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2 Educação Educação O antropólogo Carlos Rodrigues Brandão afirma, em seu livro O que é Educação, que “ninguém escapa da educação. Em casa, na rua, na igreja ou na escola, de um modo ou de muitos, todos nós envolvemos pedaços da vida com ela.” (BRANDÃO, 1995). Portanto, não há uma forma única nem um único modelo de educação. A escola não é o único lugar em que ela acontece. E ainda, a educação existe de formas diferentes em mundos diversos: sociedades tribais, agricultores, etc. Entre os humanos, a educação não continua apenas o trabalho da vida. É um domínio propriamente humano de intenções e da cultura. http://mundoeducacao.bol.uol.com.br/geografia/a-populacao-indigena-no-brasil.htm Educação Na aldeia africana, o mais velho ensina para as crianças o saber da tribo. Quando um povo alcança um estágio complexo de organização da sua sociedade e de sua cultura, ele começa a pensar como problema as formas e os processos de transmissão do saber. http://www.survivalinternational.org/news/11667 Educação Esse é o começo do momento em que a educação vira o ensino, que inventa a pedagogia, reduz a aldeia à escola e transforma “todos” em educadores. Entre os gregos, sempre se conservou a ideia de que todo o saber que se transfere pela educação circula através de trocas interpessoais, de relações físicas e simbolicamente afetivas. Educação A educação do homem existe por toda parte e, muito mais do que a escola, é o resultado de todo o meio sociocultural sobre os seus participantes. (LOURO, 1997) https://esquadraodoconhecimento.wordpress.com/2013/05/20/20-de-maio-dia-do-pedagogo/ Educação Podemos situar a antropologia aplicada à educação no conjunto de conhecimentos da antropologia norte- americana, na primeira metade do século XX, com as antropólogas Ruth Benedict, Margaret Mead, dentre outras. Elas preocuparam-se com a reprodução social através dos aparelhos educativos formais e informais, mostrando a influência das técnicas educativas na formação da personalidade. Educação Margaret Mead pesquisou o modo de transmissão das gerações mais velhas para as gerações que se iniciam na vida social, com o foco na formação da personalidade. Demonstrou a possibilidade de rever e mudar o comportamento e o modo de ser e de viver de crianças e adolescentes no seu país, na intenção de amortizar as relações opressivas. Educação Em suas pesquisas, mostrou que a adolescência, com as características tão bem conhecidas e delimitadas por nós, é um fenômeno sociocultural e não meramente uma questão fisiológica. Os estudos de Mead foram importantes no sentido de desnaturalizar as concepções correntes no que diz respeito as noções de masculinidade e feminilidade como sendo fixas, mostrando que variavam de cultura para cultura. Educação Tal abordagem demonstrava as especificidades culturais, possibilitando um diálogo intenso com a psicologia e a psicanálise, tendo como intuito afirmar e confirmar a existência de “personalidades culturais”. Educação Na luta constante pela sobrevivência no relacionamento com a natureza, o ser humano tem gerado sistemas de crenças, formas de organização, ideias e valores. Essa “herança social”, como denomina o antropólogo Bronislaw Malinowski, e que proporciona consistência e direção ao afazer cotidiano do homem, damos o nome de cultura. Em todo processo educativo, há um modelo de ser humano, de comportamento e também de sociedade. Educação Nesse sentido, o ser humano nasce com todas as potencialidades para se tornar “humano”. Entretanto, tudo dependerá do processo educativo que recebeu, a partir do modelos do seu meio social e cultural. Por isso, podemos afirmar que educar é humanizar, contribuir para que ela reconheça seu próprios limites e possibilidades. Educação A Antropologia da Educação buscará, na reflexão filosófica, um direcionamento ético para a ação pedagógica e, nas ciências, um auxílio para compreender melhor o ser humano como ser biológico e social. (BORDIEU, p.78) Toda prática educativa, de maneira consciente ou inconsciente, firma-se sobre um conceito de ser humano e de sociedade. Ambas imagens, frequentemente inconscientes, flutuam como modelos na mente do educador. Educação Essas formas, por vezes confusas, assentadas na mente do educador, são as que dão coerência e inteligibilidade ao processo pedagógico, por isso, surpreende a carência de trabalhos relativos à Antropologia da Educação. Educação A Antropologia da Educação enraíza-se nas diferentes ciências em que divide a Antropologia. Por separado, cada uma delas, devido à sua especialização, torna-se insuficiente para delimitar a imagem de ser humano a ser trabalhada por meio da Educação. (BORDIEU, p. 22) A demanda da sociedade sobre a educação exige tipos diferentes de investigação. O específico da Antropologia da Educação consiste em criar teorias que possam explicar os fenômenos educativos e contribuir eficazmente com o desenvolvimento pedagógico. Educação A escola, como instituição mediadora entre a família e a sociedade, por vezes se prende aos interesses das classes dominantes, limitando-se a oferecer uma visão fragmentada da realidade, criando seu mundo próprio, desligado da vida social, desentendo-se do mundo cultural em que o sujeito da educação está inserido. A Antropologia relativiza as culturas e, através da pesquisa da Antropologia da Educação, quer contribuir para a democratização do saber, valendo-se do estudo do modelo concreto de existência do educando. O educando deve percorrer um caminho que parte da realidade social e cultural. Educação Assim como afirma Geertz, o antropólogo aborda característicamente tais interpretações mais amplas e análises mais abstratas a partir de um conhecimento muito extensivo de assuntos extremamente pequenos. Ele confronta as mesmas grandes realidades que outros – historiadores, economistas, cientistas políticos, sociólogos – enfrentam em conjunturas mais decisivas: Poder, Mudança, Fé, Opressão, Trabalho, Paixão, Autoridade, Beleza, Violência, Amor, Prestígio. (Geertz, p.31) Educação Educação A reflexão da Antropologia da Educação, para que possa alcançar plenamente seus fins, necessita da presença da análise crítica, pois as verdades científicas, em geral, significam graus de conhecimento, limitados pela história, porém, não significam a incapacidade de o ser humano chegar a possuir a verdade. Educação Bibliografia BORDIEU, Pierre. Escritos de Educação. Petrópolis. Vozes, 2002. BRANDÃO, Carlos Rodrigues. O que é educação. 33ª ed. São Paulo: Brasiliense, 1995. GEERTZ. Clifford. A interpretação das Culturas. São Paulo: LTC, 2008. MELLO, Luiz Gonzaga de. Antropologia Cultural, Iniciação, teoria e temas. 12ª.ed. Petrópolis. 2005.