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PÚBLICA CENTRO UNIVERSITÁRIO UNICA Curso: Engenharia Civil Professor: Carlos Alberto dos Santos Neto Disciplina: Concreto Sustentável Integrantes: Ana Lúcia Freire Abrantes Cláudio Fideles Arruda Johnny Cézar da Silva João Carlos Sarri Júnior Mayara Souza da Silva CONCRETO SUSTENTÁVEL: INOVAÇÕES, IMPACTOS E DESAFIOS NA CONSTRUÇÃO CIVIL O concreto é, inegavelmente, um dos materiais de construção mais cruciais e onipresentes do mundo moderno. No entanto, sua produção tradicional tem um impacto ambiental significativo, o que impulsionou uma transformação na indústria: a busca pelo concreto sustentável. O avanço tecnológico e a crescente preocupação com o meio ambiente têm impulsionado transformações profundas no setor da construção civil. Tradicionalmente reconhecida como uma das atividades humanas que mais consomem recursos naturais e geram impactos ambientais, a construção civil vem sendo desafiada a adotar práticas mais sustentáveis e eficientes. Nesse contexto, o concreto sustentável emerge como uma alternativa estratégica para reduzir emissões de gases de efeito estufa, otimizar o uso de materiais e promover edificações mais duráveis e ambientalmente responsáveis (MEHTA; MONTEIRO, 2014). Outra tendência importante é o Concreto Reciclado, que utiliza agregados provenientes da demolição e resíduos de construção civil. Esta prática não só reduz a necessidade de extração de agregados virgens (areia e brita), como também minimiza a quantidade de entulho destinada a aterros. Além disso, a nanotecnologia tem aberto portas para concretos mais duráveis, autorreparáveis e com propriedades térmicas aprimoradas, contribuindo para a eficiência energética das edificações. O Concreto Permeável é outra inovação crescente, utilizada para pavimentação, que permite a infiltração de água no solo, auxiliando no gerenciamento de águas pluviais em áreas urbanas. PÚBLICA O concreto é o material mais utilizado pela humanidade, superando inclusive o consumo de água potável em termos de volume (JOHN, 2000). No entanto, sua produção, especialmente a do cimento Portland — principal aglomerante da mistura —, é responsável por cerca de 8% das emissões globais de dióxido de carbono (CO₂), conforme apontam Scrivener, John e Gartner (2018). Assim, o desenvolvimento de concretos de baixo impacto ambiental, como o concreto sustentável, tem se tornado um dos principais focos de pesquisa na engenharia civil contemporânea. De acordo com Helene (2011), o concreto sustentável pode ser definido como aquele que concilia desempenho técnico, durabilidade e menor impacto ambiental ao longo de seu ciclo de vida. Isso inclui desde a escolha e a extração das matérias-primas até a execução, manutenção e possível reciclagem da estrutura. Tais concretos utilizam matérias-primas alternativas, como adições minerais — cinzas volantes, sílica ativa, metacaulim e escória de alto-forno — e agregados reciclados provenientes de resíduos da construção e demolição (SILVA; FIGUEIREDO, 2019). Essas substituições reduzem a necessidade de cimento Portland, diminuindo o consumo energético e as emissões associadas à sua produção. Além das substituições materiais, há inovações que transformam o comportamento e as funções do concreto. Um exemplo é o concreto autorregenerativo, desenvolvido com bactérias ou microcápsulas que reparam microfissuras automaticamente, prolongando a vida útil das estruturas e reduzindo custos de manutenção (WANG et al., 2014). Outro avanço relevante é o concreto permeável, que possibilita a infiltração da água da chuva no solo, contribuindo para a drenagem urbana sustentável e mitigando problemas de alagamento (PEREIRA; LIMA; ALMEIDA, 2021). O uso de nanotecnologia, por meio da adição de nanopartículas de dióxido de titânio (TiO₂), também vem sendo estudado para conferir propriedades fotocatalíticas ao concreto, promovendo a autolimpeza das superfícies e a decomposição de poluentes atmosféricos (MEHTA; MONTEIRO, 2014). A incorporação de práticas sustentáveis no setor construtivo está diretamente alinhada aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) estabelecidos pela Organização das Nações Unidas (ONU), especialmente o ODS 9 (Indústria, inovação e infraestrutura) e o ODS 11 (Cidades e comunidades sustentáveis). Lima (2020) destaca que a engenharia civil tem papel central nesse processo, por meio da adoção de tecnologias que conciliem viabilidade econômica, eficiência estrutural e preservação ambiental. Assim, o concreto sustentável não se limita a uma questão técnica, mas representa um novo paradigma de responsabilidade ambiental na construção civil. PÚBLICA Contudo, a aplicação em larga escala dessa tecnologia ainda enfrenta desafios consideráveis. Segundo John (2000), há barreiras econômicas, como o custo inicial elevado de alguns materiais alternativos, e institucionais, como a falta de normalização e de políticas públicas voltadas à sustentabilidade na construção. Além disso, a falta de capacitação profissional e o desconhecimento sobre o comportamento de concretos não convencionais dificultam sua adoção em projetos estruturais de grande porte (HELENE, 2011). Para superar tais obstáculos, é fundamental que a engenharia civil amplie a pesquisa sobre durabilidade, desempenho e viabilidade econômica desses materiais. A metodologia do ciclo de vida, conforme defende Silva (2019), deve ser incorporada ao processo de projeto e execução, permitindo mensurar com precisão os benefícios ambientais do concreto sustentável em relação ao tradicional. A integração entre inovação tecnológica, gestão ambiental e políticas públicas é essencial para consolidar o uso do concreto sustentável no cenário nacional. À medida que novas tecnologias, como concretos com captura de CO₂ e ligantes à base de geopolímeros, se tornem economicamente viáveis, a construção civil brasileira poderá avançar para um modelo verdadeiramente sustentável (SCRIVENER; JOHN; GARTNER, 2018). Assim, o concreto sustentável representa não apenas uma inovação técnica, mas uma necessidade ética e ambiental diante das demandas do século XXI. Sua aplicação contribui para o desenvolvimento de cidades mais resilientes e eficientes, reduzindo a pegada de carbono do setor construtivo. Investir em pesquisa, capacitação e conscientização profissional é, portanto, o caminho para transformar o concreto – símbolo da construção moderna – em um agente de sustentabilidade e inovação. O futuro da construção civil depende intrinsecamente do sucesso do concreto sustentável. Ao abraçar as inovações, ao mitigar o impacto ambiental e ao superar os desafios regulatórios e de logística, a indústria do concreto pode garantir que este material essencial continue a construir o nosso mundo, mas de uma forma muito mais responsável e alinhada com as necessidades urgentes do planeta. Imagem 1: Reunião por videoconferência (Google Meet) PÚBLICA Fonte: Foto tirada pelos alunos do grupo Referências HELENE, Paulo. Concreto de alto desempenho: tecnologia e aplicações. São Paulo: Pini, 2011. JOHN, Vanderley M. Materiais de construção e o meio ambiente. São Paulo: Blucher, 2000. LIMA, Renata A. Sustentabilidade na construção civil: desafios e perspectivas. Revista Ambiente Construído, v. 20, n. 2, p. 33–48, 2020.MEHTA, P. Kumar; MONTEIRO, Paulo J. M. Concreto: microestrutura, propriedades e materiais. 2. ed. São Paulo: IBRACON, 2014. PEREIRA, Daniel S.; LIMA, Gustavo R.; ALMEIDA, Júlio C. Concretos permeáveis e drenagem urbana sustentável. Revista Engenharia Verde, v. 9, n. 3, p. 112–125, 2021. SCRIVENER, Karen L.; JOHN, Vanderley M.; GARTNER, Ellis M. Eco-efficient cements: Potential, economically viable solutions for a low-CO₂ cement-based materials industry. Cement and Concrete Research, v. 114, p. 2–26, 2018. SILVA, André R.; FIGUEIREDO, Camila A. Concreto sustentável:inovação e desempenho ambiental. Revista Engenharia Civil, v. 65, p. 45–59, 2019. WANG, J. et al. Self-healing concrete by use of microencapsulated bacterial spores. Cement and Concrete Research, v. 56, p. 139–152, 2014.