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ALDEIA COTIDIANA Assista o vídeo correspondente ao Módulo 03 3º MÓDULO – A DESCOBERTA DA TRANSCENDÊNCIA A descoberta da Transcendência: os traços de Deus em nós e como viver a partir desse dado de criação. Ao pensar o Ser Humano, o pensamos em Deus e a partir Dele. Compreendemos Jesus como o Ser humano Perfeito, sem mácula, sem pecado, e com sua capacidade de relacionamento plena, a ponto de dizer: “Eu e o Pai, somos um”. Mas também pensamos no Transcendente em nós, no nosso Ser. Somos portadores do Espírito Santo. Presença divina em nós que nos constitui. Somos pessoas criadas por Deus Pai, à sua imagem e semelhança. Trazemos em nós características divinas que em Jesus e no Espírito Santo vamos identificando e integralizando em nós. Quando aprofundarmos a instância do Ser, vamos verificar que aí encontramos o habitat da transcendência um lugar onde somos habitados por essa presença no além de nós mesmos. Somos a morada do Espírito Santo. Mas para podermos acessar essa presença transcendente em nós é necessário que tenhamos o Ser suficientemente consciente e que tenhamos intimidade com Ele. A intimidade com Deus é algo natural que nasce com a criação do ser humano, Deus sempre quer viver essa intimidade, mas, infelizmente, o pecado sempre nos distancia de nosso Deus. Os Sacramentos da Igreja são meios poderosos para conseguirmos essa intimidade. O Batismo nos configura com Cristo, nos torna filhos de Deus e, por isso, íntimos. A Eucaristia é o grande sinal de unidade com Cristo e nosso encontro mais íntimo com ELE. A Reconciliação é a experiência de misericórdia e perdão, acolhida do Pai para conosco; isto é pura intimidade. O Crisma nos torna apóstolos, discípulos, testemunhas do Senhor, íntimos d´Ele. O Matrimônio é o sinal de união abençoada por Deus. A Ordem é o Sacramento da intimidade com DEUS pois, por Ele, o sacerdote se torna um outro Cristo para o mundo. A Unção dos Enfermos é o Sacramento no qual Cristo se faz íntimo do sofredor e o acolhe com suas dores na cruz. Por isso os Sacramentos são a fonte para nossa profunda intimidade com a Trindade Santa. Quando pensamos em transcendência pensemos como nosso primeiro Valor, aquilo do qual não podemos nos apartar ou prescindir. Nas Aldeias de Vida, obra inspirada por Deus, para proporcionar o encontro da pessoa consigo, com o outro e com Deus, temos Deus como nosso primeiro valor, e a sua intimidade como vivência concreta em nosso dia a dia. Vem então a pergunta: Como descobrir esta Imagem e Semelhança de Deus em si mesmo? A nossa maneira mais concreta de experimentar a intimidade com Deus é por meio da nossa vida de oração, da leitura, aprofundamento e vivência da Sua Palavra, e o amor profundo por toda pessoa, pois reconhecemos a presença de Dele em cada ser humano. Mas também podemos constatar que a Imagem de Deus na pessoa é uma realidade interior que vem de longe, desde o ventre materno. As perfeições da pessoa humana refletem algo da infinita perfeição de Deus. Estas perfeições são as qualidades, talentos, potencialidades que se encontram no ser, no eu profundo da pessoa e emergem do inconsciente, na medida em que a pessoa se interioriza, se debruça sobre seu mundo interior pela autoanálise, pelo autoconhecimento e pela formação. Quando concretizamos, através dos nossos atos, no cotidiano: riquezas, talentos, potencialidades, revelamos esta Imagem e Semelhança de Deus, de maneira única, irrepetível, mesmo que, de fato, estas "perfeições" tenham na pessoa humana seus limites. Assim a IMAGEM NORMAL na pessoa é estruturada a partir de quem Deus a criou, com suas riquezas, qualidades, talentos e com seus limites. Na pessoa, alguns limites são insuperáveis, enquanto outros podem ser superados com o esforço, estudo e aprendizado. As pessoas que se aceitam têm consciência de que tudo o que elas têm de bom, desde as menores coisas, como a maneira de sorrir, de andar, de se vestir, até as qualidades, os talentos, lhe foram dados por Deus. “Ele nos cumulou com torrentes de riquezas”, nos diz São Paulo na Epístola aos Efésios. Temos uma imagem de nós mesmos, isto é, uma ideia, um conceito, uma opinião sobre nós mesmos. A imagem se situa no nosso intelecto e nos leva a agir e a nos comportar de acordo com esta imagem. De fato, conscientes ou não de nossa imagem, ela nos influencia. Seria maravilhoso se sempre tivéssemos em nós a imagem de semelhança com Deus, mas na verdade ao longo da vida podemos desenvolver outras imagens divergentes dessa imagem e semelhança com Deus. São imagens que nos desfiguram em relação a nossa semelhança com Ele. Vejamos algumas dessas imagens: 3.1 A IMAGEM NEGATIVA O que pode ter acontecido é que a criança tenha sido comparada com um irmão ou irmã. Outras vezes a criança teve uma educação severa, com exigências acima de suas potencialidades, e pelo fato de não conseguir ser bem-sucedidas, gerou frustrações e experiências de insucesso. Incluímos aqui também os casos em que a Imagem Negativa é o contragolpe de um ideal demasiado elevado e que não foi atingido. Às vezes ainda uma série de fracassos na idade adulta pode também estar na origem desta imagem. Foi então que a imagem se estruturou em torno do negativo, das falhas com consequências penosas, bloqueantes e prejudiciais ao crescimento da pessoa, na docilidade à sua Imagem e Semelhança de Deus. O que a Pessoa vive a partir dessa Imagem Negativa? • desconfiança de si, de Deus e dos outros; • pessimismo; • mal-estar; • insucessos que ela acolhe como que esperados; • descrédito. 3.2 A IMAGEM SUPERVALORIZADA É a imagem característica da pessoa que tem de si mesma uma grande ideia (desejando que os outros também a tenham). A vida desta pessoa é organizada em torno do sucesso, do culto pelo êxito cultural, social, pelas relações brilhantes e com os poderosos. Em suas atividades, seus empreendimentos, criatividades, tudo gira em volta do aparecer onde entra orgulho, ambição, presunção que a levam a visar sempre o mais alto e a corrida a sempre mais sucesso. Esta pessoa se apropria dos dons de Deus sem preocupar-se em fazê-los frutificar para que o Pai seja glorificado: o Pai que a criou com torrentes de riquezas – (Ef. I-8) - para a manifestação de sua glória. A pessoa portadora desta Imagem traz um subsolo de insegurança: claro sem o sucesso tudo desmoronaria. Outro ponto importante a assinalar é a influência desta Imagem sobre o relacionamento com os outros. As relações são do tipo dominante. Existe desprezo pelos fracos e pelos malsucedidos. A pessoa se distancia dos outros, exceto dos que são considerados "valorizantes" com os quais mantém uma dependência psicológica. Para esta pessoa o erro, a discussão, uma crise, um insucesso são inaceitáveis, e quando isto acontece a resposta é: ironia, desprezo, suficiência, justificativas. É possível reestruturar esses dois tipos de imagens, para reencontrar a imagem normal tal qual criada por Deus à Sua Imagem e Semelhança? SIM isto é possível. Antes de mais nada é indispensável que a pessoa tome consciência desta ou daquela imagem, o que nem sempre é fácil. Em seguida será necessário entregar-se a uma análise séria e permanente do que viveu, buscando a causa de uma e outra imagem. No caso da IMAGEM NEGATIVA será imprescindível prestar atenção aos positivos, aos sucessos reais que acontecem em sua vida, sem negar os próprios limites. Necessário também fazer a experiência de uma outra hierarquia de valores onde o ser ocupe o primeiro lugar e não o aparecer. O fenômeno da IMAGEM SUPERVALORIZADA só vai evoluir e desaparecer a partir de uma VIDA vivenciada a partir do SER, de um firmar- se no próprio SER e não na busca da estima dos outros a qualquerpreço. É importante sublinhar a importância de vivermos em docilidade à imagem que temos de nós mesmos e da importância da reestruturação dessa imagem para chegarmos a viver cada vez mais próximos da Imagem Original: "Imagem e Semelhança de Deus". É muito importante descobrir a nossa imagem hoje, porque é com ela que nós tentamos nos identificar. A consequência é que ela constitui um freio para toda evolução, para todo crescimento, porque as descobertas que fazemos e que tentem a modificá-la são percebidas como “perigosas”, pois abalam a imagem que nos é familiar. Se me deixo influenciar pela minha imagem, faço atos de acordo com a imagem que tenho de mim mesmo. Vivo atitudes de acordo com esta imagem. 3ª ATIVIDADE Que imagem eu tenho de mim mesmo, hoje? Sempre tive esta imagem de mim, ou ela mudou? O que a fez mudar? ENCAMINHAMENTO: Pare, silencie, respire fundo, e leia as perguntas acima: Pegue a caneta e o papel e escreva todo o conteúdo que lhe vier, sem nenhuma preocupação de lógica, de certo ou errado, ou de qualquer coisa, apenas escreva iniciando assim: SINTO QUE A SENSAÇÃO QUE ME OCUPA NESSE MOMENTO QUANTO A MINHA IMAGEM É...