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EXAME CLÍNICO 
I. Fatores Sistêmicos e Condições Médicas que afetam o 
Tratamento Protético 
Diversas condições sistêmicas podem impactar significativamente 
o tratamento com próteses, exigindo uma anamnese detalhada e 
consideração cuidadosa no planejamento. 
• Problemas Renais e Cardíacos: Podem diminuir a secreção e 
retenção de líquidos. 
• Anemia: Diminui o fluxo salivar, comprometendo a refeição. 
• Discrasias Sanguíneas e Problemas do Sistema Nervoso: 
Pacientes com AVC podem apresentar paralisia facial. 
• Doenças Infecciosas: Herpes Labial/Intraoral: Altamente 
contagioso. Não é recomendado atender pacientes com lesões 
ativas devido ao risco de propagação e autoinoculação (ex: 
conjuntivite herpética). "Não recomendo que você atenda 
paciente com ativo porque eles propagam muito e pode 
inclusive você dar um jato de ar com uma gotícula infectada 
cair no seu olho, você pode ter herpética, né? E não tem cura, 
tem controle." 
• Candidíase: Requer controle prévio antes do tratamento 
protético. 
• Lesões Malignas: Necessitam acompanhamento médico e 
cirurgia, se indicado. 
• Diabetes: Tanto a doença quanto a medicação podem 
interferir no fluxo salivar e na produção de saliva. 
• Alterações Hormonais: Podem influenciar o tratamento. 
II. Exame Clínico e Análise Facial 
A avaliação estética e funcional é fundamental para o sucesso da 
reabilitação. 
• Características Faciais e Dentárias: Cor da pele, olhos e 
cabelo: Podem influenciar a seleção da cor dos dentes. 
• Formato do rosto: Triangular, quadrado ou ovoide, guia a 
seleção do formato dos dentes para maior harmonia. "Existe 
uma associação formato do rosto, formato do paciente, 
dentro do paciente." 
• Tipo labial: Lábios grossos/volumosos ou finos influenciam o 
suporte labial da prótese. Para lábios volumosos, evitar 
aumentar demais o suporte. Para lábios finos, adicionar cera 
(e futuramente resina) para suporte. 
• Queilite Angular: Infecção fúngica comum nos cantos da 
boca, frequentemente associada à diminuição da dimensão 
vertical, levando ao acúmulo de saliva e alimento. O 
tratamento inclui controle da candidíase e 
confecção/substituição da prótese. 
• Linha Média Facial e Dental: É ideal que a linha média dental 
coincida com a linha média facial (glabela, nariz, lábio, queixo) 
para estética. 
• Musculatura Facial e Articulação Temporomandibular 
(ATM): Avaliar alterações articulares, especialmente dor. 
Dor articular é frequentemente associada a uma posição 
desfavorável do côndilo. Ruídos ou estalidos ("cliques") podem 
ser crônicos e nem sempre interferem no tratamento. 
• Assimetrias Faciais: É importante reconhecer que a face 
humana não é perfeitamente simétrica, e pequenas 
assimetrias são naturais e contribuem para a beleza 
individual. "Nem toda face precisa ser simétrica para ser 
harmônica." A assimetria não é um desapontamento, mas 
parte da formação humana. 
• Plano Oclusal e Comissural: O plano oclusal deve ser paralelo 
ao plano de Camper e, idealmente, à linha da comissura labial 
para harmonia. Desarmonias, como comissuras descendentes 
ou planos bipupilares ascendentes, devem ser consideradas. 
• Divisão da Face em Terços: A face é dividida em três terços 
simétricos (superior, médio e inferior). Na reabilitação oral, 
o terço inferior (base do nariz ao mento) é o foco, utilizando 
o terço médio como referência para restabelecer a dimensão 
vertical. 
III. Dimensão Vertical 
A determinação correta da dimensão vertical é crucial para a 
função e estética da prótese. 
• DVR (Dimensão Vertical de Repouso): Distância do terço 
inferior da face quando os dentes não se tocam, os lábios não 
se tocam e a musculatura está relaxada. 
• DVO (Dimensão Vertical de Oclusão): Distância do terço 
inferior quando os dentes estão em oclusão. 
• Relação DVR e DVO: A DVO é sempre menor que a DVR, com 
uma diferença de 3-4 mm. Esse espaço é conhecido como 
espaço funcional livre ou espaço funcional de pronúncia. 
"Para quê? Pra gente falar. Quando a gente fala, pessoal, os 
dentes não se tocam, certo? Não se tocam. Esses três a 
quatro livros a gente chama de espaço funcional de pronúncia 
ou espaço funcional livre. Direito de 3 a 4 mm." 
• Consequências de DVO Incorreta: Se a DVO for aumentada, 
os dentes se tocarão durante a fala, causando quebra de 
bordas incisais, cúspides, força lateral nos dentes e irritação. 
• Métodos para Determinar a DVO:Método Fisiológico: Medir 
a DVR com um compasso (ex: compasso de Willis) e subtrair 
3-4 mm para obter a DVO. 
• Método Fonético: Pedir ao paciente para falar palavras com 
"S". Os dentes se aproximam, mas não devem se tocar. Se 
tocarem, a DVO está aumentada. 
• Método Estético: Avaliação subjetiva do fechamento e 
aparência da face. 
IV. Reabilitação Oral e Oclusão 
O planejamento da reabilitação envolve a criação de espaço e o 
restabelecimento de uma oclusão funcional. 
• Criação de Espaço: Em casos de mordida profunda e DVO 
diminuída, é necessário aumentar a dimensão vertical para 
criar espaço para a colocação dos dentes. Isso é feito com 
próteses provisórias. 
• Sequência da Reabilitação: Avaliação do paciente, 
planejamento e orçamento. "A sequência da reabilitação oral 
é avaliação do paciente, planejamento e depois o orçamento." 
• Importância da Distribuição da Carga Mastigatória: A 
força mastigatória deve ser distribuída uniformemente entre 
os dentes superiores e inferiores para evitar pressão 
excessiva em poucos pontos, o que pode causar amolecimento 
e danos aos dentes remanescentes ou à prótese. "O ideal é 
que essa, esses 20 kg sejam distribuídos dos dentes 
superiores e inferiores o máximo de toque possível." 
• Tipos de Oclusão:Oclusão Mutuamente Protegida: Para 
pacientes dentados ou parcialmente desdentados. Os dentes 
posteriores protegem os anteriores em movimentos cêntricos 
(fechamento), e os dentes anteriores (incisivos e caninos) 
guiam e protegem os posteriores em movimentos excêntricos 
(protrusão e lateralidade). "Movimentos excêntricos... tem 
que ser guiado pelos dentes anteriores." 
• Oclusão Bilateral Balanceada: Para pacientes edêntulos 
(desdentados). 
• Consequências da Ausência de Dentes Posteriores: A carga 
mastigatória recai sobre os dentes anteriores, que não 
suportam carga lateral, levando a amolecimento e migração 
dos dentes. 
V. Análise do Perfil Facial 
A prótese desempenha um papel crucial na restauração do perfil 
facial e suporte labial. 
• Linha R (Ricketts): Uma linha traçada da ponta do nariz à 
ponta do mento. Em um perfil normal, o lábio superior está 4 
mm posterior a essa linha, e o lábio inferior 2 mm posterior. 
A prótese pode alterar essas distâncias. 
• Ângulo Nasolabial: Formado pela base do nariz e o lábio 
superior. O perfil normal varia de 90-95º, com pequenas 
diferenças entre homens (até 100º) e mulheres (até 105º). 
• Impacto da Prótese: A prótese restabelece o suporte labial, 
melhorando o perfil facial e as rugas de expressão. "A gente 
observa a diferença, né, que a prótese restabelece no perfil 
do paciente." 
• Lábios: São a "moldura do sorriso". Avalia-se o contorno, 
limite e espessura (fino, médio, espesso). 
VI. Condições dos Maxilares e Rebordo Alveolar 
A forma e altura do rebordo alveolar são determinantes para a 
retenção e estabilidade da prótese. 
• Formato dos Maxilares: Triangular, quadrado ou ovoide. 
• Tamanho do Maxilar: Largo ou estreito. 
• Tamanho do Rebordo (Tuberosidade):Grande: ≥ 50 mm 
• Médio (ideal): 40-50 mm 
• Pequeno:Embora possa parecer bom, um 
rebordo estrangulado não é ideal. A prótese precisa ter o 
máximo contato com a área chapeável. Se copiar o 
estrangulamento, causará desconforto ao paciente durante a 
inserção e remoção. "Então, o rebordo estrangulado não é 
interessante. O ideal é paralelo." 
VII. Etapas da Moldagem e Confecção da Prótese 
O processo de moldagem é uma etapa fundamental e precisa na 
confecção de próteses totais. 
• Etapas Gerais: 
1. Moldagem Inicial: Utiliza-se moldeira de estoque para obter 
um modelo inicial anatômico de estudo. 
2. Confecção de Moldeiras Individuais: As moldeiras 
individuais são feitas com base no modelo inicial. A moldagem 
inicial não é usada para a dentadura final porque afasta os 
tecidos, resultando em uma prótese sobre-entendida que 
machucaria o paciente. 
3. Moldagem Funcional/de Trabalho: Com a moldeira individual, 
obtém-se o modelo funcional de trabalho, que será usado em 
todas as etapas subsequentes, incluindo enceramento e 
acrilização. Este modelo deve ser resistente para suportar a 
prensagem (1.2 toneladas). 
4. Base de Prova e Plano de Cera: Confeccionar uma placa 
articular de acrílico com um plano de cera. 
• Prova Clínica: Traçado em cera: Marcações da linha média 
facial, linha alta do sorriso forçado e linha dos caninos 
(técnica da dinâmica de Audi). 
• Montagem em articulador. 
1. Montagem dos Dentes: Realizada em laboratório. 
2. Prova da Montagem dos Dentes: Avaliação clínica da 
estética e oclusão. 
3. Acrilização: Em laboratório. 
4. Instalação: Entrega e ajuste da prótese final. 
• Objetivo da Moldagem: Reproduzir negativamente detalhes 
anatômicos e o contorno da área chapeável da prótese com 
mínima deformação dos tecidos, extensão correta da prótese 
e vedamento periférico funcional. 
• Desafios da Moldagem: 
• Reabsorção Óssea: Após a perda dos dentes, ocorre 
reabsorção óssea significativa. Na maxila, a reabsorção é 
mais em espessura; na mandíbula, mais em altura, tornando a 
prótese inferior menos estável. O processo de cicatrização 
óssea leva até 6 meses. 
• Zonas de Suporte, Alívio e Secundárias: Suporte Principal 
(arco superior): Crista do rebordo e áreas planas do palato. 
• Suporte Principal (arco inferior): Crista do rebordo. 
• Suporte Secundário: Arestas dos rebordos. 
• Alívio (maxila): Papila incisiva, rafe palatina, região de freios 
e bridas, e tuberosidades palatinas. 
• Alívio (mandíbula): Papila piriforme posterior, rebordos 
extremamente reabsorvidos e forame mentoniano. 
• Materiais e Técnicas de Moldagem: 
• Moldeiras de Estoque: De aço, perfuradas ou lisas com 
bordas retentivas. Existem moldeiras específicas para 
desdentados (mais rasas). A seleção da moldeira deve 
garantir um espaço de 5-10 mm entre a moldeira e o rebordo 
para o material de moldagem. 
• Materiais: Alginato: Mais comum. Hidrofílico. 
• Silicone de Condensação: Pesado, leve e catalisador. Usado 
em duas etapas (pesado com catalisador, depois leve para 
detalhes). 
• Cera de Utilidade (Cera Periférica): Usada para copiar os 
limites periféricos e aliviar freios/bridas. 
• Propriedades do Material: Deve ser fluido para copiar 
detalhes e viscoso o suficiente para permanecer na moldeira. 
Deve ter presa rápida na boca e manter a estabilidade 
dimensional após a remoção. 
• Técnica de Moldagem: Posição do operador (superior por 
trás, inferior pela frente), evitando inclinar demais o paciente 
(para não escorrer material ou fechar a boca). Pode-se usar 
seringas para levar o material a regiões mais profundas. 
• Limite Posterior da Prótese: Determinado pela linha do "A", 
o limite entre o palato duro e o palato mole. Invadir o palato 
mole pode causar náuseas. 
• Vazamento do Modelo: 
• Gesso: Utilizar gesso especial tipo IV, na proporção de 10g 
de gesso para 25-22 ml de água. 
• Vibrador: Fundamental para remover bolhas de ar. Colocar 
pequenas quantidades de gesso na região mais alta do molde 
e vibrar. 
• Cristalização: O gesso cristaliza em 45 minutos a 1 hora 
antes de ser desmoldado. 
Este briefing sintetiza as informações essenciais sobre o exame 
clínico e as etapas de reabilitação oral apresentadas nas fontes, 
destacando a complexidade e a importância de uma abordagem 
integrada e cuidadosa no tratamento com próteses dentárias. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Responda às seguintes perguntas em 2-3 frases cada. 
1. Qual a importância de uma anamnese detalhada em 
reabilitação oral, especialmente no que tange a condições 
sistêmicas do paciente? 
2. Por que não é recomendado atender um paciente com 
herpes labial ativo em procedimentos de reabilitação oral? 
3. Como o formato do rosto (triangular, quadrado, ovoid) pode 
guiar a seleção da forma do dente mais adequado para um 
paciente? 
4. Explique a diferença entre Dimensão Vertical de Repouso 
(DVR) e Dimensão Vertical de Oclusão (DVO) e qual a 
relação entre elas. 
5. Qual a função do "espaço funcional livre" ou "espaço 
funcional de pronúncia" e o que acontece se a DVO invadir 
esse espaço? 
6. Descreva a diferença entre Oclusão Mutuamente Protegida 
e Oclusão Bilateralmente Balanceada, e para quais tipos 
de pacientes cada uma é indicada. 
7. Quais são as principais áreas de suporte (principal e 
secundário) e áreas de alívio que devem ser consideradas 
durante a moldagem para próteses totais no arco superior? 
8. Qual é o principal objetivo da moldagem em prótese total 
e por que não se utiliza o modelo inicial anatômico 
diretamente para a confecção da dentadura? 
9. Descreva as características ideais de um material de 
moldagem para prótese total, considerando sua 
consistência e comportamento após a presa. 
10. Por que um rebordo retentivo ou "estrangulado" não é 
considerado ideal para a retenção e estabilidade de uma 
prótese total, apesar do que se poderia pensar 
inicialmente? 
Chave de Respostas do Questionário 
1. Qual a importância de uma anamnese detalhada em 
reabilitação oral, especialmente no que tange a condições 
sistêmicas do paciente? Uma anamnese detalhada é crucial 
porque problemas sistêmicos, como renais, cardíacos, anemia, 
discrasias sanguíneas, AVC, diabetes e alterações hormonais, 
podem interferir no fluxo salivar, na cicatrização e na 
tolerância ao tratamento protético, impactando diretamente 
o prognóstico e a abordagem clínica. 
2. Por que não é recomendado atender um paciente com 
herpes labial ativo em procedimentos de reabilitação oral? 
Não é recomendado atender um paciente com herpes labial 
ativo devido ao alto risco de contaminação e propagação do 
vírus. Gotículas infectadas podem cair nos olhos do 
profissional, causando herpes ocular, que não tem cura, 
apenas controle. 
3. Como o formato do rosto (triangular, quadrado, ovoid) pode 
guiar a seleção da forma do dente mais adequado para um 
paciente? Existe uma associação na literatura entre o 
formato do rosto e a forma dos dentes. Um rosto triangular, 
por exemplo, sugere dentes mais triangulares; um rosto 
quadrado, dentes mais quadrados; e um rosto ovoid, dentes 
mais ovoides, contribuindo para uma estética facial mais 
harmônica. 
4. Explique a diferença entre Dimensão Vertical de Repouso 
(DVR) e Dimensão Vertical de Oclusão (DVO) e qual a 
relação entre elas. A DVR é a distância do terço inferior da 
face quando a mandíbula está em posição de repouso 
fisiológico, com os dentes e lábios sem contato e a 
musculatura relaxada. A DVO é a distância do terço inferior 
quando os dentes estão em oclusão. A DVO é tipicamente 3 a 
4 mm menor que a DVR. 
5. Qual a função do "espaço funcional livre" ou "espaço 
funcional de pronúncia" e o que acontece se a DVO invadir 
esse espaço? O espaçofuncional livre (3 a 4 mm entre DVO 
e DVR) permite a fala sem que os dentes se toquem. Se a DVO 
for aumentada e invadir esse espaço, os dentes se tocarão 
durante a fala, resultando em quebras de bordas incisais ou 
cúspides, força lateral excessiva e irritação. 
6. Descreva a diferença entre Oclusão Mutuamente Protegida 
e Oclusão Bilateralmente Balanceada, e para quais tipos 
de pacientes cada uma é indicada. A Oclusão Mutuamente 
Protegida é para pacientes dentados ou parcialmente 
desdentados, onde dentes posteriores suportam a carga nos 
movimentos cêntricos, e dentes anteriores guiam os 
movimentos excêntricos, protegendo os posteriores. A 
Oclusão Bilateralmente Balanceada é para pacientes 
desdentados totais, visando estabilizar a prótese durante os 
movimentos mastigatórios. 
7. Quais são as principais áreas de suporte (principal e 
secundário) e áreas de alívio que devem ser consideradas 
durante a moldagem para próteses totais no arco superior? 
No arco superior, as zonas de suporte principal incluem a 
crista do rebordo e as áreas planas do palato. As zonas de 
suporte secundário são as rugosidades palatinas. As zonas de 
alívio incluem a rafe palatina média, a região de freios e 
bridas e as tuberosidades palatinas. 
8. Qual é o principal objetivo da moldagem em prótese total 
e por que não se utiliza o modelo inicial anatômico 
diretamente para a confecção da dentadura? O principal 
objetivo da moldagem é obter um modelo funcional de 
trabalho que reproduza com mínima deformação os tecidos da 
área chapeável. O modelo inicial anatômico não é usado 
diretamente porque ele afasta os tecidos, e uma prótese feita 
sobre ele ficaria sobreestendida, machucando a musculatura 
e as regiões de freios e bridas. 
9. Descreva as características ideais de um material de 
moldagem para prótese total, considerando sua 
consistência e comportamento após a presa. Um material 
de moldagem ideal deve ser fluido o suficiente para copiar os 
detalhes anatômicos e, ao mesmo tempo, viscoso para se 
manter na moldeira. Após a presa, deve se transformar em um 
material borrachóide, não se distorcer ou rasgar ao ser 
removido, e manter-se dimensionalmente estável para o 
vazamento do gesso. 
10. Por que um rebordo retentivo ou "estrangulado" não é 
considerado ideal para a retenção e estabilidade de uma 
prótese total, apesar do que se poderia pensar 
inicialmente? Um rebordo retentivo ou estrangulado, embora 
possa parecer bom para retenção, na verdade, dificulta a 
inserção e remoção da prótese, causando desconforto ao 
paciente. A prótese precisa ter o máximo de contato com a 
área chapeável, mas sem "prender" ou machucar o paciente 
durante a colocação e retirada, sendo o ideal um rebordo com 
paredes paralelas. 
Questões para Discussão (Formato Ensaio) 
1. Analise a sequência de reabilitação oral para prótese total, 
desde a avaliação inicial do paciente até a instalação. 
Discuta a importância de cada fase (clínica e laboratorial) 
e os desafios comuns em cada etapa, conforme mencionado 
nos áudios. 
2. Apresente e discuta os diversos métodos para a 
determinação da dimensão vertical (compasso de Willis, 
fisiológico, fonético e estético). Explique as vantagens e 
desvantagens de cada um e como eles se complementam na 
prática clínica para alcançar uma DVO ideal. 
3. Elabore sobre a influência das condições sistêmicas 
(renais, cardíacas, anemia, diabetes, etc.) e doenças 
infecciosas (como herpes labial) no planejamento e 
execução de tratamentos de reabilitação oral. Que 
precauções devem ser tomadas e como essas condições 
podem alterar o prognóstico? 
4. Discuta a relação entre o formato facial (triangular, 
quadrado, ovoide), o tipo de perfil (reto, convexo, 
côncavo) e a seleção dos dentes artificiais e o suporte 
labial na reabilitação protética. Como a prótese total pode 
restabelecer a harmonia facial e o ângulo nasolabial em 
pacientes edêntulos? 
5. Descreva o processo de moldagem para prótese total, 
incluindo a seleção da moldeira, os materiais utilizados 
(alginato, silicone) e as técnicas para obtenção de um 
molde funcional. Explique a importância de considerar as 
zonas de suporte, secundárias e de alívio, e como a 
delimitação do limite posterior da prótese é realizada. 
Glossário de Termos-Chave 
• Anamnese: Coleta de informações sobre o histórico médico e 
dental do paciente. 
• AVC: Acidente Vascular Cerebral. 
• Candidiase: Infecção fúngica, frequentemente vista como 
queilite angular. 
• Queilite Angular (Perleche): Infecção fúngica nos cantos da 
boca, frequentemente associada à diminuição da dimensão 
vertical. 
• Linha Média Facial: Linha imaginária que divide a face 
verticalmente, passando pela glabela, nariz, lábio e mento. 
• Linha Média Dental: Linha imaginária que divide os dentes 
anteriores, idealmente coincidindo com a linha média facial. 
• ATM: Articulação Temporomandibular. 
• Dor Articular: Dor na ATM, geralmente associada a uma 
posição desfavorável do côndilo. 
• Ruído Articular (Estalido/Crepitação): Sons na ATM, 
geralmente de natureza crônica, nem sempre interferindo no 
tratamento. 
• Perfil Facial: Classificação do perfil da face (reto, convexo, 
côncavo), importante para a estética protética. 
• Ângulo Nasolabial: Ângulo formado pela base do nariz e o 
lábio superior, um guia estético para o suporte labial. 
• Terços Faciais: Divisão da face em terço superior (linha do 
cabelo à sobrancelha), médio (sobrancelha à base do nariz) e 
inferior (base do nariz ao mento), importante para 
restabelecimento da dimensão vertical. 
• DVR (Dimensão Vertical de Repouso): Distância entre dois 
pontos no terço inferior da face quando a mandíbula está em 
repouso fisiológico. 
• DVO (Dimensão Vertical de Oclusão): Distância entre dois 
pontos no terço inferior da face quando os dentes estão em 
máxima oclusão. 
• Espaço Funcional Livre (ou de Pronúncia): Espaço de 3-4mm 
entre a DVO e a DVR, essencial para a fala e evitar trauma 
oclusal. 
• Compasso de Willis (ou de Miles): Instrumento usado para 
medir as distâncias faciais, auxiliando na determinação da 
dimensão vertical. 
• Método Fisiológico (para DVO): Baseado na medida da DVR 
e subtraindo 3-4mm do espaço funcional livre. 
• Método Fonético (para DVO): Determinação da DVO 
observando a proximidade dos dentes durante a fala de sons 
com "s". 
• Oclusão Mutuamente Protegida: Tipo de oclusão em 
pacientes dentados, onde dentes posteriores protegem os 
anteriores em movimentos cêntricos, e anteriores protegem 
os posteriores em movimentos excêntricos. 
• Oclusão Bilateralmente Balanceada: Tipo de oclusão em 
pacientes desdentados totais, onde há contato balanceado em 
ambos os lados durante os movimentos mastigatórios para 
estabilizar a prótese. 
• Reabsorção Óssea: Perda de osso alveolar que ocorre após a 
perda dentária. Na maxila, é em espessura; na mandíbula, em 
altura, tornando a prótese inferior menos estável. 
• Área Chapeável: Área da mucosa oral que será recoberta 
pela base da prótese. 
• Zonas de Suporte Principal: Áreas da mucosa que recebem 
as principais cargas mastigatórias (ex: crista do rebordo na 
maxila e mandíbula, áreas planas do palato). 
• Zonas de Suporte Secundário: Áreas que contribuem para o 
suporte da prótese (ex: rugosidades palatinas, arestas dos 
rebordos). 
• Zonas de Alívio: Áreas sensíveis ou proeminentes que devem 
ser aliviadas na prótese para evitar traumas (ex: rafe 
palatina, freios e bridas, forame mentoniano). 
• Freios e Bridas: Dobras de mucosa que conectam lábios, 
bochechas ou língua ao rebordo alveolar, que devem ser 
aliviadas na prótese. 
• Rebordo Alveolar: Crista óssea onde os dentes estavam 
inseridos. Sua forma e altura são cruciais para a retenção da 
prótese. 
• Rebordo Retentivo/Estrangulado: Rebordo com formato que 
dificulta a inserção e remoção da prótese, não sendo ideal. 
• Moldagem: Ato de reproduzirem negativo os detalhes 
anatômicos e o contorno da área chapeável. 
• Moldeira Individual: Moldeira confeccionada a partir de um 
modelo inicial para uma moldagem funcional mais precisa. 
• Alginato: Material de moldagem hidrofílico, frequentemente 
usado para moldagens iniciais devido à sua facilidade de uso e 
custo. 
• Silicone de Condensação: Material de moldagem de alta 
precisão, usado em duas etapas (pesado e leve) para copiar 
detalhes. 
• Gesso Especial Tipo IV: Gesso de alta resistência e baixa 
expansão, utilizado para vazamento de modelos de trabalho 
para próteses. 
• Linha do "Ah": Linha que demarca o limite entre o palato duro 
e o palato mole, usada para determinar o limite posterior da 
prótese superior. 
• Paralisia de Bell: Paralisia facial transitória causada por um 
vírus que afeta o nervo facial, podendo causar desvio da linha 
média facial.

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