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Introdução - reumatologia

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11
Aline Kühl Torricelli
CLÍNICA MÉDICA V
INTRODUÇÃO À REUMATOLOGIA
2
SUMÁRIO
INTRODUÇÃO À REUMATOLOGIA . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 3
1. Introdução . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 3
2. A articulação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 3
3. Outras estruturas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 4
4. Aborgadem da queixa reumatológica. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 6
5. Anamnese . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 6
6. Exame físico musculoesquelético . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 8
7. Laboratório em Reumatologia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 8
7.1. Provas de atividade inflamatória . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 8
7.2. Complemento . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 10
Mapa mental . Sistema complemento . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 11
7.3. FAN . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 12
7.4. ANCA . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 14
8. Fator reumatoide. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 14
Mapa mental . Dor musculoesquelética . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 16
Referências . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 17
Bibliografia consultada . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 17
Questões comentadas. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 18
3
INTRODUÇÃO À REUMATOLOGIA
O QUE VOCÊ PRECISA SABER?
 u Como diferenciar uma queixa musculoesquelética inflamatória de uma mecânica.
 u Diferenças entre a PCR e VHS.
 u Como interpretar o FAN.
 u Associações do ANCA.
1. INTRODUÇÃO
A reumatologia é uma área da medicina relativa-
mente nova, pois muito do que se sabia das doen-
ças reumatológicas mudou, assim como novas 
doenças e tratamentos foram descobertos e/ou 
reconhecidos. No entanto, apesar de ser uma área 
extremamente abrangente, poucas pessoas sabem 
o que faz um reumatologista e quando procurá-lo.
O estudo das afecções que acometem o aparelho 
musculoesquelético, como tendões, ligamentos e 
articulações, é do âmbito da reumatologia. Erronea-
mente, algumas pessoas atribuem à reumatologia o 
cuidado exclusivo de doenças raras e autoimunes, 
ou ainda exclusivo de pessoas idosas. As doenças 
do escopo da reumatologia podem ser chamadas 
pelos leigos de “reumatismos”. Mas, como iremos 
ver ao longo dos capítulos, são inúmeras as doenças 
reumatológicas, muito diferentes entre si, que podem 
ser autoimunes ou não e que acometem diferentes 
faixas etárias. Importante ressaltar também que as 
doenças autoimunes não são exclusivamente reuma-
tológicas (ex.: Tireoidite de Hashimoto, cirrose biliar 
primária, hepatite autoimune, entre inúmeras outras).
2. A ARTICULAÇÃO
 BASES DA MEDICINA
 As articulações são estruturas derivadas de tecido con-
juntivo que unem os ossos uns aos outros para formar 
o esqueleto.
 As articulações podem ser classificadas morfologica-
mente, ou seja, considerando seu componente mais 
característico em 3 classes:
 W Fibrosas (sinartrose): ossos unidos por tecido fibroso. 
Possuem pequeno ou nenhum movimento, como as 
suturas do crânio e a articulação radioulnar (sindes-
mose).
 W Cartilaginosas: ossos unidos por cartilagem hialina 
ou fibrocartilagem. Exemplo clássico são a sínfise 
púbica e as articulações dos corpos vertebrais (coluna).
 W Sinoviais (diartroses): são articulações que possuem 
uma cápsula articular, cuja camada interna é a mem-
brana sinovial. A membrana sinovial é responsável pela 
fabricação do líquido sinovial, um excelente lubrificante, 
altamente viscoso e responsável pelo transporte de 
oxigênio e de nutrientes para a cartilagem.
importância/prevalência
Introdução à reumatologia Reumatologia
4
Figura 1. Articulações.
Fonte: Acervo Sanar.
A articulação tem como principal função o movi-
mento, mas também auxilia na estabilização entre 
os ossos. Algumas doenças reumatológicas, como 
artrite reumatoide, gota e espondiloartrites, podem 
levar à anquilose se não controladas devidamente. O 
termo anquilose é usado para caracterizar a ausên-
cia de espaço articular, ou seja, radiograficamente 
ocorre fusão óssea e, clinicamente, a perda da 
amplitude de movimento da articulação.
Vale recordarmos que nem toda articulação tem 
membrana sinovial e líquido sinovial, mas ape-
nas as classificadas como sinoviais. As doenças 
reumatológicas acometem mais frequentemente 
as articulações sinoviais, sendo tal envolvimento 
clássico da artrite reumatoide, em que o alvo prin-
cipal é a membrana sinovial. Já outras, como as 
espondiloartrites, podem acometer articulações 
mistas, como a sacroilíaca, que é parcialmente 
sinovial e parcialmente ligamentar.
 DIA A DIA MÉDICO
 Portanto, não espere envolvimento de sacroilíaca na artrite 
reumatoide. O envolvimento dessa estrutura nos remete 
às espondiloartrites.
3. OUTRAS ESTRUTURAS
 BASES DA MEDICINA
 Outras estruturas são importantes para o aparelho mus-
culoesquelético e podem estar dentro da articulação 
(intra-articular) ou fora dela (extra-articular).
 Meniscos são estruturas intra-articulares. Já os liga-
mentos podem ser intra-articulares ou extra-articulares. 
São exemplos os ligamentos cruzados e colaterais dos 
joelhos, respectivamente. Bursas, tendões e músculos 
possuem localização extra-articular.
Introdução à reumatologia 
5
Figura 2. Anatomia do joelho, visão lateral.
Note a localização de estruturas intra-articulares e extra-articulares.
Fonte: Acervo Sanar.
Figura 3. Visão dos ligamentos e meniscos do joelho. 
Meniscos estão intra-articulares, ao passo que os ligamentos do joelho podem estar intra ou extra-articulares.
Fonte: Acervo Sanar.
Introdução à reumatologia Reumatologia
6
Meniscos são amortecedores e estabilizadores de 
superfícies côncavas e convexas. Exemplo clássico 
são os meniscos laterais e mediais dos joelhos. 
Portanto, pacientes submetidos à meninsectomia 
total evoluem para osteoartrite.
Os tendões são responsáveis pela inserção do 
músculo no osso; logo, roturas completas tendíneas 
acarretam perda da ação do músculo lesionado. 
Tendões são estruturas que podem ter ou não uma 
bainha sinovial. A bainha sinovial inflamada dá 
origem ao cisto sinovial.
Entese é o nome dado ao local de inserção dos ten-
dões e dos ligamentos na superfície óssea; portanto, 
entesite é o nome dado à inflamação da entese. A 
entesite pode ser mecânica ou inflamatória, esta 
última ocorre nas espondiloartrites.
Ligamentos e músculos são importantes estabili-
zadores da congruência articular. Portanto, lesões 
ligamentares e musculares levam à falta de esta-bilidade da articulação.
As bursas se localizam interpostas entre osso, 
tendões e pele, servindo como bolsas de amorte-
cimento em locais onde existem proeminências 
ósseas, como em trocânteres femorais e olecranos. 
A inflamação da bursa é conhecida como bursite 
e pode ser de etiologia traumática, infecciosa ou 
biomecânica.
 DIA A DIA MÉDICO
 As bursites, tendinites, lesões meniscais e ligamentares 
são comuns na prática do ortopedista e do reumatologista. 
A diferença é que o reumatologista tem uma formação 
clínica, e o ortopedista, cirúrgica. Portanto, havendo a 
necessidade de intervenção cirúrgica, os pacientes devem 
ser encaminhados ao ortopedista.
4. ABORGADEM DA QUEIXA 
REUMATOLÓGICA
Como você entendeu o que faz a reumatologia, 
agora fica fácil assumir que o principal sintoma que 
leva um paciente a procurar esse profissional, ou 
o principal sintoma das doenças reumatológicas, 
seja a dor musculoesquelética.
A clínica do paciente é a ferramenta mais importante 
para se chegar ao diagnóstico reumatológico. Logo, 
exames complementares são auxiliares e só devem 
ser solicitados após anamnese e exame físico que 
corroborem a sua hipótese.
5. ANAMNESE
 BASES DA MEDICINA
 Nas doenças reumatológicas ditas inflamatórias sis-
têmicas, como artrite reumatoide, lúpus eritematosos 
sistêmico, espondiloartrites, entre outras, como a própria 
definição menciona, ocorre a presença de inflamação 
(produção de citocinas), não localizada, na fisiopatogenia. 
Por outro lado, temos transtornos de etiologia mecânica, 
sem a produção sistêmica de citocinas, que, vale lembrar, 
são muito mais comuns, como uma lombalgia mecânica 
comum, tendinopatias, síndrome dolorosa miofascial e 
outros reumatismos regionais.
Identificação, queixa e duração, história da moléstia 
atual, interrogatório dos demais aparelhos, antece-
dentes pessoais e familiares são imprescindíveis 
para uma boa anamnese, e, especialmente, quando 
se trata de dor musculoesquelética, você deve res-
ponder aos seguintes questionamentos:
 u Qual a estrutura envolvida?
 W Precisamos saber se estamos diante de uma 
estrutura articular ou extra-articular. Bursites, 
tendinites e lesões musculares são extra-arti-
culares, enquanto a sinovite é intra-articular.
 u Caso se trate de uma localização articular, estou 
diante de uma artralgia ou artrite?
 W A artrite é caracterizada por dor, aumento de 
volume e de temperatura da articulação. Algu-
mas vezes, observa-se eritema. Já artralgia é 
a dor de localização articular.
 u O padrão da minha dor é inflamatório ou mecânico?
 W A dor inflamatória é contínua, com piora nos 
períodos de repouso e melhora à movimen-
Introdução à reumatologia 
7
tação. Rigidez matinal acima de 30 minutos 
sugere etiologia inflamatória. Já a dor mecâ-
nica é pior com a atividade física, melhora ao 
repouso e possui rigidez matinal fugaz. Etio-
logia mecânica é compatível com transtornos 
degenerativos, posturais e biomecânicos. Já 
etiologias inflamatórias podem ser infeccio-
sas, neoplásicas, traumáticas, inflamatórias 
sistêmicas ou autoimunes.
 u O envolvimento é axial ou periférico?
 W Axial é referente ao acometimento do esque-
leto axial, como coluna e sacroilíaca. Já o en-
volvimento de articulações das mãos, ombros, 
cotovelos, joelhos, pés, tornozelos, é conside-
rado periférico. Uma doença classicamente 
axial, que se manifesta com lombalgia de rit-
mo inflamatório, é a espondilite anquilosante.
 u Qual o número de articulações envolvidas (mono, 
oligo ou poliarticular)?
 W Monoarticular: corresponde a 1 articulação 
envolvida.
 W Oligoarticular: corresponde de 2 a 4 articulações.
 W Poliarticular: a partir de 5 articulações.
 W Existem doenças caracteristicamente poliar-
ticulares, como a artrite reumatoide. Outras, 
como artrite séptica e gota, tendem a ser mo-
noarticulares.
 u Existe simetria ou assimetria no envolvimento 
articular?
 W É caracterizado como simétrico quando as 
mesmas articulações dos lados direito e es-
querdo estão envolvidas (ex.: punho direito e 
esquerdo). A espondilite anquilosante cursa 
com sacroileíte simétrica, e a artrite reumatoi-
de com poliartrite simétrica. Já a osteoartrite 
tende a ser assimétrica.
 u Qual a duração e evolução?
 W Doenças degenerativas e inflamatórias sistê-
micas reumatológicas (ex.: artrite reumatoide) 
têm evolução crônica (mais de 6 semanas), 
diferentemente de doenças de origem infec-
ciosa, como a artrite séptica, que possuem 
curso agudo. A forma como a doença evolui 
também é uma grande dica para o diagnóstico. 
Um exemplo é a fibromialgia, que não possui 
caráter evolutivo sequelante; logo, o que se 
espera mesmo numa doença de longa data é 
um exame musculoesquelético sem deformi-
dades ou sinais de sequela articular.
 u Existem sintomas associados? São locais ou 
sistêmicos?
 W Devemos estar atentos à presença de sinto-
mas associados. Nas doenças reumatológicas 
inflamatórias sistêmicas, podemos encontrar 
envolvimento de estruturas extra-articulares, 
como olhos, pulmões, rins, cérebro, pele, en-
tre outras. Sintomas constitucionais também 
podem estar presentes e reforçam etiologia 
sistêmica.
 u Existe história de trauma?
 W A interface da reumatologia com a ortopedia 
é grande; logo, não se esqueça de fazer essa 
pergunta. Exemplos comuns são as lesões 
meniscais e ligamentares traumáticas de joe-
lho e entorses de tornozelo.
 DIA A DIA MÉDICO
 Na prática, lembre-se de fazer a diferenciação da dor 
musculoesquelética com a etiologia vascular ou a neu-
rológica. Não é incomum se deparar com queixas de dor 
não musculoesquelética e compatível com claudicação 
vascular, trombose venosa profunda ou neuropatia.
Introdução à reumatologia Reumatologia
8
6. EXAME FÍSICO 
MUSCULOESQUELÉTICO
 BASES DA MEDICINA
 Ter o mínimo de conhecimento de anatomia musculoes-
quelética é fundamental para correlacionar com a queixa 
do paciente.
 Lembre-se de que existem estruturas localizadas pre-
dominantemente fora da articulação, como é o caso de 
bursas, tendões e músculos. Outras, como meniscos, 
cápsula articular, membrana e líquido sinovial, estão 
dentro da articulação.
O exame físico musculoesquelético, associado a 
uma boa anamnese, faz o diagnóstico da grande 
maioria das queixas de dor musculoesquelética, 
já que as etiologias mais comuns são os trans-
tornos de partes moles, posturais, traumáticos e 
degenerativos.
Faz parte do roteiro do exame musculoesquelético:
 u Inspeção: inclui analisar a marcha do paciente, 
postura, presença de deformidades, trofismo e 
desalinhamentos.
 u Palpação: procurar por pontos dolorosos que 
reproduzem a queixa do paciente. Atentar para 
sinais flogísticos compatíveis com etiologia in-
flamatória, como aumento de temperatura, dor, 
rubor, edema. Também é possível detectar a 
presença de crepitações, sugestivas de etiolo-
gia degenerativa.
 u Amplitude de movimento articular: testar a mo-
bilidade articular através de movimentos ativos 
(próprio paciente faz), passivos (o examinador 
faz) e contrarresistência (feitos pelo paciente 
contra a oposição do examinador).
 u Força muscular, sensibilidade e reflexo: testar 
força muscular, sensibilidade e reflexo é importan-
te, especialmente nas cervicalgias e lombalgias, 
para avaliar a presença de envolvimento radicular. 
A avaliação da força muscular também é impor-
tante na suspeita das miopatias inflamatórias.
 u Testes e manobras específicas: existem ma-
nobras específicas de acordo com a patologia 
pesquisada (ex.: Teste de Neer para síndrome do 
impacto subacromial). No capítulo “Fibromialgia 
e síndromes dolorosas regionais” abordaremos 
as patologias com os respectivos testes.
 DIA A DIA MÉDICO
 Diante da queixa de dor musculoesquelética, passo fun-
damental do exame é localizar a região da dor. Depois 
correlacione a região com seus conhecimentos básicos 
de anatomia. Observar, palpar e movimentar são passos 
mínimos do exame físico.
7. LABORATÓRIO EM 
REUMATOLOGIA
A solicitação de exames laboratoriaisem reumatolo-
gia deve ser feita de maneira consciente e mediante 
suspeição de etiologia sistêmica inflamatória e/ou 
autoimune. Essa observação é muito importante, 
pois o diagnóstico definitivo das doenças reuma-
tológicas é a montagem de um quebra-cabeça, em 
que o dado clínico determina a necessidade ou não 
de investigação complementar.
Se você solicita provas de atividade inflamatória ou 
autoanticorpos para pacientes com dados claros 
de etiologia mecânica, ou seja, uma solicitação 
desnecessária, o que fazer diante de um resultado 
positivo, um FAN, por exemplo? Só peça exames se 
houver dado clínico que corrobore a sua suspeita. 
Lembre-se: a clínica é soberana!
7 .1 . PROVAS DE ATIVIDADE INFLAMATÓRIA
 BASES DA MEDICINA
 A resposta de fase aguda pode ocorrer em diversas pato-
logias inflamatórias agudas ou crônicas, como infecções 
bacterianas, virais ou fúngicas graves, doenças reumáticas 
e outras doenças inflamatórias, malignidades ou necrose 
tecidual. Essas doenças produzem uma resposta em que 
a interleucina 6 e outras citocinas desencadeiam a sín-
tese hepática de várias proteínas plasmáticas, inclusive 
a Proteína C Reativa (PCR) e o fibrinogênio. A detecção e 
monitoração desses reagentes de fase aguda podem ter 
utilidade clínica, sendo dosadas, habitualmente, em vários 
Introdução à reumatologia 
9
contextos clínicos, a Velocidade de Hemossedimentação 
(VHS), a PCR e a Eletroforese de Proteínas Séricas (EFPSE).
7 .1 .1 . VHS
Considerada uma prova de atividade inflamatória, 
a VHS é medida observando a sedimentação da 
amostra de sangue (pilha de hemácias) durante 1 
hora em tubo de ensaio. Os valores normais da VHS 
são de 0 a 15 mm/h para homens e 0 a 20 mm/h 
para mulheres, mas o limite superior do normal 
aumenta em idosos, obesos e gestantes.
A VHS é uma medida indireta da resposta de fase 
aguda, pois o fibrinogênio, imunoglobulinas e outras 
substâncias de fase aguda se ligam aos eritrócitos. 
A hipergamaglobulinemia e a hiperfibrinogenemia 
aumentam a velocidade de hemossedimentação. 
Alterações nos eritrócitos também influenciam a 
VHS, aumentando no contexto de anemia e dimi-
nuindo na policitemia. Portanto, como o número de 
fatores que influenciam a VHS é grande, sofrendo 
inclusive alterações fisiológicas, este é um método 
com alta sensibilidade, mas baixa especificidade. 
Porém, no contexto de elevações acentuadas (>100 
mm/h), devemos estar atentos à presença de infec-
ções, vasculites ou malignidade. A VHS é útil em 
pacientes com artrite reumatoide, espondiloartrites 
e vasculites para monitoramento da doença.
7 .1 .2 . PCR
A Proteína C Reativa (PCR) é produzida pelo fígado 
através do estímulo da IL-6, liberada no contexto 
inflamatório. Na resposta de fase aguda, os níveis 
de PCR sobem mais rapidamente que o VHS e, 
uma vez o processo inflamatório resolvido, declina 
rapidamente.
Trata-se de um método direto de detecção do pro-
cesso inflamatório, porém não é específico de infla-
mação de origem reumatológica, assim como o 
VHS, podendo estar elevado em infecções, traumas, 
malignidade. Por ser um método direto, ele preserva 
a sensibilidade de detecção inflamatória e possui 
maior especificidade comparado ao VHS.
Assim como o VHS, é útil no monitoramento da 
artrite reumatoide, das espondiloartrites e das 
vasculites.
7 .1 .3 . ELETROFORESE DE 
PROTEÍNAS SÉRICAS
A Eletroforese de Proteínas Séricas (EFPSE) é um 
método simples, que permite separar proteínas 
do plasma humano em frações. O exame consiste 
em aplicar a amostra do soro em um meio sólido 
e submetê-la a um potencial elétrico. As proteínas 
percorrem distâncias diferentes, formando bandas 
denominadas: albumina, alfa-1-globulina, alfa-2-glo-
bulina, beta globulina e gama globulina.
A albumina é a fração mais predominante, e sua 
diminuição pode ocorrer em processos inflama-
tórios crônicos. Já nas frações alfa globulinas, é 
onde está a maioria das proteínas de fase aguda 
e, portanto, apresentam níveis aumentados em 
processos inflamatórios.
Beta Lipoproteínas (LDL), transferrina, beta-2-mi-
croglobulina e a fração C3 (complemento) estão 
localizadas na banda beta globulina.
A ausência ou a diminuição da banda gama (imu-
noglobulinas) indica imunodeficiências congênitas 
ou adquiridas. Já o aumento dessa banda pode ser 
policlonal, por condições inflamatórias, ou monoclo-
nal, como no mieloma múltiplo e em outras desor-
dens linfoproliferativas, como Macroglobulinemia 
de Waldenstrom.
Portanto, a EFPSE num contexto inflamatório pode 
evidenciar: diminuição de albumina, elevação de 
alfa globulinas (alfa-2 mais proeminente) e gama 
globulinemia policlonal.
Introdução à reumatologia Reumatologia
10
Figura 4. EFPSE em estado normal e estado inflamatório.
Fonte: Rosa Neto et al.¹
 DIA A DIA MÉDICO
 No acompanhamento de pacientes com colagenoses, 
como lúpus eritematoso sistêmico, são solicitados PCR 
e VHS, mas não com o intuito de detectar atividade de 
doença, pois esses não são marcadores esperados para 
as colagenoses, mas para detectar infecção concomitante.
7 .2 . COMPLEMENTO
 BASES DA MEDICINA
 O sistema complemento é composto por proteínas séricas 
e de superfície celular, sintetizadas pelo fígado e que inte-
ragem umas com as outras e com moléculas do sistema 
imune com o objetivo de: amplificar a resposta inflama-
tória com recrutamento de fagócitos, através da geração 
de anafilotoxinas; opsonização de micro-organismos e 
formação com Complexo de Ataque à Membrana (MAC), 
levando à lise celular. Existem 3 vias para a ativação do 
sistema complemento:
 W Via clássica: ativada por anticorpos ligados aos antí-
genos. Tem a participação de C1q e C4.
 W Via alternativa: ativada sobre a superfície das células 
microbianas na ausência de anticorpos. Nem C1q 
nem C4 participam.
 W Via das lecitinas: ativada por uma lecitina plasmá-
tica, que se liga aos resíduos de manose presentes 
nas superfícies celulares microbianas. Difere da via 
clássica por não possuir C1q envolvido, mas C4 está 
presente.
Independentemente do mecanismo de ativação, 
a cascata de eventos do sistema complemento 
gera os complexos proteolíticos C3-convertase e 
C5-convertase, que são essenciais para o desfecho 
final no qual há a formação do complexo de ataque 
à membrana de microrganismos para subsequente 
lise celular. 
Introdução à reumatologia 
11
Formação de C3-convertase
Clivagem de C3
Formação de C5-convertase
Etapas finais da ativação do 
complemento e formação do MAC
Via clássica Via alternativa Via da lectina
Anticorpos ligados 
a antígenos
Opsonização de 
microrganismos
Superfície celular de 
microrganismos
Recrutamento 
de fagócitos
Polissacarídeos 
microbianos
Morte de patógenos
Mapa mental. Sistema complemento
Introdução à reumatologia Reumatologia
12
O estudo clínico do complemento tem aplicabilidade 
nos estados de imunodeficiência, em que se suspeita 
de deficiência congênita ou adquirida de algum dos 
componentes do complemento e nas enfermida-
des associadas à deposição de imunocomplexos. 
Nessas últimas, a medida do consumo do sistema 
complemento é importante para a monitorização da 
atividade da doença, visto que os imunocomplexos 
depositados fixam C1q e ativam a via clássica do 
complemento. Na prática clínica, existem algumas 
medidas de complemento utilizáveis, como CH50 
e dosagem dos níveis de C3 e C4.
7 .2 .1 . CH50
O CH50 é um ensaio funcional considerando de C1 
a C9, que mede a lise dependente de complemento 
de eritrócitos de carneiro usando o soro de paciente, 
como fonte de complemento, e anticorpos de coelho 
contra os eritrócitos de carneiro. O CH50 é um teste 
de rastreamento para avaliar o status do sistema 
complemento. O complemento pode estar dimi-
nuído por doença hepática, deficiência congênita 
ou consumido pela presença de imunocomplexos.
7 .2 .2 . Níveis de C3
A concentração de C3 é determinada por imunoen-
saio, em geral por nefelometria. As vias clássica e 
alternativa convergem no C3. A diminuição simul-tânea de C4 e C3 indica ativação da via clássica e 
a depressão de C3 com C4 normal sugere ativação 
da via alternativa.
7 .2 .3 . Níveis de C4
A concentração de C4 é medida por imunoensaio, 
na maioria das vezes por nefelometria. Níveis bai-
xos de C4 e C3 costumam indicar ativação da via 
clássica por doença de imunocomplexos. Existem 
pessoas que podem ter diminuição isolada de C4, 
com C3 normal. Isso ocorre por deficiência de C1q 
ou C4, e é fator de risco para o desenvolvimento 
de lúpus eritematoso sistêmico.
Tabela 1. Interpretação do resultado 
laboratorial dos níveis de C3 e C4.
Via 
alternativa Via clássica Deficiência 
C1q ou C4
C3 ↓ ↓ Normal
C4 Normal ↓ ↓
Fonte: Elaborada pela autora.
Quadro 1. Doenças que cursam com consumo 
de complemento e sintomas sistêmicos.
Lúpus eritematoso sistêmico
Crioglobulinemia tipo II e III
Vasculite urticariforme
Endocardite
Glomerulonefrite pós-estreptocócica
Glomerulonefrite membranoproliferativa
Viremia
Fonte: Elaborado pela autora.
 DIA A DIA MÉDICO
 Para o acompanhamento de pacientes portadores de 
lúpus eritematoso sistêmico, faz parte a solicitação de 
C3 e C4, a fim de monitorizar atividade de doença.
7 .3 . FAN
 BASES DA MEDICINA
 Para o diagnóstico de doenças reumatológicas autoimu-
nes, lançamos mão de testes que permitem a detecção 
de autoanticorpos.
 Fator Antinúcleo (FAN) é a denominação dada ao teste de 
Imunofluorescência Indireta (IFI) em células HEp-2 (linha-
gem de carcinoma de laringe humana). O FAN é um teste 
de triagem para detectar anticorpos que reagem contra 
componentes presentes no nucléolo, na membrana nuclear, 
nas organelas citoplasmáticas e no aparelho mitótico.
Introdução à reumatologia 
13
Figura 5. Imunofluorescência indireta em células 
HEp-2 para detecção do FAN: os anticorpos.
(1) Presentes no sangue do paciente, se ligam especificamente a 
antígenos celulares. Tal ligação é evidenciada com anticorpo especí-
fico para imunoglobulina humana. (2) Conjugado com fluoresceína. 
(3) Ao lado: padrões de imunofluorescência, (4) nuclear homogêneo, 
(5) nuclear pontilhado e (6) citoplasmático pontilhado.
Fonte: Acervo Sanar.
Figura 6. Padrões de FAN na imunofluorescência.
A: nuclear homogêneo; B: nuclear pontilhado fino denso; C: centro-
mérico; D: nucleolar.
Fonte: Kumar et al.²
A investigação da presença de autoanticorpos inicia-
-se pelo FAN, que tem um alto valor preditivo negativo 
nas doenças reumatológicas sistêmicas autoimunes, 
particularmente no LES, pois sua frequência é alta 
e pode atingir 99%. Útil para auxílio diagnóstico de 
autoimunidade, mas não para acompanhamento.
Um FAN é considerado positivo se o título for igual 
ou maior que 1/80. A positividade do FAN não é 
exclusiva de doenças autoimunes e pode estar 
presente em doenças infecciosas, neoplásicas e 
até em indivíduos saudáveis.
Tabela 2. Frequência do FAN em diferentes condições.
Condições Frequência %
Lúpus eritematoso sistêmico >95%
Esclerose sistêmica 80-90%
Artrite reumatoide
Tireoidite de Hashimoto
Graves
30-50%
Esclerose múltipla
Infecções
Linfoma
15-25%
Indivíduos saudáveis 5-20%
Fonte: Elaborada pela autora.
O resultado do FAN traz 3 tipos básicos de infor-
mação:
 u Positividade ou negatividade: presença ou au-
sência de autoanticorpos.
 u Títulos: concentração do anticorpo. Títulos baixos 
(1/80) são mais prováveis de não ter relevância 
clínica, enquanto nas doenças reumatológicas 
autoimunes tendem a ser encontrados títulos 
moderados (1/160 – 1/320) a elevados (>1/640).
 u Padrão da imunofluorescência: cada padrão su-
gere a presença de determinados autoanticorpos. 
Um padrão nuclear homogêneo, por exemplo, é 
sugestivo de autoanticorpos anti-DNA nativo ou 
antinucleossomo. Portanto, o próximo passo 
seria solicitar esses autoanticorpos. O mesmo 
ocorre com o padrão nuclear pontilhado grosso, 
sugestivo de anticorpos anti-Sm ou anti-RNP. Por 
outro lado, o padrão pontilhado fino denso sugere 
autoanticorpos sem contexto clínico específico, 
que frequentemente estão presentes em indiví-
duos hígidos ou com condições não relacionadas 
à autoimunidade.
Introdução à reumatologia Reumatologia
14
 DICA  O FAN nuclear pontilhado fino den-
so, mesmo em altos títulos, é encontrado 
em pessoas saudáveis.
Quadro 2. Padrões de FAN com autoanticorpos 
e condições correspondentes.
Padrão FAN Autoanticorpo 
relacionado Condições
Nuclear 
homogêneo
Anti-DNA, 
anti-histona, 
antinucleossomo
LES e lúpus 
fármaco-
induzido
Nuclear 
pontilhado 
grosso
Anti-Sm, 
anti-RNP LES e DMTC
Nuclear 
pontilhado fino Anti-Ro, anti-La Sjögren, LES, 
lúpus cutâneo
Nuclear 
pontilhado 
fino denso
Anticorpo 
anti-LEDGF/
p75, do inglês, 
lens epithelium 
derived 
growth fator
Indivíduos 
saudáveis
Fonte: Elaborado pela autora.
 DIA A DIA MÉDICO
 Não peça FAN por pedir! Peça se realmente você tem 
dados clínicos sugestivos de autoimunidade. Uma parcela 
significativa de consultas encaminhadas desnecessaria-
mente ao reumatologista é pela positividade de FAN sem 
correlação clínica e relacionado a queixas mecânicas.
7 .4 . ANCA
 BASES DA MEDICINA
 ANCA é a sigla para anticorpos anticitoplasma de neu-
trófilos. A metodologia é semelhante ao do FAN, com 
imunofluorescência indireta, mas o substrato é diferente; 
aqui são utilizados neutrófilos fixados em etanol.
O ANCA é utilizado para auxiliar no diagnóstico das 
vasculites ANCA. Uma vez positivo o teste, podemos 
ter 2 tipos de padrões: c-ANCA ou p-ANCA.
O padrão c-ANCA é quando cora o citoplasma do 
neutrófilo, está geralmente associado à presença 
do anticorpo antiproteinase 3 (PR3) e é encontrado 
na granulomatose com poliangeíte (antigamente 
conhecida como Granulomatose de Wegner). Já 
o p-ANCA é quando cora perinuclear, e pode estar 
associado a anticorpos antimieloperoxidase (MPO). 
As doenças mais associadas à presença do p-ANCA 
são a poliangeíte microscópica, granulomatose com 
poliangeíte eosinofílica (antigamente conhecida 
como Churg-Strauss) e quadros de glomerulonefrite 
rapidamente progressiva.
Figura 7. ANCA positivo.
Fonte: Panda et al.³
 DICA   p-ANCA = anti-MPO; e c-ANCA = 
anti-PR3.
8. FATOR REUMATOIDE
 BASES DA MEDICINA
 O Fator Reumatoide (FR) é um autoanticorpo que reco-
nhece a fração Fc de uma IgG. O mais comum é que o FR 
seja uma IgM, mas pode ser de outra classe, como IgG 
ou IgA. A nefelometria é o método de escolha para sua 
detecção e determinação dos títulos séricos.
Em aproximadamente 50% a 85% dos casos de 
artrite reumatoide é encontrado Fator Reumatoide 
(FR) circulante. Na vasculite crioglobulinêmica e na 
Síndrome de Sjögren, a frequência do FR é ainda 
maior que na artrite reumatoide. Também pode ser 
Introdução à reumatologia 
15
positivo em infecções, neoplasias e em indivíduos 
saudáveis.
Uma vez que o FR é encontrado em frequência 
variável em grande número de outras condições 
mórbidas, sua especificidade e seu valor preditivo 
positivo (VPP) para o diagnóstico de artrite reuma-
toide não são elevados. Assim como o FAN, o FR 
é útil para auxílio diagnóstico de autoimunidade, 
mas não deve ser usado para monitorização de 
atividade de doença/acompanhamento.
Tabela 3. Frequência do fator reumatoide 
em diferentes condições.
Condições Frequência %
Sjögren 95%
Artrite reumatoide 50 – 85%
Crioglobulinemia 40 – 100%
Lúpus eritematoso sistêmico 35%
Indivíduos saudáveis 2 – 10%
Doenças virais, parasitárias 
e bacterianas 10 – 50%
Fonte: Elaborada pela autora.
Introdução à reumatologia Reumatologia
16
Mapa mental. Dor musculoesquelética
Dor musculoesquelética
Laboratório em 
reumatologia
Sintomas 
associados 
Padrão de 
envolvimento Osteoartrite Reumatismo de 
partes moles
MecânicaInflamatória
Simétrico ou 
assimétrico
Mono, oligo, 
poliarticular
Introdução à reumatologia 
17
REFERÊNCIAS
1. Rosa Neto NS, Carvalho JF. Rosa Neto o uso de provas 
de atividade inflamatória em reumatologia. Rev. Bras. 
Reumatol. 2009; 49(4).
2. Kumar Y, Bhatia A, Minz RW. Antinuclearantibodies 
and their detection methods in diagnosis of connec-
tive tissue diseases: a journey revisited. Diagn Pathol 
[Internet]. 2009 [acesso em 25 jul 2022]; 4:1. Disponí-
vel em: https://openi.nlm.nih.gov/detailedresult?im-
g=PMC2628865_1746-1596-4-1-1&query=antinuclear%20
factor&it=xg&lic=by&req=4&npos=20
3. Panda R, et al. Neutrophil extracellular traps con-
tain selected antigens of anti-neutrophil cytoplas-
mic antibodies. Front Immunol [Internet]. 2017 
[acesso em 25 jul 2022]. Disponível em: https://
openi.nlm.nih.gov/detailedresult?img=PMC5389973_
fimmu=08-00439--008g&query=ANCA&it=xg&lic=by&req-
4&npos=2
BIBLIOGRAFIA CONSULTADA
Carvalho MAP, Bértolo MB, Lanna CCD, Ferreira GA. Reu-
matologia Diagnóstico e Tratamento. São Paulo: AC Farma-
cêutica; 2019.
Chan EK, Damoiseaux J, Carballo OG, Conrad K, de Melo 
Cruvinel W, Francescantonio PL, et al. Report of the First 
International Consensus on Standardized Nomenclature of 
Antinuclear Antibody HEp-2 Cell Patterns 2014-2015. Front 
Immunol. 2015; 6: 412.
Hochberg MC, Silman AJ, WeismanHochberg MH. Rheuma-
tology. 6th ed. St Louis Missouri: Mosby; 2015.
Imboden JB, Hellman DB, Stone JH. Current Reumatologia: 
Diagnóstico e Tratamento. 3. ed. Porto Alegre: AMGH; 2014.
Marques Neto JF, Vasconcelos JTS, Shinjo SK, Radominski 
SC. Livro da Sociedade Brasileira de Reu-matologia. São 
Paulo: Manole; 2021.
Schulte-Pelkum J, Radice A, Norman GL, Lόpez Hoyos M, 
Lakos G, Buchner C, et al. Novel Clinical and Diagnostic 
Aspects of Antineutrophil Cytoplasmic Antibodies. J Immunol 
Res. 2014; 185416.
Introdução à reumatologia Reumatologia
18
QUESTÕES COMENTADAS
Questão 1
(INSTITUTO DE ASSISTÊNCIA MÉDICA AO SERVIDOR PÚBLICO 
ESTADUAL – SP - 2021) No que se refere aos exames la-
bo¬ratoriais nas doenças reumatológicas, assinale 
a alternativa correta. 
	⮦ A ausência de fator antinúcleo (FAN) exclui o 
diagnóstico de lúpus eritematoso sistêmico (LES). 
	⮧ O achado de um FAN com padrão homogêneo 
pode estar relacionado a alguns autoantígenos, 
como, por exemplo, o anti-DNA, o anti-histona e 
o anti-Ro. 
	⮨ O padrão pontilhado fino denso geralmente é 
encontrado em indivíduos saudáveis, sem evi¬-
dência de doença reumatológica, mesmo em 
altos títulos. 
	⮩ O anti-DNA (dupla hélice) é um anticorpo com 
baixa especificidade para LES, embora tenha 
correlação com a glomerulonefrite proliferativa 
e com a atividade da doença. 
	⮪ O FAN com padrão pontilhado fino está associa¬-
do a alguns autoantígenos, como, por exemplo, 
o anti-Sm e o anti-U1-RNP, ambos relacionados, 
com frequência, à síndrome de Sjögren. 
Questão 2
(UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO PAULO - SP – 2021) Com 
relação ao padrão e título do FAN, assinale a alter-
nativa correta.
	⮦ O FAN padrão citoplasmático pontilhado fino 
denso é comumente encontrado em indivíduos 
sadios, com associação com o anticorpo anti-
-LEDGF p75.
	⮧ O FAN padrão nuclear pontilhado fino em altos 
títulos tem maior associação com doenças reu-
máticas autoimunes.
	⮨ O FAN padrão nuclear pontilhado grosso é asso-
ciado a doenças reumáticas autoimunes, exceto 
quando em baixos títulos.
	⮩ O FAN padrão nuclear homogêneo e centromé-
rico raramente está associado a doenças reu-
máticas autoimunes.
Questão 3
(UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO PAULO – SP – 2020) Mulher, 
55 anos de idade, comparece ao seu consultório 
com exame de FAN (Fator Antinúcleo) positivo, e 
está com receio de ter o diagnóstico de “reuma-
tismo”. Com relação ao padrão e ao título do FAN, 
assinale a alternativa correta. 
	⮦ FAN é um importante exame de rastreamento e 
deve ser solicitado em exames periódicos em 
mulheres acima de 30 anos. 
	⮧ FAN padrão nuclear pontilhado fino é o mais 
associado a doenças reumáticas autoimunes, 
independente do título. 
	⮨ FAN padrão nuclear pontilhado fino denso é o 
mais frequentemente encontrado em indivíduos 
sadios e, na maioria das vezes, não está asso-
ciado a doenças reumáticas autoimunes. 
	⮩ FAN padrão nuclear homogêneo e centromérico 
raramente está associado a doenças reumáticas 
autoimunes. 
	⮪ FAN padrão citoplasmático pontilhado fino denso 
é comumente encontrado em indivíduos sadios 
em associação com o anticorpo anti-LEDGF p75.
Introdução à reumatologia 
19
Questão 4
(CASA DE SAÚDE – SP - 2020) Qual das vasculites abaixo 
apresenta ANCA positivo?
	⮦ Poliarterite nodosa.
	⮧ Granulomatose de Wegener.
	⮨ Vasculite lúpica.
	⮩ Vasculite leucocitoclástica.
Questão 5
(UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO – SP – 2022) Mulher de 50 
anos de idade, costureira, vem para consulta am-
bulatorial referindo emagrecimento não intencional 
e dores em articulações de mãos há aproximada-
mente 6 meses, contínua, com piora progressiva 
nas últimas 4 semanas. Relata rigidez matinal de 
aproximadamente 20 minutos, mas conta que as 
dores são piores ao final do dia após a realização 
das suas atividades diárias. Antecedentes: Hiper-
tensão Arterial Sistêmica, em uso de hidroclorotia-
zida 25 mg/dia; consumo de 5 garrafas de cerveja 
por semana; tabagismo 10 anos-maço. Ao exame 
clínico: dor à palpação de interfalanges proximais 
de todos os dedos de ambas as mãos, e de 2º e 3º 
metacarpofalanges bilateralmente, sem edema ou 
eritema. O restante do exame clínico está normal. 
Qual é a alternativa correta? 
	⮦ O diagnóstico inicial não inclui a realização de 
radiografia de mãos e punhos.
	⮧ A investigação inicial inclui a dosagem de TSH.
	⮨ O diagnóstico de artrite psoriásica é excluído pela 
presença de fator reumatoide positivo.
	⮩ A presença de rigidez matinal de 20 minutos su-
gere artropatia inflamatória.
Questão 6
(HOSPITAL NAVAL MARCÍLIO DIAS – RJ – 2021) Na resposta 
imune humoral ocorre a ativação do sistema com-
plemento por três vias distintas. Quais são elas?
	⮦ Clássica, alternativa e de ligação à lecitina.
	⮧ Clássica, intrínseca e direta.
	⮨ Intrínseca, direta e de ligação à lecitina.
	⮩ Alternativa, de ligação à lecitina e direta.
	⮪ Clássica, intrínseca e alternativa.
Introdução à reumatologia Reumatologia
20
GABARITO E COMENTÁRIOS
Questão 1 dificuldade:   
 Y Dica do professor: Lembre-se que o FAN é um tes-
te de rastreio de autoanticorpos, e seu padrão tem 
correlação com a positividade de determinados 
autoantíge¬nos. Não é um teste patognomônico 
de doenças autoimunes, e pode vir positivo em 
diversas con¬dições como infecções, neoplasia e 
uso de me¬dicações. 
Alternativa A: INCORRETA. A negatividade do FAN é 
um forte argumento contra LES, mas sua ausência 
não exclui o diagnóstico. 
Alternativa B: INCORRETA. O padrão de FAN nuclear 
homogêneo sugere a presença de anti-DNA, anti¬-
-histona ou anti-nucleossomo. FAN pontilhado fino 
sugere a presença de anti-Ro, anti-La. 
Alternativa C: CORRETA. Mesmo em altos títulos 
esse tipo de padrão é encontrado em indivíduos 
saudáveis. 
Alternativa D: INCORRETA. O anti-DNA faz parte dos 
anticorpos considerados específicos para LES, mas 
o mais específico é o anti-Sm. 
Alternativa E: INCORRETA. Os anticorpos anti-Sm e an-
ti-RNP são associados ao padrão pontilhado gros¬-
so. O anticorpo da Síndrome de Sjögren é o anti-Ro. 
 ✔ apesar de ter uma alternativa correta (c), essa ques-
tão foi anulada, pois os novos critérios classificatórios 
de les 2019 levam em consideração a positividade do 
fan como critério obrigatório de entrada. logo, isso 
deu margem para que a alternativa a também pudesse 
estar correta. mas lembre-se: critérios classificatórios 
não são diagnósticos e, portanto, um fan negativo não 
exclui les.
Questão 2 dificuldade:  
 Y Dica do professor: A pesquisa de anticorpos contra 
antígenos celulares, tradicionalmente denomina-
da FAN (Fator Antinúcleo) ou ANA (Autoanticorpo 
Antinúcleo) tem apresentado contínua evolução e 
requer dos profissionais a interpretação dos resulta-
dos; mas, atenção, sempre como auxílio da clínica. 
Alternativa A: INCORRETA. O FAN no padrão pontilhado 
fino denso é encontrado em indivíduos saudáveis 
e se associa à presença do anticorpo anti-LEDGF 
p75, conhecido como fator de crescimentocelular 
derivado do cristalino.
Alternativa B: CORRETA. Quanto maior o título do 
FAN, maior a propensão de estar associado à au-
toimunidade.
Alternativa C: INCORRETA. FAN nuclear pontilhado 
grosso é o mais associado à autoimunidade por se 
correlacionar a anticorpos como anti-RNP e anti-Sm.
Alternativa D: INCORRETA. O padrão nuclear homo-
gêneo e centrométrico pode estar associado a 
doenças reumatológicas, principalmente o LES e 
a esclerose sistêmica, respectivamente.
 ✔ resposta: ⮧
Questão 3 dificuldade:  
 Y Dica do professor: Os Anticorpos Antinucleares 
(ANA) ou FAN, Fator Antinuclear, estão frequente-
mente relacionados a uma série de doenças reu-
matológicas autoimunes como o lúpus, esclerose 
sistêmica, doença mista do tecido conjuntivo, Sín-
drome de Sjogren e polimiosites.
Alternativa A: INCORRETA. O FAN não deve ser utiliza-
do como rastreamento para doenças autoimunes 
Introdução à reumatologia 
21
pois não nos dão nenhum diagnóstico de forma 
isolada, de modo que seus valores sempre devem 
ser correlacionados com a clínica do paciente.
Alternativa B: INCORRETA. O FAN mais associado a 
autoimunidade é o pontilhado grosso.
Alternativa C: CORRETA. Esse padrão é o mais ines-
pecífico e pode ser encontrado em pessoas sadias.
Alternativa D: INCORRETA. O padrão nuclear centro-
mérico está relacionado à síndrome CREST (escle-
rose sistêmica).
Alternativa E: INCORRETA. A positividade do anticorpo 
anti-LEDGF p75 associado com o FAN positivo em 
padrão NUCLEAR pontilhado fino denso é frequente 
em indivíduos hígidos. 
 ✔ resposta: ⮨
Questão 4 dificuldade:  
 Y Dica do professor: Lembre-se de que, nas provas 
de residência, o que mais cai sobre o tema “vascu-
lites” é a identificação da síndrome clínica de cada 
entidade específica, incluindo a identificação de 
marcadores positivos ou negativos. O ANCA (An-
ticorpo Anticitoplasma de Neutrófilo) é um marca-
dor sorológico de autoimunidade extremamente 
associado às vasculites sistêmicas necrosantes 
pauci-imunes.
Alternativa A: INCORRETA. A poliarterite nodosa é uma 
vasculite ANCA negativo. Essa é uma síndrome de 
vasculite de médios vasos marcada pela ocorrência 
de sinais e sintomas constitucionais, mononeurite 
múltipla, vasculite intestinal, testicular e hiperten-
são renovascular.
Alternativa B: CORRETA. A Granulomatose de Wege-
ner é uma vasculite ANCA positivo, sendo encontra-
do c-ANCA positivo em 70 a 97% dos casos. Essa 
doença acomete artérias de médio e de pequeno 
calibre, além de microvasos. Com isso, provoca 
uma glomerulonefrite pauci-imune, acometimento 
do trato respiratório superior em 95% dos casos, e 
o envolvimento ocular pode ocorrer em 28 a 58% 
dos casos.
Alternativa C: INCORRETA. A vasculite lúpica também 
é uma doença ANCA negativo em que geralmente 
há acometimento de múltiplos órgãos e tecidos. 
Com isso, gerando temos um paciente com pro-
cesso inflamatório sistêmico, lesão articular, lesão 
cutânea, lesão renal, lesão hematológica e, por fim, 
FAN positivo e hipocomplementemia.
Alternativa D: INCORRETA. A vasculite leucocitoclás-
tica comumente se manifesta com púrpura palpá-
vel em membros inferiores. O que caracteriza essa 
alteração é a presença de restos de núcleos de 
neutrófilos, decorrentes da lise destas células na 
própria parede vascular. 
 ✔ resposta: ⮧
Questão 5 dificuldade:  
 Y Dica do Professor: Paciente apresentando artral-
gia de ritmo misto (rigidez fugaz, porém com piora 
ao repouso) e sintomas constitucionais; logo, não 
conseguimos ficar tranquilos que não seja uma 
doença inflamatória reumatológica sistêmica. Por-
tanto, precisamos investigar e pensar em diferen-
ciais, solicitando radiografia de mãos e punhos, e 
exames laboratoriais: hemograma, provas de ati-
vidade inflamatória, sorologia Hep. B Hep C e HIV, 
TSH, FAN, Fator reumatoide, PCR e VHS. 
Alternativa A: INCORRETA. A radiografia nos auxilia a 
avaliar se não temos erosão óssea ou osteopenia 
periarticular. 
Alternativa B: CORRETA. A investigação inicial inclui 
TSH como diferencial de hipertireoidismo. 
Alternativa C: INCORRETA. Fator reumatoide negativo 
não exclui artrite psoriásica. 
Alternativa D: INCORRETA. A presença de rigidez 
matinal acima de 30 minutos sugere etiologia in-
flamatória.
 ✔ resposta: ⮧
Questão 6 dificuldade: 
 Y Dica do professor: O sistema complemento pode 
ser ativado por 3 vias: clássica, dependente de an-
ticorpos; alternativa, sem a participação de anticor-
pos; via das lectinas ligadoras de manose, que se 
ligam à superfície de micro-organismos. Indepen-
dentemente do tipo de ativação, todas culminam 
em C3 e formação do MAC (Complexo de Ataque 
Introdução à reumatologia Reumatologia
22
à Membrana). A diferença entre as vias, além do 
mecanismo de ativação, é a participação ou não 
de C1q e C4, que ocorre nas vias clássica e lecti-
na-manose, mas não na alternativa.
 ✔ resposta: ⮦
	Introdução à reumatologia 
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	 Aborgadem da queixa reumatológica 
	Anamnese 
	 Exame físico musculoesquelético
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	FAN
	ANCA
	Fator reumatoide 
	Mapa mental. Dor musculoesquelética
	Referências
	Bibliografia consultada 
	Questões comentadas

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