância, e que pode agrava com o avanço da idade, tornando-se patológica na vida adulta. 24 Gonçalves e Heldt (2009) apresentam que no caso da ansiedade, para mini- mizar riscos psicopatológicos na vida adulta, bem como a presença de sintomas ou desconfortos que possam agravar para um quadro clínico é relevante que os problemas associados à perturbação de ansiedade, na infância, sejam alvo de avaliação e interven- ção nessa mesma fase de desenvolvimento (infância ou quando ela aparecer) ou o mais cedo possível, com o fim de evitar consequências à vida adulta. Este aspecto de cuidado e intervenção deve ocorrer com qualquer sintoma psicopatológico. Assim, existem ainda problemas psicológicos e/ psiquiátricos originados na fase da infância, que se associam também à questão dos maus tratos e/ou negligência e que se traduzem em transtornos da personalidade no adulto, e outras psicopatologias, como: dependência de álcool, transtorno ou perturbação alimentar, ansiedade, estresse etc. Nesse sentido, Mello et al. (2009) relatam que, no processo do desenvolvimento, de uma infância até à evolução de uma psicopatologia na vida adulta, diferentes situações podem ocorrer e que podem contribuir com o desenvolvimento de uma psicopatologia, por isso os motivos podem ser aspectos iniciados no nascimento, no ambiente em que o indivíduo cresceu e se desenvolveu (família, escola) e no ambiente onde se insere no momento (trabalho, família, espaço educacional etc.). No entanto, nem sempre que tenha ocorrido histórico de maus tratos ou negligência, significa que existem casos de psicopatologia ligados a problemas de saúde físicos que condicionaram a saúde mental do indivíduo, por isso a necessidade de investigação, avaliação, e se necessário, intervenção psicológica, ou ainda, também psiquiátrica. Para compreender a psicopatologia apresentada na vida adulta, faz-se necessário entender a história de vida no indivíduo e o processo de desenvolvimento até aquela determinada faixa-etária. Ainda, é importante compreender a relação da especificidade daquele momento do desenvolvimento com os sintomas e queixas apresentadas pelo paciente. DICA 3 PSICOPATOLOGIAS DA VIDA ADULTA A respeito da vida adulta e psicopatologias, muitas são as psicopatologias que podem ser apresentadas por um indivíduo na vida adulta.Segundo Oreskovic (2016), mais de 450 milhões de pessoas sofrem com algum transtorno de saúde mental. Nesse momento será abordado a respeito da ansiedade e depressão. 25 A presença de sintomas relacionados a ansiedade no indivíduo adulto é comum, bem como a presença de sintomas da ansiedade foram desenvolvidas ao longo da infância, mas que não foram avaliadas ou que não teve a intervenção necessária, isto é mencionado por Gonçalves e Heldt (2009), os quais destacam que a psicopatologia do adulto tem sempre, ou quase sempre, a presença de sintomas de ansiedade, iniciada na infância, que não foi devidamente, alvo de intervenção profissional, no momento da sua origem. A complementar: [...] os transtornos de ansiedade na infância são preditores e podem atuar como fatores de risco para psicopatologias na vida adulta. Mesmo considerando que os locais de origem dos estudos foram em países diferentes, isto é, com diferentes culturas e hábitos, os resultados encontrados foram semelhantes (GONÇALVES; HELDT, 2009, p. 537). Manfro et al. (2002) destacam que, na maioria dos casos, além dos sintomas de ansiedade, é comum que, problemas menos bem resolvidos na infância, estendam para desenvolver, e assim a longo prazo, os sintomas ou características vão para a vida adulta, e grande parte estão relacionados à depressão na vida adulta. Portanto, como visto nesse tópico, é comum os autores relatarem que a maioria das psicopatologias da vida adulta está associada a um padrão de comorbidades desenvolvidas ainda na fase da infância do ciclo vital (MANFRO et al., 2002). A seguir, você entenderá a respeito de ansiedade e depressão. 3.1 ANSIEDADE A ansiedade está muito relacionada a preocupação, porém na vida adulta é comum e até esperado que se tenha preocupação com algumas situações e vivências, como por exemplo, preocupação em realizar todas as funções do trabalho, preocupação que os filhos tenham saúde, porém a ansiedade quanto a psicopatologia é muito mais do que uma preocupação do cotidiano. Costa et al. (2019, p. 93) apontam que “[...] os transtornos de ansiedade geral- mente prejudicam a vida diária dos indivíduos, pois muitos deixam de realizar atividades rotineiras por medo das crises ou sintomas”. Segundo Baxter, Scott e Whiteford (2013), por meio de uma revisão da literatura com 87 estudos, foi verificado que, em 44 países, a prevalência atual dos transtornos de ansiedade é cerca de 7,3% (4,8%-10,9%). Dessa maneira, os transtornos de ansiedade são patologias relacionadas ao funcionamento do corpo em virtude das experiências da vida, assim um indivíduo pode-se sentir ansioso a maior parte do tempo sem nenhuma razão aparente, ou, ainda, pode-se ter ansiedade, de modo que a pessoa se sentirá sem autonomia sobre seus comportamentos, impedida de realizar suas atividades, ou uma atividade em especial, dependendo da situação. https://knoow.net/ciencsociaishuman/psicologia/ansiedade/ https://knoow.net/ciencsociaishuman/psicologia/infancia/ 26 Com isso, a sensação de ansiedade pode ser tão desconfortável que, para evitá- la, as pessoas deixam de fazer atividades/ações do cotidiano, como por exemplo: usar o elevador, realizar uma leitura em silêncio, ter atenção em uma orientação, isto por causa do desconforto que sentem com a situação, ou uma agitação frente a preocupação e medo que levam a não ter atenção, concentração e/ou uso da percepção, tudo dependerá do caso e situação. Os transtornos da ansiedade têm sintomas muito mais intensos do que aquela ansiedade normal do dia a dia. Eles aparecem como: preocupações, tensões ou medos exagerados (a pessoa não consegue relaxar); sensação contínua de que um desastre ou algo muito ruim vai acontecer; preocupações exageradas com saúde, dinheiro, família ou trabalho; medo extremo de algum objeto ou situação em particular; medo exagerado de ser humilhado publicamente; falta de controle sobre os pensamentos, imagens ou atitudes que se repetem independentemente da vontade; pavor depois de uma situação muito difícil. FIGURA 15 – ANSIEDADE FONTE: . Acesso em: 25 mar. 2022. Na Figura 15, a representação do sintoma “preocupações”, do indivíduo voltar seus pensamentos para suas preocupações. Por isso, Costa et al. (2019) relatam que os transtornos de ansiedade diferem entre si nos objetos ou situações, porém sempre estão relacionados a situações que induzem o medo, ansiedade ou comportamento de esquiva. Costa et al. (2019), ao realizar pesquisa de ansiedade, detectaram que os dados demonstram que os transtornos de ansiedade são muito frequentes em adultos, sendo mais prevalentes entre as mulheres do que em homens, e os transtornos ansiosos, estão associados principalmente as condições socioeconômicas e substâncias lícitas. Em relação ao tratamento da ansiedade, pode-se dizer que, existem três tipos de tratamento para os transtornos de ansiedade, sendo: tratamento com o uso de medicamentos, tratamento com psicoterapia, e o tratamento com o combinado de medicamentos e psicoterapias. 27 O tratamento com o uso de medicamentos, sempre com acompanhamento e receita médica, normalmente envolvendo médicos psiquiatras, ou médicos especialistas que tenham compreendido a situação, vivência e sintomas do paciente relacionados a ansiedade; os atendimentos psicológicos. A respeito dos atendimentos psicológicos, sendo a chamada psicoterapia, corresponde ao diálogo com o profissional psicólogo, que utilizará de uma abordagem psicológica para compreender o paciente, bem como os sintomas apresentados e assim realizar o diagnóstico, ansiedade, bem como fará a intervenção, de modo a utilizar de técnicas e ferramentas. Por fim, o tratamento da combinação, sendo o uso de medicamento e os atendimentos psicológicos, na qual o paciente realiza a psicoterapia, mas também utiliza de medicações, porém nesse caso, envolve mais de um profissional trabalhando o paciente, médico e psicólogo, uma vez que o psicólogo não receita medicação, assim é preciso que ocorra diálogo entre os profissionais da saúde, para que discutam o caso, de modo a acompanhar o paciente, buscando uma saúde integrada (física e psíquica), pois cada profissional atuará dentre as suas especialidades. Atualmente existem instrumentos psicológicos, como testes e escalas psicológicos que podem auxiliar o psicólogo na investigação e diagnóstico do transtorno de ansiedade. GIO 3.2 DEPRESSÃO A “[…] depressão é um transtorno multifatorial, de alta prevalência, considerada um problema de saúde pública mundial. Diversas são as variáveis implicadas no desenvolvimento e manutenção deste transtorno, como as psicológicas, sociais e biológicas” (BARROSO; BAPTISTA; ZANON, 2018, p. 26). A complementar, segundo a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS, [2021?]), a depressão é um transtorno mental comum, e estima-se que 300 milhões de pessoas são afetadas por essa condição, sendo mais mulheres que sofrem de depressão do que os homens. A depressão é caracterizada por sintomas, como a tristeza, e a perda de interesse ou prazer em situações da rotina, como nas situações vivenciadas em família e no trabalho. O indivíduo pode apresentar um sentimento de culpa ou baixa 28 autoestima, e diante desse cenário, ocorre sono e apetite alterados. Alguns indivíduos apresentam um cansaço sem explicação, e alteração de algumas funções, como, falha na memória, alteração na atenção e concentração. Segundo Thorsen et al. (2013 apud BARROSO; BAPTISTA; ZANON, 2018, p. 26): “A depressão maior se caracteriza por humor rebaixado persistente e perda de interesse em atividades prazerosas, gerando grande prejuízo funcional e social, anos de vida perdidos ou vividos com incapacidade, além de agravar os sintomas de outras doenças”. A depressão é uma patologia com causas multifatoriais, que incluem aspectos de personalidade, sociais e de relacionamentos interpessoais, não podendo ser atribuída a uma causa única. Na Figura 16, há a representaçãoda depressão, na qual muitas vezes o indivíduo fica triste, deitado, isolado, porém estas características embora bastante comum, nem sempre ocorre em todas os indivíduos da mesma maneira, e existe diferentes graus de depressão (leve, moderado, grave). FIGURA 16 – DEPRESSÃO FONTE: . Acesso em: 25 mar. 2022. Dessa maneira, indivíduos com depressão podem ter várias e diferentes queixas físicas sem nenhuma causa aparente. Ainda, a depressão pode ser apresentada com longa duração ou até mesmo algo mais breve, mas sempre acaba gerando prejuízos em relação à execução de atividades rotineiras, do trabalho ou da escola. Importante mencionar que em estado mais grave, a depressão pode levar ao suicídio. Existem também tratamentos eficazes em relação à depressão. A depressão em seu estado leve e moderado pode ser tratada com terapias que utilizam o diálogo, como o atendimento com psicólogo, podendo esse ser de diferentes abordagens psicológicos e utilizar de diferentes tipos de técnicas para intervenção com o paciente. 29 Segundo a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS, [2021?], n.p.): [...] existem programas de prevenção que têm demonstrado a redução da depressão, tanto em crianças (por exemplo: proteção e apoio psicológico após abuso físico e sexual) quanto em adultos (por exemplo: assistência psicossocial após desastres e conflitos). Ainda, há casos que pode ser utilizado de medicação, como os antidepressivos, sendo esses um amaneira eficaz de tratamento para a depressão de moderada a grave, mas não é a melhor maneira de tratamento para casos de depressão leve em adultos. O trabalho de psicólogos com médicos psiquiatras pode contribuir com pacientes diagnosticados com depressão, no tratamento combinado com psicoterapias (atendimentos psicológicos) e medicações específicas para os sintomas de depressão. NOTA O tratamento da depressão inicia com um diagnóstico multidisciplinar, com psicólogos e médicos para a realização da avaliação. O psicólogo pode na avaliação utilizar de entrevista semiestruturada, anamnese, e instrumentos psicológicos. Posteriormente, o psicólogo pode realizar atendimentos psicológicos, como psicoterapia, aplicando de diferentes técnicas, conforme a abordagem psicológica a ser utilizada pelo profissional. 3.3 ESTRESSE A sociedade atual vivencia uma série de mudanças que impacta no cotidiano dos indivíduos, e para conviver e enfrentar as mudanças e os seus impactos, os indivíduos vivem o tempo todo se adaptando com as situações, pessoas, tecnologia, entre outros aspectos. Por isso, é preciso que os indivíduos se movimentem o tempo todo, com energia física e psíquica para se adaptar (SILVA; CARMO; OLIVEIRA, 2018). “Nesse sentido, pode ocorrer que a velocidade das transformações seja diferente da velocidade da capacidade de adaptação do indivíduo, levando a ocorrer uma incoerência, e acabe resultando num desequilíbrio, e surgindo assim as situações de estresse [...]”. (SILVA; CARMO; OLIVEIRA, 2018, n.p.). A palavra stress tem origem no latim, e tem como significado “fadiga”, “cansaço”, alguma coisa “apertada” ou “penosa”. 30 Seguindo esse ponto de vista, o estresse nada mais é que uma reação que o organismo realiza para adaptar a um evento ou uma situação que é desconfortável e/ou inesperada, por isso é uma reação que exige muito do organismo, e isto ocorrerá por meio de componentes físicos, psicológicos, emocionais e fisiológicos” (SILVA; CARMO; OLIVEIRA, 2018, n.p.). Para compreender o estresse, existem teorias que buscam explicar a origem dos seus sintomas e das suas características. Segundo Lipp e Malagriss (2001), a teoria de Hans Selye propõe que o estresse resulta em três relevantes alterações do organis- mo, e essas alterações primeiramente foram descobertas e verificadas no organismo de ratos para depois serem compreendidas no homem, com as adaptações necessárias, e assim o modelo ficou conhecido como modelo trifásico do estresse. O modelo trifásico do estresse recebe esse nome por identificar que o or- ganismo passaria por três fases no processo do estresse, sendo pelas fases: alerta, resistência e exaustão. A fase de alerta inicia quando o indivíduo se depara com uma situação que gera o estresse, ou seja, uma situação que o organismo precisa se adap- tar, podendo ocorrer uma “fuga” ou “luta” diante a situação (LIPP; MALAGRISS, 2001). A fase de resistência, o que gera o estresse pode ser de longa duração ou de grande intensidade, e com isso o organismo buscará o equilíbrio interno, reestabelecendo- se de uma forma reparadora. O organismo utilizará das reservas de energia adaptativa, contudo, se essa energia for suficiente, o indivíduo sai do processo de estresse, mas se o esforço de adaptação exigir mais que a reserva, o organismo enfraquecerá e se tornará vulnerável às doenças. E por fim, na fase de exaustão, se o indivíduo não tiver resistência suficiente para lidar com as causas que estão ocasionando o estresse, ou ainda, se ocorrerem outras situações estressantes concomitantes, ocorrerá uma evolução do processo de estresse (LIPP; MALAGRISS, 2001). Entretanto, após muitas pesquisas e investigações, a Psicóloga, Profa. Dra. Marilda Lipp identificou que existe uma fase chamada de fase de quase-exaustão, a qual fica entre a fase de resistência e a fase de exaustão, e com isso a pesquisadora nomeou propôs o modelo quadrifásico, expandindo aquele modelo inicial de Hans Selye (LIPP; MALAGRISS, 2001). Dessa maneira, entende-se que, em situações estressantes, em cada fase que o indivíduo vivencia, podem ocorrer respostas fisiológicas, físicas, psicológicas e emocionais, podendo o indivíduo apresentar respostas de comportamentos, como: depressão, desanimo, apatia, hipersensibilidade emotiva, raiva, ira, ansiedade, e ainda, podem desencadear surtos psicóticos e crises neuróticas em indivíduos que tenham predisposição (SILVA; CARMO; OLIVEIRA, 2018). Segundo Lipp e Malagriss (2001), o estresse é uma das causas mais comuns de doenças relacionadas ao trabalho, apresentando impactos à saúde mental e física do trabalhador, porém cada indivíduo tem formas diferentes de reagir ao enfrentamento do estresse e as consequências que vem dele. 31 RESUMO DO TÓPICO 2 Neste tópico, você adquiriu certos aprendizados, como: • Erik Homburger Erikson é reconhecido por ser um psicanalista responsável pelo desenvolvimento da Teoria do Desenvolvimento Psicossocial. • As psicopatologias da vida adulta podem ter origem da fase da infância, segundo a perspectiva da psicopatologia desenvolvimental. Por isso existe uma grande importância de avaliação, diagnóstico, bem como intervenção das psicopatologias. • Os transtornos de ansiedade diferem entre si nos objetos ou situações, porém sempre estão relacionados a situações que induzem o medo, ansiedade ou comportamento de esquiva. • A depressão é caracterizada por tristeza, bem como perda de interesse ou prazer. Ainda existe também o sentimento de culpa ou baixa autoestima, que pode apresentar sono e apetite alterados. Alguns indivíduos sentem cansaço e falta de concentração. • O estresse é uma reação que o organismo realiza para adaptar a um evento ou uma situação que é desconfortável e/ou inesperada, por isso é uma reação que exige muito do organismo, e isto ocorrerá por meio de componentes físicos, psicológicos, emocionais e fisiológicos. • A ansiedade, depressão e estresse que se apresentam de maneira leve, moderada e grave possuem tratamento. https://pt.wikipedia.org/wiki/Psicanalista https://pt.wikipedia.org/wiki/Teoria_do_Desenvolvimento_Psicosocial 32 1 A respeito do desenvolvimento humano, um grande estudioso, por meio de sua teoria nomeada como teoria do desenvolvimento psicossocial, abordou as fases maioridade jovem – dos 21 aos 40 anos, aproximadamente, meia-idade – 40 anos até, aproximadamente, 60 anos, maturidade – após 60 anos. Sobre o autor dessa teoria, assinale a alternativa CORRETA: a) ( ) Erik Erikson.a afirmativa III está correta. AUTOATIVIDADE 153 3 A avaliação psiquiátrica se define como instrumento importante para identificar a situação psicológica do paciente, isto é, se o paciente possui a noção e sabe se situar na realidade em que habita. Sobre a avaliação psiquiátrica, classifique V para as sentenças verdadeiras e F para as falsas: ( ) Quando tratamos da consulta de avaliação psiquiátrica, falamos de uma avaliação particular restrita ao psicólogo. ( ) No primeiro momento, na avaliação psiquiátrica, é aplicada uma entrevista para informar-se sobre o paciente e pode ser necessário uma entrevista com outras pessoas vinculadas ao paciente. ( ) A avaliação psiquiátrica corresponde a especificamente pesquisar tanto a dinâmica normal, como prováveis variações e distúrbios do sistema nervoso. Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA: a) ( ) V - F - F. b) ( ) V - F - V. c) ( ) F - V - F. d) ( ) F - F - V. 4 Prestar serviços psicológicos de qualidade, em circunstâncias de trabalho decentes e adequadas ao que a demanda solicita, sendo balizado por valores, saberes e metodologias reconhecidamente sustentados na ciência psicológica operando em uma equipe multiprofissional, não é tarefa fácil. Neste contexto, disserte sobre o trabalho do psicólogo em avaliação psicológica em equipe multiprofissional. 5 A Avaliação Psicológica de pacientes em serviços de saúde coloca em evidência a importância do emprego de diferentes tomadas de medidas, planejamento, reconhecimento das particularidades da história e das queixas indivíduo, do seu ambiente e da vinculação do paciente com o seu entorno. Para tanto, é preciso que o psicólogo se guie por dimensões éticas. Disserte sobre a ética do psicólogo em equipe multiprofissional. 154 REFERÊNCIAS ALCHIERI, J. C.; BANDEIRA, D. R. Ensino da Avaliação Psicológica no Brasil. In: PRIMI, R. Temas em Avaliação Psicológica. Campinas: Impressão Digital do Brasil, 2002, p. 35-39. ALTOÉ, S. Menores em tempo de maioridade: do internato-prisão à vida social. Rio de Janeiro: Editora Universitária Santa Úrsula, 1993. BOTEGA, nº J. Prática psiquiátrica no hospital geral: interconsulta e emergência. Porto Alegre: Artmed, 2006. CFP (CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA). Resolução CFP nº 007, de 14 de junho de 2003. Institui o Manual de Elaboração de Documentos Escritos produzidos pelo psicólogo, decorrentes de avaliação psicológica e revoga a Resolução CFP 17/2002. Brasília: Conselho Federal de Psicologia, 2003. Disponível em: https://site.cfp.org.br/ wp-content/uploads/2003/06/resolucao2003_7.pdf. Acesso em: 21 mar. 2022. CFP (CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA). Código de Ética Profissional do Psicólogo. Brasília: Conselho Federal de Psicologia, 2005. 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