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Criminalística Você vai identificar os conceitos fundamentais da criminalística, compreender as técnicas de preservação e coleta de vestígios, e analisar os procedimentos de registro e amarração da cena do crime, com foco na cadeia de custódia. Profa. Carla do Nascimento Queiroz 1. Itens iniciais Propósito O domínio dos conceitos e técnicas abordados é essencial para a atuação de profissionais das ciências forenses, pois garante a correta coleta, preservação e documentação dos vestígios em locais de crime, assegurando a integridade da prova e contribuindo para a justiça criminal. Objetivos Relacionar os conceitos de vestígios, evidências e indícios aos princípios científicos e procedimentos de preservação do local de crime, incluindo a aplicação da cadeia de custódia. Aplicar as técnicas de isolamento, preservação, registro e coleta de vestígios em simulações de exame pericial de local de crime. Avaliar a adequação dos registros gráficos e dos recursos tecnológicos utilizados na documentação e posicionamento de vestígios em diferentes tipos de cena de crime. Introdução Neste conteúdo, será apresentada a disciplina de criminalística e sua conexão com outras ciências forenses, evidenciando como ela se apropria de princípios científicos inicialmente desenvolvidos em diferentes campos do saber. Os conceitos fundamentais da criminalística — como vestígios, evidências e indícios — serão explorados em sua relação com os princípios essenciais de preservação do local de crime, destacando a importância desses elementos na construção de provas confiáveis para os processos judiciais. Serão abordadas as técnicas de coleta e preservação de vestígios, com o objetivo de evitar sua perda ou a redução de sua eficácia como evidência. Nesse contexto, serão discutidos os procedimentos específicos que garantem a idoneidade do vestígio, com destaque para a cadeia de custódia, ferramenta essencial para assegurar que a integridade da prova seja mantida do local do crime até sua apresentação em juízo. O conteúdo também apresenta os conceitos e classificações referentes aos diferentes tipos de local de crime e detalha as metodologias utilizadas nos exames periciais, desde o isolamento do ambiente até o registro e a coleta dos vestígios. Além disso, será analisada a importância do registro gráfico — tanto fotográfico quanto por desenho técnico — na documentação da cena do crime. Por fim, serão explorados os recursos tecnológicos empregados na fotografia pericial e sua aplicação de acordo com o tipo de exame a ser realizado, assim como as metodologias de “amarração”, que visam registrar precisamente a posição dos vestígios no local do crime, garantindo rigor técnico e confiabilidade ao trabalho pericial. • • • 1. Criminalística Conceito Desde os mais remotos tempos, a humanidade tenta encontrar maneiras de esclarecer os delitos. Há muita controvérsia acerca do início da investigação forense e, de maneira geral, pode-se afirmar que a investigação científica aplicada às questões legais teve início na medicina legal. O exame de local era procedido pelo médico, que se restringia ao exame do cadáver. Com o tempo, a necessidade de esclarecer a causa da morte, levou esse profissional a buscar outros elementos que explicassem a dinâmica dos fatos, uma vez que, na época, a necropsia não era uma prática permitida. Saiba mais Criminalística é a análise de vestígios materiais extrínsecos relativos ao local periciado, relacionando o modus operandi com a dinâmica descritiva. Esse termo foi utilizado pela primeira vez em 1893 por Hans Gross, jurista e magistrado, alemão, professor de Direito penal da Universidade de Graz, na Áustria, que publicou sua obra intitulada Criminal Investigation: A Pratical Handbook. Criminalística, também conhecida como Ciência Forense, versa sobre a análise de vestígios materiais extrínsecos relativos ao local periciado, relacionando o modus operandi com a dinâmica descritiva, oferecendo fundamentação material à instrução penal. Tem por objetivo a interpretação dos vestígios, pela aplicação de diversas ciências, visando esclarecer tecnicamente os problemas criminais relativos à determinação da existência do delito, a sua qualificação, a identificação do criminoso, a legalização e a perpetuação das provas materiais. O objetivo da criminalística é estabelecer a dinâmica do fato delituoso e apresentar provas materiais para a instrução penal. Confira na imagem a seguir as áreas que estão incluídas dentro de criminalística. Vestígios É o elemento essencial para uma investigação objetiva, em melhor análise, são todos os elementos materiais que encontramos em um local de crime. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para ver mais detalhes da imagem abaixo. A importância da preservação e Isolamento do local de crime A coleta e preservação adequada das evidências são aspectos essenciais para qualquer investigação criminal bem-sucedida. A falta de isolamento e respectiva preservação dos vestígios em um local de crime, no Brasil, é um dilema com que os peritos lidam diariamente. A dificuldade em preservar o estado das coisas em um local de infração penal pode ser atribuída a uma questão cultural, em que a população, por curiosidade, se desloca por entre os vestígios, chegando muitas vezes a coletá-los, imaginando estarem contribuindo com a investigação, comprometendo assim, a legalidade do vestígio. Com a vigência da Lei nº 8.862/94 que alterou o art. 6º, incisos I e II, bem como o art. 169, do Decreto Lei nº 3.689/41 (Código de Processo Penal), a responsabilidade pelo isolamento e preservação do local de crime passou a ser obrigação da autoridade policial que for designada para atender a ocorrência, e também dos demais segmentos funcionais (socorristas, investigadores, delegados, entre outros) que interagirem no local. Evidências É o vestígio que depois de analisado sabe-se ter relação ao evento periciado. Art. 6º Logo que tiver conhecimento da prática da infração penal, a autoridade policial deverá: Dirigir-se ao local, providenciando para que não se alterem o estado e a conservação das coisas, até a chegada dos peritos criminais; Apresentar os objetos que tiverem relação com o fato, após liberados pelos peritos criminais. Art. 169º Para o efeito de exame do local onde houver sido praticada a infração, a autoridade providenciará imediatamente para que não se altere o estado das coisas até a chegada dos peritos, que deverão instruir seus laudos com fotografias, desenhos ou esquemas elucidativos. Parágrafo único – Os peritos registrarão, no laudo, as alterações do estado das coisas e discutirão, no relatório, as consequências dessas alterações na dinâmica dos fatos. Essas determinações legais, que garantem nova condição para o local de crime estão previstos nos dispositivos a seguir, transcritos do Código de Processo Penal (CPP). A dificuldade em preservar o local de crime parece ainda mais grave quando a autoridade policial, agente responsável em preservar e isolar o local, não cumpre a sua obrigação prevista em Lei. Comentário Observe que o parágrafo único do art. 169 do CPP obriga ao perito registrar e refletir sobre as consequências técnicas da não preservação e isolamento do local de infração penal para a análise da cena do crime deixada pelo(s) infrator(es) e pela(s) vítima(s). Se as condições da integridade física de um local violado não forem comentadas no laudo, não importando se por motivo justificado ou não, fatalmente levarão as investigações e a justiça a erro. Exemplo Tomemos como exemplo uma vítima que se sentiu mal, caiu sobre o passeio de pedestres, bateu a cabeça e veio a óbito, ao sofrer a intervenção de bombeiros e/ou paramédicos, teve seu corpo movimentado, os bolsos de suas vestes vasculhados à procura de documentos que o identificasse, parte de suas roupas cortadas ou removidas para localização de ferimentos. Se não for informado ao perito, que chegou posteriormente ao local, e este não comentar em seuportáteis em locais inóspitos. Analisaremos alguns métodos: a) Com uso de vant Com a popularização do Veículo Aéreo Não Tripulado (VANT), também conhecido como drone, esse tipo de levantamento se tornou mais acessível, pois podem ser realizados por aeronaves de baixo custo de aquisição, operação e manutenção. As características de tamanho, performance de voo e capacidade de sobrevoar baixas altitudes em áreas de risco, tornam o VANT de grande utilidade em quase todas as perícias. Principalmente em situações em que o levantamento pericial deve ser realizado no mais curto espaço de tempo possível e na materialização de grandes quantidades de vestígios dispersos e em locais de difícil acesso terrestre. São exemplos: Casos de desastres de trânsito envolvendo muitas unidades de tráfego, com bloqueio de rodovias de grande fluxo de veículos; Locais de desastres de trânsito onde restam muitos vestígios a serem materializados, tais como as posições dos veículos envolvidos, extensões de marcas de frenagem, disposições de componentes que se desprenderam das unidades de tráfego, geometria da via etc. Locais de incêndio em andamento aos quais não se tem acesso direto. Mas é possível, pelo ar, ter uma visão geral da análise da propagação do fogo, que, posteriormente, consistirá em relevante subsídio pericial. Entre outros tipos, os mais indicados para a atividade forense são os VANTs impulsionados por múltiplos motores e hélices (quadricópteros e octocópteros), controlados por computadores, pois oferecem estabilidade e possibilidade de se deslocar em todos os sentidos e direção, bem como efetuar paradas durante o voo, seguir trajetos predefinidos em GPS e efetuar uma melhor e mais completa materialização de local. A ilustração abaixo demonstra, esquematicamente, a aplicação prática de utilização do VANT, cujo ponto de fuga se situa na máquina fotográfica e de onde se irradiam as linhas de fuga. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para ver mais detalhes da imagem abaixo. • • • A imagem, ao ser planificada, fornece todos os dados necessários à construção de um croqui de local, rico em detalhes e medidas, como demonstrado na próxima lustração. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para ver mais detalhes da imagem abaixo. A referida planificação pode ser realizada manualmente ou com auxílio de software, como o AutoCAD, SkechtUP, Corel Draw e outros programas. Já existem alguns estados que estão adotando o VANT como mais um recurso técnico em prol da perícia. b) Com uso de imagens de satélite Diferentemente das imagens registradas por aeronaves, em que se incluem os VANTs, existem aquelas capturadas por satélites, que são menos nítidas, não mostram pequenas estruturas físicas e são registradas em determinados horários de passagem dos satélites, que nem sempre coincidem com a necessidade pericial. Em outros aspectos, as imagens de satélite superam as aéreas, pois abrangem áreas mais extensas, já se encontram convertidas em pixels, logo podem ser processadas diretamente por computadores, além de constar em Sistemas de Informação Geométrica (SIG), que permitem o uso integrado de dados georreferenciados. Entre as imagens de satélite, por sua praticidade, as disponibilizadas pelo Google Earth são de grande aplicação forense, uma vez que além de gratuitas e de boa qualidade, se comunicam em uma mesma linguagem com alguns softwares de aparelhos receptores de GPS. Logo, o programa consiste de uma ferramenta de grande valia, pois permite que os dados colhidos em campo, com auxílio do GPS, sejam transferidos e inseridos diretamente nas imagens preexistentes do Google Earth. c) Com uso de imagens por laser scanner Esse tipo de documentação forense tem a capacidade de capturar (em 3D) e congelar uma cena de crime, em seus aspectos visuais e métricos, nas condições em que foi encontrada, antes de sofrer alterações, isto é, trata-se de uma fotogrametria terrestre. Envolve a construção de cenários virtuais com técnicas de computação gráfica e escaneamento 3D com tecnologia laser, por meio da produção de maquetes digitais, dinâmicas ou estáticas, que contribuem para o entendimento da dinâmica do fato em apuração, permitindo a realização de testes de hipótese, fortalecendo a prova material e facilitando a compreensão das conclusões periciais. Esse tipo de prova digital possibilita, mesmo depois de modificada a cena do crime pelos exames periciais, inspecioná-la (em suas condições espaciais originais) na busca de ângulos de visão, trajetórias de projéteis, dinâmicas de respingos de sangue etc. Verificando o aprendizado Questão 1 Julgue e marque a assertiva correta: ANa fotografia térmica utilizam-se raios de luz refletidos sobre a superfície e sua aplicação na revelação de imagens subjacentes (latentes) gravadas em substratos, cujo uso é muito comum em documentoscopia. B O croqui é o desenho do local do crime, devendo sempre ser apresentado, independentemente da complexidade do local. C A fotomicrografia permite o registro de imagens ampliadas, resultantes do uso de lentes potentes capazes de mostrar detalhes e objetos não visíveis à vista desarmada. D Todas as fotografias registradas pela perícia devem ser obrigatoriamente utilizadas em laudo pericial. E Nenhuma das respostas acima. A alternativa C está correta. A fotomicrografia é uma técnica que utiliza microscópios acoplados a câmeras para registrar imagens de vestígios ou estruturas muito pequenas, imperceptíveis a olho nu. É amplamente utilizada em perícias criminais, especialmente em análises como: Fragmentos de tecidos ou fibras;• Traços de pólvora; Impressões digitais parciais; Estruturas celulares (biologia forense). Questão 2 Desenho que busca representar no papel plano os acidentes geográficos de uma determinada área, com os acidentes e objetos colocados em sua superfície. Executado preferencialmente em escala e pode ser representado em planta baixa, acompanhado ou não de um levantamento altimétrico com a finalidade de assinalar as diferenças de nível do local. Trata-se de: A Croqui. B Desenho linear. C Rascunho. D Levantamento topográfico. E Nenhuma das respostas acima. A alternativa D está correta. O enunciado descreve claramente um levantamento topográfico, que é: Um desenho técnico que representa acidentes geográficos (como rios, montanhas, vales, etc.) e objetos na superfície de uma área; Pode ser representado em planta baixa (vista de cima); Pode incluir levantamento altimétrico (representação das variações de nível/altura do terreno); É feito em escala, com precisão técnica, normalmente com equipamentos específicos (estação total, GPS geodésico, etc.). Questão 3 Em relação às técnicas que podem ser utilizadas para registrar a distância do posicionamento dos objetos na cena, é correto afirmar que: • • • • • • • A No método da triangulação é traçada uma linha entre dois pontos fixos (A, B) no ambiente e são feitas medidas de distâncias das evidências (x, y) a partir dessa linha em um ângulo reto. B No método da coordenada polar utiliza-se um compasso para medir o ângulo entre o ponto específico de uma estrutura reta, como uma parede, por exemplo, e a evidência. C No método da linha base são estabelecidos dois pontos fixos no ambiente (A, B) e a partir desses pontos são registradas as distâncias de duas evidências (x, y). DNo método da triangulação é traçada uma linha entre dois pontos fixos (A, B) no ambiente e são feitas medidas em um raio específico marcando todas as evidências (x, y) que estiverem dentro desse limite. E Nenhuma das respostas acima. A alternativa B está correta. O método da coordenada polar é uma técnica usada para localizar objetos em uma cena com base em: Um ponto de referência fixo; A medição da distância entre esse ponto e a evidência; A medição de um ângulo (geralmente com o auxílio de uma bússola ou transferidor). Esse método é muito útil em ambientes abertos ou irregulares, onde não há muitas paredes ou superfíciesretilíneas como referência. Questão 4 Para o efeito de exame do local onde houver sido praticada a infração, a autoridade providenciará imediatamente para que não se altere o estado das coisas até a chegada dos peritos, que poderão instruir seus laudos com fotografias, desenhos ou esquemas elucidativos. Em relação aos registros fotográficos e topográfico é correto afirmar: A A fotogrametria é a técnica que se utiliza de raios de luz refletidos sobre a superfície e tem sua aplicação na revelação de imagens subjacentes (latentes) gravadas em substratos, cujo uso é muito comum em documentoscopia. BReflectografia é a combinação do levantamento fotográfico e do topográfico, que se utiliza de fotos métricas das quais são extraídas as formas, as dimensões e as posições dos objetos nelas contidos. CDesenho técnico é uma técnica utilizada para mostrar pequenos objetos e/ou detalhes destes, de difícil visualização a olho nu. Exige equipamento apropriado e proximidade do objeto a ser registrado. • • • D Levantamento topográfico é o desenho que busca representar no papel plano os acidentes geográficos de uma determinada área, com os acidentes e objetos colocados em sua superfície. E Nenhuma das respostas acima. A alternativa D está correta. O levantamento topográfico é utilizado para representar o relevo e os acidentes geográficos de uma área, incluindo objetos ou elementos relevantes para a perícia, preferencialmente em escala, e pode conter planta baixa e levantamento altimétrico, ajudando a assinalar diferenças de nível (altitude) no local. Questão 5 Julgue e marque a assertiva correta: A O legislador tornou obrigatório o registro fotográfico em todas as ocorrências de local de crime. B O croqui é o desenho do local do crime, devendo sempre ser apresentado, independentemente da complexidade do local. C No levantamento topográfico pode ser feito o registro de distâncias entre os objetos na cena, possibilitando inclusive ao perito dar ênfase aos mais relevantes objetos e mobiliários. D Todas as evidências coletadas no local de crime devem ser representadas no levantamento topográfico, independentemente de sua relevância para o caso. E Nenhuma das respostas acima. A alternativa C está correta. O levantamento topográfico é um recurso técnico que permite ao perito representar com precisão o espaço físico do local de crime. Ele registra a posição e as distâncias entre objetos relevantes da cena, podendo destacar elementos mais importantes para a análise forense. 4. Conclusão Considerações finais Neste conteúdo, foram abordados os principais fundamentos da criminalística e sua relação com outras ciências forenses, destacando como essa área se apropria de princípios científicos de diversos campos para aplicação em investigações criminais. Discutimos os conceitos centrais da disciplina, como vestígios, evidências e indícios, e sua importância na construção de provas sólidas e confiáveis. Também exploramos os princípios de preservação do local de crime, enfatizando a necessidade de técnicas adequadas para garantir a integridade das evidências. Foram apresentadas as etapas e os procedimentos técnicos de coleta e preservação de vestígios, com ênfase na cadeia de custódia como instrumento essencial para assegurar a idoneidade das provas ao longo de todo o processo investigativo. Além disso, analisamos as diferentes classificações dos locais de crime e as metodologias empregadas na abordagem pericial, desde o isolamento inicial até o registro e a coleta dos vestígios. Outro ponto importante tratado foi a relevância do registro gráfico da cena, seja por meio de fotografias ou desenhos técnicos, como forma de documentar e reconstruir fielmente o local do crime. Por fim, discutimos o uso de tecnologias no registro fotográfico e a aplicação das técnicas de “amarração”, que garantem o posicionamento preciso dos vestígios. Esse conjunto de conhecimentos oferece ao aluno uma base sólida para atuar de forma técnica e ética em investigações criminais, com foco na precisão, na preservação das evidências e na contribuição efetiva para a justiça. Explore + Leia o artigo A cadeia de custódia e a prova pericial, de Ettore Ferrari Júnior, disponível na Revista Jus Navigandi. Leia o Local do Crime, de Décio de Moura Mallmith. Assista aos vídeos: Laser Scanner Z+F ajuda polícia em perícia forense, disponível no canal CPE Tecnologia no YouTube. Análise e Perícia em Incêndios, disponível no canal FARO Laser Scanner no YouTube. Referências BELL, Suzanne. Forense Chemistry. 2. ed. Edinburgh, England: Pearson, 2014, cap. 14. HOLLER, F. James; SKOOG, Douglas A.; CROUCH, Stanley R. Princípios de Análise Instrumental. 6. ed. Porto Alegre: Bookman, 2009, cap. 6. • • https://cdn-conteudo.ensineme.com.br/Local_Crime_VA_f4abeccbfd.pdf https://cdn-conteudo.ensineme.com.br/Local_Crime_VA_f4abeccbfd.pdf NETTO, Amilcar; ESPÍNDULA, Alberi. Manual de atendimento a locais de morte violenta. Millennium. 2. ed. Campinas, SP: 2016. Caps. 3 e 7. SANTIAGO, Elizeu. Criminalística Comentada. Millennium. 1. ed. Campinas, SP: 2014, módulo 18, 28, 45. TOCCHETTO, Domingos; STUMVOLL, Vitor. Criminalística. Millennium. 6. ed. Campinas, SP: 2014. Cap. 3. Criminalística 1. Itens iniciais Propósito Objetivos Introdução 1. Criminalística Conceito Saiba mais Conteúdo interativo A importância da preservação e Isolamento do local de crime Art. 6º Art. 169º Comentário Exemplo Primeira análise Segunda análise Terceira análise Vestígio, evidência e indício Vestígios Tipos Vestígio verdadeiro Vestígio ilusório ou falso Vestígio forjado ou falsificado Coleta e Apreensão de vestígios Atenção Conteúdo interativo Armas de fogo Cabelos, fibras e pelos Terras e Sujidades Projeteis e estojos (munições) Peças de roupa Pintura de veículos Sangue Tipos de embalagens para coleta de vestígio Sangue seco Em superfícies removíveis Em superfícies não removíveis, com sangue disposto em pequenas áreas, cujas características permitem a extração da superfície Em superfícies não removíveis, com sangue disposto em pequenas ou grandes áreas, não passíveis de extração do substrato Transferência adesiva Raspagem Absorção Sangue úmido Em superfícies removíveis Em superfícies não removíveis, com sangue disposto em pequenas ou grandes áreas, não passíveis de extraçäo da superfície Cadeia de custódia dos vestígios Saiba mais Conteúdo interativo Primeiro passo Segundo passo Terceiro passo Quarto passo Quinto passo Saiba mais Procedimento 1 Procedimento 2 Procedimento 3 Verificando o aprendizado 2. Local de infração penal Contextualizando Conteúdo interativo Conteúdo interativo Saiba mais Exemplo 1 Quanto à natureza jurídica do fato Quanto ao local de ocorrência Quanto ao isolamento Atenção Exemplo 2 Local imediato Local mediato Local relacionado Etapas do exame de local Isolamento e preservação do local Saiba mais Escolha de metodologia para processamento do local Espiral Varredura Quadrante Grade Linha Radial Marcação dos vestígios encontrados Levantamento fotográfico topográfico Fotografia panorâmica Fotografia geral Foto em detalhe do objeto Conteúdo interativo Conteúdo interativo Conteúdo interativo Conteúdo interativo Conteúdo interativo Verificando o aprendizado 3. Documentação de Investigação Pericial Levantamento fotográfico Outros tipos de recursos e técnicas fotográficas Reflectografia Fotografia 1 Fotografia 2 Fotografia 3 Fotografias multissensoriais Conteúdo interativo Fotografia 4 Fotografia 5 Fotografia 6 Saiba mais Imagens térmicas Conteúdo interativo Conteúdo interativo Macrofotografia Conteúdo interativo Fotomicrografia Conteúdo interativo Das fotografias a serem utilizadas em um laudo pericial Levantamento por desenho Áreas Medidas Nomes Ângulos Altitudes Cores Material Croqui Conteúdo interativo Primeira imagem Segunda imagem Terceira imagem Desenho linear Conteúdo interativoRebatimento topográfico Conteúdo interativo Levantamento topográfico Saiba mais Conteúdo interativo Conteúdo interativo Levantamento fotogramétrico Conteúdo interativo Conteúdo interativo Verificando o aprendizado 4. Conclusão Considerações finais Explore + Referênciaslaudo os efeitos de tal intervenção, parecerá que houve latrocínio ou algo parecido. O registro pelo perito das condições de isolamento e preservação do local quando feitos de maneira correta demonstrará a credibilidade dos vestígios materializados e consequentemente a confiabilidade da interpretação da prova. Por outro lado, um local que foi isolado e preservado adequadamente, garante ao perito estabelecer a dinâmica dos fatos de maneira confiável. Observe imagens de um local onde ocorreu um disparo anômalo (acidental) de arma de fogo, quando o portador do armamento desembarcava do veículo. Entenda como foi feita a análise do perito. Primeira análise Como o local encontrava-se preservado e isolado (note a faixa zebrada), o perito pôde garantir que o veículo não teve sua posição alterada após o disparo. Segunda análise Com isso, pôde estabelecer a trajetória do projétil, que atingiu primariamente a face interna da porta dianteira direita, acima da dobradiça inferior de fixação do veículo. Terceira análise Os peritos constataram que a trajetória assumida pelo projétil indicava que a porta encontrava-se com seu ângulo máximo de abertura no momento do disparo, vindo o projétil a transfixar a lataria e percorrer toda a extensão do vão existente entre a viatura e a rampa de acesso, aproximadamente 1,48 m (um metro e quarenta e oito centímetros), até atingir a barra metálica da rampa de acesso. Vestígio, evidência e indício O vestígio é o elemento essencial para uma investigação objetiva, em melhor análise são todos os elementos materiais que encontramos em um local de crime, que podem ou não estar relacionados ao evento periciado, alguns desses elementos serão descartados por não fazerem parte da produção delituosa em exame. É importante entender que o vestígio é o elemento sensível do fato, esse conceito deve estar bem definido tanto para os peritos como para todos os demais segmentos que interagem no local de crime ou que manuseiam algum tipo de vestígio. Todos os vestígios encontrados em um local de crime, em um primeiro momento, são importantes e necessários para elucidar os fatos, no momento em que os peritos chegam à conclusão de que o vestígio está, de fato, relacionado ao evento periciado, ele deixará de ser vestígio e passará a denominar-se evidência. Essas duas expressões (vestígio e evidência) tecnicamente são usadas no âmbito da perícia, no entanto, na fase processual tais expressões são tratadas como indícios, conforme a definição do Código de Processo Penal (artigo 239). Em resumo: Vestígios Tipos Uma vez detectado o vestígio é importante cercar-se de cautela, a fim de certificar-se quanto a sua idoneidade, pois devemos lembrar que antes da chegada do perito a um local de crime, vários outros segmentos funcionais - socorristas, agentes de trânsito, guardas municipais, bombeiros, policiais militares e civis -, executaram tarefas no local, e todo esse movimento pelo local pode comprometer a autenticidade do vestígio. Os peritos podem encontrar os seguintes tipos de vestígios no local de crime: Vestígio verdadeiro É aquele produzido diretamente pelos autores da infração, ou seja, é produto direto das ações do cometimento do delito em si. Vestígio ilusório ou falso É todo elemento encontrado no local de crime que não esteja relacionado às ações dos autores da infração e cuja produção não tenha ocorrido de maneira intencional, não há dolo. Vestígio forjado ou falsificado É todo elemento encontrado no local de crime, cujo autor teve a intenção de produzi-lo com o objetivo de modificar o conjunto dos elementos originais gerados pelo autor. Nesses casos, o agente age dolosamente, deixando ou produzindo evidências no local, objetivando confundir a investigação. Coleta e Apreensão de vestígios Coleta e apreensão constituem-se em atos próprios do rito legal. A coleta é efetuada no local de crime, onde estão os elementos objetivos remanescentes, como por exemplo: recolhimento de impressão digital, amostras de manchas de sangue, de armas, instrumentos etc. Atenção O ato de coletar objetos no local de crime é de responsabilidade legal dos peritos porque, além de estarem munidos de fé pública, têm competência técnica. Isso parece bastante razoável, uma vez que uma pessoa leiga não domina a técnica correta do proceder, no caso de recolhimento de evidências que requerem instrumentos e metodologia própria para a coleta, evitando a contaminação dos vestígios pelo operador. As imagens a seguir ilustram procedimentos inadequados de coleta, em que observamos que os profissionais não estão com vestimentas adequadas para o trabalho. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para ver mais detalhes da imagem abaixo. Sabemos que certos vestígios requerem cuidados especiais nas coletas, com a utilização de materiais e instrumentos apropriados para apreensão e acondicionamento. Exemplos de vestígios, com a orientação correta dos cuidados a serem adotados por ocasião da coleta pelo perito: Armas de fogo Cuidados para preservar impressões digitais e resíduos de disparo. Evitar introduzir objetos no cano da arma. Cabelos, fibras e pelos Acondicionamento em envelopes individuais, com recolhimento usando pinças. Terras e Sujidades Recolhimento com auxílio de pinças descontaminadas ou espátulas, com acondicionamento em envelopes, ou plásticos, sempre de forma individual. Projeteis e estojos (munições) Acondicionamento em envelopes, evitando-se, nas respectivas coletas, contatos com instrumentos metálicos. Peças de roupa Após secagem natural, recolher individualmente, evitando-se o excesso de dobras. Pintura de veículos Os fragmentos questionados, encontrados no local, devem ser coletados e acondicionados individualmente em envelopes ou plásticos. Recolher amostras padrões com auxílio de uma espátula de madeira. Sangue As manchas de sangue podem ser encontradas sob a forma líquida (coletar em recipientes com agente anticoagulante ou soro fisiológico) ou em crostas — recolher dos próprios suportes, raspadas ou dissolvidas com soro fisiológico e transferir para frascos. A apreensão também é um ato legal, e é concretizado quando o perito transfere às mãos do requisitante da perícia as evidências materiais coletadas, para que no decorrer da investigação, a autoridade remeta o que for necessário, acompanhado de quesitação, para os devidos esclarecimentos, mediante a apresentação do laudo competente, logo compete ao solicitante da perícia o ato de arrecadar. A apreensão deve ser registrada adequadamente em documento próprio, contendo a descrição e quantidade do material arrecadado e entregue pelo perito à autoridade. Tipos de embalagens para coleta de vestígio O tipo de embalagem utilizada para coleta de vestígio, depende do material em si. A embalagem deve proteger e preservar a evidência. As embalagens de papel, são normalmente utilizadas para vários objetos, como por exemplo, roupas, utensílios e acessórios, fragmentos, amostras oleosas, fios de cabelo e fibras. Para pequenas amostras líquidas, as embalagens de vidro com fechamento rosqueado ou hermético são satisfatórios. As manchas de sangue são comumente encontradas em cenas de crimes, e de grande importância para a investigação, uma vez que são capazes de vincular um indivíduo à autoria do ato criminoso e subsidiar a interpretação da dinâmica da ação delituosa. No entanto, é fundamental a correta coleta desse tipo de material, pois se não for bem executada poderá acarretar perda da evidência ou o enfraquecimento desse tipo de prova. As amostras de sangue coletadas em locais de crime devem, preferencialmente, ser representativas e capazes de fornecer todas as informações possíveis. São recolhidas não só do corpo da vítima e da área principal da ação, mas também de suas áreas periféricas. As amostras podem ter origem distintas e se apresentar em diferentes estados físicos e condições de preservação, portanto, devem exigir diversificadas maneiras de recolhimento. O DNA presente naamostra pode facilmente ser degradado, se não for adequadamente preservado, assim, amostras de sangue colocadas em embalagens transparentes e em contato com o ar estão propensas a contaminação microbiológica, com crescimento microbiano que prejudicaria os exames laboratoriais, tornando-se assim, sem valor de evidência. Sangue seco Esse tipo de amostra pode estar (fixa ou solta) disposta sobre superfícies (grandes ou pequenas) que, por sua vez, podem ser removíveis ou não e se apresentar distribuídas por grandes ou pequenas áreas, para cada situação haverá um método mais adequado para coleta. Em superfícies removíveis Se a superfície for de pequena dimensão e removível, deve-se efetuar a coleta do objeto junto com a amostra, acondicionando em sacos ou envelopes de papel. Esse procedimento possibilita a escolha, em laboratório, da área com mais informação, diminuindo o risco de contaminação e perda de amostra. Em superfícies não removíveis, com sangue disposto em pequenas áreas, cujas características permitem a extração da superfície Se a superfície não for removível, mas possível de ser extraído por recorte, desmonte ou outro método, deverão ser recolhidas amostras em zonas: sem a presença do vestígio, para controle negativo; com a presença da mancha de sangue. Essas amostras devem ser acondicionadas em envelope de papel individualmente, diminuindo o risco de contaminação e perda de amostra. Em superfícies não removíveis, com sangue disposto em pequenas ou grandes áreas, não passíveis de extração do substrato Se a superfície não for removível, porém capaz de ser extraído por recorte, desmonte ou outro método, deverão ser recolhidas amostras em zonas: sem a presença do vestígio, para controle negativo; bem como de parte do objeto, na posição em que se encontra a mancha de sangue. Essas amostras devem ser acondicionadas em envelope de papel individualmente, diminuindo o risco de contaminação e perda de amostra. Confira algumas técnicas para a coleta do sangue seco. Transferência adesiva É uma técnica de fácil efetivação e pouco contato do perito com o vestígio, portanto, de reduzido risco de diluição ou contaminação da amostra. Pode ser utilizada com sangue seco e consiste na remoção da mancha de sangue com o auxílio de uma fita adesiva, que deve ser colocada sobre a mancha e sobre outra área em que não tenha mancha, de forma a ter um controle negativo. Raspagem Possui o mesmo objetivo e agrega a mesma vantagem da técnica da fita adesiva, porém requer a utilização de um instrumento afiado e está sujeita à eletricidade estática, portanto o material raspado não deve ser acondicionado em embalagens plástica, pois pode se dispersar e vir a se perder nas reentrâncias da embalagem, em decorrência da eletricidade estática acumulada, sendo o ideal a utilização de envelope de papel. Absorção Neste caso, a mancha é coletada com o swab umedecido com água destilada, de forma que seja absorvida a maior quantidade possível de vestígio. Em seguida, os coletores devem ser secos ao ar, em ambiente não contaminado, bem como acondicionados em envelopes de papel. Essa técnica, por utilizar água destilada na obtenção da amostra, sofre diluição e pode levar risco de contaminação do material coletado. Sangue úmido Como no caso do sangue seco, o úmido pode ser apresentar disposto sobre superfícies (grandes ou pequenas), que por sua vez podem ser removíveis ou não e se apresentar distribuídas por grandes ou pequenas áreas. Portanto, para cada situação haverá um método mais adequado de coleta. Em superfícies removíveis Quando a mancha de sangue for de pequenas dimensões e se encontrar sobre superfícies removíveis, sua coleta deverá ocorrer junto com o objeto em que se encontra disposta, fazendo-se uso de envelope de papel, e ser removida para local seguro, onde seja possível secar ao ar e sem contaminações externas. Então, quando já seca, deverá ser novamente acondicionada no envelope original ou em outro. Este tipo de procedimento restringe o manuseio da amostra, evitando diluições e minimizando contaminações. Em superfícies não removíveis, com sangue disposto em pequenas ou grandes áreas, não passíveis de extraçäo da superfície Se a superfície for de grandes dimensões e/ou de superfícies não removível, a mancha deverá ser absorvida com swab, momento em que ocorre interação entre o perito e a mancha, o que pode acarretar eventuais contaminações e outros prejuízos para a amostra. Cadeia de custódia dos vestígios Como já discutido até aqui, a preservação e o isolamento adequados do local de crime, visando impedir a alteração e a eliminação das evidências remanescentes no local, bem como o uso de técnicas corretas de coleta e acondicionamento dos vestígios são condições essenciais para o sucesso da investigação. Todos os procedimentos relacionados à evidência, desde a coleta, o manuseio e a análise, sem os devidos cuidados e sem a observação de condições mínimas de segurança, podem acarretar na falta de integridade da prova, provocando danos irrecuperáveis no material coletado, comprometendo a idoneidade do processo e prejudicando a sua rastreabilidade. Desse modo, é necessário que se estabeleça um controle sobre todas as fases desse processo, e, por isso, tem-se adotado a cadeia de custódia como modelo nas mais variadas áreas do conhecimento. Cadeia de custódia É o conjunto de procedimentos que visa garantir a autenticidade dos materiais que serão submetidos a exames, desde a coleta até o final da perícia. Saiba mais A cadeia de custódia é um dos elementos diretamente relacionados com a idoneidade do vestígio, em que a primeira etapa do processo de custódia tem início no momento do isolamento e preservação do sítio de ocorrência, com a abordagem e o levantamento do local, seguindo um fluxo de ações que visa a garantir sua idoneidade e permitir a rastreabilidade da sequência dos fatos, com registro minucioso do caminho que a amostra percorreu, quem manuseou, como manuseou, como o vestígio foi obtido, como foi armazenado e por que manusearam. Observe o esquema do fluxo da cadeia de custódia: Conteúdo interativo Acesse a versão digital para ver mais detalhes da imagem abaixo. Dessa forma, devem ser seguidos os passos: Primeiro passo O primeiro agente responsável pelo encadeamento da custódia é o policial que comparece ao local, a quem caberá o adequado isolamento e preservação do sítio da ocorrência. Segundo passo Em seguida, a responsabilidade pelo fluxo é do perito de local, que providenciará para que as evidências sejam registradas e coletadas dentro das técnicas, embalando-as corretamente para que não se contaminem. Terceiro passo Logo depois, caberá à autoridade solicitante da perícia comparecer ao local, apreender o material, transportá-lo e guardá-lo em local próprio até a formulação dos quesitos. Quarto passo Em seguida, o material será remetido ao instituto de criminalística, com o devido cuidado para que se apresente íntegro para perícia. Quinto passo Uma vez recebida a evidência para exames, a sequência dos registros do encadeamento da custódia devem ser respeitados, devendo o perito de laboratório, antes de receber o material oficialmente, atentar para a integridade da embalagem, verificando a existência do lacre. O art. 170 do CPP determina que “nas perícias de laboratório, os peritos guardarão material suficiente para a eventualidade de nova perícia. Sempre que conveniente, os laudos serão ilustrados com provas fotográficas, ou microfotográficas, desenhos ou esquemas”. O fato de a lei exigir a guarda de amostra do material analisado garante ao investigado a possibilidade de contestação e defesa. Se a cadeia de custódia do material analisado não for rigorosamente controlada, ou seja, se os registros dos profissionais que manipularam a evidência, ou ainda, se as condições em que as mesmas foram acondicionadas, não forem adequadas, poderá representar uma falha na cadeia de custódia, o que enfraquecerá o laudo oficial. Saiba mais O Assistente Técnicofoi criado com o advento da Lei nº 11.690, de 2008, que alterou o Código de Processo Penal, permitindo que esse profissional atuasse como fiscalizador das partes. Observemos suas atribuições que o art. 159, em seus parágrafos 5º e 6º, do CPP: §5º Durante o curso do processo judicial, é permitido às partes quanto à perícia:I –Requerer a oitiva dos peritos para esclarecerem a prova ou para responderem a quesitos, desde que o mandado de intimação e os quesitos ou questões a serem esclarecidas sejam encaminhadas com antecedência mínima de 10 (dez) dias, podendo apresentar as respostas em laudo complementar; Indicar assistentes técnicos que poderão apresentar pareceres em prazo a ser fixado pelo juiz ou ser inquiridos em audiência. §6º Havendo requerimento das partes, o material probatório que serviu de base à perícia será disponibilizado no ambiente do órgão oficial, que manterá sempre sua guarda, e na presença de perito oficial, para exames pelos assistentes, salvo se for impossível a sua conservação. Assim, o perito assistente, ao elaborar laudo divergente ao apresentado pelo perito oficial, deverá analisar primeiramente a cadeia de custódia, certificando-se de que todas as alterações, como condições de isolamento e preservação do local, coleta e acondicionamento do material, técnicas empregadas nas análises, foram adequadamente registradas e empregadas. Procedimentos essenciais que devem ser observados para uma efetiva e correta cadeia de custódia de vestígios: Procedimento 1 Diz respeito à escolha adequada do tipo de embalagem, pois o material acondicionado em embalagem inadequada poderá alterar seu estado original, comprometendo sua idoneidade ou possíveis exames complementares. Procedimento 2 Diz respeito à lacração dessas embalagens, visando assegurar inviolabilidade daquele material acondicionado. 0 ideal é que os institutos de perícia possuam lacres devidamente numerados. Contudo, é possível, na ausência desses, fazer adaptações com lacres diversos, desde um fechamento com cola de um envelope e rubrica do responsável, até uma caixa em que pode ser usada uma folha de papel colada à junção de fechamento da abertura, também com assinatura do responsável. Mesmo nesses casos de lacres improvisados, é possível numerá-los dentro de uma sequência adotada pelo órgão. 0 lacre não tem objetivo de impedir, pela sua resistência, que seja aberto, mas sim o de deixar características visíveis da sua violação ao rompê-lo e, assim, denunciar a violabilidade do objeto sob proteção. Procedimento 3 Diz respeito a quem poderá abrir uma embalagem lacrada. Só estão autorizados a romper o lacre e ter acesso ao objeto aqueles profissionais que, de fato, precisarem examinar ou visualizar o material. Um objeto lacrado pelo perito de local para exame de laboratório só poderá ter aquela embalagem aberta pelo profissional que diretamente irá realizar o exame. Esses três procedimentos devem ser rigorosamente seguidos, a fim de evitar suspeição sobre as condições de determinados objetos ou sobre a própria certeza de ser aquele material que de fato fora apreendido ou periciado. Assim, o valor probatório de uma evidência ou documento será válido se não tiver sua origem e tramitação questionadas. Tudo isso se resolve com cuidados minuciosos na guarda e proteção desses materiais, mediante o rigoroso controle de rotinas e registros da movimentação sofrida durante todo o processo investigatório e judiciário. Verificando o aprendizado Questão 1 Marque a opção correta: A Vestígio é uma expressão utilizada no meio jurídico que significa cada uma das informações relacionadas com o crime. B Indício é todo objeto ou material bruto constatado e/ou recolhido em um local de crime para análise posterior. C Evidência é o vestígio que, após as devidas análises, tem constatada, técnica e cientificamente, a sua relação com o crime. D Criminalística é a delimitação com a utilização de faixa zebrada ou outro meio a área provável em que tenha ocorrido fato delituoso, impedindo o acesso de estranhos. E Isolamento é a análise de vestígios materiais extrínsecos relativos ao local periciado, relacionando o modus operandi com a dinâmica descritiva. A alternativa C está correta. No contexto da criminalística e investigação forense, os termos vestígio, indício, evidência, isolamento e criminalística possuem definições técnicas específicas: Vestígio - objeto ou sinal deixado pelo crime Evidência - vestígio comprovadamente ligado ao crime Indício - interpretação baseada nos vestígios Isolamento - ação de proteger o local do crime Criminalística - ciência da análise técnica dos vestígios Por isso, a letra C é a única correta. Questão 2 Um dos requisitos essenciais para que os peritos possam realizar um exame pericial de maneira satisfatória, a fim de não se perder qualquer vestígio, é que o local esteja adequadamente: A Isolado e preservado. B Periciado e isolado. C Examinado e preservado. D Delimitado e preservado. E Analisado e periciado. A alternativa A está correta. Para que a perícia criminal seja eficaz e os vestígios deixados no local do crime não sejam comprometidos, contaminados ou destruídos, é essencial que o local esteja: • • • • • Isolado: Significa impedir o acesso de pessoas não autorizadas, garantindo que nada seja alterado ou contaminado. Preservado: Envolve manter o local exatamente como foi encontrado, até a chegada da perícia, evitando alterações nos vestígios. Essas duas medidas são fundamentais para a confiabilidade da investigação forense, permitindo que os peritos encontrem vestígios íntegros, capazes de gerar evidências válidas. Questão 3 Quem é responsável pelo isolamento e preservação do local de crime? A A vítima. B O perito criminal designado para a realização da perícia no local de crime. C O primeiro policial a chegar no local de crime. D Qualquer pessoa da comunidade que tomar conhecimento do crime. E Somente alguém da familiar da vítima. A alternativa C está correta. O isolamento e a preservação do local de crime são responsabilidades iniciais e fundamentais da autoridade policial, especialmente do primeiro policial que chega ao local do fato. Questão 4 Um dos aspectos mais desafiadores da prática forense é a manutenção da cadeia de custódia durante todas as suas fases, com ênfase em acondicionamento, transporte e entrega da amostra, pois essas fases se referem ao decurso de tempo em que a evidência é manuseada, incluindo‐se também aí cada pessoa que a manuseou. Acerca desse assunto, assinale a alternativa correta. A É imperativo que a evidência seja tratada pelo máximo de pessoas necessárias para a conclusão da análise forense. B Para cada uma das etapas da cadeia de custódia, não há necessidade de ser feito registro, pois não há dúvida em relação ao tratamento e à manipulação dos vestígios, caso haja confronto com declarações de pessoas envolvidas na investigação. C A cadeia de custódia inicia‐se no laboratório de análise, após o registro do material, quando, então, o perito criminal analisa e procede à prova pericial científica. DCada vez que um caso criminal for iniciado, vários arquivos do mesmo caso deverão ser criados, com a finalidade de conter a documentação desse arquivo pelo espaço de tempo requerido pela lei prevalente. E Se os registros dos profissionais que manipularam a evidência, ou ainda, se as condições em que as mesmas foram acondicionadas, não forem adequadas, poderá representar uma falha na cadeia de custódia, o que enfraquecerá o laudo oficial. A alternativa E está correta. A cadeia de custódia é o conjunto de procedimentos que assegura a integridade e a rastreabilidade dos vestígios físicos desde a coleta no local do crime até sua apresentação em juízo. Ela inclui: Registro detalhado de quem manuseou o vestígio; Condições de armazenamento, transporte e entrega; Garantia de que nada foi adulterado, contaminado ou trocado. Quando há falha em qualquer etapa — seja por ausência de registro ou acondicionamento inadequado — aprova perde credibilidade, e isso pode enfraquecer ou até invalidar o laudo pericial no processo judicial. Questão 5 O procedimento adotado para coleta de evidências em local de crime deve seguir um protocolo, objetivando a coleta adequada dos vestígios. A respeito da coleta de vestígios em local de crime, é correto afirmar que: ASe for mancha de sangue seco e a superfície for de pequena dimensão e removível, deve-se efetuar a coleta do objeto junto com a amostra, acondicionando em sacos ou envelopes de papel. B No caso de projeteis e estojos (munições) esses devem ser coletados com pinças metálicas, com pegadas na base ou no corpo do estojo e, no caso de projéteis não há ressalvas quanto a posição da pinça. C Se forem armas de fogo ideal é utilizar luvas para preservar impressões digitais e resíduos de disparo, utilizando-se de instrumentos para introduzir no cano da arma. D Quando a evidência está depositada em uma superfície absorvente, não é possível recuperá‐la, inviabilizando desse modo os exames laboratoriais. EEm superfícies absorventes, como carpetes, cortinas, sofás, estofados, almofadas, colchões, entre outros, contendo amostras de sangue seco serão utilizados bisturis estéreis para raspagem do material. • • • A alternativa A está correta. A coleta de vestígios biológicos, como manchas de sangue seco, deve respeitar critérios técnicos, principalmente para evitar contaminações e preservar a integridade da prova. Quando a mancha está sobre uma superfície pequena, sólida e removível, a melhor prática é coletar todo o objeto em que a mancha está, sem tocar diretamente na amostra. Esse objeto deve ser acondicionado em sacos ou envelopes de papel, pois o papel permite a respiração da amostra, impedindo proliferação de fungos e deterioração — o que ocorreria com plásticos. 2. Local de infração penal Contextualizando Há alguns anos, os peritos do instituto de criminalística do Rio de janeiro foram solicitados para analisar uma cena de crime. Chegando ao local, os profissionais encontraram a seguinte situação, a seguir ilustrada: Conteúdo interativo Acesse a versão digital para ver mais detalhes da imagem abaixo. Os peritos acharam a provável posição da vítima antes de ser atingida e projetaram o prolongamento daqueles dois pontos (cabeça e perfuração na janela), utilizando uma caneta a laser e verificaram que o primeiro anteparo externo era um edifício do outro lado da rua na altura do quarto andar. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para ver mais detalhes da imagem abaixo. Tanto a perícia quanto a polícia tinham certeza de que a vítima foi morta por um atirador experiente e que tal crime foi planejado, tendo o criminoso agido exclusivamente com a razão. A partir daí... O notebook foi enviado para perícia que descobriu informações de que a vítima era sócio majoritário de uma empresa, tendo como sócios minoritários seus dois filhos, que administravam as duas filiais da empresa, uma nos Estados Unidos e a outra na China, e um sobrinho que era sócio gerente na matriz; a perícia concluiu que a vítima controlava as contas das empresas. Encontraram também vários e-mails aos demais sócios cobrando providências sobre os baixos rendimentos. A perícia encontrou uma correspondência eletrônica entre a vítima e seu irmão, expondo sua desconfiança de que seus filhos e seu sobrinho poderiam estar desviando receitas das empresas. A investigação mostrou que os dois filhos tramavam a morte do pai e planejavam que tudo desse a impressão de que o sobrinho fora o mandante do crime. Encontraram um e-mail encaminhado por um dos filhos ao sobrinho da vítima, informando que uma pessoa inventada iria até a firma para receber o valor de vinte e cinco mil reais, por suposta prestação de serviço de consultoria. A intenção do autor era ligar o atirador ao recebimento do pagamento pelo falso suspeito, o sobrinho. O cenário ilustra um típico local de infração penal de morte violenta, que devido as suas particularidades, possui uma abrangência que vai além do cômodo em que a vítima foi encontrada. Local de crime é a porção do espaço compreendida em um raio que, tendo por origem o ponto no qual é constatado o fato, se estende de modo a abranger todos os lugares em que, aparentemente, necessária ou presumidamente, tenham sido praticados, pelo criminoso, ou criminosos, os atos materiais preliminares ou posteriores, à consumação do delito, e com este diretamente consumado. Esse conceito nos leva a refletir que a investigação pericial ou policial, não deve ficar adstrita aos limites da cena do crime, sendo este apenas o ponto de partida para chegar aos demais pontos ou lugares em que possam ter ocorrido parte daquele crime ou até mesmo seu planejamento. • • • • • • Aos investigadores caberá atentar para os fatos prévios e posteriores à consumação do crime, desde o planejamento inicial até a dissimulação, destruição ou ocultação de vestígios após o crime, sendo o local do crime o ponto de partida para obtermos essas informações. Saiba mais Netto e Espindula, em sua obra intitulada Manual de atendimento a locais de morte violenta, acrescenta o conceito de local de crime virtual ao conceito tradicional do local físico, palpável, material e objetivo a que tradicionalmente estamos acostumados. O exemplo da ocorrência relatada no início da aula nos mostra como a tecnologia virtual vem ampliando os limites para o planejamento ou desdobramentos posteriores do local de crime. Exemplo 1 Imagine que uma pessoa planeja matar alguém e, utilizando a internet, crie vestígios forjados que apontem a autoria do delito para uma terceira pessoa, por meio de e-mails ou mensagens em redes sociais com declarações que, embora inverídicas, possam atribuir a autoria do delito ao terceiro envolvido. Neste exemplo, foi observado que a cena em que estava a vítima foi o ponto inicial para a investigação, mas que a infração ultrapassava os limites físicos do local do homicídio. A infração se estende do local de onde partiu o disparo ao local do falso suspeito (o sobrinho), e também dos filhos (sendo esses denominados locais virtuais). O exemplo estudado indica que a extensão da área de interesse criminalístico de um local de crime ultrapassa os limites em que ocorreu a cena que caracteriza a infração penal. Nesse sentido, é importante apresentarmos algumas denominações forenses que classificam o local conforme sua natureza e condição. Quanto à natureza jurídica do fato Homicídio Furto Acidente de tráfego Local de incêndio Local de explosão • • • • • Quanto ao local de ocorrência Interno: área compreendida em todo ambiente fechado, isto é, no interior de habitações de qualquer espécie. Considera-se, também como tal, terreno cercado ou murado. Externo: área compreendida fora das habitações. Exemplos: floresta, bosques, vias e logradouros públicos. a) Imediato: é aquele que contém o palco principal do crime, onde se concentrou a maioria dos vestígios. Em um acidente de trânsito entre dois carros, é o ponto em que ocorreu o sitio de colisão e suas imediaçöes, ponto em que os veículos pararam após o embate, por exemplo. b) Mediato: é a área adjacente ao local imediato. É toda a região espacialmente próxima ao local imediato e a ele geograficamente ligada, passível de conter vestígios relacionados com a perícia em execução. c) Relacionado: é todo e qualquer lugar sem ligação geográfica direta com o local do crime e que possa conter algum vestígio ou informação que propicie ser relacionado ou venha a auxiliar no contexto do exame pericial. Virtual Quanto ao isolamento Idôneo Inidôneo A classificação quanto ao local da ocorrência tem por objetivo determinar a natureza da área onde o mesmo ocorreu. Atenção Ao analisar o local imediato, o perito deve descrever minuciosamente o estado das coisas, estabelecendo referenciais dos posicionamentos dos objetos de análise (um corpo, em local de homicídio; um veículo, em local de acidente de trânsitoetc.) em relação à referenciais imóveis existentes no local. Essa prática, denominada amarração do local, permite que o cenário seja a qualquer tempo reproduzido, caso haja necessidade de novas diligências. Exemplo 2 O esquema a seguir ilustra a amarração de um local de acidente de trânsito com vítima fatal, em que um ônibus colidiu com um carro de passeio em um cruzamento sinalizado, vindo a arrastá-lo por mais de vinte metros após o sítio de colisão. Repare que o perito realizou medidas das distâncias entre os veículos na posição de repouso após a colisão e um poste, que existia no local, adotando por referencial as rodas das laterais direita dos veículos envolvidos. O perito também estabeleceu um ponto fixo existente no local e • • • • • relacionou a dois pontos diferentes do objeto analisado, no caso, as rodas do veículo. Existem outras metodologias para amarrar o local. Para ver a aplicação dos conceitos acima, navegue pelos botões abaixo: Local imediato Note que no cenário ilustrado, o local imediato é o ponto da via em que os veículos possivelmente colidiram (sítio de colisão), além do local de repouso dos veículos após a colisão, uma vez que os principais vestígios foram encontrados nesse ambiente. A descrição do local imediato deve abranger, além da precisão do endereço, referenciais precisos de localização, contendo informações sobre as condições em que o objeto de análise foi encontrado, se em local aberto ou fechado, se exposto a intempéries ou não, se iluminado por luz natural ou não, entre outros. A posição em que os vestígios são encontrados em um local de crime é de grande relevância para se estabelecer a compatibilidade do objeto com a dinâmica dos fatos a ser estabelecida. Em um local de morte violenta, por exemplo, em que o instrumento utilizado para a consumação da morte seja encontrado a uma distância superior a do alcance da vítima, não é razoável estabelecer a dinâmica dos fatos como autoeliminação. Podemos imaginar ainda um local de suposta autoeliminação em que a arma de fogo nas mãos da vítima encontra-se com a trava de segurança acionada, impedindo o disparo, poderá ser a diagnose diferencial entre homicídio e a autoeliminação. Local mediato Na ilustração do acidente de trânsito apresentada anteriormente, o local mediato é a porção do cenário que está além do sítio de ocorrência (ponto de impacto e local de repouso dos veículos), em que é possível encontrar vestígios relevante ao fato, nesse caso abrangeria basicamente a marca de frenagem deixada pelo ônibus antes do impacto. Local relacionado O exemplo que estamos estudando não apresenta um local relacionado, mas imaginemos que o cenário fosse de um atropelamento e que o condutor do veículo atropelador tivesse se evadido do local com o veículo, sendo localizado dois dias depois, em uma cidade distando 300km do local em que se dera a ocorrência. Na via em que se desenrolou a ocorrência foram deixadas marcas de frenagem de alguns metros de comprimento, antes do provável ponto de impacto. O local relacionado seria aquele em que o automóvel foi encontrado posteriormente, visto que este não possuía ligação geográfica direta com o local em que se desenvolveu a ocorrência. Etapas do exame de local São elas: Isolamento e preservação do local Avaliação do isolamento Escolha de metodologia para processamento do local Marcação dos vestígios encontrados Levantamento fotográfico topográfico • • • • • Coleta dos vestígios encontrados Documentação A seguir, leremos sobre as etapas destacadas em negrito acima. Isolamento e preservação do local Já discutimos a importância e a obrigação legal em preservar um local de infração, contudo a delimitação do perímetro da área a ser isolada não é uma tarefa muito fácil. Observamos que o sítio de ocorrência se estende além dos limites da área do local imediato, assim, o isolamento estabelecido no entorno da cena do crime deve ser maior do que o espaço ocupado pelos componentes da cena principal. Antes de isolar a área, o primeiro agente público responsável pelo ato deve estar ciente dos diferentes aspectos físicos e formais da topografia do local, sua situação e classificação em local interno e externo. O isolamento e a preservação de um local externo apresentam características que dificultam o trabalho, tendo em vista a amplitude e as características topográficas da área. O agente que iniciar o isolamento do local externo deve atentar para que o mesmo seja o mais extenso possível, objetivando que não se percam evidências materiais de valor criminalísticos remanescentes. Esses limites podem, mais tarde, ser reduzidos, porém dificilmente poderão ser ampliados sem que tenha havido contaminação das áreas adjacentes nesse intervalo. Saiba mais Em locais internos, essa missão se torna mais fácil, porque a área se localiza intramuros, sendo naturalmente limitada, cabendo ao agente guarnecer seus acessos, lembrando que, em alguns casos, a área mediata também merece cuidados especiais. • • A primeira autoridade policial que comparecer ao local, também deve se assegurar que as evidências físicas não sejam perdidas, contaminadas ou movidas, podendo utilizar diversos meios para garantir a preservação, como uso de plásticos, lonas e caixas para proteger da chuva, cordas e fitas refletoras para isolar etc. Caberá ao perito, quando chegar ao local, avaliar se a amplitude da área isolada foi suficiente para abranger os vestígios remanescentes do crime. Ele deverá também observar as condições de preservação do local, registrando todas as alterações encontradas, bem como as condições em que encontrou o local, como por exemplo: Se as luzes encontravam acesas. Qual a posição em que se encontrava o câmbio seletor de marchas do veiculo. Se a paleta do limpador do parabrisas estava acionada. Qual a leitura do hodómetro do veículo. O grau de abertura das portas e janelas, se parcialmente ou totalmente. Se o piso se encontrava mothado. Se havia deposição de material arenoso no asfalto. A disposição da mobilia, - bservando se alguma foi movida, cuidando para que ninguém a recoloque em seu lugar. Essas informações são especialmente importantes para estabelecer a dinâmica dos fatos. Escolha de metodologia para processamento do local Antes de entrar no local, o perito decidirá qual a orientação do deslocamento que irá adotar. Existem algumas metodologias de pesquisa da cena do crime, aceitas como padrão. É importante ressaltar que, ao adotar uma orientação de deslocamento padrão, o perito irá diminuir as chances de modificar, retirar ou destruir algum vestígio mais sensível. A galeria a seguir, elenca alguns deslocamentos padrão adotados: Espiral Áreas abertas, sem delimitações físicas (ex.: florestas, campos, mar). Note que o deslocamento em espiral pode ser feito no sentido horário ou anti- horário, a partir do ponto mais distante do local imediato delimitado pelo perito. • • • • • • • • Varredura Locais externos, podem ser utilizadas em associação com outras técnicas, como a orientação em quadrantes (ex.: ruas, quadras). Com o deslocamento em varredura, assim como com o espiral, o exame tem sentido de fora para o local de maior concentração dos vestígios. A varredura pode ser dividida em duas partes, a fim de não ultrapassar o ponto em que está a maior concentração de vestígios, ou seja, duas varreduras tomando-se o sentido de fora para dentro. Quadrante Em amplas áreas abertas ou fechadas, com muita concentração de vestígios, o quadrante pode ser maior ou menor, conforme a concentração de vestígios. No deslocamento em quadrante, se o perito achar adequado e as condições permitirem, poderão ser utilizadas fitas, barbantes, marcação com giz ou cordas para fazer o esquadrinhamento. Grade Em áreas abertas ou fechadas, com muita concentração de vestígios. Linha Em áreas abertas com maior quantidade de analistas. Radial Utilizado em áreas circulares. Qualquer que seja a orientaçãodo deslocamento, os peritos vão examinando a área, fotografando-a e marcando os vestígios encontrados. As fotos a seguir ilustram um local de explosão, em que o perito utilizou o deslocamento em quadrante. Observe que o perito optou por esquadrinhar o local com auxílio de um marcador em giz. Marcação dos vestígios encontrados Ao iniciar sua marcha de deslocamento pelo cenário em análise, o perito deverá sinalizar a localização dos vestígios encontrados no caminho. Os recursos utilizados para a marcação da localização dos vestígios podem variar bastante, e podem ser utilizados marcadores comerciais próprios para cena de crime ou materiais improvisados pelo perito. Nas imagens a seguir, o perito utilizou um pedaço de papel adesivo para marcar o posicionamento da evidência: Levantamento fotográfico topográfico Os aspectos técnicos observados na cena do crime devem ser documentados por meio de levantamentos fotográficos, topográficos e descritivos, e podem ser documentados por outros recursos tais como, modelagem de marcas deixadas por vestígios sólidos, filmagem, levantamento de impressões digitais, palmares e entre outros. As fotografias da cena do crime devem ser feitas sem a interferência do fotógrafo ou de qualquer outra pessoa em relação ao posicionamento dos vestígios. Nas condições ideais, o objeto deve permanecer em sua posição inicial e qualquer alteração desse posicionamento para a fotografia dever ser registrada em campo próprio no laudo. O legislador tornou obrigatório o registro fotográfico em local de ocorrência com cadáver. Art. 164 do CPP: “Os cadáveres serão sempre fotografados nas posições em que forem encontrados, bem como, na medida do possível, todas as lesões externas e vestígios deixados no local de crime”. As fotografias das evidências em um local de crime devem seguir uma metodologia que inclui três posicionamentos básicos: Fotografia panorâmica Tem por objetivo ilustrar o local onde ocorreu o crime, bem como a área no entorno, e engloba a maior extensão possível do cenário. Fotografia geral Alcança uma distância intermediária, objetivando estabelecer o posicionamento da evidência em relação à cena do crime. Foto em detalhe do objeto A foto em detalhe do objeto mostrará como a evidência foi encontrada na cena do crime pelos investigadores, bem como os detalhes da evidência. As fotos a seguir ilustram esses três tipos de fotografias registradas em local de disparo acidental de arma de fogo. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para ver mais detalhes da imagem abaixo. Embora os registros fotográficos sejam frequentemente utilizados para documentar uma cena de crime, elas podem conferir ao objeto uma falsa sensação de perspectiva e muitas vezes não apresentam uma representação acurada das dimensões do objeto ou ainda sua relação espacial. Desse modo, após os registros fotográficos das evidências e do local em si, os peritos devem registrar o cenário por meio de croquis e diagramas, nos quais as dimensões, escalas de grandeza e distâncias dos objetos devem ser respeitadas, garantindo que o observador tenha uma visão espacial completa sem distorções. Croquis É um desenho feito por profissional, que mostra a cena do crime em perspectivas apropriada e que pode ser incorporada ao laudo. O perito pode escolher qualquer ângulo de visão para o registro topográfico da cena do crime. Observe, a seguir, que o local de disparo acidental ilustrado pelas fotografias anteriores é representado em três diferentes ângulos de visão, conforme os croquis. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para ver mais detalhes da imagem abaixo. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para ver mais detalhes da imagem abaixo. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para ver mais detalhes da imagem abaixo. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para ver mais detalhes da imagem abaixo. Verificando o aprendizado Questão 1 É correto afirmar que todo espaço físico onde ocorreu a prática de infração penal se trata de: A Área física interna infracional. B Local de crime. C Campo pericial interno. D Área de configuração penal. E Campo fático de aplicação de técnicas operacionais. A alternativa B está correta. Local de crime é o termo técnico utilizado para designar qualquer espaço físico onde ocorreu, direta ou indiretamente, uma infração penal. Ele pode incluir: Local exato do fato (onde o crime ocorreu). Locais conexos (como onde o corpo foi encontrado ou vestígios foram deixados). Áreas adjacentes que possam conter provas relacionadas. É no local de crime que se inicia a cadeia de custódia, com a coleta dos vestígios materiais essenciais à investigação criminal, como impressões digitais, armas, sangue, documentos, entre outros. Questão 2 Um crime de homicídio ocorreu na suíte de um hotel a beira-mar. Durante as investigações ficou comprovado que a amante da vítima, inconformada com o rompimento, contratou um atirador profissional para dar fim à vida da vítima. Os investigadores encontraram várias mensagens no celular da amante endereçada ao executor dos disparos, contendo informações sobre a rotina da vítima, bem como a confirmação de depósito bancário em dinheiro na conta do atirador, ficando evidente que os dois nunca se encontraram pessoalmente. Analisando a situação acima, é possível afirmar que ao local da ocorrência: A O mar em frente ao hotel é classificado como local externo e relacionado, uma vez que é uma área sem ligação geográfica direta com o local do crime. B O celular é classificado como local virtual e mediato, uma vez que se encontra muito próximo à cena do crime. C A suíte onde foi encontrado o corpo é classificada como local mediato, uma vez que a maior parte dos vestígios foi encontrado lá. D O celular é classificado como local interno e imediato, pois a maior parte dos vestígios foram encontrados lá. E A suíte onde foi encontrado o corpo é classificada como local imediato e o celular é o local relacionado, uma vez que sua análise forneceu todas as informações do planejamento do crime. • • • A alternativa E está correta. Na criminalística, o local de crime pode ser classificado de diversas formas, de acordo com a relação com o fato criminoso: Local imediato: É o exato local onde ocorreu o crime ou onde foram deixados os principais vestígios materiais. No caso, a suíte do hotel, onde o homicídio aconteceu e o corpo foi encontrado, é o local imediato. Local relacionado (ou conexo): É aquele que não é onde o crime foi executado, mas que tem relação direta com a dinâmica ou planejamento do crime. O celular da amante, contendo mensagens com informações e provas do planejamento do homicídio, é um local relacionado. Questão 3 A metodologia de orientação do deslocamento do perito na cena do crime durante o processamento do local é escolhida: A Sempre visando o sentido que se inicia no ponto de maior concentração de vestígios. B Pela natureza do local, independente da amplitude do mesmo. C Após a marcação do local dos vestígios encontrados. D Para diminuir as chances de modificar, retirar ou destruir algum vestígio mais sensível. E Para delimitar o local imediato da cena de crime. A alternativa D está correta. Durante o processamento do local de crime, a metodologia de orientação do deslocamento do perito é fundamental para preservar a integridade da cena e dos vestígios. O principal objetivo dessa orientação é evitar a contaminação, alteração ou destruição dos vestígios, especialmente os mais frágeis ou sensíveis, como: Manchas de sangue Impressões digitais Resíduos de disparo Vestígios biológicos Portanto, o deslocamento do perito deve ser planejado com cuidado, escolhendo caminhos seguros e estratégicos, com o menor impacto possível sobre os vestígios. Questão 4 Sobre o levantamento fotográfico em local de crime é correto afirmar que: A Tão logo seja localizado um vestígio em uma cena de crime, deve o fotógrafo, com cuidado, posicioná-lo da melhor forma para registrartodos os detalhes. B O legislador tornou obrigatório o registro fotográfico em todas as ocorrência de local de crime. C É uma obrigação legal o registro fotográfico em local de ocorrência com cadáver, sendo facultado o registro fotográfico nas demais ocorrência que deixarem vestígio. D A fotografia panorâmica da cena do crime tem por objetivo estabelecer o posicionamento da evidência em relação à cena do crime, mostrando em detalhes os vestígios. E Os registros fotográficos da cena de crime, tem a grande vantagem conferir ao objeto uma representação acurada das dimensões do objeto ou ainda sua relação espacial. • • • • A alternativa C está correta. O levantamento fotográfico é uma técnica essencial na documentação do local de crime. Ele serve para registrar a cena como foi encontrada, antes da manipulação de qualquer vestígio, preservando visualmente as condições originais. De acordo com a legislação e os protocolos periciais: É obrigatória a realização de fotografias em locais de crime com cadáver, conforme previsto no Código de Processo Penal e normas técnicas da criminalística. Nas demais ocorrências que deixem vestígios, o registro fotográfico é facultativo, dependendo da natureza do crime, do tipo de vestígio, ou da necessidade probatória. Questão 5 Isolamento é, considerando-se um levantamento pericial eficaz, a: A Sensibilidade técnica diante do evento infracional. B Terceira fase do levantamento pericial. C Proteção a fim de que nada se modifique na cena do crime. D Segunda e conclusiva fase da identificação pericial. E Dispensável nos casos em que a cena de crime não deixar muitos vestígios biológicos. A alternativa C está correta. O isolamento do local do crime é uma das etapas fundamentais do procedimento pericial. Ele consiste na proteção da área onde o crime ocorreu, evitando alterações, contaminações ou destruição de vestígios, e garantindo a fidedignidade da investigação. Ao isolar corretamente a área, assegura-se que: A cena se mantenha intacta até a chegada da perícia técnica. • • Os vestígios sejam preservados em seu estado original, o que é essencial para a reconstrução dos fatos e a produção de provas confiáveis. 3. Documentação de Investigação Pericial Levantamento fotográfico Como já discutimos, a fotografia em uma cena de crime, além de ser uma exigência legal, é também uma das melhores formas de perpetuação de cenários e objetos de cena de crime. Vimos também que, respeitando as peculiaridades de cada cena de crime, de forma genérica, as fotografias periciais podem ser agrupadas em três tipos: Fotografia panorâmica Fotografia geral Foto em detalhe do objeto Outros tipos de recursos e técnicas fotográficas Além das formas convencionais, anteriormente apresentadas, que possuem como finalidade retratar os objetos conforme se apresentam ao olho humano, a fotografia forense recorre e agrega outros recursos e técnicas que aprimoram os sentidos do observador. Vamos estudá-las a seguir. Reflectografia É a técnica que se utiliza de raios de luz refletidos sobre a superfície e tem sua aplicação na revelação de imagens subjacentes (latentes) gravadas em substratos, cujo uso é muito comum em documentoscopia, em locais de crime (impressões de pneus, calçados, ferramentas, etc.) e em situações em que a textura da superfície possa trazer imagens latentes a serem reveladas. A imagem a seguir mostra um documento em que o falsificador adulterou a quantidade de dias de licença para tratamento de saúde. Utilizando-se de sobrecarga de tinta lançou os algarismos numéricos “1” e “0” sobre outros lançamentos pretéritos: Fotografia 1 Imagem captada sem utilização de recursos de reflectografia. Fotografia 2 Área de interesse pericial ampliada e com iluminação transmitida. • • • Fotografia 3 Área de interesse pericial ampliada e com luz rasante incidindo com ângulo lateral esquerdo. Note que com esse recurso foi possível observar variação no relevo do substrato do documento. Fotografias multissensoriais Registradas com utilização de recursos fotográficos capazes de captar radiações eletromagnéticas dentro da faixa do infravermelho, com comprimento de ondas variando entre 0,7 e 1,2 µm (micrômetros), ou seja, aquelas não sensíveis à visão humana, assim permitindo o registro de imagens antes invisíveis. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para ver mais detalhes da imagem abaixo. Primeiro, precisamos entender que espectroscopia é um termo geral empregado para designar a ciência que trata das interações dos diversos tipos de radiação com a matéria. Na imagem anterior, podemos observar o espectro eletromagnético formado por várias bandas espectrais como o espectro do visível, os raios X, as micro-ondas, as ondas de rádio e assim por diante, todas são diferentes tipos de radiação eletromagnética. O espectro eletromagnético é dividido em regiões, com a região do visível ocupando uma pequena região do espectro total, entre o comprimento de onda, λ (letra grega, lambda), de 0,4x10-6 m a 0,7x10-6 m. A região do visível é rodeada pelas regiões do infravermelho e do ultravioleta. Quando um composto orgânico é exposto a um feixe de radiação eletromagnética, ele absorve energia de certos comprimentos de onda, mas passa ou transmite energia de comprimentos de onda diferentes, se irradiarmos a amostra com energia de comprimentos de onda muito diferentes e determinarmos quais são absorvidas e quais são transmitidas, podemos identificar o espectro de absorção do composto. Observe a sequência de fotografias de 4 a 6: Fotografia 4 Observamos que a imagem foi gerada com iluminação no comprimento de ondas dentro da faixa do visível. Fotografia 5 Houve a incidência de iluminação com comprimento de onda na faixa espectral do ultravioleta. Fotografia 6 Foi incidido, sobre o suporte, luz no comprimento de onda de 0,68 µm, conhecida como faixa do infravermelho próximo. Note que houve uma alteração no comportamento do suporte na fotografia 6 (infravermelho próximo), onde é possível observar uma mancha no entorno do numeral “1”, atribuído possivelmente à utilização de um processo químico ou físico de subtração do lançamento anterior. A irradiação na faixa do comprimento de onda do ultravioleta ou do infravermelho é uma técnica comumente empregada para análise de documentos questionados. O princípio empregado nesses casos é a fluorescência. Saiba mais Essa técnica baseia-se no princípio de que cada cor ou composto emite sua própria fluorescência frente aos diferentes comprimentos de onda do espectro do UV, podendo assim revelar informações não antes observadas a olho nu. Algumas tintas emitem fluorescência na região do visível, quando expostos à luz ultravioleta, como podemos observar em alguns documentos que revelam elementos de segurança quando irradiados por luz com comprimento de onda na faixa do UV, conforme veremos nas fotografias 7 sem incidência de luz UV, e 8 com incidência de luz UV. Imagens térmicas São aquelas obtidas com o auxílio de câmera capaz de capturar radiação infravermelha e convertê-la para faixa visível do espectro luminoso, tornando possível a visão do calor gerado por objetos. Esse atributo faz com que as imagens térmicas se tornem uma excelente ferramenta forense, pois, além de tornar possível a visão noturna, permite a identificação de defeitos em equipamentos, a análise da evolução dos fenômenos cadavéricos, pela variação de temperatura corporal e do calor irradiado pela ação da fauna cadavérica, análises de locais de incêndio etc. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para ver mais detalhes da imagem abaixo. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para ver mais detalhes da imagem abaixo. Macrofotografia Trata-se de uma técnica fotográfica utilizada para mostrar pequenos objetos e/ou detalhes destes, de difícil visualização a olho nu. Exige equipamento apropriado e proximidade do objeto a ser registrado. Abaixo, a segunda fotografia mostra o detalhe de difícil visualizaçãoda primeira fotografia. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para ver mais detalhes da imagem abaixo. Fotomicrografia Permite o registro de imagens ampliadas, resultantes do uso de lentes potentes capazes de mostrar detalhes e objetos não visíveis à vista desarmada. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para ver mais detalhes da imagem abaixo. Das fotografias a serem utilizadas em um laudo pericial O perito tem o livre arbítrio para produzir quantos registros fotográficos achar necessário durante o exame pericial, uma vez que nesse momento os peritos estão preocupados em garantir o máximo de informações sobre o objeto dos exames e somente em momentos futuros é que farão as necessárias análises e interpretações técnico-científicas dos vestígios. Portanto, não está obrigado a utilizar todas as fotografias como ilustração em seu laudo. Todas as fotografias registradas pela perícia e não utilizadas em laudo pericial, além daquelas que passaram por algum tratamento de imagem acompanhadas da imagem original, devem ser arquivadas e inventariadas, assim como todos os demais arquivos individuais de cada caso. Essa cautela deve ser útil em uma eventual defesa do trabalho realizado pela perícia, frente a uma contestação que, porventura, venha a acontecer. Existem fotografias que em um primeiro momento não são inseridas no laudo pericial, tendo em vista que não contribuiria para respostas às quesitações formuladas, porém é possível, em outro momento, que o exame necessite de complementações, por uma contestação, por exemplo. Nesse caso, é possível que o técnico tenha que utilizar esses recursos para esclarecer a nova hipótese levantada. Levantamento por desenho O desenho técnico é uma forma de linguagem gráfica que tem por objetivo representar, de forma precisa, lugares, objetos, ou situações e que traz, em seu conteúdo, todas as informações relativas ao que representa, como por exemplo: Áreas Medidas Nomes Ângulos Altitudes Cores Material De composição do objeto considerado Entre as finalidades do levantamento por desenhos destacam-se: A facilidade de localizar, com precisão, os vestígios encontrados; O recurso de apontar determinados vestígios e suprimir outros de maneira a facilitar a compreensão de determinados fatos ou afirmações; A opção de retratar a dinâmica de um fato sem o auxílio de um filme; A possibilidade de representar diferentes versões de um mesmo fato, de modo a permitir a comparação entre elas. Vamos estudar as diferentes formas de desenho técnico: Croqui É a ilustração sem escala do local, que objetiva apenas a demonstração de um fato ou versão. • • • • Conteúdo interativo Acesse a versão digital para ver mais detalhes da imagem abaixo. Com o avanço tecnológico, surgiram várias ferramentas gráficas que agilizam e enriquecem a composição dos desenhos técnicos, pois permitem a inclusão de cores, visualizações em perspectivas, deslocamentos por ambientes internos de edificações, animações com análise física de eventos, bem como a representação do cenário ilustrando a dinâmica dos fatos. A Ilustração a seguir mostra a sequência de deslocamento de três veículos, em que o condutor do veículo 1 efetua uma manobra brusca de direção, invadindo a faixa de tráfego dos veículos 2 e 3 que, na tentativa de evitar a colisão, produzem uma extensa marca de frenagem. Os veículos assumiram a posição de repouso conforme representação a seguir. Primeira imagem Deslocamento do veículo antes do acidente. Segunda imagem Condutores dos veículos 2 e 3 acionam os freios, tentando evitar a colisão. Terceira imagem Posicionamento de repouso dos veículos, após a colisão. Desenho linear É o desenho formado apenas por linhas, como gráficos, diagramas ou organogramas. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para ver mais detalhes da imagem abaixo. Rebatimento topográfico É a ilustração rebatida do piso, do teto e das quatro paredes. Só é cabível em relação a ambientes internos e é pouco utilizado no Brasil. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para ver mais detalhes da imagem abaixo. Levantamento topográfico É o desenho que busca representar no papel plano os acidentes geográficos de uma determinada área, com os acidentes e objetos colocados em sua superfície. É executado preferencialmente em escala e pode ser representado em planta baixa, acompanhado ou não de um levantamento altimétrico com a finalidade de assinalar as diferenças de nível do local. Saiba mais Essa forma de documentação de cenários de crime é feita por meio de desenhos técnicos, nos quais as dimensões e distâncias dos objetos que integram são exteriorizadas, respeitando-se escalas de grandeza, por posicionamentos individuais e em relação ao conjunto, permitindo que seu observador tenha uma visão espacial, completa e em detalhes, sem distorções. Nesse aspecto, o levantamento topográfico supera o fotográfico, uma vez que a materialização fotográfica se encontra sujeita, conforme os tipos de ângulos de captura de imagens, a carregar consigo graves distorções que, muitas vezes, ocasionar ilusões de ótica, inclusive levar o observador a erros. O levantamento topográfico ajuda muito as reproduções simuladas de crimes, tendo em vista o registro de dimensões e distâncias, contribuindo para uma visão espacial do cenário, o que facilita a análise de possibilidades físicas da dinâmica dos fatos. Esse tipo de levantamento permite o registro de distâncias entre os objetos na cena, o que permite ao perito dar ênfase aos mais relevantes objetos e mobiliários, eliminando os detalhes desnecessários à explicação dos fatos. Existem três técnicas que podem ser utilizadas para registrar a distância do posicionamento dos objetos na cena, nesses métodos são fixados dois pontos, a partir dos quais são traçadas distâncias relativas aos pontos fixos. Os métodos são: a) Método da triangulação São estabelecidos dois pontos fixos no ambiente (A, B) e, a partir desses pontos, são registradas as distâncias de duas evidências (x, y). A ilustração abaixo mostra um levantamento topográfico de acidente de trânsito por tombamento do veículo, em que foi utilizado o método da triangulação para registrar as distâncias das evidências (rodas do veículo) aos pontos fixos (poste e placa de alvenaria). Conteúdo interativo Acesse a versão digital para ver mais detalhes da imagem abaixo. b) Método da linha base É traçada uma linha entre dois pontos fixos (A, B) no ambiente e são feitas medidas de distâncias das evidências (x, y) a partir dessa linha em um ângulo reto. A ilustração abaixo mostra a posição final de dois veículos que colidiram frontalmente. Note que o perito registrou a posição dos vestígios combinando o método triangular e linha base. Conteúdo interativo Acesse a versão digital para ver mais detalhes da imagem abaixo. c) Método da coordenada polar Utiliza-se um compasso para medir o ângulo entre o ponto específico de uma estrutura reta, como uma parede, por exemplo, e a evidência. Levantamento fotogramétrico A fotogrametria é a combinação do levantamento fotográfico e do topográfico, que utiliza fotos métricas das quais são extraídas as formas, as dimensões e as posições dos objetos nelas contidos. Nesse tipo de levantamento, são utilizadas imagens registradas por satélites, aeronaves e mesmo terrestres, uma vez que, por suas características geométricas, permitem a extração de dados métricos e uma visão estereoscópica da região de interesse pericial. A fotogrametria forense, entre outras aplicações, encontra sua utilidade na realização de perícias ambientais relativas a grandes incêndios florestais, na materialização de grandes áreas de desmatamento, no estudo de desvios e assoreamento de extensos cursos de água, enfim, nos mais diversos locais, cujas prospecção pericial e materialização fotográfica e topográfica demandariam a utilização de muitas horas de trabalho, em terra, efetuando medições a trena e registros de imagens fotográficas