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Estudo do Desempenho Estrutural de uma Viga de Ponte Rolante com Aplicação de Análise por Elementos Finitos Lucas da Silva Cavalheiro; Rayanne de Paula Thomé; Rodrigo da Silva Gonçalves Pina; Wagner Lúcio FonsecaVolta Redonda - RJ Prof. Orientador: Gerson Alves Inacio A ponte rolante opera em trabalho pesado e contínuo, e a viga principal recebe as ações das rodas do trolley, do peso da talha e da carga, além de efeitos associados à operação. Dimensionamento inadequado pode gerar deformações excessivas, problemas de alinhamento, trincas e paradas não planejadas; superdimensionamento aumenta custo e dificulta fabricação. Introdução A FEA permite ir além das fórmulas simplificadas e enxergar concentrações de tensão, influência de furos/enrijecedores e distribuição real de esforços. No Inventor, a análise acontece dentro do ambiente de projeto, funcionando como “protótipo virtual” para testar cenários e validar soluções antes da fabricação. Justificativa Construir um modelo numérico representativo, aplicar carregamentos condizentes com a operação e avaliar tensões e deformações, apoiando decisões de engenharia com base em evidência. Objetivo Geral Objetivo Específico Definir o objeto de estudo e realizar a parametrização geométrica; Modelar/considerar o conjunto do trolley; Executar a análise estática em software CAE (FEA); Aplicar critérios de aceitação, fazer verificação normativa e registrar os resultados. As normas ABNT NBR 8800:2024 e a família ABNT NBR 8400 reforçam a verificação de limites de deslocamento em serviço, estabilidade e checagens ao escoamento/fadiga em estruturas e equipamentos de elevação. Além disso, o trabalho destaca que em vigas de ponte rolante predominam flexão e cisalhamento, com pontos críticos associados a detalhes geométricos e enrijecedores. Normas Técnicas Aplicáveis A metodologia combina protótipo digital, FEA e validações simplificadas em quatro etapas: 1.definição do objeto e parametrização geométrica; 2.conjunto do trolley; 3.análise estática em CAE; 4.critérios de aceitação/verificação normativa e registro dos resultados. Referencial Teórico (visão geral) Objeto de Estudo Figura 1: Ponte Rolante. Fonte: Autor Trata-se de ponte rolante birrail com duas vigas principais soldadas, com enrijecedores transversais ao longo do vão e aberturas circulares na alma na região central. trolley + talha + carga → rodas do trolley → mesa superior → esforços internos (flexão/cisalhamento) → regiões críticas próximas a enrijecedores e recortes. O caminho de carga é clássico Viga Comprimento total: 20.000 mm Altura da seção: 800 mm Espessura da alma: 40 mm Aberturas circulares na alma para inspeção Enrijecedores transversais ao longo do vão Aberturas circulares na alma para inspeção Enrijecedores transversais ao longo do vão Figura 4: Viga Principal da Ponte Rolante Fonte: Autor O trolley (carro de talha) se desloca sobre as mesas superiores das vigas e é o conjunto que leva a carga até a viga. Componentes principais: base transversal (chassi), moto-redutor de translação, tambor do cabo de aço, polias, freio e gancho. Conjunto do trolley: o que é e o que compõe Figura 2: Montagem do trolley com tambor e sistemas de tração/elevação; destaque para a janela de propriedades do Inventor. Fonte: Autor (Inventor 2024). Bitola do chassi: alinhada aos trilhos/rodas sobre as mesas, considerando folgas, para garantir distribuição simétrica. Entre-eixos: definido para reduzir pico de reação por roda (logo, tensões locais), sem perder aproximação do gancho. Tambor centralizado: mantém o CG entre os eixos, melhorando a repartição de reações e o comportamento do conjunto. Conjunto do trolley: critérios geométricos adotados Figura 3: Protótipo do trolley utilizado no estudo: cargas do conjunto (tambor + moto redutor + gancho) são transmitidas às rodas e, por meio delas, às vigas principais da ponte. Fonte: Autor (Inventor 2024). No FEA, as cargas aplicadas (2×130 kN) representam a reação das rodas do trolley na condição crítica de posicionamento. O peso próprio do trolley também entra como contribuição (massa obtida no Inventor ≈ 1.528 kg). Por que o trolley importa na análise da viga Modelagem em cascas (shells) com espessuras reais (mesas, alma e enrijecedores); Contatos bonded (chapas soldadas); Peso próprio ativado; Carregamentos aplicados conforme pontos demarcados no modelo Modelo numérico (hipóteses e configuração) Figura 5: Cargas Aplicadas Fonte: Autor – Inventor 2024 Duas forças concentradas na mesa superior, direção Fy negativa: 130 kN cada Aplicação proposital na região com aberturas na alma, para avaliar concentração de tensões Vínculos/apoios adotados conforme modelagem do estudo e relatório do Inventor Carregamentos e Vínculos Material adotado: aço carbono estrutural, E = 200 GPa, ν = 0,3, fy = 350 MPa, ρ = 7.850 kg/m³ Malha: 10.649 nós e 5.309 elementos, com refino em regiões de furos/enrijecedores Material e Malha Figura 6: Aplicação das cargas concentradas na mesa superior da viga e visualização da malha de elementos finitos no Autodesk Inventor. Tensão equivalente von Mises máxima: 105,4 MPa; Localização: regiões mais solicitadas próximas a recortes e pontos de carga; Interpretação: valor muito abaixo de fy, indicando ampla margem de segurança. Resultados FEA: tensões Deslocamento máximo: 1,781 mm (concentrado na região central) Componentes: X = 0,02444 mm | Y = 1,781 mm | Z = 0,1808 mm Flechas abaixo dos limites prescritos pela ABNT NBR 8400, mantendo alinhamento e operação Resultados FEA: deslocamentos Figura 7: Distribuição de deslocamentos na viga sob carregamento estático, obtida via FEA no Autodesk Inventor. Figura 8: Análise de Tensão, obtida via FEA no Autodesk Inventor. Flecha Teórica Validação: analítico vs FEA Flecha no FEA 2.06mm 1,781mm O valor teórico maior pode ser atribuído a hipóteses simplificadas e diferenças de condição de contorno e modelagem tridimensional. Figura 9: Distribuição das cargas móveis do trolley sobre a viga principal; com duas forças concentradas Análise e Discussões Análise e Discussões A avaliação combina cálculo clássico (reações, diagramas, tensões e checagens pela NBR 8400/NBR 8800) com FEA, para fazer “referência cruzada” entre manual e numérico. No FEA (2×130 kN), o pico de von Mises = 105,4 MPa ocorre na região aberturas/enrijecedores, e a flecha máxima = 1,781 mm aparece no vão central, indicando ampla margem para o caso-base. Na validação, a flecha teórica (2,06 mm) ficou acima da flecha FEA (1,781 mm), diferença atribuída a flexibilidade real dos engastes, cisalhamento, modelagem 3D e condições de contorno não ideais. A simulação confirma o comportamento seguro e ainda “aponta” as regiões mais sensíveis (aberturas e encontros com enrijecedores) como foco de detalhamento/soldagem, mantendo tensões abaixo do limite adotado. Conclusão O trabalho permitiu compreender o comportamento estrutural da viga integrando modelagem 3D, resistência dos materiais, normas técnicas e simulação numérica. O Inventor mostrou-se essencial para representar a geometria e conduzir análise com detalhamento. As verificações indicam comportamento seguro: tensões abaixo dos limites, flecha dentro do critério de serviço e coerência entre analítico e numérico, validando a robustez do projeto. Referências ABNT NBR 8400-1:2019 / ABNT NBR 8400-2:2019 ABNT NBR 8800:2024 Hallack (2012) Leite (2017) Azevedo (2003) Ribeiro (2013) Obrigado!