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SENHOR, 
ENSINA-NOS A ORAR 
 
 
 
 Paulo Raposo Correia 
 Março de 2025 
 Rio de Janeiro – RJ 
 
 Uma visão bíblica sobre o assunto 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
SENHOR, 
ENSINA-NOS A ORAR 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
PAULO RAPOSO CORREIA 
 
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E-Book 
 
 
 
 
 
SENHOR, ENSINA-NOS A ORAR 
por Paulo Raposo Correia 
© 2025 Paulo Raposo Correia 
 
Reservados todos os direitos desta obra. 
Proibida toda e qualquer reprodução por qualquer meio ou forma, sem 
a permissão expressa do autor. 
 
Capa: 
Paulo Raposo Correia 
 
Revisão e Editoração Eletrônica: 
Paulo Raposo Correia 
 
 
 
 
 
Dados para Catalogação 
Correia, Paulo Raposo 
SENHOR, ENSINA-NOS A ORAR / Paulo Raposo Correia – Rio de 
Janeiro – RJ – Brasil, 2025 
 
ISBN 978-65-01-36456-8 
 
 
1.Bíblia 2.Cultura Bíblica 3.Título 
 
 
 
 
SENHOR, 
ENSINA-NOS A ORAR 
 
Esta publicação é resultado de uma breve pesquisa de 
informações sobre este assunto, bem como é a 
exposição do meu próprio entendimento e vivência de 
longos anos, tudo isso para sua reflexão e 
aproveitamento. Sempre que necessário o texto será 
atualizado e a data da revisão mencionada. 
 
 
 
 
 
 
 
 
Se a leitura deste e-book lhe for útil, então se sinta 
desafiado(a) a compartilhar o link. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 SENHOR, ENSINA-NOS A ORAR 
 
5 | P á g i n a 
 
 
SUMÁRIO 
AGRADECIMENTOS ................................................................................... 9 
QUE É ORAR? ........................................................................................... 10 
INTRODUÇÃO ............................................................................................ 11 
1. JESUS E OS SEUS ENSINOS ............................................................... 15 
2. DISCIPLINAS ESPIRITUAIS .................................................................. 19 
2.1 COMUNHÃO COM DEUS. ....................................................................... 19 
2.2 ORAÇÃO E JEJUM. ............................................................................... 19 
2.3 ADORAÇÃO E LOUVOR. ........................................................................ 20 
2.4 BÍBLIA. ............................................................................................... 20 
3. UMA REFLEXÃO INICIAL ..................................................................... 21 
3.1 CONCEPÇÕES E COMPORTAMENTOS ..................................................... 21 
3.2 O QUE É ORAÇÃO? .............................................................................. 22 
4. ORAÇÃO E COMUNHÃO COM DEUS .................................................. 25 
5. POR QUE E POR QUEM ORAR? .......................................................... 27 
5.1 ORAÇÃO DE CONFISSÃO ...................................................................... 27 
5.2 ORAÇÃO DE ADORAÇÃO ...................................................................... 28 
5.3 ORAÇÃO DE AGRADECIMENTO .............................................................. 34 
5.4 ORAÇÃO DE INTERCESSÃO ................................................................... 36 
5.5 ORAÇÃO DE PETIÇÃO .......................................................................... 42 
5.6 ORAÇÃO DE IMPRECAÇÃO .................................................................... 47 
6. ASPECTOS PRÁTICOS DA ORAÇÃO .................................................. 49 
6.1 A COMUNICAÇÃO COM DEUS ................................................................ 49 
6.2 A HORA E A DURAÇÃO DA ORAÇÃO ....................................................... 49 
6.3 O LOCAL DA ORAÇÃO ........................................................................... 52 
6.4 A POSTURA FÍSICA PARA A ORAÇÃO ...................................................... 53 
6.5 A QUEM ORAR? ................................................................................... 55 
6.6 A PARTICIPAÇÃO ................................................................................. 56 
6.7 A ATITUDE AO ORAR ............................................................................ 57 
6.8 O ENVOLVIMENTO E ENTREGA AO ORAR ................................................ 59 
6.9 O CONTEÚDO DA ORAÇÃO ................................................................... 60 
6.10 A ORAÇÃO EM PÚBLICO ..................................................................... 64 
SENHOR, ENSINA-NOS A ORAR 
 
6 | P á g i n a 
7. ORAÇÃO – CERTEZAS E CONDIÇÕES ............................................... 67 
7.1 A CERTEZA DE SER OUVIDO E CONTEMPLADO ....................................... 67 
7.2 CONDIÇÕES CONDICIONANTES NA ORAÇÃO ........................................... 69 
8. RESULTADOS DA ORAÇÃO ................................................................ 77 
8.1 NA VIDA DE JESUS ............................................................................... 77 
8.2 NA IGREJA PRIMITIVA ........................................................................... 79 
8.3 NA VIDA DOS CRENTES ......................................................................... 82 
9. ORAÇÕES DE JESUS ........................................................................... 89 
9.1 ALGUMAS INSTRUÇÕES DE JESUS ......................................................... 89 
9.2 A ORAÇÃO DO "PAI NOSSO" ................................................................ 93 
9.3 A ORAÇÃO DE EXALTAÇÃO ................................................................. 115 
9.4 A ORAÇÃO DA CONFIRMAÇÃO ............................................................. 116 
9.5 A ORAÇÃO SACERDOTAL ................................................................... 116 
9.6 A ORAÇÃO DA EXTREMA AGONIA ........................................................ 117 
9.7 A ORAÇÃO DO PERDÃO ..................................................................... 118 
9.8 A ORAÇÃO DO ABANDONO NA CRUZ .................................................... 118 
10. A ORAÇÃO MOVE A MÃO DE DEUS? ............................................. 121 
11. UM TESTEMUNHO IMPACTANTE .................................................... 127 
12. QUANDO DEUS DIZ NÃO! ................................................................ 135 
12.1 POR CAUSA DE QUEM ORA: ............................................................ 136 
12.2 POR CAUSA DA SUA FORMA OU CONTEÚDO: .............................. 139 
13. O ESPÍRITO SANTO E A ORAÇÃO .................................................. 143 
13.1 A INTERCESSÃO DO ESPÍRITO ........................................................... 145 
13.2 O ESPÍRITO SANTO COMO MESTRE E GUIA NA ORAÇÃO ..................... 147 
13.3 A ORAÇÃO NO ESPÍRITO SANTO ....................................................... 148 
14. O JEJUM BÍBLICO ............................................................................ 151 
14.1 O QUE É JEJUAR? ............................................................................ 151 
14.2 QUANDO SURGIU O JEJUM? .............................................................. 151 
14.3 QUAL É O VERDADEIRO MOTIVO DO JEJUM?....................................... 152 
14.4 DURAÇÃO, FREQUÊNCIA E ABRANGÊNCIA DO JEJUM? ........................ 153 
14.5 QUAL A RELAÇÃO DE JESUS COM O JEJUM? ...................................... 154 
14.6 QUAL A RELAÇÃO DA IGREJA COM O JEJUM? ..................................... 155 
14.7 QUAL A POSIÇÃO DA IGREJA PRESBITERIANA DO BRASIL?................. 156 
14.8 OUTRO “TIPO” DE JEJUM. ................................................................ 158 
15. A ORAÇÃO DE JABEZ ...................................................................... 161 
15.1 A ORAÇÃO ......................................................................................– O exercício da oração produz resultado mais rápido na alma, do que 
o exercício físico no corpo.”3 
 
 
3 Tesouro de ilustrações (228). 
SENHOR, ENSINA-NOS A ORAR 
 
52 | P á g i n a 
Jorge Muller começou a orar por cinco amigos. Após 5 anos, 10 
anos, 25 anos e 25 anos de oração, respectivamente, os quatro 
primeiros se renderam a Cristo, e continuou orando pelo quinto até a 
sua morte. Alguns meses após a sua morte, o quinto também se 
rendeu a Cristo. Por esse último ele orou 50 anos. Alguém poderá 
dizer: – Até quando oraremos? Não chega um momento em que 
devemos deixar as nossas orações e entregar o assunto a Deus? – Só 
há uma resposta, diz ele: orar até que a coisa pedida tenha sido 
conquistada ou até terdes o conhecimento de que o será.4 
 
 
6.3 O local da oração 
 
Nos evangelhos e nos ensinos de Jesus encontramos os seguintes 
registros, ora como Instrução, ora como exemplo do Mestre: 
 
 Dentro do teu quarto, portas fechadas, a 
sós: 
– Mateus 6.6 ( Instrução) 
 
 
“Cerradas as portas das humanas preocupações e as janelas 
dos cuidados temporais, abrimos as comportas da alma.” 
 
 No monte, a sós: 
– Mateus 14.23 ( Exemplo) 
– Marcos 6.46 ( Exemplo) 
– Lucas 6.12 ( Exemplo) 
– Lucas 6.28 ( Exemplo) 
– Lucas 22.40 ( Exemplo) 
– Mateus 26.36 ( Exemplo) 
 
 
4 Tesouro de ilustrações (226). 
SENHOR, ENSINA-NOS A ORAR 
 
53 | P á g i n a 
 Em lugares desertos ou solitários: 
– Marcos 1.35 ( Exemplo) 
– Lucas 5.16 ( Exemplo) 
 
 Em particular, mesmo estando os discípulos presentes: 
– Lucas 9.18 ( Exemplo) 
 
 No Templo: 
– Atos 3.1 
 
 Junto do rio (“num lugar de oração”): 
– Atos 16.13, 16 
 
Da mesma forma que não foi determinada uma hora específica 
para oração, também nenhum lugar específico foi determinado. 
Entretanto, observa-se na instrução de Jesus "dentro do teu quarto, 
portas fechadas" que o requisito maior é que seja num lugar tranquilo, 
para se ficar a sós com Deus. Temos exemplos de sobra na vida de 
Jesus quanto ao orar a sós e que devem ser seguidos por todos os 
cristãos que almejam uma comunhão íntima e um relacionamento 
pessoal com o Pai. 
 
 
6.4 A postura física para a oração 
 
As posturas físicas mais frequentemente 
mencionadas nos Evangelhos e no restante das 
Escrituras, são: 
 
 Ajoelhado (um sinal de humildade) 
 
Ajoelhar-se é uma das posturas mais comuns na oração, 
especialmente em momentos de arrependimento ou fervorosa súplica. 
 
– Lucas 22.41 ( Exemplo) 
SENHOR, ENSINA-NOS A ORAR 
 
54 | P á g i n a 
– Pedro: Atos 9.40 
– Paulo: Atos 20.36 
– Salomão: 1Reis 8.54 
– Daniel: Daniel 6.10 
– Esdras: Esdras 9.5-9 
 
 Prostrado sobre o rosto (um sinal de submissão) 
 
Prostrar-se é uma demonstração de reverência profunda e 
reconhecimento da autoridade e soberania divinas. 
 
– Mateus 26.39a ( Exemplo) 
– Marcos 14.35 ( Exemplo) 
– O leproso: Mateus 8.2 
– Moisés e Arão: Números 14.5 
– Josué: Josué 5.14 
 
 Erguendo os olhos ao céu (um sinal de direcionamento a 
Deus) 
– Marcos 6.41 ( Exemplo) 
– João 17.1 ( Exemplo) 
– João 11.41 ( Exemplo) 
– Mateus 14.19 ( Exemplo) 
– Lucas 9.16 ( Exemplo) 
 
 Levantando as mãos (um sinal de direcionamento a Deus, 
mas, também de dependência e rendição) 
 
– Davi: Salmos 141.2 
– Paulo: 1Timóteo 2.8 (encoraja os cristãos a orarem dessa 
forma) 
 
Outras posturas: 
 
 De pé, uma postura normal em cultos públicos. 
 Sentado (um sinal de reflexão). 
SENHOR, ENSINA-NOS A ORAR 
 
55 | P á g i n a 
 Deitado, em situações especiais, tais como, de enfermidade, 
num leito de hospital etc. 
 Parado. 
 Se movendo. 
 Etc. 
 
Um argumento a favor de que não há uma única postura física 
ao se orar é que Jesus, quando ensinou seus discípulos a orar, não deu 
qualquer atenção ou instrução específica quanto a este aspecto. 
Cremos, entretanto, que a postura mais apropriada para a oração a sós 
é a de joelhos, enquanto nas reuniões públicas a de pé, porém não se 
constituindo isso numa regra fixa e imutável como tantas outras 
mantidas pelas tradições humanas. A reverência deve nortear a nossa 
postura física, de modo compatível com os sentimentos internos do 
coração. 
 
Lembremos de que, na oração, muito mais importante do que 
a postura física é a postura espiritual. 
 
6.5 A quem orar? 
 
 A Deus 
– Lucas 6.12 ( Exemplo); Mateus 27.46 ( Exemplo) 
 
 Ao Pai 
– João 17.1 ( Exemplo); Lucas 11.2 ( Instrução) 
 
 A teu Pai que está em secreto 
– Mateus 6.6 ( Instrução) 
 
 Ao Pai nosso que está nos céus 
– Mateus 6.9 ( Instrução) 
 
 Ao Pai, Senhor do céu e da terra 
– Mateus 11.25 ( Exemplo) 
 
SENHOR, ENSINA-NOS A ORAR 
 
56 | P á g i n a 
 Ao Pai, em nome de Jesus 
– João 15.16 ( Instrução); João 16.23-24 ( Instrução) 
 
 A Cristo 
– João 14.13, 14 ( Instrução); Lucas 23.42 ( Exemplo) 
 
Outras orações no Novo Testamento exemplificam e confirmam 
a oração a Deus e a Cristo (At 1.24; 4.24; 7.59). 
 
Percebe-se que a oração deve ser dirigida a Deus, apresentado 
mais intimamente como Pai Celestial, dispensando toda a 
formalidade como que numa conversa de um filho com seu pai 
humano, contrastando com o Antigo Testamento (Gn 15.2; Hc 3.1-2). 
Entretanto, apesar de toda a franqueza e linguajar simples, deve ser 
mantido todo o respeito, temor e reverência àquele que é o Soberano 
Senhor do céu e da terra. Observa-se que este acesso ao Pai é 
franqueado, feito em nome de Jesus, que também se propõe a receber 
a oração dos filhos de Deus, pois também lhe foi dada toda autoridade 
no céu e na terra. 
 
A oração pode e deve ser dirigida a Deus (que é a verdadeira) 
ou, a falsa e equivocada, dirigida publicamente aos outros (usada 
como pretexto para pregar, ensinar, se exibir, contar vantagem, 
fofocar, mandar recado, criticar, contar história, pedir ajuda ao outro 
etc.). 
 
6.6 A participação 
 
A oração pode ser: 
 
 Em particular (individual) 
“Tu, porém, quando orares, entra no teu quarto e, fechada a 
porta, orarás a teu Pai, que está em secreto; e teu Pai, que vê em 
secreto, te recompensará.” (Mt 6.6) 
 
SENHOR, ENSINA-NOS A ORAR 
 
57 | P á g i n a 
 Em conjunto (pequeno grupo) 
“Tendo dito estas coisas, ajoelhando-se, orou com todos eles.” 
(At 20.36) 
 
 Em igreja. 
“Pedro, pois, estava guardado no cárcere; mas havia oração 
incessante a Deus por parte da igreja a favor dele.” (At 12.5) 
 
6.7 A atitude ao orar 
 
 Orar, não para ser visto pelos homens. 
“E, quando orardes, não sereis como os hipócritas; porque 
gostam de orar em pé nas sinagogas e nos cantos das praças, 
para serem vistos dos homens.” – Mateus 6.5a ( Instrução); 
 
 Orar, não como fez o fariseu, exibindo-se e para a promoção 
pessoal. 
“O fariseu, posto em pé, orava de si para si mesmo, desta 
forma: Ó Deus, graças te dou porque não sou como os demais 
homens, roubadores, injustos e adúlteros, nem ainda como 
este publicano; jejuo duas vezes por semana e dou o dízimo 
de tudo quanto ganho.” – Lucas 18.11 ( Instrução) 
 
 Orar, como fez o publicano, com humildade, reconhecendo 
nossa condição miserável diante da majestade de Deus. 
“O publicano, estando em pé, longe, não ousava nem ainda 
levantar os olhos ao céu, mas batia no peito, dizendo: Ó 
Deus, sê propício a mim, pecador!” – Lucas 18.13 ( Instrução). 
 
 Orar, não de forma egoísta, focando apenas no interesse 
pessoal. 
“pedis e não recebeis, porque pedis mal, para esbanjardes em 
vossos prazeres.” (Tg 4.3) 
 
SENHOR, ENSINA-NOS A ORAR 
 
58 | P á g i n a 
 Orar de forma altruísta, como fez Ana, focando o interesse 
pessoal e o coletivo. 
“E fez um voto, dizendo: SENHOR dos Exércitos, se 
benignamente atentares para a aflição da tua serva, e de mimte lembrares, e da tua serva te não esqueceres, e lhe deres um 
filho varão, ao SENHOR o darei por todos os dias da sua 
vida, e sobre a sua cabeça não passará navalha.” (1Sm 1.11) 
 
 Orar buscando a graça divina, porém, mantendo uma vida 
piedosa, diante de Deus e dos homens, e solidária aos mais 
necessitados. 
“Morava em Cesaréia um homem de nome Cornélio, 
centurião da coorte chamada Italiana, piedoso e temente a 
Deus com toda a sua casa e que fazia muitas esmolas ao povo 
e, de contínuo, orava a Deus.” (At 10.1-2) 
 
 Orar mantendo um coração puro. É inútil orar com a 
consciência pesada por pecados não confessados. Mas, 
bendito seja Deus, que nos dá a certeza do perdão imediato 
quando os confessamos! Assim, nossos corações não nos 
condenarão (1Jo 1.9; 3.20-22). 
“Se eu no coração contemplara a vaidade, o Senhor não me 
teria ouvido.” (Sl 66.18) 
 
 Orar com temor e reverência a Deus e não decretando ou 
dando ordens a ele. 
"Não te precipites com a tua boca, nem o teu coração se 
apresse a pronunciar palavra alguma diante de Deus; porque 
Deus está nos céus, e tu estás sobre a terra; portanto, sejam 
poucas as tuas palavras." (Ec 5.2) 
 
Nossos assuntos devem ser expostos diante de Deus movidos 
pela necessidade de um coração sincero e humilde, aguardando a 
SENHOR, ENSINA-NOS A ORAR 
 
59 | P á g i n a 
solicitude divina, não por causa dos nossos méritos, mas, apesar das 
nossas falhas. 
 
6.8 O envolvimento e entrega ao orar 
 
a) Não orar com superficialidade, limitando-se apenas a 
mencionar ou comunicar a Deus os próprios desejos. 
 
c) Orar com Profundidade: 
 
 Lutar com Deus até se obter dele a resposta, como fez Jacó. 
“Disse este: Deixa-me ir, pois já rompeu o dia. Respondeu 
Jacó: Não te deixarei ir se me não abençoares.” (Gn 32.26). 
 
 Abrindo o coração diante do Pai Celeste, como fez Ana. 
“.... porém venho derramando a minha alma perante o 
SENHOR.” (1Sm 1.12-15). 
 
 Intensamente, com imersão total, em tempos de aflição. 
“E, estando em agonia, orava mais intensamente. E 
aconteceu que o seu suor se tornou como gotas de sangue 
caindo sobre a terra.” (Jesus – Lc 22.44) 
“Pedro, pois, estava guardado no cárcere; mas havia 
oração incessante a Deus por parte da igreja a favor dele.” 
(At 12.5) 
 
 Com fé. 
“e tudo quanto pedirdes em oração, crendo, recebereis.” 
(Mt 21.22) 
“Se, porém, algum de vocês necessita de sabedoria, peça a 
Deus, que a todos dá com generosidade e sem reprovações, 
e ela lhe será concedida. Peça-a, porém, com fé, em nada 
duvidando, pois o que duvida é semelhante à onda do mar, 
impelida e agitada pelo vento.” (Tg 1.5-6 – NAA) 
 
SENHOR, ENSINA-NOS A ORAR 
 
60 | P á g i n a 
 Ore continuamente e com perseverança. 
“Orai sem cessar.” (1Ts 5.17) 
“regozijai-vos na esperança, sede pacientes na tribulação, 
na oração, perseverantes;” (Rm 12.12) 
“Perseverai na oração, vigiando com ações de graças.” (Cl 
4.2) 
 
6.9 O Conteúdo da Oração 
 
a) Não usando de vãs repetições – Mt 6.7 ( Instrução) 
 “E, orando, não useis de vãs repetições, como os gentios; 
porque presumem que pelo seu muito falar serão ouvidos.” 
 
O conteúdo da oração é espontâneo, livre de qualquer 
formalidade e expressões decoradas. Deve nascer ou emergir, de um 
coração sincero, que deseja expressar diante de Deus suas próprias 
necessidades, as de outros, bem como agradecer pelas dádivas 
recebidas e, ainda, adorar ao Pai na beleza da sua Santidade. Entenda-
se como vãs repetições as repetições mecânicas de frases decoradas, 
com a intenção de se fazer ouvir pela quantidade. 
 
O mencionar de um assunto diante de Deus por repetidas vezes, 
em virtude da grande aflição que o problema tem trazido à nossa 
alma, não se constitui, de forma alguma, em vã repetição. Jesus 
mesmo, em momento de extrema agonia, recorreu ao Pai pelo mesmo 
assunto por três vezes: 
 
“... Meu Pai, se possível, passe de mim este cálice! Todavia, não 
seja como eu quero, e sim como tu queres.” (Mt 26.39) [1ª vez] 
 
“... Meu Pai, se não é possível passar de mim este cálice sem que 
eu o beba, faça-se a tua vontade.” (Mt 26.42) [2ª vez] 
 
“Deixando-os novamente, foi orar pela terceira vez, repetindo 
as mesmas palavras.” (Mt 26.44) [3ª vez]) ( Exemplo) 
SENHOR, ENSINA-NOS A ORAR 
 
61 | P á g i n a 
b) Sendo objetivo, porém, com moderação 
 
“Não andeis ansiosos de coisa alguma; em tudo, porém, sejam 
conhecidas, diante de Deus, as vossas petições, pela oração e pela 
súplica, com ações de graças.” (Fp 4.6) 
 
Ao colocar diante de Deus nossas petições, precisamos ser 
objetivos explicitando aquilo de que necessitamos ou desejamos. 
Entretanto, será que é necessário expor, com todos os detalhes, o 
objeto da nossa petição? Ou, devemos confiar que Deus, na sua 
soberania e onisciência, sabe muito mais o que é melhor para nós e, 
inclusive, se tal petição deve ou não ser atendida? 
 
O ensino sobre especificar detalhes em oração é frequentemente 
associado ao pastor sul-coreano David (Paul) Yonggi Cho, autor do 
livro "A Quarta Dimensão", muito conhecido. Nesse livro, ele enfatiza 
a importância de ser específico nos pedidos a Deus, baseando-se na 
ideia de que a fé requer clareza e visualização. Paul Yonggi Cho 
compartilha uma experiência pessoal que também mencionou em seu 
outro livro “Oração – A Chave do Avivamento”. 
 
– Ajoelhei-me e orei: "– Pai, agora estou orando. Por favor, envia-me 
uma escrivaninha, uma cadeira e uma bicicleta”. Pus toda a minha fé no 
pedido e dei graças a Deus. A partir desse momento comecei a esperar a 
entrega dessas coisas. 
 
No relato, ele diz que estava orando por essas três coisas, mas, 
durante seis meses não recebia resposta. Deprimido e cansado de 
esperar ele começou a reclamar com Deus: "Senhor, pedi-lhe uma 
escrivaninha, uma cadeira e uma bicicleta vários meses atrás, e não me deste 
nenhuma destas coisas. Tu vês que estou pregando o evangelho para as 
pessoas pobres deste bairro pobre. Como posso pedir-lhes que exercitem a fé 
quando eu mesmo não posso praticá-la?” Foi nessa situação que ele diz ter 
sentido a presença de Deus, em espírito, e respondendo: “– Meu filho, 
ouvi sua oração muito tempo atrás. Exclamei abruptamente: – Então, onde 
SENHOR, ENSINA-NOS A ORAR 
 
62 | P á g i n a 
estão minha escrivaninha, minha cadeira e minha bicicleta? Disse-me o 
espírito: – Sim, esse é o seu problema, o problema de todos os meus outros 
filhos. Imploram exigindo todo tipo de coisas, mas o fazem com termos tão 
vagos que não posso responder. Será que você não sabe que há dezenas de tipos 
de escrivaninhas, cadeiras e bicicletas? Mas você simplesmente pediu-me uma 
escrivaninha, uma cadeira e uma bicicleta. Não pediu uma escrivaninha 
específica, nem uma cadeira nem uma bicicleta, específicas." 
 
Ele percebeu que, em sua oração, não havia especificado o que 
estava pedindo. Então, ele passou a orar detalhando o que desejava 
”uma escrivaninha de mogno das Filipinas, uma cadeira com 
rodinhas, e uma bicicleta com marchas de fabricação norte-
americana.” Depois de orar especificando os detalhes, ele relata para 
a igreja que sua oração fora respondida, e esta reage com surpresa. 
“Depois do culto, enquanto saía, três rapazes seguiram-me e disseram: — 
Pastor, queremos ver suas coisas. Fiquei aterrado porque não tinha contado 
com a possibilidade de ter de mostrar minhas coisas. Todos os membros da 
igreja moravam em um dos bairros mais pobres e se percebessem que seu 
pastor lhes havia mentido, meu ministério ali estaria terminado. E os jovens 
não estavam dispostos a voltar atrás. Achava-me em uma terrível situação, e 
comecei a orar...” Resumindo a história. Os jovens insistiram em ver os 
três itens, foram à casa do pastor, porém os tais itens não estavam lá. 
Então, o pastor fez com eles a analogia da gravidez, dizendo que 
mesmo antes de nascer e serem vistos, eles já existiam.Da mesma 
forma, ele estava “grávido” daqueles três objetos. Eles riram muito e 
a notícia se espalhou pela comunidade, dando margem a muitas 
brincadeiras. O relato termina dizendo que algum tempo depois ele 
recebeu as três coisas, exatamente como especificado. Então, ele 
concluiu: 
 
“Trouxe para casa essas três coisas pelas quais tinha esperado tanto 
tempo, e isso mudou por completo minha maneira de orar. Até então tinha 
orado em termos vagos; mas desse dia em diante jamais orei em termos vagos. 
Se Deus respondesse às suas orações vagas, você jamais reconheceria seu 
SENHOR, ENSINA-NOS A ORAR 
 
63 | P á g i n a 
pedido como sendo resposta de Deus. Você deve pedir definida e 
especificamente.” 
 
Portanto, ele usa essa experiência para incentivar os cristãos a 
apresentarem pedidos claros e específicos a Deus. Argumenta que 
Deus honra a fé clara e específica, e que apresentar detalhes pode 
demonstrar confiança e foco. Não temos aqui a pretensão de fazer 
qualquer juízo desse pastor. Entretanto, quanto ao relato dessa sua 
experiência podemos fazer algumas considerações: 
 
 A Bíblia ensina e incentiva a sinceridade e confiança ao 
apresentar nossas necessidades a Deus. 
 
 A ideia de, ao orar, especificar todos os detalhes daquilo que 
se deseja, não encontra fundamentação na Bíblia. 
 
 As nossas petições precisam ser sempre acompanhadas e 
encerradas com a expressão “segundo a tua vontade”. A 
objetividade na petição deve ser equilibrada com o 
reconhecimento de que a vontade de Deus é soberana. 
 
 A oração não é uma lista de compras, para o “supermercado 
da graça divina”, mas uma oportunidade de alinhar nossos 
desejos ao propósito divino. 
 
 A oração não é apenas sobre "pedir e receber", mas sobre 
alinhar o coração à vontade de Deus e crescer no 
relacionamento com ele. 
 
Nesse relato do Paul Yonggi Cho é preciso ressaltar que, 
principalmente por causa da tal ideia de “gravidez”, sua petição 
ganhou proporções de divulgação tão elevadas, provavelmente 
ultrapassando os limites geográficos daquela comunidade, que pode 
gerar a dúvida se o atendimento se deveu mais por uma ação solidária 
humana ou a intervenção direta de Deus. Soa muito mais evidente, 
como resultado de uma ação milagrosa do Senhor, aquela petição 
SENHOR, ENSINA-NOS A ORAR 
 
64 | P á g i n a 
atendida que foi feita no secreto de um quarto, no silêncio da alma na 
comunhão e conexão com Deus, sem nenhum alarde. 
 
6.10 A Oração em público 
 
“...A minha casa será casa de oração...” (Lc 19.46) 
“E perseveravam na doutrina dos apóstolos e na comunhão, no partir 
do pão e nas orações.” (At 2.42) 
“Tendo eles orado, tremeu o lugar onde estavam reunidos;” (At 4.31a) 
 
Você tem participado ativamente das reuniões de oração? Orar 
em público é um privilégio e uma responsabilidade. Aqui estão alguns 
conselhos valiosos para tornar sua oração pública mais condizente 
com os ensinamentos bíblicos, bem como, mais eficaz e edificante para 
todos os que a ouvem: 
 
 Ore, não pregue. A oração não é o momento para corrigir, 
exortar ou ensinar os outros. Embora a oração deva ser feita 
segundo as Escrituras, e pode citá-la, não deve ser usada para 
explicá-la. Direcione seu coração a Deus, expressando suas 
necessidades e gratidão pela sua graça e bondade. 
 
 Seja simples e claro. Não tente impressionar com palavras 
difíceis ou frases rebuscadas. Fale de forma acessível, para que 
todos, até mesmo as crianças, possam compreender. O poder 
da oração não está nas palavras, mas na sinceridade do 
coração. 
 
 Dirija-se corretamente a Deus. Se sua oração é ao Pai, ore em 
nome de Jesus. Seja informal, mas não seja irreverente, pois ele 
é Pai, mas também é o Deus Altíssimo. Seja humilde e não ouse 
decretar coisas. Se está falando diretamente a Cristo, não 
conclua dizendo "em nome de Jesus", pois já está se dirigindo 
a ele. 
SENHOR, ENSINA-NOS A ORAR 
 
65 | P á g i n a 
 Evite discursos ou meditações longas. Não misture palavras 
e expressões bíblicas que, às vezes, significam coisas 
diferentes, e não devem ser usadas fora do seu verdadeiro 
sentido. Simples “aparência” bíblica, ou espiritual, não basta. 
Deus já conhece sua Palavra. Use o momento da oração para 
apresentar pedidos, súplicas e ações de graças (Fp 4.6). 
 
 Seja objetivo. Não repita as mesmas frases diversas vezes, 
apenas mudando as palavras. Isso pode tornar a oração 
cansativa para quem ouve e não agrada a Deus. 
 
 Tenha um propósito definido. A oração pública deve focar na 
glória de Deus, na edificação da igreja, na salvação dos 
perdidos e na intercessão pelos necessitados. Assuntos 
pessoais devem ser tratados na oração particular (1Jo 5.14-15). 
 
 Evite repetições excessivas. Não use constantemente 
expressões como "Ó Senhor", "Ó Deus", “Pai Santo”, “Meu 
Deus” a cada frase. O próprio Jesus nos dá um exemplo de 
oração reverente e equilibrada (Jo 17). 
 
 Seja breve. Oração longa deve ser feita em particular. Em 
público, uma oração objetiva e sincera é mais eficaz e mantém 
a atenção dos ouvintes. 
 
 Seja direto e natural. Evite rodeios e fale com compostura. 
Não ore para impressionar os outros ou preencher tempo, mas 
para se conectar genuinamente com Deus. 
 
 Fale com clareza. Ore de maneira que todos possam ouvir e 
compreender, permitindo que os irmãos respondam com 
"amém". Mas lembre-se: não há necessidade de gritar, pois 
Deus não é surdo. 
 
 Não seja indiscreto. Não use a oração para dar recados aos 
outros irmãos presentes, não faça insinuações. Isso desagrada 
a Deus, não coaduna com o espírito de graça e de amor. Há 
SENHOR, ENSINA-NOS A ORAR 
 
66 | P á g i n a 
outras maneiras biblicamente estabelecidas para resolver 
certas questões ou divergências pessoais. 
 
 Ore no Espírito e com um coração puro. A Bíblia nos exorta a 
orar "no Espírito Santo" (Jd 20), "levantando mãos santas" 
(1Tm 2.8) e com sinceridade de coração (2Tm 2.22). 
 
 A oração pública reflete sua vida de oração particular. Se não 
buscamos a Deus em secreto, dificilmente oraremos com 
unção e autenticidade na igreja. A oração é como a respiração 
da alma e deve ser contínua para manter nossa vida espiritual 
saudável. 
 
Que suas orações sejam sempre sinceras, edificantes e cheias da 
presença de Deus! Que, quando nos reunirmos na igreja, nos 
departamentos, ou nas casas, que seja muito mais do que um evento 
social onde se revê os amigos e se faz um lanche; que seja um 
momento para verdadeira dedicação a oração. Que não sejamos como 
aqueles que só frequentam as reuniões de oração quando estão 
vivendo situações de crise, pessoal ou familiar. 
 
“A oração com ações de graças, sendo uma parte especial do 
culto religioso, é por Deus exigida de todos os homens; e, para que 
seja aceita, deve ser feita em o nome do Filho, pelo auxílio do seu 
Espírito, segundo a sua vontade, e isto com inteligência, reverência, 
humildade, fervor, fé, amor e perseverança. Se for vocal, deve ser 
proferida em uma língua conhecida dos circunstantes.” (A Confissão 
de Fé de Westminster – Cap. XXI, Item III) 
 
 
“A oração é o termômetro da espiritualidade da igreja local” (C. A. Swan) 
 
❖ 
SENHOR, ENSINA-NOS A ORAR 
 
67 | P á g i n a 
 
 
 
 
 
7. ORAÇÃO – CERTEZAS E CONDIÇÕES 
 
7.1 A Certeza de ser Ouvido e Contemplado 
 
Nos ensinos de Jesus encontramos as seguintes instruções: 
 
a) Ao orarmos, somos contemplados e recompensados pelo Pai. 
 
 “...e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará.” 
– Mateus 6.6 ( Instrução) 
 
b) Deus sabe de nossas necessidades. 
 
 “... porque Deus, o vosso Pai, sabe o de que tendes 
necessidade, antes que lho peçais.” 
– Mateus 6.8 ( Instrução) 
 
c) Pois todo o que pede recebe. 
 
 “Por isso, vos digo: Pedi, e dar-se-vos-á; buscai, e 
achareis; batei, e abrir-se-vos-á. Pois todo o que pede 
recebe; o que busca encontra; e a quembate, abrir-se-lhe-
á.” 
– Lucas 11.9-10 ( Instrução) (ver tb Mt 7.7-11; Jo 15.7) 
 
d) Pedi, em nome de Jesus, e recebereis. 
 
 “E tudo quanto pedirdes em meu nome, isso farei, a fim de 
que o Pai seja glorificado no Filho. Se me pedirdes alguma 
coisa em meu nome, eu o farei.” 
– João 14.13-14 ( Instrução) 
SENHOR, ENSINA-NOS A ORAR 
 
68 | P á g i n a 
 
 “Naquele dia, nada me perguntareis. Em verdade, em 
verdade vos digo: se pedirdes alguma coisa ao Pai, ele vo-
la concederá em meu nome. Até agora nada tendes pedido 
em meu nome; pedi e recebereis, para que a vossa alegria 
seja completa.” 
– João 16.23-24 ( Instrução) 
 
e) Pedi, segundo a vontade de Deus. 
 
 “E esta é a confiança que temos para com ele: que, se 
pedirmos alguma coisa segundo a sua vontade, ele nos 
ouve. E, se sabemos que ele nos ouve quanto ao que lhe 
pedimos, estamos certos de que obtemos os pedidos que lhe 
temos feito.” 
– 1João 5.14-15 
 
f) Pedi, em concordância com outros. 
 
 “Em verdade também vos digo que, se dois dentre vós, 
sobre a terra, concordarem a respeito de qualquer coisa 
que, porventura, pedirem, ser-lhes-á concedida por meu 
Pai, que está nos céus. Porque, onde estiverem dois ou três 
reunidos em meu nome, ali estou no meio deles.” 
– Mateus 18.19-20 ( Instrução) 
 
Percebe-se uma predisposição da parte de Deus em atender as 
necessidades dos seus. Jesus coloca isso de forma bem convincente: Se 
os homens, que por natureza são maus, sabem dar boas dádivas aos 
seus filhos, quanto mais o Pai celestial? 
 
"Ouvir a voz de Deus é o segredo da confiança de que ele ouvirá a minha.” 
 
 
 
SENHOR, ENSINA-NOS A ORAR 
 
69 | P á g i n a 
7.2 Condições condicionantes na oração 
 
Por mais gerais e aparentemente incondicionais que pareçam ser 
algumas promessas bíblicas, como a de Mateus 7.7-11, o fato é que há 
sim certas condições, a saber: 
 
a) Deus deve ser glorificado. 
 
 “E tudo quanto pedirdes em meu nome, isso farei, a fim de que 
o Pai seja glorificado no Filho.” 
– João 14.13 ( Instrução) 
 
A resposta à nossa oração deve redundar na glória de Deus. 
Uma oração de natureza egoísta jamais será incondicionalmente 
respondida, pois se um homem faz uma súplica egoísta não precisa 
esperar qualquer coisa da parte de Deus (Tg 4.3). 
 
b) É preciso estar em comunhão com Cristo e observar a sua palavra. 
 
 “Se permanecerdes em mim, e as minhas palavras 
permanecerem em vós, pedireis o que quiserdes, e vos será 
feito.” (Jo 15.7)( Instrução) 
 
 “Amados, se o coração não nos acusar, temos confiança 
diante de Deus; e aquilo que pedimos dele recebemos, porque 
guardamos os seus mandamentos e fazemos diante dele o que 
lhe é agradável.” (1Jo 3.21-22) 
 
 “Eis que a mão do SENHOR não está encolhida, para que não 
possa salvar; nem surdo o seu ouvido, para não poder ouvir. 
Mas as vossas iniquidades fazem separação entre vós e o 
vosso Deus; e os vossos pecados encobrem o seu rosto de vós, 
para que vos não ouça.” (Is 59.1-2) 
 
SENHOR, ENSINA-NOS A ORAR 
 
70 | P á g i n a 
Para aquele que permanece em Cristo de maneira genuína, e não 
apenas na aparência, abre-se um horizonte de vida inteiramente novo, 
que envolve o emprego desse poderoso instrumento que se chama 
oração. Conforme a garantia dada pelo Senhor Jesus, a oração alcança 
a própria presença de Deus, extraindo recursos de seu poder infinito. 
O resultado disso é que grandes e poderosas coisas podem ser 
realizadas, tanto no desenvolvimento espiritual e íntimo do crente 
como na sua expressão externa ante o mundo, em seu serviço e em sua 
utilidade entre os homens. Tal crente se torna agente do Espírito 
Santo, o qual está no mundo para cumprir a obra de Cristo; e assim, 
em certo sentido, também está cumprindo aquela obra que Cristo veio 
realizar nesta terra. 
 
c) É preciso crer e não duvidar. 
 
 “porque em verdade vos afirmo que, se alguém disser a este 
monte: Ergue-te e lança-te no mar, e não duvidar no seu 
coração, mas crer que se fará o que diz, assim será com ele.” 
– Marcos 11.23 ( Instrução) 
 
Temos aqui uma hipérbole, no tocante a acontecimentos físicos 
reais. O próprio Senhor Jesus não se propôs a mover literalmente um 
monte. Mas, no terreno espiritual, ele removeu muitos obstáculos 
gigantescos. É que Jesus não estabelecia limites ao poder da fé e da 
oração. Jesus não estava encorajando seus discípulos a fazerem 
tentativas de “ordens de poder”, à imitação dos mágicos. 
 
 
 “Por isso, vos digo que tudo quanto em oração pedirdes, crede 
que recebestes, e será assim convosco.” 
– Marcos 11.24 ( Instrução) 
 
Jesus agora amplia a declaração do versículo 23, transformando-
a em um princípio espiritual universal que opera por meio da oração. 
SENHOR, ENSINA-NOS A ORAR 
 
71 | P á g i n a 
A “fé” mencionada aqui, assim como no versículo anterior, não se 
resume a uma crença superficial ou intelectual. Também não se trata 
de uma insistência obstinada, como se bastasse repetir para si mesmo: 
“Isso vai acontecer, isso vai acontecer, isso vai acontecer...”. A fé é uma 
relação com Deus no nível da alma (Hb 11.1). 
 
d) É preciso perdoar, para ser perdoado. 
 
 “E, quando estiverdes orando, se tendes alguma coisa contra 
alguém, perdoai, para que vosso Pai celestial vos perdoe as 
vossas ofensas. Mas, se não perdoardes, também vosso Pai 
celestial não vos perdoará as vossas ofensas.” 
– Marcos 11.25-26 ( Instrução) 
 
O espírito de ódio, o espírito de contenda e as relações 
equivocadas com os outros são forças que inibem o poder da oração. 
Como a oração opera no âmbito espiritual e moral, ela pode ser 
impedida pelas condições morais do ser humano. Esses ensinamentos 
deixam claro que nada no campo espiritual acontece de forma 
aleatória ou automática. O espírito de ódio e a incapacidade de 
perdoar interrompem o crescimento espiritual e anulam a eficácia da 
oração. 
 
Na vida espiritual, não existem bênçãos automáticas, como se 
fossem produtos adquiridos em um mercado. A declaração de Jesus 
de que aquele que não perdoa também não será perdoado deve ser 
entendida literalmente, sem ser suavizada por uma interpretação 
inadequada da “graça divina”. A graça, ao contrário, sustenta esse 
princípio, pois ela não contradiz, mas incorpora a necessidade de 
perdão. 
 
A graça divina nos transforma e não simplesmente nos declara 
bons sem que haja essa transformação. Nesse processo de renovação 
moral, o “espírito de perdão” é essencial, pois o amor de Deus é 
SENHOR, ENSINA-NOS A ORAR 
 
72 | P á g i n a 
derramado em nossos corações. Aquele que odeia dificilmente pode 
ser considerado regenerado (1Jo 2.9). O espírito que se recusa a 
perdoar é incompatível com a conversão, a regeneração e a 
santificação, tornando o indivíduo distante das operações da graça 
divina. 
 
"Está havendo indiferença entre você e seu irmão? Lembre-se de duas coisas: se o 
erro foi seu, é sua responsabilidade procurá-lo; se foi dele, você tem a oportunidade 
de dar o primeiro passo. Só assim a reconciliação será possível." (Mt 5.23-24) 
 
e) É preciso orar sempre e nunca desanimar. 
 
 “7 Pedi, e dar-se-vos-á; buscai e achareis; batei, e abrir-se-
vos-á. 
8 Pois todo o que pede recebe; o que busca encontra; e, a quem 
bate, abrir-se-lhe-á. 
9 Ou qual dentre vós é o homem que, se porventura o filho lhe 
pedir pão, lhe dará pedra?” (Mt 7.7-9) 
 
Segundo uma análise do texto grego de Mateus 7.7-8 feita por 
Kenneth S. Wuest5, temos: 
 
Existem duas palavras para “bater”, no grego: uma que se refere a um 
esmurramento violento, e a outra que significa um bater gentil. Esta última é 
a empregada aqui. Assim sendo, temos a tradução: “Continuai pedindo, e ser-
vos-á dado; continuai buscando, e encontrareis; continuai a bater 
reverentemente, e ser-vos-á aberto; pois todo aquele que continua pedindo,continua recebendo, e todo aquele que continua buscando, continua 
encontrando, e a todo aquele que continua batendo reverentemente ser-lhe-á 
aberto.” 
 
As lições que aprendemos dessa tradução mais ampla são as 
seguintes: 
 
5 Wuest, Kenneth S. – Jóias do Novo Testamento grego. 
SENHOR, ENSINA-NOS A ORAR 
 
73 | P á g i n a 
 
Primeiramente, aprendemos que as Escrituras ensinam que se 
não recebemos respostas imediatas às nossas orações, devemos 
perseverar em oração até que as recebamos, ou até que Deus nos 
mostre que nossa petição não está em conformidade com a sua 
vontade. 
 
Em segundo lugar, aprendemos que, em alguns casos, Deus 
precisa de tempo para responder às orações. Assim como ele leva um 
tempo para fazer desabrochar uma bela rosa, também trabalha 
pacientemente para transformar um coração endurecido, inclinando-
o, com amor e graça, à fé no Senhor Jesus. 
 
Em terceiro lugar, o texto em foco nos ensina que enquanto 
continuamos orando, Deus continua operando a nosso favor. Muitas 
experiências cristãs insatisfatórias se devem a uma vida de oração 
insatisfatória. 
 
Finalmente, aprendemos que temos o direito de exigir6 de Deus 
que ele responda nossas orações, porém, que podemos continuar 
batendo reverentemente com a mão da fé.” 
 
 “1 Disse-lhes Jesus uma parábola sobre o dever de orar 
sempre e nunca esmorecer: 
2 Havia em certa cidade um juiz que não temia a Deus, nem 
respeitava homem algum. 
3 Havia também, naquela mesma cidade, uma viúva que 
vinha ter com ele, dizendo: Julga a minha causa contra o meu 
adversário. 
4 Ele, por algum tempo, não a quis atender; mas, depois, disse 
consigo: Bem que eu não temo a Deus, nem respeito a homem 
algum; 
 
6 Particularmente, não creio que temos esse direito de exigir alguma coisa de Deus. 
SENHOR, ENSINA-NOS A ORAR 
 
74 | P á g i n a 
5 todavia, como esta viúva me importuna, julgarei a sua 
causa, para não suceder que, por fim, venha a molestar-me. 
6 Então, disse o Senhor: Considerai no que diz este juiz 
iníquo. 
7 Não fará Deus justiça aos seus escolhidos, que a ele 
clamam dia e noite, embora pareça demorado em defendê-
los?” 
– Lucas 18.1-7 ( Instrução) 
 
Esta parábola da viúva persistente e o juiz injusto, oferece 
algumas lições valiosas sobre a oração e a confiança em Deus. 
 
Certamente a primeira e principal lição diz respeito a 
perseverança na oração. Jesus introduz a parábola com o ensinamento 
de que devemos orar sempre, sem desanimar (Lc 18.1). Isso nos ensina 
que a oração exige constância e perseverança, mesmo quando as 
respostas parecem demoradas. Deus valoriza uma fé que permanece 
firme em meio às dificuldades. 
 
A segunda direciona a confiança no caráter de Deus. A parábola 
apresenta um contraste entre o juiz injusto, que atende a viúva por 
insistência, e Deus, que é justo e amoroso. Se até um juiz corrupto 
acaba respondendo a uma súplica persistente, quanto mais Deus, que 
é bom e fiel, atenderá àqueles que clamam a ele dia e noite (Lc 18.7). 
 
A terceira deve acender a esperança para o fato de que a justiça 
de Deus virá no tempo certo, no kairós de Deus. A viúva busca justiça 
contra seu adversário, e a resposta do juiz é demorada. Isso reflete que, 
às vezes, as respostas de Deus não vêm no tempo que esperamos, mas 
ele é fiel e garantirá justiça no momento certo (Lc 18.7-8). 
 
A quarta apresenta a oração como expressão de fé. A 
persistência da viúva demonstra sua fé de que sua causa será 
atendida. Da mesma forma, a oração contínua é um ato de confiança 
SENHOR, ENSINA-NOS A ORAR 
 
75 | P á g i n a 
de que Deus está ouvindo e agirá de acordo com sua soberana e 
perfeita vontade. A oração não é apenas pedir, mas também 
demonstrar fé na bondade e soberania de Deus. 
 
Enfim, a síntese é: 
 
 Ore com perseverança, mesmo quando a resposta não for 
imediata. 
 
 Confie no caráter de Deus, sabendo que ele é justo e cuida de 
seus filhos. 
 
 Mantenha a fé viva por meio da oração constante, lembrando 
que ela é uma expressão de confiança em Deus. 
 
 Lembre-se de que Deus sempre ouve os clamores dos aflitos 
e agirá em favor deles no tempo certo, de acordo com sua 
soberana vontade. 
 
f) Orar em nome de Jesus. 
 
 “E tudo quanto pedirdes em meu nome, isso farei, a fim de que 
o Pai seja glorificado no Filho. Se me pedirdes alguma coisa 
em meu nome, eu o farei.” 
– João 14.13-14 ( Instrução) 
 
 “Não fostes vós que me escolhestes a mim; pelo contrário, eu 
vos escolhi a vós outros e vos designei para que vades e deis 
fruto, e o vosso fruto permaneça; a fim de que tudo quanto 
pedirdes ao Pai em meu nome, ele vo-lo conceda.” 
– João 15.16 ( Instrução) 
 
 “Naquele dia, nada me perguntareis. Em verdade, em verdade 
vos digo: se pedirdes alguma coisa ao Pai, ele vo-la concederá 
em meu nome. Até agora nada tendes pedido em meu nome; 
pedi e recebereis, para que a vossa alegria seja completa.” 
SENHOR, ENSINA-NOS A ORAR 
 
76 | P á g i n a 
– João 16.23-24 ( Instrução) 
 
Apesar da predisposição do Pai em atender, os requisitos 
apresentados devem ser observados. 
 
❖ 
 
 
Evan Roberts foi uma figura central no avivamento no País de Gales (1904-
1905). Ele era um jovem galês que, desde cedo, demonstrou uma profunda devoção 
a Deus e desejo por avivamento. Relatos indicam que ele orava intensamente por um 
avivamento desde a adolescência. Durante seus estudos, em uma escola bíblica em 
Newcastle Emlyn, ele participou de reuniões de oração lideradas por Seth Joshua, um 
pregador que já clamava por uma grande obra do Espírito Santo. 
 
Uma dessas reuniões teve um impacto profundo em Roberts, levando-o a uma 
experiência espiritual intensa que mudou sua vida e deu início ao movimento de 
avivamento. Depois disso, ele voltou à sua cidade natal, Loughor, e começou a pregar, 
atraindo multidões e despertando um fervor religioso. 
 
Sob a liderança de Roberts e outros evangelistas, o reavivamento se espalhou 
rapidamente por todo o País de Gales, resultando em um aumento significativo na 
frequência às igrejas, mudanças sociais e comportamentais, e relatos de 
transformações espirituais profundas entre as pessoas. 
 
 
SENHOR, ENSINA-NOS A ORAR 
 
77 | P á g i n a 
 
 
 
 
 
8. RESULTADOS DA ORAÇÃO 
 
8.1 Na vida de Jesus 
 
a) O céu se abriu e o Espírito Santo desceu. 
 
 “E aconteceu que, ao ser todo o povo batizado, também o foi 
Jesus; e, estando ele a orar, o céu se abriu,” 
– Lucas 3.21 ( Exemplo) 
 
 
b) Jesus se transfigurou. 
 
 “E aconteceu que, enquanto ele orava, a aparência do seu 
rosto se transfigurou e suas vestes resplandeceram de 
brancura.” 
– Lucas 9.29 ( Exemplo) 
 
c) Lázaro ressuscitou. 
 
 “41 Tiraram, então, a pedra. E Jesus, levantando os olhos 
para o céu, disse: Pai, graças te dou porque me ouviste. 
42 Aliás, eu sabia que sempre me ouves, mas assim falei por 
causa da multidão presente, para que creiam que tu me 
enviaste. 
43 E, tendo dito isto, clamou em alta voz: Lázaro, vem para 
fora! 
44 Saiu aquele que estivera morto, tendo os pés e as mãos 
ligados com ataduras e o rosto envolto num lenço. Então, lhes 
ordenou Jesus: Desatai-o e deixai-o ir.” 
SENHOR, ENSINA-NOS A ORAR 
 
78 | P á g i n a 
– João 11.41-44 ( Exemplo) 
 
d) A primeira multiplicação dos pães. 
 
 “Então, Jesus tomou os pães e, tendo dado graças, distribuiu-
os entre eles; e também igualmente os peixes, quanto 
queriam.” 
– João 6.11 ( Exemplo) (Os textos paralelos são Mt 14.19; Mc 
6.41; Lc 9.16) 
 
Este milagre ocorreu em um local deserto perto de Betsaida. 
Jesus teve compaixão da multidão que o seguia e, ao perceber a 
necessidade de alimento, multiplicou os recursos disponíveis, isto é, 5 
pães e 2 peixes. O número de homens alimentados: cerca de 5.000 (sem 
contar mulheres e crianças). E, ainda, sobrou 12 cestos cheios de 
pedaços de pãoe peixe. 
 
e) A segunda multiplicação dos pães. 
 
 “36 tomou os sete pães e os peixes, e, dando graças, partiu, e 
deu aos discípulos, e estes, ao povo.” 
– Mateus 15.32 ( Exemplo) (O texto paralelo é Mc 7.6) 
 
Este segundo evento ocorreu em uma região desértica, após 
Jesus pregar para uma grande multidão durante três dias. Sentindo 
compaixão por eles, que estavam famintos, Jesus multiplicou os pães 
e peixes. O alimento inicial foi 7 pães e alguns peixinhos. O número 
de homens alimentados foi cerca de 4.000 (sem contar mulheres e 
crianças). E, ainda sobrou 7 cestos cheios de pedaços. 
 
Esses são apenas alguns dos muitos exemplos de resultados da 
oração, na vida de Jesus. Cremos que todos os feitos extraordinários 
operados por Jesus se devem à íntima comunhão que ele mantinha 
com o Pai, comprovada pelo fato de habitualmente dirigir-se a lugares 
solitários com o fim de orar. 
SENHOR, ENSINA-NOS A ORAR 
 
79 | P á g i n a 
8.2 Na igreja primitiva 
 
Apresentamos na tabela abaixo os principais milagres, algumas 
manifestações sobrenaturais de Deus e respostas de oração 
registrados no livro de Atos e nas Epístolas, organizados (na medida 
do possível) em ordem cronológica: 
 
Ordem Milagre / Resposta 
de Oração 
Descrição Referência 
Bíblica 
1 Pentecostes – 
Derramamento do 
Espírito 
O Espírito Santo foi derramado 
sobre os discípulos, capacitando-
os para testemunhar com poder e 
realizar sinais. 
 
Atos 
2.1-4 
2 Pentecostes – 
Resultado da 
Pregação 
Naquele dia, aceitaram a Palavra 
pregada quase 3000 pessoas. 
Atos 
2.41 
3 Cura do paralítico 
na Porta do Templo 
Pedro e João curaram um 
homem aleijado, demonstrando 
o poder de Jesus e suscitando 
admiração na comunidade. 
 
Atos 
3.1-10 
4 Resultado da 
Pregação após a 
cura do paralítico 
Muitos aceitaram a Palavra 
subindo o número de homens a 
quase 5000. 
Atos 
4.4 
5 Pedro e João sendo 
libertos do cárcere 
contaram aos 
irmãos 
Os irmãos reunidos, tendo orado, 
o lugar tremeu e todos ficaram 
cheios do Espírito Santo. 
 
Atos 
4.23-31 
6 O juízo divino 
sobre Ananias e 
Safira 
Tendo eles mentido ao Espírito 
Santo, após a reprimenda de 
Pedro, expiraram. 
Atos 
5.1-11 
7 Sinais e Maravilhas 
na Igreja Primitiva 
Diversos milagres foram 
realizados pelos apóstolos, 
fortalecendo a fé dos crentes e 
confirmando a veracidade da 
mensagem do Evangelho. 
Atos 
5.12-16 
8 Libertação dos 
apóstolos da prisão 
Durante a prisão, um anjo do 
Senhor apareceu, abriu as portas 
do cárcere e os conduziu para 
fora, de forma sobrenatural. 
Atos 
5.17-20 
SENHOR, ENSINA-NOS A ORAR 
 
80 | P á g i n a 
Ordem Milagre / Resposta 
de Oração 
Descrição Referência 
Bíblica 
9 Pregação, sinais e 
prodígios em 
Samaria 
As multidões atendiam à 
pregação de Filipe e muitos 
milagres foram operados. 
Atos 
8.4-8 
10 A conversão de 
Saulo-Paulo 
Certamente o clamor dos irmãos 
subiu ao céu e o perseguidor da 
igreja foi alcançado de forma 
sobrenatural. 
 
Atos 
9.1-19 
11 Cura de Enéias Pedro curou Enéias, um homem 
paralítico, que foi restaurado à 
sua plena capacidade, servindo 
de testemunho para muitos. 
Atos 
9.32-35 
12 Ressurreição de 
Tabita (Dorcas) 
Pedro ressuscitou Tabita, uma 
discípula conhecida por suas 
boas obras, o que trouxe grande 
encorajamento e fé à 
comunidade cristã. 
Atos 
9.36-42 
13 Conversão de 
Cornélio 
Temos aqui a visão de Pedro, o 
derramamento do Espírito Santo, 
tudo isso em resposta a oração 
de Cornélio, segundo a vontade 
de Deus. 
 
Atos 
10.1-48 
14 Libertação de Pedro 
da prisão 
Durante a prisão, um anjo do 
Senhor apareceu, libertou Pedro 
das cadeias e o conduziu para 
fora da prisão, de forma 
sobrenatural. 
Atos 
12.3-19 
15 Cura do Homem 
Aleijado em Listra 
Paulo curou um homem que 
jamais andara, evidenciando a 
ação do poder de Deus através 
do Evangelho. 
Atos 
14.8-10 
16 Libertação da jovem 
possessa 
Indo Paulo para o lugar de 
oração expulsou o espírito de 
adivinhação da jovem, em nome 
e no poder de Jesus. 
 
Atos 
16.16-18 
17 Libertação na Prisão 
em Filipos 
Enquanto Paulo e Silas oravam e 
cantavam, um terremoto abriu as 
portas da prisão, resultando na 
conversão do carcereiro e de sua 
família. 
Atos 
16.25-34 
SENHOR, ENSINA-NOS A ORAR 
 
81 | P á g i n a 
Ordem Milagre / Resposta 
de Oração 
Descrição Referência 
Bíblica 
18 Derramamento do 
Espírito Santo, em 
Éfeso 
Com a imposição de mãos de 
Paulo, veio o Espírito santo sobre 
12 homens que foram discípulos 
de João Batista. 
 
Atos 
19.1-7 
19 Milagres 
extraordinários e 
libertação 
Durante 2 anos, em Éfeso, o 
apóstolo Paulo foi usado por 
Deus para curar enfermos e 
expulsar espíritos malignos. 
 
Atos 
19.10-12 
20 Ressurreição de 
Êutico 
Após Êutico cair de uma janela 
durante um longo discurso de 
Paulo, ele foi trazido de volta à 
vida, demonstrando o cuidado e 
o poder de Deus. 
Atos 
20.9-12 
21 Paulo sobrevive ao 
naufrágio 
Paulo, sendo levado preso para 
Roma, sobrevive ao naufrágio e 
ao parecer dos soldados de matar 
os presos para que não fugissem. 
 
Atos 
21.1-44 
22 Cura dos Enfermos 
na Ilha de Malta 
Paulo, além de ser salvo da 
picada da víbora, curou o pai de 
Públio e outros enfermos na ilha 
de Malta, evidenciando a 
continuidade dos milagres como 
sinal do evangelho. 
Atos 
28.8-10 
 
Esta tabela reúne eventos que evidenciam tanto a manifestação 
direta do poder de Deus quanto as respostas às orações dos crentes, 
contribuindo para a compreensão da ação sobrenatural na história da 
igreja primitiva. 
 
Por outro lado, há que se ressaltar que a igreja primitiva, além 
de ter vivenciado muitos sinais, prodígios, curas e livramentos, 
também experimentou dias maus, perseguições, prisões e martírio – 
“Pois quem quiser salvar a sua vida perdê-la-á; quem perder a vida por minha 
causa, esse a salvará.” (Lc 6.24) 
 
Os momentos mais difíceis também fazem parte da caminhada 
da vida do cristão que precisa se lembrar que o Senhor jamais nos 
SENHOR, ENSINA-NOS A ORAR 
 
82 | P á g i n a 
desamparará. Certas provações são permitidas por Deus e cumprem 
o propósito de nos moldar, fortalecer a nossa fé, nos aproximar mais 
do Senhor e, como no caso de Jó demostrar quem realmente é fiel. 
 
Os que mais sofreram, foram perseguidos, presos, açoitados e 
mortos de forma cruel, foram exatamente aqueles que andaram mais 
próximos de Cristo – os seus discípulos. Jesus os preveniu: "Então, 
disse Jesus a seus discípulos: Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se 
negue, tome a sua cruz e siga-me." (Mt 16.24). 
 
Portanto, seja qual for a sua luta hoje, lembre-se de que estamos 
de passagem neste mundo. Nossa verdadeira vitória e glória não está 
aqui, mas na eternidade. 
 
“As batalhas que enfrentamos hoje são as sementes das vitórias que colheremos 
amanhã”. 
 
 
8.3 Na vida dos crentes 
 
“Devemos permitir que Deus nos ensine que é tão natural para 
ele responder às orações, como é para nós o pedir.” Sabemos que Deus 
nos ama e quer o nosso bem, como um pai a seu filho, pois valemos 
mais do que todas as demais obras da sua criação. É Jesus que afirma: 
 
“Ora, se Deus veste assim a erva do campo, que hoje existe e amanhã é 
lançada no forno, quanto mais a vós outros, homens de pequena fé?” (Mt 
6.30; Lc 12.28) 
“Observai os corvos, os quais não semeiam, nem ceifam, não têm 
despensa nem celeiros; todavia, Deus os sustenta. Quanto mais valeis do que 
as aves!” (Lc 12.24) 
“Ora, se vós, que sois maus, sabeis dar boas dádivas aos vossos filhos, 
quanto mais vosso Pai, que está nos céus, dará boas coisas aos que lhe 
pedirem?” (Mt 7.11; Lc 11.13) 
SENHOR, ENSINA-NOS A ORAR 
 
83 | P á g i n a 
Ao longo da história, pós igreja primitiva, nosso Deus tem 
cumprido suas promessas e respondido asorações dos seus servos. A 
seguir, apresentaremos alguns casos de resposta de oração. 
Poderíamos usar muitas histórias contadas em livros e revistas, 
porém, registraremos aqui casos verdadeiramente comprovados, 
vividos por mim e minha família, bem como, por amigos do nosso 
convívio e coparticipação na obra do Senhor. 
 
a) Um Deus provedor e cuidadoso 
 
Muitas têm sido as intervenções de Deus na minha vida. Creio 
que a maioria delas aconteceram sem que me fosse possível percebê-
las. Foram livramentos, curas, portas abertas, oportunidades criadas, 
solução de problemas, situações favoráveis, iluminação na tomada de 
decisões. Enfim, bênçãos incontáveis no âmbito pessoal, familiar, 
eclesiástico e profissional. 
 
 
Em 02 de janeiro de 2021 me internei em um renomado hospital 
na zona sul do Rio de Janeiro. Já no quarto fui preparado pela equipe 
de enfermagem, com acesso colocado e tudo mais, para ser levado ao 
centro cirúrgico, para uma cirurgia por robótica. Estava ainda no leito 
hospitalar e acabara de chegar a maca. A equipe médica já estava a 
minha espera, mas não me levavam para lá. Já havia colocado a minha 
vida, bem como tudo e todos os que de alguma forma participariam 
do processo. Estava razoavelmente tranquilo, mas um pouco 
incomodado com a demora. Foi quando perguntei ao pessoal da 
enfermagem que me esclareceram. Havia ocorrido uma pane elétrica, 
os corredores estavam no escuro e abriam algumas portas dos quartos 
para entrar luz. Os elevadores também pararam de funcionar. Parece 
que os geradores de emergência não entraram ou houve algum outro 
problema por lá. Passado mais algum tempo a equipe médica 
suspendeu a cirurgia, porque não havia condições para tal. Fiquei 
imaginando: que livramento!!! E, se a pane elétrica tivesse ocorrido 
SENHOR, ENSINA-NOS A ORAR 
 
84 | P á g i n a 
no meio da cirurgia? Em todo o tempo Deus é bom! Depois do 
livramento veio outra bênção. Com a dificuldade de agenda naquela 
unidade para a marcação de uma nova data mais próxima, o meu 
médico articulou com a direção a realização em outra unidade, que é 
mais nova e com equipamentos de robótica mais modernos. O meu 
plano não cobria aquele novo e ainda melhor hospital, entretanto, em 
função dos transtornos, tudo foi arranjado e, 9 dias depois, a cirurgia 
ocorreu, com sucesso. Glória a Deus! 
 
 
 
Em 1998 ocorreu a privatização do sistema TELEBRAS. A estatal 
do meu Estado, na qual eu trabalhava, tinha cerca de dez mil 
funcionários. Os novos donos queriam implementar muitas 
mudanças, de empresa estatal para empresa privada. Falava-se pelos 
corredores que o lema deles era: “– Não se muda a cultura de uma 
empresa mudando a cabeça (mentalidade) das pessoas, mas mudando 
as pessoas! Simples e cruel, assim. E, assim fizeram. Demissões e mais 
demissões, semanalmente. O clima era tenso e não me restava outra 
alternativa senão clamar a Deus. Passaram-se 3 anos e, no ano de 2001, 
estava chegando a minha vez. Com 27 anos de trabalho e 46 anos de 
idade, com uma família para sustentar e a falta de perspectiva de 
conseguir um novo emprego, até mesmo pela idade, era preciso 
buscar o amparo no Pai Celestial. Eu estava de férias, participando de 
um evento evangélico, quando o celular tocou. Era a minha chefe ! 
Cuidadosamente ela me alertou: – Não vou conseguir manter você na 
equipe, procure um outro setor na empresa. Na verdade, essa opção 
não estava disponível porque as demissões estavam ocorrendo em 
todos os setores da empresa. Não havia o que fazer, senão continuar 
clamando ao Senhor. Depois, fiquei sabendo que eu estava entre os 
primeiros, ou era o primeiro, a ser dispensado, devido ao meu tempo 
de empresa e salário, pois tinha exercido função gerencial por muitos 
anos, em outras áreas, e nesta nova área apenas integrava a equipe. 
Entretanto, houve uma reviravolta inacreditável, ainda durante as 
SENHOR, ENSINA-NOS A ORAR 
 
85 | P á g i n a 
minhas férias. A nova direção resolveu centralizar a área de 
contratações e compras das 16 empresas do grupo no Rio de Janeiro. 
Minha gerente foi transferida para outra área e um novo gerente 
assumiu. Considerando a nova função e relevância do setor, agora 
com atuação ampliada, era necessário estruturar a equipe com 
funcionários mais experientes. Foi assim que, milagrosamente, de 
prioridade na lista de demissões, passei a ser prioridade para a 
composição da nova equipe. Toda a honra e toda a glória somente a 
Deus que sempre está no controle de todas as coisas. Foi assim, que 
me mantive por mais 8 anos na empresa, até o final de 2009. Alguns 
meses antes da minha saída, aconteceu algo que me marcou, pois 
entendi como palavra profética do Senhor. Numa exposição bíblica ao 
Conselho da minha igreja, o pastor visitante ressaltou o fato de que, o 
povo de Israel, no êxodo do Egito, não saiu de mãos vazias, pedindo 
e recebendo objetos de prata, de ouro e roupas, pois o Senhor moveu 
o coração dos egípcios para isso (Êx 12.35-36). E foi o que ocorreu 
comigo, nada de demissão pura e simples. A empresa anunciou um 
Plano de Incentivo a Aposentadoria, com remuneração extra e, 
entendendo que aquele era o momento certo preparado pelo Senhor, 
fiz a adesão e saí da empresa. Desde então, meu propósito tem sido o 
de dedicação máxima ao Senhor, à sua igreja, à expansão do Reino, à 
evangelização e edificação de vidas. 
 
 
 
Não poderia deixar de narrar mais uma, dentre as muitas 
bênçãos recebidas do Senhor. Em 2010, já aposentado, resolvemos em 
família comprar um novo apartamento, vendendo aquele onde 
morávamos. Procuramos e visitamos muitos apartamentos, sempre 
rogando a direção e ajuda do Senhor. Nenhum deles nos agradou e a 
procura já estava ficando cansativa. Não era muito comum em nossa 
igreja programar reuniões de vigília durante toda a noite. Entretanto, 
aconteceu uma delas. Mesmo tendo um apartamento para ver na 
manhã do dia seguinte, priorizamos a participação nesta vigília. 
SENHOR, ENSINA-NOS A ORAR 
 
86 | P á g i n a 
Chegamos em casa na manhã seguinte, descansamos muito pouco e 
partimos para ver o tal apartamento. O apartamento estava vazio, 
tinha sido muito bem equipado para a proprietária morar, entretanto, 
por questões particulares, resolveram vender. O imóvel agradou à 
família e fechamos o negócio. É onde estamos morando desde então. 
Glória a Deus que nos direciona, prepara o caminho e cuida de nós. 
Compartilho aqui o “meu pacto” com Deus: 
 
 
 
 
b) Um Deus salva e cura 
 
Fernando é um querido e muito estimado presbítero da nossa 
Igreja Presbiteriana do Rio de Janeiro. Português, mas vive no Brasil 
há 56 anos. É o quinto filho de 11 irmãos, tendo a mãe falecido quando 
ele tinha 10 anos de idade. Foi criado na Igreja Católica Romana, sendo 
orientado por seu pai e avó a temer a Deus e dar sempre graças ao 
Senhor, por tudo. 
 
SENHOR, ENSINA-NOS A ORAR 
 
87 | P á g i n a 
Aos quinze anos chegou ao Brasil, onde, mais tarde, formou uma 
família, com esposa e três filhos. Aos 36 anos, ele e sua família 
abraçaram a fé no Senhor Jesus Cristo. Uma vizinha os levou a 
conhecer a Jesus, na Igreja Presbiteriana do Rio, onde ele e sua esposa 
Fátima servem ao Senhor com muita dedicação. 
 
Aos 40 anos, ele começou a sentir dores no peito, que não lhe 
permitiam nem levantar os braços. Nesse tempo frequentavam uma 
reunião de oração da ADHONEP7, uma instituição 
interdenominacional, que reúne crentes de várias igrejas e 
denominações. Ele pediu oração aos irmãos pela cessação das dores 
que sentia. Também resolveu ir ao médico. Depois de fazer alguns 
exames, o médico relatou o diagnóstico de uma lesão no diafragma, 
isto é, câncer. A notícia foi um choque para sua vida, ficando um tanto 
quanto abalado com um diagnóstico inesperado como este. 
Entretanto, continuava frequentando as reuniões de oração e o povo 
de Deus intercedendo por ele.Foi a um oncologista, que pediu uma ressonância para ver qual 
seria o tamanho da lesão. No final do exame, o profissional que o 
realizou, adiantou que a ressonância é exame que mostra até um 
tumor do tamanho de uma cabeça de alfinete, mas nada mais existia 
no local objeto da pesquisa. Retornando ao médico, este constatou que 
a lesão tinha sumido!!! 
 
Ele assim conclui o seu testemunho de cura: 
“– Toda honra e toda glória sejam dadas ao Senhor! Ele cura as 
nossas enfermidades e cura a nossa alma e nos faz andar nele, sempre 
confiando que ele é fiel!” 
 
Tendo passado por tão significativa e milagrosa experiência, o 
querido casal Fernando e Fátima se tornaram crentes que levam a 
 
7 ADHONEP: Associação de Homens de Negócio do Evangelho Pleno 
SENHOR, ENSINA-NOS A ORAR 
 
88 | P á g i n a 
oração muito a sério. Têm sido uma bênção na igreja, principalmente 
no ministério do Encontro de Casais com Cristo. Deus salva, cura e 
usa na sua obra! 
 
c) Alguém orou 
 
“Um emocionante episódio ocorreu, certa vez, em uma rústica 
cabana na África. Uma missionária acordou subitamente, pois tivera 
um pressentimento de perigo iminente. A apreensão lhe levara à 
desconfiança de que estava para ser atacada por alguma fera. Era uma 
noite cálida e a janela permanecia aberta, penetrando pela mesma o 
clarão da lua; olhou em volta da cabana e nada indicava que houvesse 
algo errado. 
Todavia, ela continuou presa de um esquisito pânico, o que a 
levou a acordar o seu marido, e começaram a dialogar em voz baixa. 
Eis senão quando, ao olharem ao lado da cama, viram uma horrorosa 
cobra, cuja cabeça estava levantada, prestes a atacá-los com um bote. 
Rapidamente o missionário, esgueirando-se, apanhou a carabina e, 
com um certeiro tiro, atingiu a cobra na cabeça. Mas a nossa história 
não está completa. 
Um dia, quando uma amiga dos missionários estava encerando 
o assoalho de sua casa no Canadá, sentiu uma necessidade irresistível 
de orar por aqueles irmãos tão distantes, convencida de que eles 
estavam expostos a grave perigo. Ajoelhou-se, orou piedosamente, e, 
quando se levantou, a paz dominava o seu coração, certa de que o 
Senhor atendera à sua ardente súplica. 
Posteriormente, quando os missionários regressaram ao 
Canadá, para um período de férias, relataram à sua dedicada amiga o 
terrível drama vivido naquela noite. Comparando datas e horários, 
chegaram à conclusão de que as duas experiências pelas quais 
passaram haviam ocorrido precisamente no mesmo momento!” 
(Walter B. Knight) 
 
❖
SENHOR, ENSINA-NOS A ORAR 
 
89 | P á g i n a 
 
 
 
 
 
9. ORAÇÕES DE JESUS 
 
9.1 Algumas instruções de Jesus 
 
a) O modo hipócrita de orar (Mt 6.5) 
 
 "E, quando orardes, não sereis como os hipócritas; porque 
gostam de orar em pé nas sinagogas e nos cantos das praças, 
para serem vistos dos homens. Em verdade vos digo que eles já 
receberam a recompensa." 
 
O que ele diz sobre os hipócritas parece ótimo à primeira vista: 
"gostam de orar". Mas, infelizmente, não é da oração que eles gostam, 
nem do Deus a quem supostamente estão orando. Não, eles gostam 
de si mesmos e da oportunidade que a oração pública lhes dá de se 
exibirem. 
 
Neste exemplo de justiça "religiosa" ou prática piedosa, Jesus 
descreve dois homens orando (Lc 18.9-14). A diferença básica é entre 
a hipocrisia8 e a realidade. Ele põe em contraste o motivo das orações 
e as suas recompensas. Os fariseus buscavam o louvor dos homens, 
encontrando prazer no reconhecimento público. Oravam em pé nos 
locais mais visíveis das praças, desejando ser notados. Em Lucas 18.9-
14, vemos como sua vaidade e orgulho tornavam suas práticas 
insuportáveis. Suas orações, jejuns e atos de caridade não eram 
movidos por um desejo genuíno de crescimento espiritual, 
preocupação com o próximo ou amor a Deus, mas sim pela busca de 
 
8 Hipocrisia: s. f. Manifestação de fingidas virtudes, sentimentos bons, devoção religiosa, compaixão 
etc.; fingimento, falsidade. 
SENHOR, ENSINA-NOS A ORAR 
 
90 | P á g i n a 
status e autopromoção. Sobre esses hipócritas, que iludiam as pessoas 
com sua falsa devoção, Jesus declarou: "sepulcros caiados" — belos 
por fora, mas por dentro cheios de morte e podridão (Mt 23.27). 
 
Naturalmente, a disciplina da oração regular é uma coisa boa; 
todos os judeus devotos oravam três vezes por dia, como Daniel (Dn 
6.10). E não havia nada de errado em ficar de pé para orar, pois era a 
posição costumeira dos judeus para isto. Os judeus se punham de pé 
para orar, voltados de frente para o Templo de Jerusalém (1Rs 8.48; 
Dn 6.10) ou para o lugar mais santo (quando estavam no Templo)(1Sm 
1.26; 1Rs 8.22 e Lc 18.11, 13). Nem estavam necessariamente errados 
quando oravam "nas sinagogas e nos cantos das praças", se sua 
motivação fosse sincera. Mas Jesus desmascarou as suas verdadeiras 
motivações, que eram somente atrair a atenção alheia, serem vistos 
pelos homens. Por trás da piedade, espreitava o seu orgulho. O que 
realmente desejavam era o aplauso. E o conseguiram: "Já receberam a 
recompensa". 
 
O farisaísmo religioso não está morto. É possível ir à igreja pelos 
mesmos motivos errados que levavam o fariseu à sinagoga: não para 
adorar a Deus, mas para obter uma reputação de piedade (alguns 
políticos seguem essa linha). A hipocrisia é muitas vezes tão 
acentuada nas igrejas que o mundo julga que todos os crentes são 
hipócritas. 
 
Conta-se a história de certo coronel que convidou um amigo 
para caminhar no seu pomar para provar as maçãs. Um dia, 
encontrando o amigo na rua, o coronel ficou um pouco irritado porque 
este desprezava os seus convites. Perguntou-lhe: "– É porque acha que 
as maçãs não são boas?" O amigo confessou que de fato tinha 
experimentado uma que caíra no lado de fora do muro e que era tão 
azeda que perdera todo o desejo de experimentar mais. Mas o dono 
do pomar respondeu que tinha andado mais de sessenta quilômetros 
a pé para buscar mudas de uma qualidade azedíssima para plantar ao 
SENHOR, ENSINA-NOS A ORAR 
 
91 | P á g i n a 
redor e enganar os meninos que quisessem invadir o pomar. "– Mas 
as outras de dentro", disse o dono, "são muito mais doces e saborosas". 
Aqueles que julgam as igrejas pelos hipócritas, enganam-se da mesma 
maneira. Somente os que, no lado de dentro, experimentam os 
preceitos do Senhor, podem testificar que "são mais desejáveis do que o 
ouro, mais do que muito ouro depurado; e são mais doces do que o mel e o 
destilar dos favos" (Sl 19.10). 
 
b) O modo sincero de orar (Mt 6.6) 
 
 "Tu, porém, quando orares, entra no teu quarto e, fechada a 
porta, orarás a teu Pai, que está em secreto; e teu Pai, que vê 
em secreto, te recompensará." 
 
É evidente que Jesus não tinha a intenção de estabelecer o quarto 
como o lugar exclusivo para oração. Aquele que não tinha onde 
reclinar a cabeça, também, não tinha porta para fechar. O "quarto de 
oração" de Jesus era o monte (Mt 14.23; Mc 6.46; Lc 6.12; Lc 6.28; Lc 
22.40 e Mt 26.36), os lugares desertos (Mc 1.35; Lc 5.16); o de Isaque 
era o campo (Gn 24.63); o de Elias, o quarto de dormir (Jz 17.19-22); o 
de Pedro, o eirado (At 10.9) e o de Paulo, junto do rio (At 16.13). 
 
Devemos fechar a porta para não sermos perturbados e 
distraídos, mas também para fugir aos olhos dos homens e para 
ficarmos a sós com Deus. 
 
"Orarás a teu Pai que está em secreto", ou então, "que está 
naquele lugar secreto". O lugar secreto da amizade íntima (Sl 25.14; 
27.5; 31.20; 91.1). Nosso Pai está lá, à nossa espera. Nada destrói mais 
uma oração do que olhares furtivos para os espectadores humanos, 
como também nada enriquece mais do que o senso da presença de 
Deus. 
 
 
SENHOR, ENSINA-NOS A ORAR 
 
92 | P á g i n a 
c) O modo pagão de orar (Mt 6.7) 
 
 "E, orando, não useis de vãs repetições, como os gentios; 
porque presumem quepelo seu muito falar serão ouvidos." 
 
A hipocrisia é um dos pecados que podem acontecer na oração. 
Há ainda algumas formas equivocadas na oração como as "vãs 
repetições", ou a falta de significado, a oração mecânica. O primeiro 
caso (hipocrisia) é a tolice dos fariseus, este segundo, a dos gentios ou 
pagãos. Os gentios, apesar de sua sinceridade ao orar, cometiam um 
erro ao recorrer a fórmulas repetitivas, tornando suas orações 
mecânicas e vazias de significado. A verdadeira oração é uma 
expressão autêntica do que há no íntimo de cada pessoa. É um diálogo 
sincero, uma conversa íntima e sem formalidades com Deus, que é Pai. 
A hipocrisia é um abuso do propósito da oração, desviando-a da 
glória de Deus para a glória do ego; a repetição mecânica é um abuso 
da própria natureza da oração, rebaixando-a de um real e pessoal 
acesso a Deus a uma mera recitação de palavras. 
 
Jesus não podia estar proibindo toda repetição, pois ele mesmo 
repetiu sua oração, notavelmente no Getsêmani, quando "foi orar pela 
terceira vez, repetindo as mesmas palavras"(Mt 26.39, 42 e 44). 
 
O conteúdo da oração é espontâneo, livre de qualquer 
formalidade e expressões decoradas, conforme já abordado. Muitas 
rezas não têm mais valor do que as rodas usadas na Índia, sobre as 
quais estão escritas as orações e depois de giradas horas a fio para 
apresentá-las sem cessar a Deus! O mencionar de um assunto diante 
de Deus por repetidas vezes, em virtude da grande aflição que o 
problema tem trazido à nossa alma, não se constitui, de forma alguma, 
em vã repetição. Mas também é igualmente possível usar "palavras 
vazias" quando se emprega o "jargão religioso" enquanto a mente 
vagueia. 
 
SENHOR, ENSINA-NOS A ORAR 
 
93 | P á g i n a 
"Pelo seu muito falar...". Esta prática da oração era e é errada 
desde a base: 
 
 Primeiro, porque pensavam que Deus considera o número 
das orações proferidas para aquilatar o valor da oração, e não 
o espírito e o coração de quem orava. 
 
 Segundo, porque pensavam que o acúmulo de orações 
repetidas tinha o efeito de cansar os ouvidos de Deus, 
obrigando-o a responder. 
 
Essas ideias são características dos pagãos. 
 
Resumindo, o que Jesus proíbe que seu povo faça é qualquer 
espécie de oração com a boca, quando a mente não está participando. 
 
 
9.2 A oração do "Pai Nosso" 
 
– Mateus 6.9-13 ( Instrução) (Ver tb Lc 11.1-4) 
 
Esta mui amada oração que nosso Senhor ensinou a seus 
discípulos, conhecida como a “Oração do Pai Nosso”, foi 
evidentemente dada em duas ocasiões distintas e sob diferentes 
circunstâncias, e com algumas variações. Primeiramente, no Sermão 
do Monte, quando Cristo advertia os seus discípulos contra a 
formalidade ostentosa na oração (comp. Mt 5.1 com 6.5-13; e, segunda 
vez, num indeterminado "certo lugar" em resposta ao pedido de um 
dos discípulos, "Senhor ensina-nos a orar" (Lc 11.1-4). Ela nos foi 
dada – aos seus discípulos e seguidores – para ilustrar o simples 
caminho pelo qual devemos nos aproximar de Deus. 
 
Trata-se de uma oração perfeita, pois contém adoração, 
confissão, petição, intercessão e ações de graças. 
 
SENHOR, ENSINA-NOS A ORAR 
 
94 | P á g i n a 
“Em sua linguagem há simplicidade, brevidade, clareza, 
nobreza. Em seu espírito vemos que Deus e sua glória estão em 
primeiro lugar, vindo depois nossas necessidades. Nela vemos um 
filho e seu Pai; um adorador e seu Deus; um súdito e seu Rei; um servo 
e seu Mestre; ...; um confidente e seu Confessor, um peregrino e seu 
Guia; uma ovelha e seu Pastor. Nesta oração há o espírito de adoração, 
reverência, desejo, entrega, dependência, arrependimento, perdão, 
humildade, debilidade e certeza.”9 (W. T. Bevan) 
 
COMPARAÇÃO DE MATEUS COM LUCAS 
 
MATEUS 6.9-13 LUCAS 11.1-4 
Pai nosso que estás nos céus, Pai, 
Santificado seja o teu nome; Santificado seja o teu nome; 
Venha o teu reino, Venha o teu reino, 
Faça-se a tua vontade, assim na terra como 
no céu; 
– 
O pão nosso de cada dia dá-nos hoje; O pão nosso cotidiano dá-nos de dia em dia; 
E perdoa-nos as nossas dívidas, Perdoa-nos os nossos pecados, 
Assim como nós temos perdoado aos nossos 
devedores; 
Pois também nós perdoamos a todo o que nos 
deve. 
E não nos deixes cair em tentação; mas livra-
nos do mal 
E não nos deixes cair em tentação; 
(Pois teu é o reino, o poder e a glória para 
sempre)(*) 
– 
 
(*) Essa doxologia não aparece nos manuscritos gregos mais 
antigos e melhores e, aqueles que a incluem, contém consideráveis 
variantes. Autoridades eminentes do texto creem que foi acrescentada 
mais tarde, provavelmente para que a oração fosse mais agradável ao 
culto público. Contudo, como a doxologia aparece na ARA10, ela não 
é antibíblica, pois suas ideias principais parecem ter sido claramente 
extraídas de uma oração de Davi registrada em 1Crônicas 29.11 - "Tua, 
Senhor, é a grandeza, o poder, a honra, a vitória e a majestade; ...". 
 
 
 
9 Livro: Sendas de Luz, extraído de A SENDA DO CRISTÃO – nº 112 
10 ARA – Almeida Revista e Atualizada 
SENHOR, ENSINA-NOS A ORAR 
 
95 | P á g i n a 
 “De uma feita, estava Jesus orando em certo lugar; quando 
terminou, um dos seus discípulos lhe pediu: Senhor, ensina-
nos a orar como também João ensinou aos seus discípulos.” 
(Lc 11.1) 
 
 Os filhos de Deus devem ser divinamente ensinados a orar, 
não apenas como orar (Lc 11.1). Esta oração, conforme 
originalmente dada, não especifica detalhadamente a 
doutrina completa da oração feita pela Igreja, embora 
contenha o seu germe. Mais tarde, no progresso da divina 
revelação, nosso Senhor deu a ordem em seu nome (Jo 16.23-
24). 
 
Nos dois registros desta oração podemos extrair muitas lições: 
 
 “Portanto, vós orareis assim: 
 
Nesta oração que serve como modelo para elaborarmos nossas 
orações, Jesus nos dá o exemplo de como devemos nos dirigir a Deus. 
Tanto mais nos aproximaremos do ideal cristão de orar, quanto mais 
permitirmos que o próprio Espírito Santo possa gestar em nós cada 
palavra, cada frase e cada ideia. 
 
Embora seja possível orar em espírito, recitando “O Pai Nosso”, 
palavra por palavra, contudo supomos que Cristo não queria que os 
discípulos o repetissem rotineiramente, pois é impossível repetir o Pai 
Nosso diariamente sem a maioria cair em formalismo ou automatismo 
ou mesmo atribuir uma superstição às palavras que Jesus usou. 
 
 
 Pai nosso, que estás nos céus, santificado seja o teu nome; 
 
 Reconhecimento da filiação divina e da sua soberania. 
 
SENHOR, ENSINA-NOS A ORAR 
 
96 | P á g i n a 
A primeira vez que Deus é chamado de "Pai" na Bíblia ocorre em 
Êxodo 4.22-23, quando Deus se refere a Israel como seu filho. Aqui, 
Deus revela seu relacionamento paternal com Israel como uma nação, 
destacando seu cuidado e autoridade sobre seu povo (ver tb Dt 32.6). 
No Antigo Testamento, Deus era visto como Pai principalmente no 
sentido coletivo, como Pai de Israel. Já no Novo Testamento, Jesus 
inova, aprofunda essa relação, ensinando que Deus é Pai de cada 
crente individualmente. Ele nos ensina a invocar a Deus como nosso 
Pai, do mesmo modo que ele o fazia. 
 
Nos Evangelhos, Deus é referido como Pai cerca de 181 vezes 
(versão ARA), da seguinte forma: 
 
Descrição Mateus Marcos Lucas João Total 
Deus=Pai 44 05 17 115 181 
 
É significativa diferença de referências entre os dois extremos, 
Marcos e João. Isto porque cada Evangelho tem um público-alvo e 
uma ênfase teológica distinta. Marcos, escrito para os romanos, foca 
mais nas ações de Jesus do que em seus discursos, enfatizando Jesus 
como Servo (Mc 10.45). Por isso, há menos menções a Deus como Pai. 
João, escrito para os cristãos, tem um tom mais teológico e espiritual, 
enfatizando Jesus como o Filho de Deus e sua relação com o Pai (Jo 
20.30-31). 
 
Pai, no aramaico, seria "Abba", "paizinho" (Mc 14.36; Rm 8.15; Gl 
4.6), denotando, assim, uma íntima afeição,o que exclui a 
possibilidade de uma familiaridade superficial. Essa oração baseia-se 
no relacionamento de Deus como Pai de todos os que 
verdadeiramente creem no seu Filho (Jo 1.12-13), pois só eles podem 
dizer sinceramente, "Nosso Pai". Embora muitos, repitam essa oração, 
o Deus todo poderoso é o Criador de todos, mas Pai apenas dos 
redimidos por Cristo. Pela graça, fomos adotados na família de Deus 
e verdadeiramente amados (Gl 4.4-5). 
SENHOR, ENSINA-NOS A ORAR 
 
97 | P á g i n a 
A diferença essencial entre as orações dos fariseus, dos pagãos e 
dos cristãos jaz na espécie de Deus a quem oramos. Jesus nos instruiu 
que o chamássemos (literalmente) de "Pai nosso que estás nos céus". 
 
Isto implica: 
 
- Que ELE É PESSOAL. Ele é "ele" como eu sou "eu". Deus é 
exatamente tão pessoal quanto nós o somos, e até mais. 
 
- Que ELE É AMOROSO. Ele não é um pai que nos deixa 
aterrorizados com sua crueldade, nem um pai leviano, irresponsável; 
mas ele preenche o ideal da paternidade em seu cuidado amoroso por 
seus filhos. 
 
- Que ELE É PODEROSO. Ele não é apenas bom, mas também é 
grande. As palavras "nos céus" indicam não tanto o lugar de sua 
habitação como a autoridade e o poder que tem na qualidade de 
Criador e Governador de todas as coisas. Os israelitas foram 
ensinados a orar: "Olha desde a tua habitação, desde o céu..." (Dt 
26.15). Na dedicação do templo, Salomão orou: "Ouve tu então nos 
céus..." (1Rs 8.39). Jesus na véspera do seu grande sacrifício na cruz, 
"levantando seus olhos ao céu", orou (Jo 17.1). Assim, ele combina 
AMOR PATERNAL com PODER CELESTIAL; e o que o seu amor 
ordena, o seu poder é capaz de realizar. 
 
Quando Jesus nos diz para chamarmos a Deus de "Pai nosso que 
estás nos céus", sua preocupação não é com o protocolo (ensinando a 
etiqueta correta para nos aproximarmos da divindade), mas com a 
verdade (para que nos aproximemos dele no devido estado de 
espírito). Sempre é bom, antes de orar, investir deliberadamente 
algum tempo lembrando-nos de quem ele é. Só então poderemos 
aproximar-nos de nosso amoroso Pai no céu com a devida humildade, 
devoção e confiança. 
 
SENHOR, ENSINA-NOS A ORAR 
 
98 | P á g i n a 
Quando nos tivermos dado ao trabalho de investir algum tempo 
orientando-nos na direção de Deus, lembrando-nos do que ele é: nosso 
Pai pessoal, amoroso e poderoso; então o conteúdo de nossas orações 
será radicalmente afetado de duas formas: 
 
– Primeiro, os interesses de Deus terão prioridade: "teu nome..., 
teu reino..., tua vontade". 
 
– Segundo, nossas próprias necessidades, embora colocadas em 
segundo plano, serão totalmente entregues a ele: "Dá-nos..., perdoa-
nos..., não nos deixes cair..., livra-nos...". 
 
Percebe-se que a oração do Pai Nosso, nessas duas partes, coloca 
em primeiro lugar a glória de Deus e, depois, as necessidades do 
homem. Pode ser feito então um paralelo com os dez mandamentos, 
pois eles também estão divididos em duas partes e expressam a 
mesma prioridade: a primeira tábua esboça nossos deveres para com 
Deus, e a segunda, nossos deveres para com nosso próximo. 
 
"Santificado seja o teu nome" 
 
Quando a alma se eleva à presença de Deus, com atitude de 
adoração, ela reconhece a santidade absoluta de tudo o que Deus é e 
faz, e isso é o alicerce da oração e de nossas relações com Deus. É 
distingui-lo de todos os falsos deuses e ídolos feitos por mãos 
humanas, pois ele é o Criador e Soberano Governante do universo. 
 
O nome de Deus não é uma simples combinação das letras D, E, 
U e S. O nome representa a pessoa que o usa, o seu caráter e a sua 
atividade. O pensamento hebraico não distinguia claramente entre o 
nome e a pessoa. Portanto, o "nome" de Deus é o próprio Deus, como 
ele é em si mesmo e se tem revelado. Toda ofensa ao nome de Deus é 
uma ofensa ao próprio Deus, que proibia tomar o seu nome em vão. 
Seu nome já é "santo", porque é separado e exaltado acima de qualquer 
outro nome. Mas nós oramos para que ele seja "santificado", "tratado 
SENHOR, ENSINA-NOS A ORAR 
 
99 | P á g i n a 
como santo", porque desejamos ardentemente que a devida honra lhe 
seja dada, isto é, àquele cujo nome o representa, em nossas próprias 
vidas, na igreja e no mundo. E, isso tem relação direta com a nossa 
própria santificação. O povo de Israel foi severamente advertido 
quando não deu a devida honra ao nome de Deus, prestando culto aos 
deuses pagãos como se eles pudessem ser comparados ao Deus vivo 
e verdadeiro. 
 
 
 venha o teu reino; faça-se a tua vontade, assim na terra como 
no céu; 
 
 Reconhecimento e submissão ao domínio divino sobre 
tudo e todos. 
 
" Venha o teu reino;" 
 
No sentido da petição, a oração deve colocar em primeiro lugar 
o reino de Deus e a sua vinda do céu. Devemos orar e contribuir para 
que o seu Reino se estabeleça nos corações. 
 
O reino de Deus é o seu governo real, sobre tudo e sobre todos. 
É importante distinguir dois aspectos bíblicos sobre o Reino de Deus: 
 
• Primeiro, como ele já é santo, também já é Rei, reinando em 
soberania absoluta e exercendo o domínio universal, sobre a 
sua criação, isto é, sobre a natureza e a História. Este seu 
governo transcende todas as limitações de tempo e espaço às 
quais as criaturas humanas estão submetidas. 
 
• Segundo, quando Jesus veio, anunciou um aspecto novo e 
especial do governo real de Deus, envolvendo o seu 
relacionamento com os remidos por Cristo, os seus filhos 
adotivos, com todas as bênçãos da salvação e as exigências de 
submissão que o governo divino implica. 
SENHOR, ENSINA-NOS A ORAR 
 
100 | P á g i n a 
 
Portanto, temos em vista aqui o caráter presente e futuro (ou 
escatológico) do Reino de Deus. Orar para que o seu reino "venha" é 
orar para que ele cresça à medida que as pessoas se submetam a Jesus 
através do testemunho da Igreja, e que logo ele seja consumado com a 
volta de Jesus em glória para assumir o seu poder e o seu reino. 
 
Sobre o Reino de Deus, assim diz a Bíblia, referindo-se aos seus 
dois aspectos – o “já” e o “ainda não”: 
 
Descrição Referência Bíblica 
1. Alguns o esperavam. Mc 15.43; Lc 23.51 
2. Está próximo. Mt 3.2; 4.17; 10.7; Mc 1.15; Lc 
10.9; 21.31 
3. Parecia que haveria de 
manifestar-se imediatamente. 
Lc 19.11 
4. Alguns não morreriam sem 
vê-lo chegar. 
Mc 9.1; Lc 9.27 
5. É chegado. Mt 12.28; Lc 11.20 
6. É na eternidade. Mt 8.11; Mc 14.25; Lc 22.18 
Não virá com visível aparência. Lc 17.20 
Está dentro de vós. Lc 17.21 
Não é comida, nem bebida, mas 
justiça, paz e alegria no Espírito 
Santo . 
Rm 14.17 
Não consiste em palavra, mas 
em poder. 
1Co 4.20 
 
É tempo de guerra, os filhos do Pai estão aqui no território do 
inimigo. O que podemos esperar, a não ser que clamem, sem cessar: 
"Venha o teu reino". As orações do seu povo expressam o ardente 
desejo e anseio da vinda do seu reino. Veja Apocalipse 5.8; 8.3-4, que 
fala das orações dos santos, ajuntadas e guardadas nos céus até encher 
SENHOR, ENSINA-NOS A ORAR 
 
101 | P á g i n a 
a medida, quando terão resposta e "os reinos do mundo vieram a ser 
de nosso Senhor" (Ap 11.15). 
 
"Faça-se a tua vontade" 
 
A verdadeira oração aceita de antemão a vontade de Deus, 
conhecida ou não, revelada ou não. A descoberta da perfeita vontade 
de Deus não acontecerá mediante incursões da razão humana, 
afirmações da teologia elaborada pelo homem ou opiniões pessoais 
acerca de “como acho que Deus deve ou não fazer as coisas". A Bíblia, 
como revelação escrita e Palavra inspirada nos permite conhecer essa 
vontade de Deus, bem como através da oração e comunhão com o Pai. 
 
A vontade de Deus é "boa, agradável e perfeita" (Rm 12.2), pois 
é a vontade de "nosso Pai que está nos céus", que é infinito em 
conhecimento, em amor e em poder. Portanto, resistir-lhe é loucura; e 
discerni-la, desejá-la e fazê-la é sabedoria. Assim como o seu nome é 
santo e162 
SENHOR, ENSINA-NOS A ORAR 
 
7 | P á g i n a 
15.2 O LIVRO DE B. WILKINSON ............................................................... 165 
16. A ORAÇÃO DE JÓ ............................................................................. 183 
17. O VOTO (PACTO) DE JACÓ ............................................................. 193 
17.1 AS CIRCUNSTÂNCIAS DO PACTO ........................................................ 194 
17.2 ALGUNS ASPECTOS DO PACTO ......................................................... 195 
17.3 O PACTO DO CRISTÃO ...................................................................... 198 
18. ORAÇÕES NA BÍBLIA ....................................................................... 201 
CONCLUSÃO ........................................................................................... 203 
ORAR É DIALOGAR DOCEMENTE COM DEUS ................................................... 208 
BIBLIOGRAFIA ........................................................................................ 211 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 SENHOR, ENSINA-NOS A ORAR 
 
9 | P á g i n a 
 
 
 
AGRADECIMENTOS 
 
Agradecimentos 
 
Ao nosso Deus Pai, Criador e Doador da vida, ao Deus Filho, nosso 
Senhor e Salvador Jesus Cristo e ao Deus Espírito Santo que nos fez igreja e 
nos ilumina e capacita para toda boa obra. 
 
À minha amada esposa Elizabeth (Beth), por mais de 47 anos de 
convivência, formando uma família bendita do Senhor, compartilhando 
sonhos, planejando os rumos da família, criando nossos filhos, enfrentando 
desafios e trilhando juntos a fé cristã. Fomos mais do que agraciados pelo 
nosso bom Deus com os filhos amados que nos deu, Adolfo e Raquel, sendo 
a bênção ampliada com a chegada da amada nora, Silvana. 
 
Aos meus amados e saudosos pais, por me terem ensinado e 
encaminhado na vida e na fé evangélica; aos meus queridos irmãos e 
familiares pelo privilégio do convívio. 
 
À igreja onde cresci e me desenvolvi, bem como aos amigos e irmãos 
em Cristo que compartilharam comigo os meus primeiros passos na fé cristã 
até a juventude. A todos os meus professores e líderes e aos amigos que fiz 
na caminhada estudantil e profissional. Ao Seminário que me proporcionou 
a oportunidade de instrução teológica. 
 
À igreja que acolhe minha família, há mais de 31 anos, 
proporcionando-me o privilégio de atuar em várias áreas e ministérios. 
 
Soli Deo gloria! 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Que é Orar? 
A oração é o desejo sincero da alma, 
Que fica mudo ou é expresso 
E o movimento de uma chama oculta 
Que tremula no peito: 
 
A oração é o enunciado de um suspiro, 
O cair de uma lágrima, 
O volver os olhos úmidos para cima, 
Quando ninguém, senão Deus, está perto. 
 
A oração é a linguagem mais simples 
Que lábios infantis podem experimentar; 
A oração é o clamor mais sublime 
Que atinge a Majestade nas alturas: 
 
A oração é o hábito vital do crente, 
E a sua atmosfera nativa, 
E o seu lema às portas da morte, 
Pois ele entra no céu pela oração. 
....................... 
 
Nenhuma oração é feita só no mundo: 
Pois o Espírito Santo intercede; 
E Jesus, no trono eterno, 
Intercede pelos pecadores. 
 
Ó, Tu, por meio de quem chegamos a Deus! 
Vida, Verdade e Caminho, 
Tu mesmo palmilhaste o caminho da oração, 
Senhor, ensina-nos como orar! 
(Montgomery) 
 
 
SENHOR, ENSINA-NOS A ORAR 
 
11 | P á g i n a 
 
 
 
 
 
INTRODUÇÃO 
 
Não é pouco o tempo e espaço que os púlpitos das igrejas, as 
classes de Escola Bíblica Dominical, as reuniões em Pequenos Grupos 
ou Células nos lares, os livros, as mídias mais modernas, dentre 
outros, dedicam a expor e incentivar uma disciplina devocional 
pessoal contemplando a leitura da Bíblia e a oração. É claro, ao lado 
de outras práticas verdadeiramente importantes como a Adoração e 
Louvor a Deus, a Evangelização, a Comunhão e o Serviço Cristão. 
 
Os especialistas na área da saúde humana não se cansam de 
alertar sobre a importância de se manter uma alta imunidade para 
prevenir doenças e manter boa disposição física. Da mesma forma, é 
preciso manter uma “alta imunidade espiritual” através da prática das 
disciplinas espirituais, além de se revestir de “toda a armadura de 
Deus” (Ef 6.10-18), pois os ataques dos três principais inimigos do 
crente e de Deus “o mundo, a carne e o diabo” (1Jo 2.15; Gl 5.17; 1Pe 
5.8) são cada vez mais frequentes, intensos, agressivos e, por vezes, 
sutis. 
 
Oração, no sentido religioso, é a comunicação direta e pessoal 
com Deus. A palavra oração deriva do latim oratio, que significa 
"discurso" ou "fala". Esse termo, por sua vez, vem do verbo orare, que 
significa "falar", "suplicar" ou "pedir". Já a palavra reza também vem 
do latim, do verbo recitare, que significa "recitar" ou "ler em voz alta". 
No contexto religioso, reza se refere a orações estruturadas, muitas 
vezes memorizadas ou lidas. A diferença entre ambas pode ser vista 
em termos de espontaneidade e formalidade. Geralmente a oração é 
espontânea, personalizada, informal, enfim, uma “conversa” com 
SENHOR, ENSINA-NOS A ORAR 
 
12 | P á g i n a 
Deus. Já a reza geralmente é memorizada, uma fórmula tradicional, 
formal, seguindo um padrão fixo, enfim, uma “recitação” para Deus 
(ex.: rezar o Pai Nosso, a Ave maria, o Rosário etc.). 
 
Ao percorrer as páginas dos Evangelhos encontramos muitas 
referências de Jesus à oração; ora aparecendo sob forma de instrução, 
ora sob a forma de execução prática, isto é, Jesus mesmo praticando a 
oração. De ambas as maneiras podemos tirar proveito e ao mesmo 
tempo comprovar que, ele não só ensinou, como também se manteve 
coerente com os seus ensinos, quando praticava a oração. No 
desenvolvimento deste estudo procuraremos ressaltar este aspecto, 
mencionando a ocorrência da instrução ou do exemplo. Certamente, 
algumas referências podem ter passado despercebidas, mas as 
mencionadas são suficientes para nos proporcionar uma visão 
abrangente do ensino de Jesus sobre a oração. 
 
Também não podemos deixar de mencionar neste estudo outros 
textos e ensinamentos bíblicos que nos ajudam a entender melhor este 
relevante tema da oração, afinal é na Bíblia que encontraremos os mais 
valiosos exemplos de oração. São excelentes experiências reais vividas 
por pessoas que caminharam com Deus na intimidade da fé, muitas 
vezes enfrentando situações críticas ou de crise. 
 
Este estudo é baseado na versão da Bíblia ALMEIDA REVISTA 
e ATUALIZADA (ARA) da Sociedade Bíblica do Brasil (SBB). 
 
❖ 
 
 
"A oração é a respiração da alma. Sem ela, o espírito enfraquece, a fé definha e 
a comunhão com Deus se torna distante."
SENHOR, ENSINA-NOS A ORAR 
 
13 | P á g i n a 
 
 
 Sinais Vitais da Fé 
Ler a Bíblia é como o pulsar do coração, 
Cada batida traz vida e direção. 
É o fluxo constante da divina verdade, 
Que alimenta a alma com eternidade. 
 
Orar é o sopro, a respiração, 
Um fôlego de vida em suave conexão. 
O diálogo da alma com o Criador, 
Inspirando esperança, exalando amor. 
 
Sem o pulso, o corpo enfraquece, 
Sem a Palavra, a fé desvanece. 
Sem o sopro, não há comunhão, 
Sem a oração, esfria o coração. 
 
Assim como os sinais vitais no viver, 
A Bíblia e a oração nos fazem crescer. 
Uma traz luz, a outra nos liga, 
Duas dádivas que o céu instiga. 
 
 
❖ 
 
"Muita oração, muito poder, 
Pouca oração, pouco poder, 
Nenhuma oração, nenhum poder." 
 
 
 
 
 
 
SENHOR, ENSINA-NOS A ORAR 
 
15 | P á g i n a 
 
 
 
 
 
1. JESUS E OS SEUS ENSINOS 
 
Entre os vários títulos que Jesus recebeu, podemos encontrar o 
de "Mestre". 
 
Pela Bíblia sabemos que: 
 
1°) Já aos doze anos de idade ele podia ser encontrado entre osele é Rei, também a sua vontade está sendo feita "no céu". O 
que Jesus nos incita a orar é que a vida na terra se aproxime o mais 
possível da vida no céu, pois a expressão "na terra como no céu" 
parece aplicar-se igualmente à santidade do nome de Deus, à 
propagação do seu reino e à consumação da sua vontade. Ninguém 
ouse querer forçar a mão de Deus para violar seus propósitos eternos! 
 
É comparativamente fácil repetir as palavras da oração do Pai 
Nosso como se fôssemos papagaios. Contudo fazer esta oração com 
sinceridade tem implicações revolucionárias, pois expressam as 
prioridades do cristão. Estamos constantemente sob pressão para nos 
conformarmos ao egocentrismo da cultura secular. Quando isto 
acontece, ficamos preocupados com o NOSSO PRÓPRIO PEQUENO 
NOME: gostamos de vê-lo gravado em relevo sobre os nossos papéis 
de carta, ou aparecendo nos cabeçalhos dos jornais, ou de defendê-lo 
quando é atacado. Também nos preocupa o NOSSO PRÓPRIO 
PEQUENO IMPÉRIO (liderando, chefiando, influenciando e 
manipulando pessoas para fomentarem o nosso ego), e a NOSSA 
SENHOR, ENSINA-NOS A ORAR 
 
102 | P á g i n a 
PRÓPRIA VONTADE tola (sempre desejando as coisas a seu modo e 
se aborrecendo quando frustrada). Todavia, nossa prioridade máxima 
não está no nosso nome, no nosso reino ou na nossa vontade, mas em 
Deus. Fazer tais petições com integridade é um teste para sondar a 
realidade e a profundidade de nossa profissão de fé cristã. 
 
Nos céus, a vontade de Deus é realizada de forma perfeita e 
constante. Entretanto, na terra, o homem pecador a rejeitou. É por isso 
que precisamos orar para que Deus cumpra sua vontade aqui, 
operando por meio de nós. Jesus nos deixou o exemplo perfeito a ser 
seguido, tanto no buscar quanto no cumprir a vontade divina em 
todas as coisas. “Porque eu desci do céu, não para fazer a minha 
própria vontade, e sim a vontade daquele que me enviou.” (Jo 6.38). A 
oração deve sempre considerar a vontade divina e o seu reino como 
objetivos que certamente se realizarão na terra. 
 
Enfim, quando Jesus incluiu na oração modelo essas expressões 
– venha..., faça-se..., – queria nos ensinar a convidar ou até mesmo a 
rogar ao Pai, que é o governante do céu e da terra, cuja autoridade é 
completamente suprema no universo, que venha e estabeleça o seu 
governo nos corações dos homens sobre toda a terra, a fim de que a 
vontade de Deus seja feita na terra da mesma forma como é feita no 
céu. Infelizmente, essas expressões têm sido mecânica e levianamente 
repetidas por milhares de vezes, sem nenhuma intenção séria de que 
isto aconteça. De que forma o governo de Deus se estabelece nos 
corações? Pelo ouvir e crer no Evangelho. Em outras palavras, por 
meio de Evangelismo e Missões. 
 
"Rogai, pois, ao Senhor da Seara que mande trabalhadores para 
a sua seara". (Mt 9.38, Lc 10.2) 
 
A tarefa de levar o governo de Deus aos corações esbarra numa 
séria dificuldade, cuja solução depende de Deus: Há muito trabalho 
para poucos trabalhadores! 
SENHOR, ENSINA-NOS A ORAR 
 
103 | P á g i n a 
 
Portanto, Jesus nos ensina a interceder diretamente pela 
expansão do Reino de Deus sobre a terra (através de Evangelismo e 
Missões) e pelos recursos necessários à realização desse objetivo. 
Além de rogar a Deus, precisamos agir. 
 
Sobre quem está a responsabilidade de expandir o Reino de 
Deus? Sobre os anjos? Não, mas individualmente sobre cada crente e 
coletivamente sobre a Igreja Local – “A eles foi revelado que, não para si 
mesmos, mas para vós outros, ministravam as coisas que, agora, vos foram 
anunciadas por aqueles que, pelo Espírito Santo enviado do céu, vos pregaram 
o evangelho, coisas essas que anjos anelam perscrutar.” (1Pe 1.12). Então, 
indiretamente, ele deseja que intercedamos pelos obreiros e pela igreja 
local, para que cada qual cumpra a sua parte nessa honrada e 
desafiadora missão. 
 
É interessante observar a atuação soberana da igreja primitiva, 
funcionando como um verdadeiro quartel general de todas as 
operações de Evangelismo e Missões. Ela intercede intensamente, o 
Espírito Santo envia obreiros, os obreiros realizam grandes 
campanhas evangelísticas, muitas almas são salvas, novas igrejas 
locais são organizadas, os obreiros retornam, apresentam seus 
relatórios e, em seguida, um novo ciclo se inicia (Atos 13ss). 
 
Evangelização é a pregação do Evangelho para os não 
convertidos, de maneira clara e perfeitamente compreensível para 
eles, de tal maneira que possam entendê-la e aceitá-la. Em certa 
ocasião, ouvi de um líder da Missão Volantes por Cristo, a seguinte 
ilustração e advertências: “Conta-se que havia uma convenção de 
pescadores numa determinada cidade pesqueira. Centenas deles 
discutindo, a portas fechadas, os métodos e instrumentos de pesca. 
Enquanto isso, um leigo batia na porta, sem ser atendido, querendo 
avisar-lhes que ali perto havia um grande cardume. Enquanto 
estamos esperando o domingo para ganhar o mundo, o mundo, dia a 
SENHOR, ENSINA-NOS A ORAR 
 
104 | P á g i n a 
dia, tenta ganhar as pessoas. Quando evangelizamos os crentes, na 
igreja, estamos atrofiando-a, porque estamos evangelizando os salvos 
e não os alimentando”. É claro que costuma haver não crentes nos 
cultos das igrejas e o evangelho precisa ser pregado para eles. 
Entretanto, não podemos perder de vista que “o campo é o mundo”. 
 
É inegável o valor das instituições evangélicas e que a maioria 
delas foram concebidas por um ardente desejo de servir melhor ao 
Senhor. Na verdade, muitas têm conseguido ótimos resultados. 
Precisamos encarar e conviver com a realidade que está diante de nós. 
Precisamos conhecer seus objetivos e, se válidos, acompanhar seus 
trabalhos e interceder por eles. Quem sabe se esta foi a forma de 
contornar as barreiras denominacionais que separam os irmãos? 
 
Finalizando, diria que precisamos vigiar os seguintes aspectos: 
 
1°) As igrejas locais são as principais agências de Cristo sobre a 
terra e precisam contar, da parte dos seus membros, com o máximo 
empenho e dedicação. 
 
2°) Como igreja local temos que ter em mente a visão do Reino 
de Deus e suas necessidades para não nos fecharmos egoisticamente 
em torno de nossos próprios "caprichos". 
 
3°) O fato de sermos membros de uma igreja local nos torna 
responsáveis diretos pelo bom êxito da sua missão, o que não nos 
impede de ser usados particularmente, no reino de Deus. 
 
4°) Não devemos agir como meros "torcedores" de determinadas 
instituições paraeclesiásticas, cultivando um orgulho excessivo por 
elas e permitindo que ocupem em nossas vidas um lugar de maior 
prioridade do que a igreja local. 
 
SENHOR, ENSINA-NOS A ORAR 
 
105 | P á g i n a 
5°) No que depender de nós, envidar todos os esforços, em 
oração e ação, para que tanto a igreja local quanto as instituições 
trabalhem juntas na expansão e fortalecimento do Reino de Deus 
sobre a terra. 
 
Portanto, a intercessão é fundamental para o crescimento do 
Reino de Deus. 
 
 o pão nosso de cada dia dá-nos hoje; 
 
 Reconhecimento que Deus é quem supre todas as nossas 
necessidades (Sustento Espiritual) 
 
Na segunda metade da oração do Pai Nosso, o pronome 
possessivo passa de "teu" para "nosso", quando passamos das coisas 
divinas para as nossas próprias. Tendo expressado nossa ardente 
preocupação com a sua glória, expressamos agora nossa humilde 
dependência da sua graça. Quando compreendemos verdadeiramente 
que o Deus a quem oramos é o Pai celeste e o grande Rei, colocamos 
nossas necessidades pessoais em lugar secundário, sem, contudo, 
eliminá-las. Deixar de mencioná-las na oração (alegando que não 
queremos aborrecer a Deus com tais trivialidades) é um grande erro, 
como também o seria deixar que elas dominassem nossas orações. 
 
Alguns comentaristas do passado não conseguiram crer que 
Jesus pretendesse que nosso primeiro pedido fosse literalmenteo pão, 
pão para o corpo. Parecia-lhes impróprio, especialmente depois dos 
três nobres pedidos iniciais pela glória de Deus, que pudéssemos 
descer tão abruptamente a uma preocupação tão mundana e material. 
Por isso alegorizavam a petição. Diziam que o pão a que ele se referia 
devia ser espiritual. É verdade que em outras oportunidades Jesus 
falou sobre o pão espiritual, sendo ele mesmo o pão da vida (Jo 6.22-
40), mas aqui parece que ele fala de pão no sentido literal, como 
símbolo de todas as coisas necessárias para a preservação desta vida, 
como o alimento, a saúde do corpo, o bom tempo, a casa, o lar, o 
SENHOR, ENSINA-NOS A ORAR 
 
106 | P á g i n a 
cônjuge, os filhos, um bom governo e a paz e, provavelmente, 
deveríamos acrescentar que com o "pão" Jesus quis se referir às 
necessidades e não aos luxos da vida. 
 
O pedido para que Deus nos "dê" o nosso alimento não impede, 
é claro, que as pessoas ganhem a sua própria vida, que os agricultores 
tenham de arar, semear e colher a fim de fornecer os cereais básicos, 
nem nos isenta da ordem de nós mesmos alimentarmos os famintos 
(Mt 25.35). Pelo contrário, é uma expressão de dependência máxima 
de Deus, que normalmente usa meios humanos de produção e de 
distribuição, através dos quais ele realiza os seus propósitos. 
 
Portanto, aqui somos lembrados de que devemos buscar a Deus 
pelas nossas necessidades diárias. É de nossa responsabilidade a 
preparação para a vida, para prover o próprio sustento, moradia e 
tudo o mais. Isso através do estudo, da capacitação e do trabalho. Não 
faz sentido ficar de braços cruzados rogando a Deus e esperando que 
tudo vai cair do céu, como o maná, no deserto. Trabalhar pelo sustento 
é regra da vida, conforme o apóstolo Paulo enfatiza: “se alguém não 
quer trabalhar, também não coma.” (2Ts 3.10). Por outro lado, é preciso 
tomar cuidado para não achar que tudo depende apenas da nossa 
inteligência e da força do nosso braço. Enfim, quer as coisas andem 
bem, ou estejam complicadas, somos ensinados a recorrer e depender 
do Senhor, com toda a confiança! “E o meu Deus, segundo a sua riqueza 
em glória, há de suprir, em Cristo Jesus, cada uma de vossas necessidades.” 
(Fp 4.19) 
 
 
 e perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós temos 
perdoado aos nossos devedores; 
 
 Reconhecimento da necessidade de perdoar para sermos 
perdoados (Pureza Espiritual). 
 
SENHOR, ENSINA-NOS A ORAR 
 
107 | P á g i n a 
O pecado original foi expiado por Cristo na cruz. Entretanto, é 
em oração que confessamos os pecados cometidos após a salvação e 
nos libertamos do fardo e da culpa deles (1Jo 1.8-10). 
 
A oração pode ser impedida quando a comunhão dos filhos com 
o seu Pai estiver interrompida por causa do pecado. Este versículo 12 
é complementado pelo 15: “se, porém, não perdoardes aos homens as suas 
ofensas, tampouco vosso Pai vos perdoará as vossas ofensas.” (Mt 6.15). 
Somos muito gratos a Deus pelo seu tão grande perdão, em Cristo: “no 
qual temos a redenção, pelo seu sangue, a remissão dos pecados, segundo a 
riqueza da sua graça,” (Ef 1.7). Também, ficamos aliviados com a 
continuada oferta divina de perdão: “Se confessarmos os nossos pecados, 
ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça.” 
(1Jo 1.9). Entretanto, temos certa dificuldade para reconhecer os 
nossos erros e para perdoar os outros. Devemos perdoar e deixar para 
trás as falhas alheias, pois, se não o fizermos, não receberemos o 
perdão de Deus quando o buscarmos no futuro. O perdão genuíno é 
uma condição indispensável para vivermos em comunhão com Deus 
e experimentarmos sua graça. 
 
O perdão é tão indispensável à vida e à saúde da alma como o 
alimento para o corpo. O pecado é comparado a uma "dívida", porque 
exige uma penalidade. Mas quando Deus perdoa o pecado, ele cancela 
a penalidade e anula a acusação que há contra nós. A adição das 
palavras "como nós temos perdoado aos nossos devedores" está mais 
enfatizada nos versículos 14 e 15, que se seguem à oração e declaram 
que o nosso Pai nos perdoará se perdoarmos aos outros, mas não nos 
perdoará se nos recusarmos a perdoar aos outros. Isto certamente não 
significa que o perdão que concedemos aos outros garante-nos o 
direito de sermos perdoados. Antes, Deus perdoa somente o 
arrependido, e uma das principais evidências do verdadeiro 
arrependimento é um espírito perdoador. 
 
SENHOR, ENSINA-NOS A ORAR 
 
108 | P á g i n a 
Quando nossos olhos são abertos para vermos a enormidade de 
nossa ofensa cometida contra Deus, as injúrias dos outros contra nós 
parecem, comparativamente, muito insignificantes. Se, por outro lado, 
temos uma visão exagerada das ofensas dos outros, é uma prova de 
que diminuímos muito a nossa própria. A disparidade entre o 
tamanho das dívidas é o ponto principal da parábola do credor 
incompassivo (Mt 18.23-35). Sua conclusão é: "Perdoei-te aquela 
dívida toda...; não devias tu, igualmente, compadecer-te do teu 
conservo, como também eu me compadeci de ti?"(v.33). 
 
 e não nos deixes cair em tentação; mas livra-nos do mal 
 
 Reconhecimento da fragilidade humana e dependência 
da proteção divina. 
 
Para que não entreis em tentação (Mt 6.13; Lc 11.4; Mt 26.41; Lc 
22.46). Como? Aquele que está sempre em contato com o Senhor se 
torna mais sensível à percepção do pecado e suas manifestações, 
estando mais preparado para combatê-lo. Vejamos as variantes dessa 
expressão e o seu significado: 
 
Tradução Mt 6.13 Lc 11.4 Mt 26.41 Lc 22.46 
ARA não nos deixes 
cair em 
tentação 
não nos deixes 
cair em 
tentação 
para que não 
entreis em 
tentação 
para que não 
entreis em 
tentação 
ARC não nos 
induzas à 
tentação 
não nos 
conduzas em 
tentação 
para que não 
entreis em 
tentação 
para que não 
entreis em 
tentação 
NVI não nos deixes 
cair em 
tentação 
não nos deixes 
cair em 
tentação 
para que não 
caiam em 
tentação 
para que 
vocês não 
caiam em 
tentação 
A Bíblia 
Viva 
não nos ponha 
em tentação 
não permita 
que sejamos 
tentados 
de outro 
modo a 
tentação 
vencerá vocês 
para não 
caírem 
quando 
forem 
tentados 
SENHOR, ENSINA-NOS A ORAR 
 
109 | P á g i n a 
 
Os dois últimos pedidos deveriam talvez ser entendidos como 
os aspectos negativo e positivo de um único pedido. A versão ARA11 
traduz os textos de Mateus 6.13 e Lucas 11.14 como "cair em tentação", 
isto é, entrar em tentação. Já a versão ARC12 traduz os mesmos textos 
como "induzas a tentação" e "conduzas em tentação", respectivamente. 
 
O termo “tentação” é ambíguo, no grego πειρασμός (peiramós), 
tal como nos idiomas modernos, podendo significar “tentação 
(sedução) ao pecado” ou apenas algum tipo de “teste” ou “provação” 
(Lc 8.13; 1Pe 4.12; 2Pe 2.9; Ap 3.10)(circunstâncias difíceis que fazem a 
pessoa ser vítima fácil do pecado). O termo grego mais empregado 
para provação é dokimion (dokimion) (Tg 1.3; 1.12). “Cair em 
tentação” é o mesmo que “entrar em tentação”. Qual o sentido de 
“induzir à tentação” ou “conduzir em tentação”? 
 
O sentido geral do pedido é claro, mas dois problemas se 
levantam: 
 
– Primeiro, a Bíblia diz que Deus não nos tenta (na realidade, não 
nos pode tentar) com o mal (Tg 1.13). Portanto, que sentido tem orar 
para que ele não faça o que já prometeu nunca fazer? Alguns 
respondem a esta pergunta interpretando "tentação" como 
"provação", com a explicação de que, embora Deus jamais nos induza 
ao pecado, ele prova nossa fé e caráter. Isto é possível. Jesus, então, 
estaria dizendo “não nos dirijas de tal modo que nos vejamos em 
situações nas quais sejamos tentados”. Assim sendo, a própria 
tentação não viria de Deus, mas são as circunstâncias que nos 
conduziriam à tentação que poderiam vir da parte dele. Seriam, assim, 
uma espécie de prova. Outra explicação parece que é entender "não 
nos deixes cair" à luz de suacorrelativa "mas livra-nos", e o "mal" 
deveria ser traduzido por "o maligno" (como em 13.19). Em outras 
 
11 ARA – Almeida Revista e Atualizada 
12 ARC – Almeida Revista e Corrigida 
SENHOR, ENSINA-NOS A ORAR 
 
110 | P á g i n a 
palavras, é o Diabo que está sendo considerado, que tenta o povo de 
Deus a pecar, e do qual precisamos ser "livrados". Quando não 
estamos vigiando e orando podemos cair ou entrar em tentação (Mt 
26.41). Vigiamos contra a tentação ao identificar as situações, 
companhias e influências que nos expõem a ela, evitando-as sempre 
que possível. Martinho Lutero (1483-1546), o reformador alemão, teria 
dito algo como: "Você não pode impedir que os pássaros voem sobre 
a sua cabeça, mas pode impedir que façam ninho em seus cabelos." O 
sentido da frase é que não podemos evitar certos pensamentos ou 
tentações, mas podemos decidir se permitimos que eles permaneçam 
e influenciem nossas ações. 
 
– O segundo problema refere-se ao fato de que a Bíblia diz serem 
a tentação e a provação duas coisas boas para nós: "Meus irmãos, 
tende por motivo de toda a alegria o passardes por várias provações" 
ou "tentações" (Tg 1.2). Se elas são benéficas, por que deveríamos orar 
para que não ficássemos expostos a elas? A resposta provável é que a 
oração é mais no sentido de podermos vencer a tentação do que de a 
evitarmos. Talvez pudéssemos parafrasear todo o pedido assim: "Não 
permitas que sejamos induzidos à tentação que nos possa derrotar, 
mas livra-nos do maligno". Assim, por trás dessas palavras que Jesus 
nos deu para orar, encontramos a implicação de que o Diabo é forte 
demais para nós, que somos fracos demais para enfrentá-lo, mas que 
o nosso Pai celeste nos livrará se o invocarmos: “Não vos sobreveio 
tentação que não fosse humana; mas Deus é fiel e não permitirá que sejais 
tentados além das vossas forças; pelo contrário, juntamente com a tentação, 
vos proverá livramento, de sorte que a possais suportar.” (1Co 10.13) 
 
 
Quero um coração sensível, 
que perceba ao longe o perigo, 
que busque em Deus refúgio e abrigo, 
firme, atento e invencível. 
 
SENHOR, ENSINA-NOS A ORAR 
 
111 | P á g i n a 
Que ao soar da tentação, 
não se renda, não vacile, 
mas em oração vigie, 
com fé e determinação. 
 
Que o temor guie meus passos, 
como luz na escuridão, 
forte e pronto para a luta, 
sempre aos pés do Sumo Irmão. 
 
Enfim, é como alguém disse:  Quando você não estiver ciente 
da tentação, ore: "não nos deixes cair em tentação"; e, quando você 
estiver ciente dela ore: "livra-nos do mal", e você será liberto. 
 
 
 pois teu é o reino, o poder e a glória para sempre. Amém!” 
 
 Reconhecimento e exaltação da grandeza e majestade 
eternas divinas. 
 
Esse final da oração modelo, mais conhecido como a doxologia 
do Pai Nosso é um encerramento profundo e significativo que exalta 
a soberania, a autoridade e a majestade de Deus. Embora essa parte 
não esteja presente em algumas versões mais antigas do texto em 
Mateus 6.13, é amplamente utilizada em tradições cristãs e reflete a 
essência do louvor a Deus. Aqui estão algumas considerações: 
 
 "pois teu é o reino" 
 
Essa expressão da soberania divina reconhece que o reino 
pertence exclusivamente a Deus. Ele é o Rei soberano sobre toda a 
criação, o governante eterno que dirige a história e cuida de seu povo. 
"Nos céus, estabeleceu o SENHOR o seu trono, e o seu reino domina 
sobre tudo." (Sl 103.19). 
 
SENHOR, ENSINA-NOS A ORAR 
 
112 | P á g i n a 
 
Jesus ensinou que o Reino de Deus é central em sua mensagem 
(Mt 4.17). Aqui, há uma reafirmação de que Deus é o dono e 
governante desse reino, e tudo o que foi pedido na oração (santificação 
do nome, vinda do reino e cumprimento da vontade de Deus) está 
subordinado à sua soberania. 
 
 "o poder" 
 
No Novo Testamento, "poder" pode ser a tradução de diferentes 
formas gregas13, dependendo do contexto. Neste caso é: 
 
dύναμις (dýnamis) – Poder no sentido de força, capacidade, ou 
poder miraculoso. É frequentemente usado para descrever o poder de 
Deus e os milagres. (Exemplos: Mt 6.13; Lc 1.35; 5.17; 6.19; At 8.10; Rm 
1.16, 20; 1Co 1.18; 15.56; 2Co 12.9; Ap 7.12; 12.10; 19.1). Exemplo: 
“dizendo: Amém! O louvor, e a glória, e a sabedoria, e as ações de graças, e a 
honra, e o poder, e a força sejam ao nosso Deus, pelos séculos dos séculos. 
Amém!” (Ap 7.12) 
 
Essa declaração exalta Deus como a fonte de todo poder, tanto 
no céu como na terra. Ele é aquele que tem autoridade e força para 
realizar tudo o que é necessário para o cumprimento de sua vontade. 
 
A menção ao poder é um lembrete de que Deus é plenamente 
capaz de atender às petições feitas anteriormente na oração. Ele tem 
poder para prover, perdoar e livrar do mal. 
 
 
13 Outros termos gregos, são: 
eξουσία (exousía) – Poder no sentido de autoridade, direito ou jurisdição. (Ex.: Mt 
28.18 – "Toda autoridade me foi dada no céu e na terra.") 
kράτος (krátos) – Poder no sentido de domínio, soberania, ou força governamental. 
(Ex.: Ef 6.10 – "Fortalecei-vos no Senhor e na força do seu poder.") 
iσχύς (ischýs) – Poder no sentido de força física ou resistência. (Ex.: Mc 12.30 – 
"Amarás, pois, ao Senhor teu Deus de todo o teu coração... e com toda a tua força.") 
 
SENHOR, ENSINA-NOS A ORAR 
 
113 | P á g i n a 
 "e a glória" 
 
Ainda que Jesus, o Deus que se fez carne, tenha se esvaziado da 
sua glória e assumido a forma de servo (Fp 2.7), os seus discípulos 
puderam testemunhar: “... e vimos a sua glória, glória como do unigênito 
do Pai.” (Jo 1.14) 
 
Deus é o centro da adoração e, ao declarar que a glória pertence 
a ele, reconhecemos que tudo o que for pedido e recebido, em oração, 
deve resultar em louvor e exaltação ao seu nome: "A ele seja a glória, 
tanto agora como no dia eterno." (2Pe 3.18b) 
 
Essa frase retira o foco do ser humano e coloca Deus como o 
centro de tudo. É um reconhecimento de que tudo existe para 
glorificar o Criador. Ninguém se atreva a usurpar essa glória de Deus, 
investindo ou incentivando admiradores da sua pessoa, pois ele 
mesmo diz: “Eu sou o SENHOR, este é o meu nome; a minha glória, pois, 
não a darei a outrem, nem a minha honra, às imagens de escultura.” (Is 42.8). 
Que Deus nos ajude a redirecionar para Deus todo o elogio 
eventualmente recebido pois, se o Espírito Santo habita em nós, e nos 
concede dons, o mérito é de Deus e não nosso. 
 
 "para sempre" 
 
Essa expressão enfatiza a natureza eterna de Deus. Seu reino, 
poder e glória não têm fim. Ele não é apenas um Deus presente em 
momentos específicos, mas é o Deus eterno, imutável e soberano em 
todos os tempos: "O teu trono, ó Deus, é para todo o sempre; cetro de 
equidade é o cetro do teu reino." (Sl 45.6) 
 
 "Amém!" 
 
O “Amém” é uma palavra hebraica que significa "assim seja" ou 
"é verdade". É um selo final de concordância e fé na oração feita, uma 
demonstração de confiança plena de que Deus ouviu e atenderá 
conforme a sua vontade. "Porque quantas são as promessas de Deus, 
SENHOR, ENSINA-NOS A ORAR 
 
114 | P á g i n a 
tantas têm nele o sim; porquanto também por ele é o amém para glória de 
Deus, por nosso intermédio." (2Co 1.20) 
 
O encerramento da oração modelo é uma celebração da 
soberania, poder e glória eternos de Deus. Ele nos chama a uma vida 
de louvor e confiança, lembrando-nos de que tudo começa e termina 
em Deus, para sua glória e segundo a sua vontade. Esse final é um 
convite a viver com os olhos fixos no Reino eterno e a depender 
inteiramente do Deus Todo-Poderoso. 
 
Em outros textos, Jesus ensina a orar ao Pai, em seu nome. Por 
que isso não acontece na oração modelo do Pai Nosso? Há quem 
sugira a seguinte resposta: A oração do Pai Nosso (Mt 6.9-13; Lc 11.2-
4) foi ensinada por Jesus antes de sua crucificação e ressurreição, ou 
seja, antes da nova aliança ser plenamente estabelecida. Nesse 
período, os discípulosainda não compreendiam completamente a 
mediação de Cristo, pois ele ainda não havia cumprido sua obra 
redentora. Antes da cruz, os judeus oravam diretamente a Deus, 
seguindo o sistema do Antigo Testamento. Após a ressurreição, Jesus 
se torna o caminho definitivo para o Pai (Jo 14.6), e a oração passa a 
ser mediada por ele. Portanto, a oração do Pai Nosso ensina os 
princípios fundamentais da oração, mas a revelação progressiva 
culmina com Jesus ensinando que, após sua ressurreição, os discípulos 
devem orar ao Pai em seu nome. Isso reflete a mudança na relação 
entre Deus e os crentes, agora baseados na obra redentora de Cristo. 
 
Concluindo e “emoldurando” a oração modelo do Pai Nosso, 
podemos dizer que, ao fazer esta oração ou tomá-la como referência, 
você: 
 
 Reconhece sua filiação divina (ou a paternidade de Deus) – 
Pai – proporcionada pela Obra Redentora de Jesus Cristo na 
cruz do Calvário e por você recebida pela fé; que cada pessoa 
(cristão) que também recebeu a Jesus como seu Salvador e 
Senhor é seu irmão e membro da família de Deus, aquele que 
SENHOR, ENSINA-NOS A ORAR 
 
115 | P á g i n a 
está nos céus (a divindade do Pai) e exerce sua soberania e 
domínio sobre tudo e sobre todos. 
 
 Reconhece, se submete a esse domínio divino e deseja que o 
reino e a vontade de Deus (que é boa, agradável e perfeita – 
Rm 12.2) se estabeleça nos corações, com a regeneração e 
habitação do Espírito Santo e, para tal, se dispõe a ser 
instrumento de Deus, testemunhando e vivendo a fé cristã. 
 
 Reconhece suas limitações e dependência de Deus, aquele que 
pode suprir cada uma das nossas necessidades (Fp 4.19), a 
começar pelo “pão nosso de cada dia”. 
 
 Reconhece a necessidade de perdoar, se comprometendo a 
não guardar ressentimentos ou amarguras, a demonstrar 
misericórdia perdoadora, ciente de que a misericórdia 
perdoadora recebida de Deus deve ser repassada para os 
nossos devedores como condição básica para recebermos o 
perdão divino quando caímos. 
 
 Reconhece a fragilidade da natureza humana propensa a cair 
em tentação suscitada pela carne, o mundo e o Diabo e, assim, 
interromper a comunhão com Deus; e, que depende do 
cuidado e proteção divinos contra o mal acidental ou 
intencional. 
 
 Reconhece e exalta ao Deus Criador e Salvador por sua 
grandeza, majestade, poder, domínio e glória, eternas. 
 
9.3 A oração de exaltação 
 – Mateus 11.25-26 ( Exemplo) (ver tb Lc 10.21) 
 
 “Por aquele tempo, exclamou Jesus: Graças te dou, ó Pai, 
Senhor do céu e da terra, porque ocultaste estas coisas aos 
sábios e instruídos e as revelaste aos pequeninos. Sim, ó Pai, 
porque assim foi do teu agrado.” 
 
SENHOR, ENSINA-NOS A ORAR 
 
116 | P á g i n a 
Jesus agradecia a misericórdia de Deus em revelar as verdades 
eternas aos simples e humildes. Ele não rejeitava o intelecto, mas 
condenava o orgulho intelectual, que endurece o coração e impede a 
verdadeira compreensão espiritual. Sem a disposição humilde de 
aprender e se render a Deus, o Evangelho não encontra acesso ao 
coração humano. 
 
9.4 A oração da confirmação 
 – João 11.41-42 ( Exemplo) 
 
 “... E Jesus, levantando os olhos para o céu, disse: Pai, graças 
te dou porque me ouviste. Aliás, eu sabia que sempre me 
ouves, mas assim falei por causa da multidão presente, para 
que creiam que tu me enviaste.” 
 
Jesus ergueu os olhos para o céu e orou antes de realizar o 
grande milagre da ressurreição de Lázaro. Sua intenção era de 
mostrar, testificar e confirmar diante de todos que o poder vem do Pai. 
E que o fato de ser ouvido pelo Pai comprovava que ele era o enviado 
do Pai. 
 
9.5 A oração Sacerdotal 
 – João 17.1-26 ( Exemplo) 
 
 “Tendo Jesus falado estas coisas, levantou os olhos ao céu e 
disse: Pai, é chegada a hora; glorifica a teu Filho, para que o 
Filho te glorifique a ti, ...” (Jo 17.1) 
 “Manifestei o teu nome aos homens que me deste do mundo. 
Eram teus, tu mos confiaste, e eles têm guardado a tua 
palavra.” (Jo 17.6) 
 “Não rogo somente por estes, mas também por aqueles que 
vierem a crer em mim, por intermédio da sua palavra;” (Jo 
17.20) 
 
SENHOR, ENSINA-NOS A ORAR 
 
117 | P á g i n a 
A oração é sacerdotal porque Cristo intercede por si, pelos seus 
discípulos e pelos futuros crentes, podendo ser dividida em três 
partes: 
 
 Versículos 1 a 5 – Jesus ora por si mesmo. 
 Versículos 6 a 19 – Jesus pede pelos discípulos. 
 Versículos 20 a 26 – Jesus intercede pelos futuros crentes. 
 
Não se trata apenas da oração mais extensa feita por Jesus e 
registrada pelo discípulo amado, mas também aquela em que se pode 
penetrar profundamente no coração do Filho Amado de Deus. 
Percebe-se que se trata de uma oração, pelas três fases mais 
importantes, que estavam para acontecer: 
 
1ª) A consumação da obra que ele veio realizar, a redenção; "é 
chegada a hora"; 
 
2ª) Pelo período subsequente, quando, pela instrumentalidade 
dos discípulos escolhidos o período da Igreja seria inaugurada; e, 
 
3ª) Pela solidificação e expansão da sua Igreja. 
 
9.6 A oração da extrema agonia 
 – Mateus 26.39-44 ( Exemplo) (ver tb Mc 14.36-41) 
 
 “39 Adiantando-se um pouco, prostrou-se sobre o seu rosto, 
orando e dizendo: Meu Pai, se possível, passe de mim este 
cálice! Todavia, não seja como eu quero, e sim como tu queres. 
40 E, voltando para os discípulos, achou-os dormindo; e 
disse a Pedro: Então, nem uma hora pudestes vós vigiar 
comigo? 
41 Vigiai e orai, para que não entreis em tentação; o espírito, 
na verdade, está pronto, mas a carne é fraca. 
42 Tornando a retirar-se, orou de novo, dizendo: Meu Pai, se 
não é possível passar de mim este cálice sem que eu o beba, 
faça-se a tua vontade. 
SENHOR, ENSINA-NOS A ORAR 
 
118 | P á g i n a 
43 E, voltando, achou-os outra vez dormindo; porque os seus 
olhos estavam pesados. 
44 Deixando-os novamente, foi orar pela terceira vez, 
repetindo as mesmas palavras.” 
 
O valor da narrativa da agonia no jardim está na evidência que 
ela dá, de que ele sabia totalmente, o que a agonia da cruz significaria, 
quando a sua alma seria transformada em oferta pelo pecado (Is 53.10) 
– o Pai esconderia dele o seu rosto. Sabendo totalmente o que isto lhe 
custaria, ele voluntariamente pagou o preço. 
 
 
9.7 A Oração do Perdão 
 – Lucas 23.34 ( Exemplo) 
 
 “Contudo, Jesus dizia: Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o 
que fazem. Então, repartindo as vestes dele, lançaram 
sortes.” 
 
Num momento de extremo sofrimento o coração misericordioso 
do Filho de Deus se volta ao Pai, no sentido de interceder pelos 
pecadores que, na sua ignorância, faziam cumprir o plano de salvação, 
preparado antes da fundação do mundo. 
 
 
9.8 A oração do abandono na cruz 
 – Mateus 27.46; Marcos 15.34 || ( Exemplo) 
 
 “Por volta da hora nona, clamou Jesus em alta voz, dizendo: 
Eli, Eli, lamá sabactâni? O que quer dizer: Deus meu, Deus 
meu, por que me desamparaste?” (Mt 27.46) 
 “À hora nona, clamou Jesus em alta voz: Eloí, Eloí, lamá 
sabactâni? Que quer dizer: Deus meu, Deus meu, por que me 
desamparaste?” (Mc 15.34) 
SENHOR, ENSINA-NOS A ORAR 
 
119 | P á g i n a 
 
Numa de suas mais tristes orações, Jesus substitui o vocativo 
preferido, Pai, pelo aramaico "Eloí" que significa "Deus meu". Ainda 
que isto seja paradoxal, reconhecemos que Jesus se identificou com os 
nossos pecados (cf 2Co 5.21; Gl 3.13), de modo que Cristo sofreu, por 
nós, a inevitável separação entre Deus e o pecado. 
 
 
 
❖ 
 
As orações do Mestre revelam sua plena comunhão, submissão e exaltação ao 
Pai; e, sua plena identificação com nossa humanidade, ecoando as dores que nos 
afligem, as angústias que nos inquietam e as necessidades que nos tornam 
dependentes da graça divina.SENHOR, ENSINA-NOS A ORAR 
121 | P á g i n a 
 
 
 
 
 
10. A ORAÇÃO MOVE A MÃO DE DEUS? 
 
Deus é um ser perfeito, supremo, soberano, que age quando, 
onde e como quer. Não depende de ninguém e a ninguém deve 
satisfação dos seus atos, mas é fiel às suas alianças com os homens. A 
questão que se coloca na pergunta tema é se este ser tão 
maravilhosamente poderoso e autossuficiente admite realizar algo a 
pedido do ser humano através da oração. A este fenômeno da ação 
pontual de Deus em resposta a oração é que chamamos de “mover a 
mão de Deus”. Não confundir com “mudar a vontade de Deus”. 
 
Há crentes, inclusive pastores, que acreditam e ensinam que a 
oração não move a mão de Deus, ela simplesmente prepara o homem 
para agir ou para aceitar o que já está determinado pela soberana 
vontade de Deus. Soren Kierkegaard, filósofo e teólogo dinamarquês 
(1813-1855), geralmente considerado como o pai do existencialismo 
teria dito: “A função da oração não é influenciar Deus, mas 
especialmente mudar a natureza daquele que ora.” Será que é isso 
mesmo? Existiria um determinismo divino onde a Soberania de Deus 
já traçou todos os caminhos do homem e da história e nada mais resta 
a este senão ocupar seus dias de vida em um faz de conta que ora e 
Deus muda as circunstâncias? 
 
O leitor apressado e espiritualmente raso poderia concluir que a 
experiência de Neemias retrata exatamente essa ideia do 
determinismo divino. Diria ainda: “– Não há intervenção 
sobrenatural! Neemias orou por quatro meses, período em que se 
preparou para agir e fazer acontecer aquilo que já estava determinado 
por Deus! A oração de Neemias não moveu a mão de Deus; 
simplesmente moveu o espírito e a mão do homem!” E, acrescentaria: 
 SENHOR, ENSINA-NOS A ORAR 
 
122 | P á g i n a 
“..Deus é quem efetua em nós tanto o querer quanto o realizar, segundo a sua 
boa vontade.” (Fp 2.13). Ainda que alguém pudesse provar que toda a 
oração é “inoculada” por Deus no coração do homem para que ele 
(Deus) possa cumprir os seus propósitos, outros poderiam 
argumentar dizendo que, em certo sentido, Deus requer, em princípio, 
a participação humana, através da oração, para agir. Não queremos 
tratar aqui do que leva o crente a orar: se é a vontade ou a necessidade 
humanas ou se é a influência divina. Essa é outra questão por demais 
complexa para nós, simples mortais. A ressurreição da filha de Jairo 
por Jesus (Mc 5.21-43), por exemplo, ocorreu como consequência de 
Jairo ter ido a Jesus e suplicado sua intervenção, motivado: a)pelo seu 
desespero e pelo seu conhecimento do poder de Jesus? b) por 
influência direta de Deus no seu coração, para que Jesus fosse 
glorificado através do milagre realizado? c) por ambos os motivos? De 
fato, não sabemos exatamente o que dizer. Entretanto, o que importa 
é que ele foi a Jesus (oração) e Jesus “se moveu” e atendeu à sua 
súplica. 
 
Cyril J. Barber afirma que “a oração não apenas auxilia a colocar 
nossas vidas em conformidade com a vontade de Deus, como também nos 
prepara para receber a resposta. Na medida em que nos conscientizamos do 
propósito de Deus, frequentemente passamos a ver a parte que nos cabe dentro 
de seu plano.” É fato que a oração persistente afeta e influencia aquele 
que ora. Aumenta a comunhão com Deus, fortalece a alma e os 
propósitos de Deus gerados em nós. Entretanto, seu efeito não para 
por aí, mas transpõe os limites do ser humano e chega à presença do 
Deus dos céus, mobilizando todo o mundo espiritual: “Orou Eliseu e 
disse: SENHOR, peço-te que lhe abras os olhos para que veja. O SENHOR 
abriu os olhos do moço, e ele viu que o monte estava cheio de cavalos e carros 
de fogo, em redor de Eliseu. E, como desceram contra ele, orou Eliseu ao 
SENHOR e disse: Fere, peço-te, esta gente de cegueira. Feriu-a de cegueira, 
conforme a palavra de Eliseu.” (2Rs 6.17-18). 
 
 SENHOR, ENSINA-NOS A ORAR 
 
123 | P á g i n a 
Não podemos aceitar qualquer tentativa de desqualificação da 
oração que só pode ser estratégia maligna para desmobilizar o povo 
de Deus. Quem sabe é fruto de um existencialismo filosófico que anda 
de mãos dadas com o ateísmo. O inferno vai continuar tremendo 
porque o povo de Deus vai continuar dobrando o seu joelho em oração 
a Deus, crendo nas infinitas possibilidades desse recurso 
disponibilizado por Deus. 
 
“A força da oração é maior do que qualquer possível combinação de poderes 
controlados pelo homem, pois a oração é o maior meio que o homem tem de recorrer 
aos recursos infinitos de Deus.” (J. Edgar Hoover). 
 
Quem não vê a mão de Deus agindo em cada ponto da narrativa 
do livro de Neemias é desprovido de qualquer visão espiritual. 
Também não verá a intervenção de Deus nos acontecimentos narrados 
no livro de Ester, no qual o nome de Deus não é mencionado uma só 
vez. Tal pessoa será capaz de se deparar com a narrativa do milagre 
da multiplicação dos pães (Mt 14.13-21) e dizer que Jesus, com sua 
capacidade de influenciar pessoas, agiu na psiquê daquela multidão 
e, assim, criou um estado mental de saciedade. Dirá, então, que não 
houve ali qualquer milagre. Não é sem motivo que as Escrituras 
mencionam: “Todos comeram e se fartaram; e dos pedaços que sobejaram 
recolheram ainda doze cestos cheios. E os que comeram foram cerca de cinco 
mil homens, além de mulheres e crianças.” (vv.20-21). Neemias não tinha 
dúvida da ação do Senhor a seu favor e da sua causa (Ne 2.8b, 18a). 
 
O que dizer de Ana, quando na amargura da esterilidade do seu 
ventre e no desprezo da sua rival orou ao Senhor por um filho. O texto 
bíblico apresenta o resultado da sua oração: “Elcana coabitou com Ana, 
sua mulher, e, lembrando-se dela o SENHOR, ela concebeu e, passado o 
devido tempo, teve um filho, a que chamou Samuel, pois dizia: Do SENHOR 
o pedi.” (1Sm 1.19b-20). Quem pode negar a ação poderosa da mão de 
Deus em resposta à oração de Ana? Não apenas nesse relato, mas ao 
longo de toda a Bíblia, na história da humanidade e na vida daqueles 
 SENHOR, ENSINA-NOS A ORAR 
 
124 | P á g i n a 
que creem, vemos como a oração verdadeiramente move a mão de 
Deus. Ela traz à existência a intervenção do sobrenatural no natural. 
A participação de Elcana na concepção de Ana em nada diminui a 
grandeza do milagre operado por Deus como resposta de oração. 
Antes, reafirma o propósito de Deus de trabalhar em parceria com o 
homem, unindo o natural ao sobrenatural. Foi assim que o jovem que 
cedeu os cinco pães e dois peixes também participou do milagre da 
multiplicação dos pães. Quem acha que a participação humana, 
pregando ou orando, é irrelevante deve ler sobre o Atalaia em 
Ezequiel 33.1-9. 
 
A Bíblia tem registros lindos desse mover da mão de Deus: 
 
 No caso do rei Ezequias: “Volta e dize a Ezequias, príncipe do 
meu povo: Assim diz o SENHOR, o Deus de Davi, teu pai: Ouvi a 
tua oração e vi as tuas lágrimas; eis que eu te curarei; ao terceiro dia, 
subirás à Casa do SENHOR.” (2Rs 20.5). 
 
 No caso de Daniel: “No princípio das tuas súplicas, saiu a ordem, 
e eu vim, para to declarar, porque és mui amado; considera, pois, a 
coisa e entende a visão.” (Dn 9.23). “Então, me disse: Não temas, 
Daniel, porque, desde o primeiro dia em que aplicaste o coração a 
compreender e a humilhar-te perante o teu Deus, foram ouvidas as 
tuas palavras; e, por causa das tuas palavras, é que eu vim.” (Dn 
10.12) 
 
A oração é recurso de Deus para provimento do homem, com 
sua garantia de eficácia (Antigo Testamento – 2Cr 7.14; Novo 
Testamento – Mt 7.7-11). 
 
O poder e a eficácia da oração são realidades inegáveis: “Está 
alguém entre vós doente? Chame os presbíteros da igreja, e estes façam oração 
sobre ele, ungindo-o com óleo, em nome do Senhor. E a oração da fé salvará o 
enfermo, e o Senhor o levantará; e, se houver cometido pecados, ser-lhe-ão 
perdoados.” (Tg 5.14-15). 
 SENHOR, ENSINA-NOS A ORAR 
 
125 | P á gi n a 
A oração é recomendada: “Orai sem cessar.” (1Ts 5.17) 
 
A oração que produz resultados tem seus requisitos e 
condicionantes (Jo 15.7; 1Jo 3.21-22; 5.14-15). 
 
A oração é o instrumento mais poderoso que existe sobre a terra. 
Deve ser usado permanentemente e de acordo com a vontade de Deus, 
que é “boa, agradável e perfeita” (Rm 12.2). Orações feitas apenas para 
satisfazer a nossa própria vontade são perigosas. Exemplo: Rei 
Ezequias (2Rs 20). 
 
A oração eficaz é a oração feita segundo a vontade de Deus e que 
satisfaz à premissa da parceria de sucesso: “EU QUERO e DEUS 
QUER!!” 
 
A oração move sim a mão de Deus!!! 
 
❖ 
 
 
“Devemos orar como se tudo dependesse de Deus e agir como se tudo dependesse 
de nós. Só orar não! Só agir não!” 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 SENHOR, ENSINA-NOS A ORAR 
 
127 | P á g i n a 
 
 
 
 
 
11. UM TESTEMUNHO IMPACTANTE 
 
“Meu nome é Rosemary Moreira Machado da Costa, natural do 
Rio de Janeiro. Tive uma infância normal. Fui ensinada desde cedo 
sobre a existência de Deus, em minha casa e na escola, onde estudei 
dos 6 até aos 16 anos. Tínhamos aula de religião uma vez por semana 
e fui apresentada ao Deus da religião, o Deus distante e punidor de 
pecados. Hoje conheço um Deus totalmente diferente, que se revelou 
a mim e com quem mantenho um estreito relacionamento. 
 
Na adolescência comecei a ter uns questionamentos: – Será que 
só vim a este mundo para nascer, crescer e morrer? E, depois da morte, 
como seria? Durante esse período da minha vida passamos por um 
problema com a minha irmã, que nos levou a um envolvimento com 
a Umbanda. Embora estivéssemos frequentando o centro de 
Umbanda, continuava cumprindo os ritos da antiga religião, no 
colégio e na igreja. 
 
Nessa época conheci um rapaz, namoramos e mais tarde nos 
casamos. A família dele também era envolvida com Umbanda e 
Candomblé. O irmão dele, assim como a minha irmã, era médium e 
incorporava entidades. Os dois também começaram a namorar e 
depois vieram a se casar. 
 
Se tornou comum para as nossas famílias fazer parte do mesmo 
terreiro; inicialmente, Umbanda, depois, passando para o Candomblé. 
Meu cunhado se tornou “pai de santo” do terreiro, e meu marido era 
a segunda pessoa na hierarquia, sendo ele quem fazia as obrigações, 
as matanças dos animais e chamava as entidades. 
 
 SENHOR, ENSINA-NOS A ORAR 
 
128 | P á g i n a 
Embora tivéssemos casado por amor, nossa vida conjugal era 
totalmente destruída por discussões e traições. Várias vezes estivemos 
para nos separar, o que não ocorreu, pois Deus tinha um plano maior 
para nós. 
 
Ao contrário do relacionamento, a nossa situação financeira era 
maravilhosa, não havia nenhuma dificuldade. Se, por acaso, surgisse 
alguma, era só fazer um trabalho que logo se resolvia. Todavia, não 
me faltando nada na parte material, nada preenchia o vazio que eu 
sentia e que nem sabia explicar. 
 
Passados alguns anos, comecei a ter hemorragias, infecções no 
útero e ovários. Como sempre, ia ao médico e, depois, ao terreiro, me 
consultar e fazer trabalhos. Os exames, que antes estavam ruins, 
depois dos trabalhos ficavam bons; eu não sentia mais nada. Só tem 
um detalhe importante, todo trabalho tem um prazo de duração (ou 
validade) e precisa ser refeito. 
 
O tempo foi passando. Nós, além de lojas tínhamos, uma 
confecção que produzia e vendia para os grandes magazines do Rio 
de Janeiro. Um dia, aconteceu algo surpreendente. Eu era responsável 
pela fábrica, era horário de almoço dos funcionários, estava sozinha 
na mesa de corte, quando ouvi uma voz falar comigo: – Você não veio 
a este mundo para fazer o que está fazendo, seu caminho não é esse! 
Tomei um susto, olhei para os lados e não vi ninguém. 
 
Hoje eu sei que Deus pode usar as mais variadas maneiras para 
nos alcançar, mas, naquela época, não tinha a mínima noção de que o 
Senhor Deus e Rei do Universo iria falar comigo. Achei que devia ser 
algum espírito falando. Tomei a decisão de não ir mais ao centro, pois 
eu não concordava com a matança de animais. Eu gostava do 
esoterismo, acreditava em reencarnação, nas religiões orientais, Nova 
Era, Astrologia etc. 
 
Era dia de ir ao terreiro e eu, decidida que não voltaria mais lá, 
falei isso para o meu marido, só não expliquei o porquê. Discutimos 
muito, ele ficou aborrecidíssimo, mas eu nunca mais fui. Acontece que 
 SENHOR, ENSINA-NOS A ORAR 
 
129 | P á g i n a 
o prazo de duração do “trabalho”, em relação a minha saúde, estava 
acabando e precisava ser refeito, mas como fazer se eu não 
frequentava mais o terreiro? Então fui piorando novamente, até que 
um dia outro cunhado me convidou para ir a um centro kardecista 
que ele frequentava. 
 
Então, fui. Na primeira sessão já disseram que eu precisava fazer 
uma cirurgia invisível, pois o meu caso era urgente. Na semana 
seguinte, estava eu entrando num ambiente totalmente diferente do 
local do terreiro. Apenas uma luz azul fraquinha iluminava a sala, 
com algumas pessoas incorporadas e com jaleco branco. Havia uma 
maca na qual me deitei e ninguém se aproximou de mim, só as mãos 
estavam estendidas na minha direção. Então, um médium 
incorporando supostamente um médico alemão, me disse que o mal 
alojado dentro de mim estava saindo porque a energia dos animais 
que o meu marido sacrificava tinha se apoderado do meu corpo. Neste 
exato momento eu sentia mexerem dentro do meu abdome mesmo 
sem ninguém estar tocando em mim. 
 
Quando cheguei em casa fui trocar de roupa, então percebi que 
a minha barriga estava toda arranhada, embora ninguém tivesse 
encostado em mim. Neste momento fiquei preocupada. Chamei o 
meu marido e mostrei a ele que me perguntou o que eles tinham feito. 
Se eu não tivesse mostrado, ele iria pensar que eu tinha imaginado 
coisas, pois no dia seguinte, quando acordei, minha pele do abdome 
estava totalmente limpa, como se nada tivesse acontecido. Neste 
momento fiquei com medo. Vi que eu tinha mexido com coisas muito 
pesadas. 
 
Continuei frequentando aquele local, tomava passes, mas não 
melhorava. Lia os livros que indicavam, tinha até “um evangelho” e 
achava que estava no caminho certo. Lá se faziam muitas obras sociais, 
ajudando as pessoas. Entretanto, com as constantes infecções e 
hemorragias eu tinha piorado, as dores já não passavam, vivia com 
dor e tomando analgésico. 
 
 SENHOR, ENSINA-NOS A ORAR 
 
130 | P á g i n a 
Voltei ao médico. Ele me pediu novos exames, fiz e os resultados 
foram diretamente para ele. Assim que recebeu os resultados ele me 
ligou pedindo para eu ir ao consultório, de encaixe, no fim do dia, pois 
precisava me ver com urgência. Naquele dia eu estava passando 
muito mal, mas tinha uma grande entrega para fazer, na fábrica. As 
costureiras foram almoçar e fiquei sozinha conferindo o corte. Ouvi 
novamente a voz falar comigo: – Você não veio ao mundo para fazer 
o que está fazendo, seu caminho não é esse! Diferentemente da outra 
vez eu respondi na mesma hora: – Poxa, eu estou num lugar que se 
faz o bem, se fala de Jesus; se esse não é o meu caminho então me 
mostra. Não ouvi mais nada! 
 
Não deu nem tempo de pensar muito sobre isso porque a minha 
irmã chegou me perguntando se eu estava bem porque estava meio 
esquisita. Respondi que estava com dor, meus exames estavam ruins 
e teria que ir ao médico no fim do dia. Ela, como se não tivesse ouvido 
o que eu falei, me chamou para ir a um grupo de oração que ela estava 
frequentando. (Ela tinha ido trabalhar numa faculdade, dando aula de 
física, o reitor era um pastor, falou de Jesus para ela, que se converteu 
e abandonou o centro). Eu respondi: – A última coisa que eu vou ser 
na vida é crente, gente maluca, fanática, alienada, ignorante, fala 
sempre a mesma coisa, não tem nada a ver comigo. Ela nem deu 
importância ao que eu falei,me entregou um papel com o endereço e 
disse: – Oração! É só Oração! 
 
Quando ela foi embora comecei a pensar na possibilidade de ir 
a tal reunião. Fui até o escritório falar com meu marido que se opôs 
totalmente me dizendo que nós éramos macumbeiros. 
 
Fomos ao médico. Como eu já sabia, os exames estavam ruins e 
eu teria que ser operada. Enquanto me trocava, meu marido e o 
médico ficaram acertando os detalhes da internação e cirurgia. 
Quando saímos do consultório, como eu havia insistido muito, fomos 
para a reunião de oração dos crentes, pois era no bairro ao lado de 
onde estávamos. 
 
 SENHOR, ENSINA-NOS A ORAR 
 
131 | P á g i n a 
Ao chegar vi que o grupo estava reunido numa sala bem 
decorada, com três ambientes. Reparei que estavam todos falando de 
olhos fechados. Terminada a oração, abriram os olhos na mesma hora, 
a minha irmã me viu e pediu que orassem por mim. Fui para o centro 
da sala e vieram umas senhoras, que me rodearam. Uma delas colocou 
a mão exatamente onde eu sentia dor. Então o pastor me perguntou: 
– Você crê que Jesus pode te salvar e te curar? 
 
Naquele instante começou a passar um filme na minha mente. 
Lembrei das aulas de religião do colégio, dos milagres que Jesus tinha 
feito e de duas histórias que eu gostava muito: a do filho pródigo e a 
da mulher com fluxo de sangue. Lembrei que Jesus era Deus e se ele 
quisesse podia fazer um milagre em mim. 
 
O pastor repetiu a mesma pergunta: – Você crê que Jesus pode 
te salvar e te curar? Eu respondi que sim. – Eu creio! Então eles 
começaram orar por mim. 
 
Eu me senti como se estivesse no meio de uma fogueira. Era um 
calor que eu não sabia se vinha de dentro de mim ou de fora. Sentia 
meus órgãos sendo apertados, uma sensação muito estranha. Ao 
mesmo tempo sentia como se Deus estivesse me abraçando. Eu era 
como aquele jovem da história do filho pródigo, abraçado pelo pai 
quando voltou para casa. Mentalmente, eu me via na mata, na praia, 
na cachoeira e arriando as obrigações (trabalhos). Comecei a chorar, 
pedi perdão ao Senhor por eu ter cultuado outros deuses e esquecido 
do Deus verdadeiro. Vivenciava tudo isso em pensamento e disse para 
Jesus que ele tinha curado aquela mulher, que vivia com uma 
hemorragia e, se ele quisesse, podia me curar também. 
 
A oração terminou e outro pastor falou para mim se eu havia 
percebido que a dor que sentia quando cheguei não existia mais. Eu 
firmei os dois pés no chão, pois a dor não permitia que eu firmasse o 
pé esquerdo e percebi que não sentia mais dor. Então falei: – É, a dor 
foi embora! Meu marido, então disse: – Vocês crentes são armadores 
mesmo, já sei, hipnotizaram ela. Quero ver quando chegar em casa. 
 SENHOR, ENSINA-NOS A ORAR 
 
132 | P á g i n a 
Eu nem me importei com a reação dele, pois estava em paz, feliz, sem 
dor, leve e me sentindo bem. 
 
No dia seguinte, meu sogro me levou a uma outra reunião dos 
crentes, pois umas senhoras ali já tinham orado por ele. O local era 
bem longe e o ambiente totalmente diferente daquele da noite 
anterior. Uma construção simples, piso de cimento, bancos de tábua 
de obra, pessoas simples que sequer sabiam ler, porém, a mesma 
presença que eu havia sentido com o outro grupo, no apartamento da 
zona sul, também senti neste lugar. Chorei muito, mentalmente 
pedindo perdão a Deus por tudo o que eu havia feito, cultuando 
outros deuses, e fui nomeando cada um deles. Terminado o período 
de oração daquele grupo, o meu sogro pediu para orarem por mim. 
 
Uma das irmãs crentes perguntou se eu ia fazer alguma cirurgia, 
pois ela me via entrando em um centro cirúrgico, mas Jesus mandava 
me dizer que eu estava curada. Meu marido se levantou do banco e 
disse: – Curada? Se o médico não tirar esse câncer não vai ser esse 
Jesus que vai tirar. 
 
Fomos para casa, eu passei o restante da sexta, o sábado e o 
domingo, me sentindo bem, sem dor. Na segunda-feira fomos para o 
hospital, me internei, comecei a preparação, para na quarta-feira, fazer 
a cirurgia. Encontrei na gaveta da mesinha de cabeceira um Novo 
Testamento distribuído pelo Gideões Internacionais, que li todo. 
Quanto mais eu lia, mais paz sentia. 
 
Eu, que temia morrer e deixar meus filhos, com 8 e 13 anos, já 
não estava mais com medo. Eu li no finalzinho do Evangelho de 
Mateus que Jesus estaria comigo até a consumação dos séculos. Se eu 
não estivesse mais aqui, estaria com ELE, na eternidade, e ELE 
cuidaria dos meus filhos. Isso me tranquilizou. 
 
No dia da cirurgia, o meu marido, que achava que eu ainda 
estava hipnotizada, quando entrei no centro cirúrgico, começou a 
chamar pelas entidades que ele cuidava, e nenhuma respondia. 
Entretanto, ele não parava de ouvir um cântico que cantaram na 
 SENHOR, ENSINA-NOS A ORAR 
 
133 | P á g i n a 
primeira reunião que fomos: O NOSSO GENERAL É CRISTO. Ele 
continuou chamando as entidades, mas elas não respondiam. Então, 
ele resolveu falar com o Deus que disseram para ele, na reunião, ser o 
DEUS do Impossível. Ele disse para Deus: – Eu não te conheço, 
conheço as entidades que eu cuido e me abandonaram, mas os crentes 
falaram que tu és o Deus do impossível. Então vou pedir o impossível. 
Se a minha mulher sair do centro cirúrgico curada, e não for cortada, 
eu vou passar a crer. 
 
Passou um tempinho, eu voltei para o quarto e, depois, o 
cirurgião puxou meu marido para conversar e perguntou o que ele 
tinha feito. Meu marido respondeu: – Você é que tem que falar o que 
fez. Tirou o útero, o ovário ou algum outro órgão? O médico 
respondeu: – Aconteceu algo muito estranho na sala. A equipe estava 
pronta, ela anestesiada, na hora que fui cortar não me deu vontade. 
Resolvi colocar o aparelho para ver por baixo o grau em que estava o 
câncer. Há 36 anos não existia a tecnologia de que dispomos hoje. Só 
que quando ele olhou ficou assustado, o câncer havia sumido! Na 
quinta-feira anterior estava lá, hoje não está mais. Fiz uma raspagem, 
mandei para o laboratório, mas não vai dar nada. 
 
Meu marido começou a chorar e disse para o Senhor: – A minha 
vida é tua, a minha palavra é uma só, de hoje em diante eu sou um 
soldado desse teu exército! 
 
A nossa vida foi mudada por esse Deus de misericórdia e graça 
que salva, cura, liberta e transforma, independentemente de nós! 
 
A nossa família passou a servir ao Deus único e verdadeiro que, 
através de Jesus, deu a sua vida por nós. 
 
Durante muitos anos, em nossa casa, realizamos uma reunião de 
oração evangelística, na qual muitas pessoas tiveram a oportunidade 
de conhecer a Jesus como seu Salvador, como nós tivemos um dia. 
 
Para o Senhor Jesus não existe impossível; o querer e o realizar 
está em suas mãos. 
 
 SENHOR, ENSINA-NOS A ORAR 
 
134 | P á g i n a 
Não importa o quão difícil a situação possa parecer para nós, 
ELE tem todo o poder para agir de forma natural ou sobrenatural – 
ELE É DEUS! 
 
Aquele vazio que eu sentia foi preenchido pela sua maravilhosa 
presença. O questionamento da adolescente foi respondido. 
 
Hoje eu sei para qual finalidade eu fui criada, o caminho foi 
encontrado em Jesus que é o único caminho, a verdade e a vida. 
 
ELE é o mesmo ontem, hoje e o será para sempre! Fez e continua 
fazendo milagres por misericórdia. ELE faz o impossível para salvar 
o pecador porque o Senhor Deus é bom! 
 
ELE mudou a minha história e pode mudar a sua também! 
 
Ao Deus Eterno seja toda honra, glória e louvor, pelos séculos 
dos séculos! Amém!” 
 
....................... 
 
Tendo vivido tão significativa e milagrosa experiência, o querido 
casal Rosemary (Merinha) e José Roberto (Zequinha), em 1990 se 
tornaram membros da nossa igreja. Foram uma bênção no ministério 
do Encontro de Casais com Cristo, inclusive como coordenadores, até 
o falecimento do Zequinha em 2008, sendo que ele foi diácono e 
presbítero. A Rosemary e seus filhos continuam sendo bênção na 
nossa igreja e emoutra igreja. Deus salva, cura e usa na sua obra! 
 
 
 ❖ 
 
 
 SENHOR, ENSINA-NOS A ORAR 
 
135 | P á g i n a 
 
 
 
 
 
12. QUANDO DEUS DIZ NÃO! 
 
“Tu, pois, não intercedas por este povo, nem levantes por ele 
clamor ou oração, nem me importunes, porque eu não te ouvirei.” (Jr 
7.16) 
 
Certamente este é um tema pouco comum. O mais comum, 
didático, lógico e apropriado é abordar os assuntos de uma forma 
positiva, e não negativa. Isso já fizemos anteriormente e 
continuaremos a fazer. Entretanto, tratar de um assunto, explorando 
aquilo que não deve ser feito, tem grande proveito, pois nos manterá 
mais atentos e vigilantes, inibindo ações e hábitos equivocados. 
 
Algumas pessoas, novas convertidas ou mesmo cristãos mais 
antigos, sentem alguma dificuldade em orar. Acham que não sabem 
orar e que orar seria uma espécie de arte dominada por poucos. 
Entretanto, orar tem a simplicidade do ato de uma criança se dirigir 
aos pais e expressar alguma coisa; pedindo, agradecendo, ou 
simplesmente conversando. Em certa ocasião, Jesus, falando a respeito 
da oração, exemplificou usando a relação pais e filhos: “Ora, se vós, que 
sois maus, sabeis dar boas dádivas aos vossos filhos, quanto mais vosso Pai, 
que está nos céus, dará boas coisas aos que lhe pedirem?” (Mt 7.11). Da 
mesma forma que, muitas vezes, um filho não tem noção do que está 
pedindo aos pais, nós cristãos, filhos de Deus, também não oramos 
convenientemente. Felizmente, o Espírito Santo que em nós habita, 
entra em cena e faz aquilo que somente ele é capaz de fazer: “Também 
o Espírito, semelhantemente, nos assiste em nossa fraqueza; porque não 
sabemos orar como convém, mas o mesmo Espírito intercede por nós 
sobremaneira, com gemidos inexprimíveis. E aquele que sonda os corações 
 SENHOR, ENSINA-NOS A ORAR 
 
136 | P á g i n a 
sabe qual é a mente do Espírito, porque segundo a vontade de Deus é que ele 
intercede pelos santos.” (Rm 8.26-27; comp. Rm 8.34) 
 
Se, por um lado, orar é tão simples, por outro tem lá suas 
condicionantes e especificidades. Não foi sem razão que um dos seus 
discípulos pediu a Jesus que lhes ensinasse a orar, a exemplo de João 
Batista que havia ensinado aos seus discípulos (Lc 11.1). E, este, é o 
tipo de aprendizado que leva toda a vida. A cada dia precisamos 
melhorar nosso conhecimento e prática da oração, através de uma 
maior intimidade com Deus e com sua Palavra. 
 
Desenvolveremos este tema, destacando alguns aspectos 
negativos que dizem respeito à pessoa que ora e, outros, à forma ou 
conteúdo da oração que Deus não quer ouvir. 
 
Quem somos nós, simples mortais, para saber a oração que Deus 
quer ou não quer ouvir; que ele vai dizer – não? Partindo da premissa 
de que Deus se revelou através do seu Filho Unigênito – Jesus Cristo 
– e da sua Palavra Escrita – a Bíblia – podemos, então, examinar as 
Escrituras Sagradas e buscar ali tais respostas. Seguindo esta linha, 
veremos, a seguir, de que tipos de pessoas Deus não quer ouvir a 
oração e quais orações ele rejeita. O assunto é vasto e fascinante; assim 
sendo, nos limitaremos a apenas alguns casos. 
 
12.1 Por causa de QUEM ora: 
 
Deus diz não a oração... 
 
a) Quando procede de um coração em rebeldia contra Deus (Jr 14.12) 
 
“Quando jejuarem, não ouvirei o seu clamor e, quando trouxerem 
holocaustos e ofertas de manjares, não me agradarei deles; antes, eu os 
consumirei pela espada, pela fome e pela peste.” 
 
 SENHOR, ENSINA-NOS A ORAR 
 
137 | P á g i n a 
Imagine você ouvir de Deus algo do tipo: – Não ore por fulano 
de tal porque eu não te ouvirei! Ou, – Não ore pela igreja tal porque 
eu não te ouvirei! Em certo momento da história do povo de Israel, o 
povo de Deus, Jeremias ouviu, da parte de Deus, algo assim, sem 
dúvida assustador (Jr 7.16). A razão da rejeição divina está claramente 
exposta: “Que é isso? Furtais e matais, cometeis adultério e jurais 
falsamente, queimais incenso a Baal e andais após outros deuses que não 
conheceis, e depois vindes, e vos pondes diante de mim nesta casa que se 
chama pelo meu nome, e dizeis: Estamos salvos; sim, só para continuardes a 
praticar estas abominações!” (Jr 7.9-10). Além de rejeitar a oração 
daquele povo rebelde, Deus proibiu Jeremias de interceder por ele. 
 
Tem membro de igreja evangélica vivendo uma vida dupla; 
praticando toda a sorte de pecado e achando que pode cultuar e orar 
a Deus, confiando na suposta proteção de um templo ou de uma 
igreja. “O que desvia os ouvidos de ouvir a lei, até a sua oração será 
abominável” (Pv 28.9). Nosso Deus está com os ouvidos abertos para 
ouvir a confissão do mais vil pecador arrependido, como no caso do 
rei Acabe (1Rs 21.28-29), mas rejeita a oração e culto daqueles que 
banalizam e profanam o sagrado, andando de braços dados com o 
mundo e o pecado. 
 
b) Quando procede de um coração soberbo e orgulhoso (Lc 18.9-14) 
 
“O fariseu, posto em pé, orava de si para si mesmo, desta forma: Ó 
Deus, graças te dou porque não sou como os demais homens, roubadores, 
injustos e adúlteros, nem ainda como este publicano;” 
 
O jeito de ser de quem ora nunca está desatrelado daquilo que 
ele profere na sua oração. Deus sempre considera as duas coisas. 
Nesta parábola do fariseu e do publicano que subiram ao templo para 
orar, Jesus quis ensinar que aqueles que confiam no seu senso de 
justiça própria e nas suas obras, não são ouvidos por Deus. Aquele 
fariseu, zeloso da lei, orava de si para si mesmo (um círculo vicioso), 
 SENHOR, ENSINA-NOS A ORAR 
 
138 | P á g i n a 
como que para massagear o seu ego, exibindo suas qualidades e 
vangloriando-se das suas práticas religiosas (comp. Pv 27.2). Sua auto 
bajulação chega ao ponto de tributar gratidão a Deus por ser melhor 
do que os outros. Dizem que naquela época era comum se orar assim: 
“Bendito és tu, ó Senhor nosso Deus, rei do universo, que não me fizeste um 
gentio, …., um escravo, …., uma mulher, ….”. Certamente Deus não está 
disposto a ouvir orações de pessoas como esse fariseu. São orações que 
não chegam nem ao teto, quanto mais passar dele. 
 
 
c) Quando procede de um coração hipócrita (Mt 6.5) 
 
“E, quando orardes, não sereis como os hipócritas;…” 
 
O que Jesus diz sobre os hipócritas—aqueles que exibem 
virtudes fingidas, sentimentos artificiais e uma devoção apenas 
aparente—pode soar positivo à primeira vista: “gostam de orar”. No 
entanto, a realidade é bem diferente. Eles não amam a oração, 
tampouco o Deus a quem dizem dirigir-se. O que realmente apreciam 
é a própria imagem e a oportunidade de exibição que a oração pública 
lhes proporciona, transformando a espiritualidade em autopromoção. 
 
O farisaísmo religioso não ficou no passado. Ainda hoje, muitos 
frequentam igrejas movidos pelos mesmos interesses distorcidos que 
levavam os fariseus à sinagoga—não para adorar a Deus, mas para 
construir uma reputação de piedade. Infelizmente, essa hipocrisia 
dentro das igrejas prejudica a credibilidade dos cristãos diante da 
sociedade. 
 
Os hipócritas podem enganar a muitos, iludir os mais ingênuos 
e até confundir os sinceros, mas nunca enganarão a Deus. Ele sonda 
os corações e conhece a verdade por trás de cada aparência. 
 
 
 SENHOR, ENSINA-NOS A ORAR 
 
139 | P á g i n a 
12.2 Por causa da SUA FORMA ou CONTEÚDO: 
 
a) Quando há vãs repetições (Mt 6.7-8) 
 
“E, orando, não useis de vãs repetições, como os gentios; porque 
presumem que pelo seu muito falar serão ouvidos.” 
 
As “vãs repetições”, a falta de significado, a repetição mecânica 
são erros a serem evitados nas orações. A repetição mecânica é um 
abuso da própria natureza da oração, rebaixando-a de um real e 
pessoal acesso a Deus a uma mera recitação de palavras. O conteúdo 
da oração é espontâneo, livre de qualquer formalidade e expressões 
decoradas. Deve nascer ou emergir de um coraçãosincero, que deseja 
expressar diante de Deus suas próprias necessidades, as de outros, 
bem como agradecer pelas dádivas recebidas e, ainda, adorar ao Pai, 
na beleza da sua santidade. 
 
Entenda-se como “vãs repetições” as repetições autômatas de 
palavras que só venham dos lábios e não do pensamento ou do 
coração, com a intenção de se fazer ouvir pela quantidade. 
Dependendo da forma como é usada até a chamada oração do “Pai 
Nosso”, ensinada por Jesus, pode se tornar uma vã repetição. 
Mencionar repetidamente um assunto diante de Deus, movidos pela 
angústia profunda que ele nos causa, não é, de forma alguma, uma vã 
repetição. Pelo contrário, expressa um clamor sincero e perseverante. 
No entanto, também é possível cair no uso de “palavras vazias” 
quando a oração se torna um simples jargão religioso, repetido 
mecanicamente enquanto a mente vagueia, sem verdadeira conexão 
com Deus. 
 
b) Quando o propósito é equivocado (Tg 4.3) 
 
“pedis e não recebeis, porque pedis mal, para esbanjardes em vossos 
prazeres.” 
 SENHOR, ENSINA-NOS A ORAR 
 
140 | P á g i n a 
 
Se o Filho de Deus se esvaziou da sua glória para viver como 
servo e para dar a sua vida para salvar o pecador, este pecador agora 
salvo, irá orar a Deus pedindo determinadas coisas e recursos para 
esbanjar nos prazeres efêmeros desta vida? Como pode uma nova 
criatura em Cristo fomentar sua ganância e investir na carnalidade? 
Não é pecado ser rico, nem buscar a prosperidade, o bem-estar e a boa 
saúde (3Jo 2). O que não se pode é colocar nisso o coração, tirando o 
foco da nossa verdadeira missão e propósito neste mundo. Sigamos a 
recomendação do nosso Mestre: “buscai, pois, em primeiro lugar, o seu 
reino e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas.” (Mt 6.33) 
 
c) Quando Deus já tenha determinado algo diferente (2Co 12.7-9) 
 
“Por causa disto, três vezes pedi ao Senhor que o afastasse de mim. 
Então, ele me disse: A minha graça te basta, porque o poder se aperfeiçoa na 
fraqueza….” 
 
Quando Deus determinou, pela boca dos seus profetas, que 
Israel seria levado cativo para a Babilônia e ali ficaria por setenta anos 
(Jr 29.10; 2Cr 36.20-21), não havia mais abertura para Deus ouvir 
qualquer oração que alterasse essa sua soberana e explícita vontade. 
Quando o apóstolo Paulo rogou ao Senhor três vezes, para que Deus 
afastasse dele o espinho na carne e o Senhor não o quis atender, 
também não havia mais abertura para Deus ouvir qualquer oração 
que alterasse essa sua soberana e explícita vontade. 
 
Deus declarou que todas as coisas cooperam para o bem 
daqueles que o amam, daqueles que são chamados segundo o seu 
propósito (Rm 8.28). Quando estamos enfrentando determinadas 
adversidades, somos levados a rogar a Deus que abrevie esse tempo 
difícil, o que é natural. Entretanto, mais importante do que multiplicar 
as orações ou não entrar em desespero é ter paciência e aprender a 
descansar em Deus e em sua soberana vontade, que é boa, agradável 
 SENHOR, ENSINA-NOS A ORAR 
 
141 | P á g i n a 
e perfeita (Rm 12.2). Certamente isso não é tarefa fácil! Precisamos 
entender que, muitas vezes, Deus usa determinadas situações para 
nos aperfeiçoar, nos fazer amadurecer na fé, e, isso leva algum tempo. 
O vaso precisa estar nas mãos do oleiro até que esteja pronto. 
 
d) Quando visa o mal do outro (Lc 9.51-56) 
 
“… Senhor, queres que mandemos descer fogo do céu para os 
consumir?” 
 
Diante da recusa dos samaritanos em hospedar a Jesus e sua 
comitiva em sua aldeia, Tiago e João concluíram, apressadamente, que 
era o caso de destruir a todos esses indivíduos insensíveis. A resposta 
de Jesus revela e reafirma a vontade divina de salvar, e não de 
destruir, as almas humanas. Diante de determinadas situações 
perversas, protagonizadas por pessoas de índole maligna, da 
sociedade ou até mesmo participantes dos arraiais evangélicos, 
podem até passar pela mente de alguém pensamentos semelhantes 
aos destes apóstolos. A oração que pede a Deus para “pesar sua mão” 
sobre alguém é do tipo que Deus não quer ouvir. Por maior que seja o 
mal praticado contra nós (ou contra outros), como cristãos, o que nos 
resta a fazer, em termos de oração, é entregar nossa causa nas mãos de 
Deus. É claro que, dependendo do caso, a justiça dos homens precisa 
ser envolvida. 
 
Enfim, poderíamos mencionar tantos outros casos, como, por 
exemplo, aquelas orações que dão ordens a Deus, ou que usam 
expressões desrespeitosas ou que não se submetem à sua vontade etc. 
O importante é que estejamos atentos a todos os aspectos que 
envolvem nosso ser, isto é, o que somos e o que sentimos quando 
buscamos a Deus em oração. Além disso, precisamos ter cuidado com 
o que proferimos em oração, para não cometermos os erros acima 
expostos. 
 ❖
 
 
 
 
 SENHOR, ENSINA-NOS A ORAR 
 
143 | P á g i n a 
 
 
 
 
 
13. O ESPÍRITO SANTO E A ORAÇÃO 
 
Já não é fácil entender a nós mesmos, nem tampouco entender o 
outro; quanto mais entender o mover do Espírito Santo, o mover do 
mundo espiritual e o que acontece quando oramos. Nesse nosso 
relacionamento com Deus, através da oração, há que se levar em conta 
sempre três aspectos relevantes: 
 
a) Como se chega à presença do Soberano Rei do Universo, para lhe 
falar algo? 
 
Ao contrário do que acontece com o acesso às pessoas muito 
importantes ou famosas do planeta, temos um Deus acessível para 
escutar o clamor das suas criaturas quando o fazem com humildade e 
contrição: 
 
“Porque assim diz o Alto, o Sublime, que habita a eternidade, o qual 
tem o nome de Santo: Habito no alto e santo lugar, mas habito também com o 
contrito e abatido de espírito, para vivificar o espírito dos abatidos e vivificar 
o coração dos contritos.” (Is 57.15). 
“Deus, porém, ouviu a voz do menino (Ismael); e o Anjo de Deus 
chamou do céu a Agar e lhe disse: Que tens, Agar? Não temas, porque Deus 
ouviu a voz do menino, daí onde está.” (Gn 21.17) 
 
Entretanto, a intimidade com o Senhor não é um privilégio de 
todos: “A intimidade do SENHOR é para os que o temem, aos quais ele dará 
a conhecer a sua aliança.” (Sl 25.14; ver tb. Pv 3.32). Certamente isso não 
acontece por nosso mérito: “Mas, agora, em Cristo Jesus, vós, que antes 
estáveis longe, fostes aproximados pelo sangue de Cristo.” (Ef 2.13) 
 SENHOR, ENSINA-NOS A ORAR 
 
144 | P á g i n a 
 
b) Tendo o acesso franqueado a Deus, o que lhe dizer? 
 
Aqueles que foram feitos filhos de Deus (Jo 1.12-13), os 
regenerados pelo Espírito Santo, chegam à sua presença divina, diante 
do seu trono de graça, como um filho chega à presença do seu pai 
terreno. Com intimidade, simplicidade e reverência, abrimos o nosso 
coração diante do Pai Celestial. Confessamos nossos pecados, 
exaltamos o seu nome, agradecemos pelos seus feitos, suplicamos por 
nossas necessidades e intercedemos por outros e por outras causas. 
Simples assim! 
 
c) Tendo chegado à sua presença santa, tendo lhe dito algo, o que 
acontecerá? 
 
Às vezes acontece assim: “O SENHOR atendeu à voz de Elias; e a 
alma do menino tornou a entrar nele, e reviveu.” (1Rs 17.22), “SENHOR, 
meu Deus, clamei a ti por socorro, e tu me saraste.” (Sl 30.2); outras, 
assim: “Visto que eu clamei, e eles não me ouviram, eles também clamaram, 
e eu não os ouvi, diz o SENHOR dos Exércitos.” (Zc 7.13). Ao longo da 
história humana Deus tem respondido orações com: SIM, NÃO e 
ESPERA. Independentemente do que irá acontecer, o apóstolo Paulo 
nos ensina: “Orai sem cessar.” (1Ts 5.17). Tiago acrescenta: “Confessai, 
pois, os vossos pecados uns aos outros e orai uns pelos outros, para serdes 
curados. Muito pode, por sua eficácia, a súplica do justo.” (Tg 5.16) 
 
Considerando que estaremos tratando aqui daquilo que 
acontece no mundo espiritual, enquanto ou quando oramos,principalmente do mover do Espírito Santo, vale relembrar algumas 
coisas a respeito da pessoa, da obra e do ministério do Espírito Santo: 
 
Quanto à sua obra na salvação: 
– Convencimento (Jo 16.8-11) 
– Regeneração (Tt 3.5) 
 SENHOR, ENSINA-NOS A ORAR 
 
145 | P á g i n a 
– Habitação (1Co 6.19) 
– Batismo (1Co 12.13) 
– Selo (2Co 1.22; Ef 1.13; 4.30) 
 
Quanto à sua pessoa e ministério: 
 
– Ele fala (Mc 13.11; Jo 15.26; 16.13; 2Pe 1.21) 
– Ele tem mente, intelecto (Rm 8.27) 
– Ele tem emoções, pode ser entristecido (Ef 4.30) 
– Ele ensina (Lc 12.12; Jo 14.26; 16.12-15) 
– Ele guia, orienta (Rm 8.14) 
– Ele constitui líderes (At 20.28) 
– Ele comissiona (At 13.4) 
– Ele ordena, comanda (At 8.29; 10.19-20) 
– Ele sonda as profundezas de Deus e faz revelações aos 
 homens (1Co 2.10-11) 
– Ele realiza coisas, conforme sua vontade (1Co 12.11) 
– Ele age no homem (Gn 6.3) 
– Ele pode ser resistido (At 7.51) 
– Ele intercede (Rm 8.26; Ef 6.18) 
 
Portanto, o Espírito Santo não é simplesmente uma força ativa 
de Deus ou uma influência que vem sobre a alma humana, como 
muitos pensam e a isso o reduzem. Ele é um ser pessoal; ele é Deus 
(At 5.3-4)! Como tal, vejamos o seu mover na oração. 
 
13.1 A intercessão do Espírito 
 (Rm 8.26-27) 
 
“Também o Espírito, semelhantemente, nos assiste em nossa fraqueza; 
porque não sabemos orar como convém, mas o mesmo Espírito intercede por 
nós sobremaneira, com gemidos inexprimíveis. E aquele que sonda os corações 
sabe qual é a mente do Espírito, porque segundo a vontade de Deus é que ele 
intercede pelos santos (crentes).” (Rm 8.26-27) 
 
 SENHOR, ENSINA-NOS A ORAR 
 
146 | P á g i n a 
Qual o crente que não almeja ter uma vida de oração eficaz? Por 
conta desse legítimo anseio cristão, não são poucos os livros escritos e 
os textos elaborados com a intenção de mostrar o caminho da oração 
eficaz. Qual o meu papel e qual o papel do Espírito Santo nisso? O 
texto bíblico acima nos revela duas importantes verdades a esse 
respeito. No que concerne a nós, crentes, o que há são limitações: 
fraqueza e não saber orar como convém. Felizmente, no lado divino, 
temos a ação intercessora do Espírito Santo, que habita em nós, nos 
assistindo, suprindo e compensando nossas limitações, pois ainda 
habitamos esse corpo corruptível, sujeito a debilidades morais e 
espirituais, enquanto ele vai nos moldando à imagem de Cristo. Nas 
nossas limitações, focamos quase sempre o livramento de males que 
nos afligem ou a obtenção de bens terrenos, porém o Espírito nos 
auxilia na direção de objetivos mais elevados e duradouros, bem como 
na concretização da vontade de Deus em nossas vidas. Isso nos 
assegura que Deus Pai, aquele que sonda os corações, reconhece o 
sentido da palavra não articulada (gemido ou suspiro) e realiza o que 
é melhor para os crentes (“santos”), segundo a sua vontade. 
 
Temos que admitir que há muitas situações e circunstâncias que 
nos envolvem, ou opções que se apresentam para nós que nos deixam 
atordoados e confusos, sem saber o que fazer ou o caminho a seguir. 
Nesses casos, primeiramente precisamos descansar no 
Senhor: “…porque Deus, o vosso Pai, sabe o de que tendes necessidade, antes 
que lho peçais.” (Mt 6.8). Em segundo lugar, precisamos levar tudo 
diante de Deus, pois podemos contar com a intercessão do Espírito e 
confiar que ele “é poderoso para fazer infinitamente mais” (Ef 3.20). 
 
Então, podemos contar com a intercessão do Espírito Santo e 
com a de Jesus: “Por isso, também pode salvar totalmente os que por ele se 
chegam a Deus, vivendo sempre para interceder por eles.” (Hb 7.25). O que 
não podemos admitir, em hipótese alguma, é o equívoco de muitos ao 
buscar e confiar na intercessão da “Virgem Maria e inumeráveis 
Santos (pessoas canonizadas pela igreja católica romana por uma obra 
 SENHOR, ENSINA-NOS A ORAR 
 
147 | P á g i n a 
admirável)”. Não há qualquer sustentação bíblica para a busca de 
intermediários entre o homem e Deus: “Porquanto há um só Deus e um 
só Mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, homem,” (1Tm 2.5). Essa 
foi mais uma razão da reforma protestante que completou 500 anos no 
dia 31 de outubro de 2017. 
 
13.2 O Espírito Santo como Mestre e Guia na oração 
 (Jo 14.26; Jo 16.13) 
 
“mas o Consolador, o Espírito Santo, a quem o Pai enviará em meu 
nome, esse vos ensinará todas as coisas e vos fará lembrar de tudo o que vos 
tenho dito.” (Jo 14.26) 
“quando vier, porém, o Espírito da verdade, ele vos guiará a toda a 
verdade; porque não falará por si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido e 
vos anunciará as coisas que hão de vir.” (Jo 16.13) 
 
Jesus mesmo declarou que o Espírito Santo realiza, nos santos, 
uma obra especial de ensiná-los, todas as coisas, e guiá-los à toda a 
verdade. Além de contar com sua intercessão, devemos recorrer a ele 
como Mestre e Guia na oração. Sabemos que podemos e devemos orar 
a Palavra de Deus, isto é, usando as próprias verdades expressas na 
Bíblia. Com certeza nossa oração será enriquecida com tão excelentes 
palavras que, agradarão a Deus, porém, não devem se transformar em 
meras frases feitas, repetidas de forma mecânica. Antes, porém, tais 
expressões devem circular pelo nosso ser, passando pela nossa mente 
e coração, reforçando nosso entendimento e aquecendo nossas 
emoções e, só então, subir ao Pai Celestial. Além de orar as Escrituras, 
antes de tudo, é necessário orar em conformidade com as Escrituras, 
em conformidade com o ensino bíblico. Neste ponto, é o Espírito quem 
nos capacitará a orar. É ele quem nos conduzirá a assimilar e viver os 
ensinos bíblicos de modo a agradar a Deus, por meio de Cristo. É ele 
quem nos fará aprender com cada oração registrada na bíblia e com 
os seus ensinos. Quem não conhece bem a bíblia, corre o risco de se 
equivocar na oração. 
 SENHOR, ENSINA-NOS A ORAR 
 
148 | P á g i n a 
13.3 A oração no Espírito Santo 
 (Jd 20; Ef 6.18) 
 
“Vós, porém, amados, edificando-vos na vossa fé santíssima, orando no 
Espírito Santo, guardai-vos no amor de Deus, esperando a misericórdia de 
nosso Senhor Jesus Cristo, para a vida eterna.” (Jd 20) 
“com toda oração e súplica, orando em todo tempo no Espírito e para 
isto vigiando com toda perseverança e súplica por todos os santos” (Ef 6.18) 
 
Orar no Espírito é orar em plena comunhão com ele, é orar 
segundo a sua direção e unção. Tal oração não pode ser tão egoísta, 
focando apenas os próprios interesses, mas há de ser intercessória, 
buscando o bem do outro. Não se trata de algo que aconteça 
eventualmente, mas se desenvolve de forma contínua, em todo o 
tempo. 
 
Orar no Espírito é orar segundo a vontade de Deus e ela será 
feita. Há vários textos bíblicos que nos enchem de esperança quanto à 
eficácia da oração. Certamente há aspectos condicionantes a serem 
observados. 
 
“E esta é a confiança que temos para com ele: que, se pedirmos alguma 
coisa segundo a sua vontade, ele nos ouve. E, se sabemos que ele nos ouve 
quanto ao que lhe pedimos, estamos certos de que obtemos os pedidos que lhe 
temos feito.” (1Jo 5.14, 15) 
 
“Se permanecerdes em mim, e as minhas palavras permanecerem em 
vós, pedireis o que quiserdes, e vos será feito.” (Jo 15.7) 
 
“Não fostes vós que me escolhestes a mim; pelo contrário, eu vos escolhi 
a vós outros e vos designei para que vades e deis fruto, e o vosso fruto 
permaneça; a fim de que tudo quanto pedirdes ao Pai em meu nome, ele vo-lo 
conceda.” (Jo 15.16) 
 
 SENHOR, ENSINA-NOS A ORAR 
 
149 | P á g i n a 
“Pedi, e dar-se-vos-á; buscai e achareis; batei, e abrir-se-vos-á. Pois todo 
o que pede recebe; o que busca encontra; e, a quem bate, abrir-se-lhe-á.” (Mt 
7.7-8) 
 
“Em verdade também vos digo que, se dois dentre vós, sobre a terra, 
concordarem a respeito de qualquer coisa que, porventura, pedirem, ser-lhes-
á concedida por meu Pai, que está nos céus.”Mestres de Israel, causando-lhes grande admiração (Lc 2.46-47). 
 
2°) Durante todo o seu curto Ministério Público ele foi 
observado, questionado, odiado e perseguido pelos falsos mestres do 
povo. Esses, não podendo apanhá-lo em alguma falta e, não querendo 
se submeter à sua supremacia, só encontraram uma saída: calar a sua 
boca, crucificando-o. Entretanto, na sua morte ele falou mais alto. 
 
3°) Os seus discípulos o chamavam habitualmente de Mestre 
(Pedro – Marcos 9.5). Entretanto, os de fora também o reconheciam 
como tal (Nicodemos – João 3.2). 
 
4°) Ele próprio assumiu publicamente que era Mestre (Jo 13.13). 
 
Que tipo de Mestre era ele? 
 
Era um Mestre capaz de provocar as mais diferentes reações 
entre os do povo. Por que? Porque era superior a todos os outros. 
Porque tinha o que ensinar e sabia como ensinar. Porque tinha 
autoridade para ensinar (Mt 7.28-29). Porque se importava com as 
pessoas, sem discriminá-las (Mt 9.36-38). 
 
SENHOR, ENSINA-NOS A ORAR 
 
16 | P á g i n a 
O Mestre por excelência 
 
"Os pedagogos modernos estão cada vez mais se preocupando com 
métodos e técnicas de ensino, visando a uma formação mais ampla dos 
educandos para a realidade da vida. Várias escolas e sistemas educacionais 
têm surgido. Baseiam-se numa filosofia e psicologia de ensino que procura dar 
uma formação global ao educando. Procuram atender ao homem comum como 
um todo, e não seccionado em compartimentos. Apesar de todos os esforços, 
vemos a cada dia um mundo mais deseducado. Jesus foi e continua sendo 
chamado 'O Mestre por Excelência'. Ele não apenas transmitiu informações, 
mas vivenciou de tal forma os seus ensinos que deu uma formação, a mais 
completa possível, aos seus discípulos."1 (J. M. Price) 
 
Os seus ensinos ainda são atuais? 
 
Na época atual, com todas as transformações que a sociedade 
tem sofrido através dos tempos, como os ensinos de Jesus e o seu 
exemplo de conduta devem ser encarados? 
 
 Uma bela biografia de um grande pensador? 
 Uma discussão filosófica sobre as coisas da vida? 
 Um modelo teórico e, portanto, inatingível? 
 Uma proposta de vida apenas para aquela época e povo? 
ou, 
 Um modelo prático para todas as épocas! Por que? Que base 
bíblica temos? “Porque eu vos dei o exemplo, para que, como eu 
vos fiz, façais vós também.” (Jo 13.15; ver tb 1Jo 2.6; 1Pe 2.21 etc.) 
 
Sobre o que Jesus ensinou? 
 
Temas “materiais”: Pobreza, riqueza, padrões de vida, 
sociedade, guerra, política, direito, lei, inimigos, caráter, perdão, 
dívida, casamento, divórcio, família, verdade, mulher, criança, 
doença, propriedades, juízo, festa, prazeres da vida etc. 
 
1 A Pedagogia de Jesus. 
SENHOR, ENSINA-NOS A ORAR 
 
17 | P á g i n a 
Temas “espirituais”: Oração, pecado, tentação, incredulidade, 
fé, céu, inferno, morte, Satanás, Espírito Santo, Vida Eterna, final dos 
tempos etc. 
 
Talvez fosse mais fácil relacionar os assuntos sobre os quais ele 
nada ensinou. Apesar de ele ter nos deixado esses ensinos registrados 
em sua Palavra, existem pelo menos dois fatores que nos dificultam a 
ter um maior domínio sobre eles: 
 
1°) Os ensinos estão espalhados pelos evangelhos, carecendo, 
portanto, de uma catalogação por assunto. 
 
2°) Há que se descobrir a essência do ensino, extraindo-se, em 
alguns casos, as circunstâncias peculiares à época e, em seguida, 
aplicar-se esta "essência" ou “espírito do ensino" às situações 
modernas. Exemplo: Lavar pés (Jo 13.12-17) era um costume da época. 
 
O objetivo de estudar esses temas ou assuntos é justamente 
detalhar esses ensinamentos, tornando sua compreensão e aplicação 
mais acessíveis. Não se trata de dogmatizar ou criar regras de 
comportamento. A única lei a que estamos sujeitos é a "Lei da 
Liberdade em Cristo". Entretanto, precisamos conhecer a posição 
divina quanto as coisas práticas da vida e deixar que o Espírito Santo 
nos faça lembrar delas e andar nelas (Jo 14.23-26). 
 
O assunto que vamos abordar aqui é ORAÇÃO. Se fosse 
perguntado aos crentes sobre a prioridade que a oração tem na vida 
cristã, por certo a resposta seria: – É uma das maiores ou a maior 
delas! No entanto, se a pergunta fosse: – Quem ora diariamente? 
Quantos responderiam positivamente? Por que? Você sabe a resposta! 
 
Portanto, este é um assunto vital para os crentes e para a igreja 
de Cristo que precisa ser levado a sério. "A oração é a respiração da 
alma". Nosso propósito é o de apresentar principalmente a posição de 
SENHOR, ENSINA-NOS A ORAR 
 
18 | P á g i n a 
Jesus e das Escrituras Sagradas a respeito da oração, a fim de 
esclarecer dúvidas e despertar a atenção para a seriedade desse 
assunto. 
 
Resumindo: 
 
 Jesus é o Mestre por excelência. 
 O seu exemplo de vida deve ser seguido. 
 Seus ensinos são sempre atuais. 
 Ele ensinou sobre muitas coisas práticas da vida. 
 Seus ensinos precisam ser catalogados por assunto e 
interpretados para melhor compreensão. 
 Vamos estudar sobre a oração em vista de sua importância. 
 
 
“O diabo deseja acima de tudo evitar que o cristão ore. Ele nada teme de 
estudos sem oração, obras sem oração, religião sem oração. Ele ri de nosso 
mourejar, caçoa de nossa sabedoria; mas treme quando oramos.” (E. M. Bounds) 
 
 
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SENHOR, ENSINA-NOS A ORAR 
 
19 | P á g i n a 
 
 
 
 
 
2. DISCIPLINAS ESPIRITUAIS 
 
“Porquanto a graça de Deus se manifestou salvadora a todos os homens, 
educando-nos para que, renegadas a impiedade e as paixões mundanas, 
vivamos, no presente século, sensata, justa e piedosamente,” (Tt 2.11-12) 
 
Disciplinas espirituais são práticas devocionais pessoais, 
intencionais e constantes, com vistas a desenvolver a espiritualidade 
e profundidade no nosso relacionamento com Deus. Elas nos ajudam 
a compreender mais quem Deus é, e a estreitar nossa intimidade com 
ele no nosso dia a dia. Portanto, as disciplinas espirituais dizem 
respeito ao nosso “estilo de vida espiritual” que tem o potencial de 
contribuir favoravelmente (ou desfavoravelmente) para o equilíbrio e 
a estabilidade do nosso ser – espírito, alma e corpo. Será favorável se 
forem observados os seguintes aspectos, dentre outros: 
 
2.1 Comunhão com Deus. 
 
Essa comunhão pressupõe relacionamento e dependência. A 
comunhão com Deus se inicia com a regeneração e habitação do 
Espírito Santo. Tudo isso em decorrência da Obra Redentora de Cristo 
na cruz do Calvário. Se Cristo realmente vive em nós, mantemos 
comunhão com ele – “O próprio Espírito testifica com o nosso espírito que 
somos filhos de Deus.” (Rm 8.16). 
 
2.2 Oração e Jejum. 
 
Através da oração nós falamos e abrimos nosso coração diante 
do nosso Pai Celestial, em confissão de pecados e de gratidão, petição 
SENHOR, ENSINA-NOS A ORAR 
 
20 | P á g i n a 
e intercessão. Sentimos a sua presença e sua participação no nosso 
cotidiano. Através do jejum nós afligimos nossas almas diante de 
Deus, impulsionados por situações graves, rogando a sua intervenção. 
 
2.3 Adoração e Louvor. 
 
Desde o momento em que acordamos até o momento de ir 
dormir nossos pensamentos devem estar postos no Deus da nossa 
salvação, em atitude de adoração e louvor. Também é essencial 
dedicarmos algum tempo específico para louvarmos a Deus, cantando 
ou ouvindo cânticos de louvor e adoração ao Senhor. 
 
2.4 Bíblia. 
 
É através da leitura, meditação e estudo da Palavra de Deus que 
nos apropriamos do conhecimento de Deus, da sua vontade, dos seus 
feitos e dos seus ensinamentos para o nosso andar diário. Enquanto 
examinamos a Palavra, Deus nos capacita a examinar nosso próprio 
coração, o que nos leva ao arrependimento e à confissão de pecados. 
Nunca devemos fazer separação entre a Palavra de Deus e a oração. A 
Palavra revela a vontade de Deus e aquilo que ele quer nos dar, e a 
oração entrega-se à vontade de Deus e ousa pedir com fé aquilo que 
Deus graciosamente quer nos dar.(Mt 18.19) 
 
“E tudo quanto pedirdes em meu nome, isso farei, a fim de que o Pai 
seja glorificado no Filho. Se me pedirdes alguma coisa em meu nome, eu o 
farei.” (Jo 14.13-14) 
 
“Amados, se o coração não nos acusar, temos confiança diante de Deus; 
e aquilo que pedimos dele recebemos, porque guardamos os seus mandamentos 
e fazemos diante dele o que lhe é agradável.” (1Jo 3.21-22) 
 
 
Enfim, neste tópico temos visto como chegar à presença de Deus, 
o que lhe dizer e o que acontecerá. Pensando na ação do Espírito 
Santo, aproveitamos para relembrar a sua obra na salvação e aspectos 
relativos à sua pessoa e ministério. Finalmente, tratamos da 
intercessão do Espírito, da sua obra especial como Mestre e Guia na 
Oração e, o que significa orar no Espírito. 
 
Então, pelo conjunto da obra, pode-se perceber a relevância do 
Espírito Santo na oração. Ele é nosso intercessor, nosso mestre e guia; 
protagonista indispensável quando se trata de oração eficaz. Essas são 
verdades confortadoras e motivadoras para o caminhar na fé cristã. 
 
Ora, vem, Espírito Santo e ajuda-nos a orar, como convém! 
 
 
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14. O JEJUM BÍBLICO 
 
14.1 O que é jejuar? 
 
Da palavra grega “nestis” (“não comendo” ou “ter o estômago 
vazio”) se derivam outras duas: “nesteuo”, “jejuar” 
e “nesteia” “jejum”. O verbo e o substantivo podem ter o significado 
mais geral de: “não comer”, “abster-se da comida”, ou “ficar sem 
comida”, “passar fome”. Estas palavras, no entanto, se empregam 
mais frequentemente no sentido de um ritual religioso. 
 
“Jejuar” é abster-se de qualquer tipo de comida, durante um 
período limitado. 
 
14.2 Quando surgiu o jejum? 
 
Acredita-se que nas religiões pagãs do mundo antigo, era 
praticado por medo de demônios, e com a ideia de que o jejum era um 
meio eficaz para se preparar um encontro com a divindade, pois 
criava o tipo correto de abertura diante da influência divina. 
 
Em Israel, temos o registro no Antigo Testamento de que Moisés 
esteve com o Senhor quarenta dias e quarenta noites, nos quais não 
comeu nem bebeu (Êx 34.28). Entretanto, o jejum, como um rito 
religioso, aparece pela primeira vez, associado ao rito da purificação, 
quando era requerido do povo o “afligir a sua alma” no dia da 
expiação (Lv 16.29, 31; 23.27, 32; Nm 29.7; Is 58.3; Sl 35.13). 
 
 SENHOR, ENSINA-NOS A ORAR 
 
152 | P á g i n a 
“Quanto a mim, porém, estando eles enfermos, as minhas vestes 
eram pano de saco; eu afligia a minha alma com jejum e em oração 
me reclinava sobre o peito,” (Sl 35.13) 
 
 
14.3 Qual é o verdadeiro motivo do jejum? 
 
As formas e os propósitos do jejum são numerosos. O jejum se 
praticava em Israel como preparação para uma conversa com Deus 
(Êx 34.28; Dt 9.9; Dn 9.3). 
 
a) Era praticado pelo indivíduo, quando se sentia oprimido por 
grandes dificuldades (2Sm 12.16-23; 1Rs 21.27; Sl 35.13; 69.10; 109.21-
27). 
“Mas tu, SENHOR Deus, age por mim, por amor do teu nome; 
livra-me, porque é grande a tua misericórdia. Porque estou aflito e 
necessitado e, dentro de mim, sinto ferido o coração. De tanto jejuar, 
os joelhos me vacilam, e de magreza vai mirrando a minha carne.” (Sl 
109.21-22, 24) 
 
b) Era praticado pela nação em perigos iminentes de guerra e 
destruição (Jz 20.26; 2Cr 20.3; Et 4.16; Jn 3.4-10); porque o campo 
estava assolado (Jl 1 e 2); para obter sucesso no retorno dos exilados 
(Ed 8.21-23); como rito de expiação de pecados (Ne 9.1); e, finalmente, 
em conexão com o juízo de Deus já determinado e que não seria 
interrompido (Jr 14.11-12). 
 
 
O jejum e a oração estão constantemente juntos (Jr 14.11-12; Ne 
1.4; Ed 8.21, 23). 
 
“Tendo eu ouvido estas palavras, assentei-me, e chorei, e 
lamentei por alguns dias; e estive jejuando e orando perante o Deus 
dos céus.” (Ne 1.4) 
 
 SENHOR, ENSINA-NOS A ORAR 
 
153 | P á g i n a 
14.4 Duração, frequência e abrangência do jejum? 
 
O jejum judaico era praticado desde a manhã até à tarde (Jz 
20.26; 1Sm 14.24; 2Sm 1.12), embora Ester 4.16 mencione um jejum de 
três dias. 
 
“Então, todos os filhos de Israel, todo o povo, subiram, e vieram 
a Betel, e choraram, e estiveram ali perante o SENHOR, e jejuaram 
aquele dia até à tarde; e, perante o SENHOR, ofereceram holocaustos 
e ofertas pacíficas.” (Jz 20.26) 
 
A lei israelita ordenava o jejum tão-somente no dia da expiação, 
no sétimo mês (Lv 16.29-31; 23.27-32; Nm 29.7). Depois da destruição 
de Jerusalém (587aC), foram determinados quatro períodos de 
observação de jejum como dias de lembrança (Zc 7.3-5; 8.19). 
 
No decorrer do tempo, o significado mais profundo do jejum, 
como expressão do humilhar-se diante de Deus, foi perdido por Israel. 
Veio a ser considerado uma realização piedosa, com o fim de obter 
uma justiça à base de obras de auto retidão. A luta dos profetas contra 
esta descaracterização e esvaziamento do conceito não logrou êxito (Is 
58.3-7; Jr 14.12). Até aos tempos de Jesus, os que eram sérios quanto à 
religião, especialmente os fariseus, receberam a obrigação de 
observarem dois dias de jejuns a cada semana (Lc 18.12). Os discípulos 
de João Batista tinham uma regra semelhante (Mc 2.18). 
 
“jejuo duas vezes por semana e dou o dízimo de tudo quanto 
ganho.” (Lc 18.12) 
 
Quanto à abrangência, encontramos o jejum parcial e total: 
 
a) No jejum praticado desde a manhã até à tarde o alimento 
deveria ser suprimido (Jz 20.26; 1Sm 14.24; 2Sm 1.12). Não fica clara a 
necessidade de supressão da água. 
 
 SENHOR, ENSINA-NOS A ORAR 
 
154 | P á g i n a 
b) Ester 4.16 menciona um jejum total (sem comer e sem beber) 
de 3 dias. 
 
c) Daniel jejuou por 3 semanas ou 21 dias (Dn 10.2-3). O registro 
bíblico sugere um jejum parcial: “Manjar desejável não comi, nem carne, 
nem vinho entraram na minha boca, nem me ungi com óleo algum, até que 
passaram as três semanas inteiras.” Provavelmente ele adotou aquela 
“dieta vegetariana” com legumes e água como no tempo em que 
ingressou na corte babilônica (Dn 1.12). 
 
d) Moisés jejuou de forma total (sem comer e sem beber) por 40 
dias e 40 noites (Êx 34.28; Dt 9.9). Certamente ele foi 
sobrenaturalmente sustentado por Deus. 
 
e) Jesus jejuou 40 dias e 40 noites antes de iniciar seu ministério 
público: “E, depois de jejuar quarenta dias e quarenta noites, teve 
fome.” (Mt 4.2). Como não é mencionado no texto bíblico que ele teve 
sede, alguns deduzem que ele pode ter bebido água, caracterizando 
assim um jejum parcial. Outros preferem interpretar como tendo sido 
um jejum total, à semelhança de Moisés, pois Jesus não era menor do 
que aquele; e, também, foi sobrenaturalmente sustentado por Deus. 
 
Portanto, percebe-se que não há um padrão definido de duração, 
de frequência e de abrangência. Sem dúvida, o mais importante é a 
dedicação desse tempo de privação de prazeres gastronômicos, de 
“mortificação da carne”, para devoção e estreitamento da comunhão 
com Deus, com ou sem a motivação de uma situação difícil. 
 
14.5 Qual a relação de Jesus com o jejum? 
 
a) O exemplo pessoal 
 
O próprio Senhor Jesus jejuou 40 dias e 40 noites antes de iniciar 
seu ministério público: “E, depois de jejuar quarenta dias e quarenta noites, 
teve fome.” (Mt 4.2). 
 SENHOR, ENSINA-NOS A ORAR 
 
155 | P á g i n a 
b) O momento certo de jejuar 
 
Quando questionado sobre a razão dos seus discípulos não 
estarem praticando o jejum, Jesus respondeu-lhes: “Podem, porventura, 
jejuar os convidados para o casamento, enquanto o noivo está com eles? 
Durante o tempo em que estiver presente o noivo, não podem jejuar. Dias 
virão, contudo, em que lhes será tirado o noivo; e, nesse tempo, jejuarão.” (Mc 
2.18-20). Nesta fala Jesus mostraa insensatez da prática do jejum 
enquanto ele estivesse com os discípulos. A presença do Messias, das 
boas novas da salvação que independem das boas obras – tudo isso 
significa alegria, que é algo incompatível com o jejum judaico. 
Entretanto, o jejum futuro não foi descartado. 
 
c) A condenação do “jejum ostentação” 
 
No sermão do monte, Jesus não condena o jejum propriamente 
dito, mas, sim, somente o jejuar com ostentação e hipocrisia (Mt 6.16-
18). O jejum não deve ser realizado diante dos olhos dos homens, para 
aparentar uma super espiritualidade e piedade, mas diante de Deus 
que vive em segredo e vê o que está no lugar secreto. 
 
d) A busca de autoridade e poder espirituais 
 
Conforme as palavras de Jesus em Mateus 17.21, há certas 
condições de possessão demoníaca das quais o homem só pode ser 
liberto “por meio da oração e jejuns”. Deve-se observar que este 
versículo não se encontra em muitos manuscritos e que no seu 
paralelo, em Marcos 9.29, apenas se menciona a oração. 
 
14.6 Qual a relação da igreja com o jejum? 
 
Na igreja primitiva, a oração era apoiada pelo jejum (At 13.2, 3; 
14.23). 
 
 SENHOR, ENSINA-NOS A ORAR 
 
156 | P á g i n a 
“E, promovendo-lhes, em cada igreja, a eleição de presbíteros, 
depois de orar com jejuns, os encomendaram ao Senhor em quem 
haviam crido.” (At 14.23) 
 
Talvez, a ausência do assunto nas epístolas do Novo 
Testamento, exceto as autobiografias de Paulo (2Co 6.5 e 11.27), levam 
alguns a concluir que a ideia de que o jejum tem valor em si mesmo 
tenha sido abandonada pela igreja cristã, que retinha a prática do 
jejum a fim de demonstrar que suas orações eram sinceras. Não há 
dúvida do valor de aplicar-se ao jejum, principalmente associado à 
oração. Deve-se apenas tomar o cuidado para não deslocar a 
procedência do poder espiritual de Deus, para o rito do jejum – de 
Deus, para o homem! 
 
14.7 Qual a posição da Igreja Presbiteriana do Brasil? 
 
De uma forma bem sintética e objetiva podemos responder a esta 
pergunta citando dois de seus documentos: 
 
No Catecismo Maior de Westminster, a pergunta 108 diz: 
 
“108. Quais são os deveres exigidos no segundo mandamento? 
Os deveres exigidos no segundo mandamento são – o receber, 
observar e guardar, puros e inalterados, todo o culto e todas as 
ordenanças religiosas que Deus instituiu na sua Palavra, 
especialmente a oração e ações de graças em nome de Cristo; a leitura, 
a prédica, e o ouvir da Palavra; a administração e a recepção dos 
sacramentos; o governo e a disciplina da igreja; o ministério e a sua 
manutenção; o jejum religioso, o jurar em nome de Deus e o fazer os 
votos a Ele; bem como o desaprovar, detestar e opor-nos a todo o culto 
falso, e, segundo a posição e vocação de um, o remover tal culto e 
todos os símbolos de idolatria.” 
 
No documento “Princípios de Liturgia” da IPB: 
 
 SENHOR, ENSINA-NOS A ORAR 
 
157 | P á g i n a 
“CAPÍTULO XI – JEJUM E AÇÕES DE GRAÇA 
Art.24 – Sem o propósito de santificar de maneira particular qualquer 
outro dia que não seja o dia do Senhor, em casos muito excepcionais 
de calamidades públicas, como guerras, epidemias, terremotos etc., é 
recomendável a observância de dia de jejum ou, cessadas tais 
calamidades, de ações de graças. 
Art.25 – Os jejuns e ações de graças poderão ser observados pelo 
indivíduo ou família, Igrejas ou Concílios.” 
 
A exposição é bem clara e, particularmente em momentos como 
este que o mundo está vivendo se aplica perfeitamente o previsto nos 
artigos 24 e 25 acima transcritos. 
 
Em momentos críticos os líderes do povo se levantam para uma 
santa convocação de jejum e oração, pela nação. 
 
“se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar, e 
orar, e me buscar, e se converter dos seus maus caminhos, então, eu 
ouvirei dos céus, perdoarei os seus pecados e sararei a sua terra.” (2Cr 
7.14) 
 
 O rei Ezequias promoveu um reavivamento espiritual do 
povo de Judá, resultando em arrependimento e um retorno à 
Lei do Senhor; orou e Deus lhe deu a vitória sobre os Assírios 
(2Cr 29 a 32). 
 
 O rei Josias promoveu uma grande reforma espiritual em 
Judá, que incluiu a restauração do culto ao Senhor e a 
renovação da aliança com Deus, o que é condição básica para 
a ação divina em resposta a oração. (2Cr 34 e 35). 
 
 Daniel orou e intercedeu pelo povo de Deus, e, em resposta, 
eles retornaram a Jerusalém (Dn 9). 
 
 Esdras orou, e o culto ao Senhor foi restaurado com grandes 
bênçãos e manifestação do poder divino (Ed 9). 
 SENHOR, ENSINA-NOS A ORAR 
 
158 | P á g i n a 
 
 Neemias orou pelo povo, a Aliança foi ratificada, os muros de 
Jerusalém foram reconstruídos, e Judá foi restaurada (Ne 9). 
 
14.8 Outro “tipo” de jejum. 
 
Jejum sexual 
 
“Não se recusem um ao outro, exceto por mútuo consentimento e 
durante certo tempo, para se dedicarem à oração. Depois, unam-se de novo, 
para que Satanás não os tente por não terem domínio próprio. Digo isso como 
concessão, e não como mandamento.” (1Co 7.5-6 NVI) 
 
Em certos momentos da vida de um casal acontecem situações 
difíceis e aflitivas, como as de enfermidade na família, de desemprego, 
de catástrofes, dentre outras, quando não há nem clima nem espaço 
para um relacionamento conjugal (sexual) normal. Talvez, pensando 
nisso, o apóstolo tenha se referido a esse “certo período de privação”, 
para se dedicar à oração, quando ocorrer o mútuo consentimento. 
Entretanto, ele orienta claramente a não se fazer privação unilateral e, 
mesmo quando ocorrer a privação mútua, o bom senso e a sensatez 
devem prevalecer sempre, para se evitar riscos e tentações. 
 
 
Finalmente, feita essa breve abordagem sobre o jejum bíblico, 
vale lembrar a advertência do profeta Isaías que estabelece o contraste 
entre a Verdadeira e a Falsa Adoração (Isaías 58). Ele é instado por 
Deus a clamar a plenos pulmões contra a transgressão do povo de 
Israel, que não se importando com o seu estado vil, buscava rotineira 
e mecanicamente a Deus, através das suas práticas religiosas, 
inclusive observando o jejum de um dia. Talvez, não tendo a exata 
noção da gravidade do seu estado espiritual decaído e da inutilidade 
e esterilidade dessas práticas religiosas sem o respaldo de uma vida 
santa, ainda ousavam reclamar que o Senhor não estava 
correspondendo e respondendo aos seus atos sacrificiais. 
 
 SENHOR, ENSINA-NOS A ORAR 
 
159 | P á g i n a 
Que o Senhor nos ajude a viver uma vida santa, coerente com os 
ensinos bíblicos e aderente a vontade de Deus. Vida marcada pela 
prática da justiça e da misericórdia, jamais ancorada 
equivocadamente em práticas ritualistas vazias e elementos 
sacralizados pela religiosidade popular. Que o nosso momento de 
jejum seja sincero, autêntico e potencializador da nossa comunhão e 
intimidade com Deus! 
 
❖ 
 
 
“Na Europa, nos Estados Unidos, na África ou no Brasil a igreja vitoriosa, 
será aquela que for encontrada de joelhos; não só congregada aos domingos ou 
quartas-feiras, mas dispersa nas casas, no trabalho, na escola, pois onde houver um 
crente entregue a oração ali estará o emblema da vitória.” 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 SENHOR, ENSINA-NOS A ORAR 
 
161 | P á g i n a 
 
 
 
 
 
15. A ORAÇÃO DE JABEZ 
 
Seguem três das muitas versões ou traduções desta oração: 
 
“9 Foi Jabez mais ilustre do que seus irmãos; sua mãe chamou-
lhe Jabez, dizendo: Porque com dores o dei à luz. 
10 Jabez invocou o Deus de Israel, dizendo: Oh! Tomara que me 
abençoes e me alargues as fronteiras, que seja comigo a tua mão e me 
preserves do mal, de modo que não me sobrevenha aflição! E Deus lhe 
concedeu o que lhe tinha pedido.” (1Cr 4.9-10) (ARA)14 
 
“9 Jabez foi mais ilustre do que seus irmãos; a sua mãe deu-lhe 
o nome de Jabez, dizendo: "Porque com dores o dei à luz." 
10 Jabezinvocou o Deus de Israel, dizendo: Oh! Quem dera me 
abençoasses e expandisses o meu território! Que a tua mão esteja 
comigo! Preserva-me do mal, para que não me sobrevenha aflição! E 
Deus lhe concedeu o que ele tinha pedido.” (1Cr 4.9-10) (NAA)15 
 
“9 Jabez foi o homem mais respeitado de sua família. Sua mãe 
lhe deu o nome de Jabez, dizendo: "Com muitas dores o dei à luz". 
10 Jabez orou ao Deus de Israel: "Ah, abençoa-me e aumenta as 
minhas terras! Que a tua mão esteja comigo, guardando-me de males 
e livrando-me de dores". E Deus atendeu ao seu pedido.” (1Cr 4.9-10) 
(NVI)16 
 
 
14 ARA – Almeida Revista e Atualizada. 
15 NAA – Nova Almeida Atualizada. 
16 NVI – Nova Versão Internacional 
 SENHOR, ENSINA-NOS A ORAR 
 
162 | P á g i n a 
A oração de Jabez, registrada em 1Crônicas 4.9-10, é um trecho 
breve e singular em meio às longas genealogias de 1Crônicas. Ela 
ganhou notoriedade especialmente após a popularização do livro "A 
Oração de Jabez", do Dr. Bruce H. Wilkinson, que apresentou essa 
oração como um modelo de petição a Deus. Contudo, a oração merece 
uma análise cuidadosa, tanto para compreender seu contexto bíblico 
quanto para avaliar os ensinamentos associados a ela. O referido livro 
"A Oração de Jabez", de Bruce Wilkinson, publicado nos Estados 
Unidos, no ano 2000 (The Prayer of Jabez), tem recebido tanto elogios, 
quanto críticas, desde então. É o que veremos mais adiante. 
 
15.1 A oração 
 
Quanto a oração em si, a partir do registro bíblico podemos 
observar o seguinte: 
 
a) Contexto Histórico e Literário 
 
A oração está inserida nas genealogias dos descendentes de 
Judá. Jabez é destacado como o mais ilustre dos seus irmãos, ou o mais 
respeitado da sua família, destacando-se no meio de um relato 
predominantemente genealógico. O nome "Jabez" significa "dor ou 
tristeza", o que reflete a circunstância de seu nascimento. 
 
b) Estrutura da Oração 
 
A oração de Jabez pode ser dividida em quatro pedidos 
principais: 
 
1º) “Oh! Tomara que me abençoes” ou "Ah, abençoa-me”: Jabez 
busca a bênção divina, não como algo merecido, mas como um ato da 
graça de Deus. 
 
 SENHOR, ENSINA-NOS A ORAR 
 
163 | P á g i n a 
2º) "E me alargues as fronteiras" ou “e aumenta as minhas 
terras!”: Este pedido pode ser entendido como uma busca por 
prosperidade, aumento de território ou influência, possivelmente 
ligada ao contexto agrícola ou tribal de sua época. 
 
3º) "Que seja comigo a tua mão": Ele clama pela presença e 
direção contínua de Deus em sua vida. 
 
4º) "E me preserves do mal, de modo que não me sobrevenha 
aflição": Jabez deseja ser protegido do mal e de dores futuras, 
refletindo seu desejo de viver uma vida longe das dificuldades. 
 
A narrativa conclui com o resultado obtido: “E Deus lhe 
concedeu o que lhe tinha pedido.” 
 
c) Lições importantes 
 
 Jabez recorre àquele que pode conceder todas as bênçãos, 
direção e proteção. Ele não confia em suas próprias 
habilidades, mas invoca o "Deus de Israel", mostra assim sua 
dependência e submissão ao Altíssimo. 
 
 Ele demonstra confiança na graça divina e não hesita em 
pedir ousadamente a Deus, acreditando no caráter bondoso e 
misericordioso do Senhor. 
 
 No registro bíblico há somente um relato sobre Jabez, o de 
1Crônicas 4.9-10 – talvez a mais curta entre as biografias 
bíblicas – do qual podemos extrair quatro informações sobre 
ele: 
 
(i) Seu parto foi doloroso, trazendo muito sofrimento a sua 
mãe, daí ela lhe ter dado esse nome “Jabez” que significa “dor 
ou sofrimento”; 
 
 SENHOR, ENSINA-NOS A ORAR 
 
164 | P á g i n a 
(ii) Ele tinha irmãos e foi mais ilustre (nobre, respeitado) do 
que eles, nada sendo dito quanto a razão disso; 
 
(iii) Ele invocou o Deus de Israel, explicitando diante do 
Senhor os grandes anseios da sua alma: a bênção divina, a 
prosperidade, a presença de Deus em sua vida livrando-o do 
mal, para que tenha uma vida isenta de aflição; 
 
(iv) Ele foi atendido por Deus naquilo que havia pedido. 
 
 Qualquer coisa que se diga sobre Jabez, diferente ou além do 
que está expresso no referido registro bíblico, pode não passar 
de especulação, dedução ou ilação! Não há qualquer outra 
menção a ele em todo o Antigo e Novo Testamentos! 
 
d) Aplicações Práticas e Princípios 
 
A oração de Jabez, quando interpretada corretamente, nos 
ensinam alguns princípios importantes: 
 
 Orar com ousadia: Assim como Jabez, podemos buscar a 
Deus com confiança, sabendo que ele ouve as nossas petições 
e tem todo o poder para nos atender, segundo a sua soberana 
vontade. 
 
 Submissão à vontade de Deus: É válido pedir as bênçãos de 
Deus e tudo aquilo de que necessitamos, entretanto, isso deve 
estar alinhado com o propósito divino, não com um desejo 
egoísta. 
 
 Clamar pela presença de Deus: Assim como Jabez pediu pela 
"mão de Deus", devemos depender de sua direção e cuidado 
em todas as áreas da nossa vida. 
 
 SENHOR, ENSINA-NOS A ORAR 
 
165 | P á g i n a 
 Buscar proteção: Pedir a Deus que nos livre do mal e das 
aflições é um reflexo de nosso reconhecimento da fragilidade 
humana e da necessidade de sua intervenção. 
 
Enfim, quando lida à luz do contexto bíblico e teológico, a oração 
nos ensina a buscar a Deus com humildade e submissão à sua 
soberana vontade. 
 
 
15.2 O livro de B. Wilkinson 
 
14.2.1 Quanto ao autor 
 
Bruce Wilkinson é um pastor e autor 
americano, amplamente conhecido por suas obras 
motivacionais e voltadas ao crescimento espiritual, 
como “A Oração de Jabez”. Ele possui formação 
teológica, incluindo doutorado, e tem um histórico 
sólido em ensino bíblico e ministério. Fundou o 
Walk Thru the Bible Ministries, uma organização que 
oferece programas e recursos para ajudar as 
pessoas a entenderem a Bíblia. Isso demonstra um 
caráter empreendedor e um desejo de disseminar o conhecimento 
bíblico de forma prática e acessível. 
 
Analisando o texto de “A Oração de Jabez” e o estilo de Bruce 
Wilkinson, podemos fazer algumas deduções sobre sua 
personalidade, temperamento e visão de mundo, embora isso possa 
não refletir completamente a verdade. 
 
(i) Inquietação com o status quo: 
Wilkinson demonstra um desejo evidente de incentivar os 
leitores a saírem de uma vida espiritual medíocre ou rotineira. Sua 
ênfase em "expandir territórios", buscar grandes bênçãos e evitar 
 SENHOR, ENSINA-NOS A ORAR 
 
166 | P á g i n a 
limitações pode sugerir que ele mesmo é alguém que se incomoda 
com a monotonia e busca impacto, crescimento e propósito em larga 
escala. 
 
(ii) Possível hiperatividade, entusiasmo e inquietação; parece se 
incomodar com a monotonia da rotina. Num turismo marítimo no 
Mediterrâneo diz ter se sentido solitário, chegando ao “fundo do 
poço” (pg.40). Além de relacional mostra ser uma pessoa muito ativa, 
com grande energia e visão expansiva. Ele parece alguém focado em 
ação e resultados. 
 
(iii) Parece avesso à passividade espiritual, e se propõe a 
encorajar ousadia espiritual e a busca por bênçãos maiores. 
 
(iv) Sente a necessidade de resultados visíveis e tangíveis – como 
bênçãos materiais e expansão de influência. O livro revela um 
pensamento visionário e otimista. Wilkinson parece crer que Deus tem 
planos grandiosos para cada pessoa, o que reflete uma personalidade 
positiva, esperançosa e orientada por grandes ideias. 
 
14.2.2 Quanto ao livro 
 
Já expressamos que o autor é um homem de Deus, capacitado, 
visionário e dedicado na obra do Senhor. É uma tarefa difícil 
analisarmos pessoas com quem convivemos e suas intenções naquilo 
que faz, quanto mais difícil se torna quando não as conhecemos. 
Portanto, nem pensar em fazer qualquer juízo de valor sobre o autor. 
Com muita humildade, nos atreveremos apenas a tecer alguns 
comentários sobre o que ele escreveu, principalmente com o propósito 
de aprofundar a discussão e conferir a basebíblica. Desde já quero me 
desculpar com o autor se, em algum texto, o tradutor para o português 
não refletiu corretamente a sua ideia e intenção, dando margem as 
minhas ressalvas e divergências. 
 
 SENHOR, ENSINA-NOS A ORAR 
 
167 | P á g i n a 
Já tinha lido esse livro pouco tempo depois de ter sido publicado 
no Brasil e o li outra vez agora, pois tem relação com o assunto que 
estamos tratando aqui. Sem dúvida, trata-se de um livro bem 
elaborado, de fácil leitura, didático, repleto de ilustrações, 
empolgante e de fácil assimilação. Entretanto, ouso compará-lo a um 
saboroso peixe, com algumas espinhas e um molho exótico. 
 
Começaremos as considerações pelo “molho exótico” que é o 
estilo do livro; depois veremos as “espinhas do peixe” que diz respeito 
a Jabez e a interpretação e uso da sua oração; e, por fim, trataremos da 
“carne do peixe” que são os quatro aspectos importantes para uma 
vida plena e frutífera, em Cristo. 
 
a) O estilo do livro (o molho exótico) 
 
O livro pode ser visto como apresentando algumas 
características, um tanto quanto sensacionalistas, típicas de autores 
de best-sellers de autoajuda, mas aplicado à esfera espiritual e com 
uma visão de "ajuda do alto". 
Então vejamos: 
 
Fórmula Simples e Atraente 
 
Wilkinson apresenta a oração de Jabez como uma fórmula direta 
e acessível, quem sabe mística e mágica, um achado extraordinário, 
para alcançar grandes bênçãos e sucesso espiritual. Isso é 
característico da literatura de autoajuda, que muitas vezes simplifica 
soluções complexas para torná-las atraentes a um público amplo. 
 
Por exemplo: 
 
 Comecemos pelo prefácio que anuncia entusiasticamente 
uma certa “oração ousada” com garantia de ser atendida por 
Deus! Uma oração forte e poderosa! Uma espécie de mantra! 
 SENHOR, ENSINA-NOS A ORAR 
 
168 | P á g i n a 
“PREFACIO 
Caro leitor, 
Quero ensinar-lhe como fazer uma oração ousada à qual Deus 
sempre atende. Ela é breve - uma frase composta de quatro partes - meio 
escondida na Bíblia, mas creio que ela contém a chave para uma vida 
extraordinariamente favorecida por Deus.” (pg.7) 
 
 Uma promessa fantástica! 
“Quero prepará-lo para receber respostas impressionantes, vindas de 
Deus, como algo constante em sua vida.” (pg.12) 
 
 Eu adotei! 
“Na manhã seguinte, fiz a oração de Jabez, repetindo palavra por 
palavra. Na outra manhã, a mesma coisa. No dia seguinte, idem. Trinta anos 
se passaram e não parei de fazê-la.” (pg.11) 
 
 Outros adotaram, experimente você também! 
“- Bruce, ouvi você falar sobre a mensagem de Jabez há quinze anos e, 
desde então, não parei de fazer aquela oração. A mudança foi tão dramática 
que eu simplesmente não parei.” (pg.17) 
 
 Siga os passos! Repita diariamente! 
“Ao repetir aqueles passos, você colocará em ação um ciclo de bênçãos 
que vai multiplicar tudo aquilo que Deus é capaz de fazer em e através de 
você.” (pg.91) 
“Quero desafiá-lo a fazer da oração de Jabez parte integrante de seu dia 
a dia. ...... Faça a oração de Jabez todas as manhãs e registre um diário, 
marcando num calendário ou num quadro que você separou especificamente 
para este propósito.” (pg.95) 
 
A ideia de que recitar diariamente a curta oração de Jabez 
resultará em bênçãos extraordinárias pode ser vista como uma 
redução excessiva da complexidade da espiritualidade bíblica, 
aproximando-a de um "passo-a-passo" típico de livros motivacionais. 
 SENHOR, ENSINA-NOS A ORAR 
 
169 | P á g i n a 
 
 O resultado será tão extraordinário que você vai precisar dar 
um tempo. 
“Se você é como alguns que usam a oração de Jabez, dentre os quais me 
incluo, então verá momentos em sua vida nos quais se sentirá tão abençoado 
que vai parar de orar pedindo mais, pelo menos por algum tempo.” (pg.92) 
 
 Promessa de Resultados Tangíveis 
 
Livros de autoajuda frequentemente prometem mudanças 
mensuráveis e transformações rápidas. Da mesma forma, Wilkinson 
sugere que orar como Jabez pode levar a: 
 
 Expansão de territórios (interpretada como aumento de 
influência, oportunidades e prosperidade); 
 Proteção contra o mal e fortalecimento espiritual; 
 Realização pessoal e cumprimento de propósitos. 
 
Essa ênfase em resultados concretos e benefícios imediatos, 
muitas vezes associados ao crescimento material ou profissional, 
reflete o estilo dos autores de autoajuda que buscam atrair leitores 
com promessas práticas e "palpáveis". 
 
Linguagem Inspiradora e Motivacional 
 
Wilkinson usa uma linguagem envolvente e motivacional para 
apresentar Jabez como um exemplo ideal de como qualquer pessoa 
pode alcançar uma vida plena e abençoada. Essa abordagem é comum 
na autoajuda, que busca estimular o leitor com frases e conceitos 
positivos, mas às vezes evita aprofundar a complexidade das 
dificuldades humanas e da relação com Deus. 
 
Adaptação ao Contexto Contemporâneo 
 
O livro conecta a oração de Jabez – originalmente situada num 
contexto bíblico e histórico específico – a situações modernas, como 
 SENHOR, ENSINA-NOS A ORAR 
 
170 | P á g i n a 
trabalho, finanças, relacionamentos e ministérios pessoais. Essa 
aplicação prática e personalizada é característica de livros de 
autoajuda que transformam conceitos antigos ou filosóficos em 
ferramentas práticas para o público atual. 
 
Resumo Crítico: 
 
Ao estruturar o livro como um método que funciona, se aplicado 
com regularidade e fé, ele aproxima sua proposta de uma fórmula 
prática, característica da autoajuda contemporânea. Embora a oração 
de Jabez seja inspiradora para muitos, Wilkinson apresenta elementos 
que o alinham com o estilo sensacionalista de best-sellers de 
autoajuda, incluindo simplificação, promessas tangíveis e aplicação 
moderna. A abordagem pragmática e a ênfase em resultados rápidos 
podem levar a uma interpretação superficial da espiritualidade bíblica 
e criar expectativas que não refletem necessariamente a experiência 
cristã como um todo. 
 
b) A interpretação (as espinhas do peixe) 
 
 A escolha do homem Jabez: 
 
A escolha de um personagem bíblico pouco conhecido, como 
Jabez, e a construção de uma narrativa de impacto em torno de sua 
curta menção e oração (apenas dois versículos) podem ser vistas com 
certa desconfiança ou, até mesmo, como uma abordagem 
sensacionalista. Jesus nada falou sobre ele, nem os apóstolos e os 
escritores do Novo Testamento. Em toda instrução e ensino 
doutrinário do Novo Testamento ele não é mencionado, nem mesmo 
na galeria dos heróis da fé (Hb 11). 
 
 Extrapolações especulativas: 
 
Wilkinson infere aspectos da vida, fé e impacto de Jabez que não 
estão descritos no texto bíblico, apresentando-o como um modelo 
universal para sucesso espiritual. Isso pode ser percebido como uma 
 SENHOR, ENSINA-NOS A ORAR 
 
171 | P á g i n a 
tentativa de criar uma história cativante, mesmo que fundamentada 
em suposições. 
 
Vejamos alguns exemplos de interpretações especulativas ou 
suposições sobre Jabez que não encontram fundamentação bíblica, 
porém podem induzir o leitor ao que se pretende ensinar ou propor: 
 
“Jabez queria ser e fazer mais para Deus e, como podemos concluir 
a partir do final do versículo 10, Deus lhe concedeu o pedido”. (pg.10) 
“A partir do contexto e dos resultados da oração de Jabez, podemos ver 
que havia mais em seu pedido do que um simples desejo de possuir mais terras. 
Ele queria mais influência, maior responsabilidade e mais 
oportunidades para deixar uma marca para o Deus de Israel.” (pg.33) 
Refutação: Não, o texto bíblico não faz qualquer menção a isso. 
Não há informações para que se faça esse tipo de afirmação. 
 
“Imagine passar a infância suportando a gozação dos meninos mais 
fortes, lembrar diariamente que sua chegada não foi bem-vinda e sentir 
vergonha por ter um nome esquisito.”(pg.22) 
Refutação: Não, o texto bíblico não faz qualquer alusão a uma 
rejeição de Jabezpor ocasião do seu nascimento. Aliás, era comum 
partos com dor, sendo que em certos casos, como o de Jabez, o 
sofrimento era bem maior. E, não é por isso que uma mãe rejeitará seu 
filho amado. 
 
“Lá no fundo de minha mente imagino Jabez ... . Oprimido pelo peso da 
tristeza de seu passado e da melancolia de seu presente, a única coisa que ele 
consegue ver diante de si é a impossibilidade - um final nada feliz.” (pg.24) 
Refutação: Não, o texto bíblico não faz qualquer alusão a Jabez 
ter tido um passado triste, um presente melancólico e um futuro 
improvável ou sombrio. 
 
“Observe que Jabez não começou sua oração pedindo que a mão de Deus 
estivesse sobre ele. .... Mas quando suas fronteiras começaram a se alargar e 
 SENHOR, ENSINA-NOS A ORAR 
 
172 | P á g i n a 
tarefas proporcionais ao tamanho do reino de Deus começaram a se colocar 
diante dele, Jabez sabia que precisava de uma mão divina - e rápido! Ele 
poderia ter desistido ou tentado continuar por esforço próprio. Em vez disso, 
ele orou.” (pg.53) 
Refutação: O autor segmenta a oração em quatro petições, o que 
é fato; porém, como se cada petição correspondesse a um momento ou 
a uma etapa distinta da vida de Jabez, sendo que o atendimento da 
petição e o desenrolar daquela etapa alterasse a situação de tal 
maneira que demandava ou determinava a necessidade da petição 
seguinte. Essa estratégia de Wilkinson pode ser vista como muito 
conveniente para o seu propósito geral com o livro; entretanto, o texto 
bíblico registra uma única oração com quatro petições. 
 
 A supervalorização de uma simples oração: 
 
“Se você me perguntasse qual foi a frase que mais mexeu com a minha 
vida, eu diria que, depois da oração que fiz quando fui salvo, o clamor de um 
arrematador chamado Jabez - lembrado não pelo que fez, mas pela forma como 
orou e o que aconteceu depois - foi algo revolucionário para mim.” (pg.11) 
 
A exaltação que Wilkinson faz a essa oração comum, proferida 
por um ilustre desconhecido, é impressionante. Ele a expõe como um 
novo produto, como se fosse um novo medicamento capaz de curar 
uma doença até então incurável. Segundo os especialistas de 
marketing a primeira estratégia é a criação da identidade de marca 
forte. Sugerem eles: “Crie uma narrativa que destaque o impacto 
único do produto. Mostre como ele resolve um problema real.” 
 
Nas páginas deste livro encontramos algumas expressões ou 
rótulos que sugerem e contribuem para a divulgação e fixação dessa 
identidade de marca forte: 
 
“Orações de Jabez” (pg.77) 
“Compromissos de Jabez” (pg.40) 
“Experiência de Jabez” (pgs.42, 83) 
 SENHOR, ENSINA-NOS A ORAR 
 
173 | P á g i n a 
“Pegadas de Jabez” (pg.90) 
“Bênção(s) de Jabez” (pgs.16, 26, 93) 
“Mensagem de Jabez” (pg.16) 
“Milagre de Jabez” (pg.100) 
 
 
 Afirmações controversas: 
 
“A razão pela qual homens e mulheres de fé se destacam do resto é que 
eles pensam e oram de maneira diferente daqueles que o cercam.” (pg.20) 
Refutação: Entendo que não é apenas “pensar e orar diferente” 
que promove esse destaque. O assunto é muito mais complexo! 
Existem muitos outros fatores, como, por exemplo, o chamado de 
Deus, a unção e impulsionamento do Espírito Santo etc. – “porque Deus 
é quem efetua em vós tanto o querer como o realizar, segundo a sua boa 
vontade.” (Fp 2.13) 
 
“Ao clamarmos pela bênção de Deus, não estamos pedindo aquilo que 
poderíamos conseguir pelo nosso próprio esforço.” (pg.25) 
“Você não precisa de Deus para dar pequenos passos.” (pg.48) 
Refutação: Esta afirmação é um pouco forte. Se o Espírito de 
Deus está em nós e opera em nós será sempre muito difícil distinguir 
até onde vai a ação do homem e onde começa a ação de Deus. Prefiro 
clamar pela bênção de Deus em todo o tempo e por todas as coisas, 
por mínimas que possam parecer, a confiar na força do meu intelecto 
e do meu braço. 
 
“Sem a tentação, nós não pecaríamos.” (pg.73) 
Refutação: Além das tentações, há outros fatores que, segundo 
a Bíblia, contribuem para que o ser humano peque. Esses fatores estão 
relacionados à natureza humana, às condições do mundo em que 
vivemos e à atuação de forças espirituais. Nascemos com uma 
natureza inclinada ao pecado (Rm 5.12; Sl 51.5). Essa inclinação, 
chamada de "carne" ou "velha natureza", é interna e gera desejos 
 SENHOR, ENSINA-NOS A ORAR 
 
174 | P á g i n a 
contrários à vontade de Deus (Gl 5.16-17). Mesmo sem uma tentação 
externa, a natureza pecaminosa pode levar ao pecado. Muitas vezes, 
mesmo conhecendo o que é certo, escolhemos fazer o errado (Rm 
7.19). A falta de conhecimento da vontade de Deus ou da sua Palavra 
também nos leva ao pecado (Os 4.6). Pecamos não apenas por causa 
das tentações externas, mas também por fatores internos (como nossa 
natureza pecaminosa e nossas escolhas), pelo ambiente ao nosso redor 
e pela influência espiritual. A solução bíblica para vencer o pecado 
está na renovação da mente (Rm 12.2), no andar pelo Espírito (Gl 5.16) 
e na dependência da graça de Deus (Ef 2.8-9). 
 
Jabez certamente cria e agiu de acordo com o que tinha em seu coração. 
Dali em diante sua vida foi poupada da dor e do sofrimento que o mal traz. 
(pg.80) 
Refutação: Em que pese o fato de Deus ter atendido ao seu 
pedido, é difícil imaginar que Jabez tenha ficado isento de dor e 
sofrimento. Não há como viver neste mundo sem dor e sofrimento, 
quer por situações que nos atingem diretamente, quer por situações 
que atingem ao nosso próximo. Nem Jesus prometeu imunidade de 
dor e sofrimento para os seus seguidores: “No mundo, passais por 
aflições; mas tende bom ânimo; eu venci o mundo.” (Jo 16.33b) 
 
“Compartilho esta história porque ela é bem pessoal e, pelo menos para 
mim, é uma evidência chocante do que a graça de Deus e a oração de Jabez 
podem fazer.” (pg.98) 
“Apenas olhando aquilo que está acontecendo, posso lhe garantir que 
Deus ainda responde àqueles que tem um coração leal e fazem a 
oração de Jabez.” (pg.99) 
Refutação: Nos parece demasiadamente ousado e sem 
fundamentação bíblica afirmar que a oração de Jabez é aquele 
ingrediente adicional e milagroso, garantidor da resposta de Deus e 
capaz de produzir resultados extraordinários. 
 
 
 SENHOR, ENSINA-NOS A ORAR 
 
175 | P á g i n a 
c) Quatro aspectos importantes (a carne do peixe) 
 
Dispensando o “molho exótico” e colocando de lado as 
“espinhas do peixe”, temos diante de nós uma suculenta e saborosa 
“carne de peixe” para consumir! Descolando o livro de Wilkinson do 
contexto de Jabez, vejamos agora os quatro aspectos importantes e 
aplicáveis ao cristão que almeja ter uma vida abundante, em Cristo, e 
comprometida com a missão: 
 
 
 A BÊNÇÃO DE DEUS 
 “Oh! Tomara que me abençoes” 
 
Não há nada de errado em pedir a bênção de Deus para a nossa 
vida. Jesus mesmo nos ensinou e incentivou a isso: “pedi e recebereis, 
para que a vossa alegria seja completa.” (Jo 16.24); “Pedi, e dar-se-vos-á;” 
(Lc 11.9). O errado é o alinhamento com a Teologia da Prosperidade, 
cuja doutrina enfatiza que Deus deseja abençoar os fiéis com riqueza, 
saúde e sucesso. É o foco apenas nas coisas efêmeras e materiais desta 
vida, de forma egoísta, buscando apenas o que é de interesse pessoal: 
“pedis e não recebeis, porque pedis mal, para esbanjardes em vossos prazeres.” 
(Tg 4.3). Pedir a bênção de Deus é lícito e necessário; é reconhecer o 
poder e soberania divinos em face da limitação humana; é reconhecê-
lo como um Pai amoroso que se importa conosco. Tenhamos a 
convicção de que Deus não raciona respostas a orações como se lhe 
faltasse habilidade de gerar, prover, curar ou produzir. 
 
 
 INVESTIMENTO E CRESCIMENTO 
“E me alargues as fronteiras,” 
 
Não há nada de errado em pedir a Deus o crescimento na esfera 
pessoal e profissional, ou sucesso nos empreendimentos e negócios. 
Entretanto, mais nobre ainda é rogar a Deus por: crescimento 
 SENHOR,ENSINA-NOS A ORAR 
 
176 | P á g i n a 
espiritual; melhor entendimento da sua palavra; mais sabedoria para 
discernir a sua vontade; mais oportunidade para alcançar outras 
pessoas para Cristo; para ensinar, aconselhar e edificar vidas; para 
expandir o ministério e investir mais no crescimento do Reino de 
Deus. 
 
Quando fazemos estes pedidos com sinceridade e perseverança, 
desejando ter mais influência e responsabilidade na igreja e no Reino, 
com o propósito de honrar e glorificar a Deus, o Senhor, em sua 
fidelidade e de acordo com a sua vontade, irá colocar oportunidades 
e pessoas em nosso caminho. Quando estes pedidos começarem a ser 
atendidos e os novos desafios estiverem diante de nós, precisaremos 
reconhecer nisso a intervenção divina, e confiar que não estaremos 
sozinhos, pois poderemos contar com a orientação e força do Senhor. 
 
Deus há de intervir e nos honrar quando resolvemos deixar a 
nossa zona de conforto para investir e crescer, colocando as 
prioridades dele acima das nossas. 
 
 
 A PARCERIA COM DEUS 
“Que seja comigo a tua mão” 
 
Agora sim, cabe aqui aquela ideia de que esses quatro aspectos 
estão interligados, de tal modo que o primeiro mobiliza o segundo, 
que por sua vez mobiliza o terceiro, que mobiliza o quarto. Quando 
somos contemplados com a bênção de Deus em nossa vida, sendo 
verdadeiros crentes, desejaremos compartilhar e levar isso adiante, 
por exemplo, como fez a mulher samaritana. Então, rogamos a Deus 
por crescimento e expansão e ele também nos atende. 
 
Diante de novas situações desafiadoras, geradas pelo 
crescimento profissional ou empresarial ou eclesiástico, é comum ficar 
amedrontado, se sentindo incapaz de dar conta e, quem sabe, se 
 SENHOR, ENSINA-NOS A ORAR 
 
177 | P á g i n a 
questionar se deveria ter pedido a Deus essa “ampliação de 
fronteiras”. Foi mais ou menos isso que aconteceu com Pedro, quando 
viu Jesus andando sobre as águas e indo em sua direção. 
Aparentemente cheio de coragem, ele pede algo desafiador: “Senhor, 
manda-me ir ter contigo, por sobre as águas.” (Mt 14.29). Depois, ficou 
amedrontado: “Reparando, porém, na força do vento, teve medo; e, 
começando a submergir, gritou: Salva-me, Senhor!” (Mt 14.30). Então, é 
nessas horas que precisamos clamar pela presença e intervenção do 
Senhor: “E, prontamente, Jesus, estendendo a mão, tomou-o e lhe disse: 
Homem de pequena fé, por que duvidaste?” (Mt 14.31) 
 
“Que seja comigo a tua mão”. A expressão bíblica "a mão do Senhor 
estava com eles" aparece em diversos contextos nas Escrituras e 
carrega um significado profundo, relacionado à atuação direta e 
poderosa de Deus em favor ou sobre um grupo ou indivíduo, por 
exemplo: 
 
 É sinal da presença e da aprovação divinas. É Deus agindo de 
forma ativa, direcionando, protegendo ou abençoando. É 
uma indicação de que Deus está apoiando e capacitando 
aquela pessoa ou grupo para cumprir sua vontade. 
 
 É um sinal da manifestação do poder soberano de Deus, que 
intervém nas situações humanas, seja para abençoar ou para 
exercer juízo. Essa mão representa a autoridade divina em 
ação no mundo. 
 
 É a capacitação para tarefas difíceis. 
Em Ezequiel 37.1 a expressão indica que Ezequiel foi 
capacitado sobrenaturalmente por Deus para receber e 
proclamar a visão do vale de ossos secos: "Veio sobre mim a 
mão do Senhor..." 
 
 SENHOR, ENSINA-NOS A ORAR 
 
178 | P á g i n a 
“A mão do Senhor estava com eles, e muitos, crendo, se converteram ao 
Senhor.” (At 11.21) – É a garantia da realização de algo que vai além 
da capacidade humana. 
 
“Chegou a Jerusalém, segundo a boa mão do seu Deus sobre ele.” (Ed 
7.9) – Esdras reconhece que o sucesso de sua viagem e de sua missão 
não dependia apenas de esforço humano, mas da proteção e provisão 
de Deus. 
 
“para que todos vejam e saibam, considerem e juntamente entendam 
que a mão do SENHOR fez isso, e o Santo de Israel o criou.” (Is 41.20) – 
Quando as coisas acontecem é insensatez não reconhecer a 
intervenção divina. 
 
E, na grande comissão do fazer discípulos de todas as nações, 
desafio esse humanamente inatingível, Jesus promete aquela parceria 
indispensável: “E eis que estou convosco todos os dias até à consumação do 
século.” (Mt 28.20b) 
 
 
 A PROTEÇÃO DE DEUS 
“E me preserves do mal,” 
 
Vamos relembrar e atualizar aquele encadeamento dos quatro 
aspectos. Quando somos contemplados com a bênção de Deus em 
nossa vida, então, rogamos a Deus por crescimento e expansão e ele 
também nos atende. Diante de novas situações desafiadoras geradas 
pelo crescimento profissional ou empresarial ou eclesiástico 
ocorrendo o temor e se sentindo incapaz de dar conta, recorre-se, 
então, ao suporte e apoio divino: “Que seja comigo a tua mão”. Por fim, 
chegamos a esse último e importante aspecto. 
 
 SENHOR, ENSINA-NOS A ORAR 
 
179 | P á g i n a 
As nossas fronteiras foram expandidas e a “mão do Senhor” está 
conosco, isso significa que avançamos, conquistamos mais territórios 
para Deus. Então, passamos a lidar com algumas condições perigosas. 
 
Na perspectiva bíblica, os três principais inimigos do homem 
são: 
 
1º) A Carne (nossa natureza pecaminosa) 
 
Refere-se à inclinação humana ao pecado, herdada desde a 
queda de Adão e Eva (Rm 7.18-20; Gl 5.17). Nossa própria natureza 
nos leva a desejos contrários à vontade de Deus, tornando necessário 
o domínio do Espírito Santo para vencê-la (Rm 8.13). 
 
2º) O Mundo (o sistema oposto a Deus) 
 
O "mundo" não se refere à criação de Deus, mas ao sistema de 
valores, influências e ideologias contrárias à verdade divina (1Jo 2.15-
17; Tg 4.4). Ele nos atrai com prazeres momentâneos, status e riquezas, 
afastando-nos da dependência de Deus. Além disso, nele atuam forças 
que se opõem a Deus e a realização de sua vontade neste mundo. 
 
3. O Diabo (o adversário espiritual) 
 
Satanás é descrito como aquele que engana, acusa e busca afastar 
as pessoas de Deus (1Pe 5.8; Jo 10.10). Ele age por meio de tentações, 
enganos e oposições espirituais, tentando desviar os crentes do 
caminho da fé. 
 
Para vencer esses inimigos, a Bíblia nos ensina a andar no 
Espírito (Gl 5.16), renovar a mente pela Palavra (Rm 12.2) e resistir ao 
Diabo firmados na fé (Tg 4.7). 
 
 
 
 
 SENHOR, ENSINA-NOS A ORAR 
 
180 | P á g i n a 
 O inimigo interno (a carne) 
 
Uma vez superados, o medo inicial e a sensação de incapacidade 
diante desse novo cenário de mais responsabilidades e desafios, sendo 
sustentados e amparados pela boa mão de Deus, e diante de êxitos e 
novas realizações, há um risco sutil e perigoso: a inclinação à 
arrogância. Podemos ser tentados a atribuir o “sucesso”, seja material 
ou espiritual, exclusivamente às nossas habilidades e esforços, 
relaxando na dependência de Deus. Esse é o caminho certo para o 
fracasso! 
 
 O inimigo externo (o mundo) 
 
Relembremos aqui a conhecida máxima de que a toda ação 
corresponde uma reação de igual intensidade e no sentido contrário17. 
Quando se trata da expansão do Evangelho e do Reino de Deus na 
terra, essa verdade se torna não apenas teórica, mas plenamente 
verificável. Basta observar na própria Bíblia a intensa perseguição 
enfrentada por Jesus e, posteriormente, pelos apóstolos e pelos 
primeiros líderes cristãos. Além disso, é fundamental destacar a 
implacável sedução do mundo, cujo poder de distração e influência 
pode desviar um líder de sua missão ou até levá-lo à queda — seja por 
questões éticas, morais ou espirituais. 
 
 O inimigo espiritual (o Diabo) 
 
Satanás é aquele que, como o ladrão, veio para roubar, matar e 
destruir (Jo 10.10). Ele tentou Jesus no deserto e o fará com os seus 
seguidores: “Sede sóbrios e vigilantes. O diabo, vosso adversário, anda em 
derredor, como leão que ruge procurando alguém para devorar;” (1Pe 5.8). 
João diz que o mundo jaz no maligno, sob sua forte influência(1Jo 
5.19). Assim, quando a luz avança sobre as trevas, quanto mais 
penetramos em novos territórios para Cristo, mais precisaremos da 
proteção do Senhor contra os ataques do Diabo. Precisamos não 
 
17 Terceira Lei de Newton. 
 SENHOR, ENSINA-NOS A ORAR 
 
181 | P á g i n a 
descuidar e tomar toda a armadura de Deus (Ef 6.13-18), “embraçando 
sempre o escudo da fé, com o qual podereis apagar todos os dardos inflamados 
do Maligno.” (Ef 6.16). 
 
 
d) Uma comparação e considerações finais 
 
ORAÇÃO DO PAI NOSSO ORAÇÃO DE JABEZ 
Mateus 6.9-13 1Crônicas 4.9-10 
 
Pai nosso que estás nos céus, – 
Santificado seja o teu nome; – 
Venha o teu reino, – 
Faça-se a tua vontade, assim na terra como 
no céu; 
– 
O pão nosso de cada dia dá-nos hoje; Oh! Tomara que me abençoes 
– E me alargues as fronteiras, 
E perdoa-nos as nossas dívidas, – 
Assim como nós temos perdoado aos nossos 
devedores; 
– 
E não nos deixes cair em tentação; mas livra-
nos do mal 
Que seja comigo a tua mão e me preserves do 
mal, de modo que não me sobrevenha 
aflição! 
(Pois teu é o reino, o poder e a glória para 
sempre)(*) 
– 
 
Ao comparar a oração modelo de Jesus com a oração de Jabez 
verificamos que há poucos aspectos em comum. Estranhamos a ênfase 
que Wilkinson dá a oração de Jabez que não se encaixa na estrutura 
da oração modelo de Jesus! Aliás, o livro pouco fala sobre o que Jesus 
ensinou sobre a oração. 
 
Enfim, vejo o estilo do livro como uma abordagem que pretende 
apresentar entusiasticamente caminhos e soluções fantásticas para 
aqueles crentes que convivem com dúvidas, incertezas e sofrimento, 
ou seja, aqueles que ainda não foram contemplados com aquela vida 
abundante, empoderada, repleta de milagres e manifestações 
espirituais que esperavam alcançar quando entraram para a igreja 
cristã. O autor se expressa e parece seguir aquela mesma linha de 
sucesso e enorme venda dos livros de autoajuda, só que naquela outra 
 SENHOR, ENSINA-NOS A ORAR 
 
182 | P á g i n a 
versão de livros e pregações de “ajuda do alto”. O livro é classificado 
como um best-seller e menciona palestras com auditórios 
superlotados. Afinal, o apelo para se experimentar uma vida cristã 
plena e próspera, bem como a proposta subliminar de um caminho 
para se tornar melhor do que os demais crentes, tem o potencial de 
alcançar multidões, principalmente se isso depender apenas de uma 
fórmula “mágica” de oração. “Você terá um assento na primeira fila de 
um grande espetáculo: Uma vida cheia de milagres.” (pg. 48). “Bem-vindo ao 
rol de honra de Deus” (pg. 83). É essencial ter discernimento para 
diferenciar entre ser grandemente usado por Deus e a ambição pessoal 
de ser reconhecido pelos outros como alguém muito importante. 
 
Além da questão do estilo, vimos que há algumas afirmações um 
tanto quanto radicais que carecem de fundamentação bíblica. Por fim, 
pudemos abordar quatro aspectos, “inspirados” na oração de Jabez, 
que descolados dela apresentam uma interessante realidade que 
poderá ser vivida por muitos cristãos que ousarem viver uma vida 
cristã mais dedicada, proativa, frutífera e plena. 
 
 O propósito da análise e comentários sobre este livro deve ser 
visto como pedagógico, seguindo o exemplo dos irmãos de Bereia (At 
17.11), separando o joio, do trigo, naquilo que ouvimos e lemos. 
 
 
“Ora, estes de Beréia eram mais nobres que os de Tessalônica; pois receberam a 
palavra com toda a avidez, examinando as Escrituras todos os dias para ver se as 
coisas eram, de fato, assim.” (At 17.11) 
 
❖ 
 
 SENHOR, ENSINA-NOS A ORAR 
 
183 | P á g i n a 
 
 
 
 
 
16. A ORAÇÃO DE JÓ 
 
 
“Mudou o SENHOR a sorte de Jó, quando este orava pelos seus 
amigos; e o SENHOR deu-lhe o dobro de tudo o que antes possuíra.” 
(Jó 42.10) 
 
De certa forma, a oração de Jó, acima referida, pode ser vista 
como um contraponto a oração de Jabez. Jabez foi atendido e 
prosperou quando orou a Deus “por si mesmo”. Por outro lado, Jó foi 
atendido e prosperou quando intercedia “pelos seus amigos”, diz o 
texto bíblico. Ninguém ouse querer eleger esta oração de Jó como 
plataforma para especular uma fórmula mágica de sucesso, do tipo – 
Ore pelos amigos que Deus vai te fazer prosperar!? 
 
O que está expresso em Jó 42.10 é o resultado da intercessão de 
Jó pelos seus amigos. Entretanto, nos cinco primeiros versículos deste 
capítulo 42 há uma oração de Jó que nos traz alguns ensinamentos. 
 
“1 Então, respondeu Jó ao SENHOR: 
2 Bem sei que tudo podes, e nenhum dos teus planos pode ser frustrado. 
3 Quem é aquele, como disseste, que sem conhecimento encobre o 
conselho? Na verdade, falei do que não entendia; coisas maravilhosas demais 
para mim, coisas que eu não conhecia. 
4 Escuta-me, pois, havias dito, e eu falarei; eu te perguntarei, e tu me 
ensinarás. 
5 Eu te conhecia só de ouvir, mas agora os meus olhos te veem. 
6 Por isso, me abomino e me arrependo no pó e na cinza.” (Jó 42) 
 
 SENHOR, ENSINA-NOS A ORAR 
 
184 | P á g i n a 
Jó mantém uma relação autêntica e exemplar com Deus, mesmo 
em meio a um sofrimento incompreensível. Apesar das perdas 
devastadoras (de família, de saúde e de bens), dos sofrimentos e 
angústias, ele nunca renuncia sua fé, mas dialoga com Deus de 
maneira sincera – expressando suas dúvidas, queixas e clamor por 
respostas. Sua vida foi marcada tanto pela profunda fé quanto pela 
fragilidade humana. Ele se mostra diante de Deus, sem disfarces, 
buscando compreensão e justiça, mas sempre reafirmando sua 
confiança na soberania divina. 
 
“ainda que estivessem no meio dela estes três homens, Noé, 
Daniel e Jó, eles, pela sua justiça, salvariam apenas a sua própria 
vida, diz o SENHOR Deus.” (Ez 14.14) 
 
A Bíblia menciona e destaca a integridade de caráter e a 
fidelidade a Deus de alguns de seus personagens. Imagine o próprio 
Deus destacando a justiça e retidão, como no caso desses três: Noé, 
Daniel e Jó. No caso de Jó encontramos um maravilhoso e exclusivo 
duplo destaque. Primeiramente na narração: “Havia um homem na terra 
de Uz, cujo nome era Jó; homem íntegro e reto, temente a Deus e que se 
desviava do mal.” (Jó 1.1). Depois, pelo próprio Deus, na sua pergunta 
a Satanás: “Perguntou ainda o SENHOR a Satanás: Observaste o meu servo 
Jó? Porque ninguém há na terra semelhante a ele, homem íntegro e reto, 
temente a Deus e que se desvia do mal.” (Jó 1.8; ver tb Jó 2.3). Essa dupla 
referência ressalta não só a integridade moral e a retidão de Jó, mas 
também sua profunda reverência e compromisso com Deus, mesmo 
diante de adversidades extremas. 
 
Ao abordarmos um assunto como “oração”, tendo em mente 
aquele a quem nos dirigimos – Deus, o Todo Poderoso – como nosso 
amoroso Pai Celestial e, considerando que haverá empenho para se 
viver uma vida cristã com integridade e fidelidade a Deus, mesmo 
assim, precisamos lembrar que nada disso nos isentará de passar por 
 SENHOR, ENSINA-NOS A ORAR 
 
185 | P á g i n a 
provações, com curta ou longa duração. Basta olhar e refletir um 
pouco sobre o que Noé, Daniel e Jó passaram. 
 
A inclusão do caso de Jó, neste estudo, cumpre o propósito de 
promover uma maior reflexão quanto ao enfrentamento de 
adversidades, o que é comum nesta caminhada e passagem terrenas, 
e é quando todos se voltam mais para Deus e para buscar o socorro 
divino, em oração. O livro provoca a reflexão sobre uma antiga e 
sempre atual pergunta: “Por que sofrem os justos, se Deus é um Deus 
de amor e misericórdia?”. O fato é que precisamos nos submeter à 
soberania de Deus. 
 
Numa macrovisão, o livro de Jó narra: 
 
 1. A situação inicial de Jó (Jó 1.1-5). 
 2. As propostas de Satanás, as permissões de Deus e a 
calamidade resultante na vida de Jó (Jó 1.6 – 2.6). 
 3. O embate entre Jó e sua esposa (Jó 2.7-10). 
 4. O silêncio de desolação dos amigos de Jó (Jó 2.11-13). 
 5. Os diálogos/discursosde Jó e de seus amigos (Jó 3.1 – 37.24). 
 6. Os diálogos entre Deus e Jó (Jó 38.1 – 41.34). 
 7. A oração (de arrependimento) de Jó (Jó 42.1-6). 
 8. A resposta de Deus aos amigos de Jó (Jó 42.7-9). 
 9. A restauração de Jó (Jó 42.10-17). 
 
Os três amigos de Jó – Elifaz, Bildade e Zofar – se equivocaram 
e foram reprovados por Deus porque se fixaram no mesmo conceito, 
que se tornou uma acusação: “Todo o sofrimento é consequência do 
pecado cometido.”(Jó 42.7). O quarto amigo, Eliú, ficou de fora da 
condenação divina porque fundamentou os seus discursos em outras 
perspectivas: 1º) Confrontou Jó por sua autojustificação e sua 
pretensão de ser mais justo do que Deus (Jó 32.2); 2º) Rechaçou os 
outros três amigos de Jó, por tê-lo condenado (Jó 32.3) e não ter falado 
de Deus o que era correto (Jó 42.7). 
 SENHOR, ENSINA-NOS A ORAR 
 
186 | P á g i n a 
Quando Deus rompe o seu silêncio e fala diretamente a Jó, a 
partir do capítulo 38, Jó não tem o que retrucar; ele guarda silêncio (Jó 
40.3-5). A essência da resposta de Deus a Jó reside na revelação da 
infinita sabedoria e soberania divinas, contrastando com a limitada 
compreensão humana. Em sua resposta, Deus não oferece uma 
explicação direta sobre o sofrimento de Jó ou uma solução para seu 
dilema, mas, através de uma série de perguntas retóricas e descrições 
da ordem da criação, enfatiza os seguintes pontos: 
 
a) A grandeza da criação: 
 
Deus desafia Jó a explicar a origem e o funcionamento do 
universo – desde a fundação da terra (Jó 38.4-7) até os mistérios do 
mar, das estações e dos fenômenos naturais (Jó 38.22-30). Essa 
exposição demonstra que a complexidade e a magnitude do mundo 
natural estão além do alcance do entendimento humano. 
 
b) A Soberania de Deus: 
 
Ao questionar "Onde você estava quando eu fundava a terra?" 
(Jó 38.4) e ao descrever criaturas poderosas como o Leviatã (Jó 41), 
Deus deixa claro que ele é o único que detém o controle absoluto sobre 
toda a criação. Nada ocorre sem o seu conhecimento e permissão, 
colocando o poder humano em perspectiva. 
 
c) A limitação humana: 
 
Deus evidencia que, enquanto o homem pode ter algum 
conhecimento prático do mundo, ele não é capaz de compreender os 
propósitos e os mistérios do Criador. Jó é convidado a reconhecer a 
sua própria finitude e a imensidão do universo que Deus criou, e que, 
por isso, não está em posição de julgar ou questionar os desígnios 
divinos. 
 
 
 
 SENHOR, ENSINA-NOS A ORAR 
 
187 | P á g i n a 
d) O convite à humildade e à confiança: 
 
Ao revelar os detalhes intricados da natureza e dos seres vivos, 
Deus não apenas reafirma seu poder, mas também convida Jó (e, por 
extensão, o leitor) a uma postura de humildade e reverência. A 
mensagem é que, mesmo diante do sofrimento, a confiança em Deus 
deve prevalecer, pois o entendimento humano é limitado diante do 
incomensurável plano divino. 
 
Por fim, chegamos à resposta de Jó, a sua oração de 
arrependimento, que contém Adoração, Confissão e Petição. 
 
“1 Então, respondeu Jó ao SENHOR: 
2 Bem sei que tudo podes, e nenhum dos teus planos pode ser 
frustrado.” 
 
Jó se rende ao poder e soberania divinos e que ele tem planos e 
desígnios para todos, pois ele governa e dirige a história. 
 
“3 Quem é aquele, como disseste, que sem conhecimento encobre 
o conselho? Na verdade, falei do que não entendia; coisas 
maravilhosas demais para mim, coisas que eu não conhecia.” 
 
Jó confessa sua insensatez, falando do que não entendia, e é o 
que ousamos fazer muitas vezes por achar que os nossos planos têm 
precedência sobre os planos de Deus. 
 
4 Escuta-me, pois, havias dito, e eu falarei; eu te perguntarei, e 
tu me ensinarás. 
5 Eu te conhecia só de ouvir, mas agora os meus olhos te veem. 
6 Por isso, me abomino e me arrependo no pó e na cinza.” 
 
Jó, arrependido e quebrantado faz a sua petição “escuta-me” e 
ensina-me aquilo que eu te perguntar. No versículo 5 ele faz a mais 
sublime confissão. Ele então declara o quanto aquela dolorosa 
experiência trouxe-lhe um resultado extraordinário, uma nova e 
 SENHOR, ENSINA-NOS A ORAR 
 
188 | P á g i n a 
elevada visão do Senhor! Portanto, é nas mais intensas provações que 
podemos experimentar a mais significativa visão de Deus. 
 
Nas provações mais intensas, quando a alma se vê cercada pela 
dor e pela incerteza, é nesse aperto que Deus se revela de maneira 
mais profunda e transformadora. Além de Jó, o apóstolo Paulo 
também experimentou intensas provações, desde perseguições e 
prisões até naufrágios, mas em cada uma dessas situações difíceis, ele 
encontrou momentos de revelação e fortalecimento espiritual. Em 
suas cartas, Paulo menciona como, mesmo em meio à fraqueza, o 
poder de Deus se manifestava em sua vida (2Co 12.9-10). Assim, seus 
desafios foram instrumentos que o conduziram a uma visão mais clara 
da graça e do poder de Deus, transformando a sua fraqueza em força 
e testemunho. 
 
“Em toda a angústia deles, foi ele angustiado, e o Anjo da sua 
presença os salvou; pelo seu amor e pela sua compaixão, ele os remiu, 
os tomou e os conduziu todos os dias da antiguidade.” (Is 63.9) 
 
Vejamos alguns exemplos do amparo divino em tempos de 
provação e angústia: 
 
 Num tempo de corrupção generalizada da raça humana e 
da iminência da destruição do dilúvio, Deus se manifestou 
a Noé (Gn 6.11-13). 
 
 Em meio à fuga e aflição, Hagar é encontrada por um anjo 
que a conforta e anuncia promessas para seus descendentes 
(Gn 16.7-12). 
 
 No momento crítico em que Abraão se dispôs a sacrificar 
Isaque, um anjo do Senhor o detém, confirmando a aliança 
divina (Gn 22.11-18). 
 SENHOR, ENSINA-NOS A ORAR 
 
189 | P á g i n a 
 
 No momento crítico de crise entre Jacó e seu sogro Labão, 
Deus o orienta a retornar à terra dos seus pais (Gn 31.1-3). 
 
 No momento de extrema aflição do povo de Israel, no Egito, 
o Anjo do Senhor aparece a Moisés numa sarça ardente e o 
chama para libertá-los da escravidão (Êx 3.1-22) 
 
 Em todos os momentos críticos da jornada de Israel rumo a 
Canaã, o Senhor esteve presente com Moisés e Josué, 
suprindo água e alimento, conduzindo nas rebeliões do 
povo e dando vitória nas batalhas. 
 
 Diante do enorme desafio da conquista de Jericó, o príncipe 
do exército do Senhor se apresenta a Josué para fortalecê-
lo (Js 5.13-15). 
 
 Enquanto trabalhava discretamente, Gideão é surpreendido 
pela visita de um anjo que o chama para libertar Israel da 
opressão dos midianitas (Jz 6.11-24). 
 
 Temeroso e muito abalado Elias foge de Jezabel que 
decretou sua morte. O anjo do Senhor o sustenta e orienta 
(1Rs 19.1-18). 
 
 Durante um tempo de profunda angústia e oração pela 
nação no exílio, Daniel recebe a visita do anjo Gabriel, que 
esclarece a visão das setenta semanas (Dn 9.20-27). 
 
 No momento de profunda angústia, enquanto se preparava 
para a crucificação, Jesus é fortalecido por um anjo que 
aparece a ele (Lc 22.43). 
 SENHOR, ENSINA-NOS A ORAR 
 
190 | P á g i n a 
 
 Durante a perseguição, enquanto Pedro está preso, um anjo 
do Senhor irrompe na cela, conduzindo-o para a liberdade 
de forma milagrosa (At 5.19; 12.5-11). 
................... 
 
Transcorria o ano de 1988 quando fomos drasticamente 
surpreendidos com a notícia de que a minha querida mãe Elvira fora 
diagnosticada com câncer. Mulher de oração, dedicada ao testemunho 
cristão, não perdia a oportunidade de levar uma palavra de salvação, 
de conforto e de conselho às pessoas com quem se relacionava. Mulher 
simples, mas sábia, que nunca se preocupou com cargos, títulos e 
projeção pessoal. Agindo sempre no anonimato, com muito amor e 
mansidão deixou um rastro característico de mulher virtuosa: esposa 
fiel, parceira e incansável nas batalhas da vida; mãe dedicada, 
caprichosa e atenciosa; sogra imparcial e agregadora; avó carinhosa e 
chameguenta; uma verdadeiracidadã dos céus empenhada em doar 
sua vida pela causa do Mestre – Jesus Cristo; sempre conselheira e 
pacificadora. Mulher cristã evangélica que se enquadra na 
recomendação de Tiago 3.13 -“Quem entre vós é sábio e inteligente? 
Mostre em mansidão de sabedoria, mediante condigno proceder, as suas 
obras.” 
 
Em que pese sua vida piedosa, essa devastadora, dolorosa e letal 
enfermidade a alcançou. Houve uma mobilização geral de oração, na 
família, na igreja local e em outras igrejas. Pessoalmente eu me 
entreguei a jejuns e orações, principalmente de madrugada e 
prostrado, rosto no chão. Foi um tempo precioso de comunhão e 
intimidade com o Senhor. Os recursos da medicina foram buscados, 
porém, naquela época, eram muito menores do que os disponíveis 
atualmente. Para nós foi extremamente doloroso perceber seu estado 
se agravando a cada dia. Finalmente, em 1990, o Senhor a tomou para 
si. Em nada isso abalou a nossa fé e confiança em Deus e no seu poder. 
A sua vontade se consumou e nós a aceitamos! 
 SENHOR, ENSINA-NOS A ORAR 
 
191 | P á g i n a 
Muito nos confortou e ainda conforta o fato de Deus nos ter 
concedido a bênção do seu convívio durante tantos anos. 
Principalmente quando consideramos que, quando ela tinha cerca de 
15 anos, morava na ilha de São Miguel – Açores (Portugal), contraiu 
uma pneumonia grave que não passava. Soube-se que um rapaz 
conhecido da família, também teve uma pneumonia e acabou 
falecendo. A apreensão era grande porque os recursos daquela época 
(1944) e naquele lugar, eram muito limitados. Entretanto, aprouve a 
Deus curá-la, preservando-a, permitindo que uns seis anos depois se 
casasse e emigrasse para o Brasil, onde a família se estabeleceu e 
cresceu. Há em nós aquele permanente sentimento de gratidão a Deus 
por nos ter dado pais que nos ensinaram no caminho do Senhor e nos 
deixaram o exemplo de tê-lo amado e servido com intensidade e 
integridade. Soli Deo gloria! A Deus toda a glória e honra; ontem, hoje 
e sempre! 
 
 
 ❖
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 SENHOR, ENSINA-NOS A ORAR 
 
193 | P á g i n a 
 
 
 
 
 
17. O VOTO (PACTO) DE JACÓ 
 
“Fez também Jacó um voto, dizendo: Se Deus for comigo, e me 
guardar nesta jornada que empreendo, e me der pão para comer e 
roupa que me vista, de maneira que eu volte em paz para a casa de 
meu pai, então, o SENHOR será o meu Deus; e a pedra, que erigi por 
coluna, será a Casa de Deus; e, de tudo quanto me concederes, 
certamente eu te darei o dízimo.” (Gn 28.20-22) 
 
Há muito tempo atrás, conversando com um casal que eu estava 
evangelizando, eles contaram algo inusitado. Disseram que tanto eles, 
como algumas pessoas de suas relações (não cristãos), estavam 
trabalhando como taxistas e fizeram uma espécie de voto a Deus de 
dar o dízimo, se tivessem sucesso na profissão. Logo me veio à mente 
o pacto ou voto de Jacó. Sem dúvida, trata-se de uma visão estranha 
do dízimo, já que Deus quer que, antes de tudo, entreguemos as 
nossas vidas a ele; sendo, nossos dízimos e ofertas, consequência 
natural daquele que é o passo mais importante. 
 
De certa forma é comum e normalmente oportuno, nós mesmos 
ou os pregadores e professores da Palavra de Deus, mencionarmos 
exemplos de personagens bíblicos ou de situações por eles vividas, 
para aplicação na igreja, ou no cotidiano dos cristãos. Por vezes, nós 
cristãos, nascidos de novo, podemos ser desafiados, quando 
enfrentando dificuldades financeiras, desemprego, dentre outras, 
emocionalmente abalados, a seguir o exemplo de Jacó e fazermos, com 
Deus, este mesmo pacto. Entretanto, é preciso tomar certo cuidado 
com esse pacto ou voto de Jacó, como veremos adiante. 
 
 SENHOR, ENSINA-NOS A ORAR 
 
194 | P á g i n a 
17.1 As circunstâncias do pacto 
 
Em que circunstâncias Jacó disse isso? Quando o patriarca fez 
esse pacto ou voto ou promessa, ele vivenciava uma crise existencial 
inimaginável. Ameaçado de morte, pelo seu irmão Esaú a quem 
enganara. Estava fugindo e deixando para trás tudo o que tinha: sua 
casa, sua parentela, seus amigos, seu povo e tudo aquilo a que havia 
se apegado e que fazia parte integrante de sua vida até aquele 
momento. Olhando para frente, sua situação estava longe de ser 
confortável. A viagem seria extremamente longa (Gn 28.6, 10): de 
Berseba a Betel, cerca de 120Km (26 horas de caminhada); e, de Betel 
a Padã-Arã (Harã), cerca de 860 Km (175 horas de caminhada). Os 
perigos da viagem, o desconforto e os desafios de sobreviver eram 
bem reais, e o futuro incerto. Assim, partindo de Berseba no auge da 
sua aflição, ele chegou à cidade de Luz. Ali ele teve um sonho e o 
Senhor falou com ele e lhe fez promessas (Gn 28.12-17). Tão forte foi o 
impacto daquele momento, que ele deu o nome de Betel (que significa 
“casa de Deus”), àquela cidade. Foi nestas circunstâncias que Jacó, 
então, fez o seu voto. 
 
 
 SENHOR, ENSINA-NOS A ORAR 
 
195 | P á g i n a 
 
17.2 Alguns aspectos do pacto 
 
a) O estabelecimento de condições (Se……, então…..) 
 
Na gramática portuguesa: 
 
Se – conjunção subordinativa condicional: exprime sentido de 
condição. 
Então – Conjunção coordenativa conclusiva: indica relação de 
conclusão. 
 
Na matemática: 
Conectivos Lógicos: Se -> Então 
Que poderia ilustrar o pacto, como abaixo: 
 
 
b) A petulância de Jacó 
 
Jacó nasceu quando seu pai Isaque tinha 60 anos (Gn 25.26) e seu 
avô Abraão 160 anos (Gn 21.5). Abraão viveu 175 anos (Gn 25.7), 
sendo os seus últimos 15 anos, os 15 primeiros da vida de Jacó. 
 
Embora muito idoso, Abraão foi contemporâneo de Jacó, e o seu 
impactante legado deve ter influenciado sua vida. Afinal, Abraão creu 
 SENHOR, ENSINA-NOS A ORAR 
 
196 | P á g i n a 
no Senhor (Gn 15.6), fez uma aliança com Deus e dele recebeu 
promessas (Gn 15.7-21), que foi renovada e incluiu a mudança do seu 
nome e a sua descendência (Gn 17). Apesar de alguns tropeços, 
Abraão desfrutou de comunhão com Deus, foi um profeta (Gn 20.7), 
foi um intercessor (Gn 20.17), foi um dizimista (Gn 14.20), foi fiel ao 
Senhor (Gn 26.5), foi chamado o pai da fé (Rm 4.11; Gl 3.6-7), tendo 
recebido grande destaque na “Galeria dos Heróis da Fé” (Hb 11.8-19). 
 
Isaque, pai de Jacó, não teve um currículo tão extenso quanto o 
de seu pai Abraão. Também teve lá os seus tropeços, como qualquer 
outro ser humano. Mas, por 20 anos orou por sua esposa Rebeca e esta 
concebeu (Gn 25.19-21, 26); o Senhor aparecia e falava com ele (Gn 
26.2-5; 26.24); o Senhor o abençoava e o fazia prosperar (Gn 26.12-14); 
foi um pacificador, sempre indo adiante, ao invés de ficar e lutar por 
seus direitos (Gn 15.16-22); foi um cavador de poços (Gn 26.18-22) e 
foi um edificador de altares ao Senhor (Gn 26.25). 
 
Apesar de Jacó ter recebido um legado tão especial quanto esse, 
ficamos um tanto quanto chocados com o registro de suas palavras: 
“então, o SENHOR será o meu Deus;”. Se poderia vir a ser seu Deus é 
porque ainda não era! Ele não escondia de ninguém que o Deus era 
do seu pai e não dele (Gn 27.20; 32.9). O que dizer da vida pregressa 
de Jacó, além dessa triste nota? Certa vez ouvi falar de algo como a 
Síndrome da Terceira Geração. Não é que eu acredite nela ou que ela 
seja verdadeira e regra geral. Faço aqui apenas uma menção 
despretensiosa. Se não me falha a memória é mais ou menos assim: a 
primeira geração é totalmente comprometida com Deus e sua igreja; a 
segunda geração, nem tanto; e, então, a terceira geração tende a se 
desviar dos caminhos do Senhor. Estaria Jacó vivendo essa síndrome? 
 
Sua vida e vivência familiar havia sido um tanto quanto 
complicada. Já no ventre materno “lutava” com seu irmão gêmeo Esaú 
(Gn 25.22). Era um homem pacato e caseiro, protegido da mãe, já que 
seu irmão Esaú era o preferidodo pai (Gn 25.27-28). Quão prejudicial 
 SENHOR, ENSINA-NOS A ORAR 
 
197 | P á g i n a 
para a formação de filhos é essa predileção paternal e maternal! Seu 
primeiro ato, no teatro da vida, foi a sua “artimanha” para comprar o 
direito de primogenitura do seu irmão (Gn 25.29-34; ver Hb 12.16-17). 
No segundo ato ardiloso, para enganar o pai Isaque, a roteirista foi a 
sua mãe Rebeca e ele o protagonista (Gn 27). Isso porque Isaque não 
escondia sua predileção por Esaú e pretendia dar-lhe a bênção do 
primogênito (Gn 27.2-4), desconsiderando o episódio da venda 
daquele direito. Por outro lado, a mãe poderia estar se valendo da 
resposta que recebera do Senhor, antes do nascimento dos 
gêmeos: “Respondeu-lhe o SENHOR: Duas nações há no teu ventre, dois 
povos, nascidos de ti, se dividirão: um povo será mais forte que o outro, e o 
mais velho servirá ao mais moço.” (Gn 25.23; Ml 1.2-3). Ela permanecia de 
prontidão, quando um dia ouviu o seu marido passar as instruções 
para Esaú (Gn 27.5) e tratou de colocar seu plano em ação. Plano esse 
que já deveria estar pronto há algum tempo. Quanta astúcia, 
imaginação e criatividade de Rebeca para fazer Jacó se passar por Esaú 
e apropriar-se da bênção da primogenitura! Quanto cuidado com os 
detalhes! Quanta tensão e emoção no desenrolar do ato (Gn 27.18-40); 
mentalmente, quase dá para ouvir aquela música de suspense, de 
fundo. Foi dessa forma que a crise familiar se instalou (Gn 27.41). 
Entretanto, não faltava criatividade a Rebeca para traçar planos (Gn 
27.42-45) e enrolar seu marido (Gn 27.46). 
 
Esta é a síntese da desastrosa vida pregressa de Jacó. Agora, fora 
da tutela da mãe, um tanto quanto despreparado para conduzir sua 
vida, ele mostra sua petulância e atrevimento ao impor condições a 
Deus, em vez de se submeter ao Senhor. Ele entristece o Senhor ao 
mostrar-se ser do tipo que quer ver, para crer: “Disse-lhe Jesus: Porque 
me viste, creste? Bem-aventurados os que não viram e creram.” (Jo 20.29). 
Mas Deus tinha um propósito específico na vida de Jacó (Gn 25.23; Rm 
9.11-13). Não é o caso aqui de entrarmos em detalhes sobre sua vida 
posterior. Basta lembrar que ele passará por muitas provações e 
aflições, será sustentado por Deus e acabará tendo um encontro 
 SENHOR, ENSINA-NOS A ORAR 
 
198 | P á g i n a 
pessoal com Deus e seu nome será mudado de Jacó, para Israel (Gn 
32.22-30). 
As alianças do Antigo Testamento eram condicionais e 
estabelecidas por Deus (Dt 11.26-28). Numa época assim, o homem 
propor um pacto com Deus era sinal de petulância. 
 
17.3 O pacto do cristão 
 
Se, como cristãos, tivéssemos que aproveitar alguma coisa do 
pacto de Jacó, para formularmos o pacto do cristão, creio que 
poderíamos expressá-lo reestruturando as frases, trocando condição 
por causa, mais ou menos nesses termos: 
 
“Porque tu, Senhor, és o meu Deus, que me compraste com o 
precioso sangue do teu Filho Jesus. E, creio que tu, Senhor, me 
conduzirás em paz e segurança. E, serei por ti sustentado, com pão 
para comer e roupa que me vista. Pois tu, Senhor, estarás comigo 
durante toda a minha peregrinação neste mundo. Então, eu te darei o 
dízimo de tudo o que me concederes, incondicionalmente. Pois é de 
minha responsabilidade que a Casa do Senhor seja edificada e 
sustentada.” 
 
Na gramática portuguesa: 
Porque – conjunção subordinativa causal: exprime sentido de 
causa. 
Então – Conjunção coordenativa conclusiva: indica relação de 
conclusão. 
 
Então, vejamos: 
 
Porque tu, Senhor, és o meu Deus, que me compraste com o 
precioso sangue do teu Filho Jesus. 
 
A certeza de que o Senhor é o meu Deus, é sim o fator 
preponderante para todo o meu agir. Ele sempre será Deus, 
 SENHOR, ENSINA-NOS A ORAR 
 
199 | P á g i n a 
independentemente do que eu pense ou faça. Ele não precisa provar 
para quem quer que seja ou fazer algo mais, para que alguém o possa 
chamar de “meu Deus”. Ele já fez tudo! Ele entregou seu Filho, nos 
comprando por precioso preço. 
 
E, creio que tu, Senhor, me conduzirás em paz e segurança. 
 
Os desafios da vida cotidiana são muitos e, por vezes, 
imprevisíveis. Há muitos elementos e situações que fogem ao nosso 
controle, pois dependem de terceiros. Porém, isso não pode ser motivo 
de intranquilidade e de apreensão. Deus está no controle de tudo! 
Basta a nós, seus filhos, confiarmos nele; descansarmos nele e na força 
do seu poder! 
 
E, serei por ti sustentado, com pão para comer e roupa que me 
vista. 
 
A presença do Senhor junto aos seus remidos é a garantia do seu 
cuidado e sustento: “Portanto, não vos inquieteis, dizendo: Que 
comeremos? Que beberemos? Ou: Com que nos vestiremos? buscai, pois, em 
primeiro lugar, o seu reino e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão 
acrescentadas.” (Mt 6.31, 33) 
 
Pois tu, Senhor, estarás comigo durante toda a minha 
peregrinação neste mundo. 
 
Aquele que pertence ao Senhor pode tranquilizar seu coração, 
pois Jesus prometeu estar conosco: “E eis que estou convosco todos os dias 
até à consumação do século.” (Mt 28.20b) 
 
Então, eu te darei o dízimo de tudo o que me concederes, 
incondicionalmente. 
 
 SENHOR, ENSINA-NOS A ORAR 
 
200 | P á g i n a 
A questão central aqui é que a pessoa salva por Cristo não tem o 
direito de estabelecer ou impor qualquer condição prévia para, só 
então, responder graciosamente, após ter recebido a “bênção pactuada 
com Deus”. Na verdade, a pessoa remida por Cristo já recebeu o que 
há de mais precioso – a Vida Eterna. Desta forma, a vida presente não 
é mais sua. Assim, tudo o que tem, por Deus concedido, deve ser 
usado com sabedoria. Este não dará quando receber, porém dará na 
medida das suas posses, porque já recebeu uma tão grande salvação. 
 
Pois é de minha responsabilidade que a Casa do Senhor seja 
edificada e sustentada. 
 
Ainda que o dízimo não seja uma doutrina explícita para a 
igreja, o povo da Nova Aliança, fica claro nas epístolas do NT que os 
membros da igreja devem sustentá-la com os seus recursos. E, como 
fazer isso? Em termos práticos, há pelo menos duas formas: 
1ª)Calcula-se o custo total de operação, manutenção e investimento da 
igreja e se faz um rateio do valor por todos os seus membros, 
proporcional: “…na medida de suas posses e mesmo acima delas,” (2Co 
8.3). 2ª)A partir do valor total arrecadado com dízimos e ofertas, são 
estabelecidas as condições de operação, manutenção e investimento 
da igreja. Essa segunda opção parece ser a mais usada pelas igrejas. 
Não é o caso aqui de tratarmos da doutrina neotestamentária da 
contribuição, mas, apenas lembrar que é nossa responsabilidade e 
privilégio sustentar financeiramente e moralmente a igreja de Cristo, 
sem estabelecer qualquer condição. 
 
 
 ❖ 
 
 SENHOR, ENSINA-NOS A ORAR 
 
201 | P á g i n a 
 
 
 
 
 
18. ORAÇÕES NA BÍBLIA 
 
Há registros na bíblia de muitas pessoas que oraram, mas não “do que” 
oraram. Apresentamos, abaixo, algumas dessas orações que foram “transcritas” na 
bíblia: 
 
Descrição Texto bíblico Tipo 
Oração de Jacó Gênesis 32.9-12 Petição 
Oração de Moisés Deuteronômio 9.25-29 Petição 
Oração de Manoá Juízes 13.8 Petição 
Oração e voto de Ana 1Samuel 1.10-13 Petição 
Oração e cântico de Ana 1Samuel 2.1-10 Agradecimento e Adoração 
Oração e consulta de 
Davi (em Queila) 
1Samuel 23.10-12 Petição 
A oração de Davi 
(na Casa do Senhor) 
2Samuel 7.18-29 
1Crônicas 17.16-27 
Agradecimento, Adoração e Petição 
Oração de Salomão 
(particular) 
1Reis 3.3-9 Petição (sonho) 
Oração de Salomão 
(pública) 
1Reis 8.22-61 
2Cr 6.12-42 
Adoração, Petição e Intercessão 
Orações de Eliseu 2Reis 6.17, 18 Petição 
Oração de Ezequias 
(livramento) 
2Reis 19.15-19 
Isaías 37.15-20 
Adoração e Petição 
Oração de Ezequias 
(cura) 
2Reis 20.2-3 
Isaías 38.2-3 
Petição 
Oração de Jabez 1Crônicas❖ 
 
“A Oração e a leitura da Bíblia são como as duas asas de um pássaro; sem elas o 
pássaro não voa e o crente não cresce espiritualmente, não avança na fé e não se 
sustenta diante das adversidades da vida." 
SENHOR, ENSINA-NOS A ORAR 
 
21 | P á g i n a 
 
 
 
 
 
3. UMA REFLEXÃO INICIAL 
 
A concepção que temos sobre as coisas que nos cercam 
determina o nosso comportamento. Partindo deste princípio, 
podemos afirmar que "a concepção que temos sobre a atuação de Deus 
e a oração determina a nossa vida de oração." 
 
3.1 Concepções e Comportamentos 
 
Vejamos as duas principais concepções e comportamentos sobre 
a oração: 
 
1°) A CONCEPÇÃO DE DELEGAÇÃO 
 
Raciocínio: Agora me tornei um filho de Deus. Deus 
conhece todas as minhas necessidades (Mt 6.8). Porque ele 
me ama, certamente não me deixará em falta (Sl 23), afinal, 
Paulo diz que todas as coisas cooperam para o bem 
daqueles que amam a Deus (Rom 8.28). Além do mais, eu não somente 
amo a Deus, como tenho feito conforme diz o salmista: "Entrega o teu 
caminho ao Senhor, confia nele e o mais ele fará" (Sl 37.5). 
 
Comportamento: Como a responsabilidade pelo meu 
bem-estar é de Deus, vou vivendo o melhor que posso e 
nem preciso importunar a Deus toda hora com meus 
pedidos, pois ele já disse que me ajudará. Quando a 
situação apertar para o meu lado, aí sim orarei com insistência. 
CUIDADO! 
 
 
SENHOR, ENSINA-NOS A ORAR 
 
22 | P á g i n a 
2°) A CONCEPÇÃO DE CORRESPONSABILIDADE 
 
Raciocínio: Todas as promessas que Deus fez quanto a me 
ajudar são verdadeiras, porém estão condicionadas a que 
eu apresente a ele as minhas necessidades, em oração. 
 
Comportamento: Eu faço as coisas como se tudo 
dependesse de mim e, ao mesmo tempo, oro como se tudo 
dependesse de Deus. O quadro que melhor ilustra esta 
concepção é o de Êxodo 17.8-13: O exército de Israel 
guerreava contra os amalequitas, mas era a mão de Moisés levantada, 
simbolizando a ação divina, que o fazia prevalecer contra o inimigo. 
Nesta concepção a oração funciona como uma chave, que abre “portas 
espirituais”, concedendo acesso aos recursos divinos; ou liga/aciona 
“dispositivos espirituais” que fazem o sobrenatural acontecer na 
esfera humana! 
 
3.2 O que é oração? 
 
Seria possível definir ou resumir com apenas uma 
frase o que é a oração? Não parece muito provável, mas há 
algumas frases e ideias interessantes. Também há outras 
que procuram nos exortar ou estimular a orar. Por 
exemplo: 
 
“A oração é a fusão do desejo finito com a vontade infinita de Deus.” 
 
"A oração é o canal aberto por meio do qual Deus opera a sua vontade." 
 
“A oração é a chave nas mãos da fé que pode abrir o celeiro do Céu, onde 
estão os inesgotáveis recursos divinos para as nossas vidas.” 
 
.................... 
 
Alguém disse.... 
SENHOR, ENSINA-NOS A ORAR 
 
23 | P á g i n a 
Nossa carne não deseja orar. Nossa natureza humana decaída se 
inclinará para muitas coisas, menos para oração. Por isso precisamos ser 
insistentemente exortados a nos colocar de joelhos. Ouvir o que grandes 
homens de oração disseram a respeito disso é uma forma de receber essa 
exortação. 
 
“Eu posso fazer mais que orar, depois de ter orado, mas eu não posso 
fazer mais que orar, até que tenha orado!” (John Bunyan) 
 
“Quando agimos, colhemos os frutos do nosso trabalho, mas, quando 
oramos, colhemos os frutos do trabalho de Deus.” (Hans Von Staden) 
 
“Não há nada que nos faça amar tanto uma pessoa quanto orar por ela.” 
(Willian Law) 
 
“Sempre que Deus deseja realizar algo, ele convoca seu povo para orar.” 
(Charles Spurgeon) 
 
“Quando trabalhamos, nós trabalhamos; quando oramos, Deus 
trabalha.” (Hudson Taylor) 
 
“Eu preferiria ensinar um homem a orar, a dez homens a pregar.” 
(Charles Spurgeon) 
 
“A maior preocupação do diabo é afastar os cristãos da oração. Ele não 
teme os estudos, nem o trabalho e nem a religião daqueles que não oram. Ele 
ri de nossa labuta, zomba de nossa sabedoria, mas treme quando nós oramos.” 
(Samuel Chadwick) 
 
“O homem que mobiliza a igreja cristã para orar estará dando a maior 
contribuição para a história da evangelização do mundo.” (Andrew Murray) 
 
 “Os homens podem desdenhar nossos apelos, rejeitar nossa mensagem, 
opor-se a nossos argumentos, desprezar-nos, mas nada podem fazer contra 
nossas orações.” (Sidlow Baxter) 
 
“Nunca pedi coisa alguma em oração sem um dia, afinal, recebê-la de 
alguma maneira, de alguma forma.” (Charles Muller) 
 
"Deus nada faz a não ser em resposta à oração." (John Wesley) 
SENHOR, ENSINA-NOS A ORAR 
 
24 | P á g i n a 
 
“Na oração, é melhor ter um coração sem palavras do que palavras sem 
um coração.” (John Bunyan) 
 
Aqueles que deixaram a mais profunda marca nesta terra amaldiçoada 
pelo pecado foram homens e mulheres de oração. Você descobrirá que a oração 
é a força poderosa que tem movido não somente a mão de Deus, mas também 
o homem. Ó Senhor Jesus, quebra esta barreira em nós! 
 
E, mais: 
 
"A oração é um instrumento poderoso, não para fazer com que a 
vontade do homem seja feita no céu, mas para realizar a vontade de Deus na 
terra." (Robert Law) 
 
"Orar é invadir o impossível." (Jack Hayford) 
 
"Orar não é vencer a relutância de Deus; é tomar posse da sua mais 
perfeita boa vontade" (Warren Wiersbe) 
 
“A fé é onipotente só quando está de joelhos." (Autor desconhecido) 
 
................... 
 
Após a conversão de Paulo, o Senhor chamou a Ananias e lhe 
disse: “Então, o Senhor lhe ordenou: Dispõe-te, e vai à rua que se chama 
Direita, e, na casa de Judas, procura por Saulo, apelidado de Tarso; pois ele 
está orando” (Atos 9.11). Esse foi o primeiro clamor do recém-
convertido, uma voz que ecoaria ao longo de toda a sua vida. 
 
 
❖ 
 
SENHOR, ENSINA-NOS A ORAR 
 
25 | P á g i n a 
 
 
 
 
 
4. ORAÇÃO E COMUNHÃO COM DEUS 
 
Atentemos para esses "flashes" da vida de oração de Jesus: 
 
 Mateus 14.23 - "subiu ao monte, a fim de orar sozinho". 
 Marcos 6.46 - "subiu ao monte para orar". 
 Lucas 6.12 - "Retirou-se para o monte a fim de orar, e passou 
a noite orando a Deus" (antes da escolha dos doze). 
 Lucas 9.18 - "estando ele orando em particular". 
 Lucas 9.28 - "subiu ao monte com o propósito de orar" (na 
transfiguração). 
 Lucas 11.1 - "de uma feita estava Jesus orando em certo 
lugar". 
 Lucas 5.16 - "Ele porém se retirava para lugares solitários, e 
orava". 
 
A habitualidade com que Jesus se retirava para lugares 
solitários, com o propósito de orar, evidência a sua necessidade e 
prazer em conversar com o Pai, a sós. 
 
“Koinonia”, palavra grega traduzida por comunhão, tem um 
significado muito mais profundo do que se possa imaginar, ou definir. 
Significa, também, participação, associação, sociedade, fraternidade; 
sempre usada no sentido religioso. Significa trazermos Deus para as 
nossas coisas, isto é, termos as nossas coisas em comum com ele. 
 
O Pai, o Filho e o Espírito Santo compartilham todos da mesma 
vida e natureza, desfrutam de comunhão entre si e desejam que os 
SENHOR, ENSINA-NOS A ORAR 
 
26 | P á g i n a 
filhos de Deus participem dessa comunhão (Jo 17.21). A comunhão 
com Deus é a maneira mais frutífera da oração. Não são as 
generalidades vagas e indefinidas, como "ó Deus, abençoa", mas sim 
o conversar os nossos assuntos com Deus. 
 
Exemplo: Jesus; o servo de Abraão (Gn 24.11-14); Davi (Sl 10; Sl 
26); Daniel (Dn 6.10) etc. 
 
A comunhão com Deus é como uma via de mão dupla: Deus em 
Nós  Nós em Deus. Deus em nós é a presença do Espírito Santo nos 
revelando algo da parte de Deus e nos capacitando para o serviço. Nós 
em Deus, significa projetar nossas vidas em Deus, isto é, penetrar nos 
seus mistérios e grandeza e, ao mesmo tempo, reconhecer os seus 
feitos a nosso favor, adorá-lo e render-lhe graças. 
 
 
❖ 
 
“A oração é o colírio de Deus para os olhos da4.10 Petição 
Oração de Josafá 
(livramento) 
2Crônicas 20.5-12 Adoração e Petição 
Oração de Ezequias 
 (perdão) 
2Crônicas 30.18-19 Intercessão 
Oração de Esdras 
(em Jerusalém) 
Esdras 9.6-15 Confissão 
Oração de Neemias 
(em Susã) 
Neemias 2.4-11 Adoração, Confissão, Intercessão, 
Petição 
Oração de Neemias 
(em Jerusalém) 
Neemias 4.4-5 Imprecação 
Oração de Jó Jó 42.1-6 Adoração, Confissão e Petição 
Oração de Jeremias Jeremias 32.16-25 Adoração e Petição 
 SENHOR, ENSINA-NOS A ORAR 
 
202 | P á g i n a 
Descrição Texto bíblico Tipo 
Oração de Daniel Daniel 9.3-19 Confissão, Intercessão, Petição, 
Adoração 
Oração de Jonas 
(no peixe) 
Jonas 2.1-9 Petição, Confissão e Agradecimento 
Oração de Jonas 
(questionamento) 
Jonas 4.1-3) Petição (questionamento) 
Oração Modelo 
(Pai Nosso) 
Mateus 6.9-13 Adoração e Petição 
Oração de Jesus 
(Sacerdotal) 
João 17 Intercessão 
Oração de Jesus 
(no Getsêmani) 
Mateus 26.42 Petição 
Oração de Jesus 
(na cruz – 1ª) 
Lucas 23.34 Intercessão 
Oração de Jesus 
(na cruz – 2ª) 
Mateus 27.46 
Marcos 15.34 
Petição 
Oração de Jesus 
(na cruz – 2ª) 
Lucas 23.46 Petição 
Oração dos irmãos 
(igreja) 
Atos 4.23-31 Adoração, Petição e Intercessão 
 
 
“Um crente sonhou, certa vez, que estava visitando uma bela cidade, quando entrou 
em uma majestosa catedral, para usufruir alguns momentos de meditação. Ficou deslumbrado 
com a suntuosidade do templo, mas notou apenas a presença de uns poucos fiéis. Continuando 
na sua contemplação, observou na cúpula da igreja um velho diabo, dormindo, fato para o qual 
não encontrou explicação. 
 
Prosseguindo na sua excursão, dirigiu-se a uma pequena aldeia, onde foi logo atraído 
pelos cânticos provindos de uma modesta capela de madeira. Nela ingressou e verificou que 
um número apreciável de homens e mulheres orava, cantava e proclamava "aleluias", e logo 
percebeu que se tratava de uma reunião de reavivamento. Ao inspecionar o rústico teto de 
toros da capelinha, descobriu, não sem crescente surpresa, que ali estavam espalhados, em 
trepidantes movimentos, legiões de jovens e ativos diabos. 
 
Dirigiu-se, então, ao que parecia ser o chefe daquela corte, e perguntou, intrigado, a 
razão dos episódios diferentes que contemplara nos dois templos. Ele explicou: – É muito 
simples. A catedral é frequentada por crentes tradicionais, frios, e basta mesmo um diabo velho 
para tomar conta deles. Aqui na capela temos crentes dinâmicos, fervorosos, que oram e 
cantam, e, por isso, a nossa atuação deve ser correspondente à deles!” 
(Gelkie & Cowper)(extraído) 
 SENHOR, ENSINA-NOS A ORAR 
 
203 | P á g i n a 
 
 
 
 
 
CONCLUSÃO 
 
Por que poucos cristãos têm o hábito de orar? 
 
 Não têm certeza de que Deus os atenderia? Ainda não tiveram 
uma prova real? 
 
 Estão tão bem na vida que não sentem necessidade de orar? 
 
 Creem que Deus lhes concede tudo o que precisam sem ter que 
ficar lhe incomodando? 
 
 Não sentem força; estão tão cansados que mal começam a orar 
e já estão dormindo? 
 
Lembremos que: 
 
 A oração é um ato de Submissão a Deus e a sua vontade: 
 
Somos frágeis e incapazes de enfrentar, por nós mesmos, todos 
os desafios e adversidades desta vida. Os perigos e dificuldades são 
reais e inúmeros. No entanto, temos um Deus Todo-Poderoso e um 
Pai amoroso que nos estende sua ajuda. Essa ajuda é acessível por 
meio da oração, mas só pode ser plenamente recebida quando o 
coração crente se encontra em submissão a Cristo, reconhecendo-o 
como Salvador e Senhor. 
 
Toda oração deve estar fundamentada na fé. Por isso, devemos 
pedir crendo, pois esse simples ato já demonstra submissão a Cristo e 
confiança em seu poder para realizar aquilo que lhe pedimos, 
conforme a sua vontade. A oração é, antes de tudo, um ato de 
 SENHOR, ENSINA-NOS A ORAR 
 
204 | P á g i n a 
humildade e dependência, pelo qual nos colocamos sob os cuidados 
de Deus, reconhecendo que somos limitados e que somente ele pode 
suprir nossas necessidades. 
 
A oração tem uma dinâmica própria: pedir e receber. É um 
exercício de entrega a Deus, no qual apresentamos nossos anseios e 
necessidades, aguardando sua resposta com fé e esperança. No 
entanto, nem sempre a resposta será um “sim”. Muitas vezes, Deus 
responde com um “não” ou um “espere”, pois, em nossa submissão, 
aprendemos que a vontade dele é mais importante do que a realização 
de nossos próprios desejos. 
 
Portanto, a oração não deve ser vista apenas como um meio para 
obter aquilo que queremos, mas como um campo de aprendizado, 
onde crescemos no conhecimento de Deus e de sua vontade. Embora 
a Bíblia assegure que podemos receber grandes bênçãos através da 
oração, o maior benefício está na comunhão que desenvolvemos com 
o Senhor, confiando plenamente em sua perfeita e soberana vontade. 
 
 A oração é um ato de Comunhão e Adoração: 
 
A oração é também uma expressão de adoração, seja no âmbito 
individual ou coletivo. A oração do crente deve ser feita "no Espírito" 
(Ef 6.18), e essa expressão revela tanto a atitude de reverência quanto 
a comunhão íntima com o Senhor. Mais do que um simples ato de 
súplica, a oração incorpora os elementos essenciais da adoração, como 
a confiança plena em Deus, a submissão à sua vontade, a exaltação de 
sua pessoa e o louvor por suas maravilhas entre os homens. 
 
Quando a oração ultrapassa o mero ato de pedir e se torna uma 
expressão sincera de devoção, ela assume sua verdadeira essência 
como ato de adoração. Nesse estado, a oração não apenas nos 
aproxima de Deus, mas também nos ensina sobre ele, moldando-nos 
segundo a sua vontade. Assim, à medida que nos rendemos em 
 SENHOR, ENSINA-NOS A ORAR 
 
205 | P á g i n a 
oração, somos transformados conforme a imagem de Cristo, 
permitindo que a vontade divina se cumpra em nós. 
 
 A oração é um ato Transformador: 
 
A oração se fundamenta no poder criador de Deus para 
transformar as circunstâncias. Essa mudança não vem do homem, mas 
do próprio Deus. Ao orarmos, entregamos a ele a ordem presente das 
coisas, permitindo que sua vontade opere transformação. Muitas 
vezes, essa mudança começa em nós mesmos, exigindo, antes de tudo, 
nossa renovação moral. Uma vez transformados, podemos nos tornar 
instrumentos ativos na modificação das situações ao nosso redor. 
 
Além disso, a oração pode influenciar as circunstâncias externas 
e até gerar mudanças na atitude de outras pessoas, alterando o curso 
dos acontecimentos. Quando a oração é um verdadeiro exercício da 
alma, ela nos coloca sob a influência do poder criador de Deus, 
tornando-nos mais sensíveis à sua vontade, às necessidades do 
próximo e às nossas próprias carências. Isso também reduz nossos 
anseios por coisas meramente materiais, elevando o tom espiritual de 
nossas vidas. 
 
Quando utilizada corretamente, a oração não apenas expressa 
petições, mas se torna uma forma genuína de adoração, refletida em 
uma vida de serviço a Deus. Além disso, ela gera receptividade entre 
as pessoas, sendo assim um meio pelo qual muitas orações são 
respondidas – muitas vezes, sem a necessidade de qualquer milagre 
visível, mas por meio da ação divina nos corações e nas circunstâncias. 
 
 A oração é um ato de Auxílio Mútuo 
 
O apóstolo Paulo exorta os crentes à prática da intercessão 
mútua, destacando a importância de orarmos uns pelos outros. Jesus 
também afirmou que, quando dois ou três concordam em oração, 
Deus responde ao pedido coletivo (Mt 18.19). Além disso, nenhum 
 SENHOR, ENSINA-NOS A ORAR 
 
206 | P á g i n a 
crente é tão maduro, forte ou autossuficiente a ponto de não precisar 
do apoio e das orações de seus irmãos na fé. A intercessão fortalece a 
comunhão, edifica a igreja e expressa a dependência mútua do corpo 
de Cristo. 
 
Nenhum crente está isolado na batalha espiritual, pois a vitória 
pertence ao corpo de Cristo como um todo. Como diz o ditadopopular: "Ninguém é uma ilha." A guerra espiritual é vencida 
coletivamente, e nenhum cristão pode alcançar a plena vitória sem 
compartilhá-la com seus irmãos na fé, assim como também participa 
das conquistas dos demais. A glorificação final, tanto de Cristo, o 
Cabeça, quanto da Igreja, seu corpo, ocorre de forma conjunta (Ef 1.23; 
2.6). O crescimento espiritual não se dá de maneira isolada, mas no 
contexto da edificação mútua de todos os membros do corpo de Cristo 
(Ef 4.16). Dessa forma, a oração deve envolver toda a comunidade de 
fé, beneficiando não apenas quem ora, mas também fortalecendo os 
demais crentes na caminhada cristã. 
 
“Quando a intercessão mútua toma o lugar da acusação mútua são vencidas 
muitas dificuldades entre os irmãos.” (Pv 16.28; 26.20) 
 
 
 A oração é um ato Contínuo: 
 
“Orai sem cessar.” (1Ts 5.17). Este é o ensino do apóstolo Paulo, 
ratificando o ensino de Jesus sobre ser perseverante (Lc 18.1-8). 
Lembremos, ainda que Jesus enfatizou a paternidade de Deus, como 
um Pai amoroso e generoso, que cuida dos seus filhos. 
 
Enfim: 
 
Não seja orgulhoso, arrogante, presunçoso, achando que a sua 
inteligência e capacidade, a força do seu braço, a sua boa condição 
financeira são suficientes para garantir seu bem-estar, paz de espírito, 
 SENHOR, ENSINA-NOS A ORAR 
 
207 | P á g i n a 
prosperidade e total sucesso na caminhada terrena. “Entrega o teu 
caminho ao SENHOR, confia nele, e o mais ele fará.” (Sl 37.5). “Descansa 
no Senhor e espera nele...” (Sl 37.7). O próprio Senhor Jesus, sendo Deus, 
nos deixou o exemplo mais elevado de uma vida de oração. 
Compreenda a importância de manter uma disciplina diária de leitura 
da Bíblia e de oração, reconhecendo que, na vida cristã, o dever e o 
prazer não são opostos, mas caminham juntos. 
 
Tenha fé, creia, ore e espere a resposta de Deus para as suas 
orações. Não use vãs repetições, não seja formal, dirija-se a Deus com 
temor e tremor, mas como um Pai Celestial. Perdoe para ser perdoado 
e ouvido. Os grandes homens e mulheres da bíblia e da história 
desenvolveram profunda intimidade e comunhão com Deus através 
da oração. Ore por sua vida e família, pela igreja de Cristo e sua 
liderança, pelo Reino de Deus e o estabelecimento da sua vontade aqui 
na terra, pela nação, interceda pelos outros. Faça da oração o item de 
maior prioridade no seu dia a dia, na sua vida! 
 
Que assim Deus nos ajude! 
 
“Que o Senhor esteja à tua frente, para te mostrar o caminho certo; 
Que o Senhor esteja ao teu lado, para te abraçar e te proteger; 
Que o Senhor esteja atrás de ti, para evitar que homens maus te armem ciladas; 
Que o Senhor esteja junto de ti, para te amparar quando caíres; 
Que o Senhor esteja dentro de ti, para te consolar quando estiveres triste; 
Que o Senhor esteja acima de ti, para te abençoar. 
Assim te abençoe e te proteja o misericordioso Deus Pai, Filho e Espírito Santo, 
que te envia agora para transformares o mundo, em nome de Jesus. 
Amém!” 
 
 
❖
 SENHOR, ENSINA-NOS A ORAR 
 
208 | P á g i n a 
 
 
 
 
 
Orar é dialogar docemente com Deus 
Angustiados, refugiamo-nos no templo da oração. 
Cerradas as portas das humanas preocupações e as janelas dos cuidados temporais, 
abrimos as comportas d'alma. 
Sobre o altar da humilhação, imolamos nosso ser. 
Com as lágrimas que marejam nossos olhos, libamos sofridas preces que evolam 
suave e dulcidamente ao trono da graça. 
À semelhança dos mais finos incensos, rompem os ares, rasgam a atmosfera. 
Ousadamente, acomodam-se no coração de Deus. 
Unem-se Criador e criatura. 
Entre ambos, sedimenta-se um íntimo e doce colóquio. 
Um colóquio? Informal. íntimo. 
Ouve-nos o Senhor. 
Abrimos-lhe nossos corações. 
Contamos-lhe nossos problemas. 
Participamos-lhe nossas apreensões. 
Confessamos-lhe nossos delitos. 
Patenteia-se ante o seu imensurável amor todo o nosso ser. 
Desnudados, permeia-nos sua misericórdia que vai de geração a geração. 
Deus não se enfada. 
Pacientemente, decodifica nossos gemidos. 
Entende-nos, mesmo quando tartamudeamos. 
Embora não encontremos palavras adequadas para expressar-lhe nossas carências, 
supre-as bondosamente, amorosamente. 
A oração leva-nos a participar da natureza do Eterno. 
Pequenos, compartilhamos sua grandeza. 
Fracos, em nós se aperfeiçoa seu poder. 
Distantes, aproxima-nos seu amor. 
 SENHOR, ENSINA-NOS A ORAR 
 
209 | P á g i n a 
Emudecidos, incita-nos seu Espírito a falar insondáveis mistérios. 
Quando tristes, tange as cordas de nossas almas que desabrocham em 
cânticos de esperança. 
Tão simples mover o coração de Deus. 
Tão complicados, às vezes, nos tornamos. 
No afã de sermos ouvidos, pronunciamos longos e rebuscados discursos. 
Escolhemos palavras; sufocamos os anseios d'alma. 
Estilizamos nossas orações, como se estas tivessem que passar pelo crivo de 
severos críticos literários. 
Forçamos a semântica dos termos. 
Tornam-se estes ocos, pois incapazes de retratar nossa real condição. 
Monologamos. O que ouvimos? A voz de Deus? 
Não! O eco de nossa própria voz. 
A ressonância de uma postura hipócrita que veda nossa comunhão com o 
Senhor. 
Aconselha Santo Agostinho: 
“Quando oras, necessitas piedade, não verbosidade”. 
Lembremo-nos de que somos pó. 
Curvemo-nos ante o Senhor. Sua magnanimidade erguer-nos-á. 
Conversemos com o Senhor, ainda que seja tarde e o dia já declina. 
Conversemos com o Senhor, ainda que nos restem poucas esperanças. 
Conversemos com o Senhor, ainda que perseguidos e cerceados pelo inimigo. 
Conversemos com o Senhor, ainda que estejamos no vale da sombra e morte. 
Abraham Lincoln, consternado, confessa: 
“Tenho sido impulsionado a me ajoelhar, muitas vezes, pela convicção 
esmagadora de que não tinha mais outro caminho a seguir”. 
Quão grande será o nosso espanto, quando nossas orações se 
transformarem em um doce diálogo. 
Cultivemo-lo com a fé. 
Reguemo-lo com a esperança. 
Nutramo-lo com o amor. 
Veremos ser o Eterno o melhor dos amigos, o mais fiel dos confidentes, o 
mais veraz dos companheiros. 
 SENHOR, ENSINA-NOS A ORAR 
 
210 | P á g i n a 
Reconheceremos serem inúteis nossos artifícios, insuficientes nossas palavras, 
frágeis nossos argumentos. 
Falará mais alto nosso quebrantado espírito. 
Nossa dor será mais eloquente. 
Nossa aflição alcançará os ouvidos do Pai celestial. 
Como Abade Pierre, entenderemos que a coisa mais gloriosa e sublime não 
é a salvação, mas a comunhão com aquele que nos salvou. 
Orar é dialogar docemente com Deus. 
É sentir o seu inexcedível toque. 
Conscientizemo-nos de que, em nosso relacionamento com o Senhor, todo o 
artifício é dispensável. 
Discursos? Monólogos? 
Não passam de veleidades descartadas pela fé, suprimidas pela esperança. 
Imitemos o patriarca Abraão. 
Mantinha um relacionamento tão profundo, tão informal com o Senhor, 
que foi chamado “amigo de Deus”. 
Cultivemos nossa amizade com o Senhor, por intermédio da oração. 
(Claudionor de Andrade) (extraído) 
 
 
❖ 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 SENHOR, ENSINA-NOS A ORAR 
 
211 | P á g i n a 
 
 
 
 
 
 
BIBLIOGRAFIA 
 
01. Bíblia Sagrada (SBB – Versão Revista e Atualizada). 
02. A Bíblia Anotada (MC – Editora Mundo Cristão). 
03. Bíblia Online – SBB. 
04. Bíblia de Estudo da Fé Reformada (R. C. Sproul – Editor geral)(Ed. 
Fiel – 2020). 
05. Bíblia de Estudo de Genebra – Ed. Cultura Cristã / Sociedade 
Bíblica do Brasil. 
06. Bíblia Sagrada – Nova Versão Internacional (NVI). 
07. R. N. Champlin, Ph. D. – Enciclopédia de Bíblia, Teologia & 
Filosofia (Ed. Hagnos). 
08. R. N. Champlin, Ph. D. – O Novo Testamento Interpretado – 
Versículo por versículo – MILENIUM Distribuidora Cultural 
Ltda. 
09. Price, J. M. – A Pedagogia de Jesus 
10. McNair, S. E. – A Bíblia explicada. 
11. Moulton, Harold K. – The Analytical Greek Lexicon Revised. 
12. DicionárioInternacional de Teologia do Novo Testamento. 
13. Almeida, Natanael de Barros – Tesouro de Ilustrações – Edições 
Vida Nova. 
14. Wuest, Kenneth S. – Joias do Novo Testamento grego. 
15. Wilkinson, Bruce H. – A oração de Jabez – Ed. Mundo Cristão 
(2001) 
16. O Catecismo Maior de Westminster – Ed. Cultura Cristã. 
17. Manual Presbiteriano – IPB – Ed. Cultura Cristã. 
18. Almeida, Natanael de Barros – Tesouro de Ilustrações – Ed. Vida 
Nova. 
19. Internet / ChatGPT / IA. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
A luta entre a carne e o espírito é uma realidade constante na 
vida cristã. Jesus advertiu seus discípulos: “Vigiai e orai, para que 
não entreis em tentação; o espírito, na verdade, está pronto, mas a 
carne é fraca” (Mt 26.41). Paulo reforça essa verdade ao afirmar que 
a carne luta contra o espírito e o espírito contra a carne, pois são 
opostos entre si (Gl 5.17). Essa batalha interna busca nos afastar da 
dependência de Deus e da oração, nos conduzindo a uma vida 
controlada pelos desejos humanos em vez de pela vontade divina. 
Somente por meio da vigilância e da comunhão constante com o 
Senhor, através da oração, podemos vencer essa guerra espiritual e 
permanecer firmes na fé. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Primeira Edição 
MAR/2025fé.” 
 
 
 
SENHOR, ENSINA-NOS A ORAR 
 
27 | P á g i n a 
 
 
 
 
 
5. POR QUE E POR QUEM ORAR? 
 
Qual o propósito da oração? Podemos responder a esta pergunta 
considerando as cinco principais razões da oração, conforme Jesus e o 
ensino bíblico. 
 
A oração pode ser de: Confissão, Adoração, Agradecimento, 
Intercessão, Petição e Imprecação (descartada no Novo Testamento). 
Neste estudo, vamos analisar os tipos de oração, focando o seu 
conteúdo, o que é expresso em palavras. 
 
5.1 Oração de Confissão 
 
O verbo confessar, quando usado no contexto da fé cristã, tem 
dupla conotação: 
 
1ª) Reconhecendo e admitindo ações e condutas erradas: contar, 
declarar espontaneamente, os pecados a Deus, a fim de obter dele o 
perdão. 
 
2ª) Recebendo a mensagem do Evangelho, sendo regenerado 
pelo Espírito Santo: declarar sua fé em Deus e na obra redentora de 
Cristo. 
 
Ambas as confissões podem ser feitas diante de Deus e dos 
homens. 
 
A oração de confissão de fé acontece quando nos dirigimos a 
Deus e afirmamos ou declaramos nossa crença e fé nele como único 
Deus poderoso, vivo e verdadeiro e em Jesus Cristo, Salvador e Senhor 
das nossas vidas. “Se, com a tua boca, confessares Jesus como Senhor e, em 
SENHOR, ENSINA-NOS A ORAR 
 
28 | P á g i n a 
teu coração, creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo. 
Porque com o coração se crê para justiça e com a boca se confessa a respeito 
da salvação.” (Rm 10.9-10) 
 
A oração de confissão de pecados acontece quando nos 
chegamos para Deus, no início da caminhada cristã, e precisa 
acontecer ao longo dessa caminhada, pois estamos sujeitos a pecar, 
embora não vivamos mais na prática contumaz do pecado (1Jo 3.9). É 
como diz as Escrituras: “Confessei-te o meu pecado e a minha iniquidade 
não mais ocultei. Disse: confessarei ao SENHOR as minhas transgressões; e 
tu perdoaste a iniquidade do meu pecado.” (Sl 32.5). “O que encobre as suas 
transgressões jamais prosperará; mas o que as confessa e deixa alcançará 
misericórdia.” (Pv 28.13). “Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e 
justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça.” (1Jo 1.9). 
Confessamos a Deus os pecados cometidos (por comissão – 
pensamentos, palavras e ações; ou, por omissão), para que 
obtenhamos o seu perdão e, assim, possamos nos aproximar dele. 
 
5.2 Oração de Adoração 
(Exaltação, Louvor, Glorificação) 
 
Num sentido geral, adoração é a forma mais significativa de 
expressar apreço, homenagem, honra e glória a poderes superiores; 
sejam eles seres humanos, anjos ou Deus. Numa visão cristã, somente 
caberia aqui, como alvo e objeto de adoração, uma divindade, um ser 
supremo, no caso, Deus – “... Ao Senhor, teu Deus, adorarás, e só a ele 
darás culto.” (Mt 4.10). Esse também seria objeto de devoção, temor, 
reverência, veneração e culto. Os patriarcas adoravam construindo 
altares e oferecendo sacrifícios (Gn 12.7-8; 13.4). 
 
a) A oração de adoração é o ato de adorar, venerar. 
 
É a forma mais elevada da oração. É a alma deleitando-se em 
Deus e rendendo-lhe verdadeiro culto, pelo que ele é, e pelo que ele 
tem feito a nosso favor, em Cristo. 
SENHOR, ENSINA-NOS A ORAR 
 
29 | P á g i n a 
 
Encontramos as seguintes referências de Jesus à adoração: 
 
 Deus é o único objeto de nossa adoração (Mt 4.10; Lc 4.8). 
 
 A adoração só tem valor quando a nossa vida está de acordo 
com os preceitos divinos (Mt 15.7-9; Mc 7.7). 
 
 Deus procura os verdadeiros adoradores que o adorem em 
espírito (não com expressões externas) e em verdade (com 
sinceridade) (Jo 4.20-24). 
 
Adorar a Deus é prostrar-se submisso diante dele, cultuá-lo, 
dedicar-lhe amor extremo, devoção e veneração como o ser mais 
sublime do universo (Gn 24.26; Êx 34.8; 1Sm 1.3; Mt 8.2; 9.18; 15.25). 
 
Exaltar a Deus é colocá-lo em lugar alto, elevá-lo, erguê-lo, 
exalçar e levantar seu ser acima de qualquer outro. 
 
b) A oração de adoração é o ato de louvar ou elogiar. 
 
Um dos poucos, talvez o único pronunciamento de Jesus a 
respeito do louvor acha-se em Mateus 21.16: “...Da boca de pequeninos 
e crianças de peito tiraste perfeito louvor?”. Jesus traz à tona a mesma 
ideia do Salmo 8.2. É na inocência e espontaneidade daqueles que são 
considerados insignificantes para o mundo que Deus encontra o 
perfeito louvor. 
 
Seria “louvor” e “agradecimento” termos sinônimos? 
Certamente que não, apesar de nem sempre percebermos a diferença 
sutil entre eles. Vamos arriscar uma explicação, usando o seguinte 
exemplo de Lucas 18.35-43. Bartimeu era cego, portanto não dispunha 
de um dos mais importantes sentidos, a visão. Um dia Jesus operou 
um milagre na sua vida e então passou a ter seus olhos funcionando 
normalmente. Pois bem, consideremos agora duas perguntas. 1ª) O 
SENHOR, ENSINA-NOS A ORAR 
 
30 | P á g i n a 
que ele recebeu? A visão. Então ele tem motivo para agradecer a Deus 
por esta bênção. 2ª) Por que ele recebeu a visão? Por causa do poder e 
da misericórdia de Deus. Então ele tem motivo para louvar a Deus 
pelo seu poder e misericórdia. Em outras palavras, nós agradecemos 
a bênção (o efeito) e louvamos a Deus pelos seus atributos (a causa), 
no caso, a sua misericórdia. 
 
O livro dos Salmos é um tesouro de orações e louvores 
concedido por Deus. Nele, o crente encontra conforto, bênção e ânimo 
para todas as experiências e circunstâncias da vida. É nos Salmos que 
iremos encontrar as mais variadas expressões de louvor: 
 
 Salmos 21.13 – “louvamos o teu poder”. 
 Salmos 56.10 – “cuja palavra eu louvo”. 
 Salmos 59.16 – “louvarei com alegria a tua misericórdia”. 
 Salmos 117.1-2 – “Louvai.... porque mui grande é a sua 
misericórdia para conosco, e a fidelidade do Senhor subsiste 
para sempre”. 
 Salmos 119.164 – “Sete vezes no dia eu te louvo pela justiça 
dos teus juízos”. 
 Salmos 145.4 – “Uma geração louvará a outra geração as 
tuas obras”. 
 Salmos 150.2 – “Louvai-o pelos seus poderosos feitos, 
louvai-o consoante a sua muita grandeza” (não os feitos, 
mas pelos feitos). 
 
E, ainda: 
 
 Lucas 19.37 – “... a louvar a Deus em alta voz, por todos os 
milagres que tinham visto”. 
 
A motivação do louvor encontra-se nos atributos de Deus! Todas 
as coisas que conhecemos, as conhecemos por seus atributos, e a 
descrição de qualquer objeto é a descrição de “alguns” dos seus 
SENHOR, ENSINA-NOS A ORAR 
 
31 | P á g i n a 
atributos. Quando queremos tornar conhecido um velho amigo já 
falecido, por exemplo, dizemos: Fulano de tal era honesto, 
trabalhador, bom marido e pai, não tinha vícios etc. Tudo isso são 
atributos e é pelos atributos que conhecemos e distinguimos pessoas 
e objetos. Deus não é um atributo, nem um conjunto de atributos. Deus 
é um ser pessoal cuja natureza se manifesta de diferentes maneiras, 
através das quais podemos então afirmar que é assim e assim. 
Compreenderemos melhor a essência de um ser, à medida que formos 
conhecendo e nos relacionando com seus diferentes atributos. 
 
Louvar a Deus é, portanto, enaltecê-lo pelos seus atributos. 
Obviamente, ninguém precisa fazer um curso de teologia para 
descobrir os atributos de Deus. Aliás, teologia (ciência de Deus) se 
aprende mais à medida que nos relacionamos, na prática, com ele, 
através do Espírito Santo! 
 
Louvar a Deus é expressar o reconhecimento da sua grandeza, 
dos seus méritos, dos seus atributos incomparáveis e inigualáveis: 
Onipotência, Onipresença, Onisciência, Eternidade, Amor, Perfeição, 
Santidade, Verdade, Justiça, Fidelidade, Misericórdia etc. (1Cr 16.4; Dt 
10.21; 26.16). 
 
Glorificar a Deus é atribuir-lhe glória eterna e celestial e a 
ninguém mais (Sl 18.49; 22.23; Jo 21.19; Rm 1.21). 
 
Nós adoramos, exaltamos, louvamos e glorificamos a Deus por 
quem ele é e por seu poder de fazer: “Disse-lhe mais: Eu sou o Deus 
Todo-Poderoso;...” (Gn 35.11). O ser e o fazer estãointimamente 
relacionados e são inseparáveis. Definir é indicar o significado preciso 
de; estabelecer com precisão; determinar; fixar os limites, delimitar, 
demarcar; interpretar claramente; dar as qualidades distintivas de; 
retratar. Conceituar é avaliar, atribuir qualidade ou juízo de valor. 
Não podemos definir quem é Deus, apenas conceituá-lo. Na verdade 
ele é o que é independentemente do que se pensa dele: “Disse Deus a 
SENHOR, ENSINA-NOS A ORAR 
 
32 | P á g i n a 
Moisés: EU SOU O QUE SOU. Disse mais: Assim dirás aos filhos de Israel: 
EU SOU me enviou a vós outros.” (Êx 3.14). Entretanto, para nós simples 
mortais podermos conhecer, pelo menos um pouco de quem ele é, ele 
precisou se manifestar a nós através de seus grandes e incomparáveis 
feitos. Faraó não acreditava que o Deus dos hebreus fosse superior aos 
seus deuses; por isso Deus precisou usar o seu “poder de fazer” e 
enviou as dez pragas como sentença de juízo contra os deuses do Egito 
(Êx 12.12). Então, Moisés pôde expressar o sentimento de todos: “Ó 
SENHOR, quem é como tu entre os deuses? Quem é como tu, glorificado em 
santidade, terrível em feitos gloriosos, que operas maravilhas?” (Êx 15.11); 
assim como também Jetro, seu sogro: “agora, sei que o SENHOR é maior 
que todos os deuses, porque livrou este povo de debaixo da mão dos egípcios,” 
(Êx 18.11). Da mesma forma, nós seres humanos, temos nosso caráter, 
isto é, aquele conjunto de traços psicológicos e morais que 
caracterizam cada indivíduo; porém, no nosso agir e fazer cotidianos, 
manifestamos aos outros o que realmente somos, o que se 
convencionou denominar de reputação, isto é, conceito que os outros 
formam a nosso respeito. 
 
Portanto, na oração de adoração, nós adoramos, exaltamos, 
louvamos e glorificamos a Deus por quem ele é: “Tributai ao SENHOR 
a glória devida ao seu nome; ....; adorai o SENHOR na beleza da sua 
santidade.” (1Cr 16.29; ver tb Sl 96.9); e, pelos seus poderosos feitos: 
“Louvai-o pelos seus poderosos feitos; louvai-o consoante a sua muita 
grandeza.” (Sl 150.2; ver tb Sl 59.16; 138.2; Is 25.1) 
 
Adoração: 
 
 Só a Deus (Mt 4.10). 
 Fruto de um compromisso de vida (Mt 15.7-9). 
 “Em espírito” (não exatamente com expressões externas) e 
“em verdade” (com sinceridade) (Jo 4.20-24). 
 
 
 
SENHOR, ENSINA-NOS A ORAR 
 
33 | P á g i n a 
TEXTOS PARA SUA INSPIRAÇÃO 
 
“Vinde, adoremos e prostremo-nos; ajoelhemos diante do 
SENHOR, que nos criou.” (Sl 95.6) 
 
“Adorai o SENHOR na beleza da sua santidade; tremei diante 
dele, todas as terras.” (Sl 96.9) 
 
“Tu és digno, Senhor e Deus nosso, de receber a glória, a honra e 
o poder, porque todas as coisas tu criaste, sim, por causa da tua 
vontade vieram a existir e foram criadas.” (Ap 4.11) 
 
“Só tu és SENHOR, tu fizeste o céu, o céu dos céus e todo o seu 
exército, a terra e tudo quanto nela há, os mares e tudo quanto há 
neles; e tu os preservas a todos com vida, e o exército dos céus te 
adora.” (Ne 9.6) 
 
“Quem não temerá e não glorificará o teu nome, ó Senhor? Pois 
só tu és santo; por isso, todas as nações virão e adorarão diante de ti, 
porque os teus atos de justiça se fizeram manifestos.” (Ap 15.4) 
 
“Quanto a mim, exultarei para sempre; salmodiarei louvores ao 
Deus de Jacó.” (Sl 75.9) 
 
“Oh! Tributai louvores ao Deus dos céus, porque a sua 
misericórdia dura para sempre.” (Sl 136.26) 
 
“Sê exaltado, ó Deus, acima dos céus; e em toda a terra esplenda 
a tua glória.” (Sl 57.5) 
 
“Aleluia! Louva, ó minha alma, ao SENHOR. Louvarei ao 
SENHOR durante a minha vida; cantarei louvores ao meu Deus, 
enquanto eu viver.” (Sl 146.1-2) 
 
SENHOR, ENSINA-NOS A ORAR 
 
34 | P á g i n a 
“Ao Deus único e sábio seja dada glória, por meio de Jesus 
Cristo, pelos séculos dos séculos. Amém!” (Rm 16.27) 
 
A Deus, supremo Benfeitor, 
Anjos e homens deem louvor; 
A Deus o Filho, a Deus o Pai, 
E a Deus Espírito, glória dai. 
Amém. 
(Hinário Novo Cântico – nº 6) 
 
5.3 Oração de Agradecimento 
(Ações de Graças) 
 
Agradecimento ou ações de graças são palavras ou outras 
manifestações que denotam gratidão. O apóstolo Paulo recomenda: 
“Em tudo, dai graças, porque esta é a vontade de Deus em Cristo Jesus para 
convosco.” (1Ts 5.18). Ele não diz “por tudo”, mas “em tudo”, isto é, 
em todas as situações; tanto em tempos de tranquilidade, como em 
tempos de provações e dificuldades. Não com hipocrisia ou fazendo 
por fazer; mas crendo firmemente e reconhecendo que Deus tem um 
propósito abençoador em tudo o que nos acontece: “Sabemos que todas 
as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são 
chamados segundo o seu propósito.” (Rm 8.28). 
 
Na oração de agradecimento ou ações de graças, nós 
demonstramos nosso apreço e reconhecimento a Deus pelo que ele fez 
por nós. Não devemos engrossar as estatísticas dos que recebem 
bênçãos de Deus, como aqueles nove dos dez leprosos, que não 
voltaram para agradecer (Lc 17.17). Precisamos ser zelosos e 
cuidadosos, reconhecendo que as bênçãos recebidas não foram por 
mero acaso, nem devido aos nossos méritos pessoais ou, tão somente, 
seriam o resultado das nossas habilidades e competência. Não sejamos 
filhos ingratos! Antes, porém, sejamos obedientes à instrução bíblica: 
“Seja a paz de Cristo o árbitro em vosso coração, à qual, também, fostes 
SENHOR, ENSINA-NOS A ORAR 
 
35 | P á g i n a 
chamados em um só corpo; e sede agradecidos.” (Cl 3.15). Enfim, sejamos 
agradecidos a Deus pelas bênçãos recebidas, como o ar que 
respiramos, o alimento, as vestes e, principalmente, pelas bênçãos 
espirituais, mas, também, pelas provações. 
 
Jesus Cristo nos deixou o grande exemplo de ações de graças: 
 
 Pelo alimento (Mt 15.36; Mc 8.6; Jo 6.11, 23). 
 Pela revelação de Deus aos homens (Mt 11.25; Lc 10.21). 
 Pela manifestação da graça de Deus, simbolizadas no pão e 
no vinho (Mt 26.27; Mc 14.23; Lc 22.17,19). 
 Pela resposta de Deus, sentida antecipadamente pela fé (Jo 
11.41). 
 
O agradecimento a Deus implica numa percepção prévia do 
provimento de Deus a nosso favor, a favor de outrem ou a favor do 
seu Reino. A menos que tenhamos uma compreensão correta dessa 
verdade, não encontraremos motivação para agradecer a Deus! (Tg 
1.17; Cl 4.2). Trata-se de um ato de culto, devoção, ordenado por Deus 
(Sl 50.14; Fp 4.6; 1Ts 5.18 - "Em tudo"; Ef 5.20 - "por tudo"; At 5.41; 
16.25). 1Ts 5.18 - "Em tudo dai graças, porque está é a vontade de Deus 
em Cristo para convosco". 
 
Na vontade de Deus a nosso respeito muitas coisas estão 
incluídas. Entre elas figura o nosso senso de gratidão. Essa atitude faz-
nos lembrar nossa posição de dependência dele; faz-nos recordar a sua 
bondade para conosco, o que leva nossos espíritos a entrarem em 
harmonia com ele, reconhecendo que ele é o grande Benfeitor da 
humanidade, aquele a quem devemos toda a vida e sustento. Nesse 
reconhecimento, porém, devemos envolver-nos com "vidas 
agradecidas", e não meramente com externas "ações de graça". Nossas 
próprias vidas diárias, pois, deveriam ser uma forma de 
agradecimento. Em face de toda bondade e de todos os benefícios 
divinos, deveríamos dedicar nossas vidas a nosso Pai! O exemplo de 
SENHOR, ENSINA-NOS A ORAR 
 
36 | P á g i n a 
Jesus: “Eu te glorifiquei na terra, consumando a obra que me confiaste para 
fazer;” (Jo 17.4) 
 
"Em Cristo Jesus" – É na pessoa de Cristo que nos são conferidas 
todas as bênçãos espirituais (Ef 1.3), pelo que ele mesmo é a razão, a 
fonte e inspiração de toda a nossa gratidão (1Pe 4.12-13). Se alguém 
precisar de inspiração, pode encontrar em muitos Salmos. Há lá uma 
frase muito marcante: "Rendei graças ao Senhor, porque ele é bom, 
porque a sua misericórdia dura para sempre" (Sl 106.1; 107.1; 118.1; 
136.1-26). 
 
5.4 Oração de Intercessão 
 
Para canalizar na direção de outros os recursos divinos! 
 
Interceder é pedir, rogar por outremou por alguma coisa. A 
oração a favor de outros, pelas suas necessidades, deve ter 
precedência sobre a oração por nós mesmos, mostrando assim nossa 
maturidade cristã. Crianças mostram sua imaturidade quando 
querem todos os brinquedos para si. Crentes imaturos demonstram 
essa mesma falta de crescimento espiritual quando somente pensam 
em si e nos seus. Não orar por outros pode ser considerado até um 
pecado contra Deus: “Quanto a mim, longe de mim que eu peque contra o 
SENHOR, deixando de orar por vós; antes, vos ensinarei o caminho bom e 
direito.” (1Sm 12.23). Vale lembrar que Jó foi abençoado quando orava 
pelos seus amigos (e que amigos?!): “Mudou o SENHOR a sorte de Jó, 
quando este orava pelos seus amigos; e o SENHOR deu-lhe o dobro de tudo o 
que antes possuíra.” (Jó 42.10). E, Jesus lança um desafio ainda maior: 
“Eu, porém, vos digo: amai os vossos inimigos e orai pelos que vos 
perseguem;” (Mt 5.44). 
 
Portanto, somos instruídos a interceder por todos, inclusive 
pelas autoridades e governantes: “Antes de tudo, pois, exorto que se use 
a prática de súplicas, orações, intercessões, ações de graças, em favor de todos 
os homens, em favor dos reis e de todos os que se acham investidos de 
SENHOR, ENSINA-NOS A ORAR 
 
37 | P á g i n a 
autoridade, para que vivamos vida tranquila e mansa, com toda piedade e 
respeito.” (2Tm 2.1-2). 
 
Para sermos mais práticos e eficazes no cumprimento da 
instrução bíblica, é interessante manter uma lista ou caderneta de 
oração que nos ajude a lembrar daquilo e daqueles por quem devemos 
orar. No caso da intercessão, podemos organizar nossas anotações da 
seguinte forma: 
 
– Pela Igreja e Reino de Deus: 
Para canalizar os recursos divinos na direção do seu Reino aqui na 
terra. 
 
• Pelas Igrejas Locais e Congregações (Liderança, Membros e 
Atuação). 
• Pela igreja perseguida. 
• Pela unção espiritual sobre os mensageiros de Deus (Pastores, 
Missionários, Pregadores, Professores e Escritores). 
• Pelas Instituições Paraeclesiásticas (Missionárias, de Ensino, de 
Assistência Social etc.). 
• Pelos Projetos / Programas Especiais. 
• Pela ampla tradução, impressão, distribuição, exposição 
(pregação e ensino), leitura, entendimento e prática da Bíblia, a 
Palavra de Deus. 
• Pela propagação do Evangelho e a salvação dos não alcançados. 
• Pela santificação dos remidos do Senhor. 
• Por verdadeiros adoradores que adorem ao Pai em espírito e em 
verdade. 
• Pelo serviço contínuo e incansável dos servos de Deus em favor 
de todos, principalmente dos domésticos na fé. 
 
 
– Pelo nosso Próximo: 
Na Família, na Vizinhança, na Igreja, na Escola, no Trabalho etc. 
 
SENHOR, ENSINA-NOS A ORAR 
 
38 | P á g i n a 
• Salvação: para que recebam a Jesus como Salvador e Senhor de 
suas vidas. 
• Sustento: Para que obtenham o necessário à sua subsistência. 
• Proteção: para que sejam guardados do mal (acidental ou 
intencional). 
• Santificação: para que vivam uma vida santa diante de Deus e 
dos homens. 
• Cura: para que sejam curados do corpo, da mente e das emoções. 
 
 
– Pela Nação e Instituições: 
Para que cumpram a sua missão de desenvolvimento, administração 
pública e cuidado dos cidadãos. 
 
• Pela Nação: Em nível Federal, Estadual e Municipal. 
• Por Liberdade, Justiça, Bem-estar e Paz no Mundo. 
• Pelo quarteto da vulnerabilidade: VIÚVAS, ÓRFÃOS, 
ESTRANGEIROS e POBRES (Zc 7.10; Êx 22.21-22). 
• Pelos Encarcerados. 
• Pelas instituições que cuidam de pessoas enfermas ou 
necessitadas. 
• Pelas empresas e instituições que empregam pessoas. 
 
– Pelas Autoridades constituídas: 
Para que exerçam suas respectivas funções com sabedoria, competência, 
probidade, lisura e honestidade. 
 
• Familiares: Pais, Responsáveis. 
• Eclesiásticas: Pastores, Presbíteros, Diáconos. 
• Empresariais: Lideranças. 
• Governamentais: Civis e Militares. 
 Executivo: Presidente, Ministros, Governadores, Prefeitos, 
Secretários etc. 
 Legislativo: Senadores, Deputados Federais e Estaduais, 
Vereadores. 
SENHOR, ENSINA-NOS A ORAR 
 
39 | P á g i n a 
 Judiciário: Ministros, Desembargadores, Juízes etc. 
 Forças Armadas, Polícias, Forças de Segurança. 
 
 
Sobre intercessão, Jesus ainda nos ensina e apresenta outros 
motivos: 
 
 Para se manterem firmes 
 
“Eu, porém, roguei por ti, para que a tua fé não desfaleça; tu, pois, quando 
te converteres, fortalece os teus irmãos.” (Lc 22.32) 
 
A característica mais comum entre aqueles que estão 
desfalecendo na fé é ter deixado de orar. Não encontram mais 
motivação para isso. Os canais entre eles e Deus estão fechados. 
Através da intercessão de outrem Deus pode influenciar essa vida, 
criando situações através das quais a sua fé possa ser fortalecida. 
 
 Para serem guardados do mal 
 
“Não peço que os tires do mundo, e sim que os guardes do mal.” (Jo 17.15) 
 
Vivemos em um mundo no qual somos diariamente 
confrontados com todo tipo de mal, maldade e violência que ameaçam 
nossas vidas, nossos princípios e valores, bem como os nossos bens. 
Há o mal natural, acidental e o intencional. Sem dúvida necessitamos 
da intervenção e proteção divinas. 
 
 Para serem santificados 
 
“Santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdade.” (Jo 17.17) 
 
A intercessão é uma forma nobre de oração. Jesus nos deu esse 
exemplo. Ele é o intercessor por excelência. Neste capítulo 17 de João 
temos o início, na terra, do exercício da função de intercessor que ele 
SENHOR, ENSINA-NOS A ORAR 
 
40 | P á g i n a 
exerce no céu, desde que subiu para junto do Pai. No Tabernáculo, o 
altar do incenso encontra-se exatamente em frente do véu, que 
separava o Santo Lugar, do Santo dos Santos. Ali eram queimadas 
ervas aromáticas continuamente (Êx 30.8). O incenso queimado nesse 
altar áureo, simboliza a intercessão contínua de Jesus Cristo pelos seus 
remidos. Notemos os textos referentes a Jesus – Ele é: 
 
Intercessor qualificado (Rm 8.33-34) - "o qual está à direita de 
Deus, e também intercedendo por nós" 
 
Intercessor permanente (Hb 7.25) - "vivendo sempre para 
interceder por eles". 
 
Intercessor compassivo (Hb 9.24) - "para comparecer, agora, por 
nós, diante de Deus". 
 
O Espírito Santo é também um intercessor que habita em nós 
(Rm 8.26-27). 
 
Seria válido concluir que a intercessão é uma responsabilidade 
exclusiva de Jesus Cristo e do Espírito? De forma alguma! Podemos 
enfatizar que se estas duas pessoas da trindade se dedicam a este 
mister, nós devemos nos dedicar muito mais. 
 
 
a) Exemplos de Intercessão: 
 
Epafras, conservo de Paulo e chamado por Paulo de "fiel 
ministro" (Cl 1.7) nos dá o exemplo de uma grande abnegação na 
oração pelos crentes de Colossos (Cl 4.12). Como o provável 
organizador daquela igreja, ministrou-lhes a Palavra e nos dá um 
exemplo de serviço sacerdotal mediante a oração. 
 
SENHOR, ENSINA-NOS A ORAR 
 
41 | P á g i n a 
Entretanto, um exemplo impressionante de intercessão pode ser 
visto na vida de Paulo, o apóstolo. Ele faz questão de dizer aos 
destinatários de suas cartas que não deixava de interceder por eles. 
Isto era mencionado preferencialmente no início da carta. Vejamos: 
 
 Pelos crentes em Roma (Rm 1.9-10) "incessantemente faço 
menção de vós em todas as minhas orações". 
 
 Pelos crentes em Corinto (1Co 1.4) "sempre dou graças a Deus 
a vosso respeito". 
 
 Pelos crentes em Éfeso (Ef 1.16-17) "fazendo menção de vós 
nas minhas orações". 
 
 Pelos crentes em Filipos (Fp 1.4) "fazendo sempre, com 
alegria, súplicas por todos vós, em todas as minhas orações". 
 
 Pelos crentes em Colossos (Cl 1.3) "damos sempre graças a 
Deus,..., quando oramos por vós". 
 
 Pelos crentes em Tessalônica (1Ts 1.2) "mencionando-vos em 
nossas orações, e sem cessar". 
 
 Por Timóteo (2Tm 1.3) "porque sem cessar me lembro de ti nas 
minhas orações, noite e dia". 
 
 Por Filemom (Fm 4) "lembrando-me semprede ti nas minhas 
orações". 
 
Paulo tinha o importante hábito de interceder e de dar graças a 
Deus por todos aqueles irmãos. Muitas vezes também manifestava o 
desejo de que orassem por ele (Cl 4.3; Fp 1.19). 
 
SENHOR, ENSINA-NOS A ORAR 
 
42 | P á g i n a 
Na verdade, as necessidades das pessoas são muitas e estão 
diante de nós. Resta-nos sensibilizar-nos e levá-las a Deus, em oração. 
 
b) Por quem interceder? 
 
 Pelo nosso próximo (Lc 22.32; Tg 5.16). 
 
 Pelos que nos perseguem ou caluniam (Mt 5.44; Lc 23.34; Lc 
6.28). Temos em Estêvão um nobre exemplo dessa intercessão 
(At 7.60). 
 
 Todas as pessoas, sem qualquer distinção, devem ser alvo das 
nossas orações, para que os recursos divinos sejam 
canalizados na direção de suas vidas, suprindo as suas 
necessidades. O apóstolo Paulo ratifica a instrução de Jesus, 
ressaltando alguns casos especiais, isto é, as autoridades 
constituídas: "Antes de tudo, pois, exorto que se use a prática de 
súplicas, orações, intercessões, ações de graça, em favor de todos os 
homens, em favor dos reis e de todos os que se acham investidos de 
autoridade, para que vivamos vida tranquila e mansa, com toda a 
piedade e respeito. Isto é bom e aceitável diante de Deus nosso 
Salvador,” (1Tm 2.1-3). 
 
Aqueles que estão investidos de autoridade têm poder de tomar 
decisões que afetam muitas vidas. Portanto, devemos interceder por 
eles, para que Deus os use na tomada de decisões acertadas. Exemplo 
de autoridades: pais, patrões, juízes, governantes, políticos etc.). 
 
5.5 Oração de Petição 
(Súplica, Clamor, Invocação) 
 
Para canalizar em nossa direção os recursos divinos! 
 
SENHOR, ENSINA-NOS A ORAR 
 
43 | P á g i n a 
A oração de petição ou súplica ou clamor ou invocação consiste 
em cada um apresentar a Deus as suas próprias necessidades. A 
súplica caracteriza-se por uma forma de pedir com humildade e 
insistência. Clamar é uma forma mais intensa de pedir: com 
veemência, implorar, rogar. A invocação é o ato de chamar, pedindo 
socorro. “Ouve, SENHOR, a minha súplica, e cheguem a ti os meus 
clamores. Não me ocultes o rosto no dia da minha angústia; inclina-me os 
ouvidos; no dia em que eu clamar, dá-te pressa em acudir-me.” (Sl 102.1-2). 
Às vezes, a petição tem o propósito de obter o esclarecimento divino 
quanto a determinada situação (Jr 32.16-25), ou para se conhecer a sua 
vontade (1Sm 23.10-12), ou, até mesmo, para se questionar a atitude 
de Deus (Jn 4.1-3). 
 
É através da oração de petição que rogamos a Deus que os seus 
infinitos recursos sejam canalizados para a nossa vida, suprindo-nos 
nas nossas fraquezas e limitações naturais e dotando-nos de força e 
capacidade superiores. Somos instruídos biblicamente a compartilhar 
e transferir para Deus as nossas preocupações e ansiedades: “lançando 
sobre ele toda a vossa ansiedade, porque ele tem cuidado de vós.” (1Pe 5.7); 
“Não andeis ansiosos de coisa alguma; em tudo, porém, sejam conhecidas, 
diante de Deus, as vossas petições, pela oração e pela súplica, com ações de 
graças.” (Fp 4.6). 
 
Somos desafiados por Deus a invocá-lo: “Invoca-me, e te 
responderei; anunciar-te-ei coisas grandes e ocultas, que não sabes.” (Jr 33.3). 
Também somos incentivados por Jesus a recorrer ao nosso Pai Celeste, 
na certeza de que seremos ouvidos: “Pedi, e dar-se-vos-á; buscai e 
achareis; batei, e abrir-se-vos-á. Pois todo o que pede recebe; o que busca 
encontra; e, a quem bate, abrir-se-lhe-á.” (Mt 7.7-8). 
 
Em termos práticos, o que devemos pedir a Deus (entre outras 
coisas)? 
 
SENHOR, ENSINA-NOS A ORAR 
 
44 | P á g i n a 
• Vitória Espiritual: para que eu alcance vitória sobre as 
tentações e sobre as investidas do maligno. 
 
• Santificação: para que eu viva uma vida santa diante de Deus 
e dos homens. 
 
• Testemunho Cristão: para que eu seja um instrumento nas 
mãos de Deus levando a mensagem de salvação a outras 
pessoas. 
 
• Necessidades Fisiológicas: para que eu obtenha todas as 
coisas necessárias à manutenção da vida do corpo, da mente e 
das emoções (saúde, moradia, roupa, alimento, água, ar etc.). 
 
• Necessidade de Proteção: para que eu seja guardado do mal 
(acidental ou intencional). 
 
• Necessidade de Cura: para que eu seja curado do corpo, da 
mente e das emoções. 
 
• Necessidades Profissionais e Financeiras: bom emprego, bom 
ambiente de trabalho, realização profissional, independência 
financeira. 
 
• Necessidades Familiares e Sociais: cônjuge segundo a 
vontade de Deus, harmonia conjugal, família ajustada, 
parentes amigáveis, amigos verdadeiros, vizinhos tranquilos 
etc. 
 
• Necessidades Pessoais: Sabedoria, Paz, Equilíbrio, Realização, 
Sentimento de Utilidade etc. 
 
Sobre petição, Jesus ainda nos ensina e apresenta outros 
motivos: 
 
 Para não entrar em tentação 
(Mt 6.13; Lc 11.4; Mt 26.41; Lc 22.46) 
 
Isso trataremos adiante, no tópico sobre as orações de Jesus. 
SENHOR, ENSINA-NOS A ORAR 
 
45 | P á g i n a 
 
 Para obter vitória sobre as forças malignas 
 
“Mas esta casta não se expele senão por meio de oração e jejum.” (Mt 
17.21) 
“Respondeu-lhes: Esta casta não pode sair senão por meio de oração e 
jejum.” (Mc 9.29) 
 
Em Marcos 9.29 Jesus está ensinando haver vários níveis de 
poder espiritual entre os demônios. A experiência mostra que a 
maioria deles pode ser expelida pela palavra de ordem do servo de 
Deus, na autoridade de Jesus. Outros, porém, são mais difíceis. Jesus 
ensina aqui que a solução vem através da oração e jejum, isto é, de um 
maior preparo espiritual. 
 
Clarita Villanueva, jovem de 18 anos, foi apanhada nas ruas da 
cidade de Manilha (Filipinas) por vagabundagem e levada para a 
prisão de Bilibid. Ela sofria perturbações supostamente de origem 
diabólica. O que ocorreu na cadeia foi noticiado, de forma sensacional, 
pelos jornais, em primeira página, durante alguns dias de maio de 
1953. Na cadeia, ela deixou uma banca com cerca de 100 
examinadores, entre os quais juízes, policiais e médicos, perplexos 
com o fato de estar sendo mordida por seres invisíveis. Ela estava bem, 
quando, de repente, suas expressões faciais eram de angústia e terror, 
gritava e lutava, batendo nos braços e ombros, como se estivesse 
afastando “a coisa”. Disse que os fantasmas eram em número de dois 
– um alto, de olhar mau, escuro e envolto em preto; e o outro baixo e 
angelical, com cabelos brancos, sendo este último o responsável pelo 
maior número de dentadas. Marcas de dentes, molhadas de saliva, 
confirmavam os lugares das mordidas. Todas as testemunhas 
afirmaram que, durante todo o tempo, ela não fora capaz de morder a 
si mesma. Espíritas, feiticeiros, procuravam solver o enigma, após 
terem os médicos falhado em dar explicações convincentes; porém, 
também sem sucesso. Foi ouvido um assustador programa de rádio, 
onde colocaram no ar durante 45 minutos, uma entrevista com o 
SENHOR, ENSINA-NOS A ORAR 
 
46 | P á g i n a 
médico responsável, bem como, toda a confusão no momento da 
possessão de Clarita, que o Rev. Lester Sumrall e o Pr. Roberto 
McAlister resolveram entrar em contato com aquela jovem. Já tinham 
orado a noite toda e sentido que essa era a vontade de Deus. Por 
intermédio do gabinete do prefeito, eles conseguiram marcar uma 
entrevista com o médico responsável por Clarita. Este médico, 
arrasado e amedrontado, confessou-lhes que, nos seus 38 anos de 
prática médica, jamais aceitara a teoria da existência, no universo, de 
uma força não material, mas que este fato mudara a sua filosofia de 
vida. Os três poderes do universo: Positivo (Deus), Neutro (Homem) 
e Negativo (Diabo). O poder positivo (Deus) é que neutraliza o poder 
negativo (Diabo) e impede a destruição do mundo. Marcaram para o 
dia seguinte a oração pela moça. Ficaram em oração e jejum. Quando 
os pastores chegaram, a moça reagiu (em inglês) gritando para que se 
retirassem. Todos se ajoelharame o Rev. Lester ordenou-lhes que 
deixassem a moça e eles partiram. Os demônios voltaram. Ele 
perguntou o porquê. Eles falaram: ‘Ela é impura e temos o direito de 
habitar nela’. O Rev. Lester citou o caso de Maria Madalena e ordenou 
que se retirassem; então, foram. Orou com ela para que pedisse perdão 
pelos seus pecados. Voltaram, outra vez. Por que? Eles responderam: 
´É só o senhor que deseja que partamos’. Ordenou-lhes e eles 
partiram. Em seguida, ensinou-a a orar pedindo proteção a Deus. 
Foram embora e disseram-lhe que se os demônios voltassem, ela 
deveria ordenar que partissem em nome de Jesus. Desfecho: à noite, 
quando voltaram, travou-se intensa luta, mas ela clamou a Deus e foi 
definitivamente libertada. O tempo passou, ela se casou, teve dois 
filhos e estava vivendo uma vida normal. Na cidade houve um grande 
avivamento.2 
 
 Para obter perdão de pecados 
(Mt 6.12; Lc 11.4a) 
 
 
2 Ilustração: Clarita, a moça endemoniada na cidade de Manilha, Filipinas 
(Livro: Possessão de demônios - Robert McAlister) 
SENHOR, ENSINA-NOS A ORAR 
 
47 | P á g i n a 
Isso trataremos adiante, no tópico sobre as orações de Jesus. 
 
 Para obter tudo aquilo de que necessitamos 
 
“Até agora nada tendes pedido em meu nome; pedi e recebereis, para que a 
vossa alegria seja completa.” (Jo 16.24) 
“o pão nosso de cada dia dá-nos hoje;” (Mt 6.11) 
“Não andeis ansiosos de coisa alguma; em tudo, porém, sejam conhecidas, 
diante de Deus, as vossas petições, pela oração e pela súplica, com ações de 
graças.” (Fp 4.6) 
 
Porque somos humanos e imperfeitos necessitamos de muitas 
coisas (Jo 16.24). Porque somos limitados em força e poder precisamos 
de alguém superior, capaz de fazer chegar até nós tudo aquilo de que 
necessitamos. 
 
Devemos pedir pelas coisas mais difíceis, mas, também, por 
aquelas que aparentemente estão garantidas (Mt 6.11). 
 
Percebe-se nitidamente nestes versículos que, através da oração, 
os infinitos recursos de Deus são canalizados na direção do servo de 
Deus, suprindo-o nas suas fraquezas e limitações naturais e dotando-
o de força e capacidade superiores. 
 
5.6 Oração de Imprecação 
 
A oração imprecatória – aquela que suplica o castigo divino para 
o outro – não soa bem aos ouvidos cristãos. Entretanto, em muitos 
Salmos e textos do Antigo Testamento (AT) há um tom de imprecação. 
Diante da maldade, da opressão, da violência, ou da injustiça, eles não 
só clamavam ao Senhor por suas vidas, mas também pediam a Deus 
que fizesse cair sobre os seus inimigos os piores males, que a justiça 
divina fosse imediatamente executada. Assim, se unem numa mesma 
oração, as súplicas mais ardentes e as mais violentas imprecações (Sl 
58.6-11; 83.9-18; 109.6-19; 137.7-9). De fato, na época do AT, naquele 
SENHOR, ENSINA-NOS A ORAR 
 
48 | P á g i n a 
contexto, prevalecia no âmbito do povo de Israel o conceito de que a 
obediência a Deus e aos seus mandamentos, deveria ser 
recompensada na vida presente, com longevidade e prosperidade; 
enquanto os transgressores da lei mosaica (judeus) e os ímpios 
(pagãos) deveriam receber o seu justo castigo o quanto antes, para que 
ficasse evidente que há um Deus vivo e presente, retribuindo a cada 
um conforme as suas ações (Sl 7.9; 37.28; 75.10; 58.11). 
 
 Diante de determinadas situações perversas, 
protagonizadas por pessoas de índole maligna, da 
sociedade ou até mesmo participantes dos arraiais 
evangélicos, podem até passar pela mente, 
pensamentos de imprecação. Entretanto, a oração 
que pede a Deus para “pesar sua mão” sobre 
alguém é estranha ao cristão e indevida. Por maior que seja o mal 
praticado contra nós (ou contra outros), como cristãos, o que nos resta 
a fazer, em termos de oração, é entregar nossa causa nas mãos de 
Deus: “Eu, porém, vos digo: amai os vossos inimigos e orai pelos que vos 
perseguem;” (Mt 5.44) 
 
 
 ❖ 
 
 
 
 
 
"Para se ter um viver cristão dinâmico, são necessárias duas coisas: 
visão espiritual e um forte anseio, ambos gerados no aposento da oração. 
 
 
SENHOR, ENSINA-NOS A ORAR 
 
49 | P á g i n a 
 
 
 
 
 
6. ASPECTOS PRÁTICOS DA ORAÇÃO 
 
6.1 A comunicação com Deus 
 
Ninguém desconhece o fato de 
que a oração é um instrumento através 
do qual nos comunicamos com Deus. 
Nós, seres humanos, temos essa 
capacidade de comunicação vertical – 
com Deus, e horizontal – com os seres 
humanos e animais. 
 
Como podemos nos comunicar com Deus? 
 
INSTRUMENTO FORMA 
Com a boca: - Falando (Oração) 
- Cantando (Hinos) 
- Emitindo sons (riso, choro etc.) 
Com a mente: - Com pensamentos 
Com o corpo: - Através de gestos, de ações, das emoções 
etc. 
Com a vida: - Pelo conjunto da obra 
 
 
6.2 A hora e a duração da oração 
 
 De madrugada – Marcos 1.35 ( Exemplo) 
 À tarde – Mateus 14.23; 26.36-39 ( Exemplo) 
 Uma noite toda – Lucas 6.12 ( Exemplo) 
SENHOR, ENSINA-NOS A ORAR 
 
50 | P á g i n a 
 
Pelos exemplos deixados pelo 
Senhor, percebe-se claramente que não 
há uma hora específica, nem uma 
duração determinada para oração. 
Entretanto, é boa prática, reservar 
alguns momentos específicos para a 
oração, para não sermos envolvidos 
pelos afazeres cotidianos. 
 
No Antigo Testamento, há o registro de que Daniel tinha o 
hábito de orar três vezes ao dia, com regularidade e disciplina, como 
parte de sua devoção a Deus. Ele orava em horários específicos, 
abrindo as janelas de seu quarto em direção a Jerusalém, mesmo 
durante o exílio na Babilônia (Dn 6.10). E o salmista declara: “De 
manhã, SENHOR, ouves a minha voz; de manhã te apresento a minha 
oração e fico esperando.” (Sl 5.3) 
 
No Novo Testamento, percebe-se que os judeus seguiam um 
padrão diário de oração em horários específicos, geralmente 
associados ao templo ou à tradição. Os horários principais são: 
 
 Terceira hora (9h da manhã)(At 2.15) 
 Sexta hora (12h ou meio-dia) (At 10.9) 
 Nona hora (15h, ou 3h da tarde) (At 3.1) 
 
Em determinadas situações desafiadoras do cotidiano pode ser 
necessária aquela “conexão rápida” com Deus, do tipo: – Senhor, 
ajuda-me! 
 
Melhor ainda é manter uma conexão permanente com o Senhor, 
ou seja: uma vida de oração; a dependência contínua de Deus, em cada 
passo e em cada momento (Exemplo: Enoque – Gn 5.22-24; Jesus – Mc 
1.35). “Orando em todo o tempo, no Espírito” (Ef 6.18) 
SENHOR, ENSINA-NOS A ORAR 
 
51 | P á g i n a 
 
Em qualquer momento, principalmente antes de qualquer 
realização ou tomada de decisão, a vontade do Pai deve ser consultada 
em oração e a orientação da sua Palavra sempre acatada. Jesus passou 
a noite orando e quando amanheceu escolheu os doze discípulos (Lc 
6.12-13). Durante aqueles momentos de sua maior aflição, antes da sua 
crucificação, ele se afastou para orar (Lc 22.41). 
 
“Certa jovem, amante de esporte e dada a excursões e competições de 
natação, procurou um dia o pastor de sua igreja e lhe declarou que não sentia 
nenhum poder especial como resultado da oração. Parecia-lhe que o exercício 
físico era de valor, pois sentia o corpo forte e disposto, depois de exercitar-se, 
mas nada lucrava em orar. 
– Pratica o esporte diariamente? Perguntou o pastor. 
– Seis dias por semana. Foi a resposta. 
– E quanto tempo por dia? 
– Cerca de 2 horas. 
– E ora diariamente? 
Um pouco embaraçada, a jovem respondeu: – Nem todos os dias. 
– E quando ora, quanto tempo leva? 
– Varia. Às vezes, menos de um minuto. Outras vezes, levo quase 5 
minutos em oração. 
– Suponhamos que você fosse uma menina fraca no físico; você poderia 
tornar-se forte, fazendo exercícios de 1 a 5 minutos, de quando em quando? 
– Compreendo. Um pouco de exercício físico não me daria forças, e, 
assim, não me tornaria forte espiritualmente, sem bastante exercício. 
O pastor aconselhou-a a orar diariamente. Passado algum tempo, a 
moça disse ao pastor:

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