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Centro universitário de Patos – UNIFIP 
Curso de Bacharelado em Medicina Veterinária 
Disciplina: Prática em Laboratório Clínico Veterinário 
Professora: Dra. Laura Tolentino 
Aluno: João Paulo da Silva; Wanessa Vitória de Morais Silva; Thaiane de Oliveira 
Silva; Miriosmar Lima Vanderley 
 
Relatório de Prática Laboratorial 
 
1. Introdução 
 
O estudo das práticas laboratoriais na medicina veterinária é um dos pilares da 
formação acadêmica, pois oferece ao estudante não apenas a oportunidade de conhecer 
técnicas, mas também de compreender a importância da integração entre teoria e prática. 
O laboratório funciona como um ambiente de simulação da vida real, onde são aplicados 
conceitos adquiridos em sala de aula e testada a habilidade do futuro profissional em lidar 
com situações que exigem raciocínio clínico. 
A disciplina Prática em Laboratório Clínico Veterinário, ministrada pela 
professora Dra. Laura Tolentino, teve como objetivo central introduzir os alunos à rotina 
laboratorial, com foco na coleta, manipulação e análise de amostras biológicas. Durante 
as aulas, foram enfatizados não apenas os procedimentos técnicos, mas também a conduta 
ética e a responsabilidade do profissional diante de cada etapa do processo. 
É importante ressaltar que o laboratório clínico representa uma extensão do exame 
clínico. Assim como a auscultação ou a palpação fornecem informações, o hemograma e 
outros exames complementares servem como ferramentas que ajudam o veterinário a 
confirmar hipóteses diagnósticas. A prática, portanto, não deve ser vista como isolada, 
mas como parte de um conjunto integrado de informações. 
A experiência prática possibilitou que os alunos compreendessem na prática os 
desafios e as limitações do uso de equipamentos automatizados, destacando a necessidade 
do olhar crítico do profissional. Essa integração entre teoria, prática e reflexão ética é o 
que diferencia um bom médico veterinário, apto a tomar decisões fundamentadas. 
Portanto, este relatório busca sistematizar os principais pontos abordados, 
apresentando-os de maneira detalhada e reflexiva. O objetivo é consolidar o aprendizado, 
evidenciando a relevância das práticas laboratoriais para a medicina veterinária 
contemporânea. 
 
2. Questões Éticas e Profissionais 
 
Durante as aulas, foi reforçado que a ética profissional deve estar presente em 
todas as etapas da atividade do médico veterinário, especialmente no que diz respeito à 
elaboração e emissão de laudos laboratoriais. Emitir um resultado sem a devida análise 
representa não apenas uma falha técnica, mas uma infração ética grave que pode acarretar 
penalidades legais. 
Um ponto bastante discutido foi a prática, infelizmente comum, de alguns 
profissionais entregarem apenas o papel impresso fornecido pela máquina de hemograma, 
sem compreender ou revisar as siglas e os parâmetros ali presentes. Tal atitude denota 
descaso e coloca em risco a vida do paciente, pois a interpretação incorreta de dados 
laboratoriais pode conduzir a diagnósticos equivocados e tratamentos ineficazes. 
O Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV) possui diretrizes que 
estabelecem a obrigação do profissional em zelar pela veracidade dos resultados e pela 
qualidade técnica dos serviços prestados. Dessa forma, a ética não se restringe a um 
código formal, mas se traduz na prática diária de cada veterinário. 
Outro aspecto ético relevante é a transparência com o tutor. Cabe ao médico 
veterinário explicar, de forma clara e acessível, os resultados obtidos e suas possíveis 
interpretações. A omissão ou manipulação de informações compromete a relação de 
confiança entre profissional e cliente, o que pode trazer sérias consequências para a 
carreira do veterinário. 
Portanto, ética e técnica caminham lado a lado. Não há como pensar em um 
laboratório clínico confiável sem que haja, antes de tudo, a preocupação ética com cada 
resultado produzido e com a responsabilidade que ele carrega. 
 
3. Fundamentos do Hemograma 
 
O hemograma é um exame de rotina essencial que fornece informações detalhadas 
sobre a condição fisiológica e patológica dos animais. Ele é capaz de apontar alterações 
que sugerem anemias, infecções, inflamações, distúrbios de coagulação, entre outros 
problemas de saúde. Na prática laboratorial, compreender como este exame é realizado é 
fundamental para que o profissional saiba interpretar os resultados. 
A máquina de hemograma utilizada em laboratório funciona por meio do princípio 
da impedância elétrica. O sangue é diluído e as células atravessam pequenas câmaras. 
Cada célula, ao passar, gera uma alteração de resistência elétrica que é registrada pelo 
equipamento. A soma dessas alterações permite a contagem e a classificação das células. 
Cada espécie animal possui características próprias no que se refere ao tamanho e 
à morfologia das hemácias. As hemácias de caprinos, por exemplo, são as menores entre 
os animais domésticos, o que exige cuidado na interpretação dos resultados. Da mesma 
forma, algumas espécies apresentam particularidades como a presença de núcleo em 
hemácias, o que dificulta a contagem automatizada. 
Durante a prática, ficou claro que a máquina de hemograma é uma ferramenta 
importante, mas que exige conhecimento prévio do operador. O simples apertar de botões 
não garante resultados fidedignos. É necessário compreender os princípios básicos do 
funcionamento da máquina para reconhecer falhas e limitações. 
O hemograma, portanto, não deve ser visto apenas como um conjunto de números. 
Ele é um reflexo da fisiologia e da patologia do organismo, e sua interpretação adequada 
depende do olhar crítico do médico veterinário. 
 
4. Limitações da Automação em Veterinária 
 
Embora as máquinas de hemograma representem um avanço significativo, a 
prática mostrou que há limitações relevantes em seu uso, principalmente em medicina 
veterinária. Em aves e répteis, por exemplo, a presença de núcleo nas hemácias confunde 
o equipamento, que pode contabilizar essas células como leucócitos. 
Isso significa que, nessas espécies, a máquina fornece apenas o valor total de 
leucócitos (WBC), sem a possibilidade de realizar a contagem diferencial de forma 
confiável. Nesse contexto, a análise microscópica torna-se indispensável para uma 
avaliação detalhada. 
Outro ponto importante é que, mesmo em espécies domésticas, os equipamentos 
automatizados não são capazes de identificar alterações morfológicas sutis nas células 
sanguíneas. Apenas o exame manual pode detectar, por exemplo, a presença de inclusões 
parasitárias ou alterações degenerativas. 
A automação também depende de condições ideais de coleta e processamento. 
Um erro na homogeneização do sangue ou no uso do anticoagulante adequado pode 
comprometer o funcionamento da máquina e, consequentemente, a confiabilidade dos 
resultados. 
Portanto, a limitação da automação reforça a ideia de que a tecnologia deve ser 
uma aliada do profissional, e não um substituto. O olhar crítico do veterinário permanece 
indispensável para a prática laboratorial. 
 
5. Parâmetros Hematológicos e Interpretação 
 
Os principais parâmetros avaliados no hemograma incluem WBC (contagem 
global de leucócitos), RBC (contagem de hemácias), Hb (dosagem de hemoglobina) e Ht 
(hematócrito). Cada um desses índices fornece informações específicas sobre a saúde do 
animal e, quando interpretados em conjunto, podem indicar condições clínicas 
importantes. 
Por exemplo, a queda nos valores de hemoglobina e hematócrito sugere anemia, 
que pode ter origem carencial, hemorrágica ou hemolítica. Já um aumento no número 
total de leucócitos pode indicar a presença de uma infecção bacteriana ou de um processo 
inflamatório agudo. 
No entanto, a interpretação isolada desses parâmetros pode ser enganosa. É 
fundamental que o médico veterinário associe os resultados laboratoriais ao histórico 
clínico do animal eao exame físico. Uma leucocitose, por exemplo, pode estar 
relacionada tanto a uma infecção quanto a um estado de estresse fisiológico. 
Outro ponto importante é a variação entre espécies. Valores considerados normais 
para cães não se aplicam necessariamente a gatos, cavalos ou animais silvestres. Essa 
particularidade reforça a necessidade de que o profissional conheça as referências 
específicas para cada espécie. 
Portanto, o hemograma é uma ferramenta poderosa, mas exige conhecimento 
aprofundado, senso crítico e capacidade de integrar informações para que cumpra seu 
verdadeiro papel no diagnóstico. 
 
6. Técnicas de Campo 
 
Nem sempre o médico veterinário terá acesso a um laboratório equipado. Nessas 
situações, é necessário recorrer a métodos alternativos que forneçam informações rápidas 
e acessíveis. O micro-hematócrito é um exemplo clássico de técnica de campo que pode 
auxiliar no diagnóstico de anemias. 
O método consiste em preencher um tubo capilar de vidro com sangue, centrifugá-
lo e, em seguida, realizar a leitura direta da fração ocupada pelas hemácias. Embora 
simples, essa técnica exige cuidados na coleta e na manipulação para evitar erros que 
comprometam a leitura. 
 
A grande vantagem do micro-hematócrito é sua praticidade. Ele pode ser realizado 
em situações de campo, sem necessidade de equipamentos sofisticados. Dessa forma, 
mesmo em condições adversas, o veterinário pode obter dados relevantes sobre o estado 
do paciente. 
Por outro lado, o micro-hematócrito fornece informações limitadas. Ele não 
permite avaliar a morfologia celular nem identificar alterações específicas, servindo 
apenas como parâmetro inicial. Por isso, sempre que possível, deve ser complementado 
por exames laboratoriais completos. 
Essa técnica reforça a importância da adaptabilidade do médico veterinário. Saber 
utilizar métodos simples e interpretar seus resultados é tão importante quanto dominar 
equipamentos automatizados modernos. 
 
7. Preparo das Lâminas 
 
O preparo das lâminas é uma etapa essencial para a qualidade da análise 
microscópica. Um esfregaço mal feito compromete toda a avaliação, podendo gerar 
interpretações equivocadas. Por isso, o cuidado nesse processo foi amplamente destacado 
durante as aulas práticas. 
O primeiro passo é a correta identificação da lâmina, sempre realizada no lado 
fosco, garantindo que não haja confusão entre as amostras. Em seguida, o sangue deve 
ser depositado na extremidade da lâmina e espalhado de forma uniforme com o auxílio 
de outra lâmina ou espátula. 
O objetivo é obter um esfregaço fino e homogêneo, que permita a visualização 
clara das células ao microscópio. A região ideal para a leitura é a chamada “zona 
monolamelar”, onde as células estão distribuídas em uma única camada, sem 
sobreposição excessiva. 
Em muitos casos, é recomendado preparar duas lâminas: uma destinada ao 
hemograma convencional e outra para a pesquisa de hemoparasitas. Isso porque cada tipo 
de análise pode exigir colorações diferentes, adaptadas ao que se deseja observar. 
A prática demonstrou que a habilidade manual é fundamental nesse processo. Um 
bom esfregaço não depende apenas de teoria, mas da repetição e do treinamento constante 
do aluno. 
 
8. Cuidados na Coleta de Amostras 
 
A coleta de sangue é talvez a etapa mais crítica de todo o processo laboratorial. 
Um erro nessa fase compromete todo o exame, tornando inútil qualquer análise 
subsequente. Por isso, os cuidados na coleta foram bastante enfatizados. 
O uso do anticoagulante adequado é essencial. O EDTA é o mais indicado para 
hemogramas, pois preserva a morfologia celular. No entanto, a proporção entre sangue e 
anticoagulante deve ser respeitada rigorosamente, sob pena de alterar os resultados. 
Após a coleta, é fundamental homogeneizar o tubo com pelo menos cinco 
inversões suaves. Esse cuidado evita a formação de coágulos e garante que as células 
estejam distribuídas de forma uniforme. 
Além disso, o local da punção deve ser escolhido com critério, levando em conta 
a espécie e o porte do animal. A assepsia correta previne contaminações que poderiam 
interferir no resultado ou prejudicar a saúde do paciente. 
Em resumo, a coleta não é apenas um ato mecânico, mas um procedimento que 
exige conhecimento técnico, habilidade prática e responsabilidade profissional. 
 
9. Microscopia e Contagem Diferencial 
 
A microscopia é um dos pilares da análise laboratorial em medicina veterinária. 
Mesmo diante do avanço da automação, ela continua sendo indispensável para a avaliação 
detalhada do sangue. 
É no microscópio que o veterinário realiza a contagem diferencial dos leucócitos, 
distinguindo linfócitos, neutrófilos, eosinófilos, basófilos e monócitos. Essa 
diferenciação é fundamental para compreender o tipo de resposta imunológica em curso. 
Além disso, a microscopia permite observar alterações morfológicas em hemácias 
e leucócitos, como anisocitose, policromasia, presença de inclusões ou alterações 
degenerativas. Esses achados fornecem pistas valiosas sobre o estado clínico do paciente. 
Outro aspecto importante é a pesquisa de hemoparasitas, que só pode ser realizada 
de forma eficaz pela análise microscópica. Doenças como babesiose e erliquiose são 
diagnosticadas pela observação direta dos agentes nas células sanguíneas. 
Portanto, a microscopia não deve ser vista como um complemento opcional, mas 
como parte essencial do hemograma. É ela que confere profundidade e riqueza de detalhes 
ao exame. 
 
10. Discussão Integrada 
 
A disciplina evidenciou que o laboratório clínico veterinário é um espaço onde 
técnica, ética e conhecimento científico se encontram. A automação trouxe rapidez e 
praticidade, mas não substitui o raciocínio crítico do profissional. 
As limitações das máquinas reforçam a necessidade do exame manual, 
principalmente em espécies não convencionais. A microscopia, por sua vez, exige 
treinamento constante e olhar atento, sendo capaz de revelar detalhes invisíveis aos 
equipamentos. 
Outro ponto importante discutido foi a integração entre exame laboratorial, 
histórico clínico e exame físico. Nenhum resultado deve ser interpretado isoladamente. O 
bom médico veterinário é aquele que consegue correlacionar informações de diferentes 
fontes para chegar a um diagnóstico seguro. 
A ética permeia todo esse processo. Sem honestidade e responsabilidade, os 
resultados perdem credibilidade e a profissão é colocada em risco. A confiança do tutor 
no veterinário depende diretamente dessa postura ética. 
Assim, a prática em laboratório clínico veterinário não formou apenas habilidades 
técnicas, mas também desenvolveu uma consciência profissional voltada para a 
responsabilidade, a ética e a busca pela excelência. 
 
11. Considerações Finais 
 
O aprendizado proporcionado pela disciplina de Prática em Laboratório Clínico 
Veterinário foi de extrema relevância para a formação acadêmica. Sob a orientação da 
professora Dra. Laura Tolentino, os alunos tiveram contato com a realidade da prática 
laboratorial e compreenderam sua importância no contexto clínico. 
O relatório destacou desde os aspectos éticos até as técnicas mais específicas, 
passando pelas limitações da automação, a importância da coleta correta, o preparo das 
lâminas e a análise microscópica. Cada etapa do processo foi tratada com a devida 
profundidade, ressaltando que o laboratório não é apenas um local de execução de 
exames, mas um espaço de responsabilidade e decisão clínica. 
A experiência prática reforçou a ideia de que a medicina veterinária exige não 
apenas domínio técnico, mas também capacidade de reflexão crítica e postura ética. O 
futuro profissional deve ser capaz de integrar dados laboratoriais com informações 
clínicas, construindo diagnósticos sólidos e tratamentos adequados. 
O maior legado da disciplina foi mostrar que a prática laboratorial não pode ser 
reduzida a númerosimpressos em um papel. É preciso interpretar, refletir e assumir a 
responsabilidade pelos resultados.

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