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Relatório Técnico-Estratégico: PNIB – Blueprint para um Sistema Nacional de Rastreabilidade Individual Bovina (2025-2032) I. O Imperativo da Rastreabilidade: PNIB como Ferramenta de Governança e Competitividade Global O Brasil, detentor do maior rebanho comercial do mundo, com 238,2 milhões de bovinos, iniciou um processo de transformação estrutural da sua pecuária através do lançamento do Plano Nacional de Identificação Individual de Bovinos e Bubalinos (PNIB). Esta iniciativa, popularmente chamada de “CPF do boi,” transcende o mero cumprimento de formalidades mercadológicas. O PNIB estabelece uma infraestrutura de gestão e compliance que é fundamental para a projeção da carne brasileira em um cenário global cada vez mais exigente em segurança alimentar, sanidade e sustentabilidade. 1.1. Contexto Regulatório: Marco Legal do PNIB e o Plano Estratégico 2025–2032 O PNIB representa uma política pública robusta, estruturada para o período de 01 de janeiro de 2025 até 31 de dezembro de 2032.1 A base legal para esta iniciativa remonta ao Decreto nº 7.623, de 22 de novembro de 2011 1, e sua implementação foi formalizada sob a coordenação direta do Departamento de Saúde Animal (DSA/MAPA), após um amplo debate com todos os atores da cadeia produtiva, conforme estabelecido na Portaria SDA/MAPA Nº 1.113, de 14 de maio de 2024.2 O escopo do PNIB é universal, comprometendo-se com a rastreabilidade individual abrangente de todo o rebanho nacional.3 É importante notar que o plano aplica-se independentemente do destino comercial da carne, seja para o mercado interno ou externo.3 Esta universalidade transforma a rastreabilidade de um diferencial competitivo ou um requisito específico de exportação em um custo de entrada obrigatório para a pecuária nacional. Para o desenvolvimento de um sistema de controle, essa mudança é crucial, pois exige que a solução tecnológica seja escalável e economicamente acessível para a vasta base de produtores, incluindo aqueles que historicamente não buscavam a certificação de alto valor. O cronograma de implementação do PNIB está dividido em etapas que convergem para a conclusão em 31/12/2032.2 A fase inicial, que abrange o período de 2025 a 2026, é estratégica. Este tempo é dedicado à transição, testes e aperfeiçoamento das ações, focando na criação do sistema informatizado federal e na implementação da Base Central de Dados (BCD).2 A janela crítica de 2025 a 2026 impõe uma urgência na integração tecnológica. Durante este período, os Órgãos Executores de Sanidade Animal (OESAS) estaduais devem ajustar seus sistemas para que suas bases de dados se alinhem aos objetivos do PNIB.2 Isso requer que AgTechs e empresas desenvolvedoras de sistemas atuem proativamente, buscando a homologação e participando de projetos piloto — como os já lançados em estados como Goiás e Rio Grande do Sul 5 — para assegurar que seus hardwares e softwares estejam desde o início compatíveis com a arquitetura e os padrões de dados do futuro sistema federal. A arquitetura de software deve ser flexível o suficiente para interagir com sistemas legados estaduais em plena fase de ajuste. 1.2. A Universalização da Identificação: PNIB vs. SISBOV O cerne do PNIB é a criação do “CPF animal,” um código único que permite a coleta e consulta de dados detalhados sobre o histórico de vida de cada bovino ou búfalo.6 Este identificador individual é a chave para rastrear a origem do animal, as propriedades por onde passou, os tratamentos recebidos, o histórico de vacinação e o atendimento a requisitos de bem-estar, sanidade e nutrição.6 Historicamente, o Brasil contava com o Sistema Brasileiro de Identificação e Certificação de Origem Bovina e Bubalina (SISBOV), um protocolo oficial criado para atender as exigências de exportação de mercados premium, notadamente a União Europeia.7 O SISBOV fornecia um histórico individual completo, cobrindo controle de origem, vacinação e movimentação.7 O PNIB não anula o SISBOV, mas o transcende, servindo como a nova infraestrutura regulatória e tecnológica que sustentará a rastreabilidade massiva e compulsória. O plano prevê que o futuro sistema nacional se integre com as bases estaduais, estabelecendo a BCD como o repositório definitivo da informação oficial.6 Um ponto de inflexão regulatório é o momento da identificação: o PNIB exige que a identificação individual seja obrigatória antes da primeira movimentação do animal.2 Essa regra se aplica a todos os animais que transitarem no território nacional, independentemente do motivo.2 A imposição da identificação precoce garante que o sistema registre a Propriedade de Identificação (PIC) de origem e o histórico sanitário básico desde o início da vida do animal. Tal medida é vital para a biosegurança nacional, pois em caso de ocorrência de doenças, a localização e o rastreamento das origens dos animais contaminados tornam-se imediatos, evitando que medidas sanitárias generalizadas sejam impostas e protegendo a reputação internacional do país contra embargos totais.6 Portanto, enquanto o SISBOV era um protocolo de certificação que garantia um sobrepreço pela carne rastreada, o PNIB é a espinha dorsal tecnológica que torna a rastreabilidade a base de dados auditável. O novo sistema a ser desenvolvido deve, assim, ser capaz de gerenciar a granularidade de dados exigida pelo PNIB (ID ISO 076, BCD), mas também manter a capacidade de gerar relatórios que sejam compatíveis com os protocolos privados ou as exigências de certificação de alto valor existentes, assegurando compatibilidade e continuidade de mercado. II. Requisitos de Compliance Internacional e a Modelagem de Dados ESG A adoção do PNIB é uma resposta estratégica não apenas a necessidades internas de gestão sanitária, mas principalmente a uma nova onda de exigências de compliance global que vincula a exportação de commodities à sustentabilidade e à prova de origem. 2.1. O Desafio da EUDR: Rastreabilidade End-to-End e a Prova de Desmatamento Zero A União Europeia (UE) é um dos mercados de destino mais importantes para a carne bovina brasileira, sendo o segundo maior destino das exportações de carne bovina de Goiás, por exemplo, em 2023.9 O acesso a este mercado está agora intrinsecamente ligado ao cumprimento do Regulamento da União Europeia sobre Produtos Livres de Desmatamento (EUDR).10 A EUDR exige que as empresas comprovem que o gado não foi criado em áreas desmatadas e que todo o seu histórico sanitário e de manejo esteja rigorosamente documentado.9 Isso representa uma mudança paradigmática: o foco anterior, muitas vezes limitado aos últimos 90 dias de vida do animal, é substituído pela exigência de uma rastreabilidade completa e end-to-end, cobrindo o ciclo de vida inteiro.9 Para o sistema de rastreabilidade, isso implica que a simples identificação individual, o "Quem" (o CPF do boi), e o registro da movimentação, o "Quando/Para Onde" (as datas de trânsito), são insuficientes. A EUDR exige o "Onde" histórico em relação ao uso da terra. A rastreabilidade individual deve ser complementada com o georreferenciamento de compliance. O sistema a ser desenvolvido deve, portanto, vincular cada evento de movimentação e permanência do animal (o Código de Identificação da Propriedade – PIC) ao georreferenciamento preciso e atualizado da fazenda. Isso exige a integração com APIs robustas capazes de consultar dados geoespaciais e mapas de desmatamento (o que constitui o núcleo da Declaração de Due Diligence da Sustentabilidade – DDS). Uma falha na precisão da vinculação ID Animal–PIC ao longo do tempo representa um risco de compliance regulatório de desmatamento zero. O mercado, impulsionado pela pressão regulatória da UE, está atuando como catalisador da adoção tecnológica. Os frigoríficos exportadores, sujeitos à EUDR, exigirão a rastreabilidade completa de seus fornecedores antes da data final de conclusão do PNIB em 2032. Portanto, osistema deve priorizar funcionalidades de relatórios EUDR, garantindo que o investimento do produtor se converta em uma vantagem competitiva imediata. A conformidade não é apenas o cumprimento da lei, mas sim uma garantia de que o produto brasileiro permanecerá competitivo globalmente.10 A rastreabilidade completa tem o potencial de agregar valor ao produto, garantir estabilidade de preços em momentos de crises sanitárias e pode, em um estado como Goiás, por exemplo, gerar um acréscimo significativo no PIB estadual.9 2.2. Padrões Sanitários Globais: OIE e Codex Alimentarius Além dos requisitos ambientais, o PNIB reforça o compromisso do Brasil com a segurança alimentar e a sanidade animal. O sistema de rastreabilidade individual permite comprovar com precisão o histórico sanitário de cada animal, incluindo tratamentos e vacinações.6 Essa capacidade de documentação detalhada é essencial para cumprir os padrões internacionais estabelecidos pelo Codex Alimentarius e pela Organização Mundial de Saúde Animal (OIE).11 O Brasil, como membro da OMC, está sujeito às deliberações desses acordos.11 Ao rastrear o histórico sanitário de forma individualizada, o país demonstra um controle de biosegurança superior, o que facilita o acesso a mercados mais exigentes e reduz a probabilidade de embargos gerais motivados por surtos localizados. O PNIB, ao universalizar esta prática, eleva o patamar de confiança internacional na cadeia produtiva da carne bovina brasileira. III. Especificações Técnicas Fundamentais para o Desenvolvimento do Sistema O desenvolvimento de um sistema de controle de rebanho deve ter como ponto de partida as especificações técnicas obrigatórias ditadas pelo PNIB, focando na interoperabilidade e na integridade dos dados na origem. 3.1. Hardware de Identificação: Detalhamento dos Dispositivos Padrão PNIB O Plano Nacional impõe requisitos claros para os elementos de identificação individual. A rastreabilidade individual obrigatória, a ser utilizada antes da primeira movimentação, exige uma solução de identificação dual.2 O padrão PNIB requer: 1. Um Brinco auricular do tipo bandeira padrão PNIB em uma das orelhas; e 2. Um Botton auricular padrão PNIB na outra orelha.2 Crucialmente, a regulamentação exige que pelo menos um dos dispositivos seja eletrônico.2 Esta exigência de redundância (físico e eletrônico) é vital para a integridade e a durabilidade do sistema de identificação em campo. Caso ambos os dispositivos sejam não eletrônicos, o MAPA exige a presença de um Brinco auricular do tipo bandeira e um Botton auricular, um em cada orelha, garantindo a identificação visual mínima.2 O padrão de interoperabilidade é o requisito técnico mais crítico. A numeração de identificação dos dispositivos eletrônicos deve ser compatível com a norma ISO 076.2 Este padrão internacional garante que o ID do animal será reconhecido globalmente. Em termos de características físicas, o elemento principal deve ter a coloração amarela Pantone, entre 100 e 102 C, e possuir a característica de ser inviolável.2 A exigência de identificação dual e inviolável visa proteger a cadeia de custódia e a integridade dos dados. No entanto, o sistema precisa incorporar um protocolo robusto de "perda e substituição" para gerenciar a rotina de campo. Se um brinco eletrônico for perdido, o botton físico pode manter a identidade primária, mas o sistema digital deve registrar imediatamente a perda e a eventual substituição do dispositivo físico, garantindo que o histórico de IDs secundários esteja sempre vinculado ao ID primário (ISO 076). O desenvolvimento do sistema de software deve, portanto, incluir um módulo de Gestão de Identificação que não apenas cadastre o ID (ISO 076), mas que também gerencie a associação e o status operacional (ativo, perdido, substituído) dos dois dispositivos físicos. Tabela 1: Parâmetros Técnicos de Identificação e Padrões PNIB Elemento Padrão/Especifica ção Técnica Requisito Legal (ISO/MAPA) Significância para o Projeto Dispositivos Obrigatórios Brinco tipo bandeira e Botton auricular Portaria SDA/MAPA Nº 1.113/2024 2 Exige o gerenciamento da associação de dois dispositivos físicos ao ID único do animal (redundância de campo). Tecnologia Eletrônica Pelo menos um dispositivo deve ser eletrônico Especificação Técnica PNIB 2 Necessidade de desenvolver ou integrar interfaces de comunicação com leitores RFID/EID (leitura automatizada). Numeração ISO 076 Norma Internacional de Identificação Eletrônica 2 Critério de Interoperabilidade Global: O ID central do sistema deve seguir este padrão para garantir o reconhecimento internacional. Coloração e Segurança Amarelo Pantone (100 a 102 C) e Inviolável Especificação Técnica PNIB 2 Auxilia na identificação visual rápida e protege a integridade da identidade do animal. 3.2. Arquitetura da Identificação Individual: O Ciclo de Vida do "CPF do Boi" A arquitetura de identificação do PNIB deve ser modelada para rastrear todo o ciclo de vida do animal, desde o nascimento até o abate. O sistema precisa registrar a localização de nascimento, a movimentação entre propriedades, os tratamentos recebidos e o histórico reprodutivo.6 O modelo internacional de rastreabilidade de sucesso, como o National Livestock Identification System (NLIS) da Austrália, utiliza três elementos estruturais fundamentais: identificação animal individual, um Código de Identificação da Propriedade (PIC) e uma Base Central de Dados que monitora a movimentação.12 No contexto brasileiro, a arquitetura deve tratar o PIC como a âncora geográfica e de responsabilidade legal. O PIC, que identifica a fazenda, é a chave para a conformidade com a EUDR. O sistema de controle de rebanho não deve tratar o PIC apenas como um código alfanumérico estático, mas sim como uma entidade geoespacial, associada a atributos de tempo (datas de entrada e saída do animal) e governança (vínculo com o Nome e CPF/CNPJ do Produtor 1). A precisão na vinculação do ID Animal ao PIC ao longo do tempo é o que permite a rastreabilidade completa do histórico de uso da terra, que é o requisito central para o compliance de desmatamento zero. A arquitetura precisa ser desenhada para coletar estes dados geoespaciais em cada evento de movimentação, garantindo a rastreabilidade da fazenda de origem ao prato do consumidor. IV. Estrutura e Fluxo de Dados: A Base Central Federal e a Inteligência do Sistema O sucesso do PNIB depende fundamentalmente da integração eficiente e segura de dados entre as pontas da cadeia produtiva e a Base Central de Dados (BCD) gerida pelo MAPA. 4.1. O Sistema Informatizado Federal e a Base Central de Dados (BCD) A Base Central de Dados (BCD) será o repositório central e a autoridade máxima de rastreabilidade no país.2 Ela foi projetada principalmente para rastrear a movimentação dos animais sob o viés sanitário.2 A BCD deverá albergar um conjunto mínimo de dados, incluindo informações do produtor (nome completo, CPF/CNPJ) e as propriedades a eles vinculadas.1 A estratégia de arquitetura mais eficiente para o sistema é o modelo Hub-and-Spoke (Centro e Pontas). A BCD federal funciona como o Hub de autoridade sanitária. Os Spokes ou pontas de coleta são os sistemas estaduais (OESAS), os sistemas privados (AgTechs como o do usuário) e os sistemas de frigoríficos. O sistema a ser desenvolvido (AgTech) atuará como um middleware inteligente. Sua função primária será capturar dados de alta granularidade e valor agregado (como os indicadores de gestão zootécnica e o Precision Livestock Farming – PLF) diretamente na fazenda. Contudo, para a BCD, o sistema deve ser desenhado para transmitir apenas o conjunto mínimo e obrigatório de dados sanitários e de movimentação, protegendo a propriedade intelectual e a confidencialidade dos dados gerenciais internos do produtor. Isso requer um Módulo de Sincronizaçãoe Filtragem que garanta o fluxo de informação regulatória, sem comprometer a vantagem competitiva do produtor. 4.2. Integração de Dados Obrigatórios: MAPA, OESAS e Protocolos Privados A implementação do PNIB exige um alinhamento institucional complexo. Os OESAS devem ajustar seus sistemas informatizados para alinhar suas bases de dados aos objetivos do PNIB.2 Além disso, o PNIB prevê a inclusão e o controle de animais participantes de Protocolos Privados, sejam eles homologados ou não pelo MAPA.2 Exemplos incluem protocolos para certificação de fêmeas não tratadas com estradiol ou protocolos de qualidade de couro.7 O sistema de controle deve ser desenhado para gerenciar e exportar diferentes camadas de dados, desde os obrigatórios para a BCD até os específicos para certificações de mercado. Tabela 2: Entidades de Dados Críticos e Requisitos de Integração na Base Central do PNIB Entidade de Dados Dados Essenciais (Mínimos BCD) Dados Detalhados (Sistema AgTech - Valor Agregado) Requisito de Compliance Crítico Produtor/Proprieda de CPF/CNPJ, Nome, PIC (Código de Propriedade), Cadastro na BCD Histórico de manejo, Documentos fundiários, Status de certificação (ex: orgânico) LGPD, Vinculação de responsabilidade sanitária e legal.1 Animal ID Único (ISO 076), Data/PIC de Nascimento, Sexo, Espécie, Status Ativo/Abatido Histórico de desempenho (GPD), Eficiência Alimentar, Histórico Reprodutivo (para fêmeas) 6 Rastreabilidade individual e indicadores de gestão técnica. Sanidade Data da Vacinação (Oficial), Tipo, Lote, Testes Oficiais Tratamentos com medicamentos (carência), Detalhes de nutrição, Histórico de doenças Biosegurança, Prevenção de riscos sanitários.6 Movimentação Data, PIC de Origem, PIC de Destino, Finalidade do Trânsito Meio de Transporte, Dados da GTA, Tempo de permanência na propriedade Compliance EUDR: Rastreamento do histórico geoespacial e prova de legalidade de uso da terra.2 Abate/Processame nto Data do Abate, Estabelecimento, ID da Carcaça Rendimento de carcaça, Percentual de gordura, Qualidade de acabamento (Modelo NLIS) 11 Feedback zootécnico e Conformidade de Destino. 4.3. Governança de Dados, Segurança e Proteção de Informações (LGPD e Acesso) A gestão de uma base de dados que abrange 238,2 milhões de indivíduos requer um rigoroso controle de segurança e governança. O sistema deve estar em total conformidade com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) 13, especialmente no que tange aos dados pessoais dos produtores (CPF, CNPJ, nome e propriedades vinculadas).1 Embora o MAPA disponibilize informações sobre dados abertos e integridade 14, os dados detalhados de gestão zootécnica e PLF coletados pelo sistema privado do usuário devem ser protegidos como ativos estratégicos do produtor. Um elemento crucial da rastreabilidade eletrônica é a sua capacidade de atuar como barreira contra fraudes. A exigência de inviolabilidade do dispositivo 2 serve como proteção física. No plano digital, o sistema de controle deve incluir mecanismos avançados de auditoria. A BCD do PNIB centraliza o registro das movimentações, permitindo o rastreamento da cadeia de custódia. O sistema privado pode complementar essa fiscalização com o uso de algoritmos de auditoria baseados em análise de dados. Estes algoritmos devem ser capazes de detectar anomalias, como padrões de movimentação irregulares, o surgimento de animais "fantasmas" (sem histórico de nascimento ou compra), datas de eventos inconsistentes, ou trânsitos entre PICs sem o registro de transporte oficial na BCD. Essa camada de inteligência (usando, por exemplo, técnicas de machine learning para detecção de anomalias) é fundamental para garantir a integridade dos dados e, consequentemente, a credibilidade do sistema brasileiro perante os mercados internacionais. V. Lições Aprendidas e Modelos de Referência Internacional A implementação do PNIB deve aproveitar a experiência de sistemas de rastreabilidade de sucesso global, adaptando as melhores práticas à complexa realidade da pecuária brasileira. 5.1. Estudo de Caso: National Livestock Identification System (NLIS) da Austrália O NLIS (National Livestock Identification Scheme) da Austrália, gerenciado pela Meat and Livestock Australia (MLA) desde 1998 11, oferece um modelo de referência altamente relevante. O NLIS utiliza identificação individual eletrônica, associa cada animal a um Código de Identificação da Propriedade (PIC) e registra todas as movimentações em uma Base Central de Dados.12 O aspecto mais valioso do NLIS, para além da conformidade sanitária e de segurança alimentar, é a sua contribuição para a produtividade da cadeia. O sistema possui interfaces com os frigoríficos que permitem informar ao produtor dados detalhados sobre as carcaças dos animais abatidos, como rendimento, percentual de gordura e qualidade de acabamento.11 Esta funcionalidade transforma a obrigatoriedade regulatória em uma vantagem competitiva direta. Ao receber feedback preciso e acionável, o produtor pode tomar decisões gerenciais mais informadas, melhorando a genética, a nutrição e a eficiência alimentar do seu rebanho.6 O sistema AgTech brasileiro deve replicar essa funcionalidade de feedback de carcaça. Isso incentivará a adesão voluntária e rápida dos produtores, pois oferece ganhos diretos de produtividade, tornando a rastreabilidade uma ferramenta de gestão inteligente, e não apenas um custo regulatório. 5.2. Análise Comparativa: PNIB e NLIS — Semelhanças Estruturais e Desafios de Escala Existem semelhanças estruturais claras entre o PNIB e o NLIS: ambos se apoiam em pilares como a identificação individual eletrônica (ID ISO 076), o controle de localização via código de propriedade (PIC) e a centralização de dados para fins de biosegurança. Contudo, o principal desafio do PNIB é a escala. O Brasil opera com o maior rebanho comercial do mundo (238,2 milhões de bovinos), em um território de dimensões continentais, caracterizado por uma enorme diversidade logística, de modelos produtivos e de conectividade. A dimensão do rebanho e a baixa conectividade em vastas regiões produtoras impõem uma restrição técnica crucial: o sistema não pode depender exclusivamente de internet em tempo real para a captação de dados. O custo-benefício de exigir infraestrutura de telecomunicações imediata em todas as fazendas é inviável no curto prazo. Portanto, a arquitetura do sistema do usuário precisa ser construída com robusta capacidade de sincronização off-line. Os dispositivos de leitura em campo e os aplicativos móveis usados pelos técnicos e produtores devem ser capazes de armazenar os registros de manejo, vacinação e movimentação localmente. A transmissão em lote dos dados para a Base Central (BCD/Sistema Privado) deve ocorrer de forma assíncrona, assim que a conexão (satélite ou móvel) for restabelecida. Esta estratégia minimiza a fricção na adoção em campo, garante a continuidade da coleta de dados operacionais e mantém a integridade dos registros mesmo em ambientes logísticos e tecnológicos adversos. VI. Recomendações e Plano de Ação para o Projeto de Criação do Sistema (2025–2032) A criação do sistema de controle de rebanho deve ser abordada como um projeto estratégico de longo prazo, alinhado com as fases regulatórias do PNIB e focado em agregar valor técnico ao produtor. 6.1. Faseamento do Projeto (Alinhamento com o Cronograma PNIB) O projeto de desenvolvimento e implementação da solução deve ser dividido em fases que reflitam o cronograma oficial do PNIB, garantindo que as funcionalidades de compliance sejam entregues nas janelas críticas de regulamentação. Tabela 3: Cronograma Estratégico do PNIB e Marcos Críticos do Projeto (AgTech) Período Fase PNIB (Estratégico - Objetivo Central Ações Críticas do Projeto de MAPA) Sistema (AgTech) 2025 – 2026 Transição,Testes, Criação da BCD e Ajuste OESAS (Etapas 1-2) 2 Estabelecer o framework regulatório e tecnológico federal. MVP de Compliance: Desenvolver e homologar o Módulo Core (ID ISO 076/Cadastro/Movi mentação). Garantir a integração de dados sanitários mínimos à BCD federal (Módulo de Sincronização). Participar de projetos piloto.5 2027 – 2029 Expansão e Consolidação (Etapa 3) Aumento da adoção obrigatória. Refinamento dos protocolos sanitários. Valorização do Produto: Implementar Módulos PLF, Sanidade Detalhada e Protocolos Específicos (ex: certificação Estradiol 7). Foco na usabilidade mobile e na arquitetura off-line. 2030 – 2032 Universalização e Garantia (Etapa 4) 1 Identificação de todo o rebanho em trânsito. Auditoria completa de compliance internacional. Auditoria e Inteligência: Implementar Módulos de Geoverificação EUDR (DDS). Otimizar a integração de Feedback de Carcaça. Estabilização e escalabilidade da infraestrutura para absorver o rebanho total. 6.2. Requisitos Funcionais Mínimos (Módulos de Sistema) Para garantir a aderência completa ao PNIB e maximizar o valor agregado ao produtor, o sistema deve ser estruturado nos seguintes módulos funcionais: Módulo de Identificação e Onboarding ● Cadastro de Produtores e PIC: Vincular os dados legais do produtor (CPF/CNPJ) às Propriedades de Identificação (PIC), conforme exigido pela BCD.1 ● Registro de ID Eletrônico: Utilização de leitores RFID/EID para leitura automatizada do número ISO 076.2 ● Gestão de Identificação Física: Protocolo interno para registro de perda e substituição de dispositivos (brinco e botton), mantendo o histórico de IDs vinculados ao animal. Módulo de Movimentação e Compliance Sanitário ● Registro de Movimentação Compulsória: Funcionalidade para registrar obrigatoriamente a origem, destino e finalidade de todo trânsito de animais antes que ele ocorra, conforme a regulação.2 ● Histórico Sanitário Detalhado: Registro de vacinações (oficiais) e tratamentos medicamentosos, incluindo a gestão de tempo de carência para garantir a segurança alimentar. ● Comunicação MAPA/OESAS: Interface de comunicação robusta para exportar o conjunto mínimo de dados sanitários e de movimentação para a Base Central de Dados federal e sistemas estaduais (OESAS), garantindo a conformidade regulatória. Módulo de Gestão Geoespacial (EUDR Ready) ● Georreferenciamento de PICs: Mapeamento geográfico preciso de todas as propriedades onde o animal permaneceu. ● Auditoria de Desmatamento (DDS): Esta é uma funcionalidade crítica para exportação. O sistema deve fornecer mecanismos para a auditoria automática ou semi-automática do histórico de movimentação de cada animal em relação a áreas mapeadas de desmatamento. Isso garante que o sistema pode fornecer, a qualquer momento, a prova de legalidade do uso da terra exigida para os mercados de alto valor, particularmente a União Europeia.9 Módulo de Valor Agregado (PLF e Mercado) ● Zootecnia e Desempenho: Monitoramento contínuo de indicadores zootécnicos (Ganho Médio Diário – GPD, idade ao abate) e registro detalhado de eficiência alimentar e histórico reprodutivo.6 ● Feedback de Carcaça (Modelo NLIS): Desenvolvimento de interface com os frigoríficos para importação de dados de carcaça pós-abate (rendimento, qualidade), transformando a rastreabilidade em uma poderosa ferramenta de melhoria genética e produtiva, seguindo o modelo australiano.11 6.3. Estratégia de Adoção e Incentivo Para garantir a rápida e ampla adoção do sistema, a solução tecnológica deve ser posicionada não como um ônus regulatório, mas como um investimento estratégico. A estratégia deve enfatizar: 1. Ganhos em Gestão Técnica: A rastreabilidade individual permite aos produtores avaliar o desempenho específico de cada animal, facilitando a tomada de decisões de manejo mais precisas, resultando em otimização do rebanho e redução de custos.6 2. Mitigação de Riscos e Estabilidade: O sistema deve ser promovido como um seguro contra crises sanitárias. A capacidade de rastreamento rápido protege o produtor de medidas generalizadas e garante a estabilidade de preços, mesmo em momentos de incerteza sanitária.9 3. Vantagem Competitiva por Antecipação: Incentivar a adoção do sistema nas fases iniciais (2025-2026) permite que os produtores testem e ajustem suas rotinas.16 Mais importante, aqueles que se preparam antecipadamente têm acesso imediato e garantido aos protocolos de bonificação de alto valor (EUDR, Protocolos Privados), assegurando uma vantagem competitiva no mercado internacional. O preparo precoce reduz riscos, amplia oportunidades e agrega valor ao rebanho.16 Trabalhos citados 1. Plano Estratégico 2025 - 2032 - Portal Gov.br, acesso a novembro 18, 2025, https://www.gov.br/agricultura/pt-br/assuntos/camaras-setoriais-tematicas/docu mentos/camaras-setoriais/carne-bovina/2025/72a-ro-18-03-2025/pnibv-planeja mento-estrategico-2025-2032.pdf 2. Rastreabilidade e Identificação Individual de Bovinos ... - Portal Gov.br, acesso a novembro 18, 2025, https://www.gov.br/agricultura/pt-br/assuntos/camaras-setoriais-tematicas/docu mentos/camaras-setoriais/carne-bovina/2025/72a-ro-18-03-2025/apresentacao- rastreabilidade.pdf 3. Plano Nacional de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos (PNIB).pdf - Insper Agro Global, acesso a novembro 18, 2025, https://agro.insper.edu.br/storage/papers/January2025/Policy%20Brief%20-%20Pl ano%20Nacional%20de%20Identificac%CC%A7a%CC%83o%20Individual%20de %20Bovinos%20e%20Bu%CC%81falos%20(PNIB).pdf 4. Rastreabilidade de bovinos e búfalos avança e pecuaristas têm até 2032 para se adaptar | Agropecuária MS | Sistema Famasul, acesso a novembro 18, 2025, https://portal.sistemafamasul.com.br/noticias/rastreabilidade-de-bovinos-e-b%C 3%BAfalos-avan%C3%A7a-e-pecuaristas-t%C3%AAm-at%C3%A9-2032-para-s e-adaptar 5. Projeto piloto de rastreabilidade bovina é lançado durante a Expointer, acesso a novembro 18, 2025, https://www.agricultura.rs.gov.br/projeto-piloto-de-rastreabilidade-bovina-e-lanc ado-durante-a-expointer 6. PNIB: Tudo o que você precisa saber - RadarBov, acesso a novembro 18, 2025, https://radarbov.com/blog/pnib-tudo-o-que-voce-precisa-saber/ 7. Rastreabilidade bovina: A chave para conquistar o mercado - Ponta Agro, acesso a novembro 18, 2025, https://pontaagro.com/rastreabilidade-bovina-tudo-sobre/ 8. Declaração CONPEDI, acesso a novembro 18, 2025, https://site.conpedi.org.br/publicacoes/q8nne93g/cq0snpvz/2Y6M36ISO04SlPVE. pdf 9. N O TA EXE CUTIV A, acesso a novembro 18, 2025, https://goias.gov.br/imb/wp-content/uploads/sites/29/2025/08/Nota_executiva_00 3_2025_rastreabilidade_bovina_e_competitividade_internacional.pdf 10. Tudo Sobre a EUDR: O Que É, Quem Será Afetado e Como se Preparar para as Novas Regras Ambientais da União Europeia - MartinsZanchet, acesso a https://www.gov.br/agricultura/pt-br/assuntos/camaras-setoriais-tematicas/documentos/camaras-setoriais/carne-bovina/2025/72a-ro-18-03-2025/pnibv-planejamento-estrategico-2025-2032.pdf https://www.gov.br/agricultura/pt-br/assuntos/camaras-setoriais-tematicas/documentos/camaras-setoriais/carne-bovina/2025/72a-ro-18-03-2025/pnibv-planejamento-estrategico-2025-2032.pdf https://www.gov.br/agricultura/pt-br/assuntos/camaras-setoriais-tematicas/documentos/camaras-setoriais/carne-bovina/2025/72a-ro-18-03-2025/pnibv-planejamento-estrategico-2025-2032.pdf https://www.gov.br/agricultura/pt-br/assuntos/camaras-setoriais-tematicas/documentos/camaras-setoriais/carne-bovina/2025/72a-ro-18-03-2025/apresentacao-rastreabilidade.pdf https://www.gov.br/agricultura/pt-br/assuntos/camaras-setoriais-tematicas/documentos/camaras-setoriais/carne-bovina/2025/72a-ro-18-03-2025/apresentacao-rastreabilidade.pdf https://www.gov.br/agricultura/pt-br/assuntos/camaras-setoriais-tematicas/documentos/camaras-setoriais/carne-bovina/2025/72a-ro-18-03-2025/apresentacao-rastreabilidade.pdfhttps://agro.insper.edu.br/storage/papers/January2025/Policy%20Brief%20-%20Plano%20Nacional%20de%20Identificac%CC%A7a%CC%83o%20Individual%20de%20Bovinos%20e%20Bu%CC%81falos%20(PNIB).pdf https://agro.insper.edu.br/storage/papers/January2025/Policy%20Brief%20-%20Plano%20Nacional%20de%20Identificac%CC%A7a%CC%83o%20Individual%20de%20Bovinos%20e%20Bu%CC%81falos%20(PNIB).pdf https://agro.insper.edu.br/storage/papers/January2025/Policy%20Brief%20-%20Plano%20Nacional%20de%20Identificac%CC%A7a%CC%83o%20Individual%20de%20Bovinos%20e%20Bu%CC%81falos%20(PNIB).pdf https://portal.sistemafamasul.com.br/noticias/rastreabilidade-de-bovinos-e-b%C3%BAfalos-avan%C3%A7a-e-pecuaristas-t%C3%AAm-at%C3%A9-2032-para-se-adaptar https://portal.sistemafamasul.com.br/noticias/rastreabilidade-de-bovinos-e-b%C3%BAfalos-avan%C3%A7a-e-pecuaristas-t%C3%AAm-at%C3%A9-2032-para-se-adaptar https://portal.sistemafamasul.com.br/noticias/rastreabilidade-de-bovinos-e-b%C3%BAfalos-avan%C3%A7a-e-pecuaristas-t%C3%AAm-at%C3%A9-2032-para-se-adaptar https://www.agricultura.rs.gov.br/projeto-piloto-de-rastreabilidade-bovina-e-lancado-durante-a-expointer https://www.agricultura.rs.gov.br/projeto-piloto-de-rastreabilidade-bovina-e-lancado-durante-a-expointer https://radarbov.com/blog/pnib-tudo-o-que-voce-precisa-saber/ https://pontaagro.com/rastreabilidade-bovina-tudo-sobre/ https://site.conpedi.org.br/publicacoes/q8nne93g/cq0snpvz/2Y6M36ISO04SlPVE.pdf https://site.conpedi.org.br/publicacoes/q8nne93g/cq0snpvz/2Y6M36ISO04SlPVE.pdf https://goias.gov.br/imb/wp-content/uploads/sites/29/2025/08/Nota_executiva_003_2025_rastreabilidade_bovina_e_competitividade_internacional.pdf https://goias.gov.br/imb/wp-content/uploads/sites/29/2025/08/Nota_executiva_003_2025_rastreabilidade_bovina_e_competitividade_internacional.pdf novembro 18, 2025, https://martinszanchet.com.br/blog/tudo-sobre-a-eudr-o-que-e-quem-sera-afet ado-e-como-se-preparar-para-as-novas-regras-ambientais-da-uniao-europeia/ 11. ANÁLISE DA ADOÇÃO DE SISTEMAS DE ... - PESC/Coppe, acesso a novembro 18, 2025, https://www.cos.ufrj.br/uploadfile/publicacao/1941.pdf 12. National Livestock Identification System (NLIS) - Integrity Systems, acesso a novembro 18, 2025, https://www.integritysystems.com.au/identification--traceability/national-livestoc k-identification-system/ 13. Plano Nacional de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos (PNIB) | Secretaria da Agricultura e do Abastecimento, acesso a novembro 18, 2025, https://www.agricultura.pr.gov.br/Arquivo/Plano-Nacional-de-Identificacao-Indivi dual-de-Bovinos-e-Bufalos-PNIB 14. Ministro Fávaro lança Plano Nacional de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos, acesso a novembro 18, 2025, https://www.gov.br/agricultura/pt-br/assuntos/noticias/ministro-favaro-lanca-plan o-nacional-de-identificacao-individual-de-bovinos-e-bufalos 15. PNIB — Ministério da Agricultura e Pecuária - Portal Gov.br, acesso a novembro 18, 2025, https://www.gov.br/agricultura/pt-br/assuntos/sanidade-animal-e-vegetal/saude- animal/rastreabilidade-animal/pnib 16. Identificação individual: Calendário de rastreabilidade bovina avança! - Ponta Agro, acesso a novembro 18, 2025, https://pontaagro.com/identificacao-individual/ https://martinszanchet.com.br/blog/tudo-sobre-a-eudr-o-que-e-quem-sera-afetado-e-como-se-preparar-para-as-novas-regras-ambientais-da-uniao-europeia/ https://martinszanchet.com.br/blog/tudo-sobre-a-eudr-o-que-e-quem-sera-afetado-e-como-se-preparar-para-as-novas-regras-ambientais-da-uniao-europeia/ https://www.cos.ufrj.br/uploadfile/publicacao/1941.pdf https://www.integritysystems.com.au/identification--traceability/national-livestock-identification-system/ https://www.integritysystems.com.au/identification--traceability/national-livestock-identification-system/ https://www.agricultura.pr.gov.br/Arquivo/Plano-Nacional-de-Identificacao-Individual-de-Bovinos-e-Bufalos-PNIB https://www.agricultura.pr.gov.br/Arquivo/Plano-Nacional-de-Identificacao-Individual-de-Bovinos-e-Bufalos-PNIB https://www.gov.br/agricultura/pt-br/assuntos/noticias/ministro-favaro-lanca-plano-nacional-de-identificacao-individual-de-bovinos-e-bufalos https://www.gov.br/agricultura/pt-br/assuntos/noticias/ministro-favaro-lanca-plano-nacional-de-identificacao-individual-de-bovinos-e-bufalos https://www.gov.br/agricultura/pt-br/assuntos/sanidade-animal-e-vegetal/saude-animal/rastreabilidade-animal/pnib https://www.gov.br/agricultura/pt-br/assuntos/sanidade-animal-e-vegetal/saude-animal/rastreabilidade-animal/pnib https://pontaagro.com/identificacao-individual/ Relatório Técnico-Estratégico: PNIB – Blueprint para um Sistema Nacional de Rastreabilidade Individual Bovina (2025-2032) I. O Imperativo da Rastreabilidade: PNIB como Ferramenta de Governança e Competitividade Global 1.1. Contexto Regulatório: Marco Legal do PNIB e o Plano Estratégico 2025–2032 1.2. A Universalização da Identificação: PNIB vs. SISBOV II. Requisitos de Compliance Internacional e a Modelagem de Dados ESG 2.1. O Desafio da EUDR: Rastreabilidade End-to-End e a Prova de Desmatamento Zero 2.2. Padrões Sanitários Globais: OIE e Codex Alimentarius III. Especificações Técnicas Fundamentais para o Desenvolvimento do Sistema 3.1. Hardware de Identificação: Detalhamento dos Dispositivos Padrão PNIB 3.2. Arquitetura da Identificação Individual: O Ciclo de Vida do "CPF do Boi" IV. Estrutura e Fluxo de Dados: A Base Central Federal e a Inteligência do Sistema 4.1. O Sistema Informatizado Federal e a Base Central de Dados (BCD) 4.2. Integração de Dados Obrigatórios: MAPA, OESAS e Protocolos Privados 4.3. Governança de Dados, Segurança e Proteção de Informações (LGPD e Acesso) V. Lições Aprendidas e Modelos de Referência Internacional 5.1. Estudo de Caso: National Livestock Identification System (NLIS) da Austrália 5.2. Análise Comparativa: PNIB e NLIS — Semelhanças Estruturais e Desafios de Escala VI. Recomendações e Plano de Ação para o Projeto de Criação do Sistema (2025–2032) 6.1. Faseamento do Projeto (Alinhamento com o Cronograma PNIB) 6.2. Requisitos Funcionais Mínimos (Módulos de Sistema) Módulo de Identificação e Onboarding Módulo de Movimentação e Compliance Sanitário Módulo de Gestão Geoespacial (EUDR Ready) Módulo de Valor Agregado (PLF e Mercado) 6.3. Estratégia de Adoção e Incentivo Trabalhos citados