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Perícia forense
Você vai compreender como a análise de manchas de sangue e fragmentos de vidro auxilia a perícia na
reconstituição de crimes, revelando detalhes sobre a dinâmica dos fatos e a possível presença do
suspeito.
1. Itens iniciais
Propósito
O estudo das manchas de sangue e fragmentos de vidro é fundamental para a formação do perito criminal,
pois permite a reconstrução precisa da dinâmica do crime, auxiliando na identificação de suspeitos e na
comprovação de suas presenças na cena do delito.
Objetivos
Analisar as variáveis envolvidas na formação e morfologia das manchas de sangue encontradas em
diferentes superfícies.
 
Comparar as atribuições dos peritos criminal e legista, relacionando-as à aplicação da perinecroscopia.
 
Determinar a direção da força e a sequência dos disparos com base nas características das rupturas
em vidros atingidos.
Introdução
Crimes violentos, como os retratados na série Dexter, ainda que fictícios, refletem uma realidade dura
enfrentada diariamente em diversas partes do mundo. Facas, armas de fogo e outros instrumentos são
comumente utilizados em atos criminosos, deixando para trás cenas impactantes e, muitas vezes, traumáticas
para a sociedade. No entanto, é justamente nesses cenários que o trabalho da perícia criminal se torna
fundamental, revelando informações valiosas por meio da análise de vestígios aparentemente banais.
 
Manchas de sangue, por exemplo, não são apenas registros visuais da violência, mas fontes riquíssimas de
dados que ajudam a reconstituir os acontecimentos. Através delas, é possível identificar a posição da vítima, a
sequência dos fatos, a movimentação dos envolvidos e até mesmo o tempo decorrido desde o crime.
 
Outro elemento essencial nas investigações são os fragmentos de vidro encontrados em locais de crime. Eles
podem fornecer pistas cruciais sobre a presença de suspeitos, a dinâmica do evento e a origem de objetos.
Análises detalhadas desses fragmentos — seja pela compatibilidade química, impressões digitais ou
tentativas de reconstrução — permitem estabelecer conexões entre o cenário e os possíveis autores do delito.
 
Neste conteúdo, serão explorados os princípios que orientam a análise de manchas de sangue, a importância
da perinecroscopia e o papel dos fragmentos de vidro na investigação forense. A compreensão desses
elementos é essencial para desvendar a verdade por trás de crimes violentos e contribuir para a justiça.
• 
• 
• 
1. Manchas e deposições de sangue
O estudo das manchas de sangue
Conceito e principais aspectos das manchas de sangue
Manchas são todas as
modificações de cor, toda
sujidade, deposição de
material estranho, visível ou
não à vista desarmada, que
podem ser encontradas nos
pisos e paredes, mobiliários,
instrumentos, corpo e vestes
do autor e da vítima,
constituindo elementos de
grande importância médico-
legal e criminalística.
No local do fato submetido à
perícia podem ser
encontradas amostras e
manchas de líquidos ou
secreções orgânicas,
deixadas pelo ser humano ou
por animais (sangue, suor,
saliva, esperma, fezes e
outras), e amostras e
manchas de origem
inorgânica (terra, lama,
pólvora, ferrugem,
substâncias graxas etc).
As manchas
encontradas
nos locais
submetidos
a exames
periciais são
de interesse
sob dois
aspectos:
Natureza
A natureza da substância que produziu as manchas.
Forma
A forma como as manchas se apresentam.
A presença de manchas ou deposições de sangue no local do fato é um forte indicativo da ocorrência de
crime. Desse modo, o estudo da localização, distribuição e forma das manchas e deposições hematoides é
muito importante para descobrir a natureza da ocorrência e a dinâmica do fato.
 
O encontro de deposições sanguíneas denuncia a mudança de posição do corpo, a ocorrência de luta, a
tentativa de mascarar o local para a perícia, o veículo utilizado para a remoção do cadáver, a presença do
agente no local e outras circunstâncias de interesse.
 
O estudo das manchas sanguíneas divide-se em dois grandes campos:
As observações de local
Estuda-se a localização, a quantidade e a
dinâmica das deposições.
Os exames laboratoriais
Pesquisa-se sobre a natureza da substância, ou
seja, se realmente trata-se de sangue.
Caso a substância seja identificada como sangue, se humano, determina-se qual o tipo sanguíneo, de que
região do corpo proveio e há quanto tempo estava no local.
 
Se necessário, e dependendo da quantidade, o sangue poderá servir como elemento preciso de identificação
pelo DNA.
Estudo das manchas de sangue no local do fato
O sangue é um
tipo de tecido
conjuntivo que
circula pelo
sistema vascular e
se apresenta na
forma líquida que,
operado como
sistema de
transporte, fornece
substâncias
nutritivas e
oxigênio para os
demais tecidos do
corpo.
 Na forma circulante ou recém-extraído de um vaso
sanguíneo, tem coloração que varia conforme o teor
de oxigênio entre o vermelho escuro (pobre em
oxigênio) e o vermelho carmim (rico em oxigênio), é
opaco, viscoso, alcalino, salgado ao paladar, com
uma densidade entre 1,045 e 1,075 g/ml, pH entre
7,35 e 7,45 (portanto levemente alcalino), tem ponto
de congelamento entre 0,51 a 0,61ºC, com odor
particular e, em alguns casos específicos, para a
espécie animal. Microscopicamente, apresenta uma
porção líquida (plasma) e outra sólida, composta por
hemácias, leucócitos, e plaquetas ou trombócitos.
Atenção
A viscosidade do sangue é cerca de quatro vezes maior do que a da água e é essa viscosidade que
influencia no comportamento das gotas de sangue em queda e em seus padrões de dispersão em locais
de crime. 
É preciso saber onde procurar o sangue e como identificá-lo, pois as manchas têm características diferentes,
podendo variar com o decurso de tempo e, também, de acordo com o suporte sobre o qual se encontra.
 
Nas roupas brancas e em suportes claros e absorventes, aparecem com contornos muito nítidos, pela sua
característica de penetrar nas fibras dos tecidos. Já nas roupas escuras, as manchas são muito difíceis de
distinguir, principalmente se forem manchas antigas.
 
Entre as principais propriedades do sangue, incluem-se:
 
Viscosidade
 
Peso específico
 
Tensão superficial
 
Elas são responsáveis pela estabilidade das gotas e por sua coesão, que aliado as características do
substrato, são as principais variáveis que interferem na formação dos padrões das manchas de sangue.
 
A seguir, acompanhe três aspectos importantes em relação à análise das manchas.
• 
• 
• 
Influência do suporte
O suporte sobre o qual se
localizam as manchas de
sangue é um detalhe
importante a ser observado
no estudo desses indícios.
Algumas superfícies podem
alterar a forma original da
mancha, quer porque
irregular, quer porque
absorvente ou ainda porque
está impregnada de água ou
outra substância que,
interagindo com o sangue,
altera sua consistência e
coloração.
 Em geral,
superfícies
com maior
poder de
absorção e
maior relevo
(textura)
interferem
diretamente
no aumento do
diâmetro das
manchas e na
formação de
raiamentos
mais afilados e
prolongados.
 Os autores
Neto e
Espíndula
(2016)
realizaram
testes práticos
utilizando
diferentes
substratos
como
anteparos, sob
os quais foram
precipitados
gotas de
sangue em
queda livre e
com mesmo
volume.
 Observe os
resultados
dos testes,
que trata a
influência do
substrato,
gotas de
sangue, de
mesmo
volume,
precipitadas
de mesma
altura sobre
diferentes
substratos.
Sangue em chão de banheiro.
Isopor
Diamêtro
Alumínio
Diamêtro
Piso cerâmico comum
Diamêtro
Piso cerâmico Antiderrapante
Diamêtro, com raiamento 
Papelão
Diamêtro, com raiamento 
Influência do tempo decorrido
As manchas recentes são vermelhas e úmidas. Uma vez removidas dos vasos sanguíneos e deixadas ao ar
livre, a porção sólida do sangue se separa do plasma sob a forma de coágulo.
A cor, pela
transformação da
hemoglobina em
meta-hemoglobina e
finalmente em
hematina, escurece
progressivamente,
passando do
vermelho
acastanhado para o
castanho escuro.
 O sangue seco pode ter uma
aparência fendilhada,e
que a ruptura foi súbita e explosiva.
 
São caracterizados por pequenos filetes retilíneos, com origem na superfície que sofreu o impacto, que se
desenvolvem perpendicularmente a essa superfície, no mesmo sentido ao da aplicação da força.
Reconstrução da placa de vidro
Muitas vezes, nos casos de vidros partidos por projéteis de armas de fogo, só restam os fragmentos e a
maioria deles fora da moldura das janelas.
 
Se houver a necessidade de ser reconstituído o vidro atingido pelo impacto, os fragmentos devem ser
recolhidos com a maior brevidade e, ainda no local do fato, se montará com eles a placa original, com o
encaixe das peças, levando em consideração a correta orientação das faces externas (mais desgastadas e
com aderência de sujidades) e internas.
 
Estabelecida a diferença entre as duas faces do vidro, cada pedaço será marcado com caneta apropriada em
apenas um dos lados. Durante esse procedimento, cada fragmento receberá um número correspondente, o
que facilitará a remontagem da placa em outro lugar e a qualquer tempo.
Lanterna de veículo envolvido em acidente de tráfego.
Verificando o aprendizado
Questão 1
Quando falamos em determinar a direção e sentido da trajetória de um projétil que atingiu (transfixando) uma
lâmina de vidro, é correto afirmar que:
A O cone de fratura apresenta o maior diâmetro na superfície oposta à origem do disparo.
B O cone de fratura apresenta o menor diâmetro na superfície oposta à origem do disparo.
C Não será possível observar fraturas radiais em hipótese alguma.
D Não será possível observar fraturas concêntricas em hipótese alguma.
E O cone de fratura não fornece informações sobre a direção e sentido da trajetória.
A alternativa A está correta.
Portanto, ao analisar o padrão da fratura, a direção do disparo pode ser determinada observando-se o cone
de fratura:
Face com menor diâmetro → lado de entrada (origem do disparo)
Face com maior diâmetro → lado de saída (oposta à origem do disparo)
Esse conhecimento é amplamente utilizado em perícias criminais para determinar a direção de um disparo
em cenas de crime envolvendo vidros, como em janelas ou para-brisas.
Questão 2
Em relação à cronologia dos disparos que atingiram uma mesma lâmina de vidro, é correto afirmar que:
A É possível determinar a ordem cronológica dos disparos por meio da análise das fraturas
concêntricas.
B É possível determinar a ordem cronológica dos disparos por meio da análise dos cones de fratura.
C É possível determinar a ordem cronológica dos disparos por meio da análise das fraturas radiais.
D É possível determinar a ordem cronológica dos disparos por meio da análise dos riscos em escamas.
E Nenhuma das respostas acima.
A alternativa C está correta.
Ao observar que uma fratura radial de um disparo termina ou muda de direção ao encontrar outra fratura,
pode-se inferir que a fratura que foi interrompida é mais recente, e a fratura que já estava ali é mais antiga.
Portanto, a análise cuidadosa das fraturas radiais permite estabelecer a ordem cronológica dos disparos,
justificando a afirmação da questão.
Questão 3
Em relação às fraturas em vidro, marque a alternativa correta:
A As fraturas radiais iniciam na face da superfície que sofreu o choque.
• 
• 
B As fraturas concêntricas iniciam na face oposta da superfície que sofreu o choque.
C As fraturas radiais são limitadas pelas fraturas concêntricas.
D As fraturas radiais iniciam na face oposta da superfície que sofreu o choque.
E Nenhuma das respostas acima.
A alternativa D está correta.
As fraturas radiais são aquelas que se irradiam em linha reta a partir do ponto de impacto (como os raios de
uma roda). Essas fraturas, portanto, se iniciam na face contrária àquela que recebeu o impacto direto.
Esse princípio é utilizado, por exemplo, na análise forense de vidros quebrados para determinar o lado do
impacto em janelas, vitrines ou para-brisas.
Questão 4
Em relação aos vidros de segurança (laminados) todas as alternativas estão corretas, EXCETO:
A Os vidros blindados são vidros laminados formados por várias lâminas de vidros, geralmente
temperadas, intercaladas por camadas de material plástico reforçados.
B
No caso de transfixação em vidros laminados dos veículos, pode-se correr a unha sobre a superfície
atingida. Se sentir as fendas concêntricas (espirais) e não sentir as fendas radiais, este é o lado do
choque (orifício de entrada).
C As características de rupturas desses vidros são as mesmas em relação aos demais vidros, no tocante
ao cone de transfixação, às linhas de fraturas radiais e concêntricas.
D
A lâmina interna em vidros de segurança por ser constituída de material plástico, apresentará, no caso de
uma transfixação, o orifício menor do que qualquer uma das placas de vidro, devida à grande deformação
admitida por esse material.
E
A lâmina interna em vidros de segurança por ser constituída de material plástico, apresentará, no caso de
uma transfixação, o orifício maior do que qualquer uma das placas de vidro, devida à grande deformação
admitida pelo material vidro.
A alternativa E está correta.
A alternativa está incorreta porque:
Apresenta uma explicação fisicamente errada sobre as propriedades dos materiais.
Confunde as características do vidro com as do plástico.
Faz uma suposição incorreta sobre o comportamento de transfixação em vidros laminados.
Questão 5
Marque a alternativa que contém a sequência correta dos significados das expressões.
 
A - Fratura radial
B - Fratura concêntrica
C - Cone de transfixação
D - Riscos
( ) São rupturas de formato tendente à circular, que se originam na parte frontal do vidro, ou seja, no lado da
superfície que sofreu o impacto.
 
( ) É uma ruptura de formato cônico, só observáveis nas placas de vidro que permanecem em seus suportes
sem se estilhaçar após a transfixação.
 
( )São marcas que se propagam em escamas, em formato parabólico, que começam perpendiculares em
relação à superfície submetida a esforças de tração e se curvam em relação à outra superfície.
 
( ) São fendas que partem do ponto de aplicação da força em todas as direções, com formato de linhas que
se aproximam de segmentos de reta. Se originam na superfície oposta do ponto de aplicação da força no
vidro.
A A, B, C, D
B B, C, D, A
C A, C, B, D
D D, C, B, A
E B, A, C, D
• 
• 
• 
A alternativa B está correta.
A sequência que consta na alternativa B apresenta os conceitos corretos para as expressões.
4. Conclusão
Considerações finais
Neste conteúdo, abordamos a importância da perícia criminal na elucidação de crimes violentos, destacando
como vestígios deixados nas cenas, muitas vezes ignorados à primeira vista, podem revelar informações
decisivas. Exploramos, em especial, a análise de manchas de sangue, mostrando como esses indícios vão
além do impacto visual: por meio de sua forma, dispersão e volume, é possível reconstituir a dinâmica do
crime, identificar a posição das vítimas e agressores, e estimar o tempo decorrido desde o ocorrido.
 
Além disso, discutimos a relevância da perinecroscopia, técnica fundamental para o exame detalhado do
corpo e de seu entorno imediato, permitindo a coleta de dados valiosos que complementam a investigação.
Outro foco importante foi o estudo dos fragmentos de vidro, frequentemente encontrados em locais de crime.
Esses materiais, quando corretamente analisados — seja por características físicas, composição química ou
impressões digitais —, oferecem pistas cruciais sobre a presença de suspeitos, a trajetória de objetos e a
dinâmica do evento.
 
Ao longo do conteúdo, evidenciamos como a aplicação criteriosa de métodos científicos na análise de
vestígios é essencial para a construção de narrativas coerentes sobre os fatos investigados. Assim,
reafirmamos o papel central da ciência forense na busca pela verdade e na promoção da justiça,
especialmente em cenários marcados pela violência.
Explore +
Leia os textos:
 
Ciência Forense: manchas de sangue, de E. Chemello. 
 
Análise do padrão de manchasde sangue em local de crime: revisão de literatura, de Denise Rabelo
Maciel.
 
Noções de criminalística, de Washington X. de Paula. 
 
Análise de manchas de sangue no local do crime, de Lívia Tuvacek. 
 
Visite a página dos Direitos Autorais Universidade Federal do Paraná e saiba mais sobre o assunto.
 
Visite a página dos Direitos Autorais Universidade Federal de Goiás e saiba mais sobre o assunto.
 
Visite a página de tipos de vidro e impacto de projetos da Reocities.com.
 
Visite a página sobre balística forense do ISSU. 
Referências
BELL, Suzanne. Forense Chemistry. 2. ed. Edinburgh, England: Pearson, 2014.
HOLLER, F. James; SKOOG, Douglas A.; CROUCH, Stanley R. Princípios de Análise Instrumental. 6. ed. Porto
Alegre: Bookman, 2009.
 
• 
• 
• 
• 
• 
• 
• 
• 
NETTO, Amilcar; ESPÍNDULA, Alberi. Manual de atendimento a locais de morte violenta. 2. ed. Campinas-SP:
Millennium, 2016.
 
SANTIAGO, Elizeu. Criminalística Comentada. Millennium. 1. ed. Campinas, SP: 2014.
TOCCHETTO, Domingos; STUMVOLL, Vitor. Criminalística. 6. ed. Campinas-SP: Millennium, 2014.
	Perícia forense
	1. Itens iniciais
	Propósito
	Objetivos
	Introdução
	1. Manchas e deposições de sangue
	O estudo das manchas de sangue
	Conceito e principais aspectos das manchas de sangue
	Natureza
	Forma
	As observações de local
	Os exames laboratoriais
	Estudo das manchas de sangue no local do fato
	Atenção
	Influência do suporte
	Isopor
	Alumínio
	Piso cerâmico comum
	Piso cerâmico Antiderrapante
	Papelão
	Influência do tempo decorrido
	Onde procurar
	Da morfologia da mancha de sangue
	Mancha por queda livre ou precipitação em plano horizontal
	Mancha por queda livre ou precipitação em plano inclinado ou projeção em parede
	Mancha por projeção em plano horizontal
	Mancha por derramamento ou escorrimento
	Mancha por contato ou limpamento
	Mancha por contato ou transferência
	Mancha por impregnação
	Mancha por remoção ou limpeza
	Verificando o aprendizado
	Questão 1
	Questão 2
	Questão 3
	Questão 5
	2. Do cadáver em local de crime
	Áreas de atuação e competência técnica legal do perito criminal e perito legista
	Perito criminal
	Perito legista
	Recomendação
	O levantamento do cadáver (perinecroscopia)
	Atenção
	Exame visual do cadáver
	Exame com as vestes
	Exame sem as vestes
	Exame retirando as vestes
	Posicionamento em que o corpo foi encontrado
	Corpo flutuando em líquido
	Identificar se a vítima foi movimentada e como ocorreu
	Identificar se a vítima morreu naquele local ou foi transferida
	Asfixia por enforcamento
	Enforcamento
	Estrangulamento
	Esganadura
	Queda de plataformas elevadas
	Atenção
	Quedas acidentais
	Suicídios
	Hipótese de homicídio
	Estado e disposição das vestes da vítima
	Exemplo
	Exemplo
	As características dos ferimentos
	Feridas incisas
	Feridas Perfuroincisas
	Feridas Punctórias
	Feridas contusas
	Feridas Cortocontusas
	Feridas Perfurocontusas
	Verificando o aprendizado
	Questão 1
	Questão 2
	3. Exames em vidros em local de crime
	Vidros em local de crime
	Estudo das avarias em vidros transfixados e não fragmentados
	Comentário
	Direção e sentido de incidência do projétil
	Ponto de impacto
	Direção do impacto
	Sentido e trajetória
	Natureza do impacto
	Velocidade relativa da ruptura
	Ângulo de incidência do projétil
	Cone de transfixação
	Rupturas radiais
	Rupturas concêntricas ou espirais
	Impactos em ângulos retos
	Impactos em ângulos oblíquos
	Cone de transfixação
	Linhas de fraturas radiais
	Linhas de fraturas concêntricas
	Vidros de segurança
	Comentário
	Vista interna da trajetória que atingiu primariamente o teto
	Vista interna da trajetória com ocupante no banco do motorista
	Vista extena do veículo demosntrando o ponto de impacto secundário
	Ponto de repouso do projétil, após atingir o para-brisa
	Vista externa do veículo
	Vista interna do veículo
	Vista interna do veículo, demonstrando o local em que o estojo foi encontrado
	Resultado positivo (rosa) para presença de partículas de chumbo
	Estudos nas superfícies transversais
	Riscos
	Estilhaços
	Reconstrução da placa de vidro
	Verificando o aprendizado
	4. Conclusão
	Considerações finais
	Explore +
	Referênciasparecendo
ser formado por pequenas
escamas brilhantes de reflexo
esverdeado. Se a substância
estiver impregnando paredes
pintadas, pode ocorrer uma
reação química com os
pigmentos da tinta, alterando a
coloração da mancha.
 O tempo de
exposição ou
idade da
mancha, além
da coloração,
pode ser
estimado pela
solubilidade,
que diminui
com o passar
do tempo. Sangue em parede de cimento.
Onde procurar
Às vezes, as manchas de sangue não são evidentes, mas em alguns casos o perito deve procurá-las com
atenção, principalmente se houver alguma tentativa de maquiar o local.
 
Tendo acesso ao suspeito, antes que ele possa se desfazer de suas vestes, o sangue deve ser buscado no
interior dos punhos, nas dobras das camisas, bolsos das calças, lenços, bonés, bordas e solas dos calçados,
atrás dos cintos, joias e relógios, cabelos, barbas, sob as unhas e outros.
Procura-se, também, nas armas e possíveis instrumentos do crime, assim como em cordas, fios e correias que
podem ter sido utilizados para imobilização do ofendido.
 
Nos veículos, os locais mais promissores são: o porta-malas, a calha de encaixe do estepe, o espaço sob os
bancos, o assoalho debaixo dos tapetes e todas as frestas difíceis de limpar para onde o sangue possa ter
escorrido. Em se tratando de atropelamento, devem ser vistoriados, também, o para-choque, as grades, os
faróis e as lanternas, assim como toda a parte inferior do transporte.
Da morfologia da mancha de sangue
Uma vez localizadas todas as manchas, é importante fazer uma análise de sua distribuição topográfica, umas
em relação às outras, buscando estabelecer a dinâmica da perda sanguínea. Essa análise pode indicar se o
corpo foi removido, a posição da vítima quando recebeu os ferimentos e se depois de ferida conseguiu ou não
se mover. Sendo o sangue identificado como o do autor, poderá ser estabelecida sua rota de fuga, bem como
alguns atos praticados após ao crime.
 
A morfologia das deposições é muito variada. Segundo o mecanismo de formação, e cotejando as
classificações consagradas na literatura sobre o tema, podemos classificar as manchas de sangue da
seguinte forma:
 
Por queda livre
 
Por projeção (salpicos)
 
Por derramamento
 
Por escorrimento
 
Por contato
 
Por limpamento
 
A queda livre pode acontecer sobre planos horizontais ou sobre planos inclinados. Caso a queda seja sobre
plano horizontal, pode ser em gotas ou gotículas. 
 
As gotas são classificadas como estreladas ou circulares. As gotas estreladas podem ser do tipo simples ou
com satélites.
 
A tensão superficial do fluido é um dos fatores que interferem na morfologia e na dinâmica de dispersão do
sangue em cenários de crime, pois as forças atuantes na superfície de suas moléculas, atuam de forma a
diminuir a área e aumentar a capacidade de resistência. As gotas de sangue assumem conformação esféricas,
pois esta é a geometria com menor área de exposição, conforme a imagem a seguir.
• 
• 
• 
• 
• 
• 
Gota de sangue em conformação esférica.
O sangue tem comportamento de um fluido não newtoniano, ou seja, com viscosidade variável, é um fluído no
qual a tensão de cisalhamento não é diretamente proporcional à taxa de deformação. Entretanto, existem
ocasiões em que o sangue se comporta como um fluido newtoniano, por exemplo, quando oriundo de artérias
carótidas e veias pulmonares, em que apresentam na forma de um fluido que cede ao escoamento com uma
tensão de cisalhamento igual a zero.
Mancha por queda livre ou precipitação em plano
horizontal
Nas manchas por queda livre sobre planos horizontais, o sangue atinge o piso ou outro anteparo,
impulsionado apenas pela ação da gravidade (efeito da força peso). Dependendo da altura, as manchas
produzidas formarão gotas ou gotículas de conformação circular. Observe a relação entre a altura (descrita na
tabela) e o padrão das manchas, a seguir.
Padrão de manchas.
Confira agora a relação entre altura e forma.
 Altura Forma
A De 5 a 10
cm
Circular sem raiamento.
B Entre 10 e
40 cm
Estrelada simples, sem gotas satélite.
C Entre 40 e
125 cm
Estrelada com gotas satélite.
D Acima de
125 cm
As gotas de sangue que caem de uma altura considerável sobre
superfícies duras praticamente se desfazem, formando gotículas
esparsas.
Del-Campo, 2008.
Outros autores (Neto e Espíndula, 2008) testaram a influência da altura de queda na formação das geometrias
das manchas. Para tanto, foram precipitadas gotas de sangue (com mesmo volume), em queda livre,
perpendicularmente à superfície do substrato que, no caso, consistiu em um piso de concreto recoberto por
tinta, conforme podemos observar na próxima tabela (onde, h = altura da queda).
h = 5 cm h = 20 cm h = 50 cm h = 150 cm h = 200 cm
Diâmetro da
mancha 
Diâmetro da
mancha 
Diâmetro da
mancha 
Diâmetro da
mancha 
Diâmetro da
mancha 
Maiores Raios Maiores Raios Maiores Raios Maiores Raios Maiores Raios 
Gotas Satélites
Sem
Gotas Satélites
Sem
Gotas Satélites
Sem
Gotas Satélites
Com
Gotas Satélites
Com
Neto e Espíndula, 2016.
A análise revela que ao aumentarmos a altura de queda da gota, a morfologia da mancha varia. De alturas
menores, a morfologia é quase circular; ao aumentarmos um pouco a distância, tem um formato de sol, em
que os raios começam a despontar e vão se prolongando e afilando com o aumento da altura de queda, até
que os raiamentos se rompem e se desprendem totalmente, em forma de pequenas gotas circundantes,
chamadas gotas satélites, ou seja, há um desprendimento parcial da gota. Por fim, haverá uma altura em que a
gota se desmantelará integralmente em um grupamento de gotas menores.
Mancha por queda livre ou precipitação em plano
inclinado ou projeção em parede
Se o anteparo for oblíquo, a configuração das manchas não será circular. Inicialmente, a gota se expande e
depois o sangue desce para a parte inferior alargando-se.
 
O líquido concentra-se na parte mais baixa, formando uma massa elíptica e, ao descer, vai diminuindo de
espessura até chegar a um formato semelhante a uma lágrima ou raquete de tênis.
Esquema ilustrativo.
O sangue permanece nas bordas da mancha, ficando claro no centro, onde é possível distinguir uma série de
pequenas ondulações. Conforme a inclinação do plano, a mancha em sua trajetória descendente irá se
alargando mais e mais na parte inferior até que se resolve em várias prolongações mais ou menos afiladas,
conforme podemos observar na próxima imagem.
Esquema ilustrativo.
Mancha por projeção em plano horizontal
As manchas por projeção são aquelas oriundas do arremesso de respingos de sangue, isolados, sob os efeitos
da gravidade e de outras formas de energia, tais como pressão arterial, movimentação de objetos
ensanguentados, impactos de objetos contra superfícies impregnadas com sangue etc.
 
Nas manchas por projeção sobre planos horizontais, além da gravidade, atua sobre a gota outra força que lhe
dá deslocamento lateral. Dependendo da intensidade dessa segunda força, a mancha será mais ou menos
alongada e os raiamentos estarão orientados no sentido do deslocamento. Como regra, quanto mais agudo o
ângulo em relação ao solo, mais rápido é o deslocamento da origem do sangue derramado.
 
O achado dessa forma de mancha pode indicar:
 
Pessoa ferida em movimento.
 
Sangue que se projeta de artéria lesionada.
 
Movimento de instrumento impregnado com considerável quantidade de sangue.
No caso de sangue projetado, a dinâmica de dispersão deve ser analisada por meio de movimentos
parabólicos, como na imagem a seguir.
Sangue projetado
Não importa se em decorrência de pressão arterial ou oriundo de algum fenômeno arterial, do tipo de
movimentação de instrumentos ensanguentados, dos impactos de objetos sobre superfície impregnadas
do fluido orgânico.
Projeções em superfície plana.
Diante dessas características de projeção, a geometria dos respingos, associada às circunstâncias de
produção, poderá indicar o ângulo de impacto que mantiveram com o substrato em que foram encontradas.
 
Se uma gota, ao atingir uma superfície rígida,se encontrar animada com velocidade vertical e horizontal, o
vetor resultante das forças, modificará a geometria da gota, tendo em vista que o contato com o anteparo
ocorre em diferentes ângulos e sofre a influência de sua inércia.
 
Esse fenômeno faz com que os raios e as camadas mais elevadas continuem em movimento após o contato
de sua base com a superfície, o que causa deslocamentos das camadas superiores no sentido do movimento.
Deslocamentos no sentido do movimento.
Confira agora a velocidade dos movimentos.
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 Movimento Velocidade horizontal
A Pessoa parada 0 m/s
B Pessoa em deslocamento 2,3 m/s
C Pessoa em deslocamento 4,0 m/s
D Pessoa em deslocamento 7,0 m/s
Neto e Espíndula, 2016.
Esses tipos de manchas, quando dispostos em uma trilha, além de indicar o sentido de movimentação da
pessoa ferida, pode também dar uma noção de velocidade de deslocamento, possíveis locais de parada, bem
como região do corpo de onde precipitaram as manchas de sangue.
Manchas dispostas em uma trilha.
Mancha por derramamento ou escorrimento
No derramamento,
não há mancha
propriamente dita,
mas verdadeiros
depósitos de sangue
na forma de poças ou
charcos. Nesses
casos, geralmente, os
ferimentos
observados no corpo
da vítima são
bastante extensos.
 Já as manchas por
escorrimento são as
decorrentes do escoamento
do sangue por ação da
gravidade sobre superfícies
rígida ou móvel. Essas
manchas são secundárias, o
sangue, inicialmente
projetado ou depositado
sobre móveis e paredes,
desce pela ação da
gravidade deixando grandes
rastros.
 Esses vestígios são
muito importantes,
porque podem
indicar a mudança
de posição do
corpo da vítima ou
de objetos,
principalmente se o
sangue já estiver
seco e, portanto,
imutável em sua
posição.
Observe a imagem a seguir.
Indicações de escorrimento de sangue.
A análise desses tipos de manchas de sangue permite definir a posição em que estava a vítima ao ser ferida,
isto é, se sentada, deitada ou disposta de outra maneira, uma vez que o sangue, ao escorrer pela ação da
gravidade, sempre se desloca do nível mais alto para o mais baixo. Se a posição da vítima for alterada, é
possível haver uma mudança brusca de direção do filete do escorrimento de sangue.
Posições da vítima a partir da análise dos tipos de manchas.
Mancha por contato ou limpamento
Mancha por contato ou transferência
São aquelas manchas produzidas pela transferência de fluido de uma superfície impregnada de sangue para
outra, normalmente permitindo identificar a região do corpo ou o objeto que, sujo de sangue, foi o responsável
pela transferência.
 
Essas manchas são deixadas por pés e mãos impregnados de sangue, quer da própria vítima, quer de
terceiros, o que, às vezes, permite a identificação do autor do crime, pela análise das estampas, como nos
casos de impressões papilares, decalques de solados de calçados e/ou de objetos que associem o criminoso
à impressão.
À esquerda, impressão de parte de um braço direito; à direita, impressão do solado
de um calçado.
Mancha por impregnação
São as manchas encontradas em suportes como vestes, toalhas, cortinas, móveis estofados e outros
materiais absorventes.
Roupa manchada de sangue.
Mancha por remoção ou limpeza
São manchas oriundas da tentativa de remoção. Comumente essas manchas aparecem sob a forma de
esfregaços de dimensões variadas. Muitas vezes as cenas de crime, de forma intencional ou não, sofrem
limpeza com água e produtos químicos que provocam o desaparecimento das manchas de sangue.
 
Esses vestígios são passíveis de serem localizados com auxílio de testes de orientação, fazendo-se uso de
compostos à base de fenolftaleína, benzidina. Depois de localizados, sua extensão e dispersão podem ser
reveladas por meio de reagentes com quimiluminescência, catalisada pelo ferro da hemoglobina ou
visualizadas com o auxílio de espectros luminosos apropriados.
Mancha por remoção em superfície branca.
Verificando o aprendizado
Questão 1
Observe as imagens a seguir e identifique o tipo de mancha de sangue existente em cada cenário.
Chave de resposta
A - Mancha por escorrimento.
B - Mancha por projeção em plano horizontal.
C - Mancha por precipitação em plano inclinado.
D - Mancha por contato.
E - Mancha por derramamento.
F - Mancha por contato.
G - Mancha por remoção ou limpeza.
H - Mancha por projeção em parede.
Questão 2
Observe a imagem a seguir registrada em uma cena de homicídio. Manchas de sangue no chão de uma sala,
ao lado de uma bicicleta.
Pela análise da mancha de sangue é possível afirmar que:
A A vítima encontrava-se em movimentação rápida em direção ao sofá.
B A vítima encontrava-se parada enquanto sangrava.
C A vítima encontrava-se em movimentação morosa em direção ao sofá.
D É uma mancha de sangue produzida por contato.
E É uma mancha produzida por derramamento.
A alternativa B está correta.
A forma e a distribuição da mancha indicam ausência de movimento no momento do sangramento, o que
leva à conclusão de que a vítima estava parada.
Questão 3
A seguir, observamos uma trilha de gotejamento de sangue deixado pela vítima em um local de crime. O
padrão de espinhos na gota nos fornece informações sobre o deslocamento da vítima.
A morfologia dessas manchas permite afirmar que:
A A vítima foi atingida nesse local e permaneceu parada enquanto sangrava até morrer.
B A vítima se deslocou no sentido da estrada para o canavial enquanto sangrava.
C A vítima se deslocou no sentido do canavial para a estrada enquanto sangrava.
D A vítima se movia com muita velocidade.
E Não é possível afirmar nada sobre o deslocamento da vítima, uma vez que as manchas são oriundas de
tentativa de remoção.
A alternativa C está correta.
A direção e a forma das manchas de sangue demonstram que a vítima se deslocava do canavial para a
estrada enquanto sangrava, permitindo essa afirmação com base na análise da morfologia do padrão de
sangue.
Questão 4
Quanto ao suporte sobre o qual se localizam as manchas de sangue é possível afirmar que:
A A forma original da mancha não é alterada pela textura da superfície.
B Quanto maior o poder de absorção e textura da superfície menor será o diâmetro das manchas.
C Independentemente das características da superfície, as manchas de sangue não formarão
raiamentos.
D A formação de raiamentos nas manchas de sangue por precipitação dependem somente da altura da
queda da gota.
E Quanto maior o poder de absorção e textura da superfície maior será o diâmetro das manchas.
A alternativa E está correta.
Quanto maior a absorção e a rugosidade da superfície, maior será a área de dispersão do sangue,
resultando em manchas com diâmetro mais amplo. Essa observação é fundamental em análises de
manchas de sangue na investigação forense, ajudando a determinar não apenas o tipo de superfície
atingida, mas também aspectos como o ângulo e a intensidade do impacto.
Questão 5
A imagem a seguir ilustra a morfologia da mancha de sangue produzida por precipitação em um plano
horizontal.
Em relação a cada gota de sangue é correto afirmar que:
A A gota de sangue D sofreu queda de uma altura maior que as gotas A, B e C.
B A morfologia dessas manchas de sangue não sofre influência da altura da queda.
C A gota de sangue A sofreu queda de uma altura maior que as gotas B, C e D.
D A gota de sangue B sofreu queda de uma altura maior que as gotas A, C e D.
E A gota de sangue C sofreu queda de uma altura menor que a gota de sangue A.
A alternativa A está correta.
Em análises de manchas de sangue, quanto maior a altura da queda, maior será a dispersão da mancha ao
atingir a superfície, gerando bordas mais irregulares e diâmetro maior. 
Questão 6
A análise da morfologia das manchas de sangue em locais de crime depende de diversas variáveis físicas e
químicas relacionadas tanto ao próprio fluido quanto às superfícies onde as gotas se depositam.
Considerando esses fatores e a dinâmica de formação das manchas de sangue, assinale a alternativa correta:
A A tensão superficial do fluido é um dos fatores queinterferem na morfologia e na dinâmica de dispersão
do sangue em cenários de crime.
B
Entre as principais propriedades do sangue, incluem-se o peso específico, a viscosidade e a tensão
superficial, que são responsáveis pela estabilidade das gotas e por sua coesão, que aliado às
características do substrato, são as principais variáveis que interferem na formação dos padrões das
manchas de sangue.
C Nas manchas por queda livre sobre planos horizontais, o sangue atinge o piso ou outro anteparo,
impulsionado pela ação da gravidade (efeito da força peso).
D Se o anteparo for oblíquo, a configuração das manchas não será circular. Inicialmente, a gota se expande
e depois o sangue desce para a parte inferior alargando-se.
E Nas manchas por projeção sobre planos horizontais, atua sobre a gota apenas a ação da gravidade.
A alternativa E está correta.
A formação e o padrão das manchas de sangue em um local de crime são diretamente influenciados por
propriedades físicas do fluido, como peso específico, viscosidade e, especialmente, tensão superficial, que
mantêm a coesão da gota até o impacto com uma superfície. Além disso, fatores como a inclinação do
anteparo (superfície onde o sangue se deposita) alteram a morfologia da mancha: em superfícies
horizontais, a tendência é a formação de manchas circulares, enquanto em planos inclinados, o sangue
tende a escorrer após o impacto, criando manchas alongadas. Portanto, compreender essas características
é fundamental para interpretar corretamente os vestígios sanguíneos no contexto da dinâmica do crime.
2. Do cadáver em local de crime
Áreas de atuação e competência técnica legal do perito
criminal e perito legista
Os peritos criminais e os peritos legistas, apesar de terem a mesma missão, que é oferecer a materialidade de
um fato, têm funções diferentes. Vamos esclarecer essas diferenças!
Perito criminal
A esse profissional cabe a realização de
exames nas evidências relativas às
infrações penais encontradas,
principalmente, no sítio do evento ou a
ele relacionadas. Compete, ainda, ao
perito criminal o exame de local de
crime, coletando os vestígios
remanescentes, embalando-os para a
arrecadação pela autoridade
competente, que os remeterá, sempre
que necessário, para exames
posteriores, acompanhados pelas
respectivas quesitações, para os
peritos incumbidos de exames internos
e laboratoriais de materiais.
 Para o perito
criminal é
primordial, além
de oferecer a
materialidade dos
fatos contidos no
laudo pericial,
indicar, nos casos
de morte, a sua
causa jurídica e,
em ocorrência de
acidentes e de
outros eventos, a
sua causa
determinante.
 Aqui, a causa
jurídica da
morte é
entendida
como a
diagnose
diferencial
em que o
técnico
aponta a
ocorrência
da prática de
homicídio,
auto
eliminação
(suicídio), ou
acidente.
Perito legista
É de sua competência principal realizar os
exames de necropsia (o termo utilizado nos
códigos é autópsia), bem como de exames
odontológicos em cadáveres, além de
exames de materiais de origem humana, tais
como sangue, esperma e outras substâncias
compatíveis. Os peritos legistas procedem,
ainda, ao exame de corpo de delito em
pessoas.
 O perito legista realiza os
exames que necessitam
de acesso às regiões
internas do corpo,
interpreta os fatos de
natureza médica e, na
maioria das vezes, aponta
a causa médica da morte
(causa mortis).
Recomendação
Pesquise e assista ao vídeo no YouTube que mostra a reconstituição da morte da menina Isabella
Nardoni, realizado pelo Instituto de Criminalística de São Paulo. É possível observar que os peritos
criminais chegaram a algumas conclusões por meio da análise de vestígios encontrados no corpo da
vítima, em suas vestes, bem como as marcas de arrastamento das mãos da vítima na fachada do prédio. 
O levantamento do cadáver (perinecroscopia)
No levantamento de um local de morte violenta, exceto com raras exceções, o cadáver será o marco zero dos
exames periciais. Desse modo, ao analisarmos seus vestígios, poderemos entender sob que circunstâncias o
óbito se consumou. Além disso, quando aliamos a lógica e a criminalística, podemos determinar onde procurar
outros dados relevantes às investigações.
 
Denomina-se perinecroscopia o exame do cadáver e do local em que ele foi encontrado. O exame do corpo
(necroscópico), conforme já abordamos, é atribuição do médico legal. Contudo, o exame do cadáver no local,
sua posição em relação aos móveis e objetos, a situação das vestes, manchas, livores, hipóstases e
ferimentos perceptíveis em uma inspeção externa, são da alçada do perito criminal.
 
O objetivo da perinecroscopia é a identificação do corpo e a coleta de informações de cunho médico e
criminalística que possam auxiliar na determinação de causa jurídica do evento (homicídio, suicídio ou
acidente), bem como da possível autoria.
Atenção
É importante que o exame do cadáver seja feito ainda no local onde foi encontrado, buscando identificar
se a vítima foi morta naquele local ou se somente foi ali depositada. 
A seguir, elencamos uma rotina/metodologia aconselhável na execução dos exames, a fim de evitar a perda de
vestígios. Vamos lá!
 
O perito criminal durante o exame de perinecroscopia deve fazer:
Exame visual do cadáver
Deve ser realizado sem tocá-lo ou movimentá-lo de sua posição original. Nesta etapa, o perito deve:
Descrever a situação e posicionamento em que o corpo foi encontrado.
Constatar o estado e disposição das vestes e dos pertences da vítima.
Verificar a presença de arma e a posição desta em relação ao corpo.
Exame com as vestes
Nesta etapa, já é possível começar a movimentar o cadáver na medida do necessário, a fim de
complementar os registros das observações iniciada na primeira etapa.
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Exame sem as vestes
É a última etapa do exame perinecroscópico, quando os peritos constatarão o que foi produzido de
lesões e outros vestígios diretamente no corpo. Neste estágio, é possível a visualização detalhada
das lesões produzidas e o perito deve:
Descrever a localização, a natureza e as características dos ferimentos.
Descrever o estado e conservação do corpo e cronologia da morte.
Buscar elementos que levem à identificação do cadáver.
Exame retirando as vestes
Nesta etapa, serão confrontadas as correspondências de vestígios verificadas nas vestes e no corpo
da vítima, tais como perfurações, desalinhos, rasgos e outras irregularidades.
Alguns vestígios, fundamentais para a reconstrução da dinâmica do evento, somente podem ser corretamente
apreciados se analisados no conjunto das provas oferecidas no local, e ficam prejudicados com o manuseio e
a remoção do corpo. Por exemplo: o desalinho das vestes ou a presença de manchas de sangue e de outras
substâncias.
Posicionamento em que o corpo foi encontrado
A primeira tarefa do perito é analisar o corpo da maneira em que este foi encontrado e a sua vinculação com o
ambiente, assinalando a distância em relação a determinados objetos ou pontos de referência relacionados
com o evento.
 
A análise da disposição do corpo associada à constatação de outras evidências verificadas no local e no
cadáver, permite ao perito algumas conclusões relevantes que veremos a seguir.
Corpo flutuando em líquido
Em caso de corpo flutuando em líquido, identificar se morreu no local ou foi jogado ali após o óbito.
 
O exemplo a seguir mostra dois corpos encontrados submersos em líquido. Observe que em caso de asfixia
por submersão, a tendência do corpo é assumir a posição representada no exemplo A, ou seja, de bordo. A
posição em que o corpo foi encontrado no exemplo B é suspeito e necessita de investigação mais
aprofundada.
À esquerda, posição típica (A); à direita, posição atípica (B).
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Identificar se a vítima foi movimentada e como ocorreu
É importante que o perito verifique a existência de manchas e sinais que orientem o possível deslocamento do
cadáver. A existência de vazios apontando a descontinuidade da poça de sangue é um indicativo de
movimento do cadáver.
 
As imagens a seguir ilustram dois corposque foram movimentados depois do sangue já coagulado, sendo
possível visualizar as marcas deixadas por partes de seus segmentos corporais sobre os substratos onde
foram encontrados. A forma como o sangue contorna o corpo ao escorrer indica qual a sua posição original e
como foi movimentada.
Ilustração dos corpos movimentados.
Identificar se a vítima morreu naquele local ou foi transferida
Um bom indicativo para constatar se a posição da vítima foi alterada após o evento morte é a observação da
compatibilidade das manchas hipostáticas.
 
Primeiro vamos entender o que são Hipóstases ou livores: são manchas que se fixam na parte mais baixa do
corpo, aquelas em contato com a superfície, em razão da força da gravidade, que forçará os elementos
pesados do sangue (as hemácias) a se deslocarem, chegando a formar uma placa de cor rósea ou violeta
pálida, atingindo, posteriormente, tonalidades roxas. Geralmente, se manifestam entre duas a quatro horas
após a morte.
 
A imagem a seguir mostra a formação de manchas hipostáticas ou livores cadavéricos, indicando que a vítima
permaneceu em decúbito ventral sobre uma superfície flexível, compatível com um colchão maleável
recoberto com lençol, colcha ou outro tipo de revestimento que, franzido, acabou por marcar seu corpo.
Formação de manchas hipostáticas ou livores cadavéricos.
Asfixia por enforcamento
Em caso de asfixia por enforcamento, constatar se realmente foi enforcamento ou simulação.
 
Existem algumas modalidades de asfixia mecânica por constrição do pescoço. São elas:
Enforcamento
No enforcamento, a ação mecânica é realizada por laço, promovendo
constrição do pescoço. O laço é acionado pela ação do próprio peso do
indivíduo.
Nesse caso, é importante determinar se a vítima tinha condições de
prender a corda (ou qualque r outro meio utilizado) no ponto de apoio e
colocar o pescoço no laço da forma como foi encontrado.
A imagem a seguir mostra uma lesão gerada por enforcamento. Observe
que a lesão se manifesta na forma de sulco oblíquo (de baixo para cima),
cuja parte mais baixa e profunda opõe-se ao nó, com desigual
penetração, interrompido no local do nó, podendo ou não trazer a textura
do instrumento empregado.
Entre os sintomas comuns, verificamos a protrusão da língua e o
surgimento de secreções pelas vias aéreas, face cianótica, hemorragias
subconjuntivas e externas.
Estrangulamento
Na morte por estrangulamento, o laço é acionado, não pelo peso da
vítima, mas por força diversa. É caracterizado pela presença de sulcos
horizontais ao redor do pescoço, com igual profundidade, face cianótica,
hemorragias subconjuntivas e externas.
Esganadura
Na esganadura, o autor do crime utiliza as próprias mãos para efetuar a
constrição do pescoço de sua vítima. Nesta modalidade de asfixia, na
maioria dos casos, devido ao emprego das mãos na consumação do fato,
restam vestígios de equimoses e escoriações produzidas pela pressão
violenta dos dedos e unhas do autor do crime.
Queda de plataformas elevadas
Se houve queda de plataformas elevadas, determinar com que velocidade se projetou ou foi projetada e como
aconteceu (se de cabeça ou em pé ou em outra posição).
Poucos locais pedem tanta
atenção como os de morte por
precipitação, em razão da
possibilidade de uma simulação.
A morte provocada por
precipitação, seja da janela do
alto de um edifício, de um terraço
ou de uma sacada, seja de uma
ribanceira, apresenta sérios
obstáculos para a determinação
de sua causa jurídica, isto é, para
que se verifique se trata de
homicídio, suicídio ou acidente.
 Nos exames de
locais dessa
natureza, nem
sempre o perito
encontra
elementos seguros
para fazer a
diferenciação,
porque para
nenhuma das
hipóteses, como
procuraremos
mostrar, a rigor,
existem
características
específicas.
 O homicida pode
lançar o corpo de
sua vítima de um
plano superior,
não só para
simular suicídio,
como para sugerir
um acidente. E
não resta dúvida
de que poderia
apenas estar
tentando ocultar o
corpo de sua
vítima.
Atenção
A necessidade de estabelecer a causa jurídica da morte, ou seja, criminosa, acidental ou suicida,
determina que o exame seja minucioso no corpo da vítima, nos antecedentes e, principalmente, no local
em que ocorreu a queda. 
Nessas ocorrências, é comum observar ferimentos contusos de grandes proporções, podendo ocultar
ferimentos menores produzidos por agentes contundentes ou cortocontundentes.
 
Ainda sobre quedas de plataformas elevadas, o exame do local de onde o corpo caiu é de grande importância,
pois nos suicídios, geralmente, não há sinais de luta. Se a queda ocorreu de uma janela, é preciso verificar se a
vítima tinha condições de subir no parapeito e dali pular ao encontro da morte.
 
Se o histórico for de queda acidental, é preciso verificar o que fazia a vítima no momento da queda, se possuía
equipamentos de segurança, se houve caracterização de acidente do trabalho etc. Vamos analisar agora as
trajetórias do corpo.
Quedas acidentais
A trajetória é basicamente vertical pela ausência de impulso, e o corpo será encontrado no piso em
correspondência com o lugar onde caiu. Via de regra, são encontradas nas mãos da vítima arranhaduras,
cortes, isso quando em sua mão não permanecem tufos de vegetação. Sob as unhas, podem ser verificadas
porções de terra e até mesmo pequenos gravetos, no percurso entre o ponto de início da precipitação e o
impacto contra o solo, a vítima procura se agarrar em saliências, como peitoril de janelas, terraços,
platibandas, provocando, nas mãos, ferimentos característicos de defesa.
Suicídios
Nos suicídios, pode ou não haver impulso. Se a queda ocorreu de uma janela, o normal é a vítima sentar ou
apoiar-se no parapeito e dar um pequeno impulso. Geralmente, nesses casos, a trajetória é também vertical e
não se diferencia em nada da queda acidental.
 
O indivíduo que se suicida atirando-se do alto de uma ribanceira, geralmente, atinge o fundo sem tocar nas
suas paredes, e por isso os sinais de defesa e rolamento não existem. Isso quer dizer que no local de onde a
vítima se atirou não são encontrados vestígios de luta.
Hipótese de suicídio sem ou com pequeno impulso inicial.
A única possibilidade de a vítima de suicídio se afastar muito do alinhamento da edificação é a de correr e
pular, pela janela ou por sobre o parapeito, com um grande impulso inicial, o que é raro. Além disso, é preciso
verificar se as condições físicas do suicida permitiriam a manobra.
Hipótese de suicídio com impulso inicial.
Hipótese de homicídio
Na queda decorrente de homicídio, o normal é que o corpo fique próximo à edificação, pois é uma tarefa
bastante difícil atirar um corpo inerte por uma janela ou sobre uma mureta de proteção, com impulso
suficiente para que ele se afaste significantemente do alinhamento da construção.
 
Como regra, o criminoso apoiará o corpo no parapeito ou na mureta e atirá-lo para baixo pelos pés. 0
afastamento será basicamente o mesmo daquele observado em suicídios e quedas acidentais.
 
Existe a possibilidade de lançar o corpo da vítima a uma distância maior, se efetuado por duas pessoas.
Contudo, para essa hipótese se configurar é preciso que algumas condições sejam satisfeitas, como a
existência de uma janela bem ampla ou uma mureta baixa de proteção.
 
Nesse tipo de ocorrência, nem sempre são encontrados sinais de luta, denunciadores do homicídio, mesmo
porque eles podem ter sido suprimidos pelo próprio homicida. Entretanto, o exame do corpo da vítima, tanto
na perinecroscopia como na necropsia, pode revelar a natureza da ocorrência.
Hipótese de simulação de suicídio ou homicídio por precipitação.
Conhecer as características com que cada uma dessas modalidade exteriorizam-se no corpo da vítima é uma
tarefa importante para o perito criminal estabelecer a diagnose diferencial entre um homicídio e uma
simulação de autoeliminação.
Estado e disposição das vestes da vítima
O técnico, depois de analisar a posição da vítima, ainda sem tocar o corpo, verificará se as vestes trajadas
pela vítima estão emalinho ou em desalinho, se indicam luta, se apresentam soluções de continuidade, se
apresentam manchas de sangue ou outras substâncias.
 
As formas com que as manchas de sangue interagem com as vestes são bons referenciais para o
estabelecimento da dinâmica dos acontecimentos.
Exemplo
A vítima que, deitada em decúbito ventral, apresenta manchas por escorrimento na camisa e na calça e
gotejamento sobre os sapatos, indicando que a vítima estava de pé quando foi atingida. 
A disposição das vestes da vítima também pode indicar situações de luta, de movimentação de corpo inerte.
Exemplo
A vítima com a calça abaixo da linha de cintura e com calçados soltos dos pés, indicando que a vítima foi
arrastada. 
As características dos ferimentos
A análise das características dos ferimentos existentes no cadáver, em determinadas situações, capacita o
intérprete da cena do crime a ter melhor compreensão das circunstâncias que envolveram aquela morte.
Podendo chegar a conclusões sobre o tipo de instrumento que produziu a lesão.
 
Confira o quadro a seguir!
Tipo de Lesão Classificação do
Instrumento Exemplos
Incisas Cortantes
Navalha, lâmina de barbear, bisturis, seções
de vidro
Perfuroincisas Perfurocortantes Facas
Punctórias Perfurantes Agulha
Contusas Contundentes
Pedra, bastão, coronha de arma de fogo,
barra metálica, martelo
Cortocontusas Cortocontudentes Machado, foice, enxada
Perfurocontusas Perfurocontundente
Projéteis de arma de fogo, ponteiras de
guarda-chuvas, espetos de churrasco,
dentes.
Feridas incisas
As lesões incisas são produzidas por instrumentos cortantes, com as seguintes características:
 
Predominância do comprimento sobre a profundidade.
 
Nitidez na lisura das bordas, sem irregularidades nem sinais de contusão.
 
Afastamento das bordas devido à elasticidade e tonicidade dos tecidos, neste caso, há a coaptação
perfeita, ou seja, quando aproximamos as bordas elas se fecham perfeitamente.
 
Presença de “cauda” (de escoriação, fim do corte, é a parte menos profunda), o instrumento cortante
não penetra por igual em toda a extensão da ferida. Nas extremidades, o corte é menos profundo que
no centro, tanto menos profundo quanto mais próximo de seu início ou término.
 
Analisando-se as lesões, pode-se determinar a direção do movimento do instrumento que as causou, visto
que ao penetrar na superfície deixa uma cauda de entrada e logo em seguida atinge uma maior profundidade.
E, ao sair, essa profundidade diminui gradativamente, acabando por terminar em um vértice alongado
conhecido como cauda de saída ou de escoriação.
Cauda da escoriação.
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• 
Entre os ferimentos especiais produzidos por instrumentos cortantes, podemos destacar o esgorjamento, que
é a lesão na parte anterior ou lateral do pescoço produzida por instrumento cortante. Situa‐se entre o osso
hioide (abaixo da mandíbula) e a laringe.
Esgorjamento.
Podemos destacar a degola, que é a lesão na parte posterior do pescoço (nuca) produzida por instrumento
cortante. A morte ocorre por hemorragia quando são atingidos vasos calibrosos ou pela secção da medula. As
consequências jurídicas mais importantes são o homicídio e suicídio.
Decapitação é uma agressão incisa na região do pescoço, que separa a cabeça do tronco. É a incisão
completa, na região cervical (pescoço), separando as partes.
Feridas Perfuroincisas
São causadas por um mecanismo de ação que perfura e contunde por instrumentos pontiagudos com gume,
esses instrumentos agem por pressão e seção, as lesões são mais profundas do que largas, geralmente os
instrumentos possuem um gume (faca, peixeira, canivete, adaga etc.), dois gumes (punhal e alguns tipos de
facas etc.) ou três gumes (lima).
 
As feridas causadas por instrumentos com um gume assumem a forma de casa de botão, sendo que a
extremidade em vértice é dada pelo gume, e a arredondada é ocasionada pela superfície oposta. Quando
constituída de dois gumes, possuirá dois vértices e, se a lâmina tiver mais de dois gumes, o ferimento terá
forma estrelada.
Perfurações.
Feridas Punctórias
São lesões que produzem feridas com orifício de entrada, um trajeto e, ocasionalmente, um orifício de saída.
São produzidas por instrumentos perfurantes, alongados, finos e pontiagudos que, pressionados sobre um
ponto da superfície corporal, ocasionam o afastamento das fibras do tecido. São exemplos de instrumentos
perfurantes: agulhas, espinhos de plantas, presas de animais peçonhentos.
Feridas contusas
São causadas por objetos não cortantes, geralmente com saliências arredondadas e de superfícies duras, que
se chocam com violência contra o corpo. Podem causar lesões contusas abertas, quando há solução de
continuidade na superfície corporal, ou lesão contusa, quando causam apenas traumatismo.
Nas lesões contusas podem surgir ferimentos como: rubefações, escoriações, equimoses e hematomas. Nas
lesões contusas abertas podem ser observadas fraturas, luxações e esmagamentos.
Exemplos de ferimentos.
A morfologia da lesão indica o tipo de instrumento utilizado pelo agressor.
Feridas Cortocontusas
São ocasionadas pelos instrumentos que, mesmo sendo portadores de gume ou corte, são influenciados pela
ação contundente, são produzidas pela combinação de corte e contusão, causadas pelo próprio peso do
instrumento e pela força viva de quem maneja. Essas lesões são, geralmente, graves, pois atingem planos
profundos inclusive ossos.
Na maioria das vezes, esses ferimentos possuem equimoses, hematomas, contendo pontes de tecido ao
fundo, bordos irregulares e fundos com relevo acidentado (reentrâncias).
Localização de hematomas, bordas irregulares, pontes de tecido e reentrâncias.
Feridas Perfurocontusas
São aquelas geradas pela ação de um instrumento sólido que, agindo por pressão ou impacto em uma
pequena área, acaba por contundi-la e a afastar seus tecidos.
Geralmente, apresentam em suas entradas bordas invertidas com orlas de escoriações e contusões. Podem
ocorrer outros tipos de traumas e vestígios, conforme o instrumento utilizado. Entre as lesões
perfurocontusas, as causadas pelo impacto e transfixação de projéteis de arma de fogo são as mais
importantes, tendo em vista a frequência em que ocorrem em locais de crime.
Verificando o aprendizado
Questão 1
Observe a imagem a seguir.
Se você fosse o responsável técnico pelo levantamento desse local de morte violenta, o que esses vestígios
poderiam sugerir?
Chave de resposta
Você deverá refletir sobre o significado do vazio causado pela descontinuidade da deposição do sangue
precipitado sobre o piso. É relevante que faça um paralelo entre a marca estabelecida pelo contorno de
sangue e os pés traseiros da cadeira, podendo concluir que o assento foi movimentado após o evento que
culminou na morte da vítima. Além disso, pode concluir que o local não foi adequadamente preservado.
Questão 2
Observe as fotos (a) e (b), ambas registradas em local de suposta asfixia mecânica por constrição do pescoço
na modalidade enforcamento, em que os cadáveres se encontravam em suspensão completa.
Quais as observações que deveriam constar nas anotações do perito criminal, por ocasião da perinecroscopia
que apontassem a causa jurídica da morte? É correto afirmar que a vítima da foto (b) foi alvo de
enforcamento? Por quê?
Chave de resposta
Você deverá discorrer sobre as lesões apresentadas em cada imagem, sendo a lesão da foto (a) é
compatível com a apresentada por asfixia por constrição do pescoço na modalidade enforcamento.
Contudo, a vítima da foto (b) apresenta mais de um sulco em volta do pescoço, embora haja apenas uma
laçada, o que pode levar a descartar a hipótese de enforcamento para esse caso, e estabelecer a
possibilidade de homicídio por estrangulamento.
Questão 3
O conceito mais adequado de feridas contusas é:
A São lesões com um orifício de entrada, um trajeto e ocasionalmente, um orifício de saída.
B São causadas por instrumentos de saliência arredondadas e de superfície dura que se chocam com
violência contra o corpo humano.
C São lesõesincisas produzidas por instrumentos cortantes.
DSão os ferimentos ocasionados pelos instrumentos que, mesmo sendo portadores de gume ou corte, são
influenciados pela ação contundente, quer pelo seu próprio peso, quer pela força ativa de quem maneja.
E São ferimentos ocasionados pelos instrumentos que, mesmo sendo portadores de gume ou corte, são
influenciados pela ação contundente, são produzidas pela combinação de corte e contusão.
A alternativa B está correta.
Feridas contusas são lesões provocadas por ação violenta de objetos com superfície dura, sem corte, e
geralmente com bordas arredondadas, como paus, pedras, ou partes do próprio ambiente (paredes, chão,
etc.). O mecanismo de produção dessas feridas envolve impacto, compressão ou esmagamento dos
tecidos, o que leva à ruptura de vasos sanguíneos e, consequentemente, à formação de equimoses
(manchas roxas), hematomas ou até lacerações.
Questão 4
É instrumento cortocontundente:
A Foice
B Punhal
C Arma de fogo
D Martelo
E Agulha
A alternativa A está correta.
A foice é considerada um instrumento cortocontundente porque, ao ser usada como arma, produz lesões
com características tanto de corte quanto de contusão, unindo ação cortante e esmagadora em um único
golpe.
Questão 5
A respeito do exame de perinecroscopia, marque a alternativa certa:
A Tão logo o perito criminal chegue ao local, deverá vasculhar os bolsos da vítima para identificá-lo.
B O objetivo da perinecroscopia é a identificação do corpo e a coleta de informações de cunho médico e
criminalística que possam auxiliar na determinação de causa jurídica do evento.
C Em hipótese alguma o perito criminal poderá movimentar o cadáver, devendo realizar apenas uma
inspeção visual.
D
O exame perinecroscópico limita-se apenas a constatação das lesões que não estiverem ocultas pelas
vestes da vítima. O exame sem as vestes caberá apenas ao médico legal.
E
O exame do cadáver não pode ser realizado no local em que foi encontrado, devendo ser removido
imediatamente para o instituto médico legal, visando identificar se a vítima foi morta naquele local ou se
somente foi ali depositada.
A alternativa B está correta.
A alternativa B resume os principais objetivos desse exame pericial: obter dados médicos e periciais que
ajudem a elucidar aspectos legais e criminais do caso em análise.
Questão 6
Morte violenta produzida por asfixia, em que o laço é acionado pelo próprio peso da vítima; o sulco produzido
pelo laço se apresenta oblíquo, de baixo para cima, interrompido ao nível do nó e com bordos desiguais,
sendo o bordo superior saliente; a suspensão pode ser completa ou incompleta, trata‐se de:
A Estrangulamento
B Esganadura
C Sufocação
D Fulminação
E Enforcamento
A alternativa E está correta.
Com base nos elementos descritos — tipo de sulco, mecanismo de ação, suspensão e localização do nó —,
conclui-se que se trata de um enforcamento, e não de outras formas de asfixia como estrangulamento ou
esganadura.
Questão 7
Esgorjamento significa:
A Asfixia por aspiração de corpo estranho.
B Lesão produzida por instrumento de ação contundente.
C Envenenamento por via digestiva.
D Morte por inibição reflexa.
E Ferida por instrumento de ação cortante na face anterior do pescoço.
A alternativa E está correta.
A definição de esgorjamento é um corte na face anterior do pescoço causado por instrumento cortante.
3. Exames em vidros em local de crime
Vidros em local de crime
O exame de compatibilidade entre os fragmentos de vidros encontrados no local de crime e os encontrados
com o suspeito pode ser realizada por meio de exames laboratoriais complementares na comparação de suas
propriedades físicas, tais como índices de refração, peso específico e dureza, além de análises
espectroscópicas para revelar dados relativos à composição química dos fragmentos.
 
Vamos analisar uma ocorrência?
Às onze horas e vinte e oito minutos do dia vinte e oito do mês de fevereiro do ano de dois mil e oito, os
peritos foram designados a comparecer no endereço fornecido, onde se encontrava um veículo descrito em
capítulo próprio, que foi atingido por 05 (cinco) impactos, que pareciam ser oriundos de projéteis de arma de
fogo, vindo a ferir fatalmente o motorista do veículo.
Projéteis
Unidade constituinte da munição formada de liga metálica de chumbo, podendo ser encamisada ou
semiencamisada.
Trajetória assumida pelo projétil que atingiu o motorista.
Uma vez feito todo o levantamento das avarias no veículo, passaram os peritos a estabelecer as trajetórias
dos projéteis que atingiram o veículo, a fim de constatar a origem do disparo que atingiu a vítima, chegando os
técnicos à seguinte conclusão:
1. O veículo sofreu um impacto transfixante produzido por P.A.F. (projétil de arma de fogo) vindo a atingir
primariamente o vidro da porta traseira direita, percorrendo em trajetória oblíqua o compartimento de
passageiros, vindo a atingir o encosto de cabeça do banco do carona, transfixando-o conforme o
representado pela fotografia apresentada.
2. Não foi encontrado um terceiro ponto de impacto desta trajetória, o que leva os Peritos a concluírem que
a trajetória descendente que o projétil descrevia foi interrompido por algum corpo sólido que se encontrava
em algum ponto da região localizada no banco do motorista.
3. O projétil possuía sentido exterior-interior e posteroanterior. A análise das bordas dos orifícios de entrada
do projétil mostrou que o mesmo possuía características de projétil animado de velocidade subsônica, com
trajetória descendente formando um ângulo de incidência com o plano atingido de 20º (vinte graus) e de 45º
(quarenta e cinco graus) com o eixo longitudinal do veículo.
 
Como as conclusões foram desenvolvidas?
 
As conclusões a que chegaram os peritos envolvem conhecimentos acerca do comportamento dos vidros
frente a ação de choque produzida por diversos corpos em ação perfurocontundente, a fim de estabelecer se
o choque ocorreu do interior do veículo para o exterior ou ao contrário.
 
Existem casos em que há confronto entre os ocupantes do veículo com personagens externos, com
necessidade de estabelecer quem produziu cada uma das avarias encontradas.
Estudo das avarias em vidros transfixados e não
fragmentados
O estudo das avarias em vidros fornece informações relevantes para determinar se um projétil de arma de
fogo transfixou uma vidraça ou se um vidro foi partido de dentro para fora ou em sentido inverso, sendo de
grande importância para o levantamento de um local de crime.
 
Os peritos analisam os fragmentos de vidros, bem como as características dos orifícios existentes para
demonstrar o sentido de aplicação da força que resultou na avaria da placa de vidro, à medida que é possível
estabelecer a posição do arremessador (agente/arma), de onde foi arremessado (sentido de produção) e, em
casos de uma perfuração, determinar a ordem cronológica dos disparos quando diversos projéteis atingem
uma mesma vidraça.
Comentário
De um modo geral, pode-se dizer que um projétil que atravessa uma placa de vidro em alta velocidade
produzirá ali uma perfuração de bordas mais ou menos regulares, com formato que irá variar conforme o
ângulo de disparo. Entretanto, se foi disparado de muito longe e chega até aquela superfície animado
com baixa velocidade, irá estilhaçá-lo da mesma maneira que uma pedrada, em função do maior tempo
de contato com o vidro. 
Nos casos de disparos efetuados com a boca do cano da arma relativamente próxima à placa de vidro pode,
também, verificar-se a ruptura estilhaçada, em função da súbita liberação dos gases oriundos da queima de
propelentes, exercendo uma pressão não mais concentrada sobre um ponto, porém distribuída devido à
expansividade dos gases.
 
Vamos conhecer as variáveis a serem analisados por um perito através do estudo dos fragmentos de vidros.
Direção e sentido de incidência do projétil
Para determinar a direção e o sentido em que foi aplicada a força que quebrou o vidro transfixado e não
fragmentado, observamosos fenômenos de rupturas cônicas, rupturas radiais, rupturas espirais. A partir
deles, teremos condições de extrair as seguintes informações:
Ponto de impacto
Ponto de impacto no vidro no qual o objeto teve contato.
Direção do impacto
Direção do impacto ou direção da força de choque exercida para atingir aquele vidro.
Sentido e trajetória
Sentido e trajetória estabelecem o percurso do objeto que atingiu a superfície.
Natureza do impacto
Natureza do impacto que causou a ruptura, podendo ser mecânica ou térmica.
Velocidade relativa da ruptura
Velocidade relativa da ruptura, se foi produzida de forma lenta ou explosiva.
Ângulo de incidência do projétil
Ao atravessar
uma lâmina de
vidro, o projétil
causa uma
transfixação
semelhante a um
tronco de cone
na superfície em
que ocorreu o
impacto.
 Ele produz um orifício de menor
diâmetro na face do vidro atingida
(orifício de entrada) e de diâmetro
maior na face do vidro de saída do
projétil, conferindo à perfuração o
aspecto de uma cratera de vulcão, em
que de um lado é possível encontrar
numerosas escamas (lascas) que se
desprendem sob o impacto.
 Esse detalhe
indica que o
projétil foi
disparado do
lado oposto
àquele no qual
faltam as
escamas no
entorno da
perfuração.
Assim, nos casos de impactos diretos, sem que o projétil tenha sofrido impactos anteriores, se a trajetória for
em ângulo reto com a placa de vidro, o orifício de entrada e o de saída apresentarão formato praticamente
circular. Contudo, se a trajetória do disparo for oblíqua à placa de vidro, os orifícios apresentarão formato 
elíptico.
 
A inclinação da trajetória pode ser estabelecida em função dos eixos da elipse, e, para isso, o técnico deve
dividir o orifício em eixos ortogonais e procurar a menor porção do maior eixo, que estará orientada no mesmo
sentido da trajetória.
Elíptico
Forma geométrica derivada da elipse, que é um tipo de secção cônica.
Cone de transfixação
Quando o objeto transfixa a vidraça, forma-se uma cratera na superfície oposta à superfície do choque sobre
o vidro. A força concentrada aplicada ao ponto de impacto gera, na face da superfície atingida, um esforço de
compressão, tendo como resultante o direcionamento das estruturas moleculares para o ponto de aplicação
da força.
No lado oposto à face da superfície na qual se aplica a força, o esforço resultante é de tração, tendendo a
afastar a estrutura molecular do ponto onde é aplicada a força, como resultado observa-se uma ruptura de
formato cônico, conforme esquematizado na ilustração a seguir.
Cônico
Cone de transfixação: É uma ruptura de formato cônico, só observável nas placas de vidro que
permanecem em seus suportes sem se estilhaçar após a transfixação.
Esquema ilustrado.
Na ampliação, podemos ver a diferença dos diâmetros nos orifícios de entrada e saída do projétil.
Rupturas radiais
O impulso provocado pelo arremesso de uma pedra, projétil de arma de fogo ou outro instrumento
contundente causará, no vidro, a produção de rachaduras longas que formarão linhas retas, começando a
partir do ponto central (ponto do choque), até distâncias mais longe daquele ponto.
 
Isso ocorre porque a superfície oposta ao choque é submetida a um estado de tensão, fazendo com que, em
consequência da elasticidade imperfeita do vidro, a onda que se propaga a partir do ponto de impacto resulte
em fendas radiais.
 
A formação dessas fendas tem início na superfície oposta ao choque, em razão de as moléculas estarem
agrupadas no lado que sofreu o choque e separadas no lado oposto, sofrendo uma força de tração, causando
um progressivo afastamento das moléculas até ultrapassar a coesão molecular, atingindo o limite elástico de
sua elasticidade imperfeita. Ou seja, na superfície oposta ao impacto, a onda do choque caminha mais
rapidamente que na superfície do choque.
Assim, as fraturas radiais serão formadas primeiramente na superfície oposta ao choque, partindo do ponto
de aplicação da força em todas as direções. O formato dessas linhas se aproxima ao de um segmento de reta,
conforme o representado na ilustração a seguir.
Fraturas radiais
São fendas que partem do ponto de aplicação da força em todas as direções, com formato de linhas que
se aproximam de segmentos de reta.
Rupturas radiais.
Rupturas concêntricas ou espirais
Esse tipo de ruptura só aparece em vidros laminados, pois eles são mais flexíveis do que os vidros comuns.
Encontramos os vidros laminados, principalmente, em automóveis, mas, também, em outros aplicativos.
Vidros laminados
São vidros que possuem em sua estrutura camadas alternadas de vidro e material polimérico.
A ruptura em espiral é aquela que toma a forma de uma curva que faz uma ou mais voltas em torno do ponto
da ruptura, afastando-se paulatinamente em forma de caracol.
 
Imediatamente após o impacto, o vidro ressalta e a compressão atuante na superfície do choque transforma-
se em tensão. Em consequência, o vidro começa a estalar na superfície do choque em forma de espirais, que
serão interrompidas pelas rupturas radiais.
Rupturas concêntricas ou espirais.
A ruptura espiral caminha mais rápido na superfície do choque do que na oposta. Esse fato ocorre porque a
rachadura em linhas radiais divide o vidro em segmentos em formato semelhante a triângulos ou setores de
vidro. Esses triângulos, formados entre as linhas radiais, são empurrados para fora do ponto de choque pelo
impulso inicial. Em consequência desse empurrão para fora, haverá uma resistência por parte da própria
superfície do vidro, pois ela é relativamente rígida.
Produz-se, então, o efeito de uma força de torção e, se for suficiente, o vidro é empurrado em direção oposta
até que o limite de elasticidade seja novamente excedido. Nisso, o vidro alcança a ruptura e causa a formação
das linhas de fraturas concêntricas, no lado em que penetrou o disparo. Ocorrerá, a seguir, o estilhaçamento
em semicírculos concêntricos em relação ao ponto de impacto. Esses círculos são interrompidos pelas
contínuas linhas radiais que os precedem.
Fraturas concêntricas
São rupturas de formato tendente à circular, que se originam na parte frontal do vidro, ou seja, no lado
da superfície que sofreu o impacto.
Rupturas concêntricas ou espirais.
Desse modo, as rupturas concêntricas são distribuídas entre as rupturas radiais, ficando claro que as
concêntricas progridem até encontrar as rupturas radiais, sendo interrompidas por elas, o que significa que as
rupturas radiais foram primeiramente produzidas.
 
Fenômeno semelhante ocorre quando uma placa de vidro é atingida por mais de um disparo, em que as linhas
radiais do segundo disparo ficarão limitadas pelas linhas de fraturas do primeiro disparo, no ponto de encontro
dessas linhas.
Interação entre as linhas de fraturas radiais pela cronologia dos disparos.
A seguir, confira um resumo!
Impactos em ângulos retos
Tanto o orifício de entrada quanto o orifício de saída apresentam um formato tendente a circular.
Impactos em ângulos oblíquos
Os orifícios de entrada e saída dessa placa apresentarão formato tendente a elíptico.
Cone de transfixação
O orifício na face de entrada do projétil é menor do que o orifício na face de saída do projétil.
Linhas de fraturas radiais
Ocorrem primeiro na superfície oposta ao ponto de aplicação.
Linhas de fraturas concêntricas
Originam-se na parte frontal do vidro, ou seja, no lado da superfície que sofreu o impacto. São
formadas a partir das fraturas radiais e são limitadas por essas.
Vidros de segurança
Esse tipo de vidro, que é mais comumente encontrado em automóveis, não se despedaça mesmo quando
fortemente golpeado, sendo essa característica muito útil para o estudo das rupturas radiais e concêntricas.
Os vidros dos veículos, por razões de segurança, são laminados e sua estrutura tem três camadas. As duas
camadas externas, em ambas as faces, são de vidro, já a camada intermediária é feita de um polímero
orgânico, que adere firmemente a ambas as camadas de vidro. Se uma camada externa ou mais se
quebrarem, os fragmentos de vidro permanecerãoaderidos à camada polimérica, impedindo que estilhaços
atinjam os ocupantes do veículo. A lâmina de plástico que mantém as camadas de vidro unidas geralmente é
formada por um polímero de sigla PVB (polivinil butiral), que faz com que o conjunto das três lâminas se
comportem como uma placa única.
Estilhaços
São linhas retas que caminham em direção ao movimento de ruptura e formam ângulo reto com as
marcas em riscos. 
Comentário
A ruptura desses vidros mostra as mesmas características dos outros vidros, em relação à formação do
cone de transfixação, às linhas de fraturas radiais e concêntricas. 
Contudo, a lâmina interna, por ser constituída de material plástico, apresentará, no caso de uma transfixação,
o orifício menor do que qualquer uma das placas de vidro porque os materiais plásticos são mais flexíveis do
que os vidros.
 
Na imagem a seguir é possível observar, no centro do orifício, um material sintético de características
plásticas.
Lâmina plástica de adesão entre as lâminas de vidro.
A determinação do sentido da trajetória do objeto que transfixou o vidro de segurança pode ser de difícil
conclusão, por isso, após os exames em seção transversal, pode-se fazer teste adicional simplesmente
correndo a unha sobre a superfície atingida. Se sentir as fendas concêntricas (espirais) e não sentir as fendas
radiais, este é o lado do choque (orifício de entrada). Caso contrário, na ausência de rupturas concêntricas,
sendo somente as rupturas radiais sentidas, esta será a face de saída do objeto.
 
Em relação aos exames de vidros rompidos em veículos, os peritos não devem ficar restritos somente à
análise do vidro, devendo também examinar cuidadosamente o interior do veículo na busca do objeto que
produziu essa ruptura, bem como outros possíveis pontos de impacto desse objeto.
 
A sequência de imagens apresentadas a seguir mostra a trajetória percorrida pelo projétil que atingiu o
veículo, sendo possível encontrar o objeto que causou a fratura no vidro, no assoalho próximo aos pedais de
comando.
Vista interna da trajetória que atingiu primariamente o teto
Vista interna da trajetória com ocupante no banco do motorista
Vista extena do veículo demosntrando o ponto de impacto secundário
Ponto de repouso do projétil, após atingir o para-brisa
As avarias foram assim descritas pelo perito:
. . Da Constatação de Impacto de PAF
Quando dos exames, foi constatado 01 (um) impacto de P.A.F que passa a ser descrito a seguir:
01 (um) impacto transfixante produzido por P.A.F. que atingiu primariamente teto do veículo, conforme
detalhe em vermelho da Fotografia A, em trajetória de sentido exterointerior e posteroanterior, da direita
para a esquerda, percorrendo 0 compartimento de passageiros, conforme detalhes em vermelho, vindo a
atingir 0 para-brisa na face interna, no setor inferior esquerdo, em impacto não transfixante, conforme
Fotografia C.
O projétil, após impactar a face interna do para-brisa, perdeu força viva, vindo a repousar no assoalho da
viatura próximo aos pedais de comando do condutor, Fotografia D.
A análise das bordas dos orifícios de entrada do projétil mostrou que o mesmo possuía características de
projétil animado de velocidade subsônica, com trajetória descendente formando um ângulo de incidência
com o plano atingido de (dez graus) e de (trinta graus) com 0 eixo longitudinal do veículo.
No caso de disparos contra veículos é importante, sempre que possível, estabelecer toda a trajetória do
projétil, desde o ponto de entrada até o seu repouso final ou a saída. Se existe uma perfuração em um dos
vidros do veículo, em casos de suspeita de disparos por arma de fogo, pode-se fazer uma coleta cuidadosa
nos contornos do orifício, buscando resíduos do material constituinte do projétil.
No exemplo a seguir, um veículo foi atingido por diversos impactos, possivelmente de projétil de arma de fogo.
Contudo, a análise das características das fraturas no vidro levou o perito a concluir que alguns impactos
foram realizados a partir do interior do veículo. Essa constatação foi corroborada pela presença de estojo de
projétil de arma de fogo, que repousava no assoalho próximo aos pedais de comando do veículo.
Estojo
Unidade constituinte da munição em que em seu interior encontra-se confinada a carga de projeção. 
Para confirmar se o atirador que efetuou os disparos que impactaram o vidro realmente estava posicionado no
banco do motorista, o perito realizou a coleta de material residual de disparo de arma de fogo na face interna
do vidro, nas bordas dos orifícios, conseguindo resultado positivo para presença de partículas de chumbo.
 
Sequência de imagens de diversos impactos que atingiram o veículo:
Partículas de chumbo
O Rodizonato é um reagente utilizado para detecção de partículas de chumbo em resíduos de disparo de
arma de fogo.
Vista externa do veículo
Vista interna do veículo
Vista interna do veículo, demonstrando o local em que o estojo foi
encontrado
Resultado positivo (rosa) para presença de partículas de chumbo
Entre os vidros laminados, merecem destaque os vidros blindados ou popularmente conhecidos como vidros à
“prova de balas”, que são projetados para resistir a um ou mais impactos de projéteis oriundos de disparos de
armas de fogo ou objetos lançados contra eles.
Vidros blindados
São vidros laminados, ou seja, são formados por várias lâminas de vidro, geralmente temperadas,
intercaladas por camadas plásticas reforçadas (policarbonatos ou polivinil butiral). Essas camadas
plásticas amortecem o impacto, absorvendo energia, enquanto o vidro oferece resistência ao projétil.
Essa resistência varia em função da espessura do vidro e do calibre da arma utilizada nos disparos. Vale
ressaltar que os vidros tidos como à “prova de balas”, na realidade são resistentes aos impactos de projéteis
de arma de fogo, sendo que uma série de disparos pode ocasionar sua ruptura e, por conseguinte, a
passagem do projétil.
 
As imagens a seguir mostra um vidro blindado Nivel III que foi atingido por projétil de munição calibre 7,62:
Vidro blindado atingido por projétil.
Note que, embora tenha havido desprendimento de fragmentos de vidro, não ocorreu a formação do cone de
fratura, pois não houve a transfixação, uma vez que só aconteceu ruptura das primeiras camadas de vidro.
Estudos nas superfícies transversais
Podemos encontrar dois tipos de marcas visíveis na seção transversal de um vidro: riscos e estilhaços. Vamos
ver com mais detalhes a seguir.
Riscos
As marcas em riscos presentes na seção transversal de um fragmento de lâmina de vidro partido por força
mecânica, se propagam em escamas. Essas marcas em riscos começam de forma retilínea e perpendicular à
face da superfície que sofreu a tração, vindo a se curvar em parábola em relação à face oposta que
primeiramente sofreu a tração.
 
Devemos lembrar que quando a superfície sofre uma fratura radial, a face que se submete ao esforço de
tração é a face oposta que recebeu o choque. Assim, a propagação em escama, nesse caso, terá linhas
retilíneas e perpendiculares à face oposta que sofreu o choque.
 
Fenômeno inverso acontecerá nos casos de fragmentos de vidros de fraturas concêntricas, em que os riscos
terão linhas retilíneas perpendiculares à face voltada para a origem do choque.
 
Veja na imagem a seguir a representação das marcas em riscos (escamas) presentes nas fraturas radiais e
concêntricas. Note que o formato parabólico tem início em linha reta perpendicular à face que sofreu a tração
conforme o caso.
Riscos
São marcas que se propagam em escamas, em formato parabólico, que começam perpendiculares em
relação à superfície submetida a esforças de tração e se curvam em relação à outra superfície.
Representação das marcas em riscos (escamas) presentes nas fraturas radiais e
concêntricas.
Estilhaços
Os estilhaços são linhas retas que caminham em direção ao movimento de ruptura e formam ângulo reto com
as marcas em riscos. Indicam que o rompimento do vidro ocorre em razão de uma força de cisalhamento

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