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Tópicos de Estudos: 
 
Introdução à microbiologia: Evolução dos Microrganismos, A descoberta dos 
microrganismos, Abiogênese e Biogênese, Louis Pasteur e o Fim da Abiogênese 
Os seres vivos, As Células e a Complexidade da Vida, Classificação dos Reinos e os 
Principais características dos grupos de microrganismos 
Bacteriologia: Características Gerais das Bactérias e Estrutura das Bactérias 
Metabolismo bacteriano 
Fatores que influenciam o crescimento microbiano: Fatores Físicos e Fatores 
Químicos e Nutrição Bacteriana 
A diversidade das bactérias: Transmissão de Infecções Causadas por Bactérias, 
Regulação e Fatores de Virulência Bacterianos eMicrobiota Normal Humana 
 
Agentes antimicrobianos: Mecanismos de Ação de Agentes Antimicrobianos, Atividade 
antimicrobiana in vitro e in vivo, Relações fármaco-patógeno e relações patógeno-
hospedeiro e o Uso clínico dos antibióticos e associações dos agentes antimicrobianos 
Bactérias gram-positivas e gram-negativas: Espécies dos gêneros Bacillus e 
Clostridium, Bacilos Gram-positivos não formadores de esporos, Corynebacterium, 
Propionibacterium, Listeria, Erysipelothrix e espécies relacionadas e Identificando as 
principais características de bacilos Gram-negativos e algumas bactérias Gram-
positivas 
 
provavelmente já estudou as células na citologia e deve saber que o organismo 
humano é formado por trilhões delas: aproximadamente 37,2 trilhões. Todas essas são 
células humanas, mas, dentro do nosso organismo, existem trilhões de outras células, 
sendo elas bacterianas, compondo o que conhecemos como microbioma. Em 
condições ideais, esses organismos microscópicos são fundamentais para nossa 
saúde, auxiliando no funcionamento de partes importantes do corpo, como o intestino. 
É importante lembrarmos de que as bactérias estão presentes em praticamente todos 
os lugares, possuindo papel importante na saúde, como, por exemplo, no ciclo dos 
nutrientes, no controle de doenças, nos processos de biodegradação, dentre outros. 
Porém, além dessa relevância para as saúdes humana e ambiental, algumas bactérias 
são capazes de causar doenças, portanto, precisamos aprender como diagnosticá-las. 
 
Outros organismos microscópicos também são bastante significativos, como os 
fungos, que são capazes de produzir antibióticos naturais, ajudar na fermentação de 
alimentos e atuar na decomposição de matéria orgânica. Porém, semelhante às 
bactérias, alguns fungos podem causar doenças. Por essa razão, quando analisamos o 
mundo microscópico, várias dessas estruturas estão relacionadas às doenças, como 
os vírus. 
Pensando nisso, em nossa disciplina conheceremos também uma outra ciência, a 
parasitologia. Ela está relacionada à microbiologia, à imunologia, à biologia celular e, 
até mesmo, às questões ambientais e, de certo modo, sociais. Nesse contexto, fique 
atento(a), pois a parasitologia humana estuda doenças parasitárias causadas por 
organismos unicelulares, como, por exemplo, os protozoários, ou multicelulares, ou 
ainda como os helmintos, os quais conhecemos como vermes. 
A biologia dos organismos microscópicos é tão incrível que existe uma ciência 
exclusivamente dedicada a eles, a microbiologia. Foi ela que permitiu à sociedade 
moderna vivenciar fatos científicos fundamentais para a prevenção e cura das 
doenças, como o processo de vacinação, a descoberta da penicilina e a descoberta de 
quem as causava, como, por exemplo, descobrir que o vírus do papiloma humano era 
o responsável por causar o câncer do colo do útero. 
Pensando nisso, neste material, iremos conhecer os microrganismos e como eles 
foram descobertos. Entenderemos também a classificação dos seres vivos e quais as 
principais características das bactérias. 
Introdução à microbiologia 
Evolução dos Microrganismos 
A ciência estima que a idade do planeta Terra seja de 4,54 bilhões de anos. Porém, a 
vida só teria surgido há cerca de 3,8 bilhões de anos e os microrganismos foram os 
primeiros organismos vivos a surgirem na Terra, em uma época em que o planeta 
estava passando por várias modificações geológicas e químicas. Inúmeras pesquisas 
foram realizadas, ao longo do tempo e várias outras ainda são realizadas atualmente, 
para compreender melhor esses “seres” microscópicos. No entanto, apesar da ciência 
estudá-los há mais de séculos, alguns pesquisadores apontam ainda que pouco se 
sabe sobre os microrganismos (TORTORA, 2012). 
Pensando nisso, é importante que você saiba que os microrganismos, também 
conhecidos popularmente por micróbios, são organismos vivos extremamente 
pequenos, tornando impossível sua percepção a olho nu. Nesse grupo microscópico 
estão as bactérias, os fungos, os vírus, os protozoários e as algas microscópicas. 
Entretanto, um grupo de pesquisadores já encontrou uma bactéria que media mais de 
um centímetro, a Thiomargarita magnifica (VOLLAND et al., 2022). 
 
Atualmente, sabemos que os microrganismos estão presentes em quase todos os 
lugares do planeta, sua simples estrutura morfológica, bem como suas enormes 
variedades genética e metabólica permitem que eles possam viver em ambientes e 
condições extremas do mundo. Por mais que a tendência seja associá-los ao 
surgimento de doenças, tais organismos são primordiais para a sobrevivência humana. 
A descoberta dos microrganismos 
Tenho certeza de que você, em algum momento da vida, já deve ter tido alguma 
experiência com algum microrganismo. Isso porque eles estão presentes em todo o 
nosso planeta e, além disso, causam diversas doenças. 
Exemplo: A gripe, por exemplo, é causada por um vírus bastante comum entre a 
população; enquanto a cárie dentária é provocada pela ação das bactérias e as 
micoses são causadas por fungos. Até mesmo a acne é provocada pelas bactérias. 
Note como é fácil encontrar experiências vivenciadas com os microrganismos! 
É importante que você saiba que a descoberta dos microrganismos aconteceu no ano 
de 1674, quando o pesquisador holandês, Anton Van Leeuwenhoek, inventou o 
primeiro microscópio capaz de aumentar a amostra mais de 250 vezes. A partir desse 
momento, o que não era possível ser visto a olho nu fez-se visível de maneira que 
pudesse ser estudado. Assim, Leeuwenhoek usava seu simples instrumento para 
observar a maioria das coisas que enxergava, como as águas das poças, a saliva, fezes 
e vários outros materiais do seu interesse. Além disso, o pesquisador conseguiu 
constatar que nesses insumos havia a existência de seres minúsculos, os quais 
chamou de “animálculos” (TORTORA, 2012) e um desses “animálculos”, sabemos 
hoje, se tratava de um protozoário conhecido como Giardia duodenalis. 
Pensando nisso, a microbiologia teve notáveis contribuições por meio dos trabalhos de 
Leeuwenhoek. E, com o passar do tempo, o cientista procurava aprimorar suas 
pesquisas, tendo estudado o cabelo, a mucosa oral, as células do sangue, a estrutura 
dos insetos, das plantas e das sementes, e, inclusive do sêmen, levando-o a descobrir 
os espermatozoides. 
 
CURIOSIDADE: 
Você sabia que muitos microrganismos são benéficos para os seres humanos? Isso 
porque muitos fazem parte da flora normal do nosso organismo e estão presentes em 
várias partes do corpo, como na boca e no estômago. Lembre-se de que eles atuam 
em defesa dos microrganismos externos patogênicos. 
 
SAIBA MAIS: 
O microscópio de Leeuwenhoek foi fundamental porque permitiu observar inúmeras 
estruturas microscópicas. Porém, antes de sua invenção, outros microscópios já 
haviam sido criados, mas não possuíam tanto poder de aumento. Foi o caso do 
microscópio do inglês Robert Hooke, que já era um microscópio aperfeiçoado e 
permitiu examinar um pedaço de cortiça, observando numerosas cavidades que 
pareciam pequenas celas ou quartos, as quais chamou de “células” (do latim cella, 
que significa “câmara” ou “quarto pequeno”). 
Em 1665, Hooke publicou o livro Micrografia, que trouxe 60 ilustrações de objetos 
observados em seu microscópio, tornando-se um bestseller entre os cientistasvezes inibindo o 
crescimento dos microrganismos ou matando-os. É importante que você esteja ciente 
de que os medicamentos antimicrobianos podem ser classificados em bactericidas ou 
bacteriostático. Os bactericidas atuam matando os microrganismos, enquanto os 
bacteriostáticos impedindo o seu crescimento. Essas drogas agem de cinco modos 
diferentes na célula bacteriana: 1) inibindo a síntese de parede celular; 2) inibindo a 
síntese de proteínas; 3) inibindo a replicação do ácido nucleico; 4) danificando a 
membrana plasmática; ou 5) inibindo a síntese de metabólitos essenciais (TORTORA, 
2012). 
 
Muitos antibióticos atuam impedindo a síntese da parede celular. Neste grupo os mais 
utilizados são os β-lactâmicos, como penicilinas, cefalosporinas, bacitracina e 
vancomicina. Entre os que inibem a síntese proteica tem-se o cloranfenicol, 
eritromicina, tetraciclinas e estreptomicinas. Além disso, inúmeros antimicrobianos 
impedem o processo de replicação do DNA, porém mostram-se com uma atuação 
limitada, visto que também intervêm no metabolismo dos ácidos nucleicos dos 
hospedeiros. Alguns exemplos dessas drogas são as quinolonas e a rifampicina. Já os 
antibióticos que danificam a membrana plasmática provocam mudanças na 
permeabilidade da membrana, ocasionando a perda de metabólitos essenciais da 
célula microbiana. A polimixina B é um exemplo de antibiótico que atua na membrana 
plasmática bacteriana. A sulfanilamida e a trimetoprima são antibióticos que inibem a 
síntese de metabolitos importantes (TORTORA, 2012). Observe na Figura 15 os 
principais mecanismos de ação dos agentes antimicrobianos. 
 
Nesse cenário, é preciso destacarmos que a resistência dos micróbios aos antibióticos 
ou agentes antimicrobianos tem sido uma grande preocupação para a saúde, uma vez 
que dificulta o tratamento das doenças e eleva a taxa de mortalidade. A origem da 
resistência microbiana se deve às modificações genéticas ocasionadas na célula 
microbiana, permitindo que elas se tornem resistentes. 
 
Definição: A resistência microbiana compreende a capacidade que determinados 
microrganismos possuem de resistir a ação de drogas que são utilizadas para destruí-
los. Pode ser natural quando se refere a uma determinada particularidade que uma 
espécie bacteriana apresenta e, desse modo, todas as amostras desta espécie 
apresentarão a mesma característica. Também pode ser adquirida quando apenas 
uma parte da amostra se torna resistente (TORTORA, 2012; TRABULSI, 2015 
 
Alguns mecanismos são utilizados pelas bactérias para que resistam à ação dos 
antibióticos, sendo eles: o bloqueio da entrada do antibiótico na célula, a destruição 
ou a inativação da droga por enzimas, as alterações ocorridas no sítio alvo da droga e 
efluxo celular da droga (TORTORA, 2012; BROOCKS, 2014; TRABULSI, 2015). Assim, na 
Figura 15 você pôde observar como isso ocorre. 
 
O bloqueio da entrada do antibiótico na célula microbiana é comum em bactérias 
Gram-negativas devido a estrutura de sua parede celular. Nessas bactérias, a 
existência das porinas bloqueia a absorção de moléculas, impedindo a entrada do 
antibiótico na célula. Em alguns casos, o antibiótico consegue penetrar na bactéria, 
mas podem existir mecanismos de destruição ou inativação do antimicrobiano por 
enzimas. Nesses casos, algumas enzimas bacterianas inativam ou destroem o 
medicamento, principalmente, os que são produzidos naturalmente, como as 
penicilinas e as cefalosporinas, alguns antibióticos sintéticos, dentre outros. As 
fluoroquinolonas, por exemplo, apresentam chances reduzidas de serem destruídos 
dessa maneira. Existe outro mecanismo, como a partir de bombas de efluxo, no qual 
algumas bactérias Gram-negativas possuem a capacidade de expulsar o antibiótico 
absorvido, de forma que impeça uma concentração elevada no seu interior, o que 
ocasionaria sua destruição (TORTORA, 2012). 
 
Reflita: O conhecimento dos mecanismos de resistência microbiana é de extrema 
importância para compreender que a terapia inadequada e o uso indiscriminado 
desses fármacos contribuem para o aumento e desenvolvimento da resistência 
bacteriana. Em diversos países, principalmente os menos desenvolvidos, os 
antibióticos são utilizados de forma demasiada pela população. Muitas vezes não são 
prescritos por médicos e não existe nenhuma limitação quanto ao seu acesso. 
 
Atividade antimicrobiana in vitro e in vivo 
 
Devido à resistência bacteriana, o desenvolvimento de novos antibióticos que sejam 
eficazes no tratamento de diversas doenças é uma realidade atualmente. Dessa forma, 
pesquisas são utilizadas para avaliar a atividade antimicrobiana in vitro e in vivo. As 
drogas que são produzidas em laboratório são chamadas de quimioterápicos e as que 
são produzidas através de seres vivos são denominadas de antibióticos. Dessa 
maneira, a atividade in vitro se refere ao comportamento do agente antimicrobiano em 
um ambiente extracelular, ou seja, em um laboratório, e a atividade antimicrobiana in 
vivo compreende o desempenho da droga no organismo vivo. Para avaliação da 
atividade antimicrobiana in vitro são utilizados inúmeros testes laboratoriais, como os 
métodos de difusão em ágar, macrodiluição e microdiluição. 
 
Relações fármaco-patógeno e relações patógeno-hospedeiro 
 
A relação dos fármacos com os patógenos depende do tipo de fármaco e do tipo de 
patógeno. Isso porque para cada tipo existe um fármaco que vai atuar inibindo o seu 
crescimento ou o destruindo. Por exemplo, existem patógenos que são parasitos, 
como protozoários e helmintos. 
 
Você sabia? A relação hospedeiro-parasita é conhecida como parasitismo, no qual um 
organismo, nesse caso, um parasito, adquire benefícios e gera prejuízos ao 
hospedeiro. Nesse tipo de relação, os parasitos sobrevivem removendo nutrientes 
extraídos das células e/ou tecidos do hospedeiro. 
 
Os parasitos podem ser endoparasitas quando vivem no interior do hospedeiro; ou 
ectoparasitas quando estão na superfície externa do hospedeiro. Alguns exemplos de 
doenças parasitárias em humanos são amebíase, giardíase, ascaridíase e teníase, 
sendo essas causadas por protozoários ou helmintos intestinais (TORTORA, 2012; 
TRABULSI, 2015). 
 
Uso clínico dos antibióticos e associações dos agentes antimicrobianos 
 
Os antibióticos são substâncias que podem ser de origem natural ou sintética e são 
utilizados para impedir o crescimento ou ocasionar a morte de bactérias. São 
indicados para o tratamento de diversas doenças e cada grupo possui um mecanismo 
de ação diferente. É importante que você saiba que a indicação de um agente 
antimicrobiano deve estar associada ao diagnóstico da doença e seu respectivo agente 
etiológico. Também é importante que se tenha conhecimento se o microrganismo é 
sensível ou resistente ao antimicrobiano, para que seja adotada a antibioticoterapia 
correta. Pensando nisso, antes de iniciar o antibiótico, é necessário que sejam feitos 
exames como coleta de sangue, urina, fezes e secreções para detectar os agentes 
responsáveis e verificar sua sensibilidade ou resistência aos antibióticos. 
 
Em algumas situações específicas, é necessário que seja feita a administração de 
mais de um antibiótico, ou a associação de dois ou mais antimicrobianos ao mesmo 
tempo, com o objetivo de se obter atuação sinérgica entre eles, pois algumas vezes o 
efeito dessa combinação é mais intenso quando comparado a utilização de apenas um 
antimicrobiano. Os medicamentos que irão ser associados devem ter, de preferência, 
algumas características como ação bactericida, mecanismo de ação diferente e 
espectro específico. 
 
Exemplo: Um exemplo de associação entre antimicrobianos é a utilização simultânea 
da penicilina e estreptomicina para o tratamento da endocardite. Quando 
administradas juntas, essas duas drogas potencializam o efeito: o dano à parede 
celular da bactéria, causado pela penicilina, faz com que seja mais fácil a entrada da 
estreptomicina na célula bacteriana.Dessa forma, a possibilidade de destruir a célula 
bacteriana e acabar com a infecção aumenta. 
 
Bactérias gram-positivas e gram-negativas 
 
No ano de 1889, o bacteriologista Hans Christian Gram desenvolveu a coloração que 
ganhou o seu nome, a coloração de Gram, para diferenciar as bactérias em dois 
grupos. O grupo que apresentava a coloração violeta escuro ou púrpura após a 
tentativa de descoloração com álcool inclui as bactérias Gram-positivas. Já aquele 
grupo que não mantinha essa coloração após o uso do álcool inclui as bactérias Gram-
negativas. Este último grupo assume a cor rosa quando utilizado o corante Safranina. 
 
No procedimento realizado por Gram, foi utilizado um esfregaço fixado pelo calor e 
recobriu-o com corante cristal violeta. Depois de certo tempo, ele lavou o corante 
púrpura e revestiu o esfregaço com iodo. Após lavar novamente o esfregaço, retirando 
o iodo, todas as bactérias assumiram a cor púrpura ou violeta escura. Em seguida, 
novamente a lâmina foi lavada com álcool e, nesse momento, foi observado que 
algumas bactérias permaneceram com a coloração púrpura e outras não. Observe na 
Figura 16 as etapas da coloração de Gram. 
 
Além da coloração, outras diferenças são percebidas entre Gram-positivas e Gram-
negativas. Uma delas é em relação à parede celular: as bactérias Gram-negativas 
apresentam uma parede celular mais complexa contendo algumas finas camadas de 
peptideoglicanas e uma estrutura que as Gram-positivas não apresentam, a 
membrana externa, que contém uma camada de lipopolissacarídeos (TORTORA, 2012; 
TRABULSI, 2015). 
 
É importante que você saiba que o método descoberto por Gram é uma técnica de 
coloração fundamental e bastante utilizada na microbiologia médica, sendo muito 
eficaz quando utilizada em bactérias que estão em crescimento. No entanto, os 
resultados dessa coloração não são utilizados totalmente, devido a determinadas 
células bacterianas não se corarem fortemente ou não assumir nenhuma cor. 
 
Exemplo: É importante que você saiba que os bacilos são microrganismos 
amplamente distribuídos pelo ambiente e, entre os Gram-positivos formadores de 
esporos, os gêneros Clostridium e Bacillus são citados como os mais importantes para 
microbiologia médica. Lembre-se de que os endósporos são estruturas formadas 
quando o ambiente no qual as bactérias se encontram é escasso em água e nutrientes, 
e a formação do esporo ocorre através do processo de diferenciação celular 
(TRABULSI, 2015). Veja na Figura 17 a representação da formação de endósporos. 
 
Espécies dos gêneros Bacillus e Clostridium 
 
As bactérias do gênero Clostridium são microrganismos anaeróbicos obrigatórios, ou 
seja, não utilizam oxigênio para sua respiração. Esse gênero possui cerca de 150 
espécies, sendo algumas delas patogênicas para humanos. Normalmente são 
encontradas no solo e no intestino, além disso, suas células possuem endósporos que 
comumente desfiguram a célula. 
 
O desenvolvimento dos esporos pelas bactérias é importante para a medicina por 
conta da resistência que os endósporos possuem ao calor e aos vários compostos 
químicos. Várias doenças estão associadas com as espécies desse gênero. 
Clostridium tetani é um dos mais importantes, pois é o agente etiológico do tétano, 
doença que provoca espasmos nos músculos, podendo ser localizado ou 
generalizado. A prevenção dessa doença consiste em tomar a vacina antitetânica, 
tríplice viral, administrada em três doses, durante os três primeiros meses de vida e 
depois com reforços (TRABULSI, 2015). Veja na Figura 18 a representação do C. tetani. 
 
Já o botulismo é causado pelo Clostridium botulinum, bacilo que apresenta esporos 
ovais subterminais encontrados, na maioria das vezes, no solo e em agroprodutos. 
Quatro grupos fazem parte dessa espécie. O primeiro grupo inclui os microrganismos 
proteolíticos que produzem as toxinas A, B ou F. Já o segundo grupo reúne os 
microrganismos que não são proteolíticos, os quais produzem as toxinas B, E ou F. O 
terceiro grupo reúne microrganismos produtores de toxinas C e D, e o quarto grupo 
engloba o tipo G (TRABULSI, 2015). Veja abaixo algumas espécies de Clostridium e as 
condições patogênicas as quais estão associadas. 
 
 
Clostridium Perfringens: Ocasiona a gangrena gasosa; 
Clostridium Perfringens: Pode causar diarreia quando algum alimento contaminado é 
consumido; 
Clostridium Difficile:Também pode ocasionar diarreia quando alguma medida 
terapêutica com antibiótico modifica a microbiota normal do intestino, provocando o 
crescimento acentuado dessa bactéria produtora de toxina. 
 
Por outro lado, as bactérias do gênero Bacillus são bastonetes que formam 
endósporos. É muito comum encontrar esse gênero no solo. Apenas poucas espécies 
são patogênicas para os humanos, outras são utilizadas para produção de 
antibióticos. Estima-se que existam mais de 50 espécies do gênero. Entre as espécies 
que causam doenças, a Bacillus anthracis causa o antraz. Essa bactéria anaeróbica 
facultativa, muitas vezes forma cadeias em cultura. O antraz, doença causada por ela, 
afeta animais como ovelhas, cavalos e alguns outros mamíferos, embora também 
possa ser transmitida para humanos. Devido à vacinação dos animais e a adoção de 
medidas de higiene, foi observada uma redução significativa dessa doença nos últimos 
anos. É importante que você saiba que, quando a infecção acontece, ocasiona 
manifestações cutâneas, respiratórias e gastrointestinais, sendo a forma cutânea a 
mais comum, com a presença de lesões na pele. Além disso, as formas respiratória e 
gastrointestinal provocam septicemia e choque, levando à morte com muita 
frequência. Lembre-se de que penicilina, ciprofloxacino, doxiciclina, levofloxacino e 
clindamicina são os antibióticos recomendados para o tratamento (TORTORA, 2012; 
TRABULSI, 2015). 
 
Já o Bacillus thuringiensis é um dos patógenos de insetos mais conhecidos. Produzem 
uma toxina letal para os insetos e, por isso, é bastante utilizado no controle de algumas 
pragas. Normalmente é encontrado no solo e no intestino de animais. Por outro lado, o 
Bacillus cereus é uma bactéria bastante comum no ambiente e, em poucos casos, é 
apontada como o agente causador de intoxicação alimentar. Quando isso acontece, 
pode provocar náuseas e vômitos ou diarreia que, normalmente, duram em torno de 9 
a 24 horas. Ele é encontrado no solo e em plantações de arroz (TRABULSI, 2015). 
Observe na Figura 19 o Bacillus cereus. 
 
Bacilos Gram-positivos não formadores de esporos 
 
Os bacilos Gram-positivos anaeróbios não formadores de esporos apresentam uma 
grande variedade genotípica e fenotípica. Normalmente, esses microrganismos estão 
localizados na pele e na superfície das mucosas humanas. São patógenos 
oportunistas, isto é, causam doenças quando o indivíduo se encontra com sua 
imunidade baixa. As infecções provocadas por esse tipo de bactérias, normalmente, 
são endógenas e demandam fatores predisponentes. São encontrados com maior 
prevalência em infecções de feridas, cirúrgicas ou não, abscessos, peritonites ou 
infecções sistêmicas (TRABULSI, 2015). 
 
Corynebacterium, Propionibacterium, Listeria, Erysipelothrix e espécies relacionadas 
 
As bactérias do gênero Corynebacterium são aeróbicas ou anaeróbicas facultativas, 
imóveis e não são capazes de formar esporos. Tendem a ser pleomórficas, isto é, 
possuem a capacidade de apresentar mais de uma forma. Assim, sua morfologia é 
modificada de acordo com a idade das células. Estima-se que existam mais de 
noventa espécies do gênero, das quais 40 estão associadas com o surgimento de 
infecções em humanos e animais. 
 
Entre as espécies patogênicas, a mais conhecida é a Corynebacterium diphtheriae, 
agente que causa a difteria. É importante conhecer o biotipo de C. diphtheriae devido à 
gravidade que podem causar. A espécie está dividida em quatro biotipos, de acordo 
com a morfologia colonial e o perfil bioquímico: mitis, gravis, intermedius ebelfanti, 
em grau de severidade, respectivamente. Os biotipos mitis, intermedius e belfanti, por 
exemplo, apresentam uma pequena área de hemólise ao redor das colônias em meio 
sólido com sangue. O aspecto das colônias também muda: o biotipo intermedius 
forma colônias brilhantes e translúcidas, enquanto os belfanti e mitis produzem 
colônias opacas. Além disso, o biotipo gravis forma colônias amorfas e opacas. Assim, 
é importante destacarmos que diferenças de tamanho também existem entre elas. 
Dito isto, vamos conhecer agora algumas bactérias Gram-positivas e suas associações 
com infecções em humanos. 
 
Exemplo: A difteria é uma doença infecciosa respiratória que permanece sendo uma 
importante causa de morbimortalidade mundial. Após a colonização, a C. diphtheriae 
começa o processo infeccioso centrado no trato respiratório superior, com a 
distribuição de uma pseudomembrana branco-acinzentada, a qual se estende para as 
tonsilas, naso e orofaringe. Outras espécies do gênero incluem: Corynebacterium 
urealyticum (já isoladas em infecções de trato urinário); Corynebacterium 
pseudodiphtheriticum (já isoladas em infecções de pele); Corynebacterium jeikeium 
(isolado com maior frequência em pacientes transplantados de medula óssea) e 
Corynebacterium pseudotuberculosis (associada a casos de linfadenite caseosa em 
ovinos e caprinos) (TRABULSI, 2015). Sua prevenção é realizada a partir da 
administração da vacina antidiftérica. É importante ressaltarmos ainda que é 
imprescindível que a cobertura vacinal esteja sempre acima de 95%, em especial na 
população infantil, a fim de evitar surtos e epidemias da doença. Para que você 
entenda o que estamos abordando, sugerimos que veja na Figura 20 as características 
das tonsilas de uma pessoa com difteria. 
 
Propionibacterium é um bacilo Gram-positivo e pleomórfico. As espécies desse gênero 
são encontradas na microbiota da pele. Assim, Propionibacterium acnes é a espécie 
que tem sido apontada como uma das principais agentes causadores da acne. Outras 
espécies podem ser encontradas ocasionando infecções após cirurgias no uso de 
próteses. Além disso, pode ocasionar endocardites, sobretudo após a implantação de 
válvulas prostéticas (TRABULSI, 2015). 
 
Por outro lado, Listeria é um gênero formado por bacilos não formadores de esporos. 
São Gram-positivos aeróbicos e anaeróbicos facultativos. Estão presentes em todo o 
mundo, normalmente no intestino de mamíferos humanos e animais. Existem diversas 
espécies de Listeria, dentre elas: Listeria monocytogenes, Listeria welshimeri, Listeria 
seeligeri, Listeria ivanovii, Listeria grayi, Listeria marthii, Listeria rocourtiae, Listeria 
denitrificans, Listeria fleischmannii, Listeria murrayi e Listeria weihenstephanensis 
(TRABULSI, 2015). Uma outra espécie, Listeria innocua, não causa doença em 
mamíferos. 
 
Você sabia?O Listeria monocytogenes é considerado o principal agente patogênico 
para os seres humanos. Isso porque é uma bactéria que não apresenta cápsula e 
possui motilidade por meio dos seus flagelos. Apresenta-se como bastonete pequeno, 
com terminações arredondadas e medindo entre 0,5 e 2 μm de comprimento, e 0,5 μm 
de diâmetro. 
 
Além disso, é um patógeno oportunista, responsável por causar várias infecções 
graves em pessoas com sistema imunológico deficiente, como gestantes, idosos e 
recém-nascidos. A doença ocasionada por esse microrganismo é chamada de 
listeriose. Adquirida após a ingestão de alimentos contaminados, pode manifestar-se 
através de uma gastroenterite, ou através de doenças mais graves como a meningite, 
encefalite e septicemia. Alguns casos da doença têm sido causados pela ingestão de 
uma variedade de alimentos, tais como leite, queijos, manteiga, peixes defumados, 
salsichas, produtos à base de carne de peru, hortaliças e frutas, entre outros. Estima-
se que aproximadamente 32% dos casos podem ser causados pelo consumo de 
queijos ou produtos embutidos (TRABULSI, 2015). 
 
Erysipelothrix rhusiopathiae é um bacilo Gram-positivo, anaeróbio facultativo, imóvel, 
também pleomorfo. Sua morfologia muda de bastonetes curtos a longos filamentos 
em sua forma rugosa. Está distribuído no mundo todo, sendo comum ser encontrado 
estabelecendo uma relação de comensalismo no trato digestivo de mamíferos, 
principalmente de suínos e aves (TRABULSI, 2015). 
 
Nos suínos, provoca a erisipela, conhecida pelas infecções cutâneas agudas ou 
crônicas, do tipo erisipeliforme ou com manifestações graves, como septicemia e 
artrite. Em seres humanos, a infecção acontece através de escoriações na pele e após 
contato ocupacional com carnes contaminadas. Após o surgimento da lesão, que 
normalmente ocorre nos dedos das mãos, inicia-se o período de incubação que dura 
em torno de dois a sete dias, quando começam a surgir pequenas lesões não 
purulentas, dor, edema e eritema. 
 
No homem, a infecção é chamada de erisipeloide e, além dos sintomas cutâneos, 
podem ocorrer linfangite, artrite adjacente e, em casos raros, quando a bactéria 
consegue migrar para a corrente sanguínea, pode causar endocardite, problemas 
neurológicos, dentre outros. Para o tratamento da doença são utilizados alguns 
antibióticos, como a penicilina, a ampicilina, a ceftriaxona e a cefalotina, comumente a 
bactéria é resistente à vancomicina e aminoglicosídeos. 
 
Identificando as principais características de bacilos Gram-negativos e algumas 
bactérias Gram-positivas 
 
Bactérias Gram-negativas 
 
As bactérias Gram-negativas são aquelas que não conseguem assumir a cor violeta 
escuro ou púrpura após a coloração de Gram, mas conseguem assumir a cor rosa ou 
vermelha, quando coradas com a Safranina. Além da diferença na coloração, as 
bactérias Gram-negativas possuem muitas diferenças das Gram-positivas. 
 
Isso porque elas formam um grande grupo de microrganismos, muitos dos quais 
patogênicos, a exemplo dos bacilos descritos nos tópicos anteriores. A maioria é de 
bactérias encapsuladas, dotadas de membrana externa e complexa parede celular, o 
que as tornam mais resistentes. A seguir, conheça nos tópicos alguns exemplos de 
bactérias Gram-negativas. 
 
Pseudomonas e Acinetobacter 
 
Pseudomonas é um gênero formado por um vasto grupo de bactérias Gram-negativas, 
aeróbicas, não fermentadoras. Frequentemente está associada à colonização e 
infecção hospitalar. Uma das mais importantes espécies do gênero é a Pseudomonas 
aeruginosa, encontrada no solo, na água, nos animais etc. Apresenta-se em forma de 
bacilo, medindo cerca de 0,5 a 0,7 μm de espessura e 1,5 a 3,0 μm de comprimento. 
Não são esporulados e possuem motilidade através de um único flagelo polar. É um 
patógeno oportunista e, por isso, dificilmente ocasiona infecções em pessoas 
saudáveis. Por outro lado, é apontado como um dos principais responsáveis por 
desencadear infecções em pacientes imunocomprometidos (vítimas de traumas, 
cirurgias, queimaduras, uso de cateter prolongado, prematuros, idosos, uso de 
corticoides, radiação, diabetes, neoplasias, etc.) (BROOCKS, 2014; TORTORA, 2012; 
TRABULSI, 2015). 
 
Normalmente, possui resistência adquirida a muitos antibióticos, o que justifica sua 
difícil erradicação da infecção e consecutivos fracassos terapêuticos. Está relacionado 
com o surgimento de infecções em diversas partes do corpo humano. Além disso, por 
possuir fímbrias, pode aderir-se com facilidade a outras células. 
 
Dessa maneira, as Pseudomonas aeruginosa conseguem desenvolver-se dentro de um 
ser humano sem lhes causar danos até que forme um biofilme que ataca o sistema 
imunológico do hospedeiro. Lembre-se de que as bactérias que são capazes de formar 
biofilme colonizam os pulmões de pacientes com fibrose cística e são uma das 
principais causas de morte nesses pacientes. 
 
Já o gênero Acinetobacter é formado por cocobacilos Gram-negativos não 
esporulados, não fermentadores, aeróbios e imóveis. A maioria das espécies desse 
gênero consegue crescer em condições extremas, contendouma simples fonte de 
carbono e energia. Atualmente, são conhecidas 31 espécies do gênero. Dessas, o 
Acinetobacter baumannii é o principal para a clínica médica e é um patógeno 
oportunista associado a infecções hospitalares. Normalmente, coloniza membranas e 
mucosas que apresentam feridas e dificilmente é encontrado na microbiota normal da 
pele. Pacientes internados em hospitais com imunidade comprometida têm sido alvo 
desse patógeno (BROOCKS, 2014; TORTORA, 2012; TRABULSI, 2015). 
 
Nestes pacientes, os principais locais colonizados são os sistemas respiratório, 
nervoso central e urinário, além da ferida cirúrgica e dos olhos. Um fato importante do 
Acinetobacter está na sua capacidade de desenvolver mecanismos de resistência 
contra os principais grupos de antibióticos disponíveis. Isso porque, com muita 
facilidade, A. baumannii apresenta resistência aos beta-lactâmicos de amplo espectro 
e aos aminoglicosídeos, dificultando o tratamento das infecções ocasionadas por 
essas bactérias. 
 
Bastonetes gram-negativos entéricos 
 
Os bastonetes Gram-negativos entéricos são aqueles que afetam o trato digestivo e 
intestinal dos seres humanos. Inúmeros microrganismos possuem essa capacidade e 
causam diversas doenças que podem ser graves, caso não sejam tratadas. O quadro 
clínico das doenças gastrointestinais depende do agente etiológico que a provocou, os 
bacilos gram-negativos entéricos incluem: Escherichia coli, Salmonella, Shigella, etc. 
Na maioria das vezes, a infecção com esses agentes acontece por meio do consumo 
de alimentos ou água contaminada (BROOCKS, 2014). Observe na Figura 21 a 
ilustração do ciclo de contaminação pelos microrganismos. 
 
Enterobacteriaceae, Salmonella, Shigella e grupo Salmonella-Arizona 
 
A família Enterobacteriaceae corresponde a patógenos responsáveis por inúmeras 
doenças e, inclusive, estão entre os principais agentes causadores de infecção 
intestinal e infecção hospitalar. A diversidade de espécies que fazem parte desse 
grupo é formada por bacilos Gram-negativos, que apresentam em sua estrutura 
celular: membrana citoplasmática, espaço periplasmático, membrana externa e 
peptideoglicanas. São anaeróbicos facultativos, fermentadores de glicose e 
transformam nitrito em nitrato e metabolizam uma série de substâncias. Com 
frequência causam infecções intestinais e não intestinais, como aquelas do trato 
urinário, pulmão, pele e sistema nervoso central. As infecções que ocorrem no 
intestino e fora dele podem permanecer local ou podem ser sistêmicas. Entre os 
gêneros mais conhecidos da família enterobacteriaceae estão: Citrobacter; 
Edwardsiella; Enterobacter; Escherichia; Hafnia; Klebsiella; Morganella; Proteus; 
Providencia; Salmonella; Shigella; Serratia e Yersinia (BROOCKS, 2014; TRABULSI, 
2015). 
 
Do gênero Citrobacter são conhecidas 11 espécies, mas a maioria são 
enteropatógenos. Já o Citrobacter freundii tem sido associada a infecções do trato 
urinário e respiratório e Citrobacter diversus pode levar a meningites em recém-
nascidos. Por outro lado, o gênero Klebsiella possui duas espécies: K. oxytoca e K. 
pneumoniae, essa última apresenta três subespécies: K. pneumoniae spp 
pneumoniae, K.pneumoniae ssp rhinoscleromatis eK.pneumoniae ssp ozaenae . 
Dessas, K. pneumoniae é um recorrentemente causador de pneumonias e infecções 
em outros órgãos. É uma bactéria com relevância crescente nas infecções 
hospitalares e comumente provoca infecções em pacientes imunodeficientes, tais 
como recém-nascidos, pacientes cirúrgicos, pessoas que vivem com HIV, diabetes, 
pessoas com neoplasias, etc. (BROOCKS, 2014; TRABULSI, 2015). 
 
É importante colocarmos em relevo que o gênero Salmonella é formado por bacilos 
Gram-negativos, anaeróbicos facultativos, móveis e não formam esporos. Em relação 
ao tamanho desses microrganismos, podem variar de cerca de 0,7 a 1,5 μm de 
diâmetro, e 2 a 5 μm de comprimento. 
 
Essas bactérias provocam infecções no homem e em animais. Em humanos, as 
salmonelas são responsáveis por causar várias infecções, sendo mais frequentes a 
gastroenterite e a febre tifoide. O gênero possui duas espécies: Salmonella enterica e 
Salmonella bongori. A primeira espécie, por sua vez, é subdividida em seis 
subespécies (BROOCKS, 2014; TRABULSI, 2015). 
 
Dentro das subespécies, a Salmonella enterica sorovar typhimurium é capaz de 
provocar gastroenterites em humanos. Após o indivíduo infectado ter consumido 
alimentos contaminados, essas bactérias migram até a mucosa do intestino aderindo 
às células desse órgão. Por outro lado, quando conseguem atravessar o epitélio, as 
bactérias são fagocitadas por macrófagos, mas elas liberam uma enzima que provoca 
a morte dos macrófagos, o que faz com que elas sobrevivam (TRABULSI, 2015). Veja na 
Figura 22, o mecanismo de invasão do epitélio intestinal por essa bactéria. 
 
Exemplo: A febre tifoide é uma doença sistêmica que afeta humanos, principalmente, 
crianças, causada pelos patógenos Salmonella typhi e Salmonella paratyphi. Entre os 
sinais e sintomas da doença verifica-se a presença de febre, dor de cabeça, dor 
abdominal, diarreia ou constipação, podendo evoluir e causar prejuízos respiratórios, 
hepáticos e neurológicos. Quando tratada de forma adequada, a mortalidade não 
chega a 1%, mas, caso a doença não tenha tratamento adequado, a taxa de 
mortalidade pode evoluir para até 20%. 
 
Diferente dos demais gêneros estudados, todas as espécies do gênero Shigella são 
patogênicas, causando doenças no homem, mas dificilmente infectando animais. O 
gênero é formado por quatro espécies: Shigella dysenteriae, Shigella flexneri, Shigella 
boydii e Shigella sonnei. Essas bactérias provocam uma doença conhecida como 
shigelose, uma infecção aguda intestinal considerada endêmica com alta prevalência 
em crianças e em países em desenvolvimento, com condições sanitárias deficientes. 
Quando alimentos contaminados pela Shigella são consumidos, as bactérias logo 
invadem o epitélio do cólon intestinal, provocando uma intensa inflamação que 
caracteriza a doença (TRABULSI, 2015). 
 
Alguns estudos apontam que a Shigella é muito infecciosa, sendo necessários apenas 
de dez a cem bactérias para causar a infecção. O período de incubação varia, em 
média, de 1 a 3 dias, com exceção para S. dysenteriae tipo 1 que varia de 5 a 7 dias. As 
formas mais simples da shigelose não necessitam de tratamento com antibióticos. 
Isso porque, normalmente, a cura acontece de forma espontânea, sendo importante 
apenas a ingestão de líquidos e eletrólitos para prevenir a sua perda. Mas, em casos 
graves, é necessário o uso de antibióticos para prevenir complicações da doença, em 
crianças desnutridas, por exemplo, é essencial o tratamento com antibioticoterapia. 
 
Curiosidade: A Salmonella arizonae é uma subespécie da Salmonella enterica. 
Normalmente causa infecções em répteis, mas, em casos incomuns, pode infectar 
seres humanos, principalmente, crianças ou pessoas com sistema imunológico 
deficiente. Quando acomete humanos, pode desencadear doenças como 
gastroenterites, peritonites, pleurite, etc. 
 
Bactérias gram-positivas 
 
Estafilococos, estreptococos e enterococos 
 
Os estafilococos são cocos Gram-positivos, anaeróbios facultativos e imóveis. A 
espécie mais importante conhecida é a Staphylococcus aureus. Uma característica 
particular dessa espécie consiste na sua capacidade de sobreviver e crescer em 
ambientes com alta pressão osmótica e baixa umidade. Essa bactéria produz muitas 
toxinas que favorecem a sua capacidade de invadir o corpo e provocar danos, elevando 
a sua patogenicidade (BROOCKS, 2014; TORTORA, 2012; TRABULSI, 2015). 
 
Ao longo do tempo, a Staphylococcus aureus conseguiu desenvolver resistência a 
vários antibióticos comercializados, o que dificulta o tratamento em pacientes 
acometidos com essa bactéria. Antibióticos como a penicilina e vancomicina são 
alguns exemplos. 
 
Ela é encontrada com facilidade em humanos, estabelecendouma relação de 
comensalismo, ou seja, gerando benefícios para a bactéria, mas sem causar prejuízos 
para o hospedeiro. Porém, em situações específicas, por exemplo, quando acontece 
uma diminuição da imunidade, pode tornar-se um patógeno oportunista. A cavidade 
nasal é a região do corpo que é mais propícia para a colonização de S. aureus, mas já 
foram descritos em outros locais, como nas axilas, na vagina, na faringe e nas mãos. É 
importante saber que as infecções provocadas por esse tipo de bactéria podem levar a 
endocardite, meningite, osteomielite, pneumonia, infecções dos tecidos 
cartilaginosos, etc. (TORTORA, 2012; TRABULSI, 2015). Veja na Figura 23 a 
representação de uma colônia de S. aureus. 
 
Além disso, os estreptococos são cocos Gram-positivos esféricos, anaeróbicos 
facultativos que, normalmente, aparecem em cadeias. O gênero Streptococcus é o 
que tem apresentado maior importância clínica. Isso porque muitos fazem parte da 
microbiota normal humana, sendo encontrados, principalmente, nas vias aéreas 
superiores e trato intestinal. Algumas espécies são patogênicas e outras são 
patógenos oportunistas. 
 
As espécies patogênicas produzem diversas substâncias que favorecem a sua 
patogenicidade, tais como enzimas que destroem as células fagocitárias que tentam 
fagocitá-las. As enzimas liberadas por algumas espécies de Streptococcus danificam o 
tecido conjuntivo do hospedeiro, levando a um prejuízo significativo para os tecidos. As 
espécies mais conhecidas desse gênero são: Streptococcus agalactiae; Streptococcus 
pneumoniae e Streptococcus pyogenes. Lembre-se de que o S. pneumoniae é um 
agente bastante conhecido responsável por ocasionar doenças como pneumonia, 
meningite, bacteremia, otite e sinusite (TORTORA, 2012; TRABULSI, 2015). Observe na 
Figura 24 uma cadeia de Streptococcus. 
 
Por fim, os enterococos são formados por cocos Gram-positivos que formam cadeias 
curtas e são anaeróbicos facultativos. O gênero Enterococcus apresenta cerca de 50 
espécies. Em seres humanos, as espécies Enterococcus faecalis e Enterococcus 
faecium são as mais encontradas, ocasionado infecções em algumas regiões do 
organismo, tais como o trato gastrintestinal, a vagina e a cavidade oral. Muitas vezes 
são encontrados também nas fezes humanas, em ambientes hospitalares, mãos, etc. 
São muito resistentes a uma grande quantidade de antibióticos (TORTORA, 2012; 
TRABULSI, 2015). 
 
Sintetizando: aro(a) aluno(a), chegamos ao final do nosso material. Nesse momento, 
gostaríamos de saber o que você achou de tudo o que viu? Caso tenha ficado alguma 
dúvida, vamos resumir agora todo o conteúdo que foi visto ao longo desse arquivo. 
 
Iniciamos falando sobre os seres vivos, descobrimos que organismos como bactérias, 
fungos e protozoários também fazem parte desse grande universo. Logo em seguida, 
estudamos as células e descobrimos que todos os organismos são compostos de 
células, com exceção dos vírus e nessas pequenas estruturas acontecem processos 
vitais como a respiração, a nutrição e a reprodução. Além disso, falamos sobre as 
principais características de uma célula e sobre os tipos delas, as procarióticas e as 
eucarióticas. 
 
Depois, seguimos comentando sobre algumas características gerais das bactérias e 
descobrimos que existem várias espécies e que muitas delas são patogênicas, mas a 
maioria não possui essa capacidade, pelo contrário, assumem um papel fundamental 
para manutenção da vida, humana e não humana. 
 
Aprendemos também que o tamanho das bactérias é variável, algumas são maiores e 
outras menores, e que elas possuem várias formas, como cocos (diplococos, 
estreptococos, estafilococos e sarcinas), bacilos e espiraladas (vibriões e 
espiroquetas). 
 
Além disso, estudamos as principais características de uma célula bacteriana e 
aprendemos que ela é composta por: membrana celular, cápsula, parede celular, 
citoplasma, ribossomos, flagelos, fímbrias, pili, plasmídeo, nucléolo e algumas outras 
estruturas. 
 
Por fim, vimos como é importante utilizar os meios de cultura, conhecendo seus tipos 
e formas de como podemos utilizá-los para diferenciar bactérias Gram-positivas e 
Gram-negativas.da 
época, que conseguiram ver de maneira detalhada a descrição do olho de moscas, a 
ponta de uma agulha, ferrão da abelha, dentre outros. 
Abiogênese e Biogênese 
 
Qual a origem dos seres vivos? Como a vida foi formada? Essas eram indagações 
realizadas desde os tempos mais antigos. Atualmente, essas perguntas já estão bem 
esclarecidas e se sabe que todos os animais surgem de outros animais e todas as 
plantas são originadas de outras plantas semelhantes, porém, durante muitos anos, a 
comunidade científica não apresentava explicações convincentes sobre a origem da 
vida, levando as pessoas a acreditarem em fatos comuns que eram observados 
cotidianamente. 
Após Anton Van Leeuwenhoek demonstrar a existência dos seres microscópicos, 
houve um grande interesse dos estudiosos da época em descobrir como esses 
organismos surgiam. Dessa maneira, por muito tempo a origem da vida foi explicada a 
partir de duas teorias distintas: a teoria da abiogênese e a teoria da biogênese. 
A teoria da abiogênese, ou teoria da geração espontânea, apoiada por muitos filósofos 
e pesquisadores, entre eles o grande pensador Aristóteles, defendia a hipótese de que 
os organismos observados por meio do microscópio eram gerados de forma 
espontânea, ou seja, a vida poderia ser formada a partir de uma matéria bruta (sem 
vida) (TORTORA, 2012). 
É importante destacarmos que, de acordo com a hipótese defendida pela abiogênese, 
poderiam originar ratos; ou que, a partir da lama dos rios, poderiam nascer sapos, rãs e 
outros anfíbios e répteis. Essa explicação foi aceita até o século XIX, marcando um 
período de escassos recursos científicos e tecnológicos. 
Em contrapartida, existia a teoria da biogênese, bastante defendida por alguns 
cientistas, inclusive o francês Louis Pasteur. Segundo essa teoria, todos os seres vivos 
surgiam a partir de outros seres vivos análogos, dessa forma, negava o que afirmava a 
teoria da geração espontânea. Antes da descoberta de Leeuwenhoek, em uma 
tentativa de comprovar a hipótese da biogênese, Francesco Redi, cientista italiano, 
realizou o seu primeiro experimento em 1668. 
 
O famoso experimento realizado por Redi consistiu em colocar alguns pedaços de 
carne em frascos de vidro fechados e outros pedaços de carne em frascos de vidro 
abertos, por um igual período. Ao final do experimento, como esperado, o cientista 
pôde verificar que havia presença de larvas apenas no frasco que permaneceu aberto, 
concluindo que o surgimento das larvas não acontecia de forma espontânea e que 
eram colocadas por moscas que tiveram contato com a carne (TORTORA, 2012). 
Mesmo com os resultados apresentados por Redi, os defensores da abiogênese não se 
convenceram, pois afirmavam que o oxigênio era indispensável para que ocorresse a 
geração espontânea. Então, Redi decidiu realizar outro experimento, o que fez com que 
a abiogênese perdesse muita credibilidade com a ciência na época. Para entender o 
que estamos discutindo, sugiro que observe na Figura 1 os experimentos de Redi, mas 
antes entenda como ele realizou o segundo experimento no box abaixo. 
 
EXEMPLO: ( este salvo em dowllods como Figura 1 - Os experimentos de Redi.Fonte: 
adaptada por Heytor Neco (2023).) 
Nesse segundo evento, você deve considerar um experimento realizado por Redi para 
desmentir a teoria da geração espontânea. Nele, foi colocada carne dentro de jarras, 
mas, dessa vez, os recipientes foram fechados com uma fina rede, permitindo que o ar 
entrasse dentro do frasco, e o resultado, como já era esperado por Redi, foi 
semelhante ao seu primeiro experimento: nenhuma larva apareceu na jarra coberta 
com a rede, por mais que o ar permanecesse presente. Dessa forma, concluiu-se, 
novamente, que as larvas só surgiam quando as moscas colocavam seus ovos sobre a 
carne. 
Louis Pasteur e o Fim da Abiogênese 
Certamente você já ouviu falar sobre Louis Pasteur. Mas, mesmo que não tenha ouvido 
falar no nome dele nas suas aulas de Biologia na escola, acredito que já tenha ouvido 
falar sobre a pasteurização, método criado por esse cientista. 
Caso Pasteur ainda seja desconhecido para você, ele foi um renomado cientista 
francês do século XIX e suas contribuições o colocaram entre os três principais nomes 
da microbiologia. Entre os seus achados mais importantes, podemos citar a criação da 
vacina antirrábica, a fermentação e a pasteurização, processo esse ainda utilizado 
atualmente para eliminar as bactérias prejudiciais e que estão presentes no leite e em 
bebidas alcoólicas. 
DEFINIÇÃO: Você sabe o que é a pasteurização? A prática nada mais é do que um 
processo utilizado para esterilizar alimentos como leite, queijo, iogurte, cerveja ou 
vinho. Nele, basicamente, o alimento é exposto a uma temperatura elevada por um 
tempo e, em seguida, a uma temperatura bastante inferior, fazendo com que os 
microrganismos sejam eliminados. 
 
É importante destacarmos que Pasteur era um defensor da teoria da biogênese. Em 
seus experimentos, utilizava o calor para acabar com os microrganismos e descobriu 
que quando uma solução nutritiva era fervida e mantida fechada, não apodrecia. 
Dessa maneira, um dos seus experimentos de laboratório mais famosos derrubou, de 
uma vez por todas, a teoria da geração espontânea. 
Nesse experimento, Pasteur separou vários recipientes de vidro com gargalos, que 
lembravam o pescoço de um cisne e, nesses frascos, colocou caldo de carne e os 
levou ao fogo para que o caldo pudesse ferver. Depois, deixou todos os recipientes 
abertos para que esfriassem. Logo em seguida, mesmo com o resfriamento, não foi 
identificada a presença de microrganismos. Assim, o cientista pôde observar que a 
ausência de microrganismos era devido ao formato dos frascos em “pescoço de 
cisne”. 
É importante destacarmos que o surgimento dos microrganismos só aconteceu 
quando o gargalo do frasco foi quebrado ou quando o frasco foi inclinado, permitindo 
que a solução, até então estéril, entrasse em contato com partículas que continha 
micróbios. Para ilustrarmos esse experimento, observe a Figura 2 que apresenta 
Pasteur e o experimento realizado por ele. 
figua salva como Figura 2 - Pasteur e seu experimento. Fonte: adaptada por Heytor 
Neco (2023). 
A microbiologia surgiu há séculos, mas, ao longo dos anos, muitos estudiosos e 
pesquisadores colaboraram com essa ciência que se dedica às vidas microscópicas. É 
por meio dela que estudamos diversos tipos de organismos, como: eucariontes, 
procariontes e acelulares. Não reconhece os termos? Não se preocupe, logo em 
seguida estudaremos de forma mais detalhada cada um deles. 
 
Como você já deve ter percebido, a microbiologia procura estudar diversas 
características desses organismos: funções, classificação, formas de reprodução, 
genética, estrutura, bem como a forma como interagem entre si, com os seres 
humanos e com o meio ambiente. Ela também contribui com o desenvolvimento de 
outras áreas, como a medicina, a genética e a biotecnologia, estando presente em 
áreas da indústria e da agricultura. 
De fato, a microbiologia ocupa um lugar importante entre as ciências, pois, através do 
seu entendimento, podemos extrair diversos benefícios para os seres humanos. Muitas 
doenças, por exemplo, foram erradicadas graças ao estudo de seus agentes 
causadores, dos antibióticos e das vacinas, que só foram possíveis ser adquiridos 
através dessa ciência microbiológica. 
 
No entanto, uma ciência nunca surge isoladamente. Conhecimentos em outras áreas e 
desenvolvimento tecnológico foram necessários para se chegar à microbiologia atual. 
O próprio microscópio, por exemplo, embora remonte ao século XVII, com 
equipamentos bastante simples e poucos recursos, desenvolvidos por inúmeros 
inventores, como Zacharias Janssen e Galileu Galilei, precisou ser aprimorado e 
inovado para que tivéssemos aqueles desenvolvidos por Robert Hooke (1635-1703) e 
Anton Van Leeuwenhoek (1632-1723), que foram os primeiros a utilizarem o 
equipamento em estudos (MOREIRA,2013). 
Assim, ao longo dos anos, o microscópio foi sendo aprimorado por muitos estudiosos, 
nesse entremeio, suas lentes e capacidade de resolução apresentaram mudanças e 
melhoras significativas. Atualmente, existem diversos tipos e modelos de 
microscópios que são bastante utilizados e de fundamental importância para o estudo 
da microbiologia e diversas outras áreas da ciência. No entanto, não basta apenas a 
observação microscópica. 
Isso porque o desenvolvimento da microbiologia nos permitiu que conhecêssemos a 
biologia dos microrganismos de modo a conseguirmos produzir meios de cultura com 
as substâncias necessárias para que se desenvolvessem em laboratório, auxiliando na 
identificação de microrganismos infecciosos ou contaminadores de água ou 
alimentos. 
 
Os seres vivos 
Inicialmente, você deve estar atento(a) ao fato de que os seres vivos são definidos 
como organismos que apresentam células. Lembre-se de que a maioria dos seres 
vivos são constituídos por um conjunto de células, ou, até mesmo, por uma única 
célula, no caso das bactérias. Assim, as células dão origem aos tecidos, os tecidos aos 
órgãos e os órgãos aos sistemas que originam um organismo. 
 
Pensando nisso, podemos entender que animais, plantas, fungos, algas e protozoários 
são seres vivos. De acordo com suas características, estão classificados em cinco 
reinos: Animalia, Plantae, Fungi, Protista e Monera. Na Biologia, esses reinos são 
classificados de acordo com a taxonomia. Dessa maneira, cada reino é formado por 
um filo que se subdivide em classes e as classes são formadas pela ordem que são 
compostas pelas famílias. É importante destacarmos ainda que as famílias são 
formadas pelos gêneros e os gêneros pelas espécies. Dito isto, veja na figura 3 a 
demonstração dessa classificação. 
 
As Células e a Complexidade da Vida 
 
Antes de mais nada, gostaria de saber se você, em algum momento da sua vida, parou 
para pensar como funciona o seu organismo ou do que ele é formado, além dos 
órgãos, músculos e ossos? Isso porque, para que o corpo humano funcione, existem 
milhares de células trabalhando a fim de que tudo aconteça da melhor forma possível. 
Lembre-se de que as células são estruturas essenciais, pois nelas ocorrem todos os 
processos de nutrição, metabolismo, produção de proteínas e de respiração 
necessários para que a vida exista. Além disso, por serem microscópicas, apenas são 
visualizadas com o auxílio de um microscópio e, apesar de pequenas, possuem 
tamanhos e formas variáveis. Em humanos, por exemplo, estima-se que existam 
inúmeras e variadas formas de células distribuídas por todo o corpo (AMABIS; 
MARTHO, 2004). Dito isto, observe abaixo na figura 4 alguns tipos de células humanas. 
Definição: A principal diferença existente entre elas é a de que as células eucarióticas 
apresentam um envoltório nuclear que armazena o material genético, formando o 
núcleo da célula, enquanto as procarióticas não possuem essa estrutura e seu 
material genético é disperso no citoplasma. 
Além disso, as células eucarióticas são mais complexas quando comparadas às 
procarióticas, estando presentes nos animais, vegetais, protozoários, fungos e sendo 
formadas por várias estruturas menores que possuem funções específicas, 
denominadas organelas. Lembre-se de que as procarióticas são células simples e, 
como exemplo, temos as bactérias (AMABIS; MARTHO, 2004). 
Na figura apresentada, podemos observar a representação de uma célula eucariótica e 
procariótica. Assim, ao observar as células, podemos ver a presença de várias 
estruturas que apresentam funções específicas importantes. Nas células eucarióticas 
mais desenvolvidas, podemos perceber: a membrana plasmática, mitocôndrias, 
ribossomos, complexo golgiense, lisossomos, retículo endoplasmático liso e rugoso, e 
vacúolo. Vamos relembrar as funções dessas organelas abaixo. 
Membrana celular: revestir a célula e controlar a entrada e saída de substâncias na 
célula; 
Mitocôndria: fornecer energia através da produção de ATP; 
Ribossomos: sintetizar proteínas; 
Complexo golgiense: armazenar e transportar substâncias, como proteínas; 
Lisossomos: realizar a digestão intracelular; 
Retículo endoplasmático liso: produzir fosfolipídios e ácidos graxos; 
Retículo endoplasmático rugoso: produzir proteínas; 
Vacúolo: armazenar substâncias; 
Núcleo: armazenar o material genético e controlar as funções celulares. 
VOCÊ SABIA? As bactérias e as células humanas são estudadas para que os seres 
humanos possam ter meios suficientes para se defender contra a ação das bactérias 
patogênicas. Alguns medicamentos, por exemplo, são capazes de eliminar as 
bactérias, mas não causam danos às células humanas e algumas estruturas que estão 
presentes nas bactérias estimulam o organismo humano a montar a resposta 
defensiva para destruí-las. 
Classificação dos Reinos 
Antes do surgimento dos microrganismos, os seres vivos eram classificados em 
apenas dois reinos distintos, o reino animal e o reino vegetal, mas, com o 
aparecimento das novas criaturas, percebeu-se a necessidade em criar um reino, o 
chamado reino protista, que abarcava as bactérias, as algas, os fungos e os 
protozoários. 
Porém, essa divisão não estava completa, pois só eram consideradas a estrutura 
celular e a forma de conseguir energia e alimento. Pensando nisso, em 1969, o biólogo 
americano Robert Whittaker apontou a ampliação da classificação para cinco reinos, 
aceita até os dias atuais, sendo elas: Animalia, Plantae, Fungi, Protista (que inclui as 
microalgas e os protozoários) e o reino Monera (composto pelas bactérias e algas 
azuis). 
Fique atento(a), pois o reino Animal constitui todos os grupos de animais existentes, 
dos invertebrados (como poríferos, platelmintos, nematelmintos, moluscos, 
artrópodes, etc.) aos vertebrados (como peixes, anfíbios, répteis, aves e mamíferos). 
Além disso, reúne os seres multicelulares e formados por células eucarióticas. 
É preciso destacarmos que o reino Plantae também é formado por seres multicelulares 
e eucarióticos, mas a principal diferença entre esse reino e o reino Animal é a 
capacidade de produzir seu próprio alimento, ou seja, de realizar fotossíntese, 
processo no qual, utilizando a luz solar, captam a energia da luz e geram glicose. Além 
disso, nele estão inclusas todas as plantas, como as angiospermas, gimnospermas, 
fanerógamas e as criptogramas. E o reino Fungi é composto pelos fungos, seres que 
estão bastante presentes no nosso cotidiano. Você já percebeu que quando 
mantemos uma roupa guardada por muito tempo, ela fica com o cheiro de mofo e com 
aspecto embranquecido? Isso acontece justamente pela ação desses 
microrganismos. 
Por outro lado, o reino Protista é formado por protozoários e microalgas. Esses seres se 
encontram no solo e nas águas, e alguns dos protozoários causam doenças em 
animais e seres humanos. Enquanto isso, o Reino Monera inclui bactérias e as algas 
azuis. Nesse reino encontramos seres mais simples, unicelulares e procariontes e, 
assim como muitos protozoários, diversas bactérias que são agentes causadores de 
doenças. 
 
Principais características dos grupos de microrganismos 
Dando continuidade ao nosso material, protozoários, bactérias, vírus e alguns fungos, 
apesar de serem classificados como microrganismos, possuem muitas diferenças 
entre si e é isso que veremos. 
Provavelmente você já deve ter realizado alguma vez na vida um exame chamado 
parasitológico de fezes. O objetivo dele é avaliar a presença de parasitos nas fezes. 
Entre os parasitos microscópicos que podem ser reconhecidos no material fecal ao 
microscópio durante a análise, temos Giardia duodenalis, Entamoeba histolytica, 
dentre outros. 
Lembre-se de que esses citados acima são protozoários, seres unicelulares e 
pertencentes ao reino Protista. Assim, sendo organismos unicelulares eucarióticos, 
possuem uma estrutura celular complexa. Estima-se que exista em torno de 20.000 
espécies de protozoários presentesna água e no solo, além de muitas espécies 
fazendo parte da microbiota normal de alguns animais. 
EXEMPLO: Sabe o protozoário Entamoeba histolytica que comentamos anteriormente? 
Ela é uma ameba patogênica que pode colonizar o intestino humano e, em alguns 
casos, invadi-lo, chegando a órgãos como o fígado, sendo bastante grave. Outra 
espécie de protozoário patogênico é Trichomonas vaginalis, conhecido por causar a 
infecção sexualmente transmissível de origem não viral mais prevalente do mundo. 
Esses são só alguns exemplos dos vários protozoários associados às doenças. Temos 
ainda Toxoplasma gondii, causador da toxoplasmose, e as espécies do gênero 
Plasmodium, que causam malária (TORTORA, 2012). 
Em nossa disciplina vamos detalhar vários desses seres vivos, como fungos e 
protozoários, contudo, começaremos por aqueles mais simples e que compõem o 
Reino Monera, mas de grande importância: as bactérias. 
 
Bacteriologia 
Características Gerais das Bactérias 
A bacteriologia é a ciência que estuda as bactérias, organismos que, apesar de serem 
muito simples, são necessários para os estudos dessa área. Pensando nisso, 
inicialmente você deve estar ciente de que elas são unicelulares e procariontes, 
estando organizadas em dois domínios, sendo eles: Archaea e Bacteria. 
Muito se tem estudado sobre elas e hoje se sabe que enquanto muitas delas são 
patogênicas, outras não possuem a capacidade de causar doenças, pelo contrário, 
assumem um papel fundamental para a manutenção da vida humana e não humana. 
As bactérias são encontradas em praticamente todas as partes do planeta, isso por 
conta de sua fácil capacidade de reprodução, pois elas se reproduzem de forma 
assexuada, ou seja, sem mistura de material genético, por meio da fissão binária, isto 
é, uma célula-mãe divide-se e origina duas outras células idênticas a ela. Dito isto, a 
partir de agora veremos outras características das bactérias nos próximos tópicos. 
Estrutura das Bactérias 
Tamanho :As bactérias são muito pequenas e, até pouco tempo, acreditava-se que 
todas eram incapazes de serem notadas a olho nu, por isso, sua percepção só seria 
possível através do microscópio. Na verdade, o tamanho das bactérias é variável, com 
algumas maiores e outras menores, mas, na maioria das vezes, elas medem entre 1µm 
e 5µm de comprimento, e 0,2µm a 2,0µm de diâmetro (TRABULSI, 2015). 
curisidade: Até algum tempo, a maior bactéria já observada tinha sido a Epulopiscium 
fishelsoni, com cerca de 500 a 700µm de comprimento, encontrada no intestino de 
alguns peixes. Porém, em 2022, pesquisadores observaram uma bactéria chamada 
Thiomargarita magnifica, que media mais de um centímetro, o que já era maior do que 
uma outra bactéria do mesmo gênero, também descoberta pela equipe (VOLLAND et 
al., 2022). Veja na figura 6 a maior bactéria descrita. 
Morfologia :As bactérias podem apresentar uma diversidade de formas, sendo: 
esféricas (cocos), cilíndricas (bacilos) e espiraladas (espirilos). As esféricas, ou cocos, 
como podemos ver na Figura 6, possuem forma arredonda, mas também podem ser 
ovais, longas ou achatadas em uma das extremidades. É importante destacarmos que 
as bactérias que apresentam morfologia em forma de coco podem ficar ligadas umas 
às outras quando se dividem, podendo formar: diplococos, estreptococos e 
estafilococos. 
definição: Os diplococos são formados com dois cocos; os estreptococos são 
formados por meio de cadeias; e os estafilococos em cachos, outras formas são 
menos comuns. Também podem ser observadas quando os cocos permanecem juntos 
em grupos cúbicos de oito cocos, como as bactérias do gênero Sarcina (TORTORA, 
2012; TRABULSI, 2015). 
 
Os bacilos são assim chamados pois se assemelham a um bastonete e, quando se 
dividem, podem formar os diplobacilos e estreptobacilos. Os diplobacilos são vistos 
em dupla e os estreptobacilos em cadeias. Alguns tipos de bacilos são muito 
parecidos com os cocos e, por isso, são chamados de cocobacilos. Algumas espécies 
de bacilos do gênero Lactobacillus são benéficas e estão presentes nos iogurtes, além 
disso, até contribuem para o bom funcionamento do intestino (TORTORA, 2012; 
TRABULSI, 2015). 
É importante lembrarmos de que as bactérias espiraladas podem ser chamadas de 
vibriões, quando sua forma lembra uma vírgula; espirilos, quando se assemelham a um 
saca-rolha; e espiroquetas, quando são espiralados flexíveis. Na figura 8 você pode 
observar, em síntese, as diferentes formas das bactérias. 
 
Estruturas Celulares das Bactérias 
 
Caro(a) aluno(a), tudo bem? Você já se questionou quais são as maiores diferenças 
entre uma célula procariótica e uma célula eucariótica? Para responder a essa 
pergunta, a partir de agora, vamos conhecer as principais características das células 
procarióticas. 
A célula da bactéria é procariótica e, por isso, apresenta estrutura mais simples 
quando comparada às eucarióticas. Contudo, ainda podemos perceber a presença de 
algumas estruturas importantes. Isso porque as bactérias mais desenvolvidas 
apresentam em sua estrutura: membrana plasmática, parede celular, cápsula, 
cromossomo, fimbrias, ribossomos, inclusão e flagelo, conforme pode ser visto na 
figura 9. 
Algumas células procarióticas são formadas por uma estrutura chamada de 
glicocálice, que é composta de polissacarídeos e polipeptídeos, que apresenta 
aspecto viscoso, localizado exteriormente à parede celular. Geralmente, o glicocálice 
é formado no citoplasma da célula e é liberado para o seu exterior e, quando fica bem 
aderido à parede celular, é denominado cápsula (TORTORA, 2012; TRABULSI, 2015). 
definição:A cápsula é a estrutura mais externa das bactérias e sua função é de protegê-
la contra agentes externos, como a proteção contra o processo de fagocitose por 
células do hospedeiro. Ela é formada por polissacarídeos e polipeptídeos, e está 
fortemente aderida à parede celular, uma estrutura muito importante da célula 
bacteriana, pois possui bastante rigidez. Se não fosse essa propriedade da parede 
celular, as células irromperiam por conta da pressão osmótica dentro da célula, que é 
bastante superior à do meio externo (TORTORA, 2012; TRABULSI, 2015). Com relação à 
estrutura da parede celular, falaremos detalhadamente no tópico seguinte. 
Aderida à parede celular encontra-se a membrana celular ou membrana plasmática, 
composta por uma camada dupla de fosfolipídios, bastante parecida com a das 
células eucarióticas, porém não apresenta esteróis em sua estrutura química. Tendo a 
função de separar o meio interno do meio externo, a membrana plasmática funciona 
como a porta da sua casa. Só entra em sua casa quem você permite entrar, correto? 
Essa membrana tem função semelhante, sendo altamente seletiva, transportando 
substâncias para o interior e exterior da célula através das suas proteínas de 
transporte. Além disso, é capaz de gerar energia através do transporte de elétrons para 
o interior da célula, secretando enzimas e toxinas (TORTORA, 2012; TRABULSI, 2015) 
É importante destacarmos que os flagelos estão presentes em algumas células 
bacterianas e sua principal função é promover a locomoção, permitindo uma rápida 
mobilidade para ambientes favoráveis. Lembre-se de que o flagelo é formado por três 
partes diferentes: filamento, gancho e corpo basal. O filamento é uma estrutura longa 
e fina que fica aderida à membrana mais externa, composto, principalmente, da 
proteína flagelina. O gancho encontra-se aderido ao filamento e é mais largo que ele. A 
última porção do flagelo é o corpo basal que fixa o flagelo à membrana plasmática e à 
parede celular (TORTORA, 2012; TRABULSI, 2015). 
As fímbrias são encontradas em alguns tipos de bactérias Gram-negativas e são 
semelhantes à pelos, estando distribuídas em grande quantidade por toda a parte 
externa da célula. Uma das características das fímbrias está relacionada à sua alta 
capacidade de se aderir umas às outras, como também a superfícies, o que explica a 
formação dos biofilmes,comunidades de bactérias envolvidas por substâncias 
produzidas por elas próprias, como açúcares, que as protegem contra ações de 
substâncias como antibióticos. 
Os pilis são parecidos com as fímbrias, porém são um pouco maiores e encontrados 
em menor quantidade, com apenas um ou dois em cada célula. Os pilis também 
participam da mobilidade celular, ajudando a bactéria a se fixar no meio, mas 
possuem outra função: transferência do DNA plasmidial entre bactérias (TORTORA, 
2012; TRABULSI, 2015). Alguns livros trazem os termos pilis e fímbria como sinônimos, 
enquanto alguns autores considerem pilis apenas a estrutura bacteriana relacionada à 
reprodução por conjugação. 
No interior da célula encontra-se o citoplasma, composto em sua maioria por água, 
proteínas, carboidratos, lipídios e algumas outras substâncias. Nele podemos 
observar duas áreas diferentes, uma onde se pode encontrar os seguintes 
componentes citoplasmáticos: ribossomos, plasmídeo, vacúolos gasosos e grânulos; 
e outra área onde está o nucleoide. Nessa área, geralmente há uma única molécula de 
DNA com o cromossomo bacteriano. Assim como nas células eucarióticas, os 
ribossomos bacterianos também estão relacionados com a síntese proteica. A 
diferença entre eles e os das células eucarióticas é que os procarióticos são menores 
(TORTORA, 2012; TRABULSI, 2015). 
Os plasmídeos são moléculas de DNA no citoplasma que podem ser transferidas entre 
bactérias inclusive. São diversos genes no plasmídeo que levam à resistência aos 
antibióticos, tolerância a metais tóxicos e produção de toxinas e enzimas. No entanto, 
nem todas as bactérias possuem plasmídeos, apenas aquelas mais desenvolvidas. 
 
Nas bactérias, o DNA não está envolto por uma membrana nuclear como nas células 
eucarióticas, dessa forma pouca semelhança é encontrada entre eucarióticos e 
procarióticos em relação ao ácido nucleico. Na célula bacteriana, o DNA está em uma 
região de forma irregular chamada nucleoide. Perceba que o DNA das bactérias é 
composto por uma única fita em formato circular onde os genes estão localizados. 
 
Os grânulos, tipos de inclusões citoplasmáticas, atuam no armazenamento de 
nutrientes para a célula. Eles são visualizados a partir de alguns métodos de 
coloração. Algumas bactérias que são encontradas flutuando em águas ainda 
possuem vacúolos gasosos, componente da célula bacteriana, composta por 
proteínas que é permeável a gases e à água. 
Parede Celular 
Inicialmente, é importante que você saiba que a parede celular das bactérias é uma 
estrutura rígida que desempenha algumas funções fundamentais na célula. Dentre 
elas, a mais importante é impedir que a célula rompa, o que pode acontecer quando a 
pressão osmótica no interior da célula é superior ao ambiente externo, por isso a 
parede celular precisa ser rígida. Lembre-se de que, em grande parte das bactérias, a 
parede celular assume essa característica por conta de sua composição com 
substâncias como mureína ou peptideoglicano ou peptidoglicano, substância 
encontrada apenas em seres procarióticos. 
Na parede celular são encontradas algumas proteínas, como as porinas, que têm a 
função de controlar a passagem de moléculas hidrofílicas para o interior da célula. É 
como se essas proteínas fossem “um segurança de festa”, controlando a entrada de 
pessoas no ambiente. 
É importante que você saiba que a estrutura da parede celular pode variar de acordo 
com o tipo de bactéria. Pensando nisso, conhecer os tipos de parede celular das 
bactérias e do que são compostas é importante, pois alguns tipos de antibióticos 
atuam justamente nessa região da célula. Por exemplo, as bactérias Gram-negativas 
apresentam uma parede mais complexa do que as Gram-positivas. Por sua vez, as 
Gram-positivas apresentam várias camadas de peptideoglicanos. É importante 
destacarmos que cerca de 70% a 75% da parede celular das bactérias Gram-positivas 
é composta por essa substância, o que lhes confere um aspecto compacto e rígido. 
Além de peptideoglicanos, pode ser encontrado, ainda, outras substâncias, como o 
ácido teicoico e algumas proteínas (TORTORA, 2012; TRABULSI, 2015). 
Além do que já falamos, você deve saber que o ácido teicoico é uma substância 
composta de glicerol e fosfato, encontrado apenas na parede celular de bactérias 
Gram-positivas, possuindo a capacidade de se ligar a lipídeos e, quando isso 
acontece, é chamado de ácido lipoteicoico. Ele atua induzindo o crescimento e 
impedindo a ruptura da parede celular. Por conta de sua carga negativa, esses ácidos 
conseguem favorecer o movimento de cátions tanto para dentro quanto para fora da 
célula. 
Curisiodade: Um fato importante sobre o ácido teicoico é que ele pode favorecer o 
choque séptico em pacientes que possuem infecções ocasionadas por bactérias 
Gram-positivas. 
A parede celular das gram-negativas é mais complexa, apresentando apenas algumas 
finas camadas de peptideoglicanos e uma estrutura que as Gram-positivas não 
apresentam, a membrana externa. Essa membrana fica separada da membrana 
plasmática através de um espaço, conhecido como espaço periplasmático, local onde 
algumas enzimas que destroem a penicilina e outros fármacos são encontradas. A 
membrana externa atribui uma certa qualidade a células gram-negativas, pois essa 
estrutura atua impedindo a fagocitose por células do hospedeiro, além disso, forma 
uma barreira protetora contra a entrada de antibióticos e outras substâncias para 
dentro da célula (TORTORA, 2012; TRABULSI, 2015). 
voce sabia? Como as bactérias Gram-negativas possuem menor permeabilidade, uma 
vez que apresentam em sua parede celular uma membrana externa formada por 
fosfolipídeos, lipoproteínas, proteínas e lipopolissacarídeos (LPS), além da camada de 
peptidoglicanos, são mais resistentes do que as bactérias Gram-positivas. 
Palavras do professor: Agora que conhecemos a estrutura das bactérias, vamos 
entender como funciona o processo de patogênese das infecções bacterianas? Nas 
próximas linhas conheceremos as principais bactérias que causam doenças, como 
acontece o processo de transmissão da infecção e o processo infeccioso, e muito 
mais. E então? Motivado(a) para desenvolver esta competência? Então, vamos lá! 
 
Metabolismo bacteriano 
As bactérias são capazes de sobreviver em diferentes ambientes e em condições 
diversas e, assim como organismos mais complexos, precisam de processos 
bioquímicos para sustentar suas funções biológicas. Para as bactérias não é diferente, 
ou seja, elas necessitam de reações catabólicas e anabólicas complexas, algumas, 
inclusive, únicas e que outros seres não são capazes de fazer. Um exemplo disso é a 
capacidade que algumas bactérias têm de utilizar petróleo como nutriente e até 
mesmo de se alimentar de celulose, funções que não conseguimos realizar (TORTORA, 
2017). 
É importante lembrarmos de que o metabolismo envolve reações de síntese e 
degradação de nutrientes dentro da célula e, a partir dessas reações mediadas por 
enzimas, os organismos conseguem gerar energia química na forma de adenosina 
trifosfato (ATP) e outras substâncias essenciais à vida. No caso das bactérias, embora 
muitas dessas reações, em alguns casos, sejam danosas ao organismo, em outros 
ajudam em processos naturais e industriais, contribuindo em vários aspectos. 
Exemplo:A bactéria Rhizobium, por exemplo, converte o nitrogênio da atmosfera em 
outras formas para que possa ser utilizado por outros organismos. Perceba que o 
nitrogênio é essencial para produzir proteínas, além de ser constituinte do DNA e do 
RNA. Além disso, sabe o tratamento dos esgotos? Ele envolve processos biológicos 
também e, nesse caso, as cianobactérias auxiliam na remoção da matéria orgânica. 
Antes de tudo, é importante saber que o ATP pode ser produzido em reações oxidação-
redução, o que também chamamos de reação redox. Nessas reações de oxidação, 
elétrons e prótons são removidos. Um exemplo é o que acontece com o hidrogênio, 
que pode ser removido nesses processos, fazendocom que também sejam 
conhecidos como processos de desidrogenação. 
 
Curiosidade: Quando uma molécula é oxidada, perdendo dois átomos de hidrogênio, e 
uma molécula chamada NAD+, carreadora de elétrons, é reduzida, o NAD+ pode 
absorver os átomos de hidrogênio que foram removidos. Assim, o NAD+ se torna 
NADH, uma molécula mais energética e que, posteriormente, terá essa energia sendo 
utilizada para produzir ATP. Essas reações de redução são bastante presentes no 
catabolismo. Assim, se uma célula oxida (reduz) uma molécula de glicose, a energia da 
glicose vai sendo removida ao longo de diversas etapas e vai ser utilizada para gerar 
ATP, que pode ser produzido por fosforilação de substrato (Adenosina Difosfato, 
também chamada de ADP), por fosforilação oxidativa (quando elétrons são carreados 
por NAD+ e FAD) ou fotofosforilação (em células que fazem fotossíntese). 
Dito isso, acredito que, nesse momento, você provavelmente está relembrando de 
bioquímica e, realmente, há toda a relação, pois essas reações bioquímicas envolvem 
diversas enzimas para levar à produção de energia. Dessa maneira, as bactérias 
podem produzir energia por várias vias metabólicas: catabolismo de carboidratos, 
lipídios ou proteínas, bem como, em alguns casos, a partir da fotossíntese, os quais 
compreenderemos a partir de agora. 
 
Catabolismo de carboidratos por microrganismos 
A partir de carboidratos, os microrganismos podem produzir energia utilizando glicose, 
seja a partir de respiração celular ou de fermentação. A respiração celular é um 
processo que acontece em três etapas: 
1) glicólise, na qual a glicose é catabolizada no citoplasma, sendo convertida em duas 
moléculas de ácido pirúvico; 
2) ciclo de Krebs, que envolve a conversão do ácido pirúvico em acetil-CoA para que 
ele seja sendo oxidado em dióxido de carbono; e, 
3) cadeia transportadora de elétrons, etapa na qual todos os NADH e FADH2 gerados 
nas fases anteriores são oxidados, levando à produção da maior parte dos ATP’s 
gerados na respiração celular. 
Embora muitas bactérias utilizem a via glicolítica para oxidar a glicose, outras utilizam 
vias alternativas, como, por exemplo, a via das pentose-fosfato (ciclo da hexose-
monofosfato). Na via das pentoses-fosfato, que acontece ao mesmo tempo da 
glicólise, açúcares de cinco carbonos (pentoses) são quebrados, levando à produção 
de pentoses intermediárias que são utilizadas para produzir ácidos nucleicos, glicose e 
alguns aminoácidos. Essa via é a utilizada pelas bactérias Bacillus subtilis, Escherichia 
coli e Enterococcus faecalis, levando à produção da coenzima NADPH. Já a outra via 
alternativa à glicólise é chamada de Entner-Doudoroff e utilizada por bactérias Gram-
negativas como as dos gêneros Rhizobium, Pseudomonas e Agrobacterium, que 
podem metabolizar glicose sem nenhuma das outras duas vias. Destacamos que a via 
Entner-Doudoroff leva à produção de uma molécula de ATP e duas de NADPH. 
É importante lembrar de que o processo de respiração celular pode ter como aceptor 
final dos elétrons liberados no processo tanto o oxigênio (respiração aeróbia) quanto 
substâncias inorgânicas diferentes do oxigênio (respiração anaeróbia). 
Exemplo: Alguns exemplos dessas substâncias inorgânicas e bactérias que as utilizam 
como aceptor final de elétrons são nitrato (gêneros Pseudomonas e Bacillus), sulfato 
(Desulfovibrio), dentre outros. 
Lembra do ácido pirúvico formado na primeira etapa da respiração celular? Ele não 
precisa ser necessariamente degradado, ou seja, entrar no ciclo de Krebs e levar à 
produção de ATP ao final da cadeia transportadoras de elétrons. Isso porque, em 
alguns casos, pode ocorrer a fermentação, processo que não requer oxigênio e nem 
mesmo precisa do ciclo de Krebs ou da cadeia transportadora de elétrons. Na 
fermentação, as moléculas de NAD+ e NADP+ são regeneradas e podem voltar a 
participar da glicólise. Uma diferença da fermentação em relação ao processo 
apresentado anteriormente é que, além de produzir menor quantidade de ATP, na 
fermentação, uma molécula orgânica que é utilizada como o aceptor final de elétrons. 
Mas, você pode estar se perguntando: o que é fermentado pelos microrganismos? Para 
responder a essa pergunta, precisamos conhecer os processos de fermentação do 
ácido láctico e da fermentação alcóolica. Além disso, temos que relembrar sobre a 
glicólise, pois a primeira etapa do ácido láctico também é ela, contudo, na etapa 
seguinte, são produzidas duas moléculas de ácido láctico, sendo elas os produtos da 
reação. Esse processo é realizado por bactérias como as dos gêneros Streptococcus e 
Lactobacillus. Esses organismos que produzem apenas ácido láctico são chamados de 
homofermentativos ou homoláticos e a partir desse processo é que se pode produzir 
alimentos como iogurte, chucrute e picles. 
Curiodidade: Na fermentação alcóolica, por sua vez, as moléculas de ácido pirúvico 
são convertidas em acetaldeído e CO2. O acetaldeído então é reduzido por NADH, o 
que leva à produção de etanol. Fungos leveduriformes como Saccharomyces 
cerevisiae produzem o álcool das bebidas alcóolicas por esse processo. Do mesmo 
modo, as leveduras que levam ao crescimento da massa do pão decorrem desse 
processo, uma vez que alguns organismos podem produzir ácidos e álcoois, além de 
produzir ácido láctico, esses são denominados heterofermentativos ou heteroláticos. 
 
Catabolismo de lipídios e proteínas por microrganismos 
Além da glicose, que é um carboidrato, os microrganismos podem oxidar lipídios e 
proteínas. Assim, para catabolizar lipídios, são necessárias enzimas chamadas lipases 
que conseguem quebrá-los gerando ácidos graxos e glicerol, que são metabolizados 
de modo separado. 
 
Reflita: Em derrames de óleo e produtos do petróleo, por exemplo, bactérias que 
degradam ácidos graxos pelo processo de beta-oxidação podem ser utilizadas para 
diminuir o impacto ambiental e o espalhamento do material derramado. Para que você 
possa entender melhor essa situação, a Figura 11 mostra como ocorre a 
biodegradação. 
As proteínas, por sua vez, como são grandes, precisam ser catabolizadas a partir de 
proteases e peptidases que são produzidas pelos microrganismos. Dessa forma, com 
a degradação das proteínas, teremos vários aminoácidos que podem ser convertidos, 
a partir de desaminação, descarboxilação ou dessulfurização, em substâncias para 
entrar no ciclo de Krebs. 
Além desses processos relacionados à respiração celular, algumas bactérias são 
capazes de produzir compostos orgânicos a partir de substâncias orgânicas, como é o 
caso do processo de fotossíntese, no qual a energia luminosa do sol é convertida em 
energia química. Lembre-se de que as plantas não são as únicas que realizam esse 
processo, já que as cianobactérias também possuem clorofila, a molécula que 
absorve a energia luminosa. 
Além desses processos catabólicos, parte do ATP também é utilizada para produzir 
novos componentes celulares. E, a partir da biossíntese de polissacarídeos, por 
exemplo, os microrganismos podem produzir açúcares e até gerar carboidratos mais 
complexos, como o glicogênio. Do mesmo modo, na biossíntese de lipídios, os 
microrganismos podem estocar energia e, também, são biossintetizados aminoácidos, 
proteínas e purina e pirimidinas. 
Fatores que influenciam o crescimento microbiano 
Fatores Físicos 
Apenas os processos metabólicos não são necessários para que os microrganismos 
sobrevivam, isso porque eles dependem de vários fatores físicos e químicos para que 
consigam crescer e se multiplicar. Entre os fatores físicos podemos incluir 
temperatura, pH e pressão osmótica. Outros fatores como carbono, nitrogênio, 
enxofre, fósforo, oxigênio, elementos-traço e fatores orgânicos de crescimento estão 
incluídos nos fatores químicos. 
É importante destacarmos que a temperatura é fundamental para o crescimento 
bacteriano. Enquanto a grande maioria cresce e sobrevive bem nas temperaturas 
ideais aos seres humanos, outras só conseguemse desenvolver em temperaturas 
extremas nas quais praticamente qualquer organismo eucariótico não conseguiria. De 
acordo com a faixa de temperatura que preferem, os microrganismos podem ser 
classificados em psicrófilos (preferência pelo frio), mesófilos (preferência por 
temperaturas moderadas) e termófilos (preferência por calor). Assim, de acordo com a 
classificação, cada espécie de bactéria possui uma temperatura mínima, ótima e 
máxima de crescimento, e é por isso que utilizamos a refrigeração para conservar os 
alimentos, porque baixas temperaturas reduzem a velocidade da reprodução 
bacteriana. Porém, isso não vale para todas as bactérias, pois, como vimos, algumas 
conseguem sobreviver em temperaturas extremas. 
A maioria das bactérias cresce em um pH neutro, ou seja, aquele entre 6,5 e 7,5. No 
entanto, existem bactérias que conseguem crescer em ambientes ácidos, com pH 
abaixo de 4, inclusive bactérias acidófilas, conseguindo sobreviver em ambientes 
extremos, com pH 1. 
Além disso, a pressão osmótica é necessária em uma membrana semipermeável para 
evitar que um solvente a atravesse. Isso em razão dos microrganismos precisarem de 
água para crescer, uma vez que a concentração das soluções pode ser crítica para 
eles. Por exemplo, se uma bactéria se encontra em solução com alta concentração de 
solutos, ou seja, em uma solução hipertônica, a água sai da bactéria e vai para o meio, 
podendo levar à plasmólise, ou seja, a uma diminuição do citoplasma devido à perda 
de água. É por esse motivo que também utilizamos sais e outros solutos para preservar 
os alimentos, uma vez que o aumento da pressão osmótica, ocasionada por eles, leva 
à destruição de bactérias. No entanto, se forem colocadas em uma solução 
hipotônica, cuja pressão osmótica é muito baixa, como água destilada, pode ocasionar 
a entrada na bactéria e causar sua lise. 
Perceba que, embora a maioria dos microrganismos seja cultivada praticamente em 
um meio formado quase que exclusivamente por água, alguns que toleram sais podem 
ser classificados em halófilos extremos, quando são bem adaptados à presença de 
sais; halófilos obrigatórios, quando estão tão bem adaptados que precisam dos sais 
para crescer; e halófilos facultativos, quando não precisam de uma concentração alta, 
mas sobrevivem em concentrações de até 2% de sais. 
 
Fatores Químicos e Nutrição Bacteriana 
Além das condições físicas necessárias, os microrganismos precisam de diversos 
fatores químicos para crescer bem. Para que você entenda, convidamos você a 
observar o Quadro 2 que aponta os principais fatores químicos necessários para o 
crescimento microbiano. 
figura 13-Quadro 2 – Fatores químicos importantes para o crescimento microbiano. 
É importante destacarmos que a exigência nutricional dos microrganismos se altera de 
acordo com as espécies. Diante disso, você deve saber que os macronutrientes são 
aqueles que os microrganismos precisam em grandes quantidades, enquanto os 
micronutrientes são os que precisam apenas em quantidades traço. Entre os 
macronutrientes importantes, temos os já citados, são eles: carbono, nitrogênio, 
enxofre e fósforo, além de potássio, necessário para a atividade enzimática; magnésio, 
necessário para estabilizar ribossomos, membranas, ácidos nucleicos e enzimas; e 
cálcio e sódio, em alguns microrganismos específicos. Por exemplo, o sódio é 
fundamental para os microrganismos marinhos. 
 
Além dos macronutrientes, os micronutrientes, como ferro, cobre, molibdênio e zinco, 
anteriormente mencionados no quadro, também são importantes. Outros exemplos de 
micronutrientes que os microrganismos precisam em quantidade traço são o boro, 
importante para comunicação celular entre as bactérias, e o manganês, ativador de 
diversas enzimas. Fatores de crescimento são considerados micronutrientes também. 
Desse modo, ácido fólico, biotina, vitaminas K, B1, B12, B6 e muitas outras são 
importantes micronutrientes necessários aos microrganismos. 
A diversidade das bactérias 
Como você já deve saber, as bactérias estão presentes em quase todos os lugares e, 
embora sejam constantemente associadas apenas a doenças, muitas não causam 
processos patogênicos, fazendo parte da microbiota normal do ser humano. No 
entanto, algumas espécies são agentes patogênicos, isto é, podem desencadear 
doenças em outros seres vivos. Nos seres humanos, vários tipos de bactérias 
patogênicas são responsáveis por doenças que geraram grandes epidemias mundiais, 
resultando em inúmeras mortes. 
Exemplo: A cólera e a peste, por exemplo, são hoje doenças consideradas controladas, 
mas devastaram a população em séculos passados. 
Com o surgimento dos antibióticos e das vacinas, houve um grande controle das 
doenças infecciosas, mas muitas ainda são causa de morbimortalidade, assustando a 
sociedade com o seu aparecimento. Para que você entenda sobre o que está sendo 
abordado, abaixo temos o Quadro 3, nele descrevemos algumas bactérias patogênicas 
e a respectiva doença que ela ocasiona. 
figura 14 Quadro 3 – Bactérias patogênicas e as respetivas doenças que provocam. 
Transmissão de Infecções Causadas por Bactérias 
Doença e infecção são termos confundidos constantemente, porém existe uma 
diferença no significado de cada um. 
Definição: A infecção acontece quando um agente patogênico invade o organismo e se 
multiplica, enquanto a doença é o conjunto de alterações que acontecem no 
organismo devido à infecção. 
A transmissão da infecção ocorre através da relação entre o agente causador da 
doença, o hospedeiro e o ambiente. Assim, é importante que você saiba que a 
transmissão de um agente infeccioso para o hospedeiro pode ocorrer por três vias: 
transmissão por contato, por veículo ou por vetores (TORTORA, 2012). Vamos entendê-
las. 
Na transmissão por contato ocorre a transferência de um patógeno através de um 
contato direto, indireto ou por gotículas. É uma forma de transmissão bastante comum 
e pode acontecer, naturalmente, através do toque, beijo e relação sexual, por exemplo. 
As doenças respiratórias e as infecções sexualmente transmissíveis são exemplos de 
doenças que podem ser transmitidas por contato. Por outro lado, a transmissão por 
contato indireto acontece por meio de um objeto contaminado com o agente 
infeccioso, como, por exemplo, seringas ou materiais perfurocortantes com um 
patógeno. A transmissão por gotículas ocorre quando uma pessoa infectada expele 
através da boca, tosse ou espirro, gotículas de saliva ou muco contendo 
microrganismos patogênicos. A pneumonia e a coqueluche são exemplos de doenças 
que podem ser transmitidas através de gotículas (TORTORA, 2012). 
Já a transmissão por veículo acontece quando há uma disseminação de um 
determinado agente infeccioso na água, nos alimentos ou no vento. Doenças como a 
cólera e a leptospirose acontecem através do contato de um hospedeiro com águas 
contaminadas. Na transmissão por alimentos, agentes infecciosos são ingeridos junto 
aos alimentos que foram malcozidos ou aprontados em condições higiênicas 
inadequadas. Entre as consequências do consumo de alimentos contaminados pode-
se verificar um quadro de intoxicação alimentar, por exemplo. Por fim, a transmissão 
pelo ar consiste na propagação de microrganismos no ar por gotículas e, quando são 
depositados, podem percorrer mais de um metro em direção a um novo hospedeiro 
(TORTORA, 2012). 
Tendo o microrganismo se instalado no hospedeiro, inicia-se o processo infeccioso e o 
desenvolvimento da doença. Mas, fique atento(a), pois o desenvolvimento de uma 
infecção e uma consequente doença depende de muitos fatores para acontecer, tais 
como: a suscetibilidade do hospedeiro, o ambiente no qual ele se encontra, o grau de 
exposição ao agente etiológico causador da doença, bem como de características 
próprias do microrganismo, como patogenicidade e virulência. Dessa maneira, quando 
exposto ao microrganismo, alguns processos acontecem no organismo humano até 
que surjam os primeiros sinais e sintomasda infecção e a consequente instalação da 
doença. 
Além disso, o desenvolvimento de uma infecção e a consequente doença se 
desenvolvem em fases sequenciais. A primeira corresponde ao período de incubação, 
fase em que a infecção já aconteceu e começa o aparecimento dos primeiros sintomas 
da doença. Lembre-se de que o tempo de duração da incubação depende de alguns 
fatores, entre eles: o agente causador, a quantidade de microrganismos existentes e a 
resistência do hospedeiro. Após o período de incubação, inicia-se o período 
prodrômico, fase curta que se refere ao surgimento de sintomas leves da doença. Para 
que você entenda as etapas descritas, sugiro que você observe na Figura 12 a 
representação dos períodos de uma doença. 
Finalizando a segunda fase, surge o período de doença que corresponde ao momento 
mais severo, no qual é possível observar sinais e sintomas clássicos da doença. Nessa 
fase, pode ocorrer também o aumento ou diminuição dos leucócitos. Normalmente, a 
resposta imune desencadeada pelo paciente, associada a outros mecanismos de 
defesa, supera o agente patogênico, ocasionando o término do período de doença e 
iniciando o período de declínio. Nesse período, os sinais e sintomas regridem e a 
duração dessa fase pode variar de um até vários dias. No último período, de 
convalescença, o indivíduo se recupera da doença voltando ao seu estado de 
normalidade (TORTORA, 2012). 
Curiosidade: Em algumas doenças infectocontagiosas, a transmissão da doença 
também pode acontecer no período de incubação e no período de convalescença, 
além disso, as pessoas em estado de convalescença podem permanecer com o 
patógeno em seu organismo por anos. 
Regulação e Fatores de Virulência Bacterianos 
A capacidade que um agente infeccioso tem de produzir sintomas quando instalado 
em um organismo, em maior ou menor grau, chama-se patogenicidade. Outro termo, 
chamado virulência, reflete a capacidade relativa da bactéria em ocasionar danos ao 
hospedeiro. 
O processo patogênico compreende uma série de acontecimentos na qual alguns 
elementos bacterianos interagem com o hospedeiro, definindo se a doença irá ocorrer 
ou não. Isso porque, para ocasionar a doença, é necessário que os patógenos 
consigam acesso ao hospedeiro e tenham capacidade de se aderir aos tecidos, 
impedir as defesas e comprometer os tecidos do hospedeiro. Nesse sentido, fatores de 
virulência são estruturas bacterianas utilizadas durante o processo infeccioso, 
permitindo que o patógeno adentre, se multiplique e permaneça no hospedeiro 
provocando uma doença. Assim, a capacidade de aderência ou adesão das bactérias à 
mucosa do hospedeiro permite que o agente patogênico consiga resistir a tentativas de 
eliminação do organismo e, desse modo, conseguem colonizar seu hospedeiro 
(TRABULSI, 2015). 
É importante destacarmos que o processo de adesão das bactérias ocorre em 
estágios. O primeiro, normalmente, é intercedido por adesinas, estruturas formadas 
por proteínas que são responsáveis por reconhecer e se ligar aos receptores 
específicos da célula hospedeira. As adesinas estão localizadas em várias estruturas 
externas da bactéria, por exemplo nas fímbrias, pili e flagelos (TRABULSI, 2015). 
Observe na Figura 13 como ocorre o processo patogênico em um tecido. 
Além de aderir, as bactérias conseguem invadir algumas células do organismo humano 
e esse processo ocorre quando as bactérias adentram na célula do hospedeiro. Isso 
pode acontecer por meio da fagocitose, realizado normalmente por células 
fagocitárias, como os fagócitos, com o objetivo de defender o organismo contra 
invasores. No entanto, algumas bactérias possuem a capacidade de entrar em células 
que não são fagócitos, dessa forma, invadindo a célula, como ilustrado na imagem 
anterior. 
É necessário destacarmos que as bactérias patogênicas estão inclusas em dois 
grupos: patógeno facultativo ou patógeno intracelular obrigatório. A entrada desses 
microrganismos na célula é mediada por invasinas, proteínas que estão presentes na 
membrana externa da bactéria. Como consequência da invasão bacteriana, as células 
do hospedeiro reagem, produzindo citocinas e prostaglandinas, tentando combater o 
patógeno (BROOCKS, 2014; TRABULSI, 2015). 
Lembre-se de que a multiplicação e o desenvolvimento das bactérias acontecem tanto 
no meio intracelular como no meio extracelular, dependendo do tipo de bactéria. As 
que se desenvolvem apenas dentro da célula hospedeira necessitam de nutrientes que 
a própria célula fornece. Inclusive, esse é um ponto positivo para as bactérias 
intracelulares, uma vez que elas não podem ser fagocitadas. Já as bactérias 
extracelulares, no entanto, desenvolvem-se e se multiplicam fora das células, seja na 
circulação, seja no lúmen do intestino, ou até nas vias aéreas. 
Além disso, é crucial destacarmos que muitas bactérias precisam de fontes de ferro 
para o seu desenvolvimento e a maior parte do ferro do nosso organismo está dentro 
das células, com o ferro associado a proteínas como mioglobina, ferritina e 
hemoglobina. Lembre-se de que apenas uma pequena quantidade de ferro está no 
ambiente extracelular, com esse íon ligado a glicoproteínas como a transferrina, 
encontrada no sangue, ou lactoferrina, localizada em secreções e mucosas. Dessa 
forma, sobra uma pequena quantidade de ferro, que não é suficiente para o 
desenvolvimento das bactérias, o que faz com que elas utilizem algumas táticas para a 
obtenção de ferro (BROOCKS, 2014; TRABULSI, 2015). 
Assim, as principais estratégias utilizadas pelas bactérias para aquisição de ferro, são: 
1-a produção e utilização de sideróforos; 
2: a captação de ferro de compostos como heme, transferrina e lactoferrina, sem o uso 
de sideróforos; 
3: a redução de Fe III a Fe II, com subsequente transporte de Fe II. 
Além disso, é importante que você saiba que os sideróforos são compostos de baixo 
peso molecular que possuem uma grande afinidade por ferro e formam complexos 
importantes para as células, formando ligações com o ferro de modo que possa ser 
solubilizado e absorvido pela bactéria. Eles podem ser classificados em fenolatos e 
hidroxamatos, dois grupos de sideróforos são solúveis em Fe II. Do grupo dos fenolatos 
participa a enterobactina, que faz parte de todas as enterobactérias. Já no grupo dos 
hidroxamatos, encontra-se a aerobactina, a qual é produzida por diversas bactérias 
patogênicas da família enterobacteriaceae (BROOCKS, 2014; TORTORA, 2012; 
TRABULSI, 2015). 
Por meio dos sideróforos, algumas bactérias podem apresentar receptores que se 
ligam inteiramente às proteínas que transportam o ferro para a hemoglobina. Assim, as 
moléculas de hemoglobina são absorvidas pela bactéria junto ao ferro. Um detalhe 
muito importante é que as bactérias podem, ainda, produzir algumas toxinas quando 
os níveis de ferro estão baixos e essas toxinas matam as células do hospedeiro, 
disponibilizando o ferro para a bactéria usá-lo como fonte de nutriente. Essa 
capacidade que as bactérias possuem para produzir toxinas é chamada de 
toxigenicidade. Quando as toxinas são liberadas pelas bactérias, além de destruir a 
célula do hospedeiro, provocam vários sinais e sintomas, por exemplo, febre, diarreia e 
choque. Além disso, podem bloquear a síntese de proteínas e causar danos no sistema 
nervoso central, ocasionando espasmos (BROOCKS, 2014; TRABULSI, 2015). 
As toxinas são classificadas em dois grupos: exotoxinas e endotoxinas. As exotoxinas 
são produzidas por bactérias Gram-positivas e Gram-negativas, sendo liberadas após 
a lise (rompimento da membrana) da célula. Algumas são proteínas e outras são 
enzimas. Essas toxinas atuam danificando as células dos hospedeiros ou bloqueando 
algumas funções metabólicas. Os sinais e sintomas das doenças causadas por 
bactérias que liberam exotoxinas são ocasionados pelas toxinas, mas não são muito 
específicos. Seus efeitos são gerais e não incluem febre, mas pode incluir diarreia e 
dano neuronal. O botulismo, por exemplo, geralmenteé ocasionado pela ação de uma 
exotoxina produzida pela bactéria Clostridium botulinum, e não pela infecção 
bacteriana (BROOCKS, 2014; TRABULSI, 2015). 
As endotoxinas, diferentemente das exotoxinas, fazem parte da parede celular de 
bactérias Gram-negativas. Como sabemos, as bactérias Gram-negativas possuem 
uma membrana externa que envolve a camada de peptideoglicano da parede celular. 
Essa membrana externa é formada por lipoproteínas, fosfolipídios e 
lipopolissacarídeos. As endotoxinas são lipopolissacarídeos da parede celular e são 
liberadas quando as bactérias Gram-negativas são destruídas. Alguns antibióticos que 
são utilizados para o tratamento de doenças ocasionadas por bactérias Gram-
negativas possuem a capacidade de lisar essas bactérias e, como consequência, 
ocorre a liberação das endotoxinas, o que pode refletir em uma piora imediata dos 
sintomas. Mas, por outro lado, o paciente tende a apresentar uma melhora da doença 
à medida que as endotoxinas vão sendo destruídas no organismo (BROOCKS, 2014; 
TRABULSI, 2015). 
Você sabia? 
 
Um detalhe importante sobre as endotoxinas é que todas elas provocam os mesmos 
sinais e sintomas, por mais que seja em grau maior ou menor, independentemente da 
espécie bacteriana. A maioria dos sintomas provocados pelas endotoxinas incluem 
calafrios, febre, fraqueza, dores musculares e, em casos extremos, pode levar ao 
choque e até mesmo ao óbito. 
Microbiota Normal Humana 
Todos nós possuímos trilhões de bactérias no nosso organismo. Essas bactérias, ao 
contrário das que conhecemos anteriormente, não causam doenças e fazem parte da 
nossa microbiota normal. 
 
Definição: A microbiota compreende o conjunto de microrganismos que fazem parte 
do nosso organismo, mas, normalmente, não causam doenças ou qualquer outro 
prejuízo ao hospedeiro. Lembre-se de que os seres humanos não possuem 
microrganismos na vida intrauterina, mas ao nascerem, os microrganismos se 
estabelecem em várias regiões do corpo, tornando-se parte da microbiota normal. 
Enquanto estão presentes em abundância em algumas partes do nosso organismo, 
outras regiões do corpo humano estão livres deles. As regiões que mais apresentam 
microrganismos são as que estão em contato com o meio externo, como a pele e as 
mucosas. A microbiota pode ser classificada em transitória e permanente. A transitória 
ocorre quando os microrganismos permanecem por um período e depois 
desaparecem sem causar danos. A residente compreende a microbiota normal do 
organismo, isto é, os microrganismos que se tornam permanentes por tempo 
indeterminado, em condições normais, sem causar doenças (TORTORA, 2012; 
TRABULSI 2015). 
 
Os microrganismos que fazem parte da microbiota normal estabelecem uma relação 
de simbiose com o hospedeiro, retirando nutrientes da região onde colonizam e, de 
certo modo, protegendo aquele espaço contra a invasão de microrganismos 
patogênicos. Eles fazem isso por um mecanismo conhecido como antagonismo 
microbiano, no qual promovem a alteração do pH daquele local, liberam substâncias 
prejudiciais aos patógenos, dentre outros (TORTORA, 2012). 
 
É importante destacarmos que o corpo humano é abundantemente abrigado por 
bactérias. Antes, acreditava-se que cada pessoa possuía cerca de dez vezes mais 
células bacterianas do que células normais humanas, mas novos estudos 
demonstraram que essa proporção está próxima de 1:1, ou seja, uma célula bacteriana 
para uma célula humana. 
 
Vamos conhecer agora as principais bactérias que compõem a nossa microbiota 
normal de acordo com as diferentes regiões do corpo. 
 
Microbiota normal da pele e da boca 
 
A pele é uma das regiões do nosso corpo onde é possível encontrar uma grande 
quantidade de microrganismos, por conta do contato direto com o meio externo. Axilas 
e períneo são as regiões de maior concentração microbiana, devido à umidade e 
temperatura que favorecem a sobrevivência dos microrganismos. Entre os que podem 
ser encontrados na microbiota normal da pele é possível verificar a presença de 
bactérias dos gêneros Propionibacterium, Staphylococcus, Corynebacterium, 
Micrococcus, Acinetobacter e Brevibacterium e fungos dos gêneros Pityrosporum, 
Candida e Malassezia (TRABULSI, 2015). 
 
Curiosidade: A boca apresenta uma vasta população microbiana, presente entre os 
dentes, gengiva e mucosa. É estimado que cerca de 700 espécies de bactérias façam 
parte da microbiota normal da boca. Os gêneros comumente encontrados na boca são 
Staphylococcus, Streptococcus, Neisseria, Bacteroides, Actinomyces, Prevotella, 
Porphyromonas, Treponema e Mycoplasma (TRABULSI, 2015). 
 
Microbiota normal do trato respiratório e do trato intestinal 
 
Uma grande quantidade de bactérias coloniza o trato respiratório superior. Dessa 
maneira, o nariz é frequentemente colonizado por Staphylococcus e Corynebacterium. 
Em pessoas que fizeram uso de alguns tipos de antibióticos, podemos encontrar 
Klebsiella pneumoniae, Escherichia coli e Pseudomonas aeruginosa. Já na faringe e na 
traqueia, frequentemente, são encontrados Streptococcus pneumoniae, Neisseria, 
Staphylococcus, Haemophilus e Mycoplasma. Lembre-se de que os bronquíolos e 
alvéolos são, em condições normais, estéreis, ou seja, não apresentam 
microrganismos (BROOCKS, 2014; TRABULSI, 2015). 
 
Em relação à microbiota intestinal, no intestino delgado, na região do íleo, verificamos 
a presença de anaeróbios facultativos, enterobactérias e anaeróbios obrigatórios tais 
como Bacteroides, Veillonella, Clostridium, Lactobacillus e Enterococcus. É 
importante destacarmos que o cólon, região do intestino grosso, apresenta a maior 
densidade e diversidade de microrganismos do corpo humano, e os gêneros mais 
frequentemente encontrados são Bacteroides, Bifidobacterium, E. coli, Clostridium, 
Eubacterium, Bacillus, Peptostreptococcus, Fusobacterium e Ruminococcus 
(BROOCKS, 2014; TRABULSI, 2015). Dito isso, observe na Figura 14 bactérias que estão 
presentes no intestino grosso. 
 
Microbiota normal da vagina 
 
A microbiota do trato genital feminino é modificada de acordo com a idade, ciclo 
menstrual, pH, uso de anticoncepcionais e relação sexual. Do nascimento até os 
primeiros seis meses de vida é comum uma presença maior de Lactobacillus. Além 
disso, é importante você estar ciente de que algumas pesquisas têm mostrado que, no 
período reprodutivo, a microbiota da vagina é formada por 85% de Lactobacillus, 
Gardnerella e Atopodium. Além disso, você deve saber que na vulva é possível 
encontrar Staphylococcus coagulase negativo, Staphylococcus saprophyticus e E. coli 
(BROOCKS, 2014; TRABULSI, 2015). 
 
Microbiota normal do olho 
 
No olho é possível encontrar as seguintes bactérias: Staphylococcus epidermidis, S. 
aureus, Difteroides, Propionibacterium, Corynebacterium, Streptococcus e 
Micrococcus. Lembre-se de que, normalmente, a conjuntiva, mucosa transparente 
externa do olho, apresenta os mesmos microrganismos que são encontrados na pele 
(BROOCKS, 2014; TRABULSI, 2015). 
 
Curiosidade: Devido à conjuntiva estar exposta diretamente ao ambiente externo, é 
comum a presença de muitos microrganismos nessa região. No entanto, as lágrimas e 
o ato de piscar auxiliam na eliminação de alguns micróbios e impedem que outros 
colonizem. 
 
Todos os organismos que acabamos de conhecer nesse capítulo normalmente não 
causam nenhum tipo de dano ao nosso organismo, porém, como foi citado 
anteriormente, várias bactérias são patogênicas e conseguem desencadear doenças. 
Dessa maneira, nosso organismo tentará combater o processo infeccioso, mas, caso 
não consiga promover mecanismos de defesa suficientes para acabar com a infecção 
ou doença, necessitaremos de medicamentos antimicrobianos, como veremos a 
seguir. 
 
Agentes antimicrobianos 
 
Mecanismos de Ação de Agentes Antimicrobianos 
 
Quando o nosso organismo não consegue impedir ou acabar com uma doença, se faz 
necessário o uso de drogas antimicrobianas que atuam muitas

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