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CONTABILIDADE PARA 
ENTIDADES DE INTERESSE 
SOCIAL 
AULA 6 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Prof.ª Marineusa Andreico Rodrigues 
 
 
2 
CONVERSA INICIAL 
A compreensão das diferenças entre imunidade e isenção tributária é 
essencial para garantir que as entidades sem fins lucrativos possam operar de 
forma regular e sustentável, usufruindo dos direitos garantidos pela legislação. 
Nesta abordagem, vamos explorar o conceito de imunidade e isenção 
tributária, os requisitos para sua aplicação, os tributos abrangidos e os principais 
desafios enfrentados pelas entidades do terceiro setor na busca por esses 
benefícios. 
CONTEXTUALIZANDO 
Vamos começar refletindo sobre o conflito de interesse público e 
arrecadação tributária? Vamos lá! 
O Estado precisa arrecadar tributos para financiar serviços públicos 
essenciais, como saúde, segurança e educação. No entanto, quando concede 
imunidade ou isenção para determinadas entidades, ele renuncia a parte dessa 
arrecadação. Até que ponto esses benefícios são justificados? Há situações em 
que a concessão de imunidade e isenção pode ser prejudicial ao interesse 
público? 
TEMA 1 – ISENÇÃO E IMUNIDADE TRIBUTÁRIA 
No contexto da Contabilidade para Entidades de Interesse Social, 
compreender os mecanismos de isenção e imunidade tributária é fundamental. 
Neste cenário, é importante distinguir dois conceitos-chave: a imunidade 
tributária, prevista diretamente na Constituição Federal, e a isenção tributária, 
regulada por normas infraconstitucionais. A imunidade funciona como uma 
vedação constitucional à cobrança de determinados tributos, especialmente o 
IRPJ (Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas), a CSLL (Contribuição Social 
sobre o Lucro Líquido), o PIS (Programa de Integração Social) e a Cofins 
(Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social). Já a isenção, 
embora também desonere a entidade, atua de forma distinta: o fato gerador1 
 
1 No direito tributário, o fato gerador é o acontecimento real que, ao ocorrer, faz nascer a 
obrigação de pagar um tributo. Ele é a concretização de uma situação prevista em lei, ou seja, 
 
 
3 
ocorre e a obrigação tributária nasce, mas a lei ordinária afasta a exigibilidade 
do tributo, podendo abranger o IRPJ e outros tributos conforme a norma 
específica. 
Segundo Jochem (2021), a imunidade tributária representa uma hipótese 
de não incidência de tributos prevista diretamente na Constituição Federal. 
A Constituição Federal (CF), em seu art. 150, veda à União, aos Estados, 
ao Distrito Federal e aos Municípios cobrarem impostos sobre: 
a) Templos de qualquer culto; 
b) Patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas 
fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de 
educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os 
requisitos da lei. 
Nesses casos, o fato gerador dos tributos abrangidos pela imunidade 
sequer chega a ocorrer, sendo juridicamente excluído do campo de incidência 
tributária. 
Explicando de forma simples: a imunidade é uma proteção garantida pela 
Constituição que impede o governo de cobrar certos tributos de algumas 
pessoas, instituições ou situações específicas. 
Por exemplo, templos religiosos, partidos políticos e entidades 
beneficentes sem fins lucrativos têm imunidade tributária. Isso significa que, 
mesmo que realizem atividades que normalmente gerariam impostos, a 
Constituição proíbe que esses tributos sejam cobrados, como uma espécie de 
“blindagem” legal. 
É diferente da isenção, que é um benefício dado por lei comum e pode 
ser alterado. A imunidade é mais forte, porque está diretamente na Constituição 
e serve para proteger direitos fundamentais, como a liberdade religiosa, a 
educação e a assistência social. 
É importante observar que a imunidade prevista na Constituição Federal 
se aplica exclusivamente aos impostos sobre o patrimônio, a renda e os serviços 
relacionados com as finalidades essenciais das entidades que são abrangidas 
pela imunidade citada no art. 150 da Constituição Federal. 
 
quando aquilo que a norma descreve como passível de tributação realmente acontece no mundo 
real. Exemplo: No caso do IRPJ, o fato gerador é o auferimento de renda por uma pessoa jurídica. 
 
 
4 
Ou seja, outras entidades sem fins lucrativos, como, por exemplo, um 
clube, que também não tem finalidade de lucros, mas não está elencado acima, 
não terá imunidade, e sim isenção. 
A isenção tributária decorre de norma infraconstitucional2 e atua de forma 
diferente: embora o fato gerador ocorra e a obrigação tributária surja, a isenção 
impede o surgimento do crédito tributário correspondente, ou seja, a exigibilidade 
do tributo é afastada por força de lei. 
Explicando de forma simples, a isenção é quando a lei libera alguém de 
pagar um tributo, mesmo que a situação que normalmente geraria esse imposto 
aconteça. 
O IPTU é um exemplo de imposto que incide sobre o patrimônio, o qual, 
de acordo com a Constituição Federal, não pode ser cobrado das entidades que 
são consideradas como imunes. Já as entidades que são apenas isentas, como 
no caso de um clube, dependerão de uma lei infraconstitucional do município 
que poderá ou não conceder isenção do IPTU sobre seu patrimônio. 
O gozo da imunidade está vinculado a algumas condições legalmente 
impostas, que precisam ser atendidas pelas entidades para que possam manter 
a imunidade, conforme podemos ver no art. 14 da Lei n. 5.172/1966, o Código 
Tributário Nacional (CTN): 
a) não distribuir qualquer parcela do seu patrimônio ou de sua renda, a 
qualquer título; 
b) aplicar integralmente no Brasil seus recursos na manutenção e 
desenvolvimento dos seus objetivos sociais; 
c) manter escrituração de suas receitas e despesas em livros3 
revestidos de formalidades capazes de assegurar sua exatidão; 
d) realizar a retenção na fonte e o cumprimento de obrigações 
tributárias por terceiros. 
O parágrafo segundo do artigo acima citado ainda nos traz a seguinte 
orientação: 
 
2 Normas infraconstitucionais são leis e regras que estão abaixo da Constituição Federal na 
hierarquia do sistema jurídico. Elas são criadas para detalhar, regulamentar e aplicar os 
princípios e direitos previstos na Constituição, funcionando como um complemento necessário 
para que a Constituição seja colocada em prática no dia a dia. Exemplos: Leis ordinárias, Leis 
complementares, Medidas Provisórias etc. 
3 O CTN não especifica quais são os livros, mas pode-se inferir que se trata dos livros utilizados 
pelas entidades para a escrituração de suas receitas e despesas. 
 
 
5 
Parágrafo 2º Os serviços a que se refere a alínea c do inciso IV do art. 
9º são exclusivamente os diretamente relacionados com os objetivos 
institucionais das entidades de que trata este artigo, previstos nos 
respectivos estatutos ou atos constitutivos. 
Contudo, o Supremo Tribunal Federal (STF) vem admitindo, e a RFB 
(Receita Federal do Brasil) acatando, que as receitas que não estejam 
diretamente relacionadas às finalidades essenciais da entidade também gozem 
da imunidade, desde que o valor seja aplicado nas atividades da entidade em 
questão, independentemente da origem desses recursos. 
Por exemplo, admite-se que as receitas de aluguel ou o ganho de capital 
na venda de imóveis gozem da imunidade, desde que os rendimentos auferidos 
sejam utilizados na manutenção e no desenvolvimento dos objetivos sociais da 
entidade. 
1.1 Imunidade do IRPJ 
O gozo da imunidade do IRPJ está vinculado a algumas condições 
legalmente impostas, conforme relação a seguir. 
1. Partidos Políticos e Sindicatos dos Trabalhadores: para os partidos 
políticos, inclusive suas fundações, e sindicatos dos trabalhadores 
usufruírem da imunidade dos impostos, é necessário acatar as exigências 
dispostas no art. 180 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR) de 
2018, sendo: 
a) não distribuir qualquer parcela do seu patrimônio ou dede agosto de 2001. Altera a 
legislação das contribuições para a Seguridade Social — Cofins, para os 
Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor 
Público — PIS/PASEP e do Imposto sobre a Renda, e dá outras providências. 
Diário Oficial da União: seção 1, Brasília, DF, 27 ago. 2001. Disponível em: 
. Acesso em: 27 jun. 
2025. 
_____. Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional. Coordenação-Geral da 
Representação Judicial da Fazenda Nacional. Parecer PGFN/CRJ n. 
2.112/2011. Dispõe sobre a obrigatoriedade de apresentação da Escrituração 
 
 
38 
Contábil Fiscal (ECF) por entidades imunes e isentas. Brasília, DF, 13 dez. 2011. 
Disponível em: . Acesso em: 27 jun. 2025. 
_____. Receita Federal do Brasil. Instrução Normativa RFB n. 1.252, de 1º de 
fevereiro de 2012. Dispõe sobre a obrigatoriedade de entrega da Declaração de 
Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (DIPJ) e dá outras providências. Art. 4º, 
parágrafo 3º. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 1 fev. 2012. 
_____. Receita Federal do Brasil. Instrução Normativa RFB n. 1.700, de 14 de 
março de 2017. Dispõe sobre normas gerais de tributação relativas ao Imposto 
sobre a Renda das Pessoas Jurídicas, bem como sobre o regime de tributação 
dos lucros. Diário Oficial da União: seção 1, Brasília, DF, 16 mar. 2017. 
Disponível em: 
. Acesso em: 27 jun. 2025. 
_____. Receita Federal do Brasil. Instrução Normativa RFB n. 2.005, de 26 de 
março de 2021. Dispõe sobre a obrigatoriedade da apresentação de 
documentos fiscais eletrônicos e dá outras providências. Art. 3º, inciso I. Diário 
Oficial da União, Brasília, DF, 26 mar. 2021. 
_____. Receita Federal do Brasil. Instrução Normativa RFB n. 2.003, de 18 de 
janeiro de 2021. Dispõe sobre a Escrituração Contábil Digital (ECD). Diário 
Oficial da União, Brasília, DF, 20 jan. 2021. Disponível em: Receita Federal. 
Acesso em: 27 jun. 2025. 
_____. Receita Federal do Brasil. Solução de Consulta COSIT n. 26, de 19 de 
fevereiro de 2018. Coordenação-Geral de Tributação (COSIT). Disponível em: 
. Acesso 
em: 27 fev. 2025. 
_____. Receita Federal do Brasil. Solução de Consulta COSIT n. 243, de 20 
de agosto de 2019. Trata da tributação da Contribuição para o PIS/Pasep e da 
Cofins sobre a receita financeira de entidades isentas. Diário Oficial da União: 
seção 1, Brasília, DF, 22 ago. 2019. Disponível em: 
. 
Acesso em: 27 jun. 2025. 
 
 
39 
_____. Receita Federal do Brasil. Solução de Consulta COSIT n. 244, de 22 
de setembro de 2023. Dispõe sobre a obrigatoriedade de apresentação da 
Escrituração Contábil Fiscal (ECF) por entidades imunes e isentas. Diário Oficial 
da União: seção 1, Brasília, DF, 25 set. 2023. Disponível em: 
. Acesso em: 27 jun. 2025. 
_____. Receita Federal do Brasil. Solução de Consulta COSIT n. 43, de 2 de 
março de 2018. Trata da obrigatoriedade de apresentação da EFD-
Contribuições por entidades imunes e isentas. Diário Oficial da União: seção 1, 
Brasília, DF, 6 mar. 2018. Disponível em: . Acesso em: 27 jun. 2025. 
_____. Receita Federal do Brasil. Solução de Consulta DISIT/SRRF01 n. 36, 
de 8 de agosto de 2013. Trata da base de cálculo da contribuição para o 
PIS/Pasep sobre a folha de salários, especificamente em relação ao pagamento 
a pessoa sem vínculo empregatício. Diário Oficial da União: seção 1, Brasília, 
DF, 11 ago. 2013. Disponível em: 
. Acesso em: 27 jun. 
2025. 
_____. Receita Federal do Brasil. Solução de Consulta DISIT/SRRF01 n. 37, 
de 19 de fevereiro de 2014. Trata da substituição tributária do Imposto de Renda 
da Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido 
(CSLL), especificamente sobre a receita bruta e o destaque do tributo. Diário 
Oficial da União: seção 1, Brasília, DF, 10 mar. 2014. Disponível em: 
. 
Acesso em: 27 jun. 2025. 
JOCHEM, L. Contabilidade das Entidades do Terceiro Setor. 1. ed. Pinhais, 
2021. 
SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. Ação Direta de Inconstitucionalidade n. 
1.802/DF. Relator: Min. Carlos Velloso. Brasília, DF, julgado em 13 maio 2004. 
Diário da Justiça, Brasília, DF, 27 ago. 2004. Disponível em: 
. 
Acesso em: 27 jun. 2025. 
 
 
 
40 
GABARITO 
1. A Associação Comunitária Esperança deve continuar recebendo os 
benefícios fiscais? Por quê? 
Resposta: A continuidade dos benefícios fiscais deve estar condicionada 
à comprovação de que a entidade realmente cumpre seu papel social. Caso a 
Associação consiga esclarecer as inconsistências apontadas e demonstrar que 
os recursos são aplicados corretamente, o benefício pode ser mantido. Caso 
contrário, medidas corretivas ou até a revogação da isenção podem ser 
necessárias. 
2. Quais medidas podem ser adotadas para garantir maior transparência na 
gestão de entidades isentas de tributos? 
Resposta: Algumas medidas incluem a exigência de auditorias 
independentes, a publicação periódica de relatórios financeiros detalhados, a 
criação de órgãos de controle específicos para o Terceiro Setor e a 
implementação de um sistema de prestação de contas acessível ao público. 
3. Como equilibrar a fiscalização rigorosa sem prejudicar o funcionamento 
de entidades que realmente cumprem seu papel social? 
Resposta: A fiscalização deve ser criteriosa, mas também proporcional à 
realidade das entidades. A adoção de um sistema de avaliação baseado em 
impacto social, o fornecimento de suporte técnico para aprimoramento da gestão 
e a diferenciação entre falhas administrativas sanáveis e irregularidades graves 
podem ajudar a garantir que a fiscalização não prejudique entidades 
comprometidas com o bem-estar público.sua renda, a 
qualquer título; 
b) aplicar integralmente no Brasil seus recursos na manutenção e 
desenvolvimento dos seus objetivos sociais; 
c) manter escrituração de suas receitas e despesas em livros revestidos 
de formalidades capazes de assegurar sua exatidão; 
d) realizar a retenção na fonte e o cumprimento de obrigações tributárias 
por terceiros. 
2. Entidades de Educação e Assistência Social: para que as entidades de 
educação ou assistência social mantenham a imunidade, devem atender 
aos seguintes requisitos, RIR/2018, art. 181, parágrafo 3º: 
a) não remunerar, por qualquer forma, seus dirigentes pelos serviços 
prestados; 
 
 
6 
b) aplicar integralmente seus recursos na manutenção e desenvolvimento 
dos seus objetivos sociais; 
c) manter escrituração completa de suas receitas e despesas em livros 
revestidos das formalidades que assegurem a respectiva exatidão; 
d) conservar em boa ordem, pelo prazo de cinco anos, contado da data 
da emissão, os documentos que comprovem a origem de suas receitas 
e a efetivação de suas despesas, bem assim a realização de quaisquer 
outros atos ou operações que venham a modificar sua situação 
patrimonial; 
e) apresentar, anualmente, a Escrituração Contábil Fiscal (ECF), em 
conformidade com o disposto em ato da RFB, atualmente regulado pela 
Instrução Normativa RFB n. 2.004/2021; 
f) recolher os tributos retidos sobre os rendimentos por elas pagos ou 
creditados e a contribuição para a Seguridade Social relativa aos 
empregados, bem como cumprir as obrigações acessórias daí 
decorrentes; 
g) assegurar a destinação de seu patrimônio a outra instituição que 
atenda às condições para gozo da imunidade, no caso de incorporação, 
fusão, cisão ou de encerramento de suas atividades, ou a órgão 
público. 
Porém, ao analisar a imunidade, a entidade não pode chegar ao extremo 
de considerar que toda e qualquer renda de outras atividades não relacionadas 
com aquelas essenciais da entidade esteja, indistintamente, acobertada pela 
imunidade, apenas porque o seu produto é destinado à própria instituição. O 
cuidado que se deve ter aqui é para que a entidade não goze de favores fiscais 
que não são igualmente aplicados a outras empresas que operem no mesmo 
ramo de atividade, mas que paguem seus tributos, pois assim os favores fiscais 
estariam ferindo o princípio constitucional da livre concorrência do art. 170 
(Vieira; Silva, 2019). 
Dito isso, é admissível compreender que as entidades imunes aos 
impostos não fiquem sujeitas ao pagamento de IRPJ sobre rendimentos 
advindos de serviços prestados, doações e subvenções recebidas, receitas 
financeiras, entre outras, desde que sejam considerados os dispostos acima. 
 
 
7 
1.2 Isenção IRPJ 
De acordo com o art. 184 do RIR/2018, ficam isentas do imposto sobre a 
renda as instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico e as 
associações civis que prestem os serviços para os quais foram instituídas e os 
coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins 
lucrativos. 
Você pode perceber que a isenção do IRPJ abrange as entidades sem 
fins lucrativos que não estão contempladas pela imunidade, mas sim pela 
isenção. 
Para a manutenção da isenção, aplicam-se as seguintes regras, segundo 
Jochem (2021): 
a) Não remunerar, por qualquer forma, seus dirigentes pelos serviços 
prestados, exceto no caso de associações, fundações ou organizações 
da sociedade civil, sem fins lucrativos, cujos dirigentes poderão ser 
remunerados, desde que atuem efetivamente na gestão executiva e 
desde que cumpridos os requisitos previstos nos Arts. 3º e 16º da Lei 
n. 9.790/1999 (Lei das OSCIP), respeitados como limites máximos os 
valores praticados pelo mercado na região correspondente à sua área 
de atuação, devendo seu valor ser fixado pelo órgão de deliberação 
superior da entidade, registrado em ata, com comunicação ao 
Ministério Público, no caso das fundações; 
b) Aplicar integralmente seus recursos na manutenção e 
desenvolvimento dos seus objetivos sociais; 
c) Manter escrituração completa de suas receitas e despesas em livros 
revestidos das formalidades que assegurem a respectiva exatidão; 
d) Conservar em boa ordem, pelo prazo de cinco anos, contado da data 
da emissão, os documentos que comprovem a origem de suas receitas 
e a efetivação de suas despesas, bem como a realização de quaisquer 
outros atos ou operações que venham a modificar sua situação 
patrimonial; 
e) Apresentar, anualmente, Declaração de Rendimentos, em 
conformidade com o disposto em ato da Secretaria da Receita Federal. 
Ressalta-se que não estão abrangidos pela isenção do imposto de 
renda os rendimentos e ganhos de capital auferidos em aplicações 
financeiras. 
Fique atento 
Em relação à remuneração dos dirigentes, cabe aqui um adendo, pois 
essa exigência não impede que as associações, fundações ou organizações da 
sociedade civil remunerem seus dirigentes pelos serviços prestados, desde que 
atuem efetivamente na gestão executiva, respeitados os limites impostos pela 
 
 
8 
Lei. Falamos sobre esse assunto em conteúdos anteriores. Se você quiser 
relembrar, retome o conteúdo (Instrução Normativa RFB n. 1.700/2017, art. 10, 
parágrafo 3º, inciso I e parágrafos 4º a 7º). 
1.3 Imunidade e isenção das contribuições sociais 
As contribuições sociais são espécies de tributos previstas no art. 149 da 
Constituição Federal, com finalidades específicas. Entre elas destacam-se as 
seguintes contribuições: 
• Contribuições para a Seguridade Social (art. 195 da CF); 
• PIS – Programa de Integração Social; 
• Cofins – Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social; 
• CSLL – Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. 
Vamos começar falando das contribuições sociais para a Seguridade 
Social? Vamos lá! 
a) Contribuições para a Seguridade Social (art. 195 da CF) 
As entidades sem fins lucrativos, embora possam usufruir de benefícios 
fiscais relacionados a outros impostos, são tratadas como empresas no que 
tange às contribuições previdenciárias, salvo quando possuem um certificado de 
isenção em virtude do seu caráter beneficente, conforme a Lei Complementar n. 
187/2021. 
Para fins previdenciários, as entidades sem fins lucrativos devem realizar 
o pagamento das contribuições previdenciárias patronais de acordo com o seu 
fato gerador, conforme contribuições abaixo: Lei n. 8.212/1991; art. 22; IN RFB 
n. 2.110/2022, art. 81. 
• Contribuição Previdenciária Patronal (CPP) de 20% sobre o valor pago 
aos empregados, contribuintes individuais e trabalhadores avulsos. 
• Riscos Ambientais do Trabalho (RAT) de 1%, 2% ou 3%, sobre o valor 
pago aos empregados e trabalhadores avulsos, de acordo com a atividade 
preponderante; 
• Outras Entidades e Fundos (Terceiros) de 5,80% sobre o valor pago aos 
empregados e trabalhadores avulsos. 
 
 
9 
• Descontar as contribuições previdenciárias dos empregados de acordo 
com a faixa salarial (7,5%, 9%, 12% e 14%), nos moldes do art. 198 do 
Decreto n. 3.048/1999; 
• Descontar as contribuições previdenciárias dos contribuintes individuais 
(11%), nos moldes do art. 216, parágrafo 26, do Decreto n. 3.048/1999. 
Fique atento 
Sobre a remuneração paga aos dirigentes, a entidade sem fins lucrativos 
fica obrigada a descontar a contribuição previdenciária de 11% e a realizar o 
recolhimento da cota patronal de 20%, nos termos do art. 216, parágrafo 26, do 
Decreto n. 3.048/1999 e do art. 22, inciso III, da Lei n. 8.212/1991. 
Porém, cabe destacar que as entidades públicas de direito privado 
certificadas como beneficentes de assistência social, tendo como finalidade a 
prestação de serviços nas áreas de assistência social, saúde e educação, fazem 
jus à imunidade/isenção do pagamento da contribuição previdenciária patronal, 
nos termos do art. 195, parágrafo 7º da Constituição Federal. 
Sendo assim, essas entidades ficam isentas das seguintes contribuições:• Contribuição Patronal Previdenciária (CPP) de 20%; 
• Contribuição para Riscos Ambientais do Trabalho (RAT), com alíquotas 
de 1%, 2% ou 3%; 
• Contribuição para outras entidades e fundos (terceiros) de 5,8%. 
Contudo, é importante ressaltar que a isenção não se aplica aos valores 
descontados das contribuições previdenciárias devidas pelos empregados que 
prestam serviços para a entidade. 
b) Programa de Integração Social (PIS) 
O Programa de Integração Social (PIS) é uma contribuição social de 
natureza tributária instituída pela Lei Complementar n. 7, de setembro de 1970. 
Seu objetivo principal é financiar o pagamento do seguro-desemprego, do abono 
salarial e de outros benefícios para os trabalhadores do setor privado, por meio 
do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT). 
Na legislação brasileira, temos o PIS sobre o faturamento e o PIS sobre a 
folha de pagamento. 
 
 
10 
As entidades imunes ou isentas não são contribuintes do PIS sobre 
faturamento, seja sobre as suas atividades próprias ou não. Instrução Normativa 
RFB n. 2.121/2022, art. 8º, inciso IV. 
Já o PIS sobre a folha de pagamento está compreendido no art. 195, 
inciso I, alínea “a”, da Constituição Federal de 1988 e é obrigatória para as 
entidades listadas abaixo, sejam imunes ou isentas. Instrução Normativa RFB n. 
2.121/2022, arts. 8º e 301. 
• templos de qualquer culto; 
• partidos políticos; 
• instituições de educação e de assistência social imunes do IRPJ; 
• instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as 
associações; 
• sindicatos, federações e confederações; 
• serviços sociais autônomos, criados ou autorizados por lei; 
• conselhos de fiscalização de profissões regulamentadas; 
• fundações de direito privado; 
• fundações públicas instituídas ou mantidas pelo Poder Público; 
• condomínios de proprietários de imóveis residenciais ou comerciais; 
• Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB); 
• as Organizações Estaduais de Cooperativas. 
Contudo, as entidades beneficentes constituídas como organização sem 
fins lucrativos e que cumulativamente possuam Certificação das Entidades 
Beneficentes de Assistência Social na área da Educação (Cebas), atuantes nas 
áreas da saúde, da educação e da assistência social, possuem imunidade da 
incidência dessa contribuição. Instrução Normativa n. 2.121/2022, art. 301. 
A contribuição para o PIS/Pasep incide sobre a folha de salários mensal, 
que corresponde ao total das remunerações pagas ou creditadas durante o mês 
aos empregados que prestem serviços no percentual de 1%. Importante 
ressaltar que, na base de cálculo, não serão incluídos os pagamentos efetuados 
às pessoas sem vínculo de emprego, considerando os entendimentos 
externados pela RFB nas Soluções de Consulta Disit/SRRF01 n. 36/2014 e n. 
37/2014. 
 
 
 
11 
c) Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) 
A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) é um 
tributo federal brasileiro criado para financiar a Seguridade Social, que inclui 
saúde pública, previdência social e assistência social. 
A Lei n. 10.833/2003 e a Medida Provisória n. 2.158, de 24 de agosto de 
2001, prevê no item X do art. 14 que estão isentas da Cofins as receitas relativas 
às atividades próprias, que são aquelas especificadas em seu estatuto, ou 
derivadas das atividades próprias, das seguintes entidades: 
a) Templos de qualquer culto; 
b) Partidos políticos; 
c) Instituições de educação e de assistência social; 
d) Instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural, científico e as 
associações; 
e) Sindicatos, federações e confederações; 
f) Serviços sociais autônomos, criados ou autorizados por lei; 
g) Conselhos de fiscalização de profissões regulamentadas; 
h) Fundações de direito privado e fundações públicas instituídas ou mantidas 
pelo Poder Público; 
i) Condomínios de proprietários de imóveis residenciais ou comerciais; 
j) A Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) e as Organizações 
Estaduais de Cooperativas. 
Essas entidades, para efeito de gozo da isenção da Cofins, deverão 
observar os requisitos exigidos no Regulamento do Imposto de Renda conforme 
citado no tópico 1. 
Fique atento 
Mesmo que determinada atividade não seja a finalidade principal da 
entidade, ela pode ser considerada como derivada de suas atividades próprias. 
É o caso, por exemplo, de uma sociedade religiosa que mantém, anexa ao 
templo, uma livraria para venda de livros religiosos, didáticos, discos com temas 
religiosos e artigos de papelaria. Embora a venda desses itens não seja a 
atividade precípua da organização, ela visa à divulgação do Evangelho, estando 
alinhada aos seus objetivos institucionais. Nessa situação, a receita obtida com 
 
 
12 
essas vendas não sofre incidência de Cofins, por se enquadrar como atividade 
própria de entidade isenta do IRPJ. 
Já as receitas oriundas de atividades não discriminadas em seus 
documentos constitutivos terão incidência da Cofins, conforme segue: 
• As entidades imunes, a alíquota é de 3%, correspondente à Cofins em 
sua forma cumulativa; 
• As entidades isentas, a alíquota é de 7,6%, aplicável sobre sua forma não 
cumulativa. 
Algumas receitas possuem tributação diferenciada da Cofins para essas 
entidades, como é o caso das receitas de aplicações financeiras. 
As receitas financeiras das entidades do terceiro setor terão o seguinte 
tratamento (Solução de Consulta Cosit n. 243 de 20/2008/2019): 
• As entidades imunes não terão tributação; 
• As entidades isentas terão a tributação da Cofins à alíquota de 4%. 
d) Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) 
A Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) é um tributo federal 
criado pela Lei n. 7.689, de 15 de dezembro de 1988, com o objetivo de financiar 
a Seguridade Social no Brasil, especialmente nas áreas de saúde, previdência e 
assistência social. 
A CSLL segue essencialmente as mesmas diretrizes do Imposto de 
Renda no que diz respeito às entidades sem fins lucrativos. Por isso, não há 
grandes distinções a destacar. 
Tanto as entidades imunes quanto as isentas estão dispensadas do 
recolhimento da CSLL, desde que cumpram os critérios legais aplicáveis, já 
mencionados anteriormente. 
No caso das entidades isentas do IRPJ, a isenção da CSLL ocorre por 
extensão, conforme estabelece o art. 15 da Lei n. 9.532/1997. 
Já para as entidades imunes, a Instrução Normativa RFB n. 2.121/2022, 
art. 26, confirma expressamente que não há incidência da CSLL sobre suas 
receitas. 
Vamos resumir todas essas operações nos quadros abaixo: 
 
 
13 
Quadro 1 – Resumo do tratamento das contribuições sociais das entidades 
imunes 
Entidade Tratamento das contribuições sociais 
Pessoa jurídica de direito privado, sem fins 
lucrativos, que cumulativamente preste serviços 
nas áreas de assistência social, de saúde ou de 
educação e que esteja certificada no Cebas. 
Imune de CSLL, PIS/Pasep e Cofins 
Partidos políticos, inclusive suas fundações; 
entidades sindicais dos trabalhadores; 
instituições de educação e de assistência social, 
quando não enquadradas no art. 195, parágrafo 
7º da CF. 
Não contribuinte do PIS/Pasep sobre 
faturamento 
Isenta da Cofins sobre as atividades 
próprias 
Isenção da CSLL 
Entidades religiosas e templos de qualquer culto. 
Não contribuinte do PIS/Pasep sobre 
faturamento 
Isenta da Cofins sobre as atividades 
próprias 
Não contribuinte da CSLL desde 
26.03.2021 
Fonte: Rodrigues, 2025. 
Quadro 2 – Resumo do tratamento das Contribuições Sociais das Entidades 
Isentas 
 Tratamento dos tributos 
Isenta 
Não contribuinte do PIS/Pasep sobre faturamento 
Isenta da Cofins sobre as atividades próprias 
Isenta de CSLL 
Fonte: Rodrigues, 2025. 
1.4 Retenções na fonte de impostos e contribuições 
As retenções na fonte são consideradas antecipações dos tributos 
devidos, cabendo à fonte pagadora dos serviçosefetuar o recolhimento da 
retenção na fonte com seus dados de tomador, e, assim, quitar a prestação de 
serviço contratada pelo valor líquido. 
 
 
14 
Exemplo: Uma entidade imune/isenta contrata uma pessoa jurídica para 
prestação do serviço de auditoria. Este serviço, de acordo com o art. 178 do 
RIR/2018, está sujeito à retenção na fonte do imposto de renda na alíquota de 
15% e também fica sujeito à retenção das Contribuições Sociais Retidas na 
Fonte (CSRF) na alíquota de 4,65%, conforme determina o art. 30 da Lei n. 
10.833/2003. Supondo que o valor do serviço fosse de R$ 10.000,00, as 
retenções seriam: 
a) IRRF: 10.000 x 15% = R$ 1.500 
b) CSRF: 10.000 x 4,65% = R$ 465 
Neste caso, o valor que a entidade pagaria ao prestador do serviço seria 
de R$ 8.035 (R$ 10.000 – R$ 1.500 – R$ 465), ou seja, a entidade tomadora do 
serviço deduz o valor do IR e da contribuição do valor a ser pago ao prestador 
do serviço e efetua o recolhimento ao Governo em seu nome e CNPJ, como uma 
antecipação do imposto devido. 
1.5 Desvio de finalidade 
Para que a entidade possa usufruir da isenção/imunidade, é fundamental 
que não haja desvio de finalidade, ou seja, a entidade não deve desvirtuar suas 
atividades essenciais para explorar atividades econômicas que a coloquem em 
concorrência direta com outras entidades que pagam tributos normalmente, 
conforme trata o Parecer Normativo CST n. 162/1974. 
Porém, cabe esclarecer que a exploração de atividades econômicas não 
é proibida, desde que permaneça dentro dos limites da finalidade filantrópica ou 
social da entidade. 
Para usufruir da isenção, é importante destacar que “é necessária a 
observância dos requisitos legais em sua totalidade, já que o descumprimento 
parcial das condições é suficiente para a inaplicabilidade total da isenção”. 
Ao tratar do caso particular das igrejas, a Solução de Consulta Cosit n. 
244/2023 foi nessa mesma linha de raciocínio, em que é possível haver 
exploração econômica, desde que: 
a) os resultados dessas atividades econômicas sejam aplicados 
integralmente nos objetivos sociais da entidade imune; 
 
 
15 
b) no caso concreto, a exploração de atividade econômica não pode 
representar prejuízo ao princípio da proteção à livre concorrência. 
A Solução de Consulta Cosit n. 244/2023 exemplifica a inocorrência do 
desvio de finalidade quando um prédio de igreja (entidade imune) possui uma 
pequena livraria para o comércio de livros voltados às práticas religiosas, desde 
que tais recursos sejam aplicados de forma integral nos objetivos sociais da 
entidade imune e não firam o princípio da livre concorrência. 
O próprio Parecer Normativo CST n. 162/1974 estabelece o limite legal 
para exploração de atividades econômicas, conforme o quadro abaixo: 
Quadro 3 – Exemplo de receitas que prejudicam ou não a isenção/imunidade 
Entidade 
Receitas 
Próprias 
Receitas que não 
prejudicam a isenção 
Receitas que 
prejudicam a 
isenção 
Clube esportivo 
Mensalidades, 
doações, taxas 
Venda de alimentos e 
bebidas nas dependências 
do clube aos usuários 
Serviço de exploração 
de linha de ônibus 
Sociedades 
religiosas 
Ofertas e 
doações 
Venda de livros e artigos 
religiosos 
Compra e venda de 
bens não relacionados 
à finalidade religiosa 
Instituição 
filantrópica que 
mantém creche 
Doações 
Mensalidades de alunos, 
desde que também faça 
atendimento gratuito, 
mantendo a igualdade de 
tratamento 
Mensalidade de 100% 
dos alunos, sem 
atendimento gratuito 
Fonte: Rodrigues, 2025. 
TEMA 2 – ASPECTOS TRIBUTÁRIOS RELACIONADOS A SUBVENÇÕES 
RECEBIDAS DO PODER PÚBLICO 
As subvenções governamentais são recursos financeiros concedidos pelo 
poder público a entidades privadas, incluindo organizações do terceiro setor, 
para apoiar a execução de atividades de interesse social, como saúde, educação 
e assistência social. Esses repasses podem ocorrer por meio de convênios, 
termos de colaboração, termos de fomento ou contratos de gestão, podendo ser 
classificados em (Lei n. 4.320/1964, art. 12): 
 
 
16 
a) Subvenções para custeio: destinadas à manutenção das atividades da 
entidade (exemplo: pagamento de salários, compra de materiais, 
despesas operacionais). 
b) Subvenções para investimento: destinadas à aquisição de bens duráveis, 
como equipamentos, construção ou reforma de instalações. 
Jochem (2021) define a subvenção governamental da seguinte forma: 
Subvenção governamental: é uma assistência governamental, 
geralmente na forma de contribuição de natureza pecuniária, mas não 
restrita a ela, concedida a uma entidade normalmente em troca do 
cumprimento passado ou futuro de certas condições relacionadas às 
atividades operacionais da entidade. Não são subvenções 
governamentais aquelas que não podem ser razoavelmente 
quantificadas em dinheiro e as transações com o governo que não 
podem ser distinguidas das transações comerciais normais da 
entidade. 
Conforme Jochem (2021), a entidade também pode receber subvenções 
governamentais vinculadas à aquisição de ativos, cujo principal requisito para 
concessão é que a beneficiária adquira, construa ou de alguma forma obtenha 
ativos de longo prazo. Essas subvenções podem incluir condições adicionais, 
como restrições quanto ao tipo ou à localização dos ativos, ou ainda quanto ao 
prazo para sua aquisição ou manutenção. É possível, inclusive, que a subvenção 
seja concedida diretamente na forma de um ativo. 
De acordo com o CPC 07 e ITG 2002, na contabilidade das entidades, 
ambas são registradas como receitas restritas e reconhecidas conforme o 
cumprimento das condições contratuais. 
Em relação aos aspectos tributários, as subvenções recebidas que sejam 
aplicadas no objeto social da entidade para manutenção de suas atividades não 
sofrem a tributação do IRPJ nem da CSLL, de acordo com a Instrução Normativa 
RFB 1.700/2017, desde que os requisitos da Lei Complementar n. 187/2021 
sejam cumpridos, tais como: aplicação integral dos recursos na manutenção dos 
objetivos institucionais; não distribuição de lucros ou excedentes; escrituração 
contábil regular demonstrando a destinação dos recursos. 
Em relação ao PIS e Cofins, as receitas de subvenções não são tributadas 
por essas contribuições, de acordo com a Medida Provisória n. 2.158-35/2001, 
arts. 13 e 14. 
 
 
 
17 
Fique atento 
As entidades que recebem subvenções devem: 
• Manter controle detalhado da aplicação dos recursos para evitar 
questionamentos fiscais; 
• Cumprir as regras do convênio ou termo firmado com o poder público; 
• Apresentar prestações de contas dentro dos prazos estabelecidos, 
detalhando como os recursos foram utilizados; 
• Atender às exigências do Tribunal de Contas e da Receita Federal, 
especialmente no caso de entidades que possuem benefícios fiscais. 
O descumprimento dessas regras pode levar à perda da subvenção, 
exigência de devolução dos valores e até questionamentos tributários. 
Quadro 4 – Resumo: subvenções para investimento x subvenções para custeio 
Aspecto Subvenção para Custeio 
Subvenção para 
Investimento 
Finalidade 
Cobre despesas 
operacionais (exemplos: 
salários, aluguel etc.) 
Cobre aquisição de ativos 
permanentes (exemplos: 
imóveis, equipamentos) 
Reconhecimento Contábil 
Reconhecida como receita 
operacional no período de 
recebimento 
Registrada como passivo e 
reconhecida como receita ao 
longo do tempo 
Impacto Tributário 
Não sujeita a PIS e Cofins 
para entidades imunes ou 
isentas 
Não sujeita a PIS e Cofins 
para entidades imunes ou 
isentas 
Exemplo de Uso 
Custos com operação do 
serviço (exemplo: 
pagamento de funcionários) 
Aquisição de bens duráveis 
(exemplo: compra de 
equipamentos) 
Fonte: Rodrigues, 2025. 
As subvenções recebidas do poder público devem respeitar estritamente 
o que foi pactuado com o órgão público concedente, especialmente nos 
seguintes documentos: plano de trabalho; objetoda parceria; metas e etapas de 
execução; categoria econômica das despesas autorizadas 
(custeio/investimento). Ou seja, no caso, por exemplo, de uma despesa de folha 
de pagamento, o plano de trabalho deverá aprovar o uso da subvenção para 
pagamento de pessoal. 
A Lei n. 13.019/2014 considera como despesa adequada a remuneração 
da equipe executora da parceria, e os custos administrativos (como folha) são 
permitidos, desde que diretamente ligados ao cumprimento do objeto. 
 
 
18 
Importante ressaltar que as despesas não previstas no plano de trabalho 
podem ser glosadas pela concedente e exigidas de volta. 
Abaixo, vamos analisar um quadro com exemplos de rubricas salariais 
que podem ser custeadas com o valor recebido das subvenções: 
Quadro 5 – Rubricas de Folha Financiáveis com Subvenção Pública (Lei n. 
13.019/2014) 
Cargo/Função 
Vínculo com o 
objeto da parceria 
Pode ser custeado 
com subvenção? 
Observações 
Coordenador do 
projeto 
Responsável técnico 
pelo cumprimento do 
plano de trabalho 
 Sim 
Deve constar no 
plano de trabalho, 
com atividades 
detalhadas 
Educador social 
Atua diretamente 
com o público-alvo 
do projeto 
 Sim 
Prever carga horária, 
atribuições e metas 
vinculadas 
Psicólogo do 
programa 
Atende beneficiários 
conforme previsto no 
objeto da parceria 
 Sim 
Função técnica 
essencial — justificar 
no plano 
Auxiliar 
administrativo do 
projeto 
Apoio logístico 
exclusivo ao projeto 
 Sim 
Desde que vinculado 
ao projeto, e não à 
estrutura geral 
Contador da 
entidade 
Atua em toda a 
contabilidade 
institucional 
 Parcial ou não 
Só se parte do 
tempo for dedicada 
ao projeto (justificar 
rateio) 
Faxineira da sede da 
entidade 
Serviço geral da 
organização, sem 
vínculo com o projeto 
 Não 
Considerado custo 
institucional — só 
pode via custos 
indiretos (se 
previstos) 
Diretor da OSC 
Gestão estratégica 
da entidade 
 Não 
Mesmo sem 
remuneração, não 
pode ser custeado 
com recursos do 
convênio 
Fonte: Rodrigues, 2025. 
TEMA 3 – OUTROS TRIBUTOS INCIDENTES 
Além dos tributos aqui já citados, que podem ou não recair sobre as 
entidades sem fins lucrativos, ainda temos que analisar alguns tributos 
específicos das áreas estaduais/distritais e municipais. 
É importante ressaltar que a imunidade constitucional estabelecida pelo 
art. 150, VI, “c”, da Constituição Federal, é prevista apenas para as hipóteses em 
 
 
19 
que os impostos recaem diretamente sobre o patrimônio, a renda e os serviços 
das instituições sem fins lucrativos. 
Vamos começar então falando do ICMS (Imposto sobre a Circulação de 
Mercadorias e Serviços). Trata-se de um imposto estadual, porém é um imposto 
que deixará de existir com a reforma tributária, aprovada pela Emenda 
Constitucional n. 132/2023. A partir de 2026, inicia-se um período de transição 
em que o ICMS será gradualmente substituído pelo Imposto sobre Bens e 
Serviços (IBS) — um tributo de competência compartilhada entre estados e 
municípios. O objetivo dessa mudança é simplificar o sistema tributário, 
eliminando a complexidade das múltiplas alíquotas e legislações estaduais que 
hoje dificultam o cumprimento das obrigações fiscais. A substituição será feita 
de forma progressiva até 2032, quando o ICMS será extinto por completo, dando 
lugar a um modelo mais uniforme e transparente de tributação sobre o consumo. 
Segundo Jochem (2021), o ICMS incide, além dos serviços de transporte 
intermunicipal e interestadual e de comunicação, principalmente sobre as 
operações que envolvem a circulação de mercadorias. Por esse motivo, não se 
enquadra como um imposto sobre patrimônio, renda ou serviços. 
Para efeito de caracterização como contribuinte do ICMS, considera-se o 
intuito comercial, que é identificado pela habitualidade ou volume das operações 
com mercadorias — independentemente do caráter assistencial, educacional ou 
sem fins lucrativos da entidade que as realiza. 
Assim, ao realizar operações de circulação de mercadorias, a entidade, 
ainda que imune ou isenta, será considerada contribuinte do ICMS. Com isso, 
estará obrigada à inscrição prévia no cadastro de contribuintes do Estado e ao 
cumprimento das obrigações principais e acessórias previstas na legislação 
estadual do imposto. Por exemplo, uma igreja que possui em anexo uma loja 
onde vende artigos religiosos poderá ou não pagar o ICMS, dependendo da 
forma como essa venda é realizada, pois a imunidade tributária das igrejas, 
prevista no art. 150, inciso VI, alínea “b” da Constituição Federal, protege contra 
a cobrança de impostos sobre patrimônio, renda e serviços relacionados com 
suas finalidades essenciais. No entanto, essa imunidade não se aplica 
automaticamente ao ICMS, que incide sobre a circulação de mercadorias. 
Desta forma, se a igreja vende artigos religiosos, como bíblias, hinários, 
velas etc., com fins comerciais, ou seja, com lucro ou valor superior ao custo, 
 
 
20 
essa operação pode sim ser tributada pelo ICMS, pois se caracteriza como 
atividade econômica. 
Por outro lado, se a venda for feita diretamente pelo templo, com valor 
simbólico ou igual ao custo, e os produtos forem essenciais à prática do culto, 
há entendimento de que a imunidade pode ser aplicada, desde que comprovado 
o vínculo com a finalidade religiosa e o uso dentro do templo. 
Ou seja, não é a natureza do produto que define a imunidade, mas sim a 
finalidade da operação e sua relação com os objetivos essenciais da entidade 
religiosa. 
Segundo Jochem (2021), os impostos estaduais, como o ICMS (Imposto 
sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços), o IPVA (Imposto sobre a 
Propriedade de Veículos Automotores) e o ITCMD (Imposto sobre Transmissão 
Causa Mortis e Doação), seguem duas lógicas distintas quanto ao tratamento 
concedido às entidades sem fins lucrativos: 
a) As entidades alcançadas pela imunidade prevista no art. 150 da 
Constituição Federal são dispensadas do pagamento desses tributos, 
desde que atendam aos requisitos constitucionais e legais aplicáveis à 
imunidade tributária; 
b) Já para as entidades isentas, a aplicação do benefício depende da 
legislação específica de cada Estado. Em geral, é possível obter a isenção 
mediante requerimento formal e o devido processo administrativo junto ao 
fisco estadual. 
Em relação aos impostos municipais, segundo o inciso III do Art. 150 da 
Constituição Federal, é vedado aos municípios instituir impostos sobre: 
1. Templos de qualquer culto; 
2. Patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas 
fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de 
educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os 
requisitos da lei. 
Entre os impostos municipais, temos o IPTU (Imposto Predial e Territorial 
Urbano), que é um imposto de competência municipal que incide sobre a 
propriedade de imóveis urbanos. No caso das entidades sem fins lucrativos, o 
 
 
21 
tratamento tributário varia de acordo com a natureza da entidade, se imune ou 
isenta, e o uso efetivo do imóvel. 
Conforme Jochem (2021), são imunes ao IPTU os imóveis de propriedade 
de instituições sem fins lucrativos nas áreas de educação ou assistência social, 
desde que utilizados exclusivamente nas finalidades essenciais da entidade, 
como escolas, hospitais, abrigos ou sedes administrativas, e que cumpram os 
requisitos legais, como: proibição de distribuição de lucros; escrituração contábil 
regular e aplicação dos recursos nas atividades institucionais. 
Fique atento 
“Ainda quando alugado a terceiros, permanece imune ao IPTU o imóvel 
pertencente a qualquer das entidades referidas pelo art. 150, VI, ‘c’, da 
Constituição, desde que o valor dos aluguéis seja aplicado nas atividades 
essenciais de tais entidades” (Súmula n. 724 do Supremo Tribunal Federal –
STF). 
Já a isenção do IPTU, para Jochem (2021), éuma faculdade atribuída aos 
municípios por meio de lei local. Ou seja, ao contrário da imunidade, a isenção 
não é garantida pela Constituição, mas pode ser concedida por legislação 
municipal. 
Os municípios podem conceder isenção a outras entidades sem fins 
lucrativos, como as de cunho cultural, religioso ou na área da saúde, mesmo que 
não se enquadrem nas hipóteses constitucionais de imunidade. Essa concessão 
depende do cumprimento de critérios específicos, definidos em cada município. 
Os critérios mais comuns para concessão da isenção são: uso direto e 
exclusivo do imóvel nas atividades da entidade; comprovação de finalidade não 
lucrativa (CNPJ e estatuto); apresentação de requerimento formal (geralmente 
anual); regularidade fiscal e funcional da instituição. 
Em relação ao ISS (Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza), o 
qual incide sobre a prestação de serviços constantes da Lista de Serviços da Lei 
Complementar n. 116/2003, diferente do IPTU, a Constituição Federal não prevê 
imunidade a este imposto (Constituição Federal, art. 150). 
Mesmo as entidades imunes ao IRPJ e ao IPTU, como escolas ou 
hospitais sem fins lucrativos, podem ser obrigadas a pagar ISS, se prestarem 
serviços onerosos, ainda que voltados às suas finalidades institucionais. 
 
 
22 
Exemplo: 
Uma entidade de assistência social que celebra contrato de prestação de 
serviço médico com cobrança direta dos usuários poderá ser tributada com ISS, 
mesmo sendo imune ao IRPJ. Isso ocorre porque a imunidade se aplica ao 
patrimônio, renda e serviços próprios da entidade, mas não alcança a prestação 
onerosa de serviços a terceiros (Constituição Federal, art. 150). 
Segundo Jochem (2021), para as entidades isentas do IRPJ, a isenção do 
ISS é possível, desde que prevista em lei municipal específica, pois os 
municípios têm competência para conceder isenção total ou parcial do imposto 
a entidades sem fins lucrativos, conforme critérios próprios, sendo os critérios 
mais comuns exigidos pelas prefeituras para isenção do ISS os seguintes: 
• Comprovação de finalidade não lucrativa (CNPJ, estatuto); 
• Uso do serviço exclusivamente para fins institucionais e não comerciais; 
• Apresentação de requerimento formal à prefeitura; 
• Regularidade fiscal; 
• Vedação à remuneração de dirigentes e distribuição de lucros. 
Exemplo: 
Em muitos municípios, entidades de assistência social ou religiosas são 
isentas do ISS quando as receitas são oriundas de serviços gratuitos, convênios 
com o poder público ou ações assistenciais sem cobrança ao público. 
O quadro abaixo resume o tratamento do ISS e do IPTU para entidades 
sem fins lucrativos, considerando os casos de imunidade e isenção conforme a 
legislação vigente. 
Quadro 6 – Resumo tributário: ISS e IPTU para entidades sem fins lucrativos 
Tributo Situação da Entidade 
Tributo é 
devido? 
Observações/Base Legal 
IPTU 
Entidade imune 
(educação/assistência), 
imóvel usado para fim 
institucional 
 Não 
CF/88, art. 150, VI, “c”. Requer 
uso direto e cumprimento dos 
requisitos legais. 
IPTU 
Entidade imune, imóvel 
alugado ou com uso 
comercial 
 Não 
Súmula n. 724 do Supremo 
Tribunal Federal (STF) 
IPTU 
Entidade isenta conforme 
lei municipal 
 Não 
(condicionado) 
Depende de lei local, com critérios 
como pedido formal e uso direto 
nas atividades. 
 
 
23 
IPTU 
Entidade sem isenção e 
imóvel sem uso 
institucional 
 Sim Regra geral: IPTU devido. 
ISS 
Entidade sem fins 
lucrativos prestando 
serviço com cobrança 
 Sim 
Não há imunidade constitucional. 
Pode ser isento por lei municipal. 
ISS 
Entidade prestando 
serviços gratuitos ou via 
convênios públicos 
 Pode ser 
isento 
Possibilidade de isenção por lei 
municipal, conforme critérios 
locais. 
ISS 
Entidade imune 
(educação/assistência) 
prestando serviços a 
terceiros 
 Sim 
Mesmo imune ao IR e IPTU, ISS 
pode ser exigido se houver 
prestação onerosa. 
Fonte: Rodrigues, 2025. 
TEMA 4 – TRIBUTAÇÃO DE OUTRAS RECEITAS 
Uma entidade sem fins lucrativos pode contar com receitas próprias, como 
doações, subvenções e outros tipos de arrecadação obtidos de diferentes 
formas, por exemplo, rendimentos de aplicações financeiras, lucros com a venda 
de bens ou receitas provenientes de eventos, como festas juninas, bingos e 
afins. 
Não há impedimento legal para que essas organizações obtenham lucro 
por meio de investimentos ou atividades eventuais. Isso não compromete sua 
imunidade, desde que os recursos arrecadados sejam integralmente aplicados 
na consecução de seus objetivos sociais. 
A seguir, abordaremos separadamente algumas receitas que, embora não 
sejam consideradas próprias dessas entidades, são comumente observadas em 
sua atuação. 
a) Receitas de rendimentos de aplicações financeiras 
Para as entidades consideradas imunes, com relação aos rendimentos e 
ganhos auferidos em aplicações financeiras de renda fixa ou de renda variável, 
embora a Lei n. 9.532/1997 mencione que tais rendimentos não se beneficiam 
da imunidade tributária, o STF (Supremo Tribunal Federal) posicionou-se 
contrário por meio da Ação Direta de Inconstitucionalidade n. 1.802/DF, 
aplicando a imunidade também às receitas financeiras auferidas por instituição 
de educação ou de assistência social, alegando que o dispositivo que suprime a 
imunidade sobre essas receitas é inconstitucional. 
 
 
24 
Diante dessa compreensão, a PGFN (Procuradoria Geral da Fazenda 
Nacional), reconhecendo que todos os argumentos que poderiam ser levantados 
em defesa dos interesses da União foram rechaçados pelo STF, impossibilitando 
a modificação de seu entendimento, emitiu o Parecer PGFN/CRJ n. 2.112/2011, 
o qual prevê a dispensa de apresentação de recursos e a desistência dos já 
interpostos nas ações judiciais em que se discute a imunidade dos rendimentos 
e ganhos de capital auferidos em aplicações financeiras pelas entidades de 
educação e de assistência social, sem fins lucrativos. Ou seja, fica definido nesse 
parecer que a Fazenda Nacional não terá êxito nas ações de cobrança de 
impostos sobre receitas financeiras para entidades de educação e assistência 
social, uma vez que o entendimento da cobrança é inconstitucional. 
Porém, é importante ressaltar que, para que a entidade não sofra a 
retenção do IRRF na fonte sobre as receitas de aplicações financeiras, é 
necessário informar à instituição financeira, através de uma declaração impressa 
em duas vias, assinada pelo representante legal, segundo o modelo 
estabelecido na Instrução Normativa RFB n. 1.585/2015, Anexo III (Instrução 
Normativa RFB n. 1.585/2015, art. 72, parágrafo 1º). 
Já no caso das entidades isentas, os rendimentos obtidos em aplicações 
financeiras de renda fixa e de renda variável estão sujeitos à incidência do 
imposto de renda na fonte (IRRF), conforme as alíquotas: (RIR/2018, arts. 184, 
parágrafo 1º e 790; Lei n. 9.532/1997, art. 15, parágrafo 2º; Instrução Normativa 
RFB n. 1.585/2015, art. 46): 
i. 22,5% em aplicações com prazo de até 180 dias; 
ii. 20% em aplicações com prazo de 181 dias até 360 dias; 
iii. 17,5% em aplicações com prazo de 361 dias até 720 dias; 
iv. 15% em aplicações com prazo acima de 720 dias. 
Fique atento 
Quando ocorrer o resgate de rendimentos, cuja retenção de IRRF tenha 
sido efetuada pela instituição financeira, este imposto será tratado como 
definitivo pela entidade, ou seja, não poderá ser recuperado em operações 
seguintes (RIR/2018, art. 790). 
A retenção do imposto tem como fato gerador a alienação, que 
compreende qualquer forma de transmissão da propriedade, bem como a 
 
 
25 
liquidação, o resgate, a cessão ou a repactuação do título ou aplicação; já a base 
de cálculo será a diferença positiva entre o valor da alienação, líquido do IOF, e 
o valor da aplicação financeira (RIR/2018, arts. 793 e 795, inciso II; Instrução 
Normativa RFB n. 1.595/2015, art.46, parágrafos 1º e 2º). 
Além do Imposto de Renda, em alguns casos também há a incidência de 
contribuições sociais, como o PIS e a Cofins, sobre as receitas provenientes de 
aplicações financeiras. 
No que diz respeito à tributação do PIS e da Cofins, existem dois regimes 
distintos: o cumulativo e o não cumulativo. A principal diferença entre eles é que, 
no regime cumulativo, apenas as receitas próprias são tributadas, enquanto no 
regime não cumulativo todas as receitas auferidas são tributadas, 
independentemente de sua natureza. 
E como isso impacta as entidades imunes e isentas? 
As entidades imunes seguem o regime cumulativo, enquanto as entidades 
isentas estão sujeitas ao regime não cumulativo. Vale lembrar que, conforme já 
mencionado, tanto as entidades imunes quanto as isentas não recolhem PIS 
sobre receitas — apenas sobre a folha de pagamento. 
Sendo assim, resta analisar a incidência da Cofins. No caso das entidades 
imunes, por estarem no regime cumulativo e gozarem de imunidade sobre suas 
receitas próprias, não recolherão a Cofins sobre nenhum tipo de receita, desde 
que os recursos sejam aplicados em suas finalidades institucionais. 
Já as entidades isentas, por estarem no regime não cumulativo, estão 
sujeitas à incidência de Cofins sobre receitas que não sejam consideradas 
próprias — como, por exemplo, os rendimentos de aplicações financeiras — à 
alíquota de 4,00%. 
Contudo, é importante destacar que as entidades que cumulativamente 
prestem serviços nas áreas de assistência social, saúde ou educação e que 
estejam certificadas no CEBAS possuem a imunidade da Cofins. Já os templos 
de qualquer culto, partidos políticos, sindicatos dos trabalhadores e as entidades 
de educação e assistência social, quando não enquadradas no art. 195, 
parágrafo 7º da CF, possuem a isenção da Cofins. 
b) Ganho na venda de ativo 
A imunidade do IRPJ abrange também as receitas, como a venda de ativo 
imobilizado, as quais estão relacionadas em dois entendimentos da RFB, que 
 
 
26 
possuem efeito vinculante e respaldam o contribuinte em relação à não 
tributação do IRPJ: Instrução Normativa RFB n. 2.058/2021, art. 33. 
Quadro 7 – Entendimentos da Receita Federal 
Operação Entidade Solução de Consulta 
Imunidade do IRPJ sobre ganho de capital 
na venda de imóvel. 
Entidade de 
assistência social. 
Solução de Consulta 
Cosit n. 26/2018 
Imunidade do IRPJ sobre o ganho de 
capital na venda de imóvel. 
Sindicato dos 
Trabalhadores. 
Solução de Consulta 
Cosit n. 43/2018 
Fonte: Rodrigues, 2025. 
Já em relação às entidades isentas, a isenção do imposto de renda 
abrange apenas as receitas próprias da entidade, diferentemente do que vimos 
na entidade imune. 
Contudo, temos algumas exceções, como neste caso de ganho de capital 
na venda de bens do ativo imobilizado, que não são tributadas pelo imposto de 
renda, desde que sejam integralmente aplicadas nas atividades essenciais da 
entidade. Caso contrário, o imposto será devido (Solução de Consulta Cosit n. 
70/2017). 
Exemplo: 
Uma entidade isenta vende um veículo por R$ 60.000, adquirido por R$ 
40.000. Há um ganho de capital de R$ 20.000. 
• Se ela usar os R$ 60.000 para comprar materiais pedagógicos para seus 
projetos educacionais: não haverá incidência de IR. 
• Se ela usar parte do dinheiro para pagar bônus a diretores ou fazer 
aplicações financeiras alheias à finalidade essencial: perderá a isenção 
sobre essa receita, e o ganho de capital será tributado. 
c) Receitas de eventos 
É muito comum as entidades promoverem eventos como bingos 
beneficentes, festas juninas, entre outros, para conseguirem arrecadar mais 
receitas. As receitas arrecadadas nesses eventos não serão tributadas de 
imposto de renda, tanto nas entidades imunes como isentas, desde que utilizem 
essas receitas em suas atividades fins. 
 
 
27 
Em relação à Cofins, as entidades imunes possuem a extensão da 
imunidade a essas receitas, desde que atendam o requisito mencionado no 
parágrafo anterior. Já as entidades isentas não possuem esse mesmo privilégio, 
ou seja, são obrigadas a recolher a Cofins sobre as receitas arrecadadas nesses 
eventos. 
d) Receitas de locação de imóveis próprios 
Em se tratando de uma entidade imune, a imunidade do IRPJ, CSLL e 
Cofins se estende para as rendas e as receitas decorrentes do aluguel de bens 
imóveis, quando forem atendidos os requisitos legais (Solução de Consulta Cosit 
n. 639/2017): 
I. A pessoa jurídica em questão destine as referidas receitas às suas 
finalidades essenciais; 
II. Os objetivos sociais da pessoa jurídica em questão não se desvirtuam; 
III. O aluguel dos bens imóveis em questão não afronta o princípio da livre 
concorrência. 
Neste sentido, considerando que sejam atendidos os requisitos acima, o 
valor do aluguel auferido não será tributado pela entidade imune, nem implicará 
perda da sua condição de imunidade. 
Em relação às entidades isentas que recebem aluguéis, é importante 
primeiramente verificar se essa atividade está prevista no seu estatuto como uma 
atividade secundária, pois, para a fruição da extensão da isenção do IRPJ e da 
Cofins sobre essas receitas, será necessário que a receita de aluguel de imóveis 
próprios esteja mencionada em seu estatuto. 
Isso ocorre porque a Instrução Normativa RFB n. 2.121/2022 informa que 
também são consideradas receitas derivadas das atividades próprias aquelas 
decorrentes do exercício da finalidade precípua da entidade, ainda que auferidas 
em caráter contraprestacional. 
Caso obtenha outras receitas que não sejam as citadas acima, não 
estando previstas em seu estatuto, estarão sujeitas à incidência da Cofins com 
alíquota de 7,6%, pelo regime não cumulativo, em regra geral. 
 
 
 
28 
Fique atento 
A entidade isenta que recebe aluguel mantém a isenção quanto ao IRPJ, 
prevista no art. 15 da Lei n. 9.532/97, desde que cumpridos os requisitos legais 
para fruição desse benefício e que a atividade de locação constitua atividade 
acessória, não configure ato de natureza econômico-financeira, não desvirtue 
seu objeto social, nem caracterize concorrência com as demais pessoas 
jurídicas que não gozem de isenção, e que a correspondente receita seja 
aplicada integralmente na manutenção e desenvolvimento dos seus objetivos 
institucionais (Solução de Consulta Cosit n. 218/2021). 
TEMA 5 – OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS DAS ENTIDADES IMUNES E ISENTAS 
Obrigações acessórias são deveres legais atribuídos aos contribuintes — 
pessoas físicas ou jurídicas — com a finalidade de fornecer informações ao 
Fisco, auxiliando na fiscalização, arrecadação e controle dos tributos. Elas 
consistem no cumprimento de formalidades exigidas pela legislação, como a 
entrega de declarações, a emissão de documentos fiscais e a manutenção de 
livros contábeis e fiscais. Um exemplo comum é a emissão de notas fiscais, que 
permite ao Fisco acompanhar as operações realizadas pelos contribuintes. 
Para as entidades sem fins lucrativos, não é diferente. O fato de serem 
imunes ou isentas do Imposto de Renda não as desobriga do cumprimento 
dessas obrigações. No entanto, cada tipo de obrigação possui legislação própria, 
o que pode levar, em alguns casos, à dispensa de determinadas exigências. 
Dessa forma, a partir de agora, analisaremos cada uma dessas 
obrigações, com foco exclusivo nas entidades sem fins lucrativos. 
a) Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTFWeb) – 
Instrução Normativa RFB n. 1.787/2018 
A DCTFWeb é a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais 
online, onde há a confissão de débitos de contribuições previdenciárias e as 
destinadas a terceiros (outras entidades), e informa a retenção do Imposto sobre 
a Renda Retido na Fonte da relação de trabalho, com previsão para a 
transmissão do IRPJ, CSLL, PIS/Pasep e Cofins. 
 
 
 
29 
Saiba mais 
Se a entidade é imune/isenta, por que ela deve transmitir essa 
declaração?Como falamos anteriormente, as entidades sem finalidade de lucro 
podem ficar sujeitas à apuração de alguns impostos e contribuições sociais, 
como o PIS sobre a folha de pagamento, as contribuições previdenciárias 
relativas aos seus funcionários, imposto de renda retido na fonte relativo a 
serviços tomados por ela, entre outros, que são situações que obrigam essas 
entidades a cumprirem essa obrigatoriedade. 
Contudo, as entidades que não possuam nada a declarar na DCTFWeb, 
ou seja, estão sem movimento, também precisam entregá-la, mas com algumas 
regras específicas. 
A Receita Federal esclarece essas regras no Manual da DCTFWeb: 
Transmitida a DCTFWeb sem movimento, esta terá efeito até que 
ocorra nova obrigatoriedade de declarar. Se o contribuinte continuar 
inativo, NÃO há mais necessidade de enviar nova DCTFWeb sem 
movimento no PA de JANEIRO dos anos seguintes. 
Mas o que isso significa na prática? Significa que a DCTFWeb sem 
movimento precisa ser entregue apenas uma única vez, quando a entidade se 
tornar inativa ou sem débitos a declarar. Enquanto essa condição persistir, não 
é necessário reenviar a declaração todo mês ou todo ano (nem mesmo em 
janeiro), e uma nova entrega só será exigida quando a entidade voltar a ter 
débitos a declarar ou se houver movimentação tributária, como folha de 
pagamento, retenções etc. 
b) Escrituração Fiscal Digital de Retenções e Outras Informações Fiscais – 
(EFD REINF) – Instrução Normativa RFB n. 2.043/2021 
A EFD-Reinf é um dos módulos do Sistema Público de Escrituração Digital 
(SPED) e tem como objetivo substituir a entrega de várias obrigações 
acessórias, reunindo informações fiscais que não são transmitidas pelo eSocial 
(Sistema de Escrituração Digital das Obrigações Fiscais, Previdenciárias e 
Trabalhistas). 
De acordo com a instrução normativa acima citada, na EFD-REINF, são 
informados os pagamentos ou créditos de rendimentos sujeitos à retenção do 
Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) e das Contribuições Sociais Retidas 
na Fonte (CSRF). 
 
 
30 
Desta forma, se a entidade pagou rendimentos com retenção do IRRF 
e/ou da CSRF, ainda que em um único mês do ano-calendário, ela fica obrigada 
à entrega. A entrega ocorre todo mês, até o dia 15 do mês seguinte ao da 
ocorrência dos fatos geradores. 
c) Escrituração Fiscal Digital das Contribuições incidentes sobre a Receita – 
(EFD-Contribuições) – Instrução Normativa RFB n. 1.252/2012 
A EFD-Contribuições é um arquivo digital instituído no Sistema SPED 
Público de Escrituração Digital (SPED), a ser utilizado pelas pessoas jurídicas 
de direito privado na escrituração da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, 
nos regimes de apuração não-cumulativo e/ou cumulativo, com base no conjunto 
de documentos e operações representativos das receitas auferidas, bem como 
dos custos, despesas, encargos e aquisições geradores de créditos da não-
cumulatividade. 
A pessoa jurídica imune ou isenta do IRPJ deverá apresentar a EFD-
Contribuições se o montante total mensal apurado a título de PIS/Pasep e/ou da 
Cofins incidentes sobre a receita ou de CPRB for superior a R$ 10.000,00. 
Conforme a legislação acima citada, a pessoa jurídica imune ou isenta ao IRPJ, 
que estiver dispensada de apresentar a EFD-Contribuições por não ultrapassar 
aquele limite, passará a ter a obrigação de apresentá-la a partir do mês do ano 
em curso em que o valor das contribuições nele apuradas for superior a R$ 
10.000,00, permanecendo assim obrigada por todos os meses subsequentes, 
ainda que o montante apurado em qualquer deles seja igual ou inferior ao limite. 
Segundo o art. 7º desta Instrução Normativa, a EFD-Contribuições será 
transmitida mensalmente ao SPED até o 10º dia útil do 2º mês subsequente ao 
que se refira a escrituração. 
d) Escrituração Contábil Digital (ECD) – Instrução Normativa RFB n. 
2.003/2021 
A ECD é parte do projeto do SPED e tem por objetivo substituir a 
escrituração em papel, ou seja, corresponde à obrigação de transmitir, em 
versão digital, os seguintes livros: 
• Livro Diário e seus auxiliares, se houver; 
• Livro Razão e seus auxiliares, se houver; 
 
 
31 
• Livro Balancetes Diários, Balanços e fichas de lançamento 
comprobatórias dos assentamentos neles transcritos. 
Segundo a Instrução Normativa citada, estão obrigadas a adotar a ECD 
as pessoas jurídicas e equiparadas, portanto, as entidades imunes e isentas 
também ficam obrigadas a entregar, porém, desde que aufiram, no ano-
calendário, receitas, doações, incentivos, subvenções, contribuições, auxílios, 
convênios e ingressos assemelhados, cuja soma seja igual ou superior a R$ 4,8 
milhões, ou ao valor proporcional ao período a que se refere a escrituração 
contábil. 
A ECD será transmitida anualmente ao SPED até o último dia útil do mês 
de junho do ano seguinte ao ano-calendário a que se refira a escrituração. 
e) Escrituração Contábil Fiscal (ECF) 
A ECF é uma obrigação acessória entregue anualmente pelas pessoas 
jurídicas ao SPED e substituiu a antiga Declaração de Imposto de Renda da 
Pessoa Jurídica (DIPJ), com o objetivo principal de demonstrar à Receita Federal 
a apuração do superávit ou déficit da entidade. 
A legislação não traz nenhuma condição de dispensa de entrega dessa 
obrigação para as entidades imunes ou isentas; desta forma, todas as pessoas 
jurídicas imunes ou isentas também estão obrigadas a entregar a ECF. 
Conforme a Instrução Normativa RFB n. 1.633/2016, o prazo para a 
transmissão da ECF ao SPED é até o último dia útil do mês de julho do ano 
seguinte ao ano-calendário a que se refira. 
f) Sistema de Escrituração Digital das Obrigações Fiscais, Previdenciárias 
e Trabalhistas (eSocial) 
O eSocial é um sistema do governo federal criado para unificar o envio de 
informações por parte de empregadores, empresas, entidades públicas e 
privadas, inclusive do terceiro setor, sobre as relações trabalhistas, as 
contribuições previdenciárias, o FGTS, tributos incidentes sobre a folha e dados 
de saúde e segurança do trabalho (SST). 
Portanto, caso a entidade possua empregados ou tome serviços sobre os 
quais tenha retenção das contribuições, ela fica obrigada ao envio. 
Em relação aos prazos para entrega, esses dependerão do tipo de evento, 
conforme abaixo colocado: 
 
 
32 
Quadro 8 – Principais prazos por tipo de evento 
Descrição do Evento Prazo de Envio 
Eventos iniciais e tabelas Antes dos demais eventos 
Admissão de empregado Até um dia antes da admissão 
Remuneração dos trabalhadores Até o dia 15 do mês seguinte ao trabalhado 
Pagamento da remuneração Até o dia 15 do mês seguinte ao pagamento 
Fechamento da folha Até o dia 15 do mês seguinte 
Desligamento ou término de contrato Até 10 dias após a rescisão 
Afastamentos temporários Até 10 dias da ocorrência 
Fonte: Rodrigues, 2025. 
Quadro 9 – Prazos para eventos de SST (Segurança e Saúde no Trabalho) 
Descrição Prazo 
Comunicação de Acidente de Trabalho 
(CAT) 
Até o 1º dia útil seguinte ao da ocorrência 
Monitoramento da Saúde do Trabalhador 
Até o dia 15 do mês seguinte à realização do 
exame 
Condições Ambientais de Trabalho (PPP 
eletrônico) 
Até o dia 15 do mês seguinte ao início das 
condições 
Fonte: Rodrigues, 2025. 
Vamos resumir tudo isso? Abaixo, estou colocando um quadro resumo 
com todas essas informações das obrigações acessórias. 
Quadro 10 – Resumo das obrigações acessórias que devem ser entregues pelas 
entidades sem fins lucrativos 
Obrigação 
Acessória 
Obrigatoriedade p/ Ent. Sem 
Fins Lucrativos 
Base Legal 
DCTFWeb Sim, se houver fatos geradores 
Instrução Normativa RFB n. 
2.005/2021 
EFD-Reinf 
Sim, se houver retenções ou 
CPRB 
Instrução Normativa RFB n. 
2.043/2021 
EFD-Contribuições Sim, em geral obrigatória 
Instrução Normativa RFB n. 
1.252/2012 
ECD 
Sim, se obrigada a manter 
escrituração contábil 
Instrução Normativa RFB n. 
2.003/2021 
ECF 
Sim, se obrigada à entrega da 
ECDou se aufere receitas 
Instrução Normativa RFB n. 
2.003/2021 
eSocial 
Sim, se houver empregados ou 
prestadores com retenção 
Decreto n. 8.373/2014 
 
 
 
 
33 
TROCANDO IDEIAS 
No início desta abordagem, foi proposta uma reflexão. Vamos relembrar: 
O Estado precisa arrecadar tributos para financiar serviços públicos 
essenciais, como saúde, segurança e educação. No entanto, quando concede 
imunidade ou isenção para determinadas entidades, ele renuncia a parte dessa 
arrecadação. Até que ponto esses benefícios são justificados? Há situações em 
que a concessão de imunidade e isenção pode ser prejudicial ao interesse 
público? 
E aí, você já refletiu? Eu já refleti e cheguei à seguinte conclusão: 
A concessão de imunidades e isenções tributárias representa uma 
escolha deliberada do Estado em renunciar a parte de sua arrecadação em favor 
de valores e objetivos considerados prioritários para o interesse público. Essas 
medidas são justificadas quando visam estimular atividades de relevante função 
social, como educação, saúde, assistência social, cultura e liberdade religiosa — 
áreas que, muitas vezes, complementam ou até substituem a atuação estatal. 
A imunidade tributária, por exemplo, é uma limitação constitucional ao 
poder de tributar, prevista na Constituição Federal, e tem como finalidade 
proteger direitos fundamentais e garantir a atuação de instituições que 
promovem o bem comum. Já a isenção, concedida por lei infraconstitucional, 
pode ser usada como instrumento de política pública para incentivar 
determinados comportamentos ou setores. 
No entanto, esses benefícios devem ser criteriosamente avaliados e 
acompanhados, pois sua concessão indiscriminada ou sem controle pode gerar 
distorções, como a perda de arrecadação sem contrapartida social efetiva, a 
concorrência desleal com empresas do setor privado ou até o uso indevido por 
entidades que não cumprem sua finalidade institucional. 
Portanto, a justificativa desses benefícios está diretamente ligada à sua 
efetividade social. Quando bem aplicados, imunidades e isenções fortalecem o 
tecido social e aliviam a carga sobre o Estado. Mas, quando mal fiscalizados ou 
concedidos de forma ampla e sem critérios, podem, sim, comprometer o 
interesse público. 
 
 
34 
NA PRÁTICA 
Estudo de caso: imunidade e isenção tributária na associação 
comunitária esperança 
A Associação Comunitária Esperança é uma entidade sem fins lucrativos 
que atua há mais de 15 anos na assistência social e educação de crianças em 
situação de vulnerabilidade. Por estar enquadrada como entidade beneficente, 
a associação obteve imunidade tributária sobre impostos federais e isenção de 
tributos estaduais e municipais. 
Nos últimos anos, a associação expandiu suas atividades e começou a 
oferecer cursos profissionalizantes para jovens e adultos. Com isso, sua 
arrecadação de doações e parcerias aumentou significativamente. No entanto, 
uma fiscalização recente apontou inconsistências na prestação de contas, o que 
levantou questionamentos sobre a real destinação dos recursos isentos de 
tributos. 
Diante disso, o governo estadual iniciou uma revisão criteriosa dos 
benefícios concedidos à entidade, exigindo maior transparência e comprovação 
do impacto social de suas ações. O caso gerou debate sobre a necessidade de 
monitoramento contínuo e avaliação periódica das entidades beneficiadas por 
imunidade e isenção tributária. 
Diante disso, pergunta-se: 
1. A Associação Comunitária Esperança deve continuar recebendo os 
benefícios fiscais? Por quê? 
2. Quais medidas podem ser adotadas para garantir maior transparência na 
gestão de entidades isentas de tributos? 
3. Como equilibrar a fiscalização rigorosa sem prejudicar o funcionamento 
de entidades que realmente cumprem seu papel social? 
FINALIZANDO 
Ao longo desta abordagem, tratamos dos principais aspectos da 
contabilidade aplicada ao terceiro setor, com destaque para as questões de 
isenção e imunidade tributária, que são fundamentais para a gestão financeira 
das entidades sem fins lucrativos. A compreensão e correta aplicação desses 
conceitos são essenciais para que as organizações possam cumprir suas 
 
 
35 
obrigações fiscais, ao mesmo tempo em que garantem a manutenção de sua 
missão social. 
Esperamos que este material tenha sido útil para o seu aprendizado e 
para a compreensão da contabilidade no contexto do terceiro setor, e que você 
possa aplicar os conhecimentos adquiridos de forma prática e eficiente em sua 
atuação profissional. 
 
 
 
36 
REFERÊNCIAS 
BRASIL. Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil. 
Brasília, DF: Senado Federal, 1988. 
_____. Decreto n. 3.048, de 6 de maio de 1999. Aprova o Regulamento da 
Previdência Social e dá outras providências. Diário Oficial da União: seção 1, 
Brasília, DF, 7 maio 1999. Disponível em: 
. Acesso 
em: 27 jun. 2025. 
_____. Decreto n. 8.373, de 11 de dezembro de 2014. Institui o Sistema de 
Escrituração Digital das Obrigações Fiscais, Previdenciárias e Trabalhistas – 
eSocial e dá outras providências. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 12 dez. 
2014. Disponível em: Planalto. Acesso em: 27 jun. 2025. 
_____. Decreto n. 9.580, de 22 de novembro de 2018. Aprova o Regulamento 
do Imposto sobre a Renda e Proventos de Qualquer Natureza (RIR/2018). Diário 
Oficial da União: seção 1, Brasília, DF, 23 nov. 2018. Disponível em: 
. Acesso em: 27 jun. 2025. 
_____. Lei Complementar n. 116, de 31 de julho de 2003. Dispõe sobre o 
Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza, de competência dos Municípios 
e do Distrito Federal, e dá outras providências. Diário Oficial da União, Brasília, 
DF, 1 ago. 2003. Disponível em: . Acesso em: 27 
jun. 2025. 
_____. Lei Complementar n. 187, de 16 de dezembro de 2021. Dispõe sobre 
a certificação das entidades beneficentes de assistência social. Diário Oficial da 
União, Brasília, DF, 17 dez. 2021. Disponível em: . 
Acesso em: 27 jun. 2025. 
_____. Lei n. 10.833, de 29 de dezembro de 2003. Altera a legislação tributária 
federal e dá outras providências. Diário Oficial da União: seção 1, Brasília, DF, 
30 dez. 2003. Disponível em: 
. Acesso em: 27 
jun. 2025. 
 
 
37 
_____. Lei n. 13.019, de 31 de julho de 2014. Estabelece o regime jurídico das 
parcerias entre a administração pública e as organizações da sociedade civil, em 
regime de mútua cooperação, para a consecução de finalidades de interesse 
público e recíproco. Diário Oficial da União, Brasília, DF, 1 ago. 2014. Disponível 
em: Planalto. Acesso em: 27 jun. 2025. 
_____. Lei n. 4.320, de 17 de março de 1964. Dispõe sobre normas gerais de 
direito financeiro para elaboração e controle dos orçamentos e balanços da 
União, dos Estados, dos Municípios e do Distrito Federal. Diário Oficial da União, 
Brasília, DF, 18 mar. 1964. Art. 12. Disponível em: 
. Acesso em: 27 jun. 2025. 
_____. Lei n. 8.212, de 24 de julho de 1991. Dispõe sobre a organização da 
Seguridade Social, institui Plano de Custeio e dá outras providências. Diário 
Oficial da União: seção 1, Brasília, DF, 25 jul. 1991. Disponível em: 
. 
Acesso em: 27 jun. 2025. 
_____. Lei n. 9.532, de 10 de dezembro de 1997. Altera a legislação tributária 
federal. Diário Oficial da União: seção 1, Brasília, DF, 11 dez. 1997. Disponível 
em: . Acesso em: 27 jun. 
2025. 
_____. Medida Provisória n. 2.158-35, de 24

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